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Crescimento reinventado
Perspectivas nos mercados emergentes
alimentam a confiança dos CEOs
7ª Pesquisa de Líderes
Empresariais Brasileiros
Apresentação
As empresas de todo o mundo enfrentam em 2011 um ambiente econômico
global que ainda se recupera de sua pior crise nos últimos 75 anos. Passado
o período de maior turbulência, algumas economias centrais ainda se
esforçam para superar os efeitos da recessão, mas surgem sinais de que os
Estados Unidos, que representam um quarto do PIB global, podem voltar a
crescer, o que renova o ânimo nas empresas.
A economia brasileira, por sua vez, colhe os resultados das políticas
adotadas para o enfrentamento da crise internacional e, depois de
apresentar um de seus melhores desempenhos nas últimas décadas,
prepara-se para mais um ano de crescimento.
Esses ventos favoráveis foram captados pela nossa 7ª Pesquisa de Líderes
Empresariais Brasileiros, que integra a 14ª Annual Global CEO Survey.
No fim do ano passado, o otimismo dos executivos brasileiros atingiu
nível recorde desde que este relatório começou a ser publicado, o que foi
acompanhado por um grau de confiança surpreendente demonstrado
também pelos CEOs ouvidos em todo o mundo.
Confirmamos uma tendência já observada na edição do ano anterior:
o Brasil assume um papel de destaque cada vez maior no cenário de
retomada econômica global. O país conseguiu aproveitar as oportunidades
criadas no instável ambiente de mudanças internacionais e agora desenha
estratégias para assumir uma posição de liderança no mundo pós-crise.
Há desafios importantes a serem superados nessa jornada, informam os
líderes neste relatório: solucionar os gaps de infraestrutura, principalmente
no setor de transportes, que emperram o desenvolvimento do país e sua
vocação exportadora; fazer as reformas que modernizem a máquina
pública e afastem o risco de descontrole do déficit fiscal; investir em mão de
obra qualificada que seja capaz de aumentar a competitividade de nossas
empresas, de modo a enfrentar a crescente concorrência global.
No contexto dessa pesquisa, agradecemos as empresas que compartilharam
conosco sua visão sobre o ambiente de negócios atual e sobre como elas
estão se preparando para vencer os desafios futuros. Ano após ano, elas nos
ajudam a elaborar um panorama do mundo corporativo que serve como
bússola para a atuação de nossos profissionais e como apoio adicional à
decisão de nossos clientes.
Nosso objetivo maior é estimular o debate em torno das questões aqui
apresentadas para que o recente período de expansão da economia brasileira
possa se transformar em um fenômeno de crescimento sustentável no longo
prazo, com benefícios para a geração atual e as futuras.
Fernando Alves
Sócio-presidente
PwC - Brasil
Índice
Introdução....................................................................4
O otimismo é geral.........................................................6
Fatores de mudança.......................................................9
Foco nos emergentes.....................................................11
Colaboração com governos...........................................14
Ameaças macroeconômicas...........................................16
Investimento em gestão de riscos...................................19
A caça por talentos.......................................................22
Fusões e aquisições ganham destaque..........................�� 29
Inovação....................................................................� 31
Contexto brasileiro......................................................34
Entrevista....................................................................38
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
3
Introdução
A economia brasileira teve
em 2010 um de seus melhores
desempenhos nas últimas
quatro décadas. Foi uma
saída rápida de um cenário
de recessão internacional e
incertezas, graças, sobretudo,
às medidas adotadas pelo
governo para ampliar o crédito
e estimular a demanda.
4
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
Esse resultado pode ser atribuído
também às mudanças estratégicas
realizadas pelas empresas, que
souberam fazer correções de rumo
em sua atuação, sem comprometer os
investimentos de longo prazo.
É um cenário que se reflete em
otimismo recorde no setor privado
com as perspectivas de negócios
para o ano de 2011. Captado pela
sétima edição da nossa pesquisa, o
bom humor dos líderes empresariais
brasileiros é acompanhado por um
grau de confiança surpreendente dos
CEOs internacionais nas chances de
recuperação da economia global nos
próximos três anos.
A capacidade de entender e responder
às mudanças estruturais na economia
mundial, exibindo forte disciplina de
custos durante a recessão, buscando
novas alternativas de expansão
dos negócios e aperfeiçoando os
mecanismos de gestão de riscos, está
por trás dessa confiança dos líderes
globais no crescimento de suas receitas
para os próximos três anos.
Neste relatório, porém, as empresas
se mostram atentas a essas ameaças.
Elas afirmam que estão considerando
em seu planejamento os efeitos da
resposta do governo ao déficit fiscal e
ao peso da dívida em seu planejamento.
Mencionada por 58% dos entrevistados,
essa é uma das três principais
preocupações dos líderes empresariais
brasileiros em relação ao futuro.
Os executivos brasileiros, cientes
de que a economia do país requer
novos ajustes para se manter nos
trilhos do crescimento, demonstram
menos confiança nas perspectivas de
negócios de longo prazo. Juros altos,
real sobrevalorizado, déficit fiscal
em alta são fatores que desestimulam
o setor produtivo. Como parte da
solução para esses problemas, o
corte anunciado pelo governo de
R$ 50 bilhões do orçamento em
fevereiro aponta para uma possível
redução no até então acelerado ritmo
de crescimento da economia.
A pesquisa também revela em que
áreas de negócios os CEOs enxergam
perspectivas de crescimento em 2011,
como eles esperam alcançá-lo, e o
grau de importância cada vez maior
que os mercados emergentes assumem
na estratégia das empresas globais.
Para atingir suas metas, os líderes
pretendem investir em inovação,
superar o desafio de escassez de mão
de obra qualificada e se comprometem
a colaborar mais com os governos
em áreas consideradas críticas para o
aumento de sua competitividade.
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
5
O otimismo é geral
Mesmo com as incertezas
que ainda cercam o processo
de retomada da economia
global, o grau de confiança dos
líderes empresariais de todo o
mundo quanto às perspectivas
de negócios cresceu de modo
surpreendente e, no caso do
Brasil, até superou os níveis
pré-crise.
Como revela a sétima edição da nossa pesquisa, os CEOs
brasileiros mostraram-se os mais confiantes entre todos os
entrevistados pelo segundo ano seguido: 58% deles acreditam
em crescimento da receita nos próximos 12 meses (em
comparação com 48% da média global).
Para o período de três anos à frente, no entanto, os líderes de
outras regiões se revelam mais otimistas, demonstrando que
esperam para os próximos anos resultados mais concretos
das medidas antirrecessão adotadas durante o auge da crise.
Com exceção da Europa Ocidental, as demais regiões, quando
avaliadas separadamente, apresentam melhores índices de
confiança para o período de 36 meses que o Brasil.
Figura 1: Direcionadores de mudanças
Qual o seu nível de confiança nas perspectivas de crescimento da receita de sua empresa nos próximos 12 meses?
48
39
Muito confiante
45
30
Confiante
44
42
9
6
2
Nada confiante
7
44
10
11
7
3
5
2
2
Não sabe/Não respondeu
2
3
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
6
47
40
39
Pouco confiante
58
54
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
100
Figura 2: Direcionando mudanças
Qual o seu nível de confiança nas perspectivas de crescimento da receita de sua empresa nos próximos 3 anos?
47
51
50
56
56
57
Muito confiante
43
34
39
Confiante
39
5
Pouco confiante
1
1
Nada confiante
2
4
46
41
14
6
2
1
1
1
1
1
Não sabe/Não respondeu
1
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
100
Base: Todos os participantes
O otimismo em relação ao futuro fica
claro também quando se considera a
pequena parcela (38%) de executivos
brasileiros inclinada a reduzir custos
a curto prazo. Em 2008, 88% dos
brasileiros adotaram iniciativas de
redução de custos. O percentual caiu
para 79% em 2009 e alcançou 80%
em 2010.
No que se refere ao grau de expectativa
dos entrevistados em relação a seus
próprios países, os brasileiros também
se mostram mais otimistas que seus
pares no restante do mundo. Para
86%, o Brasil tem alto potencial de
crescimento em comparação com
outros mercados. O percentual é mais
que o dobro da média global (37%) e
supera também os índices registrados
por Estados Unidos (41%), Ásia (46%)
e Europa Ocidental (19%).
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
7
Figura 3: Modelando a Resposta Corporativa
Você pretende iniciar alguma atividade de reestruturação nos próximos 12 meses? Qual?
64
38
Implementar iniciativa para redução de custo
68
58
63
50
Celebrar uma nova aliança
estratégica ou joint venture
51
50
30
Terceirizar um processo
ou função do negócio
34
28
20
20
14
23
14
6
18
11
22
12
12
9
8
8
0
25
14
4
Não sabe/Não respondeu
30
19
12
Terminar uma aliança estratégica
ou joint venture
49
31
26
25
Alienar ou cindir participação importante em um
negócio ou sair de um mercado significativo
66
66
38
45
“Internalizar” um processo ou função do
negócio anteriormente terceirizado
58
34
26
Concretizar uma fusão ou
aquisição internacional
66
15
14
14
9
10
10
20
30
40
50
60
70
80
90
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
Figura 4: Mudando Dimensões Globais
Comparado a outros mercados em que atua, o país onde você está localizado oferece um potencial de crescimento baixo,
médio ou alto para sua empresa?
37
86
19
Alto
41
41
44
27
2
Baixo
28
13
13
4
4
3
3
5
41
6
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
8
44
34
21
Não sabe/
Não respondeu
46
32
8
Médio
100
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
100
Fatores de mudança
Os líderes brasileiros indicam que grandes
mudanças foram necessárias em suas
organizações, nos últimos dois anos,
visando à adaptação ao “novo mercado”,
surgido após a crise de 2008. Tais
mudanças são observadas também nos
países asiáticos, porém em menor escala.
Entre os fatores que influenciaram a
transformação estratégica nas empresas
com sede no Brasil estão principalmente
as demandas de clientes e a ameaça da
concorrência, ambos citados por 24% dos
entrevistados. Os dois fatores são resultado
da trajetória virtuosa de estabilização da
economia brasileira iniciada em meados
da década de 1990 e que possibilitou o
crescimento do país de modo praticamente
constante nesse período.
Figura 5: Direcionadores de Mudanças
Em que medida a estratégia de sua empresa mudou nos últimos 2 anos?
33
Mudou fundamentalmente
52
34
26
36
35
51
40
Mudou um pouco
50
63
44
45
16
6
Não mudou
10
17
19
20
2
Não sabe/Não respondeu
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
100
Base: Todos os participantes
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
9
A confiança dos agentes econômicos internos e
externos tem atraído investimentos estrangeiros
da ordem de dezenas de bilhões de dólares
anuais e estimulado a concorrência no mercado
interno. Paralelamente, políticas sociais adotadas
e aprimoradas nos últimos governos permitiram a
ascensão de milhões de brasileiros para a classe C, a
nova classe média brasileira, com acesso a produtos
e serviços antes restritos às classes mais ricas.
Segundo análise da Fundação Getúlio Vargas (FGV),
cerca de 29 milhões de brasileiros entraram para
a classe C entre 2003 e 2009. O poder de compra
desses consumidores também aumentou no período,
graças a melhores condições de trabalho e de renda
e à expansão do crédito. Essa parcela da população
encerrou 2010 como principal consumidora de
eletrodomésticos e eletrônicos no país, sendo
responsável por 45% dos gastos com esses produtos.
Figura 6: Direcionadores de Mudanças
Qual fator impactou mais significativamente sua necessidade de mudar a estratégia?
23
2
Crescimento econômico
ou incertezas
23
28
28
22
Demanda de clientes
14
11
A dinâmica da indústria
19
17
10
24
11
10
2
7
8
4
Atitude com relação a risco
8
4
14
7
5
As expectativas dos acionistas
6
4
Regulações
5
5
17
9
7
6
4
Estrutura de capital/
desalavancagem
26
17
15
15
Ameaça da concorrência
24
17
16
32
20
6
7
7
3
8
8
10
1
1
Não sabe/Não respondeu
1
1
3
0
10
20
30
Global
Ásia Pacífico
Base: Todos os participantes que responderam
‘Mudou fundamentalmente’ ou
‘Mudou um pouco’ à pergunta da figura 6
10
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
40
50
60
70
80
90
Brasil
Europa Ocidental
Estados Unidos
América do Norte
100
Foco nos emergentes
A economia mundial caminha para a recuperação, mas mantém seu
caráter desigual. Enquanto os países desenvolvidos convivem com baixo
índice de crescimento, forte desemprego e tensões na periferia da zona
do euro, as economias emergentes apresentam vigorosa atividade. Esses
desequilíbrios ajudam a explicar por que a esmagadora maioria dos
CEOs brasileiros (92%) e de todo o mundo (84%) precisou mudar sua
estratégia corporativa nos últimos dois anos.
Figura 7: Mudando Dimensões Globais
Nos próximos 12 meses, você espera que as operações de sua empresa nestas regiões diminuam, permaneçam iguais ou cresçam?
Participantes que responderam ‘Cresçam’
90
Ásia
88
84
América Latina
78
80
100
92
94
94
94
86
80
75
África
70
64
72
73
72
Oriente Médio
75
70
77
73
70
Europa Oriental
100
75
40
66
67
66
57
Ásia Austral
70
71
55
33
América do Norte
55
40
68
67
45
Europa Ocidental
48
32
0
10
20
30
77
50
49
40
51
50
60
70
80
90
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
100
Base: Participantes cujas empresas têm operações chave nas regiões listadas acima
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
11
Segundo previsões do Fundo
Monetário Internacional (FMI), o
mundo deve crescer 4,4% em 2011,
enquanto os países desenvolvidos,
que representam 52% da economia
do planeta, alcançarão pouco mais
de metade desse ritmo (2,5%). Em
contraste, os emergentes crescerão
a taxas superiores a 6%, sendo que
o Brasil, segundo previsão do Banco
Central, deverá acompanhar a média
global (4,5%).
As atenções da maioria dos líderes
globais se voltam, portanto, para as
regiões em desenvolvimento, o que
acirra a concorrência nesses países.
As maiores apostas das empresas
estão na Ásia, na América Latina e
na África. A maioria (mais de 85%)
dos líderes entrevistados de todas as
regiões estima o crescimento de suas
operações na Ásia nos próximos 12
meses. Destaque para a China, país
mais importante para as expectativas
de crescimento de 39% dos CEOs
globais nos próximos três anos.
Para 100% dos brasileiros
entrevistados, o continente asiático
e a Europa Oriental serão palco de
expansão de operações corporativas
nos próximos 12 meses, enquanto 94%
esperam o crescimento das atividades
na América Latina, contra 50% na
Europa Ocidental e 33% apenas na
América do Norte.
‘Por todo o mundo, novos mercados estão
se desenvolvendo. Estamos em ascensão na
Europa Ocidental, e o Extremo Oriente, a
Europa Oriental e a América Latina estão
começando a comprar mais. Estamos vendo
assim um grande mercado internacional
para nosso conteúdo.’
Leslie Moonve
Presidente e CEO, CBS Corporation. EUA
12
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
Figura 8: Mudando Dimensões Globais
Em sua opinião, que países, com exceção daquele onde você atua, são mais importantes para as suas perspectivas de
crescimento nos próximos 3 anos?
(Foram fornecidas 3 respostas, no máximo)
36
36
China
39
59
69
57
21
Estados Unidos
40
19
28
16
19
17
9
Brasil
30
26
14
Índia
18
17
24
27
12
Alemanha
14
5
14
8
Rússia
3
5
19
16
10
17
6
6
Reino Unido
7
5
10
14
14
6
28
2
México
31
14
0
10
16
20
30
40
50
60
70
80
90
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
100
Base: Todos os participantes
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
13
A interferência do estado na economia
é também uma das três principais
preocupações da pesquisa global, mas os
dados revelam que as expectativas dos CEOs
em relação a esse assunto estão começando
a mudar. Quase 75% dos executivos em todo
o mundo e 82% dos brasileiros afirmaram
apoiar novas políticas governamentais
que promovam o “bom crescimento”, ou
seja, o crescimento ambiental, social e
economicamente sustentável.
Colaboração
com governos
O excesso de regulações foi citado como a mais
preocupante ameaça às perspectivas de crescimento
econômico por 68% dos entrevistados no Brasil. O tema é
uma preocupação recorrente dos executivos brasileiros. Ele
foi mencionado no topo da lista em cinco das sete edições
da pesquisa de líderes empresariais. No ano passado, foi
apontado por 70% dos CEOs brasileiros.
Ganha força, portanto, a concepção de
que o relacionamento entre governo e
iniciativa privada deve caminhar para o
compartilhamento de uma agenda comum,
que inclua questões como formação de mão
de obra qualificada e proteção ao meio
ambiente.
Figura 9: Direcionadores de Mudanças
Em que medida você concorda ou discorda das seguintes afirmações relacionadas à nova dinâmica da economia global?
Participantes que responderam ‘Concordo’ ou ‘Concordo plenamente’
As empresas irão apoiar ativamente novas
políticas públicas que promovam o ‘bom
crescimento’, ou seja, crescimento sustentável
em termos financeiros, sociais e ambientais,
em nível global, nacional e local
72
70
72
86
53
62
59
Os mercados emergentes são mais
importantes para o futuro da minha empresa
do que os mercados desenvolvidos
75
66
68
50
73
35
34
Parcerias entre governo e empresas
conseguirão mitigar, de forma mais efetiva,
os principais riscos globais como mudanças
climáticas, terrorismo e crises financeiras
55
54
45
71
45
45
49
O mundo estará mais aberto ao livre
mercado internacional e fluxos de capitais
44
52
57
41
39
47
Na próxima década, as principais novas marcas
globais surgirão de mercados emergentes
42
33
52
59
36
41
Políticas e alíquotas fiscais serão cada vez
mais convergentes, entre as nações
62
37
45
29
28
39
Novas regulações serão amplamente harmonizadas
em virtude da cooperação entre governos
35
42
46
19
19
Governos nacionais manterão setores
estratégicos de sua economia inacessíveis
ao domínio e controle estrangeiros
37
14
35
47
49
0
14
78
64
Os negócios globais serão mais
transparentes ao relatar seus resultados
financeiros e obrigações fiscais
Base: Todos os participantes
82
68
10
20
30
40
50
52
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
Na pesquisa global, 55% dos entrevistados acreditam que os esforços conjuntos de governos
e empresas reduzirão riscos globais como o das mudanças climáticas, do terrorismo e das
crises financeiras. O Brasil apresentou percentual semelhante de respostas.
A maioria dos entrevistados pretende aumentar seu comprometimento com o setor público
em diversas áreas para melhorar a competitividade em termos nacionais e promover o
bem-estar social. O principal compromisso - para 88% dos líderes brasileiros e 82% dos
globais - é criar e fomentar uma força de trabalho qualificada. As outras ações incluem
manter a saúde da força de trabalho (82% dos brasileiros; 71% dos globais), reduzir a
pobreza e a desigualdade (74% dos brasileiros; 42% dos globais), melhorar a
infraestrutura do país (68% no Brasil; 44% no mundo).
Figura 10: Direcionadores de Mudanças
Nos próximos 3 anos, em que medida sua empresa pretende aumentar o comprometimento nas áreas abaixo,
para melhorar a competitividade em termos nacionais e promover o bem-estar social?
Participantes que responderam ‘Significativamente’ ou ‘Mais comprometimento’
82
Criar e fomentar uma força de trabalho qualificada
76
78
81
79
71
57
Manter a saúde da força de trabalho
82
74
75
67
68
67
67
Gerar inovações e salvaguardar a
propriedade intelectual
68
56
46
Proteger os interesses dos consumidores
68
51
30
44
Assegurar estabilidade ao setor financeiro
e acesso ao capital disponível
41
66
46
36
37
44
Garantir os recursos naturais
que são críticos ao negócio
40
64
44
26
27
42
30
Reduzir a pobreza e a desigualdade
22
Contemplar os riscos de mudanças climáticas
74
42
25
40
40
41
42
22
24
36
27
Proteger a biodiversidade e os ecossistemas
19
0
Base: Todos os participantes
10
20
72
62
44
32
25
78
59
38
38
Melhorar a infraestrutura do país
88
62
39
24
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
15
Ameaças macroeconômicas
Depois do excesso de regulações (68%), o protecionismo e a resposta
dos governos ao déficit fiscal e ao aumento da dívida são as outras duas
preocupações principais dos brasileiros. Elas tiveram 60% e 58% de menções,
respectivamente. Na pesquisa global, os CEOs (71%) se mostraram mais
preocupados com a incerteza e a volatilidade do crescimento econômico.
Figura 11: Direcionadores de Mudanças
Qual o seu nível de preocupação com relação às seguintes ameaças econômicas e políticas às perspectivas de crescimento do seu negócio?
Participantes que responderam ‘Extremamente preocupados ‘ ou ‘Preocupados’
71
42
Crescimento econômico
incerto e volátil
73
58
Resposta do governo ao déficit
fiscal e peso da dívida
61
60
65
68
67
59
68
49
Excesso de regulações
70
69
61
48
Volatilidade da taxa de câmbio
28
54
50
78
34
52
46
Falta de estabilidade nos
mercados de capitais
32
54
35
32
36
49
16
15
0
10
20
60
46
31
20
19
Inflação
66
36
40
Tendências protecionistas
dos governos
30
40
50
60
70
80
90
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
16
89
75
74
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
100
A apreensão dos brasileiros quanto ao
protecionismo vem crescendo ao longo
dos anos: o percentual subiu nove
pontos em relação à pesquisa de 2010,
depois de uma alta de dez pontos sobre
2009. Na comparação com os líderes
de outras regiões, os brasileiros são os
mais preocupados com esse tema na
pesquisa deste ano, e 37% incluíram as
tendências protecionistas entre os riscos
que pretendem mitigar nos próximos
12 meses, muito acima dos 18%
registrados no levantamento global.
No início deste ano, o diretorgerente do FMI (Fundo Monetário
Internacional), Dominique StraussKahn, fez um alerta sobre o fato de
que a economia mundial começou a
melhorar, mas ainda está mergulhada
em problemas, como o elevado
desemprego e a alta de preços, o que
pode aumentar o protecionismo e os
problemas sociais.
“O crescimento continua sendo
inferior a seu potencial nos países
desenvolvidos, enquanto os países
emergentes e em desenvolvimento
crescem muito mais rápido.
Alguns inclusive podem sofrer um
superaquecimento”, afirmou StraussKahn, concluindo: “À medida que
aumentam as tensões entre os países,
poderíamos ver um aumento do
protecionismo comercial e financeiro”.
A pesquisa global apontou também
como segunda preocupação dos líderes
empresariais o déficit fiscal crescente
(61%) e o temor de que países
altamente alavancados não consigam
refinanciar suas dívidas, o que pode
resultar em volatilidade nos mercados
de câmbio e de bônus e conter a
expansão comercial das empresas.
Há uma clara expectativa dos CEOs
de que os governos em economias
avançadas sejam obrigados a elevar
impostos e cortar gastos ainda mais.
Nos EUA, 74% dos executivos esperam
um aumento de suas contribuições
fiscais como resposta do governo à
elevação da dívida pública. Embora
menor no Brasil, esse temor foi citado
por 56% dos entrevistados.
A dívida pública federal brasileira,
que inclui os endividamentos interno
e externo, subiu 13% em 2010, para
R$ 1,69 trilhão, segundo a Secretaria
do Tesouro Nacional. O crescimento
foi de R$ 197 bilhões, o maior da
série histórica da instituição, iniciada
em 2001, e quase o dobro da alta do
ano anterior.
Figura 12: Direcionadores de Mudanças
Quais das ameaças econômicas e políticas abaixo representam os riscos mais significativos que você pretende mitigar nos próximos 12 meses?
46
22
Crescimento econômico
incerto e volátil
51
64
43
44
34
Resposta do governo ao déficit
fiscal e peso da dívida
27
Excesso de regulações
27
47
34
39
34
32
15
37
53
19
29
Volatilidade da taxa de câmbio
Falta de estabilidade nos
mercados de capitais
22
19
19
30
31
25
27
28
18
Tendências protecionistas
dos governos
15
10
10
Inflação
5
3
37
18
13
6
22
4
0
41
31
22
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Participantes que responderam ‘Preocupados’ ou ‘Extremamente preocupados’ à pergunta da figura 10
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
17
Metade dos executivos brasileiros
acredita que a economia do país sofrerá
uma desaceleração porque o governo
precisará fazer cortes de gastos públicos
ou aumentar impostos para combater o
aumento da dívida pública.
Os CEOs de todas as regiões (exceto
do Oriente Médio) percebem o risco
de contágio das crises da dívida
soberana de países como a Grécia e a
Irlanda para suas próprias economias
domésticas, bem como o da elevação
da carga tributária e dos cortes de
gastos que outros governos estão
promovendo para evitar problemas
desse tipo.
“O alto nível de dívida pública da Grécia pode
ser uma preocupação para nossa expansão no
país, já que um endividamento elevado pode
levar a um efeito de expulsão, uma redução
no consumo privado e/ou investimentos e,
assim, restringir nossas oportunidades para
expansão de ativos no país.”
Efthimios Bouloutas
CEO, Marfin Laiki Bank, Chipre
Figura 13: Direcionadores de Mudanças
Em que medida você concorda ou discorda das seguintes afirmações relacionadas ao impacto econômico
de um grande déficit fiscal e crescente aumento da dívida pública?
No país onde atuo, cortes nos gastos públicos ou
aumento de impostos para fazer frente ao
aumento da dívida pública irão diminuir o
crescimento da economia local
63
69
70
67
53
56
53
55
A contribuição fiscal da minha empresa aumentará
como resultado das respostas do governo
ao aumento da dívida pública
67
Cortes nos gastos públicos ou aumento de impostos
em outros países irão diminuir o crescimento
econômico dos principais mercados estrangeiros
da minha empresa
47
47
47
35
33
44
16
15
19
18
13
10
24
24
27
15
14
0
50
20
10
As ações do governo para enfrentar a crescente
dívida pública representam uma oportunidade de
crescimento para minha empresa
49
34
26
As vendas da minha empresa ao governo irão
diminuir como resultado das medidas tomadas pelo
governo para enfrentar a crescente dívida pública
74
44
38
Por conta dos cortes de gastos públicos ou aumento
de impostos no país ou no estrangeiro, minha
empresa está fazendo mudanças estratégicas
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
18
61
50
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
Investimento em gestão de riscos
Neste ano, os dados comprovam que foram
feitos investimentos para aprimorar a área
associados às mudanças recentes de estratégia.
Os executivos brasileiros entrevistados
forneceram respostas consistentemente
melhores em relação à gestão de riscos que seus
pares de outras regiões e inclusive que a média
global registrada pela pesquisa.
As empresas brasileiras estão decididas a aprimorar
seus sistemas de gestão de riscos para evitar o
impacto de crises como a que sacudiu o planeta em
2008. Mudanças na abordagem de gestão de riscos
já eram prioridade para 96% dos executivos na
edição passada da pesquisa de líderes.
Figura 14: Direcionadores de Mudanças
Você está tomando medidas adicionais para melhorar a gestão dos riscos associados à mudança de estratégia? Quais?
72
Direcionando mais atenção da
alta administração à gestão de risco
66
Incorporando formalmente cenários de
risco ao planejamento estratégico
64
66
85
74
86
86
67
58
Direcionando mais atenção das reuniões
do conselho à gestão de risco
57
83
82
81
61
62
68
66
45
Designando formalmente a responsabilidade
dos executivos pela gestão de riscos
76
47
35
56
58
40
Realizando mais exercícios de
prontidão para crises
59
40
27
34
36
36
Ajustando incentivos ao desempenho
para responder pelo risco
34
27
39
52
31
Reexaminando a estrutura de capital
30
26
54
39
51
50
29
Aumentando os níveis de autoridade
dos executivos da gestão de risco
72
27
20
26
28
20
Aumentando o quadro de
profissionais na gestão de risco
17
18
0
10
41
24
24
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes que responderam ‘Mudou fundamentalmente’ ou
‘Mudou um pouco’ à pergunta da figura 6
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
19
A maioria (85%) afirmou que a alta
administração está direcionando
mais atenção à gestão de riscos,
enquanto 83% disseram que estão
incorporando cenários de risco ao
planejamento estratégico. Quase
dois terços revelaram também que
estão designando formalmente a
responsabilidade dos executivos pela
gestão de riscos e aumentando seus
níveis de autoridade nessa área.
A instabilidade política aparece como o
risco global que mais afeta as atividades
de planejamento estratégico e de
gestão de risco das empresas no Brasil
e no mundo e com maior impacto
sobre as perspectivas de crescimento
nos próximos três anos. Para 78%
dos entrevistados, o aumento da
carga tributária é a maior ameaça às
perspectivas de crescimento.
Figura 15: Direcionadores de Mudanças
Qual seu nível de preocupação com as seguintes ameaças às suas perspectivas de crescimento?
Participantes que responderam ‘Extremamente preocupados’ ou ‘Preocupados’
56
Disponibilidade de talentos
com habilidades fundamentais
38
76
44
56
Comportamento e gastos
do consumidor em
permanente mudança
78
46
63
51
45
43
40
Entrada de novos
concorrentes no mercado
35
66
46
48
58
29
30
40
26
Custos com energia
36
54
25
24
28
Segurança da cadeia
de suprimentos
26
Falta de capacidade de
crescimento financeiro
38
34
53
29
34
22
37
36
50
25
37
56
20
Estrutura básica inadequada
18
0
10
56
20
20
65
48
22
Aumento da carga tributária
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
20
68
48
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
Quase 60% dos empresários brasileiros consideram, inclusive, que o aumento
da carga tributária é o maior risco a mitigar nos próximos 12 meses. O segundo
maior risco, de 50%, segundo os empresários, é a disponibilidade de talentos
com habilidades fundamentais.
Figura 16: Direcionadores de Mudanças
Quais das potenciais ameaças abaixo representam os riscos mais significativos que você pretende mitigar nos próximos 12 meses?
38
Disponibilidade de habilidades
fundamentais
50
35
18
30
11
Comportamento e gastos do
consumidor em permanente mudança
52
24
30
32
35
38
27
17
Aumento da carga tributária
26
28
13
35
16
21
11
Custos com energia
24
24
10
10
21
15
Segurança da cadeia de suprimentos
22
23
19
18
21
Falta de capacidade de crescimento financeiro
23
22
15
15
28
16
7
Estrutura básica inadequada
10
33
23
8
8
0
34
24
24
21
Entrada de novos concorrentes no mercado
57
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Participantes que responderam ‘Extremamente preocupados ‘ ou ‘Preocupados’ à pergunta da figura 14
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
21
A caça por talentos
Considerando que 84% dos CEOs promoveram mudanças em suas estratégias corporativas
nos últimos dois anos, é natural que as necessidades de talentos das empresas estejam
mudando também. Como resposta à dinâmica do ambiente de negócios, 83% dos líderes
globais disseram que pretendem corrigir rumos da estratégia de gestão de talentos nos
próximos 12 meses. No Brasil, a área é citada como prioridade, atrás apenas de mudanças
nas decisões sobre investimentos.
Figura 17: Modelando a Resposta Corporativa
Em resposta à dinâmica no ambiente global de negócios, em que medida você prevê mudanças nas seguintes
áreas ou modelos operacionais da sua empresa durante os próximos 12 meses?
83
84
84
Estratégias para gestão de talentos
75
77
Abordagem à gestão de risco
82
76
59
92
78
86
64
76
Decisões sobre investimentos
90
72
62
83
66
74
Estrutura organizacional
(incluindo Fusões e Aquisições)
76
75
77
69
69
63
Foco na reputação corporativa e
reconstrução da confiança
45
43
58
62
48
47
46
Compromisso com seu
conselho administrativo
66
40
39
0
10
20
30
72
49
49
Esrutura do capital
57
43
40
50
60
70
80
90
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
22
78
59
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
100
Figura 18: Modelando a Resposta Corporativa
Qual a sua expectativa em relação ao quadro global de funcionários da sua organização nos próximos 12 meses?
3
2
Diminui mais de 8%
1
4
3
2
4
4
Diminui entre 5 e 8%
3
3
3
5
9
6
Diminui menos de 5%
12
6
8
9
26
13
Aumenta entre 5 e 8%
11
Aumenta mais de 8%
11
32
29
29
23
16
Aumenta menos de 5%
23
28
34
32
20
13
14
12
15
7
Não sabe/Não respondeu
31
24
Permanece igual
0
1
1
1
0
28
21
12
2
2
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
O mercado de trabalho mostra sinais
de aquecimento em consequência
da recuperação do setor privado.
Mais de 40% das empresas
globais ampliaram seu quadro de
funcionários no ano passado, e 51%
estão dispostas a fazer contratações
este ano. No Brasil, o panorama do
mercado de trabalho é ainda melhor:
64% das empresas aumentaram
o quadro de pessoal e 64% têm
intenção de contratar em 2011.
Dois terços dos CEOs globais e 76%
dos brasileiros acreditam, porém, que
há uma oferta limitada de mão de
obra qualificada, especialmente para
atender à necessidade de fixar uma
presença nos mercados emergentes a
longo prazo.
O tema é tão sensível que, segundo os
empresários, deve ser a quarta maior
prioridade atual dos Governos.
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
23
Figura 19: Modelando a Resposta Corporativa
Considerando os talentos necessários para o sucesso do seu negócio nos próximos 3 anos, quais os
principais desafios que você espera enfrentar?
66
Disponibilidade limitada de candidatos
com as habilidades certas
56
64
54
Dificuldade em recrutar e integrar
profissionais mais jovens
66
53
38
68
70
52
Recrutamento de alguns dos seus melhores
profissionais pelos concorrentes
64
46
47
66
66
50
Oferecer planos de carreira
atraentes em nossa indústria
74
54
36
51
47
45
Dificuldades em utilizar
globalmente talentos experientes
41
62
47
47
50
44
Talentos com as habilidades técnicas apropriadas,
mas com falta de flexibilidade e criatividade
42
54
47
45
49
40
Entender e prever a disponibilidade de
talentos nos mercados emergentes
37
40
39
28
Aposentadoria dos funcionários mais experientes
30
12
14
12
16
14
1
0
38
52
53
42
27
28
18
2
2
2
1
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
24
24
53
53
35
23
21
Fraca retenção de talentos femininos
42
39
20
Controle de estruturas de prêmios por
órgãos reguladores e/ou investidores
66
40
40
Funcionários importantes empreendendo
mudanças na carreira por razões pessoais
Não sabe/Não respondeu
76
65
63
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
Figura 20: Direcionadores de Mudanças
Cite 3 áreas que os Governos deveriam priorizar atualmente.
(Foram fornecidas 3 respostas, no máximo)
51
Melhorar a infraestrutura do país
35
49
55
32
56
57
45
Assegurar estabilidade ao setor financeiro e
acesso ao capital disponível
34
Reduzir a pobreza e a desigualdade
12
28
32
33
33
22
18
19
22
22
22
14
6
12
14
17
18
10
0
Proteger os interesses dos consumidores
8
7
11
11
9
6
Proteger a biodiversidade e os ecossistemas
5
7
20
14
2
3
Não sabe/não respondeu
2
0
26
20
16
18
Manter a saúde da força de trabalho
37
20
14
0
44
32
16
Contemplar os riscos de mudanças climáticas
55
15
Gerar inovações e salvaguardar
a propriedade intelectual
Garantir os recursos naturais
que são críticos ao negócio
50
47
49
32
25
56
55
47
30
Criar e fomentar uma força de trabalho qualificada
84
3
5
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
25
No Brasil, o fenômeno conhecido como “apagão
de mão de obra” afeta principalmente setores que
experimentam forte aquecimento de demanda.
É o caso da construção civil, conforme indica
sondagem realizada pela Confederação Nacional
Indústria (CNI) com 375 empresas no início
de 2011. Segundo o levantamento, 68% dos
empresários apontam a dificuldade de contratação
de pessoal como um dos três maiores entraves à
atividade do setor - o índice foi de 53% no ano
anterior. O problema se deve à combinação de
crescimento acelerado com a pequena capacidade
de formação de profissionais qualificados para
exercer atividades nessa área. A tendência
preocupa porque se reflete em aumento de custos e
ameaça comprometer os resultados do setor.
No esforço de captar e reter os talentos
necessários a seus planos de expansão, os
executivos estudam adotar diferentes estratégias
ao longo de 2011. Nas empresas brasileiras, a
principal delas será usar mais recompensas não
financeiras para motivar o pessoal (74%), com
foco maior no desenvolvimento da carreira,
como treinamento e programas de orientação
profissional. Em seguida, 60% das empresas
pretendem trabalhar com governos/sistemas
de formação para aperfeiçoar as habilidades
do conjunto de competências e, cada vez
mais, recrutar e tentar reter profissionais mais
experientes.
Figura 21: Modelando a Resposta Corporativa
Em que medida você planeja implementar as seguintes mudanças com relação ao pessoal nos próximos 12 meses?
Participantes que responderam ‘Mudanças significativas’ ou ‘Algumas mudanças’
65
Usar mais recompensas não financeiras
para motivar o pessoal
72
52
54
Designar mais funcionários em
trabalhos internacionais
59
54
62
51
54
Trabalhar com governos/sistemas de formação
para aperfeiçoar as habilidades do
conjunto de competências
50
50
50
Incentivar de forma diferenciada os jovens profissionais
(aproximadamente entre 16 e 30 anos, hoje em dia)
60
45
42
60
36
49
27
36
40
Estabelecer limites de compensação para executivos
37
32
Aumentar a força de trabalho contingente de forma
mais rápida quea força de trabalho em período
integral, considerando todos os níveis da organização
31
29
42
35
32
27
Realocar operações em função da
disponibilidade de talentos
24
27
27
0
10
20
30
54
46
26
31
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
54
43
40
42
44
38
38
Cada vez mais, recrutar e tentar
reter profissionais mais experientes
26
65
46
44
48
39
31
32
Mudar políticas para atrair e reter mais mulheres
Base: Todos os participantes
74
57
46
26
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Figura 22: Direcionadores de Mudanças
Nos próximos 3 anos, em que medida sua empresa pretende aumentar o comprometimento nas áreas abaixo,
para melhorar a competitividade em termos nacionais e promover o bem-estar social?
Participantes que responderam ‘Significativamente’ ou ‘Mais comprometimento’
82
Criar e fomentar uma força de trabalho qualificada
76
78
81
79
71
57
Manter a saúde da força de trabalho
82
74
75
67
68
67
67
Gerar inovações e salvaguardar
a propriedade intelectual
68
56
46
Proteger os interesses dos consumidores
68
51
30
44
Assegurar estabilidade ao setor financeiro
e acesso ao capital disponível
41
66
46
36
37
44
Garantir os recursos naturais
que são críticos ao negócio
40
64
44
26
27
42
30
Reduzir a pobreza e a desigualdade
22
Contemplar os riscos de mudanças climáticas
74
42
25
40
40
41
42
22
24
36
27
Proteger a biodiversidade e os ecossistemas
19
0
10
20
72
62
44
32
25
78
59
38
38
Melhorar a infraestrutura do país
88
62
39
24
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
27
Segundo o relatório Global Shortage
2010, da consultoria Manpower,
o Brasil é o país do continente
americano com maior dificuldade
de preenchimento de vagas. Esse
problema foi apontado por 64% dos
850 empregadores entrevistados.
Técnicos de produção, operação,
engenharia e manutenção e
representantes de vendas são as
ocupações mais difíceis de serem
preenchidas em toda a América Latina,
de acordo com a Manpower.
“Apenas 20% de nossos jovens estão
estudando na universidade a cada ano. A
OCDE diz que deveríamos ter pelo menos
40% ou 50%, e nós dissemos que não
porque não queremos um ‘proletariado
acadêmico’. Temos nosso sistema
educacional dual, com aprendizagem de
um lado e estudos universitários de outro.
Acho que é um modelo perfeito, uma coisa
que outros países não têm.”
Prof. Dr. Peter Gomez.
Presidente do Conselho, SIX Group AG, Suíça
28
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
Preocupadas em manter sua
competitividade, quase 90% das
empresas brasileiras e globais se
dispõem a aumentar o compromisso
com os governos no sentido de criar
e fomentar uma força de trabalho
qualificada nos próximos três anos.
Em vários países, sobretudo na Ásia, as
empresas encaram esse investimento
permanente em educação e
treinamento como um complemento
ao ensino formal, pois consideram
que adoção de novas tecnologias e
conhecimentos em ritmo acelerado
tende a tornar obsoletos alguns
ensinamentos obtidos na escola ou
universidade em questão de anos.
Fusões e aquisições
ganham destaque
A maioria dos CEOs está
respondendo à crescente
demanda dos consumidores
de classe média nos países
emergentes desenvolvendo
produtos e serviços
especialmente destinados a
esses mercados, ao mesmo
tempo em que tenta atender
às novas necessidades dos
consumidores de mercados
mais maduros.
Analisando a evolução dos dados da
pesquisa desde 2007, percebe-se que o
aumento de participação nos mercados
em que atuam vem perdendo
importância para a inovação como
estratégia de crescimento para os
líderes globais. Fenômeno semelhante
ocorre entre as empresas brasileiras,
mas são as fusões e aquisições que
ganham espaço como alternativa para
a expansão de negócios.
Figura 23: Principais oportunidades de crescimento
Evolução no Brasil
60
50
Aumento de participação nos mercados existentes
40
Desenvolvimento de novo produto/serviço
30
Fusões e aquisições
20
Abertura de novos mercados geográficos
10
0
Novas parcerias e/ou alianças estratégicas
2007
2008
2009
2010
2011
Não sabe/Não respondeu
Fonte: Pesquisa de Líderes Empresariais brasileiros, PwC
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
29
Essa tendência foi comprovada na
pesquisa Fusões e Aquisições no Brasil,
publicada em dezembro de 2010
pela PwC. Em um ano dominado por
incertezas no cenário internacional,
o Brasil se mostrou mais estável e
atraente para os investidores em 2010
e registrou um recorde absoluto em
número de transações. Foram 787
negócios realizados, nos mais diversos
setores, com crescimento de 22%
em relação ao ano anterior, um novo
patamar no universo das fusões e
aquisições no país.
Presentes em 60% das compras
de participação, os investidores
nacionais participaram de 396
negócios. Em relação ao ano anterior,
o aumento foi de 19%.
Ao longo de 2011, 30% dos líderes
brasileiros demonstram a intenção
de concretizar uma transação de
fusão ou aquisição, sobretudo com
outras empresas da América Latina. O
percentual é um pouco menor que a
média global (34%) e que o resultado
de todas as regiões pesquisadas, com
exceção da Ásia.
Figura 24: Modelando a Resposta Corporativa
Você pretende iniciar alguma atividade de reestruturação nos próximos 12 meses? Qual?
64
38
Implementar iniciativa para redução de custo
68
58
63
50
Celebrar uma nova aliança
estratégica ou joint venture
51
50
30
Concretizar uma fusão ou
aquisição internacional
20
20
14
23
14
6
18
11
22
25
14
4
12
12
9
8
8
0
30
19
12
Não sabe/Não respondeu
15
14
14
9
10
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
30
34
28
Terminar uma aliança estratégica
ou joint venture
49
31
26
25
Alienar ou cindir participação importante em um
negócio ou sair de um mercado significativo
66
66
38
45
“Internalizar” um processo ou função do
negócio anteriormente terceirizado
58
34
26
Terceirizar um processo
ou função do negócio
66
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
com a Confederação da Indústria
Indiana (CII), revelou que o país
despencou da 50ª para a 68ª posição
no ranking mundial de inovação,
que identificou as economias de
Islândia, Suécia e Hong Kong como
as três mais inovadoras do mundo.
Inovação
Crescer em mercados altamente
competitivos exige inovação em
produtos e serviços que esteja
sintonizada com as necessidades
dos consumidores. Uma análise
da evolução dos dados da
pesquisa nos últimos anos revela
que os líderes globais vêm dando
importância crescente a essa
estratégia como oportunidade
de expansão de negócios desde
2007. E os CEOs estão confiantes
que seus investimentos serão
bem-sucedidos: 78% esperam que
os esforços de desenvolvimento
gerem importantes novas
oportunidades de receita nos
próximos três anos.
No Brasil, a aposta dos líderes
empresariais na inovação se
manteve estável nos últimos três
anos e atingiu em 2010 um nível
pouco menor que o de todas as
outras regiões. As expectativas de
resultados, porém, estão entre as
mais altas: 86% acreditam que as
inovações levarão a significativas
oportunidades de novas receitas
nos próximos 12 meses.
Segundo a pesquisa de líderes
globais, os CEOs estão buscando
diferenciação e aumento de
eficiências em seu processo de
inovação: 86% dos executivos
brasileiros e 79% dos globais
acreditam que as inovações
levarão a eficiências operacionais
que proporcionarão vantagens
competitivas. O investimento em
tecnologia é um caminho para isso.
Ao longo do tempo, atrasos nos
investimentos em pesquisa e
desenvolvimento têm feito o
Brasil perder fôlego na busca de
diferencial competitivo em relação
a outros países. Estudo divulgado
em 2010 pela escola mundial
de negócios Insead, em parceria
Em torno de 70% dos entrevistados
estão investindo em TI para
reduzir custos e ganhar eficiência,
enquanto 54% dos líderes globais e
34% dos brasileiros também estão
interessados em suportar iniciativas
de crescimento e alavancar inovações
emergentes, tais como dispositivos
móveis e mídia social.
Figura 25: Modelando a Resposta Corporativa
Em que medida você concorda ou discorda das seguintes afirmações sobre investimentos de capital
em TI que sua empresa estará realizando nos próximos 3 anos?
Participantes que responderam ‘Concordo’ ou ‘Concordo plenamente’
69
Nossos investimentos em TI são feitos
basicamente para reduzir custos e
melhorar a eficiência operacional
61
72
78
60
62
Nossos investimentos em TI são feitos
basicamente para suportar iniciativas de
crescimento e alavancar inovações emergentes,
tais como dispositivos móveis e mídia social
54
34
48
43
39
Nossos investimentos em TI são, com
frequência, o foco das reuniões de conselho
52
32
40
41
Nossos investimentos em TI não são mais
necessários agora que softwares
inovadores estão disponíveis na Internet
46
10
6
6
20
4
3
0
62
46
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
31
A abordagem dos CEOs para a inovação dá prioridade aos consumidores. Muitas
empresas estão inclusive transferindo seus processos de desenvolvimento
para outros países, de modo a ficar mais perto dos clientes finais. Há grande
expectativa em torno do papel das mídias sociais como canal de comunicação
com os clientes. Para 89% dos líderes ouvidos no Brasil, cada vez mais os
consumidores utilizarão dispositivos móveis e mídia social para comunicar suas
necessidades e preferências. O percentual é inclusive superior à média global da
pesquisa, que foi de 77%.
Apenas um terço dos brasileiros acredita que os consumidores estarão mais
preocupados com preço e valor do dinheiro nos próximos três anos, oferecendo
uma visão muito diferente do mercado em relação aos líderes de outros países: a
média global para essa resposta foi de 70%.
Figura 26: Modelando a Resposta Corporativa
Em que medida você mudará sua estratégia nos próximos 3 anos em virtude das seguintes potenciais
mudanças no comportamento dos consumidores de longo prazo?
77
Cada vez mais os consumidores utilizarão
dispositivos móveis e mídia social para
verbalizar suas necessidades e preferências
88
76
70
33
Os consumidores focalizarão mais
em preço e valor do dinheiro
66
62
66
76
65
Consumidores desempenharão um papel
mais ativo no desenvolvimento de
produtos e serviços
83
62
55
67
44
61
54
43
49
Consumidores irão computar as práticas de
responsabilidade ambiental e corporativa de
uma empresa em suas decisões de compra
49
29
31
17
Consumidores irão atribuir mais importância ao
país de origem dos produtos que compram
7
0
76
59
53
Consumidores de mercados
emergentes proporcionarão
crescimento á minha empresa
67
53
24
23
29
12
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes que responderam ‘Mudança significativa’ ou ‘Alguma mudança’ na estratégia
32
89
80
74
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
As empresas também estão reagindo às expectativas dos consumidores na
área ambiental. Do total de líderes brasileiros ouvidos, 72% consideram o
desenvolvimento de produtos e serviços ecologicamente corretos um aspecto
importante da estratégia de inovação. O índice ficou um pouco acima da média
global, de 64%. Esse comportamento não é resultado de pressões regulatórias,
mas sim uma resposta às exigências dos consumidores, que têm mostrado
preferência por produtos sustentáveis e empresas ambientalmente responsáveis.
Figura 27: Modelando a Resposta Corporativa
Em que medida você concorda ou discorda das seguintes afirmações sobre as expectativas de inovação de sua empresa nos próximos 3 anos?
Participantes que responderam ‘Concordo’ ou ‘Concordo plenamente’
79
Nossas inovações levarão a eficiências
operacionais que nos proporcionarão
uma vantagem competitiva
86
72
91
73
72
78
Nossas inovações levarão a significativas
oportunidades de novas receitas
86
75
74
69
64
Um aspecto importante da nossa estratégia
de inovação é o desenvolvimento de
produtos e serviços ecologicamente corretos
59
55
39
Esperamos desenvolver a maioria de nossas
inovações com parceiros fora de nossa organização
31
Usamos M&A como uma
significativa fonte de inovação
29
25
Esperamos desenvolver a maioria de
nossas inovações em outros mercados,
que não o do país onde atuo
24
26
15
14
36
34
39
29
30
46
37
19
18
10
20
44
47
30
23
0
72
71
33
34
26
Esperamos ajuda do governo
(inclusive ajuda financeira,créditos fiscais e/ou
transferência de tecnologia) para impulsionar
os resultados de nossas inovações
58
83
30
40
50
60
70
80
90
100
Global
Brasil
Europa Ocidental
Ásia Pacífico
Estados Unidos
América do Norte
Base: Todos os participantes
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
33
Contexto brasileiro
Os gargalos de infraestrutura
Prestes a enfrentar o desafio de sediar uma Copa do Mundo em 2014
e os Jogos Olímpicos em 2016, o Brasil ainda convive com gargalos de
infraestrutura que precisam ser solucionados nos próximos anos para evitar
complicações durante a realização dos eventos. Os líderes empresariais
ouvidos pela PwC identificam no segmento de transportes os principais
problemas a serem resolvidos. Os setores prioritários de investimentos
seriam aeroportos (28%), portos (22%) e estradas (18%).
Figura 28: Questão específica do Brasil
Classifique os seguintes setores de infraestrutura no Brasil em ordem de importância para investimento.
Posição 1 Posição 2 Posição 3 Posição 4 Posição 5 Posição 6 Posição 7
Aeroportos
28
22
12
14
10
12
2
Portos
22
24
16
16
16
0
6
Estradas
18
20
20
20
8
8
6
Água
12
14
16
10
10
26
12
Ferrovias
10
8
20
14
14
24
10
Energia
10
8
10
20
28
14
10
Telecomunicações
0
4
6
6
14
16
54
Base: Todos os participantes Brasil (%)
Segundo o relatório de
competitividade global do Fórum
Econômico Mundial1, os portos
brasileiros estão em 123º lugar em
um ranking de 139 países avaliados.
Nossas estradas estão na 105ª
posição e as ferrovias, em 87º. O
transporte aéreo, por sua vez, aparece
em 93º lugar, o que nos coloca em
nível semelhante a países como
Moçambique e Botsuana.
1
34
Os números preocupam, pois
confirmam a existência de um nó
logístico que entrava as possibilidades
de crescimento. O Brasil é o país com
maior potencial para suprir a demanda
mundial de alimentos nas próximas
décadas, e este ano há previsão de
colheita de uma nova safra recorde
de grãos, próxima de 150 milhões de
toneladas. Quase 60% da produção
agrícola nacional é transportada até os
portos em estradas mal pavimentadas
ou até mesmo sem pavimento. Nos
portos, faltam armazéns, enquanto os
caminhões enfrentam horas de filas
para serem descarregados.
The Global Competitiveness Report 2010-2011, World Economic Forum (2010).
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
No setor aéreo, há dificuldades
causadas pela falta de investimentos
e pelo aumento do tráfego de
passageiros nos últimos anos. Segundo
a Agência Nacional de Aviação Civil
(ANAC), a demanda por transporte
aéreo no Brasil avançou 23% no
segmento doméstico em 2010 e 20%
nas rotas internacionais operadas
pelas empresas brasileiras. Para a
Copa do Mundo, estima-se que o
tráfego aéreo no país cresça 49%,
exercendo pressão sobre um sistema
que dá sinais de já ter ultrapassado
seus limites.
Segundo a OCDE e o Banco Mundial2,
estima-se que seja necessário investir
nas próximas décadas US$ 3 trilhões
anuais em infraestrutura em todo o
planeta (o equivalente a 5% do PIB
dos países). É pouco provável que os
governos consigam arcar com essa
conta sozinhos. Para se ter ideia de
quanto os investimentos terão de
crescer, no Brasil, onde há importantes
deficiências de infraestrutura a serem
corrigidas, por exemplo, são investidos
por ano apenas 3,5% do PIB.
Na opinião de 46% dos entrevistados,
a melhor alternativa para financiar
um plano de infraestrutura para o
Brasil é utilizar recursos do BNDES.
Para outros 36%, as parcerias
público-privadas (PPPs) seriam mais
adequadas. O que torna a última
alternativa atraente é o fato de as
empresas poderem oferecer mais
do que recursos financeiros para
a realização dos projetos: elas têm
experiência em gestão, capacidade de
execução e sabem administrar riscos.
2
Paving the Way:Maximising the Value of Privite Finance in Infrastructure, World Economic Forum.
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
35
No complexo ambiente regulatório
brasileiro, os impostos desempenham
um papel de destaque. Para 90%
dos entrevistados, entre as reformas
que o Brasil precisa realizar, a fiscal
seria aquela com mais potencial de
estimular o ambiente de negócios.
Segundo o estudo Paying Taxes 2011,
elaborado anualmente pelo Banco
Mundial em conjunto com a PwC, o
Brasil é o país onde mais se gasta tempo
com o cumprimento das obrigações
tributárias: são 2.600 horas por ano
(108 dias) - um recorde mundial - para
o recolhimento de dez impostos. A
média global calculada pelo relatório é
de 282 horas (35 dias) por ano para o
pagamento de 30 impostos.
Menos burocracia
tributária,
mais negócios
O processo de recolhimento de tributos
é dos mais complicados do mundo.
São editadas, em média, 35 novas
normas tributárias a cada dia útil. Isso
exige a contratação de profissionais
especializados e dedicados em tempo
integral ao pagamento de impostos,
de modo a evitar erros e distorções
que possam acabar aumentando ainda
mais a carga fiscal.
Um sistema mais simples diminuiria
os gastos das empresas com pessoal,
os riscos associados ao recolhimento
de tributos e ainda aumentaria o
capital disponível para investimentos
nas atividades fins. A medida teria
efeitos especialmente importantes no
momento em que o país atravessa um
período de expansão e recebe grande
volume de recursos externos.
Figura 29: Questão específica do Brasil
Qual das seguintes potenciais reformas governamentais mais estimularia o ambiente de negócios?
Privatização e concessões para projetos de infraestrutura
38
Redução da carga tributária
90
Diminuir as exigências para abertura de uma empresa
20
Simplificar a legislação para obtenção de licenças ambientais
10
Atualizar as normas regulatórias
34
Modernização da regulação sobre comércio internacional
8
Modernização das leis de política cambial
4
Modernização da legislação trabalhista
62
Aperfeiçoar a proteção à propriedade intelectual
8
0
Base: Todos os participantes Brasil
36
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
Há expectativa de que o novo Sistema
Público de Escrituração Digital
(SPED) reduza o tempo necessário
para que as empresas brasileiras
cumpram suas obrigações fiscais
nos três níveis de governo (federal,
estadual e municipal) e facilite o
acompanhamento de mudanças na
legislação. Dados sobre obrigações
fiscais e contábeis das empresas serão
transmitidos eletronicamente e de
forma padronizada para o Fisco, o
que também diminuirá os gastos com
impressão e armazenamento de papéis.
A burocracia, porém, é apenas um
dos aspectos do sistema tributário
brasileiro que preocupa as empresas.
A carga tributária do país também é
alta em comparação com a de outros
países. A alíquota tributária total
(TTR) mede a quantidade de todos os
impostos e contribuições obrigatórias
assumidas pelas empresas, expressas
na forma de porcentagem sobre
os lucros. No Brasil, ela é de 69%,
segundo o estudo da PwC, o que
posiciona o país em 168º lugar em um
ranking de 183 países. Na maioria das
economias, a TTR varia entre 30% e
50% dos lucros. Na América Latina, a
média é de 48%.
A modernização das leis trabalhistas
é outra reforma citada por 62%
dos entrevistados com potencial de
estimular o ambiente de negócios
no país e ampliar a capacidade de
competição das empresas brasileiras.
Um estudo3 divulgado pela
Confederação Nacional da Indústria
(CNI) no fim de 2010 posiciona o
Brasil em penúltimo lugar numa lista
com 11 países no item disponibilidade
e custo de mão de obra.
Os empresários atribuem esse
resultado, principalmente, à rigidez
da jornada de trabalho e à dificuldade
de contratar e demitir um trabalhador.
O excesso de encargos trabalhistas,
aliado à rigidez da legislação,
desestimula o emprego formal no país,
sobretudo entre as microempresas e
empresas de pequeno porte.
Metodologia
A 7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros é um extrato da 14ª Pesquisa
Global de CEOs (14th Annual Global CEO Survey), cujos resultados se baseiam em
1.201 entrevistas em 69 países, entre 6 de setembro e 2 de dezembro de 2010.
A amostra inclui empresas com diferentes portes e atuação em setores variados.
Para aprofundar os temas abordados na pesquisa, foram realizadas entrevistas
em profundidade com 31 CEOs de cinco continentes ao longo do último trimestre
de 2010 acerca de suas ideias sobre a dinâmica do ambiente pós-crise, o
equilíbrio entre crescimento e gestão de riscos e lições aprendidas. No Brasil, foi
entrevistado Marcelo Odebrecht, CEO da Odebrecht (ver seção Entrevista neste
relatório). A análise dos dados foi realizada pelos especialistas da PwC.
Competitividade Brasil 2010: uma comparação com países selecionados: uma chamada para ação.
Confederação Nacional da Indústria. Brasília, 2010.
3
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
37
Entrevista com Marcelo Odebrecht
Diretor Presidente, Odebrecht S.A.
Odebrecht
Com mais de 120.000 empregados
(60% no Brasil e 40% no exterior) e
presente em 20 países das Américas do
Sul, Central e do Norte, África, Europa
e Oriente Médio, a Odebrecht registrou
em 2009 receita bruta superior a
R$ 41 bilhões. A empresa investiu
R$ 10 bilhões em 2010 e pretende
investir outros R$ 59 bilhões entre
2011 e 2013.
Fundado em 1944, como construtora
Norberto Odebrecht, o grupo
ampliou e diversificou seus negócios e
atualmente atua em diversos setores,
como petroquímica, petróleo e gás,
engenharia ambiental, bioenergia,
imobiliário, transporte e logística,
entre outros.
38
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
A área de engenharia e construção
engloba seis empresas: Odebrecht
Energia, Odebrecht Engenharia
Industrial, Odebrecht Infraestrutura,
Odebrecht America Latina e Angola,
Odebrecht Venezuela e Odebrecht
International.
Em 2010, a Odebrecht foi eleita pelo
IMD – International Institute for
Management Development, como a
Empresa de Controle Familiar do Ano
mediante um processo de seleção com
abrangência mundial.
P: Quais os indicadores que
o senhor acompanha para
prever a evolução da economia
global, ou de economias locais
específicas, em 2011?
Marcelo Odebrecht:
Acompanhamos indicadores como
commodities e o crescimento do PIB
na Ásia, América Latina e África. O
crescimento ou a desaceleração nos
países em desenvolvimento tem um
impacto muito maior na atividade
econômica mundial, já que afeta um
volume maior de produtos e serviços
do que no mundo desenvolvido.
Também acompanhamos de perto as
taxas de câmbio e a desvalorização
relativa do dólar.
P: Qual a perspectiva para
além de 2011 e quais os riscos
envolvidos?
Marcelo Odebrecht: Estamos muito
otimistas em relação ao que vem pela
frente. Acreditamos que a maioria
dos países da América Latina, África
e Ásia continuará a crescer nos
próximos anos, principalmente aqueles
que fizeram a lição de casa, ou que
dispõem de recursos naturais em
abundância. Os Estados Unidos, por
sua vez, sempre se mostraram capazes
de se reinventar, e têm a flexibilidade
e o pragmatismo para continuar assim.
As minhas dúvidas recaem sobre a
Europa e sua capacidade, ou mesmo
sua disposição, para mudar e tomar as
medidas necessárias para retomar o
crescimento.
Com relação aos riscos, o principal
risco seria uma desaceleração da
economia chinesa, algo que não
prevejo, mas que teria um grande
impacto nos volumes e preços de bens
e serviços no mundo todo. O outro
risco seria uma tentativa, por parte dos
países desenvolvidos, de manter seu
status, impedindo que os países em
desenvolvimento cresçam e adquiram
maior influência na política, no
comércio e na economia em geral.
P: Que aspectos da estratégia da
Odebrecht se mostraram mais
resilientes à crise econômica
e quais foram as mudanças
estratégicas necessárias?
Marcelo Odebrecht: Antes lastreada
nos negócios de engenharia e
construção e petroquímica, a
estratégia do grupo provou ser
bem sucedida na diversificação
e no aumento dos investimentos
em logística, mobilidade urbana,
concessões rodoviárias, portos,
petróleo, saneamento, imobiliário,
açúcar, energia renovável
(principalmente hidrelétricas e
etanol de cana) e serviços e produtos
sustentáveis, como o polietileno
verde, que passamos a produzir
este ano em escala comercial. A
Odebrecht tanto consolidou e cresceu
seus negócios de E&C e petroquímica,
como desenvolveu novas empresas
mais focadas e flexíveis, o que
permitiu atrair parceiros estratégicos
e capital para investimentos na
Organização, que somarão mais de
US$ 30 bilhões entre 2010 e 2013.
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
39
P: Qual a sua maior
oportunidade estratégica
hoje, e quais os maiores riscos
associados a essa estratégia?
Marcelo Odebrecht: A maior
oportunidade estratégica hoje é
aproveitar o potencial de crescimento
orgânico decorrente das demandas
por produtos e serviços por parte
de nossos clientes, promovendo o
crescimento qualificado de todos os
nossos negócios.
A Organização construiu as bases para
este novo ciclo de crescimento, com
destaque para o desenvolvimento e
a integração de novos empresários
e suas equipes. Dito isso, o grande
crescimento que estamos vivendo
faz com que a nossa principal
preocupação seja justamente a
identificação e integração de pessoas.
Apenas em 2010, foi necessário
contratar mais de 30.000 novos
integrantes, aumentando o nosso
efetivo para 120.000.
40
P: Como vem evoluindo a forma
de captar recursos, no que se
refere às fontes de capital mais
atraentes hoje [ex: países/
mercados, fontes, como bancos vs.
mercados de capital, ou estrutura
de capital]?
Marcelo Odebrecht: O grupo
vem mantendo uma composição
adequada de dívida e equity,
mercados domésticos e internacionais,
investidores privados e operações
públicas, e vem reforçando as fontes
de capital que dependem de fluxos de
caixa como principal fonte pagadora,
ou seja, principalmente project finance,
ao invés de garantias corporativas.
Essa estratégia, além de reforçar os
principais ratings da empresa, contribui
para alavancar e dar qualidade e
solidez a nossos investimentos, já que
os parceiros financeiros e estratégicos
realizam seus próprios processos de
Due Diligence dos negócios cogitados
e, uma vez que se propõem a embarcar
conosco nesses empreendimentos,
acabam por validar as nossas escolhas
de investimento.
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
P: Como as mudanças no
panorama de acesso a capital
vêm afetando seus planos
estratégicos?
Marcelo Odebrecht: No caso de
projetos no Brasil, o BNDES se tornou
a principal fonte, se não a única,
de financiamento de longo prazo
viável em reais. Mas com a grande
demanda por investimentos no Brasil,
voltados para o mercado interno e
portanto com receitas em reais, será
necessário buscar fontes alternativas
de financiamento de longo prazo
em moeda local, além das públicas.
O governo brasileiro anunciou
recentemente uma série de incentivos
para atrair o capital privado, nacional
e estrangeiro, para financiamentos
de longo prazo em moeda local.
Outras medidas também precisam ser
avaliadas, como a disponibilidade de
hedge de longo prazo, para permitir
que as empresas cujas operações são
conduzidas predominantemente
em moeda local tenham acesso ao
capital estrangeiro, sem prejudicar sua
estabilidade financeira. No caso de
investimentos com retorno em dólar,
por outro lado, as condições nunca
estiveram tão favoráveis do ponto
de vista de captação. Tanto a CNO
quanto a Braskem, principais empresas
a efetuar captações no mercado
internacional de dívida (bonds), foram
avaliadas por agências de rating como
risco Investment Grade em âmbito
global, e suas emissões de dívida em
dólar tem atraído fortíssimo interesse
dos investidores globais, com contínua
redução do custo de captação.
P: Como a atual volatilidade do
ambiente de negócios altera a sua
estratégia de recursos humanos?
Marcelo Odebrecht: Na nossa cultura
usamos o termo “pequena empresa”
para se referir à unidade que realiza
a nossa atividade-fim, como um
contrato de prestação de serviço, uma
planta industrial, uma concessionária
ou um polo agroindustrial, e onde
se pratica o empresariamento pleno.
Cada Pequena Empresa é dirigida
por um empresário parceiro que
atua em total conformidade com a
nossa cultura e tem total delegação e
capacidade empreendedora.
Uma parte fundamental da nossa
estratégia de mitigação de risco e
do nosso sucesso em um mercado
altamente volátil é garantir que as
decisões sejam sempre tomadas ao
nível da pequena empresa pelo seu
respectivo empresário-parceiro.
O líder da pequena empresa tem
sempre melhores condições de avaliar
os desafios e oportunidades que
surgem nas relações com clientes,
fornecedoras, a empresa e parceiros e
de garantir a agilidade necessária para
tomar a decisão certa na hora certa,
além da flexibilidade para determinar
os ajustes de direção eventualmente
impostos pelo mercado volátil.
P: De que forma o setor privado poderia contribuir mais para o
bem-estar social em áreas que antes eram consideradas atribuições
exclusivas do governo [ex: redução da pobreza ou resposta às
mudanças climáticas]?
Marcelo Odebrecht: O mundo
empresarial está cada dia mais
consciente da necessidade de
responsabilidade social corporativa para
garantir o crescimento e perpetuidade
da empresa. Nenhuma grande empresa
pode ou deve ignorar esse fato.
A principal responsabilidade de
todo empresário é, sem dúvida,
gerar melhores retornos para seus
clientes, funcionários, acionistas
para a comunidade em que atua e a
sociedade em geral, oferecendo bens e
serviços sustentáveis em termos sociais,
econômicos e ambientais.
Procuramos, porém, ir além: investimos
grandes volumes de recursos e esforços
na formação dos nossos funcionários,
no apoio à preservação das culturas
locais em que estamos inseridos,
e em programas para garantir o
desenvolvimento sustentável.
Um exemplo disso é o Programa
Acreditar, que qualifica integrantes das
comunidades em que as nossas obras
são implantadas para atuar em grandes
empreendimentos de engenharia. O
programa garante que as comunidades
tenham acesso a oportunidades de
crescimento profissional e financeiro,
ao mesmo tempo em que evita os
fluxos migratórios desordenados que,
historicamente, têm prejudicado o
crescimento sustentável dessas regiões.
Em 2010 qualificamos mais de 35.000
trabalhadores no Brasil, dos quais
15.000 foram recrutados para trabalhar
nos nossos empreendimentos. Em 2009,
as empresas da Odebrecht investiram
R$ 84,5 milhões em 417 programas
sociais, sendo 262 no Brasil e 155
em outros países. Esses programas
beneficiaram diretamente 446.879
pessoas em 688 comunidades
e contaram com o apoio de 430
instituições.
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
41
P: De que forma o setor privado
deveria contribuir para a
competitividade nacional, em
áreas antes consideradas como
sendo da responsabilidade do
governo [como a construção de
infraestrutura e contribuição
para a qualificação da mão-deobra]?
Marcelo Odebrecht: Sabemos que
o setor privado pode contribuir
para agilizar a tomada de decisões,
racionalizar a implantação e
operacionalização, e que está disposto
a investir capital em ativos de
infraestrutura. As empresas privadas
podem atuar em substituição ou em
parceria com o setor público, por
meio de parcerias público-privadas,
com alocação adequada de riscos e
responsabilidades, permitindo que o
governo concentre seus investimentos
em áreas sociais críticas, como
educação primária e saúde, aumento
da qualificação e remuneração de
servidores públicos, e outras áreas
da administração pública, como
segurança, e regulamentação.
A Odebrecht atua hoje em diversas
áreas que eram predominantemente
da responsabilidade do governo, como
concessões rodoviárias, portos, arenas
esportivas, transporte urbano (metrô,
trens urbanos etc.) e saneamento,
entre outras. Vemos essas iniciativas
como parte da contribuição do
setor privado para assumir maior
responsabilidade, alinhada com
a estratégia do governo e suas
prioridades.
42
P: De que maneira a Odebrecht
vem sendo afetada pelo aumento
da intervenção no setor privado
pelo governo, que, além de
regulador, passou a atuar
como investidor e detentor de
participação?
Marcelo Odebrecht: Temos
percebido uma adequada divisão
de competências no que se refere
às parcerias público-privadas. O
governo se compromete a contribuir
com um determinado volume
periódico de recursos, fazendo com
que seja compensador para o setor
privado somar a sua participação
em determinado projeto. O setor
privado, por sua vez, é incentivado
a desenvolver outros negócios
satélites ao projeto, gerando receitas
adicionais, que serão repartidas com
o governo ao longo da operação do
ativo principal – seja ele uma rodovia,
um porto, uma arena esportiva
ou outro empreendimento. Essa
participação conjunta é vista como
uma oportunidade interessante
para o governo implantar obras de
infraestrutura que, de outra forma,
seriam inviáveis por falta de recursos
ou alocação inadequada dos riscos.
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
P: O que os governos podem
fazer, além de reduzir a carga da
regulamentação, para melhorar
o ambiente em que a empresa
atua?
Marcelo Odebrecht: Criar incentivos
específicos que atraiam os recursos de
investidores para o financiamento de
projetos de longo prazo, em condições
atraentes para os empreendedores,
através de mecanismos como project
bonds, que têm o fluxo de caixa gerado
pelo projeto como principal fonte
pagadora, ao invés de depender de
garantias corporativas.
P: Quais as preocupações geradas
pelo aumento da dívida pública,
seja no Brasil ou em outros
mercados importantes?
Marcelo Odebrecht: Desde que haja
responsabilidade fiscal na gestão da
dívida, pouco endividamento de curto
prazo e a certeza de que o aumento do
endividamento ocorrerá em função de
investimentos nos setores básicos da
economia (infraestrutura, educação,
saneamento, segurança, bioenergia,
energia alternativa, imobiliário e
segmentos similares), não teremos
por que nos preocuparmos quanto aos
impactos do crescimento na dívida
pública brasileira nos níveis que vemos
atualmente, principalmente pelo
fato de o país manter boa disciplina
financeira desde muito antes da
crise de 2008. Quanto ao aumento
do endividamento em outras partes
do mundo, existe uma preocupação
quanto às medidas, ou a falta delas, a
serem tomadas pelos Estados Unidos
e a União Europeia para tratar de
seus problemas atuais. Em outros
países em que atuamos, parece-nos
que existem políticas adequadas
e boas perspectivas. Acreditamos
e incentivamos os governos e as
empresas a investirem sempre de
forma eficiente, para gerar riquezas
em benefício das gerações futuras,
além de gerar receitas para amortizar
a dívida, de modo contrário ao
modelo insustentável de gastar agora
e acumular dívidas sem gerar riquezas
equivalentes, o que transfere para as
gerações futuras a responsabilidade
por sanar as dívidas de hoje.
7ª Pesquisa de Líderes Empresariais Brasileiros 2011
43
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