O ESTUDO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL DARTAGNAN PINTO GUEDES JOANA ELISABETE RIBEIRO PINTO GUEDES O desenvolvimento de estudos sobre os parâ metros da composição corporal por profissionais da área da Atividade Física se justifica a medida que para a realização de avaliações mais criterio sas e realmente confiáveis sobre os efeitos de qual quer tipo de programa de exercícios físicos, existe a necessidade de fracionar o peso corporal em seus diferentes componentes na tentativa de obter in formações mais precisas com relação as modifi cações ocorridas nas constituições de cada um desses componentes. Mesmo considerando que apesar do peso corporal se constituir n u m a va riável que recebe influência imediata de progra mas de exercícios físicos, tornando-se portanto num importante referencial em avaliações deste ti po, suas medidas nem sempre conseguem forne cer além de u m a visão bastante superficial sobre a assimilação por parte do organismo das a d a p tações provocadas pelo exercício. Isto porque os valores de peso corporal c o m o um todo, depen dem fundamentalmente de um aglomerado de componentes como ossos, músculos, gordura e ou tros tecidos que, dependendo do tipo de ativida de e/ou da dieta alimentar desenvolvida, e ainda do nível de treinabilidade do indivíduo envolvido no programa de exercício físico, cada um desses componentes pode sofrer diferentes variações em suas constituições, variações estas que não podem ser evidenciadas simplesmente através das medi das do peso corporal total. C o m isto em mente, e somente através de u m a análise de cada um desses componentes de for ma isolada e em relação ao próprio peso corporal total, o que caracteriza o estudo da composição corporal, é que torna possível observar as altera ções produzidas pelos diferentes programas de exercícios físicos no organismo de uma pessoa, oferecendo por sua vez valiosas informações so bre sua eficiência ou não, indicando, se for o ca so, possíveis reformulações em seus princípios. Um dos primeiros estudos a demonstrar a ina dequação da utilização do peso corporal total na avaliação dos efeitos dos programas de exercícios físicos sobre o organismo foi realizado por WE L H A M & B E H N K E (1942) que, utilizando de jo gadores profissionais de futebol americano observaram um peso corporal médio em torno de 24,8% acima dos padrões tidos como normais pa ra homens de mesma idade e estatura, o que os enquadrariam, por incrível que possa parecer, nu ma faixa de obesidade. Todavia, na sequência do estudo, esses mesmos atletas foram considerados individuos realmente magros, no sentido de pos suírem um baixo conteúdo de gordura, e por sua vez elevadíssimo nível de desenvolvimento mus cular determinados após o fracionamento de seus respectivos pesos corporais nos diferentes compo nentes. Procurando melhor explicar este fato, indubi tavelmente os componentes que causam as maio res variações na determinação do peso corporal total no organismo h u m a n o são os músculos, os ossos e a gordura. Desse m o d o , torna-se possível em certos casos, determinadas pessoas que apre sentam altos valores para o peso corporal ao se rem comparadas com tabelas padrões elaboradas com base em sujeitos do mesmo sexo, faixa etária e estatura, não serem consideradas, necessariamen te, pessoas com excesso de gordura ou obesas. Nes tes casos, pode ser que os altos valores do peso corporal sejam resultantes de um grande desenvol vimento muscular associado a u m a sólida cons tituição óssea, e não c o m o era esperado a princípio, em função de uma elevada quantidade de gordura. Por outro lado, nem sempre um maior peso Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990 corporal, mesmo em atletas, traduz um desenvol vimento favorável do componente muscular. Po de ser que este maior peso corporal esteja sendo compensado por uma excessiva quantidade de gor dura para a pratica especificamente daquela m o dalidade desportiva a que pertence o atleta em detrimento a outros componentes, o que caracte riza o que se denomina de obesidade atlética. Des ta forma, pode ser que atletas c o m u m e n t e considerados com excesso de gordura por apre sentarem altos valores de peso corporal, sendo por tanto direcionados a rotinas de exercícios físicos e a u m a dieta alimentar específica para perda de gordura desviando-os de suas metas principais exi gidas nas modalidades desportivas praticadas, se j a m simplesmente atletas c o m u m grande desenvolvimento músculo-esquelético, e inversa mente atletas que são considerados magros por apresentarem um baixo peso corporal, p o d e m na realidade mostrar um m e n o r peso corporal em função de deficiências no desenvolvimento mus cular e/ou ósseo, e n ã o na quantidade de gordu ra, prejudicando sobremaneira u m a melhor perfor mance em termos atléticos. C o m base nestas evidências acreditamos que o desenvolvimento de estudos com relação aos pa râmetros da composição corporal vai mais além do que simplesmente satisfazer a curiosidade cien tifica de alguns pesquisadores da atividade físi ca, tornando-se um procedimento de enorme utilidade na avaliação e acompanhamento dos pro gramas de exercícios físicos. Assim sendo, o d o mínio de suas técnicas e a interpretação de seus resultados tornam-se recursos de grande impor tância a Professores de Educação Física e Treina dores Desportivos, na tentativa de oferecer um melhor atendimento aos praticantes da atividade física em geral. 15 O FRACIONAMENTO DO PESO CORPORAL A primeira tentativa de fracionar o peso cor poral foi desenvolvida pelo antropologista Jun drich Matiegka no início do século, o qual considerou quatro componentes: gordura, mús culo, osso e residuo, sendo que o componente re sidual era formado pelos órgãos e visceras. Este pesquisador utilizando de estudos em cadáveres, determinou u m a série de coeficientes para equa ções relacionando os pesos de cada um desse com ponentes com determinadas medidas antropométricas. Apesar de mais recentemente DRINKWATER et alii (1986) procurarem desen volver u m a atualização desses coeficientes, con siderando a evolução nas técnicas antropométricas e aprimoramento nos equipamentos de medidas ocorrido neste espaço de tempo, esta estrategia não tem recebido a aceitação dos estudiosos da com posição corporal. Provavelmente esta n ã o aceita ção se justifique por desconsiderar alguns princípios metabólicos de fundamental importân cia ao binômio estrutura-função e pela sofistica ção de seu desenvolvimento. C o m o conseqüência, com a finalidade de ofe recer maior clareza e objetividade q u a n d o da in terpretação e análise dos diferentes componentes e suas implicações, tornou-se habitual considerar a composição corporal sob o aspecto de um sis tema de dois componentes: a massa corporal isenta de gordura e a gordura corporal. Neste sentido, a massa corporal isenta de gordura ou o que se denomina de massa magra, refere-se a parte do peso corporal total que permanece após toda a gordura ser removida, sendo então formada pe los sistemas muscular e esquelético, órgãos, vís ceras, além de todos tecidos não-gordurosos. Desse modo, a maior vantagem deste sistema é o fato de que q u a n d o o conteúdo de gordura corporal é conhecido, a massa magra pode também ser de terminada pela simples subtração aritmética do pe so c o r p o r a l total e, por sua vez a m b o s componentes, gordura e massa magra, podem ser determinados paralelamente no organismo de uma pessoa. Considerando este raciocínio, que basicamen te se resume na relação: Peso Corporal = Gordura + Massa Magra Percebe-se, já que n ã o existem maiores problemas para se chegar ao peso corporal, o fundamental no estudo da composição corporal é a determi nação da quantidade de gordura, admitindo que em termos de implicações práticas ao se compa rar com a massa magra este componente é bem mais acessível. TÉCNICAS EMPREGADAS NO ESTUDO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Para o estudo da composição corporal podem ser empregadas técnicas envolvendo procedimen tos de determinação direta e indireta. Os proce dimentos de determinação direta são aqueles onde o avaliador manipula diretamente os diferentes te cidos do corpo in loco, e n q u a n t o que os procedi mentos indiretos são aqueles utilizados a partir de princípios químicos e físicos, com o objetivo de extrapolação da quantidade de cada um dos com ponentes. Neste sentido, como u m a determinação direta implica em incisões no corpo, no homem obviamente esse procedimento só é possível ser rea lizado em cadáveres. Portanto, embora análises da composição corporal realizadas diretamente sejam importantes e ofereçam o suporte teórico neces sário aos procedimentos de determinação indire ta, são justamente as técnicas indiretas que pos sibilitam analisar os componentes de gordura e massa magra. Dentro dos procedimentos de determinção in direta, apesar da grande variedade de técnicas em- 16 O fundamental no estudo da composição corporal é a determinação da quantidade de gordura, admitindo que em termos de implicações práticas ao se comparar com a massa magra este componente é bem mais acessível pregadas, por exemplo: análises bio-químicas, resonancia magnética, raio x, densimetria, espes suras do tecido subcutâneo, e mais recentemente bio-impedância, constata-se que em termos de aplicabilidade as possíveis discrepâncias encontra das em seus resultados são atribuídas mais exata mente as características das medidas de cada uma das técnicas do que as próprias variações bioló gicas, o que as t o r n a m indistintamente bastante válidas e úteis B R O D I E (1988). Entretanto, em razão das características particulares de cada téc nica, convém chamar a atenção para o fato de que q u a n d o do desenvolvimento de comparações en tre diferentes grupos individuais ou em estudos longitudinais, aconselha-se a utilização de uma mesma técnica na obtenção das informações. Quanto a escolha de uma das técnicas a ser em pregada no estudo da composição corporal, a so fisticação de algumas metodologias aliada ao grande sacrifício por parte dos avaliados na ob tenção dos resultados, além do elevado custo ope racional dos instrumentos exigidos, tem feito com que a densimetria e a espessura do tecido subcu tâneo sejam os procedimentos mais difundidos em nosso meio. O envolvimento dos valores de densidade cor poral c o m o referenciais para estudo da composi ção corporal, está alicerçado na teoria de que a densidade da gordura corporal é consideravelmente menor em relação a de outras estruturas do cor po (massa magra), por conseqüência quanto maior a quantidade de gordura em proporção ao peso corporal total de u m a pessoa menor será a densi dade de todo o corpo. Em contrapartida, a técni ca de medida da espessura do tecido subcutâneo tem por base a observação de que grande quanti dade da gordura corporal se encontra debaixo da pele, e desta forma os valores das dobras cutâneas passam a ser um indicador da porção de gordura que se localiza naquela determinada região do cor po. C o m o a disposição da gordura localizada no tecido subcutâneo não se apresenta de forma uni forme por todo o corpo, a medida de espessura das dobras cutâneas deverá ser feita em várias re giões para se obter um termo médio de sua quan tidade. Q u a n t o a determinação da densidade corpo ral, admitindo que a densidade de um corpo é a relação existente entre o seu peso total e o seu vo lume, e ainda considerando que o volume do cor po de um pessoa pode ser c o m p u t a d o a partir da diferança entre o peso corporal real e o peso cor poral medida durante sua imersão na água, a o p ção mais usual tem sido a utilização dos procedimentos da pesagem hidrostática. Através dos procedimentos da pesagem hidrostática, o ava liado deverá ser pesado no meio ambiente (peso corporal real) e totalmente submerso na água. Da relação entre o peso corporal total e a diferença de a m b o s os pesos juntamente com aplicação de fatores de correção para a temperatura e impure zas existentes na água, além do volume residual e gases intestinais, resulta o valor considerado para a densidade corporal. Por outro lado, em razão da simplicidade na interpretação dos resultados, na atualidade os va lores de espessura do tecido subcutâneo obtidos por compassos torna-se o método mais indicado para a determinação da quantidade de gordura subcutânea e do estudo da composição corporal. Por este método, o tecido celular subcutâneo de ve ser diferenciado do tecido muscular através de um tipo de pinça formada pelo polegar e indica dor da m ã o dominante, e com as pontas do com passo fixadas no ponto exato de reparo é determinada a espessura da dobra formada pelos tecidos subcutâneos, daí o termo espessura de do bras cutâneas. Em termos de interpretação dos resultados, existe a necessidade de considerar uma diferença básica entre essas duas técnicas. A densimetria, através dos valores de densidade corporal, anali sa os parâmetros da composição corporal tendo c o m o referencial a quantidade de gordura corpo ral total, enquanto que a espessura do tecido sub cutâneo considera tão somente as características da gordura localizada subcutaneamente G U E D E S (1985). Neste sentido, a gordura corporal total con siste na gordura que é acumulada no tecido adi poso incluindo tanto a gordura que protege os vários órgãos internamente, o que se denomina de gordura interna, c o m o a gordura que se depo sita embaixo da superfície da pele, o que se de nomina de gordura subcutânea. Desse modo, a gordura corporal total é todo componente de adi posidade existente no organismo, enquanto que a gordura subcutânea é apenas u m a parte deste componente, ou seja a gordura que se localiza nos tecidos subcutâneos. A UTILIZAÇÃO DE EQUAÇÕES PARA A PREDIÇÃO DOS PARÂMETROS DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Se de um lado o cálculo da densidade corpo ral é o referencial mais aceito para o estudo da composição corporal, de outro lado em função das dificuldades metodológicas e de equipamen tos, além da necessidade de um alto grau de coo peração por parte dos avaliados fazendo com que somente pessoas com uma razoável adaptação ao meio líquido possam ser submetidos a pesagem hidrostática, o seu desenvolvimento causam enor mes dificuldades q u a n d o de aplicações rotineiras em programas de avaliação da atividade física. Desse modo, com base na elevada relação mate mática existente entre a densidade corporal e os valores de espessura das dobras cutâneas, análi ses de regressão tem sido extensivamente empre gadas na tentativa de derivar equações com função de predizer a quantidade de gordura corporal to- Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990 tal a partir de combinações das medidas de es pessura das dobras cutâneas em diferentes regiões do corpo. Em vista disto, e levando em conside ração o aspecto de custo-benefício, na atualidade a utilização de equações preditivas envolvendo es pessuras de dobras cutâneas torna-se o recurso mais indicado para o estudo da composição corporal. A primeira equação c o m esta finalidade sur giu a aproximadamente quatro décadas atrás, e a partir de então procurando oferecer maior exa tidão possível aos valores preditos constantemen te vem sendo propostas novas equações. Entre tanto, após a proposição de u m a equação existe a possibilidade dos valores a serem preditos n ã o apresentarem o mesmo nível de precisão encon trado originalmente quando aplicada em diferentes situações L O H M A N (1981); S I N N I N G & WIL SON (1984). Desse m o d o , considerando que a grande maioria dessas equações foram propostas com base em realidades bastante distante da nos sa como Europa e Estados Unidos, o processo de validação dessas equações torna-se um recurso de fundamental importância a partir do m o m e n t o que surge a necessidade de diagnosticar com que exatidão a q u a n t i d a d e de gordura corporal está sendo predita em nossos avaliados. Em vista dis to, através de estudos realizados anteriormente G U E D E S & S A M P E D R O (1985); G U E D E S (1986), com objetivo de verificar a precisão com que algumas das inúmeras equações existente na li teratura poderiam predizer a quantidade de gordu ra corporal em integrantes da população brasileira, foram constatados erros preditivos bastante acen tuados, demonstrando que estas equações propos tas com base na realidade de outros países são inadequadas para utilização em nosso meio. Alicerçado nestas evidências e considerando até então a inexistência de equações que pudessem ser utilizadas na determinação da quantidade de gor dura corporal com base em amostras pertencen tes a p o p u l a ç ã o b r a s i l e i r a , d i f i c u l t a n d o enormemente o estudo da composição corporal através deste que é um procedimento bastante prá tico e fidedigno, procuramos a proposição de no vas opções de equações que melhor atendam a nossa realidade G U E D E S (1990). Estas equações surgiram de um estudo entre homens e mulheres jovens de 18-35 anos de ida de universitários da Universidade Federal de Santa Maria — RS., tendo como variável dependente os valores de densidade corporal e como variáveis in dependentes as espessuras das dobras cutâneas me didas em oito regiões do corpo: bicipital, tricipital, subescapular, supra-ilíaca, axilar média, coxa e panturrilha medial. A p ó s a utilização dos recur sos da análise de regressão múltipla stepwise no sentido de detectar aquelas medidas de espessu ras das dobras cutâneas que melhor explicassem a variação dos valores da densidade corporal, fo ram propostas inicialmente oito diferentes equa ções para cada sexo, sendo que associando os aspectos de nível de precisão na predição dos va lores e de praticidade nas medidas das espessuras das dobras cutâneas,optou-se pela aplicação de apenas duas dessas equações: Homens DENS = 1,17136 - 0,06706 Log (TR + SI + AB) Mulheres D E N S = 1,16650 - 0,07063 Log ( S B + SI + C X ) Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990 17 Onde: D E N S - Valores preditos da corporal. T R - Espessura da dobra tricipital SI - Espessura da dobra supra-ilíca A B - Espessura da dobra abdominal SB - Espessura da dobra subescapular C X - Espessura da dobra coxa densidade cutânea cutânea cutânea cutânea somatório das medidas de espessura das três d o bras cutâneas envolvidas em cada equação pro posta — tabelas 1 e 2. O emprego destas tabelas tem auxiliado sobremaneira a análise dos parâ metros da composição corporal, tendo em vista a simplificação dos cálculos matemáticos além de proporcionar resultados imediatos. C o m o aplicação da utilização das tabelas, pro curaremos exemplificar os cálculos das proporções de gordura e de massa magra em um avaliado, ho mem, com as seguintes medidas: tabela da seguinte forma: 32 c o m o a parte inteira do valor correspondente ao somatório das dobras cutâneas é localizado na linha vertical, e o 4 co mo parte decimal na linha horizontal. Da proje ção desses valores resulta a percentagem do peso corporal como gordura, neste exemplo 12,59%. Na seqüência, de posse dos valores do peso cor poral (74,8 kg.) e da gordura percentual (12,59%) torna-se possível determinar a gordura corporal em termos absolutos, e conseqüentemente a massa magra através das seguintes relações matemáticas: Peso Corporal 74,8 kg. Espessura da dobra cutânea tricipital 10,2 m m . Espessura da dobra cutânea supra-iliaca....9,3 m m . Espessura da dobra cutânea abdominal...12,9 m m . G O R D = Peso Corporal (Gord (%)/100) = 74,8 (12,59/100) = 9,4 kg. MASSA MAGRA = Peso Corporal - Gordura Absoluta = 74,8 - 9,4 = 65,4 kg. cutânea da Por outro lado, reconhecendo a necessidade que a conversão dos valores de densidade corpo ral em quantidades relativas de gordura no peso corporal apresenta em estudos da composição cor poral, através da utilização da fórmula proposta por SIRI (1961), foram elaboradas tabelas onde possa ser representada a predição dos valores pa ra a densidade corporal simultaneamente com suas conversões em quantidades percentuais de gordura de u m a representativa amplitude de variação do Inicialmente, o primeiro passo seria a realiza ção do somatório das espessuras das três dobras cutâneas (10, 2 + 9,3 + 12, 9), no caso 32,4 m m . Posteriormente, o próximo passo seria a utiliza ção da tabela 1, com o objetivo de conversão desse valor em quantidade relativa de gordura. Isto é feito através do enquadramento do valor 32,4 na Desse modo, o avaliado analisado neste exem plo poderia ter seu peso corporal igual a 74,8 kg. decomposto em 9,4 kg. de gordura, em termos re lativos 12,6%, e 65,4 kg. de massa magra, em tor no de 87,4% do peso corporal total. T A B E L A 1 — Conversão dos valores de densidade corporal preditos através da equação D E N S = 1,17136 - 0,06706 Log (TR + SI + AB) em percentagem do peso corporal c o m o gordura — Homens. mm 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 18 0.0 0.1 0.2 0.3 0.4 0.5 0.6 0.7 0.8 0.9 9.35 9.84 10.31 10.76 11.20 11.62 12.03 12.43 12.82 13.20 13.56 13.92 14.27 14.61 14.94 15.26 15.57 15.88 16.18 16.48 16.76 17.04 17.32 17.59 17.86 18.12 18.37 18.62 18.87 19.11 19.35 19.58 19.81 20.04 20.26 20.48 20.70 20.91 21.12 21.32 21.52 21.72 21.92 22.12 22.31 22.50 22.68 22.87 23.05 23.23 23.40 9.40 9.88 10.35 10.80 11.24 11.66 12.07 12.47 12.86 13.23 13.60 13.96 14.30 14.64 14.97 15.29 15.60 15.91 16.21 16.50 16.79 17.07 17.35 17.62 17.88 18.14 18.40 18.65 18.89 19.14 19.37 19.61 19.84 20.06 20.28 20.50 20.72 20.93 21.14 21.34 21.54 21.74 21.94 22.13 22.33 22.51 22.70 22.88 23.07 23.24 23.42 9.45 9.93 10.40 10.85 11.28 11.71 12.11 12.51 12.90 13.27 13.64 13.99 14.34 14.67 15.00 15.32 15.63 15.94 16.24 16.53 16.82 17.10 17.38 17.65 17.91 18.17 18.42 18.67 18.92 19.16 19.40 19.63 19.86 20.08 20.31 20.52 20.74 20.95 21.16 21.36 21.56 21.76 21.96 22.15 22.35 22.53 22.72 22.90 23.08 23.26 23.44 9.50 9.98 10.44 10.89 11.33 11.75 12.16 12.55 12.93 13.31 13.67 14.03 14.37 14.71 15.03 15.35 15.67 15.97 16.27 16.56 16.85 17.13 17.40 17.67 17.94 18.19 18.45 18.70 18.94 19.18 19.42 19.65 19.88 20.11 20.33 20.54 20.76 20.97 21.18 21.38 21.58 21.78 21.98 22.17 22.36 22.55 22.74 22.92 23.10 23.28 23.46 9.55 10.03 10.49 10.94 11.37 11.79 12.20 12.59 12.97 13.35 13.71 14.06 14.40 14.77 15.07 15.38 15.70 16.00 16.30 16.59 16.88 17.16 17.43 17.70 17.96 18.22 18.47 18.72 18.97 19.21 19.44 19.68 19.90 20.13 20.35 20.57 20.78 20.99 21.20 21.40 21.60 21.80 22.00 22.19 22.38 22.57 22.76 22.94 23.12 23.30 23.47 9.59 10.07 10.53 10.98 11.41 11.83 12.24 12.63 13.01 13.38 13.74 14.09 14.44 14.74 15.10 15.42 15.73 16.03 16.33 16.62 16.90 17.18 17.46 17.73 17.99 18.25 18.50 18.75 18.99 19.23 19.47 19.70 19.93 20.15 20.37 20.59 20.80 21.01 21.22 21.42 21.62 21.82 22.02 22.21 22.40 22.59 22.77 22.96 23.14 23.32 23.49 9.64 10.12 10.58 11.02 11.45 11.87 12.28 12.67 13.05 13.42 13.78 14.13 14.47 14.80 15.13 15.45 15.76 16.06 16.36 16.65 16.93 17.21 17.48 17.75 18.01 18.27 18.52 18.77 19.02 19.25 19.49 19.72 19.95 20.17 20.39 20.61 20.82 21.03 21.24 21.44 21.64 21.84 22.04 22.23 22.42 22.61 22.79 22.98 23.16 23.33 23.51 9.69 10.17 10.62 11.07 11.50 11.91 12.31 12.71 13.09 13.45 13.81 14.16 14.50 14.84 15.16 15.48 15.79 16.09 16.39 16.68 16.69 17.24 17.51 17.78 18.04 18.30 18.55 18.80 19.04 19.28 19.51 19.74 19.97 20.19 20.41 20.63 20.84 21.05 21.26 21.46 21.66 21.86 22.06 22.25 22.44 22.63 22.81 22.99 23.17 23.35 23.53 9.74 10.21 10.67 11.11 11.54 11.95 12.35 12.74 13.12 13.49 13.85 14.20 14.54 14.87 15.19 15.51 15.82 16.12 16.42 16.71 16.99 17.27 17.54 17.80 18.07 18.32 18.57 18.82 19.06 19.30 19.54 19.77 19.99 20.22 20.44 20.65 20.87 21.07 21.28 21.48 21.68 21.88 22.08 22.27 22.46 22.65 22.83 23.01 23.19 23.37 23.54 9.79 10.26 10.71 11.15 11.58 11.99 12.39 12.78 13.16 13.53 13.88 14.23 14.57 14.90 15.23 15.54 15.85 16.51 16.45 16.73 17.02 17.29 17.56 17.83 18.09 18.35 18.60 18.85 19.09 19.33 19.56 19.78 20.02 20.24 20.46 20.67 20.89 21.10 21.30 21.50 21.70 21.90 22.10 22.29 22.48 22.66 22.85 23.03 23.21 23.39 23.56 Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990 T A B E L A 2 — Conversão dos valores de densidade corporal preditos através da equação D E N S = 1,16650 - 0,07063 Log (CX + SI + SB) em percentagem do peso corporal c o m o gordura — Mulheres mm 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 46 47 48 49 50 51 52 53 54 55 56 57 58 59 60 61 62 63 64 65 66 67 68 69 70 71 72 73 74 75 76 77 78 79 80 81 82 83 84 85 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 18.11 18.49 18.87 19.23 19.58 19.93 20.27 20.60 20.92 21.34 21.55 21.85 22.15 22.44 22.72 23.00 23.28 23.55 23.81 24.07 24.33 24.58 24.83 25.07 25.31 25.55 25.78 26.01 26.23 26.45 26.67 26.89 27.10 27.31 27.51 27.72 27.92 28.11 28.31 28.50 28.69 28.88 29.07 29.25 29.43 29.61 29.79 29.96 30.14 30.31 30.48 18.15 18.53 18.90 19.27 19.62 19.97 20.30 20.63 20.95 21.27 21.48 21.88 22.18 22.47 22.75 23.03 23.31 23.58 23.84 24.10 24.35 24.61 24.85 25.10 25.33 25.57 25.80 26.03 26.25 26.47 26.69 26.91 27.12 27.33 27.53 27.74 27.94 28.13 28.33 28.52 28.71 28.90 29.09 29.27 29.45 29.63 29.81 29.98 30.15 30.33 30.49 18.19 18.57 18.94 19.30 19.65 20.00 20.34 20.66 20.99 21.30 21.61 21.91 22.21 22.50 22.78 23.06 23.23 23.60 23.87 24.13 24.38 24.63 24.88 25.12 25.36 25.59 25.82 26.05 26.28 26.50 26.71 26.93 27.14 27.35 27.55 27.76 27.96 28.15 28.35 28.54 28.73 28.92 29.10 29.29 29.47 29.65 29.82 30.00 30.17 30.34 30.51 18.23 18.61 18.98 19.34 19.69 20.03 20.37 20.70 21.02 21.33 21.64 21.94 22.24 22.53 22.81 23.09 23.36 23.63 23.89 24.15 24.41 24.66 24.90 25.14 25.38 25.62 25.85 26.07 26.30 26.52 26.74 26.95 27.16 27.37 27.57 27.78 27.98 28.17 28.37 28.56 28.75 28.94 29.12 29.31 29.49 29.67 29.84 30.02 30.19 30.36 30.53 18.26 18.64 19.01 19.37 19.72 20.07 20.40 20.73 21.05 21.36 21.67 21.97 22.27 22.55 22.84 23.11 23.39 23.66 23.92 24.18 24.43 24.68 24.93 25.17 25.41 25.64 25.87 26.10 26.32 26.54 26.76 26.97 27.18 27.39 27.59 27.80 28.00 28.19 28.39 28.58 28.77 28.96 29.14 29.32 29.50 29.68 29.86 30.03 30.21 30.38 30.54 18.30 18.68 19.05 19.41 19.76 20.10 20.44 20.76 21.08 21.39 21.70 22.00 22.29 22.58 22.87 23.14 23.41 23.68 23.94 24.20 24.46 24.71 24.95 25.19 25.43 25.66 25.89 26.12 26.34 26.56 26.78 26.99 27.20 27.41 27.61 27.82 28.02 28.21 28.41 28.60 28.79 28.97 29.16 29.34 29.52 29.70 29.88 30.05 30.22 30.39 30.56 18.34 18.72 19.09 19.44 19.79 20.13 20.47 20.79 21.11 21.43 21.73 22.03 22.32 22.61 22.89 23.17 23.44 23.71 23.97 24.23 24.48 24.73 24.97 25.22 25.45 25.69 25.91 26.14 26.36 26.58 26.80 27.01 27.22 27.43 27.63 27.84 28.04 28.23 28.43 28.62 28.81 28.99 29.18 29.36 29.54 29.72 29.89 30.07 30.24 30.41 30.58 18.38 18.76 19.12 19.48 19.83 20.17 20.50 20.83 21.14 21.46 21.76 22.06 22.35 22.64 22.92 23.20 23.47 23.73 24.00 24.25 24.51 24.75 25.00 25.24 25.48 25.71 25.94 26.16 26.39 26.61 26.82 27.03 27.24 27.45 27.66 27.86 28.06 28.25 28.45 28.64 28.83 29.01 29.20 29.38 29.56 29.74 29.91 30.09 30.26 30.43 30.59 18.42 18.79 19.16 19.51 19.86 20.20 20.53 20.86 21.18 21.49 21.79 22.09 22.38 22.67 22.95 23.22 23.50 23.76 24.02 24.28 24.53 24.78 25.02 25.26 25.50 25.73 25.96 26.19 26.41 26.63 26.84 27.06 27.26 27.47 27.68 27.88 28.08 28.27 28.46 28.66 28.84 29.03 29.21 29.40 29.58 29.75 29.93 30.10 30.27 30.44 30.61 18.46 18.83 19.19 19.55 19.90 20.24 20.57 20.89 21.21 21.52 21.82 22.12 22.41 22.70 22.98 23.25 23.52 23.79 24.05 24.30 24.56 24.80 25.05 25.29 25.52 25.75 25.98 26.21 26.43 26.65 26.86 27.08 27.29 27.49 27.70 27.90 28.09 28.29 28.48 28.67 28.86 29.05 29.23 29.41 29.59 29.77 29.95 30.12 30.29 30.46 30.63 IMPLICAÇÕES NA UTILIZAÇÃO DE EQUAÇÕES PREDITIVAS NO ESTUDO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Embora a utilização de equações que procu ram predizer valores de densidade corporal atra vés das espessuras de dobras cutâneas seja uma opção bastante prática e fidedigna no estudo da composição corporal, devem ser tomadas algumas precauções que, se não levadas cm consideração podem deturpar enormemente as informações obtidas. Um dos principais cuidados estaria na conver são dos valores de densidade corporal, que é a va riável dependente na proposição das equações, em percentagem de gordura corporal. A densidade corporal é resultante das densidades dos vários componentes de todo o corpo como gordura, mús culo, osso, etc, e da proporção com que um des ses componentes participa no estabelecimento do peso corporal total KEYS & BROZEK (1953). Por conseqüência, para a conversão dos valores de den sidade corporal em percentagem de gordura no corpo torna-se necessário admitir que as densi dades dos componentes de gordura e de massa ma gra sejam conhecidas e constantes de indivíduo para indivíduo. Neste sentido, não existem dúvi das de que a densidade da gordura corporal é constante entre os indivíduos independentemen te de qualquer fator; entretanto sabe-se também que a densidade da massa magra pode variar de forma considerável, basicamente em função da idade. C o m o ilustração, num importante estudo de senvolvido por DURNIN & WOMERSLEY (1974) em sujeitos de diferentes idades, foi constatado que a massa magra torna-se mais densa à medida que as pessoas se aproximam da idade adulta atingindo valores mais elevados em torno de 20-40 anos, e voltavam a apresentar uma massa magra menos densa ao se aproximarem da c h a m a d a terceira idade. Por outro lado, apesar de haverem alguns es forços neste sentido, o desconhecimento do exa to valor da densidade da massa magra em pessoas mais jovem e mais idosa tem tornado, até o mo Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990 mento, impossível chegar a uma fórmula matemá tica que ofereça maior segurança no estudo da composição corporal dessas pessoas, o que con tribui para que sejam utilizados apenas os valo res de espessura das dobras cutâneas sem a con versão para a quantidade relativa de gordura e massa magra em jovens até 18 anos e em idades acima de 40 anos L O H M A N (1986). Desse m o do, como as equações preditivas apresentadas neste texto foram desenvolvidas com base em adultos, ao se estudar a composição corporal de crianças e adolescentes ou em pessoas de terceira idade atra vés desses procedimentos, provavelmente os resul t a d o s e n c o n t r a d o s deverão s u b e s t i m a r o u superestimar os verdadeiros valores da gordura corporal, sendo portanto aconselhável sua utili zação apenas em pessoas apresentando entre 18-40 anos de idade. Um outro problema que surge q u a n d o da uti lização das equações é o que se refere à experiên cia com a própria técnica de medida de espessura das dobras cutâneas que os avaliadores deverão apresentar. Esta preocupação se fundamenta na 19 n ã o existência de referências universalmente reco-. nhecidas q u a n t o à exata localização e definição_ de cada região a ser medida, possibilitando que os diferentes avaliadores apresentem divergências q u a n t o às técnicas de medidas empregadas, o que poderá provocar a ocorrência dos c h a m a d o s er ros sistemáticos q u a n d o da utilização das equa ções tendo c o m o conseqüência deturpações na predição da quantidade relativa de gordura cor poral. Assim sendo, para o estudo da composi ção corporal através de equações preditivas deverá haver u m a constante preocupação q u a n t o à ob tenção de valores realmente válidos, e para tanto a rigorosa observação das técnicas de medidas a d o t a d a s q u a n d o da proposição das equações e a prévia experiência com as medidas de espessu ra das dobras cutâneas é fundamental. Quanto aos procedimentos para as medidas de espessura das dobras cutâneas, estas devem ser rea lizadas sempre do lado direito do avaliado com u m a precisão m á x i m a de 0,2 milímetros. Recomenda-se a realização de u m a série de três medidas sucessivas num mesmo local, consideran do a média das três c o m o sendo o valor a d o t a d o para este ponto. Entretanto, tendo em vista a gran de variabilidade das medidas, na eventualidade de ocorrer discrepâncias superiores a 5% entre u m a das medidas e as demais no mesmo local, u m a nova série de três medidas deverá ser realizada. C o m relação ao compasso que deve ser utilizado, originalmente se utilizou o do tipo H A R P E N D E N , porém, o do tipo CESCORF, de fabricação nacional t a m b é m pode ser empregado, tendo em vista a similaridade de ambos em termos de pre cisão e consistência nos resultados das medidas. Especificamente q u a n t o às técnicas de medi da, a espessura da dobra cutânea tricipital é de terminada paralelamente ao eixo longitudinal do braço na sua face posterior, sendo seu ponto exa to de reparo a distância média entre a borda supero-lateral do acrômio e o olécrano. Na re gião subescapular a dobra cutânea é obtida obli q u a m e n t e ao eixo longitudinal seguindo a orientação dos arcos costais, sendo localizada aproximadamente a dois centímetros abaixo do ân gulo inferior da escápula. Q u a n t o à mensuração da espessura da dobra cutânea supra-ilíaca, o ava liado afasta levemente o braço direito para trás procurando não influenciar o avaliador na obten ção da medida. Esta dobra cutânea é individuali zada também no sentido oblíquo a dois centíme tros acima da crista ilíaca ântero-superior na altura da linha axilar anterior. Na região abdominal a dobra cutânea é determinada paralelamente ao ei xo longitudinal do corpo, aproximadamente dois centímetros à direita da borda lateral da cicatriz umbilical. E por último, a espessura da dobra cu tânea da coxa também é determinada paralelamen te ao eixo longitudinal da perna, sobre o músculo do reto femural a 2 / 3 da distância do ligamento inguinal e o bordo superior da rótula. C o m respeito a experiência que os avaliadores deverão apresentar q u a n d o da medida das espes suras de dobras cutâneas, num estudo anterior procuramos apresentar referenciais para os chama dos erros intra-avaliadores, ou seja, as diferenças entre sucessivas medidas realizadas pelo mesmo avaliador que podem ser admitidas como aceitá veis G U E D E S (1990). A idéia é que esses refe renciais possam ser utilizados c o m o parâmetros na tentativa de auxiliar na verificação da preci são com que o avaliador consegue obter a medi da da espessura de cada uma das dobras cutâneas, minimizando ou até mesmo descartando qualquer possibilidade de ocorrência de erros de medida na predição da quantidade de gordura corporal. Desse modo, para os inexperientes com esta técnica, s u - ' gerimos que antes de utilizarem as equações pre ditivas procurem determinar os índices de seus próprios erros intra-avaliadores comparando-os com os índices propostos, no sentido de obter va lores realmente confiáveis e úteis para futura aná lise da composição corporal. 20 VALORES REFERENCIAIS PARA OS PARÂMETROS DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Em razão das diferenças entre as padroniza ções de medida para o estudo da composição cor poral, tendo em vista as preferências dos avaliadores em utilizar uma ou outra técnica, atra vés da literatura especializada vamos encontrar al gumas divergências quanto à proposição de valores referenciais que possam servir de indicadores em u m a análise mais profunda. Entretanto, parece ser consenso que no h o m e m adulto a gordura repre sente em torno de 10 a 2 5 % do peso corporal to tal, e n q u a n t o que na mulher estes valores a u m e n t a m para 18 a 3 5 % . Porém existem atletas praticantes de determinadas modalidades espor tivas excessivamente magros que podem apresen tar valores ainda menores. C o m relação à massa magra, este componente diferentemente da gor dura se apresenta com u m a m e n o r variabilidade entre os indivíduos não-atletas, em t o r n o de 75 e 8 5 % do peso corporal em mulheres e homens respectivamente. Em atletas esses valores podem aumentar para 85-95% do peso corporal depen dendo da especialidade atlética. Através de u m a ampla revisão dos estudos já realizados em várias partes do m u n d o com po pulações de não-atletas e atletas, e tendo como indicador a quantidade de gordura relativa ao peso corporal haja vista a menor variação do compo nente de massa magra, procuramos através das fi guras 1 e 2 oferecer algum subsídio que possa auxiliar no estudo da composição corporal em nossa população. F I G U R A 1 — Quantidade de gordura relativa ao peso corporal — H o m e n s . F I G U R A 2 — Quantidade de gordura relativa ao peso corporal — Mulheres. PROF. DARTAGNAN PINTO GUEDES M e s t r a d o em Ciências do M o v i m e n t o U F S M - R S D o u t o r a n d o e m Biodinâmica d o M o v i m e n t o H u m a n o - U S P - SP Professor A d j u n t o do D e p a r t a m e n t o de F u n d a m e n t o s da E d u c a ç ã o Física — F U E L - P R . PROF.ª JOANA ELISABETE PINTO GUEDES Mestrado em Ciências do Movimento — UFSM-RS Professora Assistente do Departamento de Desportos Individuais e Coletivo — FUEL-PR. G U E D E S , D.P. G o r d u r a corporal: validação d a e q u a ç ã o proposta p o r F a u l k n e r cm j o v e n s p e r t e n c e n t e s a p o p u l a ç ã o brasilei ra. Artus — Revista de Educação Física e Desporto. 9 (17): 10-13, 1986 G U E D E S , D.P. C o m p o s i ç ã o Corporal: Princípios, Técnicas c Aplicações. F l o r i a n ó p o l i s , C E I T E C . 1990 G U E D E S , D.P. & S A M P E D R O , R . M . F . Tentativa d e v a l i d a ç ã o de e q u a ç õ e s p a r a p r e d i ç ã o d o s valores de d e n s i d a d e c o r p o ral c o m base nas e s p e s s u r a s d c d o b r a s c u t â n e a s c m univer sitários. Revista Brasileira de Ciências do Esporte. 6 (3): 182-191, 1985 K E Y S , A. & B R O Z E K , J. B o d y fat in a d u l t m a n . Physiological Endereço dos Autores Rua da L a p a 300 — Bairro Higienópolis Tel. (0432) 22-1528 C E P 86015 — L o n d r i n a — P a r a n á Reviews. 3 3 ( 3 ) : 245-325, 1953 L O H M A N , T.G. S k i n f o l d s a n d b o d y density a n d their relation to b o d y fatness: a reviews. H u m a n Biology. 53 (2): 181-225, 1981 L O H M A N , T.G. A p p l i c a b i l i t y o f b o d y c o m p o s i t i o n t e c h n i q u e s a n d c o n s t a n t s for children a n d y o u t h . Exercise and Sport Science Reviews. (14): 325-357, 1986 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS B R O D I E , D.A. 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