O ESTUDO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL DARTAGNAN PINTO GUEDES
JOANA ELISABETE RIBEIRO PINTO GUEDES
O desenvolvimento de estudos sobre os parâ­
metros da composição corporal por profissionais
da área da Atividade Física se justifica a medida
que para a realização de avaliações mais criterio­
sas e realmente confiáveis sobre os efeitos de qual­
quer tipo de programa de exercícios físicos, existe
a necessidade de fracionar o peso corporal em seus
diferentes componentes na tentativa de obter in­
formações mais precisas com relação as modifi­
cações ocorridas nas constituições de cada um
desses componentes. Mesmo considerando que
apesar do peso corporal se constituir n u m a va­
riável que recebe influência imediata de progra­
mas de exercícios físicos, tornando-se portanto
num importante referencial em avaliações deste ti­
po, suas medidas nem sempre conseguem forne­
cer além de u m a visão bastante superficial sobre
a assimilação por parte do organismo das a d a p ­
tações provocadas pelo exercício. Isto porque os
valores de peso corporal c o m o um todo, depen­
dem fundamentalmente de um aglomerado de
componentes como ossos, músculos, gordura e ou­
tros tecidos que, dependendo do tipo de ativida­
de e/ou da dieta alimentar desenvolvida, e ainda
do nível de treinabilidade do indivíduo envolvido
no programa de exercício físico, cada um desses
componentes pode sofrer diferentes variações em
suas constituições, variações estas que não podem
ser evidenciadas simplesmente através das medi­
das do peso corporal total.
C o m isto em mente, e somente através de u m a
análise de cada um desses componentes de for­
ma isolada e em relação ao próprio peso corporal
total, o que caracteriza o estudo da composição
corporal, é que torna possível observar as altera­
ções produzidas pelos diferentes programas de
exercícios físicos no organismo de uma pessoa,
oferecendo por sua vez valiosas informações so­
bre sua eficiência ou não, indicando, se for o ca­
so, possíveis reformulações em seus princípios.
Um dos primeiros estudos a demonstrar a ina­
dequação da utilização do peso corporal total na
avaliação dos efeitos dos programas de exercícios
físicos sobre o organismo foi realizado por WE­
L H A M & B E H N K E (1942) que, utilizando de jo­
gadores profissionais de futebol americano
observaram um peso corporal médio em torno de
24,8% acima dos padrões tidos como normais pa­
ra homens de mesma idade e estatura, o que os
enquadrariam, por incrível que possa parecer, nu­
ma faixa de obesidade. Todavia, na sequência do
estudo, esses mesmos atletas foram considerados
individuos realmente magros, no sentido de pos­
suírem um baixo conteúdo de gordura, e por sua
vez elevadíssimo nível de desenvolvimento mus­
cular determinados após o fracionamento de seus
respectivos pesos corporais nos diferentes compo­
nentes.
Procurando melhor explicar este fato, indubi­
tavelmente os componentes que causam as maio­
res variações na determinação do peso corporal
total no organismo h u m a n o são os músculos, os
ossos e a gordura. Desse m o d o , torna-se possível
em certos casos, determinadas pessoas que apre­
sentam altos valores para o peso corporal ao se­
rem comparadas com tabelas padrões elaboradas
com base em sujeitos do mesmo sexo, faixa etária
e estatura, não serem consideradas, necessariamen­
te, pessoas com excesso de gordura ou obesas. Nes­
tes casos, pode ser que os altos valores do peso
corporal sejam resultantes de um grande desenvol­
vimento muscular associado a u m a sólida cons­
tituição óssea, e não c o m o era esperado a
princípio, em função de uma elevada quantidade
de gordura.
Por outro lado, nem sempre um maior peso
Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990
corporal, mesmo em atletas, traduz um desenvol­
vimento favorável do componente muscular. Po­
de ser que este maior peso corporal esteja sendo
compensado por uma excessiva quantidade de gor­
dura para a pratica especificamente daquela m o ­
dalidade desportiva a que pertence o atleta em
detrimento a outros componentes, o que caracte­
riza o que se denomina de obesidade atlética. Des­
ta forma, pode ser que atletas c o m u m e n t e
considerados com excesso de gordura por apre­
sentarem altos valores de peso corporal, sendo por­
tanto direcionados a rotinas de exercícios físicos
e a u m a dieta alimentar específica para perda de
gordura desviando-os de suas metas principais exi­
gidas nas modalidades desportivas praticadas, se­
j a m simplesmente atletas c o m u m grande
desenvolvimento músculo-esquelético, e inversa­
mente atletas que são considerados magros por
apresentarem um baixo peso corporal, p o d e m na
realidade mostrar um m e n o r peso corporal em
função de deficiências no desenvolvimento mus­
cular e/ou ósseo, e n ã o na quantidade de gordu­
ra, prejudicando sobremaneira u m a melhor perfor­
mance em termos atléticos.
C o m base nestas evidências acreditamos que
o desenvolvimento de estudos com relação aos pa­
râmetros da composição corporal vai mais além
do que simplesmente satisfazer a curiosidade cien­
tifica de alguns pesquisadores da atividade físi­
ca, tornando-se um procedimento de enorme
utilidade na avaliação e acompanhamento dos pro­
gramas de exercícios físicos. Assim sendo, o d o ­
mínio de suas técnicas e a interpretação de seus
resultados tornam-se recursos de grande impor­
tância a Professores de Educação Física e Treina­
dores Desportivos, na tentativa de oferecer um
melhor atendimento aos praticantes da atividade
física em geral.
15
O FRACIONAMENTO DO PESO CORPORAL
A primeira tentativa de fracionar o peso cor­
poral foi desenvolvida pelo antropologista Jun­
drich Matiegka no início do século, o qual
considerou quatro componentes: gordura, mús­
culo, osso e residuo, sendo que o componente re­
sidual era formado pelos órgãos e visceras. Este
pesquisador utilizando de estudos em cadáveres,
determinou u m a série de coeficientes para equa­
ções relacionando os pesos de cada um desse com­
ponentes
com
determinadas
medidas
antropométricas. Apesar de mais recentemente
DRINKWATER et alii (1986) procurarem desen­
volver u m a atualização desses coeficientes, con­
siderando a evolução nas técnicas antropométricas
e aprimoramento nos equipamentos de medidas
ocorrido neste espaço de tempo, esta estrategia não
tem recebido a aceitação dos estudiosos da com­
posição corporal. Provavelmente esta n ã o aceita­
ção se justifique por desconsiderar alguns
princípios metabólicos de fundamental importân­
cia ao binômio estrutura-função e pela sofistica­
ção de seu desenvolvimento.
C o m o conseqüência, com a finalidade de ofe­
recer maior clareza e objetividade q u a n d o da in­
terpretação e análise dos diferentes componentes
e suas implicações, tornou-se habitual considerar
a composição corporal sob o aspecto de um sis­
tema de dois componentes: a massa corporal isenta
de gordura e a gordura corporal. Neste sentido,
a massa corporal isenta de gordura ou o que se
denomina de massa magra, refere-se a parte do
peso corporal total que permanece após toda a
gordura ser removida, sendo então formada pe­
los sistemas muscular e esquelético, órgãos, vís­
ceras, além de todos tecidos não-gordurosos. Desse
modo, a maior vantagem deste sistema é o fato
de que q u a n d o o conteúdo de gordura corporal
é conhecido, a massa magra pode também ser de­
terminada pela simples subtração aritmética do pe­
so c o r p o r a l total e, por sua vez a m b o s
componentes, gordura e massa magra, podem ser
determinados paralelamente no organismo de uma
pessoa.
Considerando este raciocínio, que basicamen­
te se resume na relação:
Peso Corporal = Gordura + Massa Magra
Percebe-se, já que n ã o existem maiores problemas
para se chegar ao peso corporal, o fundamental
no estudo da composição corporal é a determi­
nação da quantidade de gordura, admitindo que
em termos de implicações práticas ao se compa­
rar com a massa magra este componente é bem
mais acessível.
TÉCNICAS EMPREGADAS NO ESTUDO DA
COMPOSIÇÃO CORPORAL
Para o estudo da composição corporal podem
ser empregadas técnicas envolvendo procedimen­
tos de determinação direta e indireta. Os proce­
dimentos de determinação direta são aqueles onde
o avaliador manipula diretamente os diferentes te­
cidos do corpo in loco, e n q u a n t o que os procedi­
mentos indiretos são aqueles utilizados a partir de
princípios químicos e físicos, com o objetivo de
extrapolação da quantidade de cada um dos com­
ponentes. Neste sentido, como u m a determinação
direta implica em incisões no corpo, no homem
obviamente esse procedimento só é possível ser rea­
lizado em cadáveres. Portanto, embora análises da
composição corporal realizadas diretamente sejam
importantes e ofereçam o suporte teórico neces­
sário aos procedimentos de determinação indire­
ta, são justamente as técnicas indiretas que pos­
sibilitam analisar os componentes de gordura e
massa magra.
Dentro dos procedimentos de determinção in­
direta, apesar da grande variedade de técnicas em-
16
O fundamental no
estudo da
composição corporal
é a determinação da
quantidade de
gordura, admitindo
que em termos de
implicações práticas
ao se comparar com
a massa magra este
componente é bem
mais acessível
pregadas, por exemplo: análises bio-químicas,
resonancia magnética, raio x, densimetria, espes­
suras do tecido subcutâneo, e mais recentemente
bio-impedância, constata-se que em termos de
aplicabilidade as possíveis discrepâncias encontra­
das em seus resultados são atribuídas mais exata­
mente as características das medidas de cada uma
das técnicas do que as próprias variações bioló­
gicas, o que as t o r n a m indistintamente bastante
válidas e úteis B R O D I E (1988). Entretanto, em
razão das características particulares de cada téc­
nica, convém chamar a atenção para o fato de que
q u a n d o do desenvolvimento de comparações en­
tre diferentes grupos individuais ou em estudos
longitudinais, aconselha-se a utilização de uma
mesma técnica na obtenção das informações.
Quanto a escolha de uma das técnicas a ser em­
pregada no estudo da composição corporal, a so­
fisticação de algumas metodologias aliada ao
grande sacrifício por parte dos avaliados na ob­
tenção dos resultados, além do elevado custo ope­
racional dos instrumentos exigidos, tem feito com
que a densimetria e a espessura do tecido subcu­
tâneo sejam os procedimentos mais difundidos em
nosso meio.
O envolvimento dos valores de densidade cor­
poral c o m o referenciais para estudo da composi­
ção corporal, está alicerçado na teoria de que a
densidade da gordura corporal é consideravelmente
menor em relação a de outras estruturas do cor­
po (massa magra), por conseqüência quanto maior
a quantidade de gordura em proporção ao peso
corporal total de u m a pessoa menor será a densi­
dade de todo o corpo. Em contrapartida, a técni­
ca de medida da espessura do tecido subcutâneo
tem por base a observação de que grande quanti­
dade da gordura corporal se encontra debaixo da
pele, e desta forma os valores das dobras cutâneas
passam a ser um indicador da porção de gordura
que se localiza naquela determinada região do cor­
po. C o m o a disposição da gordura localizada no
tecido subcutâneo não se apresenta de forma uni­
forme por todo o corpo, a medida de espessura
das dobras cutâneas deverá ser feita em várias re­
giões para se obter um termo médio de sua quan­
tidade.
Q u a n t o a determinação da densidade corpo­
ral, admitindo que a densidade de um corpo é a
relação existente entre o seu peso total e o seu vo­
lume, e ainda considerando que o volume do cor­
po de um pessoa pode ser c o m p u t a d o a partir da
diferança entre o peso corporal real e o peso cor­
poral medida durante sua imersão na água, a o p ­
ção mais usual tem sido a utilização dos
procedimentos da pesagem hidrostática. Através
dos procedimentos da pesagem hidrostática, o ava­
liado deverá ser pesado no meio ambiente (peso
corporal real) e totalmente submerso na água. Da
relação entre o peso corporal total e a diferença
de a m b o s os pesos juntamente com aplicação de
fatores de correção para a temperatura e impure­
zas existentes na água, além do volume residual
e gases intestinais, resulta o valor considerado para
a densidade corporal.
Por outro lado, em razão da simplicidade na
interpretação dos resultados, na atualidade os va­
lores de espessura do tecido subcutâneo obtidos
por compassos torna-se o método mais indicado
para a determinação da quantidade de gordura
subcutânea e do estudo da composição corporal.
Por este método, o tecido celular subcutâneo de­
ve ser diferenciado do tecido muscular através de
um tipo de pinça formada pelo polegar e indica­
dor da m ã o dominante, e com as pontas do com­
passo fixadas no ponto exato de reparo é
determinada a espessura da dobra formada pelos
tecidos subcutâneos, daí o termo espessura de do­
bras cutâneas.
Em termos de interpretação dos resultados,
existe a necessidade de considerar uma diferença
básica entre essas duas técnicas. A densimetria,
através dos valores de densidade corporal, anali­
sa os parâmetros da composição corporal tendo
c o m o referencial a quantidade de gordura corpo­
ral total, enquanto que a espessura do tecido sub­
cutâneo considera tão somente as características
da gordura localizada subcutaneamente G U E D E S
(1985). Neste sentido, a gordura corporal total con­
siste na gordura que é acumulada no tecido adi­
poso incluindo tanto a gordura que protege os
vários órgãos internamente, o que se denomina
de gordura interna, c o m o a gordura que se depo­
sita embaixo da superfície da pele, o que se de­
nomina de gordura subcutânea. Desse modo, a
gordura corporal total é todo componente de adi­
posidade existente no organismo, enquanto que
a gordura subcutânea é apenas u m a parte deste
componente, ou seja a gordura que se localiza nos
tecidos subcutâneos.
A UTILIZAÇÃO DE EQUAÇÕES PARA A PREDIÇÃO DOS PARÂMETROS DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Se de um lado o cálculo da densidade corpo­
ral é o referencial mais aceito para o estudo da
composição corporal, de outro lado em função
das dificuldades metodológicas e de equipamen­
tos, além da necessidade de um alto grau de coo­
peração por parte dos avaliados fazendo com que
somente pessoas com uma razoável adaptação ao
meio líquido possam ser submetidos a pesagem
hidrostática, o seu desenvolvimento causam enor­
mes dificuldades q u a n d o de aplicações rotineiras
em programas de avaliação da atividade física.
Desse modo, com base na elevada relação mate­
mática existente entre a densidade corporal e os
valores de espessura das dobras cutâneas, análi­
ses de regressão tem sido extensivamente empre­
gadas na tentativa de derivar equações com função
de predizer a quantidade de gordura corporal to-
Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990
tal a partir de combinações das medidas de es­
pessura das dobras cutâneas em diferentes regiões
do corpo. Em vista disto, e levando em conside­
ração o aspecto de custo-benefício, na atualidade
a utilização de equações preditivas envolvendo es­
pessuras de dobras cutâneas torna-se o recurso
mais indicado para o estudo da composição
corporal.
A primeira equação c o m esta finalidade sur­
giu a aproximadamente quatro décadas atrás, e
a partir de então procurando oferecer maior exa­
tidão possível aos valores preditos constantemen­
te vem sendo propostas novas equações. Entre­
tanto, após a proposição de u m a equação existe
a possibilidade dos valores a serem preditos n ã o
apresentarem o mesmo nível de precisão encon­
trado originalmente quando aplicada em diferentes
situações L O H M A N (1981); S I N N I N G & WIL­
SON (1984). Desse m o d o , considerando que a
grande maioria dessas equações foram propostas
com base em realidades bastante distante da nos­
sa como Europa e Estados Unidos, o processo de
validação dessas equações torna-se um recurso de
fundamental importância a partir do m o m e n t o
que surge a necessidade de diagnosticar com que
exatidão a q u a n t i d a d e de gordura corporal está
sendo predita em nossos avaliados. Em vista dis­
to, através de estudos realizados anteriormente
G U E D E S & S A M P E D R O (1985); G U E D E S
(1986), com objetivo de verificar a precisão com
que algumas das inúmeras equações existente na li­
teratura poderiam predizer a quantidade de gordu­
ra corporal em integrantes da população brasileira,
foram constatados erros preditivos bastante acen­
tuados, demonstrando que estas equações propos­
tas com base na realidade de outros países são
inadequadas para utilização em nosso meio.
Alicerçado nestas evidências e considerando até
então a inexistência de equações que pudessem ser
utilizadas na determinação da quantidade de gor­
dura corporal com base em amostras pertencen­
tes a p o p u l a ç ã o b r a s i l e i r a , d i f i c u l t a n d o
enormemente o estudo da composição corporal
através deste que é um procedimento bastante prá­
tico e fidedigno, procuramos a proposição de no­
vas opções de equações que melhor atendam a
nossa realidade G U E D E S (1990).
Estas equações surgiram de um estudo entre
homens e mulheres jovens de 18-35 anos de ida­
de universitários da Universidade Federal de Santa
Maria — RS., tendo como variável dependente os
valores de densidade corporal e como variáveis in­
dependentes as espessuras das dobras cutâneas me­
didas em oito regiões do corpo: bicipital, tricipital,
subescapular, supra-ilíaca, axilar média, coxa e
panturrilha medial. A p ó s a utilização dos recur­
sos da análise de regressão múltipla stepwise no
sentido de detectar aquelas medidas de espessu­
ras das dobras cutâneas que melhor explicassem
a variação dos valores da densidade corporal, fo­
ram propostas inicialmente oito diferentes equa­
ções para cada sexo, sendo que associando os
aspectos de nível de precisão na predição dos va­
lores e de praticidade nas medidas das espessuras
das dobras cutâneas,optou-se pela aplicação de
apenas duas dessas equações:
Homens
DENS = 1,17136 - 0,06706 Log (TR + SI + AB)
Mulheres
D E N S = 1,16650 - 0,07063 Log ( S B + SI + C X )
Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990
17
Onde:
D E N S - Valores preditos da
corporal.
T R - Espessura da dobra
tricipital
SI - Espessura da dobra
supra-ilíca
A B - Espessura da dobra
abdominal
SB - Espessura da dobra
subescapular
C X - Espessura da dobra
coxa
densidade
cutânea
cutânea
cutânea
cutânea
somatório das medidas de espessura das três d o ­
bras cutâneas envolvidas em cada equação pro­
posta — tabelas 1 e 2. O emprego destas tabelas
tem auxiliado sobremaneira a análise dos parâ­
metros da composição corporal, tendo em vista
a simplificação dos cálculos matemáticos além de
proporcionar resultados imediatos.
C o m o aplicação da utilização das tabelas, pro­
curaremos exemplificar os cálculos das proporções
de gordura e de massa magra em um avaliado, ho­
mem, com as seguintes medidas:
tabela da seguinte forma: 32 c o m o a parte inteira
do valor correspondente ao somatório das dobras
cutâneas é localizado na linha vertical, e o 4 co­
mo parte decimal na linha horizontal. Da proje­
ção desses valores resulta a percentagem do peso
corporal como gordura, neste exemplo 12,59%.
Na seqüência, de posse dos valores do peso cor­
poral (74,8 kg.) e da gordura percentual (12,59%)
torna-se possível determinar a gordura corporal
em termos absolutos, e conseqüentemente a massa
magra através das seguintes relações matemáticas:
Peso Corporal
74,8 kg.
Espessura da dobra cutânea tricipital
10,2 m m .
Espessura da dobra cutânea supra-iliaca....9,3 m m .
Espessura da dobra cutânea abdominal...12,9 m m .
G O R D = Peso Corporal (Gord (%)/100)
= 74,8 (12,59/100)
= 9,4 kg.
MASSA MAGRA = Peso Corporal - Gordura Absoluta
= 74,8 - 9,4
= 65,4 kg.
cutânea da
Por outro lado, reconhecendo a necessidade
que a conversão dos valores de densidade corpo­
ral em quantidades relativas de gordura no peso
corporal apresenta em estudos da composição cor­
poral, através da utilização da fórmula proposta
por SIRI (1961), foram elaboradas tabelas onde
possa ser representada a predição dos valores pa­
ra a densidade corporal simultaneamente com suas
conversões em quantidades percentuais de gordura
de u m a representativa amplitude de variação do
Inicialmente, o primeiro passo seria a realiza­
ção do somatório das espessuras das três dobras
cutâneas (10, 2 + 9,3 + 12, 9), no caso 32,4 m m .
Posteriormente, o próximo passo seria a utiliza­
ção da tabela 1, com o objetivo de conversão desse
valor em quantidade relativa de gordura. Isto é
feito através do enquadramento do valor 32,4 na
Desse modo, o avaliado analisado neste exem­
plo poderia ter seu peso corporal igual a 74,8 kg.
decomposto em 9,4 kg. de gordura, em termos re­
lativos 12,6%, e 65,4 kg. de massa magra, em tor­
no de 87,4% do peso corporal total.
T A B E L A 1 — Conversão dos valores de densidade corporal preditos através da equação D E N S = 1,17136 - 0,06706 Log (TR + SI + AB) em percentagem
do peso corporal c o m o gordura — Homens.
mm
25
26
27
28
29
30
31
32
33
34
35
36
37
38
39
40
41
42
43
44
45
46
47
48
49
50
51
52
53
54
55
56
57
58
59
60
61
62
63
64
65
66
67
68
69
70
71
72
73
74
75
18
0.0
0.1
0.2
0.3
0.4
0.5
0.6
0.7
0.8
0.9
9.35
9.84
10.31
10.76
11.20
11.62
12.03
12.43
12.82
13.20
13.56
13.92
14.27
14.61
14.94
15.26
15.57
15.88
16.18
16.48
16.76
17.04
17.32
17.59
17.86
18.12
18.37
18.62
18.87
19.11
19.35
19.58
19.81
20.04
20.26
20.48
20.70
20.91
21.12
21.32
21.52
21.72
21.92
22.12
22.31
22.50
22.68
22.87
23.05
23.23
23.40
9.40
9.88
10.35
10.80
11.24
11.66
12.07
12.47
12.86
13.23
13.60
13.96
14.30
14.64
14.97
15.29
15.60
15.91
16.21
16.50
16.79
17.07
17.35
17.62
17.88
18.14
18.40
18.65
18.89
19.14
19.37
19.61
19.84
20.06
20.28
20.50
20.72
20.93
21.14
21.34
21.54
21.74
21.94
22.13
22.33
22.51
22.70
22.88
23.07
23.24
23.42
9.45
9.93
10.40
10.85
11.28
11.71
12.11
12.51
12.90
13.27
13.64
13.99
14.34
14.67
15.00
15.32
15.63
15.94
16.24
16.53
16.82
17.10
17.38
17.65
17.91
18.17
18.42
18.67
18.92
19.16
19.40
19.63
19.86
20.08
20.31
20.52
20.74
20.95
21.16
21.36
21.56
21.76
21.96
22.15
22.35
22.53
22.72
22.90
23.08
23.26
23.44
9.50
9.98
10.44
10.89
11.33
11.75
12.16
12.55
12.93
13.31
13.67
14.03
14.37
14.71
15.03
15.35
15.67
15.97
16.27
16.56
16.85
17.13
17.40
17.67
17.94
18.19
18.45
18.70
18.94
19.18
19.42
19.65
19.88
20.11
20.33
20.54
20.76
20.97
21.18
21.38
21.58
21.78
21.98
22.17
22.36
22.55
22.74
22.92
23.10
23.28
23.46
9.55
10.03
10.49
10.94
11.37
11.79
12.20
12.59
12.97
13.35
13.71
14.06
14.40
14.77
15.07
15.38
15.70
16.00
16.30
16.59
16.88
17.16
17.43
17.70
17.96
18.22
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Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990
T A B E L A 2 — Conversão dos valores de densidade corporal preditos através da equação D E N S = 1,16650 - 0,07063 Log (CX + SI + SB) em percentagem
do peso corporal c o m o gordura — Mulheres
mm
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30.46
30.63
IMPLICAÇÕES NA UTILIZAÇÃO DE EQUAÇÕES PREDITIVAS NO ESTUDO DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Embora a utilização de equações que procu­
ram predizer valores de densidade corporal atra­
vés das espessuras de dobras cutâneas seja uma
opção bastante prática e fidedigna no estudo da
composição corporal, devem ser tomadas algumas
precauções que, se não levadas cm consideração
podem deturpar enormemente as informações
obtidas.
Um dos principais cuidados estaria na conver­
são dos valores de densidade corporal, que é a va­
riável dependente na proposição das equações, em
percentagem de gordura corporal. A densidade
corporal é resultante das densidades dos vários
componentes de todo o corpo como gordura, mús­
culo, osso, etc, e da proporção com que um des­
ses componentes participa no estabelecimento do
peso corporal total KEYS & BROZEK (1953). Por
conseqüência, para a conversão dos valores de den­
sidade corporal em percentagem de gordura no
corpo torna-se necessário admitir que as densi­
dades dos componentes de gordura e de massa ma­
gra sejam conhecidas e constantes de indivíduo
para indivíduo. Neste sentido, não existem dúvi­
das de que a densidade da gordura corporal é
constante entre os indivíduos independentemen­
te de qualquer fator; entretanto sabe-se também
que a densidade da massa magra pode variar de
forma considerável, basicamente em função da
idade.
C o m o ilustração, num importante estudo de­
senvolvido por DURNIN & WOMERSLEY (1974)
em sujeitos de diferentes idades, foi constatado que
a massa magra torna-se mais densa à medida que
as pessoas se aproximam da idade adulta atingindo
valores mais elevados em torno de 20-40 anos, e
voltavam a apresentar uma massa magra menos
densa ao se aproximarem da c h a m a d a terceira
idade.
Por outro lado, apesar de haverem alguns es­
forços neste sentido, o desconhecimento do exa­
to valor da densidade da massa magra em pessoas
mais jovem e mais idosa tem tornado, até o mo­
Revista da Fundação de Esporte e Turismo 2 (2): 15-20, 1990
mento, impossível chegar a uma fórmula matemá­
tica que ofereça maior segurança no estudo da
composição corporal dessas pessoas, o que con­
tribui para que sejam utilizados apenas os valo­
res de espessura das dobras cutâneas sem a con­
versão para a quantidade relativa de gordura e
massa magra em jovens até 18 anos e em idades
acima de 40 anos L O H M A N (1986). Desse m o ­
do, como as equações preditivas apresentadas neste
texto foram desenvolvidas com base em adultos,
ao se estudar a composição corporal de crianças e
adolescentes ou em pessoas de terceira idade atra­
vés desses procedimentos, provavelmente os resul­
t a d o s e n c o n t r a d o s deverão s u b e s t i m a r o u
superestimar os verdadeiros valores da gordura
corporal, sendo portanto aconselhável sua utili­
zação apenas em pessoas apresentando entre 18-40
anos de idade.
Um outro problema que surge q u a n d o da uti­
lização das equações é o que se refere à experiên­
cia com a própria técnica de medida de espessura
das dobras cutâneas que os avaliadores deverão
apresentar. Esta preocupação se fundamenta na
19
n ã o existência de referências universalmente reco-.
nhecidas q u a n t o à exata localização e definição_
de cada região a ser medida, possibilitando que
os diferentes avaliadores apresentem divergências
q u a n t o às técnicas de medidas empregadas, o que
poderá provocar a ocorrência dos c h a m a d o s er­
ros sistemáticos q u a n d o da utilização das equa­
ções tendo c o m o conseqüência deturpações na
predição da quantidade relativa de gordura cor­
poral. Assim sendo, para o estudo da composi­
ção corporal através de equações preditivas deverá
haver u m a constante preocupação q u a n t o à ob­
tenção de valores realmente válidos, e para tanto
a rigorosa observação das técnicas de medidas
a d o t a d a s q u a n d o da proposição das equações e
a prévia experiência com as medidas de espessu­
ra das dobras cutâneas é fundamental.
Quanto aos procedimentos para as medidas de
espessura das dobras cutâneas, estas devem ser rea­
lizadas sempre do lado direito do avaliado com
u m a precisão m á x i m a de 0,2 milímetros.
Recomenda-se a realização de u m a série de três
medidas sucessivas num mesmo local, consideran­
do a média das três c o m o sendo o valor a d o t a d o
para este ponto. Entretanto, tendo em vista a gran­
de variabilidade das medidas, na eventualidade de
ocorrer discrepâncias superiores a 5% entre u m a
das medidas e as demais no mesmo local, u m a
nova série de três medidas deverá ser realizada.
C o m relação ao compasso que deve ser utilizado,
originalmente se utilizou o do tipo H A R P E N ­
D E N , porém, o do tipo CESCORF, de fabricação
nacional t a m b é m pode ser empregado, tendo em
vista a similaridade de ambos em termos de pre­
cisão e consistência nos resultados das medidas.
Especificamente q u a n t o às técnicas de medi­
da, a espessura da dobra cutânea tricipital é de­
terminada paralelamente ao eixo longitudinal do
braço na sua face posterior, sendo seu ponto exa­
to de reparo a distância média entre a borda
supero-lateral do acrômio e o olécrano. Na re­
gião subescapular a dobra cutânea é obtida obli­
q u a m e n t e ao eixo longitudinal seguindo a
orientação dos arcos costais, sendo localizada
aproximadamente a dois centímetros abaixo do ân­
gulo inferior da escápula. Q u a n t o à mensuração
da espessura da dobra cutânea supra-ilíaca, o ava­
liado afasta levemente o braço direito para trás
procurando não influenciar o avaliador na obten­
ção da medida. Esta dobra cutânea é individuali­
zada também no sentido oblíquo a dois centíme­
tros acima da crista ilíaca ântero-superior na altura
da linha axilar anterior. Na região abdominal a
dobra cutânea é determinada paralelamente ao ei­
xo longitudinal do corpo, aproximadamente dois
centímetros à direita da borda lateral da cicatriz
umbilical. E por último, a espessura da dobra cu­
tânea da coxa também é determinada paralelamen­
te ao eixo longitudinal da perna, sobre o músculo
do reto femural a 2 / 3 da distância do ligamento
inguinal e o bordo superior da rótula.
C o m respeito a experiência que os avaliadores
deverão apresentar q u a n d o da medida das espes­
suras de dobras cutâneas, num estudo anterior
procuramos apresentar referenciais para os chama­
dos erros intra-avaliadores, ou seja, as diferenças
entre sucessivas medidas realizadas pelo mesmo
avaliador que podem ser admitidas como aceitá­
veis G U E D E S (1990). A idéia é que esses refe­
renciais possam ser utilizados c o m o parâmetros
na tentativa de auxiliar na verificação da preci­
são com que o avaliador consegue obter a medi­
da da espessura de cada uma das dobras cutâneas,
minimizando ou até mesmo descartando qualquer
possibilidade de ocorrência de erros de medida na
predição da quantidade de gordura corporal. Desse
modo, para os inexperientes com esta técnica, s u - '
gerimos que antes de utilizarem as equações pre­
ditivas procurem determinar os índices de seus
próprios erros intra-avaliadores comparando-os
com os índices propostos, no sentido de obter va­
lores realmente confiáveis e úteis para futura aná­
lise da composição corporal.
20
VALORES REFERENCIAIS PARA OS PARÂMETROS DA COMPOSIÇÃO CORPORAL Em razão das diferenças entre as padroniza­
ções de medida para o estudo da composição cor­
poral, tendo em vista as preferências dos
avaliadores em utilizar uma ou outra técnica, atra­
vés da literatura especializada vamos encontrar al­
gumas divergências quanto à proposição de valores
referenciais que possam servir de indicadores em
u m a análise mais profunda. Entretanto, parece ser
consenso que no h o m e m adulto a gordura repre­
sente em torno de 10 a 2 5 % do peso corporal to­
tal, e n q u a n t o que na mulher estes valores
a u m e n t a m para 18 a 3 5 % . Porém existem atletas
praticantes de determinadas modalidades espor­
tivas excessivamente magros que podem apresen­
tar valores ainda menores. C o m relação à massa
magra, este componente diferentemente da gor­
dura se apresenta com u m a m e n o r variabilidade
entre os indivíduos não-atletas, em t o r n o de 75
e 8 5 % do peso corporal em mulheres e homens
respectivamente. Em atletas esses valores podem
aumentar para 85-95% do peso corporal depen­
dendo da especialidade atlética.
Através de u m a ampla revisão dos estudos já
realizados em várias partes do m u n d o com po­
pulações de não-atletas e atletas, e tendo como
indicador a quantidade de gordura relativa ao peso
corporal haja vista a menor variação do compo­
nente de massa magra, procuramos através das fi­
guras 1 e 2 oferecer algum subsídio que possa
auxiliar no estudo da composição corporal em
nossa população.
F I G U R A 1 — Quantidade de gordura relativa ao peso corporal — H o m e n s .
F I G U R A 2 — Quantidade de gordura relativa ao peso corporal — Mulheres.
PROF. DARTAGNAN PINTO GUEDES
M e s t r a d o em Ciências do M o v i m e n t o U F S M - R S
D o u t o r a n d o e m Biodinâmica d o M o v i m e n t o
H u m a n o - U S P - SP
Professor A d j u n t o do D e p a r t a m e n t o de
F u n d a m e n t o s da E d u c a ç ã o Física — F U E L - P R .
PROF.ª JOANA ELISABETE PINTO GUEDES
Mestrado em Ciências do Movimento — UFSM-RS
Professora Assistente do Departamento de
Desportos Individuais e Coletivo — FUEL-PR.
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Endereço dos Autores
Rua da L a p a 300 — Bairro Higienópolis
Tel. (0432) 22-1528
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O estudo da composição corporal - Boletim Brasileiro de Educação