Aprovadas pela Portaria SESu/MEC Nº 368/08 (DOU 20/05/2008) Curso de Administração com Habilitação em Administração de Empresas MUDANÇA ESTRATÉGICA NO CONTEXTO DO SFH SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO NO PERÍODO DE 1986 A 2010 PAULO DOUGLAS SILVA DOS SANTOS Brasília (DF) Novembro de 2010 2 PAULO DOUGLAS SILVA DOS SANTOS MUDANÇA ESTRATÉGICA NO CONTEXTO DO SFH SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO NO PERÍODO DE 1986 A 2010 Monografia apresentada ao curso de Graduação em Administração das Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central como parte dos requisitos para obtenção do título de Bacharel em Administração. Professora orientadora: Msc. Maria de Lourdes Araújo Oliveira Brasília Novembro de 2010 ii 3 PAULO DOUGLAS SILVA DOS SANTOS MUDANÇA ESTRATÉGICA NO CONTEXTO DO SFH SISTEMA FINANCEIRO DE HABITAÇÃO NO PERÍODO DE 1986 A 2010 Monografia, aprovada como requisito parcial para obtenção do grau Bacharel em Administração no curso Administração de Empresas das Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central Data de Aprovação: ____/____/____ Banca Examinadora: Profa. Msc. Maria de Lourdes Araújo Oliveira Orientadora Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central Profa. Msc. Surama Cavalcanti Miranda Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central Prof. Msc. José Antônio Lopes Ramos Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central iii 4 A todos que direta ou indiretamente me fizeram acreditar que eu seria capaz, que iam segurando os detalhes da vida que eu deixava escapar pelo caminho, que não me deixaram caminhar sozinho e que não permitiram que eu parasse de caminhar. iv 5 AGRADECIMENTOS A Deus pela renovação da fé a cada dia. Aos meus pais pela educação e cultura familiar transmitidos. À minha família por me proporcionar um lar digno e alegre que me fortalece. Aos amigos André Banker e Neiomar Gomes que me acompanharam por toda a trilha da graduação. À professora Maria de Lourdes Oliveira, pela orientação, pela compreensão, paciência e atitudes encorajadoras a mim dedicadas. Agradeço aos demais professores pela transmissão dos conhecimentos teóricos e pelas palavras de crescimento pessoal e profissional. v 6 “A melhor maneira de nos prepararmos para o futuro é concentrar toda a imaginação e entusiasmo na execução perfeita do trabalho de hoje”. Dale Carnegie vi 7 RESUMO O SFH – Sistema Financeiro de Habitação passou por mudanças importantes após a extinção do BNH – Banco Nacional da Habitação, ocorrida em 1986. A instabilidade econômica e o alto índice de inflação causaram alterações significativas no cenário Nacional. Objetivando contribuir com o entendimento do SFH – Sistema Financeiro de Habitação no País desenvolveu-se este trabalho que descreveu e analisou a mudança estratégica no contexto do SFH Sistema Financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010. Realizou-se pesquisa sobre conceitos de mudança organizacional, ambientes organizacionais, estratégia, análise do ambiente, estratégia empresarial e políticas públicas. Foram realizadas entrevistas estruturadas para coleta de dados primários e análise documental e pesquisas internas para coleta de dados secundários, em períodos subdivididos em 1986 a 1990; 1991 a 2002; e 2003 a 2010. As informações obtidas mostraram que o processo de mudança ocorrido no SFH – Sistema Financeiro de Habitação teve influências de fatores internos e externos. Não foi apresentado crescimento acelerado da produção habitacional no 1º período, havendo desenvolvimento do setor social e adoção de estratégia pelo SFH – Sistema Financeiro de Habitação como um padrão de comportamento no 3º período. O processo de mudança estratégica ocorrido no período analisado mostra que o crescimento e o inchaço das cidades, a insatisfação dos clientes do SFH – Sistema Financeiro de Habitação diante do alto índice de inflação e as decisões políticas com tentativas de planos econômicos e políticas de habitação fracassadas, foram superadas com a estabilização da moeda, crescimento da economia e com os programas criados para fomentar o déficit habitacional no País. Assim também, o cenário parece ter se comportado, de forma mais confiável, do ponto de vista do consumidor já que a empresa em que ele trabalha deposita os valores do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e o consumidor investe na caderneta de poupança. Os recursos do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço tornaram-se as principais fontes de recursos de financiamento habitacional do País com o incremento de liberação de cartas de crédito com recursos do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e cartas de crédito com recursos do SBPE – Sistema Brasileiro de Poupanças e Empréstimo. O Governo Federal, o Conselho curador do FGTS e os órgãos regulamentadores do SFH Sistema Financeiro de Habitação tiveram grande influência nas mudanças estratégicas ocorridas. A CEF – Caixa Econômica Federal foi considerada de grande importância em determinados períodos analisados e conforme os entrevistados. Concluiuse que as principais mudanças ocorridas no período foram as criações dos programas de carta de crédito e o lançamento dos programas PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e PMCMV- Programa Minha Casa, Minha Vida como estratégias político-partidárias, já que esses programas revitalizaram o SFH – Sistema Financeiro de Habitação no País, gerando ciclo econômico e de confiança do consumidor final do SFH – Sistema Financeiro de Habitação. Palavras – chaves: 1. Mudança estratégica; 2. SFH – Sistema Financeiro de Habitação; 3. Mudança organizacional vii 8 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 14 1.1 Tema .................................................................................................................................. 15 1.2 Justificativa ........................................................................................................................ 15 1.3 Problema de pesquisa ......................................................................................................... 17 1.4 Objetivos............................................................................................................................ 17 1.4.1 Objetivo geral ................................................................................................................. 17 1.4.2 Objetivos específicos....................................................................................................... 17 2 REFERENCIAL TEÓRICO .............................................................................................. 18 2.1 Mudança organizacional..................................................................................................... 18 2.1.1 Tipos de Mudança Organizacional................................................................................... 19 2.2 Ambientes organizacionais ................................................................................................. 21 2.3 Estratégia ........................................................................................................................... 25 2.4 Administração estratégica .................................................................................................. 28 2.4.1 Oportunidades e ameaças do ambiente externo ................................................................ 29 2.4.1.1 Análise do macroambiente............................................................................................ 29 2.4.1.2 Análise setorial ............................................................................................................. 31 2.4.2 Ambiente interno:............................................................................................................ 32 2.4.2.1 Recursos da Empresa .................................................................................................... 32 2.4.2.2 Missão Organizacional ................................................................................................. 32 2.4.2.3 Objetivos ...................................................................................................................... 32 2.4.3 Formulação de estratégias................................................................................................ 32 2.4.4 Implementação de estratégias .......................................................................................... 33 2.4.4.1 Estrutura organizacional ............................................................................................... 33 2.4.4.2 Liderança ..................................................................................................................... 33 2.4.4.3 Poder ............................................................................................................................ 34 2.4.4.4 Cultura organizacional.................................................................................................. 34 2.4.5 Processo de Controle Estratégico e desempenho .............................................................. 34 2.5 Estratégia empresarial ........................................................................................................ 34 2.5.1 Tipos de estratégia empresarial........................................................................................ 35 2.6 Políticas Públicas ............................................................................................................... 36 3 MÉTODO ............................................................................................................................ 38 3.1 Tipos de pesquisa ............................................................................................................... 38 viii 9 3.2 População e amostra........................................................................................................... 42 3.3 Variáveis de Pesquisa ......................................................................................................... 42 3.4 Instrumento de Pesquisa ..................................................................................................... 43 4 RESULTADOS E ANÁLISE .............................................................................................. 44 4.1 Período de 1986 a 1990 ...................................................................................................... 44 4.1.1 Ambiente Geral ............................................................................................................... 44 4.1.2 Ambiente Operacional ..................................................................................................... 45 4.1.3 Ambiente Interno ............................................................................................................ 45 4.1.4 Estratégia ........................................................................................................................ 46 4.2 Período de 1991 a 2002 ...................................................................................................... 47 4.2.1 Ambiente Geral ............................................................................................................... 47 4.2.2 Ambiente Operacional ..................................................................................................... 47 4.2.3 Ambiente Interno ............................................................................................................ 48 4.2.4 Estratégia ........................................................................................................................ 49 4.3 Período de 2003 a 2010 ...................................................................................................... 50 4.3.1 Ambiente Geral ............................................................................................................... 50 4.3.2 Ambiente Operacional ..................................................................................................... 51 4.3.3 Ambiente Interno ............................................................................................................ 52 4.3.4 Estratégia ........................................................................................................................ 53 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .......................................................................... 57 5.1 Conclusões ......................................................................................................................... 57 5.2 Recomendações.................................................................................................................. 61 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 62 APÊNDICES .......................................................................................................................... 64 Apêndice I - Roteiro de entrevistas para coleta de dados sobre a mudança estratégica no contexto do SFH – Sistema financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010 ................................................................................ 65 Apêndice II - Dados obtidos das entrevistas sobre a mudança estratégica no contexto do SFH – Sistema financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010 ...................................................................................................... 69 Apêndice III - Resumo dos dados coletados das entrevistas e análise documental sobre a mudança estratégica no contexto do SFH – Sistema financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010 .......................................... 81 ix 10 ANEXOS - .............................................................................................................................. 87 Anexo I - Relatório anual de concessão do produto FGTS - Individual Imóvel Usado disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1996 a 2010 .................................................................................................... 88 Anexo II - Relatório anual de concessão do produto FGTS - Individual Imóvel Novo disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 2010 .................................................................................................... 89 Anexo III - Relatório anual de concessão do produto FGTS - Individual Imóvel na Planta disponibilizado pelaCEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 201086 ................................................................................................ 90 Anexo IV - Relatório anual de concessão do produto SBPE - Individual Imóvel Usado disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 2010 .................................................................................................... 91 Anexo V - Relatório anual de concessão do produto SBPE - Individual Imóvel Novo disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 2010 .................................................................................................... 92 Anexo VI Relatório anual de concessão do produto SBPE - Individual Imóvel na Planta disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 2010 .................................................................................................... 93 x 11 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – A organização, os níveis de seu ambiente e os componentes desses níveis ............... 25 Figura 2 – Modelo de administração estratégica ....................................................................... 29 Figura 3 – Três níveis de análise .............................................................................................. 30 xi 12 LISTA DE QUADROS Quadro 1 – Síntese dos tipos de mudança Organizacional ........................................................ 21 Quadro 2 – Aspectos importantes do ambiente interno de uma organização ............................. 24 Quadro 3 – Mudanças ocorridas SFH – Sistema Financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010 ..................................................................................... 55 xii 13 LISTA DE SIGLAS, ABREVIATURAS E SÍMBOLOS ASBEA - Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura BNH - Banco Nacional de Habitação DF – Distrito Federal DIEESE - Departamento Intersindical de estatísticas e Estudos Socioeconômicos FCVS – Fundo de Cobertura por Variação Salarial FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de serviço FGV – Fundação Getúlio Vargas Projetos GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ITBI – Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis MTE - Ministério do Trabalho e Emprego PAC – Programa de Aceleração do Crescimento. PIB - Produto Interno Bruto PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida. PT – Partido dos Trabalhadores SECOVI - Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo SBPE – Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo SEDUMA – Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente SFH - Sistema Financeiro de Habitação SINDUSCON-SP Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo xiii 14 1 INTRODUÇÃO O gasto com moradia compromete parte significativa da renda do indivíduo, seja ele com baixa, média ou alta renda no Brasil. A compra da casa própria é uma das maiores aquisições de uma pessoa durante a sua vida e isso estimula à poupança das famílias. Por outro lado, a construção de moradias desempenha um importante papel, principalmente no caso de um país como é o caso do Brasil, em função da geração de emprego, dado que o financiamento de imóveis estimula o crescimento da construção civil que é um meio empregador utilizador de mão-de-obra barata e que sustenta parte da população brasileira sem alfabetização completa. Este trabalho analisou o SFH - Sistema Financeiro de Habitação, criado em 1964, no período de 1986 até 2010. A partir do início dos anos de 1980, em meio à tentativa de estabilização econômica, o modelo de política habitacional baseado no SFH - Sistema Financeiro de Habitação começou a apresentar sinais de fraqueza gerando crise no financiamento à habitação e a conseqüente extinção do BNH - Banco Nacional de Habitação que ocorreu em 1986. Com essa extinção, reduziu a ênfase dada à política habitacional desenvolvida pelo Governo Federal e pelos Estados. Nessa época, o que se alastrou foi a descrença por parte dos compradores de imóveis, e fez com que o mercado imobiliário estivesse cada vez mais desacreditado em função da inflação em níveis elevados ocorrida no período, do cenário econômico adverso e da redução do crédito. A inflação acumulada do ano de 1986 foi de 65,04%. Ao todo, o SFH - Sistema Financeiro de Habitação financiou a aquisição de 6,8 milhões de unidades residenciais nos seus 37 anos de funcionamento. A maior parte destas correspondia à construção de novas moradias. Inicialmente, observou-se o crescimento quase que contínuo no número de unidades financiadas, atingindo o auge de 627 mil em 1980. Porém, com a degradação do sistema, causada pela elevação da inflação nos anos posteriores, houve redução no montante financiado, atingindo número médio inferior a 150 mil unidades ao ano entre 1983 e 1996. A evolução de alguns indicadores medidos pelo IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nos últimos 50 anos permite ver com certo otimismo a trajetória da sociedade brasileira: aumenta a esperança de vida ao nascer; aumenta o alcance do saneamento básico; diminui a mortalidade infantil; amplia-se o acesso à energia elétrica e à coleta do lixo. O processo de urbanização acelerou-se nesse período. De 1940 a 1991, a população urbana 15 brasileira passou de 31,2% para 75,6% do total. A diminuição da fertilidade feminina é um dos reflexos do processo de urbanização. O crescimento da urbanização gerou necessidade de financiamento de moradia nos centros urbanos. Este trabalho analisou as políticas governamentais relativas ao financiamento imobiliário e o desempenho do setor, principalmente quanto aos recursos originários do SFH - Sistema Financeiro de Habitação, durante o período que vai da extinção do BNH - Banco Nacional de Habitação até o ano de 2010. A análise foi dividida em períodos em função da existência de fatos relevantes que caracterizaram a atuação do SFH - Sistema Financeiro de Habitação. 1.1 Tema O tema desse trabalho é mudança estratégica no contexto do SFH - Sistema Financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010. 1.2 Justificativa A importância do setor habitacional para o desenvolvimento social e o crescimento da economia justifica o interesse pelo tema. Em 1986, houve o fechamento do BNH - Banco Nacional de Habitação. A medida era apoiada em uma justificativa de contenção de despesas e redução de pessoal. Com a extinção do BNH - Banco Nacional de Habitação foi encerrada também a política habitacional desenvolvida pelo Governo Federal e pelos Estados. A questão da moradia vem preocupando de tal forma que o direito à moradia já encontrava amparo constitucional no artigo 7º, inciso IV, da Constituição Federal, como direito do trabalhador urbano e rural a um salário mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim. O Brasil ocupa uma posição extremamente desfavorável no conjunto dos países quanto à distribuição de renda. Apesar de se situar entre os países de renda per capita média, todos os 16 indicadores apontam para uma enorme desigualdade de sua distribuição. Em função disso, pode-se dizer que o Brasil não é um país pobre, mas um país de muitos pobres. Assim, a desigualdade pode ser considerada o principal problema do país, e deve ser objeto da atenção especial das políticas públicas. De acordo com indicadores de Distribuição de Renda ou Consumo de pesquisa feita pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos em outubro de 2005, de 31 países selecionados o Brasil ficou em 2º lugar no ranking. Vê-se que a concessão de crédito à habitação no País, não beneficia apenas o tomador de crédito e o vendedor ou empreendedor. No período de 12 meses terminados em agosto de 2008, a indústria da construção civil brasileira contratou 20% mais empregos, ou 357 mil novas vagas com carteira de trabalho assinada, segundo a pesquisa mensal do SINDUSCONSP Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo e da FGV Fundação Getúlio Vargas Projetos, com base nos dados do MTE - Ministério do Trabalho e Emprego. O resultado demonstra que se há um setor da economia onde os efeitos da crise ainda vão demorar para se fazer sentir, este é o da construção (MAWAKDIYE, 2009). O nível de emprego na construção civil brasileira continuava mostrando um desempenho excepcional em agosto. Segundo a pesquisa, naquele mês o setor incorporou a seu efetivo mais 42.191 trabalhadores em todo o país (aumento de 2% em relação ao número de empregados de julho). No ano, o saldo de empregos no setor subiu 17% em agosto (313,6 mil a mais). O total de empregados pelo setor no Brasil chegava a 2,148 milhões. Este é o oitavo recorde mensal seguido no número total de trabalhadores da construção desde dezembro de 2007, quando houve queda de 1,5%, motivada pela sazonalidade. No Estado de São Paulo, o crescimento foi da mesma ordem. Em agosto, a construção civil paulista empregou 11.548 trabalhadores (aumentos de 1,97% no mês e de 21,09% em doze meses). No fim de agosto, a construção civil empregava 598,8 mil trabalhadores no Estado (CATENA e CASTRO, 2008). De acordo com a ASBEA - Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (2009) em Março de 2009 a construção civil puxou para cima os números da indústria no PIB - Produto Interno Bruto anual. Com crescimento de 8%, o setor da construção civil foi o principal responsável pelo avanço da indústria em 2008. As transformações no emprego nos últimos anos favorecem mais a população de baixa renda, que tradicionalmente concentram-se as maiores taxas de desemprego. Segundo estudo 17 produzido pelo DIEESE – Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, nos últimos cinco anos a população de baixa renda foi a mais beneficiada pela expansão do número de postos de trabalho no DF Distrito Federal. Dois de cada cinco empregos gerados no DF Distrito Federal em 2008 foram ocupados por trabalhadores residentes nas sete cidades de baixa renda. A alta atividade de setores cujo desempenho está diretamente ligado ao crédito, como o comércio e a construção civil foram os fatores que fizeram com que, em 2007, o emprego crescesse 7% no país. Números como esses mostram a importância da gestão dos recursos destinados ao SFH Sistema Financeiro de Habitação não apenas para aquisição da casa própria, mas para o aumento do poder aquisitivo da população, para o crescimento da economia e para a diminuição da quantidade de desempregados com baixo nível de escolaridade e de baixa renda que são beneficiados com a abertura de vagas de empregos no setor de construção. 1.3 Problema de pesquisa O presente trabalho pretende responder à seguinte pergunta: Qual foi o comportamento do SFH - Sistema Financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010? 1.4 Objetivos 1.4.1 Objetivo geral Analisar o comportamento do SFH - Sistema Financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010. 1.4.2 Objetivos específicos O presente trabalho possui os seguintes objetivos específicos: Identificar os fatores ambientais influentes em cada período da pesquisa, 1986 a 1990, 1991 a 2002 e 2003 a 2010. Identificar as ações praticadas no contexto do SFH – Sistema Financeiro de Habitação. Descrever as mudanças adotadas pelo SFH – Sistema Financeiro de Habitação no período. 18 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Mudança organizacional Diversos conceitos encontrados sobre mudança organizacional refletem um meio que empresas e organizações seguem para chegarem a um objetivo ou meta planejados, fazendose necessário às organizações que se replanejem. De acordo com Bruno (2000, apud BRESSAN, 2004, p.3), mudança organizacional é qualquer alteração, planejada ou não, ocorrida na organização, decorrente de fatores internos ou externos à organização que traz algum impacto nos resultados ou nas relações entre as pessoas no trabalho. Segundo Wood Jr (2000, apud BRESSAN, 2004, p.3), mudança organizacional é qualquer transformação de natureza estrutural, estratégica, cultural, tecnológica, humana ou de outro componente, capaz de gerar impacto em partes ou no conjunto da organização. Diferente de Robbins (1999) que descreve que as atividades intencionais, pró-ativas e direcionadas para a obtenção das metas organizacionais são mudanças organizacionais. Mudança organizacional para Nadler, Shaw, Walton e Cols. (1995, apud BRESSAN, 2004, p.3) é a resposta da organização às transformações que vigoram no ambiente, com o intuito de manter a congruência entre os componentes organizacionais como, por exemplo, trabalho, pessoas, arranjos ou estrutura e cultura organizacional. De acordo com Ford e Ford (1995, apud BRESSAN, 2004, p.3) mudança organizacional é um acontecimento temporal estritamente relacionado a uma lógica, ou ponto de vista individual, que possibilita às pessoas pensarem e falarem sobre a mudança que percebem. Porras e Robertson (1992, apud BRESSAN, 2004, p.3) defendem mudança organizacional como um conjunto de teorias, valores, estratégias e técnicas cientificamente embasadas objetivando mudança planejada do ambiente de trabalho com o objetivo de elevar o desenvolvimento individual e o desempenho organizacional. Já Araújo (1982, apud BRESSAN, 2004, p.3) diz que mudança organizacional é a alteração significativa articulada, planejada e operacionalizada por pessoal interno ou externo à organização, que tenha o apoio e supervisão da administração superior, e atinja integradamente os componentes de cunho comportamental, estrutural e tecnológico. As teorias vistas nas definições apresentadas revelam certa heterogeneidade, no entanto, o que pode ser encontrado como mais comum entre algumas delas é a necessidade de planejamento 19 da mudança, o seu caráter de resposta às demandas do meio, seu objetivo de aumento do desempenho organizacional, e a sua abrangência a vários componentes organizacionais. 2.1.1 Tipos de Mudança Organizacional Weick e Quinn (1999, apud BRESSAN, 2004, p.4) conceituaram tipos de mudança contínua como mudança constante, cumulativa e evolutiva. Podem ser pequenos avanços que ocorrem quotidianamente em toda a organização, cujo acúmulo pode propiciar uma mudança significativa na organização e episódica como uma mudança infreqüente, descontínua e intencional, que ocorre durante períodos de divergência, quando as empresas saem de sua condição de equilíbrio. Já Robbins (1999, apud BRESSAN, 2004, p.4) conceituava em 1ª e 2ª ordem, sendo a 1ª ordem mudança linear e contínua. Não implica mudanças fundamentais nas pressuposições dos funcionários sobre o ambiente e sobre aspectos que podem causar melhorias na empresa e a 2ª ordem mudança multidimensional, multinível, descontínua e radical, que envolve re-enquadramento de pressupostos sobre a empresa e o ambiente em que ela se insere. Segundo Nadler, Shaw, Walton e cols. (1995, apud BRESSAN, 2004, p.4) tipos de mudança seriam em ordem incremental ou contínua que seria a continuação do padrão existente, podem ter dimensões diferentes, mas são realizadas dentro do contexto atual da empresa e descontínua que seria a mudança do padrão existente, que ocorre em períodos de desequilíbrio e envolve uma ou várias reestruturações de características da empresa. Adotar estratégias de mudança que obtenham sucesso envolve compreender aspectos do ambiente, dos indivíduos e da organização como um todo. Desta forma, identificar variáveis do contexto que estariam provocando as mudanças, sejam contínuas ou descontínuas, apresenta-se como uma vantagem para os gerenciadores da mudança, na medida em que esse conhecimento poderia permitir o manejo e a implantação da mudança, o aumento da eficácia organizacional e de sua chance de sobrevivência. Os fatores que provocam mudanças podem ser planejados ou surgirem espontaneamente e sem aviso. Deste modo a mudança organizacional pode ser deliberada e surgir como produto ações planeadas ou por contraste, surgir de um modo aparentemente espontâneo e não planeado. 20 A mudança organizacional planeada é um processo premeditado, guiado pela gestão e destinado a conduzir a organização de um estado A para um estado B, mais favorável. Cunha (1999, apud BRESSAN, 2004, p.4). A mudança emergente é um processo complexo e espontâneo, cujos contornos se vão delineando à medida que, através da organização, as pessoas vão procurando responder aos desafios com os quais a organização vai sendo confrontada (CUNHA 2002). É importante notar que a própria mudança planeada introduz mudanças emergentes. Muitas vezes fatores externos (ex: economia, competidores ou ambiente político) ou fatores internos (ex: poder e interesses de diferentes grupos) influenciam a mudança planeada em direções não previstas. Mesmo o melhor planejamento e execução de gestão da mudança não podem evitar com que durante mudanças planeadas surjam impactos emergentes. Ackerman (1997, apud MENDES, 2004. p. 3), identificou tipos de mudanças referidas em Iles Sutherland 2001. O primeiro tipo foi mudanças de Desenvolvimento que são incrementais e de primeira ordem e podem ser planeadas ou emergentes. Este tipo de mudanças melhora ou corrige aspectos existentes da organização, e incide sobre o melhoramento de uma capacidade ou um processo. Outro tipo de mudança identificada foi a mudança transacional, em que se procura atingir um estado diferente a partir do estado atual. Este tipo de mudanças representa mudanças episódicas, planeadas e de segunda ordem ou radicais. A maior parte da literatura sobre Mudança Organizacional é relativa a este tipo de mudanças. As mudanças transformacionais são as radicais ou de natureza de segunda ordem. Este tipo de mudança requer alterações profundas nas bases assumidas pela organização e pelos seus membros. Os principais tipos de mudança organizacional encontram-se apresentados no Quadro 01. 21 Quadro 1 – Síntese dos tipos de mudança Organizacional AUTORES Silva (1999) TIPOS DE MUDANÇA Incremental/ Organizacional Transformacional/Institucional Aumento da eficiência e do uso dos Questionamento e mudança da missão, recursos, mudança na arquitetura da natureza e objetivo da organização. empresa. Weick e Quinn (1999) Contínua Mudança constante, cumulativa e evolutiva. Podem ser pequenos avanços que ocorrem quotidianamente em toda a organização, cujo acúmulo pode propiciar uma mudança significativa na organização. 1.a Ordem Mudança linear e contínua. Não implica mudanças fundamentais nas pressuposições dos funcionários sobre o ambiente e sobre aspectos que podem causar melhorias na empresa. Incremental/Contínua Continuação do padrão existente, podem ter dimensões diferentes, mas são realizadas dentro do contexto atual da empresa. Robbins (1999) Nadler, Shaw, Walton e cols. (1995) Porras e Robertson (1992) 1.a Ordem É uma mudança linear e contínua, que envolve alterações nas características dos sistemas sem causar quebras em aspectos chave para a organização. Episódica É uma mudança infreqüente, descontínua e intencional, que ocorre durante períodos de divergência, quando as empresas saem de sua condição de equilíbrio. 2.a Ordem Mudança multidimensional, multinível, descontínua e radical, que envolve reenquadramento de pressupostos sobre a empresa e o ambiente em que ela se insere. Descontínua Mudança do padrão existente, que ocorre em períodos de desequilíbrio e envolve uma ou várias reestruturações de características da empresa. 2.a Ordem É uma mudança multidimensional, multinível, radical e descontínua que envolve quebras de paradigmas organizacionais. Fonte: Ackerman, 1997, apud MENDES, 2004. p. 3 2.2 Ambientes organizacionais As empresas estão inseridas em um meio onde interagem várias forças que as influenciam de algum modo. O campo onde essas forças atuam é também fonte de recursos para as empresas e exerce influência na sua tomada de decisão. Esse campo, externo à empresa, é chamado de ambiente organizacional. O ambiente organizacional é outro fator condicionante da mudança organizacional. Ele comporta um conjunto de elementos que dependem de coordenação co-participativa a fim de que os objetivos organizacionais sejam alcançados. O ambiente organizacional resulta de uma conjugação de interesses por parte de seus atores, incluindo-se os da organização. As organizações modernas são mantidas por sistemas de crenças que enfatizam a importância da racionalidade (MORGAN, 1996). Uma atitude competitiva produz ambientes competitivos. Visões de recessão produzem recessão. As crenças e as idéias que as organizações possuem sobre aquilo que são e sobre aquilo que tentam fazer, bem como sobre 22 aquilo que é o seu ambiente, apresentam uma tendência muito maior de se materializarem do que comumente se crê (MORGAN, 1996). Os ambientes são desenvolvidos por grupos de indivíduos e organizações, cada um deles agindo com base nas suas interpretações a respeito de um mundo que é, com efeito, mutuamente definido (MORGAN, 1996). Isto permite considerar que, no processo de aprendizagem organizacional, o ambiente, interno e externo da organização, participa direta e indiretamente num clima de conflito mais que de consenso. Assim sendo, as organizações precisam permitir o aprendizado crítico, consciente e criativo, utilizando novas estratégias de mudança baseadas em novos valores. O ambiente organizacional tem sido alvo de vários estudos em função de sua importância para o sucesso da organização. A necessidade de definir e conhecer os componentes que formam o ambiente culminou com o desenvolvimento de teorias administrativas nas quais as organizações são vistas como sistemas abertos, que precisam adaptar-se às condições externas mutantes (BOWDITCH e BUONO, 1992). Para executar uma análise do ambiente de forma eficiente e efetiva, um administrador deve entender bem a maneira como os ambientes organizacionais estão estruturados. O ambiente de uma organização é geralmente dividido em três níveis: geral, operacional e interno (PETER, 2004). O ambiente geral é um nível externo à organização, formado por componentes que normalmente têm amplo intuito e sobre qual a organização não tem nenhum controle. São esses componentes: O componente econômico – indica como os recursos são distribuídos e usados no ambiente. O componente social – refere-se às características da sociedade na qual se situa a organização. O componente político – compreende os elementos relacionados a decisões governamentais. O componente legal – consiste na legislação aprovada, ou seja, as regras ou leis que todos os membros de uma sociedade devem seguir. O componente tecnológico – inclui novas abordagens para a produção de mercadorias e serviços, como procedimentos e equipamentos novos. 23 O ambiente operacional é um nível de ambiente externo à organização, composto de setores que normalmente têm implicações específicas e relativamente mais imediatas na empresa. Os principais componentes do ambiente operacional são: O componente cliente – reflete as características e o comportamento daqueles que compram produtos e serviços fornecidos pela organização. O componente concorrência – consiste no que a organização tem de combater para conseguir recursos. Entender os concorrentes é um fator-chave no desenvolvimento estratégico efetivo. O componente mão-de-obra - é composto por fatores que influenciam a disponibilidade de mão-de-obra par realizar as tarefas organizacionais necessárias, como treinamento, faixa de salários, e idade são importantes para a empresa. O componente fornecedor – inclui todas as variáveis relacionadas aos que fornecem recursos para a organização. Esses recursos são adquiridos e transformados em mercadorias e serviços finais durante o processo produtivo. O componente internacional – compreende todas as implicações internacionais das operações organizacionais. Embora nem todas as organizações lidem com questões internacionais, o número das que o fazem vem aumentando rapidamente. O ambiente interno é o nível de ambiente da organização que está dentro dela e que normalmente tem implicação imediata e específica em sua administração. Diferentemente dos componentes dos ambientes geral e operacional, que existem fora da organização, os componentes do ambiente interno são os que estão mais facilmente perceptíveis e controláveis. O quadro 2 relaciona diversos componentes importantes no meio do ambiente interno. 24 Quadro 2 – Aspectos importantes do ambiente interno de uma organização ASPECTOS Rede de comunicação Estrutura da organização ORGANIZACIONAIS Registro dos sucessos Hierarquia de objetivos Política, procedimentos e regras Habilidade de equipe administrativa Relações trabalhistas Práticas de recrutamento DE PESSOAL Programas de treinamento Sistemas de avaliação de desempenho Sistema de incentivos Segmentação do mercado Estratégia do produto DE MARKETING Estratégia de preço Estratégia de promoção Estratégia de distribuição Layout das instalações da fábrica Pesquisa e desenvolvimento DE PRODUÇÃO Uso da tecnologia Aquisição de matéria-prima Controle de estoques Uso de subcontratação Liquidez FINANCEIROS Lucratividade Atividades Oportunidades de investimentos Fonte: Adaptado de Peter e Certo. 2004. p. 31 A Figura 1 ilustra a relação de cada um desses níveis com os outros e com a organização como um todo, além de esboçar os diversos componentes que compõem cada nível. Os administradores devem estar cientes desses três níveis ambientais, conhecer quais fatores eles incluem, entender como cada fator e as relações que eles têm entre si afetam o desempenho organizacional e, então, administrar as operações organizacionais à luz desse entendimento Peter e Certo (2004). 25 COMPONENTE SOCIAL COMPONENTE ECONÔMICO COMPONENTE INTERNACIONAL COMPONENTE FORNECEDOR Aspectos organizacionais Aspectos de marketing Aspectos financeiros Aspectos de pessoal Aspectos de produção COMPONENTE MÃO-DE-OBRA COMPONENTE TECNOLÓGICO COMPONENTE CONCORRÊNCIA COMPONENTE CLIENTE COMPONENTE POLÍTICO COMPONENTE LEGAL Figura 1 – A organização, os níveis de seu ambiente e os componentes desses níveis. Fonte: Adaptado de Peter e Certo (2004). 2.3 Estratégia A maior parte dos livros - texto sobre estratégia define estratégia da seguinte maneira: Estratégia são planos da alta administração para atingir resultados consistentes com as missões e objetivos da organização. Estratégia é o caminho que a organização irá seguir para atingir seus objetivos. Para a escola de formação empreendedora, a estratégia com espírito empreendedor descreve o processo em termos da criação da visão pelo grande líder. A escola empreendedora de acordo com Mintzberg (2000) focaliza o processo de formação de estratégia exclusivamente no líder único e enfatiza os processos de intuição, julgamento, sabedoria, experiência. Tudo isto promove uma visão da estratégia como perspectiva, associada como imagem e senso de direção, isto é 26 visão. Portanto o conceito mais central desta escola é a visão: Uma representação mental de estratégia, criada na cabeça do líder. Estratégia é a definição de como recursos serão alocados para se atingir determinado objetivo. Usada originalmente na área militar, esta palavra hoje é bastante usada na área de negócios. Diversos autores formulam definições e teorias concorrentes sobre estratégia que na maioria das vezes se complementam em algum aspecto, mas que não são universalmente aceitas. Em linhas gerais, as definições encontradas na literatura tratam a estratégia como meio utilizado para adaptar a organização às condições ambientais. A estratégia de uma empresa, conforme Mintzberg (2000), pode assumir 5 formas : como um plano, como um padrão de decisões, como uma posição, como uma perspectiva e como um estratagema. Segundo Chandler (1962, Apud ISABEL, 2001, p. 4), Estratégia é a determinação dos objetivos básicos de longo prazo de uma empresa e a adoção das ações adequadas e afetação de recursos para atingir esses objetivos. Chandler define ainda componentes da estratégia como: Objetivos, meios e afetação dos recursos e diz ainda que a responsabilidade da decisão é o mais alto nível da gestão. Já Steiner e Miner (1977, Apud ISABEL, 2001, p. 4) dizem que estratégia é o forjar de missões da empresa, estabelecimento de objetivos à luz das forças internas e externas, formulação de políticas específicas e estratégias para atingir objetivos e assegurar a adequada implantação de forma a que os fins e objetivos sejam atingidos e diz ainda que a responsabilidade da decisão é o ponto de vista do dirigente máximo. De acordo com Porter (1980), Estratégia competitiva são ações ofensivas ou defensivas para criar uma posição defensável numa indústria, para enfrentar com sucesso as forças competitivas e assim obter um retorno maior sobre o investimento. Estratégia refere-se à relação entre a empresa e o seu meio envolvente: relação atual, situação estratégica e relação futura, plano estratégico, que é um conjunto de objetivos e ações a tomar para atingir esses objetivos, empresas têm estratégias passadas ou presentes, mas só algumas têm planos explícitos para o futuro. Katz (1970, Apud ISABEL, 2001, p. 4). Ansoff (1964, Apud LARA, 2005, p. 47) é um dos primeiros autores de administração a falar em estratégia. Quando escreve sobre o planejamento como uma prática de ferramenta gerencial, enfatiza que a finalidade de qualquer empresa é converter os recursos físicos, 27 humanos e financeiros em bons produtos e serviços, e afirma que a empresa tem dois problemas: o operacional e o estratégico. O problema operacional corresponde apenas à metade do problema da empresa e está relacionado com as operações diárias; já o estratégico se refere à ligação da empresa com o seu ambiente e tem como questão relevante verificar se os produtos estão bem em seus mercados ou se há diferentes produtos e mercados que oferecem melhores resultados. O problema operacional lida com questões do dia-a-dia, como: competição, preço, qualidade e marketing efetivo, ou seja, visa maximizar a lucratividade destes recursos, com decisões gerenciais ligadas aos problemas diários da empresa. O problema estratégico relaciona-se com o ambiente externo à empresa e se preocupa com questões do tipo: Que negócios a empresa deveria atuar? Quais os produtos que ela deveria parar de produzir? Como alocar os recursos entre o velho e o novo? Sempre respondendo a estas questões e verificando se os produtos estão bem em seus mercados e se a firma está fazendo o melhor possível com os investimentos. Naquele período, Ansoff já se preocupava com as mudanças na economia, tecnologia e negócios, principalmente a saturação rápida dos produtos que tiveram seus ciclos de vida encurtados devido às inovações ocorridas após a segunda guerra mundial. Bethlem (2001) trata que estratégia é um conceito que precisa ser aprendido, aplicado, que para ser tornada real, ou seja, bem executada, tem que ser aprendida por várias pessoas e aceita por todas elas. Bethlem afirma, ainda, que a transformação de idéias estratégicas em ações estratégicas que venham a dar os resultados que as empresas almejam exigirá várias etapas, tais como: Um processo intelectual ou coletivo de geração de propostas de ação que se pode chamar de planejamento estratégico; Um processo comportamental – social de obtenção de concordância e apoio de outros indivíduos às propostas da etapa anterior, cujo resultado pode chamar de plano estratégico ou plano de ação; Outro processo comportamental social em que os mesmos indivíduos, ou mais alguns indivíduos cooptados, iniciem, junto como o autor ou autores das idéias, o processo de concretizar no mundo real as ações propostas no plano da etapa anterior; Um processo dinâmico de finalização das ações iniciadas na etapa anterior. 28 2.4 Administração estratégica A administração estratégica é um dos maiores desafios enfrentados pelos administradores. Conduzir uma organização complexa em seu ambiente dinâmico e de mudanças rápidas requer os melhores julgamentos. A administração estratégica é desafiadora porque vai muito alem de estabelecer objetivos e posteriormente dar ordens aos membros da organização para se aterem a esses objetivos. Estratégia refere-se aos planos da alta administração para alcançar resultados consistentes com a missão e os objetivos gerais da organização. De acordo com Wright, Kroll e Parnell (2000), Administração estratégica é um termo mais amplo que abrange não somente a administração de estágios como a formulação, implementação e controle de estratégias, mas também os estágios iniciais de determinação da missão e os objetivos da organização no contexto de seus ambientes externos e internos. Desse modo, a administração estratégica pode ser vista como uma série de passos em que a alta administração deve realizar as tarefas a seguir: Analisar oportunidades e ameaças ou limitações que existem no ambiente externo; Analisar os pontos fortes e fracos de seu ambiente interno; Estabelecer a missão organizacional e os objetivos gerais; Formular estratégias que permitam à organização combinar os pontos fortes e fracos da organização com as oportunidades e ameaças do ambiente; Implementar estratégias; e Realizar atividades de controle estratégico para assegurar que os objetivos gerais da organização sejam atingidos. Para auxiliar a visualização do processo de administração estratégica, um modelo esquemático é apresentado na Figura 2. No alto da figura, o modelo começa com a análise ambiental de oportunidades e ameaças. No estágio seguinte, o ambiente interno da organização, é ligado ao ambiente externo. A seguir, a missão e os objetivos gerais de aquisições conduzem a formulação de estratégias aos níveis empresarial, de unidade de negócios e funcional. 29 A seta seguinte retrata a idéia de que a formulação de estratégias coloca a implementação de estratégias em curso. Depois, a seta final, mais abaixo, indica que o desempenho estratégico real da organização é avaliado. OPORTUNIDADES E AMEAÇAS DO AMBIENTE EXTERNO Macroambiente Ambiente Setorial AMBIENTE INTERNO Recursos, Missão Organizacional, Objetivos da Empresa FORMULAÇÃO DE ESTRATÉGIAS Formulação de Estratégias Empresariais Formulação de Estratégias de Unidades de Negócios Formulação de Estratégias Funcionais IMPLEMENTAÇÃO DE ESTRATÉGIAS Estrutura organizacional Liderança, Poder e Cultura Organizacional CONTROLE ESTRATÉGICO Processo de Controle Estratégico e Desempenho Figura 2 – Modelo de administração estratégica. Fonte: Adaptado de Wright (2000). 2.4.1 Oportunidades e ameaças do ambiente externo Wright (2000) conceitua que a administração estratégica envolve três níveis de análise: o macroambiente da empresa, o setor em que ela opera e a empresa em si. Esses níveis estão representados na Figura 3. 2.4.1.1 Análise do macroambiente Todas as empresas são afetadas por quatro forças macroambientais: as político-legais, as econômicas, as tecnológicas e as sociais. O objetivo da administração estratégica é criar 30 condições para que a empresa opere com eficácia diante de ameaças ou restrições ambientais e possa também capitalizar as oportunidades oferecidas pelo ambiente. Macroambiente Forças políticolegais Forças tecnológicas Ambiente setorial Ameaças de entrada Intensidade da rivalidade entre concorrentes existentes Poder de barganha dos compradores Organização Poder de barganha dos formecedores Pressão de produtos subsititutos Forças econômicas Forças sociais Figura 3 – Três níveis de análise. Fonte: Adaptado de Wright (2000). Nas forças político-legais incluem os resultados de eleições, legislações e sentenças judiciais, bem como decisões tomadas por varias comissões e instancias em cada nível de governo. Como os sistemas político-legais, as forças econômicas também têm um impacto significativo sobre os negócios. Como principais exemplos, serão considerados o impacto do aumento ou diminuição do PIB – Produto Interno Bruto, bem como elevações e quedas das taxas de juros, da inflação e do valor do dólar. Essas mudanças representam tanto oportunidades quanto ameaças para os administradores estratégicos. Nas forças tecnológicas incluem melhorias e inovações científicas que oferecem oportunidades ou ameaças para a empresa. A intensidade da mudança tecnológica varia 31 consideravelmente de um setor para o outro. No setor econômico, por exemplo, a mudança é rápida e constante, mas na fabricação de moveis as alterações são mais lentas e graduais. Já nas forças sociais incluem tradições, valores, tendências sociais e expectativas que uma sociedade tem em relação às empresas. As tradições, por exemplo, afetam práticas sociais que duram décadas ou até mesmo séculos. Por exemplo, a comemoração do Natal é oportunidade financeira para as empresas de cartões, brinquedos, processadoras de peru e outras empresas relacionadas. 2.4.1.2 Análise setorial Segundo Wright (2000), o professor Michael E. Porter, da Harvard University, é uma das principais autoridades em análise setorial e relata que Porter argumenta que o potencial de lucro de um setor depende de cinco forças competitivas básicas do setor: A ameaça de novos concorrentes que ingressam no setor – à medida que um setor recebe novos concorrentes, sua capacidade produtiva aumenta. A não ser que o mercado esteja crescendo rapidamente, uma nova entrada intensifica a luta por fatias no mercado, reduzindo assim os preços e diminuindo a lucratividade do setor. A intensidade da rivalidade entre os concorrentes existentes – a concorrência intensifica-se quando uma ou mais empresas de um setor detectam a oportunidade de melhorar sua posição, ou sentem uma pressão competitiva das outras. A ameaça de produtos ou serviços substitutos – as empresas de um setor podem estar concorrendo com empresas de outros setores que fabricam produtos substitutos, que representam alternativas satisfatórias às necessidades semelhantes dos consumidores, mas diferem em características específicas. O poder de barganha dos compradores – os compradores de insumos de um setor podem diminuir a lucratividade daquele setor negociando uma qualidade mais alta ou mais serviços e colocando uma empresa contra a outra. O poder de barganha dos fornecedores – fornecedores podem comprimir a lucratividade de um setor incapaz de repassar os aumentos de custos a seus próprios preços. 32 2.4.2 Ambiente interno Deixar o ambiente externo para analisar a empresa internamente é um passo do processo estratégico e exige que a administração determine a orientação que a empresa deve tomar dentro de seu ambiente externo. O objetivo da análise é possibilitar que a empresa se posicione para tirar vantagens de determinadas oportunidades do ambiente e evitar ou minimizar as ameaças ambientais. 2.4.2.1 Recursos da Empresa Os pontos fracos e fortes de uma empresa constituem seus recursos. Esses recursos são compostos de recursos humanos que é a força de trabalho composta de administradores e funcionários, de recursos organizacionais que visa analisar e definir se os recursos estão adequadamente compatíveis com as estratégias da empresa e se eles são suficientes para a implementação dessas estratégias e de recursos físicos que é a matéria prima a ser transformada em serviço ou produto. 2.4.2.2 Missão Organizacional A missão de uma empresa deve desenvolver-se tanto no nível empresarial quanto no da unidade de negócio. São então discutidas mudanças na missão organizacional ao longo do tempo, após o que é oferecida uma visão geral da relação entre a missão de uma empresa e sua estratégia. 2.4.2.3 Objetivos Enquanto a missão é a razão de existir da empresa, os objetivos gerais representam fins genéricos desejados, para os quais são orientados os esforços da empresa. Os objetivos específicos são versões mais restritas e frequentemente quantificadas dos objetivos gerais. 2.4.3 Formulação de estratégias Após a definição da missão, objetivos gerais e específicos de uma organização, a administração formula a estratégia da empresa. As estratégias existem no nível empresarial que é a estratégia que a alta administração formula para toda a empresa, a questão estratégica básica enfrentada é verificar nos pontos fortes e fracos, nas oportunidades e ameaças impostas pelo setor externo, em qual setor a empresa deve operar, no nível da unidade de negócio que é uma unidade de negócio é um subsistema organizacional que tem um mercado, um conjunto 33 de concorrentes e uma missão diferente dos de outros subsistemas organizacionais da empresa, diante disso, deve-se definir como se deve competir no setor ou negócio escolhido e no nível funcional que são as estratégias buscadas pelas áreas funcionais de uma unidade de negócio, os administradores devem estar cientes de que essas funções são inter-relacionadas, cada área funcional para realizar seu propósito é obrigada a mesclar suas atividades com as de outros departamentos, assim, a estratégia de uma área funcional não pode ser considerada isoladamente. 2.4.4 Implementação de estratégias As estratégias de sucesso não só devem ser bem formuladas, mas precisam também ser implementadas com eficácia. A implementação estratégica eficaz requer que os administradores considerem várias questões importantes. As principais delas são como a organização deve ser estruturada para colocar em prática sua estratégia e de que modo variáveis como liderança, poder e cultura organizacional devem ser administradas par possibilitar que os funcionários da organização trabalhem juntos para realizar os planos estratégicos da empresa. 2.4.4.1 Estrutura organizacional A estrutura organizacional refere-se aos modos pelos quais as tarefas e responsabilidades são alocadas aos indivíduos e também a maneira como os indivíduos são agrupados em escritórios, departamentos e divisões. A estrutura, que se reflete em um organograma, designa relações formais de autoridade e define o número de níveis na hierarquia. À medida que uma empresa cresce para se transformar em uma organização estabelecida, ela adota uma entre várias estruturas organizacionais diferentes para implementar sua estratégia. Ao longo do tempo, à medida que muda sua situação, a empresa pode passar de uma estrutura para outra. 2.4.4.2 Liderança Um administrador demonstra liderança quando garante a cooperação dos outros na realização de um objetivo, assim, fica evidente que o termo administrador é consideravelmente mais amplo que o termo líder. A liderança estratégica refere-se tanto ao ambiente externo quanto às operações internas da empresa. 34 Cada líder tem seu estilo de liderança, o padrão característico de comportamento que ele exibe no processo de exercer autoridade e tomar decisões. Alguns líderes são personalidades marcantes; outros são quietos e contemplativos. 2.4.4.3 Poder Para influenciar o comportamento dos outros, um líder deve ter poder. Poder significa a habilidade, que não venha da autoridade formal ou do controle sobre recursos e recompensas, de influenciar o comportamento de outras pessoas. Os altos administradores podem exercer o poder de várias formas, algumas técnicas utilizadas são controle sobre a informação, influência indireta, lidar com a incerteza, carisma, entre outras. 2.4.4.4 Cultura organizacional A cultura organizacional refere-se aos valores e padrões de crenças e comportamento que são aceitos e praticados pelos membros de uma determinada organização. Como cada organização desenvolve sua própria cultura singular, até mesmo organizações que pertencem ao mesmo setor e cidade podem exibir modos muito diferentes de operar. O propósito da cultura organizacional é tornar uma empresa capaz de se adaptar a mudanças ambientais e coordenar e integrar suas operações internas. 2.4.5 Processo de Controle Estratégico e desempenho O controle estratégico consiste em determinar em que medidas as estratégias da organização são eficazes para atingir seus objetivos. Se os objetivos gerais e específicos não estão sendo atingidos como o planejado, a função do controle é modificar a estratégias da empresa ou sua implementação, de modo a melhorar a capacidade da organização para atingir seus objetivos. 2.5 Estratégia empresarial A finalidade das estratégias empresariais é estabelecer quais serão os caminhos, os cursos, os programas de ação que devem ser seguidos para alcançar os objetivos ou resultados estabelecidos pela empresa. O conceito básico de estratégia está relacionado à ligação da empresa a seu ambiente. E, nessa situação, a empresa procura definir e operacionalizar estratégias que maximizem os resultados da interação estabelecida. 35 Numa empresa, a estratégia está relacionada à arte de utilizar adequadamente os recursos tecnológicos, físicos, financeiros e humanos, tendo em vista a minimização dos problemas empresariais e a maximização do uso das oportunidades identificadas no ambiente da empresa (REBOUÇAS, 2001). Ansoff (1977, apud REBOUÇAS, 2001, p.25) apresentou uma frase de autor desconhecido quanto ao conceito de estratégia: “é quando a munição acaba, mas continua-se atirando, para que o inimigo não descubra que a munição acabou”. O significado dessa frase serve para demonstrar a grande importância que a estratégia apresenta, inclusive nos casos das empresas. A estratégia deve ser sempre uma opção inteligente, econômica e viável. E, sempre que possível, original e até ardilosa, dessa forma, constitui-se na melhor arma de que pode dispor uma empresa para otimizar o uso de seus recursos, tornar-se altamente competitiva, superar a concorrência, reduzir seus problemas e otimizar a exploração das possíveis oportunidades que o ambiente possa proporcionar à empresa e esta tenha condições de usufruir. Rebouças (2001) trata ainda que a estratégia não é, evidentemente, o único fator determinante no sucesso ou fracasso de uma empresa, a competência de sua alta administração é tão importante quanto sua estratégia. Diz ainda que a sorte pode ser um fator também, apesar de, freqüentemente, o que as pessoas chamam de boa sorte ser, na realidade, resultado de boa estratégia. Uma estratégia adequada pode trazer extraordinários resultados para a empresa cujo nível geral de eficiência seja apenas médio. 2.5.1 Tipos de estratégia empresarial Alguns tipos de estratégias empresariais são descritas por Rebouças (2001) buscando oferecer subsídio quanto a tipologia, estratégias básicas para compra e venda, estratégias básicas para fusões e para o processo de globalização e diversificação de empresas, tais quais: Tipos genéricos de estratégias empresariais - Uma classificação genérica das estratégias antes da apresentação de tipos de estratégias específicas para determinadas situações das empresas, visando facilitar o processo decisório estratégico dos executivos das empresas; Estratégias para compra de empresas - para esse processo, os executivos podem considerar, de forma isolada ou conjunta, as estratégias de aquisição, de nicho, de especialização e de expansão; 36 Estratégias para venda de empresas - Algumas das estratégias que podem ser enquadradas no contexto de vendas de empresas são: a redução de custo, os desinvestimentos, bem como a liquidação do negócio; Estratégias para fusões de empresas - As que mais se enquadram nesse contexto são as estratégias de fusão propriamente dita, bem como a estratégia de inovação; Estratégias para alianças de empresas - As estratégias que se enquadram com maior facilidade, no contexto das alianças de empresas são a de estabilidade, de Joint Venture e de consórcio; Estratégias para globalização de empresas - Podem-se ter as estratégias de globalização propriamente dita, bem como a estratégia de desenvolvimento do mercado; e Estratégias para diversificação de negócios - Nesse contexto enquadram-se as estratégias de diversificação propriamente dita, e a de desenvolvimento de produtos e serviços. 2.6 Políticas Públicas Política pública é um conceito de Política e da Administração que designa certo tipo de orientação para a tomada de decisões em assuntos públicos, políticos ou coletivos. Existem diferenças entre decisões políticas e políticas públicas. Nem toda decisão política chega a ser uma política pública. Decisão política é uma escolha dentre um leque de alternativas, já política pública, que engloba também a decisão política, pode ser entendida como sendo um nexo entre a teoria e a ação. Esta última está relacionada com questões de liberdade e igualdade, ao direito à satisfação das necessidades básicas, como emprego, educação, saúde, habitação, acesso à terra, meio ambiente, transporte etc. Assembléia Legislativa sediou, na manhã do dia 15 de outubro de 2007, no auditório Murilo Aguiar, seminário proposto pela presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto da Casa, deputada Rachel Marques do PT Partido dos Trabalhadores, para debater as ações e os investimentos em políticas públicas de habitação social no Estado do Ceará. Rachel destacou que cerca de 2,2 milhões de casas e cômodos urbanos no país encontram-se em situação de inadequação fundiária. “Isso nos leva a refletir sobre o percurso das políticas habitacionais em 37 nosso país, seus erros e acertos, mas, sobretudo, as lições assimiladas ao longo do tempo”, falou a parlamentar. Ações como a da Parlamentar mostram que moradia é questão de política pública e requer ações governamentais que influenciem o governo a vê-la com a importância que o assunto necessita. 38 3 MÉTODO Todas as ciências caracterizam-se pela utilização de métodos científicos. Em contrapartida, nem todos os estudos que empregam estes métodos são ciências. Assim, a utilização de métodos científicos não compete à ciência exclusivamente, mas não há ciência sem o emprego dos métodos (Lakatos, 2005). O método é o conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros – traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista (Lakatos, 2005). 3.1 Tipos de pesquisa Pesquisa qualitativa é basicamente aquela que busca entender um fenômeno específico em profundidade, ao invés de estatísticas, regras e outras generalizações, a qualitativa trabalha com descrições, comparações e interpretações (Gil, 2002). A pesquisa qualitativa é mais participativa e, portanto, a pesquisa menos controlável. Os participantes da pesquisa podem direcionar o rumo da pesquisa em suas interações com o pesquisador. A pesquisa quantitativa é considerada mais comum nas Ciências Naturais, enquanto a pesquisa qualitativa é mais comum nas Ciências Humanas (Amstel, 2008). A presente pesquisa pode ser considerada qualitativa, uma vez que busca entender um fenômeno em profundidade e descreve e compara o assunto abordado. As pesquisas descritivas têm como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis. São vários os casos que podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais significativas está na utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados, tais como o questionário e a observação sistemática (Gil, 2002). Entre as pesquisas descritivas, salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde física e mental e etc. Outras pesquisas deste tipo são as que propõem estudar o nível de atendimento dos órgãos públicos de uma comunidade, as condições de habitação de seus habitantes, o índice de criminalidade que se registra e etc. São 39 incluídas neste grupo as pesquisas que têm por objetivo levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população (Gil, 2002). Algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação de existência de relação entre variáveis, e pretendem determinar a natureza dessa relação. As pesquisas podem ser dedutivas ou indutivas, segundo Lakatos (2005), dois exemplos servem para mostrar a diferença entre argumentos dedutivos e indutivos: No caso de pesquisas dedutivas, dizer que todo mamífero tem um coração, deduz-se que todos os cães são mamíferos, logo, que todos os cães têm um coração; No caso de pesquisas indutivas, dizer que todos os cães que foram observados tinham um coração, logo, que todos os cães têm um coração. Segundo Salmon (1978, apud LAKATOS, 2005. p. 91), “as duas características básicas que distinguem os argumentos dedutivos dos indutivos são que no caso de dedutivos, se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão deve ser verdadeira, toda a informação ou conteúdo fatual da conclusão já estava, pelo menos implicitamente, nas premissas e no caso de indutivos se todas as premissas são verdadeiras, a conclusão é provavelmente verdadeira, mas não necessariamente verdadeira, a conclusão encerra informação que não estava, nem implicitamente, nas premissas”. No argumento dedutivo, para que a conclusão seja falsa, uma das premissas da oração tem de ser falsa. Por outro lado, no argumento indutivo é possível que uma premissa seja verdadeira e a conclusão falsa. Os dois tipos de argumentos têm finalidades diversas, o dedutivo tem o propósito de explicar o conteúdo das premissas e o indutivo tem a intenção de ampliar o alcance dos conhecimentos. Esta pesquisa pode ser considerada como dedutiva, uma vez que as premissas são verdadeiras e todo conteúdo fatual da conclusão é implícito nas premissas. O estudo de campo constitui o modelo clássico de investigação no campo da antropologia, onde se originou. Nos dias atuais, no entanto, sua utilização se dá em muitos outros domínios, como no da sociologia, da educação, da saúde pública e da administração (Gil, 2002). Tipicamente, o estudo de campo focaliza uma comunidade, que não é necessariamente geográfica, já que pode ser uma comunidade de trabalho, de estudo, de lazer ou voltada para qualquer outra atividade humana. 40 No estudo de campo, o pesquisador realiza a maior parte do trabalho pessoalmente, pois é destacada a importância de o pesquisador ter tido ele mesmo uma experiência direta com a situação de estudo. Algumas vantagens do estudo de campo é que, como é desenvolvido no próprio local em que ocorrem os fenômenos, seus resultados costumam ser mais corretos, tende a ser também bem mais econômico. No entanto, o estudo de campo apresenta algumas desvantagens, de modo geral, sua realização requer muito tempo. Como, na maioria das vezes, os dados são coletados por um único pesquisador, existe risco de consciência na análise e interpretação dos resultados da pesquisa (Gil, 2002). O estudo de caso é um dos tipos de pesquisa qualitativa que vêm ganhando crescente aceitação na área da educação. “O estudo de caso é uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que se analisa profundamente. Pode ser caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida, como um programa, uma instituição, um sistema educativo, uma pessoa ou uma unidade social. Visa conhecer o seu “como” e os seus “porquês”, evidenciando a sua unidade e identidade próprias. É uma investigação que se assume como particularística, tendo-se sobre uma situação específica, procurando descobrir o que há nela de mais essencial e característico” (Martins, 2002). Estudo de caso trata-se de um tipo de pesquisa que tem sempre um forte cunho descritivo. O pesquisador não pretende intervir sobre a situação, mas dá-la a conhecer tal como ela lhe surge. Para tanto, pode valer-se de uma grande variedade de instrumentos e estratégias. No entanto, um estudo de caso não tem que ser meramente descritivo. Pode ter um profundo alcance analítico, pode interrogar a situação. Pode confrontar a situação com outras já conhecidas e com as teorias existentes. Pode ajudar a gerar novas teorias e novas questões para futura investigação. As características ou princípios associados ao estudo de caso se superpõem às características gerais da pesquisa qualitativa, entre elas destaca-se os estudos de caso que visam a descoberta, mesmo que o investigador parta de alguns pressupostos teóricos iniciais, ele se manterá atento a novos elementos que poderão surgir, buscando novas respostas e novas indagações no desenvolvimento do seu trabalho. 41 Destacam-se ainda os estudos de caso que enfatizam a interpretação em contexto, para melhor compreender a manifestação geral de um problema, devem-se relacionar as ações, os comportamentos e as interações das pessoas envolvidas com a problemática da situação a que estão ligadas. Os estudos de caso buscam retratar a realidade de forma completa e profunda, o pesquisador enfatiza a complexidade da situação procurando revelar a multiplicidade de fatos que a envolvem e a determinam. Os estudos de caso usam uma variedade de fontes de informação, o pesquisador recorre a uma variedade de dados, coletados em diferentes momentos, em situações variadas e com uma variedade de tipos de informantes. Os estudos de caso revelam experiência vicária e permitem generalizações naturalísticas, o pesquisador procura relatar as suas experiências durante o estudo de modo que o leitor possa fazer as suas generalizações naturalísticas, através da indagação: o que eu posso aplicar deste caso na minha situação? Os estudos de caso procuram representar os diferentes pontos de vista presentes numa situação social, a realidade pode ser vista sob diferentes perspectivas, não havendo uma única que seja a verdadeira. Assim, o pesquisador vai procurar trazer essas diferentes visões e opiniões a respeito da situação em questão e colocar também a sua posição. Os relatos do estudo de caso utilizam uma linguagem e uma forma mais acessível do que os outros relatórios de pesquisa, os resultados de um estudo de caso podem ser dados a conhecer de diversas maneiras, incluindo a escrita, a comunicação oral, registros em vídeo, fotografias, desenhos, slides, discussões, etc. Os relatos escritos apresentam em geral, um estilo informal, narrativo, ilustrado por figuras de linguagem, citações, exemplos e descrições. Esta pesquisa é um estudo de caso, pois, analisa-se, profundamente, o SFH - Sistema Financeiro de Habitação e visa conhecer o seu “como” e os seus “porquês”, evidenciando a sua unidade e identidade próprias. A pesquisa procura representar os diferentes pontos de vista presentes numa situação social. 3.2 População e amostra Segundo Lakatos (2005), universo ou população é o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum. 42 Lakatos (2005) conceitua que amostragem só ocorre quando a pesquisa não é censitária, isto é, não abrange a totalidade dos componentes do universo, sendo necessário investigar apenas uma parte dessa população. A população desta pesquisa poderia ser considerada como todas conhecedoras do SFH – Sistema Financeiro de Habitação. A amostra pesquisada foi composta por 3 pessoas, detentoras de conhecimento sobre o SFH – Sistema Financeiro de Habitação. Os pesquisadores são funcionários da CEF – Caixa Econômica Federal que ocupam cargos de Supervisor e Gerente Regional, um entrevistado do sexo feminino e um entrevistado do sexo masculino. Trabalham em agência e Superintendência Regional. O 1º entrevistado trabalha na COODHAB –DF – Cooperativa de Desenvolvimento Habitacional do DF, do sexo masculino e ocupa o cargo chefe de Núcleo da organização. 3.3 Variáveis de Pesquisa Uma variável pode ser considerada como uma classificação ou medida, uma quantidade que varia, um conceito operacional, que contém ou apresenta valores, aspecto propriedade ou fator, discernível em um objeto de estudo e passível de mensuração (Lakatos, 2005). As variáveis pesquisadas foram adaptadas a partir das idéias de Bowditch e Buono, (1992) que conceituam ambientes organizacionais e ambiente operacional e seus componentes. Também utilizou-se das idéias de Peter e Certo, (2004) sobre aspectos importantes do ambiente interno de uma organização. Além disso, foram utilizados os quatro tipos de estratégias por Mintzberg, (2000). O período total de análise foi dividido em três subperíodos que são: 1986 - 1990 – Governo de José Sarney; 1990 - 2002 - Governos de Fernando Afonso Collor de Melo, Itamar Augusto Cautiero Franco e Fernando Henrique Cardoso; e 2003 – 2010 - Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. (Lula). Para cada um dos subperíodo foram pesquisadas e analisadas as seguintes variáveis: V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social 43 V1.3 - Ambiente político legal V2 - Ambiente operacional V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra V3 - Ambiente interno V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento 3.4 Instrumento de Pesquisa Para a coleta de dados, foram utilizadas as técnicas de interrogação, que segundo Lakatos (2005)são compostas por questionário, que é um conjunto de questões que são respondidas por escrito pelo pesquisado; entrevista, que é a técnica que envolve duas pessoas numa situação frente a frente em que uma pergunta e a outra responde; e o formulário, que pode ser definida como a técnica de coleta de dados em que o pesquisador formula questões previamente elaboradas e anota as respostas (Lakatos, 2005). Este trabalho utilizou como instrumento de pesquisa, entrevista estruturada para coleta de dados primários e análise documental, em relatórios anuais, trabalhos, demonstrações financeiras e pesquisas internas para coleta de dados secundários. O roteiro de entrevista encontra-se no Apêndice 1 e o roteiro para coleta de dados em documentos encontra-se no Apêndice 2. 44 4 RESULTADOS E ANÁLISE A análise documental para levantamento de fatos relevantes em demonstrações financeiras e pesquisas internas ao SFH – Sistema Financeiro de Habitação (Apêndice III), no período de 1986 a 2010, e realização de entrevista estruturada com 3 participantes para coleta de dados, (apêndice II), são as bases para o resultado e análise deste trabalho. 4.1 Período de 1986 a 1990 4.1.1 Ambiente Geral A seguir, são apresentados os pontos influentes relacionados ao ambiente geral do SFH – Sistema Financeiro de Habitação pesquisado. Segundo Peter e Certo (2004) o ambiente geral é formado por componentes de amplitudes, que são: Ambiente econômico, social e político-legal. No primeiro período analisado, um fato marcante do ambiente econômico foi o alto índice de inflação, relatado pelos entrevistados nº1 e 2, fato que gerou incredibilidade do mercado econômico, e, conforme relatado pela entrevistada nº 3, o “Sistema de amortização adotado no período pela tabela Price, que sofria correção mensal e trimestral deixou o ambiente econômico complicado”. No ambiente social, constatou-se que a insatisfação, mencionada pelo entrevistado nº 2, gerou mobilização social e fiscal no governo do Presidente da época, José Sarney que, segundo a entrevistada nº 3, “se mostrava pouco preocupado com a questão habitacional no País”. Enfatiza-se, também, no período, a redemocratização do País, possibilitando as eleições diretas para presidente da república. No final do período, uma política marcante foi a criação do FCVS – Fundo de Cobertura de Variação Salarial, permitindo a facilidade para quitação dos financiamentos de imóveis, “uma política relevante frente uma política pouco incentivadora”, como descrito pela entrevistada nº 3. Diversas leis foram aprovadas no final desse período que esboçaram uma saída para o mercado, como foi o caso da Lei 8.078/90 – Código de Defesa do Consumidor que teve seu início em 1991 e atraiu a atenção do consumidor para os seus direitos em geral. Outro marco foi a aprovação da Lei 8.100/90 - FCVS – Fundo de Cobertura de Variação Salarial, em que o governo assumia a quitação total ou parcial dos financiamentos de imóveis. 45 4.1.2 Ambiente Operacional Num período em que o déficit habitacional no País superava o número dos 7 milhões de moradias, o sistema financeiro do País era confuso, conforme dito pelo entrevistado nº 2, gerando uma indefinição do cliente, quanto ao que o mercado oferecia. O cliente não tinha uma visão clara do preço relativo. A entrevistada nº 3 relata que os clientes, nesse período, foram prejudicados pela forma como os financiamentos eram corrigidos e seus saldos devedores amortizados, segundo ela, “a alta inflação não permitia que o saldo devedor dos imóveis fossem amortizados, pelo contrario, ia aumentando por falta de amortização”. No mercado nacional, o que verificou-se foi que os bancos públicos tinham baixa capacidade de concorrência com os demais, sistemas pouco automatizados e ambiente não privilegiado. O que se destacava eram as classes sindicalizadas e organizadas privadas na tentativa de solidificar um mercado com pouca governabilidade. A entrevistada nº 3 relata que a CEF – Caixa Econômica Federal operava com financiamentos imobiliários a nível Nacional, e que a mão-de-obra do setor de produção era relativamente baixa e estável e que não havia o produto habitacional como oferta do governo. 4.1.3 Ambiente Interno O ambiente organizacional, conforme conceituado por Peter e Certo (2004), é composto por aspectos organizacionais, relativos a pessoal, relativos a Marketing, relativos a produção e financeiros. O primeiro período foi um divisor de águas do cenário econômico e social do País, com a extinção do BNH – Banco Nacional da Habitação e a conseqüente transferência do agente central do SFH – Sistema financeiro de Habitação e suas atribuições para a CEF – Caixa Econômica Federal. O que também aconteceu com os funcionários do extinto BNH – Banco Nacional da Habitação, que foram transferidos à CEF – Caixa Econômica Federal e alguns permanecem até os dias atuais. A entrevistada nº 3 relata que os funcionários do extinto BNH – Banco Nacional da Habitação sofreram prejuízos, uma vez que tinham cargos bons por serem graduados e chegaram à CEF – Caixa Econômica Federal como escriturários, tornando-os meros assalariados. 46 A extinção do BNH – Banco Nacional da Habitação teve efeito imediato na redução de oferta de imóveis para a população de baixa renda, e, segundo o entrevistado nº 2, as decisões políticas eram por meio de Lei. Conforme Maricato (1998) e enfatizado pelo entrevistado nº2, o que se via quanto produção de financiamento habitacional, no período, era uma queda em relação ao esperado e à necessidade do País, e havia crescimento e inchaço das cidades, bem como a multiplicação dos loteamentos clandestinos nos grandes centros e moradias erguidas à base de auto construção. O aspecto financeiro do SFH – Sistema Financeiro de Habitação era o retrato da capacidade dos consumidores finais, que ficaram em descrédito com a extinção do BNH – Banco Nacional da Habitação. Em 1987 foi aprovado o PROURB – Programa de Desenvolvimento Urbano, que contemplou as áreas de habitação e de desenvolvimento urbano e foi incluído pela Lei nº 7.682, de 1988. A execução orçamentária e financeira do Fundo de Compensação de Variações Salariais – FCVS, criou oportunidade e facilidade para os mutuários de financiamento imobiliário ativo, na época pois, concedia descontos para liquidação do saldo devedor dos financiamentos imobiliários. A entrevistada nº 3 relata que o alto Valor do ITBI – Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis influenciava clientes a não registrarem suas escrituras, gerando um impasse na regularização dos financiamentos. Ela relata, ainda, como fator positivo era a permanência por 20 anos contratados, com o mesmo financiamento. 4.1.4 Estratégia Notou-se nesse período que a estratégia mais relevante foi a extinção do BNH - Banco Nacional da Habitação e a criação do Fundo Nacional de Habitação, como tentativa do Governo Federal de implantar um sistema de Habitação no País. Conforme relatado pelo entrevistado nº 2, a estratégia confusa do período diante das dificuldades encontradas, ficou prejudicada e a instabilidade política da época era influenciada pelo cenário apresentado. A entrevistada nº 3 descreve a estratégia do governo nesse período com pouca agressividade no mercado imobiliário. 47 4.2 Período de 1991 a 2002 4.2.1 Ambiente Geral A seguir, são discutidos os principais fatores influentes na macroeconomia do País no 2º período analisado. Na dimensão econômica, os principais fatos desse período foram Plano Collor I e II fracassados e o Plano Real estabilizando a inflação. Conforme relatado pelo entrevistado nº 2, “iniciou-se a estabilidade da moeda nacional, mas, por outro lado, viu-se um início de privatizações e o rombo do FCVS – Fundo de Coberturas de Variações Salariais”. A inadimplência no período foi considerada alta, conforme lembra o entrevistado nº 1. No ambiente social, durante o período analisado, percebeu-se que o déficit habitacional brasileiro apontava carência girando em torno de 10 a 15 milhões de moradias (Maricato, 1998). A entrevistada nº 3 descreve o aspecto social da época, como de pouca manifestação do governo federal para o programa habitacional. Os programas “pró-moradia” e “Habitar – Brasil” foram criados sem sucesso. O preço para a compra da moradia ainda era considerado alto e a crítica situação habitacional do País é refletida na queda da qualidade de vida. Em 2001, foi criado pela Lei 10.188 o PAR – Programa de Arrendamento Residencial o que levou ao crescimento das cooperativas habitacionais. 4.2.2 Ambiente Operacional A aprovação do Código de Defesa do Consumidor pela Lei nº 8.078 de 11 de Setembro de 1990, teve uma importância muito grande no Sistema Financeiro Nacional no período analisado, já que os clientes passaram a ter mais conhecimento dos seus direitos na visão dos entrevistados nº 1 e nº 2. Nessa época, o cliente era traumatizado com os financiamentos bancários existentes. Segundo a entrevistada nº 3, alguns clientes buscavam se beneficiar com a inflação do período, comprando imóveis e revendendo-os quando o valor estivesse mais alto. 48 De acordo com a entrevistada nº 3, nesse período, “a CEF – Caixa Econômica Federal realizava operações do Governo Federal, enquanto os bancos privados realizavam negócios buscando lucratividade”. Diversas fusões e aquisições no mercado bancário nacional e abertura para os bancos estrangeiros ocorreram, no período analisado, mudando o perfil de concorrência no Sistema Financeiro Nacional. Dentre as principais fusões e aquisições pode-se citar: Banco de Crédito Nacional S.A. (incorporação da BCN Adm. Imóveis e Constr. Ltda.) em 1999; Itaú adquire 53,9% do Francês e Brasileiro; Unibanco adquire o Nacional; Santander adquire 51% do Geral do comércio; HSBC adquire 100% dos ativos do Bamerindus; Bradesco adquire 92,77% do Banco de Crédito Real de Minas Gerais; ABN Amro Bank adquire 40% do Real; Itaú adquire o Baneb Banco do Estado da Bahia; Unibanco compra o Credibanco; Itaú compra o Banestado. Em 1997, a Lei 9.514 Dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras providências. Nessa época, os corretores de imóveis direcionaram seus esforços para vendas diretas, que são mais ágeis e sem burocracia e o rombo do FCVS – Fundo de Coberturas de Variações Salariais foi influente no cenário nacional. 4.2.3 Ambiente Interno Do ponto de vista organizacional, nasceu em 1997 o SFI – Sistema de Financiamento Imobiliário, através da Lei nº 9.514, de 20.11.97, com a finalidade de promover o financiamento imobiliário em geral, segundo condições compatíveis com as da formação dos 49 fundos, FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e SBPE – Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. Nesse período, as construtoras sofrem com a falta de financiamento da CEF – Caixa Econômica Federal. A entrevistada nº 3 lembra que nesse período a concessão de financiamento de materiais de construção “mal gerido e mal acompanhado gerou muita inadimplência”. Lembra, também, que houve disponibilização de imóveis funcionais para venda, porém, com pouca adesão e resultados pouco satisfatórios. Ainda de acordo com a entrevistada nº 3, melhor organização na divulgação e orientação do programa de concessão de financiamento de materiais de construção tornaria o produto viável no mercado e teria evitado a inadimplência. Nesse período, foi criado o PRONATH – Programa Nacional da Habitação, vinculado ao PBQP – Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade. O entrevistado nº 2 relembra que a produção, no período, foi historicamente pequena e que o tema não foi relevante para o governo. Houve paralisação total dos financiamentos com recursos do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, entre os anos de 1991 e 1995. O movimento Nacional de Luta pela Moradia, da União dos Movimentos de Moradia e da Central de Movimentos Populares, entregou ao Congresso Nacional um projeto de lei de iniciativa popular, acompanhado da assinatura de 800.000 eleitores, (MARICATO, 1998). Em 1997, a CEF – Caixa Econômica Federal volta a poder operar por meio de carta de crédito. Em 1997 nasceu, também, a Central de Risco de Crédito, mantida pelo Banco Central do Brasil, criada pela Resolução nº 2.390, de 22.05.97, do CMN. Em 16 de Março de 1999 é decretada a falência da Encol S.A. Engenharia, uma das maiores construtoras do País. 4.2.4 Estratégia Nesse 2º período, analisando-se estratégia como padrão de comportamento do SFH – Sistema financeiro de Habitação, percebe-se que o tema habitação não era grande prioridade dos Governos dos períodos, como relata o entrevistado nº 2. 50 Destaca-se, no entanto, como estratégia a concessão de financiamentos de longo prazo para a construção e para a melhoria de habitações, para a população de renda mensal até doze salários-mínimos e a criação do PAR – Programa de Arrendamento Residencial com o objetivo propiciar moradia à população de baixa renda, sob a forma de arrendamento residencial com opção de compra. 4.3 Período de 2003 a 2010 4.3.1 Ambiente Geral No ambiente econômico, percebe-se, no período, a criação de programas de financiamentos imobiliários voltados ao beneficiário final como é o caso da carta de crédito individual e associativa. Nota-se, também, como fator importante, a aprovação da Lei nº 10.931, de 02 de agosto de 2004, que trata de regime especial de tributação aplicável às incorporações imobiliárias, também aplicável ao aspecto político-legal. No mesmo ambiente, segundo lembranças do entrevistado nº 2, viu-se a manutenção da estabilidade da moeda, o crescimento das exportações no País e a evolução do mercado de capitais brasileiro. No ambiente social pode-se considerar que houve uma evolução que representa um marco na política habitacional do País, com o lançamento dos seguintes programas, pelo Governo Federal: PAC - Programa de Aceleração do Crescimento (2007); PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida (2009); Previsões de investimentos de R$ 34 bilhões para construção de um milhão de casas, pelo Governo Luis Inácio Lula da Silva; A entrevistada nº 3 descreve esses programas de governo como programas que entrarão para a história do País. No 3º período analisado, acontece a Conferência Nacional das Cidades que mobilizou 3.457 municípios em 6 meses para participação cidadã na política de desenvolvimento urbano. No ambiente político-legal, destaca-se a criação do patrimônio de afetação, em que o patrimônio da incorporadora responderá pelas dívidas tributárias da incorporação afetada, por meio da Lei 10.931/04. 51 Destaca-se, também, que a Lei nº 10.931 deu maior segurança jurídica no financiamento e na produção do mercado. A criação do Ministério das Cidades instituído em 1º de janeiro de 2003, através da Medida Provisória nº 103, depois convertida na Lei nº 10.683, de 28 de maio do mesmo ano, constituiu um fato inovador nas políticas urbanas, na medida em que superou o recorte setorial da habitação, do saneamento e dos transportes e trânsito para integrá-los levando em consideração o uso e a ocupação do solo. 4.3.2 Ambiente Operacional Na análise do ambiente operacional durante o 3º período, constata-se que, conforme divulgação da CAIXA, somente no estado do Rio de Janeiro – RJ, no ano de 2010, até setembro, mais de 500 clientes assinaram contrato de financiamento habitacional, indicando crescimento da produção do mercado de financiamento imobiliário. O 2º entrevistado lembra que o consumidor, nesse período, está mais exigente e consciente dos seus direitos. Explica também que “com o crescimento da renda, a conseqüência é mais gente no mercado de consumo”. A entrevistada nº 3 relata que é clara e refletida no cliente que procura o banco, a questão do aumento de renda das pessoas e isso deixa o cliente mais ambicioso para a compra de imóveis. A entrevistada nº 3, também relata que o cliente está mais confiante na CEF – Caixa Econômica Federal, porém, está mais esperto e com os olhos mais abertos para o mercado imobiliário da época. Sobre a concorrência, o 2º entrevistado relata que “a sedimentação do mercado é um fator influente, assim como a valorização das empresas públicas”. Conforme relata João Crestana, presidente do SECOVI - Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Residenciais e Comerciais de São Paulo, da Comissão Nacional da Indústria Imobiliária da CBIC e reitor da Universidade Secovi, nesse novo período, o crédito imobiliário “voltou a fazer parte do portfólio dos bancos públicos e privados e os bancos bateram sucessivos recordes de investimentos na produção e aquisição de novos imóveis”. Quanto ao componente mão-de-obra, durante o período analisado, o Governo Federal prevê investir R$ 34 bilhões para construir um milhão de casas e 500 mil postos de trabalho deverão ser criados com a execução do programa intitulado "Minha Casa, Minha Vida". Esses postos 52 de trabalho equivalem a quase 25% do total de mão-de-obra empregada pela construção civil no país. Além disso, conforme diz a entrevistada nº 3, associações se ajudam em forma de programas de moradias. 4.3.3 Ambiente Interno Quanto ao aspecto organizacional, analisado no período, verificou-se que a CEF – Caixa Econômica Federal é responsável por fiscalizar o PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida. O entrevistado nº 2 enfatiza que nesse aspecto, “um fator influente é o crescimento dos recolhimentos nas contas vinculadas do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço”, e que, “o superávit do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço possibilita a concessão de subsídio financeiro aos clientes sem capacidade de pagamento das prestações”, o que, também, acontece com os investimentos em depósitos nas cadernetas de poupança, o que permitiu o aumento da capacidade de financiamento imobiliário, com recursos do SBPE – Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. Outro fator importante foi o lançamento do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento em 2007 e o lançamento do PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida em 2009. Segundo o entrevistado nº 2, nesse período o foco na produção moradias era muito grande, e com isso, o segmento impulsionado responde com o crescimento da produção. A seguir, são apresentados alguns fatores considerados influentes na produção de financiamento imobiliário do período analisado: Criação de programas de financiamento imobiliários voltados ao beneficiário final, (Carta de Crédito, individual e associativa); Aprovação do Governo Federal de R$ 12 bilhões do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço para pacote habitacional; Volta do crédito imobiliário ao portfólio de produtos dos bancos públicos e privados; Ocorrência de recordes dos bancos em financiamentos de investimentos na produção e na aquisição de novos imóveis; e Novo limite de financiamento - até 90% do imóvel de até R$ 500.000,00 - favorece a classe média. 53 Segundo a entrevistada nº 3, há rotatividade maior na aquisição de imóveis, sendo que o cliente fica pouco tempo em um imóvel e já quer trocar por um de maior valor. Assim, o PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida merece atenção e cuidado para não encarecer os imóveis e inflacionar o mercado imobiliário. Quanto ao aspecto financeiro, observou-se que a medida de incentivo para liquidação e reestruturação dos contratos sem FCVS – fundo de Cobertura de Variação salarial foi um fator importante. De acordo com o entrevistado nº 2, financeiramente, o período foi marcado pela melhor elaboração do produto. O financiamento habitacional foi um produto melhor pensado para atender à capacidade financeira do cliente e o subsídio para clientes com faixa de renda de zero a três salários mínimos foi determinante. Com isso, a construção civil dinamiza a economia. Segundo a entrevistada nº 3, a alta concessão de financiamentos gera emprego e renda aos clientes. 4.3.4 Estratégia Os fatores a seguir foram identificados como as principais estratégias utilizadas pelo SFH – Sistema Financeiro de Habitação, no período analisado: Autorização de Alienação fiduciária como garantia do financiamento de imóvel; Criação do Ministério das Cidades (2003); Conferência Nacional das Cidades que mobilizou 3.457 municípios em seis meses, para participação cidadã na política de desenvolvimento urbano; Criação do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (2005); Lançamento do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento (2007); Lançamento do PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida (2009); Aprovação pelo Governo Federal de R$ 12 bilhões do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço para pacote habitacional; Regime de tributação da Lei 10.931 que auxilia a retomada dos financiamentos bancários (2004); Volta do crédito imobiliário ao portfólio de produtos dos bancos públicos e privados; 54 Ocorrência de recordes dos bancos em financiamentos de investimentos na produção e na aquisição de novos imóveis; e Novo limite de financiamento de até 90% do imóvel de até R$ 500.000,00 que favorece a classe média. Alguns fatores tais como o PAC – Programa de Aceleração do Crescimento I e II e o PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida foram confirmados pelo entrevistado nº 2 como sendo uma medida político-partidária. Já a entrevistada nº 3 diz que o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento e o PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida foram excelentes estratégias de governo. De acordo com a entrevistada nº 3, em todos os períodos faltou um programa voltado para fornecer aos moradores “saneamento básico, infra-estrutura e rede de esgoto, além de asfalto e boa pavimentação”. Segundo a entrevistada nº 3, os governos não se preocuparam com isso na intensidade da evolução habitacional. O Quadro 3 relaciona as principais mudanças ocorridas no SFH – Sistema Financeiro de Habitação, nos períodos analisados e que são baseadas nos conceitos de mudanças organizacionais, tais quais: No primeiro período – 1986 a 1990 – houve o processo de transição do SFH – Sistema Financeiro de Habitação como uma mudança Transformacional ou Institucional (SILVA, 1999); atribuições do BNH para a CAIXA gerou conflitos, foi uma mudança de 2ª ordem, conforme Robbins (1999); extinção do BNH reduz oferta de imóveis para a população de baixa renda, foi uma mudança Descontínua (NADLER, SHAW, WALTON e COLS, 1995); moradias erguidas à base de auto construção, foi um fato relevante de mudança Transformacional ou Institucional (SILVA, 1999); a Extinção do BNH foi um fato de mudança Episódica (WEICK e QUINN, 1999); e a Criação do Fundo Nacional de Habitação foi uma estratégia como um plano (MINTZBERG, 1987). No segundo período – 1991 a 2002 – nasce o Sistema Financeiro Imobiliário, uma mudança de 2 ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999); o déficit habitacional atingindo cerca de 8 milhões de moradias foi um fato importante de 1ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999); a criação do programa de carta de crédito foi uma mudança Incremental ou Organizacional (SILVA, 1999); a paralisação e retomada dos financiamentos com recursos do FGTS foi um fato ocorrido de 1ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999); uma mudança de 2 ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999) foi o nascimento da Central de risco de crédito; e o PAR – 55 Programa de Arrendamento Residencial foi uma estratégia como determinação dos objetivos básicos de longo prazo (CHANDLER, 1962). No terceiro período – 2003 a 2010 – cresce os depósitos nas contas do FGTS – Fundo de Garantia por tempo de Serviço, gerando subsídio como ajuda de custo, foi uma mudança Transformacional ou Institucional (SILVA, 1999); a criação do Ministério das Cidades em 2003 foi uma mudança Episódica (WEICK e QUINN, 1999); uma mudança Transformacional ou Institucional (SILVA, 1999) ocorrida foi o lançamento do Programa Minha Casa, Minha Vida; os sucessivos recordes na concessão de financiamentos habitacionais pelos bancos foi uma mudança Contínua (WEICK e QUINN, 1999); Alta concessão de financiamentos, gerando emprego e renda aos clientes do SFH – Sistema Financeiro de Habitação foi uma mudança de 1ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999); e o PAC - Programa de Aceleração do Crescimento foi uma estratégia como um plano (MINTZBERG, 1987). Quadro 3 – Mudanças ocorridas no ambiente interno do SFH – Sistema Financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010. Período Período I 1986 a 1990 Fatos ou mudanças mais relevantes Processo de transição do SFH Atribuições do BNH para a CAIXA Extinção do BNH reduz oferta de imóveis para a população de baixa renda Moradias erguidas à base de auto construção Extinção do BNH Criação do Fundo Nacional de Habitação Período II 1991 a 2002 Nasce em 1997 o Sistema Financeiro Imobiliário Déficit Habitacional atinge cerca de 8 milhões de moradias Criação do programa de carta de crédito Paralisação e retomada dos financiamentos com recursos do FGTS Nasce a Central de risco de crédito Mudança Transformacional ou Institucional (SILVA, 1999) De 2 ª Ordem (ROBBINS, 1999) Descontínua (NADLER, SHAW, WALTON e COLS, 1995) Transformacional ou Institucional (SILVA, 1999) Episódica (WEICK e QUINN, 1999) Como um plano (MINTZBERG, 1987) Principais aspectos Organizacional Relativos a pessoal Marketing Produção Financeiros Estratégia 2 ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999) Organizacional 1ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999) Relativos a pessoal Incremental ou Organizacional (SILVA, 1999) Marketing 1ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999) Produção 2 ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999) Financeiros 56 Programa de Arrendamento Residencial Período III 2003 a 2010 Crescem depósitos nas contas do FGTS, gerando subsídio como ajuda de custo Criação do Ministério das Cidades Lançamento do Programa Minha Casa, Minha Vida Bancos batem sucessivos recordes na concessão de financiamentos habitacionais Alta concessão de financiamentos gera emprego e renda Programa de Aceleração do Crescimento Determinação dos objetivos básicos de longo prazo (CHANDLER (1962) Estratégia Transformacional ou Institucional (SILVA, 1999) Organizacional Episódica (WEICK e QUINN, 1999) Transformacional ou Institucional (SILVA, 1999) Relativos a pessoal Marketing Contínua (WEICK e QUINN, 1999) Produção 1ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999) Financeiros Como um plano (MINTZBERG, 1987) Estratégia 57 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 5.1 Conclusões A presente pesquisa teve como problema de pesquisa responder qual foi o comportamento do SFH - Sistema Financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010. Os objetivos específicos foram: Identificar os fatores ambientais influentes em cada período da pesquisa, 1986 a 1990, 1991 a 2002 e 2003 a 2010. Identificar as ações praticadas no contexto do SFH - Sistema Financeiro de Habitação. Descrever as mudanças adotadas pelo SFH - Sistema Financeiro de Habitação no período. Para o desenvolvimento da pesquisa foi utilizada a linha de pensamento de Lakatos (2005), de válidos e verdadeiros que consiste em ir “traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões”. Para o conteúdo e o processo de mudança ocorrida foi analisada a estrutura do ambiente organizacional do Sistema Financeiro de Habitação dividido em três níveis: geral, operacional e interno (PETER E CERTO, 2004), além da estratégia. No ambiente geral, foram estudados os fatos mais importantes ocorridos nos ambientes econômico, social e político-legal, capazes de causar impacto no Sistema Financeiro de Habitação pesquisado. No ambiente operacional, os fatos relevantes dos componentes cliente, concorrência e mãode-obra foram estudados como influenciadores. E no ambiente interno, aspectos organizacionais, relativos a pessoal, a marketing, a produção e financeiros, foram analisados como impactantes no SFH – Sistema Financeiro de Habitação. O intervalo de tempo pesquisado iniciou-se em 1986, quando ocorreu a extinção do BNH Banco Nacional de Habitação, fato marcante para a política de Habitação do País. Com essa extinção, reduziu-se a ênfase dada à política habitacional desenvolvida pelo Governo Federal e pelos Estados. O período de estudo, compreendido entre 1986 e 2010, foi dividido em três subperíodos ligados à gestão dos presidentes da república nas épocas, que são: 1986 - 1990 – Governo de José Sarney; 1990 - 2002 - Governos de Fernando Afonso Collor de Melo, Itamar Augusto 58 Cautiero Franco e Fernando Henrique Cardoso; e 2003 – 2010 - Governo de Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro período – 1986 a 1990 – demonstra que o alto índice de inflação apontado instabilizou a economia e que a extinção do BNH – Banco Nacional da Habitação deixou o cliente de financiamento imobiliário insatisfeito com o SFN – Sistema Financeiro Nacional. Mesmo com o déficit habitacional ultrapassando a necessidade de sete milhões de moradias e o crescimento e o inchaço das cidades, não se notou políticas públicas voltadas para o setor habitacional. Apenas as Leis 8.100 e 8.078 de 1990, em vigor a partir de 1991, trouxeram certa tranqüilidade aos clientes que viam uma possibilidade de resolverem os problemas financeiros da época. As atribuições do extinto BNH – Banco Nacional da Habitação à CEF – Caixa Econômica Federal geraram um conflito entre as instituições. O segundo período – 1991 a 2002 – percebeu-se um ambiente de planos econômicos fracassados até a aprovação do Plano Real em 1994, com a moeda nacional esboçando uma estabilidade. Já o FCVS – Fundo de Cobertura de Variações Salariais via-se em estado de rombo financeiro. Foi um período de carência habitacional para a população brasileira, programas de moradia fracassados que encareciam o preço da moradia para a compra e situação habitacional crítica, no País, que reflete queda na qualidade de vida. Em um período de acelerado programa de privatizações, algumas leis foram aprovadas no âmbito do SFH – Sistema Financeiro de Habitação, tais como: Lei nº 9514 de 1997, que dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras providências; Lei 8.177 de 1991 que, em seus artigos 23 e 24, prevê correção mensal das prestações de financiamentos de imóveis pela variação dos depósitos das cadernetas de poupança; e Lei nº 10.214, de 27.03.2001 que regulamenta o novo SPB – Sistema de Pagamentos Brasileiro, nascido em 2002. Durante o período analisado, o que é possível dizer sobre o comportamento dos clientes do SFH – sistema Financeiro de Habitação é que os consumidores encontravam-se traumatizados com os financiamentos bancários da época. 59 Foi um período de grandes fusões e aquisições que dificultam aos bancos nacionais concorrência no Sistema financeiro Nacional (Apêndice III). Analisado o período, verificou-se aumento no déficit habitacional no País, e em contramão, construtoras e clientes sofrem com a falta de financiamento bancário em uma época de paralisação dos financiamentos com recursos do FGTS – Fundo de Garantia por tempo de Serviço e do SBPE – Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo. A Pouca destinação de fontes de recursos oficiais ou privadas para produção e para financiamento de imóveis podes ser notada. Houve entrega, ao congresso nacional, de um projeto de lei de iniciativa popular, acompanhado da assinatura de 800.000 eleitores, propondo a criação do fundo nacional de moradia popular. É um período marcado também pela falência da Encol S/A, considerada uma das, senão a maior Construtora do País na época. Com poucas estratégias sobre habitação, viu-se, em todo o período, apesar de ser longo o espaço estudado, a semelhança na forma de tratar a questão habitacional em todos os governos do período. O terceiro período – 2003 a 2010 – inicia a retomada na política habitacional no País, com a criação de programas de financiamento voltados ao beneficiário final e de regime especial de tributação aplicável às incorporações, por meio da Lei 10.931/2004. De 2007 a 2009 houve o lançamento dos maiores programas já vividos no País, quais sejam: PAC - Programa de Aceleração do Crescimento (2007); e PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida (2009). Para o PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida, o Governo Federal preveu investir R$ 34 bilhões, na construção de um milhão de casas. Nesse período, a Conferência Nacional das Cidades mobilizou 3.457 municípios em seis meses para participação cidadã na política de desenvolvimento urbano. Outra ação do Governo Federal foi a criação do Ministério das Cidades em 2003, o que constitui um fator inovador nas políticas urbanas. O crédito imobiliário voltou a fazer parte dos produtos dos bancos públicos e privados. Segundo o entrevistado nº 2, “com o crescimento da renda, é mais clientes comprando, é mais gente no mercado de consumo, e os bancos batem sucessivos recordes na produção e financiamento de imóveis”. 60 A CEF – Caixa Econômica Federal (2010), sucessora do BNH – Banco Nacional da Habitação, disponibilizou relatórios de concessão de financiamentos habitacionais com os seus principais recursos, desde o ano de 1995, o que mostra a evolução de 629,3 % de 1996 para 2010 e de recordes na concessão de financiamento imobiliário de imóvel usado, novo e na planta pelos recursos do FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e do SBPE Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, demonstrando recordes de financiamento concedido e moradias proporcionadas aos clientes das mais diversas rendas. (Anexos I, II, III, IV, V e VI). De acordo com o entrevistado nº 2, o País não dava importância ao Marketing Habitacional antes do PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida. Aconteceu, no período, um ciclo econômico: “mais verba destinada ao produto impulsionou à cosntrução de moradias gerando emprego ao trabalhador que com o crescimento ou aquisição da renda entrava no mercado de consumo que impulsiona a economia”. Percebeu-se um foco no setor habitacional; produtos melhor planejados para melhor atender às necessidades das diversas classes sociais para a aquisição de moradias; e estratégia político-partidária desenvolvida pelo governo federal capaz de garantir a dinâmica da construção civil na economia. Concluiu-se que as principais mudanças ocorridas, no período de 1986 a 2010, foram a criação dos programas de carta de crédito e o lançamento dos programas PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e PMCMV- Programa Minha Casa, Minha Vida como estratégias político-partidárias, já que, esses programas revitalizaram o SFH – Sistema Financeiro de Habitação no País gerando ciclo de crescimento econômico e gerando confiança no consumidor final, o cliente. O Quadro 3 relaciona as principais mudanças ou fatos relevantes ocorridos no SFH – Sistema Financeiro de Habitação, nos períodos analisados, tais quais: Incremental ou Organizacional (SILVA, 1999); Transformacional ou Institucional (SILVA, 1999); Contínua (WEICK e QUINN, 1999); Episódica (WEICK e QUINN, 1999); De 2 ª Ordem (ROBBINS, 1999); Descontínua (NADLER, SHAW, WALTON e COLS, 1995); 61 De 1ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999); De 2 ª Ordem (PORRAS e ROBERTSON, 1999). Estratégia como um plano (MINTZBERG, 1987); e Estratégia como determinação dos objetivos básicos de longo prazo (CHANDLER, 1962). 5.2 Recomendações As variáveis utilizadas para coleta de dados e entrevistas poderiam ser de amplitude maior, mesclando informações de alguns aspectos em um item único, facilitando assim o levantamento de informações e dados. As entrevistas, poderiam ser feitas, também, com pessoas do ambiente geral, como é o caso de funcionários de ministérios e secretarias ligados à gestão social e habitacional e no País. Com isso, o levantamento de informações governamentais poderia ser de forma mais enfática, auxiliando na conclusão dos resultados. Outros trabalhos sobre o assunto poderiam comparar os bancos que mais operam com o SFH – Sistema Financeiro de Habitação no que diz respeito à forma como se relacionam e como influenciam com as ações praticadas. Assim, seria possível uma visão do ambiente interno do SFH - Sistema Financeiro de Habitação com o ambiente externo, identificando possíveis problemas e soluções apresentados. Também, poderia ser realizada pesquisa que identificasse a real importância do SFH – Sistema Financeiro de Habitação na gestão governamental federal e no atendimento das necessidades sociais, implicando assim em uma possível reforma governamental na distribuição de recursos para o setor. 62 REFERÊNCIAS AMSTEL, Frederick van, 2008. Como fazer uma pesquisa qualitativa. Disponível em www.usabilidoido.com.br/como_fazer_uma_pesquisa_qualitativa. Acesso em 03/02/2010 às 15:15 horas. BACEN, Banco Central do Brasil. 2009. Disponível em http://www.bcb.gov.br. Acesso em 26/05/2009, às 21:30 horas. BETHLEM, AGRICOLA. Estratégia empresarial. São Paulo, Atlas, 2001. BOWDITCH, J. L. , BUONO, A. F. Elementos de comportamento organizacional. São Paulo: Pioneira, 1992. BRESSAN Cyndia Laura. Mudança organizacional: Uma visão gerencial, São Paulo, 2004. CEF, Caixa Econômica Federal. Relatório anual de concessão 1995 A 2010. 2010 CARNEIRO Dionísio Dias, VALPASSOS Marcus Vinícius Ferreiro. Financiamento à habitação e instabilidade econômica. 2003. Disponível em http://books.google.com.br/books Acesso em 02/04/2009, às 22:40 horas. CATENA e CASTRO. Construção civil cria vagas no Brasil. 2008. Disponível em http://www.catenaecastro.com.br/news/construcao-civil-cria-vagas-no-brasil. Acesso em 02/04/2009, às 23:50 horas. CRESTANA, JOÃO. Balanço imobiliário 2008, Disponível em www.secovi.com.br/pesquisa/balanco/2008/index.php. Acesso em 14/03/2009, às 00:28 horas. DIEESE, disponível em www.dieese.org.br, acesso em 14/03/2009 às 00:42 horas. DJI, Índice fundamental do direito. 2009. Disponível http://www.dji.com.br/leis_ordinarias. Acesso em 01/06/2009, às 22:32 horas. em GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa, São Paulo, Atlas, 2002. ISABEL NICOLAU. O conceito de estratégia, ISCTE, Campo Grande, 2001. JORNAL DO COMÉRCIO, Recife-PE. Burocracia emperra novas construções. 1999. Disponível em http://www2.uol.com.br/JC. Acesso em 14/03/2009, às 00:32 horas. LAKATOS, Eva Maria e MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de Metodologia Científica, São Paulo, Atlas, 2005. LARA, Clézio Antonio. Estratégia empresarial e vantagens competitivas em indústrias de três lagoas – MS, 2005. 63 MARICATO, Ermínia. Política urbana e de Habitação Social: Um assunto pouco importante para o governo FHC. São Paulo, 1998. MARTINS , Maria Alice Hofmann. Metodologia da Pesquisa, 2002. Disponível em www.mariaalicehof5.vilabol.uol.com.br. Acesso em 08/02/2010 às 14:22 horas. MAWAKDIYE, Alberto. Casa própria: tragédia anunciada. Disponível www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc. Acesso em 14/03/2009 às 00:10 horas. em MENDES Carlos Alexandre. Mudança organizacional, 2004. MINTZBERG, H. Safári de estratégia: um roteiro pela selva do planejamento estratégico. São Paulo: Bookman, 2000. MORGAN, G. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 1996. PETER, Samuel C. Administração estratégica 2ª Edição, São Paulo: Pearson, 2004. PORTER, M. Estratégia competitiva - técnicas para análise de indústrias e da concorrência. Campus, São Paulo, 1980. REBOUÇAS, D. R. Estratégia Empresarial & Vantagem competitiva, São Paulo, Atlas, 2001. WRIGHT, P; KROLL, Mark J. e PARNELL, Jonh. Administração Estratégica, São Paulo, Atlas, 2000. 64 APÊNDICES 65 Apêndice I – Roteiro de entrevistas para coleta de dados sobre a mudança estratégica no contexto do SFH – Sistema financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010 FATOS / MUDANÇAS ESTRATÉGICAS Variáveis Período 1986 a 1990 V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * * * * * * * * * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra * * * * * * * * * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção * * * * * * * * * * * * 66 V3.5 - Aspectos financeiros * * * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento * * * Período 1991 a 2002 Variáveis V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * * * * * * * * * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra * * * * * * * * * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing * * * * * * * * * 67 V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * * * * * * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento * * * Variáveis V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * * * * * * * * * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra * * * * * * * * * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal * * * * * * Período 2003 a 2010 68 V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * * * * * * * * * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento * * * Informações importantes relatadas pelo entrevistado e não constantes como variáveis neste roteiro de entrevistas: ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 69 Apêndice II – Dados obtidos das entrevistas sobre a mudança estratégica no contexto do SFH – Sistema financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010 Entrevistado Nº 1 Nome: Etiene Empresa/Órgão: Coodhab – DF Cargo/Função: Chefe de núcleo Data: 16/09/2010 Horário: 16:00 horas Local: Setor Comercial Sul, Brasília DF FATOS / MUDANÇAS ESTRATÉGICAS Variáveis Período 1985 a 1990 V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * Inflação alta; * Transferência das atribuições do BNH à CAIXA, inclusive o FGTS. * * * * * * * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra * O cliente utiliza a Coodhab para utilizar os recursos do FGTS na moradia própria; * Consumidor Brasil. * * * * * A Coodhad que se reportava ao BNH passou a se reportar à CAIXA. * * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais * * * 70 V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * O Código de Defesa do Consumidor abriu as mentes das pessoas; * Associações, em geral, são influenciadoras do Código de Defesa do Consumidor pelo alto índice de solicitações de amparo legal. * * * * * * * * * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento Variáveis * * * Período 1991 a 2002 V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * A inadimplência é considerada alta. * * * O FCVS – Fundo de Cobertura por Variação Salarial foi bom para o custo benefício ao mutuário; * O FCVS – Fundo de Cobertura por Variação Salarial sempre foi burocrático. * * Lei 10.150 * Política criada para cobrir o custo benefício dos financiamentos habitacionais. * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência * O cliente paga para não pagar pelo financiamento; * O Código de Defesa do Consumidor protege o cliente. * * * * 71 V2.3 - O componente mão-de-obra * * * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * * * * * * * * * * * * * * * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento Variáveis * * * Período 2003 a 2010 V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. V2 - Ambiente operacional (SFN) * * * * A Coodhab promove ao PAC um atendimento similar aos demais planos habitacionais; * Relatórios são enviados à CAIXA em lote para acompanhamento da produção. * * * * 72 V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra * * * * * * * A SEDUMA – Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente participa da distribuição dos resultados. * A rotina do órgão não altera em relação à evolução do cenário. V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * * * * * * * * * * * * * * * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento * * * Informações importantes relatadas pelo entrevistado e não constantes como variáveis neste roteiro de entrevistas: ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 73 Entrevistado Nº 2 Nome: Marcelo Ferreira Empresa/Órgão: CEF - Caixa Econômica Federal Cargo/Função: Gerente Regional de Mercado Data: 06/10/2010 Horário: 17:30 horas Local: Super Quadra 902 Sul, Brasília - DF FATOS / MUDANÇAS ESTRATÉGICAS Variáveis Período 1985 a 1990 V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * Cenário de alta inflação e indexação Fortíssima; * Cultura de nível popular * Plano Bresser – Plano Cruzado – Feijão com Arroz; * Plano Cruzado – Medida heterodoxa; * Economia mais fechada para o exterior. * Inflação causa insatisfação; * Mobilização fiscal; * Redemocratização do País, eleições diretas para presidente. * Crescimento e inchaço das cidades. * * * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra * Sistema Financeiro Nacional deixa o cliente confuso; * Cliente não tinha visão clara de definição do preço relativo; * Indexação causa perda de renda principalmente aos assalariados. * Maioria de bancos com capital nacional; * Bancos públicos com baixa capacidade de concorrência e controlados por governos locais. * * Setores públicos e privados pouco automatizados; * classe sindicalizada e organizada. * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais * CAIXA assume atribuições do extinto BNH – Banco Nacional de Habitação; * BNH – Banco Nacional de Habitação tinha intervenções de execução. * 74 V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * Funcionários do extinto BNH – Banco Nacional de Habitação foram transferidos à CAIXA; * * * Decisões políticas por meio de lei; * Sistema sem divulgação. * * Produção cai nesse primeiro período; * * * Produzir moradias frente à renda, por enquadramento; * Capacidade dos consumidores finais influenciam o mercado. * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento * Estratégia confusa, diante da dificuldade ficou prejudicada; * Instabilidade política; * Estratégia influenciada pelo cenário. Período 1991 a 2002 Variáveis V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * Abertura econômica e comercial; * Privatizações; * Início da estabilidade da moeda. * PAI-H; * Plano empresário e Plano empresário popular; * Adesão de cooperativas. * Extinção do FCVS; * Política de cambio pouco objetiva. * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência * * * * Aquisições e fusões; * Instituições financeiras de mercado exterior adentrando ao mercado nacional. * 75 V2.3 - O componente mão-de-obra * * * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * Continuação com planos abertos. * * * * * * * * * Produção historicamente pequena e pouco relevante. * * * * * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento * Não se mostrava como prioridades do Governo. * * Período 2003 a 2010 Variáveis V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. V2 - Ambiente operacional (SFN) * Manutenção da estabilidade da moeda; * Crescimento das exportações do mercado; * Mercado de capitais mais evoluído. * Regras de governança. * * * * * 76 V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra * Consumidor mais exigente e consciente dos seus direitos; * Crescimento da renda, mais gente no mercado de consumo; * * Sedimentação do mercado bancário; * Valorização das empresas públicas. * * Regras do SFN ficaram mais claras, mais efetivas, mais acompanhadas. * * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * Crescimento e superávit do FGTS possibilitaram aplicação de subsídios no mercado; * Crescimento dos depósitos em poupança possibilitou mais aplicação em Habitação. * * * * * O País não tinha política habitacional antes do Programa Minha Casa, Minha Vida. * * * Recorde de financiamento habitacional desde 18982; * Foco muito grande. * O segmento impulsionado cresce a produção. * Produtos melhor elaborados para atender a capacidade financeira da população; * Subsídios para a população sem capacidade de pagamento; * Construção civil dinamiza a economia. V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento * PAC I e PAC II – Programa de aceleração do Crescimento; * Programa Minha Casa, Minha Vida, medida político partidária de estratégia * Informações importantes relatadas pelo entrevistado e não constantes como variáveis neste roteiro de entrevistas: ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 77 Entrevistado Nº 3 Nome: Sidônia Empresa/Órgão: CEF - Caixa Econômica Federal Cargo/Função: Técnico Bancário Data: 19/10/2010 Horário: 18:00 horas Local: Setor Bancário Sul, Brasília-DF FATOS / MUDANÇAS ESTRATÉGICAS Variáveis Período 1985 a 1990 V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * Correção monetária complicada; * Sistema de amortização Price – mensal e trimestral – em 20 anos. * * Governo pouco preocupado com a questão habitacional no País. * * * Política pouco incentivadora. * * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra * Eram prejudicados pelo sistema de amortização; * * * Somente a CEF - Caixa Econômica Federal operava com os financiamentos e a nível nacional; * * * Relativamente baixa e estável; * Não se tinha o produto habitacional como em “prateleiras”. * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal * * * * Funcionários graduados do BNH – transferidos à CEF – Caixa Econômica Federal como estatutários gerou prejuízos; * Funcionários assalariados; * 78 V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * * * * * * * Ficavam 20 anos com o financiamento imobiliário adquirido; * ITBI – Imposto de Transmissão de Bens Imóveis de valor alto fazia os clientes não registrar as escrituras; * Política de reajuste das prestações afetou a parte financeira do País. V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento Variáveis * Governo sem agressividade no mercado. * * Período 1991 a 2002 V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * * * * Pouca manifestação do governo para o programa habitacional. * * * * * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra V3 - Ambiente interno (SFH) * Alguns clientes compravam e vendia imóveis visando lucro; * * * CEF – Caixa Econômica Federal realiza operações do Governo Federal, enquanto bancos privados realiza negócios de lucro; * * Preocupação do governo Federal com outros pontos e despreocupação como o setor habitacional. * * 79 V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * Financiamento de Materiais de Construção mal gerido e mal acompanhado gerou muita inadimplência. * Disponibilização de imóveis funcionais à venda, com pouca adesão e resultados pouco satisfatórios. * * * * * Boa organização na divulgação do Programa de financiamento de Material de construção tornaria o produto viável no mercado e evitaria inadimplência. * * Financiamento de Materiais de Construção mal gerido e mal acompanhado gerou muita inadimplência. * * * ITBI – Imposto de Transmissão de Bens Imóveis de valor alto fazia os clientes não registrar as escrituras; * Política de reajuste das prestações afetou a parte financeira do País. * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento * * * Período 2003 a 2010 Variáveis V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. * * * * Programas que entrarão pra história. * * * * * V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente * Aumento de renda reflete no cliente que procura o Banco; * Demonstra ambição para compra de imóveis; * Os clientes estão mais confiantes na CEF – Caixa Econômica Federal; 80 V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra * Bancos entraram no mercado, porém a CEF – Caixa Econômica Federal ainda detém confiança, por isso, detém grande parte do mercado; * * Mutirão do Padre Rui – DF com o apoio da comunidade ajuda a adquirir lotes da NOVACAP e construir; * Associações se ajudavam em forma de programa de moradias; * V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros * * * * * * * * * * Há uma rotatividade maior na aquisição de imóveis, o cliente fica pouco tempo e já quer trocar por um de maior valor; * O PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida merece atenção e cuidado pra não encarecer os imóveis e inflacionar o mercado imobiliário; * Alta concessão de financiamentos gera emprego e renda dos clientes. * * V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento * PAC – Programa de Aceleração do Crescimento e PMCMV – Programa Minha, Minha Vida foram excelentes estratégias de governo. * Investimento nos programas voltados a subsidiar pessoas carentes e sem capacidade de pagamento total das prestações. * Informações importantes relatadas pelo entrevistado e não constantes como variáveis neste roteiro de entrevistas: __Em todos os períodos faltou um programa voltado para fornecer aos moradores um saneamento básico, infra-estrutura e rede de esgoto, além de asfalto e boa pavimentação, os governos não se preocuparam com isso na intensidade da evolução habitacional. ____________________________________________________________________________________________________________________ ____________________________________________________________________________________________________________________ 81 Apêndice III – Resumo dos dados coletados das entrevistas e análise documental sobre a mudança estratégica no contexto do SFH – Sistema financeiro de Habitação no período de 1986 a 2010 FATOS / MUDANÇAS ESTRATÉGICAS Variáveis Período (1986 a 1990) V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. Instabilidade econômica; Alto índice de inflação; Plano Cruzado (1986), Plano Bresser (1987), Plano Verão (1989); A criação do Fundo Nacional de Habitação. Lei 8.100/90 – Facilidade para quitação de imóveis (FCVS). Extinção do BNH - Banco Nacional de Habitação (1986); Lei 8.036 - Os depósitos de FGTS feitos na rede bancária foram transferidos à CEF; Governo de José Sarney; Lei 8.078 – Código de Defesa do Consumidor; Lei 7.492 Define os crimes contra o SFN; Lei 8.100/90 – Facilidade para quitação de imóveis (FCVS). V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra O déficit habitacional supera sete milhões de moradias; Lei 7.492 Define os crimes contra o SFN; Em 1986 nasceu a Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP); Em 1988 nasceram os bancos múltiplos, instituídos pela Resolução nº 1.524, de 21.09.88, do CMN; Em 1986 foi extinta a conta movimento do Banco do Brasil. Lei 8.078 – Código de Defesa do Consumidor (1990). Processo de transição do agente central do SFH. Atribuições do BNH para a Caixa gera um conflito cultural entre os funcionários das duas instituições. A extinção do BNH tem efeito imediato na redução da oferta de imóveis para a população de baixa renda. V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing 82 V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros Começam a se multiplicar os loteamentos clandestinos nos grandes centros e as moradias erguidas à base de autoconstrução. Extinção do BNH - Banco Nacional de Habitação (1986); Em 1987 foi aprovado o Programa de Desenvolvimento Urbano (PROURB), que contemplou as áreas de habitação e de desenvolvimento urbano; Incluído pela Lei nº 7.682, de 1988. Parágrafo único. A execução orçamentária e financeira do Fundo de Compensação de Variações Salariais – FCVS. V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento A criação do Fundo Nacional de Habitação; Extinção do BNH - Banco Nacional de Habitação (1986); O déficit habitacional supera 7 milhões de moradias. Período (1990 a 2002) Variáveis V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social Planos econômicos (Plano Collor I e II fracassados e Plano Real estabilizando a inflação); Estabilidade econômica com o plano Real; Rombo do Fundo de Variação de Compensações Salariais. Programas Pró-Moradia e Habitar - Brasil; O déficit habitacional brasileiro classificava a carência em torno dos 10, 12 ou 15 milhões de moradias; O alto preço da moradia para a compra; A crítica situação habitacional no País reflete uma queda na qualidade de vida; A população urbana brasileira atinge um índice de 75,6% do total da população; População favelada cresceu 84%, enquanto a população geral teve uma elevação de apenas 15,7%; PAR – Programa de Arrendamento Residencial – criado pela lei 10.188/2001. 83 V1.3 - Ambiente político legal. Aceleração do programa de privatizações; Lei nº 9514 de 1997 - Dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras providências; Lei 8.177/91 que, em seus artigos 23 e 24, previa correção mensal das prestações de financiamentos de imóveis pela variação dos depósitos das cadernetas de poupança; Em 2002, nasceu o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), regulamentado pela Lei nº 10.214, de 27.03.2001; Em 1997, nasceu o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), através da Lei nº 9.514, de 20.11.97; Entrega ao congresso nacional um projeto de lei de iniciativa popular (acompanhado da assinatura de 800.000 eleitores), propondo a criação do fundo nacional de moradia popular; PAR – Programa de Arrendamento Residencial – criado pela lei 10.188/2001. V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra V3 - Ambiente interno (SFH) A CEF adota o critério pelo qual o saldo base do FGTS apresenta rendimentos no dia 10 do mês posterior ao de competência; Circular nº 2.698, de 20.06.96, do BCB, institui o Comitê de Política Monetária (COPOM); Compradores traumatizados com os financiamentos bancários da época aprovaram o novo método dos corretores. Proposta ao governo de diversidade de programas (Pró-moradia, Habitar Brasil, Carta de Crédito Individual e Associativo, e Apoio à Produção) rompendo com a rigidez e a padronização excessiva; Lei nº 9514 de 1997 - Dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras providências; Banco de Crédito Nacional S.A. (incorporação da BCN Adm. Imóveis e Constr. Ltda) em 1999; Itaú adquire 53,9% do Francês e Brasileiro; Unibanco adquire o Nacional; Santander adquire 51% do Geral do comércio; HSBC adquire 100% dos ativos do Bamerindus; Bradesco adquire 92,77% do Banco de Crédito Rela de Minas Gerais; ABN Amro Bank adquire 40% do Real; Itaú adquire o Baneb Banco do Estado da Bahia; Unibanco compra o Credibanco; Itaú compra o Banestado. Os corretores de imóveis direcionaram seus esforços para vendas diretas, que são mais ágeis e sem burocracia; Rombo do Fundo de Variação de Compensações Salariais. 84 V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing Em 1997, nasceu o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), através da Lei nº 9.514, de 20.11.97. Construtoras sofreram com a falta de financiamento da Caixa Econômica Federal; O déficit habitacional é estimado em cerca de 8 milhões de moradias, sendo 75% nas centros urbanos. A criação do Programa Nacional da Habitação (PRONATH), vinculado ao Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade (PBQP); Em 1994 a Diretoria Executiva da (FINEP) Financiadora de Estudos e Projetos aprovou o HABITARE; Inovação tecnológica, construção e meio ambiente e procedimentos inovadores em gestão habitacional para população de baixa renda. V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros Paralisação total dos financiamentos com recursos do FGTS entre 1991 e 1995; Entrega ao congresso nacional um projeto de lei de iniciativa popular (acompanhado da assinatura de 800.000 eleitores), propondo a criação do fundo nacional de moradia popular; A Caixa Econômica Federal volta a poder operar com o crédito habitacional à pessoa física através do programa “CARTA DE CRÉDITO”(1997); PAR – Programa de Arrendamento Residencial – criado pela lei 10.188/2001; Pouca destinação de fontes de recursos oficiais ou privadas para produção e financiamento de imóveis; O insucesso da maior construtora do Brasil na época, a ENCOL; Construtoras sofreram com a falta de financiamento da Caixa Econômica Federal; O déficit habitacional é estimado em cerca de oito milhões de moradias, sendo 75% nas centros urbanos. Em 1997, nasceu também a Central de Risco de Crédito, mantida pelo Banco Central do Brasil, criada pela Resolução nº 2.390, de 22.05.97, do CMN. Concessão de financiamentos de longo prazo para a construção/melhoria de habitações para a população de renda mensal até doze salários-mínimos; Programas Pró-Moradia e Habitar - Brasil; Criação do PAR - Programa de Arrendamento Residencial; A CEF adota o critério pelo qual o saldo base do FGTS apresenta rendimentos no dia 10 do mês posterior ao de competência; Lei nº 9514 de 1997 - Dispõe sobre o Sistema de Financiamento Imobiliário, institui a alienação fiduciária de coisa imóvel e dá outras providências. V4 - Estratégia V4.1 - Como um padrão de comportamento Variáveis Período (2003 a 2010) 85 V1 - Ambiente geral V1.1 - Ambiente econômico V1.2 - Ambiente social V1.3 - Ambiente político legal. Criação de programas de financiamento voltados ao beneficiário final, (Carta de Crédito, individual e associativa); LEI Nº 10.931, DE 02 DE AGOSTO DE 2004. Regime especial de tributação aplicável às incorporações imobiliárias. Lançamento do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento (2007); Lançamento do PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida (2009); O Governo Lula promete investir R$ 34 bilhões para construir um milhão de casas; Conferência Nacional das Cidades mobilizou 3.457 municípios em 6 meses para participação cidadã na política de desenvolvimento urbano. LEI Nº 10.931, DE 02 DE AGOSTO DE 2004. Regime especial de tributação aplicável às incorporações imobiliárias; Criação do Patrimônio de Afetação, o patrimônio da incorporadora responderá pelas dívidas tributárias da incorporação afetada; A Lei Federal 10.391, aprovada em 2004, deu maior segurança jurídica ao financiamento e à produção de mercado. Criação do Ministério das Cidades (2003). V2 - Ambiente operacional (SFN) V2.1 - O componente cliente V2.2 - O componente concorrência V2.3 - O componente mão-de-obra CAIXA divulga que somente no Rio de Janeiro – RJ até setembro de 2010 mais de 500 clientes assinaram contrato de financiamento habitacional. O crédito imobiliário voltou a fazer parte do portfólio dos bancos públicos e privados; Os bancos bateram sucessivos recordes de investimentos na produção e aquisição de novos imóveis. O Governo Lula promete investir R$ 34 bilhões para construir um milhão de casas; 500 mil postos de trabalho deverão ser criados com a execução do programa intitulado "Minha Casa, Minha Vida" equivalem a quase 25% do total de mão-de-obra empregada pela construção civil no país. Caixa Econômica Federal é responsável por fiscalizar PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida (2009). V3 - Ambiente interno (SFH) V3.1 - Aspectos organizacionais V3.2 – Aspectos relativos a pessoal V3.3 - Aspectos relativos a marketing Lançamento do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento (2007); Lançamento do PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida (2009). 86 V3.4 - Aspectos relativos a produção V3.5 - Aspectos financeiros Criação de programas de financiamento voltados ao beneficiário final, (Carta de Crédito, individual e associativa); O Governo Lula aprova R$ 12 bilhões do FGTS para pacote habitacional; O crédito imobiliário voltou a fazer parte do portfólio dos bancos públicos e privados; Os bancos bateram sucessivos recordes de investimentos na produção e aquisição de novos imóveis; Novo limite de financiamento (até 90% do imóvel de até R$ 500.000,00) favorece a classe média. Medida de incentivo para liquidação e reestruturação dos contratos sem FCVS. Autorização de Alienação fiduciária como garantia do financiamento de imóvel; Criação do Ministério das Cidades (2003); Conferencia Nacional das Cidades mobilizou 3.457 municípios em 6 meses para participação cidadã na política de desenvolvimento urbano; Criação do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (2005); Lançamento do PAC - Programa de Aceleração do Crescimento (2007); Lançamento do PMCMV – Programa Minha Casa, Minha Vida (2009); O Governo Lula aprova R$ 12 bilhões do FGTS para pacote habitacional; Regime de tributação da Lei 10.931 auxilia a retomada dos financiamentos bancários (2004); O crédito imobiliário voltou a fazer parte do portfólio dos bancos públicos e privados; Os bancos bateram sucessivos recordes de investimentos na produção e aquisição de novos imóveis; Novo limite de financiamento (até 90% do imóvel de até R$ 500.000,00) favorece a classe média. V4 - Estratégia V4.1 - Como um plano 87 ANEXOS 88 Anexo I – Relatório anual de concessão do produto FGTS - Individual Imóvel Usado disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1996 a 2010. Valor Valor de Finan. Cota Prazo ANO Contratos Financiamento Subsídios Garantia Médio Financ. Médio 1996 20528 287.259.337,57 0 447.733.054,31 13.993,54 64% 231 1997 111672 2.247.127.820,54 0 3.249.578.480,04 20.122,57 69% 228 1998 56973 939.675.891,86 14.333.971,29 1.424.933.808,41 16.493,35 66% 214 1999 42979 686.925.588,91 21.712.229,39 1.098.909.630,80 15.982,82 63% 199 2000 71384 1.321.890.228,70 65.914.381,83 2.075.710.251,11 18.518,02 64% 206 2001 56096 1.148.310.474,67 61.586.434,96 1.830.151.495,37 20.470,45 63% 212 2002 61654 1.344.571.406,09 126.166.525,52 2.107.070.930,53 21.808,34 64% 212 2003 50420 1.094.236.060,13 155.788.543,54 1.733.989.804,65 21.702,42 63% 206 2004 38482 861.860.678,95 90.842.564,77 1.553.146.665,13 22.396,46 55% 186 2005 79545 2.099.868.957,95 296.356.122,98 3.275.855.400,91 26.398,50 64% 199 2006 97933 2.828.281.454,09 567.215.593,77 4.309.255.904,30 28.879,76 66% 208 2007 82019 2.728.110.385,91 479.559.435,02 4.208.893.815,17 33.261,93 65% 223 2008 101872 4.459.548.163,46 520.203.331,53 6.398.345.070,48 43.776,00 70% 252 2009 115813 6.108.987.401,11 919.435.357,75 8.057.982.806,02 52.748,72 76% 262 2010 76139 4.523.130.752,87 664.262.864,79 5.910.335.498,60 59.406,23 77% 275 Totalizadores 1.063.509 32.679.784.602,81 3.983.377.357,14 47.681.892.615,83 30.728,26 69% 225 Foram encontrados 15 registros Fonte: Adaptado de CEF – Caixa Econômica Federal (2010) 89 Anexo II – Relatório anual de concessão do produto FGTS - Individual Imóvel Novo disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 2010. Valor Valor de Finan. Cota Prazo ANO Contratos Financiamento Subsídios Garantia Médio Financ. Médio 1995 1305 24.723.712,07 0 28.675.536,29 18.945,37 86% 277 1996 14205 253.898.062,69 0 298.881.424,61 17.873,85 85% 275 1997 18753 330.953.131,45 0 424.336.602,57 17.648,01 78% 251 1998 15000 237.260.885,04 2.876.802,97 318.541.224,52 15.817,39 74% 239 1999 8976 154.596.641,97 4.564.984,07 216.855.685,02 17.223,33 71% 221 2000 11894 217.803.142,61 12.930.387,10 310.204.158,96 18.312,02 70% 219 2001 8039 157.856.312,29 11.135.139,14 236.580.559,18 19.636,31 67% 220 2002 11253 305.573.604,41 18.889.247,85 448.174.177,02 27.154,86 68% 216 2003 17728 562.363.194,26 29.761.814,72 817.803.265,99 31.721,75 69% 214 2004 18356 631.071.407,70 26.758.702,80 897.694.776,13 34.379,57 70% 201 2005 18609 705.327.268,67 38.762.012,88 969.967.912,86 37.902,48 73% 210 2006 17057 653.826.907,61 84.414.196,09 881.229.312,82 38.331,88 74% 219 2007 22052 873.738.418,16 159.006.724,14 1.162.234.742,86 39.621,73 75% 229 2008 24813 1.190.556.893,42 158.265.020,07 1.531.826.202,34 47.981,17 78% 256 2009 42671 2.202.225.698,74 753.319.383,26 3.008.940.660,06 51.609,42 73% 275 2010 65491 3.855.099.634,88 1.300.823.056,95 5.164.401.994,12 58.864,57 75% 290 Totalizadores 316.202 12.356.874.915,97 2.601.507.472,04 16.716.348.235,35 39.079,05 74% 248 Foram encontrados 16 registros Fonte: Adaptado de CEF – Caixa Econômica Federal (2010) 90 Anexo III – Relatório anual de concessão do produto FGTS - Individual Imóvel na Planta disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 2010. Valor Valor de Finan. Cota Prazo ANO Contratos Financiamento Subsídios Garantia Médio Financ. Médio 1995 7 55.785,73 0 55.785,73 7.969,39 100% 300 1996 2780 46.348.386,59 0 60.147.182,87 16.672,08 77% 237 1997 26675 407.700.793,75 0 527.660.381,20 15.284,00 77% 236 1998 37582 630.914.944,06 5.266.065,16 808.904.283,68 16.787,69 78% 238 1999 36466 778.278.361,50 22.654.998,22 941.196.601,96 21.342,58 83% 245 2000 43195 995.500.490,19 50.799.474,52 1.235.977.954,17 23.046,66 81% 238 2001 28913 764.097.669,53 38.637.976,45 965.885.828,84 26.427,48 79% 238 2002 17601 543.934.990,57 27.803.311,61 692.228.794,08 30.903,64 79% 231 2003 11913 403.025.195,97 21.038.233,38 525.437.432,64 33.830,71 77% 219 2004 11456 419.822.341,07 21.555.188,92 535.890.383,11 36.646,50 78% 211 2005 12330 461.721.417,13 45.083.036,47 578.134.350,94 37.446,99 80% 214 2006 15395 578.210.698,44 95.011.923,68 710.539.430,04 37.558,34 81% 226 2007 24005 911.509.029,76 185.785.194,72 1.125.686.034,23 37.971,63 81% 233 2008 19651 882.005.816,94 132.234.550,29 1.067.950.632,04 44.883,51 83% 246 2009 24100 1.182.840.292,08 448.269.143,22 1.583.508.574,79 49.080,51 75% 268 2010 28624 1.536.774.746,66 605.597.124,76 2.051.038.863,33 53.688,33 75% 286 Totalizadores 340.693 10.542.740.959,97 1.699.736.221,40 13.410.242.513,65 30.944,99 79% 241 Foram encontrados 16 registros Fonte: Adaptado de CEF – Caixa Econômica Federal (2010) 91 Anexo IV – Relatório anual de concessão do produto SBPE - Individual Imóvel Usado disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 2010. Valor Valor de Finan. Cota Prazo ANO Contratos Financiamento Subsídios Garantia Médio Financ. Médio 1995 143 2.482.530,08 0 2.652.703,62 17.360,35 94% 268 1996 1223 28.438.813,88 0 34.724.532,58 23.253,32 82% 236 1997 1790 43.309.776,81 0 63.073.659,21 24.195,41 69% 204 1998 3070 50.909.675,05 0 61.484.990,25 16.582,96 83% 209 1999 484 7.775.337,67 0 9.762.285,60 16.064,75 80% 183 2000 37 974.163,26 0 1.514.695,75 26.328,74 64% 133 2001 29 277.793,39 0 531.575,12 9.579,08 52% 56 2003 1 139.032,56 0 239.455,67 139.032,56 58% 58 2005 876 51.235.277,79 0 97.017.983,86 58.487,76 53% 188 2006 37848 2.377.807.798,31 0 4.236.468.031,84 62.825,19 56% 194 2007 55692 3.870.186.673,84 0 6.738.652.262,44 69.492,69 57% 204 2008 71305 6.195.117.479,38 0 10.530.522.627,18 86.881,95 59% 223 2009 102852 11.531.515.731,17 0 18.207.311.508,98 112.117,56 63% 259 2010 97232 12.190.244.501,31 0 18.648.229.670,36 125.372,76 65% 289 Totalizadores 372.582 36.350.414.584,50 0 58.632.185.982,46 97.563,53 62% 244 Foram encontrados 14 registros Fonte: Adaptado de CEF – Caixa Econômica Federal (2010) 92 Anexo V – Relatório anual de concessão do produto SBPE - Individual Imóvel Novo disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 2010. Valor Valor de Finan. Cota Prazo ANO Contratos Financiamento Subsídios Garantia Médio Financ. Médio 1995 140 5.624.777,85 0 7.292.230,25 40.176,98 77% 223 1996 1060 39.216.838,12 0 50.319.351,67 36.997,02 78% 216 1997 936 20.978.353,99 0 28.103.990,33 22.412,77 75% 278 1998 2971 71.731.341,28 0 89.226.414,92 24.143,84 80% 284 1999 832 20.474.231,22 0 23.587.193,92 24.608,45 87% 221 2000 239 5.751.565,39 0 6.858.392,18 24.065,13 84% 215 2001 30 727.123,94 0 825.080,00 24.237,46 88% 242 2005 129 8.893.890,45 0 16.367.960,84 68.944,89 54% 198 2006 6004 420.286.734,17 0 748.134.810,22 70.001,12 56% 196 2007 8930 666.998.913,05 0 1.159.948.548,93 74.691,93 58% 205 2008 11995 1.115.221.926,33 0 1.922.133.791,07 92.973,90 58% 223 2009 22069 2.703.349.206,07 0 4.532.681.119,35 122.495,32 60% 261 2010 22796 3.094.859.345,03 0 4.998.519.905,60 135.763,26 62% 292 Totalizadores 78.131 8.174.114.246,89 0 13.583.998.789,28 104.620,63 60% 253 Foram encontrados 13 registros Fonte: Adaptado de CEF – Caixa Econômica Federal (2010) 93 Anexo VI – Relatório anual de concessão do produto SBPE - Individual Imóvel na Planta disponibilizado pela CEF – Caixa Econômica Federal por meio de sua GECRI - Gerência Nacional de Habitação de Mercado entre os anos 1995 a 2010. Valor Valor de Finan. Cota Prazo ANO Contratos Financiamento Subsídios Garantia Médio Financ. Médio 2005 9 680.430,22 0 924.365,00 75.603,36 74% 191 2006 1238 82.483.187,07 0 124.309.939,64 66.626,16 66% 206 2007 2954 200.574.945,06 0 302.609.817,18 67.899,44 66% 208 2008 2972 214.043.389,08 0 307.538.650,15 72.019,98 70% 221 2009 3109 278.605.358,40 0 387.373.162,58 89.612,53 72% 255 2010 2352 213.659.857,60 0 288.906.327,54 90.841,78 74% 284 Totalizadores 12.634 990.047.167,43 0 1.411.662.262,09 78.363,71 70% 236 Foram encontrados 6 registros Fonte: Adaptado de CEF – Caixa Econômica Federal (2010)