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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
JOÃO CONCEIÇÃO TEIXEIRA LIMA
COMPARAÇÃO DOS CONTEÚDOS CURRICULARES
NO CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DA PUC-SP
COM OS MELHORES CURSOS DAS UNIVERSIDADES
BRASILEIRAS
MESTRADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS E ATUARIAIS
PUC-SP
São Paulo
2013
1
JOÃO CONCEIÇÃO TEIXEIRA LIMA
COMPARAÇÃO DOS CONTEÚDOS CURRICULARES NO CURSO
DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS DA PUC-SP COM OS MELHORES
CURSOS DAS UNIVERSIDADES BRASILEIRAS
MESTRADO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS E ATUARIAIS
Dissertação
apresentada
à
Banca
Examinadora da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, como exigência
parcial para a obtenção do título de Mestre
em Ciências Contábeis, sob a orientação do
Livre Docente Prof. Dr. José Carlos Marion.
PUC
São Paulo
2013
2
FOLHA DE APROVAÇÃO
JOÃO CONCEIÇÃO TEIXEIRA LIMA
COMPARAÇÃO DOS CONTEÚDOS CURRICULARES NO CURSO DE
CIÊNCIAS CONTÁBEIS DA PUC-SP COM OS MELHORES CURSOS DAS
UNIVERSIDADES BRASILEIRAS
Dissertação
apresentada
à
Banca
Examinadora da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, como exigência
parcial para a obtenção do título de Mestre
em Ciências Contábeis, sob a orientação do
Livre Docente Prof. Dr. José Carlos Marion.
BANCA EXAMINADORA:
__________________________________________________________
Livre Docente Prof. Dr. José Carlos Marion (Orientador)
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP
__________________________________________________________
Prof. Dr. Laércio Baptista da Silva
Universidade Municipal de São Caetano do Sul – USCS
__________________________________________________________
Prof. Dr. Napoleão Verardi Galegale
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP
São Paulo, ___ de ______ de 2013.
3
Dedico este trabalho:
À Deus, meu fiel companheiro, com respeito, amor,
gratidão e reconhecimento da sua presença
constante na minha vida e no decorrer desta
Caminhada.
Ao meu filho João Victor pelo amor incondicional.
À minha esposa Lucilene pelo amor e compreensão.
À minha mãe Maria José Teixeira e ao meu pai
João Lima que mesmo distantes, continuam
incentivando-me a enfrentar novos desafios.
4
AGRADECIMENTOS
A realização deste trabalho só foi possível graças à colaboração, direta ou
indireta, de muitas pessoas. Manifesto minha gratidão a algumas delas
destacando:
Primeiramente a Deus que é o Mestre dos Mestres, por conceder ao Homem o
dom da Sabedoria.
Em especial à minha esposa Lucilene, por sua compreensão e por todo amor
dedicado a mim e ao nosso filho João Victor; por entender a minha ausência no
ambiente familiar durante o desenvolvimento desta dissertação.
Ao Livre Docente Professor Dr. José Carlos Marion, meu orientador, pela sua
dedicação e cordialidade, e por estar sempre disposto a contribuir com suas
orientações. Sem a sua participação este trabalho jamais seria possível.
Aos membros da banca examinadora, Professores Doutores Laércio Baptista da
Silva e Napoleão Verardi Galegale pelas importantes contribuições oferecidas
para o desenvolvimento desta dissertação.
Ao corpo docente do Programa de Estudos Pós-graduados em Ciências
Contábeis e Atuariais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo –
PUC/SP pelas horas dedicadas à essência do conhecimento e pela contribuição
ao universo acadêmico.
Aos funcionários da Biblioteca da PUC-SP, em especial a Edilaine Correa
Gonçalves e ao Roberto Júlio Gava, que sempre demonstraram boa vontade em
auxiliar-me nas pesquisas ao acervo da instituição.
Ao Departamento de Contabilidade da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo, em especial à Ligia, por gentilmente me atender sempre que precisei.
Aos colegas do Mestrado, pela troca de experiências e por ampliarem
mutuamente o horizonte do conhecimento.
Ao Mestre José Olímpio Cardoso Neto, pela amizade e incentivo durante o
desenvolvimento da pesquisa.
À Cida Costa, pela amizade, ajuda na revisão gramatical e pela cordial atenção
sempre que solicitada.
À professora Juraci C. Beraldi, pela inestimável contribuição na leitura e revisão
desta dissertação, pelo carinho e incentivo.
Por último, e não menos importantes, aos meus pais, João Lima e Maria J.
Teixeira Lima, pelo amor incondicional e exemplo de caráter e aos meus irmãos
Alberto, Madalena, Marcos, Ubaldo, Gilvanda, Joilma e Nilza, por configurarem
em minha vida o verdadeiro sentido da palavra família.
5
Porque melhor é a sabedoria do que os rubis; e tudo o
que mais se deseja não se pode comparar com ela.
Provérbios 8:11
RESUMO
O desenvolvimento da sociedade está atrelado diretamente à evolução do
conhecimento; desassociá-los é praticamente impossível, porque a busca pelo
aperfeiçoamento é o impulso natural do pensamento humano. O presente estudo
inicialmente relata, sinteticamente, a evolução da Contabilidade e do ensino da
Contabilidade no Brasil, faz referências aos estudos realizados em torno do
ensino da Contabilidade e, consequentemente, de sua correlação com o perfil do
profissional contábil no exercício de suas funções, ao passo que o contexto
social, econômico, político e administrativo se evolui num ambiente cada vez
mais globalizado. Essencialmente, o estudo realiza uma comparação por meio de
pesquisa documental, na qual a definição das fontes para coleta de material é
estabelecida a partir do site do Ministério da Educação, principal entidade
reguladora do ensino superior no Brasil. A partir desse critério, são selecionados
o site da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e de 22
universidades brasileiras, conceituadas com a nota 5 no ENADE, que é o Exame
Nacional de Desempenho de Estudantes, do ano de 2009, localizadas em 4
regiões do território brasileiro, representadas, pelo Centro Oeste, Sudeste, Sul e
Nordeste. O critério para verificação documental se baseia nas matrizes
curriculares disponíveis nos sites das Instituições de Ensino Superior definidas na
seleção das fontes. O estudo é fundamentado nas Diretrizes Curriculares
Nacionais, instituídas pelo Conselho Nacional de Educação e Conselho de
Educação Superior e busca, através das normas estabelecidas para elaboração
de conteúdos curriculares para o curso de Graduação em Ciências Contábeis,
identificar diferenciais, entres as universidades que oferecem os melhores cursos
no Brasil em relação à PUC-SP. Para análise dos resultados o estudo busca
primeiramente classificar os conteúdos curriculares em três grupos de disciplinas
conforme normas estabelecidas na Resolução CNE/CES 10/04, bem como, a
carga horária correspondente a cada campo de formação. No entanto, procura-se
analisar, num primeiro momento, os resultados referentes à Matriz Curricular da
PUC-SP e, num segundo momento, os resultados das Matrizes Curriculares das
22 universidades que compõem o universo de pesquisa. A etapa seguinte referese ao comparativo dos resultados percentuais obtidos em cada campo de
formação, onde são feitas considerações em torno dos conteúdos curriculares
apresentados entre a PUC-SP e os melhores cursos de Ciências Contábeis das
Universidades Brasileiras. Pode se concluir que os conteúdos curriculares do
curso de Ciências Contábeis averiguados na pesquisa, estão em conformidade
com as Diretrizes Curriculares Nacionais; observa-se, que o diferencial da PUCSP com o universo pesquisado se dá no campo de formação teórico-prática, por
não haver uma padronização quando da distribuição de carga horária por campo
de formação e justifica-se, também, pela necessidade que as IES têm em
adequar-se ao perfil do profissional que irá formar.
Palavras-chave:
Ensino
da
Contabilidade;
Conteúdos
Curriculares;
Universidades Brasileiras; Perfil do Profissional Contábil; Diretrizes do Curso de
Ciências Contábeis.
ABSTRACT
The development society is directly linked to the evolution of knowledge;
disassociate them is almost impossible, because the search for improvement is
the natural impulse of human thought. This study initially reported synthetically the
evolution of Accounting and the Accounting education in Brazil, makes references
to studies on the teaching of accounting and, accordingly, its correlation with the
profile of the accounting professional in the exercise of its functions, whereas the
social, economic, political and administrative evolves in an increasingly
globalized. Essentially, the study makes a comparison of documental research, in
which the definition of sources to collect material is drawn from the website of the
Ministry of Education, the principal regulator of higher education in Brazil. Using
this criteria, are selected the site of the Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo (PUC-SP) and 22 Brazilian universities, reputable with Note 5 in ENADE,
which is the National Survey of Student Performance, in 2009, located in four
regions of Brazil, represented by Midwest, Southeast, South and Northeast. The
criteria for documentary verification is based on curricular available on the
websites of higher education institutions defined in the selection of sources. The
study is based on the National Curriculum Guidelines, established by the National
Council of Education and Council for Higher Education and searching through the
rules established for development of curricular for graduatation courses in
Accounting, identify differences, between universities that offer the best courses in
Brazil in relation to the PUC-SP. For data analysis, the study seeks first classify
curricula in three groups of subjects according to rules established in Resolution
CNE / CES 10/04, as well as the workload corresponding to each training camp.
However, seeks to analyze, at first, the results regarding Curriculum Matrix of
PUC-SP and, secondly, the results of the Curriculum Matrix of the 22 universities
that do part of the universe of research. The next step refers to the comparison of
the percentage results obtained in each training camp, where considerations are
made about curriculum content presented between the PUC-SP and the best
courses in Accounting of Brazilian Universities. It can be concluded that the
curriculum content of the course in Accounting ascertained in the survey are in
line with the National Curriculum Guidelines, it is observed that the differential of
PUC-SP with the research universe occurs in the field of theoretical and practical
training, because there is no standardization on a distribution of workload for field
training and is justified also by the need that IES have to fit the professional profile
that will graduate.
Key words: Accounting Education; Curriculum Contents; Brazilian Universities;
Accounting Professional Profile; Guidelines of Accounting Course.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1
Composição do Currículo para o Curso de Graduação em
Ciências Contábeis......................................................................
72
LISTA DE QUADROS
Quadro 1
Pesquisas realizadas sobre o Ensino da Contabilidade pelo
Programa de Pós-graduados da PUCSP a partir do ano
2000.......................................................................................
33
Quadro 2
Resumo dos Principais Acontecimentos Políticos,
Econômicos e Sociais e as consequências para a Educação
em geral e a Educação Contábil.............................................
39
Quadro 3
Estudo das Funções e Evolução das Atividades do
Profissional Contábil..............................................................
48
Quadro 4
Mapa dos Cursos de Graduação em Ciências Contábeis na
modalidade presencial em atividades no Brasil.....................
61
Quadro 5
Mapa dos Cursos de Graduação em Ciências Contábeis na
modalidade a distância em atividades no Brasil.....................
62
Quadro 6
Cronologia de Acontecimentos e Legislação do Ensino de
Contabilidade.........................................................................
70
Quadro 7
Distribuição dos Conteúdos Curriculares do Curso de
Ciências Contábeis por campo de formação de acordo com
a matriz curricular da UFPR..................................................
73
Quadro 8
Instituições, Cidades e Estados.............................................
78
Quadro 9
Siglas e Nomes das Instituições............................................
80
Quadro 10
Conteúdos de Formação Básica do Curso de Ciências
Contábeis da PUC-SP............................................................
83
Quadro 11
Conteúdos de Formação Profissional do Curso de Ciências
Contábeis da PUC-SP............................................................
84
Quadro 12
Conteúdos de Formação Teórico-Prática do Curso de
Ciências Contábeis da PUC-SP.............................................
85
Quadro 13
Percentuais dos Conteúdos de Formação Básica dos
Melhores Cursos de Ciências Contábeis do Brasil................
87
Quadro 14
Percentuais de Conteúdos de Formação Profissional dos
Melhores Cursos de Ciências Contábeis das Universidades
Brasileiras..............................................................................
89
Quadro 15
Percentuais de Conteúdos de Formação Teórico-Prática
dos Melhores Cursos das Universidades Brasileiras.............
90
LISTA DE TABELAS
Tabela 1
Composição da Matriz Curricular do Curso de Ciências
Contábeis da PUC-SP............................................................
85
Tabela 2
Comparativo dos Conteúdos Curriculares em valores
percentuais da PUC-SP versus Melhores Cursos do Brasil...
91
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1
Distribuição Equilibrada das Disciplinas para a Formação do
Contador....................................................................................
68
Gráfico 2
Distribuição Geográfica das Instituições..................................
77
Gráfico 3
Categoria Administrativa das Instituições.................................
79
Gráfico 4
Variação da Carga horária mínima registrada junto ao MEC
pelas universidades como os melhores cursos de Ciências
Contábeis do Brasil....................................................................
86
Gráfico 5
Comparativo PUC-SP versus Melhores cursos de Ciências
Contábeis do Brasil....................................................................
92
12
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
BACEN
Banco Central do Brasil
CES
Conselho de Educação Superior
CFC
Conselho Federal de Contabilidade
CIEAL
Congresso Internacional de Educadores da Área Contábil
CNE
Conselho Nacional de Educação
CONAES
Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior
CPC
Comitê de Pronunciamentos Contábeis
DCN
Diretrizes Curriculares Nacionais
ENADE
Exame Nacional de Desempenho de Estudantes
IES
Instituição de Ensino Superior
IFAC
International Federation of Automatic Control
IFRS
International Financial Reporting Standards
INEP
Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio
Teixeira
FURG
Universidade Federal do Rio Grande
MEC
Ministério da Educação
NBC
Norma Brasileira de Contabilidade
OMC
Organização Mundial do Comércio
ONGs
Organizações Não Governamentais
PUC-SP
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
RBC
Revista Brasileira de Contabilidade
RUF
Ranking Universitário Folha
SINAES
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior
UEL
Universidade Estadual de Londrina
UESC
Universidade Estadual de Santa Cruz
UFF
Universidade Federal Fluminense
UFG
Universidade Federal de Goiás
UFMG
Universidade Federal de Minas Gerais
UFPR
Universidade Federal do Paraná
UFRGS
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul
UFSC
Universidade Federal de Santa Catarina
13
UFSJ
Universidade Federal de São João Del Rei
UFSM
Universidade Federal de Santa Maria
UFU
Universidade Federal de Uberlândia
UFV
Universidade Federal de Viçosa
UNB
Universidade de Brasília
UNICENTRO Universidade Estadual do Centro Oeste
UNIMONTES Universidade Estadual de Montes Claros
UNIOESTE
Universidade Estadual do Oeste Do Paraná
UNIP
Universidade Paulista
UP
Universidade Positivo
URI
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões
USP
Universidade de São Paulo
UTFPR
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
UVA
Universidade Veiga de Almeida
UVV
Universidade Vila Velha
14
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………..
16
CAPÍTULO I − CONTABILIDADE: ORIGEM, EVOLUÇÃO E ENSINO NO
BRASIL..................................................................................................................
1.1. Contexto Histórico da Contabilidade...............................................................
1.2. Origem do Pensamento Contábil...................................................................
1.3. Evolução da Contabilidade.............................................................................
1.4. Ensino da Contabilidade no Brasil..................................................................
1.5. Evolução do Ensino da Contabilidade no Brasil.............................................
26
CAPÍTULO II − ASPECTOS DA PROFISSÃO CONTÁBIL................................
2.1. Funções dos Profissionais Contábeis............................................................
2.1.1. Auditor......................................................................................................
2.1.2. Analista Financeiro....................................................................................
2.1.3. Perito Contábil...........................................................................................
2.1.4. Consultor Contábil.....................................................................................
2.1.5. Professor e Pesquisador Contábil.............................................................
2.1.6. Cargos Públicos........................................................................................
2.1.7. Cargos Administrativos..............................................................................
2.2. Evolução da Profissão Contábil......................................................................
2.3. Perfil do Egresso do Curso de Ciências Contábeis das Universidades
Brasileiras..............................................................................................................
2.3.1. Perfil do Profissional formado pela PUC-SP..............................................
2.3.2. Perfil do Profissional formado nas Universidades Públicas Federais.......
2.3.3. Perfil do Profissional formado nas Universidades Públicas Estaduais......
2.3.4. Perfil do Profissional formado nas Universidades Privadas.......................
2.4. Perspectivas da Profissão Contábil.................................................................
42
42
44
44
45
45
45
46
46
46
49
CAPÍTULO III – A EDUCAÇÃO CONTÁBIL.........................................................
3.1. Mapa da Educação Contábil no Brasil............................................................
3.2. Diretrizes do Curso de Ciências Contábeis no Brasil.....................................
3.2.1. Legislação do Curso de Ciências Contábeis.............................................
3.3. Conteúdos Curriculares do Curso de Ciências Contábeis..............................
60
60
63
69
71
26
27
29
30
36
50
51
55
56
57
15
CAPÍTULO IV – METODOLOGIA E TRAJETÓRIA DE PESQUISA.....................
4.1. Metodologia e Abordagem de Pesquisa..........................................................
4.2. Desenvolvimento da Pesquisa........................................................................
4.3. Etapas de Coleta de Dados.............................................................................
4.4. Delimitação Geográfica das Instituições Pesquisadas..................................
4.5. Delimitação do Tema de Investigação.............................................................
74
74
75
76
77
78
CAPÍTULO V – ANÁLISE DOS RESULTADOS....................................................
5.1. Conteúdos Curriculares do Curso de Ciências Contábeis da PUC-SP...........
5.1.1. Conteúdos de Formação Básica................................................................
5.1.2. Conteúdos de Formação Profissional........................................................
5.1.3. Conteúdos de Formação Teórico-Prática...................................................
5.2. Estrutura Curricular dos Melhores Cursos das Universidades Brasileiras......
5.2.1. Comparativo de Conteúdos de Formação Básica entre os Melhores
Cursos das Universidades Brasileiras.................................................................
5.2.2. Comparativo de Conteúdos de Formação Profissional entre os Melhores
Cursos das Universidades Brasileiras.................................................................
5.2.3. Comparativo de Conteúdos de Formação Profissional entre os Melhores
Cursos das Universidades Brasileiras.................................................................
5.2.4. Comparativo PUC-SP versus Melhores Cursos das Universidades
Brasileiras.............................................................................................................
5.3. Comentários sobre os Resultados da Pesquisa..............................................
81
81
82
83
84
86
87
CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................
95
REFERÊNCIAS......................................................................................................
98
REFERÊNCIAS DAS LEGISLAÇÕES..................................................................
102
REFERÊNCIAS DAS INSTITUIÇÕES PESQUISADAS........................................
103
ANEXOS................................................................................................................
106
88
89
91
93
16
INTRODUÇÃO
Nesta Introdução de trabalho apresentam-se, tanto a contextualização em
torno dos assuntos correlacionados ao campo das ciências aplicadas quanto à
identificação do problema da pesquisa, justificativas, objetivos, metodologia,
delimitação e estrutura da pesquisa.
Na contextualização deste estudo enfatiza-se que a evolução da sociedade
representa o dinamismo da transformação capaz de impulsionar a busca pelo
conhecimento. Esta busca reflete diretamente no rompimento das barreiras culturais,
políticas e econômicas que representam os principais eixos no contexto das ciências
sociais aplicadas.
A palavra “evolução” é, talvez, a mais adequada quando se objetiva
comparar momentos históricos do conhecimento disciplinar, em que o indivíduo
manifesta seu interesse em investigar, sendo ele o objeto de sua própria
investigação, uma vez que a sociedade só se transforma por meio da ação do
homem que procura, constantemente, adaptar-se ao dinamismo da informação.
Nos últimos trinta anos e de forma mais acentuada nos primeiros doze anos
do século XXI é possível observar, principalmente no âmbito acadêmico, um número
considerável de estudos e pesquisas que tanto abordam as questões do ensino da
Contabilidade no Brasil quanto a evolução do perfil do profissional contábil. É
possível associar a relevância desses estudos ao crescente fluxo de negócios entre
os diversos países e a internacionalização da CONTABILIDADE.
Aborda-se, também, as questões da International Financial Reporting
Standards (IRFS), normas internacionais de contabilidade, tão presentes nas
grandes corporações instaladas no Brasil, que impulsionaram a alteração da Lei
6.404/76 (Sociedades por Ações), que se manteve relativamente inalterada por mais
de 30 anos.
Por consequência dessa alteração, o mercado corporativista torna-se cada
vez mais exigente, propondo que as autoridades reguladoras e instituições de
ensino superior averiguem a estrutura do ensino da Contabilidade com o intuito de
adequá-lo à realidade social contemporânea. Isso porque, pesquisadores, docentes
e profissionais que atuam na área da contabilidade vêm demonstrando uma
constante preocupação na formação de profissionais com capacidade suficiente
17
para atender, de forma eficiente, a dinâmica do mercado atualmente contextualizado
sobre novos aspectos como a globalização, a questão ambiental, a preocupação
social e o avanço tecnológico.
É importante ressaltar que, apesar do empenho acadêmico demonstrado
nos últimos doze anos em desenvolver estudos acerca do ensino da Contabilidade e
do profissional da contabilidade no Brasil, essa abordagem já se faz presente e, de
forma relevante, desde a segunda metade do século XX, mais precisamente na
década de 1980, por meio de pesquisas realizadas por estudiosos como Sérgio de
Iudícibus, Eliseu Martins, Hilário Franco, José Carlos Marion, dentre outros.
Ainda hoje é possível encontrar uma pesquisa que, em quase trinta anos de
sua publicação, deu uma ampla contribuição para o desenvolvimento do ensino da
Contabilidade e elaboração de conteúdos curriculares para o curso de Ciências
Contábeis no Brasil. Na referida pesquisa, os autores tratavam exatamente sobre
dois aspectos importantíssimos na relação ensino-aprendizagem da Contabilidade,
onde a discussão girava em torno da estrutura curricular do curso de Ciências
Contábeis e a evolução da profissão contábil.
A relação ensino-aprendizagem não pode ser tratada separadamente do
papel em que o profissional irá desempenar no exercício de suas funções e,
consequentemente, da evolução da sociedade que impulsiona o dinamismo, a
mudança de postura e a atitude da humanidade para melhor se adequar às
realidades momentâneas.
Recentemente, um estudo realizado por Franco Junior (2010, p. 19) ressalta
a importância do curso de Ciências Contábeis, no qual, em textos preliminares
define:
O curso de Ciências Contábeis tem por objetivo oferecer ao
estudante uma sólida formação básica e profissional, visando à
preparação do futuro Contador para enfrentar os desafios das
rápidas transformações da sociedade, do mercado de trabalho, e das
condições do exercício profissional da Contabilidade.
A argumentação de Franco Junior tem como objetivo justificar a necessidade
de aprimorar os estudos em relação ao ensino da Contabilidade. Procura,
igualmente, evidenciar a importância do ensino da disciplina Contabilidade
Introdutória.
18
Para corroborar com A discussão sobre a estrutura do ensino da
Contabilidade, Lousada e Martins (2005, p. 74) discorrem:
As rápidas mudanças ocorridas na sociedade como, por exemplo, a
globalização da economia, os avanços tecnológicos, o crescimento
da oferta de cursos superiores e as novas exigências do mercado de
trabalho com relação à preparação dos profissionais, exigem que IES
desenvolvam nos profissionais que formam, além das capacidades
técnicas, uma visão multidisciplinar, ultrapassando a complexidade
do conhecimento científico.
Com base nessas concepções, buscou-se elaborar a situação-problema,
considerando alguns teóricos que discorrem sobre como criar tal situação. Isto
porque, de acordo com Gil (2010 p. 9):
Um pesquisador pode interessar-se por áreas já exploradas, com o
objetivo de determinar com maior especificidade as condições em
que certos fenômenos ocorrem ou podem ser influenciados por
outros.
A partir desta argumentação, ressalta-se que é comum ocorrer casos em
que várias pesquisas já foram realizadas sobre um determinado assunto, porém,
pode haver interesse em verificar variações nesta generalização.
Concomitantemente, as discussões em torno do ensino-aprendizagem da
contabilidade no Brasil têm dado uma significativa contribuição, no contexto
acadêmico e, de certo modo, abrindo novas lacunas a serem exploradas, pelo fato
de se transformarem em referencial teórico.
Por essa razão, é por meio dessas discussões que o presente estudo
pretende realizar investigações no âmbito da estrutura curricular do curso de
Ciências Contábeis no Brasil.
Oliveira (2003, p.29) revela que a tradição no ensino da Contabilidade tem
sido focar, de forma mais intensa, os procedimentos para processar dados
econômico-financeiros, ou seja, mais preocupados no “que” e no “como” em
detrimento do “por quê”. O autor ressalta que o saber em Contabilidade tem sido
entendido muito mais como habilidade do que como conjunto de conhecimento e,
explica ainda, que isso é reforçado pela crença, bastante difundida, de que a
“Contabilidade é o que o contador faz”.
19
Ao completar sua argumentação sobre o ensino da Contabilidade, Oliveira
(2003, p. 29) faz uma ressalva, na qual ele não concorda com esse tipo de definição,
pois, a definição supracitada, pouco diz sobre o que esse profissional poderia – ou
deveria – fazer, bem como, se torna problemática quando se considera sua utilidade
na criação de currículos para os cursos de Contabilidade e para a formação dos
contadores.
A estrutura do ensino da contabilidade no Brasil, como pode se observar em
Oliveira (2003) é coerente quanto ao aspecto de formar profissionais por meio de
conteúdos interdisciplinares. Os profissionais com aproveitamento satisfatório neste
quesito tornam-se, no caso do curso de Ciências Contábeis, bacharéis em Ciências
Contábeis. No entanto, o problema reside em avaliar se estes profissionais
correspondem a curto e/ou médio prazo às expectativas demandadas pelo crescente
mercado corporativo, com tendências cada vez mais competitivas, que buscam
tomadores de decisões qualificados e eficientes.
Embora haja um entendimento ético e moral referente aos profissionais
inseridos, direta ou indiretamente, no contexto do ensino da Contabilidade, nada nos
impede de fazer questionamentos sobre a estrutura atual visando corresponder às
perspectivas e ao avanço econômico, especialmente das grandes organizações
instaladas no Brasil.
Em contrapartida, juntamente com os avanços sociais estão as entidades
reguladoras, que controlam e instituem diretrizes para o ensino da Contabilidade no
Brasil. A responsabilidade de adequar-se a estas realidades contemporâneas, no
sentido de formar indivíduos aptos a enfrentar os desafios da sociedade moderna,
pertencem às Instituições de Ensino Superior (IES).
Além do mais, o número de cursos de Ciências Contábeis tem aumentado
constantemente, principalmente na última década. É possível fazer uma comparação
com a oferta em 2010 que era de 1080 cursos, segundo dados do Instituto Nacional
de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) e o número atual 
obtido em junho de 2013  de acordo com o Ministério da Educação (MEC), já chega
a 1291, em atividade no Brasil.
Ao mesmo tempo em que se comemora a evolução do país e da inserção de
novos estudantes no curso superior, é possível detectar preocupações em torno da
qualidade do ensino da Contabilidade, embora os trabalhos acadêmicos não tenham
20
função avaliadora, e sim, o propósito de oferecer contribuições ao emitirem
considerações sobre determinado assunto.
Por essa razão, para o presente estudo o problema a ser investigado gira
em torno dos conteúdos curriculares do curso de graduação em Ciências Contábeis.
De acordo com Oliveira (2011, p. 103) “a busca da resposta ao problema
definido é que dá início à pesquisa, que é assim uma investigação na busca de
solução para a situação-problema proposta”.
Diante da situação exposta, o estudo nos remete a um levantamento de
subsídios, por meio de dados concretos sobre o ensino de Ciências Contábeis no
Brasil e, principalmente, das matrizes curriculares da PUC-SP e dos melhores
cursos de Ciências Contábeis das universidades brasileiras quando pretende
responder a seguinte questão problema:
Os conteúdos curriculares da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo  PUC-SP e dos melhores cursos de Ciências Contábeis das
universidades brasileiras contemplam as Diretrizes Curriculares Nacionais
instituídas para a formação e definição do perfil do formando?
De forma mais específica, este estudo intenciona, ainda, responder às
seguintes questões:
 Qual o percentual de conteúdos atribuídos a cada campo interligado de
formação, apresentados nas matrizes curriculares do curso de Ciências Contábeis
das universidades?
 Há diferenças relevantes entre os percentuais de conteúdos apresentados
nas matrizes curriculares das universidades pesquisadas?
 Qual o diferencial do Curso de Ciências Contábeis da PUC-SP em
relação aos resultados analisados no universo pesquisado?
Para responder a tais questões foram definidos os objetivos:
O objetivo geral é comparar os conteúdos curriculares no curso de Ciências
Contábeis da PUC-SP com os melhores cursos das Universidades brasileiras.
Diante das possibilidades de investigação do universo de pesquisa, o estudo
visa atingir os seguintes objetivos específicos:
21
 Apresentar os percentuais de conteúdos correspondentes a cada campo
interligado de formação, através das consultas às matrizes curriculares das
universidades definidas no universo pesquisado.
 Comparar os resultados obtidos em cada campo de formação que
compõe a matriz curricular da PUC-SP com os melhores cursos de Ciências
Contábeis das universidades brasileiras.
 Identificar o diferencial da PUC-SP em relação aos melhores cursos de
Ciências Contábeis das universidades brasileiras.
Como justificativa para este estudo, bem como para a delimitação do
universo a ser pesquisado, enfatiza-se que em estudos concentrados às áreas de
negócios, assim como em contabilidade, é possível perceber a importância das
metodologias aplicadas. Marion e Marion (2006, p. 33) evidenciam: “Pode-se dizer
que Método de Ensino nos cursos é a forma, o caminho, a abordagem utilizada para
transmitir o conhecimento e aplicá-lo à realidade das empresas”.
A argumentação supracitada veio corroborar com a questão da adequação
do individuo à sociedade em desenvolvimento. Da mesma forma, as instituições de
ensino superior tem a responsabilidade de acompanhar as transformações, adequarse e oferecer condições de acordo com a realidade da comunidade acadêmica.
De acordo com Laffin (2011, p. 96):
Atualmente, a globalização dos mercados é entendida como um
fenômeno que provoca profundas mudanças na estrutura
organizacional das empresas, tanto nos processos gerenciais quanto
nos processos operacionais. Assim, pode-se dizer que as empresas
representam a aplicação de capitais visando a objetivos específicos
em ambientes diversos e que sofre influências do ambiente interno e
externo e, assim, para garantir sua continuidade necessitam
acompanhar os processos de mudanças. A pesquisa contábil
encontra, nesse ambiente de transitoriedades múltiplas, temáticas
para serem explicitadas no entendimento da ciência socioeconômica.
Ampliar os objetivos da contabilidade na investigação do seu objeto
em diferentes contextos possibilita ao profissional da contabilidade
redimensionar inclusive as suas atividades.
As exigências do mercado de trabalho, que estabelecem a relação entre o
perfil do profissional contábil com a formação oferecida pelas IES, parte do princípio
de que é preciso reconhecer a grande responsabilidade deste profissional ao
22
exercer o seu papel na sociedade. Para definir essa grande responsabilidade do
profissional contábil, Santos et al. (2011, p. 138) enfatizam:
O Profissional contábil exerce um papel de grande responsabilidade
para a sociedade. A função por ele assumida, suas prerrogativas
profissionais e o conjunto de informações por ele gerenciadas,
tornam um dos principais agentes no processo de gestão das
entidades. Contudo, para poder responder às necessidades que o
cercam é fundamental que ele entenda, claramente, qual a sua
relevância e atividade na sociedade. (SANTOS et al., 2011, p. 138).
Pelas razões supracitadas, a escolha pelo tema ensino-aprendizagem do
Curso de Ciências Contábeis se justifica diante da evolução do ensino da
contabilidade no Brasil, principalmente na última década. Atualmente, de acordo
com dados do Ministério da Educação (MEC) há, aproximadamente, 1200 cursos de
Ciências Contábeis em atividades em todo território nacional.
A questão do aumento de oferta e procura por uma formação superior é
consequência dos incentivos do governo e do desenvolvimento socioeconômico do
país, além de outros avanços estimulados pela globalização.
A escolha do universo de pesquisa se deu pelo fato de que, embora as
universidades brasileiras sejam autônomas em suas determinações, há regras
educacionais que são determinadas por regulações ditadas pelo MEC.
A justificativa da escolha da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
(PUC-SP) se deu de acordo com o Ranking Universitário Folha (RUF, 2012), no qual
a PUC-SP está entre as 10 melhores universidades privadas do país e entre as duas
melhores do Estado de São Paulo. O referido ranking foi publicado no dia 3
setembro de 2012 pelo jornal Folha de S. Paulo. O ranking geral conta com 191
universidades, distribuídas em 188 posições porque houve empate entre algumas,
neste contexto, a PUC-SP ocupa a 47ª posição.
Na realização do RUF (2012) foi considerado quatro critérios: pesquisa
acadêmica, qualidade de ensino, avaliação do mercado e inovação. No critério de
avaliação do ensino a PUC-SP foi considerada, conforme os resultados da pesquisa,
a segunda melhor universidade privada do país e a primeira do Estado de São
Paulo.
Em relação à delimitação do universo de pesquisa, foram selecionadas as
instituições
de
ensino
superior
pertencentes
à
categoria
administrativa
“universidade” pela questão da autonomia acadêmica, por representarem diante das
23
entidades reguladoras uma postura diferenciada e possuírem em seus projetos
pedagógicos, além de cursos de graduação, cursos de pós-graduação tanto lato
sensu (especializações e MBA) como stricto sensu (mestrado e doutorado), como é
o caso da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).
A proposta de realizar um estudo comparativo dos conteúdos curriculares
dos melhores cursos de Ciências Contábeis das Universidades Brasileiras com a
PUC-SP tem, de forma evidente, que não se trata de um estudo avaliativo, pois
avaliações de cursos são realizadas por entidades reguladoras, ou através de
instituições especializadas em pesquisas desta natureza, como MEC, INEP, RUF
dentre outras que utilizam outros critérios e não apenas projetos pedagógicos.
Necessário ressaltar aqui que a PUC-SP, como entidade de ensino superior
sem fins lucrativos, possui um diferencial imensurável e inúmeros são os alunos que
se locomovem de outros estados e até mesmo do exterior para estudar na
instituição. Ela possui, também, parcerias com empresas de auditoria além dos
incentivos
realizados
por
meio
de
convênios
que
visam
proporcionar
o
desenvolvimento cultural e social da comunidade.
Intenciona-se, com o presente estudo, contribuir para futuras melhorias ou
reestruturação do Curso de Graduação em Ciências Contábeis, ao mesmo tempo
em que manifesto minha gratidão por estudar e trabalhar na PUC-SP sendo este,
um pequeno gesto de reconhecimento pelos valores inestimáveis de troca de
experiência e convívio com profissionais renomados tanto no contexto acadêmico
quanto administrativo.
Igualmente, se almeja deixar uma contribuição para os professores, alunos,
pesquisadores, estudiosos e interessados pelo assunto em questão, com o intuito de
incentivar novos estudos.
A metodologia adotada para o presente estudo tem como abordagem a
pesquisa qualitativa, do tipo exploratória, com a realização de um estudo
comparativo entre algumas Instituições de Ensino Superior (IES). Para a
composição do referencial teórico foram efetuados levantamentos bibliográficos,
levantamentos em artigos e periódicos, bem como em banco de teses e
dissertações. Para a composição da parte prática foi efetuada pesquisa documental
envolvendo legislações específicas, bem como levantamento de informações junto
ao órgão nacional de maior competência, no caso o Ministério da Educação, e com
base nos dados ali coletados, o estudo partiu em visita a cada um dos sites das
24
instituições educacionais de interesse para a definição do universo a ser
pesquisado. A metodologia de forma mais detalhada é abordada no Capítulo IV.
Como delimitação da pesquisa, intenciona-se apresentar a estrutura
curricular do curso de Ciências Contábeis da PUC-SP e dos melhores cursos das
universidades brasileiras  denominadas academicamente de “universidade” e
identificadas em quatro regiões do território nacional (Centro Oeste, Sudeste, Sul e
Nordeste)  usando, como parâmetro, a obtenção da nota 5 no Exame Nacional de
Desempenho de Estudantes (ENADE, 2009) e que disponibilizam suas matrizes
curriculares nos respectivos sites oficiais.
A organização da dissertação está assim estruturada:
A Introdução apresenta a contextualização no âmbito das ciências sociais
aplicadas, aborda a situação-problema, os objetivos da pesquisa, a justificativa, bem
como a delimitação do assunto;
A revisão da literatura tem início com o Capítulo I que busca,
cronologicamente, fazer considerações sobre a contabilidade, o ensino da
contabilidade e da profissão contábil.
O Capítulo II investiga os aspectos da profissão contábil mostrando as
funções dos profissionais contábeis, a evolução da profissão, o perfil do egresso
definido pelas universidades brasileiras e as perspectivas dessa profissão.
O Capítulo III apresenta a base teórica para o desenvolvimento da pesquisa
e, neste contexto, aborda os aspectos que envolvem a educação contábil no Brasil,
considerando as diretrizes curriculares, bem como os conteúdos curriculares dos
cursos de Ciências Contábeis.
O Capitulo IV traça a trajetória metodológica, apresenta as universidades
brasileiras que compõem o universo de pesquisa, assim como apresenta a Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) utilizada no estudo comparativo com
as demais para a obtenção dos resultados pretendidos.
O Capítulo V exibe os resultados da pesquisa, mostra a comparação
realizada entre os melhores cursos de Ciências Contábeis das universidades
brasileiras em relação à PUC-SP, bem como apresenta os comentários gerais sobre
toda a pesquisa realizada.
Nas Considerações Finais são elencados os principais aspectos alicerçados
nos resultados, respondida a questão problema, feitas as devidas constatações com
25
relação à matriz curricular dos cursos e ao perfil do egresso, além de serem
oferecidas sugestões para novas pesquisas.
Finalmente são apresentadas as Referências utilizadas para a composição
teórica, as Referências das Legislações referentes ao trabalho, assim, como as
Referências das Instituições Pesquisadas.
26
CAPÍTULO I  CONTABILIDADE: ORIGEM, EVOLUÇÃO E ENSINO
NO BRASIL.
As discussões sobre determinados assuntos, no campo das ciências sociais
e por características próprias, estão atreladas à história e evolução do objeto em
questão.
Portanto, este capítulo dá início à revisão da literatura e busca, de forma
cronológica, discorrer sobre os principais acontecimentos que promoveram e
promovem a evolução da contabilidade no Brasil.
1.1. Contexto Histórico da Contabilidade
Na literatura nacional, inúmeros são os trabalhos e pesquisas que foram
realizados em torno da história e evolução da contabilidade.
De acordo com Peleias et al. (2007, p.21):
Um aspecto perceptível nos trabalhos históricos desenvolvidos a
partir do século XXI é a importância do ensino e suas condições de
oferta, para atender à crescente demanda por profissionais mais
qualificados, para atuar numa economia que, ao longo do século XIX
ensaiou seus primeiros passos e, desde o século XX, busca sua
consolidação, informa ainda que o interesse pele pesquisa histórica
existe no país, motivada por dois fatores: o aumento do número de
programas Stricto sensu em Controladoria e Contabilidade,
principalmente a partir da lei nº 9394/96, e o advento das novas
diretrizes curriculares nacionais para o curso de Ciências Contábeis,
como o Parecer CNE/CES nº 289/2003, a Resolução CNE/CES nº
10/2004, que propugnam a formação de profissionais dotados de
competências profissionais que reflitam a heterogeneidade das
demandas sociais.
No entanto, para que haja um entendimento acerca dos estudos
direcionados ao perfil do profissional contábil no Brasil, é importante ressaltar a
evolução histórica da contabilidade, abordada por diversos pesquisadores em
estudos realizados a partir do século XX.
27
Nas pesquisas realizadas no final do século XX e, principalmente, no início
do século XXI é possível perceber a importância da contabilidade no âmbito
econômico, social e acadêmico.
Por essa razão, o contexto histórico da contabilidade e sua evolução têm
influenciado diretamente em dois aspectos relevantes no contexto atual da
contabilidade, sendo, primeiramente no perfil do profissional contábil e, obviamente,
na qualidade no ensino da contabilidade no Brasil.
Para melhor conceituar o curso de Ciências Contábeis se faz necessário
esta revisão de literatura na qual são abordadas as principais referências sobre a
história e o ensino da contabilidade no Brasil.
1.2. Origem do Pensamento Contábil
Na concepção de Schmidt e Santos (2008, p. 1):
A contabilidade tem vivido nos últimos anos uma revolução em
termos de sua história, visto que recentes trabalhos arqueológicos
encontraram vestígios de sistemas contábeis na pré-história, durante
o período Mesolítico, ou seja, tais vestígios correspondem a
aproximadamente 10.000 e 5.000 a.C. sendo que o período préhistórico Mesolítico foi marcado pelo aquecimento do clima da Terra,
que pôs fim ao período glacial. Sua caracterização como período préhistórico deve-se ao fato de situar-se antes do aparecimento da
escrita, fato que marcou o fim da pré-história.
Schmidt e Santos (2008, p.2) em sua pesquisa revelam que:
Em sítios arqueológicos do Oriente Próximo foram encontrados
materiais utilizados por civilizações pré-históricas que caracterizaram
um sistema contábil utilizado entre 8.000 e 3.000 a.C., constituído de
pequenas fichas de barro. Essas escavações revelaram fatos
magnânimos para a contabilidade, colocando-a como a mola
propulsora da criação da escrita e da contagem abstrata e completa
dizendo que é possível falar de arqueologia da contabilidade, pois os
vestígios encontrados de sistemas contábeis são produtos do estudo
cientifico de restos de culturas humanas derivadas de conhecimentos
desenvolvidos em temas pré-históricos.
28
Segundo Iudícibus (2004, p.35):
A noção intuitiva de conta e, portanto, de Contabilidade seja, talvez,
tão antiga quanto a origem do Homo sapiens, isso porque alguns
historiadores fazem remontar os primeiros sinais objetivos da
existência de contas aproximadamente 2.000 anos a.C. Ressalta
ainda que, antes disso, o homem primitivo, ao inventariar o número
de instrumentos de caça e pesca disponíveis, ao contar seus
rebanhos, ao contar suas ânforas de bebidas, já estava, praticando
uma forma rudimentar de Contabilidade.
Na invenção da escrita, a representação de quantidades normalmente tem
sido significativas. Logo é possível localizar os primeiros exemplos completos de
Contabilidade, seguramente no “segundo milênio antes de Cristo, na civilização da
Suméria e da Babilônia (hoje Iraque), no Egito e na China”. Mas é possível que
algumas formas rudimentares de contagem de bens tenham sido realizadas bem
antes disto, “talvez por volta do quarto milênio antes de Cristo”. (IUDÍCIBUS, 2004,
p.31).
É claro que a Contabilidade teve evolução relativamente lenta até o
aparecimento da moeda. Na época da troca pura e simples de mercadorias, os
negociantes anotavam as obrigações, os direitos e os bens perante terceiros, porém,
obviamente, tratava-se de um “mero elenco de inventário físico, sem avaliação
monetária”. (IUDÍCIBUS, 2004, p.31).
Em relação à origem e evolução da Contabilidade Marion (2005, p. 30-31)
discorre:
Costuma-se dizer que a Contabilidade é tão antiga quanto à origem
do homem. Se abrirmos a Bíblia em seu primeiro Livro Gênesis,
entre outras passagens que sugerem a Contabilidade, observaremos
uma ‘competição’ no crescimento da riqueza (rebanho de ovelha)
entre Jacó e seu sogro (mais ou menos 4.000 a.C.). Se a riqueza de
Jacó crescia mais de que Labão, para conhecer esse fato era
necessário um controle quantitativo, por mais rudimentar que fosse.
O autor supracitado relata que, no início do livro de Jó, considerado o mais
antigo da Bíblia, há uma descrição exata da riqueza de Jó nos mínimos detalhes.
Isso mostra que Jó, tido na época o homem mais rico do Oriente, tinha um excelente
contador. Também são conhecidas cuneiformes em cerâmicas que relatavam as
transações entre egípcios e babilônios, destacando-se pagamentos de salários e
impostos (mais ou menos em 3.000 a.C.).
29
Assim, é extremamente importante respeitar as investigações realizadas ao
longo da história, sem desprezar esta ou aquela concepção, no entanto, vale
atentar-se aos detalhes que na sua essência traz uma riqueza de informações e
remete a um pensar crítico acerca do que se busca entender na evolução da
contabilidade.
Da mesma maneira que, nos dias atuais, como cita Iudícibus (2004, p.35):
A preocupação com as propriedades e a riqueza é uma constante no
homem da antiguidade, e ele teve de ir aperfeiçoando seu
instrumento de avaliação da situação patrimonial à medida que as
atividades foram-se desenvolvendo em dimensão e em
complexidade, porque a Contabilidade reflete um dos aspectos mais
dominantes no homem hedonístico, isto é, põe ordem nos lugares
em que reinava o caos, toma o pulso do empreendimento e compara
uma situação inicial com outra mais avançada no tempo.
1.3. Evolução da Contabilidade
A evolução da Contabilidade, de certa forma, é explorada na literatura
brasileira por meio da correlação de detalhes no contexto do desenvolvimento social
e econômico, bem como pela necessidade de acompanhar simultaneamente a
evolução do patrimônio das entidades. Entretanto, Iudícibus (2004, p.35) ressalta
que:
O acompanhamento da evolução do patrimônio líquido das entidades
de qualquer natureza constitui-se no fator mais importante da
evolução da disciplina contábil. Vimos, assim, que a Contabilidade é
tão antiga quanto o homem que pensa. Se quisermos ser
pessimistas, é tão antiga quanto o homem que conta é capaz de
simbolizar os objetos e seres do mundo por meio da escrita, que nas
línguas primitivas tomava, em muitos casos, feição pictórica. (...) em
termos do entendimento da evolução histórica da disciplina, é
importante reconhecer que raramente o ‘estado da arte’ se adianta
muito em relação ao grau de desenvolvimento econômico,
institucional e social das sociedades analisadas, em cada época. O
grau de desenvolvimento das teorias contábeis e de suas práticas
está diretamente associado, na maioria das vezes, ao grau de
desenvolvimento comercial, social e institucional das sociedades,
cidades ou nações.
30
É a partir dessas abordagens que se busca compreensão sobre a evolução
da Contabilidade como disciplina “adulta e completa”, tendo como ponto de partida
as cidades italianas de Veneza, Gênova, Florença, Pisa e outras da Europa,
influenciadas pelas atividades mercantil, econômica e cultural entre o século XIII e o
inicio do século XVII.
Tais atividades, segundo Iudícibus (2004, p. 36):
Representavam o que de mais avançado poderia existir, na época,
em termos de empreendimentos comerciais e industriais incipientes.
Foi nesse período, obviamente, que Pacioli escreveu seu famoso
Tractatus de Computis et scripturis, provavelmente o primeiro a dar
uma exposição, completa e com muitos detalhes, ainda hoje atual, da
Contabilidade.
De acordo com Marion (2005, p.31):
A Contabilidade vai atingir sua maturidade entre os séculos XIII e XVI
d.C. (comércio com as Índias, burguesia, renascimento,
mercantilismo etc.), consolidando-se pelo trabalho elaborado pelo
frade franciscano Luca Pacioli, que publicou na Itália, em 1494, um
tratado sobre Contabilidade que ainda hoje é de grande utilidade no
meio contábil. Assim nasceu a Escola Italiana de Contabilidade, que
dominou o cenário mundial até o início do século XX. O
desenvolvimento da contabilidade foi notório nos Estados Unidos, no
século XX, principalmente após a Depressão de 1929, com a
acentuação de pesquisas nessa área para melhor informar o usuário
da Contabilidade. A ascensão cultural e econômica dos EUA, o
crescimento do mercado de capitais e, consequentemente, da
Auditoria, a preocupação em tornar a Contabilidade algo útil para
tomada de decisão, a atuação acentuada dos autores em
Contabilidade foram, entre outros, os fatores que contribuíram para a
formação da Escola Contábil americana, que domina nosso cenário
contábil atual.
1.4. Ensino da Contabilidade no Brasil
De acordo com Schmidt e Santos (2008, p. 139) “a Contabilidade brasileira
pode ser dividida em dois estágios de desenvolvimento: anterior a 1964 e posterior a
1964”. Eles explicam que, embora não exista uma escola de pensamento contábil
genuinamente brasileira é possível detectar várias colaborações de pensadores
contábeis nacionais para o desenvolvimento da prática e da teoria contábil no Brasil.
31
Aliando-se a isso, percebe-se claramente a permanente participação dos
legisladores nesse desenvolvimento.
A partir do final do século XX (década de 1980) é perceptível uma relevante
preocupação sobre o perfil do profissional contábil e também sobre o ensino da
Contabilidade, principalmente nos países latino-americanos.
Um estudo realizado, na segunda metade do século XX, mais precisamente
entre os anos 1982 e 1983, pelos Professores Sergio de Iudícibus, Eliseu Martins e
Hilário Franco, foi considerado, sem sombra de dúvidas, um divisor de águas entre a
profissão contábil e sua correlação com o ensino da Contabilidade, mais
especificamente sob o ponto de vista das matrizes curriculares atreladas à formação
deste profissional.
De certo modo, a partir desse estudo intitulado “Currículo básico de
contador: orientação técnica versus orientação humanística” pode ser observada,
por meio da literatura nacional, uma considerável gama de estudos realizados com
enfoque que permeiam a correlação do ensino da contabilidade e o perfil do
profissional contábil à luz da evolução natural dos contextos sociais e econômicos.
Para reforçar a tese de que na segunda metade do século XX, alguns
estudiosos demonstravam interesse em investigar a situação da estrutura curricular,
assim como a metodologia aplicada ao ensino-aprendizagem da Contabilidade,
neste mesmo período, Marion (1983) publicou um artigo na Revista Brasileira de
Contabilidade  RBC nº 44, no qual demonstrou sua preocupação em relação ao
ensino de Ciências Contábeis nas faculdades brasileiras.
Este artigo se baseou nos dados coletados em várias faculdades, tanto do
Estado de São Paulo como de outros estados, que demonstravam que, em média,
mais de 50% dos estudantes, sentiam-se desmotivados diante da profissão que
estavam abraçando naquele momento e que 68% (sessenta e oito por cento) deles
não se sentiam preparados para assumir a Contabilidade de uma empresa qualquer.
Para esta situação relatada anteriormente Marion (1983) atribui à
desmotivação apresentada nos dados coletados, a metodologia aplicada ao ensino
da Contabilidade. Oportunamente, o autor faz a proposição de um modelo, no qual
não se pode perder de vista a motivação com a qual o aluno ingressa na faculdade.
Com relação, ainda, à revisão de literatura nacional pode-se encontrar um
relevante número de discussões em torno do ensino-aprendizagem do Curso de
Ciências Contábeis. Embora essas discussões tratem particularmente de uma
32
determinada área especifica, cumprindo algumas delimitações e ao mesmo tempo,
preenchendo lacunas, têm contribuído significativamente para se enxergar a
qualidade do ensino da contabilidade no Brasil.
O acervo da Pontifica Universidade Católica de São Paulo - PUC-SP, assim
como de outras instituições de ensino superior no Brasil, é um exemplo de que uma
nova geração de pesquisadores vem demonstrando empenho em investigar as
questões relacionadas ao ensino da contabilidade, por meio de trabalhos
acadêmicos, sendo que alguns destes trabalhos são referenciados no decorrer deste
estudo.
Alguns estudos igualmente relacionados ao ensino da Contabilidade devem
ser referenciados como os de Laffin (2005 e 2011). Este autor é professor na área
contábil e tem demonstrado uma grande preocupação quanto à estrutura do ensino
da Contabilidade no Brasil. Outra modalidade de estudo que aborda a questão do
ensino da Contabilidade no Brasil é a pesquisa histórica.
Peleias et al. (2007) são estudiosos que procuraram relatar os estudos
históricos sobre a evolução do ensino da Contabilidade no Brasil, no qual eles fazem
inúmeras referências a outros estudos realizados que evidenciam a questão das
primeiras escolas de contabilidade no Brasil desde o período colonial.
No contexto acadêmico, conforme mencionado anteriormente, não é
diferente a exploração das questões do ensino-aprendizagem da Contabilidade e a
evolução da profissão contábil, assim como a estrutura do Curso de Ciências
Contábeis no Brasil.
Dentre os estudos do contexto acadêmico destacam-se alguns realizados
nos últimos doze anos pelos discentes do programa de Pós-Graduação em Ciências
Contábeis e Financeiras da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo –
PUC/SP, conforme o Quadro 1.
33
ANO
TÍTULO DA PESQUISA
AUTOR
Uma contribuição para o ensino da história do
2003 pensamento contábil nos cursos de graduação em
Gleubert Carlos Coliath
Ciências Contábeis do Brasil
Tecnologia da informação: uma análise das
2003 perspectivas e impacto das novas tecnologias no
Fábio da Silva e Almeida
ensino da Contabilidade.
Desafios e ações para a melhoria do ensino da
2004 Contabilidade: um estudo de caso na região de
Marcos Thomaselli Junior
Joinville-SC
A estrutura do curso de Ciências Contábeis frente
2004
Fábio Sanches Molina
aos novos desafios da administração dos negócios
A contabilidade brasileira no século XIX : leis, ensino
2005
Amado Francisco da Silva
e literatura.
Desenvolvimento profissional do professor : um
2006 estudo diagnóstico das necessidades de formação
Sandro Rogerio Camargo
dos professores do Curso de Ciências Contábeis
Uma contribuição para o ensino-aprendizagem da
2008
Marcus Sergio Satto Vilela
disciplina Auditoria Contábil
Os principais benefícios da utilizacão do estudo de
2008 caso e jogos de empresa no ensino superior da
Rogerio Barucci
contabilidade.
Origem e evolução do ensino da contabilidade no
Rio Grande do Sul : um estudo histórico do curso
2009
Marco Aurélio Gomes Barbosa
de ciências contábeis da Universidade Federal do
Rio Grande do Sul - UFRGS
Aprendizado baseado em problemas (problem2010 based learning) : a sua importância no ensino da Evaneide Barbosa de Oliveira
contabilidade
Ensino da Contabilidade introdutória nos cursos de
2010 graduação em ciências contábeis das instituições Antonio Moreira Franco Junior
de ensino superior do Estado de São Paulo
Os Impactos das Normas Internacionais de
2012 Contabilidade no Ensino Superior de Ciências
Sérgio da Rocha Paris
Contábeis no Município de São Paulo
O Pensamento Criativo no Exercício da Profissão
Contábil - Estudo de Caso: Os Reflexos do
2012 Treinamento do Pensamento Criativo Aplicado aos
Profissionais da Área Contábil de um Grupo
Econômico Brasileiro de Grande Porte.
Renata Fortini Machado
Quadro 1 – Pesquisas realizadas sobre o Ensino da Contabilidade pelo Programa de
Pós-graduados da PUCSP a partir do ano 2000.
Fonte: Adaptado do site de acesso da PUC-SP
As discussões em torno da estrutura curricular do Curso de Ciências
Contábeis têm preenchido algumas lacunas de problemas de pesquisas e a intenção
é enfatizar o interesse de alguns autores em investigar os problemas diversos
atrelados a estrutura do curso de ciências contábeis.
34
Coliath (2003) realizou um estudo sobre a história do pensamento contábil
nos cursos de graduação em Ciências Contábeis do Brasil, no qual ele evidencia a
importância de buscar um entendimento sobre a evolução do pensamento contábil.
Em sua argumentação explica que este pode representar a compreensão dos
alicerces que fundamentam a teoria contábil.
Ele constatou, por meio de pesquisa bibliográfica, que os eventos históricos
de maior relevância, direta ou indiretamente, influenciaram o desenvolvimento do
pensamento contábil e complementou em suas considerações sugerindo um
conteúdo programático e uma metodologia de ensino que possa contribuir para o
ensino da História do Pensamento Contábil.
Abordagens como comparação da estrutura curricular do curso de Ciências
Contábeis frente aos desafios da administração dos negócios é uma problemática
dos estudos acadêmicos que está em evidência.
Exemplo desta modalidade de estudo pode ser considerado o realizado por
Molina (2004), que desenvolveu sua pesquisa buscando configurar uma reflexão
sobre a estrutura do curso de Ciências Contábeis oferecidos na cidade de São
Paulo, frente às demandas das organizações em geral. Molina levou em conta o
papel das instituições de ensino superior e a legislação educacional contábil.
O referido estudo concluiu que os cursos de Ciências Contábeis oferecidos
pelas Instituições de Ensino Superior (IES) da cidade de São Paulo precisam ser
ajustados ao ambiente, bastante alterado a partir do ano 2000.
Efetivamente ocorreram mudanças importantes nas relações econômicas e
sociais, tanto em nível nacional quanto internacional e, consequentemente, a
Contabilidade, “como ciência social aplicada, evolui de forma correlacionada com as
demandas do meio, à luz das conquistas da ciência e da tecnologia”. (MOLINA,
2004, p. 38).
Positivamente,
o
estudo
apresentou
uma
riqueza
de
informações
destacando a importância da correlação estrutura do ensino da Contabilidade com o
contexto social da profissionalização contábil visando atender aos desafios da
administração dos negócios nesse novo ciclo que se inicia.
A literatura nacional e principalmente àquela dos trabalhos acadêmicos,
abordam os assuntos tratados de forma mais específica, porém, atrelados às
metodologias e à estrutura curricular, com esse objetivo.
35
Outro estudo, este realizado por Franco Junior (2010, p. 19), sobre o Ensino
da Contabilidade Introdutória nos cursos de graduação em Ciências Contábeis das
Instituições de Ensino Superior do Estado de São Paulo, tenta responder questões
como: - qual o perfil do docente que ministra a disciplina de Contabilidade
Introdutória?; quais os métodos e abordagens de ensino utilizados pelos docentes
no ensino da disciplina de Contabilidade Introdutória?; qual a relação entre os
conteúdos ministrados na disciplina de Contabilidade Introdutória e as linhas
metodológicas de ensino da Contabilidade (Escola Italiana e Escola Americana)?; e
como os docentes avaliam a aprendizagem dos estudantes na disciplina de
Contabilidade Introdutória?
Mesmo que o estudo esteja limitado a uma disciplina do Curso de Ciências
Contábeis, no caso a Contabilidade Introdutória, é extremamente relevante para o
contexto do ensino da Contabilidade, por se tratar da espinha dorsal do referido
curso, pois, além de ser por meio desta que o estudante tem o primeiro contato com
a ciência contábil, ressalta que se não houver um bom nível de aprendizado nesta
disciplina, o curso todo ficará comprometido.
No momento atual, um assunto bastante explorado é o que envolve a
questão da International Financial Reporting Standards  IFRS, tanto no âmbito
profissional
quanto
acadêmico.
Um
exemplo
desta
preocupação
com
a
internacionalização da Contabilidade e seus reflexos no ensino da Contabilidade é a
pesquisa de Paris (2012), na qual ele ressalta:
O ensino da contabilidade nas IES será a base do conhecimento
para os futuros profissionais, ressalta ainda que a inserção de forma
adequada das normas internacionais que trouxeram mudanças
significativas no panorama da contabilidade no Brasil é um aspecto
fundamental para a atuação do futuro profissional. (PARIS, 2012,
p.19).
O estudo de Paris (2012) conclui que:
As alterações das normas trouxeram impactos significativos para a
grade curricular do curso, no entanto, não há uma padronização por
partes das IES de adoção de disciplina específica com conteúdo que
atualmente é ministrado em diversas disciplinas. (PARIS, 2012, p.
91)
36
1.5. Evolução do Ensino da Contabilidade no Brasil
Ao se fazer referência à evolução do ensino da Contabilidade leva-se em
consideração o desenvolvimento da “educação contábil” permitindo apoiar-se em
diversos estudos realizados por pesquisadores professores e órgãos de classes da
área, que tratam da contabilidade tanto na sua essência, tecnicamente falando,
quanto no âmbito social e evolutivo.
A seguir são apresentadas referências que procuram enfatizar, de forma
cronológica, os eventos que contribuíram para o processo evolutivo das Ciências
Contábeis dos dias atuais.
Leite (2005, p.241) relata em sua pesquisa sobre o desenvolvimento da
educação contábil que:
Na realidade política, econômica e social do país, até o início do
século XIX os estudos ligados à educação contábil não tinham
qualquer possibilidade, porque os cursos aqui ministrados voltavam
se ou para a formação de sacerdotes ou para preparar jovens para o
ingresso na Universidade de Coimbra, em Portugal, onde havia
cursos superiores laicos, destacando-se o de direito.
Outro fator que impossibilitava o desenvolvimento da educação contábil no
Brasil até esse período, ressaltado pelo autor, “era a pouca tradição de Portugal em
estudos na área do comércio”. (LEITE, 2005, p.241).
Segundo Leite (2005, p.241):
O Marquês de Pombal, ciente dessa deficiência, criou em Lisboa,
em 1759, a primeira escola voltada para os estudos comerciais do
mundo. Esta foi a origem de vários cursos de nível superior da
atualidade, como administração, ciências contábeis, economia,
estatística, marketing etc. Contudo, um curso desse tipo no Brasil só
surgiu em 1809, quando D. João VI criou a ‘Aula de Comércio da
Corte’.
Laffin (2005, p.104-105) cita os estudos de Fávero (1987), Hermes (1986) e
também de Romanelli (1983), nos quais se pode verificar que o ensino da
Contabilidade no Brasil começou a tomar forma ainda no século XIX, tendo o seu
desenvolvimento nas seguintes etapas:
37
 1808 – Criação da cadeira de Economia Política, que mais tarde
foi denominada de ‘aula de comércio’, pelo Decreto nº. 456, de 06
de junho de 1946.
 1810 – Criação de Academia Real Militar, tendo em seu currículo
a disciplina ‘cálculo das probabilidades’, e desta academia saíram
os primeiros atuários do Brasil.
 1827 – O Decreto de 11 de agosto institui as faculdades de Direito
de Olinda e de São Paulo, a disciplina Economia Política faz parte
do currículo a partir de 1929.
 1846 – Criação da Escola Central de Comércio que, através do
Decreto 456, 06/06/46, regulamenta a 21ª carta de habilitação dos
diplomados da aula de comércio.
 1856 – Criação do Instituto Comercial do Rio de Janeiro.
 1890 – A Escola Politécnica do Rio de Janeiro passa a ter em seu
currículo a disciplina Direito Administrativo e Contabilidade.
 1891 – Criada em Fortaleza a Escola de Comércio da Fênix
Caixeiral.
 1894 – É reformado o ensino da Escola Politécnica de São Paulo,
sendo instituído o diploma de contador para alunos que
terminassem o curso geral, com duração de um ano.
 1899 – É criada a Escola Prática de Comércio do Pará.
 1902 – Surge a Academia de Comércio do Rio de Janeiro e a
Escola Prática de Comércio de Comércio de São Paulo. (LAFFIN,
2005, p.104-105).
Leite (2005, p. 241) explica:
Enquanto outras nações se desenvolviam tanto na área comercial
quanto na industrial, o Brasil se encontrava à margem desse
processo, pois sua economia estava totalmente voltada para o setor
primário. Essa situação, evidentemente, acabou se refletindo de
forma negativa na evolução da educação contábil no Brasil, porque,
num país, onde importantes setores da economia, como indústria e
comércio, recebem pouca atenção por parte das autoridades
públicas, não há campo para o desenvolvimento de uma educação
cuja expansão está diretamente relacionada com o desenvolvimento
das atividades econômicas de uma nação.
No período joanino (1808-1822), ressalta Leite (2005, p.245), “devido o
ambiente inóspito que caracterizou essa época da história, raras eram as escolas
que ministravam cursos na área comercial”. Essa situação contrastava com o que
ocorria nas principais nações do mundo, pois os países europeus e até mesmo os
do continente americano – como os Estados Unidos e Argentina – havia uma
acelerada expansão do número de instituições que ministravam tal curso.
38
Essa conjuntura só começaria a mudar, lenta e gradualmente, a partir do fim
da escravidão no último quartel do século XIX, quando milhares de imigrantes de
países europeus vieram para o Brasil a fim de substituir a mão de obra escrava.
A vinda desses imigrantes contribuiu para que, algumas décadas depois,
fossem alteradas as principais bases da economia e o Brasil alcançasse o status de
nação industrializada.
No entanto, a partir da década de 1930, quando o país entrou efetivamente
num processo de industrialização, é que os cursos da área comercial, até então
desprestigiados e em pequeno número, se tornaram mais numerosos e angariaram
maior prestígio social.
Consequentemente, as reformas educacionais realizadas em 1930 por
Getúlio Vargas atingiram também o ensino comercial que não ficou alheio à
Revolução Industrial que ocorreu no período de permanência de Vargas no poder.
Ao contrário, a partir daí ele foi gradativamente ganhando importância para a
continuidade desse processo e, com isso, a relevância dessa modalidade
educacional ficou evidenciada em virtude da pendência dos registros contábeis, para
o efetivo controle das transações comerciais subsequentes ao processo industrial.
Laffin (2005, p.105) explica que:
A Contabilidade foi surgindo de forma tímida como objeto da área de
conhecimento a ser transmitido. Primeiramente, como disciplina em
cursos esparsos, e mais tarde surge como específico, com o objetivo
de preparar profissionais com maior conhecimento nessa área de
atuação.
O Quadro 2 apresenta uma demonstração da evolução do ensino da
Contabilidade, organizada de forma cronológica e associada a esta evolução da
“educação contábil”.
Mostra, também, outras questões sociais, como a política e a economia que
jamais podem ser desassociadas do contexto global da educação de qualquer país,
seja esse desenvolvido ou em pleno desenvolvimento.
39
Época
De 1500 a
1807
Política - Economia - Sociedade
Educação
Sistema educacional ineficiente e dual
Política e Economia: Atendimento dos
População com baixo nível de
interesses portugueses
escolaridade
Sociedade: desligadas dos problemas
Reduzida demanda educacional
locais
Educação Contábil
Não formalizada no Brasil
Criação da Primeira escola para estudos
comerciais em Lisboa
Sistema educacional ineficiente e dual
Primeiros cursos de nível superior nãoeclesiásticos
População com baixo nível de
escolaridade
Reduzida demanda educacional
Criada a escola de comércio da Corte
Criação do Instituto Comercial do Rio de
Janeiro
Reduzida demanda educacional
De 1808 a
1888
Política e Economia: Centrada no
Brasil Sociedade: desigual, porém
voltada para os problemas internos
De 1889 a
1929
Política e economia: fase transitória
entre o modelo aristocrata e o
progressista
Sociedade: início da
dinamização
Sistema educacional dual
População com baixo nível de
escolaridade
Reformas educacionais
Primeiras universidades brasileiras
Reduzida demanda educacional
Criação da Escola de Prática de
comércio de São Paulo e da Academia
de Comércio do Rio de Janeiro
Regulamentação do curso comercial
Pequena demanda educacional
De 1930 a
1964
Política: progressistas assumem o
poder Economia: maior intervenção do
Estado e crescente participação da
indústria no PIB Sociedade:
intensificação do processo de
dinamização das classes sociais
Reivindicações educacionais
Aumento da demanda educacional
Reformas educacionais
Expansão da rede de ensino
Lei das Diretrizes e Bases da Educação
Reestruturação da educação comercial
Aumento da demanda
Regulamentação da profissão
Criação do curso superior de ciências
contábeis
De 1964 a
1984
Política: ditatorial
Economia: em expansão e
internacionalizada
Sociedade: retraída
Usaid no sistema educacional
Reformas educacionais
Relevante aumento da demanda
educacional
Primeiros programas de pós-graduação
Expansão dos cursos de nível superior
Perda da qualidade educacional
Política: redemocratizada
A partir de
Economia: globalizada
1985
Sociedade: mais cidadã
Maior participação dos governos
Exame Nacional de Cursos
Avaliação das condições de oferta dos
cursos de graduação
Lei das Diretrizes e Bases da Educação
Nacional de 1996
Reestruturação curricular
Relevante expansão dos cursos de nível
superior
Exame de suficiência
Quadro 2 – Resumo dos Principais Acontecimentos Políticos, Econômicos e Sociais e
as consequências para a Educação em geral e a Educação Contábil
Fonte: Adaptado de Leite (2005, p.246-247)
De acordo com Iudícibus (2004, p.41) e também Marion (2001, p. 38):
Provavelmente, a primeira escola especializada no ensino da
Contabilidade foi a Escola de Comércio Álvares Penteado, criada em
1902. Produziu alguns professores excelentes, como Francisco
D’Auria, Frederico Herrann Júnior, Coriolano Martins (este mais
especializado em Matemática Financeira) e muitos outros.
Entretanto, foi com a fundação da Faculdade de Ciências
Econômicas e Administrativas da USP, em 1946, e com a instalação
do curso de Ciências Contábeis e Atuariais, que o Brasil ganhou o
primeiro núcleo efetivo, embora modesto, de pesquisa contábil nos
moldes norte-americanos, isto é, com professores dedicando-se em
tempo integral ao ensino e á pesquisa, produzindo artigos de maior
40
conteúdo científico e escrevendo teses acadêmicas de alto valor.
Diga-se de passagem, que os professores egressos da escola
Álvares Penteado constituíram, pelo menos em parte, o núcleo inicial
da nova Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas, na
parte de Contabilidade e Atuária. O próprio Professor D’Auria e
outros da Álvares Penteado deixaram vestígios de seu conhecimento
e de sua personalidade na nova escola, dando possibilidade para
que novos talentos surgissem.
Segundo Marion (2001, p. 38), na época, prevalecia no cenário mundial da
Contabilidade a Escola Italiana, evidenciando Gino Zappa e Fábio Besta. Este último
escreveu La regioneria, em três volumes e enfatiza o autor: “que é, segundo o Prof.
Sergio de Iudícibus, possivelmente a melhor obra já escrita até o momento sobre
Contabilidade, e está no mesmo nível de Accounting Theory, de Eldon S.
Hendricksen”. Evidentemente a influência exercida na Contabilidade ensinada no
Brasil, naquele período, foi claramente da Escola Italiana.
Enquanto isso, o domínio da Escola Contábil Americana, iniciado com a
Circular nº 179/72 do Banco Central do Brasil (BACEN), tornou-se evidente com o
advento da Lei nº 6.404/76, Lei das Sociedades por Ações, “que passa a adotar uma
filosofia nitidamente norte-americana”. Referente a esse período da evolução das
escolas Marion (2005, p. 31) ressalta a citação de Iudícibus em seu livro “Teoria da
Contabilidade”, mais especificamente no Capítulo 2:
Uma característica atual do estágio de desenvolvimento da
Contabilidade no Brasil é paradoxal: a qualidade de normas
contábeis à disposição ou editadas por órgãos governamentais
(devido a inoperância de nossas associações de contadores, o
Governo teve de tomar a iniciativa) é claramente superior –
principalmente agora com a Lei das Sociedades por Ações – à
qualidade média atual dos profissionais que terão de implementar
estas normas. Nossa legislação, historicamente, adianta-se sempre
em relação aos homens que irão utilizá-la, isto é mais sentido no
campo contábil. (MARION, 2005, p. 31).
Evidentemente, os entraves burocráticos da referida lei foram muito
criticados por alguns estudiosos e também defendidos por outros. Historicamente, a
Lei 6.404/76 representa, de certo modo, o inicio  mesmo que de forma tímida  da
internacionalização da Contabilidade no Brasil, momento em que havia um notável
crescimento de implantação de empresas multinacionais e, consequentemente, de
empresas de auditoria.
41
De fato, as contribuições da Lei 6.404/76 para a evolução da Contabilidade,
como ciência social aplicada em meio à globalização, demonstra um discreto
reconhecimento. No entanto, esse impacto nacionalmente ficou mais evidente com a
alteração da referida lei pelas Leis nº 11.638/07 e nº 11.941/09, como ressaltam Ott
et al. (2008), pois, ambas promoveram alterações tanto no âmbito acadêmico quanto
no corporativo, sem perder de vista a criação do Comitê de Pronunciamentos
Contábeis – CPC, a partir de 2008.
O capítulo que segue discorre sobre a profissão contábil enfocando o perfil
dos profissionais, sua evolução, bem como o perfil dos egressos dos cursos de
Ciências Contábeis.
42
CAPÍTULO II  ASPECTOS DA PROFISSÃO CONTÁBIL
O objetivo deste capítulo é apresentar alguns aspectos conceituais da
profissão contábil, enfatizando possibilidades funcionais deste profissional no Brasil
por meio da literatura e órgãos de classes, assim como evidenciar aspectos
evolutivos da profissão contábil no ambiente social e o perfil dos profissionais
formados na PUC-SP e nos melhores cursos das universidades brasileiras.
2.1. Funções dos Profissionais Contábeis
A importância de apresentar alguns aspectos da profissão contábil antes de
relatar essencialmente as questões da estrutura curricular das universidades
brasileiras se justifica por entender que os assuntos no campo das ciências
aplicadas como é o caso do ensino-aprendizagem apresenta certa complexidade
pela amplitude contextual e a riqueza de detalhes que representa esta nobre área
das ciências.
As questões sociais são dinâmicas e ligadas entre si, portanto, para se
alcançar o ponto crucial da investigação sobre a estrutura do curso de Ciências
Contábeis há uma necessidade de abordagens como a definição da função do
profissional contábil referenciada na literatura nacional, assim como a evolução da
profissão e, a partir dessas definições, apresentar as considerações sobre a
legislação do ensino e as diretrizes do ensino da Contabilidade no Brasil.
A função básica do contador, segundo Marion (2005, p.25) é:
Produzir informações úteis aos usuários da contabilidade para a
tomada de decisões. Entretanto, explica que em nosso país, em
alguns seguimentos de nossa economia, principalmente na pequena
empresa, a função do contador foi distorcida (infelizmente), estando
voltada exclusivamente para satisfazer às exigências do fisco.
Entretanto, o Contador é o profissional que exerce as funções
contábeis, com formação superior do ensino Contábil (Bacharel em
Ciências Contábeis).
43
Machado (2012) cita que as definições instituídas pelas Diretrizes
Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de Ciências Contábeis e estabelecidas
pelo Ministério da Educação (MEC), em parte de seu artigo, prevê que o profissional
contábil apresente pleno domínio das responsabilidades funcionais tais como:
apurações de auditorias; perícias, arbitragens; noções atuariais; quantificações de
informações financeiras, patrimoniais e governamentais; uso das inovações
tecnológicas para elaborar pareceres e relatórios que contribuam para o
desempenho dos usuários.
De acordo com Teixeira (2011, p. 45), “a profissão contábil oferece muitas
oportunidades de atuação, de especialização, pois, o curso de Ciências Contábeis é
visto como um curso que proporciona ao profissional um alto grau de
empregabilidade”.
Czesnat, Cunha e Domingues (2009, p.24), no entanto, ressaltam que:
O campo de atuação dos contadores é amplo no País. Ele pode
optar pela área de ensino ou pela área pública, ser um profissional
autônomo ou atuar em empresas privadas, sendo que, em cada uma
dessas vertentes, abrem-se outros caminhos que podem ser
seguidos.
A concepção de que o profissional contábil não tem como única função
atender as obrigações fiscais surge no Brasil exatamente no momento em que os
estudiosos percebem a importância de se formar contadores generalistas.
De acordo com Franco (1988), ao contador, além de atender as obrigações
fiscais, cabe, também, informar à administração o andamento dos negócios. O autor
explica que a imagem do contador está relacionada com a principal função de
atender as obrigações tributárias, devido a sua formação inadequada dos
contadores, bem como devido à grande exigência do fisco e da contabilidade
societária.
O Conselho Federal de Contabilidade (CFC), entidade reguladora da
profissão contábil no Brasil, define as atribuições do profissional contábil com base
no Art. 2º da Resolução nº 560, de 28 de outubro de 1983.
O Contabilista pode exercer as suas atividades na condição de
profissional liberal ou autônomo, de empregado regido pela CLT, de
servidor público, de militar, de sócio de qualquer tipo de sociedade,
44
de diretor ou de conselheiro de quaisquer entidades, ou em qualquer
outra situação jurídica definida pela legislação, exercendo qualquer
tipo de função.
Dentre as funções citadas pelo CFC, o profissional contábil poderá exercer
as seguintes funções: auditor, analista financeiro, perito contábil, consultor contábil,
professor e pesquisador contábil, além da possibilidade de exercer cargos
administrativos e cargos públicos.
2.1.1. Auditor
O profissional que se decidir pela auditoria, segundo Teixeira (2011, p. 49),
“tem a possibilidade de ser contratado por uma empresa de auditoria interna ou
trabalhar em uma auditoria independente”.
Nas duas opções, segundo Teixeira (2011, p.49), é inquestionável a questão
da independência, um extremo conhecimento contábil e compromisso com a ética, a
verdade e a qualidade em seus relatórios. A autora explica que “companhias que
tenham ações negociadas na bolsa de valores, instituições financeiras, planos de
saúde, ou determinadas empresas com altos valores de capitais devem
obrigatoriamente ser auditadas por empresas de auditoria independentes”.
2.1.2. Analista Financeiro
A função do analista é analisar a situação da empresa, por meio dos
relatórios fornecidos pela Contabilidade. Na área financeira das indústrias, dos
bancos, do comércio e das demais atividades econômicas, Securato (1996, p.16)
explica que “os homens de finanças estão constantemente sujeitos às tomadas de
decisão que, muitas vezes, podem representar o fracasso ou o sucesso de
determinado projeto, principalmente em economias tão atribuladas quanto a
brasileira”.
É preciso que tanto o profissional contábil quanto as organizações tenham a
dimensão da importância das habilidades necessárias para o exercício desta função,
que pode ter impactos cruciais no sucesso ou insucesso nas tomadas de decisões.
45
2.1.3. Perito Contábil
De acordo com Silva (2005, p. 43) a Perícia, independente do ramo do
saber, possui caráter científico e técnico. Deve estar vinculada a uma das áreas de
humanas, exatas ou biológicas. Quando recai sobre o objeto da contabilidade
(patrimônio), denomina-se perícia contábil.
A perícia contábil, segundo a Norma Brasileira de Contabilidade  NBC TP
01, aprovada pela Resolução nº.1243, de 10 de dezembro de 2009, pelo Conselho
Federal de Contabilidade é assim definida:
A perícia contábil constitui o conjunto de procedimentos técnicocientíficos destinados a levar à instância decisória elementos de
prova necessários a substituir à justa solução de litígio ou
constatação de fato, mediante laudo pericial contábil e/ou parecer
pericial contábil, em conformidade com as normas jurídicas e
profissionais, e a legislação específica no que for pertinente. (CFC,
NBC TP 01, Item 2, 2009).
2.1.4. Consultor Contábil
A consultoria parte do interesse do contador em se especializar numa
determinada área como, por exemplo, mercado, orçamentária, questões sociais,
tributária, de sistema, entre outras áreas do conhecimento, para prestar consultoria
junto às empresas ou, até mesmo, a um grupo de profissionais, como ocorre em
eventos extracurriculares.
2.1.5. Professor e Pesquisador Contábil
O Ministério da Educação, como entidade máxima da Educação no Brasil,
exige que as instituições de ensino superior tenham em seu corpo docente, um
quadro contendo professores mestres e doutores. Nesse sentido, Teixeira (2011,
p.52) ressalta que “a quantidade de mestres e doutores existentes atualmente no
país, não supera a demanda, considerando o aumento de tantos cursos no país,
especialmente os cursos de Ciências Contábeis”.
46
No caso do pesquisador contábil, este comumente é um professor que se
dedica a ampliar os conhecimentos acadêmicos, por meio de pesquisas que
culminam em artigos, livros, conferências, seminários, palestras e, assim, gerando
novos conhecimentos.
2.1.6. Cargos Públicos
Na área pública existem algumas possibilidades de ingresso para o
profissional contábil como: contador público, auditor interno, agente fiscal de rendas,
oficial de contador, auditor fiscal da fazenda e analista de contas do tribunal de
contas.
Porém, a área pública está carente de profissionais com habilidades,
competências e tecnicamente à altura de um país em pleno desenvolvimento como
o Brasil. São necessárias muitas melhorias que devem acontecer por intermédio de
profissionais dotados de conhecimentos de finanças públicas e orçamentos, bem
como abastados de valores morais e éticos para serem capazes de controlar gastos
excessivos e inibir a corrupção e o uso do dinheiro público.
2.1.7. Cargos Administrativos
Para os cargos administrativos o profissional deve possuir habilidades
administrativas, conhecimento em finanças, custos e fluxos de caixa, facilidade de
comunicação, bom relacionamento e liderança; as competências atreladas aos
conhecimentos técnicos na área contábil tornam o profissional promissor para
gerenciar grandes organizações.
2.2. Evolução da Profissão Contábil
O crescimento da informação aliado aos avanços tecnológicos sem muito
limite, na concepção de Aguiar (2012, p. 70): “vêm apresentando desafios para a
47
ciência contábil que, inevitavelmente, levarão a um redirecionamento no papel
desempenhado pelos profissionais ligados a essa área”.
A autora explica que alguns profissionais contábeis são surpreendidos pela
“constatação de suas limitações no desempenho de seu papel, sendo o profissional
contábil percebido como carente de competências que ultrapassem seu domínio
profissional, ou seja, os aspectos quantitativos da informação”. (AGUIAR, 2012,
p.70).
Portanto, no caso da Contabilidade, os estudos de competências
confundem-se, em alguns casos, com as funções e atividades do profissional.
Desse modo, são destacadas as atividades/funções do contador, para mais
à frente abordar os estudos de competências.
A função do contador está, de certo modo, sendo observada por estudiosos
que tentam perceber a evolução deste profissional entre os séculos XX e XXI. As
pesquisas internacionais no contexto da evolução, tanto da contabilidade
propriamente dita, como da profissão contábil, são menos conservadoras em definir
as atividades e função do profissional, mesmo quando estes estudos analisam e
evidenciam de forma cronológica o desenvolvimento da profissão em questão.
O Quadro 3 demonstra, por meio da literatura internacional, que a profissão
contábil não mais se limita aos conhecimentos técnicos e ao Controle de Livros
Contábeis, ou seja, o contador precisa sim do conhecimento técnico e específico da
Contabilidade, porém, se esta for a sua única habilidade este não estará apto a
atender as necessidades imediatas impostas pelo desenvolvimento e pelo
dinamismo da sociedade contemporânea.
48
ANO
PESQUISADOR/PUBLICAÇÃO
1928
R. Kerster
The Accouting Review
1943
Wixon, Kell e Belford
Accountant's Handbook
1970
Henning e Moseley
Estudo Empírico com 25
Empresas
2001
Neddles, Cascini, Krylova e
Mustafa
Estudo para IFAC
ATIVIDADES
Controle de Livros Contábeis
Apuração de Impostos
Apuração de Custos de Produção
Inventário
Posição de Tesouraria
Previsão de Custos
Projeções e Apuração de Orçamento
Controle de Recebimentos e Pagamentos
Elaboração de Relatórios
Reportes Financeiros
Controle de Contabilidade Financeira
Planejamento e Apuração de Impostos
Apuração de Auditoria Interna e Externa
Gerenciamento dos Sistemas de Informações
Custos e Controles Gerenciais
Montagem e Controle Orçamentário
Relatórios para Governo
Auditoria Interna
Sistemas Contábeis
Avaliação Econômica
Adequação de Seguros
Controle Interno
Orçamento de Curto e Longo Prazo
Reportes Contábeis Externos
Relatórios Financeiros
Relatórios Gerenciais
Apuração e Planejamento de Impostos
Legislação Comercial e Negócios
Finanças e Gerenciamentos Financeiros
Gestão de Negócios
Quadro 3  Estudo das Funções e Evolução das Atividades do Profissional Contábil
Fonte: Adaptado de Aguiar (2012)
De acordo com esse Quadro 3 é possível notar que o profissional contábil
contemporâneo
apresenta
em
seu
perfil
habilidades
que
vão
além
da
responsabilidade de gerar relatórios financeiros, e com isso se pode afirmar que o
contador da atualidade já possui, de fato, uma forte característica gerencial.
A valorização da profissão contábil, de acordo com Marin, Lima e Casa Nova
(2011), devido à globalização e à busca de convergências por padrões
internacionais de contabilidade, trouxeram novas exigências à profissão relacionada
à utilização de métodos quantitativos, capacidade de análise de projetos,
capacidade de liderança e de convívio com diferenças culturais, análise critica,
necessidade de conhecer outros idiomas e, igualmente, reforço a já solicitada
imagem de ética e eficiência.
49
2.3. Perfil do Egresso do Curso de Ciências Contábeis das
Universidades Brasileiras
O reconhecimento e a percepção do ambiente em que o profissional irá
atuar, assim como a adaptação às realidades do desenvolvimento social
representam o grande desafio da IES, uma vez que nestas estão depositadas as
esperanças sociais de parte da população.
Para corroborar com esta concepção do quanto é de fato desafiador
desenvolver habilidades e tornar o profissional apto a desenvolver suas atividades
com total competência, Lousada e Martins (2005, p. 75) discorrem:
As Universidades são depositárias das esperanças sociais de grande
parte da população, que espera e cobra resultados, benefícios
sociais e culturais efetivos das IES. Tais Instituições, para darem
cumprimento a essa tarefa, necessitam ter uma consciência clara de
suas potencialidades e limites, bem como contar com mecanismos
capazes de indicar, com clareza, as diretrizes e metas futuras.
Fundamentalmente, Lousada e Martins (2005, p. 75) explicam que “as IES
tem a responsabilidade de implementar processos avaliativos que melhor atenda às
características e expectativas do futuro profissional”.
Neste contexto, é importante que as IES observem suas práticas
administrativas, assim como técnicas pedagógicas, refletindo sobre o seu papel na
sociedade como promotora e socializadora do saber capaz de compreender e de
modificar a realidade.
Segundo Santana Junior, Pereira e Lopes (2008, p. 114):
Acredita-se que um profissional para estar a altura das demandas da
sociedade e poder melhor atender ao cidadão, deve estar apto em
toda a sua plenitude e, particularmente, na sua capacidade
intelectual, que se refletirá desde seu adequado processo de seleção
até a atingir a sua maturidade na vida profissional. Para isso, é
necessária uma melhor reflexão sobre o processo de ensino,
aprendizagem e avaliação do contador.
Ott et al. (2011, p.339) citam que, de acordo com o International Federation
of Accountants  IFAC (2010) desenvolver profissionais competentes é um dos
objetivos da educação contábil. Neste contexto discorrem que:
50
A competência é definida como a capacidade de desempenhar um
papel obedecendo a um determinado padrão de referência. Para
demonstrar a sua competência, um contador deve possuir o
conhecimento e a qualificação necessários, além de valores e
atividades éticas (OTT et al., 2011, p. 339).
Geralmente as IES ao apresentarem o currículo para o curso de Ciências
Contábeis procuram fazer uma exposição dos objetivos e metas a serem alcançados
pelo discente e, além disso, fazem uma breve descrição do perfil do profissional que
pretendem formar.
O aspecto de descrição do perfil esperado para o formado é um
cumprimento ao Inciso I do Art. 2º da Resolução CNE/CES 10/04, que estabelece
que as Instituições de Educação Superior que ofertam o Curso de Graduação em
Ciências Contábeis, no Brasil, devem descrever em seu projeto pedagógico.
Neste sentido, são apresentadas algumas definições de perfil profissional
apresentado nos currículos da PUC-SP e dos melhores cursos de Ciências
Contábeis do Brasil.
2.3.1. Perfil do Profissional formado pela PUC-SP
A PUC-SP, em seu curso de Ciências Contábeis tem como objetivo inserir
os estudantes em ambiente multidisciplinar e globalizado, com acesso a
intercâmbios internacionais.
Seu corpo docente concilia a formação acadêmica com a vivência e
experiência profissional, preparando os estudantes a elaborar, acompanhar,
analisar, definir e controlar os sistemas de informações contábeis para assegurar a
boa imagem das empresas na sociedade.
Além disso, os Contabilistas formados pela PUC-SP também desenvolvem
habilidades para o trabalho em equipe, com visão generalista e senso humanístico e
ético. Atento aos reflexos da internacionalização dos negócios empresariais o curso
está atualizado em relação às normas nacionais e internacionais da área contábil.
51
2.3.2. Perfil do Profissional formado nas Universidades Públicas Federais
De acordo com a Universidade Federal do Rio Grande  FURG o aluno,
denominado em seu projeto pedagógico como “candidato”, ao final do curso deverá
obter formação sólida nas diferentes áreas do conhecimento, como habilidade
numérica; capacidade de desenvolver pensamento crítico; capacidade de julgar e
optar diante de alternativas; capacidade de decisão; movimentação para o
aperfeiçoamento constante, além de estar capacitado ao planejamento, organização
e controle e, ainda, quando solicitado, se pronunciar sobre tais assuntos; elaborar e
colocar em execução projetos contábeis; bem como proceder à análise de
empresas; quer em seus aspectos contábeis e financeiros, quer em seu confronto
com o mercado produtor e consumidor; ter uma visão contábil diante da globalização
da economia.
Para tanto, é fundamental ter a capacidade de manter-se atualizado,
consciência pela precisão, senso de oportunidade, consciência da relação
custo/benefício, utilização de dados estatísticos, uso de informática, capacidade de
cooperação e realização e integração profissional.
O curso de Ciências Contábeis da Universidade Federal de Minas Gerais 
UFMG forma profissionais capazes de gerenciar a contabilidade de entidades, de
tomar decisões adequadas e oportunas ao destino das organizações e de prestar
contas da gestão perante a sociedade. O currículo é flexível, permitindo aos alunos
buscar o conhecimento de acordo com suas necessidades e aspirações, em
qualquer Unidade da Universidade.
As
Ciências
Contábeis
envolvem
um
conjunto
de
conhecimentos
relacionados à geração de informações econômico-financeiras voltadas para a
administração das diversas entidades.
Para a Universidade Federal de Montes Claros  UNIMONTES, o
profissional desta área é responsável pelo acompanhamento dos dados necessários
ao controle do patrimônio, fluxos de produção e renda das instituições; elementos
básicos para subsídio à tomada de decisão com maior margem de segurança.
Algumas funções são privilégio dos bacharéis de Ciências Contábeis. É o
caso das auditorias, que consistem em minuciosos exames da escrituração contábil
52
e das perícias, em que o profissional verifica a veracidade dos fatos registrados na
contabilidade.
Algumas instituições, como é o caso da Universidade Federal Fluminense –
UFF adotam em seu projeto pedagógico os termos objetivos do curso e mercado de
trabalho. Para esta instituição, as metas pretendidas em relação ao egresso são:
propiciar o conhecimento das Ciências Contábeis, sua importância e aplicação,
formando profissionais com perfeito domínio da técnica contábil e dos valores éticos
indispensáveis, com capacidade de análise crítica para o exercício profissional.
Desta forma, a UFF entende que o profissional com estas habilidades será
capaz de atuar em diversas áreas do mercado de trabalho como, qualquer tipo de
empresa comercial, industrial ou prestadora de serviços, independente do ramo ou
porte, com ou sem fins lucrativos; empresas especializadas em auditoria e
consultoria contábil; órgãos públicos; bancos e instituições de ensino médio e
superior.
O curso de Ciências Contábeis da Universidade de Goiás  UFG tem a
finalidade de formar bacharéis em Ciências Contábeis, capacitados para atuarem
nos mais diversos segmentos do mercado e da sociedade, com responsabilidade,
profissionalismo, ética,
proficiência e, sobretudo, com visão ampla, reflexiva e
crítica. Para tanto, a estrutura curricular contempla as seguintes linhas de pesquisa:
controladoria; contabilidade para tomada de decisões; finanças; auditoria e perícia
contábil; contabilidade governamental; contabilidade e gestão do agronegócio;
história e teoria da contabilidade. Em relação às habilidades e competências do
profissional que a UFG pretende formar, a instituição, prioriza os aspectos de
aptidões determinados no Art. 4º da Resolução 10/04 conforme Anexo I do presente
estudo.
Já o profissional formado pela Universidade Federal do Rio Grande Do Sul 
UFRGS deverá ter capacidade tanto para a atuação em conhecimentos específicos
de sua área, como atuar em equipes interdisciplinares em empresas. Suas principais
áreas de atuação são, além da contabilidade aplicada a todos os setores da
economia, a auditoria, a perícia contábil, a controladoria, os custos, a área
orçamentária empresarial, a área pública, a contabilidade social, a contabilidade do
Terceiro Setor, as Organizações Não Governamentais (ONGs), a medição e
arbitragem e ainda a contabilidade e meio ambiente.
53
De acordo com o projeto pedagógico da Universidade Federal de Santa
Catarina  UFSC, o grau de Bacharel em Ciências Contábeis, que habilita ao
exercício de Contador, visa promover a formação do indivíduo como profissional no
campo gerencial privado e público, e complementar sua socialização como cidadão
brasileiro comprometido com o desenvolvimento econômico e social no mundo
moderno.
A profissão contábil, de acordo com a Universidade Federal de São João Del
Rei  UFSJ, é semelhante a qualquer outra. No entanto, é caracterizada por certos
elementos como, um ponto de vista objetivo e independente; domínio da
competência
técnica
e
das
habilitações
necessárias;
desempenho
das
responsabilidades de maneira profissional, com altos padrões de qualidade e
respeito à confidencialidade; reconhecimento de que há responsabilidade perante a
sociedade como um todo, além da responsabilidade e ética para com um cliente
específico ou empregador.
Diante das características apresentadas a UFSJ entende que ao final do
curso o egresso possa ter conhecimentos técnicos e profissionais para fomentar a
base para uma carreira contábil bem sucedida; habilidades necessárias para
implementar seus conhecimentos no ambiente profissional contábil, tais como:
habilidade em comunicação; habilidade intelectual; habilidade de relacionamento
com as pessoas; conhecimentos em organização e negócios; e conhecimento
contábil.
A Universidade Federal de Santa Maria – UFSM pretende que além dos
conhecimentos básicos necessários para a formação do contador, o egresso esteja
embasado na incorporação de valores sociais, profissionais e multidisciplinares.
Intenciona que o futuro profissional seja capaz de atuar como agente de mudança
no ambiente organizacional, de perceber e integrar-se ao desenvolvimento social,
político, econômico e cultural regional; de interagir e contribuir com a esfera mundial
de administração e negócios, mantendo uma postura ética, o respeito à natureza e
um
comportamento
condizente
ao
correto
exercício
da
cidadania.
Tais
características servirão como subsídios ao processo de tomada de decisão.
O Curso Superior de Ciências Contábeis, oferecido pela Universidade
Tecnológica Federal do Paraná  UTFPR está focado no desenvolvimento
contábil/gerencial de seus acadêmicos. Tem como principal objetivo formar
54
profissionais
em
Contabilidade,
altamente
qualificados,
éticos
e
com
responsabilidade social, com condições de satisfazer as necessidades do mercado e
capaz de contribuir para o desenvolvimento da sociedade, com competência
técnico-cientifica inerente à profissão.
Em relação às universidades pesquisadas, a Universidade Federal de
Uberlândia  UFU está entre as IES que especificam no seu projeto pedagógico a
distribuição dos conteúdos, conforme as atribuições das Diretrizes Curriculares
Nacionais para o curso de Bacharelado em Ciências Contábeis, estabelecidas pela
Resolução 10/04.
A instituição, além de especificar o conteúdo por campo de formação,
procura caracterizar o perfil do egresso formado pela instituição e, neste sentido, o
curso oferecido pela UFU tem por objetivo geral propiciar ao aluno a formação em
contabilidade nas suas diversas especificações, tais como: planejamento contábil,
contabilidade comercial, industrial, rural, bancária e pública, auditoria e análise
contábil; conhecimentos estes atualizados e adequados às evoluções do mundo
moderno dos negócios, assim como à era da informatização.
Segundo a Universidade Federal de Viçosa  UFV, pretende-se a formação
do Contador dotado de uma visão sistêmica, holística e interdisciplinar da atividade
contábil; habilitado a desenvolver, analisar e efetivar sistemas de informação contábil
e de controle gerencial, prerrogativas que lhe são prescritas através de legislação
específica, além de estar apto, ainda, ao exercício da pesquisa científica e ao
magistério superior em seu campo específico de atuação.
Se o aluno é rápido na solução de problemas de lógica, de acordo com a
Universidade de Brasília  UNB, já tem uma característica favorável ao ingresso em
Contábeis. Porém, não é só o pensamento lógico que determina se o estudante será
ou não um bom profissional e, para tanto, é fundamental ser comunicativo e saber
trabalhar em equipe. Ao contrário do que muitos pensam, não são somente os
números e as equações complicadas que imperam nessa graduação. A
predominância é do raciocínio lógico, sem deixar de lado a capacidade de se
comunicar com o cliente. O contabilista é alguém preparado para entender as
finanças – pessoais ou empresarias – e para ajudar as pessoas a administrarem seu
dinheiro.
55
Para a UNB, o bacharel em Ciências Contábeis pode investir em concursos
públicos específicos para a área, para cargos de assessor, analista, fiscal e auditor
de contas públicas. As oportunidades também se multiplicam no setor privado, em
bancos, empresas e escritórios de contabilidade.
Assim, para a referida instituição, Contabilidade é a ciência que tem como
objeto de estudo o registro de eventos econômicos e emissão de relatórios com
informações econômico-financeiras, destinadas à gestão das organizações públicas
e privadas e para a prestação de contas à sociedade em geral.
2.3.3. Perfil do Profissional formado nas Universidades Públicas Estaduais
Em relação ao curso oferecido pela Universidade Estadual de Londrina 
UEL, a instituição visa formar o profissional da Contabilidade com visão generalista,
com
amplos
conhecimentos em
diferentes áreas da
contabilidade
e de
conhecimentos afins e correlatos, permitindo, assim, ao contador, adaptar-se com
maior facilidade àquela especialidade a qual pretende dedicar-se.
A UEL explica que, atualmente, as atividades econômicas e empresariais
crescem em complexidade, exigindo um profissional contábil cada vez mais
capacitado, cabendo aos cursos superiores de Ciências Contábeis atenderem à
demanda de forma eficiente, oferecendo ao mercado de trabalho contador apto, ou
facilmente adaptável, às diferentes especialidades da profissão.
Os profissionais de Ciências Contábeis, chamados contabilistas, de acordo
com a Universidade Estadual do Centro Oeste  UNICENTRO, buscam o
aprimoramento empresarial através de sua constante organização interna. Por isso,
o contador deve ter competência para ordenamento, escrituração, auditagem,
consultoria, planejamento tributário, levantamento de custos e formação de preços.
O Bacharel em Ciências Contábeis, de acordo com a Universidade Estadual
do Oeste Do Paraná  UNIOESTE, é o profissional habilitado a identificar e
apresentar soluções para os diversos problemas contábeis e gerenciais pertinentes
às entidades, a ter consciência da necessidade de busca permanente de atualização
e aperfeiçoamento profissional e pessoal, conhecer as práticas contábeis,
societárias, fiscais e tributárias aplicadas às entidades, ter compromisso com a
56
sociedade, visando aplicar seus conhecimentos em prol do engrandecimento da
mesma.
Para a Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC, o perfil profissional
pretendido para o contador formado pela instituição é de um profissional capaz de
formular suas ideias com clareza e defendê-las com conhecimento, racionalidade,
lógica e tenacidade, sem perder a abertura a novas ideias; entender, analisar e
acompanhar as questões contábeis e, ainda, quando solicitado, se pronunciar sobre
tais assuntos; elaborar e colocar em execução projetos contábeis; proceder à
análise de empresas, quer em seus aspectos contábeis e financeiros quer em seu
confronto com o mercado produtor e consumidor; bem como ter uma visão contábil
diante da globalização da economia.
Para tanto, é fundamental ter a capacidade de manter-se atualizado,
consciência pela precisão, senso de oportunidade, consciência da relação
custo/benefício, utilização de dados estatísticos, uso de informática, capacidade de
cooperação e realização e integração profissional.
2.3.4. Perfil do Profissional formado nas Universidades Privadas
Os alunos do Curso de Ciências Contábeis da Universidade Paulista 
UNIP devem ter formação generalista e empreendedora, serem capazes de
trabalhar em equipe, saber gerenciar pessoas, desenvolver pensamento crítico e se
manter atualizados. Devem possuir senso de responsabilidade e ética, além de
aptos a tomarem decisões de acordo com o contexto social, político e econômico no
qual estiverem inseridos.
Ao decidir fazer parte do mundo das Ciências Contábeis, conforme a
Universidade Positivo – UP, o aluno entrará em um ambiente de oportunidades e irá
abraçar uma profissão de grande valor para a sociedade. A instituição informa que a
área de contabilidade é uma área de atuação profissional muito dinâmica e
globalizada, em que a atualização constante é muito valorizada e de vital
importância para se alcançar o sucesso.
O Curso de Ciências Contábeis da Universidade Regional Integrada do Alto
Uruguai e das Missões  URI tem como objetivo formar um profissional com
conhecimento generalista e com domínio e conhecimento específico de técnicas a
57
serem utilizadas em determinadas necessidades de informação econômica,
financeira e patrimonial de uma entidade, assumindo, como profissional a condição
de Controller o que lhe permitirá galgar posições, possibilitando-lhe atingir
patamares em nível de diretoria.
Para tanto, dentre outras habilidades o egresso deve ser um profissional
preparado para descobrir, acrescentar, aperfeiçoar e desenvolver o saber teórico
associado à prática, respeitando e aprimorando a estrutura conceitual da Ciência
Contábil. Ele deve estar preparado, também, para assumir uma postura crítica frente
às normas legais de nosso país e segundo as normas emanadas pelas entidades de
classe.
A Universidade Veiga de Almeida – UVA apresenta o perfil do egresso,
conforme descrito em parte do artigo da Resolução CNE/CES 10/04, no que diz
respeito às habilidades esperadas para o profissional contábil como: utilizar
adequadamente a terminologia e a linguagem das Ciências Contábeis e Atuariais;
demonstrar visão sistêmica e interdisciplinar da atividade contábil e exercer com
ética e proficiência as atribuições e prerrogativas que lhe são prescritas através da
legislação específica, revelando domínios adequados aos diferentes modelos
organizacionais.
A missão da Universidade Vila Velha  UVV é a de formar profissionais que
contribuam para o aperfeiçoamento da qualidade das informações contábeis
necessárias ao processo de tomada de decisões com a utilização dos recursos da
tecnologia da informação e dentro dos princípios éticos requeridos ao exercício da
profissão.
A UVV ressalta que o perfil do Contador Gerencial ou Controller é
caracterizado pela ênfase que será dada ao curso para aplicação da contabilidade,
voltada para fins internos da empresa com utilização dos recursos de informática.
2.4. Perspectivas da Profissão Contábil
A profissão contábil no Brasil tem demonstrado um grande avanço entre o
final do século XX e inicio do século XXI, principalmente com a internacionalização
da contabilidade. O contador passou a ser mais valorizado pelas grandes
58
organizações, uma vez que este profissional é provavelmente o mais indicado para
adaptar-se às mudanças ocorridas em função das IFRS e do CPC.
Por essa razão, as instituições de ensino superior e entidades reguladoras
têm se empenhado para preparar o profissional para os desafios que serão
enfrentados no mundo dos negócios, pois este, cada vez mais, tende a ser um
tomador de decisões. Desta forma, as perspectivas de evolução da profissão
contábil estão atreladas ao curso de Ciências Contábeis e ao Conselho Nacional de
Educação (CNE).
Kounrouzan (2003) citado por Molina (2004) discorre sobre o perfil do
profissional contábil exigido pelo novo contexto econômico brasileiro e define:
O contabilista deve, em função da crescente complexidade dos
negócios, entender com maior abrangência os diversos aspectos que
envolvem as atividades de uma organização e, em especial, quanto à
credibilidade das informações contábeis, tanto quanto à elaboração
como ao entendimento e interpretação dos relatórios, adequando-os à
realidade vivida em cada empresa e em cada estágio evolutivo, não
deixando de adaptá-los às diversas etapas de mudança. Deve ainda, ter
capacidade de assistir os empresários na tomada de decisões rápidas e
eficazes, por meio de um conjunto harmonioso das atividades
desenvolvidas em equipe, deixando de ser o intermediário de registro e
controle para ser um agente de agregação de valores na organização.
(MOLINA, 2004, p.37).
O fato de evidenciar a responsabilidade, primeiramente das entidades
reguladoras e, consequentemente, das IES sobre o ponto de vista das perspectivas
do profissional contábil, se justifica, pela autonomia que estas possuem em relação
aos outros grupos sociais.
As grandes organizações, no Brasil e em qualquer lugar do mundo, preferem
sempre o melhor profissional possível para manter a qualidade de suas atividades,
ou seja, o profissional contábil que apresenta um diferencial em termo de aptidão,
certamente terá mais possibilidades de alcançar o sucesso profissional.
Com o propósito de estabelecer normas para que os cursos de Ciências
Contábeis, no Brasil, sejam organizados de forma coerente com o desenvolvimento
social, o Conselho Nacional de Educação (CNE) e o Conselho de Educação
Superior (CES), ambos relacionados ao Ministério da Educação, instituíram as
Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Ciências Contábeis,
por meio da Resolução Nº 10, de 16 de dezembro de 2004. Em seu Art. 4º, a
59
referida legislação estabelece normas visando um profissional com habilidades e
competências.
Art. 4º.
O curso de graduação em Ciências Contábeis deve possibilitar
formação profissional que revele, pelo menos, as seguintes
competências e habilidades:
I – utilizar adequadamente a terminologia e a linguagem das Ciências
Contábeis e Atuarias;
II – demonstrar visão sistemática e interdisciplinar da atividade
contábil;
III – elaborar pareceres e relatórios que contribuam para o
desempenho eficiente e eficaz de seus usuários, quaisquer que
sejam os modelos organizacionais;
IV – aplicar adequadamente a legislação inerente às funções
contábeis;
V – desenvolver, com motivação e através de permanente
articulação, a liderança entre equipes multidisciplinares para a
captação de insumos necessários aos controles técnicos, à geração
e disseminação de informações contábeis, com reconhecido nível de
precisão;
VI – exercer suas responsabilidades com o expressivo domínio das
funções contábeis incluindo noções de atividades atuariais e de
quantificação de informações financeiras, patrimoniais e
governamentais, que viabilizem aos agentes econômicos e aos
administradores de qualquer segmento produtivo ou institucional e
pleno cumprimento de seus encargos quanto ao gerenciamento, aos
controles e à prestação de contas de sua gestão perante à
sociedade, gerando também informações para a tomada de decisão,
organização de atitudes e construção de valores orientados para a
cidadania;
VII – desenvolver, analisar e implementar sistemas de informação
contábil e de controle gerencial, revelando capacidade crítica para
avaliar as implicações organizacionais com a tecnologia da
informação; e
VIII – exercer com ética e proficiência as atribuições e prerrogativas
que lhes são prescritas através da legislação específica, revelando
domínio adequado aos diferentes modelos organizacionais.
De certo modo, as IES e as entidades de classe têm evidenciado o perfil do
profissional, por meio de seus projetos pedagógicos. Procura desenvolver
habilidades e competências para que o novo contador seja um generalista apto a
exercer as funções específicas da área contábil, como também da área
administrativa, com capacidade de controle e administração de negócios, além da
possibilidade da boa comunicação e de tomar decisões.
O capítulo que segue aborda as questões relacionadas à Educação
Contábil.
60
CAPÍTULO III – A EDUCAÇÃO CONTÁBIL
Neste capítulo serão apresentados os principais aspectos sobre o curso de
Graduação em Ciências Contábeis no Brasil no que diz respeito a evolução,
diretrizes sobre o ponto de vista de estudiosos e de entidades reguladoras no âmbito
dos conteúdos curriculares e formação do profissional contábil.
3.1. Mapa da Educação Contábil no Brasil
O ensino da contabilidade no Brasil tem evoluído muito nos últimos anos;
principalmente entre 2010 e 2013 pesquisas recentes vêm demonstrando esse
crescimento que tem reflexo direto no número de ofertas de cursos em todo território
nacional.
De acordo com o MEC (2013) no Brasil há em atividades 1291 Cursos de
Graduação em Ciências Contábeis, destes 1255 são da modalidade presencial e 36
são da modalidade a distância, além disso, tanto na modalidade presencial quanto
na modalidade a distância há ofertas de cursos em todas as Unidades da Federação
e no Distrito Federal.
O Quadro 4 demonstra a quantidade de cursos na modalidade presencial
ministrados em todo território nacional.
Cursos em
Atividade na
Modalidade
Presencial
% Sobre o Total de Cursos em
Atividade na Modalidade Presencial
Acre
03
0,24
Alagoas
13
1,04
Amapá
05
0,40
Amazonas
10
0,80
Bahia
62
4,94
Ceará
27
2,15
Distrito Federal
33
2,63
Espírito Santo
35
2,79
Goiás
46
3,67
Maranhão
16
1,27
Unidade da
Federação
61
Mato Grosso
40
3,19
Mato Grosso do Sul
24
1,91
Minas Gerais
125
9,96
Pará
24
1,91
Paraíba
14
1,12
Paraná
98
7,81
Pernambuco
39
3,11
Piauí
24
1,91
Rio de Janeiro
89
7,09
Rio Grande do Norte
22
1,75
Rio Grande do Sul
85
6,77
Rondônia
18
1,43
Roraima
04
0,32
Santa Catarina
74
5,90
São Paulo
302
24,06
Sergipe
09
0,72
Tocantins
14
1,12
1255
100,00
Total de Cursos
Quadro 4 – Mapa dos Cursos de Graduação em Ciências Contábeis na modalidade
presencial em atividades no Brasil
Fonte: e-MEC (2013)
O número de cursos de Ciências Contábeis em atividade no Brasil em 2013,
considerando as duas modalidades  presenciais e a distância  representa um
aumento de aproximadamente 20% em relação ao ano de 2010 que, segundo dados
do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira  INEP
(2010) somavam 1080 cursos. (TEIXEIRA, 2011).
Em relação à modalidade à distância, os 36 Cursos em atividade são
ofertados nos 26 estados e Distrito Federal, porém, alguns estados apresentam um
número maior de adesão a essa modalidade, enquanto que, em outros, o número de
adesão é até superior aos cursos da modalidade presencial ofertado no próprio
estado, como é o caso dos estados do Acre, Amapá, Roraima e Sergipe.
No Quadro 5 é possível constatar essa variação ao comparar a quantidade
de cursos da modalidade presencial, mostrados no Quadro 4.
62
Cursos em Atividade
na Modalidade a
Distância
% sobre o total de (36) cursos em
atividade em todo território
Acre
08
22,22
Alagoas
13
36,11
Amapá
07
19,44
Amazonas
11
30,56
Bahia
20
55,56
Ceará
12
33,33
Distrito Federal
17
47,22
Espírito Santo
21
58,33
Goiás
19
52,78
Maranhão
14
38,89
Mato Grosso
15
41,67
Mato Grosso do Sul
16
44,44
Minas Gerais
24
66,67
Pará
17
47,22
Paraíba
12
33,33
Paraná
17
47,22
Pernambuco
14
38,89
Piauí
10
27,78
Rio de Janeiro
17
47,22
Rio Grande do Norte
13
36,11
Rio Grande do Sul
17
47,22
Rondônia
13
36,11
Roraima
08
22,22
Santa Catarina
16
44,44
São Paulo
27
75,00
Sergipe
11
30,56
Tocantins
12
33,33
Unidade da
Federação
Quadro 5 – Mapa dos Cursos de Graduação em Ciências Contábeis na modalidade a
distância em atividades no Brasil
Fonte: e-MEC (2013)
Embora o Estado de São Paulo apresente o maior número de adesão ao
curso na modalidade à distância em termos percentuais, este número é
relativamente pequeno se comparado ao número de curso em atividade, na
63
modalidade presencial, ministrado no referido Estado, ou seja, são 302 cursos na
modalidade presencial para 27 na modalidade a distância, o que representa
aproximadamente 8% do total dos cursos.
3.2. Diretrizes do Curso de Ciências Contábeis no Brasil
No conjunto das discussões sobre método e metodologia de ensino, de
acordo com Laffin (2011, p. 57):
É preciso destacar que lidar com práticas de ensino articuladas com
os conhecimentos contábeis exige objetividade e definição desses
próprios conhecimentos, envolvendo seu consequente planejamento
e vinculação com os conhecimentos específicos são os de natureza
contábil, e os particulares são aqueles demandados para os objetivos
e planejamento das atividades requeridas na ação de ensino.
Neste contexto, Laffin ressalta:
Penso não ser possível organizar uma atividade de ensino de
determinado conteúdo curricular sem especificar o conteúdo e suas
formas de abordagens, e para tanto, é indispensável o domínio da
especificidade e da particularidade que as atividades pedagógicas
requerem, e completa dizendo – no caso do ensino superior de
contabilidade é preciso dominar os fundamentos da ciência contábil e
simultaneamente acompanhar as alterações e mudanças que
envolvem a dinâmica social, não apenas nos aspectos das empresas
produtivas, mas, sobretudo nas interferências sociais que essas
mudanças promovem e na sua relação com a contabilidade como
ciência. (LAFFIN, 2011, p.57-58).
A discussão, em torno da estrutura curricular do curso de Graduação em
Ciências Contábeis, teve seu início na segunda metade do século XX, quando
estudiosos, como os professores Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Hilário
Franco, realizaram em 1983 uma pesquisa objetivando apresentar resultados
concretos entre a realidade econômica, institucional e social em que atua e atuará o
Contador de hoje e do futuro.
Tal estudo, um artigo, foi apresentado ao II Congresso Internacional de
Educadores da Área Contábil, também denominado de “II CIEAL” realizado em São
Paulo, Brasil, no período de 16 a 18 de setembro de 1983. O artigo apresentado e
64
publicado tem como título: “Currículo Básico do Contador: Orientações Técnicas
versus Orientação Humanística”.
O estudo, já mencionado no capítulo I deste trabalho, consistiu numa
investigação sobre a estrutura curricular do curso de Ciências Contábeis das
instituições de ensino superior de diversos países. Os autores pretendiam obter
respostas sobre a composição do currículo básico do Contador, por meio de
solicitações enviadas às universidades da América e da Europa. A intenção das
solicitações feitas pelos autores era de obter respostas sobre a distribuição de
disciplinas e carga horária correspondentes a 4 (quatro) grupos de formação,
caracterizados pelas Disciplinas de Áreas Afins, Disciplinas de Instrumentação
Básica, Disciplinas Técnico-Contábeis e Disciplinas Humanísticas.
Apesar da simples solicitação, relatam os autores, que o nível percentual de
respostas não foi muito satisfatório. Dentre as poucas respostas obtidas
conseguiram notar que universidades norte-americanas; algumas do norte da
Europa e, conhecendo o perfil acadêmico brasileiro bastante parecido ao do restante
da América Latina (com exceção do México e da Argentina), talvez pudessem
naquele momento elaborar algumas observações básicas.
Um dos critérios utilizados na organização da pesquisa foi a distribuição do
currículo básico do contador em 4 (quatro) grupos de disciplinas levando em
consideração as áreas de conhecimentos.
 DA – Disciplinas de Áreas Afins.
 DI – Disciplinas Instrumentais Básicas, algumas de cultura geral, porém
não humanísticas.
 DH – Disciplinas puramente Humanísticas.
 DT – Disciplinas essencialmente Técnico-Contábeis.
Para o melhor entendimento das disciplinas que compõem cada área de
conhecimento, seguem alguns exemplos segundo Iudícibus, Martins e Franco
(1983).
65
Exemplos de Disciplinas de Áreas Afins (DA):
 Administração.
 Economia.
 Direito.
 Administração de Produção etc.
Exemplos de Disciplinas de Instrumentação Básica (DI):
 Matemática.
 Estatística etc.
Exemplos de Disciplinas Humanísticas (DH):
 História.
 Sociologia.
 Línguas.
 Filosofia etc.
Exemplos de Disciplinas Essencialmente Técnico-Contábeis (DT):
 Auditoria.
 Custos.
 Controladoria.
 Contabilidade Fiscal.
 Contabilidade Gerencial etc.
Com a utilização deste método, em relação aos conteúdos ministrados na
Universidade de São Paulo (USP), de certo modo, os autores entenderam como um
bom indicativo em relação ao que ocorre no resto do Brasil e em outros países
latino-americanos, como Chile, dentre outros.
No resultado da pesquisa em relação à USP, considerando-se a carga
efetiva total de aulas ministradas durante toda a formação para o curso Diurno de
Contabilidade de 2820 horas de aula, distribuídas durante quatro anos, os autores
notaram a seguinte distribuição percentual com relação à classificação proposta:
66
DA
Áreas Afins
1.100 horas
39,4%
DI
Instrumentação Básica
600 horas
21,3%
DT
Técnico-Contábeis
960 horas
34,0%
DH
Humanísticas
150 horas
5,3%
As considerações feitas pelos autores diante do resultado revelam que:
Se considerarmos que, das disciplinas de Áreas Afins, cerca de 50%
da carga refere-se a disciplinas administrativas, teremos um quadro
bastante claro da tendência adotada pela Universidade de São
Paulo, pelo menos até agora, que se repete, com diferenças não
acentuadas, no resto do Brasil e em alguns países da América
Latina. Notamos que, da carga total, apenas 5,3% é representada
por disciplinas humanísticas. Se considerarmos que, tanto as
disciplinas DA quanto as DI são essencialmente técnicas, embora de
áreas outras que não a Contabilidade verificamos que 94,7% da
carga didática do curso é de natureza técnica, uma percentagem
impressionante, sem dúvida. (IUDÍCIBUS; MARTINS; FRANCO,
1983, p.18).
Além
das
considerações
anteriormente
descritas,
a
composição
demonstrada no exemplo da USP, ainda reflete no exercício das funções dos
profissionais que atuam na área contábil, isso por que o estudo mostrou uma
estrutura de formação com um índice bastante elevado na composição das
disciplinas técnicas, ou seja, tecnicamente estes profissionais tendem a ser bem
qualificados, porém, o estudo também faz uma ressalva de que estes apresentam
dificuldades enormes em impor e em ver reconhecidas, principalmente entre outras
profissões, tais qualidades.
Seu poder de comunicação é bastante limitado; a qualidade de influenciar
pessoas e grupos não é cuidada; sua cultura geral é, via de regra, escassa.
Em parte, a imagem relativamente distorcida da profissão, na América
Latina, é devida aos fatores supracitados. É preciso esclarecer, todavia, que tal
tendência (excesso de tencionismo) é notada, embora em menor grau, nos cursos
de Administração de Empresas e de Economia. Dos três, o de Economia, na USP, é
o que tem maior carga de disciplinas humanísticas, sendo, de longe, o mais
reconhecido do mercado.
Antes de serem examinadas as possíveis causas que levaram a tal
concentração em favor das disciplinas técnicas, se faz uma análise da composição
67
do currículo da Universidade do Chile, outro país típico da América Latina, que
apresenta, da mesma forma que a Universidade de São Paulo, um parâmetro muito
seguido pelas demais Universidades do país. (IUDÍCIBUS; MARTINS; FRANCO,
1983, p.18).
Laffin (2011) realizou uma pesquisa que, de certo modo, tem uma forte
relação com a investigação realizada pelos professores Sérgio de Iudícibus, Eliseu
Martins e Hilário Franco.
Tal estudo tem uma delimitação territorial muito estreita, porém, não deixa
de ressaltar a importância de dois pilares na construção do ensino-aprendizagem da
Contabilidade, que são representados pelas Diretrizes e pelo comprometimento dos
educadores em encontrar a melhor maneira, ou seja, a metodologia que atenda a
necessidade do indivíduo e, consequentemente, da sociedade.
O critério de distribuição de Laffin (2011) é um pouco diferente do utilizado
por Iudícibus, Martins e Franco (1983), porém, na essência, busca realizar o mesmo
objetivo.
A distribuição das disciplinas, idealizada pela pesquisa/estudo em questão,
tinha como objetivo avaliar a estrutura curricular da Universidade Federal de Santa
Catarina que foi elaborada da seguinte forma:

40% para conteúdos da Ciência Contábil.

20% das Ciências Exatas.

5% da Ciência Econômica.

7% da Ciência de Administração.

18% das Ciências Humanas e Sociais.

10% da Ciência Jurídica.
Na realização do estudo Laffin (2011, p. 207) argumenta que:
Formular um novo currículo para o curso de Ciências Contábeis é
buscar junto aos professores de contabilidade o entendimento que
têm sobre os componentes curriculares. Um currículo que não surge
da participação dos professores assume o caráter de imposição e,
neste sentido, tende a ser operacionalizado como prescrição.
Visando uma melhor distribuição do currículo do contador, Iudícibus, Martins
e Franco (1983), fizeram a proposição de um modelo, conforme mostra o Gráfico 1,
68
que eles entendem como uma distribuição equilibrada para boa formação do
profissional contábil, no qual é possível obter habilidades técnicas e também
humanísticas, na dose certa, para exercer com eficiência o ofício de suas funções.
A proposta apresenta uma distribuição de disciplinas da seguinte forma:
 Disciplinas de Áreas Afins - 25%
 Disciplinas de Instrumentação Básica ou Quantitativas – 25%
 Disciplinas Técnico-Contábeis – 30%
 Disciplinas Humanísticas – 20%
25%
20%
Disciplinas humanisticas
Disciplinas técnico-contábeis
Disciplinas de áreas afins
25%
30%
Disciplinas quantitativas
Gráfico 1  Distribuição Equilibrada das Disciplinas para a Formação do Contador
Fonte: Adaptado de Iudícibus, Martins e Franco (1983).
O estudo supracitado deu sua ampla contribuição para a evolução da
estrutura curricular do curso de Graduação em Ciências Contábeis que, nos dias
atuais, é regulada pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) que instituiu as
Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN).
No entanto, a questão da distribuição equilibrada dos conteúdos
interdisciplinares
sofreu
algumas
alterações,
porém,
em
alguns
aspectos
essencialmente importantes, têm uma forte relação com a proposta do estudo
realizado pelos autores supracitados.
As considerações sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de
Graduação em Ciências Contábeis que estão em vigor seguem discorridas no
69
próximo tópico, as quais fazem parte da base teórica para análise comparativa da
proposta do presente estudo.
3.2.1. Legislação do Curso de Ciências Contábeis
Na literatura nacional e principalmente nas pesquisas acadêmicas é possível
encontrar referências sobre a estruturação do ensino da Contabilidade no Brasil
desde o final do século XIX, assim como no estudo realizado recentemente por Paris
(2012, p. 29), no qual, ele elaborou uma relação dos acontecimentos e da legislação
que fizeram e fazem parte da evolução do ensino da contabilidade no Brasil. Tais
acontecimentos foram organizados obedecendo a uma ordem cronológica, conforme
mostra o Quadro 6, no qual estão listados os eventos ocorridos entre 1894 e 2010.
Ano
Documento
Referência
1894
Instituição de Curso que confere o Diploma de Contador, pela Escola
Politécnica do Estado de São Paulo.
1902
Fundação da Escola Prática de Comércio  FECAP
1931
Dec. 20158
Primeira Escola Técnica - Guarda Livros de Perito em Contabilidade.
1945
Dec. Lei 7988
Regulamenta o Curso de Ciências Contábeis e Atuarias.
1946
Dec. Lei 15601
Institui a Faculdade de Ciências Econômicas, na USP.
1946
Dec. Lei 9295
Regulamenta a Profissão Contábil.
1951
Dec. Lei 1401
1961
Lei 4024
1962
Parecer 397
1971
Lei 5692
Desmembra os Cursos de Ciências Contábeis e Atuariais.
Estabelece a Primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional
e cria o Conselho Federal de Educação.
Divide os cursos de Ciências Contábeis em Ciclos de Formação
Básica e Profissional.
Estabelece a segunda lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional.
1992
Res. 03
1996
Lei 9.394
1997
Parecer 776
1997
Edital 04
2002
Par. CNE/CES 146
2003
Par. CNE/CES 067
2003
Par. CNE/CES 108
2003
Par. CNE/CES 289
Institui o Currículo Pleno, que fixa a duração mínima.
Estabelece a Terceira Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional.
Complementa a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
Da Secretaria de Educação Superior, discute as novas Diretrizes
Curriculares, adaptando-se à lei.
Define as Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de
graduação em Ciências Contábeis, Direito, Turismo, Hotelaria,
Ciências Econômicas, Administração, Secretariado Executivo, Música,
Dança, Teatro e Design.
Referencial para as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para
outros cursos de Graduação.
Define as audiências para discussão e avaliação da duração e
integralização dos cursos de Bacharelado.
Aprova as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação
em Ciências Contábeis.
70
2004
Res. CNE/CES 10
2007
Res. CNE/CES 2
2010
Dec. Lei 12.249
Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação
em Ciências Contábeis.
Dispõe sobre procedimentos a serem adotados quanto ao conceito de
hora aula.
Alteração da Lei de Regência da Profissão Contábil.
Quadro 6  Cronologia de Acontecimentos e Legislação do Ensino de Contabilidade
Fonte: Adaptado de Sontag et al. (2007) por Paris (2012, p. 29)
Os atuais cursos de Graduação em Ciências Contábeis no Brasil em relação
à estrutura curricular são organizados pela Resolução CNE/CES 10 de 16 de
Dezembro de 2004. A referida Resolução instituiu as Diretrizes Curriculares
Nacionais para o Curso de Graduação em Ciências Contábeis. Anterior a esta
resolução os cursos de Graduação eram organizados pelas disposições da
Resolução 03/92 do Conselho Federal de Educação (CFE) a qual estabelecia como
carga mínima 2700 horas para a integralização curricular.
De acordo com o Art. 2º da Resolução CNE/CES 10/04, as Instituições de
Educação Superior deverão estabelecer a organização curricular para os cursos de
Ciências Contábeis, por meio de Projeto Pedagógico, com descrição dos seguintes
aspectos:
I - perfil profissional esperado para o formando, em termos de
competências e habilidades;
II - componentes curriculares integrantes;
III - sistemas de avaliação do estudante e do curso;
IV - estágio curricular supervisionado;
V - atividades complementares;
VI - monografia, projeto de iniciação científica ou projeto de atividade
– como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – como componente
opcional da instituição;
VII - regime acadêmico de oferta;
VIII - outros aspectos que tornem consistente o referido Projeto.
A mesma Resolução determina em seu Art. 3º que o curso de graduação em
Ciências Contábeis deve ensejar condições para que o futuro contabilista seja
capacitado a:
71
I  compreender as questões científicas, técnicas, sociais,
econômicas e financeiras em âmbito nacional e internacional e nos
diferentes modelos de organização;
II  apresentar pleno domínio das responsabilidades funcionais
envolvendo apurações, auditorias, perícias das responsabilidades
funcionais envolvendo apurações, auditorias, perícias, arbitragens,
noções de atividades atuarias e de quantificações de informações
financeiras, patrimoniais e governamentais, com a plena utilização de
inovações tecnológicas;
III  revelar capacidade critico-analítica de avaliação, quanto às
implicações organizacionais com o advento da tecnologia da
informação.
3.3. Conteúdos Curriculares do Curso de Ciências Contábeis
Os conteúdos curriculares para a formação do profissional contábil no Brasil
devem ser elaborados de acordo com o Art. 5° da Resolução CNE/ CES 10/04, no
qual, estão instituídas as seguintes normas:
Art. 5º. Os cursos de graduação em Ciências Contábeis,
bacharelada, deverão contemplar, em seus projetos pedagógicos em
sua organização curricular, conteúdos que revelem conhecimento do
cenário econômico e financeiro, nacional e internacional, de forma a
proporcionar a harmonização das normas e padrões internacionais
de contabilidade, em conformidade com a formação exigida pela
Organização Mundial do Comércio e pelas peculiaridades das
organizações governamentais, observado o perfil definido para o
formando e que atendam aos seguintes campos interligados de
formação:
I – conteúdos de Formação Básica: estudos relacionados com outras
áreas do conhecimento, sobretudo Administração, Economia, Direito,
Métodos Quantitativos, Matemática e Estatística;
II – conteúdos de Formação Profissional: estudos específicos
atinentes às Teorias da Contabilidade, incluindo as noções das
atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras,
patrimoniais, governamentais e não-governamentais, de auditorias,
perícias, arbitragens e controladoria, com suas aplicações peculiares
ao setor público e privado;
III – conteúdos de Formação Teórico-Prática: Estágio Curricular
Supervisionado,
Atividades
Complementares,
Estudos
Independentes, Conteúdos Optativos, Prática em Laboratório de
Informática utilizando Softwares atualizados para Contabilidade.
72
A Figura 1 é uma demonstração de como as IES brasileiras devem
contemplar em seus projetos pedagógicos os conteúdos curriculares para o Curso
de Ciências Contábeis, visando atender as exigências da Organização Mundial do
Comércio (OMC) para a formação do profissional contábil.
Diretrizes do Curso de Graduação em Ciências Contábeis no Brasil
Organização Curricular do
Curso de Ciências
Contábeis
Conteúdos de
Formação Básica
Conteúdos de Formação
Profissional
Conteúdos de
Formação TeóricoPrática
Figura 1 – Composição do Currículo para o Curso de Graduação em Ciências
Contábeis
Fonte: Resolução CNE/CES 10/04
A Resolução 10/04 não determina o percentual de carga horária que deve
ser atribuída em cada campo interligado de formação, mas sim que as instituições
contemplem em seus projetos pedagógicos os conteúdos estabelecidos.
Esse tipo de informação em matriz curricular, não é comumente conhecido
pelo aluno, pois, a maioria das IES não especifica, na sua matriz e de forma
explicita, a qual campo de formação pertence esta ou aquela disciplina.
O Quadro 7 apresenta um exemplo no qual são especificados os conteúdos
ministrados no Curso de Ciências Contábeis por uma Instituição de Ensino Superior
do Estado do Paraná.
73
Campos de Formação
Disciplinas
Tópicos Especiais em Metodologia da Pesquisa em
Informação
Conteúdos de Formação
Estágio Supervisionado I
Teórico-Prático
Estágio Supervisionado II
Atividades Formativas
Contabilidade Empresarial A
Contabilidade Empresarial B
Contabilidade Pública
Contabilidade e Análise de Custos
Controladoria
Auditoria das Demonstrações Contábeis
Conteúdos de Formação Análise das Demonstrações Contábeis
Profissional
Contabilidade Internacional
Tópicos Específicos de Contabilidade
Teoria da Contabilidade
Perícia Contábil
Contabilidade Gerencial
Finanças Corporativas e Mercado de Capitais
Seminários Avançados em Contabilidade
Ética Geral e Profissional
Sociologia e Sociedade Contemporânea
Semiótica Aplicada ao Sistema de Informação Contábil
Introdução à Gestão do Conhecimento
Administração B
Economia
Conteúdos de Formação
Direito do Trabalho
Básica
Direito Comercial
Legislação Tributária
Tecnologia da Informação
Estatística II
Laboratório de Informática
Matemática Financeira
Quadro 7 – Distribuição dos Conteúdos Curriculares do Curso de Ciências Contábeis
por campo de formação de acordo com a matriz curricular da UFPR.
Fonte: Adaptado da UFPR (2013)
O capítulo que segue apresenta a Metodologia e a Trajetória da Pesquisa.
74
CAPÍTULO IV  METODOLOGIA E TRAJETÓRIA DA PESQUISA
Este capítulo apresenta as conceituações exigidas para a composição da
pesquisa, a definição do caminho a ser seguido, apresenta o universo pesquisado,
bem como os procedimentos que implicarão na análise dos resultados.
4.1. Metodologia e Abordagem de Pesquisa
Toda pesquisa pode ser definida, como bem compreendem Silva e Menezes
(2000) como um conjunto de ações diferenciadas, que buscam soluções para um
problema.
Do mesmo modo, na concepção de Gil (2005, p.28), a pesquisa é um
“procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar respostas
aos problemas propostos” e isso, mediante o emprego de procedimentos científicos
que visa o progresso da ciência.
Minayo (2003, p.17) corrobora com as definições supracitadas quando
afirma que a metodologia de pesquisa é o caminho do pensamento a ser seguido,
“ocupa um lugar central na teoria e trata-se basicamente do conjunto de técnicas a
ser adotada para construir uma realidade. A pesquisa é assim, a atividade básica da
ciência na sua construção da realidade”.
A abordagem de pesquisa pode ser de cunho qualitativo ou de quantitativo.
Para este estudo a definição foi pela pesquisa qualitativa, por que esta busca se
aprofundar num determinado tema, por meio de explorações, comparações e
interpretações.
Para Minayo (2003, p.12), a pesquisa qualitativa “responde a questões muito
particulares. Ela se preocupa com um nível de realidade que não pode ser
quantificado”.
Já para Richardson (1999, p.80), os estudos que empregam uma metodologia
qualitativa podem “descrever a complexidade de determinado problema, analisar a
interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos
por grupos sociais, contribuindo no processo de mudança de determinado grupo”; ou
seja, propiciam um aprofundamento na análise dos fenômenos estudados.
75
Com a pesquisa qualitativa se intenciona encontrar uma relação dinâmica
entre as matrizes curriculares de algumas universidades definidas como objeto de
pesquisa.
4.2. Desenvolvimento da Pesquisa
Yin (2003) e Gil (2005) definem a existência de três classificações possíveis
para o desenvolvimento de uma pesquisa que são: a pesquisa exploratória, a
pesquisa descritiva e a pesquisa explicativa. Neste estudo a opção foi feita pela
pesquisa classificada como “exploratória”.
Para Gil (2005, p.41), a pesquisa exploratória tem por finalidade
“desenvolver, esclarecer conceitos e ideias, de modo que possam servir para
estudos futuros, ou seja, um ponto de partida para novas investigações”.
A pesquisa exploratória é vista como o primeiro passo da pesquisa
científica e tem como principal objetivo o aprimoramento de idéias e ou a
descoberta de intuições. Esse tipo de pesquisa tem por finalidade
proporcionar maiores informações sobre o assunto, facilitar a
delimitação da temática de estudo, definir os objetivos ou formular
hipóteses de uma pesquisa ou descobrir um novo enfoque que se
pretende realizar. Nesse tipo de pesquisa o que conta são as novas
informações levantadas (GIL, 2005, p.42).
De acordo com Yin (2003), a pesquisa exploratória visa proporcionar mais
familiaridade com o problema de pesquisa, por meio de levantamentos que podem
ser bibliográficos, por meio de questionários e entrevistas, por análise de
documentos.
Na organização dessa pesquisa exploratória foi realizada, inicialmente, a
composição da parte teórica, por meio de revisão da literatura que se foi alicerçada
em pesquisas bibliográficas, leituras de artigos em periódicos, consulta a banco de
teses e dissertações, consulta de documentos de instituições de ensino superior em
meio eletrônico, bem como análise de documentos disponibilizados por órgãos
educacionais em seus respectivos portais na internet.
76
4.3. Etapas de Coleta de Dados
A principal fonte utilizada para a coleta de dados necessários para a
composição e análise dos resultados foi por pesquisa realizada na Internet.
A primeira etapa constituiu-se em coletar informações da Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo PUC-SP em seu site oficial, com o propósito de
averiguar a Matriz Curricular do Curso de Ciências Contábeis.
A PUC-SP é uma tradicional Instituição de Ensino Superior brasileira,
localizada no Estado de São Paulo, com unidades de ensino localizadas na Cidade
de São Paulo, Sorocaba e atualmente em Barueri, no entanto, o curso de graduação
em Ciências Contábeis é oferecido na capital paulista nos campus Perdizes e
Ipiranga.
O curso de Ciências Contábeis da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo teve seus primeiros registros junto ao MEC ainda na década de 1950, o que
demonstra o diferencial de uma instituição séria e comprometida com os valores
acadêmicos e sociais.
Para os organizadores do Curso oferecido na PUC-SP a Contabilidade é a
linguagem dos negócios e o Contador é aquele que fornece e analisa informações
sobre o desempenho econômico-financeiro-patrimonial, praticando e avaliando os
processos decisórios e o desempenho de negócios e interage com a comunidade e
os órgãos governamentais. Assim, a Matriz Curricular do curso oferecido pela
instituição visa preparar o futuro contador a atender estes aspectos sociais.
A segunda etapa deu-se pela consulta ao site do Ministério da Educação
(MEC) para identificação das Instituições de Ensino Superior avaliadas com a nota 5
no Exame Nacional de Desempenho de Estudante (ENADE), do ano de 2009 que é
a última fonte disponibilizada para consulta, em relação ao curso de Ciências
Contábeis.
Nessa pesquisa no site do MEC foram identificados, em todo o território
brasileiro, 40 cursos distribuídos entre 28 IES, sendo que destas 23 são
consideradas “universidades”. Assim, tem-se a utilização de três fontes distintas: o
MEC, a PUC-SP e as 23 universidades avaliadas com nota 5 no ENADE.
A significância do ENADE se dá quando se reconhece que ele é um dos
procedimentos de avaliação do Sistema Nacional de Avaliação da Educação
77
Superior (SINAES), que é realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (INEP), autarquia vinculada ao Ministério da Educação,
segundo diretrizes estabelecidas pela Comissão Nacional de Avaliação da Educação
Superior (CONAES), órgão colegiado de coordenação e supervisão do SINAES.
O objetivo do ENADE é acompanhar o processo de aprendizagem e o
desempenho acadêmico dos estudantes em relação aos conteúdos programáticos
previstos nas diretrizes curriculares do respectivo curso de graduação, suas
habilidades para
ajustamento
às exigências
decorrentes da
evolução
do
conhecimento e suas competências para compreender temas exteriores ao âmbito
específico de sua profissão, ligados à realidade brasileira e mundial e a outras áreas
do conhecimento. Seus resultados poderão produzir dados por instituição de ensino
superior, categoria administrativa, organização acadêmica, município, estado e
região e, por essa avaliação serão constituídos referenciais que permitam a
definição de ações voltadas para a melhoria da qualidade dos cursos de graduação,
por parte de professores, técnicos, dirigentes e autoridades educacionais.
4.4. Delimitação Geográfica das Instituições Pesquisadas
Como já mencionado anteriormente são 23 as universidades que foram
avaliadas com a nota 5 no ENADE (2009) e 22 delas foram usadas como universo
de pesquisa e estão distribuídas em 04 regiões do território brasileiro.
O Gráfico 2 mostra as quatro regiões e os respectivos percentuais.
Nordeste; 1;
5%
Centro Oeste;
2; 9%
Sudeste; 8;
36%
Sul; 11; 50%
Gráfico 2 – Distribuição Geográfica das Instituições.
Fonte: Adaptado de e-MEC (2013)
78
Pelo Gráfico 2 pode-se observar que o maior número de universidades que
compõe o universo de pesquisa está localizado na Região Sul do Brasil com 11
universidades, seguido da Região Sudeste com 8 universidades, pelo Centro Oeste
com 2 universidade e Nordeste com uma universidade.
No Quadro 8 estão listadas as regiões, os estados, as cidades e a sigla das
instituições.
REGIÕES
ESTADOS
CIDADES
SIGLAS
Cascavel
UNIOESTE
Curitiba
UFPR
Curitiba
UP
Londrina
UEL
Irati
UNICENTRO
Pato Branco
UTFPR
Florianópolis
UFSC
Porto Alegre
UFRGS
Rio Grande
FURG
Santa Maria
UFSM
Santo Ângelo
URI
Vila Velha
UVV
Belo Horizonte
UFMG
Salinas
UNIMONTES
São João Del Rey
UFSJ
Uberlândia
UFU
Viçosa
UFV
Arraial do Cabo
UFF
Rio de Janeiro
UVA
São Paulo
São Paulo
UNIP
CENTRO
OESTE
Distrito Federal
Brasília
UNB
Goiás
Goiânia
UFG
NORDESTE
Bahia
Ilhéus
UESC
Paraná
SUL
Santa Catarina
Rio Grande do Sul
Espírito Santo
Minas Gerais
SUDESTE
Rio de Janeiro
Quadro 8 – Instituições, Cidades e Estados
Fonte: Elaborada pelo Autor com base em e-MEC (2013)
4.5. Delimitação do Tema de Investigação
O tema investigado diz respeito aos conteúdos curriculares nos melhores
cursos de Ciências Contábeis das universidades brasileiras. Portanto, as instituições
79
de ensino que pertencem a outros tipos de organizações acadêmicas não fazem
parte do universo de pesquisa.
Foram determinadas para o presente estudo, as instituições de ensino
superior, classificadas como “universidades” pela questão da autonomia acadêmica
e pela possibilidade de coerências no estudo comparativo.
Para atender a este critério foram identificadas 23 universidades, sendo
descartada posteriormente uma universidade, por não disponibilizar a matriz
curricular em seu site oficial até o momento da conclusão desta pesquisa.
Tais universidades foram divididas em 4 tipos de categorias administrativas
de universidades registradas junto ao MEC que são: 13 universidades federais, 5
estaduais, 3 privadas sem fins lucrativos e 1 privada com fins lucrativos, como
mostra o Gráfico 3.
4%
14%
Pública Federal
Pública Estadual
Privada sem fins
lucrativos
23%
59%
Privada com fins
lucrativos
Gráfico 3 – Categoria Administrativa das Instituições.
Fonte: Adaptado de e-MEC (2013)
Em resumo, o universo de pesquisa é composto por 59,1% de universidades
públicas federais, 22,7%
de
universidades públicas estaduais, 13,6% de
universidades privadas sem fins lucrativos e 4,6% de universidades privadas com
fins lucrativos.
80
No Quadro 9 estão relacionadas as 22 instituições, das quais foram
utilizadas as matrizes curriculares pra a realização do estudo comparativo em
relação à PUC-SP.
SIGLA
NOME DA INSTITUIÇÃO
FURG
Universidade Federal do Rio Grande
UEL
Universidade Estadual de Londrina
UESC
Universidade Estadual de Santa Cruz
UFF
Universidade Federal Fluminense
UFG
Universidade Federal de Goiás
UFMG
Universidade Federal de Minas Gerais
UFPR
Universidade Federal do Paraná
UFRGS
Universidade Federal do Rio Grande Do Sul
UFSC
Universidade Federal de Santa Catarina
UFSJ
Universidade Federal de São João Del Rei
UFSM
Universidade Federal de Santa Maria
UFU
Universidade Federal de Uberlândia
UFV
Universidade Federal de Viçosa
UNB
Universidade de Brasília
UNICENTRO
Universidade Estadual do Centro Oeste
UNIMONTES
Universidade Estadual de Montes Claros
UNIOESTE
Universidade Estadual do Oeste Do Paraná
UNIP
Universidade Paulista
UP
Universidade Positivo
URI
Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões
UTFPR
UVV
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Universidade Vila Velha
Quadro 9 – Siglas e Nomes das Instituições
Fonte: Elaborada pelo Autor com base em e-MEC (2013)
O capítulo que segue apresenta os resultados obtidos da análise das
matrizes curriculares das instituições constantes no Quadro 9 em relação à PUC-SP.
81
CAPÍTULO V  ANÁLISE DOS RESULTADOS
A análise dos resultados foi feita quando da averiguação de documentos das
instituições, bem como das legislações pela pesquisa exploratória, que utilizou,
como critério de definição do universo de pesquisa, o portal do Ministério da
Educação (MEC) na internet, principal entidade reguladora do ensino no Brasil, no
âmbito de toda a Educação Básica (Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino
Médio), Educação Profissional e também Ensino superior em todos os níveis de
formação.
As ações adotadas para coleta de dados objetivaram selecionar as
instituições de ensino superior, denominadas Universidades que obtiveram nota 5 no
ENADE MEC 2009. A seleção do universo de pesquisa utilizou como método de
investigação o site oficial das respectivas IES, com o propósito de obter informações
sobre os conteúdos curriculares do Curso de Graduação em Ciências Contábeis:
foram identificadas 23 IES. Porém, dentre as instituições apenas (1) uma delas, até o
momento da conclusão do presente estudo, não disponibilizava em seu site oficial a
Matriz Curricular do Curso de Ciências Contábeis, no caso a Universidade Veiga de
Almeida (UVA).
Constata-se que a proposta de um estudo comparativo é de, primeiramente,
apresentar o resultado obtido em relação à organização curricular do Curso de
Ciências Contábeis da PUC-SP e, na sequência, apresentar os resultados referentes
às 22 universidades definidas no universo de pesquisa.
5.1. Conteúdos Curriculares do Curso de Ciências Contábeis da
PUC-SP
A Matriz Curricular do Curso de Ciências Contábeis da PUC-SP, embora não
especificado no corpo do documento1 é elaborada de acordo com as Diretrizes
Curriculares do Curso de Graduação em Contábeis, normas estas, instituídas no Art.
1
O Anexo III mostra um exemplo de matriz curricular onde estão explícitos os conteúdos curriculares
correspondentes a cada campo de formação do curso de Ciências Contábeis da Universidade
Federal de Uberlândia – UFU e foi utilizado como base para classificação dos conteúdos
apresentados nas demais universidades.
82
5º da Resolução CNE/CES 10/2004, que estabelece que a organização curricular
compreenda os campos de integralização de formação através de conteúdos de
formação básica, conteúdos de formação profissional e conteúdos de formação
teórico-prática.
São apresentados, no próximo tópico, três grupos de disciplinas que
compõem a matriz curricular da PUC-CP e, na sequência, o percentual
correspondente a cada campo de formação.
5.1.1. Conteúdos de Formação Básica
Em relação aos conteúdos de formação básica a matriz curricular da PUCSP apresenta uma proposta de 23 disciplinas a serem ministradas durante os 8
períodos, regime pelo qual, o curso está registrado junto ao MEC. O total de horas
atribuídas aos conteúdos de formação básica é de 1156 horas.
As disciplinas que compreendem os conteúdos de formação básica são
apresentadas no Quadro 10.
CONTEÚDOS DE FORMAÇÃO BÁSICA
ATIVIDADES PEDAGÓGICAS/DISCIPLINAS
Carga Horária
Introdução à Administração
68
Introdução ao Pensamento Teológico I
34
Matemática I
68
Introdução ao Pensamento Teológico II
68
Matemática II
34
Noções de Lógica
34
Psicologia Aplicada a Contabilidade
34
Sociologia Aplicada a Contabilidade
34
Elementos da Economia
68
Estatística
68
Instituições de Direito
68
Economia Brasileira
34
Ética Profissional e Cidadania
34
Marketing
68
83
Matemática Financeira
34
Português Instrumental
34
Legislação Comercial e Societária
68
Noções de Filosofia
34
Técnicas de Medição de Desempenho
68
Direito Tributário
68
Economia Internacional e Comércio Exterior
34
Noções da Atividade Atuarial
34
Relações de Trabalho
68
Quadro 10 – Conteúdos de Formação Básica do Curso de Ciências Contábeis da PUCSP
Fonte: Adaptado de PUC-SP (2013)
É importante lembrar que, do total de horas informado na matriz curricular,
os conteúdos de formação básica correspondem a 40,48% da matriz curricular do
curso oferecido pela instituição.
5.1.2. Conteúdos de Formação Profissional
Para atender os conteúdos de formação profissional, a PUC-SP apresenta
uma proposta de 1428 horas, distribuídas entre 24 disciplinas denominadas
conforme o Quadro 11.
CONTEÚDOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL
ATIVIDADES PEDAGÓGICAS/DISCIPLINAS
Carga Horária
Contabilidade Básica
102
História do Pensamento Contábil
34
Contabilidade Intermediária
102
Contabilidade Avançada
68
Métodos de Custeio
68
Análise dos Demonstrativos Contábeis
68
Sistemas de Custeio
68
Contabilidade Gerencial
68
Controle e Gestão de Custos
68
84
Planejamento Contábil Financeiro
68
Sistemas Contábeis
34
Controladoria Governamental
68
Instituições Financeiras: Crédito e Financiamentos
68
Normas Contábeis e de Auditoria
68
Seminários de Contabilidade I
34
Auditoria
68
Controladoria Organizacional
68
Instrumentos Contábeis de Governança Corporativa
34
Seminários de Contabilidade II
34
Contabilidade Internacional
34
Perícia Contábil e Arbitragem
68
Planejamento Contábil Tributário
68
Teoria Contábil
68
Quadro 11 – Conteúdos de Formação Profissional do Curso de Ciências Contábeis da
PUC-SP
Fonte: Adaptado de PUC-SP (2013)
De acordo com a carga horária informada na grade curricular os conteúdos
de formação profissional correspondem a 50% da carga horária total do Curso
oferecido pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.
5.1.3. Conteúdos de Formação Teórico-Prática
O menor número de disciplinas e também de carga horária é a proposta
curricular da PUC-SP referente aos conteúdos de formação teórico-prática, conforme
mostra o Quadro 12. São 8 disciplinas para 272 horas, representando 9,52 % da
carga horária total do curso.
85
CONTEÚDOS DE FORMAÇÃO TEÓRICO-PRÁTICA
ATIVIDADES PEDAGÓGICAS/DISCIPLINAS
C. Horária
Introdução a Tecnologia da Informação Aplicada à Contabilidade
34
Introdução à Pesquisa Contábil
34
Oficinas de Treinamento Contábil I
34
Oficinas de Treinamento Contábil II
34
Orientação de Estágio I
34
Orientação de Estágio II
34
Orientação de Monografia I
34
Orientação de Monografia II
34
Quadro 12 – Conteúdos de Formação Teórico-Prática do Curso de Ciências Contábeis
da PUC-SP
Fonte: Adaptado de PUC-SP (2013)
Em resumo, a matriz curricular do curso de Ciências Contábeis da PUC-SP
apresenta os resultados como mostra a Tabela 1.
Campos Interligados de Formação
Carga Horária
% de Conteúdos
Conteúdos de Formação Básica
1156
40,48
Conteúdos de Formação Profissional
1428
50,00
Conteúdos de Formação Teórico-Prática
272
9,52
TOTAL
2856
100,00
Tabela 1 – Composição da Matriz Curricular do Curso de Ciências Contábeis da PUCSP
Fonte: Adaptado de PUC-SP (2013)
Previamente, os resultados obtidos na matriz curricular da PUC-SP
permitem deduzir que o curso oferecido pela instituição é estritamente profissional,
por possuir uma concentração maior de conteúdos de formação profissional.
No entanto, a comparação com os melhores cursos das universidades
brasileiras possibilitará apoiar ou não o estudo nesta dedução.
86
5.2. Estrutura Curricular dos Melhores Cursos das Universidades
Brasileiras
Embora a legislação atual, que estabelece as Diretrizes Curriculares
Nacionais para o curso de Ciências Contábeis, não determine a carga horária
mínima para a conclusão do curso de graduação há, junto ao MEC, um registro da
carga horária mínima informada pela instituição.
Neste caso, essa carga horária mínima é informada por cada uma das
universidades no processo de reconhecimento do curso na entidade reguladora. No
entanto, foi verificado que as cargas horárias registradas variam entre 2490 e 3690
horas, e do total de 23 instituições incluída a PUC-SP, 11 delas registram 3000
horas para a Formação de Bacharel em Ciências Contábeis.
O Gráfico 4 mostra a variação da carga horária para o Curso de Ciências
Contábeis, situação demonstrada por 11 registros independentes.
4000
3500
3000
2500
2000
1500
1000
500
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
Gráfico 4 – Variação da Carga horária mínima registrada junto ao MEC pelas
universidades como os melhores cursos de Ciências Contábeis do Brasil.
Fonte Adaptado de e-MEC (2013)
A carga horária registrada pela PUC-SP junto ao MEC, é de 3001 horas
ministradas em 8 semestres. Neste contexto, a PUC-SP assemelha-se à média de
carga horária informada no Gráfico 4.
87
5.2.1. Comparativo de Conteúdos de Formação Básica entre os Melhores
Cursos das Universidades Brasileiras
Os critérios utilizados para obtenção de resultados percentuais dos
conteúdos curriculares,
dos melhores cursos
de
Ciências Contábeis das
universidades brasileiras, foram os mesmos utilizados para a análise da PUC-SP,
porém, são apresentados de forma sintética para efeito de comparação.
Em
relação
aos
conteúdos
de
formação-básica
as
universidades
apresentaram os resultados que constam no Quadro 13.
Sigla da Universidade
Conteúdos de Formação Básica
FURG
27,72%
UEL
29,19%
UESC
35,19%
UFF
32,00%
UFG
37,33%
UFMG
38,24%
UFPR
32,00%
UFRGS
40,20%
UFSC
29,48%
UFSJ
31,00%
UFSM
19,00%
UFU
31,00%
UFV
39,50%
UNB
43,05%
UNICENTRO
33,27%
UNIMONTES
26,66%
UNIOESTE
26,21%
UNIP
37,25%
UP
46,75%
URI
37,86%
UTFPR
26,80%
UVV
33,33%
Quadro 13  Percentuais dos Conteúdos de Formação Básica dos Melhores Cursos de
Ciências Contábeis do Brasil.
Fonte: Elaborado pelo Autor
88
Nota-se que o menor valor percentual de conteúdos no campo de formação
básica, ministrado pelas universidades pesquisadas, foi 19% e o maior foi de
46,75% apresentado pela Universidade Positivo. A média percentual para esse
campo de formação foi de 33,3% de conteúdos ministrados.
Em relação à Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, a diferença, em
termos percentuais neste campo de formação é de aproximadamente 7% sobre o
total da carga horária informada nas matrizes curriculares, ou seja, neste campo de
formação a PUC-SP se assemelha as demais instituições, por atribuir conteúdos
relativamente próximos à média apurada entre as universidades do universo
pesquisado.
5.2.2. Comparativo de Conteúdos de Formação Profissional entre os Melhores
Cursos das Universidades Brasileiras
No campo de formação profissional de modo geral nota-se, conforme o
Quadro 12, que a maioria das universidades concentra a maior parte de disciplinas
ou carga horária em suas matrizes curriculares, sendo que o menor valor percentual
identificado, entre 22 matrizes curriculares, foi 38.67%, sendo 55,56% o maior valor
percentual de conteúdos de formação básica aplicados neste contexto.
Para tanto, a média entre os melhores cursos do Brasil é de 46,5% de
disciplinas ou carga horária atribuída e, neste caso, a PUC-SP apresentou 50% de
acordo com a distribuição de carga horária na sua matriz curricular; desta forma, é
possível considerar que não há um diferencial relevante entre o comparativo da
PUC-SP com as universidades pesquisadas, pois, estas apresentam valores
próximos à média apurada.
Sigla da Universidade
Conteúdos de Formação Profissional
FURG
53,47%
UEL
54,05%
UESC
38,89%
UFF
40,00%
UFG
48,80%
UFMG
40,20%
89
UFPR
55,00%
UFRGS
41,24%
UFSC
50,37%
UFSJ
46,00%
UFSM
54,00%
UFU
45,00%
UFV
40,00%
UNB
47,45%
UNICENTRO
47,46%
UNIMONTES
55,56%
UNIOESTE
51,46%
UNIP
47,06%
UP
41,56%
URI
40,78%
UTFPR
44,96%
UVV
38,67%
Quadro 14 – Percentuais de Conteúdos de Formação Profissional dos Melhores
Cursos de Ciências Contábeis das Universidades Brasileiras.
Fonte: Elaborado pelo Autor
5.2.3. Comparativo de Conteúdos de Formação Teórico-Prática entre os
Melhores Cursos das Universidades Brasileiras
No campo de formação teórico-prática é possível notar o diferencial entre as
universidades. Isso porque tem forte relação com as questões políticas, geográficas
e sociais onde o curso é realizado. Os valores percentuais, neste contexto,
apresentaram uma variação entre 9,5% e 28,24% de adoção de conteúdos nas
matrizes curriculares das instituições (universidades) que compõem o universo da
pesquisa.
No entanto, a média alcançada neste campo de formação foi de 20,2% e,
neste aspecto, a PUC-SP apresentou 9,52%, uma diferença maior que nos demais
campos analisados anteriormente, ou seja, o percentual de distribuição de carga
horária
demonstrado
na
matriz
curricular
da
PUC-SP
corresponde
a
90
aproximadamente 50% da média entre as 22 universidades. Este diferencial é
melhor comentado no final deste capítulo.
Sigla da Universidade
Conteúdos de Formação
Teórico-prática
FURG
18,81%
UEL
16,76%
UESC
25,92%
UFF
28,00%
UFG
13,87%
UFMG
21,56%
UFPR
13,00%
UFRGS
18,56%
UFSC
20,15%
UFSJ
23,00%
UFSM
27,00%
UFU
24,00%
UFV
20,50%
UNB
9,50%
UNICENTRO
19,27%
UNIMONTES
17,78%
UNIOESTE
22,33%
UNIP
15,69%
UP
11,69%
URI
21,36%
UTFPR
28,24%
UVV
28,00%
Quadro 15 – Percentuais de Conteúdos de Formação Teórico-Prática dos Melhores
Cursos das Universidades Brasileiras.
Fonte: Elaborado pelo Autor
91
5.2.4. Comparativo PUC-SP versus Melhores Cursos das Universidades
Brasileiras
O presente estudo pôde demonstrar, durante o desenvolvimento deste
capítulo, e de acordo com os valores percentuais apresentados, que a Pontifícia
Universidade Católica de São Paulo-PUC/SP no comparativo de resultados está
relativamente nos mesmos parâmetros de estruturação curricular para o Curso de
Graduação em Ciências Contábeis, pelo menos em dois campos integrados de
formação em relação à média apurada entre as 22 universidades pesquisadas. O
único diferencial que exige considerações na comparação nesse universo de
pesquisa é o campo de formação teórico-prática.
Na Tabela 2 é possível identificar esse diferencial.
Campos de Formação
PUC-SP
Outras Universidades
Formação Básica
40,48%
33,30%
Formação Profissional
50,00%
46,50%
Formação Teórico-prática
9,52%
20,20%
TOTAL
100%
100%
Tabela 2 – Comparativo dos Conteúdos Curriculares em valores percentuais da PUCSP versus Melhores Cursos do Brasil
Fonte: Elaborado pelo Autor
Com a mesma intenção da comparabilidade, mencionada no parágrafo
anterior ao quadro, é apresentado o recurso gráfico para corroborar com as análises
propostas para responder a situação problema da pesquisa.
92
Média entre 22 Universidades Brasileiras
PUC-SP
9,52%
20,20%
40,48%
33,30%
50,00%
46,50%
Formaçõa Básica
Formação Profissional
Formação Teórico-prática
Formação Básica
Formação Profissional
Formação Teórico-prática
Gráfico 5 – Comparativo PUC-SP versus Melhores cursos de Ciências Contábeis do
Brasil
Fonte: Elaborado pelo Autor
O maior diferencial referente aos conteúdos curriculares do Curso de
Ciências Contábeis da PUC-SP, em sua relação com os melhores cursos das
universidades brasileiras pode ser evidenciado no campo de formação teóricoprática. Isso se for considerada a média entre as 22 universidades que em termos
percentuais foi de 22,2%, enquanto que a PUC-SP atribuiu ao referido campo de
formação 9,5% da sua carga horária total, informada na matriz curricular disponível
no site oficial da instituição.
O diferencial notado, na média geral, também se confirma no comparativo
entre as universidades quando consideradas as quatro categorias administrativas,
definidas no universo da pesquisa. Isso, por que, entre as universidades sem fins
lucrativos  representadas pela UNIP, URI e UVV  a média de conteúdos no campo
de formação teórico-prática é de 21,4%. Entretanto, a UNIP apresenta, em termos
percentuais, o menor valor entre as três universidades mencionadas, sendo o maior
valor percentual apresentado pela UVV.
Os resultados apresentados pelas universidades foram os seguintes:
 UNIP = 15, 69%
 URI = 21,36%
 UVV = 28,%
 Média = 21,4%
93
Em conformidade com a análise dos resultados entre as treze universidades
públicas federais, o diferencial da PUC-SP persiste, pois a média percentual de
conteúdos teórico-práticos entre as IES pesquisadas é de 20,5%, ou seja, um valor
relativamente próximo à média apurada entra as quatro categorias administrativas
utilizadas na pesquisa.
De acordo com os resultados percentuais, entre as cinco universidades
públicas estaduais, o diferencial da PUC-SP, no campo de formação mencionado
anteriormente, se confirma pelo fato de que a média em valores percentuais da
PUC-SP foi de 9,5% e a média entre as universidades estaduais foi de 19,3%.
Conforme definido no universo de pesquisa, só havia uma universidade
privada com fins lucrativos, representada pela Universidade Positivo – UP. Esta, por
sinal, apresentou resultados semelhantes aos da PUC-SP, principalmente no campo
de formação teórico-prática, onde ficou evidente o maior diferencial entre todas as
universidades pesquisadas, sendo atribuído ao campo de formação em questão, 11,
7% de conteúdos da carga horária total informada na matriz curricular.
5.3. Comentários sobre os Resultados da Pesquisa
Atendendo ao propósito da pesquisa  comparar os conteúdos curriculares
do Curso de Ciências Contábeis da PUC-SP com os melhores cursos das
universidades brasileiras – foram considerados alguns termos no aspecto de
contemplação de projetos pedagógicos instituídos na legislação brasileira.
É importante ressaltar que o viés do presente estudo está nas Diretrizes
Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Ciências Contábeis. Tais
diretrizes foram também referenciadas em estudos anteriores como, por exemplo,
nos estudos de Teixeira (2011), de Molina (2004), entre outros.
Diante do exposto, os diferenciais apresentados pela PUC-SP, UP e UNB
em valores percentuais no comparativo com a maioria das universidades no campo
de formação teórico-prática, diz respeito, principalmente, à questão social onde
estas ministram respectivamente seus cursos, ou seja, visa atender as necessidades
atreladas à realidade do perfil dos profissionais que estas universidades irão formar.
94
Em contrapartida, as universidades que apresentaram valores percentuais
próximos à média geral apurada, neste quesito, também privilegiam as questões
sociais, no que diz respeito à inserção do futuro contador no mercado de trabalho,
ou seja, onde a possibilidade de inserção no mercado corporativo é maior, menor é
o índice de conteúdos teórico-práticos e onde a possibilidade é menor, maior é o
investimento em conteúdos teórico-práticos para que o futuro profissional consiga
enfrentar os desafios dos grandes centros e da evolução da contabilidade.
Compreende-se que os resultados da pesquisa não avaliam a qualidade dos
cursos oferecidos pelas instituições consultadas no decorrer do estudo, mas
consideram o que, em parte da Resolução 10/04, estão instituídos como elementos
estruturais que abrangem o currículo pleno de operacionalização como a questão
dos objetivos gerais, contextualização em relação às inserções institucionais,
políticas, geográficas e sociais.
95
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nestas considerações finaliza-se este trabalho, no qual foi realizada a
revisão da literatura e uma pesquisa exploratória para apresentação de um estudo
comparativo entre a PUC-SP e as melhores Universidades Brasileiras, no que diz
respeito às matrizes curriculares do Curso de Ciências Contábeis.
O viés da pesquisa se deu pelo filtro da nota 5 (cinco), conferida pelo Exame
Nacional de Desempenho de Estudantes  ENADE/2009, sendo este o último
resultado disponível no portal do MEC na internet.
Destaca-se, que os anexos disponíveis no final desta dissertação foram os
mais relevantes e/ou que ofereceram mais subsídio para o trabalho, bem como são
os que possuem um caráter explicativo dos resultados alcançados na pesquisa.
Isto posto, os resultados do presente estudo foram satisfatórios, uma vez
que a consulta documental permitiu alcançar os objetivos pretendidos, dentre estes
o de comparar os conteúdos curriculares do curso de Ciências Contábeis da PUCSP com os melhores cursos das universidades brasileiras, onde foi identificado o
principal diferencial em conteúdos de formação teórico-prática, fato que se justifica
pelo próprio perfil do aluno formado pela PUC-SP.
A pesquisa pôde constatar, após averiguação das matrizes curriculares de
22 Universidades Brasileiras avaliadas com nota máxima no ENADE 2009, inclusas
as da PUC-SP, sendo utilizada esta última para efeito de comparação.
Embora não exista um padrão definido em relação às denominações das
disciplinas e carga horária para cada campo de formação das universidades,
definidas no universo pesquisado, todas atendem às Diretrizes Curriculares
Nacionais, instituídas pelo Conselho Nacional de Educação e Câmera de Educação
Superior do Ministério da Educação.
Quanto ao perfil esperado do formando, que deve ser evidenciado nos
projetos pedagógicos das instituições por determinação das Diretrizes Curriculares
Nacionais, a pesquisa constatou o cumprimento da norma estabelecida por 100% do
grupo objeto de estudo.
No entanto, o profissional contábil está definido, em termo de habilidades e
competências nas propostas pedagógicas das universidades brasileiras, na sua
96
maioria, como generalista, dotado de habilidades técnicas e humanísticas, capaz de
trabalhar em equipe e tomar decisões.
Outro aspecto observado entre as universidades, diz respeito ao projeto
pedagógico no quesito operacionalização do curso oferecido pela instituição que,
muitas vezes, não são oferecidos ao profissional contábil de forma adequada.
A maioria das universidades não oferece as informações de forma
homogênea, ou seja, de modo que o aluno ou candidato interessado, ao verificar a
ementa do curso de Ciências Contábeis, possa obter todas as informações possíveis
e necessárias relacionadas ao curso.
A exceção foi o link, caso da Universidade Federal de Uberlândia, que
disponibiliza uma ementa em forma de guia acadêmico e consegue atender a
contento o aluno/candidato. No projeto pedagógico da UFU para o curso de Ciências
Contábeis, as informações estão organizadas de modo que o usuário consiga
entender detalhadamente a composição da matriz curricular e a distribuição da
carga horária em relação a cada campo de formação, assim como, as opções de
atividades complementares e eventos previstos para o decorrer do ano letivo e, além
disso, disponibiliza um mapa com a localização dos campi e também onde é
realizado o curso.
Ao realizar a comparação entre as universidades, percebe-se que as
instituições localizadas em cidades do interior, de alguns estados do país,
proporcionam uma carga horária de conteúdos de formação teórico-prática maior
que as instituições localizadas em grandes polos empregatícios como São Paulo e
Brasília que apresentam, coincidentemente, os dois índices percentuais mais baixos
dentre todas as universidades pesquisadas no referido campo de formação.
No caso da PUC-SP, o currículo do curso de Ciências Contábeis visa à
formação de profissionais que, em sua maioria, trazem grande contribuição, além de
vivência teórico-prática, pois já estão inseridos no mercado de trabalho e até
exercem funções como analistas, assistentes, dentre outras, em empresas de
grande porte, multinacionais, empresas de auditoria, razão pela qual escolhem o
curso de Ciências Contábeis da PUC-SP.
Outro motivo desta escolha vem pelo diferencial oferecido pela instituição,
que conta com um corpo docente formado por estudiosos da contabilidade,
composto por Livres Docentes, Doutores e Mestres.
97
Dedutivamente, a UNB  localizada na capital do Distrito Federal  se
assemelha à PUC-SP, no que diz respeito ao perfil do aluno. Em ambas, PUC-SP e
UNB, o perfil evidencia a tendência de se buscar fundamentação básica e
profissional para alinhar à bagagem profissional que o aluno já traz das empresas
onde atuou ou atua.
Como sugestão para novas pesquisas, é interessante considerar a mesma
problemática, porém, com uma proposta focada numa pesquisa de campo, no intuito
de investigar o profissional contábil recém-formado, ou em fase de conclusão, do
curso de graduação em Ciências Contábeis, de distintas Instituições de Ensino
Superior.
O intuito, com esta sugestão, está em perceber qual o grau de satisfação e
motivação de profissional em relação à estrutura do curso e suas perspectivas
profissionais.
98
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de Contabilidade – UFSC, Florianópolis, v.8, nº 16, p. 137-152, jul./dez., 2011.
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SECURATO, José Roberto. Decisões Financeiras em condições de risco. São
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SEVERINO, Antônio J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo:
Cortez, 2010.
SILVA, Marco Aurélio da. Fundamentos de Perícia Contábil: Teoria e Prática. São
Bernardo do Campo: UMESP, 2005.
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Dissertação. Florianópolis: LED/UFSC, 2000.
TEIXEIRA, Ana Cristina Campos Prado. Atividades Complementares em Ciências
Contábeis: Possibilidade de Aliar a Teoria à Pratica e Flexibilizar a Formação.
107f. Dissertação (Mestrado em Ciências Contábeis e Atuariais). Pontifícia
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Estudo de Caso: Planejamento e métodos. Porto Alegre:
102
REFERÊNCIAS DAS LEGISLAÇÕES
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Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Ciências
Contábeis, bacharelado e dá outras providências. Brasília: MEC, 2004.
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graduação, bacharelados, na modalidade presencial. Brasília: MEC 2007.
______. Resolução CNE/CES, n. 3, de 3 de junho de 1992. Fixa os mínimos de
conteúdo e duração do curso de graduação em Ciências Contábeis. Brasília: MEC,
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______. Lei nª 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por
Ações. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6404consol.htm>
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______. Circular nº 179/72 do Banco Central do Brasil. Resolução nº 220, de 10 de
maio de 1972. Dispõe sobre Normas Gerais de Auditoria, Princípios e Normas de
Contabilidade. Disponível em: <www.bcb.gov.br/pre/normativos/circ/1972/pdf/circ_
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CONSELHO FEDERAL DE CONTABILIDADE. Resolução CFC n. 560/83 de 28 de
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______. Resolução CFC Nº 1.243, de 10 de dezembro de 2009. Aprova a NBC TP
01 - Perícia Contábil. Disponível em: <http://www.normaslegais.com.br/legislacao/
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______. Normas Brasileiras de Contabilidade. NBC TP 01 – Norma Técnica de
Perícia Contábil. Disponível em
http://50.97.105.38/~cfcor495/wordpress/wpcontent/uploads/2012/12/NBC_TP_01.pdf Acesso em 05 mar. 2013.
103
REFERÊNCIAS DAS INSTITUIÇÕES PESQUISADAS
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO – PUC-SP. Curso de
Graduação em Ciências Contábeis: Matriz Curricular. Disponível em:
<http://www3.pucsp.br/cursos/21/matriz_curricular> Acesso em: 23 jun. 2013.
UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA – UNB. Curso de Ciências Contábeis: Currículo
da Habilitação – Graduação. Disponível em < https://condoc.unb.br/matriculaweb/
graduacao/curriculo.aspx?cod=8583> Acesso em : 23 jun. 2013.
UNIVERSIDADE DO RIO GRANDE DO SUL - FURG. Curso de Graduação em
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Disciplinas
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Disponível
em:
<http://www.furg.br/bin/link_servicos/index.php> Acesso em: 15 jun. 2013.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS – UFG. Projeto Pedagógico do Curso de
Ciências
Contábeis:
PPC
Contábeis
2012.
Disponível
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http://ccontabeis.face.ufg.br/projeto-pedagogico/> Acesso em: 27 jun. 2013.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE LONDRINA – UEL. Projetos Pedagógicos dos
Cursos de Graduação: Curso de Ciências Contábeis – Resolução CEPE/CA nº
0268/2009. Disponível em <http://www.uel.br/prograd/?content=pp/pp.html> Acesso
em: 15 jun. 2013.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MONTES CLAROS – UNIMONTES. Estrutura
Curricular – 2010 do Curso de Ciências Contábeis – Bacharelado. Disponível em
<http://www.unimontes.br/images/stories/ensino/Estruturas_Curriculares/CCSA/EstC
urric-Cincias_ContbeisPPP2010.pdf> Acesso em : 23 jun. 2013.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE SANTA CRUZ - UESC. Curso de Graduação em
Ciências Contábeis: Disciplinas. Disponível em: <http://www.uesc.br/cursos/
graduacao/bacharelado/ciencias_contabeis/index.php?item=conteudo_disciplinas.ph
p> Acesso em: 23 jun. 2013.
UNIVERSIDADE ESTADUAL DO CENTRO OESTE – UNICENTRO. Setor de
Ciências Sociais Aplicadas – Unidade Irati – Currículo Pleno, Curso: Ciências
Contábeis
(050/I
–
Noite
–
Curso.
2009).
Disponível
em:
http://sites.unicentro.br/irati/graduacao/ Acesso em: 23 jun. 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE – UFF. Curso de Ciências Contábeis:
Matriz Curricular. Disponível em <https://sistemas.uff.br/iduff/sid137avUfd98/
consultaMatrizCurricular.uff> Acesso em: 23 jun. 2013.
104
UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS - UFMG. Curso de Graduação em
Ciências Contábeis: Estruturas Curriculares versão 2010/2. Disponível em:
<http://web.face.ufmg.br/face/portal/ciencias-contabeis/estruturas/2268-versao20102.html> Acesso em: 06 jun. 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL REI – UFSJ. Curso de Ciências
Contábeis: Fluxograma e Matriz do Novo Currículo 2007. Disponível em
<http://www.ufsj.edu.br/cocic/fluxograma_e_matriz.php> Acesso em: 23 jun. 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA – UFSC. Ciências Contábeis:
Currículo do Curso. Disponível em < https://ead.ufsc.br/contabeis/coordenacao/>
Acesso em: 05 maio 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA – UFSM. Projetos
Pedagógicos dos Cursos da UFSM Sediados em Santa Maria – Curso de
Ciências Contábeis: Currículo. Disponível em <http://w3.ufsm.br/prograd/
cursos/CIENCIAS%20CONTABEIS/> Acesso em: 15 jun. 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA – UFU. Faculdade de Ciências
Contábeis: Graduação, Estrutura Curricular versão 2007. Disponível em <
http://www.facic.ufu.br/novo/#graduacao/grade2007> Acesso em: 06 jun. 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA – UFV. CCH – Matrizes Curriculares dos
Cursos do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes: Curso de Ciências
Contábeis.
Disponível
em
<http://www.ufv.br/pre/files/fra/catalogo/c2009_
vicosa.html> Acesso em: 15 jun. 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ - UFRP. Currículo Pleno do Curso de
Ciências Contábeis UFRP – Resolução 42/07 CEPE. Disponível em:
http://www.contabeis.ufpr.br/?page_id=5> Acesso em: 06 jun. 2013.
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL – UFRGS. Bacharelado em
Ciências Contábeis – Noturno: Currículo, Período Letivo 2013/1. Disponível em
<http://www.ufrgs.br/ufrgs/ensino/graduacao/cursos/exibeCurso?cod_curso=308>
Acesso em: 23 jun. 2013.
UNIVERSIDADE PAULISTA – UNIP. Curso de Graduação em Ciências
Contábeis: Matriz Curricular. Disponível em < http://www3.unip.br/ensino/
graduacao/tradicionais/hum_cien_contabeis.aspx> Acesso em: 06 jun. 2013.
UNIVERSIDADE POSITIVO – UP. Curso de Graduação em Ciências Contábeis:
Disciplinas - Matriz Curricular. Disponível em < http://up.com.br/cmspositivo/uploads/
imagens/files/cont%C3%A1beis%20matriz.pdf> Acesso em: 15 jun. 2013.
105
UNIVERSIDADE REGIONAL INTEGRADA DO ALTO URUGUAI E DAS MISSÕES –
URI. Curso de Ciências Contábeis: Grade Curricular. Disponível em <
http://www.reitoria.br/soap/gradecurricular_x3.php?semestre=&cod_curriculo=249>
Acesso em: 23 jun. 2013.
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ – UTFPR. Curso de
Ciências Contábeis: Disciplinas/Unidades Curriculares. Disponível em <
http://www.utfpr.edu.br/estrutura-universitaria/pro-reitorias/prograd/catalogo-decursos-da-utfpr/pato-branco/ciencias-contabeis#Disciplinas> Acesso em: 06 jun.
2013.
UNIVERSIDADE VEIGA DE ALMEIDA – UVA. Curso de Graduação em Ciências
Contábeis:
Competência
e
Habilidades.
Disponível
em
<
http://www.uva.br/cursos/graduacao/ciencias-contabeis> Acesso em: 06 jun. 2013.
UNIVERSIDADE VILA VELHA – UVV. Curso de Graduação em Ciências
Contábeis: Matriz Curricular. Disponível em: <http://www.uvv.br/detalhe/31/
ciencias-contabeis.aspx> Acesso em: 23 jun. 2013.
106
ANEXOS
ANEXO I  Resolução CNE/CES 10, de 16 de Dezembro de 2004
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
CÂMARA DE EDUCAÇÃO SUPERIOR
RESOLUÇÃO CNE/CES 10, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2004 2(*) (**)
Institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso
de Graduação em Ciências Contábeis, bacharelado, e dá
outras providências.
O Presidente da Câmara de Educação Superior do Conselho Nacional de Educação,
no uso de suas atribuições, conferidas pelo art. 9º, § 2º, alínea “c”, da Lei 4.024, de
20 de dezembro de 1961, com a redação dada pela Lei 9.131, de 25 de novembro
de 1995, e tendo em vista as diretrizes e os princípios fixados pelos Pareceres
CNE/CES 776, de 3/12/97, CNE/CES 583, de 4/4/2001, CNE/CES 67, de 11/3/2003,
bem como o Parecer CNE/CES 289, de 6/11/2003, alterado pelo Parecer CNE/CES
269, de 16/09/2004, todos homologados pelo Ministro da Educação, resolve:
Art. 1º A presente Resolução institui Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso
de graduação em Ciências Contábeis, bacharelado, a serem observadas pelas
Instituições de Educação Superior.
Art. 2º As Instituições de Educação Superior deverão estabelecer a organização
curricular para cursos de Ciências Contábeis por meio de Projeto Pedagógico, com
descrição dos seguintes aspectos:
I - perfil profissional esperado para o formando, em termos de competências e
habilidades;
II – componentes curriculares integrantes;
III - sistemas de avaliação do estudante e do curso;
IV - estágio curricular supervisionado;
V - atividades complementares;
VI – monografia, projeto de iniciação científica ou projeto de atividade – como
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) – como componente opcional da instituição;
VII - regime acadêmico de oferta;
VIII - outros aspectos que tornem consistente o referido Projeto.
§ 1º O Projeto Pedagógico, além da clara concepção do curso de graduação em
Ciências Contábeis, com suas peculiaridades, seu currículo pleno e
() Resolução CNE/CES 10/2004. Diário Oficial da União, Brasília, 28 de dezembro de 2004, Seção
1, p. 15
() RETIFICAÇÃO Resolução CNE/CES 10/2004. Diário Oficial da União, Brasília, de 11 de março
de 2005, Seção 1, p. 9: Na RESOLUÇÃO CNE/CES 10, DE 16 DE DEZEMBRO DE 2004, publicada
no Diário Oficial da União de 28/12/2004, Seção 1, página 15, “onde se lê: “Art. 3º O curso de
graduação em Ciências Contábeis deve ensejar condições para que o futuro CONTABILISTA”, leiase: “Art. 3º O curso de graduação em Ciências Contábeis deve ensejar condições para que o futuro
CONTADOR”.
107
operacionalização, abrangerá, sem prejuízo de outros, os seguintes elementos
estruturais:
I - objetivos gerais, contextualizados em relação às suas inserções institucional,
política, geográfica e social;
II - condições objetivas de oferta e a vocação do curso;
III - cargas horárias das atividades didáticas e para integralização do curso;
IV - formas de realização da interdisciplinaridade;
V - modos de integração entre teoria e prática;
VI - formas de avaliação do ensino e da aprendizagem;
VII - modos da integração entre graduação e pós-graduação, quando houver;
VIII - incentivo à pesquisa, como necessário prolongamento da atividade de ensino e
como instrumento para a iniciação científica;
IX - concepção e composição das atividades de estágio curricular supervisionado,
suas diferentes formas e condições de realização, observado o respectivo
regulamento;
X - concepção e composição das atividades complementares;
XI - inclusão opcional de trabalho de conclusão de curso (TCC).
§ 2º Projetos Pedagógicos para cursos de graduação em Ciências Contábeis
poderão admitir Linhas de Formação Específicas nas diversas áreas da
Contabilidade, para melhor atender às demandas institucionais e sociais.
§ 3º Com base no princípio de educação continuada, as IES poderão incluir no
Projeto Pedagógico do curso, a oferta de cursos de pós-graduação lato sensu, nas
respectivas Linhas de Formação e modalidades, de acordo com as efetivas
demandas do desempenho profissional.
Art. 3º O curso de graduação em Ciências Contábeis deve ensejar condições para
que o futuro contabilista seja capacitado a:
I - compreender as questões científicas, técnicas, sociais, econômicas e financeiras,
em âmbito nacional e internacional e nos diferentes modelos de organização;
II - apresentar pleno domínio das responsabilidades funcionais envolvendo
apurações, auditorias, perícias, arbitragens, noções de atividades atuariais e de
quantificações de informações financeiras, patrimoniais e governamentais, com a
plena utilização de inovações tecnológicas;
III - revelar capacidade crítico-analítica de avaliação, quanto às implicações
organizacionais com o advento da tecnologia da informação.
Art. 4º O curso de graduação em Ciências Contábeis deve possibilitar formação
profissional que revele, pelo menos, as seguintes competências e habilidades:
I - utilizar adequadamente a terminologia e a linguagem das Ciências Contábeis e
Atuariais;
II - demonstrar visão sistêmica e interdisciplinar da atividade contábil;
III - elaborar pareceres e relatórios que contribuam para o desempenho eficiente e
eficaz de seus usuários, quaisquer que sejam os modelos organizacionais;
IV - aplicar adequadamente a legislação inerente às funções contábeis;
108
V - desenvolver, com motivação e através de permanente articulação, a liderança
entre equipes multidisciplinares para a captação de insumos necessários aos
controles técnicos, à geração e disseminação de informações contábeis, com
reconhecido nível de precisão;
VI - exercer suas responsabilidades com o expressivo domínio das funções
contábeis, incluindo noções de atividades atuariais e de quantificações de
informações financeiras, patrimoniais e governamentais, que viabilizem aos agentes
econômicos e aos administradores de qualquer segmento produtivo ou institucional
o pleno cumprimento de seus encargos quanto ao gerenciamento, aos controles e à
prestação de contas de sua gestão perante à sociedade, gerando também
informações para a tomada de decisão, organização de atitudes e construção de
valores orientados para a cidadania;
VII - desenvolver, analisar e implantar sistemas de informação contábil e de controle
gerencial, revelando capacidade crítico analítica para avaliar as implicações
organizacionais com a tecnologia da informação;
VIII - exercer com ética e proficiência as atribuições e prerrogativas que lhe são
prescritas através da legislação específica, revelando domínios adequados aos
diferentes modelos organizacionais.
Art. 5º Os cursos de graduação em Ciências Contábeis, bacharelado, deverão
contemplar, em seus projetos pedagógicos e em sua organização curricular,
conteúdos que revelem conhecimento do cenário econômico e financeiro, nacional e
internacional, de forma a proporcionar a harmonização das normas e padrões
internacionais de contabilidade, em conformidade com a formação exigida pela
Organização Mundial do Comércio e pelas peculiaridades das organizações
governamentais, observado o perfil definido para o formando e que atendam aos
seguintes campos interligados de formação:
I - conteúdos de Formação Básica: estudos relacionados com outras áreas do
conhecimento, sobretudo Administração, Economia, Direito, Métodos Quantitativos,
Matemática e Estatística;
II - conteúdos de Formação Profissional: estudos específicos atinentes às Teorias da
Contabilidade, incluindo as noções das atividades atuariais e de quantificações de
informações financeiras, patrimoniais, governamentais e não-governamentais, de
auditorias, perícias, arbitragens e controladoria, com suas aplicações peculiares ao
setor público e privado;
III - conteúdos de Formação Teórico-Prática: Estágio Curricular Supervisionado,
Atividades Complementares, Estudos Independentes, Conteúdos Optativos, Prática
em Laboratório de Informática utilizando softwares atualizados para Contabilidade.
Art. 6º A organização curricular do curso de graduação em Ciências Contábeis
estabelecerá, expressamente, as condições para a sua efetiva conclusão e
integralização curricular, de acordo com os seguintes regimes acadêmicos que as
Instituições de Ensino Superior adotarem: regime seriado anual; regime seriado
semestral; sistema de créditos com matrícula por disciplina ou por módulos
acadêmicos, com a adoção de pré-requisitos, atendido o disposto nesta Resolução.
Art. 7º O Estágio Curricular Supervisionado é um componente curricular direcionado
para a consolidação dos desempenhos profissionais desejados, inerentes ao perfil
do formando, devendo cada instituição, por seus Colegiados Superiores
109
Acadêmicos, aprovar o correspondente regulamento, com suas diferentes
modalidades de operacionalização.
§ 1º O estágio de que trata este artigo poderá ser realizado na própria instituição de
ensino, mediante laboratórios que congreguem as diversas ordens práticas
correspondentes aos diferentes pensamentos das Ciências Contábeis e desde que
sejam estruturados e operacionalizados de acordo com regulamentação própria,
aprovada pelo conselho superior acadêmico competente, na instituição.
§ 2º As atividades de estágio poderão ser reprogramadas e reorientadas de acordo
com os resultados teórico-práticos gradualmente revelados pelo aluno, até que os
responsáveis pelo estágio curricular possam considerá-lo concluído, resguardando,
como padrão de qualidade, os domínios indispensáveis ao exercício da profissão.
§ 3º Optando a instituição por incluir no currículo do curso de graduação em
Ciências Contábeis o Estágio Supervisionado de que trata este artigo, deverá emitir
regulamentação própria, aprovada pelo seu Conselho Superior Acadêmico,
contendo, obrigatoriamente, critérios, procedimentos e mecanismos de avaliação,
observado o disposto no parágrafo precedente.
Art. 8º As Atividades Complementares são componentes curriculares que
possibilitam o reconhecimento, por avaliação, de habilidades, conhecimentos e
competências do aluno, inclusive adquiridas fora do ambiente escolar, abrangendo a
prática de estudos e atividades independentes, transversais, opcionais, de
interdisciplinaridade, especialmente nas relações com o mundo do trabalho e com as
ações de extensão junto à comunidade.
Parágrafo único. As Atividades Complementares devem constituir-se de
componentes curriculares enriquecedores e implementadores do próprio perfil do
formando, sem que se confundam com estágio curricular supervisionado.
Art. 9º O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) é um componente curricular
opcional da instituição que, se o adotar, poderá ser desenvolvido nas modalidades
de monografia, projeto de iniciação científica ou projetos de atividades centrados em
áreas teórico-práticas e de formação profissional relacionadas com o curso.
Parágrafo único. Optando a Instituição por incluir Trabalho de Conclusão de Curso TCC, nas modalidades referidas no caput deste artigo, deverá emitir regulamentação
própria, aprovada pelo seu Conselho Superior Acadêmico, contendo,
obrigatoriamente, critérios, procedimentos e mecanismos de avaliação, além das
diretrizes técnicas relacionadas à sua elaboração.
Art.10. A duração e a carga horária dos cursos de graduação, bacharelados, serão
estabelecidas em Resolução da Câmara de Educação Superior.
Art.11. As Diretrizes Curriculares Nacionais desta Resolução deverão ser
implantadas pelas Instituições de Educação Superior, obrigatoriamente, no prazo
máximo de dois anos, aos alunos ingressantes, a partir da publicação desta.
110
Parágrafo único. As IES poderão optar pela aplicação das Diretrizes Curriculares
Nacionais aos demais alunos do período ou ano subsequente à publicação desta.
Art. 12. Esta Resolução entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se a
Resolução CNE/CES nº 6, de 10 de março de 2004, e demais disposições em
contrário.
Edson de Oliveira Nunes
Presidente da Câmara de Educação Superior
CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
CAMARA DE EDUCAÇÃO SUPEIOR
111
ANEXO II – Matriz Curricular do Curso de Ciências Contábeis da PUC-SP
112
113
ANEXO III – Matriz Curricular do Curso de Ciências Contábeis da UFU
114
115
116
117
ANEXO IV – Matriz Curricular da Universidade Estadual de Santa Cruz – UESC
Disciplinas – UESC – Universidade Estadual de Santa Cruz
PRIMEIRO SEMESTRE
DISCIPLINAS
Teoria da Contabilidade
Teoria Econômica I
Fundamentos Matemáticos
Comunicação e Expressão
Introdução à Ciência dos Computadores
Sociologia Aplicada
Carga Horária do 1º Semestre
SEGUNDO SEMESTRE
CARGA HORÁRIA
60
60
60
60
60
60
360
DISCIPLINAS
Contabilidade I
Teoria Econômica II
Matemática Aplicada e Financeira
Metodologia da Pesquisa
Teoria Geral da Administração
Instituições de Direito Público e Privado
Carga Horária do 2º Semestre
TERCEIRO SEMESTRE
CARGA HORÁRIA
60
60
60
60
60
60
360
DISCIPLINAS
Contabilidade II
Direito Empresarial
Psicologia Aplicada
Estatística
Ética Geral e Profissional
Eletiva
Carga Horária 3º Semestre
QUARTO SEMESTRE
CARGA HORÁRIA
60
60
60
60
60
60
360
DISCIPLINAS
Contabilidade Societária
Orçamento Público
Administração de Recursos Humanos
Direito Previdenciário e Trabalhista.
Planejamento Estratégico e Orçamento Empresarial.
Estatística II
Carga Horária do 4º Semestre
QUINTO SEMESTRE
CARGA HORÁRIA
60
60
60
60
60
60
360
DISCIPLINAS
Contabilidade de Custos I
Contabilidade do Terceiro Setor Cooperativismo
Contabilidade Pública
Direito Tributário
Contabilidade Avançada
Eletiva
Carga Horária do 5º Semestre
CARGA HORÁRIA
60
60
60
60
60
60
360
118
SEXTO SEMESTRE
DISCIPLINAS
Contabilidade de Custos II
Contabilidade Tributária
Análise das Demonstrações Contábeis
Perícia Contábil
Auditoria Contábil
Estágio Supervisionado
Carga Horária do 6º Semestre
SÉTIMO SEMESTRE
CARGA HORÁRIA
60
60
60
60
60
300
600
DISCIPLINAS
Auditoria Governamental
Contabilidade Agro-industrial
Sistema de Informações Contábeis
Contabilidade Gerencial
TCC I
Orientação para Seminários Contábeis
Carga Horária do 7º Semestre
OITAVO SEMESTRE
CARGA HORÁRIA
60
60
60
60
60
60
360
DISCIPLINAS
Contabilidade Atuarial
Contabilidade Social e Ambiental
Jogos de Negócios
TCC II
Eletiva
Eletiva
Carga Horária do 8º Semestre
CARGA HORÁRIA
60
60
60
60
60
60
360
DISCIPLINAS ELETIVAS
DISCIPLINAS
Administração de Vendas
Instituições Financeiras e Mercado de Capitais
Direito Administrativo
Finanças Públicas
Direito Municipal
Economia do Setor Público
Economia Internacional
Direito Internacional
Tópicos de Contabilidade Internacional I
Tópicos de Contabilidade Internacional II
Contabilidade Industrial
Contabilidade Bancária
Contabilidade de Seguros
Administração da Produção I
Administração da Produção II
Análise de Custos
Contabilidade Social
CARGA HORÁRIA
60
60
60
60
60
60
60
60
60
60
60
60
60
60
60
60
60
119
Integralização Final
ATIVIDADES
Disciplinas
Estágio Supervisionado/ TCC
Atividades Complementares
TOTAL GERAL
CARGA HORÁRIA TOTAL
2700
420
120
3240 h/a
Download

comparação dos conteúdos curriculares no curso de ciências