UNIVERSIDADE FUMEC FACULDADE DE CIÊNCIAS EMPRESARIAIS - FACE Mestrado em Administração RICARDO LUIZ DE FREITAS COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL EM REDES PARA POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO E DESEMPENHO SUPERIOR: UM ESTUDO NO SETOR DE TI Belo Horizonte – MG 2012 RICARDO LUIZ DE FREITAS COMPORTAMENTO ORGANIZACIONAL EM REDES PARA POSICIONAMENTO ESTRATÉGICO E DESEMPENHO SUPERIOR: UM ESTUDO NO SETOR DE TI Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Administração, da Universidade FUMEC, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Mestre em Administração. Área de concentração: Gestão Estratégica e Comportamento Organizacional Orientador: Gonçalves Belo Horizonte – MG 2012 Prof. Dr. Carlos Alberto . F866c 2012 Freitas, Ricardo Luiz de. Comportamento organizacional em redes para posicionamento estratégico e desempenho superior: um estudo no setor de TI. / Ricardo Luiz de Freitas ; Orientador, Carlos Alberto Gonçalves. – 2012. 172f. : il. ; 30 cm. Dissertação (Mestrado) – Universidade FUMEC. Faculdade de Ciências Empresariais, 2012. Inclui bibliografia. 1. Comportamento organizacional – Estudo de casos. 2. Relações interorganizacionais – Estudo de casos. I. Gonçalves, Carlos Alberto. II. Universidade FUMEC. Faculdade de Ciências Empresariais. III. Título. CDU: 65.013 Elaborada por Olívia Soares de Carvalho. CRB/6: 2070 Universidade FUMEC Faculdade de Ciências Empresariais - FACE Curso de Mestrado em Administração Dissertação intitulada “Comportamento Organizacional em Redes para Posicionamento Estratégico e Desempenho Superior: Um Estudo no Setor de TI”, de autoria do mestrando Ricardo Luiz de Freitas, aprovada pela banca examinadora constituída pelos seguintes professores: Prof. Dr. Carlos Alberto Gonçalves – Universidade FUMEC (Orientador) Prof. Dr. Cid Gonçalves Filho – Universidade FUMEC Profa. Dra. Gláucia Maria Vasconcellos Vale – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais Belo Horizonte, 20 de novembro de 2012 Av. Afonso Pena, 3880 – Belo Horizonte, MG – 30130-009 – Brasil – tel.: (31) 3223-8033 À minha família, que tanto me incentiva para o aprimoramento de minha carreira acadêmica. A minha mãe, pela confiança ímpar em mim e pelas suas fervorosas orações a meu favor. AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Prof. Carlos Alberto, pelo gênio que é e pelos agradáveis e surpreendentes bate papos que tivemos, os quais me levaram a refletir bastante sobre este trabalho e sobre outras áreas de minha vida. Ao Rui Fernando Ferreira, aluno e bolsista de pesquisa do ProPIC da FUMEC, grande conhecedor do assunto “redes sociais” e dos softwares ligados a elas e das questões burocráticas que envolvem um trabalho como este. O meu agradecimento pela ajuda nos momentos complicados desta caminhada. Aos funcionários da Secretaria do Mestrado da FUMEC, sempre cordiais, atenciosos e eficientes no atendimento às nossas solicitações e que nunca mediram esforços para nos ajudarem. Aos meus colegas, professores e funcionários da Faculdade de Engenharia e Arquitetura da FUMEC, pelo incentivo e preocupação com minha formação. Ao meu colega, amigo e professor da FEA Rodrigo Richard, pelo incentivo, apoio e orientação nos momentos mais difíceis deste trabalho. Ao pessoal da SUCESU-MG, na pessoa do seu presidente, Marcos Calmon, pela força e por ter acreditado e apoiado este trabalho. Aos dirigentes das empresas que entrevistei, os quais foram objeto desta pesquisa, pela forma cordial e compromissada com que me receberam e pela confiança em mim ao liberem informações estratégicas das empresas que dirigem. A minha família – esposa, filhos, pais e irmã –, pelo grande apoio, incentivo e paciência nos momentos de estresse, em especial, à minha querida companheira de vida, Ilíada, pelo amor que tanto me fortalece em momentos complicados de minha vida, alguns deles vividos ao longo deste trabalho. Ao meu falecido irmão, Alexandre, que nos deixou ainda jovem e que sempre confiou em mim. Muitas saudades! LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 - Dos concorrentes à distância competitiva.............................................. 23 FIGURA 2 - As cinco forças que governam a competição em um setor....................27 FIGURA 3 - Os três níveis de análise da administração estratégica .........................30 FIGURA 4 - Exemplo genérico de netchain...............................................................39 FIGURA 5 - Espiral do conhecimento........................................................................ 47 FIGURA 6 - Espiral de criação do conhecimento organizacional ..............................49 FIGURA 7 - Modelo hipotético conceitual.................................................................. 52 FIGURA 8 - Exemplo de matriz relacional (ou adjacência) ....................................... 54 FIGURA 9 - Representação gráfica de uma matriz relacional ................................... 55 FIGURA 10 - Redes com diferentes níveis de densidade – Exemplo A ....................57 FIGURA 11 - Redes com diferentes níveis de densidade – Exemplo B ....................57 FIGURA 12 - Grau de centralização em 100%..........................................................58 FIGURA 13 - Grau de centralização em 0%..............................................................58 FIGURA 14 - Centralidade de proximidade ...............................................................59 FIGURA 15 - Grau de Intermediação “10” ................................................................. 60 FIGURA 16 - Grau de Intermediação “0” ................................................................... 60 FIGURA 17 - Equivalência entre escalas .................................................................. 65 FIGURA 18 - Legenda padrão (atores) ..................................................................... 90 FIGURA 19 - Legenda padrão (relações).................................................................. 90 FIGURA 20 - Atuação em rede ................................................................................. 91 FIGURA 21 - Estrutura de competição ...................................................................... 97 FIGURA 22 - Rede de cooperação ......................................................................... 102 FIGURA 23 - Rede de aprendizagem relacional ..................................................... 109 FIGURA 24 - Tendência de aumento da cooperação ............................................. 117 FIGURA 25 - Tendência na política de relacionamento .......................................... 119 FIGURA 26 - Hipótese H1: Atuação em rede versus Cooperação ..........................121 FIGURA 27 – Hipótese H2: Cooperação versus Política de relacionamento .......... 122 FIGURA 28 – Hipótese H3: Cooperação versus Aprendizagem relacional ............. 123 FIGURA 29 – Hipótese H4: Aprendizagem relacional versus Fortalecimento da rede ................................................................................................................................ 123 FIGURA 30 – Hipótese H5: Fortalecimento da rede versus Competição ................ 124 FIGURA 31 – Hipótese H6: Cooperação versus Competição ................................. 125 FIGURA 32 – Hipótese H7: Competição versus Atuação em rede ......................... 125 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 - Os quatro critérios da vantagem competitiva sustentável ...................25 QUADRO 2 - Abordagens teóricas sobre os relacionamentos interorganizacionais . 35 QUADRO 3 - Características e tipologia de redes ....................................................37 QUADRO 4 - Principais traços de abordagens sobre aglomerados territoriais ......... 41 QUADRO 5 - Os dois tipos de conhecimento............................................................46 QUADRO 6 - Indicadores de análise de redes ..........................................................66 QUADRO 7 - Escala e descrição de valores (questões estratégicas) .......................75 QUADRO 8 - Descrição dos construtos .................................................................... 87 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - Dados da entrevista, dos gestores entrevistados e das empresas pesquisadas .............................................................................................................. 71 TABELA 2 - Faixa de idade dos gestores entrevistados ........................................... 72 TABELA 3 - Tempo de trabalho do gestor na empresa............................................. 72 TABELA 4 - Tempo de vida da empresa ................................................................... 73 TABELA 5 - Localização das unidades instaladas ....................................................73 TABELA 6 - Empregados atuando fora de MG .........................................................74 TABELA 7 - Faturamento anual ................................................................................ 74 TABELA 8 - Estratégias organizacionais ................................................................... 76 TABELA 9 - Estratégias de rede ............................................................................... 77 TABELA 10 - Estratégias de cooperação e competição ............................................ 78 TABELA 11 - Frequência de relacionamento entre as empresas..............................80 TABELA 12 - Principal motivo da relação entre as empresas ................................... 81 TABELA 13 - Base predominante do relacionamento entre as empresas ................ 82 TABELA 14 – Importância do relacionamento entre as empresas ............................83 TABELA 15 – Comprometimento relacional entre as empresas ...............................84 TABELA 16 - Medidas da estrutura de atuação em rede .......................................... 91 TABELA 17 - Grau de saída na estrutura de atuação em rede ................................. 93 TABELA 18 - Grau de entrada na estrutura de atuação em rede..............................93 TABELA 19 - Intermediação na estrutura de atuação em rede ................................. 94 TABELA 20 - Proximidade na estrutura de atuação em rede .................................... 95 TABELA 21 - Cliques na estrutura de atuação em rede ............................................ 96 TABELA 22 - Medidas da estrutura de competição...................................................98 TABELA 23 - Grau de entrada na estrutura de competição ...................................... 99 TABELA 24 - Cliques na estrutura de competição .................................................. 101 TABELA 25 - Medidas da rede de cooperação ....................................................... 103 TABELA 26 - Grau de saída na rede de cooperação .............................................. 104 TABELA 27 - Grau de entrada na rede cooperação................................................ 104 TABELA 28 - Intermediação da rede cooperação ...................................................106 TABELA 29 - Proximidade na rede de cooperação ................................................. 107 TABELA 30 - Cliques na rede de cooperação ......................................................... 108 TABELA 31 - Medidas da rede de aprendizagem relacional ................................... 110 TABELA 32 - Grau de saída na rede de aprendizagem relacional ..........................111 TABELA 33 - Grau de entrada na rede aprendizagem relacional ...........................111 TABELA 34 - Intermediação na rede de aprendizagem relacional ..........................113 TABELA 35 - Proximidade na rede de aprendizagem relacional.............................114 TABELA 36 - Cliques na rede de aprendizagem relacional..................................... 115 TABELA 37 - Tendências de fortalecimento da rede .............................................. 116 TABELA 38 - Tendências da política de relacionamento ........................................ 118 TABELA 39 - Resumo das análises das redes........................................................120 TABELA 40 - Análise de correlação dos construtos ................................................ 126 TABELA 41 - Análise de correlação dos construtos ampliada ................................ 128 LISTA DE GRÁFICOS GRÁFICO 1 - Frequência de relacionamento entre as empresas .............................80 GRÁFICO 2 - Principal motivo da relação entre as empresas .................................. 81 GRÁFICO 3 - Base predominante do relacionamento entre as empresas ................ 82 GRÁFICO 4 - Importância do relacionamento entre as empresas ............................83 GRÁFICO 5 - Comprometimento relacional entre as empresas................................85 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AÇOMINAS Aços Minas Gerais S/A. ANATEL Agência Nacional de Telecomunicações BDMG Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais BGC Boston Consulting Group BH Belo Horizonte CEMIG Cia Energética de Minas Gerais CIO Chief Information Officer COPASA Cia de Saneamento de Minas Gerais DER-MG Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais EMBRATEL Empresa Brasileira de Telecomunicações S/A EnANPAD Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração FUMEC Fundação Mineira de Educação e Cultura HP Hewlett Packard MG Minas Gerais NL Nova Lima MEX México PIB Produto Interno Bruto PLANSIS Planejamento e Sistemas Ltda PMMG Polícia Militar do Estado de Minas Gerais PRODABEL Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte S/A SERPRO Serviço Federal de Processamento de Dados SP São Paulo SPSS Statistical Package for the Social Sciences SUCESU-MG Sociedade de Usuários de Informática e Telecomunicações do Estado de Minas Gerais TI Tecnologia da Informação TIC Tecnologia da Informação e Comunicação USIMINAS Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A. RESUMO As estratégias de relacionamento entre empresas de TI da Região Metropolitana de Belo Horizonte, dentre outras questões, são analisadas neste trabalho, que tem por principal objetivo descrever como a forma de relacionamento entre estas empresas altera as dinâmicas de competição, cooperação e aprendizagem organizacional. Para apoiar a construção do trabalho, aplicou-se um modelo hipotético adaptado, a fim de verificar as várias hipóteses formuladas sobre redes interorganizacionais. Este modelo trabalha com os construtos atuação em redes, cooperação, política de relacionamento, aprendizagem relacional, fortalecimento da rede e competição, que são correlacionados, utilizando as medidas da teoria de análise de redes sociais: tamanho, densidade, reciprocidade, cliques, graus de entrada e saída, intermediação e proximidade. Estas medidas foram obtidas a partir do software UCINET, com base em dados coletados por meio de questionários aplicados aos gestores das empresas de TI selecionadas, a maioria delas associadas à SUCESUMG. O software SPSS foi utilizado para apoiar o cálculo das análises de regressão estatística. Os resultados obtidos com a pesquisa em alguns pontos se mostraram antagônicos. Nas perguntas formuladas aos gestores entrevistados sobre as estratégias adotadas por suas empresas, os resultados apontaram forte tendência de relacionamento entre as empresas pesquisadas, porém quando confrontados com as demais empresas, via análise das redes estudadas e análises estatísticas, mostraram comportamento bastante competitivo e pouco cooperativo, apesar da alta tendência de colaboração futura. O fato de o modelo hipotético aplicado ter se mostrado parcialmente eficiente, revela a necessidade de melhorias no mesmo, além de se realizar novos estudos em empresas de outras regiões, ou em outras áreas de negócio. De qualquer forma, os resultados do trabalho proporcionarão importantes reflexões quanto as estratégias organizacionais e de relacionamento adotadas pelas empresas. Palavras-chave: Redes interorganizacionais. Relacionamento entre empresas. Competição. Cooperação. Aprendizado relacional. Fortalecimento da rede. ABSTRACT What are the relationship strategies among IT companies in the Belo Horizonte metropolitan area? This question and others are analyzed in the present research work, whose main objective is to describe how the form of relationship among these companies alters the dynamics of competition, cooperation, and organizational learning. As the foundation of the work, an adapted hypothetical model was applied to verify several hypotheses in this study on interorganizational networks. The model worked with the following constructs: performance in networks, cooperation, relationship policy, relational learning, network strengthening, and competition. These constructs were correlated using measurements from the theory of social network analysis: size, density, reciprocity, cliques, degrees of input and output, intermediation, and proximity. Measurements were obtained using UCINET software, based on data collected from questionnaires administered to select IT company managers, most associated with SUCESU-MG. SPSS software was used to help calculate the statistical regression analyses. The research results at some points proved antagonistic. The manager answers about strategies adopted by their companies indicated a strong relationship tendency among the companies studied. When facing other companies however, the results obtained through analysis of the studied networks and statistical analyses showed behavior of high competition and low cooperation, despite the growing tendency of future collaboration. The hypothetical model applied has proven to be partially effective, revealing the need for improvements in it, by making additional studies on companies in other regions, or in other business areas. Anyway, the study results will provide important insights regarding the relationship and organizational strategies adopted by companies. Keywords: Interorganizational networks. Relationship among Competition. Cooperation. Relational learning. Network strengthening. companies. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 18 1.1 Problema de pesquisa .....................................................................................20 1.2 Objetivos ......................................................................................................... 21 1.2.1 Objetivo geral ...............................................................................................21 1.2.2 Objetivo Específico ......................................................................................21 1.3 Justificativa...................................................................................................... 21 2 REFERENCIAL TEÓRICO ....................................................................................23 2.1 Competição ..................................................................................................... 23 2.1.1 Vantagem competitiva ...................................................................................24 2.1.2 Ambiente externo ..........................................................................................26 2.1.3 Ambiente interno ...........................................................................................31 2.2 Redes interorganizacionais ............................................................................. 32 2.2.1 Abordagens teóricas e conceitos .................................................................. 34 2.2.2 Tipologia de rede ..........................................................................................37 2.2.3 Aglomeração territorial .................................................................................. 40 2.3 Aprendizagem organizacional ......................................................................... 44 2.3.1 Criação do conhecimento.............................................................................. 45 2.3.2 Aprendizagem relacional............................................................................... 48 2.4 Proposição do modelo teórico de verificação.................................................. 51 3 ANÁLISE DE REDES ............................................................................................54 3.1 Indicadores de redes........................................................................................56 3.1.1 Tamanho da rede ..........................................................................................56 3.1.2 Densidade da rede ........................................................................................56 3.1.3 Centralidade da rede.....................................................................................58 3.1.4 Coesão da rede.............................................................................................60 4 METODOLOGIA .................................................................................................... 62 4.1 População e amostragem ................................................................................ 62 4.2 Coleta e tratamento dos dados ........................................................................ 63 4.2.1 Dados secundários .......................................................................................63 4.2.2 Dados primários ............................................................................................63 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS .......................................................68 5.1 A SUCESU-MG e o mercado de TI .................................................................. 68 5.2 Perfil das entrevistas e dos gestores entrevistados ......................................... 70 5.3 Perfil das empresas de TI pesquisadas ...........................................................73 5.4 Perfil estratégico das empresas de TI pesquisadas ......................................... 74 5.5 Relacionamento e percepções entre as empresas participantes .....................79 5.6 Tratamento e análise dos dados na forma de redes ........................................ 85 5.6.1 Análise de redes, por construto ................................................................. 89 5.6.2 Atuação em rede........................................................................................90 5.6.3 Competição ................................................................................................97 5.6.4 Cooperação .............................................................................................102 5.6.5 Aprendizagem relacional ......................................................................... 109 5.6.6 Fortalecimento da rede ............................................................................ 115 5.6.7 Política de relacionamento ....................................................................... 117 5.6.8 Resumo da análise de redes por construto ............................................. 119 5.7 Tratamento e análise estatística descritiva do modelo hipotético .................. 120 5.7.1 Validação do modelo hipotético ...............................................................128 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................ 131 6.1 Limitações da pesquisa .................................................................................. 132 6.2 Sugestões para pesquisas futuras ................................................................. 133 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 134 APÊNDICE A – Carta de apresentação .................................................................. 142 APÊNDICE B – Termo de consentimento livre e esclarecido.................................. 143 APÊNDICE C – Primeiro Questionário - Parte 1 - Questionário de pesquisa do perfil da entrevista, dos gestores entrevistados e das empresas pesquisadas................ 145 APÊNDICE D – Primeiro Questionário - Parte 2 - Questionário de pesquisa das estratégias adotadas pela empresa ........................................................................ 146 APÊNDICE E – Segundo Questionário - Questionário de pesquisa dos relacionamentos em rede ........................................................................................149 APÊNDICE F – Matrizes utilizadas para as análises quantitativas (questões 1 e 7 a 10) e elaboração das redes (questões 2 a 7) ..........................................................161 18 1 INTRODUÇÃO As vantagens competitivas obtidas no passado, que proporcionaram grande sucesso às empresas, não podem fazer com que estas se estagnem ou se alienem ao que está acontecendo no presente nem ao que virá a acontecer no futuro. Os significativos avanços da tecnologia e a crescente evolução dos mercados fazem com que empresas ágeis e inovadoras se tornem mais fortes e passem a ocupar espaços que eram ocupados por empresas de sucesso no passado (SILVA JÚNIOR, 2007). A globalização e os acontecimentos de natureza política, econômica, social, cultural e tecnológica alteraram o ambiente dos negócios em sua capilaridade, em alta velocidade (GONÇALVES; GONÇALVES FILHO; REIS NETO, 2006; PECI, 1999). Segundo Hitt, Ireland e Hoskisson (2008), a competição, que antes era local e limitada, passou a ocorrer em toda parte do mundo, intensificando a luta pela sobrevivência das empresas e dificultando a realização do desempenho superior por parte delas. A busca pela vantagem competitiva tornou-se mais árdua e complexa, exigindo níveis de serviço superiores, a preços cada vez mais reduzidos. Nesse cenário, a rivalidade se proliferou, dando origem à hiperconcorrência (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2008). Como resposta a esses desafios, surgiram novas estruturas organizacionais, segundo Amato Neto (2000), ligadas à constituição de novas formas de relacionamento entre empresas. Para Peci (1999), no atual ambiente competitivo as empresas devem se concentrar em suas competências básicas e estabelecer parcerias com outras organizações, por meio da formação de redes organizacionais. Castells (1999) ressalta a importância da estrutura em rede. Ele afirma que as redes são e serão os componentes fundamentais das organizações. Para ele, tal estrutura será a forma predominante de concorrência na nova economia global. Destaca, ainda, que as organizações tradicionais, ao operarem de forma individualizada, enfrentarão dificuldades quanto aos novos desafios. 19 São diversos os estudos sobre redes interorganizacionais. O tema vem ganhando cada vez mais importância nos debates acadêmicos e empresariais. Hoffmann, Bandeira-de-Mello e Molina-Morales (2006) observam que o assunto vem registrando uma média de quatro trabalhos anuais desde 2000 em periódicos Qualis A de circulação nacional. Lima (2007) destaca a presença constante desse tipo de estudo nas publicações recentes do EnANPAD. Amato Neto (2000) evidencia a relevância da formação e do desenvolvimento de redes de empresas em países industrializados, como Itália, Japão e Alemanha e nos chamados “países emergentes”, como México, Chile e Argentina. Casarotto Filho e Pires (2001) corroboram com Amato Neto (2000) ao mostrarem a bem sucedida relação interorganizacional entre as pequenas empresas localizadas na região de Emilia Romogna, ao sul da Itália, reforçando a abrangência e a atualidade do tema. Pelo caráter multidisciplinar dos assuntos relacionados às redes organizacionais (MATHEUS; SILVA, 2006), são vários os conceitos e as terminologias encontrados na literatura, tais como clusters (PORTER, 1998), aglomerado competitivo, consórcios, sistemas produtivos locais, polos (CASAROTTO FILHO; PIRES, 2001), aglomerados territoriais, distritos industriais, cadeia produtiva (LASTRES; CASSIOLATO, 2005) e redes interorganizacionais (LAZZARINI, 2008). Mesmo com essa diversidade, grande parte dos estudos disponíveis remete a ideais similares, em que a cooperação entre os participantes da rede é o foco central. Para os propósitos deste trabalho, tendo em vista o objetivo de descrever a estrutura de relacionamento em redes de empresas de TI localizadas na cidade de Belo Horizonte, o termo aglomerado territorial será utilizado, devido ao fato de sua principal característica considerar inúmeras empresas do mesmo setor, ou de setores afins, em uma mesma localidade geográfica (PETROCCHI, 2002; LASTRES; CASSIOLATO, 2005). Os benefícios que um aglomerado territorial podem propiciar são vários, como: acesso facilitado à matéria-prima e à mão de obra especializada (LASTRES; CASSIOLATO, 2005), economia de escala, desenvolvimento de barreira aos novos entrantes (FERREIRA JUNIOR, 2006), redução do custo de transação, redução de custos em pesquisas, promoção do desenvolvimento local (ANDRIGHI; HOFFMAMM, 2008), entre outros. Dentre os diversos benefícios que podem ser 20 identificados, os que sobressaem na literatura, sobre as vantagens da proximidade geográfica, referem-se conhecimento e a: disseminação da aprendizado organizacional informação, (BALESTRIN; transferência FAYARD, do 2003; HOFFMANN; MOLINA-MORALES; MARTINEZ-FERNANDEZ, 2004; STACKE, 2008). Neste trabalho, dá-se ênfase às redes com alguma proximidade física, qual seja, em uma mesma cidade ou região de influência. Para que tais comportamentos em rede se desenvolvam e se tornem fonte de vantagem competitiva, é desejável a formação de um relacionamento com espírito de cooperação, seja qual for a sua intensidade, mesmo em um ambiente de competição. O estudo se aterá, também, à avaliação do comportamento em um sistema tácito ou codificado de cooperação e a sua intencionalidade, sem, contudo, haver, necessariamente, a figura de um contrato escrito e formal obrigando as partes a cooperarem entre si. O setor de TI foi escolhido como fonte para a realização da pesquisa empírica proposta neste trabalho. Este segmento apresenta forte relevância e potencialidade como gerador de inovações tecnológicas, necessárias ao desenvolvimento sustentável e, também, à geração de novos empreendimentos, principalmente entre os jovens que são anualmente inseridos no mercado de trabalho. O estudo se processará dentro de grupos estratégicos de empresas de TI da grande Belo Horizonte filiadas à SUCESU-MG, que é uma entidade sem fins lucrativos, formada por empresas fornecedoras e consumidoras de TIC, e que reúne em sua diretoria profissionais altamente qualificados que atuam no mercado em cargos de alta gestão. 1.1 Problema de pesquisa Lazzarini (2008) observa que o atual padrão de competição tem-se movido das empresas individuais para os grupos de firmas que colaboram entre si, favorecendo uma relação de cooperação e competição no mesmo conjunto. Nesse sentido, as organizações precisam extrair o máximo de recursos em seu grupo, ao mesmo tempo em que o grupo possa oferecer subsídios para a obtenção de vantagens superiores em relação aos demais competidores. 21 Diante dessa dicotomia e das perspectivas teóricas apresentadas, propõe-se o seguinte problema geral de pesquisa: Como os atores se apoiam no sistema de rede atuando como sistema de referência de competição, cooperação, aprendizado, inovação, e formulam e processam estratégias para competição e ou cooperação? 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo geral Descrever de que maneira a estrutura de relacionamento entre as empresas de TI da grande Belo Horizonte determina a competição, a cooperação e o aprendizado organizacional, por meio da aplicação de um modelo hipotético, de modo a contribuir para os estudos das redes interorganizacionais. 1.2.2 Objetivo Específico Analisar o tamanho, a densidade, a centralidade e a coesão das redes, como forma de verificar a existência, a intensidade, a potencialidade e a relação e a intensidade relacional entre os seguintes construtos: a) Aumento da capacidade de cooperação; b) Política de relacionamento para desempenho superior; c) Intensidade de aprendizagem relacional; d) Capacidade de redução ou de incrementar a competição; e) Propensão a fragmentação ou aglutinação em rede; f) Redução de riscos e incertezas de mercados; g) Busca de sustentabilidade setorial; h) Aumento de pressão a novos entrantes pela ação em rede. 1.3 Justificativa Este trabalho se justifica pelos benefícios que poderá trazer aos demais estudos sobre redes interorganizacionais produzidos nas academias e, principalmente, aos 22 stakeholders, que, por meio da análise dos fatores ambientais mais significativos pesquisados, poderão trabalhar melhor as estratégias adotadas em suas empresas quanto ao relacionamento com o mercado e outras organizações. O estudo se propõe a analisar redes de competição e cooperação, de forma que seus resultados e considerações se apliquem de forma prática ao atual ambiente competitivo, altamente globalizado, e provoque profundas reflexões nas várias formas de relacionamento entre empresas. O segmento de TI brasileiro, setor altamente estratégico para o País, que está em fase de amadurecimento e que foi escolhido como objeto de pesquisa deste estudo, reforça de forma contundente a justificativa pela pesquisa, pois as organizações que o compõem têm forte interdependência, seja no compartilhamento de recursos ou na criação cooperada de produtos e serviços. 23 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Competição O cenário dos negócios está em constante mutação, desde a “Era Industrial” até os tempos atuais (PECI, 1999). A globalização e as mudanças de natureza política, econômica, social, cultural e tecnológica alteraram o ambiente dos negócios com profundidade e, principalmente, alta velocidade (GONÇALVES; GONÇALVES FILHO; REIS NETO, 2006). Até mesmo as fronteiras das indústrias tornaram-se indefinidas, devido à pouca nitidez entre concorrentes, parceiros, fornecedores e compradores (HAMEL; PRAHALAD, 1995). A instabilidade e as transformações estão tão intensas que Hitt, Ireland e Hoskisson (2008) denominaram de “hiperconcorrência” ao atual cenário competitivo. Nesse contexto, as empresas, geralmente, desafiam agressivamente seus concorrentes, na esperança de melhorar sua posição competitiva e seu desempenho. A consequência disso é um ciclo vicioso, que gera cada vez mais competição (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2008). FIGURA 1 - Dos concorrentes à distância competitiva Por quê? Se envolvendo em Concorrentes Para obter uma posição vantajosa no mercado Rivalidade competitiva Quais resultados? Dinâmica Competitiva Como? Por meio de ações e respostas competitivas Quais resultados? Fonte: Hitt; Ireland; Hoskisson (2008), adaptado pelo autor Ainda segundo Hitt, Ireland e Hoskisson (2008), a dinâmica competitiva de um mercado é formada pela rivalidade entre concorrentes que se utilizam de um conjunto de ações e reações competitivas, cujo objetivo é criar ou defender as 24 vantagens obtidas, bem como melhorar a posição no mercado (FIG. 1). Isso significa que quando realiza uma ação a empresa provocará uma resposta por parte dos concorrentes, os quais, por sua vez, provocarão uma nova resposta por parte de quem iniciou a ação. Entretanto, não somente as ações propiciam êxito. As previsões das manobras entre os competidores são igualmente importantes para se determinar o sucesso de uma estratégia. Considerando o modelo da dinâmica competitiva, percebe-se a importância do planejamento e dos esforços estratégicos por parte das empresas que almejam um desempenho superior, com retornos acima da média. Para isso, é necessária a criação de uma vantagem competitiva, a partir da implementação de uma estratégia única ou de difícil imitação, que, uma vez formulada com sucesso, permite que se atinja a competitividade estratégica. Porém, nem todas as empresas obtêm êxito ao competir. Alguns dos motivos estão relacionados à maneira como as decisões, os compromissos e as ações são estabelecidos. Como forma de maximizar tais atitudes, é indispensável determinar os recursos, as capacitações e as competências essenciais da empresa (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2008). 2.1.1 Vantagem competitiva De acordo com Hunt (2000), citado por Dias (2004), a teoria baseada em recursos tem como premissa o fato de que os recursos colocados à disposição das empresas são heterogêneos e de que cada um deles possui um conjunto de características únicas, que não são facilmente encontradas ou adquiridas pela concorrência. Quando isso acontece, a empresa tem o potencial de gerar uma vantagem comparativa, que, posteriormente, poderá se transformar em vantagem competitiva. A batalha em busca de estabelecer as vantagens comparativas em recursos é considerada pelo autor como um processo contínuo da competição. A teoria baseada em recursos (BARNEY, 1991) mostra que as empresas devem ter um conjunto de recursos “valiosos, raros, inimitáveis e não substituíveis” para que tenha vantagens competitivas em relação às outras empresas do mercado. Tais recursos devem ser renovados todo o tempo, via aprendizagem coletiva, buscando 25 atender às demandas do mercado e ao evolutivo e mutável ambiente dos negócios (SILVA JUNIOR, 2007). Para Hamel e Prahalad (1995), a competência essencial de uma empresa é formada por um conjunto de habilidades e tecnologias, que permite oferecer determinado benefício a seus clientes. Precedendo o desenvolvimento do produto ou do serviço, a competência essencial representa uma fonte de vantagem competitiva, por ser singular, única, e por contribuir para o valor percebido ou para a redução do custo. Gonçalves, Gonçalves Filho e Reis Neto (2006) afirmam que a vantagem competitiva de uma empresa surge, fundamentalmente, do valor que ela consegue criar. Para os autores, o valor superior provém da oferta de preços inferiores aos da concorrência, de benefícios equivalentes ou do fornecimento de benefícios singulares que compensam um preço mais alto. QUADRO 1 - Os quatro critérios da vantagem competitiva sustentável Critério Descrição Capacitações valiosas Permitem que a empresa explore oportunidades ou neutralize as ameaças no ambiente externo Capacitações raras São aquelas que poucos concorrentes possuem Capacitações custosas de imitar São aquelas que as outras empresas não podem criar com facilidade Capacitações insubstituíveis São aquelas que não possuem equivalentes estratégicos Fonte: Hitt; Ireland; Hoskisson (2008) Segundo Hitt, Ireland e Hoskisson (2008), as capacitações consideradas valiosas e raras, que custam caro para serem imitadas e que não são substituíveis representam as competências essenciais de uma empresa, as quais, por sua vez, são fonte de vantagem competitiva. Uma vantagem competitiva só ocorre quando os concorrentes não conseguem imitar os benefícios da estratégia de uma empresa ou quando lhes faltam os recursos para fazê-lo. Os autores afirmam, ainda, que nenhuma vantagem competitiva é permanente e que a velocidade com que os concorrentes conseguem adquirir as habilidades necessárias para copiar os 26 benefícios de uma estratégia de criação de valor é que irá determinar a duração de tal vantagem. O QUADRO 1 mostra os quatro critérios de vantagem competitiva sustentável e as respectivas definições. As capacitações de uma empresa, contudo, devem ser identificadas e exploradas como forma de atingir a vantagem competitiva. O primeiro passo desse processo consiste na análise do ambiente externo e do respectivo ambiente interno (HITT; IRELAND; HOSKISSON, 2008), conforme será mostrado nas seções a seguir. 2.1.2 Ambiente externo De acordo com Ghemawat (2007), o segmento ao qual pertence um negócio tem grande influência em seu desempenho econômico e, consequentemente, em sua lucratividade. Entre 10% e 20% das variações na rentabilidade de uma empresa refletem o setor em que ela opera. Para Hitt, Ireland e Hoskisson (2008), independentemente do setor, o ambiente externo é fundamental para o êxito da empresa, com influência direta em suas escolhas e decisões estratégicas. Portanto, para obterem sucesso, as empresas precisam conhecer e entender melhor o ambiente que as cerca. A preocupação com a influência do ambiente externo nos negócios não é um fenômeno recente. Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2000) denominaram de “ondas” os períodos que marcaram o desenvolvimento da Escola do Posicionamento, nome dado aos estudos que tiveram como principal contribuição destacar a importância das próprias estratégias, e não apenas do processo com base no qual elas foram formuladas, a partir da ênfase no setor em que a empresa atua. A primeira onda originou-se das máximas militares, com registros escritos sobre estratégia datados de mais de dois mil anos, tendo como referência autores que publicaram sobre como proceder em guerras, como Sun Tzu, com o livro The Art of War (1971), e Von Clausewitz, com a sua obra-prima, On War (1968). A segunda onda, a partir dos anos de 1960, consiste na busca por imperativos de consultoria e tem como principal referência os trabalhos desenvolvidos pelo Boston Consulting Group (BGC). A terceira e mais recente onda busca uma sistemática empírica entre as condições 27 externas e as estratégias internas das organizações, tendo Michel Porter (1986) como o grande influenciador, por meio do seu modelo de análise das cinco forças competitivas, seus conjuntos de estratégias genéricas e sua noção de cadeia de valor. Segundo Porter (1986; 1999), a essência da formulação de uma estratégica competitiva está em relacionar uma empresa ao seu meio ambiente. Fatores externos, como as forças sociais e econômicas, influenciam a determinação das regras da competição, sendo a estrutura industrial na qual a empresa está inserida a mais determinante de todas. Ainda segundo o autor, a intensidade da concorrência em um setor específico não é uma questão de coincidência ou de má sorte, mas, sim, fruto das raízes de sua estrutura econômica básica e de algumas forças competitivas que vão muito além da rivalidade entre os competidores. Tais forças são representadas pelos clientes, fornecedores, entrantes em potencial, produtos ou serviços substitutos e pela rivalidade entre os competidores, conforme mostra a FIGURA 2. FIGURA 2 - As cinco forças que governam a competição em um setor ENTRANTES POTENCIAIS Ameaça de novos entrantes Poder de negociação dos fornecedores CONCORRENTES NA INDÚSTRIA FORNECEDORES Poder de negociação dos compradores COMPRADORES Rivalidade entre as empresas existentes Ameaça de produtos ou serviços substitutos SUBSTITUTOS Fonte: Porter (1986) Os entrantes potenciais são representados pelas novas empresas que adentram em determinado setor, trazendo uma capacidade extra de produção, com o objetivo de 28 ganhar participação de mercado. Tal situação propicia a redução dos preços e o aumento dos custos, incentivando a competição e comprometendo a rentabilidade de todo o setor. A ameaça de novos entrantes pode ser minimizada por meio das barreiras de entrada e da retaliação prevista por parte dos concorrentes já estabelecidos. Quanto maior a intensidade desses fatores, menores as chances de sucesso dos novos entrantes. As principais fontes das barreiras de entrada são a economia de escala, diferenciação do produto, exigência de capital, custo de mudança, acesso a canais de distribuição, desvantagem de custo independente da escala e políticas governamentais (PORTER, 1986; 1999). Os fornecedores exercem influência sobre as empresas de um setor por meio da possibilidade do aumento de preço ou da redução da qualidade dos bens e serviços. Um fornecedor poderoso dispõe de condições para reduzir ao máximo a rentabilidade de um setor que não consiga compensar os aumentos de custo nos próprios preços. Um grupo de fornecedores tem poder quando: a) é dominado por poucas empresas e é mais concentrado do que o setor comprador; b) o produto fornecido é diferenciado, exclusivo ou com alto custo de mudança; c) não existirem produtos substitutos satisfatórios no mercado; d) representa uma ameaça concreta de integração para frente, invadindo o setor dos compradores e e) o setor não é um comprador importante (PORTER, 1986). Da mesma maneira que o os fornecedores, os compradores são capazes de influenciar o setor, pressionando a baixa dos preços, exigindo melhor qualidade dos produtos ou cobrando maior prestação de serviço. Isso pode acarretar o aumento de custo da produção e a diminuição da lucratividade, levando os competidores a uma rivalidade cada vez mais crescente. Um grupo de compradores é poderoso quando: a) é concentrado ou compra grande parte da produção total de um setor; b) os produtos adquiridos são padronizados ou não possuem diferenciação; c) os produtos do setor representam significativa parcela dos custos; d) os produtos adquiridos não impactam a qualidade ou nos custos de fabricação e e) representa uma ameaça concreta de integração para trás (PORTER, 1986). Os produtos substitutos referem-se aos bens ou serviços externos a determinado setor que possuem características iguais ou similares ao produto do próprio setor, 29 reduzindo a lucratividade e impondo limites aos preços. Quanto maior a relação preço/desempenho do produto substituto, maior a pressão sobre o lucro. Uma forma de reduzir a atratividade de um produto substituto é a diferenciação (PORTER, 1986). A rivalidade entre as empresas ocorre quando um ou mais concorrentes sentem-se pressionados ou percebem a oportunidade de melhorar seu posicionamento. Dessa maneira, iniciam-se os movimentos competitivos por meio da utilização de táticas como disputa por preços, batalhas publicitárias, lançamento de novos produtos e aumento dos serviços agregados. Tal situação, na maioria das vezes, leva os concorrentes a praticar a retaliação ou a promover esforços no sentido de minimizar a ofensiva. Vários são os fatores relacionados à rivalidade direta entre os competidores, tais como concorrentes numerosos ou igualmente equilibrados, crescimento lento do setor, custo fixo ou custo de armazenamento alto, ausência de diferenciação ou baixo custo de mudança, capacidade aumentada em grandes incrementos, concorrentes divergentes, grandes interesses estratégicos e altas barreiras de saída (PORTER, 1986; 1999). O conhecimento das cinco forças competitivas básicas permite identificar os principais pontos fortes e fracos de uma empresa, direcionar o posicionamento estratégico, identificar as mudanças com maior probabilidade de retorno, indicar as tendências setoriais mais significativas e servir como análise para diversificação. De acordo com Ghemawat (2007), é possível melhorar a capacidade de compreender o cenário dos negócios ao se levar em consideração não somente os modelos genéricos das cinco forças e seus desdobramentos, mas também todos os relacionamentos externos ao mercado, tais como a interação com o governo, com a mídia, com grupos de interesse, com instituições de classes e com o público em geral. Para o autor, é impossível pré-especificar uma única e abrangente estrutura para a análise do ambiente externo. É necessária a adequação de um modelo ao cenário específico de negócio e aos fatores de decisão analisados. Citando o trabalho desenvolvido por Adam Brandenburger e Barry Nalebuff (1996), Ghemawat (2007) propõe a introdução de um novo participante na análise, 30 denominado “complementadores”. Podendo contribuir para o sucesso ou o fracasso da empresa, os complementadores são representados pelos clientes que adquirem produtos ou serviços complementares ou pelos fornecedores que vendem recursos complementares. São considerados como a imagem invertida dos concorrentes. Do lado da demanda, aumentam a disposição dos compradores em pagar pelos produtos; do lado da oferta, reduzem os preços de que os fornecedores precisam para seus insumos. A classe médica é um tradicional exemplo de complementador na indústria farmacêutica que influencia de forma significativa o sucesso dos fabricantes de medicamentos em prescrever uma receita sem, contudo, ser a compradora final do produto. A presença dos complementadores possibilita uma diferente perspectiva no modo de analisar um setor, podendo ser considerada como uma nova força no cenário competitivo. FIGURA 3 - Os três níveis de análise da administração estratégica Macroambiente Forças políticolegais Ambiente setorial Forças tecnológicas Poder de barganha dos compradores Ameaças de entrada Organização Intensidade da rivalidade entre concorrentes existentes Forças econômicas Pressão de produtos substitutos Poder de barganha dos fornecedores Forças sociais Fonte: Wrigth, Kroll e Parnell (2000) Wrigth, Kroll e Parnell (2000) destacam ainda que as empresas estão inseridas em uma complexa rede de forças ambientais influenciadas por tendências e sistemas políticos, legais, econômicos, tecnológicos e sociais que, juntos, formam o macroambiente empresarial. Como essas forças são muito dinâmicas, suas 31 constantes mudanças também criam oportunidades e ameaças ao desempenho estratégico. O macroambiente é considerado pelo autor como um dos três níveis de análise da administração estratégica, o qual engloba o ambiente setorial, formado pelas cinco forças competitivas, e a própria organização, conforme demonstrado na FIGURA 3. 2.1.3 Ambiente interno Castro (2006), citando Mintzberg (2001) e Certo et al. (2005), afirma que a estratégia adequada de uma empresa inicia-se na identificação das oportunidades e ameaças em seu ambiente e que é preciso determinar a capacidade da organização em explorar tais oportunidades. Para isso, é necessário analisar e maximizar seus pontos fortes e determinar suas fraquezas, a fim de reduzir o impacto ou, até mesmo, eliminá-lo. O ambiente é definido pelo autor como o conjunto de todos os fatores, tanto internos quanto externos, que podem ser classificados em: ambiente geral; ambiente operacional, mais próximo à organização e análogo às cinco forças que governam a competição; e ambiente interno, mais controlável, como marketing, produção, pessoal, finanças e fatores organizacionais. Wrigth, Kroll e Parnell (2000) corroboram com a importância de analisar os pontos fortes e os pontos fracos da organização em relação às oportunidades e ameaças impostas pelo ambiente externo. Para os autores, a análise tem por objetivo possibilitar que a empresa se posicione de maneira a aproveitar determinada oportunidade e evitar, ou minimizar, possíveis ameaças ambientais. A análise interna também é útil para revelar pontos fortes em potencial que não são plenamente utilizados e identificar pontos fracos que podem ser corriqueiros. Os pontos fortes e os pontos fracos são constituídos pelos recursos humanos, recursos organizacionais e recursos físicos, que, juntos, podem oferecer às empresas uma vantagem competitiva sustentada. De acordo com Porter (1989), uma vantagem competitiva não pode ser compreendida observando-se apenas a empresa como um todo. É necessário considerar as inúmeras atividades que são executadas para projetar, produzir, 32 comercializar, entregar e suportar os produtos ou serviços destinados ao cliente final. Tais atividades podem ser representadas fazendo-se uso da cadeia de valor que se origina das características próprias de cada empresa, como suas histórias e estratégias. Dentre os vários benefícios de uma cadeia de valor, destaca-se a separação das atividades consideradas estratégicas, para que se possa compreender o comportamento dos custos e as fontes potenciais de diferenciação. Quando a empresa executa essas atividades de maneira mais barata ou melhor que a concorrência, ela ganha uma vantagem competitiva. Ainda segundo Porter (1989), as atividades de valor podem ser classificadas como “primárias” e “de apoio”. As atividades primárias estão relacionadas a criação física do produto, venda, entrega e pós-venda. Podem ainda ser agrupadas em cinco categorias genéricas comuns a qualquer empresa: logística interna, operações, logística externa, marketing e vendas e serviços. Já as atividades de apoio dão sustentação às atividades primárias, mediante o fornecimento de insumos, tecnologia, recursos humanos e várias outras funções no âmbito da empresa. É importante destacar que as atividades de apoio não estão associadas somente a determinada atividade primária, e, sim, a toda a estrutura da cadeia. 2.2 Redes interorganizacionais Em um cenário de hiperconcorrência, em que a rivalidade é alta, impondo desafios cada vez maiores às organizações na luta pela sobrevivência e pela realização do desempenho superior torna-se importante os estudos de comportamentos alternativos entre as empresas, de forma a amenizar tal situação. Como respostas a esses desafios, surgem novas estruturas organizacionais, por meio da formação de redes de relacionamentos interorganizacionais. Mas o que é uma rede de relacionamentos? Segundo Lazzarini (2008), quando pessoas ou empresas (chamados de nós) se ligam umas às outras por meio de relacionamentos diversos (chamados de laços) em suas interações periódicas, 33 formam-se redes de relacionamentos. Redes interorganizacionais têm como base o relacionamento entre empresas ou organizações de forma geral. De acordo com Peci (1999), o ambiente dos negócios está em constante transformação, sendo caracterizado por um cenário de incertezas e turbulências. A empresa hierárquica integrada verticalmente que caracterizou por muito tempo o modelo de produção da era fordista, não atende mais às necessidades atuais, diante das intensas mudanças econômicas, tecnológicas e institucionais. Novas formas organizacionais, mais flexíveis, começam, então, a proliferar e as redes são o elemento fundamental neste novo processo. A autora, com base em ampla revisão bibliográfica, ensina que as redes organizacionais nascem como consequência da coexistência de vários fatores, como: uma resposta às mudanças ambientais, que fazem crescer a necessidade de interdependência; incapacidade das empresas focadas em escala integrada verticalmente e das pequenas empresas isoladas de sobreviverem em um ambiente altamente mutável; e demanda por recursos especializados complementares. Para Silva Junior (2007), a aplicação dos conceitos de redes no contexto do atual ambiente de negócios decorre do aumento da competição entre empresas e da percepção de que as organizações, atuando de forma isolada, terão menos condições de sobrevivência e desenvolvimento. Isso porque nenhuma empresa domina sozinha os conhecimentos e as habilidades necessárias para sua sustentação. Da mesma forma, Verschoore (2004) destaca a importância das redes como instrumento para enfrentar as dificuldades e crises do agitado ambiente competitivo no qual as empresas atualmente estão inseridas, as quais permitem viabilizar ações que isoladamente não seriam tão facilmente alcançadas, tendo em vista a falta de poder competitivo de uma única empresa. Casarotto Filho e Pires (2001) destacam a globalização da economia e os avanços tecnológicos, especialmente nas comunicações, como causa das rápidas mudanças nos conceitos mercadológicos e de produção. Para os autores, a concorrência pode fabricar produtos melhores e mais baratos estando em qualquer parte do mundo, sendo que uma forma de diminuir tais ameaças e ganhar sinergia é formar alianças entre empresas. Castells (1999) reforça a importância da transformação tecnológica, 34 que estabelece a integração em redes como forma fundamental de concorrência na nova economia global, e destaca a elevação das barreiras que impedem o acesso de novas organizações isoladas em setores mais avançados da economia, dificultado a entrada de novos concorrentes. Nesse contexto, a cooperação e os sistemas de redes seriam a única forma de minimizar os riscos, dividir os custos e manter-se em dia com a informação constantemente atualizada. Ainda segundo Castells (1999), novas oportunidades são criadas o tempo todo quando se está dentro das redes, mas fora delas a sobrevivência ficará cada vez mais difícil. Para Amato Neto (2000), as novas oportunidades de negócios tenderão a privilegiar produtos e serviços que envolvam alto conteúdo de conhecimento e de informações. A consequência disso é o surgimento de redes de cooperação produtivas entre as organizações. Casarotto Filho e Pires (2001) ratificam tal posição ao afirmarem que o conhecimento será a grande mercadoria do futuro e que isso só terá valor onde existirem fluxos por meio de conexão, como é o caso das redes organizacionais. Concluindo o exposto, pode-se afirmar que a possibilidade de desenvolvimento de formas cooperativas de trabalho apresenta-se como uma tendência universal e irreversível (AMATO NETO, 2000). 2.2.1 Abordagens teóricas e conceitos De acordo com Vale (2007), não existe uma teoria única que trate de redes. São várias as discussões em torno do assunto, com perspectivas bastante distintas, porém com alguns pontos em comum, os quais permitem a sistematização do tema. Para a autora, a evolução da abordagem de redes no campo das ciências sociais apresenta características peculiares, como a contribuição de vários ramos de pensamento e o progresso do assunto, devido a uma forte interação entre teoria, método e pesquisa empírica. O estudo das redes tornou-se um ponto de confluência e convergência de várias disciplinas e de distintas abordagens e um espaço fecundo de interação e sinergia entre conceitos teóricos, metodologias e resultados empíricos (VALE, 2007, p. 55). 35 Silva Junior (2007) concorda com a abrangência e a complexidade do tema e afirma que a bibliografia sobre os relacionamentos entre empresas é fragmentada e influenciada por várias outras áreas de estudo, o que demonstra a natureza multifacetada que envolve uma mescla de motivos, intenções e objetivos. Em uma tentativa de sistematizar a teoria sobre o assunto, o autor parte dos estudos de Barringer e Harrison (2000) e apresenta as principais abordagens sobre os relacionamentos interorganizacionais, conforme mostra o QUADRO 2. O autor destaca no entanto que o objetivo não é formar um modelo único nem identificar todas as teorias, e, sim, basear-se nas ideias mais presentes na literatura sobre organizações. QUADRO 2 - Abordagens teóricas sobre os relacionamentos interorganizacionais Abordagem teórica Custos de transação Lógica de cada abordagem em relação aos relacionamentos interorganizacionais Os relacionamentos interorganizacionais podem reduzir a incerteza causada pelos problemas de mercado bem como a redução de custos associados com a hierarquia. Dependência de recursos As organizações formam relacionamentos interorganizacionais para exercer poder ou controle sobre outras organizações que possuem recursos escassos. Escolha estratégica As organizações entram em relacionamentos interorganizacionais se os benefícios financeiros gerados são maiores do que os custos. Estratégias de relacionamento podem aumentar a habilidade da organização em entregar produtos e serviços superiores de maneira mais eficiente ou reduzir a competição. Teoria do stakeholder As organizações formam alianças, também chamadas redes ou constelações, para alinhar seus próprios interesses com os interesses dos stakeholders e também reduzir as incertezas ambientais. Aprendizagem organizacional As organizações buscam absorver a maior quantidade possível de conhecimento, aumentado as competências organizacionais e agregando valor a si próprias. As organizações formam relacionamentos interorganizacionais para obter legitimidade, ou por já terem sucumbido às Teoria institucional pressões isomórficas, ao imitar outras organizações que participam de relacionamentos cooperativos. Fonte: Silva Junior (2007) e Barringer e Harrison (2000), adaptado pelo autor 36 De modo similar às abordagens teóricas, o conceito de rede possui vários enfoques e está longe de chegar a uma unanimidade acadêmica. Segundo Cândido e Abreu (2000), até mesmo no sentindo etimológico o termo “rede” pode conter vários significados, como entrelaçamento de fios, cordas, cordéis e arames, com aberturas regulares fixadas por malhas, formando uma espécie de tecido. Nesse sentido, os fios e as malhas dariam a forma básica da rede, na qual os fios corresponderiam às relações entre atores e organizações, representadas por malhas ou nós. Outro fator que remete à imprecisão da conceituação é o contexto na qual o termo é empregado, podendo possuir vários sentidos, como ciladas, armadilhas, instrumento amortecedor, proteção, sustentação e, até mesmo, marco divisório de espaços, nos meios esportivos. Já no plano técnico-operacional, rede pode denotar a ideia de fluxo, de circulação e de transporte, por exemplo, as redes de água e esgoto e as redes de telecomunicações. Porém, grande parte dos estudos disponíveis, ao abordar a perspectiva de rede, parte da ideia de que todas as organizações são formadas por redes sociais, e por isso devem ser analisadas como tais. Nessa perspectiva, a estrutura de qualquer organização deve ser entendida e analisada em termos de redes múltiplas de relações internas e externas (CÂNDIDO; ABREU, 2000). Em contexto organizacional, Amato Neto (2000), em uma primeira aproximação, conceitua o tema como conjunto ou série de células interconectadas por relações bem definidas. Citando Ribault, Lebidois e Martinet (1995), o autor sustenta que as redes de empresas consistem em um tipo de agrupamento cujo objetivo principal é fortalecer as atividades de cada um dos participantes da rede, sem que, necessariamente, tenham laços financeiros entre si. Para Porter (1998), o termo rede extrapola o âmbito da teoria organizacional e é definido como sendo o método organizacional de atividades econômicas por meio da coordenação e da cooperação entre as empresas. Já Castells (1999), em uma análise mais incisiva, afirma que rede é um conjunto de nós interconectados em que um nó depende do tipo de rede concreta no qual ele está inserido. Ratificando a abrangência do tema, sem se limitar ao ambiente corporativo, o autor cita exemplos dos mais diversos tipos de redes, como: rede política, rede de informações e rede computacional. Lazzarini (2008), seguindo a tendência de Castells (1999), define 37 rede como um conjunto de indivíduos ou organizações interligados por meio de relações dos mais diversos tipos. Em um enfoque mais cooperativo, Jarillo (1988), citado por Ferreira Junior (2006), explica o termo rede como sendo um acordo de longo prazo, com propósitos claros, entre empresas distintas que possuem um relacionamento em comum. Dessa maneira, é possível estabelecer ou sustentar uma vantagem competitiva em relação às demais empresas que estão fora da rede. Carstens e Machado-da-Silva (2006) também descrevem rede como estrutura formada a partir da definição de papéis e da atribuição de tarefas e relações entre seus atores, o que permite a flexibilização do funcionamento da rede por meio das relações de cooperação. Porém, os autores destacam que esse fato não elimina os conflitos nem a competição. 2.2.2 Tipologia de rede A partir de uma pesquisa bibliográfica sobre o tema e dos resultados obtidos da aplicação de dois trabalhos empíricos, Hoffmann, Molina-Morales e MartinezFernandez (2004) desenvolveram uma tipologia de rede dividida em quatro indicadores, conforme demonstrado no QUADRO 3. QUADRO 3 - Características e tipologia de redes Indicadores Tipologia Direcionalidade Vertical Horizontal Localização Dispersa Aglomerada Formalização Base contratual formal Base não contratual Poder Orbital Não orbital Fonte: Hoffmann, Molina-Morales e Martinez-Fernandez (2004) Para Hoffmann, Molina-Morales e Martinez-Fernandez (2004), o primeiro indicador – direcionalidade – é dividido em rede vertical e rede horizontal. A rede vertical é 38 formada por empresas distintas que adotam a estratégia da especialização, focando em suas competências essenciais e terceirizando os demais processos que não agregam valor ao produto final, tendo por propósito alcançar a eficiência coletiva nos processos. Já a rede horizontal é constituída por empresas que competem pelos mesmos produtos e/ou mercados, objetivando alcançar ganhos decorrentes da união entre as partes. Os autores destacam ainda que uma empresa pode estar presente em ambos os tipos de redes. No indicador localização, a rede pode ser considerada “dispersa”, quando interage por meio de um processo de logística avançado que permite superar distâncias. Fazem parte deste tipo de rede as empresas espalhadas geograficamente, por exemplo, uma rede de franquias. A rede “aglomerada” territorialmente, com predominância das empresas de menor porte, pode ir além das relações puramente comerciais e possuir um relacionamento de suporte empresarial, como as universidades, os centros de tecnologia e as instituições governamentais (HOFFMANN; MOLINA-MORALES; MARTINEZ-FERNANDEZ, 2004). Quanto ao indicador formalização, uma rede pode possuir uma base de contrato formal ou uma base não contratual. As redes são formalizadas com o intuito de se prevenirem dos comportamentos oportunistas que porventura possam surgir e são compostas por diferentes tipos de alianças, por exemplo, as joint ventures. Já as redes informais, sem base contratual, são estabelecidas em função da confiança gerada entre seus membros e podem ir além do âmbito gerencial, atingindo também a base operacional (HOFFMANN; MOLINA-MORALES; MARTINEZ-FERNANDEZ, 2004). No último indicador – poder – a rede pode ser classificada como orbital ou não orbital. No primeiro caso, existe um centro de poder ao redor do qual as demais empresas circulam. Quando cada empresa tem a mesma capacidade de tomada de decisão, a rede é considerada como não orbital (HOFFMANN; MOLINA-MORALES; MARTINEZ-FERNANDEZ, 2004). Lazzarini (2008), em seus estudos sobre tipologia, também classifica as redes em: horizontal e vertical. Ele afirma que é muito raro, em um contexto 39 interorganizacional, encontrar laços baseados exclusivamente em uma dessas características. Para o autor, grande parte das redes existentes é formada por um conjunto complexo desses laços. Assim, é introduzido o conceito de netchain, que significa “um conjunto de redes compostas por laços horizontais entre firmas em determinada indústria ou grupo, de tal forma que essas redes (ou camadas) são arranjadas sequencialmente com base nos laços verticais entre as empresas em diferentes camadas” (LAZZARINI, 2008, p. 40). Um exemplo genérico de netchain é apresentado na FIGURA 4. Com este modelo de análise, é possível, além de classificar os diferentes tipos de laços (verticais ou horizontais), identificar o relacionamento de interdependência associado a cada um deles. FIGURA 4 - Exemplo genérico de netchain Fonte: Lazzarini (2008) Ainda de acordo com Lazzarini (2008), as empresas podem formar grupos que cooperam entre si com o objetivo de competir com outros grupos na mesma indústria de atuação ou em indústrias similares por clientes e membros. Denominada de “constelação”, esse tipo de rede interorganizacional tem sido observado em setores dos mais diversos tipos, como a indústria de computadores, de telecomunicações e de automóveis. As constelações podem ser explícitas, quando evolvem acordos formais e publicamente conhecidos; ou implícitas, quando os acordos são baseados em uma estrutura bilateral entre grupos informais. Neste último caso, a tendência é 40 que haja maior interação entre os membros em comparação com as empresas que estão de fora. O surgimento de associações do tipo constelação indica uma mudança na forma de competir, na qual é possível identificar a coexistência entre cooperação e competição. Dessa maneira, uma empresa pode extrair o máximo de recursos do seu grupo enquanto que o grupo em si pode obter uma vantagem competitiva em relação a outros grupos competidores (LAZZARINI, 2008). Na mesma linha dos estudos apresentados, Santos, Pereira e França (1994) classificam as redes de cooperação em: a) “verticais”, formadas por empresas que cooperam entre si ao longo de uma cadeia produtiva e que ocorrem com maior frequência quando o produto final é composto de vários insumos, por exemplo, a indústria automobilística; e b) “horizontais” que englobam as empresas que produzem e oferecem produtos similares e que são concorrentes diretos. Para Grandori e Soda (1995), citados por Amato Neto (2000), as redes podem ser classificadas em: a) “sociais”, as relações interorganizacionais são caracterizadas pela informalidade, sem a existência de qualquer contrato formal, podendo ser identificadas como “simétricas”, quando todos os participantes compartilham a mesma capacidade de influência, sem a existência de uma empresa centralizadora; ou “assimétricas”, quando existe a presença de um agente centralizador que possui como principal função coordenar as demais parte; b) “burocráticas”, caracterizadas pela existência de um contrato formal, sendo também divididas em “simétricas, por exemplo, associações comerciais, federações ou consórcios, e “assimétricas” como acordos de licenciamento e contratos de franquias; e c) proprietárias, cuja principal particularidade é a formalização de acordos relativos ao direito de propriedade entre os acionistas de empresas. 2.2.3 Aglomeração territorial De acordo Lastres e Cassiolato (2005), o termo aglomeração refere-se à proximidade territorial entre atores econômicos, políticos e sociais, podendo incluir empresas e outras organizações públicas e privadas, permitindo a formação de uma economia de aglomeração. Para os autores, tal economia é caracterizada pelas vantagens oriundas da proximidade geográfica dos atores, incluindo o acesso a 41 conhecimentos, capacitações, mão de obra especializada, matérias-primas e equipamentos. Para Lastres e Cassiolato (2005), são diversos os enfoques que procuram ressaltar a importância dos relacionamentos entres empresas e a sua dimensão territorial. Os termos presentes na literatura para designar uma aglomeração são variados e apresentam convergências e divergências quanto à sua conceituação e às suas características. No QUADRO 4, baseados nas pesquisas dos autores, são apresentados os principais traços de abordagem referente ao assunto. QUADRO 4 - Principais traços de abordagens sobre aglomerados territoriais Abordagem Características Cadeia produtiva Refere-se a um conjunto de etapas consecutivas pelas quais passam e vão sendo transformados e transferidos os diversos insumos em ciclos de produção, distribuição e comercialização de bens e serviços. Cada ator, ou um conjunto de atores, realiza uma tarefa específica, em uma mesma localidade ou em localidade distinta. Cluster São empresas aglomeradas territorialmente que possuem características similares. Em algumas concepções, a concorrência é mais valorizada do que a cooperação como fator de dinamismo. A inovação pode existir, porém, de maneira simplificada. Nesta abordagem, não são contempladas, necessariamente, organizações de suporte. Distrito industrial São aglomerações de empresas com elevado grau de especialização e interdependência, seja de caráter horizontal ou vertical. Milieu inovador O foco é no ambiente social que favorece a inovação e não em atividades produtivas. Polos, parques científicos e tecnológicos Consistem predominantemente de áreas ligadas a centros de ensino, pesquisa e desenvolvimento, com infraestrutura necessária para a instalação de empresas de base tecnológica. Redes de empresas Refere-se a formatos organizacionais definidos a partir de um conjunto de articulações entre empresas, que podem estar presentes em quaisquer dos casos mencionados neste quadro. Envolve a realização de transações e/ou o intercâmbio de informações e conhecimentos entre os atores, não implicando necessariamente a proximidade espacial de seus integrantes. Fonte: Lastres e Cassiolato (2005) 42 Lastres e Cassiolato (2005) destacam ainda, o conceito de sistemas produtivos e inovativos locais (SPILs), formados pelos atores econômicos, políticos e sociais localizados em um mesmo território e que desenvolvem atividades econômicas correlatas, apresentando vínculos expressivos de produção, interação, cooperação e aprendizagem. As principais características desse sistema são: proximidade geográfica entre os atores, o que constitui fonte de dinamismo, diversidade local e vantagem competitiva em relação a outras regiões; presença e interação de diversas empresas e organizações públicas e privadas voltadas para a formação e capacitação de recursos humanos, pesquisas e desenvolvimento, política, promoção e financiamento; geração, compartilhamento e socialização do conhecimento, principalmente do conhecimento tácito, que apresenta forte especificidade local, decorrente da proximidade territorial e da identidade cultural, social e empresarial (esta característica pode representar uma vantagem competitiva por facilitar a circulação do conhecimento em um contexto geográfico específico, sem o acesso de atores externos aos SPILs); ampliação da capacidade produtiva e inovativa, o que possibilita a introdução de novos produtos, processos, métodos e formatos organizacionais, essenciais para garantir a competitividade sustentada dos diferentes atores locais, tanto individual quanto coletivamente e existência de diferentes formas de governança, hierarquias e tomadas de decisão que podem ser centralizadas, descentralizadas, formais ou informais. Casarotto Filho e Pires (2001) reforçam a abrangência dos termos relacionados às aglomerações territoriais e citam alguns exemplos encontrados na literatura, tais como cadeia produtiva, cluster, aglomerações competitivas, consórcios, sistema econômico local e redes de empresas. Com a finalidade de clarear a abordagem e de simplificar o entendimento do assunto, os autores sugerem a utilização de dois conceitos, denominados de “microrede” e “macrorrede”. A microrrede é formada pela associação de empresas, visando garantir competitividade do conjunto, enquanto 43 que a macrorrede é uma associação por meio de mecanismos de integração de todas as entidades representativas da região, visando a seu desenvolvimento. Entre as duas redes encontram-se os clusters ou as aglomerações competitivas, que, segundo Porter (1998), é um agrupamento geograficamente concentrado de empresas relacionadas entre si, vinculadas por elementos comuns e complementares. Amato Neto (2000), ao conceituar os clusters, frisa que eles são formados apenas quando ambos os aspectos setoriais e geográficos estão concentrados e que há uma grande dificuldade em caracterizá-los, pelo fato de os sistemas produtivos nem sempre poderem ser claramente separados em dispersos ou aglomerados. Em alguns casos, pode até mesmo existir a junção das duas formas de organização. Apesar dessa dificuldade, o autor reforça as vantagens que a aglomeração traz em ganhos de eficiência coletiva que raramente produtores separados poderiam atingir. Porém, ganhos em eficiência não resultam necessariamente da existência de um cluster. Um grupo de empresas localizadas em uma mesma região produzindo produtos similares pode constituir um cluster sem, contudo, gerar benefícios consistentes para seus membros. A eficiência coletiva deve ser entendida como o resultado de processos internos das relações interorganizacionais, e não apenas da disposição geográfica entre os atores (AMATO NETO, 2000). São diversos os atores pertencentes a um conglomerado de empresas de TI. De acordo com Mamberti e Braga (2004), é necessário identificar, organizar e articular todos os participantes, de modo a viabilizar uma análise sistêmica, com o objetivo de desenvolver um planejamento turístico. Para Petrocchi (2002), os principais participantes são: empresas fornecedoras de produtos e serviços; fornecedores de insumos especializados, alimentos, bebidas, equipamentos, componentes e serviços em geral; instituições financeiras; fabricantes ou fornecedores de produtos complementares; provedora de infraestruturas; entidades governamentais; 44 instituição de ensino, treinamento de pessoal, pesquisa e suporte técnico; entidades de normatização e associações comerciais e outras entidades associativas. 2.3 Aprendizagem organizacional Em um contexto histórico, pode-se observar que o aprendizado organizacional remete ao tempo do artesanato, quando o artesão era responsável pela concepção e fabricação de seus produtos, contando com o auxílio de apenas alguns aprendizes. À medida que estes aprendiam com o mestre-artesão, garantia-se a continuidade do ofício e dos conhecimentos e habilidades a ele associados. Com o passar do tempo, as formas de organização social foram se alterando, dando origem à especialização das tarefas, à divisão do trabalho e às ideias da Administração Científica, preconizadas por Taylor. O empirismo presente nas organizações é substituído por procedimentos sistêmicos de análise advindos de experimentos científicos, isentando o operário da necessidade de conhecer o processo de fabricação e o produto final. Desse modo, alteram-se o formato do aprendizado e a maneira como o conhecimento é transferido. Posteriormente, surge uma abordagem alternativa à Administração Científica, que ficou conhecida como “Escola de Relações Humanas”, que oferece uma visão mais humanística do trabalho, sem, contudo, modificar seu caráter mecanicista. Antagonicamente a tais abordagens, surge a proposta sóciotécnica, que busca uma solução integrada, adequando as demandas e as capacitações do sistema social aos requisitos do sistema técnico, tendo por finalidade unir os objetivos da produção, das organizações e das pessoas. Nasce, assim, a necessidade de um aprendizado sistêmico, que considere a empresa como um todo e altera novamente a forma como as organizações aprendem. Atualmente, a tendência é continuar a combater o que é fragmentado e isolado e privilegiar o integrado, em que o mais relevante é a integração dos conhecimentos em relação não apenas aos indivíduos, mas também às relações organizacionais e interorganizacionais (FLEURY; FLEURY, 1997). Para Senge (1990), à medida que o mundo se torna mais interligado e os negócios mais complexos e dinâmicos, o trabalho torna-se cada vez mais ligado ao aprendizado. Não basta que algumas poucas pessoas aprendam pela organização; é preciso que todos os níveis da empresa se envolvam no processo de aprendizagem, de modo a 45 incentivar o pensamento sistêmico, segundo o qual a totalidade pode ser maior que a soma de suas partes. Independentemente da maneira como o aprendizado organizacional vem se transformando ao longo do tempo, o essencial é reconhecer que o conhecimento tornou-se uma importante fonte de vantagem competitiva (SENGE, 1990; HAMEL; PRAHALAD, 1995; NONAKA; TAKEUCHI, 1997) e que o principal fator de produtividade e competitividade dos indivíduos e organizações está em gerar, processar e transformar o conhecimento em ativo econômico (BALESTRIN; FAYARD, 2003). Para Drucker (1999), o conhecimento, mais do que o capital ou o trabalho, é único recurso significativo da sociedade pós-capitalista, sendo capaz de determinar a posição competitiva não somente das empresas, mas também das indústrias e, até mesmo, de um país. Choo (2003) reforça a posição de Drucker (1999) ao apresentar o conceito da “organização do conhecimento”, possuidora de informações e conhecimentos que lhe conferem uma vantagem, permitindo-lhe agir com inteligência, criatividade e, ocasionalmente, com esperteza. 2.3.1 Criação do conhecimento Se o conhecimento tornou-se essencial às organizações que visam a um desempenho superior, é importante compreender as suas origens. Assim, é possível incentivar a sua criação e seu desenvolvimento. Pretende-se, portanto, introduzir o assunto e oferecer um entendimento de como as empresas aprendem, para, em seguida, abordar o processo do aprendizado relacional. Segundo Davenport e Prusak (1998), o conhecimento é uma mistura fluida de experiências, valores, informações contextuais e percepções, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e a incorporação de novas experiências e informações. Para os autores, o conhecimento deriva da informação, que, uma vez transformada, gera novo conhecimento. Tal fato contribui para a tomada de decisão, tornado-a mais eficiente e mais acertada em relação à estratégia, aos concorrentes, aos clientes e aos ciclos de vida de produtos e serviços. Na mesma linha de pensamento, Choo (2003) considera a informação um componente intrínseco de 46 quase tudo que uma organização faz e adverte que sem uma clara compreensão dos processos organizacionais e humanos que transformam a informação em conhecimento as empresas não são capazes de perceber a importância de suas fontes e tecnologias da informação. Ainda de acordo com Choo (2003), a tendência da atual teoria organizacional é destacar três arenas distintas onde a criação e o uso da informação desempenham papel estratégico nas organizações. Primeiramente, a empresa interpreta a informação sobre o ambiente externo, de modo a dar significado ao que está acontecendo. Em seguida, a empresa cria, organiza e processa a informação, como forma de gerar novos conhecimentos, por meio do aprendizado. E, finalmente, a informação é acessada e analisada, tendo-se em vista a tomada de decisão, que representa uma essencial parte da vida das organizações. Ao abordar a teoria da criação do conhecimento, Nonaka e Takeuchi (1997) afirmam que o fundamental é a distinção entre o conhecimento tácito e o explícito e que o segredo para a criação do conhecimento está na mobilização e na conversão do conhecimento tácito. Para os autores, tal estrutura conceitual pode ser dividida em duas dimensões: a) ontológica, que considera que o conhecimento só é criado pelos indivíduos e que uma organização sem a presença das pessoas não é capaz de gerar conhecimento (assim, o conhecimento individual, mediante a interação com os processos organizacionais, se expandiria em diversos níveis); e b) epistemológica, que se baseia na distinção entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito, em que o primeiro é pessoal, específico e de difícil formulação e comunicação, ao passo que o segundo refere-se ao conhecimento transmissível em linguagem formal e sistêmica. O QUADRO 5 apresenta as principais distinções entre os dois tipos. QUADRO 5 - Os dois tipos de conhecimento Conhecimento tácito Conhecimento explícito - Subjetivo - Objetivo - Conhecimento da experiência (corpo) - Conhecimento da racionalidade (mente) - Conhecimento simultâneo (aqui e agora) - Conhecimento sequencial (lá e então) - Conhecimento análogo (prática) - Conhecimento digital (teoria) Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, p. 67) 47 Para Nonaka e Takeuchi (1997), o conhecimento tácito e o conhecimento explícito são mutuamente complementares e se interagem, realizando trocas de atividades criativas dos indivíduos. A partir desse modelo dinâmico, observa-se que a criação do conhecimento está ancorada no pressuposto de que o conhecimento humano é criado e desenvolvido mediante a interação social entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito. Nesse contexto, a criação do conhecimento se dá pelo processo da conversão do conhecimento, que, segundo os autores, acontece em quatro perspectivas (FIG. 5). FIGURA 5 - Espiral do conhecimento Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, p. 80) a) Socialização – acontece quando o conhecimento tácito é compartilhado entre os indivíduos por meio de observação, imitação, experiência e treinamento prático. b) Externalização – acontece quando o conhecimento tácito se transforma em conhecimento explícito. Expressa-se na forma de metáforas, analogias, conceitos, hipóteses ou modelos. c) Internalização – é o processo de incorporação do conhecimento explícito em conhecimento tácito. É nesse momento que o conhecimento criado é internalizado pelos indivíduos, gerando novas ideias e novas práticas de trabalho. d) Combinação – a troca e a combinação de diferentes tipos de conhecimento explícito caracterizam a perspectiva da comunicação viabilizada por intermédio de documentos, reuniões, conversas, sistemas informatizados e treinamentos formais. 48 No entanto, para viabilizar a criação do conhecimento organizacional, é necessária a integração contínua e dinâmica entre conhecimento tácito e explícito, de modo a possibilitar que o conhecimento tácito acumulado seja socializado para os demais membros da organização, dando origem à espiral do conhecimento (NONAKA; TAKEUCHI, 1997). 2.3.2 Aprendizagem relacional Segundo Hoffmann, Bandeira-de-Mello e Molina-Morales (2006), o interesse pela inovação em aglomerações territoriais na literatura acadêmica não é recente. Eles citam como exemplo o trabalho de Marshall (1925), que, ainda nas primeiras décadas do século XX, destacava que o conhecimento existente em determinada aglomeração perpetuava-se por meio de sua transferência de geração em geração, garantindo a formação de mão de obra das próprias empresas e do aglomerado como um todo. Com base em estudos mais recentes, os autores prosseguem com a análise do assunto e concluem que inovação e transferência do conhecimento são termos próximos e complementares no contexto das aglomerações e que as empresas, direta ou indiretamente, transferem conhecimento entre si, estimulando o processo de inovação. A partir do instante em que a inovação é estabelecida, mesmo por algumas poucas empresas, ela é quase totalmente assimilada pelo aglomerado, que, em algum momento, passará a utilizá-la. Porém, para que haja a transferência do conhecimento é necessário que as empresas, isoladamente, aprendam alguma ”coisa significativa para seu desempenho”. Para Nonaka e Takeuchi (1997), uma organização sozinha não pode criar conhecimento. É necessário que ela mobilize o conhecimento tácito criado e acumulado pelos indivíduos, de forma a expandir sua abrangência em níveis organizacionais e interorganizacionais. Isso é possível com base nos quatro modos de conversão do conhecimento – socialização, externalização, combinação e internalização –, o que permitirá a interação entre o conhecimento tácito e o conhecimento explícito como maneira de elevar os níveis ontológicos. Desse ponto de vista, a criação do conhecimento organizacional nasce em um nível individual e se amplia para além das fronteiras organizacionais, conforme mostra a FIGURA 6. 49 FIGURA 6 - Espiral de criação do conhecimento organizacional Fonte: Nonaka e Takeuchi (1997, p. 82) Ao analisar a espiral de criação do conhecimento, Balestrin e Fayard (2003) observam que o conhecimento interorganizacional, criado no âmbito de uma rede de empresas, é uma das mais amplas dimensões do conhecimento e que esse processo permite torná-lo mais completo, profundo e significativo. Entretanto, para que isso ocorra é necessário que haja um ambiente de sinergia, para que a troca de experiências seja estimulada e continuada. Segundo os autores, esse modelo certamente não poderá ser reproduzido pelo ambiente tradicional das organizações, caracterizado pela rigidez e pela visão piramidal, e, sim, por configurações organizacionais adaptadas a tal necessidade. Dessa demanda, destacam-se as redes interorganizacionais, capazes de proporcionar a efetiva interação entre pessoas, grupos e empresas, permitindo que o conhecimento, as práticas, os valores, o processo, a cultura e as diferenças individuais sejam compartilhados coletivamente. Molina-Morales e Hoffmann (2002) ratificam a opinião anterior ao afirmarem que a proximidade geográfica entre empresas é capaz de produzir uma interação social e profissional espontânea entre empreendedores e funcionários, facilitando a difusão da informação e, consequentemente, do conhecimento. Desse relacionamento, percebe-se a presença dos vínculos informais significativos considerados mais 50 importantes e profundos do que a simples formalização de contratos, incitando a confiança e a colaboração. Davenport e Prusak (1998) também concordam com a importância da informalidade e defendem que a transferência espontânea e não estruturada do conhecimento é vital para o sucesso de uma empresa e que um dos elementos essenciais da gestão do conhecimento é o desenvolvimento de estratégias específicas para esse fim. Para Hoffmann, Bandeira-de-Mello e Molina-Morales (2006), a transferência do conhecimento pode se dar apor meio da interação direta entre empresas, em especial quando elas forem dispersas geograficamente. Todavia, em um aglomerado territorial as trocas verificadas entre as partes vão além e podem se manifestar com base na cooperação, na mobilidade da mão de obra e no papel desempenhado pelas instituições. Uma rede aglomerada é composta de empresas e pessoas que possuem um convívio constante devido à proximidade. Portanto, as pessoas acabam se encontrando em eventos sociais, criando ligações que extrapolam as relações puramente profissionais e estabelecendo a cooperação e a propagação do conhecimento. Na mobilidade de mão de obra, existe o deslocamento de trabalhadores entre empresas do mesmo setor, o que propicia a preservação do conhecimento tácito nos limites da própria indústria, beneficiando a coletividade. Quanto ao papel das instituições, nota-se que elas contam com a habilidade de captar externamente informações por meio da rede de contatos estabelecida fora do aglomerado. Exemplos dessas instituições podem ser representados por associações empresariais, agências governamentais, universidades, fontes públicas e privadas de financiamento e demais instituições de apoio. Outra maneira de transferir conhecimento de qualidade em uma rede de relacionamento refere-se aos buracos estruturais1, abordagem alternativa que, de acordo com Molina-Morales e Hoffmann (2002), ressalta os benefícios derivados do acesso à informação dispersa. Nesse sentido, o fluxo de informação está ligado à presença de laços não redundantes entre os atores, independentemente da 1 O termo buraco estrutural foi utilizado por Burt (1992) para descrever a separação entre atores não redundantes. 51 intensidade dos seus relacionamentos. Isso permite que as empresas não precisem, obrigatoriamente, formar uma rede de contato densa e, sim, manter uma simples conexão com intermediários capazes de prover informações e recursos. Assim, tanto os vínculos fortes quanto os vínculos fracos permitem o acesso a novos conhecimentos. Vale (2007) pondera que a proximidade física não é, isoladamente, fator determinante para a garantia de maior relacionamento e que em um ambiente onde muitas empresas se especializam em produtos e serviços semelhantes e competem pelos mesmos clientes a cooperação pode ser subestimada, dando lugar a um clima de competição e indiferença. Até mesmo diante desse contexto o aprendizado relacional torna-se exequível ao considerar que um grande número de empresas com desempenhos similares, mas com funções escassamente diferentes, tende a imitar umas às outras, ao mesmo tempo em que elas se distinguem pelo desenvolvimento de processos incrementais e pela melhoria de produtos (MOLINAMORALES; HOFFMANN, 2002). Reafirmando o pensamento anterior, Fleury e Fleury (1997) sugerem que a observação das experiências realizadas por outras organizações pode constituir um importante caminho para o aprendizado e se tornar uma estratégia para se repensar a própria organização. Já Carstens e Machado-da-Silva (2006) se utilizam do conceito de isomorfismo mimético como forma de transferência do conhecimento, definindo-o como uma resposta às incertezas por meio da adoção de procedimentos implementados por outras empresas. De acordo com o autor, em situações na quais o curso de ações é incerto a melhor resposta é imitar os bem-sucedidos. 2.4 Proposição do modelo teórico de verificação O modelo hipotético mostrado na FIGURA 7, elaborado por Oliveira (2010), será verificado neste trabalho por levar em consideração as teorias apresentadas nesta seção e as informações colhidas na pesquisa exploratória preliminar sobre o setor estudado. As hipóteses foram traçadas com base nos objetivos do presente trabalho, com o intuito de auxiliar na resposta ao problema de pesquisa. 52 FIGURA 7 - Modelo hipotético conceitual Fonte: Oliveira (2010), adaptado pelo autor Hipótese 1 (H1) – Lei da redução de riscos e incertezas de mercados. Considera que a cooperação é baseada na atuação em redes e que quanto maior a intensidade da atuação em rede maior será o relacionamento de cooperação (contrária à fragmentação). Hipótese 2 (H2) – Lei dos ganhos vertical e horizontal da atuação em rede. Pressupõe-se que existe a intenção de uma política de relacionamento fruto da cooperação entre os atores da rede e que quanto maior a cooperação, maior a intenção de estabelecer uma política favorável à manutenção e ampliação de trocas de experiência e fortalecimento do relacionamento. Hipótese 3 (H3) – Lei utilitária de mais valia de aprendizado em rede. Parte do pressuposto de que com um relacionamento de cooperação (H1) apoiado em uma política de relacionamento (H2) surge o aprendizado relacional mais intenso, com a 53 percepção de ganhos para crescimento nos planos coletivo e individual e de que quanto mais intensa a cooperação maior o aprendizado. Hipótese 4 (H4) – Lei utilitária do aprendizado em rede. Caso o processo da aprendizagem relacional desenvolva-se e estabeleça-se como prática, a tendência da rede é fortalecer as relações. Pressupõe-se que quanto menos intenso for a sensação do ganho de aprendizado relacional maior o seu fortalecimento2. Hipótese 5 (H5) – Lei da ruptura de cooperação. Ao constatar a tendência de fragmentação da rede (H4), presume-se que o aumento da competição e da cooperação poderá ser comprometido e que a competição será incentivada. Hipótese 6 (H6) – Lei da competição por falta de cooperação. Parte-se da premissa de que quanto menor a cooperação maior a tendência de se competir. Hipótese 7 (H7) – Lei do ciclo de equilíbrio de jogos sociais de relacionamentos das redes. Inseridos em um ambiente de competição, mas com uma estrutura de aglomeração (seja territorial ou virtual) já estabelecida, os participantes da rede evitarão o confronto explícito e iniciarão novamente uma política de relacionamento baseada na cooperação. 2 Adaptação, pelo autor, do termo fortalecimento da rede, ao seu correspondente antagônico “fragmentação da rede” originalmente adotado por Oliveira (2010), criando um modelo adaptado da estrutura em rede proposta por ele. 54 3 ANÁLISE DE REDES Para Matheus e Silva (2006), a abordagem da análise de redes estuda o relacionamento entre atores sociais, que podem ser representados por pessoas, grupos, empresas e demais coletividades. O diferencial deste tipo de estudo está na ênfase dada às ligações entre os elos, e não às características de cada ator. De acordo com Lazzarini (2008), a análise de rede deriva de um ramo da matemática, a teoria dos grafos. Nesse contexto, uma rede é representada por uma matriz relacional, também denominada matriz de adjacência, em que cada célula, ou nó, indica como um ator (linha) se relaciona com outro (coluna). A relação entre nós é determinada pelas linhas (laços) que ligam um nó a outro do grafo. Uma das maneiras de se codificar tal relacionamento é pelo valor 1 ou 0, em que 1 indica a existência de relacionamento e 0, a inexistência dele. Um exemplo de matriz relacional é mostrado na FIGURA 8. FIGURA 8 - Exemplo de matriz relacional (ou adjacência) A B C D E F G A 0 0 0 1 0 0 0 B 1 0 1 0 1 0 0 C 0 1 0 0 0 1 0 D 0 1 0 0 1 0 1 E 1 0 0 1 0 0 1 F 0 1 0 1 1 0 0 G 0 0 1 0 0 1 0 Fonte: Lazzarini (2008) De modo alternativo, é possível atribuir força ou intensidade aos relacionamentos, indicando números superiores a 1 no preenchimento das células. Os grafos ou redes que possuem peso nos laços são denominados “ponderados”. Borgatti, Everett e Freeman (2002), idealizadores do software UCINET, reforçam a importância de se manter uma perspectiva baseada em matriz, uma vez que o UCINET é descrito como uma coleção de matrizes. 55 Uma matriz relacional pode também ser representada graficamente por meio da composição de nós (atores) e laços (relacionamentos) que interligam os nós (LAZZARINI, 2008), conforme demonstrado na FIGURA 9. FIGURA 9 - Representação gráfica de uma matriz relacional Fonte: Lazzarini (2008) Este tipo de representação pode ser obtido por meio da utilização de sistemas computacionais, como o UCINET. Foi gerada a partir da matriz relacional exibida na FIGURA 8. Tomando como exemplo os nós A e D, verifica-se a existência de uma ligação entre eles. Tal relacionamento é indicado pelo número 1, presente na linha A, coluna D, da matriz-exemplo. Os laços existentes em uma rede podem ser classificados como: “direcionais”, quando um nó está ligado a outro apenas em uma direção, ou seja, o relacionamento não é recíproco (voltando ao exemplo dos nós A e D, é possível observar um laço direcional, simbolizado por uma seta, em que A está ligado em D, mas D não está ligado em A) ou “não direcionais”, quando a relação entre os laços é bilateral ou, simplesmente, não tem importância na análise da rede (ALEJANDRO; NORMAN, 2005; LAZZARINI, 2008). 56 3.1 Indicadores de redes Conforme Matheus e Silva (2006), a análise das redes sociais sofre forte influência da sociologia, da psicologia social e da antropologia, atribuindo caráter multidisciplinar ao tema e despertando o interesse de pesquisadores dos mais variados campos do conhecimento. Assim, na tentativa de compreender as formações das redes, diversas metodologias de análise foram criadas, tendo como base as relações entre os indivíduos (atores). Visando aos objetivos deste trabalho e levando em consideração as técnicas mais presentes na literatura, serão considerados os seguintes indicadores para a análise: tamanho, densidade, centralidade e coesão da rede. 3.1.1 Tamanho da rede O tamanho de uma rede é representado pelo número total de ligações entre os atores de determinado grupo de análise ou pelo tamanho potencial de ligações. Com este indicador, é possível verificar a presença de uma rede de relacionamento e a existência de alguma fragmentação. Na perspectiva das matrizes, o tamanho da rede é medido pelo número de linhas e de colunas presentes em uma matriz. Dessa maneira, uma matriz de i linhas e j colunas tem uma ordem de i × j (CARSTENS, 2005). Silva (2003) destaca que o tamanho é o mais importante critério estrutural de uma rede, devido ao fato de todas as demais análises se basearem nele. 3.1.2 Densidade da rede A densidade de uma rede é calculada com base na divisão do número de laços (relações) existentes pelo número máximo de laços possíveis. Quanto maior a ligação entre os atores, maior a densidade da rede. Se os atores de determinada rede não tiverem nenhum tipo de relacionamento, a densidade será igual a zero. Quando todos os atores foram conectados entre si, a densidade será igual a 100%. Portanto, uma rede é considerada densa quando vários atores se conectam entre si. Este indicador permite analisar e mensurar o potencial de comunicação de um 57 grupo, quanto maior a densidade, maior a possibilidade de ocorrer o fluxo máximo de informação (LAZZARINI, 2008; SILVA, 2003). Exemplos de redes com diferentes níveis de densidade são mostrados na FIGURA 10. FIGURA 10 - Redes com diferentes níveis de densidade – Exemplo A Densidade = 0,20 (2/10) Densidade = 0,40 (4/10) Densidade = 0,80 (8/10) Fonte: Lazzarini (2008) Para calcular o número máximo de laços possíveis, pode-se usar a seguinte equação: N(N-1)/2, em que N é o número total de atores e 2, a indicação somente da presença de laços não direcionais. Dessa maneira, como existem cinco atores na rede-exemplo, o número máximo de laços possíveis será dez. Partindo do mesmo exemplo, mas considerando a existência de laços direcionais, para calcular a densidade da rede basta dividir o número total de atores pelo número total de atores menos um. Consequentemente, o número máximo de laços possíveis será multiplicado por 2 e a densidade, reduzida, conforme exemplificado na FIGURA 11. FIGURA 11 - Redes com diferentes níveis de densidade – Exemplo B Densidade = 0,10 (2/20) Densidade = 0,40 (4/20) Densidade = 0,40 (8/20) Fonte: Lazzarini (2008), adaptado pelo autor 58 3.1.3 Centralidade da rede Carstens (2005) define centralidade como a identificação do quão acessível determinado integrante da rede se encontra para os demais. Essa análise pode ser feita por meio da mensuração do número de ligações que um ator possui dentro do grupo e do número de caminhos que passam por eles para a integração entre dois outros atores desconectados. Quanto mais central na rede o ator estiver, maior sua capacidade de acessar, direta ou indiretamente, outros atores (LAZZARINI, 2008). A FIGURA 12 mostra uma rede com grau de centralidade máxima, em que o ator A é responsável por conectar todos os demais. FIGURA 12 - Grau de centralização em 100% Fonte: ALEJANDRO; NORMAN (2005) Ao contrário do exemplo mostrado na FIGURA 12, a FIGURA 13 mostra um relacionamento entre todos os atores, indicando ausência de centralidade, ou seja: centralização em 0%. FIGURA 13 - Grau de centralização em 0% Fonte: ALEJANDRO; NORMAN (2005) 59 Com base nas pesquisas de Wassermann e Faust (1999), Carstens (2005) apresenta diferentes possibilidades para mensurar a centralidade por meio dos indicadores de centralidade de grau, de proximidade e de intermediação. A centralidade de grau é mensurada a partir do número de relacionamentos que um ator possui dentro da rede, permitindo identificar aqueles que assumem os papéis principais. Dependendo da direção dos fluxos de relacionamentos, é possível dividir a centralidade de grau em dois tipos: centralidade de grau de saída, determinada pelo número de relacionamentos que o ator estabelece; e centralidade de grau de entrada, determinada pelo número de relacionamentos que o ator recebe. No primeiro caso, é possível medir a expansividade dos atores, enquanto que no segundo, medem-se o prestígio e a popularidade. A centralidade de proximidade pode ser analisada a partir do número mínimo de ligações que determinado ator deve percorrer para acessar qualquer outro membro da rede. Este indicador é calculado com base no somatório das distâncias geodésicas, que significa o caminho mais curto que um ator deve seguir para se conectar aos demais (ALEJANDRO; NORMAN, 2005). O exemplo da FIGURA 14 mostra a distância geodésica do ator E em relação a C, cujo resultado é igual a 3. FIGURA 14 - Centralidade de proximidade Fonte: ALEJANDRO; NORMAN (2005) A centralidade de intermediação avalia os atores que têm a função de intermediar o relacionamento entre outros atores ou grupos de atores desconectados. 60 A FIGURA 15 ilustra um grau de intermediação 10, em que A aparece em todos os caminhos possíveis da rede. A FIGURA 16 ilustra um grau de intermediação 0, em que todos os atores se conectam diretamente. FIGURA 15 - Grau de Intermediação “10” FIGURA 16 - Grau de Intermediação “0” Fonte: ALEJANDRO; NORMAN (2005) Fonte: ALEJANDRO; NORMAN (2005) Alejandro e Norman (2005) destacam ainda que, para um ator possuir um grau de intermediação, é necessária a presença de, pelo menos, um grau de entrada e um grau de saída e estar no caminho geodésico entre dois atores. 3.1.4 Coesão da rede Segundo Silva (2003), a coesão está relacionada à presença de subgrupos dentro de uma rede. Tais subgrupos caracterizam-se pela suposição da existência de um grau de afinidade entre os seus membros para que os laços possam ser estabelecidos. Uma rede é considerada coesa quando a quantidade de subgrupos for pequena ou inexistente. Para Lazzarini (2008), são diversos os contextos sociais com a presença de subgrupos que têm alta interação entre si, mas que não se relacionam intensamente com outros atores. Segundo Wasserman e Faust (1999), referenciados por Silva (2003), uma das possíveis formas de analisar a coesão de um subgrupo é com base na reciprocidade dos relacionamentos e na acessibilidade de um ator. A primeira abordagem indica a presença de grupos isolados e fortemente conectados, denominados de “cliques”. A segunda abordagem é uma ampliação do conceito da reciprocidade e considera 61 também os atores não conectados diretamente entre si, mas que possuem determinada distância geodésica escolhida como parâmetro de análise. Essa abordagem é também conhecida como “n-clique”, em que n representa o valor de corte da distância geodésica máxima. Quanto menos cliques e n-cliques uma rede possuir, maior será sua coesão. 62 4 METODOLOGIA A estratégia de pesquisa utilizada neste trabalho consiste na realização de estudos de caso de natureza qualitativa, na fase inicial exploratória de análise dos dados secundários, e quantitativa, na fase final, quando foram analisados os dados primários coletados durante as entrevistas em campo. O estudo de caso descritivo tem por objetivo investigar um fenômeno que deve apresentar certas características idiossincráticas iniciais e cujas unidades de análise e de observação, bem como o problema de pesquisa, limitam-se a um contexto específico (GONÇALVES; MEIRELLES, 2004). O método de survey foi utilizado na fase final da pesquisa, com o autor, em campo, entrevistando os gestores das empresas selecionadas na fase inicial. Segundo Malhotra (2001), tal método consiste em aplicar um questionário estruturado a uma amostra de população e destinado a provocar informações específicas dos entrevistados. Para o tratamento dos dados quantitativos, foram consideradas as técnicas da estatística descritiva (utilizando-se o software Excel), da análise de regressão estatística (utilizando-se o software SPSS) e das teorias de análise de redes sociais (utilizando-se o software UCINET). 4.1 População e amostragem A área geográfica de abrangência desta pesquisa compreendeu empresas de TI do setor privado com unidades na grande Belo Horizonte, em sua maioria, filiadas à SUCESU-MG, entidade sem fins lucrativos que reúne empresas fornecedoras e consumidoras de produtos e serviços de TI. A amostragem foi de conveniência e formada por adesão, portanto, de forma não probabilística. Diante da estimativa inicial de uma amostra entre 15 e 20 empresas participantes, a pesquisa trabalhou com 21 empresas fornecedoras de produtos e serviços de TI. Esse número é conveniente para estudos de rede não somente pelo poder explicativo da amostra, mas também por não carregar a representatividade do grafo. 63 4.2 Coleta e tratamento dos dados Os dados foram coletados mediante entrevistas com os gestores das empresas de TI selecionadas que participam de processos decisórios estratégicos. Os dados foram tratados por ferramentas estatísticas e pelo software UCINET de modelagem de grafos valorados dirigidos. Ao longo da pesquisa, o gestor de uma das empresas pesquisadas não disponibilizou agenda para receber o pesquisador com base no cronograma estabelecido para este trabalho, pois estava em viagem ao exterior. Ele enviou os questionários respondidos via e-mail. 4.2.1 Dados secundários Na primeira fase da coleta, procedeu-se a um estudo exploratório de dados secundários obtidos por meio de consultas a revistas, periódicos, jornais locais, internet e Diretoria da SUCESU-MG, objetivando reunir informações sobre a região da grande Belo Horizonte e as respectivas empresas de TI. Desse estudo, chegouse a informações que auxiliaram na aplicação do modelo hipotético mostrado neste trabalho, na confecção dos questionários de pesquisa e na realização das entrevistas semiestruturadas aplicadas na coleta dos dados primários. Tais dados foram tratados a partir da criação de um arquivo digital contendo o resumo das principais informações, que, posteriormente, foram analisadas, comparadas, comentadas e consultadas pelo pesquisador. 4.2.2 Dados primários Os dados primários foram coletados por meio da aplicação de uma entrevista estruturada, que consistiu na aplicação de dois questionários fechados, conforme mostrado nos Apêndices C, D e E. As entrevistas foram realizadas a partir da apresentação dos questionários aos pesquisados e foram conduzidas considerando a sequência das perguntas escritas. 64 O primeiro questionário foi antecedido por questões que tiveram por objetivo identificar e levantar o perfil do respondente e da empresa em que ele atua, objetos desta pesquisa (APÊNDICE C). O restante do questionário constitui-se de três grupos de questões, que contêm perguntas ligadas às estratégias adotadas pela empresa: estratégias organizacionais, estratégias de rede e estratégias de cooperação e competição (APÊNDICE D). O segundo questionário, composto de doze questões, contém perguntas sobre os relacionamentos da empresa de TI participante com as demais (APÊNDICE E). A pesquisa de campo foi dividida em duas fases consecutivas. Em um primeiro momento, realizou-se um contato, via e-mail, telefônico e/ou pessoal, com as empresas de TI supostamente com o perfil desejado, para apresentar a proposta da pesquisa, o pesquisador e a instituição de ensino envolvida, efetuar a entrega de uma carta de apresentação (APÊNDICE A) e solicitar o preenchimento de parte do primeiro questionário (APÊNDICE C). Dessa maneira, pretendeu-se identificar as empresas dispostas a participarem do estudo e agendar um retorno para a aplicação dos questionários. Com a amostragem já definida, as respostas das questões do segundo questionário foram completadas, com a inclusão do nome de cada empresa de TI participante. A segunda fase da pesquisa de campo consistiu na realização das entrevistas semiestruturadas, por meio da aplicação do restante do primeiro questionário e de todo o segundo questionário. O tratamento dos dados coletados teve início com a tabulação das respostas, utilizando-se os softwares Microsoft Word e Microsoft Excel. Foi criado um documento para cada participante, de modo a registrar, na íntegra, as opções selecionadas pelos pesquisados. Em seguida, para os três grupos de questões estratégicas do primeiro questionário (APÊNDICE D), foram criadas planilhas com a totalização da frequência de cada resposta. Para as questões de 2 a 8 do segundo questionário (APÊNDICE E), foram criadas matrizes relacionais, uma para cada questão, derivadas dos gabaritos de respostas. Com o objetivo de tornar mais claras e precisas as informações geradas, optou-se por utilizar uma escala forçada de respostas, contemplando as opções 0 e 1, em substituição à escala Likert de quatro pontos originalmente empregada. Portanto, o número 0 correspondeu às duas primeiras opções de respostas do questionário e o número 1, às demais. 65 A FIGURA 17 mostra o modelo de equivalência entre as escalas. FIGURA 17 - Equivalência entre escalas Raramente ou Mínimo 2 Muitas Vezes ou Mediano 3 Intensamente ou Alto 4 ⇔ Escala Original Nunca ou Zero 1 Escala Forçada Nunca / Raramente ou Zero / Mínimo 0 Muitas Vezes / Intensamente ou Mediano / Alto 1 Fonte: Autor (2012) A partir das matrizes relacionais, os dados foram analisados na perspectivada das teorias de redes sociais apresentadas na seção 5.6. Como todas as matrizes possuem as mesmas características, com números iguais de linhas e colunas (matriz quadrada) e com idêntica composição de atores, pôde-se padronizar o método de análise com o emprego dos mesmos indicadores: tamanho, densidade, centralidade e coesão. Tais indicadores foram calculados utilizando-se os recursos presentes no software UCINET e demonstrados no QUADRO 6. As matrizes relacionais serviram, também, como forma de calcular as análises de regressão estatística efetuadas mediante o uso do software SPSS (Statistical Package for the Social Sciences), próprio para o tratamento estatístico descritivo nas Ciências Sociais. Tal técnica consiste em um processo de dedução de uma relação matemática entre uma única variável métrica dependente e uma única variável independente (MALHOTRA, 2001), utilizada com o intuito de verificar a relação entre os construtos propostos no modelo hipotético (FIG. 7). A representação gráfica de cada matriz foi gerada pelo software UCINET, por meio da ferramenta Network Visualization Software (NetDraw), tendo por objetivo proporcionar uma análise visual dos relacionamentos, como forma de auxiliar nas interpretações. 66 QUADRO 6 - Indicadores de análise de redes Medidas Definição Tamanho Indica o total de atores que compõem a rede, bem como a totalidade de relações identificadas. Densidade Mostra o valor em percentagem da densidade da rede. Isto mostra a alta ou baixa conectividade da rede. A densidade é uma medida expressa em percentagem do quociente entre o número de relações e com as relações possíveis. Reciprocidade Indica a proporção dos pares de atores cujas relações fluem nos dois sentidos (relações simétricas), considerando o total de pares que mantêm relação entre si (relações simétricas e assimétricas). Cliques Subgrupo constituído por três ou mais atores totalmente interligados entre si. Quando as relações entre os atores são simétricas são consideradas fortes; e quando assimétricas, fracas. Grau de entrada Indica as relações que partem dos diversos atores da rede e chegam a um ator em específico. Grau de saída Indica as relações que se originam de um ator específico e que são direcionadas para os demais atores da rede. Intermediação Trata-se da possibilidade que um ator tem para intermediar as comunicações entre pares de nós. Estes nós também são conhecidos como “atores-pontes”. Proximidade Trata-se da capacidade de um ator para alcançar todos os nós da rede. Fonte: Silva (2011) e Alejandro & Norman (2008), adaptado pelo autor As entrevistas semiestruturadas tiveram seus principais trechos transcritos no software Microsoft Word e serviram como base para a aplicação das técnicas de análise do conteúdo, com a finalidade de efetuar deduções lógicas e justificadas a 67 respeito da composição da mensagem recebida, cujas conclusões complementaram a interpretação dos dados quantitativos. 68 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS O primeiro questionário atém-se somente às características dos gestores entrevistados e das empresas selecionadas para esta pesquisa (APÊNDICE C e D). O segundo questionário teve por objetivo mostrar o relacionamento desses gestores e empresas com as demais empresas que participaram da pesquisa, que é o foco principal deste trabalho (APÊNDICE E). A partir da primeira parte do primeiro questionário aplicado às empresas de TI pesquisas (ENTREVISTA, RESPONDENTE, ORGANIZAÇÃO), pôde-se montar um pequeno perfil da entrevista, dessas empresas e dos gestores que a representaram nesta pesquisa (APÊNDICE C). Já a segunda parte deste primeiro questionário (APÊNDICE D) permitiu identificar questões estratégicos (organizacionais, de rede, de cooperação e competição) das empresas participantes da pesquisa. 5.1 A SUCESU-MG e o mercado de TI Antes de entrar na análise dos dados coletados, é importante comentar um pouco sobre a entidade que apoiou esta pesquisa e que abriu as portas dos mais importantes gestores de TI da região de Belo Horizonte: a SUCESU-MG, ou Sucesu Minas (de acordo com o seu atual presidente, Marcos Calmon). A SUCESU-MG (Sociedade de Usuários de Informática e Telecomunicações de Minas Gerais) foi fundada em 14 de agosto de 1968, três anos após a criação da SUCESU Nacional (entidade mais antiga e tradicional da área de informática e telecomunicações do Brasil), por um grupo de usuários de informática, com o objetivo de discutir problemas ligados à área de TI. Sem fins lucrativos e nenhum cunho político-partidário, hoje ela conta 162 associados, entre empresas e pessoas físicas, incluindo-se fornecedores e usuários de TIC, realidade mantida pela SUCESU-MG para manter em constante debate estas duas classes, em assuntos de interesse comum (SUCESU-MG, 2012). São 66 fornecedores de TIC, como as empresas não mineiras IBM, Microsoft, HP Brasil, Claro, Embratel, Itautec, Symantec, Siemens, Compuware, Certsign e Unisys, 69 e as mineiras Prodabel, AeC, Squadra, Microcity, TTY2000, Safe Security, Plansis, Techbiz e Webaula, entre outras, além de 96 usuários de TIC como as empresas não mineiras Fiat, Serpro, Softtek, Stefanini, Senac e Anatel, e as mineiras Copasa, Cemig, BDMG, Banco BMG, Açominas, Usiminas, Jornal Estado de Minas, Universidade Fumec, Samarco, Mendes Júnior, DER-MG e PMMG, entre outras. Várias destas empresas compõem a lista daquelas empresas pesquisadas neste trabalho. De acordo com o seu site (SUCESU-MG, 2012), a Sucesu Minas tem como principais objetivos: Representar empresas e profissionais do setor de informática e telecomunicações; Defender os interesses dos associados; Promover e colaborar no desenvolvimento do setor de informática e telecomunicações; Realizar e estimular debates técnicos e políticos; Promover a absorção e divulgação de tecnologias relacionadas a informática e telecomunicações; Interagir com entidades especializadas, objetivando a definição e atribuição de padrões técnicos de normatização e de controle de qualidade. É importante também analisar resumidamente o cenário do mercado de TI no Brasil e em Minas Gerais. O Brasil é o oitavo mercado de TI no mundo, com um faturamento anual em torno de 85,09 bilhões de dólares. O setor de TI representa 4% do PIB brasileiro e exporta 2,39 bilhões de dólares. Para o ano de 2022, estimase que o faturamento deste setor chegue a 200 bilhões de dólares. Em Minas Gerais, o setor de TI responde por 7,6% do total de empresas do Brasil, algo em torno de 5 mil empresas, que faturam 2,3 bilhões de reais anuais. A Região Metropolitana de Belo Horizonte abriga 3500 empresas de TI (70% do total de Minas Gerais), com 10 mil profissionais empregados e 1,6 bilhão de reais de faturamento anual, correspondendo a 1,6% do PIB brasileiro (SOFTEX, 2012). 70 5.2 Perfil das entrevistas e dos gestores entrevistados As entrevistas aconteceram, em sua maioria, nos escritórios das empresas pesquisas, localizados na região de Belo Horizonte e Nova Lima. Todos os entrevistados ocupavam à época da entrevista cargos de alta gestão em suas empresas. Foram entrevistados presidentes, diretores regionais, diretores de TI, diretores comerciais, CIOs, etc. O entrevistador, autor deste trabalho, observou, nos vários gestores entrevistados uma grande curiosidade e preocupação com o resultado da pesquisa. As questões os fizeram pensar em pontos importantes de suas estratégias internas e externas, principalmente competição e cooperação, e muitos deles se mostraram interessados em como as outras empresas participantes da pesquisa iriam responder às questões. A TABELA 1 mostra, de forma detalhada, os dados colhidos durante as entrevistas relativos à primeira parte do primeiro questionário (APÊNDICE C). De acordo com a TABELA 1, as entrevistas duraram em média 41,1 minutos, tendo a mais curta durado 22 minutos e a mais longa 72 minutos. Nas entrevistas mais curtas, observou-se que os gestores entrevistados se mostraram rápidos e objetivos em suas respostas, sem justifica-las mas respondendo com seriedade. Nas entrevistas mais longas, o entrevistado procurou justificar suas respostas e, em alguns casos, contar um pouco da história de sua empresa, para contextualizar a resposta dada. Em algumas poucas situações, os entrevistados voltaram atrás em respostas dadas anteriormente, para que elas ficassem em acordo com outras. Alguns entrevistados pediram mais explicações e exemplos sobre algumas questões, o que foi prontamente atendido pelo entrevistador. Também em alguns momentos o próprio entrevistador tomou a iniciativa de explicar e exemplificar as questões, visto que o entrevistado demorou a responder ou, mesmo, respondeu fora do contexto da questão. Apurou-se que 20 dos 21 gestores entrevistados são do sexo masculino. 71 TABELA 1 - Dados da entrevista, dos gestores entrevistados e das empresas pesquisadas A B C D E F G H I J Empresas K L M N O P Q R S T U Duração da entrevista (em minutos) 30 50 41 43 40 45 35 x 35 26 72 22 68 30 52 40 45 37 35 28 Tempo de trabalho do gestor entrevistado (em anos) 20 4 1,1 22 27 3,5 8 10 14,2 25 23,6 4 38 10 15 12 25 12 17 Idade dos gestores entrevistas (em anos) 51 49 34 42 55 30 31 45 43 59 51 32 60 39 50 37 46 41 Sexo (M-masculino, Ffeminino) M M M M F M M M M M M M M M M M M Tempo de vida da empresa (em anos) 20,5 3,6 22 22 27 8 8,2 31 14,2 25,2 24 4,5 42 10 30 38 Localização da matriz da empresa BH BH BH BH BH BH BH IND BH BH NL BH BH BH MEX Número de empregados em BH 14000 250 280 35 120 20 23 400 65 610 42 7 1000 22 Número de empregados em MG 17000 250 330 35 120 20 23 400 65 610 42 7 1000 Número de empregados no Brasil 20000 300 460 35 350 20 27 500 75 4000 44 7 Número de empregados no Mundo 20000 300 460 35 350 20 27 150000 75 4000 44 Faturamento (em milhões de R$) 376 30 54 4,2 25 1,8 2 14200 4,8 240 Total de unidades instaladas em MG 8 2 1 1 1 1 1 1 1 Total de unidades instaladas no Brasil 11 5 5 1 2 1 2 1 Total de unidades instaladas no Mundo 11 5 5 1 2 1 2 Produtos oferecidos no mercado local x 20 4 5 6 5 Tempo de associação a SUCESU-MG (em anos) 19 4 10 8 2 não Questões Média Mín Máx 47 41,1 22 72 0,1 13 14,5 0,1 38 37 34 34 42,9 30 60 M M M M X x x 25 12 30 11 17,3 20,3 3,6 42 CHI BH BH SP NL BH X x x 110 300 350 12 900 210 32 894,7 7 14000 22 110 480 370 12 900 210 32 1049,4 7 17000 1000 22 2300 6500 500 40 8500 210 32 2139,1 7 20000 7 1000 22 9000 12000 500 40 9000 210 32 9863 7 150000 7 0,7 174 72 160 2400 50 7,2 1500 15 3 920,3 0,7 14200 2 1 1 2 1 1 1 2 1 1 1 1 1,5 1 8 2 10 2 1 2 1 6 31 6 4 7 1 1 4,9 1 31 78 2 10 2 1 2 1 25 62 6 4 9 1 1 11 1 78 6 x 10 5 15 6 x 6 x 30 10 6 40 4 3 10,6 3 40 4 não não 25 13 3 17 10 2 1,5 19 0,5 33,5 3 1 9,8 1 33,5 Fonte: Dados da pesquisa (2012) 72 A TABELA 2 mostra a faixa de idade dos gestores entrevistados. A maior parte dos entrevistados tem até 39 anos (42,8%), reforçando o que ocorre no mercado local e, até, internacional: pessoas jovens na criação e gestão de empresas de TI. A média de idade dos entrevistados é de 42,9 anos, tendo o mais novo 30 e o mais velho 60 anos. TABELA 2 - Faixa de idade dos gestores entrevistados Faixa de Idade (em anos) Até 39 De 40 até 49 De 50 em diante Total N % 9 6 6 21 42,8 28,6 28,6 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) O tempo de trabalho dos gestores nas empresas pesquisadas é mostrado na TABELA 3, que mostra que 71,4% dos entrevistados atuam na empresa há mais de 10 anos, sendo que em torno de 50% desses (ou 33,3% do total) atuam há mais de 20 anos. A média de tempo de trabalho destes gestores é de 14,5 anos, sendo que o gestor mais antigo tem 38 anos de atuação e o que atua a menos tempo tem pouco mais de 1 mês de empresa. Em relação a este último gestor, ele informou que retornou à empresa depois de dois anos atuando em outro local, mas não disse quanto tempo atuou na empresa anteriormente. TABELA 3 - Tempo de trabalho do gestor na empresa Tempo de Trabalho (em anos) Até 9 De 10 até 19 De 20 em diante Total N % 6 8 7 21 28,6 38,1 33,3 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Outro dado interessante é que 11 dos 21 gestores entrevistados (52,4%) atuam na empresa praticamente desde a sua criação (TABELA 1), permitindo concluir que conhecem profundamente a empresa onde trabalham e suas relações com o mercado. 73 5.3 Perfil das empresas de TI pesquisadas Das 21 empresas pesquisas, 18 (85,7%) são brasileiras, sendo que deste grupo 17 (80,9% do total) são mineiras, com a matriz instalada em Minas Gerais, mais especificamente em Belo Horizonte ou Nova Lima, e 7 (33,3%) tem escritórios somente em Minas Gerais (TABELA 1). Mais de 50% das empresas pesquisadas têm mais de 20 anos de mercado, de acordo com a TABELA 4. A mais nova tem 3,6 anos e a mais antiga, 42 anos, com média de 20,3 anos. Ou seja, são empresas maduras e com estratégias internas e de mercado já consolidadas. TABELA 4 - Tempo de vida da empresa Tempo da Empresa (em anos) Até 9 De 10 até 19 De 20 em diante Total N % 4 5 12 21 19,0 23,8 57,2 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) De acordo com a TABELA 5, 47,6% das empresas pesquisadas só têm escritórios instalados no Brasil e 33,3% somente em Minas Gerais. Apenas 4 empresas também têm escritórios fora do Brasil. TABELA 5 - Localização das unidades instaladas Unidades Instaladas Somente no estado de MG Somente no Brasil Também fora do Brasil Total N 7 10 4 21 % 33,3 47,6 19,1 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) A TABELA 6 mostra o percentual de empregados das empresas pesquisadas que atuam fora de Minas Gerais. Observa-se que somente 33,3% das empresas têm 74 mais de 50% de seus funcionários atuando fora do estado, reforçando a forte presença das empresas pesquisadas no mercado mineiro. A empresa com maior presença em Minas Gerais tem 17 mil empregados, e a menor tem 7 empregados. TABELA 6 - Empregados atuando fora de MG Percentual de empregados 0% Acima de 0 até 49% De 50% em diante Total N % 7 7 7 21 33,3 33,3 33,3 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) A média do faturamento anual em reais das empresas pesquisadas está em torno de 920,3 milhões (TABELA 1). De acordo com a TABELA 7, 61,9% das empresas pesquisadas têm faturamento igual ou superior a 10 milhões de reais e em 33,3% delas o faturamento é igual ou superior a 100 milhões de reais. TABELA 7 - Faturamento anual Faturamento (em milhões de R$) Até 9 De 10 até 99 De 100 em diante Total N % 8 6 7 21 38,1 28,6 33,3 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) 5.4 Perfil estratégico das empresas de TI pesquisadas Para os três grupos de questões sobre estratégia – que compôs a segunda parte do primeiro questionário –, utilizou-se a mesma escala de valores durante a pesquisa: a escala Likert de cinco pontos. Porém, para cada grupo de questões a descrição da escala apresentou-se de forma diferente, conforme mostra o QUADRO 7. 75 QUADRO 7 - Escala e descrição de valores (questões estratégicas) Grupo de Questões Estratégias organizacionais Estratégias de rede Estratégias de cooperação e competição Escala / Descrição 1 Não apresenta a característica 2 Apresenta pouco a característica 3 Apresenta medianamente a característica 4 Apresenta bastante a característica 5 Apresenta totalmente a característica Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre Discordo totalmente 1 2 3 4 Concordo totalmente 5 Fonte: Autor (2012) A TABELA 8 mostra de que forma os gestores responderam às questões formuladas a eles sobre estratégias organizacionais. Foram onze questões ligadas a vários aspectos organizacionais, internos e externos. Observou-se durante as entrevistas que várias das pontuações dadas a algumas destas questões pelos gestores fizeram com que eles reconhecessem que sua empresa precisava dar mais atenção a questão, pela razão de sua importância e da baixa avaliação dada pelos gestores a sua empresa na referida questão. De outro lado, verificou-se que alguns gestores se sentiram orgulhosos pela avaliação que deram por eles em algumas questões, por entenderem que estes são pontos importantes de suas empresas. Um dos gestores respondeu: “Crava 5 nesta pergunta pois este é lema principal de nossa empresa”. Já outro respondeu: “Apesar de dar 2, temos consciência de que este ponto precisa ser melhorado por nossa empresa, a começar por mim”. Das onze questões colocadas aos gestores, somente a 11, que questiona sobre o treinamento permanente no atendimento ao cliente, teve valor modal abaixo de 4 (apresenta bastante a característica). Ou seja, as demais questões foram muito bem avaliadas pela maioria dos gestores, apesar de alguns gestores chegarem a atribuir pontuação 1 (não apresenta a característica) algumas questões. No que se refere ao planejamento de ações (questão 1) e ao relacionamento e suporte a clientes (questão 2), os gestores avaliaram bem suas empresas, com mínimo de 3 (apresenta medianamente a característica) até a pontuação máxima 5 (apresenta totalmente a característica), moda igual a 5 e média acima de 4,2. 76 TABELA 8 - Estratégias organizacionais Estratégias organizacionais 1. Sua empresa desenvolve planejamento de suas ações de curto, médio e longo prazo. 2. Sua empresa mantém relacionamento e suporte aos seus clientes. 3. Sua empresa costuma participar de congressos, conferências ou eventos relacionados à área de atuação. 4. No momento da contratação de funcionários, experiência anterior e formação na área são imprescindíveis. 5. Sua empresa submete seus funcionários constantemente a treinamentos. 6. Sua empresa busca maior participação no mercado por meio de lançamento de novos produtos. 7. Sua empresa procura sempre estar informada com relação às ações realizadas pela concorrência. 8. Sua empresa é proativa na adoção de equipamentos de última geração para apoio a produção. 9. Sua empresa é reconhecida socialmente pela qualidade do relacionamento com seus clientes, fornecedores e demais empresas. 10. Sua empresa possui uma divisão clara de tarefas, cargos e atribuições de cada funcionário que nela trabalha. 11. Sua empresa adota treinamento permanente para melhorar a qualidade do atendimento a seus clientes. Média Moda Mínimo Máximo 4,2 5 3 5 4,6 5 3 5 3,6 5 1 5 3,4 4 2 5 3,8 4 2 5 3,4 4 1 5 3,6 4 2 5 4,1 5 2 5 3,6 5 1 5 3,8 5 1 5 3,5 3 2 5 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Muitas das questões submetidas aos gestores investigaram várias formas de relacionamento com o mercado: atendimento a clientes, participação em eventos externos, lançamento de novos produtos em sintonia com o mercado e busca de informações sobre a concorrência. Com base na avaliação dada pelos gestores nestas questões, a tendência seria a de que as relações entre as empresas pesquisadas fossem densas, mas isso não foi verificado, como será visto mais adiante neste trabalho. A TABELA 9 mostra o resultado das questões ligadas às estratégias de rede adotadas pelas empresas pesquisadas. Este grupo de questões procurou identificar como as 77 empresas pesquisadas, na pessoa de seu gestor e/ou seus funcionários, se porta quando interage diretamente com outras empresas que compõem sua rede, composta por clientes, fornecedores e até mesmo, concorrentes, seja na busca de ideias ou discussão de problemas. TABELA 9 - Estratégias de rede Estratégias de rede Média Moda Mínimo Máximo 1. Sua empresa busca trazer ideias e sugestões de melhorias para a rede de empresas que compõe seu setor. 2. No momento de discussão de ideias na rede, sua empresa costuma argumentar sobre o que pensa, mesmo que seja para criticar. 3. Sua empresa possui conhecimento de sua importância opinadora e das outras empresas para a rede. 4. Sua empresa concorda e adota as ações deliberadas pelos componentes da rede. 5. Sua empresa interage com outras empresas da rede na busca de troca de ideias e aprendizado. 6. Sua empresa possui um “espírito” empreendedor, implementando as sugestões propostas pela rede. 7. No processo de discussão de novas ideias na rede, pode-se dizer que as empresas tem total liberdade para opinar. 8. É muito importante a formação de alianças com outras empresas da rede para um melhor desempenho. 3,4 3 2 5 3,9 4 2 5 3,5 5 1 5 3,7 3 3 5 3,8 4 2 5 3,6 4 2 5 4,0 5 1 5 4,6 5 3 5 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Para este grupo de questões, as respostas dadas pelos gestores não foram tão positivas quanto o primeiro grupo de questões. Suas médias ficaram entre 3 e 4, com poucos valores modais iguais a 5 (sempre). Também se observaram várias pontuações dadas por gestores iguais a 1 (nunca) e 2 (raramente), o que demonstra fragilidade nos relacionamentos em rede de parte das empresas pesquisadas. Uma última observação sobre este grupo de questões diz respeito à avaliação mínima dada por algumas empresas às questões 3 (sua importância opinadora) e 7 (liberdade para opinar). 78 Na TABELA 10, estão mostrados os resultados das respostas dos gestores ao grupo de questões ligadas às estratégias de cooperação e competição, que constituem o foco principal desta pesquisa. Os gestores foram submetidos a onze questões que procuraram mostrar como eles e suas empresas se comportam quando se relacionam com as outras empresas de sua rede. Pode-se observar o grande número de pontuações baixas dadas por vários gestores nas questões que lhes foram colocadas neste grupo. TABELA 10 - Estratégias de cooperação e competição Estratégias de cooperação e competição 1. Considero a cooperação muito melhor que a competição. 2. Acredito que as empresas preferem muito mais atuar em um sistema de competição do que de modo colaborativo. 3. Considero que a competição é o fator que mais motiva as empresas para alcançar desempenho superior. 4. Em uma região onde há muitos competidores, a melhor forma de sobrevida da empresa é a cooperação. Média Moda Mínimo Máximo 4,2 5 2 5 3,7 3 2 5 3,5 4 2 5 3,7 3 1 5 5. Quando se compete necessita-se de mais estratégia do que quando se atua de forma colaborativa. 3,5 5 1 5 6. Quando se está atuando em determinada região, há grande necessidade de atuar de forma colaborativa. 4,1 4 2 5 7. Minha organização pratica trabalhos em rede nacional e internacional para aprendizado estratégico. 3,7 4 1 5 8. Minha organização pratica atividades em rede para minimizar riscos empresariais. 3,5 4 1 5 2,9 2 1 5 3,7 4 2 5 3,6 4 1 5 9. As empresas trabalham em rede para minimizar novos entrantes. 10. As empresas atuando em rede auferem desempenho (financeiro, crescimento, tecnológico, social, dentre outros) que aquelas que não atuam. 11. As empresas atuando em rede minimizam os riscos econômicos do negócio. Fonte: Dados da pesquisa (2012) Fazendo uma análise de alguns resultados, a questão 1 afirma que cooperar é melhor que competir, a maioria dos gestores entrevistados concorda plenamente com esta afirmação, tanto que a moda foi igual a 5 para a questão, com média de 79 4,2. Já a questão 2 afirma que as empresas preferem muito mais competir do que cooperar e que, apesar de revelar valores menores, o resultado das respostas mostra que os gestores concordam com a afirmação, contrastando com o resultado da questão 1. Ou seja, no dia a dia de mercado o que se vê em termos de competição e cooperação não é o que os gestores entrevistados desejam. Trabalhar em rede para minimizar novos entrantes (questão 9) foi a afirmação que recebeu a pontuação mais baixa (moda igual a 2 e média igual a 2,9, com valores mínimos e máximo nas extremidades da escala adotada), o que demonstra, que para os gestores entrevistados o relacionamento em rede não tem por objetivo alcançar proteção do mercado em relação a novos competidores. Outro ponto importante da pesquisa ligado a este grupo de questões está mostrado no resultado das respostas à questão 5, que reforça o uso de mais estratégia num mercado competitivo. Ou seja, quando mais se colabora menos estratégia é necessária. 5.5 Relacionamento e percepções entre as empresas participantes O segundo questionário (APÊNDICE E) trata do relacionamento entre as empresas participantes e das percepções que cada uma tem das outras em vários aspectos. O primeiro aspecto estudado nesta parte da pesquisa refere-se à frequência com que as empresas pesquisadas se relacionam no dia a dia. A TABELA 11 mostra o resultado das respostas que os gestores deram à questão 1 da pesquisa (APÊNDICE E). Esta tabela foi extraída da matriz que se encontra no ANEXO E, item a. Observa-se que 58,8% das respostas dadas pelos gestores entrevistados revelam que não há nenhum tipo de relacionamento entre sua empresa e as demais empresas participantes da pesquisa. O GRÁFICO 1 mostra essa frequência levando-se em conta somente os relacionamentos existentes. Destes relacionamentos, 58,4% acontecem com frequência semestral (52 = 30,1%) ou anual (49 = 28,3%). Nas respostas obtidas dos gestores entrevistados, muitos afirmaram que a maioria destes relacionamentos (semestral ou anual) é ocasional e se dá em 80 eventos principalmente da área de TI, quando gestores e, mesmo, funcionários trocam informações diversas, mas sem nenhum formalismo. TABELA 11 - Frequência de relacionamento entre as empresas Frequência do relacionamento Nenhum relacionamento Diário Semanal Mensal Semestral Anual Total N 247 6 18 48 52 49 420 % (total) 58,8 41,2 100,0 % 3,5 10,4 27,7 30,1 28,3 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) GRÁFICO 1 - Frequência de relacionamento entre as empresas 35 30,1 30 28,3 27,7 valores % 25 20 15 10,4 10 3,5 5 0 Semestral Anual Mensal Semanal Diário Fonte: Dados da pesquisa (2012) A questão 9 do segundo questionário (APÊNDICE E) procurou identificar entre as empresas pesquisadas os principais motivos que as levam a se relacionarem. A TABELA 12 (extraída da matriz que se encontra no ANEXO E, item i) confirma a falta de relacionamento entre as empresas pesquisadas (62,1%), já identificada na questão 1. Ela também mostra que, dentre os motivos relacionais que os gestores responderam, a relação circunstancial (sem perspectiva de futuro) responde por mais da metade das respostas (53,5%). Também foi possível identificar que a relação voluntária (ganho mútuo entre as organizações e não obrigatoriamente 81 recíproca), que corresponde a 29,6% das relações, não é formalizada por contratos, leis ou qualquer tipo de dependência vital. Por fim, apesar do baixo percentual (14,5%), muitas relações contratuais entre as empresas pesquisadas, em sua maioria, de acordo com informações dos gestores entrevistados, ocorrem devido à relação cliente versus fornecedor, que existe entre várias delas. O GRÁFICO 2 mostra, de forma visual e em ordem decrescente, os motivos da relações entre as empresas participantes da pesquisa. TABELA 12 - Principal motivo da relação entre as empresas Motivos da relação Nenhum Nenhum relacionamento Relação com ganho mútuo entre as Voluntária organizações e não obrigatoriamente recíproca Relação voluntária padronizada por meio de Formal contratos Relação estabelecida por lei ou regulamento Obrigatória Relação por dependência de produtos ou Dependência N % (total) 261 62,1 % 47 29,6 23 14,5 1 37,9 0,6 3 1,9 Circunstancial Relação sem perspectiva de futuro 85 53,5 Total 420 serviços da outra organização para existir 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) GRÁFICO 2 - Principal motivo da relação entre as empresas 60 53,5 valores % 50 40 30 29,6 20 14,5 10 1,9 0,6 0 Circunstancial Voluntária Formal Dependência Obrigatória Fonte: Dados da pesquisa (2012) 100,0 82 Os aspectos socioculturais do relacionamento entre as empresas pesquisadas também foram estudados neste trabalho. Com base na questão 10 (APÊNDICE E), buscou-se identificar a base predominante do relacionamento entre as empresas pesquisadas, na ótica dos gestores entrevistados. De acordo com a TABELA 13 (extraída da matriz que se encontra no ANEXO E, item j), não foram identificadas discrepâncias entre as várias bases de relacionamento, excetuando-se a inexistência de relacionamentos por parentesco. Destacaram-se os relacionamentos baseados na amizade (37,8%) e na política (29,1%). Durante a entrevista, os gestores questionaram bastante a diferença entre um e outro conceito. O entrevistador procurou equalizar os conceitos a fim de que a pesquisa chegasse a resultados mais confiáveis. O GRÁFICO 3 mostra os resultados da pesquisa de forma mais clara, e em ordem decrescente, reforçando a amizade como base principal do relacionamento entre as empresas pesquisadas. TABELA 13 - Base predominante do relacionamento entre as empresas Base predominante do relacionamento Nenhum relacionamento Amizade Parentesco Status Política Econômica Total N 248 65 0 23 50 34 420 % (total) 59,0 41,0 100,0 % 37,8 0,0 13,4 29,1 19,8 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012)` valores % GRÁFICO 3 - Base predominante do relacionamento entre as empresas 40 35 30 25 20 15 10 5 0 37,8 29,1 19,8 13,4 0 Amizade Política Econômica Status Fonte: Dados da pesquisa (2012) Parentesco 83 Outro aspecto estudado na pesquisa diz respeito à importância que os gestores entrevistados dão ao relacionamento que sua empresa mantêm com as demais empresas da pesquisa. A TABELA 14 (extraída da matriz que se encontra no ANEXO E, item k) mostra o resultado tabulado das respostas a questão 11 do segundo questionário (APÊNDICE E). Mais da metade das respostas dos gestores entrevistados aponta que os relacionamentos são de pouca (34,8%) ou nenhuma (25,0%) importância. Apenas 3,6% das respostas indicam que o relacionamento é crucial para as empresas envolvidas. O GRÁFICO 4 mostra em ordem crescente estes graus de importância. TABELA 14 – Importância do relacionamento entre as empresas Importância do relacionamento Não responderam Sem importância Pouco importante Importante Muito importante Crucial Total N 196 56 78 62 20 8 420 % (total) 46,7 53,3 100,0 % 25,0 34,8 27,7 8,9 3,6 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) GRÁFICO 4 - Importância do relacionamento entre as empresas 40 35 34,8 27,7 valores % 30 25 25 20 15 8,9 10 3,6 5 0 Pouco Importante Sem Muito Fonte: Dados da pesquisa (2012) Crucial 84 O comprometimento relacional entre as empresas pesquisadas, na percepção dos gestores entrevistados, foi verificado na questão 12 do segundo questionário (APÊNDICE E). A TABELA 15 (extraída da matriz que se encontra no ANEXO E, item l) mostra o resultado tabulado das respostas a esta questão. Observa-se que em boa parte dos relacionamentos informados não há comprometimento (41,3%). Quando há, pode ser dividido em quatro formas, subdivididas em dois grupos: formais (obrigações e acordos) e informais (conveniência e espontâneo). Verifica-se que para uma pequena parte destes relacionamentos (8,4%) o comprometimento é formal, baseado em obrigações (1,7%) e acordos (6,7%). Os comprometimentos formais respondem pela maior parte (50,4%) dos relacionamentos, baseados na conveniência (24,6%) e na espontaneidade (25,8%). TABELA 15 – Comprometimento relacional entre as empresas Comprometimento relacional Não responderam Não há Não há comprometimento Comprometimento com base em Obrigações obrigações (leis, regras ou regulamentos) Comprometimento com base em acordo Acordo entre organizações (contrato bilateral) Comprometimento com base na conveniência (redução de riscos, Conveniência oportunidades de negócios, aprendizado) Espontâneo Comprometimento espontâneo/livre Total N % (total) 180 42,9 % 99 41,3 4 1,7 16 57,1 6,7 59 24,6 62 420 25,8 100,0 100,0 Fonte: Dados da pesquisa (2012) O GRÁFICO 4mostra, em ordem crescente, os comprometimentos relacionais entre as empresas, reforçando que o não comprometimento nos relacionamentos entre as empresas pesquisadas foi a resposta mais dada pelos gestores entrevistados. 85 GRÁFICO 5 - Comprometimento relacional entre as empresas 45 41,3 40 valores % 35 30 25,8 25 24,6 20 15 10 6,7 5 1,7 0 Não há Espontâneo Conveniência Acordo Obrigações Fonte: Dados da pesquisa (2012) 5.6 Tratamento e análise dos dados na forma de redes Os construtos de redes analisados foram baseados no modelo proposto por Oliveira (2010), conforme a FIGURA 7. No entanto, a forma como tais construtos são apropriados e tratados neste trabalho difere do tratamento conferido por Oliveira (2010). Conforme salientam Wasserman e Faust (1994), a análise de redes destaca as características relacionais entre os elementos que constituem determinados sistemas. As empresas são referidas como atores ou nós (coletivos), sendo este termo corrente na análise de redes. Cada ator está conectado a outros, os quais, por sua vez, também estão conectados a poucos, a alguns ou a muitos outros atores. Esta conexão é abordada como laço relacional ou, simplesmente, relação. A existência de relações entre os atores, portanto, evidencia a existência de redes, as quais proveem incentivos ou restrições para a ação individual (WASSERMAN; FAUST, 1994). As relações também indicam medidas de distância. Todavia, a distância em rede não corresponde à distância física “real”. A distância é medida pelo número de relações sequenciais que existe entre os atores. A menor distância é chamada de “distância geodésica” (SCOTT, 2000). 86 Quando todos os atores estão de alguma forma conectados, sendo possível o estabelecimento de percursos por toda a rede, considera-se que a rede em questão é formada por um único componente. Quando os atores formam ajuntamentos que não se conectam entre si, tais ajuntamentos são considerados como componentes distintos da rede. Um elemento que não mantém conexão com os demais é considerado um ator isolado (WASSERMAN; FAUST, 1994). Como se observa, a unidade de análise desta pesquisa consiste em um conjunto de empresas e de suas relações, as quais, são específicas a cada um dos construtos e serão delineadas detalhadamente adiante. Salienta-se que, uma vez que as empresas configuram-se como organizações conectadas entre si e com certos propósitos que sustentam suas configurações relacionais, as redes assumem a natureza de redes interorganizacionais (BALESTRIN et al., 2010). Assim, em meio aos construtos da pesquisa, considerase que relações de “colaboração” e de “aprendizagem” evidenciam configurações de redes interorganizacionais, uma vez que em ambas constata-se que os atores orientam-se por propósitos manifestos de ação conjunta, havendo alguma troca de recursos (materiais, informacionais, etc.). Os construtos “fortalecimento” e “política de relacionamento” indicam tendências de configuração das redes anteriores. Por fim, para o construto “competição”, visto que não se supõe a troca de recursos, as relações entre as empresas são abordadas como uma “estrutura de competição” (ao invés de “rede” de competição). No QUADRO 8 constam as definições de cada construto. O tratamento para cada um dos construtos é distinto e não necessariamente todas as medidas de rede indicadas no QUADRO 6 são utilizadas concomitantemente. Assim, para o construto “competição”, faz sentido utilizar o grau de entrada para se identificar os atores apontados como altamente competitivos (concorrente efetivo). Contudo, a medida de intermediação faria menos sentido para abordar a estrutura de competição, uma vez que indicaria a capacidade de um ator de intermediar a competição para os demais. 87 QUADRO 8 - Descrição dos construtos Tendências de Redes Redes Interorganizacionais Estrutura Construto Definição Competição Constitui-se em característica intrínseca do mercado. As empresas também competem e reconhecem aqueles que são altamente competitivos entre si (concorrente efetivo). Esta relação é considerada enquanto uma “estrutura de competição”, ao invés de se utilizar o termo rede, uma vez que não ocorre a troca de nenhum recurso (material ou não material) entre as organizações. Cooperação Remete a atividades relevantes de compartilhamento de despesas, publicidade, treinamento, aquisição de produtos, contratação de serviços e indicação de clientes, entre outros. Aprendizagem Relacional Decorre da interação entre empresas no sentido de adotar ideias, conceito sobre comportamento estratégico, procedimentos para gerar inovação etc. Fortalecimento Remete às empresas que mais tendem a aumentar à cooperação. Aumento da Cooperação Revela tendência de aumento de cooperação quando as empresas se encontram em ambiente muito competitivo (destrutivo) ou percebem os ganhos relativos a cooperar. Indica a intenção das empresas em fazer política de “boa Política de Relacionamento vizinhança” e relacionamento (apoio mútuo, acordos negociais, negociações para desenvolvimento etc.). Fonte: Silva (2011), adaptado pelo autor Em termos de medidas, os cliques são expressos considerando o total de atores que os constituem com as respectivas identificações (por exemplo: A, B, C). As medidas de tamanho e pontos de articulação são expressas em valores crescentes, que iniciam em 0. As medidas de densidade e reciprocidade resultam de proporções, sendo que seus valores variam de 0 a 1. Particularmente, todas as medidas de centralidade apresentam valores de referência bastante distintos conforme a configuração das redes. Por este motivo, são também utilizados os valores padronizados destas medidas 3 . Em termos práticos, ao serem padronizados, os 3 A padronização é obtida dividindo-se os valores absolutos pelo valor mais extremo que poderia ser alcançado em dada medida. Esta é uma prática corrente na estatística. O software UCINET procede automaticamente com o cálculo de medidas padronizadas. 88 valores variam apenas de 0 a 1. Assim, um ator que apresenta intermediação 1 está na rota de relacionamento de todos os atores da rede. Caso fosse 0, não seria capaz de intermediar sequer uma relação entre os atores da rede. Ademais, existe uma relação direta entre o valor padronizado e o valor percentual das medidas. A escala utilizada mensurou a intensidade das relações (nunca, raramente, muitas vezes, intensamente). Para a elaboração das redes foram consideradas as intensidades “muitas vezes” e “intensamente”. Optou-se por não restringir o estudo das redes apenas às relações intensas, de modo a manter uma razoável representatividade das empresas que se relacionam, inclusive, favorecendo a apreciação das tendências das redes. A resposta entre os gestores das empresas pesquisadas, muitas vezes, não foi simétrica. Ou seja, uma empresa mencionava atuar em colaboração com outra, mas essa outra não mencionava colaborar com a primeira. Neste sentido, embora se abordem as redes como um todo, buscou-se identificar no conjunto das relações aquelas que apresentaram simetria. Como indica Scott (2000), as relações entre os subgrupos coesos podem ser fortes (quando são simétricas) ou fracas (quando são assimétricas). A assimetria das relações implica adotar a abordagem de redes direcionadas, na qual os graus de entrada e saída assumem importância, e o grau de centralidade passa a ser mais relativo. Por exemplo, na rede de cooperação uma empresa com elevado grau de entrada indica que muitos cooperam com ela. O elevado grau de saída indica as empresas que mais cooperam. A centralidade, em si, apenas soma os graus de saída e de entrada, sem evidenciar ao certo um sentido mais preciso para as relações. A identificação de atores proeminentes em termos das medidas de rede se baseia no terceiro quartil, no qual se encontram 25% dos valores mais elevados do conjunto de dados. As correlações basearem-se no coeficiente de correlação de Person, assumindo-se as variáveis envolvidas como contínuas (STEVENSON, 2001). As correlações 89 basearam-se no coeficiente de correlação ponto-bisserial, que “é derivado do coeficiente de correlação linear de Pearson. Esse método é indicado quando uma das variáveis (Y) é dicotômica e a outra (X), contínua” (LIRA; NETO, 2008, p. 46). Em todos os casos envolvendo correlações, o coeficiente é representado por r, sendo que r varia de -1 a +1 – ou seja, -1 ≤ r ≤ +1. Um valor positivo de r indica que as variáveis estão correlacionadas positivamente e um valor negativo de r indica que as variáveis estão correlacionadas negativamente. Quando nos valores extremos, as variáveis estão totalmente correlacionadas. A ausência de correlação é indicada pelo valor “zero”. Para valores intermediários, considera-se que o intervalo de 0 a 0,25 indica uma correlação fraca; de 0,25 a 0,7, uma correlação moderada; e um de 0,7 a 1, uma correlação forte (STEVENSON, 2001). Adicionalmente, para se constatar que a correlação é significativa estatisticamente, considerou-se a utilização de um p-valor = 0,05. Sempre que os testes indicarem um p-valor < 0,05 assume-se, com 95% de confiabilidade, que as variáveis estão correlacionadas em bases estatisticamente significativas. A seção a seguir aborda, individualmente, a análise da competição, cooperação e aprendizagem relacional e mostra como são verificadas as tendências de fortalecimento e de estabelecimento de políticas de relacionamento entre as empresas. 5.6.1 Análise de redes, por construto Cada um dos construtos do modelo hipotético da FIGURA 7 foi tratado com base nas medidas indicadas no QUADRO 6. Ou seja, consideraram-se as medidas mais gerais da rede (rede total), a análise de grupos (coesão) e as medidas individuais dos atores (centralidade). Para todas as representações gráficas, adota-se a legenda padrão ilustrada na FIGURA 18. As letras indicam as empresas (A, B, C, D, etc.). A variação nas cores dos atores diferencia a participação destes na estrutura. 90 FIGURA 18 - Legenda padrão (atores) Ator do componente principal Ator isolado Ator do componente secundário Fonte: Elaboração do autor (2012) Para a representação das relações entre os atores, foram adotadas as formas indicadas na FIGURA 19. FIGURA 19 - Legenda padrão (relações) Relações unidirecionais Relações bidirecionais Fonte: Elaboração do autor (2012) Assim, observa-se que as relações unidirecionais são representadas por uma linha com seta em somente uma de suas pontas e as relações bidirecionais (fortes e recíprocas) por uma única linha com setas em ambas as pontas. Salienta-se, no entanto, que esta única linha equivale a duas relações entre os atores (reciprocidade). 5.6.2 Atuação em rede A evolução dos relacionamentos interorganizacionais implica a adoção de novas estratégias e comportamentos para o melhor posicionamento. A construção de novas redes de relacionamento tende a acontecer por meio da troca de informações, criando relacionamentos simétricos e cooperativos entre os pares. Dessa forma, a FIGURA 20, criada a partir da matriz de relacionamento descrita no item “b” do 91 APÊNDICE F (obtida a partir dos resultados da questão 2 do segundo questionário: relacionamento de informações), apresenta a perspectiva de atuação em rede por meio dessa troca de informações, contatos pessoais, ideias e experiências. FIGURA 20 - Atuação em rede Fonte: Dados da pesquisa (2012) Na TABELA 16, constam as primeiras medidas de mensuração da estrutura da atuação em rede. TABELA 16 - Medidas da estrutura de atuação em rede Medida Valor Tamanho (atores) Tamanho (relações) Atores isolados Tamanho Componente principal (atores) Tamanho componente principal (relações) Densidade Reciprocidade 21 62 2 19 62 0,15 0,24 Fonte: Dados da pesquisa (2012) 92 Observa-se que a estrutura de atuação em rede entre as empresas apresenta dois atores isolados (H e I). Os outros dezenove atores compõem a estrutura do componente principal. Este componente possui 62 relações. Ainda, pode-se observar que no componente principal há dois pontos de articulação, empresas U e Q, e que a não existência destes implica sua fragmentação. A saída da empresa U implica o isolamento da empresa R e a saída da empresa Q implica o isolamento da empresa F. Acontecendo estas fragmentações, que resultam nos isolamentos dos atores indicados, a estrutura ganharia mais atores isolados, mas continuaria existindo somente um componente principal. A natureza do construto “atuação em rede” implica considerar que nem todas as empresas se reconhecem como atores desta rede ou, mesmo, que alguns reconheçam que compartilham ideias, informações, contatos pessoais e, até mesmo, experiências, sendo que pode não haver reciprocidade neste reconhecimento. Com efeito, a relação entre todos os pares de atores e aqueles que somente apresentam relações simétricas indica uma reciprocidade relevante de 0,24. A intensidade da densidade é sempre um valor relativo. A própria rede em questão constitui-se em importante parâmetro para sua apuração. Assim, a densidade de 0,15 indica uma atuação em rede relevante para o conjunto das empresas. As empresas que atuam em rede podem ser identificadas pelo grau de saída, tal como demonstra a TABELA 17. Já o grau de entrada identifica a atuação em rede recebida (TAB. 18). A empresa que possui melhor atuação em redes é a N, que consegue manter relação com 40% da estrutura. As empresas L, M, U e B também possuem atuação relevante. Os atores H e I encontram-se isolados na estrutura. Por isso, têm o grau de saída igual a “zero”. Contudo, todas as empresas (exceto aquelas que estão isoladas) possuem algum grau de saída, demonstrando atuar de alguma forma, seja por troca de contatos, experiência, ideias ou informações dentro da estrutura. 93 TABELA 17 - Grau de saída na TABELA 18 - Grau de entrada na estrutura de atuação em rede estrutura de atuação em rede Grau Saída N 8 L 7 M 6 U 6 B 5 E 4 Q 4 S 4 G 3 A 2 D 2 J 2 O 2 P 2 C 1 F 1 K 1 R 1 T 1 H 0 I 0 Estatística Mínimo 0 Máximo 8 Mediana 2 Média 2,95 Desvio Padrão 2,33 Ator Grau (Std) 0,40 0,35 0,30 0,30 0,25 0,20 0,20 0,20 0,15 0,10 0,10 0,10 0,10 0,10 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,00 0,00 0,00 0,40 0,10 0,15 0,12 Grau Entrada S 9 A 7 M 7 N 7 E 5 Q 5 J 4 K 4 B 3 P 3 U 3 C 1 D 1 O 1 R 1 T 1 F 0 G 0 H 0 I 0 L 0 Estatística Mínimo 0 Máximo 9 Mediana 3 Média 2,95 Desvio Padrão 2,82 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Ator Grau (Std) 0,45 0,35 0,35 0,35 0,25 0,25 0,20 0,20 0,15 0,15 0,15 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,45 0,15 0,15 0,14 Fonte: Dados da pesquisa (2012) A empresa S é a que possui mais entradas recebidas de quem atua em rede, seguida pelas empresas A, M e N. Estas possuem várias relações de entrada para atuação em rede; isto é, são referências para as outras na hora de atuar na troca experiências, informações, contatos ou ideias. Novamente as empresas H e I estão isoladas do componente principal. Por isso, possuem grau de entrada “zero”. Entretanto, as empresas F, G e L estão conectadas 94 ao componente principal, mas não possuem grau de entrada. Uma das premissas da atuação em rede é a reciprocidade de relações. Como nem sempre isso ocorre, o que se dá é o enfraquecimento da estrutura. A estrutura como um todo apresenta 15 ligações simétricas (fortes) que fortalecem a rede como um todo. Demonstra-se na TABELA 19 a intermediação. Esta medida indica os atores com potencial para interligar os demais atores da rede. TABELA 19 - Intermediação na estrutura de atuação em rede Ator Intermediação S N M Q U E P B A J O H L D C F G R I T K 86,67 83,33 61,17 39,67 34,17 27,33 22,50 17,83 22,50 17,83 14,83 13,50 2,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Estatística 0 86,667 14,833 21,11 26,81 Mínimo Máximo Mediana Média Desvio-padrão Intermediação (Std) 4,33 4,17 3,06 1,98 1,71 1,37 1,13 0,89 1,13 0,89 0,74 0,68 0,10 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Fonte: Dados da pesquisa (2012) 0,00 4,33 0,74 1,06 1,34 95 Observa-se, todavia, a boa coesão entre os atores, com altos valores de intermediação. Em destaque aparecem os atores S, M, N e Q, que conseguem interligar boa parte do componente principal. Se por um lado a intermediação posiciona alguns atores no caminho das demais, a proximidade indica a capacidade de o ator, fazendo uso dos seus relacionamentos, alcançar os demais atores da rede. Na TABELA 20 constam os valores para a medida de proximidade. TABELA 20 - Proximidade na estrutura de atuação em rede Grau de Distanciamento proximidade Ator (Grau de (Grau de entrada) entrada) S 28,17 71,00 M 27,78 72,00 A 27,40 73,00 Q 26,32 76,00 N 26,32 76,00 E 24,69 81,00 J 24,39 82,00 K 24,10 83,00 P 23,53 85,00 D 22,73 88,00 B 22,47 89,00 U 22,22 90,00 T 21,74 92,00 C 20,83 96,00 O 19,61 102,00 R 18,69 107,00 G 4,76 420,00 L 4,76 420,00 I 4,76 420,00 H 4,76 420,00 Estatística 4,76 71 Mínimo 28,17 420 Máximo 22,47 89 Mediana 19,28 164,90 Média 8,68 146,41 Desvio-padrão Fonte: Dados da pesquisa (2012) 96 Em termos de proximidade, os atores que apresentam somente grau de entrada não tem a capacidade de circular pela rede. Ou seja, recursos ou informações somente chegam a eles. Por esse motivo, as empresas G, L, I, e H não estão próximas de nenhum relacionamento. O distanciamento é inversamente proporcional ao grau de proximidade. Ou seja, quanto maior o distanciamento menor o grau de proximidade ou a quantidade de relações do ator na rede. Na rede em questão, o valor 420 para distanciamento e o valor 4,76 para grau de proximidade indicam que o ator está isolado. Lembrando que as empresas H e I estão isoladas do ator principal e não possuem nenhuma relação com as demais. Entretanto, as empresas S, M, A, Q, N, E, J, K, P, D, B, U, T e C conseguiriam circular por mais de 2/3 da rede. As empresas O e R também possuem condições de circular pela rede, só que em menor distância. As relações simétricas abordadas sugerem a formação de cliques fortes na estrutura de atuação em rede. Na TABELA 21, constam todos os cliques identificados, independente de as relações serem simétricas. Foi considerado um grupo de no mínimo três empresas. Os cliques que possuem relações simétricas internas são considerados fortes e estão assinalados por * (asterisco). TABELA 21 - Cliques na estrutura de atuação em rede Clique (tamanho) 5 6 7 8 10 11 12 Clique (identificação) Clique 1 Clique 2 Clique 3* Clique 4* Clique 5* Clique 6* Clique 7* Clique 8* Clique 9* Grupos de atores J A A A A C A C B L B D B D D B E C O J F L E E E J E P L M M J J J K G S O N N L L K L J *cliques fortes Fonte: Dados da Pesquisa (2012). S Q R M M L M K S S N N M N L U Q P N P M S Q Q Q N U S T S Q U U U S U 97 Observa-se que a estrutura de atuação em rede é formada por cliques maiores: um clique de cinco atores, um de seis atores, um de sete atores, um de oito atores, um de dez atores, três de onze atores e um de doze atores. A presença de cliques maiores mostra a maior coesão da rede e a forte relação que ela possui. No entanto, considerando as posições relativas dos atores, foram identificados dois cliques fortes que formam alguns subgrupos bastante coesos. As ligações S – M – Q e N – M – Q são alguns exemplos de atores com relações fortes presentes dentro dos cliques. Assim, constatam-se as relações entre os atores e a formação de alguns subgrupos, destacando as relações fortes entre os mesmos. 5.6.3 Competição As empresas competem e reconhecem aqueles que são competitivos entre si (concorrentes efetivos). Essa relação é considerada uma “estrutura de competição” e está representada na FIGURA 21, criada a partir da matriz de relacionamento descrita no item “g” do APÊNDICE F (obtida a partir dos resultados da questão 7 do segundo questionário: nível de competitividade). FIGURA 21 - Estrutura de competição Fonte: Dados da pesquisa (2012) 98 Observa-se que a estrutura de rede da competitividade entre as empresas apresenta dois atores isolados (L e R). Os outros dezenove atores compõem a estrutura do componente principal. Este componente possui 47 relações, sendo 29 diretas e 9 não diretas (recíprocas). Ainda, pode-se observar que no componente principal há três pontos de articulação – empresas K, J e G – e que a não existência destes implica sua fragmentação. A saída da empresa K implica o isolamento da empresa U. A saída da empresa G implica o isolamento da empresa N. A saída da empresa J implica o isolamento da empresa E. Acontecendo essas fragmentações, que resultam nos isolamentos dos atores indicados, a estrutura ganharia mais atores isolados, mas continuaria existindo somente um componente principal. Na TABELA 22, constam as primeiras medidas de mensuração da estrutura de competição. TABELA 22 - Medidas da estrutura de competição Medida Tamanho (atores) Tamanho (relações) Atores isolados Tamanho do componente principal (atores) Tamanho do componente principal (relações) Densidade Reciprocidade Valor 21 47 2 19 47 0,11 0,19 Fonte: Dados da pesquisa (2012) A natureza do construto “competição” implica considerar que nem todas as empresas se reconhecem como competidores ou, mesmo, que alguns apontem outros como concorrentes, sendo que pode não haver reciprocidade neste reconhecimento. Com efeito, a relação entre todos os pares de atores e aqueles que somente apresentam relações simétricas indica baixa reciprocidade: 0,19. A intensidade da densidade é sempre um valor relativo. A própria rede em questão constitui-se em importante parâmetro para sua apuração. Uma densidade total (1) só 99 existiria caso todas as empresas competissem entre si. Visto que muitas das empresas possivelmente atuam com segmentos diferenciados ou, mesmo, em nichos diferentes, dificilmente ocorreria uma competição generalizada entre todos elas. Assim, a densidade de 0,11 indica uma competição pouco coesa para o conjunto de empresas. TABELA 23 - Grau de entrada na estrutura de competição Grau Entrada S 7 P 5 Q 5 B 4 A 3 H 3 J 3 O 3 T 3 C 2 M 2 D 1 E 1 F 1 G 1 I 1 N 1 U 1 K 0 L 0 R 0 Estatística 0 Mínimo 7 Máximo 2 Mediana 2,24 Média 1,87 Desvio-padrão Ator Grau (Std) 0,35 0,25 0,25 0,20 0,15 0,15 0,15 0,15 0,15 0,1 0,10 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,00 0,00 0,00 0,00 0,35 0,10 0,11 0,09 Fonte: Dados da pesquisa (2012) A empresa S é considerada concorrente para outras sete empresas (TABELA 23), sendo que dessas relações somente duas são simétricas (com os atores P e B), em que a empresa S também reconhece estas duas como concorrentes. Tratando-se de 100 empresas do mesmo segmento, esta porcentagem demonstra uma estrutura de baixa densidade. As empresas P e Q foram apontadas por outras cinco empresas como concorrentes. Em relação a empresa P, das cinco empresas, três também a consideram como concorrente. Já a empresa Q considera duas destas como concorrente. Considerando as relações fortes de competição (simétricas), observam-se as seguintes relações: O – P, P – T, P – S, P – B, S – B, B – J, J – E, Q – F e Q – C. Dentro destas empresas com relações de competitividade forte, a empresa P é apontada com a de maior competitividade, conseguindo ter a maior quantidade de relações recíprocas: quatro. A empresa B também se destaca, por obter três relações fortes de reciprocidade dentro da estrutura. Entretanto, as empresas L e R não são apontadas como concorrentes por ninguém e nem consideram nenhuma das outras empresas como concorrentes. Pode-se perceber que a empresa que não reconhece seus concorrentes se posiciona ao redor da estrutura, podendo-se inferir que estas não possuem comportamento competitivo ou visão estratégica competitiva. Ainda que algumas relações entre as empresas já tenham sido evidenciadas, é por meio da análise de cliques que se pode observar a competição considerando a estrutura de subgrupos. Na TABELA 24, constam todos os cliques identificados. Foram considerados cliques constituídos por, no mínimo, três empresas, independente da simetria das relações. Os cliques formados por relações simétricas (fortes) entre as empresas estão assinados por * (asterisco). Caso os cliques de tamanho três estejam contidos em cliques maiores, são estes últimos – mais abrangentes – aqueles que estão listados na referida tabela4. 4 A título ilustrativo, em um clique de tamanho 4 estão contidos 4 cliques de tamanho 3. 101 TABELA 24 - Cliques na estrutura de competição Clique (tamanho) 3 4 5 6 7 8 9 11 Clique (identificação) Clique 1 Clique 2 Clique 3 Clique 4* Clique 5 Clique 6* Clique 7* Clique 8 Clique 9 Clique 10 Clique 11 Clique 12* Grupo de atores B B J B I B B C A A C B K E M I M J C D C C D C U F P M P K F G F F F D J Q P Q M J N J G G F S S S P P P P O H G S S Q Q P I H T S S Q O I T T S T P Q S T O P S T Fonte: Dados da pesquisa (2012) Quanto maior o tamanho do clique, maior a “coesão” do subgrupo em relação à estrutura como um todo. Como se trata de relações de competição, essa “coesão” indica concentrações de competição entre empresas. Ao todo, foram identificados na estrutura de competição 11 cliques de tamanhos variados, formados independente da simetria da relação. Se se consideram apenas os cliques fortes (relações simétricas), observa-se que a competição mútua entre empresas existe apenas em um clique de tamanho três: P B S, contido nos cliques 4, 6, 7 e 12. Dentro da estrutura destaca-se a formação O – P – B – J – E, com relações simétricas. Outros cliques fortes com relações simétricas e que se destacam são: O – P –S, O – P – T, O – P – B, Q – C – F. Segundo o modelo dos concorrentes à dinâmica competitiva (FIG. 1) desenvolvido por Hitt, Ireland e Hoskisson (2008), percebe-se a importância do planejamento iniciado com base na identificação dos concorrentes na dinâmica competitiva de um mercado, que é formada pela rivalidade entre concorrentes que se utilizam de um conjunto de ações e reações competitivas, objetivando criar ou defender as vantagens obtidas e melhorar a posição no mercado. 102 5.6.4 Cooperação A cooperação remete a atividades relevantes de compartilhamento, despesas, publicidade, treinamento, aquisição de produtos, contratação de serviços e indicação de clientes, entre outras. As relações de cooperação entre as empresas estão representadas na FIGURA 22, criada a partir da matriz de relacionamento descrita no item “c” do APÊNDICE F (obtida a partir dos resultados da questão 3 do segundo questionário: realização de atividades cooperativas relevantes). FIGURA 22 - Rede de cooperação Fonte: Dados da pesquisa (2012). Na TABELA 25, podem-se observar as medidas que caracterizam a rede de cooperação. Na rede de cooperação, observa-se que nem todas as empresas estão conectadas. Embora os 21 atores componham o tamanho da rede, cinco destes atores estão isolados: F, H, I, L e T. Estes atores não informaram quaisquer tipo de relação com os demais. Pode-se observar que esta estrutura é composta de dois componentes: o principal, com 14 atores e 17 relações, e um secundário, com 2 atores e 1 relação. Pode-se auferir que esta rede apresenta densidade fraca dentro de suas relações. 103 Uma densidade de 0,04, em que o total seria 1, só existiria caso todos os atores estivessem interligados e cooperando entre si. TABELA 25 - Medidas da rede de cooperação Medida Tamanho (atores) Tamanho (relações) Atores isolados Tamanho do componente principal (atores) Tamanho do componente principal (relações) Tamanho do componente secundário (atores) Tamanho do componente secundário (relações) Densidade Reciprocidade Valor 21 18 5 14 17 2 1 0,04 0,17 Fonte: Dados da pesquisa (2012) No componente principal, pode-se observar que existem cinco pontos de articulação: S, Q, N, B e U. A existência desses pontos demonstra a fragilidade da rede, na qual a saída de qualquer um deles implica a fragmentação. Por exemplo, se a empresa S sair, as empresas D, J e C irão ficar isoladas. Já se a empresa Q sair, a empresa N ficará isolada entre outros. A natureza do construto “cooperação” sugere que as empresas devem compartilhar recursos entre si de forma simétrica. Dessa forma, se uma empresa menciona colaborar com outra, é esperado que a relação da outra empresa que recebe a cooperação seja recíproca. No entanto, mantendo a análise real dos dados fornecidos, constata-se que a relação entre todos os pares de atores indica baixa reciprocidade de 0,17. Somente três relações são recíprocas, demonstrando a fragilidade da rede de cooperação. As empresas que cooperam podem ser identificadas pelo grau de saída, tal como demonstra a TABELA 26. Com o grau de saída, pode-se identificar o comportamento de cooperação das empresas pesquisadas. O grau de entrada identifica a cooperação recebida (TAB. 27). 104 TABELA 26 - Grau de saída na rede TABELA 27 - Grau de entrada na rede de cooperação cooperação Grau Saída Grau (Std) Ator 3 2 2 2 2 1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Estatística 0 Mínimo 3 Máximo 1 Mediana 0,86 Média 0,91 Desvio-padrão 0,15 0,10 0,10 0,10 0,10 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 N S A D E M P Q R U B C F G H I J K L O T Ator Q B G S U A C D J K O R E F H I L M N P T 0,00 0,15 0,05 0,04 0,05 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Grau Entrada 5 5 1 1 1 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Estatística 0 Mínimo 5 Máximo 0 Mediana 0,86 Média 1,46 Desvio-padrão Grau (Std) 0,25 0,25 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,25 0,00 0,04 0,07 Fonte: Dados da pesquisa (2012) A empresa Q é aquela que mais coopera, relacionando com outras três empresas. As empresas B, G, S e U mantêm suas relações cada uma com outras duas empresas. Como já mencionado, os atores F, H, I, L e T estão isolados na estrutura não mantendo relações com nenhuma outra empresa. Entretanto, mesmo empresas que possuem relações podem não cooperar, possuindo grau de saída igual a “zero”: E, M, N, P e T. Estes casos demonstram a assimetria da rede, sendo que os atores M, N, E e T fazem parte do componente principal, por receberem cooperação, sem, no entanto, cooperarem. 105 As empresas N e S são as que mais recebem cooperação dos demais atores. No caso, cada uma recebe cooperação de cinco empresas (25% do total) 5 . As empresas A, P, E, M, P, Q, R e U também recebem, cada qual, uma relação de cooperação. A baixa reciprocidade da rede, que enfraquece suas relações, é percebida, pois nem todas as empresas que recebem cooperação cooperam com seus pares, como é o caso das empresas A, P, D e E. Porém, percebem-se algumas ligações fortes (simétricas) que são correspondidas: empresas D e S, S e Q, além de U e R. Já a empresa N recebe cooperação de cinco outras empresas e não coopera com nenhuma destas. Demonstra-se na TABELA 28 a intermediação. Esta medida indica os atores com potencial para interligar os demais atores da rede. 5 O total aqui é representado por 20 empresas, já que não se considera a relação da empresa com ela mesma. Essa constatação é observada pelo grau padronizado. 106 TABELA 28 - Intermediação da rede cooperação Ator Intermediação S Q A U B C D E F G H I J K L M N O P R T 19 11 4 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Estatística 0 19 0 1,67 4,69 Mínimo Máximo Mediana Média Desvio-padrão Intermediação (Std) 0,95 0,55 0,20 0,05 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,95 0,00 0,08 0,23 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Observam-se, todavia, a baixa coesão da rede e baixos valores de intermediação, demonstrando a fragilidade das relações. Se, de um lado, a intermediação posiciona alguns atores no caminho dos demais, a proximidade indica a capacidade de o ator, fazendo uso de seus relacionamentos, alcançar os demais atores da rede. Na TABELA 29, constam os valores para a medida de proximidade. 107 TABELA 29 - Proximidade na rede de cooperação Grau de Distanciamento proximidade (Grau de (Grau de entrada) entrada) Ator N M S D Q A E P R U B C F G H I J K L O T Mínimo Máximo Mediana Média Desvio-padrão 9,524 6,849 6,645 6,54 6,54 5,00 5,00 5,00 5,00 5,00 4,76 4,76 4,76 4,76 4,76 4,76 4,76 4,76 4,76 4,76 4,76 Estatística 4,76 9,52 4,76 5,40 1,19 210 292 301 306 306 400 400 400 400 400 420 420 420 420 420 420 420 420 420 420 420 210 420 420 382,62 60,54 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Em termos de proximidade, os atores que apresentam somente grau de entrada não têm a capacidade de circular pela rede. Ou seja, recursos ou informações somente chegam a eles. Por esse motivo, as empresas B, C, F, G, H, I, J, K, L, O e T não estão próximas de nenhum relacionamento. Entretanto, a empresa N conseguiria circular por cerca de 50% da rede, podendo estabelecer 210 relações. As empresas M, S, D e Q também possuem condições de circular pela rede. 108 Para Silva Junior (2007), as organizações que atuam de forma isolada terão menos condições de sobrevivência e de desenvolvimento, com base na máxima de que nenhuma empresa domina sozinha os conhecimentos e as habilidades necessárias para sua sustentação. Diante dos novos desafios e das evoluções estratégicas e das estruturas organizacionais, o resultado pode ser um novo modelo competitivo, sendo a formação de redes interorganizacionais uma dessas novas estruturas. Na TABELA 30, constam todos os cliques identificados, independente de as relações serem simétricas. Foi considerado um grupo de, no mínimo, três empresas. Os cliques que possuem relações simétricas internas são considerados fortes e estão assinalados por * (asterisco). TABELA 30 - Cliques na rede de cooperação Clique (tamanho) 3 4 5 6 Clique (identificação) Clique 1 Clique 2 Clique 3 Clique 4 Clique 5* Clique 6 Grupo de atores N B M A A B R E N G C G U N Q N D K S Q S J Q S N Q U *cliques fortes Fonte: Dados da pesquisa (2012) Observa-se que a rede de cooperação é formada por cliques menores: dois cliques de três atores, um clique de quatro atores, um clique de cinco atores e dois cliques de seis atores. A presença de cliques menores demonstra a falta de coesão da rede como um todo. No entanto, considerando as posições relativas dos atores, foram identificados dois cliques fortes que formam alguns subgrupos bastante coesos. A ligação D – S – Q é a que possui maior reciprocidade em toda a rede e está abordada pelo clique 5. 109 5.6.5 Aprendizagem relacional A aprendizagem relacional entre empresas remete à sugestão e à adoção de ideias, estratégias, procedimentos e padrões, entre outros recursos. As relações de aprendizagem relacional estão representadas na FIGURA 23, criada a partir da matriz de relacionamento descrita no item “e” do APÊNDICE F (obtida a partir dos resultados da questão 5 do segundo questionário: atuação em atividades de ensino). FIGURA 23 - Rede de aprendizagem relacional Fonte: Dados da pesquisa (2012) Na TABELA 31, podem-se observar as medidas que caracterizam a rede de aprendizagem relacional, na qual cinco empresas se encontram isoladas – C, F, H, O e T –, não mantendo nenhuma ligação com outros atores. Assim, somente 16 fazem parte do componente principal, com 21 relações entre si. Neste componente, constatam-se alguns pontos de articulação. O ator mais interessante a ser observado é o N, que faz o vínculo de três subgrupos. Se sair da rede, ele a fragmentará em três componentes distintos. Outros pontos de articulação são: U, M, S, B e Q. Demonstrando a fragilidade da rede de aprendizagem, podem-se observar as seguintes situações: se o ator U sair, R ficará isolado; se M sair, A ficará isolado; 110 se S sair, P ficará isolado; se Q sair, I ficará isolado; e se B sair, G e J ficarão isolados. TABELA 31 - Medidas da rede de aprendizagem relacional Medida Valor Tamanho (atores) Tamanho (relações) Atores isolados Tamanho do componente principal (atores) Tamanho do componente principal (relações) Densidade Reciprocidade 21 21 5 16 21 0,05 0,05 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Embora a natureza do construto “aprendizagem relacional” sugira que as empresas compartilham informações entre si de forma simétrica, não é isso que ocorre para a maioria das empresas, visto que a relação entre todos os pares de atores e aqueles que somente apresentam relações simétricas indica 0,05. A rede aprendizagem apresenta uma densidade de 0,05. Uma densidade total seria de 1, que só existiria se acaso as empresas reconhecessem a aprendizagem e a troca de conhecimento de forma recíproca por toda a rede. É razoável considerar que, diante da inexistência de uma rede formal, essa possibilidade é afastada e que dentro de um ambiente de competição isso se torna mais difícil. As empresas que aprendem mais dentro da rede de aprendizagem relacional podem ser identificadas pelo grau de saída, como demonstra a TABELA 32. Como o grau de saída possibilita identificar o comportamento de aprendizado das empresas, o grau de entrada demonstra aquelas tidas como provedoras de conhecimento (TAB. 33). 111 TABELA 32 - Grau de saída na rede TABELA 33 - Grau de entrada na rede de aprendizagem relacional aprendizagem relacional Ator M B N D L Q G I K R S A C E F H J O P T U Grau Saída 4 3 3 2 2 2 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Estatística Mínimo 0 Máximo 4 Mediana 1 Média 1,00 Desvio-padrão 1,22 Grau (Std) Ator 0,2 0,15 0,15 0,1 0,1 0,1 0,05 0,05 0,05 0,05 0,05 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 N Q S U B E A J K P C D F G H I L M O R T 0,00 0,20 0,05 0,05 0,06 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Grau Entrada 4 3 3 3 2 2 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 Estatística 0 Mínimo 4 Máximo 0 Mediana 1,00 Média 1,30 Desvio-padrão Grau (Std) 0,2 0,15 0,15 0,15 0,1 0,1 0,05 0,05 0,05 0,05 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,20 0,00 0,05 0,07 Fonte: Dados da pesquisa (2012) A empresa M é aquela que aprende mais ao estender suas relações a outras quatro empresas; B e N estendem para outras três suas relações; D, L e Q, para outras duas empresas; e G, K, R e S, para uma empresa. Como já abordado, as empresas C, F, H, C e T possuem grau de saída “zero”, pois estão isoladas do componente principal. 112 As empresas A, E, J, O, P e U, mesmo conectadas ao componente principal, não apresentam relação de aprendizagem relacional com nenhuma empresa da rede. Isso reflete a assimetria da rede, sendo que tal ator parte do componente principal, visto que os outros atores mencionam que com ele aprendem, ainda que ele próprio não reconheça o aprendizado mútuo. A empresa N é a que recebe mais indicações de outras empresas que com ela aprendem – no caso, 20%. As empresas Q, S e U receberam três indicações cada uma; B e E, duas; e A, J, K e P, uma cada. Novamente, as empresas C, F, H, C e T receberam zero, pois estão isoladas dentro da estrutura. Além dessas, D, G, I, L, M e R, apesar de fazerem parte do componente principal, não são consideradas provedoras de conhecimento. Todos as empresas relataram níveis variados de aprendizado com outras empresas da rede, mas só é considerada recíproca um caso: a relação entre as empresas B e N. Dessa forma, observa-se que não existem relações fortes (simétricas) dentro da rede de aprendizagem relacional. A TABELA 34 expressa a medida de intermediação da rede em questão, a qual indica o potencial de interligar os demais atores da rede. A medida de intermediação baseia-se na posição dos atores na rede, sendo que a direção das relações influencia a capacidade de um ator de interligar os demais atores da rede. Assim, diante da assimetria de praticamente todas as relações e da existência de atores isolados, mais de 2/3 dos atores não apresentam qualquer capacidade de intermediação (“zero”). As empresas C, F, H, O e T estão isoladas do componente principal. As demais empresas apresentam somente grau de entrada (E, J, A e P) ou somente grau de saída (L, M, D, G, R e I) e são incapazes de intermediar relações entre os atores. Ou seja, as informações apenas chegam ou saem delas, mas não circulam. Salienta-se, todavia, que essa incapacidade decorre de uma propriedade de rede, sendo que as relações em situações reais podem se manifestar de outras maneiras. Assim, considera-se que quaisquer das empresas que fazem parte do componente 113 principal, mesmo que com restrições de entrada ou saída, teriam alguma capacidade de intermediar um contato entre os pares que a eles estão conectados. TABELA 34 - Intermediação na rede de aprendizagem relacional Ator Intermediação N Q B K S F C H E J A L M D O P G R I T U 25,00 12,00 11,00 4,00 4,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 Estatística 0 25 0 2,67 6,22 Mínimo Máximo Mediana Média Desvio-padrão Intermediação (Std) 1,25 0,60 0,55 0,20 0,20 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1,25 0,00 0,13 0,31 Fonte: Dados da pesquisa (2012) A intermediação posiciona alguns atores no caminho dos demais, mas é a proximidade que indica a capacidade de o ator, fazendo uso dos seus relacionamentos, alcançar os demais atores da rede. A TABELA 35 apresenta a medida de proximidade. 114 TABELA 35 - Proximidade na rede de aprendizagem relacional Grau de Distanciamento proximidade Ator (Grau de (Grau de entrada) entrada) U 8,70 230,00 E 8,00 250,00 J 7,78 257,00 N 7,58 264,00 B 7,44 269,00 P 6,15 325,00 S 5,87 341,00 Q 5,56 360,00 A 5,00 400,00 K 5,00 400,00 C 4,76 420,00 H 4,76 420,00 M 4,76 420,00 L 4,76 420,00 O 4,76 420,00 D 4,76 420,00 G 4,76 420,00 R 4,76 420,00 I 4,76 420,00 T 4,76 420,00 F 4,76 420,00 Estatística 4,76 230 Mínimo 8,70 420 Máximo 4,76 420 Mediana 5,69 367,43 Média 1,34 70,83 Desvio-padrão Fonte: Dados da pesquisa (2012) Em se tratando de proximidade, os atores que apresentam somente grau de entrada não são capazes de circular pela rede. Assim, as informações somente chegam a eles. Não por menos, as empresas C, H, M, L, O, D, I, G, R, I, T e F apresentam proximidade 4,76, considerando somente a existência destes na rede, não possuindo nenhuma capacidade de circular pela rede. As empresas C, F, H, O e T também se apresentaram assim, mas por estarem isoladas do componente principal. 115 Em ordem decrescente, alguns outros atores com considerável proximidade são: U, E, J, B e N, que possuem mobilidade significativa. Os atores P, S, Q, A e K possuem baixa mobilidade. Na TABELA 36, constam todos os cliques fortes na rede de aprendizagem relacional, independente de as relações serem simétricas. Foram considerados cliques constituídos de, no mínimo, três empresas. TABELA 36 - Cliques na rede de aprendizagem relacional Clique (tamanho) Clique (identificação) Clique 1 Clique 2 Clique 3 Clique 4* Clique 5 Clique 6 Clique 7* 4 5 6 7 Grupos de Atores L K D B A D B N L M E M I E R N P G N M K U U Q J Q N M S N S Q S N Q U Fonte: Dados da pesquisa (2012) Observa-se que a rede de aprendizagem apresentou poucos cliques (dois cliques de tamanho 4, três cliques de tamanho 5, um clique de tamanho 6 e um clique de tamanho 7). No entanto, se se consideram apenas os cliques fortes, foram identificados dois cliques em que a relação entre as empresas B e N se encontram (a única relação simétrica). 5.6.6 Fortalecimento da rede O fortalecimento remete às empresas que mais tendem a aumentar a cooperação, a partir da ótica de seus parceiros. Constitui-se em um tipo de rede que indica tendências. Tendo por referência a rede aumento de cooperação, tais tendências são descritas na TABELA 37. 116 TABELA 37 - Tendências de fortalecimento da rede Medida Aumento da Rede Variação Cooperação Diferença Cooperação % em Rede Tamanho (atores) 21 21 0 0 Tamanho (relações) 83 18 65 361 Atores isolados 0 5 -5 -100 Tamanho do componente principal (atores) 21 14 7 50 Tamanho do componente principal (relações) 83 17 66 388 Tamanho do componente secundário (atores) 0 2 -2 -100 Tamanho do componente secundário (relações) 0 1 -1 -100 Densidade 0,20 0,04 0,15 361 Reciprocidade 0,18 0,17 0,01 8 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Todas as empresas fazem parte da dinâmica de rede analisada, que apresenta um total de 21 atores. No entanto, observa-se que alguns atores encontram-se isolados na “rede de cooperação” (referência para a tendência). Já na tendência de “aumento da cooperação em rede” nenhuma empresa encontra-se isolada. Outro fator evidente é que na “rede de cooperação” existiam dois componentes: um principal, com o maior número de atores e relações; e outro secundário. Já na tendência de “aumento da cooperação em redes” pode-se observar que existe um único componente, no qual todos os atores estão se relacionando. Pode-se observar que o aumento do tamanho dos atores cresce 50%; passando de 14 atores no componente principal para 21. O tamanho das relações no componente principal aumenta 388%, passando de 18 para 83 relações, criando maior coesão. Dessa forma, também se pode notar o aumento da densidade em 361%, passando de 0,04 para 0,20. Também, nota-se, com menos expressividade, o aumento da 117 reciprocidade em 8%, passando de 0,17 para 0,18. Pode-se considerar que as relações simétricas e fortes praticamente continuaram as mesmas. A FIGURA 24 foi criada a partir da matriz de relacionamento descrita no item “h” do APÊNDICE F (obtida a partir dos resultados da questão 8 do segundo questionário: tendência para aumentar cooperação na rede). FIGURA 24 - Tendência de aumento da cooperação Fonte: Dados da pesquisa (2012) 5.6.7 Política de relacionamento A política de relacionamento indica a intenção das empresas como um todo de fazer a política de “boa vizinhança” e de cultivar bom relacionamento (apoio mútuo, acordos negociais, negociação para desenvolvimento, etc.). Configura-se como um tipo de rede que indica tendências, tomando por referência a rede de cooperação. Tais tendências estão descritas na TABELA 38. 118 TABELA 38 - Tendências da política de relacionamento Medida Política de Rede Variação "Boa Diferença Cooperação % Vizinhança" Tamanho (atores) 21 21 0 0 Tamanho (relações) 87 18 69 383 Atores isolados 0 5 -5 -100 Tamanho do componente principal (atores) 21 14 7 50 Tamanho do componente principal (relações) 87 17 70 412 Tamanho do componente secundário (atores) 0 2 -2 -100 Tamanho do componente secundário (relações) 0 1 -1 -100 Densidade 0,21 0,04 0,16 383 Reciprocidade 0,17 0,17 0,01 3 Fonte: Dados da pesquisa (2012) Todas as empresas fazem parte da dinâmica de rede analisada, que apresenta um total de 21 atores. No entanto, observa-se que cinco atores encontram-se isolados na rede de cooperação (referência para a tendência). Já na tendência de políticas de relacionamento, nenhuma empresa encontra-se isolada. Outro fator evidente é que na rede de cooperação existiam dois componentes, um principal, com o maior número de atores e relações; e outro secundário. Já na tendência de política de relacionamento pode-se observar que existe um único componente, no qual todos os atores estão relacionando. Pode-se observar que o aumento do tamanho dos atores cresce 50%, passando de 14 atores no componente principal para 21. O tamanho das relações no componente principal aumenta 412%, passando de 18 para 87 relações criando maior coesão. O efeito do crescimento do quantitativo de atores e de relações na rede de política de relacionamento induz ao aumento da densidade da rede em 383%, passando de 119 0,04 para 0,21. Também, nota-se, com menos expressividade, o aumento da reciprocidade em 3%, passando de 0,001 para 0,17. Pode-se considerar que as relações simétricas e fortes praticamente continuaram as mesmas. A FIGURA 25 foi criada a partir da matriz de relacionamento descrita no item “d” do APÊNDICE F (obtida a partir dos resultados da questão 4 do segundo questionário: intenção de fazer política de bom convívio). FIGURA 25 - Tendência na política de relacionamento Fonte: Dados da pesquisa (2012) 5.6.8 Resumo da análise de redes por construto A TABELA 39 mostra o resumo das análises feitas a partir da utilização das redes pesquisadas sob o ponto de vista dos construtos propostos neste trabalho. Observase que os números mais elevados de atores e suas relações e demais medidas de rede estudas se encontram nos construtos competição, atuação em rede, fortalecimento da rede e política de relacionamento (“boa vizinhança”). 120 Grau de Entrada Grau de IntermeSaída diação Proximidade (média) (média) (média) (média) Construtos▼ Relações Densidade Tamanho* Atores Medidas ► Reciprocidade TABELA 39 - Resumo das análises das redes Cooperação 14 17 0,04 0,17 0,86 0,86 1,67 5,46 Aprendizado relacional 16 21 0,05 0,05 1,00 1,00 2,67 5,69 Competição 19 47 0,11 0,19 2,24 2,24 -- -- Atuação em rede 19 62 0,15 0,24 2,95 2,95 21,11 19,28 Fortalecimento da rede 21 83 0,2 0,18 3,95 3,95 12,76 15,65 Politica de relacionamento 21 87 0,21 0,17 4,14 4,14 16,14 21,79 *Consideraram-se somente os componentes principais para análise. Fonte: Dados da pesquisa (2012) 5.7 Tratamento e análise estatística descritiva do modelo hipotético Com o objetivo de validar as hipóteses relacionadas ao modelo hipotético, foram realizadas análises para verificar a relação linear entre os construtos propostos na pesquisa. Primeiramente, foram desenvolvidos gráficos de dispersão para todas as sete hipóteses levantadas e calculados os respectivos coeficientes de correlação de Pearson. De acordo com Triola (2008), o coeficiente de correlação linear de Pearson é uma medida da força da relação entre duas variáveis que representam dados quantitativos. 121 O coeficiente de correlação varia entre -1 e +1, de modo que -1≤ r ≤1. Quanto mais próximos desses extremos, maior a relação linear entre as variáveis. Quanto mais próximo de zero, maior o indício de que as variáveis não são correlacionadas. O que se deseja verificar é se a variável referente a um construto aumenta ou diminui em proporções parecidas quando outro construto se altera. Uma vez que as correlações lineares existam e sejam validadas por testes de hipótese, têm-se indícios sobre a causa e o efeito de uma variável em relação a outra. A análise de regressão foi utilizada para verificar essas relações. Somente após a análise estatística descritiva é que os modelos de regressão linear, pelos métodos de mínimos quadrados, foram ajustados. A FIGURA 26, que apresenta um gráfico de dispersão, permite observar os pontos de correlação dispersos, mas com uma inclinação significativa. Dessa forma, confirma-se a Hipótese 1, pois os seus dois construtos, cooperação e atuação em rede, têm correlação positiva6. FIGURA 26 - Hipótese H1: Atuação em rede versus Cooperação Fonte: Dados de pesquisa (2012) 6 Mais adiante neste trabalho, observando-se a TABELA 40, os dados numéricos do tratamento estatístico desta correlação e das demais foram analisados, ratificando-se as conclusões a que ora se chega. 122 No gráfico de dispersão da FIGURA 27, veem-se os pontos de correlação dispersos, mas com uma inclinação significativa, maior que a da FIGURA 26. Dessa forma, também se confirma a Hipótese 2, pois os construtos política de relacionamento e cooperação também tem correlação positiva. FIGURA 27 – Hipótese H2: Cooperação versus Política de relacionamento Fonte: Dados da Pesquisa (2012) A FIGURA 28, na qual se apresenta o gráfico de dispersão da correlação entre os construtos aprendizagem relacional e política de relacionamento, permite observar os pontos de correlação dispersos, mas com uma inclinação positiva e significativa. Dessa forma, pode-se inferir também que os construtos apresentados têm correlação positiva, confirmando a Hipótese 3. 123 FIGURA 28 – Hipótese H3: Cooperação versus Aprendizagem relacional Fonte: Dados da pesquisa (2012) O gráfico de dispersão da FIGURA 29 apresenta pontos de correlação menos dispersos e com uma inclinação significativa. Dessa forma, também se confirma a Hipótese 4, pois os construtos fortalecimento da rede e aprendizagem relacional têm correlação positiva, que são os dois construtos trabalhados nesta Hipótese. FIGURA 29 – Hipótese H4: Aprendizagem relacional versus Fortalecimento da rede Fonte: Dados da pesquisa (2012) 124 No gráfico da FIGURA 30, entretanto, observam-se pontos de correlação bastante dispersos dentro do gráfico de dispersão entre os construtos atuação em rede e competição, com uma inclinação pouco significativa e negativa. Dessa forma, podese inferir que a Hipótese 5 não pode ser confirmada. FIGURA 30 – Hipótese H5: Fortalecimento da rede versus Competição Fonte: Dados da pesquisa (2012) O gráfico da FIGURA 31, relacionado à Hipótese 6, que apresenta a correlação entre os construtos competição e cooperação, observam-se pontos de correlação bastante dispersos, maiores que os da FIGURA 30, também com uma inclinação pouco significativa e positiva. Da mesma forma que no gráfico anterior, infere-se que a Hipótese 6 não apresenta uma correlação significativa e não pode ser confirmada. 125 FIGURA 31 – Hipótese H6: Cooperação versus Competição Fonte: Dados da pesquisa (2012) Por último, na observação da FIGURA 32, que apresenta um gráfico de dispersão relacionado a Hipótese 7, veem-se pontos de correlação muito dispersos, sem uma inclinação significativa. A correlação entre os construtos atuação em rede e competição não apresenta significância e não permitem a confirmação deste Hipótese. FIGURA 32 – Hipótese H7: Competição versus Atuação em rede Fonte: Dados da pesquisa (2012) 126 Os dados numéricos da TABELA 40 revelam os resultados da correlação entre os construtos e a significância entre as hipóteses propostas neste trabalho. TABELA 40 - Análise de correlação dos construtos Correlação de Pearson Valor P Relação Linear H0 0,688 0,00057 FORTE REFUTADA 0,594 0,00450 MÉDIA REFUTADA 0,791 0,00002 FORTE REFUTADA 0,772 0,00004 FORTE REFUTADA H5: Fortalecimento da rede versus Competição -0,034 0,8837 FRACA NÃO REFUTADA H6: Cooperação versus Competição 0,233 0,3101 FRACA NÃO REFUTADA H7: Competição versus Atuação em rede -0,060 0,7972 FRACA NÃO REFUTADA Hipóteses H1: Atuação em rede versus Cooperação H2: Cooperação versus Política de relacionamento H3: Cooperação versus Aprendizagem relacional H4: Aprendizagem relacional versus Fortalecimento da rede Fonte: Dados da Pesquisa (2012) A análise dos gráficos de dispersão das FIGURA 26 a FIGURA 32 mostra que existe uma tendência linear muito forte entre os construtos para as hipóteses H1, H2, H3 e H4. Os gráficos revelam que com o aumento das notas médias para determinado construto e as notas médias para outro construto aumentam em proporções semelhantes nestes casos. Já para as hipóteses H5, H6 e H7, observou-se que elas 127 não possuem tendência linear muito forte, não podendo nem refutar a hipótese nula (H0) . Em busca de maiores evidências, realizaram-se testes de hipóteses (TAB. 40) para verificar se é aconselhável ou não refutar a hipótese nula de que não há correlação linear entre os construtos, ou seja, o coeficiente de correlação de Pearson é igual a zero (r = 0). Refutar a hipótese nula é o mesmo que afirmar que a correlação entre dois construtos é estatisticamente significativa – portanto, diferente de zero. De acordo com Triola (2008), ao se calcular o valor P quando este é menor ou igual ao nível de significância, conclui-se que há uma correlação linear significativa entre as variáveis. Caso contrário, não existe evidência suficiente para apoiar a afirmação de que existe uma correlação linear. Segundo Triola (2008), o valor P é a probabilidade de se obter um valor da estatística de teste que seja, no mínimo, tão extremo quanto o que foi encontrado e representa os dados amostrais, supondo que a hipótese nula seja verdadeira. A hipótese nula é refutada se o valor P for muito pequeno, menor que o nível de significância do teste (α). Utilizando um nível de significância de 0,05 (5%), só existem evidências estatísticas para se refutarem as hipóteses de que as correlações sejam igual a zero para H1, H2, H3 e H4. Contudo, as correlações existentes podem ser classificadas como fortes (H1, H3 e H4) e média (H2) por estarem próximas de 1. Já H5, H6 e H7 foram classificadas como fracas. Com estes modelos de causa e efeito, espera-se encontrar modelos de regressão lineares significativos, principalmente levando-se em conta as quatro primeiras hipóteses. A regressão linear, segundo Levine et al. (2008), permite identificar o tipo de relação estatística entre uma variável dependente (ou explicativa) e uma variável independente (ou resposta). Permite também que se quantifique o efeito que mudanças ou alterações na variável explicativa exercem sobre a variável resposta. Para a pesquisa, essa análise é importante, pois se torna possível avaliar o impacto que um construto gera em outro, o que possibilita avaliar as sete hipóteses do modelo hipotético. 128 5.7.1 Validação do modelo hipotético A TABELA 41 apresenta o resultado das principais medidas estatísticas dos modelos de análise de regressão ajustados, os quais foram gerados utilizando-se o software SPSS. As medidas estatísticas e suas interpretações permitem testar o modelo hipotético, viabilizando a tomada de decisão de aceitar ou não as hipóteses formuladas. Para os modelos de regressão, os quais verificaram a existência de relações lineares e a identificação de uma inclinação da reta de regressão pelo coeficiente β1, foram realizados os testes de validação do modelo. TABELA 41 - Análise de correlação dos construtos ampliada r² β1 Stat t Teste F (Anova) Valor P (teste F) H1: Atuação em rede versus Cooperação 0,4730 0,2779 4,1295 17,0531 0,0006 H2: Cooperação versus Política de relacionamento 0,3531 1,6444 3,2206 10,3722 0,0045 H3: Cooperação versus Aprendizagem relacional 0,6257 0,3149 5,6355 31,7586 0,0000 H4: Aprendizagem relacional versus Fortalecimento da rede 0,5964 1,9744 5,2987 28,0765 0,0000 H5: Fortalecimento da rede versus Competição 0,0012 -0,0217 -0,1482 0,0220 0,8837 H6: Cooperação versus Competição 0,0541 0,4178 1,0429 1,0876 0,3101 H7: Competição versus Atuação em rede 0,0036 -0,0823 -0,0597 0,0679 0,7972 Hipóteses Fonte: Dados da pesquisa (2012) 129 De acordo com Montgomery et al. (2006), para a validação de um modelo de regressão linear é necessário que três suposições acerca dos resíduos ou erros de previsão sejam atendidas: os resíduos devem ser distribuídos segundo uma distribuição de probabilidade normal; os resíduos são independentemente distribuídos ou não correlacionados, de forma que o valor de um erro não depende de qualquer outro erro e os resíduos possuem variância constante, ou seja, o modelo deve ser homocedástico, de forma que a variância dos erros seja constante para qualquer valor da variável explicativa. A validação dos modelos nos quais as hipóteses para a pesquisa foram aceitas foi realizada por meio de análise gráfica e do teste de Kolmogorov Smirnov 7 para suposição de normalidade dos resíduos. Entretanto, não se tem por objetivo realizar previsões. A TABELA 41 apresenta as medidas estatísticas calculadas por intermédio da regressão linear para cada hipótese do modelo hipotético. A primeira delas é o r2, que, segundo Levine et al. (2008), mede a proporção da variação em y (variável dependente ou resposta) que pode ser explicada pela variável x (independente ou explicativa) no modelo de regressão. O r2 ajustado não foi apresentado no quadro, uma vez que os modelos são de regressão linear simples e não múltiplos, ou seja, com mais de uma variável explicativa. Como o modelo hipotético foi baseado apenas nas relações do impacto de um construto no outro, essa medida não se faz necessária. O r2 ajustado, segundo Levine et al (2008), é utilizado para comparar dois ou mais modelos que estão prevendo a mesma variável resposta, mas que estão utilizando um número diferente de variável explicativa. Em geral, aumentando uma variável explicativa no modelo é possível se explicar mais da variação em y (variável dependente ou resposta). A segunda medida apresentada na TABELA 41 é o coeficiente de inclinação da reta de regressão (β1). Esse coeficiente implica que a cada aumento de uma unidade na variável x (explicativa) a variável y (resposta) é aumentada do valor representado pelo coeficiente de inclinação da reta de regressão (β1). O coeficiente de inclinação só é significativo quando a estatística t (Stat t) e o respectivo valor p apresentam indícios para não se refutar a hipótese de que o coeficiente de inclinação da reta é 7 Teste usado para determinar se duas distribuições de probabilidade subjacentes diferem uma da outra ou se uma das distribuições de probabilidade subjacentes difere da distribuição em hipótese, em qualquer dos casos, com base em amostras finitas. 130 igual a zero. Se a hipótese não for refutada, pode-se afirmar que não existe reta de regressão linear, o que é o mesmo que dizer que os dois construtos avaliados não possuem relação de causa e efeito. Um exemplo para interpretação da análise e modelo de regressão que possui inclinação da reta é o da hipótese H1. Pode-se chegar a essa conclusão ao se verificar que o valor p, de 0,00057, é menor que o nível de significância, de 0,05. Dessa forma, a inclinação da reta é diferente de zero e equivale a 0,2779. O teste F é uma alternativa ao teste t para verificar se o coeficiente de inclinação é diferente de zero (β1 ≠ 0). Outra forma de validar o coeficiente de inclinação é por intermédio do intervalo de confiança de β1. Se o intervalo de confiança contiver o valor zero, conclui-se que não existe inclinação na reta de regressão linear. Se não contiver o zero, o valor para o coeficiente de inclinação da reta está entre o limite inferior e superior do intervalo de 95% de confiança (LEVINE ET AL; 2008). O r2 de 0,4730 para a hipótese H1 implica que aproximadamente 50% da variação no construto cooperação é explicada pelo construto atuação em rede. Cerca de 50% da variação é representada por outros construtos não relacionados ao construto cooperação, como propõe o modelo hipotético. O r2 encontrado está mediano a 1. Apesar de a relação encontrada não ter sido muito alta, como já era esperado quando realizada a análise descritiva, esta é válida para análise. Assim, seguindo as teorias descritas nos parágrafos anteriores, pode-se afirmar que as hipóteses H1, H2, H3 e H4 são as únicas hipóteses do modelo hipotético (OLIVEIRA, 2010), adaptado pelo autor, que podem ser confirmadas pelas análises de regressão linear. Para todas as demais não foram encontradas relações significativas entre os construtos. 131 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste trabalho, pretendeu-se analisar o comportamento das empresas de TI da região da Região Metropolitana de Belo Horizonte, cuja amostra foi selecionada dentre as empresas fornecedoras de TI, a maioria, associadas a SUCESU-MG, observando os grafos das redes organizacionais. Outro objetivo deste trabalho foi comprovar o modelo hipotético proposto na metodologia, medindo os coeficientes de correlação entre os construtos atuação em rede, cooperação, política de relacionamento, aprendizagem relacional, fortalecimento da rede e competição. Dessa forma, este trabalho contribuiu para o conhecimento da formação e do comportamento dos atores e das redes interorganizacionais. Ao analisar as redes e seus enlaces para cada construto (TAB. 39), observou-se que os grafos de tendência (fortalecimento da rede e política de boa vizinhança), aqueles que criam uma projeção para o futuro, de acordo com os gestores das empresas pesquisadas, obtiveram densidades mais significativas, demonstrando redes mais consistentes e com enlaces mais simétricos. Já os grafos que abordaram os construtos cooperação e aprendizagem relacional, obtiveram densidades baixas. Infere-se que a alta competitividade no segmento é capaz de explicar estes resultados. O grafo de atuação em rede demonstrou uma consistência significativa, com valores de densidade (0,15) e reciprocidade (0,24) relevantes, revelando a existência de várias formas de relacionamento em rede, mesmo que informais, confirmadas pelos pares. Já o grafo aprendizado relacional apresentou o menor grau de reciprocidade (0,05), demonstrando a fragilidade e a assimetria das relações desta rede, ou seja, relações não confirmadas pelos pares. No índice proximidade, o grafo política de relacionamento obteve o melhor resultado (média de 21,79), demonstrando interesse dos gestores entrevistados de se relacionar mais com as empresas componentes da rede pesquisada. 132 O grafo atuação em rede obteve o melhor resultado em grau de intermediação (média de 21,11), indicando vários enlaces de relacionamentos formais ou informais entre as empresas pesquisadas, conforme já observado em outros índices. Já no processo de análise, aplicação e verificação do modelo hipotético adaptado de Oliveira (2010), observou-se que as quatro primeiras hipóteses – H1 (lei da redução de riscos e incertezas de mercados), H2 (lei dos ganhos vertical e horizontal da atuação em rede), H3 (lei utilitária de mais valia de aprendizado em rede) e H4 (lei utilitária do aprendizado em rede) foram validadas pelos métodos estatísticos utilizados. Já H5 (lei do fortalecimento da cooperação), H6 (lei da competição por falta de cooperação) e H7 (lei do ciclo de equilíbrio de jogos sociais de relacionamentos das redes) não foram validadas (TAB. 40). Com isso, verificou-se que o modelo hipotético não descreveu completamente a formação de redes na ótica das empresas pesquisadas. Se conclui, contudo, que a baixa formação das redes no segmento de TI é relevante, a diferença entre os enlaces de tendência e a situação atual de cooperação e aprendizagem relacional, por exemplo, demonstra que o setor é muito competitivo e fomenta o comportamento de atuação isolada. Em vários enlaces, foram observados atores isolados, tornando a rede mais fraca. O estudo contribuiu para a análise do setor estudado, na medida em que identificou das relações estratégicas, os núcleos de relacionamento, os atores centrais, os atores secundários e as novas formas de relacionamento entre empresas. Outros resultados podem ser obtidos a partir do estudo de algumas das características das empresas pesquisadas, que podem ajudar na interpretação das redes e na formação das relações entre as organizações 6.1 Limitações da pesquisa Um fator limitante desta pesquisa foi a dificuldade para coletar os dados das redes por meio de perguntas, o que, em determinadas compreensões dos respondentes, subjetivou as respostas. Outro fator que dificultou a interpretação da análise dos 133 dados foi a questão moral em torno da empresa, que preferiu se posicionar como um agente “cooperante”. Por fim, partiu-se da premissa de que os gestores de mais alto escalão das empresas selecionadas seriam as fontes ideais para as questões pesquisadas neste trabalho. Para as questões estratégicas e as de relacionamento em rede também ligadas às estratégias da empresa, a premissa se confirmou, mas para as questões de relacionamento em rede do dia a dia vários gestores se mostraram inabilitados para responder algumas perguntas, por não se envolverem, direta ou indiretamente, nestes relacionamentos, o que pode ter gerado algumas distorções nos resultados encontrados. 6.2 Sugestões para pesquisas futuras A proposição de novas adaptações ao modelo proposto neste trabalho, que já havia sofrido adaptações do modelo proposto por Oliveira (2010), considerando outros fatores que influenciam a formação das redes interorganizacionais e a ordem na qual as relações hipotéticas são realizadas deve ser considerada em pesquisas futuras. Outra proposta de pesquisa seria abordar empresas de um segmento mais específico e com características mais semelhantes dentro do setor de TI, criando potencialidades para a observação relevante para a cooperação e competição. Também, pode ser considerada a aplicação em outro cluster do segmento de TI em outra localidade geográfica, para ser comparado aos estudos realizados, ampliando a amostra de observação no comportamento das redes existentes neste segmento. 134 REFERÊNCIAS ALEJANDRO, V. A. O; NORMAN, A. G. Manual Introdutório à Análise de Redes Sociais, 2005. Disponível em: <http://www.aprende.com.pt >. Acesso em: dez. 2008. AMATO NETO, J. Redes de cooperação produtiva e clusters regionais: oportunidades para as pequenas e médias empresas. São Paulo: Atlas, 2000. BALESTRIN, A. A dinâmica da complementaridade de conhecimentos no contexto das redes inter organizacionais. 2005. 214 f. Tese (Doutorado) Programa de Pós-Graduação em Administração, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2005. BALESTRIN, A; FAYARD, P. Redes inter organizacionais como espaço de criação de conhecimento. In: XXVII Encontro da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração. 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São Paulo: Altas, 2000. 142 APÊNDICE A – Carta de apresentação Gostaria de convidá-lo(a) a participar de uma pesquisa acadêmica cujo tema é a análise da estrutura de relacionamento entre empresas de TI associadas a SUCESU-MG da região metropolitana de Belo Horizonte. O objetivo principal deste estudo é descrever como as empresas, localizadas próximas umas das outras, se relacionam entre si. Sua participação contribuirá para a produção científica em Minas Gerais através da geração de informações que serão úteis a profissionais e estudantes. Além disso, você estará ajudando a promover a região da metropolitana de Belo Horizonte que terá ampla divulgação no decorrer da pesquisa. Todas as suas respostas serão tratadas de forma confidencial e somente as pessoas envolvidas diretamente na pesquisa terão acesso ao questionário respondido. Nem mesmo as demais empresas participantes poderão acessar as respostas. No relatório final da pesquisa, você será identificado apenas por uma letra escolhida aleatoriamente, garantindo, assim, sua privacidade. Comprometo-me a enviar-lhe uma cópia, em formato digital, da versão final da pesquisa, que poderá auxiliá-lo nas decisões estratégicas do seu negócio. Desde já agradeço pela colaboração e a atenção despendida, e coloco-me à disposição para qualquer esclarecimento. Cordialmente, Ricardo Luiz de Freitas Universidade FUMEC E-mail: [email protected] Telefone: (31) 8469-6140 143 APÊNDICE B – Termo de consentimento livre e esclarecido Você está sendo convidado(a) a participar, como voluntário, de uma pesquisa conduzida pelo aluno de Mestrado em Administração da Faculdade de Ciências Empresarias – FACE, da Universidade FUMEC, Ricardo Luiz de Freitas, também professor desta escola. Após ser esclarecido(a) sobre as informações a seguir, no caso de aceitar fazer parte do estudo, assine ao final deste documento, que está em duas vias. Uma delas é sua e a outra é do pesquisador responsável. Desde logo fica garantido o sigilo das informações. Em caso de recusa você não será penalizado(a) de forma alguma. Título do Projeto: “Comportamento organizacional em redes para posicionamento estratégico e desempenho superior: um estudo no setor de TI” O objetivo geral desta pesquisa é o de descrever de que maneira a estrutura de relacionamento entre as empresas de TI, associadas a SUCESU-MG, localizadas na região metropolitana de Belo Horizonte, determina a competição, a cooperação e coevolução do aprendizado em atuação em nível de rede social interorganizacionais. Foi utilizado o estudo de caso descritivo como estratégia de pesquisa. A pesquisa será de natureza qualitativa, na fase exploratória de análise dos dados secundários, e quantitativa, na fase final, com a utilização do método de survey. Tal método consiste em um questionário estruturado dado a uma amostra de população e destinado a provocar informações específicas dos entrevistados. E, de forma a complementar a interpretação dos dados primários, serão realizadas entrevistas semiestruturadas com todos os componentes da amostra selecionada. A área geográfica de abrangência desta pesquisa compreende empresas de TI que tenham escritórios na região metropolitana de Belo Horizonte, e que sejam associadas a SUCESU-MG. A amostragem será de conveniência e formada por adesão e, portanto, de forma não-probabilística. Estima-se uma amostra de 15 a 20 empresas de TI participantes. Esse número é conveniente para estudos de rede não somente pelo poder explicativo da amostra, mas também para não carregar a representatividade do grafo. 144 Os dados serão coletados mediante entrevistas com os principais dirigentes das empresas pesquisadas, que participam de processos decisórios estratégicos As análises de redes estudam o relacionamento entre atores sociais, que podem ser representados por pessoas, grupos, empresas e demais coletividades. O diferencial desse tipo de estudo está na ênfase dada às ligações entre os elos, e não às características de cada ator. Pesquisador: Ricardo Luiz de Freitas (FUMEC) Telefone para contato (inclusive ligações a cobrar): (31)8469-6140 E-mail: [email protected] Eu, __________________________, empresa _____________________________, abaixo assinado, concordo em participar do estudo “Comportamento organizacional em redes para posicionamento estratégico e desempenho plural superior: Um estudo no setor de TI” como sujeito. Fui devidamente informado e esclarecido pelo pesquisador sobre as finalidades e condições da pesquisa, os procedimentos nela envolvidos, assim como os possíveis riscos e benefícios decorrentes de minha participação. Foi-me garantido o sigilo das informações e que posso retirar meu consentimento a qualquer momento, sem que isto leve a qualquer penalidade ou constrangimento. Belo Horizonte, ____/____/2012 Assinatura: ________________________________________________________ 145 APÊNDICE C – Primeiro Questionário - Parte 1 - Questionário de pesquisa do perfil da entrevista, dos gestores entrevistados e das empresas pesquisadas Sr(a) Respondente, ao responder as questões constantes neste questionário, procure expressar, ao máximo possível, a posição de sua organização. A participação de sua empresa é muito importante para nossa pesquisa. Obrigado. ENTREVISTA Local: ______________________________________________________________ Data: ____/____/____ Hora Início: _____ Término_____ RESPONDENTE Nome: ______________________________________________________________ Cargo: ______________________________________________________________ Tempo de trabalho: _________________ (anos e meses) Idade: _____ (em anos) Sexo: ( ) Masculino ( ) Feminino ORGANIZAÇÃO Nome: ______________________________________________________________ Endereço: ___________________________________________________________ Data da fundação: ____/____/____ Número aproximado de empregados: ___ (BH) ___ (MG) ___ (Brasil) ___ (Total) Faturamento anual: ____________ (em R$) Total de unidades instaladas: _____ (MG) _____ (Brasil) _____ (Total) Quantidade de produtos oferecidos no mercado local: _____ Há quanto tempo é associado da SUCESU-MG: _____ (em anos) 146 APÊNDICE D – Primeiro Questionário - Parte 2 - Questionário de pesquisa das estratégias adotadas pela empresa ESTRATÉGIAS ORGANIZACIONAIS Assinale, de acordo com a escala abaixo, o número que melhor expressa o nível em que cada característica organizacional se apresenta na sua empresa. Não apresenta a característica Apresenta pouco a característica Apresenta medianamente a característica Apresenta bastante a característica Apresenta totalmente a característica 1 2 3 4 5 1. Sua empresa desenvolve planejamento de suas ações de curto, médio e longo prazo. 2. Sua empresa mantém relacionamento e suporte aos seus clientes. 3. Sua empresa costuma participar de congressos, conferências ou eventos relacionados à área de atuação. 4. No momento da contratação de funcionários, experiência anterior e formação na área são imprescindíveis. 5. Sua empresa submete seus funcionários constantemente a treinamentos. 6. Sua empresa busca maior participação no mercado por meio de lançamento de novos produtos. 7. Sua empresa procura sempre estar informada com relação às ações realizadas pela concorrência. 8. Sua empresa é proativa na adoção de equipamentos de última geração para apoio a produção. 9. Sua empresa é reconhecida socialmente pela qualidade do relacionamento com seus clientes, fornecedores e demais empresas. 10. Sua empresa possui uma divisão clara de tarefas, cargos e atribuições de cada funcionário que nela trabalha. 11. Sua empresa adota treinamento permanente para melhorar a qualidade do atendimento a seus clientes. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 147 ESTRATÉGIAS DE REDE Assinale, de acordo com a escala abaixo, o número que melhor expressa o nível em que cada afirmativa se apresenta na sua empresa. Nunca Raramente Às vezes Frequentemente Sempre 1 2 3 4 5 1. Sua empresa busca trazer ideias e sugestões de melhorias para a rede de empresas que compõe seu setor. 2. No momento de discussão de ideias na rede, sua empresa costuma argumentar sobre o que pensa, mesmo que seja para criticar. 3. Sua empresa possui conhecimento de sua importância opinadora e das outras empresas para a rede. 4. Sua empresa concorda e adota as ações deliberadas pelos componentes da rede. 5. Sua empresa interage com outras empresas da rede na busca de troca de ideias e aprendizado. 6. Sua empresa possui um “espírito” empreendedor, implementando as sugestões propostas pela rede. 7. No processo de discussão de novas ideias na rede, pode-se dizer que as empresas tem total liberdade para opinar. 8. É muito importante a formação de alianças com outras empresas da rede para um melhor desempenho. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 148 ESTRATÉGIAS DE COOPERAÇÃO E COMPETIÇÃO Assinale, de acordo com a escala abaixo, o número que melhor expressa o nível de concordância em que cada afirmativa se apresenta na sua empresa. DT - Discordo Totalmente CT – Concordo Totalmente 1 2 3 4 5 1. Considero a cooperação muito melhor que a competição. 2. Acredito que as empresas preferem muito mais atuar em um sistema de competição do que de modo colaborativo. 3. Considero que a competição é o fator que mais motiva as empresas para alcançar desempenho superior. 4. Em uma região onde há muitos competidores, a melhor forma de sobrevida da empresa é a cooperação. 5. Quando se compete necessita-se de mais estratégia do que quando se atua de forma colaborativa. 6. Quando se está atuando em determinada região, há grande necessidade de atuar de forma colaborativa. 7. Minha organização pratica trabalhos em rede nacional e internacional para aprendizado estratégico. 8. Minha organização pratica atividades em rede para minimizar riscos empresariais. 9. As empresas trabalham em rede para minimizar novos entrantes. 10. As empresas atuando em rede auferem desempenho (financeiro, crescimento, tecnológico, social, dentre outros) que aquelas que não atuam. 11. As empresas atuando em rede minimizam os riscos econômicos do negócio. 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 149 APÊNDICE E – Segundo Questionário - Questionário de pesquisa dos relacionamentos em rede Nas questões abaixo, escolha a coluna que melhor representa a sua interpretação. 1 – Com que frequência sua empresa mantém contato com as empresas listadas abaixo? Se não existir relacionamento com alguma da lista, deixe a linha em branco. EMPRESA 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa F 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Diário Semanal Mensal Semestral Anual 150 2 – Sua empresa mantém relacionamento de informações (contatos pessoais, troca de ideias, informações e experiências) com as empresas listadas abaixo? EMPRESA 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Nunca Raramente Muitas Vezes Intensamente 151 3 – Sua empresa realiza atividades cooperativas relevantes com as empresas listadas abaixo? (atividades que envolvem recursos de natureza tal como: compartilhamento de publicidade, treinamento, compra de insumos e serviços, contratação de consultorias, compartilhamento de despesas com mão de obra, fretes, transportes, entre outros). EMPRESA 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Nunca Raramente Muitas Vezes Intensamente 152 4 – Existe forte intenção de fazer política de bom convívio (“boa vizinhança”) e relacionamento (apoio mútuo, acordos negociais, negociações frequentes para desenvolvimento) entre sua empresa e as demais listadas abaixo? EMPRESA 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Nunca Raramente Muitas Vezes Intensamente 153 5 – Sua empresa atua em atividades de ensino com as empresas listadas abaixo? (no sentido de sugerir alguma ideia, conceito sobre comportamento estratégico, procedimento de gerar inovação, entre outros). EMPRESA 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Nunca Raramente Muitas Vezes Intensamente 154 6 – Sua empresa atua em atividades de aprendizado com as empresas listadas abaixo? (no sentido de adotar alguma ideia, conceito sobre comportamento estratégico, procedimento de gerar inovação, entre outros). EMPRESA 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Nunca Raramente Muitas Vezes Intensamente 155 7 – Marque o nível de competitividade das empresas listadas abaixo em relação a sua empresa: EMPRESA 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Zero Mínimo Mediano Alto 156 8 – Marque a tendência, que as empresas listadas abaixo têm, de aumentar a cooperação na rede: EMPRESA 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Zero Mínimo Mediano Alto 157 9 – Dentre as empresas listadas abaixo, qual é o principal motivo da sua relação com ela: Voluntária – relação com ganho mútuo entre as organizações e não obrigatoriamente recíproca Formal – relação voluntária padronizada por meio de contratos Obrigatória – relação estabelecida por lei ou regulamento Dependência – sua empresa depende de produtos ou serviços da outra organização para existir Circunstancial ou momentânea – relação sem perspectiva de futuro Empresa 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Voluntária Formal Obrigatória Dependência Circunstancial 158 10 – Qual a base predominante de relacionamentos entre sua empresa e as listadas abaixo? Empresa 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Amizade Parentesco Status Política Econômica 159 11 – Como você classifica a importância do relacionamento com as empresas listadas abaixo? Empresa 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Sem Pouco Importante Muito Crucial 160 12 – Como se dá o comprometimento relacional de sua empresa com as listadas abaixo? Não há comprometimento Comprometimento com base em obrigações (leis, regras ou regulamentos) Comprometimento com base em acordo entre organizações (contrato bilateral) Comprometimento com base na conveniência (redução de riscos, oportunidades de negócios, aprendizado) Comprometimento espontâneo/livre Empresa 01 – Empresa A 02 – Empresa B 03 – Empresa C 04 – Empresa D 05 – Empresa E 06 – Empresa F 07 – Empresa G 08 – Empresa H 09 – Empresa I 10 – Empresa J 11 – Empresa K 12 – Empresa L 13 – Empresa M 14 – Empresa N 15 – Empresa O 16 – Empresa P 17 – Empresa Q 18 – Empresa R 19 – Empresa S 20 – Empresa T Não há Obrigações Acordo Conveniência Espontâneo 161 APÊNDICE F – Matrizes utilizadas para as análises quantitativas (questões 1 e 7 a 10) e elaboração das redes (questões 2 a 7) a) Questão 1: Frequência de contato: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U A B 4 3 4 0 3 0 5 3 5 0 3 4 0 0 0 0 2 4 5 3 5 4 1 5 3 2 0 5 0 4 4 4 0 0 5 0 0 3 4 3 C D E F 0 0 4 0 0 0 3 0 0 0 0 5 3 0 5 0 0 4 0 5 4 5 4 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 0 0 0 3 0 0 0 4 0 0 0 5 0 4 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 0 3 5 0 4 0 0 0 0 0 3 0 0 0 0 0 0 0 4 5 0 Legenda: 0 1 2 3 4 5 Nenhum Diário Semanal Mensal Semestral Anual G 0 0 4 0 0 0 0 0 0 0 5 0 4 0 0 4 0 0 0 0 H 4 4 0 0 0 0 4 0 0 5 5 0 3 3 0 0 0 0 5 5 I 0 0 0 0 0 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 0 0 5 J 3 3 0 5 5 0 5 0 0 4 4 4 3 3 0 5 0 5 0 5 K 4 5 0 0 3 0 5 0 0 3 3 0 2 0 0 5 0 0 0 5 L 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 M 2 3 5 5 4 4 2 0 0 5 0 0 2 5 0 1 0 3 3 3 N 3 2 0 0 3 0 4 0 0 3 2 3 2 0 3 3 3 0 0 1 O 4 4 5 0 0 0 5 0 0 4 0 0 0 0 3 0 0 0 4 0 P 5 3 0 4 0 0 5 0 0 0 5 4 4 3 3 4 0 2 4 0 Q 4 3 5 3 0 3 5 0 0 4 5 0 4 3 5 0 R 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 S 2 4 2 1 4 3 5 0 0 3 0 3 2 3 5 4 1 0 T 0 4 0 0 0 4 5 0 0 0 4 4 0 3 0 0 5 0 0 0 2 0 0 0 0 4 1 3 0 U 0 0 0 4 0 0 0 0 0 0 3 2 0 2 0 0 0 2 0 0 162 b) Questão 2: Relacionamento de informações: A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U A B 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 C D E F G H I 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 J K L M N 1 0 1 0 1 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 1 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 O 0 0 0 0 P 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1 0 1 1 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 0 1 Q R S T U 0 0 0 0 0 0 1 1 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 1 163 c) Questão 3: Realização de atividades cooperativas relevantes: A B C A 0 0 B 0 C D 0 0 0 E 0 0 0 F 0 0 0 G 1 0 0 H I 0 0 0 J 0 0 0 K 0 0 0 L 0 0 0 M 0 0 0 N 0 0 0 O 0 0 0 P 0 0 0 Q 0 0 0 R 0 0 0 S 0 0 0 T 0 0 0 U 0 0 D E F G H I 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 J K L M N O P Q R S T 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 U 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 164 d) Questão 4: Intenção de fazer política de bom convívio A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U A B 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 1 C D E F G H I 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 1 1 0 1 0 J K L M N 0 0 1 0 1 0 1 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 1 0 1 0 1 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1 0 0 1 1 1 0 1 0 1 1 1 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 1 1 1 1 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 O 0 1 0 P 0 0 0 1 1 0 0 0 0 Q R S T U 0 1 1 0 1 0 1 1 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 1 0 1 0 1 1 0 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 1 0 0 1 0 0 1 0 0 0 165 e) Questão 5: Atuação em atividades de ensino A B C A 0 0 B 0 C D 0 0 0 E 0 0 0 F 1 0 0 G 1 1 0 H I 0 0 0 J 0 0 0 K 0 0 L 0 0 0 M 0 0 0 N 0 1 0 O 0 0 0 P 0 0 0 Q 0 0 0 R 0 0 0 S 0 0 0 T 0 0 0 U 0 0 D E F G H I 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 J K L M N O P Q R S T U 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 166 f) Questão 6: Atuação em atividades de aprendizado A B C A 0 0 B 0 C D 0 0 0 E 0 0 0 F 0 0 0 G 0 1 0 H I 0 0 0 J 0 0 0 K 0 0 L 0 0 0 M 1 0 0 N 0 1 0 O 0 0 0 P 0 0 0 Q 0 0 0 R 0 0 0 S 0 0 0 T 0 0 0 U 0 0 D E F G H I 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 J K L M N O P Q R S T U 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 1 0 0 167 g) Questão 7: Nível de competitividade A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U A B 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 C D E F G H I 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 J K L M N 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 0 0 1 0 0 1 0 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 O 0 0 0 P 0 1 0 0 0 Q R S T U 0 0 0 1 0 1 1 1 1 0 0 0 0 0 1 1 1 0 0 1 1 1 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 1 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 0 1 1 1 0 0 0 0 0 168 h) Questão 8: Tendência para aumentar cooperação na rede A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U A B 1 1 0 1 0 0 1 1 1 1 C D E F G H I 0 0 1 1 0 1 0 1 0 1 1 0 1 1 1 J K L M N 1 1 0 0 1 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 0 1 0 1 1 1 0 0 0 1 0 0 1 1 0 0 1 0 1 1 1 0 1 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 1 1 0 1 1 0 1 1 0 0 1 0 0 0 O P Q R S T U 0 0 0 0 1 1 1 0 1 0 1 0 1 0 0 0 1 0 1 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 1 1 1 0 0 1 0 0 1 1 0 1 0 1 1 1 1 1 0 1 1 0 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 1 0 1 0 0 0 0 1 0 1 1 1 1 1 0 0 1 0 0 0 0 0 1 0 169 i) Questão 9: Principal motivo da relação entre as empresas A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U A B 0 1 5 1 1 0 5 1 5 0 1 1 0 0 0 0 1 5 5 5 5 5 2 0 2 2 0 1 0 5 1 1 0 0 0 0 0 1 5 5 C D E F 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 1 1 0 5 0 0 5 0 0 1 5 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 0 0 5 0 5 0 5 0 0 0 5 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 5 0 5 0 0 0 0 2 0 0 0 0 0 0 0 0 1 5 0 Legenda: 0 1 2 3 4 5 Nenhum Voluntária Formal Obrigatória Dependência Circunstancial G 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 H 0 5 0 0 5 5 1 0 0 0 5 0 1 1 5 5 0 0 0 5 I 0 0 0 0 0 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 5 0 0 0 5 J 0 1 0 5 5 5 5 0 0 5 5 5 1 0 0 5 0 0 0 5 K 0 5 0 0 5 0 5 0 0 1 1 0 1 0 0 5 0 0 0 5 L 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 M 2 5 2 5 5 5 1 0 0 2 0 3 2 0 0 2 0 2 0 4 N 0 2 0 0 5 0 5 0 0 2 1 1 2 0 0 1 5 0 0 5 O 0 5 1 0 0 0 5 0 0 2 0 0 0 0 5 0 0 0 0 0 P 0 0 0 5 5 0 5 0 0 0 0 5 0 1 1 0 0 1 0 0 Q 0 2 1 1 5 5 5 0 0 2 0 5 2 1 0 0 R 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 S 2 0 4 2 4 5 5 0 0 2 5 1 2 1 0 0 2 0 T 0 2 0 0 5 5 5 0 0 0 5 5 0 1 0 5 5 0 0 0 1 0 0 0 0 5 1 5 0 U 0 0 0 5 5 5 5 0 0 0 5 1 5 1 0 0 0 1 0 0 170 j) Questão 10: Base predominante de relacionamentos entre as empresas A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U A B 1 1 4 5 5 0 4 1 3 0 4 4 0 0 0 0 1 4 1 4 4 3 5 0 1 5 0 1 0 4 4 0 0 0 0 0 0 5 3 3 C D E F 1 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 5 5 0 1 0 0 3 0 1 1 4 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 0 0 0 4 0 3 0 1 0 3 0 1 0 1 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 1 1 1 0 0 0 0 0 5 0 0 0 0 0 0 0 3 3 0 Legenda: 0 1 2 3 4 5 Nenhum Amizade Parentesco Status Política Econômica G 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 4 0 0 0 0 1 0 0 0 0 H 0 3 0 0 4 1 4 0 0 0 3 0 1 5 4 0 0 0 1 3 I 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 3 J 1 1 0 5 4 0 4 0 0 4 4 1 1 0 0 1 0 0 0 3 K 1 0 0 0 1 0 4 0 0 1 1 0 1 0 0 1 0 0 0 3 L 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 M 5 4 5 3 4 3 1 0 0 5 0 4 5 0 0 5 0 5 0 4 N 1 1 0 0 1 0 4 0 0 3 1 1 5 0 4 4 4 0 0 1 O 0 0 1 0 0 0 4 0 0 3 0 0 0 0 4 0 0 0 1 0 P 0 5 0 5 4 0 4 0 0 0 3 4 1 4 5 0 0 1 1 0 Q 1 5 5 5 4 1 4 0 1 4 0 4 5 1 0 0 R 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 S 5 5 5 5 5 3 4 0 0 5 0 1 5 4 0 0 5 0 T 0 5 0 0 4 1 4 0 0 0 4 4 0 1 0 4 0 0 0 0 1 0 1 0 1 3 1 3 0 U 0 0 0 5 4 0 4 0 0 0 4 1 1 1 0 0 0 1 0 0 171 k) Questão 11: Importância do relacionamento entre as empresas A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U A B 2 3 3 2 3 0 2 4 3 0 3 4 0 0 1 0 3 2 2 4 2 2 5 2 3 4 0 1 1 3 4 4 0 0 2 0 1 3 1 2 C D E F 1 0 1 0 0 0 3 0 0 0 0 2 2 0 2 0 0 3 0 1 3 2 3 0 0 0 0 0 0 1 1 0 0 0 2 0 0 0 3 0 2 0 2 0 0 0 3 0 2 0 3 0 0 0 0 0 1 0 0 0 2 2 1 2 0 0 0 0 0 3 0 0 1 0 0 0 0 3 1 0 Legenda: 0 1 2 3 4 5 Não respondeu Sem Pouco Importante Muito Crucial G 0 0 4 0 0 0 0 1 0 0 2 0 0 0 0 1 0 0 0 0 H 2 3 0 0 2 1 2 1 0 1 2 0 2 3 2 2 0 0 2 1 I 0 0 0 0 0 1 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 0 0 0 1 J 2 3 0 3 2 1 2 0 1 2 2 3 2 1 1 2 0 2 1 1 K 1 1 0 0 3 0 2 0 1 3 3 0 3 0 1 2 0 0 0 1 L 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 M 3 3 5 3 3 3 4 0 1 3 2 2 4 1 4 3 0 3 3 4 N 1 4 0 0 3 0 2 0 1 3 4 3 5 0 3 4 2 0 1 5 O 1 2 2 0 0 0 2 0 0 3 0 0 0 0 3 2 0 0 2 0 P 1 3 3 3 2 0 2 0 0 0 2 2 2 2 3 2 0 3 2 0 Q 2 2 3 4 2 3 2 0 1 3 1 2 5 3 1 1 R 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 S 3 3 4 2 5 3 2 0 1 4 3 3 5 1 1 1 4 0 T 0 2 0 0 2 3 2 0 1 0 2 2 0 3 1 2 2 0 0 0 4 0 2 0 2 1 5 2 0 U 0 0 0 3 2 1 2 0 1 0 3 3 2 3 1 0 1 4 0 1 172 l) Questão 12: Comprometimento relacional entre as empresas A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U A B 5 4 5 4 5 0 5 4 4 0 5 5 1 0 1 0 5 1 1 4 4 4 3 5 4 4 0 1 0 4 5 5 0 0 1 0 1 1 1 5 C D E F 5 0 5 0 0 0 4 0 0 0 0 1 1 0 5 0 0 4 0 1 5 1 5 0 0 1 1 0 0 1 1 0 0 0 1 0 0 0 4 0 4 0 5 0 1 1 4 1 5 0 5 0 0 0 0 0 0 0 0 0 4 4 1 1 0 0 0 0 0 3 0 0 1 0 0 0 0 5 1 0 Legenda: 0 1 2 3 4 5 Não respondeu Não há Obrigações Acordo Conveniência Espontâneo G 0 0 3 0 0 0 1 1 0 0 4 1 0 0 0 1 0 0 0 0 H 5 4 0 0 5 1 5 1 0 1 4 1 5 4 4 1 0 0 1 1 I 0 0 0 0 0 5 0 0 0 0 0 1 0 0 0 5 0 0 0 1 J 5 4 0 4 5 1 1 1 1 4 5 4 5 1 0 4 0 1 1 1 K 5 1 0 0 5 0 1 1 1 5 5 1 5 0 0 5 0 0 0 1 L 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 M 3 4 2 1 5 4 5 1 1 4 4 2 4 1 4 3 0 3 1 4 N 5 5 0 0 5 0 1 1 1 4 5 5 3 0 0 5 1 0 1 4 O 5 1 5 0 0 0 1 0 0 4 0 0 1 0 4 1 0 0 1 0 P 5 4 5 1 5 0 1 0 0 0 4 4 4 5 4 1 0 5 1 0 Q 5 3 2 4 5 4 1 1 1 4 1 4 3 5 1 0 R 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 1 S 3 1 2 3 3 4 1 1 1 3 4 4 3 5 1 0 3 0 T 0 3 0 0 5 4 1 1 1 0 4 5 1 5 1 4 1 0 0 0 5 0 1 0 1 1 4 5 0 U 0 0 0 5 4 1 1 1 1 0 4 4 4 5 1 0 1 4 0 1