A DOCÊNCIA E A DECÊNCIA PROFISSIONAL
PAIXÃO, Deborah Christina Carlotti– USM
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Resumo
A sociedade atual necessita de profissionais da educação competentes e atuantes, que estejam
comprometidos com um ideal e com a própria formação, para uma atuação sempre melhor.
Iniciei, então, uma investigação sobre aspectos que inferem na formação deste profissional,
bem como na relação que mantém com os colegas e com os gestores educacionais, para
atingir os resultados que todos esperam. Atuando como gestora e agindo diretamente com os
educadores, da contratação ao acompanhamento diário de sua atuação pedagógica, percebo o
quanto é importante investir na formação contínua do educador e conhecer sua proposta
profissional para promover a melhoria da educação. Com os avanços tecnológicos, científico
e cultural, com a globalização, temos novas ferramentas de trabalho e novas exigências sócioculturais. Os educadores devem estar atentos ao novo, abertos a novas perspectivas e
diferentes desafios, utilizando todos os recursos atuais para viabilizar a aplicabilidade de seus
conhecimentos técnicos, em prol da formação discente e exercer sua posição de liderança com
dinamismo, mantendo seu conhecimento atualizado. E é hora de aliar-se às ferramentas
tecnológicas e fazer bom uso pedagógico. O mesmo ocorre com o gestor em relação ao
professor, propiciando condições para o sucesso da ação pedagógica desenvolvida pelo
professor. Eles têm o mesmo objetivo: a educação. Os educadores têm que acreditar que se
tiverem atitudes assertivas, se agirem com intencionalidade raciocinada e humanizada,
poderão sim reverter questões sociais que nos agridem diariamente. Essa esperança é
necessária ao educador que deverá refletir sobre sua prática para garantir ações assertivas,
humanizadas e condizentes com o ideal educacional, ou seja, a melhoria do ensino, decência
na educação, o crescimento e desenvolvimento do nosso aluno como um ser integral, para que
seja feliz e capaz de si. Precisamos ter consciência de nossas ações e agir com sensibilidade e
decência, sempre buscando o aprimoramento e as melhorias no campo profissional.
Palavras-Chave: Docência; Profissionalização; Formação Continuiada.
A sociedade atual revela sempre mais a necessidade de profissionais da educação
competentes e atuantes, que estejam comprometidos com um ideal e com a própria formação,
para uma atuação sempre melhor. Iniciei, então, uma investigação sobre aspectos que inferem
na formação deste profissional, bem como na relação que mantém com os colegas e com os
gestores educacionais, para atingir os resultados que todos esperam. Atuando como gestora e
agindo diretamente com os educadores, da contratação ao acompanhamento diário de sua
atuação pedagógica, percebo o quanto é importante investir na formação contínua do
educador e conhecer sua proposta profissional para promover a melhoria da educação.
Se o educador fez sua escolha profissional consciente, concluindo o curso de sua
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opção, saberá da necessidade de ter um olhar no real e o outro, na esperança; e compreenderá
que a sua formação nunca finda, visto que a educação é essência, é vida e não cessa de se
aprimorar, modificar, ampliar, criar e recriar. Isso nos remete a pensamentos de John Dewey
(citado em SEBARRROJA, 2003), quando diz que a educação é vida e que é impossível
dissociá-la da filosofia e da sociedade. E que a escola deve cumprir a missão de reconstrução
social, despertando no aluno o desejo de crescimento permanente e do contínuo aprender.
No decorrer da pesquisa, foi possível notar que grande é o número de educadores
comprometidos com o educando, com o desenvolvimento da autonomia, do conhecimento e
crescimento de todos, com uma sociedade mais humana e mais justa. Mas grande também é a
quantidade de profissionais graduados que fomentam ações discriminatórias, com atitudes
autocratas, que apresentam falta de comprometimento, de honestidade e de decência. Há
profissionais que apenas se formaram com o objetivo da obtenção de um diploma e que
assumem o trabalho que deveria ser de um educador consciente de suas habilidades e
responsabilidades. Assim como há educadores sendo submetidos à orientação de gestores
centralizadores, que inibem e tolhem a ação de bons profissionais, provocando a perda de seus
ideais. Surgiu, então, o questionamento sobre o que precisam os pedagogos, para atuarem com
precisão e assertividade, contribuindo para o seu sucesso profissional, e obviamente, com a
melhoria da educação. E a resposta pode ser esta: sentido.
Sentido quer dizer caminho não percorrido, mas que se deseja percorrer, portanto,
significa projeto, sonho, utopia. Aprender e ensinar com sentido é aprender e
ensinar com um sonho na mente. A Pedagogia serve de guia para realizar esse
sonho. (GADOTTI, 2005a, p. 11)
Gadotti nos toca com suas palavras e deixa explícita a importância de ensinar com
sentido, de dar significado ao aprendizado. Observo que o sentido não é só importante aos
alunos, mas essencialmente aos professores: eles têm que sentir o seu fazer, achar o
significado de sua profissão; identificar em suas habilidades e potencialidades, o seu ideal.
O ser humano realiza-se trabalhando, exercendo uma função, sendo útil, construindo e
fazendo parte da edificação da sociedade, sentindo-se pertencente ao mundo. Quando ocorre a
invisibilidade no campo profissional, esta fere o ideal, o ser criador e o cerne motivador do
exercício da profissão. Quando o educador não atinge seus objetivos, se não há
reconhecimento ou sucesso na ação pedagógica, na concretização da intenção educacional, ele
deve ser apoiado e direcionado a refletir sobre suas ações, buscando melhores resultados. É
função do gestor estar atento, observar e orientar esse profissional para que externe seu
potencial; orientá-lo a fazer uma auto-avaliação e a trocar experiências para trazer-lhe
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novas concepções e maiores conhecimentos, fortalecendo sua conduta.
A gestão é fundamental para o sucesso do professor. A gestão democrática permite
uma maior proximidade relacional, despertando o companheirismo, ações cooperativas, que
enriquecem o fazer pedagógico com novas concepções e mais liberdade de ação. Ela permite
maior visibilidade e propõe ações em prol do educador e do educando, devido à proximidade,
a liberdade, as ações participativas e dialógicas no campo relacional, promovendo além da
auto-avaliação e do acompanhamento, a fomentação de meios de crescimento profissional e
educacional, preparando o educador que lida hoje com a vastidão de informações e situações,
em tempo real, permitidas pela globalização.
O mundo não é. O mundo está sendo. Como subjetividade curiosa, inteligente,
interferidora na objetividade com que dialeticamente me relaciono, meu papel no
mundo não é só de quem constata o que ocorre mas também o de quem intervém
como sujeito de ocorrências. (FREIRE, 2004a, p. 76)
A formação e a informação do indivíduo ocorrem simultaneamente e a todo instante.
Faz-se necessário a instrumentalização dos educadores com conhecimentos técnicos
constantes e atualizados e a elevação da auto-estima destes para influenciar e trazer à
realidade os valores morais, os sentimentos e a compreensão do mundo por uma visão mais
abrangente e mais justa. Os educadores têm a função de contribuir com a construção de um
futuro mais humano, menos violento e preconceituoso; devem ser tratados dentro da mesma
percepção e ter reconhecido seu valor profissional.
Gadotti (2005b, p. 21) afirma:
[...] o professor não está morrendo, sua função não está desaparecendo, mas ela está
se transformando profundamente, adquirindo uma nova identidade. [...] E os
educadores devem estar atentos ao novo, abertos a novas perspectivas e diferentes
desafios. [...] O professor precisa, hoje, adequar sua função, ensinar, educar no
mundo globalizado, até para transformar profundamente o modelo de globalização
dominante, essencialmente perverso e excludente.
Os educadores devem estar atentos ao novo, abertos a novas perspectivas e diferentes
desafios, utilizando todos os recursos atuais para viabilizar a aplicabilidade de seus
conhecimentos técnicos, em prol da formação discente e exercer sua posição de liderança com
dinamismo, mantendo seu conhecimento atualizado.
Gadotti, no livro Educação e Poder, diz que hoje o educador tem a oportunidade de
repensar a sua educação e toda sua formação. Acrescenta ainda: “Estamos num momento em
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que o educador brasileiro precisa, urgentemente, pensar na reconstrução da educação
brasileira, passo a passo com a reconstrução da própria sociedade brasileira.” (GADOTTI,
2005, p.56)
Segundo Alarcão (2005b, p. 32):
Não há que declarar morte ao professor. Pelo contrário, na era da informação, ele é
o timoneiro na viagem da aprendizagem em direção ao conhecimento. (2005a, p.
31) Para não se sentirem ultrapassados, os professores precisam urgentemente de
se recontextualizarem na sua identidade e responsabilidades profissionais.
Ora, se a vida está num ritmo frenético, se as informações são obtidas em segundos, o
profissional da educação, curioso como deve ser e aprendente confesso, poderá sim obter
melhorias na condução de suas práticas pedagógicas. E é hora de aliar-se às ferramentas
tecnológicas e fazer bom uso pedagógico. Nunca tivemos tanto por fazer, tanto por aprender e
com tanta facilidade e responsabilidade!
Paulo Freire (2004b, p. 112) alerta quanto a formação dos professores destacando o
quão importante é o estudo, o aprofundamento das questões e a seriedade que devemos ter em
relação à competência profissional. Segundo ele: “(...) O educador e a educadora críticos não
podem pensar que (...) podem transformar o país. Mas podem demonstrar que é possível
mudar”. Sentimos a força do educador e sua importância na democracia e na formação de
cidadãos críticos, seres pensantes e atuantes.
Todos concordam que o educador não é um mero transmissor de informações; a
educação é bem mais ampla. Sabemos também que a sociedade e a educação estão
intimamente ligadas; uma interage sobre a outra. Deduzo, então, que a sociedade tem peso
nesta perda de identidade, de intencionalidade educacional e que esta promove uma reação em
cadeia. Como o educador dará sentido a uma aprendizagem se ele, por vezes, não consegue
sentir o seu fazer ou não tem “espaço social”, apoio dos gestores, da comunidade e até a falta
de crença na sua atuação? A própria sociedade o discrimina. E por querermos uma sociedade
democrática, justa, séria, comprometida com dias melhores, precisamos fomentar ações
assertivas para o desenvolvimento de nossos educadores, que necessitam de atenção, serem
ouvidos, exercerem a autonomia e fazer uso do direito de errar e de reconstruir seu
conhecimento também. Se a escola é um lugar de aprendizado, que o seja para todos!
Vejo com atenção, e tristeza, a ação de profissionais graduados que ocupam cargos na
educação, sem ter afinidade e uma real intenção profissional, tornando sua profissão um
simples “cargo assumido” e, pela necessidade, assim permanecem, sem ter o prazer e o
compromisso essenciais para quem lida com a educação. E isso principalmente, mas não
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exclusivamente, nas esferas públicas, onde a garantia de emprego facilita a acomodação
profissional.
Acredito que para o exercício do magistério, o profissional há de ter como essência,
como alma, uma inquietação e uma intenção social latente; o desejo de crescer e de buscar o
melhor, provocando mudanças comportamentais e situacionais a si mesmo e aos outros. Os
professores têm que amar o que fazem, têm que ter alegria no exercício da profissão, porque
atuam na formação de pessoas, influenciam vidas, inspiram idéias, costumes e modos de ser.
E não adianta dizer que isso não acontece, porque acontece sim. Justifica-se assim, a
necessidade do professor ser cauteloso no preparo de suas aulas, na atualização de conteúdos,
no acréscimo de seu conhecimento técnico, demonstrando objetividade e sensibilidade,
impulsionando o educando na construção de seu conhecimento e buscando orientá-lo e
motivá-lo sempre.
Sacristán (2007, p.118) cita o quanto o professor influencia o fazer do aluno e que este
deve ter um fim educativo claro e honesto, uma intencionalidade. Segundo ele:
De fato, educar tem uma finalidade, e desse impulso normativo é que se deriva a
necessidade de controlar a ação educativa, observando o que conseguimos com o que
fazemos, que conseqüências têm nossas ações sobre os seres sobre os quais influímos,
que conhecimentos obtêm os educandos e quais os que não obtêm.
Acredito, como Fernádez Enquita, (2004, p.107), que:
Na relação educador-educando estão envolvidas todas as facetas do educador. [...]
que a atividade docente não apenas conta com o maior ou menor domínio dos
conhecimentos a dar e a avaliar, mas também, e normalmente mais, com aspectos
como a capacidade de empatia, a fé no próprio trabalho ou no exemplo pessoal. Por
isso, é particularmente importante não apenas o que os professores aprenderam,
mas que tipo de pessoas são, qual seu modo predominante de vida fora das salas de
aula, de que meio cultural procedem, que concepções do mundo acalentam. Não me
refiro, naturalmente, às características pessoais deste ou daquele professor
específico, mas sim às características gerais do coletivo ou de setores importantes
dele.
Nossos jovens, nossas crianças estão sem ídolos, alguns estão sem pais, sem lar e têm
a TV, que os “educa” a bel prazer! Os que freqüentam a escola encontram um educador e, se
tiverem sortes, estarão com um profissional ciente de suas obrigações, que mereça estar diante
de uma sala de aula, encantando pessoas e inspirando descobertas. Senão, encontrarão alguém
despreparado, ou desatento a sua responsabilidade, ou ainda, alguém descrente da educação.
Este não trará vida à criança que precisa às vezes, apenas de um sopro para voar. E o pior é
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que, às vezes, não percebe o mal que faz, porque não se percebe um educador, apesar de
estar na função.
Paulo Freire (2004c, p.97) menciona: “Saber que não posso passar despercebido pelos
alunos, e que a maneira como me percebem me ajuda ou desajuda no cumprimento de minha
tarefa de professor, aumenta em mim os cuidados com o meu desempenho.”
Novamente refletimos: Quem as universidades estão formando? O que fazem as
pessoas sem prazer optarem por formar crianças? Os educadores têm noção da
responsabilidade que têm nas mãos, com o futuro de todos e deles próprios? O gestor tem
consciência de seu papel?
O professor quando está ali, frente aos seus alunos, “prestando um serviço” com fins
meramente monetários e não está inteiro em sua ação pedagógica, ocupa o lugar de alguém
que talvez fizesse a diferença na vida de uma criança com seu “fazer pedagógico” autêntico,
sentido, vibrante e carinhoso. O gestor deve reconhecer este profissional e, diante de sua
recusa a mudanças, ou de ações negativas, afastá-lo do cargo assumido.
Certamente, a todo momento a escola, os professores, o ambiente, passam valores
como parte do chamado currículo oculto. Mas é justamente por isso que o grupo de
professores e especialistas de uma escola precisa explicitar princípios norteadores
para a vida prática decorrentes de um consenso mínimo, a partir da busca de
sentidos de sua própria experiência. (LIBÂNEO, 2006, p.45)
O educador tem intrínseca a esperança; ele quer crescer e ver progresso no aluno;
demonstrar o quanto é gostoso aprender coisas novas e que ele também é um aprendente;
procurar situações que permitam os acertos e os erros e nesse mix, o brotar do conhecimento.
Ele desperta a autoconfiança e a determinação dos nossos pequenos, para que sintam que o
seu querer, o seu objetivo, tem valor e que sua vida tem um porquê. E, além disso, que fazer
parte dessa vida, para ele, educador, é um prazer, é uma alegria e uma grande lição! Podemos
dizer que o mesmo faz o gestor em relação aos educadores, agindo sem o paternalismo que
acomoda, mas com profissionalismo que desafia e que traz novas propostas, mantendo a
confiança na execução do trabalho realizado e promovendo novos e melhores resultados.
O professor e o aluno – grande encontro, que elo se faz, um laço, um cordão, uma
comunhão. O docente e o discente necessitam um do outro para existir. O verdadeiro
educador ensina pelo olhar, com gestos, com sentimentos que são seu instrumento de
trabalho! Ele precisa sentir o quanto sua função é importante, lutar e promover o melhor para
o futuro das crianças. O educador precisa se posicionar, ser crítico, ter criatividade e
competências técnica e relacional, se equipar cognitivamente, se preparar para justificar suas
ações pedagógicas e ter feedbacks positivos. Parece muito, mas quando se age com boa
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intenção, se atinge a meta.
[...] na medida em que tomamos consciência das necessidades que precisam ser
atendidas, vem-nos a exigência da ação. [...] A ação busca, pois, um resultado. Isto
quer dizer que para agir e ao fazê-lo, nós precisamos saber para que agimos. Do
contrário,corremos o risco de atuar num sentido que não é aquele exigido pela
situação que nos solicita. Defrontamo-nos, pois, com o problema dos objetivos da
ação. (SAVIANI, 2004, p. 64)
Quando faço a seleção de profissionais, pergunto qual a intenção que têm com sua
profissão, com seus alunos, com a instituição a que irão se filiar. E essa simples pergunta é
fatal quando o candidato responde com chavões e pouca verdade. Age melhor aquele que diz
não saber, pois é honesto; e no caso, a honestidade, já será uma lição que os alunos terão.
Aprendemos nas entrelinhas e as crianças percebem, sentem as situações e as pessoas. E as
pessoas são capazes de muitas ações quando têm claras suas intenções.
Os jovens, as crianças, os educadores têm que acreditar que se tiverem atitudes
assertivas, se agirem com intencionalidade raciocinada e humanizada, poderão sim reverter
questões sociais que nos agridem diariamente. Precisamos semear a esperança e agir com
sabedoria, com solidariedade, em parceria com a natureza e com o natural do ser humano –
que é viver em grupo. Morin (2003) afirma que a verdadeira racionalidade dialoga com o real
que lhe resiste e deve reconhecer a parte de afeto, de amor e de arrependimento que comporta.
O educador necessita verificar sua “saúde profissional” e sua “intenção social”. É
preciso que haja participação em eventos pedagógicos, condições para que expressem suas
idéias e troquem experiências, que se façam ouvir, que se façam sentir e mostrar o quanto os
profissionais da educação, sejam professores ou gestores, estão comprometidos com seus
fazeres pedagógicos e o quanto têm de interesse contribuindo, refletindo e compartilhando
suas práticas. É preciso identificar os bons profissionais e torná-los multiplicadores de suas
ações e divulgadores de suas experiências, exercendo uma pedagogia atualizada, realista e
humanizada. É preciso estudo constante e conscientização da profissionalização docente;
despertar interesses e aguçar os sentidos para que os educadores sintam seus alunos e suas
necessidades epistemológicas e que o mesmo ocorra com os gestores, fazendo-se sentir e
sentindo os professores os quais orienta.
Trabalhamos com o que há de mais importante na vida das pessoas: as crianças. E com
elas exercemos o nosso ofício, o nosso saber. Devemos à vida, o mínimo de responsabilidade,
de esperança e de amor pela oportunidade de influir a vida de nossos pequenos. Sejamos
exemplo de coragem e determinação, de doçura e emoção. Sejamos a crítica, a democracia, a
liberdade, o respeito e a criatividade. Sejamos a busca pelo conhecimento e a constante
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atualização. Sejamos antes de tudo, honestos e decentes para desempenharmos a profissão de
educador.
Rios (2006, p.17) afirma com muita propriedade: “[...] é no próprio espaço do trabalho
que esperanço de novo, que retomo com vigor a luta, que encontro possibilidades e
alternativas.” Refletir sobre a educação, começar novamente do ponto zero, assumir-se
aprendente são exercícios que envolvem a razão e a paixão pela educação.
Devemos salientar a contribuição de vários educadores, filósofos e pensadores que
trazem à razão pedagógica o elo humano e relacional. E também certificar que grande é o
número de educadores comprometidos que se banham desses mestres que não cansam de
pensar a educação. Mas não podemos fechar os olhos para a banalidade educacional que
perpassa por mãos que antes, talvez fossem habilidosas e atentas, mas que o furor social
matou e tratou de disseminar com suas mazelas sociais. Não podemos deixar ser o educador
um profissional qualquer, que “arruma um diploma em qualquer lugar” e sai desinformando
cidadãos que cuidarão e formarão o nosso futuro. Pensemos, então, nas palavras de Paulo
Freire (2004d, p.103) quando diz:
Tão importante quanto ele, o ensino dos conteúdos, é o meu testemunho ético ao
ensiná-lo. É a decência com que o faço. É a preparação científica revelada sem
arrogância, pelo contrário, com humildade. É o respeito jamais negado ao
educando, a seu saber de “experiência feito” que busco superar com ele. Tão
importante quanto o ensino dos conteúdos é a minha coerência na classe. A
coerência entre o que digo, o que escrevo e o que faço.
Envolver-se com a educação requer cuidado, vigília, entusiasmo, encantamento,
empenho, alegria e dedicação, seja dentro da sala de aula ou na gestão educacional.
Trabalhamos com e para o futuro. Temos sempre muito o que aprender.
Honremos a belíssima profissão que abraçamos um dia, cheios de ideais e de
propósitos, e a oportunidade de ser alguém especial na vida de outro alguém, por proporcionar
novos fazeres, incomodar idéias sonolentas e convidar habilmente ao aprendizado constante.
Refletindo, garantimos ações assertivas, humanizadas e condizentes com o nosso
ideal: a melhoria do ensino e a decência na educação.
REFERÊNCIAS
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FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. – 29. ed
São Paulo: Paz e Terra, 2004.
ALARCÃO, Isabel. Professores reflexivos em uma escola reflexiva. 4. ed. São Paulo:
Cortez, 2005.
LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora?: novas exigências
educacionais e profissão docente. 9. ed. São Paulo: Cortez, 2006.
MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 8. ed. São Paulo:
Cortez; Brasília, DF : UNESCO, 2003.
GIMENO SACRISTÁN, José. A educação que ainda é possível: ensaios sobre uma cultura
para a educação; trad. Valério Campos. – Porto Alegre: Artmed, 2007.
RIOS, Terezinha Azeredo. Compreender e ensinar: por uma docência da melhor qualidade.
– 6.ed – São Paulo: Cortez, 2006.
GADOTTI, Moacir. Educação e poder: introdução à pedagogia do conflito. 14. ed.
São Paulo: Cortez, 2005.
________________ Boniteza de um sonho: ensinar-e-aprender com sentido. Curitiba:
Positivo, 2005.
FERNÁNDEZ ENGUITA, Mariano. Educar em tempos incertos; trad. Fátima Murad. –
Porto Alegre: Artmed, 2004.
SAVIANI, Demerval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. 16. ed.
Campinas:
Autores
Associados,
2004.
(Coleção
educação
contemporânea)
3137
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A DOCÊNCIA E A DECÊNCIA PROFISSIONAL