Contratos e Procedimentos em Propriedade Intelectual Aspectos de prática processual. Perícia em Propriedade Intelectual. Apreensão nas Alfândegas Aula 06 - 05.05.05 Professor Denis Borges Barbosa Perícia CPC • Art. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por perito, segundo o disposto no art. 421. Necessidade e desnecessidade de perícia • "O exame pericial, nos casos de violação de registros de marcas (sic) é desnecessário, ao contrário do que acontece nos relativos aos privilégios de invenção, em que é primordial. A verificação da existência de reprodução,, imitação ou usurpação de marca registrada compete ao juiz, não dependendo de conhecimento especial de técnicos..." (Tratado, cit., v. 2, p. 1128). Necessidade e desnecessidade de perícia • Art. 201. Na diligência de busca e apreensão, em crime contra patente que tenha por objeto a invenção de processo, o oficial do juízo será acompanhado por perito, que verificará, preliminarmente, a existência do ilícito, podendo o juiz ordenar a apreensão de produtos obtidos pelo contrafator com o emprego do processo patenteado. CPC • Art. 145. Quando a prova do fato depender de conhecimento técnico ou científico, o juiz será assistido por perito, segundo o disposto no art. 421. • § 1º - Os peritos serão escolhidos entre profissionais de nível universitário, devidamente inscritos no órgão de classe competente, respeitado o disposto no Capítulo Vl, seção Vll, deste Código. • § 2º - Os peritos comprovarão sua especialidade na matéria sobre que deverão opinar, mediante certidão do órgão profissional em que estiverem inscritos. • § 3º - Nas localidades onde não houver profissionais qualificados que preencham os requisitos dos parágrafos anteriores, a indicação dos peritos será de livre escolha do juiz. CPC • Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. • Parágrafo único - O juiz indeferirá a perícia quando: • I - a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; • II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas; • III - a verificação for impraticável. CPC • Art. 421. O juiz nomeará o perito, fixando de imediato o prazo para a entrega do laudo. • § 1º - Incumbe às partes, dentro em 5 (cinco) dias, contados da intimação do despacho de nomeação do perito: • I - indicar o assistente técnico; • II - apresentar quesitos. • § 2º - Quando a natureza do fato o permitir, a perícia poderá consistir apenas na inquirição pelo juiz do perito e dos assistentes, por ocasião da audiência de instrução e julgamento a respeito das coisas que houverem informalmente examinado ou avaliado. CPC • Art. 422. O perito cumprirá escrupulosamente o encargo que Ihe foi cometido, independentemente de termo de compromisso. Os assistentes técnicos são de confiança da parte, não sujeitos a impedimento ou suspeição. CPC • Art. 424. O perito pode ser substituído quando: • I - carecer de conhecimento técnico ou científico; • II - sem motivo legítimo, deixar de cumprir o encargo no prazo que Ihe foi assinado. • Parágrafo único - No caso previsto no inciso II, o juiz comunicará a ocorrência à corporação profissional respectiva, podendo, ainda, impor multa ao perito, fixada tendo em vista o valor da causa e o possível prejuízo decorrente do atraso no processo. CPC • Art. 425. Poderão as partes apresentar, durante a diligência, quesitos suplementares. Da juntada dos quesitos aos autos dará o escrivão ciência à parte contrária. • Art. 426. Compete ao juiz: • I - indeferir quesitos impertinentes; • II - formular os que entender necessários ao esclarecimento da causa. CPC • Art. 427. O juiz poderá dispensar prova pericial quando as partes, na inicial e na contestação, apresentarem sobre as questões de fato pareceres técnicos ou documentos elucidativos que considerar suficientes. CPC • Art. 429. Para o desempenho de sua função, podem o perito e os assistentes técnicos utilizar-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo informações, solicitando documentos que estejam em poder de parte ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com plantas, desenhos, fotografias e outras quaisquer peças. • Art. 431-B. Tratando-se de perícia complexa, que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, o juiz poderá nomear mais de um perito e a parte indicar mais de um assistente técnico. Processo Penal • Art. 530-A. O disposto nos arts. 524 a 530 será aplicável aos crimes em que se proceda mediante queixa. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003) • Art. 530-I. Nos crimes em que caiba ação penal pública incondicionada ou condicionada, observar-se-ão as normas constantes dos arts. 530-B, 530-C, 530-D, 530-E, 530-F, 530-G e 530-H. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003) CPP - Queixa • Art. 525. No caso de haver o crime deixado vestígio, a queixa ou a denúncia não será recebida se não for instruída com o exame pericial dos objetos que constituam o corpo de delito. • Art. 526. Sem a prova de direito à ação, não será recebida a queixa, nem ordenada qualquer diligência preliminarmente requerida pelo ofendido. • CPP - Queixa • Art. 527. A diligência de busca ou de apreensão será realizada por dois peritos nomeados pelo juiz, que verificarão a existência de fundamento para a apreensão, e quer esta se realize, quer não, o laudo pericial será apresentado dentro de 3 (três) dias após o encerramento da diligência. • Parágrafo único. O requerente da diligência poderá impugnar o laudo contrário à apreensão, e o juiz ordenará que esta se efetue, se reconhecer a improcedência das razões aduzidas pelos peritos. • CPP - Queixa • Aplicação do art. 201 do CPPI/96: • Doravante, o art. 201, concedendo agilidade e economia ao processo, exige apenas a presença de um perito e de um oficial de justiça, tornando mais rapids a realizaçao da diligência e reduzindo os honorarios periciais à metade. • A outra novidade trazida pela Lei de Propriedade Industrial é que o perito devera acompanhar a diligencia de busca e apreensõo, com o objetivo de confirmar a existencia do ilicito, possibilitando maior segurança na apreensõo dos produtos ol)tidos pelo contrafator com o emprego do processo patenteado. • (Comentários da Dannemann) CPP – Queixa • Art. 528. Encerradas as diligências, os autos serão conclusos ao juiz para homologação do laudo. • Art. 529. Nos crimes de ação privativa do ofendido, não será admitida queixa com fundamento em apreensão e em perícia, se decorrido o prazo de 30 (trinta) dias, após a homologação do laudo. • Parágrafo único. Será dada vista ao Ministério Público dos autos de busca e apreensão requeridas pelo ofendido, se o crime for de ação pública e não tiver sido oferecida queixa no prazo fixado neste artigo. CPP – Queixa - CPI/96 • Art. 203. Tratando-se de estabelecimentos industriais ou comerciais legalmente organizados e que estejam funcionando publicamente, as diligências preliminares limitar-se-ão à vistoria e apreensão dos produtos quando ordenadas pelo juiz, não podendo ser paralisada a sua atividade licitamente exercida. • Art. 204. Realizada a diligência de busca e apreensão, responderá por perdas e danos a parte que a tiver requerido de má-fé, por espírito de emulação, mero capricho ou erro grosseiro. CPP – CP 184 • • Art. 530-B. Nos casos das infrações previstas nos §§ 1o, 2o e 3o do art. 184 do Código Penal, a autoridade policial procederá à apreensão dos bens ilicitamente produzidos ou reproduzidos, em sua totalidade, juntamente com os equipamentos, suportes e materiais que possibilitaram a sua existência, desde que estes se destinem precipuamente à prática do ilícito. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003) CPP • Art. 530-C. Na ocasião da apreensão será lavrado termo, assinado por 2 (duas) ou mais testemunhas, com a descrição de todos os bens apreendidos e informações sobre suas origens, o qual deverá integrar o inquérito policial ou o processo. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003) • Art. 530-D. Subseqüente à apreensão, será realizada, por perito oficial, ou, na falta deste, por pessoa tecnicamente habilitada, perícia sobre todos os bens apreendidos e elaborado o laudo que deverá integrar o inquérito policial ou o processo. (Incluído pela Lei nº 10.695, de 1º.7.2003) Dos requisitos de uma perícia em patentes Bibliografia • O que um perito precisa saber de Direito num caso de violação de patentes • Este trabalho indica algumas noções básicas de Propriedade Intelectual, indispensáveis aos peritos e assistentes técnicos num caso em que se alega violação de patentes. • http://www.denisbarbosa.addr.com/perito.doc Nossos exemplos de problemas de perícia A perícia em violação de patentes Diversa da perícia de nulidade A perícia em violação de segredos Fase um: distinguir os objetos • Uma patente, na sua formulação clássica, é um direito, conferido pelo Estado, que dá ao seu titular a exclusividade da exploração de uma tecnologia. • Como contrapartida pelo acesso do público ao conhecimento dos pontos essenciais do invento, a lei dá ao titular da patente um direito limitado no tempo, no pressuposto de que é socialmente mais produtiva em tais condições a troca da exclusividade de fato (a do segredo da tecnologia) pela exclusividade temporária de direito [1]. • [1] Do nosso Uma Introdução à Propriedade Intelectual, 2ª. Edição, Lumen Juris, 2003, 1300p. Fase um: distinguir os objetos • A outra forma usual de proteção da tecnologia é a manutenção do segredo - o que é sempre socialmente desaconselhável, eis que dificulta o desenvolvimento tecnológico da sociedade. • Na sua formulação clássica, assim, a patente presume a extinção do segredo, tornando o conhecimento da tecnologia acessível a todos. Como requisito para conceder a patente, o Estado exige a descrição exata da tecnologia de forma a que um técnico com formação média na área seja capaz de reproduzir a invenção. Fase um: distinguir os objetos • Cada gênero de patente recebe uma proteção de caráter diverso: • a) A patente de processo dá a exclusividade do uso dos meios protegidos na produção do resultado assinalado - mas não dá, necessariamente, a exclusividade sobre o resultado, desde que ele possa ser gerado por outro processo. • b) A proteção do produto (a chamada reividicação per se) garante ao titular a exclusividade do mesmo, seja como ele for produzido. Fase um: distinguir os objetos • Quanto à patente de produto, vale observar com atenção o que lembra Gama Cerqueira: • "Vimos, anteriormente, que a patente concedida para a invenção de novo produto assegura ao inventor o direito exclusivo de fabricá-lo e de impedir que terceiros o fabriquem, por diverso que seja o processo ou meio empregado na sua fabricação. Não importa, portanto, que o processo seja diferente do empregado pelo concessionário da patente, nem que seja privilegiado: enquanto estiver em vigor o privilégio concedido para o produto, a fabricação deste, sem autorização do titular da patente, constitui delito. [1] • [1] João da Gama Cerqueira, in "Tratado da Propriedade Industrial", 2ª ed., vol. 1, "Revista dos Tribunais", pp 546-547. Fase Dois – ler a patente • Patente – conteúdo. Relatório descritivo • No relatório descritivo se fixa o problema técnico cuja solução o pedido pretende constituir, os limites do estado da arte, que o invento propõe-se a superar, e as razões pelas quais se entende haver atividade inventiva [1]. • [1] Ato Normativo INPI 127, em vigor: Fase Dois – ler a patente • Ao teor da lei, o relatório deverá descrever clara e suficientemente o objeto, de modo a possibilitar sua realização por técnico no assunto e indicar, quando for o caso, a melhor forma de execução. • Assim, o relatório tem de indicar com precisão qual a implementação prática mais eficaz do invento, consolidando um requisito além da simples utilidade industrial. • O relatório que não o fizer pecará de insuficiência descritiva, sendo passível de nulidade. Fase Dois – ler a patente • Elemento crucial da funcionalidade do sistema de patentes, o relatório descritivo tem por finalidade expor a solução do problema técnico em que consiste o invento. Normalmente, o relatório inclui a descrição do problema, o estado da arte, ou seja, as soluções até então conhecidas para resolvê-lo, e a nova forma de solução - indicando em que esta altera o estado da arte. • Os limites técnicos da patente, circunscritos pelas reivindicações, são os existentes no relatório descritivo. Assim, a propriedade intelectual pertinente está necessariamente contida no relatório, embora não tenha que ser tão ampla quanto este. O primeiro objetivo do relatório é, desta forma, a definição do espaço reivindicável. Fase Dois – ler a patente • O título. O resumo • O título e o resumo, breve ementa da patente, tem por propósito facilitar o conhecimento da área técnica em que o pedido se situa, e, brevissimamente, a natureza do invento. • A publicação do título do invento no órgão oficial traz sua atenção aos eventuais interessados em contestar o pedido de patente, e é assim importante elemento da satisfação do devido processo legal Fase Dois – ler a patente • As reivindicações • As reivindicações, que traçam o escopo jurídico da exclusividade, deverão ser fundamentadas no relatório descritivo, caracterizando as particularidades do pedido e definindo, de modo claro e preciso, a matéria objeto da proteção • Objetivamente, o privilégio é limitado pelas reivindicações que integram o pedido: a exclusividade de uso é da tecnologia circunscrita, e de nenhuma outra. Fase Dois – ler a patente • As reivindicações • O art. 41 da Lei 9.279/96 estabelece que os privilégios são circunscritos objetivamente pela tecnologia exposta no relatório, tal como reivindicada: • "A extensão da proteção conferida pela patente será determinada pelo teor das reivindicações interpretado com base no relatório descritivo Fase Dois – ler a patente • As reivindicações • Uma reivindicação é redigida de maneira a identificar geralmente o escopo da solução oferecida (por exemplo, "máquina de fazer tal coisa"), seguida de uma fórmula convencional de indicar o início do reivindicado ('caracterizado por...") e, então, pela descrição mais exata possível do material reivindicado. Fase Dois – ler a patente • As reivindicações • O quadro reivindicatório pode se referir a diversos elementos individuais de um mesmo conceito inventivo – – um produto, – o processo para se fabricar tal produto, – o aparelho para fazer processar tal método de fabricação, etc – • em várias reivindicações independentes entre si • mas pode haver reivindicações que apenas particularizem ou aprofundem uma solução técnica já enunciada em uma outra reivindicação - da qual são dependentes Fase Dois – ler a patente • As reivindicações • O elemento mais sensível das reivindicações é a partícula que enuncia o que, nas patentes, é exclusividade, distinguindo dessa o que é simples informação tecnológica. Como preceitua a norma legal pertinente: – - as reivindicações independentes devem, quando necessário, conter, entre a sua parte inicial e a expressão "caracterizado por", um preâmbulo explicitando as características essenciais à definição da matéria reivindicada e já compreendidas pelo estado da técnica; – - após a expressão "caracterizado por" devem ser definidas as características técnicas essenciais e particulares que, em combinação com os aspectos explicitados no preâmbulo, se deseja proteger; Fase Dois – ler a patente • As reivindicações da patente 8904813-0 l. • Processo para produzir partes de condutos tubulares com várias camadas de material sintético, material de enchimento inorgânico e fibras de vidro, caracterizado pelo fato de que, para a formação de camadas individuais ligadas indissoluvelmente entre si, aplica-se uma mistura fluida numa proporção de mistura maior que 1:2 a uma matriz rotativa; e, mediante controle do número de rotações de tempo predeterminado, cria-se na camada em formação uma proporção de dissociação predeterminada de resina e material de enchimento; fornecendo-se fibras de vidro, com matriz girando com um número de rotações predeterminado, de modo que penetrem na parte interior da camada tornada mais rica em resina pela proporção de dissociação; e, depois, repete-se esta operação pelo menos uma vez. Fase Dois – ler a patente • As reivindicações da patente 8904813-0 l. Assim, esse é o preâmbulo, que não implica em matéria exclusiva: • l. Processo para produzir partes de condutos tubulares com várias camadas de material sintético, material de enchimento inorgânico e fibras de vidro • Fase Dois – ler a patente • Interpretação de reivindicações e literalidade • Uma vez exemplificada a leitura dessa reivindicação, deve-se concluir que a interpretação é literal? Não. • O alcance da reivindicação não é, necessariamente, formal e literal. O que se protege, na verdade é a solução nova para o problema técnico pertinente; a questão que se coloca, assim, é: as outras maneiras de resolver o mesmo problema são ou não protegidas pela patente? A resposta é dada pela chamada teoria dos equivalentes. Fase Dois – ler a patente • Interpretação de reivindicações e literalidade • O art. 186 do CPI/96 assim diz: • “Os crimes deste Capítulo caracterizam-se ainda que a violação não atinja todas as reivindicações da patente ou se restrinja à utilização de meios equivalentes ao objeto da patente”. • Assim, tanto a violação parcial quanto a de fatores equivalentes é criminalmente punível (embora não exista uma disposição equivalente na definição do teor civil da patente). Fase Dois – ler a patente • Interpretação de reivindicações e literalidade • "para verificar-se a infração, basta que tenha sido usurpada a idéia da invenção, objeto do privilégio. Qualquer modificação introduzida na forma, nas dimensões ou nas proporções do objeto, bem como a substituição de matéria, não excluem a contrafação. Estão no mesmo caso a substituição de peças ou órgãos de um maquinismo privilegiado por outro elemento equivalente, ou a sua modificação sem alteração das funções que desempenham, a substituição de substâncias de um produto químico por outro análogo. • Toda a questão gira em torno deste ponto: saber se a idéia essencial da invenção foi usurpada. • [1] João da Gama Cerqueira, in "Tratado da Propriedade Industrial", 2ª ed., vol. 1, "Revista dos Tribunais", pp. 546547. Fase Dois – ler a patente • Interpretação de reivindicações e literalidade • "Se a modificação introduzida no produto privilegiado puder ser considerada como aperfeiçoamento privilegiável nos termos da lei, ainda assim haverá infração da patente, se o seu autor fabricar o produto sem licença do concessionário (...) [1] [1] João da Gama Cerqueira, in "Tratado da Propriedade Industrial", 2ª ed., vol. 1, "Revista dos Tribunais", pp. 546-547. Fase Dois – ler a patente • Interpretação de reivindicações e literalidade • A busca, assim, da idéia essencial presume o entendimento da reivindicação através de sua leitura através do relatório e, além desse, pela crítica do relatório através do estado da arte. Fase Dois – ler a patente A leitura através do relatório • Na forma do art. 41 da Lei 9.279/96, interpretam-se as reivindicações com base no relatório descritivo e nos desenhos. • Fase Dois – ler a patente • Só é válida e eficaz a reivindicação que estiver contida no relatório descritivo • Ou seja, a Intercessão entre os dois conjuntos Fase Dois – ler a patente • Relatório e Estado da Arte • A primeira virtude do relatório é apontar qual o estado da arte - o estágio anterior à invenção e que, como é óbvio, não está coberto pela exclusividade do privilégio (pode estar coberto por outras patentes, se vigentes no Brasil...mas não por essa). Para ler a patente • Nem o engenheiro (ou cientista...) treinado nas substâncias da técnica, e experiente na sua aplicação, nem o advogado, aperfeiçoado na arte de interpretar e aplicar normas, tem em geral treinamento e contato com as peculiaridades de uma patente. Em particular no Brasil. • Vide a seguir o caso canadense American Cyanamid Company v. Berk Pharmaceuticals relatado a p. 31 RPC 1976 Para ler a patente • A primeira tarefa em toda a ação relativa a patentes é decidir-se exatamente qual é o monopólio que o titular da patente detém. Para ler a patente • Uma das características importantes das reivindicações é de fazer claro aos terceiros o que eles não tem permissão de fazer durante a vigência da patente, e o Lei de Patentes obriga expressamente que as reivindicações devem ser claras, sucintas, desobstruídas e devem razoavelmente ser baseadas na que foi descrito no relatório da patente. Para ler a patente • Assim, antes de ler as reivindicações da patente, deve-se ir ao relatório, que é uma descrição completa da invenção, e do que está sendo reivindicado. O relatório deve ser uma descrição completa que permita a qualquer um, depois que a patente expirar, de levar a invenção à prática. • Assim também, quando se lêem as reivindicações, é necessário que se possa saber o que é lícito e o que não é permitido, e se as reivindicações forem incompreensíveis ou ambíguas, ou se elas não tenham relação com a invenção como efetivamente descrita no relatório, a patente também será inválida Para ler a patente • Não se deve esperar que cada patente seja compreensível a qualquer um, porque as patentes são dirigidas às pessoas que têm conhecimento nos campos tecnológicos em que cada patente é concedida - ou seja, são destinadas aos conhecedores da tecnologia em questão. Para ler a patente • A descrição da invenção tem o propósito de permitir esse homem, o conhecedor da tecnologia, de por a nova criação em prática. • Somente daquele que é familiar no campo da tecnologia em questão pode esperar-se que as reivindicações sejam úteis. Para ler a patente • O texto de cada reivindicação é, no fim das contas, o elemento conclusivo, mas cada reivindicação deve ser considerada dentro da perspectiva, e no contexto, do que se lê no relatório, como um todo. O relatório, ele mesmo, tem que ser considerado no contexto do campo geral em que a invenção é aplicável. Para ler a patente • O relatório se dirige às pessoas que detém conhecimento no campo particular, e estas lê-lo-ão sob a ótica de seu conhecimento das condições prevalecendo no campo no tempo em que a patente foi concedida, e do conhecimento da tecnologia anterior a essa época. Para ler a patente • A compreensão das reivindicações, a determinação de seu escopo - o que os advogados chama de interpretação das reivindicações - é necessariamente a primeira tarefa ser empreendida, e tal trabalho deve ser feito desapaixonadamente; Para ler a patente • a leitura deve ser realizada sem levar em conta o efeito que a interpretação venha a ter sobre a conclusão de se a patente está sendo ou não violada, nem levar em conta se o resultado da interpretação possa resultar na nulidade da patente. Para ler a patente • Conclusões: • O documento, em si, tem um dupla função, e há que se distinguir o que pertence a cada uma delas. • A primeira função é a informacional: a patente serve para divulgar a tecnologia inventada, para conhecimento geral, embora não uso, eis que esse é exclusivo do titular. • Assim, contribui-se para a aceleração da pesquisa, e possibilita-se que, ao fim do prazo da patente, a tecnologia passe a ser, então sim, de domínio comum. • Esta função é desempenhada primordialmente pelo relatório descritivo. Para ler a patente • Assim, não há perícia possível se o perito não conhecer antes a patente, se não puder confrontar as reivindicações com o que constatar na inspeção pessoal e nos testes. • A seriedade profissional e os interesses da defesa obrigam o perito a indicar que reivindicação, precisa e numericamente, foi violada, e como. Para ler a patente • Conclusões: • A segunda função é a reversa: a de restringir o uso da tecnologia, tal como circunscrita pelas reivindicações. • Nem tudo que está no relatório será reivindicado (o estado da arte certamente não o será...), mas tudo o que for reivindicado deverá necessariamente estar no relatório. Do Segredo de negócio Da necessidade da perícia • > Tribunal de Justiça do RS • Hábeas-Córpus nº 70001404714 – 7ª Câmara Criminal – Novo Hamburgo. Ver. De Jurisprudência do TJRS, 208 - Outubro / 2001. • (...)Mesmo ausente registro de patente, tem-se, em tese, o crime de concorrência desleal. A fraude, utilizada na captação de clientela, exige aprofundado exame da prova, o mesmo sendo necessário, para apurar-se a respeito de possível violação de conhecimentos confidenciais, a constituírem-se, ou não, em sigilo de fábrica, o que não cabe aferir-se na estreiteza da via eleita. Ademais, estando a queixa apoiada em elementos probatórios dos autos, inclusive no laudo pericial, e descrevendo crime, em tese, não há falar-se em ausência de justa causa. Ordem denegada. Da necessidade da perícia • Ora, a forma de obtenção de clientela pelos pacientes, se de forma fraudulenta, ou não, bem como se houve, ou não, violação de conhecimentos a caracterizar a quebra do sigilo de fábrica ou simplesmente o desenvolvimento de uma técnica acessível a todos, especialmente a profissionais da área, como os pacientes, é matéria que exige profundo exame da prova. Da necessidade da perícia • Pouco importa, outrossim, haja registro de patente, porque, mesmo inexistente o patenteamento, há crime, em tese, como preleciona Alberto Silva Franco e outros renomados juristas, ao abordarem ditos conhecimentos confidenciais ("Leis Penais Especiais e Sua Interpretação Jurisprudencial", Ed. RT, 6ª ed., vol. 2, São Paulo, 1997, p. 2.056): Da necessidade da perícia • "... constituem segredos que estão por merecer a proteção da lei. Trata-se de bem jurídico de suma importância, ainda quando não são patenteáveis, vez que se trata de segredo de fábrica, e não de invenções ou inovações patenteadas, pois, se houver patente, o crime será outro". Os modos ilícitos de aquisição do segredo • Lei 9.279/96 – Art. 195 Comete crime de concorrência desleal quem: (...) • XI - divulga, explora ou utiliza-se, sem autorização, de conhecimentos, informações ou dados confidenciais, utilizáveis na indústria, comércio ou prestação de serviços, excluídos aqueles que sejam de conhecimento público ou que sejam evidentes para um técnico no assunto, a que teve acesso mediante relação contratual ou empregatícia, mesmo após o término do contrato; • XII - divulga, explora ou utiliza-se, sem autorização, de conhecimentos ou informações a que se refere o inciso anterior, obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso mediante fraude; ou (...) Os modos ilícitos de aquisição do segredo • há duas hipóteses de ocorrência do ilícito (criminal ou não): – informações a que se teve acesso mediante relação contratual ou empregatícia, mesmo após o término do contrato; ou – conhecimentos ou informações obtidos por meios ilícitos ou a que teve acesso mediante fraude; Os modos ilícitos de aquisição do segredo • Essencial como questão de fato é determinar – se há na matéria de prova índices de relação contratual ou empregatícia entre as partes – ou se há evidência no material analisado de obtenção de informações por meios ilícitos ou mediante fraude. Os modos ilícitos de aquisição do segredo • diz Elizabeth Kesnar Fekete: • “No que concerne á legislação pátria, ela não concede ao segredo de negócio o status de propriedade. Para que um bem possa ser objeto de um direito de propriedade, é necessário que a leí o autorize expressamente (princípio do número clauso) como o faz, por exemplo, com relação ás marcas registradas e invenções patenteadas.2 Os modos ilícitos de aquisição do segredo • diz Elizabeth Kesnar Fekete: • A natureza jurídica da proteção ao segredo é, no Brasil, distinta da referente às marcas e patentes, pois, enquanto o titular destas tem um direito de propriedade, o do segredo tem um direito que deve ser respeitado tendo-se em vista a lealdade da vida empresarial [1]” • [1] O Regime Jurídico do Segredo de Indústria e Comércio no Direito Brasileiro, Ed. Forense, 2003. Os modos ilícitos de aquisição do segredo • diz Elizabeth Kesnar Fekete: • A natureza jurídica da proteção ao segredo é, no Brasil, distinta da referente às marcas e patentes, pois, enquanto o titular destas tem um direito de propriedade, o do segredo tem um direito que deve ser respeitado tendo-se em vista a lealdade da vida empresarial [1]” • [1] O Regime Jurídico do Segredo de Indústria e Comércio no Direito Brasileiro, Ed. Forense, 2003. Os modos ilícitos de aquisição do segredo • Ao contrário do que acontece com as patentes, tidas por propriedade, dotadas das faculdades elementares do utere, fruere,e abutere, e do direito de seqüela, o segredo industrial é objeto da tutela da concorrência desleal. Uma tutela de comportamento e não de propriedade. Os modos ilícitos de aquisição do segredo • Conseqüência inevitável deste status é a inexistência do direito de seqüela. • Não há um direito exercitável contra todos (inclusive os réus) sobre a coisa, que permita aos autores reivindicar o objeto segredo de quem o detenha. O que cabe é discernir (e provar) um comportamento que se encerre na definição da lei. • Se esse comportamento, tipificado criminalmente ou descrito na vertente cível, não for atribuído aos réus, não há o que suscitar na ação pertinente a esse título Os modos ilícitos de aquisição do segredo • Conseqüência inevitável deste status é a inexistência do direito de seqüela. • Não há um direito exercitável contra todos (inclusive os réus) sobre a coisa, que permita aos autores reivindicar o objeto segredo de quem o detenha. O que cabe é discernir (e provar) um comportamento que se encerre na definição da lei. • Se esse comportamento, tipificado criminalmente ou descrito na vertente cível, não for atribuído aos réus, não há o que suscitar na ação pertinente a esse título Os modos ilícitos de aquisição do segredo • O fato de ser atribuído a terceiros, que não aos réus, um comportamento alegadamente desleal não contaminaria a informação – recebida de boa fé – de forma a impedir o seu uso, ou fazê-lo ilícito. • A possibilidade de que se exerça o jus persequendi sobre a informação transforma o segredo em propriedade; o que não existe no nosso sistema jurídico, inclusive por razões constitucionais, sem falar da regra do numerus clausus Os modos ilícitos de aquisição do segredo • O grupo brasileiro da AIPPI [1], ao responder á questão se a pessoa que recebeu em boa-fé um segredo de negócio de outrem está cometendo uma violação ao mesmo ou se também deveria ser proibida de usá-lo (denominada "Questão n° Q 115") concluiu pela negativa, porque a lei nacional (naquela época, vigia o art. 178 do Decreto-lei n° 7.903/45) não contemplava a proteção do segredo de negócio per se, somente proibindo os atos de concorrência desleal. A maior parte do grupo opinou que o terceiro de boa-fé não poderia ser obrigado a abster-se de usar o segredo, se o que caracteriza o sigilo for uma situação de fato, não derivada da lei. • Os modos ilícitos de aquisição do segredo • Opinamos que essa situação não mudou com o advento da LPI, e que continua sendo negada tutela legal contra a divulgação, exploração ou uso do segredo pelo terceiro adquirente em boa-fé, eis que tal hipótese não pode ser enquadrada quer no inciso XI do art. 195 da LPI (entendemos que a "relação contratual ou empregatícia" a que o mesmo se refere é a que vincula originariamente o agente divulgador ou usuário ao detentor, e não a ligação secundária, isto é, entre o contratado ou empregado e o terceiro), quer no inciso XII do mesmo artigo (pois o acesso do terceiro ao segredo não se deu mediante fraude ou ato ilícito). Os modos ilícitos de aquisição do segredo • Dos elementos objetivos do segredo • A simples existência de elementos similares entre indústrias competidores por si só não configura, nem de longe, indício de violação. • Entre uma sentença de magistrado e outra haverá mais similares do que distinções – o CPC prescreve uma forma externa do texto, os hábitos multisseculares do ofício impõem outros parâmetros, os imperativos práticos se fazem sentir para todos os juízes, e em particular uma sentença de renovatória será similar a outra de mesmo propósito, sem que se possa inquinar uma ou outra de plágio. A regra de Savigny • confidencialidade. • Dois elementos devem ser levados em conta: – a materialidade do segredo - que as informações pertinentes não sejam de domínio geral, ou pelo menos, do concorrente e – a manifestação de uma intenção de reserva delas em face de sua utilização na concorrência. A regra de Savigny • Se há a intenção de reserva, mas as fontes da informação são livremente acessíveis, segredo não há • Mas se a matéria não é acessível, a presença ou ausência da intenção manifestada de reserva é essencial, • Em outras palavras, salvo a vontade manifesta (e não presumida pelo fato de ser empresa em concorrência) em meios e controles, não há tutela jurídica das informações A regra de Savigny • Elizabeth Fekete [1]: • “No Direito Brasileiro, a nosso ver, o segredo de negócio, para merecer proteção, deve atender o requisito da vontade exteriorizada e do interesse simultaneamente. (...) Nossa jurisprudência tende a exigir certas precauções, no sentido de que o detentor deixe clara, através de suas atitudes, a importância que outorga à manutenção do sigilo sobre as informações que considera privilegidas” • [1] Op. Cit, p.90-91. Como quesitar a um num segredo de empresa • • • • O segredo é do autor da ação Encontraram-se em poder dos réus conhecimentos, informações ou dados, atribuíveis como fonte aos autores? Tais elementos são suscetíveis de utilização na indústria, comércio ou prestação de serviços dos réus? Como se pode identificar nesses elementos a atribuição como fonte aos autores? Como quesitar a um num segredo de empresa • • • • O segredo é do autor da ação Tais elementos pertinentes são de conhecimento geral, entre os técnicos especializados no setor específico? Tais elementos poderiam ser atribuíveis ao desenvolvimento autônomo dos réus, engenharia reversa, ou a outra fonte distinta dos autores? Poderiam tais elementos derivar simplesmente da habilidade técnica de operários ou artífices? Como quesitar a um num segredo de empresa • • • O segredo é do autor da ação Tais elementos são de livre acesso aos concorrentes dos autores? Tais elementos, ainda que não de conhecimento geral, são evidentes para um técnico especializado no setor específico? Como quesitar a um num segredo de empresa • • • • Cofidencialidade ou ilícito Foi determinada a existência de elementos de confidencialidade específica de tais elementos, atribuíveis como fonte aos autores? Há compromisso de sigilo específico entre os autores e réus, que identifique como reservados os elementos em questão? Há algum índice de que a obtenção de tais elementos, eventualmente encontrados em poder dos réus, resultasse de ato ilícito ou de fraude praticada diretamente pelos réus ou por sua ordem? Como quesitar a um num segredo de empresa • Cofidencialidade ou ilícito • Há nos elementos documentais (papeis, disquetes, etc) sinal de reserva indicando que esses elementos são confidenciais? Existe algum outro índice de que os autores fizeram reserva das informações de forma a indicar sua intenção, adequadamente expressada, de excluí-las do conhecimento público? No caso de ser positiva a resposta anterior, há algum índice de que os réus tinham conhecimento da intenção de reserva dos autores precisamente quanto a tais dados específicos, e de que obtiveram tais dados de fontes vinculadas aos autores, tendo consciência de que o faziam em violação à intenção de reserva? • • Como quesitar a um num segredo de empresa • Cofidencialidade ou ilícito • Há nos elementos documentais (papeis, disquetes, etc) sinal de reserva indicando que esses elementos são confidenciais? Existe algum outro índice de que os autores fizeram reserva das informações de forma a indicar sua intenção, adequadamente expressada, de excluí-las do conhecimento público? No caso de ser positiva a resposta anterior, há algum índice de que os réus tinham conhecimento da intenção de reserva dos autores precisamente quanto a tais dados específicos, e de que obtiveram tais dados de fontes vinculadas aos autores, tendo consciência de que o faziam em violação à intenção de reserva? • • Como quesitar a um num segredo de empresa • • • Cofidencialidade ou ilícito Caso haja tais compromissos de confidencialidade com terceiros, identificando especificamente os elementos eventualmente encontrados em poder dos réus, há índices de que os réus tinham ciência (ou deveriam tê-la) quanto à infringência de tais compromissos? Há índices de que tais elementos, se tiverem sido objeto específico de compromisso de confidencialidade, tenham permanecido em segredo após a aplicação do compromisso? Não recaíram tais elementos, independentemente das partes, e após o compromisso, no conhecimento comum ou entre os técnicos especializados no setor específico? O problema do segredo …do réu! • O dever de cautela e preservação do perito • O perito num caso onde se alega violação de direitos de propriedade intelectual atua como adjunto da atividade judicante; não lhe cabe provar a substância das pretensões das autoras, nem atuar pela defesa dos réus. • No entanto, cabe-lhe zelar para que sua atuação não cause danos aos réus, pela natureza invasiva e por vezes violenta de sua sindicância. Incumbido de entrar nos estabelecimentos onde se fará a perícia, ele tomará ciência de dados e informações dos réus, que provavelmente representam valor concorrencial essencial. O problema do segredo …do réu! • O dever de cautela e preservação do perito • Em suma – e isso é um aspecto crucial – os réus podem ter, e quase sempre terão, seu próprio segredo industrial. O perito não poderá deixar que esse seja violado. • Ora, num caso de marcas, patentes, etc., como regra quase absoluta os autores serão competidores dos réus; dado acesso a esses às informações, os réus estarão irremediavelmente lesados em sua capacidade competitiva, o que recebe proteção do Direito (Lei 9.279/96, art. 210). Há, assim, no interesse da Justiça e em homenagem ao procedural due process of law, o dever de cautela e resguardo dos interesses dos réus, sejam ou não eles efetivamente O problema do segredo …do réu! • Sobre isso dispõe a Lei 9.279/96: • Art. 206. Na hipótese de serem reveladas, em juízo, para a defesa dos interesses de qualquer das partes, informações que se caracterizem como confidenciais, sejam segredo de indústria ou de comércio, deverá o juiz determinar que o processo prossiga em segredo de justiça, vedado o uso de tais informações também à outra parte para outras finalidades. O problema do segredo …do réu! • Muito mais compromisso com tal dever de cautela e preservação, aliás, terão os assistentes técnicos. • Assim, o acesso à parte autora dos dados, informações, etc., constantes das buscas e apreensões ou outras medidas que importem em conhecimento dos bens concorrenciais dos réus não poderão superar os limites estritamente necessários à defesa dos interesses dos autores. O problema do segredo …do réu! • Obviamente, não poderão ser admitidos às diligências de busca e apreensão ou préconstituição de provas, de caráter invasivo, a parte autora, seus técnicos, empregados, diretores, etc., que não os adstritos pelos compromissos de sigilo e resguardo, impostos, aliás, pelo art. 206 da Lei 9.279/96. • O perito que, sem tal resguardo, permita o acesso, certamente enfrentará a responsabilidade, com seu patrimônio, pela eventual violação do segredo dos réus. O problema do segredo …do réu! • Incidentalmente, cuidando agora dos deveres do juízo, que se somam e não se substituem aos deveres do perito, a determinação de que o processo prossiga em segredo de justiça e a ordem de vedação à autora ao uso dos segredos da parte ré deve coincidir com a determinação da busca e apreensão ou pré-constituição de prova, sob pena de nulidade por afronta ao devido processo legal. Apreensão nas alfândegas CPI/96 • Art. 198. Poderão ser apreendidos, de ofício ou a requerimento do interessado, pelas autoridades alfandegárias, no ato de conferência, os produtos assinalados com marcas falsificadas, alteradas ou imitadas ou que apresentem falsa indicação de procedência. Comentários da Dannemann • A redação do art. 198 constitui quase que reprodução total do art. 185, do Decreto-lei nu 7.903/45, que vigorou durante a vigência da Lei nu 5.772/71. A única alteração marcante está na faculdade agora conferida às autoridades alfandegárias para procederem à apreensão de mercadorias contendo marcas falsificadas, alteradas ou imitadas ou que apresentem falsa indicação de procedência. Comentários da Dannemann • Entretanto, pode-se afirmar que a essência do art. 198 tem amparo legal no art. 9, da CUP Convenção da União de Paris, que, em sua redação, impõe que os produtos ilicitamente assinalados com marca de fábrica e de comércio ou, ainda, com nome comercial, sejam apreendidos pelas autoridades competentes. Conforme se depreende da simples leitura da redação do art. 94 da CUP, não se confere nenhuma faculdade às autoridades alfandegárias para apreenderem produtos contrafeitos, sendo, pois, imperativo o procedimento ex officio. Comentários da Dannemann • Há que se esclarecer que a ausência de obrigatoriedade por parte das autoridades alfandegárias brasileiras para procederem à apreensão de mercadorias contrafeitas, bem como de regulamento aduaneiro específico que institua normas admnistrativas de cunho procedimental, contribuem para tornar relativa a efetividade de tal norma. Comentários da Dannemann • Conforme frisado anteriormente, a obrigatoriedade de apreensão de produtos contrafeitos pelas autoridades alfandegárias vigorava na antiga redação do art. 185, do .Decreto-lei n° 7.903/45, que regulava os crimes contra a propriedade industrial. Todavia, com o advento da Lei n° 9.279/96 ora em vigor, tal comando legal foi alterado, passando a apenas facultar tal procedimento. Comentários da Dannemann • Sobre a questão de ausência de regulamentação, vale ressaltar que, não obstante tenha a lei ordinária conferindo autorização para a apreensão de produtos contrafeitos oriundos do países estrangeiros, de nada adianta a sua existência, se não regulamentada por normas de hierarquia inferior e caráter administrativo, que defina quais procedimentos a serem utilizados pelo órgão responsável (in casu, os agentes da Secretaria da Receita Federal que operam nas áreas fronteiriças, portos e aeroportos). Comentários da Dannemann • Deste modo, conveniente frisar que; enquanto :a legislação alfandegária brasileira não for incorporado dispositivo de caráter administrativo e procedimental, haverá serio risco de não se ver aplicado o art. 198 da Lei de Propriedade industrial, como mais um mecanismo efetivo de combate a falsificação. O problema para A Organização Alfandegária Mundial • Dentre outras considerações, primeiramente está o reconhecimento de que embora a Alfândega possa contribuir efetivamente no combate contra a falsificação e a pirataria, o papel da Alfândega tem que ser definido de forma muito precisa, caso sua intervenção não tenha o condão de impedir a circulação comercial regular de mercadorias genuínas. O problema para A Organização Alfandegária Mundial • A preocupação de que normas adotadas pela Alfândega nessa área possam resultar na criação de obstáculos ao comércio internacional foi manifestada por um número considerável de países. A fim de evitar isso, a Legislação-Modelo foi astuciosamente moldada de forma a possibilitar um efetivo exercício de direitos de propriedade intelectual, sem impedir, indevidamente, a circulação comercial de mercadorias legítimas. TRIPs • ART.5 • 1 - Os Membros adotarão procedimentos,(12),(13) de acordo com as disposições abaixo, para permitir que um titular de direito, que tenha base válida para suspeitar que a importação de bens com marca contrafeita ou pirateados(14) possa ocorrer, apresente um requerimento por escrito junto às autoridades competentes, administrativas ou judiciais, para a suspensão pelas autoridades alfandegárias da liberação desses bens. Os Membros podem permitir que um requerimento dessa natureza seja feito com relação a bens que envolvam outras violações de direitos de propriedade intelectual, desde que as exigências desta Seção sejam satisfeitas. TRIPs • Os Membros também podem permitir processos correspondentes, relativos à suspensão da liberação pelas autoridades alfandegárias de bens que violem direitos de propriedade intelectual destinados à exportação de seus territórios. (12) TRIPs • (13) Fica entendido que não haverá obrigação de aplicar esses procedimentos a importações de bens colocados no mercado de um terceiro país pelo titular do direito ou com o seu consentimento, nem a bens em trânsito. TRIPs • (14) Para os fins deste Acordo, entende-se por: • a) "bens com marca contrafeita" quaisquer bens inclusive a embalagem, que ostentem sem autorização uma marca que seja idêntica à marca registrada relativa a tais bens ou que não pode ser distinguida, em seus aspectos essenciais, dessa marca e que, por conseguinte, viola os direitos do titular da marca registrada em questão na legislação do país de importação; TRIPs • (14) Para os fins deste Acordo, entende-se por: • b) "bens pirateados" quaisquer bens que constituam cópias efetuadas sem a permissão do titular do direito ou de pessoa por ele devidamente autorizada no país onde for produzido e que são elaborados direta ou indiretamente a partir de um artigo no qual a elaboração daquela cópia teria constituído uma violação de um direito autoral ou conexo na legislação do país de importação. TRIPs • ART.52 - Qualquer titular de direito que inicie os procedimentos previstos no ART.51 terá de fornecer provas adequadas para satisfazer as autoridades competentes, de acordo com a legislação do país de importação, que existe "prima facie", uma violação do direito de propriedade intelectual do titular do direito e de fornecer uma descrição suficientemente detalhada dos bens, de forma a que sejam facilmente reconhecidos pelas autoridades alfandegárias. TRIPs • ART.52 - As autoridades competentes informarão ao requerente, dentro de um prazo de tempo razoável, se aceitaram o requerimento e, quando determinado pelas autoridades competentes, o prazo em que agirão as autoridades alfandegárias. TRIPs • ART.53 • 1 - As autoridades competentes terão o poder de exigir que o requerente deposite uma caução ou garantia equivalente, suficiente para proteger o requerido e evitar abuso. Essa caução ou garantia equivalente não deterá despropositadamente o recurso a esses procedimentos. TRIPs • ART.53 • 2 - De acordo com requerimento previsto nesta Seção, quando a liberação de bens envolvendo desenhos industriais, patentes, topografias de circuito integrado ou informações confidenciais tiver sido suspensa pelas autoridades alfandegárias, com base numa decisão que não tenha sido tomada por uma autoridade judicial ou por outra autoridade independente, e o prazo estipulado no ART.55 tenha expirado sem a concessão de alívio provisório pelas autoridades devidamente capacitadas, o proprietário, importador ou consignatário desses bens terá direito à sua liberação quando depositar uma caução suficiente para proteger o titular do direito de qualquer violação, desde que todas as outras condições de importação tenham sido cumpridas. TRIPs • ART.53 • O pagamento dessa caução não restringirá o direito a outros remédios disponíveis para o titular do direito, ficando entendido que a caução será liberada se o titular do direito desistir do direito de litigar dentro de um prazo razoável. TRIPs • ART.57 - Sem prejuízo da proteção de informações confidenciais, os Membros fornecerão às autoridades competentes o poder de conceder ao titular do direito oportunidade suficiente para que quaisquer bens detidos pelas autoridades alfandegárias sejam inspecionados, de forma a fundamentar as pretensões do titular do direito. As autoridades competentes terão também o poder de conceder ao importador uma oportunidade equivalente para que quaisquer desses bens sejam inspecionados. Quando a decisão de mérito for pela procedência do pedido, os Membros podem prover às autoridades competentes o poder de informar ao titular do direito os nomes e endereços do consignador, do importador e do consignatário e da quantidade de bens em questão. TRIPs • ART.58 - Quando os Membros exigem que as autoridades competentes atuem por conta própria e suspendam a liberação de bens em relação aos quais elas obtiveram prova inicial de que um direito de propriedade intelectual esteja sendo violado: • a) as autoridades competentes podem buscar obter, a qualquer momento, do titular do direito qualquer informação que possa assisti-las a exercer esse poder; • b) o importador e o titular do direito serão prontamente notificados da suspensão. Quando o importador tiver apresentado uma medida contra a suspensão junto às autoridades competentes, a suspensão estará sujeita, "mutatis mutandis", às condições estabelecidas no art.55; • c) os Membros só poderão isentar autoridades e servidores públicos de estarem sujeitos a medidas apropriadas de reparação quando os atos tiverem sido praticados ou pretendidos de boa-fé. TRIPs • ART.59 - Sem prejuízo dos demais direitos de ação a que faz jus o titular do direito e ao direito do réu de buscar uma revisão por uma autoridade judicial, as autoridades competentes terão o poder de determinar a destruição ou a alienação de bens que violem direitos de propriedade intelectual, de acordo com os princípios estabelecidos no ART.46. • Com relação a bens com marca contrafeita, as autoridades não permitirão sua reexportação sem que sejam alterados nem os submeterão a procedimento alfandegário distinto, a não ser em circunstâncias excepcionais. TRIPs • ART.60 - Os Membros poderão deixar de aplicar as disposições acima no caso de pequenas quantidades de bens, de natureza não comercial, contidos na bagagem pessoal de viajantes ou enviados em pequenas consignações. Regulamento Aduaneiro • Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 • Seção III - Dos Produtos com Marca Falsificada • Art. 544 Poderão ser apreendidos, de ofício ou a requerimento do interessado, pela autoridade aduaneira, no curso da conferência aduaneira, os produtos assinalados com marcas falsificadas, alteradas ou imitadas, ou que apresentem falsa indicação de procedência (Lei n° 9.279, de 14 de maio de 1996, artigo 198). Regulamento Aduaneiro • Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 • Seção III - Dos Produtos com Marca Falsificada • Art. 545 Após a apreensão de que trata o artigo 544, a autoridade aduaneira notificará o titular dos direitos da marca para que, no prazo de dez dias úteis da ciência, promova, se for o caso, a correspondente queixa, e solicite a apreensão judicial das mercadorias (Lei nº 9.279, de 1996, artigo 199, e Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio, Artigo 55, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994). Regulamento Aduaneiro • Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 • Seção III - Dos Produtos com Marca Falsificada • § 1º O titular dos direitos da marca poderá, em casos justificados, solicitar seja prorrogado o prazo estabelecido no caput uma única vez, por igual período (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio, Artigo 55, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994). Regulamento Aduaneiro • Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 • Seção III - Dos Produtos com Marca Falsificada • § 2º No caso de falsificação, alteração ou imitação de armas, brasões ou distintivos oficiais nacionais, estrangeiros ou internacionais, sem a necessária autorização, a autoridade aduaneira promoverá a devida representação fiscal para fins penais, conforme modelo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal (Lei n° 9.279, de 1996, artigo 191). Regulamento Aduaneiro • Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 • Seção III - Dos Produtos com Marca Falsificada • Art. 546 Se a autoridade aduaneira não tiver sido informada, no prazo a que se refere o artigo 545, de que foram tomadas pelo titular da marca as medidas cabíveis para apreensão judicial das mercadorias, o despacho aduaneiro destas poderá ter prosseguimento, desde que cumpridas as demais condições para a importação ou exportação (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio, Artigo 55, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 1994). Regulamento Aduaneiro • Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 • Seção IV - Dos Fonogramas, dos Livros e das Obras Audiovisuais • Art. 549 Aplica-se, no que couber, às importações ou às exportações de mercadorias onde haja indício de violação ao direito autoral, o disposto nos artigos 545 a 547 (Acordo sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relacionados ao Comércio, Artigos 51, 52, 53, parágrafo 1, e 55, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 30, de 1994, e promulgado pelo Decreto nº 1.355, Ato Normativo • • • • • artigo 2o, inciso V, alínea “e”, da Portaria SRF 555/02, Art. 2º Aos bens de que trata esta Portaria poderá ser atribuída uma das seguintes destinações: (...) V - destruição ou inutilização nos seguintes casos: (...) e) mercadorias apreendidas em decorrência de inobservância à Lei de Propriedade Industrial, esgotada a possibilidade de incorporação, observado o interesse público; f) discos, fitas, cartuchos e outros suportes para gravação, contendo obras ou fonogramas, reproduzidos com fraude conforme legislação relativa a direitos autorais; • Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 • DA DESTINAÇÃO DE MERCADORIAS • Art. 713. As mercadorias apreendidas, objeto de pena de perdimento aplicada em decisão final administrativa, ainda que relativas a processos pendentes de apreciação judicial, inclusive as que estiverem à disposição da Justiça como corpo de delito, produto ou objeto de crime, salvo determinação em contrário, em cada caso, de autoridade judiciária, serão destinadas da seguinte forma (Decreto-lei no 1.455, de 1976, art. 30, com a redação dada pela Lei no 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 83, inciso II): Ato normativo • Portaria SRF nº 555, de 30 de abril de 2002 • DOU de 6.5.2002 • Estabelece procedimentos para destinação dos bens apreendidos, abandonados ou disponíveis, administrados pela Secretaria da Receita Federal. Defesas • “SÚMULA 323: • É INADIMISSÍVEL A APREENSÃO DE MERCADORIAS COMO MEIO COERCITIVO PARA PAGAMENTO DE TRIBUTOS” Defesas • Impossibilidade de dar efeito às normas de TRIPs sem lei interna • Falta de incorporação completa do TRIPs Defesas • “o artigo 199 do CPI (Lei 9279/96) é claro ao exigir a apresentação de queixa para a configuração do crime/violação de propriedade intelectual cuja natureza é de ação penal privada. Ora, se inconteste que a autoridade alfandegária pode apreender as mercadorias para ouvir as empresas titulares das marcas, também é inconteste que tendo havido apenas uma manifestação de oposição à importação os demais produtos devem ser liberados. Sem queixa a ação penal não pode ser instaurada, lição cediça. Defesas • Art. 199. Nos crimes previstos neste Título somente se procede mediante queixa, salvo quanto ao crime do art. 191, em que a ação penal será pública. Defesas • • Prolbemas de due process of law: Constitucional, Sentencia Nro. 952 del 09/08/2000 • -------------------------------------------------------------------------------- • "La prohibición de desaduanamiento contenida en el artículo 87 de la Ley Orgánica de Aduanas, tiene su sustento en la protección de derechos de propiedad intelectual que presuntamente pudieran ser vulnerados por la importación de mercancías que atenten contra derechos de propiedad intelectual obtenidos en el país o derivados de acuerdos internacionales de los que la República es parte. En tal sentido, tal prohibición es una medida de urgencia que debe ser adoptada de inmediato en aras de salvaguardar los derechos de propiedad intelectual. Posteriormente a la prohibición de desaduanamiento, el importador o propietario de la mercancia cuestionada, será notificado de la retención de la misma, a los fines de poder ejercer su derecho a la defensa. Con base a lo anterior, esta Sala observa que, ciertamente la Ley Orgánica de Aduanas no contempla un procedimiento posterior, a los fines de que el importador pueda exponer sus alegatos y promover las pruebas que estime pertinentes; no obstante, debido a tal ausencia, deberá sujetarse tanto el importador o propietario así como las autoridades aduaneras, al procedimiento consagrado en la Ley Orgánica de Procedimientos Administrativos, en atención a su aplicación supletoria que ordena el artículo 139 de la Ley Orgánica de Aduanas..."