Utilização da Internet pelos Adolescentes Brasileiros: Comparação entre Sexo e Freqüência de Uso Autoria: Milber F. M. Bourguignon Resumo: Os brasileiros jovens estão na segunda posição no ranking mundial de tempo de navegação na Internet, perdendo apenas para os norte-americanos. Isso faz com que eles sejam um dos mais ativos grupos de usuários de Internet do mundo. Apesar dos adolescentes terem um potencial de consumo superior a 1,1 bilhão de reais por mês, ainda há poucos estudos na área de marketing no Brasil que se dedicam a compreender seus comportamentos relacionados ao uso da Internet. Este artigo tem o objetivo de examinar as diferenças entre os adolescentes dos sexos masculino e feminino com relação ao uso da Internet e analisar as variáveis explicativas da sua freqüência de uso. Para tanto, foi realizado um levantamento com 485 estudantes na faixa de 16 a 19 anos, moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro. Foram utilizadas comparações entre médias das variáveis para os dois sexos e o modelo logit ordinal para modelar a freqüência de uso da Internet pelos adolescentes. Os resultados mostraram que meninos e meninas usam a Internet ainda de forma diferente no Brasil e sete variáveis demonstraram significância na explicação da freqüência de uso da Internet. Implicações gerenciais, limitações e sugestões de pesquisas futuras são discutidas à luz da teoria do comportamento dos adolescentes em relação à Internet. 1. Introdução A Internet tem mudado hábitos de comportamento de seus usuários ao redor do mundo, em diferentes classes sociais, idades, sexos e estilos de vida. Como a proporção de seu uso tem crescido em vários países, há uma crescente preocupação na literatura de ciências sociais sobre o impacto social de seu uso. Por ser uma mídia de comunicação de duas vias, a Internet apresenta oportunidades até então pouco comuns em qualquer mídia individual. Segundo Teo e Lim (2000), além de ter impacto nos negócios, ela está redefinindo a identidade humana, já que as pessoas exploram as fronteiras de suas personalidades, adotam múltiplas personalidades e formam relações virtuais que podem ser mais intensas que as reais. Trata-se de uma tecnologia singular, que engloba uma variedade de atividades, ou mídias, que incluem chats, e-mails, websites, blogs etc., com um conteúdo constantemente em mutação e incomensuravelmente diverso. Isto faz com que a Internet não seja equivalente à televisão, rádio, computador, mas, de certa forma, a todas essas mídias e seus conteúdos e modelos associados, o que a torna interessante para os adolescentes, objeto de estudo deste artigo. Este fenômeno pode ser relevante para os pesquisadores de marketing, pois estima-se que os adolescentes no Brasil têm um poder de influência de compras de 94 bilhões de reais (Revista Veja, 2003) e, eventualmente, podem utilizar a Internet para atividades relacionadas ao consumo. Na área de marketing no Brasil, vários trabalhos têm sido publicados sobre o uso da Internet, como os estudos de Hernandez (2003) e Brei (2003). Há também estudos sobre comportamento de adolescentes, como o de Ferreira (2003). Entretanto, após revisão nos anais de 1996 a 2003 do Encontro da Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Administração (Enanpad), nenhum artigo específico sobre uso de Internet por adolescentes foi encontrado na área de marketing. Este artigo pretende, então, auxiliar a suprir esta lacuna na literatura brasileira de marketing. 1 Apesar de pouco estudado no Brasil sob a perspectiva de marketing, o tema sobre uso da Internet por adolescentes não parece ser menos importante para um país com estatísticas interessantes sobre o assunto. Os brasileiros da faixa etária de 12 e 24 anos estão na segunda posição no ranking mundial de tempo de navegação, perdendo apenas para os norteamericanos. Eles têm um potencial de consumo superior a 1,1 bilhão de reais por mês, com interesse principal em sites de música, entretenimento e serviços de e-mail. Nesta faixa etária, os mais jovens parecem mais rápidos ou mais dispersivos no ambiente digital, pois com o mesmo tempo conseguiram acessar 25% mais páginas, diferentes do que aqueles próximos aos 25 anos de idade (Ibope, 2003). Em fevereiro de 2004 o Brasil tinha 20,5 milhões de usuários com acesso à Internet e 12,5 milhões de usuários ativos (aqueles com acesso de pelo menos uma vez ao mês) (Nielsen, 2004). Quando comparados com os dados do ano de 2000 (4,8 milhões de usuários ativos e 9,8 milhões com acesso à Internet), pode-se notar uma evolução de 160 % e de 109 %, respectivamente, nestes tipos de usuários. Em 2002, o Brasil era o décimo primeiro país em número de usuários de Internet, ocupando o segundo lugar na América Latina em termos de proporção da população com acesso à rede (5,7%), perdendo para o Uruguai (9%), abaixo da média mundial (6,7%) e dos Estados Unidos, o primeiro colocado no mundo, com 55,8% de sua população acessando a Internet. Entretanto, quando se trata de acesso por faixa etária, os números mudam. O usuário brasileiro em 2003 apresentou um tempo médio mensal de conexão de 23,5 horas, consultando em média 750 páginas diferentes. Um estudante em período integral, que representa a maior parcela de usuários da Internet brasileira (18,8% do total), ficou conectado em média 26,5 horas e navegou por 875 páginas diferentes. Isto faz dos brasileiros jovens um dos mais ativos grupos de usuários de Internet do mundo. Conforme o número de usuários de Internet aumenta, os dados se tornam rapidamente desatualizados (Odell et al, 2000). Para que se tenha conhecimento sobre o que acontece nessa área, é importante que se tenha pesquisas sobre o tema. A literatura internacional mostra que, no passado, a proporção de usuários de Internet homens era maior do que a proporção de mulheres, mas que essa diferença vem caindo com o passar do tempo (Odell et al., 2000; Teo e Lim, 2000). Desse modo, esse estudo visa verificar as diferenças entre comportamento entre os sexos no que se refere ao uso da Internet. Mais especificamente, o objetivo deste artigo é examinar as diferenças entre os estudantes adolescentes dos sexos masculino e feminino com relação ao uso da Internet e analisar as variáveis explicativas da sua freqüência de uso da Internet. Compreender como os adolescentes alocam seu tempo na Internet é o primeiro passo para a compreensão de como a escolha da mídia influencia seu desenvolvimento, auto-identificação e subseqüente práticas de consumo, com implicações para os profissionais e pesquisadores da área de marketing. A justificativa para o presente estudo se baseia na relevância da Internet no Brasil e na importância do mercado adolescente para o país, que iniciou a década atual como o terceiro maior mercado adolescente do mundo (Moses, 2000). De acordo com Censo de 2000 (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2002), a população adolescente no Brasil está em aproximadamente 28,5 milhões, sendo 14,3 milhões do sexo masculino e 14,2 milhões do sexo feminino, representando 16,8% do total da população brasileira. Desse total, 80% estão em áreas urbanas. O artigo está assim estruturado. Esta seção introduziu o tema, apresentou as justificativas da pesquisa e seus objetivos. A próxima seção trata da revisão teórica sobre adolescente, sua 2 socialização e análise de estudos que trataram do uso de Internet por adolescentes. A terceira seção apresenta o método e os procedimentos empíricos, onde são apresentadas as variáveis, coleta de dados e metodologia estatística. Na quarta seção são analisados os resultados encontrados. O artigo é finalizado com as considerações finais, onde são discutidas as principais conclusões, limitações da pesquisa e sugestões para futuros estudos. 2. Revisão Teórica A passagem da infância para a fase adulta causa modificações que podem variar de velocidade e de profundidade de acordo com as características de cada pessoa. Tais mudanças são de ordem social, fisiológica e psicológica. Sociologicamente, adolescência é o período de transição da dependência infantil para a auto-suficiência adulta. Psicologicamente, adolescência é uma “situação marginal” na qual novos ajustamentos, que distinguem o comportamento da criança do comportamento do adulto em uma determinada sociedade, têm que ser feitos. Fisiologicamente, se dá o amadurecimento das funções reprodutivas, entre outras mudanças (Muuss, 1969). Por causa da diferença de velocidade de amadurecimento entre as pessoas, o conceito de adolescência apresenta-se de várias maneiras, pois autores seguem diferentes argumentos para definir esse período da vida que é marcado pela transição da infância para fase adulta. O critério utilizado pelo artigo é o mesmo usado nos países de língua inglesa, que entendem como adolescentes os teenagers, jovens com idade entre treze e dezenove anos, que são assim chamados por causa dos números referentes à idade que em inglês têm a terminação teen (Beatty e Talpade, 1994). Os adolescentes jovens apresentam um pensamento abstrato com o avanço da idade, desenvolvendo um raciocínio baseado em hipóteses e proposições, e não somente em objetos e eventos concretos. Eles têm grande necessidade de busca de realização e reconhecimento, embora possam expressar indiferença para com tais objetivos. Meninos e meninas apresentam desenvolvimento similar na adolescência e tanto eles quanto elas mostram um crescente (com a idade) interesse em valores, idéias e assuntos de cunho social (Piaget, 1965). Domínios significativos neste estágio da vida incluem a exploração da identidade pessoal e individualização, papéis desempenhados e sexualidade (Adams, 1992), exploração das relações com os colegas e o desenvolvimento de segurança e autoconfiança (Archer, 1989). Quando consumidores entram em novas fases de suas vidas, tendem a se sentir inseguros e incertos em como se comportar (Piacentini e Mailer, 2004). Adolescentes compram para se tornarem mais independentes e para se socializarem ou para expressarem suas personalidades. É nessa idade que consumidores começam a desenvolver suas identidades, decidindo a qual grupo pertencer, quais suas preferências e valores (Honkanen et al., 2004). Também, segundo La Ferle et al. (2000), adolescentes dizem o que são pelo que possuem e pelos produtos que usam. A adolescência se caracteriza por uma fase de auto-identificação e crescimento pessoal. Nesta fase, os adolescentes passam por um processo de diminuição da influência que têm da família para uma maior influência de colegas, o que marca a sua socialização. Este processo de socialização também pode ser influenciado, dentre outras formas, pela mídia (La Ferle et al., 2000). 3 Para Bandura (1977) as pessoas observam as ações de outras e aprendem a modelar seus próprios comportamentos quando se defrontam com situações similares. No caso dos adolescentes, esta teoria mostra como eles podem usar a mídia para, indiretamente, obter conhecimento sobre o mundo (La Ferle et al., 2000). Portanto, examinar como os adolescentes alocam seu tempo no uso da mídia é o primeiro passo para entender como as suas escolhas podem influenciar o seu desenvolvimento, a sua auto-identificação e, por conseqüência, o seu consumo. Entender o papel da mídia tradicional e da Internet na vida dos adolescentes pode promover insights em, por exemplo, como os publicitários podem criar valor adicionado em sua comunicação com os adolescentes. A Internet, com sua capacidade de comunicação de duas vias, representa oportunidades inéditas em relação às mídias individuais, como a TV e o rádio.. Estudos estrangeiros têm demonstrado uma relação negativa entre idade e uso de Internet, com uma maior freqüência de uso entre os adolescentes (Kraut et at., 1998). Eles estão entre os grupos de pessoas que mais usam a Internet (nos Estados Unidos já são chamados de “cyber teens”, que em 2002 eram onze milhões com acesso à Internet). Mesmo naquele país há relativamente pouco conhecimento sobre este grupo de consumidores, que no início da década de 1990 ainda era considerado financeiramente pouco atrativo. Esta perspectiva está mudando, já que tal segmento tem crescido juntamente com aumentos em poder de compra e tipos de produtos consumidos. Mesmo tendo uma capacidade menor do que a dos adultos de gerar renda, os adolescentes também possuem menos obrigações financeiras do que os mais velhos, o que faz com que os mais jovens possuam, relativamente, mais renda disponível para gastos do que seus pais (La Ferle et al., 2000). Vários trabalhos empíricos têm estudado o crescimento de uso da Internet pelos adolescentes, sob as mais diversas perspectivas, como os estudos de La Ferle et al. (2000), Mesch (2001) e Moskowitz et al. (2002). Freqüentemente há o argumento de que a rede mundial de computadores une os adolescentes, enriquecendo seus contatos sociais (Wellman et al., 1996), sendo vista como um meio que facilita a agregação, proporcionando informação, conexão social e sensação de pertencimento. Mas com a percentagem de usuários de Internet aumentado na população, há certa preocupação acerca do impacto social de seu uso. Conseqüências negativas com relação à exposição dos adolescentes à Internet têm sido investigadas, como o vício ao seu uso (Griffiths, 1999), baixo desempenho escolar (Wiegman e Van Schie, 1998) e isolamento social, pois um alto envolvimento numa comunidade virtual pode vir a desestimular a interação no mundo real (off-line). O argumento é de que se a pessoa despende tempo interagindo em ambiente on-line, ela provavelmente despenderá menos tempo na interação na vida real (não virtual). Entretanto, segundo Wellman et al. (1996), esta noção ignora como a Internet se adequa a outros aspectos da vida das pessoas, ou seja, desconsidera que ela é apenas uma de muitas maneiras pela qual a mesma pessoa interage com outras, sendo que as relações off-line migram para as interações on-line e vice-versa. Esta perspectiva argumenta que pessoas altamente envolvidas em relações sociais e atividades que expressam atitudes pró-sociais apresentarão maior probabilidade de serem usuários freqüentes da Internet. Sobre isso, há o trabalho de Mesch (2001), que estudou a relação entre envolvimento social e uso de Internet entre adolescentes de Israel. Com relação à propensão à alta freqüência de uso da Internet, os adolescentes mais propensos são aqueles mais jovens, do sexo masculino, cujas famílias têm maior renda e que despendem mais tempo lendo livros, indo ao cinema e ao teatro. Os 4 resultados do estudo de Mesch (2001) também indicaram que adolescentes que são mais isolados socialmente são mais propensos a serem usuários de Internet. Adolescentes que valorizam as relações sociais, mas que têm problemas em construí-las devido à timidez ou introversão, voltam-se para a Internet para superar estas barreiras. Resultados dos estudos de Katz e Aspden (1997) (citados por Mesch, 2001), indicaram que, ao contrário do esperado, usuários de Internet eram mais propensos do que os não usuários a terem relacionamentos intensos de amizade e a se envolverem em atividades sociais. Este estudo, portanto, encontrou poucas evidências de que os usuários de Internet seriam indivíduos socialmente isolados. Tais conclusões, entretanto, foram desafiadas pelos resultados obtidos por Kraut et al. (1998), num estudo longitudinal que investigou o impacto social e psicológico da Internet numa amostra de 93 famílias. Foi estudada a relação entre envolvimento social e bem estar psicológico com o uso da Internet, concluindo-se que a extroversão social era negativamente relacionada ao uso da Internet. Outra importante perspectiva de análise é a que distingue os usuários pelo sexo. De acordo com Robbins (2001) as mulheres nos Estados Unidos representam 49% dos usuários adultos de Internet, e entre cinco e dezoito anos as usuárias estão entre os 52% das pessoas on-line. Chen (1986) conduziu um levantamento em alunos do segundo grau nos Estados Unidos e seus resultados indicaram que estudantes do sexo masculino geralmente têm mais atitude positiva e aptidão com computadores em comparação com estudantes do sexo feminino. Entretanto, quando o nível de experiência com computadores é controlado, homens e mulheres demonstraram níveis similares de interesse por computadores. Durndell (1995) encontrou diferenças mais marcantes nos adolescentes com relação à atitude de uso de computadores entre meninos e meninas, quando comparado com outras faixas etárias (pré-adolescentes e crianças). Adolescentes do sexo feminino tendem a se afastar do computador na escola e esta aversão dificulta suas habilidades de construir competência e confiança em informática. Os resultados do estudo de Ayersman (1996) indicaram que, com a idade, os homens são mais seguros que as mulheres na habilidade de usar computadores e têm uma atitude mais positiva para com eles. Elder et al. (1987), citados por Teo e Lim (2000), concluíram que mulheres são mais propensas que homens ao techstress (estresse físico e emocional causado por incapacidade de se adaptar a novas tecnologias) no uso de computadores pessoais. Adolescentes do sexo feminino tendem a participar de atividades que envolvam informática em uma escala menor que os representantes do sexo masculino. Shashaani (1994) encontrou diferenças que favoreciam garotos com relação ao uso da tecnologia de informática. Meninas demonstraram menor participação em atividades computacionais e mostraram despender menos tempo na Internet (Kirkpatrick e Cuban, 1998; Shashaani, 1994). Papert (1993), citado por Robbins (2001), sugeriu que adolescentes do sexo feminino têm uma orientação mais concreta para computadores do que os do sexo masculino. Ele observou que meninas apreciaram mais sons, gráficos e comunicação on-line quando trabalhando com situações e problemas do mundo real, enquanto os meninos mostraram suas preferências para programação e atividades abstratas. A atitude em relação a computadores também pode influenciar a atitude em relação à Internet e seu uso. Através de um levantamento feito de forma eletrônica (pela Internet), Teo e Lim (2000) obtiveram uma amostra composta de 89% homens e apenas 11% mulheres (N = 1370). Eles explicam que tais resultados foram esperados já que pesquisas prévias acerca 5 de uso de computadores pessoais mostraram que homens são mais propensos a se interessarem pelo aprendizado de computadores do que mulheres. A maioria dos respondentes era dos grupos de 16-20 anos e 21-25 anos, indicando uma predominância de adolescentes e jovens adultos entre os usuários de Internet. Kirkpatrick e Cuban (1998) descrevem este fenômeno como um ciclo vicioso: experiência com computadores é necessária para uma atitude positiva com relação a eles. Muitos estudos, na linha do presente artigo, buscam explicar o uso da Internet através de variáveis, demográficas ou não. Qureshi e Hoppel (1995) indicaram que variáveis demográficas, como sexo, média geral na universidade, área de concentração nos estudos, experiência prévia com computadores e expectativa de uso futuro do computador na carreira (por exemplo, uma carreira ligada à tecnologia da informação) são significativas na explicação do uso de computadores por estudantes universitários. As variáveis usadas no presente, e demais considerações metodológicas, são abordados na próxima seção. 3. Método e Procedimentos Empíricos O estudo empírico deste artigo consistiu de um levantamento feito através de questionário estruturado, composto de perguntas abertas e fechadas. Os questionários foram aplicados a alunos do terceiro ano do ensino médio, ou formados há no máximo um ano, provenientes de 187 escolas da região metropolitana do Rio de Janeiro, que participaram de um exame de seleção a um curso pré-vestibular em março de 2004. Foram aplicados 553 questionários, dos quais foram aproveitados 485 (taxa de aproveitamento de 87,9%). Foram descartados os questionários preenchidos de forma incorreta ou preenchidos por pessoas com idade fora da faixa desejada de 16 a 19 anos, ou seja, adolescentes mais maduros. Dos 485 adolescentes da amostra, 291 (60%) eram do sexo feminino e 194 (40%) do sexo masculino. Os questionários foram distribuídos quinze minutos antes do exame e nenhum dos candidatos se recusaram a preenchê-lo, portanto a taxa de resposta foi de 100%. Foi realizado um préteste do questionário com dez adolescentes nesta faixa etária e o tempo médio de preenchimento variou de oito a 12 minutos. As informações avaliadas pelo questionário foram baseadas nos estudos de Odell et al. (2000) e Teo e Lim (2000). Além das variáveis demográficas, informações sobre o uso da Internet foram obtidas. Teo e Lim (2000) fizeram uma pesquisa exploratória antes de sua análise quantitativa e encontraram quatro usos genéricos que as pessoas fazem da Internet, que foram aqui replicados: troca de mensagens (email, grupos de discussão, chat etc.), navegação (com o uso de browsers para ler ou ver documentos em HTML - Hyper Text Markup Language), carregamento de arquivos para os mais diversos usos (downloading) e compras e/ou atividades relacionadas às compras, como pesquisa de preços. No presente estudo, as informações de uso de Internet, mostradas na TABELA 1, foram: freqüência de uso da Internet em geral (A1) e freqüência de: uso de e-mail (A2), uso de chats (A3), participação em grupos de discussão (A4), realização de pesquisas escolares (A5), busca de notícias (A6), uso de jogos (A7), uso para ouvir músicas e/ou assistir jogos (A8), realização de downloads (A9), visita a sites eróticos (A10), pesquisas de compras (A11), realização de compras (A12), atualização de diários eletrônicos - como blogs e fotologs (A13). Outras informações foram: há quanto tempo se usa a Internet (B1), há quanto tempo há 6 um ponto de Internet em casa (B2), se possui uso exclusivo de uso de Internet (B3), provedor mais usual - pago ou grátis (B4), de onde costuma-se acessar a Internet (B5), conexão mais usual - telefônica ou banda larga (B6), tempo médio de permanência na Internet por conexão (B7). As informações demográficas foram: idade (C1), sexo (C2), grupo étnico (C3) e grau de instrução dos pais (C4 e C5). A renda da família foi obtida através de uma variável proxy (tipo de escola em que estuda ou estudou, se pública ou privada – C6). Tal variável foi usada porque alguns autores, entre eles Odell et al. (2000) e Teo e Lim (2000) relataram que adolescentes podem não ser bem informados sobre a renda de seus pais e, portanto, suas respostas para esta variável podem ter validade restrita. Outra justificativa é que os questionários foram identificados pelo número de inscrição do aluno, o que poderia estimular o viés por estarem eles concorrendo a um curso gratuito. As informações escolares foram: escola pública ou privada (C6), tempo gasto estudando fora da sala de aula (C7) e número de matérias que exigem o uso de Internet (C8). As comparações entre médias foram feitas usando-se o teste t e análise de regressão foi feita pelo modelo logit ordinal, já que a variável dependente é a variável categórica A1 (freqüência de uso da Internet em geral), com seis categorias de respostas, como indicado na TABELA 1. Segundo Wooldridge (2002, p. 505), há algumas opções para se trabalhar com variáveis dependentes ordinais: tratá-las como quantitativas e lineares e, portanto, usar o método dos Mínimos Quadrados Ordinários; dicotomizá-la e adequá-la a um modelo binário ou usar um modelo de regressão ordinal logit, que se refere à opção mais correta e, portanto, preferível. A análise dos dados foi feita com o uso do software STATA 7. A próxima seção trata da análise dos resultados obtidos. 7 4. Análise dos Resultados A tabela 1 apresenta as estatísticas descritivas e informações de codificação para todos os itens usados neste estudo. TABELA 1 – Variáveis, Códigos e Estatísticas Descritivas Variável A1 frequência de uso A2 e-mails A3 chats A4 fóruns A5 pesquisas A6 notícias A7 jogos A8 músicas/vídeos A9 downloads A10 sites eróticos A11 pesquisas de compra A12 compra A13 blogs/fotologs B1 tempo de uso B2 ponto de internet B3 ponto exclusivo B4 provedor B5 local de acesso B6 B7 C1 C2 C3 tipo conexão permanência conexão idade sexo grupo étnico C4 instrução pai C5 instrução mãe C6 tipo colégio C7 estudos extra-classe C8 matérias uso internet Código 1-6* 1-6 1-6 1-6 1-6 1-6 1-6 1-6 1-6 1-6 1-6 1-6 1-6 em anos em anos 0-não; 1-sim 0-gratis; 1-pago 1-casa; 2-escola; 3;trabalho 4-amigos; 5-cyber-cafés 0-telefônica; 1-banda larga em horas em anos 0-feminino; 1-masculino 1-branco; 2-negro; 3-pardo; 4-indígena; 5-oriental 1-analfabeto; 2-primário; 3-gin.; 4-coleg.; 5-sup. 1-analfabeto; 2-primário; 3-gin.; 4-coleg.; 5-sup. 0-público; 1-particular em horas em unidades Estatísticas Descritivas 1: 4%; 2: 5%; 3: 21%; 4: 40%; 5: 16%; 6: 14% 1: 7%; 2: 10%; 3: 25%; 4: 38%; 5: 16%; 6: 4% 1: 17%; 2: 10%; 3: 22%; 4: 29%; 5: 13%; 6: 9% 1: 60%; 2: 18%; 3: 13%; 4: 6%; 5: 3%; 6: 0% 1: 2%; 2: 17%; 3: 40%; 4: 31%; 5: 6%; 6: 4% 1: 5%; 2: 14%; 3: 26%; 4: 32%; 5: 15%; 6: 8% 1: 47%; 2: 19%; 3: 18%; 4: 10%; 5: 3%; 6: 3% 1: 20%; 2: 13%; 3: 19%; 4: 23%; 5: 12%; 6: 13% 1: 21%; 2: 16%; 3: 25%; 4: 23%; 5: 8%; 6: 8% 1: 73%; 2: 16%; 3: 7%; 4: 3%; 5: 0%; 6: 1% 1: 46%; 2: 27%; 3: 16%; 4: 7%; 5: 2%; 6: 2% 1: 76%; 2: 16%; 3: 5%; 4: 2%; 5: 1%; 6: 0% 1: 30%; 2: 20%; 3: 18%; 4: 17%; 5: 4%; 6: 2% média: 4,2; mínimo: 0,1; máximo: 10 média: 3,9; mínimo: 0; máximo: 10 0: 51%; 1: 49% 0: 49%; 1: 51% 1: 76%; 2: 16%; 3: 5%; 4: 2%; 5: 1% 0: 59%; 1: 41% média: 2,3; mínimo: 0; máximo: 12 média: 17; mínimo: 16; máximo: 19 0: 60%; 1: 40% 1: 67%; 2: 7%; 3: 21%; 4: 3%; 5: 2% 1: 3%; 2: 6%; 3: 9%; 4: 26%; 5: 56% 1: 2%; 2: 6%; 3: 6%; 4: 31%; 5: 55% 0: 29%; 1: 71% média: 12; mínimo: 3; máximo: 32 média: 2,9; mínimo: 0; máximo: 10 * 1: nunca; 2: menos 1 vez/mês; 3: algumas vezes/mês; 4: algumas vezes/semana; 5: 1 vez/dia; 6: várias vezes/dia. Fonte: autores do artigo. Pela Tabela 1, observa-se que a maioria dos respondentes (40%) utiliza a Internet algumas vezes por semana, sendo que apenas 4% (20 respondentes) nunca a usam. Os adolescentes da amostra responderam, em sua maioria, que usam a Internet “algumas vezes por semana” para enviar de e-mail (38%), usar chats (29%), ler notícias (32%) e ouvir músicas/assistir vídeos 8 (23%). A maioria, respondeu que nunca usa a Internet para participar de fóruns de discussão (60%), jogar (47%), acessar sites eróticos (73%), fazer pesquisas de compras (46%), comprar (76%) e atualizar blogs/fotoblogs (30%). Também em sua maioria, 40% responderam que usam a Internet para pesquisas escolares apenas algumas vezes por mês, assim como para fazer downloads de arquivos (25%). A TABELA 2 apresenta o teste t da comparação de médias entre os sexos feminino e masculino, nas escolas públicas e privadas, com relação à freqüência de uso da Internet. Segundo Ono e Zavodny (2003), a diferença entre freqüência de uso de Internet vem se reduzindo ao longo do tempo nos países mais ricos. Pela TABELA 2, observa-se que esta diferença na amostra brasileira é significativa pelo teste t entre os adolescentes de um modo geral e entre aqueles provenientes das escolas públicas, mas não o é nas escolas privadas, indicando que o uso da Internet difere entre os sexos para os adolescentes de rendas mais baixas (pressupondo que os alunos de escolas públicas vêm de domicílios de menor renda). TABELA 2 – Freqüência de Uso da Internet: Comparação entre os Sexos (Teste t) Amostra total Escolas públicas Escolas privadas Sexo Masculino 4,23 (1,14) 3,91 (1,33) 4,33 (1,06) Sexo Feminino 3,85 (1,26) 3,29 (1,23) 4,14 (1,14) Valor p da diferença 0,001 0,009 0,113 Desvio padrão entre parênteses. Fonte: autores do artigo. A TABELA 3 apresenta o teste de médias (teste t) entre os sexos para as variáveis de propósito de uso da Internet. Há diferença significativa ( =0,05) entre os sexos para as seguintes variáveis: uso de chats (p=0,007), fóruns de discussão (p=0,022), busca de notícias (p=0,000), jogos (p=0,000), músicas/vídeos (p=0,003), downloads (p=0,000) e sites eróticos (p=0,000). Para todas estas variáveis as médias para o sexo masculino foram maiores, sendo que foi quase o dobro para a variável “uso de sites eróticos” em relação às adolescentes do sexo feminino. 9 TABELA 3 – Teste t da Diferença de Médias entre os Sexos para as Variáveis de Propósito de Uso da Internet Propósito de Uso e-mails chats fóruns pesquisas notícias jogos músicas/vídeos downloads sites eróticos pesquisas de compra compra blogs/fotologs Sexo Masculino (n=194) 3,60 (1,18) 3,62 (1,52) 1,89 (1,25) 3,29 (1,28) 3,93 (1,29) 2,48 (1,44) 3,60 (1,66) 3,53 (1,49) 2,01 (1,12) 2,02 (1,19) 1,43 (0,06) 2,22 (1,36) Valor p da diferença 0,822 0,007 0,022 0,253 0,000 0,000 0,003 0,000 0,000 0,372 0,051 0,202 Sexo Feminino (n=291) 3,58 (1,22) 3,24 (1,44) 1,65 (0,99) 3,41 (0,98) 3,45 (1,23) 1,85 (1,17) 3,14 (1,59) 2,73 (1,40) 1,06 (0,25) 1,92 (1,11) 1,29 (0,04) 2,38 (1,30) Desvio padrão entre parênteses. Fonte: autores do artigo. Para tentar explicar a freqüência de uso da Internet pelos adolescentes da amostra em geral, ou seja, sem distinção pela variável sexo, foi estimado o modelo logit ordenado, cujos parâmetros e valores da estatística t para cada variável estão apresentados na TABELA 4. Todas as variáveis não relacionadas às informações de uso da Internet (B1 a C8) foram usadas inicialmente numa regressão stepwise (Hair et al., 1998) para inclusão no modelo com nível de significância de 5% de probabilidade. Portanto, todas as variáveis apresentadas na TABELA 4 têm parâmetros significativos com pelo menos 5% de probabilidade. Por não considerar os missing values, apenas 416 observações foram incluídas nesta análise. TABELA 4 – Coeficientes do Modelo Logit Ordenado e Nível de Significância B2 B3 B4 B5 B6 B7 C8 Variável ponto de internet ponto exclusivo provedor acesso casa* tipo conexão permanência conexão matérias uso internet Coeficiente Erro Padrão 0,11 0,05 1,16 0,20 0,88 0,23 1,27 0,33 1,44 0,24 0,14 0,05 0,13 0,03 t 2,28 5,70 3,85 3,87 6,09 2,91 4,03 Valor p 0,023 0,000 0,000 0,000 0,000 0,004 0,000 * apenas a variável dummy (1=acesso casa, 0 caso contrário) para a variável B5 Var. Dep.: A1 - frequência uso; Log veros.: -484.09; Pseudo R2: 0,183; N = 416. Fonte: autores do artigo. Pela TABELA 4 observa-se que todos os parâmetros estimados têm sinal positivo, o que leva à seguinte interpretação: uma maior freqüência de uso da Internet pelos adolescentes da amostra é influenciada por: maior tempo de presença de ponto de Internet em casa, presença de ponto exclusivo, presença de provedor pago, acesso ao provedor mais comum em casa, 10 tipo de conexão banda larga, maior tempo de permanência de conexão e maior número de matérias de exigem o uso de Internet na escola. O Pseudo R2 indicado na TABELA 4 representa a medida de adequação genérica do modelo logit ordinal. O baixo valor de 0,183 do indica que apenas 18,3% da variabilidade da variável dependente é explicada pelas variáveis independentes. Portanto, outras variáveis não especificadas no modelo podem estar explicando melhor a freqüência de uso da Internet pelos adolescentes da amostra. A próxima seção apresenta as principais conclusões relacionadas aos resultados aqui expostos. 5. Considerações Finais Este estudo examinou as diferenças entre os adolescentes dos sexos masculino e feminino com relação ao uso da Internet e analisou as variáveis explicativas da freqüência de uso da Internet. Os resultados mostraram que ainda há diferença de uso da Internet entre os adolescentes do sexo masculino e feminino, apesar desta diferença não ser significativa entre aqueles alunos provenientes de escolas particulares, ou seja, provenientes de domicílios com rendas mais altas. Com relação ao propósito de uso da Internet, para todas as variáveis que apresentaram diferença significativa entre meninas e meninos (uso de chats, fóruns de discussão, busca de notícias, jogos, músicas/vídeos, downloads, e sites eróticos), estes apresentaram maior média, ou seja, maior freqüência de uso da Internet para estas variáveis. Isto mostra que os meninos e as meninas usam a Internet ainda de forma diferente. Tempo de presença de ponto de Internet em casa, presença de ponto exclusivo, presença de provedor pago, acesso de casa ao provedor, tipo de conexão banda larga, maior tempo de permanência de conexão e maior número de matérias de exigem o uso de Internet na escola são as variáveis encontradas que explicam a freqüência de uso da Internet pelos adolescentes da amostra. Compreender o comportamento de uso da Internet pelos adolescentes permite decisões mais inteligentes sobre a identificação e uso das mais eficientes estratégias de marketing quando o público alvo são os adolescentes, pois, embora eles obtenham informação principalmente dos pais e dos colegas, a Internet tem se mostrado uma fonte de informação para as necessidades de comunicação interpessoais, como visto na literatura pesquisada e no estudo empírico. Este trabalho representa um passo inicial para o desenvolvimento deste estudo no Brasil. Outra implicação para o marketing é que os adolescentes têm-se tornado uma parte importante do processo de decisão de compra da família (Beatty e Talpade, 1994). Não somente estão participando das compras diárias de seus domicílios, mas influenciando seus pais a comprarem suas marcas preferidas, adicionando itens extras no carrinho do supermercado e os aconselhando sobre presentes que gostariam de receber. Portanto, a compreensão destes influenciadores pode ser fundamental para a compreensão do comportamento de consumo dos domicílios como um todo. 11 Os resultados da presente pesquisa também podem instigar pesquisadores da área de políticas públicas interessados no tema da inclusão na Internet pelos adolescentes brasileiros. Tal inclusão é fundamental para a competitividade do Brasil no cenário mundial, principalmente quando os adolescentes atuais integrarem definitivamente a sociedade economicamente produtiva. Algumas limitações, metodológicas ou não, permearam o estudo empírico. Primeiro, trata-se de uma amostra não representativa de adolescentes, visto que a maioria provém de escola particular e pleiteava o ensino superior numa escola que oferece apenas cursos em ciências sociais. Segundo, a amostra consistiu predominantemente de adolescentes do sexo feminino (60%), o que não condiz com a distribuição dos sexos na população. Estas limitações apontadas reclamam correções em pesquisas futuras. Estudos que tratem mais especificamente sobre o comportamento de uso, e não apenas freqüência, como aqui enfatizado, podem ser úteis para a compreensão deste assunto. A adolescência é uma fase de mudanças e um estudo de uso de Internet por adolescentes não pode ser uma arena definida e fechada. A tecnologia muda, e os adolescentes rapidamente respondem às novas opções tão logo elas se tornam disponíveis. Referências ADAMS, G. R. Adolescent identity formation. Newbury Park, CA: Sage. 1992. ARCHER, S. 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