A DIVERSIDADE DA GEOGRAFIA BRASILEIRA: ESCALAS E DIMENSÕES DA ANÁLISE E DA AÇÃO
DE 9 A 12 DE OUTUBRO
COMO OPERAR NO ESPAÇO VIVIDO, ENTENDENDO
PROVISORIAMENTE A COMPLEXIDADE DO ESPAÇO
GEOGRÁFICO, EMPREGANDO A CARTOGRAFIA?
LIMARA MONTEIRO1
ANTONIO CARLOS CASTROGIOVANNI2
Resumo
Acreditamos que a Cartografia instrumentaliza e permite a operacionalidade do espaço de
maneira mais completa, desenvolvendo a capacidade de compreender fenômenos ausentes do
cotidiano escolar e ao mesmo tempo utilizando o cotidiano para compreender o espaço, a partir das
mais variadas formas de representações. Para que a Cartografia tenha sentido e significado,
trabalharemos com a Cartografia Social, por ser uma elaboração para representar o espaço a partir
de levantamentos e questionamentos cotidianos dos alunos, os quais escolhemos. A partir de
algumas investigações, será possível a realização de propostas relacionadas ao Ensino que
valorizem e desenvolvam competências capazes de tornar os alunos, sujeitos para lidar com
autonomia e ler o mundo diante de suas complexidades, mesmo que provisoriamente.
Palavras-chave: Ensino de Geografia – Cartografia Social – Complexidade.
Abstract
We believe that the Cartography exploits and enables the operation of more fully space, developing
the ability to understand phenomena absent from school routine while using everyday to understand
the space, from the most varied forms of representations. For the Cartography has meaning and
significance, we will work with the Social Cartography, as a preparation to represent the space from
surveys and everyday questions of the students, who choose. From some investigation, it will be
possible to carry out proposals related to education that value and develop skills that would make
students subject to deal with autonomy and reading the world before its complexities, even if only
provisionally.
Key-words: Geography Teaching - Social Cartography - Complexity.
1
Mestranda do Programa de Pós Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio Grande
do Sul. E-mail de contato: [email protected]
2
Profº Dr. do Programa de Pós Graduação em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande
do Sul. E-mail de contato: [email protected]
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1 – Introdução
A Cartografia é, sem dúvidas, extremamente necessária para a Geografia,
pois o Espaço Geográfico é constituído por formas visíveis, as quais se dão a partir
das relações que se estabelecem, materializadas em um lugar. Sendo a cartografia,
uma ciência auxiliar da geografia, se apresenta como um dos principais meios de
aprendizagem e instrumento básico para o professor, bem como a leitura de mapas,
vista como um desafio permanente. A cartografia é considerada uma linguagem, um
conjunto de estudos, que a partir de observações diretas irão representar o espaço,
seja por mapas, cartas, plantas e outras formas de representação. Diante de sua
importância, já que os mapas estão presentes desde os primeiros anos do Ensino
Fundamental, temos uma contradição, no que diz respeito ao Ensino de Geografia,
pois a cartografia tende a ser desprezada pelos professores de Geografia. Por ser
presente na vida escolar, a alfabetização cartográfica vem sendo discutido por
diversos autores e a dificuldade da leitura e compreensão cartográfica nos anos
iniciais do Ensino Fundamental. Para isso, cabem algumas problematizações como:
onde se encontra a dificuldade em ensinar cartografia diante do mundo
contemporâneo?
A preocupação quanto ao ensino da cartografia situa-se na problemática de
que, a linguagem escolar, é o primeiro passo para que se possam compreender os
conceitos geográficos. Se esta compreensão não é realizada nos primeiros anos da
formação escolar de um aluno, este não é alfabetizado em cartografia, ele não será
capaz de desenvolver competências para realizar posteriores leituras de mundo.
Este estudo visa analisar as questões que estão envolvidas no processo de
aprendizagem e construção do conhecimento geográfico. O entendimento
cartográfico se faz necessário, pois é o professor de Geografia que se apropria da
linguagem cartográfica para avançar nos estudos de espaços representados. Este
entendimento cartográfico se dará em três etapas “leitura”, “análise” e “interpretação”
de mapas. As quais significam a obtenção de informações, a utilização dessa
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informação ordenada e aplicação destas informações ordenadas para resolver
problemas e tomar decisões, respectivamente.
Para melhor compreensão sobre a construção do conhecimento e
principalmente sobre o espaço dentro do ensino de Geografia, utilizou-se
basicamente a obra de Piaget. Onde foi proposta também uma pesquisa acerca dos
conceitos por ele desenvolvidos como Assimilação, Acomodação, Equilibração,
Desiquilibração, Reversibilidade, Abstração Reflexionante e Objetivação. Estes
conceitos aliado a teoria da Epistemologia Genética contribuem para a construção
do conhecimento da cartografia, pois ela precisa ser mediada, discutido, assimilado,
acomodado, equilibrado e desequilibrado, gerando assim, movimentos. A base
teórica utilizada, a qual possibilitou o diálogo e que venho a contribuir para o Ensino
da Cartografia em Geografia, foram a Epistemologia Genética e a Construção das
Relações Espaciais de Piaget, podendo ser Topológicas, Projetivas e Euclidianas.
A partir da realização das oficinas realizadas, puderam-se analisar as relações
espaciais estabelecidas pelos alunos. Assim, verificou se a alfabetização
cartográfica foi construída ao longo da Educação Básica.
Dessa maneira, a epistemologia genética é uma perspectiva epistemológica,
a partir da qual se tenta explicar o desenvolvimento humano, nos servindo para
compreender os processos de aprendizagem.
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2 – Desenvolvimento
2.1
Levantamento Bibliográfico:
A Geografia possibilita as diferentes leituras de mundo, tendo como suporte
para isso, a Cartografia. A cartografia constitui-se de um conjunto de estudos e
operações lógico-matemáticas a partir de observações que intervém na construção
de mapas e demais formas de representação. Cabe ressaltar sua importância para a
construção do conhecimento, possibilitando a auto-organização espontânea, a partir
de movimentos de organização e desorganização, os quais o professor necessita
compreender.
Dessa forma,
Consideramos que a leitura do mundo é fundamental para que todos nós,
que vivemos em sociedade, possamos exercitar nossa cidadania. Uma
forma de fazer a leitura do mundo é por meio do espaço, o qual traz em si
todas as marcas da vida dos homens. Desse modo, ler o mundo vai muito
além da leitura cartográfica, cujas representações refletem as realidades
territoriais. Fazer a leitura do mundo não é fazer uma leitura apenas do
mapa, ou pelo mapa, embora ele seja muito importante, é fazer a leitura do
mundo da vida, construído cotidianamente (CALLAI, 2005, p. 228).
O estudo do espaço geográfico e suas manifestações se da partir das
relações do homem com a natureza. A espacialização dessas manifestações se da
pela Cartografia, pois, a medida que são especializados os fenômenos, uma certa
configuração vai surgindo e assim pode-se estabelecer relações pelas quais os
mesmos fenômenos acontecem. Dessa maneira, o estudo da Geografia ganha
credibilidade, já que apenas a espacialização por si só não tem valor e sim a análise
feita sobre ela. Dessa forma,
a alfabetização cartográfica entendida como “a construção de noções
básicas de localização, organização, representação e compreensão da
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estrutura
do
espaço
elaborada
dinamicamente
pela
sociedade”
(CASTROGIOVANNI, 2000, p. 11).
Da mesma maneira que,
Ensinar Geografia é mais do que passar informações ou dar conteúdos
desconectados, é articular o conhecimento geográfico na dimensão do físico
e do humano, superando as dicotomias, utilizando a linguagem cartográfica
com o intuito de valorizar a Geografia como disciplina escolar, é tornar a
Geografia escolar significativa com a finalidade de compreender e relacionar
os fenômenos estudados (CASTELLAR, 2007, p. 49).
Nesse sentido, o professor deve instrumentalizar os alunos ao mostrar a
importância tanto do mapa, como do que ele expressa. Valorizar a Geografia e
tornando-a significativa para os alunos, mas isso só será possível quando percebem
que fazem parte do contexto apresentado.
O professor necessita saber ensinar Geografia utilizando-se dessa ciência
auxiliar, que é a cartografia, pois ela é fundamental para a compreensão da
espacialidade, a partir de uma lógica ligada a coordenação, direção e localização
espacial. Segundo Castellar (2005, p. 216),
A Cartografia é considera uma linguagem, um sistema-código de
comunicação imprescindível em todas as esferas da aprendizagem em
Geografia, articulando fatos, conceitos e sistemas conceituais que permitem
ler e escrever características do território.
Sendo a cartografia uma linguagem que permite a compreensão do espaço,
ela é o primeiro passo para que um aluno passe a compreender os conceitos
geográficos. Dessa forma, os processos que o aluno terá de fazer para chegar à
compreensão são explicados enfatizando o construtivismo epistemológico de Piaget,
onde existe a compreensão da realidade, a partir das representações, juntamente
com o conhecimento obtido a partir das experiências, por isso a importância do
cotidiano.
Para Piaget (1967/2003, p.15),
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“conhecer não consiste em copiar o real, mas agir sobre ele e transformá-lo,
de maneira a compreendê-lo em função dos sistemas de transformações
aos quais estão ligadas estas ações”.
O olhar geográfico então, do aluno, deve a todo momento ser estimulado, a
partir de problematizações acerca de cada conteúdo, e estas problematizações
partem de questões simples do próprio cotidiano como forma de pensar o espaço
em diferentes níveis, o “local” e o “global”, assim como as representações.
3. Metodologia
3.1 Levantamento bibliográfico prévio
Primeira etapa da pesquisa centra-se em um levantamento bibliográfico referente
à Ensino de Cartografia na Geografia e a Cartografia Social, a ser realizada no
primeiro e segundo semestre da pesquisa. Buscar, basicamente, os autores que
discutem acerca do tema e quais os questionamentos levantados por eles referentes
ao ensino. Questionamentos estes que buscam discutir os motivos pelos quais a
cartografia parece não ser compreendida pelos alunos. Levantamentos que
discutam a dificuldade de trabalhar cartografia devido ao distanciamento entre as
práticas de Geografia que ocorrem dentro e fora da sala de aula. Evidenciando a
funcionalidade de um mapa.
3.2 Aplicação de atividades:
Nesta segunda etapa, serão realizadas atividades que priorizem os saberes dos
alunos para que possam representar estes espaços, por eles vividos. Para isso,
trabalharemos com a compreensão provisória de mundo, trazida por Edgar Morin.
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3.3 Elaboração de propostas:
Na etapa final, serão elaboradas atividades baseadas no cotidiano, valorizando o
Lugar, diferentes representações do espaço, como por exemplo, a Cartografia
Social. Que estas propostas sirvam como abertura para diferentes representações a
serem realizadas, diferentes compreensões, a fim de desenvolver competências
capazes de fazer o aluno ler o mundo em suas várias composições.
4. Considerações Finais
Como
trabalho
iniciado
recentemente,
acreditamos
em
seu
potencial
investigativo, que se propõe inicialmente, mas principalmente em seu caráter
propositivo. Propositivo no sentido de trazer uma nova proposta que auxilie o ensino
da Geografia, tendo como instrumento auxiliar a Cartografia. Pensamos em dar mais
significado e sentido às aulas de Geografia, e não simplesmente na transmissão de
informações, que por vezes acontece. Como pesquisa ainda em andamento,
pensamos ser estes os movimentos necessários para trabalhar qualquer conteúdo
de Geografia para que se compreenda o Espaço. Dessa forma, refletindo sobre
questões relacionadas ao cotidiano o sujeito aluno se tornará crítico para agir com
segurança e criatividade no mundo contemporâneo em que vivemos. Principalmente
diante da complexidade apresentada, sendo esta, a coexistência de vários
fenômenos ao mesmo tempo. A contemporaneidade existe a partir de uma
complexidade de elementos diferentes, porém inseparáveis, e os alunos por fazerem
parte deste mundo e necessitando deste entendimento, sendo este relacionado à
construção do conhecimento.
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Referências Bibliográficas:
CALLAI, H. Estudar o lugar para compreender o mundo. In: CASTROGIOVANNI,
A. C. (Org.). Ensino de geografia: práticas e textualizações no cotidiano. Porto Alegre:
Mediação, 2000.
CASTELLAR, S.M.V. A alfabetização em geografia. Espaços da Escola, Ijuí: v. 10,
n. 37, p. 29-46, jul./set. 2000.
CASTELLAR, S. A psicologia Genética e a aprendizagem no Ensino de
Geografia. In.: CASTELLAR, S. (Org.) Educação Geográfica: teorias e práticas docentes.
São Paulo: Contexto, 2007.
CASTROGIOVANNI, Antonio Carlos (Org.). Ensino de Geografia – práticas e
textualizações no cotidiano – Porto Alegre: Editora Mediação, 2000.
CAVALCANTI, Lana de Souza. Geografia e práticas de ensino. Goiânia:
Alternativa, 2002.
PIAGET, J. Biologia e conhecimento. 4. ed. Petrópolis: Vozes, 2003 In: Castellar,
S. A psicologia genética e a aprendizagem no ensino de Geografia.
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