UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ CENTRO DE EDUCAÇÃO DA UNIVALI EM SÃO JOSÉ CURSO DE ADMINISTRAÇÃO MICHELLE CARDOSO DOS SANTOS A INCLUSÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO AMBIENTE DE TRABALHO: um estudo de caso na cooperativa Alpha São José 2008 MICHELLE CARDOSO DOS SANTOS A INCLUSÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO AMBIENTE DE TRABALHO: um estudo de caso na cooperativa Alpha Trabalho de Conclusão de Estágio - apresentado como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Administração da Universidade do Vale do Itajaí. Professor Orientador: Felipe de Faria Mônaco São José 2008 MICHELLE CARDOSO DOS SANTOS A INCLUSÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA NO AMBIENTE DE TRABALHO: um estudo de caso na cooperativa Alpha Este Trabalho de Conclusão de Estágio foi julgado adequado e aprovado em sua forma final pela Coordenação do Curso de Administração da Universidade do Vale do Itajaí, em (dia, mês e ano constante da ata de aprovação – defesa) Prof(a) MSc. Luciana Merlin Bervian UNIVALI – Campus São José Coordenador(a) do Curso Banca Examinadora: Prof(a) MSc. Felipe de Faria Mônaco UNIVALI – Campus São José Professor Orientador Prof(a) MSc. Kellen da Silva Coelho UNIVALI – Campus São José Membro Prof(a) Dr. Everton Luis P. de Lorenzi Cancellier UNIVALI – Campus São José Membro iii Dedico este trabalho a minha mãe Giane Cardoso Batistuzzi a qual sempre me deu forças na busca da realização dos meus objetivos, a minha amada irmã Cássia Cardoso Batistuzzi, á minha querida avó Alcione Vidal Santos e ao meu grande amor Glaydson Fermino pela dedicação, carinho e compreensão depositadas durante todos momentos. Amo vocês incondicionalmente. os iv Muitos foram os desafios que tiveram que ser superados nessa longa caminhada, porém, também muitas foram às pessoas que me auxiliaram a enfrentar esses desafios. Agradeço minha mãe Giane Cardoso Batistuzzi pelos preciosos conselhos, carinhos e confiança a mim depositados. A minha irmã Cássia Cardoso Batistuzzi pela compreensão nos muitos momentos de minha ausência. Ao meu amor Glaydson Fermino pelo apoio, amor, incentivo, ajuda e compreensão. Agradeço a minha avó Alcione Vidal Santos por acreditar no meu potencial, e também a minha avó Alvaci de Oliveira que com seu dom de professora sempre me incentivou a buscar conhecimentos, ao meu pai Claudemir dos Santos e ao meu padastro Aldemir José Batistuzzi, a toda a minha família e aos amigos. Ao professor Felipe de Faria Mônaco pelas valiosas orientações. Aos professores Everton Luis P. de Lorenzi Cancellier e Kellen da Silva Coelho membros da banca pelas importantes sugestões. A minha supervisora de estágio Cleci Elisa Albiero que dedicou a mim seu tempo e a cooperativa cedente de estágio. Agradeço também a todos os professores que contribuíram para minha formação. v A construção de uma sociedade de plena participação e igualdade tem como um de seus princípios a interação efetiva de todos os cidadãos. Nesta perspectiva é fundamental a construção de políticas de inclusão para o reconhecimento da diferença e para desencadear uma revolução conceitual que conceba uma sociedade em que todos devem participar, com direito de igualdade e de acordo com suas especificidades. (Conforto & Santarosa) vi RESUMO O presente estudo refere-se ao tema da inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. Seu objetivo geral é analisar os desafios encontrados na cooperativa Alpha para inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. Buscou-se ainda com os objetivos específicos verificar quais as ações são desenvolvidas para inclusão das pessoas com deficiência na cooperativa Alpha, identificar qual a percepção dos colaboradores em relação à inclusão das pessoas com deficiência, quais mudanças organizacionais necessárias para o ingresso das pessoas com deficiência na cooperativa em estudo e qual o perfil profissional exigido para contratação das pessoas com deficiência. Esta pesquisa é classificada como teórico-empírica de abordagem quantitativa e qualitativa. O delineamento da pesquisa utilizado foi o estudo de caso e a mesma ainda caracteriza-se como descritiva. Com este estudo compreende-se que a inclusão das pessoas com deficiência no ambiente organizacional intensificou após a criação da lei que garante o acesso ao trabalho das pessoas com deficiência, porém, essa atitude deve ser para as organizações uma prática não obrigatória, pois deve-se incluir mais pessoas com deficiência do que a lei preconiza, uma vez que, todos possuímos direitos e deveres iguais. A inclusão não é simplesmente colocar junto, mas é garantir a permanência no trabalho, desenvolver programas para contratação e capacitação, adaptar os locais de trabalho e sensibilizar as chefias e demais colaboradores que irão trabalhar com as pessoas com deficiência. Quanto aos resultados, pode-se observar que a cooperativa não possui nenhum programa para inclusão, que a mesma precisa ainda obter profissionais mais preparados para contratação, capacitação das pessoas com deficiência. Quanto aos colaboradores percebe-se uma boa aceitação para o trabalho com as pessoas com deficiência , os mesmos acreditam que a inclusão traz motivação e respeito as diferenças e identificou-se também que os tipos de deficiência mais compatíveis para o trabalho na cooperativa em estudo são as físicas e auditivas. Palavras-chave: recursos humanos; gestão da diversidade; inclusão; pessoas com deficiência. vii ABSTRACT The present paper refers to the subject of inclusion of persons with disabilities in the workplace. Its main objective is to analyze the challenges found in the cooperative Alpha for inclusion of persons with disabilities in the workplace. As its specific objective searched verify which actions are developed for inclusion of persons with disabilities in the cooperative Alpha, identify the perception of collaborators in relation to the inclusion of persons with disabilities, which organizational changes necessary to the ingress of persons with disabilities in the cooperative in study and which the professional profile required for recruitment of persons with disabilities. This research is classified as theoretical-empirical of quantitative and qualitative approach. The research line used was the case study and the yet characterized as descriptive. This study comprises that the inclusion of persons with disabilities in the organizational environment intensified after the creation of the law which ensures access to the work of persons with disabilities, however, this attitude must be for organizations a practice not mandatory, as it should include more persons with disabilities of the “Lei de cota”, once, we all have equal rights and duties. The inclusion is not simply put together, but is to ensure the permanence in the work, to develop programs for recruitment and training, to adapt the workplace and sensitize the managers and other collaborators who will work with people with disabilities. In the results, may observe that the cooperative has no program for inclusion, that it needs even obtain professionals more prepared to recruitment and training of persons with disabilities. As to the collaborators perceives is a good acceptance for working with persons with disabilities, they believe that the inclusion brings motivation and regard the differences and identified also that the types of disability more compatible for work in the cooperative in study are the physical and hearing. Key-words: human resources; diversity management; inclusion; persons with disabilities. viii Lista de Ilustrações Quadro 1: As principais diferenças entre integração e inclusão ............................................... 25 Quadro 2: População e estimativa de vagas para PCD –.......................................................... 31 Quadro 3: Dúvidas mais freqüentes dos profissionais de gestão de pessoas............................ 33 Quadro 4: Vantagens de contratação de pessoas com deficiência ............................................ 38 Quadro 5: Categorias analíticas e indicadores do estudo ......................................................... 42 Quadro 6: Idade ........................................................................................................................ 46 Quadro 7: Gênero ..................................................................................................................... 47 Quadro 8: Escolaridade ............................................................................................................ 47 Quadro 9: Gênero x Escolaridade ............................................................................................. 48 Quadro 10: Tempo de empresa ................................................................................................. 49 Quadro 11: Funções exercidas .................................................................................................. 49 Quadro 13: Igualdade de oportunidades ................................................................................... 50 Quadro 14: Preconceito racial .................................................................................................. 51 Quadro 15: Preconceito com mulheres ..................................................................................... 51 Quadro 16: Preconceito com deficientes .................................................................................. 52 Quadro 17: Práticas de diversidade .......................................................................................... 53 Quadro 18: Impactos da diversidade na organização ............................................................... 53 Quadro 19: Organização inclusiva ........................................................................................... 55 Quadro 20: Profissionais preparados ........................................................................................ 56 Quadro 21: Tempo de empresa X A organização possuir profissionais preparados para lidar com as pessoas com deficiência ............................................................................................... 58 Quadro 22: Condições físicas adequadas ................................................................................. 58 Quadro 23: Programa para inclusão de pessoas com deficiência ............................................. 59 Quadro 24: Tempo de empresa X Organização promover algum programa para inclusão das pessoas com deficiência............................................................................................................ 61 Quadro 25: Compatibilidade função X Tipos de deficiência ................................................... 62 Quadro 26: Funções exercidas X Compatibilidade da deficiência a função ............................ 63 Quadro 27: Inclusão cria um clima organizacional positivo? .................................................. 64 Quadro 28: Organização socialmente responsável que promove a inclusão ............................ 64 Quadro 29: Qual o principal retorno com a contratação de pessoas com deficiência .............. 65 ix SUMÁRIO RESUMO.................................................................................................................................. vi ABSTRACT ............................................................................................................................ vii Lista de Ilustrações ................................................................................................................viii 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 1 1.1. Tema e problema de pesquisa ...................................................................................... 1 1.2. Questões da pesquisa .................................................................................................... 3 1.3. Objetivos ...................................................................................................................... 3 1.3.1. Objetivo Geral ..................................................................................................... 3 1.3.2. Objetivos Específicos.......................................................................................... 3 2. JUSTIFICATIVA ............................................................................................................. 4 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................... 6 4. 3.1. Organizações ................................................................................................................ 6 3.2. Administração .............................................................................................................. 7 3.3. Administração de Recursos Humanos .......................................................................... 8 3.4. Responsabilidade Social ............................................................................................. 11 3.5. Gestão da Diversidade ................................................................................................ 12 3.6. A inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho ............................... 17 3.6.1. A legislação e o histórico Mundial e Brasileiro das pessoas com deficiência .. 17 3.6.2. Integração x Inclusão ........................................................................................ 22 3.6.3. Deficientes x Tipos de deficiência .................................................................... 26 3.6.4. A inclusão no ambiente de trabalho .................................................................. 29 METODOLOGIA DA PESQUISA ............................................................................... 39 4.1. Caracterização da Pesquisa ........................................................................................ 39 4.2. População e Amostra .................................................................................................. 40 4.3. Método de coleta, tratamento e análise dos dados ..................................................... 41 4.4. Definição constitutiva dos termos .............................................................................. 42 4.5. Definição operacional dos termos .............................................................................. 42 5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS ................................................... 43 Neste capítulo serão apresentados a definição de cooperativismo a caracterização da empresa e os resultados da pesquisa. .................................................................................... 43 5.1 Definição de Cooperativismo e Caracterização da Empresa .......................................... 43 5.2 Resultados da Pesquisa ................................................................................................... 46 x 5.2.1 Perfil dos colaboradores, gestores e demais envolvidos no processo de inclusão .. 46 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 68 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 71 APÊNDICES ........................................................................................................................... 78 ANEXOS ................................................................................................................................. 83 1. INTRODUÇÃO 1.1. Tema e problema de pesquisa São crescentes as transformações na sociedade, se antigamente as pessoas com deficiência eram tidas como pessoas sem capacidade de desenvolver uma atividade, hoje estão sendo vistas pela sociedade e pelas organizações de forma contrária. Essas mudanças, que se observam ao longo do tempo, repercutiram devido ao desenvolvimento de leis tais como a que foi promulgada em 1988 através da Constituição Federal do Brasil que trouxe garantias de saúde, proteção, e integração social das pessoas com deficiência, preconizou também critérios de admissão e a não discriminação de salários e ainda garante a reserva de um percentual de cargos públicos as pessoas com deficiência Diante deste contexto, as organizações estão buscando capitais intelectuais cada vez mais diversificados. Conforme Nkomo e Junior. (2006, p. 332), “a diversidade vem ganhando notoriedade como tópico dos estudos organizacionais. A maior atenção vem de profissionais interessados em como “administrar a diversidade”. Segundo Caravantes (2005), as organizações podem obter muitos benefícios tirando proveito das habilidades que os grupos diversos possuem, porém, caso elas não sejam cuidadosas, poderão também afastar essas pessoas e perder em vez de ganhar com a força de trabalho de características múltiplas. Os administradores, portanto, devem se preparar para receber essa diversificação de habilidades e sabê-la desenvolver da melhor forma possível. De acordo com Maximiano (2006, p. 235), “as pessoas são combinações complexas de aptidões que desenvolvem e são usadas de maneira singular. Desde que tenha motivação uma pessoa pode transformar suas aptidões em habilidades e desenvolvê-las continuamente”. A área de recursos humanos é responsável por estar auxiliando esses administradores no desenvolvimento dessas diversificações de habilidades. Conforme Milkovich e Boudreau (2000, p. 26), “pode-se dizer que os executivos e funcionários são clientes dos especialistas de recursos humanos. Prestar serviço aos executivos das áreas operacionais é um dos papéis primários do administrador de recursos humanos”. Essas oportunidades de trabalho para as pessoas com deficiência não devem ser implementadas somente devido a Lei 8.213. Conforme Barbosa (2001), as organizações 2 devem implementar ferramentas gerenciais para prática da diversidade não somente para cumprimento da lei ou porque trazem bons resultados, mas por ser uma atitude socialmente justa e moralmente correta, significa ainda ter uma ética de igualdade que independem de modismos ou marketing institucional. Calcula-se que o número de pessoas com deficiência no mundo é em cerca de 610 milhões das quais 386 milhões fazem parte da população economicamente ativa. No Brasil, segundo o censo realizado em 2000 pelo IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulgado em 2002 24,6% milhões da população apresentam algum tipo de deficiência. Além disso, 9 milhões delas estão com idade de trabalhar e 1 milhão apresenta alguma atividade remunerada. Conforme Pastore (2000, s.p.), “dentro de certos limites, é possível dizer que deficiência não é um problema individual é uma decorrência social. Portanto, nada mais indicado do que mobilizar um grosso calibre de forças sociais para melhorar as condições de vida das pessoas com deficiência”. Para Pereira (2004, p. 265) “a socialização é um processo através do qual pessoa e sociedade se ajustam e interinfluenciam. A organização é apenas um dos seus palcos”. Todos sem exceção de raça, gênero, etnia ou deficiência devem ter direito a inclusão social e ao trabalho dentro de uma organização. Bartalotti (2006, p. 16), comenta que “falar de inclusão social implica falar em democratização dos espaços sociais, em crença na diversidade como valor, na sociedade para todos. Incluir não é apenas colocar junto, e, principalmente, não é negar a diferença, mas respeitá-la como constitutiva do humano”. Com base no diagnóstico realizado durante a disciplina de Estágio I, observou-se a necessidade de estar avaliando as dificuldades encontradas para contratação de profissionais com deficiência na cooperativa Alpha, uma vez que a organização não cumpria a cota exigida por lei e também o tema da inclusão não era divulgado e nem valorizado. De acordo com o Instituto Ethos (2002, p.5) “a inclusão faz parte do compromisso ético de promover a diversidade e reduzir as desigualdades sociais. Isto coloca a inclusão entre os temas mais importantes a serem tratados pelas empresas”. Diante disso, neste estudo tem-se a preocupação de responder o seguinte problema de pesquisa: “Quais os desafios encontrados pela cooperativa Alpha para inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho?”. 3 1.2. Questões da pesquisa Quais são as ações desenvolvidas para inclusão das pessoas com deficiência na cooperativa Alpha? Qual a percepção dos funcionários em relação à inclusão das pessoas com deficiência? Quais mudanças organizacionais necessárias para o ingresso das pessoas com deficiência na cooperativa objeto de estudo? Qual o perfil profissional exigido pela cooperativa Alpha para contratação das pessoas com deficiência? 1.3. Objetivos 1.3.1. Objetivo Geral O objetivo central deste trabalho é analisar os desafios encontrados pela Alpha para inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. 1.3.2. Objetivos Específicos Reconhecer as ações desenvolvidas para inclusão das pessoas com deficiência na cooperativa Alpha. Identificar a percepção dos funcionários em relação à inclusão das pessoas com deficiência. Investigar as mudanças organizacionais necessárias para o ingresso das pessoas com deficiência na cooperativa objeto de estudo. Descrever o perfil profissional exigido pela cooperativa Alpha para contratação das pessoas com deficiência. 4 2. JUSTIFICATIVA A inclusão das pessoas com deficiência vem sendo um tema, amplamente, debatido e cada vez mais valorizado pelas empresas. Destacam-se, nesta área, estudos de Bahia (2006), Sassaki (2006), Pastore (2000), Instituto Ethos (2002) entre outros. Sendo assim esse estudo justifica-se tendo em vista que a cooperativa Alpha preocupase com a responsabilidade social empresarial e acredita que essa postura só tende a ser vantajosa. De acordo com Ashley (2005), a responsabilidade social é um tema em crescente difusão e discussão no âmbito organizacional, o cenário já se alterou bastante desde a década de 70. Com esta evolução muitos empresários já perceberam que contribuir para o bem estar de seus funcionários, da comunidade em que atuam e promover práticas de governança e transparência com seus stakeholders é o limiar entre as empresas que se omitem e as que atuam positivamente em seu meio respeitando os diversos públicos que dele fazem parte. Conforme Melo Neto (1999, p.166) “o retorno social institucional ocorre quando consumidores privilegiam a atitude da empresa de investir em ações sociais e o desempenho da empresa obtém o reconhecimento público”. Porém a cooperativa em estudo possui dificuldades em buscar mais profissionais com deficiência para inclusão no mercado de trabalho. Diante disto constata-se que o desenvolvimento e resultado desta análise auxiliarão para a inclusão de mais profissionais com deficiência na empresa Alpha, para que a mesma atinja seus objetivos cumprindo a cota exigida pela Lei 8.213/1991 e seja vista como uma empresa socialmente responsável, moralmente correta e socialmente justa por atrair esses profissionais. Conforme o Instituto Ethos (2002, p. 19) “a decisão de abrir postos de trabalho para pessoas com deficiência rompe as barreiras que tradicionalmente excluem essas mesmas pessoas do processo produtivo”. O assunto a ser tratado possui grande relevância para organização, pois a mesma obterá informações sobre procedimentos para captação desses profissionais e com essas informações posteriormente poderá elaborar modificações administrativas e organizacionais que proporcionem melhorias nas relações de trabalho. O estudo é importante também, pois não se pode excluir pessoas que são capazes de produzir e de ter habilidades iguais as demais pessoas, ou seja, todos devem ter a oportunidade de se desenvolverem e de demonstrarem seus talentos independente de suas peculiaridades físicas, mentais e entre outras. 5 Além do que, as empresas possuem vantagens em adotar práticas de inclusão. Com essa atitude a empresa tende a ser vista de forma positiva perante a sociedade e perante seus funcionários. Conforme Schwarz; Haber (2006), a empresa que decide incluir pessoas com deficiência no seu quadro funcional obtém benefícios, como a melhora na sua imagem institucional, ajuda na melhoria do clima organizacional e eleva também a qualidade de vida do grupo em geral. Por se tratar de um assunto em expansão e de crescente interesse das organizações será de grande valia para a acadêmica o desenvolvimento de um estudo nesta área pois, possibilitará uma percepção mais ampla á respeito do tema e também servirá de aplicação do conhecimento teórico adquirido na universidade, especialmente no curso de Administração da Univali na realidade organizacional. Este tema será importante para a academia visto que não há muitos trabalhos de conclusão de curso desenvolvidos sobre essa temática, no contexto do Campus de São José, podendo desta forma, servir de embasamento para os demais acadêmicos que possuam interesse no tema. 6 3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Após o levantamento do tema e problema de pesquisa, dos obejtivos geral e específicos e da justificativa, buscou-se diversas literaturas para fundamentar o assunto pesquisado. Os temas referenciados foram: organizações, administração, administração de recursos humanos, responsabilidade social, gestão da diversidade e inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. 3.1. Organizações São as organizações que realizam quase todas as atividades na sociedade. Habitualmente, as pessoas nascem em hospitais, são educadas em escolas e trabalham em uma organização. No entanto, sem perceber as pessoas estão inseridas dentro de organizações desde o início de suas vidas, dessa forma, as pessoas extraem grande parte da sua satisfação material, social e cultural das organizações. (FRANCISCO LACOMBE; GILBERTO, 2003) Sendo assim, conforme Chiavenato (2004), a vida das pessoas é uma sucessão de interações com outras pessoas, ou seja, o ser humano é extremamente social e interativo. Não vive de forma isolada mais em constante convívio com seus semelhantes. Neste sentido para Srour (2005, p. 140), “as organizações podem ser definidas como coletividades especializadas na produção de um determinado bem ou serviço”. Em contribuição ao texto acima Para Hesselbein (1997, p.41) “uma organização é mais do que um conjunto de bens ou serviço, é também uma sociedade humana, e como todas as sociedades, desenvolve formas específicas de cultura “as empresariais”. Já para Pereira (2004, p 103), “as organizações são sistemas de pessoas, que se associam para realizar propósitos, mediante estruturas e funções e através de processos, no contexto humano, interorganizacional e social, e em continuidade temporal”. Diante desse conjunto de conceitos, percebe-se que para comandar essas organizações, é necessário que se haja uma ordem de processos a ser seguida. Caravantes (2005, p. 387), comenta que “a organização como processo implica na distribuição de tarefas seu agrupamento em departamentos e a alocação de recursos a eles”. Dentre esses recursos, pode-se afirmar conforme Maximiano (2000, p. 92), que “as pessoas são o principal recurso que as organizações utilizam para realização de seus objetivos”. 7 De acordo com Lacombe;Heilborn (2003), ao dar inicio ao estudo de qualquer organização o ponto de partida será sempre identificar e explicitar seu objetivo, ou seja, é preciso saber qual a razão de ser da organização, isto é, porque ela existe. . Para finalizar, conforme Hesselbein (1997), as organizações são acima de tudo social. São pessoas. Seu propósito deve ser o de tornar eficazes os pontos fortes das pessoas e irrelevantes suas fraquezas, tanto para as pessoas com ou sem deficiência. Na verdade, essa é a única tarefa que a organização pode realizar a única razão pela qual ela existe e precisamos dela. Os administradores de hoje, no entanto, devem possuir habilidades para saber desenvolver os pontos positivos das pessoas e devem desafiar pressupostos e práticas ultrapassadas para criar organizações prontas para mudanças e para uma força de trabalho diversificada. (DAFT,1999) Após a definição do que são as organizações é necessário saber como administrá-las, portanto, a administração será vista a seguir. 3.2. Administração Segundo Lacombe;Heilborn (2003, p. 35), “convivemos há séculos com a administração; praticamos desde os primórdios da humanidade, mas dizemos que é um campo novo. O que é novidade é a sistematização dos conhecimentos de administração e a complexidade que atingiram no passado recente as grandes organizações”. Para Maximiano (2000, p. 26), “administração significa em primeiro lugar ação. A administração é um processo de tomar decisões e realizar ações que compreende quatro processos principais interligados: planejamento, organização, execução e controle”. Conforme Caravantes (2005, p. 385), “administração é o processo de consecução dos objetivos organizacionais de uma maneira, eficiente, eficaz e efetiva, por meio do planejamento, da organização, da liderança e do controle de recursos organizacionais”. Contudo, pode-se afirmar que a administração está diretamente ligada à organização e as pessoas que nela fazem parte. De acordo com Drucker (1998, p. 31), “a administração é o órgão da entidade. Não tem função em si mesma, e, na verdade, não tem existência em si mesma. A administração divorciada da entidade a que serve a administração”. Drucker (1998), ainda comenta que existem três tarefas igualmente importantes mais essencialmente diferentes, que colocam-se diante da administração de toda organização: a 8 primeira delas é que toda entidade existe para cumprir determinada finalidade e missão, ( função social específica); a segunda tarefa do administrador é fazer com que o trabalho seja produtivo e o trabalhador se realize; e a terceira é administrar as responsabilidades sociais da empresa e as repercussões sociais dela derivadas. Além dos conceitos citados acima, de acordo com Certo (2003, p. 7), pode-se afirmar que “a administração deve sempre levar em conta a utilização dos recursos da empresa. Esses recursos pertencem a quatro tipos básicos: humanos, monetários, matéria prima e bens de capital”. Como observa-se os recursos humanos estão em primeiro lugar dentro das demais preocupações do administrador. Portanto dentre deste entendimento, Lacombe;Heilborn (2003), assertiva que o administrador deve possuir aptidões para trabalhar com pessoas e para obter resultados por meio dessas pessoas, encorajando a comunicação entre seus subordinados compreendendo as necessidades e motivando os membros de cada grupo. A administração de recursos humanos será referência do próximo tema, pois a mesma é essencial para o desenvolvimento do potencial humano dentro de uma organização. 3.3. Administração de Recursos Humanos Ainda que as instalações físicas, os equipamentos e os recursos sejam importantes para as organizações as pessoas – os recursos humanos (RH) trazem o brilho da criatividade para a empresa. As pessoas são responsáveis por estabelecer estratégias para a organização, controlam a qualidade dos produtos e vendem os mesmos. Sem as pessoas é simplesmente impossível para qualquer organização atingir seus objetivos. (MILKOVICH;BOUDREAU, 2000). Segundo Marras (2000), a administração de recursos humanos surgiu da necessidade de contabilizar os registros dos trabalhadores com ênfase obviamente nas horas trabalhadas, faltas e atrasos, para efeitos de pagamento ou desconto. No século XIX era comum em diversos países inclusive no Brasil o chefe de pessoal ser um sujeito inflexível, seguidor de leis e de uma frieza incalculável. As grandes organizações, entretanto, são responsáveis pelas primeiras mudanças, patrocinando pesquisas e estudos na área acadêmica como forma de otimizar os resultados produtivos da organização e de valorizar posturas de comando. Conforme Gil (2001), na década de 90 verificam-se mudanças significativas no setor de recursos humanos decorrentes das transformações no contexto global. Em muitas 9 organizações o setor de RH assumiu dimensões comparáveis a área de finanças ou de marketing julgadas como áreas de suma importância para a organização. Neste sentido, passou-se a exigir uma atuação mais estratégica dos administradores de recursos humanos. Além disso as lutas em prol da responsabilidade social começaram a surtir efeito na prática organizacional. A administração de recursos humanos pode ser definida de acordo com Milkovich (2000, p. 19), como “uma série de decisões integradas que formam as relações de trabalho, sua qualidade influência diretamente a capacidade da organização e de seus empregados em atingir seus objetivos”. Para Gil (1994, p. 13), a administração de recursos humanos “envolve todas as ações que tem como objetivo a integração do trabalhador no contexto da organização e o aumento de sua produtividade”. De acordo com Chiavenato (2004, p. 138), os principais objetivos da administração de recursos humanos são: Criar, manter e desenvolver um contigente de pessoas com habilidades, motivação e satisfação para realizar os objetivos da organização. Criar, manter e desenvolver condições organizacionais de aplicação, desenvolvimento e satisfação plena das pessoas, e alcance dos objetivos individuais. Alcançar eficiência e eficácia através das pessoas. A definição dos objetivos é importante também para enumerar os processos da área de recursos humanos. Segundo Stoner; Freeman (1999), estão classificados em sete, entre eles pode-se citar: o planejamento de recursos humanos com ênfase no atendimento das necessidades de pessoal; o recrutamento de candidatos combinado com o plano de recursos humanos; a seleção de candidatos; a socialização para que os indivíduos selecionados possam se ajustar tranquilamente à organização; o treinamento e desenvolvimento dos funcionários para aprimorar as habilidades e preparar os empregados para supostas promoções e a avaliação de desempenho que compara o seu desempenho com os objetivos desenvolvidos para o cargo do indivíduo. Diante dos processos citados pode-se observar que o planejamento de recursos humanos influência em todos os demais processos, conforme Schermerhorn (1999), para alcançar seu potencial máximo, qualquer organização precisa ter o tempo todo, pessoas certas para fazer o trabalho exigido. Em termos práticos significa que todos os gerentes devem garantir que todas as funções de sua responsabilidade estejam sempre ocupadas por pessoas 10 capazes de desempenhá-la e para isso os gerentes devem ser bons em planejamento de recursos humanos. Contudo, após as grandes modificações que ocorreram no decorrer do tempo surgem também novos desafios à administração de recursos humanos à competitividade global, a necessidade de gerenciar mudanças, a explosão de novos conhecimentos na administração de recursos humanos, questões legais e o novo empregado especializado. (MOHRMAN; LAWLER , 1995 ). Conforme Ulrich (2000), como a área de recursos humanos vem tornando-se cada vez mais reconhecida, com um corpo de padrões e competências distintas, diversos pesquisadores têm gerado inúmeras deduções do que venha a ser um bom profissional de recursos humanos. Foi concluído, portanto, que para ser um bom profissional o administrador de recursos humanos deve possuir as seguintes habilidades: os profissionais de RH precisam entender de todas as demais áreas da empresa; devem conhecer os negócios; precisam dominar as práticas de RH baseando-se em teorias testadas á partir de pesquisas; devem gerenciar os processos de mudança (o profissional de RH precisa ser capaz de planejar um processo de mudança); precisam criar culturas e locais de trabalho que desenvolvam a capacidade individual, ou seja, os profissionais devem aumentar o capital intelectual humano e comprometimento com a empresa; e, precisam demonstrar credibilidade pessoal (os profissionais de RH devem ser confiáveis). Focando as pessoas como o recurso mais importante para a organização e também para a administração de recursos humanos os profissionais de RH precisam possuir habilidades não só para lidar com que se já está habituado mais também com o novo e o diferente. Conforme Chiavenato (2004, p. 61), “as diferenças individuais estão em alta assim como a diversidade nas organizações, a razão é simples quanto maior a diferenciação das pessoas, tanto maior seu potencial de criatividade e inovação”. A promoção da diversidade são práticas adotadas também pela responsabilidade social empresarial, entretanto, esta será a próxima proposição a ser tratada. 11 3.4. Responsabilidade Social De acordo com Maximiano (2006) a responsabilidade social das organizações e o comportamento ético dos administradores estão entre as tendências mais importantes que influenciam a teoria e a prática da administração no terceiro milênio. A discussão sobre a responsabilidade social é antiga e acentuou-se devido a problemas como poluição, corrupção, desemprego e proteção dos consumidores, entre tantos outros temas polêmicos que envolvem as organizações. Segundo Ashley (2006), o conceito de responsabilidade social é cercado de debates filosóficos sobre o dever das corporações de promover o desenvolvimento social, passou a ser acompanhado na década de 70, do termo responsividade social. A partir desse conceito, já havia a necessidade de construir ferramentas teóricas que pudessem ser testadas e aplicadas no meio empresarial. O conceito de responsabilidade social para Schermerhorn (1999, p. 78), “é definido como uma obrigação da organização de atuar em modos que sirvam tanto a seus próprios interesses quanto aos seus diversos públicos externos”. Conforme Instituto Ethos (2003), a responsabilidade social está além do que a empresa deve fazer por obrigação legal. A relação e os projetos com a comunidade são elementos fundamentais para a prática de responsabilidade social, mas além de tais práticas é necessário incorporar critérios de responsabilidade social na gestão estratégica do negócio e traduzir as políticas de inclusão social e de promoção da diversidade. Para administração da responsabilidade social no contexto das organizações é de suma importância que sejam identificados e priorizados os problemas e analisados os dados disponíveis através de pesquisas sociais. Logo após deve-se analisar os indicadores sociais, definir os objetivos e metas, escolher os alvos estratégicos, definir as estratégias e implementar a avaliação. (MELO NETO, 1999) Neste sentido conforme Certo (2003, p. 60), “planejar as atividades de responsabilidade social implica na determinação de como a empresa atingirá seus objetivos de responsabilidade social e de como chegará ao ponto que deseja na área de responsabilidade social”. Portanto o caminho para uma sociedade sustentável requer uma nova perspectiva sobre os impactos das decisões e ações de todos os agentes sociais, associados aos negócios de uma organização empresarial. Tal aspecto indica alguns desafios: o primeiro deles é a avaliação de desempenho a avaliação pode ser feita através de um diálogo com os “stakeholders”, o segundo desafio é transcender as fronteiras da empresa, ou seja, é preciso 12 adotar novas premissas buscando a responsabilidade social de todos os indivíduos, considerando o poder de compra dos mesmos e o terceiro desafio é a transparência organizacional, pois as empresas devem construir relações de confiança, incentivar e adotar parcerias que agreguem valor mutuamente e tomar decisões empresarias considerando aspectos ambientais e sociais. (ASCHLEY, 2006) Para finalizar, de acordo com Instituto Ethos (2000), o cenário de aceleradas mudanças, impõe as empresas novos desafios e demandas. Com meio a isso produtividade, competitividade e compromisso social são exigências que estão entre requisitos para o sucesso e sustentabilidade nos negócios, nota-se que promover a diversidade nas organizações é uma das práticas que promove o avanço das empresas socialmente responsáveis. 3.5. Gestão da Diversidade O cenário de aceleradas mudanças que caracteriza o mundo nesta virada de século impõe as empresas novos desafios. Produtividade, competitividade e compromisso social são exigências que estão na ordem do dia como requisitos básicos para sustentabilidade dos negócios. Portanto torna-se cada vez mais evidente para as empresas a importância de tratar a diversidade com primazia em sua agenda de responsabilidade social e de considerá-la um tema decisivo para seu desempenho organizacional. (INSTITUTO ETHOS, 2000) De acordo com Bahia (2006, p. 6), “a busca de oportunidades iguais e de respeito à dignidade de todas as pessoas traz para as relações humanas a noção de diversidade de modo a representar um princípio básico de cidadania, que visa assegurar a cada pessoa condições de pleno desenvolvimento de seus talentos e potencialidades”. Nkomo e Junior (2006, p. 333), definem diversidade como “um misto de pessoas com identidades grupais diferentes dentro do mesmo sistema social”. De acordo com Maximiano, (2006) o mundo seria muito homogêneo se todos fossem uns iguais aos outros como um imenso “formigueiro humano”. As pessoas não conseguiriam se distinguir umas das outras. Pode-se dizer, portanto, que somos todos similares e diferentes ao mesmo tempo, pois todos somos seres humanos com direitos iguais, porém com características diferenciadas. Daft (2006), ressalta, que a diversidade da força de trabalho significa uma força de trabalho inclusiva composta de pessoas com qualidades humanas diferentes ou que pertençam a vários grupos culturais. Do ponto de vista dos indivíduos, diversidade significa incluir pessoas diferentes delas mesmas ao longo das dimensões como idade, etnia, gênero ou raça. È importante ressaltar que a diversidade inclui todos, não apenas a minoria. 13 Dentro desse contexto pode-se afirmar que a diversidade não é tão somente fundamentada por estudos recentes, é caracterizada por profundas mudanças e por uma estrutura marcada por condutas discriminatórias onde revelam traços herdados referentes ao processo de formação do País entre eles pode-se citar: A colonização européia que promoveu em larga escala, o extermínio das populações indígenas que habitavam o Brasil; A escravidão negra, base da economia da colônia e do império nos séculos XVIII e XIX, também deixou cicatrizes que ainda repercutem nas desigualdades e nos preconceitos existentes no País;e, A questão também do gênero e o papel destinado ás mulheres remontam á tradição patriarcal da família brasileira que legou ao gênero feminino uma condição de subordinação apenas alterada. (BAHIA, 2006) Conforme Instituto Ethos (2000, p. 15), “de um total estimado em 6 milhões de pessoas no século XVI, os povos indígenas foram reduzidos a um contingente que soma hoje 350 mil remanescentes que conseguiram preservar suas línguas e costumes”. Historicamente a relação formal do Brasil com a população indígena foi estabelecida pelo Código Civil, de 1916, em vigor até o ano 2000, que considerava estes povos patrimônio histórico, sem capacidades morais e intelectuais. Esta concepção equivocada sempre foi alvo de grandes protestos nacionais e internacionais, da parte dos próprios indígenas, de militantes dos direitos civis, de pesquisadores e de juristas e revelava uma postura racista, intolerável e incontornável na produção de políticas públicas democráticas e inclusivas. (CONFERÊNCIA NACIONAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL, 2005) De acordo com o Instituto Ethos (2000), deve-se declarar que o final da escravidão não aboliu ás práticas e valores da sociedade. Após a libertação, os negros livres permaneceram, de modo geral, ocupando as posições mais subalternas e não tiveram condições de disputar as oportunidades de trabalho oferecidas pela economia do início da República, na maioria destinadas às novas levas de imigrantes europeus. Esse foi um fator determinante para que, no presente, os negros permaneçam como o principal contingente das camadas pobres do país, reafirmando o estigma da servidão do passado. De acordo com dados do IBGE (2002), os negros pobres somavam 44,8% do total da população negra enquanto que os não-negros pobres somavam apenas 20,9% do total da população não negra. De acordo com Bahia (2006), a área de trabalho do movimento negro vem ganhando destaque tendo em vista que é uma das áreas em que as queixas de discriminação são numerosas. Na década de 80 esses estudos intensificaram-se destacando alguns trabalhos 14 como o de Hasembalg (1979), Chaia (1988), Porcaro e Araújo (1988), Carneiro e Santos (1985). Porém, conforme Alvis; Silva apud Soares (2004, p. 23), “apenas nos anos 1990 os governantes brasileiros reconheceram a discriminação de negros no mercado de trabalho como um problema social, a partir da luta dos movimentos sociais por políticas de ação afirmativa”. Além das práticas discriminatórias citadas em relação aos indígenas e aos negros, quando se examina a história brasileira em relação ao gênero e o papel destinado às mulheres, constata-se que a tradição das famílias brasileiras legou ao gênero feminino uma condição de subordinação que só nas décadas mais recentes tem sido alterada. A inferiorização das mulheres se manifesta em diferentes esferas da vida, especialmente nas relações de trabalho. (INSTITUTO ETHOS, 2000). Segundo dados do IBGE, em 1981 as mulheres correspondiam a 31,3% do total de trabalhadores. Em 1997, ás 30,4 milhões de mulheres que trabalhavam já representavam 40,4% do total da população economicamente ativa. A discriminação por gênero ocorre quando pessoas igualmente produtivas prestam serviços ao mercado de trabalho, mas são tratadas de forma diferenciada devido ao seu gênero. Desigualdade significa que estas pessoas recebem salários diferentes pelo mesmo trabalho realizado, ou se deparam com exigências diferentes no serviço prestado a um mesmo nível salarial. (SON; KAKWANI, 2008 s.p.) As políticas de igualdade, bem como as ações afirmativas, podem corrigir, portanto essas desigualdades e contribuir para utilização de todo o potencial da mão de obra feminina e influir: nas áreas de discriminação, no acesso ao emprego, aos postos de trabalho com maiores responsabilidades e aos postos mais qualificados. (BENTO, 2000) Pode-se dizer, portanto, que essas desigualdades datadas até nos tempos mais remotos surgiram de estereótipos criados como o preconceito (idéias preconcebidas ou intolerância a outras raças) e da discriminação (tratamento preconceituoso dado a um indivíduo). È importante estabelecer a diferença entre preconceitos e discriminação justamente porque eles ensejam diferentes ações na busca da igualdade. Uma ação educativa e persuasiva pode contribuir para a diminuição do preconceito e para a revisão dos estereótipos, levando a valorização das diferenças e da diversidade. Já nos casos de discriminação, entretanto, por se tratar de prática, há de se usar também dispositivos legais ou não se terá alteração no quadro das desigualdades. (BENTO, 2000) 15 Um levantamento em 1997 registrou a existência no país de 26 medidas legislativas federais relacionadas ao racismo e a discriminação, além de outras quatrocentas de âmbitos estaduais e municipais. O Brasil, no entanto, é signatário, desde 1965, da Convenção n° 111 da OIT (Organização Internacional do trabalho) onde diz que “toda distinção, exclusão ou preferência fundada na raça, cor, sexo, religião, opinião política, ascendência nacional ou origem social que tenha por efeito destruir ou alterar a igualdade de oportunidades ou tratamento em matéria de emprego ou profissão.” O país também assinou outros acordos internacionais entre eles podemos destacar: a Convenção n° 100 sobre Igualdade da Remuneração da Mão de Obra feminina por um trabalho de igual valor, de 1951; a Convenção da ONU de todas as formas de discriminação Racial, de 1966; a Convenção da ONU sobre eliminação de todas as formas contra discriminação a Mulher, de 1979; a Convenção n° 169 sobre os direitos dos povos indígenas e tribais, de 1998 e a Convenção n° 159 que assegura por lei a reserva de percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência, de 1988. (INSTITUTO ETHOS, 2000) Conforme Bento (2000), o movimento sindical também tem tido um importante papel nessa etapa ao produzir um modelo básico de “cláusulas de promoção da igualdade” que já está servindo de parâmetro para a introdução e negociação de cláusulas em acordos e convenções coletivas de trabalho. Diante da tendência de disponibilidades cada vez maior dos recursos tecnológicos, a vantagem competitiva de uma empresa será determinada pela qualidade da relação que ela mantém com as pessoas, interna e externamente. E essa qualidade está diretamente relacionada ao problema da inclusão e exclusão de diferentes grupos sociais, com suas múltiplas culturas, visões de mundo e estilos de trabalho. (INSTITUTO ETHOS, 2000 p. 25) No mundo dos negócios as ações afirmativas e a diversidade são consideradas como mais um instrumento eficaz de gestão de recursos humanos. São reavaliadas como medidas com a finalidade de descobrir o potencial dos trabalhadores, aumentar a eficácia, o entusiasmo e a satisfação no trabalho, conseguindo proporcionar também acréscimos no melhoramento da eficiência econômica da própria organização. (BENTO, 2000) Estudos realizados pela OIT (2002) revelam que as empresas consideram a diversidade como: Valor, capaz de transformar a cultura organizacional e preparar a organização para a complexidade de uma economia globalizada; 16 Oportunidade de caráter econômico, capaz não apenas de criar proximidade entre a empresa e as suas partes interessadas como também de construir vantagens competitivas pela via da criação do inesperado Elemento de composição da imagem organizacional; e Política de conduta corporativa, que coíbe a discriminação. Para as empresas brasileiras a importância de abordar a diversidade como prioridade em sua agenda de responsabilidade social e de considerá-la um dos temas decisivos para seu desempenho é cada vez mais perceptível, porém, as ações efetivas para sua promoção ainda se encontram em estágios iniciais. O assunto é um dos principais desafios das organizações modernas, lidar com a diversidade, isto é, com as diferenças em termos de raça, etnia, sexo, e demais pessoas que fujam da norma convencional, tais como pessoas com deficiência. (BAHIA, 2006) Conforme Milkovich e Boudreau (2000), uma organização que valoriza a diversidade cria um ambiente que respeita e apóia os empregados com formação não tradicional de forma que eles possam contribuir com todo o seu potencial. Um contingente de pessoal mais diversificado e abrangente dá á organização uma base de experiência mais ampla e rica. Ainda pode-se afirmar que a diversidade pode proporcionar um ambiente muito mais rico, uma variedade maior de pontos de vista e maior produtividade. As vantagens da aplicação de políticas de gestão da diversidade de acordo com o Instituto Ethos, 2000 são inúmeras entre elas pode-se citar: As empresas com uma mão de obra diversificada têm melhores condições de colocar seus produtos e serviços no mercado atendendo a consumidores cada vez mais diferenciados. Diversos estudos de âmbito internacional já indicaram que os programas de diversidade influem positivamente no bom desempenho financeiro da empresa. Os programas de diversidade também têm sido um fator diferencial para muitas empresas na atração de novos investidores. A experiência de várias empresas mostra que a atenção á diversidade pode conduzir a uma redução de troca de mão de obra. Um ambiente baseado na diversidade tende a ser mais estimulante e produtivo, favorecendo a elaboração de novos projetos e soluções. 17 Quando se constata que a valoração da diversidade é uma macrotendência verificável nos mais diferentes países, percebe-se a importância estratégica de praticá-la internamente. Na medida em que um estímulo á diversidade representa um esforço a expressão de talentos e potencialidades individuais, ele torna a empresa mais bem capacitada para avaliar e promover seus empregados tendo por base sua efetiva competência. Um ambiente de discriminação pode reprimir talentos e comprometer a capacidade da empresa de reconhecer adequadamente o desempenho de seus funcionários e dirigentes. Para Bahia (2006), considerar a diversidade no ambiente de trabalho como algo que implica conjugar oportunidades para as empresas com expectativas sociais, o que requer, ao mesmo tempo preparo e monitoramento durante o processo de aprendizagem e implementação de programas com esse escopo estão entre os desafios encontrados pelos administradores para gerir a diversidade nas organizações. Entre tantos temas abordados em relação á diversidade, as pessoas com deficiência são foco principal desse estudo, visto que os mesmos são vítimas de obstáculos e dificuldades para o acesso e permanência no mercado de trabalho. (INSTITUTO ETHOS, 2000). Portanto o próximo tema a ser abordado será a inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. 3.6. A inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho 3.6.1. A legislação e o histórico Mundial e Brasileiro das pessoas com deficiência Há algumas décadas a sociedade acreditava que a pessoa que possuísse algum tipo de deficiência, como incapacidade de movimentar-se, limitações para enxergar, ouvir ou falar teria uma vida de completa falta de perspectiva e de possibilidades reduzidas. (SCHWARZ; HABER, 2006) Conforme Bahia (2006), na idade antiga a deficiência era comparada a um fardo ou à morte. Havia duas atribuições que sempre foram relacionadas às pessoas com deficiência: a idéia de castigo ou a de possuir poderes sobrenaturais. Também para as religiões às pessoas com deficiência eram vistas como: a desgraça ou com a obtenção de poderes sobrenaturais. 18 Das civilizações antigas podem ser citadas como exemplo: Egito antigo, onde as deficiências eram vistas como males; hebreus, para quem as deficiências eram sinônimos de impurezas e/ou pecado. Este povo caracterizou-se pela explicitação de preconceitos e discriminação para com as pessoas que possuíam alguma deficiência; civilizações grega, para a qual aquelas pessoas que tinham alguma deficiência eram dotadas de poderes de adivinhação. A população grega destacou-se, também pela prática de eliminação das crianças com deficiência; civilização romana, povo que considerou a deficiência como sinal de monstruosidade. Civilização que teve a esmola como um negócio, bem como a deficiência como um castigo e/ou punição. Segundo Bartalotti (2006), na Antiguidade e na Idade Média, a compreensão sobre a deficiência estava ligada ao sobrenatural. Vistas como pessoas demoníacas esses eram eliminados, pelo sacrifício de sua vida ou pelo abandono, que acabava também consistindo em uma sentença de morte. A deficiência então era algo que não fazia parte do convívio humano. Construir locais para confinar pessoas consideradas indesejadas para o convívio social foi uma das estratégias dessa época que permaneceu durante muito tempo. (CORRER, 2003) O renascimento foi considerado o começo do pensamento científico pelo humanismo, traz, através da expressão artística, a representação das pessoas com deficiência. Porém, a imagem das pessoas com deficiência como um ser pobre, incapaz, improdutivo e dotado de poderes sobrenaturais ainda é veiculada nessas obras de arte.(BAHIA, 2006) Contudo o período do renascimento foi palco também de novos avanços do conhecimento na área da medicina, o que fortaleceu a tese da organicidade (as deficiências são causadas por fatores naturais e não por fatores espirituais), ampliando a compreensão de deficiência. A tese do desenvolvimento por meio da estimulação se transformou, embora lentamente, em ações de ensino, se desenvolvendo definitivamente, somente a partir do século XVIII. (SCHWARZ; HABER, 2006) O final da segunda guerra mundial também marcou o início de uma preocupação com pessoas com deficiência porque com o final da guerra restaram famílias órfãs, um caos econômico e um grande número de soldados mutilados, ou seja, os indivíduos tornaram-se pessoas com deficiências motoras sensoriais e intelectuais, portanto eis que surge nessa época tecnologias assistivas e técnicas especializadas, objetivando colaborar com a reabilitação, readaptação e reintegração dos indivíduos com alguma deficiência em todos os setores da 19 vida. No entanto, foi somente em 1945 que a fundação da Organização das Nações Unidas deu início ao processo de integração social das pessoas com deficiência. (BAHIA, 2006) Em dezembro de 1948, foi adotada e proclamada pela resolução 217 pela assembléia geral das Nações Unidas que estabelece no seu art. 23, “Toda pessoa tem direito ao trabalho, á livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e a proteção contra o desemprego”. (ONU, 1948). Este documento foi considerado como um marco na história tanto para pessoas com ou sem deficiência. Em 09 de dezembro de 1975, a ONU aprovou a Declaração dos Direitos das Pessoas com Deficiência, defendendo o direito inerente dessas pessoas ao respeito por sua dignidade e o de ter suas necessidades levadas em consideração em todos os estágios do planejamento socioeconômico.(INSTITUTO ETHOS, 2002 p. 15) De acordo com Gil, (2005, s.p.), “a partir dos anos 80 os movimentos mundiais de luta pelos direitos humanos se intensificaram, adotando como bandeira a garantia de direitos plenos a todos os cidadãos, independente de raça, religião ou deficiência”. O ano de 1981 foi declarado pela ONU como o Ano Internacional das Pessoas com Deficiência cujo lema foi “Participação Plena e Igualdade”. A declaração teve tanta repercussão que o período de 1983 a 1992 foi dedicado a este importante segmento da população. Conforme Instituto Ethos (2002, p. 15) “no campo do trabalho, a legislação avançou a partir da Convenção de 159 da OIT de 1983, que estabeleceu definições mais precisas sobre a deficiência nesse âmbito”. Pode observar-se também neste período o início de uma preocupação com a qualidade de vida e o bem estar das pessoas com deficiência. Registra-se, portanto a ruptura de um paradigma de exclusão de pessoas com deficiência. (BAHIA, 2006) Para melhor entendimento, a legislação internacional para pessoas com deficiência ocorreu da seguinte forma: Em 1980 foi estabelecida a década internacional das Pessoas Deficientes Em 1981 foi adotado pela ONU como o ano Internacional das Pessoas Deficientes Em 1983 foi elaborada a convenção 159 da OIT Em 1990 foi aplicado a ADA (Lei dos Deficientes no Estados Unidos), aplicável a toda empresa com mais de quinze empregados Em 1992 Estabelecida a data de 3 de dezembro como Dia Internacional da Pessoas Portadoras de Deficiência da ONU Em 1994 Declaração de Salamanca (Espanha), tratando da educação especial 20 Em 1995 A Inglaterra aprova legislação semelhante para as empresas com mais de vinte empregados Em 1997 Tratado de Amsterdã em que a União Européia se compromete a facilitar a inserção e permanência das pessoas com deficiência no mercado de trabalho Em 1999 promulgada na Guatemala a Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras de Deficiência Em 2002 foi realizado em março o Congresso Europeu sobre Deficiência, em Madri que estabeleceu 2003 como o Ano Europeu das Pessoas com Deficiência. (INSTITUTO ETHOS, 2002) No Brasil com o governo Getúlio Vargas começou-se a pensar numa participação mais efetiva das pessoas com deficiência na sociedade, no que tange a educação, reabilitação, profissionalismo e inserção no mercado de trabalho. As mudanças na relação capital x trabalho constituem um marco importante também neste período, pois foi nele que surgiu a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) que possuíam as primeiras políticas assistencialistas para as pessoas com deficiência. Nos anos 50 com o governo de Juscelino Kubitschek o Brasil passou a viver uma fase de desenvolvimento pleno com uma indústria voltada para a produção de bens e consumo, este período é marcado como o surto desenvolvimentalista pela implantação de várias indústrias como multinacionais e automobilísticas e pelo surgimento de empregos que por sua vez criou a possibilidade de compatibilizar às potencialidades das pessoas com alguma deficiência.(BAHIA, 2006) Porém, posteriormente houve o período do asilismo que esteve presente no Brasil e sua marca residia nos antigos manicômios, em que as pessoas vistas como “diferentes” eram excluídas (loucos, deficientes mentais e indigentes), eram medicalizadas e esquecidas da vida em sociedade. ( GIL, 2005) Em seguida começa se empregar a prática do assistencialismo em que as pessoas com deficiência são reconhecidas como seres com necessidades, porém marcadas pelo estigma da dificuldade e da impossibilidade. Foi-lhes concedido o direito a vários serviços de reabilitação, educação e trabalho, sempre em ambientes protegidos, e feitos especialmente para elas. A palavra de ordem é proteção e piedade em relação à deficiência. (GIL, 2005) “Evoluindo um pouco mais no que diz respeito a questão do trabalho para pessoas com deficiência o período seguinte foi o da integração”.(BAHIA, 2006 p. 21) 21 Porém a integração segundo Sassaki (2006), não era suficiente para acabar com a discriminação que havia com esse segmento da população tão pouco para propiciar a participação plena com igualdade de oportunidade, pois a integração consisti no esforço de inserir na sociedade pessoas com deficiência que alcançaram um nível de competência compatível com os padrões sociais vigentes. O modelo médico considerado também como uma prática inclusivista, ocasionou grande impacto para as pessoas com deficiência, pois o mesmo era responsável em parte, pela resistência da sociedade em aceitar a necessidade de mudar suas estruturas e atitudes para incluir as pessoas com deficiência. O modelo médico tenta melhorar as pessoas com deficiência para adequá-las aos padrões da sociedade.(SASSAKI, 2006) Em 1979 no Brasil portanto, emergiram movimentos em defesa dos direitos com as pessoas com deficiência. Surge a partir daí o conceito de “equiparação de oportunidades” que significa tornar acessível para qualquer pessoa todos os sistemas gerais da sociedade. (BAHIA, 2006) Foi no ano de 1988 com a Convenção 159 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no art. 37, VII, que foi assegurado por lei a reserva de percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência. Conforme Instituto Ethos (2002), a legislação no Brasil ocorreu da seguinte forma: Em 1989 surgiu a Elaboração da Lei n° 7.853 que referendou a Convenção 159 da OIT. Essa lei definiu os direitos das pessoas com deficiência, disciplinou a atuação do Ministério Publico e criou a Corde (Coordenadoria Nacional para Integração das Pessoas Portadoras de Deficiência). Em 1991 foi criado a Lei n° 8.213 que estabeleu cotas de contratação para empresas privadas com mais de cem funcionários. Dispõe também sobre os planos de Benefícios de Previdência Social. Em 1999 teve a Edição do Decreto n° 7.853. Fixou uma política Nacional para a Integração de Pessoas Portadoras de Deficiência no mercado de trabalho e na sociedade. Traz a conceituação de deficiência e fixa os parâmetros de avaliação da deficiência física, auditiva, visual, mental e múltipla. Em 2000 foi Sancionada a Lei n° 10.098, que estabeleu normas e critérios básicos para a promoção de acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida. 22 E é então na década de 90 que surge o paradigma da inclusão. Inicia-se então, um período em que já se pode ver, crescer e fortalecer a mentalidade mais compatível com os tempos atuais (BAHIA , 2006). As práticas inclusivistas diferem das práticas integradoras, portanto este será o próximo tema a ser exposto neste estudo. 3.6.2. Integração x Inclusão A idéia da integração social é considerada como uma prática pré-inclusivista e surgiu para derrubar a prática da exclusão social que foram submetidas as pessoas com deficiência por vários séculos. (SASSAKI, 2006). Segundo Bartalotti (2006), a exclusão nasce de uma ordem social legitimada por valores, ela é fruto das formas de organização da sociedade e das maneiras que se estabelecem as relações entre as pessoas. Conforme Sassaki (2006), a partir da década de 60, o movimento pela integração social começou a procurar inserir as pessoas com deficiência nos sistemas sociais gerais, como a educação, o trabalho a família e o lazer. Essa abordagem teve certos princípios e processos que impulsionaram a integração que examinaremos a seguir: O princípio da normalização por volta da década de 70 é o primeiro deles e tinha como pressuposto básico a idéia de que toda pessoa portadora de deficiência, especialmente aquela portadora de deficiência mental, tem o direito de experienciar um estilo ou padrão de vida que seria normal ou comum à sua própria cultura. Adentrando a década de 80 e avançando um pouco mais na tentativa de integração, na área de educação especial, desenvolveu o princípio de mainstreaming, o que significa levar os alunos o mais possível para os serviços educacionais disponíveis na corrente principal da comunidade. Ainda de acordo com Sassaki (2006), a integração social tem o mérito de inserir as pessoas com deficiência na sociedade, mas desde que ela esteja de alguma forma capacitada a superar as barreiras físicas, programáticas e atitudinais nela existente. Hoje entendemos que a tão defendida e almejada prática da integração ocorreu e ainda ocorre de três formas, porém, nenhuma dessas formas de integração social satisfaz plenamente os direitos de todas as pessoas com deficiência, pois a integração pouco ou nada exige da sociedade em termos de modificações de atitudes, espaços físicos, de objetos e de práticas sociais.As três formas são: 23 Pela inserção pura e simples daquelas pessoas com deficiência que conseguiram por méritos profissionais ou pessoais, utilizar os espaços físicos sem nenhuma modificação por parte da sociedade. Pela inserção que necessitavam alguma adaptação específica no espaço físico comum ou no procedimento da atividade comum a fim de poderem, só então, estudar, trabalhar, ter lazer enfim conviver com pessoas não-deficientes. Pela inserção de pessoas com deficiência em ambientes separados dentro dos sistemas gerais.Por exemplo: escola especial junto à comunidade; classe especial numa escola comum; setor separado dentro de uma empresa comum etc.Está forma de integração, mesmo com todos os méritos não deixa de ser segregativa. Conforme Lorentz (2006), na etimologia a palavra “inserção” vem de “inserir” com gênese no latim insertione, significando “pôr em”, “introduzir”, “intercalar”; e, a palavra “integração”, etimologicamente vem do latim integrare, que advém do verbo “entegrar” e significa “reparar”, “repor em bom estado”, “restituir ao estado primitivo”, “repor”. A integração, entretanto, indica um novo tratamento a pessoas com deficiência, porém, ainda implica no estigma de que é necessário primeiro “consertar” essas pessoas para só depois admiti-las no convívio social. Contudo, como a prática integradora não tornou-se completa pelo motivo das pessoas com deficiência terem de se modificar e adaptar-se para inserção na sociedade e a sociedade praticamente nada fazer para receber tais pessoas, surgiu o movimento da inclusão para complementar a prática da integração. A inclusão social, no entanto, tem sido um tema amplamente debatido e estudado sob as mais diversas óticas, geralmente contraposto a noção da exclusão social e entendido como um direito, só falamos em inclusão porque identificamos situações como sendo de exclusão e, mais do que isso porque a exclusão é definida como algo desvantajoso, algo que fere a dignidade humana.(BARTALOTTI, 2006) Etimologicamente o termo inclusão vem do latim inclusione, que significa “ato de prender”, “prisão” e também pertence à família da palavra clave, ou “chave”, significando “pôr a pessoa dentro da chave”, “encerrar”, “encaixar”, “fechar alguém ou qualquer coisa”. Pela visão da etimologia fica claro que inclusão tem o sentido de tirar alguém de um espaço para colocá-lo em outro, que estava trancado à chave, ou seja, tem o senso de alteração de uma determinação situação. (LORENTZ, 2006, p. 196) 24 Sassaki (2006), conceitua inclusão como o processo pelo qual a sociedade se adapta para poder incluir, em seus sistemas sociais, pessoas com necessidades especiais e, em paralelo as pessoas com deficiência preparam-se para assumir seus papéis na sociedade. A inclusão social constitui um processo bilateral no qual as pessoas ainda excluídas, e a sociedade buscam, em parceria equacionar problemas, decidir sobre soluções e efetivar a equiparação de oportunidades para todos. Os praticantes da inclusão baseiam-se no modelo social da deficiência. Para incluir todas as pessoas, a sociedade deve ser modificada a partir do entendimento de que ela é que precisa ser capaz de atender às necessidades de seus membros. Mas porque fala-se em sociedade inclusiva para essa parcela da população? Porque trata-se aqui de algo que traz estranhamento que a diferença e a deficiência provoca, dos sentimentos e ações que são desencadeados ao nos confrontarmos com aquilo que nos é desconhecido, ou que é conhecido a partir de concepções estereotipadas. Portanto precisa-se compreender o preconceito tal estranhamento à respeito da diferença. (BARTALOTTI, 2006) De acordo com Crochik (1997, p. 18), “o preconceito diz respeito a um mecanismo desenvolvido pelo indivíduo para poder se defender de ameaças imaginárias, e assim é um falseamento da realidade, a qual o indivíduo foi impedido de enxergar”. Para que se possa compreender melhor a relação de preconceito com deficiência, fazse necessário entender o que tornaria o outro um estranho, um diferente. Assim o outro é considerado diferente, estranho, pois há parâmetros socialmente aceitos que definem o que é de certa forma igual, ou melhor dizendo, o que se está dentro dos limites aceitáveis de diferença. O confronto com a diferença significa, então, desencadeiamento de um sentimento de emoção (medo, pena, compaixão) que por sua vez provoca uma disposição afetiva em relação ao diferente. Temos então alguém que se depara com o outro nele e percebe uma diferença, que de alguma forma, desestabiliza, pois contraria aquilo que é considerado o padrão, o perfeito, contraria aquilo que é esperado. (BARTALOTTI, 2006) O Instituto Ethos (2002), afirma que para incluir pessoas com deficiência é preciso saber lidar com preconceito decorrente da falta de informação. È preciso reconhecer que o preconceito e a diferença existem para começar a superá-los, portanto, conviver com indivíduos diferentes, como as pessoas com deficiência, contribui para o avanço desse processo. Isso não é pouca coisa, visto que o preconceito está presente na origem de quase todas as situações de violência da vida contemporânea. A inclusão social, no entanto, é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade através de transformações pequenas e grande, nos ambientes físicos e 25 na mentalidade de todas as pessoas, portanto também da própria pessoa com necessidades especiais. (SASSAKI, 2006) A seguir serão demonstrados as principais diferenças dos paradigmas da Inclusão e Integração social conforme Werneck (2003): Inclusão Integração Inserção total e incondicional (crianças com deficiência não precisam se preparar para ir à escola regular Exige rupturas nos sistemas Mudanças que beneficiam toda e qualquer pessoa (não se sabe quem ganha, TODAS ganham). Inserção parcial e condicional (crianças “se preparam” em escolas ou classes especiais para poderem freqüentar escolas ou classes regulares) Pede concessões aos sistemas Mudanças visando prioritariamente a pessoas com deficiência (consolida a idéia de que elas “ganham” mais. Contenta-se com transformações superficiais. Pessoas com deficiência se adaptam às realidades dos modelos que já existem na sociedade, que faz apenas ajustes. Defende o direito das pessoas com deficiência. Exige transformações profundas. Sociedade se adapta para atender às necessidades das pessoas com deficiência e, com isso, se torna mais atenta às necessidades de TODOS. Defende o direito de TODAS as pessoas, com e sem deficiência. Traz para dentro dos sistemas o grupo de “excluídos” e paralelamente, transforma esses sistemas para que se tornem de qualidade para TODOS. O adjetivo “inclusivo” é usado quando se busca qualidade para TODAS as pessoas com e sem deficiência (escola inclusiva, trabalho inclusivo, lazer inclusivo etc). Valoriza a individualidade das pessoas com deficiência (pessoas com deficiência podem ou não ser bons funcionários, podem ou não ser carinhosos etc.) Não quer disfarçar as limitações, porque elas são reais. Não se caracteriza apenas pela presença de pessoas com e sem deficiência em um mesmo ambiente. A partir da certeza de que TODOS somos diferentes não existem “os especiais”, o que existe são pessoas com deficiência. Insere nos sistemas os grupos de “excluídos que provarem estar aptos”(sob este aspecto, as cotas podem ser questionadas como promotoras da inclusão). O adjetivo “integrador” é usado quando se busca qualidade nas estruturas que atendem apenas às pessoas com deficiência consideradas aptas (escola integradora, empresa integradora) Como reflexo de um pensamento integrador cita a tendência a tratar pessoas com deficiência como um bloco homogêneo (exemplo: surdos se concentram melhor, cegos são bons massagistas). Tende a disfarçar as limitações para aumentar as chances de inserção. A simples presença física de pessoas com e sem deficiência em um mesmo ambiente tende a ser o suficiente para o uso do adjetivo “integrador”. Incentiva pessoas com deficiência a seguir modelos, não valorizando, por exemplo, outras formas de comunicação a Libras. Seríamos um bloco majoritário e homogêneo de pessoas sem deficiência rodeadas pelas que apresentam diferenças. Quadro 1: As principais diferenças entre integração e inclusão Fonte: WERNECK (2003, p. 52-53) Enquanto processos sociais, a integração e a inclusão são ambos muito importantes. O que todos desejamos é atingir a meta de uma sociedade inclusiva. Para tanto o processo de integração terá uma parte decisiva a cumprir, cobrindo situações nas quais ainda haja resistência contra a adoção de medidas inclusivistas. De fato, nem todas as pessoas com deficiência necessitam que a sociedade seja modificada, pois, algumas estão aptas a se integrarem nela assim mesmo, mas as outras pessoas com necessidades especiais não poderão 26 participar plena e igualmente da sociedade se esta não tornar-se inclusivista. (SASSAKI, 2006) Bartalotti (2006, p. 47), ainda afirma que “não se faz inclusão com demagogia, com belos discursos com um grande lote de boa vontade; a inclusão verdadeira será construída a partir da consciência da realidade e da criação de efetivos mecanismos de transformação social”. Como os deficientes são tópico principal deste estudo, será o próximo assunto a ser explicitado. 3.6.3. Deficientes x Tipos de deficiência Ser portador de uma deficiência abrange uma série de situações que envolvem anomalias físicas, psíquicas, fisiológicas, muitas vezes de difícil caracterização, não implica necessariamente em ter anomalias físicas visíveis ou ainda ter cegueira absoluta, deficiência mental. Ser deficiente muitas vezes e ser aparentemente perfeito, embora apresente alguma anomalia imperceptível, determinada somente por perícia médica, portanto muitas vezes o indivíduo é considerado portador de alguma deficiência, porém não possui conhecimento desta. (BOLONHINI, 2004) O Decreto 3.298, de 20/12/99, no artigo 3°, traz os seguintes conceitos: “I – deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano; II – deficiência permanente - aquela que ocorreu ou se estabilizou durante um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e III – incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de integração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou transmitir informações necessárias ao seu bem estar pessoal e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida”. As deficiências são as seguintes de acordo com o Decreto 5.296, artigo 5°, de 02/12/04: - deficiência física - alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentando-se sob a forma de 27 paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções; - deficiência auditiva - perda bilateral, parcial ou total, de quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz, 1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz; - deficiência visual - cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60 o; ou a ocorrência simultânea de quaisquer das condições anteriores; - deficiência mental - funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como:comunicação;cuidado pessoal;habilidades sociais; utilização dos recursos da comunidade;saúde e segurança;habilidades acadêmicas; lazer; e trabalho; - deficiência múltipla - associação de duas ou mais deficiências. Segundo dados do IBGE censo de 2000 o número de pessoas com deficiência representa 14,5% da população brasileira, isto é, cerca de 24,6% milhões de pessoas.Deste total 8,3% possuem deficiência mental, 4,1% deficiência física, 22,9% deficiência motora, 48,1 % visual e 16,7% auditiva. Entre 16,5 milhões de pessoas com deficiência visual, 159.824 são incapazes de enxergar, e, entre os 5,7 milhões de brasileiros com deficiência auditiva, 176.067 não ouvem. Conforme Bahia (2006), são inúmeras as causas para os elevados índices de deficiência no País, as mais freqüentes são: nutrição inadequada de mães e crianças; ocorrências anormais pré e perinatais; doenças infecciosas; acidentes de trânsito e de trabalho; violência urbana e rural; pobreza familiar; falta de maiores esclarecimentos da população sobre deficiência e prevenção; e exclusão e abandono social. Após a definição do que é deficiência e seus tipos é importante que se estabeleça qual o uso correto da terminologia para se referir aos deficientes. De acordo com Sassaki (2003), 28 jamais houve ou haverá um único termo correto, válido definitivamente em todos os tempos e espaços. A razão disto reside no fato de que a cada época são utilizados termos cujo significado seja compatível com os valores vigentes de cada sociedade. Percorrendo a trajetória histórica dos termos pode-se observar que os deficientes já foram nomeados de os inválidos, os incapacitados, os defeituosos, os deficientes, os excepcionais, pessoas deficientes, pessoas portadoras de deficiência, pessoas com necessidades especiais / pessoas portadoras de necessidades especiais, pessoas especiais, pessoas com deficiência, portadores de direitos especiais e pessoas com deficiência. Os movimentos mundiais das pessoas com deficiência incluindo os do Brasil já fecharam a questão de que querem ser chamados de “pessoas com deficiência”, pois desta forma não se esconde ou camufla a deficiência, não se aceita o consolo da falsa idéia de que todo mundo tem deficiência, mostra com dignidade a realidade da deficiência e valoriza as diferenças e necessidades decorrentes da deficiência. Os novos tempos, contudo, devem ser caracterizado pelo fim do preconceito, isto é , pelo reconhecimento por parte da sociedade das potencialidades da pessoa com deficiência e da possibilidade de exercício nas diversas atividades sociais inclusive no mercado de trabalho.(BOLONHINI, 2004) Segundo Pastore (2000), deve-se evitar por parte da sociedade concepções errôneas em relação às pessoas com deficiência, tais como: Infelizes: as pessoas afetadas por limitações tendem a ser consideradas pela sociedade como infelizes por serem privadas de oportunidades, porém a infelicidade está muito mais no imaginário social do que na cabeça das pessoas com deficiência; Inúteis: muitos grupos sociais tendem a passar para as pessoas com deficiência a idéia de que elas não têm condições plenas para contribuir para o seu bem estar pessoal e para própria sociedade. Como nos dias atuais o trabalho é uma atividade supervalorizada, quem não consegue trabalhar é visto como inútil, porém grande parte das pessoas que possuem deficiência conseguem exercer uma atividade remunerada mediante a remoção de barreiras. Diferentes: de um modo geral a sociedade tende a tratar as pessoas com deficiência como pessoas diferentes.Em muitos aspectos elas são diferentes mesmo, mas nem sempre os critérios são tão claros para definir os iguais dos diferentes. Ademais a humanidade deve muita coisa aos que foram diferentes na arte, ciência, esportes, filosofia, religião. 29 Oprimidos: O desafio para superar esse problema é enorme e vale para os dois lados, tanto para os com deficiência tanto para os sem deficiência.O tratamento preconceituoso e discriminatório agrava as limitações das pessoas com deficiência.Enxergar a pessoa como um todo e não apenas como portadora de alguma deficiência é um grande desafio da sociedade e tal opressão desaparece mediante uma ação do lado social. Doentes: grande parte das pessoas tende a tratar as pessoas com deficiência dentro de um quadro de doença. O grande desafio para as pessoas com deficiência é o de demonstrar que isso é falso e que eles dispõem de uma energia extra para reconhecer e superar suas limitações quando a sociedade os ajuda na remoção de obstáculos. Pode-se observar que o universo de deficientes é expressivo e vários fatores contribuem para que esse número se eleve, incluindo o fato de estarmos em um país com crescentes índices de acidentes de trabalho e de violência urbana. (INSTITUTO ETHOS, 2002) As pessoas com deficiência, no entanto, esperam que nesse novo milênio a política da exclusão social seja totalmente extinta, que as tecnologias avancem cada vez mais para rompimento das barreiras físicas,didáticas e principalmente profissionais ampliando cada vez mais a possibilidade da inclusão no mercado de trabalho.(BOLONHINI, 2004) Fala-se de inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho, pois as empresas têm uma grande capacidade de influir na transformação da sociedade. Mesmo as mudanças de caráter interno repercutem diretamente na vida dos funcionários, suas famílias e na comunidade com a qual a empresa se relaciona. As empresas também podem ajudar muito no sentido de contratar manter e promover as pessoas com deficiência, reconhecendo sua potencialidade e dando-lhes condições de desenvolvimento profissional uma vez que todos têm direitos iguais. (INSTITUTO ETHOS, 2002) O próximo passo deste trabalho, entretanto, será o de tratar à respeito da inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. 3.6.4. A inclusão no ambiente de trabalho A inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho intensificou-se após a criação de leis que preconizavam a inserção das mesmas no meio social, ou seja, no mercado de trabalho. 30 A preocupação do legislador em estabelecer políticas nacionais que tenham como diretriz garantir acesso ao mercado de trabalho das pessoas com deficiência não é recente. Essa preocupação já se encontrava expressa na Lei n° 3.807/1960, art. 55 que estabelecia que “as empresas que dispuserem de 20 (vinte) ou mais empregados seriam obrigadas a reservas de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) de cargos, para atender aos casos de readaptados ou reeducados profissionalmente, na forma que o regulamento desta lei estabelecer”. Porém ainda neste período não existia punições para as empresas que não contratassem as pessoas com deficiência, portanto as mesmas dependiam da boa vontade de empresários para serem contratadas. (IOB, 2008) No entanto, foi após a Lei 8.213/1991 no seu art. 93 com eficácia em 1999 com o decreto n° 3.298 que o número de contratações de pessoas com deficiência aumentou significativamente. A lei preconiza que “a empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários da Previdência Social reabilitados ou com pessoas portadoras de deficiência habilitadas, na seguinte proporção”: I - até 200 empregados......................................................2%; II - de 201 a 500...............................................................3%; III - de 501 a 1.000...........................................................4%; IV - de 1.001 em diante. ..................................................5%. “Segundo dados do IBGE 24,6 milhões de pessoas com deficiência no Brasil, destas 15,22% estão em idade de trabalhar no mercado formal, mas apenas 3,9% encontrariam trabalho se a lei de cotas fosse cumprida plenamente”. (Bahia, 2006 p. 37). Conforme Clemente (2004) se todas as empresas cumprissem a Lei de Cotas (considerando o percentual mínimo), seriam geradas apenas 592.472 vagas para pessoas com deficiência conforme quando a seguir: 31 Região População Taxa de Deficiência Pop. Deficiência Norte Nordeste Centro-Oeste Sudeste Sul Total 12.911.170 47.782.488 11.678.658 72.430.194 25.110.349 169.912.859 14,14% 17,1% 13,76% 13,95% 14,30% 14,5% 1.901.892 8.025.536 1.618.203 9.459.596 3.595.028 24.600.256 PCD em idade de Trabalhar (15-59 anos) 1.264.051 4.880.930 1.069.602 5.793.505 2.204.632 15.221.720 Empresas Formais EstabeleCimentos Obrigados á contratação 67.585 287.990 176.827 1.145.680 465.548 2.141.830 1.490 6.049 2.244 17.373 6.002 33.097 Vagas que podem ser Geradas 30.543 116.086 53.664 302.984 89.195 592.472 Quadro 2: População e estimativa de vagas para PCD – Fonte: CLEMENTE (2004, p. 52-53) Pode-se concluir com o quadro (2) que a Lei de Cotas está muito longe de assegurar o pleno emprego. È inegável que a força da lei contribui para o aumento de vagas no mercado. Porém o número ainda é muito pequeno diante do contigente de deficientes desempregados no País. (BAHIA, 2006) Ainda de acordo com Bahia (2006), a empresa inclusivista contrata mais que a lei obriga e contrata entendendo que não é obrigada. Existem estudos que comprovam que a diversidade humana enriquece seu ambiente, em termos de experiência, e enriquece as análises de problemas, gerando soluções mais criativas, tornando-as mais competitivas. Conforme Institutho Ethos (2002), o crescimento da consciência social e a ação fiscalizadora do Ministério Público têm ampliado o número de empresas que estão de acordo com a legislação estimulando-as a manter e até mesmo superar o número de vagas destinada a pessoas com deficiência. De 2000 para 2001, 564 empresas de médio e grande porte do estado de São Paulo criaram 21.905 novos empregos para pessoas com deficência. No século XXI , entretanto, pode-se observar que há um aumento considerável de empresas que contrata pessoas com deficiência, tais empresas não estão somente preocupadas em atingir a lei de cotas ou pelo menos não deveriam. As empresas estão preocupadas em promover a diversidade, reduzir as desigualdades e as diferenças sociais e praticar a inclusão. Segundo Sassaki (2006), uma empresa que prática a inclusão é aquela que acredita no valor da diversidade humana, contempla as diferenças individuais efetua mudanças fundamentais administrativas, implementa adaptações no ambiente físico, adapta procedimentos e instrumento de trabalho e treina todos os recursos humanos na questão da inclusão. “é importante reafirmar que inclusão não se limita a acesso, não é uma simples questão de colocar junto” (BARTALOTTI, 2006, p. 47). Pode-se considerar ainda que uma empresa torna-se inclusiva por iniciativa e empenho dos empregadores. São os seguintes os fatores internos de uma empresa que facilita a inclusão de pessoa com ou sem deficiência: Adaptação de locais de trabalho (acesso físico); 32 Adaptação de aparelhos, máquinas, ferramentas e equipamentos; Adaptação de procedimentos (fluxos) de trabalho; Adoção de esquemas flexíveis no horário de trabalho; Adoção de programas de emprego apoiado (treinador de trabalho e outros apoios); Revisão das políticas de contratação de pessoal; Revisão das descrições de cargos e das análises ocupacionais etc; Revisão dos programas de integração de empregados novos; Revisão dos programas de treinamento e desenvolvimento de recursos humanos; Revisão da filosofia da empresa; Capacitação dos entrevistadores de pessoal; Criação de empregos a partir de cargos já ocupados; Realização de seminários internos de sensibilização das chefias; Cumprimento das recomendações internacionais e da legislação nacional pertinentes ao trabalho; Adoção do esquema paralelo de trabalho domiciliar competitivo (extensão da empresa); Adoção de esquemas de prevenção de acidentes e moléstias ocupacionais; Informatização da empresa; Participação da empresa em conselhos municipais e estaduais de direitos das pessoas com deficiência; Aquisição de produtos com tecnologias assistivas que facilitem o desempenho profissional de empregados com deficiência severa; Segundo Schwarz; Haber (2006, p. 23), “a empresa que contrata colaboradores com deficiência deve possui um programa estruturado de adequação da sua estrutura física, recrutamento, seleção, contratação e desenvolvimento de pessoas”. Conforme Nambu apud Bahia (2006), o programa de contratação de profissionais com deficiência deve ser estruturado da seguinte forma: 33 Fontes de Recrutamento Seleção Entrevista Dinâmicas Treinamentos Demissão As pessoas com deficiência podem ser recrutadas por meio dos cadastros dos sistemas públicos de emprego dos estados, nas organizações não governamentais, nos sites especializados e nas agências de emprego. A escolha do tipo e aplicação dos testes psicológicos para a seleção de PCD deve ser feita com bom senso. Para uma pessoa com paralisia cerebral, por exemplo, na são adequados testes que avaliem o traço gráfico do candidato. Já com um candidato que possui deficiência auditiva, a atenção deve estar voltada para a forma de apresentação das instruções para a realização do teste. Com os candidatos que possuem deficiência visual, a entrevista destaca-se como instrumento mais utilizado. E para avaliar um candidato com deficiência intelectual a orientação é contratar organizações que ele já tenha freqüentado, a fim de facilitar o levantamento de informações. Numa entrevista de emprego a questão da deficiência deve ser abordada com naturalidade. A pergunta deve ser formulada de maneira correta, evitando, desta forma, a idéia de discriminação. O selecionador pode fazer perguntas quanto a influência da limitação gerada pela deficiência no desempenho da função. As dinâmicas fazem parte de um processo seletivo, o qual deve ser conduzido de modo inclusivo e, por isso, não deve ser realizadas separadamente. Este é o momento que as pessoas com e sem deficiência estarão iniciando uma convivência. Faz-se necessário, portanto, verificar se as atividades englobam elementos como agilidade motora, atenção visual e/ou auditiva, fluência na comunicação oral e compreensão de ordens complexas para a escolha de uma dinâmica adequada. Os profissionais com alguma deficiência devem conviver desde o início com os demais colaboradores da empresa. Portanto, os treinamentos, assim como as dinâmicas, não devem ser feitos separadamente. Para realização dos treinamentos com a presença e participação efetiva de pessoas com deficiência, é preciso providenciar ,por exemplo, intérprete de libras para os deficientes auditivos, material didático em braile e/ou digitalizado para os deficientes visuais, bem como, assegurar a acessibilidade do local da realização do treinamento para os deficientes físicos. Não deve existir qualquer diferença no processo de demissão envolvendo pessoas com ou sem deficiência. È importante contudo, esclarecer os reais motivos da demissão para que estes não se vinculem a questão da deficiência. Quadro 3: Dúvidas mais freqüentes dos profissionais de gestão de pessoas Fonte: Nambu apud Bahia(2006) 34 Um fator importante a ser considerado também na contratação desses profissionais é que a empresa não deve buscar somente pessoas com deficiências leves para contratar, pois esse também pode ser considerado um ato discriminatório. O que deve ser buscado pela empresa é a pessoa e não a deficiência. As pessoas com deficiências têm o direito de ser respeitadas, sejam quais forem a natureza e a severidade de sua deficiência.(MINISTÉRIO DO TRABALHO, 2007) Segundo Bahia (2006, p. 22), “basear-se em práticas inclusivas de inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho representa contratar pessoas com qualquer tipo de deficiência, desde que profissionalmente qualificadas. Significa que os locais de trabalho devem eliminar, ou pelo menos reduzir as barreiras existentes na empresa contratante”. A contratação, contudo, é apenas uma das etapas da inclusão da pessoa com deficiência na empresa. A permanência no cargo requer outras medidas também importantes. Não excluir as pessoas com deficiência do convívio com o restante da empresa e não isolá-las em setores criados para pessoas com deficiência são medidas fundamentais para que ocorra um real processo de inclusão. Outro ponto importante é saber que ajustes serão necessários durante a implementação do programa, pois novas questões podem surgir, de complexidade variável. (INSTITUTO ETHOS, 2002) Ainda conforme Instituto Ethos (2002), algumas outras questões devem ser consideradas para contratação de pessoas com deficiência, tais como: em primeiro lugar a inexperiência das pessoas da empresa em conviver com pessoas com deficiência; em segundo a precária educação e profissionalização da maioria delas; e, em terceiro a acessibilidade desses profissionais dentro da organização. De acordo com Nambu apud Bahia (2006), as pessoas da empresa sem experiência em lidar com as pessoas com deficiência cultivam mitos em relação ao emprego e trabalho dessas pessoas, entre eles podemos citar: acreditam que as pessoas com deficiência são mais sensíveis, são mais produtivas, são especiais, chegam atrasadas ao trabalho com freqüência, ausentam-se com mais freqüência para tratamento de saúde; são inferiores, tem nível intelectual inferior; são mais lentas e necessitam de cuidados especiais. Os profissionais de recursos humanos, portanto, devem estar capacitados para receber as pessoas com deficiência e devem ser responsáveis também por ajudar a desmitificar essas idéias preconcebidas, de reduzir a falta de informações e de atenuar a resistência com relação à contratação de pessoas com deficiência. No que diz respeito a educação e profissionalização desses profissionais Pastore (2000), comenta que no Brasil o campo de educação para pessoas com deficiência é 35 reconhecidamente precário. Os dados do censo escolar 2000 identificaram que apenas 280 mil alunos com deficiência cursam as escolas regulares do Brasil. Um quadro como este compromete as chances de as pessoas ingressarem e permanecerem no mercado de trabalho. O ideal, entretanto é que os deficientes se qualifiquem cursando ensinos escolares regulares, cursos profissionalizantes e ensino superior para facilitar sua inserção no mercado de trabalho. A educação sozinha não é garantia de emprego, mas ela auxiliará as pessoas com deficiência a se empregarem. Conforme Bahia (2006), a preparação do ambiente de trabalho para que as pessoas com deficiência possam desempenhar suas funções de maneira satisfatória é mais um fator de grande relevância no que concerne a contratação dessas pessoas. A acessibilidade é, portanto, um dos itens a ser devidamente observados e contemplados pelas empresas. O termo acessibilidade começou a ser utilizado com muita freqüência nos últimos anos, em assuntos de reabilitação, saúde, educação, transporte, mercado de trabalho e ambientes físicos internos e externos. A NBR 9050 representa um marco na história da regulamentação de acessibilidade. Segundo NBR 9050 as acessibilidades para as pessoas com deficiência devem ser estabelecidas da seguinte forma: Adaptações para pessoas com Deficiência Física: 1. Os trajetos para as diversas áreas da empresa devem estar livres de obstáculos (escadas) para o acesso das pessoas que se utilizam de cadeira de rodas; 2. Todas as portas devem apresentar largura de no mínimo 0,80m; 3. Deve haver portões laterais com largura mínima de 0.80m em locais com catraca; 4. Os balcões de atendimento, inclusive automáticos, devem permitir a aproximação frontal de pelo menos uma cadeira de rodas e apresentar uma altura livre mínima de 0,70m do piso; 5. Os relógios de ponto devem estar a uma altura de 0,80m do piso; 6. Os elevadores devem possuir abertura de acesso de no mínimo 0,80m e no máximo 1,20m; 7. Os banheiros da empresa devem ser adaptados; 8. A disposição de mobiliários deve garantir área para a circulação plena de cadeiras. Adaptações para pessoas com Deficiência Visual: 1. Nas áreas de circulação recomenda-se que se utilizem faixas no piso, com textura e cor diferenciadas, para facilitar a identificação do percurso para deficientes visuais; 36 2. Nos elevadores, as botoeiras e comandos devem ser acompanhados dos signos em braile; 3. Para um número de paradas superiores a dois andares, deve também haver comunicação auditiva dentro da cabine, indicando o andar onde o elevador se encontra parado; 4. Identificar os sinais luminoso que existem no ambiente de trabalho para que sejam acompanhados por sinais sonoros; 5. Implantar software com sintetizadores de voz nos computadores; 6. Realizar adaptações na construção do site da empresa, permitindo acesso dos seus colaboradores e clientes externos. Adaptações para pessoas com Deficiência Auditiva: 1. Identificar os sinais sonoros existentes no ambiente de trabalho, para que sejam acompanhados por sinais luminosos; 2. Implantar sistema intranet para comunicação; 3. Utilizar Pager e celulares, com possibilidade de recebimento e envio de mensagens escritas. “Estima-se que o acréscimo de custo para construir seguindo parâmetros de acessibilidade seja de menos de 5%. E ele também favorece pessoas obesas ou cardíacas, gestantes ou idosos”. (INSTITUTO ETHOS, 2002 p. 24). Não se pode esquecer também que as pessoas com deficiência tem desejos e necessidades e são clientes das empresas, portanto, o acesso a elas deve ser facilitado. De acordo com Pastore (2000), as tecnologias de acessibilidade prometem expandir ainda mais o trabalho de pessoas com deficiência, inclusive para os que tem limitações severas. Essas tecnologias estão trazendo o mundo do trabalho cada vez mais próximo para o mundo das pessoas com deficiência. Assim como houve uma evolução por parte das empresas em todos os sentidos para contratar pessoas com deficiência. As pessoas com deficiência também estão melhor qualificando-se para ingresso no mercado de trabalho. Segundo Sassaki (2006, p. 74), “diferentemente do que acontecia no passado em termos de qualidades pessoais, hoje os candidatos com deficiência apresentam um perfil mais completo. Por Exemplo, eles são”: 1. Mais escolarizados (inclusive com nível superior) 2. Mais autônomos (com ou sem dispositivos tecnológicos) 3. Mais independentes (pelo uso do poder pessoal para tomar decisões) 37 4. Mais politizados (com consciência de seus direitos e deveres) 5. Mais informados (sobre a vida social em geral) 6. Mais preparados psicossocialmente (sobre relacionamentos no trabalho) 7. Mais socializados (expostos a experiências de grupos formais e informais) 8. Mais capacitados profissionalmente (em funções específicas) 9. Pessoas com deficiência em um nível mais severo, seja qual for o tipo de deficiência (física, intelectual, auditiva ou múltipla). Com a trajetória deste trabalho podemos observar que, promover mudanças no mundo organizacional, bem como no imaginário daqueles que compõem as organizações não foi e nem será tarefa fácil e rápida. Descontruir a referência do indivíduo como incapaz, invalido, oneroso e improdutivo e construir a figura da pessoa com deficiência dotada de qualificação profissional é, sem dúvida, o grande desafio dessa sociedade do novo milênio, na qual a competição injusta, as desigualdades sociais e as discriminações ainda se encontram enraizada no convívio social. (BAHIA, 2006) Para tanto é importante que se tenha um compromisso firme na direção das empresas para combater de forma explícita as manifestações de preconceito, interfirir em todos os níveis de chefia, acompanhar a adaptação e, principalmente demonstrar e exigir respeito para com os novos empregados são atitudes que vindas dos altos escalões, expressam a determinação de que a empresa como um todo seja inclusiva, e não somente o responsável pela área de recursos humanos.(INSTITUTO ETHOS, 2002) Vimos ainda no decorrer do trabalho que o processo da inclusão é ainda um estudo recente e com ele podem surgir vários questionamentos, entre eles, o porque de adotar uma postura inclusiva contratando pessoas com deficiência, que benefícios a empresa terá? Bahia (2006), comenta que as vantagens são inúmeras, tanto para empresa, quanto para os empregados e sociedade conforme quadro a seguir: Empresas Empregados Promoção das prática de valorização da diversidade Ganhos de imagem Ganhos no ambiente de trabalho Elevação do espírito de equipe Ganhos de produtividade Clima organizacional positivo Ampliação do nicho de mercado Diversas alternativas na proposição de soluções Aumento do nível de entendimento sobre responsabilidade social empresarial Elevação da auto-estima Reconhecimento de potencialidades sem negligenciar limitações Reflexão sobre a inclusão social Aprender a conviver com o diferente Cultivar a tolerância Motivação 38 Sociedade Redução do número de desempregados Redução do número de PCD social e profissionalmente excluídas Diminuição do preconceito Disseminação de informações sobre as PCD Ganhos na qualidade de vida coletiva Prática da igualdade de oportunidades Sociedade mais justa e igualitária Quadro 4: Vantagens de contratação de pessoas com deficiência Fonte: Bahia, 2006 p. 56 De acordo com Bartalotti (2006), uma sociedade inclusiva será melhor para todos, não só para as pessoas com deficiência, mas será uma sociedade muito melhor, muito mais digna para todos nós. Mesmo porque é fundamental que todas as pessoas tenham direitos iguais, incluindo aquelas com deficiência, é essencial que todos tenham acesso a todos os serviços, bens, ambientes construídos e ambientes naturais, em busca da realização de seus sonhos e objetivos junto à população em geral. (SASSAKI, 2006) Para finalizar o imperativo da inclusão não está acontecendo por acaso ele é resultado de fatores e tendências irreversíveis como: solidariedade humanitária, consciência da cidadania, necessidade de melhoria da qualidade de vida, investimento econômico, necessidade de desenvolvimento da sociedade, pressão internacional, cumprimento da legislação, combate a crise no atendimento e crescimento do exercício do empoderamento. (SASSAKI, 2006) 39 4. METODOLOGIA DA PESQUISA No presente capítulo serão apresentados os aspectos metodológicos propostos ao estudo, entre eles, as características da pesquisa, a população-alvo, o método de coleta e análise de dados, a definição constitutiva e operacional dos termos. Segundo Barros;Lehfeld (2000, p. 2), “a metodologia corresponde a um conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção do conhecimento. È a aplicação do método, através de processos e técnicas, que garante a legitimidade do saber obtido”. 4.1. Caracterização da Pesquisa A pesquisa caracteriza-se como teórica empírica. O estudo é teórico, pois fundamentase em estudos bibliográficos e empírico porque busca na experiência e na realidade organizacional a interpretação dos dados coletados. O estudo também será classificado como descritivo, pois descreverá as características de determinada população, no caso, uma organização na área do cooperativismo. De acordo com Gil, (1994, p. 45), “as pesquisas descritivas têm por objetivo levantar as opiniões, atitudes e crenças de uma população”. Sendo assim, nesse trabalho pretende-se analisar os desafios encontrados pela cooperativa Alpha para inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. A abordagem deste trabalho será qualitativa-quantitativa, pois busca-se garantir a precisão dos resultados evitando distorções de análise e interpretação e procura-se identificar a natureza de um fenômeno social. (RICHARDSON,1999). Barbetta (2007, p. 30), complementa destacando que “quando os possíveis resultados de uma variável são números de uma certa escala, dizemos que esta variável é quantitativa e quando os possíveis resultados são atributos ou qualidades a variável é dita qualitativa”. Conforme Deslandes (1994, p. 22), “o conjunto de dados quantitativos e qualitativos, não se opõem. Ao contrário se complementam, pois a realidade abrangida por eles interage dinâmicamente, excluindo qualquer dicotomia”. O delineamento da pesquisa é o estudo de caso, pois o mesmo fundamenta-se na idéia de que a análise de uma unidade de determinado universo possibilita a compreensão da generalidade do mesmo ou pelo menos, o estabelecimento de bases para uma investigação posterior, mais sistemática e precisa. (GIL, 1994) Portanto, o estudo de caso justifica-se em virtude da temática, pois com ele serão identificados as possíveis dificuldades da contratação 40 de profissionais com deficiência podendo, dessa forma, auxiliar a organização na captação desses profissionais. 4.2. População e Amostra O estudo foi realizado no dia 03/09/08 na cooperativa Alpha, situada no Centro do município de Florianópolis no Estado de Santa Catarina. A população alvo pesquisada foram os colaboradores, os envolvidos no processo de inclusão e os gestores da organização. De acordo com Barbetta (2002, p. 25), “chamamos de população alvo o conjunto de elementos que queremos abranger em nosso estudo”. Segundo dados coletados em 02/09/2008 a organização conta com um quadro de 637 funcionários e 25 estagiários sendo que 16 desses colaboradores possuem deficiência, 6 deles possuem deficiência visual, 6 deficiência física, 1 pessoa possui deficiência auditiva e 3 são reabilitados. A gestão operacional possui um total de 209 colaboradores. Para tal pesquisa o levantamento de dados ocorreu com uma parcela da população alvo, ou seja, uma amostra da população da gestão operacional. Determinou-se, portanto, que essa amostra seria não aleatória por julgamento, pois segundo Barbetta (2007), a amostragem por julgamento os elementos escolhidos são aqueles julgados como típicos da população que se deseja estudar. O estudioso pode escolher o departamento que melhor representará a organização em estudo. Um levantamento de todos departamentos pode gastar um tempo desnecessário, uma vez que, a parcela da população escolhida poderá responder o que se pretende avaliar. Sendo assim, a pesquisa foi feita com uma amostra de 83 colaboradores e (3) estagiários de três divisões do nível operacional. Foi escolhido as divisões do nível operacional por serem as que possuem departamentos mais populosos e também buscou-se fazer a pesquisa com departamentos que possuíam e que não possuíam deficientes trabalhando. A pesquisa ainda foi aplicada com (1) diretor, (1) gerente, (3) supervisores e (3) líderes, todos do nível operacional e com os envolvidos no processo de captação o técnico de segurança do trabalho o analista de responsabilidade social e o gestor de recursos humanos, totalizando assim 97 pesquisados. Neste contexto, foram avaliados a postura dos funcionários em relação as pessoas com deficiência por meio de opinião individual de cada funcionário; foi realizada a pesquisa com o diretor operacional e gerente operacional, com o gestor de recursos humanos com três supervisores e três líderes para avaliar qual o perfil desejável para a contratação das pessoas com deficiência; a pesquisa foi realizada também com o técnico de segurança do trabalho para identificar os cuidados com as barreiras arquitetônicas e por último ocorreu uma pesquisa 41 com o gestor de responsabilidade social para identificar quais as ações estão sendo desenvolvidas para possibilitar a inclusão das pessoas com deficiência na empresa Alpha. 4.3. Método de coleta, tratamento e análise dos dados Os dados foram coletados por meio de fontes primárias e secundárias. Os dados primários foram coletados através de questionários com perguntas fechadas para as seguintes divisões do nível operacional: a Divisão de Intercâmbio; Divisão de Contas Hospitalares, Divisão de Contas Ambulatoriais. Também foi realizado uma entrevista estruturada com perguntas fechadas e abertas para os colaboradores envolvidos no processo da captação das pessoas com deficiência, ou seja, gerente de recursos humanos, analista de responsabilidade social e técnico de segurança e para aqueles tomadores de decisões entre eles diretor,gerente, supervisores e líderes. Segundo Gil (1994), o questionário constitui hoje uma das mais importantes técnicas disponíveis para obtenção de dados nas pesquisas sociais, o mesmo caracteriza-se como uma técnica de investigação composta geralmente por um número elevado de questões apresentadas por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas e situações vivenciadas. Para obtenção dos dados secundários foi pesquisado livros, artigos, sites, dissertações, dados estatísticos, leis e também revistas especializadas. Após a coleta dos dados quantitativos e qualitativos será realizado a análise e interpretação dos dados obtidos para que se possa chegar em um resultado final. De acordo com Gil (1994), posteriormente a coleta de dados a próxima fase será de análise e interpretação. Esses dois processos apesar de conceitualmente distintos, aparecem sempre estreitamente relacionados. A análise tem como objetivo organizar os dados de forma que possibilitem o fornecimento de respostas ao problema proposto, já a interpretação tem por objetivo a procura do sentido mais amplo das respostas, o que é feito mediante sua ligação a outros conhecimentos anteriormente obtidos. Os dados quantitativos foram analisados por meio de um programa de estatística (SphinxME), que gerou os resultados para interpretação e os dados qualitativos foram todos transcritos e posteriormente foi feita a análise das respostas, onde as mais relevantes para cada questionamento foram utilizadas. Nesse momento, portanto, pode-se estabelecer a relação teórico-empírica entre teoria e os resultados operacionalizados na pesquisa de campo. 42 4.4. Definição constitutiva dos termos Diversidade: “A noção contemporânea da diversidade como um valor nas relações humanas é resultado da busca de oportunidades iguais e de respeito à dignidade de todas as pessoas. Assim a diversidade representa um princípio básico de cidadania, que visa assegurar a cada um, condições de pleno desenvolvimento de seus talentos”. (INSTITUTO ETHOS, 2000 p.11) Inclusão de Pessoas com Deficiência no Mercado de Trabalho: Segundo Bartalotti (2006, p. 47), “incluir pessoas com deficiência no mercado de trabalho é garantir o direito de estar junto, de partilhar dos recursos e oportunidades que a sociedade oferece”. 4.5. Definição operacional dos termos - Perfil: Idade; sexo; escolaridade; tempo de empresa; e, funções. - Gestão da Diversidade: Igualdade de oportunidades; preconceito; percepção sobre diversidade; impactos da diversidade na organização. - Inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho: Processo de contratação (recrutamento e seleção); percepção do trabalho das pessoas com deficiência; acessibilidade arquitetônica; programas desenvolvidos para inclusão; vagas; benefícios da inclusão. Perfil Gestão da diversidade Inclusão das pessoas com deficiência na empresa Alpha - Idade - Sexo - Escolaridade - Tempo de empresa - Funções - Igualdade de oportunidades - Preconceito - Percepção sobre diversidade - Impactos da diversidade na organização - Processo de contratação (recrutamento e seleção) - Percepção dos trabalho das pessoas com deficiência - Acessibilidade arquitetônica - Programas desenvolvidos para inclusão - Vagas - Benefícios da inclusão. Quadro 5: Categorias analíticas e indicadores do estudo Fonte: Dados primários, 2008. 43 5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DE RESULTADOS Neste capítulo serão apresentados a definição de cooperativismo a caracterização da empresa e os resultados da pesquisa. 5.1 Definição de Cooperativismo e Caracterização da Empresa De acordo com Veiga (2001, p. 13), “no século XIX o cooperativismo, começa a ganhar forma a partir de pensadores do socialismo utópico da ação de trabalhadores que se organizam em cooperativas”. Conforme Ricciardi (2000, p. 9), “o cooperativismo somente consolidou-se ao longo do século XX como sistema de organização da produção efetiva e democrática”. Para Veiga (2001), o cooperativismo é uma filosofia que procura construir uma nova maneira de processar a economia baseando-se no trabalho e não no lucro; na ajuda mútua e não na concorrência e na competição; nos valores e necessidades humanas e não na acumulação individual do dinheiro e na exploração do trabalho. Para tanto, o cooperativismo visa ao aprimoramento do ser humano em todas as suas dimensões social, econômica e cultural. O cooperativismo ainda preocupa-se com a qualidade de seus produtos e serviços, busca o preço justo, preocupa-se com seu entorno e com o meio ambiente e busca construir uma sociedade mais equitativa, democrática e sustentável. Corroborando, de acordo com Ricciardi (2000), o cooperativismo também baseia-se na solidariedade entre as pessoas, ou seja, é um intrumento de promoção humana e não apenas um mecanismo para buscar resultados econômicos, é claro que gerar resultados é importante mas isso há de vir como conseqüência e resultado da plena realização do potencial criativo das pessoas que estiverem operando. O cooperativismo atua em diversos ramos entre eles podemos citar: cooperativas de consumo; de produção; de trabalho; cooperativas agropecuárias; de crédito; rural; de infra estrutura; educacionais; habitacionais; minerais; especiais ou sociais e de saúde. (RANGEL, 2006) As cooperativas da saúde são formadas por médicos ou dentistas e ou psicólogos e atividades afim. Prestam atendimento a população, a preços, geralmente mais acessíveis. 44 (VEIGA, 2001). No caso desse estudo a cooperativa é voltada para o ramo da saúde formada por médicos. A empresa Alpha é uma cooperativa de trabalho médico que foi criada em 30 de agosto de 1971 em uma assembléia geral com 102 médicos. A manutenção nos primeiros tempos foi assegurada pelas quotas-partes recolhidas por seus fundadores. A renda própria veio com o primeiro contrato, firmado com o Ipalesc - Instituto de Previdência dos Funcionários da Assembléia Legislativa, beneficiando 200 usuários. Aos poucos, a Cooperativa foi adquirindo maior credibilidade, tornando-se autosustentável para poder adquirir seu primeiro conjunto de salas, no prédio em que funcionava a Associação Catarinense de Medicina. Em mais de 35 anos de crescimento contínuo, a cooperativa sempre contou com o entendimento e a participação dos cooperados. Em 2001, inaugurou o novo prédio que ampliou as instalações, onde permanece a estrutura administrativa atual. Isso trouxe mais espaço para adequar a organização às novas realidades da gestão empresarial. Seguindo sua evolução o ano de 2007 marcou uma nova etapa, com a abertura de uma sede operacional e do NAS - Núcleo de Atenção à Saúde, oferecendo completo atendimento de urgência e emergência 24 horas, projeto complementado em abril de 2007 com a criação do outro NAS. Por tudo isso, a cooperativa ocupa a liderança incontestável no mercado de planos de saúde. A cooperativa possui mais de (1500) médicos cooperados ao sistema, cobrindo todas as especialidades médicas, com clientes totalizando, aproximadamente, 65% da população em potencial na sua área de abrangência, que compreende 21 municípios. Atualmente, a Cooperativa conta com: 1.579 médicos cooperados; 12 laboratórios cooperados; 30 laboratórios credenciados; 29 hospitais credenciados; 8 hospitais cooperados; 205 clínicas cooperadas; 53 clínicas credenciadas e 02 Núcleos de Atenção à Saúde (NAS). A cooperativa, ainda tem como missão "promover Saúde e Qualidade de Vida, buscando a satisfação dos Clientes, Cooperados e demais Profissionais, com responsabilidade sócio-ambiental". Como visão pretende "ser reconhecida como Cooperativa de excelência e a melhor promotora de saúde e qualidade de vida" e ainda “os valores da empresa constituem princípios de: Eqüidade, Ética, Integridade, Lealdade, Solidariedade e Verdade" e sua política de qualidade é "buscar a satisfação dos clientes através da melhoria contínua dos processos, oferecendo e administrando planos e serviços de saúde com qualidade". A cooperativa tem como práticas de Responsabilidade Social ações que se constituem em estratégias de negócio, impressa no DNA da Cooperativa. Começa na forma ética e 45 transparente com que se comunica com a sociedade, clientes, cooperados, colaboradores, comunidade, fornecedores, governo e sociedade (stakeholders), procurando assim contribuir para a diminuição das desigualdades sociais do país, preservando recursos naturais e culturais com o objetivo de promover a sustentabilidade para as gerações futuras. Para a Cooperativa, não existem limites. As ações vão até onde a imaginação possa alcançar. Os objetivos, metas e programas de Responsabilidade Social da Cooperativa Alpha são: - boas praticas de Governança; - combate à pirataria, sonegação, fraude e corrupção: Softwares licenciados; - práticas leais de concorrência: a Agência Nacional de Saúde define contratos padrões com cobertura plena para todas as operadoras de planos de saúde; bem como proíbe a utilização de praticas ilegais para obtenção de vantagens; - direitos da Criança e do Adolescente, incluindo o combate ao trabalho infantil: negociações somente com fornecedores que não utilizam mão de obra infantil, contratação de funcionários somente acima de 16 anos e menores aprendizes; - promoção da diversidade e combate à discriminação: respeito ao indivíduo, valorizando a diversidade e as diferenças, igualdade de salários, condições de ascensão cargos de lideranças e outros para homens e mulheres, não importando gênero, cor, raça/etnia, cultura, idade, necessidades especiais e regras claras e não discriminação em recrutamento e seleção; - compromisso com o desenvolvimento profissional: desenvolvimento do PAT – Programa Anual de Treinamento, parcerias com várias instituições de ensino superior, pósgraduação e MBA, oferecendo descontos nas mensalidades. - promoção da saúde e segurança: Programa Empresa Saudável, Programa de Ginástica Laboral diariamente, caminhadas ecológicas, palestras sobre saúde e qualidade de vida, clinica de tratamento psicológico subsidiado - proteção ao meio ambiente e aos direitos das gerações futuras; programa Consumo Consciente (utilização de canecas de porcelana, utilização de gás GNV para a frota de veículos), separação de resíduos sólidos, utilização de papel reciclado, palestras de educação ambiental para o público interno; programa de Gerenciamento de Resíduos de Saúde; campanha educacional permanente nos elevadores e coleta seletiva. É importante destacar que a Cooperativa faz parte de um Sistema que opera em âmbito nacional, ou seja, embora possua autonomia administrativa e operacional, ela é constituída por todas as demais Cooperativas do país e por diversas empresas criadas para oferecer 46 suporte a elas, por meio de serviços desenvolvidos para agilizar e aperfeiçoar ainda mais o atendimento. O Sistema cobre 75% do território brasileiro e oferece serviços médicos de qualidade a 14,6 milhões de clientes através de suas 386 cooperativas médicas e uma ampla rede de recursos próprios e credenciados. O próximo tópico a ser apresentado, portanto, será o resultado da pesquisa aplicado na cooperativa em estudo. 5.2 Resultados da Pesquisa A seguir serão apresentados os resultados da pesquisa aplicada a população alvo da organização em estudo. Vale ressaltar que foi aplicado um questionário de perguntas fechadas para os colaboradores e estagiários (divisão operacional) visando mensurar quantitativamente a opinião dos mesmos. Para a alta direção, nível gerencial, nível intermediário (supervisores e líderes) e os demais envolvidos no processo de inclusão foi aplicado um questionário de perguntas fechadas e abertas com o propósito de aprofundar elementos qualitativos a respeito da inclusão. Os resultados desta análise serão demonstrados na sequência. 5.2.1 Perfil dos colaboradores, gestores e demais envolvidos no processo de inclusão IDADE 4,1% 18 a 30 anos 31 a 45 anos acima de 45 anos Total 65 67,0% 28 28,9% 4 4,1% 97 100,0% 28,9% 67,0% Quadro 6: Idade Fonte: Dados primários, 2008. No que refere-se à idade, de um total de 97 pesquisados, 65 pessoas (67,0%) estão na faixa etária de 18 a 30 anos, 28 pesso6as (28,9%) possuem de 31 a 45 anos e apenas 4 pessoas (4,1%) estão acima de 45 anos. Pode-se observar que a grande parte da população de colaboradores pesquisados é jovem, ou seja, estão com idade entre 18 a 30 anos. Diferente da 47 população alvo de colaborados a grande maioria dos gestores e envolvidos no processo de inclusão estão entre 31 a 45 anos. GÊNERO 37,1% Feminino Masculino Total 61 62,9% 36 37,1% 97 100,0% 62,9% Quadro 7: Gênero Fonte: Dados primários, 2008. Considerando o gênero, 61 pessoas (62,9%) são do sexo feminino e 36 pessoas (37,1%) são do sexo masculino, nota-se, portanto, a grande predominância de pessoas do sexo feminino no ambiente de trabalho. ESCOLARIDADE Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Técnico Ensino Superior Pós-Graduação Total Não resposta N % 0 0,0% 4 4,1% 2 2,1% 14 14,4% 2 2,1% 22 22,7% Completo N % 0 0,0% 5 5,2% 7 7,2% 11 11,3% 8 8,2% 31 32,0% Ensino Fundamental 100,0% Ensino Médio Ensino Técnico Ensino Superior Pós-Graduação Total Incompleto N % 0 0,0% 1 1,0% 0 0,0% 41 42,3% 2 2,1% 44 45,4% Total N 0 10 9 66 12 97 % 0,0% 10,3% 9,3% 68,0% 12,4% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Quadro 8: Escolaridade Fonte: Dados primários, 2008. De acordo com os dados apresentados no quadro 8 escolaridade, 4 pessoas (4,1%) possuem ensino médio e não responderem se é completo ou incompleto, 5 pessoas (5,2%) possuem ensino médio completo e 1 pessoa (1,0%) possui ensino médio incompleto. Em relação ao ensino técnico, 2 pessoas (2,1%) não responderam se é completo ou incompleto e 7 pessoas (7,2%) possuem ensino técnico completo. Observa-se ainda que 14 pessoas (14,4%) 48 responderam que possuem ensino superior, porém, não assinalaram se é completo ou incompleto, 11 pessoas (11,3%) possuem ensino superior completo e 41 pessoas (42,3%) possuem ensino superior incompleto. No que diz respeito a pós graduação 2 pessoas (2,1%) não responderam se é completa ou incompleta, 8 pessoas (8,2%) possuem pós graduação completa e 2 pessoas (2,1%) possuem pós-graduação incompleta. GÊNERO X ESCOLARIDADE Ensino Fundamental Ensino Médio Ensino Técnico Ensino Superior Pós-Graduação Total Feminino N % 0 0,0% 8 8,2% 5 5,2% 42 43,3% 6 6,2% 61 62,9% Ensino Fundamental 100,0% Ensino Médio Ensino Técnico Ensino Superior Pós-Graduação Total Masculino N % 0 0,0% 2 2,1% 4 4,1% 24 24,7% 6 6,2% 36 37,1% Total N 0 10 9 66 12 97 % 0,0% 10,3% 9,3% 68,0% 12,4% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Quadro 9: Gênero x Escolaridade Fonte: Dados primários, 2008. Fazendo-se uma relação do gênero dos pesquisados com a escolaridade, 8 pessoas do sexo feminino (8,2 %) e 2 pessoas do sexo masculino (2,1%) cursam ou já concluíram o ensino médio, 5 pessoas do sexo feminino (5,2%) e 4 pessoas do sexo masculino (4,1%) cursam ou já concluíram o ensino técnico, 42 pessoas do sexo feminino (43,3%) e 24 pessoas do sexo masculino (24,7%) cursam ou já concluíram o ensino superior e 6 pessoas do sexo feminino (6,2%) e 6 pessoas do sexo masculino (6,2%) cursam ou já concluíram a pósgraduação. Com está análise pode-se verificar que as mulheres estão com significativa participação na organização em estudo e além do mais tem um nível de qualificação mais elevado em comparação aos homens no contexto da organização pesquisada. Elas aparecem em maior número também nos cargos de chefia, com isto pode-se observar que a cooperativa em estudo proporciona igualdade de oportunidades em relação às mulheres. De acordo com 49 Bento (2000), as políticas de igualdade podem corrigir desigualdades e contribuir para utilização de todo potencial da mão de obra feminina. TEMPO DE EMPRESA Não resposta Até 5 anos De 6 a 10 anos Acima de 10 anos Total 1 72 11 13 97 1,0% 74,2% 11,3% 13,4% 100,0% 1,0% 74,2% 11,3% 13,4% Quadro 10: Tempo de empresa Fonte: Dados primários, 2008. Quanto ao tempo de empresa, 1 pessoa (1,0%) não respondeu, 72 pessoas (74,2%) possuem até 5 anos de casa, 11 pessoas (11,3%) possuem de 6 a 10 anos e 13 pessoas (13,4%) estão acima de 10 anos na empresa. Percebe-se, portanto, que a grande maioria dos colaboradores pesquisados são relativamente novos em relação ao tempo de empresa. Já a grande parte dos gestores e envolvidos no processo de inclusão possuem acima de 6 anos de empresa. FUNÇÕES EXERCIDAS Assistente contas hospitalares Assistente contas ambulatoriais Assistente intercâmbio Gestão Operacional Gestão Comercial e Marketing Gestão Estratégica Gestão Administrativa e Financeira Total Quadro 11: Funções exercidas Fonte: Dados primários, 2008. 32 24 30 8 1 1 1 97 33,0% 24,7% 30,9% 8,2% 1,0% 1,0% 1,0% 100,0% 33,0% 24,7% 30,9% 8,2% 1,0% 1,0% 1,0% Em relação às funções exercidas, de um total de 97 pesquisados, 32 pessoas (33,0%) são assistentes de contas hospitalares, 24 pessoas (24,7%) são assistentes de contas ambulatoriais e 30 pessoas (30,9%) são assistentes de intercâmbio. Observa-se que há uma equipariedade de pessoas nas divisões, vale a pena enfatizar também que tais divisões são as mais populosas da empresa. Com relação ao grupo funcional dos gestores e envolvidos no processo de inclusão, 8 pessoas (8,2%) são da gestão operacional, 1 pessoa (1,0%) é da gestão comercial e de marketing, 1 pessoa (1,0%) é da gestão estratégica e 1 pessoa (1,0%) é da 50 gestão administrativa e financeira. Como a pesquisa foi focada na gestão operacional a grande parte dos gestores são da referida gestão apenas um gestor é da gestão estratégica e duas pessoas são as envolvidas no processo de inclusão. Na organização existem pessoas com deficiência ocupando cargos de chefia? 36,4% Sim Não Total 4 36,4% 7 63,6% 11 100,0% 63,6% Quadro 12: Deficiente ocupando cargo de chefia. Fonte: Dados primários, 2008. Foi questionado ainda somente aos gestores e envolvidos no processo de inclusão se há alguma pessoa com deficiência ocupando cargos de chefia, 4 pessoas (36,4%) responderam que sim e 7 pessoas responderam que não (63,6%). Houve uma contradição nas respostas, devido algumas pessoas não possuírem conhecimento que existem dois médicos ocupando cargos de chefia, porém, esses médicos não interferem em questões administrativas e somente em auditorias médicas justificando assim a resposta negativa e o desconhecimento dos respondentes. 37,2% 4 4,7% 50 58,1% 32 37,2% 86 100,0% 4,7% Não resposta Sim Não Total 58,1% Você acredita que a organização proporciona igualdade de oportunidade a todos? Quadro 13: Igualdade de oportunidades Fonte: Dados primários, 2008. Em relação a organização proporcionar igualdade de oportunidade, de um total de 86 respondentes, 4 pesquisados (4,7%) não responderam, 50 pesquisados (58,1%) acreditam que sim e 32 (37,2%) acreditam que não. Na pesquisa com os gestores e envolvidos no processo de inclusão, um dos entrevistados destacou que existe uma certa contradição em relação a igualdade de oportunidade, pois “ainda não vemos pessoas com deficiência nos altos cargos da empresa" (E1). Para outros 02 respondentes, há igualdade de oportunidades, principalmente com “a 51 adoção do Plano de Cargos e Salários e o manual de orientações internas, onde é priorizada a ascensão dos colaboradores através de recrutamentos internos” (E2). E3 complementa apontando que “toda vez que abre nova vaga na empresa se faz recrutamento interno”. Na opinião de E4, a igualdade de oportunidades é observada, pois “a gestão é feita de forma transparente onde todos têm acesso as informações e oportunidades”. De acordo com Instituto Ethos (2000, p. 11), “a noção contemporânea de diversidade como um valor nas relações humanas é resultado da busca de oportunidades iguais e de respeito á dignidade de todas as pessoas”. Voçê acredita que existe preconceito entre os colaboradores?(Preconceito Racial) Sim Não Total 14 16,3% 72 83,7% 86 100,0% 16,3% 83,7% Quadro 14: Preconceito racial Fonte: Dados primários, 2008. De um total de 86 pesquisados, 14 deles (16,3%) acreditam que existe preconceito racial e 72 deles (83,7%) acreditam que não existe. Com está analise percebe-se um vestígio ainda que pequeno de preconceito racial. Conforme Alvis; Silva apud Soares (2004, p. 23), “apenas nos anos 1990 os governantes brasileiros reconheceram a discriminação de negros no mercado de trabalho como um problema social, a partir da luta dos movimentos sociais por políticas de ação afirmativa”. Tal vestígio ainda se apresenta devido à conscientização tardia das pessoas em relação a importância de diversidade no contexto sócio-organizacional. Voçê acredita que existe preconceito entre os colaboradores?(Preconceito com mulheres) Sim Não Total 3 3,5% 83 96,5% 86 100,0% 3,5% 96,5% Quadro 15: Preconceito com mulheres Fonte: Dados primários, 2008. No que diz respeito ao preconceito com mulheres, 3 pessoas (3,5%) afirmam que existe o preconceito e 83 pessoas (96,5%) dizem que não existe o preconceito com mulheres. 52 Este resultado torna-se um tanto quanto claro, uma vez que, a grande parte da população alvo é mulher (62,8%) (Quadro 7). Voçê acredita que existe preconceito entre os colaboradores?(Preconceito com deficientes) Sim Não Total 8 9,3% 78 90,7% 86 100,0% 9,3% 90,7% Quadro 16: Preconceito com deficientes Fontes: Dados primários, 2008. Quando perguntado se existe preconceito com deficientes, de um total de 86 pessoas 8 delas (9,3%) dizem que há preconceito com deficientes e 78 pessoas (90,7%) dizem que não há. Observa-se, pouco preconceito em relação às pessoas com deficiência, este resultado é positivo, pois quase que não há impedimento por parte dos colaboradores em relação ao trabalho com pessoas com deficiência. De acordo com o Instituto Ethos (2002), conviver com indivíduos diferentes, como as pessoas com deficiência, contribui para redução do preconceito ou até mesmo para sua erradicação. Quando questionado aos gestores e envolvidos no processo de inclusão se existe preconceito entre os colaboradores da organização, um entrevistado relatou que “o preconceito existe, muitas vezes de forma sutil, quase imperceptível, mas ele existe. Acontece por desconhecimento, por pensar que um colaborador com deficiência não trará os resultados esperados” (E11). Para os demais respondentes o preconceito não existe ou “nunca foi identificado nenhuma forma ou atitude de preconceito” (E8). O Instituto Ethos (2002), afirma que para incluir pessoas com deficiência é preciso saber lidar com preconceito decorrente da falta de informação. È preciso reconhecer que o preconceito e a diferença existem para começar a superá-los, portanto, conviver com indivíduos diferentes, como as pessoas com deficiência, contribui para o avanço desse processo. 53 A organização em que voçê trabalha aplica práticas de Diversidade, ou seja, lida adequadamente com as diferenças de cor,raça,etnia,sexo e pessoas com deficiência? Não resposta Sim Não Total 1 1,2% 61 70,9% 24 27,9% 86 100,0% 1,2% 70,9% 27,9% Quadro 17: Práticas de diversidade Fonte: Dados primários, 2008. De acordo com os 86 pesquisados, quando abordado se a organização aplica práticas de diversidade, 1 pessoa (1,2%) não respondeu, 61 pessoas (70,9%) alegaram que a organização aplica práticas de diversidade e 24 pessoas (27,9%) alegaram que não. Nkomo e Cox Jr. (2006, p. 333), definem diversidade como “um misto de pessoas com identidades grupais diferentes dentro do mesmo sistema social”. È de fundamental importância que a organização busque cada vez mais aplicar boas práticas de diversidade para saber lidar com as pessoas com deficiência e com as diferenças de cor, raça, etnia e sexo. A diversidade causa grandes impactos à organização? Não resposta Sempre Quase sempre Às vezes Raramente Nunca Total 2 17 12 28 22 5 86 2,3% 19,8% 14,0% 32,6% 25,6% 5,8% 100,0% 2,3% 19,8% 14,0% 32,6% 25,6% 5,8% Quadro 18: Impactos da diversidade na organização Fonte: Dados primários, 2008. Quando questionados, se a diversidade causa impactos à organização, 2 pessoas (2,3%) não responderam, 17 pessoas (19,8%) responderam que sempre causa impactos, 12 pessoas (14,0%) responderam que quase sempre, 28 pessoas (32,6%) responderam que ás vezes, 22 pessoas (25,6%) responderam que raramente causa impactos e outras 5 pessoas (5,8%) responderam que nunca causa impactos. Pode-se observar que em virtude da idéia de diversidade ainda gerar controvérsias e polêmicas, grande parte das pessoas por 54 desconhecimento ou pouco acesso ao assunto acreditam que o mesmo não causa grandes impactos à organização. Para as empresas brasileiras a importância de abordar a diversidade como prioridade em sua agenda de responsabilidade social e de considerá-la um dos temas decisivos para seu desempenho é cada vez mais perceptível, porém, as ações efetivas para sua promoção ainda se encontram em estágios iniciais. (BAHIA, 2006). Conforme Milkovich e Boudreau (2000), uma organização que valoriza a diversidade cria um ambiente que respeita e apóia os empregados com formação não tradicional fazendo com que eles possam contribuir com todo o seu potencial. Um contingente de pessoal mais diversificado e abrangente dá á organização uma base de experiência mais ampla e rica, podendo até ampliar o potencial criativo da organização. Quanto à percepção dos gestores e envolvidos no processo de inclusão em relação à aplicação de práticas de diversidade contribuir para a motivação dos colaboradores e se a mesma causa impactos a organização, um dos pesquisados afirmou que aplicar práticas de diversidade é um dever, pois primeiramente deve-se “lidar adequadamente com as diferenças (...) e está prática só vem a contribuir em qualquer organização, principalmente nas que são focadas em atitudes de responsabilidade social” (E8). Outro pesquisado acredita que “causa impactos positivos, pois o grupo funcional se sente valorizado e motivado sabendo que a empresa possibilita espaço e oportunidades a estas pessoas” (E4). Outro pesquisado ainda relatou que “saber lidar com as diferenças contribui, porque os colaboradores acabam não percebendo que há diferença e sim que está trabalhando com outro ser humano capaz, igual aos demais, claro que cada um no seu limite” (E5). Na opinião de outro pesquisado aplicar práticas de diversidade contribui para motivação, ainda mais pelo ramo de atuação da empresa “entendo que contribui, somos uma empresa do ramo da saúde com mais de 250 mil clientes e em nosso público de cliente é muito expressivo os deficientes de toda a ordem: cor, raça, etnia, etc e o convívio de nossos colaboradores com essa diversidade é intenso e positivo” (E10). O pesquisado E11 acrescentou que aplicar práticas de diversidade na organização contribui para que os colaboradores tenham orgulho da organização em que trabalham, destacando que gera impactos, “não só na motivação, mas pela admiração dos trabalhos realizados pela empresa”. O colaborador percebe o quanto a empresa se preocupa na inclusão de profissionais com deficiência e isso reflete com certeza em seu comportamento”. De acordo com Instituto Ethos (2008), valorizar a diversidade é a postura mais certa a se ter em uma organização, ou seja, agir com base numa ética de respeito a todas as pessoas em todos os lugares. A valorização da diversidade é também exigência de uma sociedade cada 55 vez mais organizada e sensível a gestos de discriminação e de preconceitos. Além de evitar riscos para as organizações, a valorização da diversidade é elemento estratégico na condução dos negócios, ao enriquecer as análises sobre a realidade, ampliar perspectivas e considerar as muitas possibilidades presentes na relação com seus diferentes públicos e com os vários segmentos da sociedade. Na sua percepção á organização em que voçê trabalha é inclusiva em relação as pessoas com deficiência? (Deficiências: físicas,mentais,auditivas,visuais e outras) Não resposta Sim Não Total 1 1,2% 72 83,7% 13 15,1% 86 100,0% 1,2% 83,7% 15,1% Quadro 19: Organização inclusiva Fonte: Dados primários, 2008. De um total de 86 respondentes, 1 pessoa (1,2%) não respondeu, 72 pessoas (83,7%) responderam que a organização é inclusiva e 13 pessoas (15,1%) responderam que a organização não é inclusiva. Diante das respostas observa-se que à maioria das pessoas afirmaram que a organização é inclusiva, entretanto, a mesma ainda possui poucas pessoas com deficiência no ambiente de trabalho, como por exemplo, nas divisões pesquisadas apenas 2 pessoas com deficiência trabalham na divisão de contas ambulatórias, nenhuma na divisão de intercâmbio e 1 pessoa reabilitada na divisão de contas hospitalares. O total de pessoas com deficiência na organização em estudo é de 16 pessoas dentre eles 3 são reabilitados, quando o correto por lei seriam 26. De acordo com Bahia (2006), a empresa inclusivista contrata mais que a lei obriga e contrata entendendo que não é obrigada e que essa é uma atitude moralmente correta, de respeito às diferenças e de responsabilidade social. Foi questionado também aos gestores e envolvidos no processo de inclusão, quanto ao conhecimento da lei de cotas, três pesquisados desconheciam a mesma. Um pesquisado afirmou ter um conhecimento relativo “especialmente a exigência de 42 deficientes no quadro de colaboradores” (E10). E11 relatou que possui conhecimento e ainda citou a quantidade correta para o número atual de colaboradores “sim. De 501 a 1000 empregados, nosso caso, a cota é de 4%”. Os demais pesquisados apenas responderem que sim, mas não justificaram. 56 A Lei 8.213/1991 no seu art. 93 com eficácia em 1999 com o decreto n° 3.298 preconiza que “a empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com beneficiários da Previdência Social reabilitados ou com pessoas portadoras de deficiência habilitadas”. Sendo assim foi questionado em que aspectos a lei implica no gerenciamento das pessoas. O pesquisado (E7) contrapõe a lei de cotas afirmando que todos devem obter as mesmas oportunidades independente da lei, “a principio não concordo com a lei de cotas e sim que todos têm o mesmo direito independente de cor, credo, etnia, se é portador de necessidade especial, os colaboradores devem ser julgados pela capacidade.” O pesquisado (E10) acredita que a lei implica na mudança do ambiente organizacional, “na exigência da adaptação dos ambientes para acolher os deficientes”. E11 ainda corrobora relatando que a lei faz a organização refletir “ela nos faz refletir. Analisar postos de trabalho, as condições para receber o colaborador, a capacitação e treinamentos específicos”. A lei de cotas colaborou para que as empresas se conscientizassem na contratação de pessoas com deficiência, ou seja, para que elas percebessem que essas pessoas também são capazes como todas as demais, porém, a lei não pode e nem deve ser o único fator que motiva a empresa a realizar a contratação de pessoas com deficiência. De acordo com Bahia (2006), a empresa inclusivista contrata mais que a lei obriga e contrata entendendo que não é obrigada. Você acredita que a organização possui profissionais preparados para lidar com as pessoas com deficiência? Sim Não Total 35 40,7% 51 59,3% 86 100,0% 40,7% 59,3% Quadro 20: Profissionais preparados Fonte: Dados primários, 2008. Em relação à organização possuir profissionais preparados para lidar com as pessoas com deficiência, de um total de 86 pesquisados, 35 (40,7%) responderam que sim e 51 (59,3%) responderam que não. Constata-se que uma parcela maior de pessoas responderam que não há profissionais preparados para lidar com as pessoas com deficiência. De acordo com Nambu apud Bahia (2006), os profissionais de recursos humanos, devem estar capacitados para receber as pessoas com deficiência e devem ser responsáveis também por 57 ajudar a desmitificar idéias preconcebidas, de reduzir a falta de informações e de atenuar a resistência com relação à contratação de pessoas com deficiência. Com relação à resposta dos gestores e envolvidos no processo de inclusão sete pessoas citaram que a organização não possui profissionais preparados. E8 relata que há profissionais preparados, “mas o melhor acompanhamento que se possa dar são os dos próprios colegas de trabalho onde este colaborador está inserido”. (E10) afirma que, “existe o esforço dos colaboradores envolvidos no processo, mas acredito que temos que aprimorar a capacitação dos mesmos”. E11 ainda contribui dizendo que o esforço de crescimento é contínuo, “estamos sempre crescendo e os profissionais responsáveis pelas contratações também. O acompanhamento é realizado, sempre buscando melhorar”. De acordo com o Instituto Ethos (2002), a contratação é apenas uma das etapas da inclusão da pessoa com deficiência na empresa, para que essas pessoas permaneçam no cargo é necessário não segregá-las do convívio com outros profissionais, não isolar as mesmas em setores criados para pessoas com deficiência. Outro fator importante é ter em mente que ajustes poderão ser necessários durante a permanência dessas pessoas em cargos da organização. Porém, como qualquer outro colaborador a pessoa com deficiência deve ser avaliada dentro dos critérios previamente estabelecidos entre empregados e empregadores, somente deve ser levado em consideração a limitação. Quando questionado também aos gestores e envolvidos no processo de inclusão de que forma os gestores e colaboradores são preparados para trabalhar com as pessoas com deficiência o pesquisado (E4) afirma que os profissionais são orientados através de conversas, “orientando e conversando sobre o profissional que irá chegar para ingressar na equipe”. O pesquisado (E10) relata ter uma integração, “há uma integração prévia por ocasião no início das atividades através de uma orientação com o líder e a equipe que vai receber o novo colaborador” e o pesquisado (E11) diz ser realizado uma conversa com o gestor imediato e com os colaboradores da equipe, “hoje é realizado uma conversa com o gestor imediato e os colaboradores da equipe, esclarecendo dúvidas e falando da importância da inclusão desses profissionais no mercado”. Observa-se uma contradição nas respostas, pois a grande maioria dos entrevistados responderam que não há nenhum tipo de preparação. 58 Tempo de empresa X A organização possuir profissionais preparados para lidar com as pessoas com deficiência Não resposta N % Até 5 anos N % De 6 a 10 anos N % Acima de 10 anos N Total % N % Sim 1 1,2% 29 33,7% 3 3,5% 2 2,3% 35 40,7% Não 0 0,0% 42 48,8% 3 3,5% 6 7,0% 51 59,3% Total 1 1,2% 71 82,6% 6 7,0% 8 9,3% 86 100,0% Sim 100,0% Não 100,0% Total 100,0% Quadro 21: Tempo de empresa X A organização possuir profissionais preparados para lidar com as pessoas com deficiência Fonte: Dados primários, 2008. Quando feito a ligação do tempo de empresa com relação à organização possuir profissionais preparados em lidar com as pessoas com deficiência, observa-se no quadro 21 que de um total de 86 pesquisados, 1 pessoa (1,2%) não respondeu; dos pesquisados que possuem até 5 anos de empresa 29 deles (33,7%) responderam que sim e 42 (48,8%) responderam que não; aqueles que possuem de 6 a 10 anos de empresa 3 deles (3,5%) responderam que sim e 3 (3,5%) responderam que não; das pessoas que estão acima de 10 anos de empresa 2 delas (2,3%) não responderam e 6 pessoas (7,0%) responderam que não. Nota-se, portanto, que a maioria das pessoas, inclusive aquelas que estão há mais de 6 anos na organização responderam que não há profissionais preparados para lidar com as pessoas com deficiência. Você considera que a empresa possui condições físicas adequadas para o trabalho de pessoas com deficiência? Não resposta Sim Não Total 1 1,2% 38 44,2% 47 54,7% 86 100,0% 1,2% 44,2% 54,7% Quadro 22: Condições físicas adequadas Fonte: Dados primários, 2008. Quando questionado se a empresa possui adequação física para o trabalho de pessoas com deficiência, 1 pessoa (1,2%) não respondeu, 38 pessoas (44,2%) responderam que sim e 47 pessoas (54,7%) responderam que não. Conforme Bahia (2006), a preparação do ambiente de trabalho para que as pessoas com deficiência possam desempenhar suas funções de maneira satisfatória é mais um fator de grande relevância no que concerne a contratação 59 dessas pessoas. A acessibilidade é, portanto, um dos itens a ser devidamente observados e contemplados pelas empresas. È importante ressaltar que a acessibilidade influência não só o público interno da organização como também o público externo, ou seja, os clientes. Portanto, esse é mais um fator determinante para que a organização estruture seu ambiente físico. Quando questionado aos gestores e envolvidos no processo de inclusão que tipo de projetos arquitetônicos a organização desenvolve para acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência, E1 respondeu que “rampas e elevadores” e E9 respondeu também que são “rampas, elevadores com indicação de andar em Braille”. E2 ainda citou que existe “banheiros preparados elevadores para transportes, adequação de mesas e cadeiras” e E11 respondeu que existe “rampa de acesso a empresa com corrimão apropriado, elevadores com condições de comportar cadeira de roda, banheiros adaptados, sinalização de algumas salas em Braille, programa de telefonia e computador para deficientes visuais, equipamentos ergonômicos apropriados”. E10 também relatou que além de se obter cuidado com os equipamentos “ existe o cuidado de alocar os deficientes em áreas de fácil acesso. Andares baixo por exemplo”. Conforme Bahia (2006), a preparação do ambiente de trabalho para que as pessoas com deficiência possam desempenhar suas funções de maneira satisfatória é mais um fator de grande relevância no que concerne a contratação dessas pessoas. A acessibilidade é, portanto, um dos itens a ser devidamente observados e contemplados pelas empresas. A organização promove algum programa para inclusão de pessoas com deficiência? Não resposta Sim Não Total 10 12 64 86 11,6% 14,0% 74,4% 100,0% 11,6% 14,0% 74,4% Quadro 23: Programa para inclusão de pessoas com deficiência Fonte: Dados primários, 2008. Em relação à organização promover programas para inclusão de pessoas com deficiência 10 pessoas (11,6%) não responderam, 12 pessoas (14,0%) disseram que há programas e 64 pessoas (74,4%) responderam que não há programas de inclusão na cooperativa. Referente a essa questão caso a resposta fosse positiva foi perguntado ainda qual programa era desenvolvido, das 12 pessoas que responderam sim, 8 pessoas não souberam responder qual programa era desenvolvido e as 4 pessoas restantes responderam que existe 60 apenas sistema de cotas, encontro dos colaboradores, rede de empregabilidade especial e vagas de trabalho. Pode-se observar que a grande parte das pessoas respondeu que não e as que não responderam possivelmente não saberiam dizer qual programa, uma vez que, não existe programas de inclusão desenvolvidos. Em relação às pessoas que responderam sim a grande maioria não soube responder qual programa e os programas que foram respondidos não são considerados como programas de inclusão para pessoas com deficiência. Verifica-se, portanto, que não há nenhum programa sendo desenvolvido para contratação de mais pessoas com deficiência, ou com os colaboradores para adaptação das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho, ou com os próprios deficientes para o desenvolvimento de suas capacidades. De acordo com o Instituto Ethos (2002), a organização que contrata pessoas com deficiência deve possuir um programa estruturado de recrutamento, seleção, contratação e desenvolvimento de pessoas e não apenas contratar para cumprimento da lei. Embora implementar programas possa parecer mais dificultoso, ele garante que os esforços dispendidos no processo de seleção não sejam desperdiçados e ainda se o profissional com deficiência possuir atribuições claras e bem definidas e receber treinamento adequado ele será produtivo igual aos demais colaboradores. Com relação às repostas dos gestores e envolvidos no processo de inclusão sete pessoas afirmaram que desconhecem qualquer tipo de programa, entretanto, o pesquisado E4 contestou relatando que existe programas de “recrutamento e seleção, treinamento da equipe, treinamento dos colaboradores com deficiência pela equipe onde o mesmo irá atuar”. E10 afirmou que somente existem “acordos e parcerias com instituições que cuidam dos deficientes, exemplo associação e deficientes visuais”. (E11) confirma que a empresa está “em desenvolvimento, atualmente temos parceiros (instituições) que trabalham esta demanda”. As respostas dos gestores certificam que realmente não existem hoje programas de inclusão. Foi questionado também somente ao gestor de recursos humanos como funcionava o processo de recrutamento e seleção das pessoas com deficiência e o mesmo afirmou que “não há diferença. Em algumas situações, o selecionador vai até a instituição facilitando uma das etapas do processo”. De acordo com está resposta é comprovado que realmente a organização não possui nenhum programa estruturado de recrutamento e seleção para as pessoas com deficiência, pois o mesmo funciona da mesma forma para todos (pessoas com e sem deficiência). Foi perguntado ainda aos gestores e envolvidos no processo de inclusão se à organização possuía algum programa de adaptação e ou sensibilização tanto para pessoa com 61 deficiência quanto para o grupo no qual ela está sendo inserida, sete pessoas responderam que desconhecem qualquer tipo de processo de adaptação. Já o respondente E7 relata que “na empresa é feito as adaptações necessárias para que este colaborador não tenha dificuldade para desempenhar suas atribuições na organização”, E10 confirma que o processo de adaptação ocorre “através de conversa reunião com gestor e grupo que vai receber o colaborador” e E11 afirma que “o profissional é acompanhado e seus equipamentos de trabalho são adaptados a sua deficiência. È realizado um trabalho de sensibilização com o grupo de trabalho”. Observa-se que há uma contradição nas respostas, esse fato ocorre muito provavelmente porque os acompanhamentos geralmente são realizados para aquelas pessoas quem possuem deficiências consideradas mais severas. Conforme Instituto Ethos (2002), algumas questões devem ser consideradas para contratação de pessoas com deficiência, tais como: em primeiro lugar a inexperiência das pessoas da empresa em conviver com pessoas com deficiência. Tempo de Empresa X Organização promover algum programa para inclusão das pessoas com deficiência Não resposta N % Não Sim N % N Total % N % Não resposta 1 1,2% 0 0,0% 0 0,0% 1 1,2% Até 5 anos 6 7,0% 10 11,6% 55 64,0% 71 82,6% De 6 a 10 anos 3 3,5% 0 0,0% 3 3,5% 6 7,0% Acima de 10 anos 0 0,0% 2 2,3% 6 7,0% 8 9,3% 10 11,6% 12 14,0% 64 74,4% Total Não resposta Até 5 anos De 6 a 10 anos Acima de 10 anos Total 86 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% 100,0% Quadro 24: Tempo de empresa X Organização promover algum programa para inclusão das pessoas com deficiência Fonte: Dados primários, 2008. Fazendo-se o cruzamento das respostas entre o tempo de casa e a promoção de programas para inclusão das pessoas com deficiência, 1 pessoa (1,2%) não respondeu; em relação as pessoas que possuem até 5 anos de casa 6 delas (7,0%) não responderam, 10 pessoas (11,6%) responderam que sim e 55 pessoas (64,0%) responderam que não; em relação as pessoas que tem de 6 a 10 anos de empresa 3 pessoas (3,5%) não responderam e 3 pessoas (3,5%) responderam que não; e as pessoas que possuem acima de 10 anos de empresa 2 delas (2,3%) responderam que sim e 6 pessoas (7,0%) responderam que não. Com este 62 cruzamento de dados conclui-se que a maioria das pessoas, incluindo aquelas que estão na organização acima de 10 anos não possuem conhecimento de programas que são desenvolvidos pela organização para inclusão das pessoas com deficiência, pois realmente não há nenhum programa de in clusão. Na sua concepção que tipos de deficiência são compatíveis para o exercício de sua função? Não resposta Física Auditiva Visual Mental Todas as alternativas acima Total 1 0,6% 72 46,5% 61 39,4% 8 5,2% 8 5,2% 5 3,2% 155 100,0% 0,6% 46,5% 39,4% 5,2% 5,2% 3,2% Quadro 25: Compatibilidade função X Tipos de deficiência Fontes: Dados primários, 2008. Quando questionado na cooperativa, que tipo de deficiência uma pessoa poderia ter para o exercício de funções dos pesquisados, 1 pessoa (0,6%) não respondeu, a resposta que mais se destacou foi a deficiência física com (46,5%), logo após a deficiência auditiva com (39,4%), deficiência visual e mental com (5,2%) cada uma e ainda 5 pessoas (3,2%) acreditam que todas as deficiências são compatíveis com o exercício de sua função. Um fator importante a ser considerado na contratação de profissionais com deficiência é que a empresa não deve buscar somente pessoas com deficiências leves para contratação, pois esse também pode ser considerado um ato discriminatório. O que deve ser buscado pela empresa é a pessoa e não a deficiência. As pessoas com deficiências têm o direito de ser respeitadas, sejam quais forem a natureza e a severidade de sua deficiência. (MINISTÉRIO DO TRABALHO, 2007) Com está análise conclui-se que todos os tipos de deficiência devem ser considerados na hora de realizar uma contratação com um profissional que possua deficiência o que tornase imprescindível é um estudo detalhado, quanto as possibilidades de adequação entre os tipos de deficiência (limitações) e a natureza do trabalho (funções na cooperativa). Foi questionado também aos gestores e envolvidos no processo de inclusão quais vagas são oferecidas para as pessoas com deficiência, E3 relatou que as vagas oferecidas são de “recepcionistas, telefonistas, assistentes, assessorias, gerência”. E4 respondeu que são “telefonia, faturamento, recepção, atendimento ao público entre outras”. E6 ainda afirma que 63 as vagas oferecidas são iguais para os não deficientes, “as normais para os não deficientes”. Porém o pesquisado E10 refuta informando que as vagas oferecidas são aquelas que melhor de adequam a deficiência da pessoa “são oferecidas vagas que possam oferecer o conforto adequado respeitando/compatibilizando a atividade com a deficiência”. E11 também confirma que só não é oferecido aquelas vagas cujo a pessoa com deficiência não poderá se adaptar, “todas, exceto em atividades que a empresa não esta adaptada para receber estes profissionais”. De acordo com o contexto teórico do trabalho a maneira com que a organização está oferecendo as vagas está correta, pois na hora da contratação não deve-se levar em consideração a deficiência e sim as limitações. Funções exercidas X Compatibilidade da deficiência a função Assistente contas hospitalares N Não resposta % Assistente contas ambulatoriais N % Assistente intercâmbio N % Total N % 1 0,6% 0 0,0% 0 0,0% 1 0,6% Física 22 14,2% 23 14,8% 27 17,4% 72 46,5% Auditiva 22 14,2% 18 11,6% 21 13,5% 61 39,4% Visual 3 1,9% 2 1,3% 3 1,9% 8 5,2% Mental 4 2,6% 1 0,6% 3 1,9% 8 5,2% Todas as alternativas acima 3 1,9% 1 0,6% 1 0,6% 5 3,2% 55 35,5% 45 29,0% 55 35,5% 155 100,0% Total Não resposta 100,0% Física 100,0% 100,0% Auditiva Visual 100,0% Mental 100,0% Todas as alternativas acima 100,0% Total 100,0% Quadro 26: Funções exercidas X Compatibilidade da deficiência a função Fonte: Dados primários, 2008. Com relação ás funções exercidas e os tipos de deficiência que são compatíveis no exercício da função dos colaboradores pesquisados, 1 pessoa da divisão de contas hospitalares (0,6%) não respondeu, 14,2% respondeu que física e auditiva 1,9% respondeu que seria a deficiência visual 2,6% respondeu mental e 1,9% respondeu todas as alternativas; das pessoas que trabalham na divisão de contas ambulatórias 14,8% respondeu que seria a deficiência física, 11,6% auditiva, 1,3% visual, 0,6% mental e todas as alternativas; das pessoas que 64 trabalham na divisão de intercâmbio 17,4% respondeu a deficiência física, 13,5% auditiva, 1,9% visual e auditiva e 0,6% todas as alternativas. È importante considerar que possivelmente as deficiências escolhidas (físicas e auditivas) foram mais citadas devido às divisões pesquisadas possuírem um trabalho de análise documental e em sistema computacional. As pessoas com deficiências visuais e mentais teriam um acesso mais limitado a essas divisões, uma vez que necessitariam de programas especiais de computadores, contas em Braille para os deficientes visuais e exigiria uma atenção redobrada dos deficientes mentais podendo causar constrangimentos, bem como dificuldades operacionais para a cooperativa. A inclusão de pessoas com deficiência cria um clima organizacional? Não resposta Positivo Negativo Total 1 1,2% 84 97,7% 1 1,2% 86 100,0% 1,2% 97,7% 1,2% Quadro 27: Inclusão cria um clima organizacional positivo? Fonte: Dados primários, 2008. Ao analisar a resposta de 86 pesquisados observa-se que 84 pessoas (97,7%) consideram que a inclusão das pessoas com deficiência cria um clima organizacional positivo, 1 pessoa não respondeu (1,2%) e 1 pessoa respondeu que não. Percebe-se que a resposta positiva foi praticamente unânime, ou seja, para os pesquisados trabalhar com as pessoas com deficiência não haveria problemas, pelo contrário criaria um clima organizacional mais agradável. De acordo com o Instituto Ethos (2002), a contratação de pessoas com deficiência proporciona ganhos no ambiente de trabalho, reforça o espírito de equipe, fortalece os valores coletivos e humaniza mais o ambiente de trabalho. Você se sentiria motivado em trabalhar em uma organização que é socialmente responsável e que promove a inclusão das pessoas com deficiência? Sim Não Total 84 97,7% 2 2,3% 86 100,0% 97,7% 2,3% Quadro 28: Organização socialmente responsável que promove a inclusão Fontes: Dados primários, 2008. 65 De um total de 86 pesquisados, 84 pessoas (97,7%) afirmam que trabalhar em uma organização que é socialmente responsável e que promove a inclusão traz motivação, apenas 2 pessoas (2,3%) consideraram que não. Assim como a contratação de pessoas com deficiência traz motivação para os clientes internos da organização (colaboradores) também traz para os clientes externos. Em uma pesquisa realizada em 2000 pelo Instituto Ethos, jornal valor e indicator, 46% dos entrevistados declararam que a contratação de pessoas com deficiência está em primeiro lugar entre as atitudes que os estimulariam a comprar mais produtos de determinada empresa, em 2001 essa continuou sendo a mesma resposta para 43 % dos entrevistados.(INSTITUTO ETHOS, 2002) Na sua opinião qual o principal retorno para organização com a contratação de pessoas com deficiência? Ganho de imagem no mercado 17 12,4% Elevação do espírito de equipe 12 8,8% 4 2,9% 12 8,8% 4 2,9% Ganhos de produtividade Melhoria do ambiente de trabalho Eleva a criatividade para solução de problemas Respeito as diferenças Redução de conflitos Consciência de cidadania das pessoas Total 12,4% 8,8% 2,9% 8,8% 2,9% 36,5% 50 36,5% 4 2,9% 34 24,8% 2,9% 24,8% 137 100,0% Quadro 29: Qual o principal retorno com a contratação de pessoas com deficiência Fonte: Dados primários, 2008. Para finalizar, foi questionado aos colaboradores qual o principal retorno para a organização com a contratação de pessoas com deficiência, as respostas mais citadas foram, o respeito às diferenças (36,5%), a consciência de cidadania das pessoas (24,8%), logo após o ganho de imagem no mercado com (12,4%), elevação do espírito de equipe e melhoria no ambiente de trabalho com (8,8%) e ganhos na produtividade, redução de conflitos e elevação da criatividade para solução de problemas com (2,9%). Portanto, muitos são os “retornos” que a inclusão das pessoas com deficiência pode trazer para as organizações, entre eles os mais citados foram o respeito às diferenças e a consciência de cidadania. Afinal de contas todas as pessoas devem ser respeitadas e serem consideradas como cidadãos independentemente de possuir ou não algum tipo de limitação e ou deficiência. Bahia (2006), comenta que os benefícios adquiridos com a contratação de pessoas com deficiência para os colaboradores das organizações são a elevação da auto-estima ;reconhecimento de potencialidades sem negligenciar limitações;reflexão sobre a inclusão 66 social ; aprender a conviver com o diferente; cultivar a tolerância ; motivação; promoção das prática de valorização da diversidade; ganhos de imagem; ganhos no ambiente de trabalho; elevação do espírito de equipe; ganhos de produtividade; clima organizacional positivo; ampliação do nicho de mercado; diversas alternativas na proposição de soluções; aumento do nível de entendimento sobre responsabilidade social empresarial entre outros. Perguntou-se também aos gestores e envolvidos no processo de inclusão se eles acreditavam que a inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho traria retorno, vantagem competitiva ou problemas à organização. Os retornos destacados foram “retorno financeiro” (E1), “boa imagem a organização” (E2), “a empresa é vista no mercado como empresa que contrata deficientes” (E3), “produtividade, empenho e eficiência” (E7) e “exemplo socialmente responsável que pode ser disseminado a outras organizações” (E8) Duas pessoas ainda citaram que a contratação traz vantagens competitivas e E11 afirmou que a contratação “mexe com o ambiente, situações de descontentamento com a sua vida pessoal ou profissional recebem um outro olhar”. O problema citado foi somente “custos de adequação/adaptação de layout/espaços” (E10). Foi questionado também aos gestores e envolvidos no processo de inclusão que tipos de melhorias organizacionais poderiam ser implementadas para inclusão de mais pessoas com deficiência. E1 respondeu que as melhorias que poderiam ser implementadas seriam “treinamento com o pessoal da empresa”, E2 respondeu “treinamentos específicos antes do início da função, nivelamento dos mesmos, incentivos como transporte especial e assistência a saúde diferenciada” e E9 afirmou que as melhorias seriam “treinamento com os envolvidos para identificar melhor área para atuação; treinar responsáveis de área para inclusão dos mesmos e criar rampas de acesso em todas as sedes”. E3 ainda sugeriu a “contratação de um colaborador que pudesse dar maior apoio aos deficientes e que pudesse efetuar mais contratações”. E4 afirmou que poderia ser “ampliado a consciência das lideranças e que este assunto fosse melhor trabalhado pela área de gestão de pessoas e desenvolvimento humano” e E11 relatou que essa não deve ser somente uma preocupação da organização que contrata “na minha opinião, não cabe somente as organizações e sim ao governo. Podemos observar claramente que as cidades (infra-estrutura), escolas, meio de transporte não estão adaptados para PNE´s. O que cabe as organizações é feito, mas ratifico que é impossível a organização se adaptar e o entorno dela não”. Para que as pessoas com deficiência possuam uma maior inclusão no ambiente de trabalho deve-se haver uma junção de melhorias tanto das organizações, tanto do governo quanto das próprias pessoas com deficiência. O governo deve, portanto, oportunizar mais condições de acesso e estudo e as pessoas com deficiência devem 67 buscar se qualificar melhor. No que diz respeito a educação e profissionalização desses profissionais Pastore (2000), comenta que no Brasil o campo de educação para pessoas com deficiência é reconhecidamente precário. Um quadro como este compromete as chances de as pessoas ingressarem e permanecerem no mercado de trabalho. O ideal, entretanto é que os deficientes se qualifiquem cursando ensinos escolares regulares, cursos profissionalizantes e ensino superior para facilitar sua inserção no mercado de trabalho. As organizações, entretanto, devem abrir postos de trabalho para pessoas com deficiência rompendo assim as barreiras que tradicionalmente as excluem, obter um compromisso firme na direção para combater de forma explícita as manifestações de preconceito, interfirir em todos os níveis de chefia, acompanhar a adaptação e, principalmente demonstrar e exigir respeito as pessoas com deficiência.(INSTITUTO ETHOS 2002) Foi analisado ainda as respostas dos gestores e envolvidos no processo de inclusão em relação a quais motivos levariam a organização a contratar pessoas com deficiência, quatro pessoas afirmaram que em primeiro lugar seria para o cumprimento da lei de cotas. Já o pesquisado E10 refuta dizendo que não seria somente pelas exigências legais, “não só os motivos legais mais especialmente a nossa filosofia de empresa socialmente responsável”. E11 acrescenta que a organização contrataria pessoas com deficiência por “acreditar que eles são capazes, este é o ponto principal. Outro ponto é contribuir para que esses profissionais sejam inclusos no mercado, de maneira socialmente responsável”. E2 enfatiza que a contratação das pessoas com deficiência é uma questão de responsabilidade social “a questão da responsabilidade social, uma ação junto à comunidade pode trazer muitos benefícios a organização, a satisfação dos colaboradores”. E5 ainda afirmou que os principais motivos seriam para “valorização do ser humano e de oportunidades iguais” e E3 relatou que “é uma forma de todos lidarem com as diferenças e preconceitos”. A inclusão social é um processo que contribui para a construção de um novo tipo de sociedade através de transformações pequenas e grande, nos ambientes físicos e na mentalidade de todas as pessoas, portanto, também da própria pessoa com necessidades especiais. (SASSAKI, 2006) Para finalizar este estudo será apresentado as considerações finais. 68 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS A inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho surge da temática da diversidade que significa promover a igualdade de oportunidade a todos e é propiciada pelas organizações, principalmente após a criação da lei de cotas. Incluir as pessoas com deficiência no ambiente organizacional não se trata simplesmente contratá-las, mas sim promover interações adaptando as pessoas com deficiência com os demais colaboradores da organização, preparando o ambiente para as mesmas, ou seja, tornando acessível o local de trabalho e desenvolvendo programas para recrutamento, seleção e capacitação das pessoas com deficiência. A inclusão não deve ser considerada como uma obrigação ou porque proporciona bons resultados para os negócios das organizações, mas por ser uma atitude correta e justa a ser realizada que leva em consideração a ética da igualdade de oportunidade. Quanto às limitações encontradas no estudo pode-se citar o fator tempo, pois o mesmo impossibilitou uma análise mais completa, ou seja, da população total da organização, outro fator que pode ser considerado diz respeito à literatura, pois devido à inclusão ser um tema recente haviam poucas obras relacionadas a esse assunto e ainda por ser um tema pouco debatido dentro da organização em estudo as pessoas pesquisadas possuíram dificuldades para responder os questionamentos realizados. No que se refere ao reconhecimento das ações que são desenvolvidas para inclusão das pessoas com deficiência, constatou-se que, atualmente não há ações sendo desenvolvidas, pois praticamente o total da população alvo respondeu que nenhum programa está sendo realizado para inclusão de mais pessoas com deficiência no ambiente de trabalho. O gestor de recursos humanos ainda afirmou que a contratação das pessoas com deficiência ocorre igual para todos, portanto, não é realizado nenhum programa recrutamento e seleção, também a grande maioria dos respondentes afirmou que não há nenhum programa para capacitar as pessoas com deficiência que já estão trabalhando na organização e ainda não é executado nenhum processo de adaptação tanto para as pessoas com deficiência tanto para os colaboradores e gestores que irão trabalhar com as pessoas com deficiência. O que existe são somente parcerias com instituições que tratam a questão da inclusão e também o ambiente de trabalho possui acessibilidade arquitetônica ainda que precise ser melhorado, entretanto, o ambiente organizacional com acessibilidade não é positivo somente para as pessoas com deficiência que exercem uma função dentro da organização, mas também 69 para os seus clientes. Esse, portanto, é um aspecto que pode ser realizado muito mais por trazer benefícios a seus clientes do que para ser considerado como um programa para contratação de mais pessoas com deficiência. No que tange a percepção dos colaboradores em relação à inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho, a grande parte dos colaboradores do nível operacional considera que, a inclusão cria um clima organizacional positivo, os mesmos ainda se sentiriam mais motivados em trabalhar em uma organização que é socialmente responsável e que promove a inclusão e também eles consideram que a inclusão traz retornos para organização tais como de respeito ás diferenças e de consciência de cidadania. Os gestores e envolvidos no processo de inclusão ainda citaram que a inclusão traz retornos financeiros, boa imagem à organização, a organização é vista como sendo socialmente responsável e traz bons exemplos as demais pessoas que trabalharão com as pessoas com deficiência. Na investigação das mudanças organizacionais necessárias para ingresso das pessoas com deficiência na cooperativa em estudo observou-se de acordo com os resultados da pesquisa que diversas variáveis devem ser consideradas. Precisa-se em primeiro lugar possuir pessoas mais capacitadas para lidar com as pessoas com deficiência, as pessoas já existentes devem ser treinadas ou deve-se contratar uma pessoa especializada, em segundo deve-se desenvolver uma melhor acessibilidade arquitetônica, em terceiro os colaboradores da organização devem receber treinamentos de como lidar com as pessoas com deficiência e as pessoas com deficiência também devem ser preparadas e capacitadas para o exercício de sua função e em quarto lugar o tema deve ser mais divulgado e a consciência das lideranças em relação ao assunto tem de ser ampliada. Em relação ao perfil profissional exigido pela cooperativa para contratação das pessoas com deficiência identificou-se grande parte dos pesquisados responderam que as pessoas que possuem as deficiências físicas e auditivas possuem mais oportunidades de serem contratadas, isso não quer dizer que as pessoas que possuem outras deficiência não serão contratadas o que será considerado são suas limitações. As pessoas com deficiência que possuem habilidade para as funções de recepcionista, telefonista, assistência administrativa e atendimento ao público terão um acesso mais facilitado a cooperativa. È importante ressaltar que a pessoa com deficiência deve tentar possuir o mesmo padrão dos demais colaboradores capacitando-se com ensino técnico, superior e entre outros. Quanto ao objetivo geral deste trabalho – analisar os desafios encontrados pela empresa Alpha para inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho – constatou-se que a cooperativa Alpha tem alguns desafios a serem superados o primeiro deles 70 é o de disseminar a idéia da inclusão das pessoas com deficiência dentro da organização e na mentalidade das lideranças, o segundo é possuir pessoas preparadas para contratação, capacitação e acompanhamento das pessoas com deficiência o terceiro é trabalhar com as pessoas que farão parte do ambiente de trabalho das pessoas com deficiência para que não surja nenhum tipo de idéia pré-concebida de preconceito e discriminação, ou seja, deve-se passar informações que desmitifiquem a deficiência. Um outro desafio a ser superado pela cooperativa em estudo é o de melhorar ainda mais o ambiente de trabalho, promovendo uma maior acessibilidade arquitetônica e o de encontrar pessoas com deficiência com habilidades e capacidades para as funções oferecidas. Diante dos resultados apresentados, propõe-se que a cooperativa em estudo que, primeiramente seja contratado ou especializado uma pessoa para lidar com as pessoas com deficiência. Posteriormente, deve-se estruturar um programa de recrutamento e seleção, um mais amplo de acessibilidade, um de treinamento, de sensibilização das chefias e de adaptação para os demais colaboradores e para as próprias pessoas com deficiência. Os temas que tangem a diversidade e a inclusão devem também ser mais divulgados através de emails internos, cartazes e ou palestras, para que as pessoas se conscientizem mais e tenham uma maior conhecimento a respeito dos assuntos. Em relação a propostas para trabalhos futuros sugere-se que sejam avaliados a motivação e qualidade de vida dos colaboradores e gestores e o treinamento dos colaboradores. Ainda propõe-se que seja realizado um estudo voltado somente para gestão da diversidade. Para finalização deste trabalho é importante destacar que as organizações estão aos poucos adaptando-se com a idéia de contratação de pessoas com deficiência, essa atitude é explicada, devido o preconceito ainda vigorar na sociedade e pela falta de informação das pessoas. Para que ocorra mais inclusão de pessoas com deficiência no ambiente de trabalho é de extrema importância que os governos auxiliem neste processo fornecendo um ensino de qualidade, cursos de capacitação e de formação profissional, uma melhor acessibilidade urbana para facilitar a vida da pessoa com deficiência e amplie a consciência das organizações e sociedade, as pessoas com deficiência também devem procurar estar sempre buscando se qualificar, estudando e se especializando e as organizações devem proporcionar mais oportunidades de trabalho às pessoas com deficiência. 71 REFERÊNCIAS ALVES. M. A; SILVA. G. G L. A crítica da gestão da diversidade nas organizações. Rae, São Paulo Jul/Set 2004. ASHLEY, P. A. Ética e responsabilidade social nos negócios. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005-2006. ASHLEY, P. A. Ética e responsabilidade social nos negócios. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. ASSOCIAÇÂO BRASILEIRA DE NORMAS TÈCNICAS. 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(ATENÇÂO: Não serão divulgados os nomes dos participantes deste questionário e tão pouco o nome da organização em estudo.) Perfil: Idade: ( ) Gestão Administ. e Financeira ( ) 18 a 30 anos ( ) 31 a 45 anos ( ) Acima de 45 anos Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino Escolaridade: Tempo de empresa: ( ) Ensino Fundamental ( ) Ensino Médio ( ) Ensino Técnico ( ) Ensino Superior ( ) Pós-Graduação ( ) Completo ( ) Incompleto Grupo Funcional: ( ) Gestão Operacional ( ) Gestão Comercial e Marketing ( ) Gestão Estratégica ( ) Até 5 anos ( ) de 6 a 10 anos ( ) Acima de 10 anos Na organização existem pessoas com deficiência ocupando cargo de chefia? ( ) Sim ( ) Não Em relação a Gestão da Diversidade: 6. Você acredita que há igualdade de oportunidades entre os colaboradores da organização? Por quê? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 79 7. Na sua opinião existe preconceito entre os colaboradores da organização? De que tipo? Por que isso acontece? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 8. Na sua percepção aplicar práticas de Diversidade, ou seja, lidar adequadamente com as diferenças de cor, raça, etnia e pessoas com deficiência contribui para a motivacão dos colaboradores da organização? Ela causa impactos á organização? Justifique sua resposta __________________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________ Em relação à inclusão das pessoas com deficiência na organização: 9. Você possui conhecimento da Lei de Cotas? ___________________________________________________________________________ _________________________________________________________________ 10. Em que aspectos a Lei de Cotas implica no gerenciamento das pessoas? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 11. Quais motivos levariam a organização a contratar uma pessoa com deficiência? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 12. Você acredita que a organização possui profissionais capacitados para contratação e acompanhamento das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 13. De que forma a organização prepara os colaboradores e os gestores para trabalhar com as pessoas que possuem deficiência? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 80 14. Que tipo de vagas são oferecidas as pessoas que tenham algum tipo de deficiência? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 15. Que tipo de projetos arquitetônicos a organização desenvolve para acessibilidade e a inclusão das pessoas com deficiência? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 16. Quais são os programas desenvolvidos para inclusão das pessoas com deficiência na organização? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 17. Quando há contratação de pessoas com deficiência é realizado algum processo de adaptação tanto para pessoa com deficiência quanto para o grupo no qual ela será inserida? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ 18. Você acredita que a inclusão das pessoas com deficiência no ambiente de trabalho traz retorno/vantagem competitiva/problemas à organização? Quais? 1) ____________________________________________________________________ 2) ____________________________________________________________________ 3) ____________________________________________________________________ 19. Na sua opinião, que tipo de melhorias organizacionais poderiam ser implementadas para inclusão de mais pessoas com deficiência na organização? ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ____________________________________________________________ AGRADEÇO A SUA COLABORAÇÃO. 81 Apêndice B – Questionário colaboradores Prezado (a) colaborador (a): O presente questionário tem por objetivo tratar da inclusão das pessoas com deficiência em nossa organização. Peço, que o questionário seja preenchido com o máximo de veracidade, pois ele servirá de base para meu Trabalho de Conclusão de Curso de Administração na Universidade do Vale do Itajaí – Univali (São José) e poderá também auxiliar na implementação de melhorias para a organização. Perfil: 1. Idade: ( ) 18 a 30 anos ( ) 31 a 45 anos ( ) Acima de 45 anos 2. Sexo: ( ) Feminino ( ) Masculino 3. Escolaridade: ( ( ( ( ( ( ) Ensino Fundamental ) Ensino Médio ) Ensino Técnico ) Ensino Superior ) Pós-Graduação ) Completo ( ) Incompleto 4. Tempo de empresa: ( ) Até 5 anos ( ) de 6 a 10 anos ( ) Acima de 10 anos 7. Você acredita que existe preconceito entre os colaboradores? - Preconceito Racial ( ) Sim ( ) Não - Preconceito com Mulheres ( ) Sim ( ) Não - Preconceito com deficientes ( ) Sim ( ) Não 8. A organização em que você trabalha aplica práticas de Diversidade, ou seja, lida adequadamente com as diferenças de cor,raça,etnia,sexo e pessoas com deficiência? ( ) Sim ( ) Não 5. Função Exercida: ( ) Assistente Contas Hospitalares ( )Assistente Contas Ambulatoriais ( ) Assistente Intercâmbio 9. Com base no conceito acima a gestão da Diversidade causa grandes impactos à organização? Em relação à Gestão da diversidade: 6. Você acredita que a organização proporciona igualdade de oportunidade a todos? ( ) Sim ( ) Não ( ( ( ( ( ) Sempre ) Quase sempre ) Às vezes ) Raramente ) Nunca 82 Em relação à inclusão das pessoas com deficiência na organização: 10. Na sua percepção a organização em que você trabalha é inclusiva em relação as pessoas com deficiência? (Deficiências: físicas,mentais,auditivas, visuais e outras) ( ) Sim ( ) Não 15. A inclusão de pessoas com deficiência cria um clima organizacional: ( ) Positivo ( ) Negativo 16. Você se sentiria motivado em trabalhar em uma organização que é socialmente responsável e que promove a inclusão das pessoas com deficiência? ( ) Sim ( ) Não 11. Você acredita que a organização possui profissionais preparados para lidar com as pessoas com deficiência? ( ) Sim ( ) Não 12. Você considera que a empresa possui condições físicas adequadas para o trabalho de pessoas com deficiência? ( ) Sim ( ) Não 17. Na sua opinião qual o principal retorno para organização com a contratação de pessoas com deficiência? ( ) Ganho de imagem no mercado ( ) Elevação do espírito de equipe ( ) Ganhos de produtividade ( ) Melhoria do ambiente de trabalho ( ) Eleva a criatividade para solução de problemas ( ) Respeito as diferenças ( ) Redução de conflitos ( ) Consciência de cidadania das pessoas. 13. A organização promove algum programa para inclusão de pessoa com deficiência? ( ) Sim ( ) Não Qual? __________________________________ __________________________________ 14. Na sua concepção que tipos de deficiência são compatíveis para o exercício de sua função? ( ( ( ( ( ) Física ) Auditiva ) Visual ) Mental ) Todas as alternativas acima AGRADEÇO SUA COLABORAÇÃO. 83 ANEXOS Anexo A – Estrutura Organizacional da Cooperativa Alpha (Administração Superior) 84 Anexo B – Estrutura Organizacional da Cooperativa Alpha (Gestão Estratégica) 85 Anexo C – Estrutura Organizacional da Cooperativa Alpha (Gestão Operacional) 86 Anexo D – Estrutura Organizacional da Cooperativa Alpha (Gestão Comercial e de Marketing) 87 Anexo E – Formulário para reabilitação profissional INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL DESCRIÇÃO DE FUNÇÃO/ATIVIDADE I – Identificação do segurado NOME: Nº do BI DATA DE NASCIMENTO: ENDEREÇO: OCUPAÇÃO/ATIVIDADE (anterior) (atual): TEMPO/ATIVIDADE (anterior) (atual): II – Identificação da Empresa NOME: CNPJ ENDEREÇO: RAMO DE ATIVIDADE: 88 INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL DESCRIÇÃO DE FUNÇÃO/ATIVIDADE III – Descrição da Função (relatar em detalhes as tarefas desempenhadas pelo empregado): INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL DESCRIÇÃO DE FUNÇÃO/ATIVIDADE IV – Exigências da Função 01 – INSTRUÇÃO/ESCOLARIDADE 1.1 - Sem exigência de Alfabetização....... ( ) 1.2 - Até 4ª Série do 1º Grau...................... ( ) 1.3 - Até 8ª Série do 1º Grau...................... ( ) 1.4 - 2º Grau ao Nível Superior.................. ( ) 02 – EXPERIÊNCIA PROFISSIONAL SIM ( ) NÂO ( ) 03 – TEMPO MÍNIMO EXIGIDO PARA APRENDIZAGEM NA FUNÇÃO: 3.1 - Até 01 mês.......................................... ( ) 3.2 - Até 03 meses..................................... ( ) 3.3 - Até 06 meses...................................... ( ) 3.4 – Mais de 06 meses ............................. ( ) 89 V – Material – Máquina e Equipamento de Trabalho 01 - MATERIAIS UTILIZADOS: ______________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 02 - MÁQUINAS UTILIZADAS: ______________________________________________________ ________________________________________________________________________________ 03 – EQUIPAMENTOS UTILIZADOS _ ________________________________________________________________________________ INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL DESCRIÇÃO DE FUNÇÃO/ATIVIDADE VI – Condições Ambientais 01 – AMBIENTE ONDE O(a) FUNCIONÁRIO(a) EXERCE A FUNÇÃO 1.1 – Interno 1.2 - Externo ( ( ) ) 02 – ASPECTOS AMBIENTAIS 2.1 – Poeira.......................... ( 2.3 – Calor............................ ( 2.5 – Frio.............................. ( ) ) ) 2.2 – Umidade............... ( 2.4 – Ruído.................... ( 2.6 – Odores.................. ( ) ) ) ) ) ) 3.2 – Equipe.................. ( 3.4 – Individual.............. ( 6.6 – Dupla.................... ( ) ) ) 03 – CONDIÇÕES DE TRABALHO 3.1 – Com pessoas.............. ( 3.3 – Com coisas.................. ( 3.5 – Com idéias................... ( VII – Exigências da Função em Relação ao (a) Empregado (a) 90 01 – ESFORÇO FÍSICO 1.1 – Carrega peso.................. ( 1.2 – Empurra.......................... ( 1.3 – Imprime força.................. ( ) ) ) a) 0 a 5 Kg ................. b) 05 a 10 Kg ............. c) 10 a 20 Kg ............. d) 20 a 30 Kg ............. e) Mais de 30 Kg.......... ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) 3.4 – Pés/Pernas......... ( 3.5 - Bimanual ............ ( ) ) 02 – TRABALHA EM RITMO 2.1 – Lento............................... ( 2.2 – Rápido............................ ( 2.3 – Moderado........................ ( ) ) ) 03 – MOVIMENTOS MAIS EXIGIDOS 3.1 – Dedos............................. ( 3.2 – Coluna............................ ( 3.3 - Mãos/Braços................... ( ) ) ) 04 – POSIÇÕES NECESSÁRIAS 4.1 – Em pé............................. 4.3 – Sentado.......................... 4.5 – Andando......................... 4.7 – Agachado........................ 4.9 – Deitado........................... ( ( ( ( ( ) ) ) ) ) 4.2 – Subindo............. 4.4 – Em altura........... 4.6 – Equilibrando...... 4.8 – Empurrando...... 4.10 – Carregando....... ( ) ( ) ( ( ( ) ) ) 4.11 – Escreva a posição mais freqüente:_____________________________________ _______________________________________________________________ DESCRIÇÃO DE FUNÇÃO/ATIVIDADE 05 – UTILIZAÇÃO DA VISÃO 5.1 – Pouca.................. ( 5.2 - Normal ................ ( 5.3 – Intensa................ ( ) ) ) VIII – Riscos 01 – Quedas.................. 03 – Cortes.................... 05 – Amputação............. 07 – Choques................. ( ( ( ( ) ) ) ) 02 – Esmagamento........ ( 04 – Queimaduras......... ( 06 – Contusão................ ( ) ) ) 08 – Outros:_______________________________________________________________ IX – Observações: 91 _________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ _____________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________ Preenchido por:_____________________________________________________ NOME E ASSINATURA CARGO: DATA: