PROJETO ALFA NERUDA
TRABALHO DE DIVULGAÇÃO
SEMINÁRIO ASPECTOS SÓCIO-ECONÔMICOS DA
PECUÁRIA LEITEIRA NO BRASIL.
QUARTA, 26 DE ABRIL DE 2006
Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Decanato de Pesquisa e Pós-Gradução
Instituto de Zootecnia
Programa de Pós-Graduação em Zootecnia
CPDA-Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento,
Agricultura e Sociedade
RIO DE JANEIRO - BRASIL
Carlos Augusto de Oliveira – João Carlos de Almeida Carvalho - Tania De França Padilha
SUMÁRIO
RESUMO.................................................................................................... 3
INTRODUÇÃO........................................................................................... 4
APRESENTAÇÃO DO SEMINÁRIO.............................................................. 5
APRESENTAÇÃO DO PROJETO ALFA-NERUDA Dr. JUAN LERDON
FERRADA..................................................................................................
Introdução......................................................................................................
Objetivos........................................................................................................
Os Países e as Instituições Participantes...........................................................
Apresentação de Resultados ...........................................................................
Apresentação de Resultados............................................................................
Conclusão.......................................................................................................
6
6
6
7
8
9
10
ANÁLISE TÉCNICA ECONÔMICO DO SISTEMA DE PRODUÇÃO DE LEITE
E CARNE. Dr. JUAN LERDON FERRADA..................................................... 11
A Produção de leite nas Regiões Chilenas......................................................... 11
A Metodologia de Gestão do Programa Todoagro.............................................. 12
A CADEIA LÁCTEA NO SUL DO BRASIL Dr. EUGENIO AVILA PEDROZO....
Introdução......................................................................................................
Considerações Sobre o Setor Lácteo Brasileiro...................................................
Uma Visão Geral do Rio Grande do Sul.............................................................
15
15
15
16
ASPECTOS ECONÔMICOS DA UTILIZAÇÃO DE PASTAGENS NA PECUÁRIA .
Dr. LEOVEGILDO LOPES DE MATOS..........................................................
Introdução......................................................................................................
Sistema de Produção de Leite Para o Brasil.......................................................
Produção de Leite a Pasto...............................................................................
Animal Eficiente Para a Produção de Leite........................................................
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19
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23
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DINÂMICA ATUAL DA CADEIA DE LÁCTEOS NO BRASIL. Dr JOHN
WILKINSON........................................................................................…... 33
Introdução...................................................................................................... 33
A Cadeia de Lácteos........................................................................................ 34
CONCLUSÕES............................................................................................ 35
ANEXO 1 PROGRAMA DO SEMINÁRIO...................................................... 36
ANEXO 2. REGISTROS FOTOGRÁFICOS.................................................... 37
2
RESUMO
O Seminário apresentado nesta publicação faz parte da jornada de divulgação
que as Universidades participantes do Projeto ALFA NERUDA tem se comprometido a
realizar. Para divulgar as atividades do projeto e debates acadêmicos a respeito do
desenvolvimento leiteiro de nossos países.
Para este trabalho foi escolhido como tema de discussão Aspectos Sócios
Econômicos da Pecuária Leiteira no Brasil. A pesquisa sobre o tema em questão é de
extrema necessidade para traçar o perfil socioeconômico da pecuarista leiteiro. A
investigação pelas universidades viabiliza a criação e delimitação de estratégias que
possibilitem o incremento da competitividade dos produtores de leite. O crescimento
e desenvolvimento do setor leiteiro brasileiro é evidente. Entretanto, encontra
dificuldades a serem superadas no que diz respeito a um ter um produto com
condições de competitividade no mercado.
Baseando se em suas experiências, o Dr Juan expõe um trabalho de Gestão
de Empresas Rurais. O qual ressalta a importância da administração da propriedade
rural de forma empresarial. As decisões para a elaboração do planejamento e
execução deste são baseado em acessórias técnicas (agronômica, nutricional,
veterinária etc).
Buscando enriquecer o trabalho o Dr. Eugenio Pedrozo em sua preleção além
de mostrar a situação do setor lácteo nacional relatou a situação do setor Lácteo no
Rio Grande do Sul. Demonstrando a importância do papel do pequeno produtor de
leite no contexto da produção de leite deste estado e a importância de empresas
como a Elegê e a Parmalat no setor de lácteos.
Seguindo o objetivo do desenvolvimento da pecuária leiteira o Dr. Leovegildo
Matos faz colocações importantes com relação ao sistema produtivo. Enfatiza a
importância da utilização do sistema produtivo de leite a pasto com a utilização de
animais de potencial produtivo médio para compatibilizar suas necessidades
nutricionais com a condição de produção da pastagem. O Dr.Matos ratifica o
potencial produtivo das gramíneas tropicais para a produção de leite com menor
custo de produção.
Por fim o Dr. John Wilkinson discursou sobre a dinâmica da cadeia de lácteos
realçando o incremento na produção nacional de leite. A mudança no perfil de
importador de leite para exportador de leite. A importância das cooperativas e
laticínios na captação de leite no mercado nacional de lácteos. Finalizando com uma
análise sócio econômica do setor lácteo.
3
INTRODUÇÃO
A atividade leiteira levanta grandes temas sobre o seu desenvolvimento de
forma sustentável e produtiva. A análise socioeconômica do setor de lácteos nos
revela a importância das propriedades de origem familiar e da atual realidade do
desenvolvimento destas propriedades.
Dentro desta temática, evidenciamos o papel das universidades no debate por
uma análise do sistema de produção de leite, objetivando o delineamento de metas
que busquem uma maior produtividade com menores custos de produção.
Na ultima década a produção nacional tem mantido uma taxa de crescimento
de 4% ao ano. Apesar do incremento da produção nacional de leite, o produtor de
leite brasileiro demonstra ineficiência no desempenho do sistema produtivo e
administrativo das propriedades leiteiras que refletem em baixos níveis
produtivos/hectare.
A manutenção de uma atividade leiteira sustentável é o principal desafio a ser
superado.Os baixos preços recebidos pelo leite desestimulam a manutenção dos
produtores na atividade.
A propriedade leiteira de natureza familiar tem um relevante papel social na
geração de empregos. O ultimo senso agropecuários revelou que a cada 10
empregos gerados no campo, 7 são gerados pela agricultura familiar. Como também
que cerca de 50% do leite produzido tem origem em propriedades de cunho familiar.
Outro aspecto de grande importância a ser analisado é a baixa adoção de
técnicas de gestão e utilização de tecnologias de produção. Essas ferramentas são
importantes para o desenvolvimento de uma atividade sustentável.
Logo esses temas nos trazem a importância do papel das universidades como
investigadoras das vulnerabilidades do sistema e o seu papel para gerar estratégias
que permitam incrementar a sustentabilidade da atividade leiteira. Este seminário
tem como objetivo contribuir e reforçar este papel.
4
APRESENTAÇÃO DO SEMINÁRIO.
A reunião de hoje tem como objetivo apresentar algum aspecto sócio
econômico da pecuária leiteira brasileira. Além de integrar os temas que envolvem o
seu desenvolvimento da atividade leiteira como a importância Ada atividade familiar
e a importância do sistema de produção para uma atividade mais sustentável.
O trabalho será composto por 4 preleções, sendo iniciado pelo Dr. Juan
Ricardo Lerdon Ferrada. O qual é professor titular da Univerdidad Austral de Chile,
Diretor do projeto ALFA-NERUDA. Doutor em Economia Agrária, com especialização
em Gestão de Empresas Agrícolas.
Terá continuidade com o Dr. Eugenio Ávila Pedrozo que é professor Adjunto
da Universidade Federal do Rio Grande do sul, Doutor em Gestão pelo Institut
National Polytechnique, França.
A terceira exposição será apresentada pelo Dr. Leovegildo Lopes de Matos. O
qual é Gerente do Núcleo Sul de Apoio a Pesquisa e Transferência de Tecnologia
para o Setor Leiteiro, da Embrapa Gado de Leite; PhD, Nutrição de Ruminantes,
Cornell University.
A última preleção será ministrada pelo Dr. John Wilkinson. O qual é professor
do CPDA da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pós-doutorado em Sociologia
Econômica na Universidade de Paris XIII.
5
PROJETO ALFA NERUDA: NOVAS EMPRESAS RURAIS E DESENVOLVIMENTO
AGRÍCOLA. UMA CONTRIBUIÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO DA
CAPACIDADE DE GESTÃO. 1Dr. Juan Lerdon Ferrada
Introdução
O Projeto Alfa é um programa de cooperação entre a União Européia e a
América Latina no ambiento do ensino superior e de formação. As atividades são
executadas por instituições de cada região.
Proyecto Alfa Neruda :
Nuevas Empresas Rurales y
Desarrollo Agrícola.
Una contribución al desarrollo
de las capacidades de gestión.
Ing. Agr. Dr. Juan Lerdon
Universidad Austral de Chile
Figura 1. Apresentação inicial do Projeto ALFA-NERUDA.
Objetivos do Projeto
O objetivo geral do projeto é desenvolver metodologias para o estudo de
sistemas produtivos rurais, criando e aplicando ferramentas que permitam
caracterizar, assim como a análise de sua capacidade de gestão, tomando como
referencia os produtores de leite da América Latina e Europa.
O projeto apresenta objetivos específicos, como:
• Criar uma instancia de coordenação, investigação e intercambio de
experiências entre os acadêmicos e pesquisadores, na área de gestão.
Realizar uma caracterização do sistema leiteiro dos países que compõe
a rede.
• Entrar em consenso nas metodologias específicas de investigação.
Gerar a capacidade de gestão dos participantes.
• Criar e ou implementar os instrumentos de apoio para a
gestão.Promover as discussões e reflexões acadêmicas sobre
ferramentas de gestão empresarial através de trabalhos com os
estudantes.
. Juan Ricardo Lerdon Ferrada é professor titular da Univerdidad Austral de Chile, Diretor do projeto ALFA-NERUDA. Cursou
Engenharia Agronomica Universidad Austral de Chile. 1976. .Magister em Economia Agrária, com especialização em Gestão de
Empresas Agrícolas. Universidad de Toulouse, Francia. 1985. Doutor em Economia Agrária, com especialização em Gestão de Empresas
Agrícolas. Universidad de Toulouse, Francia. 1987.
1
6
Proyecto Alfa Neruda.
Objetivos.
Objetivo General:
Desarrollar metodologías para el estudio de
sistemas productivos rurales, diseñando y
aplicando herramientas que permitan su
caracterización, así como el análisis de las
capacidades de gestión, tomando como
marco de análisis, los productores de leche
de América Latina y Europa.
Figura 2. Objetivo geral do projeto.
Proyecto Alfa Neruda.
Proyecto Alfa Neruda.
Objetivos.
Objetivos.
Objetivos específicos:
1. Crear una instancia de coordinación,
investigación e intercambio de experiencias
entre académicos e investigadores, en el
área de gestión.
2. Realizar una caracterización de los sistemas
lecheros de los países de la Red.
3. Consensuar metodologías específicas de
investigación.
Objetivos específicos:
4. Generar capacidades de gestión en los
participantes.
5. Diseñar y/o implementar instrumentos de
apoyo a la gestión.
6. Promover la discusión y reflexión académica
sobre herramientas de gestión empresarial
vía el trabajo con estudiantes y académicos.
Figura 3. Objetivos específicos do projeto.
Os Países e as Instituições Participantes.
O projeto Alfa tem a como participantes os países a seguir: Chile, Brasil,
Uruguai, Costa Rica, Cuba , Espanha, França, Itália e Suécia.
Proyecto Alfa Neruda.
Red: Nueva ruralidad
SUECIA
BRASIL
URUGUAY
FRANCIA
CHILE
CUBA
ESPAÑA
ITALIA
COSTA
RICA
Figura 4. Países participantes do projeto.
7
Figura 5. Países participantes do projeto com suas respectivas instituições.
Os resultados obtidos pelo projeto.
O Projeto já realizou 4 seminários, 4 documentos de trabalho editados, 18
reuniões de difusão realizada, a página da web em funcionamento, fez estudo
comparativo da capacidade de gestão de sistemas leiteiros, realizou 9 teses
(monografias e dissertações) e 9 publicações aceitas em revistas especializadas.As
realizações seguem o plano de trabalho estabelecido no projeto.
Figura 6. Resultados e verificadores.
8
Figura 7. Calendário de trabalho.
Responsabilidades dos participantes.
As instituições anfitriãs e coordenadoras de Seminários Internacionais que
serão responsáveis pelas reuniões: a primeira reunião no Chile – Universidad Austral
de Chile, a segunda reunião na Itália – Universidad Politectnica delle Marche. A
terceira na Espanha – Universidad Oviedo ea quarta reunião em Cuba - Universidad
de Granma.
Todas as instituições participantes farão atividades de investigação e difusão.
Logo, participam das reuniões de inclusão e análise. Tem de realizar pelo menos 2
atividades de divulgação ao ano em cada país, fazendo conhecer os avanços e os
resultados do projeto e fazer a caracterização dos produtores e sistemas produtivos
leiteiros de seus países de origem.
Servir como um instrumento de apoio de gestão para pelo menos 10
produtores por país.
Redigir um trabalho por país (monografia ou dissertação). Realizar pelo menos
uma publicação científica por país.
A REDCAPA é responsável pela construção, administração e manutenção da
página da Web. Como também é responsável pelo suporte e manutenção de fóruns e
debates entre acadêmicos e estudantes.
Como também foi apresentado em quadro especificando as atividades
financiadas (Figura 8).
9
Figura 8. Financiamento das atividades.
Conclusão
Os projetos ALFA fontes de financiamento que permitem formar redes de
investigação, desenvolvimento de professores e estudantes, fortalecendo os
processos de desenvolvimento rural da América Latina e da Europa.
O Projeto ALFA-NERUDA, coordenado pela Universidad Austral de Chile e
formado por 10 instituições da Europa e América Latina, tem permitido iniciar o
desenvolvimento de uma investigação, visando a caracterização dos sistemas
produtivos leiteiros tendo com eixo central os espaços rurais onde se encontram e a
capacidade de gestão dos atores sociais.
10
ANÁLISE TÉCNICA ECONÔMICA DO SISTEMA DE PRODUÇÃO DE CARNE E
LEITE. Dr Juan Ricardo Lerdon Ferrada.
A Produção de leite nas Regiões Chilenas.
A quantidade de leite recepcionado no Chile foi de 1.676.000 milhões de litros
no ano de 2004. A distribuição percentual de acordo com a participação da região
esta descrita na Figura 1 abaixo.
Figura 1. As Regiões do Chile com sua respectiva porcentagem na recepção do leite.
O Chile é distribuído em quatro Regiões: Região Metropolitana, a VIII Região,
IX Região e a X Região.
A Região Metropolitana tem uma participação de 11% do volume total de leite
recepcionado. Esta região caracteriza-se por apresentar empresas tecnificadas,
utilização de animais da raça Holstein, com produção intensiva em confinamento.
O objetivo desta região é a alta produção por vaca (9.000–14.000 litros de
leite/lactação) com a utilização de alta carga de animal por hectare (> 3 UA/ha).
Os rebanhos são grandes e apresentam de 400 a 2.000 cabeças em ordenha.
A base alimentar é a silagem de milho, alfafa em várias formas e o concentrado. A
quantidade utilizada de concentrado por lactação é superior a 3.000 kg/lactação.
A VIII Região tem uma participação de 9,5% do volume total de leite
recepcionado. Caracteriza-se por empresas tecnificadas, utilizam a raça Holstein e
apresenta dois tipos de rebanho: de alta produção e produção intermediaria. Cerca
de 10% do rebanho é de alta produção (9.000–14.000 litros/lactação) e 90% do
rebanho têm produção média (6.000–9.000 litros/lactação). A carga animal utilizada
é mediana, aproximadamente 2 UA/ha .
Os rebanhos são pequenos, 90% como menos de 200 vacas em ordenha e
10% com 400–800 vacas em ordenha.
11
A alimentação tem como base a silagem de milho, a alfafa em várias formas,
uma leve incorporação de pastos de gramíneas e o concentrado. A utilização de
concentrado por lactação é de cerca de 1.500 – 3.000 kg/lactação.
A IX Região tem uma participação de 14% do volume total de leite
recepcionado. Caracteriza-se por apresenta empresas tecnificadas, com produções
médias, vacas semiconfinadas e raça 50-100% Holstein.
Os animais apresentam produções moderadas de 6.000–7.000 litros/lactação.
A carga animal utilizada é média, 1 a 2 UA/ha. Apresentam rebanhos de tamanho
intermediários com 200–300 vacas.
A alimentação tem como base o sistema pastoril, pastos e leve incorporação
de silagem (milho e alfafa) e o concentrado. A utilização de concentrado por lactação
é de 1.000–2.000 kg/lactação.
A X Região tem uma participação de 65,5% do volume total de leite
recepcionado.Caracteriza-se por apresenta empresas tecnificadas com produção
extensiva e sem confinamento. A raça utilizada tem menos de 75% de Holstein.
Apresenta uma baixa produção de leite (4.000–6.000 litros/lactação) e uma baixa
utilização de UA/hectare (< 1,5 UA/ha).
Os rebanhos são pequenos (< 200 vacas). A base alimentar é o sistema
pastoril, o qual depende do crescimento da forrageira e da alta estacionalidade. A
utilização de concentrado por lactação é considerada baixa (< 1.500 kg/lactação).
Metodologia do Programa de Gestão Todoagro.
A metodologia do Programa de Gestão Todoagro (Figura 2) expõe a
necessidade de um diagnóstico, planejamento e coordenação da empresa rural.
Figura 2. Metodologia do Programa Todoagro.
12
Figura 3. Esquema de funcionamento da acessória.
Todas s decisões são baseadas nas acessórias agronômicas, veterinária,
nutricional e administrativa. O objetivo é atingir um resultado real com base no préestabelecido no projeto.
Os resultados são avaliados a partir: das entradas brutas - os custos de
produção = a margem bruta obtida no negócio. Sendo que é considerado como
entrada bruta todas as entradas incluindo os consumos internos e as variações dos
inventários.
Os custos diretos são os custos facilmente atribuíveis ao negócio, por
exemplo: o concentrado e fertilizantes para trigo. Os custos gerais incluem a
administração, vendas e custos indiretos (os quais normalmente não são facilmente
atribuíveis ao negocio produtivo).
Figura 4. Avaliação da rentabilidade econômica, residual e a margem bruta por
hectare.
13
Figura 5. Representação dos negócios.
Figura 6. Exemplo do calculo de custo.
14
A CADEIA LÁCTEA NO SUL DO BRASIL. 1 Dr.Eugênio Ávila Pedrozo
Introdução
A indústria agroalimentar muitas vezes é caracterizada como um setor tradicional,
onde a inovação é preponderantemente de caráter incremental (BYÉ; GALIZZI;
VENTURINI, 1998) e o baixo valor agregado de muitos produtos agrícolas não
manufaturados coloca a escala de produção como fator determinante de rendimento.
Apesar disso, existem setores que têm buscado inovações mais radicais em seus
produtos para alcançar novos mercados e diferenciar-se de produtos concorrentes. E
é através de mudanças de processo e adição de novos ingredientes que o setor
lácteo brasileiro tem conseguido ganhar competitividade e agregar valor em seus
produtos.
Para que o produto inovador tenha aceitação comercial, é fundamental saber
quais aspectos são mais apreciados hoje pelo consumidor - como qualidade,
segurança, propriedades diferenciadas ou apresentação prática e atrativa dos
alimentos. Neste contexto, a partir de descobertas científicas - que identificaram
relações entre certas substâncias naturalmente presentes ou adicionadas em
determinados alimentos e diversos benefícios à saúde e bem-estar ao consumi-los o desenvolvimento dos alimentos funcionais trouxe excelentes oportunidades de
inovação para a indústria de alimentos. Isso é demonstrado, uma vez que a maior
informação do consumidor sobre as conseqüências dos maus hábitos alimentares vão
de encontro com as alegações de saúde ao se consumir estes novos produtos.
A necessidade de inovação da indústria Láctea brasileira parece ser uma
necessidade urgente. A verdade é que, embora o país figure entre os maiores
produtores de leite do mundo, o consumo no mercado interno permanece restrito a
produtos de baixa diferenciação, embora mundialmente seja o setor lácteo o
responsável pelo maior número de lançamentos entre os alimentos funcionais.
A partir destas constatações, buscou-se apresentar e discutir neste artigo o grau
de desenvolvimento da indústria Láctea brasileira no que se refere à nova tendência
mundial de inovação via alimentos funcionais, através de estudo de caso de uma
nacionalmente representativa empresa de produtos lácteos - Elegê Alimentos S.A.
O texto foi estruturado da seguinte forma: a primeira seção apresenta uma
contextualização do setor lácteo brasileiro e a segunda parte trata das tendências
para este setor lácteo, com destaque para os alimentos funcionais. Em seguida se
apresentou o estudo de caso na Elegê Alimentos S.A., juntamente com as
considerações finais e as referências que embasaram o estudo.
1
O Dr. Eugenio Ávila Pedrozo é professor Adjunto da Universidade Federal do Rio Grande do sul, Doutor Em
Gestion, Mestrado em Administração, graduado em Ciências Contábeis, Administração de Empresas e
Engenharia Agronômica respectivamente pelo Institut National Polytechnique, Brasil; Universidade Federal do
Rio Grande do Sul, Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Brasil, Universidade
Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões, Brasil; Universidade Federal de Santa Maria, Brasil.
15
2. Considerações Sobre o Setor Lácteo Brasileiro
A liberalização da economia brasileira nos anos 1990 gerou impactos em todo
o setor produtivo, decorrentes da abertura da economia e entrada de diversas
multinacionais no mercado de produtos agropecuários. Se inicialmente isso foi
prejudicial, principalmente para as empresas nacionais, que possuíam reduzida
inovação e baixa competitividade, a reação dessas empresas, para garantir sua
sobrevivência, foi melhorar a qualidade e a diversidade de seus produtos e a
eficiência de processo, agregando conjuntamente novas tecnologias de produção e
novos ingredientes.
Aliados a outros fatores, esses esforços repercutiram no crescimento da economia
brasileira, com todos os indicadores econômicos apontando para bons resultados,
inclusive queda nas taxas de desemprego (FIPE, 2002). Assim, no setor de leite, por
exemplo, houve aumento tanto na demanda interna quanto na externa. A produção
de leite no Brasil atingiu 23.320 mil toneladas em 2005, posicionando-o como o sexto
maior produtor mundial (ANUÁRIO BRASILEIRO DA PECUÁRIA, 2005). Deste total,
os maiores Estados produtores são Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul, sendo
que este último apresenta a maior produtividade e potencial de crescimento para
tornar-se líder de produção (KRUG, 2005).
PRODUÇÃO DE LEITE POR REGIÃO
BRASILEIRA (2003)
Nordeste
11%
Norte
7%
Centro-Oeste
16%
Sudeste
40%
Sul
26%
Fonte: IBGE
Figura 1. Produção de Leite por Região Brasileira (2003).
Fonte: IBGE 2003.
Quanto às exportações, a partir de 2004 a balança comercial brasileira de
produtos lácteos tornou-se positiva, com perspectivas de crescimento de produção
superiores aos maiores produtores mundiais como EUA e Austrália (ALVIM, 2004).
Em relação à melhoria dos históricos problemas na qualidade do leite, ações
como granelização, aperfeiçoamento genético, melhoramento e modernização das
técnicas de produção de leite e pagamento por qualidade do leite já podem ser
percebidas no quadro atual (COSTA, 2006), com importante papel do governo,
através de regulação, por meio da Instrução Normativa 51 do Ministério da
Agricultura (BRASIL, 2002b).
16
Embora exista este quadro de aumento na demanda de leite e derivados, a
capacidade de diferenciação e o valor agregado do produto mais representativo em
volume – o leite Longa Vida (UHT1) - são bastante baixos (AGROLEITE, 2004). Este
produto detém 73% de participação no mercado total de leite no Brasil
(NASCIMENTO, 2002). Para o leite UHT, o consumidor geralmente faz sua escolha
baseada somente no menor preço, possuindo uma das mais baixas taxas de
fidelização por marca para produtos alimentícios: 0,5% (WILDER, 2003). Um
mercado assim, gradualmente, acaba se tornando problemático para a cadeia
leiteira, cuja profissionalização e exigências de legislação, que buscam qualidade,
segurança, dentre outros, entram em conflito com baixo valor que o leite fluido
tradicional tem.
É num contexto de baixo valor agregado do leite e concorrência com outros
produtos que a inovação em direção a produtos de maior valor agregado emerge
como uma conduta estratégica para a sobrevivência e melhoria no desempenho das
firmas (MILKPOINT, 2005). Neste sentido, quando se observa os últimos
lançamentos mundiais das grandes empresas de laticínios, percebe-se uma tendência
no desenvolvimento e promoção de novas possibilidades em lácteos funcionais, isto
é, produtos que além de suas características básicas tragam benefícios para a saúde
ou a qualidade de vida do consumidor, aliando inovação às necessidades do mercado
(ROBERFROID, 1998; LÄHTEENMÄKI, 2003).
3.Uma visão geral do Rio Grande do Sul
O Rio Grande do Sul apresenta três sistemas produtivos que são classificados
de acordo com a produção diária de leite. O sistema tradicional apresenta produções
inferiores a 50 litros de leite/dia, o intermediário apresenta produções de 51-200
litros de leite/dia e o tecnificado apresenta produções maiores de 200 litros de
leite/dia.
O percentual de produtores de acordo com a estratificação que fornecem leite
para empresas com SIF no RS foi de 67% (até 50 litros/dia), 21% (50 até 100
litros/dia), 10% (de 100 até 200 litros/dia) e 3% (200 a 500 litros /dia).
Tradicional Intermediário
Capacidade produção (litros/dia)
< 50
51 - 200
Produtividade média (litros/vaca/dia)
10
9
Tamanho do rebanho
5
11
Tecnificado
>200
16
25
Tabela 1. SistemaS Produtivos no Rio Grande do Sul.
Fonte: PADULA & CASTRO (1998).
A produção formal de leite no RS tem crescido em detrimento a produção
informal. Como também houve crescimento na produção de lácteos formais.Com
1
UHT – Ultra High Temperature: Sigla utilizada para identificar o processo de estelização comercial do
leite, onde este é aquecido a temperaturas entre 408 e 423 Kelvin durante 4-15 segundos e
imediatamente envasado em embalagem asséptica especial (TETRA PAK, 1995).
17
relação à produção de leite fluído há um aumento na produção de leite UHT e
diminuição do pasteurizado.
O volume de lácteos importados pelo RS é representado em 57% de UHT,
36% leite em pó, 4% de queijos e 3% de outros lácteos.
Na participação dos Laticínios com SIF na Recepção de Leite no RS em 1999 a
presença da Elegê foi marcante representando 53% e da Parmalat representando
20%. Entretanto a Elegê permanece crescendo, a Parmalat teve sua participação
diminuída e ocorreu um aumento na participação por outros laticínios.
18
ASPECTOS ECONÔMICOS DA UTILIZAÇÃO DE PASTAGENS NA PECUÁRIA .
1
Dr. Leovegildo Lopes de Matos
Introdução
Esse trabalho se propõe a esclarecer os efeitos de alguns fatores mais
relevantes na determinação dos custos de produção de leite e na sustentabilidade
dos sistemas de produção de leite no Brasil. Desses, uma ênfase especial será
dedicada as características produtivas e reprodutivas do rebanho leiteiro adequado
para os sistemas de produção a pasto. A discussão sobre sistemas de produção de
leite e a viabilidade econômica do agronegócio do leite no Brasil não chega a se
aprofundar suficientemente para que conclusões sem “paixões” ou a “defesa de
interesses” possam servir de marco orientador na tomada de decisões, nos vários
níveis, tanto público quanto privado, em benefício da sociedade. Reconhecidamente,
a utilização adequada de pastagens por rebanhos leiteiros pode reduzir os custos de
produção de leite, principalmente pela redução nos dispêndios com alimentos
concentrados, com combustíveis e com mão-de-obra. O conceito-chave é a
substituição de combustível, máquinas e equipamentos pela vaca, no processo de
colheita da forragem. O benefício imediato é de caráter econômico, com drástica
redução nos custos de produção de leite. Além disso, os investimentos com
instalações, especialmente aquelas destinadas ao abrigo de animais e maquinário,
são menores quando se comparam sistemas a pasto com aqueles em confinamento.
Apesar da receita proveniente do leite produzido a pasto ser menor do que a do
sistema em confinamento, a margem bruta tem se mostrado superior.
VILELA e RESENDE (2001) reavaliaram os dados experimentais de VILELA et
al. (1996), com produção de leite a pasto, quando comparado com a produção
leiteira, com animais confinados, com preços corrigidos para setembro de 2001,
referendaram suas próprias conclusões anteriores mostrando que o sistema de
produção intensiva a pasto supera em 34% a margem bruta obtida com vacas
confinadas, recebendo dieta completa, apesar dos 20% de redução na produção das
vacas mantidas a pasto. Estes autores reportam ainda uma vasta referência sobre as
possibilidades de produção a pasto em relação aos sistemas intensivos em
confinamento, com uma avaliação econômica detalhada.
Dentro do ambiente econômico de busca da eficiência para competir no
mercado, o produtor de leite deverá então substituir a velha equação “produção
máxima = lucro máximo” por outra expressa da forma: “nível de produção ótimo =
lucro máximo”. Uma avaliação da utilização de pastagens por produtores de leite do
Estado de New York mostrou que, em média, esses produtores conseguiram
reduções nos custos de produção de US$ 153.00 por vaca por ano. Esse montante
equivale a uma poupança de três centavos de dólar americano por litro de leite
produzido (EMMICK, 1991). Pesquisadores da Pensilvânia (MULLER et al., 1995)
mostraram que, com a utilização de pastagens, os produtores americanos tem
conseguido elevar os retornos por vaca de US$ 85,00 a US$ 168,00 por ano.
O 1 Dr. Leovegildo Lopes de Matos é Gerente - Núcleo Sul de Apoio a Pesquisa e Transferência de Tecnologia
para o Setor Leiteiro, da Embrapa Gado de Leite; PhD, Nutrição de Ruminantes, Cornell University, U.S.A.,
1988; M.Sc., Nutrição Animal, U.F.V., 1976 e Engº Agrônomo, U.F.V., 1973;
19
A redução nos custos de produção com a utilização de pastagens foi,
principalmente, devido à menor dependência do uso de máquinas e implementos,
com menor dependência de energia e combustíveis e menos tempo gasto com
manuseio dos dejetos animais.
O preço do leite recebido pelos produtores não é função dos seus custos de
produção, a relação inversa, entretanto, é verdadeira: o custo de produção deve ser
função do preço praticado pelo mercado. A partir do entendimento dessa premissa
básica, as ações e tomadas de decisão irão privilegiar tecnologias que possibilitem
sustentabilidade da atividade leiteira. Com os preços historicamente praticados no
Brasil, tanto para os insumos, máquinas, equipamentos, energia e combustíveis,
quanto para o leite produzido, as margens de lucro possíveis tem-se tornado cada
vez menores, com evidente queda no poder de compra do leite. Some-se a isso os
custos financeiros elevadíssimos, o que praticamente impossibilita planejar
investimentos muito elevados em pecuária. Devem ser consideradas a evolução, nos
últimos 30 anos e as perspectivas futuras de preços dos fatores de produção acima
mencionados, em ascensão, com tendência inversa do produto leite, em declínio
marcante. Dessa forma, a saída para o produtor é manter seus custos de produção
suficientemente baixos, para permitir continuidade de sua atividade produtiva de
forma econômica.
TABELA 2. Margem sobre o custo da alimentação de vacas mantidas em pastagens
tropicais, com dois preços para leite e concentrado.
Preço Concentrado
(US ¢)
Preço Leite
(US ¢)
Produção Leite
(kg/Vaca/dia)
11,2
15,0
22,5
28,1
22,5
28,1
---------------------------- Margem --------------------------(US ¢/Vaca/dia)
10
15
20
30
Assumindo resposta de 1,3 L de
DAVISON (1990).
1,5
5,0
2,2
7,5
3,0
10,1
3,7
12,7
leite/ kg concentrado
-2,6
-4,0
-5,3
-6,7
1,3
2,0
2,6
3,2
A grande mudança ocorreu, como esperado, para atender a demanda
crescente da indústria laticinista, com interesses no mercado internacional, e como
conseqüência, veio a introdução de um preço único, mais baixo, da ordem de A$ 34
centavos/L, e com a possibilidade de flexibilização, que permite variação nos níveis
de produção de leite ao longo do ano. O próprio Tom Cowan admite agora
(http://www.animalscientist.org/community/node/231) que essa mudança radical do
mercado, com um preço único adotado para remunerar o produtor de leite, passou a
demandar deste, uma atitude comportamental de mudança cultural. Esses
20
produtores australianos estavam acostumados com preços cotas elevados e, de certa
forma, pouco incentivados a elevar suas produções, pois incrementos acima da cota,
traziam menor remuneração marginal. A mudança de atitude em relação aos
sistemas de produção sazonais também é difícil para quem conviveu por tantos anos
com sistemas que “comprovadamente” pareciam corretos.
O que está sendo proposto agora pelo QDPI e pelo Centro de Pesquisa em
Pecuária Leiteira Tropical, da Universidade de Queensland, da Austrália
(http://www.animalscientist.org/community/node/231) como alternativa para as
grandes unidades de produção intensiva de leite, seriam os sistemas com rebanhos
de tamanho modesto para os padrões australianos (100 a 200 vacas), com produção
a baixo custo em unidades simples, baseadas em pastagens tropicais perenes, com
alta capacidade de suporte, uso de subprodutos, com rebanho melhor “adaptado”,
sugerindo em lugar da raça Holandesa-Frísia, animais da raça Jersey ou AFS
(mestiças Sahival:Frísia Australiana), com alguma sazonalidade na produção, baixos
investimentos em infra-estrutura e maquinário, com emprego de mão-de-obra
familiar. O tipo de rebanho adaptado, assim recomendado, teria menor peso adulto,
produção em torno de 4.100 kg/lactação, com níveis de proteína e gordura do leite
mais elevados. Estes animais mostram melhor tolerância à radiação solar e calor,
alguma tolerância à infestação por carrapatos, facilidade para caminhar e melhor
desempenho reprodutivo.
Isso mostra claramente que o modelo de produção de leite é definido pelo
mercado de lácteos, pelos preços de energia elétrica e combustíveis, custos
financeiros, remuneração de mão-de-obra, custos de insumos, e principalmente,
preços de grãos, uma vez que estes irão compor as formulações de rações
concentradas para as vacas leiteiras. Assim, é inadmissível ouvir argumentos de
“autoridades” do setor leiteiro, de que no nosso país, de dimensões continentais,
com vários e diversos ecossistemas e condições edafoclimáticas, existe espaço para
todos os sistemas de produção. Trata-se de uma falácia perigosa, partindo de
pessoas respeitadas, que respondem a essa indagação, afirmando conhecer várias
propriedades trabalhando com o sistema a pasto dando prejuízo ao mesmo tempo
em que diz conhecer vários confinamentos operando com lucro. Essa forma de
omissão não poderia nunca ser esperada de alguém que tem capacidade de formar
opinião, pois o que deveria ser considerado é que nesse país, com dimensões
continentais e com diversas condições edafoclimáticas, trabalha com um mercado
comum de lácteos, sendo que o preço do leite e, principalmente, suas oscilações é
que deveriam indicar um sistema de produção que fosse mais flexível e suportasse
as condições impostas por esse mercado. Não é pelo fato do meu avó ter vivido 90
anos, fumando cigarro de palha, charuto, cachimbo e “ciagarro-de-papel”, que me
credencia a afirmar que o fumo não afeta a saúde.
Sistemas de Produção de Leite Para o Brasil
Com as margens financeiras conseguidas pelo setor produtivo primário do
agronegócio leiteiro brasileiro, nossos produtores devem considerar como sua
atividade principal a produção de forragem de boa qualidade, à qual deverá agregar
valor, quando eficientemente transformada em leite, pelas suas vacas. Considerando
21
que a missão desse produtor de leite é fazer de sua profissão uma atividade
econômica, seu objetivo principal deve ser o aumento do lucro, pela otimização do
desempenho do seu rebanho e não o aumento da produção individual de suas
vacas. Isso é possível com a devida otimização da produção de leite da propriedade
como um todo, com a eficiente utilização dos seus próprios recursos, com ênfase no
manejo e fertilidade dos solos dedicados à produção de forragem, com a menor
dependência possível de alimentação comprada e forragens conservadas.
Três questões muito importantes, quando se pensa na produção primária do
setor leiteiro brasileiro, principalmente após a estabilidade da nossa economia e com
a adoção em massa da tecnologia UHT no processamento do leite para produção do
“longa-vida”, balizador de preços do mercado interno. A primeira delas é: qual o
sistema de produção mais compatível com o agronegócio do leite no Brasil? Em
seguida definir quais os alimentos que podem compor o cardápio de nossas vacas e
então definir qual o tipo de animal se adequa melhor às condições de manejo e
alimentação, com eficiência produtiva, reprodutiva e econômica.
De forma alguma se pode aceitar respostas a primeira pergunta como sendo o
melhor sistema aquele que dá lucro, ou que determinada tecnologia pode ser
adotada em função da relação benefício : custo, pois são muito vagas e evasivas.
Afirmar que o custo de produção não é importante, mas sim a margem financeira, é
uma forma de tentar “tapar o sol com a peneira”. Se o produtor de leite norteamericano tem custo elevado se comparado ao produtor neozelandês, embora
ambos consigam margem financeira semelhante, digamos de cinco centavos por litro
comercializado, temos que entender que isso só é possível em função dos preços
praticados por esses dois “mercados”, que remuneram seus produtores de maneira
muito distinta. Um localizado no hemisfério norte, com um grande mercado
doméstico subsidiado e o outro em latitude sul quase extrema, produzindo leite para
o mercado internacional, com consumo doméstico insignificante. No nosso caso, os
dois sistemas de produção, norte-americano ou neozelandês, praticados no Brasil,
teriam obrigatoriamente de depender do mercado único, com preço bastante
padronizado, para remuneração do leite. A conseqüência óbvia é que isso
proporcionaria margens distintas para esses dois sistemas, e no longo-prazo, um
teria que sucumbir, logicamente, aquele com custos mais elevados e conseqüentes
margens inferiores. A história recente da nossa pecuária leiteira está mostrando o
quanto o mercado tem sido cruel com aqueles que trabalham com custos de
produção incompatíveis com nosso mercado.
A fuga em dizer que não adianta reduzir os custos de produção, porque a
industria laticinista irá praticar preços ainda menores é uma visão distorcida dos
fatos: os preços recebidos pelos produtores apresentam tendência histórica de
queda, com perspectivas futuras de continuidade. Aqueles que, na gestão dos seus
meios e recursos, adotarem tecnologias adequadas, que permitam baixar seus custos
de produção, poderão alcançar a sustentabilidade necessária para permanência na
atividade. Essas tendências de preços, principalmente se considerarmos que os
insumos mantêm tendência de alta, significa que o processo de gestão deve ser
orientado no sentido de baixar os custos futuros, pois se o produtor mantiver seus
22
custos “considerados baixos” hoje, podem levá-lo ao fracasso nos anos posteriores,
pois as margens, certamente, serão cada vez menores ou mesmo negativas.
Com relação ao sistema de alimentação do rebanho leiteiro, fica muito difícil
ser competitivo sem tirar proveito das nossas condições tropicais e sub-tropicais e as
vantagens comparativas que são possíveis, com o grande potencial produtivo das
nossas gramíneas tropicais. Essas, muito mais eficientes no processo fotossintético e
acúmulo de biomassa, devem ser manejadas de forma a permitir aos animais a
seleção de dieta com valor nutritivo adequado, com pastejos freqüentes, em função
da rápida queda de qualidade que ocorre com o avanço da idade da rebrota. Essa é
nossa mais evidente vantagem competitiva na produção de leite com custos baixos e
altas produtividades por área. Animais “especializados”, com elevada produção
leiteira não podem depender de forrageiras tropicais, sendo que para manter
produções mais elevadas, digamos 35 kg/vaca/dia, essas forragens não podem
compor o cardápio dessas vacas em função do seu conteúdo energético inferior, que
iria diluir demasiadamente a dieta total desses animais – Tabela 3 (COWAN, 1996).
Tabela 3. Participação (%) de gramíneas tropicais na dieta de vacas em lactação,
em função da produtividade.
Leite (kg/vaca/dia)
15
25
35
Energia Metabolizavel
(Mcal/kg MS)
2,43
2,64
2,86
% Gramíneas
Tropicais na Dieta
80
20
0
COWAN (1996).
Produção de Leite a Pasto
A utilização adequada de pastagens por rebanhos leiteiros pode reduzir os
custos de produção de leite, principalmente pela redução nos dispêndios com
alimentos concentrados, com combustíveis e com mão-de-obra (HOFFMAN et al.,
1993; VILELA et al., 1996; FONTANELI, 1999). O conceito-chave é a substituição de
combustível, máquinas e equipamentos pela vaca, no processo de colheita da
forragem. O benefício imediato é de caráter econômico, com drástica redução nos
custos de produção de leite. Além disso, os investimentos com instalações,
especialmente aquelas destinadas ao abrigo de animais e maquinário, são menores
quando se comparam sistemas a pasto com aqueles em confinamento. Apesar da
receita proveniente do leite produzido a pasto ser menor do que a do sistema em
confinamento, a margem bruta tem sido superior (HOFFMAN et al., 1993; VILELA et
al., 1996; FONTANELI, 1999).
A tendência de intensificação da produção por animal e por área não é
provável que continue, principalmente em países da Comunidade Econômica
Européia, onde tal intensificação tem sido suportada por pesados subsídios (LEAVER
e WEISSBACH, 1993). Os altos custos dos sistemas de produção subsidiados e da
exportação de excedentes não são sustentáveis a médio e longo prazos. Além disso,
as implicações do impacto desses sistemas intensificados sobre o meio ambiente têm
23
levado a reformas das políticas ambientais nos países desenvolvidos na América do
Norte e na Europa que visam um retrocesso no processo de intensificação dos
sistemas de produção de ruminantes (EMMICK, 1991; LEAVER e WEISSBACH, 1993).
Essa dita “intensificação” tem sido questionada também pela intensiva utilização de
“insumos externos”, principalmente grãos. A produção animal européia necessita da
utilização do equivalente a sete vezes a área da Europa Ocidental para produção de
grãos, em países do terceiro mundo (SHIVA, 1998). De acordo com WILSON (1998)
para a contabilidade da pecuária intensiva e moderna praticada na Europa, deveriam
ser levados em consideração os milhões de “hectares fantasmas” cultivados, nos
países em desenvolvimento, para suprir alimentos para os animais. Cita por exemplo,
que o Reino Unido tem dois “hectares fantasmas” para cada hectare cultivado pelos
seus fazendeiros e a Holanda cultiva 2 milhões de hectares, mas importa produtos de
15 a 16 milhões de hectares para alimentar seu povo e seus animais.
Por três a quatro décadas após a II Grande Guerra Mundial os produtores de
leite no Hemisfério Norte tiraram proveito dos baixos preços da energia elétrica,
combustíveis, fertilizantes, pesticidas, máquinas e equipamentos e, com mecanização
e utilização de animais de elevada produção individual, conseguiram aumentar os
lucros das fazendas. Com as quedas contínuas nos preços do leite e com a elevação
dos custos financeiros e dos combustíveis, as margens foram se estreitando e em
muitos casos se tornaram negativas.
As pastagens exercem duas importantes funções . por um lado devem manter
a cobertura vegetal do solo, de forma a manter a integridade de um ecossistema
frágil e por outro servir de alimento para os animais que dependam do pasto como
fonte de nutrientes. Apesar do possível antagonismo entre estas, o papel primordial
do pastor (produtor, técnico) é reconciliá-las, de forma a tirar proveito, otimizando a
rentabilidade da área em pastejo (objetivo de curto-prazo) e ao mesmo tempo
mantê-la persistente e produtiva (objetivos de longo-prazo).
Pesquisas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da América
buscaram comparar os solos de duas áreas diferentes, uma com pastejo leve e outra
com pressão de pastejo mais elevada, ambas pastejadas por 11 anos consecutivos.
Esses solos foram comparados com o de uma terceira área, cercada, sem acesso a
gado bovino ou grandes herbívoros silvestres, por 40 anos (SENFT, 1996). Os solos
das duas áreas pastejadas melhoraram com o tempo, pois os níveis de carbono
orgânico e nitrogênio aumentaram em relação ao solo da área sem animais.
Nenhuma dessas áreas foi fertilizada.
As pastagens exercem um importante papel como ecossistema eficiente no
seqüestro de carbono e conseqüente efeito benéfico ao meio ambiente, amenizando
o efeito estufa (FOLLETT et al., 2001). No Brasil, a opção pela integração lavourapecuária, além de viabilizar economicamente a produção de grãos e a atividade
pecuária, os sistemas de produção animal em pastagens sob plantio direto, podem,
potencialmente, contribuir em grau de magnitude maior ainda no seqüestro de
carbono (KOCHHANN et al., 2000).
24
Infelizmente, os solos dedicados à produção de forragem, seja para corte ou
pastejo, na maioria das nossas bacia leiteiras, estão degradados e erodidos. Nesses
solos os nutrientes que não foram perdidos pela erosão foram “carreados” para o
meio urbano através do café, arroz, feijão, milho, carne e outros produtos agrícolas,
ao longo das diversas lavouras conduzidas no passado. Esses solos hoje, sem a
devida correção e reposição dos nutrientes só conseguem manter gramíneas pouco
exigentes em fertilidade, como as braquiárias, que, por sua vez, mostram-se pouco
produtivas nessas condições. Para manter alguma produção de leite, o produtor
muitas vezes é obrigado a utilizar alimentos concentrados, uma vez que as vacas em
lactação não conseguem dessas pastagens contribuição adequada para a sua dieta.
Muitas dessas pastagens estão em áreas montanhosas e pode-se suspeitar
que, principalmente nas épocas mais quentes do ano, esses animais gastem mais
energia na busca de alimento no pasto do que a energia contida na forragem
consumida. No inverno, com as baixas taxas de crescimento dessas forrageiras, a
situação se repete, pela baixa disponibilidade de pasto.
Dos custos imputados ao leite, o item produção de alimentos e alimentação do
rebanho é responsável pela maior proporção (de 40 a 60%) dos custos variáveis. O
custo de produção de leite é inversamente proporcional à participação do pasto na
dieta dos animais. Nos países com baixos preços do leite, os produtores conseguem
reduzir o custo de produção pelo aumento da participação do pasto na dieta das
vacas leiteiras (CLARK e JANS, 1995).
O produtor que tiver que mudar na busca de eficiência, deve fazê-lo com a
formação e manejo de pastagens produtivas, em que os animais tenham condições
de selecionar uma dieta de boa qualidade e as pastagens tenham disponibilidade de
forragem suficiente para suprir fração expressiva da dieta daqueles.
As tentativas feitas no passado de se trabalhar em sistemas de produção a
pasto com baixos níveis de insumo e utilizando forrageiras menos exigentes em
fertilidade e adaptadas às condições de solos ácidos ou tolerantes a toxidez por
alumínio, conseguiram níveis de produtividade muito baixos. Com tais níveis de
produtividade, o custo de produção por quilograma de leite produzido ficava sempre
muito elevado, em função dos custos fixos, principalmente aqueles relativos a terra,
rebanho e benfeitorias. O mesmo pode ser dito das tentativas de se manter
pastagens tropicais consorciadas com leguminosas, muito em moda 15 a 20 anos
atrás, principalmente na Austrália. Estas pastagens, em associação com forrageiras
de inverno, não se mostraram confiáveis e suportavam cargas relativamente baixas
de animais (ASHWOOD et al., 1993). A maioria das pastagens tropicais na Austrália
agora constituída de gramíneas fertilizadas com nitrogênio, em razão da elevada
capacidade de suporte conseguida, com manejo bem mais simplificado dessas
pastagens.
Com carga de 2 vacas/ha, consegue-se aumento da produção anual de leite
de 4.000 kg/ha ao se aumentar a aplicação de N de 0 para 300 kg/ha (COWAN et
al., 1987). O custo total do nitrogênio, fósforo e potássio necessários para
25
manutenção dessas pastagens fica em torno de A$ 340,00/ha (dólares
australianos/há) comparado com um aumento de receita de A$ 1.000,00/ha.
Estudos de avaliação bio-econômica mostraram que, para o caso de gado de
corte, a situação é semelhante (TEITZEL et al., 1991). Os benefícios econômicos são
otimizados se todas as áreas bem drenadas fossem cultivadas com gramíneas
fertilizadas com nitrogênio. Uma análise de sensibilidade indicou que o preço da
carne deveria estar abaixo de A$ 0,80 por kg de peso vivo, para que as pastagens
consorciadas suplantassem economicamente as pastagens de gramíneas com
nitrogênio (TEITZEL et al., 1991).
Animal Eficiente Para Produção de Leite
A ênfase exagerada, que normalmente é dedicada à genética e à elevação da
produção por vaca, pois produtividade individual é o chavão de forte promoção
comercial, não tem levado em consideração dois fatores muito importantes. O
primeiro se refere ao balanço estequiométrico e a termodinâmica (transformações
metabólicas e fisiológicas que logicamente obedecem à Lei de Conservação das
Massas, de Lavoisier), isto é, o leite é o produto da transformação dos nutrientes
consumidos pelo animal. O segundo tem a ver com a Lei dos Retornos Decrescentes,
isto é, biologicamente, as respostas marginais vão sendo reduzidas para cada
incremento unitário de insumo utilizado, na faixa da curva além da inflexão posterior
à fase linear de resposta (Figura 1). Nota-se pela figura 1, que na faixa de retornos
crescentes, o incremento de uma unidade de insumo (뱸ı, por exemplo: energia, leva
a uma resposta animal de grande magnitude (A), enquanto o mesmo incremento
unitário (뱸'ı na faixa de retornos decrescentes proporciona uma resposta marginal
(B) significativamente menor. Os custos marginais médios de produção (Figura 2),
na faixa de retornos crescentes, são reduzidos gradativamente com o aumento da
produção, até que seja alcançado o ponto mínimo da curva de custo médio (Pontos
A e A’ - escala de produção ótima – Figura 2). Além desse ponto os custos médios
aumentam com o aumento da produção (faixa de retornos decrescentes). Isso se
aplica para uma vaca leiteira? Porque essa fugiria desse padrão? Isso significa que
além do ponto de escala otimizado, vale a pena aumentar o número de vacas em vez
de tentar aumentar a produção individual. O mesmo vale para um retiro, fábrica, etc.
Por outro lado, aumentar o numero de vacas implica em incremento do percentual
de nutrientes consumidos pelo rebanho que serão gastos para mantença dos
animais. A literatura, em geral, tem tentado provar que é mais eficiente produzir 40
litros de leite com uma vaca especializada, de alto potencial genético, do que
produzir os mesmos 40 litros com quatro vacas de 10 L de média, pois nesse último
caso haveria quatro mantenças a serem gastas, contra apenas uma, no primeiro.
Entretanto aceitamos passivamente essa “verdade imposta” sem raciocinarmos que
para o primeiro caso, a mantença desse animal refinado, de 650 a 750 kg de peso
vivo, provem de uma dieta constituída de silagem de milho, concentrados, tampões,
aditivos etc, enquanto aquelas quatro vacas menos especializadas aceitam a dieta
que um hectare de uma pastagem tropical bem manejada pode oferecer para elas e
para outras quatro companheiras de rebanho. Essas oito “vaquinhas” que podem
pesar 400 kg de peso adulto ou até menos, ainda usam a energia desse pasto
consumido para deslocamento na busca e colheita de suas próprias dietas, enquanto
26
aquela “enorme agigantada” precisa de máquinas e equipamentos consumindo
combustível fóssil e energia elétrica para cultivo, colheita, processamento,
armazenagem, processamento, mistura e transporte de sua dieta, pois caminhar não
é uma atividade natural para ela. Veja um exemplo comparando essas duas
situações na Tabela 4. Nesses cálculos foram consideradas exigências de mantença
para animais de origem européia, sendo que o animal com produção de 10 kg/dia,
poderia ser um zebuíno, com exigência de mantença inferior em cerca de 20%, ou
animais cruzados europeu zebu, com exigência intermediara, cerca de 15% inferior.
Os resultados de levantamentos de propriedades leiteiras de Minas Gerais
mostram que o custo do litro de leite decresce com a elevação da média dos
rebanhos leiteiros, estratificados por nível de produtividade. Isso ocorre em função
da diluição dos custos de longo prazo com o aumento da produção por animal.
Levantamentos de propriedades leiteiras da Comunidade Econômica Européia
(ØSTERGAARD et al, 1990) mostram tendência oposta, com elevação dos custos dos
sistemas de produção com maiores produtividades, uma vez que esses já se
encontram na faixa de retornos decrescentes.
Tabela 4. Gastos com mantença de vacas leiteiras de 450 e 650 kg de peso vivo
(P.V.), com produções diárias (PL) de 10 e 25 kg de leite com 4% de gordura,
respectivamente.
P.V. (kg)
PL (kg/d)
NDT Mant.
(kg/d)
Como %
NDT Total
Custo
(R$/kg MS)
450
650
10
25
3,42
4,51
51,5
35,9
0,025
0,230
Custo
Mant.
(R$/d)
0,13
1,52
A atividade leiteira, como qualquer outra atividade agrícola ou pecuária, deve
visar lucro, então o ponto-ótimo econômico estará sempre antes do ponto de
máxima resposta física ou biológica, principalmente no caso de vacas leiteiras, onde
o incremento nutricional necessário para se manter maiores produções de leite,
ocorre às custas de maiores participações de forragens conservadas e de alimentos
concentrados, onerando muito os custos da dieta destas vacas de elevado potencial.
Alem disso, o maior problema com a proposta de se manter níveis elevados de
produção individual está relacionado com a mobilização de reservas corporais, que
ocorre no início da lactação, período de balanço energético negativo. Nessa fase, as
vacas de produção mais elevada tornam-se muito susceptíveis a problemas
metabólicos, que normalmente ocorrem em cascata, isto é, a ocorrência de um
distúrbio pode desencadear os demais, em função da queda maior ainda no consumo
de matéria seca e maior susceptibilidade desses animais aos problemas metabólicos
e infecções, principalmente da glândula mamária.
Dessa forma, se os sistemas de produção agropecuários precisam operar na
faixa de retornos econômicos, não faz sentido recomendações para “maximização”
de produtividade, seja por animal ou por área. Da mesma forma, para o caso da
pecuária, as recomendações impensadas, sem sentido econômico, mas que se
27
tornaram rotina no meio técnico, de se proporcionar “condições” e meios para que os
animais possam expressar seu potencial genético, potencial produtivo, máxima
eficiência produtiva ou recomendações para formulação de dietas que possam
atender exigências nutricionais desses animais. Deveríamos sim, priorizar o
atendimento das “exigências” das famílias dos produtores, donos desses rebanhos.
As recomendações técnicas abomináveis para busca de “records” de desempenho de
animais domésticos deveriam ser execradas, à luz do reconhecimento desses erros
absurdos praticados, ao longo dos anos, contra a viabilização econômica e a
sustentabilidade dos nossos produtores. Esses precisam de ASSISTÊNCIA TÉCNICA
em lugar dessas “imposições tecnológicas” recomendadas
repetida e
impensadamente, simplesmente por serem as recomendações de praxe ou a mais
moderna. Se são aquelas adotadas nos paises de primeiro mundo, logicamente são
as mais adequadas. Felizmente essa miopia não prevaleceu na nossa pecuária de
corte, senão teríamos copiado os “feedlots” norteamericanos, com dietas dos
novilhos constituídas de quase 95% de grãos ou optado pela indústria açucareira
baseada na produção de beterrabas, pois assim trabalhavam os europeus, por
muitas décadas os maiores produtores e exportadores de açúcar. Cultivar cana-deaçúcar, moê-la e processá-la, transformando-a em açúcar, e hoje em álcool,
definitivamente, não poderia ser considerada uma tecnologia moderna.
Figura 1. Curva de Retornos Decrescentes. Resposta produtiva ao uso crescente de
insumos.
Ao estudar as relações entre índices técnicos e econômicos em rebanhos
leiteiros na Holanda, ROUGOOR et al. (1997) concluem que, como esperado, a
relação causal direta entre produção/vaca e margem bruta por 100 kg de leite foi
positiva (associação bivariada estimada, abe = 0,17), entretanto devido a efeitos
espúrios, o efeito total é negativo (abe= -0,19). A associação entre quantidade de
concentrado por vaca e a margem bruta/100 kg leite é –0,40. Os autores concluem
que o custos extras e o uso de quantidades elevadas de concentrado provavelmente
suplantou as vantagens do efeito de diluição do custo com mantença das vacas de
maior produção. Além disso, o foco das atenções devem estar voltados para a vida
produtiva da vaca e não para um eventual recorde em uma lactação, pois a eficiência
28
reprodutiva é importante e está muito na dependência do nível nutricional oferecido
ao rebanho.
A avaliação dos dados de rebanhos leiteiros dos Estados da Carolina do Norte
e Virgínia (McGILLIARD et al., 1990) mostraram que a margem líquida trazida por
cada quilograma adicional de leite foi de US$ 0,22 com produções de 5.000
kg/vaca/ano, decrescendo a zero ao atingir 8.162 kg/vaca/ano. Receitas menos
despesas por vaca caiu US$ 7,70 por cada 0,1 serviço adicional por concepção e $
3,20 por cada 1% de aumento nas taxas de reposição de novilhas. Incidência
elevada de doenças e problemas sanitários em geral, altas taxas de mortalidade
associadas aos baixos índices reprodutivos, impedindo a manutenção da população,
que pareciam ser problemas dos animais de raças de origem européia importados
para as regiões tropicais e sub-tropicais (VACCARO, 1990) são comuns aos
problemas enfrentados por rebanhos de alta produtividade nos países de clima
temperado (HANSEN et al., 2002; KNAP e BISHOP, 2000; KELLOGG et al., 2001;
LUCY, 2001; WASHBURN et al., 2002a; WASHBURN et al., 2002b).
Se o interesse é a produção de leite, logicamente nem todos podem investir
somas elevadas na manutenção de rebanhos elites, com registros genealógicos e
mostrando recordes de produção em lactação única. Talvez sirva de alerta os relatos
de HANSEN et al. (2002), que mostraram que as vacas holandesas de rebanhos da
Dinamarca com maior pontuação por tipo ou caráter leiteiro foram as que
apresentaram maiores problemas sanitários. Como sugestão, os autores insinuam
que estas características (tipo, conformação), em vez de receber pontuação positiva,
como é comum, deveriam, na realidade, receber penalizações. Resultados e
conclusões semelhantes foram relatados por outros pesquisadores europeus, na
Dinamarca e Suécia (ROGERS et al., 1999).
A estratégia de se utilizar cruzamentos é o método mais simples de melhorar
eficiência e amenizar problemas sanitários em muitas plantas e animais, introduzindo
genes favoráveis de outras raças, removendo a depressão da consangüinidade e
mantendo interações gênicas responsáveis pela heterose (VAN RADEN e SANDERS,
2001). No mundo inteiro, os sistemas produtivos agropecuários tiram vantagens da
heterose com plantas e animais híbridos ou cruzados. Isso acontece de pepino a
suíno, exceto na bovinocultura, onde os produtores se apaixonam por raças e abrem
mão dessa vantagem, acreditando que todos podem trabalhar com material
genético, inviabilizando a produção de carne e leite. Cruzamentos entre raças de
origem européia podem trazer essas vantagens econômicas, como tem sido
mostrado por trabalhos publicados na literatura mais recente (LOPEZ-VILLALOBOS et
al., 2000a; LOPEZ-VILLALOBOS et al., 2000b ; VAN RADEN e SANDERS, 2000) ou
mesmo de publicações anteriores, como revisado por McALLISTER (2000). As
possibilidades oferecidas com a utilização de cruzamentos entre raças leiteiras de
origem européia e zebuínos estão pormenorizadas em publicação recente de
MADALENA et al. (2001).
29
Figura 2. Curva de custo médio em função do nível de produção.
Os programas de melhoramento genético e seleção de raças bovinas leiteiras
conseguiram ganhos genéticos que não foram acompanhados por aumentos na
capacidade ingestiva desses animais mais produtivos, apesar dos crescentes
aumentos do peso vivo das matrizes selecionadas para produção de leite. Com isso,
animais de alto potencial genético precisam receber uma dieta com maior
concentração de nutrientes, normalmente conseguido com a inclusão de grãos e
subprodutos industriais, ricos em energia e proteína, principalmente. Como
conseqüência, a relação concentrado : volumoso tem que ser maior para animais de
maior potencial, para que esses possam mostrar desempenho compatível com seu
potencial. Os ganhos genéticos conseguidos nos rebanhos leiteiros norte-americanos,
da ordem de 1,8% ao ano (http://www.usda.gov/nass/aggraphs/cowrates.htm)
foram conseguidos em resposta ao incremento constante na suplementação com
alimentos concentrados, sendo que nos últimos 25 anos, a relação entre leite
produzido e concentrado consumido pelas vacas em lactação, tem se mantido
constante, isto é, 1 kg de concentrado para cada 2,3 litros de leite produzidos
(http://www.ers.usda.gov/Briefing/Dairy/Data/mprdfac.xls).
Além disso, a conseqüência da seleção de animais de maior peso adulto é o
aumento dos custos de manutenção de rebanhos com matrizes cada vez mais
pesadas (VISSCHER et al., 1994; VEERKAMP, 1998). O valor econômico negativo
para peso vivo adulto é mais evidente para vacas leiteiras mantidas a pasto
(VISSCHER et al., 1994). No Brasil, VERCESI FILHO et al. (2000) mostraram que,
para vacas mestiças Holandês-Gir, mantidas a pasto, os pesos econômicos para
seleção favoreciam muito mais a redução do peso metabólico das vacas do que a
seleção para aumento da produção de leite. Mesmo para o caso de sistemas
confinados, em que os animais gastam menos energia para sua própria
movimentação, a seleção contínua de vacas da raça Holandesa maiores a cada
geração, na América do Norte, não seria economicamente justificável (HANSEN et
al., 1999).
A melhor eficiência alimentar permite manejar pastagens com um número
maior de vacas de menor porte e, conseqüentemente, obter maiores produções por
área pastejada. Além disso, vacas de menor peso adulto tendem a ter maior vida
produtiva, melhor eficiência reprodutiva, menor incidência de problemas no período
periparturiente e, consequentemente, maior margem de lucro (HANSEN et al., 1999;
30
HOLMES et al., 1993; VEERKAMP, 1998 VISSCHER et al., 1994; YEREX et al., 1988).
Se forem mantidas a pasto, o gasto energético excessivo com deslocamento de
vacas de peso vivo elevado, nas condições tropicais ou subtropicais no verão, é um
fator limitante, de elevado peso econômico, que deve ser considerado.
De acordo com o recomendado e calculado por COWAN (1996), o grande
potencial produtivo das forrageiras tropicais devem sinalizar para a utilização de
sistemas de pastejo que utilizem animais de médio potencial produtivo, para
compatibilizar suas demandas nutricionais com o potencial da pastagem (Tabela 3),
priorizando a otimização da produção de leite por área trabalhada em detrimento de
desempenho individual das vacas. Além disso, a ênfase excessiva que vem sendo
dada à utilização de animais de elevado potencial genético, não leva em
consideração a eficiência em função da vida produtiva do animal e seus custos de
manutenção, principalmente aqueles relativos aos problemas sanitários, reprodutivos
(DUNCLE et al., 1994; JONES et al., 1994; PRYCE et al., 1997; LUCY, 2001;
WASHBURN et al., 2002a; WASHBURN et al., 2002b) e o conseqüente descarte
excessivo de vacas, que demandam taxas de reposição muito elevadas,
característicos dos rebanhos de elite dos Estados Unidos da América, como mostrado
por levantamento recente, reportado por KELLOGG et al., (2001). Esses autores
mostraram que nos rebanhos mais produtivos acompanhados pelo DHI, a taxa média
de descarte anual é de 39,7%, com intervalo de partos de 14,5 meses e idade
média das vacas do rebanho de 42,9 meses, pode-se calcular que, em média, a vida
produtiva dessas vacas é de 1,7 lactação. A eficiência reprodutiva dos rebanhos vem
caindo ao longo dos últimos anos (LUCY, 2001). WASHBURN et al. (2002b)
detectaram elevações no número de dias abertos, que em 1976/78 eram 122 para as
vacas Jersey e 124 para holandesas, aumentaram de forma não linear para 152 para
Jersey e 168 para holandesas, em 1997/99. Ao mesmo tempo, o número de
serviços/concepção, que era de 1,91 em 1976/78 subiu para 2,94, em 1994/96, para
as duas raças.
Acompanhamentos econômicos conduzidos em propriedades leiteiras
argentinas mostram que as vacas de maior produção não garantem os maiores
ingressos financeiros, medidos pela venda de leite e novilhas excedentes, pois essas
vacas de maior produção são as de maior peso vivo, requerem maior consumo de
alimentos, têm menor resistência a enfermidades ao se relacionar produtos e
insumos ao longo de suas vidas produtivas, a eficiência tanto biológica quanto
econômica será menor do que a proporcionada pelas vacas de produtividade média
(MARINI e OYARZABAL, 2001).
Uma análise da vida produtiva, reprodutiva e características de sobrevivência
de vacas, de rebanhos neozelandeses, inseminadas de touros da raça holandesa de
origem norteamerica ou de touros locais holandês:frísio, revelaram uma vantagem
média em favor do H:F neozelandês de NZ$ 4.950,00 por fazenda, o que representa
12% de diferença no lucro por fazenda (HARRIS e KOLVER, 2001).
Em sistemas de manejo a pasto ou em confinamento, levantamento feito
recentemente nos Estados Unidos da América (WHITE et al, 2002) mostra que a
maior fertilidade das vacas da raça Jersey aliada à menor incidência de mastites,
31
parcialmente compensa os menores retornos sobre os custos com alimentação,
quando comparadas com vacas da raça holandesa. Outro levantamento (WASHBURN
et al., 2002b) mostra que as vacas da raça holandesa eram mais difíceis de enxertar,
apresentaram mais problemas com mastites, maiores taxas de descarte e menores
escores de condição corporal do que as Jersey.
Vale ressaltar que o cruzamento é uma estratégia eficiente em corrigir
problemas trazidos com a excessiva homozigose ou consagüinidade, pelo uso
exagerado de sêmen de poucos touros famosos que caem na “preferência” dos
criadores. No caso do ambiente tropical, os animais de origem indiana, antídoto
natural contra os elevados e perigosos níveis de consagüinidade dos rebanhos
norteamericanos e europeus, com suas características de maior tolerância ao calor e
umidade excessiva, aos parasitos externos e internos, trazem contribuições
adicionais ao facilitar manejo e reduzir custos. A heterose das características
produtivas só pode ser manifestada com suprimento alimentar adequado, sem no
entanto buscar a maximização de desempenho individual. Outras características de
eficiência, tais como duração da lactação e persistência, alem da contribuição
genética, também somente se manifestam com suprimento adequado de alimentos.
Da mesma forma, são dependentes de nutrientes as respostas à indução hormonal,
via somatotropina bovina, oxitocina, presença do bezerro no momento da ordenha,
amamentação e maior freqüência de ordenha. Não se pode aceitar afirmativas
grotescas freqüentes tais como: “o que come uma vaca de 10 litros come uma de
25”. De onde viriam os 15 litros adicionais? Não apenas o que, mas também o
quanto come uma vaca de 25 litros diferem muito do que e quanto come uma vaca
que produz 10 litros de leite por dia.
Em suma, a grande eficiência fotossintética das gramíneas tropicais, do grupo
C4, associada à grande disponibilidade de energia solar nas regiões tropicais e
subtropicais, permitem a expressão do grande potencial produtivo das nossas
forrageiras, tanto para pastejo quanto para corte, como é o caso da cana-de-açúcar.
Por outro lado, as limitações nutricionais dessas gramíneas, principalmente seus
níveis elevados de parede celular (fibra), plenamente compensadas pelo grande
potencial produtivo destas, devem sinalizar para a utilização de sistemas de pastejo
com animais de médio potencial produtivo. Dessa forma, torna-se possível
compatibilizar as demandas nutricionais desses animais com a qualidade da forragem
em oferta. Essa estratégia, em função do elevadíssimo potencial produtivo das
gramíneas tropicais, permitem a obtenção de elevadas produções de leite por área
trabalhada, em detrimento do desempenho individual das vacas, com uma carga
animal muito superior ao que se poderia esperar das forrageiras de clima temperado.
32
DINÂMICA ATUAL DA CADEIA DE LÁCTEOS NO BRASIL. 1Dr John Wilkinson
Introdução
Nos anos 90 o mercado de lácteos passou por grandes transformações. Neste
período a integração no MERCOSUL com importações maciças de produtos finais,
sobretudo manteiga e queijo, a liberação de preço do leite, tanto o produtor quanto
ao consumidor, a profunda retração de demanda promovida pelo Plano Collor e a
saída do governo dos programas sociais de distribuição de leite foram fatores que
agravaram a situação do setor de laticínio brasileiro.
DINÂMICA ATUAL DA CADEIA DE LACTEOS
NO BRASIL
JOHN WILKINSON
CPDA/DDAS/UFRRJ
Figura 1. Apresentação inicial do Dr. John Wilkinson.
As transformações da cadeia de lácteos.
As grandes questões incluíam a desregulamentação – novo ambiente
competitivo, impactos das exportações, qualidade, o setor informal, o
enfraquecimento das cooperativas (futuro de Itambé), expansão da Parmalat,
regionalização da cadeia no âmbito do Mercosul, sofisticação do consumo, inflação,
estabilização e câmbio.
A situação em 1999 – 2006 caracteriza-se por um período de crescimento
sustentado da produção, passando de 14,5 bilhões para 24,5 bilhões de litros de
leite. O consumo estável, cerca de 131 litros/habitante/ano. Houve redução nas
importações, com mudança no papel de importador para exportador. As exportações
do setor de lácteos teve como principal produto o leite condensado e em segundo
lugar no ranking das exportações de lácteos vieram os queijos.
O 1 Dr. John Wilkinson é professor do CPDA da Universidade Federal do Rio de Janeiro.; Pós-doutorado em
Sociologia Econômica na Universidade de Paris XIII (1996); Doutor em Sociologia pela Universidade de Liverpool
(1982); Mestre pela University of Liverpool, LIVERPOOL, Inglaterra (1977). Graduou-se na University of Bristol,
BRISTOL, Inglaterra (1965).
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O setor informal de lácteos permanece o eixo de tensões. A produção total de
leite vem aumentando, entretanto a produção de leite sob inspeção continua sendo
inferior, cerca de 50%, ao total de leite produzido. A produtividade leiteira cresceu
numa taxa 2,6% ao ano, o que representa um incremento anual, na produção de
leite, de 339 milhões de litros.
A gestão de qualidade, neste mesmo período, nos trás um forte avanço na
granelização (80%), aumentos significativos litros/dia/produtor, tendências iguais no
setor privado e nas cooperativas, expulsão do pequeno do setor formal com o
deslocamento para queijos. As cooperativas e os laticínios têm grande importância
na captação do leite.
MAIORES EMPRESAS DE LATICÍNIOS
Figura 2. Maiores empresas de laticínios.
Outra situação é a nova dinâmica do mercado nacional com participação do
cerrado, ainda minoritária, a substituição do leite por cana em São Paulo. O estado
de São Paulo se torna fortemente um importador regional. E Rio Grande do Sul,
Paraná, Minas Gerais, Goiás e Rondônia tornam-se exportadores.
Há condições para a auto-suficiência, mas nunca deixamos de importar este
produto. Temos potencial, vocação e vantagens competitivas para a exportação São
desafios que somente serão vencidos depois de implantada uma boa política de
apoio governamental para o setor, voltada para toda a cadeia, mas com uma
preocupação especial com estabilidade de preços para os produtores que, pelo
menor poder de articulação, nos períodos de crises, acabam sempre assumindo os
maiores prejuízos. A exportação depende uma grande produção e elevada
produtividade com qualidade. A IN 51 estabelece critérios para a produção de leite
com qualidade. O incremento na qualidade que a Instrução Normativa pretende
trazer tornará o nosso produto um dos mais competitivos no mercado internacional.
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CONCLUSÕES
A partir das apresentações realizadas concluiu-se que o setor lácteo brasileiro
apresenta excelentes perspectivas de crescimento e expansão de suas fronteiras
internas e externas.
Ficou constatado que os aspectos socioeconômicos da pecuária leiteira
brasileira, ratificam a importância da propriedade familiar no cenário nacional e
apesar de sua fragilidade econômica, o que também é resultado de determinadas
deficiências administrativa e produtivas do primeiro setor econômico.
As pesquisas realizadas para o desenvolvimento da atividade leiteira devem
ter como objetivo principal à obtenção de produto, o leite, com as qualidades
exigidas pelos mercados consumidores e com menor custos de produção.
Contudo, o consumo de lácteos teve significativo aumento seguido de
estabilização, este consumo tem uma relação direta com o poder econômico das
famílias.
Evidencia-se a necessidade de uma reforma política no setor de lácteos para
coordenar e integrar os elos desta cadeia. Focalizando entre outros pontos a questão
socioeconômica dos produtores de leite, a importância da assistência técnica rural e
administrativa na atividade leiteira.
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ANEXO 1: Programa do Seminário.
9:00 hs: Abertura pelo Magnífico Reitor da UFRRJ, Prof. Ricardo Miranda, Decana P.PósPraduação, Profa. Áurea Echevarria, Diretor do Instituto de Zootecnia.Prof. Nelson Jorge
Moraes Matos,
10:30 hs: Prof. Juan Lerdon, Universidad Austral de Chile, Coordenador do Projeto Alfa
NERUDA.
12:00 hs: Almoço
14:00 hs: Prof. Eugênio Avila Pedrozo, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, A Cadeia
Láctea no Sul do Brasil.
15:30 hs: Coffe break .
16:00 hs: Dr. Leovegildo Lopes Matos, EMBRAPA-Gado de Leite, Aspectos Econômicos da
Utilização de Pastagens na Pecuária Leiteira.
17:30 hs: Prof. John Wilkinsons, CPDA-UFRRJ, Aspectos Sócio-econômicos da Pecuária
Leiteira Brasileira.
19:00 hs: Encerramento.
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ANEXO 2. Registros Fotográficos.
Fotografia 1. Abertura do seminário com a presença do Prof. Juan Lerdon,
Coordenador Projeto ALFA-NERUDA; Prof. Ana Maria Dantas, Vice Reitora da UFRRJ;
e o Professor Nelson Jorge Matos, Diretos do Instituto de Zootecnia da UFRRJ.
Fotografia 2. Prof. Juan Lerdo e Prof. João Carlos (coordenador da Pós
Graduação em Zootecnia da UFRRJ)
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Fotografia 3. Apresentação do Projeto ALFA-NERUDA pelo Prof Juan Lerdon
Fotografia 4. Apresentação da Cadeia Láctea no Sul do Brasil - Prof. Eugênio
Pedrozo - UFRGS
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Fotografia 5. Aspectos Econômicos da Utilização de Pastagens na Pecuária - Drr.
Leovegildo Matos – EMBRAPA-GADO de LEITE.
Fotografia 6. Dinâmica Atual da Cadeia de Lácteos no Brasil - Prof. John
Wilkinson - CPDA – UFRRJ.
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Fotografia 7. Participantes do seminário.
Fotografia 8. Reunião do Prof. Juan Lerdon com a Vice Reitora Prof Ana
Dantas.
40
Fotografia 9. Participação do Prof Juan Lerdon e do Prof John Wilkinson na
banca examinadora da Defesa de Dissertação do PPGIZ-UFRRJ.
41
Download

PROJETO ALFA NERUDA