UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA
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INSTITUTO DE BIOCIÊNCIAS - RIO CLARO
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS
VANESSA APARECIDA CAMARGO
AGRICULTURA URBANA NO MUNICÍPIO DE
CHARQUEADA, SP ± UM ENFOQUE
ETNOBOTÂNICO
Rio Claro
2011
VANESSA APARECIDA CAMARGO
AGRICULTURA URBANA NO MUNICÍPIO DE CHARQUEADA, SP ±
UM ENFOQUE ETNOBOTÂNICO
Orientadora: PROFª DRª MARIA CHRISTINA DE MELLO AMOROZO
Co-orientador: PROF. DR. MARCOS APARECIDO PIZANO
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto
GH %LRFLrQFLDV GD 8QLYHUVLGDGH (VWDGXDO 3DXOLVWD ³-~OLR
GH 0HVTXLWD )LOKR´ - Campus de Rio Claro, para
obtenção do grau de Bacharelado e Licenciatura no
Curso de Ciências Biológicas.
Rio Claro
2011
581.6
C172a
Camargo, Vanessa Aparecida
Agricultura urbana no município de Charqueada, SP: um
enfoque etnobotânico / Vanessa Aparecida Camargo. - Rio
Claro : [s.n.], 2011
57 f. : il., figs., gráfs., tabs.
Trabalho de conclusão de curso (licenciatura e
bacharelado - Ciencias Biológicas) - Universidade Estadual
Paulista, Instituto de Biociências de Rio Claro
Orientador: Maria Christina de Mello Amorozo
Co-Orientador: Marcos Aparecido Pizano
1. Botânica econômica. 2. Etnobotânica. 3. Raizes. 4.
Tubérculos. 5. Plantas alimentares. I. Título.
Ficha Catalográfica elaborada pela STATI - Biblioteca da UNESP
Campus de Rio Claro/SP
Dedico este trabalho àqueles que, todos os dias, trabalham
duro em busca de sua fonte de alimento.
Agradecimentos
É difícil pensar em quem agradecer... às pessoas, ao universo... Afinal, são nove anos,
entre idas e vindas, nove anos de Rio Claro... vou começar!
Agradeço em primeiro lugar por ter realizado este trabalho, e não outros... mas corri o
risco! E só tenho hoje um TCC, por causa da paciência e boa vontade dos agricultores que
participaram, agradeço imensamente todos eles, homens e mulheres, que me acolheram tão bem,
me levaram em seus plantios e me ensinaram um pouquinho do tantão que sabem. Cultivadores de
Charqueada e seus familiares... Muito obrigado, de coração!!
À minha orientadora, Christina, pela paciência e orientação, de fato! Agradeço por ter me
aceito com os prazos meio corridos, e estou muito feliz com o trabalho. Obrigada, Chris! Ao meu
co-orientador, Pizano, pelas dicas agronômicas!
Aos ajudantes de campo: Jhen, Jaca, Nat, Michele, Lora, sem vocês teria sido muito mais
difícil, e um agradecimento especial aos que foram corajosos e encararam os meus primeiros dias
de volante!! Valeu mesmo! À Tati que me apresentou o mundo da etnobotânica e me ensinou
EDVWDQWHOiQRV³2XURV´$R3UHSVTXHPHGHXYiULDVGLFDVLPSRUWDQWHVHSDFLHQWHPHQWHDWHQGHX
aos meus pedidos de socorro!! Brigadão! Ao Michel, que com seus super mapas enriqueceu o
trabalho! Ao Olavinho, que emprestou o carro, e todo o trabalho de campo pôde ser realizado sem
grandes dificuldades e eu pude perder o medo de dirigir... Não tenho nem palavras!
Aos que leram os diversos fragmentos do trabalho e deram dicas valiosas!!! Obrigada!!!
$JUDGHoR LPHQVDPHQWH DR $WXP ³7XQHV´ SRU WHU me cedido sua vaga de transferência
para biologia!! Valeu mesmo, Tunes, eu nem sei onde eu estaria hoje!! Passa pra frente, né!!
Aos meus pais por todos os ensinamentos de vida, apoio e por sempre acreditarem nos
meus sonhos e ideais malucos! Minha mãe, miQKDViELD³PHVWUD´REULJDGDSRULPSRUOLPLWHVH
PHGHL[DUDSUHQGHU³QDKRUDFHUWD´¬6DQGURFD&DVVDQGUDPLQKDLUPmWmRDPDGDTXHVHPSUH
me defende (para os outros), mas que parece nunca me escutar!! Ao meu pai e seu jeitão fechado
GHGL]HUTXHJRVWRX³pWiERP´$PRYRFrV
Aos meus outros pais e mães, os tios e tias, e aos meus outros irmãos, os meus primos e
primas, inclusive os tortos. Vocês são demais!! Muito além disso, carrego comigo ensinamentos
de cada um, histórias que fazem chorar e rir, viagens, mil festas... eu virava até piada da república:
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FKXUUDVTXLQKR SUD XPDV SHVVRDV´ H DVVLP HX SDVVHL HVVHV DQRV VHPSUH MXQWR FRP
vocês!!! Obrigada por fazerem parte da minha história!!!
Às queridas amigas de sempre, as Pops (que brega, hein!) Karina, Lála, Nai, Az e Anidani,
eternamente na minha vida, parte de uma fase deliciosa de aprendizados e descobertas, e é claro,
algumas Big Lorotas!!!! Rsrsrs, espero visitas na Bahia!! E aos amigos de faz tempo, lá da Vila
Guarani... vixi... Du, Jr, Marcella, Paula, Larissa, Fosco, Really, Badé.....
E em Rio Claro, aqui sim, são tantos os que passaram, os que passam, os que estão e os
que continuam... agora vai dar trabalho lembrar de todo esse povo, e sem chorar!
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mostraram que existia uma família aqui em Rio Claro.
Àquelas que me receberam muito bem no início da jornada, as japas Marina e Mariana,
valeu pelos dias de hóspede! À Iara, cabelão; Bira; às Sambaquis ± Carol RA, Limps, Japa Sayuri,
Ju, com quem morei por um breve período!!
À Rep-Ada, onde de fato mergulhei de cabeça na vida de estudante e conheci amigas
irmãs, que tiveram uma ENORME paciência com a bichete reclamona e pão-dura que eu fui!!
$LQGD EHP TXH D JHQWH PXGD Qp 9DOHX &DUROHV 6FDWFKD 0DWFKD 3ULQoD ³VH HX DQLPDU HX
apareço... (ops, essa é de outra casa! Rsrs), Alanitcha, sempre com um funk ferrrvendo direto do
verão FDULRFD$QD/XDPLVWHULRVDEUX[LQKDTXHULGDH0DQX³0DQRLD´QRERPVHQWLGRpFODUR
Valeu Gatas, per tutti!!! À Sarinha, arara dos cabelos coloridos, sapinha das risadas e piadas mil,
neguinha, quantos anos juntas, hein!! E pra terminar os viajantes da Rep-Ada, Frodolino, Copa e
Tropa, firmes e fortes nove anos depois... só com um pouco de durepox! rsrsrs
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lavavam, cozinhavam, só não passavam para mim... Enfim, foi lá que chegaram a Luna e o
Jambu, a Madhi já estava. Foi lá, que tive a convivência mais tranquila em república e mais
baladeira em Rio Claro. Foi lá que tive de volta a convivência com as Carois: Caroles (de novo!) e
Carol PT, minha grande amiga, irmã, companheira desde o início... que me deu mil puxões de
orelha, que já me carregou pra casa mil vezes, que já me viu chorar, mas também já tivemos
contrações de riso. Afe, Carol, é tão mais difícil a vida sem você perto! Valeu amiga, te amo
muitão!!
Às Moradas que se mudaram... vixe, ainda bem que tenho que escrever no computador,
porque se fosse no papel, não ia dar conta de ficar uma folha seca. Quanta emoção!! À Anola, que
mesmo sem nunca ter dividido o teto, tenho como uma presença forte, e ainda nos presenteou com
a graciosa Ceci! Jheinóca, Jane, Djéni, Jeiní, Jhen, a irmã mais velha que dividiu comigo os
momentos felizes e aflitivos de largar os empregos nos quais não estávamos felizes, conversas
sinceras e intensas e que faz uma falta enorme nesta casinha; Tatá, a rosa com todas suas flores e
livros, e ansiedades, e risadas, e mandalas, e cafés e o tempero com pimenta rosa... é nóis no TCC,
flor! Ao Rafa e Blavod, o menino Google e seu gato gordinho, com quem aprendi a conviver e
tornou-se um querido amigo. À Marina, ou Jéssica, uma metamorfose tão intensa que fugiu um
pouco de nós... À Carol Purps, sempre um arraso, modernosa, voando lindíssima nos tecidos,
RXYLQGR DV SODQWDV H YLYHQGR FRPR D GHXVD GL] ³PHX EHP´ H GH QRYR j 37 TXH FDUDPED
estava em todo lugar nessa história de Rio Claro e me ensinou a ter cuidados com os bichos...
Às atuais Moradas... Lora, a das pernas inquietas, pra lá e pra cá, no meio dos números
PDOXFRVXPDFRPSDQKHLUDHWDQWR³QpPHX´¬'HEL%RZVHU2UFDDDDDDDVHPRUTXLFHV uma
flor escondida no meio das rochas, ás vezes muuuito bem escondida, rsrs; Marcela, a adolescente
rebelde (que vai se emputecer quando ler isto) que eu não podia deixar de encher o saco, vai ter
que cantar Rita, hein! Às novíssimas, Izi e Martinha, bem-vindas nessa história, de coração aberto
pra vocês! Nosso hóspede, coitado, tem que aguentar seis mulheres, vai que vai, Zép! Aos
agregados: Anselmo, Jaca, Cacá, Tavão... valeu mesmo pelas companhias todas!
Aos bichos queridos, companheiros de sempre, Luna Lelé, Lito guerreiro Palito, Jambu,
Elis, Madhi, Mia, Blavod e agora Fumacinha, Bródi e Cacá! Ao Troçada... alguns ainda nos
acompanham, outros já deixaram este mundo, mas convivendo com esses bichos aprendi a
respeitar e amar muitas formas de vida!!
Moradas, sem vocês, estes últimos momentos seriam muito mais difíceis! Valeu pelos
almoços prontos nos dias de correria, pela paciência se fui estúpida porque estava preocupada em
não conseguir!! Vocês são muito especiais, vou sentir muuuita falta!!!
A todos esses Moradores e agregados, foram mais de quatro anos. Tão fortes, intensos,
sinceros, confusos, malucos, que eu só tenho a agradecer pelo aprendizado, pelas festas
imperdíveis e alucinantes, pelos almoços e cafés praticamente filosóficos, pelo gosto por plantar
que aprendi aqui. Galera eu amo demais vocês! Vai ser difícil esse parto!!
E pensando em agregados, foi em 2007, um ano muito maluco, que esse menino apareceu
na minha vida, na Morada, meu amigo e companheiro, que me mostrou a beleza e simplicidade de
amar, que me faz ver que a vida é essa, e que a hora é agora, que só eu posso fazer algo para
mudar... uma delicia de companhia para viajar, plantar, passear com os cachorros, ir ao cinema,
conversar, chapar, dançar... enfim, Viver!!! Fo, te amo muitão! Agora é minha vez de sair da
Terra do Nunca pra Chapada... na eterna busca de aprender a viver! Amo ti!!!!!
Aos Caenga, que chegaram junto com o Rolha, trazendo uma piscina, (ai que delicia!), pra
vida das Moradas!! Minero, Pets, Calango, Rodox, Cialis! Valeu meninos!!!
Ao CBN 2006, do qual me sentia um pouco fora e dentro, ao mesmo tempo. À Nat, uma
amiga querida e ótima companhia para se ficar simplesmente estando, conversando, filosofando,
desabafando e bebendo um café...! À Gisele, a japinha tranquila. À Pamela, Manu, Ju, Carol,
Cogu, Cazuza, Iéti, Monizze, Van, Bruna Yamagami... às companhias e conversas nos diversos
momentos, campos, baladas, aulas. Valeu Galera!!!!
E aos amigos que ainda estão aqui e àqueles que, a distância só apertou os laços, queria
dizer uma frase pra cada um (mas se fizer isso vou ter um agradecimento mais longo que o
TCC...), pois tenho certeza que vivi alguma história massa, ou bizarra, ou cotidiana, ou que seja,
mas que vivi e aprendi com vocês, e se hoje sou assim, é tudo culpa de vocês!!
Às Sôras e às Só se For Agora ± Aline, Tamie e Luiza, pelos momentos de desabafos,
revoltas, crises existenciais, vocês são pessoas que me dão força pra fazer o que acredito!! À Nega
(Chavero) e Xiles, altas idéias e agilizos, muitos momentos de levar uns puxões de orelha, e
muitas, mas muitas festas malucas!! aos Pibids ± Ricota, Jó, Maria, Mari, Lu, Kendi, Michele,
Aline e Tamie, um grupo onde aprendi a fazer coisas realmente coletivas. Aos amigos doidinhos:
Ganso, Paul, Julia, Chats, Sidão, só risadas!
Ao Tuniiiico e a Lia Chaer. A Lia Salomão e Ana (agora com a Alice e o João, eee), Pica,
Pardal, Jeronimo, Tiago, Caru, Mayte, Camis, Driks, Luiza, Vivian, Francês, Pablo, os Degusta,
Grilo, Pri, Metazoários, Jaboti, Fábio, Bolinha, Fiote, Careca, Elise, Juares... dos que já saíram da
Neverland, parece mesmo que a distância só estreitou os laços. Valeu povo todo, por tantas coisas
que já vivemos juntos!!! Reencontros?? kkkkkk
Ao povo todo da Ecologia, meus antigos bichos: Santos, But, Biazinha, Chewbaquinha,
Ivy, Pituxa... é tanta gente, boto fé que estou esquecendo uma galera!!
À Sabrina, que neste momento está também numa fase importante de fechamento de
FLFOR³*XHQWD´ILUPHDt$QGUpUV
Aos amigos que o Rolha trouxe pra minha vida, Xotinha e Lua, é nóis no Nordeste!!! À
Gabi, ao Cesinha e suas labradoras aquáticas!
Às queridas mãezinhas, mulheres fortes e sábias que engravidaram numa fase tão maluca
e corajosamente assumiram as tarefas! Re e Maira, admiro muito vocês!! O mundo agradece os
presentes, Naiá e Maue!!
Bom, com certeza estou esquecendo pessoas importantes, é muita gente, e muito tempo...
foi mal aê!
Agradeço ao universo, por fazer todas essas conexões e colocar essas pessoas no meu
caminho. Agradeço por ser tão abençoada e poder fazer escolhas na vida!!
Agradeço pelos que já se foram e marcaram muito minha história, minha vó Nina
querida...
9DOHXPXQGmR³6HFKRUHLRXVHVRUULRLPSRUWDQWHpTXHHPRo}HVHXYLYL´
Vanessa Salms
“Não planto as metralhadoras nas trincheiras. Planto a rosa, o jasmineiro, o manacá, a flor
do feijoeiro. Não planto a fome. Carpi-la é o meu ofício. Não toco a música dos violinos.
Acompanho os acordes dos canarinhos-terra das amanhecenças. Não tenho os candelabros
de ouro que iluminam os anfiteatros de veludo. O sol e a lua é que me enfeitam os salões
verdes dos milharais, e riscam partituras no chão.
Alimento todos os homens: santos, operários, reis, generais, heróis, eruditos, criminosos no
fundo das prisões, prostitutas. E nunca pergunto a quem vou alimentar.”
Euclides Neto – Suspiros de Uma Enxada
RESUMO
A produção agrícola em áreas urbanas é um fenômeno presente no cenário mundial e
tornou-se essencial para alimentação de famílias em diversas cidades de países em
desenvolvimento. A agricultura urbana acarreta uma gama de benefícios aos locais que a
praticam como garantia da segurança alimentar, geração de renda, aumento de áreas verdes
usando lotes ociosos, entre outros. O atual modelo de desenvolvimento agrícola exerce
pressão sobre as áreas rurais em diversos aspectos, seja reduzindo os espaços para pequenos
produtores, como forçando-os a migrar para áreas urbanas. No Brasil o cénário não é
diferente, e essa migração é crescente. As cidades de pequeno porte, que acolhem esses
migrantes, ainda apresentam muitas características rurais, como a manutenção do hábito de
plantar. O município de Charqueada, SP, se enquadra nessa categoria de cidade pequena e
apresenta diversos terrenos cultivados na área urbana. O presente estudo tem como objetivo
descrever a agricultura urbana em Charqueada, enfocando os cultivos em lotes vagos, bem
como compreender sua dinâmica no local, registrar o conhecimento desses agricultores e fazer
um levantamento das plantas alimentares cultivadas. A pesquisa se deu em três etapas de
campo: a) mapeamento dos lotes cultivados na malha urbana; b) levantamento de dados
socioeconômicos e sobre os cultivos em uma amostra geral; e (c) e em uma subamostra, com
visitas aos lotes e coleta de material botânico. As amostras foram selecionadas aleatoriamente
e os levantamentos foram realizados através de entrevistas estruturadas e semi-estruturadas,
com métodos etnobotânicos. Os dados coletados foram analisados de maneira descritiva.
Foram encontrados 97 lotes cultivados, destes, 77 participaram da amostragem geral e 30 da
subamostra. Os agricultores são na grande maioria homens, de baixa renda, acima de 50 anos
de idade; não há participação efetiva dos jovens. Levantaram-se 75 tipos de plantas
alimentares cultivadas, sendo que a mandioca esteve presente em mais de 70% dos lotes em
ambas amostragens. A preferência se deu por cultivos que exigem pouco investimento do
agricultor, talvez pelo fato destes não possuírem qualquer tipo de auxílio externo. Os
resultados obtidos permitem compreender a dinâmica da agricultura urbana local assim como
mostram que se faz emergencial a criação de políticas públicas para a manutenção dessa
atividade, a qual acarreta melhoria na qualidade de vida dos praticantes; pode aumentar a
renda e gerar oportunidades de empregos; oferecer alimentos a baixo custo e de qualidade;
favorecer condições ambientais urbanas mais saudáveis; além dos plantios tornarem-se locais
para preservação e manutenção da agrobiodiversidade.
PALAVRAS CHAVE: raízes e tubérculos, plantas alimentares, conhecimento local.
Lista de Ilustrações
Figura 1: Localização do município de Charqueada, Estado de São Paulo, Brasil. Fonte:
Adaptado de SÃO PAULO (2010). .......................................................................................... 15
Figura 2: Lotes cultivados na malha urbana de Charqueada. Foto: Jheynne Scalco, 2011. ..... 17
Figura 3: Malha urbana de Charqueada e a divisão dos 11 setores. Fonte: adaptado de
Ortofoto, na escala 1:10.000, 2000. .......................................................................................... 18
Figura 4: Lote com preparo para cultivo em Outubro de 2010 (A) e plantio realizado em Abril
de 2011 (B). Fotos: Maria Christina M. Amorozo, 2010 e Ana Carolina Bertho, 2011. ......... 24
Figura 5: Estrutura etária por sexo de toda população amostrada. ........................................... 28
Figura 6: Tipo de ocupação (a quem pertence o terreno) e área dos lotes. .............................. 29
Figura 7: Sistema artesanal para captação e armazenagem de água da chuva. Foto: da autora,
2011. ......................................................................................................................................... 33
Figura 8: Quantidade de itens citados pelos agricultores na amostragem geral e subamostra. 36
Figura 9: Raízes de algumas variedades de mandioca amostradas. Etnovariedades (da
esquerda para direita): Vermelha, Pão e Pão amarela. Foto: da autora, 2011. ......................... 41
Lista de Tabelas
Tabela 1: Produção agrícola de Charqueada para lavouras temporárias. T= toneladas; T/h=
toneladas por hectare. ............................................................................................................... 13
Tabela 2: Divisão dos setores em bairros e número de lotes por setor. .................................... 18
Tabela 3: Caracterização socioeconômica dos agricultores entrevistados (amostra geral). ..... 21
Tabela 4: Informações sobre os lotes cultivados ...................................................................... 23
Tabela 5: Frequência de plantas alimentares citadas pelos agricultores da amostra geral. ...... 24
Tabela 6: Perfil socioeconômico dos agricultores da subamostra. ........................................... 26
Tabela 7: Ocupação dos filhos e filhas que moram no domicílio e dos que moram fora......... 29
Tabela 8: Aumento da população urbana e decréscimo da população rural em um período de
30 anos, no município de Charqueada, SP. .............................................................................. 30
Tabela 9: Frequência dos itens mais citados na subamostra (FSub) e amostragem geral (FAG).
.................................................................................................................................................. 35
Tabela 10: Etnovariedades encontradas nos lotes da subamostra. Município de Charqueada,
2011. ......................................................................................................................................... 37
Tabela 11: Etnovariedades de raízes e tubérculos e frequência nos lotes. Os nomes entre
parênteses representam sinônimos ou etnovariedades muito semelhantes............................... 39
1.
Sumário
INTRODUÇÃO ................................................................................................................ 10
2.
OBJETIVOS ..................................................................................................................... 14
3.
4.
2.1
Objetivo geral ............................................................................................................ 14
2.2
Objetivos específicos ................................................................................................. 14
MATERIAL E MÉTODOS .............................................................................................. 14
3.1
Área de estudo ........................................................................................................... 14
3.2
Procedimentos metodológicos ................................................................................... 16
RESULTADOS E DISCUSSÃO ..................................................................................... 20
4.1
Caracterização da amostra geral ................................................................................ 20
4.1.1 Cultivos.................................................................................................................... 24
4.2
Os agricultores e os conhecimentos etnobotânicos .................................................... 25
4.2.1 Perfil dos agricultores .............................................................................................. 25
4.2.2 Manejo dos plantios urbanos ................................................................................... 32
4.2.3 Plantas cultivadas .................................................................................................... 34
4.2.4 Raízes e Tubérculos ................................................................................................. 38
5.
CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................... 42
6.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................................. 44
APÊNDICES ............................................................................................................................ 49
APÊNDICE A ....................................................................................................................... 49
APÊNDICE B ....................................................................................................................... 50
APÊNDICE C ....................................................................................................................... 52
APÊNDICE D ....................................................................................................................... 54
ANEXOS .................................................................................................................................. 56
ANEXO A ................................................................................................................................ 56
ANEXO B ................................................................................................................................ 57
10
1. INTRODUÇÃO
A produção agrícola em áreas urbanas não é um fenômeno recente em países em
desenvolvimento. Essa é uma prática adotada por diversas famílias com intuito de aumentar a
renda, promover a subsistência e garantir estratégias de sobrevivência (DEELSTRA e
GIRARDET, 2000).
Pesquisas na área iniciaram-se na década de 1960, por geógrafos e gestores urbanos,
que buscavam entender as conexões entre a rápida urbanização, o êxodo rural e a agricultura
urbana (DIALLO, 1993). Atualmente, em cidades africanas, o aumento das atividades
agrícolas nas cidades é relevante. Em Kampala, capital da Uganda, o alimento básico provém
das culturas de tubérculos e é cultivado em áreas urbanas, além de 70% das aves e ovos
consumidos na cidade serem produzidos dentro de suas fronteiras. No Quênia, em suas seis
maiores cidades, 25% das famílias urbanas alegam que não podem sobreviver sem produzir o
próprio alimento (MOUGEOT, 1994). Essa prática leva à redução da porcentagem da despesa
familiar gasta com alimentação, liberando parte desse valor para ser usado em outras
necessidades básicas (BRYLD, 2003). Na América Latina, Bohrt (1993) observou que o
sistema mais pesquisado, testado e com produção generalizada nas cidades são as hortas
plantadas em escolas, lotes familiares ou comunidades.
Atualmente os esforços nas pesquisas em agricultura urbana estão voltados à produção
sustentável de alimento nas cidades (SMIT e NASR, 1992; LOSADA et al, 1998; SMITH,
2010).
A agricultura urbana (AU) pode ser definida como:
...um sistema complexo que engloba um espectro de interesses a partir de atividades
tradicionais associadas à produção, transformação, comercialização, distribuição e
consumo (de alimentos), com uma multiplicidade de outros benefícios que são pouco
reconhecidos e documentados. Estes incluem recreação e lazer, vitalidade econômica,
empreendedorismo, saúde e bem-estar individual e comunitário, embelezamento da
paisagem e recuperação e remediação ambiental. (CAST, 2002 apud BROWN e
CARTER, 2003, p. 3).
Essa atividade tem despertado um elevado e crescente interesse, tanto dos urbanitas
quanto dos pesquisadores e responsáveis por elaborações de políticas públicas. No Brasil, a
11
capital mineira, Belo Horizonte, incluiu a AU em sua política pública com o apoio do
programa global Cidades Cultivando para o Futuro – Cities Farming for the Future – (LARA
e ALMEIDA, 2008); em Presidente Prudente, cidade do interior paulista, também há
incentivos públicos para a produção agrícola urbana (MADALENO, 2001). Também,
Monteiro e Monteiro (2006), constataram que em Teresina, capital do Piauí, existe o apoio
público, porém, este é insuficiente para se desenvolver o que foi proposto pelo programa de
hortas urbanas comunitárias. Outras cidades apresentam um panorama agrícola urbano
apoiado por instâncias governamentais e ONGs, apesar de diversas vezes não haver incentivos
externos (RESENDE e CLEPS JR, 2006).
Quanto aos locais usados para agricultura urbana, estes são os mais diversificados.
Consistem em áreas urbanas ociosas, beiras de rios, de estradas e ferrovias, áreas escolares e
hospitalares, centros comunitários, assim como os quintais. Os agricultores são, em geral,
parte da população menos favorecida social e economicamente. (MONTEIRO e
MENDONÇA, 2004; RESENDE e CLEPS JR, 2006; FERREIRA e CASTILHO, 2007).
A agricultura urbana acarreta inúmeros benefícios aos locais onde se estabelece e pode
ter como função: ser fonte de subsistência e renda; garantir uma melhoria da dieta e prover a
segurança alimentar, utilizando espaços ociosos ou não adequados à construção (BRYLD,
2003; ANGELO e AMOROZO, 2006).
Outro fim para essa prática seria a conservação de biodiversidade (AKINNIFESI et al,
2010) e da agrobiodiversidade, uma vez que cultivar em áreas urbanas pode ser um meio de
assegurar a manutenção do banco de germoplasma de certas culturas e de se criar novas
propostas para programas de conservação in situ, através de políticas públicas. Por outro lado,
independente dos órgãos públicos, os produtores fazem dos cultivos espaços para
experimentação e testes de variedades ainda desconhecidas (AMOROZO, 2008a), e
estabelecem redes de trocas de propágulos fortalecendo as relações sociais na comunidade em
que vivem (ARAÚJO, 2008).
Como observado por Brodt (2001), esta atividade proporciona a manutenção do
conhecimento local. Esta mesma autora relata que quintais urbanos são lócus de resistência
para manutenção e transmissão do conhecimento tradicional, garantindo que a cultura de um
povo permaneça para futuras gerações.
A etnobotânica possui ferramentas adequadas para estudar esse conhecimento, o que
pode contribuir para seu resgate, valorização e incorporação ao desenvolvimento de novas
propostas, mantendo a continuidade dos saberes.
12
Os produtores urbanos apresentam-se dessa forma como atores fundamentais na
construção do conhecimento agrícola nas cidades, e muitas vezes têm seu histórico de vida
pautado nas relações com a terra, utilizando-se das experiências adquiridas ao longo de suas
trajetórias para realizarem seus plantios.
Além de toda esta contribuição na manutenção dos saberes, ao se abordar a questão
ambiental, os espaços urbanos cultivados tornam-se ilhas de vegetação, que apresentarão
umidade maior e consequentemente uma redução no calor de irradiação, tornando a
temperatura mais agradável, além de serem zonas de infiltração de água pluvial. A matéria
orgânica desperdiçada como lixo pode transformar-se em composto e adubar as plantações
(BRYLD, 2003), contribuindo para uma melhora em todo ecossistema urbano.
Para o bom desenvolvimento das práticas em agricultura urbana é importante
considerar os possíveis riscos à saúde e ao ambiente. A má administração dos compostos ou
da água reutilizada pode aumentar a incidência de doenças, como disenterias. As folhas têm
capacidade de absorver poluentes e alguns metais pesados, como exemplo o chumbo, presente
no solo e ar. Este metal pode se concentrar na folhagem de hortaliças sendo posteriormente
ingerido pelo consumidor. Também o uso inadequado de fertilizantes sintéticos agravaria a
situação dos solos e reservatórios de água, contaminando-os (BRYLD, 2003).
Apesar da possibilidade de se quantificar alguns fatores positivos que permeiam a
agricultura urbana, ainda é imensurável seu reflexo na melhoria da qualidade de vida das
pessoas que a praticam, uma vez que jardins, quintais, áreas verdes e áreas cultivadas
fornecem uma trégua na realidade da vida nas cidades (WINKLERPRINS, 2002).
As áreas urbanas atraem pessoas de regiões rurais que vão em busca de melhores
oportunidades educacionais, sociais e econômicas. Esta migração, somada à deterioração da
situação econômica da população urbana, está atrelada ao crescimento contínuo da agricultura
nas cidades.
O aumento da urbanização observado em todo o globo não caracteriza as cidades
como 100% urbanas. Winklerprins (2002) entre outros autores, lança o seguinte
questionamento: há uma separação nítida entre os limites rurais-urbanos? A mesma autora
discorre que pode se considerar um contínuo neste sentido, pois há uma transição ainda
confusa entre o que é totalmente rural e totalmente urbano; as pessoas são rurais e urbanas ao
mesmo tempo. Os pressupostos de uma divisão setorial, em que as populações rurais são
vistas primordialmente como produtores agrícolas, enquanto os moradores urbanos são
pensados para se envolver na indústria e serviços, são cada vez mais enganosos (TACOLI,
1998).
13
No caso do Brasil, segundo o IBGE (2002), 80% da população seria considerada
urbana. Isso acontece porque há uma convenção de que toda sede de município é
necessariamente espaço urbano, seja qual for sua situação, função ou dimensão, sendo que,
segundo Veiga, (2003) somente 60% dessa população estaria efetivamente na rede urbana.
O estado de São Paulo, localizado na região mais populosa do país, apresenta dentre
seus 645 municípios, 68% com população até 20.000 habitantes. Do restante, somente 16%
têm uma população maior que 100.000 (IBGE, 2010a). Assim, a grande maioria das cidades é
de pequeno porte, como é o caso de Charqueada, com uma população de 15.086 habitantes,
sendo que 91% desta é considerada urbana (IBGE, 2010b).
As cidades pequenas tendem a apresentar características rurais, como a manutenção do
hábito de plantar, talvez devido a abrigarem uma população que ainda tem um forte vínculo
com a terra ou por exibirem mais áreas livres edificáveis. Também oferecem espaços maiores
para conservação de quintais, diferente do que ocorre em grandes aglomerações urbanas.
Carniello et al, (2010), relatou que comunidades agrícolas ao se transferirem para o meio
urbano, passam a reproduzir práticas rurais em espaço territorial reduzido
O atual modelo de desenvolvimento agrícola exerce pressão sobre as áreas rurais em
diversos aspectos, inclusive no uso da terra, reduzindo os espaços para pequenos produtores e
trocando cultivos variados por monocultura e pastos. O município de Charqueada, por
exemplo, apresenta dados que confirmam a soberania da produção do agronegócio em grande
escala sobre outros tipos de culturas. Observa-se isto claramente, segundo dados do IBGE
(2010c) para a produção agrícola municipal considerando as lavouras temporárias, conforme
apresenta a tabela 1.
Tabela 1: Produção agrícola de Charqueada para lavouras temporárias. T= toneladas; T/h= toneladas por hectare.
Cultura
Produção (T)
Rendimento (T/h)
Valor da produção (em reais)
Cana de açúcar
870.000
78
32 milhões
Milho
244
3,3
82 mil
Melancia
180
18
50 mil
Mandioca
154
22
90 mil
Batata doce
60
20
28 mil
Arroz
16
2,2
7 mil
Fonte: Adaptado de IBGE, (2010c).
A cana-de-açúcar supera em quantidades absurdas a produção de cultivos mais ligados
à alimentação. O uso da terra para esta produção ocupa extensas áreas, reduzindo os espaços
14
destinados ao cultivo de alimentos. Dessa forma a população vê-se obrigada a comprar os
gêneros alimentícios, os quais chegam ao consumidor com alto custo por serem provenientes
de locais distantes. É neste sentido que a agricultura urbana torna-se uma ferramenta essencial
ao desenvolvimento sustentável das cidades e à manutenção da agrobiodiversidade local.
Conhecer e entender a agricultura urbana presente no município de Charqueada pode
auxiliar na garantia da segurança alimentar, complementação da renda familiar, manutenção e
transmissão do conhecimento local e uma melhoria na qualidade de vida. Além de fornecer
alimentos, visto que as áreas rurais estão preenchidas pela monocultura canavieira, os terrenos
cultivados podem servir como sítios de manutenção e resistência de cultivos variados através
do apoio de programas de conservação da agrobiodiversidade em áreas urbanas.
2. OBJETIVOS
2.1 Objetivo geral
Neste trabalho objetivou-se descrever a agricultura urbana, enfocando os cultivos em
lotes vagos, bem como compreender sua dinâmica no município de Charqueda – SP e
registrar o conhecimento desses agricultores. O objeto de estudo foi todo o processo, o qual
envolve: os atores – responsáveis pelos cultivos, os espaços utilizados e as plantas.
2.2 Objetivos específicos
- mapeamento dos espaços de cultivo em lotes vagos presentes na malha urbana.
- caracterização socioeconômica dos responsáveis pelos cultivos.
- caracterização dos espaços de cultivo.
- levantamento de plantas alimentares, considerando como planta alimentar as
amiláceas, frutas, leguminosas e hortaliças, bem como condimentos. Foi dada ênfase às
etnovariedades de raízes e tubérculos.
3. MATERIAL E MÉTODOS
3.1 Área de estudo
O município de Charqueada (figura 1), situado a 22º30'35" sul e 47º46'41" oeste,
ocupa uma área de 176km2 e está a uma altitude de 610 metros, distante cerca de 195 km da
capital do estado, São Paulo. Os biomas presentes são resíduos de Cerrado e Mata Atlântica, o
15
clima apresenta duas estações bem definidas e a unidade morfológica onde está inserido é a
Depressão Periférica Paulista. A população é de 15.086 habitantes, sendo 91% na área urbana
e 9% na área rural (IBGE 2010b).
O povoamento das terras situadas entre os rios Piracicaba e Corumbataí, onde se
encontra hoje o município de Charqueada, iniciou-se provavelmente, em torno de 1859 por
bandeirantes em busca de caça, água potável e terra fértil. Famílias de imigrantes alemães,
italianos e suíços contribuíram para o povoamento local, estabelecendo-se e desenvolvendo
atividades na agricultura, comércio e indústria. Em 1886, com a chegada da Estrada de Ferro
Sorocabana, antiga Ituana, foram construídos armazém e hospedaria junto à estação de
parada, e após alguns anos chegaram olaria, máquina para beneficiamento de café e arroz,
serraria, hotel e farmácia, criando a infra-estrutura necessária para a vinda de novos
moradores (IBGE 2010b).
Figura 1: Localização do município de Charqueada, Estado de São Paulo,
Brasil. Fonte: Adaptado de SÃO PAULO (2010).
16
Em 1970 a base econômica era proveniente da produção de seda, sendo a principal
produtora a empresa Rivaben, mas a partir de 1975, com a criação do Programa Nacional do
Álcool (Pró-álcool), tornou-se mais vantajoso para os agricultores destinar seus esforços ao
cultivo de cana-de-açúcar, que consiste na principal atividade econômica do município
(MOLINARI et al, 2000).
A monocultura de cana fixou grande parte da população na zona urbana, atraindo
migrantes que se estabeleceram na cidade. No entanto, a migração com retorno na entressafra
ainda é recorrente. Devido a problemas econômicos que a entressafra acarretava, outras
atividades surgiram e ocorreu um incentivo para instalação de indústrias de pequeno e médio
porte, com o consequente aumento do número de estabelecimentos comerciais (MOLINARI
et al, 2000).
3.2 Procedimentos metodológicos
A coleta de dados desenvolveu-se entre Outubro de 2010 e Maio de 2011, dividida em
três etapas de campo. Entre Outubro e Janeiro foi feito reconhecimento da área de estudo,
com levantamento dos terrenos vagos encontrados dentro da malha urbana, nos quais se
observava algum tipo de manejo agrícola recente e visível por quem caminhasse pela
circumvizinhança. Foram encontrados 97 terrenos, definidos para este estudo como lotes
vagos e sem habitação, e no caso de estarem adjacentes aos quintais, foram considerados
apenas os que tinham separação física. A figura 2 ilustra alguns dos referidos terrenos.
17
Figura 2: Lotes cultivados na malha urbana de Charqueada. Foto: Jheynne Scalco, 2011.
Os bairros mais afastados do aglomerado urbano não participaram do levantamento,
sendo considerados para efeito deste trabalho somente os que tinham perfil residencial e não
para uso em temporada ou finais de semana, como chácaras e casas de campo, comumente
encontradas na região.
Após o reconhecimento e mapeamento dos locais de cultivo, com georreferenciamento
destes pelo GPS Garmin® (todos os lotes estão plotados no anexo A), realizaram-se as duas
outras etapas, entre Fevereiro e Maio (totalizando 24 viagens a campo) que consistiram no
reconhecimento de uma amostra mais abrangente e posteriormente, realizou-se um estudo
mais aprofundado, o qual consistiu na aplicação de questionários mais detalhados, visitas aos
lotes e coletas botânicas.
Através de um mapa do município cedido pela Prefeitura Municipal de Charqueada, a
malha urbana foi dividida em 11 setores para facilitar e otimizar a locomoção entre os bairros
e as visitas aos lotes. A figura 3 apresenta todos os setores com seus limites, e as cores
correspondem aos diferentes setores. A divisão dos setores foi estruturada de forma que a
totalidade de um bairro fizesse parte de uma unidade de setor. Já em bairros mais centrais, a
separação das diferentes unidades baseou-se em limites de ruas e avenidas.
18
Figura 3: Malha urbana de Charqueada e a divisão dos 11 setores. Fonte: adaptado de Ortofoto, na escala
1:10.000, 2000.
A amostra submetida ao questionário preliminar foi escolhida através do método de
amostra aleatória simples (ALBUQUERQUE et al, 2010a) o qual permite que cada membro
da população tenha a mesma chance de ser incluído na amostra. Para se estabelecer o tamanho
dessa amostra aplicou-se a fórmula:
χ² NP(1- P)/ C²(N-1) + χ² P(1-P)
(KREJCIE e MORGAN, 1970 apud BERNARD, 1988), onde χ² é o valor para um grau de
liberdade, N é o tamanho da população, P é o parâmetro populacional de uma variável
considerando uma população heterogênea, e C corresponde ao intervalo de confiança. Para
este estudo considerou-se N=97; P= 0,5; C= 0,05. Esta fórmula foi utilizada com a finalidade
de se obter uma amostra mais fiel em relação a todo universo amostral e para posterior uso
desta metodologia em estudos comparativos.
Os lotes foram numerados e sorteados, mas sete agricultores cultivavam em
mais de um terreno do universo total, podendo, dessa forma, participar de mais de uma
entrevista. Cada setor teve pelo menos um lote sorteado, com exceção do setor 11, que por
estar localizado na região mais central, não apresentou lotes cultivados. A distribuição dos
terrenos sorteados pode ser vista na tabela 2.
Tabela 2: Divisão dos setores em bairros e número de lotes por setor.
19
Setores
Setor 1
Setor 2
Setor 3
Setor 4
Setor 5
Setor 6
Setor 7
Setor 8
Setor 9
Setor 10
Setor 11
Número de lotes
Bairros e/ou Avenidas
Totais (n=97)
Sorteados (n=77)
14
10
Jd. Vista Alegre; Jd. Gelsomina
Jd. Bandeirantes, Jd. Fegadolli, Distrito
8
5
Industrial II
9
6
São Benedito
Pq. Res. Alvorada I; Pq. Res. Alvorada II e
18
13
Av. Carlos Gomes
4
3
Jd. Silvana; Jd Bela Vista
11
10
Jd. Paris, Santa Helena
8
7
Jd. Marussig; Jd. Samambaia; Jd. Solar
12
11
Parque das Nações; Estância de Charqueada
Jd. do Bosque; até Ruas São Pedro, Gov.
2
1
Pedro de Toledo e Av. Liberdade
Centro (até R. Princesa Isabel e Av. Italo
11
11
Lorandi)
0
0
Região mais central
Dessa forma, dos 97 lotes totais, foram sorteados 77. Destes, sete foram substituídos,
pois os agricultores responsáveis não foram encontrados, e oito estavam inativos. No entanto,
os lotes sem manejo agrícola recente foram mantidos na amostra, por contribuírem para a
caracterização da dinâmica desse estilo de agricultura na região.
A partir desse diagnóstico preliminar (amostra geral), foi realizada uma abordagem
mais detalhada em 30 terrenos (subamostra), com uso do método de amostra aleatória
estratificada. Dessa forma estratificou-se a amostra em migrantes nordestinos e migrantes de
outras regiões ou provenientes do próprio município. Esta escolha de estratificação amostral
(ALBUQUERQUE et al, 2010a) foi realizada por ter-se constatado que um quarto dos lotes
(26%) era cultivado por migrantes nordestinos que moram em Charqueada, o que representa
um dado interessante na análise.
Com o objetivo de constatar e padronizar os termos adequados para o melhor
entendimento por parte dos entrevistados, foram realizadas entrevistas teste na cidade de Rio
Claro, em lotes nas mesmas condições que os descritos para Charqueada, que forneceram
subsídios para a definição das questões mais apropriadas para o encaminhamento da pesquisa.
Através de entrevistas estruturadas e semi-estruturadas (ALBUQUERQUE et al,
2010b) foram coletados dados: preliminares da amostra geral (apêndice A); socioeconômicos
da subamostra (apêndice B); além de dados acerca das plantas alimentícias cultivadas, com
questões ligadas à agricultura, formas de cultivo, controle de pragas e as vantagens e
desvantagens da manutenção do plantio (apêndice C).
Os informantes entrevistados foram homens e/ou mulheres indicados como
agricultores responsáveis pelo plantio e a área cultivada foi visitada. Na subamostra, foram
20
realizadas coletas de material botânico das etnovariedades1 de raízes e tubérculos, nos locais
de cultivo, sempre que possível. O material foi tratado segundo os métodos usuais para
coleções botânicas (FIDALGO e BONONI, 1984; MING, 1996).
Os dados foram analisados de forma qualitativa utilizando-se estatística descritiva
(VIERTLER, 2002; MINAYO et al, 2003; AMOROZO e VIERTLER, 2010).
O presente estudo teve seu projeto aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do
Instituto de Biociências da UNESP- Rio Claro e o Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido (TCLE, anexo A) foi assinado por todos os participantes deste estudo, visando à
autorização dos moradores para entrevistas e coletas, e a transferência do devido
esclarecimento sobre a pesquisa, conforme exigência do Conselho Nacional de Saúde
(Resolução 196/96).
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Inicialmente será apresentado um panorama geral do total de agricultores
entrevistados, independente da atual condição do lote (ativo ou inativo) e uma análise mais
minuciosa será feita com os dados levantados através da subamostra do estudo.
4.1 Caracterização da amostra geral
Dos 77 lotes sorteados, constatou-se que não havia mais manejo agrícola em oito.
Quatro destes lotes inativos apresentavam construção em andamento e nos outros quatro, o
plantio simplesmente não existia mais. Dos 69 lotes restantes, os quais foram avaliados
através de entrevistas, sete agricultores alegaram não cultivar mais, o que resultou num total
de 62 lotes ativos. Já o número total de agricultores participantes foi 60 (entre responsáveis
por plantios ativos e inativos), pois sete destes cultivavam em mais de um lote. Dessa forma,
praticamente 20% dos lotes sorteados apresentavam cultivos desativados.
A tabela 3 retrata a caracterização socioeconômica dos agricultores. Constatou-se que
a agricultura urbana (AU) em Charqueada é uma atividade predominantemente masculina
(83% dos entrevistados). Em contrapartida, Madaleno (2000) observou que em Belém do
Pará, 69% dos produtores urbanos eram mulheres. Isso vincula-se ao fato dos quintais serem o
sistema mais associado a produção de alimento na pesquisa em Belém, e que as mulheres
naturalmente cuidariam destes como uma extensão da casa. Já em Charqueada, o cultivo dos
1
Neste estudo consideraram-se como etnovariedades as plantas que tiveram algum tipo de classificação de
variedade segundo critérios do agricultor.
21
lotes assemelha-se aos cuidados da roça, um tipo de agricultura mais rústica, comumente
realizada por homens. Cultrera (2008) observou que em quintais mato-grossenses, tanto os
homens quanto as mulheres são responsáveis pelos cultivos, mas a força de trabalho
masculina se dedica mais a culturas também encontradas em roças e terrenos, como a
mandioca, batata-doce, abóbora, e que estes dois últimos locais de cultivo são manejados em
sua maioria, por homens.
Tabela 3: Caracterização socioeconômica dos agricultores entrevistados (amostra geral).
Características socioeconômicas
Sexo
Feminino
Masculino
Agricultores (n=60)
%
10
50
Homens
4
1
6
16
15
7
1
16,7
83,3
Mulheres
2
2
1
2
3
-
20 a 29
30 a 39
40 a 49
Faixa etária
50 a 59
60 a 69
70 a 79
80 a 89
Charqueada
Nordeste (Alagoas, Bahia, Pernambuco, Piauí)
Interior de SP (até 80km de Charqueada)
Interior de SP (mais de 200 km de Charqueada)
Origem
Minas Gerais
Paraná
Dado ausente
N= 60
17
Até 20 anos
Tempo de moradia em
Zona rural
21 a 30 anos
11
zona rural / cidade
+ de 30 anos
23
Cidade
7
Dado ausente
2
46
Lavouras diversas, gado
7
Cana (corte e usina)
2
Ocupações anteriores Pedreiro/ servente
3
Nunca trabalhou na lavoura
2
Dado ausente
25
13
11
2
4
3
2
%
28
18
38
13
3
A faixa etária predominante está entre 50 e 69 anos, e ao incluir a faixa entre 70 e 79,
essas idades correspondem a 73% dos entrevistados. Isso caracteriza um envelhecimento da
população mais ligada à agricultura, fenômeno que há alguns anos é observado em todo o
país. A população ativa na agricultura, pecuária e silvicultura em 1940, representava 32,6% da
22
população ocupada e em 2000 declinou para praticamente a metade, 17,9% (IBGE, 2002). A
situação da agricultura urbana de Charqueada reflete o que está acontecendo com a população
rural, que além de declinar em número de pessoas, aumenta em proporção de idosos, a partir
do momento em que os mais jovens vão procurar melhores oportunidades e diferentes formas
de vida nas cidades (PEREIRA et al, 2003). Segundo dados da Fundação Sistema Estadual de
Análise de Dados (SEADE, 2011), em 1980, no município de Charqueada, existiam 20
pessoas com 60 anos ou mais, para cada 100 indivíduos de 0 a 14 anos; em 2010, a proporção
era 50 para 100, revelando a dinâmica do envelhecimento populacional. Neste sentido, se os
mais jovens não derem continuidade aos serviços agrícolas, pode-se questionar – qual será o
destino desta agricultura urbana?
Constatou-se que 42% dos entrevistados são originários do próprio município e 33%
são migrantes de outros estados, sendo 22% provenientes da região Nordeste. No estado de
São Paulo, o cultivo de cana-de-açúcar a partir da década de 1970 foi um forte atrativo para
migração sazonal, a qual se tornou uma migração permanente, pois a região fornece melhores
condições de vida e possibilidades de aquisição de moradia própria, quando comparada aos
locais de origem (OLIVEIRA e JANUZZI, 2004). É muito comum um membro da família
migrar e assim que este começa a se estabelecer no local ele convida os outros membros,
parentes e amigos.
Observa-se que a grande maioria dos agricultores, cerca de 84%, nasceram e foram
criados em ambientes rurais e exerciam atividades associadas à agricultura. Os poucos 13%
que alegaram viver em cidades pertencem às faixas etárias menores. É possível associar o
desenvolvimento da AU na região ao que foi observado por Carniello et al (2010), onde a
reprodução de práticas rurais por sociedades agrícolas ocorre em espaços territoriais
reduzidos, quando estas se estabelecem em meios urbanos.
A agricultura praticada na cidade de Charqueada é espontânea e voluntária, não
havendo programas da administração do município que a regulamentem. Em relação à
concessão de uso dos terrenos, a qual acontece informalmente, observa-se na tabela 4 que
58% dos lotes ativos pertencem a outras pessoas que não o agricultor; 10% são áreas da
prefeitura e 17,5% são de proprietários. Somando-se estes últimos aos 14,5% dos terrenos
pertencentes a familiares dos agricultores, tem-se que 32% dos lotes cultivados em
Charqueada garantem certa segurança à manutenção do plantio, ou que o agricultor terá
algum aviso caso o dono decida utilizar o lote para outros fins. Isso também pode ser tomado
como um estímulo à continuidade da atividade, uma vez que é mais fácil comunicar-se com
23
um familiar para solicitar o espaço, do que com uma pessoa não muito próxima, além de
estreitar laços afetivos.
Mesmo assim, os 68% restantes, são cultivados por informantes que encontram-se
numa zona de risco, na qual o plantio pode ser perdido se eventualmente o proprietário do lote
resolver utilizá-lo, e entre esses, há os que nem conhecem o dono do terreno, aumentando
assim a insegurança da manutenção do cultivo. Isso caracteriza a informalidade dessa
atividade, e também pode ser uma mostra do quão forte é o desejo de plantar, presente nessas
pessoas.
Tabela 4: Informações sobre os lotes cultivados
Lotes ativos
N= 62
%
Proprietário do
lote
Há quanto tempo
cultiva no local
Outra pessoa de Charqueada
Não Parente
Parente
Outra pessoa de outros locais
Próprio
Prefeitura (área verde)
Não sabe
Paga pelo uso
Dado ausente
Menos de 1 ano
1 a 5 anos
6 a 10 anos
11 a 15 anos
20 anos ou mais
Não planta mais
Dado ausente
Lotes inativos
N=7
19
30,5
14,5
9
6
10
11
17,5
6
10
9
14,5
2
3
Número de Lotes (n=69)
6
36
5
5
7
7
3
2
1
1
2
1
Mais de 50% dos terrenos com cultivo ativo apresentam um período de plantio entre
um e cinco anos (tabela 4), o que talvez seja indicativo da dinâmica desse tipo de agricultura,
seja pela rotatividade de lotes ociosos ou por iniciativas pessoais em começar novos cultivos.
A figura 4 ilustra um lote sendo preparado para o cultivo, e o plantio já desenvolvido, 6 meses
depois. Dos 17,4% que plantam no mesmo local há mais de 10 anos, mais da metade não é o
proprietário e nem familiar, ou seja, o plantio é realizado há mais de 10 anos, numa terra de
outra pessoa ou área pública, o que pode significar certa estabilidade deste ofício.
24
Figura 4: Lote com preparo para cultivo em Outubro de 2010 (A) e plantio realizado em Abril de 2011 (B). Fotos: Maria
Christina M. Amorozo, 2010 e Ana Carolina Bertho, 2011.
A
4.1.1 Cultivos
B
Na primeira abordagem, obteve-se um total de 46 tipos de plantas alimentares citadas
pelos informantes. As culturas mais frequentes foram mandioca e milho (tabela 5),
representando 75 e 54% da preferência dos agricultores. A batata-doce e a banana vêm em
seguida, junto com outras plantas alimentares que são de fácil manejo, exigem pouco
investimento em mão de obra e apresentam um baixo custo de manutenção do cultivo.
Tabela 5: Frequência de plantas alimentares citadas pelos agricultores da amostra geral.
Planta alimentar
Mandioca
Milho
Batata-doce
Banana
Quiabo
Feijão
Cebolinha
Cana-de-açúcar
Frequência em % (n=69)
75
54
29
26
24,5
20
17
14
Essas plantas são bastante encontradas em roças e geralmente precisam de áreas com
maior incidência de sol e maiores que quintais. Neste sentido, os lotes ociosos urbanos são
bons locais para tais culturas; além do que foi mencionado sobre a facilidade em cultivá-las,
são do grupo das amiláceas, ricas em carboidratos, a base da alimentação brasileira.
Todo esse contexto reflete na escolha de alguns agricultores em não manter cultivos
mais duradouros, com plantas de ciclos mais longos como as árvores frutíferas. Houve
informantes que comentaram sobre o fato de não saber o que iria acontecer com o lote no
futuro e por isso não diversificavam o cultivo.
25
4.2 Os agricultores e os conhecimentos etnobotânicos
4.2.1 Perfil dos agricultores
A estratificação da subamostra resultou em 21 entrevistas aplicadas nos lotes de
agricultores provenientes do próprio município ou migrantes de outras regiões e nove lotes de
migrantes nordestinos. A tabela 6 apresenta os dados de 30 lotes, porém de 29 agricultores,
pois um desses cultivava em mais de um terreno.
A faixa etária mais representativa está entre 50 e 69 anos (62%), seguida da faixa entre
70 e 79 anos. Isso corresponde ao observado na amostragem geral, onde as pessoas mais
idosas são as que mantém hábitos agrícolas. O agricultor mais velho, o qual cuida sozinho do
lote, tem 87 anos e o mais novo, tem 22.
A maioria dos responsáveis são os homens, porém em dois lotes as esposas ajudam, e
em outros três o informante tem auxílio de vizinho (a). Em relação a participação dos filhos,
somente um agricultor disse que o filho, o qual mora no mesmo terreno que o pai, às vezes
ajuda.
Semelhante ao que acontece na amostragem geral deste estudo, a migração estimulada
pelo trabalho no corte da cana, inicialmente um tipo de migração sazonal, tornou-se uma
migração onde as pessoas começaram a estabelecer moradia na região, levando consigo
familiares e amigos. Segundo o informante MJL86 (53 anos) “só aqui no bairro deve ter
umas 400 pessoas da minha família, todo mundo veio de Alagoas”. Outro nordestino,
(ABS29, 46 anos) originário do interior de Pernambuco, disse que resolveu se estabelecer em
Charqueada e só volta para a terra natal a passeio.
O que há em comum entre esses migrantes é a busca por trabalho e melhores
condições de vida. A maioria já morou em pelo menos três estados brasileiros, quando não,
mantinham-se no fluxo: terra natal - cidade do Sudeste - terra natal - cidade do Sudeste,
fixando moradia nesta última. Estão acostumados a todo tipo de trabalho bruto, desde
trabalhar em lavouras grandes, roças familiares, corte de cana, desmatamento de florestas até
o garimpo. Segundo alguns, há, sim, trabalho na região deles, mas aqui (em SP) é bem mais
fácil, portanto, hoje são peças importantes da configuração dessa produção urbana que ocorre
no município estudado.
26
Tabela 6: Perfil socioeconômico dos agricultores da subamostra.
Características socioeconômicas
Feminino
Sexo
Masculino
Faixa etária
Origem
Escolaridade
Ocupação
Desde quando lida
com a terra
Responsável pelo
cultivo
Amostra (n= 29)
%
3
10
26
90
Homens
Mulheres
20 a 29
1
30 a 39
40 a 49
3
1
50 a 59
9
60 a 69
8
1
70 a 79
4
1
80 a 89
1
10
Charqueada
8
Interior de SP
Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará,
9
Pernambuco, Piauí)
2
Minas Gerais
Até o 4⁰ ano do Ensino Fundamental (EF)
18
5⁰ ano (EF)
1
Analfabeto/ assina o nome
7
Mobral / supletivo até 8ª série
2
(EF)
Aprendeu a ler sozinho
1
Lavoura
7
Usina (motorista) 4
Aposentado (n=15)
Invalidez
3
Indústria
1
Serviços (motorista, pedreiro,
5
porteiro, servente, carpinteiro)
Usina (corte de cana, operador
4
de máquinas, motorista)
2
Horticultura
2
Desempregado
1
Do lar
Entre 6 e 10 anos de idade
25
Entre 11 e 15 anos de idade
4
Somente o informante
Vizinho auxilia
Esposa auxilia
Genro auxilia
24
3
2
1
Os agricultores são, em geral, de famílias simples, e por diversas fases da vida tiveram
contato com a lavoura, com exceção de um único, que se aposentou na indústria e se
interessou por aprender a plantar depois. Quanto à ocupação de gerações anteriores, todos os
entrevistados disseram que seus pais sempre trabalharam com a terra, e dois somaram a essa
ocupação a produção de bicho da seda e profissões militares.
27
Em relação às atuais fontes de renda, 50% dos agricultores são aposentados e como
mostra a tabela 6, metade destes se aposentou pelo trabalho na lavoura; somente 6,7% fazem
da atividade exercida no lote sua ocupação principal, mas a receita que realmente sustenta
essa minoria é proveniente do aluguel de alguma propriedade que possuem. Soma-se a esta
pequena parcela 10% que cultivam com intuito de comercializar, e ainda há os que vendem
ocasionalmente (13%), no caso de sobrar algum excedente após os familiares e vizinhos
receberem suas doações. Vale enfatizar que a maior parte da produção é destinada ao
consumo próprio e de familiares.
Pode-se dizer que a agricultura urbana ocorre mesmo pelo prazer em cultivar e para
consumo próprio, já que 73% dos agricultores não têm renda proveniente deste trabalho na
lavoura. A maioria dos informantes alegou que o principal motivo é o gosto por plantar, pois
sempre fizeram isso e, quando estão no lote o tempo passa e eles nem percebem; outros
acrescentaram a necessidade de manter o terreno limpo por causa de “bichos”, uma vez que
grande parte dos lotes se localiza muito próximo às moradias dos cultivadores. Ainda há
aqueles que prezam por colher o alimento puro, e por fim, produzir seu próprio alimento pode
resultar em alguma economia no fim do mês. Essa importância dada ao cultivo da terra
ilustra-se na fala de Eu4/87 (43 anos) “Meu pai dizia: quem planta, alguma coisa tem. Quem
não planta, não tem nada."
Analisando os dados sobre escolaridade, verifica-se que 60% cursaram entre um e
quatro anos do ensino básico e 23% são analfabetos. Nenhum dos informantes completou o
primeiro ou segundo grau em idade regular para tal. Muitos relataram que na época em que
estudaram, o ensino não era obrigatório ou havia muitas dificuldades em frequentar a escola,
por morarem na zona rural. A realidade escolar em que estes informantes se encontram, é
semelhante à relatada por Cultrera (2008) no estado do Mato Grosso, onde os entrevistados
com até quatro anos de estudo e os analfabetos correspondiam a 62,2 e 27,5% da população
estudada. Madaleno (2001) encontrou em Presidente Prudente - SP, cidade distante 450km de
Charqueada, graus de escolaridade que atingiam níveis superiores (12,5%) e o ensino
secundário (18,6%), mas a taxa de analfabetismo manteve-se próxima à do presente estudo,
atingindo os 19% dos inquiridos. Em geral as atividades agrícolas mantêm-se entre as faixas
menos escolarizadas, o que pode estar associado ao envelhecimento dessa população mais
ligada à agricultura e que não frequentou escolas.
O número médio de moradores por domicílio é 3,83, sendo que a maioria das casas
tem entre dois e três moradores, variando de um até nove moradores por domicílio.
28
Somente um dos informantes não tem filhos. O número médio de filhos por domicílio
é 3,7 de um total de 107 filhos. Destes, tem-se que 61,7% moram fora do domicilio dos pais e
a faixa etária predominante, conforme mostra a figura 5, está entre 30 e 49 anos para os filhos
homens e entre 20 e 49 anos para mulheres, constatando que as mulheres tendem a sair mais
cedo de casa.
Figura 5: Estrutura etária por sexo de toda população amostrada.
Dos filhos que residem fora do domicílio, todos se estabeleceram em áreas urbanas,
somente um informante disse que um dos filhos mora na zona rural em Minas Gerais. As
atividades exercidas por estes são de cunho urbano, e tanto para os filhos que vivem fora
quanto os residentes no domicílio, observa-se que a indústria absorve diretamente 29% da
mão de obra (tabela 7). Outras profissões como mecânicos, pedreiros, motoristas, faxineiras,
etc, as quais não exigem grau de escolaridade elevado, representam 35% dessa força de
trabalho. Uma parcela insignificante (1,8%) relatou trabalhar na agricultura, ressaltando que,
para eles o corte de cana é considerado trabalho agrícola.
29
Tabela 7: Ocupação dos filhos e filhas que moram no domicílio e dos que moram fora.
Ocupação (filhos com 14 anos ou mais)
Serviços
Indústria, fábrica (operário, instrutor, química)
Diversos: mecânico, motorista, tratorista, marceneiro,
pedreiro, pintor, cabeleireiro, faxineira, auxiliar dentista,
fotógrafo, frigorífico, bancário
Comércio (vendedor, lojista)
Funcionário público
Estudante
Do lar
Agricultura
Aposentado por invalidez
Desempregado
Filhos no domícilio Filhos fora
13
13
11
21
--5
2
2
2
--
5
5
1
8
--2
Ao constatar que os informantes são em grande maioria os únicos responsáveis pelas
lavouras, e que a agricultura não faz parte da vida dos herdeiros, fica a dúvida sobre qual será
o destino desta atividade. Essa tendência é observada em diversos estudos (ARAUJO, 2008;
CULTRERA, 2008; MASSARO JR, 2009) que relatam a ausência da participação efetiva dos
filhos na rotina agrícola exercida pelos mais velhos.
As considerações sobre o futuro da AU no município conduzem a questões ligadas ao
tipo de ocupação dos lotes, tamanho da área cultivada (figura 6) e as relações destas com o
tempo que plantam no local.
Figura 6: Tipo de ocupação (a quem pertence o terreno) e área dos lotes.
Assim como encontrado na amostragem geral, a maioria dos lotes pertencem a
conhecidos do agricultor, que não familiares, e na subamostra representam 53,3% do total. Os
lotes com áreas de até 500m² são os mais frequentes (76,5%). Todos que cultivam em terras
30
de proprietários desconhecidos (16,5%), o fazem por um período entre 1 e 5 anos nos menores
lotes (até 250m²).
Ao se fazer um paralelo entre a área disponível para agricultura urbana e o aumento
desta população observado nos últimos 30 anos, percebe-se a necessidade de mais áreas
edificadas nas cidades, uma vez que sua população duplicou, como mostra a tabela 8.
Atualmente 90% da população charqueadense reside na área urbana, além da existência de
casas para fins de semana, o que pode significar uma redução dos lotes ociosos citadinos,
comprometendo a disponibilidade de áreas cultiváveis para que estes pequenos agricultores
invistam nos plantios urbanos.
Tabela 8: Aumento da população urbana e decréscimo da população rural em um período de 30 anos, no município de
Charqueada, SP.
População (número de habitantes)
Urbana
Rural
1980
6.551
2.321
1990
8.454
2.091
2000
11.698
1.316
2010
13.670
1.397
Fonte: SEADE, 2011.
Em Charqueada, 13,3% dos cultivadores são proprietários dos lotes e somando-se as
terras de parentes, este contingente passa a 23,3%, correspondendo também, ao observado na
amostragem geral. Essa situação encontra paralelos em outras cidades brasileiras, onde os
agricultores urbanos exploram, em grande parte, terras que não lhes pertencem e somente uma
pequena parcela são de proprietários (RESENDE e CLEPS JR, 2006). A situação de
instabilidade a que esses agricultores estão sujeitos é um fato que pode impedir a elaboração e
execução de projetos a médio/ longo prazo.
Em relação ao tempo de cultivo, encontrou-se que 70% dos agricultores cultivam por
um período de até cinco anos. Vale ressaltar que 57% nunca plantou em Charqueada antes,
porém, a metade possui outro local de cultivo (quintal, outros lotes, terra da família) e parte
destes que zelam por um lote pela primeira vez, o fazem há um período igual ao tempo que
moram no local.
Já os agricultores que exploraram alguma outra área antes do lote atual (43%),
abandonaram os antigos cultivos por dois motivos: porque o proprietário decidiu usar o lote,
ou porque os próprios informantes mudaram de casa. É importante observar também, que para
todas as faixas de tempo inclusas (menos de um ano; há 1; 2; 3 e 4 anos), existem pessoas
iniciando novos cultivos.
31
Todas essas características revelam a dinâmica da agricultura urbana local, ou seja,
tanto há a iniciativa em começar novos cultivos, como existe uma rotatividade entre os locais
para plantio.
Daqueles que plantam há mais de 10 anos (23%), a maioria inclui-se no cultivo dos
lotes de até 500m² e as principais condições de uso são posse ou cessão. Os arranjos para uso
do terreno são em sua maioria informais, em apenas três lotes havia algum tipo de contrato de
uso, caracterizado por pagamento de aluguel ou pelo compromisso de manter o lote limpo.
Um dado interessante é que um único informante cultiva na maior área encontrada (menor
área cultivada é de 100m² e a maior é 10000m²), da qual ele não é o proprietário e mantém
este plantio há 20 anos. O local é chamado pelo agricultor de área verde da prefeitura.
Os cultivos realizados nesses locais conhecidos por “áreas verdes”, os quais são na
verdade áreas de preservação permanente (APPs) da prefeitura, ocorrem sem contrato legal,
mas de acordo com os agricultores, a vegetação existente antes deles chegarem era só
braquiária (Brachiaria spp). Essa deterioração da vegetação é comum nesta região; Silva
(1999) estudando a microbacia do Rio Corumbataí, relatou que as matas ciliares e as reservas
florestais da área têm um alto grau de degradação e são formações secundárias, consequência
da ação antrópica.
A prefeitura, por outro lado, visualiza o incentivo da AU local através da compra de
alimentos para a merenda escolar (informação verbal)2, mas a legislação3 proriza a aquisição
de gêneros alimentícios de agricultores familiares, os quais necessariamente devem morar em
zonas rurais, e neste caso estes produtores urbanos estariam excluídos desse processo.
Contudo não há nenhuma ação formal que vise incentivar a atuação desses agricultores; todos
os entrevistados apresentaram respostas negativas em relação à existência de qualquer tipo de
auxílio externo para o cultivo dos lotes.
A instabilidade que pode existir ao se plantar em lotes de outras pessoas não parece ser
um grave problema para estes agricultores, pois somente 17,3% dos informantes que não são
proprietários e exploram terras de não familiares, verbalizaram a incerteza da manutenção do
lote como uma desvantagem em se manter o cultivo.
2
Informação fornecida pelo Diretor de Meio Ambiente, em conversa informal na prefeitura, em Março de 2011.
RESOLUÇÃO/CD/FNDE Nº 38, de 16 de Julho de 2009: Art. 18.: “Do total dos recursos financeiros
repassados pelo FNDE, no âmbito do PNAE, no mínimo 30% (trinta por cento) deverá ser utilizado na aquisição
de gêneros alimentícios diretamente da Agricultura Familiar e do Empreendedor Familiar Rural ou suas
organizações, priorizando os assentamentos da reforma agrária, as comunidades tradicionais indígenas e
comunidades quilombolas, conforme o artigo 14, da Lei n° 11.947/2009.”
3
32
4.2.2 Manejo dos plantios urbanos
“Lavoura é que nem gente, pior que criança nova” (Pe9, 76 anos; quando
questionado sobre os cuidados com a terra)
As principais dificuldades encontradas foram as pragas, correspondendo a 72% dos
transtornos citados. Só o caramujo africano (Achatina fulica), que devasta plantas jovens,
folhas tenras e hortaliças, representa 60% deste total. Os agricultores apresentam duas táticas
de combate ao caramujo, a maioria coleta os animais e joga sal, e cerca de 33% dos
informantes usam um veneno “granulado” (metaldeído) que tem boa eficácia contra esse tipo
de praga. No entanto, o veneno é usado de maneira indiscriminada, pois os agricultores
simplesmente espalham as “bolinhas” ao longo do terreno.
Os roubos são responsáveis por 50% dos problemas apontados; 10% disseram não se
importar com o fato e 16% relataram não ocorrerem roubos no lote. Os relatos de roubos são
mais comuns nos bairros periféricos, como os do Setor 4. Nestes bairros, os agricultores
adotaram estratégias para se defender dos furtos, como deixar o mato da borda do lote crescer
e cultivar uma planta alimentar rasteira no meio. Outro informante, que cultiva em mais de
um terreno, mantém as plantas que exigem maior investimento (pessoal e financeiro) somente
no lote que é cercado e trancado. Alguns agricultores relataram que estavam desanimando de
plantar por correr o risco de ter o produto roubado.
A água utilizada para os plantios é preferencialmente a da chuva, 13,3% dos
agricultores usam água do sistema de distribuição, pagando pelo uso. Uma estratégia de apoio
do poder público poderia ocorrer neste sentido, com a isenção de taxas de uso da água para
aqueles que produzem alimento na cidade. Outros agricultores (10%), possuem poços, que
utilizam em caso de seca. Um agricultor criou um sistema de captação de água da chuva e a
armazena num poço (figura 7).
A capina do mato que cresce durante o cultivo é feita geralmente com uso da enxada
ou com as mãos, poucos agricultores (10%) utilizam o herbicida glifosato, outros (13%) o
aplicaram na primeira roçada do lote. Em geral, os lotes são pequenos, com áreas onde o
informante consegue controlar o mato capinando sozinho, mas alguns chegaram a comentar
que só não usam herbicida porque o custo não compensa, observação feita também por
Monteiro e Monteiro (2006) ao estudarem hortas comunitárias na cidade de Teresina, PI. Um
único agricultor mencionou uso de trator para o preparo do solo antes do plantio.
33
Figura 7: Sistema artesanal para captação e armazenagem de água da chuva. Foto: da autora, 2011.
Em relação à adubação boa parte dos entrevistados não usa adubos, já que as espécies
cultivadas são menos exigentes em fertilidade do solo. Mas há os que aplicam algum tipo de
fertilizante sintético, que eles denominam como adubo de plantio (mistura de nitrogênio,
fósforo e potássio - NPK). A aplicação de adubo orgânico, como esterco de galinha e cavalo é
bem-vinda, quando este é encontrado, mas alguns disseram ser caro e difícil de se obter. Já o
uso de matéria orgânica oriunda do consumo familiar e de restos de folhas retirados do
próprio cultivo foi relatado por apenas 16,5% dos entrevistados. Em Cuba, Altieri et al (1999)
descrevem o desenvolvimento e manejo da AU atrelada a princípios agroecológicos que
eliminam uso de agrotóxicos e fertilizantes sintéticos. As práticas de uma atividade agrícola
urbana baseada em técnicas ecológicas e sustentáveis têm exemplos ao longo de todo globo.
Para efeito de formalização da AU, é fundamental a criação de preceitos que
normatizem a exploração dos solos urbanos através de técnicas agroecológicas, baseadas na
sustentabilidade dos sistemas e que incentivem seus produtores a reproduzirem tais ações.
Dessa forma, os agricultores são peças importantes com seus conhecimentos sobre o cultivo,
agregando valor cultural a uma atividade que, se realizada de acordo com princípios
agroecológicos, só trará benefícios ao meio urbano e à comunidade.
Um saber amplamente difundido na agricultura tradicional é a observação do
calendário lunar para se realizar plantios, colheitas ou podas (RIVERA, 2004 apud
SCHIEDECK et al, 2007). No presente estudo, os 27% que o fazem atentam para as culturas
de ciclos mais longos, e em relação aos vegetais cuja parte comestível é subterrânea há uma
divisão de opiniões entre plantar nas fases da lua minguante ou nova. Os informantes dizem
que na lua cheia e crescente as plantas só “viçam muito e não dá nada”, ou seja, crescem com
34
folhas bonitas e ramificam bastante, mas na hora da colheita, a produção é muito baixa. Uma
informação bastante curiosa, advinda de dois informantes que não se conhecem, e também
relatada por Amorozo (1996), é a de que aos finais de semana a lua não “regula”. Os dois
entrevistados disseram que eram os antigos que diziam isso e bastava observar para
confirmar.
4.2.3 Plantas cultivadas
Neste trabalho foram levantadas no total 75 plantas alimentares, 73 na subamostra e 46
na amostragem geral. Essa grande diferença deve-se ao tipo de metodologia aplicada, a qual
será discutida mais adiante. Todos os itens citados estão listados no apêndice D com os nomes
populares, frequência do item nas duas amostragens, qual o uso feito pelos agricultores e qual
o destino final da produção. Os itens não alimentares encontrados (arnica, arruda, babosa,
algodão, bucha e mamona) apresentavam usos medicinais e outros usos, como exemplo o
fruto da bucha é utilizado para esponja de banho.
Em geral, as plantas são usadas como alimento, temperos ou chás. Quando há
excedente de abóbora, milho, cana-de-açúcar, estes podem ser destinados a criação, pois
certos agricultores mantêm gado, galinhas ou porcos em outras áreas. Em cinco lotes (16,5%),
constatou-se a presença de galinhas.
O destino da produção é em grande parte para consumo próprio e geralmente os
excedentes são doados para familiares, vizinhos e amigos. Há uma distinção entre os
agricultores que cultivam com intuito principal de comercialização e os que vendem
esporadicamente. Os primeiros cultivam praticamente toda área do lote com a cultura que será
destinada à venda, enquanto os outros, independente do tamanho da área destinada a cada tipo
de cultivo, comercializam qualquer cultura quando sua produção é maior do que o esperado, e
eles já doaram para as pessoas de seu convívio. Os agricultores que pretendem comercializar
oferecem seus produtos ao consumidor varejista.
Confirmando o observado na amostragem geral, a mandioca foi em absoluto a planta
mais frequente, presente em 27 dos 30 lotes (90%). Os itens seguintes levantados na última
fase de campo são diferentes dos da primeira fase, representados por mamão e quiabo (ambos
presentes em 46,6% dos lotes), batata-doce (43,3%) e limão (40%). A tabela 9 apresenta os
dados de frequência das espécies mais citadas em ambas as amostragens.
35
Tabela 9: Frequência dos itens mais citados na subamostra (FSub) e amostragem geral (FAG).
Item
Mandioca
Mamão
Quiabo
Batata-doce
Limão
Cebolinha
Goiaba
Banana
Maracujá
Milho
FSub (%)
90
46,6
46,6
43,3
40
36,6
33,3
30
30
26,6
FAG (%)
75
4,3
24,5
29
14,4
17
3
26
9
54
As divergências apresentadas podem ocorrer devido à diferença de metodologia
aplicada nas duas etapas de campo. Na amostragem geral as entrevistas foram realizadas
distante dos locais de cultivo, os agricultores recorriam à memória para dizer o que plantavam
e a pergunta feita, foi sobre o que eles cultivavam durante todo o ano. Na segunda parte, com
as visitas aos lotes, percebeu-se que ao caminhar pelo plantio, algumas plantas eram
ignoradas, como no caso do mamão, pois para boa parte dos agricultores, o mamão nasceu
sozinho e eles o excluíam do total de plantas cultivadas. Com a goiaba aconteceu algo
semelhante, ou a árvore nasceu espontaneamente ou já estava no lote, e muitos agricultores
desconsideravam o item nestes casos.
Esse dado é relevante para se refletir sobre a metodologia aplicada. A figura 8
exemplifica o que acontece quando se recorre somente à memória do agricultor, pois em um
terço dos lotes pôde-se observar grande discrepância em quantidade de itens citados nas duas
amostragens. O mesmo informante que disse ter três itens no lote apresentou na realidade 17;
alguns tinham o dobro ou três vezes mais do que foi citado na amostragem geral. Dessa
forma, conclui-se que para um levantamento fiel das plantas cultivadas, é imprescindível a
visita aos cultivos.
36
Figura 8: Quantidade de itens citados pelos agricultores na amostragem geral e subamostra.
As espécies cujos frutos são utilizados para consumo representam 37,3% do total de
plantas alimentares, sendo que 28% são referentes às frutíferas arbóreas, que depois de
estabelecidas precisam de pouco ou nenhum manejo. A grande maioria desse grupo apresenta
baixa frequência, e ao considerar as três fruteiras presentes em mais de 33% dos lotes –
mamão, limão e goiaba – elas incluem-se nas plantas que nascem espontaneamente e
necessitam de poucos cuidados, com exceção de dois agricultores que compraram suas mudas
de limão da variedade comercial mais comum (limão taiti).
A dinâmica na escolha das espécies cultivadas atrela-se ao fato de que os informantes
desejam um retorno rápido do cultivo e pouco investimento, portanto, a maioria das plantas é
anual, com manejo simples e pouca demanda de tempo do agricultor, não necessitando alto
investimento em insumos. Somente a cebolinha, encontrada em 36,6% dos terrenos, exige
mais atenção em relação às regas, mas por ser um tempero muito difundido na culinária da
região, justifica-se a frequência.
Dos 30 lotes amostrados, 10 informantes citaram mais de 15 itens presentes, sendo que
destes, somente dois eram os proprietários. O que citou o maior número de itens (25) é o
agricultor que cultiva a maior área. O menor valor foi 1 e a média de itens por lote é de 10,3
±7,5 itens.
Observa-se que os propágulos são originários de diferentes fontes. Muitos agricultores
mantêm seus cultivos e renovam a própria muda, assim como trazem mudas, ramas e
sementes de outros locais que visitam, coletam plantas da rua ou ganham de parentes e outros
agricultores locais. Alguns informantes plantam as sementes extraídas dos alimentos
comprados para consumo. Poucas culturas são provenientes de sementes e mudas compradas,
entre estas encontram-se as hortaliças, uma parte das frutas cítricas, o coco da Bahia, uma
jabuticabeira e o milho (um único agricultor ainda mantém a semente que ele possui há oito
37
anos). Em geral os entrevistados também doam os propágulos e dessa forma sabem onde
podem ir procurar depois, caso os percam.
Pode-se dizer que estes agricultores possuem um “banco de alimentos”, pois cultivam
plantas que se mantêm armazenadas no solo por longos períodos, como exemplo a mandioca
(MANTOVANI, 2009), e dessa forma podem ser colhidas gradualmente, à medida que são
necessárias para consumo. Já as hortaliças como alface, chicória, rúcula, apresentam ciclos
curtos, e sua reposição acontece a cada dois meses em geral.
Dentro da diversidade agrícola levantada, foi encontrada mais de uma etnovariedade
para algumas espécies cultivadas, neste quesito as raízes e tubérculos serão tratados à parte.
As plantas que tiveram algum tipo de classificação de variedade segundo o agricultor estão na
tabela 10. Como os nomes das etnovariedades foram todos dados por seus cultivadores,
acredita-se que há etnovariedades iguais, porém com nomes diferentes (ou vice-versa). Para
exemplificar, comenta-se o caso do limão-cravo, limão-rosa e limão-bugre, que na realidade
são sinônimos e referem-se ao mesmo tipo de limão. Foram dados nomes que realmente
diferenciam as etnovariedades, como é o caso da manga, assim como os sinônimos também se
fazem presentes. Uma vez que o estudo não foi aprofundado, optou-se por apresentar todos os
nomes (etnovariedades e sinônimos). Essas divergências podem acarretar erros no total de
etnovariedades, tanto para mais, como para menos.
Tabela 10: Etnovariedades encontradas nos lotes da subamostra. Município de Charqueada, 2011.
Cultura
Abóbora
Alface
Almeirão
Banana
Cana
Feijão
Goiaba
Laranja
Limão
Mamão
Manga
Mixirica
Pimenta
Quiabo
Vagem
Etnovariedades / Sinônimos
Menina (abobrinha), de Pescoço
Americana, Crespa, Lisa
Bem molinho, de Muda, de Semente
Escolaqui, Antum-abóbora, Catorrinha, Figo maçã, Maçã, Nanica, Nanicão,
Naniquinha, Ouro, Prata, São Domingo, São Tomé
76, Caiana, Java, Forrageira, Molinha, Mulata, Pitu,
Carioquinha, De corda, Mulatinho, Mulato, Orelha de frade
Branca, Vermelha
Baiana, Cravo, Lima, Pera
Cravo, Rosa, Rosa/ bugre, Taiti
Formosa, Papaya
Bourbon, Coquinho, Espada, Haden, Imperial, Rosa
Cravo, Ponkan
Dedo de moça, Dedo de moça mais curta, Malagueta, Mexicana, Vermelha
Grande, Pequeno
Macarrão, Pra salada
38
Vale ressaltar que o agricultor que apresenta o maior número de plantas alimentares,
cultiva nove etnovariedades de banana e cinco de manga, as quais são advindas de mudas que
ele encontra pelas ruas ou das sementes de frutos consumidos.
4.2.4 Raízes e Tubérculos
No presente estudo, foram levantadas seis etnoespécies de raízes e tubérculos,
pertencentes a cinco famílias botânicas. A espécie predominante na amostra, a mandioca
(Manihot esculenta Crantz.), apresentou 17 etnovariedades, além de quatro indivíduos
indeterminados, em seguida, encontraram-se 11 etnovariedades de batata-doce (Ipomoea
batatas (L.) Lam), três de cará (Dioscorea bulbifera; D. cf cayenensis; D. cf. alata), uma de
inhame (Colocasia sp) , uma de açafrão (Curcuma sp) e uma de gengibre (Zingiber officinale
Roscoe).
Estas etnovariedades foram classificadas de acordo com os critérios dos agricultores,
como apresenta a tabela 11. No entanto, alguns agricultores não têm uma identificação muito
precisa e como o estudo não foi aprofundado em relação à caracterização de variedades,
optou-se por manter um grupo grande, a exemplo da mandioca amarela, e entre parênteses
encontram-se os nomes de etnovariedades que se apresentaram iguais ou muito semelhantes.
Todo este viés pode interferir no número total, o qual pode variar para mais ou para menos.
Em uma avaliação mais detalhada, para o caso das variedades de mandioca amarela e
vassourinha, pode-se afirmar com certeza que há pelo menos dois grupos distintos para cada
uma dessas variedades.
O número de etnovariedades de raízes e tubérculos, presentes em 28 dos 30 lotes, varia
entre 1 e 12, com uma média de 3,3 ±2,4 variedades por lote no geral. A mandioca apresentou
uma média de 2, variando entre 1 e 6 etnovariedades por lote. A mandioca também mostrou
ser a cultura de maior importância entre raízes e tubérculos de assentamentos rurais, em
Araras, SP (MASSARO JR, 2009) e para agricultores familiares do município de Rio Claro
(OLIVEIRA, 2011).
39
Tabela 11: Etnovariedades de raízes e tubérculos e frequência nos lotes. Os nomes entre parênteses representam sinônimos ou
etnovariedades muito semelhantes.
Cultura
Etnovariedade
Açafrão
Batata-doce
Cará
Gengibre
Inhame
`
Mandioca
Amarela
Roxa (Rama roxa)
Branca (branca com flor)
Amarela industrial (Branca de mercado)
Copinha
Roxinha
Branquinha
Casca vermelhinha
Favorita
Favorita roxa por dentro
Rainha
De árvore (Moela)
Cará do norte (Inhame)
Talo roxo
Frequência
1
4
4
3
2
2
2
1
1
1
1
1
2
4
4
1
Amarela (com casca branca, Pão, Amarelinha,
de Paraisolândia)
15
Vassourinha
Branca
Pão
Fora do Brasil (Argentina, Amarela rama roxa)
Rosinha
De Minas Gerais (Roxa)
Amarela Com cheiro de frango
Amarela de Londrina
Amarela de Minas Gerais
Cabinho vermelho
De fritar
Macaxeira da Bahia
Pão amarela
Pão branca
Rainha
Vermelha
Indeterminado
8
4
4
4
4
2
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
4
As etnovariedades de batata-doce amarela e roxa foram as mais frequentes (presentes
em 19% dos cultivos), seguidas da batata-doce branca, porém observa-se que há uma
distribuição menos discrepante entre as etnovariedades de batata-doce, se comparadas às de
mandioca.
A mandioca amarela esteve presente em 50% dos terrenos, enquanto a segunda com
maior ocorrência, vassourinha, esteve em 27% dos lotes; 59% das 17 etnovariedades são
40
cultivadas por apenas um agricultor. A estrutura da distribuição das etnovariedades
amostradas assemelha-se à de outros estudos em que algumas variedades são mais
comumente cultivadas. Observa-se que algumas variedades são plantadas em maior
quantidade e o resto é mantido em baixa frequência (AMOROZO, 2008b). Padrões
semelhantes foram encontrados em estudos com agricultores familiares da região, onde
apenas três variedades eram responsáveis por mais de 80% da frequência das etnovariedades
mantidas (MASSARO JR, 2009; OLIVEIRA 2011).
Assim como verificado em outros levantamentos etnobotânicos de raízes e tubérculos
entre agricultores familiares (ANGELO, 2006; OLIVEIRA, 2011), a escolha das variedades
plantadas é influenciada pelo destino da produção. A maioria dos agricultores planta a
mandioca para consumo familiar e, às vezes comercializa, o que pode explicar a maior
frequência da etnovariedade nomeada como amarela, uma vez que este nome está relacionado
a características culinárias e refere-se à preferência pela cor da polpa da raiz. Não foi
encontrada nenhuma variedade de mandioca brava, os informantes apenas relataram conhecer,
mas como esta qualidade só é boa para fazer farinha, nenhum deles a cultivava.
Entre os agricultores estudados não há uma caracterização muito rigorosa das
variedades, pois as variedades de mandioca “argentina”, “fora do Brasil” e “amarela de rama
roxa”, parecem ser as mesmas, mas ao circularem entre os informantes cada um deu um novo
nome. Talvez isto se deva ao fato de estarem plantando há pouco tempo e Amorozo (2000)
acredita que, em certos casos, o nome da variedade é construído à medida que ela ganha
visibilidade na comunidade, ou seja, quando começa a ser disseminada. A mesma autora
observou que entre agricultores tradicionais no Mato Grosso, uma rama introduzida em 1973
ganhou seis nomes diferentes circulando por 20 anos na comunidade e que algumas
variedades ganhavam nomes no instante da pesquisa. No presente estudo também houve
entrevistados que nomearam as plantas no momento da visita aos lotes.
Além de citarem nomes diferentes para a mesma variedade, pode-se dizer que o oposto
também acontece. Essas divergências contrastam com o que se vê em comunidades de
agricultores tradicionais, as quais fazem diferenciações minuciosas de etnovariedades. Um
estudo com índios Tukâno da Amazônia, revelou 137 cultivares de mandiocas, onde a
diferenciação se dava através de critérios empíricos, como: número e formato dos lobos da
folha, coloração da haste e da folhagem jovem, ramificações da planta, etc (CHERNELA,
1986 apud MASSARO JR, 2009).
41
Em Charqueada, as nomenclaturas dadas relacionavam-se principalmente, além da cor
da polpa cozida, aos caracteres morfológicos ligados às cores: da casca interna (figura 9), do
pecíolo, das folhas e caules; e também aos locais de origem.
Figura 9: Raízes de algumas variedades de mandioca amostradas. Etnovariedades (da esquerda para direita): Vermelha, Pão e
Pão amarela. Foto: da autora, 2011.
Os agricultores são motivados a procurar ramas quando faltam propágulos para
completar o plantio, quando perderam toda a rama e pretendem iniciar um cultivo, quando
querem experimentar uma nova variedade. E também as doam quando outros cultivadores
solicitam propágulos, ou para disseminar uma variedade e assim saberem onde buscar, caso
percam a rama. Os locais de origem das variedades de mandioca vão desde Charqueada e
arredores à ramas originárias do Paraná, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Alagoas. Ao se
fazer uma conexão entre origem do propágulo e do agricultor, observa-se que existe uma
ligação entre os migrantes e a vinda de novas mudas para Charqueada, o que pode representar
um enriquecimento de germoplasma local.
42
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os cultivadores urbanos de Charqueada praticam essa atividade de maneira informal e
o fazem por gosto e pelo forte vínculo que possuem com a terra. Apesar de a maioria ser de
baixa renda, a agricultura urbana local não é essencial à subsistência dos agricultores, porém,
seria de extrema importância que houvesse incentivos à continuidade desta ação, uma vez que
a produção regular e a venda organizada dos alimentos podem melhorar a renda destas
pessoas, fornecer alimentos com preços mais acessíveis e ainda gerar novos empregos.
Em uma cidade imersa na monocultura de cana-de-açúcar, a produção local de
alimento vem como uma estratégia de promover a segurança alimentar, que além do baixo
custo de aquisição, pode ofertar alimentos de qualidade à população em geral. Os cultivos
mais encontrados foram aqueles que exigem pouco investimento por parte do agricultor, e isto
também reflete no tipo e na quantidade de alimento que será produzido. Através da criação de
incentivos externos e oficiais, a diversidade de alimentos pode aumentar, fornecendo uma
dieta mais saudável e nutritiva aos consumidores.
Para tanto, programas devem ser estabelecidos pelo poder público, sindicatos e/ou
associações, estimulando os cultivos em áreas ociosas, qualificando os agricultores com
técnicas agroecológicas e promovendo encontros entre estes cultivadores, para que troquem
experiências. Assim como seus preciosos conhecimentos devem ser valorizados e integrados
às técnicas dos plantios.
Considerando que grande parte dos praticantes são aposentados e pessoas de idade
avançada, o futuro destas iniciativas pessoais de produção urbana de alimento pode estar
comprometido, uma vez que há poucos jovens envolvidos neste trabalho e os filhos dos
agricultores não se interessam em manter os cultivos. É importante pensar em estratégias de
incentivos reais para que esses jovens urbanos se envolvam com esta agricultura. A produção
urbana de alimentos também revela sua importância através da valorização destes
agricultores, os quais sentem-se novamente úteis à sociedade. A promoção pessoal dos
envolvidos é de extrema valia para melhoria em sua qualidade de vida.
A grande parte dos problemas revelados pelos cultivadores provém das formas de
manejo e dos roubos. Talvez com a criação de programas educativos que envolvam de fato a
comunidade, estes problemas possam ser mitigados. A partir do momento em que os solos e
43
cultivos receberem manejos ecológicos, e que os jovens se comprometerem com esta
atividade e valorizarem o cultivo da terra, estas dificuldades podem diminuir.
Os cultivos urbanos favorecem as condições ambientais das áreas onde se
estabelecem. Ocorre uma melhoria na qualidade do ar; aumento da captação de água da chuva
e infiltração nos solos; os ambientes tornam-se mais verdes, embelezando a paisagem urbana.
Por outro lado, além de incentivos externos, o monitoramento ambiental das práticas agrícolas
na cidade, realizado por órgãos competentes, faz-se extremamente necessário. Isto com a
finalidade de: evitar a contaminação dos solos pelo uso inadequado de insumos químicos,
elaborar um controle de qualidade da água utilizada para as regas e consequentemente garantir
a produção de um alimento saudável.
Outro benefício provém do fato que a agricultura urbana aparece como um novo
ambiente para manutenção da agrobiodiversidade perdida com a disseminação das grandes
monoculturas pelo agronegócio. Os agricultores cultivam variedades de plantas diferentes e a
troca constante de material propagativo contribui para o aumento da agrobiodiversidade local,
além de estreitarem laços afetivos em ambientes urbanos, onde o modo de vida por vezes
distancia as pessoas.
A agricultura urbana que acontece espontaneamente em Charqueada pode se perder
caso os órgãos públicos não se manifestem em prol da continuidade da atividade, uma vez que
os lotes plantados podem ser retomados pelos proprietários a qualquer momento. Dessa
forma, é emergencial a inclusão desta atividade nas políticas públicas do município, pois além
de todos os benefícios citados, valorizar-se-á o que se tem de belo em retirar o próprio
alimento da terra cultivada.
44
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Batata doce
Inhame
Outros
Nome popular
Uso
49
Consumo/ Venda/ Doação
Observações:_________________________________________________________________________________________ ___________
variedade
Se tiver raízes e tubérculos no lote:
Mandioca
Cará
Citar algumas das plantas mais importantes do cultivo durante todo o ano:
Nome popular
Uso
Consumo/ Venda/ Doação
APÊNDICES
APÊNDICE A
ENTREVISTA PRÉ DIAGNÓSTICO
Data: _____/_____/____Nº Entrevista: ________
Localidade (Endereço):________________________________________________________ Nº domicilio: _____________________________
Nome: ______________________________________________________________________________________________________________
Data de nascimento (idade): __________________________________________ Sexo: ( ) F
( )M
Local onde nasceu: ____________________________________________________________________________________________________
Já morou na zona rural? Por quanto tempo?_____________________________Fazendo o quê?________________________________________
De quem é o terreno cultivado?_________________________Há quanto tempo planta neste lote?______________________________________
entrevistado
Parentesco
Data de nascimento
(Idade)
Parentesco
Data de nascimento
(Idade)
Sexo
Sexo
Local de nascimento
Local de nascimento
6.Escolaridade: _______________________________________________
Nome
5.Filhos/Parentes que moram fora da casa dos pais
Nome
4.Número de residentes da casa : _____________
Ocupação
principal
Estado
civil
Ocupação principal
50
Local onde
mora (R/U)
Estado civil
3.Ocupação/ Atividade Principal: _____________________________ Ocupação das gerações anteriores: _______________________________
2.Tempo de residência no local:________e em Charqueada?________ e antes, quanto tempo e onde?___________________________________
1.Código do Info/Nome_______________________________________________Nº entrevista: ______________Data:_____/______/________
APÊNDICE B – Roteiro de Entrevista Socioeconômico
51
OBS:________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
15.Possui algum outro local de cultivo (quintais, lavoura grande)? _______________________________________________________________
14.Há quanto tempo planta nesta terra? ____________________________________________________________________________________
12.Com quem aprendeu? _________________________________13.Os filhos (jovens, h ou m) ajudam?_______________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
11.Por que parou de plantar neste lugar?____________________________________________________________________________________
10.Cultivou aqui em Charqueada ou outro, onde? ___________________________ Qdo? _____________ Qto tempo?_____________________
9.Onde (sítio, fazenda, roça da família..)?__________________________________________________________________________________
8.Quem cuida do cultivo atual? _______________________________ Desde quando planta ? _______________________________________
___________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
7.Itinerário de vida (Em que locais você morou?):
ITEM
VARIEDADE
O que tem plantado?
USO
(alimento,
remédio...)
DESTINO
V/C/D
Onde conseguiu
muda (atual)
Doou para
alguém (muda
atual)
Quando
colhe
Quanto
tem no
lote
Obs
52
ROTEIRO DE ENTREVISTA – AS PLANTAS E OS TERRENOS
Código do Info/Nome:___________________________________ Nº entrevista ______________________ Data: _______/_______/_________
16.Como Sr(a) chama o local de cultivo (terreno, roça, quintal, outros)?___________________________________________________________
17.Qual a área do terreno?_______________________________________________________________________________________________
APÊNDICE C
53
25. Por que mantém o hábito de plantar, qual a importância de ter esse cultivo?
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________________________________
24. De onde vem a água?
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
23. Como você controla doença, inseto e mato? (herbicida, agrotóxico, produto caseiro) Como aplica?
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
22. Como você planta? (prepara a terra, usa adubo, esterco, )
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
21. Há alguma ajuda externa (prefeitura, associações, sindicatos)? De que forma?
____________________________________________________________________________________________________________________
________________________ ___________________________________________________________________________________________
20. Quais os problemas que você encontra com essa atividade? (plantio, conseguir terrenos...)
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
____________________________________________________________________________________________________________________
54
APÊNDICE D- Lista de itens alimentares por nome popular.
Legenda: Frequência do item na Amostra Geral (FAG) e na Subamostra (FSub). Usos (A=
alimento; CR= criação; Chá; T= tempero); Destino do cultivo (C= consumo e doação; CV=
cultivado para venda; VE= venda esporádica). Destaque para os itens mais frequentes.
Nome popular
Abacate
Abacaxi
Abóbora
Açafrão
Acerola
Agrião
Alface
Alfavaca
Alfavacona
Alfavaquinha
Alho
Almeirão
Ameixa
Amendoim
Amora
Banana
Batata-doce
Café
Caju
Cana
Cará
Cebolinha
Cenoura
Chicória
Chuchu
Cidreira
Coco da Bahia
Coentro
Conde
Couve
Erva-doce
Espinafre
Feijão
Feijão Fava
Feijão Guandu
Figo da india
Gengibre
FAG (%)
7,2
3
13
-5,8
-10
----3
1,5
5,8
1,5
26
29
4,3
-14,5
3
17,3
-4,3
8,7
1,5
-1,5
1,5
10
--20
1,5
5,8
---
FSub (%)
13,3
16,7
13,3
3,33
16,7
3,3
13,3
13,3
3,3
3,3
6,6
16,7
-3,3
6,6
30
43,3
3,3
3,3
23
6,6
36,7
3,3
10
23
26,7
3,3
10
20
23
3,3
3,3
16,7
10
20
3,3
13,3
Usos
A
A
A/ CR
T
A
A
A
T
Não usa
T
T
A
-A
A
A
A
Não usa
A
A/ CR
A
T
A
A
A
Chá
A
T
A
A
Chá
A
A
A
A
A
Chá
Destino da produção
C
C
C/ VE
C
C
C
C/ CV/VE
C
C
C
C
C/ CV
-C
C
C/ VE
C/ CV/VE
C
C
C
C/ CV
C
C/ CV/ VE
C
C
C
C/ CV
C
C/ CV/ VE
C
C
C
C
C
C
C
55
Goiaba
Goiabinha
Nome popular
Graviola
Hortelã
Hortelã do norte
Iata (pinha)
Inhame
Jabuticaba
Jaca
Jiló
Laranja
Limão
Losna
Mamão
Mandioca
Manga
Manjericão
Manjerona
Maracujá
Maxixe
Milho
Mixirica
Morango
Mostarda
Pepino
Pêssego
Pimenta
Pitanga
Poejo
Quiabo
Romã
Rúcula
Salsinha
Tomate
Tomatinho
Uva
Uva japonesa (chico doce)
Vagem
3
-FAG (%)
-3
--1,5
4,3
3
1,5
4,3
14,5
-4,3
75,3
8,7
--8,7
3
53,6
1,5
--1,5
-3
--24,6
4,3
4,3
8,7
----1,5
33,3
3,3
FSub (%)
3,3
16,7
3,3
3,3
13,3
10
3,3
6,6
13,3
40
3,3
46,7
90
20
10
6,6
30
-26,7
6,6
3,3
3,3
10
3,3
16,7
10
6,67
46,7
3,33
10
16,7
13,3
10
3,33
3,33
6,67
A
A
Usos
A
T/ chá
T
A
A
A
A
A
A
A
Chá
A
A
A
T
T
A
-A/ CR
A
A
A
A
A
A
A
Chá
A
A
A
T
A
A
A
A
A
C
C
Destino da produção
C
C/VE
C
C
C
C
C
C
C
C/ VE
C
C
C/ CV/ VE
C
C/ VE
C
C/ VE
-C
C
C
C
C
C
C/ VE
C
C
C/ CV
C
C/ CV
C/ CV
C
C
C
C
C
ANEXOS
ANEXO A – Localização dos pontos dos 97 lotes encontrados com cultivo ativo. Fonte:Adapatado de ortofoto na escala 1:10000, (2000).
56
57
ANEXO B
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)
(Conselho Nacional de Saúde, Resolução 196/96)
Meu nome é Vanessa Aparecida Camargo. Sou estudante da Universidade Estadual Paulista
em Rio Claro, e quero convidar você para participar da pesquisa que estou iniciando aqui. Estou aqui
na sua cidade para desenvolver um trabalho sobre os terrenos que estão sendo plantados pelos
moradores e sobre as plantas, todas aquelas que vocês utilizam para se alimentar, principalmente a
mandioca. Quero também conhecer o modo de vida de vocês, principalmente o trabalho na lavoura
(roça). Este conhecimento sobre plantas não é importante somente para meu trabalho, mas também
para vocês, pois elas fazem parte da cultura, da história e da vida de vocês. O nome desta pesquisa é
“Agricultura urbana no Município de Charqueada, SP – um enfoque etnobotânico”. Minha professora
da faculdade, Maria Christina de Mello Amorozo, também me ajuda nesta pesquisa.
O que quero saber de vocês são as informações que sabem sobre as plantas que usam e
conhecem e os modos como as plantam. Para isso faremos visitas a vocês, conversaremos e veremos
seu trabalho. Pediremos a sua permissão para colher alguns pedaços das plantas, para tirar algumas
fotos delas e de vocês. Se não estiver à vontade com a conversa, a qualquer hora, você pode parar ou
desistir de participar dela, sem trazer nenhum prejuízo a você. O nome daqueles que participarem não
aparecerá nos resultados da pesquisa, ficando em sigilo. Quando quiser falar sobre algo e preferir que
não anote, ou use essa informação na faculdade, me comprometo a respeitar sua vontade e manter essa
informação somente entre a gente.
Me comprometo a trazer os resultados da pesquisa para vocês e só usá-los para comunicar a
outros pesquisadores em reuniões e revistas relacionadas à faculdade, com a permissão de vocês. Se
você tiver qualquer dúvida ou quiser saber mais sobre a pesquisa, basta falar comigo em qualquer
momento. Você também pode me telefonar na Faculdade e pedir pra falar comigo. Vou deixar aqui
meu telefone e endereço, da faculdade.
Entrevistado:
Depois que a pesquisadora me explicou a pesquisa que ela vai fazer, como vai ser feita, que eu tenho
direito de não participar ou de desistir a qualquer momento sem nenhum prejuízo para mim, e também
como os resultados vão ser usados, eu concordo em participar desta pesquisa. Declaro, ainda, que
recebi uma cópia deste termo.
Nome: ________________________________________________________________ Sexo:____
Documento de identidade:___________________________ Data de Nascimento: ______________
Endereço:________________________________________________________________________
Telefone para contato:______________________________________________________________
Local e data: _____________________________________________________________________
Assinatura: ______________________________________________________________________
Título do Projeto: “Agricultura urbana no Município de Charqueada, SP – um enfoque
etnobotânico”.
Pesquisador Responsável: Maria Christina de Mello Amorozo
Cargo/função: Professora/Pesquisadora
Instituição: Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Rio Claro
Endereço: Av. 24A, 1515 – Bela Vista – Rio Claro (SP) – CEP: 13506-900
Dados para Contato: fone (19) 35269113
e-mail: [email protected]
Aluno/Pesquisador: Vanessa Aparecida Camargo
RG: 29.832.524-X
Instituição: Universidade Estadual Paulista (UNESP) – Rio Claro
Endereço: Av. 24A, 1515 – Bela Vista – Rio Claro (SP) – CEP: 13506-900
Dados para Contato: fone (19) 35269113 e (19) 35245388 e-mail: [email protected]
Assinatura:______________________________________________________________________
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