VIII SOBER Nordeste Novembro de 2013 Parnaíba- PI - Brasil A DEMANDA DO QUEIJO MUSSARELA NAS PIZZARIAS NA CIDADE DE MACEIÓ: A CERTIFICAÇÃO COMO FATOR DE REDUÇÃO DA ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO. Rômulo Poliano Silva (Universidade Federal de Alagoas) - [email protected] Economista, estudante do curso de Economia Aplicada - UFAL Andrè Maia Gomes Lages (Universidade Federal de Alagoas) - [email protected] Doutorado em Economia da Indústria e da Tecnologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, Brasil(2003) Professor Adjunto III da Universidade Federal de Alagoas , Brasil A DEMANDA DO QUEIJO MUSSARELA NAS PIZZARIAS NA CIDADE DE MACEIÓ: A CERTIFICAÇÃO COMO FATOR DE REDUÇÃO DA ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO. RESUMO Partindo do pressuposto teórico sobre os custos de transação, quanto à certificação como um fator de redução da assimetria de informação, visando conhecer o perfil das pizzarias da cidade de Maceió quando se trata da demanda do queijo mussarela, sua estrutura e a partir destas, os diversos aspectos inerentes à demanda do queijo mussarela no estado de alagoas. A certificação é um dos mecanismos de garantia de qualidade que pode ser usado nos setores agroindustrial e é uma forma de transmitir informações sobre a segurança do produto. Este estudo tem como pressuposto o surgimento da certificação num mercado onde há assimetria informacional, onde há desconfiança das pizzarias em relação à qualidade dos produtos. Palavras-Chave: Custo de Transação, Assimetria de Informação, Certificação. ABSTRACT Based on the theoretical assumption about transaction costs, as the certification as a factor reducing the information asymmetry, this article aims to understand the profile of pizzerias in the city of Maceió when it comes to demand mozzarella cheese, its structure and from these the various aspects of the demand of mozzarella cheese in the state of Alagoas. The certification is a quality assurance mechanism that can be used in agro industries and is a way to convey information about product safety. This study presupposes the emergence of certification in a market where there is asymmetric information, where there is suspicion of pizzerias in relation to product quality. Words-key: Transaction costs, asymmetric information, certification INTRODUÇÃO O objetivo deste trabalho é fazer um estudo do comportamento das pizzarias da cidade de Maceió na demanda do queijo mussarela, analisando se a certificação tem função importante na demanda desse insumo. A certificação é um dos mecanismos de garantia de qualidade que pode ser usado nos sistemas agroindustriais e uma forma segura de melhorar as informações sobre a segurança do produto. O mercado agroindustrial tem uma grande importância e seu adequado funcionamento afeta diretamente ou indiretamente a qualidade de vida da população. Tem-se que verificar que a certificação surge em um mercado onde há assimetria de informação, onde apresenta desconfiança dos consumidores em relação à qualidade dos produtos que compram. Exemplo, na região nordeste, 35,9%1 da população consome pizzas fora de suas residências, um ponto importante na exigência da qualidade do queijo mussarela. Dessa forma, a certificação vai conseguir reduzir custo de transação, na medida em que se apresenta como uma sinalização em um ambiente com informação assimétrica. O presente estudo parte do pressuposto de que a existência de assimetria de informacional no setor alimentício, demanda por parte das pizzarias da cidade de Maceió informações críveis sobre a qualidade dos queijos mussarela. Desta forma, surge à necessidade da certificação nos queijos mussarela o que apóia a importância deste estudo. Para a realização da pesquisa, faz-se necessário uma breve revisão teórica para facilitar o embasamento analítico. REVISÃO TEÓRICA DOS CUSTOS DE TRANSAÇÃO A abordagem institucionalista tem origem da observação da importância das instituições no ambiente econômico, e que o estudo das relações de trocas não poderia ter como principal fator a busca pela maximização dos resultados. Observando ainda que os atores2 atuam de forma individualista, movidos pela racionalidade ilimitada em busca do equilíbrio. Já os institucionalistas analisam sua teoria fundamentada nos instintos dos indivíduos3. Contudo, a identificação e evolução das instituições são direcionadas pelo comportamento humano em conjunto, como também tal comportamento é influenciado pelas instituições. Deve estar claro que adota a racionalidade limitada como regra dentro da visão de Simon (1990). 1 Fonte: IBGE, Diretoria de pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa de Orçamentos Familiares 2008-2009. 2 Atores sociais são aqueles que manifestam interesses sociais, econômicos, políticos, culturais, além de outros, de forma articulada, como regra expressos por meio de formas perceptíveis, legitimas e geralmente regidas por legislação, normas, estatutos ou regimentos (GEHLEN, 2009). 3 A observação dos instintos é formada pelo ambiente cultural como também pelos fatores hereditários, sendo assim, os instintos formam os hábitos das pessoas e quando estes se tornam enraizados, formam as instituições. Para os teóricos da Nova Economia Institucional (NEI) 4, as instituições representam um mecanismo de ação coletiva que têm por objetivo organizar o sistema econômico, as relações de troca, o processo de desenvolvimento; fazendo com que exista um aumento da eficiência dos resultados nos processos de escolhas. Observando que os hábitos e as leis, ou seja: as instituições; influenciam no comportamento coletivo dos atores. Assim Williamson (1993) analisa o comportamento dos atores para a existência de custos de transação, enfrentados por estes no ambiente econômico. Segundo o autor, o ambiente institucional é quem define as regras do jogo, verificando que os indivíduos detêm o atributo de oportunismo em função da racionalidade limitada. Conceição (2002-A p. 143) observa que: O comportamento oportunista é exercido sob três formas: o manifesto, o sutil e o natural. No primeiro, o comportamento é semelhante ao Príncipe de Nicolau Maquiavel: sabendo que os agentes econômicos com quem tratavam eram oportunistas, foi alertado a se engajar na recíproca, rompendo contratos com impunidade, sempre que arbitrasse que as razões que mantinham o vínculo de obrigações não mais existiam. No sutil, ocorre o comportamento estratégico, descrito na forma de buscar ou perseguir o auto interesse com sutileza ou astúcia. Na forma natural de oportunismo, o sistema é tratado de maneira marginal e as decisões são tomadas visando a auto interesses corporativos. A economia dos custos de transação; ou seja, os custos que vão além dos custos de produção, as transações (econômicas, políticas e sociais) das firmas em grande parte são realizadas em um ambiente de incerteza5. Ronald Coase (1937) foi o criador do conceito de custo de transação, o qual ele relacionou a custos institucionais. Porém, Oliver Williamson, na década de 70, condicionou as idéias de Coase sobre o tema, fazendo uma abordagem, mas elaborado da Teoria dos Custos de Transação (TCT). A TCT faz parte da analise microeconômica da NEI. Um importante estudo da firma concentra-se no repertório de competência e no grau de conhecimento relevante, assim, ao elevar o conhecimento reduzemse os custos de transação. 4 Essa linha de pensamento (NEI) teve origem por volta dos anos 60, tendo como principais representantes dessa abordagem institucionalista Oliver Williamson, Ronald Coase e Douglas North. Sendo Coase a base do pensamento da (NEI). 5 A questão de incerteza, as decisões da empresa são fortemente afetadas por elas, o que eleva os custos de transação. Se a empresa tem que transacionar com outra, sem conhecer ex ante as variáveis relevantes futuras, eleva o risco, podendo redundar em futuro rompimento do acordo estabelecido (WILLIAMSON, 1993). John Maynard Keynes chamou de incerteza uma probabilidade não mensurável. Coase (1937) enfatizou os problemas de mensuração ou medição acerca da razão das firmas existirem, a razão das organizações existirem é que, ás vezes, o custo de gerenciar transações econômicas derivadas dos mercados é maior do que o custo de gerenciar as transações econômicas dentro dos limites de uma organização. Williamson (1993) aborda que a teoria dos custos de transação estabiliza-se em dois pressupostos comportamentais primordiais acerca dos atores econômicos (sejam eles pessoas ou firmas) engajados em transações: racionalidade limitada e oportunismo6. É impossível prever todas as possibilidades que envolvam uma transação, assim como é possível descrever em forma de contrato toda a complexidade envolvida, a minimização dos riscos implica na redução dos custos de transação, O conceito de oportunismo segundo Fiani (2013, p.173). O conceito de oportunismo possui um sentido diferente do qual utiliza na linguagem corrente, onde se observa que um comportamento “oportunista” é muitas vezes verificado como habilidade por parte de um agente de identificar e explorar as possibilidades de ganho oferecidas pelo ambiente. É importante ter clareza de que oportunismo, neste último sentido, não é oportunismo para a TCT. Oportunismo na TCT está essencialmente associado à manipulação de assimetria de informação, visando à apropriação de fluxos de lucro. Na abordagem Williamson (1996), observa-se como estrutura de governança, a empresa. Afirmando que uma empresa é composta de recursos humanos, tecnológicos, materiais, financeiros, organizacionais e de gestão, tendo como dinâmica o resultado das atribuições desses recursos é possível inferir que a estrutura de governança está atrelada ao ambiente empresarial. Existindo um ambiente empresarial estruturado para interagir com o ambiente institucional e organizacional, motivando e sendo motivado por estes, leva a deduzir que os preceitos dos custos de transação avaliam as interações, as negociações das empresas com seus interlocutores, obtendo uma estrutura que pode suportar ou não os compromissos 6 O oportunismo também é peça importante dentro das transações, considerando que os custos de transação em muito dependem do comportamento dos agentes envolvidos, o oportunismo corresponde à busca do auto interesse, o que poderá prejudicar o outro agente da transação, se uma das partes manipularem ou distorcer informações de modo a tirar proveito da situação em beneficio próprio (WILLIAMSON, 1993) “oportunismo” inclui mentir, roubar e trapacear, mas, isto, geralmente refere-se a uma revelação incompleta ou distorcida as informações, especificamente voltada a esforços imaginados para enganar, alterar, disfarçar, ofuscar, ou, de outra maneira confundir parceiros numa transação e por isso é tão importante dentro da teoria e dos negócios organizacionais. assumidos. Porém, são fortemente dependentes dos mecanismos administrativos, no caso os contratos, que podem garantir maior eficiência nas transações, determinando menor custo. ASSIMETRIA DE INFORMAÇÃO A ocorrência da assimetria de informação por parte dos agentes numa determina transação detém uma informação relevante, que a outra parte não possui. É uma situação na qual o comprador e o vendedor possuem informações diferentes sobre uma transação. A assimetria de informação tem como apresentar-se como uma “falha de mercado” em alguns setores econômicos pode provocar um desequilíbrio em seu funcionamento ou até levar ao seu colapso, além de atuar no sentido de favorecer uma parte em detrimento da outra, alterando assim o resultado final da transação. A assimetria da informação, na abordagem de Akerlof (1970), pode facilitar a coexistência, no mercado, de bens e serviços da existência de determinada qualidade, em que os consumidores não conseguem identificar com exatidão. Se for aceita a hipótese onde os consumidores poderiam minimizar o custo de recolher a informação referente à qualidade desses bens e serviços e, ainda, que este custo seria capaz de afetar a sua decisão de compra, então as firmas poderiam explorar este fato, desenvolvendo uma estratégia do competidor que permitisse a redução da assimetria na informação. A informação é um dos aspectos básicos nas relações econômicas, tem desempenhando um papel importante na tomada de decisões estratégicas das empresas. A falta de informações é suficiente para desequilibrar a tomada de decisão dos agentes econômicos, limita sua capacidade de agir de modo eficiente, sendo fonte de mau funcionamento dos mercados e perda de bem-estar. Na presença da assimetria de informação há um maior espaço para o exercício do comportamento oportunista, elevando os custos de transação (WILLIAMSON, 1985). O fato de que as partes de uma transação detêm informações de forma assimétrica, pode se juntar ao oportunismo dos agentes a fim de restringir a elaboração de contratos completos, que permitiriam a redução da assimetria de informação, ao criar regras claras que devem ser cumpridas igualmente por todos os agentes da cadeia. Surge, portanto a possibilidade de que não existam incentivos suficientes para que à parte detentora da informação privilegiada se comporte de modo eficiente (CATEB & GALLO, 2007). De acordo com Zylbersztajn (2000), há três tipos de problemas de assimetria de informação no momento da realização de um contrato: Características ocultas (problemas ex- ante) — antes de uma transação a ser efetuada, o vendedor pode ocultar informações sobre características negativas do bem a ser transacionado, prejudicando todo o mercado; Ações ocultas (problemas ex-post) — o contratante principal de uma transação incorre em risco moral após a efetivação de uma transação com um agente oportunista que não cumpre os termos do contrato e age em interesse próprio; Intenção oculta (problemas durante) — problemas de vulnerabilidade no caso de existir quebram contratual por ação oportunista de uma das partes. Analisando essas três premissas básicas acima mencionadas do problema da assimetria de informação podem ser interpretadas de maneira mais simplificadas como: Seleções adversas que caracterizadas pela falta de informação que levam as pessoas a fazerem escolha errada; Perigo moral onde se caracteriza pelo comportamento oportunista da pessoa que possui maior informação. Exclusão de produtos de boa qualidade é consequência: o desconhecimento sobre a qualidade de produtos propicia uma saída dos produtos de qualidade do mercado. Caso típico de seleção adversa. De acordo com esses pressupostos da assimetria da informação envolvem um conjunto de variáveis que tornam a economia ineficiente. Pode-se verificar um problema que de certa forma pode parecer simples, mas que de alguma forma tornar-se prejudicial. Se for observado por um lado à seleção adversa esta variável é afetada pela falta de conhecimento do consumidor, que enganado ou levado ao engano seleciona um produto de qualidade inferior. Outro ponto, que na prática é determinada pelas variáveis anteriores, observa-se ao fato de que a falta de qualidade dos produtos pode levar a exclusão de empresas que produzem “boa qualidade”, podendo provocar a sua saída do mercado, tornando assim ineficiente toda à atividade econômica. Porém, o custo de transação decorre a partir dos altos custos de informação e do fato de que os agentes de uma transação detêm informações de forma assimétrica. A teoria dos custos de transação busca os melhores resultados por meio da coordenação dessas interações que envolvem a compreensão dos comportamentos dos indivíduos, das organizações e destas gaps e outras falhas de mercado (STIGLITZ, 1988). Contudo estes agentes procurem criar instituições para estruturar as interações humanas, o resultado será sempre certa medida de imperfeição nos mercados em que atuam. Assim, os incentivos gerados pelas instituições passam sinais confusos às partes e, assim, mesmo nos casos em que um arcabouço institucional é mais propício do que a estrutura institucional anterior para que se ganhe com as transações, sempre haverá incentivos ao oportunismo e aos aproveitadores, contribuindo assim para uma imperfeição no mercado (NORTH, 1994). Existem formas de se reduzir a assimetria de informação, partindo-se dos níveis circunscritos desde a esfera de interesse do produtor até a esfera do governo, usualmente impondo-se um conjunto de medidas protecionistas. No contexto do presente trabalho, o interesse está centrado na certificação de produtos, entendida como estratégia de redução da assimetria da informação. UMA ABORDAGEM SOBRE A CERTIFICAÇÃO Considerando que o ambiente econômico e social dos agentes é permeado por incertezas, a certificação adotada pelas firmas, se configura como importante fator de redução dos custos de transação. Certificação é uma forma de sinalização, que leva a diminuição da assimetria de informação e do custo de transação. Sabendo que as organizações atuam em um cenário imperfeito, compreende-se que estão sujeitas aos mais diversos tipos de custos relacionados à negociação, monitoramento, coordenação e comportamentos, fazendo com que as transações tornem-se mais onerosas. Assim, é necessária a criação de estruturas de gestão que permitam lidar com as incertezas e a variabilidade dos resultados, reduzindo o comportamento oportunista e atenuado os custo de transação (AZEVEDO, 2000). As decisões de gestão estratégica podem ser motivadas por uma grande diversidade de fatores do ambiente técnico e institucional; no entanto, observa-se que a decisão acerca de um modelo de gestão e sua estrutura pode comprometer a legitimação da organização no mercado, assim como sua permanência. Tendo como fato tal proposição verifica-se a busca por estes modelos existentes por meio de uma crescente expansão das certificações. Segundo a observação de Lages & Barbosa (2006, p.4, apud Pinto & Prada, 2000): O processo de certificação origina-se da crescente evolução dos movimentos ambientais e da conscientização das populações urbanas que perceberam os impactos (negativos) que a agricultura convencional exerce sobre os recursos naturais; qualidade de vida de produtores e trabalhadores rurais e sobre as próprias comunidades urbanas, crescendo desta feita, a pressão para que haja uma mudança de paradigma produtivo agropecuário, no qual deveria ser realizada de maneira a propiciar sistemas de produção mais ecologicamente correta e socialmente justa. De acordo com Lages & Barbosa (2006), a certificação dos produtos de origem agrícola tem inícios nos países europeus, esses países possuem tradição na exigência que seus alimentos obtenham qualidades superiores. A certificação dos produtos agropecuários faz toda diferença no mercado interno e externo, pois representa a garantia de oferta de um produto alimentar de qualidade. Um processo que permite ampliar mercados, expandir vendas, gerar riquezas para o agronegócio, diferenciar e qualificar os produtos, além de estabelecer uma relação de confiabilidade com o consumidor atento às normas sanitárias e ambientais. MATERIAIS E MÉTODOS Para elaboração deste artigo, foi necessária a realização de pesquisa bibliográfica pertinente ao tema, essa revisão da literatura condicionou a possibilidade de uma importante fundamentação teórica e analítica para proporcionar uma abordagem mais concreta dos resultados empíricos dessa pesquisa. Outro passo para elaboração desse artigo, foi à aplicação de questionários no período de 01 a 26 de setembro de 2013 nas pizzarias e no setor de restaurante que comercializa pizzas na cidade de Maceió - Alagoas, dados primários essenciais para realização desse artigo. Foi elaborado questionários para que se pudessem construir cenários discutidos no tópico resultados e discussão. Para uma analise, mas consistente em relação à qualidade da pesquisa, os questionários foram aplicados em diversos bairros da cidade, diminuindo assim um resultado tendencioso, bairros pesquisados: Pajuçara, Ponta verde, Jatiuca e Mangabeira representam a parte baixa da cidade de Maceió, na parte alta da cidade foram feito as pesquisas nos bairros de Farol, Pinheiro, Pitanginha, Gruta de Lourdes, Jardim Petrópolis, Feitosa, Barro Duro, Serraria, Benedito Bentes, Tabuleiro dos Martins, Clima Bom. Para determinar o tamanho da amostra, foi necessário aplicar um valor que representasse um numero significativo para aplicação dos questionários, como há outros setores que também comercializa pizzas (Restaurantes e Churrascaria), foi necessário incluir esses setores na pesquisa. Para que fosse realizado o cálculo da amostra se considerou um nível de confiança de 95% e que a margem de erro de 3,15%. Assim, conhecendo a população de pizzaria e dos outros seguimentos, a fórmula utilizada para determinação do tamanho da amostra, baseou-se no autor Levine (2000). Onde η é o tamanho da amostra; Z é o valor critico; σ é o desvio padrão; E é à margem de erro. Assim, sabendo que a 95% de confiança Z = 1,96 o desvio padrão σ = 8, 803 e a margem de erro E = 3,15. η = 1, 962 x 8, 8032/ 32 = 30, 004 → 30. Ou seja, 30 observações. Com o tamanho da amostra determinado, o passo seguinte seria aplicação dos questionários nas pizzarias da cidade de Maceió – Alagoas, sendo realizada no período de 01 a 26 de setembro de 2013, considerando um esforço significativo na cobertura na aplicação dos questionários, onde os participantes foram gerentes, setor de compras e proprietários das pizzarias. RESULTADO E DISCURSÃO Como pode ser apresentado no Quadro - 1 abaixo se verifica que a demanda de queijo mussarela está aliada a produtos certificados, onde as pizzarias apresentam uma desconfiança em relação aos produtos existentes no mercado, a sua maioria apresentam conhecimento de certificação dos queijos mussarela demandados, apresentando 76,67% só compram queijo mussarela certificado, e se torna preocupante quanto tratamos dos produtores locais, cujo 6,67% dessa amostra demandam 100% do insumo, dividindo com distribuidores locais e produtores locais 26,67% dessa amostra, lembrando que os distribuidores locais ofertam queijo mussarela de produtores de outros estados. Assim, observa-se que o maior volume dessa demanda apresenta 56,66%, onde são divididos em, aqueles que só demandam de Distribuidores de outras regiões e outro grupo que divide essa demanda entre distribuidores de outras regiões e produtores de outras regiões. É importante também analisar o volume de compra do queijo mussarela certificado, observa-se que 53,34% demandam um volume de 500 kg a 1000 kg e 23,33% acima de 1000 kg. Quadro 1 – Apresenta um quadro geral das amostras colhida na pesquisa. Quadro Geral Sim Não 76,67% 23,33% Conhecimento da Certificação Mais de anos de 0 a 5 anos de 5 a 10 anos 56,67% 30% 13,33% Existência das Pizzarias de 10 a 49 funcionários até 9 funcionários 86,67% 13,33% Numero de Funcionários 1.000 a 5.000 Unid. acima de 5.000 unid. 500 a 1.000 Und. 53,33% 26,67% 20% Vendas/Mês de Pizzas 500kg a 1.000kg acima de 1.000kg 100kg a 500kg 63,33% 23,33% 13,33% Demanda Queijo Mussarela/Mês Dist.outra Região* Dist.local e P.Local** P.O.R e Dist.O.Região*** Outros**** 33,33% 26,67% 23,33% 16,66% Procedência do Queijo Mussarela Qualidade e Preço Qualidade Qualidade e Condição de Pagamentos 66,67% 26,67% 6,67% Permanência de compra c/ o fornecedor Elaboração Própria. Fonte: Aplicação dos questionários. (*) 7. O Gráfico - 1 abaixo apresenta o volume da demanda de queijo mussarela certificado e o Gráfico – 2 apresenta a demanda quando não há conhecimento da certificação.A um comportamento por parte das pizzarias da cidade de Maceió, que demonstra uma diminuição da assimetria de informação quando apresentam a relação à permanência de compra com seu fornecedor, apresentou os seguintes dados 66,67% exige qualidade e preço, 26,67% exige apenas qualidade e 6,67% exige qualidade e facilidade de pagamento, conclui assim, que a existência de uma certificação, proporciona um produto de excelência qualidade e um preço atrativo, traduzindo em uma maior eficiência por parte dos produtores de queijo mussarela, diante esse fato propõe uma maior consciência por parte dos produtores locais e melhorar sua produção e procurar qualificar seu produto, diante da existência de um mercado mais exigente. 7 *Distribuidor de outra região (Outros Estados), ** Distribuidor Local e Produtor Local (do Estado de Alagoas), *** Produtores de outra região e Distribuidores de outras regiões (Outros Estados), **** A soma dos grupos que só compram aos Produtores locais 6,67%, grupo que compra apenas Distribuidores locais 3,33%,compram apenas nos Atacados locais 3,33% e que compram tanto aos Distribuidores de outras regiões e Produtores locais 3,33%. Gráfico 1 – Demanda de queijo mussarela com Certificação Elaboração Própria Fonte: aplicação dos questionários Gráfico 2 – Demanda do queijo mussarela quando não há conhecimento da certificação Elaboração Própria Fonte: aplicação dos questionários CONSIDERAÇÕES FINAIS Esse artigo procurou demonstrar que a uma necessidade de certificação por parte dos produtores locais de queijo mussarela, diante de um mercado que apresenta uma concorrência significativa, e também observar a exigência por parte das pizzarias da cidade de Maceió no qual foi feito o estudo, de selecionar melhor seus insumos. O mercado está crescendo, porém é necessário avanços no setor alimentar e ao aumento da preocupação dos consumidores quando às questões que envolvem atributos de qualidade em alimentos. A certificação está condicionada a dois agentes: o agente regulamentador, responsável por ditar normas e credenciar as entidades certificadoras; agente coordenador (entidades certificadoras) que coordena o processo de certificação. O grande papel do estado é o agente regulamentador. Assim proporciona formas para que o mercado de certificação funcione de forma eficiente, é necessário que esses agentes tenham boa reputação perante os consumidores. Qual a necessidade de demandar uma certificação, porque existem benefícios como: redução de assimetria informacional, obtenção imparcial sobre a qualidade dos produtos, entre outros. Do lado dos produtores de queijo mussarela, existem custos associados à certificação que é a de implantação e instalação, sua manutenção, adaptação e atualizações, de treinamentos e de desenvolvimento. Podendo observar que, se o consumidor reconhecendo o valor do certificado, estará disposto a pagar mais pela presença de uma certificação. Porém é importante conhecer o comportamento dos consumidores, salvaguardando a sobrevivência e competitividade das empresas. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AZEVEDO, P. F. Nova economia institucional: referencial gerencial e aplicações para agricultura, 2000, São Carlos: UFSCar. AKERLOF, G.A. The Market for Lemons.Quarterly Journal of Economics, 1970, vol. 84, p.488 -500. CATEB, A. B.; GALLO, J. A. A. Breves considerações sobre a teoria dos contratos incompletos. Berkeley Program in Law & Economics - Latin American and Caribbean Law, 2007. COASE Ronald H. (1973). The Nature of The Firm: in: WILLIAMSON, Oliver E. & MASTEN, Scott E. The Economics of Transaction Cost.Cheltenham, Edward Elgar Publishing, 1999. CONCEIÇÃO, Octávio A. C. (2002-A) O conceito de instituição nas modernas abordagens institucionalistas. Revista de Economia Contemporânea, vol. 6, nº 2, p.119-146, jul./dez.2002. GEHLEN, Ivaldo e MOCELIN, Daniel G. Organização Social e movimentos Sociais Rurais. 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