RESENHA. S. FREUD. O inconsciente (PP.191 -233). ESB, vol. XIV, 1915. INFORMAÇÕES SOBRE O AUTOR Sigmund Freud (1856-1939), foi o responsável pela revolução no estudo da atividade psíquica no ser humano. Formado em medicina e especializado em tratamentos para doentes mentais, ele criou uma nova teoria, a Psicanálise. Parafrasendo (ALMEIDA, 2006): ao criar a Psicanálise Freud atingiu dois pilares da ideologia em sua época: a crença inconstetável da racionalidade humana e a inocência da instituição familiar. Suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. RESUMO DA OBRA O estudo do inconsciente fez-se necessário a partir das análises dos dados da consciência, de atos psíquicos que só poderiam ser explicados pela pressuposição de outros atos psíquicos que a consciência não possui explicação (a inadequação da equivalência convencional entre o psiquismo e o consciente). Freud apresenta interesse prático em discutir a necessidade da existência do Inconsciente como forma de possibilitar a explicação e descrição da grande variedade de fenômenos com os quais se defrontava. A Psicanálise defende a tese de que a essência do processo de recalcamento é evitar que a pulsão se torne consciente. Quando isso ocorre dizemos que a idéia se encontra num estado inconsciente, porém, o alcance do inconsciente é muito mais amplo que os conteúdos recalcados (reprimidos). A comprovação da existência de atos psíquicos que carecem de consciência pode ser discutida nas seguintes observações: 1-Uma consciência na qual o seu próprio possuidor nada conhece e algo diferente de uma consciência pertencente à outra pessoa; 2- Diferentes processos mentais desfrutam de alto grau de independência mútua; 3- A investigação analítica revela processos latentes como possuidores de características e peculiaridades que parecem estranhas e que vão de encontros aos atributos da consciência. A psicanálise aponta que o ato psíquico passa por duas fases quanto ao seu estado. Na primeira fase o ato psíquico é inconsciente, se não tiver a permissão para a segunda fase será recalcado, permanecendo inconsciente. Se, porém passar pela censura pertencerá à segunda fase, chamada de consciente (pré consciência). O inconsciente abrange atos latentes, e processos reprimidos que, caso se tornasse conscientes, estariam propensos a ser o contrário do restante dos processos conscientes. Freud defende a tese de que o afeto não é inconsciente, a sua idéia sofre um recalque (repressão). O afeto permanece, no todo ou em parte, é transformado numa quota de afeto qualitativamente diferente, sobretudo em angústia (ansiedade), ou suprimido e impedido de desenvolver. Uma pulsão (instinto) nunca pode tornar-se objeto da consciência, apenas a idéia que a representa. APRECIAÇÃO DA OBRA O conceito de inconsciente e fundamental à Psicanálise e perpassa toda a obra de Freud. O inconsciente subverte a razão e a trama discursiva a revelia do sujeito. Revela que o homem não exerce controle sobre si mesmo e introduz no sujeito uma divisão subjetiva. É o inconsciente, através dos ideais e atividades sublimatórias que está na base das criações e obras culturais da civilização (ALMEIDA, 2006). A teoria de Freud constituiu uma importante contribuição histórica. Fez-nos tomar consciência dos pensamentos e emoções inconscientes, da ambivalência das relações precoces de pais e filhos, e da presença, desde o nascimento, de pulsões sexuais O Inconsciente é parte do sistema psíquico, representado pelas pulsões. Esses conteúdos são regidos pelos mecanismos específicos do processo primário, principalmente a condensação e o deslocamento, fortemente investidos pela energia pulsional, que procuram retornar à consciência e à ação; mas só podem ter acesso ao sistema pré-consciente e consciente, depois de terem sido submetidos às deformações da censura. São, mais especialmente, desejos da infância que conhecem uma fixação no inconsciente. Na concepção da Psicanálise de Freud (apud DOR, 1989), as primeiras experiências de satisfação é o lugar da essência do desejo e da natureza do seu processo. Uma pulsão só pode ser conhecida pelo sujeito na estrita medida em que ela encontra uma solução de expressão no aparelho psíquico, ou seja, sob a forma de um representante. O desejo se instala na busca do reencontro da primeira experiência de gozo. O desejo inscreve a criança numa relação indefectível com o desejo do Outro. O Complexo de Édipo e a sua resolução configuram uma espécie de encruzilhada estrutural da subjetividade humana. Um conjunto de experiências que constitui estruturas psíquicas e modos de relação que permanecem no sujeito e que o torna responsável pelo seu próprio desejo, mesmo que uma parte permaneça inconsciente. A idéia de que o inconsciente é o discurso do Outro (Lacan apud ALMEIDA, 1998) encontra ressonância no entendimento de que a fala anuncia demandas que estão sempre aquém do desejo e que dirigem a um Outro, em relação ao que se deseja o objeto de desejo. O Falar implica assujeitamento a uma nomeação e a um lugar oriundos do campo do Outro. Falar, enfim, significa, para o sujeito, “alterizar” sua própria fala, no sentido de que ela se torna tão estranha ou estrangeira quanto ao Outro. RESENHA. ALMEIDA, S. F. C. de & PAULO, T. S. Formação de professores: desenvolvimento pessoal e aperfeiçoamento profissional- apontamentos para uma tarefa necessária. Em L. G. de FREITAS, R. S. MARIZ & J. L. CUNHA FILHO (Orgs). Educação Superior: princípios, finalidades e formação continuada de professores. Brasília: Ed. Universa/Líber Livro, 2010. INFORMAÇÕES SOBRE AS AUTORAS A Profª. Sandra Francesca Conte de Almeida é Psicanalista. Doutora em Ciências da Educação (Psicologia) e Diplomada em Psicologia Escolar pela Université René Descartes, Paris. Professora dos Programas de Pós Graduação stricto sensu em Psicologia e Educação da Universidade Católica de Brasília. Possui expressiva produção científica na sua área de especialização e competência; Psicanálise e Educação, formação de psicólogos escolares e professores, Psicologia da Educação e do Desenvolvimento. A Profª. Thais Sarmanho Paulo é Psicanalista. Mestre em Psicologia e doutoranda em Educação pela Universidade Católica de Brasília. Professora do curso de Graduação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília. Atua nos seguintes temas: Psicanálise, Educação, Memória Educativa, formação de professores e função paterna. RESUMO DA OBRA A formação dos professores é uma estratégia fundamental ao desenvolvimento e melhoria do sistema educacional brasileiro. Nesse sentido o texto apresenta algumas concepções teórico-conceituais e metodológicas que oferecem sustentação a uma proposta de formação continuada de professores, voltada para (re)construção, em contexto, da identidade profissional do professor e a ressignificação de suas práticas, por meio de dispositivos intra e intersubjetivos que auxiliem no desenvolvimento profissional. O artigo aponta alguns pressupostos que discutem a crise da educação moderna. O primeiro diz respeito às mudanças sofridas pela criança, na sociedade moderna; o segundo está relacionado ao ensino; e o terceiro que deriva da expressão conceitual do pragmatismo, onde o aprender é substituído pela atividade, onde o importante é desenvolver habilidades importantes para a arte de viver em detrimento do ensinar o(s) conhecimento(s). O professor, nesse contexto de crise da tradição, perde o seu lugar de referência. Referência entendida como a dívida simbólica que todo sujeito adquire com os seus mestres, os que lhe deram a vida e os que o introduziram no mundo. Em função da crise houve uma necessidade de que as ciências se debruçassem sobre o estudo do professor e da sua profissão. O caráter multifacetado e pluridisciplinar da investigação da formação docente inspiram uma variedade de significações atribuídas, porém é impossível separar a identidade profissional da identidade pessoal (NÓVOA apud PAULO&ALMEIDA). Identidade entendida como um lugar de lutas e conflitos, um espaço de construção de maneiras de ser e de estar na profissão. A atividade docente está ligada às condições psicológicas e culturais dos professores. Alguns autores propõem um processo de estudo das fases da carreira docente, centrado na experiência profissional com o objetivo de nortear diferentes dispositivos de formação para o atendimento de diferentes demandas. O papel do formador é o de servir de mediador entre o professor, o objeto de aprendizagem e a análise de situações vividas. Compreendendo a formação docente assentada nas dimensões subjetiva e histórico-social, o estudo autobiográfico dos profissionais ganha um lugar de destaque como dispositivo de formação, por se tratar de um exercício privilegiado de reflexão para posterior reconstrução dos modos de ser e de fazer a práxis pedagógica. Todo engajamento ético pressupõe uma práxis, ato no qual o sujeito desenvolve suas capacidades e continua a se autocriar, a ex-sistir através de outros sujeitos. O engajamento ético no campo educativo chama o professor a uma práxis que implica a viabilização de um projeto de autonomia, no reconhecimento das diferenças, da liberdade e da singularidade, atributos essenciais ao sujeito e que favorece a emergência do novo. APRECIAÇÃO DA OBRA A obra apresenta uma discussão extremamente importante e pertinente em relação à formação de professores. No primeiro momento apresenta a dificuldade de enfrentar as questões relativas ao processo de ensinar e aprender, que estão na configuração dos diversos problemas vivenciados pela educação em nosso país: insucesso escolar, evasão, repetência. Colocando no centro das discussões a necessidade de repensar a formação de professores como estratégia de melhoria das condições do sistema de educação brasileiro. Discute a complexidade da tarefa educativa, entendida como a de transmissão da cultura, da preservação da tradição e humanização do filhote do homem (ALMEIDA, 1999). A tarefa do educador é complexa, difícil e estressante, pois exige muito mais do que domínio de conteúdos e técnicas. Nessa direção aponta a importância da formação de professores voltar-se para o desenvolvimento pessoal e profissional. A atividade do professor está focada no trabalho da escola que tem como função a introdução da criança no mundo, a transição do espaço privado do lar para o mundo, o espaço público. A educação está remetida ao passado, a história social do mundo, que deve ser apresentada e apreendida pela criança. Porém a crise da autoridade na educação tem estreita relação com a crise da tradição, a crise da nossa atitude face ao passado. A escola entra em crise e junto com ela a imagem social da profissão docente. A autora no texto cita CARROLO, quando apresenta três razões para descaracterização da profissão docente: ausência de reconhecimento social da função do professor; a indefinição do papel do professor nas instituições escolares e falta de percepção do professor de que a sua profissão o labirinto interior. Estudar professores demanda um aprofundamento de seu ambiente sociocultural, sexo (gênero), etnia, estágio da carreira e decisões relativas à carreira, pois, as características da atividade do professor estão intrinsecamente relacionadas às condições psicológicas e culturais dos professores. Nessa direção apresenta as narrativas ou histórias de vida como dispositivos da compreensão e formação do professor, pois leva em conta que as convicções, crenças, expectativas e desejos do professor têm relação estreita com as suas práticas pedagógicas e constituem elementos na construção e reconstrução da sua identidade profissional. RESENHA. ALMEIDA, S. F. C. Inclusão escolar: do “politicamente correto” à política da ética do sujeito no campo da educação. Em Anais do 5º Colóquio da LEPSI IP/FE-USP. São Paulo, 2006. INFORMAÇÕES SOBRE A AUTORA A Profª. Sandra Francesca Conte de Almeida é Psicanalista. Doutora em Ciências da Educação (Psicologia) e Diplomada em Psicologia Escolar pela Université René Descartes, Paris. Professora dos Programas de Pós Graduação stricto sensu em Psicologia e Educação da Universidade Católica de Brasília. Possui expressiva produção científica na sua área de especialização e competência; Psicanálise e Educação, formação de psicólogos escolares e professores, Psicologia da Educação e do Desenvolvimento. RESUMO DA OBRA O tema da educação inclusiva bastante discutido na atualidade parece, do ponto de vista político, estar atrelado a um projeto ideológico maior, concebido pelo liberalismo socioeconômico do capitalismo, que refletem movimentos globais de ajustes/reformas necessários a sua própria sobrevivência. Não havendo de fato nada de inovador e muito menos revolucionário. A psicanálise interroga, a partir do campo da ética, as formações discursivas que insistem em apontar a diferença do outro a ser incluído, em nome do bem estar social e do bem estar particular em um espaço educativo, onde a realidade cotidiana aponta em direção oposta. A autora arrisca afirmar que o propósito da inclusão se situa na necessidade de produzir um discurso sobre a diferença do outro e a produção de uma prática social destinada à inclusão. Fato que aponta para duas direções: 1) Na perspectiva Foucault deter um saber sobre o outro confere poder a quem o detém. A lógica foucaultiana aplicada ao discurso sobre a educação inclusiva revela o impacto da linguagem e da fala nos modos sócio-históricamente determinados de “dar conta” da diferença que nos habita. 2) Na perspectiva da ética do sujeito, a formação discursiva se presta a justificar ou reparar a divida simbólica e real, do outro social com os excluídos do campo do Outro, da linguagem e da cultura. A tentativa de reparação se vê confrontada ao insucesso, pela via do saber/poder. A diferença que comparece no discurso é na prática recalcada, quando não denegada ou foracluída. A diferença do outro, a alteridade estranhamente familiar, traumatiza o sujeito. Na mediação do simbólico, pela linguagem se desnuda e exclui o outro, criando a ilusão imaginária de resgate/inclusão do que fora excluído e rejeitado, como uma maneira de se precaver de novas intrusões do real. Na impossibilidade de nomear o real da diferença, situa o insucesso do chamado paradigma da inclusão escolar. APRECIAÇÃO DA OBRA Trago como referência para a presente apreciação o texto da Sandra Dias, que também foi estudado na disciplina. Na perspectiva de Dias (2006) a Psicanálise, entendida como crítica aos fundamentos filosóficos da educação na pós modernidade, aponta que, nas questões relativas à diversidade, faz-se necessário considerar conceitualmente o diferente como a diferença, porque os universos de discursos são diferentes. O diferente remete a Um no universo do Todo, enquanto a diferença remete a operação no Todo, isto é, o Um e o Outro, o Sujeito e o Social. A teoria da subjetividade na Psicanálise postula o conceito de sujeito, que é impensável sem o conceito de alteridade. A alteridade, o outro, antecede o sujeito e é o lugar no qual o sujeito tem que se enlaçar para se constituir como desejante. Esse Outro, anterior ao sujeito, permite a função simbólica e dá apoio ao sujeito para que seu discurso repouse num fundamento. Entre o Outro e o sujeito se estabelece uma dialética, na qual o sujeito e tanto sujeição, como resistência ao Outro (DIAS, 2006). Na Educação de crianças com deficiência enfrentamos a questão complexa da exclusão/inclusão das referidas crianças nos contextos escolares. Segundo Dias (2006) a exclusão como processo cultural é um discurso que interdita, rejeita e nega o lugar do sujeito no acesso ao pleno gozar o direito de cidadão. O tratamento da exclusão tem que considerar a dialética inclusão – exclusão para que a inclusão não tenha um caráter ilusório ou se torne uma inserção social perversa. O excluído é todo aquele que é rejeitado do mercado material ou simbólico, dos valores dos socius. A inclusão deve ser pensada como um projeto ético político de resgate dos verdadeiros ideais da educação e da possibilidade de realização da verdade do homem. No caso das crianças deficientes acrescenta a exclusão da subjetividade, por não ter uma representação social inserida numa norma legítima (DIAS, 2006). RESENHAS. S. FREUD. O interesse educacional da psicanálise (PP.224 -226). ESB, vol. XIII, 1913. S. FREUD. Algumas reflexões sobre a psicologia escolar (PP.285 -288). ESB, vol. XIII, 1913. S. FREUD. Prefácio à juventude desorientada de Aichhorn (PP.341 -343). ESB, vol. XIII, 1925. INFORMAÇÕES SOBRE O AUTOR Sigmund Freud (1856-1939), foi o responsável pela revolução no estudo da atividade psíquica no ser humano. Formado em medicina e especializado em tratamentos para doentes mentais, ele criou uma nova teoria, a Psicanálise. Parafrasendo (ALMEIDA, 2006): ao criar a Psicanálise Freud atingiu dois pilares da ideologia em sua época: a crença inconstetável da racionalidade humana e a inocência da instituição familiar. Suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. RESUMO DAS OBRAS 1 - O interesse educacional da psicanálise; A psicanálise trouxe à luz os desejos, as estruturas de pensamento e os processos de desenvolvimento da infância ao valorizar a importância da sexualidade nas suas manifestações físicas e mentais. A familiarização das descobertas da Psicanálise para o (a) educador (a) poderá auxiliar na reconciliação com a sua infância e fazê-lo se abster de qualquer tentativa de suprimir impulsos pela força. A profilaxia das neuroses se encontra nas mãos de uma educação psicanaliticamente esclarecida. 2 - Algumas reflexões sobre a psicologia escolar A Psicanálise está mais interessada pelos processos emocionais que pelos intelectuais, mais pela vida inconsciente do que pela consciente. É difícil definir quem exerce maior influência na educação: a nossa preocupação com as ciências ou a personalidade de nossos professores. As atitudes emocionais do sujeito são pautadas pela ambivalência emocional, estabelecidas numa idade precoce, nos primeiros seis anos de vida. Todas as pessoas que conhecemos posteriormente tornam-se figuras substitutas dos primeiros objetos de nosso sentimento. Todas as escolhas de amizade e de amor seguem como base as lembranças deixadas pelos primeiros protótipos. Transferimos para os professores o respeito e as expectativas ligadas ao pai onisciente da nossa infância. 3 - Prefácio à juventude desorientada de Aichhorn Uma das possibilidades mais atrativas de aplicação da Psicanálise foi a sua utilização na teoria e prática da educação. Freud, porém estabelece a existência de três profissões impossíveis: o educar; o curar e o governar. A psicanálise ao analisar um estudo sobre a influenciação educacional de delinqüentes juvenis, realizado pelo Aichhhorn, defende duas lições que derivam do sucesso do trabalho: Toda pessoa deveria receber uma formação psicanalítica e o trabalho de educação não deve ser confundido com a influência psicanalítica e nem tão pouco, substituída por ela. A possibilidade de influência analítica de uma criança desorientada e delinqüente repousa na exigência, via análise, de desenvolvimento de estruturas psíquicas e de uma atitude positiva para com o analista. Submeter –se a um processo analítico é uma condição importante para aqueles que estão empenhados na educação. APRECIAÇÃO DAS OBRAS O processo de apropriação do conhecimento no contexto da aprendizagem escolar inscreve se nas instâncias do imaginário, do simbólico e do real. O referido processo faz sentido para a criança na medida em que produz cadeias de significação, que são apr(e)endidas, ignoradas ou recusadas tanto em função de uma estrutura consciente e objetivamente, de natureza epistêmica, quanto de uma lógica inconsciente e subjetivante, de natureza epistemofílica, que tem a ver com as matrizes vinculares, primitivas da criança, atualizadas na relação transferencial com o educador (ALMEIDA,1998). Na direção apresentada por Almeida (1998) o desejo de saber, no entanto, terá que se haver, sempre com uma dívida em relação ao Outro. Uma dívida simbólica que produz efeitos psíquicos e laços sociais, que por ser impagável na realidade material. Produzindo, por exemplo, sujeitos na posição de ensinante e sujeitos na posição de aprendente, cuja relação intersubjetiva permitirá (ou não) a circulação do conhecimento, na cultura, como significações fálicas possíveis. Na Psicanálise a relação professor aluno é pautada pelo princípio da ambivalência emocional, originária nas relações objetais. Cujos princípios transitam nas bases do amor-ódio e crítica respeito. Essa atitude contraditória é constituída nas primeiras relações afetivas (mãe-pai-família). Essas relações são a base de toda a atividade psíquica, incluindo a atividade intelectual mediada nas relações professoraluno. O processo ensino aprendizagem (relação professor-aluno-conhecimento) só é possível na medida em que o aluno coloque o professor no lugar daquele que “sabe” ou que supõe “saber”. O professor é colocado como objeto de transferência do aluno. A intersubjetividade do par professor-aluno aponta-nos que essa relação e o processo de aprendizagem que nele ocorre, assume diversas possibilidades de se tornar efetivo. A triangulação que se forma entre o professor, o aluno, e o conhecimento vai direcionar o caminho que pode tanto implicar fracasso como êxito na condução do processo de construção do conhecimento por parte do aluno (LEGNANI E ALMEIDA, 2000).