CPA ANDRÉA LÚCIA TEIXEIRA DE CARVALHO CARLOS ALBERTO SOARES PENHA NADJA MARIA DA ROCHA NETTO MELLO FILHA TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO X RELACIONAMENTO COM por O CLIENTE UM ESTUDO DE CASO DA MAXITEL S/A Relatório de Pesquisa 2 Andréa Lúcia Teixeira de Carvalho Carlos Alberto Soares Penha Nadja Maria da Rocha Netto Mello Filha TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO X RELACIONAMENTO COM O CLIENTE : UM ESTUDO DE CASO DA MAXITEL S/A Monografia apresentada ao Curso de Especialização em Administração de Serviços, da Universidade Federal da Bahia, como requisito para a obtenção do grau de Especialista em Administração. Orientador: Prof. Dr. Robinson Tenório Salvador 2001 3 Andréa Lúcia Teixeira de Carvalho Carlos Alberto Soares Penha Nadja Maria da Rocha Netto Mello Filha TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO X RELACIONAMENTO COM O CLIENTE : UM ESTUDO DE CASO DA MAXITEL S/A Monografia para obtenção do grau de Especialista em Administração de Serviços. 4 “Como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que delas se possa imaginar. E muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca se viram nem jamais foram reconhecidos como verdadeiros. ” Nicolau Maquiavel 5 RESUMO Este estudo de caso tem como objetivo verificar o grau de conexão entre a tecnologia da informação e ferramentas de relacionamento com o cliente na empresa de telecomunicações Maxitel S/A. Para tanto se adotou a metodologia de dividir o trabalho em três etapas. Inicialmente realizou-se a pesquisa sobre a tecnologia de informação, sua origem, evolução, situação atual e perspectivas. Concomitante a esta linha de estudo, observou-se as ferramentas utilizadas para o aprimoramento das relações com os clientes. Práticas de gestão, indicadores, metodologias e processos teoricamente ditos como armas da arena competitiva no mercado global atual. A partir deste arsenal teórico buscou-se a realidade da Maxitel diante destas abordagens. Foram realizadas pesquisas semi-abertas, em campo, com o corpo diretivo, em busca de informações estratégicas quanto à gestão tecnológica e de relacionamento. A partir deste momento pode-se explicitar pontos fortes e as oportunidades de melhoria, da empresa em referência. Muitas questões são positivas, pois a empresa tem uma postura agressiva quanto a adoção de novas tecnologias e processos que potencializem os ganhos no relacionamento máquina-cliente, a exemplo da adoção pioneira e, atualmente, avançada do CRM. Porém a gestão de alguns processos apresenta lacunas de qualidade, ao passo que se observa, ainda, elevando grau de reclamações em função de questões técnicas operativas. Pode-se concluir que quão mais forte seja este casamento tecnológico maior a chance de sucesso empresarial neste setor de serviços. Palavras-chave: Tecnologia da Informação; Evolução; Relacionamento com o cliente; CRM; Qualidade; Competitividade Telecomunicações; 6 ABSTRACT This case study has as objective to verify the connection degree between the technology of the information and relationship tools with the customer in the company of telecommunications Maxitel S/A. So much the methodology was adopted of dividing the work in three stages. Initially it took place the research on the technology of information, its origin, evolution, current situation and perspectives. Concomitant to this study line, the tools used for the improvement of the relationships with the customers were observed. Administration practices, indicators, methodologies and processes theoretically said as weapons of the competitive arena in the current global market. Starting from this theoretical arsenal the reality of Maxitel was looked for before these approach. Researches semi open, end field were accomplished, with the body directory, in search of strategic information as the technological administration and of relationship. Starting from this moment it cannot him explicit strong points and the improvement opportunities, of the company in reference. A lot of subjects are positive because the company has an aggressive posture as the adoption of new technologies and processes that potentiality the gains in the relationship machine-customer, to example of the pioneer adoption and, now, advanced of CRM. Even so the administration of some processes present quality empty, to the step that it is observed, still, elevating degree of complaints in function of operative technical subjects. It can be concluded that how much strong is the marriage with technology, better it is the chance of managerial success in this section of services. Word-key: Technology of the Information; Evolution; Relationship with the customer; CRM; Quality; Competitiveness Telecommunications; 7 SUMÁRIO PÁGINA LISTA DE FIGURAS 08 LISTA DE TABELAS 08 1. INTRODUÇÃO 09 2. FUNDAMENTOS TEÓRICOS 10 2.1. Competitividade 10 2.2. Qualidade nos Serviços 13 2.3. Ferramentas de Relacionamento com o Cliente 20 2.4. Evolução da Tecnologia de Informação 30 3. QUESTÕES OPERACIONAIS 39 4. METODOLOGIA 40 4.1. Abordagem 40 4.2. Local 40 4.3. População/ Amostra 40 4.4. Instrumento de Coleta 41 4.5. Procedimento de Coleta 41 4.6. Tratamento de Dados 41 5. O ESTUDO DE CASO DA MAXITEL 42 5.1. Um pouco sobre a Empresa 42 5.2. O Sistema De Telefonia Celular 44 5.3. Atualidades da Maxitel 46 5.4.Competitividade 47 5.5 Qualidade De Serviços 49 5.6 Política Da Qualidade 51 5.7 Ferramentas De Relacionamento com o Cliente X TI 53 6. CONCLUSÃO 57 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 59 8. ANEXOS 60 Instrumento de Coleta de Dados -Piloto 61 Instrumento de Coletas de Dados 62 Organograma 63 8 LISTA DE FIGURAS PÁGINA Figura 1 Logomarca da TIM 43 Figura 2 Logomarca do GRUPO VICUNHA 43 Figura 3 Logomarca do GRUPO GLOBO 43 Figura 4 Logomarca do GRUPO BRADESCO 44 Figura 5 Mapa dos Estados da BAHIA e SERGIPE 45 Figura 6 Mapa do Estado das MINAS GERAIS 46 LISTA DE TABELAS Tabela 1 Alguns Números Da Internet 21 Tabela 2 Comercio Eletrônico 22 Tabela 3 Dados CRM Tabela 4 Evolução do Processamento no Tempo 26 31 9 Introdução Dentro de um mercado globalizado, políticas e estratégias adequadas na área de tecnologia de informação são necessárias para produzir uma efetiva alavancagem dos negócios da organização. Os investimentos realizados em TI (Tecnologia da Informação) podem ser tão decisivos na lucratividade quanto o foco no próprio negócio coorporativo. Ao mesmo tempo, o marketing de relações é essencial ao desenvolvimento de liderança, fidelidade do consumidor e rápida aceitação de novos produtos e serviços no mercado. A criação de relações sólidas e duradouras é uma tarefa árdua, de difícil manutenção e sucesso. O uso eficaz de Tecnologia na criação de parcerias duradouras e próximas, permitindo aos clientes e fornecedores reduzirem custos e aprimorar a qualidade dos produtos adquiridos, podem afetar em muito a atratividades dos produtos e serviços. Neste contexto, o grande desafio das empresas é encontrar a combinação perfeita entre a fusão da tecnologia com a comunicação para gerar linhas de relacionamentos que satisfaçam e encantem o cliente. Do ponto de vista do cliente, as realizações da concorrência, dos avanços tecnológicos, dos lançamentos de novos produtos/ serviços etc., leva-o a ser cada vez mais exigente e estabelecer metas quanto ao nível de qualidade do produto/ serviço oferecido pelas Organizações excelentes que existem no mercado. O nosso objetivo neste trabalho de pesquisa é identificar como a Maxitel, empresa de Telecomunicação Móvel atuante nos estados da Bahia, Sergipe e Minas Gerais, utiliza a Tecnologia da Informação como ferramenta estratégica para o Relacionamento com o Cliente. Não tentaremos identificar o grau de eficácia do modelo existente mas sim o seu modelo de concepção e forma de aplicação. 10 2 Fundamentos Teóricos 2.1 Competitividade O ambiente empresarial, em nível mundial e nacional, tem passado por profundas mudanças nos últimos anos, as quais têm sido consideradas diretamente relacionadas com a Tecnologia de Informações (TI). As organizações têm buscado um uso cada vez mais intenso e amplo da Tecnologia de Informação (TI), utilizando – a como uma poderosa ferramenta, que altera as bases de competitividade, estratégicas e operacionais das empresas. Atualmente, observa-se um crescente número de estudos a respeito de competitividade. No entanto, a definição de competitividade nem sempre tem o mesmo significado pelo diversos autores. Para Kupfer (1991:04), "a noção de competitividade não pode prescindir de fundamentos microeconômicos, que, por sua vez, são demarcados pela dinâmica do processo de concorrência, em particular, pela interação entre as condições estruturais que o direcionam e as condutas inovativas que o transformam". Kupfer (op. cit.) chega a conclusão que competitividade, tanto sob a ótica do desempenho quanto sob a da eficiência, "é função da adequação das estratégias das firmas individuais ao padrão de concorrência vigente no mercado. Em cada indústria vigoraria um dado padrão de concorrência definido a partir da integração entre estrutura e a conduta". Uma outra definição de competitividade encontra-se em Ferraz et al. (op. cit.): A competitividade foi definida como sendo a capacidade da empresa formular e implantar estratégias concorrenciais, que lhe permitam ampliar ou conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado. Essa visão, como os próprios autores enfatizam, busca na dinâmica do processo de competição a sustentação empírica para a avaliação da competitividade. 11 Padrão de concorrência ou de competição "seria, portanto, um vetor particular, contendo uma ou mais das formas de concorrência, vetor este resultante da interação das forças concorrenciais presentes no espaço de competição" (Kupfer, 1991:19). Competitividade é, por conseguinte, um conceito multidimensional e dinâmico, dado que é determinados por diversos fatores, que podem sofrer alterações com o tempo e, conseqüentemente, o desempenho competitivo também se altera. Uma avaliação do desempenho competitivo não pode, então, ser voltada apenas para o passado. O monitoramento da competitividade é feito com a intenção, por parte das firmas, "de compreender as causas deste desempenho e de permitir análises prospectivas" . As três dimensões da competitividade Os fatores internos às empresas, ou fatores empresariais, são aqueles que estão sob influência direta da empresa. Eles podem ser alterados e controlados através de uma postura ativa das empresas. Conforme Ferraz et al. (op.cit), estes fatores dizem respeito basicamente ao estoque de recursos acumulados pela empresa a às estratégias de ampliação desses recursos por elas adotadas, em termos de suas quatro áreas de: gestão (marketing ,serviços pós-vendas, finanças, administração, planejamento, inovação, recursos humanos e produção), inovação (produto, processo, transferências de tecnologia), recursos humanos (produtividade, qualificação, flexibilização), produção (atualização de equipamentos, técnicas organizacionais, qualidade). Os fatores estruturais estão parcialmente sob controle das firmas e caracterizam o ambiente no qual estas atuam. Isto porque, a intervenção da firma na indústria é limitada pela intensidade da concorrência. Os fatores estruturais, diferentemente dos empresariais, estão diretamente relacionados com o padrão de concorrência vigente em uma determinada indústria. Os fatores estruturais abrangem não apenas a demanda e a oferta, mas também a influência de "instituições extra-mercado, públicas e não-públicas, que determinam o regime de incentivos e regulação da concorrência prevalecente" (Ferraz et al., 1995). 12 No que diz respeito ao mercado, os fatores estruturais relacionam-se com as taxas de crescimento, distribuição geográfica e por rendas, grau de sofisticação tecnológica, oportunidades de acesso ao mercado exterior. No que concerne à configuração da indústria, os fatores mais relevantes são: tendências do progresso técnico, intensidade de P&D e oportunidades tecnológicas, escalas de operação, níveis de concentração técnica e econômica da oferta, ao grau de verticalização e diversificação industrial, etc. Os fatores sistêmicos são aqueles totalmente externos às empresas. Em relação a estes fatores a empresa não detém alguma possibilidade de intervir, constituindo parâmetros que influenciam no processo decisório. Podem ser de natureza macroeconômica (taxa de câmbio, taxa de evolução do PIB, oferta de crédito e taxas de juros, política salarial, etc), político-institucionais (política tributária, política tarifária, etc) , legais-regulatórios (políticas de proteção à propriedade industrial), infraestruturais (disponibilidade, telecomunicações, insumos qualidade básicos e e custo serviços de energia, tecnológicos), transportes, sócio-econômicos (sistema de qualificação da mão-de-obra, seguridade social), internacionais (tendências do comércio mundial, de investimentos de risco e de tecnologia, acordos internacionais). Os fatores empresariais e sistêmicos apresentam um caráter mais genérico no que tange às formas e intensidades com as quais influenciam a competitividade nas diversas indústrias. É importante lembrar que os fatores estruturais implicam um caráter setor-específico, conforme Ferraz et al. (op. cit.), dado que refletem mais diretamente as peculiaridades dos padrões de concorrência presentes em cada ramo ou em grupos de setores similares. 13 2.2 Qualidade de Serviços Para que haja competitividade torna-se condição sinequanon a incorporação de qualidade total aos produtos e serviços oferecidos aos clientes. Este estado de qualidade possui questões intangíveis quanto à percepção dos mesmos. Deve ser perseguido por todos na organização, tendo como foco a melhoria continua dos processos que este estado, por si só, exige. O conceito de Qualidade foi primeiramente associado à definição de conformidade às especificações. Posteriormente o conceito evoluiu para a visão de Satisfação do Cliente. Obviamente a satisfação do cliente não é resultado apenas e tão somente do grau de conformidade com as especificações técnicas, mas também de fatores como prazo e pontualidade de entrega, condições de pagamento, atendimento pré e pós-venda, flexibilidade, etc... Paralelamente a esta evolução do conceito de Qualidade, surgiu a visão de que o mesmo era fundamental no posicionamento estratégico da empresa perante o Mercado. Pouco tempo depois se percebeu que o planejamento estratégico da empresa enfatizando a Qualidade não era suficiente para seu sucesso. O conceito de satisfação do cliente foi então extendido para outras entidades envolvidas com as atividades da Empresa. O termo Qualidade Total representa a busca da satisfação, não só do cliente, mas de todos os "stakeholders" (entidades significativas na existência da empresa) e também da excelência organizacional da empresa. Considerando a Qualidade Total como o estado ótimo de eficiência e eficácia na ação de todos os elementos que constituem a existência da Empresa tem a necessidade de modelar sua organização e o contexto no qual ela existe. Ao resultado desse processo de modelagem damos o nome de Modelo Referencial para Gestão da Qualidade Total. 14 Levar os serviços aos clientes em sua “plenitude" tem sido enfatizado como um meio de melhorar de uma forma global a qualidade do serviço, levando-se em conta todos os aspectos execução do serviço do ponto de vista do cliente. Isso pode ser descrito, considerando a experiência do cliente, como pré-compra, durante a compra e pós-compra. Serve também para ilustrar alguns componentes chaves nos estágios da compra os quais influenciarão na opinião do cliente sobre o produto/serviço e a própria empresa. Naturalmente, esses componentes podem variar de acordo com situação específica ou o tipo de serviço. Em outras palavras, podemos considerar que os clientes são os juízes definitivos do valor de um serviço, portanto, não se deve tentar vender os produtos simplesmente porque existe o mercado, mas deve-se tentar criar um novo mercado compreendendo exatamente as necessidades potenciais dos clientes e da sociedade. As avaliações dos clientes baseiam-se principalmente na comparação de suas expectativas em relação ao serviço desejado com as suas percepções a respeito do serviço prestado. As falhas decorrem exatamente quando as expectativas de um cliente não coincidem com suas percepções. Sempre medindo a qualidade do serviço Nas organizações em processo mais acelerado de melhoria, as pessoas medem quase tudo que possa lhes informar seu desempenho para com o supremo juiz de sua efetividade: o cliente. As empresas analisam os seus desempenho não apenas em relação ao próprio passado e aos desejos do cliente, mas também em relação ao desempenho de quem, em qualquer parte do mundo, esteja realizando uma tarefa semelhante. É possível medir bem, usando-se a medição para satisfazer ainda mais os desejos do cliente se a empresa souber o que esta medindo; deixar que os clientes informem o que deve ser medido; acompanhar os procedimentos internos que devem produzir os resultados desejados pelos clientes. 15 Toda medição é uma oportunidade de enfocar e atender as necessidades dos clientes, porém a maior parte das companhias não usa desse modo. Medir os desejos do cliente, e se estão sendo satisfeitos, força a uma disciplina que irá beneficiar a organização mesmo antes de constatados os resultados. “Bons sistemas de medição fornecem informações confiáveis sobre o que está certo e errado na organização. O progresso em relação às medidas informa as pessoas o seu desempenho e ajuda-as a melhorarem. Elas sentem um orgulho justificável ao atingirem e excederem suas metas nessas medições. O sistema de medição serve de base para reconhecer os desempenhos excepcionais e dá as informações necessárias para ajudar a melhorar o desempenho dos mais fracos.” (Whiteley, Richard pp 103) Uma vez detectado o que os clientes desejam, pode-se adquirir uma vantagem competitiva transformando os desejos dos clientes em padrões de desempenho da empresa em cada detalhe, da forma de cumprimentar os clientes até o modo de remeter as contas. Além disso, de modo a realizar os padrões que satisfaçam os desejos dos clientes são preciso também estabelecer índices de desempenho de processos para quem fornece os insumos às pessoas que servem o cliente. Mensurar e controlar o desempenho de processos pode ser tão importante como medir o desempenho da organização para seus clientes finais. É preciso estar consciente de que, qualquer que seja o cuidado dispensado à concepção do serviço no papel, o que será realmente fornecido pelos funcionários no local e a percepção que aí o cliente terá serão bem diferentes, o que pode dar lugar a desvios importantes. O processo de medição ira identificar estas variáveis no “processo produtivo” e minimizar os “gaps” da qualidade do serviço. 16 Tipos de desvio: 1. Desvio de concepção – necessidades do consumidor x concepção do serviço 2. Desvio de entrega – entrega do serviço pelos funcionários x especificação do serviço – pode ser negativo ou positivo ao ponto que você pode superar a expectativa dos clientes 3. Desvio de percepção – prestação do serviço efetiva x percepção dos clientes. Algumas formas de minimizar estes desvios consistem em: Instituir um sistema de comunicação clara; Demonstrar tangibilidade do serviço – concretiza-lo em elementos materiais; Envolver os clientes na concepção ou controle do produto ou serviço; Ter funcionários acessíveis e com autonomia para resolução de problemas e adequação às reais necessidades do cliente no “momento da verdade”. (Whiteley, Richard pp 110) Primeiro Passo : Saiba por que você está medindo Toda medição é uma oportunidade de enfocar e atender as necessidades dos clientes, porém a maior parte das companhias não as usa desse modo. Muitos controles são elaborados de forma indireta e não confiáveis, não tendo como enfoque o cliente final. Muitos sistemas de pesquisa e monitoria são criados para atender questões publicitárias, legais, regulamentares ou para fins de relações públicas. Muitos resultados são manipulados para representarem os índices que os seus “gerentes” gostariam de obter e não o que realmente está acontecendo. Outro fator preocupante é a pesquisa de mercado que só envolve aspectos superficiais no relacionamento com o cliente. Procura-se normalmente saber apenas pelas características dos produtos, mas não envolvem questões relacionais e que envolvam todas as áreas da organização. Programas de medição deveriam estabelecer canais claros e quantitativos que comuniquem tudo que é importante ao cliente para toda a organização. Eles devem ser estruturados de modo à constantemente ajudarem todas as partes da organização a atenderem melhor o cliente. 17 É preciso que a organização, como um todo, acredite que os programas de medição bem projetados redundam em inúmeros benefícios com os que seguem: 1. É se levado a pensar sobre os fatores de sucesso críticos e os elementos principais para alcançar esses fatores. O pessoal da organização vê-se compelido a discutir o que é importante e a lidar com as discordâncias oriundas do levantamento de dados e situações. 2. Bons sistemas fornecem informações confiáveis sobre o que está certo e errado na organização. O progresso (ou a falta dele) em relação às medidas informa às pessoas o seu desempenho e ajuda-as a melhorarem. 3. Fornece uma estrutura consensual para as pessoas discutirem os procedimentos e problemas da organização. 4. Informam precisamente o que está sendo bem feito, permitindo a promoção honesta no mercado. 5. As pessoas sentem um orgulho justificável ao atingirem e excederem suas metas nessas medições. O sistema de medição pode servir de base para reconhecer os desempenhos excepcionais e dá informações necessárias para ajudar a melhorar o desempenho dos mais fracos. (Whiteley, Richard pp 125) É preciso deixar que o seu cliente lhe informe o que medir É definir o que importa para o seu cliente e, com base nisso instituir os índices a serem buscados. Por isso se torna tão importante saber: quais características de produtos e serviços são importantes para seus clientes, qual a importância relativa de cada um de seis desejos, que nível de desempenho em cada característica de serviço irá ao encontro das expectativas dos clientes. 18 Algumas técnicas que podem ser utilizadas para identificar tais aspectos são: 1. Criar grupos de enfoque – reunir um pequeno grupo de clientes e perguntar-lhes sobre os seus problemas e suas expectativas 2. Investir nas queixas – proporcionar um ambiente propício a queixas e listar os pontos sobre os quais se queixarem 3. Elaborar perguntas abertas em cartões de comentários de clientes e em entrevistas a clientes 4. Visitas a clientes – acompanhar todo o processo de vendas, averiguar satisfações, falhas, oportunidades de melhoria, etc.. 5. Pesquisa sobre a reação de clientes às ofertas dos competidores (Whiteley, Richard pp 130) Uma análise estatística destes dados poderá revelar surpresa de notável utilidade e, a partir disto criar padrões de desempenho. É importante que estes padrões satisfaçam os critérios de mensurabilidade, exeqüibilidade, relevância para os clientes e controlabilidade. Após a criação dos procedimentos se faz necessário no máximo de um ano, a revisão destes critérios, pois os gostos e preferências dos clientes se alteram e, portanto a organização também tem que se adequar. Algumas outras referências são importantes para o acompanhamento dos seus índices de medição como: pesquisas setoriais, sistema de avaliação de fornecedores dos clientes, pesquisas de revendedores e fornecedores, a imprensa e órgãos governamentais. Medindo processos internos e comprometendo os colaboradores Não é necessário apenas medir a experiência do cliente diante do serviço, mas, companhias efetivas também associam a medição de processos internos em toda a organização com as necessidades manifestadas pelo cliente. Cada grupo dentro de uma organização pode melhorar seu desempenho medindo continuamente os procedimentos 19 importantes tanto para o cliente interno como para os externos. Este modelo pode-se traduzir nas seguintes ações: 1. Medindo e controlando as coisas certas; 2. Representando-as apropriadamente nos diagramas; 3. Fixando objetivos apropriados para a entidade mensurada e, 4. Fixando “limites à ação” apropriada – graus de variação das normas permitindo, antes que a gerência tome providências. (Whiteley, Richard pp 143) É importante também “contar as novidades para toda a companhia”. Isto diz respeito à disseminação do conhecimento gerado internamente. A divulgação ampla dos fatos e principal acontecimentos demonstra que a gerência leva a sério a resolução dos problemas dando credibilidade ao sistema de medição e encoraja os grupos responsáveis pela maior parte do problema divulgado, a atacarem-no com vigor redobrado. Gerar o comprometimento dos funcionários e transformar a medição em uma forma de alterar comportamentos é um grande desafio. É preciso transformar os dados em uma arma competitiva e, a melhor forma de faze-lo é “mostrar” aos seus funcionários como fazer isto. Transformar problemas identificados e divulgados em planos de ação que tragam resultados factíveis e que impactem positivamente no cliente final. É preciso envolve-los em todas as informações geradas. 20 2.3 Ferramentas de Relacionamento com o Cliente No ambiente repleto de tecnologias e necessidades emergentes a cada segundo, com dimensões de qualidade cada vez mais exigentes, surge o maior desafio: integrar produção do cliente de forma rápida, prática, inovadora e eficaz. Com este objetivo, surgem ferramentas de relacionamento tecnológico com o cliente visando maximização de lucros e encantamento de consumidores. “A tecnologia está transformando as escolhas e as escolhas estão transformando o mercado. Como conseqüência, estamos testemunhando o surgimento de um novo paradigma de marketing -não um marketing do “faça mais”, que simplesmente aumenta o volume dos discursos de vendas do passado, mas um marketing baseado na experiência e no conhecimento que representa a morte definitiva do vendedor.” (McKenna, Regis pp 145) A tecnologia, hoje, é tão marcante que é praticamente inútil traçar distinções entre empresas e setores tecnológicos e não tecnológicos: existem apenas empresas de tecnologia. A tecnologia introduziu-se nos produtos, no local de trabalho e no mercado com uma velocidade e uma amplitude impressionantes. Há vinte anos, havia menos de 50.000 computadores em uso; atualmente, são comprados mais de 50.000 por dia. A Inte rne t Neste contexto, de explosão tecnológica, é criada a Internet, que surgiu na década de 60 a partir de um experimento do Departamento de Defesa Americano, com o objetivo de interligar redes militares de pesquisa. Com uso restrito a Universidades, Centros de Pesquisas e Unidades Militares a Internet se desenvolveu como uma solução para interligar os diversos equipamentos disponibilizados pelos fabricantes de computadores, utilizando o protocolo de comunicação TCP/IP. Este cenário logo mudou e, na década de 90 a Internet já havia se transformado em uma verdadeira epidemia. O uso de correio eletrônico entre pessoas e a disponibilização de informações através de Home-Pages, ultrapassou os limites acadêmicos, alcançando as organizações e Instituições. Neste momento o mundo de negócios sofre uma reestruturação evolutiva 21 quanto à forma de realizar novos negócios radicalmente diferentes daqueles até então conhecidos dentro da Sociedade Industrial. A partir do momento que o processamento transacional foi possibilitado, as organizações passaram a se comunicar on-line com seus clientes e fornecedores através da criação de Extranets e funcionários com a aplicação das Intranets. A sua função evoluiu da troca de informações via correio eletrônico, disponibilização de informações internas para a troca comercial de informações. Este fenômeno transforma a Intranet em uma ferramenta poderosa de Relacionamento com o Cliente ao passo que fornece agilidade no atendimento, disponibilidade de informações dos produtos e condições de fornecimento, comodidade e segurança nas transações, redução de custos e agilidade na entrega. Pesquisa realizada pela Ernest & Young em maio de 1998 indicou que 87% dos 30 produtos pesquisados podiam ser comprados mais baratos na Internet. Enquanto isso, a Internet registrou em 1998 mais de 100 milhões de páginas de informações, com um crescimento de 6,3 milhões de compradores em 1996 para 10,3 milhões de compradores em 1997. Um maior detalhamento deste crescimento e sua proporção pode ser percebido na Tabela 1. Tabela 1. Alguns números da Internet Ano Dados relativos à Internet 1993 Mais de 10 milhões de novos membros aderiram a Internet entre outubro de 1993 a junho de 1994. 1994 23 milhões de usuários na Internet em junho. 4,8 milhões de computadores distribuídos por todo o planeta 24 mil sub-redes de computadores 1995 30 milhões de usuários na Internet 1996 100 milhões de usuários na Internet Mais de 150 países acessando a Internet 1997 US$ 8 bilhões no comércio de PC´s via Internet 1,1 milhões de usuários da Internet no Brasil 321 provedores de acesso distribuídos por 348 cidades brasileiras, ficando: 28,1% em SP; 14,2% em MG; 8,9% no 22 brasileiras, ficando: 28,1% em SP; 14,2% em MG; 8,9% no RJ; 7,5% no Paraná; 6,5% na Bahia; 5,8% em Santa Catarina 1998 2,2 milhões de usuários da Internet no Brasil 2,1 milhões de usuários da Internet na Itália. 800 provedores de acesso à internet no Brasil 2,7 milhões de Imposto de Renda entregues via Internet no Brasil. O Brasil se torna o 3º País em volume de compras na Internet. 400 milhões de faturamento com o provimento de acesso à Internet no Brasil. A Volkswagen obtém 1,3 milhões de aceesso/ mês ao seu site. ( White Paper, Peppers and Rogers Group, pp 349) Este volume de contatos comerciais eletrônicos possibilita a criação de um complexo banco de dados contendo valiosas informações dos clientes que podem ser utilizadas como fortes aliados ao marketing one to one. Promoções podem ser focalizadas por segmentos bem específicos. Campanhas podem ser redirecionadas atingindo de maneira assertiva os seus clientes em potencial gerando novos negócios e ampliando receitas. Toda a cadeia logística pode ser focada nas reais necessidades. Pode-se visualizar na Tabela 2 algumas grandes empresas que já se utilizam destes instrumentos tecnológicos de relacionamento e seus ganhos Tabela 2. Comércio Eletrônico – Exemplos de Sucesso: Empresa Dados relativos ao uso da Internet Dell Computadores Em fevereiro de 1998 a DELL faturava uma média de US$ 3 milhões por dia com vendas de computadores pela Internet Amazon Books Empreendendo de forma inovadora a venda de livros pela Internet, atinge o faturamento de US$ 132 milhões em 1997. 23 Cisco Obteve em 1997 o valor de US$ 4 bilhões de vendas dos seus produtos pela Internet, com uma economia de US$ 363 milhões com suporte técnico, distribuição e marketing e uma média de 60.000 pedidos mensais. O Bradesco Como primeiro banco a lançar um serviço de home banking via Internet, viabilizou 40% das propostas de emissão de cartões de crédito através da Internet, além de uma média de 600 novos clientes por dia com um total em 1997 de 112000 clientes. O Grupo Pão de Açúcar Este grupo investiu US$ 500 mil na implantação do sistema de entregas Pão de Açúcar Delivery, conseguindo montar um cadastro com mais de 700 mil clientes cadastrados e contabilizou 4% de suas vendas realizads via Internet. Shell A Intranet implantada em final de 1997 permite às diversas empresas do grupo se comunicaram nos 120 países onde atuam, compartilhadas por equipes da empresa em qualquer lugar do planeta. Isto permite a criação de times virtuais de trabalho distribuídos em diversos locais do mundo. A Internet funciona como uma Rede Privada Virtual –RPV, protegida contra invasores externos à organização. Booknet Revolucionou o Brasil a venda de livros, utilizando a Internet como forma de alcançar o consumidor final, sem intermediários. Inovou na criação de revendedores franqueados virtuais, possibilitando a multiplicação dos pontos de acesso às informações sobre os seus produtos, sendo posteriormente vendida para a Submarino. ( White Paper, Peppers and Rogers Group, pp 350/351) Este instrumento de comércio eletrônico e relacionamento cliente X fornecedor, tem uma prospecção de crescimento estupendo, pois se acredita que apenas utiliza-se, atualmente, o mínimo de recursos disponível por esta ferramenta de interconexão global. 24 Alguns estudiosos afirmam que o poder da Internet é tão forte que se transformou em uma ferramenta indispensável à sobrevivência organizacional. M arke ting de Re lacioname nto One to One Nesta mesma década de 90, onde as empresas bem-sucedidas se voltaram para o mercado, adaptando seus produtos às estratégias dos clientes seja através do uso da Internet ou de outros recursos de Gestão. Essas empresas praticaram a escola de marketing do “vamos descobrir se e como as cores são importantes para seu objetivo final”. O marketing é orientado à criação, e não ao controle de mercado; baseia-se na educação desenvolvimentalista, no aperfeiçoamento incremental, e no processo contínuo, e não em simples táticas para conquistar fatia de mercado, ou em eventos únicos. E o que é mais importante: baseia-se no conhecimento e na experiência existente na organização. O marketing baseado no conhecimento exige que uma empresa domine uma escala de conhecimento: da tecnologia pertinente; da concorrência; de seus clientes; das novas fontes de tecnologia que podem alterar o ambiente competitivo; e de sua própria organização, recursos, planos e formas de fazer negócios. Armadas com esses conhecimentos, as empresas podem colocar em prática de três formas essenciais o seu marketing baseado no conhecimento: integrando o cliente no processo de desenvolvimento a fim de garantir um produto específico não apenas às suas necessidade, mas também às suas estratégias; gerar uma mentalidade voltada para nichos de mercados, a fim de usar o conhecimento da empresa sob os canais e mercados para identificar segmentos de mercado que a empresa pode conquistar; e desenvolvendo a infra-estrutura de fornecedores, revendedores, sócios e usuários cujas relações ajudarão a manter e dar apoio à reputação da empresa, conferindo-lhe uma vantagem tecnológica. O Marketing de Relacionamento é voltar a fazer negócios com na década de 10. Conhecer cada um dos clientes, seus hábitos e necessidades. Muito importante é ressaltar que one to one não é para todos os clientes. Se assim fosse o custo o tornaria inviável por si só. One to one é para os melhores clientes, ou seja, os de melhor valor e de maior potencial. Para os outros clientes, se segue utilizando a abordagem do 25 marketing relacional comum ditada pela cultura de serviço da organização. Que isto não se traduza em destratar, mas sim de focar na alta rentabilidade para a organização Para que esta filosofia do Marketing one to one seja implantada de forma coorporativa e funcione na prática, muitas organizações buscam implantar o CRM que requer investimento tecnológicos gradativos mas imperativos para se atuar em arenas globais. CRM – Cus tome r Re lations hip M anage me nt Partindo da premissa central de que todo cliente é diferente enquanto disciplina de negócio, as empresas buscam implantar a ferramenta do CRM que consiste na infraestrutura tecnológica para se implementar a filosofia on e to one de relacionamento com os clientes. Segundo o Gartner Group: “CRM é uma estratégia de negócio voltada ao entendimento e à antecipação das necessidades dos clientes atuais e potenciais de uma empresa. Do ponto de vista tecnológico, o CRM envolve capturar os dados do cliente ao longo de toda a empresa, consolidar todos os dados capturados interna e externamente em um banco de dados central, analisar os dados consolidados, distribuir os resultados dessa análise aos vários pontos de contato com o cliente e usar essa informação ao interagir com o cliente através de qualquer ponto de contato com a empresa” O cliente se torna o centro do modelo de dados. Isso traz implicações sérias quanto à estrutura tecnológica das empresas. Os sistemas tradicionais geralmente são concebidos ao redor de processos ou de produtos e o cliente é meramente “um mal necessário”. Nos sistemas e processos que são concebidos à luz do CRM, o cliente é o centro , e todos os relatórios e consultas têm o cliente como “porta de entrada”. 26 Do ponto de vista dos sistemas, CRM é a integração dos módulos de automatização de vendas (SFA), gerência de vendas, telemarketing e televendas, serviço de atendimento e suporte ao cliente (SAC), automação de marketing, ferramentas para informações gerenciais, Web e comércio eletrônico. Além disso, deve haver a integração de todos esses sistemas com os sistemas transacionais, também chamados de sistemas de back office. Esta ferramenta se torna cada dia mais imperativa para o crescimento dos negócios e a sua própria sustentabilidade, pois o crescimento e a qualidade da receita são os objetivos das organizações e, por isso CRM é mais importante do que nunca. Ele deve ser incorporado à visão da organização. A seguir estão alguns dados de uma pesquisa realizada em outubro de 1998 pela Andersen Consulting e pela revista The Economist com mais de 200 executivos de empresas de diversas áreas. Os dados falam por si mesmos e ilustram o porquê de tanta movimentação do redor do tema CRM. Tabela 3. Dados CRM Tema 1998 2002 Empresas Organizadas por Tipo de 18% 50% 26% 50% 27% 76% Cliente Empresas que acompanham a Lucratividade dos clientes Esperam alta integração entre as áreas de TI e de negócios ( White Paper, Peppers and Rogers Group, pp 45/46) Talvez o dado mais revelador seja a expectativa de alta integração entre as áreas de negócios (marketing, vendas etc.) com área de tecnologia de informação (TI). No passado, eram quase inimigas, com total divergência de propósitos. Hoje, nas empresas mais competitivas, cada vez mais se vê a preocupação da área de TI em ser um meio para a realização dos objetivos de negócio da empresa. 27 Alguns objetivos em comum nas empresas de telecomunicações com a implantação do CRM são: 1. Disponibilizar uma interface padrão para que os atendentes possam registrar, tratar e consultar todos os tipos de contatos realizados pelos clientes e não clientes. 2. Otimizar a resolução de casos que precisam ser tramitados de uma área para outra mediante ferramentas de workflow existentes no CRM. 3. Armazenar a maior quantidade possível de informações dos clientes para que se possa identificar os clientes com maior valor agregado e maior potencial para as três operadoras e também identificar quais são as necessidades de cada cliente em relação aos produtos e serviços oferecidos pela empresa. 4. Permitir a criação de campanhas e a identificação dos clientes que irão participar da mesma. 5. Otimizar todos os processos da empresa pertencentes às áreas (Call Center, Marketing, Vendas, Lojas) que necessitam interagir com o cliente ou consultar dados de clientes. 6. Possibilitar uma contínua utilização da informação sobre clientes para definição e adequação de estratégias. 7. Permitir o cálculo e visualização de alguns indicadores da eficácia da solução após sua implantação, tais como: 7.1. Redução do tempo médio para implantação de uma ação de vendas/relacionamento; 7.2. Redução do tempo médio de conversação; 7.3. Redução de tempo médio de solução de reclamações; 7.4. Redução do tempo médio de treinamento de operadores de atendimento e telemarketing (Maxitel, Entendendo CRM pp. 3) As empresas de Telecomunicações fazem investimentos altos no que diz respeito ao atendimento e relacionamento com o cliente. Após implantar a ferramenta de CRM – Customer Relationship Management- que será utilizada, a empresa já absorveu as mudanças propiciadas nos processos 28 operacionais , na forma de trabalhar e nas tecnologias, e passa a se preocupar em tirar o maior proveito da solução. Para alcançar o objetivo, é necessário antes estabilizar as funcionalidades básicas do sistema e ajustar os novos processos, adicionar outras soluções e tecnologias que objetivam otimizar o relacionamento da empresa com seus clientes e parceiros de negócios, sendo nesse ponto que entram os conceitos e ferramentas de CRM, suply chain, business intelligence, e-business, entre outros e, finalmente, todas as novas capacidades são devidamente absorvidas, permitindo à organização obter os ganhos e o diferencial competitivo frente à concorrência. As tecnologias complementares são implementadas de acordo com as necessidades pontuais e área de atuação. Não há um modelo único a ser seguido, até porque nada impede que uma empresa opte por implementar duas etapas simultaneamente, ou de começar pelo fim. O que deve ficar claro é que a tecnologia por si só não resolve todos os problemas da organização. Todo o processo de transformação organizacional, seja ele realizado na retaguarda e ou no front-office, deve ser baseado num planejamento cuidadoso e levar em consideração também as pessoas, uma vez que acaba sendo imposta uma nova cultura. O CRM não é apenas mais uma tecnologia. Não se resume a isso, sendo, na verdade, um conceito que se confunde com a metodologia do marketing de relacionamento (também chamado de one-to-one marketing). Essa metodologia se sustenta em quatro pilares: identificação, diferenciação, interação (com os melhores clientes), e personalização do atendimento. Um cliente que costuma gastar muito e é fiel não pode ser tratado igual a outro que representa pouco para a empresa. Por isso o primeiro passo é identificar quais são os clientes rentáveis para oferecer-lhe um atendimento diferenciado. Também é importante que a empresa tenha uma conversa única com o cliente, sabendo armazenar as informações obtidas para não repetir as perguntas que foram feitas no contato anterior. Evidentemente sem tecnologia é impossível implementar o 29 CRM, mas erra quem conseguir obter benefícios. pensa que basta ter as ferramentas e soluções de ponta para 30 2.4 Evolução da Tecnologia de Informação Em um intervalo de poucas décadas, a tecnologia da informação transformou a nossa cultura definindo os paradigmas para uma nova era organizada em torno dos grandes meios de comunicação de massa. A construção de uma máquina capaz de executar operações e cálculos automaticamente é uma idéia bem antiga, conforme ilustrado pelos esforços de Pascal, Leibnitz e Babbage, entre outros. Aceita-se, porém, que a era da moderna computação somente começou na década de 1940, com a construção por Aitken, em 1944, do computador Mark I, na Universidade de Harvard, mesmo sendo esta uma máquina que operava baseada em dispositivos eletromecânicos. Um ano mais tarde desenvolveu-se o ENIAC na Universidade da Pensylvania, que era uma máquina verdadeiramente eletrônica. A partir deste momento vários pesquisadores desenvolveram máquinas similares, que exigiam muito espaço físico e era de muito difícil utilização. A idéia era que o tamanho representaria capacidade de processamento. Na década de 50 iniciou-se a comercialização destas máquinas baseadas na tecnologia de válvulas – 1ª geração de computadores. A segunda geração, final da década de 50, foi marcada pelo uso de transistores e teve como foco de comercialização das máquinas a sua função – comercial ou aplicações científicas. A partir daí trabalhouse para a integração de função da máquina culminando na 3ª geração dos equipamentos. Neste momento de evolução a classificação dos computadores em gerações foi abandonada, dando-se mais atenção á arquitetura do que à tecnologia empregada. No final da década de 60 o uso dos computadores era extremamente centralizado, ficando a sua operação restrita fisicamente a uma grande sala – CPD- onde os usuários se submetiam à utilização de aplicações via batch. Este modelo prevaleceu até a introdução dos microcomputadores quando, devido a uma aproximação das máquinas dos usuários finais, culminou na tendência para a computação distribuída. Este fenômeno foi reforçado pela introdução de computadores pessoais, e , posteriormente com estações de trabalho Unix. 31 Apesar de trazer grandes vantagens, este avanço tecnológico gerou diversas ilhas tecnológicas e a integração de processamento só foi introduzida com a utilização das redes de dados. Nesta época o microcomputador foi considerado uma revolução na como auxílio para organização de informações. Hoje a internet é uma revolução mundial, e causa inúmeras mudanças na forma de escrever e divulgar informações. As principais características da evolução da Tecnologia da Informação são apresentadas na Tabela 4. Tabela 4. Evolução do processamento no tempo Período Principais Características Década de 50 Processamento centralizado. Não interação do usuário com o computador. Computador operado por especialistas. Década de 60 Processamento centralizado. Alguma interação dos usuários com o computador. Compartilhamento dos recursos computacionais com o uso de sistemas de tempo compartilhado. Década de 70 Processamento centralizado. Crescimento de números de aplicações em tempo real (on line). Introdução de minicomputadores e computação departamental. Uso de teleprocessamentos entre computadores remotos (dez km ou mais). Maior disponibilidade de periféricos, tais como: impressoras, plotadoras, unidade de fita, etc.... Década de 80 Disponibilidade de microcomputadores pessoais. Crescimento do número de centros de processamento de dados (CPD´s) com a descentralização do processamento. Introdução de redes locais de alta velocidade (LAN´s). Compartilhamento de recursos via redes locais. Integração de redes locais, formando grandes redes (WAN ou GAN). Ênfase no processamento departamental e pessoal. 32 Década de 90 Consolidação dos CPD`s. Downsinzing de aplicações. Ênfase na arquitetura cliente-servidor. Teleprocessamento simultâneo de dados, voz e imagens. Internet, intranet, extranet. Web TV, Web phone. Realidade virtual. (Rodriguez Martius Y Rodriguez Agustín Juan Ferrante pp 61) Nos anos 90, a biologia, a eletrônica e a informática se associaram e se interligaram nas suas aplicações, nos seus materiais e mais fundamentalmente na sua abordagem conceitual. Em torno deste núcleo de informação tecnológica no sentido mais amplo, uma constelação de novos conhecimentos surgiu nas áreas de novos materiais, fontes de energia, medicina, transporte etc. Essas áreas possuem em comum uma linguagem digital na qual a informação é gerada, armazenada, recuperada, processada e transmitida. A disponibilidade de novas tecnologias de informação constitui a base para a reestruturação socioeconômica da sociedade, propiciando o surgimento de redes econômicas globais. A tecnologia da Informação exerce um papel fundamental em qualquer área de atividade neste final de século. Este movimento, está induzindo, no mundo inteiro, a importantes transformações no ambiente organizacional das empresas afetando diretamente a formulação das suas estratégias e negócios. A globalização de empresas transnacionais está relacionada ao desenvolvimento e expansão de redes e sistemas de informação com uma coordenação espacial de dimensões geográficas internacionais, permitindo ás empresas administrar seus negócios à distância. Essas questões, associadas à formação dos grandes mercados regionais, isto é, Mercado Comum Europeu, Nafta e Mercosul, colocam-se como grandes desafios para as empresas da atualidade. Nota-se a necessidade emergente da existência de um sistema mundial de interligações de redes privadas entre os principais bancos de dados e empresas industriais e de serviços nos países da “tríade”. A partir deste, instala-se redes mundiais 33 corporativas que permitem à empresa interligar produção e marketing ao redor do globo, estimulando ampla gama de alianças estratégicas, envolvendo novos tipos de interação com fornecedores, clientes e concorrentes. “O verdadeiro poder da tecnologia não está em fazer antigos processos funcionarem melhor, mas em permitir que as organizações rompam com as antigas regras e criem novas formas de trabalho.” (Hammer, Michael e Champy, 1994, pp.71) As telecomunicações, no sentido genérico da palavra, constituíram –se nos últimos anos, em excepcional fator propulsor da produtividade e competitividade, seja no âmbito interno das empresas, seja no âmbito externo das empresas, seja no âmbito do país. Essa potencialidade assumiu nova dimensão devido à convergência com a informática, possibilitando o aparecimento de novos serviços “teleinformáticos”. A veloz incorporação dos avanços da microeletrônica viabilizou a espetacular redução dos preços relativos à capacidade de processamento e armazenamento de informações. A intensificação da concorrência entre as empresas, propiciada pelos avanços da microeletrônica, tendeu a encurtar o ciclo de vida dos produtos e a elevar os volumes em investimentos em P&D Esta mudança está produzindo notável convergência entre os diferentes setores de complexo eletrônicos, alterando várias fronteiras setoriais. A dissolução da fronteira até então existente entre os segmentos de telecomunicações e de informática está dando lugar ao surgimento de um a nova estrutura industrial chamada de “telemática”. Um grande exemplo desta evolução está no surgimento da tecnologia EDI (Eletronics Data Interchange) que permite a comunicação de computador a computador, aumentando a rapidez e a precisão das trocas de informação entre as diversas organizações. Redes de telecomunicações podem ser também como as rotas de tráfego de informações nos diversos meios eletrônicos. Neste sentido, elas podem ser caracterizadas como “infovias eletrônicas” (eletronic highway systems) utilizadas para promover o fluxo de informações entre indivíduos, empresas e a população em geral. Muito em breve, segundo o mesmo autor, o mundo das telecomunicações não poderá 34 mais ser dividido em tráfego de voz, dados e imagens. Serviços como fax, computação, videoconferência, televisão e outros, estarão disponibilizados de forma integrada. A tecnologia que permite essa façanha é cada vez mais viável no cotidiano dos usuários informatizados. A transmissão de informações em formatos variados só é possível mediante a difusão de tecnologias conhecida como Networked Multimídia Conection (NMC), aplicações multimídia em rede para o uso local, Intranets, e em redes transnacionais, Internet. Do ponto de vista funcional, as redes de informação podem ser divididas em duas categorias. 1. Redes de informação corporativas, de propriedade de organizações, responsáveis pelo processamento de sistemas transacionais de teleprocessamento disponibilizando serviços de acesso restrito, atuando nos diversos setores econômicos. Hoje, esse tipo de rede caracteriza-se pela variação de informações preferencialmente em linhas privadas de comunicação. 2. Serviços de utilidade pública disponibilizados para população em geral via Internet e outras redes abertas de comunicação. Os serviços disponíveis na área de biblioteca se enquadram nesta categoria, assim como os bancos de dados on-line, como o Dialog nos Estados Unidos. (Pontes Cecília, pp 2) As redes de informação corporativas podem ser classificadas em três categorias: 1. Redes simples (single-organization networks), cuja função é conectar uma rede de computadores pertencentes a vários departamentos de uma organização. 2. Redes integradas (industry-specific value-added network) – Promovem a integração de clientes e fornecedores junto aos departamentos da empresa. 3. Redes complexas (extended enterprise network) – Promovem a integração de várias empresas através do desenvolvimento de atividades cooperativas (eletronic consortium). (Pontes Cecília, pp 2) 35 A tecnologia de redes pode ser entendida como conseqüência natural do crescimento do grau de independência dos usuários, aliado às necessidades de compartilhamento de informações. A autonomia propiciada pela adoção de microcomputadores, com sua capacidade de processamentos e independência, foi possível graças às modificações de cunho gerencial que permite aos vários segmentos da empresa atuar com grau crescente de independência. Os modelos de negócio evoluíram de gestão centralizada para distribuição de responsabilidade às áreas de ponta. Portanto, disseminação dos computadores nas empresas foi conseqüência direta tanto de modelos de gestão adotados, quanto de evoluções tecnológicas. Nesses tempos a empresa deve manter-se ágil, forte e sem gordura, capaz de suportar esforços e tensões e capaz também rapidamente para aproveitar as oportunidades. Portanto, a TI pode ser decisiva para o sucesso e o fracasso de uma empresa, contribuindo para que a empresa seja ágil, flexível e forte, em vez de ficar à espera de suas realizações ou insegura quanto a seu apoio. Nesse aspecto, a TI pode ser incluída como uma tecnologia que altera as operações de uma empresa, seus produtos e serviços, seus relacionamentos com parceiros, mercados, concorrentes, etc. Cabe salientar que esta observação pode ser aplicada também à área de TI. Em um estudo sobre TI e a administração considera duas premissas básicas: 1- O ambiente de negócio é e continuará turbulento; 2- A TI continuará sua rápida evolução pelo menos durante as próximas décadas. As oportunidades de TI e as forças de negócio levarão a uma elevada conectividade, possibilitando novas forças de relacionamentos entre organizações e aumentando a produtividade dos grupos. A tendência é de que a TI não irá simplesmente automatizar o que existe hoje. Não pode esperar que o mundo interconectado eletronicamente de amanhã seja simplesmente seja uma versão mais rápida e eficiente daquele que conhecemos hoje. Ao contrário, podem ser esperadas mudanças fundamentais, com empresas e mercados organizando o fluxo de bens e serviços na mesma economia. 36 Contribuições de Tecnologia de Informação: A análise de Comércio Eletrônico (CE) deve ter como base principal duas dimensões: aspectos a serem considerados na utilização de CE e as contribuições que a utilização de CE oferecem às organizações. A relação entre estas dimensões é denominada Estrutura de Análise de Comércio Eletrônico. As contribuições de TI são as seguintes: Relacionamento: A visão tradicional de uma empresa com fronteiras claras, relações limitadas com parceiros e mercados estáveis está evoluindo. Atualmente, as tecnologias podem avançar um redesenho das relações interorganizacionais, permitindo às companhias melhorarem a coleta de informações sobre o seu ambiente de além da fronteira, estabelecerem parcerias baseadas em meios eletrônicos com seus clientes e fornecedores e compartilharem plataformas e mercados eletrônicos com seus concorrentes. As empresas se comunicam com seus clientes por meio de várias mídias. Por muitos anos, as tecnologias vêm alterando profundamente a visão tradicional de mídia de marketing, compra e venda. Os ambiente intermediados por computadores, tal como a Internet, permitem uma outra maneira de alcançar os consumidores e incentivam compradores e vendedores a incrementarem sua utilização, por possibilitar melhora na comunicação com seus clientes, mais eficiência nas relações de venda e mais atratividade nos seus mercados. Customização em Massa: A natureza baseada em informações dos processos de TI permite que os novos produtos sejam criados ou já existentes sejam customizados de maneiras inovadoras. A customização em massa oferece a oportunidade do cliente tomar parte do projeto do próprio produto ou serviço. 37 Inovação de Produtos: A flexibilidade e o poder de resposta são as novas regras no ambiente empresarial atual, facultadas pela TI. A estratégia de produzir e vender da era industrial foram substituídos pela de sentir e responder rapidamente às mudanças das necessidades e particularidades dos clientes. Além disso, com base na natureza instantânea, o sistema de TI permite reduzir o ciclo de vida de produzir e entregar produtos e serviços. Novos Canais de Vendas e Distribuição: Em virtude de seu alcance direto e natureza bidirecional na comunicação de informações, os sistemas de TI representam um novo canal de vendas e distribuição para os produtos, existentes ou novos. Promoção de Produtos: Por meio de contato direto, rico em informações e interativo com os clientes, a TI pode melhorar a promoção dos produtos e serviços. Novas Oportunidades de Negócio: Alterando as estruturas dos setores, os sistemas de TI ensejam o surgimento de novos modelos de negócios, baseados na ampla disponibilidade de informações e sua distribuição direta com os clientes e fornecedores. Estratégia Competitiva: A TI pode colaborar com a estratégia competitiva ao: 1. Proporcionar vantagens de custos; 2. Permitir a diferenciação de seus produtos e serviços; 3. Possibilitar melhor relacionamento com os clientes; 4. Permitir a entrada mais fácil em alguns mercados; 5. Possibilitar o estabelecimento de barreiras de entradas; 6. Auxiliar a introdução de produtos substitutos; 7. Facilitar a eliminação de intermediários; 8. Facultar o surgimento de novos intermediários que adicionem valor por meio de informação; 38 9. Permitir novas estratégias competitivas com o uso de sua tecnologia. Economia Direta: Utilizando uma infra-estrutura digital pública e compartilhada tal como a Internet, comparada a uma infra-estrutura própria, a TI pode reduzir significativamente, os custos de comercialização, distribuição e serviços a clientes. Infra–estrutura Pública: A criação e utilização de uma infra-estrutura pública, que seja composta de equipamentos de acesso, estruturas de alcance local e redes globais de informações, é a forma de garantir o fácil e livre acesso a um custo não proibitivo ao ambiente digital da TI. (RAE, pp 44/45, 2001) Percebe-se, portanto, o quanto a Tecnologia de Informação tem evoluído para sustentar a sobrevivência e o crescimento das organizações. O grande desafio, contudo é saber selecionar, integrar e disponibilizar as ferramentas adequadas ao seu contexto organizacional. Muitos são as opções e pacotes tecnológicos disponíveis, porém poucas, ainda, são as empresas que sabem extrair destes todo o seu potencial. A otimização dos processos, mudança de cultura passando-se a utilizar efetivamente a informação no dia-a-dia é que faz a diferença em relação à concorrência, por meio da melhoria geral da competitividade. Não adianta ter um sistema com tecnologia de ponta, se ele não atende pré-requisitos básicos do processo. O fato de uma empresa ter um ótimo sistema de informação, mas com tecnologia ultrapassada, também é ruim. Portanto deve haver um equilíbrio entre a tecnologia do sistema e o que ele oferece em termos de informação gerada para que se obtenha sucessos em suas operações. 39 3 - Questões Operacionais 1. Os objetivos da empresa estão bem definidos? 2. Os clientes têm se mantidos fiéis à empresa? 3. Como a TI contribui para a competitividade da organização? 4. Existem indicadores que demonstrem o impacto das ferramentas de TI utilizadas atualmente? A exemplo de agilidade e acertividade? 5. Como é avaliado o grau de satisfação do cliente? Há monitoramento? 6. Quais as ferramentas de TI atualmente utilizadas? 7. Em que departamentos essas tecnologias mais auxiliam? 8. O que a empresa pretende obter com a TI? 9. Como a empresa tem capacitado seu pessoal para utilizar essa nova tecnologia? 40 4 - METODOLOGIA 4.1 Abordage m Foi utilizando a abordagem qualitativa, mais especificamente o estudo de caso, uma vez que se buscou conhecer as práticas, a cultura, estratégias, desempenho, enfim, todos os elementos importantes em organizações que utilizam a TI no relacionamento com o cliente. 4.2 Loc al O local escolhido foi a cidade do Salvador, uma vez que conhecer as práticas exercidas pelas grandes organizações do mercado dentro da realidade do setor de serviços nesta cidade interessou, particularmente, aos pesquisadores do grupo. 4.3 P opulaç ão/ Amostra População: Inicialmente foram definidas duas empresas de serviços de telecomunicação do setor de telefonia celular na cidade do Salvador (Telebahia Celular e Maxitel). Ao solicitar permissão para a realização do trabalho, a Telebahia Celular não permitiu acesso às informações alegando o momento estratégico do mercado de Telecomunicações que permitirá novos entrantes no ano de 2002. Desta forma, o trabalho foi desenvolvido com foco restrito à Maxitel S/A Amostra: Não probabilística intencional. Definida a população, foram selecionados 03 Gerentes de Departamento: sendo: 01 Gerente de TI, 01 Gerente de Marketing e 01 Gerente de Atendimento ao cliente. Apesar de tentarmos exaustivamente agendar entrevistas com amostra acima só foi realizada entrevista com o Gerente de Atendimento ao Cliente posto que os demais Gerentes estavam em constantes reuniões na Holding localizado em Minas Gerais. 41 4.4 Instrume nto de Cole ta Foi utilizado como instrumento de coleta entrevistas semi estruturadas, através de roteiro apropriado, pois se entendeu que este perfil de instrumento daria ao entrevistado liberdade nas respostas e ao entrevistador um controle no direcionamento do que desejava obter. 4.5 P roc e dime ntos de Cole ta As entrevistas foram realizadas por dois componentes da equipe na sede da empresa Maxitel S/A. Como instrumento auxiliar foi utilizado mini-gravador. As coletas de informações foram realizadas na empresa (no ato da entrevista) e fora desta através da internet, jornais e revistas. 4.6 Tratame nto de Dados Organizada por temas e analisados qualitativamente tendo como foco o referencial teórico . 42 5 - Estudo de Caso Maxitel O nosso estudo buscou explicitar quais as relações da TI com o atendimento ao cliente na empresa de Telecomunicações S/A. A nossa maior fonte de informações foi oriundo de fontes secundárias devido a pouca disponibilidade dos gestores desta organização em nos conceder entrevistas. Foram observados inúmeros pontos positivos quanto à utilização de TI na cadeia competitiva da empresa, porém podemos antecipar que o maior deles é a disponibilidade de investimentos futuros a serem dependidos em Tecnologia de Informações. 5.1 Um pouco sobre a empresa. A Maxitel S/A foi criada a partir da parceria entre a Globopar, Bradesco, Grupo Vicunha e Telecom Italia Mobile. Marcando presença no Brasil desde 1998, opera na banda B com tecnologia 100% digital e possui mais de 960 mil clientes. Atua em Minas Gerais (área 4), Bahia e Sergipe (área 9) cobrindo, respectivamente, 70% e 54% de suas áreas de atuação, totalizando mais de 460 localidades atendidas. Composição Acionária Grandes grupos empresariais se uniram para formar uma das mais inovadoras empresas de telefonia móvel celular do Brasil. Em 1997 foi constituída a Maxitel S/A, em decorrência da parceria entre a Globopar, Bradesco, Grupo Vicunha e Telecom Italia Mobile, com a finalidade de participar do processo de concorrência para operação da banda B de telefonia celular. 43 Figura 1 A Telecom Italia Mobile (TIM), empresa pioneira de telefonia celular na Europa, faz parte de um grupo que emprega aproximadamente dez mil pessoas e possui mais de trinta e cinco milhões de clientes em todo o mundo. Atua principalmente na Itália e possui assinantes na Argentina, Bolívia, Chile, Índia, Grécia, República Tcheca e em outros países. A TIM traz para Minas Gerais, Bahia e Sergipe a tecnologia, o conhecimento do mercado de telefonia celular e o domínio das técnicas de planejamento, comercialização e atendimento ao cliente. O Grupo Vicunha é um dos maiores grupos privado nacionais, conhecido principalmente por sua atuação na área têxtil, onde iniciou suas operações. Seus negócios têxteis estão concentrados na holding operacional Vicunha Nordeste S/A, que constitui hoje o maior conglomerado têxtil da América Latina. Emprega 15 mil pessoas e tem participações acionárias importantes na Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), na Maxitel e na Cegás (Cia de Figura 2 distribuição de gás no Ceará). Figura 3 A Globopar, empresa holding das Organizações Globo, surgiu em 1925, a partir da fundação do jornal O Globo que, atualmente, emprega cerca de 24 mil pessoas. Seus principais negócios são a televisão por assinatura e os equipamentos e serviços de telecomunicações. 44 Figura 4 O Bradesco é o maior banco privado brasileiro, com agências instaladas em todo o território nacional. É uma instituição pioneira na adoção de novas tecnologias, sendo considerada uma das 100 maiores empresas do mundo que melhor utilizam a informática. Ações Pioneiras Como registro da atuação da empresa, destaca-se o pioneirismo nos lançamentos do serviço celular digital, da habilitação gratuita, a segmentação de produtos e uma revolução no mercado com a comercialização do celular sem conta, o Alô!Card primeiro pré-pago digital do país -, sucesso de vendas por não cobrar assinatura mensal e não possuir conta no final do mês. 5.2 O Sistema De Telefonia Celular Diferente da telefonia fixa que utiliza fios para conectar seus usuários, o sistema de telefonia móvel celular permite que o Cliente se comunique através de ondas de rádio que são emitidas do seu aparelho, para antenas distribuídas por toda a área de serviço. Estas antenas fazem parte das Estações Rádio Base (ERB), que reconhecem o seu código de identificação, o código do aparelho do Cliente e o número telefônico da pessoa com quem você quer falar. A ERB mais próxima de você recebe estes sinais e os envia para uma Central de Comutação e Controle (CCC), que se encarrega de conectar o Cliente à pessoa para quem ele ligou. Toda essa operação dura milésimos de segundos. Para que o Cliente seja localizado, a ERB troca sinais com o aparelho do Cliente durante todo o tempo, permitindo que ele faça ou receba suas ligações. A TECNOLOGIA DIGITAL - Oferecer o melhor serviço digital de telefonia celular é o maior objetivo da empresa. Por esta razão, a Maxitel optou por trabalhar com 45 o fabricante líder de sistemas de telefonia celular no Brasil e no mundo que utiliza um padrão de tecnologia (TDMA- Time Division Multiple Access ), totalmente testada e aprovada por seus usuários. Na Tecnologia Digital a voz é transformada numa seqüência de 0´s e 1´s especialmente codificada, como no computador, reduzindo consideravelmente as distorções e ruídos na comunicação, garantindo, assim, melhor qualidade nas suas ligações. No Sistema Analógico, a voz é transformada em sinais elétricos contínuos no tempo, sendo portanto mais sujeitos a ruídos e interferências. PRINCIPAIS VANTAGENS DA TECNOLOGIA DIGITAL 1. Eliminação de linhas cruzadas e redução considerável de ruídos; 2. Mais privacidade, sem interferência de terceiros em suas ligações; 3. Menor possibilidade de congestionamento de ligações; 4. Maior rendimento das baterias; Possibilidade de usufruir novos serviços como: 1. Identificação de chamadas, 2. Aviso de mensagem no display do seu aparelho. COBERTURA Dentro da área de cobertura você poderá fazer e receber chamadas com o seu celular Maxitel. A Maxitel está investindo para ampliar cada vez mais a cobertura disponível e hoje já conta com 183 localidades cobertas em Bahia e Sergipe. Figura 5 071 - 71 localidades cobertas 073 - 25 localidades cobertas 074 - 8 localidades cobertas 075 - 40 localidades cobertas 077 - 12 localidades cobertas 079 - 27 localidades cobertas 46 287 localidades cobertas em Minas Gerais. Figura..6 031 - 109 localidades cobertas 032 - 23 localidades cobertas 033 - 17 localidades cobertas 034 - 30 localidades cobertas 035 - 45 localidades cobertas 037 - 29 localidades cobertas 038 - 34 localidades cobertas 5.3 Atualidades da Maxitel Atualmente a empresa conta com 1200 empregados tendo em Salvador apenas as áreas de Tecnologia de Rede, Vendas e Call Center. A rede de vendas da empresa é franqueada possuindo apenas uma loja de vendas própria. A área administrativa assim com os departamentos de gestão ao cliente, Marketing, Recursos Humanos estão centralizados em Minas Gerais – Belo Horizonte. Esta estrutura foi reformulada recentemente com o objetivo de maximizar os recursos disponíveis a nível Brasil e conseqüentemente conquistar redução de custos. A empresa encontra-se em fase de transição acionária. A TIM, acionista majoritária, está assumindo a gestão da empresa e, conseqüentemente uniformizando os processos em toda a sua área de atuação. Isto trará mudanças significativas em toda a organização atingindo possivelmente a marca do serviço. 47 5.4 Competitividade A Maxitel está inserida em um mercado altamente competitivo que depende de uma constante postura arrojada antecipando-se aos seus concorrentes globais. Pelo que foi observado durante a entrevista e de acordo com o material secundário pesquisado, se pode observar a característica pioneira que a empresa enfatiza aos seus produtos e serviços. Ao analisar sob a ótica de Michael Porter, na sua obra Estratégia Competitiva, verifica-se a utilização da estratégia de diferenciação como foco de suas ações. Sempre em busca de inovação e incrementos nos serviços a empresa foi responsável pelo lançamento de três novos serviços/produtos em sua área de atuação (cobertura digital, habilitação com tarifa zero, serviço pré-pago). Há um acompanhamento de custos mas não é este o foco de seu planejamento estratégico. Apesar de ter iniciado as suas atividades com ações pioneiras, a empresa não está mantendo esta posição. Já podem ser observadas algumas ações da concorrente atual lançadas em primeira mão no mercado baiano como, por exemplo: o serviço de acompanhamento de contas empresarias e descontos em relacionamentos. Com relação ao planejamento estratégico, a empresa nos meses de agosto e setembro, reuniu o seu corpo diretivo para traçar os objetivos e metas para o ano seguinte. Neste ano, por exemplo, já foram traçadas as metas de 2002 e 2003. Dez metas são chaves e estabelecidos pela Presidência da Holding. Diante disto cada diretoria, junto ao presidente, assume alguma destas metas e realiza o seu desdobramento de metas para seus supervisores. Desta forma alinha as atividades finais às macro estratégias organizacionais em todas as suas dimensões hierárquicas o que pode vir a garantir o seu posicionamento no mercado de telecomunicações. Na época de sua implementação e durante o planejamento estratégico foram criados: 48 MISSÃO: A Maxitel tem como missão prover serviços de telecomunicação celular para as suas áreas de concessão, em níveis de qualidade que atendam às expectativas de seus clientes, seus acionistas e seus colaboradores, de acordo com as leis brasileiras, ambientais, éticas e sociais. VISÃO: A Maxitel será a melhor provedora de serviço de telecomunicação celular no Brasil e, para isso, deve adotar uma gestão transparente, participativa e ser formada por profissionais altamente qualificados e motivados para atingir os resultados da empresa. Uma dimensão competitiva é o fator interno, onde a empresa tem como monitorar e regular as suas atividades: gestão, recursos humanos, produção. Neste aspecto podemos observar uma forte atuação quanto ao treinamento e desenvolvimento de seus gestores, recursos humanos, ao verificar que a empresa promove MBA’s in company para o corpo gerencial, treinamentos técnicos específicos, incentivos a cursos de graduação e pós-graduação e idiomas. Um outro fator positivo é um organograma horizontalizado com poucos níveis hierárquicos facilitando a comunicação interna e a tomada de decisão. O mercado de Telecomunicações no ano de 2002 tende a ficar ainda mais competitivo com a entrada na Bahia de um novo concorrente que já atua no mercado de telefonia fixa. A tendência é que este concorrente adote uma estratégia de custos visto que poderá vir a viabilizar pacotes econômicos quando da aquisição de produtos móveis aliados aos produtos fixos. Um outro foco e vantagem competitiva deste entrante é a transmissão de dados que pode ser viabilizada através do pacote tecnológico que está sendo implementado. Quanto à linha de produção, esta estrategicamente utiliza a tecnologia padrão – pacotes prontos copiados/adaptados da Europa, principalmente Itália, customizados ao mercado local – customização. Contribuição indireta na competitividade. A Maxitel estará implementando uma nova tecnologia no Brasil que permitirá a incorporação de novos serviços como o roaming mundial e agilidade de transmissão de 49 dados. Esta ação será mais uma ação pioneira no mercado Nacional ao disponibilizar para o cliente a opção de adquirir dois tipos de tecnologias digitais em uma mesma operadora. É mais um passo na conquista de mercado e manutenção de posicionamento de market share. 5.5 Qualidade de Serviços A Maxitel conquistou em julho de 2000 a certificação ISO 9002 nos escopos relacionados com os clientes tais como: atendimento ao cliente, habilitação e venda de aparelhos em lojas, sistemas de faturamento e emissão de conta e gerenciamento da rede. A empresa recebeu o certificado com padrão de qualidade internacional ISO 9000 da empresa certificadora RINA (Registro Italiano Navale). Esta conquista faz parte da implantação de uma cultura gerencial fundamentada no Programa de Gestão pela Qualidade Total, onde a padronização dos processos e a melhoria contínua das atividades abriram espaço para a inovação das rotinas de trabalho. A certificação foi resultado de um amplo projeto de Desenvolvimento Gerencial Estratégico que vem sendo implantado pela Maxitel. Nos dois últimos anos já foram investidos cerca de R$ 5 milhões em treinamento de pessoal. Os executivos atingem 110 horas de treinamento ao ano e os demais funcionários ficam na faixa de 80 horas/ano, bem acima da média 25 horas/ano praticada pelo mercado em geral. “Só é possível falar em qualidade e satisfação do cliente se há investimento contínuo no desenvolvimento da equipe”, analisou Mário Mariz, ex-presidente da Maxitel. Para ele um dos maiores desafios da empresa foi à criação de uma cultura própria e a implantação de método de gerenciamento focado no cliente, através da padronização dos processos e de melhoria contínua da qualidade. “Começar uma empresa do zero significa, no caso da Maxitel, em curto espaço de tempo contar com 1.200 funcionários oriundos de diversas empresas e, portanto, com métodos de trabalho diferenciados. Equilibrar o conhecimento e criar um sistema de gestão própria, com a participação de toda a equipe é uma vitória”, diz Mariz. 50 Todo o processo de Gestão pela Qualidade Total foi implantado na empresa, nos estados de Minas Gerais, Bahia e Sergipe, com a consultoria da Fundação de Desenvolvimento Gerencial (FDG), de Minas Gerais. O processo é o conjunto de esforços gerenciais que objetiva a estabilidade e confiança das atividades empresariais. Há o estímulo diário para a melhoria constante dos procedimentos e o alcance dos os resultados esperados. Para acompanhar a qualidade dos serviços oferecidos, a Maxitel utiliza diversos indicadores que permitem o monitoramento do atendimento ao cliente Desenvolvimento gerencial com foco na Qualidade Total Para o presidente da Maxitel, a conquista da certificação ISO 9002 é uma etapa de um processo constante de aprimoramento do modelo de gestão. Além da parceria com a FDG para a implantação de modelo gerencial pelas diretrizes da qualidade, a Maxitel trabalha com a consultoria da Fundação nas áreas de planejamento estratégico e orçamento matricial. Com o Ibmec a Maxitel fez parceria para o lançamento, em março passado, do primeiro MBA em Telecomunicações, com turma fechada para a empresa e aula inaugural com presença do Ministro das Comunicações Pimenta da Veiga. Ainda como parte do projeto de Desenvolvimento Executivo, a Maxitel estruturou com a Fundação Dom Cabral um MBA em Negócios, para formação de executivos, dividido em vários módulos aplicados ao longo do ano dentro da própria empresa. Outra pós-graduação patrocinada pela empresa, através do Instituto de Educação Tecnológica (IETEC), é a de Gerenciamento de Projetos, destinada principalmente para engenheiros da área de tecnologia. PROGRAMA DE GESTÃO PELA QUALIDADE TOTAL Com base neste pressuposto, o projeto teve uma estrutura conceitual e prática "Up to Date" representada pelos modelos de Gerenciamento pelas Diretrizes (Management by Policy), Gerenciamento pela Rotina Dia-a-Dia (Daily Work Routine Management) associados ao processo de padronização e controle de processo ISO 9000. 51 A implantação se deu em diversas fases, onde cada Unidade Gerencial Básica UGB definiu seu negócio, sua missão, identificou seus principais produtos, clientes fornecedores e insumos, para depois começar a controlar seus resultados que associados a metodologia de controle de processos preconizada pela ISO 9000 e com o desdobramento das metas, nos mais diversos escalões, acabam por gerar resultados significativos. Com certeza tem-se agora maior objetividade para conquistar os resultados, assim como a construção de uma relação cliente/fornecedor, interno e externo, mais eficiente e direta, tendo um corpo de colaboradores alinhados as estratégias empresariais, permitindo a cada Unidade Gerencial Básica, construir com suas equipes os resultados esperados. Isto tudo procura assegurar que a Maxitel esteja perfeitamente sintonizada ao cenário que hoje identificamos no mercado globalizado, onde se exige das empresas agilidade, estruturas enxutas e um corpo gerencial e funcional com amplos conhecimentos do negócio, objetivos e valores compartilhados, com forte sensibilidade para captar mudanças e transforma-las em oportunidades de melhoria. (Intranet Empresa) 5.6 Política da Qualidade Maxitel S/A “Prover serviços de telecomunicação celular, atendendo às necessidades e expectativas dos clientes, garantindo o retorno aos acionistas, a satisfação dos colaboradores, a parceria com fornecedores e o envolvimento com a comunidade”. De acordo com todos os procedimentos de qualidade apresentados, se pode perceber que a Maxitel está sempre medindo os serviços prestados aos clientes internos e externos. Para obter os resultados esperados, a empresa investe em treinamento e capacitação dos colaboradores das áreas ligadas à linha de frente de atendimento direto ao cliente. A garantia que tem da qualidade do seu serviço é o retorno dos seus clientes. No momento da necessidade dos seus serviços é revelado o potencial do atendimento ao gerar soluções de problemas. Desta forma o momento da verdade, encanta o seu cliente. 52 Para chegar a este encantamento, a empresa adota vários procedimentos como: rapidez, objetividade nas informações prestadas, ofertas de novos produtos e serviços e soluções apropriadas a suas necessidades. Mesmo dispondo de sistemas de tecnologias que facilitam o contato cliente/ empresa, onde é verificado o histórico de cada cliente, agilizando o atendimento não se chega à satisfação total destes. Um outro aspecto identificado é a falta de procedimentos e atenção ao pré e pós compra. As atividades de retenção, fidelização e recuperação de clientes estão bem restritas aos clientes classificados como A ou B – de grande rentabilidade- não havendo medidas intermediárias para todos os clientes, sem distinção. Este tipo de ação pode levar a empresa a não identificar o teor da qualidade percebida pelo cliente por não manter com estes, um relacionamento próximo e estreito. Neste momento é que entra o fator humano, quando o atendente irá identificar exatamente o que o cliente está buscando para que o momento da verdade saia do risco MVT (momento da verdade trágico). Em um dado momento, a empresa focou em um segmento de mercado – celular pré-pago (sem conta) – ficando menos ativo o processo com os clientes de assinatura (contrato pré-estabelecido com conta faturada mensalmente). Isto gerou uma insatisfação que foi detectada por um dos processos de medição aplicado pela empresa. Devido a isto e objetivando uma ação mais ampla, ocorreu um investimento na aquisição de modernos equipamentos tecnológicos com a finalidade de direcionar os clientes automaticamente para células de atendimento especificadas previamente a atender e solucionar as questões apresentadas. Com este modelo apresentado a empresa percebeu que, atingir seus objetivos, representa o cliente sendo atendido em seus anseios e expectativas. Esta medição é constante e é de conhecimento de todos os envolvidos no processo e com a única finalidade: Satisfazer plenamente o cliente externo e interno. 53 A empresa busca identificar se precisa melhorar. Uma vez confirmada esta necessidade direciona suas ferramentas de medição objetivando a solução proposta. Obter os resultados de uma organização, identificando claramente seus pontos melhorados e a melhorar, tendo a ferramenta de medição à disposição é possível cessar os pontos desfavoráveis, obtendo resultados satisfatórios ao cliente externo e interno. Portanto, que a Maxitel, possui um sistema da qualidade voltado a normatização de procedimentos que visam a manutenção da qualidade do serviço prestado e o aprimoramento dos processos com base no desenvolvimento do ser humano – seus colaboradores. A empresa, como a maioria das organizações no segmento de telecomunicação móvel, é nova e está em busca do amadurecimento dos seus processos. Isto implica em ter, atualmente, procedimentos extensos e que exigem uma grande quantidade de controles. Isto pode vir a prejudicar o foco de suas atividades no “core business” e diminuir o ritmo das operações fundamentais. Mesmo assim, consideramos que a empresa mesmo em curto tempo de atuação no mercado, encontra-se em um processo avançado em busca da satisfação de seus clientes objetivando o sucesso desta operação com a redução de inconsistências apresentadas. . 5.7 Ferramentas de Relacionamento com o cliente x T.I O principal projeto da Maxitel para promover o relacionamento com o cliente foi a implantação do CRM como filosofia. Todo o processo foi conduzido por um grupo interdisciplinar envolvendo Marketing, Qualidade e Tecnologia da Informação. A sua implantação iniciou em março de 2001 com a aquisição do pacote tecnológico envolvendo o Sistema de Atendimento ao Cliente que iniciou com a implantação de novo PABX, fabricante (Lucent), permitindo a introdução de novos serviços de auto-atendimento como: ativar e desativar itens de serviços e consulta sobre valor de conta, a instalação da URA (Avaya) ponto de contato com o cliente e o mais importante - Clarify que acompanha a vida do cliente registrando todos os contatos feitos, solicitações de serviços, reclamações, cartas, e-mail, assim como informações gerais tais como: data de nascimento, média de conta, além de permitir a realização de 54 medições diárias do nível de atendimento (ex. Quantidade de serviços solicitados diários, Ranking de reclamações, Indicadores da Anatel) permite aos atendentes comerciais analisar on line o perfil do cliente em atendimento permitindo agilizar o tempo e a qualidade de atendimento de forma global. Além disto foram implantados medidores que permitem analisar o PCA´s – Percentual de Chamadas Atendidas, TMR – Tempo Médio de Resposta e TME – Tempo Médio de Espera. Com estas informações a empresa passou a avaliar quais sistemas/ processos devem ser desenvolvidos/ aprimorados para melhorar os serviços. Duas formas de monitoramento prático utilizado atualmente: área de fidelização que entra em contato periodicamente com o cliente para mostrar a preocupação da empresa com a qualidade do serviço, situação da cobertura, se há pendência, grau de satisfação e pesquisa anual abordando os seguintes itens: rede, qualidade de rede, atendimento telefônico e loja, resolução de problemas, visão geral da empresa. Os resultados são apresentados em meado de dezembro. O acompanhamento dos processos no ano seguinte é realizado com base na pesquisa. Pode-se concluir que a adoção de ferramentas tecnológicas integradas embasadas no CRM e Marketing One to One, estão perfeitamente sintonizados com a estratégia competitiva da empresa, porém, podemos verificar a pouca ênfase dada quanto à conscientização e informação dos colaboradores durante o processo de implantação. Isto poderá gerar inúmeras perdas quanto à qualidade e velocidade de implementação do programa. Outra forte fonte de informações e contato com os clientes é a página da empresa lançada na Internet lançada em 1998 que permite aos clientes realizar inúmeras operações e compras além de obter informações quanto a todos os produtos e serviços disponíveis na empresa. Internamente é utilizada a Intranet como principal fonte de informações para todos os funcionários. Nela está contido tanto todo o procedimento de vendas, quanto as informações genéricas de mudança estruturais atualizadas diariamente. Não foi realizado, porém, a utilização de extranet que permita o contato com fornecedores em área segura e restrita. 55 Um lançamento em termos de ferramentas tecnológicas, realizada em 2001, visando o relacionamento com o cliente, foi a inauguração da loja modelo concebida dentro do novo conceito de atendimento ao cliente, onde a ênfase é o auto-serviço. A loja, que custou um investimento de R$ 400.000 oferece, em seus 300 metros quadrados, desde um sofisticado show-room até conserto rápido de aparelhos celulares, além de duas máquinas de auto-atendimento, através das quais será possível fazer compras e retirar segunda via de contas telefônicas, entre outros serviços. A meta da Maxitel é adequar todas as suas unidades ao novo conceito. A operadora deverá investir aproximadamente R$ 2,5 milhões no processo de reestruturação da rede de vendas no ano de 2002. O objetivo da Maxitel é proporcionar agilidade no atendimento contando com a automatização dos processos. Um bom exemplo é a assistência técnica relâmpago, com máquinas de diagnóstico de última geração, que vão permitir rapidez na identificação e solução do defeito. Um ponto positivo desta implantação é que o atendimento pessoal continua disponível para que os clientes possam optar pela utilização deste novo serviço. Os próximos passos no processo de implantação de CRM da Maxitel envolverão, cada vez mais, a integração de sistemas informatizados existentes para que venha a permitir o acompanhamento cada vez mais próximo e individualizado dos clientes. Visualiza-se, por exemplo, a consulta de crédito integrada que permitirá ao atende consultar órgãos financeiros e cadastro interno anti-fraude simultaneamente. Porém, se precisa estar atento a outros aspectos. O atendimento diferenciado é apenas o começo. Medir, por exemplo, quantos problemas foram resolvidos na primeira ligação, quantas informações novas sobre o cliente foram “descobertas” por ligação, qual a quantidade de novos produtos ou serviços que pôde ser oferecido ao cliente, com base em diálogos anteriores etc. Em um call center one to one, o agente é incentivado a ficar na ligação mais tempo com os melhores clientes. Estas adaptações precisam ser realizadas na empresa em estudo. Todo o parque tecnológico da empresa é constantemente atualizado e monitorado tendo como referência os parâmetros europeus. A meta da empresa é sempre utilizar 56 uma tecnologia avançada que funcione e que não gere tantos custos para corrigir e aprimorar os serviços. De acordo com o corpo diretivo da empresa, tem que se estar constantemente de olho no mercado e precavendo os up-grades futuros. Os treinamentos são sempre elaborados com foco no usuário quanto para os administradores de sistemas incluindo visitas técnicas. Para adquirir novas ferramentas é realizada em primeiro lugar uma pesquisa de mercado para saber o que há disponível sendo influenciada pelos seguintes fatores: 1. Mercado, preços, comportamento em outras empresas/ melhores práticas. 2. Filosofia da Holding para que os sistemas conversem entre si e obtenham as maiores vantagens. Tendência de centralização na holding para gerar sincronia 57 6. CONCLUSÃO Hoje, empresas de sucesso são aquelas que conseguem aumentar a taxa de inovação, lançar produtos e serviços mais rapidamente, atender à demanda com tempos de espera menores e conquistar maior confiabilidade. A procura de uma vantagem competitiva sustentável tem se tornado uma preocupação de todas as empresas atentas às realidades do mercado. Não se pode mais pressupor que os produtos atuais, por mais excelentes que sejam, vão continuar a vender sempre. O desafio para uma organização que pretende ser líder em serviço ao cliente é conhecer as exigências dos diferentes segmentos em que atua e direcionar os seus processos de logística ao cumprimento dessas exigências. A disponibilidade do produto de acordo com a conveniência do cliente está superando a fidelidade à marca ou a um determinado fornecedor. Este conhecimento para ser viabilizado diante da imensidade de informações disponíveis a respeito de consumidores cada vez mais exigentes necessita estar muito bem relacionado com as Ferramentas de Tecnologia de Informações. Após análise da Maxitel sobre todos os aspectos citados no Referencial Teórico deste trabalho, especificamente em relação à utilização da Tecnologia da Informação em seus processos, é plenamente observável a forte conexão e contribuição da tecnologia de informação no relacionamento de clientes na Maxitel. Todos os serviços e produtos são sustentados em tecnologia e empresa, que em sua essência é constituída por tecnologia, procura constantemente fazer amplo uso desta. Toda a sua base de dados dos clientes está suportada em plataformas tecnológicas que interagem on line em diversos departamentos da empresa. Os serviços de auto-atendimento ficarão cada vez mais presentes através de lojas e WEB. E o ponto mais forte está na pré-disposição da empresa em investir cada vez mais em recursos automatizados e inter-relacionados como se pode observar na modificação de concepção de lojas próprias com foco no auto-atendimento e alteração de planta tecnológica, atualmente TDMA, para GSM que permitirá ao cliente ter serviço de roaming mundial. 58 Pode-se concluir que a empresa acredita fortemente que o sucesso de suas operações está no investimento em Tecnologias diferenciadas e competitivas As ferramentas tecnológicas, de relacionamento com o cliente, utilizadas são, com raras exceções, as melhores disponíveis no mercado. É uma empresa nova que já iniciou suas atividades com tecnologia de ponta e serviços inovadores continuando na disputa para manter este aspecto pioneiro. Precisa aprimorar muito nos aspectos de desenvolvimento humano aliados ao crescimento tecnológico. Por exemplo, deveria ter um programa de divulgação intensa de incorporação da filosofia de Marketing One to One baseado no CRM – Customer Relationship Management. Alguns indicadores de desempenho podem ser aprimorados para que possam ter referências mais apuradas e individualizadas quanto aos diversos segmentos de mercado em que atua. 59 7. Referências Bibliográficas: CORREA, Paulo & KUPFER, David. Padrão de concorrência e dinâmica competitiva: o caso da indústria brasileira de máquinas-ferramenta. Rio de Janeiro: IEI/UFRJ, 1991. FERRAZ, J.C., KUPFER, D. & HAGUENAUER, L. Made in Brazil: Desafios Competitivos para a Indústria. Rio de Janeiro: Campus, 1995. HAGUENAUER, Lia. Competitividade: conceitos e medidas. Uma resenha da bibliografia recente com ênfase no caso brasileiro. Rio de Janeiro: UFRJ/IEI, 1989. McKENNA, Regis Marketing de Relacionamento, São Paulo Editora Campus, 1999. Pág PORTER, Michael. Estratégia competitiva: Técnicas para análise da indústria e da concorrência. 7 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1991. PORTER, Michael. Vantagem competitiva: Criando e sustentando um desempenho superior. 6 ed. Rio de Janeiro: Campus, 1992. RODRIGUEZ, Martius Rodriguez y & FERRANTE, Agustin Juan Tecnologia de Informação e Gestão Empresarial. Rio de Janeiro Editora e-papers, 2000. QUENTIN, Hardy. Atrás das Barras. Revista FORBES Brasil, Ano I – nº 5 – novembro de 2000. Pag 100. Editora Camelot. PEPPERS & ROGERS, Group. CRM em tempos de Desaquecimento Econômico, março de 2001 PEPPERS & ROGERS, Group. CRM SERIES – MARKETING 1 TO 1, São Paulo, 2ª Edição. Editora Makron Books PONTES, Célia, Gerenciamento Estratégico de Informação nas Empresas Industriais do Setor de Telecomunicações no Brasil, São Paulo, 2001. REVISTA RAE São Paulo Volume 41, número 3, p. 42-50, Jul./Set. 2001. 60 .8 ANEXOS 61 Intrumento de Coleta de Dados - Piloto TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO x RELACIONAMENTO COM O CLIENTE Local: Data: Entrevistador: Nome: Cargo Departamento Os objetivos da empresa estão bem definidos? Quais os objetivos e metas do seu departamento? Como eles são elaborados? Quem as define? O processo é participativo ou autocrático? Como é a interrelação das metas do seu setor com as dos outros setores? Como a TI contribui para a competitividade da organização? Como e quando é feita a análise do mercado? Como é analisado o impacto da TI no negócio? Existem indicadores que demonstrem o impacto das ferramentas de TI utilizadas atualmente? A exemplo de agilidade e acertividade? Cite os indicadores do seu departamento Há algum que envolva a acertividade/ agilidade/ eficácia da Tecnologia de Informação? Como é avaliado o grau de satisfação do cliente? Há monitoramento? Qual a política de monitoramento para os clientes? É realizado algum estudo da satisfação do cliente face à automatização no atendimento call centers com atendimento automático/ postos de compras de cartão de recarga eletrônicos/ informações/ solicitações de serviços via internet entre outros. Há mapeamento de mercado? Quais as ferramentas de TI atualmente utilizadas? Quais as ferramentas de TI atualmente utilizadas no seu departamento que influenciem diretamente no relacionamento com o cliente? Em que departamentos essas tecnologias mais auxiliam? Em que departamentos essas tecnologias mais auxiliam? O que a empresa pretende obter com a TI? É feito alguma análise periódica dos processos da organização? O que a empresa espera ao adotar novas ferramentas de TI no atendimento ao cliente? Como é analisada a necessiadade de uma nova ferramenta para auxiliar/aprimorar os processos? Como a empresa tem capacitado seus colaboradores para utilizar essa nova tecnologia? Como é elaborado o plano de treinamento? É realizado plano específico prevendo atualização/ aprimoramento das ferramentas de tecnologia? Em Lojas de vendas próprias e vendedores sub-contratados, como o treinamento é realizado? 62 ISTRUMENTO DE COLETA DE DADOS 1. Os objetivos da empresa estão bem definidos? 2. Os clientes têm se mantidos fiéis à empresa? 3. Como a TI contribui para a competitividade da organização? 4. Existem indicadores que demonstrem o impacto das ferramentas de TI utilizadas atualmente? A exemplo de agilidade e acertividade? 5. Como é avaliado o grau de satisfação do cliente? Há monitoramento? 6. Quais as ferramentas de TI atualmente utilizadas? 7. Em que departamentos essas tecnologias mais auxiliam? 8. O que a empresa pretende obter com a TI? 9. Como a empresa tem capacitado seu pessoal para utilizar essa nova tecnologia?