UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE EM INSTITUIÇÕES PÚBLICAS Por: Deise de Fátima dos Santos Orientador Prof. Jorge Tadeu Vieira Lourenço Rio de Janeiro 2012 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA IMPLANTAÇÃO DO SISTEMA DE GESTÃO DA QUALIDADE EM INSTITUIÇÕES PÚBLICAS Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Qualidade. Por: Deise de Fátima dos Santos Administração da 3 AGRADECIMENTOS Agradeço aos meus pais, Manuel e Fátima, pela vida; ao meu esposo João, pelo amor e incentivo; à minha querida filha Marianna, minha razão de viver; e que sirva de estímulo em sua vida, aos meus professores e ao meu orientador pelo apoio e compreensão. 4 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho a Deus, por me dar força interior e coragem para concluir este trabalho, e pela perseverança em não desistir nunca. 5 RESUMO O objetivo desta monografia é verificar se a implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade em instituições públicas, especificamente instituições da Marinha do Brasil prestadoras de Cursos do Programa do Ensino Profissional Marítimo, pode acarretar uma melhoria na qualidade dos serviços prestados, na satisfação dos clientes e na imagem da organização. Para alcançar esse objetivo procedeu-se à busca de informações baseada em pesquisas em livros e sites especializados. Aliado a isso, utilizou-se a técnica da realização de entrevista. Foi apresentada a evolução do conceito e da prática da qualidade que apresenta uma visão histórica e conceitual sobre o tema qualidade. Foram abordadas também as normas que compõem a família ISO 9000, com os princípios e requisitos da gestão da qualidade; e, por último, as etapas para a implantação da certificação e a apresentação dos resultados obtidos nas organizações já certificadas. Concluiu-se que implantação da ISO 9001 traz inúmeros benefícios para a organização. Entretanto, sua implantação requer principalmente o comprometimento da alta direção e de todos da organização, além da alocação de recursos financeiros. 6 METODOLOGIA O método utilizado neste trabalho é o de investigação científica teórico, com base em pesquisa de conceitos e fundamentos a partir de documentos, livros e outras pesquisas de fontes reconhecidas cientificamente. (Livros, Revistas, Artigos e Sites). Para complementar a coleta de dados deste trabalho foram realizadas entrevistas com Representantes da Direção (RD) de algumas instituições prestadoras de Cursos do Programa do Ensino Profissional Marítimo e certificadas pela NBR ISO 9001:2008. 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 CAPÍTULO I A Qualidade 10 CAPÍTULO II A Família ISO 9000 20 CAPÍTULO III Estratégia de Implantação da ISO 9001:2008 30 CONCLUSÃO 43 BIBLIOGRAFIA 45 ÍNDICE 48 ANEXOS 50 8 INTRODUÇÃO Inúmeras instituições do setor privado visualizam claramente as consequências positivas que a implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade pode trazer à sua administração, sendo observado um número crescente dessas empresas que têm procurado a certificação dos seus Sistemas da Qualidade, com base nas normas da ISO 9000. Entretanto, algumas instituições do setor público ainda não percebem os benefícios da implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade. A capacitação para produzir bens e serviços de alta qualidade e aumentar a satisfação do cliente são as principais transformações advindas da obtenção da certificação ISO 9001. A certificação também permite que a empresa mantenha ou amplie as vantagens competitivas em relação às concorrentes, reduza falhas e perdas no processo produtivo e otimize a utilização dos recursos existentes. Os custos da operação se tornam menores e a empresa é vista como confiável pelo mercado. Sendo assim, este trabalho busca apresentar os benefícios da implantação adequada de um Sistema de Gestão da Qualidade em instituições públicas da Marinha do Brasil, prestadoras de Cursos do Programa do Ensino Profissional Marítimo. O Capítulo 1 apresenta, brevemente, a evolução do conceito e da prática da qualidade. Ainda no Capítulo 1 será apresentada uma breve exposição da aplicação dos conceitos da qualidade nas instituições de ensino do Brasil e da Marinha do Brasil. No Capítulo 2 apresenta-se uma evolução da norma da família ISO 9000, proporcionando uma visão geral dos princípios e requisitos da ISO 9001:2008. 9 Finalmente, o Capítulo 3 apresenta de uma forma concisa as etapas para implantação de um sistema de gestão da qualidade até a obtenção da certificação ISO 9001:2008. Ainda no Capítulo 3 destacam-se os resultados e percepções das instituições de Ensino Profissional Marítimo, após a implantação da certificação ISO 9001:2008. 10 CAPÍTULO I A QUALIDADE Um produto ou serviço de qualidade é aquele que atende perfeitamente, de forma confiável, de forma acessível, de forma segura e no tempo certo às necessidades do cliente. (FALCONI, 1999, p 2). 1.1 - Evolução do Conceito de Qualidade Segundo Carpinetti, Miguel, Gerolamo, 2009, ao longo do século XX a gestão da qualidade evoluiu passando por quatro estágios marcantes: a inspeção do produto, o controle do processo, os sistemas de garantia da qualidade e a gestão da qualidade total. O conceito de qualidade também evoluiu ao longo das décadas. Até o início dos anos 50 a qualidade do produto era sinônimo de perfeição técnica. A partir da década de 50, com a divulgação do trabalho de Joseph Juran1 (1990), Deming2 (1990) e Feigenbaun3 (1991), associou-se a qualidade não apenas á perfeição técnica, mas também á adequação aos requisitos do cliente. (CARPINETTI; MIGUEL; GEROLANO, 2009) 1 Joseph M. Juran nasceu na Romênia, em 1904. Já nos Estados Unidos, graduou-se em engenharia e direito. Atuou no Japão no pós-guerra alcançando projeção mundial. Da experiência com empresas japonesas ressaltava o grande envolvimento da alta administração e dos funcionários em vários aspectos da Gestão da Qualidade. (CARVALHO, et al., 2006, p.13) 2 W. Edwards Deming nasceu nos estados Unidos em 1900 e formou-se em engenharia elétrica, com doutorado em matemática e física pela Universidade de Yale. Deming era considerado um Guru da Qualidade, percorreu várias eras da qualidade, tendo sido discípulo de Shewhart, com quem compartilhou o interesse pelas ferramentas estatísticas aplicadas ao controle do processo e pelo método de análise e solução do problema por meio do ciclo PDCA. Contudo, foi no Japão, como especialista enviado pelas Forças Aliadas, que Deming formulou suas principais contribuições. (CARVALHO, et al., 2006, p.11) 3 Armand Feigenbaum nasceu nos Estados Unidos, em 1922 e formou-se em engenharia, com doutorado em ciências, pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT). Tornou-se conhecido por ser o primeiro a tratar a qualidade de forma sistêmica nas organizações, formulando o sistema de Controle Total da Qualidade (TQC). (CARVALHO, et al., 2006, p.14) 11 Qualidade passou a ser conceituada como satisfação do cliente e quanto à adequação do produto ao uso. A NBR ISO 9001:2000, adota essa conceituação ao definir qualidade como ‘grau no qual um conjunto de características inerentes satisfaz a requisitos’. Com base nessa definição, observa-se que existem várias características que conferem qualidade a um produto. Como as características ou parâmetros de qualidade do produto são muitos e de diversos tipos, para efeito de simplificação é conveniente agrupá-los em parâmetros da qualidade perceptíveis para o usuário, conforme apresentados na Tabela 1. Tabela 1 – Parâmetro da qualidade de produto (Extraída, CARPINETTI; MIGUEL; GEROLAMO, 2009 p. 06) Desempenho técnico ou Grau com que o produto cumpre a sua missão ou funcional função básica. Facilidade ou Inclui o grau com que o produto cumpre funções conveniência de uso secundárias que suplementam a função básica. Disponibilidade Grau com que o produto encontra-se disponível para o uso quando requisitado (por exemplo: não está ‘quebrado’, não se encontra em manutenção etc.) Confiabilidade Probabilidade que se tem de que o produto, estando disponível, consegue realizar sua função básica sem falhar, durante um tempo predeterminado e sob determinadas condições de uso. Mantenabilidade ou Facilidade de conduzir as atividades de manutenibilidade manutenção no produto, sendo um atributo do projeto do produto. Durabilidade Vida útil média do produto, considerando os pontos de vista técnico e econômico. 12 Conformidade Grau com que o produto encontra-se em conformidade com as especificações de projeto. Instalação e orientação Orientação e facilidades disponíveis para conduzir de uso as atividades de instalação e uso do produto. Assistência técnica Fatores relativos à qualidade (competência, cortesia etc.) dos serviços de assistência técnica e atendimento ao cliente (pré, durante e pós-venda). Interface com o usuário Qualidade do ponto de vista ergonômico, de risco de vida e de comunicação do usuário com o produto. Interface com o meio Impacto no meio ambiente, durante a produção, o ambiente uso e o descarte do produto. Estética Percepção do usuário sobre o produto a partir de seus órgãos sensoriais. Qualidade percebida e Percepção do usuário sobre a qualidade do imagem da marca produto a partir da imagem e reputação da marca, bem como sua origem de fabricação (por exemplo, made in Japan). 1.2 - Evolução da Prática da Qualidade Inicialmente a prática de gestão da qualidade era limitada ao processo de fabricação, tendo como foco a inspeção e o controle dos resultados dos processos de fabricação. Seu objetivo era garantir a conformidade dos resultados com as especificações. Nas últimas décadas, Juran e Feigenbaun reformularam o conceito da qualidade com o entendimento da importância de um conjunto de atividades ao longo da cadeia produtiva. Essas atividades integradas visam à satisfação do cliente e a garantir a adequação do produto ao uso que se espera dele. Essas contribuições foram fundamentais para o surgimento, anos mais tarde, 13 de sistemas de garantia da qualidade, que evoluíram para os atuais sistemas de gestão da qualidade. A partir da década de 80, além da difusão dos programas da qualidade, e adoção de vários métodos e ferramentas, a gestão da qualidade ficou bastante associada aos sistemas ISO 9000 da qualidade e também os prêmios da qualidade criados no Japão, Estados Unidos, Europa, Brasil e outros países. Os critérios definidos para premiação, assim como o modelo de sistema ISO 9000, se tornaram referência de boas práticas para gestão da qualidade. (CARPINETTI; MIGUEL; GEROLAMO, 2009, p. 10). 1.3 - Organização Internacional para padronização A Organização Internacional para Padronização ou Organização Internacional de Normalização (em inglês: International Organization for Standardization; em francês: L’Organisation International de Normalisation), popularmente conhecida como ISO é uma entidade que atualmente congrega os grêmios de padronização/normalização de aproximadamente 170 países. Fundada em 23 de fevereiro de 1947, em Genebra, na Suíça, a ISO aprova normas internacionais em todos os campos técnicos. A expressão ISO 9000 designa um grupo de normas técnicas que estabelecem um modelo de gestão da qualidade para organizações em geral, qualquer que seja o seu tipo ou dimensão. A sua função é a de promover a normatização de produtos e serviços, para que a qualidade dos mesmos seja permanentemente melhorada. Esta família de normas estabelece requisitos que auxiliam a melhoria dos processos internos, a maior capacitação dos colaboradores, o monitoramento do ambiente de trabalho, a verificação da satisfação dos clientes, colaboradores e fornecedores, num processo contínuo de melhoria do 14 sistema de gestão da qualidade. Aplicam-se a campos tão distintos como: matérias-primas, produtos, processos e serviços. Segundo Mello, et al., 2009, a adoção das normas ISO é vantajosa para as organizações uma vez que lhes confere maior organização, produtividade e credibilidade – elementos facilmente identificáveis pelos clientes - aumentando a sua competitividade nos mercados nacional e internacional. Os processos organizacionais necessitam ser verificados através de auditorias externas independentes. 1.3.1 - Antecedentes Desde os seus primórdios, a industrialização levantou questões relativas à padronização, ao gerenciamento de processos e à qualidade dos produtos. No início do século XX, destacaram-se os estudos de Frederick Taylor visando racionalizar as etapas de produção, aproveitados com sucesso por Henry Ford, que implantou a linha de montagem. A padronização internacional começou pela área eletrotécnica, com a constituição, em 1922, da International Electrotechnical Commission (IEC). O seu exemplo foi seguido em 1926, com o estabelecimento da International Federation of the National Standardizing Associations (ISA), com ênfase na engenharia mecânica. As atividades da ISA cessaram em 1924, durante a Segunda Guerra Mundial. Com o final do conflito, em 1946, representantes de 25 países reuniram-se em Londres e decidiram criar uma nova organização internacional, com o objetivo de ‘facilitar a coordenação internacional e unificação dos padrões industriais’. A nova organização, a Organização Internacional para Padronização, iniciou oficialmente as suas operações em 23 de fevereiro de 1947 com sede em Genebra, na Suíça. 15 Com a acentuação da globalização na década de 1980, aumentou a necessidade de normas internacionais, nomeadamente a partir da criação da União Européia. Conforme Seddon, em 1978, o governo britânico persuadiu a Organização Internacional para Padronização (ISO) a adotar a BS 5750 como uma norma padrão internacional, que posteriormente tornou-se a ISO 9000. Na opinião de Maranhão (2011), a ISO 9000 passou a ter enorme peso nos alicerces da Comunidade Européia, pelo que ela representa em termos de solução dos imensos problemas tecnológicos e econômicos decorrentes da futura associação. Em consequência, a adoção da ISO pelos vários países da Comunidade Européia foi extremamente rápida. A ISO 9000 passa a ser traduzida por cada país na sua respectiva língua e lhe atribuída um número. De tão importante, a ISO 9000 passou a ser uma necessidade. A versão 1987 da ISO 9000 cumpriu o seu papel, universalizando a adoção dessas normas. Em 1994 foi realizada a primeira revisão, sendo adotada pelos 73 países de maior Produto Interno Bruto (PIB) do mundo como norma nacional. A versão 1994, entretanto, não teve o caráter estrutural que o mercado esperava. Essa lacuna motivou o Comitê Técnico 176 da ISO, responsável pela gestão da qualidade, a desencadear um intenso e profundo trabalho de revisão da série 9000, cuja estimativa da publicação das normas oficias eram em dezembro de 2000. As duas razões primordiais da revisão eram: encorajar os usuários das normas a agregarem valor às suas atividades e a melhorarem continuamente o desempenho. 16 Além das razões primordiais, a revisão 2000 apresentava as seguintes razões acessórias: necessidade de monitoramento da satisfação dos clientes, documentos normativos mais amigáveis, melhor aderência entre o sistema de gestão estabelecido e os requisitos da norma e promover a internalização da aplicação dos Princípios da Qualidade nas atividades organizacionais. Em 2005 a Norma Internacional ISO 9000 foi revisada, recebendo a identificação ISO 9000:2005. Em 2008 a ISO publicou a quarta revisão da ISO 9001, que no Brasil recebeu a codificação NBR ISO 9001:2008. Conforme Zacharias (2009), a versão 2008 tecnicamente não é uma revisão, mas uma emenda. Isto porque não foi objeto desta versão fazer alterações profundas em relação a 2000. Os objetivos foram os seguintes: - Esclarecer termos e ênfase em detalhar alguns requisitos ainda um tanto confusos; - Permitir melhores traduções; - Buscar sintonia com as práticas comuns (evitando assim que se inventem soluções que travam o andamento do sistema); - Melhorar a consistência com a família das normas ISO 9000 (em especial a 9004); - Melhorar a compatibilidade com a ISO 14001, favorecendo a integração dos sistemas da qualidade e ambiental. De acordo com Carpinetti, Miguel e Gerolamo (2009), o modelo de sistema de gestão da qualidade definido pela ISO na revisão de 2000 mantevese inalterado na revisão de 2008 e estabelece cinco requisitos, que podem ser entendidos como processos de gestão da qualidade inter-relacionados. São eles: - Sistema da Qualidade (seção quatro da norma); - Responsabilidade da Direção (seção cinco da norma); 17 - Gestão de Recursos (seção seis da norma); - Realização do Produto (seção sete da norma); e - Medição, Análise e Melhoria (seção oito da norma). Segundo Zacharias (2009), se a organização pretender desconsiderar algum procedimento relativo a um requisito da norma, isso deve ser acordado com o organismo certificador e declarado no escopo de certificação contido no manual da qualidade, ‘desde que não afete a capacidade da empresa, nem a isente da responsabilidade em prover produtos que atendam aos requisitos do cliente e aos regulamentados, se houver. Somente requisitos da cláusula sete (Realização do produto) podem ser considerados para esta finalidade. Como já verificamos, cada revisão insere apenas esclarecimentos adicionais à versão 2000, com o fim de evitar ambiguidades. 1.4 - A qualidade nas instituições de ensino Atualmente a educação no Brasil e no mundo passa por sérias críticas que abordam desde a infraestrutura e qualidade dos profissionais ao conteúdo a que nossas crianças têm acesso. Este cenário é preocupante, pois sabemos que só o ensino adequado é capaz de proporcionar um futuro promissor. Por outro lado, em nosso país, existem organizações educacionais privadas – chamadas de ‘Colégio’, que assumem a responsabilidade de proporcionar o ensino adequado em todas as fases da vida acadêmica das pessoas. As instituições de ensino, atualmente são a parcela do mercado brasileiro que apresenta a cada ano uma quantidade maior de instituições buscando a certificação ISO 9001. Todas, independentes do tamanho, 18 quantidade de funcionários ou qualquer outro detalhe podem ser certificadas. E os benefícios são muitos. 1.5 - A qualidade nas instituições de ensino profissional marítimo da Marinha do Brasil As Forças Armadas do Brasil, constituídas pelo Exército, pela Marinha e pela Força Aérea, são instituições nacionais permanentes e regulares, e têm como missão constitucional, zelar pela defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa destes, da lei e da ordem. As polícias militares e os corpos de bombeiros militares estaduais e distritais são descritos como forças reservas e auxiliares constitucionais do Exército Brasileiro. As Forças Armadas são forças federais subordinadas ao Ministério da Defesa. A Marinha do Brasil é a força militar responsável pelas operações navais e para a guarda de águas territoriais brasileiras. É a mais antiga das Forças Armadas brasileiras. A Diretoria de Portos da marinha (DPC) tem como um dos seus propósitos contribuir para habilitar e qualificar pessoal para a Marinha Mercante e atividades correlatas. Para a consecução desse propósito, compete à DPC a tarefa de exercer a supervisão funcional sobre as organizações militares prestadoras de serviços de Ensino Profissional Marítimo (EPM). O Ensino Profissional Marítimo, destinado ao preparo técnicoprofissional do pessoal a ser empregado pela Marinha Mercante, será de responsabilidade do então Ministério da Marinha e objeto de legislação específica. Essa legislação específica veio em 1986, com a Lei no 7.573, regulamentada pelo Decreto no 94.536/87. No caso de haver várias entidades credenciadas para ministrar cursos previstos no PREPOM, sempre que possível, deverá ser dada 19 preferência àquelas que possuam a certificação NRB ISO 9001:2008, em detrimento das demais. Entre as organizações que prestam atividades pertinentes ao EPM temos: Centro de Instrução Braz de Aguiar (CIABA), Centro de Instrução Graça Aranha (CIAGA) e demais Capitanias dos Portos, Capitanias Fluviais, Delegacias e Agências espalhadas pelo território nacional. Em uma nação como o Brasil, de dimensões continentais, com extenso litoral e com mais de noventa por cento do volume do comércio exterior processado por via marítima, a Marinha Mercante Nacional é de suma importância para seu desenvolvimento. Para tal avanço, torna-se primordial atentar para a formação, aperfeiçoamento e atualização de todo o pessoal aquaviário que compõe as tripulações dos navios mercantes, barcos pesqueiros e embarcações que operam nos rios e águas interiores. Assim, a Diretoria de Portos e Costas - DPC - vem concentrando esforços para suprir a instrução e atender ao maior número possível de cursos, e o resultado é o Programa do Ensino Profissional Marítimo (PREPOM). Na constante busca pela qualidade do Ensino Profissional Marítimo (EPM), foi assinado Convênio com o Sistema FIRJAN / SENAI-RJ, para implantar o Sistema de Gestão da Qualidade para o Ensino Profissional Marítimo, o que implicará em processos para uma melhoria contínua de seus serviços de forma a assegurar a satisfação de seu cliente ‘A Comunidade Marítima’. Com isso, o Ensino Profissional Marítimo busca obter a certificação ISO 9001:2008 para seus cursos e processos ligados ao ensino, com reconhecimento nacional e internacional. 20 CAPÍTULO II A FAMÍLIA ISO 9000 O planejamento da Qualidade será claramente deficiente se o conhecimento das necessidades dos clientes for insuficiente. Os planejadores da Qualidade devem aceitar a realidade de que em uma sociedade competitiva os clientes têm a última palavra. (JURAN, 1991) A educação faz com que as pessoas sejam fáceis de guiar, mas difíceis de arrastar; fáceis de governar, mas impossíveis de escravizar. (DRUCKER, 1997) 2.1 - Evolução das Normas da Série ISO 9000 Um conjunto de normas e diretrizes internacionais para sistemas de gestão da qualidade compõe a série de normas ISO 9000. A gestão da qualidade é uma estratégica competitiva cujo objetivo principal se divide em duas partes: conquistar mercados e reduzir desperdícios. Os clientes satisfeitos representam faturamento, boa reputação, novos pedidos, empregos e remuneração para os funcionários. Portanto, melhorar a eficiência do negócio, reduz os desperdícios e os custos da não qualidade. A gestão da qualidade traz resultados positivos para a empresa, mais competitividade, maiores chances de manter e conquistar mercados. Em 1987, a ISO lançou a primeira edição das normas da série ISO 9000, baseada em experiências anteriores, especialmente a norma britânica BSI 5750. 21 Sua segunda revisão foi em 1994. No entanto, essa segunda revisão ainda sofria críticas da comunidade empresarial. Assim, em 2000, a ISO editou a terceira revisão da norma, incorporando várias mudanças e tendo como objetivo tornar o sistema de gestão da qualidade mais robusto, de modo a rebater as críticas que vinham comprometendo a credibilidade dos certificados. Nessa revisão, os requisitos do sistema da qualidade passaram a incorporar de maneira mais objetiva e concreta alguns princípios básicos de gestão da qualidade, tais como: foco no cliente, comprometimento, melhoria contínua, capacitação de recursos humanos, gestão por processos e decisão baseada em fatos. A quarta versão da ISO 9001, editada no final de 2008, manteve inalterado o conjunto de requisitos de gestão da qualidade. As alterações propostas apenas alteram a redação ou o detalhamento de alguns requisitos, visando dar maior precisão ao texto e melhorar a interpretação dos requisitos. O sistema da qualidade definido na ISO 9001 é tido atualmente como uma referência de boas práticas em termos de gestão da qualidade para qualquer tipo e porte de organização. 2.2 - A Família ISO 9000 Na implementação e na operação de sistemas de gestão da qualidade eficazes foram desenvolvidas outras normas citadas abaixo com o fim de apoiar organizações de todos os tipos e portes. − ISO 9000 - Descreve os fundamentos de Sistema de Gestão da Qualidade e estabelece terminologias para estes sistemas. − ISO 9001 - Especifica requisitos para um Sistema de Gestão da Qualidade, no qual uma organização precisa demonstrar a sua capacidade 22 para fornecer produtos que atendam aos requisitos do cliente e às especificações do produto, com o objetivo de aumentar a satisfação do cliente. − ISO 9004 - Fornece diretrizes para a busca de eficácia e eficiência do Sistema de Gestão da Qualidade, buscando a melhoria do desempenho da organização, da satisfação dos clientes e das partes interessadas. − ISO 19011 - Fornece diretrizes sobre a auditoria de Sistema de Gestão da Qualidade e/ou Ambiental. 2.3 - Princípios de Gestão da Qualidade O modelo de sistema de gestão definido pela ISO baseia-se nos princípios de gestão estabelecidos pela qualidade total. Segundo a NBR ISO 9001:2008, um princípio de gestão da qualidade é uma crença ou regra fundamental e abrangente para conduzir e operar uma organização, visando melhorar continuamente seu desempenho a longo prazo, pela focalização nos clientes e, ao mesmo tempo, encaminhando as necessidades de todas as partes interessadas. (MELLO, et al., 2009) De acordo com a NBR ISO 9001:2008, os oito princípios da gestão de qualidade são: Foco no cliente; Liderança; Envolvimento de pessoas; Abordagem de processos; Abordagem sistêmica para a gestão; Melhoria contínua; Tomada de decisão baseada em fatos; e Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores. Segundo Mello, et al., 2009, a gestão da qualidade tornou-se fundamental para a liderança e para o aperfeiçoamento contínuo de todas as organizações. Com a aplicação dois oito princípios de gestão da qualidade, as organizações produzirão benefícios para clientes, acionistas, fornecedores, comunidades locais, ou seja, para a sociedade em geral. Cada um desses princípios e o relacionamento entre eles serão abordados a seguir. 23 2.3.1 - Foco no cliente De acordo com Carpinetti, Miguel, Gerolamo (2009), o foco no cliente é fundamental para a identificação dos requisitos dos clientes e do mercado quanto ao produto ou serviço fornecido, assim como para a avaliação de seu grau de satisfação. O foco no cliente em outras partes interessadas, como funcionários e acionistas, também justifica a gestão da qualidade para redução de desperdícios e custos da não qualidade. 2.3.2 - Liderança O comprometimento com a qualidade deve ser estabelecido e colocado em prática pela liderança da organização. O ambiente adequado para que as pessoas se tornem envolvidas com os objetivos de foco no cliente e com a melhoria contínua deve ser propiciado pela liderança. 2.3.3 - Envolvimento de pessoas As pessoas são a essência das organizações. O total envolvimento e o comprometimento das pessoas vão possibilitar o melhor aproveitamento de suas habilidades em benefício da organização. A alta administração exerce o papel de liderança fundamental, no sentido de estabelecer e fortalecer o envolvimento e o comprometimento das pessoas. 2.3.4 - Abordagem por processos Processo é definido como uma atividade ou grupo de atividades que transformam entradas (informação, material) em saídas (resultados), por meio de agregação de valor às entradas e utilizando-se de recursos organizacionais. 24 2.3.5 - Abordagem sistêmica para a gestão A definição de gestão da qualidade retirada da ISO 9001:2008, é um conjunto de atividades inter-relacionadas e que interagem entre si para gerenciar a qualidade. 2.3.6 - Melhoria contínua A ISO 9001:2008 sugere como boa prática a padronização dos procedimentos, como maneira única de realizar uma atividade ou tarefa. A padronização das atividades visando ao atendimento dos requisitos e reduções de desperdícios leva à melhoria contínua, que também apresenta forte influência do envolvimento da liderança da administrativa para com esses objetivos. 2.3.7 - Tomada de decisão baseada em fatos Para a gestão da qualidade e da melhoria do desempenho organizacional, é fundamental que as decisões sejam tomadas baseadas em informações qualitativas ou quantitativas decorrentes de análise e diagnóstico da situação atual, indicadores de desempenho, auditorias ou outros meios que possibilitem uma avaliação objetiva baseada na realidade, isenta de opinião não fundamentada por dados e fatos. (CARVALHO, et al., 2005, p 20) 2.3.8 - Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores Essa relação de interdependência pode criar uma relação mutuamente benéfica, em que ambos melhoram a qualidade de seus produtos e a eficiência de suas operações. Essa visão contribui para a gestão da qualidade colaborativa entre elos da cadeia e para a melhoria da qualidade de modo geral. 25 2.4 - Requisitos de gestão da qualidade O modelo de sistema de gestão da qualidade definido pela ISO 9000 na revisão 2008 estabelece cinco requisitos, que podem ser entendidos como processos de gestão da qualidade inter-relacionados. São eles: • Sistema da Qualidade; • Responsabilidade da Direção; • Gestão de Recursos; • Realização do Produto; e • Medição, Análise e Melhoria. O modelo de sistema da qualidade extraído da ISO 9001:2008, mostra os processos de gestão da qualidade e a inter-relação entre eles é apresentada na Figura 1. Figura 1: Sistemática de implementação do sistema de gestão da qualidade. (Adaptada, CARPINETTI; MIGUEL; GEROLAMO, 2009, p 37) 2.4.1 - Sistema da qualidade O requisito sistema da qualidade estabelece critérios para criar e manter a documentação do sistema da qualidade, incluindo registros das 26 atividades. Esse requisito divide-se em: Requisitos gerais do sistema; e Requisitos de documentação. É nesse requisito que se coloca em prática principalmente os princípios de envolvimento das pessoas, visão sistêmica e decisão baseada em fato e dados. 2.4.2 - Responsabilidade da direção O requisito responsabilidade da direção estabelece a necessidade de comprometimento da direção da organização em liderar o esforço em garantir a qualidade por meio de um sistema da qualidade. A eficácia de um sistema da qualidade depende de um firme comprometimento da direção da organização com o atendimento dos requisitos dos clientes. Esse comprometimento deve levar a organização a estabelecer uma política da qualidade que manifeste de forma autêntica o compromisso da empresa com o foco no cliente e atendimento de seus requisitos. A política da qualidade é um conjunto de intenções da empresa no que se refere à gestão da qualidade. As intenções declaradas na política da qualidade devem ser colocadas em prática por meio de um planejamento do sistema de gestão da qualidade que inclua a análise crítica da eficácia do sistema. Esse requisito depende e ao mesmo tempo coloca em prática os princípios de foco no cliente, liderança, envolvimento e melhoria contínua, entre outros. 2.4.3 - Gestão de recursos O requisito gestão de recursos estabelece que a organização deve prover os recursos necessários para a gestão da qualidade. Esses recursos 27 necessários dividem-se em: recursos físicos, recursos humanos, de estrutura, infraestrutura e ambiente de trabalho. É nesse requisito que também se coloca em prática os princípios de liderança, envolvimento e melhoria contínua dos recursos humanos, de infraestrutura e de ambiente de trabalho. 2.4.4 - Realização do produto A realização do produto como ilustra a Figura 1, compreende as atividades de gestão da qualidade na cadeia interna de realização do produto estabelecida para garantir o atendimento dos requisitos dos clientes. Esse requisito é desdobrado em: − Planejamento da realização do produto; − Relacionamento com o cliente; − Projeto e desenvolvimento; − Aquisição; − Produção; e − Controle de dispositivos de medição. O planejamento das atividades de gestão da qualidade é realizado em função dos requisitos dos clientes. O relacionamento com o cliente é o meio de comunicação com os clientes e permite entender quais são os seus requisitos. Muitas vezes a empresa tem vários tipos de clientes, com requisitos diferenciados. Além disso, nem todos os requisitos são explicados explicitados pelo cliente e a empresa deve buscar identificá-los. Os outros itens que compõem o requisito realização do produto (projeto, produção, aquisição e controle de dispositivos) estabelecem critérios 28 mínimos para a garantia da qualidade em projeto, produção, aquisição e medição de produtos produzidos. O Planejamento da realização do produto também deve colocar em prática o quarto princípio de gestão, o da abordagem por processos, já que se pressupõe a identificação dos processos e atividades primárias e de suporte para a realização do produto. 2.4.5 - Medição, Análise e Melhoria O requisito medição, análise e melhoria, estabelece que a empresa deve medir os resultados em termos de satisfação do cliente, conformidade do sistema, produto e processo, analisar criticamente os dados coletados e promover ações de melhorias, corretivas e preventivas. Esse requisito divide-se em: − Monitoramento e medição; − Controle de produtos não conformes; − Análise de dados; e − Melhoria. Nesse requisito colocam-se em prática os princípios de liderança, já que cabe à direção da organização liderar a análise crítica do sistema, melhoria contínua, a partir da análise de satisfação do cliente, não conformidades de produtos, processos e sistema de decisão baseada em fatos, decorrentes da análise de informações de desempenho. Na conclusão de Carpinetti, Miguel, Gerolamo (2009), os requisitos da ISO 9001:2008 podem ser relacionados com as etapas de planejamento (P), execução (D), verificação (C) e análise (A) de um grande ciclo PDCA de Gestão da qualidade da empresa, conforme ilustrado na Figura 2. 29 Figura 2 – Ciclo PDCA de gestão da qualidade da ISO 9001:2008. (Adaptada, CARPINETTI; MIGUEL; GEROLAMO, 2009, p 56) 30 CAPÍTULO III ESTRATÉGIA DE IMPLEMENTAÇÃO DA ISO 9001:2008 Se você conhece o inimigo e conhece a você mesmo, não precisa temer o resultado de 100 batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a você mesmo, perderá todas as batalhas. (Sun Tzu, 1983) 3.1 - Implementação do sistema de gestão da qualidade Não existe um jeito único de se implementar um sistema da qualidade ISO 9001:2008. No entanto, independente da maneira escolhida o planejamento do processo de implementação é de importância fundamental. O sucesso da implementação poderá ser bastante facilitado trabalhando-se com qualidade, fazendo girar continuamente o ciclo PDCA. As etapas para implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade apresentado a seguir considera que a organização inicialmente não atende a nenhum dos requisitos da ISO 9001:2008. 3.1.1 - Comprometimento A adoção de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) representa, para a maioria das organizações, uma fonte de mudança cultural. Frequentemente, tais mudanças provocam conflitos. Portanto, só inicie um projeto ISO 9001 se a direção estiver claramente convencida e compromissada com as mudanças. 3.1.2 - Escolha do coordenador de implementação Na opinião de Maranhão (2011), a implementação da ISO 9001 é um processo que exige muita disciplina e organização. A retribuição aos esforços empenhados depende, em boa medida, da disciplina com que esse esforço é preservado. 31 3.1.3 - Avaliação pré-implementação Na opinião de Carpinetti, Miguel, Gerolamo, 2009, é interessante que a organização antes de iniciar a implementação de um sistema de gestão da qualidade aos moldes da ISO 9001:2008 da faça uma avaliação pré– –implementação, para medir o grau de adequação das práticas de gestão da qualidade da organização aos requisitos da referida norma. Um roteiro de diagnóstico, baseado nos requisitos da ISO 9001:2008, que pode se usado para uma avaliação qualitativa do grau de adequação do sistema da qualidade da organização é mostrado no Anexo 1. 3.1.4 - Elaboração de um cronograma de trabalho A elaboração do cronograma depende de inúmeras variáveis e, em princípio, no todo será diferente para cada organização, dependendo do porte e da complexidade da organização. O tempo para implementação também pode variar de alguns meses a mais de um ano. Entretanto, será apresentada uma sugestão de sequência de realização das atividades, como ilustrado na Tabela 2. Tabela 2 - Sequência de atividades para implantação do sistema de gestão da qualidade. (Adaptada, MARANHÃO, 2011, p 129) Atividades 1. Direcionadores estratégicos (Visão, missão, valores, política, objetivos, metas e indicadores) 2. Unificação conceitual 3. Definição, mapeamento e modelagem dos processos 4. Formação e implementação dos grupos de trabalhos 5. Organização, limpeza e higiene 6. Elaboração do Manual da Qualidade 7. Elaboração e implementação dos demais documentos (Procedimentos / Normas / Ordens Internas) 8. Implementação do Manual da Qualidade 9. Treinamento dos auditores internos e auditor líder 10. Execução de auditoria interna da Qualidade 11. Implementação das ações corretivas da auditoria interna 32 12. Pré-auditoria de certificação 13. Auditoria de certificação 14. Manutenção do sistema de Gestão da Qualidade 3.1.4.1 - Direcionadores estratégicos A organização estratégica deve ser consolidada em direcionadores estratégicos, que definem o sonho da organização (sua visão), os grandes rumos (política da qualidade, missão, estratégias), o caráter da empresa (valores), os objetivos, as metas e os indicadores. 3.1.4.2 - Unificação conceitual É fundamental a disseminação da informação, em cada nível hierárquico, esclarecendo sobre a intenção da empresa em implantar um sistema de gestão da qualidade ISO 9001. O treinamento deve ser compatível com cada nível: mais conceitual e filosófico para o topo da pirâmide, mais concreto, objetivo e imediato para a base e enfatizando o treinamento comportamental para todos. Do outro modo, os três níveis (estratégico, tático e operacional) necessitam dos três conteúdos de habilidades (conceituais, humanas e operacionais), mas em proporções diferentes, de acordo com a Figura 3. Figura 3. Distribuição de esforços de capacitação por níveis hierárquicos. (Extraída, MARANHÃO, 2011, p 133) 33 3.1.4.3 - Definição, mapeamento e modelagem dos processos Na opinião de Maranhão, 2011, o mapeamento dos processos, como o nome diz, é o ‘mapa da mina’. Os requisitos 4.1 a) e b) da NBR ISO 9001 exigem que a organização defina e determine a interação dos seus processos de trabalho. Em contrapartida, quando a organização tem seus processos mapeados e modelados, o trabalho de implementação de um sistema de gestão da qualidade ISO 9001 fica sensivelmente simplificado. 3.1.4.4 - Formação e implementação dos grupos de trabalhos A adoção de formas estruturadas conduz a melhores resultados, na opinião de Maranhão. Devem ser formados dois grupos: grupo de coordenação; e grupo de trabalho. No grupo de coordenação devem participar pessoas chave da empresa, com o objetivo de obter o engajamento mais eficaz e natural possível. Já no grupo de trabalho devem ser vinculados às grandes atividades ou processos que vão auxiliar na determinação dos procedimentos dos respectivos processos. 3.1.4.5 - Organização, limpeza e higiene Ter padrões aceitáveis de organização, higiene e limpeza é pré-requisito desejado para começar qualidade em uma organização. E uma de suas melhores e mais completas ferramentas de organização, higiene e limpeza é o 5S. Os ‘S’ são as iniciais de cinco palavras japonesas que resumem toda a filosofia desse processo: • Seiri - Senso de seleção e de utilidade: separação do que serve e do que não serve, com a eliminação do que não serve. • Seiton - Senso de organização: organização do que serve, tendo como critério o seu uso funcional (‘uso toda hora’, ‘uso todo dia’ ou ‘uso de vez em quando’). • Seiso - Senso de limpeza saúde: ter como base de limpeza a inspeção detalhada e completa. 34 • Seiketsu - Senso de zelo: manter os hábitos desenvolvidos nos três ‘S’ anteriores, tendo como base o gerenciamento visual e a padronização. • Shitzuke - Senso de autodisciplina: praticar espontaneamente e continuamente os quatro ‘S’ anteriores, reiniciando ciclos sucessivos buscando melhorias contínuas. O processo e interminável. O objetivo do 5S é ter uma empresa com ambiente que facilite o trabalho, que seja segura e cuja produtividade seja a mais alta possível. 3.1.4.6 - Elaboração do Manual da Qualidade O primeiro documento a ser elaborado é o Manual da Qualidade, que vai definir as linhas-mestras do sistema. A elaboração do Manual da Qualidade deve conter os requisitos da Norma ISO 9001, combinados e enriquecidos pela Norma ISO 9004, e que pode ser usada como subsídio à compreensão e formação dos conceitos. Podem ser extraídas explicações complementares e importantes dicas pertinentes aos requisitos. Deve prever os seis procedimentos documentados obrigatórios (controle de documentos, controle de registros, auditorias internas, controle de produto não - conforme, ações corretivas e ações preventivas) e outros indispensáveis ao funcionamento competitivo do negócio, definidos no mapeamento e na modelagem dos processos. 3.1.4.7 - Elaboração e implementação dos demais documentos Considerando que o Manual da Qualidade já foi estruturado e delimitou o escopo do sistema de gestão da qualidade e as grandes atividades da organização (os macroprocessos); é recomendável criar os procedimentos documentados (segundo nível). Os responsáveis pela elaboração dos procedimentos documentados devem ser indicados formalmente. Os documentos de terceiro nível (instruções de trabalho, rotinas, métodos, especificações etc.) devem ser criados e priorizados em função das 35 necessidades que irão surgir com a implementação dos procedimentos. A implementação de um documento significa tornar obrigatórios para todos da organização, os requisitos preceituados. Para Maranhão (2011), em muitas empresas um sistema de gestão da qualidade é uma nova cultura, uma grande mudança, e mudanças só ocorrem quando há firmeza para iniciar e tempo para consolidar. Um documento só deve ser implementado quando já tiver sido testado exaustivamente. Todos os documentos, depois de implementados, seja na primeira, seja em suas sucessivas revisões, devem desejavelmente cumprir o seguinte ciclo de vida de qualquer documento normativo: a) Elaboração; b) Análise crítica; c) Aprovação; d) Inclusão no sistema; e) Implementação; f) Aplicação; g) Auditoria; h) Revisão; e i) Cancelamento. Os processos realizados pelas organizações, em sua maioria, exigem que sejam gerados os respectivos registros ou provas, com o fim de permitir as comprovações administrativas. A organização dos registros é fundamental para assegurar boas condições de controle. A organização começa com uma boa política de arquivo, que estabelece as bases da organização. 3.1.4.8 - Implementação do Manual da Qualidade Somente após a documentação estar parcialmente estabelecida, a organização terá maturidade suficiente para concluir o Manual da Qualidade de 36 forma consciente e tranquila. A implementação do Manual deve ser formal e reforçada. O Manual deve ser visto por todos como uma importante etapa de consolidação do processo, sendo referência da organização. 3.1.4.9 - Treinamento dos auditores internos e auditor líder Na opinião de Maranhão (2011), para se obter os melhores resultados com o sistema de gestão da qualidade e, especialmente, para sustentá-los ao longo do tempo, a organização deve auditá-lo de maneira regular. Para isso precisa de bons auditores internos e de uma boa sistemática de auditoria. Nenhum sistema se mantém eficaz se não houver melhorias. A auditoria é um processo documentado, sistemático e independente de verificação do sistema de gestão da qualidade, realizado para comparar a fidelidade entre a realização das atividades contra um padrão especificado em documentos, compondo o que se chama critérios de auditoria. A NBR ISO 19011:2002 – Diretrizes para auditorias de Sistema de Gestão da Qualidade e/ou ambiental é uma norma, considerada por alguns autores como parte integrante da série 9000, que contempla tanto diretrizes para auditoria da qualidade quanto para auditoria ambiental. Na auditoria interna da qualidade, a responsabilidade é mais dividida, devendo ter como resultados apenas fatos designados das conclusões desses fatos. Um bom auditor precisa ter perfil adequado. Os auditores internos precisam ser convenientemente treinados e designados para o exercício da atividade. A preparação e a qualificação dos auditores é mais do que uma necessidade, é um ótimo investimento. 3.1.4.10 - Execução de auditoria interna da Qualidade 37 A atividade de auditorias internas da qualidade deverá estar definida no procedimento, obrigatório, conforme consta no requisito 8.2.2 da ISO 9001. As conclusões das auditorias internas, incorporando todas as não- -conformidades do Sistema de Gestão da Qualidade, são documentadas em relatórios de auditorias. Os relatórios de auditoria devem apresentar as observações relativas às suas fragilidades e aos pontos fortes do Sistema. Devem também desencadear ações corretivas, em geral uma para cada não-conformidade, bem como ações preventivas e oportunidades de melhoria. 3.1.4.11 - Implementação das ações corretivas da auditoria interna A finalidade das ações corretivas é fazer uma investigação criteriosa das causas das não-conformidades detectadas e, a partir daí, propor caminhos para eliminá-las. A finalidade das oportunidades de melhoria é aprimorar a situação atual, mesmo que já seja satisfatória e não haja perspectiva imediata de identificar causas de potenciais não-conformidades. Se isso for feito a contento, o Sistema de Gestão da Qualidade volta a ser saudável, tendo como resultado o atendimento das especificações dos clientes (satisfação dos clientes). Adicionalmente, tem a perspectiva de melhorar o nível de desempenho. Deve-se tomar cuidado para não haver repreensão ou admoestação indevida. É preciso criar um espírito da cooperação de tal modo que todos se sintam como vencedores com as descobertas realizadas. O foco deve ser o aperfeiçoamento do SGQ, e não críticas ou recriminação às pessoas. (MARANHÃO, 2011) Em seguida, as informações consolidadas são levadas à consideração da Alta Direção, atividade designada pela Norma ISO 9001 como análise crítica do SGQ (item 5.6). A frequência e o arranjo dessas reuniões são características de cada organização. Os resultados das análises críticas do SGQ devem ser entradas para revisão das estratégias e planos de ação estabelecidos. Só o conhecimento não gera resultados, e sim quando existe um método, uma sistemática de melhorias contínuas com liderança para 38 conduzir e vontade política da direção para validar é que se consegue a virtude de transformar as mudanças em novos desafios. 3.1.4.12 - Pré-auditoria de certificação A Pré-auditoria é uma avaliação realizada por Organismo Certificador Credenciado, com a finalidade de verificar se o Sistema de Gestão da Qualidade de uma organização está ou não preparado para a auditoria de certificação. É recomendável realizar a pré-auditoria em um prazo de dois meses antes da auditoria de certificação, de forma que a organização disponha de tempo necessário para efetuar as correções das falhas eventualmente detectadas. 3.1.4.13 - Auditoria de certificação A contratação de Organismo Certificador Credenciado (OCC) deve ser cuidadosa. Além de ter valor financeiro significativo, recomenda-se que seja feita uma extensa e intensa pesquisa, não dispensando entrevistas com os vários Organismos Certificadores Credenciados disponíveis, antes de fechar o contrato. A certificação é o reconhecimento formal emitido por um órgão credenciado, o OCC, atestando a conformidade de itens, processos ou atividades avaliadas durante uma auditoria ou inspeção contra os respectivos requisitos especificados por uma norma. A certificação pode ser mandatória ou voluntária. É mandatória, ou obrigatória, quando é exigida por legislação aplicável, como meio de proteger a sociedade (risco à saúde, segurança, meio ambiente etc.). É voluntária quando a certificação é solicitada e realizada em benefício de uma determinada organização. A certificação ISO 9001 é sempre voluntária, nenhuma organização é obrigada a fazê-la. Há três possibilidades de auditorias: • Primeira parte ou auditoria interna da qualidade – é quando realizada em benefício da própria empresa, podendo ser feita com recursos próprios sem ou com auditores contratados; 39 • Segunda parte – é aquela realizada em benefício de um cliente, podendo ser feita pelo próprio cliente ou por seu representante; e • Terceira parte – é aquela realizada por um órgão independente, sobre uma empresa, em benefício da própria empresa. A realização da auditoria de certificação é a coroação de todo o trabalho, o momento da verdade, no qual o órgão de certificação de terceira parte contratado (OCC) audita a empresa e conclui, com a decorrência de fatos, se o seu Sistema de Gestão da Qualidade é ou não conforme com a norma selecionada. 3.1.4.14 - Manutenção do sistema de Gestão da Qualidade Na opinião de Maranhão (2011), é um desafio considerável manter e melhorar o sistema, talvez maior do que o trabalho inicial de gerá-lo. Apesar de o trabalho inicial ser árduo e complexo, o interesse corporativo da organização e a motivação pela certificação, de uma forma geral apresentam um objetivo concreto e muito bem delineado. Depois da certificação é natural que venha a acomodação pela conquista, e a tendência é a degradação do SGQ. Para prevenir tal degradação é bom incluir, no projeto inicial, a atividade de manutenção do sistema. Em primeiro lugar a empresa deve zelar pela disciplina e pelo respeito às regras estabelecidas, a começar pela direção. Em segundo lugar, para manter o sistema funcionando de maneira inteligente, deve-se usar os mecanismos disponíveis: sensores e atuadores, fazendo girar obsessiva e competentemente a sequência do ciclo de melhorias contínuas. Como sensores, podemos contar com as auditorias internas, da qualidade; e, com atuadores, ações corretivas, ações preventivas e oportunidades de melhoria. 40 A revisão de documentos reflete em que grau o SGQ funciona e também caracteriza uma situação desejável, na qual a organização é dinâmica, evolui e agrega melhorias. Sempre que analisamos resultados de indicadores de um processo, considere pelo menos três análises: o valor indicado pelo gráfico; a tendência indicada; e a comparação com um padrão ou meta, para estabelecer o valor comparativo. 3.2 - A qualidade e as pessoas Não existe sistema sem pessoas. São as pessoas que fazem o sistemas funcionar. Sem equipe, mesmo os melhores sistemas tornam-se inócuos, vazios, sem finalidade, frios e sem vida. Não podemos tratar as pessoas sem abordar a questão do engajamento, intimamente conectada à motivação e, por decorrência, aos resultados. 3.3 - Resultados da Implantação da Certificação ISO 9001:2008 No ponto de vista jurídico, o tema da gestão ingressa definitivamente nas prioridades do Estado brasileiro com a Emenda Constitucional nº 19 que, em 1998, introduziu no início do artigo 37 da Constituição da República, o princípio da eficiência ao lado dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, como pilares da administração pública. A inclusão do princípio da eficiência na Constituição, teve o objetivo de abranger todos os órgãos subordinados e entidades vinculadas, em todos os poderes de todas as esferas da federação. O parágrafo único do artigo 70 da Constituição fixa: “prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária.” Nas normas ISO o gestor pode valer-se de ferramentas para introduzir, na sua organização, a busca pela gestão comprometida com a 41 eficiência e a eficácia, com o propósito de prestar ao interesse público a melhor contribuição, utilizando técnicas de gerir, capazes de viabilizar a gestão com os meios disponíveis. Sendo assim, cada vez mais os gestores das organizações públicas estão utilizando a implantação do Sistema de Gestão da Qualidade baseada na ISO 9001, como instrumento para alcançar uma administração eficiente e eficaz. A Marinha do Brasil já possui aproximadamente 20 Organizações Militares certificadas pela NBR ISO 9001:2008, do Ensino Profissional Marítimo. E outras instituições de ensino encontram-se em fase de implantação. Então, para complementar este trabalho foram realizadas entrevistas, com Representantes da Direção (RD) de algumas instituições certificadas. O primeiro item abordado na entrevista foi o fator motivador da busca da Certificação da ISO 9001:2008. A grande maioria aponta a necessidade do cumprimento da exigência da IMO4. Outro item abordado foi a verificação das dificuldades encontradas para a implantação da ISO 9001:2008. Podemos destacar as seguintes citações: Dependência de alocação de recursos; Envolvimento parcial dos funcionários; Resistência à documentação; Resistência à mudança; e Falta de conhecimento em relação à norma. O comprometimento da Alta Direção se destaca como o elemento facilitador para a implantação da ISO 9001:2008. Dentre as vantagens percebidas advindas da implantação da ISO 9001:2008, as que apresentaram 4 IMO – International Maritime Organization - A IMO é uma agência especializada das Nações Unidas com 170 Estados-Membros e três membros associados. O principal objetivo da IMO é desenvolver e manter um quadro regulamentar global para o transporte e sua missão hoje inclui segurança, as preocupações ambientais, assuntos legais, cooperação técnica de segurança, marítima e da eficiência do transporte. 42 maior incidência de citações foram: Mapeamentos dos processos; Detecção dos pontos de melhorias dos processos; Menor prazo no atendimento das solicitações dos clientes; Aumento da capacidade produtiva; Redução de desperdícios; Melhora na captação e capacitação de docentes; Melhora no relacionamento com clientes, fornecedores, acionistas e colaboradores; e Melhor imagem da Organização. Finalmente, os resultados mostraram que a certificação do Sistema de gestão da qualidade melhorou a qualidade dos serviços prestados pelas organizações prestadoras de cursos do Ensino Profissional Marítimo. 43 CONCLUSÃO O trabalho demonstrou a evolução do enfoque da qualidade, discorrendo desde o início, onde a preocupação ocorria apenas na inspeção dos produtos acabados pelos artesãos até a implantação de normas de sistema de gestão da qualidade, com enfoque muito mais amplo, dando espaço ao cumprimento dos princípios fundamentais da qualidade: Foco no cliente, Liderança, Envolvimento das pessoas, Abordagem de processos, Abordagem sistêmica para a gestão, Melhoria contínua, Tomada de decisão baseadas nos fatos e Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores. Com o novo cenário, a descoberta do pré-sal, cada vez mais se faz necessário o aumento da capacidade de formação de profissionais da Marinha Mercante, mantendo-se a qualidade dos cursos ofertados. Em cumprimento às orientações da IMO, toda organização da Marinha do Brasil que ministrar os Cursos de Formação, de Aperfeiçoamento, de Atualização e de Especialização, constantes do Programa do Ensino Profissional Marítimo deve procurar atender aos requisitos da Norma ABNT NBR ISO 9001:2008. Esta certificação irá ratificar a posição de destaque dos Centros de Instruções, Capitanias, Delegacias e Agências, no cenário marítimo mundial, atendendo aos preceitos de sua política de qualidade, que tem por objetivo manter o elevado nível de reconhecimento internacional e como instituições de referência no Ensino Profissional Marítimo, através do contínuo aperfeiçoamento dos processos de gerenciamento do ensino. Neste trabalho foram detectados inúmeros benefícios oriundos da certificação: mapeamentos dos processos com a detecção dos pontos de melhorias dos processos; menor prazo no atendimento das solicitações dos clientes; aumento da capacidade produtiva; redução de desperdícios. melhora na captação e capacitação de docentes; melhora no relacionamento com clientes, fornecedores, acionistas e colaboradores; e Melhor imagem da Organização. Melhorando de um modo geral a qualidade do ensino e da 44 pesquisa oferecidos. Consequentemente, proporcionam uma melhor preparação das tripulações de todas as embarcações mercantes, de apoio e de operações OFFSHORE5. E, com a tripulação mais preparada a realidade do mercado, o investimento com aperfeiçoamento e atualização serão minimizados, refletindo uma menor probabilidade de erros, e redução de custos para as empresas. Recomenda-se, para trabalhos futuros, uma análise mais apurada das dificuldades observadas na implantação da ISO, na busca de alternativas para minimização das mesmas. 5 OFFSHORE – Que se localiza ou ocorre no decorrer da costa: companhia offshore. Que tem por finalidade auxiliar as necessidades costeiras: barco offshore. Que organiza, desenvolve ou gerência embarcações que providenciam auxílio às atividades costeiras. 45 BIBLIOGRAFIA BRASIL. Constituição (1988). Emenda constitucional nº 9, de 9 de novembro de 1995. Lex: legislação federal e marginária, São Paulo, v. 59, p. 1996, out/dez. 1995. ______. Portaria nº 13, de 31 de janeiro de 2012. Aprova as Normas da Autoridade Marítima para o Ensino Profissional Marítimo, Volume I -Aquaviários e Volume II - Portuários e Atividades Correlatas. (Normam-30/DPC). Diário Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 02 fev. 2012. Disponível em <http://www.lex.com.br/doc_22891625_PORTARIA_N_13_DE_31_DE_ JANEIRO _DE_2012.aspx>. 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São Paulo: Quality Consultoria, 2009. 47 ÍNDICE FOLHA DE ROSTO 2 AGRADECIMENTO 3 DEDICATÓRIA 4 RESUMO 5 METODOLOGIA 6 SUMÁRIO 7 INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I A QUALIDADE 10 1.1 - Evolução do Conceito de Qualidade 10 1.2 - Evolução da Prática da Qualidade 12 1.3 - Organização Internacional para padronização 13 1.3.1 - Antecedentes 1.4 - A qualidade nas instituições de ensino 14 17 1.5 - A qualidade nas instituições de ensino profissional marítimo da Marinha do Brasil 18 CAPÍTULO II A FAMÍLIA ISO 9000 20 2.1 - Evolução das Normas da Série ISO 9000 20 2.2 - A Família ISO 9000 21 2.3 - Princípios de Gestão da Qualidade 22 2.3.1 - Foco no cliente 23 2.3.2 - Liderança 23 2.3.3 - Envolvimento de pessoas 23 2.3.4 - Abordagem por processos 23 2.3.5 - Abordagem sistêmica para a gestão 24 2.3.6 - Melhoria contínua 24 2.3.7 - Tomada de decisão baseada em fatos 24 2.3.8 - Benefícios mútuos nas relações com os fornecedores 24 2.4 - Requisitos de gestão da qualidade 25 48 2.4.1 - Sistema da qualidade 25 2.4.2 - Responsabilidade da direção 26 2.4.3 - Gestão de recursos 26 2.4.4 - Realização do produto 27 2.4.5 - Medição, Análise e Melhoria 28 CAPÍTULO III ESTRATÉGIA DE IMPLEMENTAÇÃO DA ISO 9001:2008 30 3.1 - Implementação do sistema de gestão da qualidade 30 3.1.1 - Comprometimento 30 3.1.2 - Escolha do coordenador de implementação 30 3.1.3 - Avaliação pré-implementação 31 3.1.4 - Elaboração de um cronograma de trabalho 31 3.2 - A qualidade e as pessoas 40 3.3 - Resultados da Implantação da Certificação ISO 9001:2008 40 CONCLUSÃO 43 BIBLIOGRAFIA 45 ÍNDICE 48 ANEXOS 50 49 ANEXOS Índice de anexos Anexo 1 >> Roteiro de diagnóstico de gestão da qualidade baseado na ISO 9001:2008. 50 Anexo 1 Tabela 3.1 Roteiro de diagnóstico de gestão da qualidade baseado na ISO 9001:2008. Requisito Sistema de Gestão da Qualidade Responsabilidade da Direção Gestão de Recursos Questão A organização identifica e determina a sequência e interação dos processos necessários para o sistema de gestão da qualidade e sua aplicação por toda a organização? A documentação do sistema de gestão da qualidade da organização inclui declaração da política da qualidade e dos objetivos da qualidade, documentos necessários para garantir a eficácia dos processos, manual da qualidade e registros e procedimentos documentados requeridos? A organização possui um manual da qualidade que descreve a interação entre os processos e o escopo do sistema de gestão da qualidade, bem como os procedimentos documentados estabelecidos ou referência a eles? A organização possui um procedimento documentado que define os controles necessários para os documentos e registros do SGQ de modo a evitar o uso não intencional de documentos obsoletos. Os documentos de origem externa são identificados e sua distribuição é controlada? A organização assegura que os registros são mantidos legíveis, prontamente identificáveis e recuperáveis, de modo a prover evidências da conformidade com requisitos e da operação eficaz do SGQ? A alta direção designou um representante com responsabilidade e autoridade para assegurar a efetividade do SGQ, promover a conscientização sobre os requisitos do cliente e relatar à alta direção qualquer necessidade de melhorias, bem como o desempenho do SGQ? A alta direção analisa criticamente o SGQ, incluindo política e objetivos, a intervalos planejados para assegurar sua contínua pertinência, adequação e eficácia. Quais entradas são utilizadas para análise crítica? Quais saídas são geradas? As competências necessárias para as pessoas que executam trabalhos que afetam a qualidade do produto são determinadas pela organização? A organização fornece treinamento ou realiza outras ações para satisfazer as necessidades de Adequação * 1 3 5 Observações 51 Realização do produto Medição, Análise e Melhoria competência e avalia a eficácia das ações executadas? A organização determina e analisa criticamente os requisitos relacionados ao produto antes de assumir o compromisso de fornecimento com o cliente e assegura que esses requisitos estão definidos, que as divergências estão sanadas e que estes requisitos podem ser atendidos pela organização? A organização realiza e mantém registros das análises críticas e verificações sistemáticas para avaliar a capacidade em atender aos requisitos de projeto e desenvolvimento e propor ações para problemas identificados? Participam dessas análises representantes de funções envolvidas com os estágios de projeto e desenvolvimento? A organização estabelece critérios para seleção e avaliação de seus fornecedores com base na sua capacidade em fornecer produtos de acordo com os requisitos especificados pela organização? São mantidos registros dessas avaliações, bem como das ações pertinentes? A organização estabelece e implementa inspeção ou outras atividades necessárias para assegurar que o produto adquirido atende aos requisitos especificados? A organização determina as medições e monitoramento a serem realizados, bem como os dispositivos de medição e monitoramento necessários para demonstrar a conformidade do produto? Os dispositivos de medição são mantidos em condições adequadas de uso? A organização possui um procedimento documentado que define os controles, as responsabilidades e autoridades para garantir que os produtos não-conformes sejam identificados, controlados e, quando corrigidos, reverificados? Registros desses controles são mantidos? A organização avalia criticamente a satisfação dos seus clientes, o desempenho de seus produtos e processos? A organização possui um procedimento que define ações corretivas e preventivas para eliminar as causas de não conformidade, de forma a evitar sua repetição? * Grau de Adequação: 1- não atende ao requisito; 3 - atende regularmente; 5 - atende satisfatoriamente.