Ano Lectivo 2009/2010 F M H Recursos Humanos ANÁLISE DE CARGOS OBJECTIVOS: • Analisar o fluxo de trabalho, identificando as entradas, as actividades e as saídas na produção de bens e serviços; • Compreender a importância da descrição e análise de cargos na estratégia e na gestão de RH´s; • Escolher a técnica de análise de cargos adequada para uma variedade de actividades de RH´s; • Identificar as tarefas realizadas e as técnicas solicitadas num determinado cargo; 4 Análise de cargos Síntese Teórica INTRODUÇÃO Os procedimentos relacionados com a formulação estratégica e com a implementação estratégica, bem como o papel dos RH´s em cada um desses processos foram o objecto de estudo do capítulo anterior. Considerou-se, então, que a considerar o modo como essas tarefas vão ser realizadas, ou seja, se vão ser realizadas individualmente, colectivamente, por equipas de trabalho, por especialistas, por generalistas ou por um outro tipo de organização do trabalho. Os dois aspectos anteriores justificam a implementação estratégica consiste na operacionalização da estratégia escolhida, através das actividades práticas dos diversos RH´s da organização, e verificou-se que o sucesso deste processo está dependente de cinco variáveis (figura 8), estando três delas directamente relacionadas com a gestão da função de RH´s. Assim, como objecto de estudo do presente capítulo iremos analisar uma dessas três variáveis: a tarefa ou o cargo. necessidade de se proceder a uma análise do trabalho a efectuar. Só assim é possível propor a forma mais eficiente e eficaz de realizar a implementação estratégica requerida. A análise e desenho de tarefas baseia-se num conjunto de conceitos que é importante esclarecer, tal como se pode observar na tabela nº 3, representativa do cargo de treinador. Estes conceitos, são os aspectos chave determinantes para compreender a forma como o CONCEITOS Para que a implementação estratégica possa ser efectuada, o primeiro aspecto a considerar é a definição e desenho das tarefas que têm de ser realizadas. Seguidamente, é importante trabalho é analisado e organizado. Deste modo, a análise de cargos tem como objectivo a análise dos cargos existentes para obter informações necessárias a outras actividade de gestão de RH´s, como é o caso do recrutamento, Tabela nº 3: Coceitos chave na análise e desenho do trabalho do treinador. Elemento A unidade de trabalho mais pequena, sem analisar os processos mentais (ex.: elaboração de um exercício de treino); Tarefa Conjunto de elementos realizados sequencialmente e produzindo um resultado significativo e identificável (ex.. elaboração da sessão de treino); Dever Conjunto de tarefas com um objectivo comum (ex.: treinar); Posição Conjunto de tarefas e deveres a serem realizados por um único indivíduo na organização (ex.: treinador principal); Cargo Conjunto de posições que são semelhantes nas tarefas e nos deveres e por isso têm a mesma designação (ex.: treinador); Família de cargos Conjunto de dois ou mais cargos com tarefas e deveres semelhantes (ex.: treinador adjunto, treinador de guarda-redes, treinador principal); Ocupação/Profissão Cargo ou conjunto de cargos existentes num grupo de diversas organizações (ex.: treinador em geral); Carreira Sequência de posições, cargos e ocupações que uma pessoa tem ao longo da sua vida profissional (ex.: jogador, treinador, director técnico, director geral, presidente, etc...) (Adaptado e modificado de DeCenzo e Robbins -1988) 2 selecção, treino, avaliação do desempenho e remuneração, entre outras actividades. Por sua vez, o desenho de cargos tem como objectivo a redefinição dos cargos existentes, para os tornar mais eficientes na organização ou mais motivantes para os respectivos ocupantes. Existe, portanto, uma certa relação de complementaridade entre estes dois aspectos. O desenho de cargos tem uma natureza mais activa relacionada com a necessidade de mudanças do cargo, enquanto a análise de cargos tem uma natureza mais passiva, relacionada sobretudo com a obtenção de informação sobre as carcterísticas do cargo. ANÁLISE DO FLUXO DE TRABALHO Um dos erros frequentes e tradicionais nesta área, caracteriza-se pelo facto dos gestores responsáveis pela análise e desenho de cargos isolarem os cargos do envolvimento em que eles se inserem. Neste tipo de procedimentos, os cargos são analisados e desenhados sem serem levadas em consideração as diversas variáveis que intervêm no processo que suporta o fluxo de trabalho da secção, departamento ou organização. Análise do fluxo de trabalho. Considera-se que a análise do fluxo de trabalho é o processo de análise das tarefas necessárias para a produção de um bem ou serviço e a atribuição dessas tarefas a uma determinada unidade da organização ou a um determinado conjunto de indivíduos. Deste modo, verifica-se que a análise de cargos, o desenho de cargos e a análise do fluxo de trabalho, estão inter- -relacionados, uma vez que a definição do fluxo de trabalho afecta o desenho de cargos, bem como a forma como esses cargos podem ser analizados. A necessidade de uma análise do fluxo de trabalho prende-se com a necessidade de compreender correctamente um determinado cargo individual, pelo que o gestor de RH´s deve, em primeiro lugar, compreender o contexto onde o cargo se encontra e com o qual o se relaciona, tal como se representa na figura 10. Input em bruto Que materiais, dados, e informação são necessários ? Equipamento Que equipamento, materiais e sistemas são necessários ? Actividade Que tarefas na produção dos outputs ? Output Que produto, informação ou serviço é fornecido ? Como é o output medido ? Recursos Humanos Que conhecimento e técnicas são necessárias para realizar as tarefas ? Figura 10: Representação do desenvolvimento de análise da actividade de uma unidade de trabalho (adaptado de Noe, Hollenbeck, Gerhart e Wright, Human Resource Management. Gaining a Competitive Advantage, Ed.: Irwin, 1997, pág.: 169) Análise dos outputs do trabalho. Qualquer unidade funcional de trabalho que se considere, quer seja departamento, secção, equipa ou indivíduo, produz sempre algo que pode ser utilizado por outras unidades de trabalho. O output é o resultado de uma unidade de trabalho que se pode identificar como um produto ou como um serviço. É o caso dos produtos e equipamentos desportivos, ou dos serviços de prática de actividades físicas e espectáculos desportivos, oferecidos por ginásios e clubes. Alíás, existe frequentemente a tendência para identificar as organizações desportivas, apenas com os produtos e serviços que elas próprias produzem, evidenciando-se esse produto ou serviço como o output da orgnização. No entanto, o processo de preparação de uma equipa que participa em competições desportivas, 3 necessita do suporte de várias unidades de trabalho, produzindo cada uma os seus outputs e tendo cada uma diversos indivíduos contribuindo com o seu trabalho, para uma quota parte desses mesmos outputs. A eficiência e eficácia dos outputs produzidos pelos diversos RH´s, nas diversas unidades de trabalho, é determinante, por sua vez, para o sucesso da organização. Por outro lado, identificar o outputs ou outputs de uma organização, não é só por si suficiente. É necessário também especificar os padrões ou critérios de avaliação quantitativa ou qualitativa desses outputs. Sem compreender o output de uma determinada unidade de trabalho, bem como, o conhecimento das suas características quantitativas e qualitativas, não é possível aumentar ou melhorar a eficiência e eficácia de qualquer uma unidade de trabalho. Análise do processo de trabalho. Para continuar a realizar a análise do fluxo de trabalho, e uma vez efectuada a identificação dos outputs de uma unidade de trabalho, é altura de conhecer o processo de trabalho utilizado para a produção dos outputs. Esse processo de trabalho, é entendido como as actividades realizadas pelos RH´s de uma determinada unidade com o objectivo de produzir um determinado output. Cada processo é constituido por procedimentos práticos, que definem o modo como as diversas operações devem ser realizadas, em cada uma das fases de desenvolvimento do produto ou serviço. Por sua vez, os procedimentos práticos ou operacionais englobam todas as tarefas que devem ser realizadas na produção do output. Finalmente, as tarefas são divididas em elementos, os quais são realizados por cada uma das pessoas da unidade de trabalho. Este tipo de abordagem é fundamental, pois sem uma clara compreensão das tarefas necessárias para a produção de um determinado output, não será possível a um gestor de RH´s, por exemplo, determinar se a unidade de trabalho tem o correcto número e tipo de funcionários. Deste modo, e mais uma vez, para criar sistemas de trabalho caracterizados pela máxima eficiência, o gestor precisa de compreender os processos adequados para o desenvolvimento de produtos e serviços de uma dada unidade de trabalho. A clara compreensão das tarefas necessárias para produzir um determinado output, permite ao gestor especificar quais as tarefas a realizar por cada funcionário e ao mesmo tempo permite eliminar as tarefas não necessárias para o output pretendido. Análise dos inputs do trabalho. A identificação dos inputs utilizados no desenvolvimento dos produtos e serviços de uma unidade de trabalho, é a última operação a realizar no processo de análise do fluxo de trabalho. Como se pode verificar na figura 10 estes inputs repartem-se pelos inputs em bruto, pelos equipamentos e pelos recursos humanos. Os inputs em bruto são constituidos por tudo aquilo que será convertido no produto ou serviço da unidade de trabalho. Os equipamentos englobam as tecnoligias e a maquinaria necessária à transformação dos inputs em bruto no produto ou serviço. Os inputs finais do processo do fluxo de trabalho são os recursos humanos com a sua capacidade técnica, conhecimento, competência e esforço necessários para realizar as tarefas. Uma vez que as unidades de trabalho são constituidas por pessoas que realizam tarefas com o objectivo de produzirem um determinado output, e se o processo do fluxo de trabalho é para ser realizado de forma eficiente, então os RH´s da unidade de trabalho têm de possuir os conhecimentos, 4 habilidades e técnicas necessárias solicitadas pelas tarefas que lhes são distribuidas. Por outro lado, estes RH´s deverão, não só, compreender perfeitamente as tarefas, mas estrarem também dispostos e receptivos às exigências da sua execução. A obtenção deste último tipo de recursos é da responsabilidade dos gestores. Asseguram assim que os funcionários da unidade de trabalho têm as técnicas necessárias e encontram-se motivados para executarem essas tarefas. Em síntese, os gestores precisam de compreender o processo de produção das respectivas unidades de trabalho, para poderem maximizar a sua eficiência e eficácia. No entanto, coloca-se um problema: como é que o gestor Sis tema s de infor ma ç ão de RH's adquire uma compreensão dos vários cargos que constituem a unidade de trabalho ? A resolução deste problema é efectuada pelo conhecimento obtido através da análise de cargos. ANÁLISE DE CARGOS Tal como McCormick (1979), considera-se que a análise de cargos é o processo de obter informação detalhada sobre os cargos. Esta informação é de grande importância, e de acordo com Cascio (1995), considera-se inclusivamente a análise de cargos como a origem e ponto de partida fundamental para muitas das outras funções relacionadas com a gestão dos RH’s. An álise do flu xo de tr a balho Sis tema s Ho mem Má quin a An álise da for ç a d e tr a balho Re c r uta men to Infor ma ç ão da an álise de c a r gos Se lec ç ã o Av aliaç ã o e c la ssific aç ão Pla no d e pr omoç ões De senvo lvi/ e pla no d e c a r r eir as Pla neam ento de RH's Ela bor a ç ão de pr og r am as de tr ein o Pa dr õe s de r en dim ento e r ec omp ensa s Figura 11: Representação da importância da análise de cargos para as outras funções relacionadas com a gestão de RH’s (adaptado e modificado de Cascio, W., 1995, pág.: 129) Na realidade, como se pode verificar na figura 11, a informação obtida através da análise de cargos é importante tanto para o gestor de RH´s como para o gestor de linha, pois sem esta informação não seria possível realizar correctamente o planeamento de RH´s e o respectivo recrutamento e selecção. Do mesmo modo, a avaliação do desempenho só será realizada de modo comparativamente equivalente, para os diversos ocupantes do mesmo tipo de cargo, se exirtir informação sobre as características do cargo, relativamentre às quais se possa avaliar o desempenho dos ocupantes. 5 Por sua vez, a realização de programas de treino só poderá ser elaborada de modo adequado e apropriado às necessidades verificadas, se existir um conhecimento sobre o tipo de exigências de cada um dos cargos, o que só é possível obter, mais uma vez, através da análise de cargos. Muitas seriam as relações entre a análise de cargos e as restantes funções da gestão de RH’s, para evidenciar ainda mais a importância desta função no âmbito dos RH’s, no entanto, importa agora perceber o processo de análise de cargos e como se obtém a informação os cargos. O PROCESSO DE ANÁLISE DE CARGOS Fontes de dados. Para Bohlander (1998), o processo de análise de cargos, representado na figura 12, inicia-se com a identificação das fontes de dados, a saber: o analista de cargos, o próprio ocupante do cargo e o supervisor ou gestor de linha. Fo ntes d e Dad os Mé todos de r ec olha Ana lista de carg os Fun cionário Sup ervisor Entr evistas Que stionári os Obs ervaçõe s Reg istos CNP Dad os d o Cargo Tare fas Pad rões de rendim ento, Res ponsab ilidades , Con hecime ntos, T écnicas Exp eriência ,Conte xto Dev eres Eq uipame ntos,.. . Des c r iç ão de c ar gos Tare fas, D everes, Res ponsab ilidades Esp ec ifi c aç ã o de c ar gos Téc nicas, h abilidad es e conh ecimen tos nece ssários . Pad r ões de r en dime nto Nive is de re ndimen to, Crité rios de avaliaç ão, Fu nç õe s dos RH'S Plan eamen to, recr utamen to, sel ecção, treino e dese nvolvim ento, avaliaçã o do re ndimen to, rem uneraçã o, con trolo, e tc... Figura 12: Representação do processo de análise de cargos (adaptado e modificado de Bohlander, G., 1998, pág.: 91). Métodos de recolha de dados. O momento seguinte consiste na escolha de um ou mais métodos de recolha de dados, como sejam: as entrevistas, os questionários, as observações, os registos ou a Classificação Nacional das Profissões (CNP). Na CNP podem-se encontrar as descrições de todas as profissões existentes no País, como é o caso da descrição das tarefas do Árbitro Desportivo que se encontram na tabel 4. Tabela 4: Descrição das tarefas realizadas pelos árbitros em geral, tal como consta do Grupo Base 3.4.7.5 (Atletas, Desportistas e Trabalhadores Similares) da CNP 3.4.7.5.25 - Árbitro Desportivo Descrição geral: Dirige encontros desportivos, mediante remuneração, aplicando as respectivas leis e velando pela sua observância. Descrição detalhada: Verifica se o local das provas apresenta as condições requeridas, nomeadamente as marcações; identifica os participantes e verifica se têm a respectiva autorização de participação; estabelece, antes dos encontros, com os auxiliares a coordenação que deve existir entre eles para uma boa observação dos lances; dá inicio, na hora determinada, aos encontros; vigia o desenrolar do encontro e aplica as penalidades correspondentes às infracções cometidas; assinala os golos ou pontos marcados; cronometra o tempo do encontro efectuando os descontos que se justifiquem; participa superiormente faltas graves dos atletas ou dirigentes. Por vezes elabora relatórios sobre os encontros arbitrados. Pode ocuparse da arbitragem de uma determinada modalidade desportiva e ser designado em conformidade. Dados do cargo. Os dados dos cargos entretanto recolhidos, são transformados em diversos tipos de informação, obtendo-se assim as tarefas realizadas, os critérios ou padrões de rendimento, as técnicas, conhecimentos, habilidades e experiência necessárias, entre outros aspectos. Representa tudo aquilo que um ocupante de cargo faz. Descrição dos cargos. Esta informação, por sua vez, vai permitir elaborar a descrição dos cargos que não é mais nem menos do que uma lista de tarefas, deveres e responsabilidades características de cada um dos cargos analisados. Representa tudo aquilo que um ocupante de cargo deverá fazer. Especificação dos cargos. É também uma lista, elaborada a partir da recolha dos dados do cargo, 6 onde se enunciam os conhecimentos, as técnicas, as habilidades e os outros aspectos que o ocupante do cargo deverá possuir. Representa tudo aquilo que um ocupante de cargo deverá saber. Padrões de rendimento. Representam o nível de rendimento esperado e os critérios utilizados para avaliar esse mesmo rendimento. Representa tudo aquilo que um ocupante de cargo deverá saber fazer bem. Todo este processo só terá significado se for utilizado sobre todas as funções da gestão de RH’s, para aumentar e melhorar o rendimento da organização e respectiva produtividade. MÉTODOS DE RECOLHA DE DADOS Verificou-se anteriormente que a recolha de dados pode ser efectuada recorrendo a vários tipos de técnicas e procedimentos, não existindo “a melhor maneira” para analisar cargos, dada a sua grande diversidade. Existem assim vários métodos a utilizar de acordo com o cargo que se pretende analisar. Análise funcional do cargo Esta técnica de análise foi desenvolvida pelo Serviço de Formação e Emprego dos Estados Unidos da América. É uma perspectiva quantitativa de análise de cargos, que recorre a um inventário, descrito na tabela 5, com as várias actividades de trabalho, constituintes de todos os cargos. Esta técnica, assume que cada cargo solicita a realização de algumas destas actividades de trabalho. Na prática, permite descrever o que é que um trabalhador faz, utilizando para isso a observação e a entrevista ao próprio trabalhador, como forma de recolha de informação. Seguidamente, esta informação é classificada em três funções gerais, existentes em todos os cargos: 1) dados; 2) pessoas; 3) coisas. Por sua vez, cada uma destas três funções gerais é subdividida formando uma escala de actividades de trabalho. Tabela 5: Níveis de dificuldade das actividades de trabalho de cada uma das três funções gerais de trabalho. Dados Pessoas Coisas 0 - Síntizar 0 - Aconselhar 0 - Instalar/Preparar 1 - Coordenar 1 - Negociar 1 - Trabalho de precisão 2 - Analisar 2 - Instruir 2 - Controlar operações 3 - Compilar 3 - Supervisionar 3 - Conduzir operações 4 - Calcular 4 - Distrair 4 - Manipular 5 - Copiar 5 - Persuadir 5 - Atender 6 - Comparar 6 - Falar-transmitir 6 - Fornecer-produzir 7 - Servir 7 - Tratar 8 - Rceber instruções Os cargos em análise são comparados com a escala de actividades de trabalho, de cada uma das três funções gerais. Após esta comparação, obtém- -se o nível funcional que o cargo ocupa na escala, bem como a percentagem de participação que este nível tem no cargo. Por exemplo, podese dizer que o árbitro analisa os acontecimentos (dados) do jogo, supervisiona os jogadores (pessoas) e controla as operações durante o desenrolar do jogo, como sejam, por exempolo, o tempo de jogo, as substituições e as condições de segurança entre outras... (coisas). Cada um destes níveis funcionais reflecte em termos percentuais a forma como está envolvido no cargo do árbitro. Por exemplo, o nível funcional referido como “Analizar” representa cerca de 70% da actividade do trabalho do árbitro. Do mesmo modo, o nível de “Supervisão” e o nível de “Controlo de Operações”, representam cada um, respectivamente, 20% e 10% da actividade do árbitro. O resultado final da aplicação deste método é um cargo avaliado quantitativamente, facilmente utilizado para descrever os conteúdos dos cargos e fundamentar as descrições e especificações dos cargos. 7 Questionário de análise das posições Tal como é descrito por Bernardin e Russel (1993) o questionário de análise das posições (QAP) ou “position analysis questionnaire” (PAQ), como é designado originalmente, é um questionário padrão que analisa as actividades nos cargos, através de 194 tarefas ou elementos. Estes 194 elementos encontram-se distribuidos por seis categorias, representadas na tabela 6, e cada um deles pode ser pontuado, utilizando uma escala de cinco pontos. Tabela 6: Representação das seis categorias do QAP, pelas quais se distribuem os 194 elementos dos cargos Categorias 1. Input de informação - Como e onde é que o funcionário obtém a informação necessária para realizar o cargo (utilização de inputs visuais ou sensoriais) ? 2. Processos mentais - Que raciocínio, planeamento, tomada de decisão ou actividades de processamento de informação são necessárias para realizar as actividades ? 3. Output do trabalho - Que actividades físicas são realizadas e que instrumentos são utilizados ? Nº Elementos do cargo 35 14 49 4. Relacionamentos com outras pessoas - Que relacionamentos com outras pessoas são 36 necessários para realizar o cargo (negociação, realização de actividades de supervisão) ? 5. Contexto do cargo - Em que contexto físico e social é realizado o trabalho (perigos, stress) ? 19 6. Outras características do cargo - Que outras carcerísticas ou actividades são relevantes para o 41 cargo (equipamentos necessários, horário, salário,...) ? (Adaptado e modificado de DeCenzo e Robbins -1988) Utilizando esta escala de cinco pontos procura- -se determinar através do questionário, o grau de envolvimento, caso exista, das diferentes tarefas ou elementos na realização de um determinado cargo. A tabela 8, representa onze dos trinta e cinco elementos que constituem a categoria do Input de informação. O analista de cargos que efectuar uma análise com este questionário, irá classificar cada um dos onze elementos utilizando a escala de cinco pontos, situada no canto superior direito da tabela. O resultado obtido é de natureza quantitativa podendo ser submetido a análises estatísticas. Método dos incidentes críticos Tal como o nome indica, o objectivo deste método é identificar as tarefas críticas do cargo. Entende-se por tarefa crítica os deveres e responsabilidades importantes, realizadas pelo ocupante do cargo, determinante de um rendimento excepcionalmente bom ou excepcionalmente mau, que por sua vez leva ao sucesso ou ao insucesso no cargo. A informação sobre as tarefas críticas do cargo, pode ser obtida utilizando a entrevista com o funcionário, com o respectivo gestor ou, ainda, através de um relatório escrito pelo próprio funcionário. Retomando o exemplo do árbitro, neste caso mais precisamente do árbitro assistente, e supondo que lhe seria realizada uma entrevista, solicitando-lhe a descrição do seu cargo, com referência ao que faz, como faz e que equipamentos e instrumentos utiliza para o fazer, o resultado final poderia ser algo como o que se encontra na seguinte tabela 7: Tabela 7: Descrição das tarefas realizadas pelo árbitro assistente, utilizando o método dos incidentes críticos. Eu auxílio o árbitro, assinalando a ocorrência de aspectos de indisciplina e o incumprimento das leis do jogo. Dou indicações sobre a ocorrência de várias situações, sempre que o árbitro não as observa dentro e fora do terreno de jogo. Registo a actuação disciplinar do árbitro, bem como os golos marcados e as substituições realizadas. Juntamente com o árbitro, efectuo o contolo do tempo de jogo, bem como da duração dos períodos de compensação. Tenho de realizar as minhas acções e utilizar a bandeirinha de acordo com a sinalética própria das acções do árbitro assistente. Para realizar estas tarefas tenho de estar em boa forma física e por isso tenho de me preparar físicamente e tenho de conhecer as leis do jogo, bem como os regulamentos das provas. 8 Após a recolha dos dados, o analista de cargos identifica, separa e escreve descrições de tarefas ou elementos que representam significativas e importantes actividades de cargo. Relativamente ao árbitro assistente uma descrição de tarefa poderia ser: “Para realizar estas tarefas tenho de estar em boa forma física e por isso tenho de me preparar físicamente “. Para cada cada cargo o analista encontra cerca de cinco a dez descrições importantes. O resultado final, é dado por frases escritas, representando tarefas descritas de forma clara, completa e de fácil compreensão para todos aqueles que não estão familiarizados com o cargo. Este é um método de análise de grande importância, pois indica ao analista de cargos como se deverá concentrar nos comportamentos dos funcionários que são críticos para o sucesso no cargo. Tabela 8: Representação das seis categorias do QAP, pelas quais se distribuem os 194 elementos dos cargos Input de Informação 1. Input de informação Grau de utilização - U Classifique cada um dos seguintes items no que respeita ao grau em que ele é usado pelo funcionário como uma fonte de informação na realização do seu trabalho. NA - Não se aplica 1 - Pouco frequente 2 - Ocasional 3 - Moderado 4 - Considerável 1.1.1 Fontes de informação visual do cargo 5 - Muito frequente 1.1 Fontes de informação do cargo 1 U Material escrito (livros, relatórios, circulares, artigos, instruções do cargo, etc...) 2 U Material quantitativo (material relacionado com quantidades, tais como gráficos, cálculos, especificações, tabelas de números, etc...) 3 U Material gráfico (figuras ou material semelhante usado como fonte de informação, como por exemplo desenhos, diagramas, mapas, fotografias, vídeo, TV, etc,...) 4 U Modelos/dispositivos relacionados (modelos, exemplos, etc..., usados como fonte de informação quando observados durante utilização; não incluir aqui materiais descritos no anterior ponto 3) 5 U Mostradores visuais (relógios, sinais de luzes, mostradores, manómetros, radares, scaners, etc...) 6 U Dispositivos de medida (Réguas, compassos, manómetros de pressão, escalas, termómetros, etc..., utilizados para obter informação visual acerca de medições físicas; não incluir dispositivos descritos no anterior ponto 5) 7 U Dispositivos mecânicos (instrumentos, equipamentos, maquinaria, e outros dispositivos mecânicos que são fonte de informação quando observados durante a sua utilização ou operação) 8 U Materiais em processamento (partes, materiais, objectos, etc,..., os quais são fonte de informação quando estão a ser modificados, trabalhados, ou processados, tais como peça sendo modificada num torno, por solas novas nos sapatos, farinha de pão quando está a ser amassada, etc...) 9 U Materiais que não estão em processamento (partes, materias, objectos, etc,...,que não estão no processo de transformação ou modificação, os quais são fontes de informação quando estão a ser inspeccionados, manipulados, embalados, distribuidos, ou seleccionados, etc..., tais como items ou materiais de um inventário, armazenagem, ou canais de distribuição, etc...) 10 U Aspectos da natureza (encostas, campos, amostras geológicas, vegetação, formação das nuvens, e outros aspectos da natureza que são observados ou inspeccionados para fornecer informação) 11 U Aspectos do envolvimento realizados pelo Homem (estruturas, edifícios, pontes, auto-estradas, portos, caminhos de ferro, e outros aspectos realizados pelo homem ou aspectos alterados do envolvimento exterior, os quais são observados ou inspeccionados para fornecer informações sobre o cargo; não considere equipamento, máquinas, etc..., que um indivíduo utilize no seu trabalho, tal como foi referido no ponto 7) (Origem: Position Analysis Questionnaire, Purdue Research Foundation, West Lafayette, Indiana 47907, 1989) 9 DESCRIÇÃO, ESPECIFICAÇÃO E AVALIAÇÃO DE CARGOS Para alguns o processo de análise de cargos conclui-se após a recolha de informação sobre as características do cargo. No entanto, esse não é o momento final, mas sim o momento a partir do qual é possível concluir o processo de análise, através da objectivação dos dados obtidos, sob a forma de descrição, especificação e avaliação de cargos. Descrição do cargo Directamente relacionada com a informação recolhida durante a análise do cargo, as especificaçõs do cargo identificam as qualificações necessárias que normalmente são agrupadas em quatro categorias: a) técnica; b) habilidade; c) conhecimento; d) outras características Por técnica entende-se o nível de Para Carrel, Elbert e Hatfield (1995), o resultado final mais frequente de uma análise de competência na realização de uma determinada tarefa. Por sua vez, habilidade representa uma determinada capacidade de natureza mais geral e cargo é a descrição do próprio cargo. Como referimos anteriormente, a descrição de cargos consiste na elaboração escrita de uma lista ou relatório das actividades, relacionadas com o que ocupante do cargo faz, como faz e porque faz. Apesar de não ser possível encontrar ao nível da descrição de cargos um formato padrão, dada a grande variabilidade com que este aspecto é mais estável que um indivíduo possui. O conhecimento refere-se aos conteúdos de informação, numa determinada área ou assunto, que são necessários para realizar o as tarefas do cargo com sucesso. Finalmente, as outras características são representadas por traços de personalidade individuais, tais como os níveis de motivação e persistência ou as exigências físicas tratado de organização para organização, é, no entanto, possível encontrar na maioria das descrições dos cargos três partes: a) Identificação do cargo; b) Descrição geral do cargo; c) Deveres e responsabilidades do cargo. solicitadas. As especificações dos cargos são de importância fundamental para o processo de recrutamento e selecção de RH’s, constituindo-se mesmo como um instrumento de selecção pois fornece ao responsável pela selecção uma lista das qualificações necessárias para desempenhar o cargo. A tabela 9, apresenta cada uma destas três partes, utilizando um exemplo de descrição do cargo de árbitro. Especificações do cargo As especificações do cargo, também representadas na tabela 9, definem as qualificações mínimas aceitáveis, que os candidatos ao cargo ou os ocupantes do cargo devem possuir, para desempenharem o cargo com sucesso. Avaliação dos cargos Para além de fundamentar a descrição e especificação dos cargos, a análise de cargos fornece ainda informações que permitem comparar os vários cargos entre si. Deste modo, a avaliação dos cargos contribui para a definição do valor relativo de cada cargo na organização, bem como para a respectiva compensação. 10 Tabela 9: Exemplo da descrção e especificação do cargo de árbitro. Identificação do cargo Título d cargo: Árbitro Nível: Nacional Departamento: Conselho de arbitragem da FPF Analista do cargo: A. Silva Data de análise: 12-03-1996 Categoria de vencimento: Isento Código CNP: 3.4.7.5.25 Data de verificação: 17-03-1996 Descrição geral do cargo (breve lista dos principais deveres) Dirige encontros desportivos, mediante remuneração, aplicando as respectivas leis, regulamentos e velando pela sua observância. Deveres e responsabilidades do cargo (Funções e responsabilidades essenciais) 1 • Verifica se o local das provas apresenta as condições requeridas, nomeadamente, as marcações; 2 • Identifica os participantes e verifica se têm a respectiva autorização de participação; 3 • Estabelece, antes dos encontros, com os auxiliares a coordenação que deve existir entre eles para uma boa observação dos lances; 4 • Dá inicio, na hora determinada, aos encontros; 5 • Vigia o desenrolar do encontro e aplica as penalidades correspondentes às infracções cometidas; 6 • Assinala os golos ou pontos marcados; 7 • Cronometra o tempo do encontro efectuando os descontos que se justifiquem; 8 • Participa superiormente faltas graves dos atletas ou dirigentes; 9 • Elabora os relatórios sobre os encontros arbitrados. Especificações do cargo (exigências do cargo) 1 • Curso de terceiro nível nacional reconhecido pela FPF e 12º ano de escolaridade; 2 • Conhecimento dos regulamentos da FPF, respeitantes à organização de provas; 3 • Capacidade para comunicar e expressar claramente as suas ideias, com os jogadores, treinadores e dirigentes; 4 • Capacidade para expressar de forma clara as suas ideias, através da elaboração de relatórios escritos; 5 • Conhecimentos sobre preparação física para se preparar para a competição de forma autónoma ; 11 BIBLIOGRAFIA DeCenzo, D., e Robbins, S., Personnel/Human Resource Management, Second ed., Prentice Hall, New Jersey, 1988; Noe, R., Hollenbeck, J., Gerhart, B., e Wright, P., Human Resource Management. Gaining a Competitive Advantage, Ed.: Irwin, 1997. McCormic, E. J., Job Analysis, New York, AMACON, 1979; citado por Slack, T., Understanding Sport Organizations - The Application of Organization Theory, Human Kinetics, Champaign, 1997. Cascio, W., Managing Human Resources Productivity, Quality of Work Life, Profits, Englewood Cliffs, McGraw-Hill, Inc.,4th ed., 1995; Sherman, A., Bohlander, G., Snell, S., Managing Human Resources, Cincinnati, ShoutWestern College Publishing,11ª ed., 1998; Bernardin, J., Russel, J., Human Resource Management, New York, McGraw-Hill, 1993; Carrel, M., Elbert. N., e Hatfield, R., Human Resource Management: Global Startegies for Managing a Diverse Workforce, 5ª ed., Prentice Hall, New Jersey, 1995; 12 NOTAS E OBSERVAÇÕES: 13