FACULDADE DE PARÁ DE MINAS
CURSO DE PEDAGOGIA
Neide Aparecida da Silva
A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA CRIANÇAS DE 4 A
5 ANOS
Pará de Minas
2013
Neide Aparecida da Silva
A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA CRIANÇAS DE 4 A
5 ANOS
Monografia apresentada à coordenação do curso
de Pedagogia da Faculdade de Pará de Minas,
como requisito parcial avaliativo para a conclusão
do curso de Pedagogia.
Orientadora: Maria Aparecida Duarte Lima.
Pará de Minas
2013
Neide Aparecida da Silva
A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA CRIANÇAS DE 4 A
5 ANOS
Monografia apresentada à Coordenação do Curso
de Pedagogia da Faculdade de Pará de Minas,
como requisito parcial avaliativo para a conclusão
do curso de Pedagogia.
Aprovado _____/_____/_____
___________________________________________________________
Professora orientadora: Maria Aparecida Duarte Lima
___________________________________________________________
Professor examinador
Dedico esta pesquisa ao meu Deus, pois
sem ele nada seria possível; aos meus
familiares, em especial aos meus pais,
que acreditaram em meus sonhos; aos
meus amigos que compreenderam e
fortaleceram
meus
ideais,
minha
coordenadora
e
orientadora
Maria
Aparecida, que impulsionou o meu
estudo. A todos o meu muito “obrigada”.
Agradeço a Deus e seus Arcanjos por
iluminar meu caminho todos os dias, aos
meus pais e familiares que acreditaram
nessa
vitoria,
aos
amigos
pelo
companheirismo e compreensão e aos
professores que acreditaram em meu
potencial. Enfim, a todos que apoiaram e
acreditaram que este sonho seria
possível.
“Ensinar não é transferir conhecimento,
mas criar possibilidade para a sua própria
produção ou a sua construção”.
Paulo Freire.
LISTA DE QUADROS
QUADRO 1 – Jogos tradicionais................................................................................24
QUADRO 2 – Jogos de construção...........................................................................26
QUADRO 3 – Jogos motores.....................................................................................29
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo comprovar a importância da psicomotricidade
para crianças de 4 a 5 anos. Buscou-se fundamentar nossa pesquisa bibliográfica
nas ideias de Piaget, Vygotsky, Oliveira, Kishimoto e muitos outros autores que
vieram clarificar o quanto é valorosa a psicomotricidade para o desenvolvimento da
criança em seus aspectos motores, afetivos e sociais. Este trabalho vem justificar a
importância do uso dos jogos no dia a dia das crianças no espaço escolar e ressaltar
seus benefícios para o desenvolvimento da psicomotricidade. Neste estudo,
acentua-se necessidade de selecionar e diversificar os tipos de jogos a serem
utilizados nos espaços educacionais quando se propõe a estimular a maturidade da
criança utilizando-se dos recursos oferecidos pelas instituições em conformidade
com a bagagem cultural trazida por elas.
Palavras chaves: Psicomotricidade; Criança; Jogos; Espaço escolar.
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 9
2 O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA DE 4 A 5 ANOS .................................... 11
3 A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE ...................................................... 16
4 CONTRIBUIÇAO DOS JOGOS NO DESENVOLVIMENTO DA
PSICOMOTRICIDADE ............................................................................................. 20
4.1 Tipos de jogos .................................................................................................. 21
4.1.1 Jogos tradicionais ............................................................................................ 22
4.1.2 Jogos de construção ....................................................................................... 24
4.1.3 Jogos motores ................................................................................................. 26
5 A PSICOMOTRICIDADE NO ESPAÇO ESCOLAR ............................................. 31
5.1 Esquema corporal ............................................................................................ 34
5.2 Lateralidade ...................................................................................................... 34
5.3 Espaço-temporal .............................................................................................. 35
5.4 Estruturação espacial ...................................................................................... 36
6 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 38
REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 40
9
1 INTRODUÇÃO
A criança, desde cedo, nos seus primeiros anos de vida, sabe traduzir seus
pensamentos através de seu corpo, mesmo não reconhecendo os benefícios que ele
lhe traz, ela se relaciona com o mundo utilizando a linguagem corporal.
A psicomotricidade é um ramo da ciência que tem como objetivo desenvolver
o aspecto comunicativo do corpo. Sua utilização é fundamental no desenvolvimento
da criança que necessita de estimulações para que seu conceito de corpo seja bem
elaborado.
Um dos conceitos de psicomotricidade em relação ao corpo é desenvolver o
aspecto comunicativo que possibilita à criança dominá-lo. Entre estes aspectos
destacamos o modo de pensar, seus gestos para economizar suas energias,
aperfeiçoar o seu equilíbrio e aumentar, assim, sua eficácia e harmonia. Contudo,
cabe a percepção de que entre a psicomotricidade e corpo há uma ligação uma vez
que não existe psicomotricidade sem corpo e vice versa.
Para trabalhar o desenvolvimento motor do corpo, há várias atividades que
podem ser utilizadas em sala de aula, atividades que partem de variáveis como os
jogos, que assumem um contexto cultural quando reproduzem elementos de uma
cultura e possibilitam a interação com o meio no qual a criança está inserida.
O trabalho que promoverá o desenvolvimento das habilidades da criança
visando estimular a psicomotricidade na faixa etária de 4 a 5 anos no ambiente
escolar.
São
os
jogos
e
brincadeiras
que
atuam
como
condutores
do
desenvolvimento corporal.
Pode-se dizer que a utilização dos jogos no cotidiano escolar contribui para a
melhoria do desempenho da escrita, sendo um valioso instrumento para o
desenvolvimento infantil. Os jogos (tradicionais, de construção e motores) auxiliam
também na ampliação da realidade social e cultural das crianças, desenvolvendo
potencialidades corporais, éticas, afetivas, emocionais, e contribuem para a sua
formação.
Para que esses jogos sejam aplicados em sala de aula, os professores devem
estar preparados para os desafios que irão enfrentar. Muitas vezes, a falta de
informação impossibilita a transferência de saberes entre professor e aluno. Muito
tem sido feito para melhorar a qualidade do ensino nas escolas fazendo surgir
alterações, relacionadas à aprendizagem, à capacitação dos profissionais, ao uso de
10
novas tecnologias e varias outras visando a melhorias na qualidade do ensino
oferecido às crianças de 4 a 5 anos.
Esta pesquisa bibliográfica tem como objetivo conscientizar os profissionais
do ensino infantil, sobre a importância de se trabalhar a psicomotricidade com
crianças de 4 a 5 anos. Para que os profissionais identifiquem as atividades
adequadas para se trabalhar com esses alunos, com os jogos e brincadeiras, é
fundamental que eles percebam a importância da psicomotricidade no desenvolver
da criança.
Sendo assim, propôs-se nesta pesquisa, no 1º Capítulo, entender o
desenvolvimento da criança de 4 a 5 anos. Neste momento, debruçando-se sobre as
ideias de Piaget, Vygotsky e Wallon, percebe-se como ocorre o processo de
desenvolvimento das áreas afetivas, motoras e cognitivas e também como a
interação com os outros contribui para a evolução total do ser.
No Capitulo II além de contextualizar algumas definições do termo
psicomotricidade procuramos registrar a importância dela na vida da criança,
discutindo algumas definições de corpo com o qual ela trabalha e propicia
desenvolver na criança.
O Capitulo III destaca as contribuições dos jogos no desenvolvimento da
psicomotricidade, e sua importância para o desenvolvimento global da criança. Para
melhor compreendemos esta temática utilizaremos as contribuições de outros
autores como Kishimoto e Tonietto, que reforçam a importância do uso de jogos
para o aprimoramento da psicomotricidade em crianças de 4 a 5 anos no espaço
escolar.
Encontraremos no Capitulo IV uma discussão a respeito da psicomotricidade
no espaço escolar, sendo ela utilizada como fonte para a qualificação do ensino
ofertado aos alunos, desta faixa etária. Bem como os desafios e dificuldades
enfrentados pelos professores ao tentar proporcionar aos seus educandos
possibilidades para aperfeiçoarem suas dificuldades, a partir da execução de
atividades motoras em sala de aula.
11
2 O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA DE 4 A 5 ANOS
Nos primeiros dias de vida da criança, ela se desenvolve continuamente. No
seu desenvolvimento é indispensável que haja equilíbrio, pois a existência da
harmonia entre o corpo e a mente estimula os progressos em todas as áreas. Assim
algumas partes podem ser favoravelmente beneficiadas visto que os aspectos do
desenvolvimento não podem ser focados ao mesmo tempo, para que a criança não
fique sobrecarregada, prejudicando o seu desenvolvimento global. Assim Alves
(2003) afirma que,
Cada período é diferente do outro e, em cada um deles, a criança tem
formas peculiares de pensar e de comportar, determinando e
estabelecendo, então, o seu caráter do que ser aprendido neste período, o
que de melhor a criança é capaz de realizar. (ALVES, 2003, p. 88).
A criança sabe traduzir seus pensamentos através de seu corpo, ela sabe
bem as funcionalidades e benefícios que ele traz. Além disso, o corpo traduz
também suas vivências individuais e grupais que interligam a exploração do mundo.
O desenvolvimento refere-se também à continuidade de mudanças no
indivíduo. Seria como o desenrolar de um novelo em que nele estariam inscritas as
características
de
cada
um.
Nesse
desenrolar
há
dois
processos
de
desenvolvimento: a maturação, que corresponde ao desenvolvimento de acordo com
a herança biológica; e a aprendizagem, que se refere às mudanças já adquiridas no
pensamento, comportamento e sentimento.
Há grandes estudiosos que passaram boa parte do tempo estudando as fases
de desenvolvimento da criança, entre eles destacamos Jean Piaget, Lev
Semenovich Vygotsky e Henri Wallon.
Eles articulavam que entre os diferentes
níveis de desenvolvimento (motor, afetivo e cognitivo) experimentados pela criança,
há diferenciações, porque os desenvolvimentos ocorrem e nem são recebidos de
forma isolada, mas de maneira simultânea e integrada.
O teórico russo Lev Vygotsky que tem defende a teoria sociocultural
embasada na cultura (habilidade de um grupo social, crenças, valores, tradições,
entre outros), que é transmitida de geração em geração, acredita que por meio de
atividades e diálogos, a criança adquire gradualmente novas maneiras de comportar
e de pensar, visando o crescimento cognitivo como uma atividade socialmente
medida. “Com isso, as formas de memorização, de percepção para solucionar
12
problemas manifestam-se, primeiro, em situação interpessoal e depois em uma
situação intrapessoal” Oliveira (2005). É importante considerar que nesse caso é
importante a criança passar por estas situações para que assim complete seus
conhecimentos prévios.
Ainda, Oliveira (2005) argumenta:
Para analisar esse processo, Vygotsky criou o conceito de Zona de
desenvolvimento proximal. Segundo ele, a criança transforma as
informações que recebe de acordo com as estratégias e conhecimentos por
ela já adquiridos em situações vividas com outros parceiros mais
experientes. A noção de zona de desenvolvimento proximal refere-se à
distância entre o nível de desenvolvimento atual do indivíduo (ou seja, sua
capacidade de apresentar uma ação independente de pistas externas –
compreendendo, portanto, funções já amadurecidas) e a capacidade de
responder orientado por indicações externas a ele (ou seja, baseada em
funções em processos de amadurecimento). Após operar com esses
instrumentos externos, ou próteses (“muletas”) – gestos, instruções,
questões, estratégias -, o indivíduo cria uma mediação semiótica interna e
responde às situações com base em conceitos, imagens, habilidades e
outros recursos. (OLIVEIRA, 2005, p. 128-129)
Ao conhecermos o argumento da autora, perceberemos que o pensamento é
formado na vida social, em seu contexto, fornecendo aos indivíduos tarefas sociais
que estimulam o seu desempenho, a fim de atingir objetivos, conhecimentos e o
domínio de novas técnicas baseadas em sua cultura.
Para o teórico Henri Wallon, o desenvolvimento do individuo é construído através de
uma dupla história, pois o sujeito se vincula a condições e situações diversas nas
quais ele se envolve e necessariamente ele as responde.
Na afirmação abaixo OLIVEIRA (2005) enfatiza que para:
[...] Wallon, toda pessoa constitui um sistema específico e ótimo de trocas
com o meio. Tal sistema integra suas ações num processo de equilíbrio
funcional que envolve motricidade, afeto e cognição, mas no qual, em cada
estágio de desenvolvimento, uma forma particular de ação predomina sobre
as outras. As estruturas da consciência e de personalidade surgem, assim,
dos desdobramentos e das oposições provocados pelas reações
emocionais. (OLIVEIRA, 2005, p. 130)
Há várias formas de organizar o pensamento em função das experiências
vividas, em que, cada qual tem uma maneira de expressar suas capacidades, em
função das experiências adquiridas com outras crianças e também com adultos.
Todas essas trocas durante as fases de crescimento da criança são fundamentais
para seu processo de desenvolvimento.
13
Segundo Craidy e Kaercher (2001)
Piaget, Vygotsky e Wallon tentaram mostrar que a capacidade de conhecer
e aprender se constrói a partir das trocas estabelecidas entre o sujeito e o
meio.
As
teorias
sociointeracionistas
concebem,
portanto,
o
desenvolvimento infantil como um processo dinâmico, pois as crianças não
são passivas, meras receptoras das informações. (CRAIDY e KAERCHER,
2001, p. 27).
Embora os teóricos não sejam concordantes em todos os aspectos, eles têm
possibilitado com seus estudos uma maneira de favorecer a compreensão do
desenvolvimento infantil. Eles reforçam que esse desenvolvimento acontece
segundo a ampliação do grupo social das crianças, a partir do estabelecimento de
trocas com outros membros do meio social em que estão inseridas.
As contribuições do biólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget, que construiu
sua teoria ao longo de mais de 50 anos de pesquisa, teve como objeto de estudo
seus próprios filhos, pois uma de suas maiores preocupações era descobrir como se
estruturava o conhecimento, partindo assim de uma ação executada sobre o referido
objeto (conhecimento de um determinado sistema de relações, como por exemplo, a
forma de explorar brinquedos, resolução de problemas fáceis, entre outros). Esse
processo desenvolveu-se em eixos que enfatizaram a organização, a estruturação e
o entendimento das ações para explicar as estruturas que estimulam a inteligência
da criança, que vai se aprimorando a partir do estabelecimento do contato com o
mundo.
Para este teórico, o desenvolvimento pode ser compreendido a partir de
estágios, que foram classificados por ele, como; estágio sensório-motor (0 a 2 anos
aproximadamente), que é caracterizado pelas situações externas que a criança
vivencia, passando a se apoiar em esquemas de ação como um meio de explorar e
entender o meio ambiente; Estágio pré-operacional (por volta dos 2 aos 7 anos), é
quando a criança desenvolve a capacidade de tornar objetos ou palavras em
“experiências” significativas; Estágio operacional concreto (de 7 a 11 anos), se refere
ao desenvolvimento da habilidade de registrar e adquirir operações cognitivas, que
são experimentos com base na realidade vivida; e o estágio das operações formais
(de 11 anos em diante) quando as crianças registram operações cognitivas e um
pensamento mais lógico sobre objetos e experiências reais.
Para Shaffer (2012):
14
[...] Piaget argumentou que esses estágios jamais podem ser saltados,
porque cada estágio é construído sobre o que foi adquirido nos estágios
anteriores. Apesar de acreditar que a sequência dos estágios intelectuais
fosse fixa ou invariante, Piaget reconheceu que existem grandes diferenças
individuais em relação à idade com que as crianças entravam ou saíam de
cada estágio em particular. [...] fatores culturais e outras influências
ambientais poderiam tanto acelerar quanto atrasar o ritmo de
desenvolvimento intelectual de uma criança, e ele levava em consideração
as normas de idade que acompanhavam os estágios (e subestágios), na
melhor das hipóteses, apenas como aproximação. (SHAFFER, 2012, p.
278).
É importante que a criança vivencie cada estágio, pois cada um é construído
através do que foi adquirido nos estágios anteriores. A influência do ambiente em
que a criança vive, contribui para o desenvolvimento dos estágios posteriores como
também pode vir a desacelerar o mesmo. Isso pode vir a acontecer de acordo com a
idade que acompanha os estágios de desenvolvimento da criança.
Neste trabalho, o foco estará centrado no segundo estágio, chamado de préoperacional, por se tratar do estudo do desenvolvimento de crianças de 4 a 5 anos.
Nesta fase, com a criança dessa faixa etária, ocorre a formação da consciência de
si, principalmente com as interações sociais, nas quais a criança volta o seu
interesse para as pessoas que a cercam, prevalecendo assim às relações afetivas.
A criança necessariamente precisa ser estimulada para que aconteça um
desenvolvimento adequado, de modo que seus movimentos motores sejam bem
elaborados. Piaget, em sua obra que enquadra o desenvolvimento motor da criança
de 4 a 5 anos, cita várias características que são por muitas vezes peculiares, mas
que não representam “amarras”.
Na fase do pré-operatório de Piaget, a criança se encontra numa fase de
estabilidade corporal e seu equilíbrio, começa a desenvolver-se ativamente nas suas
descobertas durante as realizações de atividades.
Nesta faixa etária, pode-se dizer que há constantemente um aprimoramento
das atividades motoras, que se torna mais necessária, eficiente e segura para a
criança já que seu desenvolvimento acontecerá de forma gradativa.
Para a criança é fundamental que aconteça também sua interação com o
meio em que ela vive, até mesmo para que seu desenvolvimento seja amplo. À
medida que a criança estabelece trocas de conhecimento com o meio social, Piaget
salienta que as crianças tornam-se mais socializadas no decorrer dos anos e que
esse desenvolvimento social atua sobre o desenvolvimento cognitivo e afetivo delas.
15
Partindo dos conceitos citados, podem-se propor atividades ou ações que
favoreçam e colaborem para uma melhor apreensão dos conhecimentos pela
criança, usando jogos e brincadeiras que exijam domínio das ações corporais que
favorecerão na tomada de consciência de si.
16
3 A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE
Antes de buscarmos a definição correta da palavra psicomotricidade,
buscamos a etimologia da palavra que vem favorecer a construção do conceito e
definição do termo.
PSI – Emocional
CO – Cognitivo
MOTRIC – Movimento Humano
IDADE – Etapas da Vida de ser Humano
São encontradas várias definições para psicomotricidade. Diversos são os
autores que apresentam conceitos relacionados a ela, e cada um coloca seu ponto
de vista para defini-la. Sobre estes conceitos de psicomotricidade, Otoni (2007) fala
que:
A sociedade Brasileira de Psicomotricidade a conceitua como sendo uma
ciência que estuda o homem através do seu movimento nas diversas
relações, tendo como objeto de estudo o corpo e a sua expressão dinâmica.
A psicomotricidade se dá a partir da articulação movimento/ corpo/ relação.
Diante do somatório de forças que atuam no corpo- choros, medos,
alegrias, tristeza... - a criança estrutura suas marcas, buscando qualificar
seus afetos e elaborar as idéias. Constituindo-se como pessoa. (OTONI,
2007, p. 1).
Necessário se torna conhecer, mesmo que brevemente, alguns aspectos da
história da psicomotricidade, da sua importância nas diversas relações existentes na
dinâmica do corpo. Para a compreensão do desenvolvimento da criança com base
nesse enfoque Coste (1978) nos assegura que:
A história da psicomotricidade é curta: o termo apareceu no discurso médico
em princípios deste século, com os trabalhos de Dupré. Mas pelo fato de se
ter definido segundo a concepção que o homem tem do seu corpo, sua
história ganha raízes nas origens da humanidade consciente. A história da
psicomotricidade nasce com a história do corpo, um longo percurso
marcado às vezes por certos revolucionários e reformulações decisivas, que
culminariam em nossas concepções modernas, e permitiriam compreendêlas. (COSTE, 1978, p.10).
A história da psicomotricidade, juntamente com a história do corpo, ao longo
do percurso, passou a ser estudada por neurologistas para a compreensão das
estruturas cerebrais e psiquiátricas para o conhecimento das patologias mentais. Ao
17
longo dos séculos, a psicomotricidade vem sendo descoberta e, junto dela, o
significado do corpo.
Em vários estudos se chega a concluir que não existe psicomotricidade sem
corpo, que um completa o outro uma vez que para o corpo se movimentar é preciso
partir de princípios que aqui chamamos de psicomotricidade. Em “meados de 1900,
E. Dupré, um grande estudioso, realizou um dos primeiros estudos que, por partes,
envolve a psicomotricidade, trabalhando as relações psíquicas com as relações
motoras” (ARAÚJO, 1992).
A
Sociedade
Brasileira
de
Psicomotricidade
-
SBP,
coloca
que
psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de
movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito
cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.
É através de vivências no meio social, que a criança descobre a cada dia,
novas funções que resultam em seu aprimoramento pessoal e complementa as
novas experiências que resultam em ações individuais e sociais.
Buscamos a ciência, que nos possibilita o estudo do homem por meio de seu
corpo em movimento, tendo relação com seu mundo interno e externo. Nesse caso,
entra a psicomotricidade, que busca destacar essas relações existentes entre
motricidade, a mente e a afetividade, permitindo várias abordagens globais do
homem.
Essa ciência que considera a criança como seu principal foco, tem como
objetivo tentar resgatar um comportamento mais padronizado dentro do aceitável
para a respectiva faixa etária, desenvolvendo várias condutas de base para a préformação da aprendizagem escolar, uma vez que a psicomotricidade auxilia na
assimilação de certos conteúdos globais e no convívio consigo mesmo, ela está
associada à personalidade e afetividade dos seres, e na maneira como eles utilizam
seus corpos para demonstrarem o que sentem.
A psicomotricidade, no enfoque educacional, objetiva conhecer os elementos
básicos que atuam junto à criança (aluno) para o fortalecimento de seu
desenvolvimento cognitivo, afetivo e social.
Segundo Nascimento e Machado (1986) os estudos da psicomotricidade
abrem espaços para alguns elementos básicos didaticamente distintos, mas que
estão relacionados, tais como: a coordenação psicomotora, o equilíbrio, o tônus, a
18
lateralidade, o ritmo, o esquema corporal, a orientação temporal, a estruturação
espacial e a pré-escrita ou grafismo.
Um dos objetivos da psicomotricidade em relação ao corpo é desenvolver o
aspecto comunicativo, que possibilita à criança dominá-lo. Este domínio implica no
modo de pensar, em gestos, em economizar suas energias e aperfeiçoar o seu
equilíbrio. A abordagem da psicomotricidade possibilita à criança ter a compreensão
do seu corpo e assim se expressar-se por meio dele.
Com isso, em uma visão global, a psicomotricidade se faz necessária para a
prevenção de problemas na orientação do espaço em que a criança vive ou em sua
coordenação. Para que isso aconteça, é fundamental que se eduque a criança a fim
de conscientizá-la sobre como lidar com o corpo e desenvolver o senso de equilíbrio.
A partir daí, ela começa a controlar o próprio corpo, reconhecendo a direita e
esquerda, equilibrando a respiração, sabendo usar braços, pernas e dominar as
noções de tempo (conscientização). (VAYER, 1984).
Nessa perspectiva se chega a concluir que a psicomotricidade integra o corpo
de tal modo a permitir que a criança perceba seu próprio corpo, domine seus
movimentos e expressões corporais, expresse variadas emoções. A esse respeito
Oliveira (2009) afirma que:
Todas as experiências da criança (o prazer e a dor, o sucesso ou o
fracasso) são sempre vividos corporalmente. Se acrescentarmos valores
sociais que o meio infere ao corpo e a certas de suas partes, este corpo
termina por ser investido de significações, de sentimentos e de valores
muito particularmente e absolutamente pessoais. (OLIVEIRA, 2009, p. 65).
É através de todos os seus cinco sentidos que a criança percebe o seu
próprio corpo. Seu corpo ocupa espaço no ambiente em que está inserido, suas
funções e suas capacidades de receber, captar, sentir e movimentar são importantes
para que seu corpo se desenvolva.
Ao definir corpo vivido, corpo percebido e corpo representado, é importante
ressaltar que o corpo pode ser treinado, uma vez que, quando a criança já
representa seu corpo através de desenhos, ela já está com a imagem do corpo
internalizado mentalmente.
Com isso, o esquema corporal (que são as vivências e experiências do nosso
próprio corpo), se torna um elemento básico indispensável na criança para
19
construção de sua personalidade. O desenvolvimento corporal passa por três
etapas, na qual Oliveira (1992) citando Lê Boulch diz que,
Corpo vivido: corresponde à fase sensório-motora de Piaget, começa nos
primeiros meses de vida, nela o bebê ainda não tem noção do “eu”,
confundindo-se com o meio e seus movimentos são atividades motoras que
não são pensadas para serem executadas. Corpo percebido: corresponde
ao período pré-operatório de Piaget, começa por volta dos dois anos
quando a criança passa a perceber-se, e tem-se o início da tomada de
consciência do “eu”. Diferencia-se do meio, organizando o espaço levando
em conta o seu próprio corpo, começa assim a construir uma imagem
mental dele. Os conceitos espaciais como perto, longe, em cima ou
embaixo começam a ser discriminados; as noções temporais relativas à
duração, ordem e sucessão de eventos são compreendidas. Corpo
representado: corresponde ao período operatório de Piaget. Começa
aproximadamente aos sete anos quando a criança já tem noção do todo e
das partes de seu corpo, assumindo e controlando seus movimentos com
autonomia e independência. No final dessa fase, a criança já tem uma
imagem de corpo operatório, usando-o para efetuar e programar
mentalmente ações e orientando-se por pontos de referência que podem
ser escolhidos. (LÊ BOULCH apud OLIVEIRA, 1992, p. 58).
O corpo passa por várias manifestações e representações que em um
primeiro momento não são percebidas pela criança, mas com o passar do tempo, a
criança percebe que aquela ação gerenciada por ela se manifesta em seus
conhecimentos e suas aprendizagens. O corpo tem várias funcionalidades e quando
são expressas de maneira confiante permitem que a criança traduza seus
pensamentos usando-as a seu favor.
A psicomotricidade proporciona para a criança momentos de articulação com
o seu próprio corpo, oferecendo a ela um dinamismo entre movimento, corpo e
relação. Já a Instituição Superior de Psicomotricidade e Educação e Grupo de
Atividades Especiais (ISPE-GAE) define a psicomotricidade e o emprego de seu
termo como:
Psicomotricidade é uma neurociência que transforma o pensamento em ato
motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as ações
gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado.
Psicomotricidade é a manifestação corporal do invisível de maneira visível.
(ISPE – GAE, 2007).
A coordenação e organização de algumas ações controladas de forma
neurológica manifestam vários pensamentos motores que proporcionam a
movimentação corporal. Pode gerar também a manifestação de conhecimento e
aprendizado.
20
4
CONTRIBUIÇÃO
DOS
JOGOS
NO
DESENVOLVIMENTO
DA
PSICOMOTRICIDADE
É importante valorizar as vivências e o mundo infantil por meio de atividades
lúdicas e imaginativas próprias da cultura infantil, e de vários conteúdos
pedagógicos específicos para essa faixa etária de 4 a 5 anos, pois são eles que
garantem o interesse e a motivação das crianças.
O
jogo
constitui-se
numa
forma
de
expressão
que
favorece
o
desenvolvimento infantil. A criança quando joga, rapidamente assimila uma série de
questões sociais, afetivas e motoras e passa a compreender melhor a realidade e
transformá-la no meio em que estão inseridas.
Contudo
há
vários
jogos
que
são
importantes
para
estimular
o
desenvolvimento da criança, principalmente na área social que favorece a interação
da mesma. O jogo do faz de conta para essa faixa etária de 4 a 5 anos, traz a
possibilidade de designar o papel de cada participante na transformação do que é
real para ele e o que é por ele desejado. Nesse caso, Kishimoto (2006) afirma que:
A brincadeira de faz-de-conta, também conhecida como simbólica, de
representação de papéis ou sociodramática, é a que deixa mais evidente a
presença de situação imaginária. [...] O faz-de-conta permite não só a
entrada no imaginário, mas a expressão de regras implícitas que se
materializam nos temas das brincadeiras. É importante registrar que o
conteúdo do imaginário provém de experiências anteriores adquiridas pelas
crianças, em diferentes contextos. (KISHIMOTO, 2008, p. 39).
O faz de conta exerce um papel fundamental para o desenvolvimento global
da criança e propicia a estimulação do imaginário infantil. Esse imaginário pode
reproduzir diversas situações sociais, como por exemplo, o reconhecimento de
regras que passam a ser respeitadas, a aceitação das derrotas, o respeito ao
semelhante e às suas diferenças, enfim, são as brincadeiras individuais que se
tornam peça importante para a criança construir o conceito de coletividade.
Os jogos simbólicos apresentam várias características que assumem grande
significância no contexto da cultura infantil. A partir do momento que possibilita à
criança a vivência de situações que na realidade ainda não podem vivenciar, como a
ausência de regras, a não ser as criadas e alteradas pelas próprias crianças, o que
oportuniza à criança, projetar, na atividade lúdica, seus problemas e emoções.
Piaget (1975) corrobora com a seguinte colocação:
21
[...] o jogo diferencia-se ainda mais das condutas de adaptação
propriamente ditas (inteligências), para orientar-se no sentido da
assimilação como tal: em vez de pensamento objetivo, que procura
submeter-se às exigências da realidade exterior, o jogo da imaginação
constitui, com efeito, uma transposição simbólica que sujeita as coisas à
atividade do indivíduo, sem regras nem limitação. (PIAGET, 1975, p. 115116).
Esses jogos trazem vários benefícios para a criança, um deles é que pode
favorecer a socialização de diversas personalidades. Por não possuírem regras,
somente as impostas pelas crianças e que, pelas suas limitações, se torna divertido.
As crianças na faixa etária de 4 a 5 anos se satisfazem em executar a representação
de fatos acontecidos por elas.
4.1 Tipos de jogos
O jogo é considerado como algo que é anterior a civilização, portanto é
necessário que o mesmo seja abordado com um devido zelo, observadas suas
relações históricas, culturais e sociais.
Para compreendermos melhor o jogo, HUIZINGA (1996) afirma que,
O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e
determinados limites de tempo e de espaço, seguindo regras livremente
consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotadas de um fim em si
mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma
consciência de ser diferente da vida quotidiana. (HUIZINGA, 1996, p. 33).
O jogo exerce um papel fundamental para o desenvolvimento humano, que
determina o limite de tempo e espaço, inserindo também a importância das regras,
que podem refletir em momentos de alegrias ou frustrações na vida quotidiana do
ser.
O jogador é quem dá vida à atividade, ele transforma um pedaço de papel em
avião ou barco, um cabo de madeira vira espada, cavalo ou outro objeto qualquer.
Pensando nisso variados jogos serão apresentados de cada modalidade em uma
tabela para que melhor favoreçam o nosso conhecimento sobre eles. Serão
relacionadas as atividades, os objetivos e o desenvolvimento de cada um. Vale
ressaltar que este quadro é para compreendermos melhor os tipos de jogos a que
estamos nos referindo, e justificar a sua aplicabilidade no espaço escolar.
22
4.1.1 Jogos tradicionais
Os jogos tradicionais são aqueles que fazem parte da cultura infantil. São
jogos que perpassam elementos de produção cultural de certo período histórico.
São variados os jogos que guardam sua estrutura inicial e outros que se
modificam com o passar do tempo dependendo da organização social de onde são
oriundos. Tonietto (2008) traz esta referencia:
[...] Não podemos nos enganar acreditando que os jogos tradicionais estão
prontos e acabados, com conteúdos e métodos intocáveis, que somente
tiveram função criativa no local em que foram concebidos. Na verdade, em
qualquer local, eles podem ser transformados. (TONIETTO, 2008, p. 21).
Certamente o autor citado acima enfatiza que os jogos tradicionais,
independentemente das regras, sofreram modificações como, por exemplo, no
número de participantes que jogam, no local onde está sendo criado ou jogado,
entre outras modificações. A função deste tipo de jogo é ressaltada por Kishimoto,
(2006, p. 38-39). [...] “como manifestação livre e espontânea da cultura popular, os
jogos e as brincadeiras tradicionais têm a função de perpetuar a cultura infantil,
desenvolver formas de convivência social e permitir o prazer de brincar.”
Nessas condições podemos perceber que esses jogos são resultantes de
uma tradição, mas que ainda proporcionam prazer na criança quando ela brinca ou
joga.
Para conhecermos melhor esses jogos buscamos a ajuda de Tonietto (2008),
ilustrando com seu quadro de atividades, que destaca os seguintes jogos
tradicionais:
23
ATIVIDADES
Escondeesconde
Barra-manteiga
Passa anel
OBJETIVOS
- Desenvolver a
imaginação, a
atenção, a
agilidade, a
criatividade e a
orientação espacial
- Contribuir para a
socialização das
crianças.
- Identificar a
sequência
numérica.
- Desenvolver a
atenção e a
agilidade.
- Desenvolver a
integração de
grupos e a
linguagem rítmica.
- Contribui para a
socialização das
crianças.
- Desenvolver a
atenção.
DESENVOLVIMENTO
Para iniciar a brincadeira, é necessário
escolher um lugar para ser o pique e
quem vai ficar nele. O jogador escolhido
fica de costas e de olhos fechados no
pique,
contando
até
o
número
combinado. Enquanto isso, os demais
jogadores devem se esconder. Quando
termina de contar, o jogador vai procurar
os companheiros. Quem está escondido
tem de correr até o pique para se salvar.
Quando encontrar alguém, o jogador que
está procurando deve voltar ao pique e
dizer o lugar onde viu o companheiro. O
jogador encontrado se salva se chegar ao
pique antes do perseguir. O primeiro que
for pego será o perseguidor na próxima
jogada. Se todos forem salvos, a
brincadeira continua com o mesmo
perseguidor.
Traçam-se duas linhas paralelas, distante
uma da outra. Sobre elas ficam as
crianças, divididas em igual número,
defrontando-se em fileiras. Dado o sinal
de início, o jogador, designado por
sorteio, começa o jogo: sai correndo da
linha da sua partida e, chegando ao
campo dos adversários, bate na mão
direta estendida de um destes, falando:
“Minha mãe mandou bater neste daqui,
um dois três...” Nesse momento, bate um
pouco mais forte e sai correndo para a
sua equipe, enquanto é perseguido pelo
adversário e, caso seja pego, passa a
jogar na outra equipe. Vence o time que
pegar todos os adversários.
Em roda, sentados, todos ficam com as
mãos como se estivessem rezando,
palma com palma. Uma criança vai
passando de pessoa em pessoa, como
se estivesse deixando o anel, e o deixa
em alguém. E na própria roda escolhe-se
um participante para adivinhar com quem
está o anel. Se ele acertar, será o
“passador de anel”. Caso contrário, outra
criança recomeça a brincadeira.
24
Pega-pega
- Desenvolver a
agilidade e a
organização
espacial e temporal.
Os jogadores ficam dispostos em
círculos, em pé, e a brincadeira se inicia
com a escolha de quem serão os
“caçadores” e quem serão os “fugitivos”.
Aos poucos, as variantes vão sendo
desenvolvidas: quem for pego vira
estátua; quem for pego vira estátua e
pode ser salvo da posição por meio de
um toque de outro colega que não foi
pego; criar áreas de refúgio (ferrolhos),
onde não é permitido perseguir nem
pegar; criar posições corporais que
sirvam de ferrolhos (ex.: quem estiver de
quatro não pode ser pego, etc.) A
brincadeira termina quando o interesse
dos participantes acabar.
Quadro 1 – Jogos tradicionais. Fonte: TONIETTO, 2008, p. 35.
São estes exemplos de jogos tradicionais que trazem prazer para a criança,
resgatam e valorizam a sua cultura, dando-lhes sensação de liberdade, permitindolhes muita diversão, seja correndo, escondendo, adivinhando e muitas outras
sensações prazerosas.
4.1.2 Jogos de construção
As interações sociais da criança se tornam mais complexas através dos jogos
de construção. É nesse momento que a criança começa a organizar seu mundo.
Nessa perspectiva, Kishimoto (2003), afirma que:
O jogo é a construção do conhecimento, principalmente no período
sensório-motor e pré-operatório. Agindo sobre os objetos, as crianças,
desde pequenas, estruturam seu espaço e o tempo, desenvolvendo a noção
de causalidade, chegando à representação e, finalmente, à lógica.
(KISHIMOTO, 2003, p. 95-96).
Os jogos de construção organizam-se na realidade da criança que constrói
sua própria história, expressando, assim, os níveis de sua estruturação mental, seu
desenvolvimento cognitivo e afetivo-emocional. Esses jogos geralmente são
confeccionados com sucatas. Sucata não é lixo, é sim o uso de objetos que já
tiveram determinado uso e que passam a ser matéria-prima. Eles são transformados
e começam a adquirir um novo significado como, por exemplo: um pedaço de
25
mangueira que vira um bambolê, latas vazias viram pé de lata, entre outros. A
respeito deles, Kishimoto (2006) afirma que:
Construindo, transformando e destruindo, a criança expressa seu
imaginário, seus problemas e permite aos terapeutas o diagnóstico de
dificuldades de adaptação bem como a educadores o estímulo da
imaginação infantil e o desenvolvimento afetivo e intelectual. Dessa forma,
quando está construindo, a criança está expressando suas representações
mentais, além de manipular objetivos. ( KISHIMOTO, 2006, p. 40).
Para as crianças de 4 a 5 anos, os jogos são atividades propriamente
culturais, que aprimoram e constroem o desenvolvimento de potencialidades infantis
e maturação das habilidades. No quadro abaixo, Tonietto (2008) nos mostra os
seguintes jogos de construção:
ATIVIDADES
Bolinho de
jornal
OBJETIVOS
- Desenvolver a
musculatura de
mão.
- Desenvolver a
coordenação
motora.
Túnel de caixas
- Estimular a
percepção
espaço temporal
- Desenvolver a
coordenação
motora.
- Desenvolver a
coordenação
motora e
equilíbrio.
Pé de lata
DESENVOLVIMENTO
As crianças devem confeccionar uma bola
utilizando várias folhas de papel. Para fixar
melhor, o professor pode passar uma fita.
Com a bola, as crianças podem desenvolver
várias atividades, como: rolar para o amigo,
jogar com apenas uma mão, equilibrar com o
pé, chutar, etc.
O primeiro passo é retirar o fundo das caixas
e uni-las, com fitas, em forma de túnel, que
pode ser encapado com papéis coloridos. O
professor pode contar uma história utilizando
o túnel e deixar que as crianças explorem o
material.
O professor deve fazer dois furos no fundo de
cada lata, com espaço suficiente entre eles
para a criança colocar o pé. Depois é só
passar um barbante pelos furos e amarrar as
pontas pela parte de dentro da lata. Para
andar, basta subir com um pé em cada lata e
segurar o barbante, movendo as pernas.
Obs.: O barbante varia de acordo com o
tamanho da criança, pois deve ficar na altura
das mãos.
26
Peteca de
jornal
Torre de
latinhas
Cavalinho
divertido
- Desenvolver a As crianças devem, cada uma, dobrar uma
coordenação
folha de jornal em quatro partes. Com
motora.
cuidado, devem segurar uma das pontas (a
que estiver fechada) e rasgada o outro lado
em forma de zigue-zague, deixando inteira
apenas a parte do centro. Quando abrirem, a
folha fica em formato de flor. Deverão juntar
os pedaços de papel que sobraram, amassálos e colocá-los no centro da flor, prendendoos com uma fita (formando uma bola
achatada) e deixando as pontas para cima.
Depois é só brincar com a peteca.
- Contribuir para
O professor deve deixar ao alcance das
o
crianças várias latinhas, para que elas, em
desenvolvimento um primeiro momento, possam explorar o
da lateralidade e material. Depois, o professor deve pedir para
noção espacial.
que formem uma torre com as latinhas e uma
- Desenvolver
criança de cada vez pode arremessar uma
noções de
bola tentando derrubar a torre. Após os
quantidade.
arremessos, o professor pode contar com as
crianças o número de latinhas derrubadas.
- Desenvolver a
Providenciar, antecipadamente, para cada
coordenação, o
criança, um cabo de vassoura. O professor
equilíbrio e a
deve montar um molde duplo de cabeça de
criatividade.
cavalo para que as crianças possam pintar e
fazer a crina do cavalinho, com lã ou
barbante. Depois de pronto, colocar a cabeça
no corpo do cavalo (cabo de vassoura) e
brincar utilizando a imaginação.
Quadro 2 – Jogos de construção. Fonte: TONIETTO, 2008, p. 36.
Esses jogos são de grande valia para a criança que passa a construir seus
conceitos motores. É importante ressaltar que os jogos citados acima são jogos
construídos pelas crianças com o auxilio de um educador. Isso se torna importante
para que as crianças construam e transformem seu mundo imaginário.
4.1.3 Jogos motores
Existem, também, os jogos motores que podem ser utilizados para a
estimulação motora da criança. São jogos que fazem parte do dia a dia da criança e
que geralmente são desenvolvidos por elas ou estimulados pelos professores por
trazerem diversos benefícios para a criança, porque estimulam a capacidade de
pensar, imaginar, vivenciar, beneficiando a relação familiar, o desenvolvimento da
27
fala, do corpo, da escrita, entre outros. As referidas atividades se tornam um fator
educativo, que pode ser organizado e estimulado pelo professor no espaço escolar.
As atividades motoras contribuem para o desenvolvimento global da criança.
Nesse caso, eles se tornam um aliado importante para a educação. Nessas
atividades, os alunos utilizam recursos afetivos, biológicos e psicológicos para
construírem esquemas motores. Não se trata especificamente de valorizar um
padrão motor, mas de organizar esquemas que auxiliem as crianças em diversas
atividades que serão aprimoradas na sala de aula. No quadro de Tonietto (2008)
pode-se reconhecer os seguintes jogos motores:
Atividade
Corrida dos
animais
Onça
Dorminhoca
Objetivos
Desenvolvimento
- Desenvolver a agilidade
e coordenação global do
corpo.
- Desenvolver a
capacidade de
reprodução de sons,
imitando animais.
- Desenvolver o esquema
corporal
- Desenvolver a agilidade
e atenção.
- Desenvolver a noção de
espaço e tempo e a
consciência do seu corpo
em um ambiente.
As crianças devem combinar qual o
animal que será imitado, e devem ser
estabelecidas uma linha de saída e
outra de chegada. As crianças ficam
todas atrás da linha de saída. Dado o
sinal, elas saem imitando o animal
combinado. Vence a criança que
chegar primeiro do outro lado.
Formar uma roda grande com as
crianças. Cada criança fica dentro de
um pequeno círculo desenhado sob
os pés, exceto uma, que ficará no
centro da roda, deitada de olhos
fechados.
Ela
será
a
“onça
dorminhoca”. Todos os jogadores
andam à vontade, saindo de seus
lugares, menos a “onça dorminhoca”
que continua dormindo. Eles devem
desafiar a onça, gritando: “Onça
dorminhoca”! Inesperadamente, a
“onça” acorda e corre para pegar um
dos lugares marcados no chão.
Todas as outras crianças procuram
fazer o mesmo. Quem ficar sem lugar
será a nova “onça dorminhoca”.
Sugestão:
Confeccionar
uma
máscara de cartolina ou papelão para
a criança que fará o papel da onça.
28
Lobos e
carneirinhos
Lá vai o bode
Corrida de um
pé só
Desenvolver
a Traçar, no chão, duas linhas
agilidade, a velocidade e afastadas cerca de 20 metros uma da
a atenção
outra. As crianças são divididas em
dois grupos: lobos e carneirinhos.
Cada grupo se coloca atrás de uma
linha. O grupo dos “lobos” fica de
costas
para
o
grupo
dos
“carneirinhos”. Ao sinal do professor,
os “carneirinhos”. Saem a caminhar, o
mais silenciosamente possível, em
direção
aos
“lobos”.
Quando
estiverem bem próximo deles o
professor diz: “Cuidado com os
lobos”! Os “lobos”, então, voltam-se
rapidamente e saem em perseguição
aos “carneirinhos”. Os “carneirinhos”
apanhados antes de alcançar a linha
original (de onde iniciaram) passam a
ser “lobos”. Na repetição da
brincadeira, invertem-se os papeis.
- Realizar movimentos As crianças devem permanecer em
com
diferentes pé dentro de um círculo desenhado
velocidades e contrações no chão, afastadas uma das outras.
musculares de diferentes Uma criança deve ser escolhida para
intensidades.
ser o bode. Dado o sinal, o “bode”
- Definir estruturação deve, com os braços cruzados, tentar
espacial e tomada de se encostar nas outras crianças, que
consciência do seu corpo poderão fugir dele sem sair do
em um ambiente.
círculo. Quem for encostado passa a
ser o bode.
Desenvolver
o
equilíbrio, a força e a
musculatura das pernas
e pés.
- Realizar movimentos
com
diferentes
velocidades e contrações
musculares de diferentes
intensidades.
A equipe deve estabelecer uma linha
de início e uma linha de chegada.
Todos os participantes saem pulando
com um pé só, da linha de início até a
linha de chegada. Vence o primeiro
que chegar. Obs.: O professor pode
pedir que utilizem as duas pernas.
29
Corrida do
elefante
Desenvolver
a As crianças andam à vontade pelo
coordenação motora, o pátio. Uma delas, separada, utiliza
equilíbrio e a atenção.
uma mão para segurar a ponta do
nariz e outro braço passa por dentro
do espaço vazio formado por este
(imitando uma tromba de elefante).
Ao sinal, o pegador sai a capturar os
demais usando somente a braço que
está livre (o outro continua segurando
o nariz). Quem for tocado transformase também em “elefante”, ou seja, em
outro pegador, adotando a mesma
posição. Será vencedor o último a ser
pego.
Quadro 3 – Jogos motores. Fonte: TONIETTO, 2008, p. 37.
Os jogos motores têm grande importância na educação, pois contribuem para
o desenvolvimento global das crianças. Ele tem por finalidade proporcionar à criança
o prazer de realizar determinado movimento, como, por exemplo, chutar uma bola,
jogá-la e recuperá-la, entre outras. Para a criança, o movimento transforma-se em
uma atividade lúdica devido à necessidade de conhecer o mundo como auxílio do
corpo.
Em estudos de Piaget, Brotto (2002) apresenta a possibilidade de que no,
[...] Desenvolvimento físico-motor: A exploração do corpo e do espaço leva
a criança a se desenvolver. Piaget considera a ação psicomotora como a
precursora do pensamento representativo e do desenvolvimento cognitivo, e
afirma que a interação da criança em ações motoras, visuais, táteis e
auditivas, sobre os objetos do seu meio é essencial para o desenvolvimento
integral. (BROTTO, 2002, p.17).
A atividade motora é uma grande aliada para o trabalho com a coordenação
global da criança. No desenvolvimento físico-motor, os jogos têm uma influência
importante para criança, sendo estímulo para o desenvolvimento das habilidades
sensoriais conectadas aos cinco sentidos, e devem ser estimuladas num trabalho
integrado com outras áreas a serem desenvolvidas provocando, assim, novas
interações da criança com o mundo que a cerca.
Desse modo, aos jogos são atribuídos valores, que concorrem para estimular
o conhecimento e raciocínio da criança. Oliveira (2005) nos mostra que:
[...] O jogo é, precisamente, uma atividade que tem que ver com conteúdos
e habilidades trabalhados pela criança em seu desenvolvimento no interior
de uma cultura concreta. A brincadeira é o recurso privilegiado de
30
desenvolvimento da criança pequena por acionar e desenvolver processos
psicológicos – particularmente a memória e a capacidade de expressar
elementos com diferentes linguagens, de representar o mundo por imagens,
de tomar o ponto de vista de um interlocutor a ajustar seus próprios
argumentos por meio do confronto de papéis que nele se estabelece, de ter
prazer e de partilhar situações plenas de emoção e afetividade. (OLIVEIRA,
2005, p. 231).
Os jogos e brincadeiras ampliam também a realidade social e cultural de
grupos, que auxiliam o desenvolvimento das potencialidades corporais, éticas,
afetivas e emocionais das capacidades de apropriação e contribui para a formação
da criança. Com o brinquedo, a criança tem a oportunidade de descobrir, inventar,
experimentar, aprender, adquirir várias habilidades, enfim, estimula a criança a ter
mais criatividade proporcionando a ela um bom desenvolvimento na área da
linguagem, da atenção, do pensamento e da concentração.
O jogo é um componente que não se pode dispensar para a aprendizagem da
criança. São vários os benefícios que os pequenos podem adquirir gradativamente,
neste sentido, Carvalho (1992) afirma que:
[...] o ensino absorvido de maneira lúdica, passa a adquirir um aspecto
significativo e afetivo no curso do desenvolvimento da inteligência da
criança, já que ela se modifica de ato puramente transmissor a ato
transformador em ludicidade, denotando-se, portanto em jogo. (CARVALHO
1992, p. 28).
Nos aspectos significativos dos jogos, a criança tem a capacidade de delinear
seus objetivos diante de suas necessidades no contexto de transformar aquilo que já
adquiriu, aumentando suas capacidades.
31
5 A PSICOMOTRICIDADE NO ESPAÇO ESCOLAR
Muito tem sido feito para a melhora da qualidade do ensino nas escolas,
melhorias relacionadas à aprendizagem à capacitação dos profissionais, ao uso das
tecnologias, enfim, na melhora da qualidade de ensino oferecido. Mas, às vezes,
percebe-se que há poucas referências às atividades ligadas ao movimento
psicomotor da criança no ambiente escolar.
É comum que escolas adotem métodos de ordem e disciplina harmoniosas,
os quais colocam os alunos de diferentes idades em limitações de movimento, tendo
que se adaptarem a posturas em que a criança deve ficar quieta como, por exemplo,
fila indiana, tanto dentro de sala quanto fora. Em certas atividades em sala de aula,
como desenho livre ou outras, atividades em que aconteça a mudança de
comportamento ou posição, podem ser vistos como indisciplina e desordem. E, para
certos educadores, esta movimentação em sala de aula pode atrapalhar a
concentração,
dando
a
entender
que
o
movimento
motor
atrapalha
o
desenvolvimento da aprendizagem. (BRASIL, 1998).
Percebe-se que a psicomotricidade ainda não é um requisito adotado por
algumas escolas, não é estimulado o movimento psicomotor da criança, descarta-se
atividades que precisam ser bem elaboradas para que proporcione prazer para a
criança ao realizá-lo. Isso ocorre principalmente pelo desconhecimento das funções
pedagógicas e da confusão conceitual existente quando que trata de identificar e
definir o jogo, o brinquedo e a brincadeira.
Nesse sentido o Referencial Curricular (1998) aborda:
É importante que o trabalho incorpore a expressividade e a mobilidade
próprias às crianças. Assim, um grupo disciplinar não é aquele em que
todos se mantêm quietos e calados, mas sim um grupo em que os vários
elementos se encontram envolvidos e mobilizados pelas atividades
propostas. Os deslocamentos, as conversas a as brincadeiras resultantes
desse envolvimento não podem ser entendidos como dispersão ou
desordem, e sim como uma manifestação natural das crianças.
Compreender o caráter lúdico e expressivo das manifestações da
motricidade infantil poderá ajudar o professor a organizar melhor a sua
prática, levando em conta as necessidades das crianças. (BRASIL, 1998, p.
19).
Portanto, no ensino infantil, o foco não é alfabetização. Fundamental é
estimular as funções psicomotoras necessárias ao aprendizado formal da criança,
pois ela é capaz de aprender quando lhe é permitido experimentar, levantar as
32
informações que são favoráveis na troca entre o ser e o mundo, por meio de
diversas atividades vividas.
A psicomotricidade no espaço escolar tem vários benefícios a oferecer para o
desenvolvimento da aprendizagem escolar da criança, principalmente no âmbito da
escrita. Esses benefícios são oferecidos através de atividades motoras para
fortalecimento
de
funções
psicomotoras,
que
são
determinantes
para
a
aprendizagem da escrita. A escrita, para ser bem elaborada pela criança e bem
desenvolvida pela mesma, necessita desenvolver as habilidades psicomotoras
complexas, demonstrado pelo conjunto de atividades motoras no que se refere à
tonicidade e a coordenação dos movimentos dos dedos e da mão, que são
fundamentais e imprescindíveis.
Para que isso ocorra com êxito, as atividades que são aplicadas no campo
necessitam de bons profissionais que estejam capacitados a aplicá-las. Em alguns
casos, o professor, por falta de informação, não oferece para seus alunos atividades
que desenvolvam suas capacidades psicomotoras, uma vez que, para eles, as
atividades em grupo acarretam na maioria das vezes “bagunça”, principalmente em
crianças de 4 a 5 anos que estão na fase de descoberta do corpo.
Muitas vezes os educadores esquecem que dentro da sala de aula existem
trocas de conhecimento e cultura, tanto entre alunos quanto de professor para o
aluno ou do próprio aluno para com o professor. Seguindo esse pensamento Kramer
em um de seus artigos afirma que:
[...] Nosso maior desafio é obter entendimento e uma educação baseada no
reconhecimento do outro e suas diferenças de cultura, etnia, religião,
gênero, classe social, idade e combater a desigualdade; viver uma ética e
implementar uma formação cultural que assegure sua dimensão de
experiência crítica. É preciso compreender os processos relativos aos
modos de interação entre crianças e adultos em diferentes contextos
sociais, culturais e institucionais. O diálogo com vários campos do
conhecimento contribui para agir com as crianças. (KRAMER apud
BEAUCHAMP; PAGL; NASCIMENTO, 2007).
Assim devido a falta de conhecimento e muitas vezes de formação e
informação, o professor acaba por cometer certos erros que deixam as crianças sem
interesse em participar de atividades desenvolvidas no espaço escolar. Esse fato
prejudica o processo de socialização da criança no meio social, escolar e até mesmo
familiar.
33
Pensando de outra maneira, o professor é considerado um interventor que
estimula o aluno a progredir em seus conhecimentos e habilidades. Contudo, para
que isso ocorra de maneira significativa, é preciso que a formação do professor
estimule nele uma visão ampla para os acontecimentos em sala de aula e
principalmente para perceber que não basta o aluno ficar sentado, quieto e só
receber instruções de como brincar, é necessário que ele experimente cada
sensação que lhe foi apresentada.
O Referencial Curricular (1998) reforça:
É muito importante que o professor perceba os diversos significados que
pode ter a atividade motora para a criança. Isso poderá contribuir para que
ele possa ajudá-las a ter uma percepção adequada de seus recursos
corporais, de suas possibilidades e limitações sempre em transformação,
dando-lhes condições de se expressarem com liberdade e de aperfeiçoarem
suas competências motoras. (BRASIL, 1998, p. 39).
Então, pode-se afirmar que o professor pode e deve auxiliar a criança em
suas dificuldades, oferecendo para ela variadas possibilidades para aperfeiçoarem
suas ações ao executar algumas atividades motoras sugeridas em sala de aula. É
preciso registrar que há escolas que oferecem e proporcionam para os alunos o
prazer de aprender ou experimentar alguma atividade lúdica. Há também aquelas
crianças que, em decorrência destes estímulos vão para a escola por considerá-la
um lugar divertido, alegre, cheia de jogos e brincadeiras.
Esta é uma realidade muito desejada pelos professores da Educação Infantil,
ter uma escola em que as crianças fiquem concentradas nas atividades oferecidas.
Contudo, cabe à escola analisar se realmente este tão “sonhado ambiente” está
sendo proposto para a criança ou será que fica somente no imaginário do educador?
De acordo com Resende (1999):
Não queremos uma escola cuja aprendizagem esteja centrada nos homens
de “talentos”, nem nos gênios, já rotulados. O mundo está cheio de talentos
fracassados e de gênios incompreendidos, abandonados à própria sorte.
Precisamos de uma escola que forme homens, que possam usar seu
conhecimento para o enriquecimento pessoal, atendendo os anseios de
uma sociedade em busca de igualdade de oportunidade para todos.
(RESENDE, 1999, p. 42-43).
Para ofertar ensino de qualidade para as crianças, a escola, em primeiro
lugar, deve observar o que está oferecendo, estimular a formação dos professores,
rever o conteúdo das aulas ofertadas entre outros aspectos. A escola deve ainda
mobilizar-se para oferecer atividades que favoreçam o desenvolvimento global da
34
criança, e, isto implica o desenvolvimento do esquema corporal, da lateralidade, do
espaço-temporal e da estruturação espacial, que deve ser trabalhado em sala de
aula através do uso de recursos didáticos cabíveis ao desenvolvimento das
potencialidades de cada um, como veremos a seguir:
5.1 Esquema corporal
O desenvolvimento do esquema corporal permitirá ao indivíduo, conhecer a si
mesmo e o meio que o cerca de forma organizada e eficaz. As coisas que estão ao
seu redor são sempre percebidas através do seu corpo. Para Alves (2003):
Antes do corpo criança vai descobrir o mundo, experimentando sensações,
vivenciando situações diversas, expressando e percebendo as coisas a sua
volta. À medida que se desenvolve, ela vai ampliando suas percepções e
controlando seu corpo através de interiorização das sensações. (ALVES,
2003, p. 49).
Na ampliação de seus conhecimentos de corpo, a criança consegue perceber
e principalmente reconhecer suas diferenças em relação a outros seres, tornando-se
fácil o reconhecimento dos elementos que o cercam. As ligações afetivas,
emocionais e cognitivas são equilibradas através destas percepções, que auxiliam o
desenvolvimento de sua inteligência.
5.2 Lateralidade
Oliveira (1997, p. 62) define a lateralidade como sendo a “propensão que o
ser humano possui de trabalhar preferencialmente mais um lado do corpo do que o
outro em três níveis: pé, mão e olho.” O trabalho com o corpo acontece de modo
que, um lado que apresenta maior força muscular, rapidez e precisão, realiza a ação
principal que acaba sendo auxiliada e complementada pelo outro lado.
Contudo, Rezende et al. (2003) afirmam que,
[...] geralmente acontece a confusão da lateralidade com a noção de direita
e esquerda, que está envolvida com o esquema corporal. A criança pode ter
a lateralidade adquirida, mas não saber qual é o seu lado direito e
esquerdo, ou vice-versa. No entanto, todos os fatores estão intimamente
ligados, e quando a lateralidade não está bem definida, é comum ocorrerem
problemas na orientação espacial, dificuldade na discriminação e na
diferenciação entre os lados do corpo e incapacidade de seguir a direção
gráfica. (REZENDE et al., 2003, p. 6).
35
O domínio da lateralidade facilita a discriminação de direção como direita e
esquerda e promove a estabilidade e o equilíbrio postural, o que auxilia a criança a
perceber seus movimentos corporais.
Para Le Boulch (apud COSTE, 1992 p. 60) “a dominância é fundamental,
vinculada à própria experiência da criança, ao seu amadurecimento e à elaboração
do esquema corporal.”
É importante visar também, que a lateralização é a base espacial, fazendo
com que a criança tenha uma orientação do mundo que a rodeia.
5.3 Espaço-temporal
Na estruturação do tempo a criança tem várias noções temporais, como:
antes, depois, manhã, tarde e noite, ontem e amanhã, entre outros, segundo Coste
(1978):
O desenvolvimento da estruturação temporal, [...] o desenvolvimento da
linguagem da criança é um fator essencial dessa estruturação: o emprego
de pronomes (eu, tu, ele), de verbos auxiliares, sobretudo (ser e ter) e de
tempos (presente, imperfeito, futuro) torna possível, simultaneamente , que
ela manifeste a aquisição da temporalidade: - reconhecer um dia da semana
(quarta-feira, domingo): 4 anos; - “manhã”, “tarde”: 5 anos. (COSTE, 1978,
p. 58).
Na estruturação temporal é estabelecida uma cronologia na qual há termos
que
designam
uma
localização
mais
precisa
dessa
estruturação,
e
no
desenvolvimento corporal esta estruturação temporal é necessariamente essencial
à utilização de uma linguagem bem elaborada pela criança.
Já na estruturação do espaço, Coste (1978) nos diz que:
Toda a nossa percepção do mundo é uma percepção espacial, na qual o
corpo (que não se reduz, nem para o interior, nem para o exterior, à
superfície da pele) é o termo de referencia. [...] O espaço da criança é
inicialmente muito limitado, reduzindo às suas impressões táteis. [...] O
mundo espacial da criança constrói-se paralelamente ao seu
desenvolvimento psicomotor, à medida da crescente eficácia de sua
gestualidade e da crescente importância dos fatores relacionais que criam o
espaço da comunicação. (COSTE, 1978, p. 58-59).
O desenvolvimento da percepção do espaço parte do princípio de que a
criança é capaz de perceber o mundo em sua volta, que ela possa trazer para si
mesma, noções que permitam construir seu próprio espaço e paralelamente
desenvolver a sua capacidade psicomotora, ligada a fatores que criam o espaço da
36
comunicação. O espaço-temporal passa a ser bem elaborado pela criança quando
acontece uma ordenação de acontecimentos que não ultrapassem os seus limites.
A interação do tempo e espaço é conhecida como espaço-temporal, é o que
nos faz entender que o esquema corporal se desenvolve através dela. No espaço
temporal a criança começa a compreender melhor e ter mais noções de ordenação
como: primeiro, último, antes, depois, durante, etc. a partir de 4 a 5 anos. Conforme
De Meur e Staes (1983, p. 122), “a criança não distingue ainda o tempo subjetivo e o
tempo objetivo. Para ela é importante que vivencie situações com vários tempos de
execução para que comece a perceber o tempo longo, curto, e situações rápidas e
lentas”. Contudo, o trabalho com a orientação temporal é muito rico para a criança,
pois ele melhora consideravelmente a coordenação motora ampla e a percepção de
noções de duração e sucessão dos sons no tempo.
Para que a criança possa melhorar/ampliar seu desenvolvimento cognitivo,
ela antes de tudo, deve construir o conceito de estruturação temporal, pois com ela,
a criança adquire elementos básicos, resultantes de suas vivências corporais.
Dentre os principais conceitos adquiridos a partir da estruturação temporal da
criança está a simultaneidade – ela se refere a movimentos que requerem uma boa
coordenação, ordem e sequência – a criança classifica certas imagens numa ordem
cronológica e lógica, na qual ela percebe e memoriza o antes, o depois, o primeiro e
o último.
5.4 Estruturação espacial
A estruturação espacial está ligada ao nosso convívio social, podendo
considerar que através dela situamos, observamos, fazemos várias combinações e
comparações.
A criança percebe a posição de seu corpo no espaço a partir de suas
vivências, que passam a ser o ponto principal para que a tomada de consciência da
situação corporal no meio em que ela vive esteja assim totalmente relacionada aos
movimentos e aos objetos. Em seguida, a posição dos objetos em relação à criança
e por último a relação dos objetos entre si.
A construção dos conceitos espaciais parte da forma como interpretamos as
informações sensoriais. Assim, os conceitos espaciais e as noções de situação são
gradativamente assimilados pela criança implicando as noções de situação (alto,
37
embaixo, dentro, fora), de tamanho (fino, grosso, estreito, largo, médio, pequeno), de
forma (retângulo, círculo, quadrado, triângulo), de posição (deitado, em pé,
ajoelhada, agachado), de movimento (subir, descer, dobrar, estender, empurrar,
puxar, levantar, abaixar), ou qualidade (inteiro, metade, pouco, muito, cheio, vazio)
de volume e de superfícies.
A estrutura espacial nos organiza perante o mundo de modo que nos antecipa
de situações em nosso meio social. É, portanto, um componente na nossa vida.
As crianças de 4 anos a 5 anos e meio conseguem ter uma estruturação
espacial simples, que proporciona para ela uma melhor visualização de: pouco,
muito, deitar, em pé, redondo, quadrado, perto, em redor, entre outras.
38
6 CONCLUSÃO
Após todo o estudo das obras de grandes teóricos e autores citados neste
trabalho, conclui-se que a psicomotricidade visa a privilegiar a qualidade de vida da
criança em suas relações entre o corpo e os movimentos com a finalidade de
associar dinamicamente o ato e o pensamento, o gesto à palavra, o símbolo ao
conceito, pois a psicomotricidade é uma função integradora, através da qual
alcançamos o controle corporal, cognitivo e social.
O trabalho com a psicomotricidade no espaço escolar utilizando jogos e
brinquedos, contribui para o desenvolvimento adequado do corpo e com eles, vem a
proposta para a melhoria do desempenho da escrita. Constata-se que a utilização
dos jogos se torna um valioso instrumento nas escolas para ativar o
desenvolvimento infantil.
No primeiro capítulo discutiu-se o desenvolvimento da criança de 4 a 5 anos.
Como o desenvolvimento das áreas afetivas, motoras e cognitivas são importantes
para a evolução do ser, principalmente a criança.
A ênfase dada no 2º capítulo justifica-se porque foram abordados os
objetivos, conceitos da importância da psicomotricidade. A relação dela com o corpo
para o desenvolvimento corporal da criança.
Já o terceiro capítulo procurou apontar a visão da contribuição dos jogos para
o desenvolvimento da psicomotricidade. A maneira como os jogos são importantes
para estimulação do desenvolvimento da criança, principalmente na área social e
cultural da mesma.
O quarto capítulo nos permitiu ter uma visão ampla de como está sendo
trabalhada a psicomotricidade no espaço escolar, bem como os desafios
enfrentados pelos professores, a qualidade do ensino ofertado e como são
oferecidas as atividades para os alunos.
Esta sequência nos permitiu ter uma visão ampla de como a psicomotricidade
contribui para o desenvolvimento global da criança, nos aspectos motores,
cognitivos e sociais. E que a utilização de recursos, como os jogos, pode favorecer o
desenvolvimento da psicomotricidade em crianças de 4 a 5 anos.
A proposta de termos uma escola que ofereça um ensino de qualidade e que
proporcione à criança oportunidades, de cada vez mais, descobrirem o mundo ao
seu redor, implica ter os professores convocados a intervir na busca de um mundo
39
de fantasia, de prazer, de vários outros sentimentos. Mundo este, que alimenta a
curiosidade da criança em explorar seu corpo, que estimula a sua capacidade de
movimentar-se, enfim, é o professor que ensinará a criança a utilizar todos esses
conceitos explorados através da psicomotricidade.
Este estudo tem intenção de instigar os educadores a verem seus educandos
com outro olhar. Que eles possam entender que brincadeiras, jogos, e as atividades
em grupo e que englobam o trabalho da psicomotricidade no ambiente escolar, não
são considerados como “bagunça”, mas um trabalho que possibilita à criança
interagir com seu próprio mundo, pois é direito da criança poder fantasiar no mundo
de um faz de conta, e dever da escola possibilitar e conduzir este processo
existencial.
Este assunto não se esgota aqui. Há muito a ser discutido e proposto. Esta é
apenas uma pequena contribuição para alargar os horizontes das discussões sobre
o papel da psicomotricidade nas instituições que atendem alunos da Educação
Infantil.
Educar é um ato consciente e planejado. Para que o ensino-aprendizado seja
de qualidade nas escolas, principalmente no que se refere à psicomotricidade, os
professores
devem
estar
preparados
para
proporcionar
às
crianças
um
desenvolvimento significativo, oferecendo jogos e brincadeiras que estimulem e
contribuam para o desenvolvimento infantil.
40
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