FACULDADE DE PARÁ DE MINAS CURSO DE PEDAGOGIA Neide Aparecida da Silva A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA CRIANÇAS DE 4 A 5 ANOS Pará de Minas 2013 Neide Aparecida da Silva A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA CRIANÇAS DE 4 A 5 ANOS Monografia apresentada à coordenação do curso de Pedagogia da Faculdade de Pará de Minas, como requisito parcial avaliativo para a conclusão do curso de Pedagogia. Orientadora: Maria Aparecida Duarte Lima. Pará de Minas 2013 Neide Aparecida da Silva A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE PARA CRIANÇAS DE 4 A 5 ANOS Monografia apresentada à Coordenação do Curso de Pedagogia da Faculdade de Pará de Minas, como requisito parcial avaliativo para a conclusão do curso de Pedagogia. Aprovado _____/_____/_____ ___________________________________________________________ Professora orientadora: Maria Aparecida Duarte Lima ___________________________________________________________ Professor examinador Dedico esta pesquisa ao meu Deus, pois sem ele nada seria possível; aos meus familiares, em especial aos meus pais, que acreditaram em meus sonhos; aos meus amigos que compreenderam e fortaleceram meus ideais, minha coordenadora e orientadora Maria Aparecida, que impulsionou o meu estudo. A todos o meu muito “obrigada”. Agradeço a Deus e seus Arcanjos por iluminar meu caminho todos os dias, aos meus pais e familiares que acreditaram nessa vitoria, aos amigos pelo companheirismo e compreensão e aos professores que acreditaram em meu potencial. Enfim, a todos que apoiaram e acreditaram que este sonho seria possível. “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidade para a sua própria produção ou a sua construção”. Paulo Freire. LISTA DE QUADROS QUADRO 1 – Jogos tradicionais................................................................................24 QUADRO 2 – Jogos de construção...........................................................................26 QUADRO 3 – Jogos motores.....................................................................................29 RESUMO O presente trabalho tem como objetivo comprovar a importância da psicomotricidade para crianças de 4 a 5 anos. Buscou-se fundamentar nossa pesquisa bibliográfica nas ideias de Piaget, Vygotsky, Oliveira, Kishimoto e muitos outros autores que vieram clarificar o quanto é valorosa a psicomotricidade para o desenvolvimento da criança em seus aspectos motores, afetivos e sociais. Este trabalho vem justificar a importância do uso dos jogos no dia a dia das crianças no espaço escolar e ressaltar seus benefícios para o desenvolvimento da psicomotricidade. Neste estudo, acentua-se necessidade de selecionar e diversificar os tipos de jogos a serem utilizados nos espaços educacionais quando se propõe a estimular a maturidade da criança utilizando-se dos recursos oferecidos pelas instituições em conformidade com a bagagem cultural trazida por elas. Palavras chaves: Psicomotricidade; Criança; Jogos; Espaço escolar. SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 9 2 O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA DE 4 A 5 ANOS .................................... 11 3 A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE ...................................................... 16 4 CONTRIBUIÇAO DOS JOGOS NO DESENVOLVIMENTO DA PSICOMOTRICIDADE ............................................................................................. 20 4.1 Tipos de jogos .................................................................................................. 21 4.1.1 Jogos tradicionais ............................................................................................ 22 4.1.2 Jogos de construção ....................................................................................... 24 4.1.3 Jogos motores ................................................................................................. 26 5 A PSICOMOTRICIDADE NO ESPAÇO ESCOLAR ............................................. 31 5.1 Esquema corporal ............................................................................................ 34 5.2 Lateralidade ...................................................................................................... 34 5.3 Espaço-temporal .............................................................................................. 35 5.4 Estruturação espacial ...................................................................................... 36 6 CONCLUSÃO ....................................................................................................... 38 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 40 9 1 INTRODUÇÃO A criança, desde cedo, nos seus primeiros anos de vida, sabe traduzir seus pensamentos através de seu corpo, mesmo não reconhecendo os benefícios que ele lhe traz, ela se relaciona com o mundo utilizando a linguagem corporal. A psicomotricidade é um ramo da ciência que tem como objetivo desenvolver o aspecto comunicativo do corpo. Sua utilização é fundamental no desenvolvimento da criança que necessita de estimulações para que seu conceito de corpo seja bem elaborado. Um dos conceitos de psicomotricidade em relação ao corpo é desenvolver o aspecto comunicativo que possibilita à criança dominá-lo. Entre estes aspectos destacamos o modo de pensar, seus gestos para economizar suas energias, aperfeiçoar o seu equilíbrio e aumentar, assim, sua eficácia e harmonia. Contudo, cabe a percepção de que entre a psicomotricidade e corpo há uma ligação uma vez que não existe psicomotricidade sem corpo e vice versa. Para trabalhar o desenvolvimento motor do corpo, há várias atividades que podem ser utilizadas em sala de aula, atividades que partem de variáveis como os jogos, que assumem um contexto cultural quando reproduzem elementos de uma cultura e possibilitam a interação com o meio no qual a criança está inserida. O trabalho que promoverá o desenvolvimento das habilidades da criança visando estimular a psicomotricidade na faixa etária de 4 a 5 anos no ambiente escolar. São os jogos e brincadeiras que atuam como condutores do desenvolvimento corporal. Pode-se dizer que a utilização dos jogos no cotidiano escolar contribui para a melhoria do desempenho da escrita, sendo um valioso instrumento para o desenvolvimento infantil. Os jogos (tradicionais, de construção e motores) auxiliam também na ampliação da realidade social e cultural das crianças, desenvolvendo potencialidades corporais, éticas, afetivas, emocionais, e contribuem para a sua formação. Para que esses jogos sejam aplicados em sala de aula, os professores devem estar preparados para os desafios que irão enfrentar. Muitas vezes, a falta de informação impossibilita a transferência de saberes entre professor e aluno. Muito tem sido feito para melhorar a qualidade do ensino nas escolas fazendo surgir alterações, relacionadas à aprendizagem, à capacitação dos profissionais, ao uso de 10 novas tecnologias e varias outras visando a melhorias na qualidade do ensino oferecido às crianças de 4 a 5 anos. Esta pesquisa bibliográfica tem como objetivo conscientizar os profissionais do ensino infantil, sobre a importância de se trabalhar a psicomotricidade com crianças de 4 a 5 anos. Para que os profissionais identifiquem as atividades adequadas para se trabalhar com esses alunos, com os jogos e brincadeiras, é fundamental que eles percebam a importância da psicomotricidade no desenvolver da criança. Sendo assim, propôs-se nesta pesquisa, no 1º Capítulo, entender o desenvolvimento da criança de 4 a 5 anos. Neste momento, debruçando-se sobre as ideias de Piaget, Vygotsky e Wallon, percebe-se como ocorre o processo de desenvolvimento das áreas afetivas, motoras e cognitivas e também como a interação com os outros contribui para a evolução total do ser. No Capitulo II além de contextualizar algumas definições do termo psicomotricidade procuramos registrar a importância dela na vida da criança, discutindo algumas definições de corpo com o qual ela trabalha e propicia desenvolver na criança. O Capitulo III destaca as contribuições dos jogos no desenvolvimento da psicomotricidade, e sua importância para o desenvolvimento global da criança. Para melhor compreendemos esta temática utilizaremos as contribuições de outros autores como Kishimoto e Tonietto, que reforçam a importância do uso de jogos para o aprimoramento da psicomotricidade em crianças de 4 a 5 anos no espaço escolar. Encontraremos no Capitulo IV uma discussão a respeito da psicomotricidade no espaço escolar, sendo ela utilizada como fonte para a qualificação do ensino ofertado aos alunos, desta faixa etária. Bem como os desafios e dificuldades enfrentados pelos professores ao tentar proporcionar aos seus educandos possibilidades para aperfeiçoarem suas dificuldades, a partir da execução de atividades motoras em sala de aula. 11 2 O DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA DE 4 A 5 ANOS Nos primeiros dias de vida da criança, ela se desenvolve continuamente. No seu desenvolvimento é indispensável que haja equilíbrio, pois a existência da harmonia entre o corpo e a mente estimula os progressos em todas as áreas. Assim algumas partes podem ser favoravelmente beneficiadas visto que os aspectos do desenvolvimento não podem ser focados ao mesmo tempo, para que a criança não fique sobrecarregada, prejudicando o seu desenvolvimento global. Assim Alves (2003) afirma que, Cada período é diferente do outro e, em cada um deles, a criança tem formas peculiares de pensar e de comportar, determinando e estabelecendo, então, o seu caráter do que ser aprendido neste período, o que de melhor a criança é capaz de realizar. (ALVES, 2003, p. 88). A criança sabe traduzir seus pensamentos através de seu corpo, ela sabe bem as funcionalidades e benefícios que ele traz. Além disso, o corpo traduz também suas vivências individuais e grupais que interligam a exploração do mundo. O desenvolvimento refere-se também à continuidade de mudanças no indivíduo. Seria como o desenrolar de um novelo em que nele estariam inscritas as características de cada um. Nesse desenrolar há dois processos de desenvolvimento: a maturação, que corresponde ao desenvolvimento de acordo com a herança biológica; e a aprendizagem, que se refere às mudanças já adquiridas no pensamento, comportamento e sentimento. Há grandes estudiosos que passaram boa parte do tempo estudando as fases de desenvolvimento da criança, entre eles destacamos Jean Piaget, Lev Semenovich Vygotsky e Henri Wallon. Eles articulavam que entre os diferentes níveis de desenvolvimento (motor, afetivo e cognitivo) experimentados pela criança, há diferenciações, porque os desenvolvimentos ocorrem e nem são recebidos de forma isolada, mas de maneira simultânea e integrada. O teórico russo Lev Vygotsky que tem defende a teoria sociocultural embasada na cultura (habilidade de um grupo social, crenças, valores, tradições, entre outros), que é transmitida de geração em geração, acredita que por meio de atividades e diálogos, a criança adquire gradualmente novas maneiras de comportar e de pensar, visando o crescimento cognitivo como uma atividade socialmente medida. “Com isso, as formas de memorização, de percepção para solucionar 12 problemas manifestam-se, primeiro, em situação interpessoal e depois em uma situação intrapessoal” Oliveira (2005). É importante considerar que nesse caso é importante a criança passar por estas situações para que assim complete seus conhecimentos prévios. Ainda, Oliveira (2005) argumenta: Para analisar esse processo, Vygotsky criou o conceito de Zona de desenvolvimento proximal. Segundo ele, a criança transforma as informações que recebe de acordo com as estratégias e conhecimentos por ela já adquiridos em situações vividas com outros parceiros mais experientes. A noção de zona de desenvolvimento proximal refere-se à distância entre o nível de desenvolvimento atual do indivíduo (ou seja, sua capacidade de apresentar uma ação independente de pistas externas – compreendendo, portanto, funções já amadurecidas) e a capacidade de responder orientado por indicações externas a ele (ou seja, baseada em funções em processos de amadurecimento). Após operar com esses instrumentos externos, ou próteses (“muletas”) – gestos, instruções, questões, estratégias -, o indivíduo cria uma mediação semiótica interna e responde às situações com base em conceitos, imagens, habilidades e outros recursos. (OLIVEIRA, 2005, p. 128-129) Ao conhecermos o argumento da autora, perceberemos que o pensamento é formado na vida social, em seu contexto, fornecendo aos indivíduos tarefas sociais que estimulam o seu desempenho, a fim de atingir objetivos, conhecimentos e o domínio de novas técnicas baseadas em sua cultura. Para o teórico Henri Wallon, o desenvolvimento do individuo é construído através de uma dupla história, pois o sujeito se vincula a condições e situações diversas nas quais ele se envolve e necessariamente ele as responde. Na afirmação abaixo OLIVEIRA (2005) enfatiza que para: [...] Wallon, toda pessoa constitui um sistema específico e ótimo de trocas com o meio. Tal sistema integra suas ações num processo de equilíbrio funcional que envolve motricidade, afeto e cognição, mas no qual, em cada estágio de desenvolvimento, uma forma particular de ação predomina sobre as outras. As estruturas da consciência e de personalidade surgem, assim, dos desdobramentos e das oposições provocados pelas reações emocionais. (OLIVEIRA, 2005, p. 130) Há várias formas de organizar o pensamento em função das experiências vividas, em que, cada qual tem uma maneira de expressar suas capacidades, em função das experiências adquiridas com outras crianças e também com adultos. Todas essas trocas durante as fases de crescimento da criança são fundamentais para seu processo de desenvolvimento. 13 Segundo Craidy e Kaercher (2001) Piaget, Vygotsky e Wallon tentaram mostrar que a capacidade de conhecer e aprender se constrói a partir das trocas estabelecidas entre o sujeito e o meio. As teorias sociointeracionistas concebem, portanto, o desenvolvimento infantil como um processo dinâmico, pois as crianças não são passivas, meras receptoras das informações. (CRAIDY e KAERCHER, 2001, p. 27). Embora os teóricos não sejam concordantes em todos os aspectos, eles têm possibilitado com seus estudos uma maneira de favorecer a compreensão do desenvolvimento infantil. Eles reforçam que esse desenvolvimento acontece segundo a ampliação do grupo social das crianças, a partir do estabelecimento de trocas com outros membros do meio social em que estão inseridas. As contribuições do biólogo e epistemólogo suíço Jean Piaget, que construiu sua teoria ao longo de mais de 50 anos de pesquisa, teve como objeto de estudo seus próprios filhos, pois uma de suas maiores preocupações era descobrir como se estruturava o conhecimento, partindo assim de uma ação executada sobre o referido objeto (conhecimento de um determinado sistema de relações, como por exemplo, a forma de explorar brinquedos, resolução de problemas fáceis, entre outros). Esse processo desenvolveu-se em eixos que enfatizaram a organização, a estruturação e o entendimento das ações para explicar as estruturas que estimulam a inteligência da criança, que vai se aprimorando a partir do estabelecimento do contato com o mundo. Para este teórico, o desenvolvimento pode ser compreendido a partir de estágios, que foram classificados por ele, como; estágio sensório-motor (0 a 2 anos aproximadamente), que é caracterizado pelas situações externas que a criança vivencia, passando a se apoiar em esquemas de ação como um meio de explorar e entender o meio ambiente; Estágio pré-operacional (por volta dos 2 aos 7 anos), é quando a criança desenvolve a capacidade de tornar objetos ou palavras em “experiências” significativas; Estágio operacional concreto (de 7 a 11 anos), se refere ao desenvolvimento da habilidade de registrar e adquirir operações cognitivas, que são experimentos com base na realidade vivida; e o estágio das operações formais (de 11 anos em diante) quando as crianças registram operações cognitivas e um pensamento mais lógico sobre objetos e experiências reais. Para Shaffer (2012): 14 [...] Piaget argumentou que esses estágios jamais podem ser saltados, porque cada estágio é construído sobre o que foi adquirido nos estágios anteriores. Apesar de acreditar que a sequência dos estágios intelectuais fosse fixa ou invariante, Piaget reconheceu que existem grandes diferenças individuais em relação à idade com que as crianças entravam ou saíam de cada estágio em particular. [...] fatores culturais e outras influências ambientais poderiam tanto acelerar quanto atrasar o ritmo de desenvolvimento intelectual de uma criança, e ele levava em consideração as normas de idade que acompanhavam os estágios (e subestágios), na melhor das hipóteses, apenas como aproximação. (SHAFFER, 2012, p. 278). É importante que a criança vivencie cada estágio, pois cada um é construído através do que foi adquirido nos estágios anteriores. A influência do ambiente em que a criança vive, contribui para o desenvolvimento dos estágios posteriores como também pode vir a desacelerar o mesmo. Isso pode vir a acontecer de acordo com a idade que acompanha os estágios de desenvolvimento da criança. Neste trabalho, o foco estará centrado no segundo estágio, chamado de préoperacional, por se tratar do estudo do desenvolvimento de crianças de 4 a 5 anos. Nesta fase, com a criança dessa faixa etária, ocorre a formação da consciência de si, principalmente com as interações sociais, nas quais a criança volta o seu interesse para as pessoas que a cercam, prevalecendo assim às relações afetivas. A criança necessariamente precisa ser estimulada para que aconteça um desenvolvimento adequado, de modo que seus movimentos motores sejam bem elaborados. Piaget, em sua obra que enquadra o desenvolvimento motor da criança de 4 a 5 anos, cita várias características que são por muitas vezes peculiares, mas que não representam “amarras”. Na fase do pré-operatório de Piaget, a criança se encontra numa fase de estabilidade corporal e seu equilíbrio, começa a desenvolver-se ativamente nas suas descobertas durante as realizações de atividades. Nesta faixa etária, pode-se dizer que há constantemente um aprimoramento das atividades motoras, que se torna mais necessária, eficiente e segura para a criança já que seu desenvolvimento acontecerá de forma gradativa. Para a criança é fundamental que aconteça também sua interação com o meio em que ela vive, até mesmo para que seu desenvolvimento seja amplo. À medida que a criança estabelece trocas de conhecimento com o meio social, Piaget salienta que as crianças tornam-se mais socializadas no decorrer dos anos e que esse desenvolvimento social atua sobre o desenvolvimento cognitivo e afetivo delas. 15 Partindo dos conceitos citados, podem-se propor atividades ou ações que favoreçam e colaborem para uma melhor apreensão dos conhecimentos pela criança, usando jogos e brincadeiras que exijam domínio das ações corporais que favorecerão na tomada de consciência de si. 16 3 A IMPORTÂNCIA DA PSICOMOTRICIDADE Antes de buscarmos a definição correta da palavra psicomotricidade, buscamos a etimologia da palavra que vem favorecer a construção do conceito e definição do termo. PSI – Emocional CO – Cognitivo MOTRIC – Movimento Humano IDADE – Etapas da Vida de ser Humano São encontradas várias definições para psicomotricidade. Diversos são os autores que apresentam conceitos relacionados a ela, e cada um coloca seu ponto de vista para defini-la. Sobre estes conceitos de psicomotricidade, Otoni (2007) fala que: A sociedade Brasileira de Psicomotricidade a conceitua como sendo uma ciência que estuda o homem através do seu movimento nas diversas relações, tendo como objeto de estudo o corpo e a sua expressão dinâmica. A psicomotricidade se dá a partir da articulação movimento/ corpo/ relação. Diante do somatório de forças que atuam no corpo- choros, medos, alegrias, tristeza... - a criança estrutura suas marcas, buscando qualificar seus afetos e elaborar as idéias. Constituindo-se como pessoa. (OTONI, 2007, p. 1). Necessário se torna conhecer, mesmo que brevemente, alguns aspectos da história da psicomotricidade, da sua importância nas diversas relações existentes na dinâmica do corpo. Para a compreensão do desenvolvimento da criança com base nesse enfoque Coste (1978) nos assegura que: A história da psicomotricidade é curta: o termo apareceu no discurso médico em princípios deste século, com os trabalhos de Dupré. Mas pelo fato de se ter definido segundo a concepção que o homem tem do seu corpo, sua história ganha raízes nas origens da humanidade consciente. A história da psicomotricidade nasce com a história do corpo, um longo percurso marcado às vezes por certos revolucionários e reformulações decisivas, que culminariam em nossas concepções modernas, e permitiriam compreendêlas. (COSTE, 1978, p.10). A história da psicomotricidade, juntamente com a história do corpo, ao longo do percurso, passou a ser estudada por neurologistas para a compreensão das estruturas cerebrais e psiquiátricas para o conhecimento das patologias mentais. Ao 17 longo dos séculos, a psicomotricidade vem sendo descoberta e, junto dela, o significado do corpo. Em vários estudos se chega a concluir que não existe psicomotricidade sem corpo, que um completa o outro uma vez que para o corpo se movimentar é preciso partir de princípios que aqui chamamos de psicomotricidade. Em “meados de 1900, E. Dupré, um grande estudioso, realizou um dos primeiros estudos que, por partes, envolve a psicomotricidade, trabalhando as relações psíquicas com as relações motoras” (ARAÚJO, 1992). A Sociedade Brasileira de Psicomotricidade - SBP, coloca que psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização. É através de vivências no meio social, que a criança descobre a cada dia, novas funções que resultam em seu aprimoramento pessoal e complementa as novas experiências que resultam em ações individuais e sociais. Buscamos a ciência, que nos possibilita o estudo do homem por meio de seu corpo em movimento, tendo relação com seu mundo interno e externo. Nesse caso, entra a psicomotricidade, que busca destacar essas relações existentes entre motricidade, a mente e a afetividade, permitindo várias abordagens globais do homem. Essa ciência que considera a criança como seu principal foco, tem como objetivo tentar resgatar um comportamento mais padronizado dentro do aceitável para a respectiva faixa etária, desenvolvendo várias condutas de base para a préformação da aprendizagem escolar, uma vez que a psicomotricidade auxilia na assimilação de certos conteúdos globais e no convívio consigo mesmo, ela está associada à personalidade e afetividade dos seres, e na maneira como eles utilizam seus corpos para demonstrarem o que sentem. A psicomotricidade, no enfoque educacional, objetiva conhecer os elementos básicos que atuam junto à criança (aluno) para o fortalecimento de seu desenvolvimento cognitivo, afetivo e social. Segundo Nascimento e Machado (1986) os estudos da psicomotricidade abrem espaços para alguns elementos básicos didaticamente distintos, mas que estão relacionados, tais como: a coordenação psicomotora, o equilíbrio, o tônus, a 18 lateralidade, o ritmo, o esquema corporal, a orientação temporal, a estruturação espacial e a pré-escrita ou grafismo. Um dos objetivos da psicomotricidade em relação ao corpo é desenvolver o aspecto comunicativo, que possibilita à criança dominá-lo. Este domínio implica no modo de pensar, em gestos, em economizar suas energias e aperfeiçoar o seu equilíbrio. A abordagem da psicomotricidade possibilita à criança ter a compreensão do seu corpo e assim se expressar-se por meio dele. Com isso, em uma visão global, a psicomotricidade se faz necessária para a prevenção de problemas na orientação do espaço em que a criança vive ou em sua coordenação. Para que isso aconteça, é fundamental que se eduque a criança a fim de conscientizá-la sobre como lidar com o corpo e desenvolver o senso de equilíbrio. A partir daí, ela começa a controlar o próprio corpo, reconhecendo a direita e esquerda, equilibrando a respiração, sabendo usar braços, pernas e dominar as noções de tempo (conscientização). (VAYER, 1984). Nessa perspectiva se chega a concluir que a psicomotricidade integra o corpo de tal modo a permitir que a criança perceba seu próprio corpo, domine seus movimentos e expressões corporais, expresse variadas emoções. A esse respeito Oliveira (2009) afirma que: Todas as experiências da criança (o prazer e a dor, o sucesso ou o fracasso) são sempre vividos corporalmente. Se acrescentarmos valores sociais que o meio infere ao corpo e a certas de suas partes, este corpo termina por ser investido de significações, de sentimentos e de valores muito particularmente e absolutamente pessoais. (OLIVEIRA, 2009, p. 65). É através de todos os seus cinco sentidos que a criança percebe o seu próprio corpo. Seu corpo ocupa espaço no ambiente em que está inserido, suas funções e suas capacidades de receber, captar, sentir e movimentar são importantes para que seu corpo se desenvolva. Ao definir corpo vivido, corpo percebido e corpo representado, é importante ressaltar que o corpo pode ser treinado, uma vez que, quando a criança já representa seu corpo através de desenhos, ela já está com a imagem do corpo internalizado mentalmente. Com isso, o esquema corporal (que são as vivências e experiências do nosso próprio corpo), se torna um elemento básico indispensável na criança para 19 construção de sua personalidade. O desenvolvimento corporal passa por três etapas, na qual Oliveira (1992) citando Lê Boulch diz que, Corpo vivido: corresponde à fase sensório-motora de Piaget, começa nos primeiros meses de vida, nela o bebê ainda não tem noção do “eu”, confundindo-se com o meio e seus movimentos são atividades motoras que não são pensadas para serem executadas. Corpo percebido: corresponde ao período pré-operatório de Piaget, começa por volta dos dois anos quando a criança passa a perceber-se, e tem-se o início da tomada de consciência do “eu”. Diferencia-se do meio, organizando o espaço levando em conta o seu próprio corpo, começa assim a construir uma imagem mental dele. Os conceitos espaciais como perto, longe, em cima ou embaixo começam a ser discriminados; as noções temporais relativas à duração, ordem e sucessão de eventos são compreendidas. Corpo representado: corresponde ao período operatório de Piaget. Começa aproximadamente aos sete anos quando a criança já tem noção do todo e das partes de seu corpo, assumindo e controlando seus movimentos com autonomia e independência. No final dessa fase, a criança já tem uma imagem de corpo operatório, usando-o para efetuar e programar mentalmente ações e orientando-se por pontos de referência que podem ser escolhidos. (LÊ BOULCH apud OLIVEIRA, 1992, p. 58). O corpo passa por várias manifestações e representações que em um primeiro momento não são percebidas pela criança, mas com o passar do tempo, a criança percebe que aquela ação gerenciada por ela se manifesta em seus conhecimentos e suas aprendizagens. O corpo tem várias funcionalidades e quando são expressas de maneira confiante permitem que a criança traduza seus pensamentos usando-as a seu favor. A psicomotricidade proporciona para a criança momentos de articulação com o seu próprio corpo, oferecendo a ela um dinamismo entre movimento, corpo e relação. Já a Instituição Superior de Psicomotricidade e Educação e Grupo de Atividades Especiais (ISPE-GAE) define a psicomotricidade e o emprego de seu termo como: Psicomotricidade é uma neurociência que transforma o pensamento em ato motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as ações gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado. Psicomotricidade é a manifestação corporal do invisível de maneira visível. (ISPE – GAE, 2007). A coordenação e organização de algumas ações controladas de forma neurológica manifestam vários pensamentos motores que proporcionam a movimentação corporal. Pode gerar também a manifestação de conhecimento e aprendizado. 20 4 CONTRIBUIÇÃO DOS JOGOS NO DESENVOLVIMENTO DA PSICOMOTRICIDADE É importante valorizar as vivências e o mundo infantil por meio de atividades lúdicas e imaginativas próprias da cultura infantil, e de vários conteúdos pedagógicos específicos para essa faixa etária de 4 a 5 anos, pois são eles que garantem o interesse e a motivação das crianças. O jogo constitui-se numa forma de expressão que favorece o desenvolvimento infantil. A criança quando joga, rapidamente assimila uma série de questões sociais, afetivas e motoras e passa a compreender melhor a realidade e transformá-la no meio em que estão inseridas. Contudo há vários jogos que são importantes para estimular o desenvolvimento da criança, principalmente na área social que favorece a interação da mesma. O jogo do faz de conta para essa faixa etária de 4 a 5 anos, traz a possibilidade de designar o papel de cada participante na transformação do que é real para ele e o que é por ele desejado. Nesse caso, Kishimoto (2006) afirma que: A brincadeira de faz-de-conta, também conhecida como simbólica, de representação de papéis ou sociodramática, é a que deixa mais evidente a presença de situação imaginária. [...] O faz-de-conta permite não só a entrada no imaginário, mas a expressão de regras implícitas que se materializam nos temas das brincadeiras. É importante registrar que o conteúdo do imaginário provém de experiências anteriores adquiridas pelas crianças, em diferentes contextos. (KISHIMOTO, 2008, p. 39). O faz de conta exerce um papel fundamental para o desenvolvimento global da criança e propicia a estimulação do imaginário infantil. Esse imaginário pode reproduzir diversas situações sociais, como por exemplo, o reconhecimento de regras que passam a ser respeitadas, a aceitação das derrotas, o respeito ao semelhante e às suas diferenças, enfim, são as brincadeiras individuais que se tornam peça importante para a criança construir o conceito de coletividade. Os jogos simbólicos apresentam várias características que assumem grande significância no contexto da cultura infantil. A partir do momento que possibilita à criança a vivência de situações que na realidade ainda não podem vivenciar, como a ausência de regras, a não ser as criadas e alteradas pelas próprias crianças, o que oportuniza à criança, projetar, na atividade lúdica, seus problemas e emoções. Piaget (1975) corrobora com a seguinte colocação: 21 [...] o jogo diferencia-se ainda mais das condutas de adaptação propriamente ditas (inteligências), para orientar-se no sentido da assimilação como tal: em vez de pensamento objetivo, que procura submeter-se às exigências da realidade exterior, o jogo da imaginação constitui, com efeito, uma transposição simbólica que sujeita as coisas à atividade do indivíduo, sem regras nem limitação. (PIAGET, 1975, p. 115116). Esses jogos trazem vários benefícios para a criança, um deles é que pode favorecer a socialização de diversas personalidades. Por não possuírem regras, somente as impostas pelas crianças e que, pelas suas limitações, se torna divertido. As crianças na faixa etária de 4 a 5 anos se satisfazem em executar a representação de fatos acontecidos por elas. 4.1 Tipos de jogos O jogo é considerado como algo que é anterior a civilização, portanto é necessário que o mesmo seja abordado com um devido zelo, observadas suas relações históricas, culturais e sociais. Para compreendermos melhor o jogo, HUIZINGA (1996) afirma que, O jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, seguindo regras livremente consentidas, mas absolutamente obrigatórias, dotadas de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentimento de tensão e alegria e de uma consciência de ser diferente da vida quotidiana. (HUIZINGA, 1996, p. 33). O jogo exerce um papel fundamental para o desenvolvimento humano, que determina o limite de tempo e espaço, inserindo também a importância das regras, que podem refletir em momentos de alegrias ou frustrações na vida quotidiana do ser. O jogador é quem dá vida à atividade, ele transforma um pedaço de papel em avião ou barco, um cabo de madeira vira espada, cavalo ou outro objeto qualquer. Pensando nisso variados jogos serão apresentados de cada modalidade em uma tabela para que melhor favoreçam o nosso conhecimento sobre eles. Serão relacionadas as atividades, os objetivos e o desenvolvimento de cada um. Vale ressaltar que este quadro é para compreendermos melhor os tipos de jogos a que estamos nos referindo, e justificar a sua aplicabilidade no espaço escolar. 22 4.1.1 Jogos tradicionais Os jogos tradicionais são aqueles que fazem parte da cultura infantil. São jogos que perpassam elementos de produção cultural de certo período histórico. São variados os jogos que guardam sua estrutura inicial e outros que se modificam com o passar do tempo dependendo da organização social de onde são oriundos. Tonietto (2008) traz esta referencia: [...] Não podemos nos enganar acreditando que os jogos tradicionais estão prontos e acabados, com conteúdos e métodos intocáveis, que somente tiveram função criativa no local em que foram concebidos. Na verdade, em qualquer local, eles podem ser transformados. (TONIETTO, 2008, p. 21). Certamente o autor citado acima enfatiza que os jogos tradicionais, independentemente das regras, sofreram modificações como, por exemplo, no número de participantes que jogam, no local onde está sendo criado ou jogado, entre outras modificações. A função deste tipo de jogo é ressaltada por Kishimoto, (2006, p. 38-39). [...] “como manifestação livre e espontânea da cultura popular, os jogos e as brincadeiras tradicionais têm a função de perpetuar a cultura infantil, desenvolver formas de convivência social e permitir o prazer de brincar.” Nessas condições podemos perceber que esses jogos são resultantes de uma tradição, mas que ainda proporcionam prazer na criança quando ela brinca ou joga. Para conhecermos melhor esses jogos buscamos a ajuda de Tonietto (2008), ilustrando com seu quadro de atividades, que destaca os seguintes jogos tradicionais: 23 ATIVIDADES Escondeesconde Barra-manteiga Passa anel OBJETIVOS - Desenvolver a imaginação, a atenção, a agilidade, a criatividade e a orientação espacial - Contribuir para a socialização das crianças. - Identificar a sequência numérica. - Desenvolver a atenção e a agilidade. - Desenvolver a integração de grupos e a linguagem rítmica. - Contribui para a socialização das crianças. - Desenvolver a atenção. DESENVOLVIMENTO Para iniciar a brincadeira, é necessário escolher um lugar para ser o pique e quem vai ficar nele. O jogador escolhido fica de costas e de olhos fechados no pique, contando até o número combinado. Enquanto isso, os demais jogadores devem se esconder. Quando termina de contar, o jogador vai procurar os companheiros. Quem está escondido tem de correr até o pique para se salvar. Quando encontrar alguém, o jogador que está procurando deve voltar ao pique e dizer o lugar onde viu o companheiro. O jogador encontrado se salva se chegar ao pique antes do perseguir. O primeiro que for pego será o perseguidor na próxima jogada. Se todos forem salvos, a brincadeira continua com o mesmo perseguidor. Traçam-se duas linhas paralelas, distante uma da outra. Sobre elas ficam as crianças, divididas em igual número, defrontando-se em fileiras. Dado o sinal de início, o jogador, designado por sorteio, começa o jogo: sai correndo da linha da sua partida e, chegando ao campo dos adversários, bate na mão direta estendida de um destes, falando: “Minha mãe mandou bater neste daqui, um dois três...” Nesse momento, bate um pouco mais forte e sai correndo para a sua equipe, enquanto é perseguido pelo adversário e, caso seja pego, passa a jogar na outra equipe. Vence o time que pegar todos os adversários. Em roda, sentados, todos ficam com as mãos como se estivessem rezando, palma com palma. Uma criança vai passando de pessoa em pessoa, como se estivesse deixando o anel, e o deixa em alguém. E na própria roda escolhe-se um participante para adivinhar com quem está o anel. Se ele acertar, será o “passador de anel”. Caso contrário, outra criança recomeça a brincadeira. 24 Pega-pega - Desenvolver a agilidade e a organização espacial e temporal. Os jogadores ficam dispostos em círculos, em pé, e a brincadeira se inicia com a escolha de quem serão os “caçadores” e quem serão os “fugitivos”. Aos poucos, as variantes vão sendo desenvolvidas: quem for pego vira estátua; quem for pego vira estátua e pode ser salvo da posição por meio de um toque de outro colega que não foi pego; criar áreas de refúgio (ferrolhos), onde não é permitido perseguir nem pegar; criar posições corporais que sirvam de ferrolhos (ex.: quem estiver de quatro não pode ser pego, etc.) A brincadeira termina quando o interesse dos participantes acabar. Quadro 1 – Jogos tradicionais. Fonte: TONIETTO, 2008, p. 35. São estes exemplos de jogos tradicionais que trazem prazer para a criança, resgatam e valorizam a sua cultura, dando-lhes sensação de liberdade, permitindolhes muita diversão, seja correndo, escondendo, adivinhando e muitas outras sensações prazerosas. 4.1.2 Jogos de construção As interações sociais da criança se tornam mais complexas através dos jogos de construção. É nesse momento que a criança começa a organizar seu mundo. Nessa perspectiva, Kishimoto (2003), afirma que: O jogo é a construção do conhecimento, principalmente no período sensório-motor e pré-operatório. Agindo sobre os objetos, as crianças, desde pequenas, estruturam seu espaço e o tempo, desenvolvendo a noção de causalidade, chegando à representação e, finalmente, à lógica. (KISHIMOTO, 2003, p. 95-96). Os jogos de construção organizam-se na realidade da criança que constrói sua própria história, expressando, assim, os níveis de sua estruturação mental, seu desenvolvimento cognitivo e afetivo-emocional. Esses jogos geralmente são confeccionados com sucatas. Sucata não é lixo, é sim o uso de objetos que já tiveram determinado uso e que passam a ser matéria-prima. Eles são transformados e começam a adquirir um novo significado como, por exemplo: um pedaço de 25 mangueira que vira um bambolê, latas vazias viram pé de lata, entre outros. A respeito deles, Kishimoto (2006) afirma que: Construindo, transformando e destruindo, a criança expressa seu imaginário, seus problemas e permite aos terapeutas o diagnóstico de dificuldades de adaptação bem como a educadores o estímulo da imaginação infantil e o desenvolvimento afetivo e intelectual. Dessa forma, quando está construindo, a criança está expressando suas representações mentais, além de manipular objetivos. ( KISHIMOTO, 2006, p. 40). Para as crianças de 4 a 5 anos, os jogos são atividades propriamente culturais, que aprimoram e constroem o desenvolvimento de potencialidades infantis e maturação das habilidades. No quadro abaixo, Tonietto (2008) nos mostra os seguintes jogos de construção: ATIVIDADES Bolinho de jornal OBJETIVOS - Desenvolver a musculatura de mão. - Desenvolver a coordenação motora. Túnel de caixas - Estimular a percepção espaço temporal - Desenvolver a coordenação motora. - Desenvolver a coordenação motora e equilíbrio. Pé de lata DESENVOLVIMENTO As crianças devem confeccionar uma bola utilizando várias folhas de papel. Para fixar melhor, o professor pode passar uma fita. Com a bola, as crianças podem desenvolver várias atividades, como: rolar para o amigo, jogar com apenas uma mão, equilibrar com o pé, chutar, etc. O primeiro passo é retirar o fundo das caixas e uni-las, com fitas, em forma de túnel, que pode ser encapado com papéis coloridos. O professor pode contar uma história utilizando o túnel e deixar que as crianças explorem o material. O professor deve fazer dois furos no fundo de cada lata, com espaço suficiente entre eles para a criança colocar o pé. Depois é só passar um barbante pelos furos e amarrar as pontas pela parte de dentro da lata. Para andar, basta subir com um pé em cada lata e segurar o barbante, movendo as pernas. Obs.: O barbante varia de acordo com o tamanho da criança, pois deve ficar na altura das mãos. 26 Peteca de jornal Torre de latinhas Cavalinho divertido - Desenvolver a As crianças devem, cada uma, dobrar uma coordenação folha de jornal em quatro partes. Com motora. cuidado, devem segurar uma das pontas (a que estiver fechada) e rasgada o outro lado em forma de zigue-zague, deixando inteira apenas a parte do centro. Quando abrirem, a folha fica em formato de flor. Deverão juntar os pedaços de papel que sobraram, amassálos e colocá-los no centro da flor, prendendoos com uma fita (formando uma bola achatada) e deixando as pontas para cima. Depois é só brincar com a peteca. - Contribuir para O professor deve deixar ao alcance das o crianças várias latinhas, para que elas, em desenvolvimento um primeiro momento, possam explorar o da lateralidade e material. Depois, o professor deve pedir para noção espacial. que formem uma torre com as latinhas e uma - Desenvolver criança de cada vez pode arremessar uma noções de bola tentando derrubar a torre. Após os quantidade. arremessos, o professor pode contar com as crianças o número de latinhas derrubadas. - Desenvolver a Providenciar, antecipadamente, para cada coordenação, o criança, um cabo de vassoura. O professor equilíbrio e a deve montar um molde duplo de cabeça de criatividade. cavalo para que as crianças possam pintar e fazer a crina do cavalinho, com lã ou barbante. Depois de pronto, colocar a cabeça no corpo do cavalo (cabo de vassoura) e brincar utilizando a imaginação. Quadro 2 – Jogos de construção. Fonte: TONIETTO, 2008, p. 36. Esses jogos são de grande valia para a criança que passa a construir seus conceitos motores. É importante ressaltar que os jogos citados acima são jogos construídos pelas crianças com o auxilio de um educador. Isso se torna importante para que as crianças construam e transformem seu mundo imaginário. 4.1.3 Jogos motores Existem, também, os jogos motores que podem ser utilizados para a estimulação motora da criança. São jogos que fazem parte do dia a dia da criança e que geralmente são desenvolvidos por elas ou estimulados pelos professores por trazerem diversos benefícios para a criança, porque estimulam a capacidade de pensar, imaginar, vivenciar, beneficiando a relação familiar, o desenvolvimento da 27 fala, do corpo, da escrita, entre outros. As referidas atividades se tornam um fator educativo, que pode ser organizado e estimulado pelo professor no espaço escolar. As atividades motoras contribuem para o desenvolvimento global da criança. Nesse caso, eles se tornam um aliado importante para a educação. Nessas atividades, os alunos utilizam recursos afetivos, biológicos e psicológicos para construírem esquemas motores. Não se trata especificamente de valorizar um padrão motor, mas de organizar esquemas que auxiliem as crianças em diversas atividades que serão aprimoradas na sala de aula. No quadro de Tonietto (2008) pode-se reconhecer os seguintes jogos motores: Atividade Corrida dos animais Onça Dorminhoca Objetivos Desenvolvimento - Desenvolver a agilidade e coordenação global do corpo. - Desenvolver a capacidade de reprodução de sons, imitando animais. - Desenvolver o esquema corporal - Desenvolver a agilidade e atenção. - Desenvolver a noção de espaço e tempo e a consciência do seu corpo em um ambiente. As crianças devem combinar qual o animal que será imitado, e devem ser estabelecidas uma linha de saída e outra de chegada. As crianças ficam todas atrás da linha de saída. Dado o sinal, elas saem imitando o animal combinado. Vence a criança que chegar primeiro do outro lado. Formar uma roda grande com as crianças. Cada criança fica dentro de um pequeno círculo desenhado sob os pés, exceto uma, que ficará no centro da roda, deitada de olhos fechados. Ela será a “onça dorminhoca”. Todos os jogadores andam à vontade, saindo de seus lugares, menos a “onça dorminhoca” que continua dormindo. Eles devem desafiar a onça, gritando: “Onça dorminhoca”! Inesperadamente, a “onça” acorda e corre para pegar um dos lugares marcados no chão. Todas as outras crianças procuram fazer o mesmo. Quem ficar sem lugar será a nova “onça dorminhoca”. Sugestão: Confeccionar uma máscara de cartolina ou papelão para a criança que fará o papel da onça. 28 Lobos e carneirinhos Lá vai o bode Corrida de um pé só Desenvolver a Traçar, no chão, duas linhas agilidade, a velocidade e afastadas cerca de 20 metros uma da a atenção outra. As crianças são divididas em dois grupos: lobos e carneirinhos. Cada grupo se coloca atrás de uma linha. O grupo dos “lobos” fica de costas para o grupo dos “carneirinhos”. Ao sinal do professor, os “carneirinhos”. Saem a caminhar, o mais silenciosamente possível, em direção aos “lobos”. Quando estiverem bem próximo deles o professor diz: “Cuidado com os lobos”! Os “lobos”, então, voltam-se rapidamente e saem em perseguição aos “carneirinhos”. Os “carneirinhos” apanhados antes de alcançar a linha original (de onde iniciaram) passam a ser “lobos”. Na repetição da brincadeira, invertem-se os papeis. - Realizar movimentos As crianças devem permanecer em com diferentes pé dentro de um círculo desenhado velocidades e contrações no chão, afastadas uma das outras. musculares de diferentes Uma criança deve ser escolhida para intensidades. ser o bode. Dado o sinal, o “bode” - Definir estruturação deve, com os braços cruzados, tentar espacial e tomada de se encostar nas outras crianças, que consciência do seu corpo poderão fugir dele sem sair do em um ambiente. círculo. Quem for encostado passa a ser o bode. Desenvolver o equilíbrio, a força e a musculatura das pernas e pés. - Realizar movimentos com diferentes velocidades e contrações musculares de diferentes intensidades. A equipe deve estabelecer uma linha de início e uma linha de chegada. Todos os participantes saem pulando com um pé só, da linha de início até a linha de chegada. Vence o primeiro que chegar. Obs.: O professor pode pedir que utilizem as duas pernas. 29 Corrida do elefante Desenvolver a As crianças andam à vontade pelo coordenação motora, o pátio. Uma delas, separada, utiliza equilíbrio e a atenção. uma mão para segurar a ponta do nariz e outro braço passa por dentro do espaço vazio formado por este (imitando uma tromba de elefante). Ao sinal, o pegador sai a capturar os demais usando somente a braço que está livre (o outro continua segurando o nariz). Quem for tocado transformase também em “elefante”, ou seja, em outro pegador, adotando a mesma posição. Será vencedor o último a ser pego. Quadro 3 – Jogos motores. Fonte: TONIETTO, 2008, p. 37. Os jogos motores têm grande importância na educação, pois contribuem para o desenvolvimento global das crianças. Ele tem por finalidade proporcionar à criança o prazer de realizar determinado movimento, como, por exemplo, chutar uma bola, jogá-la e recuperá-la, entre outras. Para a criança, o movimento transforma-se em uma atividade lúdica devido à necessidade de conhecer o mundo como auxílio do corpo. Em estudos de Piaget, Brotto (2002) apresenta a possibilidade de que no, [...] Desenvolvimento físico-motor: A exploração do corpo e do espaço leva a criança a se desenvolver. Piaget considera a ação psicomotora como a precursora do pensamento representativo e do desenvolvimento cognitivo, e afirma que a interação da criança em ações motoras, visuais, táteis e auditivas, sobre os objetos do seu meio é essencial para o desenvolvimento integral. (BROTTO, 2002, p.17). A atividade motora é uma grande aliada para o trabalho com a coordenação global da criança. No desenvolvimento físico-motor, os jogos têm uma influência importante para criança, sendo estímulo para o desenvolvimento das habilidades sensoriais conectadas aos cinco sentidos, e devem ser estimuladas num trabalho integrado com outras áreas a serem desenvolvidas provocando, assim, novas interações da criança com o mundo que a cerca. Desse modo, aos jogos são atribuídos valores, que concorrem para estimular o conhecimento e raciocínio da criança. Oliveira (2005) nos mostra que: [...] O jogo é, precisamente, uma atividade que tem que ver com conteúdos e habilidades trabalhados pela criança em seu desenvolvimento no interior de uma cultura concreta. A brincadeira é o recurso privilegiado de 30 desenvolvimento da criança pequena por acionar e desenvolver processos psicológicos – particularmente a memória e a capacidade de expressar elementos com diferentes linguagens, de representar o mundo por imagens, de tomar o ponto de vista de um interlocutor a ajustar seus próprios argumentos por meio do confronto de papéis que nele se estabelece, de ter prazer e de partilhar situações plenas de emoção e afetividade. (OLIVEIRA, 2005, p. 231). Os jogos e brincadeiras ampliam também a realidade social e cultural de grupos, que auxiliam o desenvolvimento das potencialidades corporais, éticas, afetivas e emocionais das capacidades de apropriação e contribui para a formação da criança. Com o brinquedo, a criança tem a oportunidade de descobrir, inventar, experimentar, aprender, adquirir várias habilidades, enfim, estimula a criança a ter mais criatividade proporcionando a ela um bom desenvolvimento na área da linguagem, da atenção, do pensamento e da concentração. O jogo é um componente que não se pode dispensar para a aprendizagem da criança. São vários os benefícios que os pequenos podem adquirir gradativamente, neste sentido, Carvalho (1992) afirma que: [...] o ensino absorvido de maneira lúdica, passa a adquirir um aspecto significativo e afetivo no curso do desenvolvimento da inteligência da criança, já que ela se modifica de ato puramente transmissor a ato transformador em ludicidade, denotando-se, portanto em jogo. (CARVALHO 1992, p. 28). Nos aspectos significativos dos jogos, a criança tem a capacidade de delinear seus objetivos diante de suas necessidades no contexto de transformar aquilo que já adquiriu, aumentando suas capacidades. 31 5 A PSICOMOTRICIDADE NO ESPAÇO ESCOLAR Muito tem sido feito para a melhora da qualidade do ensino nas escolas, melhorias relacionadas à aprendizagem à capacitação dos profissionais, ao uso das tecnologias, enfim, na melhora da qualidade de ensino oferecido. Mas, às vezes, percebe-se que há poucas referências às atividades ligadas ao movimento psicomotor da criança no ambiente escolar. É comum que escolas adotem métodos de ordem e disciplina harmoniosas, os quais colocam os alunos de diferentes idades em limitações de movimento, tendo que se adaptarem a posturas em que a criança deve ficar quieta como, por exemplo, fila indiana, tanto dentro de sala quanto fora. Em certas atividades em sala de aula, como desenho livre ou outras, atividades em que aconteça a mudança de comportamento ou posição, podem ser vistos como indisciplina e desordem. E, para certos educadores, esta movimentação em sala de aula pode atrapalhar a concentração, dando a entender que o movimento motor atrapalha o desenvolvimento da aprendizagem. (BRASIL, 1998). Percebe-se que a psicomotricidade ainda não é um requisito adotado por algumas escolas, não é estimulado o movimento psicomotor da criança, descarta-se atividades que precisam ser bem elaboradas para que proporcione prazer para a criança ao realizá-lo. Isso ocorre principalmente pelo desconhecimento das funções pedagógicas e da confusão conceitual existente quando que trata de identificar e definir o jogo, o brinquedo e a brincadeira. Nesse sentido o Referencial Curricular (1998) aborda: É importante que o trabalho incorpore a expressividade e a mobilidade próprias às crianças. Assim, um grupo disciplinar não é aquele em que todos se mantêm quietos e calados, mas sim um grupo em que os vários elementos se encontram envolvidos e mobilizados pelas atividades propostas. Os deslocamentos, as conversas a as brincadeiras resultantes desse envolvimento não podem ser entendidos como dispersão ou desordem, e sim como uma manifestação natural das crianças. Compreender o caráter lúdico e expressivo das manifestações da motricidade infantil poderá ajudar o professor a organizar melhor a sua prática, levando em conta as necessidades das crianças. (BRASIL, 1998, p. 19). Portanto, no ensino infantil, o foco não é alfabetização. Fundamental é estimular as funções psicomotoras necessárias ao aprendizado formal da criança, pois ela é capaz de aprender quando lhe é permitido experimentar, levantar as 32 informações que são favoráveis na troca entre o ser e o mundo, por meio de diversas atividades vividas. A psicomotricidade no espaço escolar tem vários benefícios a oferecer para o desenvolvimento da aprendizagem escolar da criança, principalmente no âmbito da escrita. Esses benefícios são oferecidos através de atividades motoras para fortalecimento de funções psicomotoras, que são determinantes para a aprendizagem da escrita. A escrita, para ser bem elaborada pela criança e bem desenvolvida pela mesma, necessita desenvolver as habilidades psicomotoras complexas, demonstrado pelo conjunto de atividades motoras no que se refere à tonicidade e a coordenação dos movimentos dos dedos e da mão, que são fundamentais e imprescindíveis. Para que isso ocorra com êxito, as atividades que são aplicadas no campo necessitam de bons profissionais que estejam capacitados a aplicá-las. Em alguns casos, o professor, por falta de informação, não oferece para seus alunos atividades que desenvolvam suas capacidades psicomotoras, uma vez que, para eles, as atividades em grupo acarretam na maioria das vezes “bagunça”, principalmente em crianças de 4 a 5 anos que estão na fase de descoberta do corpo. Muitas vezes os educadores esquecem que dentro da sala de aula existem trocas de conhecimento e cultura, tanto entre alunos quanto de professor para o aluno ou do próprio aluno para com o professor. Seguindo esse pensamento Kramer em um de seus artigos afirma que: [...] Nosso maior desafio é obter entendimento e uma educação baseada no reconhecimento do outro e suas diferenças de cultura, etnia, religião, gênero, classe social, idade e combater a desigualdade; viver uma ética e implementar uma formação cultural que assegure sua dimensão de experiência crítica. É preciso compreender os processos relativos aos modos de interação entre crianças e adultos em diferentes contextos sociais, culturais e institucionais. O diálogo com vários campos do conhecimento contribui para agir com as crianças. (KRAMER apud BEAUCHAMP; PAGL; NASCIMENTO, 2007). Assim devido a falta de conhecimento e muitas vezes de formação e informação, o professor acaba por cometer certos erros que deixam as crianças sem interesse em participar de atividades desenvolvidas no espaço escolar. Esse fato prejudica o processo de socialização da criança no meio social, escolar e até mesmo familiar. 33 Pensando de outra maneira, o professor é considerado um interventor que estimula o aluno a progredir em seus conhecimentos e habilidades. Contudo, para que isso ocorra de maneira significativa, é preciso que a formação do professor estimule nele uma visão ampla para os acontecimentos em sala de aula e principalmente para perceber que não basta o aluno ficar sentado, quieto e só receber instruções de como brincar, é necessário que ele experimente cada sensação que lhe foi apresentada. O Referencial Curricular (1998) reforça: É muito importante que o professor perceba os diversos significados que pode ter a atividade motora para a criança. Isso poderá contribuir para que ele possa ajudá-las a ter uma percepção adequada de seus recursos corporais, de suas possibilidades e limitações sempre em transformação, dando-lhes condições de se expressarem com liberdade e de aperfeiçoarem suas competências motoras. (BRASIL, 1998, p. 39). Então, pode-se afirmar que o professor pode e deve auxiliar a criança em suas dificuldades, oferecendo para ela variadas possibilidades para aperfeiçoarem suas ações ao executar algumas atividades motoras sugeridas em sala de aula. É preciso registrar que há escolas que oferecem e proporcionam para os alunos o prazer de aprender ou experimentar alguma atividade lúdica. Há também aquelas crianças que, em decorrência destes estímulos vão para a escola por considerá-la um lugar divertido, alegre, cheia de jogos e brincadeiras. Esta é uma realidade muito desejada pelos professores da Educação Infantil, ter uma escola em que as crianças fiquem concentradas nas atividades oferecidas. Contudo, cabe à escola analisar se realmente este tão “sonhado ambiente” está sendo proposto para a criança ou será que fica somente no imaginário do educador? De acordo com Resende (1999): Não queremos uma escola cuja aprendizagem esteja centrada nos homens de “talentos”, nem nos gênios, já rotulados. O mundo está cheio de talentos fracassados e de gênios incompreendidos, abandonados à própria sorte. Precisamos de uma escola que forme homens, que possam usar seu conhecimento para o enriquecimento pessoal, atendendo os anseios de uma sociedade em busca de igualdade de oportunidade para todos. (RESENDE, 1999, p. 42-43). Para ofertar ensino de qualidade para as crianças, a escola, em primeiro lugar, deve observar o que está oferecendo, estimular a formação dos professores, rever o conteúdo das aulas ofertadas entre outros aspectos. A escola deve ainda mobilizar-se para oferecer atividades que favoreçam o desenvolvimento global da 34 criança, e, isto implica o desenvolvimento do esquema corporal, da lateralidade, do espaço-temporal e da estruturação espacial, que deve ser trabalhado em sala de aula através do uso de recursos didáticos cabíveis ao desenvolvimento das potencialidades de cada um, como veremos a seguir: 5.1 Esquema corporal O desenvolvimento do esquema corporal permitirá ao indivíduo, conhecer a si mesmo e o meio que o cerca de forma organizada e eficaz. As coisas que estão ao seu redor são sempre percebidas através do seu corpo. Para Alves (2003): Antes do corpo criança vai descobrir o mundo, experimentando sensações, vivenciando situações diversas, expressando e percebendo as coisas a sua volta. À medida que se desenvolve, ela vai ampliando suas percepções e controlando seu corpo através de interiorização das sensações. (ALVES, 2003, p. 49). Na ampliação de seus conhecimentos de corpo, a criança consegue perceber e principalmente reconhecer suas diferenças em relação a outros seres, tornando-se fácil o reconhecimento dos elementos que o cercam. As ligações afetivas, emocionais e cognitivas são equilibradas através destas percepções, que auxiliam o desenvolvimento de sua inteligência. 5.2 Lateralidade Oliveira (1997, p. 62) define a lateralidade como sendo a “propensão que o ser humano possui de trabalhar preferencialmente mais um lado do corpo do que o outro em três níveis: pé, mão e olho.” O trabalho com o corpo acontece de modo que, um lado que apresenta maior força muscular, rapidez e precisão, realiza a ação principal que acaba sendo auxiliada e complementada pelo outro lado. Contudo, Rezende et al. (2003) afirmam que, [...] geralmente acontece a confusão da lateralidade com a noção de direita e esquerda, que está envolvida com o esquema corporal. A criança pode ter a lateralidade adquirida, mas não saber qual é o seu lado direito e esquerdo, ou vice-versa. No entanto, todos os fatores estão intimamente ligados, e quando a lateralidade não está bem definida, é comum ocorrerem problemas na orientação espacial, dificuldade na discriminação e na diferenciação entre os lados do corpo e incapacidade de seguir a direção gráfica. (REZENDE et al., 2003, p. 6). 35 O domínio da lateralidade facilita a discriminação de direção como direita e esquerda e promove a estabilidade e o equilíbrio postural, o que auxilia a criança a perceber seus movimentos corporais. Para Le Boulch (apud COSTE, 1992 p. 60) “a dominância é fundamental, vinculada à própria experiência da criança, ao seu amadurecimento e à elaboração do esquema corporal.” É importante visar também, que a lateralização é a base espacial, fazendo com que a criança tenha uma orientação do mundo que a rodeia. 5.3 Espaço-temporal Na estruturação do tempo a criança tem várias noções temporais, como: antes, depois, manhã, tarde e noite, ontem e amanhã, entre outros, segundo Coste (1978): O desenvolvimento da estruturação temporal, [...] o desenvolvimento da linguagem da criança é um fator essencial dessa estruturação: o emprego de pronomes (eu, tu, ele), de verbos auxiliares, sobretudo (ser e ter) e de tempos (presente, imperfeito, futuro) torna possível, simultaneamente , que ela manifeste a aquisição da temporalidade: - reconhecer um dia da semana (quarta-feira, domingo): 4 anos; - “manhã”, “tarde”: 5 anos. (COSTE, 1978, p. 58). Na estruturação temporal é estabelecida uma cronologia na qual há termos que designam uma localização mais precisa dessa estruturação, e no desenvolvimento corporal esta estruturação temporal é necessariamente essencial à utilização de uma linguagem bem elaborada pela criança. Já na estruturação do espaço, Coste (1978) nos diz que: Toda a nossa percepção do mundo é uma percepção espacial, na qual o corpo (que não se reduz, nem para o interior, nem para o exterior, à superfície da pele) é o termo de referencia. [...] O espaço da criança é inicialmente muito limitado, reduzindo às suas impressões táteis. [...] O mundo espacial da criança constrói-se paralelamente ao seu desenvolvimento psicomotor, à medida da crescente eficácia de sua gestualidade e da crescente importância dos fatores relacionais que criam o espaço da comunicação. (COSTE, 1978, p. 58-59). O desenvolvimento da percepção do espaço parte do princípio de que a criança é capaz de perceber o mundo em sua volta, que ela possa trazer para si mesma, noções que permitam construir seu próprio espaço e paralelamente desenvolver a sua capacidade psicomotora, ligada a fatores que criam o espaço da 36 comunicação. O espaço-temporal passa a ser bem elaborado pela criança quando acontece uma ordenação de acontecimentos que não ultrapassem os seus limites. A interação do tempo e espaço é conhecida como espaço-temporal, é o que nos faz entender que o esquema corporal se desenvolve através dela. No espaço temporal a criança começa a compreender melhor e ter mais noções de ordenação como: primeiro, último, antes, depois, durante, etc. a partir de 4 a 5 anos. Conforme De Meur e Staes (1983, p. 122), “a criança não distingue ainda o tempo subjetivo e o tempo objetivo. Para ela é importante que vivencie situações com vários tempos de execução para que comece a perceber o tempo longo, curto, e situações rápidas e lentas”. Contudo, o trabalho com a orientação temporal é muito rico para a criança, pois ele melhora consideravelmente a coordenação motora ampla e a percepção de noções de duração e sucessão dos sons no tempo. Para que a criança possa melhorar/ampliar seu desenvolvimento cognitivo, ela antes de tudo, deve construir o conceito de estruturação temporal, pois com ela, a criança adquire elementos básicos, resultantes de suas vivências corporais. Dentre os principais conceitos adquiridos a partir da estruturação temporal da criança está a simultaneidade – ela se refere a movimentos que requerem uma boa coordenação, ordem e sequência – a criança classifica certas imagens numa ordem cronológica e lógica, na qual ela percebe e memoriza o antes, o depois, o primeiro e o último. 5.4 Estruturação espacial A estruturação espacial está ligada ao nosso convívio social, podendo considerar que através dela situamos, observamos, fazemos várias combinações e comparações. A criança percebe a posição de seu corpo no espaço a partir de suas vivências, que passam a ser o ponto principal para que a tomada de consciência da situação corporal no meio em que ela vive esteja assim totalmente relacionada aos movimentos e aos objetos. Em seguida, a posição dos objetos em relação à criança e por último a relação dos objetos entre si. A construção dos conceitos espaciais parte da forma como interpretamos as informações sensoriais. Assim, os conceitos espaciais e as noções de situação são gradativamente assimilados pela criança implicando as noções de situação (alto, 37 embaixo, dentro, fora), de tamanho (fino, grosso, estreito, largo, médio, pequeno), de forma (retângulo, círculo, quadrado, triângulo), de posição (deitado, em pé, ajoelhada, agachado), de movimento (subir, descer, dobrar, estender, empurrar, puxar, levantar, abaixar), ou qualidade (inteiro, metade, pouco, muito, cheio, vazio) de volume e de superfícies. A estrutura espacial nos organiza perante o mundo de modo que nos antecipa de situações em nosso meio social. É, portanto, um componente na nossa vida. As crianças de 4 anos a 5 anos e meio conseguem ter uma estruturação espacial simples, que proporciona para ela uma melhor visualização de: pouco, muito, deitar, em pé, redondo, quadrado, perto, em redor, entre outras. 38 6 CONCLUSÃO Após todo o estudo das obras de grandes teóricos e autores citados neste trabalho, conclui-se que a psicomotricidade visa a privilegiar a qualidade de vida da criança em suas relações entre o corpo e os movimentos com a finalidade de associar dinamicamente o ato e o pensamento, o gesto à palavra, o símbolo ao conceito, pois a psicomotricidade é uma função integradora, através da qual alcançamos o controle corporal, cognitivo e social. O trabalho com a psicomotricidade no espaço escolar utilizando jogos e brinquedos, contribui para o desenvolvimento adequado do corpo e com eles, vem a proposta para a melhoria do desempenho da escrita. Constata-se que a utilização dos jogos se torna um valioso instrumento nas escolas para ativar o desenvolvimento infantil. No primeiro capítulo discutiu-se o desenvolvimento da criança de 4 a 5 anos. Como o desenvolvimento das áreas afetivas, motoras e cognitivas são importantes para a evolução do ser, principalmente a criança. A ênfase dada no 2º capítulo justifica-se porque foram abordados os objetivos, conceitos da importância da psicomotricidade. A relação dela com o corpo para o desenvolvimento corporal da criança. Já o terceiro capítulo procurou apontar a visão da contribuição dos jogos para o desenvolvimento da psicomotricidade. A maneira como os jogos são importantes para estimulação do desenvolvimento da criança, principalmente na área social e cultural da mesma. O quarto capítulo nos permitiu ter uma visão ampla de como está sendo trabalhada a psicomotricidade no espaço escolar, bem como os desafios enfrentados pelos professores, a qualidade do ensino ofertado e como são oferecidas as atividades para os alunos. Esta sequência nos permitiu ter uma visão ampla de como a psicomotricidade contribui para o desenvolvimento global da criança, nos aspectos motores, cognitivos e sociais. E que a utilização de recursos, como os jogos, pode favorecer o desenvolvimento da psicomotricidade em crianças de 4 a 5 anos. A proposta de termos uma escola que ofereça um ensino de qualidade e que proporcione à criança oportunidades, de cada vez mais, descobrirem o mundo ao seu redor, implica ter os professores convocados a intervir na busca de um mundo 39 de fantasia, de prazer, de vários outros sentimentos. Mundo este, que alimenta a curiosidade da criança em explorar seu corpo, que estimula a sua capacidade de movimentar-se, enfim, é o professor que ensinará a criança a utilizar todos esses conceitos explorados através da psicomotricidade. Este estudo tem intenção de instigar os educadores a verem seus educandos com outro olhar. Que eles possam entender que brincadeiras, jogos, e as atividades em grupo e que englobam o trabalho da psicomotricidade no ambiente escolar, não são considerados como “bagunça”, mas um trabalho que possibilita à criança interagir com seu próprio mundo, pois é direito da criança poder fantasiar no mundo de um faz de conta, e dever da escola possibilitar e conduzir este processo existencial. Este assunto não se esgota aqui. Há muito a ser discutido e proposto. Esta é apenas uma pequena contribuição para alargar os horizontes das discussões sobre o papel da psicomotricidade nas instituições que atendem alunos da Educação Infantil. Educar é um ato consciente e planejado. Para que o ensino-aprendizado seja de qualidade nas escolas, principalmente no que se refere à psicomotricidade, os professores devem estar preparados para proporcionar às crianças um desenvolvimento significativo, oferecendo jogos e brincadeiras que estimulem e contribuam para o desenvolvimento infantil. 40 REFERÊNCIAS ALVES, Fátima. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: Wak, 2003. ARAÚJO, Vania Carvalho. O jogo no contexto da educação psicomotora. São Paulo: Cortez, 1992. BEAUCHAMP, Sandra; PAGL, Denise; NASCIMENTO, Aricélia Ribeiro do. Ensino fundamental de noves anos: orientações para a inclusão da criança de seis anos de idade. Brasília: Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica, 2007. BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998. BROTTO, Fábio Otuzi. Jogos cooperativos: O jogo e o Esporte como um exercício de convivência. Santos: Projeto Cooperação, 2001. 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