UNIVERSIDADE PRESIDENTE ANTONIO CARLOS – UNIPAC FACULDADE DE FILOSOFIA, CIÊNCIAS E LETRAS GEOGRAFIA E MEIO AMBIENTE VEREDIANA CAMILA RIBEIRO NORMAS ISO14000: UM ESTUDO SOBRE A INSERÇÃO DA QUESTÃO AMBIENTAL NO CAMPO DA GESTÃO EMPRESARIAL. BARBACENA 2011 VEREDIANA CAMILA RIBEIRO NORMAS ISO14000: UM ESTUDO SOBRE A INSERÇÃO DA QUESTÃO AMBIENTAL NO CAMPO DA GESTÃO EMPRESARIAL. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Bacharel em Geografia e Meio Ambiente da Universidade Presidente Antonio Carlos - UNIPAC, como requisito parcial do titulo de Bacharel em Geografia. Orientador: Professora Vânia Pereira Quintão BARBACENA 2011 VEREDIANA CAMILA RIBEIRO NORMAS ISO14000: UM ESTUDO SOBRE A INSERÇÃO DA QUESTÃO AMBIENTAL NO CAMPO DA GESTÃO EMPRESARIAL. Monografia apresentada à Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC, como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Geografia e meio Ambiente. BANCA EXAMINADORA ______________________________ Profª. Vânia Pereira Quintão Universidade Presidente Antonio Carlos - UNIPAC ______________________________ Prof. Bernardino Neves Junior Universidade Presidente Antonio Carlos - UNIPAC ______________________________ Prof. Renato Kneipp Duarte Universidade Presidente Antonio Carlos - UNIPAC Aprovada em: ____/____/____ Aos meus pais, Ivan e Nina meus ídolos, pela orientação e amor incondicional, em todas as fases da minha vida, e pelo esforço incansável para garantir meu sucesso profissional e como ser humano. A meu noivo Martinelli pelo companheirismo e apoio em todos os momentos. E a cada pessoa que, a sua maneira, contribuiu com este trabalho. RESUMO A existência de qualidade ambiental tem sido uma preocupação das empresas mesmo que não haja interesse em certificação por normas. Assim como a adesão aos princípios da qualidade total pelas empresas de forma voluntária, tudo indica que o mesmo processo pode vir a se aplicar a questão ambiental. As empresas que se adaptarem aos novos tempos terão vantagens, já que a preocupação ecológica atualmente é vista como um fator estratégico de competitividade. Demonstrar qualidade ambiental é um item considerado importante pelos clientes, que estão cada vez mais bem informados e motivados com os temas ambientais. O modelo ISO 14000 é o modelo mais recente, mais utilizado mundialmente e o melhor modelo existente atualmente para o SGA. Por utilizar ferramentas gerenciais efetivas tornou a gestão ambiental mais integrada com as decisões de negócios, podendo-se então afirmar que a Norma ISO 14000 agregou valor a gestão empresarial. Palavras-chave: ISO 14000. Certificação. Qualidade Ambiental. Sistema de Gestão Ambiental ABSTRACT The existence of environmental quality has been a concern of the companies even though there is interest in standards for certification. Just as adherence to the principles of total quality companies on a voluntary basis, it seems that the same process might apply to environmental issues. Companies that adapt to the changing times have advantages, since the ecological concern is now seen as a strategic factor of competitiveness. Demonstrate environmental quality is an important item considered by customers who are increasingly well informed and motivated by environmental issues. The ISO 14000 model is the latest model, the most used worldwide and the best model available today for the EMS. By using effective management tools become more integrated environmental management with business decisions, and we can therefore say that the ISO 14000 added value to business management. Keywords: Certification. Environmental Quality. Environmental Management System LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1: Ciclo do PDCA ........................................................................................... 19 Figura 2: Modelos de selos ........................................................................................... 26 Quadro 1: Requisitos do SGA conforme a norma NBR ISO 14001:2004 ........................ 20 Quadro 2: principais avanços do SGA segundo a Norma 14001:1996 e 2004 Quadro3: Numero de Certificações ISO 14001 no mundo e no Brasil ............ 22 ........................ 23 Quadro 4: Etapas e Impactos Ambientais que devem ser avaliados ................................. 28 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas ACV – Avaliação do Ciclo de Vida BNDES - Banco Nacional do Desenvolvimento BSI - British Standards Institution BVQI – Bureau Veritas Quality International CNI – Confederação Nacional das Indústrias EMAS – Eco-Management and Auditing Scheme GATT – General Agreement on Tariffs and Trade ISO - International Organization for Standardization MMA/SPDS - Ministerio do Meio Ambiente. Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável ONGs – Organizações Não Governamentais P+L – Produção Mais Limpa PDCA – Planejamento, Execução, Verificação e Ação PROCON – Procuradoria de Proteção e Defesa do Consumidor SAGE - Strategic Advisory Group on the Environment SC – Subcomitês SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas SETAC – Society of Environmental Toxicology and Chemistry SGA – Sistema de Gestão Ambiental TC – Comitê Técnico TQEM - Gestão da Qualidade Ambiental Total WG – Grupos de Trabalho SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ............................................................................................................... 9 2. REFERENCIAL TEORICO ......................................................................................... 10 2.1 A SITUAÇÃO DAS EMPRESAS FRENTE À QUESTÃO AMBIENTAL ................. 10 2.2 A ISO E SUAS CARACTERISTICA E ASPECTOS ................................................... 17 2.3 ROTULAGEM E AVALIAÇÃO DO PRODUTO ....................................................... 25 2.4 EXEMPLOS POSITIVOS DE SGA EM EMPRESAS SITUADAS NO BRASIL ...... 30 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 32 4. REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 33 9 1 - INTRODUÇÃO A expansão dos diversos setores de produção, prestação de serviços, o crescimento econômico e o desenvolvimento tecnológico ocorridos nas últimas décadas proporcionaram muitos benefícios à sociedade como um todo. Porém, unidos ao rápido crescimento populacional e ao comportamento inadequado de consumo, resultaram em consequências indesejadas. A poluição ambiental associada a estes fatos gerou um difícil problema a ser resolvido. A grande quantidade de resíduos que foi e continua sendo depositada no meio ambiente alertou de vez o mundo para o risco iminente que corremos e às incertezas futuras. Empresas investiram e têm investido em procedimentos e processo para a gestão ambiental, especialmente em práticas de planejamento e controle se sistemas de gestão ambiental. Atualmente existem inúmeros modelos, instrumentos e ferramentas de gestão ambiental, há uma concordância de que não existe um modelo ou padrão único que sirva a todas as empresas porque seu comportamento socioambiental difere de organização para organização. Diante do estágio de maturidade e resposta de cada organização diversas classificações surgiram apara avaliar a gestão ambiental empregada, desde a reativa até as mais pró-ativas. A Norma ISO 14000 é uma norma de cunho voluntário considerado o mais consagrado na atualidade, baseado em uma série de boas práticas e ferramentas ambientais e tem como premissas básicas o cumprimento da legislação aplicável e a melhoria contínua. Ela oferece para as organizações o atendimento à crescente demanda da sociedade e do mercado com os aspectos relacionados à poluição e ao uso de recursos naturais. A implantação de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) traz para a empresa, além da certificação perante a norma ISO 14001, a melhoria da imagem junto aos diversos setores sociais e a garantia de um programa contínuo de aprimoramento do desempenho ambiental e organizacional, com conseqüente racionalização dos custos, agregando valores aos negócios da empresa. Este trabalho é baseado em revisões bibliográficas, realizada através de consulta às normas internacionais da série ISO 14000 e suas inter-relações, e às diversas fontes acadêmicas, como livros, monografias e acessos à interne, que contemplam a implantação de um SGA baseado na Norma ISO 14000, seus conceitos e fundamentos específicos. Quanto à estrutura deste trabalho, ele está dividido em quatro capítulos que inclui um breve histórico da situação das empresas frente à questão ambiental, a ISO e suas características e aspectos, rotulagem e avaliação do produto e por fim exemplos positivos de SGA em empresas. 10 2 - REFERÊNCIAL TEÓRICO 2.1 A SITUAÇÃO DAS EMPRESAS FRENTE À QUESTÃO AMBIENTAL Sem dúvida alguma a Revolução Industrial foi o marco para o início das ações de combate a poluição, o nível de poluentes despejados no ar, nas águas e no solo tornou-se inaceitável. Catástrofes ambientais de grande proporção como Minamata no Japão, Seveso na Itália, Chernobyl na então União Soviética, Bopal na Índia, Exxon Valdez no Alasca, dentre outros contribuíram para que a preocupação com o meio ambiente atingisse todos os níveis da população mundial. A percepção, de que a degradação ambiental já estava passando a causar graves problemas de saúde ficou evidenciado por um evento ocorrido na Inglaterra, região de Londres, entre 4 e 13 de dezembro de 1952. Nessa época grande parte das indústrias, sobretudo as de geração de energia elétrica, e residências, usavam carvão para produção de energia que, em sua queima, sem posterior tratamento dos gases, emitia grande quantidade de enxofre e material particulado na atmosfera, ocasionando um fenômeno denominado “smog” - contração das palavras “smoke” e “fog”. [...] Cerca de 8.000 pessoas faleceram como conseqüência direta do smog. [...] Foi a primeira constatação cientifica relacionada a um determinado tipo de poluição a perdas de vidas humanas [...] (MOURA, 2008, p. 2-3) A preocupação com o meio ambiente pode ser observada ao longo dos tempos através de ações ou manifestações que visavam sua proteção frente às ações humanas. Entretanto somente nas última três décadas do século XX é que ela tornou-se efetiva no campo governamental e em vários segmentos da sociedade civil em diversos países. A maioria destas manifestações a princípio foi estimulada pela escassez dos recursos naturais, o que para Acot (1990) trata-se de um fenômeno denominado como “proteção dos gerentes” visto que não resultou da preocupação com a preservação da natureza e sim da preservação dos recursos para sua utilização. Mesmo com a existência de empresas que sempre buscaram práticas ambientalmente saudáveis, essa preocupação no setor empresarial ainda é recente. Não se transformou em prática administrativa operacional ativa, visto que se isso já estivesse ocorrendo certamente a intensidade dos problemas ambientais atuais não seria a mesma. Para caracterizar o processo de amadurecimento do mundo empresarial frente às questões ambientais podemos dividí-lo em três fases. A primeira delas seria a fase negra onde a degradação ambiental era considerada uma etapa necessária para garantir o conforto do homem, e o pensamento ecológico era visto como radical ou exibicionista restrito a grupos seletos da sociedade. A segunda a fase reativa buscava a redução dos impactos ambientais e adequação à legislação para evitar ou reduzir as penalidades afins, pensamento que ainda 11 persiste em muitas organizações. E por fim a fase pró-ativa ainda muito mais recente, que posiciona o meio ambiente como estratégia do negócio e fator de sucesso na gestão empresarial. Conforme Vilela Júnior e Demajorovic (2006) as empresas pró-ativas, por sua vez, enxergam na crescente preocupação da sociedade com o meio ambiente uma nova oportunidade de negócio e vão além das leis e reagindo incorporando o marketing verde, como forma de preservar sua imagem conquistando a simpatia de seus consumidores diante de denúncias e ataques de grupos de pressão, movimentos e ONGs ambientalistas. Essa declaração é confirmada quando também cita em sua obra uma pesquisa realizada pelo BNDES, CNI e SEBRAE com empresas de vários segmentos e tamanhos onde ficou clara que as principais razões para a adoção de práticas de gestão ambiental é para estar em conformidade com a política social da empresa relacionada á preocupação com a imagem. Atualmente não existe uma área que não seja contemplada pela preocupação com a preservação da natureza, com isso é necessária para uma gestão ambiental eficaz a abertura à inúmeras influências e propostas para se chegar as soluções que melhor se aplicam a cada caso. Como se verá, os problemas ambientais, por mais variados que sejam, decorrem do uso do meio ambiente como fonte de recursos para a produção da subsistência humana e como recipiente de resíduos da produção e consumo, problemas que são agravados pelo modo como os humanos concebem a sua relação com a natureza. Qualquer solução efetiva para os problemas ambientais terá necessariamente que envolver as empresas, pois são elas que produzem e comercializam a maioria dos bens e serviços colocados a disposição da sociedade em praticamente todos os cantos do Planeta. (BARBIERI, 2007, p. 2) O papel das empresas na promoção de um desenvolvimento que respeite o meio ambiente não está restrito apenas a necessidade de resolver os problemas ambientais provocados por elas e acumulados ao longo dos anos em decorrência das suas atividades. Mas também na intensificação da sua influência em todas as esferas da atividade humana. Daí a emergência de uma nova compreensão da responsabilidade social empresarial que rejeita a velha fórmula que se satisfazia em produzir bens e serviços dentro da lei. Qualquer proposta de gestão ambiental além de incluir as dimensões ambientais, espaciais e institucionais apresenta principalmente a dimensão filosófica que retrata diversos posicionamentos quanto a relação entre o homem e a natureza, sendo ela a responsável pela formação do perfil da política ambiental da empresa. Entre os posicionamentos mais extremistas, representados em uma ponta pelos que consideram que o importante é satisfazer as necessidades humanas se restringindo apenas em seguir as legislações e na outra ponta representados pelo que defendem a equidade biológica levando em conta que a Terra é finita e 12 que assim o crescimento econômico também deve ser finito, encontram-se as abordagens socioambientais que reconhecem o valor intrínseco da natureza, mas admitem que ela deva ser usada para atender às necessidades humanas presentes e futuras e, por isso, buscam sistemas de produção e consumo sustentáveis, entendidos como aqueles que procuram atender as necessidades humanas respeitando as limitações do meio ambiente, que não são estáticas e que o ser humano pode e deve ampliar para atender a todos. Para Barbieri (2007) os modelos de gestão ambiental e seus instrumentos devem ser vistos como meios para alcançar o desenvolvimento sustentável. Assim onde se lê gestão ambiental, entende-se gestão socioambiental, onde os objetivos dessas práticas é melhorar a qualidade de vida para todos, tanto para os atuais quanto para os futuros habitantes do Planeta. Donaire (1999) acrescenta que a questão ambiental dentro das organizações e o crescimento de sua importância ocorrem a partir do momento em que a empresa se da conta de que essa atividade, ao invés de só lhe propiciar despesas, pode-se transformar em uma excelente oportunidade de redução de custos. Algumas empresas têm demonstrado que é possível ganhar dinheiro e proteger o meio ambiente mesmo não sendo uma organização que atua no “mercado verde”, desde que as empresas possuam certa dose de criatividade e condições internas que possam transformar as restrições e ameaças ambientais em oportunidades de melhoria. Levando em consideração os posicionamentos citados anteriormente e as fases pelas quais o mundo empresarial vem passando é possível compreender quando MOURA (2008) classifica as empresas em quatro categorias distintas. A primeira apresenta as empresas que nada fazem com relação à proteção ao meio ambiente, visto que suas atividades geram poucos impactos. A segunda apresenta as que se limitam a cumprir os padrões mínimos exigidos por lei. A terceira é representada pelas empresas que procuram uma atuação cada vez mais significativa com setores dedicados a questões ambientais. E por fim a quarta que possuem um excelente desempenho ambiental e busca a certificação de acordo com normas ambientais. Segundo Vilela Júnior e Demajorovic (2006) depois de décadas de uma adaptação resistente, na qual as empresas adotaram medidas para mitigação de danos impulsionados por uma legislação mais rigorosa em conjunto com a pressão social, foram abertas inúmeras possibilidades para a concretização de novas estratégias e ferramentas de gestão ambiental. As empresas se tornaram responsáveis tanto por acordos multilaterais entre os países a fim de resolver os problemas ambientais globais como, por exemplo, o aquecimento global, a destruição da camada de ozônio e a proteção da biodiversidade como por decisões corriqueiras do dia a dia de milhões de pessoas em todas as partes do mundo. 12 9 13 Verificam-se atualmente, novas relações comerciais entre as nações, com grandes mudanças na economia global. A partir de uma situação em que os países agiam isoladamente ou procuravam ao máximo sua autonomia, vive-se hoje um clima de integração, com a atuação de blocos. (MOURA, 2008, p. 28) A partir dos anos 60 é que se começou a mudar a situação de descaso às emissões de poluentes, influenciados pela poluição do meio ambiente em muitos países industrializados, sendo considerada como a década da conscientização. Mas somente a partir da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano realizada em Estolcomo em 1972, é que a legislação ambiental começa a crescer vertiginosamente onde a maior contribuição foi vincular as questões ambientais às do desenvolvimento. Sem dúvida alguma a nova postura empresarial depende da condução de políticas publicas ambientais apropriadas. Nesse período também surgiram nas corporações transnacionais os modelos mais estruturados de gestão ambiental, em busca de melhores desempenhos ambientais, assim a década de 70 ficou conhecida como a década da regulamentação e do controle ambiental. O crescimento dos movimentos ambientalistas tomou força com a conscientização de uma parcela cada vez maior da população quanto às questões ambientais devido aos elevados graus de degradação observados em varias partes do Planeta, somados a evolução dos meios de comunicação. Um fator importante observado por Moura (2008) é à força dos movimentos ambientalistas compostos por mais de 50 milhões de pessoas, onde a maioria oriunda de países ricos que por terem suas outras necessidades básicas atendidas colocam a preservação ambiental como uma questão prioritária e com isso pressionam as empresas e governos para que realizem investimentos que resultem em melhorias ambientais. Em contra partida durante a Conferência das Nações Unidas em 1972, as exigências dos países ricos de padrões mais rígidos para a redução de poluentes foi visto como um freio ao desenvolvimento dos países pobres, ou melhor, em desenvolvimento, gerando divergências quanto à visão dos problemas ambientais, inclusive pelo Brasil que demonstrou não se preocupar com a degradação ambiental para manter seu crescimento. Barbieri (2007) cita o crescente envolvimento das ONGs que garantem que as resoluções e recomendações de acordos ambientais não acabem esquecidas pelos governantes, além de desenvolverem modelos de gestão ambiental e auxiliando sua implantação em diversas empresas. Moura (2008, p.36) ainda acrescenta que: “Os movimentos ecológicos tem tido atuação ativa, obrigando as empresas a adequar seus processos aos novos requisitos, eventualmente levando as empresas a situações de difícil resposta.” 14 Os desafios encontrados na implantação de um SGA estão sendo transformados em oportunidades na medida em que essas novas ferramentas possibilitam não apenas a redução de riscos socioambientais associados à ação empresarial, mas também em alavancar ganhos de imagem, de produtividade, de mercado que em última instância, se traduzem em ganhos de sustentabilidade empresarial. A existência de qualidade ambiental tem sido uma preocupação das empresas mesmo que não haja interesse em certificação por normas. [...] Por outro lado, as empresas que se adaptarem aos novos tempos terão vantagens competitivas, já que a preocupação ecológica é hoje vista como um fator estratégico de competitividade. (MOURA, 2008, p.32) Segundo Barbieri (2007) se não houvesse pressões da sociedade e medidas governamentais, não se observaria o crescente envolvimento das empresas em matéria ambiental. Ou seja, as principais forças indutoras para a prática da Gestão Ambiental são as pressões políticas influenciadas fortemente pela sociedade civil através de denuncias; as pressões do mercado, onde as questões ambientais passam a ter importância na competitividade entre os países e suas empresas; sem falar da pressão vinda dos investidores preocupados com os riscos de seus investimentos; e do setor de seguros preocupados com sinistros ambientais que podem atingir proporções vultosas; e principalmente dos consumidores em busca de produtos cada vez mais ambientalmente saudáveis. De modo análogo à evolução da gestão da qualidade, a fase inicial da gestão ambiental empresarial também é de caráter corretivo, por estar focada nos efeitos e não nas causas. No segundo momento as soluções para os problemas ambientais eram vistas como meios para aumentar a produtividade com revisão dos processos e dos produtos. Por fim na etapa mais avançada a empresa passa a considerar as questões ambientais como estratégicas, seja minimizando problemas que poderiam comprometer a competitividade da empresa, seja capturando oportunidades mercadológicas. Porém o tipo de abordagem e modelo de gestão ambiental está relacionado em muitos aspectos com as posturas adotadas pelas empresas diante dos problemas ambientais gerados por elas, com a legislação à qual estão sujeitas e com suas respostas com respeito a essas iniciativas. Os tipos de abordagens citados abaixo também podem ser vistos como fases de um processo de implementação gradual de praticas ambientais em uma empresa. Para o Controle da Poluição deve se preocupar em cumprir a legislação e responder as pressões da sociedade. Com um envolvimento esporádico da alta administração e ações confinadas nas áreas geradoras da poluição apresenta uma postura reativa, com ações 15 corretivas frente aos problemas causados fazendo uso de tecnologias de remediação e de controle no final do processo o que gera um custo adicional a empresa. A Prevenção da Poluição já apresenta uma redução do custo e aumento da produtividade, visto que busca uma atuação reativa e pro-ativa com o uso eficiente dos insumos, com conservação ou chegando até mesmo a sua substituição. Fazendo uso de tecnologias limpas e integração de vários setores da empresa. E por fim a Estratégica onde a preocupação básica está na competitividade. O permanente e sistemático envolvimento da alta direção faz com que seja disseminada e ampliadas as atividades ambientais para toda a cadeia produtiva, através de tecnologias limpas, ações corretivas, preventivas e antecipatórias, capturando oportunidades de melhoria a médio e longo prazo. Já os modelos de gestão ambiental vão implementar a abordagem orientando uma empresa em como ela deve realizar sua atividades administrativas e operacionais para alcançar objetivos definidos. A adoção de um modelo é fundamental ao passo que as atividades serão desenvolvidas por diferentes pessoas, em diversos momentos e locais e sob diferentes modos de ver as mesmas questões. A Gestão da Qualidade Ambiental Total (TQEM) que propõem a extensão dos princípios e praticas da gestão da qualidade total mobilizando a organização, seus clientes e parceiros quanto às questões ambientais. Esse modelo depende de um esforço contínuo para manter a motivação inicial. A Produção Mais Limpa (P+L) que baseia-se na estratégia ambiental preventiva aplicada de acordo com uma seqüência de prioridades cuja a primeira é a redução de resíduos e emissões na fonte. Com a atenção concentrada sobre a eficiência operacional possibilita a substituição de materiais perigosos e a minimização de resíduos. Porém depende de desenvolvimento tecnológico e de investimentos para a continuidade do programa em longo prazo. A Ecoeficiência que faz com que os recursos ecológicos sejam usados para atender às necessidades humanas de forma eficiente. Reduz a intensidade de materiais e energia em produtos e serviços utilizando recursos renováveis e alongando a vida útil dos produtos. Como ressalta Barbieri (2007) os modelos de gestão ambiental são considerados uma espécie de acordos voluntários estabelecidos entre as empresas e a sociedade, pois eles trazem componentes pró-ativos no tratamento das questões ambientais pertinentes e vai além do que a legislação exige, onde cada um busca atingir sues objetivos sob diferentes abordagens. 16 Acordos internacionais, boicotes às importações, certificações de produtos e processos, e os chamados “selos verdes” são algumas das exigências e barreiras, que o cenário atual impõe para a sobrevivência empresarial. Vilela Júnior e Demajarovic (2006) acreditam que visando desenvolver e consolidar um conjunto de padrões e indicadores aceitáveis e auditáveis no que se refere aos aspectos ambientais e sociais foram desenvolvidas ferramentas de gestão e criados normas e padrões internacionais, por órgãos e instituições específicas, principalmente organizações não governamentais e organismos multilaterais. Dentre essas se destacam a Norma ISO 14000 que certifica empresas por sua capacidade gerencial e pelo respeito ao meio ambiente, ajudando as organizações a diferenciar os seus negócios de forma ambientalmente responsável e a melhorar sua imagem junto aos diversos setores sociais garantindo um programa contínuo de aprimoramento do desempenho ambiental e organizacional, com conseqüente racionalização dos custos, agregando valores aos negócios da empresa. 2.2 A ISO E SUAS CARACTERISTICA E ASPECTOS A International Organization for Standardization (ISO) é a principal instituição de normalização formada por vários órgãos internacionais, criada em 1947 com sede em Genebra na Suíça, com o objetivo de desenvolver a normatização e atividades relacionadas para facilitar as trocas de bens e serviços no mercado internacional e a cooperação entre os países nas esferas cientificas, tecnológicas e produtivas. No Brasil a ISO é representada pela ABNT que é o único organismo normalizador do país, uma exigência para fazer parte da ISO, e um dos sócios fundadores com assento garantido no seu Conselho Superior. Dentre as iniciativas de auto-regulamentação estão as normas voluntarias sobre SGA que começaram a ser elaboradas de modo mais intenso a partir de meados da década de 1990. O surgimento dessas normas se deve aos seguintes fatores: crescimento da influencias das ONGs que atuam nas áreas do meio ambiente e correlatas; aumento do contingente de consumidores responsáveis, ou consumidores verdes, que procuram cada vez mais utilizar produtos ambientalmente saudáveis; intensificação dos processos de abertura comercial, expondo produtores com diferenças pronunciadas de custos ambientais e sociais a uma competição mais acirrada e internacional; e restrições à criação de barreiras técnicas para proteger mercados dentro da lógica da globalização. Essas restrições foram ampliadas com a aprovação do tratado de Marrakech de 1994, que encerrou a Rodada Uruguai de negociações comerciais multilaterais no âmbito do Gatt e criou a Organização Mundial do Comercio. (BARBIERI, 2007, p. 158) Segundo Cajazeira (1998) o desenvolvimento de SGA, de maneira normatizada devese, sobretudo a uma resposta com relação às crescentes dúvidas sobre a proteção do meio 17 ambiente. Assim as indústrias do mundo inteiro foram buscar uma resposta que tanto pudesse ser útil aos negócios quanto contribuísse para a melhoria do desempenho ambiental. Um fator decisivo na escolha de uma norma é a credibilidade. Pesquisas indicam que as pessoas não acreditam nos empresários, assim surge à idéia de sintetizar as boas práticas de gestão em uma norma para que essa organização possa ser auditada por uma terceira parte e assim certificada. A primeira norma sobre SGA foi a BS 7750 criada em 1992 pelo British Standards Institution (BSI) e adotada como base para o modelo europeu de SGA, porém ela foi cancelada em 1997 após a publicação das normas internacionais da ISO 14000. Embora não mais publicada é de importância inquestionável por ter sido a primeira norma sobre o assunto. Conforme Barbieri (2007) com a proliferação de normas ambientais criadas por órgão de normalização de alguns países após a criação da norma BS 7750, em 1992, como, por exemplo, o EMAS da União Européia em 1993, a norma CSA Z750 de 1994 no Canadá e a UNE 77801 na Espanha, nesse mesmo ano, a ISO criou em 1991 um grupo de estudos de assessoria denominado Strategic Advisory Group on the Environment (Sage) para estudar os impactos dessas normas ambientais sobre o comercio internacional, antecipando os problemas decorrentes da criação de várias normas sobre SGA, que ao invés de contribuir poderiam funcionar como obstáculos ao comércio internacional. Assim ao final de 1992 foi recomendada pelo Sage a criação de um comitê específico para preparação de normas sobre gestão ambiental, o Comitê Técnico 207 (TC 207) para a elaboração de uma série de normas sobre gestão ambiental e suas ferramentas para as empresas. Ele ainda explica que o TC 207 é composto por subcomitês (SC), que são independentes e administrados por uma entidade nacional de normalização membro da ISO, e por grupos de trabalhos (WG) com suas respectivas áreas temáticas. Para o desenvolvimento de suas atividades eles interagem com outros comitês técnicos da ISO que estão desenvolvendo trabalhos de normalização em áreas como da qualidade total, poluição do ar, da água, do solo entre outros. A elaboração das normas internacionais ISO passam por diversos estágios que vão desde um trabalho preliminar, ou seja, projeto, até sua publicação. Elas não representam barreiras técnicas ao comercio por serem normas construídas com elevado consenso internacional. Vilela Júnior e Demajorovic (2006) destacam que o modelo de SGA definido pela Norma ISO 14000 é considerado o mais consagrado na atualidade. Trata adicionalmente de assuntos específicos ligados ao meio ambiente como a identificação dos aspectos ambientais, a criação de objetivos e metas e a exigência de firmar um compromisso em cumprir as legislações aplicáveis. Prevê a implementação de dezoito elementos para uma gestão eficaz 18 baseado em uma série de boas práticas e ferramentas ambientais, da qualidade e empresariais. Esse modelo pode ser aplicado em qualquer organização. Sua premissa básica está, além do comprometimento com o cumprimento da legislação aplicável, principalmente associada com a melhoria contínua do desempenho ambiental. E pontuam como os objetivos do SGA declarados pela Norma ISO 14000: (1) assegurar conformidade com a política ambiental, incluindo o compromisso com a melhoria contínua e a prevenção de poluição; (2) demonstrar essa conformidade a partes interessadas; (3) buscar certificação e reconhecimento. As normas ISO 9000 e ISO 14000 provocaram uma verdadeira revolução na forma de atuação dos sistemas da qualidade, em todo o mundo, padronizando formas de trabalho mais eficazes, além de permitirem a mobilidade de profissionais entre as áreas industriais e de serviços completamente diferentes, colaborando significativamente para a obtenção de melhorias de desempenho nas áreas de qualidade e ambiental das organizações. (MOURA, 2008, p.67) Para Valle (1995) com a entrada em vigor da série ISO 14000, as normas ambientais transcenderam as fronteiras nacionais e colocaram a questão ambiental no mesmo plano já alcançado pela gestão da qualidade. Felizmente diversas empresas vêem a qualidade ambiental como um fator de sucesso para se posicionar no mercado, e tem nas Normas ISO 14000 a oportunidade de se valorizarem internacionalmente por obedecerem a um mesmo roteiro-padrão de exigências baseadas na implantação de um SGA, o cumprimento da legislação ambiental local e a adoção de um compromisso com a melhoria contínua de seu desempenho ambiental. Moura (2008) acrescenta que para a sobrevivência de uma empresa, esta deve manter ativos os três pilares da sustentabilidade: o resultado econômico, a qualidade ambiental e a responsabilidade social. São eles que asseguram a própria existência da empresa. A implementação de práticas ambientais corretas reflete uma postura interessante e necessária que traz inúmeros benefícios. A implantação e operação de um SGA consistem, na realidade, na aplicação de conceitos e técnicas de administração, particularizados para os assuntos do meio ambiente. Assim como a BS 7750 a norma ISO 14000 baseia-se no ciclo PDCA, uma ferramenta de controle de processo tradicionalmente utilizada na administração. A ferramenta gerencial que consideramos a mais importante, e que poderá resumir toda a implantação do processo do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é o ciclo PDCA, também conhecido como Ciclo de Deming, composto por quatro grandes passos: Plan (Planejar); Do (Realizar); Check (Verificar); e Action (atuar para corrigir) e recomeçar um novo ciclo. Este ciclo deve ser precedido por uma atividade de “Estabelecimento da Política Ambiental” da empresa. (MOURA, 2008, p.77) 19 Figura 1 - Ciclo do PDCA Fontes: Ishikawa (1993, p.60) e Campos (1992, p.30) Segundo a ABNT (NBR ISO 14001:2004) o PDCA pode ser brevemente descrito da seguinte forma: Planejar estabelecendo objetivos e processos necessários para atingir os resultados em concordância com a política ambiental da organização; Executar implementando os processos; Verificar monitorando e medindo os processos em conformidades com a política ambiental, objetivos, metas, requisitos legais e outros, e relatar os resultados; Agir para dar continuidade na melhoria do desempenho do sistema da gestão ambiental. O ponto de partida é o comprometimento da alta Direção e a formulação da Política Ambiental onde é definida a linha de conduta para toda a empresa, a fim de atingir seus objetivos. Um SGA deve incluir a estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos. Para a ABNT (NBR ISO 14001:2004) as normas de gestão ambiental têm por objetivo prover as organizações de elementos de um SGA eficaz que possam ser integrados a outros requisitos da gestão, e auxiliá-las a alcançar seus objetivos ambientais e econômicos. Não se pretende que estas normas sejam utilizadas para criar barreiras comerciais não tarifárias, nem ampliar ou alterar as obrigações legais de uma organização. 20 QUADRO 1 Requisitos do SGA conforme a norma NBR ISO 14001:2004 4.1 - Requisitos gerais 4.2 - Política Ambiental 4.3 - Planejamento 4.3.1 - aspectos Ambientais 4.3.2 - Requisitos legais e outros 4.3.3 - Objetivos, metas e programa(s) 4.4 - Implementação e operação 4.4.1 - Recursos, funções, responsabilidades e autoridades 4.4.2 - Competência, treinamento e conscientização 4.4.3 - Comunicação 4.4.4 - Documentação 4.4.5 - Controle de Documentos 4.4.6 - Controle Operacional 4.4.7 - Preparação e respostas a emergências 4.5 - Verificação 4.5.1 - Monitoramento e medição 4.5.2 - Avaliação da atendimento a requisitos legais e outros 4.5.3 - Não conformidades, ação corretiva e ação preventiva 4.5.4 - Controle de Registros 4.5.5 - Auditoria interna 4.6 - Análise pela Administração Fonte: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS (ABNT). NBR ISO 14001:2004 – Sistemas de gestão ambiental: requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, dez. 2004. Barbieri (2007) relata que o fato da norma assumir como premissa que a organização irá analisar e avaliar periodicamente o seu SGA para identificar oportunidades de melhoria e que irá implementá-las segundo a velocidade, extensão e tempo determinado por elas e conforme suas circunstâncias econômicas, muitas vezes é mal interpretado e visto como uma autorização para a organização continuar do mesmo jeito. Mas a intenção da norma é aprimorar o desempenho ambiental da organização. Em concordância com a política ambiental, trata da melhoria do desempenho ambiental ano a ano, como resultado de um esforço continuado. Ou seja, houve uma postura de não se aceitar que a organização dê um salto de melhoria e se acomode. [...] assumir um compromisso com a “melhoria continua” não pode ser uma declaração vaga, sem conseqüências. Caberá a empresa, durante às auditorias, apresentar ao auditor algumas evidencias objetivas de que a melhoria contínua está incorporada às ações empresariais [...] (MOURA, 2008, p.81-82) A NBR ISO 14001:2004 descreve a Política Ambiental de uma organização como a declaração das “intenções e princípios gerais de uma organização em relação ao seu desempenho ambiental conforme formalmente expresso pela Alta Administração”. Dentro do requisito Planejamento encontramos o item aspecto ambiental que é definido pela NBR ISO 14001:2004 como elemento derivado do processo de produção e consumo dos produtos ou serviço e que interage com o meio ambiente, ou seja, a causa do impacto ambiental. Para sua identificação a organização deve verificar todos os seus processos de entradas e saídas, incluindo atividades de manutenções ou de emergências para 21 estabelecer e implantar procedimentos dentro do escopo de seu SGA que possa controlá-los ou influenciá-los. Somente após relacionar seus aspectos ambientais é que a organização poderá identificar e analisar a legislação aplicável diante das atividades que desenvolve neste momento e se está atendendo aos requisitos legais. Quanto ao item objetivos, metas e programas Barbieri (2007) relata que a norma define objetivo ambiental como o propósito ambiental geral decorrente da política ambiental. Quanto à meta seria um requisito detalhado oriundo dos objetivos ambientais que deve ser estabelecida para que os objetivos sejam alcançados. Os demais requisitos tratam do comprometimento de todos da organização ou que atuem em nome dela e da definição das funções e responsabilidades dentro do SGA; dos treinamentos para conscientização e estímulo ao conhecimento para desempenhar as atividades que a empresa realiza para elaboração de seus produtos ou serviços, além de identificar as habilidades de seus empregados; da comunicação interna eficaz para repasse de dados, informações, resultados e outros; da descrição dos principais elementos do SGA; do controle das atividades relacionadas aos aspectos ambientais; do controle de seus produtos não-conforme; da verificação dos processos através de monitoramento e medição com estabelecimento de indicadores de desempenho ambiental; da elaboração de planos de ação corretiva ou preventiva frente a não conformidades ou fontes potenciais de nãoconformidades; do controle de todos os registros dos itens anteriores incluindo manifestações de clientes (reclamações); e por fim da auditoria interna e da análise crítica pela administração baseada em um escopo do SGA. Vilela Júnior e Demajorovic (2006) apresentam o quadro abaixo que descreve os principais avanços do SGA segundo a Norma 14001:1996 e 2004. QUADRO 2 Tema Avanço Comprometimento dos gestores Definição de uma política que contemple a busca da prevenção da poluição, melhoria continua e conformidade aos requisitos legais e outros assumidos, ganhando o comprometimento da alta administração também pela avaliação critica dos resultados do SGA e a tomada de ações. Avaliação de impactos ambientais Sistematização da avaliação previa dos aspectos e impactos ambientais decorrentes de suas atividades, produtos e serviços, contemplando as situações acidentais e emergenciais, além da avaliação quando de mudanças e de passivos ambientais Identificação e avaliação da conformidade legal Identificação, acesso, interpretação e avaliação sistemática da conformidade aos requisitos legais e outros pertinentes as atividades, produtos e serviços da empresa, essencial para a redução de risco de 22 vulnerabilidades, multas e penalidades junto aos órgãos reguladores Melhoria do desempenho Definição de objetivos e programa visando a melhoria contínua, a prevenção da poluição e a implementação da política ambiental definida. Tal requisito é um avanço diante da gestão ambiental vigente anteriormente, que se esgotava na conformidade legal dos projetos de curto prazo, em muitos casos. A partir do SGA a empresa deve buscar melhorar sempre seu desempenho ambiental, procurando alinhar as metas da gestão ambiental com a meta da gestão estratégica empresarial. Treinamento, conscientização e competência Definição de mecanismo para identificação e provisão de treinamentos e competências ambientais. Ela inova também ao exigir procedimentos para garantir a conscientização contínua de todo pessoal próprio e daqueles que atuam em seu nome. Comunicação Definição de procedimentos formais sistemáticos para a comunicação interna e externa que usualmente era feita de maneira informal. Requisitos aos fornecedores O SGA agrega valor a gestão solicitando a identificação, comunicação e avaliação de requisitos ambientais aos fornecedores e prestadores de serviços. Emergências ambientais Implementação e simulação de planos para reposta a emergências ambientais, pratica relativamente recente em conseqüência de muitos acidentes ocorridos mundialmente. Um dos pontos quer melhor caracteriza um sistema de gestão no modelo PDCA é o tratamento das não-conformidades reais ou potenciais. Tal sistemática introduzida no SGA é de grande valor para sua manutenção e melhoria. Tratamento de não conformidades Auditorias Ambientais Definição de procedimentos e programas para auditorias de SGAs visando prover informações à alta administração para tomada de decisões. A norma inova ao adotar uma auditoria de sistema de gestão, diferentemente da tradicionais auditorias técnicas ambientais executadas por especialistas ambientais externos, normalmente da matriz da empresa, que não eram assimiladas pela gestão das subsidiarias. Fonte: VILELA JÚNIOR, Alcir; DEMAJOROVIC, Jacques (Org.). Modelos e ferramentas de gestão ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. São Paulo: SENAC, 2006. Dentre os benefícios encontrados na implantação de um SGA com base na Norma ISO 14001 em uma organização estão: o atendimento a critérios de certificação para venda; satisfação dos critérios impostos pelos investidores para aumentar o acesso ao capital; melhora na organização interna e gestão global; redução da poluição, conservação de materiais e energia; redução de custos; aumento da conscientização do pessoal; melhora do clima e comunicação interna e aumento do desempenho ambiental de seus fornecedores. O papel da certificação não é o de definir os padrões mínimos (legais), pois se fosse, estaria fadado ao fracasso, mas sim trabalhar com os padrões existentes. Com relação ao desempenho Máximo, adotou-se a administração por objetivos como plataforma para se buscar a melhoria continua, porém sem predefinição de requisitos de excelência ambiental. (VILELA JÚNIOR, DEMAJOROVIC, 2006, p.125) 23 QUADRO 3 Numero de Certificações ISO 14001 no mundo e no Brasil N. de N. de certificações % de crescimento N. de mundiais mundial anual países/economias Dez/2003 66.070 34,0 113 1.008 12,0 Dez/2002 49.462 34,5 117 900 157,1 Dez/2001 36.765 60,6 112 350 6,1 Dez/2000 22.897 62,3 98 330 100,0 Dez/1999 14.106 78,9 84 165 87,5 Dez/1998 7.887 77,9 72 88 39,7 Dez/1997 4.443 197,3 55 63 425,0 Dez/11995 1.491 480,2 45 12 500,0 Dez/1994 257 - 19 2 - Data certificações no Brasil % de crescimento anual (Brasil) Fonte: VILELA JÚNIOR, Alcir; DEMAJOROVIC, Jacques (Org.). Modelos e ferramentas de gestão ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. São Paulo: SENAC, 2006. Em meio à críticas que o SGA conforme a Norma ISO 14001 está a particularidade a tornou aceita mundialmente pelos mais diversos segmentos produtivos: a carta de crédito concedida as empresas que demonstram durante as auditorias de manutenção que estão no caminho da melhoria contínua e prevenção da poluição, porém sem prazo estabelecido para alcançarem os processo e produtos limpos. Para atingir esse benefício de processo e produtos limpos Vilela Júnior e Demajorovic (2006) pontuam que ferramentas mais avançadas como o ecodesing e/ou analise do ciclo de vida e marketing ambiental poderiam ser introduzidos, mas somente em empresas que apresentassem um diferencial competitivo frente aos processos ambientalmente responsáveis ou com uma cultura sólida de responsabilidade social. Outra crítica relacionada à norma estaria na publicidade fruto da obtenção da certificação que leva ao mau entendimento quanto à abrangência, nível de desempenho e qualificação do produto ou seu processo de fabricação. Moura (2008) e Vilela Junior e Demajorovic (2006) concordam que diante dos avanços e benefícios oferecidos por esse modelo de SGA fica claro que suas falhas são provenientes do baixo envolvimento dos órgãos reguladores e legisladores quanto a definição dos padrões ambientais, visto que um dos seus requisitos está no atendimento a legislação vigente e da instituição que a publicou e dos órgãos governamentais que regulam o sistema de certificação dos SGAs. 24 2.3 ROTULAGEM E AVALIAÇÃO DO PRODUTO Para Moura (2008) o rótulo é provavelmente a forma mais direta de comunicação da empresa com o consumidor daquele seu produto, e é nesse espaço reduzido que ele procura cativar o consumidor a adquirir seu produto em lugar do produto semelhante do concorrente. A sociedade está mudando e o consumidor está mais bem informado, conhece seus direitos, valoriza o seu dinheiro e sabe que é ele quem decide o destino das empresas neste mercado competitivo. Procura não só qualidade e passa a pensar em como aquele produto se relaciona com o meio ambiente, entendendo quais são os impactos ambientais causados. Segundo Vilela Júnior e Demajorovic (2006) existem dois tipos de rotulagem ambiental a primeira do tipo eu sou bom, onde a própria empresa declara que seu produto dispõe de um ou mais aspectos positivos; e a segunda ele é bom na qual uma ONG, instituto ou organização atesta que determinado produto possui boas qualidades ambientais. O primeiro deles nasceu na década de 1970 principalmente nos países anglo-saxônicos e o segundo na Europa. Essa característica é atribuída à diferença na postura do público em confiar nessas declarações e no sistema jurídico desses países. A rotulagem ambiental surge como uma das facetas do processo pelo qual a proteção ao meio ambiente se converte num valor social. De fato, o aumento da consciência ambiental a que se assiste, nos últimos anos, tem sido acompanhado por efeitos nos mercados consumidores de produtos e serviços. Estes efeitos, como são notórios, tem com freqüência se apresentado na direção de uma crescente demanda por informação, da parte dos consumidores, sobre os aspectos ambientais envolvidos na produção, fator que cada vez mais tem influenciado sua decisão de compra. (MMA/SPDS, 2002, p.11) Dando continuidade as considerações de Vilela Júnior e Demajorovic (2006) a rotulagem ambiental assim como representa uma das ferramentas mais benéficas para a mudança dos hábitos dos seres humanos é uma das armas mais perigosas para enganar o consumidor sobre o real impacto do produto que ele esta prestes a usar. Existem vários tipos de rotulagem ambiental ou de modalidades para fazer uma declaração ambiental, e cada uma delas tem suas vantagens e desvantagens, e o lado obscuro de cada uma nem sempre fica evidente para o consumidor. Com mesmo intuito citado anteriormente a respeito da proliferação das normas de gestão ambientais, a ISO criou uma série de normas internacionais a fim de tentar organizar e regular esse mercado. Juntas, as normas 14020, 14021 e 14024, formam no contexto brasileiro, uma espécie de “PROCON Ambiental”, que proporciona meios técnicos para contestar uma declaração ambiental enganosa. Sendo a norma 14020 a 25 norma chefe da rotulagem ambiental, onde estão estabelecidos nove princípios para qualquer tipo de rotulagem ambiental já existente ou que irão surgir futuramente. Inicialmente, e principalmente nos países desenvolvidos, à medida que as empresas perceberam que as preocupações ambientais podiam se converter em vantagens mercadológicas para alguns produtos, inúmeras declarações surgiram no mercado. Essa proliferação, se de um lado resultou em resposta positiva por parte dos consumidores, por outro implicou na geração de certa confusão que demandou a definição de normas e diretrizes para rotulagem ambiental (MMA/SPDS, 2002, p.14) Segundo Barbieri (2007) as Normas ISO 14000 classificam os rótulos em três tipos diferentes. Rótulos tipo I são aqueles criados por entidades independentes ou de terceira parte aplicáveis aos produtos que apresentem certos padrões ambientais desejáveis na sua categoria, estabelecidos pela norma ISO 14024, o que chamamos de Selos Verdes. Neste caso podemos citar como exemplo o rótulo Anjo Azul. Rótulos tipo II referente a reivindicação de autodeclaração, sem certificação independente ou com uma certificação feita por produtores, comerciante, distribuidores ou por quem se beneficie de tal reivindicação para informar aos consumidores as qualidades ambientais de seus produtos ou serviços. As autodeclarações mais comuns são os símbolos de reciclagem estampados em produtos e embalagens. Essas autodeclarações tornam-se objeto da ISO 14021 por não garantir que essas informações são verdadeiras ou se realmente tem a ver com o produto em si, assim ela estabelece que essas autodeclarações devem ser verificáveis e referir-se as aspectos relevante do produto ou serviço para que não gerem interpretações equivocadas por parte dos consumidores. E por fim o Rótulo tipo III, que trazem informações sobre dados ambientais de produtos, quantificados de acordo com um conjunto de parâmetros previamente selecionados e baseados na avaliação do ciclo de vida. São rótulos concedidos e licenciados por entidades de terceira parte, estabelecidos pela norma ISO 14025. Podemos citar como exemplos o selo norte-americano Energy Star e o brasileiro Procel. Anjo Azul Tipo I Reciclagem Tipo II Energy Star Tipo III Procel Tipo III Figura 2 - Modelos de selos Fonte: VILELA JÚNIOR, Alcir; DEMAJOROVIC, Jacques (Org.). Modelos e ferramentas de gestão ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. São Paulo: SENAC, 2006. Quanto aos rótulos Tipo II são ressaltados como pontos principais da Norma 14021: exige que a empresa coloque á disposição do publico as informações necessárias para checar a veracidade da declaração, ou seja, a empresa ano pode fazer um anuncio e quando perguntado o embasamento cientifico, alegar que os 26 dados são sigiloso; proíbe as declarações que dizem que o produto promove o desenvolvi8mento sustentável; a logomarca de uma empresa não pode ser alterada para incorporar o símbolo de reciclagem. (VILELA JÚNIOR, DEMAJOROVIC, 2006, p.352) Mas Vilela Júnior e Demajorovic (2006) destacam a importância em deixar claro que a norma ISO 14001 não é um selo verde, é um documento que um auditor usa para checar o sistema de gestão ambiental (SGA) de uma empresa e que o local está em conformidade com a norma, inclusive usam como exemplo o seguinte caso: duas montadoras, uma certificada pela ISO 14001 e outra não. O carro na primeira pode consumir mais combustível, não utilizar plástico reciclável e poluir mais que a segunda. Entretanto o primeiro foi fabricado em um local que provavelmente trata melhor os resíduos da fabricação. Vale lembrar que não existe um selo verde mundial, sendo esse um dos principais desafios, um selo reconhecido em todos os países. E alertam para a rotulagem que parece ambiental e não é como, por exemplo, os símbolos de identificação de materiais tais como plástico, metais e vidros; símbolos ou dizeres relacionados ao patrocínio de ONGs ou institutos e símbolos dos programas compulsórios de coleta seletiva em alguns países da Europa. Conforme o Documento Base para o Programa Brasileiro de Rotulagem Ambiental do MMA/SPDS (2002) o conceito de ciclo de vida é um dos pontos centrais da concepção dos programas de rotulagem ambiental e o seu grande diferenciador em relação aos programa que se baseiam apenas em um critério ou em um conjunto limitado de critérios. Por outro lado, ao se implementar a abordagem do ciclo de vida no estabelecimento dos critérios dos rótulos ambientais, o uso da avaliação do ciclo de vida apresenta algumas dificuldades e limitações como grande extensão dos estudos, alto custo, obtenção de dados nem sempre disponíveis e um prazo longo para obtenção de resultados. A solução seria o princípio da consideração do ciclo de vida, como é recomendado pela norma ISO 14024, para que os critérios ambientais levem em consideração o ciclo de vida do produto, sem que haja necessidade de se conduzir uma avaliação completa desse ciclo, identificando-se as fases críticas do ponto de vista dos impactos potenciais, as quais serão objetos de estudos mais aprofundados. No entanto, Barbieri (2007) considera que as entidades que desenvolvem um programa de rotulagem ambiental aos estabelecer seus critérios devem levar em consideração o ciclo de vida dos produtos analisado os impactos ambientais passando por todas as fases do processo produtivo, o uso pelo consumidor e seu descarte final. Sendo considerada insatisfatória uma situação em que o produto tenha bom desempenho em uma das fases, transferindo para outros um ônus ambiental, eventualmente longe das vistas do consumidor. Sugere então que seja 27 preparado um quadro que contenha as fases ou etapas ao longo da vida, e avaliá-la segundo vários aspectos: QUADRO 4 Etapas 1) obtenção de matéria-prima 2) transporte da matéria-prima 3) processamento industrial 4) transporte do produto acabado, armazenagem e distribuição 5) comercialização 6) uso do produto 7) destino final após o uso Impactos ambientais que devem ser avaliados em todas as etapas a) contaminação das águas, b) contaminação do ar, c) contaminação ou degradação do solo, d) os efeitos sobre a biodiversidade, e) o consumo de energia, f) o consumo de água, g) o consumo de recursos naturais. Fonte: MOURA, Luiz Antônio Abdalla de. Qualidade e gestão ambiental: sustentabilidade e implantação da ISO 14.001. 5.ed. rev. e atual. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2008. Vilela Júnior e Demajorovic (2006) citam que a partir do conceito de ciclo de vida foi desenvolvida uma técnica para avaliação de desempenho ambiental de produtos denominada Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) que tem seu foco no desempenho ambiental de um produto ao longo de todo o seu ciclo de vida, feita por meio da identificação de todas as atividades humanas ocorridas no ciclo de vida do produto e pela avaliação dos impactos ambientais potencialmente associados a essas atividades. Não basta que o desempenho ambiental de uma unidade isolada da cadeia produtiva seja adequado, o importante é que o desempenho ambiental de todos os elos dessa cadeia seja adequado. A Norma ISO 14040, influenciada em grande parte pelos trabalhos da Setac (ONG criada em 1979 dedicada ao aperfeiçoamento da ACV), define o ciclo de vida como as etapas consecutivas e interligadas de um sistema de produto, desde a aquisição da matéria prima ou extração dos recursos naturais até a disposição final. Para Barbieri (2007) por ter sido sistematizado por diversas instituições e regulamentado em alguns países, a variedade de conceitos e métodos de avaliação gera conseqüências negativas para as organizações que pretendem atuar em mais de um mercado. Avaliações feitas segundo critérios diferentes chegam a conclusões diferentes quanto aos impactos ambientais de um mesmo produto, confundindo o público e lançando desconfiança sobre esse instrumento de gestão ambiental. Daí a preocupação da ISO em estabelecer conceitos, diretrizes e requisitos que tornem a ACV um instrumento com credibilidade e não discriminatório no comércio internacional. Vilela Júnior e Demajorovic (2006) concluem que a ACV é uma importante ferramenta da gestão ambiental que permite uma abordagem sistêmica, envolvendo várias questões ambientais e baseada em sistemas quantificáveis, apesar de algumas limitações que 28 precisam ser transpostas. E que estudos minuciosos foram realizados a fim de averiguar a origem das diferenças que afetaram a credibilidade da avaliação, onde foi constatado que devido a complexidade da metodologia os critérios adotados para definir os procedimentos de coleta de dados poderiam influir significadamente nos resultados finais. E que a definição sobre vários procedimentos a serem usados na execução dos estudos ainda é feita com base em critérios subjetivos e sujeitos a inconsistências. Como medida paliativa é utilizada a norma ISO 14040, que dispõe como importante requisito a total e absoluta transparência na elaboração de relatórios de estudo, o qual deve conter explicitamente todas as premissas e hipóteses adotadas ao longo da execução do estudo; o que faz necessário um grande investimento intelectual no desenvolvimento e na consolidação de uma metodologia de execução de estudos de ACV que viabilize a obtenção de resultados consistente e reprodutíveis, sem prejudicar o atingimento dos inúmeros e bastante distintos objetivos aos quais a ferramenta se presta. 2.4 EXEMPLOS POSITIVOS DE SGA EM EMPRESAS SITUADAS NO BRASIL Para Vilela Junior e Demajorovic (2006) as motivações, os benefícios esperados e os obtidos a partir da implementação e certificação de um SGA são bastantes variáveis, dependendo do setor envolvido e da situação de mercado. A explicitação prévia dos benefícios competitivos tem sido decisiva na adoção e certificação de SGAs. Moura (2008) observa que no Brasil uma grande quantidade de empresas tem demonstrado preocupações e investido em seu desempenho ambiental. Muitas delas são filiais de multinacionais que estão seguindo diretrizes vindas do exterior para que elas se adaptem a padrões corporativos, interessados principalmente em preservar o nome da companhia e resguardá-la de problemas, outras procuram um melhor desempenho apenas para atender as necessidades expressas pelos seus clientes. Vilela Júnior e Demajorovic (2006) destacam que as empresas do setor de celulose e papel, por exemplo, buscam desde a década de 1990 as melhores práticas, temendo barreiras comerciais e que no Brasil foram as primeiras a aderir ao novo modelo ISO 14001. Tomaremos como exemplo a empresa Bahia Sul Celulose e Amanco Brasil S.A. que são do ramo de celulose e construção civil, respectivamente, onde o peso da questão ambiental é alto como decisão de compra, ficando em 4º lugar, atrás da qualidade, serviços e preços. 29 Citada por Moura (2008) a Bahia Sul Celulose, localizada no sul do Estado da Bahia, produz principalmente para a exportação. Foi a primeira empresa brasileira a receber o certificado da BS 7750 pelo seu SGA, em fevereiro de 1995 e em 1996 foi certificada pela ISO 14001, ambas pela Bureau Veritas Quality International (BVQI). Já a Amanco Brasil S.A., subsidiária do Grupo Amanco de origem suíça e fabricante de tubos, conexões e acessórios para construção civil, com unidades presentes nos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco, Minas Gerais, Goiás, Alagoas, é referenciada por Vilela Júnior e Demajorovic (2006) como uma empresa que buscou a Norma ISO 14001 como modelo não por fatores externos e competitivos de curto prazo, mas por ter como valor o comprometimento com a sustentabilidade socioambiental. A estratégia de implantação, segundo eles, foi baseada nas diretrizes corporativas e na crença que, mais cedo ou mais tarde, tal postura será valorizada e traduzida em imagem da marca, sendo agregada ao produto, atraindo clientes e convertendo-se em vantagem competitiva. Moura (2008) também comenta sobre a Companhia Siderúrgica de Tubarão, localizada estrategicamente na região metropolitana da Grande Vitória no Estado do Espírito Santo, é a maior produtora mundial de placas de aço e tem apresentado uma postura pró ativa para melhoria do seu desempenho ambiental, com bons resultados. Com a criação de uma Assessoria de Meio Ambiente fragmentada em 5 áreas de atuação, onde segundo a empresa foram alcançados resultados significativos com a redução de 90% da emissão de particulados, reciclagem de resíduos siderúrgicos, reaproveitamento de gases para geração elétrica, reaproveitamento quase total da água e tratamento de seus efluentes. E por fim a Johnson & Johnson, sediada em São Jose dos Campos, também é referenciada por Moura (2008) como um SGA que foi inicialmente estruturado em duas áeras: uma relativa a regulamentação ambiental e outra responsabilidade ambiental com a comunidade. Para o programa “Pollution Preventions Goals” foram definidos objetivos de melhoria do processo que compreendeu 10 áreas: reciclagem, embalagens, desenvolvimento de produtos ambientalmente neutros, ciclo de vida de produtos e embalagens, CFC, resíduos industriais, papeis de escritório, emissões, energia e água. Em 2000 a empresa obteve a certificação ISO 14001 após um trabalho de 18 meses, onde a empresa deu especial atenção à conscientização e treinamento de seus funcionários, sobre a importância do desenvolvimento sustentável. 30 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao concluir este trabalho podemos constatar que independente da motivação original que levam as empresas ou organizações a implantar um SGA, é certo que, eles se tornaram um grande aliado das organizações que buscam manter seus processos, aspectos e impacto ambiental sob controle, reavaliando os sistemas de produção, para que se tornem mais limpos, buscando o desenvolvimento sustentavel. Qualquer SGA requer um conjunto de elementos comuns que independem da estrutura organizacional, do tamanho e do setor de atuação da empresa. Sendo fundamental o comprometimento da alta administração que deve ser forte e continuo. Observa-se uma mudança na visão das empresas para a proteção do meio ambiente, que se manifesta na tendência de prevenir riscos ambientais em lugar de atuar nos danos causados. Comprovando que a introdução de práticas ambientais geram a redução da poluição e do consumo de recursos, com a diminuição dos custos. A série de normas ISO 14000 é uma ferramenta indispensável para as empresas que buscam a excelência ambiental. Mesmo sendo o mais recente é o mais utilizado mundialmente e o melhor modelo existente atualmente para SGA, mesmo com suas limitações conforme descrito anteriormente. Esse modelo tornou a gestão ambiental mais integrada com as decisões de negócios, avançando no comprometimento da linha hierárquica e sistematização, alem de auxiliar na solução dos problemas e na busca da melhoria continua. Mesmo no que tange a rotulagem ambiental as Normas ISO dão embasamento técnico para ajudar a definir se uma propaganda ou um símbolo com aparência ambiental é ou não enganoso. Considerando que a Norma ISO 14000 é de caráter voluntario, é possível uma evolução dos seus requisitos a fim de promover maior confiança sobre o comprometimento com a gestão e o desempenho ambiental, cumprimento da legislação, prevenção da poluição e melhoria continua. 31 4. REFERÊNCIAS ACOT, Pascal. Historia da Ecologia. 2. ed. Rio de Janeiro: Campus, 1990. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TECNICAS (ABNT). NBR ISO 14001:2004 – Sistemas de gestão ambiental: requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, dez. 2004. BARBIERI, José Carlos. Gestão Ambiental empresarial: conceitos, modelos e instrumentos. 2.ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2007. CAJAZEIRA, Jorge E. R. ISO 14001: manual de implantação. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1998. COMPANHIA SIDERURGICA DE TUBARÃO. Disponível em < http://www.cst.com.br/empresa/perfil/relatorio/relatorioanual_2004/portugues/indice/relatorio _ambiental/frrelatorio_ambiental.htm>. Acesso em: 09 dez. 2011. DONAIRE, Denis. Gestão Ambiental na empresa. 2.ed. São Paulo: Atlas, 1999. GRUPO AMANCO. Disponível em: < http://www.amanco.com.br/web/sustentabilidade>. Acesso em 09 dez. 2011. MOURA, Luiz Antônio Abdalla de. Qualidade e gestão ambiental: sustentabilidade e implantação da ISO 14.001. 5.ed. rev. e atual. São Paulo: Juarez de Oliveira, 2008. TACHIZAWA, Takeshy; ANDRADE, Rui Otávio Bernardes de. Gestão socioambiental. Rio de Janeiro: Elsevier, 2008. VALLE, Cyro Eyer do. Os desafios de ser competitivo protegendo o meio ambiente: como se preparar para as normas ISO 14000. 2.ed. São Paulo: Pioneira, 1995. VILELA JÚNIOR, Alcir; DEMAJOROVIC, Jacques (Org.). Modelos e ferramentas de gestão ambiental: desafios e perspectivas para as organizações. São Paulo: SENAC, 2006. MINISTERIO DO MEIO AMBIENTE. SECRETARIA DE POLÍTICAS PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Rotulagem Ambiental: Documento base para o Programa Brasileiro de Rotulagem Ambiental. Brasília: MMA/SPDS, 2002.