UNIVERSIDADE DO CONTESTADO – UnC CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE CAÇADOR-SC MICHELI CHRIST PROCESSOS EDUCATIVOS EM ARTE DA CONTEMPORANEIDADE FRAIBURGO 2009 1 MICHELI CHRIST PROCESSOS EDUCATIVOS EM ARTE DA CONTEMPORANEIDADE Trabalho de Conclusão de Estágio apresentado como exigência para a obtenção do título de Licenciada em Artes Visuais, ministrado pela Universidade do Contestado – UnC Caçador, SC, sob a orientação da professora Josiane Schueda Raiser. FRAIBURGO 2009 2 PROCESSOS EDUCATIVOS EM ARTE NA CONTEMPORANEIDADE MICHELI CHRIST Este Trabalho de Conclusão de Estágio foi submetido ao processo de avaliação pela Banca Examinadora para a obtenção do Título de: Licenciado em Artes Visuais E aprovada na sua versão final em 01 de agosto de 2009, atendendo às normas da legislação vigente da Universidade do Contestado e Coordenação do Curso de Artes Visuais Suzanne Mendes Valentini Banca Examinadora: Suzanne Mendes Valentini Josiane Schueda Raiser Gerson Witte 3 RESUMO Relato das atividades ocorridas no Estágio Curricular Supervisionado Obrigatório realizado entre o segundo semestre de 2007 e primeiro semestre de 2009, em escolas da rede municipal e estadual do município de Fraiburgo/SC. Desenvolvido na educação infantil com crianças de 5 anos, através da arte contemporânea e nas séries iniciais, 4ª série, e ensino médio, 1ª série com a leitura de imagens dentro da cultura visual. Os trabalhos foram aplicados em todos os níveis utilizando as experiências e elementos do entorno dos educandos, buscando temáticas da contemporaneidade, com a finalidade de envolver os educandos nos processos criativos a partir da tridimensionalidade na educação infantil, e nos níveis fundamental e médio, além do envolvimento efetivo nas produções proporcionar a leitura de imagens acerca da cultura visual dentro da publicidade, tornando o educando crítico e capaz de julgar a apresentação da figura humana na mídia. As atividades foram baseadas na participação ativa dentro de uma perspectiva reflexiva, trazendo aos educandos as questões da arte como parte de seu cotidiano, buscando uma aproximação do educando com a arte para que o mesmo se sinta produtor e crítico dos temas da arte na contemporaneidade, sabendo reconhecê-la dentro da sua cultura visual. Palavras chave: arte-educação, leitura de imagem e cultura visual. 4 ABSTRACT Report about the activities during the Mandatory Supervised Training Course held between the second semester of 2007 and first semester of 2009 in municipal and state schools in the city of Fraiburgo / SC. Developed in early childhood education with 5 –year old children through contemporary art and with the early grades, 4th grade, and high school, 1st grade with the reading of images in visual culture. The work has been applied at all levels and experiences using the elements surrounding the students, seeking for contemporary themes, in order to engage students in creative processes from the three-dimensionality in the childhood education and elementary school and high school, as well as effective involvement in the productions provide image reading about the visual culture in advertising, making the learner critical and able to judge the presentation of the human figure in the media. The activities were based on active participation inside a reflexive perspective, bringing to the students the issues of art as part of their daily lives, aiming to expose the student to the art so that they feel the same producer and the critical of the themes in contemporary art, and able to recognize it within its visual culture. Keywords: art-education, reading images and visual culture. 5 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 01 – Una vez, cada vez, todas las veces (fragmento) ................................... 17 Figura 02 – Produção dos alunos com massinha de modelar ................................... 17 Figura 03 – Confecção da massa de papel machê ................................................... 18 Figura 04 – Peças de papel machê secando ............................................................ 21 Figura 05 – Modelagem coletiva do “circo” ............................................................... 22 Figura 06 – Intervenção com as peças no jardim do C.E.I ........................................ 24 Figura 07 – Ambientação produzida pelos alunos..................................................... 25 Figura 08 – Crianças produzindo na areia ................................................................ 27 Figura 09 – Construções na areia com as “bichos” de papel machê ......................... 28 Figura 10 – Anúncios para leitura de imagem ........................................................... 41 Figura 11 – Anúncios com efeitos visuais ................................................................. 42 Figura 12 – Produção dos alunos na criação dos efeitos visuais .............................. 43 Figura 13 – Esboço do desenho dos efeitos visuais e produção final dos efeitos visuais ....................................................................................................................... 44 Figura 14 – Produção de anúncio publicitário a partir de um objeto comum ............. 46 Figura 15 – Preparação do roteiro pelos alunos........................................................ 47 Figura 16 – Ensaio para gravação da propaganda ................................................... 47 Figura 17 – Desenho da silhueta da figura humana .................................................. 49 Figura 18 – Desenho completando o rosto ............................................................... 49 Figura 19 – Exemplos de anúncios Publicitários utilizados na leitura ....................... 52 Figura 20 – Banner anúncio publicitário .................................................................... 53 Figura 21 – Anúncios acerca da apresentação da mulher nas décadas de 20, 50, 70 e 2005 ....................................................................................................................... 55 Figura 22 – Anúncio “coma atum” ............................................................................. 56 Figura 23 – Cenas humorísticas realizadas pelos educandos .................................. 57 Figura 24 – Fotos dos anúncios fotográficos feitos pelos educandos ....................... 59 Figura 25 – Imagens das propagandas sociais em vídeo produzidas pelos educandos ................................................................................................................. 60 Figura 26 - Alunos deixando sua marca no envelope das avaliações ....................... 62 6 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 08 2 PROCESSOS CRIATIVOS A PARTIR DA ARTE CONTEMPORÂNEA NA EDUCAÇÃO INFANTIL ............................................................................................ 10 2.1 ENVOLVENDO AS CRIANÇAS NO PROCESSO CRIATIVO ATRAVÉS DA ARTE CONTEMPORÂNEA ....................................................................................... 11 2.1.1 Construções Tridimensionais Abstratas ........................................................... 14 2.1.2 Participação das Crianças na Produção das massas para modelagem ........... 17 2.1.3 Intervenções e ambientações........................................................................... 24 2.1.4 A Arte Efêmera ................................................................................................. 26 2.1.5 Apreciação das Produções Através das Fotos ................................................. 28 2.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROCESSO ...................................................... 29 3 A RELEVÂNCIA DA IMAGEM NOS PROCESSOS EDUCATIVOS EM ARTE ... 32 3.1 INTRODUZINDO AOS EDUCANDOS A LEITURA DE IMAGEM A PARTIR DA CULTURA VISUAL COM A TEMÁTICA DA FIGURA HUMANA ............................... 34 3.2 LEITURA DE IMAGENS DE ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS COM A TEMÁTICA DA FIGURA HUMANA .............................................................................................. 40 3.2.1 Efeitos Visuais Envolvendo a Figura Humana na Publicidade ......................... 42 3.2.2 Conscientizando os Educandos Sobre a Ilusão dos Anúncios Publicitários..... 45 3.2.3 Produção de Anúncios Publicitários com os Educandos .................................. 46 3.2.4 Desenho da Figura Humana ............................................................................ 48 3.3 ANÁLISES ACERCA DO ENTENDIMENTO DOS EDUCANDOS EM RELAÇÃO DAS IMAGENS ......................................................................................................... 50 3.4 ENVOLVENDO O JOVEM NAS QUESTÕES REFLEXIVAS ACERCA DE SUA CULTURA VISUAL POR MEIO DA PUBLICIDADE COM ÊNFASE NA FIGURA HUMANA ................................................................................................................... 51 3.4.1 Reflexões Acerca da Apresentação da Figura Humana na Mídia .................... 54 3.4.2 Criação e Produção de Anúncios Fotográficos e Gravados pelos Educandos . 56 3.4.3 Apreciação das Produções dos Educandos Através dos Vídeos, Fotos e Avaliações ................................................................................................................. 61 3.5 PONDERAÇÔES EM RELAÇÃO AO ENVOLVIMENTO DOS EDUCANDOS COM A CULTURA VISUAL ....................................................................................... 63 7 4 CONCLUSÃO ...................................................................................................... 65 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 67 8 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho aponta vivências dos educandos no nível da educação infantil, jardim II; séries iniciais, 4ª série e ensino médio 1ª série, em relação aos processos educativos em arte na atualidade, apresentando a arte contemporânea e leitura de imagem dentro da Cultura Visual, respectivamente. O desenvolvimento se deu em torno da pesquisa e aplicação de diferentes metodologias demonstrando a caminhada da acadêmica em busca de meios atuais e pertinentes para a aplicação das atividades. Procurou-se muito envolver a criança e os jovens em questões acerca de seu tempo, apresentando de forma atrativa o seu próprio cotidiano e problemáticas relacionadas ao seu entorno. Formulando, a partir disto, relações entre a arte e as questões contidas em seu contexto, propondo a análise, reflexão e participação ativa dos educandos nos processos criativos na contemporaneidade. O capítulo 1 registra a experiência na educação infantil, onde a proposta foi formulada com base nos conceitos da arte contemporânea, buscando elementos próprios do universo infantil, como o lúdico, para inserir práticas que construíssem uma vivência dentro do efêmero e do abstrato. Apresentando de forma condizente com o nível de ensino a leitura de imagens, dentro de elementos da proposta triangular de Ana Mae Barbosa, adequando à apreciação, contextualização e a produção as atividades na educação infantil. No capítulo 2 são apresentados os trabalhos desenvolvidos com as séries iniciais e ensino médio utilizando a mesma temática, a leitura de imagem, a partir da cultura visual, mostrando a apresentação da figura humana dentro da história. Nas séries iniciais se estabeleceu a relação entre a proposta triangular, com a apreciação de obras modernistas e uma introdução aos estudos da cultura visual de Fernando Hernandez (2007), inserindo elementos da mídia, imagens publicitárias, dentro da leitura de imagens. A prática foi reorganizada a partir da temática da figura humana, que veio a se desenvolver também no ensino médio. Identificando as formas de utilização da figura humana discutindo e representando as modificações possíveis com a edição de imagens. Enumerando as possibilidades de produção de efeitos visuais com e sem tecnologia, contudo com muita imaginação. 9 O que diferenciou os dois níveis foi a metodologia, não apenas no modo de aplicação mas a mudança para a metodologia dialética de Celso Vasconcellos (1995) aplicada no ensino médio, não deixando os três eixos de lado, mas sim aplicando práticas educacionais onde o educando passa a ser agente das produções e reflexões. Utilizando apenas a cultura visual como proposta de trabalho, trazendo elementos do contexto jovem, como a mídia, buscando na publicidade reflexões sobre a utilização da imagem de pessoas, modificadas e transformadas em ícones de beleza, influenciando a atitude dos jovens. Este relato demonstra as vivências da acadêmica na busca pelo modo mais propício e adequado para se trabalhar a arte em sala de aula com crianças e jovens, nos diferentes níveis de ensino. Demonstrando a preocupação em sempre aplicar questões interessantes aos educandos e acima de tudo com metodologias que os apresentassem como o centro e não apenas como espectador ou co-produtor. No ensino médio fica evidente essa busca, com o encontro da metodologia dialética e a cultura visual como eixo principal. Pois os dois temas propõem o nosso objetivo da participação efetiva e reflexiva do educando nas práticas educacionais em arte na contemporaneidade. 10 2 PROCESSOS CRIATIVOS A PARTIR DA ARTE CONTEMPORÂNEA NA EDUCAÇÃO INFANTIL O presente capítulo aborda a relação da criança com os processos criativos. Coloca a criatividade como uma das necessidades do ser humano. A qual é tida ainda como um privilégio dos artistas, sem nos darmos conta que “O criar só pode ser visto num sentido global, como um agir integrado em um viver humano. De fato criar e viver se interligam”. (OSTROWER, 1987, p.05) O estágio foi aplicado no Centro de Educação Infantil Antonio Porto Burda, no jardim IIB, com o total de 17 educandos, na faixa etária de 5 anos. Ocorreu no 2º semestre de 2007, em 10h de observação e 20h de aplicação. As aulas foram divididas por modalidade da arte contemporânea, contemplando as consideradas mais relevantes para a educação infantil. As mesmas buscaram a importância da participação da criança no processo criativo e sua interação com a arte contemporânea, além de descrições dos termos desta linguagem. Atividades como a modelagem de objetos tridimensionais abstratos, foram subsídios relevantes durante todo o estágio e envolveram a participação das crianças na produção do material utilizado, as massas caseiras e as peças produzidas com essas massas, demonstrando a participação ativa dos alunos no processo de criação. Também as intervenções e ambientações produzidas com elas, as vivências com a arte efêmera, em construções tridimensionais na areia e a apreciação e discussão das produções através de fotos farão parte deste relato. A participação da criança e sua compreensão como ser capaz de criar a partir de suas idéias é o eixo norteador deste relato. O qual apresenta o professor como instigador desses processos e não como co-autor. Ao experimentar vivências que contemplam a produção e fruição da arte contemporânea, as crianças têm a possibilidade de sentirem-se parte de todo processo de construção, o que permite a criança utilizar suas experiências cotidianas para seu desenvolvimento cognitivo. A arte contemporânea vem como um instrumento para essas construções que instigam suas potencialidades criadoras. Por meio de produções artísticas contemporâneas envolvendo a tridimensionalidade e outras modalidades que foram 11 inerentes a ela como a abstração e o efêmero foi possível interferências e ambientações no cotidiano escolar. Esse potencial criativo é pouco utilizado no cotidiano escolar, tornando insuficiente a participação dos alunos nos processos de criação e expressão. Essas vivências no cotidiano escolar trazem novas experiências que buscam inserir a criança neste contexto criativo e saber sua reação em relação a arte contemporânea e os processos criativos. Por tudo as nomeações aqui propostas servem como um modo de organização e divisão das atividades, passível a outras denominações e interpretações do espectador. Assim como toda produção contemporânea que depende da interação entre artista, produção e espectador. 2.1 ENVOLVENDO AS CRIANÇAS NO PROCESSO CRIATIVO ATRAVÉS DA ARTE CONTEMPORÂNEA Envolver a criança no processo criativo foi a meta deste estágio. A arte contemporânea foi o modo escolhido para proporcionar este envolvimento nas etapas da produção que nem sempre eram do alcance das crianças no cotidiano escolar. Proporcionar à criança a participação ativa na produção artística, baseada em experiências do seu cotidiano valoriza sua cultura e demonstra que ela “[...] serve de referência a tudo o que o indivíduo é, faz, comunica, à elaboração de novas atitudes e novos comportamentos e, naturalmente, a toda possível criação [...] que se articula principalmente através da sensibilidade”. (OSTROWER, 1987, p. 12) A participação da criança na criação e fruição da arte a partir de suas produções proporciona à ela a oportunidade de se desenvolver por meio de suas próprias experiências e descobertas. “O ato criador abrange, portanto, a capacidade de compreender; e esta, por sua vez, a de relacionar, ordenar, configurar, significar”. (OSTROWER, 1987, p. 09) Passos estes fundamentais no desenvolvimento infantil e da formação do cidadão. 12 No entanto muitas vezes restringe-se esse processo aos estereótipos e a repetição de processos criativos de outros autores, seja o professor ou artistas, valorizando a produção adulta deixando de lado a riqueza do universo infantil. Esse processo também é colocado como uma exclusividade de artistas e pessoas envolvidas com a arte e como explica Kehrwald (2007, p. 06): Por um longo período foi entendido como um dom, um talento, um presente divino e só recentemente este inatismo foi substituído por concepções que apontam para a possibilidade de que todos e, cada um em particular, podem desenvolver-se criativamente, quer seja pelas vivências do dia-a-dia, pelo esforço pessoal ou pela educação formal e informal. Isto é, aprende-se a ser criativo e este é um processo contínuo que ocorre ao longo de toda vida. Por isso a necessidade da estimulação destes processos pelas pessoas envolvidas com a criança, tanto a escola como a família. Principalmente ao saber “que os processos criativos se tecem com a multiplicidade de experiências e conhecimentos que habitam o sujeito, construídos a partir da convivência nos vários espaços sociais como a escola”. ( KEHRWALD, 2007, p 06) É nesse momento que se vê necessária a intervenção do profissional da área de arte. Que apresente a importância da Arte na educação. Pois instigar o ser humano a se tornar atuante e criativo não é o único intuito da disciplina. Como coloca Barbosa (apud FERRAZ; FUZARI, 1999, p. 16) “A arte não tem importância para o homem somente como instrumento para desenvolver sua criatividade, sua percepção etc., mas tem importância em si mesma, como assunto, como objeto de estudos”. Neste estágio, a questão da criatividade foi trabalhada por ser notada como uma das necessidades no momento de observação das turmas. A arte contemporânea, nesta relação, traz informações atuais e do cotidiano, o que permite interagir com as experiências dos alunos. Também se apropria de ambientes onde o espectador interage não ficando mais distanciado, assim como utiliza objetos dando nova significação a eles dentro da obra. Com relação a arte contemporânea argumenta Santa Rosa; Scaléa (2006, p. 42): A arte contemporânea brasileira, em pleno século XXI, revela a sociedade em que vivemos: a total liberdade de expressão do artista, mas também a total liberdade de expressão do espectador, visto que hoje a interatividade é condição sine qua nom, assim como a velocidade da informação, o caos urbano, a impermanência, a busca pelo novo, são transferidos para produções artísticas, figurativas ou não, fato que muitas vezes acaba 13 aumentando a dificuldade de apreciação e interpretação das obras por muitos consideradas confusas estranhas, polêmicas e passageiras. A dificuldade está em nomear e explicar algo que não se restringe a uma explicação, pois a arte contemporânea está em vivenciar todo tipo de sensação que a obra provoque, nem sempre agradável, mas que instigue dúvida e reflexões. E cabe ao professor ser o mediador nesse processo proporcionando ao educando esse contato com as experiências estéticas. Seguem algumas definições das linguagens contemporâneas utilizadas no estágio retiradas do material educativo da 27ª Bienal de São Paulo: Como Viver Junto (2006): Arte Efêmera: conjunto de ações e trabalhos artísticos cuja realização pressupõe sua curta duração e esgotamento, transitoriedade no tempo e espaço. Transitoriedade: característica do que é breve, passageiro, efêmero, nãopermanente. Escultura: linguagem artística que se utiliza da tridimensionalidade como princípio organizador de formas, conceitos e idéias. Intervenção: ato de intervir, ou seja, de alterar ambientes específicos por meio do uso de linguagens artísticas, criando proposições a partir de significados motivados pela situação dada. Linguagem: sistema de códigos organizados, necessários para o estabelecimento de uma comunicação. As linguagens artísticas são procedimentos que exploram técnicas, materiais e sobretudo idéias na construção de trabalhos de arte. Produção: conjunto de trabalhos de um artista. O tridimensional e o efêmero estão ligados a esta fase da criança. Onde a exploração dos objetos que as cercam faz parte da construção do seu conhecimento de mundo. O tridimensional não está apenas na escultura, mas sim em todo o entorno da criança, seus brinquedos, a mobília da escola e de sua casa, seu próprio corpo; ele faz parte do reconhecimento e domínio de seu espaço. A arte efêmera se aproxima muito de seu modo de aprendizagem. Assim como seu tempo de aproveitamento das atividades é curto, necessitando mudanças contínuas, a arte efêmera também é transitória, e a cada momento traz novas possibilidades. 14 A relação do aluno da educação infantil com a arte contemporânea é diferente dos demais níveis de ensino, pois a criança não tem um conceito definido sobre o que é arte e qual sua história. A criança vem livre de compromissos o que facilita o seu envolvimento, sem preocupação com o produto final e comparações com algum estilo artístico. Isto possibilita um maior envolvimento no processo de criação, pois esta arte vem de vivências e informações atuais. Como coloca Maddalozzo (2007, p.155) ”a arte contemporânea não necessita ser apenas explicada, mas, sobretudo vivenciada como uma experiência estética ativa para que uma efetiva fruição aconteça.” É através dessas vivências que buscamos com a arte contemporânea estimular a capacidade criativa das crianças. Proporcionando experiências estéticas que envolvam todas no processo. E realizando produções que marquem sua presença no espaço e interajam com seu entorno. 2.1.1 Construções Tridimensionais Abstratas O tridimensional e o abstrato foram os elementos da arte contemporânea que embasaram o desenvolvimento de todas as atividades realizadas durante o estágio. A partir deles se realizaram a modelagem, as construções e interferências. Na seqüência segue a descrição das atividades com a modelagem das peças tridimensionais e abstratas. Na atividade com a massinha de modelar os alunos modelaram ao ritmo de uma seleção de músicas infantis, com os CDs “Palavra Cantada” e “Balão Mágico”, pegando um pedaço de massa e largando na pausa da música, numa brincadeira intitulada de “pega-larga”. Para que os alunos não realizassem peças figurativas foi pedido que apenas imaginassem o objeto modelado fazendo-o de olhos fechados. Alguns se concentraram e modelaram como o pedido. Outros mais desconfiados insistiam em abrir os olhos para ver o que os colegas produziam. Dois dos alunos começaram a narrar o que estavam imaginando. João Vitor dizia várias coisas e situações inusitadas, como a de que estava voando, e logo mudando, que um tubarão o havia pego, ou que estava num navio. Seu colega Alison o acompanhou na narrativa. 15 Este tipo de situação é muito comum nesta fase das crianças, a linguagem faz parte da construção cognitiva delas. De acordo com Ferreira (1998) a fala é tão importante quanto a ação e durante a produção oferece subsídios para uma análise mais próxima à intenção da criança. Nas suas produções, nesta fase, a criança se utiliza além da fala, de um outro elemento tão presente quanto: a imaginação ou fantasia, termos sinônimos para Vigotsky, citado por Ferreira (1998, p. 42), onde “[...] a criança percebe as coisas pelos seus significados”. Dessa forma o aluno apenas projeta na sua produção o significado dela, não dependendo de formas reais para dar um sentido a ela, criando uma realidade significativa como cita a autora. Ferreira (1998, p. 42) diz que “Fantasiando a realidade significativa a criança cria, com elementos dela extraídos, novas composições combinatórias, fazendo surgir novas realidades: as realidades fictícias que também têm suas próprias significações.” Em relação ao mecanismo de imaginação na construção cognitiva da criança diz Ferreira (1998, p.43): As impressões externas não se amontoam, imóveis, no cérebro da criança. Ao contrário, constituem processos móveis, transformadores, que vivem, que morrem e, nessa dinâmica, estão garantidas as mudanças, influenciadas pelos fatores internos que os deformam e reelaboram. Os processos da imaginação e da fala foram grandes aliados nas produções das crianças, onde o abstrato esteve inerente ao tridimensional. Somente através deles é que se pode ter uma idéia do que a criança está produzindo e qual seu processo de construção mental. Olhando para o produto final, os pedaços de massa modelados, não se pode tirar nenhuma conclusão do seu significado a não ser que se participe do momento da produção. Em relação a essa expressividade infantil Ferraz, Fusari (1999, p. 56) afirmam: A criança em atividade fabuladora ou expressiva participa ativamente do processo de criação. Durante a construção ele se coloca uma sucessão de imagens, signos, fantasias, que às vezes são mais consideradas por ela no momento em que aparecem do que no resultado do trabalho. Estes fatos são muito importantes para o conhecimento da produção da criança e evidenciam o desenvolvimento e expressão de seu eu e de seu mundo. Por isso as verificações contidas neste relato só foram possíveis através de uma experiência participativa e ativa dos alunos e da professora estagiária. 16 Paralelamente as ações de João e Alison, outros dois alunos se dispersaram da atividade. Romildo preocupava-se mais em ver se sua colega Lucinéia estava mesmo de olhos fechados do que com sua produção. Ela foi a única que resistiu a atividade abstrata e, na maioria do tempo permaneceu de olhos abertos, modelou uma cestinha. Os demais alunos modelaram peças abstratas com diversos formatos. Algumas com as marcas dos dedos daqueles que aplicavam muita intensidade e força ao apertar a massinha. A proposta seguinte foi que unissem as peças em uma escultura coletiva e que eles escolhessem a melhor maneira de agrupá-las. Em cima de um jornal as crianças começaram a grudar as massinhas umas nas outras (fig.02). Aos poucos alguns foram se empolgando, apertando e socando os pedaços. Lucinéia relutou um pouco em colocar sua cestinha, mas após insistir ela a colocou e logo começou a apertar com os colegas as peças. Essa atividade foi relacionada a artista chilena Madalegna Atria, e seu trabalho realizado com massa de modelar intitulado “Una vez, cada vez, todas as veces” (2006/2007), apresentado na 6ª Bienal do Mercosul, em Porto alegre. A artista forma uma imensa pintura de 300x900 cm com a massinha cortada em fatias montadas numa parede (fig.01). De acordo com os curadores no Projeto Pedagógico para o professor, da 6ª Bienal do Mercosul (2007): Atria utiliza massinha de modelar para montar grandes pinturas. Poderia se dizer que ela “esculpe” suas pinturas, mas o resultado não é um híbrido entre escultura e pintura, ela se guia pelas expectativas que se tem com relação à pintura. O interessante do trabalho desta artista não é como rompe as fronteiras da pintura, mas como as expande. Visto assim, o problema com o qual ela trabalha é especificamente artístico. A imagem desta obra, contida no material pedagógico desta Bienal, foi apresentada aos alunos para a leitura da imagem. Após falarem sobre suas impressões sobre as cores e formas, os alunos tiveram que adivinhar qual a linguagem utilizada nesta obra. O palpite ficou entre pintura e desenho. Quando foi revelado que o material que a artista utilizou era o mesmo que eles acabaram de utilizar, a massinha de modelar, a surpresa foi grande. 17 Figura 01 – Una vez, cada vez, todas las veces (fragmento) Autor: Madalegna Atria Fonte: Projeto pedagógico 6ª Bienal do Mercosul Figura 02 – Produção dos alunos com massinha de modelar Fonte: Arquivo Pessoal Essa relação aproxima a criança na interação com o artista, tornando mais natural a prática artística com elementos cotidianos, dando novos significados a eles como o realizado com a massa de modelar. Um elemento expandido para a arte. A imagem também levou a uma conversa sobre a arte e os artistas em geral. Sobre o que achavam e gostavam de fazer. A relação com a arte mostrada pelos alunos revelou-se apenas na pintura e desenho. E com os artistas fizemos uma relação com as profissões, que o trabalho feito por eles é como o trabalho de seus pais. Nesse momento os alunos interagiam falando quais as profissões de seus pais. 2.1.2 Participação das Crianças na Produção das Massas para Modelagem Após utilizarem o material pronto, a massinha de modelar, os alunos iniciaram seu contato com todas as etapas do processo criativo. Eles participaram da confecção de dois tipos de massas utilizadas nas aulas, a de papel machê e a composta de farinha e sal. A confecção do papel machê foi realizada por etapas em várias aulas. A primeira foi picar os jornais com os alunos já que era necessário muito papel. Os alunos foram divididos em grupos nas mesas e com o jornal em mãos tinham a tarefa de rasgá-lo em pequenos pedaços. 18 Era necessário que cada grupo enchesse uma sacola com papel, no entanto eles produziram pouco material, sendo necessária a ajuda da professora para adiantar a atividade. Após deixar de molho na água, o jornal foi triturado no liquidificador para os alunos seguirem o processo. Na aula seguinte fizemos mais uma etapa do papel machê. Foi explicado a eles o procedimento feito com o jornal picado. Foi mostrada então a massa, que seria amassada com vinagre e cola, a qual daria liga para a modelagem. Foram divididos 3 grupos e cada um recebeu um recipiente, bacias e balde, para misturar o papel triturado. A professora estagiária dividiu o papel para os grupos, ao qual foram acrescentados primeiro o vinagre e depois a cola. O cheiro do vinagre incomodava alguns, no entanto foi explicado que era necessário para que a massa não estragasse. Apesar do cheiro era grande a empolgação em amassar e socar a pasta de papel, a qual tinha uma consistência de grude. Essa experiência com o odor desagradável faz parte do contexto da arte contemporânea. Onde as sensações provocadas são as mais diversas, desde uma sensação agradável, até o choque e o nojo. Pois a fruição que a arte contemporânea se propõe de acordo com Maddalozzo (2007, p. 155): Certamente não corresponde ao prazer harmônico definido historicamente. Critérios como belo ou agradável já não se mostram suficientes,e só poderemos fruir a arte contemporânea se desenvolvermos critérios de apreciação contemporâneos, que comportem visões e situações inusitadas, perturbadoras, incompreensíveis. Na atividade o contratempo veio com a quantidade de cola. Ao socar, a massa ficava unida nos recipientes, mas quando mexida espedaçava, pois havia pouca cola. O litro de cola na foi suficiente para dar liga, impossibilitando a modelagem programada para a seqüência. Figura 03 – Confecção da massa de papel machê Fonte: Arquivo Pessoal 19 Então foi recolhida a massa de papel machê e entre meio as etapas dessa produção, foi iniciada a confecção da massa de farinha e sal. Aos alunos foi explicado como seria realizada a massa, que ficaria parecida com o pão que a mãe faz, no entanto não seria comestível. Quando se trata de um assunto novo as crianças começam a relacionar com suas experiências, sempre procurando uma maneira de se inserir no contexto. Comentavam: “Minha mãe faz pão”, e outras frases semelhantes para mostrar sua relação com o que está sendo realizado. Esses comentários são importantes para as crianças, no entanto acabam ficando de lado pela falta de compreensão da sua importância na construção do conhecimento do educando. Pois retratam suas experiências, que tanto apreciamos neste estágio, ao relacionar as vivências do aluno como parte fundamental nas construções. Os alunos foram então divididos em grupos nas mesinhas. E em uma bacia para cada grupo começaram a ser acrescentados os ingredientes. Aos educandos o pedido era que aguardassem até todos os colegas estarem com os ingredientes para só depois amassarem juntos. Eles observavam atentamente quando a professora estagiária colocava a farinha e depois o sal, neste momento acrescentouse a água e então as crianças começaram a misturar. Para deixar a massa colorida e com um cheiro agradável, colocou-se suco em pó de laranja e uva. Neste momento os educandos experimentaram o suco derretido na água. Cada uma pode passar o dedinho e experimentar. Todos eles realizaram esta atividade com muita empolgação, pois estavam fazendo parte do processo de uma experiência cotidiana. Algo que sempre viam a mãe fazendo, agora estavam tendo a oportunidade de participar. Depois de pronta as crianças tiraram a massa da bacia, que foi dividida em pedaços individuais para que experimentassem a massa que produziram. Realizaram a experiência sem se preocupar com as formas figurativas o prazer estava em terem produzido seu material. E naquele momento estavam descobrindo o que poderiam fazer com ele, modelando e brincando com formas variadas. A professora estagiária então resolveu levar a massa de papel machê para dar o ponto com “grude”, uma mistura de farinha e água que serve como cola e tem um custo mínimo. 20 Na aula seguinte foram distribuídos os pedaços da massa de papel machê. Para que modelassem peças abstratas novamente. Essa repetição do abstrato e do tridimensional durante todas as atividades realizadas, faz parte da metodologia escolhida para a educação infantil. Neste nível de ensino a rotina e a repetição dos procedimentos são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo da criança e também afetivo. Pois a criança tem a necessidade de sentir-se integrada e segura com o ambiente escolar, o qual busca uma proximidade com a rotina familiar. A segurança de saber o que vai realizar durante o dia, os horários e também as regras deste ambiente que são muito importantes. Essa integração era notada nos momentos que a professora estagiária ficava apenas com os alunos sem a presença da professora regente. Os alunos demonstravam o conhecimento das regras, como guardar o material, a arrumação das cadeiras, a organização para ir ao banheiro. Como as atividades e o tema proposto eram totalmente novos e diferentes para eles, a professora estagiária tentou reproduzir nos momentos possíveis a rotina dos alunos. Como ao início de cada aula ao realizar o cabeçalho juntamente com os alunos. Essa ação era realizada pela professora regente para demonstrar o início das atividades pedagógicas e foi mantido nas aulas do estágio. Também a arrumação das mesas e a divisão dos grupos nas atividades foram preservadas, na maioria das atividades. E verificou-se que nos momentos em que a organização foi modificada o comportamento dos alunos também foi afetado provocando agitação. Na seqüência da atividade foi pedido que imaginassem o que gostariam de modelar, e como essas peças seriam utilizadas na interferência a ser feita no jardim, também que relacionassem com animais que existem no local. Antes de iniciar pedimos que cada aluno lembrasse e falasse os nomes desses animais para os colegas. Eles associaram tatu-bolinha, formiga, joaninha. E outros animais que não são de jardim como tartaruga e tatu. Foi então distribuído um lápis para cada aluno, o qual seria utilizado na modelagem. Isso serviria para que os alunos envolvessem a massa no lápis e a peça ficasse com um furo, necessário para a união das peças com um barbante para a realização da interferência. 21 Exemplificou-se como seria feito. Então cada um envolveu um pedaço da massa no lápis apertando até ficar firme e na seqüência retirou o lápis, ficando o orifício na peça. O problema era que alguns alunos não tinham força o suficiente para apertar, pois suas mãos são pequenas, tiveram então o auxilio da professora. Cada um fez pelo menos uma peça com furo. Aqueles que conseguiram fizeram mais, enquanto os que tiveram dificuldade continuaram modelando sem o lápis, apenas apertando a massa. Figura 04 – Peças de papel machê secando Fonte: Arquivo Pessoal As peças ficaram secando durante uma semana na sala de aula aguardando a próxima etapa da pintura. Retornamos com a massa de farinha e sal, mas como a massa ficou em temperatura ambiente a de uva desandou, o que só foi percebido na modelagem dos educandos que, com o calor das mãos, transformaram os pedaços em um grude. O ponto foi dado acrescentando mais farinha a cada pedaço. Os alunos que receberam a massa laranja modelavam enquanto isso. Para os alunos que faltaram explicou-se que a massinha havia sido feita pelos colegas na aula passada. Os alunos contaram que puderam provar o suco com o qual foi colorido. Lucinéia quis demonstrar sua experimentação, falando: “A gente experimentou o suco, né”, dirigindo-se a professora que concordou. Foi pedido que sentissem o cheiro da massa, percebessem a consistência e notassem as diferenças entre cada massinha que utilizaram. 22 O intuito nesta atividade era que modelassem peças figurativas para a comparação com as abstratas de massinha de modelar, e também para aqueles que relutam e tem o costume de fazer as figurativas. No entanto veio a surpresa, pois nenhum deles demonstrou interesse na figuração. Começaram a modelar abstratos, bolinhas principalmente e pedacinhos amassados. E como o intuito era que chegassem ao conceito do abstrato a professora permitiu que seguissem na atividade. E ao invés de modelarem sozinhos, alguns começaram a construir coletivamente, como o grupo de Guilherme que fizeram um “circo”, assim denominado por eles, apenas com bolinhas. Figura 05 – Modelagem coletiva do “circo”. Fonte: Arquivo Pessoal Essa interação com os colegas, as idéias comuns, e o companheirismo traz uma relação saudável entre as crianças. Ao término da aula os alunos desmancharam as peças da massa de farinha unindo cada cor em uma bola só. Neste momento percebeu-se o jeito influente de algumas crianças como Guilherme, que se precipitava querendo fazer a parte de todos como juntar e amassar sozinho, o que era visto pelos colegas como modelo de ação, os quais o repetiam; destacando-se a relação de dependência entre os colegas a necessidade de seguir um exemplo. Essa experiência foi muito interessante, a opção dos alunos pelo abstrato foi muito válida e por isso deixou-se decorrer a atividade deste modo. Pois mostrou o envolvimento e aceitação deles com elementos da arte contemporânea. 23 Nesta aula após a secagem das peças de papel machê os alunos fizeram a pintura com tinta guache. Para suprir algum imprevisto que pudesse ocorrer com as peças da secagem e também pela falta de tempo hábil para a colocação do barbante que une as peças, a professora estagiária fez com o restante da massa algumas peças como os alunos e as colocou no barbante. Ao chegar na sala professora disse ter uma surpresa aos alunos, que iriam conhecer um novo amigo. Apresentou as peças unidas pelo barbante como um fantoche articulado. E disse que ao som de uma música de Antonio de Nóbrega, que ele se movimentaria e dançaria. Durante a brincadeira, que causou surpresa e sorrisos, alguns brincavam que estavam assustados então todos gritavam. Os alunos dançaram com o fantoche, alguns também o beijavam. Decidimos dar um nome a ele e após sugestões os mais cotados foram “minhoca” e “cobra”, ficando a escolha de “cobra”. Essa relação lúdica é muito importante para a criança como diz Ferraz, Fuzari (1999, p.84): As atividades lúdicas são também indispensáveis à criança para a apreensão dos conhecimentos artísticos e estéticos, pois possibilitam o exercício e o desenvolvimento da percepção, da imaginação, das fantasias e de sentimentos. O brincar nas aulas de arte pode ser uma maneira prazerosa de a criança experienciar novas situações e ajudá-la a compreender e assimilar mais facilmente o mundo cultural e estético. Um outro ponto é que a prática artística é vivenciada pelas crianças pequenas como uma atividade lúdica, onde “o fazer” se identifica com “o brincar”, o imaginar com a experiência da linguagem ou da representação. A professora explicou que precisávamos dar cor às peças. Foram juntadas as mesas no sentido do comprimento e distribuídas os potes de tinta em várias cores e um prato para mistura, os pincéis, os panos para limpeza e a água. Esta organização da sala foi planejada para haver a participação de todos na pintura das peças, unidas com barbante, o que foi esticado na mesa ficando uma peça para cada aluno. No entanto os alunos estavam acostumados com a divisão de mesas e grupos, e também a trabalharem com menos cores do que as apresentadas nesta aula. Isso provocou agitação em alguns alunos que começaram a utilizar uma quantia excessiva de tinta, a derramá-la no prato e a misturar muito rapidamente 24 respingando a tinta nos colegas. Mesmo ao ser chamada a atenção destes alunos, eles continuaram a desordem, o que provocou desconforto na atividade, pois atrapalhava o trabalho dos colegas que estavam concentrados na pintura das peças. Após a pintura, os alunos foram para a areia para depois realizar a intervenção. 2.1.3 Intervenções e Ambientações Depois das peças já pintadas os alunos as levaram para o jardim em frente ao Centro de Educação Infantil (C.E.I.) para escolherem o local onde montariam a intervenção. Reuniram todas as peças e as colocaram a seu modo na grama perto do parque, na entrada do C.E.I. Figura 06 – Interferência com as peças no jardim do C.E.I. Fonte: Arquivo Pessoal O produto final em nosso trabalho não foi o principal, ele teve o mesmo valor que todas as etapas do processo. Todos os objetos trabalhados e modelados culminaram no abstrato e tridimensional. Contemplando volumes de vários aspectos, principalmente as marcas deixadas pelas mãos dos educandos. Nosso intuito em nenhum momento foi produzir belas esculturas com as crianças. A intenção era aproximar os educandos da matéria e fazê-los interagir, o produto final dessa interação foi apenas uma conseqüência do processo. Por isso a intervenção em um lugar público trouxe o questionamento do belo principalmente 25 para o espectador. Porém, também isto foi intencional. Para que cada pai, professor ou quem passasse por ali, visse uma produção nada convencional que desperta em cada um indagações, sensações e talvez reflexões. Ou ainda passasse despercebida. O mais importante e gratificante com relação às crianças foi em nenhum momento elas terem rejeitado as produções ou atividades, ou as considerarem feias ou sem valor. Todos participaram sem preconceitos o que constata as palavras de Maddalozo (2007, p. 156): [...] a criança é o sujeito que mais apresenta essa fertilidade de espírito tão necessária para a fruição da arte contemporânea, pois está imune à prénoções históricas de gosto de apreciação estética. Para ela, a fruição artística perpassa experiências mais empíricas do que intelectuais. As ambientações foram trabalhadas em dois momentos, primeiro com a massa de modelar na escultura coletiva. E depois com objetos cotidianos. No primeiro momento os alunos trabalharam no coletivo, trazendo suas peças de massinha de modelar para construírem uma escultura que ficaria em um local escolhido dentro da sala. O espaço apropriado foi uma das mesas que não era utilizada. Nela foi esticado um jornal onde os alunos começaram a montar sua produção, já descrita, que ficou exposta algumas semanas. Figura 07 – Ambientação produzida pelos alunos Fonte: Arquivo Pessoal No trabalho com os objetos cotidianos o intuito era a montagem de espaços com os brinquedos das crianças, no entanto devido a quantidade grande de questões da arte contemporânea, abordadas em tão pouco tempo, transformamos este trabalho em uma dinâmica. 26 Primeiro aproveitando as pecinhas de montar da sala, para construírem um presente aos colegas, o que gostariam que eles ganhassem. Cada aluno então construiu um brinquedo e escolheu um colega para presentear. Os alunos montaram empolgados, brinquedos que, às vezes, só podem existir na imaginação. Embasada nas palavras de Ferraz; Fusari (1999, p. 85): Através das brincadeiras as crianças vivem situações ilusórias e aprendem a elaborar o seu imaginário, e muitas vezes até buscar a realização de seus desejos, mesmo que sejam irrealizáveis.[...] Esta capacidade imaginativa que faz a criança estrapolar [sic] a realidade é o que vai ajudá-la também a estruturar o pensamento abstrato. Cada educando escolheu um colega até todos serem chamados, e ao entregar falava sobre sua relação de amizade, quais as brincadeiras que mais gostavam etc. Essa atividade teve objetivo de transformar a brincadeira numa atividade, tendo o conhecimento da relevância do lúdico para os desenvolvimentos cognitivos, sociais e afetivos da criança. Sobre essa relação com o lúdico expõe Ferraz; Fusari (1999, p. 89): A experimentação, a criação, a atividade lúdica e imaginativa que sempre estão presentes nas brincadeiras, no brinquedo e no jogo, são também os elementos básicos das aulas de arte para crianças.[..] considerando importante a inclusão do brinquedo e da brincadeira como parte integrante dos métodos e procedimentos educativos de um programa de arte e em atividades infantis, principalmente quando envolver a construção, a manifestação expressiva e lúdica de imagens, sons, falas, gestos e movimentos. Ainda com relação ao lúdico na produção contemporânea completa Maddalozzo (2007,p. 156): O aspecto lúdico, inerente a esta faixa etária, é outro aliado valioso nessa empreitada. Muitas obras contemporâneas permeiam esse aspecto do observador, que infelizmente nem sempre o cultiva quando adulto, a ponto de despertá-lo no momento de apreciação da obra. Nesta fase a criança aprende com a brincadeira, cada atividade lúdica apresenta uma experiência que será guardada pela criança a qual de maneira prazerosa estará interiorizando um conhecimento. 2.1.4 Arte Efêmera 27 A atividade com as construções tridimensionais envolvendo a arte efêmera aconteceu em dois momentos, sempre após a modelagem das peças de papel machê. No primeiro momento ao término da modelagem das peças de machê, as quais simbolizaram os animais de jardim. Os educandos foram levados ao parque onde se situa a areia, e próximos uns aos outros escolheram um lugar para se sentar. A professora solicitou que cada um construísse uma moradia para seus “bichos”. E com seus nomes na memória os alunos iniciaram a construção efêmera tridimensional. Cada criança construiu a sua maneira, alguns com mais empenho, outros mais apressados. Um dos educandos, Tiago, chamou a atenção pelo cuidado e empenho. Fez uma construção grande, em duas partes, alisava a areia com os dedos fazendo caminhos para a “casa” de seu “bicho”. Outros, no entanto apenas levantaram um montinho de areia. A areia era muito seca e rasa, a professora então levou um balde com água para auxiliar nas construções. Figura 08 – Crianças produzindo na areia Fonte: Arquivo Pessoal No segundo momento a atividade ocorreu após a pintura das peças, onde algumas ficaram sem tinta para serem levadas a areia. Os alunos procederam da mesma forma só que agora com seus “bichos” em mãos. Para colocá-los em suas construções. As crianças criaram as “casas” e enterraram suas peças na areia. 28 A questão do efêmero é facilmente assimilada pelas crianças, que não se importam em desmanchar e construir novamente. Elas têm a noção que podem a qualquer momento produzir novos trabalhos. Figura 09 – Construções na areia com os “bichos” de papel machê Fonte: Arquivo Pessoal O que prejudicou essa atividade foi a areia que utilizamos ser do parque, pois no mesmo haviam vários brinquedos, os quais tiravam a atenção de alguns alunos, que se apressavam para poder brincar. E ao ver os colegas, os demais também queriam utilizar os brinquedos do parque. Diziam então “Professora o meu tá pronto”, ou “Eu já fiz”. O proposto foi então que se dedicassem naquele momento e terminassem, depois então poderiam brincar. Ao final fomos desenterrar as peças, para a montagem da intervenção já descrita. 2.1.5 APRECIAÇÃO DAS PRODUÇÕES ATRAVÉS DAS FOTOS As aulas culminaram num encontro para a apreciação dos trabalhos desenvolvidos e da relação das crianças com o tema proposto. As imagens registradas durante o estágio foram gravadas em DVD e apresentadas aos educandos. Reunimos-nos na sala para apreciar e discutir sobe o que aconteceu durante o estágio. Foram relembradas questões como o trabalho da artista Madalegna Atria em relação ao deles. Impressionou-me quando o aluno Tiago lembrou o nome do artista. 29 E também o material produzido por eles, com o qual trabalharam e as produções na areia. O mais emocionante para os educandos era se ver no vídeo. E o mais importante, participando de maneira ativa. 2.2 CONSIDERAÇÕES SOBRE O PROCESSO Considerando o educando como parte integrante e participativa de suas produções, atuando como autor e não co-autor dos professores, alcançou-se a resolução do problema encontrado na observação, através das vivências na arte contemporânea. As crianças se envolveram no processo, desde a produção das massas utilizadas até as intervenções realizadas com as peças produzidas. Buscou-se essa participação através de elementos da cotidianidade, propondo situações que instiguassem a expressividade infantil como propõe Ferraz, Fuzari (1999, p. 56/57): Sentir, perceber, fantasiar, imaginar, representar, fazem parte do universo infantil e acompanham o ser humano por toda a vida. Conseqüentemente, ao compreender e encaminhar os cursos de Arte para o desenvolvimento dos processos de percepção e imaginação da criança estaremos ajudando na melhoria de sua expressão e participação na ambiência cultural em que vive. As vivências em relação à arte contemporânea foram bem recebidas, comprovando a fala de Maddalozzo (2007) que a educação infantil é uma fase muito produtiva em relação a esta arte, pois não tem nenhum preconceito na produção e fruição estética. O abstrato e o efêmero foram as modalidades da arte contemporânea escolhidas, dentre as tantas possibilidades e nomeações encontradas. O que se pretendeu não foi restringir esta arte aos estilos utilizados, mas sim apresentar algumas das bases pelas quais é possível construir a partir da arte contemporânea na educação infantil. Arte esta que é denominada contemporânea porque acontece em nosso tempo e somos nós que a estamos construindo e delineando. 30 Os conceitos de arte contemporânea foram bem assimilados através das vivências. As crianças não hesitaram em produzir peças abstratas ou qualquer uma das linguagens contemporâneas utilizadas. No entanto para se conseguir um entendimento dos conceitos intelectuais de arte contemporânea seria necessário um aprofundamento maior e mais longo. Contudo neste estágio o intuito era proporcionar vivências onde os educandos participassem do processo criativo o qual foi alcançado, destacando-se mais nas experiências empíricas. Os educandos trabalharam com suas significações, o imaginário e a fantasia. Pois os objetos não contemplavam formas figurativas, mas sim peças abstratas embasadas no significado que a criança deu no momento em que produziu, relacionados a suas experiências cotidianas. Constatou-se a importância do imaginário que está presente em suas vivências diárias, nas brincadeiras, na conversa. Ele faz parte do desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança. As atividades sempre consideraram as experiências cotidianas como elementos principais. As brincadeiras, os objetos, as fantasias eram fundamentais. E constatou-se neste estágio a importância que têm no desenvolvimento da criança. Outro elemento crucial foi a fala na produção da criança. É através dela que a criança dá o significado e na relação com o outro constrói novas significações, constatando a idéia de Sueli Ferreira (1998). Neste ponto também se verificou a importância da participação do professor nesta relação da criança com sua produção e o outro. Esta experiência de estágio promoveu o primeiro contato da acadêmica como professora atuante na educação infantil, desde a produção das atividades, a escolha do tema a ser trabalhado e a metodologia na aplicação. Neste momento verificou-se a relação entre as teorias dos autores e as discussões embasadas na própria experiência da acadêmica estagiária. O confronto com uma nova realidade e metodologia de ensino, onde sem experiência e em apenas 30h tivemos que nos adequar à rotina, às crianças nesta faixa etária e as dificuldades ocorridas durante o estágio. Os problemas surgiram em relação a adequação do tempo de aprendizagem das crianças, necessitando o ajuste das atividades várias vezes. O que se viu como um desafio a ser superado e que contribui para o crescimento profissional da acadêmica estagiária. Desafio este que foi o fio condutor deste projeto desde o início 31 com a escolha da temática da arte contemporânea, que teve como eixo principal as vivências da acadêmica estagiária com esta linguagem. As satisfações, a resolução dos problemas propostos, todas as experiências positivas, serviram para a superação dos imprevistos e problemas ocorridos. Essas vivências são relevantes sabendo-se que o intuito do estágio é promover a participação do acadêmico em situações que culminem em seu crescimento neste nível de ensino. 32 3 A RELEVÂNCIA DA IMAGEM NOS PROCESSOS EDUCATIVOS EM ARTE Este capítulo aborda a relevância da imagem nos processos educativos em arte, propondo a compreensão crítica das mesmas como uma das necessidades primordiais para a formação estética e artística dos educandos, por meio da apreciação, fruição e reflexão do seu repertório imagético, em especial com a temática da figura humana. Realizados no ensino fundamental e médio. A participação da criança e sua compreensão como ser capaz de refletir a partir de suas idéias, apresenta o professor como instigador do processo de formação crítica e reflexiva do educando sobre as informações transmitidas nas imagens do seu entorno. Ao experimentar vivências que contemplam a produção e fruição de imagens de sua cultura visual, a criança tem a possibilidade de ser reflexiva e crítica, o que permite utilizar suas experiências cotidianas para seu desenvolvimento cognitivo. Essas vivências no cotidiano escolar trazem a importância da inserção da leitura de imagens no ensino da arte, mostrando os questionamentos e reações dos alunos em relação à leitura de imagens artísticas e publicitárias com a temática da figura humana e o nível de compreensão deles sobre as mesmas. No ensino fundamental o estágio foi aplicado no Centro de Educação Municipal Antonio Porto Burda, na 4ª série F, com o total de 27 educandos, na faixa etária de 10 anos. Ocorreu no 1º semestre de 2008, em 10h de observação e 20h de aplicação. Durante o estágio de observação percebeu-se a pouca utilização de imagens no conteúdo trabalhado. Esse é um problema geral na educação onde os alunos nem sempre conseguem interpretar e entender a mensagem ou intenção das imagens tanto artísticas quanto publicitárias. Verificando-se então a importância da inserção da leitura de imagens no ensino da arte. A leitura de imagens foi abordada a partir do foco da figura humana, utilizando elementos da cultura visual, através de reproduções de obras de artistas modernistas e imagens publicitárias retiradas da mídia televisionada e impressa, apresentadas pela estagiária de arte. Com o objetivo de promover situações que instigassem o olhar crítico dos alunos sobre imagens do seu entorno que apresentassem a figura humana, constam as atividades da produção de efeitos 33 visuais, criação de anúncios publicitários e o processo de gravação de propagandas vivenciado pelos educandos. Também as atividades com a leitura de obras artísticas do estilo modernista e a produção de desenhos da figura humana. As experiências contidas neste relato apresentam uma proposta participante e ativa dos educandos e da professora estagiária, ao passo que a leitura de imagens e a produção e fruição dos trabalhos exigiu reflexão, debate e atuação de ambas as partes para a compreensão dos assuntos abordados. As imagens produzidas pelos educandos sempre serviram de referência na leitura de imagens e reflexão sobre as produções reforçando a importância dos elementos da cultura visual das próprias crianças. No ensino médio as experiências do estágio foram desenvolvidas com alunos da Escola de Educação Básica Eurico Pinz, o qual teve o intuito de introduzir no cotidiano dos educandos algumas questões sobre a análise e reflexão da apresentação da figura humana na publicidade, no contexto específico de sua Cultura Visual. Estudos que abordam os elementos visuais não somente nas artes, mas também na mídia e na vida cotidiana. Buscou-se investigar elementos da Cultura Visual dos jovens, como a publicidade, imagens e vídeos, instigando sua percepção e reflexão sobre o seu repertório imagético. A compreensão crítica e performativa acerca da Cultura Visual foi abordada dentro das propostas de Fernando Hernandez (2007), que exploram novos posicionamentos e debates onde o educando se coloca no papel e não apenas decifra os textos publicitários. Abordando a Cultura Visual dentro da perspectiva auto-reflexiva oportunizamos ao educando observar de que maneira as manifestações de sua Cultura Visual refletem em sua vida, em várias dimensões. O estágio foi aplicado na Escola de Educação Básica Eurico Pinz, na 1ª série 02, com o total de 30 educandos, na faixa etária de 14 a 18 anos. Ocorreu no 1º semestre de 2009, em 10h de observação e 16h de aplicação. As aulas foram divididas por etapas de análise e produção acerca da publicidade com ênfase na figura humana. Na primeira etapa foram realizadas as análises dos elementos visuais dos anúncios publicitários. Num segundo momento uma reflexão sobre a apresentação da figura humana na publicidade, as modificações feitas com maquiagem e edição 34 de imagens. E finalizando com as produções dos educandos de anúncios fotográficos e vídeos. Apresentamos a importância da participação do adolescente no processo criativo e sua interação com a sua Cultura Visual. Descrevendo as atividades e todo processo realizado pelos educandos acerca da publicidade com a apresentação da figura humana na mídia, suas impressões e reflexões sobre este tema. 3.1 INTRODUZINDO AOS EDUCANDOS A LEITURA DE IMAGEM A PARTIR DA CULTURA VISUAL COM A TEMÁTICA DA FIGURA HUMANA Buscamos levar a criança e o jovem a perceber o universo visual de seu cotidiano, dentro de sua cultura visual, utilizando a leitura de imagens do seu entorno, como a publicidade e não apenas obras de arte. Com a pretensão de que compreendessem as imagens que os cercam e os confrontam diariamente, instigando-os a fundamentar suas interpretações e ter suporte para uma análise critica da cultura visual, foi-lhes possibilitado fazer contestações e diferentes relações. A cultura visual é uma vertente de estudos que nos mostra que não podemos deixar de lado todo esse bombardeio de imagens em nosso cotidiano. Podemos trabalhar com a cultura de massa, internet, mídia e outros meios de comunicação populares e comuns aos educandos, indo além das artes visuais clássicas. Fernando Hernández é um dos principais pesquisadores desse assunto. Sobre o autor coloca Paola Gentile (2003, p. 45): Ele destaca que estamos imersos numa avalanche de imagens e que é preciso aprender a lê-las e interpretá-las para compreender e dar sentido ao mundo em que vivemos. Assim, crianças e adolescentes serão capazes de analisar os significados da imagem, os motivos que levaram a sua realização, como ela se insere na cultura da época, como é consumida pela sociedade e as técnicas utilizadas pelo autor. Na escola, isso significa que o ensino de Arte ganha uma perspectiva mais profunda. De conhecedor de artistas e estilos, o aluno passar a ser leitor, intérprete e crítico de todas imagens presentes em seu cotidiano. A imagem é irrefutavelmente um poderoso meio de comunicação, ela “[...] ocupa um espaço considerável no cotidiano do homem contemporâneo” (BUORO, 2002, p. 34). A relevância que ela possui na sociedade é indiscutível. 35 Tanto na produção artística quanto na publicidade a imagem invade nosso cotidiano das mais diversas formas, agradáveis ou nem tanto. Os “Livros, revistas, outdoors, internet, cinema, vídeo, tevê, para citar apenas as fontes mais comuns, produzem imagens incessantemente, quase sempre a exaustão e diante de olhares de passagem.” (BUORO, 2002, p. 34) que sucumbem aos seus apelos visuais. Não há como fugir desta realidade o que nos cabe é compreendê-la e identificar o seu real sentido. As artes visuais apresentam a relevância da imagem na vida do ser humano, mostrando sua função na comunicação e interação entre as pessoas. Compreendêlas torna-se fundamental, e neste ponto se insere uma das práticas do arteeducador, fazer a ligação do indivíduo com a imagem, para que este não seja mero apreciador, mas interpretador e crítico sobre a produção imagética, pois “Numa interpretação, valores culturais são disseminados e estruturas sociais ganham vida a partir de espaços, movimentos, olhares, silêncios e vozes que interagem.” (MARTINS, 2007, p. 06) Ainda sobre a interpretação das imagens argumenta Martins (2007, p. 07): Imagens e obras de arte não se constituem apenas daquilo que expõem e como o expõem, mas também de silêncios e ausências. A interpretação é um ato que se constrói a partir da interpelação de várias práticas sócioideológicas e, por esta razão, o ato interpretativo sempre implica relações de concordância, resistência ou crítica a algo já valorado e de alguma maneira organizado, algo diante do qual se adota, de modo responsável, uma posição valorativa. As imagens nos constroem como sujeitos num labirinto de teias de significado que se interconectam nas dimensões sociais e simbólicas da cultura. Por tudo isso, é possível dizer que o conteúdo da arte e das imagens é a cultura. As imagens impregnam em si referências da prática social “[...] que estão cognitiva e afetivamente vinculadas a outras imagens e constituem uma trama conceitual entre imaginário e significado.” (Freedman, 1994 apud Martins, 2007, p.07)). E na sua interpretação nós a impregnamos ainda mais com nosso contexto construindo assim uma rede de possibilidades e leituras diferenciadas, pois “O significado não é uma qualidade intrínseca à imagem, mas uma construção que emerge na relação com intérpretes em contextos diversificados.” (MARTINS, 2007, As imagens carregam não apenas o aspecto visual formal, trazem também sentido e um contexto histórico, mostrando a cultura, a prática social de determinado tempo, além da visão sobre determinado tema em sua época. Como coloca Hernandez (apud MARTINS, 2007, p. 06): 36 [...] Como produto social e histórico, as imagens traduzem noções, crenças e valores, registram informações culturais e práticas de diferentes períodos. Elas influenciam a formação – identidade - do sujeito articulando representações visuais derivadas de visões e versões de mundo que estão presentes em modelos sociais de infância, adolescência, e juventude vigentes numa determinada época ou cultura. Martins (2007, p. 06) completa sobre essa abordagem da cultura visual na qual: [...] as imagens não são vistas como veículo de transmissão de idéias ou somo um sistema de significações transparentes. Pelo contrário, são tratadas como espaço de interação com os indivíduos, criando possibilidades de diálogo e interpretação. Assim, a cultura visual discute e trata da imagem não apenas pelo seu valor estético, mas, principalmente, buscando compreender o papel social da imagem na vida da cultura, colocando em perspectiva diferentes contextos culturais como espaços híbridos povoados pelas silhuetas de nossas presenças e identidades. A nossa proposta trata justamente essa questão, apontada pela cultura visual e do papel social da imagem na formação da identidade do educando. O contentamento provocado pelos apelos da comunicação visual, com o qual tem contato fora da escola, os vídeo-games, internet, história em quadrinhos, os meios de comunicação em massa, incluído a publicidade. Tanto intervêm no comportamento das crianças e jovens, alvos principais das campanhas publicitárias, devido a sua influência nas decisões de aquisição dos produtos de consumo. Em suas considerações Hernandez (2007) aponta que a satisfação que a cultura visual propicia na vida dos jovens não deve ser recriminada apenas, mas transformada em questionamentos sobre a influência que exerce na construção da subjetividade do jovem. A perspectiva auto-reflexiva enfoca temas como a análise, a satisfação e o posicionamento “[...] para propiciar experiências de subjetividade e, especialmente, para aprender formas complexas de compreensão e de intervenção social.” (HERNANDEZ, 2007, p. 68) Esta perspectiva, de acordo com o autor, favorece o compromisso mais amplo com o objetivo dos estudos críticos. Ela não trata apenas da reflexão ou apenas a satisfação, mas de forma mais completa que gere novos posicionamentos, novas formas de compreensão e atuação. Ela oportuniza aos educandos uma reflexão de como “[...] as manifestações da cultura visual refletem as relações de poder, contribuindo-se em termos de suas vidas e também com a dos educadores nas dimensões emocional, política, social e material.” (HERNANDEZ, 2007, p.70) 37 Essas possibilidades pedem uma postura mais aberta dos educandos, mas principalmente dos educadores na proposição do debate e da reflexão sobre as manifestações da cultura visual. Não impondo seu posicionamento como única verdade e sim ouvindo também o educando, construindo uma reflexão que leve em consideração ambas as partes, para então assumir posicionamentos diferentes dos iniciais em relação a cultura visual. Também “É importante ressaltar que significados das imagens mudam quando muda o entorno, o contexto que são veiculadas” (BAL, apud MARTINS, 2007, p.06) Assim como a imagem se altera dependendo do contexto social, a posição do espectador também se modifica, como coloca Ramalho e Oliveira (2006, p. 06) “A configuração das imagens muda ao longo do tempo e do espaço, todos nós sabemos; mas os modos de ver também se alteraram, dependendo do lugar ou da época na qual a experiência do ser humano diante da imagem se realiza.” Hoje a atitude em relação a imagem já não é mais a de mero apreciador pois a arte está mais próxima dos professores e alunos, como na arte contemporânea, esse contexto engloba mais um elemento para a interpretação da imagem, a interação que, de acordo com Ramalho e Oliveira (2006, p. 07): No ato da interação, o espectador passa de mero receptor passivo a inventor, ou mesmo co-autor da imagem, objeto ou evento artístico. Em síntese, a relação que a arte contemporânea propõe social e culturalmente é a de participação, para a qual é convocado todo ser humano, em suas múltiplas dimensões. Isto altera mais do que modos de ver: muda radicalmente a condição do apreciador, que passa de objeto a sujeito de arte. Nessa compreensão crítica sobre as imagens o professor tem como compromisso ser mediador entre as imagens e o educando. Pois o aluno não conhece apenas as imagens apresentadas pelo professor, ele já trás consigo um repertório imagético e é neste último que se faz ainda mais necessária a intervenção do professor de arte, visto que “Diante de um mundo mediado por uma cultura audiovisual, pelas relações comunicacionais e pela sociedade de consumo, o professor de hoje deve auxiliar o aluno a re-significar as imagens, o que é mais do que ser uma fonte de informação. “ (CLÁUDIO, 2006, p. 03) Os meios de comunicação de massa despejam sobre o educando uma imensidade de informação, a TV, DVD, videogame, revistas, Internet, outdoors. O professor acaba tendo que se posicionar perante essas imagens e atuar como um 38 mediador, para que as imagens não se sobreponham ao educando. O professor de acordo com Ramalho e Oliveira (2007, p. 06): [...] é um curador particular e especial: é ele quem deve ter e tem a responsabilidade e, felizmente, a liberdade para escolher as imagens com as quais vai trabalhar em suas aulas, em meio a esse acervo tão diversificado. [...] as selecionamos de acordo com os conteúdos que nos propomos ensinar, mas também levamos em conta os significados que as imagens estão a nos propor. De acordo com Buoro (2002, p. 31) “Nosso universo interno, tanto quanto a realidade objetiva, é dominado pela imagem. Por meio de imagens construímos nosso pensar, assim como organizamos seus produtos.” Contudo apesar dessa afirmação sobre importância da imagem Buoro (2002, p. 31,32) intera que : Surpreendentemente, porém, não existia no currículo escolar anterior aos PCNs e RCN nenhuma preocupação formalizada pelo Ministério da Educação que envolvesse o ensino de arte voltado à construção do conhecimento de leitores de imagens. A primeira iniciativa mais sistemática diz respeito à “Proposta Triangular” de Ana Mae Barbosa, pioneira e desencadeadora de inúmeros trabalhos, pesquisas e interesses sobre a questão da leitura da imagem. Embora a tradição histórica brasileira no ensino da arte esteja centrada no fazer concreto da produção de objetos, e não na leitura das imagens, percebe-se que vem aumentando significativamente o interesse do educador por conhecimentos mais aprofundados nessa área. A leitura da imagem faz parte do ensino, no entanto ainda muito voltada à obra de artistas deixando de lado a cultura visual, as imagens que fazem parte do contexto atual dos educandos. Ana Mae Barbosa (2001, p. 37) reforça sobre a proposta triangular, que o método de análise da imagem fica a critério do professor “[...] o importante é que obras de arte sejam analisadas para que se aprenda a ler a imagem e avaliá-la; esta leitura é enriquecida pela informação histórica e ambas partem ou desembocam no fazer artístico.” Com tudo isso podemos afirmar que a relevância da imagem nos processos educativos é irrefutável. Como afirma Buoro (2002, p. 34,35): É imperativo investir numa prática que transforme esses sujeitos em interlocutores competentes, envolvidos em intenso e consistente diálogo com o mundo, estimulados para isso por conexões e informações que circulam entre verbalidade e visualidade. A leitura de imagens deve ser explorada e aproveitada pelo professor de arte. Que tem como objetivo criar espectadores reflexivos e críticos sobre as produções imagéticas de seu tempo ou de outras épocas. 39 Ao abordar a leitura de imagem nos processos educacionais é necessário que se determine um foco de ação, uma temática que possibilite um aprofundamento e não apenas uma visão superficial da imagem. A figura humana aqui foi escolhida por sua incomensurável apresentação dentro da História da Arte e principalmente hoje no meio publicitário. Como afirma Derdik “A figura humana é a grande personagem da História da Arte.” (1990, p. 38) Perceber como o ser humano apresenta ou representa a si próprio dentro da história é o nosso objetivo. Como coloca Derdik “O homem é o grande autor das páginas da História, expressa pelos objetos, instrumentos, imagens que ele mesmo inventou [...].” (1990, p. 19) e ainda sobre sua relação com o mundo, que “O corpo humano pode ser considerado como instrumento de formação e de modificação do mundo. [...] A presença corporal confirma o ser, o estar e o fazer do homem no mundo.” (idem, p. 23) E nessa necessidade de se mostrar presente no mundo o homem representa a si mesmo através da figura, que de acordo com Derdik, (1990, p.31): [...] representa a imagem do corpo ao outro, e nessa comunicação silenciosa reinam as personas, as máscaras sociais, a figura que a gente constrói de si para o mundo. O corpo é efêmero, a figura é eterna ao edificar sua imagem e sua representação. As maneiras de apresentar a figura humana sempre “[...] estiveram associadas às condições e circunstâncias de uma certa época, bem como interligadas à relação que o homem mantém com seu próprio corpo: reflexos de uma determinada visão do mundo.” (DERDIK, 1990, p. 31) Os modos de representá-la variando entre “A predominância de retratos, o aparecimento de nus, a exuberância gráfica, enfim, são várias as tendências dominantes que acabam por nos revelar os múltiplos significados que o corpo assumiu dentro de cada cultura.” (idem, 1990, p. 31) Hoje “[...] o homem contemporâneo [...] convive com uma representação, quase que diária, de sua própria imagem, oferecida pelos meios de comunicação.” (DERDIK, 1990, p. 36) Toda a mídia utiliza a figura humana como principal meio de divulgação de produtos, apresentação da programação, na moda. Em toda publicidade a figura humana é uma grande referência. A figura humana antes modificada pela imaginação do artista, hoje é transformada pela tecnologia. Como previa Derdik (1990, p. 48) “A informática ainda 40 promete transfigurar e reconfigurar nossa percepção da figura humana.” Hoje a manipulação de imagens por computador modificando e tornando tudo possível em um curto espaço de tempo, interage elementos com a figura humana, cria espaços, modifica o corpo. E em “[...] um tempo marcado pelo culto do presente, cuja verdade é a noção de transitoriedade e mudança.” (idem, 1990, p. 36), transforma tudo instantaneamente. E é essa percepção que buscamos neste estágio, que o educando saiba diferenciar o que é real do que é criado, o que foi modificado, tanto pela mão do artista quanto do publicitário nos dias de hoje. Pois “A percepção, transformação dos sentidos, proporciona novas informações ao sujeito, novas atribuições ao objeto, fabricando dinâmicas configurações.” (DERDIK, 1990, p. 53) De acordo com Derdik (1990, p.75): A imagem e a percepção se amoldam a códigos socioculturais de representação, quando não subvertem os mesmos, promovendo então uma alteração destes, que passam a acompanhar o fluxo perceptivo e imagético que cada cultura, sociedade ou civilização constrói no tempo. Nossa proposta foi apresentar ao educando como a figura humana foi e nos é apresentada, principalmente na cultura visual, buscando nos meios mais vistos por eles, como a publicidade, formas de instigar sua percepção e reflexão sobre o seu repertório imagético. 3.2 LEITURA DE IMAGENS DE ANÚNCIOS PUBLICITÁRIOS COM A TEMÁTICA DA FIGURA HUMANA Atualmente a figura humana é apresentada em seus diversos estilos que comunicam sobre formas de agir e de viver. Muitas vezes de maneira a manipular espectadores que apreciam de forma passiva, absorvendo tudo como verdade sem a capacidade de interpretação e compreensão crítica. Como coloca Buoro (2002, p. 34) nós “Somos submetidos às imagens, possuídos por elas, e sequer contamos com elementos para questionar esse intrincado processo de enredamento e submissão.” A publicidade com a temática da figura humana foi o foco principal que embasou o desenvolvimento das atividades realizadas durante o estágio na 4ª série 41 do ensino fundamental. A partir dela se realizaram as atividades de leitura de imagens, criação de efeitos visuais e anúncios publicitários. Visando a compreensão crítica dos educandos sobre as imagens que o cercam. Foi iniciada a apreciação das imagens publicitárias com anúncios impressos em revistas. Passamos, então, para os alunos manusearem e observarem propagandas de sapatos da Via Marte (fig. 01) com manipulação do fundo da imagem. Onde seria iniciado um debate mas, devido a agitação dos alunos a professora estagiária decidiu iniciar a análise escrita. Foram expostas três imagens de propagandas (fig. 01), a primeira a que tinha sido mostrada, a segunda um anúncio de suco Ades, e a terceira do sapato Democrata, todas com manipulação da imagem, para que os alunos escrevessem o que viam nas imagens e o que as mesmas queriam vender. Neste momento os alunos se acalmaram e realizaram a atividade com concentração. A professora então pediu, de forma oral, o que havia em comum nas imagens, os educandos citaram pessoas, as cores preto, branco e cinza, outro aluno falou a cor marrom, outro que todos queriam vender alguma coisa. O que para a professora foi óbvio na escolha das imagens, para os educandos era mais um detalhe assim como os outros citados, a presença da figura humana nas três imagens. Neste momento notou-se que os educandos estavam mais apegados aos detalhes do que o tema central como visto na descrição escrita. Figura 10 – Anúncios para leitura de imagem Fonte: Arquivo Pessoal Nas questões realizadas pelos alunos sobre as imagens, foi perguntado sobre o que viam em cada imagem, do que se tratava e se já haviam visto a propaganda 42 em algum meio de comunicação. Os educandos descreveram os elementos vistos no anúncio, alguns colocando-os como elementos separados como descreveu Ana sobre a figura 01: “Eu vi, bota, flor, galho, balança, calça, camiseta, a mulher sentada em uma balança, letras. Eu vi na teve e a mulher está fazendo pose em uma balança.” E outros já colocaram as pessoas como referência na realização da ação como Patrícia “Uma mulher num balanço sorrindo, propaganda de botas, algumas flores, o fundo azul, alguns galhos, marca Viamarte eu já vi esta propaganda na TV.” Poucos alunos citaram outros meios de divulgação das propagandas como Internet e as próprias revistas de onde foram retiradas as respectivas propagandas. 3.2.1 Efeitos Visuais Envolvendo a Figura Humana na Publicidade Outro ponto bastante focado no estágio foram os efeitos visuais, onde tudo se torna possível. Focado neste ponto foram selecionadas imagens que mostrassem efeitos bem visíveis, foram vistas imagens de modelos voando, saltos nas nuvens. Figura 11 – Anúncio com efeitos visuais Fonte: Arquivo Pessoal E a partir das imagens vistas os alunos criaram, por meio do recorte e colagem de imagens de revistas, alguns efeitos impossíveis, compondo fundos e inserindo as figuras. A maioria dos educandos conseguiu alcançar a proposta, 43 montaram pessoas gigantes em cima de prédios, pessoas voando, saltando sobre carros e árvores. Apenas alguns fizeram somente a montagem de figura e fundo sem nenhum efeito impossível. Figura 12 – Produção dos alunos na criação dos efeitos visuais Fonte: Arquivo Pessoal Todos se envolveram na proposta, procuraram as imagens nas revistas, as quais eram edições que contemplavam muitas figuras de pessoas, lugares e anúncios publicitários, o que facilitou a procura e escolha. O recorte e a colagem também foram etapas fáceis, o que mais gerou dúvidas foi a própria escolha e a decisão por qual efeito e imagem escolher. Os educandos representaram os efeitos através da fantasia, como coloca Derdik (1990, p.75) “Enfim, poderíamos afirmar que a linguagem visual é a expressão concreta de um imaginário – aquilo que brota da corrente de imagens. Note-se que imaginário e imaginação são filhos da palavra imagem.” Na aula seguinte os educandos apresentaram seu trabalho da montagem dos efeitos. Cada um vinha a frente da turma e, após mostrar seu trabalho, falava sobre os elementos que utilizou e o efeito que pretendeu mostrar. Cada aluno comentava se o resultado de seu trabalho foi satisfatório. Os colegas complementavam com dicas para melhor representar o efeito, alguns diziam para acrescentar nuvens embaixo das pessoas, para representar melhor que estavam voando. Esta foi uma parte bem produtiva e participativa. 44 Em seguida a professora apresentou a proposta seguinte. Nesta os educandos continuariam com os efeitos, no entanto desta vez utilizando sua própria imagem, de uma foto, inserida em um fundo criado através do desenho. A primeira etapa foi a produção de um esboço com a posição que estariam na foto, e como estaria o fundo. Muitos tiveram dificuldade em representar a figura humana na pose desejada, contudo foi explicado que era apenas um esboço e que se concentrassem mais com a idéia que queriam passar, pois a dificuldade do desenho da figura humana seria abordada em outra aula. Depois dos desenhos prontos os alunos foram com a professora para o auditório, para realizar as fotos. Foi escolhido um espaço com o fundo neutro, para facilitar o recorte depois. O aluno olhava a posição do desenho e o reproduzia com o próprio corpo, o mais próximo possível para que a professora tirasse a foto. A professora então mostrou as fotos para cada aluno, onde cada um verificou se a foto ficou como o desejado. Todas ficaram de acordo com a intenção dos alunos e eles ficaram maravilhados em ver sua imagem na tela da máquina fotográfica digital. No encontro seguinte os alunos receberam suas fotos impressas em preto e branco, cada um recortou sua figura e recebeu um pedaço de papel paraná no tamanho A3 para desenhar o fundo de acordo com o esboço feito por eles. Os alunos que quiseram modificar puderam acrescentar detalhes, ou até mudar a cena. Como o suporte era maior que a folha do esboço muitos acrescentaram mais detalhes, mas mantiveram a síntese do trabalho feito no esboço. Figura 13 – esboço do desenho dos efeitos visuais e produção final dos efeitos visuais Fonte: Arquivo Pessoal Ao concluírem apresentaram suas propostas comparando com a primeira idéia mostrando o esboço, e depois a colagem no papel Paraná com o desenho. 45 Cada um explicou o que havia mudado e o que manteve. A maioria manteve a mesma idéia, no entanto percebeu-se que, para os educandos a mudança ou acréscimo de qualquer detalhe, era considerado como uma grande mudança. Os alunos demonstraram-se muito detalhistas, os colegas observavam e comentavam as que não estavam iguais ao esboço. Mesmo sendo mantida a mesma idéia, para eles não era igual. Os alunos detiveram-se mais aos detalhes das imagens analisadas, sem relacionar o tema geral, ou seja, a figura humana como elemento principal nas imagens. Poucos tiveram esta percepção. 3.2.2 Conscientizando os Educandos Sobre a Ilusão dos Anúncios Publicitários Nesta aula os alunos iniciaram o processo de produção de anúncios publicitários. Eles receberam a tarefa de transformar um produto qualquer em uma grande novidade, com vários atrativos, como acontece nas propagandas. Falamos sobre a ilusão promovida nas propagandas, que tem o intuito de lucrar com o venda do produto. Foi escolhido um objeto comum, que todos os alunos possuíam, no caso uma régua. A partir deste objeto, cada educando criou um novo design para as réguas redesenhando a mesma de acordo com as utilidades criadas por eles. Também um nome e um texto explicando o produto criado por eles. Neste trabalho a imaginação foi além. Criaram réguas “faz tudo”, com funções inimagináveis, ventilador, lixa de unha, celular, corta tudo; algumas tinham funções de eletrodomésticos, eletroeletrônicos e outras assumiam funções do ser humano, “alegra as pessoas”, “faz mágicas”, “penteia o cabelo” e ainda “vai ao banheiro em nosso lugar”. Eles fizeram uma viagem fantástica, anunciando um produto milagroso e ainda anunciando seu produto como segue a descrição da aluna Thaiane: Aproveite a promoção nunca ninguém viu uma régua dessa. Além de medir ela lixa as unhas, corta carne corta de tudo principalmente aço, ela tem canivete tem abridor de garrafa e cortador de pizza ela é uma escumadeira para pegar arroz ela vira uma panela isso mesmo uma panela, venha correndo aqui na loja ligue para o número (0xx21) 4002-8922. Ligue já 46 antes que as linhas congestionem liguem já...ligue antes que acabe as extremas réguas vamos ligue já. Figura 14 – Produção de anúncio publicitário a partir de um objeto comum Fonte: Arquivo Pessoal Neste ponto percebemos a capacidade criativa dos educandos na construção da imagem de um objeto ilusório, assim como o realizado em anúncios publicitários. Na relação da construção da imagem Derdyk (1990, p.75) aponta: A imagem nasce de uma experiência do mundo natural, sensível e visível. Mas também é oriunda de memórias e fantasias, de projeções e visualizações. Tudo isso para dizer que a imagem possui uma outra nascente, proveniente de um mundo invisível e impalpável. Os educandos apresentaram seus trabalhos aos colegas mostrando as utilidades que criaram para seu produto. 3.2.3 Produção de Anúncios Publicitários com os Educandos Nesta proposta relacionada a publicidade, tiveram que criar uma propaganda que seria gravada. Onde fariam o papel dos garotos propaganda, além de escolher o produto e criar o roteiro para a propaganda, passando pelo processo de criação. Os alunos escolheram seus grupos e fizeram o roteiro. Escolheram o produto a ser anunciado, decidiram como seria a história, os personagens que fariam parte da propaganda e então começaram a escrever suas falas. Foram escolhidos propagandas de lojas, roupas, calçados e carros. Cada grupo ficou responsável pelo seu cenário e produtos do anúncio. Os alunos iniciaram o ensaio, para a gravação. 47 Figura 15 – Preparação do roteiro pelos grupo Fonte: Arquivo Pessoal Nesta aula os educandos trouxeram todos os objetos de cena, e tiveram mais um tempo para o ensaio, feito na frente dos colegas. Este ensaio serviu para marcação de cena e possíveis modificações necessárias. Foi então preparado um fundo branco, e cada grupo de acordo com a ordem, escolhida por sorteio, organizou seu espaço. A maioria dos grupos escolheu o anúncio de lojas e não de produtos específicos. O primeiro grupo apresentou a propaganda de carros. Este grupo teve um diferencial, utilizaram bonecos em miniatura para representar os personagens. O anúncio se passava numa revendedora de carros e mostrava algumas vendas. Figura 16 – Ensaio para gravação da propaganda Fonte: Arquivo Pessoal O segundo grupo fez a propaganda de uma loja de brinquedos mostrando também o dia-a-dia de uma loja de brinquedos. O terceiro grupo a se apresentar mostrou o anúncio de um tênis. A propaganda se passou em uma loja e mostrava o desejo de adquirir um objeto 48 supérfluo. Este grupo foi o mais aplaudido pelos colegas, que gostaram da linha humorística do grupo. O próximo apresentou uma loja de roupas, este grupo havia feito a propaganda de marcas de camisetas, contudo mudaram na hora do ensaio, tratando do problema das marcas falsificadas. E encenaram uma blitz policial na loja, que fez a apreensão dos produtos falsificados. O quinto grupo apresentou uma propaganda de perfumes. Esta se passava em um shopping e mostrava a influencia da promoção na escolha dos produtos mesmo que sem qualidade. Esta atividade foi muito produtiva. Todos os grupos trouxeram seus materiais e tiveram idéias bem criativas, todos gostaram de participar e queriam se ver na filmagem. Quando então os grupos se viram na propagada gravada a reação foi unânime, uma reação maravilhada, os olhos brilhavam, achavam graça, as vezes ficavam encabulados ao ver sua interpretação na tela. Foi um momento muito especial. 3.2.4 Desenho da Figura Humana Foram apresentadas algumas obras artísticas com a temática da figurahumana, de Cândido Portinari e Tarsila do Amaral, que retratavam os traços modernos com as figuras deformadas mostrando aos alunos que os artistas se utilizam de outros estilos além do realismo. Foram mostrados alguns períodos da produção de Portinari, mostrando seu percurso do realismo da obra “Preto” (1934), passando para a estilização das linhas da obra “Retrato de João Candido com Cavalo” (1941), e culminando nas formas geometrizadas de o “O Tocador de Flauta” (1958). Para que os educandos percebessem que nem sempre o artista culmina seu trabalho no realismo, mas modifica e abstrai suas formas buscando a essência. As obras apresentadas demonstravam as diferenças de estilo na trajetória do artista, pois de acordo com Derdyk (1990, p.60) “Todo estilo promove uma conexão histórica: a prisão da forma, a convenção dos signos.” Também expusemos a obra de Tarsila “Carnaval em Madureira” (1924) que mostra mulheres de formas arredondadas e alongadas sem os detalhes da face ou 49 das mãos e que mesmo assim estas obras demonstram a figura humana em várias formas os incentivando à produção do desenho. O trabalho prático foi desenvolvido com o desenho de silhuetas do corpo inteiro, onde os educandos procuraram em revistas figuras do corpo humano e as recortaram, marcando o contorno no papel preenchendo o interior com os detalhes. Figura 17 – Desenho da silhueta da figura humana Fonte: Arquivo Pessoal E na seqüência o exercício de completar o rosto, recortando-os de revistas, colando metade e completando o outro lado através do desenho. Figura 18 – Desenho completando o rosto Fonte: Arquivo Pessoal As crianças falaram sobre a produção dos desenhos, alguns educandos consideraram que esta técnica facilitou o desenho auxiliando na proporção, outros sentiram dificuldade no desenho da silhueta, outros ainda preferiram fazer o desenho completo do rosto por observação. 50 3.3 ANÁLISES ACERCA DO ENTENDIMENTO DOS EDUCANDOS EM RELAÇÃO DAS IMAGENS Os trabalhos realizados neste estágio foram satisfatórios, pois se concretizou o objetivo de envolver a criança no processo da leitura de imagem, considerando o educando como parte integrante e ativa em suas produções, atuando de forma crítica e reflexiva sobre assuntos de seu cotidiano. Conseguiu-se a resolução do problema encontrado na observação, com a participação nesses processos através das vivências baseadas na proposta triangular, contemplando não somente a leitura de imagens, mas a contextualização e a produção. Os educandos mostraram, a princípio uma leitura formal, apenas dos elementos, mas aos poucos foram demonstrando senso crítico e refletindo sobre as imagens analisadas e suas produções. Participaram de todas as etapas ativamente, atingindo os objetivos dentro das propostas apresentadas e essa participação se deu de forma natural. A leitura de imagem foi inserida em ações cotidianas: ver televisão, ler revistas, apreciar sua própria imagem através de elementos cotidianos. Isso propiciou que fizessem análises e tivessem percepções mais aprofundadas dos assuntos que os cercam. As experiências de leitura de imagem foram bem recebidas justamente por não serem apresentadas de forma regrada com uma análise rígida seguindo passos. Os caminhos eram variados, mas sempre tendo relação de uma forma ou de outra com o tema proposto. Por vezes, foi necessário enfatizar a figura humana para que os educandos relacionassem de uma maneira mais formal o trabalho que vinham desenvolvendo com a leitura de imagem, também para que não se perdesse o foco principal. No entanto o intuito não era o de mostrar aos alunos as formas e os métodos de análise dos teóricos sobre a leitura de imagem. Tanto que não foram citados neste relato. A leitura era conduzida de forma a fazer com que o educando percebesse não apenas as formas, mas principalmente a intenção contida nas imagens que os cercam, como as publicitárias. Essa reflexão era a grande meta, introduzir as crianças na observação atenta e julgamento dos temas tão ligados a eles como a mídia e que também notassem como a figura humana é apresentada nestes meios e pelos artistas, para que se 51 sentissem capazes de produzir trabalhos com a figura humana, através do desenho um grande desafio para eles. Os educandos trabalharam com seus significados, a visão do mundo que os cerca e principalmente com a criatividade e imaginação necessárias à criação dos trabalhos (principalmente relacionados à publicidade). 3.4 ENVOLVENDO O JOVEM NAS QUESTÕES REFLEXIVAS ACERCA DE SUA CULTURA VISUAL POR MEIO DA PUBLICIDADE COM ÊNFASE NA FIGURA HUMANA A figura humana na publicidade foi o eixo temático que norteou as discussões propostas no estágio realizado com a 1ª série do ensino médio, despertando o olhar crítico dos jovens acerca da sua Cultura Visual, das imagens e vídeos da mídia que influenciam seu comportamento e sua visão de mundo. É necessário primeiramente elucidar os conceitos de publicidade e propaganda. Muito utilizadas como sinônimos, no entanto possuem significados distintos. Como coloca Karla Grillo (2006) a publicidade está ligada ao público, ao convencimento e persuasão, em relação ao uso de um produto ou serviço. Tem por objetivo buscar um consumidor, diferente da propaganda que tem a intenção de difundir ideias, esta busca adeptos e não consumidores. Abordamos a apresentação da figura humana dentro da publicidade, a influência deste meio de comunicação na vida do jovem a partir de elementos de sua cultura visual e a criação de propagandas difundindo propostas de cunho social desenvolvidas pelos educandos. O estágio teve início com uma pesquisa relacionada ao contato dos educandos com a mídia, os meios de comunicação e seu acesso aos mesmos. Foi distribuído um questionário sobre os aparelhos eletrônicos que possuem seu acesso a internet, que tipo de informação buscam nas revistas e televisão, que anúncios julgam interessante. Verificou-se que um terço dos educandos tem acesso a internet, aparelhos eletrônicos, celulares com câmera e MP3, lêem revistas e acompanham os comerciais, com assuntos variados, campanhas contra drogas, alcoolismo, esportes, carros, faculdades e vestibular. Marcas como coca-cola, havaianas, 52 desodorante axé, Red Bull, tubos e conexões Tigre e moda são os mais procurados. Nas revistas procuram também variados assuntos como carros, artistas, novela, notícias e principalmente moda e horóscopo. O primeiro contato dos educandos com a Cultura Visual no estágio foi por meio da leitura de imagens de anúncios publicitários com a temática da figura humana. Os educandos receberam anúncios impressos, com uma folha anexada, para que no primeiro momento colocassem suas impressões sobre a imagem, seus elementos visuais, qual o tema do anúncio, sua intenção, como se apresentava a pessoa e suas expressões. Cada educando descreveu de acordo com seus conhecimentos prévios as imagens. As descrições foram bem sucintas e objetivas, com pouca análise, contendo mais os pontos óbvios. Na sequência juntaram-se em duplas para debater sobre uma das imagens, à escolha da dupla e reescrever, acrescentando as mesmas pontuações citadas acima. Nesta etapa pouco acrescentaram. Os educandos sentiam-se bastante inseguros e ao fazer sua leitura a mantinham superficial. Neste momento foi feito o pedido para que os educandos trouxessem imagens para próximas análises, nas aulas seguintes, explicou-se que o trabalho seria baseado nas imagens de seu cotidiano, dentro de sua cultura visual, mais precisamente na publicidade com ênfase na figura humana. Figuras 19 – Exemplos de anúncios Publicitários utilizados na leitura Fonte: Arquivo Pessoal Na aula seguinte foi realizada a leitura da imagem, em conjunto, de um banner (fig. 20) com um anúncio de roupas, os educandos foram sendo indagados sobre as mesmas questões do trabalho anterior. Sendo que nessa leitura foram 53 focados os elementos visuais, que serviu de exemplo para a compreensão e reflexão a cerca de sua influência na imagem. O porquê do uso de certas cores, a posição dos modelos, o fundo, as formas, todas as combinações que denotam a intenção do anúncio. Figura 20 – Banner anúncio publicitário Fonte: Arquivo Pessoal Após esta análise os educandos receberam novamente as mesmas imagens da aula anterior para que agora fizessem uma nova leitura a partir deste embasamento, tendo que julgar se o anúncio atendia o seu objetivo de venda. Nessa análise completaram com mais embasamento suas ideias, tentando julgar a composição das imagens e intenção do anúncio, mas ainda de forma tímida. Os educandos foram questionados sobre qual o ponto comum entre as imagens recebidas, alguns mencionaram que eram propagandas, outros sobre produtos que haviam no anúncio, que contudo não eram comum a todos, até que chegaram ao ponto da figura humana, dizendo que eram as pessoas a questão em comum nos anúncios. A leitura se altera a partir do momento que se tem embasamento técnico e conhecimento histórico. Como se percebeu no momento em que os educandos refizeram a leitura da mesma imagem após o debate sobre os elementos visuais, sua percepção já era outra. Neste momento seria feito a leitura a partir das imagens trazidas pelos educandos, contudo o plano teve que seguir com as imagens apresentadas, pois os mesmos não trouxeram imagens ou vídeos sobre o tema. Seguimos então com 54 imagens mais próximas de sua realidade, o que viam na mídia, de acordo com a pesquisa realizada no primeiro encontro, acerca de seus interesses em anúncios publicitários. 3.4.1 Reflexões Acerca da Apresentação da Figura Humana na Mídia As maneiras de apresentar a figura humana de acordo com Derdik sempre (1990, p. 31): [...] estiveram associadas às condições e circunstâncias de uma certa época, bem como interligadas à relação que o homem mantém com seu próprio corpo: reflexos de uma determinada visão do mundo. [...] A predominância de retratos, o aparecimento de nus, a exuberância gráfica, enfim, são várias as tendências dominantes que acabam por nos revelar os múltiplos significados que o corpo assumiu dentro de cada cultura. Para mostrar as mudanças culturais de representação da figura humana demos início, em outra aula, a uma reflexão mais específica sobre a apresentação do corpo na mídia. Pois toda a mídia utiliza a figura humana como principal meio de divulgação de produtos, apresentação da programação, na moda. Em toda publicidade a figura humana é uma grande referência. Os educandos fizeram a leitura de anúncios de várias décadas, os quais foram apresentados em lâminas e debatidos na aula. O primeiro de 1924 apresentava a publicidade das meias-calça “Mousseline”, com a ingenuidade dos camponeses, nesta leitura os educandos falaram sobre o espanto do homem em ver as belas pernas da jovem sentada na árvore lendo, o mesmo ainda segura o ninho de ovos que retirou para que a moça se sentasse. Discorreram sobre a ingenuidade do rapaz, ausente de segundas intenções e da meiguice da moça. No segundo de 1951 um anúncio do sabonete “Lever” mostrando a estrela de cinema Elizabeth Taylor com o slogan “Siga as estrelas: use Lever e seja mais adorável esta noite. Usado por 9 entre 10 estrelas do cinema.”, denotando a influencia das atrizes na escolha das mulheres. Nesta imagem comentaram que a mulher já era mais vaidosa, com um toque mais sedutor. No seguinte de 1975, o anúncio dos cosméticos da “Max Factor” com uma estética diferenciada dos anteriores denotando mais sensualidade e ar de mulher fatal. Comentaram que a modelo estava se expondo mais e bem mais sensual que as outras anteriores. 55 E por fim, do ano de 2005, da “Natura” mostrando uma mulher alegre e radiante mais natural e original. Nesta explicaram que o produto deixava a mulher ao natural, mostrando a original idade, mas bem cuidada. Figuras 21 – Anúncios acerca da apresentação da mulher nas décadas de 20, 50, 70 e 2005 Fonte: Arquivo pessoal Provocamos com esta atividade uma reflexão acerca não só da apresentação da mulher nas décadas, como também uma amostra do comportamento das mesmas dentro da sociedade, a imagem que se tem em cada período. Nesta atividade os educandos puderam verificar que cada cultura representa a figura humana de maneira diferente a cada época (DERDIK, 1990, p. 36): [...] com seus códigos e convenções culturais, suas regras de proporção, suas leis de anatomia e simetria [...] o homem contemporâneo [...] convive com uma representação, quase que diária, de sua própria imagem, oferecida pelos meios de comunicação. Perceber como o ser humano apresenta ou representa a si próprio dentro da história faz-se necessário para compreendermos sua utilização na publicidade. Nesta mesma linha fizemos a leitura em conjunto do texto extraído da revista VEJA de 31 de agosto de 2005 intitulado “Agora em cartaz: a mulher normal”, que mostrava exemplos da apresentação de anúncios e comerciais estrelados por pessoas com rugas e gordurinhas extras. O mesmo não atendeu a expectativa desejada de um debate acerca do tema tratado, pois os educandos não demonstravam interpretação e compreensão do texto, argumentavam um ponto ou outro, mas somente após a simplificação do texto pela estagiária. Era esperado que os educandos tivessem a compreensão do texto, o que não ocorreu. Um grande problema corrente na educação em que os educandos não possuem, muitas vezes, habilidades básicas necessárias a compreensão e realização plena das atividades. 56 Fizemos então uma breve discussão e passamos para a atividade seguinte, da leitura dos vídeos. 3.4.2 Criação e Produção de Anúncios Fotográficos e Gravados Pelos Educandos Nesta etapa foram apresentados alguns vídeos sobre as transformações no photoshop e uma propaganda de atum que apresentava uma bela mulher desfilando em direção ao elevador, com um abdômen sarado, todos os homens ficam admirados. Quando o elevador se fecha, ela, sozinha, relaxa e mostra as reais proporções de sua circunferência. Em cima deste comercial lançamos a proposta de realizar um anúncio humorístico, mostrando as formas de ludibriar as pessoas. A sala foi dividida em grupos, nas aulas seguintes os educandos criaram as cenas e ensaiaram para a apresentação. Figura 22 – Anúncio “coma atum” Fonte: Arquivo pessoal O primeiro grupo apresentou uma cena de “propaganda enganosa” invertendo os papéis masculinos e femininos, mostrando que nem tudo que parece o realmente é verdade. No segundo grupo as alunas apresentaram um grupo de garotas que desfilavam com formas avantajadas, e nos bastidores tiravam os enchimentos, e mostravam a maquiagem exagerada. Comentaram sobre a futilidade, querer transformar o corpo, ser artificial. Garotas que mascaram suas formas. O terceiro grupo mostrou a venda de maquiagens prejudiciais. As revendedoras chegam a farmácia e oferecem os produtos, atestando a qualidade, alegando ser a maquiagem dos artistas. Chega o cliente e compra esta maquiagem, 57 depois de algum tempo o cliente retorna com a maquiagem manchada e exagerada, exigindo o ressarcimento do dinheiro. O grupo fez uma explanação ao final muito produtiva, alertando sobre os cuidados com o uso de maquiagens, e a propaganda enganosa, as pessoas que adquirem o produto pelo anúncio dos modelos, esperando ficar iguais. Mas que os mesmos são modificados no photoshop e a ilusão das promessas de beleza. O quinto grupo mostrou a cena em uma loja de produtos de marca. O indivíduo chega para ver os produtos e os vendedores oferecem uma jaqueta de marca, o cliente veste e sai sem pagar. Eles acionam a polícia e um colega o denuncia até que são presos. O sexto grupo mostrou um vendedor de telemarketing anunciando um carro, mostra uma linda ilustração. Os clientes compram por telefone sendo que o produto será entregue após o pagamento. Quando chega, é apenas uma figura do carro. O sétimo grupo mostrou um homem bombado que desfila apresentando os músculos. Os rapazes na rua elogiam sua “força”. Contudo quando chega em casa e tira a jaqueta, o irmão vai ver que é só enchimento, nada real. O oitavo grupo mostrou um anúncio de batom, mas ao sorrir a modelo revela os dentes cariados. Mostrando assim como no comercial apresentado que é possível esconder a verdadeira aparência. Figuras 23 – Cenas humorísticas realizadas pelos educandos Fonte: Arquivo pessoal Na atividade sequente foram apresentados vídeos de celebridades com e sem maquiagem e mudanças no photoshop de uma modelo para uma capa de revista. A figura humana antes modificada pela imaginação do artista, hoje é transformada pela tecnologia. Como previa Derdik (1990, p. 48) “A informática ainda promete transfigurar e reconfigurar nossa percepção da figura humana.” Atualmente a manipulação de imagens por computador modificando e tornando tudo possível 58 em um curto espaço de tempo, interagem elementos com a figura humana, cria espaços, modifica o corpo. E em “[...] um tempo marcado pelo culto do presente, cuja verdade é a noção de transitoriedade e mudança.” (DERDIK, 1990, p. 36), transforma tudo instantaneamente. De acordo com Derdik (1990, p.75): A imagem e a percepção se amoldam a códigos socioculturais de representação, quando não subvertem os mesmos, promovendo então uma alteração destes, que passam a acompanhar o fluxo perceptivo e imagético que cada cultura, sociedade ou civilização constrói no tempo. A primeira proposta de trabalho foi realizar um anúncio fotográfico, criando uma imagem perfeita do produto, utilizando a maquiagem para modificar a aparência e dar a melhor apresentação possível ao produto. E nessa necessidade de se mostrar presente no mundo o homem representa a si mesmo através da figura, que de acordo com Derdik, (1990, p.31): [...] representa a imagem do corpo ao outro, e nessa comunicação silenciosa reinam as personas, as máscaras sociais, a figura que a gente constrói de si para o mundo. O corpo é efêmero, a figura é eterna ao edificar sua imagem e sua representação. E a partir do sentido de se representar e construir uma imagem para ser apreciada pelos outros, simulando o que é mostrado na publicidade os educandos escolheram que produto queriam mostrar. Cada grupo escolheu um colega para ser o modelo tendo que maquiá-lo e preparar o produto para as fotos, havia os iluminadores e o fotógrafo. O estúdio foi montado previamente pela estagiária. Antes deste processo foram explicadas as técnicas básicas para fotografia, como a regra dos terços e iluminação. Dentro das análises e reflexões a cerca dos estudos da cultura visual é necessário apresentar os elementos de uma leitura formal, para que seja relembrada e compreendida a relação dos elementos da linguagem visual dentro da imagem. Mostrando a força que exercem na intenção do anúncio, e que antes das relações e conexões dentro da cultura visual com a temática da figura humana na imagem é indispensável ter uma compreensão básica sobre os elementos formais. Os educandos se dirigiram a sala onde o estúdio foi montado, cada grupo preparava o modelo, a iluminação e fotografavam, algumas fotos foram tiradas pela estagiaria para mostrar as linhas da regra dos terços na máquina. As fotos seriam apresentadas ao natural, mas devido a uma indagação da professora de arte, se seria realizada a edição de imagens, algumas foram modificadas pela estagiária 59 para que os educandos pudessem ver suas imagens transformadas. Este trabalho não envolveu os adolescentes, pois não teríamos essa possibilidade devido ao pouco tempo e a falta de acesso a laboratório de informática. Figuras 24 – Fotos dos anúncios fotográficos feitos pelos educandos Fonte: Arquivo pessoal Dentro da compreensão dos elementos formais da imagem os educandos realizaram a leitura de uma foto que deveriam trazer de casa. Como nem todos trouxeram fotografias o trabalho foi desenvolvido em grupo, onde analisaram os elementos visuais que haviam aprendido durante o estúdio fotográfico, enquadramento e iluminação, e fizeram seu julgamento sobre a imagem. Nesta etapa os educandos mostraram-se mais seguros em apresentar sua opinião ao analisar uma imagem, diferente da primeira leitura onde mostraram muitas dúvidas. Nas aulas seguintes os adolescentes criaram as propagandas em vídeo. Na proposta inicial o tema e o produto seriam de escolha dos alunos, mas devido a fatos ocorridos durante o estágio, de casos de violência no bairro atingindo a colegas dos educandos, verificou-se a necessidade de expor um tema social que possibilitasse a eles mostrar suas angústias e preocupações. E atendendo a proposta da Cultura Visual, de inserir questões de sua realidade para reflexão, os vídeos tiveram temas sociais como a prevenção contra o uso de drogas, gravidez na adolescência e violência. Os educandos fizeram o roteiro, criando as cenas, falas e os ensaios. No dia da gravação cada grupo trouxe o figurino e os materiais necessários. A filmagem e edição foram realizadas pela estagiária devido ao tempo de realização do estágio para que se cumprissem todas as propostas. Os grupos fizeram a preparação e a 60 gravação foi de um grupo por vez, os educandos estavam nervosos e ansiosos pela filmagem, contudo durante o processo, foram sendo explicadas as possibilidades de edição e que poderiam refazer a cena, o que os tranqüilizou. Houve nas propagandas temas como violência escolhido por dois grupos, um optou por gravidez na adolescência e três grupos apresentaram a luta contra as drogas. Temas escolhidos por eles a partir dos problemas que mais os incomodavam. Cada equipe apresentou de uma maneira, alguns fizeram interpretações de cenas, utilizando o teatro, outros escolheram textos para expressar suas idéias. Figura 25 – Imagens das propagandas sociais em vídeo produzidas pelos educandos (drogas, gravidez na adolescência e violência respectivamente) Fonte: Arquivo pessoal As propostas de criação das cenas, e dos vídeos com a participação ativa do educando propicia de acordo com Potrich e Sitta (2005, p.57) “[...] o desenvolvimento dos sentidos corporais, conferindo-lhes qualidade de experiência estética.” Complementam ainda sobre este tipo de aprendizagem “O saber da experiência está conectado com todos os sentidos do sujeito, encorajando-o a sentir e a pensar, reestruturando e valorizando suas experiências cotidianas.” (2005, p.58) O papel do educador é levar em conta os interesses e os prazeres em relação a cultura visual, como possibilitadores de reflexão crítica, sem apropriar-se ou “pedagogizá-los”. E compreender que esses interesses nem sempre são de todo o grupo, Hernandez (2007, p. 82) ressalta que não se trata de propor apenas o que lhes agrade e sim temas que representem desafios “colocando em circulação diferentes saberes e provocando o envolvimento do sujeito”. Os temas precisam ter relevância social. É importante “catar” as manifestações culturais de modo que estejam conectadas, o que nos permite fazer relações intertextuais. 61 Procurar saber que papel desempenha na construção de suas subjetividades e dos padrões culturais. Tudo isso é necessário para que dentro de uma abordagem crítica e performática possa se promover o equilíbrio de forma ativa “[...] reconhecer os prazeres dos estudantes e, ao mesmo tempo, favorecer-lhes uma indagação crítica e performativa.” (HERNANDEZ, 2007, p.89) 3.4.3 Apreciação das Produções dos Educandos Através dos Vídeos e Fotos e Avaliações No último encontro apresentamos aos educandos as fotos do estágio, todo o processo das várias atividades e a conclusão do anúncio fotográfico e as propagandas. Como coloca Derdik (1990, p. 19) “O homem é o grande autor das páginas da História, expressa inventou[...].” pelos objetos, instrumentos, imagens que ele mesmo e ainda sua relação com o mundo, “O corpo humano pode ser considerado como instrumento de formação e de modificação do mundo. [...] A presença corporal confirma o ser, o estar e o fazer do homem no mundo.” (1990, p. 23) Percebeu-se a apreensão dos educandos em ver-se e apreciar o que produziram e a preocupação com a avaliação dos colegas. Esse foi o momento de serem os autores de sua história, a partir de aflições e problemas vividos por eles. Ao ver sua imagem eles se firmaram como instrumentos de formação e modificação do mundo como cita Derdik em sua fala. Contudo o resultado surpreendeu a eles, que acharam interessante a possibilidade de edição da propaganda, com os cortes e a junção das melhores partes, ainda a sonorização. A edição foi montada pela estagiária a partir de elementos do universo jovem, como as músicas. A avaliação deu-se embasada na metodologia da “avaliação autêntica”, que de acordo com Vasconcellos (1995), propõe procedimentos que requerem comprometimentos dos educandos dentro de projetos que reflitam sobre situações da vida real. 62 Foram utilizados envelopes, como pastas de atividades, no qual os educandos guardariam suas atividades, completas e incompletas, bem como anotações e considerações sobre o trabalho. No entanto no envelope haviam apenas os trabalhos completos, isso devido aos métodos de avaliação tradicionais a que estão submetidos na maioria das disciplinas. Figura 26 - Alunos deixando sua marca no envelope das avaliações Fonte: Arquivo pessoal Trabalhos incompletos têm peso menor, e que não esta bom é sempre descartado e não anexado e considerado como parte do processo criativo e construtivo dos trabalhos. Isso se percebeu nas gravações do vídeo também, onde a fala dos educandos era, “O que não ficou bom apague.”, pois não há a consciência que este material também serve de parâmetro para avaliar a qualidade das produções. O material escrito contido no envelope era base para avaliação, aliados as práticas e debates em sala. Juntamente com o envolvimento e participação de cada educando em sala. Todo o processo foi avaliado desde a construção de ideias até a forma de por em prática. Aqui percebemos a grande dificuldade dos educandos de transformar uma ideia em prática, qual a forma de expressar e apresentar os temas desenvolvidos no grupo. Muitas dúvidas surgiram e algumas dicas da estagiária, de acordo com o proposto pelos educandos bastava para elucidar o trabalho e aplicar suas ideias criativas de uma forma dinâmica. 63 3.5 PONDERAÇÔES EM RELAÇÃO AO ENVOLVIMENTO DOS EDUCANDOS COM A CULTURA VISUAL Os trabalhos realizados neste estágio foram satisfatórios, pois se concretizou o objetivo de envolver os adolescentes no processo de reflexão sobre elementos de sua Cultura Visual, acerca da apresentação da figura humana na mídia. Considerando o educando como parte integrante e participativa de suas produções, atuando como autor e não co-autor dos professores. Conseguindo-se a resolução do problema encontrado na observação, com a participação dos adolescentes nesses processos de criação, análise, reflexão e ação através das vivências dentro da sua Cultura Visual. A resposta positiva se deve as novas vivências possibilitadas aos educandos, iniciando com a Cultura Visual, trazendo elementos de seu entorno, dentro da publicidade e não na obra de arte, o que despertou um leque de possibilidades. Mostrando que a arte está no seu entorno e não apenas no museu. Sendo que a partir da leitura de imagem e vídeos, com análises e reflexão, trouxe maior discernimento dos reais significados contidos na estética das imagens. Saber ler o mundo que o cerca, e principalmente seu entorno possibilita que tenhamos jovens conscientes e capazes de formar um julgamento acerca de qualquer assunto seja artístico ou não. A Cultura Visual traz este desafio, a partir de uma perspectiva reflexiva construímos situações e ações neste estágio que levaram a um amadurecimento em relação às questões reflexivas em arte, dentro de uma linha de estudos pouco utilizada em sala. O único percalço se deu na proposta de utilizar imagens e vídeos trazidos pelos educandos, o que quase não ocorreu na primeira etapa. As imagens utilizadas foram na maioria disponibilizadas pela estagiária, fato que gerou apreensão, mas que em nenhum momento afetou o envolvimento deles com as atividades. Este acontecimento trouxe uma nova perspectiva de trabalho, a expectativa pelas novidades, pelos vídeos e propostas apresentadas e principalmente pelo anseio das práticas. A ferramenta que possibilitou essa dinâmica e atenção dos educandos foram as técnicas de teatro, pela relação intrínseca com a publicidade, pelo faz de conta, a 64 interpretação de personas, os roteiros produzidos, relação essa tanto nas fotografias e principalmente nas cenas e propagandas sociais. Concluímos a importância da experiência estética na construção do conhecimento do educando. Através de uma perspectiva reflexiva, acerca das vivências cotidianas, trouxemos para a arte questões da vida do educando como parte de seu aprendizado. Utilizando sua Cultura Visual para compreender e ter discernimento das questões que os cercam na mídia e que afetam seu comportamento e modo de viver. E para que sua Cultura Visual não o atinja negativamente, buscamos neste estágio despertar nestes adolescentes a capacidade de julgamento acerca destas questões, para que não sejam mais meros apreciadores de imagens, bombardeadas pela mídia e sim leitores críticos do que acontece em seu entorno. 65 4 CONCLUSÃO Percebendo a grande influência da mídia e o bombardeamento de imagens criado pela comunicação visual, e principalmente os reflexos negativos no desenvolvimento das crianças e jovens, mostrou-se a necessidade de promover um trabalho que envolvesse essas questões contemporâneas dentro do contexto do educando. Cremos ter sido de grande valia os trabalhos realizados em arte a partir da arte contemporânea e cultura visual abordando a leitura de imagem. Pois despertamos nos educandos um novo olhar, mais crítico, sobre as imagens que o cercam e, consequêntemente, os assuntos de seu entorno. A arte possibilitou as descobertas, a experimentação e a reflexão dentro dos temas propostos. Procuramos promover o contato da criança com a arte de seu tempo, sendo produtor e participante no processo criativo, vivenciando desde cedo a criação artística e experiências estéticas a partir de elementos cotidianos. Dentro desta breve, contudo intensa, experiência de docência passando pelos vários níveis de ensino notou-se a necessidade de proporcionar o máximo de vivências artísticas, necessárias ao conhecimento e desenvolvimento pleno dentro da arte. Para que o educando esteja preparado para realizar essas práticas dentro do nível de ensino que está inserido, proporcionando um aproveitamento maior entre o que é proposto e o realizado. Buscamos sempre suprir as problemáticas observadas em cada nível através da concretização das propostas. Foi gratificante ver a participação das crianças na educação infantil criando, colocando a mão nas massas, e através do lúdico e da tridimensionalidade construindo por meio da arte contemporânea. Assim como no ensino fundamental e médio vimos a integração deles entre a arte e sua cultura visual, onde puderam observar a presença da arte não só em espaços expositivos e nas obras consagradas e no seu cotidiano dentro das informações a que tem acesso. Acompanhar as descobertas das possibilidades de edição de imagens e que são utilizadas nos anúncios que vêem diariamente que antes acreditavam ser representação da verdade, agora identificam como imagens, por vezes, ilusórias. E assim como o estímulo a criatividade através das produções, onde se colocaram como agentes transformadores da realidade. 66 Dentro das metodologias e propostas de trabalho iniciamos baseados na proposta triangular que aos poucos se uniu aos estudos da cultura visual e a metodologia dialética, buscando nestas tendências o mais adequado e atrativo aos educandos. Esse processo trouxe para a acadêmica uma experiência satisfatória dentro da aplicação das propostas, validando a pesquisa e adequação a novos métodos de trabalho que sempre visaram envolver o educando e torná-lo parte integrante e ativa nos processos educativos e criativos em arte. Alcançamos o objetivo de apresentar a arte que está próxima a eles e fazer esta ligação, despertando o senso crítico, para que passem de meros apreciadores a educandos atuantes e críticos acerca das questões artísticas da contemporaneidade. Um despertar a essas questões não apenas para o educando, mas para a acadêmica ao propor o desafio de utilizar metodologias diferenciadas e temas atuais, buscando através de pesquisas subsídios para o aprofundamento do trabalho realizado nos estágios. O que possibilitou um crescimento nas experiências aplicadas. Tendo o objetivo voltado a questionamentos da Arte na contemporaneidade, buscando não apenas sermos estudiosos da história da Arte, mas sim produtores e críticos. Colocando-nos como mediadores de opiniões e propositores de desafios, vivências e ações dentro da arte-educação. Fruindo e construindo a Arte na contemporaneidade. 67 REFERÊNCIAS ARNHEIM, Rudolf. Arte e percepção visual: Uma psicologia da visão criadora. São Paulo: Nova Versão, 2006. BARBOSA, Ana Mae. Tópicos Utópicos. Belo Horizonte: C/ Arte, 1998. BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da arte. 4ª ed. São Paulo: Perspectiva, 2001. BUORO, Ana Amélia Bueno Buoro. 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