Plano de Habitação de Contagem Volume I É com satisfação que a Prefeitura Municipal de Contagem deixa aos futuros gestores as diretrizes de ação da Política Municipal de Habitação expressas nas proposições contidas neste Plano de Habitação. Plano este decorrente dos compromissos assumidos pelo Município junto ao Governo Federal e que constitui a última etapa da adesão do Município ao Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social. O Plano foi elaborado ao longo da gestão em que estive à frente da Prefeitura e sistematiza o que foi executado e os desafios para o próximo decênio, uma vez que as politicas públicas e, em especial a política de habitação, tratam de ações e projetos de longo prazo. Assim, implementar e desenvolver uma cultura de planejamento na administração pública municipal, hoje, vejo como condição para fazer a cidade avançar em um patamar satisfatório de vida à todos os cidadãos. O ato de planejar é a mola propulsora para buscar novos avanços, parcerias e métodos de trabalho que tenham o planejamento participativo como um principio da democracia e um salto de qualidade na forma de administrar uma cidade e torná-la cada vez mais humana e melhor de se viver. A estratégia de ação central do Plano de Habitação, definida amplamente entre Prefeitura, Sociedade Civil e Conselho Municipal de Habitação, cuida de integrar e nivelar as condições sócio urbano ambiental da população das vilas e favelas de Contagem, bem como reduzir o déficit habitacional qualitativo e quantitativo da população de baixa renda. Para que nos próximos 10 ou 15 anos isto seja uma realidade, é necessário prosseguir e ampliar os níveis de investimento no setor habitacional da Prefeitura e ampliar as parcerias como os governos do estado e da união federativa. Recomendo aos futuros governantes da cidade de Contagem investirem na participação da sociedade na busca das soluções para os grandes desafios da questão habitacional. Oportunamente, este Plano, define a realização em 2013 da primeira conferência municipal de habitação no âmbito das estratégias e proposições aqui contidas. Marília Campos Prefeita Municipal Contagem, Dezembro de 2012. 1 prefeitura municipal de contagem PLANO MUNICIPAL DE HABITAÇÃO Elaboração e Realização Prefeitura Municipal de Contagem Prefeita Municipal Marília Aparecida Campos Empresa Contratada: Fundação AVSI Gianfranco Commodaro – Diretor Chefe de Gabinete André Teixeira CoordenaçãoTécnica Carolina Portugal Gonçalves da Motta Coordenação Geral Antonia Puertas Jimenez Secretaria Técnica Executiva Artur Magnani Figueiredo Coordenação de Política Fundiária Vinicius Henrique Figueiredo Técnicos Adriana Ribeiro de Gouveia Carolina Portugal Gonçalves da Motta Felipe Gustavo Conrado Matheus F. Barbosa Bahia Fritzsons Coordenação de Mobilização e Secretaria Técnica Executiva Rodrigo Seixas Coordenação de Comunicação Ivanir Corgosinho Secretaria Administrativa Janete Costa da Silva Sílvia Araújo Consultor Colaborador Sérgio de Azevedo Participação Natália Lelis (parte da primeira etapa) e Paula Carvalho Louzada (segunda etapa) Estagiários Bruno Giacomini Nogueira Coelho Victor Fernandes Siqueira 2 Plano de Habitação de Contagem Volume I COMPOSIÇÃO DO CONSELHO MUNICIPAL DE HABITAÇÃO Sociedade Civil – Movimento Popular Ângela Maria da Silva / Reginaldo de Souza Pinto Duarte Cláudio Soares Nogueira / Sirley de Jesus Santos Ivo Eustáquio Bruno / Celso Amarante de Sousa Josias Martins / Lourival de Souza Neto João Carlos de Souza Marcelino / Isabel de Paula Souza Sociedade Civil - Entidades André de Sousa Lima Campos / Geraldo Jardim Linhares Júnior Egmar Pereira Panta / Sérgio Mariano da Silva Aldo Geraldo Liberato / Ronaldo Rogério Maciel Adriana Gouveia / Regina Maria da Silva Ednéia Cândida Alcântara Machado Câmara Municipal Vereador Alexsander Chiodi da Silva / Vereador Rogério Braz de Almeida Vereador Ivayr Nunes Soalheiro / Vereador Adenir José Bravo Executivo Municipal Isnard Monteiro Horta (Presidente, Secretário da SMDU) Vinicius Figueiredo Henrique / Gildete Martins (SAHAB) Maria José Filardi Victoriano / Evaldirene Oliveira de Faria (SAHAB) Tânia Maria de Araújo Ferreira / Luciane Mitraud Carvalho (SMDU) Leonardo Borges Castro / André de Castro Meireles (SEMOBS) Maurício Rangel de Souza / Gláucia Lucas Coelho (SMDS) Antonia Puertas Jimenez(Gabinete da Prefeita) João de Deus Vanderley Coelho (SEFAZ) Jorge Abel Herbert de Melo / Dalbo Diaquenes Gonçalves dos Santos (SEPLAN) EQUIPE DE DIREÇÃO DA SAHAB Secretário Municipal de Desenvolvimento Urbano Isnard Monteiro Horta Coordenador de Intervenção em Assentamentos Precários Vinícius Figueiredo Henrique Coordenador de Novos Assentamentos Maria José Filiardi Victoriano Coordenação Executiva do PAC Habitação Claúdia Gontijo Andrade Diretores: Diretoria de Informações Silvânia Aparecida Lopes Teixeira Burato Diretoria de Projetos Habitacionais Aurélia Gimenes Antunes Gomes Diretoria de Aquisição e Locação Habitacional Maria Alice Coelho Paranhos Diretoria de Intervenção Integrada Rógelis Ferreira de Aguiar 3 prefeitura municipal de contagem LISTA DE SIGLAS MPM – Movimento Popular por Moradia NUDEC – Núcleo de Defesa Civil OGU – Orçamento Geral da União OP – Orçamento Participativo PAC – Programa de Aceleração do Crescimento PAR – Programa de Arrendamento Residencial PDDI – Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado PIB – Produto Interno Bruto PIIN – Plano de Intervenção Integrada PLANHAB – Plano Nacional de Habitação PMC – Prefeitura Municipal de Contagem PMCMV – Programa Minha Casa Minha Vida PMDB – Partido do Movimento Democrático Brasileiro PMHIS – Plano Municipal de Habitação de Interesse Social PMRF – Plano Municipal de Regularização Fundiária PMRR – Plano Municipal de Redução de Risco PNAD – Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios PNDU – Política Nacional de Desenvolvimento Urbano PNH – Política Nacional de Habitação PPA – Plano Plurianual de Aplicações PRODEFAC – Programa de Desenvolvimento de Comunidades Faveladas de Contagem PRÓ-FAVELA – Programa Municipal de Regularização de Favelas de Belo Horizonte PROVILA – Programa Municipal de Vilas PSDB – Partido da Social Democracia Brasileira PT – Partido dos Trabalhadores PTTS – Projeto de Trabalho Técnico Social PUC–MG – Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais REMO – Reassentamento Monitorado RMBH – Região Metropolitana de Belo Horizonte SAGEURB – SecretariaAdjunta de Gestão Urbana SAHAB – Secretaria Municipal Adjunta de Habitação de Contagem SBPE – Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo SEDUMA – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente SEFAZ – Secretaria Municipal de Fazenda SEMOBS – Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos SEPLAN – Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação Geral SETAS – Secretaria Municipal de Trabalho e Ação Social SETOP – Secretaria Estadual de Transportes e Obras Públicas SFH – Sistema Financeiro de Habitação SIGDAIS – Sistema Informativo Geográfico e de Dados das Áreas Especiais de Interesse Social SIMHIS – Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social SM – Salário Mínimo SMDS – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social SMDU – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano SNH – Secretaria Nacional de Habitação SNHIS – Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social SUDECON – Superintendência de Desenvolvimento de Comunidades TEAR – Trabalho Educativo nas Áreas de Risco UBS – Unidade Básica de Saúde UGC – Unidade Gestora de Convênio UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais UH – Unidade Habitacional ZAD – Zona Adensável ZEU – Zona de Expansão Urbana ZUI – Zona de Uso Incômodo ABC – Associação Brasileira de COHABs e Agentes Públicos de Habitação AMABEL – Associação de Moradores de Aluguel de Belo Horizonte AMAC – Associação dos Moradores de Aluguel de Contagem ANA – Agência Nacional de Águas ANSUR – Articulação Nacional do Solo Urbano AIS – Áreas de Especial Interesse Social AIURB – Área de Especial Interesse Urbanístico ARMBH – Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte ASMAC – Associação dos Catadores de Material Reciclável ASN – Aglomerados subnormais BIDU – Boletim de Informações e Dados Urbanos da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano da Prefeita Municipal de Contagem BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNH – Banco Nacional de Habitação BPC – Benefício de Prestação Continuada CA – Coeficiente de Aproveitamento CADúnico– Cadastro único para Programas Sociais CEASA – Central de Abastecimento de Minas Gerais SA CEB – Comunidades Eclesiais de Base CECON – Centro Empresarial de Contagem CEDEPLAR – Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de Ciências Econômicas – FACE da UFMG CEF – Caixa Econômica Federal CEMEI – Centro Municipal de Educação Infantil CEMIG – Companhia Energética de Minas Gerais CEURB – Centro de Estudos Urbanos da UFMG CGAR – Comitê Gestor de Áreas de Risco CINCO – Centro Industrial de Contagem COHAB – Companhia de Habitação COMHAB – Conselho Municipal de Habitação CONPARQ – Fundação Municipal de Parques e Áreas Verdes de Contagem CONTERRA – Companhia Municipal de Habitação COOHABEL – Cooperativa Metropolitana de Habitação Popular de Belo Horizonte COPASA – Companhia de Água e Saneamento de Minas Gerais CRI – Cartório de Registro de Imóveis CUCO – Companhia Urbanizadora de Contagem DOC – Diário Oficial de Contagem DPR – Diagnóstico Participativo Rápido FAR – Fundo de Arrendamento Residencial FAS – Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FJP – Fundação João Pinheiro FNHIS – Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social FNSHDU – Fórum Nacional dos Secretários de Habitação e Desenvolvimento Urbano FUMHIS – Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social HIS – Habitação de Interesse Social IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPTU – Imposto Predial e Territorial Urbano ITBI – Imposto Sobre Transmissão de Bens Imóveis LCE – Lei Complementar Estadual MCMV – Minha Casa Minha Vida MDB – Movimento Democrático Brasileiro (Partido Político) MDF – Movimento de Defesa do Favelado 4 Plano de Habitação de Contagem Volume I Lista de Gráficos Gráfico 6.11: Distribuição percentual dos domicílios anteriores, segundo material utilizado nas paredes externas destes Contagem, 2011......................................................................... 80 Gráfico 4.1: Composição do PIB municipal Contagem, 2011 ........................................................................ 23 Gráfico 4.2: Contribuição percentual do PIB municipal no valor agregado de Minas Gerais - Contagem, 2011 ................ 23 Gráfico 6.12: Distribuição percentual dos domicílios anteriores segundo a proveniência da água utilizada Contagem, 2011......................................................................... 81 Gráfico 4.3: Participação percentual dos maiores PIBs municipais de Minas Gerais- 2011 ................................................................... 24 Gráfico 6.13: Distribuição percentual dos domicílios anteriores, segundo a origem da energia elétrica utilizada - Contagem, 2011................................................................................................ 81 Gráfico 4.4: População Total de Contagem – 1950 a 2010............. 24 Gráfico 4.5: Pirâmide etária da população Contagem, 2000 e 2010.......................................................... 25 Gráfico 6.14: Distribuição percentual dos domicílios anteriores segundo a forma de coleta de lixo Contagem, 2011......................................................................... 82 Gráfico 4.6: Pirâmide etária da população dos assentamentos precários1 - Contagem, 2010................................................. 26 Gráfico 4.7: População segundo auto declaração de cor/raça Contagem, 2010......................................................................... 27 Gráfico 6.15: Distribuição percentual dos domicílios anteriores, segundo o tipo de escoamento sanitário utilizado Contagem, 2011......................................................................... 83 Gráfico 4.8: Taxa de alfabetização da população de 10 anos ou mais - Regionais de Contagem, Contagem e Minas Gerais, 2010................................................................................................ 27 Gráfico 4.9: Proporção de domicílios particulares permanentes segundo renda domiciliar per capita1em Salários Mínimos2 – Contagem e Minas Gerais, 2010........................................... 29 Gráfico 4.10: Distribuição percentual das pessoas de 10 anos ou mais por classe de rendimento no trabalho principal (em salários mínimos1), por regionais - Contagem, RMBH e Minas Gerais, 2010................................................................................................ 30 Gráfico 6.1: Distribuição percentual de domicílios segundo existência de banheiro ou sanitário e forma de coleta de esgoto Regionais, Contagem, Minas Gerais e Brasil, 2010......... 37 Gráfico 6.2: Número de Domicílios particulares permanentes em Assentamentos Precários sem banheiro ou sanitário de uso exclusivo – Contagem, 2010.................................................. 38 Gráfico 6.3: Distribuição percentual de domicílios segundo forma de distribuição de energia elétrica - Contagem, Minas Gerais e Brasil, 2010................................................................................... 39 Gráfico 6.16: Percentual de moradores segundo percepção de melhoria no acesso aos serviços de distribuição de água no domicilio ...................................................................................... 83 Gráfico 6.17: Percentual de moradores segundo percepção do acesso aos serviços de energia elétrica no domicilio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011................................ 84 Gráfico 6.18: Percentual de moradores segundo percepção de melhoria no acesso a coleta de lixo no domicílio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011................................ 84 Gráfico 6.19: Percentual de moradores segundo percepção do acesso ao escoamento sanitário, no domicílio atual em relação ao anterior - Contagem, 2011..................................................... 85 Gráfico 6.20: Percentual de moradores, segundo percepção de acesso aos serviços de saúde no domicílio atual, em relação ao anterior.......................................................................................... 85 Gráfico 6.21: Percentual de moradores segundo percepção do acesso a serviços de educação no domicílio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011..................................................... 86 Gráfico 6.4: Distribuição percentual de domicílios segundo fonte de distribuição de água - Contagem, Minas Gerais e Brasil, 2010................................................................................... 39 Gráfico 6.5: Distribuição percentual de domicílios, segundo forma de coleta de lixo - Regionais, Contagem, Minas Gerais e Brasil, 2010................................................................................................ 40 Gráfico 6.6: Número de domicílios particulares permanentes em Assentamentos Precários sem coleta de lixo - Contagem, 2010 ............................................................................................... 40 Gráfico 6.7: Número total de domicílios e número total de construções em Assentamentos Precários - Contagem, 2010............ 41 Gráfico 6.8: Proporção de residências alugadas em Assentamentos Precários do município de Contagem, 2010 ................... 42 Gráfico 6.22: Percentual de moradores segundo a percepção do acesso à creches no domicílio atual, em relação ao anterior Contagem, 2011......................................................................... 86 Gráfico 6.23: Percentual de moradores segundo acesso às praças e aos locais de esporte e lazer públicos, no domicílio atual em relação ao anterior - Contagem, 2011................................ 87 Gráfico 6.24: Percentual de moradores segundo percepção do acesso aos serviços de transporte público no domicílio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011................................ 87 Gráfico 6.25: Percentual de moradores segundo percepção da situação da segurança no domicílio atual em relação ao anterior Contagem, 2011......................................................................... 88 Gráfico 6.9: Escolaridade do morador entrevistado (chefe do domicílio ou conjugue) - Contagem, 2011........................................... 78 Gráfico 6.26: Percentual de moradores que afirmaram a existência de insetos ou animais transmissores de doenças no domicilio anterior e no atual - Contagem, 2011................................. 88 Gráfico 6.10: Percentual de famílias segundo satisfação como o domicilio atual, em relação ao anterior Contagem, 2011........................................................................ 79 Gráfico 6.27: Percentual de moradores, segundo satisfação em residir em apartamento - Contagem, 2011................................... 89 Gráfico 6.28: Percentual de moradores que consideram o condomínio organizado - Contagem, 2011............................................... 89 5 prefeitura municipal de contagem Lista de Figuras Lista de Tabelas Figura 4.1: Mapa da localização de Contagem na RMBH................ 22 Figura 5.1: Mapa da dinâmica metropolitana da RMBH.................. 33 Figura 5.2: Mapa de concentração da atividade imobiliária na RMBH....................................................................................... 34 Tabela 3.1: Déficit Acumulado e as metas do Programa Minha Casa Minha Vida – distribuição do déficit por faixa de renda – 2009.......................................................................... 19 Figura 12.1: Sequência das atividades de Participação Popular........................................................................................144 Tabela 4.1: Taxa de crescimento populacional entre 2000 e 2010Contagem, Belo Horizonte, RMBH, Minas Gerais e Brasil.28 Lista de Quadros TABELA 6.1: Número de domicílios segundo tipologia do IBGE - 2010................................................................................... 36 Quadro 6.1: Conjuntos Habitacionais construídos no âmbito do PAR, regional do empreendimento, número de unidades habitacionais e data de inauguração - Contagem, 2000 a 2003................................................................................................ 50 Tabela 6.2: Número de domicílios particulares permanentes, percentual de domicílios particulares permanentes segundo tipo de família e número médio de moradores - Contagem, RMBH e Minas Gerais, 2010..................................................................... 37 Quadro 6.2: Unidades Habitacionais produzidas no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida, regionais, número de unidades e agentes responsáveis pela construção....... 51 QUADRO 6.3: AIS1 – Vilas, favelas e loteamentos públicos de Contagem 2008................................................................................................ 58 QUADRO 6.4: Tipo de localidades em Contagem por região – 2012................................................................................................ 62 QUADRO 6.5: Loteamentos habitacionais particulares irregulares..................................................................................... 64 QUADRO 6.6: Loteamentos habitacionais irregulares em Contagem 2012................................................................. 66 QUADRO 6.7: Síntese do número de AIS 1 e aglomerados subnormais (ASN) por regiâo e nº de domicílios - SAHAB 2008 e IBGE – 2012................................................................................................ 69 QUADRO 6.8: Loteamentos públicos irregulares de Contagem 2012 SAHAB............................................................................................ 71 QUADRO 7.1: Ações de saneamento integrado...................................102 Tabela 4.2: Número absoluto, taxa de crescimento, número de incremento populacional, percentual da população por regional e proporção de mulheres e homens em cada regional e na população do município Contagem, 2000 e 2010 ......................................................... 28 Tabela 6.3: População e projeção populacional da população total Contagem, 2000, 2010, 2015, 2020, 2023 e 2025........... 43 Tabela 6.4: Número de domicílios e projeção do número de domicílios por renda, local de moradia - Contagem, 2010, 2015 e 2023 Projeção Conservadora........................................................... 44 Tabela 6.5: Número de domicílios e projeção do numero de domicílios por renda, local de moradia – Contagem 2010, 2015 e 2023 ............................................... 45 TABELA 6.6: Tabela síntese do acréscimo no número de domicílios, a partir dos dois cenários de projeção.................................. 46 Tabela 6.7: Déficit Habitacional Básico e Déficit Qualitativo, total e por assentamentos precários – Região Metropolitana de Belo Horizonte, 2000 e 2008; Contagem, 2000, 2008, 2010, 2015 e 2023.............................................. 47 Tabela 6.8: Síntese da projeção de domicílios, déficit habitacional e inadequação total e em assentamentos precários Contagem, 2023......................................................................... 53 QUADRO 7.2: PIIN - Plano de intervenção integrada.........................103 TABELA 6.9: Número médio de pessoas por domicílio em cada conjunto e em seus domicílios anteriores - Contagem, 2011....... 78 QUADRO 7.3: Urbanização Integrada com Remoção e ReassentamentoTotal.............................................................104 TABELA 6.10: Número médio de pessoas por dormitório em cada conjunto e em seus domicílios anteriores - Contagem, 2011..........78 QUADRO 7.4: Urbanização Integrada com Remoção Parcial..........104 QUADRO 7.5: Regularização Fundiária Plena..............................................105 TABELA 7.1: Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social / despesa empenhada - 2007 a 2011 (R$)...........................................100 QUADRO 7.6: Quadro geral de urbanização de vilas e produção habitacional de interesse social.........................................106 Tabela A.1: Valores totais estimados para os Programas e Ações do Plano de Habitação de Contagem, 2012 a 2023..........157 QUADRO 7.7: Obras de risco contenção de encostas........................107 Tabela A.2: Valores anuais estimados para os Programas e Ações do Plano de Habitação de Contagem, 2012 a 2023..........158 Quadro 10.1: Metas, Indicadores, Objetivos, Prazos e Responsável:..........................................................................112 Quadro 10.2: Metas, Indicadores e Prazos..........................................115 Quadro 10.3: Metas, Indicadores e Prazos:.........................................117 Quadro 10.4: Metas, Indicadores e Prazos:.........................................119 Quadro 10.5: Metas, Indicadores e Prazos:.........................................122 QUADRO 11.1: Metas em execução pela SAHAB/ FUMHIS: ............130 6 Plano de Habitação de Contagem Volume I SUMÁRIO INTRODUÇÃO.............................................................................................................................11 1. APRESENTAÇÃO.....................................................................................................................12 2. METODOLOGIA ......................................................................................................................14 CAPíTULO I......................................................................................................................16 3. CONTEXTO NACIONAL DA POLÍTICA DE HABITAÇÃO........................................................16 3.1 Sistema Nacional de Habitação.................................................................................................17 3.2 Programas e Ações Federais........................................................................................................18 3.2.1 O PMCMV dentro do contexto do Plano Nacional de Habitação e da Prefeitura de Contagem..................................................................................................18 4. CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO ASPECTOS HISTÓRICOS, SOCIOECONÔMICOS, AMBIENTAIS E URBANOS....................................................................................................20 4.1 Histórico da Evolução Urbana e Habitacional do Município.............................20 4.2 Aspectos Gerais e Econômicos...................................................................................................22 4.3 Aspectos Demográficos e Econômicos da População ............................................24 5. CONTAGEM E SUA INSERÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE.....30 5.1 Empreendimentos Estruturantes e Sistema Rodoviário na RMBH....................32 5.2 As Centralidades Metropolitanas..........................................................................................32 5.3 Atividade Imobiliária Atual...........................................................................................................33 5.4 Contagem no Plano Metropolitano......................................................................................35 CAPíTULO II....................................................................................................................36 6. DIAGNÓSTICO HABITACIONAL.............................................................................................36 6.A. CARACTERIZAÇÃO DOS DOMICÍLIOS..............................................................................................36 6.A.1. Projeção populacional e do número de domicílios .................................43 6.A.2. Déficit Habitacional Quantitativo e Qualitativo ..........................................46 6.A.3. Produção Habitacional e Mercado Imobiliário (Oferta Habitacional)...........................................................................................................................49 6.A.4. Síntese dos domicílios e déficit habitacional.................................................52 6.B. POLíTICA FUNDIÁRIA .............................................................................................................................54 7 prefeitura municipal de contagem 6.B.1. Contexto......................................................................................................................................54 6.B.2. Marco legal e ações desenvolvidas........................................................................56 6.B.3 Ações realizadas e em desenvolvimento..............................................................57 6.B.4. Ações necessárias identificadas como inexistentes...................................62 6.C. ÁREAS DE ESPECIAL INTERESSE SOCIAL ........................................................................................68 6.C.1. AIS 1 e Aglomerados Subnormais...............................................................................68 6.C.2. AIS 1 e Loteamentos Habitacionais Públicos Irregulares .......................70 6.C.3. AIS 2 e principais instrumentos urbanísticos....................................................72 6.D. EMPREENDIMENTOS HABITACIONAIS OBJETO DE PESQUISA..............................................75 6.D.1. Descrição dos empreendimentos habitacionais ...........................................75 6.D.2. Perfil socioeconômico e pesquisa de satisfação dos moradores reassentados .........................................................................................................................77 6.D.3. Síntese dos dados da pesquisa nos conjuntos habitacionais...........90 CAPITULO III...................................................................................................................91 7. SISTEMA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL DE CONTAGEM...............91 7.1 Contexto Histórico............................................................................................................................91 7.2 Contexto da Atual Gestão............................................................................................................95 7.3 Desenvolvimento do Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social.96 7.4 Conselho Municipal de Habitação (COMHAB)...................................................................97 7.5 Conferência Municipal de Habitação....................................................................................99 7.6 Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (FUMHIS)...............................99 7.7 Política Municipal de Habitação de Interesse Social............................................. 100 7.8 Órgão Gestor da Política e Principais Ações Implementadas........................... 101 CAPiTULO IV................................................................................................................109 8.ESTRATÉGIAS DE AÇÃO........................................................................................................109 8.1. Justificativa da estratégia...................................................................................................... 109 9. PRINCÍPIOS E OBJETIVOS ...................................................................................................110 9.1. Princípios............................................................................................................................................... 110 9.2 Objetivos................................................................................................................................................. 111 9.2.1 Objetivo Geral........................................................................................................................ 111 9.2.2 Objetivos Específicos ....................................................................................................... 111 8 Plano de Habitação de Contagem Volume I 10. DIRETRIZES.........................................................................................................................112 10.1. Diretriz e metas da Ação Institucional....................................................112 10.2. Diretriz e metas da Participação Popular e Controle Social....................... 115 10.3. Diretrizes e metas da Política Fundiária.................................................117 10.4. Diretriz e metas da Política de Inclusão Social, Urbana e Ambiental.... 119 10.5. Diretriz e metas da Política de Produção Habitacional.................................. 121 11. PROGRAMAS MUNICIPAIS................................................................................................124 11.1. PROGRAMA MUNICIPAL DE PREVENÇÃO E REDUÇÃO DE RISCO.................................... 125 11.2. PROGRAMA MUNICIPAL DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA............................................... 128 11.3. PROGRAMA MUNICIPAL DE URBANIZAÇÃO PLENA E INTEGRADA DE VILAS E FAVELAS..................................................................................................................................................... 131 11.4. PROGRAMA MUNICIPAL DE REASSENTAMENTO MONITORADO (REMO).................... 134 11.5. PROGRAMA MUNICIPAL DE BOLSA MORADIA........................................................................ 135 11.6. PROGRAMA MUNICIPAL DE MANUTENÇÃO E CONTROLE EM AIS 1............................. 137 11.7. SERVIÇO MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO HABITACIONAL ....................................................................................................................................... 140 12. AÇÕES COMPLEMENTARES TRANSVERSAIS ..................................................................142 12.1. Criação do Órgão Gestor da Política de Habitação........................................... 142 12.2. Participação Popular e Controle Social.................................................................... 143 12.3. Demarcação de terras para AIS 2....................................................................................... 145 12.4. Parceria com IBGE ......................................................................................................................... 147 12.5. Implantar Assistência Técnica ............................................................................................ 147 13. SISTEMA DE AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DAS AÇÕES DA POLÍTICA DE HABITAÇÃO.........................................................................................................................149 14. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................149 Referências............................................................................................................................152 APÊNDICE..................................................................................................................................156 A. ESTIMATIVAS DE CUSTO DAS AÇÕES E PROGRAMAS................................................................ 156 9 prefeitura municipal de contagem 10 Plano de Habitação de Contagem Volume I INTRODUÇÃO Este documento constitui o Plano Municipal de Habitação de Contagem. Está organizado em quatro capítulos. O primeiro apresenta sucintamente a metodologia de elaboração e a política nacional de habitação. Contextualiza e caracteriza o Município nos aspectos históricos, econômicos, sociais, ambientais, e, no processo de urbanização e inserção da cidade na região metropolitana de Belo Horizonte. A segunda parte trata da elaboração do diagnóstico habitacional e projeção da demanda habitacional até 2023, a avaliação da política fundiária, com uma sistematização das ações e algumas práticas da atual Política Municipal de Habitação, bem como, a elaboração de pesquisa quantitativa em três empreendimentos habitacionais, formando o diagnóstico habitacional e a análise e avaliação que o Plano apresenta da conjuntura em que se desenvolve. O terceiro capitulo do Plano discute e avalia a implantação do Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social (SIMHIS) discorrendo sobre ações e programas governamentais nas últimas décadas e a base normativa e institucional. A ênfase fica com a atual gestão administrativa formada por dois mandatos consecutivos. O quarto e, último, capítulo cuida da estratégia de ação. A definição e ampliação das diretrizes, estratégias, linhas de ação e programas que seguem neste Plano são expressão e, também, demanda das intervenções atuais. As novas proposições apresentadas são de caráter complementar e interdependentes às linhas de ação e programas em execução. A estratégia de ação adotada é a confirmação da práxis em desenvolvimento no processo de urbanização integrada de Vilas e Favelas e a demarcação de áreas vazias destinadas a habitação de interesse social. O Plano evita o estabelecimento, definição ou hierarquia de prioridades por considerar ser esta uma questão dependente de rigorosos critérios técnicos e políticos conforme os meios e possibilidades que surgem a cada momento da ação de intervenção na realidade e da gestão administrativa. É necessário esclarecer que a elaboração do diagnóstico habitacional realiza-se antes do IBGE divulgar a totalidade dos dados do Censo Demográfico de 2010 . Este fato, aliado aos investimentos de urbanização de vilas e favelas e infraestrutura urbana, recentes, bem como parte do aumento populacional gerado pela produção habitacional da iniciativa privada, não foram registrados na totalidade pela pesquisa de dados do referido Censo, interferindo, portanto, nos dados e análise do diagnóstico a que se chegou. O Plano é composto de três volumes, denominados: Cadernos de Habitação. O primeiro caderno trata do Plano propriamente dito, o segundo trata de caracterizar e elaborar um breve diagnóstico dos assentamentos precários existentes e, o terceiro, de circulação interna restrita, trata da identificação e proposta de demarcação de áreas vazias como Áreas de Interesse Social – AIS2, destinadas para habitação de interesse social. 11 prefeitura municipal de contagem 1. APRESENTAÇÃO A Prefeitura Municipal de Contagem, aliada ao Governo Federal na implantação da Política Municipal de Habitação, ao finalizar a elaboração do Plano Municipal de Habitação, reafirma a determinação de fazer frente a dívida social urbana e ambiental acumulada no processo de inversão da população brasileira do campo para a cidade. Assim, diante dos desafios do crescimento desordenado e descontrolado das cidades brasileiras, realiza esforços junto ao grave problema habitacional que as regiões metropolitanas brasileiras apresentam, principalmente, junto a população de menor renda e, em especial, àquelas famílias que necessitam ter o Estado como propulsor de seu desenvolvimento. Nesse contexto o Plano Municipal de Habitação, apresenta e reforça os princípios da Política Municipal de Habitação, seus objetivos e amplia as diretrizes programáticas. O diagnóstico habitacional aponta o desafio de reduzir o déficit habitacional, sobretudo da população de interesse social, bem como o desafio de suprir os problemas de infraestrutura e risco das moradias. Os desafios decorrentes do diagnóstico passam pela destinação de terra, áreas para a produção habitacional à população de menor renda. Assim este plano dialoga com os programas e demais ações no âmbito da política de habitação em curso na cidade e propõe a demarcação de áreas como AIS 2, estratégia que deve estar aliada à implantação de serviço público permanente de controle do território municipal. As estratégias que o Plano apresenta endossam a prática e os programas em desenvolvimento e a necessária sintonia com a Política Nacional de Habitação e com as estratégias de ação do Ministério das Cidades, que, no âmbito municipal, são determinantes do planejamento a ser promovido e atualizado periodicamente. As proposições do Plano explicitam e levam a reflexão da necessária organização dos poderes públicos, da iniciativa privada e das organizações populares para fazer frente a complexidade da questão habitacional na cidade e na região metropolitana. O grande consenso que se pode aferir e que se diferencia do que já é praticado, é a necessária implantação de ações para fazer frente ao ciclo - loteamento irregular, falta de habitação para a população de menor renda e autoconstrução irregular nas periferias -, fundamentalmente em territórios ocupados que se “favelizam” por necessidade real de moradia ou por investidores de pequeno porte que promovem a moradia de aluguel irregular e, em áreas de risco. A parte ilegal da cidade avança nas áreas mais frágeis ambientalmente e mais impeditivas que são as áreas de proteção de mananciais, fato que se observa na cidade a partir dos anos 80, principalmente em Vargem das Flores, e, poderá ser agravado na atualidade pelo excessivo impacto no preço da terra gerado pelo Programa Minha Casa Minha Vida. A busca de uma Contagem mais igual, mais democrática passa por uma reforma urbana com centralidade na produção de terra urbanizada e legal para o segmento populacional de menor renda. Portanto, pelo controle do uso e ocupação da terra, para cumprir sua função social. O fato de no contexto deste Plano estar parcialmente incluída a demarcação e a destinação de terras particulares para serem ocupadas e comercializadas como área de interesse social constitui o eixo central e de concretude à Política Municipal de Habitação, bem como as metas e instrumentos de ação que são apresentadas neste Plano. A estratégia central do Plano é a intervenção integrada de urbanização e regularização fundiária das Vilas e Favelas, com ênfase no aproveitamento dos territórios ocupados, na perspectiva do melhor aproveitamento do solo e, aqueles territórios objeto de intervenções urbanísticas, que passam a constituir localidades em condições de regularização fundiária. O processo de intervenção integrada que se desenvolve para urbanizar vilas e favelas, da fase de planejamento participativo até o ciclo de obra e regularização fundiária, deve interagir com as demais políticas públicas que estão presentes no território ou na articulação daquelas que se fazem necessárias. Esta interação deve ser implementada a partir dos planos setoriais que estão em elaboração ou em execução no município. A exemplo o Plano Municipal de Segurança Alimentar, o Plano de Resíduos Sólidos, o Plano de Macro Drenagem, o planejamento de saneamento ambiental, e outros. As ações devem chegar aos territórios dialogando entre si e articuladas para alcançar os melhores resultados e se complementarem umas as outras. Uma questão a ser discutida intersetorialmente, é o tratamento dos restos construtivos gerados pelas ações e projetos dos programas. O volume de entulho construtivo gerado pela construção civil é conhecidamente alto e, associado ao 12 Plano de Habitação de Contagem Volume I volume de entulho gerado pela demolição de imóveis nos processos de urbanização de vilas e favelas permite propor a urgência de ser elaborado projeto de criação e instalação de usina de reciclagem em Contagem. A importância da proposta e a recomendação à Prefeitura no sentido de envidar esforços à sua viabilização é a motivação para registrar esta proposta na apresentação deste Plano, embora este não trate do assunto. Ao concluir esta apresentação registra-se que o processo de elaboração do Plano de Habitação contou com a participação ativa dos servidores da Secretaria Municipal Adjunta de Habitação – SAHAB. O apoio e participação destes e dos profissionais do Comitê Gestor e dos Administradores Regionais, na Audiência Pública Municipal e nas atividades que a antecederam permitiu, em curto espaço de tempo, envolver os participantes e qualificar as discussões e proposições. Aos funcionários e dirigentes da SAHAB, também, coube a sistematização dos vários programas e ações hoje existentes no município e que serão aqui descritos. Esta estratégia possibilitou que os profissionais da Prefeitura, moradores e lideranças, refletissem sobre o papel desempenhado pela atual política habitacional da Prefeitura, seus avanços e deficiências, bem como os desafios a serem enfrentados para sua expansão. O Plano de Habitação é a expressão do fazer da atual Política Municipal de Habitação constituindo uma ferramenta para organizar e dar efetividade às ações em curso e àquelas identificadas como necessárias a partir dos diagnósticos realizados. O ato de planejar deve ser tido como um exercício cotidiano do fazer, da ação que se pretende implementar. Por outro lado de igual importância temos o planejamento de médio e longo prazo direcionando o presente e articulando o futuro. Portanto, todo plano de ação pela questão intrínseca ao ato de planejar, deve ser sempre avaliado e atualizado , neste caso, torna-se imprescindível fazê-lo quando forem sistematizados e divulgados novos dados, fundamentalmente do déficit habitacional básico e a atualização da produção habitacional, em curso. A atitude de revisitar periodicamente o Plano ajustando as propostas às determinações de cada momento constitui um ato contínuo de planejamento e ação, e certamente contribui com a superação dos problemas e alcance das metas. 13 prefeitura municipal de contagem 2. METODOLOGIA A metodologia de elaboração do Plano Municipal de Habitação da Prefeitura de Contagem foi desenvolvida no período de um ano, em três etapas, e, compreendeu momentos distintos e interdependentes, desenvolvidos a partir do estágio em que se encontra o planejamento e execução da implantação da Política Municipal de Habitação, bem como das atividades de escuta no processo participativo deste Plano. A primeira etapa é a proposta metodológica para elaboração do Plano, define as formas de participação, as fontes e métodos de pesquisa, o marco regulatório e bibliográfico, a indicação dos principais atores sociais e agentes institucionais, bem como outros fatores intrínsecos à elaboração das etapas metodológicas do Plano Municipal de Habitação do Município de Contagem. A segunda etapa de elaboração do Plano Municipal de Habitação é o diagnóstico habitacional. Foi realizada em dois momentos pedagógicos: o primeiro focado na participação da sociedade e dos profissionais da Prefeitura, em especial, o Comitê Gestor de cada região administrativa e as equipes da Secretaria Municipal Adjunta de Habitação (SAHAB). Realizou-se no segundo semestre de 2011e proporcionou aprofundar no conhecimento da realidade atual do município e da região metropolitana; o segundo momento reuniu o resultado da escuta, com dados de fonte primária – pesquisa quantitativa realizada pela equipe do Plano – , os quais foram compilados conjuntamente. A terceira etapa de elaboração do Plano Municipal de Habitação são as estratégias de ação que, no caso da Prefeitura de Contagem, trata de confirmar os programas instituídos, ou que estão sendo implementados pela Política Municipal de Habitação, por meio da SAHAB, bem como apresentar novos programas ou serviços que qualificam e aproximam os serviços urbanos ofertados à população seja da cidade formal ou não. Por outro lado, de igual importância e complementarmente, está a estratégia de demarcação das Áreas de Especial Interesse Social - AIS 2 para assegurar terra à produção de novas unidades habitacionais. O Conselho Municipal de Habitação aprovou que as áreas a serem demarcadas sejam direcionadas para acolher famílias em processo de reassentamento em função da urbanização de Vilas e Favelas e das obras de saneamento ambiental. A metodologia desenvolvida na elaboração do diagnóstico habitacional ficou centrada nas diversas atividades de escuta e participação. Envolveu mais de 600 participantes procedentes de organizações diversas da sociedade, mas fundamentalmente, lideranças das comunidades objeto das ações que estão sendo implantadas pela Política Municipal de Habitação ou que estão em discussão neste plano, bem como funcionários públicos das administrações regionais, das secretarias de habitação, educação, saúde e desenvolvimento social. O processo participativo constituiu um verdadeiro exercício de prática multiprofissional interagindo com a população. As atividades desenvolvidas foram 10 entrevistas, 8 grupos focais com participação de 53 pessoas, 8 oficinas para elaboração dos diagnósticos participativos rápidos, com a participação de 299 pessoas, sempre discutindo as temáticas de Habitação, Infraestrutura e Serviços. As audiências regionais discutiram e aprofundaram a temática habitacional, com a participação de 293 pessoas. Estas antecederam a realização da Audiência Municipal. Na audiência municipal, realizada em 17 de dezembro de 2011, participaram por volta de 160 lideranças quando foram apresentados os principais problemas identificados na etapa de diagnóstico habitacional, foi aprofundada análise da questão habitacional e foram confirmadas e definidas as estratégias de ação programática. O perfil dos participantes foi predominantemente de dirigentes de associações de bairros, participantes de grupos de referência das comunidades objeto de intervenção da Política Municipal de Habitação, e integrantes dos diversos núcleos de defesa civil. A síntese das discussões dos moradores, lideranças e funcionários públicos nas atividades mencionadas de escuta e participação durante os diferentes momentos mencionados serviram de subsídios para a definição das estratégias de ação, programas e atividades, que devem nortear as ações da política habitacional da Prefeitura de Contagem nos próximos 11 anos. O diagnóstico habitacional foi enriquecido com os subsídios trazidos dos diferentes momentos de participação da sociedade e das equipes da Prefeitura e, da análise dos dados das fontes secundárias que o integram, formando um rico processo de participação e elaboração coletiva. Por outro lado, levantar as informações de dados já existentes para fazer o desenho situacional da questão urbana habitacional compreende um aprofundamento da realidade apresentada nas oficinas participativas, prática a ser sempre observada por todos os que se envolvam na implementação do Plano. 14 Plano de Habitação de Contagem Volume I Os subsídios colhidos, durante os diferentes momentos de escuta, e o diagnóstico apresentado deverão ser ampliados e aprofundados no meio técnico e nos diferentes espaços onde se realizam as políticas públicas com interface intrínseca na questão habitacional. As estratégias de ação foram ordenadas e sistematizadas em cinco eixos programáticos: ação institucional; participação e controle social; política fundiária; inclusão sócio urbano ambiental e produção habitacional, todas com suas respectivas diretrizes e metas. Os dois primeiros eixos programáticos: - ação institucional; participação popular e controle social - são os eixos estruturadores das ações habitacionais propostas pelo Plano Municipal de Habitação. A proposta de criar um órgão gestor da Política de Habitação exclusivo e de primeiro grau na hierarquia administrativa do município, bem como a realização da primeira conferência municipal de habitação em 2013, no contexto do diagnóstico e estratégias deste Plano, constituem o entendimento de todos os participantes sejam os técnicos da Prefeitura, ou as pessoas que vivenciaram os momentos de participação, bem como do Conselho Municipal de Habitação (20 agosto de 2012), quando da aprovação final do Plano. Os demais eixos programáticos de Política Fundiária e de Política de Inclusão social, urbana, ambiental com a respectiva produção habitacional representam a ampliação e concretização das ações, programas e projetos já existentes e apontam aqueles que são identificados como necessários e inexistentes, dadas as restrições institucionais e técnicas atuais à sua implantação. Ao finalizar a metodologia do Plano de Habitação de Contagem um aspecto relevante é a dificuldade de planejamento integrado entre as políticas urbanas setoriais: de planejamento territorial urbano, de transporte coletivo,de habitação e saneamento, assim como outras questões urbanas não tratadas integrada e isonomicamente, dificultando o confronto de interesses e, com isto, pode levar a que prevaleçam os interesses de maior pressão econômica em detrimento de aspectos ambientais ou da função social da cidade. O maior desafio e grande diferencial que se pode atribuir a este Plano é que seja implantado a partir de um viés de interação programática de planejamento participativo intersetorial em todos os níveis de atuação da Prefeitura. O desafio torna-se grande, uma vez que a cultura e a pratica administrativa é oposta a métodos de concepção e elaboração coletiva, o máximo que se exerce são discussões pontuais e eventuais quando há algum interesse operacional de outra área ou equipe. As práticas de trabalho a partir de equipes multiprofissionais quando existem são fragmentadas. É preciso alcançar processos de elaboração integrados e propostas de ação unificadas. 15 prefeitura municipal de contagem CAPíTULO I 3. CONTEXTO NACIONAL DA POLÍTICA DE HABITAÇÃO O processo de urbanização brasileira ocorreu sem ruptura do modelo agroexportador para o modelo urbanoindustrial. O estabelecimento do modelo urbano-industrial sobre a estrutura agrária, baseada em latifúndios e na concentração de renda, repercute sobretudo, no grande êxodo rural que acompanhou o processo de urbanização brasileira. Esse processo representou o salto na população urbana de 31,3% em 1940, para 74,8 em 1991 e 84% em 2010, crescimento que abrangia em sua maior parte as classes populares, que chegavam até as cidades, movidas pelos fluxos migratórios e atraídas pelas perspectivas de trabalho. A partir de tal conjuntura, passa-se a pensar a questão da habitação no Brasil, principalmente os problemas resultantes desse rápido processo de urbanização sem planejamento urbano¹. Em 1964 é criado o Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e o Banco Nacional de Habitação (BNH), com o objetivo de estimular a produção e o financiamento de habitação social como forma de viabilizar o crescimento econômico. O BNH embora fosse, em 1971, uma das maiores instituições financeiras do país, ficando atrás apenas do Banco do Brasil, e a maior instituição mundial voltada especificamente para a questão habitacional, não conseguiu atender ao déficit habitacional da época. As ações do BNH levaram ao atendimento de demanda da classe média e média alta e aos interesses da iniciativa privada, inclusive o alinhamento com o mercado imobiliário. Assim, o principal objetivo é incentivar a indústria da construção civil, aquecendo, com isto, o desenvolvimento de outros setores da economia nacional. O SFH/BNH era um importante mecanismo de indução do desenvolvimento econômico e do financiamento habitacional destinado às diversas classes sociais, porém não desempenhava o papel a que se propunha inicialmente, o de prover moradias às camadas populares, atendendo a superação do déficit habitacional, para estes segmentos. O fim do BNH se deu não apenas pelo fato de seus objetivos terem sidos desviados, assumindo outros papéis e financiamento de outras demandas, o SFH dependia fundamentalmente da arrecadação do FGTS e do SBPE e do grau de adimplência dos mutuários. O SFH/BNH não resistiu à flutuação econômica consequência da grave inflação que atingiu o país na década de 80, que resultou, principalmente, em alto índice de inadimplência. Com isso, o BNH foi perdendo força até que em 1986, é decretado o seu fim, sendo parte de suas funções, posteriormente, incorporadas à Caixa Econômica Federal. A partir de então, a absorção do BNH pela Caixa Econômica Federal acaba por relegar a questão habitacional para o segundo plano, uma vez que este órgão, não tinha tradição e história no assunto e, a príncipio, limita-se ao gerenciamento de parte do passivo do BNH. Temos então, praticamente o fim das tentativas de intervenção governamental com o intuito de prover moradia, e com isso, uma indefinição institucional quanto ao órgão responsável pela política habitacional do país, com sua passagem por vários Ministérios, fundamentalmente nos anos 90. Essas intervenções frustradas do Estado brasileiro na política habitacional tiveram características excludentes, pois acabam voltadas para as classes médias de renda e não atingem a população de menor renda. Quando se voltavam para as camadas populares, ao invés de melhorar as precárias condições sociais, contribuíam para o seu agravamento dado às condições da oferta habitacional: alto preço do financiamento provocando inadimplência, à localização de conjuntos habitacionais isolados da cidade, fora do tecido urbano, longe de centros comerciais e dos postos de trabalho, desprovidos de serviços públicos e de infraestrutura. O SFH ficou enfraquecido com o fim do BNH, que acarretou também, posterior enfraquecimento das COHABs, que eram as principais responsáveis pelo atendimento às demandas do SFH para habitação popular.Na década de 80, com o retorno do regime democrático, a grave crise econômica, a alta inflação, a dívida externa impossível de ser paga, cortes nos subsídios e aumento nos impostos fez com que o SFH modificasse os financiamentos com ajustes nos contratos, renegociações e facilitação de quitação das dívidas dos mutuários. Em meados da década de 90, a economia brasileira começa a se estabilizar, com controle da inflação e estabilidade monetária, e começa-se a pensar em novos programas habitacionais. Porém, não se prioriza recurso para viabilizar a execução de programas voltados para a área, principalmente para a baixa renda1. Em 1994, o governo federal lança 1 AÇÕES E CONTEXTOS DA POLÍTICA NACIONAL DE HABITAÇÃO: DA FUNDAÇÃO DA CASA POPULAR AO PROGRAMA “MINHA CASA, MINHA VIDA”. Fernandes, Cássia do Carmo Pires; Silveira, Suely de Fátima Ramos da. Disponível em: <http://www.emapegs.ufv.br/docs/Artigo27.pdf> Acessado em: 20 mar. 2012. 16 Plano de Habitação de Contagem Volume I os Programas Morar Melhor e Habitar-Brasil, mas os recursos a eles destinados não corresponderam às expectativas, devido aos limites determinados pelo Plano Real. Como consequência da redução dos financiamentos pela CEF e demais instituições, a construção civil teve uma atuação pouco significativa, com uma retração de quase 3% ao ano, ao fim dos anos 90, refletindo no aumento do déficit habitacional, que atingiu cerca de 7 milhões de famílias. Com isso, o aumento da população urbana e a falta de moradia, expandiram-se as ocupações irregulares, as favelas e os “sem-teto”, ampliando as periferias urbanas e as condições sub-humanas de sobrevivência . Tal situação ocorreu devido a deficiência do Estado em agir diante da carência de serviços públicos, dentre eles a moradia2. Reafirmando o que vem sendo tratado Bonduki (2008)3 coloca que, entre o BNH e a criação do Ministério das Cidades, o setor habitacional se localizou em diversos ministérios e estruturas políticas, confirmando a descontinuidade e desestruturação no trato da questão habitacional. Um importante marco na política habitacional brasileira foi a aprovação do Estatuto da Cidade em 2001, fruto da persistente mobilização e articulação nacional representada pelo Fórum Nacional de Reforma Urbana. Esta lei regulamenta os artigos 182 e 183 da Constituição Federal de 1988, que tratam da Política Urbana a partir de três eixos: função social da propriedade e da cidade; a gestão democrática da cidade; e o direito à cidade e à cidadania. Foi a partir dai que teve início a regulamentação específica da política urbana e habitacional. O governo Lula, assume o poder com um forte discurso social, onde o combate ao déficit de moradias é um dos temas centrais. Desse modo, uma das medidas iniciais do governo foi a criação, em 2003, do Ministério das Cidades, onde viria a se inserir a Secretaria Nacional de Habitação. A criação do Ministério das Cidades representou também uma iniciativa de retomada de políticas públicas sobre a habitação, como exemplo, no ano de 2003, o Ministério das Cidades convocou a I Conferência Nacional das Cidades. Juntamente à instituição deste ministério, foram adotadas pelo governo uma série de medidas em prol da questão habitacional: “redução da taxa de juros, criação e constantes aumentos de subsídios principalmente para aquisição de imóveis novos e para construções, reduções na taxa de juros, dilatação de prazos de financiamentos, simplificação e agilidade dos processos de contratação, aliados a uma forte publicidade exercida nos principais veículos de comunicação e mídia do país”.4 Desse modo, ao retomar o processo de planejamento do setor habitacional e com a finalidade de garantir novas condições institucionais para promover o acesso à moradia digna a todos os segmentos da população, é elaborada, durante o ano de 2004, a nova Política Nacional de Habitação e em 2005 é criado o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social. 3.1 Sistema Nacional de Habitação A Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades coordenou a elaboração do Plano Nacional de Habitação - PlanHab, instrumento para a implementação da nova Política Nacional de Habitação - PNH, previsto na Lei 11.124/05, que estruturou o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social – SNHIS. O PlanHab é parte de um processo de planejamento de longo prazo para o setor habitacional, que pressupõe revisões periódicas e articulação com outros instrumentos de planejamento orçamentário-financeiro do Governo Federal, como os planos plurianuais, permitindo que suas metas de produção física e de avanços institucionais possam estar associadas ao planejamento dos recursos necessários para sua cobertura e tendo o ano de 2023 como horizonte final para avaliação e elaboração de outras estratégias e propostas. Com ele se pretende ampliar o acesso à moradia digna. O Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social - SNHIS foi instituído pela Lei Federal nº 11.124 de 16 de junho de 2005 e centraliza todos os programas e projetos destinados à habitação de interesse social, sendo integrado pelos seguintes órgãos e entidades: Ministério das Cidades, Conselho Gestor do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, Caixa Econômica Federal, Conselho das Cidades, Conselhos, Órgãos e Instituições da Administração 2 A POLÍTICA NACIONAL DE HABITAÇÃO E A OFERTA DE MORADIAS. Noal, EdnilsonBolson; Janczura, Rosane. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/fass/ojs/ index.php/fass/article/viewFile/7257/6431> Acessado em: 20 mar. 2012. 3 BONDUKI, N.Política habitacional e inclusão social no Brasil: revisão histórica e novas perspectivas no governo Lula. Revista eletrônica de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, n.1, p. 71-104, set. 2008. Disponível em: <http://www.usjt.br/arq.urb>. Acesso em 14/08/2009. In.:AÇÕES E CONTEXTOS DA POLÍTICA NACIONAL DE HABITAÇÃO: DA FUNDAÇÃO DA CASA POPULAR AO PROGRAMA “MINHA CASA, MINHA VIDA”. Fernandes, Cássia do Carmo Pires; Silveira, Suely de Fátima Ramos da. Disponível em: <http:// www.emapegs.ufv.br/docs/Artigo27.pdf> Acessado em: 20 mar. 2012. 4 A POLÍTICA NACIONAL DE HABITAÇÃO E A OFERTA DE MORADIAS. Noal, EdnilsonBolson; Janczura, Rosane. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs.br/fass/ojs/ index.php/fass/article/viewFile/7257/6431> Acessado em: 20 mar. 2012. 17 prefeitura municipal de contagem Pública direta e indireta dos Estados, Distrito Federal e Municípios, relacionados às questões urbanas e habitacionais, entidades privadas que desempenham atividades na área habitacional e agentes financeiros autorizados pelo Conselho Monetário Nacional. A Lei nº 11.124/05 também instituiu o Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – FNHIS, que em 2006 centraliza os recursos orçamentários dos programas de Urbanização de Assentamentos Precários e de Habitação de Interesse Social, inseridos no SNHIS. O Fundo é composto por recursos do Orçamento Geral da União, do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social – FAS, dotações, recursos de empréstimos externos e internos, contribuições e doações de pessoas físicas ou jurídicas, entidades e organismos de cooperação nacionais ou internacionais e receitas de operações realizadas com recursos do FNHIS. Esses recursos têm aplicação definida pela Lei, como, por exemplo, a aquisição, construção, conclusão, melhoria, reforma, locação social e arrendamento de unidades habitacionais, a produção de lotes urbanizados para fins habitacionais, a regularização fundiária e urbanística de áreas de interesse social, ou a implantação de saneamento básico, infraestrutura e equipamentos urbanos, complementares aos programas de habitação de interesse social. Para acessar os recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, a adesão do Município ao Sistema Nacional de Habitação é pré-requisito. A forma de adesão ao SNHIS é regulamentada e exige algumas ações por parte do Município, como a criação de um Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social e de um Conselho Gestor do Fundo e a elaboração do Plano Municipal de Habitação de Interesse Social. 3.2 Programas e Ações Federais A política habitacional desfruta hoje de um contexto favorável no que diz respeito à disponibilização de recursos por parte do governo federal e à diversidade de ações e programas em execução. O Sistema Nacional de Habitação trabalha com fontes orçamentárias de recursos destinados a projetos específicos, exigindo, automaticamente, contrapartidas do solicitante, quer seja Estados ou Municípios. Além disso, o sistema procura envolver diversos agentes na implementação dos programas e das ações, favorecendo o caráter múltiplo e diversificado nos direcionamentos da política habitacional nacional, abarcando assim, diferentes esferas de decisão e atuação. O Ministério das Cidades conta, hoje, com quatro Secretarias Nacionais, das quais três, a Secretaria Nacional de Habitação, a Secretaria Nacional de Saneamento e a Secretarias Nacional de Programas Urbanos, possuem programas federais com interface com a questão habitacional, que acabam por abranger serviços, programas e políticas urbanas, além de infraestruturas, sendo a grande maioria coordenados e monitorados pela Secretaria Nacional de Habitação (SNH). 3.2.1 O PMCMV dentro do contexto do Plano Nacional de Habitação e da Prefeitura de Contagem No ano de 2009 o governo federal lança o Programa Minha Casa Minha Vida, com a meta de construção de 1 milhão de novas unidades habitacionais para famílias com renda bruta mensal de até R$ 4.600,00. Atualmente, com o programa MCMV 2, essa meta sobe para 2 milhões de novas unidades para famílias com renda bruta mensal de até R$ 5.000,00. Outra alteração no programa é com relação ao valor da renda por faixa e à meta de contratação. Inicialmente a meta para a faixa de renda mais baixa, R$1.395, era de 400 mil unidades habitacionais, hoje, essa mesma faixa subiu para R$1.600, com uma meta de produção habitacional de 860 mil unidades até o ano de 20145. Ainda não é possível uma avaliação da efetividade dessa remodelação no programa devido à sua recente implantação, dessa forma a análise que segue se baseia, principalmente, em dados da proposta inicial do programa. É de extrema importância entender como o Programa Minha Casa Minha Vida se articula com o Plano Nacional de Habitação, identificando quais propostas do Plano são atendidas ou não pelo Programa, pois isto interfere nos Planos Habitacionais das cidades. Não há o que se questionar quanto à relevância do Programa para o campo habitacional considerando a construção inicial de 1 milhão de casas, para um déficit inicial (2009) de aproximadamente 7 milhões de unidades. Ainda com o agravante de uma demanda por novas unidades estimada em 27 milhões nos próximos 15 anos. É preciso ter presente também o elevado aporte financeiro inicial levantado pelo PMCMV de R$ 26 bilhões em subsídio, além do que já estava previsto pelo PAC, valor substancial para o habitual recurso orçamentário do setor. Porém, resta saber se o destino destes investimentos é realmente a parcela da população alvo de programas 5 Caixa Econômica Federal. Programa Minha Casa Minha Vida - Recursos FAR. Disponível em: <http://www1.caixa.gov.br/gov/gov_social/municipal/programas_habitacao/ pmcmv/index.asp> Acessado em: 26, mar, 2012. Caixa Econômica Federal. Programa Minha Casa Minha Vida - Recursos FAR. Disponível em: <http://www1.caixa.gov.br/gov/ gov_social/municipal/programas_habitacao/pmcmv/index.asp> Acessado em: 26, mar, 2012. 18 Plano de Habitação de Contagem Volume I habitacionais e se são investimentos que terão uma continuidade dentro da política social de habitação. Quando surgiu, o novo programa atropelou a construção do Plano Nacional de Habitação, caracterizado por estratégias de longo prazo. O PMCMV tinha o objetivo de enfrentar os efeitos da grave crise econômica internacional, com vista a impulsionar o mercado da construção civil nacional, gerar empregos e ao mesmo tempo fazer face ao déficit habitacional. Porém, o Programa Minha Casa Minha Vida incorpora, em parte, algumas das propostas do PlanHab, principalmente no eixo financeiro. Dentre algumas outras propostas do PlanHab, o PMCMV adotou a lógica de alocação de subsídio proposta pelo plano, onde população na faixa de renda mais inferior teria subsídio quase que total e nas faixas de renda intermediária, subsídio complementar ao financiamento. Contudo, o programa estendeu muito as faixas de renda a serem atendidas, “beneficiando segmentos de classe média e gerando mercado para o setor privado, com risco reduzido” (BONDUKI, 2009)6. Enquanto o PlanHab planejou atender um número maior de famílias, o PMCMV viabilizou a produção de unidades habitacionais, de forma a atender mais o setor da construção civil que propriamente o habitacional. Mesmo com a quantidade elevada de recurso disponível para subsídio, as metas quantitativas do programa são tímidas para atender a faixa de renda mais baixa, situação comprovada nos dados da Tabela 3.1 abaixo, com dados de até 2009. A partir de análise da tabela, observa-se que 91% do déficit acumulado concentra-se na faixa de renda até R$ 1.395,00, porém é relevante salientar que apenas 6% desse déficit foi atendido, apesar de ser a faixa prioritária de acordo com a Política Nacional de Habitação. Em contrapartida, o déficit acumulado referente às demais faixas de renda, superiores a R$ 1.395,00, foi atendido em mais de 90% cada. Bonduki expõe que nessas últimas faixas, não só o déficit é reduzido e a meta pode “zerar as necessidades, como pode atender à demanda demográfica ou, até mesmo, financiar uma segunda moradia.” (BONDUKI, 2008). No total, a meta inicial de 1 milhão de unidades, atenderia a 14% do déficit acumulado. Tabela 3.1 – Déficit Acumulado e as metas do Programa Minha Casa Minha Vida – distribuição do déficit por faixa de renda – 2009 RENDA (R$) DÉFICIT ACUMULADO METAS MCMV DÉFICIT ACUMULADO ATENDIDO (em %) em % Valor absoluto em mil em % Valor absoluto em mil Até 1.395 91 6.550 40 400 6 1.395 a 2.790 6 430 40 400 93 2.790 a 4.600 3 210 40 200 95 100 7.200 100 1.000 14 Fonte: Revista Teoria e Debate Nabil Bonduki, 2009, dados baseados na FJP e no PMCMV O conjunto de estratégias que o PlanHab julga necessárias para se equacionar o problema habitacional, sobretudo nos eixos não relacionados ao financeiro, não são adotadas pelo PMCMV, tratando do plano, dessa forma, de maneira incompleta, principalmente por não ter a mesma noção de longo prazo. Por mais que o programa tenha implementado parte das estratégias propostas no eixo de financiamento e subsídio definido no PlanHab, sua efetividade no sentido social e habitacional, exige que sejam implementados simultaneamente os outros eixos definidos no PlanHab. Essa desarticulação de estratégias e ações podem resultar em construções de empreendimentos em locais inadequados, sem infraestrutura, emprego e serviços públicos. Correndo o risco ainda de elevar o preço da terra, significando a transferência do subsídio para a especulação imobiliária. O governo federal, neste novo modelo das políticas habitacionais, tem poder de ação limitado quanto a garantir a qualidade da produção habitacional no município, evitando maiores impactos sociais e ambientais, bem como a dificuldade de gestão do empreendimento. Cabe aos municípios, através de seus planos diretores e de habitação, traçar a forma mais apropriada de planejamento no âmbito local. Nesse contexto, é fundamental uma atenção especial para os Planos Municipais de Habitação, que devem articular o Programa Minha Casa Minha Vida e os demais programas existentes a um planejamento habitacional mais abrangente. O Plano Municipal de Habitação poderá assegurar a aplicação mais adequada 6 Do Projeto Moradia ao programa Minha Casa. Minha Vida. Bonduki, Nabil (2008). Disponível em: <http://www.fpabramo.org.br/uploads/TD82-Nacional.pdf> Acessado em: 27, mar, 2012. 19 prefeitura municipal de contagem e planejada dos recursos do programa, “evitando-se efeitos negativos que poderão advir se o ‘Minha Casa, Minha Vida’ se limitar à produção de unidades habitacionais sem se preocupar em articulá-las às cidades.”7 Ao concluir a avaliação do PMCMV é conveniente destacar que a reedição do Programa MCMV2 com ampliaçãodas metas nacionais por faixa de renda, comprometendo-se o governo federal ao financiamento de dois milhões de novas unidades a partir de 2010, e, também, ajustando o intervalo de renda dos beneficiários para as operações financeiras, sempre com proximidade do teto máximo aos valores dos intervalos de renda: até 3 salários mínimos, de 3 a 6 e de 6 a 10, confirma a tendência do direcionamento da produção habitacional aos segmentos populacionais acima de três salários mínimos, em detrimento da população de baixa renda. A Prefeitura de Contagem aliada ao Governo Federal na determinação de agir para fazer frente ao déficit habitacional do país e da cidade tomou diversas medidas fiscais, tributárias e urbanísticas na perspectiva de atrair empreendedores para a produção habitacional às famílias com renda bruta mensal de até três salários mínimos, mas a exemplo de outras cidades isto se mostrou insuficiente. A iniciativa privada, os empreendedores, as construtoras, o incorporador, ou seja o mercado imobiliário continua voltado exclusivamente para segmentos populacionais que podem adquirir valores máximos de financiamento na aquisição por unidade. Desse modo, embora a elevação do patamar de subsídio seja um avanço conquistado com o PMCMV, suas regras para distribuição devem ser alteradas, pois não são socialmente justas. É fundamental que se retome o PlanHab de forma articulada ao PMCMV, visando atender à população que de fato é alvo da política habitacional, evitando-se assim repetir falhas da história da política habitacional no Brasil, que privilegiava quem menos necessitava. BONDUKI chega a seguinte conclusão a respeito dos desdobramentos necessários para a evolução da política habitacional nacional, frente à consolidação do Programa Minha Casa Minha Vida enquanto instrumento importante da questão habitacional: “Pode-se concluir que, apesar das distorções e lacunas, o programa dá mais um passo no sentido de construir políticas públicas para garantir o direito à habitação [...]. Mas é necessário avançar mais e retomar o debate e a implementação do PlanHab é urgente”. 4. CARACTERIZAÇÃO DO MUNICÍPIO ASPECTOS HISTÓRICOS, SOCIOECONÔMICOS, AMBIENTAIS E URBANOS 4.1 Histórico da Evolução Urbana e Habitacional do Município Num conturbado contexto econômico, nos anos 40, é lançado o Plano da Cidade Industrial Coronel Juventino Dias, com a expectativa de transformar o estado de Minas Gerais em um grande centro industrial. Porém, os efeitos da instalação da cidade industrial só começaram a ser significativos na segunda metade da década de 50. A partir de então, Contagem passa a ter seu crescimento urbano acelerado, devido à industrialização e à proximidade com a capital do estado. Segundo Monte-Mór e Paula (2005), o município consolidou-se como extensão urbano-industrial de Belo Horizonte, viabilizando econômica e institucionalmente a instalação de indústrias e afastando da capital do estado seus malefícios. O processo de formação espacial do município de Contagem é fortemente influenciado pelo desenvolvimento industrial sendo mais intenso no sul, distrito da Cidade Industrial, e pela absorção do excedente de Belo Horizonte na região da Ressaca, resultando numa ocupação polinucleada ou policêntrica. Vale ressaltar que esse processo de ocupação do município tem seu início anteriormente ao período industrial, com a instalação do sistema de transporte que ligava Contagem a Belo Horizonte, desencadeando a formação de um conjunto de pequenos núcleos articulados a interesses externos a Contagem, de modo que o núcleo original da cidade passou a ter pouca força concentradora de atividades e população. Assim, conforme expõe Monte-Mór (2005), Contagem é, ao final dos anos trinta, caracterizada por ocupações espalhadas no território, característica aguçada nas décadas seguintes. Nas décadas de 60 e 70, a ocupação sul consolida-se, articulada com a sede municipal. O crescimento populacional 7 Política e Sistema Nacional de Habitação, Plano Nacional de Habitação; Bonduki, Nabil; Rossetta, Rossello; Ghilardi, Flávio Henrique. Disponível em: <http://www.agehab. go.gov.br/pehis/download/texto%20_1.pdf> Acessado em: 27, mar, 2012. 20 Plano de Habitação de Contagem Volume I foi impressionante nesse período de expansão industrial. Grande parte da população advinha da zona rural, representando 38,5% da mão-de-obra na indústria de transformação. Nesse período, é mais intensa a formação de periferias pobres e desprovidas de infraestrutura, além do aumento da especulação da terra urbana, processo característico da expansão urbana periférica das metrópoles e grandes cidades brasileiras nos anos 70. A expansão da malha urbana consolida-se nas décadas seguintes de 80 e 90, estendendo-se para nordeste e noroeste, consolidando a região de Retiro e Nova Contagem. Nesse período de crescimento econômico há também a concentração de população pobre e consequente surgimento de favelas e de ocupações irregulares ao longo de vales, da ferrovia e terrenos públicos e privados subutilizados no interior da malha urbana. É muito comum em Contagem que as favelas se constituíssem sobre loteamentos aprovados que não se efetivaram. Para se ter ideia desse acelerado crescimento populacional desarticulado de uma estruturação habitacional adequada, Monte-Mór (2005) toma como exemplo o final da década de 60, período em que ”a população pouco superava os 100 mil habitantes, mas os lotes urbanos aprovados podiam abrigar, em moradias unifamiliares, mais de 300 mil pessoas”. Em 1970, novamente, por iniciativa do poder público, foi iniciada nova expansão industrial em Minas Gerais, e, mais uma vez, coube a Contagem a ampliação da sua área industrial anteriormente já consolidada. A Lei Municipal nº 911 de 1970 implanta o CINCO – Centro Industrial de Contagem. O auge da produção Industrial em Contagem ocorreu nas décadas de 1960 e 1970, período de grande crescimento populacional residindo em favelas. Na segunda metade dos anos 70 se consolida a Central de Abastecimento – Ceasa Minas, abrindo uma nova tendência de desenvolvimento econômico: comércio, serviços e centros de distribuição de mercadorias. Este fato desencadeia outro eixo de expansão urbana periférica metropolitana, a Região da Ressaca. A conformação urbana da cidade de Contagem com as características de cidade industrial ou cidade operária, durante algumas décadas de operários qualificados, também deu lugar a um volume significativo de investimentos por parte do Banco Nacional de Habitação – BNH, principalmente, a partir da segunda metade dos anos 70, o que gerou no início dos anos 80 o movimento de mutuários do SFH, e, por outro lado, o movimento de ocupações de unidades habitacionais não comercializadas ou que haviam sido objeto de despejo. Em 1983 no Fórum de Contagem surgem as primeiras imissões de posse contra os mutuários. Assim os anos 70 e 80 são marcados por movimentos urbanos de resistência que apresentavam duas grandes bandeiras de luta: assegurar a posse e reivindicações por melhorias urbanas, basicamente infraestrutura e transporte. O fenômeno do favelamento, característico das grandes cidades brasileiras, pela ausência da oferta de habitação popular subsidiada, passa historicamente pela repressão à sua formação e permanência, principalmente em áreas mais centrais, e, pela organização e mobilização dos moradores, para resistir aos programas que visavam simplesmente a remoção ou aqueles que se propunham a construir novas moradias para seu deslocamento. É nesse contexto que surge, no início dos anos 80, o loteamento de uma fazenda que deu origem ao Bairro Nova Contagem, construído em área de proteção de mananciais, da barragem de Vargem das Flores a oeste do território de Contagem. O processo sócio-histórico de formação e desenvolvimento de Contagem produziu as mais diversas ocupações irregulares, a população pobre atraída pela oferta de emprego na cidade grande e, posteriormente, nos anos 90, pelo poder público municipal promovendo loteamentos populares irregulares nos grandes vazios urbanos que a cidade oferece. A instalação da Cidade Industrial Coronel Juventino Dias e, os demais distritos industriais do município permitiram a Contagem adquirir importância política e econômica no estado, tornando-se junto a Belo Horizonte e posteriormente Betim um grande conglomerado urbano que concentra atualmente 84% do PIB da RMBH, sendo o terceiro maior aglomerado urbano do Brasil, e um dos maiores da América Latina. A RMBH e seus municípios demandam políticas urbanas para resolver questões que se apresentam por estarem envolvidos em um processo de conurbação que requer soluções conjuntas para melhor atenderem aos cidadãos metropolitanos. Na questão habitacional os problemas de expansão urbana periférica difusa entre os limites de cada cidade da região, acentua os problemas urbanos decorrentes do perfil de cidade policêntrica, criando diferentes centralidades econômicas e culturais entre as cinco cidades que circundam o município. Dentro do território de Contagem essa situação é latente e, se observa entre as diferentes regiões fronteiriças da cidade, é uma evidência de políticas urbanas metropolitanas desconexas, terminando por promover uma expansão 21 prefeitura municipal de contagem urbana desarticulada dentro de seu território, contribuindo para que o desenvolvimento urbano ocorra a partir de demandas externas ao município. Nos últimos anos o poder público municipal tem buscado uma articulação das políticas públicas com as outras gestões municipais e na articulação da gestão metropolitana, essa ação pode contribuir na construção de políticas públicas regionais e abrangentes, que participem mais efetivamente da dinâmica urbana metropolitana, como por exemplo, a histórica bandeira de extensão da linha do metrô Eldorado para o município de Betim. 4.2 Aspectos Gerais e Econômicos Criado em 30 de agosto de 1911 e localizado na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o município de Contagem (fig.4.1) abriga atualmente a 3ª maior população de Minas Gerais, com 603.442 habitantes, segundo o Censo Demográfico de 2010 e ocupa uma área de 195,2 Km², o que se traduz em uma densidade demográfica de 3.091 habitantes/km2 e faz de Contagem a 29ª maior cidade em extensão territorial do estado. Figura 4.1: Mapa da localização de Contagem na RMBH Fonte: IBGE (2010). Em relação as características gerais do município a variação de altitude está entre 879 a 1047 m, com um relevo predominantemente acidentado. A temperatura média anual varia de 21,1 a 27,1 °C. Entre os principais rios, o ribeirão Betim e o Cabral, a represa de Vargem das Flores, estando o município localizado na Bacia do São Francisco. Contagem conta 348 estabelecimentos de ensino e 344 estabelecimentos de saúde, espalhados por seu território (IBGE, 2010) Devido à concentração de indústrias de vários setores distintos, Contagem possuía, em 2008, um PIB per capita de 22 Plano de Habitação de Contagem Volume I R$24.641,00 (FJP, 2011), de tal modo que foi o terceiro em participação relativa no PIB industrial de Minas Gerais (FJP, 2010). Gráfico 4.1: Composição do PIB municipal - Contagem, 2011 Fonte: Informativo do PIB de MG. Fundação João Pinheiro – 2011 O setor industrial baseia-se em atividades como metalúrgica, química, de refratários, máquinas e equipamentos e material elétrico, eletrônico e comunicações. O forte setor industrial que Contagem possuía foi um dos incentivos iniciais ao crescimento populacional do município. Contagem conta com cinco distritos industriais, sendo um deles a Cidade Industrial Coronel Juventino Dias, que vem recebendo investimentos da prefeitura para a realização de obras de revitalização. Há também o Pentagna Guimarães, o Inconfidentes e o Centro Industrial de Contagem (Cinco), com as ampliações denominadas Cincão e Cinquinho. Nestes distritos estão instaladas aproximadamente 1,3 mil indústrias. Uma nova área industrial deverá ser construída na regional Vargem das Flores – CECON-, próximo à CEASA, podendo abrigar até 230 indústrias e 5 mil postos de trabalho diretos, o que deverá impulsionar tanto a economia da região quanto atrair um contingente populacional para esta regional. A Regional Ressaca e Nacional também serão bastante impactadas devido à sua proximidade com o CECON e a realização de vários empreendimentos imobiliários. Por outro lado, a economia de Contagem está fortemente ligada à atividade econômica do setor de serviços e de comércio. Dentre os serviços o fator mais forte corresponde ao comércio, que se apresenta entre os 5 mais fortes do estado e ganhou ainda mais importância nos últimos anos, de tal modo que Contagem foi o quarto município, em termos de participação no PIB do setor de serviços do estado de Minas Gerais, com uma participação de 5,7%, e, além disso, Contagem teve, em 2008, 54,7% do seu PIB gerados pelos serviços, que têm como atividade predominante, o comércio (FJP, 2010). O que corrobora o resultado apresentado pelo gráfico 4.1, o qual mostra a participação de cada setor no PIB de Contagem e explicita a importância dos setores de serviços e comércio para o município. Gráfico 4.2: Contribuição percentual do PIB municipal no valor agregado de Minas Gerais - Contagem, 2011 Fonte: Informativo do PIB de MG. Fundação João Pinheiro – 2011 23 prefeitura municipal de contagem Pela análise do gráfico 4.2, verifica-se que o PIB de Contagem contribui muito pouco com a atividade agropecuária do Estado, uma vez que, conforme o gráfico 4.2, apenas 0,1% do PIB de Contagem é oriundo desta atividade. Já a contribuição da Indústria, e dos Serviços e Administração Pública para o PIB Estadual são próximas, em torno de 5,5%. Ou seja, apesar da economia de Contagem ser predominantemente voltada para o comércio e o serviço, a contribuição da atividade industrial do município para a atividade industrial do Estado é praticamente a mesma da contribuição dos serviços e administração pública para o PIB estadual. Gráfico 4.3: Participação percentual dos maiores PIBs municipais de Minas Gerais- 2011 Fonte: Informativo do PIB de MG. Fundação João Pinheiro – 2011 Em relação a importância do PIB de Contagem no PIB de Minas Gerais tem-se que este, em 2010, era o quarto maior PIB, estando atrás apenas de Belo Horizonte, Betim e Uberlândia. Cabe ressaltar que, em 2006, Contagem possuía o terceiro maior PIB de MG, ou seja, nos últimos anos o crescimento do PIB de Uberlândia fez com que este ganhasse importância, frente o de Contagem. 4.3 Aspectos Demográficos e Econômicos da População Contagem apresentou em sua história uma notável variação no número total de habitantes – sobretudo entre 1960 e 1991, conforme pode ser visto no gráfico 4.4. Gráfico 4.4: População Total de Contagem – 1950 a 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (1950 a 2010). No período destacado tem-se que a população de Contagem variou de aproximadamente 100.000 habitantes para aproximadamente 450.000 habitantes, mais que quadruplicando a sua população. Nas duas últimas décadas (1990 a 2010), conforme pode ser observado pelo gráfico 4.4 mesmo sendo menor, o crescimento foi ainda muito 24 Plano de Habitação de Contagem Volume I representativo, apresentando uma variação de aproximadamente 34% no número total de habitantes. A seguir, será apresentado o perfil da população de Contagem segundo diferentes fatores, obtido a partir dos dados do Censo Demográfico de 2010 (IBGE, 2010). Gráfico 4.5: Pirâmide etária da população - Contagem, 2000 e 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2000; 2010). Conforme se pode verificar pela análise do gráfico 4.5 houve uma redução na proporção de população nas três primeiras faixas de idade, ou seja, de crianças e adolescentes até os 14 anos de idade. Isso mostra que Contagem, como grande parte do Brasil, está passando por um envelhecimento de sua estrutura etária, com uma redução na proporção da população jovem e um progressivo aumento da representatividade da população idosa, o que deve impactar, no médio e no longo prazo, na quantidade demandada de habitações e nas características destas. Assim, ao se considerar apenas os moradores oriundos da cidade, de um modo geral, nas próximas décadas deverão ser observados uma queda da proporção de formação de novos domicílios em virtude de casamento e da saída de filhos das casas, uma vez que a população em média está tendo um número menor de filhos. Entretanto, para esta próxima década, o número de formação de novos domicílios ainda deve ser muito expressivo, uma vez que uma grande parcela da população de Contagem está concentrada entre os 20 e os 34 anos de idade, que são as idades nas quais a população está mais propensa a constituir novos domicílios, saindo do domicílio paterno e constituindo o seu próprio. A população com idade igual ou superior a 65 anos correspondia, em 2010, a 6,1% da população total de Contagem, sendo estes predominantemente mulheres (3,5% da população total). Desta forma, a maior esperança de vida da população associada ao progressivo aumento do percentual dos idosos na população total deverá impactar em um percentual relativamente maior de domicílios, unipessoais ou não, com pessoas nesta faixa de idade o que torna ainda mais importante que estes também sejam alvo das políticas municipais de habitação, trazendo o fato de domicílios adequados as necessidades destes. 25 prefeitura municipal de contagem Gráfico 4.6: Pirâmide etária da população dos assentamentos precários1 - Contagem, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010). Nota 1. São aqui considerados assentamentos precários, os aglomerados subnormais do IBGE. Em relação à população residente de assentamentos precários, como as vilas e as favelas, tem-se que a população total nestes assentamentos corresponde a 58.163 pessoas, o que representa 9,6% do total da população de Contagem, percentual este superior ao encontrado como média do Brasil (6%). Os dados de assentamentos precários do IBGE apresentam algumas limitações referentes ao conceito utilizado pelo instituto. Assim, alguns assentamentos não são incluídos no Censo como assentamentos precários. O número de domicílios particulares ocupados nestes assentamentos é de 16.789, o que corresponde a 9,1% do total de domicílios de Contagem. A partir da relação entre o percentual de pessoas e o de domicílios verifica-se que os domicílios localizados em assentamentos precários de Contagem, na média, são mais adensados que os que não estão localizados nestes. Verifica-se também, a partir da análise do gráfico 4.6 que, em 2010, a população dos assentamentos precários era mais jovem que a população total, de tal modo que a população menor que 15 anos representa 27,2% da população total. Assim sendo, possivelmente o número de novos domicílios que serão formados por moradores residentes de assentamentos precários deverá ser, proporcionalmente, maior que na população total e do mesmo modo, caso a renda domiciliar se mantenha próxima a da residência de origem, uma proporção maior da população de assentamentos precários deverá formar novos domicílios, em relação à população total. A partir disso, como estas pessoas, em grande medida, tendem a continuar a residir próximo de onde está a sua rede de relacionamentos interpessoais e a família, é grande a possibilidade que as vilas e favelas de Contagem se adensem e cresçam ainda mais. É importante, então, que o poder público controle as ocupações nestes locais, para que elas não ocorram em áreas de preservação ambiental, áreas de risco geológico e em outras áreas que apresentem riscos à vida de seus moradores. 26 Plano de Habitação de Contagem Volume I Gráfico 4.7: População segundo auto declaração de cor/raça - Contagem, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010) Em relação à raça/cor, os dados do Censo mostram que a maior parte da população de Contagem se considera parda (49%), seguida por branca (40%). Se associássemos as declarações pardas e pretas - conforme é feito, em geral, em estudos de sociologia e economia -, verificar-se-ia que a cor negra(associação de pretos e pardos) corresponde à maior parte da população (59%). Já nos assentamentos precários a cor branca representa apenas 27,7% do total da população e a cor negra(pretos e pardos) representam 70,6% do total da população. É importante notar que, conforme diferentes estudos, a cor/raça que é declarada pela população está associada a um determinado nível de renda. Assim, as pessoas que se auto declaram pardas, em geral, tem uma renda média inferior às que se declaram brancas e o percentual desta é maior nos assentamentos precários, antevendo a presença mais marcante de vulnerabilidades sociais. Gráfico 4.8: Taxa de alfabetização da população de 10 anos ou mais - Regionais de Contagem, Contagem e Minas Gerais, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010) Conforme se pode verificar pelo gráfico anterior, o percentual de pessoas alfabetizadas nas regionais de Contagem varia um pouco, oscilando de 92,3% em Vargem das Flores até 98,4% no Riacho. Apesar do percentual de Vargem das Flores ser inferior ao de Minas Gerais - o que deve ser trabalhado pelas políticas públicas de educação - todos os percentuais são superiores à média do Brasil, bem como todos os demais são superiores a média do Estado. 27 prefeitura municipal de contagem O número absoluto de pessoas com idade superior à 10 anos que são alfabetizadas e residem em assentamentos precários é de 48.339. Os alfabetizados correspondem à 83,1% da população total destes assentamentos e a 90,5% da população destes que tem mais de 5 anos de idade. Já na população total o percentual de alfabetizados com mais de 5 anos corresponde a 89,2%. Deste modo percebe-se que a taxa de alfabetização média dos assentamentos precários é próxima à média do município de Contagem. Tabela 4.1: Taxa de crescimento populacional entre 2000 e 2010- Contagem, Belo Horizonte, RMBH, Minas Gerais e Brasil Localidades % crescimento populacional Contagem 1,2 Belo Horizonte 0,6 RMBH, exceto a Capital 1,6 Minas Gerais 0,9 Brasil 1,2 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010) A tabela 4.1 mostra que a taxa de crescimento em Contagem foi, na década passada, igual ao crescimento populacional do país, superior a Minas Gerais e Belo Horizonte, ficando abaixo, apenas, da Região Metropolitana de Belo Horizonte, quando excetuada a capital. Isso mostra que o crescimento populacional de Contagem, apesar de baixo, foi expressivo, ainda mais se considerarmos que o crescimento populacional das cidades no Brasil, sobretudo nas regiões Sudeste e Sul, deve ser cada vez menor - se considerarmos apenas o crescimento vegetativo8 das cidades. Deste modo, em relação a Contagem, tem-se como hipótese que o crescimento populacional da década de 2000 a 2010 também pode estar relacionado a fluxos populacionais positivos de novos moradores para esta cidade. A tabela a seguir apresenta a taxa de crescimento populacional por região administrativa de Contagem. Tabela 4.2: Número absoluto, taxa de crescimento, número de incremento populacional, percentual da população por regional e proporção de mulheres e homens em cada regional e na população do município Contagem, 2000 e 2010 REGIONAIS TAXA DE POPULAÇÃO POPULAÇÃO INCREMENTO CRESCIMENTO 2000 2010 POPULACIONAL (a.a.%) % da POPULAÇÃO % Mulheres % Homens Eldorado 114.253 114.843 0,05 590 19,0 52,6 47,4 Ressaca 77.602 95.263 2,05 17.661 15,8 51,5 48,5 Sede 67.268 88.754 2,77 21.486 14,7 51,3 48,7 Riacho * 69.402 74.775 0,75 5.373 12,4 52,1 47,9 Industrial 78.648 74.553 -0,53 -4.095 12,4 51,6 48,4 Nacional 52.542 61.432 1,56 8.890 10,2 51,2 48,8 Vargem das Flores 48.472 55.238 1,31 6.766 9,2 48,9 51,1 Petrolândia 29.830 38.604 2,58 8.774 6,4 51,1 48,9 CONTAGEM 538.017 603.442 1,15 65.445 - 51,5 48,5 Fonte: Elaboração própria. A base de dados é do IBGE 2010 e Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação Nota *A regional Riacho foi criada em 2009 pela Lei Complementar 60/2009. Os dados do IBGE de 2000,das regionais Riacho e Eldorado foram trabalhados a partir do fato de criação da regional. Os pontos mais relevantes que se observa pela análise da tabela 4.2 são: (i) a região Sede e Petrolândia obtiveram a maior taxa de crescimento populacional, respectivamente de 2,77% e 2,58%, entre 2000 e 2010; (ii) a Região Industrial 8 Crescimento vegetativo da população é o crescimento devido apenas a novos nascimentos, desconsiderando-se efeitos de fenômenos migratórios . 28 Plano de Habitação de Contagem Volume I perdeu população; (iii) a regional do Eldorado é a que concentra a maior parte da população de Contagem (19%), seguida pela Sede (14,7%); (iv) a única regional que apresenta um percentual de homens maior que o de mulheres é Vargem das Flores. Devido a presença de uma penitenciária masculina no local. Os dados divulgados do Censo Demográfico de 2010 mostram a situação da renda domiciliar per capita da população de Contagem e de Minas Gerais, conforme pode ser vista no gráfico 4.9. Gráfico 4.9: Proporção de domicílios particulares permanentes segundo renda domiciliar per capita1em Salários Mínimos2 – Contagem e Minas Gerais, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010). Nota: 1. Apenas das pessoas com mais de 10 anos 2. Salário mínimo de 2010 – R$ 510,00. Segundo o Censo de 2010, cerca de 93 mil domicílios de Contagem possuem uma renda per capita9 de até 1 salário mínimo. Este valor é bastante expressivo uma vez que corresponde a pouco mais de 50% dos domicílios do município - já que este possui um total de 184.83910 domicílios, segundo dados do Censo de 2010. Ao examinar os dados de Minas Gerais verifica-se que mais de 60% dos domicílios mineiros apresentam renda domiciliar per capita inferior a um salário mínimo. Assim, pode-se dizer que o município de Contagem apresenta renda média domiciliar per capita superior à de Minas Gerais. Em relação aos domicílios de assentamentos precários tem-se que a população de 2,7% destes, que representam 0,3% do total de domicílios de Contagem, apresenta renda per capita de até um quarto do salário mínimo, representando as famílias na linha de pobreza, que possivelmente são as mais carentes e elegíveis às políticas do governo (BPC, Bolsa Família, etc.). Embora estes dados revelem a situação da renda por domicílio, é necessário conhecer o número de pessoas e a renda média domiciliar em cada região administrativa, para examinar como se dá a concentração populacional e a distribuição de renda 9 Vale ressaltar que renda domiciliar per capita é a soma de todos os rendimentos de todos os membros do domicílio dividida pelo número total de indivíduos residentes. 10 Domicílios particulares permanentes (IBGE, 2010) – apartamentos, casas ou cômodos destinados à moradia de uma ou mais de uma pessoa com laços de parentesco, dependência doméstica ou normas de convivência. Não inclui os domicílios coletivos nem improvisados. 29 prefeitura municipal de contagem Gráfico 4.10: Distribuição percentual das pessoas de 10 anos ou mais por classe de rendimento no trabalho principal (em salários mínimos1), por regionais - Contagem, RMBH e Minas Gerais, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010) / Nota: 1. Salário mínimo de 2010 – R$ 510,00. O gráfico 4.10 mostra a distribuição dos rendimentos das pessoas de 10 anos ou mais. É interessante notar que, o maior percentual de pessoas sem renda corresponde ao da regional Vargem das Flores, com mais de 40% da população sem renda. Somando o percentual de pessoas sem renda ao de pessoas com até 1 salário mínimo averigua-se que mais de 70% recebe até 1 SM. De modo contrário, a regional do Eldorado é a que tem um menor percentual da população sem renda (30%) mas ele possui, juntamente com a Sede, um significante percentual de pessoas com 3 a 5 SM (aproximadamente 37%), faixa esta à qual já corresponde as habitações de mercado. Comparando Contagem com a RMBH e Minas Gerais verifica-se que, apesar do percentual de pessoas sem renda ser semelhante, Contagem apresenta uma distribuição muito próxima, mas um pouco pior que o da RMBH e um pouco melhor que o de Minas Gerais. 5. CONTAGEM E SUA INSERÇÃO NA REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE A explosão urbana, que passou o Brasil nas últimas décadas, gerou um processo de urbanização de grandes cidades, geralmente as capitais, com espraiamento para cidades vizinhas. Esse fenômeno urbano denominamos de metropolização, em que a cidade pólo ou a metrópole, nesse caso a cidade de Belo Horizonte, conurba com a cidade de Contagem. Por isso que é importante discutir o município de Contagem dentro do contexto da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). Diversas dinâmicas econômicas, sociais e urbanas não acontecem somente dentro do território do município de Contagem, que possui um polo industrial diversificado, uma economia sofisticada, e está numa posição física e econômica estratégica na RMBH. Neste contexto de integração com a RMBH, faz-se necessário identificar quais são os processos e as dinâmicas que estão ocorrendo na esfera habitacional da região metropolitana, a fim de compreender e enriquecer o conhecimento acerca das dinâmicas e dos processos imobiliários e habitacionais do município de Contagem. Em 2010, o Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional – CEDEPLAR- da Faculdade de Economia da UFMG, juntamente com o Governo do Estado de Minas Gerais e outras instituições de ensino superior de Belo Horizonte, elaboraram um Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado - PDDI – para RMBH. Este estudo visa pensar políticas de curto, médio e longo prazo que atuem sinergicamente no sentido de diminuir as desigualdades metropolitanas e favorecer o desenvolvimento político e econômico de municípios menos favorecidos. O PDDI aborda também a identificação de centralidades metropolitanas e as tendências de desenvolvimento físico e econômico de toda a RMBH, levando em consideração as potencialidades e os focos industriais, econômicos, físicos e sociais municipais. Dentre os componentes do PDDI, a questão do uso do solo foi abordada visando à análise de áreas urbanas e das não 30 Plano de Habitação de Contagem Volume I urbanas e os contrastes das potencialidades municipais para o desenvolvimento integrado. Desta forma, para compreender o uso do solo e do espaço em Contagem, faz-se necessário compreender a dinâmica metropolitana, tendo em vista o impacto direto que a tendência metropolitana exerce em Contagem e nos demais municípios pertencentes à RMBH.Inicialmente contando com 14 municípios, a RMBH foi se desenvolvendo e com isto passou a incorporar mais municípios. Atualmente, conta com 34 municípios. O processo que caracterizou a metropolização em Minas Gerais teve início nos anos de 1940, período marcado por diversas intervenções públicas que resultaram na expansão dos municípios vizinhos de Belo Horizonte, principalmente na região oeste e norte. Em 1946, foi inaugurada a Cidade Industrial de Contagem, município que concentrou a maior parte da atividade industrial da recém criada Região Metropolitana, principalmente nas próximas décadas – 1960 e 1970. A proximidade com a BR-381, que liga a capital mineira a São Paulo possibilitou o crescimento industrial desta região, o que impulsionou o aumento populacional desta. Outro fator importante para o processo de metropolização foi a criação do Complexo da Pampulha e da Avenida Pres. Antônio Carlos que possibilitaram o desenvolvimento e expansão urbana ao criar o vetor norte, que conectou o centro da capital mineira aos demais municípios próximos. Estes desenvolvimentos culminaram em uma expansão demográfica nas décadas de 50 e 60 de modo que a população metropolitana, até então de 500.000 habitantes, saltou para 1.500.000 pessoas, vindos principalmente do interior do estado. Esta expansão populacional não foi acompanhada por projetos ou por ações estratégicas para receber estes novos migrantes, o que ocasionou o aumento de populações de baixa renda no norte da RMBH e na região oeste, de forma desordenada, devido à expansão industrial. Na década de 70, o processo de industrialização teve um novo surto e houve uma acentuada expansão do parque industrial, com novos investimentos em siderurgia, metalurgia e indústria automobilística. Houve também grande aumento no que tange à prestação de serviços, o que fortaleceu a integração entre os municípios da região oeste, principalmente Contagem e Betim bem como a região norte metropolitana e Belo Horizonte. Nesse período houve um aumento das redes viárias, devido o fato que muitos trabalhadores residiam em um município e trabalhavam em municípios próximos. Foi nesta década que, pela primeira vez, as taxas de crescimento populacional de Belo Horizonte foram menores que de outras cidades conurbadas, como Betim e Contagem. No que se refere ao crescimento espacial, a região norte da RMBH foi a que mais recebeu migrantes vindo de outras regiões do estado e de estados do nordeste, principalmente da Bahia. Na década de 80, o crescimento das áreas periféricas se consolida ao passo que as camadas mais ricas da população começaram a se concentrar na região Sul de Belo Horizonte e na região sul da RMBH, como no município de Nova Lima. Isso ocasionou um aumento nos preços dos terrenos na região e na concentração do interesse por parte das construtoras em realizar moradias para populações de classe média e alta, tendo em vista que as camadas mais pobres não tinham acesso a financiamentos, o que resultava em processos de “invasão” de terrenos e autoconstrução em outras regiões, inclusive em Contagem. A crise da estagnação econômica ocorrida nos anos 1980 provocou um desaquecimento no mercado imobiliário, que só foi recuperada com um breve aquecimento ocorrido de 1994 a 1998, onde novas atividades como mineração, sofisticação da prestação de serviços e novo estímulo para o mercado imobiliário propiciaram um novo surto de desenvolvimento concentrado principalmente na região sul da RMBH. A década de 2000 foi importante para a afirmação da RMBH no cenário político estadual, pois em 2006 foram criadas duas leis que reforçaram a RMBH e criaram o cidadão metropolitano. Trata-se da LCE n. 88/ 2006 e da LCE n.89/2006. Estas leis reconheceram os 34 municípios da RMBH e firmaram que o sistema de gestão compartilhada da RMBH é composto pela Assembleia Metropolitana, pelo Conselho Deliberativo de Desenvolvimento, pela Agência de Desenvolvimento e por todos os órgãos e entidades estaduais, municipais e privadas que executam funções públicas de interesse comum. A sociedade civil, em uma Conferência que ocorre de dois em dois anos, elege dois representantes dos cidadãos metropolitanos para o Conselho Deliberativo. Em 2009 foi criada a Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com o objetivo de reforçar e ampliar os recursos e os trabalhos para a questão metropolitana, em conjunto com o Conselho Deliberativo de Desenvolvimento. Havia o receio por parte de alguns municípios em perder a autonomia frente a esta Agência da RMBH, porém foi estabelecido pelo governo do estado que as atividades da ARMBH focariam sua atenção na questão territorial metropolitana, podendo estender futuramente para a questão de transporte público metropolitano. 31 prefeitura municipal de contagem A RMBH como um todo cresceu 1,15% sua população por ano durante uma década. Deve-se considerar que ainda há a tendência de maior crescimento nos municípios periféricos em torno de Belo Horizonte, com destaque para os da região Norte e Sul, assim como Esmeraldas, que apresentou uma alta taxa de crescimento populacional. Contagem figura com um crescimento semelhante ao da média da RMBH, de 1,2% ao ano, onde a população teve um crescimento de 65.425 pessoas em 10 anos. É interessante notar o cenário que Contagem, como município central e com participação histórica relevante na gênese metropolitana, vem exercendo e, concomitantemente, é influenciada pela dinâmica da RMBH. 5.1 Empreendimentos Estruturantes e Sistema Rodoviário na RMBH Os novos investimentos em infraestrutura, desenvolvimento tecnológico, lazer, transportes e desenvolvimento econômico trazem grandes impactos para o desenvolvimento local, municipal e metropolitano. Estes investimentos tendem a gerar pelo menos duas consequências quando articulados e relacionados, por exemplo, investimentos em melhorias no sistema de transporte e novos conjuntos habitacionais. Um se refere ao poder de atrair novos moradores ao local e o segundo se refere ao consecutivo aumento do valor do terreno. Empreendimentos estruturantes resultam em diversas externalidades, como desenvolvimento do comércio e abertura de novos cargos de trabalho. Em Contagem, especificamente alguns novos empreendimentos merecem destaque, como por exemplo, o Centro Empresarial de Contagem- CECON. Este complexo empresarial ocupará mais de quatro milhões de metros quadrados e terá infraestrutura necessária para a instalação de novas empresas no município. A área onde o CECON será construído está localizada na região de Vargem das Flores e terá capacidade para abrigar mais de 230 novas empresas para a região. A importância do CECON versa principalmente pelo impacto que irá exercer na região de Vargem das Flores, Nacional e Ressaca regiões que historicamente, concentraram populações menos favorecidas economicamente. O CECON poderá, entre outros impactos, gerar mais empregos e concentrar investimentos na região. Outra importante ação ocorrendo em Contagem é a revitalização do ribeirão Arrudas com a urbanização de algumas vilas, projeto denominado PAC –Arrudas. Esta intervenção se caracteriza pela construção de mais 600 novos apartamentos para reassentamento de famílias que moravam em favelas da região e pela mudança do sistema viário beneficiando o vetor oeste da RMBH, principalmente Barreiro, Ibirité e a região sul de Contagem. Projeto complementado pelo projeto denominado PAC Ferrugem. Estes novos empreendimentos, causam grande impacto na dinâmica mobiliária metropolitana, de modo que estas regiões vêm sendo tratadas como os maiores potenciais de crescimento e de especulação imobiliária. Dentre as diversas categorias de novos empreendimentos, uma se destaca pela sua importância para o desenvolvimento e que impulsiona o crescimento, a especulação imobiliária, o comércio e a indústria é a malha viária. Foi anunciado oficialmente no ano de 2011 a construção do Rodoanel. Com extensão de 67,5 km, passando por Betim, Contagem, Ribeirão das Neves, Vespasiano, Lagoa Santa, Pedro Leopoldo, Santa Luzia e Sabará, a nova via vai interligar rodovias e desviar parte do fluxo viário de Belo Horizonte. Serão duas faixas de tráfego que interligarão a BR-381, na saída para São Paulo, com essa mesma rodovia, mas no sentido Vitória. O Rodoanel cruzará a BR-040, próximo à Ceasa, em Contagem, mas a expectativa de maior impacto concentra-se na região de Vargem das Flores. É importante ressaltar que esta obra referente ao Rodoanel terá grande impacto em todos os municípios pelos quais irá incidir, devido a importância que os transportes exercem na questão habitacional. 5.2 As Centralidades Metropolitanas Por centralidade metropolitana deve-se entender uma rede de polarizações que concentram atividades e relações socioeconômicas, industriais, culturais e sociais divergentes e diversificadas. Tais centralidades servem como polos de relações sociais e servem como referência a localidades próximas que não possuem uma rede vasta e complexa de serviços urbanos. Para se definir uma centralidade, este local deve reunir aspectos socioeconômicos como também de prestação de serviços, como centros de saúde e educação, que sirvam como referência a outros locais periféricos. Contagem aparece como um Centro Regional de 1ª ordem, que está diretamente relacionado com o Centro Metropolitano, devido a grande estrutura viária que conecta os dois polos e a conurbação, principalmente na região 32 Plano de Habitação de Contagem Volume I do Eldorado e da Cidade Industrial, que permite uma estrita ligação entre os dois centros. O centro Regional de Contagem exerce grande influência sobre Mateus Leme, Igarapé, São Joaquim de Bicas, Mário Campos e Sarzedo. O município possui grande relação com outro centro conurbado, o centro de Betim, entretanto, este centro do município de Betim não possui tamanha influência nos municípios da região sudoeste da RMBH como Contagem. 5.3 Atividade Imobiliária Atual A atividade imobiliária da Região Metropolitana apresenta realidades bastante distintas. Resumidamente, de um lado, se apresentam pressões do mercado imobiliário que expulsam moradores de menor renda de locais onde são alvos de nova expansão imobiliária e de outro, a concentração de famílias que se mobilizam, muito em parte graças a pressão das construtoras, para regiões mais periféricas, baseando-se usualmente no processo de autoconstrução em áreas consideradas rurais em seus municípios de origem. Se junta a este fato ao cenário atual de investimentos governamentais em novos programas de habitação, projetos estruturantes e sistemas viários, o cenário imobiliário da RMBH pode ser explicado segundo o mapa a seguir. Figura 5.1: Mapa da dinâmica metropolitana da RMBH Fonte: Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado – RMBH, 2010 Os estudos realizados identificaram três grandes espacialidades do mercado imobiliário na RMBH. A primeira é uma mancha contínua de valorização mais exacerbada, que inclui todo o município da capital, onde o preço da terra e a escassez de áreas de expansão (aliada a uma crescente busca pela moradia próxima a amenidades ambientais e em parcelamentos cercados por parte das camadas de alta renda) criam fortes pressões sobre alguns municípios vizinhos. Essa escassez de novas áreas para expansão no município de Belo Horizonte também envolve dois efeitos: a tendência à substituição do padrão de ocupação e à verticalização de áreas onde a ocupação horizontal ainda é predominante no município da capital (como em bairros fora da área pericentral); e, a intensificação do transbordamento dos processos de produção do espaço pelos capitais imobiliários próprios de Belo Horizonte para os municípios vizinhos, de forma desigual dentre eles. Esta primeira mancha de maior valor, de onde a população de baixa renda tende a ser excluída pelo próprio mercado imobiliário, se estende ao longo do vetor sul, em porções do vetor oeste, como na região do Ressaca/Sarandi em Contagem, e mais recentemente vem se estendendo na direção de partes do vetor norte (com a 33 prefeitura municipal de contagem exceção de Lagoa Santa, município que já era mais tradicionalmente vinculado ao mercado de alta renda da capital). Uma segunda mancha, correspondente às periferias de baixa renda e aos mercados que se organizam em escala local nas sedes dos municípios, se concentra em porções do vetor leste, e de forma contínua forma um arco que parte de Ibirité, passando por Igarapé, Mateus Leme, incluindo o vetor noroeste (em partes de Esmeraldas e Ribeirão das Neves) e chegando ao vetor norte mais distante da capital, em Matozinhos. A terceira região corresponde às áreas de menor integração ao processo de metropolização, onde há tendência ao aumento dos processos de chacreamento de áreas rurais, progressivamente transformadas em sítios de uso de fim de semana e eventualmente em novos condomínios. Para reforçar a compreensão da dinâmica da expansão imobiliária atual da Região Metropolitana de Belo Horizonte, o mapa abaixo demonstra como está a atuação do mercado imobiliário, ou seja, a concentração da atividade imobiliária na RMBH. Figura 5.2 Mapa de concentração da atividade imobiliária na RMBH Fonte: Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado – RMBH, 2010 34 Plano de Habitação de Contagem Volume I Pode-se perceber que os valores mais altos localizam-se no núcleo da RMBH, atingindo praticamente todo o município de Belo Horizonte e quase a totalidade de Contagem, salvo a regional de Vargem das Flores, onde a legislação não permite o parcelamento de terrenos em diferentes áreas desta localidade por serem consideradas áreas rurais. Nos demais municípios, a atividade imobiliária é alta nas sedes municipais e vai retraindo à medida que se desloca para as periferias das sedes. É notável o interesse imobiliário na região norte da RMBH, devido aos fatores e investimentos estruturantes na região. 5.4 Contagem no Plano Metropolitano Após todas estas informações, pode-se concluir que historicamente Contagem exerceu um papel central e vital na formação e consolidação da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Desde a criação da Cidade Industrial de Contagem, em 1946, até hoje, é possível perceber como o município ampliou e diversificou suas atividades no plano metropolitano, de forma que de polo industrial, o município passou a ser um pólo central diversificado, influenciando e se relacionando diretamente com municípios menores com o qual faz divisa ou estão sob sua órbita de influência (Mateus Leme, Igarapé, São Joaquim de Bicas, Mário Campos e Sarzedo). As proximidades com a capital e a ampla rede rodoviária auxiliaram para esta centralidade encontrada no município e facilitou sua ligação para a construção do núcleo central, composta por Belo Horizonte, Contagem e Betim. No plano habitacional, Contagem conta com uma intensa atividade imobiliária que está seguindo a tendência de construir novos conjuntos habitacionais e a verticalizar seus territórios. Os maiores investimentos estruturantes por parte do governo estadual e federal têm-se concentrado nas regiões norte e sul da RMBH, o que está fazendo com que os municípios pertencentes a estas regiões apresentem um crescimento populacional superiores à média da RMBH e Contagem, neste contexto, apresentou na última década o crescimento de 1,2% na sua população, o que representa que a média de crescimento de Contagem é inferior ao da média da RMBH, quando excetuado Belo Horizonte. Desta forma, Contagem pode ser definida como uma cidade central da RMBH e está diretamente vinculada com os processos que estão ocorrendo no plano metropolitano, não apenas pela sua proximidade com a capital mineira, mas também devido a importância econômica e urbana que o município exerce na dinâmica metropolitana. 35 prefeitura municipal de contagem CAPíTULO II 6. DIAGNÓSTICO HABITACIONAL Esta seção está organizada em quatro partes: 6.A. Aborda as características dos domicílios no município de Contagem, a partir dos dados do Censo 2010, bem como se apresenta um déficit e uma estimativa de demanda habitacional do município a ser trabalhada pelas políticas públicas. 6.B. Trata da política fundiária que está sendo praticada na execução das ações da Política Municipal de Habitação, bem como o problema dos loteamentos particulares irregulares. 6.C.Cuida de analisar as Áreas de Interesse Social – AIS 1, que são os territórios ocupados por vilas, favelas e loteamentos públicos. 6.D. Apresenta a pesquisa quantitativa realizada no âmbito deste Plano e caracteriza os empreendimentos habitacionais objeto da mesma. 6.A. CARACTERIZAÇÃO DOS DOMICÍLIOS11 Em relação à questão habitacional, é importante analisar as características dos domicílios de Contagem. O número total de domicílios de Contagem, em 2010, foi de 202.731, sendo estes 202.579 domicílios particulares e 152 domicílios coletivos (pensões, casas geriátricas e outros domicílios com finalidade semelhante). Além disso, 16.789 domicílios particulares ocupados – permanentes e improvisados12 – estão localizados em assentamentos precários e a população residente nestes corresponde a 9,6% da população do município (58.163 pessoas), de tal modo que há em média 3,46 pessoas por domicílio nos aglomerados subnormais e 3,25 é o número médio de pessoas por domicílio para Contagem como um todo. O que evidencia que os domicílios em aglomerados subnormais são mais adensados. TABELA 6.1: Número de domicílios segundo tipologia do IBGE - 2010 Tipologias Número Absoluto Derivações de domicílios % particulares Total de Domicílios em Contagem 202.731 100 Domicílios Coletivos 152 0,07 Domicílios Particulares 202.579 99,93 Domicílios Particulares Permanentes Ocupados 184.839 91,2(1) Domicílios Particulares Improvisados Ocupados² 165 0,1(1) Domicílios Particulares Não Ocupados: 17.575 8,7(1) de Uso Ocasional - 2.877 3 Vagos4- 14.698 Domicílios Particulares Permanentes em Assentamentos Precários 16.789 8,3 (1) Domicílios Particulares Alugados 39.232 19,4(1) Fonte: IBGE – Censo Demográfico (2010) Nota: (1) percentual em relação aos Domicílios Particulares; (2) Domicílios improvisados ocupados são aqueles que são localizados em dependências não destinadas exclusivamente à moradia, como lojas, salas comerciais, prédios em construção, carroças, vagões etc; (3) Domicílios de uso ocasional são os domicílios particulares que na data de referência servia ocasionalmente de moradia. Ou seja, são aqueles usados para descanso de fins de semana, férias ou outro fim, mesmo que, na data de referência, seus ocupantes ocasionais estivessem presentes; (4)Domicílios vagos são os domicílios particulares que, na data de referencia do Censo, estavam desocupados. 11 Ressalta-se que nesta seção toda a análise será feita com os dados do Censo 2010, disponibilizados até janeiro de 2012. Entretanto, há uma diferença, nos assentamentos precários, no número de domicílios constantes no Censo 2010 e do levantamento realizado pela Prefeitura. Assim é importante a realização de um estudo no qual se reveja o número de domicílios em assentamentos precários. 12 os domicílios particulares ocupados podem ser permanentes ou improvisados, de acordo com a classificação do IBGE. Os improvisados seriam, por exemplo, um estabelecimento comercial transformado em residência. 36 Plano de Habitação de Contagem Volume I Do total de domicílios particulares, 184.839 correspondem a domicílios particulares permanentes ocupados, 165 domicílios particulares improvisados ocupados e 17.575 domicílios particulares não ocupados sendo de uso ocasional (2.877), vagos (14.698). Dessas tipologias aquela que diz respeito aos domicílios particulares vagos, geralmente é a de maior polêmica diante a amplitude do conceito e do dado. Porém a causa da circunstância é desconhecida, levando a atribuir varias motivações como domicílios objeto de sucessão hereditária, em processo de comercialização e outras. Tabela 6.2: Número de domicílios particulares permanentes, percentual de domicílios particulares permanentes segundo tipo de família e número médio de moradores - Contagem, RMBH e Minas Gerais, 2010 Número de DPP % Domicílios particulares permanentes (DPP)1 Número médio de moradores Nuclear2 Estendida3 Composta4 Unipessoal Nuclear Estendida Composta Contagem 184.839 69,18 17,38 1,79 11,66 3,30 4,49 3,96 RMBH 1.905.378 67,13 17,69 2,55 12,63 3,32 4,53 3,87 MG 6.028.223 67,50 17,27 2,23 13,00 3,32 4,50 3,91 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010). Nota: (1). Domicílio Particular Permanente (DPP) - Moradia de uma pessoa ou de um grupo de pessoas, onde o relacionamento é ditado por laços de parentesco, dependência doméstica ou normas de convivência, localizado em unidade que se destina a servir de moradia (casa, apartamento ou cômodo); (2). Família Nuclear - aquela formada por um dos pais com seus filhos solteiros ou por um casal com ou sem filhos; (3). Família Estendida - famílias compostas uma família nuclear mais algum outro parente; (4) Família composta - família nuclear ou estendida que vive com alguma pessoa sem grau de parentesco. A partir da tabela 6.2 nota-se que a distribuição dos domicílios, segundo o tipo de família é muito semelhante em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) e em Minas Gerais. O número médio de moradores segundo tipo de família também é muito parecido, de tal modo que as famílias estendidas são em média maiores que as compostas e as nucleares - o que é interessante, já que espera-se, em geral, que as famílias compostas sejam em média mais numerosas que as estendidas. Além disso, excetuando-se pelas famílias compostas, os domicílios contagenses são em média menores que os da RMBH e os do estado. Gráfico 6.1: Distribuição percentual de domicílios segundo existência de banheiro ou sanitário e forma de coleta de esgoto - Regionais, Contagem, Minas Gerais e Brasil, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010) 37 prefeitura municipal de contagem O percentual de domicílios com banheiro ou sanitário ligados à rede geral de esgotou ou pluvial em Contagem é muito superior à média do Estado de Minas Gerais e do Brasil. Verifica-se também que todas as regionais administrativas de Contagem apresentam um alto percentual de domicílios com banheiro ou sanitário ligados à rede de esgoto ou pluvial, com destaque para o Riacho, regional que conta com a quase totalidade das casas com esta característica. Por outro lado, a regional de Vargem das Flores é aquela na qual as residências tem um menor acesso à rede geral de esgoto ou pluvial; esta também é a regional na qual um maior percentual de domicílios com banheiros com fossa séptica (aproximadamente 15%) e com outros tipos de destinação de resíduos líquidos. Segundo o IBGE (2010), 92,1% dos domicílios de assentamentos precários de Contagem possuem saneamento adequado (que advém de rede de distribuição e são coletados pela rede geral de esgoto) e 7,8% possuem saneamento semiadequados (que podem não advir da rede geral de distribuição ou podem ser coletados por meio de fossas sépticas). Gráfico 6.2: Número de Domicílios particulares permanentes em Assentamentos Precários sem banheiro ou sanitário de uso exclusivo – Contagem, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010) Conforme pode se verificar, a partir da análise do gráfico 6.2, o assentamento precário que contém o maior número de domicílios sem banheiro ou sanitário de uso exclusivo é a Vila Jardim Eldorado13 (72 domicílios), o que representa 7,2% do total de domicílios deste assentamento, que está localizada na regional Eldorado. Uma vez que esta inadequação domiciliar está praticamente sanada em várias regiões, percebe-se que o percentual de domicílios em assentamentos precários que não possuem banheiros ou sanitários de uso exclusivo é razoavelmente alta (6,5% em média). Apesar do maior número de domicílios sem banheiro estar no Jardim Marrocos, o maior percentual é o da Vila Francisco Mariano (15%), seguido pelo Jardim Alvorada (13,6%). 13 O dado mencionado antecede a intervenção de saneamento ambiental realizada pela Prefeitura de Contagem em parceira com a COPASA, em duas etapas, finalizada em 2012. 38 Plano de Habitação de Contagem Volume I Gráfico 6.3: Distribuição percentual de domicílios segundo forma de distribuição de energia elétrica Contagem, Minas Gerais e Brasil, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010). Em relação à energia elétrica e à distribuição de água, tem-se apenas os valores médios para o município de Contagem, Minas Gerais e Brasil. O número de domicílios que possuem energia elétrica oriunda de companhia distribuidora, têm-se que o percentual em Contagem é superior ao de Minas Gerais e ao do Brasil. Somando-se todos os domicílios que possuem energia elétrica, tem-se um total de 99,93% dos domicílios de Contagem, 99,29% de Minas Gerais e 98,73% do Brasil. Já no que concerne os domicílios situados em assentamentos precários de Contagem, os dados do Censo mostram que um percentual um pouco menor destes (99,6%) possuem energia elétrica de alguma fonte. Dentre estes, 5,21% não estão ligados a medidores de energia elétrica, ou seja, provém de redes informais (gatos). Esta realidade é muito comum nos assentamentos precários e pode trazer vários problemas para estas populações, já que não há nenhum tipo de manutenção nestas redes e a periculosidade destas em geral é alta. Gráfico 6.4: Distribuição percentual de domicílios segundo fonte de distribuição de água - Contagem, Minas Gerais e Brasil, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010). Do mesmo modo que os itens anteriores de infraestrutura, vê-se que a quase totalidade dos domicílios de Contagem está coberta pela rede geral de distribuição de água da Companhia de Água e Saneamento - COPASA. O percentual de domicílios de assentamentos precários, obtido a partir dos dados do Censo, mas que não são mostrados no gráfico 6.414, que são cobertos é pouco maior que o do município (99,4%), o que possivelmente se deve aos domicílios de bairros formais que utilizam poço e aos da região rural. 14 Estes dados não foram incluídos, pois, não se conseguiu a mesma desagregação, apenas o percentual total. 39 prefeitura municipal de contagem Gráfico 6.5: Distribuição percentual de domicílios, segundo forma de coleta de lixo - Regionais, Contagem, Minas Gerais e Brasil, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010). A partir do gráfico anterior, observa-se que a coleta de lixo nas regionais de Contagem é feita, predominantemente, pelo serviço de limpeza e que a coleta é direta nos domicílios. A coleta indireta é um pouco mais elevada nas regionais de Vargem das Flores (em torno de 10%) e Industrial (aproximadamente 5%). A coleta indireta deve estar concentrada nas Vilas e Favelas de Contagem, que são locais com zoneamento diferenciado, nos quais as ruas e becos estreitos muitas vezes não permitem a passagem dos caminhões de coleta de lixo. Gráfico 6.6: Número de domicílios particulares permanentes em Assentamentos Precários sem coleta de lixo - Contagem, 2010 201 Novo Boa Vista 63 Vila Estaleiro 28 Vila Pérola 20 Ypê Amarelo 19 Vila Formosa 15 Morro dos Cabritos ou Vila da Cruz Vila Dom Bosco 10 Atrevidos 9 Vila Bela Vista 8 Vila Soledad ou Rato Molhado 8 Vila Renascer 6 Nova Esperança 6 Vila Barraginha 4 Jardim Marrocos 2 Vila Epa ou Peróbas 2 Vila Beatriz 2 Jardim Alvorada 1 Vila Bandeirantes 1 Vila Cheripita 1 Vila São Mateus 1 Vila P.T.O. 1 0 50 100 150 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010). 40 200 Plano de Habitação de Contagem Volume I Em relação a coleta de lixo é importante notar que, com exceção das vilas Novo Boa Vista e Estaleiro, foram as duas vilas que mais reportaram a ausência de coleta de lixo, sobretudo o Novo Boa Vista, com 44,6% dos domicílios reportando ausência de coleta. Já na Vila Estaleiro este percentual correspondeu a 12,8% das respostas. Entretanto, como este número é praticamente nulo nos outros assentamentos ele deve ser alvo de futuras políticas públicas que eliminem este problema. Gráfico 6.7: Número total de domicílios e número total de construções em Assentamentos Precários Contagem, 2010 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010). Em relação aos domicílios em assentamentos precários é interessante verificar a dinâmica destes. Assim, os assentamentos com maior número de domicílios são o da Vila Bandeirantes e o da Vila Jardim Eldorado. Por outro lado, àqueles nos quais está se fazendo mais construção são a Vila Pérola (59 domicílios sendo construídos no momento do Censo), seguida pela Vila Estaleiro (34) - localizada na regional Vargem das Flores -, Vila Barroquinha (27), Morro dos Cabritos (26) - localizado no Ressaca - e do Laguna (22). Assim, é importante que ocorra um monitoramento destas áreas, uma vez que sabe-se que a dinâmica da cidade informal é muito superior na cidade formal, ou seja, este crescimento pode ampliar a densidade demográfica destas áreas a níveis de inabitabilidade. 41 prefeitura municipal de contagem Gráfico 6.8: Proporção de residências alugadas em Assentamentos Precários do município de Contagem, 2010 Jardim Marrocos 19,2 Itaú Novo Boa Vista 17,7 17,7 Vila Barraginha 17,6 Parque São João Vila Bandeirantes 17,5 Pedreira Santa Rita 17,0 16,6 Vila São Mateus 15,7 Vila Dom Bosco Buraco da Coruja 15,3 Cachorro Sentado 15,1 Vila Bela Vista 14,8 13,9 Vila Riachinho 13,5 Colorado ou Avenida Dois Vila Marimbondos ou Jardim Eldorado 13,5 Jardim Industrial 12,8 12,4 Vila Estrela D'alva 12,1 Vila São Vicente Morro dos Cabritos ou Vila da Cruz 12,0 Vila Morro Vermelho 11,9 Vila Barroquinha 11,9 11,9 Vila Francisco Mariano 11,0 Do Laguna Vila Boa Vista ou Troca Tapa 11,0 Vila Bastilha 10,8 10,6 Vila P.T.O. 9,5 Frigodiniz Jardim Alvorada 9,2 Vila Pérola 9,1 Vila Cheripita 9,0 8,7 Vila Santo Antônio ou SAMAG 8,5 Vila Aparecida Vila da Paz 8,3 Vila Estaleiro 7,6 7,1 Vila Epa ou Peróbas 6,7 Vaquinha Vila Renascer 6,3 Vila Formosa 5,5 Vila Soledad ou Rato Molhado 5,0 4,3 Ypê Amarelo 3,4 Vila São Nicodemos Vila Beatriz 2,6 Nova Esperança 2,4 2,0 Nova Contagem Atrevidos 0,0 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 22,0 25,0 Fonte: IBGE - Censo Demográfico (2010). A partir dos dados já divulgados pelo Censo 2010, pode se verificar que Contagem apresentava 39.232 domicílios alugados neste ano (19,4% do total de domicílios). É interessante verificar que estes, em assentamentos precários, foram de 1.995 domicílios, ao todo, ou seja, representaram apenas 5% dos domicílios alugados de Contagem e, por outro lado, representam 11,9% dos domicílios em assentamentos precários. Comparando-se os assentamentos precários de Contagem, tem-se que o com maior percentual de domicílios alugados é o Jardim Marrocos (22%), que está localizada na regional Eldorado, bem como o Novo Boa Vista e o Parque São João. Tendo em vista que a região do Eldorado é uma região central no município de Contagem, com ampla infraestrutura de serviços e comércio, na qual um grande contingente da população desempenha suas atividades laborais e que possui ligação com todas as regiões de Contagem e com municípios vizinhos, como Belo Horizonte, assim, é uma região que é muito valorizada como moradia, inclusive pela população dos mais baixos níveis de renda, que encontraram nestes assentamentos moradias de aluguel. Além dos domicílios alugados em assentamentos precários, outro indicativo da precariedade das condições econômicas das famílias são os cortiços, casas de cômodos ou domicílios coletivos. Cortiços são aquelas residênciasimprovisadas ou não - nas quais residem mais de uma família que podem não possuir vínculo de parentesco entre si. Estas dormem em um cômodo, que também pode ter fogão e geladeira, e as atividades domésticas podem ser realizadas em áreas comuns ou privativas.Este é um fenômeno que ocorre em Contagem, tanto nos assentamentos precários quanto na cidade formal, como se observa nos bairros Água Branca, Jardim Eldorado Estrela Dalva e São Mateus, bem como em outras localidades. Tem-se que, em 2010, a partir dos dados do Censo, eles correspondiam a 4.116 domicílios. Adotando-se a média de 3,46 pessoas por família em assentamentos precários , tem-se uma população superior a 14.000 pessoas morando nessas residências em condições de extrema precariedade. O dimensionamento das necessidades atuais e futuras de moradia que devem ser atendidas por políticas habitacionais no município de Contagem passam pelo cálculo do déficit habitacional, do número futuro de domicílios e da produção média de unidades habitacionais que os diversos atores ligados à produção imobiliária tem capacidade 42 Plano de Habitação de Contagem Volume I de produzir em um ano. Tem-se, no entanto, que os dados amostrais do Censo 2010, que permitiriam o cálculo pela metodologia do Déficit Habitacional da Fundação João Pinheiro, não foram divulgados em tempo hábil para sua utilização. Assim, foi desenvolvido uma metodologia para projeção da população e do número futuro de domicílios por renda e regional - no município de Contagem, a partir dos dados dos Censos de 2000 e 2010, mostrará uma noção do desafio que a prefeitura enfrentará nos próximos anos, caso esta deseje evitar um adensamento ainda maior de seus assentamentos precários. Além disso, será feito um cálculo aproximado do déficit habitacional nos próximos anos. Para tanto, utilizou-se os dados da RMBH - para a qual se tem dados do déficit até 2008 - e os dados do déficit de Contagem nos anos de 2000 e 2007, de tal modo que se obteve o percentual do déficit da RMBH - calculado até 2008 - que corresponde à Contagem. Este valor então foi extrapolado para os anos de projeção, considerando-se a mesma taxa de crescimento do período 2000-2006. 6.A.1. Projeção populacional e do número de domicílios A idéia inicial para o cálculo do número de carência de domicílios (déficit habitacional) era a de utilização dos dados do Censo 2010. Entretanto, como no período de elaboração do plano os dados necessários não foram liberados pelo IBGE, a metodologia adotada foi modificada. Para realizar a projeção utilizaram-se os dados dos Censos Demográficos de 2000 e 2010. Nesta projeção, a taxa de crescimento15 populacional utilizada, entre 2010 e 2025 foi de 1,4% a.a., o que é razoável, visto que a taxa de crescimento de Contagem entre 2000 e 2010 foi de 1,2 % a.a e, pois, a população está no meio do processo de transição demográfica16, no qual estes percentuais não são exatos, nem seguem um padrão pré definido. A partir disso, obteve-se para a população os dados constantes na Tabela 6.3. Deve-se ressaltar que, como toda a metodologia de projeção, quanto mais anos se passarem, em relação aos dados censitários, menor a precisão da projeção. Assim, as revisões futuras do plano devem contemplar também a revisão da população projetada. Tabela 6.3: População e projeção populacional da população total - Contagem, 2000, 2010, 2015, 2020, 2023 e 2025 Anos População Total 2000 2010 2015 2020 2023 2025 0-4 anos 48.801 39.031 43.831 49.222 52.769 55.275 5-9 anos 48.155 41.623 37.226 39.536 41.002 42.016 10-14 anos 50.071 48.832 45.400 40.605 42.099 43.128 15-19 anos 55.802 50.512 49.886 46.401 43.441 41.593 20-24 anos 57.196 56.606 53.860 53.191 50.915 49.452 25-29 anos 49.408 59.977 59.677 56.788 56.408 56.174 30-34 anos 46.378 56.233 61.957 61.659 59.862 58.701 35-39 anos 42.977 47.956 52.809 58.220 58.149 58.147 40-44 anos 37.776 44.567 47.078 51.844 54.971 57.169 45-49 anos 29.669 40.127 43.613 46.173 49.234 51.520 50-54 anos 22.315 35.246 41.002 44.608 46.232 47.404 55-59 anos 15.962 26.970 33.938 39.711 42.231 44.210 60 -64 anos 12.277 19.668 25.626 32.495 36.222 39.214 65-69 anos 8.887 13.739 17.403 22.786 26.479 29.420 70 anos ou mais 12.343 22.355 29.378 40.007 53.040 66.412 Total 538.017 603.442 642.684 683.246 713.054 739.835 Fonte: Elaboração própria, a partir dos dados do Censo 2000 e 2010. 15 As taxas de crescimento também contém eventuais migrações que ocorreram no período, assim, a população entre um período e outro é o resultado da mortalidade e da migração que ocorreu entre estes e, no caso do primeiro grupo etário são considerados os nascimentos e mortes no período. 16 A transição demográfica é um fenômeno no qual, devido a modificações nas taxas de mortalidade e, posteriormente, das taxas de fecundidade, a população, que em um primeiro momento tem altas taxas de crescimento posteriormente passa a ter baixas taxas de crescimento e inicia um processo de envelhecimento da estrutura etária. 43 prefeitura municipal de contagem Conforme verificado na tabela 6.3, a partir da projeção da população verifica-se que a população do município de Contagem deve continuar a crescer nos próximos 13 anos. Para obter o número de domicílios projetados, a partir de 2015, foram feitas duas estimativas, uma conservadora - na qual se considerou o mesmo número médio de moradores (3,25), obtido a partir do Censo 2010, em todos os anos - e outra na qual se considerou como tamanho médio dos domicílios contagenses, a partir de 2015, o número de 2,8 pessoas por domicílios - uma vez que se verifica que o número de pessoas por domicílio tem-se reduzido - tanto no Brasil quanto em Contagem. Assim, acredita-se que em 2023 haverá um número ainda menor de moradores por residência. Como os assentamentos precários, neste quesito, possuem um comportamento semelhante a população total, este número de moradores por domicílio foi considerado para todo o município. Além disso, para obter o número de domicílios por renda e regional, bem como o percentual destes localizados em assentamentos precários, utilizou-se os percentuais de domicílio por faixa de renda e por regional, bem como o percentual de domicílios em assentamentos precários por faixa de renda. Ou seja, a partir dos cálculos tem-se que os domicílios crescerão nas diversas faixas de renda, por regional e por assentamento precário de forma constante, de tal modo que os dados encontrados foram os seguintes: Tabela 6.4: Número de domicílios e projeção do número de domicílios por renda, local de moradia Contagem, 2010, 2015 e 2023 - Projeção Conservadora Domicílios Particulares Permanentes1,2 Total Sem rendimento Até 1 SM Mais 1 a 3 SM Mais de 3 SM Contagem 184.839 5.360 87.983 74.860 16.636 Assentamentos Precários 16.774 725 11.922 3.907 219 Contagem 197.749 5.735 94.128 80.088 17.797 Industrial 24.593 715 11.878 8.870 1.784 Eldorado 38.368 1.009 16.031 20.255 4.834 Riacho 24.937 680 8.696 14.457 3.239 Ressaca 30.949 874 16.907 10.424 2.258 Nacional 19.840 579 11.023 5.912 1.186 Sede 29.144 825 12.453 14.216 3.339 Petrolândia 12.479 395 6.289 4.018 791 Vargem das Flores 17.438 658 10.852 1.935 368 Assentamentos Precários 17.944 775 12.760 4.173 236 Contagem 219.401 6.363 104.435 88.857 19.746 Industrial 27.286 793 13.178 9.841 1.979 Eldorado 42.570 1.119 17.787 22.473 5.364 Riacho 27.668 754 9.648 16.039 3.593 Ressaca 34.338 970 18.758 11.566 2.505 Nacional 22.013 643 12.230 6.559 1.315 Sede 32.335 915 13.816 15.773 3.705 Petrolândia 13.846 439 6.977 4.458 877 Vargem das Flores 19.347 730 12.040 2.147 408 Assentamentos Precários 19.908 860 14.157 4.629 262 2010 2015 2023 Fonte: Elaboração própria, a partir dos dados do Censo 2000 e 2010. Nota: (1) a proporção de domicílios segundo renda e regional foi mantido em 2023, em relação ao encontrado para 2010. (2) foi considerado, em 2015 e 2023, um percentual de 3,25 pessoas por domicílio. 44 Plano de Habitação de Contagem Volume I Conforme pode ser verificado pela tabela 6.4, o número total de domicílios em Contagem, em 2015 e 2023, utilizandose o número médio de 3,25 pessoas por domicílio, foi de, respectivamente, 197.749 e 219.401 domicílios. Isso significa um aumento de 12.910 domicílios, entre 2010 e 2015, e de 34.562 domicílios até 2023, em relação a 2010, o que corresponde a demanda futura total de domicílios. Destes, até 2015 devem ser necessários 11.748 domicílios de até 3 salários mínimos e, 31.452 domicílios de 2010 até 2023 – estes são os novos domicílios que são os alvos de políticas públicas e que, caso as famílias não consigam por si constituí-los devem gerar o aumento no número de domicílios adensados, nos construídos em locais inadequados e/ou no de famílias residentes em assentamentos precários. Nos assentamentos precários, o número de domicílios será 17.944 (2015) e 19.908 (2023). Os domicílios em assentamentos precários com renda de até 3 SM corresponderão a aproximadamente 98,7% do total de domicílios nesses assentamentos, em 2015 e em 2023. Complementarmente, deve-se também considerar que o crescimento do número de domicílios em assentamentos precários pode também gerar o aumento da densidade populacional em aglomerados hoje já adensados. Em termos relativos, nos assentamentos precários, até 2015 deverão haver 1.170 novos domicílios e, de 2010 até 2023, serão mais 3.134 novos domicílios. Isso significa um aumento do número de domicílios em assentamentos precários de 7% no quinquênio 2010-2015 e de 18,7% em 13 anos (2010 a2023). Tabela 6.5: Número de domicílios e projeção do numero de domicílios por renda, local de moradia – Contagem 2010, 2015 e 2023 Domicílios Particulares Permanentes1,2 Total Sem rendimento Até 1 SM Mais 1 a 3 SM Mais de 3 SM 184.839 16.774 5.360 725 87.983 11.922 74.860 3.907 16.636 219 229.530 28.545 44.535 28.945 35.924 23.029 33.828 14.485 20.240 20.827 6.656 830 1.171 789 1.015 673 957 459 764 900 109.256 13.787 18.608 10.094 19.624 12.795 14.454 7.299 12.596 14.811 92.960 12.184 18.790 12.824 14.388 9.255 13.726 5.677 6.116 4.843 20.658 2.070 5.611 3.759 2.621 1.376 3.876 918 427 274 254.662 31.671 49.411 32.114 39.857 25.550 37.531 16.071 22.457 23.108 7.385 921 1.299 875 1.126 746 1.062 509 847 998 121.219 15.296 20.645 11.199 21.773 14.195 16.037 8.099 13.975 16.432 103.138 13.518 20.847 14.228 15.964 10.269 15.229 6.299 6.785 5.374 22.920 2.297 6.226 4.171 2.908 1.527 4.300 1.018 473 304 2010 Contagem Assentamentos Precários 2015 Contagem Industrial Eldorado Riacho Ressaca Nacional Sede Petrolândia Vargem das Flores Assentamentos Precários 2023 Contagem Industrial Eldorado Riacho Ressaca Nacional Sede Petrolândia Vargem das Flores Assentamentos Precários Fonte: Elaboração própria, a partir dos dados do Censo 2000 e 2010. Nota: (1) a proporção de domicílios segundo renda e regional foi mantido em 2023, em relação ao encontrado para 2010. (2) foi considerado, em 2015 e 2023, um percentual de 2,8 pessoas por domicílio. 45 prefeitura municipal de contagem Pela análise da tabela 6.5 verifica-se que, se a população crescer a 1,4% a.a. e for considerado um número médio de 2,8 pessoas por domicilio, em 2015 existirão 229.530 domicílios e em 2023, 254.662 domicílios no município de Contagem. Em relação ao número de novos domicílios - ou a demanda futura total de domicílios - esta será de 44.691 em 2015 e de 69.823 domicílios em 2023. Dentre estes novos domicílios (44.691), em 2015, 40.669 domicílios (91%) terão renda de até 3 SM e, em 2023, estes últimos corresponderão a 63.539 residências (91%) - os quais são alvos das políticas públicas. Em relação aos assentamentos precários foi estimado que o número de domicílios deverá ser de 20.827 (2015) e de 23.108 (2023), o que significa que serão necessários, respectivamente, 4.053 novos domicílios até 2015 e de mais 2.281 entre 2015 e 2023, totalizando 6.334 novos domicílios localizados em assentamentos precários em 2023. Se considerarmos apenas os de renda até 3 SM estes corresponderão a 20.554 (2015) e 22.804 (2023), o que, do mesmo modo que na simulação anterior, representarão, aproximadamente, 98,7% do total de domicílios. A tabela abaixo ilustra os acréscimos nos domicílios, obtidos a partir dos dois cenários. TABELA 6.6: Tabela síntese do acréscimo no número de domicílios, a partir dos dois cenários de projeção Acréscimos de Domicílio, segundo faixa de renda Total Até 3 SM Mais de 3 SM Contagem Períodos Projeção Conservadora 2015-2023 Total (2010-2023) 2010-2015 12.910 11.748 1.161 21.652 19.704 1.949 34.562 31.452 3.110 2010-2015 44.691 40.669 4.022 25.132 22.870 2.262 69.823 63.539 6.284 2010-2015 1.170 1.154 1.964 1.938 26 3.134 3.092 43 2010-2015 4.053 4.000 55 2.281 2.250 30 6.334 6.250 85 Projeção Não Conservadora 2015-2023 Total (2010-2023) Assentamentos Precários Projeção Conservadora 2015-2023 Total (2010-2023) Projeção Não Conservadora 2015-2023 Total (2010-2023) 17 Fonte: Elaboração própria, a partir dos dados do Censo 2000 e 2010. A tabela 6.6 faz uma síntese do número de domicílios que deve ser acrescido aos domicílios de Contagem em cada período – 2010 a 2015, 2025 a 2023 e, no período total estimado: 2010 a 2023. A partir dela e devido às características econômicas da população de Contagem verifica-se que mais de 90% dos novos domicílios que deverão ser criados até 2023 pertencem a população com renda familiar de até 3 SM – correspondendo a um valor que pode chegar a aproximadamente 70.000 novos domicílios –, que são alvo prioritário das políticas habitacionais. Essas famílias, caso não tenham acesso à moradia devem ser acrescidas ao déficit habitacional quantitativo de Contagem. 6.A.2. Déficit Habitacional Quantitativo e Qualitativo Dependendo da metodologia que se utiliza para projetar o déficit, a partir dos dados de 2000, encontram-se diferentes resultados para este. Uma vez não disponíveis os dados do déficit habitacional de 2010,pois estes foram Públicados após a elaboração do diagnóstico habitacional deste Plano, fez-se uma adaptação dos dados encontrados para anos anteriores, os quais foram extrapolados até 2023. Em relação ao déficit habitacional do município de Contagem tinha-se apenas os dados de 2000, oriundos da Públicação Déficit Habitacional no Brasil em 2000 (FJP, 2006). Já para a RMBH tinham-se os dados de 2000, da 46 Plano de Habitação de Contagem Volume I Públicação anterior, bem como dado obtido a partir da Públicação do Déficit Habitacional no Brasil 2008 (FJP, 2010). Assim, no trabalho de projeção do déficit utilizaram-se os valores disponíveis das Públicações do Déficit Habitacional, para 2000 e para 2008, de Contagem e da RMBH e, os dados já Públicados do Censo de 2010 – de domicílios sem banheiro no município de Contagem. A partir dos dados disponíveis foram obtidas taxas de crescimento, que foram utilizadas para obter estimativas para o município de Contagem. Estes valores mostraram que o déficit cresceu, neste período, a 2,2% ao ano. Optou-se por utilizar o percentual do déficit em Contagem, em 2000, em relação ao déficit da RMBH. Assim, no ano 2000, o déficit habitacional básico de Contagem em relação à RMBH era de 38,9%. Dado que Contagem, na última década, continuou a atrair um grande contingente de pessoas, inclusive das classes mais baixas – sobretudo devido à expulsão destas pelo mercado imobiliário de Belo Horizonte e à expansão da mancha urbana da capital –, tem-se que o crescimento do déficit de Contagem pelo menos acompanhou o da RMBH nesta década. Ressalta-se também que os dados de 2008 apresentam algumas diferenças, em relação aos de 2000, devido a modificações na metodologia e na fonte de dados. Isso porque, em 2008, estes foram obtidos a partir da PNAD e, porque o déficit habitacional básico, que em 2000 contemplou todas as famílias conviventes, em 2008 conteve apenas aquelas que eram déficit, ou seja, ser família convivente pode ser uma escolha; nem sempre constitui um déficit. No entanto, como o déficit para Contagem, no ano de 2010 ainda não foi calculado, precisou-se destes dados para extrapolar as taxas de crescimento e calcular o déficit projetado. Sugere-se então, de todo modo, que estes valores sejam ajustados assim que a Fundação João Pinheiro calcule o déficit para o ano de 2010. Tabela 6.7:Déficit Habitacional Básico e Déficit Qualitativo, total e por assentamentos precários – Região Metropolitana de Belo Horizonte, 2000 e 2008; Contagem, 2000, 2008, 2010, 2015 e 2023. 2000 2008 Contagem RMBH Contagem RMBH Contagem(1) 2010 2015 2023 104.048 12.443 115.689 13.835 14.207 15.180 16.879 Inadequação Fundiária(2) 70.345 7.264 86.973 8.981 9.470 10.813 13.369 Domicílios sem Banheiro(3) 24.099 1.812 12.304 935 105 24 2 Adensamento Excessivo(2) 77.667 9.525 38.572 4.730 3.971 2.564 1.273 Carência de Infraestrutura(2) 214.114 27.191 140.729 17.871 16.092 12.379 8.136 13.987 1.403 9.853 988 1.054 1.241 1.609 Inadequação Fundiária(2). (3) 17.362 2.265 24.206 3.157 3.431 4.224 5.888 Domicílios sem Banheiro(3) 5.968 546 2.871 35 18 3 1 Adensamento Excessivo(2) 14.440 1.690 6.563 768 631 385 175 Carência de Infraestrutura(2) 30.048 4.164 10.667 1.478 1.141 597 212 Total Déficit Habitacional Básico (Quantitativo) (2) Déficit Qualitativo Assentamentos Precários Déficit Habitacional Básico(Quantitativo)(2) Déficit Qualitativo Fonte: Elaboração própria a partir de Fundação João Pinheiro (2006; 2007); IBGE (2010). Notas: (1) valores para o município de Contagem em 2008 seguem proporção de 2000, já que o déficit foi calculado apenas para a RMBH, a partir dos dados da PNAD 2008; (2) valores de 2008 a 2023 para Contagem foram calculados a partir da extrapolação utilizando a taxa de crescimento do componente na RMBH de 2000 a 2008; (2) Extrapolação a partir da taxa de crescimento dos domicílios sem banheiro em Contagem de 2000 e 2010; (3) são os domicílios que necessitam de regularização fundiária. A partir da análise dos dados da Tabela 6.7 verifica-se, que, apesar de Contagem representar apenas 9,3% dos domicílios particulares permanentes da RMBH, em 2000, ele representava 12% do déficit habitacional básico da RMBH e 10,3% dos domicílios com inadequação fundiária, 7,5% dos domicílios sem banheiro – total de Contagem em 47 prefeitura municipal de contagem relação ao total da RMBH –, 12,3% dos com adensamento excessivo e 12,7% dos com carência em infraeestrutura17 na RMBH, em 2000. O Déficit Habitacional Básico total (déficit quantitativo)de Contagem estimado para 2010 foi de 14.207 domicílios. Este déficit foi obtido a partir do valor de 2000 (12.443 domicílios), no qual consideravam déficit: (1) as habitações precárias – que são os domicílios rústicos e improvisados; (2) os domicílios com ônus excessivo de aluguel – que são aqueles nos quais o valor pago como aluguel é superior a 30% do salário da família, sendo consideradas apenas as famílias que recebem até 3 SM; (3) a coabitação familiar, sendo considerada o total das famílias conviventes. Este déficit deverá atingir o valor de 16.879 domicílios, em 2023. Para se obter o valor total da demanda por domicílios, este deverá ser acrescido dos novos domicílios, que em 2023 devem ser de aproximadamente 52.193 novos domicílios, de tal modo que a demanda total deverá ser de 69.072 novos domicílios. Em relação à inadequação dos domicílios – déficit qualitativo – optou-se pela análise dos itens desagregados. Assim, em 2000, foi calculada a inadequação fundiária – número de domicílios refere-se aos casos em que pelo menos um dos moradores do domicílio tem a propriedade da moradia, mas não, total ou parcialmente, a do terreno ou da fração ideal de terreno (no caso de apartamento) onde ela se localiza, ou seja, aqueles que necessitam de regularização fundiária ; o adensamento excessivo de domicílios próprios – domicílios com número médio de moradores por dormitório superior a três; os domicílios sem banheiro e os domicílios com carência de infraestrutura – iluminação elétrica, rede geral de abastecimento de água com canalização interna, rede geral de esgotamento sanitário ou fossa séptica e coleta de lixo. A inadequação fundiária– ou a necessidade de regularização fundiária dos terrenos - constitui-se como o principal problema de inadequação de Contagem, tendo sido estimada em 9.470 domicílios em 2010, mas que pode ser ainda maior, dependendo do crescimento irregular da cidade em terrenos públicos ou em terras particulares. Já em relação aos assentamentos precários, neste ano, o déficit habitacional básico(déficit quantitativo) representou 10% do total da RMBH e em relação às inadequações(déficit qualitativo) teve-se o seguinte quadro de Contagem, em relação à RMBH, em 2010: 13% dos domicílios com inadequação fundiária da RMBH, 9,2% dos domicílios sem banheiro, 11,7% dos com adensamento excessivo e 13,9% dos com carência de infraestrutura. Assim, contrapondose estes valores, o déficit habitacional na dita “cidade formal” de Contagem, isto é, fora de assentamentos precários, representa um percentual maior, em relação ao da RMBH que o percentual encontrado nos assentamentos precários, contrariamente aos itens de inadequação – excetuado o adensamento excessivo, que é maior na média do município que nos assentamentos precários deste. Entretanto, os dados acima relacionados mostram parâmetros de trabalho com os quais a Prefeitura de Contagem poderá trabalhar para planejar as suas atividades em prol da minimização do déficit habitacional da população de até 3 salários mínimos. Deve-se considerar que esta população – inclusive a sem rendimentos, conforme foi mencionado anteriormente, gera praticamente todo o déficit habitacional do município (98,7% aproximadamente). Assim, por exemplo, tem-se que o déficit habitacional em assentamentos precários em 2015 será de aproximadamente 1.241 domicílios e, os com inadequação fundiária deverão ser de aproximadamente 4.224 domicílios em 2015, pelos dados do IBGE18, o que variará de acordo com a formação de novos domicílios em áreas que não de propriedade formal dos moradores. Caso o município não tente reverter este quadro, deverá, em 2023, haver um déficit de mais de mil e seiscentos domicílios em assentamentos precários. Além disso, a inadequação fundiária corresponde ao maior ponto de inadequação dos domicílios em assentamentos precários de Contagem, o qual a prefeitura já vem investindo e deverá continuar a investir, em suas políticas públicas. Ressalta-se que o número de domicílios sem banheiro pela projeção pode praticamente desaparecer. Entretanto, sabe-se que este, como todos os demais indicadores, dependem da ação do poder público e de programas que normatizem e fiscalizem as novas construções, para que estas ocorram em padrões mínimos de habitabilidade. 17 Falta de pelo menos um item dentre: iluminação elétrica, rede geral de abastecimento de água com canalização interna, rede geral de esgotamento sanitário ou fossa séptica e coleta de lixo. 18 Entretanto, cabe ressaltar que estes dados do IBGE são obtidos a partir do entendimento dos entrevistados sobre os questionamentos relativos à propriedade dos terrenos. Assim há uma tendência dos respondentes em se posicionar positivamente sobre o questionamento da propriedade do imóvel, alegando esta como própria, quando na maioria das vezes a condição é de posse, ou seja, possivelmente a inadequação fundiária do município está subdimensionada. 48 Plano de Habitação de Contagem Volume I 6.A.3. Produção Habitacional e Mercado Imobiliário (Oferta Habitacional) A produção habitacional de um município pode ser realizada tanto pelas diversas esferas do poder público quanto pela iniciativa privada. É através desta produção habitacional que há um direcionamento da expansão urbana e populacional e, indica aos formuladores de políticas públicas urbanas e sociais as necessidades territoriais que cada região passa a ter. Portanto, também, auxilia no planejamento da área de ocorrência das diversas ações ou políticas. A importância da produção habitacional versa também sobre a concentração populacional em regiões específicas considerando a oferta de serviços públicos e privados, voltados para a satisfação de necessidades e desejos da população residente. Como foi visto o período compreendido entre os anos de 1960 e 1990, apresentou uma grande expansão do município, em praticamente todas as regiões administrativas municipais, e o surgimento da ocupação da região de Vargem das Flores. Neste período, o município teve um acelerado processo de desenvolvimento tanto em função de sua atividade industrial como também por processos dos novos empreendimentos habitacionais e por fim, pela construção informal, que foi incentivada inclusive por medidas de doações de terras por parte de políticos, fator comum neste período no município. Já é possível perceber, nos anos 2000, um adensamento urbano nas regionais Industrial, Sede, Eldorado, Ressaca e Petrolândia, como é possível verificar um acelerado processo de expansão de Vargem das Flores. A produção habitacional, no município de Contagem, ao longo da segunda metade do século passado, foi realizada de forma ambígua, onde de um lado empreendimentos foram construídos a partir de obras regulares, com projetos aprovados pela prefeitura e as unidades repassadas à população mediante a compra com financiamento do imóvel, ação direta da indústria da construção civil e do mercado imobiliário, como também foram realizadas de modo informal, a partir de autoconstrução, de loteamentos irregulares, ocupações desordenadas, de modo que a prefeitura não exerceu o controle dos territórios. As obras da autoconstrução eram, e continuam sendo, realizadas sem aprovação pela PMC, muitas vezes a documentação se limita ao contrato de compra e venda dos terrenos, com a construção feita pela população de forma independente e sem assistência técnica. Do plano de empreendimentos formais, principalmente no que se refere a unidades habitacionais construídas a partir da segunda metade dos anos 70 e se estendendo por um período que compreende o início dos anos 90, podemos citar os residenciais Água Branca I, II, III e IV e o Residencial Carajás, financiados pelo BNH-FGTS e que produziram mais de 2400 unidades habitacionais, bem como os conjuntos denominados popularmente de Tijolinho (Cooperativa Habitacional Riacho das Pedras) com 1.480 unidades, o conjunto Colúmbia com 825 unidades, e diversos outros empreendimentos de porte também bastante relevante como os conjuntos Alvorada, Américas, Bela Vista, Bouganville, Inconfidentes, Granja Lempe, Mantiqueiras, Paracatu, Rio Branco, Rio Grande, Rio Verde, Sandoval Azevedo, Vale Verde dentre outros. A produção habitacional que certamente está relacionada e interfere diretamente no déficit habitacional recente é aquela do Programa de Arrendamento Residencial (PAR) e dos incentivos e resoluções de financiamento habitacional que antecederam e geraram o Programa Minha Casa, Minha Vida, pois são linhas de financiamento da mesma época que os estudos e metodologias para estabelecer o déficit habitacional do país e de cada município. Em 1997, o governo federal, criou o PAR – Programa de Arrendamento Residencial - e a partir do ano 2001, financiou uma série de novos empreendimentos habitacionais no município de Contagem, sobretudo nas regionais administrativas da Sede e da Ressaca, empreendimentos estes que resultaram em 2.776 novas unidades, até 2003. O PAR é um programa operacionalizado pela Caixa. O PAR teve como objetivo reduzir o déficit habitacional em municípios com mais de 100.000 habitantes, viabilizando imóveis residenciais para famílias com renda de até R$ 1.800,00, valores praticados à época em que findou o investimento no programa (2007). As prefeituras dispunham da prerrogativa de apresentar listas tríplices de famílias, realizando uma pré-seleção conforme critérios nacionais e locais e, indicando as famílias à CAIXA. Aquelas que são selecionadas pela CAIXA, passam a residir e pagam uma prestação mensal inferior ao aluguel cobrado na região. Ao final de 15 anos, elas têm a opção de compra dos imóveis objeto de arrendamento. As mudanças recentes ocorridas para estimular o arrendatário a quitar o apartamento ou passar à condição de mutuário, a partir de 5 anos e nas mesmas condições do arrendamento, deixaram de ser praticadas ou foram interrompidas pelas famílias em função da não isenção de ITBI, bem como pela própria CAIXA a partir dos conflitos quanto ao agente gestor dos condomínios. 49 prefeitura municipal de contagem O quadro abaixo representa os empreendimentos realizados neste período de tempo: Quadro 6.1: Conjuntos Habitacionais construídos no âmbito do PAR, regional do empreendimento, número de unidades habitacionais e data de inauguração - Contagem, 2000 a 2003 EMPREENDIMENTO REGIONAL DATA DE INAUGURAÇÃO N º DE UH Santo Expedito Sede 128 25/08/2001 Fonte Grande Sede 108 10/04/2002 Capricórnio Sede 124 28/11/2003 Jacarandá Sede 144 09/01/2002 Conjunto Santa Luzia Sede 160 26/09/2002 Conjunto Xapurí Sede 160 03/09/2002 Alvorecer Sede 96 17/07/2002 Chácaras Califórnia Sede 160 22/11/2003 Três Barras Sede 160 21/08/2003 Vila Paris Sede 144 11/10/2002 Padre Aderbal Sede 144 11/10/2002 Vista Alegre Ressaca 160 27/12/2003 Oitis Ressaca 144 31/12/2003 Arpoador Ressaca 128 19/03/2003 Praia do Açude Ressaca 144 19/03/2003 Vale Verde Ressaca 64 29/12/2000 Ipês Ressaca 144 11/10/2002 Vila Lobos Ressaca 144 11/10/2002 Outono Ressaca 96 20/08/2002 Primavera Ressaca 96 31/08/2002 Ébano Ressaca 128 2008 Total 2776 Fonte: CEURB-UFMG, Programa de Arrendamento Residencial em Contagem, 2005. Conforme pode ser visto pela tabela acima, no período de 4 anos foram produzidas 2.648 unidades pelo PAR, o que representa quase 662 unidades produzidas por ano, desconsiderando o período de projetos e respectiva aprovação. A implantação do PAR no município perpassou duas gestões administrativas, finalizando em uma terceira, em 2008, pouco antes de ser desativado pelo Governo Federal, enquanto produção de novas unidades habitacionais. Para medir o processo atual do crescimento urbano de Contagem, poderia ser utilizado como fonte de informação os processos de novos empreendimentos que foram encaminhados à Prefeitura de Contagem para aprovação como também os recursos financeiros que foram liberados para financiamento habitacional da região. No âmbito do programa Minha Casa Minha Vida, a partir de 2009, foram construídos diversos empreendimentos imobiliários. A maioria destes empreendimentos, são realizados por construtoras para venda direta, são voltados predominantemente para a população de 3 a 5 SM, - em virtude do preço da terra e dos imóveis de Contagem. O quadro 6.2 mostra os empreendimentos construídos a partir de 2009, com recursos do programa MCMV. 50 Plano de Habitação de Contagem Volume I Quadro 6.2: Unidades Habitacionais produzidas no âmbito do Programa Minha Casa Minha Vida, regionais, número de unidades e agentes responsáveis pela construção EMPREENDIMENTO REGIONAL N°UH AGENTE PROMOTOR 1 RESIDENCIAL BOSQUE DO INDAIÁ Petrolândia 192 MRV ENGENHARIA 2 NOVOS HORIZONTES - MÓDULO II Ressaca 20 HABIT EMP LTDA 3 RESIDENCIAL BOSQUE DAS LARANJEIRAS Petrolândia 256 MRV ENGENHARIA 4 RESIDENCIAL JARDIM SÃO LUIZ Petrolândia 280 ANCONA E PREFEITURA MUNICIPAL CONTAGEM 5 RESIDENCIAL PARQUE VECCHIA Ressaca 96 MRV ENGENHARIA 6 RESIDENCIAL BOSQUE DAS SAPUCAIAS Petrolândia 128 MRV ENGENHARIA 7 RESIDENCIAL PÉGASUS Ressaca 96 MRV ENGENHARIA 8 RESIDENCIAL BOSQUE DOS JATOBÁS Petrolândia 160 MRV ENGENHARIA 9 RESIDENCIAL SIRIUS Ressaca 96 MRV ENGENHARIA 10 RESIDENCIAL BOSQUE DA FIGUEIRA Petrolândia 32 MRV ENGENHARIA 11 RESIDENCIAL SAGITTA Ressaca 80 MRV ENGENHARIA 12 EDIFÍCIO PORTINARI Sede 2 DEZ EMPREENDIMENTO 13 RESIDENCIAL MIRANTE DA SERRA Industrial 432 MRV ENGENHARIA 14 RESIDENCIAL PARQUE RIACHO DO OURO Riacho 112 MRV ENGENHARIA 15 RESIDENCIAL BOSQUE DA AURORA Petrolândia 32 MRV ENGENHARIA 16 RESIDENCIAL BOSQUE DO INGÁ Petrolândia 112 MRV ENGENHARIA 17 CONDOMÍNIO NOVOS HORIZONTES Ressaca 29 HABIT EMP LTDA 18 RESIDENCIAL SIENA- CONDOMÍNIO RESORT Ressaca 384 MRV ENGENHARIA 19 RESIDENCIAL VILA ALPINA Ressaca 224 MRV ENGENHARIA 20 RESIDENCIAL ILHÉUS Ressaca 48 VALADARES G 21 RESIDENCIAL PARQUE CORONA Ressaca 40 MRV ENGENHARIA 22 EDIFÍCIO GUIMARÃES ROSA Riacho 20 ULTRA ENGENHARIA 23 RESIDENCIAL MISTO SILVA Riacho 10 MILIONARIO 24 RESIDENCIAL VILA D’ORO Ressaca 64 MRV ENGENHARIA 25 RESIDENCIAL BOSQUE DA RIBEIRA Petrolândia 288 MRV ENGENHARIA 26 RESIDENCIAL VILA DEL ESTE Ressaca 96 MRV ENGENHARIA 27 RESIDENCIAL VISTA ALEGRE Sede 288 ENCAMP E PREFEITURA MUNICIPAL DE CONTAGEM 28 REIDENCIAL PARQUE SIDNEY Ressaca 128 MRV ENGENHARIA 29 RESIDENCIAL BOSQUE VERDE Petrolândia 64 MRV ENGENHARIA 30 RESIDENCIAL BOSQUE DAS SERINGUEIRAS Petrolândia 96 MRV ENGENHARIA 31 RESIDENCIAL PARQUE VILA SERRANA Ressaca 64 MRV ENGENHARIA 32 RESIDENCIAL PARQUE DORADO Ressaca 26 MRV ENGENHARIA 33 RESIDENCIAL PARQUE PIACENZA Ressaca 96 MRV ENGENHARIA 34 EDIFÍCIO AQUARELA Sede 32 CONSTRUTORA SAB 35 RESIDENCIAL PARQUE FONTANA DE MERIDE Sede 224 MRV ENGENHARIA 36 RESIDENCIAL FONTANA AIROLO Sede 96 MRV ENGENHARIA TOTAL 4.423 Fonte: Caixa Econômica Federal (2010) 51 prefeitura municipal de contagem Dentre os agentes do mercado imobiliário que estão atuando no município, percebe-se que a MRV Engenharia é a que mais construiu unidades habitacionais em Contagem, a partir de 2009. Estas, que estão espalhadas por toda a cidade - com exceção da regional Vargem das Flores, mas são mais evidentes na regional Ressaca (Bairro Cabral) 1.234 unidades19 - e na regional Sede, as quais atingem mais de 80% do total das unidades habitacionais produzidas com recursos do programa, em um total de 3.714 unidades produzidas20. Foram realizados dois empreendimentos, estes voltados para a população de até 3 salários mínimos, com a produção de 568 unidades, que referem-se, no quadro 6.2, ao item 4 com 280 UH e ao item 27 com 288 UH. Diversos foram os relatos, por parte dos técnicos e da população, nos momentos dos grupos focais e nas escutas à comunidade, destes processos construtivos em Contagem, sobretudo nas regionais Petrolândia, Ressaca e Sede. Uma grande preocupação, sobretudo por parte dos técnicos, é relacionada à infraestrutura dos serviços públicos destas regiões que, em geral, não está preparada para atender este aumento populacional relacionado aos novos conjuntos. Esta dinâmica imobiliária diferenciada foi considerada no cálculo da projeção dos domicílios - conforme já apontado anteriormente. Neste caso, foi considerado que estas regiões em anos futuros possuiriam uma parcela maior dos domicílios de Contagem, em relação à outras regionais como o Eldorado e o Industrial. Um grande entrave desta utilização dos recursos do MCMV pelas construtoras, para construção de habitação para famílias de até 3 SM, diz respeito à valorização da terra em Contagem e ao valor máximo de financiamento do programa para a região metropolitana de BH (R$57.000,00). Assim, as construtoras só se mostram dispostas a realizar estas construções se a Prefeitura der, em contrapartida, os terrenos nos quais serão construídos os imóveis. Desta forma, a construção de imóveis para a população de interesse social no município só deverá se concretizar mediante investimentos da prefeitura, ou revisão do valor por parte do governo federal. Além destas, foram entregues algumas unidades produzidas por outros programas, que foram alvo de uma pesquisa de satisfação, à qual terá os seus resultados descritos neste capítulo, na seção 6.D.2. São estes: (1) Conjunto Morada Nova, com 64 unidades, que foi construído para abrigar as famílias removidas da Vila Beatriz; (2) Parque Arrudas, com 608 unidades, construído com recursos do PAC, e 96 do FNHIS de 2009, para abrigar famílias removidas das vilas Dom Bosco e São Paulo; (3) Conjunto Vista Alegre (288UH), citado no Quadro 6.2, para famílias predominantemente com origem em áreas de risco; (4) Conjunto na região da Vila Maracanã, que foi construído com 128 unidades; (6) Conjunto do Bairro Retiro, com 248 unidades - não tendo sido, os dois últimos, alvos da pesquisa. Bem como há ainda 680 unidades habitacionais para serem entregues em 2012, conforme os empreendimentos do Bairro Maria da Conceição (PAC com 240 UH), do Fonte Grande (PAC com 160 UH), e do Industrial São Luiz (MCMV com 280). Assim, nos últimos 4 anos a Prefeitura de Contagem produziu e entregou por volta de 1336 unidades habitacionais e este ano ainda deverá entregar 680 unidades, totalizando, aproximadamente, 2016 unidades. Entretanto, uma vez que esta é a única forma de produção habitacional para a população de baixa renda, este número ainda é incipiente para fazer frente ao déficit habitacional municipal da população de até 3 SM21. 6.A.4. Síntese dos domicílios e déficit habitacional Conforme pôde ser verificado pelos dados anteriores, Contagem é um município que, apesar de possuir um percentual significativo de domicílios em assentamentos precários, em relação à RMBH, não apresenta discrepâncias muito grandes nestes, em relação à infraestrutura básica, mas que requer, no entanto, uma atenção, uma vez que o percentual de residências que contém alguma inadequação é maior nos assentamentos precários que no restante da cidade. Os domicílios alugados em assentamentos precários correspondem a apenas 5% do total de domicílios alugados no município. Mas, por outro lado, há alguns assentamentos com um percentual relevante de domicílios alugados, o qual atinge a magnitude de 22% do total de domicílios do assentamento. Estes, por serem assentamentos localizados em áreas centrais (regional Eldorado) podem se adensar ainda mais, o que pode vir a piorar a qualidade de vida e moradia dos que ali residem. Assim, se constituem em áreas de atuação do poder público municipal. 19 Dados parciais, fornecidos pela Caixa em 2010. 20 Dados parciais, fornecidos pela Caixa em 2010. 21 Ao finalizar esta seção de produção habitacional e mercado imobiliário, a titulo de esclarecimento e ilustração, registra-se que em agosto de 2012, após o término da elaboração do diagnóstico habitacional, a Caixa forneceu novos dados quanto à produção habitacional no município por parte da iniciativa privada, perfazendo um número bastante superior ao mencionado no quadro 6.2. Assim temos 2.336 unidades em construção no valor de R$ 129.873.714,03, correspondendo a 17 novos empreendimentos e 77em estudo, com aproximadamente 9.638 unidades. 52 Plano de Habitação de Contagem Volume I Tabela 6.8: Síntese da projeção de domicílios, déficit habitacional e inadequação total e em assentamentos precários – Contagem, 2023 Contagem Projeção para 2023 Domicílios projetados 237.032 Acréscimo de domicílios (2010-2023)(1) 52.193 Déficit Habitacional Básico (quantitativo) 16.879 Cortiço 4.116 Domicílios com Inadequação Fundiária(2) 13.369 Domicílios sem Banheiro 2 Domicílios com Adensamento Excessivo 1.273 Domicílios com Carência em Infraestrutura 8.136 Fonte: Elaboração própria, com dados do Censo 2000 e 2010 e da PNAD 2008. Nota: (1) resultado obtido a partir da média aritmética dos valores obtidos para os dois cenários de projeção; (2) são os domicílios que necessitam de regularização fundiária. Em relação ao número estimado de novos domicílios e o déficit, no período de vigência deste Plano, tem-se que é projetado crescimento no número de domicílios em todo o período, o que pode aumentar ainda mais o déficit habitacional. Caso o poder público não tenha, nos próximos anos, nenhuma ação voltada para a produção habitacional e readequação de domicílios, o déficit deve atingir as seguintes cifras: (1) no total: 15.180, em 2015, e, 16.879 domicílios em 2023; (2) nos assentamentos precários: pelo menos, respectivamente, 1.241 e 1.609 domicílios em 2015 e 2023. Já a inadequação fundiária – que corresponde ao item com maior representatividade, dentre os componentes da inadequação –, pode chegar aos seguintes valores: (1) total: 10.813 e 13.369 domicílios, respectivamente, em 2015 e 2023; (2) em assentamentos precários: pelo menos 4.224 e 5.888 domicílios, respectivamente, em 2015 e 2023. Considerando-se que, em Contagem, os domicílios sem declaração de renda e os com até 3 SM, localizados em assentamentos precários correspondem a mais de 98% do total de domicílios, tem-se que praticamente o total do déficit e dos domicílios inadequados que foi estimado devem pertencer a este grupo, que é o alvo das políticas públicas de habitação. O Déficit Habitacional Básico (déficit quantitativo) de Contagem estimado para 2010 foi de 14.207 domicílios. Este déficit em 2000 era de 12.443 domicílios. Ele deverá aumentar ainda mais e poderá atingir o valor de 16.789 domicílios em 2023. Para se obter o valor total de demanda de domicílios, este valor anteriormente encontrado deverá ser acrescido dos novos domicílios que, em 2023, devem ser de aproximadamente 52.193 novos domicílios, de tal modo que a demanda total deverá ser de 69.072 domicílios no município, até 2023. Este valor ainda deverá ser acrescido dos domicílios em assentamentos precários que serão substituídos nos processos de intervenção urbanística nas vilas e favelas. Em relação à inadequação dos domicílios – déficit qualitativo – optou-se pela análise dos itens desagregados. A inadequação fundiária constitui-se como o principal problema de inadequação de Contagem, tendo sido estimada em 9.470 domicílios em 2010, mas que pode ser ainda maior, dependendo do crescimento irregular da cidade em terrenos públicos ou em terras particulares, mas não pertencentes aos moradores, o que pode gerar mais de 13.000 domicílios inadequados em 2023. Ressalta-se que os dados do Censo Demográfico do IBGE possivelmente são subestimados, pois muitos entrevistados não sabem se o terreno de suas residências são regularizados ou acreditam que a documentação que possuem são suficientes sendo que isso pode ocorrer tanto em assentamentos precários como em loteamentos particulares irregulares. Por outro lado, é importante e interessante observar que houve uma tendência de queda, entre 2000 e 2008, nos itens de inadequação, o que deverá se confirmar, se a prefeitura continuar atuando na mesma linha que a atual. Ressaltase que o número de domicílios sem banheiro pela projeção pode praticamente desaparecer. Entretanto, sabe-se que este, como todos os demais indicadores, dependem da ação do poder público e de programas que normatizem e fiscalizem as novas construções, para que estas ocorram em padrões mínimos de habitabilidade. A partir dos poucos dados obtidos da produção habitacional de Contagem verificou-se que a produção habitacional municipal foi realizada, de modo embrionário, até 2003, tendo voltado nos últimos anos de gestão municipal, nos quais foram construídas mais de 1.800 unidades habitacionais e aproximadamente 2000 em construção, insuficientes para suprir todo o déficit existente. 53 prefeitura municipal de contagem 6.B. POLíTICA FUNDIÁRIA 6.B.1. Contexto A política fundiária constitui uma estratégia governamental determinada a intervir no controle e uso do território na busca de alcançar a função social da cidade e da propriedade. A ação da política se expressa na série de programas e instrumentos urbanísticos que coloca a terra urbanizada em condições para a implantação das diversas políticas públicas, neste caso, a Política Habitacional, concebendo a função social da propriedade como o direito ao morar e a qualidade de vida em cidades ambientalmente equilibradas. O Município de Contagem na atualidade possui pouca terra de sua propriedade, apenas aquelas destinadas ao uso institucional. Quando produz habitação social a Prefeitura desapropria áreas urbanizadas com preços altíssimos e de forma bastante lenta. Os prazos para ser emitida na posse são de médio e longo prazo, inviabilizando alguns contratos e a produção habitacional. A necessidade de aproximar a demanda habitacional gerada pelas obras públicas e a política de reassentamento das famílias, em tempos compatibilizados, somente poderá ser alcançada com planejamento contínuo e de longo prazo. Planejamento alicerçado em uma verdadeira e profunda ação fundiária de demarcação de terras para esta finalidade. Assim a definição e pactuação de uma política fundiária no bojo do Plano Municipal de Habitação passa pela determinação em promover a demarcação de terras para a produção habitacional social destinada aos processos de urbanização de Vilas e Favelas até alcançar a regularização do assentamento e titulação dos ocupantes, prosseguindo com ações educativas e preventivas no controle e uso do território já regular. O prof. Nabil Bonduki afirma a inequívoca constatação de que sem reforma urbana não se alcançará a Cidade Sustentável. Pois o modelo urbano que predomina é socialmente injusto e ambientalmente insustentável marcado pela desigualdade socioterritorial, apropriação privada da terra, especulação imobiliária, proliferação de assentamentos humanos precários e priorização para o automóvel. Modelo esse que gera fortes impactos ambientais e leva a precarização da qualidade de vida. Ao tratar de avaliar o nível de irregularidade existente na cidade de Contagem promovido pelos diversos tipos de assentamentos habitacionais, onde pelo menos 28% dos imóveis ocupados para fins habitacionais estão em desconformidade com a legislação vigente, constata-se a necessária estruturação e implantação de uma reforma urbana que assegure terra urbanizada e bem localizada para a produção habitacional, como também afirma o professor Nabil. A Secretaria Municipal Adjunta de Habitação no processo de implantação da Política Municipal de Habitação processou a realização e implantação de estudos, planos e projetos que permitiram conhecer a ocupação territorial e avaliar e diagnosticar as demandas habitacionais de maior urgência, havendo eleito inicialmente a intervenção em áreas de risco como a prioridade central das ações. Ainda, no contexto da política fundiária a prioridade na regularização e aprovação de assentamentos ficou focada na regularização fundiária de assentamentos onde a propriedade da terra é pública. Esta deliberação antecede a Lei Federal 11.977 de 2009, que cria novas bases para a política fundiária dos municípios. A Prefeitura deixou de realizar um plano de regularização fundiária municipal, conforme recomendação Ministério das Cidades, a partir de 2006. Mas, isto apenas, tido enquanto uma formatação de diagnóstico e soluções – Plano –, pois a mesma, ciente da importância fundiária para o desenvolvimento da política habitacional realizou estudos e levantamentos que permitiram promover o planejamento e projetos das áreas priorizadas, realizando ações efetivas de regularização fundiária e praticando a diretriz associada as demais questões das políticas setoriais que integram a Política de Habitação, conforme descrição que segue. A condição para este quadro passou pela criação e consolidação do instrumental legal necessário, além de recorrer ao já existente. É sabido que um Plano Municipal de Regularização Fundiária (PMRF) prevê o levantamento de áreas irregulares para conhecer e elaborar um diagnóstico que permita classificar em tipologias e facilitar as intervenções necessárias, o que na prática Contagem desenvolveu acoplado às outras diretrizes de intervenção. A série de estudos e levantamentos realizados que, aqui, brevemente, são apresentados descritivamente, organizaram as informações e ordenaram o conhecimento necessário para elaborar propostas de intervenção – que observam a metodologia já em prática no planejamento participativo de cada território, objeto de ação de regularização fundiária, bem 54 Plano de Habitação de Contagem Volume I como os processos de intervenção nos assentamentos precários e demais territórios ocupados com a função habitacional. O Município pode partir para processos de regularização fundiária por haver instituído o marco legal urbanístico necessário e pelo mesmo estar em sintonia com a legislação federal recente. Além do que, demarcou as áreas de interesse social em 2006 e, logo após diagnósticou seus principais problemas. Assim, Contagem já conta com a implementação de uma política habitacional e de regularização fundiária, reconhecida e premiada. Como o prêmio recebido pelas ações do Plano Municipal de Prevenção e Redução de Risco (PMRR), pela Câmara dos Deputados em 2011. Em 2012, as ações de regularização fundiária, que se encontram em constante aprimoramento, foram premiadas pelo Selo de Mérito 2011/2012, no Fórum Nacional de Habitação de Interesse Social, promovido pela ABC e FNSHDU, com o Projeto de Regularização Fundiária Plena de Nova Contagem. O Município de Contagem, a exemplo de tantos outros, apresenta um histórico de ocupação do seu território marcado, de maneira geral, por quatro situações mais significativas, observadas a partir da segunda metade do século passado: A. o loteamento particular regular, geralmente parcelamento de grandes fazendas, realizado às vezes com algum nível de participação ou parceria com a Prefeitura e, ainda assim, deixando de observar qualquer preocupação ambiental, como a existência de córregos, matas ou nascentes, loteamentos aprovados e implantados antes Lei Federal 6.766/79, e aqueles regulares implantados após a existência da referida Lei; B. pela histórica ocupação irregular da população de menor renda de territórios próximos ao locais de emprego, as já bastante citadas Vilas e Favelas que começaram pela Cidade Industrial e às margens da ferrovia e, próximo das estações de parada de trem, como a Vila Beatriz, Vila Itaú e Vila PTO; C. o loteamento particular irregular, as vezes clandestino, dado o nível de informalidade e ilegalidade, às vezes nem sequer mensurado geograficamente no município e, acoplado ou em consequência de práticas que vão se perpetuando, como o fracionamento de pequenas áreas; e D. nas décadas de 80 e 90, a desapropriação de fazendas para promover os denominados loteamentos públicos municipais, quase sempre para remover favelas das áreas mais valorizadas e, direcionar investimentos imobiliários de interesses particulares ou de pequeno grupo. Os 19 loteamentos públicos existentes acolhem 12.592 famílias e a sua totalidade foi implantada de forma irregular diante da legislação municipal, a maioria persistindo até os dias atuais. Os casos mais emblemáticos são, certamente os situados em áreas de proteção de mananciais, na região de Vargem das Flores, como o loteamento do Bairro Nova Contagem nos anos 80, totalmente desprovido de infraestrutura e até mesmo de transporte coletivo e o Ipê Amarelo e Darcy Ribeiro nos anos 90. O Bairro Nova Contagem, nos anos 80 e 90, transformou-se em uma referência negativa diante da política habitacional, que naquele momento, começava a ser discutida nacionalmente por uma aliança entre os intelectuais, profissionais de diversas áreas do conhecimento, as universidades, os movimentos organizados e, alguns governos municipais. Com a extinção do BNH e a avaliação da sua atuação, aumenta o reconhecimento e a legitimidade de reivindicações como as do Movimento Nacional de Favelas (MDF). Em Contagem, o MDF, contava com um núcleo organizado para resistir às remoções e, principalmente, as remoções para a periferia da periferia, no caso em particular, para a área rural, implicando em isolamento e ausência de cidade. Assim o dilema das cidades quanto à moradia adequada e à apropriação da terra tem sido um emaranhado jogo de interesses na luta pelo espaço, e, diante disto, qual é o papel que cabe a municipalidade. A Constituição Federal de 1988 fortalece o papel dos municípios e, os seus artigos 182 e 183 são determinantes para fazer frente a esse histórico de luta pela posse da terra, quando trata da função social da propriedade, com sua regulamentação pelo Estatuto das Cidades, Lei 10.257/2001. A Lei Orgânica do Município de Contagem, de março de 1990, bastante avançada para a época, e, em certa medida, expressão de movimentos organizados daquele momento na cidade, em consonância com a Constituição Federal, assegura e reconhece a posse da terra, aos que nela moram e, ainda, na Seção III que trata da Habitação explicita que o direito à moradia compreende o acesso à terra e a moradia integrada na malha urbana da cidade, com infraestrutura urbana e equipamentos públicos, bem como, a observância das peculiaridades regionais da Cidade e na articulação com a Região Metropolitana. A deliberação estratégica da atual administração da Prefeitura de Contagem apresentada e aprovada no Conselho Municipal de Habitação de, no âmbito do Plano Municipal de Habitação, de definir áreas para serem demarcadas como Áreas de Especial Interesse Social – AIS 2 é a concretização do proposto na Lei Orgânica do Município e na 55 prefeitura municipal de contagem revisão do Plano Diretor de Contagem ocorrida em 2006, (Lei Complementar nº. 033), quando institui a demarcação de terras para o uso de habitação, referindo-se necessariamente à habitação de interesse social e criando as condições objetivas à implementação de programas habitacionais para a população de baixa renda. O Plano Diretor de Contagem assim definiu as Áreas de Interesse Social - AIS, na sua Seção III: Art. 22 Áreas de Especial Interesse Social - AIS são áreas destinadas à habitação de interesse social, compreendendo as seguintes categorias: I - AIS-1: áreas públicas ou particulares ocupadas por assentamentos habitacionais precários de interesse social, nos quais haja interesse público em promover a regularização urbanística e fundiária. II - AIS-2: áreas públicas ou particulares com terrenos ou edificações subutilizados ou não utilizados, onde haja interesse público em produzir empreendimentos habitacionais de interesse social, não podendo localizar-se em ZUI-1, ZEU-2 ou ZEU-3, salvo o previsto no §2º do art. 29 desta Lei Complementar. O Plano Diretor de Contagem encontra-se no momento, em processo de revisão e as discussões geradas levam à que se altere a restrição para demarcação de terras para a produção habitacional de interesse social em ZUI -1, Zona de Uso Incomodo, que são basicamente áreas industriais. A proposta assegura a possibilidade apenas àquelas famílias que já morem em ZUI e que necessariamente, por razões de ordem técnica devem ser reassentadas no mesmo local, em áreas de ZUI-1. A estratégia para demarcação de AIS 2, proposta e aprovada, trata da ação direta e efetiva da Prefeitura Municipal, em parceria com os demais níveis de governo, para prosseguir com as intervenções de urbanização de Vilas e Favelas de Contagem, observando o planejamento participativo e integrado já praticado junto as comunidades e a necessária disponibilidade de terras para acolher famílias em função desses processos de urbanização e aquelas removidas por obras públicas de saneamento ambiental. A deliberação da Prefeitura e do Conselho, no contexto deste Plano, implica em estudar e avaliar as áreas livres ou subutilizadas disponíveis nas oito regiões administrativas, a exemplo da área contígua e, em processo de desapropriação, na Vila Rica e Vila Vera Cruz na região Riacho, que irá acolher as famílias das obras de saneamento do PAC2. A realidade das Vilas e seu entorno será fator determinante na identificação e estudo de áreas, mas a diretriz central, a ser perseguida, é que se identifiquem áreas nas proximidades e, em um raio, de no máximo, dois quilômetros dos territórios atuais ocupados pelas vilas e favelas, como estabelece a Política Nacional de Habitação. Assim a cidade estará promovendo um planejamento de longo prazo que associado a ações efetivas de controle e manutenção de serviços nos assentamentos precários, gradativamente cria um nivelamento das condições urbanas de sua população, independentemente dos seus cidadãos morarem em uma vila, favela ou em um bairro. Portanto a demarcação de AIS2 longe de querer interferir no mercado imobiliário de terras é uma determinação para promover uma política de ocupação territorial urbanisticamente razoável, regular e justa social e ambientalmente. 6.B.2. Marco legal e ações desenvolvidas O marco legal do município que assegura a promoção de processos de regularização fundiária nos territórios ocupados por fam ílias com renda salarial mensal de até seis salários mínimos, são as seguintes leis: LEI DO PROVILA – LEI MUNICIPAL 2140/90 – Os assentamentos de interesse social do Município estão sendo regularizados no âmbito do que estabelece o Programa Municipal de Regularização Fundiária denominado PROVILA, criado pela Lei Municipal 2140/90. Tal lei prevê a demarcação de áreas de interesse social, estabelece procedimentos e define parâmetros de parcelamento do solo mais flexíveis, destinados à regularização fundiária, além de autorizar a alienação, a partir de determinados critérios, de áreas públicas municipais, e elencar outras providências em prol de soluções fundiárias para assentamentos irregulares ocupados por população de baixa renda. A partir da base legislativa, o Município, ao revisar seu Plano Diretor, em 2006 (já em cumprimento ao Estatuto da Cidade), delimitou as AIS-1 (Áreas de Especial Interesse Social 1), exatamente para a aplicação das normas da Lei 2140/90; LEI COMPLEMENTAR MUNICIPAL 038/2007 – A lei institui o Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social, com a finalidade de formular, implementar, monitorar e avaliar a Política Municipal de Habitação de Interesse Social, além de articular, compatibilizar, acompanhar e apoiar a atuação das instituições participantes de tal política, ampliando a oferta habitacional e a melhoria das condições de habitabilidade para os segmentos populacionais na faixa de renda familiar atendida pelo Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social, em sintonia com o Plano Diretor do Município; 56 Plano de Habitação de Contagem Volume I LEI COMPLEMENTAR 033/2006 – lei que processou a primeira revisão do Plano Diretor do Município e instituía atual política municipal de habitação com capítulo específico que trata dos princípios, objetivos, diretrizes e ações, onde se destaca o inciso IV do art. 76 promover ações que contemplem: A. A regularização fundiária e a requalificação urbanística dos assentamentos habitacionais precários de interesse social, incluindo a recuperação de áreas de risco, controle urbano e manutenção de obras públicas; B. ampliação de oferta de moradia para segmentos populacionais de baixa renda por meio de aplicação de instrumentos urbanísticos, estímulo à produção privada, apoio a iniciativas de autoconstrução e produção habitacional em autogestão e mutirão, por meio da promoção de serviços de arquitetura e engenharia públicas e a promoção de acesso a financiamento habitacional subsidiado; C. a locação, aquisição ou produção de imóveis residenciais assim como a adequação para o uso habitacional de edifícios não residenciais subutilizados ou não utilizados; D. o reassentamento de famílias removidas - por risco ou obra pública - em condições justas e dignas. As ações empreendidas e realizadas no âmbito da Política de Habitação da cidade que favorecem o conhecimento e apresentação de um diagnóstico fundiário são aqui apresentadas em dois níveis: 6.B.3 Ações realizadas e em desenvolvimento - PIIN – PLANO DE INTERVENÇÃO INTEGRADA – instrumento de planejamento participativo específico aplicado aos assentamentos precários, até o momento nas áreas de Interesse Social – AIS1, que no seu escopo elabora diagnóstico fundiário específico que passa a formar a finalização das intervenções e promove a regularização fundiária, fundado na Lei do PROVILA. O PIIN também representa importante instrumento para obtenção dos recursos financeiros necessários ao processo de urbanização. Tal plano compreende, também, um levantamento de dados e um diagnóstico interdisciplinar integrado, sob os enfoques físico-ambiental, socioeconômico e jurídico-dominial, culminando em uma proposta de intervenção integrada, com hierarquização de medidas interventivas e previsão de custos. É direcionado para as áreas de maior vulnerabilidade ambiental, urbanística e social, observando o PMRR; AÇÕES DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA – Atualmente, quatro projetos de regularização já foram implementados, a saber: Vila Itália com 187 registros entregues, Vila Vaquinha com 87 registros entregues, e o Bairro Sapucaias I, com 425 registros entregues (neste caso o loteamento era aprovado) e, em especial, o Bairro Nova Contagem com 3.242 registros entregues, além de 248 famílias reassentadas em unidades produzidas pelo município com recursos do PAC Drenagem. Outros projetos encontram-se em fase de implementação, como nas Vilas Beatriz e Maracanã, onde está sendo feita demarcação urbanística, além dos Bairros Estrela Dalva, São Mateus e Confisco, na região do Nacional, onde serão aplicados dentre vários instrumentos a demarcação urbanística para as áreas privadas com estimativa de mais de 3.000 famílias a serem beneficiadas. Ressalta-se que tais trabalhos fundamentam-se nas bases legais de sustentabilidade das ações, pelo que se utilizam os instrumentos mais adequados a cada realidade; PLANO MUNICIPAL DE REDUÇÃO DE RISCO DE CONTAGEM – PMRR – O Plano, de 2006, realizou o mapeamento das áreas de risco do Município com: identificação das áreas, dos setores e das famílias expostas, bem como a tipificação do risco, além da hierarquização e da priorização das intervenções necessárias, seguindo-se ao PMRR três linhas de ação, a saber: A. Monitoramento – consiste na realização de vistorias periódicas e sistemáticas nas áreas de risco, com o intuito de se observar a evolução das situações já identificadas. Depois são feitas orientações ao morador, que passa a observar a própria moradia e o entorno, estabelecendo-se, assim, uma gestão compartilhada do risco; B. Trabalho com as comunidades – por intermédio da criação de grupos de voluntários chamados Núcleos de Defesa Civil (NUDECs) formados por cidadãos de cada comunidade, que em parceria com a Prefeitura, contribuem para as ações preventivas e emergenciais nas áreas de risco, bem como na conquista dos recursos necessários, principalmente pelo Orçamento Participativo (OP); C. Ações Estruturantes – trata-se da realização de obras locais tais como muros de arrimo, acessos locais e tela grampeada, dentre outras, que visam minimizar ou mesmo erradicar o risco geológico existente. A gravidade da situação de risco é o critério básico para a escolha da área a sofrer intervenção. PROGRAMA MUNICIPAL DE URBANIZAÇÃO DE VILAS E FAVELAS – trata da execução das intervenções decorrentes do cenário de urbanização definido o âmbito do PIIN ou daquelas geradas pelo serviço de implantação do saneamento ambiental integrado. As ações deste programa até o presente implicaram em urbanização integrada e plena, na 57 prefeitura municipal de contagem maioria das vezes com remoção e reassentamento de famílias acima de 50% do total do assentamento de origem, implicando em ações de regularização fundiária de natureza mais diversa por gerar novos assentamentos e dividir os beneficiários em dois grupos os que permanecem no território de origem e aqueles que formam os novos assentamentos a serem regularizados e as famílias tituladas, esta última constitui ação a executar. DIAGNÓSTICO SOBRE UNIVERSO DE VILAS, FAVELAS E LOTEAMENTOS PÚBLICOS DO MUNICÍPIO DE CONTAGEM. 2007/2008 – Por meio de um convênio realizado entre o Município e a Pastoral de Vilas de Contagem, um diagnóstico geral foi realizado em âmbito municipal. Levantaram-se as principais informações sobre as situações de irregularidade, pelo que foram identificados 123 assentamentos precários (classificados entre 104 vilas e favelas e 19 loteamentos públicos), abarcando um total de população de 142.569 pessoas. Tal estudo é importante para o conhecimento, por parte da administração pública, de quais são os principais problemas e onde estão localizados, subsidiando análises mais aprofundadas das demandas locais que são identificadas no contexto de elaboração deste Plano Municipal de Habitação e que constitui o Volume II deste Plano. Aqui, segue apenas o quadro de identificação, conforme abaixo: QUADRO 6.3: AIS1 – Vilas, favelas e loteamentos públicos de Contagem - 2008 INDUSTRIAL RIACHO Áreas de Especial Interesse Social – AIS 1 ITEM TIPO ASSENTAMENTO Nº. Domicílios População Estimada (SAHAB) ÁREA (m²) 1 vila Vera Cruz (Lempe) 70 242 17.420 2 vila Vila Rica 38 132 3.209 108 374 20.629 TOTAL 1 vila Bandeirantes I 272 941 71.422 2 vila Bandeirantes II 283 979 57.347 3 vila Júlia Kubtschek 60 208 20.295 4 vila Pedreira Santa Rita 476 1623 47.000 5 vila Da paz 948 2806 91.985 6 vila Líder/Presidente Vargas 90 311 36.762 7 vila São Paulo 396 1469 104.457 8 vila Nossa Senhora Aparecida 160 594 23.177 9 vila Barraginha 495 1527 89.419 10 vila São Vicente 223 619 32.127 11 vila São Nicodemos 680 1824 41.799 12 vila Santo Antônio (SAMAG) 335 815 27.948 13 vila Itaú 516 1785 103.983 14 vila Vaquinha 71 100 6.684 15 vila Rui Barbosa 154 533 28.511 16 vila Do Canal 152 526 9.263 17 vila Dom Bosco 504 1870 102.664 18 vila Tereza Cristina 146 505 33.743 19 vila São José Operário 160 474 16.915 20 vila Paulo Frontim 43 149 5.593 21 vila Santa Elizabeth 24 83 2.928 22 vila Firmo de Matos 63 218 4.562 23 vila Beco Minas Gerais 80 277 25.467 6331 20236 984051,00 TOTAL 58 Plano de Habitação de Contagem Volume I Áreas de Especial Interesse Social – AIS 1 ITEM TIPO ASSENTAMENTO Nº. Domicílios População Estimada (SAHAB) ÁREA (m²) 1 vila Santa Edwiges 491 1699 60.059 2 vila Jardim Marrocos 319 1104 92.839 3 vila Maria da Conceição 173 599 24.455 4 vila Beatriz 341 1046 69.870 5 vila Boa Vista 491 1699 58.940 6 vila Buraco da Coruja I 454 1571 42.716 7 vila Buraco da Coruja II 389 1346 35.280 8 vila Jardim Oliveiras/ Bandeirantes 89 308 17.762 9 vila Jardim Eldorado (Marimbondo) 1024 3058 88.000 10 vila Mafersa / Cachorro Sentado 184 637 7.853 11 vila Rua Beco 146 505 10.975 12 vila Paris 57 217 6.400 13 vila PTO 1º SEÇÃO 103 356 2.846 14 vila PTO 2º SEÇÃO 162 561 5082 15 vila Brejinho/ Vila Espera Feliz 76 263 7.039 1 Lot.Pu Perobas I 664 2297 113.585 2 Lot.Pu Perobas II 188 651 44.483 3 Lot.Pu Parque São João 270 934 97.420 1122 3882 255.488 SEDE ELDORADO TOTAL TOTAL 1 vila Praia (IBGE=Barroquinha) 378 1308 62.601 2 vila Belém 38 132 14.553 3 vila Santa Helena 41 142 5.358 4 vila Jardim Vera Cruz 30 104 3.358 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 TOTAL 1 2 3 vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila Maracanã I (Setor 2 e 3 ) Maracanã II (Setor 1) Vulcan (Beco Barroquinha) Riachinho Vila 18º (Aderbal Lopes) Funcionários Bela Vista Fonte Grande São João Del Rey V. Vila Itália Da Rua 14 (Beco Funcionários) Est. Bernardo Monteiro Lot.Pu Lot.Pu Lot.Pu Vila Militar Vila Itália Funcionários 268 25 28 335 92 184 329 43 27 58 79 0 1955 335 260 1939 947 98 97 1159 318 637 1138 149 93 201 273 0 6796 1159 986 6709 29.200 2.900 500 64.296 13.655 51.960 51.603 0 1.655 17.167 35.074 0 353.880 63.299 130.869 355.964 59 prefeitura municipal de contagem Áreas de Especial Interesse Social – AIS 1 Vila União (Beija Flor) 2474 389 População Estimada (SAHAB) 8854 1345 0 550.132 20.279 vila São Caetano 216 747 45.149 vila Morro Vermelho 308 1065 55.594 913 3157 121.022 1 Lot.Pu Sapucais I 648 1503 259.000 2 Lot.Pu Sapucais II 140 484 24.206 3 Lot.Pu Campo Alto 428 1480 118.747 4 Lot.Pu Beija Flor 400 1384 60.514 vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila vila Colorado Avenida II Teleférico (Secoia) São Sebastião Kennedy Novo Boa Vista I Novo Boa Vista II Novo Boa Vista III Urca União do Ressaca Pérola Boa Esperança Oitis Padre Dionísio Morro dos Cabritos Santa Luzia (Beco do Cócó) Novo Progresso Ipê amarelo Teleférico Morada Nova Lot.Pu Lot.Pu Progresso Industrial Oitis 1616 270 427 454 43 86 502 32 38 394 870 0 130 130 416 162 45 43 76 103 70 4219 200 412 612 4851 934 1477 1571 149 298 1738 111 132 1363 3010 0 450 450 1439 561 156 149 263 356 242 14849 692 1425 2117 462.467 10.653 65.977 76.654 11.714 10.524 42.836 15.508 5.632 12.254 105.831 0 22.146 10.684 39.354 55.989 11.843 2.264 5.457 24.371 49.594 579.285 36.298 236.574 272.872 ITEM TIPO ASSENTAMENTO Nº. Domicílios 4 TOTAL 1 Lot.Pu Bernardo Monteiro vila 2 3 RESSACA PETROLÂNDIA TOTAL TOTAL 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 TOTAL 1 2 TOTAL 60 ÁREA (m²) Plano de Habitação de Contagem ITEM Volume I TIPO ASSENTAMENTO Nº. Domicílios (SAHAB)1 População Estimada (SAHAB) ÁREA (m²) 1 22 vila São Mateus 610 2111 167.251 2 23 vila Senhora Aparecida (Sapolândia) 158 547 19.742 3 24 vila Jesus de Nazaré 328 1135 20.530 4 25 vila Estrela Dalva 1203 4162 182.619 5 26 vila Recanto da Pampulha 184 637 15.187 6 27 vila Francisco Mariano 227 785 15.117 7 28 vila Nacional 38 131 4.367 8 29 vila Monte Belo 0 0 0 9 30 vila Floriano Peixoto 154 533 59.531 10 31 vila Alvorada 351 1214 50.215 11 32 vila Senhora da Conceição 40 138 2.705 12 33 vila Gangorras 19 66 5.792 13 93 vila Bambu Verde 30 104 19.986 14 102 vila Arvoredo II 45 156 9.854 15 105 vila Tenente Castorino 0 0 0 16 107 vila Parque Xangrilá 0 0 0 3387 11719 572.896 VARGEM DAS FLORES NACIONAL TOTAL 1 D Lot.Pu Pedra Azul 32 111 12.937 2 E Lot.Pu Confisco 300 1038 123.294 332 1149 136.231 TOTAL 1 1 vila Nova Esperança 1075 3720 221.038 2 2 vila Estaleiro I 1172 4055 380.127 3 3 vila Estaleiro II 432 1495 359.247 4 4_8_9 vila Formosa 809 2388 192.800 5 5 vila Vila Feliz (Rosa Branca) 529 1830 127.829 6 6 vila Renascer 991 3429 317.376 7 7 vila Beira Campo 415 906 86.300 8 91 vila Soledade 620 1735 146.100 9 108 vila Nascente Imperial 94 325 297.000 6137 19883 2.127.817 TOTAL 1 A Lot.Pu Ipê Amarelo 400 1384 114.963 2 B Lot.Pu Nova Contagem 3547 13681 1.549.854 3 C Lot.Pu Darcy Ribeiro 1281 4432 445.306 4 R Lot.Pu Retiro 1080 3737 1.221.546 6308 23234 3.331.669 TOTAL 61 prefeitura municipal de contagem 6.B.4. Ações necessárias identificadas como inexistentes As ações de regularização fundiária implementadas ficaram restritas às Áreas de Interesse Social (AIS1). Dos 19 loteamentos públicos existentes, a Vila Itália e o Bairro Nova Contagem foram objeto de regularização fundiária plena. Essas experiências bem sucedidas, mesmo como ação experimental ou de pequeno alcance diante do volume identificado, avalizam os novos estudos e levantamentos para avançar nas ações da política fundiária. Pois, é preciso considerar a ampla gama de problemas e situações que estão intrinsecamente acopladas aos processo de regularização fundiária e fazer frente aos desafios dos loteamentos habitacionais particulares irregulares. É diante disto que segue o levantamento preliminar realizado durante a elaboração deste Plano dos loteamentos particulares. Como afirma a Profª Ermínia Maricato “não é possível falar em cidade sustentável sem falar em controle e ordenamento do uso e ocupação do solo. É preciso colocar as questões imobiliária e fundiária no centro da política habitacional e urbana, para se ter uma cidade justa social e ambientalmente”. O capítulo aqui desenvolvido de Política Fundiária que complementa o Diagnóstico Habitacional trata das ações em desenvolvimento e da identificação de novas ações a serem propostas para de fato alcançar a sustentabilidade da cidade e da sua política habitacional. Portanto, na forma de levantamento é acrescido e apresentado um quadro dos loteamentos habitacionais particulares Loteamentos Habitacionais Particulares Irregulares O levantamento e estudo preliminar realizado sobre loteamentos habitacionais particulares irregulares existentes aponta um total de 77 localidades com níveis diferenciados de problemas, especialmente a irregularidade urbanística e fundiária. O intuito deste estudo preliminar é demonstrar e avaliar a ordem de grandeza das localidades irregulares e a dimensão do problema, motivado pela demanda contínua junto à SAHAB por parte de lideranças das localidades ou diretamente por moradores. A base referencial dos dados é bastante limitada, portanto incompleta. Ainda assim optou-se por construir dados estimados para ter algum nível de compreensão do problema. A estimativa apresentada não pretende qualificar e classificar as localidades em tipologias diferenciadas conforme os problemas observados. Foram obtidos a partir de levantamento empírico de conhecimento da realidade pela atual Secretaria Municipal Adjunta de Habitação, pelos estudos territoriais a partir “Google Earth”, pelo georeferenciamento da SEPLAN, pelos dados fornecidos no BIDU nº 5 da SMDU, por consulta aos administradores regionais e lideranças comunitárias. O quadro abaixo considera localidades destinadas a usos diversos da cidade para além do uso habitacional que é o objeto deste levantamento. Para efeito da irregularidade privada, em pauta, é desprezado o número de localidades destinadas a uso industrial e aquelas demarcadas como Áreas de Especial Interesse Social (AIS1). Portanto, trata-se de um universo de 206 localidades de uso residencial denominadas de: bairro (ou vila bairro), conjunto habitacional, chácara, condomínio e o item outras denominações. QUADRO 6.4: Tipo de localidades em Contagem por região – 2012 Região Bairro AIS1 Áreas Industriais2 Conjunto Habitacional Chácara Condo mínio Outras denomi nações³ Total Nacional 22 18 0 1 5 0 0 46 Ressaca 37 22 2 0 1 0 0 61 Eldorado 19 18 2 2 0 0 0 41 Riacho 9 2 2 3 0 0 0 16 Industrial 18 23 1 2 0 0 0 44 Sede 46 20 3 2 9 0 5 84 Petrolândia 7 7 0 0 0 0 0 14 Vargem das Flores 10 13 0 0 4 5 0 30 TOTAL 167 1231 10 10 19 5 5 340 Fonte: Elaboração própria do Plano. 1. O total observa o levantamento da SAHAB em 2008 acrescido da localidade Nascente Imperial. 2. Inclui os distritos, zonas industriais e a CEASA. 3. Outras denominações são granja, sítio, terreno e área. 62 Plano de Habitação de Contagem Volume I Para melhor compreensão do quadro acima, o item chácaras foi trabalhado incluindo todas as localidades que possuem a denominação chácaras fora do item bairro. É preciso esclarecer que na maior parte das vezes a denominação, neste caso, não é utilizada referindo-se a “chacreamento”, local de lazer. A identificação preliminar destes loteamentos habitacionais irregulares particulares visa demonstrar a necessidade de implantar um serviço permanente de regularização fundiária, a ser desenvolvido e implementado dentro da Política Municipal de Habitação, observando o perfil do público morador nas localidades em questão, bem como a demanda por algum tipo de infraestrutura urbana, que geralmente surge de maneira pontual ou nas franjas de expansão dos loteamentos, até mesmo daqueles aprovados. O Programa de Regularização Fundiária, em desenvolvimento pela SAHAB, foi constituído a partir das experiências em AIS 1 como Nova Contagem, Sapucaias I, Vila Itália, Vila Vaquinha e Aglomerado Estrela Dalva e São Mateus, este último aglomerado, em processo de execução. As áreas classificadas como AIS 1 apresentam maior complexidade fundiária e urbanística, portanto constituem e trazem, para os loteamentos irregulares particulares, o conhecimento acumulado de forma a permitir e orientar a implantação de uma ação permanente que envolva as diferentes irregularidades passando por áreas e situações que devem observar os parâmetros da legislação em geral, mas que também atenda as condicionantes e espeficidades do território e da história de ocupação para fins habitacionais. O ato de regularizar implica em estudo jurídico, urbanístico, ambiental e social de cada loteamento e de cada imóvel, passando pelo perfil das famílias residentes. Este levantamento dos loteamentos habitacionais irregulares, que são promovidos pelo mercado imobiliário, formal ou informal, deixa de aprofundar no conhecimento específico da irregularidade seja urbanística, comercial ou jurídica, bem como nas circunstâncias em que se deu o uso e ocupação de cada território. Os processos de regularização de loteamentos habitacionais irregulares particulares, de interesse específico do município, conforme estabelece a Lei Federal 11.977/2009, devem considerar os mais variados aspectos, mas o principal é a existência ou não do agente loteador ou proprietário das áreas objeto de ação, para pactuar entendimentos e o devido enquadramento das ações possíveis a serem empreendidas na regularização fundiária, estabelecendo as responsabilidades de cada parte. Por outro lado, a determinação dos moradores que detém a posse é crucial, para em parceria, com a Prefeitura e outros entes públicos promover a regularização fundiária e nortear a seleção de prioridades por região. A prática em exercício nas AIS 1, que trata de regularizar os loteamentos de interesse social, demonstra a importância de conceber para cada localidade um projeto integrado exclusivo que assegure a sustentabilidade da ação, os aspectos cotidianos do morar, para além de um projeto urbanístico de aprovação do bairro. O que se deve desenvolver é um projeto, onde todos os aspectos relacionados à moradia estejam presentes. Assim, o foco deve ser o acesso a qualidade sociourbana ambiental e a segurança do morar, para além do valor comercial, a ser agregado à propriedade. É preciso trabalhar outros valores relacionados ao pertencimento ao local e apropriação do espaço urbano que ocupa. É considerar a realidade do território e da sua população de forma que esta assuma o protagonismo da ação sobre cada imóvel e do território em questão. Assim teremos a Prefeitura como promotora das ações de regularização nos loteamentos de interesse social e como parceira nos loteamentos privados de interesse específico do município. Portanto, os processos de regularização fundiária devem ser unificados e, ao mesmo tempo, uma ação plural e intersetorial. O artigo da Lei 11.977/2009, abaixo transcrito, elucida e explicita a importância de atuar nos dois níveis de problemas, ou seja, no loteamento ou favela classificado como AIS1 e nos loteamentos habitacionais irregulares de particulares, que o Munícipio eleja de interesse específico. Art. 46 A regularização fundiária consiste no conjunto de medidas jurídicas, urbanísticas, ambientais e sociais que visam à regularização de assentamentos irregulares e à titulação de seus ocupantes, de modo a garantir o direito social à moradia, o pleno desenvolvimento das funções sociais da propriedade urbana e o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. A referida Lei, expressa um dos maiores avanços do Estado brasileiro para fazer cumprir a função social da propriedade e superar o nível de irregularidade que tomou conta das cidades brasileiras, em especial, nas regiões metropolitanas. O seu artigo 47 e os diversos incisos ilustram a importância de tratar do assunto para além das famílias de menor poder aquisitivo. Destacam-se três incisos fundamentais: 63 prefeitura municipal de contagem VI – assentamentos irregulares: ocupações inseridas em parcelamentos informais ou irregulares, localizadas em áreas urbanas públicas ou privadas, utilizadas predominantemente para fins de moradia; VII – regularização fundiária de interesse social: regularização fundiária de assentamentos irregulares ocupados, predominantemente, por população de baixa renda...” VIII – regularização fundiária de interesse específico: regularização fundiária quando não caracterizado o interesse social nos termos do inciso VII. O Plano Diretor da Cidade de Contagem estabelece que a política de habitação de interesse social é destinada às famílias com renda mensal de até seis salários mínimos. Conforme aponta o Censo Demográfico de 2010 do IBGE, 75% da população de Contagem possui renda domiciliar mensal de até cinco salários mínimos, fato que leva a inferir a necessidade de ação do poder público tanto preventiva como corretiva, nos loteamentos irregulares particulares, principalmente se for observado que o território ou parte do loteamento particular, tido como de interesse específico, poderá ser classificado como de interesse social. Diante da quantidade de comunidades e dos recursos financeiros necessários para o trabalho preventivo da irregularidade e para a regularização fundiária das situações já postas, é conveniente discutir com a população de cada localidade o estabelecimento de uma taxa de contribuição para os intervalos de renda acima de cinco salários mínimos. A proposição tem por objetivo reduzir o tempo necessário ao alcance das metas de regularização fundiária a médio e longo prazo, bem como encontrar solução para os assentamentos que apresentam estratificação de renda acentuada. Como exemplo o Bairro Milanez, na região da Ressaca, pois a nova Lei de regularização fundiária permite trabalhar com lotes acima de 250m², viabilizando as ações nos loteamentos com tais características. Os órgãos de fiscalização e regulação do município na ocasião de aprovação do projeto de parcelamento devem ser os maiores parceiros do novo processo fundiário que se apresenta na perspectiva de prevenir e responsabilizar cada proprietário sobre os procedimentos cabíveis na manutenção do território regular. Prevenir processos de expansão urbana irregular na cidade deve constituir ato continuo da administração municipal tanto quanto o ato de aprovar e regularizar um loteamento. Caso contrário, o que vem acontecendo nos loteamentos mais antigos, mesmo os regulares e aprovados é a expansão da sua área, passando a ser ocupada em desconformidade com a legislação e com o projeto de implantação inicial. Sem o trabalho de controle e prevenção, a irregularidade irá persistir e pode anular parcialmente os processos de regularização fundiária implantados ou a implantar. A tabela abaixo trata do universo de ocupação irregular do território do município de Contagem com destaque àqueles loteamentos promovidos pela iniciativa privada de forma irregular, a partir dos anos 1950 até a atualidade. Alguns dados são conhecidos a partir de manifestações de moradores que relatam existirem processos iniciados de aprovação do loteamento e paralisados ou caducados no tempo pela falta de atendimento à legislação local ou por descumprimento de tramitação burocrática. QUADRO 6.5 - Loteamentos habitacionais particulares irregulares REGIÃO N° DE LOTEAMENTOS IRREGULARES ÁREA TOTAL DE LOTEAMENTOS IRREGULARES (ha) * N° TOTAL DE LOTES EM LOTEAMENTOS IRREGULARES * Nacional 16 305 2.187 Ressaca 11 131 2.225 Eldorado Sem Informação Sem Informação Sem Informação Riacho 6 153 1366 Industrial 7 65 613 Sede 22 328 2.403 Petrolândia 2 444 3.495 Vargem das Flores 13 139 1.118 TOTAL 77 1565 13.407 Fonte: elaboração própria * Os dados da área e lotes referem-se a 52 loteamentos pois 25 loteamentos não existem dados. 64 Plano de Habitação de Contagem Volume I O quadro acima deixa de considerar 25 loteamentos distribuídos em todas as regionais por falta de informações quanto ao número de lotes e a área ocupada pelos respectivos loteamentos. Ainda assim, para efeito de dimensionar o volume de trabalho, atribui-se, arbitrariamente, a cada loteamento uma média de 150 lotes o que soma um total de 3750 lotes, chegando a uma estimativa de 17.157 imóveis irregulares promovidos pela iniciativa privada. Como foi exposto o município de Contagem possui 340 localidades das quais 206 são de uso predominantemente residencial e destes 77 são mencionados como irregulares, correspondendo a 37% dos assentamentos não classificados como AIS1, o que se torna mais grave quando somada a irregularidade das vilas e favelas e dos loteamentos públicos, as denominadas AIS 1. O levantamento de loteamentos habitacionais irregulares particulares por região, elaborado no processo do Plano Municipal de Habitação, conforme sua síntese expressa no quadro acima, demonstra que as regiões com as maiores quantidades de loteamentos irregulares, são a Sede, Nacional e Ressaca. Também são as regiões que tem as maiores taxas de crescimento populacional da última década e com vazios urbanos propensos a expansão. Por sua vez, a região de Vargem das Flores é a de maior irregularidade, deixa de ser 100% irregular em função da aprovação em 2010 do loteamento que deu origem ao Bairro Nova Contagem. Bem como pelo fato do Bairro Retiro haver sido aprovado quando da sua implantação, embora na atualidade, possua áreas irregulares. É na região de Vargem das Flores, que está localizada a área rural do município, com 4 loteamentos irregulares particulares, a saber: Liberdade II, Estância San Remo, Condomínio Nosso Rancho e o Lacy Mesquita, este último em plena comercialização irregular no presente momento. Como foi dito o município de Contagem tem a extensão territorial de 194,3 Km2 com uma área rural de 48,2 Km2 e uma área urbana de 146,1 Km2. A base de dados existente, ainda que incompleta, apresenta uma área total estimada para os loteamentos irregulares particulares de 16 Km2, representando cerca de 11% da área urbana do município de Contagem. E com um total aproximado de treze mil domicílios nos loteamentos irregulares particulares, além dos 3.750 arbitrados, no total 17.157 para caso o município resolva realizar a regularização fundiária ter uma melhor dimensão do custo, chegando a um dispêndio de R$ 15.438.600,00 considerando um valor de R$ 900,00 por domicílio, para proceder apenas a regularização fundiária. Ao finalizar destaca-se que as áreas de vilas e favelas e loteamentos públicos classificados como AIS1 têm uma área total de 10 Km2. Somado aos 16 Km2 dos loteamentos irregulares particulares, a porcentagem de território irregular do município de Contagem é de 18% em relação ao total da zona urbana, considerando os dados existentes que são incompletos. Assim, regularizar os territórios já ocupados para fins de moradia é uma ação dentro de um contexto maior de ação pública municipal intersetorial que deve responsabilizar e penalizar os atos de quem se omite e de quem agride, infringe e desvaloriza a cidade como um todo. Lista de Loteamentos Habitacionais Particulares Irregulares A relação abaixo dos loteamentos habitacionais particulares irregulares é tida como incompleta e com algumas incorreções. A escolha de apresentar, mesmo com essas insuficiências, deve-se a necessidade de mencionar e nomear os territórios total ou parcialmente irregulares, como meio de gestar, ou pelo menos instigar, o debate interno na Prefeitura. Espera-se, assim, favorecer concepções que auxiliem à superação da questão do ponto de vista preventivo e de concertação. 65 prefeitura municipal de contagem QUADRO 6.6: Loteamentos habitacionais irregulares em Contagem 2012 INDUSTRIAL RIACHO ELDORADO RESSACA NACIONAL REGIONAL N° NOME DO LOTEAMENTO 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 1 2 3 4 1 2 3 4 5 6 1 2 3 4 5 6 7 Boa Vista, Vila Bom Jesus Chácaras Bom Jesus Chácaras Cotia Chácaras Novo Horizonte Chácaras ReunidasSanta Terezinha Lua Nova da Pampulha Braúnas Nacional 2ª Seção Pedra Azul 3ª Secção Rose Marie Santa Maria Senhora da Conceição Vale das Orquídeas Vila Cowan Empresarial do Mandu Arvoredo 1ª Seção Arvoredo 2ª Seção Feijão Miúdo Maria Cristina Milanez Parque Ayrton Senna Presidente Kennedy 1ª Seção Presidente Kennedy 2ª Seção Santa Luzia, Vila Santa Luzia, Vila - 2ª Seção São Gotardo Água Branca Vila Oneida Galoca Conj. Res. Dr. Paulo Mello Azevedo Conjunto Habitacional Jardim Califórnia Conjunto Habitacional Monte Castelo Conjunto Habitacional Riacho III Durval de Barros Granja Lempp Inconfidentes Conjunto Residencial Parque das Mangueiras Conjunto Sandoval de Azevedo Emaus Jardim Industrial 2ª Seção Parque Industrial, Vila Ruy Barbosa, Vila Bandeirantes Industrial 66 Plano de Habitação de Contagem REGIONAL N° NOME DO LOTEAMENTO 1 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 1 Fonte Grande Área parcelada limitada pelas ruas Frei D. Goodyn; Herculina; B. Camilo Alves; Estância do Hibisco Área parcelada limitada pelas ruas Joaquim José; Francisco C.D.; R.S/NR. Lincoln Costa Ferreira. Bernardo Monteiro 2ª Secão Canadá Chácaras Califórnia Centro de Contagem Chácaras Contagem 1ª Gleba Chácaras Contagem 3ª Gleba Chácaras Del Rey Chácaras Domingos Pereira Chácaras Riachinho Chácaras São Geraldo Conjunto Habitacional Fonte Grande Europa Fonte Grande 1ª Seção Fonte Grande 4ª Seção Granjas Vista Alegre Lúcio de Abreu Praia São Gonçalo 1ª Seção Universitário Nossa Senhora do Carmo Universal, Vila 2 Tropical 2 VARGEM DAS FLORES PETROLÂNDIA SEDE 3 TOTAL Volume I 1 Chácaras Solar do Madeira 2 Granja Ouro Branco 3 Quintas do Jacuba 4 Chácara Campestre 5 Tup 6 Nazaré 7 Santa Filomena 8 Buganville 9 Estância San Remo 10 Liberdade II 11 Icaivera 12 Lacy Mesquita 13 Nosso Rancho 77 loteamentos Fonte: Elaboração própria 67 prefeitura municipal de contagem 6.C. ÁREAS DE ESPECIAL INTERESSE SOCIAL 6.C.1. AIS 1 e Aglomerados Subnormais A velocidade do crescimento urbano das cidades localizadas em regiões metropolitanas, aliado ao processo de industrialização intenso e diversificado fez de Contagem, praticamente a cada década da segunda metade do século passado, delinear perfis e identidades diferentes, tais como cidade industrial, cidade operária, cidade metalúrgica, cidade dormitório e, mais recentemente cidade da indústria alimentícia e de centros de distribuição de mercadorias e serviços. É neste contexto, que a população de menor renda viveu e vive processos de deslocamentos territoriais, primeiramente motivados por deslocamentos imobiliários especulativos, o conhecido processo de remoção de favelas, já que se tratava de famílias posseiras, sem maior apoio legal e a disposição de algumas em resistir e, na atualidade, por processos de urbanização, principalmente as obras de saneamento de fundo vale, dos diversos córregos que existem no Município. Os estudos iniciais da Prefeitura apontam 123 comunidades com características de assentamentos precários, em processo de avaliação para inclusão de algumas demandas apresentadas pelas comunidades ou por identificação de necessidade de inclusão ou exclusão de outras como apontam os profissionais da SAHAB. O número pouco irá se alterar e representa uma população na ordem de 140 mil pessoas residentes em vilas/favelas ou loteamentos públicos populares, onde o problema central é a regularização fundiária. Por outro lado, o Censo Demográfico do IBGE, de 2010, apresenta uma população de 58.163 pessoas residindo em domicílios particulares, nos denominados aglomerados subnormais, distribuídos em 45 territórios, com uma média de 3,46 pessoas por domicilio, os dados já disponibilizados, ainda que, sem uma análise mais aprofundada, reforçam a necessidade de intervenções em encostas e nas questões fundiárias, pois a cobertura dos serviços públicos de infraestrutura para esse universo é bastante satisfatória, conforme o próprio Censo demonstra. O IBGE no município de Contagem excluiu 19 localidades por apresentarem menos do que 51 domicílios particulares, embora com características de aglomerado subnormal conforme critérios do mesmo. O conceito da Prefeitura para AIS 1, assentamentos precários, pouco difere do IBGE, apenas no aspecto do traçado da ocupação, o arruamento. Pois, quando este é menos disforme, para a Prefeitura, o que predomina são as condições de infraestrutura (saneamento ambiental) e a questão fundiária, pelo reconhecimento da posse legitimando-a ao classificar como AIS1. O Manual de Delimitação dos Setores do Censo 2010 classifica como aglomerado subnormal cada conjunto constituído de, no mínimo, 51 unidades habitacionais carentes, em sua maioria, de serviços públicos essenciais, ocupando ou tendo ocupado, até período recente, terreno de propriedade alheia (pública ou particular) e estando dispostas, em geral, de forma desordenada e densa. A identificação atende aos seguintes critérios: a) Ocupação ilegal da terra, ou seja, construção em terrenos de propriedade alheia (pública ou particular) no momento atual ou em período recente (obtenção do título de propriedade do terreno há dez anos ou menos); e b) Possuírem urbanização fora dos padrões vigentes (refletido por vias de circulação estreitas e de alinhamento irregular, lotes de tamanhos e formas desiguais e construções não regularizadas por órgãos públicos) ou precariedade na oferta de serviços públicos essenciais (abastecimento de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo e fornecimento de energia elétrica). (IBGE, 2012) A diferença bastante relevante do número de comunidades do IBGE (45) e Prefeitura (104), excluídos os loteamentos públicos, pode ser atribuída ao fato de que a interlocução do IBGE com a Prefeitura ocorreu com setores diversos e, portanto, com conceitos e informações diferentes. Porém, os fatores determinantes parecem haver sido vários, tais como, áreas remanescentes de pequenas comunidades que vão permanecendo após a realização de obras públicas como a Vila Jardim Vera Cruz, São João Del Rei e outras, o fracionamento na identificação de vilas que a SAHAB utiliza na identificação dos territórios precários, por procurar observar a identidade das pessoas com o local, a história de ocupação daquele território e alguma barreira física que as separe, dentre outros, como a Vila Maracanã, setor II , com aproximadamente 150 domicílios, com becos estreitos e bastante adensada que localiza-se no interior de uma quadra e, com isto, ficou excluída do Censo, enquanto aglomerado subnormal. A título de ilustração, um exemplo que elucida as diversas situações que diferenciam o trabalho de ambas as 68 Plano de Habitação de Contagem Volume I instituições. Na região Ressaca temos duas AIS 1, a saber: Vila Secoia com uma estimativa de 454 domicílios e, Vila Teleférico/Secoia com uma estimativa de 103 domicílios, em tese uma única localidade, separada por uma avenida. O IBGE desconsiderou a ambas, provavelmente pelo tipo de arruamento e porque a Prefeitura fez investimentos recentes, melhorando significativamente o ambiente, embora persistam outras questões, e, a principal, é a regularização fundiária. Os exemplos são muitos, temos aproximadamente 30 assentamentos precários desconsiderados como tal pelo IBGE e incluídos em setores censitários não tidos como subnormais. Isto, mesmo, observando a fusão praticada como, por exemplo, Estaleiro I e II, Bandeirantes I e II e, outros. São circunstâncias nas quais o município deve agir para nivelar entendimentos internos e, mesmo, com o IBGE para que os dados oficiais sejam compatíveis à realidade da cidade. O quadro comparativo dos dados da SAHAB com o censo de 2010 do IBGE por região administrativa assentamentos precários – AIS 1 – com aglomerados subnormais – ASN -,que segue, ilustra quantitativamente parte dos fatos comentados, porém é crucial dizer que os dados da SAHAB são de 2008, atualizados para aquelas vilas objeto de realização de PIIN – Plano de Intervenção Integrada. Assim nas comunidades em processo de urbanização o IBGE considerou a situação de julho/agosto de 2010 e o quadro, nos dados da Prefeitura apresenta os quantitativos anteriores às remoções promovidas pela mesma, em função das diversas obras em execução, principalmente àquelas decorrentes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). QUADRO 6.7: Síntese do número de AIS 1 e aglomerados subnormais (ASN) por regiâo e nº de domicílios SAHAB 2008 e IBGE – 2012 REGIÃO TOTAL DE ÁREAS CLASSIFICADAS COMO AIS 1 LOTEANº VILAS MENTOS TOTAL PÚBLICOS TOTAL DE ASN IBGE Nº DE DOMICÍLIOS SAHAB AIS 1 VILAS LOTEAMENTOS PÚBLICOS TOTAL AIS 1 Nº DE DOMICÍLIOS IBGE POPULAÇÃO ESTIMADA SAHAB* SAHAB AIS 1 SAHAB ** POPULAÇÃO ESTIMADA IBGE ELDORADO 15 3 18 9 4.515 1.122 5.637 3.580 18.441 18.851 12.120 INDUSTRIAL 23 0 23 14 6.448 0 6.448 4.609 22.903 22.310 15.237 NACIONAL 16 2 18 4 3.387 332 3.719 1.684 13.557 12.868 6.066 PETROLÂNDIA 3 4 7 1 913 1.616 2.529 268 9.379 8.008 938 RESSACA 20 2 22 6 4.219 740 4.959 2.220 18.398 17.409 8.152 RIACHO 2 0 2 0 108 0 108 0 401 374 0 SEDE 16 4 20 3 1.955 2.474 4.429 1.499 16.539 15.356 5.080 9 4 13 8 6.137 6.308 12.445 2.929 42.951 43.117 10.570 104 19 123 45 27.682 12.592 40.274 16.789 142.569 138.293 58.163 VARGEM DAS FLORES TOTAL * na busca de uma estimativa próxima da realidade, multiplicou-se o número de domicílios estimados pela SAHAB pelo número de moradores por domicílios obtidos pelo Censo 2010 do IBGE. ** 3,46 - refere-se ao número de moradores por domicílios, que é a média, encontrada pelo Censo 2010 IBGE para aglomerados subnormais do Município de Contagem, aplicado as vilas que não tem PIIN ou Regularização Fundiária. Fonte: Elaboração própria É preciso mencionar que o programa de regularização fundiária em execução titulou 3.854 famílias residentes nos loteamentos públicos de Nova Contagem (3.242), Vila Itália (187) e Sapucaias I (420). Assim, temos 8.738 famílias a serem tituladas e 15 loteamentos para serem regularizados, uma vez que os Bairros Sapucaias I e II são aprovados, faltando a titulação das famílias que possuem documento de promessa de doação. Por outro lado, o quadro expressa e comprova o fenômeno da industrialização associado a favelização da população, 69 prefeitura municipal de contagem já que, a Região Industrial, até os dias atuais , é a que apresenta o maior número de domicílios em áreas de favelas, tanto para a Prefeitura como para o IBGE. O fato de Vargem das Flores apresentar-se em segundo lugar também é bastante comprovador da realidade, diante do histórico de remoção de favelas das áreas mais centrais, que o Município possui, e, seu reassentamento direcionado para aquela região, tanto de forma organizada ou monitorada pelo município, como por iniciativa das próprias famílias, pois, é ali que se encontra terra, ainda que ilegal, dentro das suas condições financeiras. A região Eldorado, a terceira em número de domicílios em favelas, embora para o IBGE seja a segunda, é sabido tratarse da conurbação histórica com a Cidade Industrial e o seu crescimento com a implantação do CINCO, constituindo o aglomerado Parque São João. Por fim, é fator a ser cuidado a expansão de favelização que se observa na Região Ressaca, superando a Região Sede e seguida da vizinha Região Nacional. Este fenômeno de ocupações irregulares na região Ressaca apresenta uma concentração no aglomerado do Morro dos Cabritos e Cruzeiro, com registro de relatos e observação de campo da Prefeitura nos últimos quinze anos, e, com agravamento recente. Nos processos atuais de urbanização de favelas, ainda que, a estratégia seja de assegurar o direito de permanência no próprio território, nas imediações ou nas proximidades, há demanda por novas áreas para receber o percentual de famílias removidas em função do desadensamento ou acessibilidade, o que gera, em média, algo por volta de 30% dos domicílios. Assim, a principio, e, em longo prazo, o município requer área para acolher aproximadamente uma população de 30.000 pessoas, ou algo em torno de 8.100 novas unidades habitacionais, distribuídas por todas as regiões administrativas da cidade. 6.C.2. AIS 1 e Loteamentos Habitacionais Públicos Irregulares Os loteamentos habitacionais públicos irregulares são territórios ocupados e parcelados, com traçado urbano definido pelo projeto de implantação, que deixou de ser aprovado, ainda que promovido pelo poder público, onde mora uma população predominantemente de baixa renda e tem irregularidades urbanísticas e fundiárias de origem ou geradas no processo de ocupação posterior. Tais loteamentos foram todos classificados como Áreas de Especial Interesse Social (AIS1). O município de Contagem tem 19 loteamentos públicos irregulares. Sendo 18 promovidos pela municipalidade, 1 pelo poder público estadual, conforme relação abaixo. A área total destes loteamentos é de 5.204.877m2, com 12.592 lotes e uma população estimada de 44.087 habitantes. O loteamento público foi uma estratégia habitacional do poder municipal de doação de lotes unifamiliares em áreas, às vezes, periféricas à cidade de Contagem, longe dos principais centros comerciais e industriais. Na década de 70 ,foram 2 iniciativas de loteamentos públicos. Na década de 80, foram 4, e, na década seguinte foram 9, atingindo o seu auge. Esses loteamentos públicos, apesar de algum tipo de planejamento urbano, tinham uma série de incompletudes na sua implantação e a falta de infraestrutura urbana, como rede de água e esgoto e drenagem pluvial, rede de energia elétrica e iluminação pública. Também não previam equipamentos públicos como postos de saúde, escolas, creches, áreas de esporte e lazer. Nas franjas destes loteamentos foram crescendo ocupações irregulares que formaram porções de favelas, devido a falta de fiscalização dos territórios pelo poder municipal. A prefeitura de Contagem na política habitacional vem implementando o Programa de Regularização Fundiária em que já regularizou dois loteamentos públicos que são: Vila Itália e Nova Contagem. E, atualmente está em processo de regularização fundiária o Conjunto Confisco, promovido pelo governo estadual, nos anos 90. Portanto, faltam 17 loteamentos públicos para serem regularizados. O quadro que segue demonstra o conhecimento que a SAHAB dispõe sobre cada localidade e define o estágio em que se encontra a terra, pois nem todas as áreas obtiveram a finalização do processo de desapropriação, implicando na decisão de priorização para aprovação e titulação das famílias. 70 Plano de Habitação de Contagem Volume I QUADRO 6.8: Loteamentos públicos irregulares de Contagem 2012 - SAHAB NOME REGIÃO ASSENTA MENTO ÁREA (m2) SITUAÇÃO SITUAÇÃO LEGAL Nº DE SITUAÇÃO DOS QUANTO À DO LOTEAMENTO LOTES OCUPANTES REGULARIZAÇÃO ANO DE SITUAÇÃO IMPLANTAÇÃO FUNDIÁRIA 342 beneficiários Propriedade SAPUCAIAS I 259.000 1997 do município, Aprovado Registro desapropriação Dec. n° 81831 / 81849 titulados no C.R.I. 480 n.9614/97 titulação Registro em CRI Propriedade do SAPUCAIAS II 24.206 2000 município por Aprovado Registro desapropriação – Dec. n° 94300/ 94401 110 n° 10040/98 Em processo de 1992 Termo de doação Termo de doação desapropriação – Dec. CAMPO ALTO 120.285 Regularizado em 2010 83 em processo de n° 7864/93 - Posse Provisória: Processo n° Loteamento não aprovado 385 Contrato de compra e venda 07993005410-5 Ocupa área PETROLÂNDIA 58.445 1989 Loteamento não B.Tropical, aprovado/ aprovado 316 1992 município Dec. n° Loteamento 9487/96 - Posse aprovado MONTEIRO 0 S/I paralisado desde de 1994. S/I S/I desafetar e aprovar. Realizar intervenções urbanísticas 187 beneficiários 140 titulados.CRI em Regularizado 2010 definitiva BERNARDO Contrato de compra e venda 2292/83 Propriedade do 132.701 o domínio, processo É necessário pertencente ao 1983 Dec. Municipal n° VILA ITÁLIA O município não tem Termo de doação institucional n° 05 BEIJA FLOR Regularizado 0 Em processo de S/I S/I Termo de doação desapropriação. VILA MILITAR 63.299 1994 Dec. n° 5917. Loteamento não Posse provisória aprovado 335 compra e venda 2004. Processo n° 07992003214-5. Em processo de FUNCIONÁ 335.964 1990 NACIONAL Loteamento não Dec. n° 4446/90. Posse provisória n° aprovado 1100 Contrato de compra e venda 07992001975-3. Lei estadual CONFISCO 123.294 1985 autorizativa para Loteamento não 12.973 2004 o domínio. regularização fundiária aprovado Permuta particular ao Desmembramento município não aprovado 71 O município não tem o domínio. . Necessidade de 300 Termo de doação formalizar a doação do Estado. Lei 17.617 PEDRA AZUL O município não tem Termo de doação desapropriação SEDE RIOS Contrato de 32 Autorização de O município não tem ocupação o domínio. prefeitura municipal de contagem Aprovar o parcelamen Propriedade do PEROBAS II 44.483 1983 Loteamento não município. Posse aprovado definitiva. 188 Propriedade do PEROBAS I 138.000 1983 Termo de doação município. Matrícula Loteamento não n° 28.302. Posse aprovado 664 ELDORADO JOÃO 97.420 Termo de doação Encerrada n° 1205/74 Loteamento não e 122/74. Posse aprovado 270 Em processo de PROGRESSO 36.298 INDUSTRIAL OITIS NOVA CONTAGEM Início década desapropriação. Dec. de 90 n° 3473 /90. Posse 236.574 1997 Desapropriação. Loteamento Dec. n° 10232. Posse aprovado. Matrícula definitiva. n° 2.899. Permuta do estado ao 1.549.457 IPÊ AMARELO 114.963 1984 1992 200 aprovado. provisória. município. Matrícula n° 55658. Área de propriedade do estado Área de propriedade Loteamento aprovado Loteamento não aprovado RETIRO 1976 412 aprovado VARGEM DAS FLORES to e realizar intervenções urbanísticas. Registro em CRI Termo de doação Parte regularizada Contrato de e parte irregular. PMCconstruiu 72 UHem área verde do loteamento. 3403 lotes 3282 aprovados em Regularizado 2010 400 Termo de doação O município não tem o domínio. É necessária a 1080 Contrato de compra e venda para aprovação do parcelamento e intervenções urbanísticas. Termo de doação município Decretos 1997 urbanísticas. Aprovar o parcelamen o domínio da parte. Termo de doação Loteamento não Dec. n°17261/75. Mat. n° 1983. Área 453.515 intervenções compra e venda compra e venda 785.462,04 m². Propriedade do RIBEIRO to e realizar O município não tem a ser incorporada DARCY urbanísticas. Aprovar o parcelamen retificação da área 618.537,60m² . 1.404.000 intervenções e contrato de do município BAIRRO DO to e realizar Termo de doação Reparcelada parte do loteamento Contrato de compra e venda definitiva. PARQUE RESSACA 1976 Contrato de compra e venda definitiva. Desapropriação. PARQUE SÃO Termo de doação n° 9725 /9727 . Loteamento não aprovado Posse definitiva n° 07998028586-4. 1280 Contrato de compra e venda É necessária a aprovação do parcela mento e intervenções urbanísticas. Fonte: SAHAB O quadro acima dada a situação de propriedade das áreas desapropriadas pela Prefeitura aponta os loteamentos públicos em condições legais para o processo de regularização fundiária, quanto ao domínio da terra, como por exemplo o Bairro Darcy Ribeiro, embora, neste a expansão desordenada e irregular implique em executar intervenções nas áreas em processo de favelização. 6.C.3. AIS 2 e principais instrumentos urbanísticos O Plano Municipal de Habitação ao ser elaborado incorpora o planejamento e as ações já em execução pela Prefeitura e, diante, da não demarcação de áreas para uso na produção de habitação de interesse social, definiu-se por realizar levantamento e definir áreas para serem demarcadas como AIS 2, em consonância com o Estatuto da Cidade e o Plano Diretor de Contagem. Assim, partindo do acúmulo já existente na SAHAB, do pequeno Banco de Terras existente com ficha de vistoria técnica definida, bem como, do Cadastro Técnico Imobiliário, promovido pela Secretaria Municipal de Fazenda serão apresentadas áreas para serem demarcadas, observados os passos metodológicos estabelecidos. A necessária indicação de áreas a serem demarcadas como AIS2 deve expressar o entendimento sobre a diversidade 72 Plano de Habitação de Contagem Volume I de uso do espaço urbano, que trazendo para a realidade de Contagem pode ser traduzida na importância de permanência dos assentamentos precários no entorno das indústrias onde, de forma inegável, já fazem parte da vida da cidade. O custo social da expansão descontrolada e desordenada dos territórios é repassado para toda população principalmente quando esta é levada a ocupar áreas de proteção ambiental. Os ganhos desta ordenação são para a cidade. Se existe a necessidade de integração destes tecidos ditos informais à cidade, através de intervenções nestes espaços de forma a proporcionar uma condição digna de moradia e cumprimento da função social da propriedade, consequentemente existirá a necessidade de novos espaços para moradias. A delimitação de AIS 2 é mais um instrumento para garantia dos direitos sociais e econômicos no meio urbano, que depende dos poderes públicos para fazer frente à moradia adequada como preconiza a política municipal e nacional de habitação. A atribuição central do Plano de Habitação é o diálogo entre o conjunto de ações propostas para a continua efetivação da Política Municipal de Habitação e, sua interação com outras políticas públicas. O trabalho de delimitação de AIS 2, para que no tempo não se torne inócuo, deve conviver paralela e integradamente, com a aplicação de outros instrumentos urbanos e ações públicas como a prevenção, o controle e a fiscalização dos processos de ocupação na cidade, pois fica constatado a inexistência ou insuficiência de ações com este fim. A seguir são destacados os principais instrumentos urbanísticos previstos em lei para avaliar o seu cumprimento e sua eficácia junto à Política Municipal de Habitação. Instrumentos Urbanísticos A implantação dos instrumentos urbanísticos do Estatuto da Cidade e do Plano Diretor de Contagem com arrecadação destinada ao Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (FUMHIS) conforme é previsto, faz parte da Reforma Urbana necessária ao alcance de uma Contagem sustentável e justa socialmente. A lei federal 10.257 de 2001, Estatuto da Cidade, é um importante avanço jurídico para os gestores das cidades terem capacidade de implantarem políticas públicas que garantam o direito ao saneamento ambiental, a mobilidade com transporte coletivo de qualidade, a infraestrutura urbana, a moradia adequada, aos serviços públicos em geral, ao trabalho, a cultura e ao lazer através de mecanismos participativos com a sociedade civil. Fazendo com que a propriedade tenha sua função social, a população possa exercer a cidadania e que tenha qualidade de vida em cidades sustentáveis. O Estatuto da Cidade em seu artigo 4 do capítulo II, dos instrumentos da política urbana, lista uma série de instrumentos de planejamento, institutos tributários, financeiros e institutos jurídicos e políticos. Em Contagem, vários instrumentos já foram regulamentados e fazem parte das ações dos gestores públicos como o Plano Diretor, a Outorga Onerosa do Direito de Construir, o incentivo fiscal, a desapropriação e outros. Dos 34 instrumentos em geral alguns merecem destaque visando o fortalecimento da política habitacional, considerando o contexto e avanços da cidade de Contagem, como: a) Instituição das zonas especiais de interesse social – no caso de Contagem, já estão instituídas no Plano Diretor, Lei Complementar nº 33/2006, como Áreas de Interesse Social, AIS1 e AIS2; b)A demarcação urbanística para fins de regularização fundiária e legitimação de posse. Também Incluído na Lei nº 11.977, de 2009. Em Contagem, a regularização fundiária é praticada para as AIS1. c) IPTU progressivo no tempo, é questão fundamental para as áreas demarcadas como AIS 2 – No artigo 7 do Estatuto da Cidade diz: Art. 7o Em caso de descumprimento das condições e dos prazos previstos na forma do caput do art. 5o desta Lei, ou não sendo cumpridas as etapas previstas no § 5o do art. 5o desta Lei, o Município procederá à aplicação do imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana (IPTU) progressivo no tempo, mediante a majoração da alíquota pelo prazo de cinco anos consecutivos. 73 prefeitura municipal de contagem § 1o O valor da alíquota a ser aplicado a cada ano será fixado na lei específica a que se refere o caput do art. 5odesta Lei e não excederá a duas vezes o valor referente ao ano anterior, respeitada a alíquota máxima de quinze por cento. § 2o Caso a obrigação de parcelar, edificar ou utilizar não esteja atendida em cinco anos, o Município manterá a cobrança pela alíquota máxima, até que se cumpra a referida obrigação, garantida a prerrogativa prevista no art. 8o. § 3o É vedada a concessão de isenções ou de anistia relativas à tributação progressiva de que trata este artigo. O Plano Diretor de Contagem, no seu artigo 44 e 45 do capítulo V, do parcelamento e edificação compulsórios, do IPTU progressivo no tempo e da desapropriação com pagamento em títulos da dívida pública diz: Art. 44 O solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado das áreas classificadas como AIS-2 e/ ou ZUI fica declarado passível de parcelamento, edificação ou utilização compulsórios, Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU progressivo no tempo e desapropriação com pagamento em títulos da dívida pública, nos termos dos arts. 5º a 8º do Estatuto da Cidade, Lei Federal nº 10.257, de 10 de julho de 2001. Parágrafo único - A aplicação dos instrumentos a que se refere este artigo será regulamentada por Lei municipal, que, além dos procedimentos a serem adotados, definirá o aproveitamento mínimo do solo para conceituação de imóvel subutilizado. Art. 45 O Poder Público municipal poderá constituir consórcio imobiliário com o proprietário de imóvel atingido pelas obrigações de que trata o art. 44 desta Lei Complementar, nos termos do art. 46 do Estatuto da Cidade. O caso do IPTU, mesmo para terrenos vazios, é difícil pois em Contagem o IPTU residencial não é cobrado, levando a uma permanente confusão quando se fala em IPTU para lote vago, neste ano a taxação de áreas maiores e vazias foi diferenciada. A Outorga Onerosa do Direito de Construir – nos artigos 28 até o 31 do Estatuto das Cidades diz: Art. 28. O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o direito de construir poderá ser exercido acima do coeficiente de aproveitamento básico adotado, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário. § 1o Para os efeitos desta Lei, coeficiente de aproveitamento é a relação entre a área edificável e a área do terreno. § 2oO plano diretor poderá fixar coeficiente de aproveitamento básico único para toda a zona urbana ou diferenciado para áreas específicas dentro da zona urbana. § 3oO plano diretor definirá os limites máximos a serem atingidos pelos coeficientes de aproveitamento, considerando a proporcionalidade entre a infraestrutura existente e o aumento de densidade esperado em cada área. Art. 29. O plano diretor poderá fixar áreas nas quais poderá ser permitida alteração de uso do solo, mediante contrapartida a ser prestada pelo beneficiário. Art. 30. Lei municipal específica estabelecerá as condições a serem observadas para a outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso, determinando: I – a fórmula de cálculo para a cobrança; II – os casos passíveis de isenção do pagamento da outorga; III – a contrapartida do beneficiário. Art. 31. Os recursos auferidos com a adoção da outorga onerosa do direito de construir e de alteração de uso serão aplicados com as finalidades previstas nos incisos I a IX do art. 26 desta Lei. No Plano Diretor de Contagem, no seus artigos 35 a 39 do capítulo III é tratado este instrumento da outorga onerosa do direito de construir com restrições a partir do zoneamento , o artigo 35 cuida de estabelecer os conceitos e nos demais o coeficiente diferenciado conforme a zona urbana. Os artigos 37 a 39, dizem: Art. 37 Na ZAD e na ZUI, o Poder Executivo Municipal poderá conceder autorização para construção de 74 Plano de Habitação de Contagem Volume I área superior àquela resultante da aplicação do Coeficiente de Aproveitamento Básico, mediante as seguintes condições: I - a concessão será onerosa; II - os valores do CA Máximo, sem prejuízo dos afastamentos obrigatórios da edificação, serão de: a) 2,0 (dois) para terrenos situados na ZAD-1, na ZUI-1 e na ZUI-2A; b) 3,0 (três) para terrenos situados na ZAD-2; c) 4,0 (quatro) para terrenos situados na ZAD-3, na ZUI-2B e na AIURB-2. Parágrafo único_ NaAIURB-2, sobreposta à ZUI-2A, é vedada a instalação de usos incômodos em edificações que, utilizando os critérios e parâmetros especiais da AIURB-2, ultrapassem o CA Máximo da ZUI-2A. Art. 38 A contrapartida correspondente à outorga onerosa do direito de construir é definida pela Lei de Uso e Ocupação do Solo. Parágrafo único_ Os recursos obtidos pela contrapartida referida no caput deste artigo destinam-se ao Fundo de Habitação Popular de que trata o art. 193 da Lei Orgânica do Município de Contagem. Art. 39 Os projetos de empreendimentos habitacionais de interesse social executados em AIS-2 e implementados em conformidade com a política habitacional do Município, ficam isentos da contrapartida correspondente à outorga onerosa do direito de construir. Assim, temos que a outorga onerosa é um instrumento em pleno exercício no município de Contagem, que gera recursos financeiros a serem aplicados no Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social. Portanto, alguns instrumentos urbanísticos são ferramentas fundamentais para a Política Fundiária e Habitacional de Contagem. Para a sua efetivação, alguns instrumentos precisam apenas de um entendimento administrativo na Prefeitura; outros, como a demarcação de AIS2 e IPTU progressivo municipal, são mais complexos pois envolvem diversos interesses econômicos e políticos. O diagnóstico completo das áreas propostas para serem demarcadas como AIS2, constituem o terceiro volume deste Plano, com imagem satélite da área selecionada e respectiva ficha de vistoria que, por questão táctica, é de circulação interna e restrita. 6.D. EMPREENDIMENTOS HABITACIONAIS OBJETO DE PESQUISA A Prefeitura de Contagem na implementação de sua política habitacional construiu, está construindo e é parceira na construção de alguns conjuntos habitacionais, no contexto do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). A fim de se verificar o perfil e a satisfação dos moradores destes conjuntos, que já foram reassentados, predominantemente, a partir de remoções de áreas de risco, fez-se uma pesquisa quantitativa com uma amostra do universo de três conjuntos habitacionais: Residencial Parque Arrudas, Morada Nova e Vista Alegre. 6.D.1. Descrição dos empreendimentos habitacionais Residencial Parque Arrudas O Projeto de Requalificação Urbana e Ambiental do Ribeirão Arrudas, localizado na divisa do Município de Contagem com Belo Horizonte, na região Industrial, nas áreas das Vilas São Paulo e Dom Bosco, é o maior investimento do Governo Federal em Minas Gerais, por meio do Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, envolvendo recursos financeiros na ordem de duzentos e cinquenta milhões de reais e sua execução foi atribuída ao Governo do Estado de Minas Gerais. A intervenção abrange uma área de 180.000m², no trecho entre a Av. Olinto Meireles (viaduto do Barreiro) e a Av. Castelo Branco na vila São Paulo. A Vila São Paulo ocupa uma área de 95.597,97 m² e a maioria das edificações são regularizadas, de uso residencial e 75 prefeitura municipal de contagem comercial. As remoções processadas na área objeto de intervenção foram essencialmente àquelas localizadas na área de preservação permanente do Ribeirão Arrudas. A Vila Dom Bosco, em processo de remoção total, ocupa uma área de 85.904m², à margem esquerda do Ribeirão Arrudas, estende-se do trecho do viaduto do Barreiro até as proximidades da Av. Costa e Silva. O empreendimento consiste na manutenção da calha do Ribeirão Arrudas em seu leito natural, reestruturação do sistema viário e saneamento do córrego com implantação de sistemas de esgotamento sanitário e de drenagem pluvial, implantação de parque linear com áreas de lazer, implantação de equipamentos públicos como Unidade Básica de Saúde – UBS – e Centro Municipal de Educação Infantil - CEMEI, espaço comunitário e para a guarda municipal. O empreendimento PAC Arrudas deve remover aproximadamente 1.100 famílias, entre aquelas que optaram pela indenização ou pelo reassentamento monitorado adquirindo outro imóvel usado e, as de reassentamento por produção de nova unidade habitacional vertical. O reassentamento das famílias que optaram por permanecer na mesma área ou região está ocorrendo por produção de nova unidade habitacional vertical em 38 blocos de 16 apartamentos cada um, com dois ou três quartos, em 8 localidades diferentes, totalizando 608 apartamentos, sendo a maior delas na própria Vila Dom Bosco, conhecida como área da antiga Liquigás, com 23 prédios residenciais, 368 unidades habitacionais e um centro comercial. Este é, então, o conjunto onde foram aplicados o maior número de questionários da pesquisa. Residencial Morada Nova O conjunto habitacional Residencial Morada Nova, assim denominado por escolha dos moradores, está situado entre as Ruas Pará de Minas e Bernardo Monteiro, em área a ser parcelada que está registrada como parte da Bitácula, na região Sede, na divisa com a região Eldorado. O Morada Nova é resultado do processo de urbanização integrada da Vila Beatriz que se encontra em execução. O conjunto Morada Nova, abriga 64 famílias, está situado próximo do local de origem das famílias, fator que contribuiu para que as mesmas acompanhassem a execução da obra, aliado ao fato, certamente positivo, de que as mesmas somente foram removidas do local de origem após a conclusão da obra dos apartamentos. O Plano de Intervenção Integrada - PIIN Vila Beatriz, ao ser concluído aponta um setor de risco geológico muito alto, com indicativo de remoção total das famílias daquele setor. Assim a elaboração do projeto executivo do PIIN Vila Beatriz se realiza considerando que as famílias daquele setor seriam reassentadas na Bitácula, com recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social – FNHIS, orçamento 2006, e as demais famílias a serem removidas, no restante da Vila, seriam reassentadas na própria Vila Beatriz. O governo federal estipulou, no ano de 2006, o valor de Cr$ 17.000,00 por família a ser reassentada a partir de intervenções em assentamentos precários, urbanização de favelas, entre outros. O valor por família, subestimado pelo governo federal, o conhecido descompasso das administrações municipais com licitação de projetos e obras e, a captação e efetivação dos recursos financeiros, levou o município ao aporte de mais de 60% do valor das unidades habitacionais. O projeto arquitetônico do Residencial Morada Nova possui 4 blocos de apartamentos, sendo três com apartamentos de dois quartos e um com apartamentos de três quartos, no qual observou-se logo após a ocupação a existência de mais de 60 crianças. Tal observação é importante fazer para registrar que os blocos de apartamentos devem sempre ser concebidos alternando o número de quartos por unidade no mesmo bloco, assim permite intercalar famílias mais numerosas com famílias menores. Residencial Vista Alegre O empreendimento está localizado na rua Vista Alegre, no Bairro Vista Alegre, na divisa com o Bairro Parque Maracanã na região Sede do Município, é pioneiro em Minas Gerais como empreendimento vertical do Programa Minha Casa Minha Vida para a população com renda familiar até três salários mínimos, em valor da época Cr$ 1.395,00. O Conjunto possui 280 unidades habitacionais de dois quartos e por estar localizado na Bacia de Vargem das Flores possui uma taxa de permeabilidade mais elevada, o que proporciona um ambiente mais aberto, menos adensado, 76 Plano de Habitação de Contagem Volume I e a principio uma área verde livre, que os moradores reivindicam como de lazer, de forma que não interfira nos apartamentos vizinhos. A seleção de seus moradores foi feita a partir dos critérios nacionais do programa e com os critérios complementares definidos pelo Município, por meio da Lei nº 065, de 07 de julho de 2009, e dentro de cada modalidade de atendimento estabelecida na referida lei municipal por sorteio realizado internamente na SAHAB, a partir das mais de 40.000 famílias cadastradas, em 2009, para o programa Minha Casa Minha Vida. Embora haja uma grande diversidade na origem de seus moradores, a metade procede de áreas de risco geológico, principalmente famílias da Vila Funcionários e do Jardim Marrocos, ambas na mesma região do conjunto e, por volta de 18 famílias de área de preservação permanente das obras de saneamento ambiental da Av. Nacional, na região Nacional, que reivindicam serem indenizadas pelo imóvel de origem, uma vez que financiaram o imóvel atual. Este fato foi apresentado à todos os agentes parceiros envolvidos e, para o caso nada foi apontado, mas no PMCMV2 o problema posto foi equacionado. Ao finalizar, é imprescindível mencionar que o formulário aplicado para a pesquisa de satisfação, deliberadamente deixou de tratar de aspectos relacionados a propriedade dos novos apartamentos, mas chama a atenção o fato de que nos comentários o assunto não haja sido citado pelos moradores. No PAC Arrudas e no Morada Nova a Prefeitura de Contagem está definindo como solucionar os parcelamentos das áreas, quantidade e tamanho dos lotes para posterior registro e titulação de propriedade aos moradores, com isto, também, será viabilizada a convenção de condomínio. 6.D.2. Perfil socioeconômico e pesquisa de satisfação dos moradores reassentados Os três conjuntos habitacionais situam-se em locais distintos e as famílias ali reassentadas são provenientes de diferentes locais de Contagem. Em relação as características demográficas, a partir dos resultados da pesquisa, verificou-se que o percentual de mulheres residentes nestes três conjuntos é superior ao de homens. Assim, o percentual de mulheres é de 67,8% no Conjunto Vista Alegre, 66,8% no Parque Arrudas e 54% no Morada Nova. Além disso, a composição familiar é muito semelhante à observada na caracterização dos domicílios de Contagem: a maior parte é de famílias nucleares – com uma parte dessas com apenas um responsável -, seguida pelas famílias estendidas, unipessoais e algumas famílias compostas. As famílias estendidas mais comuns são aquelas que contam com a presença de três gerações e aquelas que tem outros membros também com algum grau de parentesco com os moradores da residência (sobrinhos, tios etc.) Além disso, a partir dos dados do cadastro da Prefeitura dos moradores reassentados, tem-se que a renda domiciliar per capita de cada conjunto é de, respectivamente: (i) Morada Nova: R$ 218,04; (ii) Parque Arrudas: R$ 438,02 ; (iii) Vista Alegre: R$ 535,00 (1em valores de dezembro de 2011), o que mostra que são inferiores a um salário mínimo, sendo inferior no Morada Nova e maior no Vista Alegre. 77 prefeitura municipal de contagem Gráfico 6.9: Escolaridade do morador entrevistado (chefe do domicílio ou conjugue) - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Conforme pode ser verificado pela análise do gráfico anterior, a população do conjunto Morada Nova apresenta um nível de escolaridade médio inferior ao dos demais conjuntos, uma vez que 53,1% apresenta até 5 anos de estudo, seguido pelo conjunto Parque Arrudas, no qual 38,1% da população tem até 5 anos de estudo e 62,8% possui no máximo o ensino fundamental completo. Já o Vista Alegre é o conjunto habitacional que possui uma escolaridade mais alta, de tal modo que 32,6% de sua população têm o ensino médio incompleto, contra 14% do Parque Arrudas e 10,2% do Morada Nova. TABELA 6.9: Número médio de pessoas por domicílio em cada conjunto e em seus domicílios anteriores Contagem, 2011 Conjuntos Domicílio anterior Domicílio atual Vista Alegre 4,05 3,00 Parque Arrudas 4,26 3,50 Morada Nova 3,76 3,68 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Conforme a tabela anterior verifica-se que a mudança para o novo domicílio gerou uma redução no adensamento destes, que em média foi maior para os moradores do conjunto Vista Alegre. No conjunto Morada Nova esta redução não foi tão grande, mas, mesmo assim, a diferença foi significativa. Assim, em todos os conjuntos houve um redução no número médio de pessoas residentes por domicílio, o que gera um impacto positivo na qualidade de vida dos moradores. TABELA 6.10: Número médio de pessoas por dormitório em cada conjunto e em seus domicílios anteriores Contagem, 2011 Conjuntos Número médio de pessoas por dormitório Domicílio anterior Domicílio atual Vista Alegre 2,35 1,75 Parque Arrudas 2,21 1,34 Morada Nova 2,07 1,53 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Em relação ao número de pessoas por dormitório, também foi percebida uma redução, do domicílio anterior para o atual. Este também é um dado muito positivo, que indica que os moradores estão tendo uma qualidade de vida 78 Plano de Habitação de Contagem Volume I superior em seus domicílios. Entretanto, neste caso, a redução foi inferior no conjunto Vista Alegre e foi maior no conjunto Parque Arrudas. Isso ocorreu em virtude do tamanho dos domicílios dos conjuntos, já que os domicílios do Vista Alegre são de dois dormitórios e o Parque Arrudas tem domicílios de 2 e de 3 dormitórios. Questionou-se também sobre o sexo e o parentesco de quem dormia com quem. O mais freqüente foram os casais dormindo sozinhos e filhos dormindo juntos – tanto do mesmo sexo, quanto de sexos diferentes. Depois, em termos de freqüência, vieram um dos pais dormindo com filhos e casais dormindo com filhos. Interessante mostrar que o percentual de casais dormindo com filhos foi muito baixo, sendo 7,7% no Vista Alegre, 1,4% no Parque Arrudas e nulo no Morada Nova. Já a freqüência de pai e filho dormindo juntos foi maior: 10,5% no Vista Alegre, 4,1% no Parque Arrudas e 4% no Morada Nova. O fato dos apartamentos do residencial Vista Alegre serem menores que dos dois outros também resultou na maior proporção de pais dividindo seus quartos com seus filhos e de pessoas de sexo diferente dormindo juntas. Gráfico 6.10: Percentual de famílias segundo satisfação como o domicilio atual, em relação ao anterior Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Um outro questionamento feito pela pesquisa foi o percentual de moradores reassentados que gostavam das residências atuais mais que as anteriores. O percentual de entrevistados que estão satisfeitos com os domicílios atuais foi alta em todos os conjuntos, sendo maior no Parque Arrudas, o que pode ser confirmado por alguns comentários de elogio e satisfação dos moradores sobre as novas residências: “Agora água e luz é só minha, não fazem mais gatos no meu padrão. [...] não tenho mais preocupação com enchentes.” (morador 1 do Parque Arrudas) “[Há pontos positivos:] Área de serviço, garagem. [...] Convivência boa. Na vila era muita droga, mudou muito sair de um lugar daquele e vir para cá.” (morador 2 do Parque Arrudas) Entretanto, houve durante as entrevistas, várias reclamações sobre a falta de policiamento/segurança no conjunto, precariedade da iluminação, ausência de escola no turno noturno, falta de área de lazer próximo ao conjunto e problemas no piso dos apartamentos. Houve também reclamações pontuais sobre o pequeno tamanho dos banheiros, que dificulta dar banho em idosos e sobre a aparente falta de critério para saber quem iria para apartamento de 2 ou de 3 quartos. O Parque Arrudas trata-se de um conjunto novo, para o qual os moradores mudaram no final de 2011 e que ainda tem suas obras em andamento, dentre as quais consta a construção de uma área de lazer para os moradores, no entanto, é importante observar os comentários trazidos pela pesquisa no intuito de reduzir ou sanar os problemas identificados pelos moradores. Já no conjunto Vista Alegre, as maiores reclamações foram referentes à segurança e organização dos apartamentos. Alguns moradores afirmam que os apartamentos são melhores que as casas que moravam antes, mas reclamam muito da desorganização, violência e insegurança dos novos apartamentos. 79 prefeitura municipal de contagem Por fim, no Morada Nova, alguns moradores comentaram que: “ A vila tinha problemas de desabamento e enchente.” (Morador 1 Morada Nova) “Até a saúde do filho melhorou.”(Morador 2 do Morada Nova) “Vila Beatriz era lixo puro. É melhor que a casa, mas morar em apartamento não é bom.” (morador 3 do Morada Nova) No entanto, também houve vários comentários dos moradores do Morada Nova sobre a presença de rachaduras nos prédios (problemas construtivos do conjunto), tem-se como exemplo a fala de um morador de lá: “Falta muitos retoques nos aposentos. Ficaram de trocar a pia e não trocaram. Além disso, há a caixa da descarga vazando e dizem que ainda não podem mexer.” (Morador 4 do Morada Nova) “Dois anos morando no local. O prédio está rachando. Gostaria de volta para lá (casa antiga)” (Morador 5 do Morada Nova) “Apto com rachaduras, prometeram arrumar e asfaltar o pátio.” (Morador 6 do Morada Nova) Também, neste conjunto, houve algumas reclamações sobre a água não vir dividida para cada apartamento (padrão é comum nos edifícios). Este fato se deve ao projeto haver sido concebido anterior à mudança de exigências e procedimentos da concessionária COPASA. Assim, há algumas adequações a serem feitas, a partir da percepção dos moradores, mas há uma satisfação geral dos reassentados sobre a nova moradia, em detrimento da anterior. Gráfico 6.11: Distribuição percentual dos domicílios anteriores, segundo material utilizado nas paredes externas destes - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Em relação ao domicílio anterior, verifica-se que eles eram feitos de um material durável e adequado (alvenaria). Comparativamente, as antigas casas dos moradores que são residentes do Parque Arrudas eram, em uma proporção maior, mais bem acabadas que o dos demais, seguido pelos domicílios anteriores dos residentes do Vista Alegre. No caso dos moradores do Morada Nova, os domicílios que estes moravam mais comumente só tinham o reboco interno, ou seja, eram, em termos de paredes, mais inadequados para a moradia. 80 Plano de Habitação de Contagem Volume I Gráfico 6.12: Distribuição percentual dos domicílios anteriores segundo a proveniência da água utilizada Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. A água utilizada pelos moradores em seus domicílios anteriores aos conjuntos habitacionais era predominantemente oriunda da COPASA, companhia distribuidora de água do Estado de Minas Gerais, para a qual os moradores pagavam o benefício do serviço. Cabe ressaltar o alto percentual de moradores do conjunto Morada Nova que afirmaram que, apesar de utilizar os serviços da COPASA, não os pagava. Ainda em relação à água, houve algumas reclamações no conjunto Morada Nova sobre o padrão de água ser conjunto em um mesmo bloco: “Valor pago pela água vem misturado [não há um padrão para cada domicílio] e luz é dividida.” (Morador 7 do Morada Nova). Deste modo, faz-se importante, na construção de novos conjuntos, manter a independência dos moradores no que se refere ao pagamento de água e de luz, ainda mais, visto que, são fatores que podem ter um grande peso na renda dos moradores. Gráfico 6.13: Distribuição percentual dos domicílios anteriores, segundo a origem da energia elétrica utilizada - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. 81 prefeitura municipal de contagem Do mesmo modo que a água, a energia elétrica que os moradores utilizavam nos domicílios onde residiam anteriormente aos conjuntos era, predominantemente, oriunda da CEMIG, companhia de energia responsável pela distribuição desta no Estado de Minas Gerais, de tal modo que estes foram de aproximadamente 78% nos conjuntos Vista Alegre e Parque Arrudas. Houve comentários positivos sobre a formalização dos registros da CEMIG – como a do morador 1 do Parque Arrudas – já que nas Vilas muitos “gatos” eram feitos nas residências que tinham padrão. Já no Morada Nova a maior parte dos respondentes (56%) afirmou que também utilizavam os serviços da CEMIG, mas não pagavam por eles. Alguns dos moradores reclamam de estar gastando mais com água e com a luz: “[...] [estou] gastando mais com água e luz.” (Morador 4 do Parque Arrudas) Gráfico 6.14: Distribuição percentual dos domicílios anteriores segundo a forma de coleta de lixo Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Foi questionada também a forma de coleta de lixo que era realizada neste. Pode se afirmar que, tanto no Parque Arrudas quanto no Vista Alegre, a maior parte dos domicílios tinha o lixo coletado diretamente pela prefeitura. Já com as famílias do Morada Nova a coleta era realizada, em uma maior proporção, de forma indireta, ou seja, os moradores tinham que levar o lixo até um local para a prefeitura recolhê-lo. Vê-se, pelo comentário dos moradores, a satisfação de não estar morando mais lá, quando se trata da sujeira das vilas, já que o lixo era identificado como um problema nestas: “Beatriz era lixo puro.” (morador 3 do Morada Nova) “[...] houveram muitas melhorias. [Os apartamentos são] mais limpos e mais higiênicos.” (morador 7 do Morada Nova) 82 Plano de Habitação de Contagem Volume I Gráfico 6.15: Distribuição percentual dos domicílios anteriores, segundo o tipo de escoamento sanitário utilizado - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Outro questionamento feito foi referente à forma de coleta do esgotamento sanitário dos domicílios anteriores à residência atual. No caso do Morada Nova, a maior parte dos moradores afirmou que este ia diretamente para o rio, seguido para a vala e para a rede coletora, o que mostra a precariedade que a maior parte das residências (74%) apresentava em relação ao esgotamento sanitário. Do mesmo modo no residencial Parque Arrudas, que possui um córrego próximo (que também era ao lado das casas removidas), os seus moradores, em geral (80,6%), descartavam seus resíduos líquidos direto no rio. Já os moradores do Vista Alegre, em sua maioria, jogava diretamente na rede pública coletora de esgoto. Gráfico 6.16: Percentual de moradores segundo percepção de melhoria no acesso aos serviços de distribuição de água no domicilio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. 83 prefeitura municipal de contagem De acordo com os moradores, o acesso aos serviços de água na moradia atual é melhor que na anterior, sobretudo no Morada Nova, cujos moradores são oriundos da Vila Beatriz, apesar de alguns destes reclamarem de o padrão da COPASA ser conjunto no condomínio. Assim, apesar de terem que pagar pelos serviços da COPASA no novo domicílio, o que a maioria não fazia no anterior, eles consideram o serviço melhor. Já no conjunto Vista Alegre, apesar da maioria também ter percepção de melhoria no serviço, a proporção de moradores que não percebeu nenhuma mudança também foi alta (40,4%). Gráfico 6.17: Percentual de moradores segundo percepção do acesso aos serviços de energia elétrica no domicilio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Do mesmo modo que o acesso aos serviços de água, segundo os entrevistados o acesso aos serviços de energia elétrica apresentaram uma melhora no novo domicilio, em relação ao anterior. Ainda, a percepção de melhoria foi mais marcante dentre os moradores do Morada Nova - que em geral, no domicílio anterior utilizavam energia elétrica de maneira indevida (gato) - e menos representativa no Vista Alegre, que parece que não tiveram muita diferença nos serviços que são prestados no domicílio atual, em relação ao anterior. Gráfico 6.18: Percentual de moradores segundo percepção de melhoria no acesso a coleta de lixo no domicílio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Em relação à coleta de lixo, os moradores do Morada Nova majoritariamente perceberam melhorias neste serviço. Deve-se salientar que no domicilio anterior, os moradores deste conjunto em geral tinham que levar os seus resíduos 84 Plano de Habitação de Contagem Volume I para algum local para ser coletado neste. Assim, como na nova moradia os resíduos sólidos são coletados diretamente no conjunto isto deve ter facilitado para esta percepção positiva. O mesmo ocorre no conjunto Parque Arrudas. Já no Vista Alegre, o percentual de moradores que não perceberam nenhuma mudança neste serviço superou o percentual dos que perceberam mudanças. Isso deve ter ocorrido porque a coleta de lixo já era feita diretamente, no domicílio anterior. Gráfico 6.19: Percentual de moradores segundo percepção do acesso ao escoamento sanitário, no domicílio atual em relação ao anterior - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. A percepção da melhoria no escoamento sanitário do domicílio atual, em relação ao anterior, foi muito significativa, sobretudo no Morada Nova, com 94% dos moradores com percepção positiva, seguido pelos moradores do Parque Arrudas, os quais a grande maioria afirmou descartar o esgoto, no domicílio anterior, diretamente no rio. Novamente, dentre os conjuntos entrevistados, os moradores do Vista Alegre foram os que menos reportaram a melhoria neste serviço. Gráfico 6.20: Percentual de moradores, segundo percepção de acesso aos serviços de saúde no domicílio atual, em relação ao anterior Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Diferentemente dos serviços anteriores, a percepção dos moradores é que não houve mudanças em relação ao acesso a serviços de saúde na nova moradia, quando comparada à moradia anterior. Isso pode ser explicado, no caso do Parque Arrudas e do Morada Nova pelo fato de que a moradia atual fica em local muito próximo a moradia anterior e os serviços disponíveis então são os mesmos. Já no Vista Alegre, no qual os moradores poderiam ter uma percepção 85 prefeitura municipal de contagem diferenciada, por terem vindo de diferentes locais do município também houve este indicativo de que o acesso aos serviços de saúde não se modificou. Gráfico 6.21: Percentual de moradores segundo percepção do acesso a serviços de educação no domicílio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Gráfico 6.22: Percentual de moradores segundo a percepção do acesso à creches no domicílio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. A percepção dos moradores, em relação aos serviços de educação e educação infantil (creches) é de que não houve mudanças do domicilio anterior, em relação ao atual, sobretudo no Parque Arrudas e Morada Nova, especificamente por estarem residindo em um local muito próximo do que residiam anteriormente e terem o mesmo acesso aos serviços que tinham no domicílio anterior. Além disso, no conjunto Parque Arrudas foram identificadas algumas reclamações sobre problemas com creche e sobre a falta de escola (ou vagas) no ensino noturno: “ Creche é difícil, transporte [fica] mais longe”. (Morador 5 do Parque Arrudas) “[...] deveria ter escola no turno noturno.” (Morador 6 do Parque Arrudas) 86 Plano de Habitação de Contagem Volume I Gráfico 6.23: Percentual de moradores segundo acesso às praças e aos locais de esporte e lazer públicos, no domicílio atual em relação ao anterior - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Em relação ao acesso a locais de lazer e esporte, tem-se que no Vista Alegre e no Morada Nova a percepção da maior parte dos moradores foi de melhoria, mas estes percentuais foram pouco maiores que os segundo mais apontado (de piora, no caso do Vista Alegre e de que continuou igual, no Morada Nova). Já os moradores do Parque Arrudas, em sua grande maioria, não identificaram melhorias no acesso à área de lazer e prática de esportes. Cabe ressaltar, no caso do Parque Arrudas, que este é um conjunto que ainda está em construção e para o qual está previsto a construção de um parque para prática de lazer dos moradores, o que poderá modificar este resultado. Gráfico 6.24: Percentual de moradores segundo percepção do acesso aos serviços de transporte público no domicílio atual, em relação ao anterior - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. A percepção os moradores tem, com exceção dos do Parque Arrudas, uma percepção positiva acerca do acesso, no novo domicílio, ao transporte público, sobretudo no Morada Nova. Já os moradores do Parque Arrudas dividem-se entre aqueles que não perceberam mudanças no acesso (49%) e aqueles que perceberam melhorias (44,2%). 87 prefeitura municipal de contagem Gráfico 6.25: Percentual de moradores segundo percepção da situação da segurança no domicílio atual em relação ao anterior - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Para a maioria dos moradores do Parque Arrudas e do Morada Nova houve uma melhoria da segurança destes na nova residência, em relação à anterior. Esta melhoria foi mais sentida entre os moradores do Morada Nova. Já em relação à segurança dos domicílios do Vista Alegre foi muito grande o percentual de moradores (64%) que reportou que houve uma piora em relação à segurança no novo domicílio. Esta percepção de insegurança, que também foi apontada pelos entrevistadores depois da pesquisa de campo, pode ser devida à forma de escolha dos moradores que iriam residir neste conjunto, pois misturou pessoas com histórias, hábitos, etc. e de locais diferentes. Gráfico 6.26: Percentual de moradores que afirmaram a existência de insetos ou animais transmissores de doenças no domicilio anterior e no atual - Contagem, 2011. Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Percebe-se que, pela análise do gráfico anterior, aproximadamente 50% dos moradores do Vista Alegre consideram que lá, como em seus domicílios anteriores, tem animais nocivos à saúde. Já nos outros conjuntos, a percepção dos moradores é que no domicilio anterior existiam animais nocivos, mas não nos atuais. Os animais mais apontados pelos moradores foram as baratas, seguidas pelos ratos. 88 Plano de Habitação de Contagem Volume I Gráfico 6.27: Percentual de moradores, segundo satisfação em residir em apartamento - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Uma vez que a residência anterior dos moradores era do tipo casa e hoje eles residem em apartamentos, foi questionado também, na pesquisa, qual era a satisfação deles em relação a residirem em casas. Em geral, os moradores dos conjuntos estão pelo menos satisfeitos, de tal forma que esta é maior no Parque Arrudas (66,4%), seguido pelos moradores do Vista Alegre (58,8%) e pelos do Morada Nova (56%). Gráfico 6.28: Percentual de moradores que consideram o condomínio organizado - Contagem, 2011 Fonte: Elaboração própria, com base em dados de pesquisa primária. Os entrevistados do Parque Arrudas, apesar de residirem em seus novos domicílios a pouco tempo consideram, em sua maioria, o condomínio organizado (75,5%). Já os moradores do Vista Alegre e do Morada Nova não consideram estes organizados, uma vez que, respectivamente, 10,6% e 38% concordaram que existe uma organização. Assim, foram diversas as reclamações dos moradores sobre desorganização, e de uma atuação mais direta da síndica, 89 prefeitura municipal de contagem inclusive sobre assuntos que talvez necessitem de ação policial: “A síndica deveria impedir das pessoas usarem droga no condomínio.” (Morador 6 do Parque Arrudas) “Apartamento está ruim, síndico não está nem aí.” (Morador 1 do Vista Alegre) “Aqui vê tudo. Há muita violência (na vila ninguém matava ninguém), mas não molha dentro de casa: o que é única coisa boa daqui [não tem problema de inundação ou enchente]. O povo aqui não dorme. Os vizinhos não se respeitam: ninguém respeita ninguém. Peço a Deus todo dia para que tire o “lixo” (pessoas más) daqui” (Morador 2 do Vista Alegre) “Deveria mudar a administração.” (Morador 3 do Vista Alegre) “Ensinam as crianças a serem violentas. A criminalidade é muito grande. Passa bicho pela grade (tem que cercar o conjunto). O residencial aqui está um caos. Tem que ter porteiro. Todo mundo chega, faz o que quer e vai embora, ninguém sabe de nada” (Morador 4 do Vista Alegre) “É ruim porque mora todo mundo junto, é bagunçado. Gostaria de ter ficado em casa.» (Morador 8 do Morada Nova) “O apartamento é ótimo. [Entretanto, há] som alto durante o dia e a noite, gente tendo relações sexuais na escada e qualquer pessoa entra no prédio.” (Morador 9 do Morada Nova) 6.D.3. Síntese dos dados da pesquisa nos conjuntos habitacionais A partir dos resultados da pesquisa verificou-se que, apesar de alguns depoimentos contrários, na média, a população está mais satisfeita na nova residência que na anterior. Mesmo tendo que pagar pelos serviços de infraestrutura no novo domicílio, houve a percepção, por parte dos moradores, de melhoria nos serviços de energia elétrica, escoamento de água, coleta de lixo, em relação à moradia anterior. Já em relação aos serviços públicos, foi detectada a melhoria apenas com relação aos serviços de transporte - o que também se deve ao fato de que em dois dos três conjuntos a localização da moradia é muito próxima à residência de origem, à época também localizada junto aos mesmos corredores de ônibus. Alguns problemas também foram apontados pelos moradores, como os próprios de convivência em edifícios: problema da limpeza dos espaços públicos, mau uso destes espaços, roubos de lâmpadas destes espaços, reclamações quanto ao padrão de água ser coletivo (Morada Nova), entre outros. Estes problemas apontam para a necessidade de se ampliar e intensificar o trabalho social das equipes da Prefeitura e daquelas contratadas para junto aos moradores organizar a ocupação do novo espaço para que a convivência entre os mesmos seja benéfica e favoreça a organização do condomínio. Houve também o relato de moradores que foram removidos de áreas de risco - caso de dois dos três conjuntos - que gostariam de continuar residindo em suas casas. Este fato é muito comum, no caso de remoções, o que também evidencia que a Prefeitura precisa intensificar as reuniões com os moradores antes destes serem removidos e depois de irem para as novas residências. 90 Plano de Habitação de Contagem Volume I CAPITULO III 7. SISTEMA MUNICIPAL DE HABITAÇÃO DE INTERESSE SOCIAL DE CONTAGEM 7.1 Contexto Histórico O momento presente da questão habitacional no Município de Contagem está intrinsecamente relacionado ao passado recente, marcado pelo crescimento urbano acelerado, aliado a processos políticos com traços populistas, nos quais a disputa pela ocupação do território e a política fundiária são determinantes nos variados e controvertidos períodos da ação pública, com a interferência dos diferentes atores políticos, institucionais e sociais. Para localizar e procurar entender os dias atuais, quem interage e quem influencia no rumo das ações e programas governamentais, é preciso observar e dialogar com o período de explosão demográfica da cidade, a partir dos anos 70, e com os atores públicos e privados atuantes enquanto possibilidades de representação de interesses, avanços e retrocessos. Aqui ficam registros, observações e reflexões muito breves de atores que estão agindo na atualidade e, que, direta ou indiretamente interagiram com o período em questão. Os últimos 30 anos do século passado apresentam uma diversidade de agentes intervenientes, que necessitam ser identificados e aprofundados conforme a demanda apresentada a cada momento da conjuntura e da disputa política. Tomando como referência o período entre a segunda metade dos anos 70, até o início dos anos 2000, é possível identificar as bases em que se desenvolve a política, porém, como o planejamento urbano privilegia um ou outro segmento ou qual setor econômico interfere nos rumos da cidade, requer um estudo especifico para o seu aprofundamento. Assim apresentamos, de maneira breve, dois momentos da história das ações da área habitacional e dos atores que interferem, com recorte de tempo aproximado de 1975 a 2004, período marcado pela hegemonia política de dois grupos políticos PMDB e PSDB e, um segundo período de 8 anos, determinado pela administração do Partido dos Trabalhadores – PT e partidos aliados, período de 2005 até o presente (2012). Para apresentar a atual administração é tratado o processo de implantação do Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social (SIMHIS), considerando todos os componentes que o integram: Política Municipal de Habitação, Conselho e Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social, Órgão Gestor responsável pela implantação da política e a Conferência Municipal de Habitação, como instância superior do SIMHIS. A seguir apresentamos aspectos relevantes à questão habitacional relativos ao primeiro momento, das ações em discussão, de acordo com o período e a respectiva representação política: 1973 a 1978 / MDB É criada a CUCO – Companhia Urbanizadora de Contagem, como sociedade anônima de direito privado responsável pelos serviços urbanos e obras da cidade. A CUCO passa a concentrar a totalidade dos investimentos da Prefeitura e atrair o interesse dos empresários da indústria da construção civil. Intensifica-se o processo de expulsão de moradores de favelas, principalmente aqueles localizados em áreas mais centrais ou que estão em local objeto de obras públicas. A intervenção na questão habitacional ocorre por parte dos agentes financeiros, como de praxe em todo Brasil e, é crescente o volume de empreendimentos habitacionais promovidos pelo BNH, na cidade. 1979 a 1982 / MDB / PMDB A organização por local de moradia começa a se fortalecer a partir da articulação de moradores e de lideranças que se reúnem em torno do Jornal dos Bairros22 e reivindicam qualidade no transporte coletivo e melhorias urbanas, basicamente luz, água e esgoto. 22 O Jornal dos Bairros editado por um grupo de jornalistas e estudantes com a participação de moradores e lideranças de diversas localidades, no período de 1976 a 1983, chega a se constituir em uma referência de encontro e articulação das demandas da população de periferia. 91 prefeitura municipal de contagem Surgem e se propagam as associações de moradores ou de bairro por toda a cidade, também, são criadas associações nas vilas e favelas, lutando por permanecerem no local que ocupam. A produção Habitacional do BNH prossegue e começam os processos de despejo dos mutuários inadimplentes. O Conjunto Tijolinho é ocupado pelos moradores da Vila Jardim Eldorado em função da enchente do período chuvoso de 1978 / 1979. O movimento de ocupação de conjuntos habitacionais se expande e expõem Públicamente os problemas do tipo de financiamento habitacional, que dificulta e impossibilita o acesso ao trabalhador de menor renda. 1983 a 1988 / PMDB (em 1986 assumi o Vice-Prefeito, em função da campanha ao governo de Minas, do então Prefeito. A bandeira da campanha foi produzir 200.000 casas para a população pobre, e abrem-se as inscrições em várias cidades mineiras) É implantado o loteamento público que dá origem ao Bairro Nova Contagem, com 3.341 lotes, totalmente desprovidos de infraestrutura, serviços e transportes. O empreendimento é instrumentalizado e propagado como meio de obtenção da casa própria para moradores das vilas. Diante do volume de críticas e controvérsias por influência dos acontecimentos na Capital23 é criado o PRODEFAC – Programa de Desenvolvimento de Comunidades Faveladas de Contagem, criando áreas com SE-04 (Setores Especiais), que deveriam assegurar sua destinação exclusivamente ao assentamento da população de baixa renda. O PRODEFAC, posteriormente denominado PROVILA, objetiva regularizar e urbanizar áreas faveladas de Contagem. Surge no Município a organização AMABEL24, atual AMAC, que articula moradores de aluguel de baixa renda e pressiona a Prefeitura a promover loteamentos populares. É aprovada a Lei 1.870/88 que regula a promessa de doação de imóveis de propriedade do município. Instrumento que foi praticado apenas como promessa de doação sem efetivar a transferência legal da propriedade, em função da produção de loteamentos irregulares pelo próprio poder executivo municipal. O movimento dos mutuários prossegue na perspectiva de evitar os despejos e criar oportunidades de negociação com os agentes financeiros do SFH. O movimento de ocupação de unidades habitacionais em conjuntos e posteriores despejos, aliado ao de ocupação de terras faz aumentar o número de favelas em condições urbanas e de habitabilidade bastante precárias. Os movimentos e organizações formais e informais participam do processo de coleta de assinaturas para as emendas populares à Constituinte de 1988. O apoio do movimento sindical e das CEBs – Comunidades Eclesiais de Base é determinante para a emenda da Reforma Urbana, que dada a natureza técnica do assunto, a defesa da luta pela moradia digna e o acesso a cidade contribuem para popularizar a discussão. ANSUR – Articulação Nacional do Solo Urbano passa a ter sua representação regional a partir de Contagem, em parceria com a Pastoral da Terra. 1989 a 1992 / PSDB É efetivada a promessa de IPTU de graça para imóveis residenciais, determinação que passa por todas as gestões e está presente em todas as disputas políticas eleitorais. A mudança de grupo político no comando da cidade, com o apelo da casa própria, consolida a ação de promover e doar lotes a população. A disputa política e o contexto da nova Constituição diminui a prática de remoção de favelas, focada naquelas objeto de obras públicas. É elaborada e aprovada a Lei Orgânica do Município, março de 1990, fruto das articulações das associações de moradores, associações de favelas, de moradores de Conjuntos Habitacionais e da AMABEL, bem como da oposição do PT à Prefeitura, a Lei Orgânica contempla uma Seção específica sobre a política habitacional, reconhecendo a posse da terra a quem nela mora. 23 A Capital Belo Horizonte, em 1983, cria o PRÓ-FAVELA com o objetivo de legalizar, regularizar e urbanizar as favelas. 24 AMABEL – Associação dos Moradores de Aluguel de Belo Horizonte, criada pelo Padre Piggi, se articula metropolitanamente e cria seccional em algumas cidades. Em Contagem o movimento cresce rapidamente e chegam a mobilizar algo em torno de cinco mil famílias. Parte dos seus associados são assentados nos Loteamentos Públicos Perobas I, Ipê Amarelo e, em Nova Contagem nas VL 35 e 27. No ano 2000 a AMABEL de Contagem , passa a denominar-se AMAC – Associação dos Moradores de Aluguel de Contagem. 92 Plano de Habitação de Contagem Volume I É criada a SUDECON – Superintendência de Desenvolvimento de Comunidades, vinculada ao Gabinete do Prefeito, com a finalidade de urbanizar vilas e favelas. Há registros de que na época existiam 60 Vilas e Favelas e que 18 foram urbanizadas parcialmente. A urbanização refere-se fundamentalmente à infraestrutura. O PRODEFAC passa a denominar-se PROVILA por meio da Lei 2.140/1990 e posteriormente, outras alterações ao PROVILA agregam pequenos ajustes. Em 1991, pela Lei nº 2.205, é criada a CONTERRA – Companhia Municipal de Habitação de Contagem, empresa de economia mista, que incorpora parte das atribuições da CUCO e parte da SUDECON. A iniciativa privada passa a ter mais de um órgão público como interlocutor. Este período coloca as ações da área de habitação dispersas e fragmentadas em três órgãos da administração pública: SUDECOM, CUCO e CONTERRA. As associações de bairro e outras organizações começam a receber da Prefeitura a doação de imóveis para instalação da sede própria. Contagem participa ativamente da elaboração do primeiro Projeto de Lei de Iniciativa Popular entregue à Câmara dos Deputados que cria a Política Nacional de Habitação. A participação ocorre por meio da Central de Movimentos Populares e do Movimento Nacional de Luta por Moradia, que possuem a sede regional no Município de Contagem. 1993 a 1996 / PSDB É aprovado o Plano Diretor do Município, conforme Lei nº 2.760 de 01/08/1995, porém o mesmo deixa de inserir a política de habitação, ainda que prevista na Lei Orgânica. A mobilização dos movimentos populares para participar da elaboração do Plano Diretor, começa a ser mais pontual e localizada nas lideranças que se articulavam com os movimentos nacionais. A SUDECOM – Superintendência de Desenvolvimento Comunitário deixa de integrar a estrutura administrativa do Gabinete do Prefeito e é incorporada a SETAS – Secretaria Municipal de Trabalho e Ação Social, preservando a missão de urbanização de Vilas e Favelas e buscando integrar as ações promovidas. O planejamento para prover as vilas de infraestrutura é articulado em 4 aglomerados, sendo que em dois deles os serviços, parte de convênio com a COPASA, foram executados na atual administração, após mais de dez anos. 1997 a 2000 /PMDB (em 1998 assumi o Vice Prefeito, o Prefeito é eleito vice Governador de Minas Gerais) A disputa de 1996, já com um quadro de dispersão dos movimentos populares e, várias lideranças havendo sido incorporadas à administração pública, é aquecida com novas promessas de doação de lotes e casas. A Lei nº 3.213, de 12 de julho de 1999, cria a política integrada de habitação voltada para a população de baixa renda, bem como o Conselho e Fundo de Habitação Popular. O Conselho de Habitação Popular é instalado, porém, os trabalhos são interrompidos, ficando apenas a criação legal em função das exigências do Governo Federal. A SUDECOM é extinta e as atribuições e equipes novamente são incorporadas à CONTERRA que passa a ser a sucessora da massa falida da CUCO. É criado o PAR – Programa de Arrendamento Residencial, no nível do Município, flexibilizando parâmetros urbanísticos e construtivos para a aprovação dos projetos dos empreendimentos habitacionais pela iniciativa privada. Agentes da indústria da construção civil são novamente atraídos para atuarem na cidade. 2001 a 2004 / PSDB Prosseguem os empreendimentos do PAR, até o programa ser desaquecido pelo governo federal. É criada a Superintendência de Habitação na Secretaria de Promoção Social, com a finalidade de selecionar e atender as famílias dos programas habitacionais. 93 prefeitura municipal de contagem São realizadas obras de saneamento em convênio com a COPASA, implicando na remoção de famílias. É criado formalmente o Programa Bolsa Moradia, por meio da Lei nº 3.850 de julho de 2004. A prática de subsidiar o aluguel às famílias de menor renda era exercida desde os anos 90. É criada a Secretaria Municipal de Habitação e Programas Especiais, sem dotação orçamentária e com um quadro de profissionais bastante reduzido. As ações da área habitacional ficam dispersas nas instâncias administrativas, os recursos do Ministério de Integração Nacional para produção habitacional aos flagelados da chuva 2003/2004 é realizada pela Secretaria de Meio Ambiente. Os anos 70 e 80 constituem um período determinante na conformação urbana, fundiária e política da cidade de Contagem, marcado pela formação de um grupo político que se organiza em torno do Prefeito do MDB, que toma posse em 1973 e hegemoniza a cidade até o final dos anos 80, nessa década enquanto PMDB, esse grupo vence três disputas, permanece no poder executivo municipal por 14 anos consecutivos e elege o governador de Minas Gerais em 1986. Estes fatores políticos, o regime ditatorial em curso na época e o modelo desenvolvimentista da economia brasileira, que acentua as desigualdades sociais, contribuiu para transformar Contagem em um celeiro de organizações populares autônomas informais e temporais na luta por melhorias urbanas e um forte movimento sindical, marcado pelos trabalhadores do setor metalúrgico. É possível observar que as organizações populares da época são movidas por demandas imediatas e necessárias à sobrevivência na cidade, portanto, ações temporais determinadas pela conjuntura política local e influenciadas pelos acontecimentos na cidade vizinha, a Capital do Estado. Aqui o traço organizativo da sociedade é determinado pela luta das populações tidas como de periferia ou de favelas, que se organizam a partir do local de moradia. É um período onde o surgimento de lideranças populares se dá fundamentalmente, a partir da Igreja Católica, por meio das Comunidades Eclesiais de Base, às denominadas CEBs e pela esquerda organizada. Na disputa pelo executivo municipal de 1988, já com a sociedade vivenciando o pleno Estado de Direito e a nova Constituição, ocorre um acirrado embate político entre o PMDB, PSDB e PT, não havendo segundo turno das eleições, a vitória foi do IPTU de graça, capitaneado por uma oposição ao PMDB que se formou em seu interior e se aliou ao PSDB. Inicia-se um novo ciclo administrativo e um novo arranjo de forças políticas, no qual os três maiores partidos resultantes da eleição municipal de 1988, disputam a sociedade organizada e projetos políticos concorrentes. Os novos mandatários da cidade, permanecem no poder local por 8 anos, período bastante profícuo para a política urbana brasileira, quando se elaboram as constituições estaduais e a Lei Orgânica dos Municípios. Assim enquanto em diversas cidades brasileiras, os anos 90, foram marcados pela implementação das inovações do Capítulo da Política Urbana da Constituição da República de 1988, consolidando novas políticas públicas urbanas, a cidade de Contagem elabora a nova legislação, mas enfrenta mais um período político de, aproximadamente 15 anos, marcado pelo populismo e clientelismo. Nos anos 80 a explosão de ocupações irregulares e expansão do favelamento está relacionada a atração de fluxos migratórios pelas áreas industriais do país. No caso de Contagem, principalmente, nos anos 70, associado ao significativo financiamento da casa própria promovido pelo BNH que, a princípio, era direcionado aos operários de emprego formal. A produção habitacional do BNH nesse período deixa de atender, segmentos populacionais de menor renda em função da política de financiamento comprometer a renda familiar, inviabilizando os contratos de financiamento habitacional e produzindo movimentos de defesa dos mutuários e de ocupações de conjuntos habitacionais não comercializados. Assim, nos anos 70, em plena ditadura, o traço central é a luta pela manutenção e defesa dos territórios das favelas como forma do trabalhador ter direito a cidade, fazendo frente ao surgimento dos conjuntos habitacionais do BNH que se tornaram inacessíveis. Os anos 80, que no campo da economia são tidos como a década perdida, foram palco da luta contra a carestia, pelo transporte coletivo de qualidade e as lutas dos bairros pela infraestrutura urbana. Com destaque aos movimentos dos mutuários e de ocupações organizadas de áreas ou de conjuntos habitacionais. Já nos anos 90 despontam com mais relevância as organizações setoriais e temáticas como o movimento de luta por creches, pela igualdade de direitos das mulheres, as questões de gênero e raça e outras relacionadas aos problemas locais. 94 Plano de Habitação de Contagem Volume I O traço presente ao longo dos 30 anos brevemente relatados e comentados é a participação de pessoas, de lideranças, nem sempre como expressão ou representação de uma entidade ou movimento, mas como grupos informais que se articulam e agem para determinado objetivo. Também se registra a inobservância da interferência dos servidores públicos nos rumos das políticas públicas, talvez, por tratar-se de políticas clientelistas com critérios pouco ou nada conhecidos. Diante dos fatos mencionados pode-se arriscar a afirmativa de que as diretrizes e definição da política de habitação são determinadas, no período em questão, exclusivamente pelos interesses dos governantes daquele dado momento, pois o fato de haver legislação adequada e suficiente as ações de uma política pública não assegura que a mesma venha a ser desenvolvida conforme proposição de lei. A doação de lotes foi a prática predominante o que explica, em parte, a ausência de movimentos e organizações que lutam por moradia, como se observa a partir da segunda metade dos anos 90, até a atualidade, bem como a cooptação de lideranças das associações de bairros de vilas e favelas, fatos estes, que determinam relações de troca de favores e remete para uma situação bastante crítica no contexto de estruturação de um Sistema Municipal de Habitação, à luz das diretrizes nacionais e locais atuais. Para concluir o período em discussão destaca-se a produção de loteamentos públicos apresentados anteriormente, que direciona o mercado imobiliário e atrai os loteamentos privados irregulares. A produção dos loteamentos por parte do poder público beneficia o atendimento de mais de 11 mil famílias, com a metade destes novos domicílios concentrados na região de Vargem das Flores em total descumprimento da legislação urbanística, em desrespeito ao meio ambiente e induzindo a expansão urbana irregular para os mananciais da represa de Várzea das Flores, comprometendo e reduzindo a água gerada para parte da Região Metropolitana. 7.2 Contexto da Atual Gestão A administração da prefeita Marília Campos assume o comando da Prefeitura, em 2005, com a área habitacional desarticulada, assim como as demais políticas setoriais urbanas, sem equipe suficiente para enfrentar os desafios, sem projetos ou programas para levar adiante. O único Programa Habitacional instituído era o Programa Bolsa Moradia, com um nível de descrença elevadíssimo por parte dos beneficiários, dado o atraso no pagamento do subsídio e a relação clientelista de inclusão no programa, que indiretamente era acobertado pela lei que criou o programa em 2004, revogada pela Lei 4079 de 2007. O Programa Municipal de Vilas (PROVILA), há alguns anos, por volta de 1995, havia sido restrito a forma da lei, sem nenhum nível de ação, mas importante instrumento de regularização fundiária até o presente. Por outro lado, como foi anteriormente delineado, os movimentos sociais urbanos e populares foram se refazendo conforme a conjuntura econômica e política deixando de existir com uma conformação mais ampla ou com articulações externas, voltados principalmente a aspectos locais de bairro, por meio das associações de moradores ou de bairro ou de vilas e favelas, na maioria das vezes meramente cartoriais, sem que se possa observar expressão ou força maior de influência nos rumos das políticas públicas, dada a concentração da “representação” na figura da liderança tradicional: o presidente da associação e, o nível de cooptação dos mesmos, que foram persistindo em relações clientelistas sem avaliar aspectos mais amplos ou relevantes da ação pública municipal. É neste contexto que a atual administração inicia a gestão da cidade, promovendo uma reforma na estrutura administrativa da Prefeitura que fundi todos os setores que atuam nas políticas urbanas, em um único órgão denominado SEDUMA, Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, conforme consta na Lei Complementar nº 006 de 16 de setembro de 2005. Com isto ocorre a fusão dos órgãos municipais que respondem pelo desenvolvimento urbano, a saber: meio ambiente, habitação, obras e serviços urbanos, transporte e transito, limpeza pública, parques e jardins. Para a nova secretaria, SEDUMA, está posto o desafio de conceber, implantar, coordenar, articular e executar as políticas urbanas setoriais. O desafio durou um ano e foi impossível responder satisfatoriamente, pois, a junção do que não existia acabou transformando-se em um problema de gestão, as secretarias temáticas anteriores eram mera retórica de Lei, totalmente desestruturadas, na pratica inexistentes, a exemplo da Secretaria Municipal de Habitação e Programas Especiais, assim não poderiam atender minimamente as demandas que a população e a cidade apresentavam. Em 2005, a política habitacional é delegada a uma coordenadoria de segundo grau hierárquico da SEDUMA que absorve todo o acervo documental existente e os recursos humanos, funcionários públicos, que historicamente atuavam na área, ainda que em número bastante reduzido, pois de nível superior havia apenas duas arquitetas, um 95 prefeitura municipal de contagem engenheiro e duas assistentes sociais, sendo uma terceirizada. A Lei Complementar nº 025 de 06 de dezembro de 2006 e o Decreto nº 544 de 22 dezembro de 2006, criam e definem as atribuições das Secretarias Adjuntas: de gestão urbana, meio ambiente e habitação, vinculadas à SEDUMA e cria a Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos (SEMOBS), com quatro adjunções para fazer frente as políticas urbanas setoriais de obras públicas, limpeza urbana, serviços de manutenção e a Secretaria Municipal Adjunta de Assuntos Administrativos que hierarquicamente é subordinada à SEMOBS, mas deve também atender a SEDUMA e suas adjunções. A disputa que naturalmente ocorre em situações de reforma administrativa levou a que a Secretaria Municipal Adjunta de Habitação, fosse a de menor estrutura e respectivos cargos, dentre as sete adjunções que foram criadas, sob alegação de que já se encontrava melhor estruturada e organizada, o que era fato, em função das articulações ocorridas e da incorporação de novos profissionais a partir de outubro de 2005, por meio do primeiro concurso público realizado pela atual administração. Cabe registrar que a justificativa, dada àquela época foi persistindo em alterações posteriores na estrutura administrativa das políticas urbanas e, de fato, era expressão da incompreensão da importância dos desafios postos para se implantar o SIMHIS, já que a maioria desconhecia o SNHIS e as possibilidades e condições de financiamento do governo federal. Outro fator que interferiu nesse momento de definição da estrutura da Secretaria de Habitação foi a cultura existente na administração pública local de tratar a execução da política de habitação de forma fragmentada e como de assistência social, influência do populismo e clientelismo, que secundariza a relevância e centralidade para as políticas urbanas da cidade. Isto foi gerando um quadro de estrutura formal legal e outro que se vai conformando a medida da implementação das ações e intervenções da Política Municipal de Habitação de Interesse Social. Na segunda gestão da atual prefeita, 2009 a 2012, a estrutura administrativa das políticas setoriais urbanas é reformulada elevando o meio ambiente à condição de secretaria de primeiro nível hierárquico, transformando a SEDUMA em Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), com apenas duas adjunções: gestão urbana e habitação, a área de parques e jardins, que também era afeta à mesma, passa a constituir a Fundação Municipal de Parques e Áreas Verdes de Contagem (CONPARQ). Neste período, a SAHAB, com o maior orçamento das políticas urbanas setoriais, enfrenta o desafio de prosseguir com a viabilização de todos os contratos firmados com o Governo Federal, por meio da Caixa Econômica Federal, fortalecer os programas habitacionais criados, prosseguir com a execução dos PIINs, já com as obras de alguns sendo executadas e outras sendo licitadas, edificar aproximadamente metade, das quatro mil unidades habitacionais planejadas e contratadas, bem como, prosseguir com as ações de planejamento de novos projetos para ampliar a captação de outros recursos. 7.3 Desenvolvimento do Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social O Brasil, a partir da criação do Ministério das Cidades, em 2003, segue uma política de desenvolvimento urbano que coloca a habitação em evidência. Em 2004, o Conselho Nacional das Cidades aprova a Política Nacional de Habitação (PNH), dependendo à sua efetivação de três eixos: política fundiária, política financeira e estrutura institucional. A PNH, também se estrutura por meio da lei 11.124 de junho de 05, que cria o Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS). Até que ponto o Município de Contagem, na atual gestão 2005 a 2012, consegue fazer frente a essa tríade, é o que vamos tratar aqui, considerando todos os aspectos que direta ou indiretamente estão interferindo na implantação e consolidação do Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social. Este sistema busca articular o nacional com o local, mantendo uma estrutura descentralizada de execução da Política Habitacional, ao mesmo tempo investindo em uma estrutura que permite levantar os recursos necessários para a efetividade de uma Política Habitacional em âmbito nacional. O Ministério das Cidades é o responsável por operacionalizar essa integração, firmando a adesão das esferas estaduais e municipais ao Sistema Nacional. A implantação da Política Municipal de Habitação e do Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social no Município de Contagem é abordada aqui apresentando o processo de criação, implementação e avaliação crítica 96 Plano de Habitação de Contagem Volume I do seu desenvolvimento no período central da atual administração de 2006 a 2011. Em consonância com o Governo Federal, que perpassa nesse mesmo período duas gestões governamentais, onde a política habitacional local, também, preconiza as condições de promoção e acesso à moradia digna, fundamentalmente para a população de baixa renda, bem como a gestão participativa e democrática. A atual gestão governamental local fez dois movimentos simultâneos e centrados na elaboração e implementação da Política Municipal de Habitação de Interesse Social. A gestão democrática foi se conformando com a participação direta e efetiva de moradores das comunidades de vilas e favelas, que organizadamente, disputaram em 2005, no Orçamento Participativo – OP, recursos financeiros para suas demandas, as quais foram transformadas em planos de intervenção integrada, fator facilitador à captação de recursos junto ao Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social e posteriormente junto ao PAC Programa de Aceleração do Crescimento, efetivando assim ações, projetos e programas. Nas discussões públicas do OP em 2007, 2009 e 2011, as propostas de Planos de Intervenção Integrada para urbanizar vilas e favelas continuaram presentes, bem como a intervenção em áreas de risco geológico – encostas – e, a desapropriação de áreas para acolher o reassentamento de famílias decorrente dos processos de urbanização de vilas e favelas. No ano de 2006 a Prefeitura Municipal de Contagem faz a estruturação institucional da área habitacional, cria a Política Municipal de Habitação que é objeto de capítulo específico na revisão do Plano Diretor de Contagem, por meio da Lei Complementar nº 033 de 2006, que traz aspectos centrais da política habitacional atual, como os conceitos de: Habitação Adequada, que prevê a infraestrutura, transporte e serviços urbanos; Habitação de Interesse Social, aquela com subsídio, destinado a população de baixa renda; e Assentamento Habitacional Precário de Interesse Social, aquele que possui a maior parte da população de baixa renda e existe o interesse público em intervir. Isto aliado a participação dos moradores no planejamento, execução e avaliação das ações da política habitacional. O Município de Contagem institui o Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social - SIMHIS com a Lei Complementar nº 038, de 10 de julho de 2007, que incorpora a política existente e define como se configura e quem integra o Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social – SIMHIS, a saber: a Política Municipal de Habitação; o órgão da administração municipal responsável pela implantação da Política de Habitação, sendo responsável pela elaboração do Relatório Anual de Gestão; o Conselho Municipal de Habitação – COMHAB, que terá como responsabilidades principais a convocação da Conferência Municipal de Habitação e a gestão do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social – FUMHIS. A criação do SNHIS e dos SIMHIS fornece um cenário favorável para o desenvolvimento de uma política habitacional de médio e longo prazo, o que ainda não é a garantia de uma política habitacional de sucesso, pois depende da correlação das forças políticas que interferem e, da organização da sociedade para não retroceder no decorrer dos anos, com o volume de investimentos, recursos financeiros contínuos e com a metodologia participativa em todos os níveis desde a concepção, a elaboração dos planos e projetos até a execução dos mesmos. A seguir são apresentados e brevemente comentados e avaliados os componentes que integram o Sistema Municipal de Habitação da Prefeitura de Contagem, observando o processo de criação e implementação. Posteriormente são apresentadas as ações habitacionais executadas ou em execução de forma sucinta. 7.4 Conselho Municipal de Habitação (COMHAB) O processo democrático no Brasil a partir da descentralização das políticas públicas promovida pela Constituição de 1988, prevê a democracia representativa e também a democracia direta e o controle social das políticas públicas. A criação dos Conselhos como instâncias de participação direta de agentes sociais que atuam na cidade é uma forma de democracia direta, para estabelecer diretrizes às políticas públicas e interferir nos seus rumos. Ampliar a participação do cidadão e dos movimentos organizados através dos Conselhos possibilita ir além do processo eleitoral da democracia representativa e garantir que a população possa debater, fiscalizar e deliberar, sobre as políticas que a afeta diretamente, durante toda a gestão e não apenas no momento do voto. Sendo esta uma forma de controle social. O Conselho é uma forma, reconhecida por lei, que prevê paridade entre sociedade civil e governo, isto é, em igual número de representantes, buscando equilibrar as forças na negociação política. A formação de Conselhos passa a ser fundamental para a participação cidadã e um requisito fundamental para a governança das políticas públicas. 97 prefeitura municipal de contagem Em 2006 com a criação da atual Política Municipal de Habitação, instituida por meio da primeira revisão do Plano Diretor de Contagem, se prevê a participação popular no planejamento, execução e avaliação das ações e projetos a serem implementados pela mesma, formalizando a prática iniciada da metodologia participativa para planejar as intervenções nas Vilas que obtiveram recursos no OP em 2005. Com isto, foram sendo instituidos os PIINs, Planos de Intervenção Integrada e se fez possível estabelecer canais de participação e envolvimento dos moradores das primeiras vilas objeto de planejamento participativo, que são a Vila Beatriz, Vila Barraginha, a Vila Maracanã e a Vila Paris. O planejamento participativo para intervenções de curto e longo prazo, dificulta o exercício entre os moradores por demandas imediatas e no estabelecimento de escala de prioridades, mas é fundamental para sua credibilidade e viabilização, principalmente no caso de Vilas e Favelas que requer um tempo elevado para os projetos executivos de urbanismo e habitacionais. Neste caso, a participação no processo de discutir a urbanização das Vilas e as intervenções em áreas de risco foram criando condições de aproximação e conhecimento sobre a política e formando as bases para compor o Conselho Municipal de Habitação. Em 2007, quando se conclui o processo de articulação da constituição do Conselho Municipal de Habitação, após a sua posse foram realizadas três reuniões ordinárias, sem que tenham tido continuidade até o vencimento do mandato. O processo é refeito, reorganizada a indicação dos representantes do executivo, legislativo e sociedade civil, e, em 2011 são retomados os trabalhos a partir da eleição de novos conselheiros, no final de 2010. Assim constata-se que o Conselho Municipal de Habitação de Contagem requer firmar uma periodicidade de trabalho e, vencer a trajetória de interrupções que enfrenta desde sua primeira criação em 1999. Por outro lado é crucial investir na compreensão e importância deste instrumento no nível da administração pública e da sociedade, pois é pouco compreendido e aceito no nível de quem decide, no meio técnico e até pelas representações da sociedade, por tratar de questões muito técnicas e lidar com relações bastante díspares, nos quais a informação e o conhecimento é muito desigual, provocando o questionamento da relevância das atribuições postas ao mesmo. De acordo com o Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social (SIMHIS), compõem paritariamente o Conselho Municipal de Habitação (COMHAB), 20 conselheiros titulares e seus suplentes, sendo 10 indicados pelo governo e os outros 10 pela sociedade civil, eleitos por dois anos, sendo permitida uma recondução. Fazem parte do COMHAB representantes de segmentos da sociedade e do Poder Público, entre ONGs, instituições educacionais, sindicais e empresariais e também de comunidades de Vilas e Favelas, que acaba por representar a organização local vinculada a demandas pontuais. Cabe ao Conselho discutir e aprovar, à luz do Plano Diretor do Município e da Conferência Municipal de Habitação, as propostas apresentadas pelo órgão responsável por essa política; fiscalizar a implementação da mesma; deliberar sobre as contas do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social - FUMHIS e promover ampla divulgação de seus atos. É fato que a existência do Conselho Municipal de Habitação é um avanço para a Política Habitacional de Contagem que se estabelece em princípios democráticos e participativos. No entanto, a formação de conselhos efetivos não é tão simples, pois a gestão democrática das políticas públicas se configura em torno dos mesmos e todas buscam ter Conselhos fortes e atuantes, porém, em muitos casos ficam esvaziados, tanto por parte do governo que muitas vezes não lhe dão a devida importância, quanto por parte da sociedade civil que se encontra no dilema entre a ação coletiva e a individual, bem como dividida ou fragmentada nas diferentes representações às quais é chamada a integrar-se. A composição do atual Conselho Municipal de Habitação de Contagem, em sua maioria, apresenta um perfil de pessoas com pouca trajetória e vínculos com a questão habitacional na cidade, fator decorrente, de que na atualidade há uma ausência25 de organizações ou movimentos sociais voltados e articulados a partir das questões habitacionais. Assim o atual Conselho Municipal de Habitação acaba por cumprir o seu papel muito parcial e esporadicamente, restringindo-se as formalidades legais e para acessar os recursos do Sistema Nacional de Habitação. É preciso que o poder público reavalie e crie condições para torná-lo representativo das demandas habitacionais da cidade. 25 São conhecidas quatro organizações populares habitacionais, que tentam interagir com a Política Municipal de Habitação e com a Prefeitura, a saber: MPM – Movimento Pró-Moradia, com assento no atual Conselho e proprietária de área para promover loteamento popular, em conflito com a Prefeitura desde os anos 90; A. Associação Habitacional da Região Ressaca, Bairro Laguna, com assento no atual Conselho, a ser beneficiada com 48 unidades habitacionais no Bairro Cândida Ferreira, a partir do complemento habitacional do PAC Barraginha; B. Associação Habitacional do Bairro Água Branca e Adjacências, fez parte da retomada do Conselho em 2007, será beneficiada com 32 unidades habitacionais no Bairro Maria da Conceição, ao lado do Conjunto Habitacional Morada Nova, a partir do complemento habitacional do PAC Barraginha; C. Cooperativa Metropolitana de Habitação Popular de Belo Horizonte LTDA proprietária de terreno no Bairro Liberdade 2, na zona rural de Contagem, divisa com a zona urbana de Ribeirão das Neves. O processo de aprovação do loteamento foi recusado em 2004, esta organização deixa de interagir com a PMC, a partir de então. 98 Plano de Habitação de Contagem Volume I A participação da sociedade civil no Conselho pressupõe a existência de movimentos e entidades organizadas que estejam motivados pela temática habitacional do município ou ao menos regionalmente. Na ausência de organizações da sociedade para assumir o processo de eleição de sua representação acaba o poder público se responsabilizando por promover meios para escolha das representações da sociedade civil, o que pode gerar situações constrangedoras, na criação de critérios, que geralmente são seletivos e deve observar a representação de grupos legalmente instituídos. A eleição de representantes movidos por interesses particulares, sem observar questões mais complexas da política habitacional, pode estar associado a estes fatos, bem como a desmotivação em função de interesses pontuais, ausência de uma diversidade de organizações ou entidades, descomprometimento com o processo de escolha. O Conselho Municipal de Habitação de Contagem sofre com essa situação, quadro agravado por conselheiros que deixam de frequentar as reuniões ao perceber que não terão os seus interesses particulares atendidos. Por outro lado devido ao grande processo participativo presente na elaboração do Plano Municipal de Habitação, através de dinâmicas de grupo com a população nas regionais e audiências públicas, foi possível perceber a falta de informação da população sobre o Conselho Municipal de Habitação, e a existência de pessoas politizadas que potencialmente poderiam integrá-lo. Criar meios de comunicação e interação para aproximar as questões habitacionais da realidade da população pode fomentar a organização das comunidades na luta por uma moradia adequada que através da Conferência Municipal de Habitação, prevista no SIMHIS, pode encontrar o espaço necessário para sua atuação. Os mecanismos de participação estão previstos no SIMHIS, fazendo parte de sua implementação promover ações que estimulem e facilitem a apropriação dos espaços destinados a sociedade civil. 7.5 Conferência Municipal de Habitação A Conferência Municipal de Habitação está prevista na Lei 038 /2007 que dá ênfase à sua realização em articulação com a agenda da Conferência Municipal de Política Urbana e do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social. A Conferência deve acontecer quadrienalmente, ampliando as possibilidades e pluralidade da participação na avaliação, fiscalização e deliberação da Política Municipal de Habitação com uma periodicidade que permite que a Conferência Municipal de Habitação eleja a cada dois mandatos os membros, representantes da sociedade civil, no Conselho Municipal de Habitação. Apesar da realização da Conferência Municipal de Habitação estar prevista apenas, de 4 em 4 anos, permite uma flexibilidade ao SIMHIS de Contagem, pois amplia a participação que nos outros anos fica restrita ao COMHAB, possibilitando assim que grupos até então não representados pelo conselho discutam pontos importantes sobre a cidade e o lugar que a habitação ocupa nas políticas públicas, favorecendo processos de articulação e integração, que podem favorecer a médio e longo prazo o surgimento de novas representações para compor o Conselho. A Conferência constitui um espaço para revisões e ajustes da Política Habitacional e do Plano Municipal de Habitação através da ampla participação da sociedade civil envolvida com a questão habitacional. É atribuído a Conferência avaliar a implementação das diretrizes da Política Habitacional e a utilização dos recursos do FUMHIS, porém apenas em 2005 realizou-se uma mini conferência, no contexto da Conferência da Cidade, sem que tenha havido continuidade. O Conselho Municipal de Habitação deve funcionar como um articulador e guardião das deliberações da Conferência Municipal de Habitação e, também como promotor e coordenador da conferência, sendo responsável por convocá-la e realizá-la. A Conferência está diretamente relacionada ao Conselho, portanto, depende e requer um Conselho atuante e que esteja preocupado em garantir os princípios da Política de Habitação de Interesse Social, principalmente o princípio da participação e organização democrática de sua representação. 7.6 Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social (FUMHIS) O Fundo Municipal de Habitação de interesse Social (FUMHIS) é o responsável por centralizar os recursos orçamentários, dando suporte financeiro para a implantação das ações da Política Municipal de Habitação de Interesse Social no âmbito do SIMHIS, em consonância com o disposto no Plano Diretor do Município, que prevê fontes estáveis e permanentes para o Fundo e com as deliberações do COMHAB e da Conferência Municipal de Habitação. O Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social, inserido no SIMHIS, prevê recursos do orçamento municipal, transferências de recursos nacionais onerosos e não onerosos, repasse de impostos estaduais e federais vinculados à habitação de interesse social, empréstimos, recursos provenientes de aplicações e produtos realizados pelo FUMHIS, 99 prefeitura municipal de contagem entre outros recursos que lhe vierem a ser destinados. Integrando o orçamento do município, estes recursos são destinados a Política Municipal de Habitação de Interesse Social que prevê que seus financiamentos e subsídios concedidos serão inversamente proporcionais à capacidade de pagamento dos beneficiários, como forma de viabilizar o acesso à habitação adequada. O FUMHIS possui contabilidade própria, que registra todos os atos e fatos a ele pertinentes. O Fundo Municipal de Habitação, a partir de 2007, passa a receber investimentos progressivos, sendo organizados e repartidos conforme as dotações orçamentárias de: gestão habitacional; promoção de novos assentamentos habitacionais e investimentos em assentamentos precários. Como mostra a tabela a seguir os investimentos em habitação que representavam 5,4% dos investimentos totais da Prefeitura em 2007, passam a representar 38,3 % dos investimentos realizados pela Prefeitura de Contagem em 2011. O investimento elevado na área habitacional nos últimos anos na cidade de Contagem, através do Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social, demonstra a efetividade da Política de Habitação que está sendo realizada com a execução de vários programas e projetos voltados para a população de baixa renda, como também será demonstrado nos quadros das ações implementadas. TABELA 7.1: Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social / despesa empenhada - 2007 a 2011 (R$) Atividade 2007 2008 2009 2010 2011 TOTAL Planejamento e Gestão Habitacional 80.248 949.146 5.737.771 7.246.739 4.898.793 18.912.697 Promoção de Novos Assentamentos Habitacionais 1.527.362 3.965.975 2.305.128 17.634.565 27.862.080 53.295.109 Intervenção em Assentamentos Precários 2.152.084 5.154.666 3.934.742 6.037.085 9.326.275 26.604.852 Valor Total Aplicado na Habitação 3.759.694 10.069.787 11.977.641 30.918.389 42.087.148 98.812.658 Valor Total Investimentos (Capital) PMC 70.201.256 111.605.419 59.335.632 83.997.951 109.972.604 435.112.862 % Aplicada na Habitação 5,4 9,0 20,2 36,8 38,3 22,7 Fonte: Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação Geral – SEPLAN-PMC. 7.7 Política Municipal de Habitação de Interesse Social A Política Municipal de Habitação de Interesse Social de Contagem, conforme colocado na lei complementar 033 /2006 que revisa o Plano Diretor da cidade: “é o conjunto de objetivos, princípios, diretrizes e instrumentos de ação que expressam o entendimento da comunidade sobre como deve orientar-se o poder público para promover o acesso à habitação adequada.” A política habitacional afirma a importância de ser voltada para a população mais carente, prevendo um processo de participação do público-alvo com a intenção de aproximar os governos, das necessidades específicas dos cidadãos. A política habitacional está centrada no princípio maior da função social da propriedade urbana e na função social da cidade, que coloca a moradia como um direito básico, observando as condições adequadas de acesso e de habitabilidade. Portanto, a sua implementação deve ser um ato político administrativo contínuo e ininterrupto para gerar significativas mudanças na difícil condição de vida em que se encontra uma parcela expressiva da população. As diretrizes da Política Municipal de Habitação presentes no Plano Diretor de 2006 colocam que para conseguir atender o seu objetivo de ampliação do atendimento da população mais carente, necessita de articulação com as políticas urbanas e sociais, estar inserida ambientalmente e dentro de uma diversidade social na ocupação do território urbano, promover a participação popular, garantir fontes estáveis e permanentes de recursos, investir em 100 Plano de Habitação de Contagem Volume I parcerias com o setor privado e nas esferas do poder público, monitorar e avaliar a evolução da situação habitacional no município e promover regularização fundiária, urbanização dos assentamentos precários, oferta de moradia, iniciativas de autoconstrução, serviços de arquitetura e engenharia públicas, financiamento habitacional subsidiado, utilização de imóveis subutilizados e reassentamento de famílias removidas por risco ou obra pública. O momento atual de execução da Política açambarca esta gama de ações com maior ou menor nível de extensão e alcance, com exceção aos serviços de arquitetura e engenharia pública, direcionados para orientar a autoconstrução. A realização da Política Habitacional depende de uma diversidade de fatores, o principal é a política fundiária que representa o maior desafio, pois as prefeituras apresentam uma baixa capacidade de controle e direcionamento do mercado imobiliário, onde os interesses geralmente são conflitantes à habitação de interesse social. A terra é uma mercadoria de preço elevado, concentrada na mão de poucos e disputada por diversos setores da sociedade como as indústrias, as construtoras, os cidadãos, entre outros, o que para obter mais lucro leva a retenção e a especulação imobiliária. Esta situação também remete ao desafio de fazer com que a política habitacional siga a diretriz de uma diversidade social na ocupação do território urbano, superando a segregação social presente, no caso de Contagem, nos territórios das Vilas e Favelas. Nessa perspectiva a Política Municipal de Habitação está assegurando o reassentamento das famílias removidas nos processos de urbanização de Vilas e Favelas no próprio território ou nas mediações em que vivem. As Vilas e Favelas de Contagem estão muito bem localizadas dentro da malha urbana da cidade, o que eleva o preço da terra. Para assegurar a continuidade dessa diretriz em outros e novos processos de urbanização é preciso interferir no mercado de terras com regulamentação direcionada a esta finalidade, além, é claro, de promover a produção habitacional para a população de menor poder aquisitivo prosseguir com a correção, recuperação e prevenção de áreas de risco, organizar a manutenção e os serviços urbanos nessas áreas, bem como o controle urbano da sua expansão, marcadas também pelo adensamento vertical. O controle urbano nos assentamentos precários de interesse social na atual gestão administrativa apresenta pouca efetividade. 7.8 Órgão Gestor da Política e Principais Ações Implementadas Em Contagem, a Secretaria Municipal Adjunta de Habitação (SAHAB) integra a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) e são os órgãos responsáveis pela Política Municipal de Habitação. À SMDU cabe coordenar e controlar o Fundo Municipal de Habitação, assim como coordenar a sua prestação de contas, sendo responsável por executar as atividades de empenho e liquidação das despesas da Secretaria e do Fundo Municipal de Habitação, acompanhando e controlando os recursos financeiros oriundos de transferências da União, do Estado e do Tesouro Municipal para as contas bancárias movimentadas pelo Fundo Municipal de Habitação gerido pela Secretaria. A SMDU também possui o cargo de Presidente do Conselho Municipal de Habitação. À SAHAB compete a proposição, coordenação, planejamento, execução e intervenção decorrente e necessária às ações e programas habitacionais. Como é o caso dos Planos de Intervenção Integrada, da urbanização de Vilas e Favelas, da regularização fundiária, a prevenção e redução de risco nos assentamentos precários de interesse social e a produção habitacional de novos assentamentos habitacionais de interesse social, normatizando e fiscalizando a sua realização. A SAHAB é responsável pela elaboração do Relatório Anual de Gestão previsto no SIMHIS. O setor habitacional, a partir de 2006, é reestruturado seguindo a trajetória de elaboração, implantação e desenvolvimento da Política Habitacional, que cada vez mais demanda uma ampliação da sua infraestrutura e do corpo técnico. A SAHAB, ao ser criada, passa a trabalhar todas as faces da Política, do projeto à obra, e, também, com a prevenção e monitoramento como relatam funcionários da habitação que foram entrevistados para o Plano Municipal de Habitação de Interesse Social. Para ilustrar a evolução da implantação da Política Municipal de Habitação pela SAHAB, seguem trechos de entrevistas realizadas com esses profissionais: “A secretaria não tinha esse corpo de funcionários que ela tem hoje. O risco por exemplo: a gente ia na área quando chovia, porque era chamado, porque teve um desastre ou porque inundou, porque tinha que socorrer as famílias, você não tinha um trabalho de monitoramento de área de risco. Foi nessa nova gestão que se criou o trabalho de monitoramento de risco nos assentamentos precários, que você faz uma pesquisa dentro da Vila, faz um diagnóstico, antes não tinha essa estrutura não.” “...Habitação Municipal enquanto política pública ocorreu apenas nas 2 últimas gestões”...; 101 prefeitura municipal de contagem “... a transparência, explicitação e formas de aplicar os critérios de seleção das famílias beneficiárias, dão credibilidade à produção habitacional”... “A SAHAB já evoluiu bastante em termos de estrutura, ações e programas. Já a autonomia é um desafio”. “A SAHAB possui orçamento próprio, programas estruturados e bem avaliados. Falta desvincular-se do Desenvolvimento Urbano”. A criação de uma secretaria adjunta para cuidar da Política de Habitação na cidade ganha importância pelo acúmulo de conhecimentos e crescimento que alcançou empreendendo esforços que permitiram planejar e estruturar equipes de trabalho multidisciplinares, planos e programas, bem como interferir e gerar condições para captação de recursos junto ao Governo Federal. É imperativo dizer que uma política pública com a composição diversa e interfacetária como é a de habitação requer parcerias e contribuições efetivas dos diversos órgãos e instâncias públicas. Assim, as ações desenvolvidas no âmbito da Política Municipal de Habitação de Interesse Social também estiveram presentes em outras instâncias governamentais locais, independente da SAHAB e SMDU, como as ações de saneamento básico realizadas nos assentamentos precários e executadas pela SEMOBS, como fica demonstrado no quadro que segue, embora a execução das ações de saneamento sejam afetas a empresa concessionária responsável pelos serviços de esgotamento sanitário e fornecimento de água (COPASA), a busca de parcerias por parte desta tem sido uma realidade. QUADRO 7.1: Ações de saneamento integrado VILAS Item AIS1 Regional Estágio da intervenção, agente financiador, órgão executor 1 Vila Rica Riacho PAC 2 SEMOBS 2 Barraginha Industrial UGC / SEMOBS 3 Maria da Conceição Eldorado PAC 2 COPASA meta 2014 4 Boa Vista Eldorado PAC 2 COPASA meta 2014 5 Buraco da Coruja I Eldorado PAC / SEMOBS 6 Buraco da Coruja II Eldorado PAC / SEMOBS 7 Jardim Eldorado (Marimbondo) Eldorado UGC / SEMOBS 8 Mafersa / Cachorro Sentado Eldorado PMC / SEMOBS 9 Funcionários Sede UGC / SEMOBS 10 Vila Itália Sede UGC / SEMOBS 11 Vila União (Beija-Flor) Petrolândia UGC/SEMOBS 12 São Caetano Petrolândia UGC / SEMOBS 13 Morro Vermelho Petrolândia UGC / SEMOBS 14 Colorado Ressaca PAC 2 COPASA meta 2014 15 Avenida II Ressaca PAC 2 COPASA meta 2014 16 Novo Boa Vista I Ressaca ANA / SEMOBS Novo Boa Vista II Ressaca ANA / SEMOBS 18 Santa Luzia (Beco do Cocó) Ressaca PAC 2 COPASA meta 2014 19 Novo Progresso Ressaca PAC 2 COPASA meta 2014 20 São Mateus Nacional UGC / SEMOBS 21 Senhora Aparecida (Sapolândia) Nacional UGC / SEMOBS 102 Plano de Habitação de Contagem Volume I 22 Beira Campo Vargem das Flores PAC / SEMOBS 23 Soledade Vargem das Flores PAC / SEMOBS LOTEAMENTOS PÚBLICOS SANEAMENTO Item Loteamento Região 24 Perobas II Eldorado PAC 2 COPASA meta 2014 25 Parque São João Eldorado PMC / SEMOBS Legenda: Concluído Em Execução A Iniciar a Obra UGC – Unidade Gestora de Convenio cuidou da execução das obras de saneamento realizadas pela COPASA, por meio de contrato com a PMC, onde coube as partes 70% e 30% dos recursos do investimento respectivamente, com acompanhamento da SEMOBS quanto as obras e da SAHAB, quanto as remoções e ou reassentamento. Neste breve relato e comentários sobre o processo de implantação do SIMHIS e as ações executadas a partir da Política Municipal de HIS é significativo destacar a centralidade que os processos de intervenção integrada de urbanização de vilas e favelas ocupam em todas as ações que integralmente foram desenvolvidas. Os diversos Planos de Intervenção Integrada (PIIN) desenvolvidos e concluídos, todos estão sendo executados a partir dos projetos executivos gerados posteriormente e um se encontra em fase de elaboração dos projetos executivos. Ao que tudo indica parece haver um consenso na administração municipal sobre sua importância, também há um reconhecimento por parte das comunidades na expectativa da urbanização, mas acima de tudo o processo de planejamento participativo é o que consagra essa pujança com a existência de recursos financeiros para viabilizar as intervenções. QUADRO 7.2 - PIIN - Plano de intervenção integrada VILAS Item Assentamento Região Estágio da intervenção, agente financiador, órgão executor 1 Pedreira Santa Rita Industrial OP / SAHAB 2 Da paz Industrial OP / SAHAB 3 Barraginha Industrial OP / SAHAB 4 São Vicente* Industrial OP / AVSI / SAHAB 5 São Nicodemos* Industrial OP / AVSI / SAHAB 6 Santo Antônio* Industrial OP / AVSI / SAHAB 7 São José Operário Industrial OP / SAHAB 8 Beatriz Eldorado FNHIS 2006 / SAHAB 9 Jardim Eldorado (Marimbondo) Eldorado FUMHIS / SAHAB 10 Paris Eldorado OP / SAHAB 11 Maracanã I (Setor 1 e 2) SEDE OP / SAHAB 12 Maracanã II (Setor 3) SEDE OP / SAHAB 13 São Mateus Nacional FUMHIS / SAHAB 14 Senhora Aparecida (Sapolândia) Nacional FUMHIS / SAHAB 15 Jesus de Nazaré Nacional FUMHIS / SAHAB 16 Estrela Dalva Nacional FUMHIS / SAHAB 17 Recanto da Pampulha Nacional FUMHIS / SAHAB 18 Formosa Vargem das Flores FUMHIS / SAHAB 19 Beira Campo Vargem das Flores FUMHIS / SAHAB 20 Soledade Vargem das Flores FUMHIS / SAHAB Legenda: Concluído Em Execução A Iniciar a Obra *Em 2005, a PMC deu início aos entendimentos que originaram o convênio de parceria com o Governo Italiano, por meio da AVSI, assinado em 2009 e com término previsto para dezembro de 2012, que tratava fundamentalmente de elaborar um plano de urbanização integrada para as das Vilas da Cidade Industrial. Como na maioria dessas Vilas a Prefeitura já havia planejado e articulado as intervenções, o Plano ficou restrito as três aqui mencionadas e o convênio redirecionado para o aglomerado do Parque São João, havendo as partes mudado o enfoque do planejamento de urbanização para estudo de pobreza. 103 prefeitura municipal de contagem As vilas especificadas no quadro abaixo estão em processo de urbanização com remoção e reassentamento total, destas apenas duas foram objeto de PIIN. Em todas o fator risco predominante era de inundação, exceto a Vila Barraginha que trata-se de risco geológico. Assim todas apresentam um quadro de precariedade urbanística e de condições de habitabilidade bastante elevado. Os locais de destino preservam o tecido social estabelecido, pois o reassentamento é na própria área ou imediações, a excelente localização que todas possuíam e, principalmente o acesso ao emprego. QUADRO 7.3 - Urbanização Integrada com Remoção e ReassentamentoTotal Item Assentamento Região Estágio da intervenção, agente financiador, órgão executor 1 Barraginha Industrial PAC / SAHAB 2 Itaú Industrial PAC / SETOP 3 Do Canal Industrial PAC / SETOP 4 Dom Bosco Industrial PAC / SETOP 5 Firmo de Matos Industrial PAC / SETOP 6 PTO 2º SEÇÃO Eldorado PAC / SETOP 7 Maracanã / Setor 2 SEDE PAC / SAHAB Vilas Legenda: Concluído Em Execução Os processos de urbanização integrada cuidam de remover a família quando as condições físicas e ambientais impõem essa necessidade. No quadro abaixo são apresentadas as vilas em processo de urbanização com remoção e reassentamento parcial, destas quatro foram objeto de PIIN, em todas o fator risco predominante era de inundação, sendo que a Vila Beatriz reunia todos os tipos de risco. Assim temos que a precariedade urbanística estava altamente associada a insalubridade e portanto a um quadro de saúde pública crítico. As famílias do Conjunto Morada Nova que desfrutam do novo espaço há mais tempo, sempre mencionam que a saúde das crianças melhorou visível e significativamente. As quatro primeiras vilas Vera Cruz, São Paulo, Santa Elizabeth e Beatriz o reassentamento ocorre no mesmo local e as vilas Formosa e Beira Campo em bairro lindeiro. Com isto a rede social já existente fica inalterada. Tanto para as famílias do quadro acima como para as de remoção parcial o maior inconveniente é o período transitório no Programa Bolsa Moradia, que o SNHIS e o SMHIS devem observar exigindo ações de planejamento e projetos que possam superar essa realidade. QUADRO 7.4 - Urbanização Integrada com Remoção Parcial VILAS Item Assentamento Região Estágio da intervenção, agente financiador, órgão executor 1 Vera Cruz (Lemp) Riacho PAC 2 / SEMOBS 2 São Paulo Industrial PAC / SETOP 3 Santa Elizabeth Industrial PAC / SETOP 4 Beatriz Eldorado PAC / FNHIS / SAHAB 5 Formosa Vargem das Flores PAC / SEMOBS 6 Beira Campo Vargem das Flores PAC / SEMOBS 7 Soledade Vargem das Flores PAC / SEMOBS 8 Maracanã / Setor 1 Sede PAC / SAHAB Legenda: Concluído Em Execução A Iniciar a Obra 104 Plano de Habitação de Contagem Volume I A regularização fundiária é tida como o coroamento e fase final dos processos de urbanização integrada, mas a realidade dos loteamentos irregulares da cidade de Contagem apontam para ações próprias e imediatas a partir de estudos situacionais bastante breves e independentes de intervenções urbanísticas. Assim é que se fez possível no início da implantação da nova política de habitação promover ações de regularização fundiária exitosa como é o caso do Bairro Nova Contagem de maior volume e importância dentre os processos empreendidos e concluídos, pois apenas falta acordar com os comerciantes médios ou grandes a titularidade e como ficam as instituições religiosas. No contexto das ações empreendidas que estão abaixo elencadas é relevante destacar as ações de usucapião especial urbano administrativo da Vila Beatriz e Vila Maracanã (setor 1 e 3) já protocoladas em cartório. O marco legal em nível federal, principalmente a partir das leis que criam e regulamentam o PMCMV, associado a legislação local existente como a Lei nº 2.140 de 1990, que criou o PROVILA e se aplica para as AIS 1, bem como a Lei nº 1870 de 1988, criam a base legal de sustentação de todas as ações realizadas ou em execução. É preciso dizer que as ações de regularização fundiária praticadas são processos finalizados levando a família ao registro do imóvel. QUADRO 7.5 - Regularização Fundiária Plena VILAS Item Assentamento Região Estágio da intervenção, agente financiador, órgão executor 1 Vaquinha Industrial FNHIS 2006 / SAHAB 2 Beatriz Eldorado FNHIS 2006 / SAHAB 3 Maracanã SEDE PMC / FUMHIS / SAHAB 4 São Mateus Nacional PMC / FUMHIS / SAHAB 5 Estrela Dalva Nacional PMC / FUMHIS / SAHAB LOTEAMENTOS PÚBLICOS Item Loteamento Assentamento Estágio da intervenção, agente financiador, órgão executor 6 Vila Itália SEDE FNHIS 2006 / SAHAB 7 Sapucaias I Petrolândia FNHIS 2006 / SAHAB 8 Confisco Nacional PMC / FUMHIS / SAHAB 9 Nova Contagem Vargem das Flores PMC / FUMHIS / SAHAB Legenda: Concluído Em Execução A Iniciar a Obra A produção habitacional realizada ou em execução pela SAHAB e pelos projetos executados pelo governo estadual, por meio da SETOP, foi direcionada para o reassentamento de famílias em função de processos de urbanização e ações nas áreas de risco. Os conjuntos habitacionais já produzidos, ou que estão em obras ou em projetos, além da excelente localização, mesmo quando a edificação ocorre na própria Vila, contam com toda a infraestrutura necessária e equipamentos públicos de saúde, educação e lazer. O aspecto de aprovação do parcelamento das áreas que estão sendo edificadas é o que se encontra defasado em relação aos momentos de ocupação das unidades habitacionais pelas famílias beneficiárias, com isto começa a se constituir um passivo de famílias reassentadas que apenas possuem a autorização para ocupar a unidade habitacional, assim é temerário provocar situações futuras de regularização fundiária e de propriedade que possam onerar os cofres públicos em vários aspectos. Estes fatos decorrem da ausência de legislação específica e apropriada para a produção habitacional de interesse social, essencialmente no uso e ocupação do solo, pois quanto a questões edilícias a legislação disponível é bastante compatível. 105 prefeitura municipal de contagem QUADRO 7.6 - Quadro geral de urbanização de vilas e produção habitacional de interesse social Vila / Favela Beneficiada Nº de Moradia Situação Vila D. Bosco, São Paulo e S. Elizabeth PAC Arrudas 672* 464 Apartamentos Entregues Vila Soledade, Formosa e Campo Alto PAC Retiro 248 Entregue Vila Itaú, PTO, Canal e Samag PAC Ferrugem 800 Em Construção J. Eldorado, P. São João, J. Marrocos PAC Bacias 240 Em Construção, previsão de entrega Julho de 2012 Vila Maracanã PAC Bacias 128 V. Beatriz /Res. Morada Nova Vila Barraginha FNHIS/2006 PAC 64 126 Vila Barraginha PAC 152 Vila Barraginha PAC Complementação 200 Água Branca ¹, Jardim Laguna² Vila Paris PAC Complementação 80 PAC 2 32 Vila Beatriz FNHIS 2008 e 2009 Diversas áreas de risco Diversas áreas de risco Diversas comunidades da região Vila Funcionários, Jardim Marrocos, Vila Beatriz, Vila Nacional e outras Este conjunto pela natureza do Programa, deixa de atender famílias em áreas de risco nas Vilas e Favelas Total Programa PAC Bacias (Bairro Sapucaias) PAC Bacias (Bairro Fonte Grande) MCMV (Residencial São Luiz Industrial) MCMV (Residencial Vista Alegre) PAR (Residencial Ébano 136 Entrega agendada para 14 de Abril de 2012 Entregue em Agosto de 2009 Em Construção Em processo de desapropriação do terreno Em Processo de Desapropriação dos Terrenos Aguardando Licitação da Obra Em Processo de Licitação Empresa executora faliu. Nova licitação em andamento 112 Em Construção 160 Em Construção 280 Obras Concluídas/ fase final de seleção das famílias 288 Entregue Dezembro de 2010 128 Entregue em 2008 3846 *Unidades habitacionais em construção por contrato entre o Governo Federal com o Governo do Estado de Minas Gerais, por meio da SETOP.¹ 32 Unidades Habitacionais no Bairro Maira da Conceição, ao lado do Conjunto Morada Nova. ² 48 Unidades Habitacionais, nos 10 lotes do Bairro Cândido Ferreira, de propriedade da PMC. A inovação de gestão e parceria com o Governo do Estado de Minas Gerais, que executa o PAC Arrudas e o PAC Ferrugem, caracteriza um arranjo institucional que se diferencia da lógica da hierarquia entre instâncias federativas e equaciona problemas metropolitanos com interveniência direta da União, Estado e Municípios. A parceria do Governo Federal com o Governo do Estado de Minas Gerais para implementar os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), é fruto da articulação entre as duas cidades, Belo Horizonte e Contagem, para fazer frente a problemas antigos e estruturais de inundação que afetam a região metropolitana e vinham sendo protelados. As intervenções beneficiam diretamente a população de treze assentamentos precários, dos quais dois em Belo Horizonte. A concepção das intervenções e dos projetos habitacionais, como não poderia deixar de ser contou com a participação dos dois municípios, por meio dos órgãos responsáveis pela Política de Habitação. 106 Plano de Habitação de Contagem Volume I As ações que beneficiam a população do segmento de renda de 3 a 6 salários mínimos foram desenvolvidas pela iniciativa privada, primeiramente pelo PAR, na primeira gestão do atual governo foi produzido um conjunto habitacional, concomitantemente a outros do crédito associativo, e, por último pelo Programa Minha Casa Minha Vida, sem que a Prefeitura tenha exercido um monitoramento e sistematizado um banco de dados sobre a produção habitacional realizada. Também pouco interferiu, quanto ao direcionamento da localização da produção e na perspectiva de conhecer as estatísticas quanto a origem dos beneficiários e a renda familiar, o que se faz necessário uma vez que são linhas de financiamento com subsídio governamental, portanto de interesse social e público. Para terminar a síntese das ações promovidas no âmbito do SIMHIS, nos reportamos a ação inicial e prioritária da Prefeitura e da SAHAB que foi o PMRR e as intervenções indicadas no seu plano de obras, começando com as intervenções em áreas de risco geológico, locais com histórico de deslizamentos que permitiram em curto espaço de tempo produzir resultados efetivos na segurança e estabilidade das moradias, eliminando as situações físicas e sociais mais críticas, onde se observa a predominância de população com renda média de um salário mínimo e meio. QUADRO 7.7 - Obras de risco contenção de encostas VILAS Item Assentamento Região Agente financiador e órgão executor 1 Bandeirantes II Industrial PMC FUMHIS SAHAB 2 Bandeirantes II Industrial PMC FUMHIS SAHAB 3 Pedreira Santa Rita Industrial PMC FUMHIS SAHAB 4 Nossa Senhora Aparecida Industrial PMC FUMHIS SAHAB 5 Santa Edwiges Eldorado PMC FUMHIS SAHAB 6 Jardim Marrocos Eldorado PAC 2 SAHAB 7 Jardim Marrocos Eldorado PMC FUMHIS SAHAB 8 Boa Vista Eldorado PAC 2 SAHAB 9 Boa Vista Eldorado PMC FUMHIS SAHAB 10 Barroquinha SEDE PMC FUMHIS SAHAB 11 Vila Itália SEDE PMC FUMHIS SAHAB 12 Vila Itália SEDE OP / PAC2 SAHAB 13 Boa Esperança Ressaca OP / SAHAB 14 Morro dos Cabritos Ressaca PMC FUMHIS SAHAB 15 Morro dos Cabritos Ressaca OP / SAHAB 16 São Mateus Nacional PMC FUMHIS SAHAB 17 Francisco Mariano Nacional PMC FUMHIS SAHAB Legenda: Concluído Em Execução A Iniciar a Obra Ao finalizar destaca-se que a intersetorialidade e a interface que as intervenções da área de habitação demandam ficou pouco aprofundada e desenvolvida durante esse período de elaboração e execução das ações, havendo obtido melhor desempenho com as ações e projetos do Programa de Prevenção e Redução de Risco, a partir do Comitê Gestor de Áreas de Risco (CGAR) e a matriz de responsabilidades gerada no âmbito do Plano Municipal de Redução de Risco (PMRR), que é revisitada a cada ano quando se elabora o decreto de atualização do CGAR. A intersetorialidade deve ocorrer nos diversos níveis da estrutura administrativa que interferem nos programas habitacionais, bem como em todos os momentos, da concepção a execução, passando por avaliações periódicas. Porém, isto foi se efetivando à medida da necessidade e da demanda da ação em curso, com os parcos recursos humanos disponíveis, pois as ações desta política requerem um quantitativo alto de profissionais e um elevado nível de conhecimento de todos os seus aspectos e, ao mesmo tempo, uma especialização intra política habitacional. O Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social pode ser tido como implantado e, em ação, dando concretude à Política de Habitação, com vigor e qualidade nas possibilidades dos projetos em execução, mas a tríade já citada 107 prefeitura municipal de contagem da política fundiária, do aporte de recursos financeiros sistemáticos e o controle de gestão, encontra-se em graus diferenciados de evolução. Quanto à política fundiária, a deliberação de demarcar as AIS 2 , no contexto do processo de elaboração deste Plano é algo altamente relevante ainda que, a principio, em função dos processo de urbanização das Vilas. Quanto ao aporte de recursos financeiros o nível de investimento da Prefeitura é surpreendente e traz consequências visíveis à melhoria do espaço urbano e à qualidade de vida da população direta ou indiretamente beneficiária. É necessário destacar o equilíbrio entre o aporte local e federal. Assim observa-se que a Prefeitura está viabilizando a Política Nacional de Habitação em nível local com contrapartida elevadíssima, em média em torno de 50%, o que não é usual em outras realidades. A apresentação dos programas e ações habitacionais, de maneira mais completa, está presente neste Plano nas estratégias de ação, pois a proposta é pela sua manutenção e aprimoramento, passando a instituir aqueles que o requerem, pois embora estejam conformados e, em ação, a partir de 2006 e 2007, alguns necessitam serem instituídos legalmente. A apresentação dos quadros busca dar ênfase as intervenções mais estruturantes das ações realizadas, mas não ilustra o volume dos trabalhos empreendidos no âmbito do SIMHIS e, principalmente, da SAHAB. Ao concluir é conveniente destacar que a continuidade do SIMHIS passa por avaliar e fazer ajustes que permitam aperfeiçoar e medir o alcance dos programas, buscando formas permanentes de monitoramento e avaliação das ações empreendidas, pois nesse curto período, pouco se acumulou nessa área. 108 Plano de Habitação de Contagem Volume I CAPiTULO IV 8.ESTRATÉGIAS DE AÇÃO A elaboração e estruturação do Plano Municipal de Habitação partiu da estratégia central definida na etapa metodológica, referendada pelo Conselho Municipal de Habitação, que é priorizar as intervenções integradas de urbanização e regularização fundiária nas Vilas e Favelas de Contagem, os denominados assentamentos precários ou Áreas de Especial Interesse Social – AIS 1. A estratégia apontada trata da ação direta e efetiva da Prefeitura Municipal de Contagem, nos assentamentos existentes e avaliação de inclusão de novos assentamentos, também já existentes, se necessário for. 8.1. Justificativa da estratégia As estratégias de ação que integram o Plano Municipal de Habitação são para aprofundar no processo de inclusão socioespacial da população na cidade e prioritariamente a de menor renda. Para que o Município de Contagem seja mais igual no acesso a cidade é preciso enfrentar as condições de vida nos assentamentos precários e, em especial, as vilas e favelas, fundamentalmente quanto às condições das moradias, pois as questões de infraestrutura urbana de esgotamento sanitário, energia elétrica, água, coleta de lixo, se aproximam do nível de cobertura da cidade formal. Conforme pode ser extraído do diagnóstico habitacional, as vilas e favelas de Contagem, apresentam características que torna essencial que as intervenções observem e estejam adequadas a estas. Os habitantes destas localidades são mais jovens que a população da cidade em geral. Nos aglomerados subnormais o Censo Demográfico de 2010 apresentou um perfil populacional equiparado ao da cidade, tida como formal, em relação à alfabetização e ao grau de escolaridade. A titulo de ilustração o nível de alfabetização nos aglomerados subnormais é de 89,2% da população e na região do Riacho que é o mais elevado da cidade é de 98,4%. Enquanto na cidade formal 59% da população é formada de pardos e negros e 40% da população branca, nos aglomerados subnormais que todos são AIS1, temos 70,6% da população parda e negra e 27,7% branca. Isto está associado a territórios de menor renda familiar, nestes assentamentos a renda média é inferior à renda média da cidade total – R$320,00 nos assentamentos e R$696,00 em média na cidade como um todo. Com o agravante de que 27% dos domicílios possuem renda de ¼ de SM per capta, portanto abaixo da linha da pobreza. Com isto, e outros dados, temos que novas uniões serão formadas por cidadãos destas localidades, tendendo a permanecer no território e a adensá-lo de forma precarizada. É preciso destacar que 27,2% da população de aglomerados subnormais possui menos de 15 anos. Apesar de muitas intervenções estarem sendo realizadas nas vilas e loteamentos públicos de Contagem, estas para terem o mesmo nível de infraestrutura e serviços da cidade formal ainda precisam de novos investimentos e a implantação de ações com intervenção continuada de manutenção e controle dos territórios para assegurar qualificação do espaço. A coleta direta de lixo deve ainda ser melhorada em regionais como Vargem das Flores e Industrial que, pelos dados do Censo 2010, ainda possuem um percentual significativo de coleta indireta (10% em Vargem das Flores e 5% no Industrial) e por outros meios (5% em Vargem das Flores). O saneamento também é outro fator de relevante importância para intervenções públicas pois também, como a coleta de lixo, é diferenciado nas diversas regionais. Assim, na regional Vargem das Flores, o percentual de domicílios com fossa séptica é de aproximadamente 20%, enquanto com outra forma de escoamento (direto no rio, vala a céu aberto) atinge aproximadamente 15%. Já na regional Nacional e na Sede estes percentuais são menores, mas aqueles que correspondem à outra forma de coleta de esgoto atingem quase 20% dos domicílios. Assim, são locais que devem ser alvo de intervenções de saneamento. Ao implantar a atual Política Municipal de Habitação, a estratégia central de ação foi conhecer e planejar as intervenções em áreas de risco, escolha que permitiu superar o histórico de eventos com vítimas e remover e reassentar com qualidade por volta de quatro mil famílias que passam a viver em variados conjuntos habitacionais. Estes estão 109 prefeitura municipal de contagem localizados em aproximadamente 30 áreas onde a cidade de fato acontece pelo acesso ao trabalho, nas proximidades de vias com maior número de opções de transporte coletivo, serviços de saúde e educação. A estratégia de intervenção prioritária em áreas de risco foi determinada pela elaboração do PMRR, respaldado pela intervenção da Prefeitura na contenção de encostas e trabalhos comunitários com os moradores, assim como pela execução do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que com os contratos em execução na cidade atinge diretamente mais de 15 Vilas e Favelas, implicando em remoção total de sete das mesmas em função da implantação de bacias de detenção de águas pluviais e, em uma destas, em função de questões geotécnicas, a Vila Barraginha. A partir do ano 2013 as ações nas áreas de risco precisam continuar com o apoio e orientação da parceria com o Governo Federal para que prossigam como prioridade nas ações preventivas educativas e na execução dos muros de contenção de encostas necessários à segurança de vários grupos de famílias. Mas o diferencial que o Plano se propõe a organizar é integrar todas as ações de planejamento participativo, projetos, obras, estudos fundiários e urbanísticos em um único território até alcançar o nível de cartório de registro do imóvel, ou seja até a transferência da propriedade. Assegurando o direito à moradia como o direito à cidade e à propriedade. A proposta de criar um programa ou serviço municipal que cuide e se responsabilize pela manutenção de serviços, ações educativas e preventivas junto às áreas de risco e territórios incluídos como AIS 1, onde o poder público exerce a função de controle do território conjuntamente com os moradores, deve partir do auto de demarcação urbanística, para alcançar a regularidade e a propriedade da terra. As ações integradas e preventivas de intervenção nos territórios devem estar presentes em todas as frentes de trabalho sejam classificadas como de risco, de regularização fundiária, de urbanização pontual ou total, nas intervenções de outras políticas públicas governamentais, enfim na ação pública e privada sobre os territórios. Portanto, a estratégia pressupõe que no processo interno e externo que ocorre para a demarcação urbanística administrativa persistam duas estratégias tácitas metodológicas: regularizar a médio e longo prazo os assentamentos e, educar quanto aos problemas da expansão ou ocupação irregular, do risco geológico ou de inundação; bem como equacionar concomitantemente às demandas de infraestrutura pontual ou estrutural. É preciso observar que ações de tal natureza, quando desenvolvidas com a participação da população obrigatoriamente serão de médio e longo prazo, portanto, definir as prioridades e locais de experimento deverá ser o primeiro passo. Apontar uma localidade, um território que reúna todos os aspectos presentes na abordagem integral e que constitua um território diverso nos aspectos sócio-físico-ambientais, como, por exemplo, o aglomerado do Morro dos Cabritos na região Ressaca, que deve ser uma das prioridades de intervenção dos próximos anos. Se por um lado temos a urbanização integrada e plena de assentamentos precários como estratégia central do Plano, por outro a demarcação de terras urbanas para a produção habitacional à população de baixa renda é imperativa na observação e atendimento das demandas geradas pelos processos de urbanização e para atender gradualmente a demanda dos moradores de aluguel dos assentamentos precários e da cidade formal, com prioridade ao segmento populacional de até 3 salários mínimos. 9. PRINCÍPIOS E OBJETIVOS O Plano Municipal de Habitação surge no contexto do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social e, em cumprimento ao art. 77 do Plano Diretor de Contagem, Lei Complementar nº 033 de 2006, bem como, da observância ao estabelecido na referida lei, no capítulo III, que aqui é revisitado para avaliar, atualizar e complementar na perspectiva de um planejamento que dimensiona os desafios atuais postos pela realidade urbana e habitacional, a partir dos princípios, objetivos e diretrizes da Política Municipal de Habitação de Interesse Social. 9.1. Princípios 1. A garantia do acesso à habitação adequada como a realização de um direito social de todos os cidadãos; 2. O reconhecimento do Estado, especialmente a esfera municipal, como coordenadora da política habitacional e articuladora de seus agentes provedores; 110 Plano de Habitação de Contagem Volume I 3. A garantia de sustentabilidade ambiental, urbana, social e econômica nas ações da Política Municipal de Habitação de Interesse Social; 4. A democratização da gestão da Política Municipal de Habitação, incorporando a participação da sociedade em sua avaliação e reformulação; 5. O desenvolvimento de práticas que assegurem a sustentabilidade, a transparência e o controle social das ações, projetos e programas; 6. A integração das políticas habitacionais das três esferas de governo e com as demais políticas setoriais do município; 7. A observação e atendimento de demandas específicas e diferenciadas para os segmentos populacionais especiais, como portadores de deficiência, idosos, e outros. 8. O cumprimento da função social da propriedade urbana, conforme art. 182 da Constituição Federal, regulamentado pelo Estatuto da Cidade, Lei Federal nº10.257/2001. 9.2 Objetivos Os objetivos apresentados partem do artigo 73 do Plano Diretor de Contagem, das experiências em desenvolvimento e, das demandas registradas da metodologia de participação do processo de elaboração deste Plano. 9.2.1 Objetivo Geral Promover o acesso à cidade, à ampliação da oferta habitacional e à melhoria das condições de habitabilidade para os segmentos populacionais de baixa renda. 9.2.2 Objetivos Específicos 1. Buscar a redução do déficit habitacional quantitativo e qualitativo; 2. Organizar a demanda habitacional da população de baixa renda; 3. Democratizar o acesso à terra urbanizada e o atendimento às necessidades habitacionais conforme o segmento de renda da população e priorizar o de menor renda; 4. Estabelecer critérios para definição de Áreas Especiais de Interesse Social AIS 1 e 2; 5. Reafirmar e atualizar a Política Municipal de Habitação de Interesse Social seus programas e ações; 6. Articular e promover a participação popular e da sociedade organizada, pautada por relações éticas e democráticas que efetivem o controle social; 7. Consolidar e fortalecer o Sistema Municipal de Habitação de Interesse Social articulado com o contexto da região metropolitana e adotar sistemas integrados de ação e planejamento urbano participativo; 8. Assegurar a diversidade e complementaridade transversal das temáticas que interagem com a política de habitação e facilitar ações pedagógicas e culturais na apropriação do espaço urbano. 9. Garantir adequada inserção dos empreendimentos de habitação de interesse social na cidade, observando o meio ambiente e a diversidade social na ocupação do território urbano; 10. Propor ações, projetos e programas para reverter a segregação sócio-espacial e promover a urbanização de Vilas e Favelas. 11. Desenvolver mecanismos que favoreçam o cumprimento da função social da propriedade; 12. Criar sistema municipal de controle, monitoramento e acompanhamento da Política Municipal de Habitação de Interesse Social e da produção habitacional para segmentos populacionais de até dez salários mínimos; 111 prefeitura municipal de contagem 10. DIRETRIZES As diretrizes apresentadas partem do artigo 76 do Plano Diretor de Contagem, Lei Complementar nº 33/2006, das experiências em curso e, das demandas registradas na participação do processo de elaboração deste Plano. As diretrizes visam responder ao atendimento dos objetivos da Política Municipal de Habitação e direcionar as estratégias deste Plano, definindo metas qualitativas e quantitativas organizadas em cinco eixos programáticos da ação institucional governamental em geral. Os eixos programáticos decorrentes das estratégias de ação passam pelo nível da institucionalidade que a política apresenta, pelo controle social que a mesma recebe ou deixa de receber, pela política fundiária praticada, pelos níveis de inserção sócio urbano ambiental e pelas respostas a demanda de produção habitacional. As ações estratégicas no âmbito do Plano Municipal de Habitação do Município de Contagem serão norteadas pelos cinco eixos programáticos que seguem: (1) campo da ação institucional; (2) da participação e controle social; (3) da política fundiária; (4) da inserção sócio-urbano-ambiental e, (5) da produção habitacional. As diretrizes que são atribuídas a cada eixo programático são descritas e agrupadas da mesma forma, mesmo que estejam e contemplem em seus bojos mais de um programa ou ações correlatas. Assim, o Sistema de Avaliação e Monitoramento a ser implantado também deve partir dos eixos propostos como parte estruturante das ações para que as mesmas alcancem seus objetivos. Ação Institucional O eixo que didaticamente e programaticamente reúne os aspectos da organização institucional para além de aspectos de estrutura administrativa, visa explicitar a relevância de investir em ações programáticas concebidas, planejadas e estruturadas pelo órgão gestor do Sistema Municipal de Habitação e da constituição de seu corpo técnico próprio. Assim é eleita uma diretriz qualitativa e elencadas quinze metas no campo da ação institucional, com seus respectivos, indicadores e prazos tidos como imprescindíveis para dar concretude as estratégias de ação propostas. 10.1. Diretriz e metas da Ação Institucional Promover a articulação da Política Municipal de Habitação de Interesse Social com as demais políticas urbanas, sociais e ambientais de forma a garantir o direito à habitação como direito à cidade. Quadro 10.1: Metas, Indicadores, Objetivos, Prazos e Responsável: Objetivo e prazo para monitoramento Responsável Direto e demanda de estruturação item Metas Indicadores 10.1.1 Criar um processo contínuo de planejamento participativo especifico e integrado da Política Habitacional e suas interfaces, promovendo seminário semestral das temáticas inter-relacionadas Número de Seminários temáticos realizados Realizar 2 seminários ao por ano e Setores ano, a partir de 2013 inter-relacionados envolvidos Titular do Órgão Gestor da Política de Habitação e Secretarias Municipais afetas 10.1.2 Integrar e unificar os cadastros das famílias beneficiárias da Política Habitacional com os demais cadastros existentes no município e em outras esferas de poder público Cadastro integrado de famílias beneficiárias das diversas políticas públicas Ter 1 cadastro integrado até dez/ 2014 1 servidor designado por Secretaria Municipal que tem programas direcionados à população de Interesse Social 10.1.3 Investir permanentemente no monitoramento e avaliação da Política habitacional no município, criando indicadores de monitoramento e avaliação aperfeiçoando os Bancos de Dados existentes Mapa de indicadores de monitoramento e avaliação das políticas habitacionais Ter 1 mapa de indicadores de monitoramento e avaliação das políticas habitacionais até outubro/2013, que deve ser atualizado anualmente SAHAB com a participação de um representante por setor 112 Plano de Habitação de Contagem 10.1.4 Firmar Convênio com o IBGE para a revisão e realização de ajustes no Censo Demográfico de 2010, nos aglomerados subnormais, na perspectiva de que os novos estudos ocorram conceitual e territorialmente unificados 10.1.5 Aprimorar e desenvolver informações atualizadas sobre a situação habitacional do município, através da atualização permanente dos Bancos de Dados em habitação e de sua relação com outros sistemas de informação e dados do município Georeferenciados e outros Volume I Realizar convênio Convenio firmado com o IBGE firmado entre IBGE e Prefeitura até março/2014 para Municipal de realização de estudos e Contagem pesquisa SAHAB Secretaria Municipal de Administração e/ou outras Secretarias Ter 1 Banco de Dados Georeferenciado até novembro 2013 e atualizado anualmente. SAHAB setor responsável pelo trato da informação e Secretarias: de Planejamento e Coordenação, e Desenvolvimento Urbano 10.1.6 Número de Processos Unificar o método de trabalho e de trabalho os procedimentos nas ações dos dos Programas diversos programas com interface Habitacionais habitacional independente do mapeados e órgão governamental que executa. unificados Ter todos os processos de trabalho dos programas e ações mapeados uniformizados até dez/2013 SAHAB, com o apoio e integração das outras Secretarias Municipais e demais esferas governamentais que atuam em ações da Política Municipal de Habitação . 10.1.7 Articular as ações e programas da política habitacional com programas dirigidos à inclusão social, por meio da política de economia solidária de ocupação e renda, capacitação profissional dos grupos beneficiários de programas habitacionais, priorizando os de maior vulnerabilidade econômica e social. SAHAB em parceria ou apoio das outras Ter três ações ou projetos Secretarias Municipais voltados à inclusão social e com programas espacial formatados e em direcionados ao mesmo execução até 2014 perfil de público beneficiário 10.1.8 Viabilizar o fornecimento ou o acesso à assessoria multidisciplinar nas áreas do direito, de engenharia, arquitetura e trabalho social junto a indivíduos, entidades, grupos informais e movimentos de luta por moradia, no segmento de renda de habitação de interesse social e mercado popular Banco de dados Georeferenciado atualizado Número de Programas, Ações ou projetos dirigidos à inclusão social Número de famílias que participam de mais de um Programa Número de projetos coletivos Ter 50% da demandas anuais de projetos coletivos executadas SAHAB, com equipe a ser dos seguintes grupos: estruturada entidades, grupos informais e movimentos de luta por moradia. Número de projetos individuais Ter 50% da demandas anuais de projetos individuais executadas. 113 SAHAB, com equipe a ser estruturada prefeitura municipal de contagem Ter uma política de comunicação específica, intra e inter políticas públicas urbanas e sociais formatada e implantada até março/2014 SAHAB com a existência de uma pequena equipe de comunicação a ser incorporada Estrutura Administrativa e Organograma Definir a estrutura administrativa da hierarquia do do órgão gestor, de coordenação e 10.1.10 órgão gestor de execução da política municipal de coordenação e habitação execução da política municipal de habitação Ter a Estrutura Técnica Administrativa e o Organograma do órgão gestor de coordenação e execução da política municipal de habitação implantado até março/2013 Gabinete da Prefeita, Secretaria de Administração, Procuradoria e SAHAB Prosseguir com o aperfeiçoamento de Programas Habitacionais Revisão de Programas transitórios ou emergências 10.1.11 Habitacionais como o Programa Bolsa Moradia transitórios e o REMO - Reassentamento Monitorado Ter os Programas Habitacionais transitórios revistos até junho/2013 SAHAB com as equipes especificas dos programas Desenvolver gestões em âmbito metropolitano para implantar 10.1.12 ações conjuntas em áreas de interesse intermunicipal Ter 5 ações conjuntas, realizadas até 2020, de âmbito metropolitano, em áreas de interesse intermunicipal. SAHAB e municípios vizinhos 10.1.9 Implantar política de comunicação específica, intra e inter políticas públicas urbanas e sociais Política de comunicação implantada Número de ações conjuntas no âmbito metropolitano Percentual de Destinação sistemática de recursos Recursos do Tesouro 10.1.13 do tesouro municipal para o Municipal destinado FUMHIS ao FUMHIS Utilização de instrumentos tributários urbanísticos, como os 10.1.14 recursos provenientes da outorga onerosa do direito de construir e outros Aprimorar e ampliar a captação de recursos junto aos três níveis de governo e agentes 10.1.15 financeiros (CEF, BNDES e outros), para projetos habitacionais e de urbanização e regularização fundiária Câmara dos Vereadores de Contagem e Prefeito Assegurar que seja mantido o nível atual anual de Contagem, com suporte da SAHAB e da de investimento. SEPLAN Percentual de Recursos Financeiros utilizados, decorrentes de outorga onerosa do direito de construir e outros instrumentos tributários urbanísticos. Ter 100% dos recursos decorrentes de outorga onerosa do direito de construir e outros instrumentos tributários urbanísticos, utilizados na política habitacional. SAHAB, GESTÃO URBANA E SECRETARIA DE FAZENDA Recursos destinados à Políticas de Habitação Ampliar em 25%, até dez/2023, os recursos destinados à política de habitação ampliando os agentes financeiros –, em relação ao ano de 2011. SAHAB, Chefe do Executivo Municipal e SEPLAN 114 Plano de Habitação de Contagem Volume I Participação Popular e Controle Social O eixo programático da participação popular e controle social é o que se encontra com maior fragilidade e requer dedicação institucional e determinação política da Prefeitura para de fato ter um instrumental participativo que reúna os aspectos da organização institucional democrática, do planejamento participativo efetivo de curto e longo prazo com a participação direta dos beneficiários e a integração de atores variados da sociedade. O alcance de ações integradas na política de habitação requer que sejam concebidas de forma plena e integradas entre os poderes públicos e os cidadãos. Isto exige um diálogo intenso e permanente de forma diversa e plural. Assim os mecanismos de participação devem variar e cuidar da formação de grupos de trabalhos mistos entre o corpo técnico da Prefeitura e atores da sociedade para em diferentes momentos subsidiar a política e suas linhas de ação. Isto é uma ação, um movimento permanente de construção de valores e projetos, que na implantação do Plano demanda a intensidade própria de um processo pedagógico em formação. A diretriz qualitativa destacada no campo da participação popular e controle, social com suas respectivas metas quantitativas, indicadores e prazos radicaliza na forma de participar, ao propor que o sentido a ser cunhado nas ações e movimentos da participação seja a abordagem integrada com o olhar multidimensional. Portanto, um movimento amplo de propostas coerentes com a política habitacional. 10.2. Diretriz e metas da Participação Popular e Controle Social Promover a abordagem integrada e a participação da sociedade no planejamento, execução e avaliação das ações da Política Municipal de Habitação de Interesse Social; Apoiar e reforçar a criação de instâncias de participação e o desenvolvimento de ações que observem as metas: Quadro 10.2: Metas, Indicadores e Prazos item Indicadores Objetivo e prazo para monitoramento Responsável Número de Resoluções aprovadas pelo Conselho Municipal de Habitação e Públicadas no DOC. Ter uma resolução aprovada por eixo programático do Plano e monitorada pelo Conselho com suas diversas formas de representação regional e municipal. Prazo: Setembro de 2013. CONSELHO Realizar as seis reuniões anuais ordinárias do Conselho Cumprir com rigor a sistemática de reuniões e trabalho do Conselho Municipal como CONSELHO órgão cogestor da Política de Habitação. Prazo: reunião bimensal nos meses pares. 10.2.2 Fortalecer o Sistema Municipal de HIS por meio do Conselho Municipal de Habitação regionalizado Número de reuniões e deliberações do Conselho de Habitação por Região Administrativa Ter 8 Conselhos regionais ativos com reuniões trimestrais. Prazo: dezembro de 2013, meses impares para realização das reuniões: março, julho, setembro, novembro. CONSELHO, SAHAB e todas as Administrações regionais e Comitês Gestores (temáticos) 10.2.3 Criar Comissões Locais nos territórios em processo de intervenção, as denominadas Comissões de Representantes Número de Comissões de Representantes ativas Ter 1 Comissão de Representantes, por intervenção realizada. Prazo: permanente SAHAB e todas as Administrações regionais e Comitês Gestores (temáticos) 10.2.1 Metas Consolidar e apoiar permanentemente o Conselho Municipal de Habitação 115 prefeitura municipal de contagem 10.2.4 Estimular a criação de fórum municipal, fóruns regionais, oficinas temáticas e seminários Estabelecer parcerias com o setor privado, sociedade civil e as demais esferas de poder público para promover atividades de formação dos atores sociais e agentes públicos que intervém nas ações de implementação da Política Municipal de Habitação Fórum Municipal criado e atuante Criar 1 Fórum Municipal relacionado à questão habitacional, com foco nas vilas e favelas até dez/2013, e posteriormente com reuniões semestrais em janeiro e dezembro. SAHAB e todas as Administrações regionais e Comitês Gestores (temáticos) Fórum regional de políticas Públicas afetas a habitação Número de Fóruns Temáticos Regionais. Ter 8 Fóruns Regionais de Políticas Públicas antecedendo a convocação da Conferência a cada dois anos 2013, 2015, 2017, 2019, 2021 e 2023. SAHAB e todas as Administrações regionais e Comitês Gestores (temáticos). Número de parcerias Ter 1 parceria com setor privado firmadas com os concretizada até jul/2013. setores privados SAHAB e Prefeitura Número de Parcerias Ter no mínimo 4 novas parcerias com outras entre poderes esferas de poder público até dez/2023. público SAHAB, Prefeitura e parceiros Número de treinamentos, oficinas e seminários para formação de atores sociais e agentes públicos Realizar 1 oficina semestral para formação de atores sociais e agentes públicos em temas relacionados à Política Municipal de Habitação SAHAB e Prefeitura 10.2.6 Implantar metodologias plurais com diversidade e complementaridade das temáticas que interagem com a política de habitação Número de ações programáticas com Metodologias implantadas Ter as metodologias implementadas em todas as ações até dez/2016 SAHAB e Prefeitura 10.2.7 Realizar as Conferências Municipais de Habitação, bienalmente e integradas programaticamente com as demais conferências temáticas e com o Conselho Municipal de delegados do Orçamento Participativo e outros Conselhos Temáticos Realizar Bianualmente Conferências Municipais de Habitação Ter 6 Conferências Municipais de Habitação realizadas até dez/2023, sendo, 1 até dez/2013, 2 até dez/2015, 3 até dez/2017, 4 até dez/2019, 5 até dez/2021 e 6 em 2023 SAHAB e Prefeitura 10.2.5 Política Fundiária O eixo programático da política fundiária é o que estrutura e dá sustentabilidade a toda gama de intervenções da Política Municipal de Habitação e requer clareza, compreensão e determinação de todos os agentes institucionais e políticos que interagem com a Prefeitura no objetivo de transformar Contagem em uma cidade mais justa no acesso à terra urbana e ao nível de regularidade urbanística praticada. A política fundiária presente em todas as ações necessárias à provisão habitacional, está também implicada e diretamente relacionada aos processos de urbanização de vilas e favelas até a sua efetiva regularização fundiária, bem como nas ações posteriores de manutenção e controle. 116 Plano de Habitação de Contagem Volume I 10.3. Diretrizes e metas da Política Fundiária Mapear e definir terras para demarcação como de interesse social com aprimoramento do sistema de banco de terras públicas e privadas; Promover a regularização fundiária das áreas de Especial Interesse Social – AIS 1 - loteamentos públicos irregulares e vilas e favelas da cidade; Desenvolver critérios e processos participativos regionais para definir as prioridades de regularização fundiária dos loteamentos habitacionais particulares irregulares. Quadro 10.3: Metas, Indicadores e Prazos: Objetivo e prazo para monitoramento item Metas Indicadores 10.3.1 Aplicar os instrumentos previstos no Estatuto da Cidade e no Plano Diretor do Município para garantir o acesso à terra urbanizada, legalizada e inserida na cidade, permitindo a utilização adequada de áreas vazias ou subutilizadas Demarcar as áreas vazias ou subutilizadas identificadas Número de áreas neste Plano até junho/2013 vazias ou subutilizadas SAHAB, SF e GESTÃO para aplicação dos identificadas e URBANA instrumentos previstos demarcadas no Estatuto das Cidades e Plano Diretor Municipal 10.3.2 Processar permanentemente informações acerca da origem, propriedade, destinação, uso e regularidade de terras, identificando áreas aptas a implantação de programas habitacionais. Notificar os proprietários Banco de Terras criado de terras quanto ao prazo e atualizado; número para seu uso e ocupação de notificações em cumprimento a função praticadas social – set/2013 10.3.3 Número de lotes Demarcar as porções territoriais demarcados como para Áreas de Especial Interesse AIS 2 Social - AIS 2, priorizando o reassentamento de famílias de vilas e favelas em processo e urbanização Percentual de famílias reassentadas Responsável SAHAB e Secretaria de Administração e Secretaria de Fazenda Demarcar e regularizar como AIS 2 os lotes necessários para as famílias a serem reassentadas pelo programa de urbanização de vilas SAHAB Ter 100% das famílias reassentadas até dez/2023. SAHAB 10.3.4 Estabelecer prioridade de demarcação de AIS 2 para as associações ou cooperativas habitacionais existentes ou que vierem a se constituir no município Percentual de solicitações de demarcação de AIS 2 atendidas Ter 100% da demanda existente de demarcação de AIS 2 atendidas até dez/2013 SAHAB 10.3.5 Ampliar a arrecadação pelo uso mais intenso do solo urbano Percentual gerado pela arrecadação do uso mais intenso do solo urbano Aumentar em lei, em 50%, o percentual de arrecadação por uso mais intenso do solo até dez/2020 Câmara dos Vereadores e Prefeito de Contagem, com apoio da SAHAB Regularizar as AIS 1 existentes Percentual de localidades em processo de regularização e finalização Ter 100% das AIS1 SAHAB equipe a ser regularizadas até dezembro ampliada de 2023. 10.3.6 117 prefeitura municipal de contagem Estabelecer ordem de prioridade para as parcerias de regularização fundiária de loteamentos habitacionais irregulares particulares Escala de prioridades acordada por região 10.3.8 Desenvolver experiência piloto na regularização fundiária de loteamento habitacional irregular de loteador particular Promover a regularização fundiária de pelo Ter iniciado o processo em menos um loteamento pelo menos 3 regiões até habitacional irregular dezembro 2014 particular por região administrativa SAHAB equipe a ser ampliada 10.3.9 Criar meios de combater a retenção de imóveis ociosos Percentual de imóveis ociosos identificados e entregues à habitação popular SAHAB 10.3.7 Ter 100% da escala ordenada até dezembro/2014 Ter 80% dos imóveis ociosos identificados até dez/2023 revertidos à habitação popular. SAHAB equipe a ser ampliada Política de inclusão social, urbana e ambiental Os processos de democratizar o acesso a cidade priorizando a população com domicilio em assentamentos precários está pautado pelas condições desiguais, pelo desnivelamento dos serviços ofertados e pela concentração de pobreza que vai se constituindo nos territórios demarcados como Áreas de Especial Interesse Social (AIS-1). O processo em curso de urbanização dos assentamentos precários da cidade de Contagem prioriza as vilas que reúnem maior acúmulo de questões e problemas físicos no espaço ocupado e no perfil populacional de seus moradores. Na, maioria das vezes, trata-se de executar o planejamento realizado com as comunidades por meio das definições do Plano de Intervenção Integrada (PIIN) ou do Plano Municipal de Prevenção e Redução de Risco (PMRR). 118 Plano de Habitação de Contagem Volume I 10.4. Diretriz e metas da Política de Inclusão Social, Urbana e Ambiental Assegurar a multiplicidade e diversidade de ações, projetos e linhas programáticas observando as metas qualitativas a saber: Quadro 10.4: Metas, Indicadores e Prazos: item Metas 10.4.1 Oficializar o Programa Municipal de Urbanização Plena e Integrada de Vilas e Favelas 10.4.2 10.4.3 Indicadores Programas normatizados e Oficializar o Programa Municipal oficializados na de Prevenção e Redução de Risco Prefeitura Oficializar o Programa Municipal de Regularização Fundiária Promover a qualificação urbanística e a regularização fundiária dos assentamentos habitacionais precários e irregulares, e sua plena inserção nos serviços de controle e manutenção urbanos comuns a toda a cidade Objetivo e prazo para monitoramento Responsável Ter os programas de Urbanização Plena e Integrada de Vilas e Favelas, de Prevenção e Redução de Risco, e de Regularização Fundiária aprovados em lei, até maio/2013 Câmara dos Vereadores e Prefeito de Contagem, SAHAB Percentual de obras realizadas de requalificação urbanística e de regularização fundiária Ter 100% das obras de requalificação urbanística e a regularização fundiária dos assentamentos habitacionais precários e irregulares realizados até dez/2023. 10.4.5 Definir critérios e escala de prioridades para urbanizar e regularizar Vilas e Favelas Lista de critérios para priorização das obras Ter os critérios definidos e a escala de escala de prioridades para urbanizar e regularizar Vilas e Favelas até a realização da 1ª Conferência até dez/2013 SAHAB, Conselho Municipal de Habitação. 10.4.6 Assegurar no processo de urbanização o direito da população de permanecer no mesmo território ou nas imediações da Vila/Favela onde construíram sua história, seu tecido social Percentual de habitações construídas em raio inferior à 2 km da área de remoção Ter 60% de todas as habitações construídas para população reassentada sendo construída em raio inferior à 2 km da área de remoção. SAHAB e Conselho Municipal de Habitação 10.4.7 Participação efetiva dos moradores no processo de urbanização de vilas e favelas exercitando a construção e consolidação de direitos Percentual de moradores participantes no processo de urbanização de vilas e favelas Ter pelo menos 5% de moradores de comunidade beneficiada participando do processo de urbanização de vilas e favelas SAHAB 10.4.8 Promover a melhoria das moradias em assentamentos precários, urbanizados ou em processo de urbanização, através Percentual de moradias de ações de assistência técnica à que realizaram melhoria autoconstrução e de crédito para reforma, ampliação ou melhoria das habitações Ter pelo menos 50% de melhorias em moradias, que necessitem destas, em assentamentos precários, urbanizados ou em processo de urbanização. SAHAB 10.4.4 119 SAHAB e demais setores das políticas urbanas. prefeitura municipal de contagem Indicadores Objetivo e prazo para monitoramento Responsável Percentual de servidores qualificados Ter 40% dos servidores capacitados anualmente, em temáticas relacionadas a elaboração de projetos arquitetônicos, urbanísticos, de trabalho técnico social, de assessoria técnica, e de fiscalização da qualidade das intervenções e serviços contratados SAHAB e Recursos Humanos da Secretaria de Administração. 10.4.10 Percentual de ações Fortalecer e expandir o Programa realizadas pelo de Prevenção e Redução de Risco Programa de Prevenção e Redução de Risco Ter aumento de 30% do número de ações no âmbito do programa, em relação às realizadas no período de 2008 2011. SAHAB 10.4.11 Revisão do PMRR – Plano Municipal de Redução de Risco Plano Municipal de redefinindo as metas anuais e os Redução de Risco projetos prioritários a partir de revisado 2013 Ter, até dezembro/2013, o PMRR – Plano Municipal de Redução de Risco revisado SAHAB em parcerias com os governos Estadual e Federal Ter equipe exclusiva de servidores, trabalhando em projetos de Monitoramento, Prevenção e Controle de Ocupação em AIS1 visando inibir a expansão irregular, o agravamento do risco e o adensamento SAHAB com participação das Regionais e Guarda Municipal Percentual de famílias de área de risco reassentadas Ter 100% de famílias residentes em áreas de risco identificadas e reassentadas até dez/2023 SAHAB, com apoio da Defesa Civil e Regionais item Metas 10.4.9 Investir na qualificação técnica do trabalho de elaboração de projetos arquitetônicos e complementares, urbanísticos, de trabalho técnico social, de assessoria técnica e de fiscalização da qualidade das intervenções e serviços contratados 10.4.12 Criar um serviço permanente com ações e projetos de Monitoramento, Prevenção e Controle de Ocupação em AIS1 Equipe montada e capacitada (2013) Número de Áreas Monitoradas (2014) 10.4.13 Assegurar o reassentamento transitório de famílias que estão com a vida em risco 10.4.14 Inibir o surgimento de novas ocupações ou expansão do perímetro dos assentamentos precários, observando principalmente áreas de preservação ambiental, de proteção de mananciais, de risco geológico ou de inundação Número de novas ocupações Não ter ocupações em áreas de expansão do perímetro dos assentamentos precários SAHAB, com observando principalmente participação das áreas de preservação Regionais ambiental, de proteção de mananciais, de risco geológico ou de inundação 10.4.15 Assegurar o apoio e o suporte técnico às iniciativas individuais ou coletivas da população para produzir ou melhorar sua moradia Percentual de iniciativas individuais ou coletivas que tiveram apoio e suporte técnico Ter 90% das iniciativas, identificadas anualmente, individuais ou coletivas com apoio e suporte técnico para produzir ou melhorar sua moradia. 120 SAHAB Plano de Habitação de Contagem Volume I item Metas Indicadores Objetivo e prazo para monitoramento Responsável 10.4.16 Prioridade aos assentamentos com áreas de risco em monitoramento e em processo de reassentamento de famílias Percentual de reassentamentos de áreas de risco Ter 100% do total de áreas de risco identificadas com necessidade de remoção removidas até dez/2023. SAHAB 10.4.17 Programa Municipal de Regularização Fundiária Ter, até dez/2013, o Programa Programa Municipal de Municipal de Regularização Regularização Fundiária Fundiária 10.4.18 Criar instrumentos locais de regularização de loteamentos públicos, loteamentos irregulares e assentamentos habitacionais precários, as AIS 1 Aprovar instrumento de regularização de loteamentos Ter, até dez/2013, um instrumento local para regularização de loteamentos, irregulares particulares SAHAB SAHAB e Gestão Urbana Produção Habitacional As experiências de produção habitacional no país estão voltadas ao financiamento da casa própria para a classe média, com a produção atribuída ao setor privado e com períodos de maior ou menor investimentos. Para as faixas de renda mais baixas a tradição é a autoconstrução ou o clientelismo eventual de programas governamentais. As práticas que se observavam nos municípios eram de doação de lotes, de material de construção, de unidade habitacional embrião e outras. Atualmente a verticalização para a população de baixa renda parece ser uma prática que persistirá e que deve ser avaliada nacionalmente, pois, o adensamento é um dos fatores a serem medidos para avaliar a qualidade da moradia seja vertical ou não. A verticalização ocorre em parte pelo preço da terra e pela vantagem financeira do custo da produção padronizada, principalmente se for em grande escala. A produção padronizada utiliza sempre o mesmo projeto deixando de considerar o perfil populacional dos moradores que irão morar como se está praticando no Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV). A gestão da Prefeitura de Contagem, em parceria com o Governo Federal, desenvolveu projetos no âmbito das intervenções em Vilas e Favelas observando aspectos acordados com os moradores e conforme o perfil das famílias dos locais que se encontram executando os projetos viabilizados pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Isto, seguramente elevou o padrão dos projetos concebendo unidades com um, dois e três quartos. Portanto, mais condizente com a média de pessoas por domicilio, fator a ser considerado para formar o grupo de moradores e, consequentemente, implica em planejamento de longo prazo que permite primeiro organizar o grupo e depois conceber o projeto. 10.5. Diretriz e metas da Política de Produção Habitacional Fazer gestões para direcionar e priorizar a produção habitacional no município conforme a demanda da população por faixa de renda e perseguir a meta de: 3000 unidades habitacionais para o público morador em áreas de risco com renda familiar mensal de até 3 SM; 3000 unidades habitacionais para o público morador de aluguel com renda familiar de até 3 SM; 4000 unidades habitacionais para reassentamento de famílias removidas em função de obras públicas. 121 prefeitura municipal de contagem Quadro 10.5: Metas, Indicadores e Prazos: Item Objetivo e prazo para monitoramento Metas Indicadores 10.5.1 Criar um programa ou serviço de controle e monitoramento da produção habitacional Ter, até dez/2013, o Programa de Controle Programa de Controle e Monitoramento da e Monitoramento da Produção Habitacional Produção Habitacional em funcionamento SAHAB 10.5.2 Garantir adequada inserção dos empreendimentos de habitação de interesse social na cidade, considerando o acesso a equipamentos sociais e de infraestrutura urbana, bem como estimular a diversidade social na ocupação do território urbano Percentual de domicílios em AIS com acesso a infraestrutura urbana e aos equipamentos SAHAB 10.5.3 Fomentar a oferta de moradia para segmentos populacionais que requerem subsídio 10.5.4 10.5.5 10.5.6 Ter 100% dos domicílios em AIS com acesso à infraestrutura urbana e aos equipamentos até dez/2023 Número de novas moradias construídas para o mercado popular (3 a 6 SM) Ter 10.000 moradias construídas, sendo, 2.000 até dez/2014, 8.000 até dez/2020 e 10.000 até dez/2023 Ter pelo menos 1 técnico Apoio as iniciativas de produção habitacional Número de técnicos de da SAHAB, dedicado à em autogestão. apoio à autogestão supervisão e apoio a autogestão até dez/2012 Promoção de orientação a obtenção do Número de Ter 7.000 financiamentos financiamento habitacional subsidiado, com financiamentos habitacionais concedidos apoio da equipe de assistência técnica de habitacionais para população de baixa arquitetura e engenharia pública concedidos renda até dez/2023 Número de unidades Ter 5.000 unidades Estimular a produção habitacional, pelo habitacionais habitacionais produzidas mercado imobiliário, de habitação de produzidas pelo pelo mercado imobiliário interesse social, simplificando e agilizando mercado imobiliário para população de interesse os procedimentos de aprovação dos novos para população de até social até dez/2023 empreendimentos 3 SM Responsável SAHAB e Governo Federal SAHAB SAHAB e Caixa SAHAB 10.5.7 Definir estratégia junto a Caixa Econômica Federal para prosseguir com as ações de transformar as unidades habitacionais atualmente arrendadas em linha de financiamento Ter 100% das unidades Percentual de unidades habitacionais arrendadas habitacionais que eram transformadas em linhas de arrendadas, financiadas financiamento até dez/2023, sendo, 50% até dez/2018 10.5.8 Estimular e desenvolver tecnologias de projeto, construção e manutenção dos empreendimentos habitacionais voltados para o princípio do desenvolvimento sustentável, contemplando alternativas de conservação de água e energia, reciclagem de resíduos sólidos e valorização das áreas verdes e de lazer Ter 50% de todas as unidades Percentual de SAHAB com habitacionais construídas, unidades habitacionais apoio de entre 2013 e 2023, pela construídas com construtoras Prefeitura, com tecnologia tecnologia sustentável sustentável 122 SAHAB e Caixa Econômica Federal Plano de Habitação de Contagem Item 10.5.9 10.5.10 10.5.11 10.5.12 10.5.13 4.5.14 10.5.15 10.5.16 Metas Volume I Indicadores Objetivo e prazo para monitoramento Ter 20% de aumento da Criar condições para ampliar a oferta de novas Percentual de unidades oferta de novas unidades unidades habitacionais à população de menor habitacionais para habitacionais para população poder aquisitivo e moradora de aluguel ou pessoas de baixa renda de baixa renda, por ano, em cessionária relação à oferta de 2012 Articular e implantar mecanismos de controle Ter 100% das unidades da produção habitacional no município Percentual de habitacionais construídas por parte da iniciativa privada, para buscar unidades habitacionais pela iniciativa privada direcionar os investimentos do ponto de vista vistoriadas vistoriadas a partir de do público que irá acessar bem como sua jan/2013 localização Contratar assessoria especializada com notoriedade em regulamentação de AIS e elaborar parâmetros urbanísticos e edilícios Consultoria para Ter a consultoria realizada até para HIS, bem como procedimentos regulamentação de AIS dez/2015 de aprovação, específicos para os empreendimentos habitacionais de interesse social Percentual de unidades Ter pelo menos 50% das produzidas no âmbito unidades habitacionais com Avaliar o desempenho do programa federal do programa MCMV, produção autorizada, ao MCMV no Município para as famílias de baixa em relação ao total de ano, no âmbito do programa renda e do mercado popular domicílios produzidos MCMV, sendo direcionadas para a população de para a população de baixa baixa renda renda (até 3 SM) Organizar as pré-inscrições ocorridas em 2009 no PMCMV, priorizando as famílias Ter o cadastro das préCadastro revisado e inscritas no CAD Único, de forma a eliminar inscrições revisado e quem está fora dos critérios e tornar público atualizado atualizado até dez/2013 os procedimentos e a seleção das famílias beneficiárias Percentual de Ter 100% das necessidades atendimento de habitacionais da população necessidades Atender às necessidades habitacionais da feminina vitima de violência habitacionais da população feminina vítima de violência população feminina atendidas, entre 2013 e 2023 vítima de violência Ter 100% das pendências contratuais e de Desenvolver ações visando à solução de Percentual de pendências contratuais regularização de registros pendências contratuais e de regularização imobiliários relacionadas e de regularização de registros imobiliários, relacionadas à à produção habitacional solucionados produção habitacional já realizada solucionadas até dez/2023 Estimular a diversidade de soluções Ter 70% dos projetos arquitetônicas e urbanísticas nos aprovados, de 2013 a 2023, Percentual de projetos habitacionais, tendo em vista as que contemplem soluções características diferenciadas das famílias, suas projetos com soluções diferenciadas, para atender demandas e as condicionantes do meio físico, diferenciadas diferentes demandas da visando a qualidade paisagística e ambiental população. dos empreendimentos habitacionais 123 Responsável SAHAB com apoio de construtoras SAHAB SAHAB SAHAB SAHAB SAHAB SAHAB SAHAB prefeitura municipal de contagem 11. PROGRAMAS MUNICIPAIS A Prefeitura de Contagem desenvolve a Política Municipal de Habitação por meio de cinco programas municipais e suas respectivas ações e projetos são executados pela Secretaria Municipal Adjunta de Habitação, vinculada a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU). As ações decorrentes e necessárias a condição de morar como a infraestrutura e serviços urbanos são implantados pela Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos (SEMOBS) e as ações de saneamento ambiental pela concessionária estadual em parceria com a mesma, o que requer articulação e interação constantes. Os programas do Governo Federal em execução na cidade, como os projetos do PAC, estão parte em execução e gestão pelo Município e, em parte, em execução e gestão pelo Governo do Estado de Minas Gerais, a saber: PAC Arrudas, PAC Ferrugem e PAC2 – Saneamento – despoluição da bacia da Pampulha. Nesta última situação o mais significativo é que o município determine a concepção dos projetos, principalmente quando se trata de AIS 1. Os Programas Municipais necessários ao desenvolvimento da Política Municipal de Habitação podem ser ordenados entre aqueles de ação efetiva, direta e permanente com o público, onde a execução ocorre por administração direta com serviços pontuais terceirizados e, aqueles aqui propostos que devem coordenar e articular as ações normativas e executivas, promovidas por diversos agentes públicos municipais, portanto de execução intra secretarias e intersetores das mesmas. O primeiro grupo de programas constitui o grupo de programas em curso, embora três deles requeiram atualização de sua institucionalidade e formalização, e o segundo grupo cuida dos programas intersecretarias a serem criados e implantados absorvendo ações, estudos e projetos já existentes e as ações do Programa Federal Minha Casa Minha Vida. O planejamento habitacional praticado pela SAHAB acumula experiências que permitem afirmar a urgente e necessária criação de um setor especifico de planejamento e projetos para responder a demanda já posta e a projetada a partir da elaboração urgente de novos projetos. A criação do Serviço Municipal de Planejamento e Controle da Produção Habitacional deve buscar o planejamento permanente e o acúmulo de conhecimento especializado existente para implantar equipes de trabalho. 1 - Programas Permanentes de Ação Executiva Direta Programa Municipal de Prevenção e Redução de Risco Ações e projetos: educativas, comunitárias, integradas, preventivas de monitoramento de risco, de intervenção física e social. Programa Municipal de Regularização Fundiária Ações e projetos: para regularizar as AIS 1 e para Loteamentos irregulares particulares populares, cada território implica e plano e/ou projeto próprio. Programa Municipal de Urbanização Plena e Integrada de Vilas e Favelas Ações e projetos: planejamento participativo, definição de prioridades, auto de demarcação urbanística, projetos específicos por territórios, intervenções totais e parciais integradas e de regularização fundiária. Programa Bolsa Moradia Ações e projetos: subsídio ao reassentamento provisório e transitório. Programa de Reassentamento Monitorado – Remo Ações e Projetos: remoções emergenciais com reassentamento por imóvel usado e com subsídio. 2 – Programas de Coordenação Intersecretarias Programa Municipal de Manutenção e Monitoramento de AIS1 – implantação de uma ação permanente de fiscalização, controle e prevenção de ocupações irregulares nas AIS 1 do município. 124 Plano de Habitação de Contagem Volume I Ações e projetos: ações normativas, integradas, permanentes e coordenadas pelo eixo temático de educação e prevenção físico ambiental, constituindo monitoramento e fiscalização no uso e ocupação dos territórios de assentamentos precários; Serviço Municipal de Controle da Produção Habitacional – criar e implantar mecanismos de controle da produção habitacional no município partindo da concepção dos projetos até o término de sua execução; direcionar os investimentos quanto a sua localização e a seleção do público que irá acessar o financiamento. Ações e projetos: estimular a produção habitacional própria e do setor privado com fontes diversas de financiamentos; assistência técnica nas áreas de arquitetura e engenharia públicas; monitorar e implementar o PMCMV; supervisionar e acompanhar a implantação dos projetos de trabalho técnico social por empreendimento e criar formas de documentação e memória; direcionamento da concepção e elaboração dos projetos de habitação de interesse social. A apresentação que segue, primeiramente, cuida da descrição dos programas existentes com um roteiro breve de itens para contemplar os diversos aspectos que desenvolvem e, seguidamente é apresentado, o programa a ser criado - Programa Municipal de Manutenção e Monitoramento de AIS 1 - que trata de ações gerais a serem aprofundadas no mérito de suas atribuições e competências intersetoriais na execução e gestão do mesmo e da Política Municipal de Habitação. Por último é apresentada a estratégia de implantar o Serviço Municipal de Planejamento e Controle da Produção Habitacional, como condicionante para alicerçar as demais ações da Política. Este serviço é essencialmente de planejamento, monitoramento, controle e implantação de novas ações e projetos, como veremos a seguir. Isto pode e deve ocasionar no tempo novas propostas de implantação de ações ou programas. 11.1. PROGRAMA MUNICIPAL DE PREVENÇÃO E REDUÇÃO DE RISCO A conclusão do Plano Municipal de Redução de Risco no Município de Contagem ocorreu no ano de 2007 quando o estudo realizado em parceria com o Governo Federal – Ministério das Cidades foi apresentado à sociedade por meio de audiência pública. Desde então, as ações de prevenção e redução de risco já fazem parte dos compromissos da agenda pública local que não tem medido esforços em apoiá-las, buscando estabelecer uma política de enfrentamento do risco na cidade. Os instrumentos disponíveis já constituídos e a forma de execução para atingir os resultados pretendidos pelo Programa em curso, são descritos nas Ações do Programa ao longo do texto. Atualmente, uma equipe multidisciplinar formada por dois profissionais de Engenharia Civil, dois Técnicos Sociais (Assistentes Sociais) e um estagiário da área social, um Técnico de Obras Públicas de Nível Médio, um profissional de apoio da área administrativa e um profissional na Coordenação, constituem a equipe mínima necessária para o desenvolvimento dos trabalhos. Ressalta-se que o trabalho do profissional da geologia se dá na atualização do PMRR e por meio de consultoria garantida pelo poder público em situações pontuais. Cerca de 100 voluntários, distribuídos em 10 grupos atualmente, constituem os núcleos de defesa civil do Município. Estes recebem treinamentos e orientações acerca do risco geológico, e são multiplicadores de informações dentro de suas comunidades. Vale salientar que cerca de R$5.000.000,00 já foram investidos em execução de obras estruturantes para redução do risco nas vilas do município de Contagem, com recursos do Tesouro Municipal, desde o início das ações e em consonância com o PMRR. Nome do Programa: Programa Municipal de Prevenção e Redução de Risco Definição: o programa está voltado para a segurança e melhoria da qualidade de vida da população de vilas e favelas de Contagem, com a realização de obras de contenção de encostas ou com a remoção e reassentamento das famílias para lugares seguros – caso não seja possível que estas permaneçam nos locais de origem devido a riscos. Também é feito um trabalho de prevenção e conscientização da população que vive em áreas de risco. Regulamentação Municipal: Plano Municipal de Redução de Risco de 2006; a Lei nº4079/2007. O primeiro decreto que institui o CGAR de nº 540 de 15 de dezembro de 2006, revogado pela sucessão de decretos a cada ano para reinstalar o CGAR e a Lei nº 4079, de 02 de maio de 2007. 125 prefeitura municipal de contagem Público-alvo: Famílias cujas moradias encontram-se localizadas em áreas consideradas de risco no Município de Contagem, elencadas no Plano Municipal de Redução de Risco de 2006, com a revisão e atualização do PMRR. Objetivo Geral: Promover a redução do número de famílias e domicílios expostos ao risco no município de Contagem, nas AIS 1. Objetivos específicos: Melhorar as condições físicas e sociais das AIS1 para que as famílias possam continuar em seus locais de origem ou próximas dele; Contribuir na segurança das famílias que residem em áreas de risco; Monitorar, no mínimo duas vezes ao ano, as áreas identificadas como de risco no PMRR; Promover a sustentabilidade das ações junto às famílias com atividades educativas e de trabalho social realizado com as comunidades de áreas de risco. Órgão Executor do Programa: Secretaria Municipal Adjunta de Habitação. Equipe executora do Programa: Coordenadoria de Intervenção em Assentamentos Precários – Gerência de Prevenção e Redução de Risco. Recursos Financeiros e Fonte: R$1.000.000,00/ano – Recurso do Tesouro Municipal, Fundo Municipal de Habitação de Interesse Social. Linhas de Ação PROGRAMÁTICA e Projetos: As ações desenvolvidas para a minimização do risco no município estão agrupadas em quatro ações programáticas, a saber: Monitoramento das moradias em áreas consideradas de risco; Intervenções Estruturais para Redução de Risco; Trabalho comunitário e consolidação de NUDEC; Trabalho Integrado Intersetorial dos órgãos institucionais da Prefeitura de Contagem – Instituição do Comitê Gestor de Áreas de Risco – CGAR a cada ano e revisitar a matriz de atribuições dos setores responsáveis pelas ações e que integram o Comitê. Ação programática: Monitoramento das moradias em áreas consideradas de risco Projeto 1 : Monitoramento de Risco Descrição: Monitoramento de moradias em situação de risco baixo, médio e alto, já identificadas pelas ações nas áreas de risco, localizadas nos territórios apontados no PMRR de 2006, com previsão de atualização em 2012/2013. A partir das vistorias de monitoramento, deve-se fazer o registro dos casos nas fichas de avaliação e no banco de dados para que se possa produzir estatísticas sobre as operações e para verificar a pertinência de intervenções físicas. Metas programadas: Realização de, no mínimo, duas vistorias anuais nas moradias consideradas de risco. Avaliação e Monitoramento: Realização de vistorias por solicitação do morador e programadas pelo setor; Registro em fichas de avaliação de risco para acompanhamento dos casos; Lançamento no banco de dados de monitoramento; Produção de Relatórios Estatísticos; Projeto 2 :Operação pré – chuvas Descrição: Realização de vistorias, nos territórios identificados como de risco pelo PMRR de 2006 e se for solicitado pelo morador de área de risco, seguidas de orientação a população do domicílio e do entorno quando necessário. Também deve-se fazer o registro dos casos nas fichas de avaliação e no banco de dados para que se possa produzir estatísticas sobre as operações e para verificar a pertinência de intervenções físicas. Metas programadas: Realização de vistorias nas moradias consideradas de risco alto e Mobilização dos voluntários de NUDEC e moradores em áreas de risco para alerta do período chuvoso. 126 Plano de Habitação de Contagem Volume I Avaliação e Monitoramento: Elaboração de Relatórios anuais comparativos do período, com os anos anteriores, destacando o número de remoções, o tipo de eventos ocorridos e vistorias realizadas. Projeto 3 : Atualização do PMRR Descrição: atualizar o Plano Municipal de Redução de Risco, com o auxílio da Secretaria de Estado Extraordinária de Gestão Metropolitana - Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte - Prefeitura de Contagem / Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU) Metas programadas: Atualização de 100% do Plano Municipal de Redução de Riscos – PMRR, até dezembro 2013. Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento junto à empresa que realizará o trabalho (vistorias, reuniões, etc.) Monitoramento e fiscalização de acordo com o cronograma apresentado e aprovado. Avaliação dos Produtos. Ação programática: Intervenções Estruturais para Redução de Risco Projeto 1: Execução de Obras de Redução de Risco na Vila Bandeirantes, para as quais será contratada uma Empreiteira. Territórios: Vila Bandeirantes I; Metas programadas: Obras de Contenção de Encostas no Beco 22 Recursos Financeiros assegurados e origem: PMC - R$ 339.331,87 Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento e fiscalização pelo Engenheiro responsável; Registro e Medição mensal dos serviços executados. Projeto 2: Execução de Obras de Redução de Riscos nas vilas Boa Vista; Vila Jardim Marrocos e Vila Itália, para as quais serão contratada uma Empreiteira Territórios: Vila Boa Vista; Vila Jardim Marrocos e Vila Itália Metas programadas: Obras de Contenção de Encostas – nas Vilas Boa Vista; Vila Jardim Marrocos e Vila Itália; Execução dos Projetos já elaborados e aprovados junto a Caixa Econômica. Recursos Financeiros assegurados e origem: Governo Federal – Ministério das Cidades - R$ 4.168.221,58 Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento e fiscalização pelo Engenheiro responsável; Registro e Medição mensal dos serviços executados. Projeto 3: Elaboração de Projetos de Contenção de Encostas, que serão realizados com a contratação de uma Empreiteira Territórios: Vila Bandeirantes I, Bandeirantes II, Vila Boa Vista, Vila Barroquinha A e B, Vila Funcionários, Vila Epa/ Perobas, Estaleiro I, Vila Morro dos Cabritos A e B, Vila Boa Esperança, Riachinho. Metas programadas: Elaboração de Projetos de Contenção de Encostas nas Vilas Bandeirantes I, Bandeirantes II, Vila Boa Vista, Vila Barroquinha A e B, Vila Funcionários, Vila Epa/Perobas, Estaleiro I, Vila Morro dos Cabritos A e B, Vila Boa Esperança, Riachinho. Recursos Financeiros assegurados e origem: Governo Federal – Ministério das Cidades – R$ 374.287,82 Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento e fiscalização pelo Engenheiro responsável; Registro e Medição mensal dos serviços executados. Ação programática: Trabalho Educativo nas Áreas de Risco – TEAR Projeto 1 Trabalho Social nas Áreas de Intervenção Física Territórios: Vila Boa Vista; Vila Jardim Marrocos e Vila Itália Metas programadas: Remoção conforme previsão de 9 famílias; Mobilização das comunidades e Trabalho Social junto as famílias moradoras nas áreas de intervenção (Vilas Boa Vista; Vila Jardim Marrocos e Vila Itália). Órgão Executor: Secretaria Municipal Adjunta de Habitação Recursos Financeiros assegurados e origem: Governo Federal – Ministério das Cidades 127 prefeitura municipal de contagem Equipe executora: Coordenadoria de Intervenção em Assentamentos Precários – Equipe que atua nas áreas de risco – Empresa Contratada Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento e fiscalização pelo Técnico Social responsável; Registros relatórios e Medição mensal dos serviços executados; Projeto 2: Trabalho Educativo e Consolidação de NUDEC. Territórios: Vila Barroquinha, Bandeirantes I, Perobas, Estaleiro I, Morro dos Cabritos, Boa Esperança, Funcionários, Boa Vista, Jardim Marrocos e Vila Itália. Metas programadas: Mobilização e treinamento dos voluntários dos Núcleos de Defesa Civil, moradores nas vilas Bandeirantes, Boa Vista, Jardim Marrocos, Barroquinha, Funcionários, Perobas, Vila Itália, Estaleiro I, Morro dos Cabritos e Boa Esperança. Recursos Financeiros assegurados e origem: PMC Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento pela equipe social que atua nas áreas de risco; Registros e relatórios. Projeto 3: Remoção e Reassentamento Provisório (encaminhamento para o Programa Bolsa Moradia) Territórios: Áreas consideradas de risco geológico PMRR – 2006 (atualização à partir de 2012); Metas programadas: Acolhimento e sensibilização de todas as famílias indicadas à remoção a partir da avaliação e parecer de engenharia, pelas assistentes sociais da SAHAB que trabalham na área de risco. Recursos Financeiros assegurados e origem: PMC Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento das famílias até inclusão no Programa Bolsa Moradia. Montagem de processos individuais. Relatórios e atualização do Banco de dados. Ação programática: Trabalho Integrado dos órgãos institucionais da Prefeitura de Contagem – Instituição do Comitê Gestor de Áreas de Risco – CGAR. Projeto: Ações Integradas de Gestão de Riscos. Este projeto prevê a ação conjunta da SMDU e da SAHAB como um todo, bem como de outros órgãos integrantes do CGAR. Territórios: Áreas consideradas de risco geológico PMRR – 2006 (atualização à partir de 2012); Metas programadas: Mobilização dos órgãos integrantes do CGAR e Realização de reuniões periódicas durante todo o período chuvoso Recursos Financeiros assegurados e origem: PMC Avaliação e Monitoramento: Relatórios das reuniões realizadas e reunião de avaliação final do período chuvoso. 11.2. PROGRAMA MUNICIPAL DE REGULARIZAÇÃO FUNDIÁRIA O programa de regularização fundiária que está sendo instituído no Plano Municipal de Habitação é formado pelas ações desenvolvidas nos territórios ocupados para fins habitacionais independente do tipo e da forma inicial de ocupação e posse dos imóveis e do nível de irregularidade. O planejamento das ações a serem empreendidas deve constituir um movimento de escuta dos moradores das localidades irregulares; deve ampliar e capacitar a equipe de profissionais existentes e organizar a expansão do Programa atual para alcançar as metas aqui propostas. A Prefeitura conhece parcialmente a irregularidade fundiária urbana exercida na cidade. As práticas existentes, nem sempre individuais, violam direitos individuais e coletivos urbanos, sociais e ambientais. As violações, muitas vezes, são promovidas pelos proprietários de terras e pelos intermediários de forma totalmente irregular comercializando à revelia das leis. Ao tratar de avaliar o nível de irregularidade existente na cidade de Contagem promovido pelos diversos tipos de assentamentos habitacionais, onde pelo menos 28% dos imóveis ocupados para fins habitacionais estão em desconformidade com a legislação vigente, constata-se a necessária estruturação e implantação de uma reforma 128 Plano de Habitação de Contagem Volume I urbana. A produção de lotes urbanos acontece também na área rural e já com algum tipo de urbanização, até ser complementada pelo poder público. Os estudos e levantamentos realizados organizam as informações e ordenam o conhecimento preliminar necessário à ampliação de metas de maneira ousada, por tratar-se de metas elevadas para processos com níveis variados de particularidades afetas aos imóveis e às famílias. Público Alvo: Famílias residentes em domicílios localizados em áreas loteamentos públicos ou privados, e vilas e favelas, onde predomine população com renda média familiar mensal de até seis salários mínimos e haja pelo menos um indicador de irregularidade e este seja fundiário. Objetivo Geral: Contribuir com o desenvolvimento sustentável da cidade estimulando a construção regular da Cidade permanentemente. Objetivos Específicos: Promover ações de educação e prevenção junto aos cidadãos e agentes públicos e privados. Registrar a demarcação urbanística de Vilas e Favelas. Adotar métodos de planejamento participativo e ação integral nos diversos projetos das linhas de ação do Programa de Regularização Fundiária. Definir financiamento para assessoria técnica em geral e de associativismo na área habitacional de forma individual e coletiva. Estabelecer critérios para escalonar prioridades e definir os territórios a serem regularizados. Avaliar periodicamente a legislação e identificar a cobertura legal para os projetos a serem executados. Atuar integradamente nas diversas ações da Política de Habitação e em articulação com as demais políticas públicas locais, em especial com o Programa Municipal de Urbanização de Vilas e Favelas; Buscar a simultaneidade dos processos de regularização fundiária e elaboração de PIIN em territórios que a realidade demande. Metas Programáticas: Em termos bastante medianos busca-se criar condições objetivas para poder regularizar em dez anos, no período de 2013 a 2023, as metas quantitativas abaixo. Estas representam algo em torno de 24 mil famílias, implicando em uma média de 2,4 mil unidades ao ano. A sua viabilização e as possibilidades do quadro de irregularidades parar de crescer está diretamente relacionado ao peso das ações educativas e punitivas que venham a ser priorizadas. 9.000 imóveis em Loteamentos em Públicos Irregulares, regularizar 80%, importando em 7.200 unidades. 17.157 imóveis em Loteamentos em particulares irregulares, regularizar 40%, importando em 6.800 unidades. 16.789 imóveis em Vilas e Favelas irregulares, regularizar 60%, importando em 10.000 mil unidades. O número de 16.789 domicílios existentes em Aglomerados Subnormais conforme definição do IBGE será adotado para estabelecer o percentual de regularização fundiária a ser alcançada em Vilas e Favelas, onde os fatores são bastante diversos, constituindo processos de maior investimento até a finalização do processo de urbanização e regularização fundiária. As metas acima são ousadas e conservadoras. Ousadas pela diversidade de territórios e situações a intervir. Conservadoras por serem viáveis com o mesmo nível de investimento atual e ampliação da equipe de direcionamento e supervisão das contratações advindas. 129 prefeitura municipal de contagem QUADRO 11.1: Metas em execução pela SAHAB/ FUMHIS: ITEM PROJETO TERRITÓRIO (M²) FAMÍLIAS BENEFICIADAS 1 Plano Integrado de Urbanização e Regularização Fundiária:Bairros: Estrela Dalva, São Mateus , Confisco e aglomerado de vilas do entorno 18.271,74 3000 2 Regularização Fundiária - Auto de Demarcação: Vila Maracanã 18.271,74 141 3 Regularização Fundiária - Auto de Demarcação: Vila Beatriz 31.266,10 148 4 Regularização Fundiária - Auto de Demarcação: Nascentes Imperiais 297.000 94 Os quantitativos das metas em execução, acima especificadas e totalizando 3.283 imóveis, estão sendo considerados para a meta geral de regularização de aproximadamente 24 mil famílias, em um universo estimado para a cidade de 42.946 imóveis. Assim posto é destacada e exequibilidade da meta quantitativa e como desafio é preciso reforçar a diversidade situacional dos territórios. Linhas de ação: As linhas de ação a serem implementadas no âmbito do Programa Municipal de Regularização Fundiária devem expressar os princípios e a metodologia das ações da Política de Habitação e as particularidades dos territórios que serão aprovados enquanto loteamentos, para posterior regularidade do imóvel. As ações deverão ser organizadas por território objeto de ação com seu respectivo plano de intervenção e conjunto de projetos a serem executados a médio prazo, simultâneos a elaboração do projeto de parcelamento do solo. Abaixo são elencadas as ações principais e relacionados com os plano e projetos territoriais a) normatização e material didático – estabelecer práticas de atualização do marco legal, avaliar a legislação existente e propor ajustes e complementos. Produzir, a partir da legislação, das experiências e das condições de ocupação dos territórios materiais para campanhas educativas e formativas. Explorar manifestações que colaborem com a elevação do nível de regularidade da cidade. b) educação e prevenção permanente – promover ações preventivas para alertar quanto a irregularidade, esta ação é transversal a Politica Habitacional, portanto, deve ser promovida em articulação com outras e dirigidas aos territórios objeto de regularização, principalmente aos moradores das AIS1. Periodicamente promover campanhas temáticas educativas de forma ampla, massiva e caracterizadas como eventuais e abrangentes a todo o Município. c) Promover a contratação de Plano e Projetos por território ou aglomerado - uma vez definidas as prioridades regionais, promover estudos territoriais preliminares e assegurar recursos financeiros para preparar o processo de licitatório que definirá a empresa executora. Principais ações do processo de implantação: Estabelecer prioridades e critérios para articular e implantar gradativamente o Programa, promovendo discussões locais e regionais; Estruturação e definição da ampliação do programa na Prefeitura e no conselho Municipal de Habitação; Definição do quantitativo e perfil de profissionais para compor a equipe de planejamento e supervisão do Programa; Avaliação do referencial jurídico e a necessidade de novas regulamentações para o Programa; Definição e seleção pública dos profissionais necessários ao início dos trabalhos; Discussão das metas quantitativas para o primeiro ano de expansão do Programa, considerando o ano de 2014 após a realização da primeira conferencia municipal no âmbito do Plano; Criar critérios facilitadores do escalonamento de prioridades; Avaliar com a equipe a ser implantada para o serviço de Assistência Técnica na área de urbanismo, arquitetura e engenharia pública o atendimento para situações individuais em assentamentos já regularizados; 130 Plano de Habitação de Contagem Volume I Estabelecer ordem de prioridade para as parcerias de regularização fundiária de loteamentos habitacionais irregulares particulares; Desenvolver experiência piloto na regularização fundiária de loteamento habitacional irregular de loteador particular; Promover a qualificação urbanística e a regularização fundiária dos assentamentos habitacionais precários e irregulares e sua plena inserção nos serviços de controle e manutenção urbanos comuns a toda a cidade. A regularização fundiária pode ser o ato final ou inicial da integração das temáticas e ações presentes nos diversos programas governamentais habitacionais, assim os ajustes próprios da integração e dos trabalhos passa pela formação de grupos para troca de experiências e a promoção de oficinas de capacitação antecedendo a expansão do Programa. Isto constitui metodologia de trabalho participativo e integrado. 11.3. PROGRAMA MUNICIPAL DE URBANIZAÇÃO PLENA E INTEGRADA DE VILAS E FAVELAS Nome do Programa: Programa de Urbanização Plena e Integrada Público-alvo: Famílias cujas moradias encontram-se localizadas em áreas consideradas Áreas de Especial Interesse Social (AIS1), categoria Vilas e Favelas, do Município de Contagem, demarcadas no Plano Diretor de Contagem. Objetivo Geral: Promover a requalificação dos assentamentos precários, buscando sua integração à cidade formal de maneira a garantir a essas populações o direito à terra urbanizada, à moradia digna, aos serviços de saneamento e à infraestrutura, ao transporte coletivo, à acessibilidade e à mobilidade urbana, ao trabalho e ao lazer. Linhas Programáticas e projetos que implementam e em que territórios: As ações desenvolvidas para a urbanização plena e integrada no município estão agrupadas em três linhas programáticas e seus projetos, a saber: 1. Elaboração de Plano Integrado de Intervenção - PIIN Projeto 1 : Plano de Intervenção Integrada Projeto 2 :Projetos Executivos Projeto 3 : Planos de Urbanização Integrada e Políticas Públicas Projeto 4 : Sistema Informativo Geográfico e de Dados das Áreas Especiais de Interesse Social – SIGDAIS 2. Intervenções de Saneamento Ambiental Projeto 1: Execução de Obras de Saneamento Ambiental das vilas e favelas abrangidas pela Meta 2014 – COPASA. Projeto 2 : Execução de Obras de Saneamento Ambiental das vilas e favelas que demandam saneamento ambiental. 3. Intervenção física para urbanização plena e integrada dos assentamentos precários do município objeto de processos de elaboração de PIIN. Projeto 1: Execução dos projetos de urbanização plena e integrada dos contratos em vigor com o Governo Federal Projeto 2: Captação de novos investimentos para execução de outros Planos de Intervenção Integrada (PIIN) Linha Programática 1: Elaboração de Plano Integrado de Intervenção - PIIN Projeto 1 : Plano de Intervenção Integrada Territórios: Vilas e Favelas, demarcadas como AIS1 pelo Plano Diretor de Contagem. Metas programadas: Elaboração de Planos de Intervenção Integrada para Vilas e Favelas diagnosticadas como assentamentos prioritários de planejamento, mediante critérios técnicos da PMHIS, os quais serão estabelecidos e consolidados por um sistema de informação de dados do órgão executor (SIGDAIS – ver Projeto 4). Órgão Executor: Secretaria Municipal Adjunta de Habitação 131 prefeitura municipal de contagem Recursos Financeiros assegurados e origem: FUMHIS Equipe executora: Coordenadoria de Intervenção em Assentamentos Precários – Diretoria de Intervenção Integrada, por meio de contratos específicos. Avaliação e Monitoramento: de sua execução pela SAHAB junto ao contratado para a etapa posterior de projeto executivo. Acompanhamento da defasagem dos estudos; Monitoramento de novas ocupações; Produção de Estatística. Projeto 2 :Projetos Executivos Territórios: Áreas objeto de PIIN já concluídos. Metas programadas: Elaboração de Projetos Executivos e Complementares para as áreas objeto de PIIN concluídos, seguindo a ordem de prioridade conforme as possibilidades de captação de financiamento. Órgão Executor: atualmente por meio de diversos setores da Secretaria Municipal Adjunta de Habitação e, conforme proposição deste Plano deverá ser atribuição de setor especifico de projetos. Recursos Financeiros assegurados e origem: FUMHIS (PMC) e Orçamento Geral da União (OGU). Equipe executora: atualmente Coordenadoria de Intervenção em Assentamentos Precários – Diretoria de Intervenção Integrada, por meio de contratos de terceiros. Avaliação e Monitoramento: a partir da concepção inicial, supervisão das diretrizes junto à empresa contratada para elaboração dos projetos executivos observando novas diretrizes dos Projetos para a etapa posterior de Obras de Urbanização. Acompanhamento da defasagem e atualização dos projetos. Projeto 3 : Planos de Urbanização Integrada e Políticas Públicas Territórios: Áreas objeto de PIINs e Projetos. Metas programadas: Disponibilizar e compartilhar todas as informações dos PIINs e Projetos elaborados pelo órgão gestor através de um Grupo de trabalho ou Comissão, no sentido de integrar as ações no âmbito das outras políticas setoriais: urbana, social, cultural e ambiental. Órgão Executor: Secretaria Municipal Adjunta de Habitação (SAHAB), com participação das outras secretarias afins às políticas urbanas, social, cultural e ambiental, via Grupo de trabalho ou Comissão formalizada. Recursos Financeiros assegurados e origem: PMC Equipe executora: Secretaria Municipal Adjunta de Habitação (SAHAB), Coordenadoria de Intervenção em Assentamentos Precários, com participação das outras secretarias afins às políticas urbanas, social, cultural e ambiental, via Grupo de trabalho ou Comissão formalizada. Avaliação e Monitoramento: Acompanhamentos das atividades regulares do Grupo de Trabalho ou Comissão formalizada, mediante diretrizes, estratégias e metas de integração de políticas. Projeto 4 : Sistema Informativo Geográfico e Estatístico dos Dados das Áreas Especiais de Interesse Social – SIGDAIS Territórios: Contempla todas as Áreas de Especial Interesse Social (AIS 1) Metas programadas: Consolidar Sistema Informativo Geográfico e Estatístico de Dados de todas as AIS, observando: 1. Integração com base de dados e delimitação territorial a ser acordada com o IBGE; 2. Base de Informações atualizadas da situação de risco nas AIS 1 do Município, como processo dinâmico de alimentação e monitoramento das áreas objeto de atendimento. 3. Acompanhamento do Banco de terras públicas ou privadas, garantindo informações atualizadas acerca da propriedade, destinação, uso e regularidade perante o registro de imóveis, identificando imóveis aptos a viabilizar 132 Plano de Habitação de Contagem Volume I programas habitacionais para receber as famílias de AIS 1 a serem reassentadas. 4. Banco de informações atualizadas sobre a situação habitacional das AIS1, quanto aos aspectos físico, social e jurídico, integrando dados de outras secretarias ou órgãos afins e com os empreendimentos interventivos em andamento ou concluídos, passível de ser compartilhado, com restrição, em intranet. Constituirá de ferramenta para o Projeto 3 : Políticas de Interface dos Planos de Urbanização Integrada 5. Banco de Dados Estratégico, integrando informações dos outros bancos para fundamentar atividades de Avaliação e Monitoramento, estabelecimento de critérios, prioridades de intervenção e estratégias de ação da Política Municipal de Habitação. Órgão Executor: órgão que vier a suceder a Secretaria Municipal Adjunta de Habitação (SAHAB) Recursos Financeiros e origem: FUMHIS (PMC). Equipe executora: Secretaria Municipal Adjunta de Habitação (SAHAB) , com participação dos diversos setores e outras secretarias afins à consolidação das informações. Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento das atividades de implantação dos diversos Bancos de Dados, de acordo com a consolidação dos programas da PMHIS; estudo do atendimento das metas dos outros programas em consonância com as informações consolidadas nesse sistema, monitorando a correspondência do SIGDAIS. Linha Programática: 2. Intervenções de Saneamento Ambiental Projeto 1: Execução de Obras de Saneamento Ambiental das vilas e favelas abrangidas pela Meta 2014 – COPASA Territórios: Vilas e favelas objeto da Meta 2014 - COPASA; Metas programadas: Obras de reestruturação da drenagem urbana (macro e micro drenagem), associada a intervenções de coleta e interceptação de esgoto, para as Vilas e Favelas objeto da Meta 2014 – COPASA. Órgão Executor: COPASA, Secretaria Municipal Adjunta de Habitação e Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos - SEMOBS. Recursos para Investimento: COPASA e Governo Federal. Equipes executoras: da Habitação, da SEMOBS e COPASA. Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento e fiscalização do atendimento das famílias conforme as diretrizes da PMHIS e acompanhamento e fiscalização das obras quanto a requalificação urbana proposta, especialmente dos serviços de saneamento e infraestrutura, acessibilidade e mobilidade urbana, assim como integração com outras ações das políticas públicas. Projeto 2 : Execução de Obras de Saneamento Ambiental das vilas e favelas em geral. Territórios: Vilas e favelas com demanda de saneamento ambiental. Metas programadas: Obras de reestruturação da drenagem urbana (macro e micro drenagem), associada a intervenções de coleta e interceptação de esgoto para as Vilas e Favelas. Órgãos Executores: COPASA, Secretaria Municipal Adjunta de Habitação e Secretaria Municipal de Obras e Serviços Urbanos - SEMOBS. Recursos Financeiros assegurados e origem: COPASA e Governo Federal – Ministério das Cidades. Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento e fiscalização do atendimento das famílias conforme as diretrizes da Política e do Plano de Habitação, acompanhamento e fiscalização das obras quanto a requalificação urbana proposta, especialmente dos serviços de saneamento e infraestrutura, acessibilidade e mobilidade urbana, assim como integração com outras ações das Políticas Públicas. Linha Programática 3: Intervenção física para urbanização plena e integrada dos assentamentos precários do município objeto de processos de elaboração de PIIN. Territórios: Áreas objeto de projetos de urbanização plena e integrada, que já possuem PIIN e respectivos projetos 133 prefeitura municipal de contagem executivos organizadas em dois grupos: áreas objeto de intervenção com recursos contratados e em execução e áreas com recursos a serem articulados e negociados. Projeto 1 - execução de Obras de Urbanização Plena e Integrada nas Vilas e Favelas dos recursos já contratados, a saber: Vila Barraginha, Vila Beatriz, Vila Paris. Órgão Executor: Secretaria Municipal Adjunta de Habitação, por meio de empresas contratadas para execução das obras e dos projetos de trabalho técnico social. Recursos Financeiros e origem: PMC e Governo Federal. Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento e fiscalização da execução dos projetos executivos, do atendimento das famílias conforme as diretrizes, fiscalização das obras de requalificação urbana, especialmente dos projetos urbanísticos e de infraestrutura, bem como acompanhamento da produção habitacional para o reassentamento previsto das famílias. Projeto 2 – articulação institucional para a negociação e articulação de novos recursos financeiros para executar os PIIN e seus respectivos projetos executivos e os projetos de trabalho técnico social nos assentamentos precários da cidade. Órgão Executor: Secretaria Municipal Adjunta de Habitação, por meio de empresas contratadas para execução das intervenções e dos projetos de trabalho técnico social. Recursos Financeiros a negociar e origem: PMC e Governo Federal. Avaliação e Monitoramento: Acompanhamento das gestões e deliberações do Ministério das Cidades quanto as regras e normas para obtenção de recursos de urbanização de assentamentos precários, buscando que o município assegure o ciclo de elaboração permanente de novos projetos. 11.4. PROGRAMA MUNICIPAL DE REASSENTAMENTO MONITORADO (REMO) Trata-se de um programa de concessão de auxilio financeiro, no valor máximo de R$15.000,00 de indenização de imóvel, para famílias que devem ser reassentadas em virtude de risco ou obra pública, às quais prefiram a indenização ao recebimento de uma nova moradia construída pela Prefeitura, por meio de parcerias. Para que a família seja indenizada, o imóvel escolhido pela família para ser adquirido deve estar em condições adequadas de habitabilidade. Eventualmente, caso seja necessário, as famílias podem ser primeiramente reassentadas provisoriamente com a utilização do Programa Bolsa Moradia, que será descrito a seguir, para depois serem indenizadas ou reassentadas pelo REMO. Este programa também contempla ações de acompanhamento social das famílias que deverão ter seu reassentamento por unidade habitacional adquirida monitorada. Nome do Programa: Programa de Reassentamento Monitorado – REMO Definição: Destina-se à concessão de auxílio financeiro para aquisição de unidade habitacional usada que ofereça condições adequadas de habitabilidade às famílias removidas do imóvel de origem, em caráter definitivo, por situação de risco ou em função de obras públicas. Os imóveis adquiridos devem à medida do possível, observar as condições para futura regularização fundiária. Regulamentação: Lei nº. 4.079, de 02 de maio de 2007 e seus complementos. Público Alvo: Famílias proprietárias e moradoras de imóvel residencial a ser demolido em função de obras públicas ou situação de risco, avaliado com valor de até R$15.000,00 (quinze mil reais) e que desejam ser reassentadas através de aquisição de imóvel usado, desde que obedeça os seguintes critérios: A. Residir no Município há pelo menos três anos; B. Residir na moradia de origem há pelo menos um ano; C. Ter sido removida em função de obra pública ou por estar submetida à situação de risco com base em laudo técnico emitido pelo Órgão Municipal Responsável pela Política Municipal Habitacional, nos termos da Lei nº. 4079; 134 Plano de Habitação de Contagem Volume I D. Não possuir outro imóvel residencial no Município ou na região metropolitana de Belo Horizonte; E. No caso de famílias com até três membros, possuir renda familiar máxima de três salários mínimos; F. No caso de famílias com mais de três membros, possuir renda per capita no valor correspondente até 75% do salário mínimo e renda total familiar máxima de seis salários mínimos; G. Não ser beneficiária de outros programas da Política Municipal Habitacional de Interesse Social de Contagem. Objetivo Geral: Fornecer auxílio financeiro no teto máximo definido por parte do chefe do Poder Executivo Municipal, às famílias em processo de remoção definitiva, em função de risco ou obra pública, destinado à aquisição de unidade habitacional que ofereça condições adequadas de habitabilidade, conforme os termos da lei 4.079/2007. Órgão Executor: SAHAB Equipe Executora: Coordenadoria de Novos Assentamentos Recursos Financeiros e Fonte: R$ 60.000,00/ano, para pagamento de indenizações - Fundo Municipal de Habitação. LINHAS DE AÇÃO E PROJETOS: 1 – criar banco de imóveis que estão disponíveis no mercado para aquisição; 2 – realizar vistorias dos imóveis indicados pelas famílias ou identificados pela equipe do programa para avaliação e parecer quanto a aquisição; 3 – processar a aquisição e o reassentamento de família a família; 4 – Monitorar os imóveis e as famílias reassentadas pelo período de um ano e, 5 – Organizar banco de dados sobre as famílias e o programa. Este programa contempla essencialmente o fornecimento de subsídio à família para o reassentamento emergencial. Desde sua criação em 2007 o valor máximo de indenização, independente do valor apurado do imóvel de origem é o mesmo de R$ 15.000,00 para famílias que preenchem os critérios e preferem a indenização com auxilio financeiro a serem reassentadas em uma nova unidade habitacional produzida pela Prefeitura. O imóvel a ser comprado pela família deve ser vistoriado e aprovado, em relação à sua habitabilidade pela Coordenadoria de Novos Assentamentos. Se necessário, enquanto a família aguarda a conclusão de seu atendimento através do Programa de Reassentamento Monitorado – REMO, poderá ser inserida de forma temporária no Programa Bolsa Moradia. O valor máximo acima mencionado, deliberadamente deixou de ser corrigido pela administração municipal, na perspectiva de não constituir um atrativo para à família ou ser um dos fatores do preço para o mercado popular de imóveis irregulares. Portanto o valor atualmente praticado é um fator inibidor da opção de reassentamento, já que o subsídio passa a ser irrelevante, na maioria das situações postas. No entanto, a revisão do valor praticado deve ser avaliada no contexto da maior ou menor utilização do Programa como instrumento de reassentamento. Avaliação e Monitoramento: Banco de dados para controle do programa. 11.5. PROGRAMA MUNICIPAL DE BOLSA MORADIA Trata-se de um programa destinado a auxiliar financeiramente as famílias encaminhadas à Coordenadoria de Novos Assentamentos pelo setor de intervenção em áreas de risco ou pelos setores que realizam obras públicas, em virtude de precisarem ser removidas devido às suas residências se localizarem em áreas de risco ou em decorrência de obras públicas. O Programa contempla, além do auxilio financeiro, a vistoria de habilidade do imóvel apresentado para locação, manutenção de sistema de controle de pagamento e de priorização das famílias a serem reassentadas, segundo critério de localidade da unidade produzida e tempo de permanência da família no programa. A concessão do auxílio financeiro fica condicionada a aprovação do imóvel a ser locado, de forma a garantir as condições mínimas de habitabilidade em termo de segurança, acesso e salubridade. A prestação deste benefício estende-se até que se viabilize, a critério do Órgão Municipal Responsável pela Política Municipal Habitacional de Interesse Social: 135 prefeitura municipal de contagem O retorno da família beneficiária à moradia de origem, quando isto é possível; O reassentamento definitivo ou a indenização pelo imóvel de origem da família beneficiária, quando o retorno ao imóvel de origem é impossível. É importante garantir que as famílias beneficiárias do Programa Bolsa Moradia são prioridade de atendimento nos programas de produção de habitação de interesse social. Foi feita a proposição, pelos técnicos da SAHAB, de se aumentar o número de profissionais administrativos e assistentes sociais que estão inseridos na execução do Programa, para possibilitar o melhor desenvolvimento das atividades e o acompanhamento social das famílias beneficiárias, bem como, melhorias na operacionalização do programa, com implantação de sistemas gerenciais informatizados. Nome do Programa: Programa Municipal de Bolsa Moradia Definição: Programa de reassentamento temporário e transitório direcionado às famílias removidas, em caráter definitivo ou provisório, por situação de risco ou em função de obras públicas. Regulamentação: Lei nº. 4079, de 02 de maio de 2007 e Lei nº. 4147, de 16 de março de 2008. Público Alvo: Famílias residentes no município de Contagem removidas, em caráter definitivo ou provisório, por situação de risco ou em função de obras públicas e que atendam aos seguintes critérios estabelecidos na Lei nº 4.079, de 02 de maio de 2007: H. Residir no Município há pelo menos três anos; I. Residir na moradia de origem há pelo menos um ano; A. Ter sido removida em função de obra pública ou por estar submetida à situação de risco com base em laudo técnico emitido pelo Órgão Municipal Responsável pela Política Municipal Habitacional de Interesse Social, nos termos da Lei nº. 4079; B. Não possuir outro imóvel residencial no Município ou na região metropolitana de Belo Horizonte; C. No caso de famílias com até três membros, possuir renda familiar máxima de três salários mínimos; D. No caso de famílias com mais de três membros, possuir renda per capita no valor correspondente até 75% do salário mínimo e renda total familiar máxima de seis salários mínimos; Não ser beneficiária de outros programas da Política Municipal Habitacional de Interesse Social de Contagem. Objetivo Geral: Garantir moradia transitória às famílias que se encontram aguardando reassentamento definitivo ou aquelas famílias removidas de suas residências, provisoriamente, devido a fatores de risco ou em função da execução de obras públicas. Objetivo Específico: Fornecer auxílio financeiro, por parte do Poder Executivo Municipal, às famílias em processo de remoção provisória ou definitiva, que se enquadrarem nos critérios estabelecidos, destinado à locação de imóveis para fins de moradia, conforme os termos da Lei 4.079/2007 e da Lei 4.147/2008. Órgão Executor: SAHAB. Equipe Executora do Programa: Coordenadoria de Novos Assentamentos Recursos Financeiros e Fonte: R$ 1.000.000,00/ano, para pagamento de Bolsas Moradias - Fundo Municipal de Habitação Linhas de Ação e Projetos: Trata-se de um programa que tem como ação a recolocação das famílias que devem ser removidas para moradias adequadas e alugadas, segundo critérios já definidos e praticados quanto às condições de habitabilidade da moradia escolhida. Está inserido também o posterior reassentamento das mesmas em unidades habitacionais produzidas pela Prefeitura, por meio de parcerias e contratos como o Governo Federal. Avaliação e Monitoramento: São itens que devem ser monitorados para garantir a eficiência do programa: 136 Plano de Habitação de Contagem Volume I Realizar Vistorias de Habitabilidade nos imóveis a serem locados pelas famílias beneficiárias. Controlar mensalmente a entrega dos recibos. Controlar mensalmente as inclusões e os desligamentos do Programa. Sistematizar e ordenar grupos de famílias beneficiárias que devem ser reassentadas em unidades habitacionais, criando priorização de acordo com o local de construção das unidades e tempo destas no programa. criar um banco de dados para controle do programa. 11.6. PROGRAMA MUNICIPAL DE MANUTENÇÃO E CONTROLE EM AIS 1 Programa de natureza intersetorial, de coordenação das ações dos serviços prestados no território demarcado como AIS-1 pela Prefeitura. Deve envolver serviços urbanos de manutenção e coleta de lixo, melhorias habitacionais, assistência técnica de arquitetura e engenharia com foco na prevenção e controle de risco, no associativismo e colaboração comunitária, de controle e expansão territorial e de regularização fundiária. As ações das políticas públicas a serem promovidas nos assentamentos precários demarcados como AIS-1 devem estar integradas em todos os aspectos e formarem uma postura metodológica que é condição do agir e fazer da ação pública e dos parceiros e agentes contratados para determinados serviços. Os agentes públicos e privados que atuam nos territórios devem também observar o principio da participação popular e controle social. No processo de urbanização do país a gestão e manutenção das cidades foram marcadas por práticas que levaram ao desconhecimento ou negligência para com os assentamentos precários e, mais especificamente, para com as Vilas e Favelas, estigmatizadas e não oficializadas foram colocadas em segundo plano na oferta dos serviços de manutenção e controle dos territórios. As consequências advindas deste fato são muitas, mas destaca-se a existência de redes não oficiais de saneamento, o adensamento e comprometimento das condições de salubridade e acessibilidade, o risco construtivo e o risco geológico, além da oferta habitacional irregular, promovida pelo mercado imobiliário popular, para os aluguéis. A Política Nacional de Desenvolvimento Urbano – PNDU, busca integrar o planejamento territorial urbano, a habitação, o transporte e mobilidade urbana, e o saneamento básico, tem como um de seus princípios básicos a participação popular, o controle social e o enfrentamento das desigualdades socioespaciais e regionais. A integração das políticas públicas de desenvolvimento urbano é condição para alcançar cidades mais justas e equilibradas no uso e distribuição do solo urbano. Quando se trata de assentamentos precários demarcados como de interesse social a integração passa a ser condicionante da ação, pois caso contrário a eficiência e eficácia das intervenções poderá se diluir na multiplicidade de ações que não dialoguem entre si e sejam implantadas isoladamente em um mesmo território. A criação deste programa deve ser iniciada em 2013 e acoplada a linha programática do orçamento do FUMHIS de Planejamento e Gestão Habitacional prevendo recursos para dar início a sua implementação. Os recursos estimados para o programa em cumprimento ao proposto estão na ordem de R$874.000,00 ao ano, incluindo equipe de profissionais implantada no nível central e regional; logística e material educativo e pedagógico. O processo inicial de implantação deve conter a proposta detalhada e o projeto de lei para instituir um marco legal que permita fiscalizar e monitorar com ações preventivas e orientadoras do desenvolvimento local. A estratégia de implantação passa pelas ações do Programa de Regularização Fundiária e pelo Programa de Prevenção e Redução de Risco de responsabilidade executiva da SAHAB e pelas ações conjuntas e integradas dos serviços ofertados à população pelas diversas secretarias, tendo como maior aliada a Guarda Municipal. A sustentabilidade da gestão urbana e ambiental do território municipal está associada a superação do quadro dos assentamentos precários. As medidas de provisão habitacional, regularização fundiária e melhorias urbanas são o eixo da regularidade a ser buscada por todas as ações. Recursos Financeiros e Fonte: R$ 874.000,00/ano, para custeio de ampliação de equipe – Tesouro Municipal 137 prefeitura municipal de contagem LINHAS DE AÇÃO E PROJETOS As linhas de ação inicialmente propostas são três e devem prever diversos projetos que permitam alcançar as finalidades do programa. a) normatização das condições físico ambientais – criar o momento de estabelecer o marco das condições de ocupação a ser monitorado. Realizar a selagem com conhecimento e participação de todos os moradores e mais intensamente com as representações organizativas existentes ou que se criem no processo. Acordar o conceito de selagem, controle e implicações das normas com os moradores sistematizando as decisões e acordos em materiais educativos e formativos; b) educação e prevenção permanente – promover ações educativas dirigidas a pequenos grupos e aos moradores das AIS1, recorrendo ao conhecimento local existente e agregando conhecimentos científicos novos. Periodicamente promover campanhas temáticas educativas de forma ampla, massiva, e caracterizadas como eventuais e abrangentes a todo o Município. c) monitoramento e fiscalização – avaliar a legislação existente e propor a legislação complementar que se faça necessária às condições de monitoramento e fiscalização a partir das ações locais e regionais. Estabelecer o tipo de fiscalização e as penalidades correspondentes, observando um caráter mais educativo que punitivo. Os projetos a serem desenvolvidos para cada linha de ação devem ser transversais e devem estar acoplados às ações e intervenções dos programas executivos que são oferecidos naquele território pelas diversas secretarias que estejam atuando, principalmente a de habitação com os programas de regularização fundiária e os projetos preventivos do Programa Municipal de Prevenção e Redução de Risco. O programa aqui proposto deve ter como princípio a participação popular e o trabalho voluntário dos moradores que poderá ser organizado pela criação, a curto e médio prazo, de agentes comunitários dos territórios onde se inicia a implantação. A formação desses agentes comunitários constitui o cerne diferencial do que pode vir a ser uma nova cultura, uma nova forma de se relacionar com a terra urbanizada. Os agentes comunitários devem passar por processo de identificação, seleção e preparação para atuarem na busca do melhor uso e controle do solo. O planejamento participativo do programa, com os agentes comunitários já identificados, é condição para o treinamento e preparação para, após um período de dois anos, avaliar e redimensionar a experiência de atuação dos mesmos. Objetivo Geral: Promover e coordenar o desenvolvimento integrado dos territórios classificados no zoneamento da cidade como de interesse social de forma ordenada e regular, contribuindo com o desenvolvimento da cidade e com o bem-estar dos habitantes. Objetivos Específicos: Criar Grupo Gestor Intersecretarias e Grupo Técnico de Fiscalização, Prevenção e Controle de Ocupações Irregulares. Monitorar permanentemente os espaços vazios de ocupação urbana no território das AIS 1 e, em especial, daquelas localizadas em Área de Proteção e Recuperação dos Mananciais de Vargem das Flores. Promover ações preventivas, de formação, informação e orientação públicas, mobilização comunitária e rondas da Guarda Municipal. Realizar intervenções pontuais no ambiente, no sentido de inibir e impedir ocupações, obras ou intervenções irregulares. Estabelecer permanente articulação e interação dos órgãos públicos que atuam no território. Buscar segurança, condições de salubridade e bem-estar aos habitantes de AIS 1. Contribuir com a sustentabilidade das intervenções e obras realizadas nos assentamentos precários. Controlar o adensamento habitacional através de ações preventivas e educativas. Prover ações de apropriação e reutilização de espaços desocupados e áreas remanescentes. Coordenação e implementação das ações: A coordenação do programa deve estar a cargo do setor habitacional e 138 Plano de Habitação de Contagem Volume I a gestão dos territórios atribuída a um grupo gestor com representantes de diversas secretarias, sugere-se, também uma coordenação regional e mista entre os técnicos da prefeitura e a população. A formatação e implementação do programa deve ocorrer desde o nível local e regional, com a participação de profissionais operadores de diversas políticas públicas, até no nível municipal, avaliando ações complementares ou concorrentes e sobrepostas, fatores presentes em programas multisetoriais. O Programa deve ser concebido por territórios e organizado regionalmente. Os agentes nas regionais da Prefeitura devem estar articulados com as lideranças comunitárias e discutir a seleção que ocorrerá para Agente Comunitário de Território – discutir a possibilidade e necessidade de quantos agentes de território para aquela região. O processo de elaboração e planejamento do programa deve partir do princípio da participação e controle social como forma de defesa e sustentação das proposições que agregam valor e qualidade urbana aos territórios. O estabelecimento de um cronograma de trabalho para prosseguir e finalizar com a concepção inicial do programa, articular os recursos financeiros necessários a sua implantação em 2013 e 2014 e aprovar no Conselho Municipal de Habitação, deve também considerar o tempo necessário para avaliar e envolver iniciativas esporádicas ou pouco articuladas já existentes. Meta Programática: Atingir 100% de implantação do programa em todas as Áreas de Interesse Social – AIS 1, constantes do Plano Diretor do Município até dezembro de 2014, avaliar e monitorar o impacto das ações nesses territórios. Principais ações do processo de implantação: a) Elaborar decreto que nomeie Grupo Técnico de Trabalho Intersecretarias para discutir elaborar e planejar as ações de implantação do Programa Municipal de Manutenção e Controle Urbano, elaborando metodologia que favoreça a participação na definição de: Prioridades e critérios para articular e implantar gradativamente o Programa em todas as AIS 1; Estruturação e definição do programa em cada secretaria integrante do Grupo Gestor Intersecretarias; Ações a serem desenvolvidas e os procedimentos decorrentes a serem normatizados; Avaliação do referencial jurídico e a necessidade de novas regulamentações para o Programa;, Definição e seleção pública dos profissionais necessários ao início dos trabalhos; Estabelecimento de metas quantitativas para o primeiro ano de execução. b) Propor no processo de elaboração da Conferência Municipal de Habitação, em 2013, a discussão desta temática e oferecer e submeter à conferência toda sistematização acumulada pelo Grupo Técnico de Trabalho para implantação do Programa Municipal de Manutenção e Controle Urbano. c) Estabelecimento de critérios e enquadramento dos territórios para implantação escalonada do programa, a partir de março de 2013 e conforme orientação das situações já identificadas e que deve ser discutida nos diversos momentos metodológicos de elaboração do Programa, a saber: Assentamentos localizados em extremos da malha urbana existentes, representando vetores de expansão a serem controlados. Exemplo Vila Funcionários. Assentamentos com prioridade para monitoramento e controle de expansão e adensamento, em função de ocorrências recentes de irregularidades, potencialidade apontada, precariedade e disponibilidade de vazios. Exemplo Morro dos Cabritos, na Ressaca Assentamentos beneficiários de projetos ou obras de urbanização, melhorias urbanas, regularização fundiária ou outras intervenções a serem monitorados. Por exemplo Vila Beatriz, Vila Maracanã Assentamentos onde foram identificados setores de risco associados a escorregamentos/ deslizamentos. Por exemplo, Vila Bandeirantes Assentamentos onde foram identificados setores de risco associados a solapamento de margem de córrego. Por exemplo, Vila Aparecida, na região Nacional 139 prefeitura municipal de contagem Assentamentos localizados em Área de Proteção e Recuperação de Mananciais. Por exemplo, Estaleiro Assentamentos com vazios contíguos – Por exemplo, Vila Epa d) Articular, a partir do Grupo Técnico de Trabalho Intersecretarias a integração das temáticas e ações presentes nos diversos programas governamentais, para que se façam os ajustes próprios da integração dos trabalhos e se constituam e formem grupos de troca de experiência e se promovam seminários e oficinas de capacitação antecedendo a implantação do Programa. Ao finalizar, é necessário registrar que a proposição de criar um programa municipal com o formato de articular a integração das ações promovidas por outros programas públicos e no cerne deste o desafio de apropriação das regras de controle urbano pelos cidadãos como forma preventiva para o crescimento da cidade, somente se efetivará havendo determinação técnica e governamental neste rumo. 11.7. SERVIÇO MUNICIPAL DE PLANEJAMENTO E CONTROLE DA PRODUÇÃO HABITACIONAL Em termos gerais a implantação de um serviço municipal de planejamento e controle da produção habitacional, ou outra denominação aplausível, é urgente para que se crie saber próprio da administração municipal e favoreça a captação de novos recursos financeiros com projetos mais definitivos, ou seja, com projetos executivos. A demanda por criar um setor de planejamento habitacional municipal específico e com equipes de elevado nível de conhecimento e experiência para desenvolver as ações de natureza normativa e de planejamento geral nos níveis: municipal, regional e participativo local está presente desde a implantação da atual estrutura que responde pela execução da Política Municipal de Habitação, bem como um setor administrativo financeiro próprio. O município, para além de suas ações diretas, deve conhecer os programas de financiamento habitacional do governo federal e acompanhar a produção que realizam na cidade, que fluxo populacional isto está gerando e como a Prefeitura pode direcionar a demanda construtiva e a demanda por financiamento habitacional do cidadão contagense. Para de fato conhecer e interferir no controle da produção habitacional no município, a Prefeitura deve criar instâncias governamentais que elevem a qualidade e agilidade dos projetos e respectivas aprovações, sejam de urbanização ou de produção habitacional promovida pela mesma ou pela iniciativa privada. A produção habitacional informal, aquela produzida por auto construção, pode ser qualificada e a longo prazo tornála regular com o serviço de assistência técnica de arquitetura e engenharia pública para as áreas demarcadas como de interesse social. As ações de planejamento e elaboração de projetos, com base na experiência recente, embora a produção habitacional tenha sido apenas em função de urbanização de vilas e favelas, expõem a deficiência e insuficiência de recursos humanos para a diversidade de projetos de intervenção que os processos de urbanização plena e integrada geram para análise e aprovação pelas escassas equipes internas, que necessitam conferir, solicitar ajustes e aceitar quando os projetos são contratados e elaborados por terceiros. O controle de produção habitacional para segmentos populacionais que possuem o direito ao financiamento subsidiado é fundamental na atualização de banco de dados, como o banco dos mutuários, do CadÚnico e do banco de beneficiários em Contagem. O município deve exigir do construtor e agente de comercialização que forneça banco de dados com o perfil e origem das famílias que acessam o financiamento por empreendimento comercializado. LINHAS DE AÇÃO E PROJETOS O serviço a ser criado de controle da produção habitacional deve ser instituído na estrutura do órgão gestor da Política de Habitação com a perspectiva de envolver diversas ações e projetos, estima-se que deve ser integrado por três novas equipes responsáveis pelo: planejamento geral e especifico, projetos urbanísticos e arquitetônicos e projeto de trabalho técnico social Ações e projetos: Estimular a produção habitacional própria e do setor privado com fontes diversas de financiamentos; 140 Plano de Habitação de Contagem Volume I Ampliar e monitorar a implementação do PMCMV e outros programas federais oportunos à realidade local; Acompanhar e desenvolver a concepção e elaboração dos projetos de habitação de interesse social; Monitorar e atualizar, periodicamente, o Banco de Terras do município e promover todas as gestões necessárias de AIS-2. Este monitoramento será realizado pela equipe do Programa Municipal de Manutenção e Controle em AIS 1; Desenvolver e implantar métodos que favoreçam a participação das famílias na concepção e elaboração de projetos habitacionais e dos projetos setoriais que integram sua execução. Desenvolver projetos de assistência técnica nas áreas de arquitetura e engenharia públicas; Desenvolver projetos de associativismo e organização comunitária a partir do PTTS dos empreendimentos ou de outras iniciativas em curso. Supervisionar e acompanhar a implantação dos projetos de trabalho técnico social por empreendimento; Promover a diversidade de soluções arquitetônicas e urbanísticas nos projetos habitacionais, tendo em vista as características diferenciadas das famílias, suas demandas e as condicionantes do meio físico. A realidade de cada território demanda plano e projetos específicos para intervir nos mesmos, desta forma têm-se que cada território, cada comunidade constitui um projeto urbanístico e arquitetônico e diversos outros projetos que constituem a ação integrada de intervenção na realidade a ser transformada. As ações destacadas acima são as ações das quais se derivam estruturas administrativas inexistentes que favorecem o planejamento e a execução decorrente das mesmas, de forma permanente e ocasional. Como a administração pública municipal atua com a terceirização de ações temporárias ou eventuais como, por exemplo, o trabalho técnico social dos empreendimentos habitacionais, é preciso organizar estas ações e projetos em equipes permanentes para a concepção, supervisão, monitoramento e controle e atribuir a terceirização apenas a execução por tempo determinado de projetos previamente definidos pelo poder público. Meta programática: Atingir 100% de implantação do serviço para todas as ações das políticas setoriais que formam a Política Municipal de Habitação até dezembro de 2014 e avaliar e monitorar o impacto do planejamento e controle da produção habitacional na cidade. Recursos Financeiros e Fonte: R$ 1.212.000,00/ano, para custeio de ampliação de equipe - Tesouro Municipal Principais ações do processo de implantação: a) Elaborar decreto que nomeie Grupo Técnico de Trabalho para discutir elaborar e planejar as ações de implantação do Serviço Municipal de Planejamento e Controle da Produção Habitacional, observando: Estabelecer ações prioritárias para organizar e implantar gradativamente o Serviço; Estruturação e definição dos setores a serem criados com os respectivos instrumentais e equipes de trabalho; Avaliar as ações a serem normatizadas e os procedimentos decorrentes; Definição e seleção pública dos profissionais necessários ao início dos trabalhos; Estabelecimento de metas quantitativas para os dois primeiros anos de implantação do Planejamento. b) Propor, no mínimo, na estrutura administrativa a ser criada, os setores e suas respectivas equipes, abaixo mencionadas: Informação, Estatísticas e Georeferenciamento (2 profissionais de nível superior – geógrafo, estatístico ou demógrafo); Comunicação Social (1 profissional de nível superior da área de comunicação e 3 de nível médio); Orçamentos, Tecnologias e Apropriação de Custos (2 profissionais de nível superior – engenheiros); Concepção e Elaboração de Projetos em todas as áreas de intervenção (2 profissionais de nível superior – engenheiros); Controle da Produção Habitacional Pública e Privada (1 profissional de nível superior – engenheiro); 141 prefeitura municipal de contagem Organização Socioespacial dos grupos beneficiados (3 profissionais de nível superior da área social); e, Assistência Técnica nas áreas de arquitetura e engenharia pública para os territórios demarcados como AIS 1 (3 profissionais de nível superior – arquitetos e engenheiros). A estruturação dos setores acima elencados deve ser gradual e programada conforme a premência de um ou outro serviço, porém deve ser uma determinação governamental para criar as condições objetivas de fazer frente ao volume das estratégias apresentadas neste Plano. Estratégias que buscam e tem a finalidade de nos próximos 10 anos, haver controlado e superado as condições precárias socioespaciais das Vilas e Favelas e minimizar o impacto da demanda de produção habitacional para o segmento populacional com renda até 3 SM. Ao finalizar e diante da proposição de criar uma instancia governamental responsável pelas ações de planejamento e controle da produção habitacional, no sentido amplo atribuído ao termo, é salientado que as equipes que, no presente, atuam na implantação da Política de Habitação cuidam de todos os aspectos mencionados, pois são imprescindíveis ao bom desempenho das ações e programas. Mas, isto também traz, por serem equipes pequenas, o dilema de atendimento de prazos e os tempos para responder à toda demanda posta e ao volume de possibilidades das linhas de financiamento em vigor no País. O fato de criar uma instância apropriada e que se especializa nas áreas programáticas de ação indireta, ou seja, de planejamento e, na maioria das vezes constituindo atividades-meio para viabilizar e dar agilidade à Política de Habitação, não significa estar propondo dois níveis de profissionais: os de planejamento e os de execução, pois o planejamento participativo implica e envolve a todos. É questão central ter um organismo que estimula e coordena os atos de planejar de forma a envolver os mais variados atores, principalmente quando estamos buscando o exercício do planejamento participativo a todos os atos e níveis de planejamento. O melhor desenvolvimento de uma ação ou programa é aquele que envolve as pessoas, os técnicos, os cidadãos, desde a concepção de uma ação, de um projeto ou programa, planos e estratégias, até o alcance pretendido. A ação de planejar é útil e eficaz para a administração pública, mas o mais importante é o grau de conhecimento que se tem dos problemas e da realidade que os envolve, assim o processo de planejamento requer o envolvimento e contribuição de todos. 12. AÇÕES COMPLEMENTARES TRANSVERSAIS O destaque para algumas ações complementares deve-se ao fato de estar tratando de ações transversais a todas as ações da política, bem como por apresentarem impacto junto à Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2013 e 2014, bem como para o Plano Plurianual do próximo quadriênio. Outro fator presente que leva a destacar e propor mais detalhadamente algumas das ações é a inovação da ação proposta diante do fato da inexperiência do momento para com a mesma. No agrupamento e associação de estratégias que seguem a organização temática é como um exercício de eleição da lógica operativa e agrupamento das ações principais dos cinco eixos programáticos que não constituem um programa, mas que perpassam ou complementam os já existentes. As ações propostas são imprescindíveis ao primeiro e segundo ano de execução do Plano, além do prosseguimento daquelas em execução. 12.1. Criação do Órgão Gestor da Política de Habitação A Prefeitura de Contagem, fundamentalmente, a partir dos anos 80, do século passado, trata o setor habitacional da cidade localizando-o em diversos setores, departamentos ou secretarias e estruturas políticas, confirmando a fragmentação, descontinuidade e desestruturação no trato da questão habitacional, aspectos que podem ser tidos como tácitos para as práticas de clientelismo. Nos anos 2000, o setor habitacional localizou-se inicialmente na Secretaria de Trabalho e Promoção Social, posteriormente foi criada a Secretaria Municipal de Habitação e Projetos Especiais, sem que fossem criadas as condições de organização e estruturação da mesma. 142 Plano de Habitação de Contagem Volume I Na segunda metade dos anos 2000, o setor habitacional, primeiramente, foi uma coordenadoria da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente e, posteriormente, em dezembro de 2006 é criada a Secretaria Municipal Adjunta de Habitação, de segundo nível na hierarquia administrativa da Prefeitura, tendo sua primeira e única estruturação formal definida no Decreto n. 544, de 22 de dezembro de 2006, vinculada a atual Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano. No momento presente, após seis anos de implantação da atual Política Municipal de Habitação, é premente avaliar e deliberar sobre a estrutura administrativa do setor habitacional e o grau de hierarquia que deve ocupar na estrutura do poder executivo local. Porém, o mais relevante é assegurar que o setor habitacional seja o finalizador da concepção dos projetos arquitetônicos, urbanísticos e sociais a serem implantados pela política de habitação, independente de sua localização na estrutura administrativa. Assim, a proposição é de que o órgão municipal responsável pela implantação da política de habitação também seja deliberativo, decisório e presida o Conselho Municipal de Habitação, para responsabilizar-se pelas ações ou programas com seus respectivos projetos, bem como pela articulação institucional intra Prefeitura e com a sociedade civil. Portanto, deve ser um órgão de decisão e não apenas de execução, implicando em criar uma instância de primeiro nível na estrutura administrativa da Prefeitura. O volume de trabalho já em curso pela Secretaria Municipal Adjunta de Habitação e as proposições e estratégias expressas neste Plano Municipal de Habitação, aliado ao quadro de investimentos que o Governo Federal incentiva e promove, são a real manifestação da importância que a área habitacional adquire para a cidade de Contagem. Como vimos anteriormente, a dívida de inclusão socioespacial acumulada nos últimos 30 anos junto à população de menor poder aquisitivo, somente pode ser enfrentada a longuíssimo prazo, o desafio é no mínimo para os próximos 20 anos, observando o volume de investimento atual por parte dos três níveis de governo. A criação de um organismo municipal de primeiro nível hierárquico na estrutura administrativa da Prefeitura para responder pela Política Municipal de Habitação, com ênfase na população com renda salarial de até seis salários mínimos que constitui a denominada habitação de interesse social, conforme estabelece o Plano Diretor da Cidade, deve vir acompanhada obrigatoriamente da definição quantitativa e qualitativa de um corpo de profissionais que faça frente a uma estrutura hierárquica que envolva o planejamento habitacional da cidade; a avaliação e redefinição permanente da atual Política Municipal de Habitação; o planejamento participativo necessário a cada território objeto de intervenção com seus respectivos projetos arquitetônicos, urbanísticos e de trabalho social; a informatização do organismo a ser criado com implantação de sistema de monitoramento e acompanhamento das ações; a execução das linhas de ação, programas e projetos com suas respectivas intervenções físicas quando for o caso. Demanda: Contratar consultoria especializada pontual e/ou criar um pequeno grupo de estudo para definir a estrutura administrativa necessária para responder pelo organismo a ser criado apontando o tipo e natureza jurídica ideal para fazer frente a missão institucional proposta; Definir o quantitativo e o perfil dos recursos humanos necessários ao fomento da Política de Habitação e a implantação deste Plano; Aprovar novo organograma e fluxograma do Sistema Municipal de Habitação a partir da aprovação do novo órgão gestor, observando as instâncias de participação da sociedade: Conferência, Conselho Municipal, Conselho Regional, Fóruns Regionais, Fóruns Temáticos, Comissões de Representantes de Comunidades, Grupos Técnicos Mistos de Trabalho e outros que reforcem a intersetorialidade e as parcerias entre programas e ações. Prazo: 3 meses após a aprovação final do Plano pela Prefeitura, pelo Conselho Municipal de Habitação e pela Câmara Municipal de Contagem. Custo: Contratação de consultoria para concepção e elaboração da proposta, valor estimado em R$ 12.000,00. 12.2. Participação Popular e Controle Social A realização de uma primeira Conferência Municipal no âmbito das proposições deste Plano é a primeira ação para consagrar e pactuar as propostas e metas sistematizadas neste Plano. A diversidade e intensidade de meios e formas 143 prefeitura municipal de contagem de participação são fundamentais ao nivelamento da pauta de discussões entre os atores que vão se organizando em volta da questão habitacional do município, sejam agentes públicos ou privados. O processo de realização da conferência deve ser antecedido pela realização de um fórum regional de representantes de todas as políticas públicas municipais, onde participantes do executivo municipal e da sociedade atuantes em outras políticas setoriais param para discutir a política habitacional e suas interfaces. No contexto da conferência devem ser eleitas as representações para o próximo triênio 2013 a 2015 dos integrantes do Conselho Municipal de Habitação, bem como criar e eleger os Conselhos Regionais de Habitação e a representação por território para o Fórum Municipal de Vilas e Favelas. Figura 12.1: Sequência das atividades de Participação Popular Fonte: Elaboração Própria Para superar a histórica dívida social urbana e colocar o cidadão Contagense em um patamar de igualdade de acesso aos serviços urbanos necessários a uma moradia digna e uma cidade com qualidade de vida é preciso estreitar os laços do poder público e população de forma contínua e transparente. Os poderes públicos com a contribuição da sociedade interessada tendem a avançar mais no alcance de suas metas e na ação de promover políticas de proximidade com os beneficiários e com todos os parceiros. Portanto, ampliar, alimentar e reforçar diversas formas e momentos de encontro, debate e proposições é investir em planejamento de longo e médio prazo pactuado com a população como forma de firmar políticas públicas e não apenas ação de um ou outro governo. Na diversidade de formas necessárias a ampliação da participação e controle social das ações da política encontra-se o pacto de compromisso ético institucional de observar o tempo que exige a concepção e estruturação das ações da política habitacional e sua execução no nível da intervenção. Assim as ações a serem empreendidas devem seguir metodologias que envolvam as comunidades atingidas e beneficiadas do nível da concepção ao nível da execução de todos os projetos, cientes de que isto requer tempo, pois trata-se de ações de médio e longo prazo até viabilizar e finalizar cada projeto. O que geralmente ocorre é um distanciamento entre concepção, projetos executivos e execução da intervenção que recebe interferências diretas e posteriores com novos arranjos técnicos e institucionais e, que deixam de ser novamente discutidos com os interessados no nível da decisão e se conformam em comunicados de prazos executivos, sem balizar as novas decisões que podem vir a mudar a concepção inicial posta pelo grupo familiar atingido e beneficiado. Isto também gera um hiato entre a proposição e a concretude da ação, aqui parece entrar a governança que deve assegurar o compromisso ético com a construção coletiva e assegurar a não descontinuidade do processo participativo. A constatação da importância de um fio condutor do processo de participação da base de uma comunidade pobre e favelada na elaboração de um processo de intervenção urbanística no seu território é para além da confiança e compromisso com os acordos processados coletivamente, é a determinação de estar consolidando uma política pública para além das fronteiras políticas próprias de qualquer governo. 144 Plano de Habitação de Contagem Volume I Como se observou a partir dos dados e informações do Diagnóstico, o município de Contagem apresenta poucas iniciativas populares voltadas para a questão habitacional, são conhecidas cinco organizações: (1) ASMAC (associação dos catadores de material reciclável), que tentam se organizar para obter moradias para seus associados; (2) AMAC (associação dos moradores de aluguel de Contagem), que há alguns anos deixou de atuar no município e tenta aprovar um loteamento popular no município de Esmeraldas; (3) MPM (associação movimento por moradia), que há mais de dez anos tenta aprovar um loteamento em ZEU (zona de expansão urbana) e sofre impedimentos infindáveis; (4) a associação habitacional da regional Ressaca, que conquistou a construção de 48 unidades junto à prefeitura em 2006 e se encontra em fase de construção; (5) a associação habitacional da região Água Branca, que assim como o grupo da Ressaca conquistou 32 unidades, também em fase de construção; (6) Cooperativa Metropolitana de Habitação Popular de Belo Horizonte (COOHABEL) que é proprietária de terreno em área rural e tenta aprovar lotes de 250 m². Não foi identificada, no município, nenhuma iniciativa do terceiro setor e de associações de categorias profissionais, relacionada à construção de moradias. Portanto, o estímulo e apoio a organização e participação popular de base deve a princípio considerar os grupos aqui mencionados como prioritários e como experimento para as praticas associativas presentes em diversos programas. Demanda: O órgão gestor da Política de Habitação deve dispor de equipe especializada em participação popular, mobilização e comunicação social para definir um planejamento exclusivo das ações de participação em nível das regiões e município com a respectiva estrutura administrativa para sua ação e para a promoção de eventos formativos e de aprofundamento sobre as políticas públicas, além dos momentos próprios das instâncias de participação que vão sendo implantadas. Definir o quantitativo e o perfil dos recursos humanos necessários ao fomento das ações de Participação Popular e Controle Social, conforme estabelece este Plano. Participar da elaboração de novo organograma e fluxograma do Sistema Municipal de Habitação a partir da aprovação do novo órgão gestor, observando as instâncias de participação da sociedade: Conferência, Conselho Municipal, Conselho Regional, Fóruns Regionais, Fóruns Temáticos, Comissões de Representantes de Comunidades, Grupos Técnicos Mistos de Trabalho e outros que reforcem a intersetorialidade e o planejamento participativo intersetores da Prefeitura e com a população. Prazo: No prazo de 6 meses, após a aprovação final do Plano pela Prefeitura, pelo Conselho Municipal de Habitação e pela Câmara Municipal de Contagem, deve ser apresentada a proposta da primeira conferência no âmbito deste Plano. Custo: Contratação de equipe e verba anual para a realização de atividades com a população, valor estimado da verba R$ 220.000,00/ano. 12.3. Demarcação de terras para AIS 2 De acordo com o objetivo preconizado neste Plano, é necessário destinar terras para construção de novas unidades habitacionais para o atendimento da demanda habitacional de interesse social, com vistas à sustentabilidade do crescimento ordenado da cidade e garantindo o direito dos cidadãos a uma moradia digna. De acordo com a Política Nacional de Habitação e do Estatuto da Cidade, Contagem através da Secretaria Municipal Adjunta de Habitação implementou ações e programas para atendimento à demanda habitacional e enfrentamento das demais questões habitacionais visando implementar programas de enfrentamento do risco, planejamento e intervenções em assentamentos precários, ações de saneamento integrado e de regularização fundiária. Isto fez com que a premência por terra fosse evidenciada pelos agentes públicos e pelos cidadãos. No contexto do Plano Municipal de Habitação, a demarcação de AIS 2 servirá para ampliar e assegurar a oferta e destinação de terras bem localizadas e com infraestrutura à população onde se concentra o déficit habitacional. No âmbito da Política Habitacional do Município, isto se faz necessário para que o poder público possa efetivamente realizar a integração da cidade informal ao tecido urbano, garantindo conforme diretriz do governo federal, que os moradores de assentamentos precários consolidados em áreas centrais, em regiões onde o acesso a bens e serviços é fácil, possam continuar usufruindo de tais condições. 145 prefeitura municipal de contagem A disponibilização de terras próximas aos assentamentos precários localizados em áreas menos servidas deverá também garantir instalação de infraestrutura adequada e equipamentos públicos que atendam à demanda por moradia digna, para permanência dos moradores onde suas relações sociais foram construídas, tal como vem praticando a Prefeitura de Contagem. Para atendimento às demandas por habitação de interesse social, seja para reassentamento das famílias que devem ser removidas em virtude de risco e obras públicas, bem como aquelas com renda até três salários mínimos, que moram de aluguel, faz-se necessária, conforme legislação municipal, a demarcação e a regulamentação das áreas denominadas AIS 2. Deste modo, é imprescindível demarcar as áreas e a contratação de consultoria especializada para definir e criar parâmetros urbanísticos e edilícios que regulamentem as áreas delimitadas. O Plano de Habitação em consonância com o previsto no Plano Diretor, propõe a ação de demarcação de terras para AIS 2 de forma a efetivar a implementação dos instrumentos urbanísticos que favoreçam ao município os processos de urbanização de vilas e favelas, bem como maior controle sobre os processos de produção e apropriação da produção habitacional para a população de baixa renda, com superação das dificuldades e entraves relacionados à questão da terra. De acordo com o preconizado no Plano Nacional de Habitação e entendendo que o município necessita investir em um projeto urbano-habitacional-fundiário é que se insere a proposta de áreas potenciais para AIS 2 selecionadas segundo critérios específicos deste Plano Municipal. A demarcação de AIS 2 deve ser tida como uma ação contínua incluindo o monitoramento das áreas demarcadas quanto ao uso definido. Os critérios para seleção das áreas, definidos em diversas instâncias e momentos da Política de Habitação e execução do trabalho foram consequentemente delineados pelos princípios e diretrizes da Política de Habitação. Como se constata a proposta de demarcação de AIS 2 está associada ao primeiro e ao último princípio definido no âmbito deste Plano. “1- A garantia do acesso à habitação adequada como a realização de um direito social de todos os cidadãos;” “8- O cumprimento da função social da propriedade urbana, conforme art. 182 da Constituição Federal, regulamentado pelo Estatuto da Cidade, Lei Federal nº10.257/2001.” O que se pretende com a proposta é destinar terras para o cumprimento destes princípios e do objetivo geral de promover o acesso à cidade, ampliando a oferta habitacional e a melhoria das condições de habitabilidade para os segmentos populacionais de baixa renda. Por se tratar de um tema polêmico e até mesmo conflituoso em todo território nacional, atingindo tanto interesses particulares como os dos proprietários de terra, setores imobiliários da construção civil, quanto interesses populares como os dos movimentos de moradia, o monitoramento e acompanhamento do Banco de Terras é fundamental permitindo assim constante reavaliação e adequações às necessidades específicas da cidade. Demanda: demarcação de terras como AIS 2 e criação de um banco de dados georeferenciado - Banco de Terras para Habitação, que deve ser atualizado de forma periódica. Esta ação complementar e transversal a Política de Habitação está composta por duas linhas de ação: 1. Demarcação de terras para AIS 2 e, 2. Banco de Terras; Metas programadas: Aprovar os territórios definidos a serem demarcados como AIS2, a partir das áreas apresentadas no Volume III, deste Plano e, elaboração de projeto de lei específico para sua aprovação e efetivação, pela Câmara de Vereadores. Organizar e manter atualizado o Banco de Terras, gerado no processo de elaboração deste Plano, com um sistema de dados georeferenciado integrado para as AIS. O Banco de Terras deverá conter todas as informações levantadas sobre as áreas de forma a possibilitar a identificação e posterior notificação de proprietários das áreas delimitadas. Órgão Executor: SAHAB e consultoria técnica especializada para os parâmetros edilícios e urbanísticos. 146 Plano de Habitação de Contagem Volume I Equipe executora: Para execução e implantação do sistema de regulamentação, acompanhamento e monitoramentos de AIS 2 é prevista a atuação de profissionais da secretaria de Habitação que deverão atuar também junto às secretarias afins sendo estes um profissional de nível superior (geógrafo) e um de nível médio. Custo: Esta ação terá um gasto de R$84.000,00/ano com custeio da equipe, além de R$ 3.000,00 para material permanente (Câmera fotográfica, GPS, trena laser) e o gasto da consultoria técnica especializada de R$150.000,00, em 2013. 12.4. Parceria com IBGE Uma vez que no Diagnóstico Habitacional identificou-se uma grande divergência entre o número de domicílios em aglomerados subnormais do Censo Demográfico e as estimativas da Prefeitura é importante que seja firmada uma parceria com o IBGE para o nivelamento de conceitos acerca do que são aglomerados subnormais e da definição dos limites de Vilas, Loteamentos e bairros, por meio de legislação, de tal modo que estes critérios sejam utilizados no Censo Demográfico de 2020 e que os resultados deste estejam mais de acordo com as estimativas da SAHAB. Caso a Prefeitura tencione realizar um novo Censo de Vilas e Favelas, estimou-se que o valor deste será de R$1.200.000,00, aproximadamente (considerando R$30,00 por questionário e 40.000 domicílios, pela estimativa da Prefeitura). Metas programadas: Parceria com o IBGE para repasse e adequação de conceitos, firmada até março de 2014. Órgão Executor: Prefeitura de Contagem (SAHAB), Secretaria Municipal de Planejamento e Coordenação (SEPLAN) em parceria e convênio com o IBGE. Custo: o custo será apenas o de custeio de pessoal, que já está incluído na nova equipe de Planejamento da SAHAB. E a fonte dos recursos será o Tesouro Municipal. Equipe executora: setor de Informação do serviço de planejamento e controle da produção habitacional. Avaliação e Monitoramento: realizar atividades conjuntas com o IBGE, de tal modo a sanar a desigualdade existente entre as estimativas da SAHAB e do IBGE. Indicador: Parceria com IBGE firmada até março de 2014. 12.5. Implantar Assistência Técnica A Prefeitura de Contagem, no âmbito do Plano de Habitação, ao ampliar o escopo de atuação das ações de implementação da Política de Habitação, passa a considerar os instrumentos e as possibilidades postas pela Lei Federal de nº 11.888, de 24 de dezembro de 2008, que atribui aos municípios a obrigatoriedade de implantar o serviço de Assistência Técnica na área de arquitetura, urbanismo e engenharia pública. A estratégia de implantação deste serviço à população de baixa renda de Contagem passa pelo desenvolvimento de ações junto ao universo de famílias residentes em AIS1, em observância ao estabelecido na referida lei no seu artigo abaixo transcrito: Art. 2o As famílias com renda mensal de até 3 (três) salários mínimos, residentes em áreas urbanas ou rurais, têm o direito à assistência técnica pública e gratuita para o projeto e a construção de habitação de interesse social para sua própria moradia. § 1o O direito à assistência técnica previsto no caput deste artigo abrange todos os trabalhos de projeto, acompanhamento e execução da obra a cargo dos profissionais das áreas de arquitetura, urbanismo e engenharia necessários para a edificação, reforma, ampliação ou regularização fundiária da habitação. § 2o Além de assegurar o direito à moradia, a assistência técnica de que trata este artigo objetiva: I - otimizar e qualificar o uso e o aproveitamento racional do espaço edificado e de seu entorno, bem como dos recursos humanos, técnicos e econômicos empregados no projeto e na construção da habitação; II - formalizar o processo de edificação, reforma ou ampliação da habitação perante o poder público municipal e outros órgãos públicos; 147 prefeitura municipal de contagem III - evitar a ocupação de áreas de risco e de interesse ambiental; IV - propiciar e qualificar a ocupação do sítio urbano em consonância com a legislação urbanística e ambiental. As ações deste serviço a serem desenvolvidas junto ao público de interesse social devem ser integradas e articuladas com as demais ações e programas da Política Habitacional, como o programa que está sendo proposto neste plano de coordenação e ação intersecretarial aqui denominado Programa Municipal de Manutenção e Controle em AIS 1; o Programa Municipal de Prevenção e Redução de Risco; o Programa Municipal de Urbanização Plena e Integrada de Vilas e Favelas e o Programa Municipal de Regularização de Fundiária, bem como eventualmente dialogar com o Programa Municipal de Reassentamento Monitorado (REMO), conforme o contexto das ações de uma e outra intervenção. A implantação da Assistência Técnica para o público de AIS 1 em Contagem, na estrutura administrativa que vier a dar continuidade as ações habitacionais deve observar tratar-se de ação complementar e transversal relacionada à quase todos os programas em execução, portanto, um serviço de assistência técnica que pode integrar o Serviço Municipal de Planejamento e Controle da Produção Habitacional. A implantação deste serviço é essencialmente a destinação de recursos financeiros para custeio de recursos humanos e logística operacional, além de criar metodologia participativa e procedimentos de trabalho. Até o presente momento o que está posto é que o Município ao implantar o trabalho deve assumir os custos operacionais, embora a própria lei atribua aos entes federados o apoio financeiro. Como a implantação do Plano de Habitação irá impactar significativamente o orçamento do FUMHIS e precisará eleger dentre as novas proposições uma escala de implantação, a lógica de implantação da Assistência Técnica deve ser gradativa e articuladora de parcerias e convênios com as Universidades que se mostrem interessadas. Assim para 2013 é calculado uma equipe mínima de um arquiteto e um engenheiro que serão designados para implantar as ações. A demanda pela prestação de serviço de Assistência Técnica está presente em toda a cidade, em todo território mas a equipe responsável pela implantação deverá ter presente ações educativas, normativas e acima de tudo orientadoras das vantagens da regularidade e segurança construtiva e ambiental. Conforme está previsto no artigo da Lei, abaixo transcrito, uma das primeiras ações a serem implantadas é o estabelecimento de parcerias e convênio que efetivem práticas coletivas e individuais: Art. 5o Com o objetivo de capacitar os profissionais e a comunidade usuária para a prestação dos serviços de assistência técnica previstos por esta Lei, podem ser firmados convênios ou termos de parceria entre o ente público responsável e as entidades promotoras de programas de capacitação profissional, residência ou extensão universitária nas áreas de arquitetura, urbanismo ou engenharia. Neste sentido existe manifestação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), junto à Prefeitura de estabelecer convênio de parceria para criar residência e ou extensão universitária, havendo iniciado as discussões na perspectiva de apoiar as famílias reassentadas pelos programas públicos governamentais, desenvolvendo ações educativas quanto a apropriação e conservação do novo espaço, como forma de prevenir novas irregularidades , além das já tradicionais nas cidades. As linhas de ação e projetos a serem desenvolvidos devem ser estabelecidos pela própria equipe mínima designada à implantação do serviço, iniciando com planejamento participativo que envolva as equipes que integram outras ações e programas, bem como com a Universidade. Metas Programáticas: a) Implantar parcialmente o serviço de Assistência Técnica a população de baixa renda até dezembro 2013 e na sua totalidade até dezembro de 2014, estabelecendo metas qualitativas e quantitativas; b) Definir metodologia e procedimentos de trabalho para as duas modalidades: Assistência Técnica individual e coletiva, bem como para famílias residentes em AIS1 e reassentadas em conjuntos habitacionais que necessitam de manutenção e começam a se deteriorar . 148 Plano de Habitação de Contagem Volume I Custos: Os custos apresentados tratam apenas da equipe mínima inicial e devem ser dimensionados após avaliação do primeiro ano de ação do serviço implantado. O valor é de R$ 180.00,00/ano. 13. SISTEMA DE AVALIAÇÃO E MONITORAMENTO DAS AÇÕES DA POLÍTICA DE HABITAÇÃO Um Sistema de Informações garante à instituição, no caso a SAHAB, que os 73 indicadores das diretrizes descritas no Plano, sejam monitorados e atualizados de forma mais simples e eficaz, uma vez que todos estão incluídos em um mesmo sistema. Assim, os coordenadores e secretários da política de habitação poderão mais facilmente monitorar os resultados dos programas e metas, gerar relatórios, bem como gerir os recursos financeiros e direcionar estes para os resultados nos quais eles são necessários. Atualmente, não há um sistema único que armazene os resultados da Avaliação e Monitoramento das ações de Política de Habitação. Deste modo, cada coordenação da SAHAB possui seu quadro de indicadores e monitora as suas metas. Estas são entregues em periodicidade e formato diferenciados de tal modo que dificulta a gestão dos programas e ações da Secretaria. De outro modo, diversos outros indicadores estão sendo criados pelo plano, com diferentes prazos para consecução. Consequentemente é importante criar um sistema que seja alimentado por todas as Coordenadorias da SAHAB, mas que forme uma única base padronizada de informações das ações e programas da política municipal de Habitação. Este programa deverá ser atualizado, de acordo os prazos descritos em cada meta e deverá ter um responsável em cada Coordenadoria pelo monitoramento dos prazos e pela atualização do sistema, de tal forma que os prazos de cada meta sejam cumpridos ou revistos. Nome do Programa: Sistema de Avaliação e Monitoramento das Ações de Política Pública. Público Alvo: Servidores da SAHAB e demais gestores de diferentes níveis da política de habitação do município. Objetivo: Criar e monitorar os indicadores das metas da Política Municipal de Habitação. Ações: Contratação de consultoria para elaboração de Sistema de Avaliação e Monitoramento dos indicadores da Política de Habitação. Metas programadas: Ter um Sistema de Informações da Política Municipal de Habitação ativo até outubro de 2013. Órgão Executor: SAHAB Recursos Financeiros e Fonte: R$ 150.000,00 - Tesouro Municipal (custo de implantação) Equipe executora: um técnico de cada Coordenadoria da SAHAB com apoio de consultoria contratada. 14. CONSIDERAÇÕES FINAIS O diagnóstico apresentado de Contagem analisou amplamente vários aspectos. A partir dele verificou-se que a população de Contagem cresceu muito entre 1970 e 1990 mas que, apesar de ter diminuído seu ritmo de crescimento, ela continuou a crescer em um ritmo considerável até 2010 e pela projeção realizada ela ainda crescerá. Sua população é quase totalmente urbana, está concentrada na faixa de renda de 1 a 5 salários mínimos o que representa uma renda média inferior à da capital (Belo Horizonte), com a qual faz divisa. Dentre as suas regiões, a que apresenta maior renda média é o Eldorado e a menor Vargem das Flores. Esta última região tem sido e precisa continuar a ser um dos focos principais dos programas da Prefeitura, por ser a região mais precarizada do município - segundo os dados do Censo 2010, a que possui menor renda, pior infraestrutura de serviços e domicílios nas piores condições. O crescimento de Contagem, até hoje, guarda grande relação com o crescimento de Belo Horizonte, uma vez que sua evolução a apresenta como uma área atraente para a população de menor renda que é residente ou vem do interior, atraída pela capital, mas que, devido à especulação imobiliária esta vem a residir em municípios da RMBH. A política de não cobrança do IPTU, que é sustentada há 20 anos (desde 1989), reforça esta atração de população de níveis aquisitivos mais baixos de Belo Horizonte e de outras localidades para Contagem. 149 prefeitura municipal de contagem Além deste aspecto, também é possível verificar que seu crescimento se deu ao longo das vias que ligavam Belo Horizonte a outras cidades e estados e que ele também está associado ao crescimento de Betim, já que o pólo industrial desta última fica em uma região limítrofe à Contagem, o que incentivou o crescimento de bairros nesta região. Em relação a característica dos domicílios na cidade formal, verifica-se que estes possuem uma infraestrutura consideravelmente boa, quando comparada à média de Minas Gerais. Mas, no universo de assentamentos precários, cabe ressaltar que, enquanto Contagem apresenta quase 10% dos domicílios da RMBH, e dela própria, pelos dados do IBGE (2010) – este dado, que necessita ser revisto, por ser diverso do registrado pela Prefeitura, que chega a mais de 20%, agrava a situação e constitui o desafio do Plano Municipal de Habitação. Este fato está relacionado a diferentes causas, como já foi descrito ao longo deste trabalho, mas aqui se destaca: (i) população que é expulsa de Belo Horizonte, por fatores diversos e vai residir em Contagem e que muitas vezes o faz em assentamentos precários, o que auxilia para aumentar o número de domicílios e do adensamento destes; (ii) políticas habitacionais do município que, durante décadas, doavam terrenos, como parte de política de votos, sem no entanto controlar os processos construtivos que se davam nesses territórios e na sua expansão, fatos que acabaram por ocasionar e estimular processos construtivos desordenados e irregulares em várias partes do município. Isto é observado e manifesto hoje também pelos moradores do município que, nos processos de participação, apontaram a importância da criação de algum mecanismo de controle urbano no cerne da política pública municipal. A produção de habitação de interesse social em Contagem, dado o valor da terra no município, só é viabilizada com a participação da Prefeitura. Os recursos públicos municipais compõem significativamente a contrapartida na produção habitacional, como vimos o volume de investimento da Prefeitura é bastante alto, em média 50%. A prioridade, nos últimos anos, ficou quase que restrita a remover famílias de áreas de risco associada com às políticas federais do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC e do Programa Minha Casa Minha Vida – MCMV. Assim, as unidades habitacionais que foram e estão sendo produzidas, relacionadas à remoção de moradores de áreas de risco, estão afetas ao déficit habitacional qualitativo do município. Em relação ao déficit qualitativo, há também, diversas obras de infraestrutura sendo feitas pela Prefeitura, nos últimos anos, mas a demanda requer continuidade de investimentos, pois, são verificados diversos imóveis com inadequações de infraestrutura e, além disso, os relatos dos moradores também apontam para a importância de obras, sobretudo de drenagem, que precisam ser feitas no município. Para fazer frente ao déficit habitacional de forma mais ampla que, sem nada ser feito, deverá crescer ainda mais, é preciso rever os programas federais no valor que é atribuído por unidade habitacional e no respectivo financiamento para atender a família moradora de aluguel de menor renda, por parte da produção gerada pela iniciativa privada e sem que a Prefeitura arque com o preço da terra, caso contrário a produção em escala considerável pode ficar comprometida. No decorrer do diagnóstico foram feitos vários momentos de consultas públicas através de Diagnósticos Participativos Rápidos - DPRs e Audiências Públicas e percebeu-se - tanto nestas consultas quanto no Conselho Municipal de Habitação - que a participação popular não é tão efetiva, é marcada por momentos pontuais, o que, conforme mencionado pelos moradores, deve ser incentivada pela Prefeitura, a qual deve procurar formas de manter os cidadãos informados e atuantes durante a execução e atualização deste plano. Um problema também muito apontado pelos moradores, mas que não é foco deste plano diz respeito ao transporte coletivo, que é apontado como insuficiente, ineficiente, moroso e que precisa ser reestruturado. Assim, cabe apenas ressaltar a importância de um estudo que faça um diagnóstico deste serviço no município e que aponte melhorias para este. Ressalta-se também que para implantar as proposições aqui descritas deve ocorrer uma significativa mudança e ampliação da estrutura física e humana do órgão gestor da Política de Habitação para abarcar as novas ações e programas que estão sendo apresentadas e que certamente serão reafirmadas ao realizar a primeira Conferência Municipal de Habitação, proposta para 2013. A implantação do Plano deve começar com a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2013 a ser enviada no segundo semestre 2012 para o Poder Legislativo, assegurando ampliação dos recursos orçamentários para o exercício de 2013. 150 Plano de Habitação de Contagem Volume I O montante de recursos financeiros estimados para as ações do Plano totalizam aproximadamente um bilhão de reais, conforme estimativa apresentada no apêndice deste volume. O custo da produção habitacional para o mercado popular, com finalidade de reposição de estoque ou crescimento populacional, deixou de ser estimada por estar quase que totalmente vinculada ao desempenho dos programas de financiamento do Governo Federal e ao mercado imobiliário. A busca permanente de parcerias para somar com o Tesouro Municipal deve ser uma prática incessante para garantir o volume de investimento atual e sua ampliação na perspectiva do público priorizado na estratégia deste Plano. O fato do Plano deixar de estabelecer os territórios prioritários para intervir reporta ao exercício de destacar duas formas, já praticadas, de estabelecer prioridades: a primeira devido à necessidade emergencial de obras em função de risco geológico ou de inundação, as quais são priorizadas de acordo com estudos da Prefeitura; a segunda para as ações não emergenciais a ideia é utilizar os mecanismos e instrumentos da participação popular e, como principal aliado o Orçamento Participativo (OP) da Prefeitura, como forma de organização e reivindicação popular, assim como outras, vindas das comunidades organizadas e que podem colaborar na definição de prioridades. Desta forma, o OP, que inicialmente foi elemento estruturador das ações da Política Municipal de Habitação, prossegue como um aliado das estratégias deste Plano. O Plano, com tempo previsto de 11 anos (2013 a 2023), se tiver a execução de 80% do que está proposto nele – aliado aos 8 anos de atuação do último governo – deverá totalizar 19 anos de intenso investimento nas Vilas e Favelas de Contagem, o que poderá levar a alcançar a meta de integrar e nivelar os assentamentos precários de Contagem com a cidade formal e cuidar para que outros não se constituam. Com isto o ideário da diversidade socioespacial e nivelamento da oferta de cidade poderá estar sendo alcançado. 151 prefeitura municipal de contagem Referências AZEVEDO, Sérgio de; MARES GUIA, Virgínia Rennó dos. Dilemas da gestão metropolitana. In: MENDONÇA, Jupira Gomes de; GODINHO, Maria Helena Navarro (Org.). População, espaço e gestão na metrópole: novas configurações, velhas desigualdades. Belo Horizonte: Editora PUC Minas, 2003. ______.Os “dois lados da moeda” nas propostas de gestão metropolitana: virtude e fragilidade das políticasIn: CASTRO, Erika de; WOJCIECHWSKI JOHN. 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ESTIMATIVAS DE CUSTO DAS AÇÕES E PROGRAMAS As proposições aqui explicitadas levam à reflexão da necessária organização dos poderes públicos, da iniciativa privada e das organizações populares para fazer frente à complexidade da questão habitacional, sabendo-se da existência de um passivo urbanístico de irregularidade bastante significativa no contexto da cidade de Contagem, com o foco para as AIS, conforme estratégia principal do Plano. A tabela A.1 mostra os valores totais que devem ser gastos pela Prefeitura de Contagem para fazer todas as ações e implantar todos os programas descritos pelo Plano. Verifica-se que o valor total previsto para ser gasto no período do Plano é de R$ 995.185.367,00, o que equivale a aproximadamente um bilhão de reais. Os valores foram calculados a partir de valores já praticados pela Prefeitura Municipal de Contagem ou a partir de valores de referência que são utilizados em Planos Municipais de Habitação de Interesse Social. Observa-se que o investimento e custeio já praticados pela Prefeitura não foram considerados para efeito de estimativa de custo das ações do Plano de Habitação, os cálculos estimados desconsideraram o orçamento e custo da estrutura e ações já existentes. Assim, o valor obtido é acréscimo para ampliar a estrutura, implantar novas ações e prosseguir com a urbanização de vilas e favelas. A tabela A.2 mostra os valores anuais que devem ser gastos pela Prefeitura. As intervenções com recursos assegurados, como se tratam de ações que já estão sendo executadas ou estarão previstas até o final de 2014, foram equacionadas de forma homogênea até 2014, com os recursos previstos. Os demais recursos foram calculados conforme as metas propostas descritas anteriormente e também foram distribuídos de forma homogênea pelo período para os quais estes estão previstos. Os custos aqui estimados remete para a necessidade da Prefeitura dobrar o orçamento e sua execução na área de habitação, com recursos próprios e aqueles de captação junto às demais esferas governamentais, pelo menos nos próximos dez anos, considerando o resultado de 2011. 156 Plano de Habitação de Contagem Volume I Tabela A.1: Valores totais estimados para os Programas e Ações do Plano de Habitação de Contagem, 2013 a 2023 Total de Recursos estimados (R$) Ações da Política Pública Adequação de Infraestrutura com remoção e reassentamento com recursos assegurados.1,2 216.260.000,00 Obras de Urbanização3 246.587.680,00 Produção Habitacional para reassentamento. 1 293.314.560,00 Regularização Fundiária em vilas e loteamentos públicos4 10.241.426,16 Regularização Fundiária de loteamentos particulares irregulares4 11.700.000,00 Regularização Fundiária de domicílios próprio da cidade formal 35.000.000,00 Obras de controle de cheia e drenagem5 24.442.400,00 Obras de contenção de encostas6 11.000.000,00 Saneamento com recursos assegurados7 36.917.012,84 Elaboração de PIIN e Projeto Executivo8 9.477.288,00 Programa Municipal de Manutenção e Controle em AIS-1 9 9.614.000,00 Produção Habitacional10 60.000.000,00 Bolsa Moradia 11.000.000,00 11 Programa de Reassentamento Monitorado (REMO) 660.000,00 Consultoria para Sistema de Informações de Política Pública (2013) 150.000,00 Serviço Municipal de Planejamento e Controle da Produção Habitacional 14 Consultoria para criação de órgão gestor (2013) 13.332.000,00 12.000,00 Equipe para Assistência Técnica 1.980.000,00 Equipe de e Atividades de Participação Popular 2.420.000,00 Equipe para AIS 2 924.000,00 Material permanente para Planejamento 3.000,00 Consultoria Técnica Especializada para definição de parâmetros de AIS 2 Total 150.000,00 995.185.367,00 Fonte: Elaboração Própria Notas: (1) Para a construção de 1 unidade habitacional – devido à ações de remoção ou demanda habitacional – foi considerado o valor de R$80.000,00, atualmente praticado pela Prefeitura; (2) foi considerado um valor de R$ 20.000,00 por domicílio para ações de urbanização de vilas e favelas; (3) está incluído o valor de R$ 39.711.520,00 para urbanização de áreas que não precisam de remover, mas que depois devem ser regularizadas fundiariamente; (4) foi considerado o valor de R$900,00 por domicílio para regularização fundiária; (5) foi considerado o valor de R$ 20.000,00 por domicílio para as obras de controle de cheia e drenagem; (6) foi considerado um orçamento de R$ 11.000.000,00, para os 10 anos de plano e para todas as vilas e favelas com necessidade de obras de contenção de encostas (R$ 1.100.000,00 ao ano); (7) foi considerados os valores previstos pela COPASA na meta para 2014; (8) foi considerado um valor de R$ 900,00 para elaboração de PIIN e Projeto Executivo, que são os valores hoje praticados pela Prefeitura; (9) Valor anual R$ 874.000,00; (10) Valor de R$ 60.000,00 por unidade produzida para população de até 3 SM que não residam em aglomerados subnormais; (11) Foi considerado R$ 1.000.000,00 ao ano com gasto de aluguel (Bolsa Moradia); (12) considerou-se o valor de R$100.000,00 como explicado no capítulo 7, para gasto com consultoria para formatação de Sistema de Informações de Política Habitacional; (13) Foi considerado R$ 30,00 por questionário e um total de 40.000 domicílios em Vilas, Favelas e Loteamentos Públicos; (14) foi considerado o valor anual de R$ 156.000,00 para contratação de 1 profissional de nível superior e 4 profissionais de nível médio 157 prefeitura municipal de contagem Tabela A.2: Valores anuais estimados para os Programas e Ações do Plano de Habitação de Contagem, 2012 a 2023 Ações da Política Pública Total de Recursos estimados (R$) 2015 2016 2017 Obras de Urbanização 27.398.631,11 27.398.631,11 27.398.631,11 Produção Habitacional para reassentamento. 32.590.506,67 32.590.506,67 32.590.506,67 Regularização Fundiária em vilas e loteamentos públicos 1.137.936,24 1.137.936,24 1.137.936,24 Regularização Fundiária de loteamentos particulares irregulares 1.300.000,00 1.300.000,00 1.300.000,00 3.500.000,00 3.500.000,00 3.500.000,00 3.500.000,00 Adequação de Infraestrutura com remoção e reassentamento com Recursos assegurados 2012 72.086.666,67 2013 2014 72.086.666,67 72.086.666,67 Regularização Fundiária de domicílios próprio da cidade formal Obras de controle de cheia e drenagem 2.222.036,36 2.222.036,36 2.222.036,36 2.222.036,36 2.222.036,36 Obras de contenção de encostas 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 12.305.670,95 12.305.670,95 1.053.032,00 1.053.032,00 1.053.032,00 6.000.000,00 6.000.000,00 6.000.000,00 6.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 Programa de Reassentamento Monitorado (REMO) 60.000,00 60.000,00 60.000,00 60.000,00 60.000,00 Consultoria para Sistema de Informações de Política Pública (2013) 150.000,00 1.212.000,00 1.212.000,00 1.212.000,00 1.212.000,00 Saneamento com recursos assegurados 12.305.670,95 Elaboração de PIIN e Projeto Executivo Programa Municipal de Manutenção e Controle em AIS-1 874.000,00 Produção Habitacional Bolsa Moradia Serviço Municipal de Planejamento e Controle da Produção Habitacional 1.212.000,00 Consultoria para criação de órgão gestor (2013) 12.000,00 Equipe para Assistência Técnica 180.000,00 180.000,00 180.000,00 180.000,00 180.000,00 Equipe e atividades de Participação Popular 220.000,00 220.000,00 220.000,00 220.000,00 220.000,00 84.000,00 84.000,00 84.000,00 84.000,00 84.000,00 99.870.373,98 78.958.142,38 78.958.142,38 78.958.142,38 Equipe para AIS 2 Consultoria Técnica Especializada para definição de parâmetros de AIS 2 150.000,00 Material permanente para Planejamento Total 3.000,00 84.392.337,61 91.556.373,98 158 Plano de Habitação de Contagem Ações da Política Pública Volume I Total de Recursos estimados (R$) 2018 2019 2020 2021 2022 2023 Adequação de Infraestrutura com remoção e reassentamento com Recursos assegurados Obras de Urbanização 27.398.631,11 27.398.631,11 27.398.631,11 27.398.631,11 27.398.631,11 27.398.631,11 Produção Habitacional para reassentamento. 32.590.506,67 32.590.506,67 32.590.506,67 32.590.506,67 32.590.506,67 32.590.506,67 Regularização Fundiária em vilas e loteamentos públicos 1.137.936,24 1.137.936,24 1.137.936,24 1.137.936,24 1.137.936,24 1.137.936,24 Regularização Fundiária de loteamentos particulares irregulares 1.300.000,00 1.300.000,00 1.300.000,00 1.300.000,00 1.300.000,00 1.300.000,00 Regularização Fundiária de domicílios próprio da cidade formal 3.500.000,00 3.500.000,00 3.500.000,00 3.500.000,00 3.500.000,00 3.500.000,00 Obras de controle de cheia e drenagem 2.222.036,36 2.222.036,36 2.222.036,36 2.222.036,36 2.222.036,36 2.222.036,36 Obras de contenção de encostas 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.053.032,00 1.053.032,00 1.053.032,00 1.053.032,00 1.053.032,00 1.053.032,00 Saneamento com recursos assegurados Elaboração de PIIN e Projeto Executivo Programa Municipal de Manutenção e Controle em AIS-1 Produção Habitacional 6.000.000,00 6.000.000,00 6.000.000,00 6.000.000,00 6.000.000,00 6.000.000,00 Bolsa Moradia 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 1.000.000,00 60.000,00 60.000,00 60.000,00 60.000,00 60.000,00 60.000,00 1.212.000,00 1.212.000,00 1.212.000,00 1.212.000,00 1.212.000,00 1.212.000,00 Equipe para Assistência Técnica 180.000,00 180.000,00 180.000,00 180.000,00 180.000,00 180.000,00 Equipe e atividades de Participação Popular 220.000,00 220.000,00 220.000,00 220.000,00 220.000,00 220.000,00 84.000,00 84.000,00 84.000,00 84.000,00 84.000,00 84.000,00 78.958.142,38 78.958.142,38 78.958.142,38 78.958.142,38 78.958.142,38 78.958.142,38 Programa de Reassentamento Monitorado (REMO) Consultoria para Sistema de Informações de Política Pública (2013) Serviço Municipal de Planejamento e Controle da Produção Habitacional Consultoria para criação de órgão gestor (2013) Equipe para AIS 2 Consultoria Técnica Especializada para definição de parâmetros de AIS 2 Material permanente para Planejamento Total Fonte: Elaboração Própria 159 prefeitura municipal de contagem 160 Ministério das Cidades