Clipping Nacional de Educação Sexta-feira, 21 de Março de 2014 Capitare Assessoria de Imprensa SHN, Quadra 2 Bloco F Edifício Executive Tower - Brasília Telefones: (61) 3547-3060 (61) 3522-6090 www.cpitare.com.br Valor Econômico 21/03/14 BRASIL 00 Acordo pretende estimular inovação nas exportadoras Por Elisa Soares | Do Rio A Finep e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) assinaram, ontem, um acordo para estreitar relações e tornar as empresas exportadoras brasileiras mais inovadoras. A parceria vale tanto para empresas apoiadas pela Finep e que desejam começar a exportar, ou aquelas que já exportam, associadas à Apex, e que precisam melhorar sua base tecnológica. "Não tem como montar fundos de tecnologia ou desenvolver empresas fortes em tecnologia sem abertura para o mundo. Por isso, a aliança com a Apex é importante. Ela tem nove escritórios fora do Brasil", ressaltou o presidente da financiadora, Glauco Arbix. O presidente da Apex, Mauricio Borges, concorda. "As empresas brasileiras não são competitivas no mercado internacional sem inovação. Cerca de 90% das empresas que a gente apoia têm necessidade ou já está desenvolvendo inovações e tecnologias. Então existe demanda para essa associação", justificou. Arbix lembrou ainda que a atuação da Apex no mercado internacional é importante para buscar fundos e empresas que se dispõem a investir no país, onde o venture capital e o capital semente são conceitos novos. No acordo, ao qual o Valor teve acesso com exclusividade, a Finep será o braço financeiro e de inovação enquanto a Apex será o braço comercial. "A parceria vai abrir perspectiva para que, nas áreas chaves definidas pelo governo, empresas comecem a exportar com alto conteúdo tecnológico. O segundo passo é o ingresso dessas empresas nas cadeias globais mais intensivas em conhecimento. Vamos estimular a ambição tecnológica das empresas", disse o presidente da Finep. De acordo com Arbix, entre os setores selecionados como prioritários pelo governo estão saúde, petróleo e gás, energia, materiais, biotecnologia e saúde. Em 2013, a Finep emprestou R$ 6,4 bilhões a empresas. "Temos como meta para este ano, mesmo com todas as restrições fiscais do governo, atingir R$ 10 bilhões. Isso é um recorde histórico. Em 2010, por exemplo, nossos contratos de créditos foram de R$ 700 milhões", disse Arbix. Dos recursos não reembolsáveis - que incluem participações em fundos, recursos para universidades, centros de pesquisa, projetos cooperativos e fundos perdidos para empresas R$ 2 bilhões foram desembolsados em 2013, patamar que deve se repetir este ano. Esse total, de aproximadamente R$ 12 bilhões, é o que a Finep tem em caixa para apoiar parcerias e iniciativas ligadas à inovação. Valor Econômico 21/03/14 00 POLÍTICA Para Ibope, Dilma tem 43%, Aécio, 15%, e Campos, 7% Por Cristiane Agostine | De São Paulo A presidente Dilma Rousseff seria reeleita no primeiro turno nas eleições deste ano segundo pesquisa Ibope divulgada ontem pelo site do jornal "O Estado de S. Paulo". Candidata à reeleição, Dilma tem 43% das intenções de voto, o mesmo percentual da pesquisa anterior, divulgada em novembro. Em segundo lugar está o senador e pré-candidato do PSDB, Aécio Neves, com 15% das intenções de voto. O tucano oscilou um ponto percentual para cima, dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O governador de Pernambuco e pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, repetiu os 7% registrados em novembro. Votos em branco e nulos somaram 25%. Dos entrevistados, 11% não souberam ou não quiseram responder em quem votarão em outubro. Em outro cenário testado pelo Ibope, Dilma aparece com 41%, seguida por Aécio, com 14% e pela ex-senadora Marina Silva (PSB), com 12% das intenções de voto. Em outubro, Marina tinha 21% e em novembro a ex-senadora registrou 14%. Os entrevistados que pretendem votar em branco ou anular o voto totalizaram 22% e os que não souberam ou não quiseram responder somaram 10%. O instituto de pesquisa testou um cenário com pré-candidatos nanicos. Dilma teria 40% das intenções de voto, seguida por Aécio, com 13% e Campos, com 6%. O pastor Everaldo (PSC) aparece em quarto lugar, com 3%. Na sequência figura o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP) com 1%. Eymael (PSDC), Levy Fidelix (PRTB) e Mauro Isai (PCB) não pontuaram. Votos em branco e nulos somaram 24% das intenções de voto e 12% não souberam ou não quiseram responder. Em um eventual segundo turno, Dilma também sairia vitoriosa. Contra Aécio a petista venceria por 47% das intenções de voto, ante 20% registrados para o senador do PSDB. Nesse cenário, votos em branco e nulos somam 25%; 9% não souberam ou não quiseram responder. Na disputa contra Campos, a presidente teria uma vantagem ainda maior. A petista registrou 47% ante 16% do governador de Pernambuco. Votos em branco e nulos totalizaram 26% e 11% disseram não saber em quem votarão ou não quiseram responder. Dilma também venceria em uma eventual disputa contra Marina no segundo turno. A presidente registrou 45% e Marina, 21%. Brancos e nulos somaram 24% e não sabe/ não responderam são 10%. O Ibope entrevistou 2002 pessoas em 140 municípios, entre os dias 13 e 17 de março. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 00031/2014. Valor Econômico 21/03/14 00 OPINIÃO Dois milhões de jovens em risco Naercio Menezes Filho Segundo as estimativas do IBGE, em 2012 havia cerca de 29 milhões de jovens entre 15 a 24 anos de idade no Brasil. Dentre eles, 40% tinham terminado o ensino fundamental, 27% concluíram o ensino médio e cerca de 10% estavam na faculdade. O problema é que dois milhões desses jovens ainda não haviam concluído o primeiro ciclo do ensino fundamental com essa idade. Além disso, 630 mil jovens não chegaram a completar um ano completo de estudo, ou seja, nem mesmo a primeira série. Ou seja, em pleno século XXI, após todos os avanços que tivemos em termos de acesso à educação no Brasil, uma parcela substancial dos nossos jovens não está conseguindo avançar na escola. Quem são esses jovens? O que fazem? O que os espera no futuro? Os dados mostram que 64% desses dois milhões de jovens estão no Norte/Nordeste e 36% nas demais regiões do país, sendo que 66% deles vivem em áreas urbanas. A renda familiar desses jovens é de R$ 1200 por mês, com renda familiar per capita de R$ 320 (38% da renda média do país). Ou seja, grande parte desses jovens está em famílias pobres, mas não extremamente pobres. Interessante notar que há famílias com renda mensal acima de R$ 2 mil que têm filhos que ainda não atingiram a 5ª série aos 15 anos de idade. Dentre esses jovens, 63% são homens, 39% só trabalham, 20% só estudam, 12% estudam e trabalham e 29% nem estudam nem trabalham. A renda média desses jovens que estudam e que trabalham era R$ 460 e a dos que só trabalham era R$ 590. Vale lembrar que o salário mínimo em 2012 era R$ 622. Ou seja, eles trabalham para ganhar pouco. Saneamento e escola pública com qualidade são indispensáveis. Esse deve ser o futuro do BolsaFamília O que os aguarda? Podemos prever que esses jovens enfrentarão grandes dificuldades no futuro. Somente 32% deles ainda frequentavam a escola, mas provavelmente não irão muito longe nos estudos. Os demais já haviam desistido. O salário médio de adultos com até 4 anos de escolaridade hoje em dia é R$ 788. Por outro lado, o salário médio dos adultos com ensino médio é de R$ 1300 e com ensino superior, de R$ 3 mil. Ou seja, cada um desses jovens está perdendo cerca de R$ 500 por mês pelo resto da vida por não concluir o ensino médio. A taxa de não participação no mercado de Continua Continuação trabalho entre os adultos com pouca escolaridade é de 26%, contra 9% entre os que têm ensino superior. Isso aumenta os gastos com seguro desemprego (para os que já trabalharam) e com programas de qualificação do trabalhador. O país perde muito com isso. Em primeiro lugar, porque esses jovens poderiam contribuir mais para o país, com o aumento de produtividade e talento que vem da maior educação. Além disso, sabemos que pessoas com maior escolaridade cuidam mais da saúde, do meio ambiente e votam melhor. Mais ainda, há o risco de que parte desses jovens acabe atraída para a criminalidade, tendo em vista as poucas perspectivas no mercado de trabalho e a sensação de impunidade que prevalece no país. Caso somente 1% desses jovens entrassem na criminalidade, seriam 20 mil jovens que, se cometessem um crime por semana, provocariam mais de 1 milhão de novos crimes todos os anos. Muitos desses morreriam antes de completar 30 anos. Grande parte desses custos poderiam ser evitados se conseguíssemos reter esses 2 milhões de jovens por mais tempo na escola. O que podemos fazer para conseguir isso? Está claro que a política pública deve começar nos primeiros anos de vida da criança. Hoje sabemos, por meio das pesquisas em neurociências, que o 21/03/14 desenvolvimento infantil saudável é condição necessária para o aprendizado futuro. É nos primeiros anos de vida que são desenvolvidas as habilidades cognitivas que facilitarão todo o processo de aprendizado futuro. Além disso, essas habilidades interagem com as habilidades não cognitivas, tais como estabilidade emocional, extroversão, perseverança e motivação, que são fundamentais para que os jovens permaneçam na escola, apesar das dificuldades e da baixa qualidade da escola pública brasileira. Hoje em dia, o Brasil tem programas sociais muito bem sucedidos, que chegam às famílias mais pobres, como o Bolsa Família e o Saúde na Família. Pesquisas mostram que esses programas conseguiram reduzir bastante a mortalidade infantil nos municípios em que a cobertura foi maior, especialmente devido à redução dos casos de desnutrição, diarreia e infecções respiratórias1. Entretanto, é preciso ir além. Além da sobrevivência, é necessário fazer com que as crianças tenham um desenvolvimento saudável, ou seja, que suas capacidades cognitivas e não cognitivas se desenvolvam no ritmo adequado. Para isso, é necessário evitar que a criança enfrente situações de estresse prolongado nos primeiros anos de vida e, mais ainda, que haja um processo de interação saudável entre as crianças e os adultos que as cercam. Isso, infelizmente, parece não estar ocorrendo em grande parte das famílias brasileiras. Assim, é necessário utilizar o cadastro social único para visitar as famílias e mensurar o que de fato está acontecendo com as crianças (através de testes cientificamente aceitos e validados) e direcionálas para especialistas em caso de problemas. Além disso, é necessário ensinar as mães e avós a interagir de forma saudável com elas. Por fim, saneamento básico e escola pública com qualidade são indispensáveis. Esse deve ser o futuro do Bolsa-Família. Vários ramos da ciência moderna têm convergido para a necessidade de concentrar os recursos públicos nos primeiros anos de vida das pessoas. Está na hora dos políticos e gestores também caminharem nessa direção. 1 Rasella e Paes-Souza, "Combining Conditional Cash Transfers and Primary Health Care to Reduce Childhood Mortality in Brazil'. Naercio Menezes Filho, professor titular - Cátedra IFB e coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, é professor associado da FEA-USP e escreve mensalmente às sextasfeiras. [email protected] Valor Econômico 21/03/14 00 EMPRESAS Estácio capta mais alunos e lucro dobra em 2013 Por Beth Koike | De São Paulo A Estácio fechou o ano passado com seu melhor lucro líquido desde a abertura de capital em 2007. No quarto trimestre, o valor da última linha do balanço da companhia triplicou, para R$ 45 milhões. No acumulado do ano, a expansão foi 123% o que fez o lucro líquido chegar a R$ 245 milhões. A receita anual subiu 25,1% e chegou a R$ 1,7 bilhão. Dois fatores contribuíram para o bom desempenho. O primeiro deles foi o crescimento de 16,3% no número de alunos que atingiu 315,7 mil no fim do ano. Outro item de destaque no balanço foi o resultado financeiro que em 2012 havia sido negativo em R$ 34 milhões e no ano passado somou R$ 8,2 milhões. "Como a companhia vem gerando lucro e, consequentemente caixa, houve um aumento de 270,8% nos rendimentos de aplicações financeiras no ano", explicou Virgílio Gibbon, diretor executivo de finanças e relações com investidores da Estácio. O fluxo de caixa da companhia foi de R$ 122,5 milhões. Além disso, a companhia também conseguiu uma expansão de receita superior aos custos e despesas. No ano passado, a receita líquida avançou 25,1% para R$ 1,7 bilhão. Já os custos dos serviços prestados aumentaram 18% e as despesas 24,8%. A margem operacional teve ganho de 3,3 pontos percentuais para 18,5% no acumulado do ano. O grupo educacional também registrou forte aumento no número de alunos com Fies, financiamento do governo que ajuda a reduzir a inadimplência e evasão. Em dezembro, 32% dos alunos de graduação presencial estudavam com o Fies. Um ano antes, esse percentual era de 19,7%. A Estácio também deve apresentar um primeiro semestre com resultados fortes. A companhia estima uma expansão de 18% no volume de calouros com o vestibular do início do ano. Além disso, a Estácio receberá entre 5 mil e 7 mil alunos da Gama Filho e da UniverCidade, que foram descrendenciadas pelo Ministério da Educação (MEC). Nos próximos trimestres, a companhia também contabilizará as receitas provenientes do Pronatec, programa do governo que concede bolsas para alunos de cursos técnicos. A Estácio recebeu autorização do MEC para oferecer 24 mil vagas de cursos dessa modalidade. Na área corporativa, a Estácio fechou parceria com a empresa de telemarketing Contax para capacitar 4 mil funcionários, cujo contrato é de R$ 30 milhões. O grupo educacional carioca aguarda ainda aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a aquisição da UniSEB, anunciada no ano passado por R$ 615 milhões e que fortalecerá a atuação da Estácio no segmento de ensino a distância. 21/03/14 00 O PAÍS 21/03/14 A2 OPINIÃO Currículo nacional Hélio Schwartsman SÃO PAULO - Concordo com o novo presidente do Inep, Chico Soares, quando afirma que o currículo do ensino básico no Brasil precisa ser mais bem definido. Vou um pouco mais longe e acho que deveríamos considerar seriamente a possibilidade de um currículo nacional daqueles bem detalhados e quem sabe até a adoção de alguns sistemas estruturados (apostilas). A questão é controversa entre educadores. Para os que são contra, o material didático padronizado amarra o professor e inibe a criatividade. Eu mesmo já pensei assim (mas faz tempo). E continuaria pensando não fosse por uma reflexão matemática. A autonomia é de fato ótima, desde que você tenha professores excepcionais. E o problema é que, por uma fatalidade estatística, contamos com poucos docentes muito bons, uma grande massa de mestres medianos e alguns bem ruinzinhos. Nessas condições, os sistemas estruturados, ao contribuir para puxar um pouquinho a média para cima, produzem mais ganhos do que prejuízos. Essa intuição parece ser corroborada por dados empíricos. Num estudo de 2010, as pesquisadoras Ilona Becskeházy e Paula Lozano, da Fundação Lemann, compararam o desempenho na Prova Brasil de escolas municipais paulistas que usavam apostilas com o de instituições semelhantes que não usavam e concluíram que os sistemas tendem a ter efeitos positivos no aprendizado. Não se trata de nenhuma revolução, mas é algo que traz um ganho incremental que parece consistente. Tal resultado não chega a ser uma surpresa, quando se constata que as apostilas ajudam o professor a organizar-se para a aula e que um dos grandes problemas identificados na escola pública brasileira é que o docente não sabe o que fazer com o tempo de que dispõe. Acho que vale a pena tentar. Já passamos muito tempo apostando na autonomia aos professores e os resultados estão longe de brilhantes. 21/03/14 00 PODER Com 43% dos votos, Dilma seria reeleita no 1º turno, aponta Ibope ELEIÇÕES 2014 DE SÃO PAULO - Se as eleições ocorressem agora, Dilma Rousseff (PT) seria reeleita presidente, de acordo com pesquisa Ibope divulgada ontem. A presidente manteve o mesmo percentual de intenções de voto que tinha em novembro do ano passado: 43%. Os outros dois pré-candidatos mais bem colocados, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o governador Eduardo Campos (PSB-PE), aparecem com 15% e 7% das intenções de voto, respectivamente. A presidente venceria, portanto, no primeiro turno. Se a disputa fosse entre Dilma, Aécio e Marina Silva (PSB/Rede), os candidatos receberiam, respectivamente, 41%, 14% e 12% dos votos. Em um eventual segundo turno, Dilma sairia vitoriosa. A pesquisa ouviu 2.002 eleitores em 140 municípios, entre os dias 13 e 17 de março. 21/03/14 00 COTIDIANO Alunos da USP Leste irão para Fatec e instituição particular Aulas também foram transferidas para unidade de Pinheiro, a 30 km do campus original; decisão desagradou estudantes e direção FÁBIO TAKAHASHI DE SÃO PAULO A USP decidiu alocar provisoriamente os estudantes da USP Leste em sua unidade na zona oeste, em uma universidade particular e em uma faculdade estadual. O campus da zona leste da USP, que possui cerca de 5.000 alunos, está interditada judicialmente devido à contaminação do solo. Após dois adiamentos, o ano letivo começará na segunda-feira, mais de um mês depois dos demais campi. Os estudantes do período noturno terão de se deslocar para a unidade da USP em Pinheiros (zona oeste), no chamado "quadrilátero da saúde", a cerca de 30 km do campus da zona leste. Ou para a Fatec Itaquera (zona leste). Já os alunos da manhã e da tarde usarão instalações da Unicid, universidade particular no Carrão (zona leste). A USP não informou se pagará pelo uso de prédios das outras instituições. A distribuição foi decidida pela reitoria da universidade e desagradou alunos e direção do campus. Em nota, a USP Leste afirmou que as opções de Pinheiros e da Fatec trazem "maiores complicações logísticas". A diretora Cristina Toledo e sua vice, Neli de Mello-Théry, declararam reconhecer que a "solução apresentada não é a melhor" e que estão "empenhadas em garantir as melhores condições possíveis". A unidade, porém, não foi unânime em definir qual seria a opção preferencial. As diretoras disseram na nota oficial que buscavam concentrar os cursos na Cidade Universitária, no Butantã. Parte dos alunos queria um local mais próximo possível do campus da USP Leste. Até o fechamento desta edição, a reitoria da USP não havia se manifestado sobre as críticas nem explicado o porquê de sua decisão. Na nota sobre a distribuição das aulas, disse que os locais escolhidos são próximos do metrô. 21/03/14 00 POLÍTICA Continua Continuação 21/03/14 Continua Continuação 21/03/14 21/03/14 00 METRÓPOLE MPdenuncia cartel de fornecimento de uniformes Continua Continuação 21/03/14 21/03/14 00 METRÓPOLE Continua Continuação 21/03/14 CORREIO BRAZILIENSE 21/03/14 00 BRASIL EDUCAÇÃO » Inclusão exige mais professores na escola Famílias de crianças com síndrome de Down defendem a presença de um mediador nas salas de aula dos colégios regulares para facilitar não só o processo de aprendizagem, como também a integração com os colegas DANIELA GARCIA ANA POMPEU HORIZONTE ABERTO Fotógrafa profissional, Jéssica relembra as dificuldades por que passou na escola e como foi importante ter uma professora dedicada Toda vez que a professora convocava os alunos para fazer trabalho em grupo na sala de aula, Jéssica ficava fora da divisão. Mesmo quando os colegas aceitavam a presença dela no grupo, avisavam que o nome da colega iria constar no trabalho, mas a aluna, com síndrome de Down, não teria o que fazer no grupo, nenhuma tarefa seria dada à ela. Aos 8 anos, Jéssica era uma menina tímida e não se atrevia a contar para a mãe como era seu dia a dia na escola. A rotina de exclusão só chegou aos ouvidos da mãe, a servidora pública Ana Cláudia Mendes de Figueiredo, de 49 anos, depois que ela contratou uma pedagoga para acompanhar de perto as atividades da filha no ambiente escolar. “Ela me relatava quando acontecia esse tipo de coisa com a Jéssica”, detalha (leia depoimento). Assim como Ana Cláudia, mães e pais de crianças com síndrome de Down defendem cada vez mais a presença de profissionais que atuem como mediadores do aprendizado dos filhos em unidades regulares de ensino. Hoje, Dia Internacional da Síndrome de Down, o Correio mostra como essa pode ser uma boa alternativa para a inclusão dos alunos com deficiência. A discussão sobre a presença desse auxiliar — ou cuidador — dentro da sala de aula motivou a apresentação do Projeto de Lei nº8014/10, que tramita no Congresso. Se aprovado, escolas públicas e privadas terão que manter um educador a mais na sala de aula, para atender alunos com deficiência intelectual ou física. A proposta, do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG), foi aprovada na semana passada em caráter conclusivo na Câmara. Pais e especialistas aprovam a iniciativa, mas fazem ressalvas sobre o termo “cuidador”, utilizado no texto do projeto. “Pessoas com síndrome de Down precisam mesmo é de um mediador nas atividades escolares. Cuidador seria necessário em caso de crianças com dificuldades físicas ou de locomoção”, argumenta a coordenadora-geral do Movimento Down, Maria Antônia Goulart. Ana Cláudia, que participa da Federação Brasileira das Associações de Síndrome de Down, defende o termo “professor auxiliar”. É assim que Ohana Dielly Damasceno, 23 anos, gosta de ser chamada. Estagiária no Centro Educacional Maria Auxiliadora (Cema), na Asa Sul, a estudante de pedagogia acompanha o desenvolvimento de duas alunas do 2º ano do ensino fundamental. As meninas, com síndrome de Down, nem sempre conseguem seguir o ritmo dos colegas. Ao ver que a criança enfrenta dificuldades para ler ou pronunciar alguma palavra, Ohana tem a liberdade, por exemplo, de sugerir à professora que indique exercícios específicos. “O dia a dia é uma descoberta tanto para mim quanto para elas.” A iniciativa de contratar a professora auxiliar foi tomada pela própria escola. Mãe de Lia, uma das alunas de Ohana, a aposentada Lourdes Lima, 52 anos, conta que a filha já estudou em outras instituições, mas nenhuma oferecia esse tipo de atendimento. A modalidade ainda é rara no Brasil, explica Maria Antônia. A maioria das unidades privadas de ensino regular cobra ilegalmente uma taxa extra para ter o profissional ou sugere que os pais contratem, por conta própria, esse auxiliar. “Quando procurei o Cema e disse que minha filha tinha síndrome de Down, a coordenadora já me respondeu: ‘A escola está aberta para todas as crianças’. É isso que eu defendo: o Continua Continuação mundo não é para um grupo específico, é de todos. A escola deve ser um local em que as crianças estejam todas juntas.” Bons resultados A partir de 2007, começou a ser implantado na rede pública de ensino o Atendimento Educacional Especializado (AEE), prestado em horário complementar ao turno regular. De acordo com o programa, o Ministério da Educação (MEC) fornece equipamentos de informática, mobiliário e material pedagógico e de acessibilidade para a organização do espaço de atendimento educacional especializado. Cabe às escolas oferecer o espaço físico para implantação dos equipamentos e também contratar um professor para o local. Tanto o professor auxiliar na sala de aula como o programa do MEC têm obtido bons resultados com os alunos Down no Brasil, garantem as entidades. No caso dos mediadores, Maria Antônia ressalta que eles nem sempre são necessários ao longo da vida escolar. “Às vezes, a criança precisa dessa ajuda só por um momento, em uma série.” Na educação de Jéssica, a figura da professora auxiliar esteve presente na sala de aula da 2ª à 6ª série. Hoje, aos 22 anos, com diploma de uma faculdade de fotografia, aquela menina tímida que enfrentou muitos percalços se sente realizada na profissão que escolheu. Mas, antes de conquistar a autonomia, a mãe, Ana Cláudia, revela que a filha nem sequer sabia que aquela pedagoga que dava atenção especial a ela na sala de aula havia sido contratada pela própria 21/03/14 família. “A mediadora ficava no fundo da sala. Assessorava todos os alunos, mas se dedicava às dificuldades de Jéssica, como tinha se saído na inclusão dos grupos. Muitas vezes, essa era uma questão problemática”, recorda. Quando Ana Cláudia relembra as dificuldades enfrentadas pela filha, Jéssica confirma: “Foi difícil mesmo, mãe, foi difícil. Eu me lembro até hoje do meu primeiro grupo, que me excluiu”. O QUE DIZ A LEI Resolução nº 4, de 2009 » Determina que as escolas devem matricular alunos com distúrbios genéticos nas classes comuns do ensino regular e no Atendimento Educacional Especializado. O projeto pedagógico deve conter salas multifuncionais, cronograma de atendimento e atividades educacionais específicas. Decreto nº 3.956, de 2001 » Pessoas com distúrbios genéticos têm os mesmos direitos e liberdades fundamentais que os demais. O decreto considera discriminação toda diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência. Resolução CNE nº 2, de 2001 » Institui as diretrizes nacionais para a educação de alunos com deficiência. Os sistemas de ensino devem matricular todos os alunos, cabendo às escolas organizarem-se para ofertar atendimento que assegure as condições necessárias à educação de qualidade para todos. Constituição Federal, artigo 208 » Garante a universalização do atendimento especializado a alunos com deficiência na rede de ensino regular, com educação inclusiva, e estabelece o direito à integração plena dessas pessoas em todas as áreas da sociedade. “O mundo não é para um grupo específico, é de todos. A escola deve ser um local em que as crianças estejam todas juntas” Lourdes Lima, mãe de Lia, de 8 anos, que tem síndrome de Down DEPOIMENTO // Ana Cláudia Mendes de Figueiredo, mãe de Jéssica Mendes “Jéssica sempre foi uma menina que gostou de ir à escola, mas, no início do primeiro ano do ensino fundamental, passou a demonstrar desinteresse pelas aulas . Comecei, então, a visitar o colégio mais frequentemente para saber o que se passava. Percebi que ela não se sentia acolhida naquela escola. Um dia, apareci no horário da aula e vi que a turma estava dividida em grupos, mas Jéssica e um amigo que usava cadeira de rodas estavam em um canto da sala, sozinhos, alheios à atividade proposta. Perguntei para a professora por que eles não estavam incluídos em um grupo, participando do trabalho solicitado. Ela respondeu que a cadeira de rodas ‘não se encaixava’ nas carteiras dos demais e que Jéssica, para não o deixar sozinho, pedira para ficar com ele. Depois, a coordenadora me disse que Jéssica passava o intervalo com o amigo, empurrando a cadeira de rodas dele. Identificavamse, certamente, com o sentimento de não pertencimento àquela turma. Não se pode colocar um aluno na sala de aula simplesmente para dizer que ele está incluído. Ele pode se tornar uma ilha, e a experiência, em vez de promover liberdade, desenvolvimento e alegria, desencadeará tristeza e angústia.” CORREIO BRAZILIENSE 21/03/14 BRASIL 00 Cobrança ilegal se mantém Apesar de a legislação proibir taxas extras para a contratação de professores auxiliares de crianças com deficiência, algumas escolas do DF insistem no abuso. A prática que foi denunciada pelo Correio em 2012 ANA POMPEU DANIELA GARCIA SEM DESPESA Tatiana Mares Guia, com Augusto e Guilherme: "Cobrança de taxa extra é ilegal. As escolas têm que lutar contra o sistema, não contra os pais" Não bastasse a dificuldade em conseguir matricular filhos com síndrome de Down, os pais passam também por problemas no próprio relacionamento com as escolas. Além dos obstáculos pedagógicos, ainda há muitas instituições de ensino pelo país que insistem em cobrar uma taxa extra — quase uma segunda mensalidade — para aceitar a matrícula de um aluno com Down ou com qualquer outra deficiência. Entidades de pais e associações de defesa das pessoas com deficiência denunciam que a prática é comum e não significa, necessariamente, melhor qualidade na prestação do serviço. Em maio de 2012, o Correio mostrou que escolas da rede privada cobravam um adicional para manter um acompanhante de crianças com deficiência. À época, a reportagem mostrou que um professor auxiliar custava, em média, R$ 600, se sugerido pela instituição; e R$ 1 mil, se contratado por fora. Apesar de o Distrito Federal ter se tornado, em março do ano passado, a primeira (e, até hoje, a única) unidade da Federação a ter uma lei específica para proibir a cobrança de taxas extras em mensalidades de crianças com deficiência, pais e ONGs contam que a prática ainda não se extinguiu. Tatiana Mares Guia, 46 anos, é mãe de duas crianças especiais. Augusto, 13 anos, tem síndrome de Down. O mais novo, Guilherme, 10 anos, não recebeu diagnóstico para a deficiência que provoca dificuldades para andar e falar. Os dois frequentam a mesma escola desde pequenos. Há três anos, ela não banca mais os tutores que acompanham as crianças. “Eu me dispus a pagar metade do salário dos estagiários de pedagogia que ficavam com meus filhos. Agora, a escola arca sozinha pelos mesmos serviços, sem prejuízo para as crianças”, conta. Para ela, é importante que os meninos tenham um professor auxiliar diariamente, principalmente o caçula, que precisa de ajuda para comer e ir ao banheiro. Mas ela é enfática: “Cobrança de taxa extra é ilegal. As escolas têm que lutar contra o sistema, não contra os pais”, diz. Uma alternativa, na visão dela, seria pedir isenção ou redução de impostos, mas jamais cobrar dos pais. Denunciar é preciso A escola de Augusto e Guilherme recebe crianças da educação infantil e da primeira fase do ensino fundamental. No próximo ano, Tatiana vai ter que matricular Augusto em outra unidade. “Estou histérica há dois anos. Dos 13 anos em diante é uma selva. Temo ter que pagar para alguém educar os meninos dentro de casa. E aí, o conceito da inclusão vai todo por água abaixo”, se preocupa. Pelo menos, no que diz respeito à legislação, não há mais brechas. A promotora de Defesa da Educação (Proeduc), Márcia Pereira da Rocha, explica que a recomendação emitida em dezembro do ano passado é bastante esclarecedora. “Agora, é a vez de o cidadão denunciar casos de irregularidades. Um contrato com uma taxa dessas é nulo. Os pais têm a missão de se informar para não se submeterem a esses acertos”, enfatiza a promotora. O casal Christiane, 37, e Diego Bonomo, 33, apresentou uma notificação ao MP, no ano passado, contra uma escola que propôs cobrar taxa extra para matricular Vito, de 3 Continua Continuação anos. “É uma frustração você ver que a escola ainda tem esse tipo de atitude”, lamenta Diego. Segundo ele, o tratamento mudava quando os responsáveis pela instituição ficam sabendo que Vito tem síndrome de Down. “Muitas escolas mudam imediatamente o discurso e colocam uma série de empecilhos: não tem vaga, a lista de espera é muito grande, é um caso especial que deveria ser tratado de outra forma, tudo isso vai contra a lei.” A promotora Márcia Pereira da Rocha recomenda que os pais procurem o MP em situações polêmicas. Ela diz que a relação entre atendimento adequado e custos mais elevados não é direta. “A preparação da escola exige coordenação pedagógica, uma equipe que dê apoio ao professor, conversas com os pais”, detalha. Em caso de ônus adicional, o MP defende que o valor seja compartilhado na mensalidade de todos os pais. A instituição deve estar preparada para receber qualquer tipo de estudante. A ausência de queixas formais não significa, no entanto, o fim dos abusos. Coordenadora da ONG Ápice Down, fisioterapeuta do Centro de Referência Interdisciplinar de Síndrome de Down (Crisdown) do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), e mãe de Ana Beatriz, 4 anos, Nadja Quadros, recebe, em 21/03/14 média, dois relatos de cobrança ilegal por mês. “A forma (de cobrar) é que mudou, mas a prática permanece. As escolas fazem isso de forma mais velada. Dizem que não têm preparo para acolher a criança ou a matriculam e, mais tarde, dizem que, apesar de estarem fazendo o possível, a criança não está acompanhando a turma. E aí, recomendam a contratação de um tutor particular”, relata. Na opinião do presidente da Associação de Pais de Alunos das Instituições de Ensino (Aspa-DF), Luiz Cláudio Megiorin, as escolas particulares estão em dívida com a educação inclusiva. “A inclusão está sendo deixada toda na conta da rede pública. Isso é fato, é notório. O discurso é que elas são inclusivas, mas não atendem nem os alunos com altas habilidades nem os que tem algum transtorno global de aprendizagem (TGA)”, analisa. Megiorin acredita que essa responsabilidade também deve ser cobrada da rede privada de ensino. “Que façam uma inclusão responsável, e não matriculem alunos e os deixem no canto da sala sem a atenção devida.” A gafe de Renan e o choro de Romário Em cerimônia, ontem, no plenário do Senado para comemorar o Dia Internacional da Síndrome de Down, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), cometeu uma gafe ao classificar a síndrome de Down como uma doença. Depois, Renan responsabilizou sua assessoria pela informação equivocada. “Queria pedir desculpas a todos, em nome da nossa assessoria, por ter, equivocadamente, chamado Down de doença.” Na mesma sessão, o deputado Romário (PSB-RJ), pai uma menina com a síndrome, chorou ao falar da relação com a filha. “Sou um cara melhor, sou um cara mais humano, sou um cara que aprendeu a respeitar algumas coisas que — não que as desrespeitasse — passavam despercebidas na minha vida.” NÚMEROS DA INCLUSÃO NO BRASIL Escolas especiais — 2.062 Públicas — 328 Privadas — 1.734 Alunos nas escolas especiais — 199.656 Escolas especiais públicas — 58.225 Escolas especiais privadas — 141.431 Alunos nas escolas regulares — 620.777 Escolas públicas — 584.119 Escolas privadas — 37.158 CORREIO BRAZILIENSE 21/03/14 00 MEMÓRIA Uma conta salgada Em março de 2012, o Correio visitou seis escolas e constatou que em três era exigida a contratação de um acompanhante no ato da matrícula para fazer companhia à criança com deficiência. Um serviço que deveria ser pago pelas próprias famílias. A transcrição dos diálogos entre a reportagem e duas das escolas procuradas, e os relatos dos pais e de ONGs levantaram um debate na capital federal. No dia 30 daquele mês, o jornal publicou a primeira de cinco matérias sobre o tema. As escolas alegavam falta de orientação e de condições para assumir o ônus de um profissional específico, mas especialistas classificaram a cobrança como danosa. Órgãos do governo pediram explicações sobre a cobrança feita pelas escolas. A Ordem dos Advogados do Brasil no Distrito Federal (OAB-DF) mandou um ofício exigindo esclarecimentos para as quatro unidades de ensino mostradas na reportagem. Entidades representativas de pessoas com síndrome de Down procuraram ajuda do Ministério Público. Um ano mais tarde, em 26 de março do ano passado, uma lei publicada no Diário Oficial do Distrito Federal proibiu a cobrança de valores adicionais. Em dezembro de 2013, as promotorias de Justiça de Defesa da Educação (Proeduc), do Consumidor (Prodecon) e da Pessoa com Deficiência (Proped) expediram recomendação para que as instituições de ensino se abstenham de cobrar qualquer quantia extra para o atendimento de alunos especiais. O documento foi enviado ao secretário de Educação do DF e à presidente do Sindicato dos Estabelecimentos Particulares de Ensino do DF (Sinepe). BRASIL CORREIO BRAZILIENSE 21/03/14 00 BRASIL ARTIGO// Escola boa para todos Desde sua fundação, em 1961, a Apae de São Paulo desenvolveu diversas ações no sentido de atender às demandas das pessoas com deficiência intelectual. Em 2007, a instituição, em respeito e apoio as novas diretrizes educacionais do Ministério da Educação, decidiu manter a escola especial apenas para os 109 alunos que frequentavam a Apae na ocasião, até que todos fossem inseridos na rede regular de ensino ou em espaços de educação não formal. Foi realizada uma avaliação dos alunos matriculados na Escola Especial, tentando-se agrupar e classificar as respostas ao instrumento de sondagem pedagógica, que teve como proposta mensurar o desempenho dos alunos nas seguintes áreas: identidade e autonomia; socialização; comunicação e expressão — linguagem receptiva e expressiva; raciocínio lógico matemático; e motricidade. Os objetivos foram analisar a evolução dos alunos encaminhados à escola regular e comparar os resultados obtidos pelos alunos matriculados em classes comuns da escola regular e de instituições especializadas. O estudo evidenciou melhoras no desenvolvimento integral dos alunos que passaram a frequentar as escolas de ensino regular. Para o sucesso da inclusão, é necessário considerar alguns componentes essenciais: ambiente estruturado e adaptado às necessidades de cada um, abordagem de ensino que facilite seu aprendizado e flexibilização curricular, fatores estes que não devem ser utilizados unicamente para os alunos com deficiência, mas para todos que necessitem de um currículo adequado à sua individualidade. Por Roseli Olher, pedagoga e coordenadora pedagógica da Apae/ SP, e Laura M. F. Ferreira Guilhoto, médica, pedagoga e coordenadora de Pesquisa do Instituto da Apae/SP CORREIO BRAZILIENSE 21/03/14 00 EDITORIAL Estado tem de se adaptar à realidade É inegável a revolução dos costumes que o Brasil sofreu nos últimos 50 anos. Além da urbanização acelerada, sobressai a mudança da paisagem humana. Parcelas da população antes invisíveis passaram a frequentar o espaço público e a ocupar postos antes destinados aos grupos que se sucediam desde as Capitanias Hereditárias. Entre os que ganharam visibilidade, encontram-se os deficientes. Durante séculos, famílias que tinham entre os membros pessoas “diferentes” sentiam constrangimento de exibi-las a amigos ou a estranhos. Mantinham-nas isoladas em dependências distantes das áreas comuns da casa. Não raro, internavam-nas em instituições que se encarregavam de escondê-las até a morte. Eram vivosmortos. Ou mortos-vivos. O desenvolvimento das comunicações, aliado aos avanços científicos e às conquistas dos movimentos libertários que sacudiram a segunda metade do século passado, acarretou radical mudança de mentalidade. O isolamento a que eram condenadas as pessoas com deficiência ficou no passado. Hoje adultos e crianças circulam nas ruas, ocupam praças, frequentam escolas e locomovem-se em transporte coletivo. O Estado, porém, não seguiu o passo à frente da sociedade. Deixou de dar tratamento especial a brasileiros especiais. Ônibus continuam sem rebaixamento de degraus, edifícios sem rampas de acesso, semáforos sem sinal sonoro, calçadas sem condições de trânsito de cadeirantes ou cidadãos com dificuldade de locomoção. Não só. Escolas tampouco se prepararam para responder à nova exigência. Crianças com síndrome de Down, por exemplo, não contam com trabalhador qualificado apto a lhes acompanhar o processo de aprendizagem. Os pais precisam contratar mediadores para que os filhos mantenham o ritmo dos colegas. Arcam, por imposição do colégio, com o pagamento extra. A educação, vale lembrar, é dever do Estado — quer o estudante tenha ou não necessidades especiais. É oportuno, pois, o projeto de lei do deputado Eduardo Barbosa (PSDB-MG) que torna obrigatória a presença de profissional, além do professor regente, apto a atender estudantes com deficiência intelectual ou física sempre que necessário. Seria um professor auxiliar. A proposição, aprovada em caráter conclusivo na Câmara, precisa tramitar com celeridade para que as escolas se organizem e incluam nos quadros os especialistas exigidos por lei. CORREIO BRAZILIENSE 21/03/14 00 OPINIÃO Incompetência sólida RENATO FERRAZ [email protected] Certamente você, caro leitor, acompanhou a grande mobilização do Ocidente (Estados Unidos e União Europeia) para impedir que a Rússia anexasse e tomasse a Crimeia da Ucrânia. A princípio, essa jornada é cívica e humanitária — ou, simplesmente, uma comovente história de como são os ocidentais, com sua imensa capacidade de se ver como os outros os veem, de ver outrem como os outros os veem e também como ele mesmo se vê. Uma “banal” história do bem contra o mal, certo? Afinal, os malvados russos estão oprimindo a população daquela região e temos que a libertar. Paralelamente, líderes europeus fizeram uma reunião emergencial para estudar como, em 25 anos, conseguiriam livrar o continente da bilionária dependência do gás da Rússia (40% dele transportado via Ucrânia). Ah, bom: agora entendi. E lembrei-me de quando o Ocidente invadiu o Iraque, rico em petróleo, para salvar o pobre povo iraquiano das mãos do sanguinário Saddam Hussein, que detinha armas químicas. E lembrei-me da anexação do petrolífero Texas mexicano pelos Estados Unidos — e de outras tantas, ocidentais ou orientais, modernas ou medievais, do norte ao leste, na saúde e na doença. E me assustei com a possibilidade: e se um dia, em vez de Ocidente e Oriente, a guerra for hemisférica (Norte e Sul) e o objeto do “humanitarismo” for a água? Quem virá defender os interesses dos “oprimidos” habitantes da Amazônia brasileira, essa estupenda reserva natural de água? Assim como o povo ucraniano, crimeano e iraquiano, o povo brasileiro teria competência governamental, moral ou até civilizatória para cuidar desse patrimônio? Poderia se defender sozinho? Não, não estou surtando nem sendo alarmista ao extremo, mas o “precioso líquido” será, sim, causa de brigas, guerras e mortes. BoutrosGhali, ex-secretário da ONU, já cogitou até uma guerra no Oriente Médio. Sim: o Egito vai atacar, não duvidem disso, o primeiro vizinho que “roubar” água do Nilo; e a Etiópia estuda construir um megarreservatório no histórico rio. Amanhã é o Dia Mundial da Água e a gente vai virar a semana discutindo se o povo de São Paulo pode beber água do Jaguari, rio do povo do Rio de Janeiro. Nesse caso, não é a falta do líquido a razão do quiproquó, mas a sólida incompetência dos agentes públicos em geri-lo. P. S.: E como será no encino fundamentau? CORREIO BRAZILIENSE 21/03/14 00 Ainda a educação Análises, dados, gráficos, estatísticas e números da economia explicam, em parte, as razões que mantêm o Brasil eternamente no corredor de acesso ao patamar de nação desenvolvida. Todas variáveis que abordam o tema do subdesenvolvimento acabam, no final da equação, apontando o fator educação como o ponto de partida para alcançar os moldes do primeiro mundo. Fato é que nenhum país rico logrou essa posição negligenciando a educação. Esse é o xis da questão. As principais avaliações mundiais de qualidade do ensino colocam o Brasil na rabeira das listas. Em ranking elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), com base no Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o Brasil alcançou o 58º lugar entre 65 países. Já em avaliação feita pela Unesco, estamos, entre 127 países, na 88ª posição. Somente no quesito desigualdade e contrastes entre escolas para ricos e para pobres é que somos imbatíveis na primeira posição. Com 5.564 municípios, muitos deles com sérios problemas de recursos próprios, o custeio da educação acaba sendo relegado em favor de outras necessidades mais urgentes e/ou mais visíveis ao eleitorado. No livro Educação é a solução. É possível!, o senador e exreitor da UnB, Cristovam Buarque (PDTDF), lançou a ideia da federalização das escolas públicas do país, com a ampliação das 451 escolas atuais para 156.164. Conseguiu apoio de vários senadores. ARI CUNHA CORREIO BRAZILIENSE 21/03/14 00 Será? » Mais de 65% no aumento das contas das obras no Estádio Mané Garrincha. E corre à boca miúda que o GDF está tentando minar a Escola de Música de Brasília, por falta de verba. ARI CUNHA CORREIO BRAZILIENSE 21/03/14 CIDADES 00 VESTIBULAR » Cespe elimina 58 aprovados Concurso para a Escola Superior de Ciências da Saúde teve notas de redação relacionadas ao nome dos autores de forma incorreta. O órgão publicou edital com os candidatos incluídos para os cursos de medicina e enfermagem » SAULO ARAÚJO Aluno chega para fazer a prova da ESCS este ano: dezenas já tinham pedido a revisão para o Cespe Um erro no sistema do Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (Cespe/UnB) fez com que a lista de aprovados no último vestibular da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) fosse alterada. No dia 11 de fevereiro, o edital publicado trazia 160 nomes de alunos classificados no certame de medicina e enfermagem. Porém, um mês depois, verificou-se uma falha na correção das avaliações. Com os resultados revistos, 58 pessoas que constavam como aprovadas na primeira relação foram substituídas. Um novo edital foi divulgado ontem. O Cespe se manifestou por meio de nota. No texto, explica que o problema ocorreu na hora da correção das redações. Um programa faz o mascaramento do nome do candidato — para ele não ser identificado e, assim, evitar qualquer tipo de fraude —, e a avaliação dele passa a ser relacionada a um código. O procedimento é adotado a fim de evitar associação do texto ao autor. Ao término da correção das provas e lançadas as notas, ocorre o processo de desmascaramento, e a identidade do candidato volta a ser revelada. Foi justamente na última etapa que ocorreu a falha, pois as notas de cada redação não foram agregadas corretamente aos respectivos autores. Depois de os resultados se tornarem públicos, dezenas de candidatos identificaram as falhas e entraram com recurso no Cespe pedindo revisão — alguns até acionaram a Justiça. O órgão, após uma longa análise, admitiu a falha e lamentou o imprevisto. “Constatado o erro, o Cespe, como órgão da Administração Pública, de forma a garantir justiça, precisão, correção e lisura ao processo de seleção, princípios e valores estes que norteiam o seu trabalho, corrigiu imediatamente a falha, garantindo, portanto, a credibilidade do sistema de seleção”, pronunciou-se o Centro, por meio de nota, se colocando à disposição daqueles que participaram do exame para prestar esclarecimentos. Segundo a assessoria de imprensa do Cespe, todas as chamadas (até a quinta chamada de enfermagem e até a terceira chamada de medicina) estão anuladas. Alívio O estudante Breno Baeza, de 19 anos, seria um dos prejudicados, caso o erro não fosse detectado a tempo. Ele ficou surpreso ao conferir a lista de aprovados para o vestibular de medicina na entidade distrital. “Pelo gabarito, eu fui muito bem. Quando saiu o resultado oficial, meu nome não aparecia em lugar algum. Fiquei muito decepcionado, mas nem questionei. Só passei a correr atrás de respostas e entrar com recurso ao perceber que várias outras pessoas estavam na mesma situação. Depois, verificamos que muitos dos aprovados tinham notas bem inferiores à nossa”, explicou. Apesar do susto, ele agora se sente aliviado. “Demorou, mas a justiça foi feita. Já estava me preparando para o próximo vestibular e acabou sendo uma agradável surpresa saber que eu já havia passado”, comemorou o estudante morador do Valparaíso (GO). Continua Continuação 21/03/14 Por outro lado, Naiana Magalhães Coelho, 28 anos, estava decepcionada com a situação. No primeiro resultado divulgado, ela estava classificada em 57º lugar e foi aprovada em segunda chamada. Com o resultado correto, a classificação dela caiu para 76ª e ela não sabe se conseguirá ser matriculada. “Eu cursava o segundo semestre de medicina do Uniceub e, quando passei no vestibular da ESCS, larguei tudo para ir para lá. Trabalho em órgão público e organizei todo o meu horário de trabalho e a minha vida em função do curso. Agora, nos deixaram assim. A culpa não é da ESCS porque esses alunos, em teoria, não deveriam nem estar matriculados. Mas é uma decepção e uma angústia muita grande”, lamenta. Colaborou Ana Paula Lisboa JORNAL DE BRASÍLIA 21/03/14 00 CIDADES ESCS Alunos terão de sair Continua Continuação 21/03/14 JORNAL DE BRASÍLIA 21/03/14 00 CIDADES G1.COM - DISTRITO FEDERAL http://g1.globo.com/distrito-federal 20/03/2014 Erro em vestibular tira vaga de 30 candidatos em faculdade do GDF Falha em correção classificou 30 alunos que não obtiveram nota suficiente. Cespe informou que 'lamenta' erro e que já tomou as 'medidas necessárias'. Do G1 DF Alunos de medicina em frente à faculdade em Brasília (Foto: Lucas Salomão/G1) Uma falha no sistema de correção do vestibular de medicina da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) do Distrito Federal trocou a nota dos candidatos e alterou a classificação final da prova, deixando 30 alunos que obtiveram nota suficiente para serem aprovados de fora das 48 vagas disponíveis para o curso. O certame teve 4.760 inscritos, uma concorrência de 99 candidatos por vaga. O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasíliax (Cespe/UnB), responsável pela realização do concurso, informou que a correção das provas de redação é feita sem que haja a identificação do candidato. O processo gera um código que é associado ao autor do texto após a avaliação. “Mesmo não tendo sido afetado, sinto muito pelos alunos. Tem gente que veio de outros estados, alugou apartamento com contrato de dois anos. E agora eles não sabem o que fazer. Eu acho que esses 30 que já estão fazendo o curso deveriam continuar e o Cespe arcar com o custo dos outros 30 que deveriam estar aqui. É o mais justo" Lucas da Silva, aluno que permaneceu entre os aprovados mesmo após a correção das notas De acordo com o Cespe, ocorreu um erro de programação no processo que não associou a nota de cada texto ao respectivo autor. O erro, porém, só foi repassado para a direção da instituição de ensino durante o Carnaval, duas semanas depois do início das aulas, após um candidato que tirou uma nota alta na prova pedir a revisão do certame, já que ele não teve sua redação corrigida. Em nota, o Cespe afirmou que "lamenta profundamente o erro" cometido e informou que tomou todas as "providências administrativas necessárias". A entidade, no entanto, não informou que medidas foram adotadas (veja a íntegra da Continua Continuação 20/03/2014 nota ao reportagem). final desta A escola de medicina decidiu suspender as aulas até o dia 22 de abril. A medida, segundo os alunos, é para favorecer os candidatos envolvidos no erro do vestibular e dar tempo de eles acionarem a Justiça. Uma candidata aprovada no vestibular que não quis se identificar disse que perdeu 48 posições após a identificação do erro. Ela afirmou que foi orientada a entrar na Justiça com um mandado de segurança para conseguir manter a vaga. "São dois anos de estudo, horas de dedicação para perder meu sonho desse jeito. É um absurdo o Cespe, uma instituição desse tamanho, cometer um erro tão absurdo. A sensação é de desespero e tristeza", disse a aluna. O aluno Lucas da Silva, de 20 anos, foi aprovado, mas com a identificação do erro, ficou apenas duas posições acima da nota de corte. "Mesmo não tendo sido afetado, sinto muito pelos alunos. Tem gente que veio de outros estados, alugou apartamento com contrato de dois anos. E agora eles não sabem o que fazer", disse. "Eu acho que esses 30 que já estão fazendo o curso deveriam continuar e o Cespe arcar com o custo dos outros 30 que deveriam estar aqui. É o mais justo." Veja a nota do Cespe "20/03/2014 - NOTA Vestibular FEPECS - Nota de Esclarecimento Nota de esclarecimento sobre o Vestibular da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS) O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos da Universidade de Brasília (CespeUnB), com relação à retificação das notas das provas de redação e da nota final do vestibular de 2014 da Escola Superior de Ciências da Saúde (ESCS), divulgada por meio do Edital nº 3, de 20 de março de 2014, esclarece o que se segue. Antes de iniciar a avaliação das referidas provas de redação, e para garantir a segurança e a isonomia na avaliação, realizou-se um processo de mascaramento, em que cada texto foi associado a um código identificador, e, em seguida, eliminou-se da folha de texto definitivo qualquer identificação do autor. Após o mascaramento, as provas foram passadas para as bancas avaliadoras realizarem o trabalho de avaliação com os textos desidentificados, ou seja, no momento da avaliação, a banca não é capaz de associar o texto ao autor. Concluída a avaliação, ocorreu o processo de desmascaramento, e as notas dadas pelas bancas avaliadoras foram associadas aos autores dos textos por meio do código identificador. Tanto o processo de mascaramento quanto o de desmascaramento dos textos demandam programação, a qual é feita especificamente para cada evento. No caso em Continua Continuação 20/03/2014 comento, ocorreu erro de programação no processo de desmascaramento, de modo que a nota de cada texto não foi associada corretamente ao respectivo autor. Essa falha foi detectada por meio de reclamação de participantes do vestibular apresentada judicialmente a este Centro. Constatado o erro, o CespeUnB, como órgão da Administração Pública, de forma a garantir justiça, precisão, correção e lisura ao processo de seleção, princípios e valores estes que norteiam o seu trabalho, corrigiu imediatamente a falha, garantindo, portanto, a credibilidade do sistema de seleção. Este Centro lamenta profundamente o erro cometido, informa que já tomou todas as providências administrativas necessárias e coloca-se à disposição para esclarecimentos adicionais. Atenciosamente, CespeUnB"