A CONSTRUÇÃO DA IMAGEM CORPORAL DOS ADOLESCENTES PRATICANTES DA MUSCULAÇÃO. Arthur Henrique Simães Pena Dra. Joelma C.P.M. Alencar – Orientadora RESUMO A pesquisa em questão debate sobre o tema Imagem Corporal, que trata do processo de reconhecimento através do olhar, que traduz as opiniões do que reflete a imagem do seu corpo comparando aos demais modelos em questão, sempre ao arquétipo que a sociedade construiu de corpo. O objetivo foi compreender como está sendo construída a imagem corporal de adolescentes praticantes da musculação. O estudo é explicativo, com um enfoque compreensivo, sendo o tipo do trabalho uma pesquisa de campo com uma abordagem qualitativa. A pesquisa ocorreu na Life Center Academia, localizada no Parque Guajará - Augusto Montenegro, com o público alvo de 15 adolescentes de ambos os sexos na faixa etária de 15 a 20 anos que praticam musculação. As coletas de dados foram realizadas através de uma entrevista semi-estruturada, a aplicação do teste de espelhos e o de escala de silhuetas, e a análise dos dados se deu com a de conteúdo. Teve-se como resultados nesta pesquisa, uma grande influência da mídia na vida dos adolescentes, a insatisfação, por parte da maioria, em relação à imagem corporal. E através destes resultados pôde-se perceber como está sendo construída essa Imagem Corporal dos adolescentes, a mesma apresenta-se influenciada pela mídia e os meios de comunicação que de forma relevante influenciam no modo de ver, agir dos adolescentes que por apresentarem-se em uma fase de mudanças em sua vida tornam-se vulnerável para essas influências da mídia. Palavras-Chave: Imagem Corporal; Adolescentes; Musculação. INTRODUÇÃO Esta pesquisa trata de corpo, e por sua vez não pode ser dissociado do homem, o qual vem ao longo dos tempos construindo sua história centralizada no corpo, pois o mesmo acarreta todo um processo de memórias e existências do ser humano e, suas características de reconhecimento como tal, através de suas práticas que podem variar das mais simples, como as cotidianas, às demais técnicas corporais. O ato de pensar na construção histórica do corpo proporciona uma lembrança de como este era tratado nas civilizações antigas até os tempos atuais. E através dessa busca histórica percebe-se que um dos aspectos do corpo que mais esteve presente na vida do ser humano foi a Imagem, no caso, trata-se na verdade da que o corpo reflete, sendo sempre observada pela sociedade. O corpo, por ter uma imagem e esta por ser refletida e observada assim por uma sociedade, torna-se motivo de inquietação, pois ao mesmo tempo, existem os arquétipos sociais de corpo. Estes nada mais são que modelos de corpo estabelecidos pela sociedade como “belo” ou até mesmo “perfeito”, causando, assim, insatisfação para aqueles que não apresentam a imagem de corpo de acordo com o arquétipo social. Ao relacionar a imagem do corpo com o arquétipo social, o ser humano passa a realizar um procedimento de análise ou reflexão de como se dá a imagem que ele demonstra para a sociedade, tendo um olhar apurado da sua própria representação para a mesma. Este processo é conhecido como Imagem corporal, que é o reconhecimento do homem sobre sua própria imagem perante o meio social. Dos tempos antigos aos atuais a Imagem corporal vem se tornando forte na vida do homem. Dentre os seres sociais o adolescente é o que mais apresenta crises em relação a ela. A adolescência é caracterizada como a fase de mudança, transição da criança para o jovem adulto. A importância com a Imagem que será apresentada fica mais forte e aumenta o desejo do adolescente de possuir o arquétipo de corpo estabelecido pela sociedade. Portanto, o adolescente passa a buscar métodos para conseguir aproximar ou obter este arquétipo estabelecido pela sociedade, pois este deseja sempre estar de acordo com o que a mesma expõe a mídia, e uma das práticas mais almejadas é a musculação, haja vista que a mesma apresenta inúmeros benefícios musculares e/ou emagrecimento. Com este contexto, para a realização desta pesquisa criou-se uma questão “Como se dá a construção da Imagem corporal dos adolescentes praticantes de musculação?”, e também algumas questões que nortearam a mesma, tais como: Quais aspectos influenciam na Imagem Corporal dos adolescentes? Qual a percepção da Imagem Corporal pelos adolescentes? Quais os arquétipos sociais que influenciam os adolescentes no trato com o “Corpo perfeito”? Estas proporcionarão as informações necessárias para desenvolver o trabalho e assim conseguir seus resultados e conclusão. A pesquisa teve como objetivo geral compreender como se dá a construção da Imagem Corporal dos adolescentes praticantes de musculação. E para alcançá-lo a metodologia utilizada na pesquisa foram: estudo explicativo, pesquisa de campo, com abordagem qualitativa dos fatos, tendo como o enfoque o compreensivo – Fenomenológico, e foi utilizado para coleta de dados entrevistas e os testes: espelho e de silhueta e por fim realizada a análise de conteúdo. Os sujeitos dessa pesquisa foram 15 adolescentes de ambos os sexos com a faixa etária de 15 a 20 anos que praticam musculação na Life Center Academia que foi o lócus da pesquisa. MARCO TEÓRICO Hoje em nossa sociedade, corpo e imagem são elementos inseparáveis em diversos aspectos, principalmente quando sua relação adentra em determinados assuntos, assim como a Imagem Corporal, que se faz presente no cotidiano do homem. Para estabelecer um discurso em relação à imagem corporal deve dissociála nos seus dois elementos bases: imagem e corpo, pois desta maneira torna-se fácil entender como ambos se ligaram e fizeram parte da vida do homem e no seu jeito de agir, pensar e viver. Esta imagem que se trata é apresentada por Cabral e Nick (2001), como um produto de transposição psíquica da percepção de um objeto externo ou interno. Este sucinto conceito apresenta uma definição básica deste elemento, porém outra é exposta por Jung (1987), A imagem será a expressão da situação momentânea, tanto consciente como inconsciente. Não se pode, portanto, tentar a sua interpretação partindo-se unicamente da consciência ou da inconsciência, mas baseandose, outrossim, em suas relações mútuas (p. 514). A imagem permite a ação do mostrar e o visualizar que são suas características básicas, o que dá liberdade ao homem de realizar estas e estabelecer uma opinião crítica baseada no que vê e no que demonstra, e é então que começa a relação com o corpo. O que o corpo externa pode ser visto não somente por outras pessoas, mas, o homem também tem o domínio e se perceber, permitindo assim um olhar crítico sobre o que enxerga em relação ao seu corpo. Através do olhar crítico o mesmo qualifica aquela imagem que está sendo refletida e suas características que vão diferenciá-lo e marcá-lo dentro da sociedade, conforme explica Le Breton (2006): De fato, o corpo quando encarna o homem é a marca do indivíduo, a fronteira, o limite que, de alguma forma, o distingue dos outros. Na medida em que se ampliam os laços sociais e a teia simbólica, provedora de significações e valores, o corpo é o traço mais visível do ator. O corpo vem sendo estudado ao longo dos anos, e através da história tornase fácil entendê-lo. Em civilizações antigas como a Grécia o corpo representava virilidade e destreza, além do culto ao belo simbolicamente exposto pela imagem. Em outro momento este corpo se dividia em divino e pecador, na representação de entidades divinas e perdição do homem, assim como diz Vigarello (2006,p.19): A fé e a devoção ao corpo de Cristo contribuíram para elevar o corpo a uma alta dignidade, fazendo dele um sujeito da história ‘Corpo de Cristo que comemos que se revela a partir do real e da carne. Pão que converte e salva os corpos’. Corpo magnificado do filho encarnado, do encontro do verbo e da carne. O corpo não apresenta uma única definição, porém podem ser encontradas algumas especificações, mencionadas por Tavares (2003), afirmando que o corpo é um objeto todo especial para nós mesmos. Ele está sempre mudando, está sempre presente. É o ponto de partida para o desenvolvimento da identidade da pessoa e constitui o suporte do senso de subjetividade do homem. A afirmação trouxe reflexões a respeito do aspecto corpo disciplinado e disciplinador. Em certo período o corpo tinha um espaço significativo na relação de poder caracterizado como disciplinador - domínio do seu corpo e o do outro, de querer poder controlar as ações, atitudes, sensações deste de que se trata, assim como afirma Foucault (1987, p.117), Houve, durante a época clássica, uma descoberta do corpo como objeto e alvo do poder. Encontraríamos facilmente sinais dessa grande atenção dedicada então ao corpo – ao corpo que se manipula, se modela, se treina, que obedece, responde, se torna hábil ou cujas forças se multiplicam Paralelamente, o corpo disciplinado deseja ter reconhecimento de si mesmo, de serem submissas as ações, sensações sentidas pelo homem, como diz Foucault (1987, p.119), Diferentes ainda do ascetismo e das disciplinas de tipo monástico, que tem por função realizar renuncias mais do que aumentos de utilidade e que, se implicam em obediência a outrem, tem como fim principal um aumento do domínio de cada um sobre seu próprio corpo A junção do corpo disciplinado e disciplinador mostra como o corpo é submisso e, ao mesmo tempo, poderoso em suas essências, assim como falam Villaça e Góes (1998), [...] o corpo disciplinado e o disciplinador se unem pela mesma falta de autocontrole. O primeiro quer submeter-se a uma ordem, para se reconhecer, o segundo, guiado pela mesma contingência, encontra seu equilíbrio no domínio do outro Este corpo submisso e poderoso apresenta uma imagem e o conceito preconcebido desta faz com que o homem a olhe de forma crítica sendo esta sua Imagem Corporal, esta foi inicialmente definida por Schilder (1980, p) como Entende-se por imagem do corpo humano a figuração de nosso corpo formada em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo se apresenta para nós. Há sensações que nos são dadas. Vemos partes da superfície do corpo. Temos impressões táteis, térmicas e de dor. Há sensações que vem dos músculos e seus invólucros, indicando sua deformação; sensações provenientes da inervação dos músculos, e sensações provenientes das vísceras. Além disso, existe a experiência imediata de uma unidade de corpo. Esta unidade é percebida, porem é mais do que uma percepção. Nos a chamamos de esquema do nosso corpo, esquema corporal, ou conforme Head...de modelo postural de nosso corpo. O esquema do corpo é a imagem tridimensional que todos têm de si mesmos. Podemos chamá-la de Imagem Corporal. Este conceito, por Paul Schilder, apresenta uma abordagem multifacetada sobre a Imagem corporal que antes era vista com base na neurologia, já que historicamente ela surgiu com o Neurologista Pierre Bonnier que introduziu os estudos utilizando o termo esquema corporal. Houve pesquisadores que antecederam Bonnier, tendo suas pesquisas baseadas em relatos de pacientes que tiveram seus membros amputados e que acusavam sentir dores e sensações no membro não existente. A partir de então, inúmeros pesquisadores na área da neurologia buscavam explicações e informações sobre sensações e percepções de partes do corpo já amputadas e assim foi evoluindo a pesquisa até que, então, se chegou ao Neurologista Francês Pierre Bonnier. Em 1905, Bonnier introduziu alguns estudos acerca da Imagem Corporal por meio dos relatos de pacientes que sofriam de labirintite, onde as descrições de suas experiências visuais sobre o seu corpo afirmavam que os mesmos demonstravam uma maneira distorcida e modificada O termo Esquema Corporal foi identificado nos estudos iniciais sobre a Imagem Corporal, e criou-se para dar significado às estruturas cerebrais que são responsáveis pela identificação do corpo ou reconhecimento, que tinha por objetivo investigar de que maneira certa lesão influenciava no modo de ver do sujeito do seu próprio corpo. Esquema Corporal, implicitamente apresenta uma diferenciação sobre a Imagem Corporal, sendo que o esquema pode ser definido por Freitas (1999, p.24), como “[...] uma organização neurológica das diversas áreas do corpo, de acordo com a importante inervação somática que elas recebem, partindo de um debate biológico sobre relações anatômicas da ação do esquema corporal do córtex cerebral.” Porém, o homem não vive somente de aspectos biológicos, como o esquema corporal afirma, e essa ideia é reforçada por Freitas (1999, p.24) como, Por certo não descartamos as trocas com o ambiente como componente do esquema corporal, mas, neste trabalho consideramos que ele é principalmente um dado biológico, anatômico e fisiologicamente estabelecido. Porém, o homem não se conceitua como um ser exclusivamente biológico: ele é resultado das interações entre o biológico e o cultural, entre o inato e o adquirido, comportando-se como “algo” alem de toda definição limitante. A partir do contexto histórico que demonstra de forma lacônica toda a evolução da Imagem Corporal e suas primeiras pesquisas, pode-se ter um conceito mais atualizado da mesma, assim como da Tavares (2003, p.27) A Imagem Corporal é a maneira pela qual nosso corpo aparece para nós mesmos. É a representação Mental do nosso próprio corpo. A abordagem da Imagem Corporal incrementa a convergência de intervenções motoras e psíquicas na busca do desenvolvimento da pessoa. Com esse conceito mais atual afirma-se a ideia de que a Imagem corporal é uma forma de observar a si mesmo, e esta apresenta algumas características. Assim como explicam Campana e Tavares (2009), a imagem corporal nunca é um fenômeno isolado. A Imagem Corporal de cada um de nós está sempre cercada por outras, ou seja, cada ser humano apresenta uma e esta vai estar se relacionando com outras imagens que vão cercar dentro do meio social. Dessa maneira explica-se porque a Imagem Corporal articula-se com a adolescência, pois trata-se de uma fase na vida caracterizada pelas mudanças, na alternância da infância para a vida adulta. Mas esta fase acarreta inúmeras crises que variam em determinados aspectos biológicos, sociais, afetivos e psicológicos. Existe um conceito sobre adolescência criado por Klosinski (2006. p.17 e 18) definida como O conceito de adolescência, ao invés, possui dois significados. Por um lado ele se refere à puberdade corporal tardia e à pós-puberdade, mas por outro significa a superação psicológica do amadurecimento corporal e sexual, isto é, a adolescência representa a acomodação da personalidade infantil à puberdade, sendo assim uma expressão da interação psicossocial, e, por conseguinte um fenômeno sociocultural. Na adolescência a aparência é um dos fatores de maior preocupação, pois a mesma trata de uma apresentação inicial dos adolescentes para as suas relações em sociedade, encontrando em constante ligação ao corpo, haja vista que este é o transmissor da sua imagem, sendo que esta deve agradar a todos os seus e assim satisfazê-lo. O adolescente permanece em constante confusão em relação ao corpo, já que está entrando em uma fase de modificações, inclusive na imagem que está sendo refletida, aumentando o medo e a preocupação do jovem adolescente. O mesmo teme que esta esteja fora dos padrões estipulados pelo meio social, ideia reforçada por Cobra (2007), que informa a importância da imagem corporal para os adolescentes [...] a imagem corporal para o adolescente é muito importante, porque está ligada as suas grandes transformações físicas e ao despertar da sexualidade. A valorização ou desvalorização da aparência está ligada a uma exacerbação do narcisismo próprio dessa fase da vida. (p.80 e 81) A preocupação com o que está sendo visto pela sociedade faz com que o medo da aparência perturbe a mente dos adolescentes que considera-se não possuidor de beleza, e passa a se esconder em medos, iniciando assim a crise com a Imagem Corporal e, a partir desses medos, o mesmo procura se esconder ou mostrar que pode melhorar ou modificar o seu próprio corpo. A Imagem Corporal nesta etapa transmite a idéia de como o adolescente observa seu corpo que está modificando, e de como ele pode ficar bonito, no entanto, existe uma busca pelo corpo perfeito, estipulados pela sociedade, e divulgado principalmente pela mídia, fazendo com que haja um aumento da crise com a imagem refletida do corpo pelo adolescente. A felicidade sempre foi e sempre será a busca incessante do homem, mesmo que esta seja preenchida por inúmeros obstáculos, pois acredita-se atualmente que o ser necessitaria estar em pleno acordo consigo mesmo, o contrário que se observa no cotidiano, haja vista que certas insatisfações tornam-se presentes e de acordo com o que está se abordando a imagem corporal é um dos fatores mais influentes. A estética influencia significativamente no modo de pensar, agir, vestir e viver do homem. Atualmente o cuidado com a beleza, aparência, torna-se prioridade para o homem. O corpo torna-se um instrumento demonstrador do que é belo, da beleza, baseando-se em um padrão de corpo, um arquétipo criado pela sociedade através de alguns recursos, como a mídia. A influência da mídia foi ficando gradativamente forte e através dela arquétipos ditos como “perfeitos” foram se formando e fortalecendo nos meios sociais (partindo do pressuposto de que os meios de comunicação - a mídia conseguem manipular o público) Este arquétipo pode ser entendido como um modelo, uma referência, com a capacidade de influenciar de forma significativa a concepção de corpo por parte dos seres humanos, no caso os adolescentes. Segundo Silva (2001), este novo arquétipo construído pela sociedade influencia diretamente na vida das pessoas, pois ele tem o poder de modificar o modo de pensar, agir, vestir, e até de como se alimentar. Este modelo vem com a força da mídia que delineia o modo de viver de algumas pessoas, porém, esta influência pode ser negativa para a vida dos homens. A invasão da mídia oferta ao indivíduo uma satisfação momentânea e com a influência da mesma sobre a sociedade fica mais fácil o incentivo ao consumo de serviços e produtos relacionados às áreas de fitness, assim como cita Silva (2001) Os meios de comunicação de massa têm atuado no sentido de demonstrar, reiteradamente, aos indivíduos, a sua carência de saúde/beleza, induzindoos ao consumo de mercadorias e serviços relacionados com essa necessidade criada e sempre expandida. (p.56) O modelo de corpo instituído socialmente gera conflitos em relação à imagem corporal e à identidade das pessoas, e a mesma faz do corpo uma espécie de retalho e o deixa de ter características humanas, assim como diz em sua obra SILVA (2001): [...] o corpo do mundo é um corpo não humano, no sentido de que é fruto das relações mercantis e formalizado por uma racionalidade de restrita a uma lógica instrumental, incapaz de refletir sobre si mesma. No mundo coisificado do qual fazem parte, resta aos seres humanos a sensação de estranhamento [...]. (p. 65) Os serviços e produtos são os meios mais requisitados para buscar o corpo de acordo com o padrão do arquétipo social e estes podem se apresentar como SPAs, academias de musculação, entre outros, neste sentido os exercícios passam a ser utilizados como instrumentos auxiliadores para o caminho da “felicidade”, sendo esta um tanto quanto perigosa, dependendo da forma como é buscada. O perigo está em alguns indivíduos, que, ao entrarem em crises com o corpo podem apresentar doenças, distúrbios, ou até mesmo iniciar o uso inadequado de substâncias químicas ilícitas. Voltando para os serviços e produtos, nota-se que a musculação, que pode ser definida por Godoy (1994) como uma atividade física desenvolvida, predominantemente, através de exercícios analíticos, utilizando resistências progressivas fornecidas por recursos materiais, o próprio corpo e seus segmentos, é um dos meios mais utilizados para atingir os fins de beleza corporal. O aumento da procura por esta prática é notório, pelo público dos adolescentes, pois os mesmos querem desde cedo mostrar para a sociedade e para si um corpo bonito, que chame a atenção de todos, que possa ser considerado perante a sociedade como um corpo “perfeito” e, para isso, o mesmo busca de todas as formas possibilidades para o desenvolvimento desse arquétipo social em seu corpo. MATERIAL E MÉTODOS A pesquisa em questão ocorreu na Life Center Academia, localizada no Parque Guajará - Augusto Montenegro, com o público alvo de 15 adolescentes de ambos os sexos na faixa etária de 15 a 20 anos que praticam musculação, sendo que a opção pelos mesmos deu-se através da fase que encontram-se – adolescência, além de que eles moram próximos ao estabelecimento utilizado para a pesquisa. Para realizar esta pesquisa utilizou-se do estudo explicativo, devido o mesmo estabelecer uma relação de interpretação com os fatos através dos dados obtidos, e este tipo tem a característica de aprofundar-se nas causas dos fenômenos. O tipo de pesquisa foi de campo com abordagem qualitativa, baseando-se no enfoque compreensivo – fenomenológico, pois o interesse está voltado para o estudo dos indivíduos, grupos, comunidades, instituições. Foram respeitadas as etapas da pesquisa de campo que iniciou com o levantamento bibliográfico e logo em seguida teve a investigação. Para a coleta de dados foi utilizada a entrevista semi-estruturada com perguntas que induziram os adolescentes praticantes de musculação a falarem sobre o seu corpo e a imagem refletida por eles, e também poder traçar um conceito sobre corpo perfeito. Na mesma retirou-se como informação necessária como se dá o uso ou o conhecimento dos serviços e produtos do ramo do fitness na vida desses adolescentes. Permeando a entrevista, foi realizado o teste dos espelhos, que proporcionou ao adolescente um instrumento a mais para estabelecer um olhar crítico da imagem do seu corpo. Para complementar a coleta de dados utilizou-se à escala de silhuetas (THOMPSON e GRAY, 1995) que apresenta silhuetas de diferentes corpos numeradas de 1 a 9 (Figura 2) onde o adolescente escolheu a silhueta que representava o seu corpo atualmente e a que gostaria de ter. A escala utilizada foi uma adaptação da escala de Stunkard et al (1983) – Figura 1. A análise de Conteúdo utilizada seguiu todas as suas fases como a pré-análise que incide na organização do material de acordo com o obtido, onde foram analisadas as concepções de corpo pelos adolescentes, assim como também foram estudadas as influências que a Imagem Corporal sofria e sobre os arquétipos sociais presentes na vida dos adolescentes. Partindo da pré-analise, deu-se seguimento com a descrição analítica que detalhou as informações coletado durante a investigação, dando mais fundamento ao que foi pesquisado. Ao término dessas fases concluiu com a interpretação inferencial, a fim de aprofundar sobre a análise realizada e assim identificar o que há por trás dos dados coletados. RESULTADOS E DISCUSSÃO A pesquisa aconteceu em um ambiente agradável sem interrupções por parte de outras pessoas que freqüentam o espaço e, nem dos responsáveis pelos sujeitos. Os Testes do espelho e da escala de silhueta, mais a entrevista, demonstraram o quanto está à relação do sujeito com o seu próprio corpo. A infelicidade demonstrada por parte dos adolescentes, proporcionou informações válidas de como os sujeitos analisam seu corpo, e o grau de insatisfação por sua aparência, modo como se vêem não os agradam, muito menos a imagem retratada para a sociedade. A imagem que estava sendo refletida para eles através do espelho os incomodava, percepção essa que se deu através do comportamento tímido e envergonhado dos adolescentes perante a abordagem de uma análise crítica sobre o seu corpo, ou melhor, quando foram solicitados a terem um conhecimento sobre a sua Imagem corporal. Contudo durante a investigação, não houve somente pessoas infelizes com o seu corpo mas aquelas que estavam felizes e as que acreditavam que os mesmos precisavam melhorar, que apesar de estarem felizes tinham que se esforçar para alcançar o desejado. Os felizes com o corpo foram bem objetivos ao mencionarem que a imagem refletida pelo espelho não os impressionavam de modo negativo, assim como relata um deles “Eu gosto do que vejo, meu corpo é bonito e não ligo para o que os demais pensam sobre ele, acredito que este encontra-se dentro dos padrões de beleza, por que ele é bonito, chama atenção da galera e de algumas pessoas que me interessam”. O corpo torna-se objeto de admiração e veneração na fase da adolescência, explicando assim a influência das opiniões de amizades e do elemento mídia na vida dos jovens adolescentes. As manifestações críticas sobre si estavam relacionadas com o admirar de amigos, com a pedida do momento de acordo com a mídia, que sempre expôs arquétipos sociais, assim como nos informa alguns adolescentes “Assim eu acredito que este novo modelo de corpo é lindo e quero muito telo, pois me sentiria melhor tendo um corpo igual aqueles das atrizes ou magro que nem a de algumas modelos, assim como desejo uma pessoa que tenha esses padrões também”. A mídia apresenta arquétipos de corpo para a sociedade e este tem padrões, dentro da investigação a maioria dos adolescentes acredita não se enquadrar nestes, porém houve a minoria que acredita estar de acordo com eles, isto porquê demonstram-se felizes e satisfeitos. Estes modelos estabelecidos socialmente foram apresentados pelos sujeitos assim como um corpo magro definido, em termo muscular, forte (resistente), e com as musculaturas hipertrofiadas. O corpo grande e “bombado” foi citado, porém não como desejo e sim como fora dos padrões de corpo perfeito, pois afirmaram que este seria natural e não precisaria do uso inadequado de substâncias químicas, como o anabolizante ou como dito pelos mesmos “bomba”. E a maioria afirmou que tendo estes padrões de corpo se sentiriam mais felizes e satisfeitos por alcançar um corpo admirado pelos demais. Seguindo falando deste arquétipo que vem se difundindo ao longo dos anos como um modelo de corpo perfeito, nota-se que a busca por este torna-se árdua e cheia de sacrifícios, sendo alguns prejudiciais à saúde de quem busca. Para alcançá-lo existem alguns meios ou serviços e produtos do fitness a exemplo têm-se spas, cirurgias plásticas, clubes, o uso de substâncias químicas como suplementos proteicos ou “anabolizantes” e exercícios físicos, em especial da pesquisa, a Musculação, e esta por ser um exercício que entre seus inúmeros benefícios, acaba sendo a prática mais comum quando o objetivo é aproximar-se ou chegar ao corpo perfeito. A Musculação é uma das práticas mais utilizadas no mundo do fitness para alcançar grandes definições musculares, para deixar o corpo magro e musculoso, ou seja, perfeito na visão dos adolescentes. E os mesmos afirmam que utilizam de tal prática para alcançar o modelo de corpo desejado. No entanto, nem todos confirmaram que praticam o treinamento da musculação com intuito estético. Houve aqueles que acreditam que uma vida saudável inicia cedo e que para isso devem praticar exercícios físicos, no caso a musculação se tornou o instrumento principal por esta busca de uma vida saudável. E tiveram aqueles que afirmaram estar naquele espaço para aumentar seu lado afetivo com o público feminino. No momento que foi acionada a escala, outras observações surgiram. Ao se depararem com uma amostra de imagens ficou mais difícil distinguir qual seria a correspondente do seu corpo. A maioria demonstrou indicando a silhueta de acordo com seu corpo e logo depois foi solicitado aos sujeitos que indicassem também o número da silhueta do desejado. As distâncias entre o corpo observado e o desejado foi pequena por parte de ambos os sexos, traduzindo que o corpo ideal ou objetivado está próximo do que os mesmos acreditam ser o seu, explicando assim e dando mais retorno e ênfase à discussão com o “precisa melhorar”, identificado no teste dos espelhos. Houve dois sujeitos que no teste de silhueta identificaram a silhueta desejada e a vista como a sua, com o número correspondente ao mesmo formato de silhueta do corpo. Explicitamente percebe-se que o corpo desejado está próximo da realidade dos adolescentes inseridos nesta pesquisa, mas por não estar de acordo com o arquétipo ou os padrões deste os jovens, acabam por acreditar não obter a imagem corporal bonita. CONCLUSÃO A Imagem corporal está relacionada com a projeção visual do corpo que cada um tem de si mesmo; é uma forma na qual este aparece para o homem. E de acordo com a pesquisa realizada identificou-se que a insatisfação com a mesma esta presente na vida do ser humano, especificamente na dos adolescentes, sendo que este desagrado é derivado da relação da Imagem corporal com o arquétipo social. Na investigação ficou claro que o corpo é um dos elementos mais importantes para o homem, sendo esta a chave para suas relações afetivas e profissionais, uma espécie de “cartão de entrada” que o define através de sua imagem transmitida pelo corpo. Os adolescentes demonstraram que seus corpos são manifestadores de suas sensações, sejam de felicidade ou tristezas, crises e relações. O corpo perfeito não é apenas um objetivo estético, mas acaba se tornando um símbolo da felicidade consigo mesmo, onde este só estará satisfeito quando alcançar este novo arquétipo social que representa um corpo com definições e hipertrofia musculares. A influência da mídia em relação aos adolescentes é forte, e esta apresenta a musculação como instrumento da busca por este corpo perfeito, porém, a sociedade aos poucos vem mudando seu pensamento e a beleza ou a estética não são suas únicas preocupações. A busca por uma vida saudável já toma conta do universo do homem. Compreender a construção desta Imagem corporal é estudar como se estabelecem certos padrões de corpo, e como ocorre o processo de assimilação com a Imagem Corporal deles. Para os adolescentes sempre está faltando algo, e utiliza-se de prática para alcançar esta lacuna dita por eles e a musculação ainda é o meio mais requisitado. Então, conclui-se que a Imagem corporal está relacionada à percepção do ser humano e suas relações com o seu próprio corpo, e que no caso dos adolescentes fica clara esta relação, por estarem em uma fase transitória e esperase que esta pesquisa tome como propósito difundir cada vez mais o assunto e possa assim auxiliar em outras pesquisas almejadas, relacionadas a esta área. ABSTRACT The research in question debate on the subject Body Image, which deals with the recognition process through the eyes, which reflects the views of that reflects the image of your body compared to other models in question, always the archetype that society built body. The objective was to understand how it is being built body image of adolescents practicing bodybuilding. The study is explanatory, with a comprehensive approach, with the kind of work a field research with a qualitative approach. The research took place at Life Center Academy, located in the Park Guajará - Augusto Montenegro, with the target audience of 15 adolescents of both sexes aged 15 to 20 years who practice bodybuilding. The data collections were performed using a semi-structured interview, the application of the test mirror and scale of silhouettes, and data analysis occurred with the content. He had as results in this research, a great influence of the media in the lives of adolescents, the dissatisfaction of the majority in relation to body image. And through these results could be perceived as being built this body image of adolescents, it presents itself influenced by the media and the media to make a major influence in view, by act of adolescents who present themselves in a phase change in your life become vulnerable to these influences of the media. Keywords: Body Image, Teens, Bodybuilding REFERÊNCIAS ADAMI, Fernando; FERNANDES, Tony Charles; FRAINER, Deivis Elton Schilickmann; OLIVEIRA, Fernando Roberto de. Aspectos da construção e desenvolvimento da imagem corporal e implicações na Educação Física. Revista Digital – Bueno Aires. Disponível em, <http://www.efdeportes.com/efd83/imagem.htm>. Acesso em: 22 abr. 2010. CABRAL, Álvaro e NICK, Eva. Dicionário técnico de psicologia. 12ª Ed. São Paulo, Cultrix, 2001 CAMPANA, Angela Nogueira Neves Betanho; TAVARES, Maria da Consolação Gomes Cunha Fernandes. Avaliação da imagem corporal: instrumento e diretrizes para pesquisa. São Paulo. Phorte, 2009. CASTRO, Ana Lucia. 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