3101 Caracterização dos Empreendimentos Produtivos com Bases Associativas do Vale do Mucuri – MG Resumo O objetivo desta pesquisa é caracterizar os empreendimentos produtivos com bases associativas do Vale do Mucuri, estado de Minas Gerais, no intuito de analisar suas principais características como estrutura organizacional, modelo de gestão, potencialidades, assim como, suas demandas prioritárias. Como quadro teórico de referência do estudo, destacam-se Miranda (2006), PDTRS (2010), Schröder (2007), Dees (2001), Singer (2002) e Lazzarotto (2000). A respeito da metodologia, foi realizado um estudo de campo por meio de entrevistas com dirigentes de seis empreendimentos de bases associativas no Vale do Mucuri. De acordo com os resultados obtidos, é possível afirmar que os empreendimentos estudados se caracterizam pela gestão democrática, pela diversidade de objetivos, por semelhanças quanto aos fatores motivadores para a sua criação e quanto às estruturas organizacionais, assim como, na forma de inserção dos associados. No campo das dificuldades, foram identificadas a falta de recursos financeiros, participação deficitária dos associados em reuniões e eventos que envolvem os empreendimentos e pouca participação efetiva dos conselheiros no desenvolvimento dos grupos analisados. Palavras-chave: Desenvolvimento Regional. Associativismo. Cooperativismo. Eixo Temático: Economia Solidária e Cooperativismo. 1 Introdução As associações produtivas são organizações constituídas por integrantes da sociedade civil na busca por melhorias em suas condições de vida. Estas facilitam a articulação política e o desenvolvimento social e produtivo de seus integrantes. Deste modo, para desenvolvimento regional é crucial a efetividade de tais associações que podem se estruturem sob a forma de cooperativas, associações comunitárias, hortas comunitárias, clubes de trocas, bancos comunitários e grupos produtivos informais. Especificamente no Vale do Mucuri, estado de Minas Gerais, atua um grande número destes empreendimentos, no entanto, o conhecimento aprofundado sobre a realidade dos mesmos é escasso. Pouco se sabe sobre suas estruturas organizacionais, seus modelos de gestão, seus pontos fortes e suas necessidades prioritárias. Em decorrência, a questão principal que norteou a realização desta pesquisa foi: quais são as principais características dos empreendimentos produtivos com bases associativas do território cidadania do Vale do Mucuri – MG? Visando responder à questão anterior, esta pesquisai tem como objetivo caracterizar os empreendimentos produtivos com bases associativas e área de atuação no Território Cidadania do Vale do Mucuri, analisando suas características principais, como estrutura organizacional, modelo de gestão, potencialidades, limitações e principais demandas existentes. Trata-se de uma pesquisa qualitativa que utilizou como instrumento de coleta de dados a realização de entrevistas semiestruturadas com dirigentes dos empreendimentos. O estudo ganha relevância com a necessidade de se obter informações aprofundadas sobre as organizações citadas subsidiando a implementação de políticas públicas mais efetivas para as mesmas. Ademais, um maior conhecimento 1 3101 destas organizações facilitará a elaboração e desenvolvimento de projetos de extensão para atender as necessidades desses empreendimentos. O trabalho está estruturado em sete seções, contando-se esta introdução. Da segunda à quinta seção, é feita uma contextualização do Vale do Mucuri, do empreendedorismo social, do associativismo, e, do cooperativismo, destacando-se os principais estudos e conceitos sobre tais temáticas. A sexta seção é correspondente aos procedimentos metodológicos. A sétima apresenta os resultados com base nos dados obtidos na pesquisa. Por fim, na oitava seção, são apresentadas as considerações finais. 2 O Vale do Mucuri De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário- MDA (2005; 2009) e Schröder (2007) o Território do Vale do Mucuri - MG faz parte de um grupo de 09 territórios no estado de Minas, abrange uma área de 23.221,40 Km² e é composto por 27 municípios. São eles: Águas Formosas, Ataléia, Bertópolis, Campanário, Caraí, Carlos Chagas, Catuji, Crisólita, Franciscópolis, Frei Gaspar, Fronteira dos Vales, Itaipé, Itambacuri, Ladainha, Machacalis, Malacacheta, Nanuque, Novo Oriente de Minas, Ouro Verde de Minas, Pavão, Pescador, Poté, Santa Helena de Minas, Serra dos Aimorés, Setubinha, Teófilo Otoni e Umburatiba. Localiza-se na Macroregião Jequitinhonha/Mucuri, a nordeste de Belo Horizonte, tem como limítrofes, ao sul – A região do Vale do Rio Doce de Minas Gerais e o estado do Espírito Santo; ao Norte – Região do Médio Jequitinhonha de Minas Gerais; a Leste - Sul do Estado da Bahia e Norte do Espírito Santo e a Oeste - Região do Alto Jequitinhonha de Minas Gerais e pertence às bacias dos rios Jequitinhonha, Mucuri e Alcobaça (MDA, 2005, p.5). Para fins operacionais, as ações territoriais tem se dado a partir de uma divisão do território do Vale do Mucuri em cinco microrregiões, tal como disposto no Quadro 1. Quadro 1 - Microrregiões e municípios que compõem as microrregiões do território do Vale do Mucuri – MG Microrregiões Norte Noroeste Oeste Sul Leste Cidades Águas Formosas, Bertópolis, Crisólita, Fronteira dos Vales, Machacalis, Novo Oriente de Minas, Pavão, Santa Helena de Minas e Umburatiba. Caraí, Catují, Itaipé e Ladainha. Franciscópolis, Malacacheta, Poté e Setubinha. Campanário, Frei Gaspar, Itambacuri, Ouro Verde de Minas, Pescador e Teófilo Otoni. Ataléia, Carlos Chagas, Nanuque e Serra dos Aimorés. Fonte: Favareto e Gonçalves (2006, p. 2). A população total do território é de 425.840 habitantes, dos quais 149.141 vivem na área rural, o que corresponde a 35,02% do total. Possui 12.779 agricultores familiares, 207 famílias assentadas, 6 comunidades quilombolas e 2 terras indígenas. No Mucuri 34,2% dos domicílios são considerados “domicílios pobres” – saneamento inadequado, responsáveis com renda de até 1 SM/mês e frequência a escola por menos de 4 anos e esses domicílios representam 34,4% do total da população territorial. Identificamos também que 41% desses domicílios classificados como pobres estão nos municípios onde a zona rural é maior que a urbana e é lá que concentra-se o maior índice de 2 3101 analfabetos e ou pessoas com freqüência máxima de 03 anos na escola. Em Minas, o percentual de residentes nas propriedades rurais fica em torno de 66% enquanto no território esse percentual aumenta para 77%. Na sua maior parte são pequenas propriedades que, além de servirem como moradia é também de onde se tira o sustento familiar (MDA, 2005, p.6). Os indicadores de Desenvolvimento Humano do Vale do Mucuri estão entre os piores do país. O índice de analfabetismo é de 33% entre a população maior de 15 anos. O caso mais extremo é Novo Oriente de Minas, com índices de 42,6% de analfabetismo. Com relação ao acesso a recursos monetários, o IDHM - Renda média dos municípios que compõem este Território é 0,55 e situa-se muito abaixo da média estadual que é de 0,71. Nessa região a população tem expectativa de vida de 64 anos, devido às condições disponíveis de saúde e ambiente (PDTRS, 2010, p. 48). No que se refere à forma de desenvolvimento, o PDTRS (2010, p. 35) apresenta que a agricultura é representada por cerca de 25 mil famílias, as quais encontram-se em 656 comunidades rurais dos 27 municípios que compõe o Vale. Ressalta-se que são comunidades carregadas de traços indígenas e negros, que sofrem as consequências socio-ecologicas e culturais do processo de modernização conservadora dos espaços rurais. Pelo Censo Agropecuário, pode-se perceber que o tamanho médio dos estabelecimentos da agricultura familiar nos municípios que pertencem ao Vale do Mucuri é de 21,36 ha, realidade diferente das grandes propriedades com média de 250,9 ha. Apesar de representar cerca de 80,0% dos estabelecimentos, a agricultura familiar detém apenas 24,30% das terras (IBGE, 2006; PDTRS, 2010, p. 36). No território Mucuri, as maiores fontes de renda são provenientes da agropecuária, da prestação de serviços e dos benefícios sociais, sendo que neste último, a aposentadoria corresponde a 35,8% de toda a renda obtida pelos agricultores familiares. Segundo o PDTRS (2010, p. 65), 30,8% das famílias não têm uma fonte secundária de renda, sendo essas geralmente aquelas que têm como primeira renda aposentadoria ou pensão. Da totalidade, 22% têm nos produtos agrícolas sua segunda fonte de renda, mostrando que apesar de não terem grande excedente para comercializar e ter nessa atividade sua principal fonte de renda, ela completa o orçamento do/a agricultor/a e ainda lhe confere autonomia, uma vez que o mesmo consegue estocar parte de sua produção para o consumo de sua família. Um dos entraves à dinamização do sistema produtivo é a falta de formação técnica dos agricultores, a pouca participação dos mesmos em atividades associativas e a falta de assistência técnica competente e contínua. Como pode ser identificado em MDA (2005), 21% dos agricultores familiares não participam de nenhum tipo de organização, 38,4% são filiados ao sindicato dos trabalhadores, 17% fazem parte de associações e somente 0,3% são filiados a cooperativas. Favereto e Gonçalves (2006) destacam as seguintes organizações que atuam na área de educação no território do Mucuri: a) governamentais – Prefeituras Municipais, Idene, Emater-MG, ITER; b) não-governamentais – AMUC, EFA Limeira, Escola Agrícola, CMDRs; e c) representantes da agricultura familiar – Armicopa, Fetaemg, CPT e CIMI. Destaca também a presença de instituições locais que podem ser consideradas importantes: Associações Comerciais, Sebrae, Lojas Maçônicas, Associação Apícola, Câmaras de Dirigentes Lojistas, SESC, Sindicatos de Trabalhadores Urbanos, Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Associações 3 3101 Comunitárias, CMDRS, Grupos de Produtores Organizados, Associação Aprender a Produzir Juntos. Cabe ressaltar que, em uma pesquisa exploratória, Vieira, Duarte e Leonel (2010) mapearam 103 empreendimentos produtivos de bases associativas no Vale, sendo desses 82 associações produtivas e 21 cooperativas. Na cidade de Teófilo Otoni foram mapeados 22 empreendimentos. 3 O Empreendedorismo social O termo empreendedorismo foi utilizado inicialmente no contexto da atividade econômica, em especial, dos processos de desenvolvimento econômico desencadeados pelos agentes da economia convencional. Portanto, o termo extravasou da área econômica para a área da política, da mudança institucional e para a área social, enfatizando-se o papel de indivíduos e grupos na mudança de instituições, políticas, condições sociais, entre outros. (FERREIRA, 2006). De acordo com Ferreira (2006), os empreendedores sociais não são apenas empresários com uma ideia nova mais também políticos, profissionais e peritos e ativistas. Como exemplo, podemos citar alguns bem conhecidos: Mahatma Gandhi, Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Herbert de Souza (Betinho). Originalmente, eles construíram muitas das instituições e filosofias que hoje temos como referência (DEES, 2001). Assim, a nova designação é importante pois implica na diluição das fronteiras entre setores. O empreendedorismo social pode incluir atividades lucrativas com objetivos sociais, como bancos de desenvolvimento comunitário, e, organizações híbridas que combinam elementos lucrativos e não-lucrativos, como os abrigos - que iniciam atividades lucrativas para formar e dar trabalho aos seus beneficiários (DEES, 2001; SOUSA et al, 2005). O empreendedorismo social ainda é um conceito em desenvolvimento, porém com características teóricas, metodológicas e estratégicas próprias. Os empreendimentos de cunho social são orientados por valores: são criados e mantidos por pessoas que acreditam que mudanças são necessárias e que desejam elas mesmas tomar providências nesse sentido. No que diz respeito aos empreendimentos empresariais, possuem caráter individual, seu foco é no mercado, na produção de bens e serviços, buscando sempre o lucro nos negócios (MELO NETO; FROES, 2002 apud HUDSON 1999, p.11). Os empreendimentos sociais tentam absorver o desemprego que foi gerado pelo setor lucrativo reinventando a noção de trabalho, dando ênfase na sua valorização, e também buscando a inovação. De acordo com Dees (2002), empreendedores sociais são inovadores, pois desenvolvem novos modelos e novas abordagens, promovendo melhorias para seus beneficiários e suas comunidades. Nesses empreendimentos as oportunidades são analisadas diferentemente das empresas privadas. Para os empreendedores sociais, a riqueza é apenas um meio para atingir um fim, enquanto que para os empreendedores empresariais a criação de riqueza é uma forma de medir a criação de valor. Além disso, os empreendedores sociais procuram realizar investimentos com retorno social de longo prazo, pois querem mais do que o êxito rápido; querem criar melhorias duradouras (DEES, 2001). Dees (1994 apud TYSZLER, 2004) indicam que um empreendimento social diferencia-se dos demais através de duas dimensões centrais: o objetivo social e o método social. O objetivo social é manter as condições sociais de um modo que vá 4 3101 além dos benefícios financeiros criados para financiadores, gestores, empregados ou consumidores de uma organização. Quanto ao método social, é considerado que, o empreendimento social se apóia na boa-vontade (motivações comunais, altruístas, afiliativas ou não pecuniárias de, pelo menos, alguns de seus stakeholders chave) para atingir seus objetivos primários. No quadro 2 é possível visualizar algumas diferenças entre o empreendimento social e os empreendimentos privados: Quadro 2 - Empreendedorismo privado x Empreendedorismo social Empreendedorismo privado 1. É individual 2. Produz bens e serviços para o mercado 3. Foco no mercado 4. Sua medida de desempenho é o lucro 5. Visa satisfazer necessidades dos clientes e ampliar as potencialidades do negócio Fonte: Melo Neto e Froes (2002, p. 11). Empreendedorismo social 1. É coletivo 2. Produz bens e serviços para a comunidade 3. Foco na busca de soluções para os problemas sociais 4. Sua medida de desempenho é o impacto social 5. Visa resgatar pessoas da situação de risco social e promovê-las Melo Neto e Froes (2002) apresentam o empreendedorismo social como um paradigma emergente de um novo modelo de desenvolvimento: um desenvolvimento humano, social e sustentável. Para os autores, muda-se o foco do negócio, que tem nas empresas, sobretudo nas grandes transnacionais e nas grandes instituições financeiras, o seu principal eixo de atuação, para o negócio do social, que tem na sociedade civil o seu principal foco, e na parceria, envolvendo comunidade, governo e setor privado. Para os autores, a comunidade autossustentável será viabilizada através do fomento de ações empreendedoras de cunho social e de novas estratégias de inserção social e de sustentabilidade. Uma comunidade “empoderada” é terreno fértil para a criação, o gerenciamento e o desenvolvimento de empreendimentos. Portanto, as ações de empoderamento proporcionam uma base econômica capaz de assegurar o surgimento de novos empreendimentos, bem como sua sustentabilidade. A base social garante a solidariedade, o que viabiliza o surgimento de empreendimentos cooperativos, em um processo de transformação da sociedade que se caracteriza pela presença dos seguintes elementos (MELO NETO; FROES, 2002, p. 41): a) Aumento do nível de conhecimento da comunidade local com relação aos recursos existentes, capacidades e competências disponíveis em seu meio; b) Maior consciência da comunidade com relação ao seu próprio desenvolvimento; c) Mudança de valores das pessoas que são sensibilizadas, encorajadas e fortalecidas em sua auto-estima; d) Participação dos membros da comunidade em ações empreendedoras locais; e) Sentimento de conexão das pessoas com sua cidade, terra e cultura; f) Estímulo ao surgimento de novas ideias que incluem alternativas sustentáveis para o desenvolvimento; g) Transformação da população em proprietária e operadora dos empreendimentos sociais locais; h) Inclusão social da comunidade; e, i) Melhoria da qualidade de vida dos habitantes. Esses empreendimentos encontram-se sob várias formas como de produção, cooperativas, empresa autogestionária, rede, associações, etc., e combinam suas atividades econômicas com ações de cunho educativo e cultural, valorizando o sentido da comunidade de trabalho e o compromisso com a coletividade social em que se inserem. A participação é espontânea e dedicada, realizada na maioria dos 5 3101 casos por pessoas de classes populares que participam de reuniões, plenárias e assembléias, realizando levantamentos da real necessidade das comunidades. No item 4 e 5 do presente trabalho serão analisados duas formas de organização de empreendimentos sociais: as associações e as cooperativas. 4 O Associativismo De acordo com Alencar (1997, p. 7 apud LAZZAROTTO, 2000), o associativismo, refere-se à atividade humana desenvolvida em um grupo social, que é constituído por uma coletividade de indivíduos ligados entre si por uma rede ou sistema de relações sociais. Tais associações possuem como objetivo a representação dos interesses dos associados, considerado o objetivo central principalmente nos estatutos. O associativismo representa uma opção estratégica, capaz de transformar ou modificar a realidade, ou um instrumento que proporciona aos diferentes atores sociais meios para se adaptarem a essa realidade. A criação associativa é impulsionada pelo sentimento de que a defesa de um bem comum supõe a ação coletiva. Em sentido genérico, incluindo tanto as formas jurídicas associativas, como as cooperativas e mutualistas. Sociologicamente a associação pode ser abordada como um espaço que opera a passagem, graças a um encontro interpessoal, entre redes de socialidades primária e secundária, entre esferas privada e pública. Estas relações ultrapassam o contrato entre pessoas, buscando fins comuns (CHANIAL; LAVILLE, 2009). O espaço participativo de uma associação é formado por diferentes visões de mundo e concepções de realidade. Sendo ainda, um dos acessos da comunidade aos acontecimentos políticos e econômicos; desempenhando um papel relevante, à medida que capacitam os participantes na tomada de decisão a partir das próprias experiências (ARAUJO; TOLENTINO; THEOPHILO, 2009). “O trabalho coletivo e o uso de práticas solidárias podem facilitar o processo produtivo, além de propiciarem melhores relacionamentos com o mercado, instituições públicas, extensionistas e com a sociedade de maneira geral” (LAZZAROTTO, 2000, p. 1). As associações desenvolvem suas atividades, valendo-se de recursos oriundos do sistema econômico e social, composto pelo mercado e pela sociedade apresentando como resultados os seres humanos transformados. Convém destacar que no aspecto institucional, o qual corresponde ao conjunto de crenças e valores que norteiam a organização, a partir da concepção de seus proprietários e dirigentes (LAZZAROTTO, 2000). Os principais princípios do associativismo são a adesão livre, tal como é livre a saída do movimento associativo; o funcionamento pautado na equidade entre os seus membros, traduzida na expressão “um associado, um voto”, além do fato de que as associações resultam sempre de uma congregação de esforços, em primeiro lugar dos fundadores e depois de todos os associados (PINHO, 2010). Se por um lado a origem de uma associação acaba por ser comum a todas, ou seja, a congregação de esforços em torno de um interesse comum, por outro, o seu fim, o seu objetivo, pode ser o mais diversificado. Existem as mais variadas associações, dentre elas se destacam as culturais, recreativas, desportivas, de defesa do ambiente e patrimônio, de desenvolvimento local, moradores, estudantes, pais e profissionais (PINHO, 2010). Chanial e Laville (2009) destacam as mutualidades, cooperativas, sindicatos, associações civis e outras. De acordo com legislação brasileira, as associações que têm o objetivo produtivo e econômico devem ser registradas na forma de cooperativas. 6 3101 5 O Cooperativismo Lima (2004, p. 45) relata que a crise da sociedade salarial ou do modelo fordista, que agregou direitos sociais à relação de trabalho, reapresentou a necessidade de buscar formas alternativas de organização do trabalho e de autonomia dos trabalhadores, diante do crescimento do desemprego, da perda dos direitos sociais do período anterior e do enfraquecimento do movimento sindical. Neste contexto, o cooperativismo tem como proposta prosseguir com a luta por uma sociedade mais justa e igualitária diante do capitalismo. O cooperativismo é um movimento de origem européia que “nasceu pouco depois do capitalismo industrial, como reação ao espantoso empobrecimento dos artesãos provocado pela difusão das máquinas e da organização fabril da produção” (SINGER, 2002, p. 24). Hoje, tem tido uma grande importância devido à descentralização do aparelho estatal e da reestruturação das relações de trabalho. Ele é fruto de séculos de evolução do homem, no que se refere à arte de identificar meios de sobrevivência, ou mesmo de viver melhor, ante as dificuldades que cada momento apresenta. É um movimento internacional, e sua essência está na associação de pessoas que, com esforço próprio e ajuda mútua, observando a liberdade, a justiça e a solidariedade, satisfazem suas necessidades econômicas e sociais pela constituição de uma organização, sem fins lucrativos, voltada para a qualidade de vida e a dignidade humana, cumprindo com rigor os seus princípios. Com doutrina e princípios próprios, o cooperativismo persegue a eficiência econômica através da gestão democrática, distribui os resultados proporcionalmente à participação de cada membro nas atividades da cooperativa e, dessa forma, desenvolve a cidadania em sua plenitude. Portanto, nas cooperativas, sob os princípios já citados, é determinado que cada membro contribua igualmente para a formação do capital, e caso houver excedente este terá destino confirmado através de decisões democráticas, pois as decisões da cooperativa têm como objetivo o controle democrático e a autonomia. Por essas razões o cooperativismo se estendeu a todos os países e acabou por se inserir em todos os setores da economia com uma proposta alternativa adequada aos mais diversos problemas e situações da economia moderna (OCEMG, 2010). Enquanto associação econômica, a cooperativa consiste no acordo multilateral de cada pessoa envolvida e, como empresa, é o empreendimento econômico que, como parte integrante das unidades econômicas individuais associadas, se encontra na propriedade de exploração comum. Na realidade, ocorre a transferência de parte de economia individual para o empreendimento comum no intuito de maximizar o seu relacionamento com o mercado. O aspecto da efetividade ou êxito interno voltado para os membros refere-se às condições de funcionamento de cada tipo de cooperativa, de modo que as vantagens produzidas pela sociedade retornem aos associados, sem distorções. Daí a ênfase na necessidade de participação de todos no processo de tomada de decisões do grupo, bem como a necessidade dos associados controlarem a cúpula dirigente (ESCHENBURG, 1988). Devido à forma de organização das cooperativas, porém, muitos desafios e dificuldades surgem no seu dia-a-dia. Segundo Cançado (2007, p. 134) o primeiro desafio (e talvez gerador de todos os outros) se encontra na própria natureza da autogestão, ou seja, por ser um modo de organização do trabalho no qual a posse dos meios de produção é coletiva e não há 7 3101 separação entre comandados e comandantes, este modo de organização do trabalho traz uma liberdade e uma flexibilidade na organização do trabalho não vivenciada anteriormente pelo grupo. Esteves (2003) complementa que é notório as grandes dificuldades que esses tipos de empresas lidam diariamente para continuarem vivas no mercado, tais como baixíssima remuneração, falta de crédito financeiro para futuros investimentos, necessidade de mudança cultural da subordinação a autonomia, jornadas de trabalho precarizadas, dentre outras. Outro fator identificado diz respeito ao grau de maturidade do grupo, que pode influenciar no desenvolvimento da autogestão. Cançado (2007) identifica como “inércia participativa”, ou seja, o cooperado tem os canais de participação, o direito/dever de participar, mas opta por não fazê-lo. Não obstante a estas dificuldades, as cooperativas expandiram-se por todos os setores de atividade e assumiram dimensões muito distintas. Podem ser pequenos grupos artesanais ou de prestação de serviços, bem como grandes empresas. Existem em todos os continentes. De acordo com os dados fornecidos pela própria ACI, em todo o mundo são mais de oitocentos milhões os membros de cooperativas, entre os quais 236 milhões na Índia e 180 milhões na China. Como simples indício da sua importância relativa, em alguns países, por exemplo, no Canadá, na Noruega e nas Honduras um cidadão em cada três é cooperado. Nos EUA, um em cada quatro é membro de uma cooperativa. Tanto na Argentina como no Reino Unido, contam-se mais de nove milhões de cooperadores. Em todo o mundo, as cooperativas no seu todo geram mais de cem milhões de empregos, ou seja, mais 20% do que o emprego gerado por todas as empresas multinacionais juntas (NAMORADO, 2009, p. 96). De acordo com a Lei n º5764 de 1971 as associações produtivas devem ser registradas como cooperativas. No entanto, na prática muitas associações além da representação de seus associados, realizam atividades comerciais. Ademais, muitos são os grupos produtivos que atuam informalmente. Deste modo, o universo de pesquisa do presente trabalho extrapola as cooperativas formalizadas, indo às associações que realizam atividades produtivas e aos grupos produtivos informais. 6 Procedimentos Metodológicos Na presente pesquisa foi adotada uma investigação de caráter qualitativo. Demo (2000, p. 152) afirma que “a pesquisa qualitativa quer fazer jus à complexidade da realidade, curvando-se diante dela, não o contrário, como ocorre com a ditadura do método ou a demissão teórica que imagina dados evidentes”. Dessa forma, a pesquisa qualitativa tenta preservar a dinâmica enquanto analisa, formalizando com mais flexibilidade. Tendo em vista os objetivos do trabalho, foi realizada uma pesquisa descritiva e interpretativa, buscando localizar na fala dos entrevistados as características de cada empreendimento. Não foi realizado teste de hipóteses prévias nesta investigação, de forma que foi preservada a abertura para novos insights e visões da realidade. Foi realizado uma pesquisa de campo com 6 (seis) empreendimentos com características diferentes diante do universo multifacetado dos empreendimentos produtivos de bases associativas. A proposta de seis casos resulta do entendimento de que este número proporcionará a obtenção de informações de empreendimentos localizados nos extremos do território do Vale do Mucuri, assim como, na sua região 8 3101 central. Foram entrevistados dois gestores de empreendimentos da cidade de Teófilo Otoni, um da cidade de Malacacheta, um de Itambacuri, um de Padre Paraíso e um de Nanuque. Em relação ao método de coleta de dados, a pesquisa utilizou informações obtidas nas entrevistas semi-estruturadas e em profundidade com integrantes dos empreendimentos estudados. A seleção dos empreendimentos utilizou como critérios a localização geográfica, o número de associados e os produtos/serviços com que trabalham. Considerando os critérios anteriores, podemos afirmar que os sujeitos foram escolhidos de maneira intencional e não-probabilística. Segundo Patton (2002), o objetivo de uma amostra intencional é selecionar participantes que possam ser fontes de informações ricas para ajudar na iluminação das questões em estudo. Antes da coleta de dados, foi elaborado o plano de entrevista definitivo e o roteiro para a orientação das entrevistas. As perguntas foram abertas, possibilitando aos entrevistadores se aprofundarem em alguns assuntos quando sentiram necessidade, sendo adicionadas outras perguntas, quando necessário. Após a finalização da coleta dos dados, foi realizado o aprofundamento da análise e interpretação do material coletado. Entretanto, conforme Laville e Dionne (1999, p. 197), tal “análise e interpretação não são imediatamente possíveis”. Desse modo, anteriormente, os dados foram organizados, sendo descritas as observações feitas e transcritas as gravações realizadas, ordenadas e agrupadas em categorias de forma que se tornou possível proceder às análises e interpretações que levaram às conclusões. Ressalta-se que as entrevistas foram numeradas para preservar a identidade dos entrevistados. A análise de dados envolveu reduzir o volume de informação em seu estado bruto, peneirar os dados triviais dos mais representativos, identificar padrões importantes e construir uma estrutura para comunicar a essência do que os dados revelaram (PATTON, 2002). Foi utilizada como base para o método de análise das entrevistas a análise da pragmática da linguagem desenvolvida por Mattos (2006) e composta por seis fases especificadas a seguir: 1°: Recuperar os diálogos gravados e fazer a sua transcrição; 2°: Resgatar o contexto em que o diálogo aconteceu; 3°: Apresentar ao entrevistado o significado nuclear da resposta para que haja uma validação; 4°: Transcrever os dados colhidos, pelo menos os da análise dos significados nucleares das respostas acima para uma matriz de dupla entrada: em uma os entrevistados, aproximados por características de estratificação, em outra, as perguntas; 5°: Analisar o conjunto, visualizando os fatos de evidência relativos a cada entrevistado, no conjunto das suas respostas. 6°: Submeter aos pares certas observações conclusivas do pesquisador, funcionando a praxe como validação da interpretação. 7 Resultados 7.1Caracterização dos empreendimentos pesquisados O primeiro empreendimento pesquisado foi a Cooperativa Educacional COOPED, situada na cidade de Teófilo Otoni que surgiu da necessidade de um grupo de pais em oferecer educação de qualidade para seus filhos. “Por que no momento em que a cooperativa foi pensada, o custo da escola particular (...) era muito alto, a cooperativa surgiu nessa intenção de uma proposta alternativa na área educacional” (E1). A cooperativa tem como principal objetivo prestar serviços educacionais de qualidade em Teófilo Otoni. Está plenamente legalizada e seus objetivos estão 9 3101 adequados aos objetivos da educação nacional e estadual. A inserção dos associados acontece por meio da aquisição de cotas. Dentro da escola existe diferenciação caso os pais opte por não ser cooperado: “mensalidade para um cooperado é reduzida em comparação com a mensalidade do não cooperado. Então, com a aquisição da cota que atualmente é o valor de 50,00 reais, os cooperados podem optar por serem beneficiados pela mensalidade menor” (E1). A Associação dos Artesãos de Teófilo Otoni, criada na cidade desde 1982, foi o segundo empreendimento entrevistado. Segundo um dos entrevistados “a associação surgiu a partir de um grupo de artistas, de artesãos que se reuniam e resolveram que seria melhor para todos que tivesse um grupo que lutasse pelos interesses deles” (E2). Hoje a associação tem trinta e nove associados frequentes. Conforme a presidente, o objetivo da Associação é divulgar o trabalho de seus associados e a qualidade dos produtos a futuros clientes. Para maior controle da qualidade dos artesanatos vendidos nas feiras, na Associação, vários critérios são observados pelo grupo para a adesão de novos associados. O critério principal é ser artesão, apresentando documentos, fotos e o produto para análise prévia. Além disso, atualmente está tendo três semanas de experiência para que o associado efetive sua adesão. “Ele fica, participa das feiras e se gostar, sendo aprovado, ele faz sua inscrição. Geralmente, ele entra em um mês paga no outro, a inscrição é 50,00 reais. Alguns não se relacionam e não se sentem bem e sai” (E2). Outro empreendimento pesquisado foi a Associação Apícola de Malacacheta (APIMA), criada em 2006 e registrada em 2007 na cidade de Malacacheta. Essa associação surgiu da necessidade dos apicultores terem sua própria associação, uma vez que eram associados à outra da cidade de Poté. Para associar-se é exigido um curso de apicultura básica. Caso a pessoa não tenha o curso, ela pode se associar e fazer o curso posteriormente. “Para você ser apicultor hoje, é necessário o curso, nem que seja o básico, o curso vai ensinar algumas técnicas de como chegar no apiário, lidar com as colméias sem nenhum acidente” (E3). A APIMA possui cento e vinte associados, com noventa e sete famílias entregando produtos para o PAA – Programa de Aquisição de Alimentos do Governo Federal. Devido à necessidade dos apicultores de Malacacheta em se unirem para poderem adquirir os equipamentos imprescindíveis para a realização da atividade, o entrevistado relata que para poder ter mais força para obter recursos, até mesmo as chamadas políticas públicas, e devido também a gente não ter uma sala de reunião, a gente precisava reunir por que os equipamentos eram caros na época. A gente precisava se unir para comprar esses equipamentos, então, foi uma necessidade. A gente uniu e virou um núcleo da associação de Poté e de Malacacheta, e eles já tinham e através deles nos conseguimos os equipamentos (E3). Na categoria de cooperativa de consumo foi entrevistado o gestor da cooperativa Mista (COOPERMISTA) situada na cidade de Nanuque e constituída em 19 de agosto de 1962. Tal empreendimento surgiu devido à necessidade dos pecuaristas comprarem insumos agrícolas não disponíveis na região. “A cooperativa é formada somente por pecuaristas, porque na época a agricultura era de subsistência e somente depois de 20 anos que surgiu a cana, que hoje é forte na região (E4). 10 3101 O número de associados ativos na COOPERMISTA é de quinhentos e oitenta. Porém segundo o gestor do empreendimento 4, analisando o livro de registro de associados existem quase dois mil associados, devido a um grande número de pessoas que mudaram para outros estados. O penúltimo empreendimento pesquisado foi a Cooperativa de Crédito da cidade de Padre Paraíso. A cooperativa chamava-se Credipismo, formada por um grupo de fazendeiros que a constituiu há doze anos. Posteriormente, foi incorporada ao Sicoob com sede em Teófilo Otoni. Segundo o gestor entrevistado a maior parte da população já teve conta e foram associados da cooperativa, que começou com quatrocentas pessoas. Atualmente, a quantidade de associados ativos é de oitocentos e setenta somente na cidade de Padre Paraíso. Sua matriz possui mais de quinze mil associados. O sexto empreendimento estudado foi a Cooperativa de Leite de Itambacuri (COPRIL) criada em 1969 por “um grupo de quarenta produtores rurais, que se uniram com o intuito de formar uma cooperativa de consumo” (E6). Em 1980 a COPRIL adquiriu uma fábrica de laticínios de uma empresa da região, começando então a industrializar o leite. A COPRIL possui hoje oitocentos e sessenta e quatro associados, sendo produtores de leite em torno de 360. O gestor entrevistado explica que A princípio começou essa cooperativa de consumo. Então, bastaria ser produtor rural. Com o passar do tempo, ela se transformou em uma cooperativa de produção produzindo produtos lácteos. (...) Também possui um supermercado e uma loja veterinária. A forma de participação é diferente. Ou seja, o cooperado não produtor de leite só participa com a compra no supermercado e com a loja veterinária e o produtor de leite participa do laticínio, do supermercado e da loja também. Sendo o pagamento proporcional a participação, evidentemente que o produtor de leite hoje tem uma participação maior (E6). Pela caracterização dos empreendimentos pesquisados, é notório que as demandas da comunidade foram determinantes para a criação dos mesmos, pois todos os envolvidos perceberam que se organizando em cooperativa ou associação poderiam se fortalecer frente à concorrência e ao mercado de trabalho. 7.2 Estrutura Organizacional A estrutura organizacional da COOPED é dividida em três conselhos: administrativo, fiscal e pedagógico. Estes conselhos são formados por voluntários cooperados e com atribuições previstas em estatuto. O conselho fiscal tem seus membros eleitos em assembléia geral ordinária que ocorre, normalmente, no final de março. A função deste conselho é monitorar a prestação de contas e fiscalizar a aplicação de recursos. Na associação dos artesãos de Teófilo Otoni, a estrutura organizacional também é dividida em três eixos, o conselho fiscal, o conselho de sindicância e a diretoria. A diretoria é formada por presidente e vice-presidente, secretário e vicesecretário, tesoureiro e vice-tesoureiro. O conselho fiscal e a sindicância são compostos por três membros. A APIMA utilizou um modelo da associação de São Paulo devido à falta de experiência do grupo e à urgência em constituir a associação. Sua estrutura é formada por presidente, vice-presidente, tesoureiro e secretário além dos membros vocais (seis associados), que podem ocupar qualquer desses cargos. Estes membros atuam como suplentes dos associados que ocupam os cargos citados. Por 11 3101 fim, o conselho-tesoureiro fiscal é formado por três conselheiros efetivos e três suplentes. Segundo um dos entrevistados da associação o conselho fiscal tem um papel importante pois quando a gente vai prestar conta no final do ano, ele vai fazer uma análise da prestação de contas e emitir relatório indicando essa prestação de contas para ser aprovada na assembléia geral, dando o aval positivo ou negativo. Ele também não é soberano, isso está no estatuto, porque suponhamos que o conselho fiscal, algum documento está ali, e ele não concorda com aquele documento, ele não é obrigado a aprovar. Mas ele tem seu relatório (E3). A estrutura organizacional da COOPERMISTA é composta de assembléia, conselho de administração, formado por quatorze pessoas (sete efetivas e sete suplentes), e o conselho executivo, contendo três membros efetivos e três membros suplentes. O presidente e o vice-presidente participam dos dois conselhos. Segundo o gerente do empreendimento, o presidente é o seu superior imediato. No entanto, o presidente não fica constantemente na cooperativa, por lidar com atividades da sua fazenda. No entanto, o presidente vai à cooperativa todo dia. “Ás vezes, só para assinar um papel para mim, ou assinar um cheque por que tem duas assinaturas nos documentos. Então, um ou outro passa aqui. De nós três [gerente, presidente e vice-presidente], tem sempre que ter duas assinaturas (E4). A estrutura da cooperativa SICOOB é subordinada ao Banco Central, por ser do ramo de crédito, ao Bancob, banco das cooperativas e, por fim, à Central, que no caso da SICOOB, se chama Credi Minas. Segundo o Entrevistado 5, há uma dependência das orientações do Bancob por parte de todas as cooperativas de crédito brasileiras. Por fim, assim como nos demais empreendimentos estudados, a COPRIL tem como órgão máximo a assembléia geral, constituída por todos os cooperados. São eleitos ao conselho de administração, nove membros, e ao conselho fiscal, seis membros. Do conselho de administração, um é eleito diretor presidente e outro diretor superintendente. Abaixo deles, existe um órgão de assessoria técnica, uma gerência industrial, uma gerência comercial, responsável pelo supermercado, e uma gerência administrativa e financeira, responsável pela área administrativa. Deste modo, em síntese, os empreendimentos entrevistados têm como órgão máximo a Assembléia Geral, e conselhos para gerenciar os empreendimentos. Porém cada empreendimento adéqua suas estruturas a seu contexto. Observou-se também que o tamanho dos empreendimentos em relação ao número de associados é muito variado. 7.3 Quanto aos relacionamentos Como o ambiente que cerca os associados da COOPED é educacional e todos são pais, a relação entre eles é amistosa. Segundo a entrevistada “todo mundo quer educar seus filhos, quer promover a educação, quer participar da educação, quer valorizar o ensino dotado em princípios e valores morais. Então, a relação entre eles é muito tranquila porque o objetivo deles são os mesmos” (E1). Este quadro é apresentado por Melo Neto e Froes (2002) no que se refere aos empreendimentos de cunho social que devem ser orientados por valores e mantidos por pessoas que acreditam que mudanças são necessárias, tomando providências nesse sentido. Na COOPED, percebe-se um distanciamento entre os cooperados e a diretoria uma vez que as decisões tomadas, em sua maioria, dizem respeito a 12 3101 questões administrativas havendo poucas reuniões com os conselhos. “Então, eles não têm muita interferência sobre o cooperado, se a pessoa estiver aqui na escola, se é cooperado ou não cooperado, o que o conselho administrativo decide e defende beneficia a todas as pessoas que estão de uma forma geral, a função do conselho administrativo com os pais é sempre muito tranquila” (E1). Este distanciamento compromete a autogestão, apontada por Cançado (2007) como um dos principais desafios enfrentados pelos empreendimentos solidários. Na Associação dos Artesãos de Teófilo Otoni o envolvimento entre os cooperados, também é pouco intenso devido às divergências de opinião dentro do grupo. Estas divergências são intensificadas pela concorrência, pois muitos dos associados vendem produtos similares. “Há muita cópia. Por exemplo, uma leva um produto hoje, uma vai e copia da outra. Por isso os atritos. Mas a gente vai levando para ver se dá certo” (E2). Para melhorar a interação entre os associados, a presidente estimulou a formação de um grupo de bordadeiras, com 16 associadas que se reúnem nas segundas-feira. Com todos os conflitos que acontecem, na associação dos artesãos o desinteresse dos associados por suas atividades é muito grande, conforme evidencia o relato abaixo: teve eleição agora mesmo. A eleição era 16:30 hs da tarde. Quando era 16:10 hs, não tinha ninguém na chapa, por que ninguém queria, já era 16:15 hs e o edital já tinha sido lançado. E na hora, assim, correndo, em vinte minutos fizemos forçado, dizendo você vai ser isso, você vai ser aquilo. Me falaram que eu seria a presidente, eu falei que não podia, e eles pediram pelo amor de Deus, seja a presidente, e colocaram meu nome. Ali quem trabalha mesmo é só a presidente, eles entram por entrar na diretoria forçados, aí o presidente trabalha sozinho (E2). Portanto, nesta associação é evidente o desinteresse do grupo pela gestão. Os associados entram no grupo pensando somente na venda do seu artesanato e sem maiores comprometimentos. Na APIMA, por ter sido criada por um grupo de amigos, de acordo com entrevistados, existem poucos conflitos. As divergências acontecem, porém por divergências de opiniões, comuns em qualquer empreendimento coletivo, não por desentendimentos pessoais. Como resultado da boa interação entre associados e diretoria, em curto espaço de tempo a Associação adquiriu um terreno que será utilizado para a construção da sua sede e centro de vendas. Tal realidade reforça a afirmação de Chanial e Laville (2009) de que a criação associativa impulsionada pelo sentimento da defesa de um bem comum supõe a ação coletiva. Quanto ao relacionamento entre a diretoria e os associados da COPRIL percebeu-se um distanciamento atribuído ao tamanho da cooperativa, considerada a maior empregadora da cidade de Itambacuri e ponto de apoio ao cooperado. Ficou evidenciado também que o interesse dos cooperados está diretamente relacionado à remuneração do produto. Segundo os entrevistados, enquanto a cooperativa remunerar bem seus associados, estes ficarão satisfeitos. “Evidentemente que a cooperativa procura ir além de remunerar bem. Ela, há oito anos, vem distribuindo sobras aos associados. E isso é mais um processo. E temos reuniões. Quando tem necessidade, a gente convoca” (E6). Na COOPERMISTA a direção dá total liberdade ao gestor para tomar decisões de nível tático. Como o gestor afirmou: “se eu coloquei mais um funcionário ou retirei algum, eu não fico amarrado a diretor. Ah, mais isso tenho que perguntar ao diretor, eu faço e depois de feito, eu comunico” (E4). 13 3101 De modo geral, pode ser observado que nos empreendimentos que possuem associados com objetivos comuns, assim como eficiência no serviço prestado, os relacionamentos são tidos como saudáveis. Porém, ficou claro que nos empreendimentos caracterizados pela concorrência e pouco comprometimento dentro do grupo, os conflitos são intensificados. Outro fator ligado ao relacionamento, é o fator econômico, pois ficou evidente a relação diretamente proporcional entre remuneração e bons relacionamentos. 7.4 Pontos Fortes Um dos pontos fortes apontados pela COOPED é a possibilidade de desenvolver um empreendimento com a visão diferente, com os princípios cooperativistas, poder compartilhar com seus associados princípios como “dividir, reunir, juntar, crescer juntos, o diálogo, fazer o bem, ser feliz com a felicidade do outro, poder ter o melhor sem ter que pagar a mais, são princípios que hoje são valiosíssimos” (E1). O primeiro ponto forte apontado pelo entrevistado da APIMA foi a união. Outro ponto forte apontado é o trabalho das diretorias, que tiveram zelo pela documentação e pela contabilidade. “A gente já chegou até de contribuir a mais, a gente sempre teve um contador, nunca deixou a associação sem contador então documentação está cem por cento, um ponto muito forte na associação” (E3). Os pontos fortes citados pelo entrevistado do Sicoob foram os benefícios oferecidos aos associados por serem uma cooperativa de crédito e não um banco como os outros. Sendo cooperado, ao final do exercício são retiradas as despesas e as sobras são dividas de acordo com as quotas. “Outra vantagem é que aquilo que você paga aqui, quem coloca o preço é você mesmo. Então, por ser cooperativa todos tem acesso quando se vai colocar alguma tarifa vamos para assembléia e por isso hoje nós temos a melhor taxa de mercado” (E5). Na COPRIL os pontos fortes apontados pelo entrevistado estão relacionados ao fato da cooperativa remunerar bem seus produtores em nível de mercado, tem uma equipe funcional bem comprometida com o desempenho organizacional. “Temos uma situação financeira tranquila, nós estamos hoje com um parque industrial dentro de um perfil muito bom” (E6). Não obstante aos pontos fortes apontados, a formação dos preços dos produtos ou serviços que o grupo comercializa, fez com que os empreendimentos se tornassem reguladores de preço na região de atuação. 7.5 Pontos Fracos e limitações Dentre os pontos fracos apontados pelo entrevistado da COOPED destacamse: o grande número de atividades a serem desenvolvidas e a cobrança dos associados pela qualidade dos serviços prestados. Como os diretores e conselheiros são profissionais liberais, têm, existe a dificuldade para se dedicarem à cooperativa. “Talvez um ponto fraco seja essa dificuldade que não é criada pela própria cooperativa, mais é uma dificuldade criada pelo mundo, mercado de trabalho” (E1). Corroborando com Esteves (2003) em relação ao campo das desigualdades políticas, os cooperados que exercem funções do conselho, ficam afastados das atividades rotineiras, enquanto os cooperados que estão designados a realizarem tais atividades, desconhecem o que está ocorrendo com o outro grupo. Dentro dos empreendimentos ficou evidenciado que muitos associados têm desinteresse por assuntos do grupo. Assim, não participam das reuniões e votações a respeito de assuntos que estão ligados diretamente ao desenvolvimento e 14 3101 crescimento do grupo. Esta situação, por exemplo, é vivenciada pela Associação dos Artesãos, pois “interesse para ajudar a associação eles não tem. O interesse é em si próprio” (E2). Este interesse e participação é apontado por Singer (2002) como crucial para o bom desempenho das cooperativas. Como resultado, foi identificado um baixo percentual de participação dos associados nas reuniões e assembléias para decidir a respeito do planejamento e decisões dos empreendimentos. Nas assembléias não temos uma participação efetiva, às vezes há uma participação maior dependendo da pauta. Quando a pauta não é de interesse da comunidade (associados), a participação é pequena. Quando é uma pauta de maior interesse como, por exemplo, decidir sobre o material de ensino que vai ser usado, questões sobre o preço da mensalidade, aí realmente há uma participação maior (E1). Em outro empreendimento essa situação se repete, mesmo sendo de outro ramo de atividade, conforme entrevistado do empreendimento 4 não é bom, estou falando para você que já aconteceu duas vezes, nossa assembléia acontece duas vezes por ano, uma no final de março, já tivemos que jogar para abril por falta de gente, o mínimo admitido pelo estatuto é 10 pessoas e não consegue às vezes nem a diretoria vem, por que depende do interesse e isso acontece em qualquer cooperativa, por que se não estiver um assunto palpitante de interesse geral já chegou ter mais de cem pessoas quase duzentas em reuniões. Além da falta de participação dos associados, o desinteresse para participar da estrutura organizacional dos empreendimentos também é evidente, já que somente querem fazer parte dos eventos que lhes proporcionam algum retorno financeiro. Na COOPERMISTA o cenário de desinteresse se repete, de acordo com o entrevistado “o ponto fraco é como qualquer cooperativa o desinteresse dos associados, eu não sei se isso é um mal do povo brasileiro, mais é assim a cooperativa está bem, então está tudo ótimo, agora se aparece um pepino aparece todo mundo” (E4). Na associação apícola, além da falta participação e comprometimento dos associados também foram apontados com pontos fracos a falta de planejamento e a ausência de novas lideranças que possam dar continuidade aos empreendimentos na comunidade. No caso das cooperativas de crédito, existem normas superiores do Banco Central que limitam a autogestão por parte dos cooperados. Assim, “dentro de uma cooperativa de crédito existe uma liberdade do cooperado limitada devido às normas do Banco Central” (E5). O acesso a recursos financeiros também foi apontado como uma limitação. Notou-se a necessidade de recursos financeiros para a estruturação da sede ou de um espaço para expor os produtos. Nos relatos abaixo visualiza-se tal situação: agora vai melhorar por causa do espaço para expor o produto, por que o sonho de todo mundo é ter uma loja grande para poder expor, mais agora saiu essa loja pequenininha mais já está quase realizando o sonho, na lojinha vai expor somente 15 pessoas (E2). eles não tinham dinheiro para iniciar com a atividade, agente teve uma grande dificuldade com isso aí, até chegar o PCPR, que deu uma forcinha, mais que não resolveu totalmente o problema, nós conseguimos um projeto de 11000 reais, para aquisição de colméia que deu cinco colméias para cada um (E3). 15 3101 Ainda referente às questões financeiras, foi apontada como dificuldade a falta de linhas de crédito específicas para associações e cooperativas. Este quadro é agravado pela condição da maioria dos associados. Grande parte dos empreendimentos é formada por moradores de bairros periféricos ou classe desempregada que não dispunham de recursos financeiros (capital de giro) para iniciarem a atividade pretendida. Para os cooperados da COPRIL, “em termo de tributação, as cooperativas não têm benefício e isso a penaliza porque ela não trabalha com caixa dois, então tudo que entra e sai, tem uma tributação” (E6). Por fim, outra dificuldade citada é a distinção entre associados. Em alguns empreendimentos os próprios associados, por estarem no grupo há mais tempo, se sentem no direito de serem privilegiados podendo existir associados classificados de forma diferente, de acordo com o estatuto do empreendimento e por participação ativa dentro do grupo, que acarreta em alguns privilégios. 8 Considerações finais O presente trabalho indica que os empreendimentos solidários situados no Vale do Mucuri possuem características que se assemelham às características destacadas no referencial teórico estudado. Portanto, através das entrevistas com dirigentes dos empreendimentos foi possível identificar que todos os empreendimentos independente de serem cooperativa ou associação, surgiram da demanda da comunidade local, como instrumento para defesa dos interesses dos associados que sozinhos não tinham força para alcançar seus objetivos. Em relação à forma que são estruturados, percebe-se que os empreendimentos possuem características quase idênticas no que se refere aos conselhos necessários para a gestão e fiscalização, sofrendo poucas diferenças, sendo estas em grande parte relativas ao número de envolvidos. Em todos os empreendimentos entrevistados a gestão foi apontada como democrática e descentralizada, sendo livre o acesso dos associados a informações sobre os empreendimentos. No entanto, a pouca participação ativa dos associados, torna a gestão democrática pouco praticada. A principal dificuldade encontrada nos empreendimentos foi à falta de recursos financeiros, pois muitos não possuem sede própria, equipamentos necessários a realização da atividade e capital de giro para aquisição de produtos. Em sequência, destaca-se a falta de interesse dos associados e a pouca participação nos eventos relacionados aos empreendimentos limitando a eficiência da gestão. No que se refere à contribuição desta pesquisa para a teoria e prática dos empreendimentos solidários, os resultados indicam que um planejamento sobre formação e conscientização para todos os cooperados pode ser realizado, pois é necessário criar uma identidade e laços de afinidade dentro dos grupos. Ademais, dar suporte para que os envolvidos nestes empreendimentos possam se conscientizar e obter esclarecimentos das políticas públicas disponíveis aos grupos produtivos, assim como outras parcerias, foram identificadas como ações prioritárias neste campo. Referências ARAUJO, Claudiana A. 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