3101
Caracterização dos Empreendimentos Produtivos com Bases Associativas
do Vale do Mucuri – MG
Resumo
O objetivo desta pesquisa é caracterizar os empreendimentos produtivos com bases
associativas do Vale do Mucuri, estado de Minas Gerais, no intuito de analisar suas
principais características como estrutura organizacional, modelo de gestão,
potencialidades, assim como, suas demandas prioritárias. Como quadro teórico de
referência do estudo, destacam-se Miranda (2006), PDTRS (2010), Schröder (2007),
Dees (2001), Singer (2002) e Lazzarotto (2000). A respeito da metodologia, foi
realizado um estudo de campo por meio de entrevistas com dirigentes de seis
empreendimentos de bases associativas no Vale do Mucuri. De acordo com os
resultados obtidos, é possível afirmar que os empreendimentos estudados se
caracterizam pela gestão democrática, pela diversidade de objetivos, por
semelhanças quanto aos fatores motivadores para a sua criação e quanto às
estruturas organizacionais, assim como, na forma de inserção dos associados. No
campo das dificuldades, foram identificadas a falta de recursos financeiros,
participação deficitária dos associados em reuniões e eventos que envolvem os
empreendimentos e pouca participação efetiva dos conselheiros no desenvolvimento
dos grupos analisados.
Palavras-chave: Desenvolvimento Regional. Associativismo. Cooperativismo.
Eixo Temático: Economia Solidária e Cooperativismo.
1 Introdução
As associações produtivas são organizações constituídas por integrantes da
sociedade civil na busca por melhorias em suas condições de vida. Estas facilitam a
articulação política e o desenvolvimento social e produtivo de seus integrantes.
Deste modo, para desenvolvimento regional é crucial a efetividade de tais
associações que podem se estruturem sob a forma de cooperativas, associações
comunitárias, hortas comunitárias, clubes de trocas, bancos comunitários e grupos
produtivos informais.
Especificamente no Vale do Mucuri, estado de Minas Gerais, atua um grande
número destes empreendimentos, no entanto, o conhecimento aprofundado sobre a
realidade dos mesmos é escasso. Pouco se sabe sobre suas estruturas
organizacionais, seus modelos de gestão, seus pontos fortes e suas necessidades
prioritárias. Em decorrência, a questão principal que norteou a realização desta
pesquisa foi: quais são as principais características dos empreendimentos produtivos
com bases associativas do território cidadania do Vale do Mucuri – MG?
Visando responder à questão anterior, esta pesquisai tem como objetivo
caracterizar os empreendimentos produtivos com bases associativas e área de
atuação no Território Cidadania do Vale do Mucuri, analisando suas características
principais, como estrutura organizacional, modelo de gestão, potencialidades,
limitações e principais demandas existentes. Trata-se de uma pesquisa qualitativa
que utilizou como instrumento de coleta de dados a realização de entrevistas semiestruturadas com dirigentes dos empreendimentos.
O estudo ganha relevância com a necessidade de se obter informações
aprofundadas sobre as organizações citadas subsidiando a implementação de
políticas públicas mais efetivas para as mesmas. Ademais, um maior conhecimento
1
3101
destas organizações facilitará a elaboração e desenvolvimento de projetos de
extensão para atender as necessidades desses empreendimentos.
O trabalho está estruturado em sete seções, contando-se esta introdução. Da
segunda à quinta seção, é feita uma contextualização do Vale do Mucuri, do
empreendedorismo social, do associativismo, e, do cooperativismo, destacando-se
os principais estudos e conceitos sobre tais temáticas. A sexta seção é
correspondente aos procedimentos metodológicos. A sétima apresenta os
resultados com base nos dados obtidos na pesquisa. Por fim, na oitava seção, são
apresentadas as considerações finais.
2 O Vale do Mucuri
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário- MDA (2005; 2009) e
Schröder (2007) o Território do Vale do Mucuri - MG faz parte de um grupo de 09
territórios no estado de Minas, abrange uma área de 23.221,40 Km² e é composto
por 27 municípios. São eles: Águas Formosas, Ataléia, Bertópolis, Campanário,
Caraí, Carlos Chagas, Catuji, Crisólita, Franciscópolis, Frei Gaspar, Fronteira dos
Vales, Itaipé, Itambacuri, Ladainha, Machacalis, Malacacheta, Nanuque, Novo
Oriente de Minas, Ouro Verde de Minas, Pavão, Pescador, Poté, Santa Helena de
Minas, Serra dos Aimorés, Setubinha, Teófilo Otoni e Umburatiba.
Localiza-se na Macroregião Jequitinhonha/Mucuri, a nordeste de Belo
Horizonte, tem como limítrofes, ao sul – A região do Vale do Rio Doce de
Minas Gerais e o estado do Espírito Santo; ao Norte – Região do Médio
Jequitinhonha de Minas Gerais; a Leste - Sul do Estado da Bahia e Norte do
Espírito Santo e a Oeste - Região do Alto Jequitinhonha de Minas Gerais e
pertence às bacias dos rios Jequitinhonha, Mucuri e Alcobaça (MDA, 2005,
p.5).
Para fins operacionais, as ações territoriais tem se dado a partir de uma
divisão do território do Vale do Mucuri em cinco microrregiões, tal como disposto no
Quadro 1.
Quadro 1 - Microrregiões e municípios que compõem as microrregiões do território
do Vale do Mucuri – MG
Microrregiões
Norte
Noroeste
Oeste
Sul
Leste
Cidades
Águas Formosas, Bertópolis, Crisólita, Fronteira dos Vales, Machacalis, Novo
Oriente de Minas, Pavão, Santa Helena de Minas e Umburatiba.
Caraí, Catují, Itaipé e Ladainha.
Franciscópolis, Malacacheta, Poté e Setubinha.
Campanário, Frei Gaspar, Itambacuri, Ouro Verde de Minas, Pescador e Teófilo
Otoni.
Ataléia, Carlos Chagas, Nanuque e Serra dos Aimorés.
Fonte: Favareto e Gonçalves (2006, p. 2).
A população total do território é de 425.840 habitantes, dos quais 149.141
vivem na área rural, o que corresponde a 35,02% do total. Possui 12.779
agricultores familiares, 207 famílias assentadas, 6 comunidades quilombolas e 2
terras indígenas.
No Mucuri 34,2% dos domicílios são considerados “domicílios pobres” –
saneamento inadequado, responsáveis com renda de até 1 SM/mês e
frequência a escola por menos de 4 anos e esses domicílios representam
34,4% do total da população territorial. Identificamos também que 41%
desses domicílios classificados como pobres estão nos municípios onde a
zona rural é maior que a urbana e é lá que concentra-se o maior índice de
2
3101
analfabetos e ou pessoas com freqüência máxima de 03 anos na escola.
Em Minas, o percentual de residentes nas propriedades rurais fica em torno
de 66% enquanto no território esse percentual aumenta para 77%. Na sua
maior parte são pequenas propriedades que, além de servirem como
moradia é também de onde se tira o sustento familiar (MDA, 2005, p.6).
Os indicadores de Desenvolvimento Humano do Vale do Mucuri estão entre
os piores do país. O índice de analfabetismo é de 33% entre a população maior de
15 anos. O caso mais extremo é Novo Oriente de Minas, com índices de 42,6% de
analfabetismo. Com relação ao acesso a recursos monetários, o IDHM - Renda
média dos municípios que compõem este Território é 0,55 e situa-se muito abaixo da
média estadual que é de 0,71. Nessa região a população tem expectativa de vida de
64 anos, devido às condições disponíveis de saúde e ambiente (PDTRS, 2010, p.
48).
No que se refere à forma de desenvolvimento, o PDTRS (2010, p. 35)
apresenta que a agricultura é representada por cerca de 25 mil famílias, as quais
encontram-se em 656 comunidades rurais dos 27 municípios que compõe o Vale.
Ressalta-se que são comunidades carregadas de traços indígenas e negros, que
sofrem as consequências socio-ecologicas e culturais do processo de modernização
conservadora dos espaços rurais.
Pelo Censo Agropecuário, pode-se perceber que o tamanho médio dos
estabelecimentos da agricultura familiar nos municípios que pertencem ao Vale do
Mucuri é de 21,36 ha, realidade diferente das grandes propriedades com média de
250,9 ha. Apesar de representar cerca de 80,0% dos estabelecimentos, a agricultura
familiar detém apenas 24,30% das terras (IBGE, 2006; PDTRS, 2010, p. 36).
No território Mucuri, as maiores fontes de renda são provenientes da
agropecuária, da prestação de serviços e dos benefícios sociais, sendo que neste
último, a aposentadoria corresponde a 35,8% de toda a renda obtida pelos
agricultores familiares. Segundo o PDTRS (2010, p. 65),
30,8% das famílias não têm uma fonte secundária de renda, sendo essas
geralmente aquelas que têm como primeira renda aposentadoria ou pensão.
Da totalidade, 22% têm nos produtos agrícolas sua segunda fonte de renda,
mostrando que apesar de não terem grande excedente para comercializar e
ter nessa atividade sua principal fonte de renda, ela completa o orçamento
do/a agricultor/a e ainda lhe confere autonomia, uma vez que o mesmo
consegue estocar parte de sua produção para o consumo de sua família.
Um dos entraves à dinamização do sistema produtivo é a falta de formação
técnica dos agricultores, a pouca participação dos mesmos em atividades
associativas e a falta de assistência técnica competente e contínua. Como pode ser
identificado em MDA (2005), 21% dos agricultores familiares não participam de
nenhum tipo de organização, 38,4% são filiados ao sindicato dos trabalhadores, 17%
fazem parte de associações e somente 0,3% são filiados a cooperativas.
Favereto e Gonçalves (2006) destacam as seguintes organizações que atuam
na área de educação no território do Mucuri: a) governamentais – Prefeituras
Municipais, Idene, Emater-MG, ITER; b) não-governamentais – AMUC, EFA Limeira,
Escola Agrícola, CMDRs; e c) representantes da agricultura familiar – Armicopa,
Fetaemg, CPT e CIMI. Destaca também a presença de instituições locais que podem
ser consideradas importantes: Associações Comerciais, Sebrae, Lojas Maçônicas,
Associação Apícola, Câmaras de Dirigentes Lojistas, SESC, Sindicatos de
Trabalhadores Urbanos, Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Associações
3
3101
Comunitárias, CMDRS, Grupos de Produtores Organizados, Associação Aprender a
Produzir Juntos.
Cabe ressaltar que, em uma pesquisa exploratória, Vieira, Duarte e Leonel
(2010) mapearam 103 empreendimentos produtivos de bases associativas no Vale,
sendo desses 82 associações produtivas e 21 cooperativas. Na cidade de Teófilo
Otoni foram mapeados 22 empreendimentos.
3 O Empreendedorismo social
O termo empreendedorismo foi utilizado inicialmente no contexto da atividade
econômica, em especial, dos processos de desenvolvimento econômico
desencadeados pelos agentes da economia convencional. Portanto, o termo
extravasou da área econômica para a área da política, da mudança institucional e
para a área social, enfatizando-se o papel de indivíduos e grupos na mudança de
instituições, políticas, condições sociais, entre outros. (FERREIRA, 2006).
De acordo com Ferreira (2006), os empreendedores sociais não são apenas
empresários com uma ideia nova mais também políticos, profissionais e peritos e
ativistas. Como exemplo, podemos citar alguns bem conhecidos: Mahatma Gandhi,
Nelson Mandela, Madre Teresa de Calcutá, Herbert de Souza (Betinho).
Originalmente, eles construíram muitas das instituições e filosofias que hoje temos
como referência (DEES, 2001).
Assim, a nova designação é importante pois implica na diluição das fronteiras
entre setores. O empreendedorismo social pode incluir atividades lucrativas com
objetivos sociais, como bancos de desenvolvimento comunitário, e, organizações
híbridas que combinam elementos lucrativos e não-lucrativos, como os abrigos - que
iniciam atividades lucrativas para formar e dar trabalho aos seus beneficiários
(DEES, 2001; SOUSA et al, 2005).
O empreendedorismo social ainda é um conceito em desenvolvimento, porém
com características teóricas, metodológicas e estratégicas próprias.
Os empreendimentos de cunho social são orientados por valores: são
criados e mantidos por pessoas que acreditam que mudanças são
necessárias e que desejam elas mesmas tomar providências nesse sentido.
No que diz respeito aos empreendimentos empresariais, possuem caráter
individual, seu foco é no mercado, na produção de bens e serviços,
buscando sempre o lucro nos negócios (MELO NETO; FROES, 2002 apud
HUDSON 1999, p.11).
Os empreendimentos sociais tentam absorver o desemprego que foi gerado
pelo setor lucrativo reinventando a noção de trabalho, dando ênfase na sua
valorização, e também buscando a inovação. De acordo com Dees (2002),
empreendedores sociais são inovadores, pois desenvolvem novos modelos e novas
abordagens, promovendo melhorias para seus beneficiários e suas comunidades.
Nesses empreendimentos as oportunidades são analisadas diferentemente
das empresas privadas. Para os empreendedores sociais, a riqueza é apenas um
meio para atingir um fim, enquanto que para os empreendedores empresariais a
criação de riqueza é uma forma de medir a criação de valor. Além disso, os
empreendedores sociais procuram realizar investimentos com retorno social de
longo prazo, pois querem mais do que o êxito rápido; querem criar melhorias
duradouras (DEES, 2001).
Dees (1994 apud TYSZLER, 2004) indicam que um empreendimento social
diferencia-se dos demais através de duas dimensões centrais: o objetivo social e o
método social. O objetivo social é manter as condições sociais de um modo que vá
4
3101
além dos benefícios financeiros criados para financiadores, gestores, empregados
ou consumidores de uma organização. Quanto ao método social, é considerado que,
o empreendimento social se apóia na boa-vontade (motivações comunais, altruístas,
afiliativas ou não pecuniárias de, pelo menos, alguns de seus stakeholders chave)
para atingir seus objetivos primários.
No quadro 2 é possível visualizar algumas diferenças entre o
empreendimento social e os empreendimentos privados:
Quadro 2 - Empreendedorismo privado x Empreendedorismo social
Empreendedorismo privado
1. É individual
2. Produz bens e serviços para o mercado
3. Foco no mercado
4. Sua medida de desempenho é o lucro
5. Visa satisfazer necessidades dos clientes
e ampliar as potencialidades do negócio
Fonte: Melo Neto e Froes (2002, p. 11).
Empreendedorismo social
1. É coletivo
2. Produz bens e serviços para a comunidade
3. Foco na busca de soluções para os problemas
sociais
4. Sua medida de desempenho é o impacto social
5. Visa resgatar pessoas da situação de risco social
e promovê-las
Melo Neto e Froes (2002) apresentam o empreendedorismo social como um
paradigma emergente de um novo modelo de desenvolvimento: um desenvolvimento
humano, social e sustentável. Para os autores, muda-se o foco do negócio, que tem
nas empresas, sobretudo nas grandes transnacionais e nas grandes instituições
financeiras, o seu principal eixo de atuação, para o negócio do social, que tem na
sociedade civil o seu principal foco, e na parceria, envolvendo comunidade, governo
e setor privado. Para os autores, a comunidade autossustentável será viabilizada
através do fomento de ações empreendedoras de cunho social e de novas
estratégias de inserção social e de sustentabilidade. Uma comunidade
“empoderada” é terreno fértil para a criação, o gerenciamento e o desenvolvimento
de empreendimentos.
Portanto, as ações de empoderamento proporcionam uma base econômica
capaz de assegurar o surgimento de novos empreendimentos, bem como sua
sustentabilidade. A base social garante a solidariedade, o que viabiliza o surgimento
de empreendimentos cooperativos, em um processo de transformação da sociedade
que se caracteriza pela presença dos seguintes elementos (MELO NETO; FROES,
2002, p. 41):
a) Aumento do nível de conhecimento da comunidade local com relação
aos recursos existentes, capacidades e competências disponíveis em
seu meio; b) Maior consciência da comunidade com relação ao seu
próprio desenvolvimento; c) Mudança de valores das pessoas que são
sensibilizadas, encorajadas e fortalecidas em sua auto-estima; d)
Participação dos membros da comunidade em ações empreendedoras
locais; e) Sentimento de conexão das pessoas com sua cidade, terra e
cultura; f) Estímulo ao surgimento de novas ideias que incluem
alternativas sustentáveis para o desenvolvimento; g) Transformação da
população em proprietária e operadora dos empreendimentos sociais
locais; h) Inclusão social da comunidade; e, i) Melhoria da qualidade de
vida dos habitantes.
Esses empreendimentos encontram-se sob várias formas como de produção,
cooperativas, empresa autogestionária, rede, associações, etc., e combinam suas
atividades econômicas com ações de cunho educativo e cultural, valorizando o
sentido da comunidade de trabalho e o compromisso com a coletividade social em
que se inserem. A participação é espontânea e dedicada, realizada na maioria dos
5
3101
casos por pessoas de classes populares que participam de reuniões, plenárias e
assembléias, realizando levantamentos da real necessidade das comunidades. No
item 4 e 5 do presente trabalho serão analisados duas formas de organização de
empreendimentos sociais: as associações e as cooperativas.
4 O Associativismo
De acordo com Alencar (1997, p. 7 apud LAZZAROTTO, 2000), o
associativismo, refere-se à atividade humana desenvolvida em um grupo social, que
é constituído por uma coletividade de indivíduos ligados entre si por uma rede ou
sistema de relações sociais. Tais associações possuem como objetivo a
representação dos interesses dos associados, considerado o objetivo central
principalmente nos estatutos. O associativismo representa uma opção estratégica,
capaz de transformar ou modificar a realidade, ou um instrumento que proporciona
aos diferentes atores sociais meios para se adaptarem a essa realidade.
A criação associativa é impulsionada pelo sentimento de que a defesa de um
bem comum supõe a ação coletiva. Em sentido genérico, incluindo tanto as formas
jurídicas associativas, como as cooperativas e mutualistas. Sociologicamente a
associação pode ser abordada como um espaço que opera a passagem, graças a
um encontro interpessoal, entre redes de socialidades primária e secundária, entre
esferas privada e pública. Estas relações ultrapassam o contrato entre pessoas,
buscando fins comuns (CHANIAL; LAVILLE, 2009).
O espaço participativo de uma associação é formado por diferentes visões de
mundo e concepções de realidade. Sendo ainda, um dos acessos da comunidade
aos acontecimentos políticos e econômicos; desempenhando um papel relevante, à
medida que capacitam os participantes na tomada de decisão a partir das próprias
experiências (ARAUJO; TOLENTINO; THEOPHILO, 2009). “O trabalho coletivo e o
uso de práticas solidárias podem facilitar o processo produtivo, além de propiciarem
melhores relacionamentos com o mercado, instituições públicas, extensionistas e
com a sociedade de maneira geral” (LAZZAROTTO, 2000, p. 1).
As associações desenvolvem suas atividades, valendo-se de recursos
oriundos do sistema econômico e social, composto pelo mercado e pela sociedade
apresentando como resultados os seres humanos transformados. Convém destacar
que no aspecto institucional, o qual corresponde ao conjunto de crenças e valores
que norteiam a organização, a partir da concepção de seus proprietários e dirigentes
(LAZZAROTTO, 2000).
Os principais princípios do associativismo são a adesão livre, tal como é livre
a saída do movimento associativo; o funcionamento pautado na equidade entre os
seus membros, traduzida na expressão “um associado, um voto”, além do fato de
que as associações resultam sempre de uma congregação de esforços, em primeiro
lugar dos fundadores e depois de todos os associados (PINHO, 2010).
Se por um lado a origem de uma associação acaba por ser comum a todas,
ou seja, a congregação de esforços em torno de um interesse comum, por outro, o
seu fim, o seu objetivo, pode ser o mais diversificado. Existem as mais variadas
associações, dentre elas se destacam as culturais, recreativas, desportivas, de
defesa do ambiente e patrimônio, de desenvolvimento local, moradores, estudantes,
pais e profissionais (PINHO, 2010). Chanial e Laville (2009) destacam as mutualidades, cooperativas, sindicatos, associações civis e outras.
De acordo com legislação brasileira, as associações que têm o objetivo
produtivo e econômico devem ser registradas na forma de cooperativas.
6
3101
5 O Cooperativismo
Lima (2004, p. 45) relata que
a crise da sociedade salarial ou do modelo fordista, que agregou direitos
sociais à relação de trabalho, reapresentou a necessidade de buscar formas
alternativas de organização do trabalho e de autonomia dos trabalhadores,
diante do crescimento do desemprego, da perda dos direitos sociais do
período anterior e do enfraquecimento do movimento sindical.
Neste contexto, o cooperativismo tem como proposta prosseguir com a luta
por uma sociedade mais justa e igualitária diante do capitalismo.
O cooperativismo é um movimento de origem européia que “nasceu pouco
depois do capitalismo industrial, como reação ao espantoso empobrecimento dos
artesãos provocado pela difusão das máquinas e da organização fabril da produção”
(SINGER, 2002, p. 24). Hoje, tem tido uma grande importância devido à
descentralização do aparelho estatal e da reestruturação das relações de trabalho.
Ele é fruto de séculos de evolução do homem, no que se refere à arte de
identificar meios de sobrevivência, ou mesmo de viver melhor, ante as dificuldades
que cada momento apresenta. É um movimento internacional, e sua essência está
na associação de pessoas que, com esforço próprio e ajuda mútua, observando a
liberdade, a justiça e a solidariedade, satisfazem suas necessidades econômicas e
sociais pela constituição de uma organização, sem fins lucrativos, voltada para a
qualidade de vida e a dignidade humana, cumprindo com rigor os seus princípios.
Com doutrina e princípios próprios, o cooperativismo persegue a eficiência
econômica através da gestão democrática, distribui os resultados proporcionalmente
à participação de cada membro nas atividades da cooperativa e, dessa forma,
desenvolve a cidadania em sua plenitude. Portanto, nas cooperativas, sob os
princípios já citados, é determinado que cada membro contribua igualmente para a
formação do capital, e caso houver excedente este terá destino confirmado através
de decisões democráticas, pois as decisões da cooperativa têm como objetivo o
controle democrático e a autonomia.
Por essas razões o cooperativismo se estendeu a todos os países e acabou
por se inserir em todos os setores da economia com uma proposta alternativa
adequada aos mais diversos problemas e situações da economia moderna
(OCEMG, 2010).
Enquanto associação econômica, a cooperativa consiste no acordo
multilateral de cada pessoa envolvida e, como empresa, é o empreendimento
econômico que, como parte integrante das unidades econômicas individuais
associadas, se encontra na propriedade de exploração comum. Na realidade, ocorre
a transferência de parte de economia individual para o empreendimento comum no
intuito de maximizar o seu relacionamento com o mercado.
O aspecto da efetividade ou êxito interno voltado para os membros refere-se
às condições de funcionamento de cada tipo de cooperativa, de modo que as
vantagens produzidas pela sociedade retornem aos associados, sem distorções. Daí
a ênfase na necessidade de participação de todos no processo de tomada de
decisões do grupo, bem como a necessidade dos associados controlarem a cúpula
dirigente (ESCHENBURG, 1988).
Devido à forma de organização das cooperativas, porém, muitos desafios e
dificuldades surgem no seu dia-a-dia. Segundo Cançado (2007, p. 134)
o primeiro desafio (e talvez gerador de todos os outros) se encontra na
própria natureza da autogestão, ou seja, por ser um modo de organização
do trabalho no qual a posse dos meios de produção é coletiva e não há
7
3101
separação entre comandados e comandantes, este modo de organização
do trabalho traz uma liberdade e uma flexibilidade na organização do
trabalho não vivenciada anteriormente pelo grupo.
Esteves (2003) complementa que é notório as grandes dificuldades que esses
tipos de empresas lidam diariamente para continuarem vivas no mercado, tais como
baixíssima remuneração, falta de crédito financeiro para futuros investimentos,
necessidade de mudança cultural da subordinação a autonomia, jornadas de
trabalho precarizadas, dentre outras.
Outro fator identificado diz respeito ao grau de maturidade do grupo, que pode
influenciar no desenvolvimento da autogestão. Cançado (2007) identifica como
“inércia participativa”, ou seja, o cooperado tem os canais de participação, o
direito/dever de participar, mas opta por não fazê-lo.
Não obstante a estas dificuldades, as cooperativas expandiram-se por todos
os setores de atividade e assumiram dimensões muito distintas. Podem ser
pequenos grupos artesanais ou de prestação de serviços, bem como grandes
empresas. Existem em todos os continentes.
De acordo com os dados fornecidos pela própria ACI, em todo o mundo são
mais de oitocentos milhões os membros de cooperativas, entre os quais 236 milhões
na Índia e 180 milhões na China. Como simples indício da sua importância relativa,
em alguns países, por exemplo, no Canadá, na Noruega e nas Honduras um
cidadão em cada três é cooperado. Nos EUA, um em cada quatro é membro de uma
cooperativa. Tanto na Argentina como no Reino Unido, contam-se mais de nove
milhões de cooperadores. Em todo o mundo, as cooperativas no seu todo geram
mais de cem milhões de empregos, ou seja, mais 20% do que o emprego gerado por
todas as empresas multinacionais juntas (NAMORADO, 2009, p. 96).
De acordo com a Lei n º5764 de 1971 as associações produtivas devem ser
registradas como cooperativas. No entanto, na prática muitas associações além da
representação de seus associados, realizam atividades comerciais. Ademais, muitos
são os grupos produtivos que atuam informalmente. Deste modo, o universo de
pesquisa do presente trabalho extrapola as cooperativas formalizadas, indo às
associações que realizam atividades produtivas e aos grupos produtivos informais.
6 Procedimentos Metodológicos
Na presente pesquisa foi adotada uma investigação de caráter qualitativo.
Demo (2000, p. 152) afirma que “a pesquisa qualitativa quer fazer jus à
complexidade da realidade, curvando-se diante dela, não o contrário, como ocorre
com a ditadura do método ou a demissão teórica que imagina dados evidentes”.
Dessa forma, a pesquisa qualitativa tenta preservar a dinâmica enquanto analisa,
formalizando com mais flexibilidade.
Tendo em vista os objetivos do trabalho, foi realizada uma pesquisa descritiva
e interpretativa, buscando localizar na fala dos entrevistados as características de
cada empreendimento. Não foi realizado teste de hipóteses prévias nesta
investigação, de forma que foi preservada a abertura para novos insights e visões da
realidade.
Foi realizado uma pesquisa de campo com 6 (seis) empreendimentos com
características diferentes diante do universo multifacetado dos empreendimentos
produtivos de bases associativas. A proposta de seis casos resulta do entendimento
de que este número proporcionará a obtenção de informações de empreendimentos
localizados nos extremos do território do Vale do Mucuri, assim como, na sua região
8
3101
central. Foram entrevistados dois gestores de empreendimentos da cidade de
Teófilo Otoni, um da cidade de Malacacheta, um de Itambacuri, um de Padre
Paraíso e um de Nanuque.
Em relação ao método de coleta de dados, a pesquisa utilizou informações
obtidas nas entrevistas semi-estruturadas e em profundidade com integrantes dos
empreendimentos estudados. A seleção dos empreendimentos utilizou como
critérios a localização geográfica, o número de associados e os produtos/serviços
com que trabalham.
Considerando os critérios anteriores, podemos afirmar que os sujeitos foram
escolhidos de maneira intencional e não-probabilística. Segundo Patton (2002), o
objetivo de uma amostra intencional é selecionar participantes que possam ser
fontes de informações ricas para ajudar na iluminação das questões em estudo.
Antes da coleta de dados, foi elaborado o plano de entrevista definitivo e o
roteiro para a orientação das entrevistas. As perguntas foram abertas, possibilitando
aos entrevistadores se aprofundarem em alguns assuntos quando sentiram
necessidade, sendo adicionadas outras perguntas, quando necessário.
Após a finalização da coleta dos dados, foi realizado o aprofundamento da
análise e interpretação do material coletado. Entretanto, conforme Laville e Dionne
(1999, p. 197), tal “análise e interpretação não são imediatamente possíveis”. Desse
modo, anteriormente, os dados foram organizados, sendo descritas as observações
feitas e transcritas as gravações realizadas, ordenadas e agrupadas em categorias
de forma que se tornou possível proceder às análises e interpretações que levaram
às conclusões. Ressalta-se que as entrevistas foram numeradas para preservar a
identidade dos entrevistados.
A análise de dados envolveu reduzir o volume de informação em seu estado
bruto, peneirar os dados triviais dos mais representativos, identificar padrões
importantes e construir uma estrutura para comunicar a essência do que os dados
revelaram (PATTON, 2002). Foi utilizada como base para o método de análise das
entrevistas a análise da pragmática da linguagem desenvolvida por Mattos (2006) e
composta por seis fases especificadas a seguir: 1°: Recuperar os diálogos gravados
e fazer a sua transcrição; 2°: Resgatar o contexto em que o diálogo aconteceu; 3°:
Apresentar ao entrevistado o significado nuclear da resposta para que haja uma
validação; 4°: Transcrever os dados colhidos, pelo menos os da análise dos
significados nucleares das respostas acima para uma matriz de dupla entrada: em
uma os entrevistados, aproximados por características de estratificação, em outra,
as perguntas; 5°: Analisar o conjunto, visualizando os fatos de evidência relativos a
cada entrevistado, no conjunto das suas respostas. 6°: Submeter aos pares certas
observações conclusivas do pesquisador, funcionando a praxe como validação da
interpretação.
7 Resultados
7.1Caracterização dos empreendimentos pesquisados
O primeiro empreendimento pesquisado foi a Cooperativa Educacional
COOPED, situada na cidade de Teófilo Otoni que surgiu da necessidade de um
grupo de pais em oferecer educação de qualidade para seus filhos. “Por que no
momento em que a cooperativa foi pensada, o custo da escola particular (...) era
muito alto, a cooperativa surgiu nessa intenção de uma proposta alternativa na área
educacional” (E1).
A cooperativa tem como principal objetivo prestar serviços educacionais de
qualidade em Teófilo Otoni. Está plenamente legalizada e seus objetivos estão
9
3101
adequados aos objetivos da educação nacional e estadual. A inserção dos
associados acontece por meio da aquisição de cotas. Dentro da escola existe
diferenciação caso os pais opte por não ser cooperado: “mensalidade para um
cooperado é reduzida em comparação com a mensalidade do não cooperado.
Então, com a aquisição da cota que atualmente é o valor de 50,00 reais, os
cooperados podem optar por serem beneficiados pela mensalidade menor” (E1).
A Associação dos Artesãos de Teófilo Otoni, criada na cidade desde 1982, foi
o segundo empreendimento entrevistado. Segundo um dos entrevistados “a
associação surgiu a partir de um grupo de artistas, de artesãos que se reuniam e
resolveram que seria melhor para todos que tivesse um grupo que lutasse pelos
interesses deles” (E2). Hoje a associação tem trinta e nove associados frequentes.
Conforme a presidente, o objetivo da Associação é divulgar o trabalho de seus
associados e a qualidade dos produtos a futuros clientes.
Para maior controle da qualidade dos artesanatos vendidos nas feiras, na
Associação, vários critérios são observados pelo grupo para a adesão de novos
associados. O critério principal é ser artesão, apresentando documentos, fotos e o
produto para análise prévia. Além disso, atualmente está tendo três semanas de
experiência para que o associado efetive sua adesão. “Ele fica, participa das feiras e
se gostar, sendo aprovado, ele faz sua inscrição. Geralmente, ele entra em um mês
paga no outro, a inscrição é 50,00 reais. Alguns não se relacionam e não se sentem
bem e sai” (E2).
Outro empreendimento pesquisado foi a Associação Apícola de Malacacheta
(APIMA), criada em 2006 e registrada em 2007 na cidade de Malacacheta. Essa
associação surgiu da necessidade dos apicultores terem sua própria associação,
uma vez que eram associados à outra da cidade de Poté.
Para associar-se é exigido um curso de apicultura básica. Caso a pessoa não
tenha o curso, ela pode se associar e fazer o curso posteriormente. “Para você ser
apicultor hoje, é necessário o curso, nem que seja o básico, o curso vai ensinar
algumas técnicas de como chegar no apiário, lidar com as colméias sem nenhum
acidente” (E3).
A APIMA possui cento e vinte associados, com noventa e sete famílias
entregando produtos para o PAA – Programa de Aquisição de Alimentos do Governo
Federal. Devido à necessidade dos apicultores de Malacacheta em se unirem para
poderem adquirir os equipamentos imprescindíveis para a realização da atividade, o
entrevistado relata que
para poder ter mais força para obter recursos, até mesmo as chamadas
políticas públicas, e devido também a gente não ter uma sala de reunião, a
gente precisava reunir por que os equipamentos eram caros na época. A
gente precisava se unir para comprar esses equipamentos, então, foi uma
necessidade. A gente uniu e virou um núcleo da associação de Poté e de
Malacacheta, e eles já tinham e através deles nos conseguimos os
equipamentos (E3).
Na categoria de cooperativa de consumo foi entrevistado o gestor da
cooperativa Mista (COOPERMISTA) situada na cidade de Nanuque e constituída em
19 de agosto de 1962. Tal empreendimento surgiu devido à necessidade dos
pecuaristas comprarem insumos agrícolas não disponíveis na região. “A cooperativa
é formada somente por pecuaristas, porque na época a agricultura era de
subsistência e somente depois de 20 anos que surgiu a cana, que hoje é forte na
região (E4).
10
3101
O número de associados ativos na COOPERMISTA é de quinhentos e
oitenta. Porém segundo o gestor do empreendimento 4, analisando o livro de
registro de associados existem quase dois mil associados, devido a um grande
número de pessoas que mudaram para outros estados.
O penúltimo empreendimento pesquisado foi a Cooperativa de Crédito da
cidade de Padre Paraíso. A cooperativa chamava-se Credipismo, formada por um
grupo de fazendeiros que a constituiu há doze anos. Posteriormente, foi incorporada
ao Sicoob com sede em Teófilo Otoni. Segundo o gestor entrevistado a maior parte
da população já teve conta e foram associados da cooperativa, que começou com
quatrocentas pessoas. Atualmente, a quantidade de associados ativos é de
oitocentos e setenta somente na cidade de Padre Paraíso. Sua matriz possui mais
de quinze mil associados.
O sexto empreendimento estudado foi a Cooperativa de Leite de Itambacuri
(COPRIL) criada em 1969 por “um grupo de quarenta produtores rurais, que se
uniram com o intuito de formar uma cooperativa de consumo” (E6). Em 1980 a
COPRIL adquiriu uma fábrica de laticínios de uma empresa da região, começando
então a industrializar o leite. A COPRIL possui hoje oitocentos e sessenta e quatro
associados, sendo produtores de leite em torno de 360.
O gestor entrevistado explica que
A princípio começou essa cooperativa de consumo. Então, bastaria ser
produtor rural. Com o passar do tempo, ela se transformou em uma
cooperativa de produção produzindo produtos lácteos. (...) Também possui
um supermercado e uma loja veterinária. A forma de participação é
diferente. Ou seja, o cooperado não produtor de leite só participa com a
compra no supermercado e com a loja veterinária e o produtor de leite
participa do laticínio, do supermercado e da loja também. Sendo o
pagamento proporcional a participação, evidentemente que o produtor de
leite hoje tem uma participação maior (E6).
Pela caracterização dos empreendimentos pesquisados, é notório que as
demandas da comunidade foram determinantes para a criação dos mesmos, pois
todos os envolvidos perceberam que se organizando em cooperativa ou associação
poderiam se fortalecer frente à concorrência e ao mercado de trabalho.
7.2 Estrutura Organizacional
A estrutura organizacional da COOPED é dividida em três conselhos:
administrativo, fiscal e pedagógico. Estes conselhos são formados por voluntários
cooperados e com atribuições previstas em estatuto. O conselho fiscal tem seus
membros eleitos em assembléia geral ordinária que ocorre, normalmente, no final de
março. A função deste conselho é monitorar a prestação de contas e fiscalizar a
aplicação de recursos.
Na associação dos artesãos de Teófilo Otoni, a estrutura organizacional
também é dividida em três eixos, o conselho fiscal, o conselho de sindicância e a
diretoria. A diretoria é formada por presidente e vice-presidente, secretário e vicesecretário, tesoureiro e vice-tesoureiro. O conselho fiscal e a sindicância são
compostos por três membros.
A APIMA utilizou um modelo da associação de São Paulo devido à falta de
experiência do grupo e à urgência em constituir a associação. Sua estrutura é
formada por presidente, vice-presidente, tesoureiro e secretário além dos membros
vocais (seis associados), que podem ocupar qualquer desses cargos. Estes
membros atuam como suplentes dos associados que ocupam os cargos citados. Por
11
3101
fim, o conselho-tesoureiro fiscal é formado por três conselheiros efetivos e três
suplentes. Segundo um dos entrevistados da associação o conselho fiscal tem um
papel importante pois
quando a gente vai prestar conta no final do ano, ele vai fazer uma análise
da prestação de contas e emitir relatório indicando essa prestação de
contas para ser aprovada na assembléia geral, dando o aval positivo ou
negativo. Ele também não é soberano, isso está no estatuto, porque
suponhamos que o conselho fiscal, algum documento está ali, e ele não
concorda com aquele documento, ele não é obrigado a aprovar. Mas ele
tem seu relatório (E3).
A estrutura organizacional da COOPERMISTA é composta de assembléia,
conselho de administração, formado por quatorze pessoas (sete efetivas e sete
suplentes), e o conselho executivo, contendo três membros efetivos e três membros
suplentes. O presidente e o vice-presidente participam dos dois conselhos.
Segundo o gerente do empreendimento, o presidente é o seu superior
imediato. No entanto, o presidente não fica constantemente na cooperativa, por lidar
com atividades da sua fazenda. No entanto, o presidente vai à cooperativa todo dia.
“Ás vezes, só para assinar um papel para mim, ou assinar um cheque por que tem
duas assinaturas nos documentos. Então, um ou outro passa aqui. De nós três
[gerente, presidente e vice-presidente], tem sempre que ter duas assinaturas (E4).
A estrutura da cooperativa SICOOB é subordinada ao Banco Central, por ser
do ramo de crédito, ao Bancob, banco das cooperativas e, por fim, à Central, que no
caso da SICOOB, se chama Credi Minas. Segundo o Entrevistado 5, há uma
dependência das orientações do Bancob por parte de todas as cooperativas de
crédito brasileiras.
Por fim, assim como nos demais empreendimentos estudados, a COPRIL tem
como órgão máximo a assembléia geral, constituída por todos os cooperados. São
eleitos ao conselho de administração, nove membros, e ao conselho fiscal, seis
membros. Do conselho de administração, um é eleito diretor presidente e outro
diretor superintendente. Abaixo deles, existe um órgão de assessoria técnica, uma
gerência industrial, uma gerência comercial, responsável pelo supermercado, e uma
gerência administrativa e financeira, responsável pela área administrativa.
Deste modo, em síntese, os empreendimentos entrevistados têm como órgão
máximo a Assembléia Geral, e conselhos para gerenciar os empreendimentos.
Porém cada empreendimento adéqua suas estruturas a seu contexto. Observou-se
também que o tamanho dos empreendimentos em relação ao número de associados
é muito variado.
7.3 Quanto aos relacionamentos
Como o ambiente que cerca os associados da COOPED é educacional e
todos são pais, a relação entre eles é amistosa. Segundo a entrevistada “todo
mundo quer educar seus filhos, quer promover a educação, quer participar da
educação, quer valorizar o ensino dotado em princípios e valores morais. Então, a
relação entre eles é muito tranquila porque o objetivo deles são os mesmos” (E1).
Este quadro é apresentado por Melo Neto e Froes (2002) no que se refere aos
empreendimentos de cunho social que devem ser orientados por valores e mantidos
por pessoas que acreditam que mudanças são necessárias, tomando providências
nesse sentido.
Na COOPED, percebe-se um distanciamento entre os cooperados e a
diretoria uma vez que as decisões tomadas, em sua maioria, dizem respeito a
12
3101
questões administrativas havendo poucas reuniões com os conselhos. “Então, eles
não têm muita interferência sobre o cooperado, se a pessoa estiver aqui na escola,
se é cooperado ou não cooperado, o que o conselho administrativo decide e
defende beneficia a todas as pessoas que estão de uma forma geral, a função do
conselho administrativo com os pais é sempre muito tranquila” (E1). Este
distanciamento compromete a autogestão, apontada por Cançado (2007) como um
dos principais desafios enfrentados pelos empreendimentos solidários.
Na Associação dos Artesãos de Teófilo Otoni o envolvimento entre os
cooperados, também é pouco intenso devido às divergências de opinião dentro do
grupo. Estas divergências são intensificadas pela concorrência, pois muitos dos
associados vendem produtos similares. “Há muita cópia. Por exemplo, uma leva um
produto hoje, uma vai e copia da outra. Por isso os atritos. Mas a gente vai levando
para ver se dá certo” (E2). Para melhorar a interação entre os associados, a
presidente estimulou a formação de um grupo de bordadeiras, com 16 associadas
que se reúnem nas segundas-feira.
Com todos os conflitos que acontecem, na associação dos artesãos o
desinteresse dos associados por suas atividades é muito grande, conforme
evidencia o relato abaixo:
teve eleição agora mesmo. A eleição era 16:30 hs da tarde. Quando era
16:10 hs, não tinha ninguém na chapa, por que ninguém queria, já era 16:15
hs e o edital já tinha sido lançado. E na hora, assim, correndo, em vinte
minutos fizemos forçado, dizendo você vai ser isso, você vai ser aquilo. Me
falaram que eu seria a presidente, eu falei que não podia, e eles pediram
pelo amor de Deus, seja a presidente, e colocaram meu nome. Ali quem
trabalha mesmo é só a presidente, eles entram por entrar na diretoria
forçados, aí o presidente trabalha sozinho (E2).
Portanto, nesta associação é evidente o desinteresse do grupo pela gestão.
Os associados entram no grupo pensando somente na venda do seu artesanato e
sem maiores comprometimentos.
Na APIMA, por ter sido criada por um grupo de amigos, de acordo com
entrevistados, existem poucos conflitos. As divergências acontecem, porém por
divergências de opiniões, comuns em qualquer empreendimento coletivo, não por
desentendimentos pessoais. Como resultado da boa interação entre associados e
diretoria, em curto espaço de tempo a Associação adquiriu um terreno que será
utilizado para a construção da sua sede e centro de vendas. Tal realidade reforça a
afirmação de Chanial e Laville (2009) de que a criação associativa impulsionada
pelo sentimento da defesa de um bem comum supõe a ação coletiva.
Quanto ao relacionamento entre a diretoria e os associados da COPRIL
percebeu-se um distanciamento atribuído ao tamanho da cooperativa, considerada a
maior empregadora da cidade de Itambacuri e ponto de apoio ao cooperado. Ficou
evidenciado também que o interesse dos cooperados está diretamente relacionado à
remuneração do produto. Segundo os entrevistados, enquanto a cooperativa
remunerar bem seus associados, estes ficarão satisfeitos. “Evidentemente que a
cooperativa procura ir além de remunerar bem. Ela, há oito anos, vem distribuindo
sobras aos associados. E isso é mais um processo. E temos reuniões. Quando tem
necessidade, a gente convoca” (E6).
Na COOPERMISTA a direção dá total liberdade ao gestor para tomar
decisões de nível tático. Como o gestor afirmou: “se eu coloquei mais um funcionário
ou retirei algum, eu não fico amarrado a diretor. Ah, mais isso tenho que perguntar
ao diretor, eu faço e depois de feito, eu comunico” (E4).
13
3101
De modo geral, pode ser observado que nos empreendimentos que possuem
associados com objetivos comuns, assim como eficiência no serviço prestado, os
relacionamentos são tidos como saudáveis. Porém, ficou claro que nos
empreendimentos caracterizados pela concorrência e pouco comprometimento
dentro do grupo, os conflitos são intensificados. Outro fator ligado ao
relacionamento, é o fator econômico, pois ficou evidente a relação diretamente
proporcional entre remuneração e bons relacionamentos.
7.4 Pontos Fortes
Um dos pontos fortes apontados pela COOPED é a possibilidade de
desenvolver um empreendimento com a visão diferente, com os princípios
cooperativistas, poder compartilhar com seus associados princípios como “dividir,
reunir, juntar, crescer juntos, o diálogo, fazer o bem, ser feliz com a felicidade do
outro, poder ter o melhor sem ter que pagar a mais, são princípios que hoje são
valiosíssimos” (E1).
O primeiro ponto forte apontado pelo entrevistado da APIMA foi a união. Outro
ponto forte apontado é o trabalho das diretorias, que tiveram zelo pela
documentação e pela contabilidade. “A gente já chegou até de contribuir a mais, a
gente sempre teve um contador, nunca deixou a associação sem contador então
documentação está cem por cento, um ponto muito forte na associação” (E3).
Os pontos fortes citados pelo entrevistado do Sicoob foram os benefícios
oferecidos aos associados por serem uma cooperativa de crédito e não um banco
como os outros. Sendo cooperado, ao final do exercício são retiradas as despesas e
as sobras são dividas de acordo com as quotas. “Outra vantagem é que aquilo que
você paga aqui, quem coloca o preço é você mesmo. Então, por ser cooperativa
todos tem acesso quando se vai colocar alguma tarifa vamos para assembléia e por
isso hoje nós temos a melhor taxa de mercado” (E5).
Na COPRIL os pontos fortes apontados pelo entrevistado estão relacionados
ao fato da cooperativa remunerar bem seus produtores em nível de mercado, tem
uma equipe funcional bem comprometida com o desempenho organizacional.
“Temos uma situação financeira tranquila, nós estamos hoje com um parque
industrial dentro de um perfil muito bom” (E6).
Não obstante aos pontos fortes apontados, a formação dos preços dos
produtos ou serviços que o grupo comercializa, fez com que os empreendimentos se
tornassem reguladores de preço na região de atuação.
7.5 Pontos Fracos e limitações
Dentre os pontos fracos apontados pelo entrevistado da COOPED destacamse: o grande número de atividades a serem desenvolvidas e a cobrança dos
associados pela qualidade dos serviços prestados. Como os diretores e conselheiros
são profissionais liberais, têm, existe a dificuldade para se dedicarem à cooperativa.
“Talvez um ponto fraco seja essa dificuldade que não é criada pela própria
cooperativa, mais é uma dificuldade criada pelo mundo, mercado de trabalho” (E1).
Corroborando com Esteves (2003) em relação ao campo das desigualdades
políticas, os cooperados que exercem funções do conselho, ficam afastados das
atividades rotineiras, enquanto os cooperados que estão designados a realizarem
tais atividades, desconhecem o que está ocorrendo com o outro grupo.
Dentro dos empreendimentos ficou evidenciado que muitos associados têm
desinteresse por assuntos do grupo. Assim, não participam das reuniões e votações
a respeito de assuntos que estão ligados diretamente ao desenvolvimento e
14
3101
crescimento do grupo. Esta situação, por exemplo, é vivenciada pela Associação
dos Artesãos, pois “interesse para ajudar a associação eles não tem. O interesse é
em si próprio” (E2). Este interesse e participação é apontado por Singer (2002) como
crucial para o bom desempenho das cooperativas. Como resultado, foi identificado
um baixo percentual de participação dos associados nas reuniões e assembléias
para decidir a respeito do planejamento e decisões dos empreendimentos.
Nas assembléias não temos uma participação efetiva, às vezes há uma
participação maior dependendo da pauta. Quando a pauta não é de
interesse da comunidade (associados), a participação é pequena. Quando é
uma pauta de maior interesse como, por exemplo, decidir sobre o material
de ensino que vai ser usado, questões sobre o preço da mensalidade, aí
realmente há uma participação maior (E1).
Em outro empreendimento essa situação se repete, mesmo sendo de outro
ramo de atividade, conforme entrevistado do empreendimento 4
não é bom, estou falando para você que já aconteceu duas vezes, nossa
assembléia acontece duas vezes por ano, uma no final de março, já tivemos
que jogar para abril por falta de gente, o mínimo admitido pelo estatuto é 10
pessoas e não consegue às vezes nem a diretoria vem, por que depende do
interesse e isso acontece em qualquer cooperativa, por que se não estiver
um assunto palpitante de interesse geral já chegou ter mais de cem
pessoas quase duzentas em reuniões.
Além da falta de participação dos associados, o desinteresse para participar
da estrutura organizacional dos empreendimentos também é evidente, já que
somente querem fazer parte dos eventos que lhes proporcionam algum retorno
financeiro.
Na COOPERMISTA o cenário de desinteresse se repete, de acordo com o
entrevistado “o ponto fraco é como qualquer cooperativa o desinteresse dos
associados, eu não sei se isso é um mal do povo brasileiro, mais é assim a
cooperativa está bem, então está tudo ótimo, agora se aparece um pepino aparece
todo mundo” (E4).
Na associação apícola, além da falta participação e comprometimento dos
associados também foram apontados com pontos fracos a falta de planejamento e a
ausência de novas lideranças que possam dar continuidade aos empreendimentos
na comunidade.
No caso das cooperativas de crédito, existem normas superiores do Banco
Central que limitam a autogestão por parte dos cooperados. Assim, “dentro de uma
cooperativa de crédito existe uma liberdade do cooperado limitada devido às normas
do Banco Central” (E5).
O acesso a recursos financeiros também foi apontado como uma limitação.
Notou-se a necessidade de recursos financeiros para a estruturação da sede ou de
um espaço para expor os produtos. Nos relatos abaixo visualiza-se tal situação:
agora vai melhorar por causa do espaço para expor o produto, por que o
sonho de todo mundo é ter uma loja grande para poder expor, mais agora
saiu essa loja pequenininha mais já está quase realizando o sonho, na
lojinha vai expor somente 15 pessoas (E2).
eles não tinham dinheiro para iniciar com a atividade, agente teve uma
grande dificuldade com isso aí, até chegar o PCPR, que deu uma forcinha,
mais que não resolveu totalmente o problema, nós conseguimos um projeto
de 11000 reais, para aquisição de colméia que deu cinco colméias para
cada um (E3).
15
3101
Ainda referente às questões financeiras, foi apontada como dificuldade a falta
de linhas de crédito específicas para associações e cooperativas. Este quadro é
agravado pela condição da maioria dos associados. Grande parte dos
empreendimentos é formada por moradores de bairros periféricos ou classe
desempregada que não dispunham de recursos financeiros (capital de giro) para
iniciarem a atividade pretendida.
Para os cooperados da COPRIL, “em termo de tributação, as cooperativas
não têm benefício e isso a penaliza porque ela não trabalha com caixa dois, então
tudo que entra e sai, tem uma tributação” (E6).
Por fim, outra dificuldade citada é a distinção entre associados. Em alguns
empreendimentos os próprios associados, por estarem no grupo há mais tempo, se
sentem no direito de serem privilegiados podendo existir associados classificados de
forma diferente, de acordo com o estatuto do empreendimento e por participação
ativa dentro do grupo, que acarreta em alguns privilégios.
8 Considerações finais
O presente trabalho indica que os empreendimentos solidários situados no
Vale do Mucuri possuem características que se assemelham às características
destacadas no referencial teórico estudado. Portanto, através das entrevistas com
dirigentes dos empreendimentos foi possível identificar que todos os
empreendimentos independente de serem cooperativa ou associação, surgiram da
demanda da comunidade local, como instrumento para defesa dos interesses dos
associados que sozinhos não tinham força para alcançar seus objetivos.
Em relação à forma que são estruturados, percebe-se que os
empreendimentos possuem características quase idênticas no que se refere aos
conselhos necessários para a gestão e fiscalização, sofrendo poucas diferenças,
sendo estas em grande parte relativas ao número de envolvidos. Em todos os
empreendimentos entrevistados a gestão foi apontada como democrática e
descentralizada, sendo livre o acesso dos associados a informações sobre os
empreendimentos. No entanto, a pouca participação ativa dos associados, torna a
gestão democrática pouco praticada.
A principal dificuldade encontrada nos empreendimentos foi à falta de
recursos financeiros, pois muitos não possuem sede própria, equipamentos
necessários a realização da atividade e capital de giro para aquisição de produtos.
Em sequência, destaca-se a falta de interesse dos associados e a pouca
participação nos eventos relacionados aos empreendimentos limitando a eficiência
da gestão.
No que se refere à contribuição desta pesquisa para a teoria e prática dos
empreendimentos solidários, os resultados indicam que um planejamento sobre
formação e conscientização para todos os cooperados pode ser realizado, pois é
necessário criar uma identidade e laços de afinidade dentro dos grupos. Ademais,
dar suporte para que os envolvidos nestes empreendimentos possam se
conscientizar e obter esclarecimentos das políticas públicas disponíveis aos grupos
produtivos, assim como outras parcerias, foram identificadas como ações prioritárias
neste campo.
Referências
ARAUJO, Claudiana A. L. de; TOLENTINO; Marlucia T.; THEOPHILO; Carlos R.
Realidade Organizacional das Associações Comunitárias Rurais da Região Sul de
16
3101
Montes Claros – MG. In: Anais do XXXI Encontro da Associação Nacional dos
Programas de Pós-Graduação em Administração – ENANPAD. São Paulo. 2009.
CANÇADO, A. C.. Autogestão em cooperativas populares: os desafios da
prática. Dissertação (Mestrado em Administração) Escola de Administração, UFBA,
Salvador, 2007.
CHANIAL, Philippe; LAVILLE, Jean-Louis. Associativismo. In: Hespanha, Pedro et al.
Dicionário Internacional da Outra Economia. São Paulo: Almedina Brasil, Ltda.
2009.
DEES, Gregory. O Significado de Empreendedorismo Social. 2001. Disponível
em: http://www4.fe.uc.pt/cec/significadoempreendedor.pdf. Acesso em: 15 de mar.
2010.
ESCHENBURG, R. Cooperativas em economias de mercado. In: ____. Problemas
actuales del cooperativismo. Munster, Alemanha: Universidad Munster, 1988. 165
p.
ESTEVES, Egeu; SOUZA, A. R.; CUNHA, G. C.; DAKUZAKU, R. Y.(Orgs). Uma
outra economia é possível – Paul Singer e a economia solidária, São Paulo:
editora contexto, 2003.
FAVARETO, Arilson; GONÇALVES, Yumi K. Plano Territorial de Desenvolvimento
Rural Sustentável (PTDRS) do Território Vale do Mucuri: relatório de qualificação.
São Paulo. 2006.
FERREIRA, S. Empreendedorismo Social, profissionalização e emprego In: A
ECONOMIA SOCIAL E A PROMOÇÃO DO EMPREGO, 2006. Lisboa, Portugal.
Anais
do
resumo
dos
trabalhos.
Disponível
em:
<http://www4.fe.uc.pt/cec/oefpsilviaferreira.pdf.>. Acesso em: 15 mar. 2010.
HUDSON, M. Administrando Organizações do Terceiro Setor: o Desafio de
Administrar sem Receita. São Paulo: Makron Books. 1999.
LAVILLE, Christian; DIONNE, Jean. A construção do saber: manual de
metodologia da pesquisa em ciências humanas. Porto Alegre: Editora Artes Médicas
Sul Ltda.; Belo Horizonte: Editora UFMG, 1999.
LAZZAROTTO, Joelsio J. Associativismo Rural e a sua Viabilização: estudo de caso
comparativo de duas associações de produtores rurais do município de Pato Branco
(PR). In: Anais do XXXI Encontro da Associação Nacional dos Programas de
Pós-Graduação em Administração – ENANPAD. Salvador. 2002.
LIMA, Jacob Carlos. O trabalho autogestionário em cooperativas de produção:
O paradigma revisitado. Revista Brasileira de Ciências Sociais - RBCS Vol. 19 nº.
56 outubro/2004.
MATTOS, Pedro Lincoln. Análise de entrevistas não estruturadas: da formalização à
pragmática da linguagem. In: GODOI, C. K., BANDEIRA-DE-MELO, R.; SILVA, A.
B. (Org.) Pesquisa Qualitativa em Estudos Organizacionais: paradigmas,
estratégias e métodos. São Paulo: Saraiva, 2006.
MIRANDA, Silvanir Marcelino de. Infância, trabalho e direitos no Vale do Mucuri MG. São Paulo: Universidade de São Paulo, 2006. 331 p.
17
3101
MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário. Relatório final, analítico e
propositivo dos Estudos e Planos realizados para o Território Vale do Mucuri –
MG. Minas Gerais: Rede Nacional de Colaboradores. 2005.
MDA – Ministério do Desenvolvimento Agrário. Sistema de Informações Territoriais.
Disponível em: <http://sit.mda.gov.br>. Acesso em: 01 de jul. 2009.
MELO NETO, Francisco P. de; FROES, César. Empreendedorismo Social: a
transição para a sociedade sustentável. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2002.
NAMORADO, Rui. Cooperativismo. In: Hespanha, Pedro et al. Dicionário
Internacional da Outra Economia. São Paulo: Almedina Brasil, LTda. 2009.
ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS DO ESTADO DE MINAS GERAIS OCEMG. Disponível em: <http://www.ocemg.org.br>. Acesso em: 22 de mar. de
2010.
PATTON, M. Qualitative research and evaluation methods. 3 ed. Thousand Oaks:
Sage, 2002.
PDTRS- Plano de Desenvolvimento Territorial Rural Sustentável: Território da
cidadania vale do mucuri. Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e
Mucuri. Pró-reitoria de Extensão. Grupo de Pesquisa em Agricultura Familiar. –
Teófilo Otoni: UFVJM, outubro, 2010.
PINHO; Paulo. O Associativismo: conceitos, princípios e tipologias. Disponível em:
<http://pt.shvoong.com/social-sciences/1658411-associativismo-conceitosprinc%C3%ADpio s-tipologias/>. Acesso em: 22 de mar. de 2010.
SCHRÖDER, Mônica. Plano Safra Territorial: território do Vale do Mucuri.
Salvador: MDA. 2007.
SINGER, Paul. Introdução à Economia Solidária. São Paulo, Editora Fundação
Perseu Abramo, 2002.
TYSZLER, Marcelo. Mudança Social: Uma Arte? Empreendimentos Sociais Que
Utilizam A Arte Como Forma De Mudança Social. In: Anais do Encontro de
Administração Pública e Governança. Rio de Janeiro. 2004.
VIEIRA, Naldeir S.; DUARTE, Cristiane R.; LEONEL, Marcelino S. Caracterização
dos Empreendimentos com Bases Associativas do Vale do Mucuri. In: FERREIRA,
Marco A. M.; EMMENDOERFER, Magnus L.; GAVA; Rodrigo. (Org.).
Administração pública, gestão social e economia solidária: avanços e desafios.
1 ed. Viçosa: Suprema, 2010, v. 1, p. 322-342.
i
Os autores agradecem o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais –
FAPEMIG na realização e apresentação desta pesquisa, resultado de estudos de bolsista
PIBIC/FAPEMIG.
18
Download

Caracterização dos Empreendimentos Produtivos - FEA