UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO BIOMÉDICO INSTITUTO DE MEDICINA SOCIAL INDICADORES MATERNO-NEONATAIS NA SAÚDE SUPLEMENTAR - UMA ANÁLISE DO SISTEMA DE INFORMAÇÕES DE PRODUTOS Karla Santa Cruz Coelho Tese apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Doutora, Programa de PósGraduação em Saúde Coletiva, Área de Concentração em Epidemiologia, do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Orientadora: Profa. Gulnar Azevedo e Silva Mendonça Rio de Janeiro 2004 CATALOGAÇÃO NA FONTE UERJ /REDE SIRIUS CBC C672 Coelho, Karla Santa Cruz Indicadores materno-neonatais na saúde suplementar: uma análise do sistema de Informações de Produtos/ Karla Santa Cruz Coelho – 2004 113 .f Orientadora: Gulnar Azevedo e Silva Mendonça. Tese (doutorado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Instituto de Medicina Social. 1. Sistemas de recuperação da informação – Saúde – Teses. 2. Assistência à maternidade e à infância – Teses. 3. Indicadores de saúde – Teses. 4. Seguro-saúde – Brasil – Teses. 5. Organizações de manutenção da saúde – Brasil – Teses. I. Mendonça, Gulnar Azevedo e Silva. II. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Instituto de Medicina Social. III.Título. CDU 004.65:613.95/.99 Maternal and neonatal indicators on suplementary health care: analyses of Products Information System (Sistema de Informação de Produtos - SIP) ii “E a ilha desconhecida, perguntou o homem do leme, A ilha desconhecida não passa duma idéia da tua cabeça, os geógrafos do rei foram ver nos mapas e declararam que ilhas por conhecer é coisa que se acabou desde há muito tempo...” O conto da ilha desconhecida José Saramago iii Aos meus lindos, Julia e Pedro, por me fazerem acreditar que vale a pena lutarmos por um mundo mais justo. iv AGRADECIMENTOS Aos meus pais, pelo amor incondicional que sinto, pelo incentivo e apoio, além da fundamental retaguarda em todos os momentos. À minha amiga e orientadora, Gulnar, pela paciência, tranqüilidade e parceria, que vai além da orientação da tese, compartilhamos ideais e esperanças. Aos meus irmãos e cunhados, Danilo, Renata, Fernanda, Ana e Marcos, por me fazerem rir e saber que sempre estaremos juntos. Ao Fernando, pelo entusiasmo, pelas dúvidas, pelas certezas e companheirismo. Aos amigos da ANS, Luisinho, Hermínio, Malu, Teresinha, Kátia, Ricardo, Luis Paulo, Regina, Artur, Liliana, Vanessa, Márcia, Ana Luisa, Renata, Dani, Andréa, Adriana, Mei, Joana, Anete, Helvécio e Emerson, pela amizade e o prazer de trabalharmos juntos. À Maria Helena e Regina Gutman, pelas revisões. Às amigas Lêda Lú e Ledinha, pelos toques e leituras. Minhas companheiras nos deliciosos almoços macrobióticos e caronas no “carro das meninas”. Às mulheres, que perderam suas vidas na expectativa da maternidade. v SUMÁRIO Lista de tabelas, quadros e figuras........................................................... vi Lista de siglas utilizadas............................................................................ vii Resumo......................................................................................................... ix Abstract......................................................................................................... x Apresentação................................................................................................ 1 1. Introdução................................................................................................. 8 1.1 Sistemas nacionais de informação em saúde................ 19 1.2 Sistemas de informação na saúde suplementar............ 28 1.3 Sistemas de informações de produtos........................... 29 2. Justificativa.............................................................................................. 33 3. Objetivos.................................................................................................. 35 4. Metodologia............................................................................................. 36 5.Resultados............................................................................................... 40 5.1 Parâmetros e indicadores assistenciais utilizados na saúde suplementar..................................................................................... 43 5.2 Apresentação dos dados gerais do através do SIP................ 46 5.3 Reflexões acerca da mortalidade materna................................ 48 5.4 Cálculo dos indicadores materno-neonatais do SUS............. 56 5.5Delineamento das informações materno-neonatais do SIP....................................................................................................... 61 5.6 Fórmulas dos principais indicadores materno-neonatais do SIP....................................................................................................... 62 5.7 Fichas técnicas dos indicadores materno-neonatais.............. 64 6. Discussão................................................................................................. 75 7. Conclusões e perspectivas..................................................................... 82 8. Referências bibliográficas....................................................................... 84 9. Anexos...................................................................................................... 96 vi LISTA DE TABELAS, QUADROS E FIGURAS TABELAS Tabela 1 - Beneficiários e Operadoras Registradas Segundo Região da Sede e Classificação Tabela 2 - Número e Percentual de operadoras que enviaram o Sistema de Informação de Produtos (SIP) segundo classificação, Brasil, agosto/2003 Tabela 3 - Freqüência de utilização média e anualizada por item de despesa e tipo de contratação do plano das operadoras no Brasil em 2002 e 2003 Tabela 4 – Despesa por item e tipo de contratação do plano das operadoras no Brasil nos 1os semestres de 2002 e 2003 Tabela 5 - Nascimentos por ocorrência por duração da gestação em 2000 Tabela 6 - Nascimentos prematuros, partos e taxa de prematuridade Tabela 7 – Procedimentos obstétricos por local de internação em 1998 Tabela 8 - Total de partos, óbitos fetais e coeficiente de natimortalidade em 1998 Tabela 9 – Nascimentos por ocorrências por tipo de parto em 2000 Tabela 10– Coeficiente de nascidos vivos e natalidade Tabela 11 – Óbitos por residência por causas maternas Tabela 12 – Número de óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos segundo região, Brasil 1997-2000 Tabela 13 – Número de nascidos vivos, taxa de captação dos nascidos vivos e percentuais de cesarianas por UF no Brasil em 2001 QUADROS Quadro 1 – Sistemas de Informação em Saúde - SIM, SINASC, SINAN, SIH e SIA -SUS - Principais Características Quadro 2 – Padrões e recomendação da OMS para o coeficiente de mortalidade materna Quadro 3 - Indicadores de Mortalidade Materna em Alguns Países da América Latina Quadro 4 - Indicadores relacionados às fases da gestação FIGURAS Figura 1 - Grau de Cobertura de Beneficiários Segundo UF vii LISTA DE SIGLAS UTILIZADAS ABH – Associação Brasileira de Hospitais AMB - Associação Médica Brasileira AIH - Autorização de Internação Hospitalar ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar BDCNES – Banco Nacional de Dados do Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde CELADE - Centro Latinoamericano de Demografia CENEPI – Centro Nacional de Epidemiologia CFM - Conselho Federal de Medicina CMM – Coeficiente de Mortalidade Materna CNES - Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde CID-10 - Classificação Estatística Internacional de Doenças - 10a revisão CMN - Conselho Monetário Nacional CNSP - Conselho Nacional de Seguros Privados DIDES - Diretoria de Desenvolvimento Setorial DIFIS - Diretoria de Fiscalização DIGES - Diretoria de Gestão DIOPE - Diretoria de Normas e Habilitação das Operadoras DIPRO - Diretoria de Normas e Habilitação dos Produtos FUNASA – Fundação Nacional de Saúde IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística MEC - Ministério da Educação e Cultura MPAS - Ministério da Previdência e Assistência Social MS - Ministério da Saúde OMS - Organização Mundial de Saúde OPAS - Organização Pan-americana da Saúde RDC – Resolução de Diretoria Colegiada RN – Resolução Normativa SAS – Secretaria de Assistência à Saúde SIA-SUS - Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS viii SIH-SUS - Sistema de Informações Hospitalares do SUS SIM - Sistema de Informações sobre Mortalidade SINAN - Sistema de Informações de Agravos de Notificação SINASC - Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos SIP - Sistema de Informações de Produtos SIS - Sistema de Informação em Saúde SUS - Sistema Único de Saúde SUSEP - Superintendência de Seguros Privados TUNEP - Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro VE - Vigilância Epidemiológica ix RESUMO Essa tese tem por objetivo analisar o processo de formulação, implantação e implementação do Sistema de Informação de Produtos (SIP) da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), considerando a identificação de elementos políticos, institucionais e operacionais envolvidos neste processo, com ênfase na avaliação deste sistema. O SIP foi desenvolvido para o acompanhamento da assistência prestada aos beneficiários de planos privados de assistência à saúde. Para proceder a análise das informações relativas à assistência optou-se por selecionar os indicadores materno-neonatais com base em instrumento específico para descrição dos indicadores. Os resultados do estudo apontam para a necessidade da definição de indicadores através do processo de discussão seguindo uma lógica que permita a construção de parâmetros viáveis. Dentro deste processo, atenção especial deve ser dispensada ao modelo de tratamento estatístico dos dados, possibilitando a definição de estratégias de incentivo a melhoria da qualidade da informação gerada. O estudo conclui que a busca de informações assistenciais e responsabilização das operadoras de saúde com os beneficiários são eixos dos processos que ambicionam a mudança dos atuais modelos de atenção à saúde. Em síntese, a sintonia entre os sistemas de informações e os modelos assistenciais, tendo a operadora de saúde a gerência e planejamento das ações em saúde, é fundamental para a reorientação da política na saúde suplementar. Palavras-chave: Sistemas de informações em saúde, indicadores de saúde, saúde suplementar e saúde materna. x ABSTRACT The purpose of this study is to analyze the formulation, implantation and implementation process of the Products Information System (Sistema de Informação de Produtos - SIP), of the National Private Healthcare Agency (Agência Nacional de Saúde Suplementar – ANS), considering the political, institutional and operational elements involved in this process and emphasizing the evaluation rendered by this system. The SIP was developed to monitor the healthcare services delivered to the private health plans beneficiaries. The analysis and review of the maternal and neonatal healthcare indicators are based on specific tools, used by this system to evaluate the women's health. The study results show that the definition of indicators shall emerge from a discussion process based on a particular logic, which leads to the construction of feasible parameters. Moreover, a special consideration must be given to the statistical treatment data model, allowing the definition of strategies, which can be an incentive to improve the quality of the generated information. This study concludes that searching for healthcare information and making the private healthcare agencies responsible for their beneficiaries’ health are the axis of the processes which seek a change on current healthcare models. In short, synchronizing information systems with healthcare models, in which the private healthcare agencies are responsible for planning and managing the healthcare actions, is paramount to reorganize the private healthcare system policies. Key words: Healthcare information systems, healthcare indicators, private healthcare, and maternal health. 1 APRESENTAÇÃO À medida que nos aproximamos da saúde suplementar, o objeto de estudo desta tese, nos deparamos com a complexidade das relações e vamos nos surpreendendo com a descoberta de que, ainda há “ilhas” por se conhecer, como nos revela a epígrafe do Saramago que inicia este trabalho. Esta tese representa o esforço de ampliar a discussão da saúde suplementar, abordando a análise de um sistema de informações e seus indicadores maternoneonatais. Deve-se assinalar, que muito se avançou no setor saúde no Brasil nas últimas décadas e que vários atores foram responsáveis pelos movimentos sociais que culminaram com a remodelação do sistema de saúde. No que concerne ao setor público, este é representado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) apoiado no princípio geral de que Saúde é um direito de todos e dever do Estado, instituído pela Constituição Federal de 1988, e regulamentado por leis ordinárias de 1990 (Brasil, 1998a). O SUS organiza os serviços de saúde de forma hierarquizada, de acordo com os graus de complexidade, pressupondo que todo o atendimento prestado aos usuários seja universal, gratuito, de qualidade, resolutivo, e sob controle da população. Evidentemente, a saúde suplementar no Brasil tem conformações específicas e sua evolução vem demonstrando grande interface com o setor público, porém merecendo um olhar próprio. Malta (2001) refere que a política de saúde no Brasil seguiu nos anos 80, uma trajetória paradoxal: de um lado, a concepção universalizante, de outro, obedecendo às tendências estruturais organizadas pelo projeto neoliberal, concretizaram-se práticas caracterizadas pela exclusão social e redução de verbas públicas. Em função dos baixos investimentos em saúde e conseqüente queda da qualidade dos serviços, ocorreu uma progressiva migração dos setores médios para os planos e seguros privados e, portanto, a assistência à saúde passou a ser vista como um bem de consumo – um bem de consumo médico (Luz, 1991). 2 Na década de 1990 foram elaboradas propostas para a redefinição do papel regulador do Estado, recuperação e o aumento da governabilidade, incluindo a criação de agências regulatórias. A implementação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi efetuada pela Medida Provisória nº 2.012 de 30 de setembro de 1999 e convertida na Lei 9.961, de 28 de janeiro de 2000, vinculada ao Ministério da Saúde (MS), Brasil, 2000a. De acordo com esta legislação, a ANS tem por finalidade institucional promover a defesa do interesse público na assistência suplementar à saúde, regulando as operadoras setoriais, inclusive quanto às suas relações com os prestadores e consumidores contribuindo para o desenvolvimento das ações de saúde no País. Cabe destacar, que a criação da ANS caracterizou-se pela unificação da regulação e da fiscalização numa agência reguladora única, vinculada ao Ministério da Saúde - MS através do Contrato de Gestão1, com as políticas e diretrizes fixadas pelo Conselho de Saúde Suplementar (CONSU), também vinculado à estrutura do MS e composto pelos Ministros da Saúde, da Fazenda, do Planejamento e Orçamento e da Justiça, que o preside. Este processo caracterizou-se pela introdução de uma cultura regulatória não centrada somente no saneamento econômico e seus aspectos gerenciais, mas na busca de uma expressiva mudança da atenção à saúde, referendada pelo fato dessa regulação se dar no âmbito do Ministério da Saúde (Rebello, 2002). “Com isso estamos falando de uma certa aposta de regulação da produção de saúde e não apenas, como alguns atores defendiam e defendem, da circunscrição da função reguladora estatal às preocupações exclusivas com a solvência das operadoras e o saneamento do mercado, ou mesmo, com a defesa genérica dos direitos contratuais dos consumidores” (Merhy e Magalhães Jr, 2001). As mudanças nas funções regulatórias e no papel do Estado ocorreram para garantir a prevalência do interesse social e a busca do equilíbrio entre os agentes 1 O Contrato de Gestão é negociado entre a ANS e o Ministério da Saúde, aprovado pelo CONSU e acompanhado por comissão específica, integrada também pelo Ministério de Planejamento e Orçamento, fornecendo autonomia administrativa e financeira, para contrapor-se às análises prévias do engessamento do aparelho de Estado. 3 do mercado, os consumidores, as operadoras, os prestadores de serviço e o SUS. "Apostar que mesmo a produção privada de serviços de saúde pode almejar suas intenções de comercialização, produzindo saúde e a respeitando como bem público. Nesta direção, regular o privado tem sido um ganho no mundo que trata da ótica do direito universal e equânime" (Merhy, 2001). De fato como corrobora Merhy (2001), a ANS foi implantada com o projeto técnico-político de garantir aos usuários da saúde suplementar uma assistência integral e continuada com qualidade por parte das operadoras de planos privados de saúde. Cabe ressaltar que, a Lei nº 9.656/98, instrumento regulatório dos planos privados de assistência à saúde confere o marco da regulamentação, entretanto desde a sua redação original uma série de modificações através de Medidas Provisórias e regulamentação pelo CONSU tentam aperfeiçoar a Lei e adaptá-la as novas realidades conformadas tanto na dimensão econômico-financeira como na dimensão assistencial (Brasil, 1998b). Essas modificações geram disputas judiciais e dificuldade de entendimento por parte dos consumidores e operadoras de planos de saúde. Inicialmente o foco principal da regulação estava na atividade econômica, inclusive nas garantias contratuais, adotando instrumentos mais flexíveis e indutores na regulação da assistência. As garantias contratuais estão dispostas no contrato de prestação de serviços privados de saúde nos planos antigos, ou seja, aqueles anteriores à Lei nº 9.656/98. Este contrato tem como elemento central a aceitação total pelo contratante das cláusulas contratuais préestabelecidas pelo ofertante dos produtos ou serviços no caso as operadoras, sem que tenha havido negociação prévia do conteúdo das mesmas. Em alguns casos, o contratante não tem acesso à cópia do contrato ao qual aderiu, recebendo apenas informações gerais do seu conteúdo, como no caso dos planos de saúde coletivos. Nos planos novos, ou seja, aqueles contratados a partir de 4 janeiro de 1999, também prevalecem a cobertura assistencial estabelecida nos contrato; no entanto, algumas definições foram estabelecidas na legislação do setor de saúde suplementar. Entre elas podemos destacar: a cobertura assistencial integral, proibição de seleção de risco, limite de 24 meses para alegação de doença ou lesão preexistente e proibição de rompimento unilateral do contrato individual ou familiar. Em relação à distribuição dos beneficiários quanto ao tipo de contrato e à sua condição de anteriores ou posteriores à regulamentação, verifica-se que 64% dos beneficiários ainda estão ligados a contratos antigos, portanto, com potenciais problemas de exclusão de coberturas essenciais. O grupo mais vulnerável, sem dúvida, é composto por 25,7% de usuários de planos individuais antigos, onde as exclusões de cobertura são maiores (Brasil, 2003a). Deve-se assinalar, entretanto, que nos planos coletivos o poder de negociação das empresas contratantes com as operadoras é maior do que nos planos individuais. Na dimensão econômico-financeira da regulação, definiram-se as condições de ingresso, de operação e de saída do setor e exigiu-se a constituição de reservas e garantias. Pretendia dar segurança ao consumidor garantindo o cumprimento dos contratos e a capacidade econômico-financeira das operadoras para cumpri-los, além de assegurar a transparência e a competividade no setor (Brasil, 2003b). Já na dimensão da assistência à saúde estabeleceu-se o Plano Referência que não permitia qualquer tipo de exclusão ou de exceção de cobertura. É claro e específico: exige a cobertura para todas as doenças descritas na Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID). A inclusão deste tipo de cobertura, indiscutivelmente, dá credibilidade ao setor e proporciona mais segurança à população assistida. O principal instrumento para fortalecer o pólo assistencial foi a transformação do Plano Referência em um plano obrigatório, assim as operadoras seriam obrigadas a oferecer o Plano Referência aos consumidores que, por sua opção, poderiam adquirir um plano com cobertura inferior à do de referência, portanto, com exclusões de cobertura assistencial. 5 Quanto à abrangência da lei, pode-se relacionar ainda: a possibilidade do beneficiário de incluir no contrato com a operadora, o filho adotivo com os mesmos direitos dos filhos naturais; a garantia de atendimento ao recém-nascido até 30 dias após o parto; a possibilidade de permanência, como beneficiário, do trabalhador demitido sem justa causa quando participante de um plano coletivo patrocinado pelo empregador, total ou parcialmente; a aceitação, por parte da operadora, do proponente, independente da idade ou de doenças preexistentes; a possibilidade de ressarcimento ao SUS, por parte das operadoras, pelo atendimento de um beneficiário em unidades do sistema público. De fato, a legislação estabelece que os atendimentos feitos pelo SUS a beneficiários de planos de saúde, relativos a procedimentos cobertos nos respectivos contratos, devem ser ressarcidos pela operadora a partir da Tabela Única Nacional de Equivalência de Procedimentos (TUNEP), com valores em média, 1,5 vezes superiores ao do SUS. Dos valores ressarcidos, o Fundo Nacional de Saúde recebe o montante pago pelo SUS pelo respectivo procedimento e o prestador de serviço do SUS recebe a diferença entre a TUNEP e a Tabela SUS. Nos contratos novos, as exclusões ao ressarcimento estariam limitadas ao período de carência, à cobertura parcial temporária, à área de abrangência do produto e à segmentação (ambulatorial ou hospitalar). Nos planos antigos, as exclusões incluem as próprias exclusões de cobertura definidas nos contratos. O processamento é feito através do cruzamento do cadastro de beneficiários de planos de saúde com as Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs), que identifica os beneficiários atendidos e faz a cobrança junto às operadoras. O objetivo do sistema de ressarcimento é recuperar os recursos financeiros gastos pelo SUS na prestação de atendimento a beneficiários de planos privados de assistência à saúde, visando estimular as operadoras de planos de saúde a assumirem integralmente a responsabilidade prevista na cobertura contratual de seus clientes. Até janeiro de 2001, o processo de avaliação dos pedidos de impugnação era executado por gestores estaduais e municipais do SUS. Porém, tendo em vista as dificuldades operacionais por parte desses atores, a ANS centralizou as operações do ressarcimento ao SUS, estabelecendo em 2002 uma 6 nova metodologia para o processo. Tal medida gerou um enorme esforço gerencial para a manutenção e sistematização do processo de ressarcimento, imprimindo um significativo incremento no volume de análises e prazos. Houve, assim, uma significativa evolução, da ordem de 87% (195.038 para 364.371), no número de beneficiários identificados que receberam assistência do SUS, na comparação entre julho de 2001 e novembro de 2002. No mesmo período, houve um acréscimo de 1412% no valor das cobranças às operadoras (de R$ 11,8 milhões para R$ 179,1 milhões) e de 689% nos valores efetivamente pagos pelas operadoras (de R$ 4 milhões para R$ 32 milhões). Isto evidencia que os mecanismos de cobrança ainda são insuficientes e que provavelmente existe uma subestimação. A expectativa do Estado é que essas medidas redundem em melhor ordenamento do setor privado de saúde e maior integração com o SUS. Mas a efetividade do ressarcimento está hoje comprometida por um conjunto de fatores: i) falta de informações completas nas AIHs; ii) não fornecimento do cadastro de beneficiários pelas operadoras à ANS; e iii) medidas judiciais suspendendo a aplicação do ressarcimento (Brasil, 2003c). Dentre as principais metas a serem alcançadas pela ANS, estava a regulação da cobertura assistencial e das condições de acesso, sendo então definidos além do Plano Referência, o Rol de Procedimentos Odontológicos e Médicos e a definição dos procedimentos de alta complexidade para fins de cobertura parcial temporária (Abraham, 2003). A regulamentação dos aspectos relativos à assistência se consolidou através da criação do Sistema de Informações de Produtos (SIP). O SIP é a ferramenta que compila as informações assistenciais da saúde suplementar com indicadores referentes à população materno-infantil e saúde bucal. É de extrema importância o conhecimento das atividades assistenciais, com vistas a adequar o planejamento das ações em saúde, na busca da sua efetividade e integralidade. Isto implica na redefinição de diretrizes estruturais para construção de modelos inovadores de atenção à saúde, a partir de métodos e instrumentos de planejamento e regulação do sistema, bem como num amplo processo de desenvolvimento das capacidades de gerência e gestão, na busca da qualidade da assistência. 7 A visão das operadoras como produtoras de saúde enriquece a discussão da qualidade dos serviços prestados e permite a maior articulação com os sistemas de saúde pública, como promete o novo Diretor-Presidente da ANS, Fausto Pereira dos Santos, “lutar para que a Agência não seja apenas um órgão de fiscalização de planos de saúde, mas sim uma entidade produtora de saúde” (Cruz, 2003). O olhar da regulação na qualidade da assistência faz com que de fato as operadoras estejam comprometidas com a atenção à saúde. Esta afirmativa é reforçada pelo fato de este ser um momento histórico-político do país que requer a revisão dos objetivos da regulamentação do setor suplementar de saúde (Santos, 2003). Neste sentido, o SIP utilizando indicadores de saúde pode permitir o estabelecimento de padrões, bem como o acompanhamento das tendências de utilização dos serviços. Este sistema tem priorizado informações sobre eventos materno-neonatais que serão objetos deste trabalho. Este estudo contém, além desta apresentação, a introdução que estabelece o marco-teórico conceitual sobre a questão em investigação e a justificativa esclarece a escolha pelo tema. Já a metodologia descreve as etapas que foram desenvolvidas para realização da pesquisa. Nos resultados são apresentados os processos de construção e implantação do Sistema de Informações de Produtos na saúde suplementar, a descrição dos indicadores e as fichas técnicas dos indicadores materno-neonatais, instrumento elaborado especificamente para o desenvolvimento deste estudo. Na discussão são retomadas as questões conceituais e operacionais que foram necessárias na avaliação do tema, assim como suas limitações e apresentadas novas recomendações. Para finalizar, são feitas ainda conclusões e perspectivas. As referências bibliográficas são apresentadas ao final, seguindo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 8 1. INTRODUÇÃO Para melhor compreensão do setor de saúde suplementar é importante avaliar que a ANS surge para cuidar de um setor sobre o qual o Estado não dispunha de informações. A falta de um banco de dados eficiente – com dados sobre o setor, tais como número de operadoras ou de beneficiários – marcou os primeiros passos da Agência. Era previsível que a introdução de uma nova instância no mercado de saúde suplementar, que cresceu e se expandiu por quase 40 anos sem quase nenhuma interferência do aparelho estatal, levasse por vezes a uma série de conflitos e dificuldades de entendimento, sobretudo com as operadoras de plano de saúde. Não é de se espantar que, por diversas vezes, a ANS e as entidades privadas tenham recorrido ao Poder Judiciário para ajustarem diferenças (Brasil, 2003c). Cabe ressaltar, que a Câmara de Saúde Suplementar (CSS), sendo um órgão de participação institucionalizada da sociedade, de caráter permanente e consultivo, teria que dar subsídios para as discussões e entendimentos da regulação do setor. Seus membros são indicados pelas entidades representativas do mercado, de empresas prestadoras de serviços e órgãos de defesa do consumidor, designados pelo Diretor Presidente da ANS (Brasil, 2003c). Estão presentes as mais diversas entidades representativas do setor (órgãos de defesa do consumidor, centrais sindicais, entidades patronais e de representação das operadoras, dos profissionais de saúde, etc). Com reuniões mensais e pautas pré-definidas, a CSS é o principal fórum de discussão do setor. Quando é necessário um aprofundamento nos temas discutidos na esfera da Câmara de Saúde Suplementar, a ANS instala Câmaras Técnicas com membros indicados pelas próprias entidades que compõem a CSS. Do ponto de vista organizacional, a Diretoria Colegiada composta por cinco Diretores, sendo um deles o seu Diretor-Presidente, é estruturada em áreas de atuação, cada uma correspondente a uma Diretoria específica em conformidade com seu regimento interno (Brasil, 2002a). Um dos diretores acumula as funções de Diretor-Presidente, do colegiado e da Câmara de Saúde Suplementar, além de ser o Secretário Executivo do CONSU. As áreas de atuação das Diretorias estão 9 estruturadas por responsabilidades e as decisões são tomadas em Diretoria Colegiada. A Diretoria de Normas e Habilitação das Operadoras (DIOPE) normatiza, registra e monitora as operadoras, inclusive nos processos de intervenção e liquidação. A Diretoria de Normas e Habilitação de Produtos (DIPRO) é responsável pela normatização, registro e monitoramento dos produtos, inclusive as autorizações de reajuste de contratos individuais e familiares. A Diretoria de Fiscalização (DIFIS) exerce o controle de todo o processo de fiscalização (econômico-financeiro e médico-assistencial), além do apoio ao consumidor e articulação com os órgãos de defesa do consumidor. A Diretoria de Desenvolvimento Setorial (DIDES) atua no sistema de ressarcimento ao SUS, sistemas de informática e informações e no desenvolvimento de instrumentos que viabilizem a melhoria da qualidade e o aumento da competitividade no setor de saúde suplementar, e, a Diretoria de Gestão (DIGES) organiza o sistema de infra-estrutura e suporte da Agência (recursos humanos, financeiros, suprimentos de bens e serviços), Brasil, 2002a. As discussões são realizadas em diferentes fóruns, funcionando também através de Câmaras Técnicas e Consultas Públicas. No entanto, apesar dos fóruns de discussões, muitos conflitos ideológicos e de interesse continuam confirmando a singularidade do setor, e a especificidade de se regular algo que vai além da promoção da modernização, e que tem um caminho a seguir, de busca de alternativas para a conciliação de um modelo de cuidados à saúde para o setor suplementar que seja solidário e resolutivo (Rebello, 2002). Neste contexto, faz-se necessária a caracterização do setor suplementar no que se refere às modalidades de operadoras com suas especificações e formações características. As operadoras vinham se autoclassificando em cinco modalidades: seguro saúde, medicina de grupo, cooperativa médica, autogestão e administradora (Andreazzi, 1991). Embora essa distinção em cinco modalidades de operadoras venha sendo comumente utilizada, a ANS propôs nova classificação: administradora, cooperativa médica, cooperativa odontológica, autogestão, medicina de grupo, odontologia de grupo e filantropia, além das seguradoras (Brasil, 2000d). É importante ressaltar que são as próprias operadoras, ao solicitarem o registro junto à ANS, que se autoclassificam. 10 Portanto, as empresas que antes se organizavam livremente para atuar no setor, submetendo-se unicamente à legislação do tipo societário escolhido, passam a ter que cumprir exigências específicas, desde registro de funcionamento, até a constituição de garantia, além de estarem sujeitas a processos de intervenção e liquidação. Se antes elas definiam livremente o produto que pretendiam oferecer, a quem oferecer, em que condições de operação e preço, após a regulamentação o produto obrigatório está definido em lei, a seleção de risco está proibida, assim como a exclusão indiscriminada de usuários pela não renovação ou rompimento do contrato. Pode-se dizer que o funcionamento das operadoras de planos de saúde é parametrizado pela regulamentação da ANS. A concorrência das operadoras é afetada por tal regulamentação, contudo, à medida que tais operadoras se organizam de forma bastante heterogênea, o impacto da política regulatória sobre a competição do mercado é absorvido de forma diferente por cada modalidade, de acordo com as suas características econômicas, jurídicas e administrativas (Ocké Reis, 2002). Anteriormente à edição da Lei n.º 9.656, em 3 de junho de 1998, os planos privados de assistência à saúde não seguiam nenhuma regulamentação específica, a única exceção encontrava-se nas sociedades seguradoras. As operações com seguros de saúde privados realizadas no país estavam subordinadas ao Decreto-Lei n.º 73, de 21 de novembro de 1966, regulamentado pelo Decreto n.º 60.459, de 13 de março de 1967. A regulamentação se dava no âmbito da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP), com suas diretrizes definidas pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP). O órgão regulador era o conjunto formado pela SUSEP e pelo CNSP, porque a base conceitual do modelo era a da regulação da atividade econômica, atribuição do Ministério da Fazenda. Todas as atividades regulatórias referentes às operadoras, inclusive sua autorização de funcionamento, o controle econômico financeiro e os reajustes de preços eram atribuições da SUSEP e do CNSP. O papel do Ministério da Saúde era quase que de assessoramento, cabendo ao 11 Departamento de Saúde Suplementar ligado à Secretaria de Assistência à Saúde assumir a regulação da atividade de produção da assistência à saúde, inclusive a autorização para comercialização do produto e toda a fiscalização relativa a essa área. Assim, o seguro saúde garantia a cobertura aos riscos de assistência médicohospitalar, mediante pagamento em dinheiro efetuado pela sociedade seguradora, à pessoa física ou jurídica prestante da assistência médica e hospitalar. O sistema é o de livre escolha do médico e do hospital pelo segurado. As seguradoras são meras intermediárias financeiras entre os prestadores de serviços médicos e os seus segurados, cobrindo as despesas em caso de sinistro, de acordo com o estipulado na apólice. Portanto, as seguradoras pagariam aos provedores, diretamente, quando os segurados demandassem assistência à saúde ou, indiretamente, reembolsando os segurados (Sicsú, 2002). Recentemente, com a publicação da Lei n.º 10.185, de 12 de fevereiro de 2001, as sociedades seguradoras que desejarem operar planos privados de assistência à saúde nos moldes da Lei n.º 9.656, de 3 de junho de 1998, deverão constituir sociedades seguradoras especializadas nesse seguro, ficando vedada a atuação em quaisquer outros ramos ou modalidades (Brasil, 2001d). Desta forma, o seguro saúde enquadra-se em plano privado de assistência à saúde e a sociedade seguradora especializada em saúde como operadora de plano de assistência à saúde. Embora, através da especialização, essa forma de seguro fique mais próxima do previsto na atual regulamentação de saúde suplementar, ainda mantém no bojo subordinação às normas específicas de seguros, como as referentes às aplicações dos ativos garantidores das provisões técnicas expedidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), Abraham, 2003. Já as autogestões compõem outra modalidade de operadoras com características próprias. Gama (2003) caracteriza a autogestão como a modalidade de prestação de assistência à saúde sem fins lucrativos com gestão própria da assistência à saúde, o que implica assumir o risco da variação do custo da assistência médica 12 pela empresa que patrocina o benefício integral ou parcial aos funcionários de determinada empresa ou categoria com massa delimitada, podendo ou não incluir seus dependentes e agregados até o terceiro grau de parentesco consangüíneo ou afim, mediante departamento de benefício de empresas ou entidades jurídicas paralelas. Isso significa a exclusão das modalidades de custo operacional2 cuja gestão da assistência à saúde é feita de forma terceirizada, assim como algumas sociedades civis que não possuam população delimitada possível de ser caracterizada por vínculo empregatício ou semelhante. As autogestões segmentam-se em autogestões patrocinadas e não patrocinadas. As patrocinadas são entidades de autogestão ou empresas que administram planos privados de assistência à saúde, por intermédio de seu departamento de recursos humanos ou órgão assemelhado, responsabilizando-se pelo plano privado de assistência à saúde destinado exclusivamente a oferecer cobertura aos empregados ativos, aposentados, pensionistas ou ex-empregados, bem como a seus respectivos grupos familiares definidos, limitado ao terceiro grau de parentesco consangüíneo ou afim, de uma ou mais empresas, e que possuam gestão própria. As autogestões não patrocinadas, figuras atípicas, não possuem uma empresa que se responsabilize pelo plano privado de assistência à saúde, apenas administram os recursos advindos dos trabalhadores. Trata-se de uma gestão onde os recursos não provêm da empresa patrocinadora e sim dos recursos dos próprios empregados. Esses assumem o risco da prestação do serviço privado de saúde. Supomos que a autogestão foi a modalidade de plano de saúde que forneceu parâmetros orientadores da regulamentação do setor suplementar de saúde, atuando até mesmo como colaboradora regulamentação, uma vez que as maiores do governo no processo de autogestões são oriundas de empresas públicas ou estatais; mesmo considerando o processo de privatização 2 Custo operacional ou pós-pagamento é o pagamento da totalidade da despesa assistencial realizada com uma massa de beneficiários a uma administradora de plano de saúde. 13 pelo qual vêm passando várias dessas empresas, as autogestões serviram como fonte de informação sobre o setor suplementar. Neste campo do pré-pagamento, com base em estruturas de prestação de serviços médicos, surgem as cooperativas, como reação ao assalariamento médico. Nas cooperativas médicas, os médicos são, simultaneamente, sócios da cooperativa e prestadores de serviço. A União dos Médicos do Brasil (Unimed), sua principal entidade, foi fundada em Santos em 1968 (Médici, 1989 e 1990). As 11 primeiras Unimeds concentraram-se no estado de São Paulo (Duarte, 2003). Atualmente se expandiu em todo país, principalmente em cidades de médio e pequeno porte. Além das cooperativas médicas, temos as cooperativas odontológicas que comercializam planos exclusivamente odontológicos. E, ainda, pela Resolução da Diretoria Colegiada - RDC da ANS nº. 39 de 27/10/2000, que trata da segmentação e da classificação das operadoras de planos de saúde, temos as administradoras, que são as empresas que administram planos ou serviços de assistência à saúde. Os planos são contratados por operadoras, e as administradoras não assumem o risco decorrente da operação desses planos, não possuem rede própria, credenciada ou referenciada de serviços médico-hospitalares e odontológicos. As medicinas de grupo são as empresas ou entidades que operam planos privados de assistência à saúde e centralizam a maior parte do mercado, administrando planos para empresas, indivíduos ou famílias, ofertando vários tipos de planos. O sistema é o de livre acesso à rede própria ou credenciada, sendo que o uso de serviços fora da rede credenciada é previsto nos planos mais caros, com ressarcimento previsto segundo as tabelas da Associação Médica Brasileira (AMB) e da Associação Brasileira de Hospitais (ABH), não sendo garantida, contudo, a reposição do valor integral. Já as odontologias de grupo são as empresas ou entidades que operam exclusivamente planos odontológicos, respeitando a mesma lógica das medicinas de grupo. Estas empresas comercializam a modalidade de planos mais baratos, com as limitações de qualidade decorrentes, no entanto com o vínculo criado pela proximidade (Brasil, 2003c apud Derengowski e Fonseca, 2003). 14 As filantrópicas são entidades sem fins lucrativos que operam planos privados de assistência à saúde e devem possuir certificado de entidade filantrópica junto ao Conselho Nacional de Assistência Social e declaração de entidade pública federal junto ao Ministério da Justiça ou declaração de entidade pública estadual ou municipal junto aos Órgãos dos Governos Estaduais e Municipais. As entidades hospitalares classificadas de filantrópicas gozam de benefícios fiscais, como, por exemplo, as Santas Casas de Misericórdia, que vendem seus próprios planos de saúde, principalmente em cidades do interior. A ANS registrava 37,7 milhões de pessoas no cadastro de beneficiários de planos de saúde em outubro de 2003. Em dezembro de 2003 tinha 2.277 operadoras ativas com registro na ANS segundo a região da sede de acordo com o cadastro de operadoras (Tabela 1). Percebe-se que na sua grande maioria, 59,5% das operadoras possui sede na região Sudeste. Isto significa concentração das operadoras, pois há um grande número de operadoras no Sul e Sudeste do País, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Nestes estados estão as operadoras classificadas como de grande porte, por manterem um cadastro de mais de 200 mil beneficiários. Já as operadoras médias, com população de beneficiários entre 50 e 200 mil são dominantes em estados menores e em grandes cidades do interior. Na faixa imediatamente abaixo, composta por operadoras que atendem entre 10 e 50 mil, concentram operadoras localizadas em cidades de médio porte, ou em capitais dos menores estados. As operadoras menores no total, que atendem menos de 10 mil usuários, encontram-se espalhadas pelo interior, também em cidades pequenas, mas também nas periferias das grandes cidades. Neste último segmento há certa predominância de serviços oferecidos por pequenos hospitais e Santas Casas. 15 Tabela 1 – Beneficiários e Operadoras Registradas Segundo Região da Sede e Classificação Operadoras Classificação Beneficiários N % N % 16 0,7 9.740 0,0 341 15,0 5.596.432 14,8 370 16,2 9.209.789 24,4 129 5,7 1.409.114 3,7 775 34,0 12.569.053 33,3 Seguradora especializada em Saúde 14 0,6 4.874.615 12,9 Cooperativa Odontológica 172 7,6 1.303.376 3,5 Odontologia de Grupo 460 20,2 2.776.380 7,4 2.277 100,0 37.748.499 100,0 Administradora Autogestão Cooperativa Médica Filantropia Medicina de Grupo Total Fonte: Cadastro de Operadoras - ANS/MS - 09/12/03 e Cadastro de Beneficiários ANS/MS - 10/2003. Nota: Todas as operadoras com registro na ANS e que não foram descredenciadas são 3 consideradas operadoras registradas . O maior grupo de operadoras são as medicinas de grupos, com 775 operadoras ativas, correspondendo a 34% das empresas do mercado com 12.569.053 beneficiários em outubro de 2003 de acordo com o cadastro de beneficiários (Tabela 1). Também podemos perceber que as cooperativas médicas possuem um grande número de beneficiários, chegando a quase 25% do total de beneficiários. Já as seguradoras especializadas em saúde são somente 14 empresas que concentram 12,9% dos beneficiários. No segmento odontológico, as operadoras que prestam assistência exclusivamente odontológica se 3 Em 2001, a Lei nº 10.185 art 1o, dispôs sobre a especialização das sociedades seguradoras em planos privados de assistência à saúde (Brasil, 2001d). Com isso, as seguradoras passaram progressivamente a partir de 2001, a serem reclassificadas como “seguradoras especializadas em saúde” dentro dos Cadastros da ANS. O banco de dados de operadoras possui as duas informações desagregadas, para efeitos de análise, estas duas categorias foram agrupadas. Também foram agrupados os diversos tipos de autogestões e as administradoras de planos e serviços. 16 subdividem em: cooperativa odontológica e odontologia de grupo, com 3,45% e 7,35% dos beneficiários, respectivamente (Brasil, 2003e). É importante destacar que somente a avaliação da sede da operadora não traz muita informação, pois existem planos de abrangência nacional, por grupos de estados, grupos de municípios e até restrito só a um município. Desse modo, podemos encontrar uma ampla diversidade de planos de saúde4 comercializados pelas operadoras, que deve ser atribuída a um conjunto de fatores como a cobertura oferecida, tipos de carências, a abrangência geográfica, a qualidade, a capacidade instalada, a localização e a complexidade tecnológica da rede credenciada de médicos e hospitais. Além disso, temos o regime de pagamento, o financiamento (parcial, integral ou misto), a existência de reembolso (parcial ou integral), mecanismos de regulação como a co-participação e a franquia. A dispersão dos beneficiários da saúde suplementar é obtida pelo registro do município de residência do cadastro de beneficiários das operadoras enviado à ANS e periodicamente atualizado, trazendo novas informações. Evidentemente, o registro de beneficiários é um ponto de grande relevância que apresenta, de forma geral, grandes variações de um período para o outro nas operadoras, além de se poder ainda questionar a qualidade desse registro no que diz respeito à identificação e qualificação do beneficiário. No entanto, uma análise geral do sistema aponta para uma razoável coerência dos registros. De acordo com o cadastro de beneficiários de outubro de 2003, 72,7% possuem planos coletivos e 27,3% planos individuais. O mapa a seguir mostra o percentual de beneficiários de planos de saúde por unidade da federação de acordo com o município de residência, incluindo-se os planos antigos (anteriores a Lei nº 9.656/98) e os novos (Figura 1). Observa-se que os estados da federação que possuem maior grau de cobertura de beneficiários são o Rio de Janeiro e São 4 Plano Privado de Assistência à Saúde foi definido na Lei nº 9.656/98 como o produto de “prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pósestabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor”. 17 Paulo, chegando a quase 45% do total da população residente com vinculação à saúde suplementar. Em contrapartida, alguns estados no Norte e Nordeste apresentam pouca cobertura com somente 5% da população beneficiária, enquanto as regiões Centro e Sul possuem uma distribuição mais equilibrada. Figura 1 - Grau de Cobertura de Beneficiários Segundo UF Fonte: Cadastro de Beneficiários - ANS/MS - 10/2003 Censo Demográfico 2003 - IBGE Em um estudo desenvolvido por Fernandes et al em 2003, percebe-se certas disparidades ao se observar o total de beneficiários por Estado com a indicação da cobertura e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) calculado pelas Nações Unidas. O artigo identifica São Paulo, Distrito Federal, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina, como os que possuem índices de cobertura bem superior aos demais Estados. A correlação da cobertura do sistema de saúde suplementar com relação ao IDH foi calculada em 0,70, configurando um alinhamento bem próximo entre IDH e cobertura. 18 Adicionalmente, o mercado de planos de saúde caracteriza-se pela presença de inúmeras operadoras e prestadores de serviços enlaçados através de uma complexa rede de contratos e acordos. Há uma enormidade de ofertantes e uma diferenciação de produtos grande, principalmente no seio dos serviços ambulatoriais, criando nichos distintos de mercado (Andreazzi, 2002). Também não se pode deixar de mencionar a questão do trabalho dos médicos, bem como a forma de contratação de hospitais e laboratórios. Estes últimos podem fazer parte da rede própria da operadora ou ser contratados através de credenciamento, ainda há a opção de livre escolha com a possibilidade de reembolso parcial ou total. Estas características são importantes para definir a natureza e o escopo dos serviços suplementares (Derengowski e Fonseca, 2003). De acordo com as modalidades financiadoras, um mesmo estabelecimento pode ser conveniado ao SUS, credenciado a uma ou mais operadoras de plano e/ou seguro de saúde, e ainda pode vender seus serviços para indivíduos na forma de pagamento direto. Os estabelecimentos de saúde também podem ser as próprias operadoras de planos de saúde, como é o caso de vários hospitais filantrópicos. As cooperativas médicas e muitas empresas de seguro saúde compram hospitais, refletindo um movimento de verticalização cujos determinantes tanto podem estar na necessidade de contenção de custos hospitalares ou na manutenção de uma reserva estratégica de leitos. Os hospitais filantrópicos, tradicionais parceiros da previdência social e atualmente do SUS, com o estrangulamento de suas bases financeiras, buscam outras fontes de custeio, através das seguradoras e organizam planos de pré-pagamento próprios (Confederação das Misericórdias do Brasil, 1992). Para o investimento, terceirizam a oferta de inovações tecnológicas (Cotta et al., 1998). Muitos hospitais privados contratados descredenciam leitos no SUS (Médici, 1992). Aqueles que se mantém no sistema são freqüentemente apontados por seus gestores como de baixa qualidade. Alguns municípios com modelos de gestão com maior autonomia de utilização de recursos federais complementam a tabela do SUS por alguns serviços do setor privado. Um dos desafios que advém destas transformações é o fortalecimento da regulação das práticas de saúde (Ocké Reis, 1995). 19 Esta linha de argumentação também norteou o trabalho de Andreazzi, 1991, referindo que a principal contradição entre o público e o privado, dentro do setor saúde brasileiro, estaria no financiamento da atenção e não na mera disputa entre prestadores públicos e privados pelos recursos da seguridade social, parecia mais consensual no início do novo século do que nos anos 80. Sendo assim, a incorporação das formas de funcionamento dos mercados privados de financiamento e prestação de serviços de saúde, ou seja, das suas estruturas e dinâmica, torna-se uma necessidade para o entendimento das relações entre o público e o privado. Ajudam a definir interesses e definir campos. E em decorrência, aportam para a investigação dos impactos sobre as práticas de saúde e das possibilidades e limites do Estado em regular os mercados. Deve-se assinalar, entretanto, que não temos fontes oficiais de informação sobre os prestadores de serviço vinculados à saúde suplementar, o que gera dificuldades para o desenvolvimento de uma regulação efetiva. No entanto, a Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária, do IBGE, em 2002 trouxe elementos para a análise dos estabelecimentos de saúde do país. Analisando-se a magnitude dos estabelecimentos com internação no Brasil, observa-se um total de 7.397, sendo a maior parte composta pelo setor privado, ou seja, 65% do total, segundo a Pesquisa de Assistência Médico-Sanitária (AMS) realizada em 2002 (IBGE, 2002). A regularidade da AMS e a adoção de conceitos uniformizados propostos pelo Ministério da Saúde, poderiam melhorar substancialmente o dimensionamento da rede de serviços existentes vinculada à saúde suplementar. 1.1 Sistemas Nacionais de Informação em Saúde Os sistemas de informação alimentam as práticas de saúde, fornecendo subsídios para a avaliação do impacto das ações e para manter a vigilância atualizada com os avanços do conhecimento científico e tecnológico. A proposta do monitoramento incorporou-se recentemente ao campo da saúde. Essa prática nasceu na área de cuidados intensivos de saúde, como coleta 20 sistemática de informações, para alertar quanto à necessidade de intervenção. O termo significa acompanhar e avaliar, controlar mediante acompanhamento, controlar e ajustar ou olhar atentamente, observar ou controlar com propósito especial (Waldman, 1991). A utilidade e o valor da informação são determinados por quem os usa nas suas ações e decisões, quer dizer, a utilidade e o valor da informação dependem do contexto. A identificação de uma “ponte lógica” é o que, na verdade, transforma dados e indicadores em informação, na medida em que se torna possível agregá-los de maneira a formar “imagens” relacionadas aos elementos críticos, tendo-se ainda em mente, em todos os momentos, o objetivo primário de tal agregação. Os sistemas de informação permitem a coleta, o armazenamento, o processamento, a recuperação e a disseminação de informações. Desta forma, pode-se afirmar que o Sistema de Informação em Saúde (SIS) é todo e qualquer sistema que permita a coleta, o armazenamento, o processamento, a recuperação e a disseminação de informações, e que apóiam as funções operacionais, gerenciais e de tomada de decisão de interesse da saúde (Carvalho, 2000). Os SISs mais conhecidos são: SIM - Sistema de Informações de Mortalidade; SINASC - Sistema de Informações de Nascidos Vivos; SIH-SUS - Sistema de Informações Hospitalares; SIA-SUS - Sistema de Informações Ambulatoriais; SINAN - Sistema de Informações de Agravos de Notificação (quadro 1). 21 Quadro 1 – Sistemas de Informação em Saúde - SIM, SINASC, SINAN, SIH e SIA -SUS - Principais Características Referência Alimentação SIM SINASC SINAN SIH-SUS SIA-SUS Óbitos Nascidos Agravos Internações Atendimentos Vivos Notificáveis Hospitalares Ambulatoriais pagas pelo pagos pelo SUS SUS Declaração Declaração de Fichas de AIH – BPA – Boletim de Óbito Nascidos Notificação e Autorização de de Produção Vivos Investigação Internação de Serviços Hospitalar Ambulatoriais Utilização Vigilância X X X X Planejamento X X X X X Avaliação X X X X X Controle X X Auditoria X X Fev. 2004 Julho 2003 Último Ano Disponível 2001 2001 Variável Fonte: Carvalho, 1998. Dados atualizados em abril de 2004. O SIM se baseia em informações contidas na declaração de óbito (DO), documento oficial emitido pelo médico ou autoridade competente por ocasião do óbito, indispensável para o registro civil no cartório (Brasil, 2002d). Portanto, o SIM é o sistema de mortalidade que avalia os óbitos por grupo de causas, ou seja, todo óbito ocorrido no país é atestado, recolhido, codificado, digitado, corrigido e posto à disposição para análise das causas de mortalidade. O SIM foi desenvolvido e implantado no Brasil pelo Ministério da Saúde em 1975, envolvendo alguns estados que já coletavam essas informações, com o ajuste 22 dos respectivos sistemas, e todos os municípios de capital. Essa iniciativa estava inserida no conjunto definido como básico e essencial para a criação de um sistema de vigilância epidemiológica para o país (Brasil, 1987). Como principal aspecto positivo do SIM, deve ser destacado o fato de ser universal, tendo assim, quaisquer que sejam seus problemas, uma cobertura dificilmente alcançável por qualquer outra forma de levantamento desse tipo de informação. Um grande problema é o que se refere à quantidade de documentos recebidos pelo setor competente para seu processamento, conhecido como subnotificação. Apesar de não ser insignificante a perda de DOs nos órgãos responsáveis pela sua guarda, atribui-se ao sub-registro e conseqüente sepultamento em cemitérios clandestinos a maior parte da responsabilidade por isso. Os municípios recolhem as declarações de óbitos nos cartórios e nas Secretarias Municipais de Saúde, as quais são submetidas à análise. Em 1990, de acordo com fontes oficiais, a cobertura dos registros de mortalidade no Brasil foi 86,3% e considerada “satisfatória”. Segundo os parâmetros do Centro Latinoamericano de Demografia (Celade), a cobertura de registros de óbitos é “boa”, se ≥ 90%; “satisfatória”, entre 80% e 90%; “regular”, entre 70% e 80%; e deficiente”, se ≤ 70% (Jasper-Faijer e Orellana, 1994). No entanto, quando os dados são desagregados por estado, há grandes variações na cobertura. Mais decepcionante ainda foi a redução da cobertura geral para 81,7% em 1998, provavelmente uma informação mais fidedigna (Volochko, 2003). De acordo com esta autora, em 1998 a cobertura de óbitos no Norte melhorou em relação a 1990 em Roraima, Rondônia e no Acre, mas piorou no Amazonas, Pará e Amapá. Ainda assim, é melhor no Norte do que no Nordeste. No Nordeste, onde ocorrem as menores coberturas do país, houve uma marcante redução da cobertura dos registros de óbito em relação a 1990. No Sudeste, Sul e Centro-Oeste a cobertura melhorou, de 1990 a 1998, em todas as unidades, menos em Minas Gerais e no Distrito Federal. 23 Carvalho (1998) reforça que ainda assim os dados aportados pelo SIM são fundamentais para a gestão dos serviços de saúde. Não existem dúvidas tampouco de que, quanto mais forem sendo usados, particularmente pelo nível local, mais terão sua cobertura e qualidade incrementadas. O registro de nascidos vivos é processado pelo Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, gerenciado pelo Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI), órgão da Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) do Ministério da Saúde. Suas fontes são as Declarações de Nascidos Vivos preenchidas pelos estabelecimentos de saúde onde ocorreu o nascimento, ou os Registros de Nascimentos dos Cartórios para os partos domiciliares (Brasil, 2002c). O SINASC propicia um aporte significativo de dados sobre nascidos vivos, com suas características mais importantes, como sexo, local onde ocorreu o nascimento, tipo de parto e peso ao nascer, entre outras. Como principal aspecto positivo do SINASC, da mesma forma que ocorre no SIM, deve ser destacado o fato de ser universal, tendo assim, quaisquer que sejam seus problemas, uma cobertura dificilmente alcançável por qualquer outra forma de levantamento desse tipo de informação, na maioria das regiões. Outra grande qualidade do sistema decorre da variedade e propriedade das informações que aporta, no que se refere à gestação, ao parto e ao nascido vivo. Antes da implantação desse sistema, informações tais como idade, paridade e grau de instrução da mãe, o número de consultas de pré-natal realizadas e a duração da gestação, e as condições gerais do bebê no momento de seu nascimento (dados pelo seu peso e pelo Apgar do primeiro e do quinto minutos), só podiam ser coletadas e correlacionadas através de pesquisas amostrais eventualmente realizadas. Em se referindo esse evento a um momento da vida, de mães e crianças particularmente vulneráveis às ações setoriais de saúde, esse monitoramento é essencial ao gestor (Carvalho, 1998). Em relação à quantidade de documentos registrados, também aqui deve ser considerado o problema da subnotificação. Também aqui, é de se esperar que a utilização mais sistemática e generalizada dessas informações possa incrementar sua qualidade e agilidade de processamento. 24 O SINAN recolhe informações sobre a ocorrência de diversos agravos à saúde, de notificação obrigatória. Isto vale para todos os serviços de saúde que devem informar aos órgãos responsáveis das Secretarias de Saúde os casos diagnosticados de qualquer doença de notificação obrigatória. A exemplo do SIM e do SINASC, também o SINAN é universal, e responde a uma imposição legal, qual seja a da obrigatoriedade de notificação de doenças e agravos, definidos a cada dois anos por Portaria do Ministro da Saúde (Lei nº 6.259/75 e Decreto nº 78.321/76). Dado seu ainda insuficiente grau de cobertura, os dados por ele aportados vêm sendo trabalhados em conjunto com os que chegam ao nível federal por outras vias e são sistemática e periodicamente publicados no Boletim Epidemiológico do SUS. O SIH-SUS e o SIA-SUS permitem a identificação das causas de internação e atendimentos ambulatoriais do sistema público de saúde. Esses sistemas não contemplam os eventos da saúde suplementar. O conteúdo das informações aportadas pelo SIH-SUS permanece essencialmente o mesmo até hoje desde a sua criação, apesar das transformações ocorridas no sistema público de saúde do Brasil nesses últimos anos. Segundo TRAVASSOS (1996), o seu banco de dados reúne, atualmente, informações sobre o equivalente a 70% das internações ocorridas no país, pode-se dizer que essa variação é de fato desigual para os diversos grupos de procedimentos, estando provavelmente a cobertura de partos e outros atos de menor custo em torno de 80 %, e sendo maior que 90% nos casos de procedimentos de mais alta complexidade e custo, não cobertos por esses planos (Carvalho, 1998). Essas afirmativas precisam ser revistas devido ao aumento da cobertura dos planos de saúde e o ressarcimento ao SUS, que tendem em longo prazo mudar esse cenário. Entre as mais freqüentes críticas que sofre o SIH-SUS, está o questionamento sobre a qualidade dos dados que aporta, em decorrência de fraudes e manipulações pelos prestadores de serviços. Na verdade, mais que um problema relacionado ao sistema de informação, pode-se dizer que esse é um problema do sistema de saúde. Segundo TRAVASSOS (1996), esses sistemas informatizados 25 são potencialmente, mais eficazes para detectar alterações fraudulentas nas informações hospitalares. Grande parte das fraudes que compõem a crônica do sistema hospitalar brasileiro nos jornais do país é, primariamente, detectada pelo uso das informações disponíveis no SIH-SUS. O que permanece é a persistente incapacidade do Estado em implementar medidas de regulação mais efetivas, voltadas para garantir a qualidade da informação e do cuidado prestado. Apesar de todos esses fatores, essa base de dados continua sendo de extrema importância para o conhecimento do perfil dos atendimentos na rede hospitalar. A exemplo do ocorrido com o SIH-SUS, também aqui a evolução da tecnologia facilitou a utilização dos seus dados. É bem verdade que o elenco dos procedimentos que contempla não permite um trabalho da mesma natureza ou tão minucioso quanto o passível de ser realizado com os dados do SIH. Isso ocorre principalmente pelo fato de que, além de serem naturalmente mais numerosos, esses se referem a diversos tipos de ação, distintos tanto em relação aos processos de trabalho (desde visita domiciliar a cirurgia ambulatorial), quanto aos agentes executores (desde pessoal de nível médio e agentes comunitários de saúde a médicos altamente especializados)5. As grandes vantagens do SIA-SUS, similares a algumas observadas no SIH, são sua rapidez e agilidade na disponibilização de informações para o órgão gestor (menos de um mês no nível local e no máximo dois meses para que o consolidado nacional esteja disponível na página da Internet do DATASUS) e a possibilidade de analisar o perfil da oferta de serviços ambulatoriais (no que se refere a tipos de unidades x produção) de um determinado grupamento populacional-geográfico, através de indicadores de cobertura e concentração de atividades. Nesse sentido, o SIA propicia valiosas informações sobre o desempenho dos gestores municipais e estaduais na seleção e implementação de prioridades assistenciais. Não consegue, apesar disso, qualificar tais prioridades, através de caracterização de grupos populacionais ou mesmo agravos (Carvalho, 1998). 5 São considerados “procedimentos ambulatoriais” todos aqueles realizados em pacientes que deambulam, ou melhor, todos aqueles que não estão internados, sejam eles atendidos intra ou extramuros das unidades de saúde (Carvalho, 1998). 26 Seus principais problemas repetem, em parte, aqueles já apontados para o SIH, como sua abrangência restrita aos usuários do sistema público de saúde, a ausência de registro de procedimentos efetivamente realizados mas não incorporados à base de dados por extrapolarem o teto financeiro e as distorções decorrentes de alterações fraudulentas de códigos, em busca daqueles que assegurem melhor remuneração. Outro grupo de problemas é representado por características próprias da concepção do SIA/SUS, com destaque para a ausência de registro individual do paciente atendido no serviço6, que impede a realização de estudos de procedência e a visualização dos fluxos de demanda, bem como das características básicas dessa “clientela” em relação aos serviços por ela consumidos. Esse atributo do sistema de informações tem conseqüências distintas, na dependência do nível de complexidade do grupo de procedimentos (item de programação) analisado. Para ações básicas (imunizações, visitas domiciliares, atos de profissionais de nível médio, consultas médicas simples), pode-se inferir que a demanda é essencialmente local e é composta por representantes dos diversos grupos numa distribuição semelhante à demanda por leitos de hospitais gerais, no próprio município ou bairro de moradia, o que dispensa a identificação desse fluxo. Para procedimentos de alta complexidade ou custo (hemodiálise, quimio/radioterapia do câncer, tomografia computadorizada), essa informação é essencial. Percebe-se ainda uma dificuldade de avaliação das informações com as unidades prestadoras, e foi proposto outro banco de dados, em fase de implantação no Brasil, o Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES), instituído pela Portaria MS/SAS nº 376, de 03 de outubro de 2000, publicada no Diário Oficial da União de 04 de outubro de 2000 e que permaneceu em consulta pública até dezembro de 2000 (Brasil, 2000c). Com a incorporação das propostas sugeridas por gestores estaduais e municipais do SUS e da sociedade em geral, editou-se no final de dezembro de 2000, a Portaria SAS n° 511/2000 que passa a 6 A SES-SP desenvolveu um módulo adicional aos documentos-fonte do SIA/SUS que registra todos os atos realizados em um determinado paciente identificado, prevendo sua digitação e formação de base de dados individuais por usuário. Face ao enorme volume de procedimentos, não logrou utilizar esse recurso para programação de atividades ou avaliação do fluxo de demanda. 27 normatizar o processo de cadastramento em todo o país de unidades de saúde em seus aspectos de estrutura física, equipamentos médico-hospitalares, serviços ambulatoriais e hospitalares e recursos humanos. Denominam-se estabelecimentos de saúde qualquer local destinado à realização de ações e/ou serviços de saúde, coletiva ou individual, qualquer que seja o seu porte ou nível de complexidade. Para efeito deste cadastro, o Estabelecimento de Saúde poderá ser tanto um hospital de grande porte, quanto um consultório médico isolado ou, ainda, uma Unidade de Vigilância Sanitária ou Epidemiológica. Portanto, abrange a totalidade dos hospitais existentes no país, assim como a totalidade dos estabelecimentos ambulatoriais vinculados ao SUS e, ainda, os estabelecimentos de saúde ambulatoriais não vinculados ao SUS, estes últimos a serem cadastrados em duas etapas. Os estabelecimentos privados que executem serviços de patologia clínica, radiologia, terapia renal substitutiva, radioterapia, quimioterapia, hemoterapia, ressonância magnética, medicina nuclear, radiologia intervencionista e tomografia computadorizada serão cadastrados obrigatoriamente nesta fase. E os demais estabelecimentos ambulatoriais, em cronograma estabelecido pelos Gestores Estaduais e Municipais. O Banco Nacional de dados do CNES (BDCNES) contava, em julho de 2003 com 64.255 estabelecimentos de saúde cadastrados e 5.367 em situação de pendência (Brasil, 2000b), ou seja, um total de 69.622 unidades. Em resumo, um Sistema de Informação em Saúde pode ser entendido como um instrumento para adquirir, organizar e analisar dados necessários à definição de problemas e riscos para a saúde, avaliar a eficácia, eficiência e influência que os serviços prestados possam ter no estado de saúde da população, além de contribuir para a produção de conhecimento acerca da saúde e dos assuntos a ela ligados (White, 1984). Muitas vezes a grande quantidade de dados dá a falsa ilusão de que temos todos os dados necessários para uma boa análise. Muitas vezes, a falta de clareza quanto aos objetivos do que se quer, pode levar a este desvio, ou seja, são coletados dados que não terão qualquer utilidade. É preciso equilibrar desejo, factibilidade e custos, estabelecendo prioridades. É necessário ter clareza sobre quais serão os usuários da informação e o que, precisamente, eles necessitam. 28 Existe a necessidade de garantir que a informação requerida seja mensurável, que haja codificação correta na fonte e que a mesma se dê sobre uma base consistente; bem como, que o interesse pela informação seja suficiente para garantir incentivos à coleta, e que a coleta, processamento e análise dos dados sejam factíveis (Wilmer, 1992). Nos últimos anos, o Brasil vem desenvolvendo esforços para que as informações tornem-se mais fidedignas e, é de se esperar que a utilização mais sistemática e generalizada dessas informações possa incrementar sua qualidade e agilidade de processamento. 1.2 Sistemas de Informação na Saúde Suplementar O maior desenvolvimento de sistemas de informações referentes à saúde suplementar vem sendo realizado tendo em vista a permanente necessidade de informações sobre o setor. A Diretoria de Normas e Habilitação de Produtos propôs a elaboração de um sistema de informações para monitoramento dos indicadores de assistência e econômico-financeiros das operadoras de planos privados de assistência à saúde. No desenvolvimento deste sistema muitos desafios foram impostos aos técnicos que participaram na definição dos indicadores, na padronização da terminologia e no controle do fluxo das informações. No que tange à informação e regulação percebe-se que a capacidade de regulação de qualquer sistema não pode sobrepor-se à sua capacidade de transmitir informação. Os requisitos de informação para coordenação de um sistema demonstram que a quantidade de informação requerida para coordenar as partes de um sistema não se incrementa, necessariamente, se o número de partes do sistema aumenta7. 7 A confusão de quantidade e qualidade é bastante comum. O que Ashby (1978) consegue demonstrar é que o incremento do número de partes de um sistema não exige aumento da 29 Evidentemente, por se tratar de informações epidemiológicas da população beneficiária de planos de saúde, foram seguidos alguns princípios, como: o respeito e privacidade quanto às informações individuais relacionadas à saúde; e o Código de Ética Médica que impõe o sigilo quanto às informações confidenciais, relatadas ao médico no desempenho de suas funções, mesmo no trabalho em empresas, exceto nos casos em que seu silêncio prejudique ou ponha em risco a saúde (CFM, 1988). À medida que fosse possível a obtenção de dados epidemiológicos com representatividade nacional e local, pesquisas que abordassem aspectos de morbimortalidade complementariam o perfil da atenção à saúde, compatibilizando-se dois aspectos: os bancos de dados oriundos da ANS e os inquéritos de Assistência Médico-Sanitária do IBGE e as Pesquisas Nacionais por Amostra de Domicílios, e mesmo o Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde em fase de implantação final pelo Ministério da Saúde (Pinto, 2003). 1.3 Sistema de Informações de Produtos (SIP) O estudo de caso do Sistema de Informações contempla o processo de formulação, implementação e implantação do SIP, que tem algumas características peculiares. É uma iniciativa da ANS, no campo da informação em saúde, com abrangência nacional, que permite o monitoramento de informações econômico-financeiras e assistenciais. No entanto, ele depende da adesão das operadoras para o envio de informações, e representa uma primeira tentativa de compilação de dados assistenciais na saúde suplementar. Em resumo, os objetivos do SIP são: i) permitir o monitoramento da assistência prestada através de indicadores; ii) possibilitar uma auto-avaliação das operadoras; iii) possibilitar a comparação das operadoras com dados nacionais; e ainda iv) possibilitar a avaliação de cada operadora historicamente. quantidade de informação, mas aprimoramento dos processos de comunicação e de coordenação de todo o sistema. 30 Em 2000, o SIP esteve em consulta pública, havendo discussões com os Conselhos Regionais e Federal de Medicina, Associação Médica Brasileira, com o intuito de ser preservada a ética médica. Com a finalidade de proteger e preservar o sigilo médico foi designado o Coordenador Médico de Informações de Saúde, que é o médico responsável pelo fluxo de informações de assistência médica dos beneficiários de planos de saúde, através da RDC nº 64, de 10 de abril de 2001 (Brasil, 2001a). O SIP possui atribuições legais que implicam numa visão de conjunto com abrangência de todas as operadoras que possuem registros na ANS, sempre tendo em vista a formulação da política nacional de saúde. A ANS acompanha, avalia e divulga indicadores, permitindo uma análise das condições de saúde da população beneficiária. Dessa forma, para o atendimento das prerrogativas do SIP e o cumprimento dos dispositivos legais, a definição dos sistemas de informação em saúde, a responsabilidade de estruturação e execução é de competência da ANS, observando a compatibilidade com outros sistemas de informações nacionais. Atualmente, todas as operadoras possuem alguma estrutura específica para informação, ainda que nem sempre com o grau de desenvolvimento desejável. E entre os principais problemas que elas relataram durante os treinamentos para produzir informações em saúde estão: a falta ou insuficiência de recursos humanos, a falta ou deficiência de infra-estrutura de informática, o alto custo do processo com gastos em máquinas e pessoal, a dificuldade em obter informações com a rede prestadora de serviços e a falta de padronização de coleta de dados (Coelho et al., 2003). Com o intuito de minimizar as dificuldades, a ANS desenvolveu um aplicativo que gera relatórios gerenciais a partir da alimentação das informações pelas operadoras. Assim, cada operadora possui relatórios gerenciais detalhados da situação de saúde de seus beneficiários, assumindo o papel de gestoras no processo de saúde. É possível antecipar que o envolvimento das operadoras com a produção, processamento e análise da informação tende a melhorar a 31 organização, gerência e qualidade dos serviços que oferecem. Podem ser levantados, ainda, outros aspectos positivos, como a facilitação das funções de planejamento, programação, acompanhamento e avaliação; incentivo à participação no esforço de aperfeiçoar o sistema de informações e o estímulo à retroalimentação da informação. O SIP é preenchido por todas as operadoras de planos de saúde trimestralmente a partir de janeiro de 2002. O aplicativo do SIP fornece relatório gerencial com os indicadores trimestrais e anuais, e através dele pode-se analisar a tendência histórica da operadora e também permitir a comparabilidade. Uma inovação do SIP é o fornecimento de relatórios gerenciais às operadoras, o que pode contribuir para os processos de melhoria da qualidade em saúde. A própria estruturação para elaborar os relatórios é um estímulo à capacitação das operadoras na utilização dos indicadores padronizados como ferramenta gerencial e criação de referenciais adequados visando a execução e análises comparativas. As opções do relatório gerencial são por tipo de contratação dos planos, grupo de beneficiários ou o consolidado de toda operadora. Os tipos de contratação dos planos são individuais e/ou familiares, coletivos sem patrocinador e os coletivos com patrocinador. Também há a opção por grupos de beneficiários: beneficiários expostos, expostos não beneficiários e beneficiários não expostos. A criação e a utilização de indicadores padronizados colaborará para a melhoria da gestão assistencial das operadoras? A aposta é de que, se as operadoras utilizarem os melhores resultados como parâmetros, então efetuarão alterações nos seus processos de trabalho, visando à melhoria da gestão. Os problemas identificados a partir das informações materno-neonatais são usados como evento sentinela. Um evento sentinela é um acontecimento indicativo de uma situação que requer uma intervenção imediata. A concentração inusitada de casos (ou óbitos) do mesmo agravo, ou o aumento na freqüência da ocorrência de agravos (casos de gestação de alto risco), exigem uma 32 investigação para esclarecer os fatores responsáveis e orientar as medidas necessárias à prevenção. A ocorrência de que algo não vai bem no âmbito assistencial pode ser avaliada com os indicadores materno-neonatais do SIP. 33 2. JUSTIFICATIVA A criação de uma agência reguladora de planos privados de assistência à saúde representa um avanço do sistema de saúde brasileiro. A avaliação das informações assistenciais da saúde suplementar, considerando a identificação de elementos políticos, institucionais e operacionais envolvidos neste processo, é fundamental para que os gestores da ANS possam implementar suas atividades reguladoras. A ênfase na avaliação do SIP, instituído para acompanhamento da assistência prestada aos beneficiários de planos privados de assistência à saúde, envolve o acompanhamento e análise do seu processo de elaboração e implantação. Além disso, a informação apresenta-se como um recurso de caráter político, inserindo-a no contexto geral da regulação adotada para o setor da saúde suplementar. O sistema de informação em saúde, ao pressupor seus objetivos e metas a serem atingidos, já traz em si, explicitado ou não, todo o padrão social para o qual foi concebido e onde e como será executado. Daí decorre sua importância e sua concepção que deve permitir, inclusive, redirecionar os objetivos e metas a que se propõe. A questão central do Sistema de Informação é que os indicadores 'escolhidos' tendem a refletir a própria concepção de saúde que norteia o sistema. Ou seja, escolher este ou aquele indicador, quantificar esta ou aquela variável pressupõe, antes de se constituir uma questão estatística ou epidemiológica, a explicitação da concepção, dos objetivos e metas a serem atingidos pelo Sistema Nacional de Saúde (Brasil, 1987). Dentro desta linha, os parâmetros de cobertura assistencial da saúde suplementar destinam-se a orientar o aperfeiçoamento da política regulatória. No plano operacional, tem prevalecido a adoção de referenciais técnicos relacionados a indicadores ambulatoriais e hospitalares materno-neonatais. Criar indicadores para aferir a apropriação deste sistema e aprimorá-lo é essencial para a continuidade do trabalho de regulação e só desta forma será possível identificar a adequação deste sistema às transformações e necessidades de saúde da população brasileira. 34 Este estudo possibilita trazer a experiência que tenho desenvolvido na ANS para a perspectiva acadêmica. O objeto de reflexão e proposição de uma tese de doutorado torna mais rica a contribuição que posso dar no desenvolvimento do trabalho junto à ANS na coordenação de informações assistenciais do SIP. 35 3. OBJETIVOS 3.1 Objetivo geral: Acompanhar a implantação do SIP e propor instrumentos para a melhoria da qualidade das informações materno-neonatais. 3.2 Objetivos específicos: Caracterizar o processo de formulação, implementação e implantação do Sistema de Informação de Produtos (SIP) na ANS. Rever os referenciais técnicos dos indicadores materno-neonatais. Analisar as informações relativas à assistência materno-neonatal com base em instrumento específico para descrição dos indicadores do SIP. 36 4. METODOLOGIA 4.1 As hipóteses do estudo A informação é um instrumento de avaliação e planejamento de ações no setor saúde. Este estudo tem por finalidade verificar a hipótese de que as informações do setor de saúde suplementar estão sendo aprimoradas e tornando-se mais consistentes. Após a aprovação da Lei nº 9.656/98, abriu-se uma disputa dentro do aparelho de Estado, onde alguns setores defendem uma nova perspectiva no processo regulatório do Estado, entendendo uma nova atribuição no papel da ANS, ou seja, a regulação da produção do cuidado à saúde. Esses setores entendem que as operadoras podem ser gestoras da saúde dos seus beneficiários, ou não, e que essa prática precisa ser regulada pelo Estado. Essa perspectiva abre uma nova frente de ação do Estado. A prática até então do processo regulatório, amplia-se para o entendimento de que se deve intervir também na regulação do cuidado à saúde, praticado pelas operadoras. Coloca-se um outro patamar de intervenção, onde as políticas públicas indicam as diretrizes desse novo formato regulatório (Malta, 2003). No novo patamar de discussão, abrangendo a regulação no campo da produção da saúde, tem prevalecido a adoção de referenciais técnicos relacionados a indicadores ambulatoriais e hospitalares materno-neonatais. Quando se discute o diagnóstico temos as colocações do Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Médica Brasileira (AMB) que restringem o uso da Classificação Estatística Internacional de Doenças na sua 10ª revisão (CID-10). Esse assunto foi amplamente discutido com essas entidades na Câmara Técnica que abordou o SIP. No entanto, no SIP não há a individualização dos casos, o coordenador médico é o responsável por armazenar essas informações dentro da operadora mantendo o sigilo médico. Na negociação foi proposto que as operadoras de menor porte, ou seja, com menos de 100 mil beneficiários, enviassem um conjunto menor de informações. Também foram desenvolvidos pela ANS dispositivos de confiabilidade dos dados para ser mantido o sigilo de informações 37 do mercado, evitando-se que as operadoras sejam identificadas. Essas considerações são importantes no aumento da confiabilidade dos dados. 4.2 Definição da pesquisa A pesquisa foi realizada no período de junho de 2002 a outubro de 2003, tendo como objeto de reflexão o SIP desenvolvido pela ANS e sua evolução desde a criação da Agência em 1998. Foram caracterizados o processo de formulação, implementação e implantação do SIP. 4.3 Fontes de informação As fontes de pesquisa foram documentos oficiais como notas técnicas, relatórios de gestão da ANS, além de publicações do setor de saúde suplementar. Foram também pesquisados as legislações referentes aos sistemas de informações, indicadores e parâmetros. Além de relatórios e documentos de circulação interna, publicações científicas e técnicas, mantendo-se o contexto político e institucional. A legislação do setor de saúde suplementar foi revisitada, principalmente dos documentos que fizeram parte da bibliografia recomendada para discussão no Fórum de Saúde Suplementar que ocorreu em 2003. 4.4 Análise das informações Para análise dos temas referentes a indicadores, sistemas de informações em saúde e saúde materna neonatal seguiram-se três etapas, que serão descritas posteriormente: a)Análise do processo de formulação, implementação e implantação do Sistema de Informação de Produtos (SIP) na ANS. Para análise do processo de construção do SIP foi realizada pesquisa nos sistemas de informações nacionais de saúde. As operadoras de planos de assistência médica-hospitalar foram divididas em dois grupos de acordo com o número de beneficiários, com até 100 mil e com mais de 100 mil beneficiários. As informações materno-neonatais fazem parte do 38 item internações e são enviadas trimestralmente para a ANS (anexo B). As operadoras com até 100 mil beneficiários informam um número menor de eventos materno-neonatais por trimestre. Os dados do SIP foram trabalhados no sentido de mostrar o número e percentual de operadoras que aderiram ao SIP segundo classificação, a freqüência de utilização dos itens dos atendimentos ambulatoriais, exames complementares, terapias, consultas médicas e demais despesas assistenciais por tipo de contratação de plano individual ou familiar e coletivo nos semestres de 2002 e 2003, além da despesa. b)Pesquisa dos parâmetros internacionais e nacionais aplicados à assistência materno-neonatal. Essa etapa consistiu em: conceituar taxas, índices e indicadores; pesquisar os parâmetros e indicadores assistenciais; realizar levantamento dos parâmetros e indicadores de outros países; realizar levantamento dos parâmetros e indicadores mais utilizados na saúde pública do país; analisar os dados materno-neonatais dos sistemas de informação em saúde disponibilizados pelo MS como SINASC, SIM e SIH. c) Análise dos indicadores materno-neonatais. A partir do desenvolvimento da pesquisa, foi elaborada uma ficha técnica padronizada para cada indicador, especificamente para o estudo. As fichas técnicas contêm: a definição e o foco do indicador, buscando avaliar o que o indicador visa aferir; a fórmula e a definição dos termos utilizados para cálculo dos indicadores; a interpretação deste valor calculado; a existência de parâmetros nacionais que permitiriam a avaliação do padrão para referência e a periodicidade com que o indicador é informado no SIP. De modo que os indicadores identificados a partir de documentos do Ministério da Saúde e pesquisa bibliográfica fossem organizados de forma semelhante para permitir a análise dos parâmetros assistenciais materno-neonatais da saúde suplementar. 39 Foram descritos os seguintes indicadores: Taxa de Mortalidade Materna, Coeficiente de Mortalidade Materna, Taxa de Parto Normal, Taxa de Parto Cesáreo, Taxa de Atendimento ao Recém Nascido por Pediatra na Sala de Parto, Coeficiente de Natalidade, Coeficiente de Natimortalidade, Taxa de Prematuridade, Coeficiente de Nascidos Vivos, Índice de Internações por Transtornos Maternos na Gravidez, Índice de Internações por Complicações no Período de Puerpério, Taxa de Internações de Gravidez Terminada em Aborto e Taxa de Utilização de UTI e CTI Neonatal. Os indicadores foram classificados de acordo com os períodos de pré-natal, parto e puerpério e realizada revisão da literatura dos indicadores que mensuram a mortalidade materna. Foram calculados os indicadores materno-neonatais utilizando o SINASC, SIM e o SIH como fontes de dados do SUS através das seguintes fórmulas: Taxa de Prematuridade Nº de nascidos vivos prematuros x 100 Nº de partos normais + partos cesáreos Coeficiente de natimortalidade Nº de nascidos mortos x 1.000 Nº de partos normais + nº de partos cesáreos Taxa de Parto Normal Nº de partos normais x 100 Nº de partos normais + cesáreos Taxa de Parto Cesáreo Nº de partos cesáreos x 100 Nº de partos normais + cesáreos Coeficiente de nascidos vivos Nº de nascidos a termo + prematuros x 1.000 Nº de partos normais + cesáreos Coeficiente de natalidade Nº de nascidos a termo + prematuros x 1.000 Total da população 40 5. RESULTADOS O monitoramento e análise das informações do SIP possibilitam o acompanhamento da assistência prestada aos beneficiários de planos de saúde pelas operadoras. É importante conduzir o processo visando a qualidade da informação, o envolvimento de outros setores no processo de construção do instrumento, avaliação das informações com metodologia apropriada e retorno dos resultados. A expressão qualidade em saúde requer cada vez mais uma definição abrangente, para que possa ser aplicada ao planejamento estratégico e às avaliações. Em decorrência, elaborar estratégias e táticas que tratem de como aplicar a definição de qualidade e sua visão são imprescindíveis para tornar a gerência de qualidade parte da estrutura do processo. Até bem pouco tempo, a qualidade da assistência era vista como um aspecto não-mensurável ou, até mesmo, misterioso (Donabedian, 1988). A partir dos anos 60, a elevação dos custos dos serviços e o reconhecimento dos direitos do consumidor obrigaram os responsáveis do sistema de saúde a se preocuparem mais com esta questão. A tríade "estrutura - processo - resultado", também proposta por Donabedian em 1980 e fundamentada no referencial sistêmico, se mostrou como um ponto importante. Por esta formulação, fazem parte da estrutura características referentes à área física, recursos materiais, recursos humanos (tanto no que tange à quantidade, quanto em relação ao perfil profissional). Ao processo, corresponderiam as atividades desenvolvidas entre profissionais e pacientes, sendo o resultado definido como as mudanças ocorridas no estado de saúde dos indivíduos que fossem atribuídas ao cuidado médico. Os pressupostos dos atributos da qualidade na assistência à saúde (os sete pilares da qualidade) de Donabedian (1993) são: eficácia, efetividade, eficiência, acesso, adequação, eqüidade e aceitação. Os padrões e indicadores do programa servem de paradigma de avaliação baseado em estrutura, processo e resultado, conforme proposto por Donabedian. Nesse caso, apoia-se no uso de indicadores de desempenho dentro de um 41 enfoque maior, de melhoria da qualidade. Considera-se “indicador” uma medida quantitativa que age como uma ferramenta ou guia para monitorar, avaliar e melhorar a qualidade dos serviços e funções organizacionais. Indicadores “sinalizam” quando há problemas potenciais em qualidade. A estrutura, sendo um dos componentes básicos, possibilita alcançar a qualidade. A investigação do “processo” informa aspectos adicionais do desempenho dos serviços, mais estreitamente ligados à qualidade. O desfecho (resultado) desta avaliação seria uma melhor assistência ao paciente, que levaria, em conseqüência, a melhores resultados clínicos. Qualidade do cuidado diz respeito ao grau a partir do qual um serviço de saúde aumenta a probabilidade de resultados de saúde desejáveis para indivíduos e populações, de acordo com o conhecimento profissional existente (Blumenthal, 1996). Questionamentos do tipo: Que variáveis e que medidas são mais apropriadas como indicadores do esforço realizado? Que escalas do fenômeno estariam mais bem representadas (a qualidade do atendimento a um indivíduo pode diferir em nível populacional), demonstram que a descoberta da qualidade requer usualmente ceticismo, escrutínio e muita interpretação pessoal (Stake, 1996). É necessário reiterar então que se defina com clareza as variáveis e indicadores que medirão a qualidade em suas diferentes dimensões: técnico-científica (grau de adequação ou implantação da infraestrutura e procedimentos realizados), efetividade, eqüidade, acessibilidade, satisfação dos usuários etc... O primeiro eixo do marco teórico de Habicht (1999) define quatro tipos de indicadores: oferta, utilização, cobertura e impacto. Como questionamento diante dos indicadores de oferta podemos ter: os serviços ou atividades estão disponíveis, ou acessíveis à população-alvo? Para os indicadores de utilização poderíamos questionar: os serviços estão sendo utilizados, e de que forma se dá esta utilização? A utilização resultará em uma dada cobertura. A análise de indicadores de utilização de serviços de saúde toma por base a hipótese de que a necessidade de saúde é o principal determinante do uso dos serviços. Ou seja, os 42 parâmetros de cobertura são aqueles destinados a estimar as necessidades de atendimento a uma determinada população, em um determinado período, previamente estabelecido. Para avaliação de indicadores de impacto, podemos questionar se houve um impacto positivo ou não sobre a saúde. Hartz (1997) contribui para a ampliação do conhecimento e da prática de avaliação em saúde no nosso país. De acordo com a autora, o campo da avaliação em saúde no Brasil, ainda pouco formalizado na sua prática científica e técnica, vive atualmente um momento de crescente visibilidade e expectativas internas e externas. De um lado, trata-se do reflexo da sua maior presença no cenário internacional da Saúde Pública/Saúde Coletiva e, por outro, a presença de conjunturas econômicas, políticas e de organização do sistema de saúde que colocam a necessidade da presença também de conhecimentos mais especificados relativos às suas práticas, por parte dos profissionais de saúde, como parte do processo de implementação das políticas de saúde. A implementação de uma regulação no setor de saúde tem requerido um esforço criativo, especialmente no campo de planejamento e informação, na medida em que constitui redes de serviços que envolvem o setor suplementar e público em ações coordenadas. O desafio a enfrentar, neste momento, consiste em buscar a máxima qualidade, articulando os recursos tecno-científicos, econômico- financeiros e políticos, visando a melhoria da saúde da população brasileira. A noção de que só é possível inferir conclusões acerca da qualidade de serviços ou tecnologias em saúde com base em um grupo de observações; ocorrências individuais de eventos adversos podem representar um sinal de alerta, mas não devem ser vistas, necessariamente, como reflexos de má qualidade. O registro de uma morte materna em uma maternidade de perfil médio no período de um ano, ainda que mereça investigação das suas causas, pode representar uma fatalidade, sem ser sinal de precariedade na assistência; cinco mortes maternas no mesmo período, entretanto, constituem-se em indício mais forte de má qualidade. O conceito de evento sentinela, trazido da epidemiologia, diz respeito a observar esses eventos como um alerta para a possibilidade de deficiência na qualidade da atenção (Portela, 2000). 43 O dicionário editado pela Associação Internacional de Epidemiologia nos diz que a qualidade dos cuidados é "um nível de execução e realização que caracteriza a assistência prestada" (Last, 1988). Qualidade é também entendida como "a contribuição do serviço para o êxito do tratamento, do resultado clínico ou de qualquer forma de desfecho dos problemas de saúde dos pacientes” (Hornbrook, 1985). Embora haja diferentes maneiras de abordar o conceito de qualidade, existe consenso em que o termo significa o grau de adequação e excelência alcançado na execução das ações e serviços, medidos através de comparação com parâmetros apropriados. A dificuldade reside em decidir, objetivamente, quais são os parâmetros que expressam qualidade e como medi-los adequadamente (Pereira, 1995). 5.1 Parâmetros e indicadores assistenciais utilizados na saúde suplementar A criação de um sistema de informações gerenciais médico-hospitalares através de indicadores padronizados, permite que a instituição avaliada forneça dados de forma sistemática dos seus serviços e dos seus produtos assistenciais. Isso também facilita a compreensão do instrumento e a diferenciação interna de seus níveis de atendimento aos requisitos de qualidade. Deve ficar claro, isto sim, que o objetivo do instrumento e do processo de avaliação é permitir às operadoras o engajamento no processo de busca de qualidade. O estabelecimento de precisos objetivos mensuráveis, a curto e a longo prazo, e o seu freqüente monitoramento orientarão os planos para a ação. A implantação de um sistema de informações gerenciais médico-hospitalares através de indicadores é um dos instrumentos de contratação entre as operadoras e sua rede prestadora de serviços que serve como mecanismo de regulação do mercado significando uma ferramenta de análise da saúde suplementar do país. O SIP deve possibilitar a construção de base formal de co-responsabilidade da operadora e rede prestadora. 44 Constitui prática comum estipular valores sobre a estrutura do sistema de saúde que funcionem como padrões de comparação. Afirmando o que foi dito, diz-se que: “indicadores de saúde são parâmetros utilizados internacionalmente com o objetivo de avaliar sob o ponto de vista sanitário, a higidez de agregados humanos, bem como fornecer subsídios aos planejamentos de saúde, permitindo o acompanhamento das flutuações e tendências históricas do padrão sanitário de diferentes coletividades consideradas à mesma época ou da mesma coletividade em diversos períodos de tempo” (Rouquayrol, 1994). Os indicadores são formas numéricas ou não, obtidas a partir dos Sistemas de Informação, como saídas a partir dos dados coletados, utilizados para mensuração das atividades realizadas, ou o grau de risco de um evento ou agravo à saúde, e para atribuir valor a dados ou aspectos da realidade que se deseja conhecer, quantitativa ou qualitativamente e, a partir desse conhecimento, intervir para alcançar metas e objetivos. A utilização de indicadores de saúde permite o estabelecimento de padrões, bem como o acompanhamento de sua evolução histórica. Os dados locais são então computados e seus resultados confrontados a esse padrão. Os padrões são expressões da amplitude das variações aceitáveis de um indicador ou critério. Alguns indicadores são utilizados para o gerenciamento de serviços, devendo ser escolhidos os mais apropriados para atender às necessidades de determinado serviço. Devem ainda possibilitar a constituição de parâmetros a serem seguidos, que traduzam a realidade do serviço utilizado e, sobretudo, que permitam a comparação entre produtos semelhantes, quer do ponto de vista quantitativo, qualitativo ou de custos. A avaliação destes padrões de desempenho serve para considerar propósitos de forma mais objetiva, bem como estabelecer medidas a serem alcançadas. 45 Obviamente, podem ser feitas críticas quanto à escolha de um indicador e não de outro. Realmente devemos considerar que: outros indicadores são importantes e devem ser avaliados, pois representam diferentes aspectos da qualidade da assistência; e que optou-se por avaliar um grupo de indicadores materno-neonatais mas que a avaliação de outro grupo é muito interessante. O SIP é o primeiro sistema que compila informações assistenciais da saúde suplementar. Então algumas escolhas de indicadores foram definidas. No entanto, devemos pensar em expandir o conjunto de indicadores. As operadoras contratam os serviços hospitalares e as particularidades de cada nível determinam diferenças dependendo do tipo de serviço, se de alto ou baixo risco, se de referência ou não, se público/privado ou "privado puro". A interpretação de um indicador também pode variar de acordo com o hospital, por exemplo, a proporção de partos cesáreos pode ter interpretação diferente dependendo do nível de complexidade do serviço, se de baixo risco ou alto risco. Deste modo, além dos indicadores em si, é necessário conhecermos o perfil da operadora e dos hospitais credenciados para avaliação e julgamento da gravidade dos casos. No entanto, o grupo de indicadores pode sinalizar para determinado problema, funcionando como "sentinela". A proposta do SIP é a construção de um banco de dados da saúde suplementar baseado em um sistema de informações capaz de fornecer indicadores já calculados através do relatório gerencial. Portanto, o sistema permite a caracterização de maneira ainda muito genérica das informações assistenciais da saúde suplementar, sinalizando o uso potencial dessas informações para a melhoria da qualidade da assistência prestada. 46 5.2 Apresentação dos dados gerais do setor através do SIP A partir dos dados disponíveis no site www.ans.gov.br desde dezembro de 2003, temos informações sobre o grau de implantação do SIP pelas operadoras que o enviaram por classificação de operadora e número de beneficiários. Também é possível a análise da freqüência de utilização e despesa dos itens e eventos das operadoras médico-hospitalares e exclusivamente odontológicas por tipo de contratação do plano das operadoras. As variáveis do SIP correspondem aos eventos que geraram despesa nas operadoras médico-hospitalares, como os atendimentos ambulatoriais, exames, terapias, internações, consultas médicas e as demais despesas assistenciais. Já nas operadoras exclusivamente odontológicas, os itens contemplados são as consultas odontológicas, os exames odontológicos complementares, procedimentos odontológicos preventivos, demais procedimentos do rol odontológico e outros procedimentos não pertencentes ao rol odontológico (Brasil, 2003e). Na tabela 2, verificamos que 72,9% das operadoras ativas8 enviaram o SIP, o que corresponde a 92% do total de beneficiários que possuem planos privados de assistência à saúde. Segundo a classificação das operadoras, nas cooperativas médicas apenas 60,4% das operadoras enviaram o SIP, correspondendo a 72,9% dos beneficiários, já nas demais classificações os percentuais estão acima de 97%. As cooperativas médicas foram as que menos corresponderam ao envio de dados. Isso ocorre porque um grupo de cooperativas médicas questiona a regulamentação do setor, não respeitando os prazos de adaptação às Leis, alegando as dificuldades impostas às pequenas empresas regionais, principalmente no que se refere à obrigatoriedade de envio de informações. 8 Nota: Foram consideradas as operadoras ativas no escopo da Resolução de Diretoria Colegiada da ANS – RDC nº 85/2001, que institui o Sistema de Informações de Produtos – SIP para acompanhamento da assistência prestada aos beneficiários de planos privados de assistência à saúde (Brasil, 2001b). 47 Tabela 2 - Número e Percentual de operadoras que enviaram o Sistema de Informação de Produtos (SIP) segundo classificação, Brasil, agosto/2003 operadoras Classificação Nunca enviaram o SIP N Benef. N % Benef. % N % Benef. % 347 5.542.271 285 82,1 5.426.652 97,9 62 17,9 115.619 2,1 369 9.070.357 223 60,4 6.610.411 72,9 146 39,6 2.459.946 27,1 173 1.191.586 154 89,0 1.177.533 98,8 19 11,0 14.053 1,2 126 792 1.356.948 12.479.387 119 537 94,4 67,8 1.337.134 12.138.424 98,5 97,3 7 255 5,6 32,2 19.814 340.963 1,5 2,7 444 2.647.918 320 72,1 2.596.910 98,1 124 27,9 51.008 1,9 13 5.049.699 13 100,0 5.049.699 100,0 0 0,0 0 0,0 2.264 37.338.166 1.651 72,9 34.336.763 92,0 613 27,1 3.001.403 8,0 Autogestão Cooperativa Médica Cooperativa Odontológica Filantropia Medicina de Grupo Odontologia de Grupo Seguradora especializada em Saúde Total SIP Fontes: Sistema de Informações de Produtos - SIP - ANS/MS, 14/08/2003. Cadastro de Operadoras - ANS/MS, 14/08/2003. Sistema de Informações de Beneficiários - SIB - ANS/MS Agosto/2003. Na tabela 3, verificamos a freqüência de utilização média anualizada com os dados do 1o semestre de cada ano, de acordo com os itens de despesas e tipo de contratação de planos individuais e coletivos. Nota-se que a freqüência de utilização foi maior nos planos individuais em comparação com os coletivos em todos os itens. Tabela 3 – Freqüência de utilização média e anualizada por item de despesa e tipo de contratação do plano das operadoras no Brasil em 2002 e 2003 Item de Despesas Individual e Familiar Coletivo Total Atendimentos ambulatoriais 2002 1,58 2003 1,49 2002 1,18 2003 1,16 2002 1,29 2003 1,25 Exames complementares 11,53 11,75 7,65 7,82 8,64 8,86 Terapias 1,29 1,43 0,74 0,98 0,88 1,09 Internações 0,22 0,19 0,16 0,15 0,17 0,16 Consultas médicas 5,82 5,75 4,25 4,29 4,69 4,67 Demais despesas assistenciais 0,68 0,83 0,75 0,66 0,73 0,70 Fonte9:Sistema de Informações de Produtos – SIP – ANS/MS (posição em 02/09/03). 9 Nota: Freqüência anualizada com base nos dados do 1º semestre de cada ano. A freqüência foi calculada com base no número de eventos e beneficiários expostos. 48 Em relação à despesa, no item internação os valores foram maiores nos planos individuais. Houve aumento da despesa em todos os eventos no ano de 2003 (tabela 4). Tabela 4 – Despesa por item e tipo de contratação do plano das operadoras no Brasil nos 1os semestres de 2002 e 2003 Individual e Familiar Item de Despesas 1º Semestre 2002 1º Semestre 2003 Coletivo 1º Semestre 2002 Total 1º Semestre 2003 1º Semestre 2002 1º Semestre 2003 Atendimentos ambulatoriais 42,15 47,45 38,71 44,44 39,86 45,43 Exames complementares 17,02 17,96 19,10 19,00 18,39 18,64 Terapias 25,56 27,63 27,86 27,85 26,99 27,78 1.833,48 2.410,44 1.725,10 1.921,75 1.760,81 2.062,78 Internações Consultas médicas 24,90 25,70 25,39 25,97 25,22 25,88 Demais despesas assistenciais 52,05 72,03 61,25 64,49 59,01 66,88 Fonte10:Sistema de Informações de Produtos – SIP – ANS/MS (posição em 02/09/03). 5.3. Reflexões acerca da mortalidade materna Neste ponto, serão trabalhadas algumas reflexões sobre a mortalidade materna desde a sua definição até os vários métodos de mensuração. Os técnicos que participaram da elaboração do SIP priorizaram os indicadores materno-neonatais por possuírem conceitos internacionalmente aceitos e refletirem as condições de vida das mulheres e qualidade da assistência prestada no pré-natal, no parto e no puerpério. A assistência adequada ao pré-natal e ao parto, além de reduzir a mortalidade materna diminui também a mortalidade neonatal. a) Definição dos indicadores que mensuram a mortalidade materna Algumas definições foram adotadas seguindo as recomendações da Organização Mundial de Saúde – OMS, na 10ª revisão da Classificação Estatística Internacional de Doenças (CID-10), em 1994, que define morte materna como “a morte de mulheres durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o 10 Nota: A despesa foi calculada com base no número e valor total dos eventos. Valores em Reais. 49 término da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas tomadas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais”. Como se sabe, as mortes maternas podem ser subdivididas em dois grupos: mortes obstétricas diretas, aquelas resultantes de complicações obstétricas na gravidez, parto e puerpério, devidas a intervenções, omissões, tratamento incorreto ou devida a uma cadeia de eventos resultantes de qualquer das causas acima mencionadas; e mortes obstétricas indiretas, aquelas resultantes de doenças existentes antes da gravidez ou de doenças que se desenvolveram durante a gravidez, não devidas a causas obstétricas diretas, mas que foram agravadas pelo efeitos fisiológicos da gravidez. De acordo com as definições oficiais da OMS para fins estatístico-epidemiológicos foram definidos: que “abortos” são as “perdas fetais precoces e intermediárias” e que nascido morto (ou natimorto) as perdas fetais tardias. A perda ou morte fetal precoce é aquela que ocorre até o início da 20ª semana de gestação, intermediárias (da 20ª ao término da 27ª semana de gestação) e tardias aquelas a partir do início da 28ª semana de gestação. Portanto, aborto são aquelas ocorridas até o término da 27ª semana de gestação e natimorto são as perdas fetais tardias, ou seja, óbito do produto da concepção ocorrido a partir do início da 28ª semana de gestação, ocorrido antes da expulsão ou da extração completa do corpo materno. A OMS adotou esse critério e as respectivas definições são utilizadas no SIP. Os indicadores do SIP que mensuram a mortalidade materna são o coeficiente e a taxa de mortalidade materna. Eles são calculados pela operadora e enviados juntamente com os dados do último trimestre de cada ano. O coeficiente de mortalidade materna (CMM) é obtido pela razão entre os óbitos por causas maternas e o número de nascidos vivos. Este coeficiente é expresso para cada 100.000 nascimentos vivos, na operadora por ano. 50 Embora atualmente em desuso, por muito tempo adotaram-se, para fins de comparação, índices sugeridos pela OMS para avaliar a taxa de mortalidade materna de diversos países. A taxa de mortalidade materna é obtida pela razão entre os óbitos maternos e o número de mulheres de 15 a 49 anos. Muitas críticas em relação ao cálculo desses indicadores são colocadas, pois o coeficiente por não se tratar, na verdade, de uma expressão de risco de uma mulher vir a morrer em conseqüência da gravidez ou do parto. Isto só ocorreria se o denominador incluísse o total de nascimentos (nascidos vivos e perdas fetais). Outra forma de cálculo sugerida é usar no denominador o número de mulheres em idade fértil, o que expressaria o risco dessas mulheres virem a morrer por causas maternas – taxa específica de mortalidade por causa materna para o grupo de mulheres em idade fértil (Theme-Filha et al, 1999). O coeficiente de mortalidade materna em 1998 para o Brasil foi 68 por 100.000 nascidos vivos (OPAS, 2002; Brasil, 2002b), sendo considerada muito alta em relação a outros países industrializados, portanto há possibilidade real de melhora. Para os estados situou-se, no período de 97-98, entre 44 e 86 óbitos por 100 mil nascidos vivos. A razão de mortalidade materna acima de 20 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos já é considerada muito elevada11. O coeficiente de mortalidade materna no Canadá é de quatro por 100 mil nascidos vivos. Em relação à taxa de mortalidade materna, o ideal é que o número destas mortes fosse próximo a zero, pois intervém as causas inevitáveis, que, devem causar o menor número possível de óbitos. Quanto menor a taxa de mortalidade materna melhor o desempenho da operadora. Devem ser estimuladas a captação precoce no pré-natal e sua qualificação, além das ações relacionadas ao planejamento familiar, pontos fundamentais para a redução da mortalidade materna, contribuindo para garantir melhores condições à saúde reprodutiva das mulheres e reduzir o risco de óbito relacionado com a gravidez. A assistência adequada ao pré-natal e ao parto, além de reduzir a mortalidade materna diminui também a 11 Portaria nº 723/GM em 10 de maio de 2001 que constitui o Pacto dos Indicadores da Atenção Básica. 51 mortalidade neonatal, tendo impacto sobre o coeficiente de mortalidade infantil. A OMS considera uma morte evitável, em 90% dos casos, refletindo a existência de sérios problemas relacionados com a assistência à mulher no período gravídicopuerperal. Para o cálculo da proporção de óbitos de mulheres em idade fértil a faixa utilizada é de 10 a 49 anos de idade no SUS. No SIP a faixa utilizada é de 15 a 49 anos. Nos países desenvolvidos, atualmente, a taxa de mortalidade materna oscila entre quatro e 10. A OMS considera os seguintes pontos conforme quadro 2 e apresenta o coeficiente de mortalidade materna para alguns países da América Latina (quadro 3). Quadro 2 – Padrões e recomendação da OMS para o coeficiente de mortalidade materna Coeficiente de mortalidade materna Baixa Média Alta Muito alta Por 100.000 nascidos vivos (NV) até 20 20 a 49 50-149 maior que 150 Fonte: OMS-1998. Quadro 3 - Indicadores de Mortalidade Materna em Alguns Países da América Latina Países Argentina Bolívia Brasil Chile Cuba México Uruguai Mortalidade Materna 44 390 114 25 33 48 19 Fonte: Safe Motherhood–OMS/Banco Mundial. Health Around the World. 1998. Em geral, considera-se que tão importante quanto o valor absoluto do índice, é sua evolução ao longo do tempo. É certo que o registro dos óbitos tem interferência sobre a qualidade da saúde, por incidir positivamente sobre a atenção à saúde. Entretanto, é preciso lembrar que os principais problemas 52 identificados têm origem na organização dos serviços, além da necessidade de se investir na melhoria da qualidade dos serviços. A importância da avaliação da qualidade da assistência, também se prende ao esforço de reduzir os valores das taxas de mortalidade materna e mortalidade neonatal. No Brasil, existe sub-registro de óbitos, e os médicos não informam corretamente as causas maternas nos atestados de óbito, resultando em falta de informações sobre a mortalidade materna através dos atestados de óbito. Tal fato fez com que se desenvolvessem métodos alternativos para a mensuração da mortalidade materna (Laurenti et al, 2000). Para quantificar as deficiências numéricas dos dados de mortalidade materna, a OMS tem proposto métodos de inquéritos populacionais como os Estudos de Mortalidade na Idade Reprodutiva (RAMOS) que avalia a subenumeração, verificando todos os óbitos. Outro inquérito populacional é Método Indireto das Irmãs, onde é aplicado questionário a homens e mulheres com 15 anos ou mais, perguntando o número de irmãs vivas e mortas com 15 anos completos e quantas delas morreram grávidas, no parto ou até seis semanas após o parto (Graham et al, 1989). Volochko em 2003 realizou ampla revisão dos métodos populacionais propostos pela OMS para quantificar as deficiências numéricas dos dados de mortalidade materna, conforme demonstrado a seguir: Inquéritos domiciliares diretos – como a mortalidade materna lida com os números absolutos pequenos, esse método requer amostra grande para ter fidedignidade. Por exemplo, o inquérito domiciliar na Etiópia precisou entrevistar mais de 32.300 domicílios para encontrar 45 mortes e produzir CMM de 480/100 mil nascidos vivos, com 95% de significância; o erro de amostragem foi 30% e o CMM pode estar entre 377 e 660. Além de impreciso, o estudo é caro, longo e só pode ser usado para acompanhar evolução secular. Método das Irmãs Indireto – Questionário aplicado a homens e mulheres com 15 anos ou mais, perguntando o número de irmãs vivas e 53 mortas com 15 anos completos e quantas delas morreram grávidas, no parto ou até seis semanas após o parto (Graham, et al, 1989). O método requer amostra menor, mas subestima a mortalidade materna, não sendo adequado para lugares onde a fertilidade total seja menor três, onde haja migração importante ou em áreas conturbadas política ou socialmente. Método das Irmãs Direto – Inquéritos demográfico-sanitários do tipo PNAD usam variantes do método indireto. Este se fundamenta em menos pressupostos que o original, mas requer amostras maiores. A informação é mais complexa de colher e analisar, mas permite estimativa mais recente da mortalidade materna. Todavia, não se presta para avaliar mudanças em curto prazo na mortalidade materna ou no impacto de programas. Estudos de Mortalidade na Idade Reprodutiva – RAMOS – Usado em países com bom registro para avaliar subenumeração verifica todos os óbitos. Em países sem registro, requer identificação inicial das mortes femininas através de múltiplas fontes, seguida de entrevista domiciliar e com provedores de saúde, e análise de prontuários para atribuição da causa. Autópsia verbal – Usada onde não há assistência médica nem atestado de óbito. O grau de fidedignidade da autópsia verbal ainda não foi estabelecido, mas acredita-se que não identifique mortes maternas no início da gestação, tardias e por causas indiretas. Censo – Aumenta o interesse em seu uso para gerar dados sobre mortes maternas referentes a um ou dois anos anteriores, complementado por questões detalhadas que permitam autópsia verbal. Possibilita obtenção de dados nacionais, regionais, locais e análise segundo características do domicílio, além da análise de tendência, ao reduzir ou eliminar erros de amostragem. Estudos de estimativa direta ou indireta da metodologia sugerem avaliação cuidadosa das informações e ajustes posteriores. Estatística vital – Apesar da multiplicidade de métodos expostos para estimar a mortalidade materna, o ideal é ampliar a cobertura do sistema 54 de estatísticas vitais e melhorar a qualidade do preenchimento das declarações de óbito. Estudos do tipo RAMOS ou seguindo o Método Indireto das Irmãs devem ser periodicamente encomendados pelo MS, no âmbito dos indicadores do SUS em municípios sem informações, como atividade de diagnóstico de saúde local. Também a inclusão de questões específicas sobre mortalidade materna no Censo e nas Pesquisas Nacionais de Amostra de Domicílio é uma boa estratégia e pouco onerosa. Todavia, é importante que os bancos de dados gerados sejam ampla e rapidamente disponíveis para uso da comunidade científica e dos gestores de saúde. b) Avaliação de serviços de saúde da mulher e da criança através de indicadores O trabalho de Cesar G. Victora (2001) sobre intervenções para reduzir a mortalidade infantil pré-escolar e materna no Brasil teve como objetivo analisar o possível impacto de intervenções para redução da mortalidade de crianças e mães brasileiras. Através de uma combinação de métodos demográficos diretos e indiretos, avaliaram-se as tendências temporais, as variações regionais e a distribuição por causas da mortalidade de mães e crianças. Avaliou-se também a atual cobertura de programas preventivos. Com base nesses parâmetros, assim como em uma revisão da literatura sobre a efetividade das intervenções disponíveis, foram obtidas estimativas do impacto potencial de cada tipo de intervenção. A mortalidade em crianças vem sendo reduzida, mas os níveis atuais ainda são elevados e há importantes desigualdades regionais, com o Nordeste e Norte apresentando os mais altos índices. Devido à predominância de causas perinatais na mortalidade de crianças brasileiras, as medidas de maior potencial são aumentos na qualidade e cobertura do atendimento pré-natal e ao parto, seguido pelo manejo integrado de doenças infecciosas e de problemas nutricionais. Melhorias nos pré-natais e partos também contribuiriam para reduzir a mortalidade materna. Segundo o autor, é importante, ainda garantir a sustentabilidade dos avanços já alcançados em áreas como as imunizações, a 55 terapia de reidratação oral e o planejamento familiar, assim como investir intensamente na redução das importantes desigualdades regionais. Silva Filho (2002) avaliou um conjunto básico de 17 indicadores que pode ser utilizado pelos serviços de saúde materna e perinatal para avaliar o cumprimento de procedimentos mínimos e essenciais durante a assistência, que são descritos a seguir: Para avaliação do pré-natal: número de consultas no pré-natal, vacinação contra o tétano, pesquisa de sífilis e controle da pressão arterial. No parto: se o parto ocorreu no mesmo local do pré-natal, utilização do cartão da gestante, falta de dados no prontuário obstétrico e proporção de cesáreas. Na assistência ao recém-nascido, índice de Apgar, prevenção de oftalmia, prevenção de hemorragia, alojamento conjunto, falta de dados no prontuário neonatal e alta em aleitamento materno exclusivo. Para avaliação do puerpério: consulta pós-parto (obstétrica e pediátrica), utilização do cartão da criança e entrega da Declaração de Nascido Vivo. E concluiu que, para qualquer julgamento sobre a qualidade do atendimento, é necessário levar em conta alguns fatores de gravidade apresentados pela clientela do serviço, pois, dependendo da gravidade e do risco de cada caso, as condutas serão diferentes. Outro aspecto importante é a análise do local do atendimento à gestante, de acordo com a fonte pagadora do serviço. Este atendimento pode ser realizado no SUS ou através de convênios, além do pagamento particular. Também a mortalidade neonatal parece estar relacionada ao tipo de atendimento, considerando-se a realização do parto, se através do SUS ou privado (não-SUS). Sob este enfoque, Monteiro (2000) concluiu que a mortalidade neonatal era 1,8 vezes maior nos hospitais vinculados ao SUS, quando comparada com a mortalidade neonatal em hospitais privados ou não-SUS. 56 O estudo de Nascimento (2003) que compara a proporção de gestantes atendida nos serviços de saúde pública e privada segundo variáveis sociais, demográficas e médicas, conclui que a inclusão de um item sobre o local de realização do prénatal, na “Declaração de Nascido Vivo” do Ministério da Saúde, poderia permitir análises rotineiras sobre o atendimento às mães pelos serviços públicos e privados. Esses estudos mostram que o atendimento em serviços públicos e privados traz mudança na acessibilidade dos serviços e qualidade da assistência. Portanto, a avaliação de serviços não deve ser restrita, e sim considerar vários fatores relativos aos serviços prestados que merecem serem vistos de forma articulada com um ou vários níveis de análise. Segundo Contandriopoulos et al em 1997, a avaliação é uma atividade, que é útil para o estabelecimento de políticas, mas ela nunca é suficiente para estabelecer políticas. 5.4 Cálculo dos indicadores materno-neonatais do SUS A tabela 5 apresenta os nascimentos por ocorrência por duração da gestação. Em 2000 a taxa de prematuridade calculada foi de 6,3% no Brasil utilizando os dados do SINASC (tabela 6). Tabela 5 - Nascimentos por ocorrência por duração da gestação em 2000 Duração gestação Menos de 22 semanas De 22 a 27 semanas De 28 a 31 semanas De 32 a 36 semanas De 28 a 36 semanas, não especificado De 37 a 41 semanas 42 semanas ou mais Ignorado Total T/ignorado Fonte: Nascidos vivos – Brasil/2000 Nascimentos por ocorrência 1.406 9.624 22.702 179.385 873 2.878.770 51.671 60.677 3.205.108 3.144.431 57 Tabela 6 - Nascimentos prematuros, partos e taxa de prematuridade Prematuros de 28 a 36 semanas Partos normais e cesáreos Taxa de Prematuridade 202.960 3.205.108 6,3 Fonte: Nascidos vivos – Brasil/2000 Outro indicador calculado foi o coeficiente de natimortalidade, as tabelas 7 e 8 mostram os procedimentos obstétricos por local de internação em 1998 e o coeficiente de natimortalidade foi de 15,4. Tabela 7 – Procedimentos obstétricos por local de internação em 1998 Procedimento Obstétrico Partos normais Partos cesáreos Curetagens pós-aborto Outras intervenções obstétricas Total Internações 1.876.624 744.729 229.944 13.333 2.864.630 Fonte: SIH/SUS/1998 Tabela 8 - Total de partos, óbitos fetais e coeficiente de natimortalidade em 1998 Total de partos 1998 Óbitos fetais – 1998 Coeficiente de natimortalidade – 1998 2.621.353 40.321 15,4 Fonte: SIH/SUS/1998 A tabela 9 mostra que ocorreram 3.205.108 nascimentos em 2000 no Brasil e que a taxa de parto normal e cesárea foram de 61,6 e 37,8, respectivamente. Tabela 9 – Nascimentos por ocorrências por tipo de parto em 2000 Tipo de parto Vaginal Cesário Ignorado Total Fonte: Nascidos vivos – Brasil/2000 Nascimentos por ocorrência Taxa partos 1.973.811 61,6 1.210.955 37,8 20.342 0,6 3.205.108 100 58 Na tabela 10, o coeficiente de nascidos vivos foi de 98 nascidos vivos, sendo o denominador o total de partos. O coeficiente de natalidade do Brasil foi de 21,4 nascidos vivos no ano de 1999 e de 18,5 nascidos vivos por mil habitantes em 2000. É uma medida de freqüência de nascimentos em uma determinada população, durante um período de tempo especificado. Expressa a freqüência anual de nascidos vivos no total da população. O total de óbitos por causas maternas em 2000 foi de 946.392, de acordo com os dados do SIM, tabela 11. Tabela 10 – Coeficiente de nascidos vivos e natalidade Eventos Total de Prematuros e a Termo Coeficiente de nascidos vivos Coeficiente de natalidade Freqüência 3.133.401 98 18,5 Fonte: Nascidos vivos – Brasil/2000 Tabela 11 – Óbitos por residência por causas maternas Causas maternas Óbitos por Residência Causa materna 1.632 Causa materna sujeita a investigação 129.094 Causa não materna 815.666 Total de causas maternas 130.726 Total 946.392 Fonte: Mortalidade – Brasil/2000 Na tabela 12, temos o número de óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos segundo região no Brasil 1997-2000. As taxas foram calculadas diretamente dos sistemas SIM e SINASC para todos os estados que atingiram percentual de 90% dos óbitos femininos de 10 a 49 anos de idade, correspondendo a todos os estados das regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, exceto Mato Grosso. Nas regiões Norte e Nordeste, as coberturas do SINASC são frágeis em diversos estados e necessitam investimentos (Brasil, 2003f). A taxa de mortalidade materna em 1998 foi de 68 óbitos para 100.000 nascidos vivos no Brasil e caiu para 45,8 em 2000. Tabela 12 – Número de óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos segundo região, Brasil 1997-2000 1997 Região Taxa 1998 Óbitos Nascidos maternos vivos Brasil 61,0 997 Sudeste 58,5 568 970.915 Sul 71,5 337 Centrooeste 48,0 92 Taxa 1.633.760 68,0 1999 Óbitos Nascidos maternos vivos Taxa 2000 Óbitos Nascidos Óbitos Nascidos Taxa maternos vivos maternos vivos 1359 1.998.664 55,8 1138 2.040.429 45,8 907 1982502 67,8 915 1.349.764 53,4 739 1.384.878 45,2 610 1349212 471.234 76,2 350 459.039 61,9 291 470.326 53,1 239 450181 191.611 49,5 94 189.861 58,3 108 185.225 31,7 58 183109 Fontes: MS/Funasa/Cenepi - Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos - SINASC; MS/Funasa/Cenepi - Sistema de Informações sobre Mortalidade - SIM; IBGE/Estimativas demográficas 59 60 Na tabela 13 verifica-se o percentual de cesarianas no Brasil em 2001 que foi de 38,1%. A região Sudeste apresenta o maior percentual de 46,9%. As taxas de captação dos nascidos vivos foram maiores nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, no Brasil o percentual foi de 86,3% (Brasil, 2003a). Tabela 13 – Número de nascidos vivos, taxa de captação dos nascidos vivos e percentuais de cesarianas por UF no Brasil em 2001 Região/UF Brasil Região Norte Rondônia Acre Amazonas Roraima Pará Amapá Tocantins Região Nordeste Maranhão Piauí Ceará Rio Grande do Norte Paraíba Pernambuco Alagoas Sergipe Bahia Região Sudeste Minas Gerais Espírito Santo Rio de Janeiro São Paulo Região Sul Paraná Santa Catarina Rio Grande do Sul Região Centro-Oeste Mato Grosso do Sul Mato Grosso Goiás Distrito Federal Nascidos Vivos Taxa de Captação dos NV 3.106.525 86,3 297.176 78,6 28.235 78,7 14.899 90,0 68.420 75,4 9.605 97,0 134.743 76,5 14.638 98,6 26.636 78,4 938.315 81,3 108.609 74,0 58.649 86,0 149.094 72,8 53.531 83,1 64.953 80,2 162.093 94,0 66.790 83,8 39.843 85,7 234.753 81,0 1.229.776 90,5 297.764 85,0 57.116 92,1 242.360 101,0 632.536 89,5 415.762 89,3 167.286 89,1 87.879 88,4 160.597 90,0 225.496 93,3 40.071 91,6 47.576 83,6 92.704 96,0 45.145 101,7 Fonte: Nascidos vivos – Brasil/2000 % de cesarianas 38,1 27,5 45,5 23,3 24,0 25,1 27,1 17,4 28,1 26,3 23,2 28,8 28,7 28,4 32,1 30,6 23,2 20,6 22,3 46,9 40,5 44,1 49,4 49,2 43,2 44,9 42,2 42,1 44,2 42,5 45,3 45,5 42,0 61 5.5 Delineamento das informações materno-neonatais do SIP Para as operadoras com menor porte, aquelas com menos de 100 mil beneficiários, os subitens relacionados à internação são: parto normal, parto cesáreo, atendimento ao recém-nascido na sala de parto, nascido vivo prematuro, nascido vivo a termo e nascido morto, as definições destes termos fazem parte do glossário do SIP e encontram-se no anexo A. Para as operadoras com mais de 100 mil beneficiários, além desses eventos, também são informados: a quantidade de diárias de quarto e enfermaria, diárias de UTI e unidade semiintensiva, número de internações de gravidez terminada em aborto, número de internações por transtornos relacionados à gravidez e internações por complicações no período de puerpério. No relatório gerencial esses eventos são as bases de cálculo dos indicadores materno-neonatais. Também há os indicadores anuais que são o coeficiente e a taxa de mortalidade materna. Na análise dos dados do SIP percebe-se que as informações sobre o tipo de parto realizado são mais fáceis de serem obtidas pelas operadoras, portanto os indicadores de taxa de parto normal e cesáreo são mais consistentes. Já as informações do número de internações de gravidez terminada em aborto, por transtornos relacionados à gravidez e complicações no período de puerpério não apresentaram bons resultados. Também podemos observar que os indicadores anuais de taxa e coeficiente de mortalidade materna que são calculados diretamente nas operadoras apresentam inconsistências. Uma sugestão é de que os dados para cálculo destes indicadores anuais sejam fornecidos de forma primária para a ANS. Os dados necessários são: o número de nascidos vivos na operadora, o número de óbitos maternos e o número de mulheres de 15 a 49 anos. O cálculo do número de mulheres em idade fértil é feito a partir do conceito de mulheres expostas ao risco, ou seja, mulheres em idade fértil e que possam utilizar o serviço hospitalar pelo convênio. Devendo assim, ser excluídas aquelas que não possuem planos com cobertura obstétrica e aquelas que estão em carência para o parto. 62 No quadro 4, propomos uma classificação dos indicadores do SIP relacionados às fases da gestação para avaliação da assistência. Quadro 4 - Indicadores relacionados às fases da gestação Pré - Natal • • Índice de internações por gravidez terminada em aborto Parto Taxa de parto normal • Taxa de parto cesáreo • Taxa de atendimento ao recém nascido por pediatra na sala de parto • • Índice de internações por transtornos maternos relacionados à gravidez Puerpério • • Coeficiente de natalidade • Coeficiente de natimortalidade • Taxa de prematuridade Taxa de utilização de UTI / CTI neonatal Índice de internações por complicações no período de puerpério 5.6 Fórmulas dos principais indicadores materno-neonatais do SIP Indicador 1 • Taxa de mortalidade materna Nº de óbitos por causas maternas, em determinado ano x 100.000 Nº de mulheres de 15 a 49 anos no mesmo ano Indicador 2 • Coeficiente de mortalidade materna Nº de óbitos por causas maternas, em determinado ano x 100.000 Nº de nascidos vivos no mesmo ano Indicador 3 • Taxa de parto normal Nº de partos normais x 100 Nº de partos normais + nº de partos cesáreo Indicador 4 • Taxa de parto cesáreo Nº de partos cesáreos x 100 Nº de partos normais + nº de partos cesáreos 63 Indicador 5 • Taxa de atendimento ao RN na sala de parto Nº de atendimentos ao RN na sala de parto x 100 Nº de nascidos vivos a termo + nascidos vivos prematuros + nascidos mortos Indicador 6 • Coeficiente de natalidade Nº de nascidos a termo + nº de nascidos vivos prematuros x 1.000 Total de beneficiários Indicador 7 • Coeficiente de natimortalidade x 1.000 Nº de nascidos mortos Nº de partos normais + nº de partos cesáreos Indicador 8 • Taxa de prematuridade Nº de nascidos vivos prematuros x 100 Nº de partos normais + nº de partos cesáreos Indicador 9 • Coeficiente de nascidos vivos Nº de nascidos a termo + nº de nascidos vivos prematuros x 1.000 Nº partos normais + nº de partos cesáreos Indicador 10 • Índice de internações por transtornos maternos na gravidez Nº de Internações por transtornos maternos na gravidez Total de partos normais + partos cesáreos Indicador 11 • Índice de internações por complicações no período de puerpério Internações por complicações no período de puerpério Total de partos normais + partos cesáreos Indicador 12 • Taxa de internações de gravidez terminada em aborto Internações por gravidez terminada em aborto x 100 Total de internações por gravidez terminada em aborto + Total de internações por transtornos relacionados à gravidez Indicador 13 • Taxa de utilização de UTI e CTI neonatal x 100 Nº de internações UTI e CTI neonatal Nº de nascidos vivos a termo + nº de nascidos vivos prematuros 64 5.7 Fichas Técnicas dos Indicadores Materno-Neonatais A partir do desenvolvimento da pesquisa, foi elaborada uma ficha técnica padronizada para cada indicador, especificamente para o estudo. As fichas técnicas contêm: a definição e o foco do indicador, buscando avaliar o que o indicador visa aferir; a fórmula e a definição dos termos utilizados para cálculo dos indicadores; a interpretação deste valor calculado; a existência de parâmetros nacionais que permitiriam a avaliação do padrão para referência e a periodicidade com que o indicador é informado no SIP. De modo que os indicadores identificados a partir de documentos do Ministério da Saúde e pesquisa bibliográfica fossem organizados de forma semelhante para permitir a análise dos parâmetros assistenciais materno-neonatais da saúde suplementar. Indicadores Materno-Neonatais Indicador 1 – Taxa de Mortalidade Materna Indicador 2 – Coeficiente de Mortalidade Materna Indicador 3 – Taxa de Parto Normal Indicador 4 – Taxa de Parto Cesáreo Indicador 5 – Taxa de Atendimento ao RN por Pediatra na Sala de Parto Indicador 6 – Coeficiente de Natalidade Indicador 7 – Coeficiente de Natimortalidade Indicador 8 – Taxa de Prematuridade Indicador 9 – Coeficiente de Nascidos Vivos Indicador 10 – Índice de Internações por Transtornos Maternos na Gravidez Indicador 11 – Índice de Internações por Complicações no Período de Puerpério Indicador 12 – Taxa de Internações de Gravidez Terminada em Aborto Indicador 13 – Taxa de Utilização de UTI e CTI Neonatal A seguir são apresentados todos os indicadores propostos com as respectivas fichas técnicas. Ficha técnica do indicador Indicador 1 Taxa de mortalidade materna 1. Definição: A Taxa de Mortalidade Materna é obtida pela razão entre os óbitos maternos e o número de mulheres de 15 a 49 anos, em determinado local e período. 2. Foco do indicador: Visa aferir a assistência prestada à gestante. 65 3. Fórmula: Nº de óbitos por causas maternas no ano x 100.000 Nº de mulheres de 15 a 49 anos no ano 4. Definição dos termos: O cálculo é obtido por meio da razão do número de óbitos maternos entre o número de mulheres expostas para parto e com idade entre 15 e 49 anos, multiplicado por 100.000. Portanto, estão excluídas as beneficiárias que estão em carência para parto e aquelas cujos planos não ofereçam cobertura obstetrícia. O cálculo de expostas para parto com idade entre 15 e 49 anos deverá ser feito utilizando-se a mesma metodologia para o cálculo de total de expostos. 5. Interpretação: Quanto menor a taxa de mortalidade materna melhor o desempenho da operadora. Devem ser estimuladas a captação precoce no prénatal e sua qualificação, além das ações relacionadas ao planejamento familiar, pontos fundamentais para a redução da mortalidade materna, contribuindo para garantir melhores condições à saúde reprodutiva das mulheres e reduzir o risco de óbito relacionado com a gravidez. A assistência adequada ao pré-natal e ao parto, além de reduzir a mortalidade materna diminui também a mortalidade neonatal, tendo impacto sobre o coeficiente de mortalidade infantil. Expressa o risco dessas mulheres virem a morrer por causas maternas. A OMS considera uma morte evitável, em 90% dos casos, reflete a existência de sérios problemas relacionados com a assistência à mulher no período gravídicopuerperal. 6. Padrão: O ideal é que o número destas mortes fosse próximo a zero, pois intervêm as causas inevitáveis, que, devem causar o menor número possível de óbitos. 7. Periodicidade: anual. Nota: Para o cálculo da proporção de óbitos de mulheres em idade fértil a faixa utilizada é de 10 a 49 anos de idade no SUS. Indicador 2 Coeficiente de Mortalidade Materna 1. Definição: O Coeficiente de Mortalidade Materna é obtido pela razão do número de óbitos maternos pelo número de nascidos vivos no mesmo ano, multiplicado por 100.000. 2. Foco do indicador: Coeficiente de Mortalidade Materna é considerado um importante indicador da qualidade da assistência prestada à mulher no período gravídico-puerperal. 66 3. Fórmula: Nº de óbitos por causas maternas em determinado ano x 100.000 Nº de nascidos vivos, no mesmo ano 4. Definição dos termos: O cálculo é obtido por meio da razão do número de óbitos maternos entre o número de nascidos vivos no mesmo ano, multiplicado por 100.000. Óbitos por causas maternas (Morte materna): morte de uma mulher durante a gestação ou até 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais (capítulo XV da CID-10 (excluídos os códigos O96 e O97) e códigos B20-B24 (desde que a mulher esteja grávida no momento da morte ou tenha estado grávida até 42 dias antes da morte); E23.0, M83.0, A34 e F53 (10ª Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10)). As mortes maternas correspondem ao Capítulo XV da CID-10 “Gravidez, Parto e Puerpério” (excluídos os códigos O96 e O97), acrescentando-se as mortes consideradas maternas, mas que se classificam em outros capítulos da CID, especificamente: (i) doença causada pelo HIV (B20-B24), desde que a mulher esteja grávida no momento da morte ou tenha estado grávida até 42 dias antes da morte; (ii) necrose pós-parto da hipófise (E23.0); (iii) osteomalácia puerperal (M83.0); (iv) tétano obstétrico (A34); e (v) transtornos mentais e comportamentais associados ao puerpério (F53). A CID-10 estabelece ainda os conceitos de: morte materna tardia, decorrente de causa obstétrica, ocorrida após 42 dias e menos de um ano depois do parto (código O96); e morte materna por seqüela de causa obstétrica direta, ocorrida um ano ou mais após o parto (código O97). Nascidos vivos: produto da concepção que, independentemente do tempo de gestação, depois de expulso ou extraído do corpo da mãe, respire ou apresente outro sinal de vida, tal como batimento cardíaco, pulsação do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de contração voluntária, estando ou não desprendida a placenta. 5. Interpretação: As causas obstétricas diretas representam 70% das causas de mortalidade materna, principalmente hemorragia e toxemia. As entidades médicas preconizam que a qualidade da assistência ao parto possui efeito direto e significativo na mortalidade materna durante o parto. A Organização Mundial de Saúde preconiza a provisão da Assistência Obstétrica Essencial (AOE) básica como uma estratégia efetiva na redução da mortalidade materna. 67 A OMS identificou os componentes mais importantes da AOE. As instalações básicas de AOE, que devem ser acessíveis a todas as mulheres, incluem centros de parto com um atendente qualificado, artigos necessários e a capacidade de transportar rapidamente uma mulher para uma instalação abrangente de AOE se necessário. Os principais componentes de uma instalação básica de AOE são: (a) manejo de problemas da gravidez (por exemplo, anemia, diabetes); (b) tratamento médico de complicações relacionadas com a gravidez, parto ou aborto (por exemplo, hemorragia, sepsis, complicações de aborto, eclâmpsia); (c) procedimentos manuais (por exemplo, remoção da placenta, reparação de tecidos esgarçados ou episiotomias); (d) monitoração do trabalho (incluindo partógrafo); e (e) atendimento neonatal básico. É uma expressão do risco de uma mulher vir a morrer em conseqüência da gravidez ou do parto. 6. Padrão: No Brasil, o coeficiente de mortalidade materna em 1998 foi 68 por 100.000 nascidos vivos, sendo considerada muito alta em relação a outros países industrializados, portanto há possibilidade real de melhora. Para os estados situou-se, no período de 97-98, entre 44 e 86 óbitos por 100 mil nascidos vivos. A razão de mortalidade materna acima de 20 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos já é considerada muito elevada1. No Canadá, por exemplo, o coeficiente de mortalidade materna é de quatro por 100 mil nascidos vivos. Portanto, quanto menor a taxa de mortalidade materna melhor o desempenho da operadora. 7. Periodicidade: anual. Nota: A taxa de mortalidade materna é obtida através da razão do número de óbitos maternos por número de nascidos vivos multiplicado por 100.000 no SUS. 1 Portaria nº 723/GM em 10 de maio de 2001 que constitui o Pacto dos Indicadores da Atenção Básica (Brasil, 2001c). Indicador 3 Taxa de Parto Normal 1. Definição: A Taxa de Parto Normal é obtida pela razão entre o número de partos normais e o total de partos no trimestre, multiplicado por 100. 2. Foco do indicador: A Taxa de Parto Normal é um indicador da qualidade de assistência ao parto. 3. Fórmula: Nº de partos normais x 100 Nº de partos normais + nº de partos cesáreos 68 4. Definição dos termos: Parto normal é aquele procedimento no qual o nascimento ocorre por via vaginal. 5. Interpretação: O ideal é que somente os partos com indicação precisa evoluam para cesarianas. 6. Padrão: Normativo: 85% de partos normais no SUS 7. Periodicidade: Trimestral. Indicador 4 Taxa de Parto Cesáreo 1. Definição: A Taxa de Parto Cesáreo é obtida pela razão entre o número de partos cesáreos e o total de partos no trimestre, multiplicado por 100. 2. Foco do indicador: A Taxa de Parto Cesáreo é um indicador da qualidade de assistência ao parto. 3. Fórmula: Nº de partos cesáreos x 100 4. 5. 6. 7. Nº de partos normais + nº de partos cesáreos Definição dos termos: Parto cesáreo é aquele procedimento no qual o nascimento ocorre por via abdominal. Interpretação: O ideal é que somente os partos com indicação precisa evoluam para cesarianas. Considera-se que a taxa apropriada de partos cesáreos seja de 15%, de acordo com a OMS. Padrão: Normativo: 15% de partos cesáreos. Indicações: distoces obstétricas, vícios de apresentação, gravidez de alto risco, idade da mulher, iteratividade e parto cesáreo prévio. Periodicidade: Trimestral. Indicador 5 Taxa de Atendimento ao Recém-Nascido (RN) por Pediatra na Sala de Parto 1. Definição: A Taxa de Atendimento ao Recém-Nascido por Pediatra na Sala de Parto é obtida pela razão do número de atendimento ao RN na sala de parto e o somatório do número de nascidos vivos a termo, prematuro e os nascidos mortos. 2. Foco do indicador: É um indicador da qualidade de assistência ao parto. 69 3. Fórmula: Nº de atendimentos ao RN na sala de parto x 100 Nº de nascidos vivos a termo + nascidos vivos prematuros + nascidos mortos 4. Definição dos termos: Atendimento ao RN na sala de parto: resultantes de internações em que tenham ocorrido com o atendimento ao RN realizado na sala de parto por pediatra, após o parto normal ou cesáreo. Nascido vivo prematuro: É o produto da concepção, com idade gestacional menor que 36 semanas e 6 dias, que depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno, respira ou dá qualquer outro sinal de vida. Nascido vivo a termo: É o produto da concepção, com idade gestacional igual ou maior que 37 semanas, que depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno, respira ou dá qualquer outro sinal de vida. Nascido morto: Óbito do produto da concepção que tenha alcançado 28 semanas completas ou mais de gestação, ocorrido antes de expulsão ou da extração completa do corpo materno. 5. Interpretação: A taxa esperada é de 100% pois as intercorrências com o recém nascido são conduzidas pelo pediatra no momento do parto. 6. Padrão: Normativo, 100% dos atendimentos ao RN na sala de parto por pediatra. 7. Periodicidade: Trimestral. Indicador 6 Coeficiente de Natalidade 1. Definição: O Coeficiente de Natalidade é obtido pela razão do somatório do número de nascidos vivos a termo e prematuros pelo total de beneficiários, multiplicado por 1000. 2. Foco do indicador: é a medida de freqüência de nascimentos em uma determinada população, durante um período de tempo especificado. Expressa a freqüência anual de nascidos vivos no total da população. No SIP este indicador é trimestral. O Coeficiente de Natalidade é influenciado pela estrutura da população, quanto à idade e ao sexo. 3. Fórmula: Nº de nascidos a termo + nº de nascidos vivos prematuros x 1.000 Total de beneficiários 4. Definição dos termos: Nascido vivo prematuro: É o produto da concepção, com idade gestacional menor que 36 semanas e 6 dias, que depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno, respira ou dá qualquer outro sinal de vida. 70 Nascido vivo a termo: É o produto da concepção, com idade gestacional igual ou maior que 37 semanas, que depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno, respira ou dá qualquer outro sinal de vida. Número de beneficiários: É o total de beneficiários da operadora no último dia útil do trimestre informado. 5. Interpretação: Possibilita o cálculo do crescimento vegetativo ou natural da população beneficiária, subtraindo-se, da taxa bruta de natalidade, a taxa bruta de mortalidade. 6. Padrão: 21,4 nascidos vivos por mil habitantes por ano – Brasil, 1999. 7. Periodicidade: Trimestral. Fontes: Indicadores básicos para a saúde no Brasil: conceitos e aplicações. Brasília, 2002. IBGE: Censo Demográfico (1991) e projeção populacional Brasil. Indicador 7 Coeficiente de Natimortalidade 1. Definição: O Coeficiente de Natimortalidade é obtido pela razão do número de nascidos mortos pelo total de partos normais e cesáreos, multiplicado por 1000. 2. Foco do indicador: É um indicador da qualidade de assistência ao parto. 3. Fórmula: Nº de nascidos mortos x 1.000 4. 5. 6. 7. 8. Nº de partos normais + nº de partos cesáreos Definição dos termos: Nascido morto: Óbito do produto da concepção que tenha alcançado 28 semanas completas ou mais de gestação, ocorrido antes de expulsão ou da extração completa do corpo materno. Parto normal é aquele procedimento no qual o bebê nasce por via vaginal. Parto cesáreo é aquele procedimento cirúrgico que inclui incisão abdominal durante o trabalho de parto. Nível de informação: Processo. Interpretação: Avaliar o padrão de cada operadora e sua distribuição ao longo do tempo. Ocorrendo aumento do padrão da operadora pode ser um sinal de alerta. Padrão: da operadora. Periodicidade: Trimestral. 71 Indicador 8 Taxa de prematuridade 1. Definição: A Taxa de Prematuridade é obtida pela razão do número de nascidos vivos prematuros pelo somatório de partos normais e cesáreos, multiplicado por 100. 2. Foco do indicador: É um indicador da qualidade de assistência ao pré-natal e ao parto. 3. Fórmula: Nº de nascidos vivos prematuros x 100 Nº de partos normais + nº de partos cesáreos 4. Definição dos termos: Nascido vivo prematuro: É o produto da concepção, com idade gestacional menor que 36 semanas e 6 dias, que depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno, respira ou dá qualquer outro sinal de vida. Parto normal é aquele procedimento no qual o bebê nasce por via vaginal. Parto cesáreo é aquele procedimento cirúrgico que inclui incisão abdominal durante o trabalho de parto. 5. Interpretação: Avaliar o padrão de cada operadora e sua distribuição ao longo do tempo. 6. Padrão: da operadora. 7. Periodicidade: Trimestral. Indicador 9 Coeficiente de Nascidos Vivos 1. Definição: O Coeficiente de Nascidos Vivos é obtido pela razão do somatório do número de nascidos vivos a termo e prematuro pelo somatório dos partos, multiplicado por 1.000. 2. Foco do indicador: É um indicador da qualidade de assistência ao pré-natal e ao parto. 3. Fórmula: Nº de nascidos a termo + nº de nascidos vivos prematuros X 1.000 Nº partos normais + nº de partos cesáreos 4. Definição dos termos: Nascido vivo prematuro: É o produto da concepção, com idade gestacional menor que 36 semanas e 6 dias, que depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno, respira ou dá qualquer outro sinal de vida. Nascido vivo a termo: É o produto da concepção, com idade gestacional igual ou maior que 37 semanas, que depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno, respira ou dá qualquer outro sinal de vida. 72 Parto normal é aquele procedimento no qual o bebê nasce por via vaginal. Parto cesáreo é aquele procedimento cirúrgico que inclui incisão abdominal durante o trabalho de parto. 5. Interpretação: Avaliar o padrão de cada operadora e sua distribuição ao longo do tempo. 6. Padrão: da operadora. 7. Periodicidade: Trimestral Indicador 10 Índice de Internações por Transtornos Maternos na Gravidez 1. Definição: O Índice de Internações por Transtornos Maternos na Gravidez é obtido pela razão do número de internações por transtornos maternos na gravidez pelo total de partos normais e cesáreos. 2. Foco do indicador: Avalia o índice de internações por transtornos maternos na gravidez. 3. Fórmula: Nº de Internações por transtornos maternos na gravidez 4. 5. 6. 7. Total de partos normais + partos cesáreos Definição dos termos: Transtornos Maternos relacionados à Gravidez correspondem às internações em que o diagnóstico principal caracteriza os transtornos maternos relacionados à gravidez em que não haja interrupção da mesma. Parto normal é aquele procedimento no qual o bebê nasce por via vaginal. Parto cesáreo é aquele procedimento cirúrgico que inclui incisão abdominal durante o trabalho de parto. Interpretação: Avaliar o padrão de cada operadora e sua distribuição ao longo do tempo. Padrão: da operadora. Periodicidade: Trimestral. Indicador 11 Índice de Internações por Complicações no Período de Puerpério 1. Definição: O Índice de Internações por Complicações no Período de Puerpério é obtido pela razão do número de internações por complicações no período de puerpério pelo total de partos normais e cesáreos. 2. Foco do indicador: Avalia o índice de internações por complicações no período de puerpério, período de até 42 dias pós-parto e o acompanhamento das mulheres após o parto. 73 3. Fórmula: Nº Internações por complicações no período de puerpério Total de partos normais + partos cesáreos 4. Definição dos termos: Parto normal é aquele procedimento no qual o bebê nasce por via vaginal. Parto cesáreo é aquele procedimento cirúrgico que inclui incisão abdominal durante o trabalho de parto. Complicações no período de puerpério correspondem às internações em que o diagnóstico principal caracteriza as complicações do período de puerpério. 5. Interpretação: Avaliar o padrão de cada operadora e sua distribuição ao longo do tempo. 6. Padrão: da operadora. 7. Periodicidade: Trimestral. Indicador 12 Taxa de Internações de Gravidez Terminada em Aborto 1. Definição: A Taxa de Internações de Gravidez Terminada em Aborto é obtida pela razão entre o número de internações por gravidez terminada em aborto pelo total de internações por gravidez terminada em aborto e internações por transtornos relacionados à gravidez, multiplicado por 100. 2. Foco do indicador: Avalia a taxa de internações de gravidez terminada em aborto, avalia o pré-natal e a assistência a mulher. 3. Fórmula: x 100 Nº Internações por gravidez terminada em aborto Total de internações por gravidez terminada em aborto + Total de internações por transtornos relacionados à gravidez 4. Definição dos termos: Gravidez terminada em aborto corresponde às internações em que o diagnóstico principal caracteriza a gravidez terminada em aborto. Em aborto são consideradas as perdas ou mortes fetais, ocorridas até o término da 27a semana de gestação. Transtornos Maternos relacionados à Gravidez correspondem às internações em que o diagnóstico principal caracteriza os transtornos maternos relacionados à gravidez em que não haja interrupção da mesma. 5. Interpretação: Avaliar o padrão de cada operadora e sua distribuição ao longo do tempo. 6. Padrão: da operadora. 7. Periodicidade: Trimestral. 74 Indicador 13 Taxa de Utilização de UTI e CTI Neonatal 1. Definição: A Taxa de Utilização de UTI e CTI Neonatal é obtida pela razão entre o número de internações em UTI e CTI neonatal pelo número de nascidos vivos a termo e prematuro, multiplicado por 100. 2. Foco do indicador: Avalia a taxa de utilização de UTI e CTI neonatal e as complicações do período neonatal que vai do nascimento a 28 dias de vida. 3. Fórmula: Nº de internações em UTI e CTI neonatal x 100 Nº de nascidos vivos a termo + nº de nascidos vivos prematuros 4. Definição dos termos: Internações em UTI e CTI neonatal correspondem às internações de crianças menores de 28 dias que utilizam cuidados de UTI e CTI neonatal. Nascido vivo a termo: É o produto da concepção, com idade gestacional igual ou maior que 37 semanas, que depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno, respira ou dá qualquer outro sinal de vida. Nascido vivo prematuro: É o produto da concepção, com idade gestacional menor que 36 semanas e 6 dias, que depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno, respira ou dá qualquer outro sinal de vida. 5. Interpretação: Avaliar o padrão de cada operadora e sua distribuição ao longo do tempo. 6. Padrão: da operadora. 7. Periodicidade: Trimestral. 75 6. DISCUSSÃO Após dois anos de implantação do SIP, verificam-se os avanços e contribuições que este sistema trouxe, além do fato de deixar disponíveis informações rotineiras, ágeis, permanentes e de tendências do perfil de utilização da saúde suplementar. A possibilidade de retirada de diferentes indicadores, necessários ao planejamento e avaliação de ações regulatórias em saúde pela ANS, bem como o seu uso pelas operadoras, instituições acadêmicas, gestores do SUS, contribui para a melhoria do sistema. Para Loureiro (2003), a integração das informações originadas nos sistemas de assistência suplementar deve ser uma oportunidade e um esforço para o aperfeiçoamento do Sistema de Informação do SUS. Por outro lado, os sistemas de informações da saúde suplementar têm muito a ganhar com os sistemas de informações do SUS. No entanto, algumas considerações devem ser levantadas sobre os sistemas de informações quanto ao processo de formulação, sua disponibilidade e evolução. O SIM está implantado no Brasil desde 1977, nas décadas de 1970 e 1980 o sistema foi todo processado em computadores de grande porte, tendo o MS trabalhado grande parte das informações. Na década de 1990, o sistema foi descentralizado para as Secretarias Estaduais de Saúde (SES) e em 1999, foi implantado um novo software do SIM, desenvolvido pelo DATASUS facilitando o processo de crítica das variáveis, minimizando as inconsistências nas bases de dados (Branco, 2001). A cobertura e a qualidade do SIM vem melhorando com o passar dos anos. Já o SINASC foi implantado oficialmente no país em 1990, após o Seminário Nacional sobre Informações que foi realizado em 1989, quando foram estabelecidas as bases normativas e operacionais para um Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos. Na avaliação da história desses dois sistemas, o tempo de implantação deve ser considerado, além de outros aspectos como a sua freqüente utilização e a estabilidade do sistema para fins de avaliação e análises de séries históricas. 76 Outro aspecto limitante do SIP é a disponibilidade de informação sobre a utilização de serviços no país sem possibilidade de desagregação regional, nem por usuário. A desagregação das informações por regiões possibilita a utilização de intervenções específicas e diferenciadas em determinados grupos populacionais e áreas. Os serviços de utilização não são distribuídos de forma eqüitativa, portanto, o fato de possuirmos o indicador nacional, não permite entender a falta de disponibilidade do serviço por regiões. Cabe destacar, a importância da busca de outros indicadores que estejam desagregados em vários níveis. Também como há dados de pequenas operadoras o tamanho da população beneficiária não possibilita a análise mais detalhada pois estratificações podem ficar comprometidas não permitindo a comparação com operadoras de grande porte e outros sistemas de informação em saúde. Embora não tenham sido realizados estudos para aferir a confiabilidade da base de dados do SIP, análises preliminares indicam que a qualidade deve ser questionada. Em virtude disso, um conjunto de críticas para a melhoria da qualidade das informações da base de dados foi construído em 2003. E assim, alguns dados do setor como freqüência de utilização e custo médio dos eventos foram disponibilizados no site da ANS em dezembro de 2003. Concluímos, que atenção especial deve ser dispensada ao modelo de tratamento estatístico das informações, possibilitando a definição de estratégias de incentivo à melhoria da qualidade da informação gerada. Sugere-se a realização de estudos de confiabilidade dos dados, principalmente em relação às informações maternoneonatais. Em dezembro de 2003, foi realizada oficina para avaliação da qualidade dos dados do SIP com o objetivo de apresentar o acompanhamento das informações assistenciais, prioritariamente os indicadores materno-neonatais foram avaliados. O intuito desta oficina foi avaliar as dificuldades encontradas pelas operadoras no fornecimento das informações através do SIP e a utilização dos relatórios gerenciais no planejamento de ações. Participaram desta oficina 21 operadoras 77 que prestam assistência médico-hospitalar. Os critérios de inclusão basearam-se na classificação, porte e no fato de terem participado do 1º treinamento do SIP realizado pela ANS em 2001. Durante o desenvolvimento do trabalho, foram construídas críticas para tratamento estatístico do banco de dados e propiciar a seleção das operadoras de acordo com o desempenho e qualidade dos dados informados. As operadoras que não passaram pelas críticas estabelecidas foram classificadas como de pior desempenho de acordo com o relatório gerencial dos últimos quatro trimestres. Os representantes das operadoras convidados a participar da oficina foram preferencialmente coordenadores médicos e os responsáveis pelo fornecimento das informações assistenciais. De acordo com a dinâmica da oficina, foi apresentado um histórico do SIP dando enfoque aos aspectos ligados à operacionalização, implementação, revisão dos principais conceitos, apresentação dos anexos, rotina de envio através do programa de transmissão de arquivos, avaliação da qualidade dos dados, exemplos de inconsistências dos dados enviados através do relatório gerencial, fórmulas dos indicadores assistenciais e exemplos de parâmetros nacionais e internacionais. Cada operadora recebeu seu relatório gerencial consolidado dos últimos quatro trimestres. O sigilo das informações das operadoras foi mantido e elas não foram identificadas. Houve espaço para colocações pelas operadoras das principais dificuldades encontradas que justifiquem as inconsistências no envio das informações. Foi, também, reforçada a importância da análise, pela operadora, do relatório gerencial, e as contribuições que esta análise pode trazer na avaliação da qualidade da assistência, no âmbito epidemiológico, financeiro, organizacional e gerencial. Ainda neste seminário, em relação ao impacto do SIP, algumas operadoras relataram mais agilidade e organização das informações, constituindo "em excelente auxiliar de gestão", foram criadas rotinas para investigação de morte materna e ações de prevenção. Essas ações levam a melhoria da qualidade da assistência prestada. 78 Esta foi a primeira oficina para avaliação de qualidade das informações e uma das ações propostas para 2004 é o planejamento de outras oficinas para a avaliação e análise do SIP, possibilitando a definição de estratégias de incentivo à melhoria da qualidade da informação gerada. A importância da avaliação da qualidade da assistência na saúde suplementar, também se prende ao esforço de reduzir os valores das taxas de mortalidade materna e mortalidade neonatal. Os coeficientes de mortalidade são muito influenciados pelos registros de nascidos vivos, embora no sentido oposto aos de mortalidade, isto é, enquanto o sub-registro e a baixa qualidade dos dados de mortalidade subestimam a mortalidade materna, o sub-registro de nascidos vivos superestima a mortalidade materna (Volochko, 2003). Laurenti et al. (2000) concluem que no Brasil existe sub-registro de óbitos e os médicos não informam corretamente as causas maternas nos atestados de óbito, resultando em falta de informações sobre a mortalidade materna através dos atestados de óbito. Tal fato fez com que se desenvolvessem métodos alternativos para a mensuração da mortalidade materna. Muitos estudos têm sido realizados para avaliação dos dados oficiais de mortalidade materna no Brasil, quando se analisa a qualidade do sistema de informações de óbitos, inclusive com propostas de fatores de correção (Silva et al., 1999). Tendo-se em vista a necessidade de se conhecer a tendência de informações de mortalidade materna, têm sido utilizadas metodologias alternativas para cálculo da mortalidade materna. Mesmo reconhecendo a importância dessas metodologias, é importante ressaltar que deve ser sempre estimulado o aprimoramento do registro de óbito, bem como o da declaração médica da causa de morte. A sensibilização dos profissionais de saúde no correto preenchimento das declarações de óbitos e o treinamento periódico são fundamentais para a melhoria das estimativas oficiais. Alguns municípios vêm ampliando investigações das causas de óbitos maternos através de ações de vigilância epidemiológica. O acompanhamento do impacto de ações dos Comitês de Morte Materna deve ser publicado periodicamente, assim 79 como as tendências dos indicadores materno-neonatais, além das discussões dos fatores de risco e o estabelecimento de rotinas e condutas para a melhoria da qualidade da assistência prestada às mulheres no Brasil. Os indicadores que mensuram a mortalidade materna no SIP são o coeficiente e a taxa de mortalidade materna. Eles são calculados pela operadora e enviados juntamente com os dados do último trimestre de cada ano, que no caso da mortalidade materna é obtido pela razão entre os óbitos por causas maternas e o número de nascidos vivos. Este coeficiente é expresso para cada 100.000 nascimentos vivos, na operadora por ano. Embora na prática o termo taxa seja utilizado para expressar o coeficiente, por muito tempo adotaram-se, para fins de comparação, índices sugeridos pela OMS para avaliar a taxa de mortalidade materna de diversos países. A taxa de mortalidade materna é então obtida pela razão entre os óbitos maternos e o número de mulheres de 15 a 49 anos. As operadoras utilizam a taxa de mortalidade materna como um indicador anual no SIP. Para o cálculo da proporção de óbitos de mulheres em idade fértil a faixa utilizada é de 10 a 49 anos de idade no SUS. Muitas críticas em relação ao cálculo desses indicadores são pertinentes, pelo fato do coeficiente não se tratar, na verdade, de uma expressão de risco de uma mulher vir a morrer em conseqüência da gravidez ou do parto. Isto só ocorreria se o denominador incluísse o total de nascimentos (nascidos vivos e perdas fetais). Outra forma de cálculo sugerida é usar no denominador o número de mulheres em idade fértil, o que expressaria o risco dessas mulheres virem a morrer por causas maternas - taxa específica de mortalidade por causa materna para o grupo de mulheres em idade fértil (Theme-Filha et al., 1999). O coeficiente de mortalidade materna em 1998 para o Brasil foi de 68 por 100.000 nascidos vivos (OPAS, 2002; Brasil, 2002b), sendo considerado muito alta em relação a outros países industrializados, portanto há possibilidade real de melhora. Em relação à taxa de mortalidade materna, o ideal é que o número destas mortes fosse próximo a zero, pois intervém as causas inevitáveis, que, 80 devem causar o menor número possível de óbitos. No perfil da mortalidade materna, os abortos surgem como a quarta causa principal de óbito por razões obstétricas diretas, antecedidos pela eclâmpsia, síndromes hemorrágicas e infecções puerperais (Tanaka, 2001). Devem ser estimuladas a captação precoce no pré-natal e sua qualificação, além das ações relacionadas ao planejamento familiar, pontos fundamentais para a redução da mortalidade materna, contribuindo para garantir melhores condições à saúde reprodutiva das mulheres e reduzir o risco de óbito relacionado com a gravidez. A assistência adequada ao pré-natal e ao parto, além de reduzir a mortalidade materna diminui também a mortalidade neonatal, tendo impacto sobre o coeficiente de mortalidade infantil. Expressa o risco dessas mulheres virem a morrer por causas maternas. A OMS considera uma morte evitável, em 90% dos casos. Reflete a existência de sérios problemas relacionados com a assistência à mulher no período gravídico-puerperal. Denota-se a necessidade do acompanhamento das informações sobre a mortalidade materna. Considera-se que tão importante quanto o valor absoluto do índice é sua evolução ao longo do tempo. É certo que o registro dos óbitos tem interferência sobre a qualidade da saúde, por incidir positivamente sobre a atenção à saúde. Entretanto, é preciso lembrar que os principais problemas identificados têm origem na organização dos serviços, além da necessidade de se investir na melhoria de sua qualidade. No caso da saúde suplementar, o acompanhamento constante destes indicadores por parte das operadoras contribui para o exercício da gestão em saúde. Algumas diferenças e particularidades da saúde suplementar devem ser levadas em consideração principalmente na avaliação de indicadores. Um argumento no qual se baseia esta afirmação, está na lógica do pagamento, com números de eventos e despesas, reduzindo-se a discussão aos indicadores de custo e freqüência de utilização, onde a lógica é estritamente econômica, financeira e atuarial. Assim, após análise preliminar dos dados assistenciais do SIP, percebese ainda que os mesmos apresentam inconsistências, o que impossibilitou a efetiva comparação com os dados do SUS. Embora tenha havido progresso em 81 relação a este diagnóstico, ainda assim é evidente a necessidade de transformar o caráter burocrático e administrativo das informações em saúde e aperfeiçoar a integração entre sistemas e o seu uso como ferramenta fundamental de planejamento e gestão (Loureiro, 2003). As razões para o acesso a informações são freqüentemente colocadas e consideram o tamanho, a distribuição e a complexidade da situação de saúde da população de beneficiários, dos serviços de saúde e das operadoras. Revelam assim, a importância e a pertinência da implementação de um sistema de informações em saúde que contenha os dados específicos sobre essa população e os padrões de oferta e utilização de serviços de saúde (Loureiro, 2003). Segundo Cecílio (2001), os indicadores tradicionais de cobertura de determinados grupos, de oferta (ou não) de determinadas ações para grupos mais vulneráveis são apropriados de forma mais viva e apaixonada pelas equipes e pelos vários níveis de gerência, quando referenciados à discussão das necessidades de saúde. E conclui, que há outros dispositivos que podem facilitar a discussão e a compreensão, pelos trabalhadores, sobre o quanto as necessidades de saúde estão sendo contempladas. Este estudo evidencia que a saúde suplementar deve avançar em relação à qualidade assistencial. A regulação deste sistema deve obrigatoriamente passar pela discussão da qualidade. Ampliando essa discussão temos as temáticas da integralidade e dos modelos assistenciais que vem sendo amplamente discutidas no âmbito do SUS e que o desenvolvimento na saúde suplementar expressam um novo olhar da assistência. Mattos (2003) discute o conceito de integralidade e a formulação de políticas específicas de saúde e mostra que é possível construir políticas de saúde pautadas na integralidade. E que a integralidade traz um convite aos formuladores das políticas no enfrentamento das necessidades assistenciais. Isto implica na apreensão das necessidades de saúde da população não só exclusivamente através de indicadores epidemiológicos. Essa discussão é ampliada quando abordamos os modelos assistenciais com diretrizes como a integralidade do cuidado, o vínculo e a responsabilização, aprofundando o debate sob novos fundamentos teóricos na organização da assistência à saúde. 82 7. CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS O estudo permitiu concluir que o acompanhamento das informações da atenção à saúde suplementar poderá ser iniciado a partir das informações existentes no SIP. Considerando que novas informações abordando outros aspectos de morbimortalidade complementariam o perfil da atenção à saúde, possibilitando a obtenção de dados epidemiológicos com representatividade nacional. O conhecimento de informações epidemiológicas da população beneficiária de planos privados fornece subsídios para o planejamento e gestão contribuindo para a melhoria da saúde da população brasileira como um todo. Foi proposto pelo Ministério da Saúde o Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal com envolvimento de diversas instituições. A proposta de um Pacto Nacional integrando a Saúde Suplementar à Política Nacional de Saúde, estabelecendo como primeiro eixo de ação a "Redução da Mortalidade Materna e Neonatal", incluindo em seu quadro de objetivos e metas: redução das taxas de cesarianas, ampliação da qualidade do atendimento prénatal e ao parto, estímulo aos programas de prevenção e melhoria da qualidade das fontes de informações epidemiológicas da saúde suplementar. Em linhas gerais pretende-se sensibilizar os atores envolvidos na saúde suplementar, sejam eles: entidades representativas das operadoras, prestadores de serviços e usuários nas ações estratégicas do Pacto Nacional pela Redução da Mortalidade Materna e Neonatal. As ações estabelecidas pela ANS terão como base os seguintes eixos: Modelo de Gestão - envolvimento das operadoras como gestoras de saúde; Informações epidemiológicas - melhoria da qualidade das informações assistenciais referentes à saúde da mulher beneficiária de planos de saúde; Modelos Assistenciais - discussão com as operadoras dos modelos assistenciais com diretrizes como a integralidade do cuidado, o vínculo e a responsabilização. 83 Dentre as ações estratégicas elencadas na proposta do Pacto Nacional, algumas possuem interface direta com a saúde suplementar. A seguir são feitas sugestões para a discussão propositiva com os atores envolvidos no processo. Melhoria da qualidade dos dados materno-neonatais do SIP; Acompanhamento e monitoramento da tendência histórica da mortalidade materna na saúde suplementar; Avaliação da rede assistencial, garantindo a assistência com qualidade; Estímulo das ações de captação precoce das gestantes para o pré-natal; Implementação de ações no planejamento familiar, inclusive com o estímulo da participação do companheiro; Implementação das ações de vigilância ao óbito materno e neonatal com investigação das causas de óbitos maternos da sua rede prestadora; Garantia de acolhimento nos serviços oferecidos pelos prestadores contratados pelas operadoras, garantindo a atenção humanizada ao abortamento e assegurando o alojamento conjunto que já está previsto em lei, inclusive nos serviços privados; Propor o estabelecimento de rotinas e condutas para o diagnóstico e acompanhamento das gestações de alto risco; Discutir a organização da assistência à saúde de acordo com os padrões de oferta e utilização dos serviços de saúde, identificando as coberturas de acordo com a segmentação dos produtos contratados e a regionalização dos produtos; Garantir a presença do companheiro no acompanhamento do trabalho de parto nos serviços privados; Ampliar e articular a discussão da promoção da saúde; e Ampliar as estratégias de ações baseadas na articulação intersetorial. Resumindo, é importante que todas estas ações e seleção de indicadores devam acontecer dentro da lógica da integralidade da atenção. Nesta perspectiva, poderemos caminhar para a melhoria da qualidade da atenção na saúde suplementar o que beneficiará toda a população brasileira. 84 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAHAM, A.P. Contratos de prestação de serviços de assistência à saúde. 2003. 16 f. Monografia (Direito Econômico das Obrigações) - Universidade Gama Filho, Rio de Janeiro. ANDREAZZI, M.F.S. O Seguro Saúde Privado no Brasil. 1991. Dissertação (Mestrado) - Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz. Rio de Janeiro. ______. Teias e tramas: relações público-privadas no setor saúde brasileiro dos anos 90. 2002. 350 f. Tese (Doutorado em Saúde Coletiva) - Instituto de Medicina Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro. ASHBY, W.R. Sistemas y sus medidas de información. In: KLIR, G. J. (Org.), Tendencias en la Teoria General de Sistemas. 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WALDMAN, E. Vigilância epidemiológica como prática de saúde pública. 1991. Tese (Doutorado em Epidemiologia) - Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, São Paulo. WHITE, K.L. La epidemiología contemporanea: perspectivas y usos. Publicação da OPAS, n.13, p.211-218, 1984. WILMER, R. Discussion of the paper by Thunhurst and MacFarlane. Journal of Royal Statistical Society, v.155, n.3, p.338-352, 1992. 96 9. ANEXOS 97 ANEXO A - 1º Artigo12 SISTEMAS DE INFORMAÇÕES EM SAÚDE SUPLEMENTAR O SISTEMA DE INFORMAÇÕES DE PRODUTOS -SIP Introdução Os sistemas de informação alimentam as práticas de saúde, fornecendo subsídios para a avaliação do impacto das ações e o monitoramento que se incorporou recentemente ao campo da saúde. O termo monitoramento significa acompanhar e avaliar, controlar mediante acompanhamento, controlar e ajustar ou olhar atentamente, observar ou controlar com propósito especial (Waldman, 1991). Os sistemas de informação permitem a coleta, o armazenamento, o processamento, a recuperação e a disseminação de informações. Desta forma, pode-se afirmar que o Sistema de Informação em Saúde (SIS) é todo e qualquer sistema que permita a coleta, o armazenamento, o processamento, a recuperação e a disseminação de informações, e que apóiam as funções operacionais, gerenciais e de tomada de decisão de interesse da saúde (Carvalho, 2000). Em resumo, o Sistema de Informação em Saúde pode ser entendido como um instrumento para adquirir, organizar e analisar dados necessários à definição de problemas e riscos para a saúde, avaliar a eficácia, eficiência e influência que os serviços prestados possam ter no estado de saúde da população, além de contribuir para a produção de conhecimento acerca da saúde e dos assuntos a ela ligados (White, 1984). Objeto: Sistema de Informação de Produtos - SIP . Objetivo: Analisar o processo de formulação, implementação e implantação do SIP. 12 O resumo deste trabalho foi apresentado no VII Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva em 2003, diante da indicação para apresentação oral, foi solicitada a apresentação do artigo para publicação. 98 Descrição do Sistema O SIP é a ferramenta que compila informações assistenciais e econômicofinanceiras da saúde suplementar. Amplia o processo de desenvolvimento das capacidades de gerência e gestão das operadoras de planos de saúde na busca da qualidade da assistência. É uma iniciativa da ANS, no campo da informação em saúde, com abrangência nacional, representando uma primeira tentativa de compilação de dados assistenciais da saúde suplementar sendo alimentado pelas operadoras com o envio das informações. O SIP é preenchido por todas as operadoras de planos de saúde trimestralmente a partir de 2002. Foi desenvolvido um aplicativo do SIP que fornece relatórios gerenciais com os indicadores trimestrais e anuais. Através dele pode-se analisar a operadora ao longo do tempo e também permite a comparação com as médias regionais e nacionais. As opções do relatório gerencial são por tipos de planos, grupo de beneficiários ou o consolidado de toda operadora. Os tipos de contratação de planos são: individual e/ou familiar, coletivo sem patrocinador e coletivo com patrocinador. Os planos individuais e/ou familiares são aqueles contratados por pessoas físicas, ou mantidos por autogestão, em que a contraprestação pecuniária (mensalidade) seja integralmente paga pelo beneficiário. O plano coletivo sem patrocinador é aquele contratado por pessoa jurídica, em que a contraprestação pecuniária seja integralmente paga pelo beneficiário diretamente à operadora. O plano coletivo com patrocinador é aquele contratado por pessoa jurídica, em que a contraprestação pecuniária é total ou parcialmente paga à operadora pela pessoa jurídica contratante, e o mantido por autogestão é aquele em que o beneficiário paga parcialmente a contraprestação pecuniária. Também há a opção por grupos de beneficiários: beneficiários expostos, expostos não beneficiários e beneficiários não expostos. Beneficiários expostos são os beneficiários que pertencem à operadora que está enviando as informações e lhe fornece majoritariamente o serviço de assistência à saúde. Expostos não beneficiários são os beneficiários que pertencem à outra operadora, mas têm o serviço de assistência à saúde fornecido majoritariamente pela operadora que está enviando as informações. Beneficiários não expostos são os 99 beneficiários que pertencem à operadora que está enviando as informações e têm o serviço de assistência à saúde fornecido majoritariamente por outra operadora. Os objetivos prioritários do SIP são: permitir o monitoramento das operadoras por meio de indicadores; possibilitar uma auto-avaliação das operadoras; possibilitar a comparação das operadoras com as médias regionais e nacionais; e possibilitar a avaliação de cada operadora ao longo do tempo. Assim sendo, cada operadora possuirá relatórios gerenciais detalhados da situação de saúde de seus beneficiários, assumindo o papel de gestoras no processo de saúde. É possível antecipar que o envolvimento das operadoras com a produção, processamento e análise da informação tende a melhorar a organização, gerência e qualidade dos serviços que oferecem. Podem ser levantados, ainda, outros aspectos positivos, como a facilitação das funções de planejamento, programação, acompanhamento e avaliação; incentivo a participação no esforço de aperfeiçoar o sistema de informações e o estímulo à retroalimentação da informação. O SIP utiliza indicadores de saúde que podem ser divididos em dois grupos: de utilização e materno-neonatais. Os indicadores materno-neonatais, por possuírem conceitos internacionalmente aceitos e refletirem as condições de vida das mulheres e qualidade da assistência prestada no pré-natal, durante o parto e no puerpério, foram definidos como prioritários. A assistência adequada ao pré-natal e ao parto, além de reduzir a mortalidade materna diminui também a mortalidade neonatal. As informações sobre eventos materno-neonatais serão usadas como evento sentinela. Histórico Um dos "nós críticos" da saúde suplementar tem sido o próprio desconhecimento do setor, principalmente quanto à falta de dados que traduzam a qualidade da 100 assistência prestada. Coube à Diretoria de Normas e Habilitação de Produtos da Agência Nacional de Saúde Suplementar - ANS, a elaboração do Sistema de Informações de Produtos para: monitorar os indicadores de assistência e econômico-financeiros das operadoras de planos privados de assistência à saúde; definir indicadores e analisar os dados; normalizar a terminologia e os indicadores usados no processo de informação; definir e controlar o fluxo de informação; desenvolver mecanismos de disseminação das informações; e responsabilizar as operadoras quanto à fidedignidade dos dados e qualidade das informações. Com a finalidade de proteger e preservar o sigilo médico, foi designado o Coordenador Médico de Informações de Saúde13, que é o médico responsável pelo fluxo de informações relativas à assistência médica prestada aos consumidores de planos privados de assistência à saúde. Processo de formulação O SIP foi instituído através da RDC nº 8514 e implica uma visão de conjunto com abrangência de todas as operadoras que possuem registros na ANS. A ANS deverá acompanhar, avaliar e divulgar os indicadores, no âmbito das segmentações das operadoras e por região, permitindo uma análise das condições de saúde da população beneficiária. Dessa forma, para o atendimento das prerrogativas do SIP e o cumprimento dos dispositivos legais, a definição dos sistemas de informação em saúde, a responsabilidade de estruturação e execução é de competência da ANS, observando a compatibilidade com os outros sistemas de informações nacionais. 13 14 RDC n.º 64, de 10 de abril de 2001. RDC n.º 85, de 21 de setembro de 2001. 101 No treinamento com as operadoras percebeu-se que, atualmente, todas elas possuem alguma estrutura específica para informação, ainda que nem sempre com o grau de desenvolvimento desejável. E dentre os principais problemas que enfrentam para produzir informações em saúde estão: a falta ou insuficiência de recursos humanos, a falta ou deficiência de infra-estrutura de informática, o alto custo do processo com gastos em máquinas e pessoal, a dificuldade de obter informações com a rede prestadora de serviços e a falta de padronização de coleta de dados. Avaliação A implementação da regulação no setor de saúde tem requerido um esforço criativo e inovador, especialmente no campo de planejamento e informação, na medida que constitui redes de serviços que envolvem o setor suplementar e público em ações coordenadas. O desafio a enfrentar, neste momento, consiste em buscar a máxima qualidade, articulando os recursos tecno-científicos, econômico-financeiros e políticos, visando a melhoria da saúde da população brasileira. A criação de um sistema de informações gerenciais médico-hospitalares através de indicadores padronizados, permite que a instituição avaliada forneça dados de forma sistemática dos seus serviços e dos seus produtos assistenciais. Isso também facilita a compreensão do instrumento e a diferenciação interna de seus níveis de atendimento aos requisitos de qualidade. Deve ficar claro, isto sim, que o objetivo do instrumento e do processo de avaliação é permitir às operadoras o engajamento no processo de busca de qualidade (estruturas, processos e resultados). As estruturas e processos estão de tal ordem interligados, que o funcionamento de um componente interfere em todo o conjunto e no resultado final. O estabelecimento de precisos objetivos mensuráveis, a curto e em longo prazo, e a sua freqüente monitorização orientarão os planos para a ação. Perspectivas 102 A implantação de um sistema de informações gerenciais médico-hospitalares através de indicadores é uma das vias de relação entre as operadoras e sua rede prestadora de serviços servindo como mecanismo de regulação do mercado. O SIP deve possibilitar maior responsabilidade da operadora e rede prestadora de serviços no comprometimento das informações prestadas. Deve ser enfatizada a inovação do sistema para a análise da saúde suplementar no país. A disponibilização de informações e a transformação em indicadores são ferramentas para o planejamento de saúde, permitindo o acompanhamento das flutuações e tendências históricas do padrão sanitário de diferentes coletividades consideradas à mesma época ou da mesma coletividade em diversos períodos de tempo. A redefinição de diretrizes estruturais para construção de modelos inovadores de atenção à saúde, a partir de métodos e instrumentos de planejamento e regulação do sistema, bem como o amplo processo de desenvolvimento das capacidades de gerência e gestão, conduz à busca da qualidade dos serviços de assistência à saúde no âmbito da assistência à saúde suplementar. A busca de informações assistenciais e responsabilização das operadoras de saúde com os usuários são eixos dos processos que ambicionam a mudança dos atuais modelos de atenção à saúde. Como já foi dito, a sintonia dos sistemas de informações com os modelos assistenciais, tendo a operadora de saúde a gerência e planejamento das ações em saúde, traz novas conformações para a saúde suplementar. Referências bibliográficas: BRASIL, Ministério da Saúde/Agência Nacional de Saúde Suplementar. RDC nº 64, de 10 de abril de 2001. Dispõe sobre a designação de médico responsável pelo fluxo de informações relativas à assistência médica prestada aos consumidores de planos privados de assistência à saúde. Disponível em: <<http://www.ans.gov.br/legislaçao>. Acesso em: 27 jan. 2004. 103 BRASIL, Ministério da Saúde/Agência Nacional de Saúde Suplementar. RDC nº 85 de 21 de setembro de 2001. Institui o Sistema de Informações de Produtos– SIP para acompanhamento da assistência prestada aos beneficiários de planos privados de assistência à saúde. Rio de Janeiro, RJ, 2001. Disponível em: <http://www.ans.gov.br/sip/defaultnova.htm>. Acesso em: 19 nov. 2003. CARVALHO, M.S. Informação: da produção à utilização. In: ROZENFELD, R. (org.). Fundamentos da vigilância sanitária. 20a ed. Rio de Janeiro: Editora Fiocruz, p.233-256, 2000. WALDMAN, E. Vigilância epidemiológica como prática de saúde pública. São Paulo, 1991. Tese de doutoramento do Departamento de Epidemiologia, Faculdade de Saúde Pública da USP. WHITE, K.L. La epidemiología contemporanea: perspectivas y usos. Publicação da OPS, referência n.13, p.211-218, 1984. 104 ANEXO B Quadro – Demonstrativo do Anexo II do SIP Para operadoras com até 100.000 beneficiários que operam planos de assistência médico-hospitalar com ou sem assistência odontológica 105 Quadro – Demonstrativo do Anexo III do SIP Para operadoras com mais 100.000 beneficiários que operam planos de assistência médico-hospitalar com ou sem assistência odontológica 106 RESOLUÇÃO NORMATIVA - RN Nº 61, DE 19 DE DEZEMBRO DE 200315 Altera dispositivos da Resolução de Diretoria Colegiada - RDC nº 85, de 21 de setembro de 2001, que institui o Sistema de Informações de Produtos - SIP para acompanhamento da assistência prestada aos beneficiários de planos privados de assistência à saúde, e dá outras providências. Parte do Glossário dos Anexos do SIP: Código número: número de 6 dígitos que identifica o registro da operadora junto à ANS. Razão social: este campo deve ser preenchido com a razão ou denominação social da operadora, sem abreviaturas. CNPJ: número de 14 dígitos que identifica o Código Nacional de Pessoa Jurídica da operadora, utilizado em seu registro junto a ANS. Período: identificação do trimestre e do ano das informações. São registrados por competência contábil e considerados os seguintes meses: 1º trimestre – meses de janeiro a março; 2º trimestre – meses de abril a junho; 3º trimestre – meses de julho a setembro; 4º trimestre – meses de outubro a dezembro. Número de beneficiários: total de beneficiários da operadora no último dia útil do trimestre informado. Beneficiários: para efeito da RDC 85, consideram-se beneficiários as pessoas físicas que contratam o plano privado de assistência à saúde ou aderem ao plano coletivo contratado por pessoa jurídica junto à operadora e seus dependentes. Tipo de segmentação dos planos comercializados 15 Brasil, 2003d. 107 Exclusivamente odontológico: Sim – a operadora comercializa somente produtos de assistência odontológica; Não – a operadora comercializa produtos de assistência médico-hospitalar com ou sem assistência odontológica. Tipos de plano: Individual e familiar: contratado por pessoas físicas ou mantido por autogestões não patrocinadas. A contraprestação pecuniária é integralmente paga pelo beneficiário. Coletivo sem patrocinador: contratado por pessoa jurídica. A contraprestação pecuniária é integralmente paga, pelo beneficiário, diretamente à operadora. Coletivo com patrocinador: contratado por pessoa jurídica. A contraprestação pecuniária é, total ou parcialmente paga, pela pessoa jurídica contratante, à operadora. Grupos de Beneficiários: Beneficiários expostos (B.E.): beneficiários da operadora que envia as informações. O serviço de assistência à saúde é prestado majoritariamente por ela. Expostos não beneficiários (E.N.B.): beneficiários de outra operadora. O serviço de assistência à saúde é prestado majoritariamente pela operadora que envia as informações. Beneficiários não expostos (B.N.E.): beneficiários da operadora que envia as informações. O serviço de assistência à saúde é prestado majoritariamente por outra operadora. 108 Taxa de mortalidade materna (TMM): Razão entre o número de óbitos maternos ocorridos em determinado local e ano e o número de mulheres de 15 a 49 anos no mesmo local e ano, multiplicada por 100.000. Óbito materno: Segundo a CID-10, é a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais. TMM = N.º de óbitos maternos em determinado local e ano x 100.000; N.º de mulheres de 15 a 49 anos no mesmo local e ano Coeficiente de mortalidade materna (CMM): Razão entre o número de óbitos maternos ocorridos em determinado local e ano e o número de nascidos vivos no mesmo local e ano, multiplicada por 100.000. Óbito materno: Segundo a CID-10, é a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais. CMM = N.º de óbitos maternos, em determinado local e ano x 100.000; N.º de nascidos vivos no mesmo local e ano Despesas não assistenciais: valor total, expresso em Real, das despesas administrativas da operadora e outras não relacionadas à prestação da assistência direta ao beneficiário. Item de despesa: subconjunto das despesas da operadora. Todas as despesas assistenciais devem estar incluídas nos itens deste anexo. Elas não devem ser informadas em mais de um item, para evitar dupla contagem. Caso a operadora negocie suas despesas assistenciais com os prestadores de serviço mediante 109 “pacotes de procedimentos” ou “captation”, todos os atendimentos e despesas que os compõem devem ser distribuídos nos itens de despesa assistencial estabelecidos neste anexo. Captation: Modalidade de pagamento em que a operadora paga um valor préacordado 'per capita' pela prestação do serviço de assistência à saúde, independente do custo do tratamento. Os itens de despesa devem ser informados de acordo com as descrições definidas abaixo: Consultas médicas: atendimentos/despesas prestados por profissional habilitado pelo Conselho Regional de Medicina, em regime ambulatorial, de caráter eletivo, urgência ou emergência, em que a despesa seja restrita ao ato da consulta. Exames complementares16: atendimento/despesas com exames complementares ao diagnóstico realizados em regime ambulatorial, incluindo honorários profissionais, medicamentos, materiais e taxas. Terapias: atendimentos/despesas com procedimentos terapêuticos realizados em regime ambulatorial, incluindo honorários profissionais, medicamentos, materiais e taxas. Exames complementares (grupo 1): atendimentos/despesas com tomografia computadorizada, realizados em ressonância regime magnética, ambulatorial, hemodinâmica incluindo honorários e angiografia, profissionais, medicamentos, materiais e taxas. Exames complementares (grupo 2): atendimentos/despesas com exames não incluídos no item de despesa “Exames complementares (grupo 1)”, realizados em regime ambulatorial, incluindo honorários profissionais, medicamentos, materiais e taxas. 16 Para as operadoras com mais de 100 mil beneficiários os “Exames Complementares” se dividem em grupo 1 e 2, o mesmo ocorre para o item de despesa “Terapias”. 110 Terapias (grupo 1): atendimentos/despesas com radioterapia, terapia renal substitutiva, quimioterapia do câncer, radiologia intervencionista, litotripsia e hemoterapia, realizados em regime ambulatorial, incluindo honorários profissionais, medicamentos, materiais e taxas. Terapias (grupo 2): atendimentos/despesas com terapias não incluídas no item de despesa “Terapias (grupo 1)”, realizados em regime ambulatorial, incluindo honorários profissionais, medicamentos, materiais e taxas. Outros Atendimentos Ambulatoriais: atendimentos/despesas com procedimentos (exceto exames complementares, terapias e consultas médicas) realizados em regime ambulatorial (de caráter eletivo, urgência ou emergência), incluindo honorários profissionais, medicamentos, materiais e taxas. Internações: atendimentos/despesas realizados em regime hospitalar. Nas colunas “Total de despesas” e “Recuperação por indenização de despesa assistencial”, considerar as despesas com hotelaria, honorários profissionais, medicamentos, materiais, taxas, terapias e exames ocorridos durante a internação, em enfermaria, quarto e unidades de terapia intensiva ou semiintensiva. Parto normal: internações cujo procedimento principal tenha sido parto normal. Parto cesáreo: internações cujo procedimento principal tenha sido parto cesáreo. Atendimento ao RN na sala de parto: internações em que tenha ocorrido atendimento ao recém nascido, na sala de parto, por pediatra, após o parto (normal ou cesáreo). Nascido vivo prematuro: produto da concepção, com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias, que, depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno manifesta algum sinal vital. 111 Nascido vivo a termo: produto da concepção, com idade gestacional igual ou superior a 37 semanas, que, depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno manifesta algum sinal vital. Nascido morto: produto da concepção que, depois da expulsão ou extração completa do corpo materno, não manifesta qualquer sinal vital, tendo o óbito ocorrido a partir do início da 28ª semana de gestação. Número de expostos: resultado (desprezando-se as casas decimais) do somatório de todos os dias de exposição em que cada beneficiário do plano teve o direito de usufruir dos serviços de assistência à saúde, calculado para cada item de despesa assistencial, durante o período devido, dividido pelo número de dias do período devido, conforme ilustra a fórmula a seguir: Número de expostos = (n.º de dias de exposição do beneficiário 1 durante o período devido + n.º de dias de exposição do beneficiário 2 durante o período devido + ... + n.º de dias de exposição do beneficiário "n" durante o período devido) / (n.º de dias do período devido). Alternativamente, o número de expostos pode ser calculado como o somatório do número de beneficiários expostos existentes em cada um dos dias do período devido, dividido pelo número de dias do período devido, (desprezando-se as casas decimais). Este cálculo é exemplificado pela fórmula a seguir: N.º de expostos = (n.º de expostos no primeiro dia do período devido + ... + n.º de expostos no último dia do período devido) / (n.º de dias do período devido). Dias de exposição: número de dias, durante o período devido, nos quais o beneficiário teve o direito de usufruir o serviço de assistência à saúde calculada individualmente para cada item de despesa. O beneficiário que estiver cumprindo carência deverá ser excluído do cálculo de exposição do item de despesa, pois, durante esse período, ele não tem direito a usufruir o serviço. Exposto: beneficiário com direito a usufruir a assistência à saúde no item de despesa assistencial em questão, durante o período devido. Por exemplo: um beneficiário que tem o direito a consultas médicas é um exposto para o item de despesa assistencial “Consultas médicas” e pode não ser um exposto para o item de despesa “Exames complementares”, caso não tenha cumprido o período de carência estabelecido para exames complementares. 112 Caso haja procedimentos com diferentes prazos de carência dentro de um mesmo item de despesa, adotar o de maior prazo. Por exemplo, para o item de despesa “Exames complementares”, caso haja prazos de carência diferentes para os diversos exames complementares, deverá ser adotado como prazo de carência deste item o que tiver o maior prazo. Para internações, considerar a maior carência, exceto parto, quando esse procedimento tiver período superior ao das demais internações. Número de eventos: somatório das ocorrências de cada item de despesa assistencial realizada no período. Total da despesa: valor total, expresso em Real, efetivamente pago ao prestador pela operadora, nos itens de despesas assistenciais. Este item deve ser compatibilizado com a estrutura das contas constantes do Plano de Contas Padrão definido pela ANS. Para cada um dos itens de despesa estão indicadas as contas correspondentes. Para as operadoras com mais de 100 mil beneficiários os subitens da internação são: Diárias em quarto e em enfermaria: número de diárias de internação nos seguintes tipos de acomodação: Quarto: internação em ambiente exclusivo; Enfermaria: internação em ambiente não exclusivo. Diárias em UTI e em unidade semi-intensiva: número de diárias de internação em ambiente definido para cuidados intensivos ou semi-intensivos. Parto normal: internações cujo procedimento principal tenha sido parto normal. Parto cesáreo: internações cujo procedimento principal tenha sido parto cesáreo. 113 Atendimento ao RN na sala de parto: internações em que tenha ocorrido atendimento ao recém nascido, na sala de parto, por pediatra, após o parto (normal ou cesáreo). Nascido vivo prematuro: produto da concepção, com idade gestacional igual ou inferior a 36 semanas e 6 dias, que, depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno manifesta algum sinal vital. Nascido vivo a termo: produto da concepção, com idade gestacional igual ou superior a 37 semanas, que, depois da expulsão ou da extração completa do corpo materno manifesta algum sinal vital. Nascido morto: produto da concepção que, depois da expulsão ou extração completa do corpo materno, não manifesta qualquer sinal vital, tendo o óbito ocorrido a partir do início da 28ª semana de gestação. UTI e CTI neonatal: internações de crianças com idade inferior a 28 dias em UTI ou CTI neonatal. Gravidez terminada em aborto: internações determinadas por gravidez terminada em aborto. É assim considerada a perda ou morte fetal ocorrida até o término da 27ª semana de gestação. Transtornos maternos relacionados à gravidez: internações determinadas por transtorno materno relacionado à gravidez não interrompida. Complicações no período de puerpério: internações determinadas por complicações do puerpério.