A ANÁLISE DO DISCURSO DOS ALUNOS DO ENSINO TÉCNICO INTEGRADO APÓS UMA VISITA TÉCNICA Edvanio Chagas1, Claudia Leite Munhoz2, Jaqueline dos Santos3 1,2 Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul-câmpus Coxim, 3 Universidade Federal de Mato Grosso do Sul RESUMO: Este trabalho traz o resultado de uma visita técnica de estudantes de cursos técnicos e superior, numa usina sucroalcooleira como recurso pedagógico no ensino de agroecologia e agroindústria. O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul, ao definir seu campo de atuação na formação tecnológica de nível médio e superior, fez opção por tecer o seu trabalho educativo na perspectiva de romper com a prática tradicional e conservadora que a cultura da educação impõe na formação tecnológica. Neste sentido, reflete a educação de jovens como um campo de práticas e reflexões que ultrapassam os limites da escolarização em sentido estrito. Abarca processos formativos diversos, onde podem ser incluídas iniciativas visando à qualificação profissional, ao desenvolvimento comunitário, à formação política e a inúmeras questões culturais pautadas em outros espaços que não o escolar. Assim, enquanto Instituição integrante da rede federal de ensino tecnológico planeja uma atuação incisiva na perspectiva da transformação da realidade local e regional. Neste sentido, o currículo globalizado e interdisciplinar converte-se em uma categoria capaz de agrupar uma ampla variedade de práticas educacionais desenvolvidas nas salas de aula e nas unidades educativas de produção contribuindo para melhorar os processos de ensino e de aprendizagem. A visita técnica é prevista no projeto pedagógico dos cursos técnicos e é de fundamental importância para ao estudante ter o contato com a indústria e seus meios de produção sendo essencial nesta fase de estudos a preparação para o mercado de trabalho. Busca-se promover um maior amadurecimento acadêmico, técnico e cientifico dos discentes que delas participam. É um importante instrumento para desenvolver o senso crítico e alavancar a aproximação entre o processo educacional e a formação profissional. O trabalho foi desenvolvido com um grupo formado por 11 estudantes dos cursos Técnicos em Informática, em Alimentos do IFMS campus Coxim que realizaram a visita técnica no município de Sonora/MS. As atividades fizeram parte do projeto desenvolvido pelo professor de Física em parceria com a professora Engenheira de Alimentos. A ação culminou na visita a Usina Sucroalcooleira Sonora. Foram propostos três momentos: Pré-visita, 1 Visita e Pós-Visita a fim de analisar as concepções dos estudantes a cerca da cana de açúcar, foram realizados encontros antes e após a visita quando os estudantes responderam questionário sobre a cana de açúcar, seu processo industrial, demais considerações e a própria visita. Os dados foram analisados baseados na análise de conteúdo categorial a posteriori e na análise do discurso. A Análise de Conteúdo de Laurence Bardin, mais especificamente a Categorização, é um conjunto de técnicas utilizadas para analisar a comunicação. A análise de conteúdo tem uma organização bem definida inicialmente, e que organizam-se em torno de três fases, conforme Bardin: 1. A pré-análise; 2. A exploração do material; e, 3. O tratamento dos resultados: a inferência e a interpretação. A análise de discurso é uma técnica usada para pela linguística na qual se analisa textos e sua estrutura com o intuito de compreender construções ideológicas presentes neste. Foucault concebe os discursos como sendo formados por elementos que não estão ligados a nenhum princípio de unidade, e cabe a análise de discurso descrever essa dispersão. Para se conseguir analisar a formação de discursos, Foucault sugeriu as “regras de formação”, que ajudam a determinar os elementos que compõem o discurso. O discurso é formado com uma relação entre o interdiscurso e o intradiscurso. Na qual o interdiscurso significa os saberes pré-construídos e que existem antes dos sujeitos e que circula na sociedade e é fruto de uma construção coletiva. Já o intradiscurso é a fala formulada da vivência, o que o sujeito consegue elaborar, um discurso linear. É possível verificar nas respostas dos alunos, que eles possuem opinião sobre a maneira que a cana deve ser colhida, porém são explicações do senso comum. Isso mostra que o discurso dos alunos é carregado da influência histórico-cultural. É notável a diferença nos discursos dos alunos antes e depois da visita, é possível perceber que as respostas que antes eram carregadas de concepções passam a ser discursos carregados de conceitos científicos e itens incorporados das explicações dos profissionais da usina. Resultados mostraram que a visita técnica auxiliou no ensino de ciências, especialmente no agronegócio sucroalcooleiro, o que provocou mudança nos termos utilizados pelos estudantes ao se referirem aos processos industriais da usina, além de relacionarem os conteúdos estudados em sala, motivando-os para atuarem no setor sucroalcooleiro. PALAVRAS-CHAVE: agroecologia, agronegócio, cadeia produtiva. 2 1 - Introdução O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul, ao definir seu campo de atuação na formação tecnológica de nível médio e superior, fez opção por tecer o seu trabalho educativo na perspectiva de romper com a prática tradicional e conservadora que a cultura da educação impõe na formação tecnológica. Neste sentido, reflete a educação de jovens como um campo de práticas e reflexões que ultrapassam os limites da escolarização em sentido estrito. Abarca processos formativos diversos, onde podem ser incluídas iniciativas visando à qualificação profissional, ao desenvolvimento comunitário, à formação política e a inúmeras questões culturais pautadas em outros espaços que não o escolar. Assim, enquanto Instituição integrante da rede federal de ensino tecnológico planeja uma atuação incisiva na perspectiva da transformação da realidade local e regional. Neste sentido, o currículo globalizado e interdisciplinar converte-se em uma categoria capaz de agrupar uma ampla variedade de práticas educacionais desenvolvidas nas salas de aula e nas unidades educativas de produção contribuindo para melhorar os processos de ensino e de aprendizagem. O açúcar, oriundo da cana de açúcar, é um dos ingredientes mais utilizados na indústria alimentícia. Conhecer o fluxograma de obtenção de açúcar desde a produção da cana no campo a obtenção do produto final é de grande relevância para a formação do técnico de alimentos. Ao longo do curso, o estudante se depara com essa temática em diversas disciplinas como: tecnologia de produtos de origem vegetal, microbiologia, conservação, química e bioquímica de alimentos, operações unitárias, matérias primas agropecuárias. O Setor Sucroalcooleiro têm tido um papel muito importante dentro do agronegócio brasileiro, em especial por contribuir na produção de apenas uma matéria-prima que fornece vários produtos finais, e também na questão tecnológica, pois contribui para estudos na descoberta de novas fontes de energia limpas e renováveis, colocando o Brasil no topo dos países mais conceituados nesse ramo de atuação (CREMA; FERREIRA, 2009). O agronegócio da cana de açúcar no Brasil distingue-se dos demais países por produzir, em escala industrial, tanto açúcar quanto álcool. Esse aproveitamento múltiplo torna bastante complexo o planejamento e funcionamento dessa cadeia produtiva, exigindo ampla organização e coordenação de todos os elos que a compõem. A primeira característica dessa cadeia produtiva – que não pode ser negligenciada, já que interfere na quantidade e qualidade de matéria prima – é 3 que seu principal insumo, a cana, é de origem agrícola e, assim, está sujeita aos riscos climáticos, fitossanitários, e à sazonalidade da produção, que podem impor fortes impactos sobre a quantidade ofertada e sobre a renda dos produtores, ao longo do ano-safra (VIAN, 2009). 2. Fundamentação Teórica 2.1 Educação profissional e tecnológica O ensino técnico federal existe a mais de 100 anos no Brasil. Alguns autores como Nessralla (2010) e Garcia e Filho (2004) realizaram um levantamento histórico da educação tecnológica no Brasil, desde os seus primeiros cursos até 2010. Em alguns Estados da Federação, como Paraná, Minas Gerais e São Paulo temos os atuais IFs (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia) implantados e com cursos de referência. O Mato Grosso do Sul conta com o IFMS - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia, criado pela Lei n 11.892, de 29 de dezembro de 2008.Nesse Estado, esta rede passou a ter representatividade somente em 2007, no dia 25 de outubro, quando o Presidente da República sancionou a Lei nº. 11.534, sobre as Escolas Técnicas e Agrotécnicas Federais. Desta lei culminou a criação da Escola Técnica Federal de Mato Grosso do Sul, com sede na capital do Estado, Campo Grande, e da Escola Agrotécnica Federal de Nova Andradina, distante 23 km do município de Nova Andradina. Dada a reestruturação, ocorrida em dezembro de 2008, da Rede Federal de Educação Profissional e Tecnológica, a Escola Técnica Federal de Mato Grosso do Sul e a Escola Agrotécnica Federal de Nova Andradina passaram a compor os Campi do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul pela promulgação da Lei nº. 11.892, de 29 de dezembro de 2008. (IFMS, 2009, p.12) A Educação Profissional e Tecnológica de nível médio tem como função básica formar mão de obra técnica, visando às necessidades da região no qual o campus é instalado, aliando conhecimentos tecnológicos com a prática pedagógica [ ]...o Instituto Federal é uma instituição de educação superior, básica e profissional, pluricurricular e multicampi, especializada na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos com sua prática pedagógica. (IFMS, 2009, p.12). 4 Ela deverá, também, oportunizar ao seu egresso condições para prosseguir seus estudos em nível superior. Evidencia-se nos currículos dos cursos de nível médio na modalidade integrada ao ensino profissionalizante uma articulação de saberes entre as disciplinas do núcleo técnico e as do núcleo comum, essenciais para sua formação. Neste sentido as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico aponta que: Essa concepção de currículo implica, em contrapartida, maior responsabilidade da escola na contextualização e na adequação efetiva da oferta às reais demandas das pessoas, do mercado e da sociedade. Essa contextualização deve ocorrer, também, no próprio processo de aprendizagem, aproveitando sempre as relações entre conteúdos e contextos para dar significado ao aprendido, sobretudo por metodologias que integrem a vivência e a prática profissional ao longo do curso. (BRASIL,1999, p.34) O Campus Coxim IFMS oferece o Curso Técnico de Nível Médio em Alimentos e Informática na forma integrada. Oferece também o Curso de Suporte e Manutenção em Informática pelo Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e PROEJA, por entender que estará contribuindo para a elevação da qualidade dos serviços prestados à sociedade, formando os Técnicos, capacitados para impulsionar o desenvolvimento econômico da região. De acordo com os projetos pedagógicos desses cursos, os objetivos propostos são: aplicar os conhecimentos científicos e tecnológicos construídos, reconstruídos e acumulados historicamente; também, ter senso crítico, impulsionar o desenvolvimento econômico da região, integrando a formação técnica ao pleno exercício da cidadania; posicionar-se criticamente e eticamente frente às inovações tecnológicas, avaliando seu impacto no desenvolvimento e na construção da sociedade (IFMS, 2011 p. 12). O curso técnico em Alimentos apresenta bases científicas, (voltadas às disciplinas chamado de núcleo comum, os 4 eixos tecnológicos), tecnológicas (que se refere às disciplinas da tecnologia de alimentos) e de gestão (disciplinas que fornecerão uma visão de empreendedorismo) de nível médio, dimensionadas e direcionadas à área de formação. Estas bases são inseridas no currículo, ou em unidades curriculares específicas, ou dentro das unidades curriculares de bases tecnológicas no momento em que elas se fazem necessárias, é composta da formação geral de nível médio e da parte profissionalizante, para a formação do estudante como cidadão e como profissional (IFMS, 2011). Assim nos itens a seguir explanaremos sobre os principais conceitos da cana-de-açúcar, desde os principais nutrientes as suas aplicações na indústria alimentícia. Falaremos ainda das 5 contribuições pedagógicas das visitas técnicas para o processo de ensino-aprendizagem dos alunos. 2.2 Cana-de-açúcar A cana-de-açúcar é uma gramínea perene pertencente ao gênero Saccharum, própria de climas tropicais e subtropicais. Há várias espécies do gênero Saccharum (S. officinarum, S. spontaneum, S. robustum), mas as canas cultivadas a partir do primeiro quartel do século XX são variedades híbridas, nas quais se procura aliar a rusticidade de algumas espécies e ao alto teor de sacarose de outras (LIMA, 2010). Introduzida no período colonial, a cana-de-açúcar se transformou em uma das principais culturas da economia brasileira. O Brasil não é apenas o maior produtor de cana. É também o primeiro do mundo na produção de açúcar e etanol e conquista, cada vez mais, o mercado externo com o uso do biocombustível como alternativa energética (MAPA, 2012). Para o uso industrial leva-se em consideração a composição tecnológica da cana, considerando-a como constituída de fibra e caldo. A fibra é definida como a matéria seca da cana insolúvel em água, e o caldo como a água e os sólidos nela dissolvidos. A cana inteira apresenta em sua composição 12,5 % de sacarose, 0,9 % de glicose e 0,6 % de frutose. No caldo de cana, a composição de sacarose é de 14,5 a 22 %, glicose 0,3 a 1,1 % e frutose 0 a 0,7 %. Para a produção industrial, a cana deve conter o máximo de sacarose, que é o elemento mais importante e isso é possível com a plena maturação da cana. Na produção de açúcar interessa o açúcar cristalizável (LIMA, 2010). A agroindústria da cana envolve etapas, como: produção e abastecimento da indústria com matéria-prima; gerenciamento dos insumos, resíduos, subprodutos e da versatilidade da produção - de açúcar ou álcool; armazenamento e comercialização dos produtos finais. Estas etapas devem ser executadas com o emprego de técnicas eficientes de gerenciamento (ALCARDE, 2012). A colheita, carregamento, transporte, pesagem, pagamento da cana pela qualidade, descarregamento e lavagem são operações determinantes para um bom desempenho industrial. Estas etapas devem ser realizadas em sincronia com as operações industriais para que não ocorra 6 sobre abastecimento, o que demanda armazenamento, com consequente queda na qualidade ou falta de cana para a moagem, ocasionando atrasos na produção (ALCARDE, 2012). Para a produção de açúcar, as etapas industriais são: lavagem da cana, preparo para moagem ou difusão, extração do caldo: moagem ou difusão, purificação do caldo (peneiragem e clarificação), evaporação do caldo, cozimento, cristalização da sacarose, centrifugação (separação entre cristais e massa cozida), secagem e estocagem do açúcar (ALCARDE, 2012). Após passar pelas etapas de extração e tratamento do caldo, inicia-se o processo de fabricação de açúcar, por meio da concentração do caldo por evaporação da água em processo de múltiplo efeito. O xarope resultante é bombeado para os tachos de cozimento para a cristalização do açúcar. O cozimento é feito em duas etapas, sendo que na primeira ainda ocorre a evaporação da água do xarope para a cristalização da sacarose. O produto resultante desse cozimento é uma mistura de cristais de sacarose com o licor-mãe (mel). Na segunda etapa, ocorre o processo de nucleação, em que são produzidos pequenos cristais de tamanho uniforme (SAKAI; ALCARDE, 2012). A separação dos cristais de sacarose do mel é feita por meio de centrifugação, no qual são obtidos dois produtos: o açúcar e o melaço. O melaço é enviado para a fabricação de álcool, enquanto o açúcar é destinado ao secador para a retirada da umidade contida nos cristais. Após a secagem, o açúcar é levado ao silo para ser ensacado e estocado (SAKAI; ALCARDE, 2012). 2.2 Aspectos pedagógicos de uma visita técnica Ao organizamos esta visita técnica, buscamos compreender dois aspectos: o pedagógico e o profissionalizante. O pedagógico no sentido de proporcionar aos alunos contato direto com os processos e locais relacionados direto com a formação específica. Segundo Silva (2006, p. 170) “o estudante só predispõe a aprender no momento em que percebe e identifica no aprendizado a possibilidade concreta de ter seus interesses pessoais/ e ou profissionais satisfeitos a curto e em médio prazo.”, nesse sentido que planejamos esta ação, como uma metodologia diversificada e motivadora para o ensino. Silva (2006) acrescenta que no processo de ensino aprendizagem existe uma pluralidade de metodologias que podem ser empregadas, cada uma com suas características apresentando 7 vantagens e desvantagens, não existindo uma metodologia privilegiada que seja perfeita. O autor aponta que é necessário que apresente aspectos de interdisciplinaridade e multidisciplinaridade. Neste sentido analisamos que a visita técnica pode desempenhar um papel crucial na diversidade de metodologias de ensino. A visita técnica é prevista no projeto pedagógico dos cursos técnicos e é de fundamental importância para ao estudante ter o contato com a indústria e seus meios de produção sendo essencial nesta fase de estudos a preparação para o mercado de trabalho. Busca-se promover um maior amadurecimento acadêmico, técnico e cientifico dos discentes que delas participam. É um importante instrumento para desenvolver o senso crítico e alavancar a aproximação entre o processo educacional e a formação profissional (CASTRO, 2010; FREDERICO et al, 2011). Num estudo realizado por Carvalho et. al. (2012) foi proposto um modelo referencial (tabela 01) visando compreender o processo de ensino-aprendizagem proporcionado pela prática da visita técnica, que pensado para o curso de turismo, porém , vemos como expansível para quaisquer visitas técnicas, tal qual a que realizamos e descrevemos neste trabalho. Tabela 1: Síntese do processo ensino-aprendizagem de visita técnica (Carvalho et.al. 2012) 3. Objetivos Realizar uma visita técnica na usina sucroalcooleira, como recurso pedagógico para o ensino na educação profissional e tecnológica. 8 4. Metodologia O trabalho foi desenvolvido com um grupo formado por 11 estudantes dos cursos Técnicos em Informática, em Alimentos e da Licenciatura em Química e três professores do IFMS campus Coxim que realizaram a visita técnica no município de Sonora/MS. As atividades fizeram parte do projeto desenvolvido pelo professor de Física em parceria com a professora Engenheira de Alimentos. A ação culminou na visita a Usina Sucroalcooleira Sonora. Foram propostos três momentos: Pré-visita, Visita e Pós-Visita a fim de analisar as concepções dos estudantes a cerca da cana de açúcar, foram realizados encontros antes e após a visita quando os estudantes responderam questionário sobre a cana de açúcar, seu processo industrial, demais considerações e a própria visita. Os questionários foram analisados pelo método de Análise de Conteúdo de Laurence Bardin (2002), mais especificamente a Categorização, na qual o critério utilizado foi focado no objetivo da pesquisa e nos relatos dos estudantes. 4.1 Análise de Conteúdo A Análise de Conteúdo de Laurence Bardin (2009), mais especificamente a Categorização, é um conjunto de técnicas utilizadas para analisar a comunicação. A análise de conteúdo tem uma organização bem definida inicialmente, e que organizam-se em torno de três fases, conforme Bardin: 1. A pré-análise; 2. A exploração do material; e, 3. O tratamento dos resultados: a inferência e a interpretação (2009). 4.1.1 A pré-análise A pré-análise é a fase na qual os dados passam por uma leitura flutuante, onde o pesquisador possui o intuito de conhecer as respostas obtidas. A partir de leituras mais analíticas, já é possível relacionar ao objetivo da pesquisa algumas categorias. Também é nessa fase que as transcrições de entrevistas são realizadas, além da seleção de trechos e documentos importantes para se atingir os objetivos da pesquisa. Dessa maneira, ao finalizar a pré-análise o material para 9 a análise já está preparado e selecionado, pois nem tudo que é coletado é um bom para se analisar. De acordo com a autora “Nem todo o material de análise é susceptível de dar lugar a uma amostragem, e, nesse caso, mais vale abstermos-nos e reduzir o próprio universo (e, portanto, o alcance da análise) se este for demasiado importante” (BARDIN, 2009, p.123). De certa forma já se inicia a categorização dos dados a partir do objetivo que se deseja obter. 4.1.2 A exploração do material A exploração do material constitui a segunda fase, que é a definição das categorias (sistemas de codificação) a partir do material já selecionado e a identificação das unidades de registro (unidade de significação a codificar corresponde ao segmento de conteúdo a considerar como unidade base, visando à categorização e à contagem frequencial) e das unidades de contexto nos documentos (unidade de compreensão para codificar a unidade de registro que corresponde ao segmento da mensagem, a fim de compreender a significação exata da unidade de registro). A exploração do material consiste numa etapa importante, porque vai possibilitar ou não a riqueza das interpretações e inferências. Esta é a fase da descrição analítica, a qual diz respeito ao corpus (qualquer material textual coletado) submetido a um estudo aprofundado, orientado pelas hipóteses e referenciais teóricos. Dessa forma, a codificação, a classificação e a categorização são básicas nesta fase (Bardin, 2006). 4.1.3 Tratamento dos dados e resultados A terceira fase diz respeito ao tratamento dos resultados, inferência e interpretação. Esta etapa é destinada ao tratamento dos resultados; ocorre nela a condensação e o destaque das informações para análise, culminando nas interpretações inferenciais; é o momento da intuição, da análise reflexiva e crítica (Bardin, 2006). Ou seja, nesta fase que as categorias que já foram pré-estabelecidas são finalizadas e as conclusões são encontradas a partir das observações e da exploração das respostas obtidas. 4.2 Análise do Discurso 10 A análise de discurso é uma técnica usada para pela linguística na qual se analisa textos e sua estrutura com o intuito de compreender construções ideológicas presentes neste. Segundo Brandão (2006), Foucault concebe os discursos como sendo formados por elementos que não estão ligados a nenhum princípio de unidade, e cabe a análise de discurso descrever essa dispersão. Para se conseguir analisar a formação de discursos, Foucault sugeriu as “regras de formação”, que ajudam a determinar os elementos que compõem o discurso. O discurso é formado com uma relação entre o interdiscurso e o intradiscurso. Na qual o interdiscurso significa os saberes pré-construídos e que existem antes dos sujeitos e que circula na sociedade e é fruto de uma construção coletiva. Já o intradiscurso é a fala formulada da vivência, o que o sujeito consegue elaborar, um discurso linear. Segundo Brandão (2004, 48): “São as formações discursivas que, em uma formação ideológica específica e levando em conta uma relação de classes, determinam ‘o que pode e deve ser dito’ a partir de uma posição dada em uma conjuntura dada”. Nesse sentido, a AD também se volta para aquilo que não foi dito. Cada um dos interlocutores está envolvido em sistemas simbólicos construídos social e historicamente, isto é, interdiscurso, redes de sentidos já ditos, pré-existentes, que dialogam com os dizeres do momento. Assim, baseados naquilo que já vivemos historicamente buscamos nas memórias, e é nelas que formulamos o discurso atual (GIRALDI E RAMOS, 2006). Dessa forma o discurso busca superar a dicotomia da língua/fala (manifestação social de sentido/manifestação individual dos sentidos), colocando-as como interdependentes e que para fazerem sentido, num certo contexto, língua e fala não podem ser analisadas separadamente. Pois quem fala, fala a alguém, direciona o seu discurso, tomando uma posição sobre determinado tema, e o outro também possui uma posição definida em relação ao primeiro; e esta relação dependerá da ideologia que permeia o contexto histórico social de cada um, isto é , o interdiscurso. Não há discurso sem sujeito nem sujeito sem ideologia (GIRALDI E RAMOS, 2006) 5. Resultados e Discussões As análises dos dados foram divididas em duas etapas, na qual a primeira etapa é a das análises dos questionários aplicados aos alunos na qual foi realizada através das técnicas de 11 Análise de Conteúdo proposta por Bardin (2009). Onde foram usadas as três fases cronológicas sugeridas por Bardin (pré-análise, exploração do material e tratamento dos resultados, as inferências e a interpretação). A segunda etapa são as análises dos questionários através da técnica de Análise de Discursos , focando principalmente na utilização do interdiscurso e do intradiscurso. Análise das categorias estabelecidas pela Análise de Conteúdo Os questionários passaram pela leitura flutuante, na qual foram lidas com o intuito de conhecer as respostas. A partir de leituras mais analíticas e precisas foi possível pensar em categorias relacionadas aos objetivos do trabalho. As categorias foram elaboradas para sintetizar as respostas dos entrevistados. Em várias leituras cuidadosas das entrevistas foram criadas as seguintes categorias de análise para o momento da pré-visita : Citações dos alunos sobre a cana, porque é melhor colher a cana madura? e expectativas dos estudantes quanto a visita. Pré-visita No dia anterior a visita todos os participantes se reuniram para refletir sobre as questões acerca das visitas. Foram aplicados questionários referentes a alguns conceitos principais da usina sucroalcooleira (Figura 1). Primeiro foi perguntado sobre o que é a cana de açúcar para levantar as concepções dos estudantes. O que mais ficou evidenciado foi relacionar a cana de açúcar com produtos obtidos dela direta ou indiretamente. 12 Figura 1. Categorização dos questionários antes da visita Categoria 1: Citações dos alunos sobre a cana (Figura 1a) Foi possível perceber nesta categoria que existe a utilização dos termos extrair, produzir e fazer açúcar e álcool pelos estudantes, isso mostra que “fazer” está relacionado com a atividade da indústria, já que são os maiores produtos finais, no entanto quando aparece o termo “extrair”, demostra que o açúcar ou o álcool estão na cana. Fica claro que a maioria dos estudantes deu uma definição geral para a cana, os conceitos plantas e vegetal que foram lembrados evidencia isto. No todo, relacionaram de forma genérica, deram ênfase nos produtos que são extraídos e obtidos pelo processo de industrialização da cana. Categoria 2: Por que é melhor colher a cana madura? Quando questionados sobre a necessidade da cana estar madura ou não para o corte e dar as devidas justificativas observou-se que todos disseram que tem que cortar quando ela está madura, porém as justificativas foram diversas (Figura b). É possível perceber pelas respostas dos alunos trazem justificativas do senso comum, sem a utilização de termos científicos. Podemos ver isso claramente na resposta abaixo: Aluno 13 Assim como nessa resposta, outras também demonstram que os alunos não conhecia o processo pelo qual a cana de açúcar passava e nem como funciona uma usina. Visita No início da visita técnica pela Usina Sonora foram realizados o cadastramento e a fala da Supervisora da empresa, que expôs a história da indústria, campo de atuação e integração segurança de alimentos, explicou-se os protocolos e o controle de qualidade nacionais e internacionais para manipulação de alimentos, que a empresa possui. Os estudantes questionaram sobre o perfil dos profissionais que compõem a equipe industrial, e foi apontado que profissionais como biólogos, técnicos em açúcar e álcool, além de espaço para técnicos e tecnólogos em alimentos trabalharem em conjunto com outras áreas. Após os questionamentos a equipe do IFMS/Coxim assistiram a vídeos institucionais sobre projetos desenvolvidos pela empresa na área de segurança do trabalho, área ambiental, social e sua relevância para o município e Estado. Em seguida os estudantes e professores participaram da integração de segurança do trabalho com o Técnico em Segurança do Trabalho, que explanou sobre os equipamentos de segurança individual, suas normas e necessidades de uso em cada setor da usina. Após todas as orientações necessárias, iniciou-se a visita na área industrial de produção sob a supervisão da equipe técnica da empresa. Estudantes e professores conheceram o funcionamento das caldeiras, da moenda, o processo de tratamento de caldo, fabricação de açúcar, embalagem e expedição. Por fim foi visitado a destilaria da usina e os laboratórios de análises química e microbiológicas. Ao retornar para sala de reuniões o engenheiro químico responsável pela usina falou sobre a integração de processos de fabricação e respondeu questões e dúvidas dos estudantes e professores. Pós-visita Da mesma maneira que os questionários na pré-visita foram analisados e passaram pelas três fases cronológicas sugeridas por Bardin (pré-análise, exploração do material e tratamento 14 dos resultados, as inferências e a interpretação), os questionários respondidos após a visita também passaram por leituras flutuantes e pela criação de categorias. Foram criadas as seguintes categorias nessa faze do trabalho: Por que é melhor colher a cana madura?, o que mais gostaram e o que menos gostaram na visita e a comparação entre aprendizagem na sala de aula e em uma visita técnica. Categoria 1: Por que é melhor colher a cana madura? Nos questionários realizados após a visita, todos colocaram que a cana deve estar madura, devido ao seu ponto máximo de sacarose, ou de maturação. Observou-se que após a visita surgiu termos mais técnicos nos relatos dos estudantes, que a anteriormente utilizavam “açúcar”, “doce”, “glicose” e passaram a falar em “maturação”, “sacarose”, “ponto máximo de sacarose” indicando uma mudança nos seus relatos devido à visita técnica. Aluna ID Destacou-se entre os relatos, a preocupação em colher a cana no período correto de maturação, pois se passar do ponto máximo de sacarose ocorre a formação do pendão que é indicativo de diminuição do teor de sacarose, interferindo, assim, no rendimento na extração do açúcar. Aluno HD Categoria 2: O que mais gostaram e o que menos gostaram na visita 15 Os estudantes foram questionados sobre o que mais gostaram e o que menos gostaram da visita. Em relação ao que mais chamou a atenção dos estudantes na visita destacou-se a estrutura e o tamanho a usina com 30% das citações, mostrando que a estrutura dos processos e a hospitalidade foram os pontos que mais gostaram e dos pontos que menos gostaram foram algumas explicações das etapas que ficaram a desejar. De forma geral os alunos tiveram mais itens que gostaram do que não gostaram. Isso também reflete na avaliação da usina, como mostra a Figura 2, em que a empresa obteve a maioria dos conceitos bom ou ótimos nos itens avaliados. Figura 2. Avaliação da visita Categoria 3: Comparação entre aprendizagem na sala de aula e em uma visita técnica Para finalizar, os estudantes foram questionados sobre a aprendizagem comparando o ensino em sala de aula e o da visita técnica e foi verificado que eles entendem que o ensino de sala de aula é importante porque se aprende a teoria e que em conjunto com as visitas melhora o aprendizado, pois veem na prática os conteúdos estudados. Análise das questões através da análise do discurso A análise de discurso foi utilizada para verificar a enunciação dos alunos, assim como a utilização do interdiscurso. Dessa maneira, analisamos as opiniões dos alunos antes e depois da 16 visita, para que possamos verificar a mudança no discurso destes alunos, além da incorporação de outros discursos em suas opiniões. Pré-visita Citações dos alunos sobre a cana Por que é melhor colher a cana madura? É possível verificar nas respostas dos alunos, que eles possuem opinião sobre a maneira que a cana deve ser colhida, porém são explicações do senso comum. Isso mostra que o discurso dos alunos é carregado da influência histórico-cultural. Segundo Caregnato e Mutti (2006), “o sujeito não é individual, é assujeitado ao coletivo, ou seja, esse assujeitamento ocorre no nível inconsciente, quando o sujeito se filia-se ou interioriza o conhecimento da construção coletiva, sendo porta-voz daquele discurso e representante daquele sentido.” Podemos verificar esse assujeitamento na seguinte fala: Aluna BO É possível perceber pelo discurso da Aluna BO que ela sabe que quanto mais caldo, mais açúcar terá, pois possívelmente ela já viu algum garapeiro moendo cana, que é comum na região em que vivemos com muita produção de cana-de-açúcar, assim ela associou muito caldo a cana madura. Expectativas dos estudantes quanto a visita Pelo discurso dos alunos o que percebemos foi que a maioria deles queriam saber o processo que a cana-de-açúcar passou, além de comprovar na prática o que eles veem na teoria. 17 A fala abaixo é carregada de apropriações sociais, o que torna o discurso verdadeiro para esse grupo de alunos, além disso o discurso é carregado de ideologia. Aluno O que é possível perceber mais detalhadamente é que os alunos apenas repete algo imposto na sociedade, pelos professores, mídia e até alguns cientistas, que a ciência é comprovada na prática e que é bom ver na teoria mas na prática é melhor. Isso mostra que os alunos utilizam discursos pré-estabelecidos, ou seja, usam o interdiscurso. Pós-visita Citações dos alunos sobre a cana Por que é melhor colher a cana madura? É notável a diferença nos discursos dos alunos antes e depois da visita, é possível perceber que as respostas que antes eram carregadas de concepções passam a ser discursos carregados de conceitos científicos e itens incorporados das explicações dos profissionais da usina. Podemos ver um exemplo na fala abaixo: 18 Aluna IM Conclusões Os resultados mostraram que a visita técnica auxilia no ensino de ciências especialmente no agronegócio sucroalcooleiro voltado para os cursos técnicos. Promoveu a maturidade acadêmica, técnica e cientifica dos discentes, percebida nos relatos, em que foi desenvolvido o senso crítico. Aproximou o processo educacional e formação profissional. Também é possível perceber que os alunos possuem discursos prontos e carregados de ideologias formadas pela sociedade. E que ao entrar em contato com o processo de produção e explicações de profissionais que trabalham nas usinas, esses discursos mudam, trazendo características científicas. Isso mostra que para sair da zona de conforto os alunos possuem a necessidade de visualizar processos. Agradecimentos Agradecemos a Usina Sonora S/A pela a visita e ao IFMS/Coxim pelo apoio financeiro. Referências ALCARDE, A. R. Processamento da cana-de-açúcar. Disponível http://www.agencia.cnptia.embrapa.br/gestor/cana-deacucar/arvore/CONTAG01_102_22122006154841.html. Acesso em 02.12.2012 . em: BARDIN, L. Análise de Conteúdo. – 4 ed. rev. atual. – Lisboa: Edições 70, 2009. BRANDÃO, C.R. Paulo Freire, educar para transformar: fotobiografia. São Paulo: Mercado Cultural BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Parecer CEB n. 16/99. Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. Brasília, 05 de OUTUBRO de 1999. BUENO, A. C. e OLIVEIRA, E.M. Os parâmetros curriculares nacionais e a problemática ambiental. Revista Travessias, Vol. 3, N° 1, 2009. Acesso em: Nov. 2012. 19 CARVALHO, R. C. O. ; VIEIRA, S. ; VIANA, M.S. Visitas Técnicas: Ensino-Aprendizagem no Curso de Turismo. 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