FICHA PARA IDENTIFICAÇÃO
PRODUÇÃO DIDÁTICO – PEDAGÓGICA
TURMA - PDE/2012
Título: REFLETINDO E ATUANDO SOBRE INDISCIPLINA NO CONTEXTO ESCOLAR
Autor
ABIGAIL BARBOSA DE MACEDO SILVA
Disciplina/Área
(ingresso
no Pedagogia
PDE)
Escola de Implementação do Colégio Estadual Dom Bosco – Ensino Fundamental e
Projeto e sua localização
Médio
Município da escola
Mariluz
Núcleo Regional de Educação
Goioerê
Professor Orientador
Professora Me. Aline P. Lima.
Instituição de Ensino Superior
FECILCAM
Relação Interdisciplinar
Todas as áreas do Conhecimento
O referido trabalho tem atrelado a si o objetivo
principal
de
promover
espaços
de
reflexão
sobre
indisciplina escolar junto aos professores do Colégio
Estadual Dom Bosco de Mariluz a fim de identificar e (re)
significar suas concepções sobre o tema, dessa forma
Resumo
passaremos a conhecer o que os professores do referido
colégio pensam sobre indisciplina escolar e como a vêem
no contexto escolar, isto posto, refletiremos sobre
situações tidas como indisciplina e proporcionaremos
momentos de discussão sobre a indisciplina escolar,
objetivando auxiliá-los nesta questão.
Palavras-chave
(
3
a
5 Indisciplina; Prática Pedagógica; Sucesso na
palavras)
Aprendizagem.
Formato do Material Didático
CADERNO PEDAGÓGICO
Público Alvo
Professores dos anos finais do Ensino Fundamental do
Colégio Estadual Dom Bosco.
SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO – SEED
SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO – SUED
DIRETORIA DE POLÍTICAS E PROGRAMAS EDUCACIONAIS – DPPE
PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – PDE
CADERNO PEDAGÓGICO
REFLETINDO E ATUANDO SOBRE INDISCIPLINA NO CONTEXTO
ESCOLAR
CAMPO MOURÃO
2012
2
ABIGAIL BARBOSA DE MACEDO SILVA
CADERNO PEDAGÓGICO
REFLETINDO E ATUANDO SOBRE INDISCIPLINA NO CONTEXTO
ESCOLAR
Caderno Pedagógico apresentado à Coordenação do
Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, da
Secretaria de Estado da Educação do Paraná, em
convênio com a Faculdade Estadual de Ciências e Letras
de Campo Mourão,
como requisito para o
desenvolvimento das atividades propostas para o 1º
semestre 2013. Sob a orientação da Professora Me. Aline
P. Lima.
CAMPO MOURÃO
2012
3
REFLETINDO E ATUANDO SOBRE INDISCIPLINA NO CONTEXTO
ESCOLAR
Professora PDE: Abigail Barbosa de Macedo Silva
APRESENTAÇÃO
Este trabalho, por nós nominado como Caderno Pedagógico, foi
desenvolvido em parceria com a Faculdade de Ciências e Letras de Campo
Mourão – FECILCAM, na área de Pedagogia sob a orientação da professora
Me. Aline P. Lima, segue as propostas do PDE – Programa de
Desenvolvimento Educacional do Paraná, turma 2012, e problematiza o tema
indisciplina na escola.
O referido trabalho tem atrelado a si o objetivo principal de promover
espaços de reflexão sobre indisciplina escolar junto aos professores do Colégio
Estadual Dom Bosco de Mariluz a fim de identificar e (re) significar suas
concepções sobre o tema, dessa forma passaremos a conhecer o que os
professores do referido colégio pensam sobre indisciplina escolar e como a
vêem no contexto escolar, isto posto, refletiremos sobre situações tidas como
indisciplina e proporcionaremos momentos de discussão sobre a indisciplina
escolar, objetivando auxiliá-los nesta questão.
Para tanto no presente Caderno Pedagógico, apresentamos uma
sequência didática com questionamentos para reflexão, textos para discussão
e reflexão sobre indisciplina escolar. Para a efetivação das atividades deste
caderno serão necessárias 32 horas, desse modo as atividades foram divididas
em três unidades, assim dispostas:
UNIDADE I: O QUE É INDISCIPLINA ESCOLAR?
UNIDADE II: DISCUTINDO INDISCIPLINA ESCOLAR
UNIDADE III: REPENSANDO A INDISCIPLINA ESCOLAR
4
Esperamos com este trabalho alcançar o objetivo proposto, qual seja,
promover espaços de reflexão sobre indisciplina escolar junto aos professores
do Colégio Estadual Dom Bosco de Mariluz a fim de identificar e (re) significar
suas concepções sobre o tema, para a partir daí atuar de forma diferenciada,
tendo consciência do nosso papel como educadores e balizadores da
organização do trabalho em sala de aula.
5
INTRODUÇÃO
As escolas atualmente têm enfrentado um grande desafio que vem
provocando discussões entre educadores, gestores e família. A indisciplina
está cada vez mais frequente no ambiente escolar e é considerado um dos
motivos pelo insucesso escolar dos alunos e apresenta diversos conceitos.
Para Garcia (2000, p.102):
O conceito de indisciplina apresenta uma complexidade que precisa
ser considerada. É preciso, por exemplo, superar a noção arcaica de
indisciplina como algo restrito à dimensão comportamental. Ainda, é
necessário pensá-la em consonância com o momento desta virada de
século.
Aquino (1996, p.45) descreve a indisciplina como sendo
[...] um quadro difuso de instabilidade gerado pela confrontação deste
novo sujeito histórico a velhas formas institucionais cristalizadas. Ou
seja, denotaria a tentativa de rupturas, pequenas fendas em um
edifício secular como é a escola, potencializando assim uma
transição institucional, mais cedo ou mais tarde, de um modelo
autoritário de conceber e efetivar a tarefa educacional para um
modelo menos elitista e conservador.
Ambos os autores colocam em cheque a organização do trabalho
educacional, insinuando que este não está preparado para as mudanças que
vem ocorrendo na sociedade, e, consequentemente dando abertura para a
indisciplina.
É evidente que a vida em sociedade necessita da criação e do
cumprimento de regras para que se estabeleça um ambiente favorável. Sem
disciplina nenhum espaço possui organização nem tão pouco é adequado para
o processo de aprendizagem. A escola, por sua vez, não pode ser diferente.
A questão da disciplina é bastante complexa, uma vez que um grande
número de variáveis influenciam o processo de ensino-aprendizagem.
No entanto, apesar dessa complexidade, a verdade é que há um
consenso sobre o fato de que sem disciplina não se pode fazer
nenhum trabalho pedagógico significativo. Resta saber o que
entendemos por disciplina [...]. (VASCONCELLOS, 2004, p. 45).
Nesse sentido, temos claro que a efetivação do trabalho escolar não se
concretizará sem disciplina, no entanto não podemos esperar que o aluno seja
passivo e só dê seu parecer quando questionado.
6
Normalmente para os educadores a concepção de bom aluno é aquele
obediente, que realiza a sua tarefa, que faz o que se pede e concorda com
tudo. O aluno crítico e reflexivo é o modelo de indisciplina. A esse respeito
Vasconcellos (1994, p. 39) orienta que, “o conceito de disciplina associado à
obediência está muito presente no cotidiano da escola, mais ou menos
conscientemente” dessa forma, não podemos entender a disciplina como um
conjunto de regras disciplinares, normas rígidas, mas uma necessidade para o
bom desempenho dentro de qualquer trabalho.
Analisando o contexto escolar atual, verificamos que há diversos fatores
que proporcionam a indisciplina, entre eles citamos: a perda de autoridade do
professor, aulas mal planejadas, ausência de conhecimento do conteúdo por
parte do professor, nesse sentido a indisciplina é:
[...] uma resposta clara ao abandono à habilidade das funções
docentes em sala de aula, porque é só a partir do seu papel
evidenciado corretamente na ação em sala de aula que os alunos
podem ter clareza quanto ao seu próprio papel, complementar ao do
professor. (AQUINO, 1998, p. 8).
Diante do exposto, devemos considerar os problemas disciplinares
aliados a outros fatores, que não sejam apenas o relacionado ao aluno, e ao
cumprimento de regras, na maioria das vezes os fatores estão diretamente
ligados ao ambiente escolar e a perda de autoridade do professor. É
necessário salientar a importância do trabalho docente para manter um
ambiente propício para a aprendizagem, sua função de educador consiste,
entre outras,
[...] conhecer como se dá a aprendizagem e, com base nessa
compreensão, planejar suas aulas, além de ter segurança sobre o
conteúdo a ser trabalhado. A medida parece muito básica – e é. Ela
vale para manter a disciplina e para chegar ao objetivo principal: fazer
com que todos aprendam. (VINHA, 2009, p.5)
Ressaltando a afirmação da autora pode-se entender que conhecer
como se dá a aprendizagem é uma ferramenta valiosa para o educador manter
a disciplina em sala de aula. Outro agravante, que pode influenciar na disciplina
é a falta de metodologia de alguns educadores, que faz com que os alunos não
se sintam motivados em aprender e, sentindo-se “desocupado” o aluno se acha
no direito de “brincar” durante a exposição de um conteúdo novo.
7
Geralmente, o aluno indisciplinado é também aquele que carrega ano
após ano a reprova, e este é visto como o baderneiro que não aprende nada,
nunca sairá “disso”. Entretanto, o jovem hoje convive em meio a muitas
novidades, e a escola se mantém na mesma estratégia tradicional, fazendo
com que o aluno não se sinta atraído por ela, nesse sentido, necessita-se que
o ambiente escolar seja um local privilegiado de inovação, experimentação, um
lugar onde o aluno tenha vontade de voltar para ela.
Deve-se entender que o trabalho de uma escola não se reduz a uma
matriz curricular ou a um “punhado” de disciplinas, além do conhecimento
próprio de cada disciplina, o jovem necessita de muito mais para que se possa
garantir o sucesso do seu futuro.
Assim, se a organização do trabalho pedagógico na escola está
direcionada a oferecer um ambiente favorável para a aprendizagem, ou seja,
um espaço com metodologias diversificadas, professores comprometidos,
aulas planejadas, a indisciplina na escola tende a ser reduzida. Para tanto, a
prática pedagógica deve ser centrada no aluno, instigando, desafiando, enfim,
motivando-o a querer aprender, assim, como partícipe do processo de
construção do seu conhecimento, o aluno poderá atuar de modo responsável e
consciente do seu papel e da importância de organização para obtenção de
melhores resultados na vida acadêmica.
Diante do exposto, há necessidade de organizar, no ambiente escolar,
discussões que contribuam para a compreensão do real significado de
indisciplina, dando um novo sentido a ela e, dessa forma, promover o
desenvolvimento de um ambiente adequado para a prática pedagógica e,
consequentemente, o sucesso do processo de ensino e aprendizagem, dessa
forma serão aqui apresentadas atividades que levarão os educadores a
refletirem sobre a indisciplina na escola e o papel a ser desempenhado para a
minimização/superação desse problema.
8
9
O QUE É INDISCIPLINA ESCOLAR?
1
Imagem 1
De modo a iniciar o desenvolvimento do trabalho, nos propomos a
pensar sobre o real sentido da indisciplina no contexto escolar. Para tanto,
iniciamos problematizando a realidade que nos cerca, com o uso de um
questionário individual e uma discussão em grupo com objetivo de verificar o
que o coletivo deste colégio compreende sobre indisciplina na escola.
QUESTIONÁRIO INDIVIDUAL
1) Em nossa escola, existem casos de indisciplina? Relate um ou dois que
exemplifiquem casos de indisciplina.
2) Existem responsáveis pela indisciplina? Quem seria?
3) Você consegue pensar em formas de atuação contra indisciplina? O que
poderia ser feito na escola para o enfrentamento da questão?
1
Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=25083.
Acesso em: 02 de dez. de 2012.
10
DISCUSSÃO EM GRUPO
A indisciplina se constitui um desafio para os educadores e pode ser um
dos principais obstáculos para o desenvolvimento da prática pedagógica
e, consequentemente do insucesso escolar, dessa forma e observando o
cotidiano escolar vivenciado pelo grupo, reflita e discuta as questões
abaixo:
a) Como o grupo define indisciplina escolar?
b) O que caracteriza um aluno indisciplinado?
c) Que fatores contribuem para a indisciplina na sala de aula e em
outros espaços da escola?
d) Quais as dificuldades enfrentadas pelo grupo na prática
pedagógica?
Concluída a reflexão, cada grupo deverá apresentar aos demais sua
opinião para que a professora PDE possa mediar uma discussão abordando
elementos apontados pelo grupo, objetivando analisar as respostas e,
consequentemente, a concepção que o coletivo tem sobre indisciplina escolar,
para melhor organizar os encaminhamentos das atividades.
“Todo poder provém de uma disciplina e corrompe-se
a partir do momento em que se descuram os
2
constrangimentos”. (CAILLOIS)
2
Roger Caillois: Sociólogo e Antropólogo francês.
11
REFLETINDO SOBRE
INDISCIPLINA ESCOLAR
3
Imagem 2
Os problemas disciplinares estão aliados a outros fatores, que não
são apenas o relacionado ao aluno e ao cumprimento de regras. Na
maioria das vezes os fatores estão diretamente ligados ao ambiente
escolar e a perda de autoridade do professor.
Agora, assistiremos um vídeo ·com a Educadora Terezinha Rios, que
discursa sobre o respeito como sendo relacionado com o reconhecimento do
outro e de suas diferenças. A partir do vídeo propomos pensar coletivamente:
O outro e as diferenças são levados em consideração por nós
professores, que muitas vezes agimos por meio da autoridade e
da hierarquia?
Vemos a disciplina apenas como aplicação de regras, geralmente
não compartilhadas pelos alunos?
O que é de fato um bom aluno? O “corpo disciplinado não é um
corpo imóvel, pacífico”?
3
Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=41479.
Acesso em: 02 de dez. de 2012.
12
FILME
MENTES PERIGOSAS4
5
Imagem 3
O Filme “Mentes Perigosas”6 conta a história de uma ex-oficial da
marinha que passa a lecionar em uma escola de subúrbio nos Estados Unidos
onde alunos americanos e mexicanos convivem juntos. O filme se baseia em
uma professora em seu primeiro trabalho, tendo que enfrentar uma sala de
alunos “rebeldes”, cheio de problemas sociais envolvendo família, drogas e
preconceito.
No começo a professora LouAnne Johnson (Michelle Pfeiffer) sente-se
desafiada e pensa por alguns instantes que não é capaz de dar aulas para
aquela turma e um outro professor lhe diz em uma conversa, que ela precisa
de algo para prender-lhes a atenção. A professora coloca a responsabilidade
para os alunos dá a todos nota A, afirmando manter essa nota alta e mais difícil
que tirá-la uma vez só.
Em uma das cenas do filme, em que é ensinada uma série de verbos,
uma das alunas diz que o verbo mais importante falado foi o verbo “escolher”,
isso demonstra que aqueles alunos queriam escolhas, e estavam ali por não têlas. A professora fala, que fazemos a melhor escolha que temos disponível no
momento e Michelle nesse instante convence os alunos que escolheram estar
4
MENTES Perigosas. Direção de John N. Smith. Estados Unidos. Buena Vista Pictures/
Hollywood Pictures/ Don Simpson/ Jerry Bruckheimer Films, 1995, 99 mim. (Vídeo Locado).
5
Disponível em: http://filmes.zura.com.br/mentes-perigosas--john-n-smith.html. Acesso em 02
de dez. de 2012.
6
Sinopse disponível em: www.portalcmc.com.br/filme04.htm. Acesso em 22 de out de 2012.
13
ali ao invés de estar na rua roubando, escolheram se formar para ter um futuro
melhor e escolheram pegar o ônibus para ir a escola a consumir drogas.
Refletindo coletivamente sobre o filme:
1) O que conseguimos identificar de semelhanças e diferenças entre
as cenas do filme e o cotidiano de nossa escola?
2) No filme Mentes Perigosas, a professora LoAnne Johnson
desafiou as regras e criou seu próprio currículo, recorrendo a
recompensas (chocolates, passeios, jantares) para conseguir um
ambiente favorável para desenvolver sua prática pedagógica.
Você concorda com a técnica usada pela professora? Por quê?
3) No decorrer da trama percebe-se que a professora incentiva a
turma a ver o conhecimento como uma arma intelectual que os
preparará para os obstáculos da vida, e mostra que o próprio
aprendizado é uma troca, onde todos aprendem: alunos e
professor. Você também vê o conhecimento como uma arma para
a mudança? Comente.
4) As intervenções direcionadas pela professora da trama foram
pontuais, pois a escola do filme, como muitas de hoje, vive num
mundo fechado, sem se interessar pela realidade e interesses dos
alunos. Os currículos e programas são desvinculados da
realidade quotidiana dos alunos, ignoram os fatos econômicos,
sociais e culturais da sociedade. Você acha que essa afirmação é
uma das causas que conduzem à indisciplina?
5) Se você fosse a professora LouAnne Johnson de que forma
conduziria a situação exposta no filme?
14
15
DISCUTINDO INDISCIPLINA
ESCOLAR
7
Imagem 4
Percebemos
que
atualmente
as
intervenções
utilizadas
pelos
professores, na tentativa de solucionarem a indisciplina não tem dado
resultados, comprometendo também o processo de ensino e aprendizagem.
Temos que refletir as razões que conduzem a um ambiente em que
professor/aluno; aluno/aluno travam uma animosidade que culminam com
palavras ofensivas, a não realização das atividades propostas em sala e
prejudicando o trabalho dos demais alunos, uma vez que diante dessas
situações, o professor não sabe ao certo o que fazer; no entanto
compreendemos que atitudes positivas e específicas diante da situação podem
levar a solução do problema em sala e vice versa. Dessa forma, há a
necessidade do professor compreender o que é indisciplina de fato e de que
forma atuar para apaziguar os ânimos em sala de aula.
A proposta desta atividade será voltada para essas reflexões. Seguem
um conjunto de textos e tirinhas do personagem Calvin que vive situações
que deixam evidentes as principais causas da indisciplina, com a intenção de
nos levar a refletirem de que forma podemos minimizar a indisciplina escolar.
Para isso serão utilizadas duas das sete soluções apresentadas no texto
“Como se resolve a indisciplina?” pela revista Nova Escola 8, onde Telma Vinha
e
outros
educadores
discutem
questões
ligadas
à
indisciplina
e
encaminhamentos para o problema.
7
Disponível emhttp://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=41479. Acesso
em 02 de dez. de 2012.
8
http://revistaescola.abril.com.br/formacao/formacao-continuada/como-resolve-indisciplinaautoridade-moral-convencao-cooperacao-autonomia-503230.shtml?page=0. Acesso em: 25 de
out de 2012.
16
Trecho da reportagem “Como se resolve a indisciplina?” Por Anderson Moço. Colaboração de
Thais Gurgel.
Ficar irritado, gritar e castigar os que não se comportam como você quer – atitudes autoritárias e
retrógradas – não adianta nada. Quando se tenta impor disciplina, a submissão e a revolta aparecem.
“Hoje, isso não se sustenta mais. O mundo é outro”, acredita Telma.
Seu papel na construção é conhecer como se dá a aprendizagem e, com base nessa
compreensão, planejar as aulas, além de ter segurança sobre o conteúdo a ser trabalhado. A medida
parece muito básica – e é. Ela vale para manter a disciplina e para chegar ao objetivo principal: fazer com
que todos aprendam.
Os caminhos também não são nada que esteja fora de seu alcance. “É preciso diversificar a
metodologia, pois interagimos com alunos conectados ao mundo por diferentes redes e ferramentas”,
acredita Maria Tereza Trevisol, da Universidade do Oeste de Santa Catarina, campus de Joaçaba. Vale
promover mais participação de todos em situações desafiadoras que deem protagonismo a cada aluno.
Pesquisas feitas por ela mostram que os alunos querem que o professor tenha autoridade também
para resolver os conflitos em sala, antes de recorrer à direção (veja na tirinha abaixo como Calvin vive
essa situação). (grifo nossso).
Um ponto de atenção: o desrespeito do professor em relação aos alunos também alimenta a
indisciplina. Quase 25% dos estudantes afirmam ser vítimas disso de vez em quando – e mais de 12%,
que o fato ocorre com frequência. Quem nunca ouviu uma criança reclamando: “Nem me ouviu e já me
colocou para fora”? Outra situação corriqueira é a da desconfiança: “Você precisa mesmo ir ao banheiro
ou está querendo passear?”
Que tipo de relação se espera formar com atitudes como essas? A análise do próprio
comportamento é fundamental. “Falta sensibilidade moral aos professores que tiram sarro do aluno, uma
situação, infelizmente, bem comum. Nesses casos, o respeito adquire um caráter unilateral”, afirma
Adriana. Assim, a ofensa à autoridade passa a ser encarada como mais grave do que a que se dá entre
os colegas. “Por exemplo, se um aluno xinga o professor, ele corre um grande risco de ser expulso. Mas,
quando esse mesmo aluno pratica bullying, ninguém toma nenhuma atitude”, analisa Telma. A
mensagem passada em situações desse tipo é: respeite aquele que manda e maltrate quem é igual ou
menor que você.
17
NÃO CONFUNDA REGRAS
Proibir o chiclete é uma convenção (questionável, por sinal). Ser solidário é
uma regra moral. Nesse caso, a professora de Calvin misturou tudo.
Após leitura do texto e análise da tirinha, discuta com o grupo, situações
do cotidiano parecidas com as relatadas, o encaminhamento dado e o
resultado dessa ação. O problema foi solucionado? Que outra
intervenção, dentro do discutido nesta proposta poderia ser utilizada
para favorecer a resolução do problema?
18
Trecho da reportagem “Como se resolve a indisciplina?” Por Anderson Moço. Colaboração de Thais
Gurgel.
Ninguém, em sã consciência, pode deixar a turma fazer o que quiser, num regime anárquico. Longe
disso. Um dos maiores desafios é, portanto, construir um ambiente cooperativo, no qual os alunos tenham
voz, sejam respeitados e aprendam a respeitar. Isso faz com que o comportamento seja adequado
naturalmente e não por medo de sanções (no quadrinho abaixo, Calvin e Susi mostram a que ponto pode
chegar a situação quando há temor em relação aos possíveis castigos).
É claro que essa perspectiva não o exime de exercer a figura da autoridade moral e intelectual –
nunca autoritária – como o coordenador do processo educacional. Afinal, além de conhecer os objetivos
pedagógicos, é você o adulto da situação. (grifo nosso). A negociação é a palavra. E ela tem de ser justa.
Não vale induzir os estudantes a conclusões e normas que somente um dos lados – o seu – queira ver
implantado. Isso seria um trabalho de fachada, no mínimo, desonesto. “Essa postura ajuda a romper com a
dicotomia tradicional daquele professor mandão versus o bonzinho porque pressupõe uma busca pelo
equilíbrio nas relações”, explica Telma. “Mas isso tem de ser construído gradativamente pelo grupo, com
base no respeito mútuo, na reciprocidade e nos princípios de justiça”, completa a especialista.
EQUILIBRE AS AÇÕES
Calvin provavelmente não fez nada grave, mas a expectativa do castigo
19
desproporcional mostra como a escola parece estar acostumada a reagir de
maneira inadequada.
Após leitura do texto e análise da tirinha, discuta com o grupo, situações
do cotidiano parecidas com as relatadas; discuta com o grupo
intervenções que estejam sendo utilizadas de maneira inadequada pela
escola. Faça uma relação entre as ações indisciplinares; a intervenção
utilizada, sem sucesso; e a intervenção que poderia auxiliar na resolução
do problema.
20
21
REPENSANDO A INDISCIPLINA ESCOLAR
Nesse momento faremos um estudo do texto “A Desordem na relação
professor-aluno: indisciplina, moralidade e conhecimento” de Julio Groppa
Aquino De modo a compreender as ideias do autor sobre indisciplina.
RESENHA9: A Desordem na relação
professor-aluno: indisciplina,
moralidade e conhecimento.
Imagem 2
10
AQUINO, Julio Groppa. A desordem na relação professor-aluno: indisciplina,
moralidade e conhecimento. In: _____________________ (org). Indisciplina
na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996, p. 3955.
Neste artigo o Prof. Júlio Aquino aborda a questão da indisciplina escolar a
partir de aspectos sócio-históricos e psicológicos, destacando a centralidade da
relação professor-aluno no estabelecimento de uma nova ordem pedagógica,
em que a negociação seja uma constante na (re) construção do conhecimento.
Segundo o autor, para além das diferentes funções imputadas à escola,
atualmente a indisciplina atravessa os distintos tipos e regimes escolares
9
Elaborada por Eder dos Santos Camargo - Pesquisador em Gestão de Políticas Públicas.
Disponível em: www.educared.org/educa/arquivos/web.../resenha_dimensão_1.pdf. Acesso
em: 09 de set de 2012.
10
Disponível em: http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=13391.
Acesso em: 02 de dezt de 2012.
22
tornando-se uma questão incontornável, em função de sua concretude,
contundência e repercussão.
Prescrições disciplinares já foram características extensivas à prática docente;
hoje, contudo, isto não é um consenso nem mesmo entre as teorias
pedagógicas. Por outro lado, se o mundo mudou e mudaram também os
alunos, o que se pode dizer da escola e de nós, professores? Lançando mão
destas imagens, Aquino desafia o leitor a compreender a indisciplina como um
sintoma da relação educativa, relação esta que não se bastaria na escola, mas
atravessaria todas as institucionalidades estabelecidas na sociedade. A partir
de um ponto de vista sócio-histórico, o artigo aborda a indisciplina como o
resultado da emergência do novo sujeito histórico caudatário da luta pela
democratização da sociedade brasileira.
Ocorre que a democratização da escola no Brasil veio acompanhada da
deterioração das condições de ensino, de modo que as estratégias de exclusão
se sofisticaram, não eliminando as características elitistas e militarizadas da
escola de outrora. Ainda que a indisciplina seja compreendida como sintoma de
práticas socialmente estabelecidas, o novo sujeito que freqüenta a escola
encontra-se com velhas formas institucionais cristalizadas. Assim, para o autor,
a indisciplina torna-se uma “força legítima de resistência e produção de novos
significados e funções, ainda insuspeitos, à instituição escolar.”
Por sua vez, observa-se nas escolas a predisposição por um discurso
particularista e culpabilizante em que aluno torna-se uma espécie de agente
social irremediavelmente degenerado. Não constitui exagero lembrar que a
infra-estrutura psicológica que se espera do aluno, de inescapável cunho
moral, é anterior a escola. O reconhecimento da autoridade externa, que passa
inevitavelmente pela assunção da alteridade pela co-existência com o outro,
faz-se em condição prévia ao trabalho escolar.
Atualmente, se espera que valores como solidariedade, reciprocidade,
cooperação, partilha de responsabilidades e permeabilidade a regras comuns
sejam ensinadas na escola, quando a escola é espaço de exercício dessas
condutas ensejadas no seio familiar. Júlio Aquino reconhece, enfim, que
vivemos o esfacelamento do papel clássico da instituição familiar e a
indisciplina não é mais do que um efeito dessa situação.
23
Qual seria a função da escola? Para Aquino, permanece sendo a mesma:
repetição e legitimação da cultura produzida pela humanidade. O foco de ação
da escola, este sim precisa ser alterado; não são as questões morais ou
psíquicas que devem mobilizar as energias, mas a desconstrução e
reconstrução dos processos e fatos cotidianos - fornecendo ao aluno repertório
para o exercício de seus dilemas e possibilidade de apreensão do mundo - que
devem orientar as práticas escolares. Da relação professor-aluno emergem as
questões que devem ser abordadas como matéria de conhecimento e
investigação. Conhecer provoca desordem, desobediência e inquietação.
Transformar isto em ciência exige fidelidade ao contrato pedagógico a partir de
um investimento contínuo nos vínculos concretos estabelecidos entre professor
e aluno, de modo que se encontre permeabilidade para a mudança e para a
invenção de uma nova ordem pedagógica.
Após leitura do texto, discuta com o grupo as questões abaixo
levando em consideração o cotidiano escolar do Colégio Estadual
Dom Bosco.
a) Para o autor a centralidade da relação professor-aluno é a chave para
uma nova ordem pedagógica, onde a negociação deva ser uma
constante para a (re) construção do conhecimento. De que forma esta
relação pode ser estabelecida? Para respondê-la reflita e descreva uma
situação de indisciplina vivenciada em sala de aula, comente o
desfecho, o encaminhamento dado e o que poderia ser feito para
contornar a situação.
b) Aquino deixa claro que uma das formas de amenizar a indisciplina é
mudando o foco de ação da escola. Diante da afirmação, o grupo
24
acredita que o professor deve rever a maneira de conduzir sua prática
pedagógica, valorizando a vivência do aluno como ponto de partida, a
fim de favorecer o processo de ensino e de aprendizagem? Comente.
c) Para Aquino (1996): “Conhecer provoca desordem, desobediência e
inquietação”, muitos confundem essa afirmação com indisciplina. Qual o
posicionamento do grupo? Explique.
d) Estamos finalizando as discussões sobre indisciplina em relação a esse
projeto, porém sabemos que esse assunto não se encerra aqui. Diante
disso, discuta com seus colegas, o que lhe foi acrescentado a partir das
leituras e reflexões realizadas; sua visão sobre indisciplina mudou de
perspectiva? Você está colocando em prática o discutido nos encontros?
Em que esse trabalho contribuiu para auxiliar em sua prática
pedagógica?
25
REFERÊNCIAS
AQUINO, Júlio Groppa. A desordem na relação professor aluno: indisciplina,
moralidade e conhecimento. In: AQUINO, Júlio Groppa (org.) Indisciplina na
escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996.
CALLOIS, Roger. Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/MjkyMw/
Acesso em: 19 de nov de 2012.
FILME Mentes Perigosas. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1n5ykGnffo. Acesso em: 18 de nov de 2012.
GARCIA, Joe. Interdisciplinaridade, tempo e currículo. Tese Doutorado em
Educação. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2000.
VASCONCELOS, Celso dos Santos. (In) disciplina: Construção da disciplina
consciente e interativa em sala de aula e na escola, 15ª Ed. São Paulo:
Libertad editora, 2004.
VINHA, Telma. Como se Resolve a Indisciplina? Revista Nova Escola, Edição
n.
226,
outubro
de
2009.
Disponível
em:
http://revistaescola.abril.com.br/formação. Acesso em: 08 de mai de 2012.
26
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refletindo e atuando sobre indisciplina no contexto escolar