UNIVERSIDADE CATÓLICA DE BRASÍLIA PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA LATO SENSU EM DESENVOLVIMENTO GERENCIAL Especialização AS COMPETÊNCIAS QUE OS PROFISSIONAIS DO SETOR BANCÁRIO AVALIAM COMO IMPORTANTES PARA ATENDEREM AO CLIENTE DE ALTA RENDA Autora: Siomara Medeiros de França Maciel Orientadora: Prof.ª MsC. Lúcia Henriques Sallorenzo BRASÍLIA Siomara Medeiros de França Maciel 2010 SIOMARA MEDEIROS DE FRANÇA MACIEL AS COMPETÊNCIAS QUE OS PROFISSIONAIS DO SETOR BANCÁRIO AVALIAM COMO IMPORTANTES PARA ATENDEREM AO CLIENTE DE ALTA RENDA Artigo apresentado ao Curso de Pós-Graduação em Desenvolvimento Gerencial da Universidade Católica de Brasília como parte dos requisitos para obtenção do Título de Pós-Graduada em Desenvolvimento Gerencial. Orientadora: Prof.ª MsC. Lúcia H. Sallorenzo Brasília – DF Julho de 2010 FOLHA DE APROVAÇÃO Trabalho de autoria de Siomara Medeiros de França Maciel, intitulado As competências que os profissionais do setor bancário avaliam como importantes para atenderem o cliente de alta renda, requisito parcial para obtenção do grau de Pós-Graduada em Desenvolvimento Gerencial, defendida e aprovada em 30 de Julho de 2010, pela banca examinadora constituída por: ___________________________________________________________ Prof.ª MsC. Lúcia H. Sallorenzo – Orientadora ___________________________________________________________ Prof. MsC Adrienne Capdeville ___________________________________________________________ Profº MsC Maria Helena Bastos Cunha Brasília 2010 AUTORIZAÇÃO Siomara Medeiros de França Maciel O autor da pesquisa autoriza a Universidade Católica de Brasília – UCB, por intermédio da Direção do Curso de Administração, a produzir cópias, emprestar ou mesmo submeter a pesquisa a congressos, revistas ou qualquer outro meio de comunicação cientifica. Também fica autorizado que a pesquisa, a critério do Curso de Administração, seja submetida à análise e contribuição de outra (s) pessoa (s) e que essa (s) figure (m) como autora da mesma. Não será, portanto, necessária qualquer autorização prévia por parte do autor para a execução dos atos de gestão a serem tomados pela Universidade Católica de Brasília. Brasília DF; 30 de julho de 2010. iii Dedicatória Dedico a meu esposo, Jeferson, pela sua dedicação e paciência, e aos meus filhos Yasmin e Pedro Henrique pela compreensão dos momentos de ausências para término deste processo. iv Agradecimentos Primeiramente, a Deus pela oportunidade colocada em meu caminho. A minha amada mãe, Fátima, pela sua dedicação diária aos netos para que fosse possível o término deste trabalho. E ao meu querido irmão Stênio, pelo seu apoio na hora do stress. A todo corpo docente da Universidade Católica de Brasília pela qualidade do Curso. A professora Maria Helena, pela orientação, paciência e carinho. QUAIS AS COMPETÊNCIAS QUE OS PROFISSIONAIS DO SETOR BANCÁRIO AVALIAM COMO IMPORTANTES PARA ATENDEREM AO CLIENTE ALTA RENDA SIOMARA MEDEIROS DE FRANÇA MACIEL Resumo: Este estudo tem como objetivo principal avaliar as competências mais importantes segundo a percepção dos profissionais do setor bancário para atenderem os clientes de alta renda. A pesquisa tem caráter quantitativo, descritiva e utilizou os métodos de estudo de caso e bibliográfico. A coleta de dados usou-se a técnica de inquirição, com a utilização de questionários para identificar e mensurar o grau de importância das competências para atender os clientes de alta renda. A amostra foi constituída por 40 colaboradores de um banco privado de Brasília/DF. O estudo identificou que as competências avaliadas como mais importantes pelos profissionais atuarem no setor bancário com clientes de alta renda são: trabalho em equipe, equilíbrio emocional, comunicação, relacionamento interpessoal, negociação e empreendedorismo; também indica novas exigências de qualificação para os funcionários, podendo contribuir para o aperfeiçoamento das políticas de recursos humanos da empresa. Os resultados aqui apresentados apontam que, em um futuro próximo, o bancário exercerá a função de um consultor de negócios e finanças, passando a exercer um papel ocupacional bastante diverso daquele que representa atualmente. Palavras-Chave: Cliente alta renda. Competência. Setor bancário. 1. INTRODUÇÃO No contexto globalizado em que se vive atualmente percebem-se grandes transformações sociais, econômicas, políticas e culturais em que as empresas devem se adequar nos processos de reestruturação produtiva, baseados em elementos de racionalização técnica e organizacional. Com isso se estabelece mundialmente conseqüências para o desenvolvimento e incorporação, ao ambiente empresarial, de novas tecnologias e modelos de gestão para garantir certo nível de competitividade atual e futuro. As propostas para obtenção de vantagem competitiva caminham em uma mesma direção, ou seja, de integrar os recursos humanos nos objetivos e metas organizacionais: gestão estratégica de recursos humanos, gestão baseada nas competências, gestão de desempenho, unificação do saber e gestão do capital intelectual. A gestão baseada nas competências é um instrumento gerencial que figura como alternativa aos modelos de gestão tradicionalmente utilizados pelas organizações (Brandão & Guimarães, 1999). Segundo Hamel & Prahalad (1995), a gestão baseada nas competências propõe-se a integrar e orientar esforços, sobretudo os relacionados à gestão de recursos humanos, visando desenvolver e sustentar competências consideradas essenciais à consecução dos objetivos organizacionais. A área de recursos humanos das organizações é fundamental nesse processo, à medida que uma competência organizacional é uma propriedade que emerge da articulação entre as competências humanas ou profissionais dos membros da organização (Le Boterf, 1999). Este artigo tem como objetivo avaliar as competências mais importantes segundo a percepção dos profissionais do setor bancário para atenderem os clientes de alta renda. Esta pesquisa, para o setor bancário, será de grande valia, pois o estudo da literatura sobre o tema aprofunda o conhecimento científico, com isso terá respaldo nas ações praticadas sobre gestão de pessoas neste banco. A pesquisa será realizada em um banco privado de Brasília, a todos os 40 (quarenta) funcionários de segmento de alta renda. 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Aspectos conceituais da Competência Segundo Carbone ET AL (2005, p. 42), “no fim da Idade Média, a expressão competência pertencia essencialmente à linguagem jurídica”, que queria dizer que uma pessoa era capaz de se posicionar ou realizar certo ato. Gramigna (2002, p. 15) destaca em sua obra que “desde o século XV o verbo ‘competir’ esteve relacionado à ‘rivalizar-se com’, e gerou substantivos como competição, competidor e competência e o adjetivo competitivo”. A palavra competência foi citada primeiramente dentro do contexto organizacional por David C. McClelland (SILVA, 2005). Fleury (2002) denota que é uma característica subjacente a uma pessoa casualmente relacionada com uma performance superior na realização de uma tarefa ou em determinada situação. E que a palavra competência é do senso comum, utilizada para designar uma pessoa qualificada para realizar alguma coisa. O oposto, ou seu antônimo, não implica apenas a negação dessa capacidade como guarda sentimento pejorativo, depreciativo. Chega mesmo a indicar que a pessoa se encontra, ou brevemente se encontrará marginalizada dos circuitos de trabalho e reconhecimento social (FLEURY, 2002, p. 52). Segundo Dutra (2007, p. 37) oriundo da escola americana, o conceito de competência tinha como ponto de partida o cargo e depois adequação da pessoa ao mesmo. Mesmo em autores como Dutra (apud Boyatzis, 2007, p. 37), que procuram ampliar o conceito de cargo para um conjunto de expectativas em relação à pessoa no contexto organizacional, não há aprofundamento da questão. Os autores que buscam efetuar discussão mais profunda do cargo, como Lawler III (1990, 1992 e 1996), não conseguem propor algo consistente que possa substituí-lo como referência na gestão de pessoas dentro das organizações. A análise das empresas, entretanto, revelou que o cargo estava longe de expressar a realidade da gestão de pessoas. No final dos anos 80 e início dos anos 90, já era comum encontrar várias pessoas no mesmo cargo, com o mesmo salário e entregando coisas bem diferentes para a organização, sem que esta tivesse ferramentas confiáveis para mensuração, avaliação e tomada de decisão. Esta colocação vem de encontro com o cenário organizacional que se vive, pois a oferta de produtos e serviços que se tem é grande, mas o que se quer é o diferencial, são as pessoas. A síntese desta vertente é que a resposta para que as empresas tenham maiores ganhos estaria no quadro de colaboradores mais qualificados. E isso é essencial para se manter firme no mercado competitivo atual. As pessoas, segundo Dutra (2007, p. 37), possuem determinado conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes (figura 1), o que não garante que a organização se beneficie deles. Para compreender melhor o conceito de competência, é preciso incorporar a noção de entrega, ou seja, aquilo que a pessoa realmente quer entregar à organização. O termo entrega refere-se ao indivíduo que sabe agir de forma responsável e é reconhecido por isso. Figura 1: As três dimensões da competência CONHECIMENTOS • • Informação Saber o que e por que fazer Atitudes HABILIDADES • • • Técnica Destreza Saber como fazer • • • Interesse Determinação Querer fazer Fonte: Durand (1998), com adaptações. A competência foi verificada neste tópico apenas no plano individual, como um atributo relacionado a determinado sujeito. No entanto, a abordagem da competência alcança também outros níveis da organização, como pode ser verificado no próximo tópico. 2.2 Tipos de Competências Conforme a literatura utilizada, existem diversos tipos de competências, pois estão ligadas com os objetivos, missão, visão e valores de cada empresa. Os tipos mais comuns são: básicas, específicas, essenciais, organizacionais e individuais (BRADESCO, 2002). As competências básicas são comuns e essenciais a qualquer função, de qualquer nível. Geralmente será expressão de alguns traços culturais mais fortes, marcantes, da organização (BRADESCO, 2002). As competências específicas são aquelas próprias de uma determinada função e, por conseguinte, podem variar de função para função. Competências essenciais são competitivas, porque prezam pelo diferencial, evitam a imitação. Mascarenhas (2008) destaca que a gestão das competências é um referencial que busca integrar o conceito de competência individual ao conceito de competência organizacional. Zarifian (1999), por exemplo, sustenta que não se deve desconsiderar a dimensão da equipe no processo produtivo. Para esse autor, em cada grupo de trabalho se manifesta uma competência coletiva, que é mais do que a simples soma das competências de seus membros. Isso porque há um efeito de sinergia entre essas competências individuais e as interações sociais existentes no grupo. Da mesma forma, Le Boterf (1999) comenta que a competência coletiva de uma equipe de trabalho é uma propriedade que emerge da articulação e da sinergia entre as competências individuais de seus componentes. Durand (1999) também chama a atenção para esse aspecto ao comentar que crenças e valores compartilhados e outras relações sociais existentes no âmbito do grupo influenciam sobremaneira a conduta e o desempenho de seus membros. Prahalad e Hamel (1990) tratam do conceito no nível organizacional, referindo-se à competência como uma capacidade da organização que a torna eficaz, permitindo a consecução de seus objetivos estratégicos. Para esses autores, competências essenciais nas organizações são aquelas que conferem vantagem competitiva, geram valor distintivo percebido pelos clientes e são difíceis de ser imitados pela concorrência. Mediante as referências teóricas acima se tem que é possível classificar competências como humanas ou profissionais (aquelas relacionadas ao indivíduo ou à equipe de trabalho) e organizacionais - aquelas que dizem respeito à organização como um todo ou a uma de suas unidades produtivas -, ressaltando-se que o conjunto de competências profissionais aliado a processos e outros recursos, dá origem e sustentação às competências organizacionais (BRANDÃO; GUIMARÃES, 2001). As competências individuais estão ligadas à forma de interagir de cada indivíduo. SILVA (2005, p. 87), diz que “as competências individuais compreendem as habilidades individuais e características pessoais, como complemento ao exercício da função e envolve fatores comportamentais”. O segredo do sucesso e o diferencial estão nas pessoas. Dessa forma, o grande desafio passa a ser como buscar e preparar pessoas que ajudarão a empresa a atingir resultados, identificando as competências que vão garantir a manutenção do sucesso no presente e, principalmente, no futuro, ou seja, quanto melhor o desempenho dos colaboradores, tanto maior seu crescimento e como isso será exigido o maior número de competências, com isso afirma-se que estas têm valor para o negócio da empresa. Carbone (apud Sparrow & Bognanno 2006, p.49), seguindo as proposições a cerca da influência de inovações tecnológicas sobre a qualificação profissional, sugerem a classificação das competências conforme a sua relevância, demonstrando o seu caráter dinâmico, no qual as competências estão inseridas em um ciclo de relevância ao longo do tempo, sendo possível classificá-las em quatro categorias distintas: • Emergentes: competências que não eram relevantes até então, mas a orientação estratégica da organização ou o desenvolvimento tecnológico as enfatizarão em um futuro próximo. Exemplos: domínio de idiomas estrangeiros, capacidade de navegar na internet e autogerenciamento da carreira profissional. • Declinantes: competências que constituíram parte da empresa num passado recente, mas se tornarão cada vez menos importantes devido a mudanças na estratégia ou na tecnologia. Exemplos: capacidade de datilografar e de exercer controle burocrático. • Estáveis ou essenciais: competências fundamentais para o funcionamento da organização, que permanecem relevantes ao longo do tempo. Exemplos: raciocínio lógico e capacitações ligadas ao negócio da empresa. • Transitórias: competências que, embora essenciais em momentos críticos de transição, não estão diretamente relacionadas ao negócio da organização. Exemplos: capacidade de conviver com a incerteza, administrar o stress e trabalhar sob pressão. Sparrow & Bognanno (1994) sugerem que, utilizando essa tipologia para identificar e mapear as competências necessárias ao sucesso organizacional torna-se possível gerenciá-las, direcionando os esforços e recursos da organização não apenas para manutenção das competências consideradas essenciais, mas também para o desenvolvimento daquelas tidas como emergentes. Essa classificação permite a adoção de uma postura proativa por parte da organização e de seus profissionais, no sentido de desenvolverem no presente as competências que serão necessárias no futuro. 2.3 Gestão por competências O ser humano está sendo pressionado a se readaptar, quase que constantemente, porque as mudanças estão acontecendo. Isto vai de encontro com o que Charles Darwin disse “não serão os mais fortes nem os mais inteligentes que sobreviverão, mas aqueles que se adaptarem com mais facilidade e rapidez” (BRADESCO, 2002). Ninguém mais duvida em que se vive numa época de constante turbulência. O ambiente dos negócios como conseqüência, se caracteriza por forte pressão, novas demandas e desafios para as organizações e as pessoas nelas trabalham. Faz-se necessário, portanto, repensar algumas maneiras de se obter resultados através de pessoas. É necessário alinhar as estratégias da empresa e ter pessoas preparadas para fazer a diferença frente à concorrência. Segundo Carbone (2005, p. 50), muitas empresas têm adotado a gestão por competências como modelo de gestão, visando orientar seus esforços para planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da organização (individual, grupal e organizacional) as competências necessárias à consecução de seus objetivos. Carbone (apud Brandão e Guimarães, 2001, p. 51) destaca que a gestão por competências trata-se de um processo contínuo, que tem como etapa inicial a formulação da estratégia da organização, oportunidade em que são definidos sua missão, sua visão de futuro e seus objetivos estratégicos. Em seguida, em razão dos objetivos estratégicos estabelecidos, seria possível definir indicadores de desempenho no nível corporativo e metas, assim como identificar as competências necessárias para concretizar o desempenho esperado. Após definida as competências, é necessário estabelecer qual o nível desejado para cada uma. O nível mínimo aceitável para cada competência varia de acordo com circunstâncias específicas e com particularidades como a função do ocupante, sua experiência ou o nível da função-alvo desejada. A diferença entre o nível desejado e o nível observado de uma competência é chamado de GAP e para verificar estas lacunas é necessário realizar o mapeamento das competências de cada cargo. Realizado o mapeamento da lacuna de competências da organização, torna-se possível planejar e implementar ações de captação e/ou desenvolvimento de competências, que possam eliminar ou pelo menos minimizar essa lacuna. Há ainda uma etapa de avaliação que funciona como mecanismo de retroalimentação, dentro de uma abordagem sistêmica, à medida que os resultados alcançados são comparados com aqueles que eram esperados (Figura 2). Figura 2: Processo de gestão baseada nas competências Plan Estabelecer objetivos e metas a partir da Comparar resultados alcançados com resultados esperados i Identificar competências Inventariar competências internas (atuais) necessárias Mapear o gap de competências Planejar a captação e/ou desenvolvimento de competências Selecionar Definir o competências mecanismo externas de desenvolvimento Ava Capt Des Apurar os resultados alcançados Admitir e integrar Disponibilizar e orientar o Fonte: Ienaga (1998), com adaptações. A gestão por competências proporciona crescimento para as duas partes empresa e colaborador, pois quanto mais a empresa envolver os funcionários no processo de tomada de decisão e conscientizá-los que eles são peças fundamentais para o crescimento da organização, tanto maior será o comprometimento dos colaboradores e sucesso da empresa. 2.4 Competência Específica ao Setor Bancário Segundo Gramigna (2002, p. 57), as competências identificadas para o setor instituição financeiras (do ano de 1997 a 2000) conforme resultados apontados pelas empresas-cliente da MRG são: Competência Conceito 01-Criatividade Capacidade para conceber soluções inovadoras viáveis e adequadas para as situações apresentadas. 02- Dinamismo Capacidade para atuar de forma proativa e arrojada diante de situações diversas. 03- Flexibilidade Habilidade para adaptar-se oportunamente às diferentes exigências do meio e capacidade de rever postura diante de argumentações convincentes. 04- Comunicação Capacidade de ouvir, processar e compreender o contexto da mensagem, expressar-se de diversas formas e argumentar com coerência usando o feedback de forma adequada, para facilitar a interação entre as partes. 05- Liderança Capacidade para catalisar os esforços grupais, a fim de atingir ou superar os objetivos organizacionais, estabelecendo um clima motivador, formando parcerias e estimulando o desenvolvimento da equipe. 06- Motivação Capacidade de demonstrar interesse pelas atividades a serem executadas, tomando iniciativas e mantendo atitude de disponibilidade, e de apresentar postura de aceitação e tônus muscular, que indica energia para os trabalhos. 07- Negociação Capacidade de expressar e de ouvir o outro, buscando equilíbrio de soluções satisfatórias nas propostas apresentadas pelas partes, quando há conflitos de interesse, e de observar o sistema de trocas que envolvem o contexto. 08- Relacionamento Habilidade para interagir com as pessoas de forma empática, Interpessoal inclusive diante de situações conflitantes, demonstrando atitudes positivas, comportamentos maduros e não combativos. 09Tomada Decisão de Capacidade para selecionar alternativas de forma sistematizadas e perspicaz, obtendo e implementando soluções adequadas diante de problemas identificados, considerando limites e riscos. 10- Visão Sistêmica Capacidade para perceber a integração e interdependência das partes que compõe o todo, visualizando tendências e possíveis ações capazes de influenciar o futuro. Fonte: Gramigna, Maria Rita - Modelo de Competências e Gestão de Talentos (2002, p.54 – 56) A instituição financeira possui segmentos em várias áreas para prestar um atendimento mais personalizado. Cada segmento possui seus cargos, e é traçada para cada cargo a competência essencial, conforme estabelecido pela organização. O Banco adota 12 competências para todos os funcionários. As competências estabelecidas para os funcionários em geral do Banco conforme documento de classificação interna, são: Empreendedorismo É a capacidade de mostra-se pró-ativo e ousado. Está intimamente ligado a uma realização pessoal e profissional. Trata-se de identificação de oportunidades e energia voltada para riscos calculados, encontrando soluções para problemas diversificados com raciocínio de valor agregado. Liderança É a capacidade de coordenar e organizar com eficiência o trabalho dos outros. Vai desde a capacidade de dar instruções para realizar tarefas simples à habilidade para criar uma equipe de alto rendimento. Relacionamento Interpessoal É a capacidade de se relacionar com eficiência nos diferentes meios para favorecer a obtenção de resultados. Equilíbrio Emocional Capacidade de controlar com maturidade, as reações emocionais em momentos distintos comportando-se com adequado senso crítico e sensatez. Negociação Capacidade de implementar habilidades técnicas e interpessoais no processo de atendimento de necessidades mútuas. Implica no maior conhecimento possível de estratégias e táticas aliadas a uma argumentação convincente com evidente respeito à ética. Visão Globalizada É capacidade de perceber o conjunto de transformações no cenário mundial, empregando a integração das mesmas em um conjunto de ações que resultem em uma vantagem competitiva. Planejamento Estratégico É pensar antes de agir, fazendo escolhas. Na prática é um meio de se desenhar hoje planos que atuarão sobre o futuro que desejamos e que é o foco. Trata-se de uma característica que aglutina esforços, orienta investimentos e permite a definição de metas e táticas que venham a agregar valor aos objetivos pretendidos. Criatividade Capacidade relacionada aos processos de pensamento, imaginação, intuição e originalidade favorecendo a busca de novas saídas, explorando maneiras para alcançar resultados e solucionar problemas. Trabalho em Equipe É a disposição para atividade em grupo mantendo clima de interdependência e confiança mútua a fim de alcançar os objetivos. Também implica na facilidade para atuar de forma coordenada com membros de outros departamentos. Percepção e Julgamento É a maneira como enxergamos a realidade a nossa volta, compreendendo e discernindo os fatos com clareza, estabelecendo um padrão de entendimento. Flexibilidade E a capacidade de verificar a mudança como uma oportunidade, sabendo identificar objetivos relevantes e manter o foco. Estado de interação com o meio ambiente, sabendo identificar as situações e dar respostas adequadas. Comunicação E o processo pelo qual idéias e sentimentos são transmitidos, tornando possível a interação social em diferentes níveis. Capacidade de transmitir informações e opiniões com clareza e objetividade. As competências essenciais por cargo dos profissionais que trabalham no segmento de alta renda, conforme estabelecido pelo Banco, são: Escriturário • • • • • • Relacionamento Interpessoal Comunicação Equilíbrio Emocional Percepção/Julgamento Flexibilidade Trabalho em equipe Gerente Assistente • • • • • • Relacionamento Interpessoal Trabalho em equipe Comunicação Criatividade Percepção/Julgamento Flexibilidade Gerente de Relacionamento • Empreendedorismo Caixa • • • • • • Relacionamento Interpessoal Comunicação Equilíbrio Emocional Percepção/Julgamento Flexibilidade Trabalho em equipe Supervisor Administrativo • • • • • • Relacionamento Interpessoal Trabalho em equipe Comunicação Liderança Percepção/Julgamento Flexibilidade Gerente Administrativo • Liderança • • • • • Visão Globalizada Negociação Percepção e Julgamento Relacionamento Interpessoal Planejamento Estratégico. • • • • • • Relacionamento Interpessoal Comunicação Equilíbrio Emocional Planejamento Estratégico Percepção/Julgamento Visão Globalizada Gerente de Agência • • • • • • • • Liderança Planejamento Estratégico Comunicação Empreendedorismo Equilíbrio Emocional Percepção/Julgamento Visão Globalizada Criatividade Fonte: Banco Bradesco, 2010. 3. METODOLOGIA O presente artigo foi realizado com base na pesquisa quantitativa, a qual é apropriada para medir tanto opiniões, atitudes e preferências como comportamentos (VERGARA 2006). Quanto aos objetivos trata-se de uma pesquisa descritiva, segundo Vergara (2006 p.47), a qual “expõe características de determinada população ou de determinado fenômeno. [] Não tem compromisso de explicar os fenômenos que descreve, embora sirva de base para tal explicação.” Nesse estudo buscou-se descrever as competências que os profissionais do setor bancário consideram importantes para a atuação nas agências especializadas em clientes de alta renda. Neste trabalho foram utilizados dois métodos: pesquisa bibliográfica e estudo de caso. Bibliográfica, porque para uma fundamentação faz-se necessário um estudo em livros, revistas, redes eletrônicas. Estudo de caso é: o circunscrito a uma ou poucas unidades, entendidas essas como pessoas, família, produto, empresa, órgão público, comunidade ou mesmo país. Tem caráter de profundidade e detalhamento. Pode ou não ser realizado no campo. VERGARA (2006, p.49) O Banco que foi realizado a pesquisa, é um dos líderes do setor financeiro privado e um dos maiores empregadores na categoria, cerca de 80 mil funcionários. Atua em âmbito nacional com 40.641 pontos de atendimento, sendo que 3.549 destes são agências bancárias e em rede de auto-atendimento possui 39.766, sendo que 8.379 são 24 horas, que permite abranger uma base de clientes diversificada. Fornece uma ampla gama de produtos e serviços bancários e financeiros no Brasil e no exterior para pessoas físicas, pequenas e médias empresas no Brasil, e importantes sociedades e instituições nacionais e internacionais. Os serviços e produtos compreendem operações bancárias, tais como: operações de crédito e captação de depósitos, emissão de cartões de crédito, consórcio, seguros, arrendamento mercantil, cobrança e processamento de pagamentos, planos de previdência complementar, gestão de ativos e serviços de intermediação e corretagem de valores mobiliários. A missão da instituição é fornecer soluções, produtos e serviços financeiros e de seguros com agilidade e competência, principalmente por meio da inclusão bancária e da promoção da mobilidade social, contribuindo para o desenvolvimento sustentável e a construção de relacionamentos duradouros para a criação de valor aos acionistas e a toda a sociedade. A visão da instituição é ser reconhecida como a melhor e mais eficiente instituição financeira do País e pela atuação em prol da inclusão bancária e do desenvolvimento sustentável. O segmento de alta renda tem a missão de ser o primeiro banco do cliente, focando qualidades no relacionamento e na oferta de soluções adequadas as suas necessidades, com equipes preparadas, agregando valor aos acionistas e colaboradores, dentro de padrões éticos e profissionais. Quanto à técnica de coleta de dados, foi usada a inquirição, maneira de averiguar as opiniões dos participantes da pesquisa. O instrumento de coleta de dados escolhido foi o questionário com perguntas fechadas, onde o respondente fez suas escolhas entre as alternativas apresentadas Vergara (2006 p.55). O foco do questionário era saber a opinião dos profissionais quanto à importância das competências para atender o cliente de alta renda. As 12 (doze) competências consideradas foram as que são definidas pelo banco pesquisado. Segundo Vergara (2006 p.53), sujeitos da pesquisa são todas as pessoas que fornecerão os dados de que o pesquisador necessita. Os sujeitos desta pesquisa foram todos colaboradores que atuam na agência de alta renda de um Banco em Brasília. Universo, segundo Vergara (2006 p.50) é toda a população (empresas, produtos, pessoas) que possui características que serão objeto de estudo. O universo dessa pesquisa totaliza 40 colaboradores, constituídos de 05 gerentes de agência, 05 gerentes administrativos, 12 gerentes de relacionamento, 06 gerentes assistentes, 02 supervisores administrativos, 05 escriturários, 05 caixas. Esta pesquisa não conseguiu 100% do universo, pois apenas 34 colaboradores responderam, isto corresponde a 85% da amostra. A pesquisa foi realizada em 05 agências bancárias de um Banco em Brasília, que atuam no segmento de alta renda, e cujas agências estão localizadas em Taguatinga, Asa Sul e Lago Sul. 4. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS DADOS DA PESQUISA Foi aplicado um questionário composto de 12 competências a serem avaliadas pelos profissionais quanto ao grau de importância de cada uma. Os gráficos a seguir demonstram a opinião dos colaboradores respondentes, conforme análise do questionário. Observa-se que todas as competências foram avaliadas como importantes e muito importantes pelos participantes e que, com exceção da competência “flexibilidade” que foi avaliada por 2,94% como “não importante”, nenhuma obteve a avaliação “não importante”. Desta forma, para se obter uma visão do grau de importância considerado pelos participantes, os gráficos são apresentados em ordem decrescente dos percentuais da resposta “muito importante”. Gráfico 1: Competência trabalho em equipe TRABALHO EM EQUIPE 85,29% 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 NÃO É I MPORTANTE POUCO IMPORTANTE I MPORTANTE 14,71% NÃO É IMPORTANTE MUI TO IMPORTANTE I MPORTANTE Esta competência tem o maior de grau de importância representado por 85,29%, que avaliaram com muito importante e que somado ao percentual dos que avaliaram como importante, significa que todos os participantes são unânimes em considerar importante o trabalho em equipe, o qual mantém um clima de interdependência e confiança mútua, facilitando o alcance dos objetivos. Gráfico 2: Competência equilíbrio emocional EQUILÍBRIO EMOCIONAL 82,35% 0,9 0,8 0,7 0,6 NÃO É IMPORTANTE 0,5 POUCO IMPORTANTE 0,4 IMPORTANTE 0,3 0,2 0,1 MUITO IMPORTANTE 17,65% 0 0 0 NÃO É IMPORTANTE IMPORTANTE A competência equilíbrio emocional foi considerada por todos os participantes como a segunda muito importante (82,35%), pois ajuda controlar com maturidade, as reações emocionais em momentos distintos comportando-se com adequado senso crítico e sensatez. Gráfico 3: Competência comunicação COMUNICAÇÃO 90,00% 80,00% 70,00% 60,00% 50,00% 40,00% 30,00% 20,00% 10,00% 0,00% 76,47% NÃO É I MPORTANTE POUCO I MPORTANTE 23,53% I MPORTANTE MUI TO I MPORTANTE NÃO É I MPORTANTE I MPORTANTE A competência comunicação também foi avaliada por todos os participantes como a terceira muito importante. Segundo Gramigna (2002 p.55), a comunicação é a capacidade de expressar-se de diversas formas e argumentar com coerência, facilitando a interação entre as partes. Gráfico 4: Competência relacionamento interpessoal RELACIONAMENTO73,53% INTERPESSOAL 0,8 0,7 0,6 NÃO É IMPORTANTE 0,5 POUCO IMPORTANTE 0,4 IMPORTANTE 26,47% 0,3 MUITO IMPORTANTE 0,2 0,1 0 0 0 NÃO É IMPORTANTE IMPORTANTE A competência relacionamento interpessoal teve um percentual de 73,53% de avaliação como muito importante, e significa a capacidade de se relacionar com eficiência nos diferentes meios para favorecer a obtenção de resultados. Gráfico 5: Competência negociação NEGOCIAÇÃO 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 73,53% NÃO É IMPORTANTE POUCO IMPORTANTE 26,47% IMPORTANTE MUITO IMPORTANTE 0 0 NÃO É IMPORTANTE IMPORTANTE A avaliação de 73,59% consideram como muito importante a competência negociação. Gramigna (2002, p.55) diz que negociação é a capacidade de expressar e de ouvir o outro, buscando equilíbrio de soluções satisfatórias nas propostas apresentadas pelas partes, quando há conflitos de interesse, e de observar o sistema de trocas que envolve o contexto. Gráfico 6: Competência empreendedorismo EMPREENDEDORISMO 80% 70% 60% 50% 40% 30% 20% 10% 0% 70,59% NÃO É IMPORTANTE POUCO IMPORTANTE 26,47% MUITO IMPORTANTE 2,94% NÃO É IMPORTANTE IMPORTANTE IMPORTANTE Os dados evidenciam que 70,59% dos participantes afirmam que esta competência é muito importante. De acordo com a empresa, é a capacidade de mostra-se pró-ativo e ousado. Na pesquisa realizada pela empresa MRG nos anos de 1997 a 2000, segundo Gramigna (2002, p.54), esta competência, não foi identificada no setor das instituições financeiras. Pelo conceito desta competência, é muito importante o desenvolvimento dela para o mundo globalizado em que se vive. De acordo com Gramigna (2002, p.54), é a facilidade para identificar novas oportunidades de ação, propor e implementar soluções aos problemas e necessidades que se apresentam, de forma assertiva, inovadora e adequada. Gráfico 7: Competência liderança LIDERANÇA 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 67,65% NÃO É IMPORTANTE POUCO IMPORTANTE 32,35% IMPORTANTE MUITO IMPORTANTE 0 NÃO É IMPORTANTE 0 IMPORTANTE Nesta competência, 67,65%, avaliaram como muito importante. Conforme a empresa é uma competência essencial para os cargos, como: supervisor administrativo, gerente administrativo e gerente de agência. De acordo com conceito do banco, é a capacidade de coordenar e organizar com eficiência o trabalho dos outros. Vai desde a capacidade de dar instruções para realizar tarefas simples à habilidade para criar uma equipe de alto rendimento. Gráfico 8: Competência planejamento estratégico PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 67,35% NÃO É IMPORTANTE 32,65% POUCO IMPORTANTE IMPORTANTE MUITO IMPORTANTE NÃO É IMPORTANTE IMPORTANTE Esta competência é muito importante conforme de 67,35% dos colaboradores e significa pensar antes de agir, fazendo escolhas. Na prática é um meio de se desenhar hoje planos que atuarão sobre o futuro que se deseja e que é o foco. Trata-se de uma característica que aglutina esforços, orienta investimentos e permite a definição de metas e táticas que venham a agregar valor aos objetivos pretendidos. Gráfico 9: Competência visão globalizada VISÃO GLOBALIZADA 64,71% 0,7 0,6 0,5 NÃO É IMPORTANTE 35,29% 0,4 POUCO IMPORTANTE 0,3 IMPORTANTE 0,2 MUITO IMPORTANTE 0,1 0 NÃO É IMPORTANTE IMPORTANTE Quando os respondentes foram questionados, 64,71% julgaram como muito importante a visão globalizada, que representa a capacidade de perceber o conjunto de transformações no cenário mundial, empregando a integração das mesmas em um conjunto de ações que resultem em uma vantagem competitiva. Gráfico 10: Competência criatividade CRIATIVIDADE 55,88% 0,6 44,12% 0,5 NÃO É IMPORTANTE 0,4 POUCO IMPORTANTE 0,3 IMPORTANTE 0,2 MUITO IMPORTANTE 0,1 0 NÃO É IMPORTANTE IMPORTANTE Observa-se que 55,88%, avaliaram como muito importante a criatividade. Isto resulta que esta competência tem como característica originalidade que favorece a busca de novas saídas para alcançar resultados e solucionar problemas. Gráfico 11: Competência flexibilidade FLEXIBILIDADE 55,88% 60,00% 50,00% 41,18% NÃO É IMPORTANTE 40,00% POUCO IMPORTANTE 30,00% IMPORTANTE 20,00% 10,00% MUITO IMPORTANTE 2,94% 0,00% NÃO É IMPORTANTE IMPORTANTE Observa-se que 55,88% julgaram muito importantes a criatividade, porém 2,94% avaliaram como não importante. Gráfico 12: Competência percepção e julgamento PERCEPÇÃO E JULGAMENTO 52,94% 0,54 0,52 NÃO É IMPORTANTE 0,5 POUCO IMPORTANTE 47,06% 0,48 IMPORTANTE MUITO IMPORTANTE 0,46 0,44 NÃO É IMPORTANTE IMPORTANTE Nesta questão, 52,94% dos avaliaram como muito importante a percepção e o julgamento. Esta competência é essencial em todos os cargos bancários, pois é a maneira como se enxerga a realidade à nossa volta, compreendendo e discernindo os fatos com clareza, estabelecendo um padrão de entendimento. Quadro 1: Competências avaliadas como muito importantes, em ordem decrescente, de acordo com os percentuais obtidos pelo cômputo da avaliação. Grau de importância Competência 1 Trabalho em equipe 2 Equilíbrio emocional 3 Comunicação 4 Relacionamento interpessoal 5 Negociação 6 Empreendedorismo 7 Liderança 8 Planejamento estratégico 9 Visão globalizada 10 Criatividade 11 Flexibilidade 12 Percepção e julgamento Ressalto que as seis competências consideradas com maior percentual “muito importante”, relacionada acima demonstram a característica do trabalho no banco, que é união da equipe para atender aos clientes, pois os cargos são interligados e cada um é imprescindível para o excelente atendimento aos clientes e o bom andamento da agência. Exemplo: Não adianta o gerente de relacionamento vender um produto ao cliente com eficiência, e o assistente formalizar o processo com erros, isto causa transtornos aos clientes resultando em uma desistência do produto e até mesmo no encerramento de sua conta. Em minha opinião, as competências mais competitivas são liderança, planejamento estratégico, visão globalizada, criatividade, flexibilidade, percepção e julgamento, e não está sendo a realidade deste banco. O banco tem disponível na internet para seus colaboradores, cursos técnicos e comportamentais de alta qualidade, mas a teoria sem prática não se obteve resultados eficazes. Como o banco possui muitas rotinas de execução, os colaboradores se deixam levar pela demanda, e não desenvolvem o hábito de planejar as demais competências. Atualmente, a conquista de novos clientes no mercado financeiro, não está somente nas taxas competitivas, mas sim em profissionais que os surpreenda com suas atitudes inovadoras, isto quer dizer que profissionais os atualizados, criativos, flexíveis, terão um grande diferencial em frente aos demais. Pode-se inferir que na percepção dos respondentes baseando-se nos autores aqui elencados no referencial teórico que há um ótimo indicativo da essencialidade das competências para a prestação de um atendimento de qualidade ao cliente de alta renda, visto que o ponto máximo da escala é muito importante. Entre as variáveis que obtiveram as menores médias, é possível citar “percepção e julgamento”, “flexibilidade” e “criatividade”. Essas competências possuem muita semelhança em relação àquelas consideradas emergentes. Ou seja, talvez de fato não sejam muito importantes na opinião de alguns colaboradores, devido à falta de desenvolvimento de tais competências, pois atualmente para alguns cargos são essenciais para os Bancos, em um futuro próximo serão para todos. Tem-se nesta análise que as competências humanas ou profissionais são entendidas como combinações sinérgicas de conhecimentos, habilidades e atitudes, expressas pelo desempenho profissional em determinado contexto ou em determinada estratégia organizacional, segundo Carbone (2006). Trata-se de um exemplo da versão mais moderna do que seja competência, já que apresenta um elo entre os conceitos de competência e desempenho. Verifica-se, ainda, aceita, a idéia de que as competências trazem valor econômico e social aos indivíduos e organizações, já que contribuem para a realização de objetivos organizacionais e reconhecem a capacidade de determinada pessoa, aqui no caso os clientes de alta renda. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo teve como propósito principal verificar quais as competências que os profissionais do setor bancário avaliam como importantes para atenderem o cliente alta renda. As informações obtidas nesta investigação podem contribuir para o aperfeiçoamento das políticas de recursos humanos dos bancos, bem como para a consecução do propósito da empresa de buscar a obtenção de maior competitividade por intermédio da prestação de um atendimento baseado na qualidade e em padrões de excelência para os clientes de alta renda. Os resultados aqui presentes, se aprofundados por meio de estudos complementares, podem orientar diversas ações, em especial aquelas relacionadas à gestão de desempenho, recrutamento e seleção, treinamento e desenvolvimento, proporcionando, dessa forma, maior consistência na área de recursos humanos da organização. Certas competências aqui descritas poderiam, por exemplo, integrar o modelo de gestão de desempenho profissional adotado pelo Banco e ainda servir como referência em processos de certificação, que estimulem os funcionários a desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes relevantes à prestação de um atendimento de qualidade. Os esforços nesse sentido podem contribuir para transformar a “qualidade do atendimento prestado ao cliente” em uma competência organizacional e, assim, gerar e sustentar vantagem competitiva para a empresa. Observa-se que a natureza do trabalho bancário vem sofrendo grandes modificações nos últimos anos. As tendências sugerem que em breve o bancário exercerá a função de um consultor financeiro, passando a desempenhar um papel ocupacional bastante diverso daquele que representa atualmente. Neste estudo, as competências identificadas como emergentes explicitam novas exigências de qualificação e a configuração de um perfil profissional para o bancário do futuro, caracterizado, principalmente, pela polivalência e pela capacidade de criação e inovação no trabalho. Tais competências merecem atenção especial por parte do Banco. Dessa forma, a empresa estaria adotando uma atitude proativa ao buscar o desenvolvimento, no presente, de competências que serão essenciais no futuro, onde os clientes sejam eles de alta renda ou de renda média, são os principais colaboradores das organizações. 6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRADESCO, Apostila Coaching, elaborada pelo departamento de treinamento do Banco Bradesco S.A., 2002. CARBONE, Pedro Paulo. Gestão por competências e gestão do conhecimento, 2. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2006. DUTRA, Joel Souza. Competências: conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna, 4ª reimpressão, São Paulo: Atlas, 2007. FLEURY, Maria Tereza. As pessoas na organização, São Paulo: Gente, 2002. GRAMIGNA, Maria Rita. Modelo de competências e gestão dos talentos. São Paulo, Makron Books, 2002. MASCARENHAS, André Ofenhejm. Gestão estratégica de pessoas: evolução, teoria e crítica. São Paulo: Cengage learning, 2008. SILVA, Mateus de Oliveira. Gestão de pessoas através do sistema de competências: estratégias, processos, desempenho e remuneração: fundamentos e aplicação. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2005. VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e relatórios de pesquisa em administração, 7. ed. São Paulo: Atlas, 2006. APÊNDICE A INSTRUMENTO DE PESQUISA O presente instrumento integra uma pesquisa de Trabalho de Conclusão de Curso desenvolvida por Siomara M. F. Maciel, aluna do Curso de Pós-Graduação da Universidade Católica de Brasília – UCB, cujo objetivo é analisar quais competências que os profissionais julgam necessárias para prestarem atendimento aos clientes de alta renda. Solicito sua colaboração quanto ao preenchimento deste, informando que o mesmo será analisado de forma global, e não individualizada, respeitando o anonimato do colaborador. Leia atentamente as afirmativas seguintes, escolha somente uma resposta e considerando a escala de avaliação proposta, avalie o quanto cada uma descreve sua opinião sobre a importância de cada competência para o sucesso do profissional que atua numa agência bancária especializada em clientes de alta renda. 1 – Não é importante 2 - Pouco importante 3- Importante 4 - Muito importante Competência Empreendedorismo Descrição Identificação de oportunidades e energia voltada para riscos calculados, encontrando soluções para problemas diversificados com raciocínio de valor agregado. Liderança É a capacidade de coordenar e organizar com eficiência o trabalho dos outros. Relacionamento Interpessoal Capacidade de se relacionar com eficiência nos diferentes meios para favorecer a obtenção de resultados. Equilíbrio Emocional Capacidade de controlar com maturidade, as reações emocionais em momentos distintos comportando-se com adequado senso crítico e sensatez. Negociação Maior conhecimento possível de estratégias e táticas aliadas a uma argumentação convincente com evidente respeito à ética. Visão Globalizada Capacidade de perceber o conjunto de transformações no cenário mundial, empregando a integração das mesmas em um conjunto de ações que resultem em uma vantagem competitiva. Planejamento Estratégico Característica que aglutina esforços orienta investimentos e permite a definição de metas e táticas que venham a agregar valor aos objetivos pretendidos. Criatividade Imaginação, intuição e originalidade favorecendo a busca de novas saídas, explorando maneiras para alcançar resultados e solucionar problemas. Avaliação Trabalho em Equipe Percepção Julgamento Disposição para atividade em grupo mantendo clima de interdependência e confiança mútua a fim de alcançar os objetivos. e Maneira como enxergamos a realidade a nossa volta, compreendendo e discernindo os fatos com clareza, estabelecendo um padrão de entendimento. Flexibilidade Capacidade de verificar a mudança como uma oportunidade, sabendo identificar objetivos relevantes e manter o foco. Comunicação Capacidade de transmitir informações e opiniões com clareza e objetividade. APÊNDICE B Licença Creative Commons 1. Autor ou Organizador Nome completo do 1º autor/organizador: Siomara Medeiros de França Maciel CPF: 814.748.491-72 Nº de matrícula: UC 09060326 Telefone: (61) 35360187 / (61) 99687058 E-mail: [email protected] Curso/ Programa/Unidade: Pós Graduação em Desenvolvimento Gerencial Nome dos outros autores ou organizadores se houver: _____________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ (Em caso de mais de um autor/organizador, todos devem preencher e assinar, individualmente, um Termo de Autorização). 2. Título do trabalho: As competências que os profissionais do setor bancário avaliam como importantes para atenderem o cliente de alta renda 3 A Licença Creative Commons para o trabalho acima especificado será gerada automaticamente pelo sistema do Repositório, de acordo com sua escolha abaixo: Permite o uso comercial de sua obra? (x) Sim ( ) Não Permite modificações em sua obra? ( ) Sim ( ) Sim, contanto que outros compartilhem pela mesma licença. (X) Não Brasília, 30/07/2010 ____________________________________________________________ Assinatura do Autor APÊNDICE C