UNIVERSIDADE SÃO JUDAS TADEU - SP PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO MESTRADO EM EDUCAÇÃO FÍSICA CÁSSIA MARIA HESS IMPACTOS DA MUNICIPALIZAÇÃO NA LEGITIMAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL SÃO PAULO – SP 2012 CÁSSIA MARIA HESS IMPACTOS DA MUNICIPALIZAÇÃO NA LEGITIMAÇÃO DA EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação: Mestrado em Educação Física, da Universidade São Judas Tadeu São Paulo, sob a orientação da Profª. Drª. Eliana de Toledo Ishibashi, para a obtenção de título de mestre em Educação Física. Área de Concentração: Educação Física, Escola e Sociedade. Data da Defesa: _____/____________/________________ Resultado: _______________________________________ Banca Examinadora _________________________________________________ Profª. Drª. Vilma Lení Nista-Piccolo _________________________________________________ Profº. Dr. Evando Carlos Moreira ______________________________________________ Profª. Drª. Eliana de Toledo Ishibashi SÃO PAULO – SP 2012 Hess, Cássia Maria Impactos da municipalização na legitimação da Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental / Cássia Maria Hess. - São Paulo, 2012. 191 f. : il. ; 30 cm. Orientador: Eliana de Toledo Ishibashi Dissertação (mestrado) – Universidade São Judas Tadeu, São Paulo, 2012. 1. Educação Física – Ensino fundamental 2. Municipalização legitimidade I. Ishibashi, Eliana de Toledo II. Universidade São Judas Tadeu, Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação Física. III. Título Ficha catalográfica: Elizangela L. de Almeida Ribeiro - CRB 8/6878 CDD – 796 DEDICATÓRIA Dedico este trabalho à minha querida filha Ana Júlia Hess Artioli, a quem muitas vezes não consegui conceder atenção e carinho suficiente, por estar realizando esta pesquisa. Deixamos de brincar, passear, conversar, rir e até chorar, mas já estou quase finalizando e poderei tão logo, não voltar atrás do tempo que não vivenciamos juntas, mas sim trilhar novos caminhos para continuar experimentando um dos momentos mais importantes da vida, que em minha opinião é a infância. Acredito que ainda seja muito pequena para entender as vezes que tive que me ausentar, durante estes dois anos que estive mergulhada nesta pesquisa, mas no futuro quero que compreenda sem mágoas que sempre esteve no meu coração em todos os momentos que escrevia mais uma das linhas desta dissertação. AGRADECIMENTOS Venho por meio dessa, primeiramente agradecer à Deus que me forneceu “forças” surpreendentes num dos momentos mais difíceis da minha vida pessoal, para que eu conseguisse iniciar o mestrado e concluí-lo. À Profº Drª Vilma Lení Nista-Piccolo, que antes mesmo de ingressar no mestrado acreditou no meu trabalho, mostrando-me um novo sentido para trilhar na minha vida pessoal e profissional. À Profª. Drª. Eliana de Toledo Ishibashi, não só pela mulher de garra que é, mas pela brilhante orientadora e até mesmo amiga que se tornou durante esta trajetória do mestrado. Ao Profº. Drº Evando Carlos Moreira, que dispôs parte do seu tempo para corrigir o trabalho, e fazer contribuições excelentes para o melhor desenvolvimento do mesmo. A todos os professores do Programa de Mestrado da Universidade São Judas Tadeu, que fizeram das minhas quintas-feiras do ano de 2010 umas das mais agradáveis, pelas ótimas aulas e deliciosos debates, a favor da construção de novos conhecimentos. Ao grupo de estudos GEPEFE, que me proporcionou muitos conhecimentos relacionados à pesquisa. Aos professores da USP, Drº Walter Correia e Dr° Osvaldo Luiz Ferraz, que permitiram a minha participação como aluna especial em suas disciplinas. Aos meus pais Carlos A. Hess e Maria Auxiliadora S. Hess por prestarem os cuidados a minha filha enquanto estudava. À minha cunhada Tatiana Hess e meu primo Fernando Hess que estiveram presentes e deram o maior apoio no dia da minha qualificação. A todos familiares e amigos que enquanto eu arduamente estudava, e precisava de incentivo para continuar, eles me convidavam para passeios e viagens. Foi difícil resistir às tentações, e não acompanhá-los, pois todos estes fazem parte de alguma forma da minha vida. Às minhas amigas que conheci no mestrado Fabiana da Silva Ramiro e Elaine Xavier, que sempre estiveram presentes em todos os momentos, nos fáceis, alegres, e nos difíceis. A todos os professores, diretores, supervisores, coordenadores e secretários das escolas municipalizadas da Região da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim, que participaram diretamente desta pesquisa, respondendo aos questionários ou indiretamente atendendo aos telefonemas, respondendo os e-mails, permitindo a minha entrada na escola, entre outras colaborações. Aos meus queridos amigos Walter e Dulcinéia que estiveram comigo em quase todas as viagens feitas na Região da Diretoria de Ensino Mogi Mirim para a entrega dos questionários nas escolas. Além da Eliete, que é líder do Movimento dos Sem Terras da cidade de Amparo, e a conheci andando pela estrada numa dessas viagens, assim com muita simplicidade e paciência me ensinou a chegar a muitas das escolas da região. E para finalizar, agradeço à Secretaria Estadual de Educação de São Paulo que confiou no meu projeto de pesquisa e me forneceu a Bolsa de Estudos. EPÍGRAFE “O ofício de ensinar não é para aventureiros, é para profissionais, homens e mulheres que, além dos conhecimentos na área dos conteúdos específicos e da educação, assumem a construção da liberdade e da cidadania do outro como condição mesma de realização de sua própria liberdade e cidadania”. Ildeu Moreira Coelho RESUMO O processo de legitimação da Educação Física no contexto escolar ocorre desde 1851, e desde então é possível encontrarmos rupturas e permanências no mesmo, especialmente em relação às leis, resoluções, diretrizes e decretos, que foram sendo constituídos por militares e políticos ao longo da história. Assim como estas leis, as políticas públicas no campo educacional (a elas atreladas) vêm se desenvolvendo e sendo aplicadas, estabelecendo diferentes ecos na realidade escolar, e, portanto, também na Educação Física. Neste contexto, o presente estudo tem como objetivo investigar os impactos da política de municipalização das escolas na legitimação da Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental (E.F). Os referencias teóricos além da legislação utilizados foram da educação e da educação física dentre eles Saviani, D. (1996, 1999, 2008), Ávila, V. F (1999), Libâneo, J. C.; Oliveira, J. F; Toschi, M. S. (2009), Freire, J.B. (1992, 2009), Rezer, R.; Fensterseifer, P. E. (2008), Toledo, E (1999), Nista- Piccolo, V. L. (2010), Neira, M.G. (2009). A metodologia empregada foi do tipo descritiva se caracterizando por de campo e documental (pois pauta-se em documentos como leis, decretos, pareceres e resoluções). Como instrumento de pesquisa foi utilizado o questionário, com perguntas abertas e fechadas, direcionadas aos diretores e professores que compõem a amostra deste estudo (na Diretoria de Ensino de Mogi Mirim), formada por 32 professores e 15 diretores. Para análise das respostas utilizamos a técnica de análise de conteúdo proposta por Bardin (2011). Constatamos que grande parte dos professores tiveram seu ingresso recente na escola, e não perceberam ou pouco perceberam ou até mesmo ainda não identificaram os impactos da política de municipalização para a Educação Física escolar (nas séries iniciais do Ensino Fundamental), quanto aos diretores 80% acreditam que os impactos foram positivos. Outros dados também foram relevantes para nos fornecer indícios destes impactos, melhor compreensão e situação do contexto, especialmente aos que se referem à atuação (facilidades, dificuldades, objetivos) do especialista nestas aulas. Foi possível concluir que os impactos de modo geral do processo de municipalização para a área foram positivos em algumas das cidades mais do que em outras, porém ressaltamos que encontramos certa dificuldade para tais evidencias devido à falta de percepção de alguns docentes. Todavia é primoroso que os professores, como os demais profissionais da área, apropriem-se não somente dos aspectos didático-pedagógicos, mas também, aos aspectos legais e políticos que permeiam o sistema de ensino e o contexto escolar, para a legitimação do espaço do professor especialista nestas séries e da área. Palavras- Chave: Educação Física escolar; municipalização; legitimação. ABSTRACT The Physical Education legitimation process in the school context has ocurred since 1851, and since then it has been possible to find breakouts and permanences in the latter, specially as to laws, resolutions and enactments, which had been constituted by a military body and politicians along history. Similarly to these laws, the public policies in the educational field (attached to these) have been developed and been applied, stablishing different echoes in the school reality, and, thus, in Physical Education as well. In this environment, the present essay aims to the impacts of the schools municipalization policy in the legitimation of Physical Education in the inicial grades of Elementary School. The theoretical referentials beyond legislation used have the ones of Education and Physical Education among them Saviani, D. (1996, 1999, 2008), Avila, V.F. (1999), Libaneo, J.C.; Oliveira, J.F.; Toschi, M.S. (2009), Freire, J.B. (1992, 2009), Rezer, R.; Fensterseifer, P.E. (2008), Toledo, E. (1999), NistaPiccolo, V.L. (2010), Neira, M.G. (2009). The metodhology which has been applied is the descriptive one being carachterized as of field and documentary (since it has been based on documents such as laws, enactments, opinions and resolutions). As a search instrument a poll has been used, with open and non open questions, directed to teachers and principals who compose the sample of this study (in Mogi Mirim Teaching Direction), composed of 32 teachers and 15 principals. In order to analyze answers we have used the content analysis technique proposed by Bardin (2011). We have noticed that most teachers have recently been admitted to school, and thus have not realized or have hardly realized or have not even identified the impacts of the municipalization policy in school Physical Education (in the initial grades of Elementary School). As to principals eighty percent believe the impacts have been positive. Other data have also been relevant to provide us evidence of the mentioned impacts, better comprehension and context situation, specially to the ones related to these classes expert's performance (facilities, difficulties, aims). It has been possible to conclude that the general impacts of the municipalization process to the field have been positive in some cities more than in others; however, we highlight that we have found some difficulty in such evidence due to lack of perception of some teachers. Nevertheless it is advisable that teachers, as well as other Education professionals, appropriate not only of pedagogicaldidatics aspects, but also of political and legal aspects that permeate the Teaching system and the school context, for space legitimation of the expert teacher in these grades and from this field. Key words: school Physical Education; municipalization; legitimation. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1- Esquema dos que outorgam as leis (Estaduais/Municipais) definindo como a Educação Física deve ser integrada na escola e quem deve lecioná-la ...................... 23 Figura 2- Sistema de ensino ........................................................................................ 26 Figura 3 - Educação Física como um sistema hierárquico e aberto com base na abordagem sistêmica de Betti (1991) ........................................................................ 27 Figura4 - Conceitos: Descentralização e Municipalização ........................................ 34 Figura 5- Fornecimento de recursos fundamentais para uma política ideal de municipalização .................................................................................................... ....... 38 LISTA DE QUADROS QUADRO 1 - Diferenças entre as Teorias Dialética e Funcionalista ........................ 28 QUADRO 2 - Escolas Municipalizadas da Diretoria de Mogi Mirim ..................... 48 QUADRO 3- Unidades de Registro relacionadas às contribuições ou não da formação para o professor especialista ministrar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental ............................................................................................ 64 QUADRO 4- Unidades de Contexto relacionadas às contribuições ou não da formação para o professor especialista ministrar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F ....................................................................................................................... 66 QUADRO 5 - Categoria relacionada à contribuição ou não da formação para os docentes ..................................................................................................................... 69 QUADRO 6 – Unidades de Registro relacionadas às facilidades e dificuldades apresentadas pelos professores .................................................................................. 80 QUADRO 7- Unidades de Contexto relacionadas às facilidades dos profs. da amostra ........................................................................................................................................ 83 QUADRO 8- Categorias relacionadas às facilidades dos professores da amostra ..... 85 QUADRO 9- Unidades de Contexto relacionada às dificuldades dos professores .. 86 QUADRO 10- Categorias relacionada às dificuldades dos professores .................... 88 QUADRO 11 – Unidades de Contexto relacionadas aos objetivos a serem desenvolvidos na Educação Física escolar das séries inicias do Ensino Fundamental ........................................................................................................................................ 92 QUADRO 12- Unidades de Contexto relacionadas aos objetivos a serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental .................... 95 QUADRO 13- Categorias relacionadas aos objetivos a serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental .................................. 98 QUADRO 14 - Unidades de Registro relacionadas aos impactos da municipalização para a Educação Física escolar de acordo com a opinião dos professores das escolas da amostra ..................................................................................................................... 100 QUADRO 15- Unidades de Contexto relacionadas aos impactos da municipalização para Educação Física escolar (nas séries iniciais do E.F.) de acordo com a opinião dos professores das escolas da amostra ........................................................................... 103 QUADRO 16 – Categorias relacionadas aos Impactos da municipalização para a Educação Física nas séries iniciais do E.F de acordo com os docentes da amostra ..................................................................................................................................... 107 QUADRO 17- Unidades de Registro relacionadas aos Impactos da municipalização para Educação Física escolar (nas séries iniciais do E.F.) conforme a opinião dos diretores das escolas da amostra ............................................................................................... 108 QUADRO 18- Unidades de Contexto relacionadas aos Impactos da municipalização para a Educação Física nas séries iniciais do E.F conforme as opiniões dos diretores das escolas da amostra ..................................................................................................... 110 QUADRO 19- Categorias relacionadas aos Impactos da municipalização para a Educação Física, conforme as opiniões dos diretores das escolas da amostra .......... 112 QUADRO 20 – Unidades de Registro relacionadas às justificativas do por que o professor de Ed. Física que deve lecionar ou não as aulas de Educação Física nas séries iniciais do E.F ............................................................................................................ 121 QUADRO 21- Unidades de Contexto relacionadas à opinião dos docentes do por que o professor graduado em Educação Física que deve lecionar esta disciplina nas séries iniciais do E.F.............................................................................................................. 123 QUADRO 22 – Categorias relacionadas às justificativas dos docentes do por que o professor graduado em Educação Física que deve lecionar ou não esta disciplina nas séries iniciais do E.F.................................................................................................... 125 QUADRO 23 - Unidades de Registro relacionadas às justificativas dos diretores do por que o professor especialista que deve lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F ............................................................................................... 126 QUADRO 24- Unidades de Contexto relacionadas às justificativas dos diretores do por que o professor especialista que deve lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F ................................................................................................. 127 QUADRO 25- Unidades de Contexto relacionadas às justificativas dos diretores do por que o professor especialista que deve lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F ............................................................................................... 129 LISTA DE TABELAS TABELA 1 – Nível de Formação dos professores .................................................... 59 TABELA 2- Ano de formação dos professores ........................................................... 61 TABELA 3 – A contribuição do nível superior para lecionar as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental ...................................................... 62 TABELA 4 - Escolha do professor para lecionar nas séries iniciais do Ensino Fundamental nas escolas municipalizadas da Diretora de Mogi Mirim ....................... 72 TABELA 5 - Séries/anos da atuação dos professores nas escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim com a disciplina de Educação Física escola ..... 73 TABELA 6 – Período da atuação do professor relacionado à municipalização ........ 74 TABELA 7- Professores responsáveis pelas aulas de Educação Física nas séries iniciais (do 1º ao 5º ano ou 1ª série até 5ª séries) antes da municipalização da escola (respostas concedidas pelos diretores) ......................................................................................... 76 TABELA 8 – Desenvolvimento das aulas de Educação Física pelos professores da amostra ....................................................................................................................... 77 TABELA 9– Facilidades e Dificuldades .................................................................... 79 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 2 AS INTERVENÇÕES DA LEGISLAÇÃO NA EDUCAÇÃO E NA EDUCAÇÃO FÍSICA ............................................................................................ 1 4 2.1 Rupturas e permanências da legislação no que tange à Educação Física no currículo e na inserção do professor de Educação Física na escola .......................................... 4 2.2 As implicações da LDBEN 9394/96 na legitimação da Ed. Física na escola ........ 15 3 SISTEMA BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS: AVANÇOS E RETROCESSOS PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR ................................................................................................... 21 3.1 O Sistema Nacional de Ensino do Brasil e a Educação Física escolar ................. 24 3.1.1 Descentralização e Municipalização: concepções e processos ........................... 33 3.1.2 O Percurso da Política de Descentralização e Municipalização na Educação Brasileira ..................................................................................................................... 35 3.1.3 A Política de Municipalização do Ensino no Estado de São Paulo............................................................................................................................ 38 3.1.3.1 Objetivos da Política de Municipalização no Estado de São Paulo ............. 39 3.1.3.2 Os Recursos Financeiros – FUNDEF E FUNDEB e Recursos Humanos ...... 41 3.1.4 Implicações da Descentralização para uma sociedade democrática .................. 43 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICO ........................................................ 45 4.1 Tipo de pesquisa .................................................................................................. 45 4.2 Instrumento de pesquisa .................................................................................... 45 4.3População e amostra ............................................................................................. 46 4.3.1 População ......................................................................................................... 46 4.3.1.1 Amostra da População ................................................................................... 46 4.3.2 Escolas .............................................................................................................. 47 4.3.2.1 Amostra das escolas ........................................................................................ 50 4.4 Critérios de inclusão e exclusão ......................................................................... 51 4.5 Procedimentos da coleta de dados ..................................................................... 52 4.6 Riscos envolvidos .............................................................................................. 53 4.7 Análise dos dados ........................................................................................... 53 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ............................................. 55 5.1PRIMEIRO MOMENTO: PERFIL DE FORMAÇÃO DOS PROFESSORES que atuam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim............................................................................ 58 5.2 SEGUNDO MOMENTO: PERFIL DE ATUAÇÃO (Escolha, série e período (antes, durante e/ ou depois da municipalização))dos professores que lecionam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim ............................................................................................................ 72 5.3 TERCEIRO MOMENTO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS abordados pelos professores que lecionam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim .......................................... 77 5.4 QUARTO MOMENTO: IMPACTOS DA POLÍTICA DE MUNICIPALIZAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim .............................................................................................................. 100 5.4.1 CRUZAMENTO DOS DADOS E DAS DISCUSSÕES ENTRE PROFESSORES E DIRETORES SOBRE OS IMPACTOS DA MUNICIPALIZAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F............................................................................................................................... 113 5.5 QUINTO MOMENTO: QUEM DEVE LECIONAR AS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL....................................................................................................117 5.5.1 CRUZAMENTO DOS DADOS E DAS DISCUSSÕES ENTRE PROFESSORES E DIRETORES SOBRE AS JUSTIFICATIVAS DO POR QUE O PROFESSOR ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONAR A DISCIPLINA DE EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F................................................................................129 5.5.2 Algumas considerações sobre a formação e atuação do pedagogo e do professor de Educação Física com esta disciplina nas séries iniciais do E.F.....................................132 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 137 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 140 APÊNDICE A – Carta de apresentação e informações ao diretor .......................... 147 APÊNDICE B – Carta de apresentação e informações ao professor ....................... 148 APÊNDICE C– Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para o professor .... 150 APÊNDICE D - Questionário para o professor ...................................................... 152 APÊNDICE E – Carta de apresentação e informação ao diretor ........................ 154 APÊNDICE F – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para professor....... 156 APÊNDICE G – Questionário do diretor ................................................................. 158 ANEXOS ................................................................................................................. 161 1 1 INTRODUÇÃO No ano de 2005, quando estava cursando o último semestre da graduação em Educação Física, prestei o concurso para professor de Educação Física do Estado de São Paulo, obtendo a aprovação. Nesta época, residia na cidade de Águas de Lindóia, onde existiam três escolas estaduais com Ensino Fundamental e, dentre elas, apenas duas tinham vagas livres para efetivação do professor em Educação Física. Contudo, devido à época, tive que ficar atenta a um item imprescindível, que era concernente a um processo denominado de municipalização, uma política educacional que transfere as responsabilidades das escolas estaduais para as escolas municipais. Porém, eu ainda não tinha conhecimento aprofundado sobre o assunto e as escolas estaduais de Águas de Lindóia vinham passando pelo mesmo processo desde 1999. Tal fato impactava diretamente na atribuição das aulas para o professor de Educação Física. Somente em 2004 me deparei com a situação, quando estava no penúltimo ano da faculdade e pretendia estagiar de 1ª a 4ª séries na E.E. Dr. Francisco Tozzi. Entretanto, não foi possível porque estas séries iniciais estavam ano a ano sendo fechadas. Isso aconteceu por vários fatores: a abertura da 1ª série em 2003 na E.M.E.I. Mirella de Godói e, no final do ano de 2004, a inauguração da Escola Municipal Geraldo Mantovani. Alguns educadores da Rede Municipal e Estadual atribuíram a este fato um tipo de municipalização denominada de Rede Paralela 1. Por ter acontecido ano a ano, há ainda outros educadores que não classificaram o ocorrido como Rede Paralela, explicando que não foi esta a intenção, a priori. Assim, em 2005, diversos rumores surgiam a respeito de uma das escolas de Águas de Lindóia que ocupava o primeiro lugar na minha preferência na lista das escolas em que pretendia me efetivar: a escola seria municipalizada. Diante disso, por meio de conversas informais com alguns professores e diretores da rede estadual e municipal, fui tentando adquirir maiores conhecimentos a propósito do assunto para que eu não fosse prejudicada logo no meu primeiro cargo. Os professores me orientaram no sentido de que, se a municipalização ocorresse na escola em que optasse para o cargo de professor, eu poderia ficar adida pelo fato de a Diretoria Municipal de Educação 1 A Rede Paralela é considerada pelos gestores e professores, de forma geral, pior do que quando o processo de municipalização ocorre em todas as séries e no mesmo ano, pois a primeira acaba prejudicando mais as escolas estaduais que vão perdendo seus alunos; consequentemente, as classes vão sendo diminuídas e os professores podem ficar adidos. 2 poder substituir o professor de Educação Física pelo professor polivalente para lecionar, nas séries iniciais este componente curricular. Assim, se eu não fosse “aproveitada” pelo município, ficaria sem trabalho, ganhando um salário menor pelo Estado. Este processo vivido em Águas de Lindóia é um exemplo de como a municipalização veio acontecendo e interferindo na legitimação da presença do professor de Educação Física e na área da Educação Física escolar numa das cidades que fazem parte da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim, que é composta por 13 cidades (que servirão de base para este estudo e que também passaram por este processo). Apesar deste primeiro contato que vivenciei entre política pública e educação ter me causado uma impressão negativa acerca do processo de mucipalização e sua relação com a atuação profissional do educador físico, esta problemática me motivou para esta pesquisa, justamente para investigar quais foram os reais impactos deste processo. Dessa forma, este estudo tem como objetivo geral investigar os impactos da política de municipalização das escolas na legitimação da Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental (E.F). E, como objetivos específicos identificar em quais aspectos estes impactos geraram mudanças para a Educação Física; constatar qual é o professor que vem lecionando as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental frente ao processo de municipalização; constatar o perfil de formação e atuação (especialista ou polivalente) e analisar e discutir como as leis (estaduais, LDB, orgânica etc.) colaboram ou não para a legitimação da Educação Física nestas séries. Esta pesquisa justifica-se pela ainda incipiente e não profícua desenvoltura deste tema na área da Educação Física, especificamente no que concerne à política de municipalização. Visamos, a partir da exposição e análise dos dados da amostra estudada, apontar alguns aspectos relacionados às aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, destacando-se o aspecto que trata do profissional que está (e estava) lecionando estas aulas. Estes apontamentos colaboram sobremaneira para a os debates na área da Educação Física escolar. Para apresentar a problemática e elucidar o referencial teórico, esta pesquisa constará de quatro capítulos. No primeiro capítulo serão discutidas as rupturas e permanências da legislação no que tange à Educação Física no currículo da Escola Brasileira e à inserção do professor de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Para isso, serão apresentados alguns decretos, pareceres, resoluções, diretrizes e leis que tiveram como meta regulamentar e legitimar a Educação Física e a presença do professor de Educação Física na escola. Enfatizaremos a Lei de Diretrizes e Bases 9394/96 desde como foi construída até 3 quando se incluiu nesta a Educação Física escolar como componente curricular obrigatório – no artigo 26º – e suas devidas falhas ou brechas que prejudicam a legitimação da Educação Física no espaço escolar até hoje, mesmo com as duas leis que surgiram depois (a Lei 10.328/2001 e a presente Lei nº 10.793/2003), que proporcionam diversas facultatividades deste componente curricular para os alunos na escola. O segundo capítulo tratará do Sistema Brasileiro de Educação, já que as leis discutidas no capítulo 1 e o processo político educacional de municipalização estão nele inseridos. Serão apontadas algumas divergências e convergências em relação à definição do que consiste um sistema e de como este sistema educacional vem se organizando no Brasil. Haverá uma breve retrospectiva histórica da política da descentralização e da municipalização que se instauraram no Brasil desde a década de 50 em diversos Estados e, em especial, em São Paulo, além das implicações desta política para uma sociedade democrática. Serão apresentadas também as definições dessas análises e o que elas representam ou deveriam representar para melhorar a qualidade do ensino. No terceiro capítulo serão expostos e detalhados os Procedimentos Metodológicos que foram utilizados neste estudo, como o tipo de pesquisa, o instrumento de pesquisa, a população, a amostra, os critérios de inclusão e exclusão, os procedimentos da coleta de dados, os riscos envolvidos e análise dos dados. No quarto capítulo serão apresentados e analisados os dados que foram coletados, por meio dos questionários aplicados aos professores e diretores pertencentes à amostra desta pesquisa. Estes dados serão apresentados em gráficos e tabelas, e em seguida discutidos Para melhor compreensão dividimos em cinco momentos esta análise. Portanto, o trabalho percorrerá questões educacionais relacionadas à política e a gestão educacional e suas possíveis relações com o campo da Educação Física, estabelecendo muitas vezes um discurso do macrossistema para o microssistema, levando em consideração a legitimação do espaço do professor de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental (E.F) e no processo de municipalização. 4 2 AS INTERVENÇÕES DA LEGISLAÇÃO NA EDUCAÇÃO E NA EDUCAÇÃO FÍSICA Este capítulo objetiva delinear a trajetória da legislação da Educação Física escolar, de maneira sucinta, uma vez que esta relaciona-se com o processo de municipalização estudado. Para isso, serão apresentados e discutidos alguns decretos, pareceres, resoluções, diretrizes e leis, bem como as suas rupturas, permanências e tensões. O que, consequentemente, como será visto adiante, vem provocando conflitos e entraves para a área e para os professores de Educação Física, principalmente na Educação Infantil e nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Também será elaborado um paralelo entre alguns fatos marcantes que se sucederam na história, abrangendo fatores políticos, econômicos e sociais que influenciaram e influenciam até hoje a Educação e a Educação Física escolar, sobretudo quanto à sua legitimidade nas instituições de ensino como um componente curricular obrigatório. 2.1 Rupturas e permanências da legislação no que tange à Educação Física no currículo e na inserção do professor de Educação Física na escola Como será evidenciado a seguir, a Educação Física conseguiu sua sustentação no currículo escolar desde o Império até os dias atuais devido às diversas justificativas que foram vinculadas a ela, cujos responsáveis foram os militares e o Poder Público (por meio dos pareceres, resoluções, decretos e leis). Conforme Góis Jr. e Simões (2011, p.118) explanam: Tentamos compactuar vários pensamentos que valorizam a Educação Física, não interessava a posição política ou teórica. Portanto, não tínhamos uma posição teórica definida. O que importava era provar que a Educação Física tinha grande utilidade para a sociedade, construindo um discurso legitimador a favor dessa prática. No ano de 1851, pela Reforma Couto Ferraz, a Educação Física adentrou oficialmente nas escolas, tornando-se obrigatória nas instituições de ensino do município da Corte (BRASIL,2000). Segundo Marinho (1952), a Lei n° 630 de 17/09/1851 foi a responsável por inserir a ginástica nas escolas primárias. Betti (1991) esclarece que, no ano de 1854, foi emitido o “Regulamento da Instrução primária e secundária do Município da Corte” por Luiz Pedreira do Couto Ferraz que já 5 atuava como ministro do Império na época. Esse regulamento obrigava a disciplina de ginástica no primário e a dança no secundário, sendo que em 1855 foi promulgado este regulamento pelo mesmo autor (MARINHO, 1952). Alguns legisladores, receosos diante do estranhamento gerado pela questão de gênero por parte dos pais e devido à obrigatoriedade da ginástica na escola, enviaram para a instrução pública primária um regulamento determinando que as meninas não precisariam realizar os exercícios ginásticos ainda que a Educação Física e Moral permanecessem presentes nos currículos escolares como matérias de ensino (SOARES, 2007). Vale ressaltar que, até pouco tempo atrás, tanto no ensino universitário como em algumas escolas se fazia algo parecido, separando-se as meninas dos meninos nas aulas de Educação Física ou ensinava-se esportes para os meninos e ginástica para as meninas. Curiosamente, como será debatido no decorrer desse trabalho, esta época do Império, conforme expôs Soares (2007), foi generosa em decretar leis para a Educação Física nas escolas. Mesmo com vários problemas no ensino público, ela profere que estes não foram motivos para deixarem a Educação Física num segundo plano2. Como exemplo, Soares (1994), citada por Góis Jr e Simões (2011), foi no ano de 1879 que o ensino da ginástica, por meio do decreto n° 7247, se torna obrigatório na capital do Brasil. Para que isso acontecesse, em 1882, Rui Barbosa deu seu parecer sobre o Projeto n. 224 – “Reforma do Ensino Primário e várias Instituições Complementares da Instrução Pública”, pronunciando-o na Câmara dos Deputados em 12 de setembro de 1882. Seguem as medidas para a instalação de uma escola normal de ginástica, como foi aconselhado por Rui Barbosa (1883, p.98): 1° Instituição de uma secção especial de ginástica em cada escola normal. 2º Extensão obrigatória da ginástica a ambos os sexos, na formação do professorado e nas escolas primárias de todos os graus, tendo em vista, em relação à mulher a harmonia das formas feminís e as exigências da maternidade futura. 3º Inserção da ginástica nos programas escolares como matéria de estudo, em horas distintas das do recreio, e depois das aulas. 4º Equiparação, em categoria e autoridade, dos professores de ginástica aos de todas as outras disciplinas. Para Marinho (1952) este foi o principal episódio de todo o período do BrasilImpério, de acordo com o projeto apresentado anteriormente. E, segundo Darido (2003), foi no ano de 1882 que Rui Barbosa colocou a ginástica como obrigatória aos dois sexos nas Escolas Normais. Afinal, seriam estes professores, formados nas escolas normais, que 2 Nota-se que estes problemas não são muito diferentes dos atuais. 6 atuariam nas escolas primárias e secundárias. Tais instituições de ensino deveriam ter a ginástica como uma matéria de estudo inserida nos programas escolares, num horário posterior às aulas e que não comprometessem o horário do recreio. Enfatizo ainda o último ponto, recomendado por Barbosa, que foi igualar os professores de ginástica aos professores de outras disciplinas e igualar a ginástica às outras disciplinas escolares. Mesmo com todos estes instrumentos legais do período, que obrigavam a presença da Educação Física ou da ginástica no currículo, na prática, pautando-se em Brasil (2000), a disciplina não era garantida, especialmente nas escolas primárias, pela carência dos recursos humanos para o trabalho com a Educação Física escolar. Betti (1991) indica que até a década de 30 a Educação Física ficou restrita às escolas do Rio de Janeiro 3 e às Escolas Militares. No ano de 1927 surgiu a edição francesa definitiva do “Regulamento Geral de Educação Física” (também chamado de Regulamento da Educação Física n. 7 ou Método Francês), que enfatizou uma Educação Física que visasse o desenvolvimento harmônico do corpo, a conservação e a melhoria do funcionamento dos órgãos, devendo ser orientada pelo viés da anatomia e fisiologia. Foram recomendadas para esta metodologia seis maneiras de trabalhar o físico: por meio de jogos, flexionamentos, exercícios educativos, aplicações, esportes individuais e coletivos. Uma pesquisa realizada no ensino secundário em 1940 encontrou a adoção deste método em 89% das instituições investigadas (BETTI, 1991). De acordo com Betti (1991), no ano de 1937, o governo autoritário de Getúlio Vargas – político que se interessava pela inserção da Educação Física na escola – introduziu a Educação Física na Constituição de 10 de novembro de 1937, nos artigos 127, 131, 132 no currículo escolar: Art 127 - A infância e a juventude devem ser objeto de cuidados e garantias especiais por parte do Estado, que tomará todas as medidas destinadas a assegurarlhes condições físicas e morais de vida sã e de harmonioso desenvolvimento das suas faculdades. Art 131 - A educação física, o ensino cívico e o de trabalhos manuais serão obrigatórios em todas as escolas primárias, normais e secundárias, não podendo nenhuma escola de qualquer desses graus ser autorizada ou reconhecida sem que satisfaça aquela exigência. Art 132 - O Estado fundará instituições ou dará o seu auxílio e proteção às fundadas por associações civis, tendo umas; e outras por fim organizar para a juventude períodos de trabalho anual nos campos e oficinas, assim como promover-lhe a disciplina moral e o adestramento físico, de maneira a prepará-la ao cumprimento, dos seus deveres para com a economia e a defesa da Nação. 3 O Rio de Janeiro era município da corte imperial e capital da República neste período. 7 Assim, como pode ser observado no artigo 127 desta Constituição, o Estado (de forma ideológica) garante às crianças e aos jovens o desenvolvimento do corpo são, mente sã. No artigo 131, a Educação Física foi incluída no currículo escolar de maneira obrigatória, em todas as escolas e graus, porém, não há uma especificação se era tratada como um componente curricular ou uma prática educativa. No artigo 132 pode-se notar o caráter militar e nacionalista da constituição, que faz menção ao adestramento físico dos jovens para a defesa da nação e para o cumprimento dos deveres com a economia. E algo semelhante vem permeando as legislações na atualidade, no que se refere às questões da saúde. Outra ruptura na legislação para a regulamentação e legitimação da Educação Física ocorreu no Período da República Populista (1945 a 1964). De acordo com Aranha (2006), havia nesta época um debate nunca visto na Educação, tendo-se como pano de fundo o anteprojeto da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), que levou treze anos para entrar em exercício. Segundo Castellani Filho (1998, p.5) “a Educação Física esteve contemplada na primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – Lei n.º 4024 de 20 de dezembro de 1961 – em seu artigo 22”. Apesar das boas intenções deste anteprojeto, quando a Lei n° 4.024 de 20 de Dezembro de 1961 foi publicada, esta se encontrava ultrapassada pelas demandas da industrialização (ARANHA, 2006). Nela se fixavam as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, cujo primeiro artigo relatava que a educação nacional era inspirada nos princípios da liberdade e da solidariedade humana, tendo-se como objetivos fundamentais o preparo do indivíduo e da sociedade para o domínio dos recursos científicos e tecnológicos, na tentativa de diminuir as dificuldades do meio. De acordo com esta mesma lei, no segundo artigo, a educação já era direito de todos e também seria oferecida no lar e na escola (BRASIL, 1961). À luz desta lei, promulgada em dezembro de 1961, Darido e Rangel (2005) esclarecem que a Educação Física também já era obrigatória para os cursos do ensino primário e médio até os 18 anos de idade, de acordo com o artigo 22 desta mesma lei. Castellani Fillho (1998) afirma que se instituía primordialmente para a Educação Física a função de preparar os jovens para o ingresso no mercado de trabalho de forma produtiva, ou seja, houve uma transição dos objetivos militares para os do mercado, ainda com vistas a uma colaboração com o desenvolvimento da nação. E acrescenta que as razões justificadoras do tratamento por esta lei já estavam presentes há trinta anos, situando-se no 8 processo da industrialização e no modelo econômico brasileiro, que substituiu o modelo agrário-exportador, implementado nos anos 30, necessitando aprimorar-se a capacitação física juntamente com a técnica do trabalhador, havendo a necessidade do adestramento físico4. Nesse contexto, podemos identificar, segundo Castellani Filho (1988, p. 104), que “A inspiração liberalista que caracterizava a Lei n° 4.024/61, cede seu lugar a uma tendência tecnicista nas Leis números 5.540/68 e 5.692/71 [...]”. Shiroma, Moraes e Evangelista (2007), afirmam que estas duas últimas leis serviram basicamente de apoio para a reforma do ensino superior e para a reforma do ensino de 1º e 2º graus. Em 1971, com a reforma educacional do primeiro e do segundo graus de ensino, durante a época mais grave da ditadura no governo Médici, a Lei nº 5.672/71 se reestruturava e ampliava o ensino e a obrigatoriedade escolar de quatro para oito anos. Criou-se a escola única profissionalizante com a tentativa de eliminar a divisão entre a escola secundária e técnica, para que o aluno, ao concluir o ensino médio, estivesse capacitado para ingressar no mercado de trabalho. Além disso, diversas modificações foram feitas na regulamentação do currículo escolar, por meio de pareceres, inserindo-se matérias obrigatórias como Educação Física, Educação Moral e Cívica, Educação Artística, Religião e Programa de Saúde (ARANHA, 2006). Essas mudanças apontadas influenciaram também a “função” da Educação Física para a sociedade e para o sistema educacional. Havendo mais uma ruptura da legislação, que se manifestou na Lei nº 5.692 de 11 de setembro de 1971, conforme Castellani Filho (1988), esta ampliou a obrigatoriedade da Educação Física para todos os níveis e ramos de escolarização, mas era considerada facultativa aos alunos que estudassem à noite, trabalhassem mais de 6 horas diárias, tivessem mais de 30 anos de idade, estivessem prestando o serviço militar ou fossem fisicamente incapacitados. Seis anos depois, por meio da Lei nº 6.503 de 13 de dezembro de 1977, se instauravam mais dois itens que facultavam as aulas de Educação Física para os alunos de pós-graduação e às mulheres com prole (CASTELLANI FILHO, 1988). É evidente que “essas opções de facultatividade reforçavam as intenções do governo da época, de que a Educação Física fosse apenas um instrumento de preparação do trabalhador” (DARIDO; RANGEL, 2005, p. 55), justificando-se exclusivamente para 4 Adestramento Físico: termo utilizado pela Carta Magna do Estado Novo, que estava associado à formação de um corpo produtivo, forte e saudável, que se submetesse a alienação do trabalho fabril sem questionamentos; consequentemente, obediente e disciplinado. 9 cumprir a ação pedagógica na atividade física, sem a obrigação de ser teorizada ou refletida. Portanto, a Educação Física era considerada uma mera atividade extracurricular, principalmente após a década de 1980, sem nenhum comprometimento educacional para além do patriótico e cívico. Nesta perspectiva é possível apontarmos, como também mencionado por Freire (2009, p.187), que a Educação Física esteve mais legalmente amparada no Brasil durante o período de autoritarismo do que nos períodos democráticos; e que, apesar disso, ainda na atualidade, ela não conseguiu se consolidar na Educação como “[...] uma atividade imprescindível à formação dos cidadãos. Talvez porque se esse amparo por um lado garantiu sua existência legal, por outro não garantiu seu papel educacional”. Em 1988, com a Constituinte, foram estabelecidos alguns pontos a favor, sobretudo da escola pública, que organizaram as linhas mestras da Carta Magna. A partir destes, foi elaborada a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN) (ARANHA, 2006). Na IV CBE5, em 1986, Shiroma, Moraes e Evangelista (2007), recordam que Demerval Saviani6 garantiu que as sugestões indicadas pelos educadores foram agrupadas na Carta de Goiânia e quase na íntegra na Carta Magna no capítulo da Educação, sendo promulgada em 1988, fornecendo a estrutura imprescindível às mudanças na educação brasileira. No entanto, como será explicitado adiante, o projeto da LDB aprovado em 1996 não correspondeu às vontades nutridas em quase vinte anos pelos mesmos educadores. Seguem alguns pontos fundamentais da nova Constituição de 1988 para a Educação, balizados por Aranha (2006): Ensino público gratuito em estabelecimentos oficiais; Ensino fundamental obrigatório e gratuito; Extensão do ensino obrigatório e gratuito de maneira progressiva ao ensino médio; Atendimento em creches e pré-escolas às crianças de 0 a 6 anos; Valorização dos profissionais que atuam no ensino, com planos de carreira; Investimento anual pela União de nunca menos de 18% e pelos Estados, Distrito Federal e municípios de 25%, no mínimo, da receita resultante de impostos, na manutenção do desenvolvimento do ensino; 5 6 CBE – Conferência Brasileira de Educação. Doutor em Filosofia da Educação e Pedagogo. 10 Autonomia universitária; Assegurar a distribuição dos recursos públicos concedendo como prioridade as necessidades do ensino obrigatório pautando-se no plano nacional de educação; Plano nacional de educação visando a articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à integração das ações do poder público que conduzissem ao fim do analfabetismo, universalização do atendimento escolar, melhoria da qualidade do ensino, promoção científica, humanística e tecnológica do país, formação para o trabalho; A oferta irregular ou a não oferta do ensino público implica a responsabilidade da autoridade competente (podendo gerar processo); Os recursos públicos para as escolas públicas poderiam ser encaminhados a escolas comunitárias confessionais ou filantrópicas, desde que comprovada a finalidade não lucrativa. Quanto à legitimação da Educação Física no currículo escolar, Castellani Filho (1998, p.9, grifos do autor) encontrou na primeira versão da Carta Magna, de 5 de outubro de 1988, apresentada à Câmara dos Deputados, em 1988, pelo Deputado Octávio Elísio, que: Não havia menção à obrigatoriedade da Educação Física, trazendo seus artigos 33, 37 e 46 (pertinentes, respectivamente, à educação escolar de 1º, 2º e 3º Graus), a explicitação de que os currículos das escolas de 1º grau abrangeriam “obrigatoriamente, o estudo da língua nacional, matemática, ciências naturais e ciências sociais”; os de 2º grau abrangeriam “obrigatoriamente, além da língua nacional o estudo teórico- prático das ciências e da matemática, em íntima vinculação com o trabalho produtivo [...] É plausível dizer que o Poder Público pouco conhecia dos avanços da Educação Física escolar e que, portanto, por mais que muitos dos docentes se esforçassem para se desvencilhar do viés biologista ou mecanicista da área para a escola, aqueles que “escolhiam” os rumos para educação no poder público permaneciam arraigados numa Educação Física escolar de cunho militar. Em 1987, de acordo com Shiroma, Moraes e Evangelista (2007), começaram as discussões em torno de um projeto para a elaboração da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN ou LDB). Este projeto foi preparado por Demerval Saviani – e 11 apresentado pelo deputado Octávio Elísio, em 1988, à Câmara Federal. Assim surgiram as reivindicações que foram incorporadas ao texto constitucional, recebendo, após debates, as emendas, o que foi relatado pelo deputado Jorge Hage. É importante enfatizar que a comunidade educacional ficou organizada por meio do Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública7, pois se sabia da importância deste documento e do que estaria por vir (SHIROMA; MORAES; EVANGELISTA, 2007). Estas tramitações serão apresentadas a seguir. Conforme relata Brzezinski (2005), decorreram-se oito anos de transações legislativas e intervenções do Executivo que descaracterizaram este primeiro anteprojeto da LDB defendido pelos educadores – ele abrangia, como ponto inicial, subsidiar a Constituinte Nacional em relação às políticas educacionais. Dois anos depois, na V CBE, com a Declaração de Brasília, foram indicadas, como eixo para a LDB: A Universalização do Ensino Fundamental; Organização de um Sistema Nacional, garantindo a articulação dos vários níveis e modalidades de ensino em todas as esferas (federal, estadual e municipal). A finalidade deste eixo era assegurar de forma democrática a melhora contínua da qualidade, seja na inclusão social ou na gestão, que também norteou outro anteprojeto, o de n° 1.258-C/88, defendido pelo Fórum em Defesa da Escola Pública. No ano de 1993, na Câmara dos Deputados, por meio de difíceis negociações, tais ideias transformaram-se num texto possível (BRZEZINSKI, 2005). Segundo este mesmo autor, concluiu-se que este não foi o projeto desejado pelos educadores, pois lamentavelmente esse não vingou, mas de um outro que teve como ponto de partida o anteprojeto do senador Darcy Ribeiro8, elaborado de forma pouco democrática, mediante uma conciliação oculta9 com o Executivo e apresentado em 1992. (BRZEZINSKI, 2005, p.14) O mesmo ponto de vista assume Pino (2005) quando relata que a LDB, construída pelo senador Darcy Ribeiro, por meio de medidas provisórias ou projetos de leis, portarias, 7 Ao qual estavam coligadas mais de 30 entidades nacionais de esferas sindical, acadêmica, profissional e religiosa. 8 9 Além de político, foi escritor, antropólogo, educador e membro da Academia de Letras. É uma prática do dia a dia dos bastidores do Congresso Nacional que ocultam as concessões feitas aos privilegiados e excluem os oprimidos, a favor de uma hegemonia ideológica . 12 resoluções e decretos presidenciais, cumpriu o papel de atar as políticas proporcionadas pelo Executivo. Diante de tantos empecilhos, é importante refletir por quais razões tudo isso se sucedeu e é fundamental abordar o momento histórico e político pelo qual o Brasil passava para compreender como a LDB foi influenciada e serviu a determinadas forças. “Nos descaminhos da tramitação do projeto, sobressai a carta posta na mesa, em maio de 1992, pelo governo Collor. O senador Darcy Ribeiro (PDT-RJ) apresentou um texto próprio no Senado, atropelando as negociações inconclusas na Câmara dos Deputados” (SHIROMA; MORAES; EVANGELISTA, 2007, p. 43). Em 1993, o projeto da Câmara sob a relatoria do deputado Cid Sabóia foi enviado ao Senado. Porém, com a entrada de Fernando Henrique Cardoso no poder como presidente em 1994, formaram-se duas forças e, consequentemente, duas alianças no Congresso Nacional (PSDB X PFL). Em 1995, Darcy Ribeiro apresentou o novo substitutivo, que já procedia de acordos entre o ministro da Educação, Paulo Renato, e o governo FHC, conforme Saviani (1996) nos conta, este projeto foi aprovado pelo presidente sem oposição, evento semelhante só ocorreu com a LEI 5.692/71, durante o governo Médici, de forma antidemocrática, pregada pelo autoritarismo, e a oposição nada pôde fazer, ficando silenciada (SHIROMA; MORAES; EVANGELISTA, 2007). Apesar do amplo debate gerado pelos jogos de forças partidárias e um grande descontentamento por parte dos educadores, a Lei de Diretrizes e Bases foi promulgada em 20 de dezembro de 1996, tendo como função, segundo Silva (1998, p.13), “se limitar à regulamentação dos princípios educacionais estabelecidos na Constituição Federal e a ditar, de forma geral, como esses princípios podem ser aplicados pelos sistemas de ensino nas respectivas redes escolares”. Os termos “diretrizes” e “bases” podem ser compreendidos, segundo Silva (1998, p.13), por meio do que argumentou o professor Celso Kelly (ex- Secretário de Educação do Rio de Janeiro): As Diretrizes indicam as finalidades e objetivos da educação, desde os políticos e cívicos até os pedagógicos e didáticos: são as diretrizes da política educacional, seja exercida por quem quer que o faça, em iniciativa pública ou privada. As Bases correspondem aos meios ou recursos, quer de ordem institucional, e, como a ação se desenvolve em diferentes domínios oficiais- da União aos Municípios – e a área privada, impõe-se a discriminação das competências, ou seja, a determinação dos poderes, ponto de partida das fases na consecução da ação educativa. 13 Para Frauches e Fagundes (2003), a LDB teve como norte os princípios da cidadania, pluralismo político, sociedade livre, justa, solitária e a redução das desigualdades sociais, que foram algumas das linhas mestras da Lei Magna. Trata-se de uma lei de instância federal, composta por 92 artigos e está sintonizada com a década de 90 – período marcado por profundas mudanças, como a globalização e a modernidade – e baseada nos princípios de flexibilidade, autonomia, inclusão e democracia. Na ótica de Silva (2001, p.2): A atual LDB foi um marco para a educação brasileira, visto que após anos e anos de debates entre a sociedade civil e seus representantes no Congresso Nacional e Câmara dos deputados foi promulgada a Lei que buscava dar um direcionamento a educação brasileira, mesmo que esse direcionamento fosse mascaradamente legitimado pelo Neoliberalismo. Neste período de redemocratização, em 1998, foi publicado um documento oficial pelo Ministério da Educação considerado importante para todas as áreas da Educação, inclusive da Educação Física escolar: os Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação (PCNs). Os PCNs não devem ser confundidos com uma lei, mas quando foram confeccionados, estavam pautados, segundo Darido e Rangel (2005), na lei nº 9394/96 (BRASIL, 1996). Britto (1999) esclarece que o PCN é uma proposta significativa, porém, não obrigatória para ser utilizada nas escolas. A função deste documento é indicar algumas diretrizes para a Educação Física Escolar, servindo de orientação e apoio para os professores quanto à escolha dos conteúdos que serão trabalhados durante as aulas. Os conteúdos podem ser ajustados conforme cada série, auxiliando também na elaboração do planejamento, dos projetos, do currículo, dentre outros (BRASIL, 2000). Em relação à Introdução dos Parâmetros Curriculares Nacionais (1ª a 4ª série) de Educação Física, Paulo Renato de Souza10 (2000) declara que o objetivo do documento é auxiliar o docente na execução de seu trabalho, “[...] compartilhando seu esforço diário de fazer com que as crianças dominem os conhecimentos de que necessitam para crescerem como cidadãos plenamente reconhecidos e conscientes de seu papel em nossa sociedade”. Isto será obtido, segundo o Ministro da Educação, por meio do oferecimento de pleno acesso à cultura, característica fundamental para a aquisição da cidadania. 10 Foi um dos fundadores do PSDB em 1988, e foi o ministro da Educação durante o governo Fernando Henrique Cardoso de 1 de janeiro de 1995 a 31 de dezembro de 2002. 14 Podemos inferir que os PCNs são documentos oficiais pautados na LDB, inclusive com alguns avanços em relação a ela, e, por isso, as suas propostas refletem o que a Lei Federal estabelece. Podemos tomar como exemplo disso o que se refere ao TÍTULO II – DOS PRÍNCIPIOS E FINS DA EDUCAÇÃO NACIONAL, ART. 3º, Inc. II – “liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber”. Coerentemente, os Parâmetros Curriculares Nacionais da Educação Física vão ao encontro deste inciso, principalmente no que tange à cultura, ao explicitar que a Educação Física escolar deve garantir o acesso dos alunos às práticas da cultura corporal, ajudando-os na formação de um estilo próprio ou também chamado de estilo pessoal, além de proporcionar instrumentos para apreciação e críticas dos esportes, jogos, ginásticas, lutas, atividades rítmicas e expressivas que compõem os blocos de conteúdos da disciplina. Outro exemplo pode ser dado a respeito dos PCNs, que estão pautados na lei, retomando-se à LDB- 9394/96 no TÍTULO II – DOS PRINCÍPIOS E FINS DA EDUCAÇÃO NACIONAL – no Artigo 3º, Inc. III – “pluralismo de ideias e concepções pedagógicas”. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física – terceiro e quarto ciclo do Ensino Fundamental (BRASIL, 1998, p. 38) – propõem, com a denominação de Pluralidade Cultural, que “A Educação Física permite que se vivenciem diferentes práticas corporais advindas das mais diversas manifestações culturais.” Baseando-se nestas proposições, é fundamental que o professor de Educação Física na escola propicie aos alunos a experiência de diversificadas práticas corporais e não exclusivamente o seu esporte predileto ou o do aluno; ao contrário, devem ser possibilitadas as práticas originárias das várias regiões do Brasil, como também de outros países, além das múltiplas ascendências étnicas e sociais que constituem o patrimônio cultural, necessitando ser conhecidos e apreciados, contra o preconceito e discriminação diante dos diferentes grupos e pessoas que o formam (BRASIL, 1998). Ideias semelhantes estão relacionadas também ao Inciso IV deste mesmo artigo que, condiz ao “respeito à liberdade e apreço à tolerância”. Como considerações desde tópico, é primordial enfatizar que a Educação Física necessita ir além dos aspectos legais que muitas vezes a restringe e a limita e ir em busca de sua legitimação para a sociedade, diferenciando-a das demais disciplinas. (SOARES; TAFFAREL; ESCOBAR, 1992). 15 2.2 As implicações da LDBEN 9394/96 na legitimação da Educação Física na escola Após esta breve retrospectiva acerca das permanências e rupturas da legislação frente à legitimação da Educação Física na escola, focaremos a LDB 9394/96 e o que ela estabelece legalmente para a Educação Física e a auxilia, ou não, para a legitimação da Educação Física escolar nas séries iniciais do Ensino Fundamental. A Lei n.º 9.394/96 (LDBEN), no artigo 26, Parágrafo 3°, garante que “A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos” (BRASIL, 1996). Apesar da intencionalidade desta lei, com o objetivo de modificar positivamente o status da Educação Física para ser considerada um componente curricular como outras disciplinas ou matérias escolares, ela não garantiu a especificação da presença das aulas de Educação Física em todas as etapas da Educação Básica, nem que os professores que ministrassem estas aulas tivessem uma formação específica (DARIDO; RANGEL, 2005). Devide (2002) expõe que ainda é percebido, por acadêmicos e professores da área, a falta de professores especialistas de Educação Física no Ensino Infantil, enquanto no Ensino Fundamental e Médio se denota que a presença do mesmo tende acontecer com maior êxito a partir da 5ª série ou 6º ano. Cabe destacar que em nosso estudo, que contempla uma amostra de doze cidades da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim, todas já haviam se efetivado, por meio de concurso público, o professor de Educação Física do 1º ao 5º ano até o ano de 2011 – embora 75% destes professores tivessem começado a lecionar a disciplina de Educação Física depois de ter ocorrido o processo de municipalização do local onde atuam; e três cidades, segundo identificamos a partir das respostas dos professores e diretores, demoraram excessivamente para implantar o docente especialista depois que ocorreu o processo de municipalização. Isso provavelmente se deve pela tensão entre as leis, que não obrigam a atuação dos Educadores Físicos nestas séries, e também depende do bom senso da Diretoria de Educação de cada cidade, já que estas disponibilizam de autonomia, fato que será discutido com mais rigor posteriormente. 16 Deste modo, devido à lacuna existente na LDB e pelo principio da autonomia 11, dentre outros motivos, muitos Estados e Municípios permitem que o próprio professor da sala de aula, ou seja, o polivalente atue no início do Ensino Fundamental e na Educação Infantil lecionando as aulas de Educação Física. Darido e Rangel (2005, p.56) afirmam que esses professores “muitas vezes não se sentem preparados e motivados para trabalhar com o componente curricular de Educação Física”, o que deve se dar por inúmeros motivos, como falta de subsídios teórico-práticos (nem sempre bem orientados nos cursos de formação), receio de lidar com os conteúdos da área (devido a experiências pessoais), temor a acidentes, entre outros. Possivelmente, como uma tentativa de modificar a situação, a partir da Lei 10.328, de 12 de dezembro de 2001, a palavra “obrigatório” foi citada após a expressão curricular, assim artigo ficou com a seguinte redação: “a Educação Física, integrada à proposta da escola, é componente curricular obrigatório da Educação Básica, ajustando-se às faixas etárias e às condições da população escolar, sendo facultativa nos cursos noturnos” (BRASIL, 2001). O que foi uma conquista para a Educação Física, no entanto, isso não foi o suficiente para garantir sua legitimação na escola em todas as séries sendo ministrada pelo professor graduado na área. Essa facultatividade da lei não corrigiu as brechas já comentadas. Muito pelo contrário, permitiu que muitos alunos do Ensino Médio e da EJA não participassem das aulas de Educação Física na escola, portanto ressaltamos que também cabe ao professor de Educação Física permanecer numa luta constante para mantê-la no currículo escolar. Podemos proferir que esta lei ainda esteja calcada no viés biologista, mecanicista, ou no paradigma dominante, que separa o corpo da mente. O mesmo discutiu Bracht e colaboradores (2007, p.60): Cristalizou-se um imaginário social sobre a Educação Física que a entende, basicamente, como um espaço e tempo escolar vinculados ao fenômeno esportivo: o esporte é o conteúdo central tratado nas aulas pelos professores, é a prática corporal citada e valorizada pelos alunos, é a referência para as atividades extracurriculares da Educação Física e também para as manifestações dos diretores de escola quando se reportam ao seu papel. Nesta distribuição, é principalmente a partir da quinta série do Ensino fundamental que se fortalece o seu ensino. 11 Título IV: Art. 15. Os sistemas de ensino assegurarão às unidades escolares públicas de educação básica que os integram progressivos graus de autonomia pedagógica e administrativa e de gestão financeira, observadas as normas gerais de direito financeiro público. 17 Em 1º de dezembro de 2003 a Educação Física no contexto escolar teve mais uma vez a sua legitimidade questionada, por meio da Lei nº 10.793, que determinou que as aulas de Educação Física passassem a ser facultativas, não mais aos alunos do período noturno, mas, independentemente do período de estudos, àqueles que se enquadrassem nos seguintes quesitos: - Alunos com prole; - Alunos que trabalhem com jornada igual ou superior a seis horas; - Alunos que estiverem prestando o serviço militar inicial ou similar, obrigados à prática da Educação Física; - Alunos com mais de 30 anos; - Alunos amparados pelo Decreto-Lei no 1.04412, de 21 de outubro de 1969 (BRASIL,2003). Esta Lei prevalece na atualidade, o que configura um retrocesso para a legitimação da Educação Física na escola para todas as pessoas, conforme argumentam Darido e Rangel (2005, p.56): “Essa alteração, de certa forma, retomou o que era preconizado há mais de 30 anos, dando a possibilidade de exclusão das aulas desse conteúdo a um grande número de pessoas que se beneficiariam muito se as frequentassem”. Parece que a Educação Física está anos-luz à frente da LDB, que entrava tais conhecimentos para a população e o crescimento da própria área, além de se contradizer ao próprio documento oficial produzido pelo Ministério da Educação. Mesmo assim, ressalvo que os municípios e os Estados que ainda não disponibilizaram para a Educação Infantil e para as séries iniciais do Ensino Fundamental o trabalho do professor especialista, para o componente curricular de Educação Física, não estão infringindo a lei, já que estão se pautando nela e em suas lacunas. No caso do Estado de São Paulo, há uma regulamentação mais específica, que determina qual professor lecionará a disciplina de Educação Física e em quais séries deverá ser aplicado este componente curricular. A partir da Resolução 184, de 27 de dezembro de 2002, garantiu-se o direito ao professor especialista de ministrar as aulas de Educação Física em todas as séries, inclusive 12 Refere-se aos alunos de qualquer nível de ensino, portadores de afecções congênitas ou adquiridas, infecções, traumatismo ou outras condições mórbidas, determinando distúrbios agudos ou agudizados. 18 nos anos iniciais do Ensino Fundamental, o que pode ser considerado um grande salto para a legitimação do espaço do professor de Educação Física nas escolas. É possível que o responsável pela elaboração desta resolução tenha observado as brechas existentes na LDB 9394/96, no art. 26, 3ª parágrafo, e na Lei 10.328/2001, conseguindo modificá-las para melhor. Mas o exemplo não pode ser generalizado às demais unidades da federação. Segue a Resolução 184: Artigo 1º - As aulas de Educação Artística e de Educação Física previstas na matriz curricular do ciclo I das escolas estaduais com carga horária semanal de 25 horas serão desenvolvidas, em todas as séries, por professor portador de licenciatura plena específica na respectiva disciplina e na conformidade do contido na presente resolução (SÃO PAULO, 2002). Em 2002, pautando-se na lei mencionada, a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo apontou, entre algumas das justificativas, que a exploração e a vivência de atividades lúdicas, esportivas e de socialização são importantes para o processo de desenvolvimento da criança como estudante e cidadã. Por isso, a importância do trabalho com o docente especialista de Educação Física. Houve necessidade de se intensificar estes tipos de vivências para esta faixa etária – entre 6 e 12 anos – e garantir a implementação de um trabalho conjunto entre os docentes de Educação Física, Educação Artística e o professor polivalente. Ainda que estas disciplinas tenham ter um plano específico a ser elaborado com a proposta pedagógica da escola. No artigo 3º (SÃO PAULO, 2002) foi proposto que as duas aulas semanais de Educação Física, ministradas pelo professor especialista, sejam acompanhadas pelo docente polivalente da classe. Quanto à ausência do professor especialista, a orientação dada é que o próprio professor regente (polivalente) seja o responsável pelas aulas de Educação Física (SÃO PAULO, 2002). Desta forma, ao mesmo tempo em que a lei traz uma obrigatoriedade do especialista (parágrafo único), na ausência dos mesmos, a disciplina passa a ser desenvolvida pelo professor polivalente, ou seja, há uma certa permissividade, que acomoda as instituições de ensino a manter tudo a cargo do professor polivalente. Em 2004, a Resolução 184, de 27 de dezembro de 2002, foi reformulada pela Resolução SE 1, de 6 de janeiro de 2004. As alterações foram: duas aulas semanais para a disciplina de Educação Física nas classes com carga horária de 25 horas semanais, e nas classes com 20 horas semanais, uma aula apenas por semana. Outro ponto acrescido foi em 19 relação à ausência do professor devidamente habilitado em Educação Artística 13. No entanto, neste parágrafo único, não se sugeriu nada em relação à Educação Física. De acordo com Darido e Rangel (2005), outras redes públicas de ensino também seguiram o exemplo do Estado de São Paulo e possuem professor especialista lecionando as aulas de Educação Física no início do ensino fundamental, o que já é um ponto muito positivo. É o caso da Secretaria de Educação do Município de São Paulo, que organizou o currículo em dois eixos denominados Base Nacional Comum e Parte diversificada. Como bem destacado e esclarecido na resolução CNE/CEB nº 07/2010, estes eixos devem ser trabalhados de maneira articulada em cada sistema de ensino e escola (RESOLUÇÃO, nº 07/2010). A Resolução nº 07, de 14 de dezembro de 2010, fixa as diretrizes curriculares nacionais para o Ensino Fundamental de nove anos, integrando a Educação Física escolar na Base Nacional Comum do currículo. Segue o artigo: Art. 14 - O currículo da base nacional comum ensino fundamental deve abranger obrigatoriamente, conforme o artigo 26 da Lei nº 9.394/96, o estudo da Língua Portuguesa e da Matemática, o conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política, especialmente a do Brasil, bem como o ensino da Arte, a Educação Física e o Ensino Religioso. O artigo 15, parágrafo 5º, da Resolução nº 7/2010, institui a Educação Física como um componente obrigatório no currículo do ensino fundamental – pautando-se adequadamente na lei maior, LDB 9394/96 –, devendo estar integrada à proposta políticopedagógica da escola. Mas a facultatividade é prevista no Parágrafo 3º do art. 26 da LDB nº 9.394/96. Na base diversificada do currículo das escolas municipais de São Paulo, de acordo com a mesma Resolução, no artigo 17, será incluída de forma obrigatória, a partir do sexto ano do Ensino Fundamental, pelo menos uma língua estrangeira moderna sobre a responsabilidade de escolha da comunidade escolar. Percebe-se que, nesse município, a disciplina de Educação Física vem sendo tratada como um componente curricular não diferente dos outros. E ainda deve ser trabalhada de forma interdisciplinar e contextualizada, pelo que é estabelecido no art. 16: 13 Parágrafo único: Na ausência de docentes devidamente habilitados, nos termos do caput deste artigo, as aulas de Educação Artística poderão ser atribuídas obedecidas as disposições da resolução que disciplina o processo regular de atribuição de classes e de aulas." 20 Art. 16 - Os componentes curriculares e as áreas de conhecimento devem articular em seus conteúdos, a partir das possibilidades abertas pelos seus referenciais, a abordagem de temas abrangentes e contemporâneos que afetam a vida humana em escala global, regional e local, bem como na esfera individual. Temas como saúde, sexualidade e gênero, vida familiar e social, assim como os direitos das crianças e adolescentes, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/90), preservação do meio ambiente, nos termos da política nacional de educação ambiental (Lei nº 9.795/99), educação para o consumo, educação fiscal, trabalho, ciência e tecnologia, e diversidade cultural devem permear o desenvolvimento dos conteúdos da base nacional comum e da parte diversificada do currículo. A partir das Leis e Resoluções supracitadas é possível identificarmos as tensões existentes na legislação vigente. Assim, em nível macro ou nacional, a LDB insere a Educação Física no currículo escolar de maneira ampla, o que gera impasses, já que esta deveria ser a lei de base, comum para todos os Estados e municípios do Brasil. Contrariamente, o que vem acontecendo – talvez como uma tentativa de legitimar e garantir as aulas de Educação Física para todas as séries e com o professor especialista – é a elaboração das Resoluções por parte das Secretarias Estaduais e Municipais, como a de São Paulo. Estas estão calcadas na LDB, mas assumem um discurso mais específico, suprindo de fato as diferenças suplantadas pela Lei maior. 21 3. SISTEMA BRASILEIRO DE EDUCAÇÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS EDUCACIONAIS: AVANÇOS E RETROCESSOS PARA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR O assunto que será discutido neste capítulo tem a intenção de sinalizar de que modo a legislação da educação (tema abordado no capítulo anterior) se insere ou até mesmo se debruça no sentido de colaborar para a organização e o bom funcionamento desse amplo conjunto de escolas, designado de sistema escolar brasileiro. Assim, a LDBEN permeia o sistema escolar e, para melhor compreendê-lo, é preciso inicialmente que entendamos o que é educação. De acordo com a LDB 9394/96, em seu art. 1º, “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais” (BRASIL, 1996). Dito de outro modo, a educação está imersa na sociedade, fazendo parte dela, recebendo e transferindo dinamicamente diversas influências. Conforme expõe Horta (1991), assim como outras políticas sociais, a educação é influenciada pela ação política de um governo. Do mesmo modo afirmou Freire (2005), ao dizer que quando o assunto é educação, não existe neutralidade, pois a educação é sempre um ato político. Neste contexto, política e educação se constituem na sociedade de maneira verticalizada, ou seja, hierarquicamente, fazendo uma analogia deste sistema com uma pirâmide: os sujeitos que ocupam o topo possuem maiores poderes, ganham melhores salários e governam, por meio das leis, as pessoas que estão nos níveis inferiores. Estas leis são instauradas pelos próprios governantes que almejam, em muitas ocasiões, interesses de ordens próprias como político, econômico, partidário, entre outros, esquecendo até mesmo os direitos básicos dos cidadãos. Portanto, é evidente que os interesses de classe não são iguais. Segundo Soares e colaboradores (1992, p.24), “não se pode entender que a sociedade capitalista seja aquela onde os indivíduos buscam objetivos comuns, nem tampouco que a conquista desses objetivos depende do esforço e do mérito de cada indivíduo isolado”. Contudo, os opressores dominam os oprimidos, cometendo injustiças e exploração, lutando contra os oprimidos. Seguindo ainda o raciocínio de Freire (2005, p.47), “Como poderiam os oprimidos dar início à violência, se eles são o resultado de uma violência?”. 22 Muitas vezes, os oprimidos se conformam e aceitam tal situação, sem perspectivas de mudanças para a garantia de um presente e futuro melhor. Porém, quando se conscientizam de tais dominações e conseguem se libertar, se transformam, muitas vezes, após algum tempo, também em opressores ou legítimos interlocutores de sua classe. Assim sendo, que a superação seja o ato de nascer de um novo homem em constante libertação, nem de opressor nem de oprimido. Neste sentido, a Educação poderia possibilitar tais transformações. De acordo com Cortella (2009, p.114), “para um otimismo crítico, o educador é alguém que tem um papel político/pedagógico, ou seja, nossa atividade não é neutra e nem absolutamente circunscrita”. Portanto, cabe também aos professores de Educação Física, reconstruírem e resignificarem seu merecido espaço nas séries iniciais da Educação Fundamental. Devido às particularidades das leis educacionais, como já mencionadas no capítulo anterior, não há uma garantia congruente em relação componente curricular de Educação Física em todas as séries ou anos para todos os alunos, assim como, não há o estabelecimento da atuação do especialista. Soma-se a isso, a organização do sistema de ensino no Brasil que, como será apresentado a seguir, vem se organizando de forma autônoma e flexível (o que é positivo), possibilitando ações diversas diante das lacunas que a LDB impôs para a Educação Física. Merida (2004) afirma que a LDB, bem como os PCNs, outorgam liberdade para uma proposta pedagógica agregada à Educação, na qual a Educação Física deve ser inserida e a ação educativa fica ao encargo da escola e de seus professores, respeitando-se a realidade social da comunidade escolar. Segue, para melhor compreensão das tensões entre LDB, organização dos sistemas de ensino e ensino da Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, um esquema: 23 Estado de São Paulo LDB 9394/96 Ed. Física escolar Garante, a partir da Resolução 184, de 27 de dezembro de 2002, o direito de o professor especialista ministrar as aulas de Educação Física em todas as séries. Não define com clareza quem deve lecionar as aulas de Ed. Física na escola nas séries iniciais, se é o polivalente ou especialista. Ed. Física escolar A favor da descentralização e autonomia aos municípios. artigo 8º: Determinou que os municípios se responsabilizassem pela educação infantil e prioritariamente pelo ensino fundamental. Municípios Ed. Física escolar Quem lecionar? polivalente ou especialista ? TENSÕES Figura 1- Esquema dos que outorgam as leis (Estaduais/Municipais) definindo como a Educação Física deve ser integrada na escola e quem deve lecioná-la. 24 3.1 O Sistema Nacional de Ensino do Brasil e a Educação Física Escolar Esta temática é de substancial importância para o trabalho, pois aponta para um entendimento acerca do significado da palavra “sistema” e a função que este exerce (ou pelo menos deveria exercer) na sociedade de maneira mais ampla, e no ensino (lócus da Educação Física neste trabalho). É inevitável, para tal compreensão, a adoção de uma visão micro e ao mesmo tempo macro dos elementos que o constituem para formar o todo, como uma grande rede articulada. O significado da palavra “sistema”, segundo o Dicionário Básico de Filosofia de Japiassú e Marcondes (2008, p.205), se originou do latim tardio e do grego systema, de synistanai, que significa juntar, “Em um sentido geral, é o conjunto de elementos relacionados entre si, ordenados de acordo com determinados princípios, formando um todo ou uma unidade”. Dessa forma, para que o Sistema Nacional de Ensino adquira seu o significado concreto, será fundamental a elucidação da teoria do sistema. Segundo Morin (2009, p. 2122), é necessário um pensamento que estabeleça relações entre os sistemas e subsistemas, as mútuas implicações – que sagre a diversidade – e, ao mesmo tempo, a unidade. Ainda de acordo com este autor, é preciso “um pensamento organizador que conceba a relação recíproca entre todas as partes”. Esta maneira de se compreender o que é um sistema será vital para o juízo desta discussão, ou seja, um pensamento contextual, buscando sempre a relação de inseparabilidade e as inter-retroações entre qualquer fenômeno e seu contexto e deste com o contexto planetário, sem fragmentações. Logo, dentro de um sistema, todos os aspectos nele envolvidos estão – ou pelo menos deveriam estar – relacionados, mesmo sendo interdependentes. Como foi formulado por Pascal e citado na obra de Morin (2009, p.22), “Se todas as coisas são causadas e causantes, ajudadas e ajudantes, mediatas e imediatas e mantidas por uma ligação material e insensível que as sujeitam, torna-se impossível conceber as partes sem conceber o todo e tampouco o todo sem conceber as partes”. Assim, conhecer as partes de um sistema e relacioná-las com o todo será essencial para o seu funcionamento de forma harmônica e contextualizada. 25 Dias (2004), de acordo com a teoria dos sistemas, explica que um sistema pode ser classificado como aberto ou fechado e define que não é possível ignorar as trocas que ocorrem entre e dentro dos sistemas e do ambiente. Segundo o autor, o Sistema de Ensino e as escolas são um sistema aberto. O Sistema de Ensino tem como meta cuidar e proporcionar a escolarização, enquanto as escolas, de maneira sistematizada, devem proporcionar às pessoas que entram neste sistema o desenvolvimento intelectual, físico, moral, social e emocional. Há que se destacar que existe um movimento de entrada e saída por meio das fronteiras, que são consideradas um subsistema com a função de selecionar o que/quem deve entrar (inputs) ou sair (outputs). Exemplo disso – pelo menos deveria – são os vestibulares, que estabelecem quais pessoas entram nas universidades, e os exames finais, que determinam quem tem o direito de receber o diploma. Ainda há outros tipos de subsistemas, como a sala de aula, por exemplo. Além disso, o sistema está comprimido em um sistema mais extenso, que é seu supersistema, ou seja, a sociedade. Vejamos relações que podem ser mais bem apreciadas na figura a seguir com o modelo de Sistema de Ensino, baseado em Dias (2004): 26 Da sociedade para o Sistema de ensino (INPUT): 1-Objetivos 2- Conteúdo cultural 3- Professores e outros recursos humanos, financeiros, materiais 4- Alunos SISTEMA DE ENSINO 1-Elementos não-materiais (objetivos, normas e conteúdos) 2-Entidades mantenedoras 3-Administração do sistema ESCOLAS Graus de ensino e modalidades de ensino Do sistema de ensino para a Sociedade (OUTPUT ): 1- Melhoria do nível cultural da população 2- Aperfeiçoamento dos indivíduos 3- Formação de recursos humano 4- Resultado de Pesquisas Figura 2- Sistema de Ensino (adaptado de Dias, 2004). 27 Betti (1991), à luz da abordagem sistêmica, faz uma relação entre o sistema e a Educação Física escolar, conforme o esquema adaptado: MACRO - SOCIAL SISTEMA EDUCACIONAL SISTEMA ESCOLAR EDUCAÇÃO FÍSICA Figura 3- Educação Física como um sistema hierárquico e aberto, com base na abordagem sistêmica de Betti (1991). O autor caracteriza este sistema como hierárquico pelo fato de os níveis que estão acima do sistema desempenhar certo controle sobre os que estão abaixo. É caracterizado também como aberto, pois recebe influências do meio social e ao mesmo tempo o influencia com seus produtos. Pode-se perceber que existem quatro níveis e três subsistemas. O primeiro nível é chamado de Macro-Social, que tem como subsistema o Sistema Educacional, o Sistema Escolar é um subsistema do Sistema Educacional e a Educação Física é um subsistema do Sistema Escolar. Segundo Koestler (1981) apud Betti (1991, p.20): Uma hierarquia é um modelo de organização estratificado e de muitos níveis, um sistema que se expando em subsistemas que também se desdobram em novos subsistemas, e assim por diante, sendo ao mesmo tempo um instrumento conceitual e um modo de pensar. 28 Comparando-se um sistema a um mosaico, as pequenas peças devem ser encaixadas perfeitamente, formando outras figuras, até se consolidarem no desenho desejado. Mas como toda arte, isso não é tão simples e exige um trabalho técnico e estético. Já que cada peça dispõe de um contorno, uma cor, uma textura diferente das outras, dificilmente poderão ser alteradas. Se houver a modificação de apenas uma, as outras passarão por mudanças e, consequentemente, o todo se transformará. Do mesmo modo, Libâneo, Oliveira e Toschi (2009) argumentam que, num sistema, os elementos que dele fazem parte foram reunidos de forma intencional. No entanto, não perdem a sua especificidade e a individualidade, por mais que se integrem e formem um todo, sendo natural a existência de conflitos, tensões, crises, resistências, entre e dentro deles. Segundo Gadotti (1994), a Teoria do Conflito – também nomeada de Teoria Dialética – é um modelo de construção, organização e desenvolvimento dos sistemas, que aceita e não nega as contradições entre e dentro dos mesmos. O autor salienta ainda o caráter dinâmico e a participação coletiva dos indivíduos a fim de obterem as mudanças desejadas. Em oposição a esse modelo existe a denominada Teoria Funcionalista, que tem como princípio a ausência de conflitos. Nela, as mudanças e ajustes devem ser feitos de forma harmoniosa, com ordem, equilíbrio; é estática e controladora. Para melhor entendimento destes dois modelos segue abaixo um quadro explicativo das diferenças entre as teorias abordadas: QUADRO 1 – Diferenças entre as Teorias Dialética e Funcionalista. TEORIA DA DIALÉTICA TEORIA FUNCIONALISTA Dinâmico/ativo Passivo/estático Aceitam as tensões, os conflitos Harmônico Acreditam na ordem e desordem para a Acreditam somente na ordem para a organização do sistema. organização do sistema. Nas escolas e nos sistemas, independentemente das teorias que adotam, mesmo trabalhando coletivamente e em comum acordo com a comunidade local, é natural o 29 surgimento dos conflitos entre as escolas, alunos, pais, equipe gestora, professores, funcionários e a comunidade. Portanto, se a escola ou o sistema de ensino forem mais adeptos à teoria do Conflito/ Dialética, resolverão os problemas em conjunto e em prol da comunidade para o alcance das mudanças. Enquanto forem favoráveis à teoria Funcionalista resolverão os problemas da maneira mais indireta possível, sem a participação dos alunos e da comunidade, acreditando ser esta opção a mais harmoniosa para a resolução dos problemas. Libâneo, Oliveira e Toschi (2009) estabelecem que, quando se tem uma organização do conjunto das instituições de ensino (denominado “elementos materiais”) e da legislação (denominado “ideais”) que regem as escolas, passam a formar uma unidade, denominada Sistema de Ensino. Os autores também afirmam que o Sistema de Ensino não é o único existente; há outros, como: político, econômico, religioso, cultural, etc. Estes devem trabalhar de forma articulada, como já esclarecido, para se beneficiarem e também ocasionarem benefícios à sociedade. Dias (2004, p.92) expõe que a legislação que rege o ensino no país adota o termo Sistema de Ensino com o seguinte significado: “compreende uma rede de escolas e sua estrutura de sustentação”. De acordo com Libâneo, Oliveira e Toschi (2009), o sistema econômico é o que mais interfere nos múltiplos sistemas e em seus respectivos elementos, gerando ações e reações provocadas pelas diferenças, frutos das condições históricas, das questões ideológicas, políticas, econômicas, etc. Faustini (1973), semelhantemente aos autores mencionados anteriormente, defende que o Sistema de Ensino é uma instituição social que tem como meta cumprir os objetivos propostos para e pela a sociedade, enquanto a estrutura administrativa deste sistema consiste em agir formalmente de convenção à legislação vigente. Nesse sentido, os sistemas são vias de muitas mãos: as instituições escolares, por exemplo, auferem recursos do Estado para serem gastos nas escolas e ocorrem ações e reações, tanto positivas quanto negativas, que afetam ou contribuem com os sistemas e a sociedade de modo geral. Para uma melhor compreensão de como os Sistemas de Ensino se organizam no Brasil, seguem, na íntegra, os artigos que se referem à LDB: TÍTULO I V- DA ORGANIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NACIONAL Art. 8º: A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios organizarão, em regime de colaboração, os respectivos sistemas de ensino. (Procedência: Art. 211 da CF). 30 §1º Caberá à União a coordenação da política nacional de educação, articulando os diferentes níveis e sistemas e exercendo função normativa, redistributiva e supletiva em relação às demais instâncias educacionais. (Procedência: Art. 211,§ 1º da CF). § 2 º Os sistemas de ensino terão liberdade de organização nos termos desta Lei. (Procedência: Art. 11 da Lei Nº 4024/61). Art. 9º, a União incumbir-se-á de: I- elaborar o Plano Nacional de Educação, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; (Procedência: Art. 7º,§ 1º da Lei Nº 9131/96); II- organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais do sistema federal de ensino e o dos Territórios; III- prestar assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios para o desenvolvimento de seus sistemas de ensino e o atendimento prioritário à escolaridade obrigatória, exercendo sua função redistributiva e supletiva; (Procedência: Art. 211,§ 1º da CF); IV- estabelecer, em colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, competências e diretrizes para a educação infantil, o ensino fundamental e o ensino médio, que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos, de modo a assegurar formação básica comum; (Procedência: Parcialmente novo. Art. 211 da CF); V- coletar, analisar e disseminar informações sobre a educação; (Procedência: Art. 8º, i, j, k, l, m, n, o, p da Lei Nº 4.024/61); VI- assegurar processo nacional de avaliação do rendimento escolar no ensino fundamental, médio e superior, em colaboração com os sistemas de ensino, objetivando a definição de prioridades e a melhoria da qualidade do ensino; (Procedência: Art. 9º, b da Lei Nº 4.024, com a redação dada pela Lei Nº 9131/95); VII- baixar normas gerais sobre cursos de graduação e pós-graduação; (Procedência: Art. 14 do Decreto lei Nº 464/69); VIII- assegurar processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, com a cooperação dos sistemas que tiverem responsabilidade sobre este nível de ensino; IX- autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. § 1º Na estrutura educacional, haverá um Conselho Nacional de Educação, com funções normativas e de supervisão e atividade permanente, criado por lei. (Procedência: Art. 9º da Lei Nº 4.024/61); § 2 º Para o cumprimento do disposto nos incisos V a IX, a União terá acesso a todos os dados e informações necessários de todos os estabelecimentos e órgãos educacionais. (Procedência: NOVO); § 3º As atribuições constantes do inciso IX poderão ser delegadas aos Estados e Distrito Federal, desde que mantenham instituições de educação superior. (Procedência: Art.15 da Lei Nº 4.024/61). (BRASIL, 1996). Fica evidente neste artigo que a LDBEN 9.394/96 propõe uma hierarquia entre os órgãos de ensino que compõem o sistema, mas estes devem trabalhar de forma flexível e cooperativa. Apesar de a teoria assumir pretensões positivas, na prática é notável que haja a necessidade de maiores avanços entre os sistemas e os recursos humanos. Sobre este tipo de organização do sistema, que ocorre em regime de colaboração, Demo (1997, p.16) argumenta que a União, os Estados, o Distrito Federal e os municípios recebem uma liberdade de organização, o que pode provocar certa irresponsabilidade no sentido de se empurrar as obrigações de um sistema para o outro. Desta forma, conforme 31 explana o autor, é “preferível a um sistema rígido com base hierárquica determinante; a possibilidade de má interpretação é o preço da liberdade”. Libâneo, Oliveira e Toschi (2009) argumentam que a política do Brasil é marcada no decorrer da história pela competição e não colaboração e pela falta de articulação entre os diversos sistemas de ensino nas esferas administrativas, o que infelizmente não agrega benefícios à sociedade. No entanto, Saviani (2008) não nega que há, entre alguns educadores e legisladores, uma atitude de evitar o esclarecimento preciso do conceito de Sistema Ensino, e por enquanto, o termo continua sendo mencionado com o seu sentido oculto, de forma implícita e não de maneira clara e rigorosa, presumindo-se que já é compreendido. Diante de tantas controvérsias e dúvidas em relação à real existência e funcionabilidade de um Sistema de Ensino no Brasil, Saviani (2010, p.04) descreve que: Um verdadeiro sistema é um conjunto unificado que articula todos os aspectos da educação no país inteiro, com normas comuns válidas para todo o território nacional e com procedimentos também comuns, visando a assegurar educação com mesmo padrão de qualidade a toda a população do país. Desta maneira, Saviani (2008) afirma que o Brasil ainda não dispõe de um Sistema Nacional de Educação; e Libâneo, Oliveira e Toschi (2009, p. 241) ressalvam que esta organização atual do Sistema de Ensino Nacional foi consequência “de um jogo político entre forças desiguais no Congresso Nacional, após a promulgação da LDB, de organizar os diferentes sistemas, especialmente os municipais, devem-se também ao caráter impositivo de muitos sistemas estaduais sobre os municípios”. Saviani (2008), então, apresenta quatro hipóteses que tentam explicar as dificuldades de se efetivar um Sistema de ensino no Brasil: É difícil organizar uma práxis intencional coletiva, pelas diferentes classes sociais existentes em um país subdesenvolvido, já que não existe um meio termo e os extremos acabam prevalecendo; consequentemente, existem pessoas muito ricas, mas também outras muito pobres. Existem diferentes grupos em conflito, como os adeptos à escola pública e à escola privada, o que dificulta a definição dos objetivos. 32 A importação da cultura de outros países, sem levar em conta a realidade brasileira. Até o início da década de 80 houve uma insuficiência teórica dos educadores, mas hoje já existe uma grande produção intelectual, com os cursos de mestrado, doutorado, revistas científicas e participações no próprio âmbito político. Em contrapartida, Dias (2004) demonstra que existem alguns fatores que colaboram para a existência de um sistema nacional de ensino: Todas as escolas seguem (ou pelo menos deveriam seguir) uma legislação comum. O ensino é dado na língua nacional. Pelo fato óbvio de as escolas estarem localizadas dentro dos limites do território nacional. O sistema de ensino deve estar a serviço da cultura brasileira, assim como a escola e a cultura devam se influenciar reciprocamente. A lei determina, ao menos formalmente, a articulação que deve existir entre os graus e as modalidades de ensino. Apesar de Dias (2004) apontar as facilidades de se ter um Sistema Nacional de Ensino, a realidade brasileira – o contexto social e econômico, a remuneração dos professores, as condições estruturais das escolas, entre outros fatores – não potencializa tais facilidades, ou seja, as hipóteses socioeconômicas de Saviani (2008) se sobrepõem às hipóteses de cunho cultural e nacional de Dias (2004). Há ainda outras formas de organização do Sistema de Ensino sob distintos aspectos. Do ponto de vista administrativo: federal, estadual, municipal ou particular (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2009); do ponto de vista do padrão: oficial, oficializado ou livre; em 33 relação ao grau de ensino: primário, médio e superior. Derivam destes, as expressões: “sistema de ensino superior”, “sistema oficial”, “sistema público”, “sistema geral de educação”. Estas, entre outras nomenclaturas, se resumem a um único termo denominado Sistema Educacional (SAVIANI, 1999). Mesmo com as discussões do Conselho Nacional de Educação em firmar posições referentes ao sistema de ensino, da sua organização, competências e responsabilidades ante as mudanças decorrentes da globalização e da situação emergente no Brasil na esfera internacional, com as crescentes demandas educacionais, este assunto não pode ser dado como finalizado, como garante Sarmento (2005). Fica evidente, no artigo 8º, que a LDB 9.394/96 propõe uma hierarquia entre os órgãos de ensino que compõe o sistema, mas estes devem trabalhar de forma flexível e cooperativa. Apesar de a teoria assumir pretensões positivas, na prática é notável que haja necessidade de maiores avanços entre os sistemas e os recursos humanos. 3.1.1 Descentralização e Municipalização: concepções e processos Segundo Oliveira (1999), os procedimentos mais comuns de descentralização são realizados por intermédio de três modalidades: Regionalização; Municipalização; Nuclearização. Como este trabalho se respalda apenas na política de descentralização via municipalização, as seguintes definições e reflexões serão baseadas nela e não nas demais. Como poderá ser observado na figura 4, a política educacional de municipalização é um meio possível para que se chegue à descentralização dos poderes. No Brasil, segundo Oliveira (1999), o processo da municipalização pode acontecer das seguintes formas: O Município se responsabilizando por todo o ensino, em todos os níveis ou parte deles. O Município se encarrega por determinados programas, como a merenda, transporte, funcionários, os quais são feitos junto à Rede Estadual. 34 O Município se incumbe por parte das matrículas e usufrui do mesmo terreno ou espaço do Estado. Destaco que os professores participantes desta pesquisa estão inseridos no primeiro contexto. Antes de continuar com as definições e de percorrer a história da política da descentralização e da municipalização da educação no Brasil, será apresentada brevemente uma ilustração com a definição destes dois termos. Seguem os significados baseados em Oliveira (2009) e Oliveira (1999): Municipalização Descentralização Transferência de encargos ou poder; as decisões para obter os recursos seriam restritas às Instâncias não centrais. Transferência de encargos de uma esfera para outra, mas não significa necessariamente democracia. (MEIO) Figura 4 – Conceitos: Descentralização e Municipalização Outra definição que segue os mesmos princípios do quadro é a de Viriato (2004), que esclarece que descentralizar, baseando-se em Casassus (1995), é extrair o poder do centro, passando-o para o poder da localidade, garantido, igualmente a eficácia do poder local. Penso no seguinte exemplo, para melhor esclarecer esta definição: a criação das Associações de Pais e Mestres nas escolas diminui algumas das responsabilidades da direção, que acabam sendo compartilhadas com a comunidade. Outro conceito fundamentado em Viriato (2004, p.47), a respeito da Descentralização: “significa redistribuir o poder central, envolvendo necessariamente alterações nos núcleos de poder, que levam a uma maior distribuição do poder decisório até 35 então centralizado em poucas mãos”. Segundo o autor, novamente referendando Casassus (1995), isso exigiria da sociedade e do Estado responsabilidade política e técnica com os princípios que englobam o processo de transformação da sociedade, demandando que a descentralização acontecesse nas esferas política, econômica e administrativa e na qualidade do ensino. Mas, na realidade, como será explicitado no próximo tópico e ainda de acordo com este autor, o que veio se constituindo não foram as políticas de descentralização, mas as de desconcentração, que significa “delegar determinadas funções à comunidade local, mantendo centralizadas as decisões sobre os aspectos financeiros, administrativos e pedagógicos” (VIRIATO, 2004, p.47). 3.1.2 O Percurso da Política de Descentralização e Municipalização na Educação Brasileira Em conformidade com Ávila (1999), tais políticas no cenário da educação brasileira se iniciaram em abril de 1957, quando aconteceu formalmente a primeira proposta de municipalização do ensino no Brasil, e quem a apresentou foi Anísio Teixeira 14, no Congresso Nacional de Municipalidades, por meio de uma tese intitulada “Municipalização da Escola Primária”. A tese sugeria que os municípios deveriam compartilhar na execução administrativa do que fosse definido pela União e organizado pelos Estados. Ou seja, se extinguiria a participação efetiva e as responsabilidades em conjunto do município com os outros órgãos do sistema, que apenas se responsabilizariam pelo ensino, assumindo, na realidade, uma posição passível (ÁVILA, 1999). Libâneo, Oliveira e Toschi (2009) relatam que, como era de se esperar, a municipalização proposta por Anísio Teixeira na década de 30 para o estabelecimento do ensino primário não teve a intenção de uma reforma administrativa, mas de uma reforma política para o prestígio da maioria dos municípios e para colocar em pauta o exercício da democracia e a descentralização dos poderes políticos no Brasil. Apenas no ano de 1971, com a Lei Nº 5692/71, a municipalização passou a ser intensamente debatida, principalmente pelos que se interessavam pelo ensino de 1° grau no país, sendo eleito pela Região Sul como tema prioritário nos encontros, além dos ciclos de 14 Foi jurista, educador, escritor brasileiro, intelectual e difundiu os pressupostos do movimento da Escola Nova. 36 estudos, seminários e eventos importantes em nível municipal, estadual e federal, como nos Planos de Educação, Cultura em Desporto da esfera federal e planos Estaduais de Educação (ÁVILA, 1999). Porém, segundo Libâneo, Oliveira e Toschi (2009, p. 141), a municipalização: Foi editada durante a ditadura militar, repassou arbitrariamente a tarefa de ministrar o ensino fundamental aos governos municipais, sem oferecer ao menos condições financeiras e técnicas para tal e em uma situação constitucional que nem sequer reconheceria a existência administrativa dos municípios. Além da parte financeira, Mello (2005) enfatiza que a descentralização durante os anos 70, decidida do “centro” (nível federal), gerou um paradoxo entre as redes (estadual e municipal) sem prever a integração regional, que poderia ser solucionada por meio dos recursos e planejamentos, estabelecendo metas procedidas do nível Federal, para contrabalançar as diferenças entre o governo Federal, os Estados e municípios. Pode-se perceber uma forte influência do clientelismo político: os municípios e os Estados ficaram extremamente dependentes das decisões da União, não só pelas medidas administrativas como também pela concentração de recursos no âmbito federal. Segundo Rosar (1995), a partir de 1974 aconteceu o maior projeto de municipalização, desenvolvido pelo Ministério da Educação e Cultura denominado de Promunicípio 15, com o objetivo de melhorar o Ensino de 1° grau mediante ações articuladas entre as administrações estadual e municipal. Enquanto o MEC instituía convênios com os Estados, deliberando diretrizes gerais, assistência técnica e cooperação financeira, o mesmo caberia ao Estado com os municípios, além da reestruturação e/ou aceleração nos serviços da educação. O intuito do projeto era de resolver os seguintes problemas do ensino em nível municipal: Grande número de escolas multisseriadas e unidocentes. Falta de Recursos Humanos. Currículos e Programas inadequados. Carência de rede física. Acentuada distorção de professores não titulados. Altas taxas de repetência escolar e evasão. Predominância de professores não titulados. 15 Projeto de Coordenação e Assistência Técnica ao Ensino Municipal. 37 Segundo Rosar (1995), durante a década de 70, esta política a favor do desenvolvimento do Ensino Básico foi elaborada na esfera federal e incidiu especialmente nos estados do nordeste. A meta era transferir as responsabilidades aos municípios, mas a União não fez um investimento financeiro suficiente; pelo contrário, a União realizou uma política centralizadora de recursos em nível federal enquanto adotava a descentralização em nível do sistema educacional (ROSAR, 1995). Outros projetos se destacaram na mesma época, como o Edurural, Polonordeste, Pronasec e o Projeto Nordeste, financiados pelo Banco Mundial e que trouxeram concepções e diretrizes educacionais determinadas anteriormente por esta instituição. Explicita Arretche (1996) que o rumo da história pende para a descentralização, como aconteceu na década de 80 em muitos países. Entretanto, um exemplo citado pela autora – com estratégias diversificadas – é a privatização16 que, segundo Rosar (1995), está relacionado à globalização. Nesse período, as políticas de descentralização e o processo de municipalização persistiram sem a devida distribuição justa e planejada dos recursos. Como aponta Mello (2005), foi então que se estabeleceram alguns meios diretos de financiamento do governo federal às prefeituras, que por vezes era passado por fora das secretarias estaduais da educação, esquecendo-se a função dos governos estaduais de formuladores e coordenadores de políticas. O que, consequentemente, prejudicou as Secretarias Estaduais e criou barreiras contra um processo de municipalização organizado. A falta de continuidade e atualização financeira dos convênios provocou uma ampla desigualdade que, infelizmente, até hoje afeta os alunos das redes municipais de ensino. Segundo Mello (2005, p.55), o custo chega a ser um quarto do custo do aluno estadual e, desta forma, há tendência dos municípios mais pobres de arcarem sozinhos com o ônus da municipalização, conforme justifica o autor: Por outro lado, a resistência dos Prefeitos em assumir suas responsabilidades para com o ensino dos cidadãos que os elegeram, aliada ao interesse dos governos estaduais de manter centralizado o sistema de ensino e ao corporativismo dos professores que sempre resistiu a qualquer proposta de descentralização dos encargos educacionais para os Municípios, resultou na atual situação de injustiça: a municipalização ocorreu exatamente onde mais se necessitava de recursos financeiros e assistência técnica, sem garantir a presença destes últimos. 16 Por privatização entende-se a transferência da prestação de serviços sociais para organizações privadas. 38 Também sem estabelecer as diretrizes e a fiscalização para que as prefeituras reservassem os 25% da receita dos impostos para a conservação e melhoria do ensino como determinado pela Constituição de 1988, as despesas que eram marcadas para o desenvolvimento do ensino não eram relacionadas com custos e investimentos das escolas estaduais e municipais (MELLO, 2005). Pranstretter (1989), em comum acordo com a Comissão de Estudos Educacionais que elaborou a Proposta Montoro17, expõe que a descentralização teria como função servir de ferramenta conjunta à população para diminuir os problemas locais e garantir uma melhoria na escolarização. Desta forma, descentralizar não significaria nem significa omitir a administração como aconteceu e acontece no percorrer histórico das políticas públicas adotadas no Brasil, muito menos delegar deveres e responsabilidades sem prover os devidos meios – que estão representados abaixo – para uma política de municipalização de sucesso. materiais humanos financeiros Figura 5 – Fornecimento de recursos fundamentais para uma política ideal de municipalização. 3.1.3 A Política da Municipalização do Ensino no Estado de São Paulo Até este momento a discussão sobre a descentralização e municipalização da Educação no Brasil se discorreu até a década de 80, com apontamentos de uma política de insucesso. Esta política teve início no ano de 1995, especificamente em São Paulo, e continua sendo uma meta do Estado de São Paulo, tanto que, em 20 de agosto de 200718, a Secretaria da Educação divulgou no seu site as 10 metas do Novo Plano Estadual de Educação. Dentre elas estava a “Implantação do Ensino Fundamental de nove anos, em 17 Proposta baseada na democracia participativa, valorizando a participação da sociedade juntamente com a descentralização dos poderes. Foram as metas e realizações mais importantes durante os quatro anos do governo de Montoro. 18 www.educacao.sp.gov.br/(consultado em 4/1/2012) 39 colaboração com os municípios, com prioridade à municipalização das séries iniciais (1ª a 4ª séries)”. A Secretaria da Educação de São Paulo explanou que, devido à solicitação dos educadores e prefeitos, na época, foram realizadas várias palestras em diferentes regiões do Estado, com objetivo de obter melhores esclarecimentos sobre a proposta de municipalização. Pois, como já discutido, muitos projetos vinculados a esta política foram marcados pelo insucesso, consequente de falhas e falta de recursos. Além disso, os próprios docentes tinham receio da municipalização, apesar de reclamarem das escolas do Estado. Na mesma época foi realizado pela Secretaria um estudo do perfil socioeconômico e educacional para o reconhecimento das características dos municípios. Portanto, percebe-se que houve certo cuidado por parte do Estado de São Paulo para a implantação da municipalização da Educação, mas sem nenhuma participação dos pais que fazem parte da comunidade escolar, o que é fundamental para descentralizar o poder e possibilitar que a população tenha maiores participações nas escolhas, a favor da democracia no setor educacional e na sociedade, como preconiza a LDB. Ou ainda que o próprio município se encarregasse por um debate com a comunidade sobre a política educacional que seria implantada. 3.1.3.1 Objetivos da Política de Municipalização no Estado de São Paulo Um dos objetivos desta política de parceria educacional Estado-Município para o Ensino Fundamental, como descrito no site da Secretaria é atribuir parte das responsabilidades vinculadas à educação do Estado de São Paulo aos municípios. Outro objetivo é fazer vigorar o que já estava informado na LDB 9394/96, Título IV, nos artigos 10º e 11º, parágrafos VI e V, respectivamente. Estes artigos caracterizam a Organização da Educação Nacional, estabelecendo como responsabilidade primária a oferta do Ensino Médio e, como secundária, a oferta do Ensino Fundamental para o Estado, ao passo que os municípios têm como responsabilidade primária o Ensino Fundamental. Cumpre observar, em conformidade com Saviani (1999), que a LDB 9394/96, no artigo 11, sofreu uma alteração, por meio da inserção de um parágrafo único, ao proporcionar a opção aos municípios de fornecerem seus próprios sistemas de ensino e por estes apresentarem dificuldades técnicas e financeiras. 40 O parágrafo único, determinou que cada município poderá se unificar ao sistema estadual de ensino ou compor com o Estado um sistema único de educação básica. Ou ainda, conforme estabeleceu o artigo 11º, parágrafo V, o município poderá se responsabilizar aos outros graus de ensino como o Ensino Médio se tiver atendido inteiramente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. Seguem, na íntegra, os artigos: TÍTULO-IV Da Organização da Educação Nacional O artigo 10º estabelece que os Estados incumbir-se-ão de: I- organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino. (Procedência: Art. 11 da Lei Nº4.024/61); II- definir, com os Municípios, formas de colaboração na oferta do ensino fundamental, as quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros disponíveis em cada uma dessas esferas do Poder Público. (Procedência: Art.58 da lei Nº 5.692/71); III- elaborar e executar políticas e planos educacionais, em consonância com as diretrizes e planos nacionais de educação, integrando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. (Procedência: Art. 54,§ 2º e 3º da Lei Nº 5.692/71); IV- autorizar, reconhecer, credenciar, supervisionar e avaliar, respectivamente, os cursos das instituições de educação superior e os estabelecimentos do seu sistema de ensino. (Procedência: Art. 17 do Decreto-Lei nº 464/69); V- baixar normas complementares para o seu sistema de ensino. (Procedência: Art. 24 da CF); VI- assegurar o ensino fundamental e oferecer, com prioridade, o ensino médio; VII-Assumir o transporte escolar dos alunos da rede estadual. (Inciso acrescido pela Lei 10.709/03); Parágrafo único. Ao Distrito Federal aplicar-se-ão as competências referentes aos Estados e Municípios. (BRASIL, 1996) Os Municípios incumbir-se-ão, conforme o art. 11, de: I- organizar, manter e desenvolver os órgãos e instituições oficiais dos seus sistemas de ensino, integrando-os às políticas e planos educacionais da União e dos Estados; II- exercer ação redistributiva em relação às suas escolas. (Procedência: NOVO); III- baixar normas complementares para o seu sistema de ensino; IV- autorizar, credenciar e supervisionar os estabelecimentos do seu sistema de ensino. (Procedência: NOVO); V- oferecer a educação infantil em creches e pré-escolas, e, com prioridade, o ensino fundamental, permitida a atuação em outros níveis de ensino somente quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela Constituição Federal à manutenção e desenvolvimento do ensino. (Procedência: Art. 211,§ 2º da CF com INOVAÇÕES); VI- Assumir o transporte escolar dos alunos da rede municipal. (Inciso acrescido pela Lei 10.709/03); 41 Parágrafo único. Os Municípios poderão optar, ainda, por se integrar ao sistema estadual de ensino ou compor com ele um sistema único de educação básica. (Procedência: NOVO). (BRASIL, 1996). Outros objetivos desta política, conforme especificado pelo site da Secretaria da Educação, são, além do fortalecimento da autonomia do Poder Municipal, o controle das atividades escolares pelas comunidades locais, a descentralização da gestão educacional com base no princípio da responsabilização e dar cumprimento às disposições da Lei Federal nº 9424/96, que regulamenta o Fundo de Manutenção de Desenvolvimento do Ensino e de Valorização do Magistério – FUNDEF. O TERMO DE CONVÊNIO DECRETO N° 43.078 de 1998 19 dispõe, na CLÁUSULA SEGUNDA, outros objetivos convenientes a serem apresentados, como segue: Inciso IV. garantir assistência técnica, pedagógica, administrativa e gerencial aos Municípios, para que estes desenvolvam o Ensino Fundamental em conformidade com as diretrizes constitucionais. Inciso VI. criar mecanismos de compensação que superem as desigualdades financeiras, administrativas e técnicas dos Municípios na implementação dos programas educacionais. Assim por meio da legislação foi sendo elaborado certo arranjo para que os municípios atendessem a população quanto aos aspectos educacionais, alguns resultados desta política relacionados ao nosso objeto de estudo – Educação Física serão apresentados a seguir. 3.1.3.2 Recursos Financeiros –(FUNDEF e FUNDEB) e Recursos Humanos Um projeto de qualidade para a educação não se elabora sem a definição dos recursos suficientes para garantir as condições adequadas de material, a infraestrutura e a parte pedagógica para dar conta do processo educativo. Nesse sentido, a descentralização que propõe o compartilhamento das responsabilidades com a sociedade para o financiamento da educação como as parcerias, terceirização, entre outros, deve ser contrariada, pois o financiamento é um dever do Estado, do qual não se pode abrir mão (CABRAL NETO, 2011). Segundo o site da SEE/SP20, foi aprovada no Congresso Federal a Emenda 14, que criou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização 19 TERMO DE CONVÊNIO DECRETO Nº 43.078 de 1998 - objetiva assegurar a continuidade da implantação do Programa de Ação de Parceria Educacional Estado-Município para o atendimento do ensino fundamental. 42 do Magistério, Lei 9424/96 (FUNDEF), com a função de garantir os recursos necessários para cumprir as metas do Ensino Fundamental – assim como a LDB, que recomenda a descentralização, em 1996. Este Fundo é constituído pelos recursos dos 645 municípios e do Estado de São Paulo e serviu para atender toda a Educação Básica, da creche ao Ensino Médio. A Constituição Federal de 1988, no caput do artigo 212, já vinculava 25% das receitas dos Estados e Municípios à Educação. No ano de 1998, quando o FUNDEF entrou em vigor, definiu-se, com a Emenda Constitucional nº 14/96, que 60% desses recursos (ou seja, 15% da arrecadação dos impostos21 total de Estados e Municípios) ficariam privados ao Ensino Fundamental. Além disso, introduziram-se novos critérios para a distribuição e utilização destes 15%, promovendo a divisão de recursos entre o Governo Estadual e seus municípios, em conformidade com o número de alunos matriculados em cada rede de ensino cadastrados no Censo Escolar. De acordo com as informações do Portal MEC, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) veio substituir, no ano de 2006, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (FUNDEF). Esse está em vigor desde janeiro de 2007 e se estenderá até 2020, tendo como estratégia: Distribuir os recursos pelo país, levando em consideração o desenvolvimento social e econômico das regiões — a complementação do dinheiro aplicado pela União é direcionada às regiões nas quais o investimento por aluno seja inferior ao valor mínimo fixado para cada ano. Ou seja, o Fundeb tem como principal objetivo promover a redistribuição dos recursos vinculados à educação. Contudo, esta sistemática de convênios que está sobre o poder do governo federal ou estadual para o repasse dos recursos pode ser considerada uma prática autoritária, contrária a constituição. Conforme o site da SEE/SP22, quanto aos Recursos Humanos (docentes, técnico e administrativo), estes podem ser afastados junto ao município por cinco anos, com opção anual do interessado, sem prejuízo de vencimentos ou salários e das demais vantagens, de 20 Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Estes impostos são: ICMS, Fundo de Participação do Estado-FPE, Fundo de Participação dos MunicípiosPREFEITURA MUNICIPAL e do IPI- Exportação. 21 22 SEE/SP – Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, consultado em 4/1/2012. 43 acordo com a legislação vigente e mediante a expressão do Chefe do Poder Executivo do Município. 3.1.4 Implicações da Descentralização para uma sociedade democrática Primeiramente, cabe uma breve reflexão do sentido e significado de democracia, esta que os cidadãos vão se identificar como possibilidade de participação, por meio do voto, pertinente às sociedades capitalistas modernas. Ainda que seja fundamental a democracia representativa, esta necessita ser articulada com a democracia participativa (RIOS, 2001). A autora esclarece que, de acordo com Santos (2000) e Coutinho (2000), para tal articulação é necessário que os campos político, social e econômico sejam radicalmente redefinidos e expandidos. De maneira otimista, Vieira (1971) aponta que, por meio da descentralização dos poderes, existe a possibilidade do incremento necessário para o “alívio” na administração central, criando o fortalecimento das comunidades locais. De fato, como expôs Carneiro (1998), isso favoreceria o fortalecimento do poder local, reduzindo a separação entre o Estado e a sociedade e criando maiores probabilidades de igualdade entre os cidadãos. De acordo com Cabral Neto (2011), essa seria uma maneira eficiente e eficaz de controle dos gastos públicos. Do mesmo modo, Carneiro (1998, p.71) defende que “o poder local surge como uma maneira de transformar as aspirações da comunidade em direitos dos cidadãos”. Para Arretche (1996), este mecanismo seria uma forma democrática que fortaleceria e consolidaria a democracia, supondo a melhoria na prestação de serviços públicos e elevando o bem-estar da população. Como também afirma Cabral Neto (2011), segundo este mecanismo é possível que a comunidade vá em busca das suas próprias metas de melhoria. Contudo, o rumo da descentralização, como vem se consubstanciando no sistema escolar, tem pouco colaborado para a gestão democrática, no sentido de que não tem propiciado espaços para a construção de participação política nas escolas para a tomada de decisão (CABRAL NETO, 2011). Há, ainda, na política de municipalização, uma prática denominada de clientelismo, que favorece algumas pessoas – em detrimento de outras – que passam a assumir o poder, estabelecendo a distância do poder local nas decisões, o que não favorece a democracia (ANDRADE, 1988 apud JARRY; VIEIRA, 1993). É importante destacar, como um passo essencial para se adotar políticas democratizantes, a formação intelectual para a superação das relações sociais do capitalismo 44 (BOTLER, 2011). Em vez de fornecer uma palestra somente para os Educadores – como foi feito pelo Estado – o ideal é oportunizá-la para toda a comunidade escolar, com o intuito de informar a todos igualmente sobre o que se consistiria a municipalização das escolas. De acordo com Oliveira (2009), também é possível afirmar que a municipalização não significaria obrigatoriamente um processo de democratização; contraditoriamente ao que veio acontecendo, como já discutido em relação ao percurso desta política. A municipalização é mais uma política de modismo do que uma oportunidade de libertação e independência dos sistemas educacionais de cada cidade, o que compromete ainda mais a qualidade da educação para a população, pois muitos municípios arcam com as consequências deixadas, distantes das teorias que as embasaram. E o impacto desta política de municipalização na área da Educação Física escolar será melhor abordada nos capítulos a seguir. 45 4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 4.1 Tipo de pesquisa O presente trabalho caracteriza-se como uma pesquisa descritiva, caracterizando-se por de campo e do tipo documental (pois pauta-se em documentos como leis, decretos, pareceres e resoluções). Descritiva, uma vez que “[...] tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população ou fenômeno ou estabelecimento de relações entre as variáveis” (GIL, 2009, p.28). Este tipo de pesquisa foi escolhido, pois permitirá explicar os impactos da municipalização na legitimação da Educação Física escolar nas séries iniciais do ensino fundamental. E documental, porque foram utilizados os documentos oficiais como os decretos, os pareceres, as resoluções e as leis para melhor respondermos ao problema da pesquisa. Adotou-se a abordagem qualitativa, cuja característica é envolver a observação intensiva e prolongada de um ambiente natural; o registro preciso e detalhado do que acontece nesse ambiente, a interpretação e análise dos dados, utilizando-se descrições, narrações, citações, gráficos e tabelas (THOMAS; NELSON; SILVERMAN, 2007). 4.2 INSTRUMENTO DE PESQUISA Como instrumento de pesquisa foi utilizado o questionário, este pode ser definido segundo Gil (2009) como uma técnica de investigação formada por várias questões que são submetidas a pessoas com a finalidade de conseguir informações sobre seus conhecimentos, interesses, aspirações, entre outros. Para a aplicação do mesmo tivemos a aprovação do COEP (Comitê de Ética em Pesquisa) com o Parecer Consubstanciado número 086/2010, podendo ser apreciado nos anexos. Para esta pesquisa, este questionário foi composto por questões abertas e fechadas. A primeira parte é geral e foi respondida tanto pelo professor polivalente como pelo professor especialista, já a segunda parte foi direcionada para cada professor, a partir de sua formação. Há também um segundo questionário, que foi elaborado após o exame de qualificação, mediante a sugestão da banca. Estes foram enviados por e-mail aos diretores das escolas da amostra. 46 As vantagens deste instrumento para esta pesquisa são: garantia do anonimato nas respostas; os professores têm mais flexibilidade de tempo para respondê-lo não atrapalhando o horário de trabalho e as aulas; e não expõe os docentes à influência de opiniões. Quanto às suas limitações, este não proporciona a garantia de que os professores o devolvam preenchido por completo todas as questões, impede a ajuda do pesquisador para o pesquisado e impede o conhecimento das circunstâncias em que foi respondido. 4.3 População e amostra Esta pesquisa é constituída por duas populações e suas respectivas amostras. 4.3.1 População A população caracteriza-se pelo “conjunto de elementos com determinadas características em comum ou que partilham de uma característica” (MATTOS; ROSSETTO JR; BLECHER, 2008, p.60). Para esta pesquisa a população selecionada constitui-se em professores (especialistas em Educação Física e/ou professores polivalentes) responsáveis pela disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, das escolas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim. E a outra população contempla os diretores das referidas escolas. 4.3.1.1 Amostra da população Representa a amostra da população deste estudo um percentual dos professores e diretores acima mencionados, ambos escolhidos por uma amostra aleatória (sorteio). Assim, primeiramente foi realizada a amostragem das escolas, para depois ser realizada a amostragem dos professores, e por último dos diretores (todos por sorteio). Quando houve na mesma escola mais de um professor responsável pelas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, foi realizado outro sorteio para escolher quem participaria da pesquisa respondendo ao questionário. Além disso, utilizamos os critérios de inclusão e exclusão especificados adiante para a definição desta amostra. Após o sorteio, a amostra da população foi composta por 32 professores e 15 diretores. Destacamos que dois professores da cidade de Mogi Guaçu não desejaram 47 participar da pesquisa. E dos 22 diretores solicitados a responderem ao questionário, 7 não o retornaram. 4.3.2 Escolas A Diretoria de Ensino de ensino de Mogi Mirim, situada no interior do Estado de São Paulo, é formada por 13 cidades, a saber: Águas de Lindóia, Lindóia, Serra Negra, Amparo, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Holambra, Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Conchal, Estiva Gerbi, Itapira e Santo Antonio de Posse. Como observado na Tabela 1, esta região vem passando desde o fim da década de 90 e início do ano de 2000 por uma intensa municipalização das escolas estaduais, sendo que a única cidade que não passou ainda por este processo foi Serra Negra. Justifica-se a escolha desta Diretoria de Ensino, como também de suas escolas para esta pesquisa, pela a inserção da pesquisadora na mesma. Segue abaixo um quadro com as respectivas escolas municipalizadas: 48 QUADRO 2 - Escolas Municipalizadas da Diretoria de Mogi Mirim. Municípios e escolas da Diretoria Mogi Mirim Ano da municipalização AGUAS DE LINDOIA LUIZ BARBOSA 1999 PEDRO FACCHINI COMENDADOR 2006 PORF.IVAN G.DE FRANÇA 1999 AMPARO FLORIPES BUENO DA SILVA PROFA 1998 JACYRA RIBEIRO GUILARDI PROFA 1998 RAUL DE OLIVEIRA FAGUNDES 1998 CONCHAL ALONSO FERREIRA DE CAMARGO 2004 BAIRRO CONCHAL VELHO 2002 GIACOMO CORTE EMEF 2003 MARIA BENEDITA FERNANDES PROFA 2005 MARIA CECILIA LISSERRE ALMADA GOMES PROFA 2002 ESTIVA GERBI ADELIA CALEFFI GERBI 1998 AGENOR DE CARVALHO CAPITAO 2002 HOLAMBRA BAIRRO DO FUNDAO 1997 BAIRRO FAZENDA PALMEIRAS 1997 BAIRRO HOLAMBRA 1997 IBRANTINA CARDONA 1997 ITAPIRA BAIRRO DA PONTE NOVA 1998 CAETANO MUNHOZ PREFEITO 2003 GILMERY VASCONCELLOS PEREIRA ULBRICHT PROFA 1998 HEITOR SOARES 1998 IZAURA DA SILVA VIEIRA DONA 1998 JOAO SIMOES PROF 1998 49 JOAQUIM VIEIRA 1998 VIRGOLINO DE OLIVEIRA COMENDADOR 1998 WILMA DE TOLEDO BARROS MUNHOZ PROFA 1998 LINDOIA PEDRO DE TOLEDO 2002 MOGI-GUACU ALICE DE CAMPOS SILVA PROFA 2000 ANTONIO GIOVANI LANZI 2000 CLEIDE DA FONSECA FERREIRA PROFA 1999 CLEONICE APARECIDA CRUZ KILBURN THIELE PROFA 1997 EMILIA VEDOVELLO PEDROSO PROFA 1997 FAZENDA GRAMINHA 1999 FERNANDO RICARDO GOUVEA PAOLINI PROF 1999 GUILHERMINA LOPES RODRIGUES PROFA 1999 JOAO BUENO JUNIOR 2000 NELSON GIRARDI PROFESSOR 1997 SONIA APARECIDA MAXIMIANO BUENO PROFA 2005 THEREZINHA APPARECIDA VILLANI DE CAMARGO PROFA 2000 WALDOMIRO CALMAZINI PREFEITO 2000 MOGI-MIRIM ADIB CHAIB PREFEITO 2003 ANTONIO JOSE PERES MARQUES PROF 2000 ARISTIDES GURJAO PROF 2002 DONA SINHAZINHA 2004 HELENA DOS SANTOS ALVES PROFA 2002 HUMBERTO BRASI PROF 2004 JORGE BERTOLASO STELLA PROF 2002 ORLANDO BONI PROF 2002 SAO JUDAS TADEU 2000 SITIO DOS CAMPOS 2002 VILA DIAS II 2002 MONTE ALEGRE DO SUL ANTONIO BRUNO DAOLIO 1997 CLODOVEU BARBOSA PROF 1997 RAUL DE PAIVA CASTRO 1997 PEDREIRA ARNALDO ROSSI PROF 1999 BAIRRO DA AREIA BRANCA 1999 50 BAIRRO ENTRE MONTES 1999 HORTENCIA FORNARI NOVO PROFA 1997 HUMBERTO PIVA 2002 JARDIM ANDRADE 1997 JOSE JURANDYR PIVA PROF 1999 SANTO ANTONIO DE POSSE ISAURA DE CARVALHO COELHO PROFA LETICIA PAGANOTTE TOREZAN MARIO BIANCHI 2005 2005 2005 SERRA NEGRA NENHUMA ESCOLA FOI MUNICIPALIZADA As informações deste quadro foram obtidas no site da Secretaria de Educação do Estado de SP, porém obtivemos de alguns coordenadores da área de Educação Física destas escolas algumas informações divergentes acerca destas serem já mucipalizadas. 4.3.2.1 Amostra das escolas Como já explicado, a amostra das escolas foi definida por sorteio, utilizando-se os critérios da amostragem estratificada proporcional, das escolas municipalizadas de Ensino Fundamental que tenham as séries inicias, e que façam parte da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim. Segundo Gil (2009, p. 92), a amostra estratificada “caracteriza-se pela seleção de uma amostra de cada subgrupo da população considerada”. Neste estudo a amostra estratificada utilizada foi a proporcional, que “seleciona-se de cada grupo uma amostra aleatória, ou seja, proporcional à extensão de cada subgrupo determinado por alguma propriedade tida como relevante”. Assim, a partir desta lista de cidades com as suas respectivas escolas municipalizadas da Diretoria de Mogi Mirim, foi realizado um sorteio atingindo (50%) das escolas municipalizadas de cada cidade. 51 Destaco que Mogi Guaçu foi a única cidade por não ter as escolas que foram ou não municipalizadas atualizadas no quadro do site da Secretaria de Educação de SP, que não atingiram a amostra pré-definida, ou seja, que não atendeu aos (50%) das escolas municipalizadas como determinamos, sendo entregue o questionário para os professores de apenas três escolas. 4.4 Critérios de inclusão e exclusão Estes critérios serão aludidos tanto para as escolas, como para os responsáveis que atuam com a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental e para os diretores. Das escolas: Os critérios de inclusão foram os seguintes: Escolas que foram municipalizadas até o ano de 2010. Escolas que fazem parte da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim, e que contemple as séries iniciais do Ensino Fundamental. Os critérios de exclusão foram os seguintes: Escolas municipais ou estaduais. Para melhor entendimento, foram excluídas as escolas que são Estaduais, ou que sempre foram Municipais. Escolas não autorizadas para a pesquisa pela Diretoria de Ensino da cidade ou pela diretora. Dos professores que lecionam a Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental: Os critérios de inclusão foram os seguintes: Ser professor polivalente ou professor de Educação Física. Ser o responsável pelas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Os critérios de exclusão foram os seguintes: 52 A não autorização da diretora ou da Diretoria de Ensino para a entrega dos questionários aos responsáveis pelas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Caso o professor responsável pela aula de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental não aceitasse participar. Atuar como estagiário na disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Dos diretores: O critério de inclusão foi: Atuar como diretor do 1º ao 5ª ano na escola. O critério de exclusão foi: Caso o diretor não quisesse responder ao questionário. 4.5 Procedimentos da coleta de dados Para efetuar a coleta dos dados, foi primeiramente realizada pela internet uma busca dos telefones de cada Diretoria de Educação das cidades da Região de Mogi Mirim. E, logo em seguida, foram realizados os contatos para falar preferencialmente com a Diretora de Educação de cada cidade, com a finalidade, de fazer primeiramente uma breve apresentação da pesquisa, solicitar a permissão para a realização da mesma, assim como o telefone destas escolas para poder entrar em contato com os diretores23. Para o segundo contato, foi feito uma ligação telefônica aos diretores, tendo como objetivo agendar a data para a entrega dos questionários aos professores responsáveis pelas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental ou aos diretores que o repassaram. 23 Destaco que em algumas Diretorias de Ensino houve a solicitação de um documento oficial da instituição do curso de Pós-Graduação de mestrado das pesquisadoras, assim estes foram devidamente entregues e somente depois de autorizado foi efetivado o segundo contato, explicitado em seguir. 53 Com a data agendada, uma carta ao diretor, mais um envelope (contendo três documentos - 1º Informativo e instruções de preenchimento sobre o questionário, 2º Termo do consentimento livre e esclarecido, 3º Questionário) - foram levados pela pesquisadora nas escolas, e os mesmos foram entregues ao diretor (a) da escola, ao professor especialista ou polivalente responsáveis por essas aulas. Estes documentos foram respondidos no mesmo instante juntamente com a presença da pesquisadora, ou em alguns casos a pesquisadora teve que retornar na escola para recolhê-los ou, em último caso, foi enviado pelo correio para casa da mesma. Depois desta etapa, foram feitas novamente as ligações para duas escolas de cada cidade que foram selecionadas por sorteio, solicitando a participação dos diretores para que respondessem ao outro questionário. Dessa forma, os mesmos informaram o endereço eletrônico próprio ou da escola, e a pesquisadora enviou-lhes o questionário, estabelecendo uma data para reenvio dos mesmos respondidos. Juntamente com este, foi emitido uma Carta de Apresentação, Instruções de preenchimento, Termo de consentimento livre e esclarecido. 4.6 Riscos envolvidos Como risco mínimo houve a possibilidade do participante não se desempenhar para responder o questionário. Caso isso ocorresse, a pesquisadora entraria em contato com mesmo, mas se este estivesse constrangido em responder às questões, haveria a compreensão para não participação da pesquisa. 4.7 Análise dos dados Para interpretação das respostas dos questionários respondidos pelos professores e diretores que compõe a amostra desta pesquisa, utilizamos a técnica de análise de conteúdo estudada por Bardin (2011), assim como disponibilizamos alguns dados de forma gráfica para a desenvoltura de alguns debates (complementares às análises já realizadas). Segundo esta autora nos indica a análise de conteúdos (BARDIN, 2011, p.37) “é um conjunto de técnicas de análise das comunicações”, assim esta técnica procura se debruçar e conhecer o que está por trás das palavras, tendo a finalidade de investigar a influência dos conhecimentos num determinado contexto, podendo assinalar referências quantitativas e qualitativas. 54 Conforme Bardin (2011, p.134-137) sugere, para realizarmos a análise de conteúdo das respostas dos professores e diretores utilizando a seguinte codificação: 1º A unidade de registro – É a unidade de significação codificada e corresponde ao segmento de conteúdo considerado unidade de base, visando categorizar e a contagem frequencial. 2º A unidade de contexto – A unidade de contexto serve de unidade de compreensão para codificar a unidade de registro e corresponde ao segmento da mensagem, cujas dimensões (superiores às da unidade de registro) são ótimas para que se possa compreender a significação exata da unidade de registro. Esta pode, por exemplo, ser a frase para a palavra e o parágrafo para o tema. Posteriormente, realizamos a classificação dos elementos em categorias, que segundo Bardin (1977, p.105), "consiste em descobrir núcleos de sentido que compõem a comunicação e cuja presença, ou frequência de aparição podem significar alguma coisa para o objetivo analítico escolhido". Sintetizando, seguiremos os seguintes passos: 1°) LEVANTAMENTO DAS UNIDADES DE REGISTRO 24 2º) LEVANTAMENTO DAS UNIDADES DE CONTEXTO 25 3°) ELABORAÇÃO DAS CATEGORIAS 4º) DESCRIÇÃO DIRETORES E E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS (PROFESSORES, CRUZAMENTO DAS DISCUSSÃO ENTRE OS DOIS - PROFESSORES E DIRETORES). 24 Saliento que as respostas dos professores e diretores que não estavam de acordo com a questão levantada não foram inseridas nas Unidades de Registro. As Unidades de Registro foram organizadas e separadas por números de acordo com a mudança de cada assunto. 25 Alguns autores indicam a origem das Unidades de Contexto indicando as Unidades de Registro, evidenciando assim as frequências de respostas dos professores, porém neste trabalho optamos por evidenciar quais os professores. 55 5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Neste capítulo, serão apontados os dados que foram coletados, por meio dos questionários aplicados aos professores pertencentes à amostra desta pesquisa. Estes dados serão apresentados nos quadros e tabelas, e em seguida discutidos. Para as questões abertas ou discursivas utilizamos como exposto anteriormente a análise de conteúdos de Bardin, diferentemente das questões fechadas, ou objetivas. Para melhor compreensão dividimos em cinco momentos este capítulo: - PRIMEIRO MOMENTO: PERFIL DE FORMAÇÃO DOS PROFESSORES que atuam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Mogi Mirim Contemplou as questões 1 e 2 do questionário entregue aos docentes, sendo as seguintes: 1-) Qual a sua formação em nível superior e/ou magistério, caso tenha mais de uma especifique e o ano de conclusão? 2-) Considera que sua formação contribuiu para ministrar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental? Por quê? Neste primeiro momento serão apresentados o perfil de formação dos 32 professores participantes desta pesquisa e como a formação contribuiu ou não para os mesmos lecionarem nas séries iniciais do Ensino Fundamental; - SEGUNDO MOMENTO: PERFIL DE ATUAÇÃO DOS PROFESSORES (Escolha, série e período - antes, durante e/ ou depois da municipalização - dos professores que lecionam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Mogi Mirim). Contemplou as questões 3, 4 e 5 do questionário, sendo as seguintes 3-) Como foi escolhido (a) para lecionar a disciplina de Educação Física na escola ou série em que atua? 4-) Quais séries que atua com a disciplina de Educação Física? 5-) Você atua nesta disciplina antes e/ou depois da escola ter sido municipalizada? Portanto neste momento serão apresentadas as informações quanto o perfil de atuação dos mesmos, ou seja, como foram escolhidos para lecionarem nestas escolas e séries, em que séries atuam e o período de atuação relacionado ao período da municipalização (se iniciaram no período em que a escola foi municipalizada, antes ou depois); 56 - TERCEIRO MOMENTO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS ABORDADOS PELOS PROFESSORES que lecionam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Mogi Mirim. Foram consideradas as questões 6 e 10 do questionário, sendo: 6-) Quais devem ser no sue entender, os objetivos a serem contemplados na Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental? 10-) Você desenvolve regularmente as aulas de Educação Física? Porquê? Exponha suas facilidades e dificuldades. Serão discutidos os Aspectos Pedagógicos, como as facilidades e dificuldades que estes professores têm no seu cotidiano escolar e os objetivos trabalhados por eles nas séries iniciais do Ensino Fundamental para a Educação Física. Ressalta-se que as questões abordadas até o terceiro momento têm o papel de contribuir com o entendimento do sujeito estudado, ou seja, o perfil do professor da amostra, suas dificuldades e facilidades, entre os outros pontos expostos que permitirão contextualizar o indivíduo que está imerso numa determinada realidade, permitindo também verificarmos a legitimação do espaço do professor de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental; - QUARTO MOMENTO: IMPACTOS DA POLÍTICA DE MUNICIPALIZAÇÃO PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA (nas escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim). Neste momento foram contempladas a quinta questão do questionário do professor 5) Você atua nesta disciplina antes e/ou depois da escola ter sido municipalizada? E quais permanências e continuidades foram percebidas por você neste processo de municipalização em relação à disciplina de Educação Física (atuação profissional, conteúdos, carga horária, etc); assim como a quinta questão do questionário do diretor que refere-se ao mesmo assunto: 5-) Como o processo de municipalização impactou na área da Educação Física nas séries iniciais do E.F?. Assim, neste momento será tratado com especificidade o objeto de estudo desta pesquisa, acerca dos Impactos da política de municipalização para a Educação Física escolar, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim (de acordo com a opinião dos professores e diretores); - QUINTO MOMENTO: QUEM DEVE LECIONAR AS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL? Neste quinto e último momento, será tratada a questão 7 do questionário do professor: Na sua opinião quem deve lecionar as aula de Educação Física do 1º ao 5º 57 ano? Por quê?; assim como a questão que aborda o mesmo assunto no questionário do diretor - 7-) Na sua opinião quem deve lecionar as aulas de Educação Física do 1ª ao 5º ano? Por quê?. Esta análise revelará a preferências de professores e diretores por polivalentes os professores de Educação Física, ou até mesmo um trabalho em conjunto dos mesmos para o desenvolvimento das aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. A seguir apresentaremos cada um destes momentos, com suas respectivas análises. 58 5.1 PRIMEIRO MOMENTO: PERFIL DE FORMAÇÃO PROFESSORES que atuam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Mogi Mirim. O primeiro momento contemplou as questões 1 e 2 do questionário entregue aos docentes, sendo as seguintes: 1-) Qual a sua formação em nível superior e/ou magistério, caso tenha mais de uma especifique e o ano de conclusão? 2-) Considera que sua formação contribuiu para ministrar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental? Por quê? Para melhor compreensão dos dados seguem as tabelas, os quadros, a porcentagem dos mesmos e posteriormente as discussões. 59 TABELA 1 – Nível de Formação dos professores. NÍVEL CURSO EDUCAÇÃO FÍSICA GRADUAÇÃO P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P10, P11, P12, P13, P14, P15, P16, P17, P18, P19, P20, P21, P22, P23, P24, P25, P26, P27, P28, P29,P30, P31,P32 16% EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR P9, P12, P14, P19, P21, P32 19% OUTRAS ÁREAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA P5, P13, P28, P22, P20. 16% NA ÁREA DA EDUCAÇÃO (PSICOPEDAGOGIA) P20, P31. 6% NÃO ESPECIFICARAM P3, P4, P25. CURSOS DE EXTENSÃO % 100% P6, P31, P19, P20, P26. PEDAGOGIA PÓS- GRADUAÇÃO (ESPECIALIZAÇÃO) PROFESSORES NÃO ESPECIFICARAM P13. 9% 3% De acordo com a tabela exposta, relacionada à formação dos professores que fazem parte da amostra, 100% são graduados em Educação Física e 16% além desta formação também concluíram o curso de Nível Superior em Pedagogia. 60 Em relação à pós-graduação em Nível Superior Lato Sensu, 50% dos professores desta amostra já concluíram algum tipo de formação neste nível, sendo que 19% dos professores são especialistas na área da Educação Física Escolar, 16% fizeram especialização em outras áreas da Educação Física não relacionadas à Educação Física escolar, como: Exercício resistido na doença na saúde e no envelhecimento, Aperfeiçoamento em Atividade Física para pessoas com deficiência, Especialização em Técnico Desportivo de Handebol, Atividade Motora Adaptada, Administração e Marketing Esportivo, Treinamento de força e Treinamento desportivo. Somente 6% dos professores se especializaram na área da Educação no curso de Psicopedagogia. Há ainda 9% dos professores que não especificaram o nome da especialização que concluíram. De acordo com estes dados é possível inferir a necessidade de disponibilizar a estes docentes novas possibilidades de formação em Nível de especialização Lato Sensu e também Stricto Sensu, para uma formação continuada na área escolar, por mais que todos já tenham a graduação em Educação Física. Como também, que os mesmos procurem novas possibilidades de realizar esta formação contínua. Cabe ressaltar que, ao contrário do que imaginávamos quando iniciamos este estudo, não foi encontrado na amostra das escolas nenhum professor polivalente ministrando as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Assim, consideramos um ponto positivo esta conquista do professor de Educação Física nestas séries, colaborando para a legitimação e especificidade da área. Em seguida representamos por uma tabela o ano de formação destes docentes. 61 TABELA 2- Ano de formação dos professores DÉCADAS PROFESSORES % 3% 70 P7 80 P5, P11 6% 90 P4, P13, P18, P20, P23, P24, P31 22% 56% 2000 NÃO ESPECIFICARAM P1, P2, P3, P8, P9, P10, P12, P14, P15, P16, P19, P21, P22, P25, P28, P26, P30, P32 P6, P27, P17, P29 12% Sobre o ano de formação dos professores desta amostra, 56% concluíram a formação na década de 2000, 22% na década de 90, 6% na década de 80 e 3% na década de 70, 12% dos professores não especificaram o ano que concluíram a formação. A próxima questão discutida é se a formação contribuiu ou não para o professor lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F, segue a tabela: 62 TABELA 3 – A contribuição do nível superior para lecionar as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. CONSIDERA QUE SUA FORMAÇÃO CONTRIBUIU PARA MINISTRAR A DISCIPLINA DE EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL? SIM P1, P2, P3, P4, P5, P7, P9, P11, P12, P13, P14, P15, P17, P18, P19, P20, P21, P23, P24, P25, P26, P27, P29, P30, P31, P32. % P10, P16, P22, P28, 94% NÃO P6, P8. % 6% Quanto à contribuição da formação para ministrar a disciplina de Educação Física nas séries inicias do Ensino Fundamental, 94% dos professores consideraram que SIM, e somente 6% responderam que a formação NÃO contribuiu para lecionar nestas séries. Na pesquisa de Dudeck e Moreira (2010, p. 60) relacionada à formação dos professores de Educação Física da Rede Municipal de Ensino de Cuiabá, o resultado obtido foi proporcionalmente semelhante ao nosso, pois “84% dos professores participantes da pesquisa consideram importante o processo de formação em sua atuação profissional e 14% consideraram que a formação acadêmica não contribuiu para o desenvolvimento do seu trabalho”. Em relação a esta questão, alguns educadores compreenderam a formação como algo mais amplo que a graduação, remetendo-se também às especializações feitas, como nos seguintes exemplos: (P4) Tanto na graduação como na especialização a grade curricular foi de grande aproveito. (P3) Quando procurei uma especialização em minha área pesquisei a pós-graduação em que melhor atendia minhas necessidades. (P7) Através dos anos vamos adquirindo conhecimentos através de cursos, livros, que nos trazem mais conhecimento. (P12) Pois através dela me especializei em atividade física e suas ramificações como: jogos, lutas, ginástica, atividades rítmicas, exercícios físicos, lazer recreação dentre outra práticas corporais, favorecendo o desenvolvimento da educação e saúde. 63 (P13) Tive uma boa formação acadêmica e em nossa cidade temos curso de formação continuada, além disso todos os professores da rede Municipal de 1º a 5 º ano são especialistas o que facilita o Planejamento e a execução desse planejamento de forma organizada. (P 24) Pois a faculdade deu uma base geral, nos conteúdos e o resto fica por sua conta para capacitação cursos e outros para buscar várias maneiras de inovar. (P32) A pós graduação me deu mais embasamento que a graduação normal pois nela tudo é mais amplo, mesmo assim os conhecimentos da graduação foram importantes pois nos ajuda a conhecer melhor o aluno em outros aspectos. A partir das respostas objetivas que foram dadas pelos professores se a formação contribuiu ou não, para ministrarem as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, considerando-se que o objeto deste estudo envolve uma faixa etária específica, obteve-se a necessidade de melhor compreender o porquê a formação contribuiu ou não para a atuação nestas séries, já que a formação está vinculada à atuação docente. Para isso, foi seguido os passos propostos pela análise de conteúdo de Bardin. A partir da leitura das respostas a respeito da formação dos professores, que participaram desta pesquisa, denominadas de acordo com Bardin (2011) de Unidades de Registro, foram identificadas as Unidades de Contexto e em seguida as Categorias. Neste primeiro momento, apresentaremos às que estão vinculadas as Contribuições ou não da Formação para o professor especialista ministrar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, quais serão apresentadas e discutidas a seguir: 64 QUADRO 3- Unidades de Registro relacionadas às contribuições ou não da formação para o professor especialista ministrar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Nº PROF. 1 U.R. UNIDADES DE REGISTRO 1. Meus professores sempre foram muito bons. 2. Sempre nos colocavam para dar aulas na faculdade. 2 3. Porque tive uma boa base na faculdade sobre como ministrar as aulas. 4 4. 5 5. Tanto na graduação como na especialização a grade curricular foi de grande aproveito. Algumas disciplinas eram específicas para Educação Física Escolar. 6 6. Porque nenhuma faculdade você tem a prática em sala de aula. 8 7. 9 8. Foram aulas teóricas com embasamento em autores que não são mais solicitados em concursos. Proposta para educar sobre habilidades motoras, éticas e criar pessoas e não atletas. 10 9. 11 10. 12 11. 13 12. 14 13. 15 14. É um curso amplo, conseguimos abranger diferentes áreas, e na educação física escolar como disciplina dada, ainda que bem básica trouxe noções de compreender os temas desenvolvidos e orientar à um caminho de percurso de aprendizagem; porém precisa-se de muitos estudos para aprimorar. Deu todos os parâmetros necessários para trabalhar com as séries iniciais. 16 15. Porque me forneceu os "pré-requisitos" necessários para atuar nesta área. 17 16. 18 17. Possibilitou adquirir conhecimentos que são pertinentes à minha atuação profissional enquanto educador. As disciplinas foram específicas para essa área de atuação. 19 18. Consigo aplicar com mais êxito as atividades desenvolvidas. 20 19. 21 20. Nos dá base para atuarmos com a disciplina e coerência ensinado atividades físicas e educacionais para os nossos discentes. Aprendi bastante atividades práticas e isso me ajudou muito. 23 21. Minha formação é específica para a disciplina. 24 22. Deu uma base geral nos conteúdos. 25 23. 26 24. Acredito que a faculdade ajuda a organizar alguns conceitos que temos previamente obtidos na própria vivência escolar, e acrescentar na maneira de colocá-los em prática otimizando-os e adequando ao ambiente escolar atual. Porque durante o período de faculdade tive instruções suficientes para trabalhar com qualquer faixa etária. 27 25. O conteúdo abordado no curso de licenciatura na faculdade contempla a pedagogia necessária para ministrar as aulas, porém, somente nos estágios obrigatórios é que podemos colocar em prática a teoria abordada. Pois dentro das disciplinas que fiz no meu curso considero que abrangeram bem esta faixa etária. Através dela me especializei em atividade física e suas ramificações como: jogos, lutas, ginástica, atividades rítmicas, exercícios físicos, lazer, recreação dentre outra práticas corporais, favorecendo o desenvolvimento da educação e saúde. Tive uma boa formação acadêmica. Por ser um curso específico para a disciplina. 65 28 26. Pois pelo embasamento das aulas, montar planos de aulas, montar aulas em estágios feitos na própria faculdade, auxiliou pois os alunos tinham a mesma idade. 29 27. Com certeza a formação acadêmica foi muito importante. 28. As disciplinas didática, metodologia, estudo do corpo humano e entre outras que completam a formação do profissional. Foi durante a formação que aprendi melhores formas de se trabalhar com crianças. 30 29. 31 30. Porque ajudou a desenvolver melhor meu trabalho com as crianças, ajudou também no desenvolvimento do conteúdo. 32 31. Os conhecimentos da graduação foram importantes, pois nos ajuda a conhecer melhor o aluno em outros aspectos. 66 QUADRO 4- Unidades de Contexto relacionadas às contribuições ou não da formação para o professor especialista ministrar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F. UNIDADES DE CONTEXTO 1- A FORMAÇÃO DISPONIBILIZOU PRÁTICA PARA O ENSINO 2- A FORMAÇÃO CONTEMPLOU A ESPECIFICIDADE DA DISCIPLINA 3- A FORMAÇÃO ABRANGEU A FAIXA ETÁRIA DAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 4- A FORMAÇÃO ABRANGEU OS CONTEÚDOS E O DESENVOLVIMENTO DOS MESMOS 5- A FORMAÇÃO OFERECEU UMA PROPOSTA PARA O DESENVOLVIMENTO DAS HABILIDADES MOTORAS E DA FORMAÇÃO HUMANA 6- A FORMAÇÃO OFERECEU UMA GRADE CURRICULAR A CONTENTO 7- A FORMAÇÃO CONTRIBUIU PARA ORGANIZAR CONCEITOS 8- A FORMAÇÃO OFERECEU BONS PROFESSORES 9- A FORMAÇÃO ATINGIU OS PRÉ REQUESITOS 10- A FORMAÇÃO COLABOROU PARA ADQUIRIR CONHECIMENTOS 11- A FORMAÇÃO ACADÊMICA FOI BOA / IMPORTANTE PARA LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F. 12- A FORMAÇÃO PROPORCIONOU A DIDÁTICA PARA O PROFESSOR LECIONAR 13- A FORMAÇÃO PROPORCIONOU UMA BASE PARA O PROFESSOR LECIONAR 14- NA FORMAÇÂO FALTOU A PRÁTICA EM SALA DE AULA PROFESSORES P1, P19, P20, P21, P25, P28 P5, P12, P14, P18, P23, P27 P11, P15, P26, P28, P30, P31, P32 P10, P24, P31 P9 P4, P29 P25 P1 P16 P 17, P32 P13, P29, P32 P2, P28 P2, P20, P24 P6 15- AS AULAS ERAM TEÓRICAS COM EMBASAMENTO EM AUTORES QUE NÃO SÃO P8 MAIS SOLICITADOS EM CONCURSOS Com o levantamento das Unidades de Registro identificamos 13 Unidades de Contexto condizentes ao dueto formação e atuação, como sendo algo positivo, ou seja, a formação em Educação Física contribuindo para a atuação docente nas séries iniciais do 67 Ensino Fundamental, conforme a amostra deste estudo. E somente duas categorias indicando que a formação em Educação Física não contribuiu para a prática docente. Dentre os resultados obtidos nas 13 Unidades de Contexto levantadas, percebe-se com maior frequência de professores a Unidade de Contexto número 3, para 7 dos professores participantes (P11, P15, P26, P28, P30, P31, P32), a graduação em Educação Física ABRANGEU A FAIXA ETÁRIA das séries iniciais do Ensino Fundamental, ponto importante, já que cada faixa etária exige um tratamento e conhecimentos específicos do educador para lecionar e lidar com tais conhecimentos, além de ter que lidar com as dificuldades individuais e coletivas. Porém, esta resposta não atingiu nem um quarto da amostra Porém como identificado nos estudos de Tani (1991), Caparroz e Bracht (2007), Kawashima, Souza e Ferreira (2009) entre outros, a Educação Física escolar tem muito ainda que avançar para delimitar as suas especificidades nestas séries. Podendo-se concluir, segundo as Unidades de Contexto expressas que a formação no curso de Educação Física em Nível Superior atendeu, em 22% das demandas desta amostra, para que o professor lecione do 1º ao 5º ano com as crianças de seis a doze anos de idade. Os dados também expressam a especificidade que o curso de Educação Física ocupa nos currículos, mas foram apenas 19% da amostra docente que fizeram referencia a esta questão. Com isso, podemos inferir que, primeiramente, é muito importante que a própria graduação em Educação Física se respalde quanto à legitimação do espaço da Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental para que depois os futuros professores a legitimem, em cada aula, para a sociedade. Seis docentes (P1, P19, P20, P21, P25, P28) na Unidade de Contexto 1, apontaram A PRÁTICA QUE A FORMAÇÃO DISPONIBILIZOU, sendo que aplicar atividades práticas e ministrar aulas foram fundamentais para atuarem nas séries iniciais. Conforme a resposta de (P1 e P28), podemos observar o quanto a disciplina de Estágio foi essencial na formação deles, como segue: (P1) Sempre nos colocavam para dar aulas na faculdade já nos estimulando. (P 28) Montar aulas em estágios feitos na própria faculdade, auxiliou pois os alunos tinham a mesma idade. 68 Porém, como identificado por Devide (2002, p.4) – e também nós acreditamos – que a Prática de Ensino ou o Estágio Supervisionado “disciplinas que proporcionam uma vivência prática na realidade do mercado de trabalho, têm se concentrando em atividades direcionadas ao segundo segmento do Ensino Fundamental (5ª à 8ª séries) e ao Ensino Médio (além das atividades não formais)”. Neira (2009) igualmente expõe a importância que as disciplinas de Estágio Curricular Supervisionado têm e devem ser oferecidas no currículo ao futuro docente de Educação Física, pois, conhecendo o contexto das escolas, o currículo, a comunidade, os funcionários, a administração e os problemas enfrentados, poderão levar os futuros professores no início da sua atuação – como identificado por Tardif e exposto por Neira (2009) – a evitarem “o choque com a realidade”. Os professores (P13, P29 e P32) como exposto na Unidade de Contexto 11, classificaram a graduação como BOA/IMPORTANTE A FORMAÇÃO ACADÊMICA. No entanto, não esclareceram o porquê. Os professores (P10, P24 e P31) da Unidade de Contexto 4 descreveram que o curso ABORDOU CONTEÚDOS E O DESENVOLVIMENTO DOS MESMOS, enquanto (P2, P20 e P24) na Unidade de Contexto 13 apontaram que a formação dá a BASE para lecionar. Dois professores (P2, P28) relatam que a graduação contribuiu para “montar planos de aula” e “como ministrar as aulas”, sendo agrupadas na Unidade de Contexto denominada de A FORMAÇÃO PROPORCIONOU A DIDÁTICA PARA O PROFESSOR LECIONAR . Seguem as respostas dos mesmos: (P2) Porque tive uma boa base na faculdade sobre como ministrar as aulas e pratico todo o conhecimento com os alunos. (P28) Pois pelo embasamento das aulas, montar planos de aulas, montar aulas. Campos (2011) evidencia que de maneira geral, a didática se institui como um componente da ciência pedagógica que aborda as questões do processo de ensino e aprendizagem. Pode ser analisada pelos aspectos teóricos e metodológicos, pela história e principalmente pelo planejamento do ensino. Libâneo (1994) destaca que a didática contribui para o professor desenvolver seu trabalho, já que esta aborda as competências fundamentais para isso, sendo uma disciplina formadora. Na nossa pesquisa 2 professores cogitaram quanto a não contribuição da formação para o professor especialista ministrar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F, devido a distância entre a teoria e a prática ou a práxis. Na pesquisa de Dudeck e 69 Moreira (2010) apud Betti e Betti (1996) é identificada a necessidade do equilíbrio entre a teoria e prática, que não tem sido observada nos cursos de Educação Física. Segue a respostas dos docentes mencionados: (P6) Porque nenhuma faculdade você tem a prática em sala de aula. (P8) Foram aulas teóricas com embasamento em autores que não são mais solicitados em concursos. Como pode ser observada, a resposta do professor (P6) diverge das respostas dos docentes já mencionados (P1, P21, P28), que corroboram que a formação disponibilizou a prática, contribuindo para que ministrassem as aulas nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Após as Unidades de Contexto explanadas, organizamos dois grandes grupos denominados de categorias, que correspondem segundo Bardin (1977) a um agrupamento temático das ideias (unidades de contexto) a partir das suas semelhanças. QUADRO 5 - Categoria relacionada à contribuição ou não da formação para os docentes CATEGORIAS Nº DAS UNIDADES DE CONTEXTO 1, 2, 3, 4, 5, 6,7,8,9, 1-A FORMAÇÃO CONTRIBUIU EM ALGUM (S) 10, 11, 12 ASPECTO (S)PARA O PROFESSOR LECIONAR NAS SÈRIES INICIAIS DO E.F A EDUCAÇÃO FÍSICA 13, 14 2-A FORMAÇÃO NÃO CONTRIBUIU EM ALGUM (S) ASPECTO (S) PARA O PROFESSOR LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F A EDUCAÇÃO FÍSICA 70 Com pode ser observada, a primeira categoria engloba as 12 Unidades de Contexto que estão relacionadas à formação em Educação Física como positiva, ou seja, contribuindo em algum (s) aspecto (s) para a atuação do professor de Educação Física nas séries iniciais do E.F., a segunda categoria, contempla apenas 2 Unidades de Contexto, que condiz com a formação não contribuindo em algum aspecto para o professor especialista lecionar nestas séries. Sendo que a categoria 1 denominada de: A formação contribuiu em algum (s) aspecto (s) para o professor lecionar nas séries iniciais do E.F a Educação Física, abordou as seguintes Unidades de Contexto: 1-) A formação disponibilizou prática para o ensino. 2-) A formação contemplou a especificidade da disciplina. 3-) A formação abrangeu a faixa etária das séries iniciais do E.F. 4-) A formação abrangeu os conteúdos e o desenvolvimento dos mesmos. 5-) A formação ofereceu uma proposta para o desenvolvimento das habilidades motoras e da formação humana. 6-) A formação ofereceu uma grade curricular a contento 7-) A formação contribuiu para organizar conceitos. 8-) A formação ofereceu bons professores. 9-) A formação atingiu os pré-requisitos. 10-) A formação colaborou para adquirir novos conhecimentos. 11-) A formação acadêmica foi boa/ importante para lecionar nas séries iniciais do E.F. 12-) A formação proporcionou a didática para o professor lecionar. 13-)A formação proporcionou uma base para o professor lecionar. Enquanto a categoria 2 denominada de: A formação não contribuiu em algum (s) aspecto (s) para o professor lecionar nas séries iniciais do E.F. contemplou as seguintes Unidades de Contexto: 14-) Na formação faltou a prática em sala de aula. 15-) As aulas eram teóricas com embasamento em autores que não são mais solicitados em concursos. Neste contexto segundo Pereira (2007, p.7) : Compreende-se que um curso superior não tem condições indissolúveis de garantir uma ótima formação profissional e consequentemente, uma ação docente eficaz, mas, ainda que minimamente, há que se considerar que a formação em Educação Física, especificamente, a Licenciatura, permite o conhecimento de alguns pressupostos dessa área do conhecimento favorecendo um trato mais próximo durante o seu desenvolvimento na escola. Findando o primeiro momento a respeito da formação, Nista-Piccolo (2010) enfatiza uma formação humanista como ponto de partida para a formação dos futuros professores de Educação Física que atuarão nas escolas. De tal modo, é indispensável que os currículos equilibrem as disciplinas calcadas não apenas no viés biologicista e técnico, mas também nas 71 disciplinas que dêem um suporte para a reflexão, imaginação e a convivência com o outro – o que requer um balanceamento entre as disciplinas anatomo-fisiológicas, esportivas e sóciohistórico-filosófica, a fim de se romper uma visão utilitarista da saúde e do adestramento físico. Na nossa pesquisa, como prevaleceu a participação dos professores formados na década de 2000, parece que os mesmos, de acordo com os objetivos apontados, já receberam um pouco deste tipo de formação. 72 5.2 SEGUNDO MOMENTO: PERFIL DE ATUAÇÃO (Escolha, série e período (antes, durante e/ ou depois da municipalização)) dos professores que lecionam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Mogi Mirim. Neste segundo momento, serão contempladas as questões 3, 4 e 5 do questionário, sendo as seguintes: 3-) Como foi escolhido (a) para lecionar a disciplina de Educação Física na escola ou série em que atua? 4-) Quais séries que atua com a disciplina de Educação Física? 5-) Você atua nesta disciplina antes e/ou depois da escola ter sido municipalizada? TABELA 4 - Escolha do professor para lecionar nas séries iniciais do Ensino Fundamental nas escolas municipalizadas da Diretora de Mogi Mirim. ESCOLHA DO PROFESSOR PARA LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F. CONCURSO PÚBLICO % P1, P2, P3, P4, P5, P6, P7, P8, P9, P10,P11,P12,P13,P15,P16, 97% P17, P18, P19, P20, P21, P22, P23, P24, P25,P26, P27, P28, P29, P30, P31, P32 SECRETÁRIO DA EDUCAÇÃO % 3% P14 Como explicito na tabela, somente um professor de Educação Física, o que corresponde a 3% da amostra foi escolhido pelo Secretário da Educação para atuar na escola, e os outros 97% são concursados. O que certamente expõe um ótimo indicativo para a área, ao profissional e a sociedade. Pois um concurso público a priori, tem a função de garantir profissionais com o melhor potencial para cumprir o exercício da profissão. Em contrapartida o professor possui a estabilidade, que não deve ou pelo menos não deveria servir de pretexto para se acomodar, mas sim reforçar os elos com a comunidade, aprimorar sua experiência e dar a continuidade na docência, pontos que também dependem dos planos de carreira que são oferecidos aos mesmos, e devem ser construídos com o intuito de favorecer a todos os envolvidos. 73 De acordo ainda com estes dados, é também possível presumir como o professor de Educação Física nesta região vem recebendo credibilidade, pelo tipo de cargo que foi disponibilizado a eles, via concurso público. Se tal confiabilidade não existisse haveria outras possibilidades de contratos, como o temporário. Além de que, a lei como discutida neste trabalho, não obriga que seja o professor formado em Educação Física para lecionar nas séries iniciais do Ensino Fundamental. TABELA 5 - Séries/anos da atuação dos professores nas escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim com a disciplina de Educação Física escolar. ENSINO % FUNDAMENTAL I ENSINO % FUNDAMENTAL I E II P1,P2,P4,P5,P8, P9, 91% P6, P7 P10, P11, P12, P13, P14, P15,P16, P17, P18, P19, P20,P21, P22, P23, P24, P25, P26, P27, P28, P29, P30, P31, P32 ENSINO % INFANTIL E FUNDAMENTAL I 6% P3 3% A respeito das séries ou ano em que os professores da amostra desta pesquisa atuam, apresentou-se que 91% lecionam do 1º ao 5º ano, 6% lecionam do 1º ao 9º ano e 3% do Ensino Infantil ao 5º ano. Destaco que um dos critérios de inclusão colocados para a participação nesta pesquisa é que os docentes fossem os responsáveis pelas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, mas nada impediria que os mesmos atuassem também num outro ciclo. 74 TABELA 6 – Período da atuação do professor relacionado à municipalização. PERÍODO DE ATUAÇÃO DO PROFESSOR RELACIONADO Á MUNICIPALIZAÇÃO NO ANO DA DEPOIS DA NÃO ATUAM ANTES E MUNICIPALIZA- MUNICIPALIZA- RESPONDERAM DEPOIS DA ÇÃO ÇÃO ADEQUADAMENMUNICIPALIZATE SE ATUAM ÇÃO P1, P2, P3, P4, P5, ANTES OU P6, P10, P11, P12, DEPOIS DA P14, P16, P17, P19, MUNICIPALIZAP7, P13, P15, P32 P18 P20, P21, P22, P23, ÇÃO P24, P25, P26, P27, P28, P29, P30 P8, P9, P31 (%) 12% 3% 75% 9% Quanto à questão do período da atuação dos professores, relacionado à municipalização, ou seja, se os mesmos lecionam antes, depois, ou antes e depois da escola ter sido municipalizada, foi constatado que 75% dos professores participantes desta pesquisa atuam com a disciplina de Educação Física depois de ter ocorrido o processo da municipalização do local onde lecionam. Este dado corrobora com o ano de formação dos docentes, já mencionado, ou seja, é possível delinear que durante a municipalização de algumas das escolas, muitos dos professores desta amostra, ainda estavam se formando, depois houve a abertura dos concursos para o professor graduado em Educação Física, pois muitas das escolas estaduais não proviam do professor desta disciplina nas séries iniciais do Ensino Fundamental, ou ainda, mesmo após a municipalização muitas cidades demoraram em implantar o docente especialista, já que não existe uma lei que obrigue a atuação dos mesmos, o que depende do bom senso de cada cidade e de cada Secretaria de Educação. Questão que pode ser confirmada a seguir, conforme com as respostas dos professores e diretores: (P8) “Houve 1º Concurso em 2010, antes eram aulas com estagiários”. No caso desta resposta, a primeira municipalização nesta cidade, conforme o quadro disponível no site da Secretaria de Educação do Estado de SP, e exposto na p. 62, ocorreu no ano de 1997, mas somente em 2010 aconteceu o primeiro concurso para se efetivar o professor graduado em Educação Física nas séries iniciais, evidenciando-se o período de treze anos sem ter um professor específico e graduado na área para ministrar as aulas de 75 Educação Física nas séries iniciais nesta cidade. A diretora pertencente desta mesma cidade confirma o fato, quando responde que antes da municipalização (D13) “O Estado não oferecia professor especialista na área para esse nível de ensino”. (D13) E Após a municipalização também não havia professor especialista para as aulas de Ed. Física, somente alguns estagiários atuaram durante algum tempo. O plano de carreira municipal também não previa o cargo de professor especialista para atuar nas séries iniciais. Após a reformulação do Plano Municipal de Educação passou a contar com o cargo e pode fazer concurso público para efetivação de professores. Essa contratação ocorreu no início de 2010 nas escolas municipais de educação básica- ensino fundamental séries iniciais. Outras respostas ratificam o mesmo fenômeno: (P1) Depois que foi municipalizada, o que percebi que encontrei algumas dificuldades, pois antes quem dava as aulas de Ed. Física era o prof. Polivalente , então os alunos nunca tiveram aula de Ed. Física apenas brincavam, sem conteúdo programado. Nesta cidade, os professores de Educação Física só foram efetivados em 2011, três semanas antes de responderem ao questionário desta pesquisa, ou seja, durante doze anos as aulas de Educação Física foram ministradas por professores não especialistas, ou até mesmo não ocorriam. Fato que se confirma com resposta de duas diretoras desta mesma cidade, seguem: (D1) Até o ano de 2010 as aulas de Educação Física eram lecionadas pelo professor da sala (polivalente). A partir de 2011, as aulas passaram a ser lecionadas por um professor especialista (formado em Ed. F.). (D2) Não após a municipalização, mas sim após a criação da nova escola, o especialista é recente na rede para o fundamental I, até então era o professor polivalente. Seguem outras respostas de outros professores: (P5) Segundo relato das professoras mais antigas da rede depois de ser municipalizada a escola ainda ficou uns 2 anos sem ter aulas de Educação Física. (P27) Comecei na escola após a Municipalização. Antes não havia professor específico. Sobre a porcentagem dos docentes que atuaram antes e depois da municipalização, foi verificado o número de 12% da amostra. Apenas um professor, o que corresponde a 3% da amostra, respondeu que começou a lecionar no ano da municipalização, e ainda 9% dos professores não deram uma resposta clara a respeito desta pergunta. 76 TABELA 7- Professores responsáveis pelas aulas de Educação Física nas séries iniciais (do 1º ao 5º ano ou 1ª série até 5ª séries) antes da municipalização da escola (respostas concedidas pelos diretores). POLIVALENTES % D1, D7, D9, D12, D13. ESPECIALISTAS % D3, D4, D5, D6, D8, 33% D10, D11, D14, D15. 60% OUTROS % D2. 6% Cinco diretores (D1, D7, D9, D12, D13), o que corresponde a 33% da amostra responderam que os responsáveis pelas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental antes da municipalização da escola em que gesta, eram polivalentes, nove diretores (D3, D4, D5, D6, D8, D10, D11, D14, D15) o que corresponde a 60% da amostra responderam que eram os especialistas e somente um diretor (D2) o que corresponde a 6% da amostra respondeu outros. 77 5.3 TERCEIRO MOMENTO: ASPECTOS PEDAGÓGICOS abordados pelos professores que lecionam nas séries iniciais do Ensino Fundamental, nas escolas municipalizadas da Diretoria de Mogi Mirim Neste terceiro momento, foram consideradas as questões 10 e 6 do questionário, seguem: 10-) Você desenvolve regularmente as aulas de Educação Física? Porquê? Exponha suas facilidades e dificuldades. 6-) Quais devem ser no sue entender, os objetivos a serem contemplados na Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental? TABELA 8 – Desenvolvimento das aulas de Educação Física pelos professores da amostra VOCÊ DESENVOLVE RUGULARMENTE AS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA? % SIM P1, P2, P3, P4, P5, P6, P8, P9, P10, P11, P12, 100 P13,P14, P15, P16, P17, % P18, P19, P20, P21, P22, P23, P24, P25, P26, P27, P28, P31, P32 0% NÃO --- Conforme a tabela acima 100% dos docentes proferiram que desenvolvem as aulas de Educação Física nas séries iniciais do E. F regularmente, alguns foram mais específicos no cerne da questão e responderam a quantidade de aulas que lecionam na semana. Estas respostas merecem ser apresentadas na integra, pois os professores que assim responderam, contribuíram para mais um dado interessante para a pesquisa, seguem: (P8) e (P9) São aulas de 1h por semana (professores da mesma cidades). (P1) Cada série tem uma aula por semana. (P3) Nas séries iniciais são apenas uma aula semanal o que pode prejudicar um melhor aproveitamento das aulas. 78 O docente (P3) além de especificar que as aulas de Educação Física só ocorrem uma vez por semana na escola em que atua, faz um comentário significativo quanto ao aproveitamento das mesmas. O que realmente é um dado preocupante, pois na escola, os alunos já passam a maior parte do tempo, sentados nas carteiras da sala de aula e os intervalos acabam contribuindo mais para o estímulo do movimento corporal do que a própria aula de Educação Física. Lembrando ainda, que há o tempo dissipado para organização dos mesmos na quadra, resultando em um aproveitamento nestes casos, de menos de 50 minutos por semana para esta disciplina, que é fundamental para tal faixa etária. Os professores seguintes responderam que as aulas são desenvolvidas duas vezes por semana, mesmo assim, de comum acordo com (P13) defendo que três aulas semanais, de 50 minutos no mínimo, seriam fundamentais para os alunos, como também para o desenvolvimento de um melhor trabalho dos professores. (P4) (cada sala 2 X por semana de 50 min). (P6) Ministro 2 aulas por semana. (P10) Semanalmente 1h50m (duas aulas de 55 minutos). (P11) 2 vezes por semana. (P12) As aulas de educação física são desenvolvidas 2 X por semana em cada classe. (P13) O aumento de 2 para 3 aulas semanais para o 1º e 2º ano favoreceriam um melhor desenvolvimento da disciplina. (P32) As aulas são 2 vezes por semana. A propósito ainda desta mesma questão, 9% dos professores não responderam. Em seguida serão apresentadas as dificuldades e facilidades dos docentes. 79 TABELA 9– Facilidades e Dificuldades EXPONHA SUAS FACILIDADES E DIFICULDADES: P4, P23, P24, P32 FACILIDADES % 12 % DIFICULDADES P1, P8, P11, P16, P21 16 % 53 % APONTARAM DIFICULDADES E FACILIDADES P2, P3, P5, P6, P9, P10, P12, P13, P14, P17, P18, P19 P20, P25, P26, P28, P31. NÃO APRESENTARAM AS DIFICULDADES P15, P22, P27 NEM FACILIDADES P7, P29, P30 9% 9% NÃO RESPONDERAM A QUESTÃO Conforme o quadro supracitado, 91% dos docentes proferiram que desenvolvem as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental regularmente, alguns foram mais específicos no cerne da questão e responderam a quantidade de aulas que lecionam na semana. Estas respostas merecem ser apresentadas na íntegra, pois os professores que 80 Sobre as facilidades e dificuldades que os professores da amostra têm no cotidiano escolar, em princípio conforme o questionário aplicado seria satisfatório que as respostas fossem tratadas sobre os dois aspectos, porém 12% responderam apenas sobre as suas facilidades, 16% responderam apenas sobre as suas dificuldades, 9% não apresentaram a nenhum dos dois aspectos, 9% não responderam a questão e 53% responderam a contento sobre as suas facilidades e dificuldades para o desenvolvimento de suas aulas nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Novamente, a partir da leitura das respostas que foram dadas pelos professores de acordo com Bardin (2011) foram identificadas as Unidades de Registro que serão apresentadas no quadro a seguir. Estas estão relacionadas às dificuldades e facilidades apresentadas pelos professores da amostra nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Relevando-se que as mesmas não podem ser consideradas como advindas da municipalização. Seguem: QUADRO 6 – Unidades de Registro relacionadas às facilidades e dificuldades apresentadas pelos professores PROFESSOR N° UNIDADES DE REGISTRO U.R. 1 1. Faz apenas um mês que eles tem um especialista. 2. Não tenho material ainda. 2 3. 3 4. Consigo desenvolver as aulas de uma forma variada, mas com algumas dificuldades, pois os materiais são poucos e precários. A escola oferece todos os materiais necessários e apoio pedagógico. 4 5. Na estruturação da rede Municipal, cada unidade escolar possui seus materiais. 6. Uma vez por mês são feitas reuniões com os professores de Ed. Física, para troca de experiências e aperfeiçoamento. 5 7. Facilidades- Direção acessível. 8. Dificuldades - Quadra pequena e "perigosa", postes de sustentação da cobertura dentro das linhas laterais. Alunos com diferentes deficiências (DV, DI, e cadeirantes) e pouca( quase nenhuma) acessibilidade e materiais adaptados para cada uma das deficiências. Minha maior dificuldade é incorporar a teoria na Educação Física, a visão ainda é que a disciplina só joga bola. 9. 6 10. 81 8 11. 12. Procuro não faltar para não perder o foco do desenvolvimento das aulas. A grande dificuldade são os materiais (falta) e também o espaço físico. Todos adoram esportes, mas a maioria vem com pouca educação básica de casa em modo geral. 9 13. 10 14. Facilidades: expor o conteúdo, promover a compreensão dos jogos, lidar com os alunos e suas dificuldades. 15. Dificuldades: lidar com a indisciplina (brigas, xingamentos) 11 16. Dificuldades - espaço físico adequado, material adequado, uma coordenação mais específica (apoio pedagógico), capacitação na área, falta de suporte p/ os profissionais atuarem. 12 17. O que vem me facilitando nas aulas são os materiais específicos e diversificados que possuo na escola. Porém o fato da quadra se descoberta limita um pouco o 18. trabalho. 13 14 19. Sou contratado pela Prefeitura Municipal para essa função temos tido apoio pedagógico para o bom desenvolvimento de nossa tarefa. 20. No caso de nosso município a inclusão de um coordenador de Educação Física também permitiria um desenvolvimento ainda maior. 21. Conseguir ser dinâmico, improvisar aulas de acordo com o tempo, despertar curiosidade dos alunos. A dificuldade é quanto ao material e o local, pois não temos uma quadra ou lugar adequado. O sol e a chuva prejudica muito. A maior dificuldade é dispor de tempo para redigir relatórios de alunos, preencher fichas, participar de formações continuadas e até mesmo para planejar semanalmente, pois não temos HTPI. As facilidades estão relacionadas com o número de alunos 22. 16 23. 17 24. por sala, a disponibilidade dos materiais, em criar situações práticas para relacioná-la com a discussão do conteúdo estudado. 25. 18 19 26. Com relação as dificuldades, estão diretamente relacionadas ao comportamento apresentados por parte dos alunos. Àqueles que apresentam uma estrutura familiar consciente com suas responsabilidades e seus deveres, sempre se sobressaem aos demais e a aula ocorre da maneira natural. Enquanto alunos que vivem dentro de uma família desestruturada e não participativa sempre promovem situações que impedem o transcorrer da aula. Facilidades- variedades de materiais. 27. Dificuldades - espaço física, falta de quadra. 28. Facilidades: A faixa etária para mim é mais fácil desenvolver 82 29. 20 30. 31. 21 32. 33. 23 34. 25 36. 26 37. e aplicar as atividades, pois o interesse dos alunos é bom. quando começamos trabalhar com os alunos nesta faixa etária, facilita o trabalho do professor de peb II (6º ano 9º ano). Dificuldade: A quadra descoberta, dificultando as atividades (motivo sol e chuva). Os alunos gostam muito de praticar esportes, atividades de lazer, recreação, diversas brincadeiras, músicas, rodas. Algumas dificuldades é a questão de comportamento, em cumprir algumas regras. Alguns professores polivalentes não "liberam" os alunos para aula de educação física utilizando este tempo como aula de recuperação. Outra dificuldade é os locais de aula, pois algumas escolas não possuem locais apropriados. Dispondo de espaço adequado e material suficiente, além do planejamento anual e bimestral. Na verdade aos poucos os alunos se adaptam com seu jeito e você com o deles. Talvez eu encontre alguma dificuldade em aplicar algo novo. Facilidades. A participação da maioria dos alunos e um ótimo espaço físico para realizar as aulas práticas. 26 38. Dificuldades- a falta de alguns materiais necessários. 39. Também posso dizer como facilidade tenho apoio da Direção e Coordenação. 27 27 32 40. 41. 42. Facilidades: em seguir a mesma sala e dar sequência ao trabalho. Dificuldades: falta de alguns materiais, falta de disciplina e alunos onde possuem necessidades de estar medicados e os pais não o faz. Nesta escola dou aula já faz 7 anos os alunos já criaram um vínculo afetivo comigo, o que facilita o trabalho A partir destas Unidades de Registro acima organizadas, identificamos as Unidades de Contexto. Os quadros a seguir estão relacionados a estas, sendo que dividimos da seguinte forma26: o primeiro condiz às facilidades e o segundo condiz às dificuldades enfrentadas pelos docentes no cotidiano escolar. 26 Esta é a única Unidade de Contexto que dividimos em dois quadros no trabalho. 83 QUADRO 7- Unidades de Contexto relacionadas às facilidades dos professores da amostra. UNIDADES DE CONTEXTO 1- OS ALUNOS DEMONSTRAM INTERESSE PROFESSORES P9, P19, P20, P26 PELAS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA 2-DISPONIBILIDADE DE MATERIAIS PARA AS AULAS DE ED. FÍSICA P3, P4, P12, P17, P18, P23, P24 3-ESPAÇO FÍSICO ADEQUADO P23, P24, P26 4- DISPONIBILIDADE DE RECURSOS P3, P5, P13, P26 HUMANOS 5- FACILIDADE COM A DIDÁTICA P2, P8, P10, P14, P17, P23, P24, P27 6- REUNIÕES P4 7- FACILIDADE EM LIDAR COM OS ALUNOS P10, P25, P32 (AFETIVIDADE) 8- FACILIDADE COM A FAIXA ETÁRIA DOS P19 ALUNOS 9- NÚMERO REDUZIDO DE ALUNOS P17 Foi possível identificarmos 9 Unidades de Contexto correspondentes às facilidades que os professores de Educação Física enfrentam no cotidiano escolar nas séries iniciais do Ensino Fundamental nas escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim. Ressalto que as mesmas não podem confirmadas como advindas do processo de municipalização. Entre as facilidades, 8 professores (P2, P8, P10, P14, P17, P23, P24, P27) – ou seja, 25% da amostra – reportaram-se aos aspectos da Didática. Sendo inerentes a esta Unidade de Contexto de número 5 - as Unidades de Registros que condizem com: lecionar de maneira diversificada, despertar curiosidade dos alunos, criarem situações práticas e relacionar com a discussão do conteúdo estudado. Podemos inferir que esta facilidade também se deve à formação dos professores, pois, como já discutimos, a formação está atrelada à atuação, e 94% dos docentes participantes deste estudo acreditam que a formação contribuiu para lecionarem nas séries iniciais do Ensino Fundamental. 84 Outra Unidade de Contexto significativa, que identificamos com a frequência de 7 professores (P3, P4, P12, P17, P18, P23, P24), pronuncia a respeito da quantidade e qualidade dos materiais disponibilizados nas escolas, e como sabemos com material precário ou número insuficiente, dificulta-se em muito um planejamento de aulas diversificadas e com a participação de todos os alunos. Com a frequência de 4 Unidades de Registro – pelos professores (P9, P19, P20 e P26) – identificamos a Unidades de Contexto que mostra o interesse dos alunos em participarem das aulas, o que facilita com certeza a prática docente. Com a mesma frequência anterior, os professores (P3, P5, P13 e P26) mencionaram a respeito do apoio pedagógico da coordenação e da direção para a Educação Física, que denominamos na Unidade de Contexto número 4 de Disponibilidade de Recursos Humanos. Com a frequência de três Unidades de Registro, apontadas pelos professores (P23, P24 e P26), identificamos a Unidade de Contexto número 3, relacionada ao espaço físico disponibilizado e adequado para ministrarem as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Em seguida organizamos três categorias que estão relacionadas às facilidades dos professores, mais uma vez ressalvo que não dá para concluirmos que as mesmas são advindas do processo de municipalização. Segue: 85 QUADRO 8- Categorias relacionadas às facilidades dos professores da amostra. CATEGORIAS 1-FACILIDADES QUANTO AOS UNIDADES DE CONTEXTO 1, 4, 7, 8, 9 ASPECTOS HUMANOS 1- FACILIDADES QUANTO 2, 3 AOS ASPECTOS DA INFRAESTRUTURA 3-FACILIDADES QUANTO AOS 5, 6 ASPECTOS PEDAGÓGICOS A categoria com mais frequência de Unidades de Contexto denominada de 1-) Facilidades quanto aos aspectos humanos engloba as seguintes Unidades de Contexto: 1-) Os alunos demonstram interesse pelas aulas de Educação Física. 4-) Disponibilidade de Recursos Humanos. 7-) Facilidade em lidar com os alunos. 8-) Facilidade com a faixa etária dos alunos. 9-) Número reduzido dos alunos. Esta condiz às facilidades que os professores possuem em relação aos aspectos de como lidar com os alunos e com esta faixa etária que varia entre 6 a 12 anos de idade, do próprio interesse que os alunos têm pela disciplina da Ed. Física, e a disponibilidade dos recursos humanos (direção, coordenação, entre outros). Dado relevante, pois parece que a Educação Física para esta faixa etária é muito “querida” pelos alunos, como também o próprio professor demonstra ter um perfil mais humano (diferenciado) e assim afetivo com as crianças. Em seguida serão apresentadas as dificuldades apresentadas pelos docentes, por meio das Unidades de Contexto: 86 QUADRO 9- Unidades de Contexto relacionada às dificuldades dos professores. UNIDADES DE PROFESSORES CONTEXTO 1- INDISCIPLINA P9, P10, P17, P20, P27 DOS ALUNOS 2- FALTA DE P1, P2, P8, P11, P14, P26, P27 MATERIAIS 3- FALTA E P5, P8, P11, P12, P14, P18, P19, P21 INADEQUAÇÃO DO ESPAÇO FÍSICO 4-DIFICULDADE COM A P6, P25 DIDÁTICA 5- CARÊNCIA DOS P1, P11 RECURSOS HUMANOS 6- DIFICULDADE P5 COM A INCLUSÃO DOS ALUNOS NAS AULAS 7- FALTA DE P11 CAPACITAÇÃO 8- AUSÊNCIA DE P16 REUNIÕES 9- FALTA DE APOIO P17, P27 FAMILIAR Como discorremos, verificamos 9 Unidades de Contexto relacionadas às facilidade docentes, e como pode ser observado no quadro acima 9 Unidades de Contexto relacionadas as dificuldades docentes enfrentadas no cotidiano escolar. Em relação a estas dificuldades, enfatizaremos primeiramente as Unidades de Contexto com maiores frequências de Unidades de Registro. Assim identificamos na Unidade de Contexto número 3 denominada de Falta e inadequação do espaço 87 físico 8 Unidades de Registro pelos professores (P5, P8, P11, P12, P14, P18, P19 e P21) que estão insatisfeitos com o seu local de trabalho, onde relatam que a quadra não tem a mínima segurança para as aulas com as crianças. E, com 7 Unidades de Registro, os professores (P1, P2, P8, P11, P14, P26 e P27) estão insatisfeitos com os materiais disponibilizados para ministrarem suas aulas, como anteriormente já discutimos estes são fundamentais para aulas diversificadas e inclusivas. Podemos inferir, dessa forma, que 9 % dos professores estão satisfeitos com os materiais e 9% dos professores estão satisfeitos com o espaço físico disponível para ministrarem as aulas. Por outro lado 22% estão descontentes com os materiais e 25% estão descontentes com o espaço físico. Ou seja, as dificuldades estão superando as facilidades relacionadas a estes dois itens. Devemos ressaltar que tanto os materiais como os espaços físicos dependem da administração municipal e da direção de cada escola para comprarem e ou fazerem a manutenção. Sendo assim, podemos apontar que a municipalização não está suprindo estas necessidades que foram identificadas pelos docentes. Outro dado interessante foi em relação à indisciplina. Segundo os relatos dos professores, mesmo com 94% dos docentes com formação que contribuiu para lecionar nas séries iniciais, 16% da amostra – especificamente os professores (P9, P10, P17, P20 e P27) – responderam que têm dificuldades em lidar com a indisciplina. Ou seja, a graduação ainda não conseguiu suprir esta lacuna para com os docentes, o que nos leva a inferir que deve-se repensar o currículo quanto às disciplinas das Ciências Humanas e que a Diretoria de cada cidade deve refletir sobre o assunto e tomar providências concretas para que, junto com os professores, se efetivem melhoras. Contudo, como já frisado, é impossível inferir a partir dos resultados apresentados, se as dificuldades e/ou as facilidades são consequências da municipalização ou se foram consequências deixadas pela época da gestão estadual. Todavia, é possível afirmarmos que as dificuldades apontadas pelo corpo docente deverão ser sanadas pela política atual, ou seja, pela gestão municipal. Por isso, é de suma importância que o professor se posicione para legitimar a Educação Física nestas séries, exigindo da gestão municipal, além dos seus próprios direitos como educador, melhores espaços de trabalho, materiais, cursos de capacitação e apoio pedagógico, que consequentemente refletirão em melhores aulas, na aprendizagem dos alunos e na legitimação da Educação Física – enquanto uma 88 área de conhecimento – para a sociedade. A partir das Unidades de Contexto formamos 3 Categorias relacionadas as dificuldades docentes. QUADRO 10- Categorias relacionadas às dificuldades dos professores. CATEGORIAS 1-DIFICULDADES QUANTO AOS UNIDADES DE CONTEXTO 1, 5, 9 ASPECTOS HUMANOS 2-DIFICULDADES QUANTO AOS 2,3 ASPECTOS DA INFRAESTRUTURA 3-DIFICULDADES QUANTO AOS 4, 6, 7, 8 ASPECTOS PEDAGÓGICOS Como pode ser observado no quadro acima, a Categoria 3 - denominada de Dificuldades quanto aos aspectos pedagógicos, englobou 4 Unidades de Contexto quais são: 4-) Dificuldade com a didática. 6-) Dificuldade com a inclusão dos alunos nas aulas. 7-) Falta de capacitação. 8-) Ausência de reuniões. Enquanto que a Categoria 1 - denominada de Dificuldades quanto aos recursos humanos, com 3 Unidades de Contexto quais são : 1-) Indisciplina dos alunos. 5-) Carência dos recursos humanos. 9-) Falta de apoio familiar. São provavelmente gerados pelas dificuldades apresentadas na Categoria 3. Ou seja, se os professores possuem dificuldades quanto à didática, não tem reuniões e capacitações, provavelmente ocorrerá a indisciplina dos alunos e a falta cada vez maior do apoio familiar para com a escola. Em uma pesquisa Caparroz e Bracht (2007), verificaram nas comunidades de Educação Física escolar do Orkut, que os professores de Educação Física ainda tem dúvidas relacionadas à Didática, como “o quê ensinar”, “por que ensinar”, “como ensinar”, “como trabalhar em dias de chuva”, “como tratar a violência nas aulas”, “o que fazer diante do desinteresse dos alunos”, “como lidar com a indisciplina dos alunos”, entre outras questões. 89 Faz parte ainda deste momento denominado de Aspectos Pedagógicos, também identificarmos quais os objetivos que os professores acreditam ser relevantes para serem trabalhados nas aulas de Educação Física nas séries iniciais do E.F. Apesar deste não ser o foco do nosso trabalho, justificamos que, isso servirá para melhor debruçarmos no contexto estudado, compreendermos o perfil de atuação dos docentes, e os aspectos pedagógicos afligidos pelos mesmos. Infelizmente o questionário entregue aos docentes, somente indagou a respeito de quais os objetivos que são contemplados por eles nas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Poderíamos ter questionado a respeito dos conteúdos, planejamento, entre outros, porém estenderíamos demasiamente o questionário tornando-o enfadonho para o mesmo responder. Como será comprovado por outras pesquisas citadas abaixo, ainda existe certa dificuldade em se estruturar os conteúdos e a grade curricular para as aulas de Educação Física nestas séries. Silva, Dagostin e Nunez (2009) divulgam que, nos estudos de Guedes Guedes (1997), Santos e Matos (2004), Rosário e Darido (2005), Costa e Nascimento (2006) e Silveira (2007), que as propostas da cultura corporal do movimento têm sido constatadas em vários estudos. Porém, a maioria da 5ª a 8ª série. Deste modo, pouco se conhece da prática docente em Educação Física para as séries iniciais do Ensino Fundamental, tendo em vista as informações na literatura sobre este nível de ensino e a disciplina. Podemos inferir até aqui, de acordo com o estudo de Santos Freire e Mariz de Oliveira (2004), que a Educação Física é um componente curricular como qualquer outro, pois possibilita à sociedade a aprendizagem de novos conhecimentos. No entanto, conforme explicita a autora, a estruturação da Educação Física no currículo escolar deve ser uma das prioridades dos pesquisadores da área. Partindo deste posicionamento, complemento que a organização curricular deve ir além da obrigação dos pesquisadores da área, ou seja, dos acadêmicos, mas deve também ser estruturada conjuntamente com os professores que estão trabalhando com a Educação Física escolar diariamente, com a equipe gestora, com os demais docentes polivalentes e ou especialistas e com a comunidade escolar, ultrapassando os papéis do planejamento para a prática durante as aulas. Por outro lado, é possível afirmar que os estudos sugeridos por Mariz de Oliveira relacionados à organização do currículo escolar já vêm lentamente acontecendo 90 no Estado de São Paulo. No ano de 2008 foi efetivada a Proposta Curricular do Estado de São Paulo e, em 2009, a mesma foi transformada no Currículo do Estado de São Paulo. Deve-se destacar que este Currículo foi elaborado do 6º ao 9º ano, para o Ensino Médio. No entanto, para as séries iniciais do Ensino Fundamental nada se concretizou até 2011. Podemos levantar como hipótese que este currículo ainda não foi elaborado para estas séries pelo fato de o Estado ter colocado como meta até o ano de 2010 a municipalização das séries iniciais do Ensino Fundamental. Sendo assim, nada adiantaria formular um currículo. Outras prefeituras também já organizaram uma proposta curricular ou um currículo. Exemplo disso é a própria prefeitura de São Paulo. Uma pesquisa realizada em Pelotas (RS) por Guimarães (2008) evidenciou a importância de sempre serem valorizadas as particularidades de cada localidade, levando-se em consideração o Projeto Político Pedagógico da escola e a visão que se quer de Educação Física. Para tanto, se faz relevante que os professores disputem, aliemse, cedam e concedam espaços para garantir ou não a legitimidade da disciplina no currículo. Além disso, segundo a fala de uma diretora participante do estudo, os professores devem conhecer as características da faixa etária das séries iniciais do Ensino Fundamental. Como identificado por Kawashima, Souza e Ferreira (2009) e por nós, parece que a Educação Física carece ainda de critérios mais claros e definidos para auxiliar os docentes na organização curricular, ou seja, na organização dos conteúdos e objetivos adequados a cada série, ainda que o debate sobre o assunto na graduação talvez seja raso. Em relação aos conteúdos a serem ensinados nas séries iniciais do Ensino Fundamental, para o componente curricular da Educação Física, Silva, Dagostin e Nunez (2009) verificaram que em seis escolas públicas de Campo Grande (MS), apesar de os professores variarem os esportes coletivos tradicionais – denominados “quarteto fantástico” (futsal, voleibol, handebol e basquetebol) –, estes foram os mais utilizados durante as aulas, entre eles o futsal, como também os jogos tradicionais. No entanto, é fundamental que o professor de Educação Física possibilite aos alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental a vivência em diversos jogos, lutas, ginásticas, esportes, atividades rítmicas e expressivas, respeitando os limites individuais, como estão descritos nos PCNs e como afirmam vários pesquisadores da área. Frasão, Merida e Ferreira Filho (2010) citam Darido et al (2001), que deflagraram ainda que os profissionais de Educação Física das séries iniciais do Ensino Fundamental, 91 no que tange aos PCNs, apresentam dificuldades quanto aos Temas Transversais e quanto à formulação de aulas sobre os temas como o meio ambiente, pluralidade cultural e a orientação sexual, sem perder a especificidade do professor de Educação Física. Acrescentamos, ainda, que a Educação Física também não pode perder sua especificidade diante destes temas. Em relação à questão da diversificação dos conteúdos para as séries iniciais do Ensino Fundamental, parece que apenas dois professores (P5 e P16) – o que representa apenas 6% da amostra – os compreendem, ao responderem quais são os objetivos da Educação Física, eles disseram que: (P5) 1º e 2º Ano - Participar em diversos jogos, brincadeiras e atividades rítmicas e expressivas respeitando regras, quando houverem, e os colegas. Reconhecer: situações de conflitos por meio de diálogo com ajuda do professor. - Conhecer partes do corpo, regras de diferentes jogos, situações de esforço e repouso e diferenciá-las. 3º, 4º e 5º ano - Além dos objetivos trabalhados nos anos anteriores também a análise e observação de seu desempenho, o dos colegas, de atletas, de crianças mais novas e mais velhas. (P16) No meu entender, os objetivos gerais devem ser: conhecer, vivenciar e explorar diversas formas de manifestação da cultura corporal utilizando-se de jogos, esportes, lutas, ginásticas, atividades rítmicas e expressivas e sobre o conhecimento do corpo para proporcionar momentos significativos de aprendizagem e contribuir, portanto, para o desenvolvimento integral do aluno. Para a identificação dos objetivos trabalhados pelos docentes da amostra mais uma vez, a partir da leitura das respostas que foram dadas pelos professores, de acordo com Bardin (2011), foram identificadas as Unidades de Registro que serão apresentadas no quadro a seguir, e estão relacionadas aos objetivos a serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física nas séries inicias do Ensino Fundamental. 92 QUADRO 11 – Unidades de Contexto relacionadas aos objetivos a serem desenvolvidos na Educação Física escolar das séries inicias do Ensino Fundamental. PROF. Nº U.R UNIDADES DE REGISTRO 1 1. Desenvolvimento das habilidades. 2. 10. Respeito as regras e aos colegas, saber trabalhar em grupo. 3. 11. Recreação 4. 12. Capacidades e habilidades físicas. 5. 13. Colaborar para a sociabilização das crianças. 6 14. Desenvolver aspectos cognitivos, sociais e motores. 4 7. 15. Segundo o PCN´s de Ed. Física. 5 8. 16. 1º e 2º Ano - Participar em diversos jogos, brincadeiras e atividades rítmicas. e expressivas. Reconhecer: situações de conflitos por meio de diálogo com ajuda do professor. Respeitando regras e os colegas. 17. Conhecer partes do corpo. 2 3 9. 10. 11. 6 7 8 9 10 11 12 12 Análise e observação de seu desempenho, o dos colegas, de atletas, de crianças mais novas e mais velhas. Obs: Segue PCN 13. Conscientização corporal 14. Valores como respeito, organização. 15. 16. O mais importante é o quanto a atividade física tem que ser incorporada na vida inteira do indivíduo. Conhecimentos: sociabilidade - disciplina e respeito. 17. Através de atividades lúdicas. 18. Os princípios básicos da Coordenação Motora. 19. A possibilidade da vivência das atividades lúdicas e recreativas. 20. As competências básicas. 21. O desenvolvimento cognitivo, e afetivo. 22. Jogos lúdicos, fantasia faz de conta. 23. Lateralidade, “espaciais”. 24. Temas transversais. 25. Educação e respeito professor/aluno. 26. 27. Trabalhar tanto cognitivo, quanto o aspecto motor, como: coordenação motora, lateralidade, organização espacial, esquema corporal, atenção, raciocínio, entre outros Dentro destes aspectos deve-se focar a cultura do movimento dos alunos 28. Também os valores éticos e morais. 29. Aspectos de socialização. 30. Desenvolvimento motor das habilidades básicas. 31. Deve ser na ordem cognitiva, social, afetivo e perspectivo motor. 32. Estimular o prazer pela atividade física ajudando a entender o 93 13 funcionamento do corpo e suas transformações 33. Resgatar o desejo de brincar estimulando a ludicidade dos alunos. 34. Favorecer cooperação entre os educandos, e permitir a melhora da socialização dessas crianças, através do respeito as regras e aos colegas. 35. 36. 37. 14 38. 39. 15 40. 16 41. 17 42. 43. 18 19 20 21 As aulas de Educação Física proporcionam situações problema, que se bem administradas podem contribuir e muito no desenvolvimento integral dos alunos. Os jogos e atividades se bem preparadas podem contribuir para o desenvolvimento moral e lógico matemático dos alunos é uma disciplina atraente que possibilita a aprendizagem no concreto. Conhecimentos de noção espacial, lateralidade, domínio motor (prática). Conhecimentos do corpo humano e seus movimentos (prática). Desenvolvimento psicomotor; afetivo, coordenação motora (prática). Através de atividades lúdicas; Para um desenvolvimento na aprendizagem; brincando e vivenciando todas as etapas através de jogos, músicas, atividades. Os aprendizados cognitivo, motor e afetivo. Conhecer, vivenciar e explorar diversas formas de manifestação da cultura corporal utilizando-se de jogos, esportes, lutas, ginásticas, atividades rítmicas e expressivas e sobre o conhecimento do corpo para proporcionar momentos significativos de aprendizagem e contribuir, portanto, para o desenvolvimento integral do aluno. Conteúdos e discussões que os levem a uma formação consciente de seu valor como cidadão e de seus atos mediante a sociedade a qual faz parte. Enfatizar conteúdos e atividades voltadas para a consciência da cultura corporal. 44. Possibilitar a esses alunos informações e conhecimentos que permitirão os mesmos postarem-se numa sociedade e terem possibilidades de fazer suas próprias escolhas com consciência e autonomia de seus atos. 45. Desenvolver as habilidades motoras básicas, complexas, coordenação. 46. Cooperação. 47. Recreação. 48. Devemos trabalhar o desenvolvimento motor global da criança 49. Baseado em atividades recreativas. 50. 51. Trabalhar os movimentos locomotores, não locomotores, todos os aspectos em geral. Ensinando a importância do corpo de modo integral. 52. Para seu bem estar e qualidade de vida. 53. Cooperação e o trabalho em grupo. Respeitar seus limites e de seus colegas. 54. Vivenciar diversos movimentos corporais, aprimorar sua coordenação motora 55. Lateralidade, orientação espacial etc. 56. Vivenciar diversas brincadeiras e jogos tradicionais. 94 22 57. Atividades motoras e qualidades físicas básicas pertinentes a idade da criança. 58. De 3º ao 5º ano começam jogos pré-desportivos ou seja que preparam o aluno para o jogo praticamente dito. 59. 60. Atuar de forma autônoma em suas práticas corporais através do conhecimento, da vivência, da valorização e apreciação das manifestações da cultura corporal podendo assim refletir. Discutir e ser mais crítico e responsável. 24 61. Todos o que trabalhem o corpo como um todo. 25 62. Corporeidade. 63. Forma lúdica 64. Tendo em vista a qualidade de vida, promoção e manutenção da saúde. 26 65. 27 66. 28 67. Participação em atividades corporais, estabelecendo relações equilibradas e construtivas com os outros, reconhecendo e respeitando características físicas e de desempenho de si próprio e dos outros, sem discriminar por características pessoais, físicas, sexuais ou sociais. Formar e trabalhar o corpo como um todo (ser bio, psiquico e social) entendendo também sua formação como cultura corporal Desenvolver as habilidades motoras; andar, correr, saltar, rolar, lançar, 68. Trabalhos cooperativos. 29 69. Objetivos do PCN’s. 30 70. Desenvolvimento motor. 71. Socialização. 72. Coordenação Motora Geral. 73. Trabalho de convívio e respeito mútuo entre os alunos. 74. Jogos. 75. Participar de atividades e jogos lúdicos com autonomia e respeito. 76. Ampliar suas capacidades físicas, motoras e cognitivas. 23 31 32 A partir do levantamento das Unidades de Registro, foram identificadas as Unidades de Contexto relacionadas aos objetivos a serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física nas séries inicias do Ensino Fundamental. 95 QUADRO 12- Unidades de Contexto relacionadas aos objetivos a serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. UNIDADES DE CONTEXTO UNIDADES DE REGISTRO/ PROFESSORES 1-Habilidades motoras e ou capacidades físicas P1, P2, P8, P11, P18, P20, P22, P28, P30, P31, P32 2- Sociabilização, Cooperação , Valores P1, P3, P5, P6, P7, P9, P10, P11, P13, P17, P18, P21, P23, P26, P28, P30, P31, P32 3- Manifestações da cultura corporal P5, P16, P23 4- Jogos, Brincadeiras P5, P9, P13, P14, P16, P21, P22, P31, P32 5-Cultura Corporal/ Cultura do movimento corporal 6 - Segue Pcns P17, P27, P10 7- Saúde, qualidade de vida P20, P25 8- Conhecimento do corpo P5, P6, P10, P13, P14, P16, P24 9- Fantasia P9 10- Psicomotricidade P9, P10, P14, P21 11- Temas transversais P9 12- Aspectos: cognitivo, motor, social, afetivo/ desenvolvimento integral. 13- Corporeidade P3, P8, P12, P15, P16, P32 14- Recreação, lúdico P2, P7, P8, P9, P13, P14, P18, P19, P25, P32 15- Corpo como um todo P20, P24, P27 16- Cidadania P17 17- Autonomia P17, P23, P32 18- Atividades P26, P32 19- Competências básicas P8 20- Atividade Física P6, P13 21- Análise e respeito do desempenho em P5, P21, P26 P4, P5, P29 P25 situações de esforço e repouso. Por meio das Unidades de Registro, verificamos 21 Unidades de Contexto relacionadas aos objetivos das aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, desenvolvidas pelos professores participantes desta pesquisa. Dentre os participantes, 18 professores (P1, P3, P5, P6, P7, P9, P10, P11, P13, 96 P17, P18, P21, P23, P26, P28, P30, P31, P32) relataram a socialização, a cooperação e/ou os valores. Segundo Bracht e colaboradores (2007), esta categoria – como também apontou o nosso estudo – é bastante frequente quando se justifica a importância da Educação Física na escola. Porém, não é somente função da disciplina de Educação Física desenvolver este aspecto, e sim de todas as outras disciplinas do currículo escolar. O segundo objetivo, apontado por 12 professores (P1, P2, P8, P11, P18, P19, P20, P22, P28, P30, P31, P32), está relacionado às Habilidades motoras e ou capacidades físicas. A respeito destes, sim, podemos inferir que são objetivos específicos da Educação Física e devem ser trabalhados em todas as séries, diferentemente dos supracitados. De acordo com Moreira, Pereira e Lopes (2009, p126): Entre os sete e dez anos, as crianças, geralmente, encontram-se no estágio transitório da fase de movimentos especializados, quando começam a combinar e refinar as habilidades motoras fundamentais, adquiridas anteriormente, sendo um excelente momento para a descoberta de diversas execuções motoras. Assim, os professores não devem permitir que a criança restrinja a sua atenção a uma única atividade, especializando-se, pois corre o risco de prejudicar os níveis seguintes. A recreação e o lúdico foram descritos por 10 professores (P2, P7, P8, P9,P13, P14, P18, P19,P25, P32). Cabe enfatizarmos que tais itens são fundamentais para a faixa etária contemplada e devem ser articulados com os outros objetivos, servindo de meio para o ensino e aprendizagem dos conteúdos, e não como um fim, já que na escola necessitamos priorizar o ambiente educativo e formal, diferentemente do que se estivéssemos tratando dos clubes, hotéis, acampamentos, etc. A recreação e o lúdico podem e devem também ser trabalhados como um meio para o ensino de outras disciplinas na escola. Neste sentido Dallabona e Mendes (2004) abordam que a escola é local de alegria, prazer intelectual, satisfação e desenvolvimento. Os jogos e as brincadeiras foram abordados por 9 professores (P5, P9, P13, P14, P16, P21, P22, P31, P32). Estes fazem parte dos Blocos de Conteúdos do PCNs para as séries iniciais do Ensino Fundamental, são conteúdos específicos da Educação Física, mas também podem ser utilizados como um meio de ensino para as outras disciplinas. Alguns professores os distinguiram como jogos desportivos, jogos lúdicos, e jogos tradicionais. O conhecimento do corpo foi relatado por 7 docentes (P5, P6, P10, P13, P14, 97 P16, P24) como objetivos da Educação Física. Este também é um objetivo específico para estas séries e faz parte dos Blocos de Conteúdos apontados pelos PCNs (vol.7). Dentre as respostas, foram descritas: “conhecer partes do corpo, conscientização corporal, entender o funcionamento do corpo e suas transformações, conhecimentos do corpo humano e seus movimentos. Todos o que trabalham o corpo como um todo. Esquema corporal”. Assim, podemos inferir que o corpo vem sendo tratado pelos docentes sobre os conhecimentos da Fisiologia, Cinesiologia e da Psicomotricidade, mas não vinculados aos conhecimentos da Sociologia e da Antropologia, os quais permeiam os conhecimentos do corpo e também deveriam, de forma didática, serem ensinados para as crianças para minimizar a dicotomia entre o ser biológico e o social. Seis professores (P3, P8, P12, P15, P16, P32) dizem trabalhar com os aspectos cognitivo, motor, social, afetivo ou desenvolvimento integral. Destaco que foi convincente colocar em uma só Unidade de Contexto estes aspectos, juntamente com o desenvolvimento integral, visto que a Educação Física deve desenvolver o corpo não apenas na esfera física, mas também sobre os outros aspectos citados. Foram elencados por 4 professores (P9, P10, P14, P21), como sendo os objetivos da Educação Física, trabalhar com alguns elementos que são concernentes à Psicomotricidade, como coordenação motora, lateralidade, orientação espacial, esquema corporal, atenção e raciocínio e, por isso, o nome dado a esta Unidade de Contexto foi Psicomotricidade. Entretanto, devemos esclarecer, de acordo com Toledo (1999), que a Psicomotricidade inserida no Brasil na década de 70 não deve substituir as aulas de Educação Física, como era a intenção. Há ainda outros objetivos que foram explícitos pelos professores, mas com menor frequência, por isso findamos esta analise por aqui, e seguiremos para o próximo passo que é a organização destas Unidades de Contexto em Categorias. 98 QUADRO 13- Categorias relacionadas aos objetivos a serem desenvolvidos nas aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. CATEGORIAS N° UNIDADES DE CONTEXTO 1-OBJETIVOS RELACIONADOS AOS ASPECTOS PRÁTICOS ATIVIDADES, CAPACIDADES 1,7, 18, 19, 20 FÍSICAS, HABILIDADES MOTORAS, QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE 2- OBJETIVOS RELACIONADOS 2, 16, 17,21 AOS ASPECTOS ATITUDINAIS E HUMANOS 3- OBJETIVOS RELACIONADOS 4, 5,3 AOS ASPECTOS DA CULTURA CORPORAL DO MOVIMENTO 4-OBJETIVOS RELACIONADOS 8, 12, 13, 15 AOS ASPECTOS DO DESENVOLVIMENTO DO CORPO DE FORMA INTEGRAL 5- OBJETIVOS RELACIONADOS 10 AOS ASPECTOS DA PSICOMOTRICIDADE 6-OBJETIVOS RELACIONADOS 9,14 AO LÚDICO E FANTASIA 7- SEGUEM OS PCNs 8- DESENVOLVER OS TEMAS 6 11 TRANSVERSAIS Organizamos oito categorias relacionadas aos objetivos que os professores da região da diretoria de ensino de Mogi Mirim contemplam nas séries iniciais do E.F, daremos ênfase exclusivamente as que englobaram o maior número de Unidades de 99 Contexto, sendo 3 delas: 1-) Objetivos relacionados aos aspectos práticos - (atividades, capacidades físicas, habilidades motoras, qualidade de vida e saúde), 2- ) Objetivos relacionados aos aspectos atitudinais e humanos e 4-) Objetivos relacionados aos aspectos do desenvolvimento do corpo de forma integral. De acordo com estas, podemos considerar que os professores desta região, também pelo próprio ano de formação da grande maioria, concebem a Educação Física de forma menos esportivista e mais humana, trabalhando o corpo de forma integral, mesmo que 4 das Unidades de Contexto estão relacionadas à prática, porém 4 estão relacionadas à formação humana e atitudinal e 4 ao desenvolvimento do corpo de forma integral, sendo estas duas últimas superiores a Categoria 1( Objetivos relacionados aos aspectos práticos - (atividades, capacidades físicas, habilidades motoras, qualidade de vida e saúde). Medina (1990), contrariamente a isso, em sua pesquisa, verificou que os professores assumiram uma visão mais esportivista, sem entendimento da práxis e com ênfase na competição e vitória. A isso, o autor atribuiu uma formação imprópria. Deste modo, os professores provindos das décadas de 70, 80 – que atuam nas escolas e que não se esforçaram em realizar uma formação continuada e uma reflexão constante da própria prática – trabalham ainda na busca do movimento perfeito, da repetição, com as qualidades físicas básicas e com esporte competitivo. 100 5.4 QUARTO MOMENTO: MUNICIPALIZAÇÃO PARA IMPACTOS A EDUCAÇÃO DA POLÍTICA FÍSICA (nas DE escolas municipalizadas da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim) Neste momento, foi contemplada a quinta questão do questionário do professor e a quinta questão do questionário do diretor, seguem respectivamente: 5-) Você atua nesta disciplina antes e/ou depois da escola ter sido municipalizada? E quais permanências e continuidades foram percebidas por você neste processo de municipalização em relação à disciplina de Educação Física (atuação profissional, conteúdos, carga horária, etc). 5-) Como o processo de municipalização impactou na área da Educação Física nas séries iniciais do E.F? Novamente a partir da leitura das respostas que foram dadas pelos professores de acordo com Bardin (2011) foram identificadas as Unidades de Registro que serão apresentadas no quadro a seguir. Estas são referentes ao nosso objeto de estudo que condiz aos Impactos da municipalização para a Educação Física escolar, nas escolas que compreendem a amostra desta pesquisa. QUADRO 14 - Unidades de Registro relacionadas aos impactos da municipalização para a Educação Física escolar de acordo com a opinião dos professores das escolas da amostra. PROF. N° U. R. 1 1. 3. Depois que foi municipalizada, percebi que encontrei algumas dificuldades, pois antes quem dava as aulas de ed. Física era o prof. Polivalente. Então os alunos nuca tiveram aula de ed. Física apenas brincavam, sem conteúdo programado. Atuo depois da municipalização 4. Não conhecia a escola trabalho há 3 semanas 5. Depois de ter municipalizado. 6. Quando comecei a escola já era municipalizada. 7. Após a municipalização. 8. Somente em 2003 foram contratados os professores de Ed. Física onde foram atribuídas aulas, com carga horária de 20, 30 ou 40 horas (cada sala 2 X por semana de 50 min). Segundo relato das professoras mais antigas da rede depois de ser municipalizada a escola ainda ficou uns 2 anos sem ter aulas de Educação Física 2. 2 3 4 5 UNIDADES DE REGISTRO 9. 101 6 10. Depois da escola ter sido municipalizada, a Educação Física, foi retratada com mais seriedade. 7 11. Profissionalmente consigo continuidade total dos conteúdos 12. Continua de acordo com sua clientela (cada escola aqui no interior existe muita diferença entre escola e outra e a carga horária continua a mesma). 13. Houve 1º Concurso em 2010, antes eram aulas com estagiários (segundo informação da professora X). 14. Agora depois do concurso, agora 2011. 15. Antes não tinha professor de Educação Física. 16. Atuo depois da municipalização. 17. Não tenho informações em relação a esse processo (como ocorrem as mudanças). 11 18. Quando entrei no municipal já era. 12 19. Comecei a trabalhar, após a municipalização. 20. Desde então a carga horária continua a mesma. 21. Pouco mudou no conteúdo, mas a maneira de abordá-los é diferente ano a ano. 22. A diferença maior se deu após a introdução do PCN que norteou o planejamento e conteúdos da Educação Física Escolar, fico sem parâmetros para dizer se essa evolução se deu por causa da municipalização, 23. Os materiais após a municipalização são de maior qualidade e quantidade e a possibilidade de realização de HTPCs com todos os Professores de Educação Física também ajudam no desenvolvimento da disciplina. 24. Atuo depois de ter sido municipalizada. 25. A carga horária para professores efetivo é de 40h., com alunos os professores trabalham em média 34h. 15 26. Eu atuei nos 2 momentos, e observei a diferença do apoio incondicional que é dado pela coordenação e direção da escola atualmente e que não acontecia antes da municipalização da mesma. 16 27. Atuo na disciplina depois da escola ter sido municipalizada. 28. Observo dois pontos positivos da municipalização: a carga horária do 1º ano foi aumentada de duas para três aulas semanais e passamos a ter HTPC específico por área. 29. Ingressei como professor de educação física na rede municipal (em especial na escola em que atuo) depois da municipalização. 30. Como minha atuação profissional antes desse período não era na área escolar, não tenho parâmetros práticos para relacionar os dois períodos e apresentar uma resposta a contenta a essa questão. 31. Ingressei nesta Unidade Escolar no ano da Municipalização. 32. Não houve mudanças em relação à disciplina, nem espaço físico; mas na 8 9 10 13 14 17 18 102 questão capacitação houve melhoras, pois durante o ano letivo há sempre cursos para aumentarmos conhecimentos em relação ao meio e a disciplina. 33. Comecei atuar nesta escola após a municipalização. 34. O conteúdo foi desenvolvido para cada faixa etária adequada. 35. O horário das aulas de Ed. Física permanece no mesmo período escola. 19 20 36. 21 37. Depois. 38. Criação de planejamento juntamente com demais professores da rede. 22 39. Não tive vivência e/ou experiência com a Adm. Estadual, já que sou concursado municipal. 23 40. Depois de a escola ter sido municipalizada. 24 Depois da municipalização. 41. Tudo seguiu conforme a municipalização atuação pelo professor de Educação Física com conteúdos e carga horária 42. Depois da escola ter sido municipalizada tudo seguiu conforme a municipalização. 25 43. Atuação pelo professor de Educação Física com conteúdo e carga horária específica. 44. No ano em que fui efetivada na prefeitura de Mogi-Mirim minha escola foi municipalizada. 45. Portanto não tenho como comparar antes e depois da municipalização. 26 46. Atuo nesta disciplina depois da escola ter sido municipalizada. 27 47. Comecei na escola após a Municipalização. 48. Antes não havia professor específico 28 49. Atuo depois da municipalização. 29 50. Depois de a escola ter sido municipalizada. 30 51. Atuo apenas após a municipalização. 31 52. Quando municipalizou melhorou com relação a material e coordenador da área que é responsável na assistência de todos os professores de Educação Física. 53. Isso na Secretária Estadual é deixado de lado. 54. Atuo desde antes de ser municipalizada, houve mudanças na carga horária e cursos de preparação, os conteúdos foram mais bem preparados. 55. Agora só na escola tenho mais tempo para preparar as aulas. 32 103 A partir destas Unidades de Registro identificamos as Unidades de Contexto, que serão apresentadas nos quadros a seguir: QUADRO 15- Unidades de Contexto relacionadas aos impactos da municipalização para Educação Física escolar (nas séries iniciais do E.F.) de acordo com a opinião dos professores das escolas da amostra. UNIDADE DE REGISTRO/PROFESSORES UNIDADES DE CONTEXTO 1- MELHORIA NA QUANTIDADE E/OU QUALIDADE DOS MATERIAIS DE ED. FÌSICA APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO 2- MELHORIAS NOS CONTEÚDOS APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO 3- INSERÇÃO DE RECURSOS HUMANOS DA ÁREA (professor, coordenador, diretor, coordenador de área ) APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO 4- ELABORAÇÃO DE UM PLANEJAMENTO PARA A EDUCAÇÂO FÍSICA EM CONJUNTO APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO 5- HTPCs ESPECÍFICOS PARA ED. FÍSICA 6- AUMENTO DA CARGA HORÁRIA DAS AULAS DE ED. FÍSICA P13, P31 7- A ED. FÍSICA FOI TRATADA COMO MAIS SERIEDADE 8- OFERECIMENTO DE CURSOS NA ÁREA P6 P19, P32 P15, P27, P31. P 21 P13, P16 P16, P32 P18, P32 9- DEMORA EM EFETIVAR O PROFESSOR P1, P4, P8, P9. ESPECIALISTA 10- DEMORA EM IMPLANTAR AS AULAS DE ED. P5. FÍSICA 11- POUCO MUDOU NOS CONTEÚDOS APÓS A P7, P12, P23, P24 MUNICIPALIZAÇÃO 12- NÃO HOUVE MUDANÇAS EM RELAÇÃO À P18 DISCIPLINA APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO 13- NÃO HOUVE MUDANÇAS NO ESPAÇO P18 104 FÍSICO 14- A CARGA HORÁRIA CONTINUA IGUAL P7, P12, P14, P19, APÓS A MUNICIPALIZAÇÂO P23, P24 15- OS PROFESSORES NÃO COGITARAM OU P2, P3, P10, P11,P17, P20, P22, P25, P26, FALTA INFORMAÇÃO P28, P29, P30 Identificamos e organizamos em 15 Unidades de Contexto as Unidades de Registro, relacionadas aos impactos da municipalização para a Educação Física nas séries iniciais do E. F. Na Unidade de Contexto 15 denominada de: Os professores não cogitaram ou falta de informação, foi a que abrangeu o maior número de Unidades de Registro por 12 professores (P2, P3, P10, P11, P17, P20, P22, P25, P26, P28, P29, P30). Enquadra-se nesta, todas as Unidades de Registro em que os professores pronunciaram ter iniciado a lecionar após a municipalização, ou não terem informações em relação a esse processo (como ocorrem as mudanças). Algumas das respostas serão apresentadas na integra, a seguir: (P10) Atuo depois da municipalização, não tenho informações em relação a esse processo (como ocorrem as mudanças). (P17) Ingressei como professor de educação física na rede municipal (em especial na escola em que atuo) depois da municipalização. Como minha atuação profissional antes desse período não era na área escolar, não tenho parâmetros práticos para relacionar os dois períodos e apresentar uma resposta a contenta a essa questão. (P22) Não tive vivência e/ou experiência com a Adm. Estadual, já que sou concursado municipal. (P25) No ano em que fui efetivada na prefeitura de Mogi Mirim minha escola foi municipalizada, portanto não tenho como comparar antes e depois da municipalização. Na Unidade de Contexto 3 designada de Inserção de recursos humanos da área ( professores, coordenadores, diretores, coordenadores da área) formada pelos professores (P15, P27, P31), curiosamente, o professor (P31) descreveu que, após a municipalização da escola em que leciona, aconteceu a implantação de um coordenador por área para auxiliar os professores de Educação Física. Tal ponto merece servir de exemplo para as outras Diretorias de Ensino. Segue a resposta: (P31) [...] O coordenador da área que é responsável na assistência de todos os professores de Educação Física. O docente (P15) também relata o apoio da direção e da coordenação para a 105 Educação Física: (P15) Eu atuei nos 2 momentos, e observei a diferença do apoio incondicional que é dado pela coordenação e direção da escola atualmente e que não acontecia antes da municipalização da mesma. Sobre o mesmo assunto ainda e a mesma Unidade de Contexto, o professor (P27) expôs que “antes não havia professor específico”. Com isso, podemos inferir que, após a municipalização desta escola, foram efetivados os professores de Educação Física para ministrar as aulas nas séries iniciais do Ensino Fundamental. As Unidades de Contexto de números (1, 2, 5, 6, 8) foram identificadas na frequência de 2 professores para cada, quais estão relacionadas aos Materiais, Conteúdos, HTPCs, Carga Horária e Cursos, considerando que os professores (P13 e P31) notaram melhora na qualidade e/ou quantidade dos materiais disponibilizados para as aulas de Educação Física. Os professores (P16 e P32), respectivamente, relataram o aumento na Carga Horária do 1º ano – de duas aulas semanais para três aulas semanais – e o aumento do tempo para preparar as aulas. Os professores (P13 e P16) atribuem que os HTPCs passaram a ser ministrados por área e com todos os professores de Educação Física. Os professores (P19 e P32) responderam que os conteúdos foram desenvolvidos e mais bem preparados para cada faixa etária. Já os docentes (P32 e P18) trazem à tona um diferencial proporcionado pela política de municipalização, que foram os cursos, como pode ser observado na respostas do professor: (P18) Na questão capacitação houve melhoras, pois durante o ano letivo há sempre cursos para aumentarmos conhecimentos em relação ao meio e a disciplina. Com a frequência de uma Unidade de Registro por professor, identificamos a Unidade de Contexto 4 que denominamos de Elaboração de um planejamento para a Educação Física em conjunto, assim o professor (P21) respondeu que após a municipalização das escolas o planejamento passou a ser elaborado juntamente com os demais professores da rede. Trata-se de um dado interessante e muito positivo após a municipalização, pois nas escolas estaduais o planejamento é realizado em conjunto entre os professores da mesma escola e não pela rede, sendo inviável este tipo de prática para a Rede Estadual devido seu tamanho, embora fosse de suma importância. Com a frequência de 4 Unidades de Registro, pelos professores (P1, P4, P8, P9), identificamos a Unidade de Contexto 9 chamada de Demora em efetivar o professor especialista, nesta os professores cogitaram a demora da implantação do 106 professor de Educação Física nas séries iniciais do E.F após a municipalização, sendo este um ponto negativo para a legitimação do professor e da área. Por meio da Unidade de Contexto 10, o professor (P5) relata a demora em se implantar as aulas de Educação Física na escola. Assim esta Unidade de Contexto foi denominada de Demora em implantar as aulas de Educação Física. Segue a reposta do decente na integra: (P5) Segundo relato das professoras mais antigas da rede, depois de ser municipalizada a escola ainda ficou uns 2 anos sem ter aulas de Educação Física. Estas últimas duas Unidades de Contextos (9 e 10) mencionadas acima, confirmam mais uma vez a existência de brechas nas leis para a Educação Física escolar, evidenciando-se que o componente curricular de Educação Física nestas séries não fica à mercê da sociedade, como uma disciplina que tem um conhecimento científico a ser ensinado aos pequenos, que futuramente crescerão e poderão transmitir estes saberes e melhores hábitos de vida aos mais novos. O componente curricular fica sob o comando dos cargos administrativos e burocráticos da Educação, como Diretores e Supervisores da Educação, que contabilizam e distribuem o dinheiro público para a Educação local. Todavia felizmente na região pesquisada, este problema já foi resolvido, pois 100% dos professores que ministram as aulas de Educação Física nas séries iniciais do E.F são graduados na área. A partir das Unidades de Contexto, organizamos três Categorias que condizem com as permanências e/ ou continuidades que foram percebidas pelos professores com o processo de municipalização em relação à disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, que nomeamos de Impactos Positivos, Impactos Negativos e Impactos aparentemente não percebidos. Segue o quadro para melhor entendimento: 107 QUADRO 16 – Categorias relacionadas aos Impactos da municipalização para a Educação Física nas séries iniciais do E.F de acordo com os docentes da amostra. CATEGORIAS 1-IMPACTOS POSITIVOS - PARA A EDUCAÇÃO FÍSCA ESCOLAR APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO (nas séries iniciais do E.F.) 2- IMPACTOS NEGATIVOS PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR APÓS A MUNICIPALIZAÇ ÃO (nas séries iniciais do E.F.) 3- IMPACTOS APARENTEMENTE NÃO PERCEBIDOS PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO (nas séries iniciais do E.F.) UNIDADES DE CONTEXTO 1,2,3,4,5,6,7,8. 9, 10 11, 12, 13, 14, 15 Deste modo, pela frequência das Unidades de Registro por 10 professores (P6, P13, P15, P16, P18, P19, P21, P27, P31, P32) e 8 Unidades de Contexto (1,2,3,4,5,6,7,8) identificamos a categoria que denominamos de Impactos Positivos. Com a frequência das Unidades de Registro por 5 professores (P1, P4, P5, P8, P9) e 2 Unidades de Contexto (9, 10) identificamos a categoria que denominamos de Impactos Negativos. E com a frequência das Unidades de Registro por 19 professores (P2, P3, P7, P10, P11, P12, P14, P17, P18, P19, P20, P22, P23, P24, P25, P26, P28 P29, P30) e 5 (11, 12, 13, 14, 15) Unidades de Contexto, identificamos a categoria que denominamos de Impactos aparentemente não percebidos para a Educação Física nas séries iniciais do E.F. Podemos considerar a partir destas, que apesar dos Impactos positivos da municipalização para Educação Física nas séries iniciais do E.F serem maiores em relação aos negativos, os Impactos aparentemente não percebidos são salutares sobre os dois, o quê dificulta em muito maiores considerações. 108 Segue as Unidades de Registro elaboradas a partir das respostas dos diretores. QUADRO 17- Unidades de Registro relacionadas aos Impactos da municipalização para Educação Física escolar (nas séries iniciais do E.F) conforme a opinião dos diretores das escolas da amostra. DIRETOR N° UNIDADES DE REGISTRO U.R 1 1 A municipalização introduziu o professor especialista, o que é extremamente importante. 2 2 Muito positivo pois a administração está diretamente ligada e atuando nas escolas, diferente das escolas do estado em que os sistema não acompanha tão de perto o processo pedagógico. 3 3 4 4 Foi positivo porque agora todas as U.E.s têm o professor especializado nesta área. O professor também teve melhor amparo tanto material como pedagógico, através da municipalização. 5 5 Melhorando a qualidade na prática de suas aulas, promovendo mais motivação aos alunos. 6 As aulas de Ed. F. são as mais esperadas e mais queridas por todos os alunos. 6 7 Também já estavam adaptados. 7 8 O município disponibiliza um profissional da saúde para examinar os alunos e dizer se estão aptos a frequentar as aulas de Educação Física. Os professores recebem capacitação. 8 9 Apesar de termos tido aulas com especialistas em outras épocas, nem sempre tínhamos professor disponível, então quem atuava era o polivalente. 9 10 Conseguimos materiais para o uso do professor e alunos facilitando suas aulas. 10 11 Apenas assumi este cargo depois da municipalização, não participando do processo. 11 12 As crianças são bem assistidas pelo especialista. 12 13 13 14 15 Em relação às aulas de Educação Física ficou perfeito. Quando as aulas são ministradas por profissionais da área a aprendizagem fica mais completa e clara. Como disse a melhora só foi sentida no início de 2010 com a contratação efetiva de professores habilitados na disciplina. Houve melhora significativa no desenvolvimento dessas atividades. 109 14 16 15 17 Foi oferecido aulas de Educação Física em todos os anos do Ensino Fundamental de 9 anos e para os 1ºs anos 01 aula semanal de Música e Movimento onde é trabalhado a expressão corporal Foi positivo, a medida que os professores passaram a ter maior acesso a secretária de educação, proporcionando maior oportunidade de diálogo entre as parte envolvidas. 110 QUADRO 18- Unidades de Contexto relacionadas aos Impactos da municipalização para a Educação Física nas séries iniciais do E.F conforme as opiniões dos diretores das escolas da amostra. DIRETORES UNIDADES DE CONTEXTO 1- INSERÇÃO DO D1, D3, D8, D11, D12, D13 PROFESSOR DE EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F PARA LECIONAR 2- O PROFESSOR DE D2, D4, D15 EDUCAÇÃO FÍSICA RECEBEU APOIO PEDAGÓGICO 3- MELHORIAS DOS D4, D9 MATERIAIS DE EDUCAÇÃO FÍSICA 4- CAPACITAÇÃO PARA OS D7 PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA 5- OFERECIMENTO DAS D14 AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA EM TODAS AS SÉRIES 6- MELHORIA DAS AULAS D4, D12, D13 DE EDUCAÇÃO FÍSICA, DAS ATIVIDADES, E NA APRENDIZAGEM DOS ALUNOS 7- DISPONIBILIDADE DE UM PROFISSIONAL DA SAÚDE PARA EXAMES MÉDICOS D7 111 8- NÃO COGITAM OU FALTA D5, D6, D10 DE INFORMAÇÃO SOBRE A EDUCAÇAO FÍSICA APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO A partir das Unidades de Registro identificamos 8 Unidades de Contexto. A Unidade de Contexto com mais frequência de Unidades de Registro foi a número 1, denominada de Inserção do professor de Educação Física nas séries iniciais do E.F, por 6 diretores (D1, D3, D8, D11, D12, D13), representado 40% da amostra, dado positivo para a área, apesar de lento como mencionado pelos docentes (P1, P4, P8, P9). Com uma frequência de 3 diretores (D2, D4 e D15) por Unidade de Registro, identificamos 2 Unidades de Contexto, são: Unidade de Contexto 2-) O professor de Educação Física recebeu apoio pedagógico. Esta Unidade de Contexto está relacionada ao acompanhamento mais próximo da administração no processo pedagógico e maior diálogo entre a Secretaria da Educação com os professores. Afinal de contas uma das funções da municipalização como já descritas anteriormente, é de uma parceria educacional Estado-Município para o Ensino Fundamental, atribuindo parte das responsabilidades vinculadas à educação do Estado de São Paulo aos municípios. Sendo assim, este foi um ponto muito positivo da municipalização para a área. E Unidade de Contexto 6-) qual denominamos de: Melhoria das aulas de Educação Física, nas atividades e na aprendizagem dos alunos, auferidas pelos diretores (D4, D12, D13) . Com a frequência de duas Unidades de Registro pelos diretores (D4 e D9), organizamos a Unidade de Contexto 3-) Melhoria dos materiais de Educação Física, que está vinculada à disponibilização destes para as aulas de Educação Física nestas séries após a municipalização. E com a frequência de uma Unidade de Registro, constituímos as Unidades de Contexto que condizem a Capacitação (D7), Oferecimento das aulas (D14) e Profissionais da saúde (D7). Quanto a esta última, a resposta do diretor (D7) foi: “O município disponibiliza um profissional da saúde para examinar os alunos e dizer se estão aptos a frequentar as aulas de Educação Física”. Para melhor entendimento organizamos as Unidades de Contexto em 3 Categorias, quais denominamos de Impactos Positivos, Impactos Negativos e Impactos 112 aparentemente não percebidos, do mesmo modo como fizemos com os professores. QUADRO 19- Categorias relacionadas aos Impactos da municipalização para a Educação Física, conforme as opiniões dos diretores das escolas da amostra. CATEGORIAS 1-IMPACTOS POSITIVOS - PARA A EDUCAÇÃO FÍSCA ESCOLAR APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO (nas séries iniciais do E.F.) 2-IMPACTOS NEGATIVOS - PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR APÓS A MUNICIPALIZAÇÃO (nas séries iniciais do E.F.) 3-IMPACTOS APARENTEMENTE NÃO PERCEBIDOS PARA A EDUCAÇÃO FÍSICA APÓS A MUNICIPALIZA-ÇÃO (nas séries iniciais do E.F.) UNIDADES DE CONTEXTO 1,2,3,4,5,6,7 8 ------------------------------- A partir das Unidades de Registro que identificamos pelas respostas dos diretores desta amostra, a respeito dos impactos que a política de municipalização pôde ter ocasionado na Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental verificamos que 11 diretores (D1, D2, D3, D4, D7, D8, D9, D11, D12, D13, D14, D15) – o que corresponde a 80% – perceberam algum tipo de mudança positiva após o processo de municipalização para a Educação Física nestas séries. Os diretores (D5, D6 e D10) – o que corresponde a 20% da amostra – não perceberam, pouco perceberam ou não cogitaram os impactos da municipalização para a Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Destaco ainda que nenhum diretor respondeu que a 113 municipalização impactou de forma negativa na Educação Física escolar nas cidades pesquisadas. Assim, como já realizado anteriormente com as respostas dos professores, organizamos três Categorias e a denominamos: 1- Impactos positivos da municipalização para Educação Física Escolar (nas séries iniciais do Ensino Fundamental), 2- Impactos negativos da municipalização para Educação Física Escolar (nas séries iniciais do Ensino Fundamental) e 3- impactos aparentemente não percebidos após a municipalização para a Educação Física (nas séries iniciais do Ensino Fundamental). Desta forma, foi possível identificarmos 7 Unidades de Contexto (1,2,3,4,5,6,7) relacionadas à Categoria Impactos Positivos, são estas: – 1-) Inserção do professor de Educação de Física nas séries iniciais do E.F. 2-) O professor de Educação Física recebeu apoio pedagógico, 3-) Melhorias dos materiais de Educação Física. 4-) Capacitação para os professores de Educação Física. 5-) Oferecimento das aulas de Educação Física em todas as séries. 6-) Melhorias das aulas de Educação Física, das atividades e aprendizagem dos alunos. 7-) Disponibilidade de um profissional da saúde para exames médicos. E apenas 1 Unidade de Contexto relacionada à Categoria Impactos aparentemente não percebidos após a municipalização para a Educação Física, denominada de 9-) Não cogitam ou falta de informação sobre a Educação Física após a municipalização. 5.4.1 CRUZAMENTO PROFESSORES E DOS DADOS DIRETORES E DAS SOBRE DISCUSSÕES OS ENTRE IMPACTOS DA MUNICIAPALIZAÇÃO PARA A EDDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F Assim é possível fazermos algumas considerações quanto aos Impactos Positivos que a municipalização proporcionou para a Educação Física escolar na região pesquisada: mudanças para melhor nos Aspectos Pedagógicos (conteúdos, HTPCs, carga horária, cursos e planejamento), nos Aspectos dos Materiais e nos Recursos Humanos (inserção do professor, apoio dos coordenadores e/ou diretores). Quanto aos Impactos Negativos, podemos conjecturar a respeito da demora em se efetivar o professor de Educação Física após a municipalização em algumas das cidades 114 da amostra, como exposto pelos professores (P1, P4, P8 e P9). Ou seja, ao mesmo tempo em que algumas escolas municipalizadas da Região da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim têm o coordenador da área para prestar auxílio aos professores de Educação Física, em outras cidades os professores de Educação Física só foram efetivados nas escolas municipalizadas no ano de 2011 para lecionar nas séries iniciais do Ensino Fundamental, dado que revelou discrepância, porém já foi felizmente resolvido. Destacamos que, perante as leis já discutidas e após o período de municipalização, identificamos, em três cidades da amostra, a demora da efetivação do professor de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. O próprio discurso dos professores e diretores apontou para este fato. Como exemplo, o professor (P8) respondeu que: (P8) Houve 1º Concurso em 2010, antes eram aulas com estagiários. No caso desta resposta, a primeira municipalização nesta cidade, conforme o quadro disponível no site da Secretaria de Educação do Estado de SP e exposto nos Procedimentos Metodológicos, ocorreu no ano de 1997. No entanto, somente em 2010 aconteceu o primeiro concurso para se efetivar o professor graduado em Educação Física nas séries iniciais, evidenciando-se o período de treze anos sem ter um professor específico e graduado na área para ministrar as aulas de Educação Física nas séries iniciais nesta cidade. A diretora (D13), pertencente a esta mesma cidade, confirma o fato, ao responder que antes da municipalização “O Estado não oferecia professor especialista na área para esse nível de ensino”. Noto que o Estado de São Paulo só fixou a obrigatoriedade do professor de Educação Física em todas as séries no ano de 2002, por meio da Resolução 184, já apresentada anteriormente. Segue a resposta da mesma: (D13) E após a municipalização também não havia professor especialista para as aulas de Ed. Física, somente alguns estagiários atuaram durante algum tempo. O plano de carreira municipal também não previa o cargo de professor especialista para atuar nas séries iniciais. Após a reformulação do Plano Municipal de Educação passou a contar com o cargo e pode fazer concurso público para efetivação de professores. Essa contratação ocorreu no início de 2010 nas escolas municipais de educação básica- ensino fundamental séries iniciais. Outras respostas ratificam o mesmo fenômeno: (P1) Depois que foi municipalizada, o que percebi que encontrei algumas dificuldades, pois antes quem dava as aulas de Ed. Física era o prof. Polivalente , então os alunos nuca tiveram aula de Ed. Física apenas 115 brincavam, sem conteúdo programado. Nesta cidade, os professores de Educação Física só foram efetivados em 2011, três semanas antes de responderem ao questionário desta pesquisa. Ou seja, durante doze anos as aulas de Educação Física foram ministradas por professores não especialistas ou até mesmo não ocorriam. Fato que se confirma com resposta das duas diretoras desta mesma cidade. Seguem: (D1) Até o ano de 2010 as aulas de Educação Física eram lecionadas pelo professor da sala (polivalente). A partir de 2011, as aulas passaram a ser lecionadas por um professor especialista (formado em Ed. F.). (D2) Não após a municipalização, mas sim após a criação da nova escola, o especialista é recente na rede para o fundamental I, até então era o professor polivalente. Seguem as respostas dos professores de outras cidades: (P5) Segundo relato das professoras mais antigas da rede, depois de ser municipalizada a escola ainda ficou uns 2 anos sem ter aulas de Educação Física. (P27) Comecei na escola após a Municipalização. Antes não havia professor específico. Destacamos, que o levantamento das Unidades de Registro para a elaboração das Unidades de Contexto e depois das categorias, para posteriormente as descrições destes resultados – partiram da percepção dos professores de Educação Física e diretores que estão diretamente imersos nestas escolas municipalizadas e, consequentemente, poderiam ter percebido algumas mudanças da gestão Estadual para a gestão local – ou Municipal – para com a disciplina de Educação Física. No entanto, como já discutido, devemos enfatizar que 19 professores o que corresponde a 60% da amostra e 3 diretores o que corresponde a 20% não perceberam, pouco perceberam ou não cogitaram os impactos da municipalização nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Isto provavelmente aconteceu com os professores, porque 75% dos que constituem esta amostra começaram a atuar após a municipalização. A partir dos resultados discutidos, podemos considerar que, apesar de 40% dos diretores apontarem a inserção do professor de Educação Física nas séries iniciais como um dos impactos positivos da municipalização, 20% afirmaram que isso não aconteceu logo após a municipalização e que esse foi um processo demorado, fato também 116 afirmado por 13% dos docentes. O que provavelmente em certo momento comprometeu a legitimação da Educação Física escolar e do espaço do especialista nas séries iniciais do Ensino Fundamental na região estudada, contudo já foi resolvido. Fato que pode também ter ocorrido ou estar ocorrendo em outros estados brasileiros, e assim prejudicando a área como um todo. 117 5.5 QUINTO MOMENTO: QUEM DEVE LECIONAR AS AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL? Neste momento, será contemplada a sétima questão do questionário do professor, e terceira questão do questionário de diretor, seguem respectivamente: 3-) Na sua opinião quem deve lecionar as aula de Educação Física do 1º ao 5º ano? Por quê? 7-) Na sua opinião quem deve lecionar as aulas de Educação Física do 1ª ao 5º ano? Por quê? Trata-se relevante a discussão deste assunto neste último momento, sobre quem deve lecionar nas séries iniciais do E.F a Educação Física, pois este tema é oriundo do problema deste estudo. Relevo que na amostra estudada, uma das cidades só efetivou o professor de Educação Física para lecionar nas séries iniciais do E.F no ano de 2011. Dado que felizmente superado na região. Atualmente como já mencionamos, 100% das escolas já possuem o especialista lecionando nestas séries. Isso se decorreu, como explicado no capítulo 2, pela não especificidade da lei e da autonomia concedida aos municípios após a municipalização, dessa forma, cada município, ao constituir seu próprio sistema, passa a gozar, de acordo com Carneiro (1998), de autonomia para se organizar e avaliar sua rede de escolas, muitos assim ao se pautarem nas leis, quais apresentam brechas, ao interpretarem, ainda podem optar pela atuação do professor polivalente em vez do especialista. Conforme exposto por Freire (2009, p.79), o objetivo de se pôr o professor polivalente ao invés do especialista da disciplina muitas vezes é determinado por aspectos econômicos e não em função da competência de cada profissional, posto que “que a fórmula mais barata, como sempre, será utilizada, pois trata-se de Educação, e, nesse aspecto a área de Educação Física leva nítida desvantagem”. A Secretaria de Educação de Águas de Lindóia, na dúvida sobre se existiria a obrigatoriedade do professor especialista em ministrar as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, consultou, no ano de 2009, o Conselho Nacional de Educação que, por meio de dois pareceres, respondeu a essa questão. Queremos salientar que tal necessidade possivelmente adveio da lacuna existente na LDB 9394/96, pois se esta fosse clara, não seria preciso consultar este 118 órgão superior, sendo somente necessária a lei ser diretamente consultada, analisada, e as dúvidas recorrentes seriam sanadas, como exemplo, na Resolução de 2002 do Estado de São Paulo. O Parecer CNE/CEB N° 2/200827, enviado para a Diretoria de ensino de Águas de Lindóia, indicou como “favorável e até louvável” que os docentes formados em licenciaturas específicas atuem nos 1º e 2º Ciclos, mas não de maneira multidisciplinar. Ou seja, os professores especialistas devem ministrar as aulas de Educação Física nas séries iniciais, mas não podem lecionar Português, Matemática, entre outras disciplinas, que devem ficar ao encargo apenas do Pedagogo. No Parecer CNE/CEB Nº 16/200128, a justificativa foi calcada na tradição e no Plano Decenal, com argumentação de que “a prática multidisciplinar é amplamente disseminada entre nós” e que desde a época de Dom Pedro I, no ano de 1827, se estipulava a atuação multidisciplinar do professor primário. Quanto ao Plano Decenal de Educação, o parecer mostra que nele são abordadas, entre os vários aspectos, a formação inicial e continuada para a atuação multidisciplinar e a garantia de se formar 100% dos docentes da Educação Infantil e das séries iniciais na modalidade normal do Ensino Médio, que habilitam os professores a ensinar todos os conteúdos. Assim, acredita-se que tanto os cursos de formação inicial quanto de formação continuada devem abarcar os vários componentes curriculares, inclusive a Educação Física, e justificam que “Proibir ou cercear a atividade docente multidisciplinar em um componente curricular específico implicaria em afrontar os termos da Carta Magna e contrariar uma longa tradição educacional”. Os pareceres ainda concluem que não “assiste a razão a quem evoca a lei para restringir o direito ao exercício profissional do professor de atuação multidisciplinar em qualquer um dos conteúdos curriculares dos anos iniciais do ensino fundamental ou da educação infantil”. Em relação a este Parecer, pensamos que a justificativa utilizada para manter o professor polivalente como eficaz em todas as disciplinas é um tanto ultrapassada, pois retorna à época do Império, sem justificativas plausíveis do motivo de se retomar a este período. Assim, entendemos que tanto as especialidades quanto as generalidades são 27 Este Parecer CNE/CEB N° 2/2008 se encontra nos anexos desta dissertação. 28 Este Parecer Nº 16/2001 se encontra nos anexos desta dissertação. 119 importantes para a constituição de um processo educativo na atualidade. Se a Educação retomar o passado com frequência sem uma reflexão e utilizar as mesmas “práticas” os resultados do presente serão muito semelhantes aos antigos. Brasileiro (2010) afirma que a Arte e a Educação Física são duas áreas do conhecimento que permanecem carecendo, diferentemente das outras, de muitas explicações, para manterem-se como um componente curricular e de justificativas das suas funções para a formação dos discentes na escola. Esta dificuldade que a disciplina de Educação Física tem para se sustentar no currículo – dependendo de muitos Decretos, Pareceres, Diretrizes, Resoluções e Leis – conforme já explicito anteriormente, de acordo com Tani (1991, p.141), se dá pela falta de “[...] uma identificação clara do conjunto de conhecimentos a serem ensinado durante as aulas”. Sendo este um dos indicadores que corroboram para que a mesma seja tratada de maneira diferenciada nos currículos escolares. Neste sentido, levando em consideração as contribuições de Bento (2006), o ser humano e sua condição é a sua historicidade. Ele está inserido no mundo que é um espaço histórico e cultural, a partir do qual ele constrói a sua identidade. Partindo deste pressuposto, nós, como professores de Educação Física, devemos constantemente construir e reconstruir nossa identidade como docentes de uma área de conhecimento – que também é retentora de uma história e cultura – para a garantia do nosso espaço na escola. Neste contexto, Heringer (2008) acrescentou que, dependendo da postura do professor de Educação Física e de como ele organiza cada espaço, esse componente curricular recebe um determinado feitio. Loyola, Fonte e Figueiredo (2010, p.188) corroboram no mesmo sentido, “evidenciando que os modos de significar a Educação Física têm relação estreita com o sujeito que assume a função docente nessa disciplina”. Rezer e Fensterseifer (2008) afirmam que parece que na falta do professor de Educação Física, no “imaginário social” qualquer docente pode lecionar estas as aulas. Na escola investigada por Loyola, Fonte e Figueiredo (2010), a Educação Física ocupava o “lugar morto”. Isso significa que ela estava presente, deveria ser levada em consideração, mas não tinha voz própria e ativa para decisões. A Educação Física aparecia como centro das festividades, lugar de acirrada tensão entre a profissionalização e a desprofissionalização. Desse modo, não era levada a sério e servia de apoio para os conteúdos desenvolvidos pelas professoras polivalentes. Os 120 sujeitos participantes dessa pesquisa asseguraram a importância inquestionável da Educação Física. Porém, na prática, ela foi considerada coadjuvante em relação às outras disciplinas no que tange ao tempo e ao espaço, constituindo-se uma disciplina menor. No mesmo sentido, Rezer e Fensterseifer (2008, p.321) destacam que a “legitimidade da docência em Educação Física se dá, independente do âmbito de intervenção, na medida em que temos o que ensinar, de forma articulada em um contexto especifico”. Isso significa que, para lidar com os enfrentamentos inerentes ao exercício da docência, é importante partir da constatação que não estamos sozinhos neste complexo desafio, pois em qualquer âmbito de intervenção, não “falamos” exclusivamente por nós. Para o bem e para o mal, estamos sempre em um contexto que nos autoriza (ou não) determinada proposição. Portanto, se faz necessário trazer o debate a responsabilização desse entorno. Da mesma forma, precisamos assumir que temos uma autonomia relativa, e não podemos fazer somente “aquilo que queremos” [...]” (REZER; FENSTERSEIFER, 2008, p.321). A partir da leitura das respostas que foram dadas pelos professores e diretores de acordo com Bardin (2011) foram identificadas as Unidades de Registro e em seguida as Unidades de Contexto, que serão apresentadas nos quadros a seguir. Estas estão relacionadas às justificativas produzidas pelos docentes e diretores do porque é o professor graduado em Educação Física que deve lecionar ou não nas séries iniciais do Ensino Fundamental esta disciplina. 121 QUADRO 20 – Unidades de Registro relacionadas às justificativas do por que o professor de Educação Física que deve lecionar ou não as aulas de Educação Física nas séries iniciais do E.F. PROF. N° UNIDADES DE REGISTRO U. R 1 Sabe os conteúdos necessários para ser trabalhado. 1. 2. Respeitando cada idade. 2 3. Possui conhecimento específico. 3 4. É o único profissional capacitado. 5. Amparado por lei para lecionar esta disciplina. 4 6. 5. 7. Na graduação os professores são capacitados para desenvolverem no máximo as habilidades e qualidades dos alunos. Pela sua formação. 8. 6 9. Um professor "polivalente" não daria uma aula com a mesma responsabilidade e conhecimento de um professor formado na área. É especialista, estudou para isso. 7 10. Conhecimento 11. 12. Somos preparados para isso através das Faculdades específicas de Ed. Física. São professores da área. 13. São habilitados. 14. Especialistas. 9 15. Somente Prof. Ed. Física está habilitado e documentado com o CREF. 10 16. A formação acadêmica focada na área; 11 17. 12 18. É o mais habilitado, principalmente com relação ao desenvolvimento motor. É o profissional que estudou para isso. 13 19. 14 20. 15 21. 16 22. 17 23. 8 1. Porque a abordagem pedagógica das aulas requer um especialista no assunto. O professor de Educação Física estudou e sabe o que está fazendo, buscando aprimorar, desenvolver suas aulas planejadas, porém quem olha de fora pode pensar "até eu sei fazer isso". Porém o professor tem seu olhar além da simples atividade; ele olha o ontem, hoje e o futuro. É o profissional capacitado para desenvolver o aprendizado. Porque ele é o profissional que possui formação específica e necessária, possui as bases para lecionar a disciplina. Não só da 2ª, mas desde o ensino infantil, porque somos os profissionais capacitados para atuar nesse campo da educação formal do aluno. Claro que necessitamos também, relacionar o conhecimento do nosso campo de atuação com o conhecimento do professor polivalente, e em conjunto com essas informações elaborar um trabalho que venha ao encontro para suprir as necessidades dos alunos. 122 18 24. Porque ele possui formação específica para esta área de atuação. 19 25. Saberá aplicar o conteúdo adequado a cada faixa etária. 20 26. 21 27. Estará mais aprofundado nesta disciplina para melhor atuar no seu trabalho. Ajudando também o professor polivalente no que ele precisar, isto é, nas outras disciplinas (Interdisciplinaridade). Tem a formação adequada para isso. 28. 31. Os professores polivalentes além de não terem formação para tal não estudaram para isso e na maioria dos casos não gosta de Educação Física. Obviamente pela preparação diferenciada do professor em relação a matéria dada. Me pergunto se deveria o prof. De Educação Física dar aulas do polivalente? Ou até, o polivalente deve dar aula de Inglês? Ou Informática? A especificidade de cada matéria. 23 32. Somente ele está habilitado. 24 33. 25 34. 26 35. 36. Ele estudou e sabe como trabalhar o corpo como um todo. O desenvolvimento geral. Assim como nós não podemos substituí-los por não termos conhecimentos específico, o mesmo se aplica aos professores polivalentes. O profissional da área buscou na sua formação uma enorme gama de conhecimentos sobre a Cultura Corporal que estão incorporados no ensino das aulas de educação física. São profissionais mais capacitados 37. Por ser este especificamente habilitado 38. E também por força da lei. 28 39. 29 40. 30 31. Só o Educador Físico saberá aplicar o conteúdo adequado à cada faixa etária O professor polivalente possui um vasto conhecimento nas disciplinas aplicadas, uma ótima metodologia, porém o mesmo não tem em conhecimento em filosiologia, biomecânica, anatomia e nas demais disciplinas que o professor de Ed. Física adquiriu em sua formação, facilitando assim o planejamento das aulas. Ter a preparação adequada para esta disciplina. 31 32. 32 33. 22 29. 30. 27 É um profissional capacitado para desenvolver outras atividades motoras que as professoras de sala desconhece e assim cabendo à elas desenvolver seu próprio conteúdo sem interferência de outras áreas. É o mais preparado para isto, a professora da sala não está preparada. 123 O quadro subsequente aponta as Unidades de Contexto relacionadas às justificativas dos docentes do por que o professor graduado em Educação Física que deve lecionar ou não esta disciplina nas séries iniciais do Ensino Fundamental . QUADRO 21- Unidades de Contexto relacionadas à opinião dos docentes do por que o professor graduado em Ed. Física que deve lecionar esta disciplina nas séries iniciais do E.F. UNIDADES DE CONTEXTO PROFESSORES P3, P27 1- DEVIDO A ESPECIALISTA LEI QUE QUE O DEVE LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F P2, P6, P7, P8, P12, P13, P16, P18, P22, P25, 2- PELA ESPECIFICIDADE DA ÁREA P26, P27, P29. QUE O ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F P4, P5, P6, P7, P10, 3- POR CAUSA DA FORMAÇÃO/ P12, P14, P16, P18, P21, ESTUDO QUE O P24, P26, P29 ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F P8, P9, P11, P23, P27 4-PORQUE O ESPECIALISTA É HABILITADO PARA LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS SO E.F 5- PORQUE O ESPECIALISTA É P3, P4, P15, 124 CAPACITADO PARA LECIONAR NAS O CONHECE P26, P31 SÈRIES INICIAIS DO E.F 6- PORQUE P17, ESPECIALISTA OS CONTEÚDOS P1,P19, P28 ADEQUADOS DA FAIXA ETÁRIA PARA LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F 7-PORQUE O ESPECIALISTA PREPARO PARA LECIONAR TEM P30, P32 NAS SÈRIES INICIAIS DO E.F 8-OS PROFESSORES DE EDUCAÇÃO FÍSICA QUE DEVEM LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F AS AULAS DE ED. FÍSICA E NÃO O POLIVALENTE P5, P21, P22, P25, P29, P31, P32 9- OS PROFESSORES A SÃO FAVOR DA ATUAÇÂO CONJUNTA (PROF. DE EDUCAÇÃO FÍSICA E POLIVALENTE) PARA LECIONAR AS AULAS DE ED. FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F P17, P20 As Unidades de Contexto que apresentaram maiores frequências de respostas foram a de número 2 e 3, 13 professores (P2, P6, P7, P8, P12, P13, P16, P18, P22, P25, P26, P27, P29) cogitaram a questão da especificidade da área da Educação Física e também 13 professores (P4, P5, P6, P7, P10, P12, P14, P16, P18, P21, P24, P26, P29) cogitaram formação/estudos como justificativas que lhes possibilitam ter maiores condições de lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, ao invés dos professores polivalentes. A partir das Unidades de Contexto estabelecemos as Categorias que serão apresentadas no quadro abaixo, estando relacionadas às justificativas dos docentes do por que o professor graduado em Educação Física que deve lecionar ou não esta disciplina nas séries iniciais do E.F . 125 QUADRO 22 – Categorias relacionadas às justificativas dos docentes do por que o professor graduado em Educação Física que deve lecionar ou não esta disciplina nas séries iniciais do E.F . N° DAS CATEGORIAS UNIDADES DE CONTEXTO 1-DEVIDO A LEI QUE O ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F 2-DEVIDO AO CONHECIMENTO ESPECIFICO EM ED. FÍSICA QUE O ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONÁLA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F 3-DEVIDO AOS ASPECTOS DISPONIBILIZADOS PELA FORMAÇÃO, QUE O ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F 4- PROFESSORES SÃO CONTRA A ATUAÇÃO DO POLIVALENTE PARA LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F AS AULAS DE ED. FÍSICA 5- PROFESSORES SÃO A FAVOR DE UMA ATUAÇÂO CONJUNTA PARA LECIONAR A ED. F. NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F 1 2,6 3, 4, 5,7 8 9 Podemos considerar a partir da categoria 3, que os professores justificam serem os mais adequados para atuarem nas séries iniciais do E. F. devido a formação na área. 126 QUADRO 23 - Unidades de Registro relacionadas às justificativas dos diretores do por que o professor especialista que deve lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F. DIRETOR N° UNIDADES DE REGISTRO U.R. 1 1. 2 2. Tem a formação necessária para fazer um trabalho mais adequado e direcionado com os alunos das séries iniciais. É o professor preparado para a atuação nessa área. 3 3. Por ser especialista nesta área. 4 4. 5 5. 6 6. Possui conhecimentos necessários à prática desta disciplina, fazendo com que os alunos se desenvolvam adequadamente os aspectos físicos/motor. As aulas são planejadas de acordo com a idade atendendo as expectativas de cada série. Pela sua formação específica. 7 7. Está preparado para desenvolver habilidades e competências na área. 8 8. 9 9. 10. 10 11. 12 11 13. Deve ter conhecimento nesta área por ser específica, trabalhar com desenvolvimento do corpo requer trabalho diferenciado e muita precaução. Exige formação. Está apto a ministrar essas aulas sem colocar nossos alunos em risco. Pela formação especifica na área. Pois este especialista trabalha as especificidades das diferentes faixas etárias. Tem a formação necessária para atuar nessa área. 12 14. 13 15. 14 16. Tem um entendimento mais amplo do conteúdo e da prática necessária para ministrar as aulas de forma a não prejudicar as crianças e sim fazer com que elas entendam a importância de praticar esporte para saúde física, mental e intelectual. Ele é habilitado a lecionar e a cumprir as atividades propostas no currículo. Porque é o profissional apto para ministrar essas aulas. 15 17. Por ter formação específica na área. A partir das Unidades de Registro foram identificadas as Unidades de Contexto relacionadas às justificativas dos diretores do por que o professor especialista que deve lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F. 127 QUADRO 24- Unidades de Contexto relacionadas às justificativas dos diretores do por que o professor especialista que deve lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F. UNIDADES DE CONTEXTO DIRETORES D9, D14 1-PORQUE O ESPECIALISTA ESTA APTO PARA LECIONAR NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F D3, D4, D6, D8, 2-DEVIDO A ESPECIFICIDADE DA ÁREA QUE O ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INCIAIS DO E.F D10, D15 3-DEVIDO A FORMAÇÃO QUE O ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INCIAIS DO E.F D1, D11, D8 4-O ESPECIALISTA É HABILITADO PARA LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F D13 5-O ESPECIALISTA TEM ENTENDIMENTO AMPLO PARA LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F D12 128 6-O ESPECIALIS-TA FAZ UM PLANEJAMENTO ADEQUADO À FAIXA ETÁRIA 7-O ESPECIALISTA TEM PREPARO PARA LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F D5 D2, D7 Podemos considerar de acordo com a Unidade de Contexto número 2, que apresentou maior frequência de Unidades de Registro, que os diretores (D3, D4, D6, D8, D10, D15), acreditam que o docente especialista deve lecionar nas séries iniciais do E.F, devido a especificidade da área. Em seguida foram estabelecidas as Categorias que estão relacionadas às justificativas dos diretores do por que o professor especialista que deve lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F. Segue o quadro: 129 QUADRO 25- Unidades de Contexto relacionadas às justificativas dos diretores do por que o professor especialista que deve lecionar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do E.F. Nº DAS CATEGORIAS UNIDADES DE CONTEXTO 1- DEVIDO A ESPECIFICIDADE DA ÁREA QUE O 2 ESPECIALISTA DE ED. FÍSICA QUE DEVE LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INCIAIS DO E.F 2-DEVIDO AO ENTENDIMENTO AMPLO QUE O 5,6 ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INCIAIS DO E.F 3-DEVIDO AOS ASPECTOS DISPONIBILIZADOS PELA FORMAÇÃO, QUE O ESPECIALISTA QUE 1, 3, 4, 7 DEVE LECIONAR A ED. FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F Assim inferimos, que a categoria número 3 apresentou a maior frequência de Unidades de Contexto, qual nos dão pista que os professores de Educação Física deve lecionar nas séries iniciais do E.F devido aos aspectos disponibilizados na formação (preparo, aptidão, habilitação). 5.5.1 CRUZAMENTO DOS DADOS E DAS DISCUSSÕES ENTRE PROFESSORES E DIRETORES SOBRE AS JUSTIFICATIVAS DO POR QUE O PROFESSOR ESPECIALISTA QUE DEVE LECIONAR A DISCIPLINA DE EDUCAÇÃO FÍSICA NAS SÉRIES INICIAIS DO E.F Como já apontado, os 32 professores e os 15 diretores participantes desta pesquisa – ou seja, (100%) da amostra justificaram o porquê que quem deve lecionar as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental é o professor graduado nesta área. Ressalto mais uma vez, que é pertinente esta discussão neste momento, porque a 130 legitimação da área de Educação Física escolar nas séries iniciais do E.F depende da ocupação (como também da atuação) do professor de Educação Física nestas séries. Constatamos que 41% dos professores e 40% dos diretores da amostra (evidenciando-se a semelhança destas porcentagens) responderam que o curso de Educação Física tem suas especificidades que a diferenciam das demais disciplinas escolares. Convergentemente, 41% dos professores e 20% dos diretores desta amostra responderam que a formação possibilita aos professores especialistas em Educação Física ministrar as aulas nas séries iniciais do Ensino Fundamental no lugar dos professores polivalentes. Devemos apontar as seguintes considerações diante dos dados averiguados - que simplesmente o fato do professor concluir a graduação em Educação Física, ou seja, estar habilitado para lecionar como descrito pelo diretor (D13) e pelos 5 professores (P8, P9, P11, P23, P27), ou como respondido pelos 2 diretores (D9, D14) que o professor de Educação Física está apto, estes dois aspectos não significam que eles são os mais capacitados, como respondido pelos 6 professores (P3, P4, P15, P17, P26, P31) para atuar nas séries inicias do Ensino Fundamental com a disciplina de Educação Física, do que o professor polivalente, e nem que estão como respondidos pelos professores (P30, P32) e os diretores (D2, D7) mais preparados. A capacitação depende de vários fatores, como as experiências que o professor possui como expôs Souza (1997, p.84): Dentro do processo educativo, a capacitação consiste na criação de espaços de ação, para o desenvolvimento das habilidades desejadas, ampliando as capacidades de se fazer, refletindo sobre este fazer, como parte da experiência que se vive e que se deseja viver. Outro aspecto que nos chamou a atenção em relação às respostas, mesmo sendo apenas de dois professores, foi a falta de conhecimento que os mesmos têm a propósito da legislação da Educação Física na escola. Partimos do princípio que a legitimação da área se firmará iniciando-se da localidade, pois, como discutido, as leis permeiam o Sistema escolar. Assim, sugestiona-se que estes docentes não fazem parte deste Sistema, desfavorecendo a ação de um docente que deve se posicionar e desempenhar um papel além de pedagógico, mas também político para a legitimação da nossa área nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Três diretores (D8, D9, D12) relataram em suas respostas um aspecto relevante não apontado por nenhum dos professores em relação aos cuidados, ou seja, a segurança 131 que professor de Educação Física tem e ou deve ter para ministrar as aulas e não colocar em risco a saúde dos alunos. É possível inferirmos que estes diretores tenham respondido dessa forma, por dois motivos. O primeiro motivo é preocupação que os mesmos têm com os alunos, porque, a partir do momento em que o estudante “passa para dentro do portão da escola”, a responsabilidade primária é do diretor e a secundária dos professores. O segundo motivo são as disciplinas que compõem as grades curriculares dos cursos superiores de Educação Física com viés das ciências da saúde ou biológicas, como Anatomia, Biologia, Treinamento, entre outras, que podem fazer parte dos conhecimentos destes diretores. A respeito dos cuidados evidenciados pelos diretores – para que os alunos não se machuquem durante as aulas práticas – considero que deve ser preocupação de todos os funcionários que trabalham na escola, já que os acidentes podem acontecer a qualquer momento, tanto em sala de aula como no recreio ou durante a aula de Educação Física. Cabe evidenciar que o professor de Educação Física, devido à formação, ao planejar suas aulas, provavelmente consiga pensar mais nos aspectos da segurança, como nos espaços e nos materiais mais adequados que utilizarão durante as aulas de Educação Física para esta faixa etária. O professor de Educação Física também disponibiliza de alguns conhecimentos da Cinesiologia, da Fisiologia e de Primeiros Socorros, que poderiam evitar alguns acidentes, posturas, movimentos errados ou exaustivos durante as aulas de Educação Física. Estes aspectos diferenciam, de fato, os professores de Educação Física dos professores polivalentes. Porém, deve-se ressaltar que as aulas de Educação Física não são para o treinamento do físico, para o desempenho ou para o rendimento do aluno. Dessa forma, concluo que a melhor forma de se evitar maiores problemas com os acidentes que acontecem não só nas aulas de Educação Física, mas também no cotidiano escolar é com o fornecimento, pela direção da escola, de cursos de primeiros socorros a todos os funcionários da escola, pois não deve ser função apenas do professor de Educação Física garantir os primeiros socorros adequados às crianças. Seguem as respostas dos diretores: (D8) Trabalhar com desenvolvimento do corpo requer trabalho diferenciado e muita precaução. (D 9) Está apto a ministrar essas aulas sem colocar nossos alunos em risco. (D12) Um entendimento mais amplo do conteúdo e da prática necessária para ministrar as aulas de forma a não prejudicar as crianças e sim fazer com que elas 132 entendam a importância de praticar esporte para saúde física, mental e intelectual. Devemos destacar ainda que 7 professores (P5, P21, P22, P25, P29, P31, P32) – o que corresponde a 22% da amostra – justificaram que o professor polivalente não deve ministrar as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Por outro lado, os docentes (P17 e P20) responderam que a atuação deve ser conjunta, semelhantemente à resposta do diretor (D3): “Conjuntamente com o professor da classe o aluno desenvolve melhor a sua aprendizagem”. Nós também defendemos uma ação conjunta entre os professores polivalentes da Educação Infantil e/ou do Ensino Fundamental com os professores especialistas de Educação Física para a elaboração de projetos educativos, para os planejamentos das aulas e para inserir de forma adequada a Educação Física no Projeto Pedagógico da escola. Contudo, os professores de Educação Física serão os responsáveis pelas aulas de Educação Física sendo sempre acompanhados do professor polivalente. 5.5.2 Algumas considerações sobre a formação e atuação do pedagogo e do professor de Educação Física com esta disciplina nas séries iniciais do E.F. De acordo com a LDB 9394/96, artigos 62 e 63, no Brasil a formação de professores para atuar no início do ciclo fundamental (do 1º ao 5° ano) se efetivará por meio dos cursos de Graduação em Pedagogia, na Escola Normal Superior e na Modalidade Normal do Ensino Médio. Existe ainda a possibilidade para os que já possuem o diploma de Ensino Superior e desejam se dedicar a educação básica de realizarem programas de formação pedagógica. Seguem tais artigos: Art. 62º. A formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura, de graduação plena, em universidades e institutos superiores de educação, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade Normal. Art. 63º. Os institutos superiores de educação manterão: I - cursos formadores de profissionais para a educação básica, inclusive o curso normal superior, destinado à formação de docentes para a educação infantil e para as primeiras séries do ensino fundamental; II - programas de formação pedagógica para portadores de diplomas de educação superior que queiram se dedicar à educação básica; III - programas de educação continuada para os profissionais de educação dos diversos níveis. (BRASIL, 1996). 133 A finalidade do curso de graduação em Pedagogia, de acordo com Resolução CNE/CP n.01/2006 (artigo 4°), é a formação de professores para exercer funções de “magistério na Educação Infantil e nos anos iniciais do Ensino Fundamental, nos cursos de Ensino Médio, na modalidade Normal, de Educação Profissional na área de serviços e apoio escolar e em outras áreas nas quais sejam previstos conhecimentos pedagógicos”. No parágrafo único deste mesmo artigo está descrito que “as atividades docentes também compreendem a participação na organização e gestão de sistemas e instituições de ensino”. Ou seja, o Pedagogo, além de lecionar, pode atuar na gestão das escolas como coordenador ou diretor, além de supervisor, dirigente entre outros cargos nas Diretorias ou Secretarias de ensino. Nos dois últimos cargos citados ele tem autoridade e deve pautar-se logicamente na lei para escolher quem deve ser o professor responsável pela disciplina de Educação Física nas escolas. De acordo com esta mesma Resolução CNE/CP n.01/2006, no artigo 6º é definido como os cursos superiores de Pedagogia devem se estruturar: Respeitando-se a diversidade nacional e autonomia pedagógica das instituições, deverá existir um núcleo de estudos básicos articulando por meio da reflexão, da literatura, e da critica a decodificação e utilização de códigos de diferentes linguagens utilizadas por crianças, além do trabalho didático com conteúdos, pertinentes aos primeiros anos de escolarização, relativos à Língua Portuguesa, Matemática, Ciências, História , Geografia, Artes e Educação Física. Conforme estas proposições, a grade curricular dos cursos de Pedagogia deve contemplar pelo menos uma disciplina correspondente à Educação Física no currículo. No entanto, isso não significa que esta contemplará, em um espaço tão curto de tempo, as especificidades da área para uma atuação com qualidade dos professores polivalentes nas séries iniciais. A propósito da formação dos professores nos cursos de Magistério, Pedagogia, Normal Superior e Educação Física, à luz do que diz o professor de Educação Física João Batista Freire (2009), estes ainda deixam muito a desejar na formação docente. Ele expõe que na formação do magistério poucos alunos que participavam das aulas de Educação Física realizavam de fato alguma atividade física ou prática desportiva que contribuiria para a prática docente. O mesmo relatou Barbosa (1999), quanto às aulas de Educação Física deste curso, ao caracterizá-las como tradicionais, dando ênfase à execução dos fundamentos esportivos, no rendimento e no ensino das regras que balizam os critérios de avaliação. 134 De acordo com Mello (2000), os cursos de Magistério para a atuação no Ensino Fundamental nas séries iniciais se reduzem a um conhecimento pedagógico esvaziado de conteúdos que devem ser ensinados. Desta forma, os futuros professores aprendem como ensinar, mas não o que ensinar, ao contrário dos cursos de formação para os especialistas, que relevam o ensino dos conteúdos mas não propiciam a articulação desse conteúdo com a transposição didática. Além do mais, segundo a autora, os cursos de graduação para formar os especialistas estão longe de se preocuparem com a educação básica É possível notar que tanto Mello (2000) (como Pedagoga) quanto Freire (2009) (como professor de Educação Física), representantes de duas áreas distintas, convergiram para o mesmo diálogo e as mesmas críticas em relação à formação do pedagogo. Santos (2008, p.85), em sua pesquisa de mestrado relacionada à Educação Física nas séries iniciais e à formação dos professores, expôs que, devido à fragilidade no processo de formação das professoras polivalentes, chegou à conclusão que “Nem quesito, todas afirmam que deve ser o profissional licenciado em Educação Física” – conclusão à qual também chegamos por meio das respostas dadas pelas professoras polivalentes após as análises. Na pesquisa de mestrado de Pereira (2007, p. 128) verificou-se “a dificuldade e a falta de conhecimento dos professores polivalentes para desenvolverem as aulas de Educação Física”. Segundo a pesquisadora, isto não quer dizer que os docentes necessitariam fazer um curso de licenciatura em Educação Física ou pós-graduação para ministrarem estas aulas, mas no mínimo, consultar livros de atividades para a diversificação das aulas, evitando as “aulas livres”. Porém, como foi identificado anteriormente pelos estudos de Caparroz e Bracht (2007), os professores de Educação Física também possuem dificuldades vinculadas ao quê ensinar, além da falta de livros didáticos da área que os auxiliariam nas aulas. As “aulas livres” foram encontradas por Pereira (2007), atividades providas pelos professores polivalentes que, de certa forma, fizeram parte do seu universo durante a infância e ainda fazem parte no cotidiano como as brincadeiras de rua e modalidades esportivas. O mesmo é retratado por Darido (2001) quando expõe que os professores polivalentes, provavelmente devido às suas vivências antecedentes na escola, na formação do magistério ou em nível superior como alunos nas aulas de Educação Física, apresentam como “prática pedagógica” corriqueira entregar a bola para os alunos, o que não garante a 135 qualidade de uma boa aula. Além disso, alegam como sendo um prêmio ou castigo as aulas fora da classe, que dependem do comportamento dos alunos. Assim relata Pereira (2007, p.129): Na verdade, o que se percebe, fortemente, é a ideia do movimento pelo movimento, no sentido de que basta movimentar-se que a aula de Educação Física está contemplada. Não há compromisso e relevância efetiva para com essas aulas. Pressupõe-se que os professores polivalentes não sabem o que fazer. Pontos relevantes e semelhantes aos já demonstrados – e que, ao mesmo tempo, podemos inferir como preocupantes – foram evidenciados na pesquisa de Ferraz e Macedo (2001) no Ensino Infantil sobre a atuação dos professores de Educação Infantil com a disciplina de Educação Física: constatou-se que quase metade dos docentes participantes do estudo não trabalhavam com essa área do conhecimento. Outro dado da mesma pesquisa foi a dificuldade dos professores polivalentes do Ensino Infantil em delimitarem a especificidade da Educação Física, questão já discutida, que permeia não só os professores polivalentes, mas também os professores de Educação Física como um todo. Diante destas duas áreas de formação (Pedagogia e Educação Física) de licenciatura, Freire (2009) defende que quem deve lecionar as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental é o profissional mais competente. Assim, se o professor de Educação Física, ao assumir as aulas, não tiver as competências desejadas mas o professor polivalente sim, o primeiro deveria ser substituído por meio do Poder Público, ou vice-versa. Ele ainda ressalta que o mais importante é garantir as aulas de Educação Física para criança como um direito – com o que também concordamos. Enquanto Santos (2008), a partir da sua pesquisa de mestrado, ampara que o professor especialista é quem deve responsabilizar-se pelas aulas de Educação Física e, de preferência, fazendo uma parceria com o professor polivalente, este trabalho conjunto é requerido devido ao melhor conhecimento que o professor de sala tem dos seus próprios alunos, além do menor ímpeto de fragmentar o conhecimento. Fato diferente foi encontrado na pesquisa de Ferraz e Macedo (2001) e por 14,29% dos professores polivalentes do Ensino Infantil, que julgaram que as aulas de Educação Física neste período escolar devem ser ministradas por eles mesmos, já que permanecem mais tempo com a criança na escola, conhecendo-os melhor. Ou seja, acreditam que não se deve ter professor especialista neste período. Contudo Ayoub (2001, p.56, grifos nossos) e nós sugerimos que: 136 [...] poderíamos pensar não mais em professoras(es) “generalistas” e especialistas”, mas em professoras (es) de educação infantil e ou professoras das séries iniciais do Ensino Fundamental que, juntas (os) com as suas diversas especificidades de formação e atuação, irão compartilhar seus diferentes saberes docentes para a construção de projetos educativos com as crianças. Portanto, defendemos que os professores de Educação Física e os professores polivalentes de Educação Infantil e/ou das séries iniciais do Ensino Fundamental devem elaborar coletivamente mais do que os projetos educativos, assim como também devem construir o planejamento das aulas e o Projeto Pedagógico da escola, inserindo adequadamente a Educação Física neste. Entretanto, os responsáveis por ministrarem as aulas devem ser os professores de Educação Física, acompanhados pelos professores polivalentes. Enfatizamos que não temos em mente e nem queremos, com esta consideração, alcançarmos os interesses corporativistas que expandiria o mercado de trabalho da Educação Física – como descrito por Freire (2009) –, mas sim justificarmos uma área de conhecimento que também apresenta suas especificidades e, consequentemente, a suma importância do professor de Educação Física atuar não só no Ensino Fundamental como na Educação Infantil como os responsáveis pelas suas aulas. 137 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS As primeiras considerações desta dissertação referem-se às brechas e contradições existentes nas leis brasileiras, fato que ocorre não só no campo educacional, como também em outros setores. As tensões geradas pela autonomia concedida aos municípios (por estas mesmas leis e pelas políticas públicas) na gestão escolar muitas vezes não são favorecem a um eficaz desenvolvimento do setor, assim como, colabora lentamente para a legitimação da Educação Física escolar. Como conferimos em alguns relatos a demora em se efetivar o professor graduado em Educação Física para lecionar nas séries iniciais do E.F. Porém, mesmo que demorado este processo em alguns municípios, para nossa grata surpresa, depois de aproximadamente 10 anos de municipalização, houve um percentual de 100% de especialistas sendo responsáveis por esta disciplina, que antes da municipalização era de 60%. Além de todos os professores serem formados em Educação Física (em que mais da metade concluiu a formação na década de 2000 – recém concursados), os mesmos ainda apontam que esses cursos colaboraram para a docência da disciplina nas séries iniciais do ensino fundamental. Dados estes que são muito positivos. A respeito dos aspectos pedagógicos, identificamos que devido o ano de formação dos mesmos, eles provavelmente tenham recebido uma formação menos tecnicista, ou esportivista, coincidindo também com a atuação, quando responderam que os objetivos a serem trabalhados nas séries iniciais, são: socialização, cooperação e ou os valores, as habilidades motoras, capacidades físicas, a recreação e o lúdico, os jogos e as brincadeiras, o conhecimento do corpo entre outros. Quanto ao tema desta pesquisa, que está relacionado diretamente ao objeto do estudo, sendo pertinente aos impactos da política de municipalização para Educação Física escolar nas séries iniciais, inferimos que (10) professores perceberam que esta promoveu alguns impactos positivos, (5) professores perceberam alguns impactos negativos e (19) professores não perceberam ou pouco perceberam ou ainda não cogitam os impactos da municipalização para a Educação Física escolar (nas séries iniciais do E.F.). Mas o discurso dos diretores de escolas são mais robustos em sinalizar transformações interessantes após a municipalização, ou seja, (11) diretores (80% da amostra), perceberam algum tipo de mudança positiva após o processo de municipalização para a Educação Física nestas séries. Destacamos ainda, que nenhum diretor respondeu que a municipalização impactou de forma negativa na Educação Física escolar (nas cidades pesquisadas). Este dado é muito relevante, pois aponta para uma 138 possível percepção por parte do corpo diretivo escolar da importância da área neste contexto, e neste processo. No que tange aos impactos positivos os professores apontaram que houveram mudanças para melhor nos Aspectos Pedagógicos (conteúdos, HTPCs, carga horária, cursos e planejamento), nos Aspectos dos Materiais e nos Aspectos dos Recursos Humanos (inserção do professor, apoio dos coordenadores e ou diretores). Os diretores, com ênfase, relataram que houve a inserção do professor de Educação Física para lecionar esta disciplina nas séries iniciais do E.F., e com menor ênfase, eles responderam que os professores de Educação Física receberam apoio pedagógico, materiais, capacitação, além da inserção das aulas de Educação Física nas séries inicias. Enquanto que aos impactos negativos, todavia já superado, foi a demora em se efetivar o professor de Educação Física após a municipalização. Fato comprovado em (3) cidades desta pesquisa, pelo o relato de (3) dos diretores e (5) professores ao afirmarem que a efetivação do professor de Educação Física nas séries iniciais não aconteceu logo após a municipalização, sendo este um processo lento como abordado anteriormente, Mesmo assim, em algumas escolas municipalizadas da Região da Diretoria de Ensino de Mogi Mirim já se tem o coordenador da área para prestar auxílio aos professores de Educação Física, dado discrepante em relação com o anterior. Consideramos que os 59% dos professores e 20% dos diretores participantes não perceberam ou pouco perceberam os impactos da municipalização para a Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Provavelmente porque 75% dos professores da amostra começaram a atuar após a municipalização. Nesta perspectiva, consideramos que os professores desta região estudada, ainda têm poucos conhecimentos em relação ao contexto da escola onde lecionam, bem como no que consiste às políticas públicas locais. Dessa forma, parece que os mesmos não se sentem envolvidos ou até mesmo inseridos na escola e/ou no sistema escolar de maneira efetiva. O quê provavelmente dificulta a legitimação da disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental e consequentemente, da área como um todo. Provavelmente devido os fatores apresentados acima, tenha sido difícil para os professores apontarem as facilidades e dificuldades do processo, o que influenciou diretamente a análise de nossa pesquisa, pois também foi difícil apresentarmos o que houve relação com da gestão estadual e/ou com a política de municipalização. Todavia, de certo, é possível afirmarmos que as dificuldades apontadas pelo corpo docente, poderão ser sanadas 139 pela política atual, ou seja, pela gestão municipal. Entre as facilidades abordadas com mais destaque foi em relação à Didática e as dificuldades em relação ao espaço físico. Embora haja conflitos existentes entre a legislação e a autonomia outorgada aos municípios, que comprometem a docência das aulas de Educação Física por especialistas, no quinto momento da pesquisa, tanto professores como diretores desta amostra acreditam segundo suas respostas, que o professor de Educação Física que deve ser o docente responsável pelas aulas de Educação Física nas séries iniciais do E.F, devido à formação e especificidade da área. Este dado também mostrou-se importante e corroboramos com ele, no entanto, consideramos que a ação conjunta entre professores especialistas (responsáveis pela disciplina) e polivalentes (da Educação Infantil e/ou do Ensino Fundamental), sejam salutares para a elaboração dos projetos educativos, planejamentos das aulas, e para a adequação da inserção da disciplina como um componente curricular no Projeto Pedagógico da escola. Dada a complexidade do estudo e os resultados obtidos, algumas conclusões mais efetivas, sobre os impactos deste processo, foram dificultadas pelos aspectos já expostos (não percepção dos docentes em relação ao processo de municipalização, causa /efeito da municipalização para a área). Mas vários aspectos foram possíveis de serem apontados (oriundos do referencial teórico e dos dados), colaborando muito para a área da Educação Física e para o processo de municipalização em outras escolas do país de maneira mais ampla. Uma conclusão é certa: para que ocorra a legitimação da Educação Física na escola, o professor (assim como todos os profissionais da área educacional) devem conhecer além dos aspectos didáticos pedagógicos, os aspectos legais e políticos que permeiam os sistema de ensino e a escola, e deve posicionar-se criticamente para uma Educação transformadora. Soma-se a isso, os esforços dos pesquisadores no desenvolvimento de outros estudos e documentos que certamente colaborarão com este processo. 140 REFERÊNCIAS AYOUB, E. Reflexões sobre a educação física na educação infantil. Revista Paulista de Educação Física, São Paulo, supl. 4, p.53-60, 2011. ARANHA, M.L.A. História da educação e da pedagogia geral e Brasil. 3. ed. São Paulo: Moderna, 2006. ARRETCHE, M. T. "Mitos da descentralização: mais democracia e eficiência nas políticas públicas". Revista Brasileira de Ciências Sociais, 31 (11): 44-66, 1996. ÁVILA, V. F. No município sempre a educação básica do Brasil. Campo Grande: UCDB, 1999. BARBOSA, R. Reforma do ensino primário e várias instituições complementares da instrução pública. Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Saúde, v.X TOMO II, 1883. BARBOSA, C. L. A. Educação física escolar: da alienação à libertação. Petrópolis: Vozes, 1999. BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977. BARDIN, L. Análise de conteúdo. 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Observe que dentro deste envelope há um questionário, com questões objetivas e dissertativas, que deverão ser respondidas pelo responsável que leciona a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental. Assim, destaco que no respectivo questionário já existem todas as informações necessárias para o preenchimento. Com isso, pedimos que após o devido preenchimento dos questionários, os mesmos sejam entregues ao pesquisador ou encaminhados de volta à Secretaria da Escola (no mesmo envelope em que vieram). Se após a leitura das instruções ainda houver dúvidas a respeito da pesquisa ou dos procedimentos necessários, sinta-se à vontade para entrar em contato conosco, por e-mail [email protected] ou pelo celular (11) 95623497 falar com Profª Cássia. Agradecemos antecipadamente sua colaboração. Atenciosamente, __________________________________ Profª. Cássia Maria Hess Aluna do mestrado em Educação Física da USJT ___________________________________ Profª. Dra. Eliana de Toledo Ishibashi Orientadora da pesquisa 148 APÊNDICE B – Carta de apresentação e informações ao professor Caro (a) Professor (a), Sou Professora de Educação Física, Cássia Maria Hess, estudante do curso de Mestrado em Educação Física, do Programa de Pós-graduação da Universidade São Judas Tadeu, e, como parte das exigências de um Mestrado, necessito realizar uma pesquisa para gerar uma Dissertação, a fim de obter o título de Mestre em Educação Física. O objetivo do estudo será investigar quem é o professor que vem lecionando as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental frente ao processo de municipalização. Tranqüilize-se quanto à preservação de sua identidade e da escola, bem como de suas respostas, pois os dados serão apresentados com a maior confiabilidade e fidedignidade possível, mantendo sempre em sigilo os dados pessoais dos participantes, conforme determina o rigor científico dos trabalhos acadêmicos. Sua maior contribuição para esta pesquisa será respondendo as questões da forma mais completa e verdadeira possível, aproximando-nos ao máximo de sua realidade docente, para que juntos busquemos soluções adequadas visando uma Educação melhor aos nossos alunos. Para isso, é imprescindível que o faça individualmente sem influência de outros e reserve pelo menos 20 minutos para responder todas as perguntas. Fique atento quanto ao prazo de entrega. Se após a leitura das instruções ainda houver dúvidas a respeito da pesquisa ou dos procedimentos necessários, sinta-se à vontade para entrar em contato conosco, por e-mail [email protected], ou pelo celular (11) 95623497, falar com Profª Cássia. Agradecemos antecipadamente sua colaboração. Atenciosamente, __________________________________ Profª. Cássia Maria Hess Aluna do mestrado em Educação Física da USJT _____________________________ Profª. Dra. Eliana de Toledo Ishibashi 149 INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO 1º) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Para garantir e reforçar o esclarecimento e entendimento das intenções deste estudo, bem como todos os seus direitos como participante de uma pesquisa, existe o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, o qual deve ser lido e preenchido, mantendo uma das cópias em seu poder. 2º) Questões Dissertativas ou abertas O questionário é composto por questões dissertativas e objetivas sinta-se à vontade em escrever o que pensa sobre a sua realidade, descrevendo as suas dificuldades e necessidades. Se achar necessário, utilize também o verso da folha. Você deve responder a primeira parte que é geral tanto para o professor de Educação Física como o polivalente, e a segunda parte conforme a sua atuação nas séries iniciais do Ensino Fundamental. 150 APÊNDICE C – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido para o professor TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO TÍTULO DA PESQUISA: A presença do professor de Educação nas séries iniciais do Ensino Fundamental frente ao processo de municipalização. Eu,___________________________________________________________________ e-mail___________________________________________________abaixo assinado, dou meu consentimento livre e esclarecido para participar como voluntário do projeto de pesquisa supracitado, sob a responsabilidade das pesquisadoras Cássia Maria Hess e Eliana de Toledo Ishibashi, membros do curso de Mestrado em Educação Física, do Programa de Pós-graduação da Universidade São Judas Tadeu. Assinando este Termo, estou ciente de que: 1-) O objetivo desta pesquisa é investigar quem é o professor que vem lecionando as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental frente ao processo de municipalização. 2-) Minha participação na pesquisa envolve, exclusivamente: o preenchimento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, e responder o questionário. 3-) Não haverá prejuízos físicos e morais para minha pessoa, nem, tampouco, gastos de ordem financeira. 4-) Meus dados pessoais serão mantidos em sigilo (nomes fictícios, por exemplo, PROFESSOR A) e os resultados gerais obtidos através da pesquisa serão utilizados apenas para alcançar os objetivos do estudo supracitado, incluindo a publicação em literatura especializada. 5-) Será necessário o meu total comprometimento para responder as perguntas do questionário. 6-) Obtive todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre a minha participação na referida pesquisa, bem como da possibilidade reduzida de riscos em minha participação. 151 7-) Se julgar necessário, poderei entrar em contato com o responsável pela pesquisa, Profª Cássia, pelo telefone (11) 95623497 ou (11) 22180936 ou email [email protected] 8-) Este Termo de Consentimento Livre e Esclarecido é feito em duas vias, sendo que uma permanecerá em meu poder e outra com o pesquisador responsável. Águas de Lindóia, ____ de ______________ de _____. ____________________________________ (Assinatura do Voluntário) ___________________________________ (Profª. Mstda. Cássia Maria Hess, aluna do mestrado em Educação Física da USJT). ___________________________________ (Profª. Dra. Eliana de Toledo Ishibashi, Orientadora da Pesquisa do Curso de Mestrado da USJT). 152 APÊNDICE D - Questionário para o professor QUESTIONÁRIO 1-) Qual a sua formação em Nível Superior e/ou Magistério (caso tenha mais de uma especifique) e o ano conclusão? _______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 2-) Considera que sua formação contribuiu para ministrar a disciplina de Educação Física nas séries iniciais do ensino fundamental? ( ) Sim ( ) Não Porquê? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 3-) Como foi escolhido(a) para lecionar a disciplina de Educação Física na escola ou série em que atua? ( ) pelo (a) diretor (a) ( ) pelo (a) coordenador(a) ( ) pelo (a) secretário (a) de Educação da cidade Outros_____________________________________________________________ 4-) Quais séries que atua com a disciplina de Educação Física? __________________________________________________________________________ _ 5-) Você atua nesta disciplina antes e/ou depois da escola ter sido municipalizada? E quais permanências e continuidades foram percebidas por você neste processo de municipalização em relação à disciplina de Educação Física (atuação profissional, conteúdos, carga horária etc) __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ __________________________________________________________________________ 153 6-) Quais devem ser, no seu entender, os objetivos a serem desenvolvidos na Educação Física nas séries iniciais ? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ 7-) Na sua opinião quem deve lecionar as aulas de Educação Física do 2º ao 5º ano? ( ) professor polivalente ( ) professor de Educação Física ( ) Ambos Porquê?_________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ PARA O PROFESSOR POLIVALENTE 8-) Qual tipo de capacitação para lecionar a disciplina de Educação Física você teve em sua formação profissional (curricular – graduação e extra-curricular –cursos, experiências de docência etc)? _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 9-) Como está o andamento das aulas de Educação Física nas séries iniciais? Exponha suas facilidades e dificuldades para esta atuação. _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ PARA O PROFESSOR ESPECIALISTA 10-) Você desenvolve regularmente as aulas de Educação Física? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente Porquê/Como? Exponha suas facilidades e dificuldades _______________________________________________________________________ _______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 154 APÊNDICE E - Carta de apresentação e informações ao diretor Caro (a) Diretor (a): Inicialmente gostaria de me apresentar, pois sou formada em Educação Física e atuo como professora da Rede Estadual de Educação nesta área, especificamente na EE Toledo Barbosa, na cidade de São Paulo. Atualmente também sou discente do curso de Mestrado, do Programa de Pós-graduação em Educação Física da Universidade São Judas Tadeu, e, como parte das exigências deste curso, necessito realizar uma pesquisa de campo, cujo instrumento é um questionário, que segue anexo neste e-mail. O objetivo da minha pesquisa é investigar os impactos do processo de municipalização na atuação dos profissionais de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental, por isso sua participação é de extrema relevância. Esclareço ainda que a identidade da escola, bem como a do (a) diretor (a), não serão reveladas, pois os dados serão apresentados com a maior confiabilidade e fidedignidade possível, mantendo-se sempre os dados pessoais em sigilo, conforme nos determina o rigor científico de um trabalho acadêmico. Para concluir, peço-lhe a gentileza de enviar o questionário para este mesmo email, preferencialmente até o dia 15 de dezembro. Se após a leitura das instruções ainda houver dúvidas a respeito da pesquisa ou dos procedimentos necessários, sinta-se à vontade para entrar em contato conosco, por email [email protected] ou pelo celular (11) 95623497 (Profª Cássia). Agradecemos antecipadamente sua colaboração. Atenciosamente, _____________________________________________ Profª. Cássia Maria Hess - Aluna do mestrado em Educação Física da USJT. _____________________________________________ Profª. Dra. Eliana de Toledo Ishibashi - Orientadora da pesquisa. 155 INSTRUÇÕES DE PREENCHIMENTO 1º) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Para garantir e reforçar o esclarecimento e entendimento das intenções deste estudo, bem como todos os seus direitos como participante de uma pesquisa, existe o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (no início da próxima página), o qual deve ser lido e preenchido, mantendo uma das cópias em seu poder. 2º) Questões Dissertativas ou abertas O questionário é composto por questões dissertativas e objetivas sinta-se à vontade em escrever o que pensa sobre a sua realidade, bem como da escola em que trabalha, descrevendo as suas dificuldades e necessidades. Se achar necessário, utilize também o verso da folha. 156 APÊNDICE F – Termo de consentimento Livre e Esclarecido para o diretor TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO TÍTULO DA PESQUISA: A presença do professor de Educação nas séries iniciais do Ensino Fundamental frente ao processo de municipalização. Eu,_______________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ email___________________________________________________, telefone da escola _____________________ dou meu consentimento livre e esclarecido para participar como voluntário do projeto de pesquisa supracitado, sob a responsabilidade das pesquisadoras Cássia Maria Hess e Eliana de Toledo Ishibashi, membros do curso de Mestrado em Educação Física, do Programa de Pós-graduação da Universidade São Judas Tadeu. Assinando este Termo, estou ciente de que: 1-) O objetivo desta pesquisa é investigar quem é o professor que vem lecionando as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental frente ao processo de municipalização. 2-) A participação na pesquisa envolve, exclusivamente: o preenchimento do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, e responder o questionário. 3-) Não haverá prejuízos físicos e morais para minha pessoa, nem, tampouco, gastos de ordem financeira. 4-) Meus dados pessoais serão mantidos em sigilo (nomes fictícios, por exemplo, PROFESSOR A) e os resultados gerais obtidos através da pesquisa serão utilizados apenas para alcançar os objetivos do estudo supracitado, incluindo a publicação em literatura especializada. 5-) Será necessário o meu total comprometimento para responder as perguntas do questionário. Desta forma, caso não souber ou tiver dúvidas a respeito de alguma pergunta, não a deixe em branco, tente obter os dados com os colegas anteriores do cargo ou em documentos oficiais da escola. 6-) Obtive todas as informações necessárias para poder decidir conscientemente sobre a minha participação na referida pesquisa, bem como da possibilidade reduzida de riscos em minha participação. 157 7-) Se julgar necessário, poderei entrar em contato com o responsável pela pesquisa, Profª Cássia, pelo telefone (11) 95623497 ou (11) 22180936 ou email [email protected] 158 APÊNDICE G – Questionário do diretor QUESTIONÁRIO NOME DA ESCOLA:_________________________________________________ NOME DO (A) DIRETOR(A): _____________________________________________ ANO QUE INICIOU O TRABALHO COMO GESTORA DESTA ESCOLA: ____ ANO DE MUNICIPALIZAÇÃO DAS SÉRIES INICIAIS DESTA ESCOLA: ____ 1-) Qual o professor responsável que lecionava as aulas de Educação Física nas séries inicias (do 1º ao 5º ano ou 1ª série até 5ª série) antes da municipalização desta escola ? ( ( ( ( ) Professor polivalente (formado em Pedagogia, Magistério, ou Normal Superior). ) Professor especialista (formado em Educação Física). ) Estagiários. ) Outros _____________________________________________________________ Por quê? 2-) Qual o professor que leciona as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental após a municipalização desta escola ? ( ( ( ( ) Professor polivalente (formado em Pedagogia, Magistério, ou Normal Superior). ) Professor especialista (formado em Educação Física). ) Estagiários. ) Outros _____________________________________________________________ Por quê? 159 Observação: especifique se tiver mais de um professor e a sua respectiva formação ministrando as aulas de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental desta escola. 3-) Na sua opinião quem deve lecionar as aulas de Educação Física do 2º ao 5º ano? ( ) professor polivalente ( ) professor de Educação Física ( ) Ambos Por quê? 4-) A-) Como o processo de municipalização impactou no ensino público de maneira geral ( aponte quais mudanças, dificuldades, facilidades que foram percebidas por você com esta política, entre outros aspectos que ache relevante)? 160 B-) E na área da Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental?