2002 Vivemos a transição entre o velho e o novo papel do estado 1. A Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte passou por uma reformulação. Como foi este processo de mudança e por que ocorreu? Internamente, a vigilância no estado passou por reformas e está hoje estruturada em dois setores: de Análise de Projetos e de Produtos e Serviços de Saúde, que conta com as assessorias Jurídica e de Comunicação. Para avançar no cumprimento da lei nº 8.080/90 - que delega à vigilância estadual o papel de coordenar, elaborar normas complementares, planejar, capacitar municípios, assessorar e avaliar as atividades no âmbito estadual - entende-se que há necessidade de com outras vigilâncias sanitárias. Estamos vivenciando um momento de transição entre o velho e o novo papel do estado, muitas vezes executando ações fora do nosso âmbito de atuação. 3. De que forma a nova estrutura melhorou a qualidade dos serviços prestados? “É fundamental uniformizar as ações de vigilância” se fazer uma vigilância sanitária generalista, que atenda os assuntos básicos inerentes a aspectos da municipalização. Contudo é necessário o aperfeiçoamento da equipe de nível central e regional, capacitando-as para um eficiente atendimento às atividades de competências do nível estadual. A fluidez das ações e capacitação se faz devido à nova política de repasse financeiro da Anvisa, que mesmo não sendo suficiente, garante este avanço. 2. Então, qual o papel do estado? Tomou-se como marco zero do nosso papel a descentralização das ações básicas de vigilância sanitária para os municípios. Sabemos que, apesar desse entendimento, a não integralidade da municipalização requer do estado uma parceria na execução das ações inerentes aos municípios. Para que isso ocorra é fundamental a uniformização dos procedimentos e o entendimento do verdadeiro papel do estado. Continuamos assistindo os municípios por meio da capacitação, tendo como sede do evento as Unidades Regionais de Saúde Pública (Ursaps), que prestam assessoria em serviços ou demanda espontânea. Desenvolvemos e executamos programas nacionais de interesse da saúde, além de estarmos engajados nas estratégias da Agência e na troca de experiências 2002 7 8 setembro de 2002 número 23 setembro de 2002 Vitória Régia da Cunha A nutricionista Vitória Régia da Cunha, subcoordenadora de Vigilância Sanitária no Rio Grande do Norte, atua na área desde 1988, quando começou a trabalhar no setor de Alimentos na então Coordenadoria de Vigilância Sanitária. Especialista em Nutrição Social e em Saúde Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Vitória atuou como nutricionista em unidades de saúde e hospitais da rede pública e privada, o que lhe confere uma ampla visão das necessidades do setor no estado. Atualmente, ela responde pela gerência da Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária do estado. Nos últimos anos, o Rio Grande do Norte tem avançado na melhoria da qualidade dos serviços prestados à comunidade. Assessorar o trabalho nos municípios é uma estratégia para isso. O estado também investe na capacitação do seu quadro de pessoal, proporcionando treinamentos, participação em encontros e seminários da área, além do engajamento em programas e estratégias da Anvisa e da troca de experiências com outras vigilâncias estaduais. setembro de Ela trouxe melhorias em vários níveis estruturais da vigilância. Proporcionou avanços no fluxo interno e maior integração da equipe, tornando-a multidisciplinar, o que evita as tradicionais caixinhas, mazelas herdadas das antigas estruturas. Também deu maior agilidade no atendimento aos usuários, viabilizando estratégias de alcance na eficiência e na eficácia do serviço. 4. Há dificuldades em realizar o monitoramento das indústrias salineiras no Rio Grande do Norte? Qualquer mudança passa por um processo que envolve paradigmas, questões sociais, econômicas e culturais. Por ser o maior produtor de sal do país, o Rio Grande do Norte tem uma grande responsabilidade em garantir a presença do iodo no sal a fim de combater as doenças provocadas por sua carência. Isso requer um monitoramento constante. Temos obtido bons resultados neste programa por meio de parcerias formuladas pela Anvisa com o Senai e o Sebrae, que capacitam e assistem os produtores de sal e os técnicos da vigilância sanitária. Tivemos uma certa dificuldade na aplicação e no cumprimento da nova legislação, o que acarretou uma mudança significativa na estrutura física e operacional na indústria salineira, implicando investimentos financeiros significativos. A tecnologia de iodação do sal ainda é feita de forma simplificada, favorecendo desvios na qualidade que se refletem na aplicação de penalidades. Este método requer um estudo mais detalhado que traga sugestões para mudanças. Produtos apreendidos em agosto e setembro Evento discute eficácia e segurança de isoflavonas No dia 29 de agosto, a Agência promoveu um encontro com especialistas, profissionais de saúde, representantes de órgãos de defesa do consumidor, setor produtivo e universidades num workshop sobre isoflavonas. Em pauta, a utilização e os efeitos da substância na saúde humana. A idéia era conhecer pesquisas que avaliam a utilização das isoflavonas para futuramente elaborar recomendações à população sobre o uso da substância. Um dos convidados foi o professor da Universidade de Cincinnati (Estados Unidos), Kenneth D. Setchell, que falou sobre o consumo da soja na dieta e indicações de uso, ressaltando que não há estudos conclusivos sobre os riscos do uso das isoflavonas a longo prazo. As isoflavonas são substâncias presentes principalmente na soja e seus derivados. Também conhecidas como fitoestrógenos, apresentam semelhança estrutural com os hormônios estrogênicos, encontrados em maior concentração nas mulheres. As únicas funções terapêuticas para as isoflavonas até hoje aprovadas pela área de Medicamentos Fitoterápicos são para auxiliar na redução dos níveis de colesterol e no alívio das ondas de calor associadas à menopausa (fogacho). Somente dois medicamentos são registrados com essas finalidades. Os alimentos não podem alegar ou fazer nenhuma alusão à prevenção, tratamento ou cura de doenças como câncer, osteoporose, reposição hormonal e redução do risco de doenças cardiovasculares. Esses produtos estão em Nara Anchises ntrevista: Fred Gomes e setembro de A partir deste mês, o servidor da Agência passará a conhecer um pouco mais sobre a nova estrutura organizacional e as propostas de trabalho para as gerências da Anvisa previstas pelo Projeto de Melhoria da Gestão (PMG). Para isso, foi criado o Jornal da Mudança, um informativo que circulará no edifício sede com tiragem de mil exemplares. O número Um será lançado durante a 2ª Reunião Geral do Projeto de Melhoria da Gestão (Regeral), no dia primeiro de outubro, no auditório do Conselho dos Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), e logo depois distribuído para os funcionários da Agência. Quinzenalmente, o jornal veiculará informações gerais sobre o projeto, mostrando numa linguagem simples como será o processo de mudança para que o servidor fique familiarizado com a nova cara que a Anvisa terá. O Jornal da Mudança, além de documentar, será um aliado no processo de transformação. Para o coordenador do Núcleo de Assessoramento à Gestão Estratégica (Naest), Eduardo Nakamura, é imprescindível a participação dos funcionários: “a mu- Produto Empresa Situação Motivo Antimoniato de meglumina Eurofarma Recolhido e inutilizado Apresentou contaminação por metais pesados Bicarbonato de sódio 8,4% (lote nº 404) Halex Istar Interditado PH de 9,5, quando a variação permitida é de 7 a 8,5 Bisturi Eletrônico BP-600 Plus, Bisturi Eletrônico BP-400 Plus, Biocoagulador EMAI modelo HY-P-30, Bisturi Eletrônico BP-150 e Bisturi Eletrônico BP-100. Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Cápsulas de vinagre de maçã Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Setchell: isoflavona não substitui terapia hormonal situação irregular, caso façam menção aos benefícios da isoflavona nos dizeres de rotulagem e materiais publicitários. O resultado do Workshop está no www.anvisa.gov.br, no link Perguntas Freqüentes/Alimentos. Jornal da Mudança terá notícias sobre melhoria da gestão acervo 6 dança só vai ocorrer com o envolvimento de todos os servidores. Assim, o Jornal da Mudança possibilitará ao projeto o engajamento dos servidores com reflexo positivo na gestão”. Por meio do jornal, os servidores poderão se atualizar sobre os planos de trabalho em desenvolvimento e os processos que estão sendo mapeados, redesenhados e padronizados. A expectativa é que o interesse pelas informações vá crescendo a cada nova edição. “Esperamos que o jornal seja bem recebido. É um veículo que complementa os já existentes, como a Intravisa e o Boletim Informativo, e desperta o interesse dos funcionários para o assunto.” Traillers nas fronteiras A Gerência-Geral de Portos, Aeroportos e Fronteiras receberá no próximo mês mais oito traillers equipados com computador, impressora, geladeira para vacinas, ar condicionado e fax. Desde novembro do ano passado, nove cidades de fronteira nos estados de Amazonas, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul já contam com a nova estrutura dos traillers, que permite que os inspetores fiquem ainda mais próximos dos viajantes para vaciná-los, fiscalizar veículos e produtos importados e promover o controle de vetores, além de realizar o trabalho de educação em saúde. Carbonato de lítio 300 mg (lote lote nº 9912636) Igefarma Interditado Comprimido com aspecto quebradiço e a desintegração no organismo ultrapassou o limite de 30 minutos Creme modelador para seios e gel auxiliar. Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Kit Emagrecedor, composto por drágeas de alcachofra Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Monitor Cardíaco EMAI Modelo RX-20 (imagem congelada), RX-10 e Desfibrilador EMAI modelo DX-10 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Oxímetro com alarme, monitor de pressão, Capnógrafo de mesa, Capnógrafo portátil 8200, Oxímetro de Mesa 3304 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Palmito de açaí em conserva da marca Guajara (lote nº 02875) Hamex Indústria e Comércio Alimentício Interditado Ph do líquido da conserva estava em 4,68, acima do limite ideal de 4,5 Raticida Era Rato Diplomata Assis Comércio de Produtos Agropecuários Ltda Apreendido Sal granulado extra (lote nº 102) Petiskão Apreendido Ausência de iodo nas amostras analisadas Solução isotônica de glicose 5% (lote nº 137/09) Halex Istar Interditado Ampola apresentou elemento estranho Termo Cautério com Luz Endoscópica e Monitor Multiparamétrico RX-300 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Todos os produtos Crep New Apreendido Laboratório funcionava em condições precárias de conservação e limpeza Todos os produtos Laquifal - Farmácia e Laboratório Químico e Farmacêutico Ltda Apreendido Não tem registro Todos os produtos Micrometal Indústria e Comércio Ltda Suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Todos os produtos STJR Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro ISSN 1518-6377 Código de ética disciplina conduta de servidores pp.4 e 5 Não tem registro Técnicos certificam validade de testes de bioequivalência p. 3 Agência promove debate sobre uso dos fitohormônios p. 7 www.anvisa.gov.br Do ponto de vista da ética, o processo de construção de uma agência reguladora efetivamente transparente passa pela definição de um conjunto de normas, sanções e pela criação de um fórum apropriado para discutir e avaliar possíveis desvios de conduta de seus funcionários. Contudo, o elemento vital desse processo é o servidor e suas práticas no dia a dia. Trilhando esse caminho, a Anvisa mediante consulta pública interna já elaborou o seu Código e instalou a Comissão de Ética da instituição. O desafio agora é concentrar os esforços na divulgação ampla dessas normas de conduta e na sensibilização dos servidores para que eles não somente cumpram o Código, mas entendam, respeitem e legitimem os pontos apresentados. O momento de construção da ética na vigilância sanitária permitiu que avaliássemos questões não só éticas, mas também qual o comportamento adequado e quais as consequências que esses desvios de comportamento do servidor poderiam acarretar para o órgão, que tem como característica a fiscalização de produtos e serviços para a saúde. Enquanto ele não estiver aberto a discutir e avaliar as suas práticas individuais, a Comissão de Ética continuará tendo muito trabalho para resolver situações complexas, às vezes iniciadas a partir de atitudes bem simples. Conseguir fazer com que o servidor, como indivíduo, reflita e reformule conceitos e atitudes em busca de um aperfeiçoamento pessoal e que, conseqüentemente, influencie no desenvolvimento da Anvisa é tarefa que demanda tempo, recursos e empenho de todos. Os primeiros passos já foram dados. Resta prosseguir e ajustar o curso rumo ao cumprimento das diretrizes institucionais da Agência. c artas Qualidade Sou farmacêutica e procuro estar sempre informada sobre os assuntos da área da saúde, como a situação de alguns medicamentos. Estive visitando um posto de saúde da minha cidade e lá tomei conhecimento da existência do Boletim Informativo da Anvisa, que muito me impressionou pela qualidade das matérias. Parabéns pelo trabalho. Claudinéia Bordin Moreira Farmácia Central Guapirama - PR e nsaio Oficina O Instituto de Saúde Coletiva (ICS) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou no início do mês a oficina “Comunicação e Educação para a Proteção e Promoção da Saúde com Ênfase em Vigilância Sanitária”. Cerca de 60 técnicos de vigilâncias municipais, estaduais e da Anvisa participaram do encontro, que teve palestras, entre outros, dos professores Fernando Lefèvre (USP), Nadja Miranda e Ligia Rangel (UFBA). Os participantes apontaram a oficina como um espaço precioso de reflexão e elaboração de propostas a serem desenvolvidas nos serviços de Vigilância Sanitária. Especialização No mesmo Instituto, começou no dia 11 deste mês, com apoio da Anvisa, o primeiro curso de Especialização em Saúde Coletiva com concentração em Vigilância Sanitária. O ICS, um centro colaborador da Agência, está qualificando 21 pessoas na primeira turma. Um dos critérios de seleção é ser inspetor de vigilância sanitária. Na turma, dez alunos são técnicos da vigilância da Bahia e os outros 11 pertencem às vigilâncias municipais. Programa Z O mês foi de mudanças para o chamado Programa Z. Desde o dia nove, além de mudar o nome de Setor de Validação de Processo de Registro de Medicamentos para Gerência de Validação de Registro de Medicamentos, a divisão passou a fazer parte do quadro da Gerência-Geral de Medicamentos. Antes vinculada a uma diretoria, a nova gerência continuará os trabalhos de revisão de registros. e xpediente Anvisa Boletim Informativo é uma publicação mensal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)-Ministério da Saúde. Conselho Editorial: Gonzalo Vecina Neto, Luiz Milton Veloso Costa, Luís Carlos Wanderley Lima, Claúdio Maierovitch Pessanha Henriques e Ricardo Oliva Edição: Carlos Dias Lopes, registro MTb 7476/34/14/DF Textos: Nara Anchises e Rubens Amador Colaboração: Graça Guimarães, Laila Muniz Projeto e Design Gráfico: Daniel Ferreira (Gerência de Comunicação Multimídia - GECOM) Editoração: Renato Berlim (GECOM) Capa: Daniel Ferreira e João Carlos Machado (GECOM) Apoio: Oralda Betânia Diniz e Daniella Silva Tiragem: 60 mil exemplares Endereço: SEPN Quadra 515, Bloco B, Ed. Ômega Brasília (DF) CEP 70770-502 Telefones: (61) 448-1022 ou 448-1301/ Fax: (61) 448-1252 E-mail: [email protected] ISSN: 1518-6377 setembro de 2002 setembro de Antes de chegar ao mercado, os medicamentos genéricos passam por um teste farmacológico que comprovará se de fato são ou não idênticos aos medicamentos de referência (inovadores) dos quais serão cópias. Encomendados por laboratórios, os chamados testes de bioequivalência são realizados por um dos 27 centros de universidades e de laboratórios autorizados pela Anvisa. O procedimento acima é obrigatório e preliminar no processo de registro de genéricos. Há um último “olhar clínico” este sim decisivo – para que eles possam ser comercializados: um meticuloso exame dos documentos com os resultados dos testes de bioequivalência. A responsabilidade por estes exames é da Unidade de Avaliação de Ensaios de Bioequivalência da Gerência-Geral de Medicamentos Genéricos, coordenada pela farmacêutica e professora da USP Sílvia Storpirtis. Na prática, ela e sua equipe batem o carimbo de aprovado ou não sobre os testes, decretando se os medicamentos poderão ser comercializados. Um grupo de 17 profissionais do setor – 12 farmacêuticos, dois estatísticos e dois auxiliares administrativos – compara a quantidade de substância ativa e verifica os níveis estatísticos de bioequivalência, antes de bater o martelo sobre os testes. Pode-se ter idéia da responsabilidade que é aprovar (ou recusar) testes de bioequivalência, a começar pela saúde dos consumidores. Se o resultado for inconsistente e o medicamento chegar ao mercado, a saúde do doente pode piorar. Além disso, há o lado das empresas que investem no registro de um medicamento. Por um teste de bioequivalência, elas pagam em média R$ 100 mil aos centros. Ocorre que nem sempre os resultados estão de acordo com as normas Sílvia e equipe: análise criteriosa dos processos de genéricos técnicas-padrão utilizadas no Brasil, Medicamentos Genéricos e Referênbaseadas num mix das principais le- cia, trabalho desenvolvido pela gerêngislações na área existentes hoje no cias de Laboratórios, Genéricos e de mundo, principalmente nos Estados Inspeção de Medicamentos, que coUnidos, Canadá e Comunidade Eu- letam medicamentos (genéricos ou ropéia. “Precisamos ser rigorosos. Por não) nas farmácias, para avaliar sua isso, acompanhamos as legislações de composição. Recolhidos, os genéricos são enbioequivalência em que nos baseamos, preocupados em nos manter caminhados para novos testes de atualizados e fiscalizar com eficiên- equivalência farmacêutica. Constatacia os testes”, explica Sílvia Storpirtis. do algum problema durante os exaOutro ponto da garantia de mes, o produto é simplesmente retiqualidade é o trabalho do Programa rado das farmácias e drogarias e os de Monitoramento de Qualidade de fabricantes são autuados. Testes são feitos em 24 horas, com voluntários sadios Os testes de bioequivalência são feitos com pessoas – 24 voluntários obrigatoriamente sadios, de 18 a 50 anos de idade, que assinam um termo de consentimento antes de se submeter aos exames. Ao longo de um dia, eles tomam os dois medicamentos (de referência e depois genérico), com intervalos entre as ingestões para que o organismo se livre das substâncias de cada produto. Cada ingestão leva à determinada concentração de princípios ativos no plasma, medida por uma seqüência de exames de sangue. Os voluntários são submetidos a cerca de dez coletas de sangue, por meio das quais serão conferidas três informações fundamentais para o teste de bioequivalência 2002 4 5 setembro de 2002 Compromisso com a transparência e a imparcialidade Anvisa só autoriza comercialização de genéricos depois de confirmar bioequivalência entre os medicamentos: a concentração plasmática máxima obtida dentro do organismo, o tempo em que ela ocorre e a extensão total da sua absorção pelo indivíduo. Os técnicos traçam gráficos relacionando a concentração plasmática e o tempo de coleta para cada voluntário em relação à ingestão de ambos os produtos. Depois disso, sobrepõem as duas curvas de impacto. Se elas se encontrarem dentro de determinada faixa técnica, os medicamentos são considerados equivalentes. Os voluntários que se submetem aos testes não devem ter vícios - não devem ser fumantes, não devem consumir bebidas alcoólicas nem fazer uso de medicamentos de uso continuado. Na condição de voluntários, são também proibidos de receber pagamento. p.6: entrevista com Vitória Régia da Cunha, coordenadora da Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte p.8: Tabela de medicamentos apreendidos no mês de setembro editorial 3 Quarta-feira, 15h. Uma tarde comum de expediente de trabalho na Anvisa. Técnicos da Gerência de Validação de Registro de Medicamentos reúnem-se com representantes de um laboratório multinacional no novo parlatório da Agência. Em pauta, assuntos como andamento de processos, indeferimentos e esclarecimentos acerca de exigências que a empresa deve cumprir. Os técnicos em questão não são responsáveis diretos pela análise dos processos e o encontro é gravado e filmado por circuitos internos de TV e áudio. A sala envidraçada permite que o encontro esteja ao alcance da vista de qualquer pessoa, garantindo transparência e imparcialidade. O procedimento é uma nova rotina incorporada à forma de atendimento do setor regulado pela Vigilância Sanitária desde que o Código de Ética da Anvisa entrou em vigor. Ser ético é conduzir o trabalho de maneira correta, imparcial, rápida e lícita. Não ceder a influências, nem ofender a honra, a moral e a integridade dos colegas de trabalho. Estas definições estão no Código. Para garantir que façam parte da conduta dos servidores, há três meses foi criada a Comissão de Ética da Anvisa (Ceanvisa), que trabalha com afinco na apuração de denúncias de desvios. As regras de conduta começaram a ser definidas em dezembro de 2001, quando um grupo de servidores – que mais tarde ajudou a compor a Comissão começou a estudar normas para um adequado comportamento dos funcionários da Agência. Depois de o texto ser colocado em consulta pública interna e aprovado pela Diretoria Colegiada, foram oficializados o Código e a Comissão de Ética. Transformação Durante o lançamento do Código, o diretor-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, chamou a atenção para o significado da introdução do manual nas relações dos profissionais da Anvisa entre si e para a responsabilidade de se estabelecer uma nova forma de atendimento ao setor regulado. “Estamos caminhando para uma transformação importante dos valores dentro das nossas atividades”, disse. Para Vecina, esse é um momento histórico e deverá ter repercussão no trabalho de cada um. “Ainda não fazemos idéia da grandeza dessa transformação, que fará com que tenhamos um compromisso diferente com a sociedade. Vamos mudar a nossa maneira de tratar o setor regulado, sem destratá-lo. Há que se colocar distância sem perder o contato com eles. Temos que ouvi-los, vê-los, mas com um conjunto de regras intermediando essa relação”, justifica. As preocupações com aspectos éticos provocaram até mesmo mudanças nas instalações físicas do edifício sede da Anvisa. Foram criados um parlatório para atendimento das empresas e o agendamento eletrônico das reuniões, formas de contato com o público externo mais transparentes, imparciais e impessoais. Denúncias ou representações são apuradas e investigadas pela Ceanvisa, que convoca os envolvidos e, se for o caso, aplica a única punição prevista no Código: a censura ética, um documento de caráter pessoal que é enviado ao conselho ou Especialista fala sobre responsabilidade no país do “jeitinho” Criada em maio de 1999, a Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República é uma espécie de “mãe” das comissões setoriais de ética, ao coordenar a definição de padrões aceitáveis de conduta para funcionários públicos. Mauro Sérgio Bogéa, secretário-executivo da CEP, concedeu entrevista ao Boletim Informativo em que fala sobre a importância da implementação de um código de ética em um órgão como a Agência. Seguem trechos da entrevista. 1 - Qual a importância social de ser ético no serviço público? A falta de ética tem efeitos nocivos sobre a governança pública e corporativa, compromete a confiança das pessoas e representa risco institucional para o Estado. É um problema que não diferencia nações, governos ou organizações. O que os diferencia é a forma como se preparam para enfrentá-lo. A vinculação estrita das entidades e quadros públicos com o bem comum, com os valores e princípios éticos é fundamental para o fortalecimento do regime democrático. 2 - O “jeitinho brasileiro” tem dado trabalho à Comissão de Ética Pública? Quando se fala em Gestão da Ética falamos de valores, regras de conduta e administração. As regras oferecem um caminho prático para que os valores éticos sejam observados. Nem sempre é tão simples saber na prática fazer valer valores como justiça e imparcialidade. Aí entram as regras. À administração cabe zelar pela efetividade dos valores e regras. Pelos efeitos sobre a reputação e credibilidade da própria organização, certos dilemas éticos necessitam ter soluções padronizadas, de forma a transmitir às partes relacionadas certeza quanto à conduta que podem esperar do funcionário. Não cabe a esses casos qualquer solução fundada no “jeitinho”. 3 - Aceitar um agrado de R$12 é diferente de aceitar um presente de R$120? Até que ponto essa prática influencia o trabalho de um servidor? Aceitar presentes, agrados ou favores em função do cargo é terminantemente vedado na Administração Pública brasileira, não importa o nome que se dê, ou os valores envolvidos. Além do estatuto do servidor, o Código de Conduta da Alta Administração Federal e o Código do Servidor ratificam essa proibição. Conforme o Código de Conduta, presente, favor ou agrado recebidos em função do cargo não se confundem com o recebimento de brinde destinado à promoção de organização, como folhinhas e canetas, desde que a distribuição seja generalizada, o valor inferior a R$ 100 e a freqüência não inferior a 12 meses. Carlos Dias Lopes 2 ainda nesta edição 2002 Rubens Amador setembro de homem dos demais animais é a base ética que o faz aceitar a responsabilidade que tem com o outro e na liberdade de assumir, ou não, essa responsabilidade. Servidores Reuniões com representantes da indústria são filmadas entidade de classe a que o servidor está filiado e para o setor de Recursos Humanos da instituição. O secretário-executivo da Comissão de Ética da Anvisa, Raimundo Silva, acredita que o papel principal da Ceanvisa é educativo. “Estamos dando ampla divulgação às normas do Código de Ética, orientando e respondendo às consultas dos servidores para reduzir as situações de conflito entre o interesse privado e o público”. Para preservar a imagem dos interessados, as correspondências da Ceanvisa não poderão ser abertas pelos responsáveis por serviços de expedição, nem divulgada a identidade de quem as recebe ou envia. Assim, evita-se que boatos ou especulações apareçam entre os funcionários, intimidando ou constrangendo as pessoas convocadas ou que queiram denunciar desvio de conduta. Além disso, a entrega das correspondências é realizada fora do ambiente de trabalho e é feita diretamente para o convocado, sem intermediários. Na definição do diretor da Anvisa e presidente da Comissão, Luís Carlos Wanderley Lima, “a ética estuda os atos humanos conscientes e voluntários que afetam pessoas, grupos sociais ou a sociedade. O ato moral precisa ser consciente (o indivíduo não ignora nem as circunstâncias nem as conseqüências de seu ato) e livre (a causa de seus atos está nele próprio e não em outro agente - causa interior – que o force a agir contra a sua vontade)”. Para Luís Carlos, o que distingue o Cabe à Comissão de Ética a missão de orientar e aconselhar os funcionários sobre a conduta ética no relacionamento com o cidadão e na proteção do patrimônio público. E quando se fala em servidor entende-se todo aquele que, por força de lei, contrato ou qualquer outro ato jurídico, preste serviços de natureza permanente ou temporária na Agência. Quem representa os quase 2.800 trabalhadores da Anvisa na Comissão é o diretor da Associação Nacional dos Servidores da Anvisa (Ansevs), Geraldo Marques. Ele acredita que a participação dos funcionários por meio da Ansevs representa a defesa dos direitos dos servidores no decorrer do processo de investigação e, indiretamente, benefícios à população. “O código dará segurança à sociedade no sentido de que comportamentos incorretos serão corrigidos, que as denúncias serão apuradas. Reforça a idéia de que é preciso estar atento, que um deslize pode trazer conseqüências irreparáveis”, afirma. Uma agência que segue princípios éticos garante perfil de seriedade, de compromisso com a população, assegurando a realização de seu trabalho sob critérios exclusivamente técnicos, distante de influências pessoais ou econômicas. “A missão da Agência de promover e proteger a saúde deve estar acima de qualquer interesse. Interesse coletivo, promoção da saúde e análise do risco sanitário exigem isenção. Temos obrigação ética de agir de acordo com o melhor dos nossos conhecimentos para ir ao encontro dos interesses da saúde”, defende Franklin Rubinstein, ouvidor da Anvisa. A partir dos anos 80 em todo o mundo foram disseminados programas de fortalecimento institucional e modernização do Estado. O foco era aumentar a capacidade das organizações públicas gerarem os resultados esperados pela sociedade. O estabelecimento de um padrão ético efetivo tem sido preocupação mais recente, e que não diferencia o Brasil de outros países. Essa necessidade priorizou políticas de transparência que requerem um adequado padrão ético. Como ensina o antropólogo social Roberto DaMatta, quando o assunto é ética, não se pode se referir a uma relação de eficiência entre uma agência governamental e suas tarefas junto ao Estado ou à sociedade, mas, surge em cena, pela primeira vez, no Brasil, a atitude que deve guiar o que se está fazendo. De acordo com o especialista Mauro Bogéa (ver box), secretário-executivo da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, nem todas as combinações entre meios e fins são moralmente aceitáveis, o que exige do servidor um certo cuidado quanto às atividades desempenhadas. O próximo desafio da Ceanvisa é aprovar o Regimento Interno da Comissão que definirá os critérios para andamento dos processos, prazos, recursos, provas e testemunhas. Um texto está sendo elaborado e em breve será divulgado aos servidores da Agência. Alguns trechos • cabe ao servidor respeitar a capacidade individual de todo cidadão, sem preconceito de raça, cor, religião, nacionalidade, idade, cunho político ou posição social, abstendose, dessa forma, de causar dano moral • é dever do servidor resistir e denunciar todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, de interessados e de outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou não éticas • é vedado ao servidor utilizar-se da amizade, grau de parentesco ou outro tipo de relacionamento com qualquer servidor em qualquer nível hierárquico para obter favores pessoais ou estabelecer uma rotina de trabalho diferenciada em relação aos demais • é vedado ao servidor o uso do vínculo funcional, facilidades, amizades, tempo, posição e influências para obter qualquer favorecimento para si ou para outrem Do ponto de vista da ética, o processo de construção de uma agência reguladora efetivamente transparente passa pela definição de um conjunto de normas, sanções e pela criação de um fórum apropriado para discutir e avaliar possíveis desvios de conduta de seus funcionários. Contudo, o elemento vital desse processo é o servidor e suas práticas no dia a dia. Trilhando esse caminho, a Anvisa mediante consulta pública interna já elaborou o seu Código e instalou a Comissão de Ética da instituição. O desafio agora é concentrar os esforços na divulgação ampla dessas normas de conduta e na sensibilização dos servidores para que eles não somente cumpram o Código, mas entendam, respeitem e legitimem os pontos apresentados. O momento de construção da ética na vigilância sanitária permitiu que avaliássemos questões não só éticas, mas também qual o comportamento adequado e quais as consequências que esses desvios de comportamento do servidor poderiam acarretar para o órgão, que tem como característica a fiscalização de produtos e serviços para a saúde. Enquanto ele não estiver aberto a discutir e avaliar as suas práticas individuais, a Comissão de Ética continuará tendo muito trabalho para resolver situações complexas, às vezes iniciadas a partir de atitudes bem simples. Conseguir fazer com que o servidor, como indivíduo, reflita e reformule conceitos e atitudes em busca de um aperfeiçoamento pessoal e que, conseqüentemente, influencie no desenvolvimento da Anvisa é tarefa que demanda tempo, recursos e empenho de todos. Os primeiros passos já foram dados. Resta prosseguir e ajustar o curso rumo ao cumprimento das diretrizes institucionais da Agência. c artas Qualidade Sou farmacêutica e procuro estar sempre informada sobre os assuntos da área da saúde, como a situação de alguns medicamentos. Estive visitando um posto de saúde da minha cidade e lá tomei conhecimento da existência do Boletim Informativo da Anvisa, que muito me impressionou pela qualidade das matérias. Parabéns pelo trabalho. Claudinéia Bordin Moreira Farmácia Central Guapirama - PR e nsaio Oficina O Instituto de Saúde Coletiva (ICS) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou no início do mês a oficina “Comunicação e Educação para a Proteção e Promoção da Saúde com Ênfase em Vigilância Sanitária”. Cerca de 60 técnicos de vigilâncias municipais, estaduais e da Anvisa participaram do encontro, que teve palestras, entre outros, dos professores Fernando Lefèvre (USP), Nadja Miranda e Ligia Rangel (UFBA). Os participantes apontaram a oficina como um espaço precioso de reflexão e elaboração de propostas a serem desenvolvidas nos serviços de Vigilância Sanitária. Especialização No mesmo Instituto, começou no dia 11 deste mês, com apoio da Anvisa, o primeiro curso de Especialização em Saúde Coletiva com concentração em Vigilância Sanitária. O ICS, um centro colaborador da Agência, está qualificando 21 pessoas na primeira turma. Um dos critérios de seleção é ser inspetor de vigilância sanitária. Na turma, dez alunos são técnicos da vigilância da Bahia e os outros 11 pertencem às vigilâncias municipais. Programa Z O mês foi de mudanças para o chamado Programa Z. Desde o dia nove, além de mudar o nome de Setor de Validação de Processo de Registro de Medicamentos para Gerência de Validação de Registro de Medicamentos, a divisão passou a fazer parte do quadro da Gerência-Geral de Medicamentos. Antes vinculada a uma diretoria, a nova gerência continuará os trabalhos de revisão de registros. e xpediente Anvisa Boletim Informativo é uma publicação mensal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)-Ministério da Saúde. Conselho Editorial: Gonzalo Vecina Neto, Luiz Milton Veloso Costa, Luís Carlos Wanderley Lima, Claúdio Maierovitch Pessanha Henriques e Ricardo Oliva Edição: Carlos Dias Lopes, registro MTb 7476/34/14/DF Textos: Nara Anchises e Rubens Amador Colaboração: Graça Guimarães, Laila Muniz Projeto e Design Gráfico: Daniel Ferreira (Gerência de Comunicação Multimídia - GECOM) Editoração: Renato Berlim (GECOM) Capa: Daniel Ferreira e João Carlos Machado (GECOM) Apoio: Oralda Betânia Diniz e Daniella Silva Tiragem: 60 mil exemplares Endereço: SEPN Quadra 515, Bloco B, Ed. Ômega Brasília (DF) CEP 70770-502 Telefones: (61) 448-1022 ou 448-1301/ Fax: (61) 448-1252 E-mail: [email protected] ISSN: 1518-6377 setembro de 2002 setembro de Antes de chegar ao mercado, os medicamentos genéricos passam por um teste farmacológico que comprovará se de fato são ou não idênticos aos medicamentos de referência (inovadores) dos quais serão cópias. Encomendados por laboratórios, os chamados testes de bioequivalência são realizados por um dos 27 centros de universidades e de laboratórios autorizados pela Anvisa. O procedimento acima é obrigatório e preliminar no processo de registro de genéricos. Há um último “olhar clínico” este sim decisivo – para que eles possam ser comercializados: um meticuloso exame dos documentos com os resultados dos testes de bioequivalência. A responsabilidade por estes exames é da Unidade de Avaliação de Ensaios de Bioequivalência da Gerência-Geral de Medicamentos Genéricos, coordenada pela farmacêutica e professora da USP Sílvia Storpirtis. Na prática, ela e sua equipe batem o carimbo de aprovado ou não sobre os testes, decretando se os medicamentos poderão ser comercializados. Um grupo de 17 profissionais do setor – 12 farmacêuticos, dois estatísticos e dois auxiliares administrativos – compara a quantidade de substância ativa e verifica os níveis estatísticos de bioequivalência, antes de bater o martelo sobre os testes. Pode-se ter idéia da responsabilidade que é aprovar (ou recusar) testes de bioequivalência, a começar pela saúde dos consumidores. Se o resultado for inconsistente e o medicamento chegar ao mercado, a saúde do doente pode piorar. Além disso, há o lado das empresas que investem no registro de um medicamento. Por um teste de bioequivalência, elas pagam em média R$ 100 mil aos centros. Ocorre que nem sempre os resultados estão de acordo com as normas Sílvia e equipe: análise criteriosa dos processos de genéricos técnicas-padrão utilizadas no Brasil, Medicamentos Genéricos e Referênbaseadas num mix das principais le- cia, trabalho desenvolvido pela gerêngislações na área existentes hoje no cias de Laboratórios, Genéricos e de mundo, principalmente nos Estados Inspeção de Medicamentos, que coUnidos, Canadá e Comunidade Eu- letam medicamentos (genéricos ou ropéia. “Precisamos ser rigorosos. Por não) nas farmácias, para avaliar sua isso, acompanhamos as legislações de composição. Recolhidos, os genéricos são enbioequivalência em que nos baseamos, preocupados em nos manter caminhados para novos testes de atualizados e fiscalizar com eficiên- equivalência farmacêutica. Constatacia os testes”, explica Sílvia Storpirtis. do algum problema durante os exaOutro ponto da garantia de mes, o produto é simplesmente retiqualidade é o trabalho do Programa rado das farmácias e drogarias e os de Monitoramento de Qualidade de fabricantes são autuados. Testes são feitos em 24 horas, com voluntários sadios Os testes de bioequivalência são feitos com pessoas – 24 voluntários obrigatoriamente sadios, de 18 a 50 anos de idade, que assinam um termo de consentimento antes de se submeter aos exames. Ao longo de um dia, eles tomam os dois medicamentos (de referência e depois genérico), com intervalos entre as ingestões para que o organismo se livre das substâncias de cada produto. Cada ingestão leva à determinada concentração de princípios ativos no plasma, medida por uma seqüência de exames de sangue. Os voluntários são submetidos a cerca de dez coletas de sangue, por meio das quais serão conferidas três informações fundamentais para o teste de bioequivalência 2002 4 5 setembro de 2002 Compromisso com a transparência e a imparcialidade Anvisa só autoriza comercialização de genéricos depois de confirmar bioequivalência entre os medicamentos: a concentração plasmática máxima obtida dentro do organismo, o tempo em que ela ocorre e a extensão total da sua absorção pelo indivíduo. Os técnicos traçam gráficos relacionando a concentração plasmática e o tempo de coleta para cada voluntário em relação à ingestão de ambos os produtos. Depois disso, sobrepõem as duas curvas de impacto. Se elas se encontrarem dentro de determinada faixa técnica, os medicamentos são considerados equivalentes. Os voluntários que se submetem aos testes não devem ter vícios - não devem ser fumantes, não devem consumir bebidas alcoólicas nem fazer uso de medicamentos de uso continuado. Na condição de voluntários, são também proibidos de receber pagamento. p.6: entrevista com Vitória Régia da Cunha, coordenadora da Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte p.8: Tabela de medicamentos apreendidos no mês de setembro editorial 3 Quarta-feira, 15h. Uma tarde comum de expediente de trabalho na Anvisa. Técnicos da Gerência de Validação de Registro de Medicamentos reúnem-se com representantes de um laboratório multinacional no novo parlatório da Agência. Em pauta, assuntos como andamento de processos, indeferimentos e esclarecimentos acerca de exigências que a empresa deve cumprir. Os técnicos em questão não são responsáveis diretos pela análise dos processos e o encontro é gravado e filmado por circuitos internos de TV e áudio. A sala envidraçada permite que o encontro esteja ao alcance da vista de qualquer pessoa, garantindo transparência e imparcialidade. O procedimento é uma nova rotina incorporada à forma de atendimento do setor regulado pela Vigilância Sanitária desde que o Código de Ética da Anvisa entrou em vigor. Ser ético é conduzir o trabalho de maneira correta, imparcial, rápida e lícita. Não ceder a influências, nem ofender a honra, a moral e a integridade dos colegas de trabalho. Estas definições estão no Código. Para garantir que façam parte da conduta dos servidores, há três meses foi criada a Comissão de Ética da Anvisa (Ceanvisa), que trabalha com afinco na apuração de denúncias de desvios. As regras de conduta começaram a ser definidas em dezembro de 2001, quando um grupo de servidores – que mais tarde ajudou a compor a Comissão começou a estudar normas para um adequado comportamento dos funcionários da Agência. Depois de o texto ser colocado em consulta pública interna e aprovado pela Diretoria Colegiada, foram oficializados o Código e a Comissão de Ética. Transformação Durante o lançamento do Código, o diretor-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, chamou a atenção para o significado da introdução do manual nas relações dos profissionais da Anvisa entre si e para a responsabilidade de se estabelecer uma nova forma de atendimento ao setor regulado. “Estamos caminhando para uma transformação importante dos valores dentro das nossas atividades”, disse. Para Vecina, esse é um momento histórico e deverá ter repercussão no trabalho de cada um. “Ainda não fazemos idéia da grandeza dessa transformação, que fará com que tenhamos um compromisso diferente com a sociedade. Vamos mudar a nossa maneira de tratar o setor regulado, sem destratá-lo. Há que se colocar distância sem perder o contato com eles. Temos que ouvi-los, vê-los, mas com um conjunto de regras intermediando essa relação”, justifica. As preocupações com aspectos éticos provocaram até mesmo mudanças nas instalações físicas do edifício sede da Anvisa. Foram criados um parlatório para atendimento das empresas e o agendamento eletrônico das reuniões, formas de contato com o público externo mais transparentes, imparciais e impessoais. Denúncias ou representações são apuradas e investigadas pela Ceanvisa, que convoca os envolvidos e, se for o caso, aplica a única punição prevista no Código: a censura ética, um documento de caráter pessoal que é enviado ao conselho ou Especialista fala sobre responsabilidade no país do “jeitinho” Criada em maio de 1999, a Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República é uma espécie de “mãe” das comissões setoriais de ética, ao coordenar a definição de padrões aceitáveis de conduta para funcionários públicos. Mauro Sérgio Bogéa, secretário-executivo da CEP, concedeu entrevista ao Boletim Informativo em que fala sobre a importância da implementação de um código de ética em um órgão como a Agência. Seguem trechos da entrevista. 1 - Qual a importância social de ser ético no serviço público? A falta de ética tem efeitos nocivos sobre a governança pública e corporativa, compromete a confiança das pessoas e representa risco institucional para o Estado. É um problema que não diferencia nações, governos ou organizações. O que os diferencia é a forma como se preparam para enfrentá-lo. A vinculação estrita das entidades e quadros públicos com o bem comum, com os valores e princípios éticos é fundamental para o fortalecimento do regime democrático. 2 - O “jeitinho brasileiro” tem dado trabalho à Comissão de Ética Pública? Quando se fala em Gestão da Ética falamos de valores, regras de conduta e administração. As regras oferecem um caminho prático para que os valores éticos sejam observados. Nem sempre é tão simples saber na prática fazer valer valores como justiça e imparcialidade. Aí entram as regras. À administração cabe zelar pela efetividade dos valores e regras. Pelos efeitos sobre a reputação e credibilidade da própria organização, certos dilemas éticos necessitam ter soluções padronizadas, de forma a transmitir às partes relacionadas certeza quanto à conduta que podem esperar do funcionário. Não cabe a esses casos qualquer solução fundada no “jeitinho”. 3 - Aceitar um agrado de R$12 é diferente de aceitar um presente de R$120? Até que ponto essa prática influencia o trabalho de um servidor? Aceitar presentes, agrados ou favores em função do cargo é terminantemente vedado na Administração Pública brasileira, não importa o nome que se dê, ou os valores envolvidos. Além do estatuto do servidor, o Código de Conduta da Alta Administração Federal e o Código do Servidor ratificam essa proibição. Conforme o Código de Conduta, presente, favor ou agrado recebidos em função do cargo não se confundem com o recebimento de brinde destinado à promoção de organização, como folhinhas e canetas, desde que a distribuição seja generalizada, o valor inferior a R$ 100 e a freqüência não inferior a 12 meses. Carlos Dias Lopes 2 ainda nesta edição 2002 Rubens Amador setembro de homem dos demais animais é a base ética que o faz aceitar a responsabilidade que tem com o outro e na liberdade de assumir, ou não, essa responsabilidade. Servidores Reuniões com representantes da indústria são filmadas entidade de classe a que o servidor está filiado e para o setor de Recursos Humanos da instituição. O secretário-executivo da Comissão de Ética da Anvisa, Raimundo Silva, acredita que o papel principal da Ceanvisa é educativo. “Estamos dando ampla divulgação às normas do Código de Ética, orientando e respondendo às consultas dos servidores para reduzir as situações de conflito entre o interesse privado e o público”. Para preservar a imagem dos interessados, as correspondências da Ceanvisa não poderão ser abertas pelos responsáveis por serviços de expedição, nem divulgada a identidade de quem as recebe ou envia. Assim, evita-se que boatos ou especulações apareçam entre os funcionários, intimidando ou constrangendo as pessoas convocadas ou que queiram denunciar desvio de conduta. Além disso, a entrega das correspondências é realizada fora do ambiente de trabalho e é feita diretamente para o convocado, sem intermediários. Na definição do diretor da Anvisa e presidente da Comissão, Luís Carlos Wanderley Lima, “a ética estuda os atos humanos conscientes e voluntários que afetam pessoas, grupos sociais ou a sociedade. O ato moral precisa ser consciente (o indivíduo não ignora nem as circunstâncias nem as conseqüências de seu ato) e livre (a causa de seus atos está nele próprio e não em outro agente - causa interior – que o force a agir contra a sua vontade)”. Para Luís Carlos, o que distingue o Cabe à Comissão de Ética a missão de orientar e aconselhar os funcionários sobre a conduta ética no relacionamento com o cidadão e na proteção do patrimônio público. E quando se fala em servidor entende-se todo aquele que, por força de lei, contrato ou qualquer outro ato jurídico, preste serviços de natureza permanente ou temporária na Agência. Quem representa os quase 2.800 trabalhadores da Anvisa na Comissão é o diretor da Associação Nacional dos Servidores da Anvisa (Ansevs), Geraldo Marques. Ele acredita que a participação dos funcionários por meio da Ansevs representa a defesa dos direitos dos servidores no decorrer do processo de investigação e, indiretamente, benefícios à população. “O código dará segurança à sociedade no sentido de que comportamentos incorretos serão corrigidos, que as denúncias serão apuradas. Reforça a idéia de que é preciso estar atento, que um deslize pode trazer conseqüências irreparáveis”, afirma. Uma agência que segue princípios éticos garante perfil de seriedade, de compromisso com a população, assegurando a realização de seu trabalho sob critérios exclusivamente técnicos, distante de influências pessoais ou econômicas. “A missão da Agência de promover e proteger a saúde deve estar acima de qualquer interesse. Interesse coletivo, promoção da saúde e análise do risco sanitário exigem isenção. Temos obrigação ética de agir de acordo com o melhor dos nossos conhecimentos para ir ao encontro dos interesses da saúde”, defende Franklin Rubinstein, ouvidor da Anvisa. A partir dos anos 80 em todo o mundo foram disseminados programas de fortalecimento institucional e modernização do Estado. O foco era aumentar a capacidade das organizações públicas gerarem os resultados esperados pela sociedade. O estabelecimento de um padrão ético efetivo tem sido preocupação mais recente, e que não diferencia o Brasil de outros países. Essa necessidade priorizou políticas de transparência que requerem um adequado padrão ético. Como ensina o antropólogo social Roberto DaMatta, quando o assunto é ética, não se pode se referir a uma relação de eficiência entre uma agência governamental e suas tarefas junto ao Estado ou à sociedade, mas, surge em cena, pela primeira vez, no Brasil, a atitude que deve guiar o que se está fazendo. De acordo com o especialista Mauro Bogéa (ver box), secretário-executivo da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, nem todas as combinações entre meios e fins são moralmente aceitáveis, o que exige do servidor um certo cuidado quanto às atividades desempenhadas. O próximo desafio da Ceanvisa é aprovar o Regimento Interno da Comissão que definirá os critérios para andamento dos processos, prazos, recursos, provas e testemunhas. Um texto está sendo elaborado e em breve será divulgado aos servidores da Agência. Alguns trechos • cabe ao servidor respeitar a capacidade individual de todo cidadão, sem preconceito de raça, cor, religião, nacionalidade, idade, cunho político ou posição social, abstendose, dessa forma, de causar dano moral • é dever do servidor resistir e denunciar todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, de interessados e de outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou não éticas • é vedado ao servidor utilizar-se da amizade, grau de parentesco ou outro tipo de relacionamento com qualquer servidor em qualquer nível hierárquico para obter favores pessoais ou estabelecer uma rotina de trabalho diferenciada em relação aos demais • é vedado ao servidor o uso do vínculo funcional, facilidades, amizades, tempo, posição e influências para obter qualquer favorecimento para si ou para outrem Do ponto de vista da ética, o processo de construção de uma agência reguladora efetivamente transparente passa pela definição de um conjunto de normas, sanções e pela criação de um fórum apropriado para discutir e avaliar possíveis desvios de conduta de seus funcionários. Contudo, o elemento vital desse processo é o servidor e suas práticas no dia a dia. Trilhando esse caminho, a Anvisa mediante consulta pública interna já elaborou o seu Código e instalou a Comissão de Ética da instituição. O desafio agora é concentrar os esforços na divulgação ampla dessas normas de conduta e na sensibilização dos servidores para que eles não somente cumpram o Código, mas entendam, respeitem e legitimem os pontos apresentados. O momento de construção da ética na vigilância sanitária permitiu que avaliássemos questões não só éticas, mas também qual o comportamento adequado e quais as consequências que esses desvios de comportamento do servidor poderiam acarretar para o órgão, que tem como característica a fiscalização de produtos e serviços para a saúde. Enquanto ele não estiver aberto a discutir e avaliar as suas práticas individuais, a Comissão de Ética continuará tendo muito trabalho para resolver situações complexas, às vezes iniciadas a partir de atitudes bem simples. Conseguir fazer com que o servidor, como indivíduo, reflita e reformule conceitos e atitudes em busca de um aperfeiçoamento pessoal e que, conseqüentemente, influencie no desenvolvimento da Anvisa é tarefa que demanda tempo, recursos e empenho de todos. Os primeiros passos já foram dados. Resta prosseguir e ajustar o curso rumo ao cumprimento das diretrizes institucionais da Agência. c artas Qualidade Sou farmacêutica e procuro estar sempre informada sobre os assuntos da área da saúde, como a situação de alguns medicamentos. Estive visitando um posto de saúde da minha cidade e lá tomei conhecimento da existência do Boletim Informativo da Anvisa, que muito me impressionou pela qualidade das matérias. Parabéns pelo trabalho. Claudinéia Bordin Moreira Farmácia Central Guapirama - PR e nsaio Oficina O Instituto de Saúde Coletiva (ICS) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou no início do mês a oficina “Comunicação e Educação para a Proteção e Promoção da Saúde com Ênfase em Vigilância Sanitária”. Cerca de 60 técnicos de vigilâncias municipais, estaduais e da Anvisa participaram do encontro, que teve palestras, entre outros, dos professores Fernando Lefèvre (USP), Nadja Miranda e Ligia Rangel (UFBA). Os participantes apontaram a oficina como um espaço precioso de reflexão e elaboração de propostas a serem desenvolvidas nos serviços de Vigilância Sanitária. Especialização No mesmo Instituto, começou no dia 11 deste mês, com apoio da Anvisa, o primeiro curso de Especialização em Saúde Coletiva com concentração em Vigilância Sanitária. O ICS, um centro colaborador da Agência, está qualificando 21 pessoas na primeira turma. Um dos critérios de seleção é ser inspetor de vigilância sanitária. Na turma, dez alunos são técnicos da vigilância da Bahia e os outros 11 pertencem às vigilâncias municipais. Programa Z O mês foi de mudanças para o chamado Programa Z. Desde o dia nove, além de mudar o nome de Setor de Validação de Processo de Registro de Medicamentos para Gerência de Validação de Registro de Medicamentos, a divisão passou a fazer parte do quadro da Gerência-Geral de Medicamentos. Antes vinculada a uma diretoria, a nova gerência continuará os trabalhos de revisão de registros. e xpediente Anvisa Boletim Informativo é uma publicação mensal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)-Ministério da Saúde. Conselho Editorial: Gonzalo Vecina Neto, Luiz Milton Veloso Costa, Luís Carlos Wanderley Lima, Claúdio Maierovitch Pessanha Henriques e Ricardo Oliva Edição: Carlos Dias Lopes, registro MTb 7476/34/14/DF Textos: Nara Anchises e Rubens Amador Colaboração: Graça Guimarães, Laila Muniz Projeto e Design Gráfico: Daniel Ferreira (Gerência de Comunicação Multimídia - GECOM) Editoração: Renato Berlim (GECOM) Capa: Daniel Ferreira e João Carlos Machado (GECOM) Apoio: Oralda Betânia Diniz e Daniella Silva Tiragem: 60 mil exemplares Endereço: SEPN Quadra 515, Bloco B, Ed. Ômega Brasília (DF) CEP 70770-502 Telefones: (61) 448-1022 ou 448-1301/ Fax: (61) 448-1252 E-mail: [email protected] ISSN: 1518-6377 setembro de 2002 setembro de Antes de chegar ao mercado, os medicamentos genéricos passam por um teste farmacológico que comprovará se de fato são ou não idênticos aos medicamentos de referência (inovadores) dos quais serão cópias. Encomendados por laboratórios, os chamados testes de bioequivalência são realizados por um dos 27 centros de universidades e de laboratórios autorizados pela Anvisa. O procedimento acima é obrigatório e preliminar no processo de registro de genéricos. Há um último “olhar clínico” este sim decisivo – para que eles possam ser comercializados: um meticuloso exame dos documentos com os resultados dos testes de bioequivalência. A responsabilidade por estes exames é da Unidade de Avaliação de Ensaios de Bioequivalência da Gerência-Geral de Medicamentos Genéricos, coordenada pela farmacêutica e professora da USP Sílvia Storpirtis. Na prática, ela e sua equipe batem o carimbo de aprovado ou não sobre os testes, decretando se os medicamentos poderão ser comercializados. Um grupo de 17 profissionais do setor – 12 farmacêuticos, dois estatísticos e dois auxiliares administrativos – compara a quantidade de substância ativa e verifica os níveis estatísticos de bioequivalência, antes de bater o martelo sobre os testes. Pode-se ter idéia da responsabilidade que é aprovar (ou recusar) testes de bioequivalência, a começar pela saúde dos consumidores. Se o resultado for inconsistente e o medicamento chegar ao mercado, a saúde do doente pode piorar. Além disso, há o lado das empresas que investem no registro de um medicamento. Por um teste de bioequivalência, elas pagam em média R$ 100 mil aos centros. Ocorre que nem sempre os resultados estão de acordo com as normas Sílvia e equipe: análise criteriosa dos processos de genéricos técnicas-padrão utilizadas no Brasil, Medicamentos Genéricos e Referênbaseadas num mix das principais le- cia, trabalho desenvolvido pela gerêngislações na área existentes hoje no cias de Laboratórios, Genéricos e de mundo, principalmente nos Estados Inspeção de Medicamentos, que coUnidos, Canadá e Comunidade Eu- letam medicamentos (genéricos ou ropéia. “Precisamos ser rigorosos. Por não) nas farmácias, para avaliar sua isso, acompanhamos as legislações de composição. Recolhidos, os genéricos são enbioequivalência em que nos baseamos, preocupados em nos manter caminhados para novos testes de atualizados e fiscalizar com eficiên- equivalência farmacêutica. Constatacia os testes”, explica Sílvia Storpirtis. do algum problema durante os exaOutro ponto da garantia de mes, o produto é simplesmente retiqualidade é o trabalho do Programa rado das farmácias e drogarias e os de Monitoramento de Qualidade de fabricantes são autuados. Testes são feitos em 24 horas, com voluntários sadios Os testes de bioequivalência são feitos com pessoas – 24 voluntários obrigatoriamente sadios, de 18 a 50 anos de idade, que assinam um termo de consentimento antes de se submeter aos exames. Ao longo de um dia, eles tomam os dois medicamentos (de referência e depois genérico), com intervalos entre as ingestões para que o organismo se livre das substâncias de cada produto. Cada ingestão leva à determinada concentração de princípios ativos no plasma, medida por uma seqüência de exames de sangue. Os voluntários são submetidos a cerca de dez coletas de sangue, por meio das quais serão conferidas três informações fundamentais para o teste de bioequivalência 2002 4 5 setembro de 2002 Compromisso com a transparência e a imparcialidade Anvisa só autoriza comercialização de genéricos depois de confirmar bioequivalência entre os medicamentos: a concentração plasmática máxima obtida dentro do organismo, o tempo em que ela ocorre e a extensão total da sua absorção pelo indivíduo. Os técnicos traçam gráficos relacionando a concentração plasmática e o tempo de coleta para cada voluntário em relação à ingestão de ambos os produtos. Depois disso, sobrepõem as duas curvas de impacto. Se elas se encontrarem dentro de determinada faixa técnica, os medicamentos são considerados equivalentes. Os voluntários que se submetem aos testes não devem ter vícios - não devem ser fumantes, não devem consumir bebidas alcoólicas nem fazer uso de medicamentos de uso continuado. Na condição de voluntários, são também proibidos de receber pagamento. p.6: entrevista com Vitória Régia da Cunha, coordenadora da Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte p.8: Tabela de medicamentos apreendidos no mês de setembro editorial 3 Quarta-feira, 15h. Uma tarde comum de expediente de trabalho na Anvisa. Técnicos da Gerência de Validação de Registro de Medicamentos reúnem-se com representantes de um laboratório multinacional no novo parlatório da Agência. Em pauta, assuntos como andamento de processos, indeferimentos e esclarecimentos acerca de exigências que a empresa deve cumprir. Os técnicos em questão não são responsáveis diretos pela análise dos processos e o encontro é gravado e filmado por circuitos internos de TV e áudio. A sala envidraçada permite que o encontro esteja ao alcance da vista de qualquer pessoa, garantindo transparência e imparcialidade. O procedimento é uma nova rotina incorporada à forma de atendimento do setor regulado pela Vigilância Sanitária desde que o Código de Ética da Anvisa entrou em vigor. Ser ético é conduzir o trabalho de maneira correta, imparcial, rápida e lícita. Não ceder a influências, nem ofender a honra, a moral e a integridade dos colegas de trabalho. Estas definições estão no Código. Para garantir que façam parte da conduta dos servidores, há três meses foi criada a Comissão de Ética da Anvisa (Ceanvisa), que trabalha com afinco na apuração de denúncias de desvios. As regras de conduta começaram a ser definidas em dezembro de 2001, quando um grupo de servidores – que mais tarde ajudou a compor a Comissão começou a estudar normas para um adequado comportamento dos funcionários da Agência. Depois de o texto ser colocado em consulta pública interna e aprovado pela Diretoria Colegiada, foram oficializados o Código e a Comissão de Ética. Transformação Durante o lançamento do Código, o diretor-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, chamou a atenção para o significado da introdução do manual nas relações dos profissionais da Anvisa entre si e para a responsabilidade de se estabelecer uma nova forma de atendimento ao setor regulado. “Estamos caminhando para uma transformação importante dos valores dentro das nossas atividades”, disse. Para Vecina, esse é um momento histórico e deverá ter repercussão no trabalho de cada um. “Ainda não fazemos idéia da grandeza dessa transformação, que fará com que tenhamos um compromisso diferente com a sociedade. Vamos mudar a nossa maneira de tratar o setor regulado, sem destratá-lo. Há que se colocar distância sem perder o contato com eles. Temos que ouvi-los, vê-los, mas com um conjunto de regras intermediando essa relação”, justifica. As preocupações com aspectos éticos provocaram até mesmo mudanças nas instalações físicas do edifício sede da Anvisa. Foram criados um parlatório para atendimento das empresas e o agendamento eletrônico das reuniões, formas de contato com o público externo mais transparentes, imparciais e impessoais. Denúncias ou representações são apuradas e investigadas pela Ceanvisa, que convoca os envolvidos e, se for o caso, aplica a única punição prevista no Código: a censura ética, um documento de caráter pessoal que é enviado ao conselho ou Especialista fala sobre responsabilidade no país do “jeitinho” Criada em maio de 1999, a Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República é uma espécie de “mãe” das comissões setoriais de ética, ao coordenar a definição de padrões aceitáveis de conduta para funcionários públicos. Mauro Sérgio Bogéa, secretário-executivo da CEP, concedeu entrevista ao Boletim Informativo em que fala sobre a importância da implementação de um código de ética em um órgão como a Agência. Seguem trechos da entrevista. 1 - Qual a importância social de ser ético no serviço público? A falta de ética tem efeitos nocivos sobre a governança pública e corporativa, compromete a confiança das pessoas e representa risco institucional para o Estado. É um problema que não diferencia nações, governos ou organizações. O que os diferencia é a forma como se preparam para enfrentá-lo. A vinculação estrita das entidades e quadros públicos com o bem comum, com os valores e princípios éticos é fundamental para o fortalecimento do regime democrático. 2 - O “jeitinho brasileiro” tem dado trabalho à Comissão de Ética Pública? Quando se fala em Gestão da Ética falamos de valores, regras de conduta e administração. As regras oferecem um caminho prático para que os valores éticos sejam observados. Nem sempre é tão simples saber na prática fazer valer valores como justiça e imparcialidade. Aí entram as regras. À administração cabe zelar pela efetividade dos valores e regras. Pelos efeitos sobre a reputação e credibilidade da própria organização, certos dilemas éticos necessitam ter soluções padronizadas, de forma a transmitir às partes relacionadas certeza quanto à conduta que podem esperar do funcionário. Não cabe a esses casos qualquer solução fundada no “jeitinho”. 3 - Aceitar um agrado de R$12 é diferente de aceitar um presente de R$120? Até que ponto essa prática influencia o trabalho de um servidor? Aceitar presentes, agrados ou favores em função do cargo é terminantemente vedado na Administração Pública brasileira, não importa o nome que se dê, ou os valores envolvidos. Além do estatuto do servidor, o Código de Conduta da Alta Administração Federal e o Código do Servidor ratificam essa proibição. Conforme o Código de Conduta, presente, favor ou agrado recebidos em função do cargo não se confundem com o recebimento de brinde destinado à promoção de organização, como folhinhas e canetas, desde que a distribuição seja generalizada, o valor inferior a R$ 100 e a freqüência não inferior a 12 meses. Carlos Dias Lopes 2 ainda nesta edição 2002 Rubens Amador setembro de homem dos demais animais é a base ética que o faz aceitar a responsabilidade que tem com o outro e na liberdade de assumir, ou não, essa responsabilidade. Servidores Reuniões com representantes da indústria são filmadas entidade de classe a que o servidor está filiado e para o setor de Recursos Humanos da instituição. O secretário-executivo da Comissão de Ética da Anvisa, Raimundo Silva, acredita que o papel principal da Ceanvisa é educativo. “Estamos dando ampla divulgação às normas do Código de Ética, orientando e respondendo às consultas dos servidores para reduzir as situações de conflito entre o interesse privado e o público”. Para preservar a imagem dos interessados, as correspondências da Ceanvisa não poderão ser abertas pelos responsáveis por serviços de expedição, nem divulgada a identidade de quem as recebe ou envia. Assim, evita-se que boatos ou especulações apareçam entre os funcionários, intimidando ou constrangendo as pessoas convocadas ou que queiram denunciar desvio de conduta. Além disso, a entrega das correspondências é realizada fora do ambiente de trabalho e é feita diretamente para o convocado, sem intermediários. Na definição do diretor da Anvisa e presidente da Comissão, Luís Carlos Wanderley Lima, “a ética estuda os atos humanos conscientes e voluntários que afetam pessoas, grupos sociais ou a sociedade. O ato moral precisa ser consciente (o indivíduo não ignora nem as circunstâncias nem as conseqüências de seu ato) e livre (a causa de seus atos está nele próprio e não em outro agente - causa interior – que o force a agir contra a sua vontade)”. Para Luís Carlos, o que distingue o Cabe à Comissão de Ética a missão de orientar e aconselhar os funcionários sobre a conduta ética no relacionamento com o cidadão e na proteção do patrimônio público. E quando se fala em servidor entende-se todo aquele que, por força de lei, contrato ou qualquer outro ato jurídico, preste serviços de natureza permanente ou temporária na Agência. Quem representa os quase 2.800 trabalhadores da Anvisa na Comissão é o diretor da Associação Nacional dos Servidores da Anvisa (Ansevs), Geraldo Marques. Ele acredita que a participação dos funcionários por meio da Ansevs representa a defesa dos direitos dos servidores no decorrer do processo de investigação e, indiretamente, benefícios à população. “O código dará segurança à sociedade no sentido de que comportamentos incorretos serão corrigidos, que as denúncias serão apuradas. Reforça a idéia de que é preciso estar atento, que um deslize pode trazer conseqüências irreparáveis”, afirma. Uma agência que segue princípios éticos garante perfil de seriedade, de compromisso com a população, assegurando a realização de seu trabalho sob critérios exclusivamente técnicos, distante de influências pessoais ou econômicas. “A missão da Agência de promover e proteger a saúde deve estar acima de qualquer interesse. Interesse coletivo, promoção da saúde e análise do risco sanitário exigem isenção. Temos obrigação ética de agir de acordo com o melhor dos nossos conhecimentos para ir ao encontro dos interesses da saúde”, defende Franklin Rubinstein, ouvidor da Anvisa. A partir dos anos 80 em todo o mundo foram disseminados programas de fortalecimento institucional e modernização do Estado. O foco era aumentar a capacidade das organizações públicas gerarem os resultados esperados pela sociedade. O estabelecimento de um padrão ético efetivo tem sido preocupação mais recente, e que não diferencia o Brasil de outros países. Essa necessidade priorizou políticas de transparência que requerem um adequado padrão ético. Como ensina o antropólogo social Roberto DaMatta, quando o assunto é ética, não se pode se referir a uma relação de eficiência entre uma agência governamental e suas tarefas junto ao Estado ou à sociedade, mas, surge em cena, pela primeira vez, no Brasil, a atitude que deve guiar o que se está fazendo. De acordo com o especialista Mauro Bogéa (ver box), secretário-executivo da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, nem todas as combinações entre meios e fins são moralmente aceitáveis, o que exige do servidor um certo cuidado quanto às atividades desempenhadas. O próximo desafio da Ceanvisa é aprovar o Regimento Interno da Comissão que definirá os critérios para andamento dos processos, prazos, recursos, provas e testemunhas. Um texto está sendo elaborado e em breve será divulgado aos servidores da Agência. Alguns trechos • cabe ao servidor respeitar a capacidade individual de todo cidadão, sem preconceito de raça, cor, religião, nacionalidade, idade, cunho político ou posição social, abstendose, dessa forma, de causar dano moral • é dever do servidor resistir e denunciar todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, de interessados e de outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou não éticas • é vedado ao servidor utilizar-se da amizade, grau de parentesco ou outro tipo de relacionamento com qualquer servidor em qualquer nível hierárquico para obter favores pessoais ou estabelecer uma rotina de trabalho diferenciada em relação aos demais • é vedado ao servidor o uso do vínculo funcional, facilidades, amizades, tempo, posição e influências para obter qualquer favorecimento para si ou para outrem Do ponto de vista da ética, o processo de construção de uma agência reguladora efetivamente transparente passa pela definição de um conjunto de normas, sanções e pela criação de um fórum apropriado para discutir e avaliar possíveis desvios de conduta de seus funcionários. Contudo, o elemento vital desse processo é o servidor e suas práticas no dia a dia. Trilhando esse caminho, a Anvisa mediante consulta pública interna já elaborou o seu Código e instalou a Comissão de Ética da instituição. O desafio agora é concentrar os esforços na divulgação ampla dessas normas de conduta e na sensibilização dos servidores para que eles não somente cumpram o Código, mas entendam, respeitem e legitimem os pontos apresentados. O momento de construção da ética na vigilância sanitária permitiu que avaliássemos questões não só éticas, mas também qual o comportamento adequado e quais as consequências que esses desvios de comportamento do servidor poderiam acarretar para o órgão, que tem como característica a fiscalização de produtos e serviços para a saúde. Enquanto ele não estiver aberto a discutir e avaliar as suas práticas individuais, a Comissão de Ética continuará tendo muito trabalho para resolver situações complexas, às vezes iniciadas a partir de atitudes bem simples. Conseguir fazer com que o servidor, como indivíduo, reflita e reformule conceitos e atitudes em busca de um aperfeiçoamento pessoal e que, conseqüentemente, influencie no desenvolvimento da Anvisa é tarefa que demanda tempo, recursos e empenho de todos. Os primeiros passos já foram dados. Resta prosseguir e ajustar o curso rumo ao cumprimento das diretrizes institucionais da Agência. c artas Qualidade Sou farmacêutica e procuro estar sempre informada sobre os assuntos da área da saúde, como a situação de alguns medicamentos. Estive visitando um posto de saúde da minha cidade e lá tomei conhecimento da existência do Boletim Informativo da Anvisa, que muito me impressionou pela qualidade das matérias. Parabéns pelo trabalho. Claudinéia Bordin Moreira Farmácia Central Guapirama - PR e nsaio Oficina O Instituto de Saúde Coletiva (ICS) da Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou no início do mês a oficina “Comunicação e Educação para a Proteção e Promoção da Saúde com Ênfase em Vigilância Sanitária”. Cerca de 60 técnicos de vigilâncias municipais, estaduais e da Anvisa participaram do encontro, que teve palestras, entre outros, dos professores Fernando Lefèvre (USP), Nadja Miranda e Ligia Rangel (UFBA). Os participantes apontaram a oficina como um espaço precioso de reflexão e elaboração de propostas a serem desenvolvidas nos serviços de Vigilância Sanitária. Especialização No mesmo Instituto, começou no dia 11 deste mês, com apoio da Anvisa, o primeiro curso de Especialização em Saúde Coletiva com concentração em Vigilância Sanitária. O ICS, um centro colaborador da Agência, está qualificando 21 pessoas na primeira turma. Um dos critérios de seleção é ser inspetor de vigilância sanitária. Na turma, dez alunos são técnicos da vigilância da Bahia e os outros 11 pertencem às vigilâncias municipais. Programa Z O mês foi de mudanças para o chamado Programa Z. Desde o dia nove, além de mudar o nome de Setor de Validação de Processo de Registro de Medicamentos para Gerência de Validação de Registro de Medicamentos, a divisão passou a fazer parte do quadro da Gerência-Geral de Medicamentos. Antes vinculada a uma diretoria, a nova gerência continuará os trabalhos de revisão de registros. e xpediente Anvisa Boletim Informativo é uma publicação mensal da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)-Ministério da Saúde. Conselho Editorial: Gonzalo Vecina Neto, Luiz Milton Veloso Costa, Luís Carlos Wanderley Lima, Claúdio Maierovitch Pessanha Henriques e Ricardo Oliva Edição: Carlos Dias Lopes, registro MTb 7476/34/14/DF Textos: Nara Anchises e Rubens Amador Colaboração: Graça Guimarães, Laila Muniz Projeto e Design Gráfico: Daniel Ferreira (Gerência de Comunicação Multimídia - GECOM) Editoração: Renato Berlim (GECOM) Capa: Daniel Ferreira e João Carlos Machado (GECOM) Apoio: Oralda Betânia Diniz e Daniella Silva Tiragem: 60 mil exemplares Endereço: SEPN Quadra 515, Bloco B, Ed. Ômega Brasília (DF) CEP 70770-502 Telefones: (61) 448-1022 ou 448-1301/ Fax: (61) 448-1252 E-mail: [email protected] ISSN: 1518-6377 setembro de 2002 setembro de Antes de chegar ao mercado, os medicamentos genéricos passam por um teste farmacológico que comprovará se de fato são ou não idênticos aos medicamentos de referência (inovadores) dos quais serão cópias. Encomendados por laboratórios, os chamados testes de bioequivalência são realizados por um dos 27 centros de universidades e de laboratórios autorizados pela Anvisa. O procedimento acima é obrigatório e preliminar no processo de registro de genéricos. Há um último “olhar clínico” este sim decisivo – para que eles possam ser comercializados: um meticuloso exame dos documentos com os resultados dos testes de bioequivalência. A responsabilidade por estes exames é da Unidade de Avaliação de Ensaios de Bioequivalência da Gerência-Geral de Medicamentos Genéricos, coordenada pela farmacêutica e professora da USP Sílvia Storpirtis. Na prática, ela e sua equipe batem o carimbo de aprovado ou não sobre os testes, decretando se os medicamentos poderão ser comercializados. Um grupo de 17 profissionais do setor – 12 farmacêuticos, dois estatísticos e dois auxiliares administrativos – compara a quantidade de substância ativa e verifica os níveis estatísticos de bioequivalência, antes de bater o martelo sobre os testes. Pode-se ter idéia da responsabilidade que é aprovar (ou recusar) testes de bioequivalência, a começar pela saúde dos consumidores. Se o resultado for inconsistente e o medicamento chegar ao mercado, a saúde do doente pode piorar. Além disso, há o lado das empresas que investem no registro de um medicamento. Por um teste de bioequivalência, elas pagam em média R$ 100 mil aos centros. Ocorre que nem sempre os resultados estão de acordo com as normas Sílvia e equipe: análise criteriosa dos processos de genéricos técnicas-padrão utilizadas no Brasil, Medicamentos Genéricos e Referênbaseadas num mix das principais le- cia, trabalho desenvolvido pela gerêngislações na área existentes hoje no cias de Laboratórios, Genéricos e de mundo, principalmente nos Estados Inspeção de Medicamentos, que coUnidos, Canadá e Comunidade Eu- letam medicamentos (genéricos ou ropéia. “Precisamos ser rigorosos. Por não) nas farmácias, para avaliar sua isso, acompanhamos as legislações de composição. Recolhidos, os genéricos são enbioequivalência em que nos baseamos, preocupados em nos manter caminhados para novos testes de atualizados e fiscalizar com eficiên- equivalência farmacêutica. Constatacia os testes”, explica Sílvia Storpirtis. do algum problema durante os exaOutro ponto da garantia de mes, o produto é simplesmente retiqualidade é o trabalho do Programa rado das farmácias e drogarias e os de Monitoramento de Qualidade de fabricantes são autuados. Testes são feitos em 24 horas, com voluntários sadios Os testes de bioequivalência são feitos com pessoas – 24 voluntários obrigatoriamente sadios, de 18 a 50 anos de idade, que assinam um termo de consentimento antes de se submeter aos exames. Ao longo de um dia, eles tomam os dois medicamentos (de referência e depois genérico), com intervalos entre as ingestões para que o organismo se livre das substâncias de cada produto. Cada ingestão leva à determinada concentração de princípios ativos no plasma, medida por uma seqüência de exames de sangue. Os voluntários são submetidos a cerca de dez coletas de sangue, por meio das quais serão conferidas três informações fundamentais para o teste de bioequivalência 2002 4 5 setembro de 2002 Compromisso com a transparência e a imparcialidade Anvisa só autoriza comercialização de genéricos depois de confirmar bioequivalência entre os medicamentos: a concentração plasmática máxima obtida dentro do organismo, o tempo em que ela ocorre e a extensão total da sua absorção pelo indivíduo. Os técnicos traçam gráficos relacionando a concentração plasmática e o tempo de coleta para cada voluntário em relação à ingestão de ambos os produtos. Depois disso, sobrepõem as duas curvas de impacto. Se elas se encontrarem dentro de determinada faixa técnica, os medicamentos são considerados equivalentes. Os voluntários que se submetem aos testes não devem ter vícios - não devem ser fumantes, não devem consumir bebidas alcoólicas nem fazer uso de medicamentos de uso continuado. Na condição de voluntários, são também proibidos de receber pagamento. p.6: entrevista com Vitória Régia da Cunha, coordenadora da Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte p.8: Tabela de medicamentos apreendidos no mês de setembro editorial 3 Quarta-feira, 15h. Uma tarde comum de expediente de trabalho na Anvisa. Técnicos da Gerência de Validação de Registro de Medicamentos reúnem-se com representantes de um laboratório multinacional no novo parlatório da Agência. Em pauta, assuntos como andamento de processos, indeferimentos e esclarecimentos acerca de exigências que a empresa deve cumprir. Os técnicos em questão não são responsáveis diretos pela análise dos processos e o encontro é gravado e filmado por circuitos internos de TV e áudio. A sala envidraçada permite que o encontro esteja ao alcance da vista de qualquer pessoa, garantindo transparência e imparcialidade. O procedimento é uma nova rotina incorporada à forma de atendimento do setor regulado pela Vigilância Sanitária desde que o Código de Ética da Anvisa entrou em vigor. Ser ético é conduzir o trabalho de maneira correta, imparcial, rápida e lícita. Não ceder a influências, nem ofender a honra, a moral e a integridade dos colegas de trabalho. Estas definições estão no Código. Para garantir que façam parte da conduta dos servidores, há três meses foi criada a Comissão de Ética da Anvisa (Ceanvisa), que trabalha com afinco na apuração de denúncias de desvios. As regras de conduta começaram a ser definidas em dezembro de 2001, quando um grupo de servidores – que mais tarde ajudou a compor a Comissão começou a estudar normas para um adequado comportamento dos funcionários da Agência. Depois de o texto ser colocado em consulta pública interna e aprovado pela Diretoria Colegiada, foram oficializados o Código e a Comissão de Ética. Transformação Durante o lançamento do Código, o diretor-presidente da Anvisa, Gonzalo Vecina Neto, chamou a atenção para o significado da introdução do manual nas relações dos profissionais da Anvisa entre si e para a responsabilidade de se estabelecer uma nova forma de atendimento ao setor regulado. “Estamos caminhando para uma transformação importante dos valores dentro das nossas atividades”, disse. Para Vecina, esse é um momento histórico e deverá ter repercussão no trabalho de cada um. “Ainda não fazemos idéia da grandeza dessa transformação, que fará com que tenhamos um compromisso diferente com a sociedade. Vamos mudar a nossa maneira de tratar o setor regulado, sem destratá-lo. Há que se colocar distância sem perder o contato com eles. Temos que ouvi-los, vê-los, mas com um conjunto de regras intermediando essa relação”, justifica. As preocupações com aspectos éticos provocaram até mesmo mudanças nas instalações físicas do edifício sede da Anvisa. Foram criados um parlatório para atendimento das empresas e o agendamento eletrônico das reuniões, formas de contato com o público externo mais transparentes, imparciais e impessoais. Denúncias ou representações são apuradas e investigadas pela Ceanvisa, que convoca os envolvidos e, se for o caso, aplica a única punição prevista no Código: a censura ética, um documento de caráter pessoal que é enviado ao conselho ou Especialista fala sobre responsabilidade no país do “jeitinho” Criada em maio de 1999, a Comissão de Ética Pública (CEP) da Presidência da República é uma espécie de “mãe” das comissões setoriais de ética, ao coordenar a definição de padrões aceitáveis de conduta para funcionários públicos. Mauro Sérgio Bogéa, secretário-executivo da CEP, concedeu entrevista ao Boletim Informativo em que fala sobre a importância da implementação de um código de ética em um órgão como a Agência. Seguem trechos da entrevista. 1 - Qual a importância social de ser ético no serviço público? A falta de ética tem efeitos nocivos sobre a governança pública e corporativa, compromete a confiança das pessoas e representa risco institucional para o Estado. É um problema que não diferencia nações, governos ou organizações. O que os diferencia é a forma como se preparam para enfrentá-lo. A vinculação estrita das entidades e quadros públicos com o bem comum, com os valores e princípios éticos é fundamental para o fortalecimento do regime democrático. 2 - O “jeitinho brasileiro” tem dado trabalho à Comissão de Ética Pública? Quando se fala em Gestão da Ética falamos de valores, regras de conduta e administração. As regras oferecem um caminho prático para que os valores éticos sejam observados. Nem sempre é tão simples saber na prática fazer valer valores como justiça e imparcialidade. Aí entram as regras. À administração cabe zelar pela efetividade dos valores e regras. Pelos efeitos sobre a reputação e credibilidade da própria organização, certos dilemas éticos necessitam ter soluções padronizadas, de forma a transmitir às partes relacionadas certeza quanto à conduta que podem esperar do funcionário. Não cabe a esses casos qualquer solução fundada no “jeitinho”. 3 - Aceitar um agrado de R$12 é diferente de aceitar um presente de R$120? Até que ponto essa prática influencia o trabalho de um servidor? Aceitar presentes, agrados ou favores em função do cargo é terminantemente vedado na Administração Pública brasileira, não importa o nome que se dê, ou os valores envolvidos. Além do estatuto do servidor, o Código de Conduta da Alta Administração Federal e o Código do Servidor ratificam essa proibição. Conforme o Código de Conduta, presente, favor ou agrado recebidos em função do cargo não se confundem com o recebimento de brinde destinado à promoção de organização, como folhinhas e canetas, desde que a distribuição seja generalizada, o valor inferior a R$ 100 e a freqüência não inferior a 12 meses. Carlos Dias Lopes 2 ainda nesta edição 2002 Rubens Amador setembro de homem dos demais animais é a base ética que o faz aceitar a responsabilidade que tem com o outro e na liberdade de assumir, ou não, essa responsabilidade. Servidores Reuniões com representantes da indústria são filmadas entidade de classe a que o servidor está filiado e para o setor de Recursos Humanos da instituição. O secretário-executivo da Comissão de Ética da Anvisa, Raimundo Silva, acredita que o papel principal da Ceanvisa é educativo. “Estamos dando ampla divulgação às normas do Código de Ética, orientando e respondendo às consultas dos servidores para reduzir as situações de conflito entre o interesse privado e o público”. Para preservar a imagem dos interessados, as correspondências da Ceanvisa não poderão ser abertas pelos responsáveis por serviços de expedição, nem divulgada a identidade de quem as recebe ou envia. Assim, evita-se que boatos ou especulações apareçam entre os funcionários, intimidando ou constrangendo as pessoas convocadas ou que queiram denunciar desvio de conduta. Além disso, a entrega das correspondências é realizada fora do ambiente de trabalho e é feita diretamente para o convocado, sem intermediários. Na definição do diretor da Anvisa e presidente da Comissão, Luís Carlos Wanderley Lima, “a ética estuda os atos humanos conscientes e voluntários que afetam pessoas, grupos sociais ou a sociedade. O ato moral precisa ser consciente (o indivíduo não ignora nem as circunstâncias nem as conseqüências de seu ato) e livre (a causa de seus atos está nele próprio e não em outro agente - causa interior – que o force a agir contra a sua vontade)”. Para Luís Carlos, o que distingue o Cabe à Comissão de Ética a missão de orientar e aconselhar os funcionários sobre a conduta ética no relacionamento com o cidadão e na proteção do patrimônio público. E quando se fala em servidor entende-se todo aquele que, por força de lei, contrato ou qualquer outro ato jurídico, preste serviços de natureza permanente ou temporária na Agência. Quem representa os quase 2.800 trabalhadores da Anvisa na Comissão é o diretor da Associação Nacional dos Servidores da Anvisa (Ansevs), Geraldo Marques. Ele acredita que a participação dos funcionários por meio da Ansevs representa a defesa dos direitos dos servidores no decorrer do processo de investigação e, indiretamente, benefícios à população. “O código dará segurança à sociedade no sentido de que comportamentos incorretos serão corrigidos, que as denúncias serão apuradas. Reforça a idéia de que é preciso estar atento, que um deslize pode trazer conseqüências irreparáveis”, afirma. Uma agência que segue princípios éticos garante perfil de seriedade, de compromisso com a população, assegurando a realização de seu trabalho sob critérios exclusivamente técnicos, distante de influências pessoais ou econômicas. “A missão da Agência de promover e proteger a saúde deve estar acima de qualquer interesse. Interesse coletivo, promoção da saúde e análise do risco sanitário exigem isenção. Temos obrigação ética de agir de acordo com o melhor dos nossos conhecimentos para ir ao encontro dos interesses da saúde”, defende Franklin Rubinstein, ouvidor da Anvisa. A partir dos anos 80 em todo o mundo foram disseminados programas de fortalecimento institucional e modernização do Estado. O foco era aumentar a capacidade das organizações públicas gerarem os resultados esperados pela sociedade. O estabelecimento de um padrão ético efetivo tem sido preocupação mais recente, e que não diferencia o Brasil de outros países. Essa necessidade priorizou políticas de transparência que requerem um adequado padrão ético. Como ensina o antropólogo social Roberto DaMatta, quando o assunto é ética, não se pode se referir a uma relação de eficiência entre uma agência governamental e suas tarefas junto ao Estado ou à sociedade, mas, surge em cena, pela primeira vez, no Brasil, a atitude que deve guiar o que se está fazendo. De acordo com o especialista Mauro Bogéa (ver box), secretário-executivo da Comissão de Ética Pública da Presidência da República, nem todas as combinações entre meios e fins são moralmente aceitáveis, o que exige do servidor um certo cuidado quanto às atividades desempenhadas. O próximo desafio da Ceanvisa é aprovar o Regimento Interno da Comissão que definirá os critérios para andamento dos processos, prazos, recursos, provas e testemunhas. Um texto está sendo elaborado e em breve será divulgado aos servidores da Agência. Alguns trechos • cabe ao servidor respeitar a capacidade individual de todo cidadão, sem preconceito de raça, cor, religião, nacionalidade, idade, cunho político ou posição social, abstendose, dessa forma, de causar dano moral • é dever do servidor resistir e denunciar todas as pressões de superiores hierárquicos, de contratantes, de interessados e de outros que visem obter quaisquer favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações imorais, ilegais ou não éticas • é vedado ao servidor utilizar-se da amizade, grau de parentesco ou outro tipo de relacionamento com qualquer servidor em qualquer nível hierárquico para obter favores pessoais ou estabelecer uma rotina de trabalho diferenciada em relação aos demais • é vedado ao servidor o uso do vínculo funcional, facilidades, amizades, tempo, posição e influências para obter qualquer favorecimento para si ou para outrem 2002 Vivemos a transição entre o velho e o novo papel do estado 1. A Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte passou por uma reformulação. Como foi este processo de mudança e por que ocorreu? Internamente, a vigilância no estado passou por reformas e está hoje estruturada em dois setores: de Análise de Projetos e de Produtos e Serviços de Saúde, que conta com as assessorias Jurídica e de Comunicação. Para avançar no cumprimento da lei nº 8.080/90 - que delega à vigilância estadual o papel de coordenar, elaborar normas complementares, planejar, capacitar municípios, assessorar e avaliar as atividades no âmbito estadual - entende-se que há necessidade de com outras vigilâncias sanitárias. Estamos vivenciando um momento de transição entre o velho e o novo papel do estado, muitas vezes executando ações fora do nosso âmbito de atuação. 3. De que forma a nova estrutura melhorou a qualidade dos serviços prestados? “É fundamental uniformizar as ações de vigilância” se fazer uma vigilância sanitária generalista, que atenda os assuntos básicos inerentes a aspectos da municipalização. Contudo é necessário o aperfeiçoamento da equipe de nível central e regional, capacitando-as para um eficiente atendimento às atividades de competências do nível estadual. A fluidez das ações e capacitação se faz devido à nova política de repasse financeiro da Anvisa, que mesmo não sendo suficiente, garante este avanço. 2. Então, qual o papel do estado? Tomou-se como marco zero do nosso papel a descentralização das ações básicas de vigilância sanitária para os municípios. Sabemos que, apesar desse entendimento, a não integralidade da municipalização requer do estado uma parceria na execução das ações inerentes aos municípios. Para que isso ocorra é fundamental a uniformização dos procedimentos e o entendimento do verdadeiro papel do estado. Continuamos assistindo os municípios por meio da capacitação, tendo como sede do evento as Unidades Regionais de Saúde Pública (Ursaps), que prestam assessoria em serviços ou demanda espontânea. Desenvolvemos e executamos programas nacionais de interesse da saúde, além de estarmos engajados nas estratégias da Agência e na troca de experiências 2002 7 8 setembro de 2002 número 23 setembro de 2002 Vitória Régia da Cunha A nutricionista Vitória Régia da Cunha, subcoordenadora de Vigilância Sanitária no Rio Grande do Norte, atua na área desde 1988, quando começou a trabalhar no setor de Alimentos na então Coordenadoria de Vigilância Sanitária. Especialista em Nutrição Social e em Saúde Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Vitória atuou como nutricionista em unidades de saúde e hospitais da rede pública e privada, o que lhe confere uma ampla visão das necessidades do setor no estado. Atualmente, ela responde pela gerência da Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária do estado. Nos últimos anos, o Rio Grande do Norte tem avançado na melhoria da qualidade dos serviços prestados à comunidade. Assessorar o trabalho nos municípios é uma estratégia para isso. O estado também investe na capacitação do seu quadro de pessoal, proporcionando treinamentos, participação em encontros e seminários da área, além do engajamento em programas e estratégias da Anvisa e da troca de experiências com outras vigilâncias estaduais. setembro de Ela trouxe melhorias em vários níveis estruturais da vigilância. Proporcionou avanços no fluxo interno e maior integração da equipe, tornando-a multidisciplinar, o que evita as tradicionais caixinhas, mazelas herdadas das antigas estruturas. Também deu maior agilidade no atendimento aos usuários, viabilizando estratégias de alcance na eficiência e na eficácia do serviço. 4. Há dificuldades em realizar o monitoramento das indústrias salineiras no Rio Grande do Norte? Qualquer mudança passa por um processo que envolve paradigmas, questões sociais, econômicas e culturais. Por ser o maior produtor de sal do país, o Rio Grande do Norte tem uma grande responsabilidade em garantir a presença do iodo no sal a fim de combater as doenças provocadas por sua carência. Isso requer um monitoramento constante. Temos obtido bons resultados neste programa por meio de parcerias formuladas pela Anvisa com o Senai e o Sebrae, que capacitam e assistem os produtores de sal e os técnicos da vigilância sanitária. Tivemos uma certa dificuldade na aplicação e no cumprimento da nova legislação, o que acarretou uma mudança significativa na estrutura física e operacional na indústria salineira, implicando investimentos financeiros significativos. A tecnologia de iodação do sal ainda é feita de forma simplificada, favorecendo desvios na qualidade que se refletem na aplicação de penalidades. Este método requer um estudo mais detalhado que traga sugestões para mudanças. Produtos apreendidos em agosto e setembro Evento discute eficácia e segurança de isoflavonas No dia 29 de agosto, a Agência promoveu um encontro com especialistas, profissionais de saúde, representantes de órgãos de defesa do consumidor, setor produtivo e universidades num workshop sobre isoflavonas. Em pauta, a utilização e os efeitos da substância na saúde humana. A idéia era conhecer pesquisas que avaliam a utilização das isoflavonas para futuramente elaborar recomendações à população sobre o uso da substância. Um dos convidados foi o professor da Universidade de Cincinnati (Estados Unidos), Kenneth D. Setchell, que falou sobre o consumo da soja na dieta e indicações de uso, ressaltando que não há estudos conclusivos sobre os riscos do uso das isoflavonas a longo prazo. As isoflavonas são substâncias presentes principalmente na soja e seus derivados. Também conhecidas como fitoestrógenos, apresentam semelhança estrutural com os hormônios estrogênicos, encontrados em maior concentração nas mulheres. As únicas funções terapêuticas para as isoflavonas até hoje aprovadas pela área de Medicamentos Fitoterápicos são para auxiliar na redução dos níveis de colesterol e no alívio das ondas de calor associadas à menopausa (fogacho). Somente dois medicamentos são registrados com essas finalidades. Os alimentos não podem alegar ou fazer nenhuma alusão à prevenção, tratamento ou cura de doenças como câncer, osteoporose, reposição hormonal e redução do risco de doenças cardiovasculares. Esses produtos estão em Nara Anchises ntrevista: Fred Gomes e setembro de A partir deste mês, o servidor da Agência passará a conhecer um pouco mais sobre a nova estrutura organizacional e as propostas de trabalho para as gerências da Anvisa previstas pelo Projeto de Melhoria da Gestão (PMG). Para isso, foi criado o Jornal da Mudança, um informativo que circulará no edifício sede com tiragem de mil exemplares. O número Um será lançado durante a 2ª Reunião Geral do Projeto de Melhoria da Gestão (Regeral), no dia primeiro de outubro, no auditório do Conselho dos Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), e logo depois distribuído para os funcionários da Agência. Quinzenalmente, o jornal veiculará informações gerais sobre o projeto, mostrando numa linguagem simples como será o processo de mudança para que o servidor fique familiarizado com a nova cara que a Anvisa terá. O Jornal da Mudança, além de documentar, será um aliado no processo de transformação. Para o coordenador do Núcleo de Assessoramento à Gestão Estratégica (Naest), Eduardo Nakamura, é imprescindível a participação dos funcionários: “a mu- Produto Empresa Situação Motivo Antimoniato de meglumina Eurofarma Recolhido e inutilizado Apresentou contaminação por metais pesados Bicarbonato de sódio 8,4% (lote nº 404) Halex Istar Interditado PH de 9,5, quando a variação permitida é de 7 a 8,5 Bisturi Eletrônico BP-600 Plus, Bisturi Eletrônico BP-400 Plus, Biocoagulador EMAI modelo HY-P-30, Bisturi Eletrônico BP-150 e Bisturi Eletrônico BP-100. Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Cápsulas de vinagre de maçã Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Setchell: isoflavona não substitui terapia hormonal situação irregular, caso façam menção aos benefícios da isoflavona nos dizeres de rotulagem e materiais publicitários. O resultado do Workshop está no www.anvisa.gov.br, no link Perguntas Freqüentes/Alimentos. Jornal da Mudança terá notícias sobre melhoria da gestão acervo 6 dança só vai ocorrer com o envolvimento de todos os servidores. Assim, o Jornal da Mudança possibilitará ao projeto o engajamento dos servidores com reflexo positivo na gestão”. Por meio do jornal, os servidores poderão se atualizar sobre os planos de trabalho em desenvolvimento e os processos que estão sendo mapeados, redesenhados e padronizados. A expectativa é que o interesse pelas informações vá crescendo a cada nova edição. “Esperamos que o jornal seja bem recebido. É um veículo que complementa os já existentes, como a Intravisa e o Boletim Informativo, e desperta o interesse dos funcionários para o assunto.” Traillers nas fronteiras A Gerência-Geral de Portos, Aeroportos e Fronteiras receberá no próximo mês mais oito traillers equipados com computador, impressora, geladeira para vacinas, ar condicionado e fax. Desde novembro do ano passado, nove cidades de fronteira nos estados de Amazonas, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul já contam com a nova estrutura dos traillers, que permite que os inspetores fiquem ainda mais próximos dos viajantes para vaciná-los, fiscalizar veículos e produtos importados e promover o controle de vetores, além de realizar o trabalho de educação em saúde. Carbonato de lítio 300 mg (lote lote nº 9912636) Igefarma Interditado Comprimido com aspecto quebradiço e a desintegração no organismo ultrapassou o limite de 30 minutos Creme modelador para seios e gel auxiliar. Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Kit Emagrecedor, composto por drágeas de alcachofra Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Monitor Cardíaco EMAI Modelo RX-20 (imagem congelada), RX-10 e Desfibrilador EMAI modelo DX-10 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Oxímetro com alarme, monitor de pressão, Capnógrafo de mesa, Capnógrafo portátil 8200, Oxímetro de Mesa 3304 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Palmito de açaí em conserva da marca Guajara (lote nº 02875) Hamex Indústria e Comércio Alimentício Interditado Ph do líquido da conserva estava em 4,68, acima do limite ideal de 4,5 Raticida Era Rato Diplomata Assis Comércio de Produtos Agropecuários Ltda Apreendido Sal granulado extra (lote nº 102) Petiskão Apreendido Ausência de iodo nas amostras analisadas Solução isotônica de glicose 5% (lote nº 137/09) Halex Istar Interditado Ampola apresentou elemento estranho Termo Cautério com Luz Endoscópica e Monitor Multiparamétrico RX-300 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Todos os produtos Crep New Apreendido Laboratório funcionava em condições precárias de conservação e limpeza Todos os produtos Laquifal - Farmácia e Laboratório Químico e Farmacêutico Ltda Apreendido Não tem registro Todos os produtos Micrometal Indústria e Comércio Ltda Suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Todos os produtos STJR Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro ISSN 1518-6377 Código de ética disciplina conduta de servidores pp.4 e 5 Não tem registro Técnicos certificam validade de testes de bioequivalência p. 3 Agência promove debate sobre uso dos fitohormônios p. 7 www.anvisa.gov.br 2002 Vivemos a transição entre o velho e o novo papel do estado 1. A Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte passou por uma reformulação. Como foi este processo de mudança e por que ocorreu? Internamente, a vigilância no estado passou por reformas e está hoje estruturada em dois setores: de Análise de Projetos e de Produtos e Serviços de Saúde, que conta com as assessorias Jurídica e de Comunicação. Para avançar no cumprimento da lei nº 8.080/90 - que delega à vigilância estadual o papel de coordenar, elaborar normas complementares, planejar, capacitar municípios, assessorar e avaliar as atividades no âmbito estadual - entende-se que há necessidade de com outras vigilâncias sanitárias. Estamos vivenciando um momento de transição entre o velho e o novo papel do estado, muitas vezes executando ações fora do nosso âmbito de atuação. 3. De que forma a nova estrutura melhorou a qualidade dos serviços prestados? “É fundamental uniformizar as ações de vigilância” se fazer uma vigilância sanitária generalista, que atenda os assuntos básicos inerentes a aspectos da municipalização. Contudo é necessário o aperfeiçoamento da equipe de nível central e regional, capacitando-as para um eficiente atendimento às atividades de competências do nível estadual. A fluidez das ações e capacitação se faz devido à nova política de repasse financeiro da Anvisa, que mesmo não sendo suficiente, garante este avanço. 2. Então, qual o papel do estado? Tomou-se como marco zero do nosso papel a descentralização das ações básicas de vigilância sanitária para os municípios. Sabemos que, apesar desse entendimento, a não integralidade da municipalização requer do estado uma parceria na execução das ações inerentes aos municípios. Para que isso ocorra é fundamental a uniformização dos procedimentos e o entendimento do verdadeiro papel do estado. Continuamos assistindo os municípios por meio da capacitação, tendo como sede do evento as Unidades Regionais de Saúde Pública (Ursaps), que prestam assessoria em serviços ou demanda espontânea. Desenvolvemos e executamos programas nacionais de interesse da saúde, além de estarmos engajados nas estratégias da Agência e na troca de experiências 2002 7 8 setembro de 2002 número 23 setembro de 2002 Vitória Régia da Cunha A nutricionista Vitória Régia da Cunha, subcoordenadora de Vigilância Sanitária no Rio Grande do Norte, atua na área desde 1988, quando começou a trabalhar no setor de Alimentos na então Coordenadoria de Vigilância Sanitária. Especialista em Nutrição Social e em Saúde Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Vitória atuou como nutricionista em unidades de saúde e hospitais da rede pública e privada, o que lhe confere uma ampla visão das necessidades do setor no estado. Atualmente, ela responde pela gerência da Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária do estado. Nos últimos anos, o Rio Grande do Norte tem avançado na melhoria da qualidade dos serviços prestados à comunidade. Assessorar o trabalho nos municípios é uma estratégia para isso. O estado também investe na capacitação do seu quadro de pessoal, proporcionando treinamentos, participação em encontros e seminários da área, além do engajamento em programas e estratégias da Anvisa e da troca de experiências com outras vigilâncias estaduais. setembro de Ela trouxe melhorias em vários níveis estruturais da vigilância. Proporcionou avanços no fluxo interno e maior integração da equipe, tornando-a multidisciplinar, o que evita as tradicionais caixinhas, mazelas herdadas das antigas estruturas. Também deu maior agilidade no atendimento aos usuários, viabilizando estratégias de alcance na eficiência e na eficácia do serviço. 4. Há dificuldades em realizar o monitoramento das indústrias salineiras no Rio Grande do Norte? Qualquer mudança passa por um processo que envolve paradigmas, questões sociais, econômicas e culturais. Por ser o maior produtor de sal do país, o Rio Grande do Norte tem uma grande responsabilidade em garantir a presença do iodo no sal a fim de combater as doenças provocadas por sua carência. Isso requer um monitoramento constante. Temos obtido bons resultados neste programa por meio de parcerias formuladas pela Anvisa com o Senai e o Sebrae, que capacitam e assistem os produtores de sal e os técnicos da vigilância sanitária. Tivemos uma certa dificuldade na aplicação e no cumprimento da nova legislação, o que acarretou uma mudança significativa na estrutura física e operacional na indústria salineira, implicando investimentos financeiros significativos. A tecnologia de iodação do sal ainda é feita de forma simplificada, favorecendo desvios na qualidade que se refletem na aplicação de penalidades. Este método requer um estudo mais detalhado que traga sugestões para mudanças. Produtos apreendidos em agosto e setembro Evento discute eficácia e segurança de isoflavonas No dia 29 de agosto, a Agência promoveu um encontro com especialistas, profissionais de saúde, representantes de órgãos de defesa do consumidor, setor produtivo e universidades num workshop sobre isoflavonas. Em pauta, a utilização e os efeitos da substância na saúde humana. A idéia era conhecer pesquisas que avaliam a utilização das isoflavonas para futuramente elaborar recomendações à população sobre o uso da substância. Um dos convidados foi o professor da Universidade de Cincinnati (Estados Unidos), Kenneth D. Setchell, que falou sobre o consumo da soja na dieta e indicações de uso, ressaltando que não há estudos conclusivos sobre os riscos do uso das isoflavonas a longo prazo. As isoflavonas são substâncias presentes principalmente na soja e seus derivados. Também conhecidas como fitoestrógenos, apresentam semelhança estrutural com os hormônios estrogênicos, encontrados em maior concentração nas mulheres. As únicas funções terapêuticas para as isoflavonas até hoje aprovadas pela área de Medicamentos Fitoterápicos são para auxiliar na redução dos níveis de colesterol e no alívio das ondas de calor associadas à menopausa (fogacho). Somente dois medicamentos são registrados com essas finalidades. Os alimentos não podem alegar ou fazer nenhuma alusão à prevenção, tratamento ou cura de doenças como câncer, osteoporose, reposição hormonal e redução do risco de doenças cardiovasculares. Esses produtos estão em Nara Anchises ntrevista: Fred Gomes e setembro de A partir deste mês, o servidor da Agência passará a conhecer um pouco mais sobre a nova estrutura organizacional e as propostas de trabalho para as gerências da Anvisa previstas pelo Projeto de Melhoria da Gestão (PMG). Para isso, foi criado o Jornal da Mudança, um informativo que circulará no edifício sede com tiragem de mil exemplares. O número Um será lançado durante a 2ª Reunião Geral do Projeto de Melhoria da Gestão (Regeral), no dia primeiro de outubro, no auditório do Conselho dos Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), e logo depois distribuído para os funcionários da Agência. Quinzenalmente, o jornal veiculará informações gerais sobre o projeto, mostrando numa linguagem simples como será o processo de mudança para que o servidor fique familiarizado com a nova cara que a Anvisa terá. O Jornal da Mudança, além de documentar, será um aliado no processo de transformação. Para o coordenador do Núcleo de Assessoramento à Gestão Estratégica (Naest), Eduardo Nakamura, é imprescindível a participação dos funcionários: “a mu- Produto Empresa Situação Motivo Antimoniato de meglumina Eurofarma Recolhido e inutilizado Apresentou contaminação por metais pesados Bicarbonato de sódio 8,4% (lote nº 404) Halex Istar Interditado PH de 9,5, quando a variação permitida é de 7 a 8,5 Bisturi Eletrônico BP-600 Plus, Bisturi Eletrônico BP-400 Plus, Biocoagulador EMAI modelo HY-P-30, Bisturi Eletrônico BP-150 e Bisturi Eletrônico BP-100. Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Cápsulas de vinagre de maçã Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Setchell: isoflavona não substitui terapia hormonal situação irregular, caso façam menção aos benefícios da isoflavona nos dizeres de rotulagem e materiais publicitários. O resultado do Workshop está no www.anvisa.gov.br, no link Perguntas Freqüentes/Alimentos. Jornal da Mudança terá notícias sobre melhoria da gestão acervo 6 dança só vai ocorrer com o envolvimento de todos os servidores. Assim, o Jornal da Mudança possibilitará ao projeto o engajamento dos servidores com reflexo positivo na gestão”. Por meio do jornal, os servidores poderão se atualizar sobre os planos de trabalho em desenvolvimento e os processos que estão sendo mapeados, redesenhados e padronizados. A expectativa é que o interesse pelas informações vá crescendo a cada nova edição. “Esperamos que o jornal seja bem recebido. É um veículo que complementa os já existentes, como a Intravisa e o Boletim Informativo, e desperta o interesse dos funcionários para o assunto.” Traillers nas fronteiras A Gerência-Geral de Portos, Aeroportos e Fronteiras receberá no próximo mês mais oito traillers equipados com computador, impressora, geladeira para vacinas, ar condicionado e fax. Desde novembro do ano passado, nove cidades de fronteira nos estados de Amazonas, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul já contam com a nova estrutura dos traillers, que permite que os inspetores fiquem ainda mais próximos dos viajantes para vaciná-los, fiscalizar veículos e produtos importados e promover o controle de vetores, além de realizar o trabalho de educação em saúde. Carbonato de lítio 300 mg (lote lote nº 9912636) Igefarma Interditado Comprimido com aspecto quebradiço e a desintegração no organismo ultrapassou o limite de 30 minutos Creme modelador para seios e gel auxiliar. Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Kit Emagrecedor, composto por drágeas de alcachofra Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Monitor Cardíaco EMAI Modelo RX-20 (imagem congelada), RX-10 e Desfibrilador EMAI modelo DX-10 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Oxímetro com alarme, monitor de pressão, Capnógrafo de mesa, Capnógrafo portátil 8200, Oxímetro de Mesa 3304 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Palmito de açaí em conserva da marca Guajara (lote nº 02875) Hamex Indústria e Comércio Alimentício Interditado Ph do líquido da conserva estava em 4,68, acima do limite ideal de 4,5 Raticida Era Rato Diplomata Assis Comércio de Produtos Agropecuários Ltda Apreendido Sal granulado extra (lote nº 102) Petiskão Apreendido Ausência de iodo nas amostras analisadas Solução isotônica de glicose 5% (lote nº 137/09) Halex Istar Interditado Ampola apresentou elemento estranho Termo Cautério com Luz Endoscópica e Monitor Multiparamétrico RX-300 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Todos os produtos Crep New Apreendido Laboratório funcionava em condições precárias de conservação e limpeza Todos os produtos Laquifal - Farmácia e Laboratório Químico e Farmacêutico Ltda Apreendido Não tem registro Todos os produtos Micrometal Indústria e Comércio Ltda Suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Todos os produtos STJR Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro ISSN 1518-6377 Código de ética disciplina conduta de servidores pp.4 e 5 Não tem registro Técnicos certificam validade de testes de bioequivalência p. 3 Agência promove debate sobre uso dos fitohormônios p. 7 www.anvisa.gov.br 2002 Vivemos a transição entre o velho e o novo papel do estado 1. A Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária do Rio Grande do Norte passou por uma reformulação. Como foi este processo de mudança e por que ocorreu? Internamente, a vigilância no estado passou por reformas e está hoje estruturada em dois setores: de Análise de Projetos e de Produtos e Serviços de Saúde, que conta com as assessorias Jurídica e de Comunicação. Para avançar no cumprimento da lei nº 8.080/90 - que delega à vigilância estadual o papel de coordenar, elaborar normas complementares, planejar, capacitar municípios, assessorar e avaliar as atividades no âmbito estadual - entende-se que há necessidade de com outras vigilâncias sanitárias. Estamos vivenciando um momento de transição entre o velho e o novo papel do estado, muitas vezes executando ações fora do nosso âmbito de atuação. 3. De que forma a nova estrutura melhorou a qualidade dos serviços prestados? “É fundamental uniformizar as ações de vigilância” se fazer uma vigilância sanitária generalista, que atenda os assuntos básicos inerentes a aspectos da municipalização. Contudo é necessário o aperfeiçoamento da equipe de nível central e regional, capacitando-as para um eficiente atendimento às atividades de competências do nível estadual. A fluidez das ações e capacitação se faz devido à nova política de repasse financeiro da Anvisa, que mesmo não sendo suficiente, garante este avanço. 2. Então, qual o papel do estado? Tomou-se como marco zero do nosso papel a descentralização das ações básicas de vigilância sanitária para os municípios. Sabemos que, apesar desse entendimento, a não integralidade da municipalização requer do estado uma parceria na execução das ações inerentes aos municípios. Para que isso ocorra é fundamental a uniformização dos procedimentos e o entendimento do verdadeiro papel do estado. Continuamos assistindo os municípios por meio da capacitação, tendo como sede do evento as Unidades Regionais de Saúde Pública (Ursaps), que prestam assessoria em serviços ou demanda espontânea. Desenvolvemos e executamos programas nacionais de interesse da saúde, além de estarmos engajados nas estratégias da Agência e na troca de experiências 2002 7 8 setembro de 2002 número 23 setembro de 2002 Vitória Régia da Cunha A nutricionista Vitória Régia da Cunha, subcoordenadora de Vigilância Sanitária no Rio Grande do Norte, atua na área desde 1988, quando começou a trabalhar no setor de Alimentos na então Coordenadoria de Vigilância Sanitária. Especialista em Nutrição Social e em Saúde Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Vitória atuou como nutricionista em unidades de saúde e hospitais da rede pública e privada, o que lhe confere uma ampla visão das necessidades do setor no estado. Atualmente, ela responde pela gerência da Subcoordenadoria de Vigilância Sanitária do estado. Nos últimos anos, o Rio Grande do Norte tem avançado na melhoria da qualidade dos serviços prestados à comunidade. Assessorar o trabalho nos municípios é uma estratégia para isso. O estado também investe na capacitação do seu quadro de pessoal, proporcionando treinamentos, participação em encontros e seminários da área, além do engajamento em programas e estratégias da Anvisa e da troca de experiências com outras vigilâncias estaduais. setembro de Ela trouxe melhorias em vários níveis estruturais da vigilância. Proporcionou avanços no fluxo interno e maior integração da equipe, tornando-a multidisciplinar, o que evita as tradicionais caixinhas, mazelas herdadas das antigas estruturas. Também deu maior agilidade no atendimento aos usuários, viabilizando estratégias de alcance na eficiência e na eficácia do serviço. 4. Há dificuldades em realizar o monitoramento das indústrias salineiras no Rio Grande do Norte? Qualquer mudança passa por um processo que envolve paradigmas, questões sociais, econômicas e culturais. Por ser o maior produtor de sal do país, o Rio Grande do Norte tem uma grande responsabilidade em garantir a presença do iodo no sal a fim de combater as doenças provocadas por sua carência. Isso requer um monitoramento constante. Temos obtido bons resultados neste programa por meio de parcerias formuladas pela Anvisa com o Senai e o Sebrae, que capacitam e assistem os produtores de sal e os técnicos da vigilância sanitária. Tivemos uma certa dificuldade na aplicação e no cumprimento da nova legislação, o que acarretou uma mudança significativa na estrutura física e operacional na indústria salineira, implicando investimentos financeiros significativos. A tecnologia de iodação do sal ainda é feita de forma simplificada, favorecendo desvios na qualidade que se refletem na aplicação de penalidades. Este método requer um estudo mais detalhado que traga sugestões para mudanças. Produtos apreendidos em agosto e setembro Evento discute eficácia e segurança de isoflavonas No dia 29 de agosto, a Agência promoveu um encontro com especialistas, profissionais de saúde, representantes de órgãos de defesa do consumidor, setor produtivo e universidades num workshop sobre isoflavonas. Em pauta, a utilização e os efeitos da substância na saúde humana. A idéia era conhecer pesquisas que avaliam a utilização das isoflavonas para futuramente elaborar recomendações à população sobre o uso da substância. Um dos convidados foi o professor da Universidade de Cincinnati (Estados Unidos), Kenneth D. Setchell, que falou sobre o consumo da soja na dieta e indicações de uso, ressaltando que não há estudos conclusivos sobre os riscos do uso das isoflavonas a longo prazo. As isoflavonas são substâncias presentes principalmente na soja e seus derivados. Também conhecidas como fitoestrógenos, apresentam semelhança estrutural com os hormônios estrogênicos, encontrados em maior concentração nas mulheres. As únicas funções terapêuticas para as isoflavonas até hoje aprovadas pela área de Medicamentos Fitoterápicos são para auxiliar na redução dos níveis de colesterol e no alívio das ondas de calor associadas à menopausa (fogacho). Somente dois medicamentos são registrados com essas finalidades. Os alimentos não podem alegar ou fazer nenhuma alusão à prevenção, tratamento ou cura de doenças como câncer, osteoporose, reposição hormonal e redução do risco de doenças cardiovasculares. Esses produtos estão em Nara Anchises ntrevista: Fred Gomes e setembro de A partir deste mês, o servidor da Agência passará a conhecer um pouco mais sobre a nova estrutura organizacional e as propostas de trabalho para as gerências da Anvisa previstas pelo Projeto de Melhoria da Gestão (PMG). Para isso, foi criado o Jornal da Mudança, um informativo que circulará no edifício sede com tiragem de mil exemplares. O número Um será lançado durante a 2ª Reunião Geral do Projeto de Melhoria da Gestão (Regeral), no dia primeiro de outubro, no auditório do Conselho dos Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), e logo depois distribuído para os funcionários da Agência. Quinzenalmente, o jornal veiculará informações gerais sobre o projeto, mostrando numa linguagem simples como será o processo de mudança para que o servidor fique familiarizado com a nova cara que a Anvisa terá. O Jornal da Mudança, além de documentar, será um aliado no processo de transformação. Para o coordenador do Núcleo de Assessoramento à Gestão Estratégica (Naest), Eduardo Nakamura, é imprescindível a participação dos funcionários: “a mu- Produto Empresa Situação Motivo Antimoniato de meglumina Eurofarma Recolhido e inutilizado Apresentou contaminação por metais pesados Bicarbonato de sódio 8,4% (lote nº 404) Halex Istar Interditado PH de 9,5, quando a variação permitida é de 7 a 8,5 Bisturi Eletrônico BP-600 Plus, Bisturi Eletrônico BP-400 Plus, Biocoagulador EMAI modelo HY-P-30, Bisturi Eletrônico BP-150 e Bisturi Eletrônico BP-100. Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Cápsulas de vinagre de maçã Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Setchell: isoflavona não substitui terapia hormonal situação irregular, caso façam menção aos benefícios da isoflavona nos dizeres de rotulagem e materiais publicitários. O resultado do Workshop está no www.anvisa.gov.br, no link Perguntas Freqüentes/Alimentos. Jornal da Mudança terá notícias sobre melhoria da gestão acervo 6 dança só vai ocorrer com o envolvimento de todos os servidores. Assim, o Jornal da Mudança possibilitará ao projeto o engajamento dos servidores com reflexo positivo na gestão”. Por meio do jornal, os servidores poderão se atualizar sobre os planos de trabalho em desenvolvimento e os processos que estão sendo mapeados, redesenhados e padronizados. A expectativa é que o interesse pelas informações vá crescendo a cada nova edição. “Esperamos que o jornal seja bem recebido. É um veículo que complementa os já existentes, como a Intravisa e o Boletim Informativo, e desperta o interesse dos funcionários para o assunto.” Traillers nas fronteiras A Gerência-Geral de Portos, Aeroportos e Fronteiras receberá no próximo mês mais oito traillers equipados com computador, impressora, geladeira para vacinas, ar condicionado e fax. Desde novembro do ano passado, nove cidades de fronteira nos estados de Amazonas, Roraima, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul já contam com a nova estrutura dos traillers, que permite que os inspetores fiquem ainda mais próximos dos viajantes para vaciná-los, fiscalizar veículos e produtos importados e promover o controle de vetores, além de realizar o trabalho de educação em saúde. Carbonato de lítio 300 mg (lote lote nº 9912636) Igefarma Interditado Comprimido com aspecto quebradiço e a desintegração no organismo ultrapassou o limite de 30 minutos Creme modelador para seios e gel auxiliar. Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Kit Emagrecedor, composto por drágeas de alcachofra Postal Net Comercial Ltda Apreendido Não tem registro Monitor Cardíaco EMAI Modelo RX-20 (imagem congelada), RX-10 e Desfibrilador EMAI modelo DX-10 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Oxímetro com alarme, monitor de pressão, Capnógrafo de mesa, Capnógrafo portátil 8200, Oxímetro de Mesa 3304 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Palmito de açaí em conserva da marca Guajara (lote nº 02875) Hamex Indústria e Comércio Alimentício Interditado Ph do líquido da conserva estava em 4,68, acima do limite ideal de 4,5 Raticida Era Rato Diplomata Assis Comércio de Produtos Agropecuários Ltda Apreendido Sal granulado extra (lote nº 102) Petiskão Apreendido Ausência de iodo nas amostras analisadas Solução isotônica de glicose 5% (lote nº 137/09) Halex Istar Interditado Ampola apresentou elemento estranho Termo Cautério com Luz Endoscópica e Monitor Multiparamétrico RX-300 Transmai Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Todos os produtos Crep New Apreendido Laboratório funcionava em condições precárias de conservação e limpeza Todos os produtos Laquifal - Farmácia e Laboratório Químico e Farmacêutico Ltda Apreendido Não tem registro Todos os produtos Micrometal Indústria e Comércio Ltda Suspensa fabricação e comercialização Não tem registro Todos os produtos STJR Equipamentos Médicos Hospitalares Interditado, suspensa fabricação e comercialização Não tem registro ISSN 1518-6377 Código de ética disciplina conduta de servidores pp.4 e 5 Não tem registro Técnicos certificam validade de testes de bioequivalência p. 3 Agência promove debate sobre uso dos fitohormônios p. 7 www.anvisa.gov.br