UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA – UNIR NÚCLEO DE SAÚDE – NUSAU DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA – DEF CURSO DE LICENCIATURA PLENA EM EDUCAÇÃO FÍSICA EFEITOS DA SOBRECARGA EM PARÂMETROS HEMODINÂMICOS DE IDOSOS, DECORRENTES DA SISTEMATIZAÇÃO METODOLÓGICA DO TREINAMENTO FÍSICO CONTRARRESISTIDO. MONOGRAFIA DE GRADUAÇÃO Acadêmico: João Bernardes Pires Neto Porto Velho – RO 2013 EFEITOS DA SOBRECARGA EM PARÂMETROS HEMODINÂMICOS DE IDOSOS, DECORRENTES DA SISTEMATIZAÇÃO METODOLÓGICA DO TREINAMENTO FÍSICO CONTRARRESISTIDO. Autor: João Bernardes Pires Neto Orientador: Prof. Dr. Hélio Franklin Rodrigues de Almeida Monografia apresentada ao curso de Educação Física do Núcleo de Saúde da Universidade Federal de Rondônia, como requisito para obtenção do título de graduado em Licenciatura Plena em Educação Física. Porto Velho – RO 2013 Autor: João Bernardes Pires Neto Titulo do Trabalho: EFEITOS DA SOBRECARGA EM PARÂMETROS HEMODINÂMICOS DE IDOSOS, DECORRENTES DA SISTEMATIZAÇÃO METODOLÓGICA TREINAMENTO FÍSICO CONTRA-RESISTIDO. Data da Defesa: 10/05/2013. BANCA EXAMINADORA Prof. Dr. Hélio Franklin Rodrigues de Almeida – Orientador Julgamento:_______________ Assinatura:_____________________ Prof. Ms. José Roberto de Maio Godoi Filho Julgamento:______________ Assinatura:______________________ Prof. Esp. Yong Bruno Garcia Menezes Julgamento:______________ Assinatura:______________________ NOTA: ___________ (__________) Porto Velho – 10 de maio de 2013. DO DEDICATÓRIA A todos aqueles que de maneira direta ou indireta contribuíram para que esse trabalho pudesse ser concluído. AGRADECIMENTOS ● Religioso: - A Deus, razão de todas as existências. ● Pessoal: - Aos meus pais: Eliezer Bernardes da Silva e Lucimar Aparecida da Silva; Irmão: Victor Gustavo Bernardes da Silva, pelo apoio, carinho e amor ao longo da minha vida. - A minha namorada Vívian Matos e Souza, pelo companheirismo, carinho, amor, compreensão e presença ao longo destes anos. ● Acadêmica: - Ao meu orientador Prof. Dr. Hélio Franklin Rodrigues de Almeida, pelo acolhimento, orientações seguras, lições de ética, com o qual tive o privilégio de conviver e aprender; - Aos professores: Ms. José Roberto de Maio Filho; Silvia Teixeira de Pinho; Yong Bruno Garcias Menezes; e Dra. Ivete de Aquino Freire, pelo incentivo, apoio acadêmico e parceria em produções acadêmicas e o desenvolvimento profissional; e - Aos acadêmicos: Augusto César Gama, Edicleide, Jonas Augusto do Santos e Lucas Muniz Ferreira, pelo apoio prestado na coleta de dados desta pesquisa. ● Institucional: - À Universidade Federal de Rondônia – UNIR, pela formação acadêmica recebida e ao SESC/RO unidade Porto Velho, que viabilizou a realização desta pesquisa. SUMÁRIO ELEMENTOS PRÉ TEXTUAIS SUMÁRIO v LISTA DE FIGURAS iv LISTA DE SIGLAS v ELEMENTOS TEXTUAIS 1. INTRODUÇÃO 01 1.1. Problematização 01 1.2. Justificativa 04 1.3. Objetivos 04 1.3.1. Objetivo geral 04 1.3.2. Objetivos específicos 04 1.4. Delimitação do estudo 05 2. REVISÃO DE LITERATURA 06 2.1. Orientações gerais 06 2.2. O sistema cardiocirculatório 06 2.2.1. O coração 07 2.2.2. Os vasos sanguíneos 09 2.2.3. O sangue 10 2.3. Hemodinâmica 11 2.4. Fenômenos hemodinâmicos centrais 11 2.4.1. Freqüência cardíaca 11 2.4.2. Volume sistólico 12 2.4.3. Débito cardíaco 14 2.4.4. Consumo máximo de oxigênio do miocárdio 14 2.5. Fenômenos hemodinâmicos periféricos 15 2.5.1. Distribuição do fluxo sanguíneo 15 2.5.2. Diferença arteriovenosa de oxigênio 15 2.6. Fenômenos hemodinâmicos periféricos centrais 16 2.6.1. Pressão arterial sanguínea 16 2.6.2. Duplo produto 17 2.6.3. Resistência periférica total 18 3. METODOLOGIA 19 3.1. Caracterização da pesquisa 19 3.2. População e amostra 19 3.2.1. Procedimentos para seleção da amostra 19 3.3. Descrição do desenho do estudo 19 3.3.1. Controle do experimento 20 3.3.1.1. Seleção do quadro de avaliadores e controle das condições de testagem 20 3.3.1.2. Controle das sessões de treinamento 20 3.4. Variáveis do estudo 21 3.4.1. Variável dependente 21 3.4.1.1. Parâmetros funcionais hemodinâmicos 21 3.4.1.1.1. Definições conceituais e procedimentos operacionais 21 3.4.2. Variáveis da característica física da amostra 29 3.4.2.1. Parâmetros morfológicos 29 3.4.1.2.1. Definições conceituais e procedimentos operacionais 29 3.4.2. Variável independente 31 3.4.2.1. Sistematização metodológica das cargas de treino 31 3.4.2.1.1. Procedimentos operacionais 32 3.5. Tratamento estatístico 44 4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 45 4.1. Características físicas da amostra 45 4.2. Análise isolada das variáveis dependentes 45 4.2.1. Análise isolada das variáveis do SGA 45 4.2.2. Análise isolada das variáveis do SGB 47 4.2.3. Análise isolada das variáveis do SGC 48 4.3. Análise conjunta das variáveis dependentes 49 4.3.1. Análise conjunta da variável FCR 49 4.3.2. Análise conjunta da variável PA 50 4.3.3. Análise conjunta da variável DC 51 4.3.4. Análise conjunta da variável VS 52 4.3.5. Análise conjunta da variável DP 53 4.3.6. Análise conjunta da variável MIVO2máx. 53 5. CONCLUSÃO 55 ELEMENTOS PÓS TEXTUAIS REFERÊNCIAS 56 ANEXOS 61 LISTA DE FIGURAS FIGURA 1 Quadro demonstrativo do desenho da pesquisa 20 FIGURA 2 Correção da pressão arterial sanguínea 26 FIGURA 3 Características da sessão de treino 32 FIGURA 4 Exercício de flexão do antebraço 33 FIGURA 5 Exercício de extensão da perna 34 FIGURA 6 Exercício de adução anterior do braço 34 FIGURA 7 Exercício de extensão do antebraço 35 FIGURA 8 Exercício de flexão do joelho 35 FIGURA 9 Exercício de Flexão de punho 36 FIGURA 10 Exercício de abdução ântero-superior do braço 36 FIGURA 11 Exercício de abdução medial da coxa 37 FIGURA 12 Exercício de elevação do braço 37 FIGURA 13 Exercício de abdução lateral da coxa. 38 FIGURA 14 Exercício de flexão do tronco. 38 FIGURA 15 Exercício de flexão plantar 39 FIGURA 16 Agrupamento dos exercícios para o SGB 40 FIGURA 17 Tipo de respiração a ser utilizada 41 FIGURA 18 Cargas recomendadas para as sessões de adaptação 42 FIGURA 19 Metodologia da prescrição do treino 43 FIGURA 20 Caracterização da progressão funcional das cargas de treino 43 FIGURA 21 Gráfico demonstrativo da variável FCR. 49 FIGURA 22 Gráfico demonstrativo da variável PA. 50 FIGURA 23 Gráfico demonstrativo da variável DC. 51 FIGURA 24 Gráfico demonstrativo da variável VS. 52 FIGURA 25 Gráfico demonstrativo da variável DP. 53 FIGURA 26 Gráfico demonstrativo da variável MIVO2máx. 54 LISTA DE TABELAS TABELA 1 Característica física da amostra 45 TABELA 2 Resultado das variáveis pertencentes ao SGA 46 TABELA 3 Resultado das variáveis pertencentes ao SGB 47 TABELA 4 Resultado das variáveis pertencentes ao SGC 48 LISTA DE SIGLAS, ABREVIATURAS E SÍMBOLOS AF Atividade física bpm batimentos por minuto CAFT Canadian American Fitness Test CO2 Dióxido de carbono DC Débito cardíaco DCO Densidade corporal DP Duplo produto E Estatura FC Freqüência cardíaca FCME Freqüência cardíaca máxima de esforço FCR Freqüência cardíaca de repouso GC (%) Gordura corporal GE Grupo de estudo HAS Hipertensão arterial sanguínea litros/min. Litros por minuto MIVO2 máx. Consumo máximo de oxigênio do miocárdio ml/100g Mililitros por 100 gramas de músculos ml/100g MIVO2 máx. Mililitros para cada 100 gramas da massa muscular do miocárdio ml/bpm Mililitros para cada batimento por minuto ml O2/1.000 Mililitros de oxigênio para cada litro de sangue mmHg/bpm Milímetros de mercúrio por batimento cardíaco O2 Oxigênio PA Pressão arterial sanguínea PAD Pressão arterial diastólica PAM Pressão arterial média PAS Pressão arterial sistólica PAS máx. Pressão arterial sistólica máxima PCT Peso corporal total PG Percentual de gordura PL Peso levantado PM Peso muscular RM Repetições máximas SGA Subgrupo A SGB Subgrupo B SGC Subgrupo C SC Sistema cardiocirculatório TFCR Treinamento físico contra resistido VDF Volume diastólico final VO2 máx. Consumo máximo de oxigênio VS Volume sistólico EFEITOS DA SOBRECARGA EM PARÂMETROS HEMODINÂMICOS DE IDOSOS DECORRENTES DA SISTEMATIZAÇÃO METODOLÓGICA DO TREINAMENTO FÍSICO CONTRARRESISTIDO. João Bernardes Pires Neto RESUMO Este estudo objetivou averiguar possíveis efeitos da sobrecarga em parâmetros hemodinâmicos de idosos decorrentes da sistematização metodológica do treinamento físico contra resistido (TFCR). A amostra foi composta por 12 sujeitos do gênero feminino, sendo estes divididos em três subgrupos de estudo, com as seguintes características físicas: 1) o subgrupo “A” (SGA), que funcionou como grupo controle, composto por 4 sujeitos sedentários (idade: 76 ± 5,65; peso corporal total: 61,25 ± 16,78; estatura: 149 ± 0,04); 2) o subgrupo “B” (SGB), composto por 4 sujeitos sedentários, os quais foram submetidos ao TFCR durante 8 semanas (idade: 71 ± 3,16; peso corporal total: 65,85 ± 3,93; estatura: 153 ± 0,05); e 3) o subgrupo “C” (SGC), composto por 4 sujeitos, com 6 a 24 meses de experiência em TFCR (idade: 70,5 ± 5,68; peso corporal total: 68,87 ± 12,04; estatura: 155 ± 0,05). As variáveis dependentes deste estudo foram: a) Freqüência Cardíaca de Repouso (FCR), estimada segundo Rodrigues de Almeida (2010); b) Débito Cardíaco (DC), estimado segundo Faulkner (1977); c) Volume Sistólico (VS), estimado segundo Rodrigues de Almeida (2010); d) Pressão Arterial Sistólica (PAS), estimada segundo Mion Jr. et alli (1996); e) Pressão Arterial Diastólica (PAD), estimada segundo Mion Jr. et alli (1996); f) Pressão Arterial Média (PAM), estimada segundo Powers e Howley (2005); g) Duplo Produto (DP), estimado segundo Leite (2000); e h) Consumo Máximo de Oxigênio do Miocárdio (MIVO2 máx.), estimado segundo Hellertein et alli. (1973), sendo estas avaliadas através de procedimentos de testagem, medição e avaliação nos grupos de estudo. Para análise estatística das características físicas da amostra, inicialmente utilizou-se a estatística descritiva, e posteriormente, objetivando detectar possíveis diferenças significativas entre os grupos de estudo foi aplicado o teste “t” de Student para amostras independentes. Não foram constatadas diferenças significativas nas variáveis pesquisadas no SGA, enquanto o SGB apresentou alterações nas variáveis FCR (p=0,03), DC (p=0,01) e VS (p=0,003), e o SGC apenas modificações na variável FCR (p=0,04). Assim, considerando o curto período de treinamento, os efeitos da sobrecarga nos SGB e SGC foram insipientes, tendo sido este, possivelmente, o principal fator interveniente nos resultados dos escores obtidos no referidos subgrupos. PALAVRAS CHAVE: Hemodinâmica, idoso e treinamento físico contra resistido. EFFECTS OF OVERLOAD ON PARAMETERS OF ELDERLY HEMODYNAMIC RESULTING FROM THE METHODOLOGY SYSTEMATIZATION PHYSICAL TRAINING AGAINST RESISTIVE. João Bernardes Pires Neto ABSTRACT This study aimed to investigate possible effects of hemodynamic overload in the elderly due to systematic methodology of physical training against resistance (TFCR). The sample consisted of 12 female subjects, which are divided into three groups, with the following physical characteristics: 1) Group "A" (GA), which acted as the control group, composed of four sedentary subjects (age: 76 ± 5.65, total body weight: 61.25 ± 16.78, height: 149 ± 0.04), 2) Group "B" (GB), composed of four sedentary subjects, who underwent TFCR for 8 weeks (age: 71 ± 3.16, total body weight: 65.85 ± 3.93, height: 153 ± 0.05), and 3) Group "C" (GC), with 4 subjects, with 6-24 months experience in TFCR (age: 70.5 ± 5.68, total body weight: 68.87 ± 12.04, height: 155 ± 0.05). The dependent variables in this study were: a) Resting Heart Rate (FCR), estimated according to Rodrigues de Almeida (2010), b) Cardiac Output (DC), estimated according to Faulkner (1977); c) Stroke Volume (VS), estimated according to Rodrigues de Almeida (2010), d) Systolic Blood Pressure (PAS), estimated according Mion Jr. et alli (1996), e) Diastolic Blood Pressure (PAD), estimated according to Mion Jr. et alli (1996), f) Mean Arterial Pressure (PAM), estimated according to Powers and Howley (2005); g) Double Product (DP), estimated according to Leite (2000); h) Maximum Oxygen Consumption Infarction (MIVO2 max.), estimated according to Hellertein et alli (1973), which were evaluated using the test procedures, measurements and evaluation in this study groups. For Statistical analysis of the physical characteristics of the sample, initially was used descriptive statistics, and subsequently, aiming to detect possible significant differences between the study groups was applied to the test "t" test for independent samples. There were no significant differences in the variables studied in GA, while the GB show changes in variables FCR (p = 0.03), DC (p = 0.01) and VS (p = 0.003), and the GC just modifications in variable FCR (p = 0.04). Thus, considering the short training period for the application of workloads in groups B and C, can be seen the positive effect of the independent variable. KEYWORDS: Hemodynamic, elderly and physical training against resistance. 1. Introdução 1.1. Problematização O homem, nos períodos mais remotos da humanidade, em função de suas necessidades cotidianas (migração, disputa territorial, caça e pesca), era extremamente ativo fisicamente. Este modo de vida foi se modificando com o passar dos anos, principalmente a partir dos séculos XV e XVIII com a expansão marítima e a revolução industrial respectivamente (PITANGA, 2002). Em consequência dos eventos supracitados, o homem começou a adquirir hábitos do cotidiano deletério (DUARTE & REGO, 2007 apud GOMES & LUDORF, 2009), diminuindo agudamente a qualidade e a quantidade das tarefas motrizes do dia-a-dia, sendo tal fenômeno denominado de sedentarismo, o qual admite-se ser o principal responsável pelo surgimento de doenças crônico-degenerativas, tais como, cardiopatologias, pneumatologias, câncer, osteoartrite, entre outras, que podem levar além de uma diminuição funcional orgânica, também à óbito (POWERS & HOWLEY, 2000; PITANGA, 2002; SIMÃO, 2007). Corroborando com os autores acima citados, Vouri (2001) em estudos com populações européias, relatou a prevalência do sedentarismo como sendo o principal fator que aumenta o risco de doenças crônicas em relação a outros como, fumo, hipercolesterolêmica, sobrepeso, obesidade, etc., sendo em nível de Brasil, tal afirmativa corroborada por Rego et al. (1990). Segundo Pitanga & Pitanga (2001), uma ferramenta extremamente eficiente contra os malefícios causados pelo sedentarismo é a atividade física (AF), a qual é entendida como sendo qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética, que resulte em gasto energético acima dos níveis de repouso (CASPERSEN et al., 1985). Contudo, autores contemporâneos (DISHIMAN, 1994; RODRIGUES DE ALMEIDA, 2007), sugerem que para a atividade física refletir tais benefícios, esta deve ser adequadamente planejada, com relação a aspectos como intensidade, duração, frequência e repetição, sendo denominada a partir de então como exercício físico. Para os referidos autores, tal AF tem a capacidade de promover melhores níveis funcionais sistêmicos nos sujeitos em geral, se traduzindo num estado adequado de funcionamento orgânico, ao que os autores denominam como aptidão física. Segundo Rodrigues de Almeida (2007), tal fenômeno anteriormente citado sofre influência de muitos fatores que atuam integrados entre si, expressando um adequado funcionamento bio-comportamental e cinesiológico do sujeito, se refletindo na execução de qualquer tarefa motriz que demande de esforço físico significativo. Neste sentido, a aptidão física além de possibilitar a realização das tarefas da vida somática, também evita o aparecimento de disfunções hipocinéticas (GAERTNER & EDOUARD, 1991; GUEDES, 1996; SHEPHARD & BALADY, 1999; ARAÚJO & ARAÚJO, 2000). Dentre as categorias de atividade física, se avulta a prática do treinamento físico contra resistido (TFCR), o qual, popularmente é conhecido como musculação (SARAIVA, 2010). São evidentes os efeitos fisiológicos deste tipo de treinamento, principalmente os profiláticos em idosos (LAMOTTE, 2003; MONTEIRO, 2004), terapêuticos (WILMORE & COSTILL, 1999; SIMÃO, 2007), morfológicos relacionados à obesidade (MONTEIRO, 1988; MURER, 2007; SCUSSOLIN & NAVARRO 2007), à postura corporal (COSSENZA, 1995; BARBOSA et al., 2000; COSTA, 2000), e ainda à hipertrofia muscular, ou seja, o aumento do tamanho das fibras musculares assim como da quantidade de proteínas envolvidas na contração musculo esquelética (WILMORE et al., 1978; DUDLEY., 1988; HICKSON et al., 1988; DUPLER &CORTES et al., 1993; McCARTNEY et al., 1993; FRONTERA et al., 1994; THOMPSON, 1994; ADES et al., 1996; FLECK & KRAEMER, 1999; MONTEIRO et al., 1999; BOMPA & LORENZZO, 2000; FORJAZ et al., 2006; GRAVES E FRANKLIN, 2006; MURER, 2007; RIZZETTO, 2010). No entanto, alterações dessa metodologia de treino no conjunto de fatores funcionais que ocorrem a partir do momento em que o sangue é ejetado na rede vascular em decorrência da sístole cardíaca, fenômeno esse denominado de hemodinâmica (LEITE, 2000), ainda é alvo de discussões acadêmicas (HAGBERG, 1984; SARAIVA, 2010). Sobre este assunto, pesquisas que correlacionam o TFCR com aspectos funcionais do sistema cardiovascular analisando as variáveis: frequência cardíaca de repouso (CRAWFORD & MARON, 1992; GUEDES, 1997), frequência cardíaca sobre uma mesma intensidade de esforço (GUEDES, 1997; LEITE & FARINATTI, 2003) e a pressão arterial sistólica (FORJAZ et al., 2006; RIZZETTO, 2010), apontam alterações sistêmicas mais significativas naqueles sujeitos que praticam atividades físicas caracteristicamente de longa duração e baixa intensidade, ou seja, do ponto de vista energético dominantemente abastecidas pelo sistema aeróbio (GALETTA et al, 1994). Ainda se tratando do TFCR, este apresenta aspectos contrários aos esforços físicos anteriormente citados, uma vez que, seus estímulos são executados com características de baixa duração e moderada/alta intensidades, requerendo um abastecimento energético dominado pelo sistema anaeróbio, impondo um estímulo diferente ao coração (FLECK & KRAEMER, 2006 apud SARAIVA, 2010). Nesse aspecto, sabe-se que os esforços físicos aeróbios necessitam fisiologicamente do bombeamento de um grande volume de sangue sob pressão sanguínea relativamente baixa, enquanto no treinamento de força, caracteristicamente anaeróbio, um volume baixo de sangue é bombeado sob alta pressão relativa, sugerindo portanto, adaptações diferenciadas no referido órgão. Neste tipo de treinamento, existe ainda a necessidade de se analisar o volume e a intensidade da carga de treino aplicada, pois estes fatores implicam em adaptações crônicas no músculo cardíaco (FLECK & KRAEMER, 2006). Ampliando as perspectivas de discussões sobre o tema, alguns autores (FLECK & KRAEMER, 1999; VIECIOLI et al., 2009), fazem referências a aspectos metabólicos influenciados pelo TFCR, abordando seus efeitos sobre o perfil lipídico de seus praticantes, diminuindo a ação de fatores de risco coronariano e contribuindo para a saúde cardiovascular dos mesmos. Contudo, estudos realizados a partir deste tema sugerem que indivíduos submetidos a tal sistema de treino, apresentam após os procedimentos experimentais, níveis de colesterol que variam de “baixo”, “normal” e “alto” em suas classificações (FLECK & KRAEMER, 2006). Considerando anteriormente o exposto, percebe-se que não existe uma opinião acadêmica definitiva sobre o tema. Diante disso, formulou-se o seguinte problema de pesquisa: QUAIS OS EFEITOS HEMODINÂMICOS DE IDOSOS, DA SOBRECARGA DECORRENTES DA EM PARÂMETROS SISTEMATIZAÇÃO METODOLÓGICA DE UM TREINAMENTO FÍSICO CONTRA-RESISTIDO? 1.2. Justificativa No que se refere ao TFCR, a literatura especializada enfatiza muitos trabalhos que analisam as variáveis hemodinâmicas de atletas, especificamente em provas atléticas de endurance (LONGHURST & STEBBINS, 1997), de levantamento de peso (FLECK & KRAEMER, 2006), de fisiculturismo (FLECK & KRAEMER, 2006), de powerlifting (OLESHKO, 2008), de natação (PETKOWICZ, 2003), entre outros, estudando-os tanto em situação de repouso quanto em esforço físico fisiológico (FLECK & MURRAY apud FLECK & KRAEMER, 2006). Porém até aonde se investigou na literatura, não se encontrou estudos analisando os efeitos da sobrecarga em parâmetros hemodinâmicos de idosos a partir da sistematização de um TFCR, e considerando que ainda segundo Saraiva (2010), é inviável no momento qualquer conclusão que se faça sobre o tema, pressupõe-se assim que tais aspectos ainda não estão totalmente esclarecidos, justificando portanto a realização desta pesquisa. 1.3. Objetivos 1.3.1. Objetivo geral ● Identificar possíveis efeitos em parâmetros hemodinâmicos de idosos, decorrentes da sistematização metodológica de um treinamento físico contra resistido. 1.3.2. Objetivos específicos ● Testar, medir e avaliar possíveis alterações nos parâmetros funcionais fisiológicos hemodinâmicos: a) Freqüência Cardíaca de Repouso (FCR); b) Débito Cardíaco (DC); c) Volume Sistólico (VS); d) Pressão Arterial Sistólica (PAS); e) Pressão Arterial Diastólica (PAD); f) Pressão Arterial Média (PAM) g) Duplo Produto (DP); e h) Consumo Máximo de Oxigênio do Miocárdio (MIVO2 máx.), decorrentes de um TFCR sistematizado em bases metodológicas; ● Servir como referencial bibliográfico orientador de outras pesquisas relacionadas ao tema. 1.4. Delimitação do estudo Este estudo se propôs a investigar possíveis efeitos da sobrecarga em parâmetros hemodinâmicos de idosos a partir da sistematização metodológica de um TFCR, todos alunos regulares da academia SESC de Porto Velho (RO), do gênero feminino e com idade variando entre 67 e 80 anos. 2. Revisão de literatura 2.1. Orientações gerais Para possibilitar um melhor entendimento deste capítulo, procurou-se estabelecer a organização dos conteúdos abordados na seguinte seqüência de tópicos: a) sistema cardiovascular; b) coração; c) vasos sanguíneos; d) sangue; e) hemodinâmica; f) fenômenos hemodinâmicos periféricos; g) fenômenos hemodinâmicos centrais; e h) fenômenos hemodinâmicos periféricos centrais. 2.2. O sistema cardiovascular Para Katch, Katch & Mcardle (2001), o sistema cardiovascular (SC) humano caracteriza-se por um conjunto de órgãos formados pelo coração e pelos vasos sanguíneos, cujo funcionamento integrado gera uma pressão hidrostática capaz de levar o sangue a todos os tecidos do organismo. Ainda para o referido autor, o SC tem a propriedade de fornecer: 1- substratos de metabólitos aos músculos; 2- o transporte de oxigênio às células; 3- o ajuste do tônus vasomotor para distribuição seletiva do fluxo sanguíneo total e; 4- a eliminação de calor gerado pelos músculos em atividade. Neste contexto, Leite (2000) faz referências as estruturas anatômicas e fisiológicas que compõem o SC, as quais sofrem alterações morfofuncionais a partir de esforços físicos de diferentes características execucionais. Tais esforços físicos são responsáveis por melhorar o funcionamento das estruturas anteriormente citadas, tanto em condições fisiológicas de repouso (BLOCKER, 1976) quanto de esforço físico (LEITE, 2000). Corroborando com os autores supracitados, Saraiva (2010) descreve o SC durante a transição do estado fisiológico de repouso para o esforço fisiológico, onde as estruturas celulares necessitam constantemente de novas demandas de oxigênio e nutrientes para manter a homeostase orgânica e, visando atender tal necessidade, o SC redistribui o fluxo sanguíneo mediante os ajustes funcionais do coração e vasos sangüíneos, os quais aumentam o fluxo de sangue nas regiões musculares em atividade metabólica acentuada, bem como, diminuem nestas com menos exigências funcionais, mantendo a homeostase orgânica (POWERS & HOWLEY, 2005). Neste enfoque, estudos contemporâneos (NEGRÃO & BARRETO, 2006; SARAIVA, 2010) sugerem que os efeitos cardiovasculares ocasionados pelo TFCR estão sem provas definitivas até o momento, uma vez que as pesquisas apontam resultados controversos e tornam impossível estabelecer-se uma opinião acadêmica definitiva sobre o tema. 2.2.1. O coração De acordo com Leite (2003), o coração está localizado na metade medial do mediastino inferior, cuja função é atuar como uma bomba contrátil-propulsora para ejetar o sangue na rede vascular, proporcionando assim substratos de metabólitos aos vários tecidos do organismo para manter a homeostase orgânica. Quanto a sua configuração externa, o coração possui: 1- o ápice, sendo este formado pela parte ínfero-lateral do ventrículo esquerdo e situado posteriormente ao quinto espaço intercostal esquerdo; 2- a base, formada pelo átrio esquerdo e localizada posteriormente aos corpos das sexta e nona vértebras torácicas; 3- a superfície anterior, formada pelos átrios e aurículas direitas e esquerdas e situada abaixo do esterno; 4- a superfície inferior, formada pelo ventrículo direito e situada sobre o diafragma, correspondendo a região entre o ápice e a borda direita do coração; 5- a borda direita, formada pelo átrio direito, se estendendo da superfície anterior à base do coração e formada pelo átrio direito e; 6- a borda esquerda, também chamada de borda pulmonar, é formada principalmente pelo ventrículo esquerdo e situada para o pulmão esquerdo, estendendo-se da base ao ápice do coração (MOORE & DALLEY, 2006). Em relação a sua morfologia, (TORTORA & GRABOWSKI, 2007) relatam que o órgão em questão compõe-se de quatro camadas: 1- endocárdio, a camada mais interna do coração, composta por tecido endotelial e camada subendotelial espessa de fibras elásticas e colágenas, cuja função é proteger as válvulas e câmaras cardíacas; 2- miocárdio, a camada intermediária do coração, composta por tecido muscular cardíaco, cujo funcionamento se refere ao deslizamento dos filamentos protéicos entre si, causando a contração muscular; 3- epicárdio, a camada que se sobrepõe ao miocárdio, formada por uma membrana serosa, pouco densa e transparente, cuja função é servir como uma capa externa lubrificante ao coração e; 4- pericárdio, o qual se dividi em duas camadas distintas denominadas: a) o pericárdio fibroso, formado por tecido conjuntivo irregular denso, resistente e inelástico e; b) o pericárdio seroso, mais profundo e constituído por uma membrana menos densa. Ainda para os autores, estas camadas têm por função proteger o coração e o início de seus grandes vasos sanguíneos. Ainda a respeito da morfologia do coração, Tortora (2007) ressalta que este órgão é composto por quatro câmaras, sendo duas câmaras superiores denominadas átrio direito e átrio esquerdo, os quais servem primariamente como reservatórios de sangue e posteriormente impulsionam o sangue para as duas câmaras inferiores denominadas ventrículo direito e ventrículo esquerdo, tendo estes a função de gerar força para mover o sangue através das circulações pulmonar e periférica respectivamente. Nesta ótica, Saraiva (2010) faz referências ao órgão em questão, o qual é visto como duas bombas em uma, sendo que o átrio e o ventrículo direito formam a bomba direita, enquanto o átrio e o ventrículo esquerdo formam a bomba esquerda. Dando continuidade a estrutura do coração, este possui: 1- septos interatrial e interventricular, os quais separam os átrios e os ventrículos respectivamente, sendo tais septos responsáveis por evitar a mistura do sangue entre as duas bombas cardíacas; 2válvulas tricúspide (válvulas atrioventriculares direita) e mitral (válvulas atrioventriculares esquerda), sendo estas formadas por tecido conjuntivo denso recoberto pelo endocárdio, tendo a função de separar os átrios dos ventrículos através de um complexo mecanismo de ação dos músculos papilares das cordas tendíneas, evitando assim o fluxo retrógrado dos ventrículos para o interior dos átrios e; 3- válvulas semilunares pulmonar e aórtica, as quais são formadas de tecido conjuntivo denso recoberto pelo endocárdio, tendo a função de separar os ventrículos direito e esquerdo respectivamente, mantendo desta maneira o fluxo unidirecional dos ventrículos para o interior das referidas artérias (TORTORA & GRABOWSKI, 2004; POWERS & HOWLEY, 2005; SIMÃO, 2008; TORTORA, 2007). Ao se analisar o aspecto funcional, a literatura especializada (ARAÚJO ET AL., 2003; POWERS & HOWLEY, 2005; SIMÃO, 2006; TORTORA, 2007; JACOB ET AL., 2008) relata que o lado direito do coração bombeia o sangue para o interior dos pulmões através das artérias pulmonares, o qual apresenta uma baixa concentração de oxigênio (O2) e alta concentração de dióxido de carbono (CO2), resultante das trocas gasosas das estruturas celulares, processo este denominado circulação pulmonar. Ainda nos pulmões, o sangue é novamente abastecido de O2 e o CO2 se difunde do vaso sanguíneo para o alvéolo pulmonar, processo este denominado difusão gasosa. Logo após, o sangue retorna ao coração pelo lado esquerdo através das artérias pulmonares com alta concentração de O 2, sendo posteriormente bombeado através da artéria aorta aos vários tecidos do corpo através da circulação sistêmica. Os processos acima descritos denominam-se ciclo cardíaco e ocorrem simultaneamente nas duas bombas cardíacas, se compondo de dois períodos: 1) sístole e; 2) diástole. Para uma melhor compreensão desse assunto, descreve-se abaixo os períodos supracitados correspondentes aos padrões de relaxamento e contração dos ventrículos, visto que, a diástole ventricular cardíaca é dividida em 4 fases: a) protodiástole; b) relaxamento isovolumétrico; c) enchimento rápido; e d) enchimento reduzido. Conforme Saraiva (2010), a protodiástole corresponde ao fechamento das válvulas semilunares, precedido do relaxamento isovolumétrico, o qual compreende a abertura das válvulas atrioventriculares, com o sangue passando em alta velocidade dos átrios para os ventrículos, iniciando então a fase de enchimento rápido. Em seguida, esta velocidade diminui iniciando a fase de enchimento reduzido, sendo estas duas fases responsáveis pela passagem aproximada de 70% do volume sanguíneo ventricular. Após o processo anteriormente descrito, inicia-se a sístole ventricular cardíaca, a qual dividi-se em três fases: a) contração isovolumétrica; b) ejeção máxima; e c) ejeção reduzida. A contração isovolumétrica tem início no momento em que os ventrículos começam a se contrair e dura até a abertura das válvulas semilunares, sendo que neste momento, os ventrículos estão adequadamente preenchidos de sangue com as válvulas atrioventriculares fechadas e seu volume sanguíneo permanece constante. Logo após, começa a fase de ejeção máxima, quando o miocárdio se contrai aumentando a pressão sanguínea dentro do compartimento, forçando a abertura das válvulas semilunares, momento este em que um grande volume de sangue arterial é lançado em altíssima velocidade na artéria aorta e em menor velocidade nas artérias pulmonares (POWERS & HOWLEY, 2005). Finalizando as fases da sístole cardíaca, na medida em que o sangue é ejetado na rede vascular, ocorre a redução no volume sanguíneo nos ventrículos, diminuindo a pressão sanguínea dentro do compartimento, com o sangue sendo ejetado em menor quantidade, fase conhecida como ejeção reduzida. 2.2.1. Os vasos sanguíneos Leite (2003) descreve os vasos sanguíneos como um conjunto de tubos que formam um circuito hermeticamente fechado, ligando o coração as estruturas celulares, possibilitando assim o fluxo sanguíneo aos tecidos do corpo humano e o seu retorno ao coração. Para o referido autor, os vasos sanguíneos são classificados em: 1- artérias, arteríolas, capilares arteriais e; 2- veias, vênulas e capilares venosos. De acordo com katch, Katch & McArdle (2008), as artérias são constituídas de três camadas de revestimento: 1- túnica interna (íntima), a camada mais interna, sendo constituída por uma camada contínua de células endoteliais quem revestem a face interna de todo o sistema circulatório, além de uma membrana basal e de uma lâmina de tecido elástico, chamada de lâmina elástica interna; 2- túnica média, mais espessa, sendo formada por fibras elásticas e musculares lisas, dispostas em anéis em torno do lúmen (interior da artéria) e; 3- túnica externa, composta principalmente por fibras elásticas e colágenas, se sobrepondo e envolvendo as túnicas anteriormente descritas. Em relação à estrutura das veias, embora sejam compostas pelas mesmas três túnicas das artérias anteriormente citadas, estas não possuem lâminas elásticas externa e interna, apresentando-se desta forma aspectos morfológicos diferentes no que se refere à sua espessura relativa, já que as túnica íntima e túnica externa das veias são mais espessas e a túnica média das mesmas é muito mais densa, com poucas fibras elásticas e musculares lisas. A maioria das veias possuem válvulas internas formadas por pregas membranosas, as quais mantêm o fluxo sanguíneo unidirecionalmente para o coração (SARAIVA, 2010). No que tange a funcionalidade dos vasos sanguíneos, na medida em que o sangue é bombeado pelo ventrículo esquerdo para dentro da artéria aorta, o mesmo é distribuído para as estruturas celulares através de uma rede de artérias, logo em seguida para os ramos arteriais menores denominados arteríolas e posteriormente para os capilares, onde ocorrem as trocas metabólicas necessárias para a manutenção da homeostase orgânica (KATCH, KATCH & MCARDLE, 2001). Dando continuidade ao processo anteriormente descrito, Leite (2000) relata que o sangue passa dos leitos capilares arteriais para pequenos capilares venosos, sendo que, à medida que se dirigem ao coração, estes aumentam de diâmetro tornando-se vênulas e posteriormente veias, atingindo assim a densidade máxima ao desembocar no lado direito do coração trazendo o sangue das partes superior e inferior do corpo (veia cava superior e inferior). Segundo Leite (2003), ao se analisar nos vasos sanguíneos os efeitos dos exercícios físicos, constata-se que os mesmos sofrem alterações morfológicas, tanto do aumento do número de capilares quanto da sua densidade capilar. No entanto, estudos de Fleck & Kraemer (2006), sugerem que os efeitos do TFCR sobre tais estruturas, são possibilitadas apenas por programas de treinamento físico que preconizem um alto volume e uma baixa intensidade nas suas cargas, ou seja, que solicitem em maior escala o sistema energético aeróbio. 2.2.2. O sangue Leite (2003) descreve o sangue como um líquido viscoso de composição diversificada, que tem como principal função transportar os nutrientes para a realização de trabalho orgânico e retornar com os resíduos decorrentes da combustão celular. Ainda para o referido autor, o sangue constitui-se principalmente de: 1- uma parte líquida diversificada, formada pelo plasma e; 2- uma parte sólida, formada pelas hemácias, plaquetas e leucócitos. Sobre o plasma, este contém proteínas (globulinas, albumina, etc.), hormônios (insulina, glucagon, etc.) e íons (hidrogênio, sódio, etc.). No tocante a parte sólida, as hemácias contêm hemoglobina, que é a proteína responsável pelo transporte do oxigênio no sangue, enquanto as plaquetas apresentam um papel importante na coagulação sanguínea e por fim, os leucócitos que formam as células de defesa do organismo, as quais são fundamentais na prevenção de infecções (TORTORA, 2007). Segundo Powers & Howley (2005), o sangue de uma maneira geral tem a função de levar oxigênio e nutrientes para as células do corpo e retornar com os exsudatos da combustão metabólica ocorrentes nas células. Ainda para os referidos autores, o sangue é responsável por regular o pH, ajustar a temperatura do corpo e o manter equilíbrio hidroeletrolítico celular. De acordo com Saraiva (2010), durante um esforço físico, ocorre o desvio do plasma para o liquido intersticial e perda de água pela sudorese em função da elevação interna da temperatura corporal. Em conseqüência deste processo, ocorre a elevação do número de hemácias e também do conteúdo de hemoglobina no sangue, ampliando assim a capacidade de transporte e utilização do oxigênio pelas células. 2.3. Hemodinâmica É consenso na literatura especializada (POWERS & HOWLEY,2000; LEITE, 2003; KATCH, KATCH & MCARDLE, 2008), que o termo hemodinâmica refere-se ao conjunto de fenômenos que expressam as leis da dinâmica do coração e da circulação sanguínea, refletindo os ajustes cardiovasculares necessários à manutenção da homeostase orgânica. Para uma melhor compreensão dos fenômenos hemodinâmicos, a seguir divide-se estes em: a) fenômenos hemodinâmicos centrais (freqüência cardíaca, volume sistólico, débito cardíaco e consumo máximo de O2 do miocárdio); b) fenômenos hemodinâmicos periféricos, (distribuição do fluxo sanguineo e diferença arteriovenosa de O2); e c) fenômenos hemodinâmicos periféricos centrais (pressão arterial sanguínea, duplo produto e resistência periférica total). 2.3.1. Fenômenos hemodinâmicos centrais 2.3.1.1. Freqüência cardíaca (FC) Katch, Katch & McArdle (2001) define a freqüência cardíaca como sendo o número de sístoles ventriculares na unidade de tempo de um minuto. Segundo o referido autor, esta variável classifica-se em: 1- FC basal, caracterizada pelo menor valor de sístoles cardíacas observado entre 6 e 8 horas de sono, estando o sujeito em posição confortável e o mais horizontal possível; 2- FC de repouso, caracterizada pelo menor valor de sístoles cardíacas observado entre 5 e10 minutos, estando o sujeito em posição confortável e o mais horizontal possível e; 3- FC de esforço,sendo esta o valor absoluto de sístoles cardíacas observado durante a realização da atividade física, ou até 15 segundos após o final desta. De acordo com Leite (2000), a FC apresenta graus diferenciados em função dos níveis de aptidão física dos sujeitos em geral, com seus valores em sujeitos sedentários, situando-se entre 70 a 90 batimentos por minuto (bpm). Já em relação aos sujeitos que praticam esportes de alto rendimento, considerando a característica execucional e o sistema energético dominante da mesma, estes apresentam FC consideravelmente inferiores aos sujeitos supracitados. Corroborando com o autor anteriormente citado, Fleck & Kraemer (2006) descrevem a FC de repouso em dois momentos distintos: 1- em relação aos praticantes de esportes abastecidos energeticamente pelo sistema aeróbio, os quais apresentam valores médios de 35 bpm e; 2- aos praticantes de esportes energeticamente dependentes do sistema anaeróbio, os quais apresentam valores médios entre 60 e 78 bpm, não demonstrando diferenças estatisticamente significativas quando comparados com os escores de sedentários mencionados anteriormente. Neste aspecto, Astrand apud Leite (2000) ao analisar as alterações agudas da FC em sujeitos com diferentes níveis de condicionamento físico a partir de uma atividade física em bicicleta ergométrica com carga de 200 watts, encontrou valores de 120 bpm em maratonistas e 180 bpm em sedentários. Ainda para o referido autor, tal fato permite pressupor que a FC de repouso em sujeitos assintomáticos, apresenta um fidedigno indicativo de funcionamento cardiocirculatório, já que indivíduos com menores valores reportados em repouso apresentam também números inferiores de FC quando submetidos as mesmas taxas de trabalho físico. Ampliando as perspectivas de discussões sobre o tema, Farinatti & Assis (2000) analisaram o comportamento da FC em 18 indivíduos saudáveis a partir de um esforço anaeróbio localizado durante o movimento de extensão dos joelhos a 75% da capacidade muscular, encontrando o valor médio de 133 bpm. A partir deste resultado, Saraiva (2010) sugere que a FC não sofre aumentos significativos durante o TFCR, fato que conseqüentemente, explica as pequenas diferenças entre a FCR de sedentários e atletas que tem o TFCR como prioridade durante as suas sessões de treino. 2.3.1.2. Volume sistólico (VS) Para Leite (2003), o VS caracteriza-se pelo volume total de sangue ejetado no interior da artéria principal durante a sístole ventricular cardíaca, objetivando atender as necessidades funcionais do organismo. Nesta ótica, Powers & Howley (2005) que o VS tanto em repouso fisiológico quanto em esforço físico é regulado por três variáveis, sendo: 1- o volume diastólico final (VDF), correspondente ao volume sanguíneo existente nos ventrículos no final da diástole; 2- a pressão aórtica média, a qual delimita a pressão média durante o ciclo cardíaco, sendo um fator que determina a taxa de fluxo sanguíneo através da circulação sistêmica e da resistência vascular oposta; e 3- a força de contração ventricular, que acarreta o aumento da quantidade de sangue bombeado a cada sístole cardíaca. Dentro deste contexto, Saraiva (2010) afirma que a principal variável responsável pela regulação do VDF durante o esforço físico, é o aumento da taxa do retorno venoso ao coração, sendo esta, influenciada por três fatores: 1) a venoconstrição, que ocorre por meio de uma constrição simpática da musculatura lisa das veias que drenam o músculo esquelético, resultando na diminuição da capacidade das veias em estocar sangue e ocasionando conseqüentemente o aumento do retorno venoso; 2) a bomba muscular, definida como a ação mecânica das contrações rítmicas da musculatura esquelética, a qual comprime as veias pressionando o sangue em direção ao coração; e 3) a bomba respiratória, fenômeno expresso pela diminuição e aumento da pressão intratorácica durante a ventilação, acelerando o fluxo sanguíneo venoso das regiões abdominal e torácica para o coração. De acordo com a literatura especializada (LEITE, 2000; KATCH, KATCH & MCARDLE, 2001; POWERS & HOWLEY, 2005), o VS durante o repouso em sujeitos fisicamente destreinados, varia entre 50 a 90 mililitros por batimento cardíaco (ml/bpm), enquanto que em sujeitos fisicamente treinados o VS varia entre 70 a 120 ml/bpm. Em se tratando de TFCR, estudos de Fleck & Kraemer (2006), indicam que o VS em condições fisiológicas de repouso em atletas de nível nacional e internacional, cuja sistematização metodológica das cargas de treino prioriza TFCR, não difere dos sujeitos destreinados. Corroborando com os autores supracitados, Simão (2007) a partir de estudos analisou a resposta do VS durante o TFCR, e percebeu que o sistema de treino supracitado quando executado de forma intensa, é associado a não existência de mudanças na referida variável, ou até mesmo a um decréscimo nesse valor, visto que, as pressões intra abdominais e intratorácicas são muito elevadas em função da ação das bombas muscular e respiratória, o que diminui o retorno venoso e conseqüentemente o VDF. Ainda para o referido autor, para que a respostas sejam as mais similares possíveis aquelas do exercício aeróbio, o TFCR deve preconizar cargas com alto número de repetições e baixa resistência opositora. 2.3.1.3. Débito cardíaco (DC) É o volume total de sangue bombeado pelo coração na unidade de tempo de um minuto, resultado do produto da freqüência cardíaca com o volume de ejeção sanguíneo em cada sístole ventricular da bomba esquerda (Modificado de SIMÃO, 2007). De acordo com Katch, Katch & McArdle (2001), o DC em repouso não sofre alterações em função dos níveis de aptidão física, variando apenas de acordo com o gênero, visto que, homens e mulheres treinados e não treinados apresentam DC igual a 5 e 4,5 litros/min (l/min) respectivamente. No entanto, complementando a afirmativa anterior, Leite (2000) acrescenta que nas mesmas condições fisiológicas e no mesmo gênero, o DC pode chegar a até 8 l/min. Já em relação a resposta do DC durante exercício físico, Saraiva (2010) ressalta que em função do aumento da FC e do VS durante uma taxa de trabalho físico intenso, o DC pode atingir valores de 25 l/min. Entretanto, estudos de Leite (2000) relatam quem em função dos níveis de condicionamento físico, o DC pode atingir valores superiores, os quais são encontrados em atletas olímpicos praticantes de modalidades esportivas com predominância do sistema energético aeróbio, que durante procedimentos experimentais, apresentaram um DC de 46 litros/min. Ao analisar a reposta do DC durante o TFCR, estudos de Fleck & Kraemer (2006) reportam que em função dos baixos valores de VS e FC encontrados durante o referido sistema de treino, este é associado a não existência de alterações significativas em decorrência do mesmo. Entretanto, Simão (2007) sugere que com cargas reduzidas e repetições elevadas, o DC pode apresentar respostas mais similares aquelas observadas no exercício aeróbio, embora em um grau bem menor. 2.3.1.4. Consumo máximo de O2 do miocárdio (MIVO2máx) Leite (2000) define o MIVO2máx como a quantidade de oxigênio utilizado pelas células do miocárdio para realizar o trabalho funcional de bombeamento cardíaco do fluxo sanguíneo, o qual é expresso em mililitros para cada 100 gramas da massa muscular do miocárdio (ml/100g MIVO2 máx.). Para Katch, Katch & McArdle (2001) durante o repouso, o fluxo sanguíneo para o miocárdio é de 200 a 250 ml, representando aproximadamente 5% do DC total do coração. Ainda para os referidos autores, o miocárdio necessita de uma quantidade considerável de oxigênio em relação ao seu fluxo sanguíneo, utilizando-se cerca de 70% a 80% do oxigênio do sangue nos vasos sanguíneos. Segundo Leite (2003) em sujeitos normais, existe uma relação paralela entre MIVO 2 máx. e as variáveis anteriormente descritas (FC, VS, DC), já que números elevados das mesmas são preditores de trabalho executado pelo coração durante um esforço físico qualquer, o qual só é possível mediante a adequada captação de oxigênio pelo miocárdio para realização do bombeamento sanguíneo. Corroborando com tais afirmativas, Powers & Howley (2005) sugerem que o exercício físico é o único mecanismo para aumentar o suprimento de oxigênio ao miocárdio, aumentando assim o fluxo sanguíneo em cerca de quatro a seis vezes do nível de repouso. 2.3.2. Fenômenos hemodinâmicos periféricos 2.3.2.1. Distribuição do fluxo sanguíneo Para a literatura especializada (LEITE, 2000; POWERS & HOWLEY, 2005; SARAIVA, 2010), em condições fisiológicas de repouso apenas 15 a 20% do DC são distribuídos aos músculos esqueléticos, correspondendo cerca de 4 a 7 mililitros por 100 gramas de músculos (ml/100g), enquanto o restante é direcionado aos demais órgãos (pele, cérebro, rins, fígado, etc.). Neste aspecto, Powers & Howley (2005) publicaram que em função da demanda aumentada de oxigênio nos músculos esqueléticos durante um esforço físico qualquer, é necessário que seja ampliado o fluxo sanguíneo para estas células, e concomitantemente, reduzido o mesmo para os órgãos em menor atividade metabólica (rins, fígado, pele, etc.), processo este, denominado redistribuição seletiva do fluxo sanguíneo. Corroborando com os autores supracitados, Saraiva (2010) relata que tal processo de auto regulação, possibilita durante uma taxa máxima de esforço físico, que 80 a 85% do DC sejam direcionados a musculatura esquelética, implicando num fluxo sanguíneo aumentado entre 12 a 30 vezes, o que corresponde entre 50 a 80 ml/100g de músculo na referida região, suprindo assim as necessidades de oxigênio e nutrientes requeridos pelos músculos esqueléticos em esforço físico aumentado. Ao explicar os mecanismos que regulam o processo anteriormente mencionado, Leite (2000) afirma que o mesmo decorre da vasoconstrição reflexa das arteríolas que irrigam os tecidos menos ativos durante a atividade física, bem como, da vasodilatação das arteríolas que suprem os músculos esqueléticos em trabalho muscular acentuado. 2.3.2.2. Diferença arteriovenosa do O2 É a quantidade de oxigênio captada pelos tecidos do corpo a cada 100 ml de sangue que passam pela circulação sistêmica, para a realização de trabalho celular (POWERS & HOWLEY, 2005). De acordo com Katch, katch & McArdle (2001), em repouso, a diferença arteriovenosa encontra-se entre 40 a 50 mililitros de oxigênio para cada litro de sangue (ml O2/1.000), enquanto que num trabalho físico de longo tempo, estes valores podem variar entre 160 a 180 ml O2/1.000, o que corresponde a um aumento de 4 a 4,5 vezes. Segundo Powers & Howley (2005), a diferença arteriovenosa é proporcional a quantidade de oxigênio captada e utilizada pelas células musculares durante o esforço físico para a produção aeróbia de energia, estando diretamente relacionada a pressão parcial do oxigênio presente no interior da célula e do O2 transportado pela mioglobina através do fluxo sanguíneo. 2.3.3. Fenômenos hemodinâmicos periféricos centrais 2.3.3.1. Pressão arterial sanguínea (PA) É a pressão exercida pelo sangue contra as paredes arteriais, determinada pela quantidade de sangue bombeado e pela resistência oposta ao fluxo sanguíneo (POWERS & HOWLEY, 2005). Para os referidos autores, a PA pode ser classificada em: 1- pressão arterial sanguínea sistólica (PAS), sendo esta o maior valor obtido de pressão, decorrente da ejeção do sangue pelo coração durante a sístole ventricular cardíaca; 2- pressão arterial diastólica (PAD), a qual corresponde ao menor valor de pressão reportado, que ocorre durante a diástole ventricular cardíaca. Neste aspecto Rodrigues de Almeida (2010), faz referências aos valores normais de PAS e PAD durante o repouso, as quais situam-se abaixo ou igual a 130 e 85 milímetros de mercúrio por batimento cardíaco (mmHg/bpm) respectivamente. Durante o repouso, quando a PA é mensurada e os valores encontrados estão acima dos números anteriormente mencionados, considera-se indicativos de hipertensão arterial sanguínea (HAS), a qual se classifica como leve, moderada e severa (POWERS & HOWLEY, 2005). Sobre este assunto, Leite (2000) publicou que a PAS aumenta mediante a intensidade do esforço físico, enquanto a PAD apresenta valores que devem permanecer constantes no padrão fisiológico indicado anteriormente, sendo tolerado o aumento ou diminuição em até 10 mmHg/bpm durante determinados momentos do trabalho físico, em decorrência da elevação do débito cardíaco e do volume sistólico. Entretanto, ao analisar a resposta da PA durante o TFCR, diversos estudos (FORJAZ ET AL, 2006; FLECK & KRAEMER, 2006) reportam que não existe estabilização da referida variável durante o sistema de treino supracitado, visto que tanto a PAS e a PAD apresentam valores diferentes durante o encurtamento e o relaxamento muscular, devendo também ser considerados os números de repetições executadas, quantidade de séries em que as repetições são parceladas, bem como, a carga utilizada e o percentual de massa muscular recrutada. Ainda para os referidos autores, a maioria dos estudos apontam que atletas de modalidades anaeróbias como fisiculturistas, basistas e levantadores de peso, apresentam PAS e PAD de repouso dentro da média, o que permite pressupor que o TFCR não modifica a PA de repouso em sujeitos assintomáticos. Entretanto, diversos estudos (HAGBERG, 1984, NIEMAN, 1999, PITANGA, 2004; NEGRÃO & BARRETO, 2006; HARRIS & HOLLY apud FLECK & KRAEMER, 2006; SARAIVA, 2010) indicam que indivíduos hipertensos apresentaram reduções significativas de PAS e PAD após procedimentos experimentais de TFCR. Ainda Powers & Howley (2005) sugerem realizar a estimativa da pressão arterial média (PAM) durante o ciclo cardíaco através da equação: [PAS + (PAD x 2)] / 3, a qual determina a taxa do fluxo sanguíneo através da circulação sistêmica para atender a perfusão coronariana e tecidual. 2.3.3.2. Duplo produto (DP) De acordo com a literatura especializada (LEITE, 2003; POWERS & HOWLEY, 2005; RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010), o DP é o produto da correlação da freqüência cardíaca de esforço com a PAS, que reflete as alterações relativas da carga de trabalho imposta ao músculo cardíaco durante o esforço físico. Neste aspecto, Saraiva (2010) ressalta que o DP durante um esforço físico máximo pode atingir valores cinco vezes maiores do que no repouso, e também, é considerado um parâmetro fidedigno para avaliar a capacidade funcional do ventrículo esquerdo cardíaco, sendo indicador confiável para controle de melhorias em pacientes integrados em programas objetivando a reabilitação cardíaca, visto que há uma correlação linear entre o aumento do DP com o MIVO2 máx. Ampliando as perspectivas de discussões sobre o tema, autores contemporâneos (FARINATTI & ASSIS, 2000; FLECK & KRAEMER, 2006; SARAIVA, 2010) ao analisarem os efeitos do TFCR sobre o DP, afirmam que o referido sistema de treino quando comparado ao treino aeróbio, não reduz o DP durante o repouso significamente, até mesmo em atividades quaisquer, visto que, sujeitos com mais experiência em TFCR, quando se submetem aos mesmos percentuais de carga de treino, apresentam menores escores de PAS e FC se comparados com indivíduos sedentários ou iniciantes submetidos a mesa taxa de esforço. 2.3.3.3. Resistência periférica total Leite (2003) define a resistência periférica total como sendo a diminuição da pressão intra-arterial, decorrente da vaso-dilatação das arterias nos tecidos musculares ativos. Sobre tais afirmativas, Saraiva (2010) relata que o principal fator que regula o fluxo de sangue é o diâmetro interno do vaso sanguíneo, o que gera alterações na taxa de fluxo às células mediante o aumento do calibre do vaso, denominado vasodilatação, bem como, da sua redução, chamada vasoconstrição. De acordo com Powers & Howley (2005), em função do aumento do fluxo sanguíneo aos músculos esqueléticos, os vasos que irrigam os mesmos sofrem o processo de vasodilatação, fenômeno que gera queda da resistência ao fluxo de sangue e aumenta o volume do mesmo na referida musculatura, ao que entende-se tecnicamente como distribuição seletiva do fluxo sanguíneo. Corroborando com tais afirmativas, Rodrigues de Almeida (2010) faz referências a resistência periférica total de indivíduos treinados e destreinados durante o repouso, sendo para o primeiro 180 mmHg e para o segundo 120 mmHg. Em relação ao exercício físico, os valores da referida variável encontra-se em média de 160 mmHg, enquanto os indivíduos destreinados apresentam valores médios de 115 mmHg. Tal fato permite pressupor que durante um exercício físico qualquer, ocorre a vasoconstrição das arteríolas que irrigam as áreas inativas, tais como: fígado, rins e intestino, enquanto nas áreas ativas (musculatura cardíaca e esquelética), ocorre a vasodilatação, diminuindo dessa forma o volume sanguíneo total. 3. Metodologia 3.1. Caracterização da pesquisa Esta pesquisa caracteriza-se como sendo do tipo experimental quantitativa, uma vez que, a partir dos objetivos estabelecidos, busca-se averiguar possíveis efeitos da sobrecarga em parâmetros hemodinâmicos de idosos, decorrentes da sistematização metodológica de um TFCR, procurando descrevê-los, classificá-los e interpretá-los (LAVILLE & DIONNE, 1999). 3.2. População e amostra A população deste estudo foi composta por indivíduos sedentários e também praticantes de TFCR, todos alunos regulares da academia SESC de Porto Velho/RO, do gênero feminino e na faixa etária de 67 a 80 anos e sem uso de fármacos. 3.2.1. Procedimento para seleção da amostra Inicialmente foi realizado um contato verbal com o responsável pela academia, explicando os detalhes metodológicos do estudo para posteriormente, de posse de um documento emitido pelo Departamento de Educação Física da Universidade Federal de Rondônia – UNIR (ANEXO I), retornar-se a mesma e oficializar a pesquisa. Em seguida, realizou-se uma palestra no auditório do SESCRO para os sujeitos interessados em participar da investigação, os quais depois de fornecidas as devidas explicações a respeito da metodologia a ser utilizada na pesquisa, responderam a um questionário para levantamento dos dados pessoais e hábitos de vida (ANEXO II) e posteriormente assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO III), concordando em participar da voluntariamente da pesquisa. 3.3. Descrição do desenho do estudo Nesta pesquisa, conforme demonstra o quadro 1, foi formado um único grupo de estudo (GE), composto por 12 indivíduos (n) de ambos os gêneros, os quais serão divididos em 3 subgrupos: a) subgrupo A (SGA), composto por 04 sujeitos sedentários; b) subgrupo B (SGB), composto por 04 indivíduos que foram submetidos ao TFCR sistematizado em bases científicas e três por semana; e c) subgrupo C (SGC), composto por 04 sujeitos que praticam TFCR três vezes na semana, porém, sem sistematização metodológica. GRUPO DE ESTUDO GE n SUBGRUPOS DE ESTUDOS n SGA 04 SGB 04 GC 04 12 PROCEDIMENTOS O1----------O2 Figura 1 – demonstração do desenho da pesquisa Todos os integrantes do GE foram submetidos aos mesmos procedimentos de testagem (O1) e retestagem (O2), os quais ocorreram num período de seis dias, sendo a coleta dos dados do SGA realizadas no sábado(03/12 e 04/02), do SGB realizadas no domingo (04/12 e 05/02), e do SGC realizadas na segunda-feira (05/12 e 06/02), todas entre 14h00min e 18h00min. 3.3.1. Controle do experimento 3.3.1.1. Seleção do quadro de avaliadores e controle das condições detestagem O processo da coleta de dados desta pesquisa contou com a participação de 03 acadêmicos do Curso de licenciatura plena em Educação Física da Universidade Federal de Rondônia – UNIR, todos aprovados nas disciplinas Cineantropometria e Treinamento Desportivo, portanto, devidamente familiarizados com os protocolos de mensuração utilizados nesta pesquisa. 3.3.1.2. Controle das sessões de treinamento Com objetivo de familiarizar os indivíduos e adaptá-los em relação ao uso dos equipamentos a serem utilizados nas sessões de treino, bem como, para o controle das cargas de trabalho, antecedendo o início do experimento todos os componentes do SGA foram submetidos a um período pré-experimental, com duração de duas semanas, durante o qual, foram seguidos os mesmos métodos, meios e equipamentos utilizados nas rotinas de treino. Durante o período do experimento, cada sujeito componente do SGA foi acompanhado individualmente durante todas as sessões de treino, com intuito de subsidiar o controle da intensidade e da duração do esforço físico durante as rotinas de treino. 3.4. Variáveis do estudo 3.4.1. Variáveis dependentes São as variáveis a serem observadas e medidas durante o procedimento experimental, com objetivo de determinar o nível de efeito da variável independente, ou seja, é o fator que pode ou não sofrer alterações, na medida em que se manipula a variável independente (SAMPEDRO, 1988). 3.4.1.1.Parâmetros funcionais hemodinâmicos São aqueles que expressam as leis da dinâmica do coração e da circulação sanguínea, refletindo os ajustes cardiovasculares necessários para manter o equilíbrio funcional orgânico (POWERS & HOWLEY, 2005; RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010). 3.4.1.1.1. Definições conceituais e procedimentos operacionais a. Frequência cardíaca de repouso – FCR a.1. Definição conceitual É o menor valor numérico de sístoles cardíacas, observado em um período compreendido entre 5 – 10 minutos, estando o sujeito em posição confortável e o mais horizontalizado possível (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010). a.2. Equipamentos e instrumentos utilizados a.2.1. Frequencímetro Foi utilizado um frequencímetro da marca Oregon Scientific, modelo digital SE300 com as seguintes especificações: a) cor preta; b) cálculo das calorias consumidas; c) cronômetro com contador de 60 voltas; d) medição das freqüênciascardíacas média e contínua; e e) capacidade de armazenamento na memória do tempo total de exercício e da frequência cardíaca máxima de esforço, acompanhado de uma cinta precordial sem fio, transmissora dos batimentos cardíacos. a.3. Protocolo de testagem e medição Adotou-se a padronização sugerida por Rodrigues de Almeida (2010), sendo utilizado um único avaliador, o qual antecedendo a realização da medição fez as devidas explicações ao avaliando sobre o procedimento. Em seguida, com o sujeito de pé estando a região do tórax desnuda, o avaliador posicionou a cinta precordial transmissora dos batimentos cardíacos com a parte receptora da mesma sobre o processo xifóideo do avaliando, estando este confortavelmente sobre um colchonete no chão, o mais horizontalizado possível. Como valor da FCR, foi adotado o menor número de batimentos cardíacos observados após o sujeito permanecer por 5 minutos na posição anteriormente descrita, sendo estes valores anotados a cada minuto do período acima citado (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010). b. Frequência cardíaca máxima de esforço – FCME b.1. Definição conceitual É o valor absoluto de sístoles cardíacas observadas durante a realização da atividade física, ou até 15 segundos após o final desta (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010). b.2. Equipamentos e instrumentos utilizados b.2.1. Calculadora Foi utilizada uma calculadora científica da marca Kenko, modelo KK-82MS, com as seguintes características: a) 240 funções específicas; b) display de duas linhas; c) cálculo fracionário; d) cálculo seno, cosseno e tangente; e) cálculo estatístico; f) conversão de sexagesimal para decimal; g) funções hiperbólicas e hiperbólicas inversas; h) função de repetição e resposta; e i) desligamento automático. b.2.2. Modelo matemático de estimativa Para estimar a FCME, foi utilizado o modelo matemático proposto por Sheffield (1965) apud Rodrigues de Almeida (2010), com validade científica para sujeitos de ambos os gêneros, não atletas e de idade generalizada, conforme o exposto a seguir: FC máx= 210- (0,65 x id) Em que: Id: idade do sujeito expressa em anos c. Débito cardíaco – DC c.1. Definição conceitual É o volume total de sangue bombeado pelo coração na unidade de tempo de 1 minuto, resultado do produto da frequência cardíaca com o volume de ejeção sanguínea em cada sístole ventricular esquerda (Modificado de SIMÃO, 2007). c.2. Equipamentos e instrumentos utilizados c.2.1. Calculadora Foi utilizada uma calculadora científica da marca Kenko, modelo KK-82MS, com as seguintes características: a) 240 funções específicas; b) display de duas linhas; c) cálculo fracionário; d) cálculo seno, cosseno e tangente; e) cálculo estatístico; f) conversão de sexagesimal para decimal; g) funções hiperbólicas e hiperbólicas inversas; h) função de repetição e resposta; e i) desligamento automático. c.2.2. Modelo matemático de estimativa Para estimar o DC, foi utilizado o modelo matemático proposto por Faulkner (1977) apud Rodrigues de Almeida (2010), com validade científica para sujeitos de ambos os gêneros, com idade igual ou superior a 40 anos e não atletas, conforme o exposto abaixo: DC= VO2 máx. (0,59) + 4,9 Em que: VO2 máx.: Consumo máximo de oxigênio expresso em ml/min .-1 d. Volume sistólico – VS d.1. Definição conceitual É o volume total de sangue ejetado no interior da artéria aorta em cada sístole cardíaca, objetivando atender as necessidades funcionais do organismo (LEITE, 2000). d.2. Equipamentos e instrumentos utilizados d.2.1. Calculadora Foi utilizada uma calculadora científica da marca Kenko, modelo KK-82MS, com as seguintes características: a) 240 funções específicas; b) display de duas linhas; c) cálculo fracionário; d) cálculo seno, cosseno e tangente; e) cálculo estatístico; f) conversão de sexagesimal para decimal; g) funções hiperbólicas e hiperbólicas inversas; h) função de repetição e resposta; e i) desligamento automático. d.2.2. Modelo matemático de estimativa Para estimar o VS, foi utilizada a equação matemática sugerida por Wilmore& Norton apud Rodrigues de Almeida (2010), com validade científica generalizada, conforme o exposto abaixo: VS= DC x 100 FCME Em que: DC: Débito cardíaco expresso em l FCME: Frequência cardíaca máxima obtida em esforço e expressa em bpm 1000: Um (1) litro expresso em ml e. Pressão arterial sanguínea – PA e.1. Definição conceitual É a pressão exercida pelo sangue no interior dos vasos sanguíneos, em função da sístole ventricular cardíaca e da resistência vascular oposta ao fluxo do sangue (LEITE, 1993). e.2. Equipamentos e instrumentos utilizados e.2.1. Esfigmomanômetro Foi utilizado um esfigmomanômetro modelo aneroide, específico para sujeitos com perimetria de braço entre 22 e 28 cm, com as seguintes características: a) demonstrador de leitura com precisão de 2 mmHg; b) bomba de inflar em látex; e c) braçadeira em Nylon com fecho de velcro. e.2.2. Estetoscópio Foi utilizado um estetoscópio da marca Premium de alta precisão com as seguintes características: a) um receptor auscultatório confeccionado em aço inox; b) um canículo propagador de som confeccionado em látex; e c) um terminal auscultatório confeccionado em aço inox e finalizado com olivas de silicone. e.2.3. Fita métrica Foi utilizada uma fita métrica da marca cardiomed, modelo WCS, com as seguintes características: a) confeccionada em fibra de vidro; b) inelástica e flexível; c) fundo de cor branca; d) 0,5 cm de largura x 150 cm de comprimento; e e) sistema de rebobinação. e.3. Protocolo de testagem e medição Adotou-se a padronização sugerida por Mion Jr. et al. (1996), sendo utilizados dois avaliadores (“a” e “b”), ambos posicionados a esquerda do avaliando e responsáveis pelas seguintes funções: o avaliador “a” realizou o procedimento de mensuração e o avaliador “b” ficou responsável pela anotação da medida. Antecedendo a mensuração, o avaliando foi orientado a sentar-se confortavelmente e permanecer em posição estática durante 5 minutos. Para mensuração, o avaliando permaneceu sentado com a coluna ereta, estando o braço esquerdo desnudo e relaxado com o antebraço apoiado na altura da região precordial, com a mão aberta e descontraída. O avaliador “a” posicionou o manguito oclusor do esfigmomanômetro sobre a região braquial, fechando a válvula da bomba de inflar e palpando a artéria braquial no referido seguimento. Posteriormente, inflou o manguito oclusor até não mais sentir o pulso cardíaco, quando então posicionou adequadamente o terminal auricular do estetoscópio, bem como, o receptor auscultatório do referido instrumento sobre a artéria acima citada e abriu lentamente a válvula de controle do ar, diminuindo a pressão do manguito. Os primeiro e segundo sons percebidos corresponderam aos componentes sistólico e diastólico respectivamente. O valor encontrado foi corrigido pela perimetria do braço relaxado, conforme sugestão de Mion Jr. et al. (1986), cujo os valores se encontraram explicitados no quadro 2. A medida foi realizada no ponto meso umeral, com o avaliador “a” posicionado ântero lateralmente em relação ao avaliando, estando este em pé, com os braços relaxados ao longo do corpo, cabeça orientada no plano de Frankfurt e em ligeiro afastamento lateral de pernas, com o peso corporal distribuído entre estas. Foram realizadas duas medidas seqüenciadas e assim estabelecida a média aritmética das mesmas como valor final. PERÍMETRO DO VALORES DE CORREÇÃO BRAÇONORMAL SISTÓLICA DIASTÓLICA - cm - - mmHg - - mmHg - 20 +11 +07 22 +09 +06 24 +07 +04 26 +05 +03 28 +03 +02 30 --- --- 32 -02 -01 34 -04 -03 36 -06 -04 38 -08 -06 40 -10 -07 42 -12 -09 44 -14 -10 46 -16 -11 48 -18 -13 50 -21 -14 Figura 2 – Correção da pressão arterial sanguínea f. Pressão arterial média – PAM f.1. Definição conceitual É a pressão média durante o ciclo cardíaco, a qual determina a taxa do fluxo sanguíneo através da circulação sistêmica (POWERS & HOWLEY, 2005). f.2. Equipamentos e instrumentos utilizados f.2.1. Calculadora Foi utilizada uma calculadora científica da marca Kenko, modelo KK-82MS, com as seguintes características: a) 240 funções específicas; b) display de duas linhas; c) cálculo fracionário; d) cálculo seno, cosseno e tangente; e) cálculo estatístico; f) conversão de sexagesimal para decimal; g) funções hiperbólicas e hiperbólicas inversas; h) função de repetição e resposta; e i) desligamento automático. f.2.3. Modelo matemático de estimativa Para estimar a PAM, foi utilizado o modelo matemático proposto por Powers&Howley (2005), com validade cientifica generalizada, conforme o exposto a seguir: PAM= PAD + 0,33 (PAS – PAD) Em que: PAD: Pressão arterial sanguínea diastólica PAS: Pressão arterial sanguínea sistólica g. Duplo produto – DP g.1. Definição conceitual É o produto da frequência cardíaca multiplicado pela pressão arterial sistólica, o qual reflete no trabalho do coração em qualquer intensidade de esforço. (LEITE, 2000). g.2. Equipamentos e instrumentos utilizados g.2.1. Calculadora Foi utilizada uma calculadora científica da marca Kenko, modelo KK-82MS, com as seguintes características: a) 240 funções específicas; b) display de duas linhas; c) cálculo fracionário; d) cálculo seno, cosseno e tangente; e) cálculo estatístico; f) conversão de sexagesimal para decimal; g) funções hiperbólicas e hiperbólicas inversas; h) função de repetição e resposta; e i) desligamento automático. g.2.2. Modelo matemático de estimativa Para estimar o DP, foi utilizado o modelo matemático discriminado a seguir por Leite (2000), com validade cientifica generalizada: DP= FCME x PAS máx 100 Em que: FCME: Freqüência cardíaca máxima obtida em esforço PAS máx.: Pressão arterial sistólica máxima obtida em esforço h. Consumo Máximo de Oxigênio do Miocárdio – MIVO2 máx. h.1. Definição conceitual É a quantidade de oxigênio utilizado pelas células do miocárdio, para realizar o trabalho funcional de bombeamento cardíaco do fluxo sanguíneo (LEITE, 2000). h.2. Equipamentos e instrumentos utilizados h.2.1. Calculadora Foi utilizada uma calculadora científica da marca Kenko, modelo KK-82MS, com as seguintes características: a) 240 funções específicas; b) display de duas linhas; c) cálculo fracionário; d) cálculo seno, cosseno e tangente; e) cálculo estatístico; f) conversão de sexagesimal para decimal; g) funções hiperbólicas e hiperbólicas inversas; h) função de repetição e resposta; e i) desligamento automático. h.2.2. Modelo matemático de estimativa O MIVO2 máx. foi estimado através da equação proposta por Hellerteinet al. (1973) apud Rodrigues de Almeida (2010), com validade científica generalizada, conforme demonstra o exposto abaixo: MIVO2 máx.= DP x 0,14 – 6,3 Em que: DP: Duplo produto 3.4.2. Variáveis da característica física da amostra 3.4.2.1.Parâmetros morfológicos São aqueles que evidenciam a forma dos órgãos em geral, a qual influência no funcionamento dos mesmos. Ou seja, a função de um órgão é influenciada por sua morfologia sob o ponto de vista formativo e modificador (RODRIGUES DE ALMEIDA, REIS DE MOURA& SAMPEDRO, 1997). 3.4.2.1.1. Definições conceituais e procedimentos operacionais a. Estatura – E a.1. Definição conceitual É a distância em linha reta, entre os planos transversos que tangenciam o vértex e a região plantar (CARVALHO, 1988). a.2. Equipamentos e instrumentos utilizados a.2.1. Estadiômetro Foi utilizado um estadiômetro com as seguintes especificações: a) uma régua vertical de 250 cm de comprimento, confeccionada em madeira com precisão de 0,1 mm; e b) um cursor transverso móvel confeccionado em madeira para apoio no vértex. a.3. Protocolo de testagem e medição Adotou-se a padronização sugerida por Marins &Giannichi (2003), sendo utilizados dois avaliadores (“a” e “b”), distribuídos da seguinte forma: o avaliador “a” ficou posicionado a direita do avaliando, sendo responsável pela aplicação do procedimento de medição; e o avaliador “b”, ficou posicionado a frente do avaliando, para proceder as anotações das medidas encontradas. Antecedendo a realização da testagem, os avaliadores forneceram explicações detalhadas aos avaliandos sobre o protocolo de mensuração. A medida foi realizada com o avaliando descalço, estando as regiões do calcâneo, posterior da perna, glúteo, coluna toráxica e osso occipital em contato com a escala métrica vertical fixada à parede e manterá a cabeça orientada no plano de Frankfurt. Para proceder a leitura da medição, o avaliando realizou uma inspiração profunda, e o avaliador “a” posicionou o cursor sobre seu vertex. Foram realizadas três medidas, estabelecendo-se a média aritmética das mesmas como valor final. b. Peso Corporal Total – PCT b.1. Definição conceitual É a resultante do sistema de forças exercidas pela gravidade, sobre a massa corporal total (MATSUDO, 1983). b.2. Equipamentos e instrumentos utilizados b.2.1. Balança Foi utilizada uma balança de alavanca da marca Welmy 104A com as seguintes especificações: a) estrutura em chapa de aço carbono; b) acabamento em tinta poliuretano branco; c) capacidade para 300 kg; d) cabeçote transverso com: a) pino de travamento; b) escala numérica acoplada de um cilindro corrediço para leitura, com divisão de 100 g, a qual possui na sua porção final um ponteiro guia móvel; c) escala numérica acoplada de um cilindro corrediço para leitura com divisão de 10 kg; e) plataforma de apoio plantar com dimensão de 550 x 390 mm; e f) altura de 1,20 m. b.3. Protocolo de testagem e medição Adotou-se a padronização sugerida por Marins &Giannichi (2003), sendo utilizados dois avaliadores (“a” e “b”), distribuídos da seguinte forma: o avaliador “a” ficou posicionado posteriormente em relação à balança, sendo responsável pela aplicação do protocolo de medição; e o avaliador “b” ficou posicionado a frente do avaliando, sendo responsável pelas anotações das medidas encontradas. Antecedendo a realização da testagem, os avaliadores forneceram explicações detalhadas aos avaliandos sobre o protocolo de medição, bem como, procederam a calibragem do referido equipamento. A medida foi realizada com sujeito em vestes sumárias, sendo inicialmente, posicionado de costas para o cabeçote transverso da balança com a plataforma de apoio plantar entre as pernas. Posteriormente, subiu ao centro desta de maneira suave com um pé de cada vez e adotou uma postura ereta com a cabeça orientada no plano de Frankfurt, braços relaxados ao longo do corpo e em ligeiro afastamento lateral de pernas, estando o peso corporal dividido entre estas. Ao finalizar a medida, o avaliador “a” deslocou o cilindro corrediço da escala numérica de leitura que representa as dezenas de kg, até a dezena de peso esperado, em seguida, destravou a balança e deslocou o cilindro corrediço da escala numérica de leitura que representa as centenas de gramas até o nivelamento do ponteiro guia, quando então a balança foi travada novamente, procedendo a leitura da medida na borda interna da referida escala. 3.4.2. Variável independente É a variável de estímulo, ou de “input”, que opera com a amostra, ou ainda, com o ambiente onde se situa a amostra, modificando comportamentos. Ou seja, é o fator que durante o procedimento experimental, é medido, manipulado, ou selecionado para determinar a relação de um fenômeno observado, se constituindo na provável causa de qualquer alteração da variável dependente (SAMPEDRO, 1988). 3.4.2.1. Sistematização metodológica das cargas de treino É o planejamento de um programa de treinamento, bem como, a prescrição e o controle das cargas de trabalho que o compõem, o qual edificado em bases científicas, faculta a otimização dos parâmetros componentes da aptidão física na data desejada e de acordo com os objetivos previamente determinados (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2002). 3.4.2.1.1. Procedimentos operacionais a. Estruturação do programa de treino Com o objetivo de promover modificações morfofuncionais no sistema neuromuscular e possibilitar seu funcionamento otimizado permitindo assim a realização de performances motoras ampliadas, neste experimento utilizou-se3 sessões de treino semanais, com 60 minutos de duração cada e divididas em 3 partes com características próprias conforme demonstra o quadro 3 a seguir. PARTE SESSÃO DE TREINO FASE A Objetivo: Ativar a circulação e aumentar a irrigação sangüínea nos tecidos musculares em geral. PREPARATÓRIA Meios: Exercícios dinâmicos do tipo contínuo, executados na esteira. Duração: 10 minutos PRINCIPAL FASE B Objetivo: Alongar os grupos musculares que serão solicitados durante o treino, bem como, melhorar a mobilidade articular dos sujeitos. Meios: Exercícios estacionários do tipo localizado, executados de forma ativa. Duração: 5 minutos Objetivo: Promover modificações morfofuncionais no sistema neuromuscular. Meios: Exercícios estacionários do tipo localizado, executados contra resistências variadas. Duração: 30 minutos FINAL Objetivo: Acomodar fisiologicamente o sujeito aos níveis iniciais da sessão de treino. Meios: Exercícios dinâmicos do tipo contínuo, executados na esteira. Duração: 5 minutos Objetivo: Alongar os grupos musculares que serão solicitados durante o treino, bem como, melhorar a mobilidade articular dos sujeitos. Meios: Exercícios estacionários do tipo localizado, executados de forma ativa. Duração: 10 minutos Figura3 - Características da sessão de treino As cargas de trabalho desta pesquisa iniciaram no dia 6 de dezembro e foram encerradas no dia 8 de fevereiro, totalizando 8 semanas. Considerando as particularidades deste estudo em relação ao problema de pesquisa investigado, para a sistematização metodológica das cargas de treino específicas do SGB, foi modificada a sugestão de Rodrigues de Almeida (2002) conforme demonstra a sequencia metodológica a seguir. a.1. Tipo dos exercícios / músculos a serem treinadose respectivos equipamentos Ao se analisar a literatura especializada (RODRIGUES DE ALMEIDA, REIS DE MOURA& SAMPEDRO, 1997; COSTILL & WILMORE, 2001; SIMÃO, 2007), constata-se que uma sessão de TFCR é composta de oito a quinze exercícios, os quais são ordenados de maneira a evoluir na sua execução sem causar a fadiga muscular precoce (POLLOCK & WILMORE, 1993; LILLEGARD & TERRIO, 1994; KRAEMER & FLECK, 1999), tornando a sessão de treino mais confortável. Assim, procurando desenvolver de forma harmoniosa os segmentos corporais dos sujeitos componentes do SGB, foram utilizados neste estudo 12 exercícios, os quais foram considerados imprescindíveis e executados através de contrações isotônicas, sendo que deste total, 6foram considerados prioritários e treinados associando-se contrações isométricas e isotônicas, sendo estes destacados com asterisco (*) conforme demonstrado a seguir das figuras 6 a 18. MÚSCULOS SOLICITADOS * Bíceps braquial, braquial, braquiorradial POSIÇÃO INICIAL Sujeito em pé, estando as mãos pronadas empunhando a barra de tração (1), os antebraços e braços aduzidos lateralmente ao corpo (2), a coluna ereta (3), os joelhos ligeiramente flexionados (4) estando os pés horizontalizados e alinhados com os ombros (5). 3 EQUIPAMENTO Módulo flexão ínfero-superior POSIÇÃO FINAL Inicialmente o sujeito realizará a flexão dos antebraços formando um ângulo de 90º em relação aos braços. Em seguida, ainda com os músculos solicitados contraídos, os antebraços voltarão à posição inicial mantendo a tensão nos referidos músculos. 2 1 4 5 Figura4- Exercício de flexão do antebraço. MUSCULOS ALVO EQUIPAMENTO *Reto femoral, vasto medial, vasto lateral, vasto intermediário POSIÇÃO INICIAL Sujeito sentado, estando as mãos empunhando as manoplas do módulo (1), os antebraços e braços aduzidos lateralmente ao corpo (2), a coluna ereta (3), as coxas formando um ângulo de 90º em relação as pernas (4) estando o apoio do referido equipamento logo acima dos pés (5). Módulo- extensor POSIÇÃO FINAL Inicialmente o sujeito realizará a extensão das pernas até formar um ângulo de 180º em relação às coxas. Em seguida com os músculos solicitados contraídos, as pernas voltarão à posição inicial mantendo a tensão nos referidos músculos. 3 4 2 5 1 Figura 5 - Exercício de extensão da perna. MUSCULOS SOLICITADOS Peitoral maior; deltóide anterior EQUIPAMENTO Módulo adução supero-inferior de braço POSIÇÃO INICIAL POSIÇÃO FINAL Sujeito sentado, estando as mãos pronadas empunhando a barra de tração (1), os antebraços e braços aduzidos horizontalmente e alinhados com os ombros formando um ângulo de 90º em relação ao tronco (2), a coluna ereta (3), estando os pés horizontalizados e apoiados no solo (4). Inicialmente o sujeito realizará a adução horizontal dos braços até formar um ângulo de 90º em relação ao tronco. Em seguida, com os músculos solicitados contraídos, os braços voltarão à posição inicial mantendo a tensão nos referidos músculos . 1 2 3 4 Figura 6 - Exercício de adução anterior do braço. MUSCULOS SOLICITADOS EQUIPAMENTO * Tríceps; ancôneo POSIÇÃO INICIAL Sujeito em pé, estando as mãos pronadas empunhando a barra de tração (1), os antebraços e braços alinhados verticalmente ao corpo (2), a coluna ereta (3), os joelhos ligeiramente Módulo extensão supero-inferior POSIÇÃO FINAL Inicialmente o sujeito realizará a flexão dos antebraços até formar um ângulo de 90º em relação aos braços. Em seguida, ainda com os músculos solicitados contraídos, os antebraços voltarão à posição inicial mantendo a flexionados (4), estando os pés tensão nos referidos músculos. horizontalizados e alinhados com os ombros (5). 3 2 1 4 5 Figura 7 - Exercício de extensão do antebraço. MÚSCULOS SOLICITADOS * Bíceps femoral EQUIPAMENTOS Módulo flexo extensor de pernas POSIÇÃO INICIAL POSIÇÃO FINAL Sujeito em decúbito ventral sobre a mesa flexora, estando as mãos pronadas empunhando as manoplas do módulo (1), a coluna ereta (2), as pernas alinhadas ao eixo do módulo (3) estando o apoio do referido equipamento logo acima dos calcanhares (4). Inicialmente o sujeito realizará a flexão das pernas até formar um ângulo de 90º em relação às coxas. Em seguida, ainda com os músculos solicitados contraídos, as pernas voltarão à posição inicial mantendo a tensão nos referidos músculos. 2 3 4 1 Figura 8 - Exercício de flexão do joelho. MUSCULOS SOLICITADOS EQUIPAMENTOS Palmar longo, palmar curto, flexor profundo; flexor superficial e flexor ulnar Barra reta e anilhas do carpo POSIÇÃO INICIAL Sujeito sentado, estando as mãos supinadas empunhando a barra (1), os antebraços flexionados e apoiados sobre as coxas (2), os braços aduzidos anteriormente (3), a coluna ereta (4), estando os pés horizontalidados e alinhados com os ombros (5). 4 POSIÇÃO FINAL Inicialmente o sujeito realizará a flexão dos punhos até formar um ângulo de 45º em relação aos antebraços. Em seguida, ainda com os músculos solicitados contraídos, os punhos voltarão à posição inicial mantendo a tensão nos referidos músculos. 3 2 1 5 Figura 9 - Exercício de Flexão de punho. MUSCULOS SOLICITADOS Rombóides; trapézio; grande dorsal EQUIPAMENTO Módulo antero-posterior de braço POSIÇÃO INICIAL POSIÇÃO FINAL Sujeito sentado, estando as mãos pronadas empunhando as barra de tração (1); os antebraços e braços alinhados anteriormente ao corpo (2); a coluna ereta (3), estando os pés horizontalizados e alinhados com os ombros (4). Inicialmente o sujeito realizará a abdução antero-posterior dos braços. Em seguida, ainda com os músculos solicitados contraídos, os braços voltarão à posição inicial mantendo a tensão nos referidos músculos. . 1 2 3 4 Figura 10 - Exercício de abdução ântero-superior do braço. MUSCULOS SOLICITADOS Adutor magno; adutor longo; adutor curto e gracil. POSIÇÃO INICIAL EQUIPAMENTO Módulo adutor Sujeito sentado, estando as mãos pronadas empunhado as manoplas do módulo (1), os antebraços e braços aduzidos lateralmente ao corpo (2), a coluna ereta (3), o quadril formando um ângulo de 45º em relação as pernas (4) estando os pés apoiados nas barras de tração (5). Inicialmente o sujeito realizará a adução medial das coxas até formar um ângulo de 90 º em relação ao quadril. Em seguida, ainda com os músculos solicitados contraídos, as coxas voltarão à posição inicial mantendo a tensão nos referidos músculos. POSIÇÃO FINAL 3 4 5 2 1 Figura 11 - Exercício de abdução medial da coxa. MUSCULOS SOLICITADOS Deltóide POSIÇÃO INICIAL EQUIPAMENTO Modulo elevação do braço POSIÇÃO FINAL Sujeito sentado, estando as mãos empunhando as manoplas do módulo (1), os antebraços flexionados formando um ângulo de 90º em relação aos braços (2), a coluna ereta (3), estando os pés e alinhados com os ombros (4). Inicialmente o sujeito realizará a elevação dos braços acima da linha dos ombros. Em seguida, ainda com o músculo solicitado contraído, os braços voltarão à posição inicial mantendo a tensão no referido músculo. 1 2 3 4 Figura 12 - Exercício de elevação do braço. MUSCULOS SOLICITADOS Tensor da fáscia lata; gluteo médio; e gluteo mínimo. POSIÇÃO INICIAL Sujeito sentado, estando as mãos empunhando as manoplas do módulo (1), os antebraços e braços aduzidos lateralmente ao corpo (2), a coluna ereta (3), as coxas formando um ângulo de 90º em relação as pernas (4), os pés e alinhados com o quadril (5). EQUIPAMENTO Módulo abdutor POSIÇÃO FINAL Inicialmente o sujeito realizará a abudção lateral das coxas até formar um ângulo de 45° em relação ao quadril. Em seguida, ainda com os músculos solicitados contraídos, as coxas voltarão à posição inicial mantendo a tensão nos referidos músculos. 2 3 4 1 5 Figura 13 - Exercício de abdução lateral da coxa. MUSCULOS SOLICITADOS * Reto abdominal POSIÇÃO INICIAL EQUIPAMENTO Anilha POSIÇÃO FINAL Sujeito em decúbito dorsal sobre o banco, as mãos empunhando a anilha (1), os antebraços anteriormente cruzados ao tronco (2), a coluna ereta (3), os pés horizontalidos e apoiados no banco (4). Inicialmente o sujeito realizará a flexão do tronco. Em seguida, ainda com o músculo solicitado contraído, o tronco voltará à posição inicial mantendo a tensão no referido músculo. 2 1 4 3 Figura 14 - Exercício de flexão do tronco. MÚSCULOS SOLICITADOS *Sóleo; gastrocnêmio EQUIPAMENTO Módulo pressão do pé POSIÇÃO INICIAL POSIÇÃO FINAL Sujeito sentado, estando as mãos empunhando as manolas do módulo (1), os antebraços e braços aduzidos lateralmente ao corpo (2), a coluna ereta (3), estando os pés verticalizados e apoiados na plataforma do referido equipamento, alinhados com o quadril (4). Inicialmente o sujeito realizará a flexão plantar dos pés até formar um ângulo de 45° em relação as pernas. Em seguida, ainda com os músculos solicitados contraídos, os pés voltarão à posição inicial mantendo a tensão nos referidos músculos. 3 4 2 1 Figura 15 - Exercício de flexão plantar. a.2. Determinação da forma de agrupamento dos exercícios Em se tratando de TFCR, o termo “agrupamento” refere-se a organização da sessão de treino em blocos de 2 a 5 exercícios, após a execução dos quais são instituídos intervalos para a recuperação orgânica (RODRIGUES DE ALMEIDA, REIS DE MORA & SAMPEDRO, 1997). Conforme demonstra a seguir a figura 16, nesta pesquisa optou-se pela agrupação de forma alternada por segmento corporal em blocos de 4 exercícios, após os quais foram instituídos intervalos de 1 minuto para possibilitar a remoção parcial dos metabólitos produzidos nos músculos durante o TFCR (KRAEMER et. all., 1990; MACDOUGALL et all, 1999). Esta estratégia torna o treinamento mais confortável e diminui a susceptibilidade às lesões osteomioarticulares (CARNAVAL & RODRIGUES, 2001). EXERCÍCIOS ISOTÔNICOS E ISOMÉTRICOS GRUPO EXERCICIOS MÚSCULO 1 Bíceps Braquial* 2 EQUIPAMENTO Módulo flexor ínfero-superior Quadríceps Femoral Módulo extensor vertical de pernas * 1 3 Peitoral Módulo adutor supero-inferior do braço 4 Tríceps Braquial* Módulo extensor supero-inferior INTERVALO 1 minuto GRUPO EXERCICIOS EXERCÍCIOS ISOTÔNICOS E ISOMÉTRICOS 2 MÚSCULO EQUIPAMENTO 1 Bíceps Femoral* Módulo flexo-extensor de pernas 2 Grande Dorsal Módulo tração horizontal 3 Flexores do carpo Barra reta e anilha 4 Adutores da Coxa Modulo adutor INTERVALO 1 minuto GRUPO EXERCICIOS EXERCÍCIOS ISOTÔNICOS E ISOMÉTRICOS 3 MÚSCULO EQUIPAMENTO 1 Deltóide Módulo elevador de braços 2 Abdutores da coxa Módulo abdutor 3 Reto Abdômen* Halter 4 Panturrilha* INTERVALO * Músculos prioritários. Módulo pernas extensor horizontal de 2 minutos Figura 16 - Agrupamento dos exercícios para o SGB. a.3. Determinação do tipo de respiração a ser utilizada É consenso na literatura especializada (ROBERGS & ROBERTS, 2001; POWERS & HOWLEY, 2005), que o termo respiração refere-se à entrada do oxigênio (O2) e saída do gás carbônico (CO2) dos pulmões, em decorrência de variações da pressão entre o ar atmosférico e o interior dos referidos órgãos, sendo este fenômeno conhecido como ventilação. Nesse aspecto, a entrada de oxigênio nos pulmões denomina-se inspiração e ocorre quando a pressão do ar dentro dos pulmões, que é por volta de 156 mmhg é menor que a pressão do ar na atmosfera, a qual se mantém em torno de 160 mmgh. Quando a pressão do ar no interior dos pulmões é maior que a pressão do ar atmosférico, a troca gasosa entre estes meios é fisiológica e denomina-se expiração (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010). Com o objetivo de proporcionar equilíbrio anatômico, biomecânico e fisiológico, durante a execução dos exercícios nas sessões de treino foi adotada a sugestão de Rodrigues de Almeida, Reis de Moura & Sampedro (1997), preconizando-se a forma ativa, sendo que na fase concêntrica do exercício (tração da carga) o sujeito realizou a inspiração e na fase excêntrica (relaxamento muscular) a expiração. Tal estratégia objetivou evitar a manobra de valsava, a qual ocasiona a compressão das veias torácicas reduzindo o retorno venoso ao coração e elevando a pressão arterial sanguínea. O anteriormente descrito pode ser melhor visualizado na figura 17 seguir: Expiração na fase concêntrica Inspiração na fase excêntrica Figura 17 - Tipo de respiração a ser utilizada. a.4. Familiarização do sujeito com os equipamentos e exercícios de treino Nesta pesquisa, as duas primeiras semanas de treino foram destinadas a promover a adaptação dos sujeitos componentes do SGA em relação: 1) ao manuseio adequado dos equipamentos; 2) à postura adequada dos sujeitos durante a tração das cargas de treino; e 3) à coordenação entre a tração das cargas de treino e o tipo de respiração a ser adotada. Objetivando desenvolver progressivamente níveis de adaptabilidade funcionais dos sujeitos, durante as sessões de treino desta fase os mesmos realizaram 2 passagens pelo circuito com intervalo de 2 minutos entre estas para restauração orgânica dos sujeitos como foi dito anteriormente, sendo que posteriormente, durante todo o período de experimento foram realizados 3 passagens pelo conjunto de exercícios, mantendo-se o mesmo intervalo da fase de adaptação (STARON et al., 1994; e KRAEMER et al., 1996). As cargas nesta fase do treino foram prescritas de acordo com a sugestão de Rodrigues de Almeida, Reis de Moura & Sampedro (1997), os quais sugerem que a percentagem destas deve variar subjetivamente de 3% a 15% de acordo com a densidade dos segmentos corporais a serem treinados, com o tempo de 5 segundos no ângulo de 45° das articulações exigidas durante a realização da contração isométrica, conforme demonstra abaixo a figura 18. Ainda para os autores supracitados, nesta fase deve-se buscar nos sujeitos em treinamento o maior número de repetições por exercício para cada sessão de treino. CARGA DE ISOTONIA CARGA DE ISOMETRIA SEXO SEGMENTO CORPORAL HOMENS MEMBROS SUPERIORES MEMBROS INFERIORES TRONCO MULHERES ANGULAÇÃO - graus- DURAÇÃO - seg - 45º 5 0,03 à 0,15 x PCT Figura 18 - Cargas recomendadas para as sessões de adaptação a.6. Prescrição e controle do TFCR Após a fase de adaptação, para proceder a prescrição das cargas de treinamento foi adotado neste experimento como critério de controle, o peso máximo (PM) individual do sujeito, o qual será estimado através do modelo matemático proposto por Reis de Moura et al. (1997) e a seguir descrito. PM = PL÷ [1,0278 x 0,0278 x (RM)] Em que: PL: peso levantado na ultima sessão de treino da fase de adaptação RM: repetições máximas do peso levantado na ultima sessão de treino da fase de adaptação Para o controle do treino, foi seguida a sugestão de Bompa (1983), Bitencourt (1985); e García Manso (1997), conforme demonstra a seguir a figura 19, os quais em função da densidade muscular dos segmentos corporais em treinamento considera diferenciadamente repetições, intensidades e intervalos para recuperação orgânica dos indivíduos. CONTRAÇÃO ISOTÔNICA TIPO DE RÍTMO %DA REPETIÇÕES FORÇA CARGA MEMBROS SUPERIORES, PEITORAIS e DORSAL MEMBROS INFERIORES e ABDOME EXPLOSIVA INTENSO 61 - 89 8 – 15 12 – 20 REPETITIVA RAPIDO 40 - 60 20 – 30 25 – 30 CONTRAÇÃO ISOMÉTRICA TIPO DE EXERCÍCIO DURAÇÃO - seg.- REPETIÇÕES ANGULAÇÃO EXERCÍCIOS ISOLADOS 5 – 10 2 – 5 por exercício 45º Figura 19- Cargas para controle do treino. Considerando a carga de treino mínima capaz de promover adaptabilidades funcionais, neste estudo a progressão das mesmas iniciou-se com 40% (GARCÍA MANSO, 1997), progredindo a sobrecarga de forma linear em 5 unidades percentuais durante as primeiras 6 semanas. A partir de então, pressupondo-se a melhoria funcional dos sujeitos, a mesma seguiu sendo aplicada em 10 unidades até o final do experimento conforme demonstra a seguir a figura 20, sendo o controle do TFCR efetivado através de uma ficha de prescrição desenvolvida especialmente para este experimento (ANEXO IV). MESES DEZEMBRO 06 13 20 a a a 12 19 26 27 a 02 03 a 09 SEMANAS 1 2 3 4 5 6 7 8 PROGRESSÃO DAS CARGAS DE TREINO -%- 40 45 50 55 60 65 75 85 SÉRIES 3 3 3 3 3 3 3 3 REPETIÇÕES 30 25 20 20 15 12 10 8 DIAS JANEIRO 10 17 a a 16 23 Figura 20- Metodologia de progressão funcional das cargas de treino. 3.5. Tratamento estatístico 24 a 30 Neste estudo, os dados foram inicialmente tabulados através da estatística descritiva, para analisar as características físicas da amostra. Posteriormente, utilizar-se-á o teste “t” de Student para amostras independentes, objetivando detectar possíveis diferenças estatisticamente significativas entre os subgrupos de estudo. Os dados serão processados e analisados utilizando-se o pacote estatístico computadorizado STATISTICA for Windows versão 7.0, num computador Intel Celeron, processador de 1.7GHz, 1 GB de memória RAM e capacidade de armazenamento no HD de 80 GB. 4. Resultados e discussões 4.1. Características físicas da amostra Com o objetivo de constatar diferenças estatisticamente significativas em nível de p<0,05 entre os sujeitos componentes da amostra, apresenta-se abaixo na tabela TABELA 1, a análise comparativa entre os grupos do estudo. TABELA 1 – Características físicas da amostra SUBGRUPO DO ESTUDO VARIÁVEL IDADE (anos) ESTATURA (cm) PESO (kg) SGA SGB SGC 76 ± 5,65 71 ± 3,16 70,5 ± 5,68 149 ± 0,06 153 ± 0,05 155 ± 0,08 61,25 ± 16,78 65,85 ± 3,93 68,87± 12,04 4.2. Análise isolada das variáveis dependentes VARIÁVEIS SGA Em atenção aos objetivos desta pesquisa, num primeiro momento as variáveis dependentes foram analisadas e classificadas de forma isolada, e em seguida analisadas conjuntamente, para permitir um melhor entendimento dos resultados obtidos neste estudo. 4.2.1. Análise das variáveis do SGA Na tabela 2 a seguir, apresentam-se os valores médios, desvios padrão, valores do teste “t” e níveis de significância estatística das variáveis dependentes dos sujeitos antes e depois do período experimental. TABELA 2 – Resultado das variáveis pertencentes ao GA PRÉ PÓS T P FCR(bpm) 65 ± 2,4 69 ± 3,5 -1,49 0,23 PAS (mmHg) 120,2 ± 10,5 126,7 ± 9,8 -1,51 0,22 PAD (mmHg) 75 ± 5,4 73,25 ± 9,3 0,28 0,79 PAM (mmHg) 89,8 ± 9,5 91,7 ± 9,2 -0,32 0,76 DC (l/min.) 10 ± 1,2 9,9 ± 1,6 1,98 0,14 VS (ml/bpm) 77,7 ± 0,9 70 ± 1,2 2,52 0,84 DP (mmHg) 185,9 ± 8,5 186,2 ± 12,7 -1,28 0,29 MIVO2 máx. (ml/100g VE/min.)-1 17,9 ± 1,2 20 ± 1,7 -1,62 0,20 Quando comparados os escores do pré e pós testes do SGA, constata-se que as variáveis não apresentam diferenças estatisticamente significativas em nível de p<0,05. Estes resultados são compreensíveis, uma vez que os sujeitos pertencentes do referido subgrupo de estudo eram sedentários e não participaram do procedimento experimental. Ao se analisar os resultados no final do período de experimento, têm-se para as variáveis: a) FCR, um aumento de 6% entre os escores, sendo esta classificada como índice “normal” (POWERS & HOWLEY, 2005); b) PAS, um acréscimo de 5% entre os escores, sendo a referida variável classificada como índice “normal” (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010); c) PAD, uma ascendência de 2,6% entre os escores, sendo a mesma categorizada como índice “normal” (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010); d) PAM, um aumento de 8,9% entre os escores, sendo esta classificada como índice “normal” (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010); e) DC, uma redução de 1% entre os escores, sendo a referida variável categorizada como índice “normal” (POWERS & HOWLEY, 1999); f) VS, uma diminuição de 9% entre os escores, sendo a mesma categorizada como índice “normal” (POWERS & HOWLEY, 1999); g) DP, um acréscimo de 0,1% entre os escores, sendo este classificado como índice “baixa função” (HELLERTEIN ET AL, 1973) e; h) MIVO 2máx, uma ascendência de 11,7% entre os escores, sendo a referida variável classificada como índice “regular” (COOPER, 1972). 4.2.2. Análise das variáveis do SGB Na tabela 3 a seguir, apresentam-se os valores médios, desvios padrão, valores do teste “t” e níveis de significância estatística das variáveis dependentes dos sujeitos antes e depois do período experimental. TABELA 3 – Resultado das variáveis pertencentes ao SGB VARIÁVEIS SGB PRÉ PÓS T P FCR (bpm) 72 ± 1,4 69,35 ± 2,5 3,66 0,03* PAS (mmHg) 125,25 ± 10,5 125,25 ± 8,8 0,05 0,96 PAD (mmHg) 84,75 ± 10,3 76 ± 9,5 1,50 0,22 PAM (mmHg) 98,11 ± 10,3 92,41 ± 9,1 1,11 0,34 DC (l/min.) 11,51 ± 0,5 14,54 ± 1,1 -5,49 0,01* VS (ml/bpm) 90,34 ± 0,5 110,62 ± 0,9 -8,14 0,003* DP (mmHg) 166,19 ± 14,5 176,60±8,2 -2,76 0,06 MIVO2 máx. (ml/100g VE/min.)-1 16,96 ± 2 18,80 ± 0,8 -2,54 0,084 * Significativo em nível indicado Quando comparados os escores do pré e pós testes do SGB, pode-se observar diferenças estatisticamente significativas em nível de p<0,05 apenas nas variáveis FCR (0,03), DC (0,01), e VS (0,003), com o mesmo não ocorrendo nas demais variáveis pesquisadas. No referido subgrupo de estudo, ao se analisar os resultados no final do período de experimento, têm-se para as variáveis: a) FCR, uma redução de 4% entre os escores, sendo esta classificada como índice “normal” (POWERS & HOWLEY, 2005); b) PAS, um mesmo valor entre os escores, sendo a referida variável classificada como índice “normal” (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010); c) PAD, um decréscimo de 10,3% entre os escores, sendo a mesma categorizada como índice “normal” (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010); d) PAM, uma descendência de 5,8% entre os escores, sendo a mesma classificada como índice “normal” (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010); e) DC, um acréscimo de 26% entre os escores, sendo este categorizado como índice “normal” (POWERS & HOWLEY, 1999); f) VS, uma ascendência de 22,4% entre os escores, sendo a referida variável categorizada como índice “normal” (POWERS & HOWLEY, 1999); g) DP, um aumento de 6,2% entre os escores, sendo o mesmo classificado como índice “baixa função” (HELLERTEIN ET AL, 1973) e; h) MIVO 2máx, um acréscimo de 10,8% entre os escores, sendo este classificado como índice “regular” (COOPER, 1972). 4.2.3. Análise das variáveis do SGC Na tabela 4 a seguir, apresentam-se os valores médios, desvios padrão, valores do teste “t” e níveis de significância estatística das variáveis dependentes dos sujeitos antes e depois do período experimental. TABELA 4 – Resultado das variáveis pertencentes ao SGC VARIÁVEIS GC PRÉ PÓS T P FCR (bpm) 66,75 ± 2,6 64 ± 2,1 3,22 0,04* PAS (mmHg) 124,25 ± 12,5 121,75 ± 13,5 0,86 0,45 PAD (mmHg) 76,75 ± 8,7 75,25 ± 5,7 0,47 0,66 PAM (mmHg) 92,42 ± 10,5 91,45 ± 9 0,52 0,63 DC (l/min.) 13,63 ± 2,7 12,68 ± 1,2 0,77 0,49 VS (ml/bpm) 100,80 ± 2,4 90,73 ± 0,7 1,02 0,38 DP (mmHg) 178,86 ± 5,2 185,68 ± 10,6 -1,29 0,28 MIVO2 máx. (ml/100g VE/min.)-1 18,74 ± 0,7 19,69 ± 1,4 -1,29 0,28 *Significativo em nível indicado Quando comparados os escores do pré-teste com os do pós-teste do SGC, pode-se observar diferenças estatisticamente significativas em nível de p<0,05 apenas na variável FCR (0,03), com o mesmo não ocorrendo nas demais variáveis pesquisadas. Nesta perspectiva, ao se analisar os resultados no final do período de experimento, têm-se para as variáveis do referido subgrupo de estudo: a) FCR, uma redução de 2,7% entre os escores, sendo esta classificada como índice “normal” (POWERS & HOWLEY, 2005); b) PAS, um decréscimo de 2,4% entre os escores, sendo a referida variável classificada como índice “normal” (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010); c) PAD, uma descendência de 1,5% entre os escores, sendo a mesma categorizada como índice “normal” (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010); d) PAM, uma redução de 1,6% entre os escores, sendo esta classificada como índice “normal” (RODRIGUES DE ALMEIDA, 2010); e) DC, um decréscimo de 8,9% entre os escores, sendo a referida variável categorizada como índice “normal” (POWERS & HOWLEY, 1999); f) VS, um aumento de 9,9% entre os escores, sendo o mesmo categorizando como índice “normal” (POWERS & HOWLEY, 1999); g) DP, um acréscimo de 3,8% entre os escores, sendo este classificado como índice “baixa função” (HELLERTEIN ET AL, 1973) e; h) MIVO 2máx, uma ascendência de 4,8% entre os escores, sendo a referida variável classificada como índice “regular” (COOPER, 1972). 4.3. Análise conjunta das variáveis dependentes 4.3.1. Analise conjunta da variável FCR Os resultados apresentados durante o procedimento experimental nas tabelas 2,3 e 4 para a variável FRC podem ser melhores visualizados abaixo na Figura 21. FREQUENCIA CARDÍACA DE REPOUSO - FCR (bpm) SGA PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGB PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGC PRÉ-TESTE PÓS-TESTE 65 69 72 69,32 66,75 64 Figura 21 – Gráfico demonstrativo da variável FCR. Sobre os resultados apresentados, Fleck & Kraemer (2006) sugerem que o TFCR mesmo sendo realizado num curto período de tempo (8 semanas), pode causar reduções significativas na FCR dos praticantes do referido sistema de treino, sendo tal afirmativa corroborada por estudos tanto com jovens adultos (CONLEY & ROZENECK, 2001; FLECK & KRAEMER, 2006, FLECK & SIMÃO, 2008), quanto adultos com mais de 60 anos de idade (GOLDBERG ET AL, 1994; KELEMEN, 1989), os quais apresentaram reduções de 3% a 13% na referida variável a partir da prática do TFCR. De acordo com Negrão & Barreto (2010), estes efeitos na redução da FCR em sujeitos submetidos ao TFCR, provavelmente estejam relacionados com o aumento da atividade nervosa simpática e com a redução da atividade nervosa parassimpática, uma vez que esses mecanismos promovem a liberação ou impedimento de substâncias locais, como metabólitos e oxido nítrico, os quais possibilitam a vasodilatação da musculatura ativada e a queda da resistência vascular periférica, desta forma reduzindo os níveis de FC em repouso (PALATINI, 1994). Confirmando o enunciado anteriormente citado, Goldberg et al (1994) verificaram que o TFCR reduziu significativamente a variável FCR entre pré-treino (80 ± 3) e pós- treino (72 ± 4), apontando desta forma que os sujeitos adultos treinados em força, tendem a exibir frequências cardíacas abaixo da média quando comparados com indivíduos da mesma idade destreinados. 4.3.2. Analise conjunta da variável PA Os resultados apresentados durante o procedimento experimental nas tabelas 2, 3 e 4 para a variável PA podem ser melhores visualizados abaixo na PRESSÃO ARTERAIL SISTÓLICA - PAS (mmHg) SGA PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGB PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGC PRÉ-TESTE PÓS-TESTE 120,2 126,7 125,25 125,25 121,25 124,25 Figura 22. PRESSÃO ARTERIAL DIASTÓLICA - PAD (mmHg) Figura 22 – Gráfico demonstrativo das variáveis PAS, PAD e PAM. 76 SGA PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGB PRÉ-TESTE SGC 73,25 76 84,75 76,75 75,25 PRÉ-TESTE PÓS-TESTE PRESSÃO ARTERIAL MÉDIA - PAM (mmHg) SGA PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGB PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGC PRÉ-TESTE PÓS-TESTE 73,25 76 76 84,75 76,75 75,25 Com relação aos resultados apresentados, Fleck (2002) afirma que indivíduos submetidos ao TFCR possuem valores de pressão arterial em repouso na média ou ligeiramente abaixo da média da população normotensa sedentária, sendo tal afirmativa corroborada por Martel et al (1999), os quais verificaram que mesmo em amostras de idosos com idade entre 65 e 73 anos apresentando-se PAS (131 ± 2 mmHg) e PAD (79 ± 2 mmHg), 6 meses de TFCR reduziram significativamente os referidos valores pressóricos em repouso tanto na PAS (126 ± 2 mmHg) quanto na PAD (75 ± 1 mmHg) respectivamente. De acordo com Fleck & Kraemer (2006), estes efeitos na redução da PA nos sujeitos anteriormente citados submetidos ao TFCR, provavelmente estejam relacionados com uma diminuição do tecido adiposo e alterações no fluxo simpatoadrenal, já que a redução da gordura central diminui os níveis de cortisol, substância esta que aumenta a PA, enquanto o fluxo simpatoadrenal torna-se favorável ao aumento de substancias vasodilatadoras na circulação sanguínea, as quais, reduzem os níveis da PA em repouso (MARCEAU apud GUEDES & GUEDES, 1998). Entretanto, levando-se em consideração o curto período de treinamento, tanto estudos longitudinais (GOLDBER ET AL, 1988; STONE ET AL, 1983) quanto transversais (BYRNE & WILMORE, 2000; GOLDBERG ET AL, 1998; LUSIANI ET AL, 2000), evidenciaram nenhuma ou pouca diminuição na PA de indivíduos normotensos ou hipertensos, sendo tal afirmativa corroborada por Hagerman et al (2000), os quais não verificaram alterações da PA em indivíduos de 60 a 75 anos após 16 semanas de treinamento com pesos numa intensidade de 65 à 90% de 1 repetição máxima (RM). 4.3.3. Analise conjunta da variável DC Os resultados apresentados durante o procedimento experimental nas tabelas 2, 3 e 4 para a variável DC podem ser melhores visualizados abaixo na DÉBITO CARDÍACO - DC (l/min) SGA PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGB PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGC PRÉ-TESTE PÓS-TESTE 10 9,9 11,51 14,54 12,68 Figura 23 – Gráfico demonstrativo da variável DC. 13,63 Figura 23. Sobre os resultados apresentados, Falkel et al (1992) ressalta que o possível aumento do DC está relacionado com o aumento do VS e da FC durante o TFCR, principalmente em função da magnitude da manobra de Valsalva menos forçada, o que resulta em menor aumento da pressão intratorácica. Ao explicar os efeitos do TFCR associado a manobra de Valsalva para a variável DC, Sale et al (1994) observaram que após 19 semanas do referido sistema de treino em indivíduos adultos, as pressões esofágicas durante uma série na mesma resistência relativa (% de 1 RM) permaneceram inalteradas. Ainda para os autores, na mesma resistência absoluta, que tem a porcentagem de 1 RM menor depois do treinamento, as pressões esofágicas durante as primeiras repetições de uma série foram reduzidas, indicando uma manobra de Valsalva menos forçada após o treinamento, resultando assim em menor aumento da pressão intratorácica e permitindo aumentos no DC dos sujeitos em relação ao período do pré-treinamento. 4.3.4. Análise conjunta da variável VS Os resultados apresentados durante o procedimento experimental nas tabelas 2, 3, e 4 para a variável VS podem ser melhores visualizados abaixo na Figura 24. VOLUME SISTÓLICO - VS (ml/min) SG A PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGB PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGC PRÉ-TESTE PÓS-TESTE 70 77,7 90,34 110,6 100,8 90,73 Figura 24 – Gráfico demonstrativo da variável VS. No que diz respeito aos resultados apresentados, o aumento dos valores ocorridos na variável VS proveniente do TFCR, geralmente ocorrem em virtude de três fatores: 1- o aumento dos valores das variáveis FCR e DC (FALKEL ET AL, 1992); 2- à manobra de Valsalva menos forçada, o que resulta num menor aumento da pressão intratorácica (SALE ET AL, 1994) e; 3 – ao aumento do diâmetro das câmaras cardíacas e à expansão do volume sanguíneo total da superfície corporal (FLECK, 1988). Nesta ótica, vários estudos (FLECK ET AL, 1989; PEARSON ET AL, 1986) observaram que indivíduos treinados a partir do TFCR apresentaram valores maiores no VS em relação àqueles destreinados, como é o caso dos estudos de Vorobyev (1988), o qual utilizou diversas porcentagens (50%, 80% e 100%) de 1 RM, tanto para extensão do joelho quanto para o agachamento e chegou a conclusão que após um exercício com sobrecarga, o VS aumenta imediatamente de 150 ml para 200 ml, alteração esta que não se observa em indivíduos não-treinados. 4.3.5. Análise conjunta da variável DP Os resultados apresentados durante o procedimento experimental nas tabelas 2, 3 e 4 para a variável DP podem ser melhores visualizados abaixo na Figura 25. DUPLO PRODUTO - DP (mmHg) SG A PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGB PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGC PRÉ-TESTE PÓS-TESTE 185,9 185,68 166,19 176,7 176,86 185,68 Figura 25 – Gráfico demonstrativo da variável DP. No tocante a variável DP, como nenhuma alteração significativa foi detectada na variável PAS, conclui-se que a redução da referida variável em repouso, mesmo não sendo significativa, ocorreu devido à diminuição da FCR e, ainda, aceitando-se que haja redução significativa de FCR e da PA de repouso, pode-se pressupor que o DP também diminui como resultado do TFCR (FARINATTI & ASSIS, 2003). Corroborando, Kraemer & Fleck (2006) sugerem que o TFCR pode resultar em reduções no DP pelo fato do ventrículo esquerdo do coração trabalhar com menos esforço, consequentemente em menor consumo de oxigênio em repouso. Contudo, como esta variável caracteriza-se pelo resultado da multiplicação da FC pela PAS, a qual não apresentou modificações significativas, pode-se levar em consideração o curto período de treinamento, o que torna compreensível esses resultados. 4.3.6. Análise conjunta da variável MIVO2máx. Os resultados apresentados nas tabelas 2, 3 e 4 para a variável MIVO2máx podem ser melhores visualizados na Figura 26 a seguir. CONSUMO MÁXIMO DE OXIGÊNIO NO MIOCÁRDIO - MIVO2MÁX. SGA PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGB PRÉ-TESTE PÓS-TESTE SGC PRÉ-TESTE PÓS-TESTE 17,9 19,69 16,96 18,8 18,74 20 Figura 26 – Gráfico demonstrativo da variável MIVO2MÁX. Quanto aos resultados apresentados, Leite (2000) afirma que há uma correlação entre o MIVO2máx. e o DP, sendo que, ambas isoladas ou associadas podem expressar a carga imposta ao coração. Esta afirma é corroborada por estudos contemporâneos (LEITE, 2000; NIEMAN, 1999; PITANGA, 2004; SARAIVA, 2010; SHARPEY, 1998; TOPOL, 2005), os quais de maneira unânime, afirmam que os exercícios de curta duração, como por exemplo o TFCR, não são os mais indicados para obtenção de níveis adequados de condicionamento cardiorrespiratório, sendo os exercícios contínuos de longa duração e executados de intensidade leve a moderada, os mais adequados quando se trata deste objetivo como meta de treino. Contrapondo as afirmativas supracitadas e ainda ampliando as perspectivas de discussões sobre o tema, apesar dos escores do MIVO 2máx. apresentarem modificações positivas tanto no GB quanto no GC, mas não significativa à nível de p<0,05, pode-se levar em consideração o curto período de treinamento nesta pesquisa (FLECK & KRAEMER, 2006), tornando assim, compreensíveis os resultados obtidos. 5. Conclusão O presente estudo teve como objetivo verificar os efeitos da sobrecarga sobre as variáveis hemodinâmicas em idosos a partir da sistematização metodológica de um TFCR. Como todo trabalho de pesquisa, ele apresenta limitações sendo algumas derivadas da metodologia adotada, outras decorrentes da visão unilateral do pesquisador, e outras influenciadas por fatores externos, as quais fugiram ao controle do investigador, mas que não impedem a generalização dos resultados. Desta forma, pode-se apresentar as seguintes limitações: A falta de pesquisas na área abrangente deste estudo, impossibilitando uma maior discussão dos resultados encontrados; A impossibilidade de um controle mais rígido dos horários de alimentação, horas de sono, lazer e das variáveis moderadoras durante todo o período da pesquisa. Diante dos resultados, chegou-se as seguintes conclusões: Não foram constatadas diferenças estatisticamente significativas em nível de p<0,05 entre os escores do pré e pós testes do SGA; Constatou-se diferenças estatisticamente significativas em nível de p<0,05 entre os pré e pós testes do GE, apenas nas variáveis: a) FCR, para o SGB (p=0,03) e SGC (p=0,04); b) DC, para o SGB (p=0,01) e; c) VS, para o SGB (p=0,003), com o mesmo não ocorrendo nas demais variáveis; e Constatou-se que, considerando o curto período de treinamento durante o procedimento experimental (8 semanas), os efeitos da sobrecarga nos SGB e SGC foram insipientes, tendo sido este, possivelmente, o principal fator interveniente nos resultados dos escores obtidos no referidos subgrupos. Considerando o anteriormente descrito, sugere-se desenvolver novos estudos com uma amostra compondo-se de um número maior de sujeitos e utilizando-se um desenho estatístico diferente do realizado nesta pesquisa, para analisar possíveis alterações hemodinâmicas decorrentes de diferentes programas de TFCR, como aspectos funcionais não investigados neste experimento, bem como, com variáveis morfológicas. Referências ADES, P.A,; BALLOR, D.L.; ASHIKAGA, T.; UTTON, J.L.; SREEKUMARAN-NAIR, K. Weight training improves walking endurance in healthy elderly persons. Ann Intern Med, 124:568-572,1996. ARAÚJO, D. S. M. S.; ARAÚJO, C. G. S. Aptidão física, saúde e qualidade de vida relacionada à saúde em adultos. Rev Bras Med Esporte _ Vol. 6, Nº 5 – Set/Out, 2000. BARBOSA, A.R.; SANTARÉM, J.M.; FILHO, W.J.; MARUCCI, M.F. Efeitos de um programa de treinamento contra resistência sobre a força muscular de mulheres idosas. Revista Brasileira de Atividade Física & Saúde. Vol. 5 (3), 12-20, 2000. 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Ofísico nº 006/2011 – Departamento de Educação Física – UNIR Ilmo Sr. Cláudio Ramalhães Feitosa Diretor do SESC/RO Senhor diretor, Conforme tratado verbalmente com o coordenador de Esportes, e ainda, com o coordenador da Academia deste SESC, venho pelo presente solicitar de Vossa Senhoria, providências administrativas no sentido de junto ao setor competente, autorizar o acadêmico JOÃO BERNARDES PIRES NETO, desta UNIR, proceder nas dependências deste SESC, a coleta dos dados de seu trabalho de conclusão de curso de Licenciatura em Educação Física, intitulado: “EFEITOS DA SOBRECARGA DECORRENTES EM DA PARÂMETROS HEMODINÂMICOS SISTEMATIZAÇÃO DE METODOLÓGICA IDOSOS, DE UM TREINAMENTO FÍSICO CONTRA-RESISTIDO”. Outrossim, informo ainda que o mesmo está à disposição desta instituição para prestar os esclarecimentos que se fizerem necessários sobre a pesquisa supracitada. Sem mais para o momento, enviamos nossas saudações. Cordialmente, _____________________________________ Ramón Núñez Cárdenas Chefe do departamento de Educação Física