INCLUSÃO NA DIVERSIDADE: CEHELENA TRANSPONDO
BARREIRAS
MATTOS, Alcinéia Isabel Maciel de
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Eixo Temático: 1. Políticas Públicas, Avaliação e Gestão da Educação
Agência Financiadora: Prefeitura Municipal de Ponta Grossa
Resumo
Diante dos processos excludentes ainda instaurados na sociedade, independente dos avanços
tecnológicos e a modernidade que invadem o contexto atual, é notável o grande número de
pessoas consideradas analfabetas, excluídas socialmente e destituídas, em sua maioria de seus
direitos fundamentais como ser humano e cidadão. Resgatar a cidadania é fazer com que esse
público inserido nos programas de Educação de Jovens e Adultos tenha consciência de que
são sujeitos de direitos, mas, que também, essa cidadania pressupõe deveres para que se
construa o bem comum para todos. Consciente da responsabilidade social com essa demanda
social, ainda expressiva na cidade de Ponta Grossa, a Secretaria Municipal de Educação, ao
assumir a gestão em 2005, concentrou políticas efetivas no processo de regularização de vida
escolar dos alunos inseridos na Educação de Jovens e Adultos, criando o Centro Municipal
Professora Helena Kolody. O grande desafio do CEHELENA é proporcionar a jovens, adultos
e idosos o acesso/regresso à escolarização, sua permanência e a conclusão com sucesso, como
direito do cidadão, entendendo que a EJA é parte constitutiva da Educação Básica e direito
público subjetivo. Construir uma Proposta Pedagógica diferenciada e desafiante exigiu a
superação da visão reducionista sobre a EJA, reintegrando-a no sistema municipal de ensino.
O Centro oferta a Fase I do Ensino Fundamental em Escolas Municipais e, sempre que viável
convênio com Programas Educacionais. Possibilita a conclusão através do processo presencial
de ensino e a oferta de Exames Supletivos com a mesma finalidade. Dessa forma, o
CEHELENA respeitando o tempo próprio de formação e aprendizagem de cada um, tem
oportunizado a ressignificação de conceitos, através do desenvolvimento do raciocínio lógico
e a capacidade de utilizar conhecimentos científicos, tecnológicos e sócio-históricos,
contribuindo efetivamente para a elevação do nível de escolaridade da população do
município e o exercício pleno da cidadania.
Palavras-chave: Políticas públicas. Educação de Jovens e Adultos. Currículo.
Introdução
Este documento apresenta o desenvolvimento das ações realizadas no município de
Ponta Grossa para garantir o respeito e valorização à diversidade da população, gerando
7065
políticas públicas como instrumentos de cidadania e contribuindo para redução das
desigualdades existentes.
A Secretaria Municipal de Educação de Ponta Grossa, tendo clara visão dessa
realidade e comprometida com esse processo de reflexão voltado para o aluno como sujeito de
sua própria aprendizagem, busca efetivar na escola um conhecimento sólido e diferenciado,
contribuindo assim para atenuar a exclusão dos cidadãos de 15 anos ou mais que não
concluíram a Educação Básica, impulsionando significativamente, o município de Ponta
Grossa, a enfrentar os processos excludentes que marcam os sistemas de educação no país.
A concretização de tal perspectiva ocorreu, inicialmente, por meio da alteração de
denominação do Centro Municipal de Educação de Jovens e Adultos, já criado pelo Decreto
Municipal n.º 189, de 24 de abril de 2004, alterado pelo Decreto Municipal n.º 860/06 de
25/04/06, que passou a denominar o Centro como Centro Municipal Professora Helena
Kolody – Educação de Jovens e Adultos (CEHELENA), autorizado a funcionar através da
Resolução Municipal n.º 012/06, de 01/11/2006.
Considerando que a Educação de Jovens e Adultos é uma atividade especializada e
com características próprias, o CEHELENA dispõe de recursos didáticos, pedagógicos e de
infraestrutura efetivando uma ação consciente e coletiva no atendimento de jovens e adultos,
que não tiveram possibilidades de acesso, na idade própria, aos estudos do Ensino
Fundamental, garantindo a certificação no processo e/ou através de exames supletivos, válido
em território nacional, possibilitando a esse público, a continuidade de estudos nos demais
níveis de ensino.
Desenvolvimento
A Educação de Jovens e Adultos, como modalidade de atendimento supletivo no
município de Ponta Grossa, iniciou timidamente em 1994 em apenas sete escolas, em parceria
com a (SEED/Pr) Secretaria de Estado da Educação através do projeto de descentralização
dos CES (Centro de Estudos Supletivos), pertencentes ao estado.
Atendendo a aproximadamente 171 alunos, os professores que atuavam com esses
alunos pertenciam à Rede Municipal e tinham como objetivo principal o preparo desses
alunos para o Exame de Equivalência, que durou até 2005, ofertado pela própria SEED/Pr,
ação essa, descentralizada para o CES, o qual também era responsável pela certificação de 4.ª
série, dos aprovados.
7066
Esse projeto de Educação de Jovens Adultos, que seguia as orientações da SEED/Pr,
contava com um profissional responsável, atuante na Secretaria Municipal de Educação,
responsável pela coordenação e orientação dos professores sobre os procedimentos
metodológicos e a expedição da documentação escolar dos alunos.
De 1991 a 1998, houve maior interesse da população na procura de estudos na EJA,
gerando um grande aumento do número de matrículas e de escolas que passaram a fazer parte
desse projeto de descentralização.
Diante disso, a Secretaria Municipal de Educação continuou mantendo um responsável
por esta modalidade, que também prestava atendimento aos professores em suas dificuldades,
visitando as escolas e promovendo reuniões administrativas e pedagógicas. Aos professores,
além da docência, competia à responsabilidade quanto à documentação dos alunos,
principalmente para fins de certificação dos aprovados, inscrição em Exames de Equivalência
e organização da infraestrutura dos locais das provas.
Com a efetivação do CEAD – Centro de Educação Aberta à Distância – pela SEED/Pr,
continuou a responsabilidade desse órgão em emitir a certificação após o encaminhamento da
documentação do aluno concluinte, elaborada na escola pelo professor. O CEAD contribuiu,
ainda, na montagem do currículo e na elaboração do material e orientação pedagógica em
linhas gerais.
Em fevereiro de 1999, quatro escolas passaram a oferecer turmas de PAC (Posto
Avançado do CEAD), com oferta do Ensino Fundamental de 5.ª a 8.ª série, sendo que ao
município competia a cedência do espaço físico, levantamento da clientela, organização das
turmas e efetivação de matrículas aos interessados. À Secretaria de Educação do Estado,
através do CEAD, competia contratar os professores para o atendimento de 5.ª a 8.ª série,
orientar e acompanhar o processo de escolarização, indicar o material didático e certificar os
concluintes.
Por sua vez, o município deveria indicar um professor coordenador da Secretaria
Municipal de Educação, que atuaria de acordo com as orientações da Coordenação Geral do
CEAD. Além desse profissional, a Secretaria Municipal de Educação designava também,
coordenadores para atuar nas escolas onde funcionavam as turmas de PAC. O mesmo ficava
responsável pelas matrículas e estatísticas dos alunos, bem como, pelo atendimento
disciplinar na escola atuando numa função bem técnica/administrativa, sem o envolvimento
com o trabalho pedagógico.
7067
Em 2002, houve a criação da Lei n. ° 7081, de 31 de dezembro de 2002, que dispõe
sobre a criação do Sistema Municipal de Ensino, A referida Lei cita o Centro de Educação de
Jovens e Adultos Municipal em seu art. 2.°, inciso V, alínea e . Porém, o Centro de Educação
de Jovens e Adultos Municipal – CEJAM, foi criado somente em 2004, pelo Decreto
189/2004, posteriormente modificado pelo Decreto n.º 860, de 19/04/2006, que altera o nome
e o endereço do referido Centro para Centro Municipal Professora Helena Kolody – Educação
de Jovens e Adultos.
Também de 2001 a 2004, desenvolveu-se o programa específico “Viva a
Escolarização”, ofertada pela SME, cujo objetivo principal era o de criar uma identidade para
a modalidade de Educação de Jovens Adultos em Ponta Grossa no que se referia a Fase I do
Ensino Fundamental, mas, não existia um tempo previsto para a conclusão do Ensino
Fundamental.
O aluno era avaliado no dia a dia do trabalho pedagógico, num processo contínuo de
reflexão a partir da prática do educador, considerando as competências e habilidades a serem
desenvolvidas pelos educandos durante o processo ensino-aprendizagem. Apesar disso, essa
perspectiva educacional não possibilitava a conclusão da Fase I do Ensino Fundamental
mediante uma certificação que garantisse a continuidade dos estudos subsequentes porque a
certificação só era obtida mediante a aprovação através dos Exames de Equivalência.
Já para a Fase II do Ensino Fundamental e o Ensino Médio havia a parceria com o
Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos “Paschoal Salles Rosa”. Além
dessa parceria, a Secretaria Municipal de Educação estabeleceu convênio com o Instituto
Integrar, encerrado em dezembro de 2004, sediado no Sindicato dos Metalúrgicos de Ponta
Grossa. Esse programa previa ações e encargos de responsabilidade do Instituto Integrar
como: proporcionar formação para os educadores que atuariam no programa, habilitando-os
ao cumprimento das tarefas previstas, visando oferecer conteúdo e planejamento pertinentes;
apresentar à Secretaria Municipal de Educação, documentação expedida
certificação
assecuratória da
dos educandos que obtinham aprovação no curso do Ensino Fundamental;
acompanhar o processo pedagógico, desde a sua formação inicial até a conclusão do módulo
de conhecimentos, zelando para que houvesse pronta solução aos possíveis problemas
ocorrentes ao longo do processo e responsabilizando-se, inteiramente, pelos encargos
trabalhistas e
previdenciários,
decorrentes da contratação da equipe técnica, para o
cumprimento do programa previsto pelo Instituto Integrar.
7068
Com a mudança da gestão política local, em 2005, constatou-se o não cumprimento de
todas as cláusulas previstas no contrato com Instituto Integrar, sendo destaque o número
incompatível dos alunos frequentantes e concluintes com a listagem apresentada pelo referido
Instituto e a ausência da certificação aos alunos. Isso levou à revisão das situações pertinentes
à Educação de Jovens e Adultos, uma vez que, no início do ano de 2005, a Secretaria
Municipal de Educação se deparou com um grupo de aproximadamente 390 (trezentos e
noventa) alunos que não havia conseguido concluir seu processo de escolarização no Ensino
Fundamental e outro grupo de 599 (quinhentos e noventa e nove) alunos aos quais faltava 01
(um) módulo de ensino/disciplina de 60 (sessenta) horas para obter a terminalidade que os
possibilitasse ingressar no Ensino Médio. O impasse foi criado em função de que o convênio
com o Instituto Integrar havia se encerrado em dezembro de 2004 sem que o mesmo
apresentasse o cumprimento das cláusulas contratuais.
Sendo assim, os alunos que estavam com pendências de conclusão ou prosseguimento
não poderiam dar continuidade aos estudos se a nova gestão que assumiu a Secretaria
Municipal de Educação, não proporcionasse novas condições, dentro da legalidade, para a
conclusão das fases pendentes do Ensino Fundamental.
Diante dessa realidade, houve um estudo detalhado do número real dos alunos com
pendências e de todas as situações pertinentes ao problema instalado. Para garantir aos 390
(trezentos noventa) alunos (número aproximadamente constatado) do primeiro grupo,
impedidos de alcançar a terminalidade dos estudos, devido ao número de disciplinas restantes,
optou-se pela oferta de um Projeto Especial que contemplasse todos os aspectos legais
pertinentes, abordando os conteúdos apropriados a esse público. Criou-se então, o
“Experimento Pedagógico1”, com duração de um ano letivo, com carga horária de 1.202 (hum
mil e duzentas e duas) horas de trabalho escolar destinado aos alunos que não haviam
conseguido concluir o Ensino Fundamental até o fim do contrato, pelo descumprimento do
convênio por parte do Instituto Integrar às cláusulas contratuais. Estes alunos, dominando
parte dos conteúdos relativos a Fase I do Ensino Fundamental (apesar de não terem
comprovante de escolarização) tinham ainda, uma carga horária bastante extensa a ser
cumprida. Para atuar na docência do Experimento Pedagógico foram chamados profissionais
1
O Projeto do Experimento Pedagógico obteve parecer favorável do Conselho Municipal de Educação, do
Município de Ponta Grossa (Parecer n.º 001/05, de 03/03/2005).
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do Quadro Próprio do Magistério do Município, concursados no Ensino Fundamental – Fase
II (5.ª a 8.ª séries).
Já ao outro grupo de 599 (quinhentos e noventa e nove) alunos, número esse
apresentado pelo Instituo Integrar, faltava o cumprimento de 60 (sessenta) horas para a
obtenção da conclusão do Ensino Fundamental que correspondia a um (01) módulo de
ensino/disciplina, de acordo com o Projeto pelo convênio. Para esses alunos, houve o
estabelecimento de um novo Termo de Compromisso, firmado entre a Secretaria Municipal
de Educação e o Instituto Integrar, com finalidade de propiciar as condições de terminalidade
de estudos. Coube, novamente, à Secretaria Municipal de Educação indicar professores da
rede municipal de ensino, concursados no Ensino Fundamental, em 5.ª a 8.ª série, para
concluir o programa que estava incompleto. A certificação desses alunos foi feita pelo Centro
Federal Tecnológico de Pelotas/RS, através da intermediação da Secretaria Municipal de
Educação.
Concluídas as 60 (sessenta) horas de estudos, para garantir a continuidade de estudos
desses alunos, estabeleceu-se a parceria entre a SME e o Centro Estadual de Educação Básica
“Paulo Freire”, da Universidade Estadual de Ponta Grossa, que na sequência, matriculou os
alunos no Ensino Médio. Do total de alunos apresentados inicialmente, ou seja, 599
(quinhentos e noventa e nove) alunos, somente 559 (quinhentos e cinquenta e nove) alunos
concluíram os estudos nesse módulo, mas ao final, receberam a certificação 656 (seiscentos e
cinquenta e seis) alunos, pois o Instituto Integrar já possuía alunos que haviam concluído o
Ensino Fundamental no ano anterior (2004) e que ainda não tinham sido certificados.
Diante dos fatos constatados, passou-se a estudar detalhadamente a estruturação da
modalidade de Educação de Jovens e Adultos no município, tendo em vista que a população
não pode ser penalizada por falta de gerenciamento e fiscalização de programas educacionais.
Buscou-se, então, a normatização de todas as ações que envolvessem a Educação de
Jovens e Adultos, criando o Centro Municipal, visando também, à terminalidade dos estudos,
dentro da legalidade, de um maior contingente de alunos nos anos iniciais do Ensino
Fundamental.
Na organização do Centro, houve a reestruturação do trabalho nas escolas municipais,
que ofertavam a EJA, permanecendo a parceria do governo municipal com os CEEBJAs
(Centro Estadual de Educação Básica de Jovens e Adultos), Professor Paschoal Salles Rosa e
Paulo Freire/Universidade Estadual de Ponta Grossa, através das APEDs (Ações Pedagógicas
7070
Descentralizadas) que desenvolvem suas atividades no Ensino Fundamental (Fase II) e Ensino
Médio, nos espaços das escolas da Rede Municipal de Ensino, sendo esses responsáveis pelo
trabalho teórico-pedagógico, demanda de professores, subsídios da merenda escolar e a
certificação aos alunos e, ao município compete à infraestrutura local para o seu
funcionamento.
Atualmente, todos os programas de Educação de Jovens e Adultos no município de
Ponta Grossa estão sob a responsabilidade ou acompanhados pelo Centro Municipal
Professora Helena Kolody, denominado pelo Decreto n.º 860/06, de 19/04/2006.
Busca-se constantemente o avanço nesse setor, levando à população o acesso/regresso
à escolarização, sua permanência e conclusão com sucesso, como direito do cidadão uma vez
que se entende que a Educação de Jovens e Adultos é parte constitutiva da educação básica e
é reconhecida como direito público subjetivo em referência ao ensino fundamental.
O CEHELENA está presente em escolas municipais, onde há demanda local de EJA,
sempre comprometido na ampla campanha de alfabetização de adultos de forma a ofertar
matrículas com a meta de tornar o município “Território livre do analfabetismo”.
A Proposta Pedagógica do CEHELENA é revista anualmente, para que esse passe a
atender às reais necessidades da população de jovens, adultos e idosos que frequentam essa
modalidade de ensino nas escolas da rede municipal.
O CEHELENA, através da sua mantenedora, a Secretaria Municipal de Educação,
estabeleceu, desde a sua criação, políticas públicas em relação à EJA, garantindo o material
escolar necessário aos professores e alunos, merenda escolar com monitoramento de
nutricionistas habilitadas e concursadas no sistema municipal, manutenção da folha de
pagamento de todos os funcionários da rede municipal que atuam nessa modalidade,
efetivação da matrícula escolar dos alunos com registro em documentação específica de
acordo com a legalidade, certificação na Fase I do Ensino Fundamental (1.º ao 5º ano), através
da emissão de histórico escolar com validade em território nacional e outros recursos de
infraestrutura que se fizerem necessários.
Para o aluno que ingressa na EJA, a possibilidade de aligeiramento nos estudos é de
extrema significância, porque essas pessoas, em alguns casos, já possuem os conhecimentos
necessários à continuidade de seus estudos, mas não possui o comprovante, ou seja, o
histórico escolar que os habilite a prosseguir seus estudos.
7071
Considerando esse fato, o CEHELENA propõe em sua Proposta Pedagógica, a
conclusão dos estudos através de duas opções, ou seja, participação com matrícula regular na
rede municipal de ensino, no processo presencial da modalidade, conforme a carga horária
mínima prevista em lei, 1.200 (hum mil e duzentas) horas de efetivo trabalho escolar
organizadas ao longo do ano letivo ou através do Exame Supletivo ofertado a todos que
necessitam de comprovação de escolaridade na Fase I do Ensino Fundamental.
Essa ação é comprovada, analisando os dados estatísticos apresentados na Tabela 1 e
Gráfico1, com os dados de aprovação nos Exames Supletivos ofertados dede o início da
gestão em 2005, o percentual de aprovados, na maioria dos Exames, apresentou um índice de
elevação significativo, considerando que esses Exames, anterior a 2006 eram feitos em nível
estadual, nem sempre considerando as questões do currículo específico das escolas.
Com a criação do CEHELENA, houve a estruturação curricular, em nível de Ponta
Grossa, que passou a contemplar os conteúdos realmente pertinentes e trabalhados nas escolas
da rede municipal que ofertam a EJA.
Tabela1: Dados Estatísticos dos Exames Supletivos - 2005 a 2010
Indicadores/alunos
2005
2006
2007
2008
2009
2010
Total de inscritos
306
482
645
647
322
288
101
329
391
397
179
182
Total de aprovados
33,00%
68,25%
60,62%
61,36%
55,59%
63,19%
Fonte: Dados estatísticos pesquisados na Documentação do CEHELENA/SME (Elaboração da
tabela pela autora)
Gráfico1: Dados Estatísticos dos Exames Supletivos - 2005 a 2010
Fonte: Dados estatísticos pesquisados na Documentação do CEHELENA/SME
(Elaboração do gráfico pela autora)
7072
Um diferencial na Proposta do CEHELENA é o desafio de propiciar a inclusão,
àqueles que, por diversos motivos, foram excluídos do processo regular de escolarização e
acabaram se evadindo da escola.
A adoção de tal princípio se evidenciou nas providências adotadas quando, em 2005,
detectou-se, que havia na rede municipal, um grupo de 87 (oitenta e sete) alunos, sem
regularização de matrícula e sem acompanhamento didático-pedagógico próprio, sediado em
um espaço alugado pela Prefeitura, onde funcionava o CEMDA (Centro Municipal de
Diagnóstico e Atendimento de Ponta Grossa).
Os alunos que lá frequentavam, iam a esse Centro somente duas vezes, com a média
de 03 (três) horas de atendimento por semana. Os professores que lá atuavam eram do quadro
próprio da rede municipal.
Alguns desses alunos já estavam com vários anos de frequência, sem, contudo,
obterem sucesso em qualquer tipo de avaliação interna feita, que lhes possibilitasse a
certificação de conclusão de escolaridade.
Com a implementação de uma Política Inclusiva no município, que priorizou a escola
como espaço democrático e universal, a intenção da Secretaria de Municipal de Educação e da
Divisão de Educação de Jovens e Adultos foi de regularizar a vida escolar desses alunos,
incluindo-os na escola municipal, em organização de turmas regulares de EJA, com
acompanhamento específico, dentro da carga horária presencial, conforme prevê a legislação.
Diante disso, foi determinado pela SME o funcionamento de 04 (quatro) turmas de
EJA, no período da manhã, concentradas na Escola Municipal Humberto Cordeiro2, cuja
estrutura física foi adaptada para tal, a fim de que, nenhum aluno fosse impedido de ter acesso
à escola. Eram, portanto, turmas regulares da Educação de Jovens e Adultos, mas que
atendiam exclusivamente alunos com deficiências.3
Justifica-se a proposta dessa organização, uma vez que esses alunos estavam em
média, mais de 04 (quatro) anos afastados do sistema formal de escolaridade, com pouca
socialização com os demais alunos por estarem em ambiente diferenciado que não
caracterizava o espaço pedagógico de sala de aula.
2
Tratava-se de quatro turmas regulares, que contavam com oito professoras (duas por turma) da rede
municipal de ensino, que foram convidadas a trabalhar nessas turmas, além da pedagoga da escola e de uma
professora destinada a coordenar as turmas. É importante ressaltar que no período da manhã somente essas
turmas funcionavam na escola.
3
Alguns alunos apresentavam deficiência intelectual, outros deficiência física, Síndrome de Down e baixa
visão.
7073
Para esse grupo de alunos, organizou-se um projeto de estudos diferenciado de modo a
reintegrá-los socialmente, em ambiente favorável, atendendo as especificidades de cada um.
E, para melhor atende-los, todo o trabalho pedagógico era desenvolvido com 02 (duas)
professoras por sala de aula.
Além dos conteúdos regularmente trabalhados, havia o desenvolvimento de projetos
de interação social com música, informática, teatro e outras atividades que colaborassem para
a ampla reintegração desse público ao espaço social que lhes era de direito.
No decorrer dos anos subsequentes, alguns destes alunos foram inseridos no mercado
de trabalho, o que representa a conquista de um direito e uma oportunidade de exercício da
cidadania.
Com o atendimento dessa demanda específica, o programa de EJA nessa escola, abriuse à comunidade e atualmente, possui matriculados alunos de contextos diferenciados.
Na sua totalidade, a reinserção do público de EJA na sociedade é de fundamental
importância e, aos alunos participantes do processo presencial, possibilitam-se práticas
pedagógicas de convivência social através de projetos de enriquecimento curricular,
envolvendo atividades em eventos culturais e artísticos (poesia, peças teatrais, coro, orquestra
sinfônica), participação em exposições, feiras sociais e outros, por se saber que o letramento
envolve muito mais que o domínio do código linguístico, envolve as “competências de leitura
e de escrita necessárias para a participação em práticas sociais letradas” (SOARES, 2004, p.
7).
Com isso, se busca ir ao encontro dos interesses e anseios dos alunos, levando-os a
desenvolver suas competências comunicativas e discursivas, no contexto onde estiverem
inseridos, adequando-se às diferentes situações sociais, sem, contudo, desvalorizar a cultura
de cada um, como afirma Romão,
Já se disse, quase à exaustão, que mais importante do que a informação, a escola
deve propiciar ao aluno a aprendizagem do aprender, isto é, o domínio dos
conhecimentos, habilidades e posturas que o capacitem para a
atualização.(ROMÃO, 2005, p.50.)
Atender pedagogicamente o aluno da EJA requer do professor a busca por conhecer
cada vez mais os conteúdos trabalhados e metodologias diversificadas, o que demanda
7074
atualização constante. Também, por atuar em realidade diversificada, deve haver a construção
de um trabalho diferenciado que atenda todos os alunos, pois como estão em diferentes fases
de aprendizagem, não há como se pretender trabalhar um mesmo conteúdo para todos, de
maneira massificada.
No município de Ponta Grossa, os professores que atuam na Educação de Jovens e
Adultos são concursados no Ensino Fundamental, com, no mínimo formação superior, sendo
que para estar nessa modalidade de ensino, necessitam passar por concurso de remoção,
atendendo às vagas abertas nas escolas.
Vive-se num mundo altamente letrado que exige no dia a dia, competências e
habilidades cada vez mais complexas, sendo estes quesitos básicos para a sobrevivência nas
relações sociais. Não dominá-las, significa ver o mundo pelos olhos dos outros.
O trabalho da EJA parte sempre do diagnóstico da realidade para se constatar o nível
de aprendizagem dos alunos e qual o método mais adequado a ser trabalhado. Conhecendo a
história de cada aluno, o professor poderá definir melhor a metodologia a ser adotada no
processo e atividades de ensino que desencadeará.
Interagir para que o aluno da EJA consiga transitar entre seu mundo e o almejado por
ele, sem desconstruir sua identidade não é tarefa fácil, pois, dependendo da ação do professor,
o analfabeto poderá continuar julgando que o que ele sabe não tem valor nenhum, a não ser
dentro de seu espaço próprio.
Considerações Finais
Todo o trabalho desenvolvido pelo CEHELENA têm propiciado maiores
oportunidades de escolarização à população do município, uma vez que a Secretaria
Municipal de Educação têm investido, conscientemente na EJA, por entender que esse é um
direito da população e uma dívida da sociedade a ser sanada com pessoas, marcadas por
inúmeros processos de carência e de exclusão, garantindo-lhes a legalidade das ações
realizadas.
Para a maioria da população, a elevação no nível de escolaridade ainda é o requisito de
ascensão social, apesar de que isso pode não assegurar sua inserção em contextos
profissionais, a garantia de um certificado de conclusão de estudos pode evitar alguns
constrangimentos sociais.
7075
É correto afirmar que os jovens, adultos e idosos querem se sentir como cidadãos
ativos e participativos na sociedade, e isso pressupõe ter conhecimento e exercer seus direitos
civis, políticos e sociais.
REFERÊNCIAS
ROMÃO, José Eustáquio. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. 6. ed., São Paulo:
Cortez: Instituto Paulo Freire, 2005.
SOARES, Magda. Letramento e alfabetização: as muitas facetas. Revista Brasileira de
Educação, Jan-Abr, número 025: Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em
Educação, São Paulo, 2004, pp. 5-17.
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