FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDÔNIA
NÚCLEO DE SAÚDE
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA
NO PROGRAMA DE ATENÇÃO BÁSICA A HIPERTENSÃO
ARTERIAL SISTÊMICA E AO DIABETES MELLITUS
Maria Islane Dias Gomes
UNIR
PORTO VELHO – RO
2008
A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA
NO PROGRAMA DE ATENÇÃO BÁSICA A HIPERTENSÃO
ARTERIAL SISTÊMICA E AO DIABETES MELLITUS
Por
Maria Islane Dias Gomes
Monografia apresentada ao Curso de
Licenciatura Plena em Educação Física,
pela Universidade Federal de Rondônia
(UNIR), como requisito para obtenção da
graduação em Educação Física.
PORTO VELHO – RO
OUTUBRO/2008
Dedico este trabalho a toda a minha família, especialmente aos
meus pais Antonio Nilson Ferreira Gomes e Antonia Dias
Gomes, e a todos que de alguma forma contribuíram para que
eu pudesse concluir essa etapa da minha vida...
AGRADECIMENTOS
A Deus, que pelo seu infinito amor, sabedoria e perfeição, iluminou os meus caminhos,
me deu forças, me fez e me faz superar sempre todos os obstáculos que a vida impõe...
Aos meus Pais Antônio Nilson Ferreira Gomes e Antonia Dias Gomes, pelo apoio,
amor, incentivo e dedicação.
Aos meus irmãos Elenilson e Jerffeson, que sempre acreditaram na minha capacidade
de transpor barreiras.
Ao meu namorado Fred que apareceu em meio esta provação e de maneira inigualável
prestou seu apoio, carinho e auxilio nesta dura caminhada.
A todos os meus familiares que mesmo de longe, estiveram torcendo e rezando por
mim.
A todos os professores e funcionários, por minha formação acadêmica. Mas em especial
ao profº. Ms. Luiz Gonzaga pela valiosa orientação, paciência e compreensão.
Aos amigos, que me ajudaram nos momentos difíceis, compartilhando palavras de
animo e incentivo.
E a todos que de forma direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste
sonho.
MUITO OBRIGADO!!!
SUMÁRIO
SUMÁRIO.......................................................................................................
v
RESUMO........................................................................................................
vi
ABSTRACT.....................................................................................................
vii
1. INTRODUÇÃO............................................................................................
1
2. REVISÃO DE LITERATURA.......................................................................
5
2.1. Programa de Atenção Básica a Saúde....................................................
5
2.2. Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS)......................................................
10
2.2.1. Definição...............................................................................................
10
2.2.2. Fisiopatologia........................................................................................
10
2.2.3. Causas..................................................................................................
12
2.2.4. Conseqüências.....................................................................................
14
2.2.5. Epidemiologia.......................................................................................
15
2.2.6. Aspectos Preventivos e Terapêuticos……………………………………
18
2.3. Diabetes Mellitus (DM)............................................................................
20
2.3.1. Definição...............................................................................................
20
2.3.2. Fisiopatologia........................................................................................
20
2.3.3. Causas..................................................................................................
21
2.3.4. Conseqüências.....................................................................................
23
2.3.5. Epidemiologia.......................................................................................
25
2.3.6. Aspectos Preventivos e Terapêuticos……………………………………
27
2.3.7. Diabéticos com Hipertensão.................................................................
28
2.4. Benefícios da Atividade Física.................................................................
30
2.4.1. Atividade física e Hipertensão..............................................................
31
2.4.2. Atividade Física e Diabetes..................................................................
32
2.5. O Profissional de Educação Física..........................................................
35
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................
41
4. REFERÊNCIAS..........................................................................................
42
RESUMO
A IMPORTÂNCIA DO PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA NO
PROGRAMA DE ATENÇÃO BÁSICA A HIPERTENSÃO ARTERIAL
SISTÊMICA E AO DIABETES MELLITUS
Autora: Maria Islane Dias Gomes.
Orientador: Profº. Ms. Luis Gonzaga de Oliveira Gonçalves.
Com tantas transformações nos hábitos de vida da população, ela tem se tornado
cada dia mais inativa fisicamente (sedentária). O sedentarismo hoje é tido como o
principal promotor de doenças crônicas degenerativas, entre elas destaca-se a
Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM). A hipertensão
arterial tem se destacado nos Serviços de Saúde como a principal doença crônica
degenerativa e a mais comum do mundo (ARAUJO et alli., 2006). Juntamente com o
diabetes, que tem se apresentado como uma das doenças crônicas mais freqüentes, são
duas das principais causas de óbitos em todo o mundo. A alta prevalência da HAS e do
DM tem provocado um impacto preocupante do ponto de vista da saúde pública, em
função da morbidade, da mortalidade e dos custos sociais e econômicos. Diversos
estudos na área da saúde tem alertado a população para a prevenção da hipertensão e do
diabetes. As pesquisas tem mostrado excelentes resultados no controle e prevenção da
HAS e do DM através da prática regular de exercícios físicos bem orientados. Para
tanto, o presente estudo tem como objetivo comprovar através da literatura a
importância do Profissional de Educação Física no Programa de Atenção Básica a
Hipertensão Arterial Sistêmica e ao Diabetes Mellitus. Pretende-se ainda, identificar as
atividades inerentes ao Profissional de Educação Física no Programa de Atenção Básica
à Hipertensão e ao Diabetes; Bem como descrever os benefícios da atividade física na
prevenção e terapêutica da HAS e do DM. Considerando-se o número de hipertensos,
diabéticos e diabéticos com hipertensão que em 2007 chegou a quase 12 mil casos só
em Porto Velho, é imprescindível o trabalho de profissionais da Saúde, entre eles e
principalmente, do Profissional de Educação Física, na prevenção e terapêutica da HAS
e do DM.
Palavras-chave: Hipertensão Arterial Sistêmica, Diabetes Mellitus, Profissional de
Educação Física.
ABSTRACT
THE IMPORTANCE OF TRAINING IN PHYSICAL EDUCATION PROGRAM
OF THE BASIC ATTENTION HYPERTENSION AND DIABETES MELLITUS
Author: Maria Islane Dias Gomes.
Advisor: Teacher Ms. Luis Gonzaga de Oliveira Gonçalves.
With so many changes in habits of life, it has become ever more physically
inactive (sedentary). The sedentary lifestyle is now regarded as the main sponsor of
degenerative diseases, among them there is a high blood pressure (HBP) and diabetes
mellitus (DM). Arterial hypertension has been highlighted in the Health Services as the
primary degenerative and chronic disease most common in the world (ARAUJO et alli.,
2006). Along with diabetes, which has been presented as one of the most common
chronic diseases, are two of the leading causes of deaths worldwide. The high
prevalence of hypertension and diabetes has caused a serious impact in terms of public
health, according to the morbidity, mortality and social and economic costs. Several
studies in the field of health has warned the population for the prevention of
hypertension and diabetes. The research has shown excellent results in the control and
prevention of hypertension and diabetes through the regular practice of physical
exercises and guided. Thus, this study aims to demonstrate through the literature the
importance of Professional Physical Education in Primary Care Program of the
hypertension and diabetes mellitus. The aim is also to identify the activities inherent to
the Professional Program of Physical Education in Primary Care for Hypertension and
Diabetes, and describe the benefits of physical activity in prevention and treatment of
hypertension and DM. Considering the number of hypertensive, diabetic and diabetic
patients with hypertension who in 2007 reached almost 12 thousand cases only in Porto
Velho is the essential work of health professionals, including and especially, of the
Professional Physical Education, prevention and treatment of hypertension and DM.
Keywords: Hypertension, Diabetes Mellitus, Professional Fitness.
1. INTRODUÇÃO
Com o avanço da tecnologia, o homem tem sido substituído por máquinas. A
caminhada até o mercado da esquina, foi substituída pela jornada motorizada até o
supermercado da vizinhança e escadas rolantes e elevadores substituíram as escadas
normais. Estas e outras facilidades contribuíram para um estilo de vida sedentário, que
vêm desarmonizando as funções corporais e os sistemas orgânicos, representando uma
séria ameaça ao organismo.
A partir das últimas décadas do século passado, têm-se observado importantes
mudanças no perfil das doenças ocorrentes em todo o mundo. Isto ocorre por dois
motivos principais, o primeiro é a significativa diminuição das taxas de fecundidade,
natalidade e aumento progressivo na expectativa de vida; e a segunda é uma grande
mudança no perfil de morbimortalidade, com muitas diversidades regionais decorrentes
das diferenças sócio econômicas e do acesso aos serviços de saúde.
A inatividade física associada à má alimentação, ao tabagismo, ao consumo
excessivo de álcool e a altos índices de estresse tem tornado as doenças
cardiovasculares e crônicas degenerativas as principais causas de óbitos no mundo.
As doenças cardiovasculares são responsáveis por aproximadamente 30% de
todas as mortes no mundo. No Brasil ocorrem predominantemente nas regiões de
população mais pobre, como o sertão nordestino e região amazônica, em decorrência da
ausência de assistência médica nessas áreas e da total ausência de controle dos fatores
de risco, dos quais o principal na realidade brasileira é a hipertensão arterial sistêmica
(BENSEÑOR & LOTUFO apud WINNICK & SHORT, 2001).
Em sua grande maioria, os hipertensos desconhecem a causa de sua patologia. É
a chamada hipertensão essencial ou primária. E aquela cuja causa foi diagnosticada, é
denominada hipertensão secundária, como veremos com mais detalhes num capítulo a
parte.
O Diabetes Mellitus é também uma preocupante moléstia que tem assombrado a
população por seus índices alarmantes. É uma patologia causada por hiperglicemia
sanguínea, e muitas vezes vem acompanhada da hipertensão. Veremos tudo isso com
mais detalhes adiante.
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) junto ao diabetes mellitus (DM) são duas
das principais doenças crônicas degenerativas que de acordo com o caderno de atenção
básica do Ministério da Saúde Brasil (2001), afetam cerca de 20% da população adulta
com mais de 30 anos. Considerando a grande porcentagem de indivíduos que
desconhecem ser portadores de hipertensão arterial e/ou de diabetes mellitus, o índice
pode ser muito maior do que se estima.
Em Porto Velho, conforme a Secretaria de Saúde do Estado, em 2005 cerca de
450 pessoas morreram no estado, vítimas de doenças hipertensivas e/ou diabetes. Mas,
como veremos adiante, existem maneiras para prevenir e tratar a Hipertensão Arterial
Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM).
A prática regular de atividade física tem sido recomendada para a prevenção e
reabilitação de doenças cardiovasculares e outras doenças crônicas por diferentes
associações de saúde no mundo (CIOLAC & GUIMARÃES, 2004). Já que o exercício
físico promove o bem estar físico e psíquico, tem sido utilizado como um dos principais
meios de prevenção à hipertensão arterial sistêmica e ao diabetes mellitus.
De acordo com Daher et al. (2005), a realização de atividades físicas é
fundamental na preservação e na promoção da saúde. A regularidade de exercícios
realizados de forma adequada promove inúmeras adaptações fisiológicas, anatômicas e
também histológicas, como hipertrofia e hiperplasia das fibras musculares esqueléticas,
aumento da atividade enzimática celular, aumento da vasculatura capilar e o perfil
lipídico também são alterados favoravelmente, com redução das cifras tensionais em
repouso, elevação do HDL-colesterol, e diminuição dos triglicerídeos e da intolerância à
glicose. Segundo o mesmo autor, ocorre também, melhora tanto da qualidade de vida
como da autoconfiança, entre aqueles que praticam exercícios regularmente.
Em 2000, o Ministério da Saúde, com o propósito de reduzir a morbimortalidade
associada à hipertensão e ao diabetes, criou o Sistema de Cadastramento e
Acompanhamento de Hipertensos e Diabéticos (HIPERDIA). O sistema permite
cadastrar e acompanhar os portadores de hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus. E o
sistema HIPERDIA, também tornou possível ao programa de Atenção Básica à
Hipertensão e ao Diabetes desenvolver estratégias de saúde pública para a melhoria da
qualidade de vida dessas pessoas e a redução do custo social.
Para tanto, este estudo tem como objetivo demonstrar a importância da inclusão
do Profissional de Educação Física no Programa de Atenção Básica a Hipertensão
Arterial Sistêmica e ao Diabetes Mellitus. De maneira a: Identificar as atividades
inerentes ao Profissional de Educação Física; Apontar a necessidade do Profissional de
Educação Física no Programa de Atenção Básica a Hipertensão e ao Diabetes;
Descrever os objetivos do Programa de Atenção Básica a Hipertensa e ao Diabetes; e
descrever os benefícios da atividade física na prevenção e terapêutica da HAS e do DM.
Este trabalho de revisão traz em seu corpo, assuntos atualizados sobre as
patologias Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e Diabetes Mellitus (DM), e a prática
de exercícios físicos sistemáticos orientados por um profissional de educação física para
prevenção e terapêutica das mesmas. Para isso, buscou-se trazer à tona estudos de
alguns autores consagrados que contribuem para elaboração de documentos oficiais de
instituições que prestam relevantes serviços à saúde da população.
Entre os mesmos temos Brandão, que trata da epidemiologia da hipertensão,
Crepaldi, Cancelliéri e Filho que em seus estudos apresentam relação entre exercícios
físicos e as enfermidades mencionadas, como meio promotor e até preventivo das
mesmas. Temos também dados epidemiológicos destacados por Silva, Mano, Boing &
Boing, Alves, e Brasil, entre outros.
Vale salientar que este trabalho oferece uma apresentação e análise simplificada
de estudos que constam em documentos elaborados por instituições oficiais como: A
OMS (Organização Mundial de Saúde), o ACSM (American College of Sports
Medicine) e principalmente o ministério da saúde do Brasil que entre outros
documentos, apresenta os cadernos de atenção básica à hipertensão e ao diabetes, e que
através do programa Hiperdia salienta a situação e evolução de tais patologias no
cenário brasileiro, assim como fatores relacionados à prevenção e terapêutica das
mesmas.
Além disso, livros de fisiologia do exercício, atividade física e saúde e artigos
de revistas especializadas serviram para contribuir nos objetivos proposto para esse
trabalho monográfico.
Demonstrando assim, que a modificação de alguns hábitos de vida, tais como a
realização de exercícios físicos, pode promover resultados mais eficientes no que diz
respeito à diminuição nos níveis pressóricos e sensibilidade insulínica, entre outros.
Acredita-se, portanto, que a conscientização em relação aos hábitos da prática de
exercícios físicos, estilo de vida e uma aplicação dos conhecimentos específicos sobre
hipertensão e diabetes, fazem parte da função do profissional de Educação Física, que
propicia alternativas para evitar ou minimizar a ocorrência de distúrbios hipocinéticos e
crônico-degenerativos na população.
Para uma melhor apresentação deste trabalho, além da introdução e conclusão, o
mesmo foi dividido sequencialmente em capítulos. No primeiro capítulo temos a
introdução que aborda fatores epidemiológicos da hipertensão e do diabetes, objetivos e
formas de como este estudo foi realizado; no segundo capítulo, as definições de
hipertensão arterial sistêmica e diabetes mellitus, tendo ainda, a fisiopatologia, as
causas, conseqüências, epidemiologia e os aspectos preventivos e terapêuticos.
Em seguida, destacamos os benefícios da atividade física para hipertensos e
diabéticos. Posteriormente, temos um capítulo sobre o profissional de educação física,
sua atuação e responsabilidades. E por fim apresentamos as considerações a cerca deste
estudo.
2. REVISÃO DE LITERATURA
2.1. Programa de Atenção Básica a Saúde
Antes da criação do Sistema Único de Saúde em 1988, o Ministério e as
Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde atuavam essencialmente na área de
prevenção de doenças, com ênfase nas doenças transmissíveis, utilizando-se de
programas verticais, campanhas de vacinação e de controle de endemias rurais e
urbanas. O acesso da população a serviços de assistência médica dividia os brasileiros
em três grupos: os que podiam pagar diretamente pelos serviços médicos; os
trabalhadores segurados com acesso à rede de Previdência social; e a população rural e
indigente, sem qualquer direito explícito e pouco ou nenhum acesso a cuidados médicos
individuais.
Importantes mobilizações sociais, em especial o movimento da reforma
sanitária, envolvendo trabalhadores do setor saúde, setores acadêmicos e população,
resultaram na organização da VIII Conferência Nacional de Saúde e na mobilização
para aprovação do texto da Constituição Federal outorgada pelo Congresso Nacional em
1988 que definiu a saúde como “um direito de todos e um dever do estado”.
Estabelecendo assim, as principais diretrizes do Sistema Único de Saúde. Entre elas,
destaca-se a que obriga o governo a oferecer todos os tipos de serviços, voltados à
promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento e reabilitação.
Nesses dezessete anos de organização do SUS, atingiu-se significativo avanço na
gestão e nas ações de saúde. As estratégias dos Programas de Saúde da Família e de
Agentes Comunitários de Saúde ampliaram significativamente o acesso à Atenção
Básica, com foco prioritário em prevenção e promoção da saúde.
Segundo Brasil (2005), a Atenção Básica em Saúde caracteriza-se por
desenvolver um conjunto de ações que abrangem a promoção, a prevenção, o
diagnóstico, o tratamento e a reabilitação. É desenvolvida sob a forma de trabalho
multiprofissional e interdisciplinar. A equipe da atenção básica deve resolver os
problemas de saúde de maior freqüência e relevância dessas populações a partir da
utilização de tecnologias de elevada complexidade (conhecimento) e baixa densidade
(equipamentos).
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e o Diabetes Mellitus (DM) são
doenças crônicas não transmissíveis (DCNT), de alta prevalência cujos fatores de risco
e complicações representam hoje a maior carga de doenças em todo o mundo. São
responsáveis pelas maiores taxas de morbimortalidade da população brasileira e de todo
o mundo, gerando sofrimento pessoal e familiar, com alto custo financeiro e social
(BRASIL, 2005).
A Política Nacional de Atenção Integral a Hipertensão Arterial e ao Diabetes
objetiva articular e integrar ações nos diferentes níveis de complexidade e nos setores
públicos e privados para reduzir fatores de risco e a morbimortalidade por essas doenças
e suas complicações, priorizando a promoção de hábitos saudáveis de vida, prevenção e
diagnóstico precoce e atenção de qualidade na atenção básica (BRASIL, 2005).
O Ministério da Saúde, com o propósito de reduzir a morbimortalidade
associada a essas doenças, assumiu o compromisso de executar ações em parceria com
estados, municípios e Sociedade Brasileira de Cardiologia, hipertensão, Nefrologia e
Diabetes, Federações Nacionais de Portadores de Hipertensão Arterial e Diabetes,
Conass e Conasems para apoiar a reorganização da rede de saúde, com melhoria da
atenção aos portadores dessas patologias através do Plano de Reorganização da Atenção
Básica à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus.
O Ministério da Saúde também estabeleceu as diretrizes e metas do Plano de
Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) e ao Diabetes
Mellitus (DM) no Sistema Único de Saúde, definindo prioridades e estabelecendo como
diretrizes principais a atualização dos profissionais da rede básica, a garantia do
diagnóstico e a vinculação do paciente às unidades de saúde para tratamento e
acompanhamento, com o objetivo de promover a reestruturação e a ampliação do
atendimento resolutivo e de qualidade para os portadores dessas patologias na rede
pública de serviços de saúde.
Nesta perspectiva, muitas ações estão sendo desenvolvidas no país. Uma delas é
a disponibilização para estados e municípios de um sistema informatizado, com
interface na WEB, que permite o cadastramento de portadores, o seu acompanhamento,
ao mesmo tempo em que, a médio prazo, poderá ser definido o perfil epidemiológico
desta população, e o conseqüente desencadeamento de estratégias de saúde pública que
levarão à modificação do quadro atual, a melhoria da qualidade de vida dessas pessoas e
a redução do custo social.
O sistema informatizado permite cadastrar e acompanhar os portadores de
hipertensão arterial e/ou diabetes mellitus, captados no Plano Nacional de
Reorganização da Atenção à Hipertensão Arterial e ao Diabetes Mellitus, em todas as
unidades ambulatoriais do Sistema Único de Saúde, gerando informações para os
gerentes locais, gestores das secretarias municipais, estaduais e Ministério da Saúde.
O Sistema de cadastramento e acompanhamento dos portadores, Sistema
HIPERDIA, é uma ferramenta útil para profissionais da rede básica e para gestores do
SUS no enfrentamento destas doenças.
Em 2000 foi criado o Sistema de Cadastramento e Acompanhamento de
Hipertensos e Diabéticos (HIPERDIA). Por meio desse sistema informatizado, tornouse possível a descrição do perfil epidemiológico dos pacientes cadastrados (BOING &
BOING, 2007). E de acordo com Brasil (2005), desde 2002 vem sendo implantado em
todos os municípios do país.
Segundo o Ministério da Saúde em 2005, 453 pessoas morreram vítimas de
doenças cardíacas hipertensivas em Rondônia, destas 125 só em Porto Velho. Por ser na
maior parte do seu curso assintomática, o diagnóstico e tratamento da Hipertensão
Arterial Sistêmica é freqüentemente negligenciado, somando-se a isso a baixa adesão,
por parte do paciente, ao tratamento prescrito. Estes são os principais fatores que
determinam um controle muito baixo da HAS e aos níveis considerados normais em
todo o mundo, a despeito dos diversos protocolos e recomendações existentes e maior
acesso a medicamentos.
Modificações de estilo de vida são de fundamental importância no processo
terapêutico e na prevenção da hipertensão e do diabetes. Estratégias de saúde pública
são necessárias para a abordagem desses fatores relativos a hábitos e estilos de vida que
reduzirão o risco de exposição, trazendo benefícios individuais e coletivos para a
prevenção da HAS e do DM. O que levou a implementação de modelos de atenção à
saúde que incorporem estratégias diversas, individuais e coletivas a fim de melhorar a
qualidade da atenção e alcançar o controle adequado dos níveis pressóricos e glicêmicos
(BRASIL, 2006).
O trabalho exige estratégias que envolvem uma equipe multiprofissional. Com o
propósito de atender a grande maioria da população brasileira dependente do Sistema
Público de Saúde. E tem como grande desafio reduzir a carga dessas doenças e o
impacto social e econômico decorrentes do seu contínuo crescimento (BRASIL, 2006).
Identificar grupos de risco, fazer diagnósticos precoces e abordar terapêuticas
adequadas, cuidando, educando e preparando portadores e famílias a terem autonomia
no auto-cuidado, monitorando o controle, prevenindo complicações e gerenciando o
cuidado nos diferentes níveis de complexidade, é uma estratégia na busca da melhoria
de qualidade de vida da população.
Em 2006 o Sistema contava com 4.454.450 de usuários cadastrados em todo o
território nacional, destes 3.294.637 são de hipertensos, outros 171.194 são de
diabéticos, e 988.253 possuem ambas as patologias (hipertensão e diabetes).
Destes 4.454.450 usuários, quase 41.000 foram cadastrados em Rondônia.
Contudo, estimativas relatoriais do Ministério da Saúde para o ano de 2006, com base
em dados do IBGE calcula que o número de diabéticos em Rondônia pode chegar a
30.930 casos, enquanto que o número de hipertensos atingiria cerca de 94.240 casos.
O número de cadastros na Capital, Porto Velho chega a quase 12.000 pessoas em
2007. Destes, 7.988 casos são de hipertensos, 561 de diabéticos e 3.013 cadastros de
diabéticos com hipertensão. Levando-se em conta o número de pessoas ainda não
atendidas pelo programa, seja por falta de conhecimento do programa ou da existência
de alguma dessas patologias em questão, esses números podem duplicar.
Sendo assim, o Ministério da Saúde, através do Sistema Único de Saúde busca
realizar medidas de prevenção e terapêutica da HAS e do DM, por meio do Programa de
Atenção Básica à Saúde, que atua com equipe multiprofissional e cujo processo de
trabalho pressupõe vinculo com a comunidade e a clientela adscrita, levando em conta
diversidade racial, cultural, religiosa e os fatores sociais envolvidos (BRASIL, 2006).
A prevenção e o controle da hipertensão arterial e do diabetes são ações
prioritárias na Atenção Básica. Estão previstas: ações educativas e de apoio para
controle de condições de risco (obesidade, sedentarismo, tabagismo) e prevenção de
complicações (cuidados com os pés; orientação nutricional; cessação do tabagismo e
alcoolismo; controle de PA e das dislipidemias), ações educativas para auto aplicação
de insulina (pelos diabéticos), diagnóstico de casos, cadastramento de portadores, busca
ativa de casos, tratamento dos doentes, monitorização dos níveis de glicose sanguínea e
diagnóstico precoce de complicações, primeiro atendimento de urgência, e
encaminhamento de casos. Todas essas ações devem ser desenvolvidas na rede de
atenção básica do SUS (BRASIL, 2005).
A realidade nem sempre segue os padrões estabelecidos. A falta de recursos, a
superlotação dos postos de saúde e hospitais da rede pública, torna esse atendimento
precário. Muitas vezes, o paciente é obrigado a esperar dias ou até meses para obter um
atendimento ou realizar um exame, o que pode agravar o estado do doente.
O SUS tem ainda muito a melhorar, ampliar o número de atendimentos através
da contratação de mais profissionais, e pontos de atendimento, qualificando o serviço
oferecido.
2.2. HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA (HAS)
2.2.1. Definição
Hipertensão é o termo médico utilizado para a Pressão Arterial (PA) elevada. É
definida no adulto como pressão arterial superior a 140 mmHg para pressão sistólica e
90 mmHg para pressão diastólica. A PA é considerada normal quando seus valores
estiverem iguais ou abaixo de 13/8 mmHg, limítrofes ou suspeitos de hipertensão
quando estiverem até 13,9/8,9 mmHg e hipertensos quando estiverem iguais ou
superiores a 14/9 mmHg (SILVA, 2002).
A Hipertensão Arterial (HA) caracteriza-se como uma condição sistêmica que
envolve a presença de alterações estruturais das artérias e do miocárdio, associadas à
disfunção endotelial, constrição e remodelamento da musculatura lisa vascular
(BRANDÃO et al., 2003). Neste contexto, Ganong (1999) e Pierin (2004) caracterizam
a hipertensão arterial sistêmica (sistólica e diastólica) como sendo uma manutenção de
seus valores elevados durante muito tempo.
2.2.2. Fisiopatologia
O desenvolvimento de hipertensão depende da interação entre predisposição
genética e fatores ambientais, embora ainda não seja completamente conhecido como
estas interações ocorrem. Sabe-se, no entanto, que a hipertensão é acompanhada por
alterações funcionais do sistema nervoso autônomo simpático, renais, do sistema renina
angiotensina, além de outros mecanismos humorais e disfunção endotelial. Assim a
hipertensão resulta de várias alterações estruturais do sistema cardiovascular que tanto
amplificam o estímulo hipertensivo, quanto causam dano cardiovascular (MANO,
1994).
A hipertensão arterial sistêmica (HAS) resulta de anormalidades dos
mecanismos de controle da pressão arterial. Modificações importantes de fluxo ocorrem
em diferentes quadros comportamentais assumidos pelo indivíduo durante o dia. Essas
modificações, no entanto, não causam grandes alterações dos níveis pressóricos, pela
interação de complexos mecanismos que mantêm a pressão dentro de uma faixa
relativamente estreita de variação (IRIGOYEN et al., 2003).
A pressão arterial (PA) é um parâmetro que deve ser avaliado continuamente,
mesmo em face de resultados iniciais normais. Pois ela depende de fatores físicos, como
volume sanguíneo e capacitância da circulação, sendo resultante da combinação
instantânea entre o volume minuto cardíaco (ou débito cardíaco = freqüência cardíaca
vs. volume sistólico), a resistência periférica e a capacitância venosa, que condiciona a
pré-carga e, portanto, o volume sistólico (IRIGOYEN et al., 2003).
O sangue exerce pressão em todo o sistema vascular, mas ela é maior nas artérias,
onde é mensurada (P0WERS & HOWLEY, 2005). Segundo o mesmo autor, a
pressão arterial é a força exercida pelo sangue contra as paredes arteriais,
determinada pela quantidade de sangue bombeado e pela resistência a o fluxo
sanguíneo.
A V DBHA (Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2006), apresenta
como fatores de risco para hipertensão arterial a idade, o sexo e a etnia, os fatores
socioeconômicos, a ingesta de sal e álcool, a obesidade e o sedentarismo.
Entre os fatores de risco primordiais para a hipertensão arterial, encontra-se o
aumento do peso corporal, o excesso de ingestão de bebida alcoólica e o consumo
excessivo de sal. O controle desses fatores contribui de maneira fundamental para o
controle da hipertensão arterial e das doenças cardiovasculares (PIERIN, 2004).
O diagnóstico da hipertensão arterial é obtido por meio de sua medida, que pode
ser determinada ou estimada. Conforme Pierin (2004), a primeira medida de pressão
arterial ocorreu por volta de 1733, pelo reverendo Stephen Hales. Para tanto ele utilizou
um tubo de vidro como manômetro ligado a um tubo de cobre inserido em uma fístula
na virilha de uma égua; ao soltar a ligadura da artéria, ele observou a variação da altura
do sangue dentro da coluna de vidro. A primeira medida da pressão arterial em um
homem só foi realizada em 1856, também através do método invasivo anteriormente
mencionada.
Em 1896, Scipione Riva - Rocci criou um aparelho para verificação da pressão
arterial, de modo não invasivo, o esfigmomanômetro de coluna de mercúrio, muito
parecido com o atual (PIERIN, 2004).
A pressão arterial também pode ser estimada pela utilização de um
esfigmomanômetro e expressa em milímetros de mercúrio (mmHg). De acordo com
Pierin (2004), foi em 1896 que surgiu o primeiro aparelho para verificação da pressão
arterial, não-invasivo, muito parecido com o usado atualmente.
A pressão arterial normal de um homem adulto é de 120/80, enquanto a das
mulheres adultas tende a ser mais baixa, 110/70 (POWERS & HOWLEY, 2005). Para
Brandão et al. (2003), a pressão arterial normal é determinada por valores inferiores a
130/85 mmHg e ótima quando for igual ou inferior a 120/80 mmHg.
O quadro abaixo apresenta a classificação da pressão arterial para adultos com
mais de 18 anos.
Classificação
Normal
Pré-hipertensão
Estágio 1
Estágio 2
PAS (mmHg)
<120
120-139
Hipertensão
140-159
≥160
PAD (mmHg)
<80
80-89
90-99
≥100
Fonte: BRASIL (2006).
2.2.3. Causas
Rosa et al. (2006), afirma que a hipertensão arterial é uma doença altamente
prevalente no mundo moderno, no qual os hábitos de vida, aliados às taxas de obesidade
e ao envelhecimento populacional atuam como pilares para o seu aparecimento.
Segundo Mano (1994) e Krieger (2005), o desenvolvimento da hipertensão
arterial é decorre da interação entre predisposição genética individual e inúmeros fatores
ambientais.
De acordo com Brasil (2006), a maioria dos casos de hipertensão arterial não
apresenta uma causa aparente facilmente identificável, sendo conhecida como
hipertensão essencial. Uma pequena proporção dos casos de hipertensão arterial é
devida a causas muito bem estabelecidas, que precisam ser devidamente diagnosticadas,
uma vez que, com a remoção do agente etiológico, é possível controlar ou curar a
hipertensão arterial. É a chamada hipertensão secundária.
O ACSM (2003) divide a hipertensão em primária (causa desconhecida) ou
secundária (causada por distúrbios endócrinos ou estruturais identificáveis). E preconiza
que a pressão arterial é determinada pelo débito cardíaco e pela resistência periférica.
Conseqüentemente, pode ser aumentada por elevações em qualquer uma ou nessas duas
variáveis.
É preciso ter cautela antes de rotular alguém como hipertenso, tanto pelo risco
de um diagnóstico falso-positivo, como pela repercussão na própria saúde do indivíduo
e o custo social resultante. Em indivíduos sem diagnóstico prévio e níveis de PA
elevada em uma aferição, recomenda-se repetir a aferição de pressão arterial em
diferentes períodos, antes de caracterizar a presença de HAS. Este diagnóstico requer
que se conheça a pressão usual do indivíduo, não sendo suficiente uma ou poucas
aferições casuais. A aferição repetida da pressão arterial em dias diversos em
consultório é requerida para chegar a pressão usual e reduzir a ocorrência da
“hipertensão do avental branco”, que consiste na elevação da pressão arterial ante a
simples presença do profissional de saúde no momento da medida da PA (BRASIL,
2006).
A hipertensão resulta da força a mais que o coração emprega para bombear o
sangue em arteríolas (pequenos vasos sangüíneos) que, com suas paredes contraídas,
apresentam menor espaço para a passagem do sangue (PIERIN, 2004).
Ganong (1999) separa a hipertensão arterial em experimental, colocando que a
pressão arterial é determinada pelo débito cardíaco e pela resistência periférica. A
resistência periférica é determinada pela viscosidade do sangue e, pelo calibre dos vasos
de resistência. E coloca ainda que o aumento do débito cardíaco pode produzir a
hipertensão, mas a hipertensão sustentada é geralmente devido a aumento da periférica.
E hipertensão arterial maligna, tipo de hipertensão crônica que pode passar a uma fase
acelerada, na qual se desenvolvem lesões arteriolares necróticas e que evolui no sentido
de uma deterioração rápida, com papiledema, sintomas cerebrais e insuficiência renal
progressiva.
A hipertensão pode ser de três tipos: hipertensão sistólica isolada, hipertensão
predominantemente diastólica e hipertensão combinada, sistólica e diastólica. Em geral
a pressão diastólica aumenta com a idade até a sexta década de vida e depois começa a
declinar, enquanto a sistólica continua a aumentar com a idade, tornando-se a
hipertensão sistólica isolada a forma mais comum de hipertensão após os 60 anos
(BRANDÃO et al., 2003).
2.2.4. Conseqüências
Para Mano (1994), a hipertensão é acompanhada por alterações funcionais do
sistema nervoso autônomo simpático, renais, do sistema renina angiotensina, além de
outros mecanismos humorais e disfunção endotelial. Assim a hipertensão resulta de
várias alterações estruturais do sistema cardiovascular que tanto amplificam o
estímulo hipertensivo, quanto causam dano cardiovascular.
O sistema simpático tem uma grande importância na gênese da hipertensão arterial e
contribui para a hipertensão relacionada com o estado hiperdinâmico. Estudos
demonstram alterações da resposta reflexa dos baroreceptores (MANO, 1994).
De acordo com Mano (1994), mecanismos renais também estão envolvidos na
patogênese da hipertensão, levando à retenção de sódio e água e, aumento da pressão
arterial através da liberação da renina ou de fatores depressores da PA como
prostaglandinas.
Pierin (2004) apresenta a HAS como um fator de risco independente para
doenças decorrentes de aterosclerose e trombose. E coloca a sobrecarga pressórica
sustentada como causa, também, de cardiopatia hipertensiva e fator associado a
alterações degenerativas da aorta, glomérulos e retina.
Ainda segundo Pierin (2004), a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um dos
fatores de risco mais importantes de morbidade e mortalidade no mundo atualmente.
Constitui um fator de risco para doença coronária, junto com o diabetes, tabagismo e as
dislipidemias, e é também o principal fator isolado de acidentes vasculares cerebrais
(AVC).
Atualmente, a hipertensão arterial vem declinando como causa básica de
mortalidade, sendo substituída pelos eventos cardiovasculares que são conseqüência da
hipertensão, como infarto agudo do miocárdio, insuficiência cardíaca e acidente
vascular cerebral.
2.2.5. Epidemiologia
Segundo Silva (2002) cerca de 90% dos casos de hipertensão arterial (HA) não
tem causa identificável, porém existem indicações ou fatores de risco como genética
(alguns casos apresentam valores de PA elevados em relação à média de idade, desde o
nascimento), uso de sal, sobrepeso, inatividade física e aterosclerose.
Smanio & Mastrocolla (2005), demonstra que o risco do desenvolvimento de
hipertensão
arterial
sistêmica
em
indivíduos
sedentários
é
35%
maior,
independentemente de outras variáveis como obesidade ou risco familiar.
A Hipertensão Arterial Essencial (sem uma causa definida) constitui, pelo
menos, de 90% a 95% de todas as formas de hipertensão. Todas as demais formas de
hipertensão, chamadas secundárias, estão associadas a outra patologia e compreendidas
entre 5% e 10% (PELLIZZARO & PANCHENIAK, 2003).
A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é um dos mais importantes fatores de
risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais,
sendo responsável por pelo menos 40% das mortes por acidente vascular cerebral, por
25% das mortes por doença arterial coronariana e, em combinação com o diabete, 50%
dos casos de insuficiência renal terminal (BRASIL, 2006). A vida sedentária, segundo
Silva (2002), aumenta isoladamente o risco relativo de morte em torno de 25%
enquanto que a HAS pode elevá-la em cerca de 70%.
A hipertensão arterial hoje afeta cerca de 50 milhões de pessoas nos Estados
Unidos, e aproximadamente 1 bilhão de pessoas no mundo (ARAUJO et alli., 2006).
Conforme o ACSM (American College of Sports Medicine, 2003), a prevalência de
hipertensão aumenta acentuadamente com a idade e é mais alta em homens que em
mulheres e em negros em comparação aos brancos. De acordo com Rosa et al.
(2006), a prevalência da hipertensão em idosos é cerca de 50 a 70%.
Baseado em estudos Americanos, Mano (1994) afirma que a prevalência da HAS
aumenta progressivamente com a idade em ambos os sexos. A prevalência entre os
negros é sempre maior em qualquer idade. Até os 40 anos a prevalência é próxima a
10% (20% para a raça negra), até os 50 anos chega a 20% (40% para a raça negra),
após 60 anos ultrapassa os 40%, atingindo 60% após 70 anos.
Boing & Boing (2007), apontam prevalência de hipertensão nas cidades
brasileiras entre 22% e 44% (adotando-se como critério pressão ≥ 140/90 mmHg).
Corroborando com essa estatística aparece o Brasil (2006), que afirma que no Brasil são
cerca de 17 milhões de portadores de hipertensão arterial, 35% da população de 40 anos
e mais. Já para Perin (2004), a prevalência de hipertensão arterial na população
brasileira adulta é estimada entre 15% a 20%.
Estudos recentes demonstram uma prevalência elevada de hipertensão arterial
em 26% a 44% da população brasileira adulta. Com maior prevalência nos segmentos
sociais mais pobres. E as regiões rurais apresentam menor prevalência de hipertensão
em relação à metropolitana (MANO, 1994).
Mano (1994) estima que em 1995 existiam 13 milhões de brasileiros
hipertensos, com cifras de Pressão Arterial de > 160 e/ou 95 mmHg. E se considerarmos
as cifras entre 140-159 e/ou 90-94, esse número subiria para 30 milhões de hipertenso
em todo o Brasil. Sendo que cerca de 50% destes, ou seja, 15 milhões desconheciam ser
hipertensos.
Dados norte-americanos indicam que a doença hipertensiva ocupa o terceiro
lugar em gastos diretos e indiretos relacionados a seu tratamento, controle e suporte
previdenciário (BRANDÃO et al., 2003).
No Brasil, segundo Mano (1994), em 2003 as mortes por doença cardiovascular
foram 27,4 % de todos os óbitos. Excluindo-se as mortes violentas e de origem não
definida o índice sobe para 37%. A HAS está envolvida em 40% das mortes por doença
cerebrovascular e em 25% das mortes por doença coronariana. Em 2005, foram
1.180.184 internações relacionadas com a doença cardiovascular com um custo global
superior a U$575.000.000,00 (Quinhentos e Setenta e Cinco Milhões de Dólares).
No quadro a seguir podemos observar os quatro estados brasileiros com maior
número de Hipertensos cadastrados no Programa de Atenção Básica à Hipertensão e ao
Diabetes, através do Sistema HIPERDIA no período de janeiro de 2007 a janeiro de
2008.
UF
Nº de Hipertensos
Total
Masc
MG
93.225
34.481
SP
70.470
26.961
Fem
58.744
43.509
41.977
PR
38.972
15.155
23.817
O quadro identifica Minas Gerais como o estado brasileiro com o maior número
60.981
BA
19.004
de Hipertensos cadastrados no Sistema HIPERDIA, apresentando mais de 93 mil casos
diagnosticados. Em seguida aparece São Paulo, com 70.470 casos, seguido de Bahia
com quase 70 mil cadastros, e em quarto lugar surge o Paraná, com quase 39 mil
Hipertensos cadastrados. Rondônia aparece como o 16º estado com o maior número de
indivíduos Hipertensos cadastrados no HIPERDIA, cerca de 11.000 casos .
O quadro abaixo, demonstra o número de indivíduos hipertensos, cadastrados no
sistema HIPERDIA entre os anos de 2003 a 2007 no município de Porto Velho, capital
de Rondônia.
Ano
N. de Hipertensos
Município
Total
Masc.
Fem.
2003
2.462
908
1.554
2004
2.312
841
1.471
920
345
575
2006
993
379
614
2007
1.301
506
795
7.988
2.979
5.009
2005
Porto Velho
Total
Através do quadro, podemos observar que o número de cadastros na Capital,
Porto Velho chega a quase 8.000 pessoas diagnosticadas hipertensas em 2007. Destas,
aproximadamente 5.000 são do sexo feminino e os outros quase 3.000 são do sexo
masculino.
Em 2003, foram cadastrados 2.462 pacientes portadores de hipertensão arterial
sistêmica. Nos anos de 2004 e 2005, esse número foi diminuindo. E de 2006 a 2007,
esse número voltou a aumentar significativamente.
2.2.6. Aspectos Preventivos e Terapêuticos
O objetivo da prevenção e controle da hipertensão consiste em reduzir a
morbidez e a mortalidade pelo meio menos invasivo possível. A prevenção visa reduzir
os fatores de risco coadjuvantes e promotores da hipertensão.
Além disso, modificações de estilo de vida são de fundamental importância no
processo terapêutico e na prevenção da hipertensão. Alimentação adequada, sobretudo
quanto ao consumo de sal, controle do peso, prática de atividade física, tabagismo e uso
excessivo de álcool são fatores de risco que devem ser adequadamente abordados e
controlados, sem o que, mesmo doses progressivas de medicamentos não resultarão
alcançar os níveis recomendados de pressão arterial (BRASIL, 2006).
Quando as medidas não farmacológicas não são suficientes para o controle da
pressão arterial, faz-se necessário tratamento farmacológico. Segundo Mano (1994), as
drogas de primeira linha para o tratamento da Hipertensão Arterial Sistêmica, com
resultado benéfico comprovado em vários trabalhos na prevenção de complicações
cardiovasculares são os:
Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) – Bloqueia a ação da
enzima conversora da angiotensina. Diminui a formação de angiotensina II, funciona
também como potente vasoconstrictor e estimulador da aldosterona. O IECA é inibidora
também da degradação da bradicinina, potente vasodilatador, que portanto tem sua ação
aumentada.
Bloqueadores AT1 – Responsáveis pelo bloqueio dos receptores AT1 da
angiotensina II, inibindo a ação do eixo da renina. O mensageiro final do eixo reninaangiotensina é a angiotensina II, que ligando-se ao receptor AT1 causa vasoconstricção
e retenção hídrica, ambos levando ao aumento da pressão arterial. O bloqueio do
receptor AT1 resulta na redução da pressão arterial e nos efeitos benéficos na ICC.
Portanto os efeitos são similares aos inibidores da enzima conversora.
Diuréticos tiazídicos e similares – Mecanismo de ação hipotensora: Depleção do
volume plasmático; Eliminação do edema da parede do vaso; Redução da reatividade
vascular; e ação vaso-dilatadora direta. Tem maior eficiência na raça negra. Os alfa e
beta bloqueadores e os inibidores da enzima conversora tem sua ação potencializada
pelo diurético.
Beta-bloqueadores - Como anti-hipertensivo não é perfeitamente estabelecido.
Redução do tônus simpático por menor liberação de noradrenalina na fenda sináptica
em decorrência de bloqueio beta pré-sinaptico. Outros mecanismos incluem redução na
liberação de renina, diminuição do débito cardiaco, modulação da regulação da PA a
nível do S.N.C., readaptação dos pressoseptores e diminuição da aferência simpática.
Como anti-isquêmicos reduzem o consumo de O2 miocárdico basicamente pela
diminuição da freqüência cardíaca. Por sua vez a diástole prolongada aumenta o tempo
de perfusão coronariana. Também atuam reduzindo o aumento da PA induzida pelo
exercício e limitando o aumento da contratilidade nessa situação.
Bloqueadores dos canais de cálcio – São responsáveis pela inibição do influxo
de cálcio na célula muscular lisa, por bloqueio competitivo com o Ca+ que entra pelos
canais lentos de voltagem dependentes. São vasodilatadores e também possuem ação
anti-arrítmica.
De todas essas o diurético tiazidico tem demonstrado o melhor resultado.
Algumas situações clínicas específicas indicam o uso de determinada droga antihipertensiva para uso inicial isolado ou combinado, devido comprovado benefício da
droga em relação a doença. Fatores como a raça, a idade, presença de alterações
metabólicas como dislipidemia, hiperuricemia e alterações eletrolíticas também
influenciam na escolha das drogas anti-hipertensivas (MANO, 1994).
Segundo Matsuda & Matsuda apud Araujo et alli (2007), a atividade física é
importante no controle do peso e gordura corporal, podendo contribuir na prevenção e
controle de algumas condições clinica associado a estes fatores, como doenças
cardiovasculares, diabetes, hipertensão, AVC, artrite, apnéia do sono, prejuízo da
mobilidade.
O profissional de educação física programa e supervisiona as atividades físicas
dos pacientes, adequando-as às realidades locais e às características específicas de cada
um. Bem como planeja e executa projetos de atividade física para prevenção da
hipertensão arterial (V DBHA, 2006).
2.3. DIABETES MELLITUS (DM)
2.3.1. Definições
O diabetes é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia
e associadas a complicações, disfunções e insuficiência de vários órgãos, especialmente
olhos, rins, nervos, cérebro, coração e vasos sangüíneos (BRASIL, 2006).
Para Campos (2001), o diabetes mellitus é uma disfunção do metabolismo de
carboidratos, caracterizada pelo alto índice de açúcar no sangue (hiperglicemia) e
presença de açúcar na urina (glicosúria). Corroborando Alves (2007) caracteriza o DM
pelo aumento da glicose (açúcar) no sangue e consequentemente na urina.
O Diabetes Mellitus (DM) é um distúrbio ou um grupo de distúrbios metabólicos
caracterizado por defeitos na secreção e/ou ação da insulina, ou ainda na incapacidade
do organismo de utilizar ou “queimar a glicose” (ACSM, 2003; ALVES, 2007).
2.3.2. Fisiopatologia
No Diabetes tipo I as células beta, células que secretam insulina do pâncreas são
destruídas. Esta destruição pode ser causada pelo sistema imunológico, pelo aumento da
suscetibilidade a viroses pelas células beta ou pela degeneração destas células. Isto leva
a uma deficiência acentuada na secreção de insulina, obrigando seu portador a utilização
diária de injeções de insulina para sua sobrevivência (CAMPOS, 2001; LERARIO,
1998).
No DM tipo II, o aparecimento da doença é gradual e é causado por três
principais anormalidades do metabolismo: Secreção de insulina retardada ou
prejudicada; ação prejudicada da insulina nos tecidos (resistência à insulina); e
produção excessiva de glicose pelo fígado (CAMPOS, 2001).
Faz parte do mecanismo fisiopatológico um grau de deficiência de secreção de
insulina e a absorção de carboidratos de ação rápida, levando à hiperglicemia pósprandial (TAMBASCIA & COELHO, 1998).
De acordo com Campos (2001), indivíduos com DM tipo I têm baixo nível de
insulina sanguínea devido à inabilidade ou reduzida habilidade do pâncreas em produzir
insulina. São também, propensos à hipoglicemia durante ou imediatamente depois do
exercício, porque o fígado falha em liberar glicose na mesma proporção que a sua
utilização.
Já o problema no DM tipo II não está relacionado à falta de secreção de insulina
mas à falta de resposta das células alvo à ação da insulina (resistência à insulina). De
acordo com Tambascia & Coelho (1998), o DM do tipo 2 constitui a forma mais
freqüente de diabetes e representa mais de 90% dos casos diagnosticados atualmente no
mundo. No Brasil, a prevalência é de 7,6% para indivíduos entre 30 e 69 anos de idade.
Alves (2007) apresenta a mensuração da glicemia como a maneira mais simples
de diagnosticar o Diabetes Mellitus.
A tabela abaixo relaciona as taxas de glicemia ao diabetes.
Tabela 1-Valores de referência para glicemia-jejum (mínimo 8 horas).
________________________________________________________
Classificação Glicose (mg/dl)
Normal até 110
Elevado >110 a <126
Diabetes ≥126
________________________________________________________
Fonte: MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002.
2.3.3. Causas
O DM pode resultar de defeitos de secreção e/ou ação da insulina envolvendo
processos patogênicos específicos, por exemplo, destruição das células beta do pâncreas
(produtoras de insulina), resistência à ação da insulina, distúrbios da secreção da
insulina, entre outros (BRASIL, 2006).
Segundo Campos (2001), o diabetes mellitus se desenvolve quando há uma
produção inadequada de insulina pelo pâncreas ou utilização inadequada de insulina
pelas células do corpo.
A deficiência em utilizar ou produzir a insulina é resultante da ausência parcial
ou total de insulina produzida pelo pâncreas. Sabemos que a maior parte dos alimentos
que ingerimos é transformada em glicose (açúcar) para que seja utilizada como energia
por nosso organismo. A insulina ajuda a glicose a entrar nas células do corpo (ALVES,
2007).
Segundo a ACSM (2003), a maioria dos casos de diabetes enquadra-se em duas
amplas categorias etiopatogênicas. Em uma categoria (diabetes tipo I), a causa é uma
deficiência absoluta na secreção de insulina. Na outra categoria, que é muito mais
prevalente (diabetes tipo II), a causa é uma combinação de resistência à ação da insulina
e de resposta compensatória inadequada à secreção de insulina.
Conforme Correia (1996) existe dois tipos de Diabetes:
Diabetes Mellitus insulino-dependente (DMID): Caracteriza-se pela ausência
relativa ou absoluta de insulina, provocada por um distúrbio auto-imune no qual as
células beta do pâncreas (que a produzem) são destruídas seletivamente; e Diabetes
Mellitus não insulino-dependente (DMNID): É essencialmente uma doença de adultos
que, apesar de produzirem insulina, tem uma resistência à sua ação a nível periférico.
Por isto caracteriza-se por produção excessiva de insulina, hiperglicemia e raros
episódios de cetoacidose.
E o diabetes tipo 2 que possui um fator hereditário maior que o tipo 1. Além
disso, há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Estima-se que 60% a
90% dos portadores da doença sejam obesos. E a incidência é maior após os 40 anos.
Uma peculiaridade é a contínua produção de insulina pelo pâncreas. O problema está na
incapacidade de absorção das células musculares e adiposas. Por muitas razoes as
células não conseguem metabolizar a glicose suficiente da corrente sanguínea. Esta é
uma anomalia chamada de “resistência insulínica”. Como a insulina não é utilizada de
forma necessária pelas células ocorre então o aumento da taxa de glicose no sangue
(ALVES, 2007).
Correia (1996), afirma que os fatores causais mais comuns são os genéticos, o
uso de medicações (esteróides, diuréticos, etc.), a gravidez e doenças associadas
(insuficiência renal, hepática, obesidade). A obesidade aumenta os níveis de insulina e
diminui a concentração de receptores periféricos.
2.3.4. Conseqüências
O diabetes mellitus está associado ao desenvolvimento de complicações como
retinopatia, nefropatia e neuropatia, assim como à alta prevalência de doença arterial
coronariana, doença vascular periférica e doença arterial cerebrovascular, sendo o
infarto agudo do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC) as principais causas de
mortalidade entre os pacientes com diabetes mellitus do tipo 2 (TAMBASCIA &
COELHO, 1998).
Conforme Alves (2007), ocorre um aumento na quantidade de urina (poliúria)
por ação osmótica, sede intensa (polidipsia) e emagrecimento (uso de gordura como
energia pela impossibilidade de usar a glicose). Segundo o mesmo autor, quando o
individuo tem diabetes, seu organismo, ou não consegue fabricar insulina suficiente, ou
não pode utilizar sua própria insulina muito bem.
Vieira (2007), afirma que se uma pessoa não produz insulina ou receptores
celulares, ou se a ação insulínica está diminuída (devido a sua pouca concentração ou
diminuição do número de receptores celulares), a glicose, não podendo entrar na célula
e ser consumida, acumula-se no sangue promovendo o aumento da taxa de glicose
plasmática (Hiperglicemia) acima dos níveis de normalidade (70 a 110 mg/dl).
Corroborando, Correia (1996), diz que o diabetes mellitus trata-se de uma doença
crônica de etiologias diversas, representada por hiperglicemia (aumento de glicose no
sangue), decorrente de uma deficiência relativa ou absoluta de insulina, seja a nível de
sua produção pancreática ou resistência à sua utilização periférica.
Conforme Vieira (2007) há a extrapolação do limiar renal da glicose (a partir ±
160 mg/dl de glicemia) e a sua liberação na urina (Glicosúria). Devido à hiperglicemia
há perda osmótica de água a nível tubular renal, promovendo perda excessiva de urina
(Poliúria), o que induz um processo de desidratação, levando ao diabético a beber água
exageradamente (Polidipsia).
A ausência de glicose intracelular induz o fígado à neoglicogênese (produção de
glicose através de precussores não glicídicos). Há, também, a mobilização dos ácidos
graxos do tecido adiposo para produzir energia necessária ao metabolismo celular. A
glicemia aumenta cada vez mais e o paciente começa a emagrecer (por queima dos
depósitos de lipídios dos adipócitos) e sentir fraqueza (por falta de energia). Esses
fenômenos levam a pessoa a sentir fome intensa (Polifagia), o que vai aumentar ainda
mais os níveis de hiperglicemia (VIEIRA, 2007).
Para Vieira (2007), a queima de gorduras para produzir energia gera um
subproduto (Corpos Cetônicos), que são eliminados pela respiração, dando um hálito
com cheiro adocicado (Hálito Cetônico) e pela urina (Cetonúria). O caráter ácido dos
corpos cetônicos é responsável pela queda acentuada do pH sanguíneo, que acarretará
conseqüências danosas ao equilíbrio ácido-básico, podendo levar, inclusive, o paciente a
morte, associado a outras complicações clínicas envolvidas no processo.
Segundo a ACSM (2003), hiperglicemia crônica do diabetes está associada com
dano a longo prazo, disfunção e falha de vários órgãos, especialmente os olhos, os rins,
os nervos, o coração e os vasos sanguíneos.
Em conseqüência do diabetes, vários órgãos ou funções podem ser afetados ao
longo dos anos.
Sistema neurológico – neuropatia periférica – diminuição da sensibilidade ao
tato nas extremidades; neuropatia autonômica – impotência, retenção urinária,
distúrbios intestinais e hipotensão ortostática;
Alterações visuais – retinopatia, glaucoma e cataratas;
Distúrbios cardiovasculares – aterosclerose prematura, podendo causar infarto,
angina, acidente vascular cerebral e morte súbita; dislipidemias;
Problemas renais – nefropatia diabética, podendo evoluir para insuficiência
renal;
Maior predisposição às infecções;
Problemas sociais – dificuldade de aceitação da doença pelo paciente ou
familiares;
Adequação tratamento x estilo de vida (viagens, exercícios e lazer);
Vida afetiva (atividade sexual, gravidez e hereditariedade);
Convivência no trabalho ou escola.
De acordo com Lerario (1998) o Diabetes Mellitus (DM) é a causa mais
freqüente de cegueira, amputações de membros inferiores e uma das principais causas
de catarata, insuficiência e transplantes renais, bem como diálise e insuficiência
vascular periférica e doenças coronarianas.
2.3.5. Epidemiologia
Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), o número de
portadores da doença em todo o mundo era de 177 milhões em 2000, com expectativa
de alcançar 350 milhões de pessoas em 2025. No Brasil são cerca de seis milhões de
portadores, a números de hoje, e deve alcançar 10 milhões de pessoas em 2010.
De acordo com Chacra & Lerario (1998), em 2010 teremos 240 milhões de
pessoas com diabete do tipo 2 no mundo. Corroborando com este, Alves (2007), afirma
que o Diabetes Mellitus (DM) acomete cerca de 10 milhões de indivíduos só no Brasil,
são diagnosticados cerca de 500 casos todos os dias.
Estima-se que, em 1995, atingia 4,0% da população adulta mundial e que, em
2025, alcançará a cifra de 5,4%. Tendo a concentração de casos na faixa etária de 45-64
anos (BRASIL, 2006).
Conforme Brasil (2006), são 4 milhões de mortes por ano relativas ao diabetes e
suas complicações. Barroso et alli. (2003), estima que 4 de cada 5 portadores de DM
tipo II irão morrer de doenças cardiovasculares.
A expectativa de vida é reduzida em média em 15 anos para o diabetes tipo 1 e
em 5 a 7 anos na do tipo 2; os adultos com diabetes têm risco 2 a 4 vezes maior de
doença cardiovascular e acidente vascular cerebral ; é a causa mais comum de
amputações de membros inferiores não traumática, cegueira irreversível e doença renal
crônica terminal. Em mulheres, é responsável por maior número de partos prematuros e
mortalidade materna (BRASIL, 2006).
Alves (2007), ressalta que o diabetes mellitus tipo I, também chamado de
insulino-dependente, é caracterizado pela destruição das células produzidas pelo
pâncreas, as que produzem insulina, e acomete cerca 5-10% da população. Enquanto
que o DM tipo II atinge cerca de 90-95% da população, e 2,5 a 4% das mulheres
grávidas. Corroborando com essa pesquisa Vieira (2007), descobriu que de cada 100
pessoa pelo menos 6 ou 7 tem a doença. No Brasil estima-se que 5,6% da população
seja diabética, sendo que, quase a metade não o sabe. Das pessoas próximas aos 65 anos
17% são diabéticas e essa percentagem se eleva a 26% aquelas em torno de 85 anos,
constituindo-se um dos grandes desafios de saúde pública nos países em pleno
desenvolvimento sócio-econômico.
Crepaldi et al. (2005), calcula que em 2025, possam existir cerca de 11 milhões
de diabéticos no Brasil.
No quadro abaixo podemos observar os quatro estados brasileiros com maior
número de diabéticos cadastrados no Programa de Atenção Básica, através do
HIPERDIA no período de janeiro de 2007 a janeiro de 2008.
Nº de Diabéticos
Tipo 1
Fem
Tipo 2
UF
Total
SP
6.437
801
849
2.294
MG
4.399
682
775
1.296
BA
3.164
310
391
1.005
MA
1.893
203
271
577
Masc
Masc
Fem
2.493
1.646
1.458
842
O estado que apresenta o maior número de diabéticos do Brasil é São Paulo,
provavelmente isto se dê pelo quantitativo populacional, o estado aparece com 6.437
casos da doença. Minas Gerais vêm em segundo, com 4.399 casos, seguida da Bahia e
Maranhão, com 3.164 e 1.893 casos respectivamente. Rondônia ocupa o 19º lugar no
ranking brasileiro de estados com o maior índice de diabéticos cadastrados no
HIPERDIA, exibindo um quantitativo de 484 indivíduos portadores do DM.
No quadro a seguir podemos observar quantitativo de Diabéticos cadastrados no
Sistema HIPERDIA entre os anos de 2003 a 2007, no município de Porto Velho, capital
do estado.
N. de Diabéticos
Ano
Município
Tipo 1
Tipo 2
Total
Masc.
Fem.
Masc.
Fem.
2003
187
13
17
62
95
2004
147
14
18
56
59
60
09
09
21
21
2006
60
14
09
14
23
2007
107
22
28
20
37
2005
Porto
Velho
561
72
81
173
235
Total
Entre 2003 e 2007 só em Porto Velho, foram cadastrados 561 pacientes com
diabetes mellitus. Destes, o maior índice ocorreu em 2003, com quase 200 casos e em
2004 com quase 150 casos. Em 2005 e 2006, houve um abate de mais de 50%, sendo
cadastrados 60 casos em cada ano. Já em 2007, novamente elevou-se, apresentando 107
cadastros da doença. Dos 561 casos do diabetes, quase 73% são do tipo 2 da doença.
Apenas 153 cadastros, aproximadamente 27% dos casos, são do tipo 1.
Segundo Brasil (2006), mundialmente, os custos diretos para o atendimento ao
diabetes variam de 2,5% a 15% dos gastos nacionais em saúde. O diabetes representa
também carga adicional à sociedade, em decorrência da perda de produtividade no
trabalho, aposentadoria precoce e mortalidade prematura.
2.3.6. Aspectos Preventivos e Terapêuticos
Para Tambascia & Coelho (1998), os objetivos do tratamento do diabetes são a
eliminação dos sinais e sintomas decorrentes da hiper ou hipoglicemia, a melhora da
qualidade de vida e a prevenção ou redução de todas as complicações crônicas. O
tratamento consiste na adesão a um programa de orientação alimentar e na prática
regular de atividades físicas. Se essas atitudes não atingirem controle adequado, faz-se
necessária a introdução de tratamento medicamentoso.
As drogas disponíveis para o tratamento do DM tipo 2, incluem os Secretagogos
de insulina, como as Sulfoniluréias, responsáveis pelo aumento da secreção de insulina
endógena após a ligação com o receptor específico na célula beta. Essa droga pode ser
de primeira, segunda ou terceira geração, a diferença entre esses compostos está no
tempo de ação e metabolização. Existem também os Sensibilizadores de insulina, que
agem melhorando a ação insulínica, reduzindo a produção de glicose e retardando a
absorção de carboidratos. E os Inibidores das alfaglicosidases, que agem retardando a
transformação de dissacarídeos e polissacarídeos em monossacarídeos e sua absorção
entérica, reduzindo a hiperglicemia e a hiperinsulinemia pós-prandial, pois diminui a
secreção de insulina e com o tempo pode também diminuir a glicemia em jejum
(TAMBASCIA & COELHO, 1998).
As necessidades calóricas do diabético são as mesmas para os indivíduos da
mesma faixa etária não diabéticos. Apenas aqueles que se encontram acima do peso
ideal devem ser submetidos à dieta hipocalórica. A perca de peso não deve ultrapassar
900g por semana. Os diabéticos que estão 20% acima do peso ideal têm uma taxa de
mortalidade 2,5 a 3 vezes acima da média da população e, os que estão 40% acima do
peso ideal, de 5,2 a 7,9 vezes a média da população (CORREIA, 1996).
Conforme Oliveira et al (2002), o exercício físico regular melhora as condições
do diabético, facilitando a captação periférica da glicose e o metabolismo de glicogênio,
proteínas, etc.
A contração muscular tem um efeito análogo à insulina, pois aumenta a
permeabilidade da membrana celular. Assim, o exercício diminui a resistência e
aumenta a sensibilidade à insulina. Isto promove a diminuição da necessidade celular de
insulina e, conseqüentemente, das drogas exógenas via injeções ou medicamento via
oral (CAMPOS, 2001).
2.3.7. Diabéticos com Hipertensão
Muitos pacientes hipertensos, obesos ou não, apresentam resistência à insulina.
Uma relação entre os níveis de glicemia de jejum e a pressão arterial diastólica tem sido
demonstrada, pois a insulina pode aumentar a pressão arterial devido à maior retenção
de sódio e ao aumento da atividade nervosa simpática (MAGALHÃES & CHAGAS,
1998).
De acordo com Mano (1994), a associação destas patologias multiplica o risco
de morbidade cardiovascular em relação ao risco de um não diabético em pelo menos 2
vezes. A associação de DM chega a 7% da população hipertensa, 50% dos óbitos
relacionados a diabetes são de origem cardiovascular.
A redução da PA em pacientes diabéticos com alto risco cardiovascular produz
redução da mortalidade total, dos óbitos por AVC, dos eventos cardiovasculares e do
infarto do miocárdio e diminui a progressão da doença renal associada ao diabetes
(MANO, 1994).
Abaixo podemos observar os quatro estados brasileiros com maior número de
diabéticos com Hipertensão cadastrados no Programa de Atenção Básica, através do
Sistema HIPERDIA no período de janeiro de 2007 a janeiro de 2008.
UF
Nº de Diabéticos com Hipertensão
Total
Masc
SP
29.008
10.911
MG
23.628
7.732
BA
14.465
4.280
PR
10.038
3.748
Fem
18.097
15.896
10.185
6.290
Através do quadro acima podemos notar que mais uma vez, São Paulo aparece
em primeiro lugar, neste como o estado com o maior número de cadastros de diabéticos
com hipertensão arterial, apresentando pouco mais de 29 mil pessoas. Em segundo vem
Minas Gerais, com 23.628 cadastrados, seguida de Bahia, com 14.465 cadastros e
Paraná, com 10.038 cadastros efetuados em um único ano. Em Rondônia, tivemos 7.739
cadastros de janeiro de 2007 a janeiro de 2008, ocupando 16º lugar entre os estados com
maior número de diabéticos com hipertensão. Na seqüência, podemos observar o
número de Diabéticos com Hipertensão cadastrados no Hiperdia entre os anos de 2003 a
2007 na capital, Porto Velho.
Ano
Município
N. de Diabéticos com Hipertensão
Total
Masc.
Fem.
2003
1.377
490
887
2004
643
214
429
273
98
175
2006
254
93
161
2007
466
195
271
3.013
1.090
1.923
2005
Porto Velho
Total
Porto Velho manifestou em 2003 cerca de 1.400 casos de diabéticos com
hipertensão arterial. Desde então, esse número tem declinado. Em 2004, passou a 643
casos, em 2005 para 273 e em 2006 para 254. Porém em 2007, este número voltou a
crescer, atingindo quase 500 casos. Somando-se, temos mais de 3.000 casos da doença
contabilizados até o ano de 2007.
2.4. BENEFÍCIOS DA ATIVIDADE FÍSICA
Os benefícios proporcionados por programas de atividade física sistematizadas
tem sido bastante documentado na literatura. O exercício físico é tido como um dos
processos biológicos mais complexos dos organismos vivos (TAVARES et al., 1989).
A atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pela
musculatura esquelética, que resulte em gasto energético (Pitanga, 2005). Essa atividade
pode proporcionar maior aptidão física, aumentando a capacidade dos sistemas do nosso
organismo (coração, pulmões, vasos sanguíneos e músculos). Assim, o corpo se ajusta
de maneira a tornar-se mais eficiente na execução das atividades diárias e na resistência
a doenças.
A aptidão física, segundo Nahas (2001) é de suma importância para a vida, pois
inclui elementos considerados fundamentais para uma vida ativa, com menos riscos de
doenças hipocinéticas (obesidade e doenças cardiovasculares, entre outras) e perspectiva
de uma vida mais longa e autônoma.
Conforme Wilmore & Costill (2001), a maioria das pessoas se consideram
saudáveis, até que aparecem sinais de doença e, grande parte da população não tem
consciência de que o processo patológico está progredindo até que ele cause
complicações. E Wilmore & Costill ainda complementam dizendo que a detecção
precoce e o tratamento adequado de várias doenças podem reduzir sua gravidade e, mais
importante que reduzir os fatores de risco de uma doença, é impedi-la ou retardar seu
início, mantendo hábitos alimentares adequados; praticando exercícios físicos
regularmente; evitando o uso de tabaco e outras drogas; consumindo álcool
moderadamente, quando o fizermos; repousar e dormir adequadamente; e melhorar a
capacidade de administrar o estresse.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), nas próximas décadas, serão
as doenças crônicas que, dentre as afecções não comunicáveis, ocuparão a liderança das
causas de incapacidades.
Entre as principais doenças crônico-degenerativas encontradas atualmente,
destacam-se a hipertensão e o diabetes.
2.4.1. Atividade Física e Hipertensão
O interesse em relação aos efeitos do exercício na hipertensão arterial não é
recente. Em 1958, autores encontraram níveis de pressão arterial tanto sistólica como
diastólica significativamente menores em trabalhadores braçais, quando comparados
com valores obtidos em indivíduos sedentários. Além dos efeitos na regulação por meio
do “centro cardiovascular” localizado no bulbo, a atividade física também controla a
pressão arterial pela diminuição do estresse e da ansiedade que comumente dificultam o
controle pressórico (SMANIO & MASTROCOLLA, 2005).
De acordo com Cooper (1991), o exercício aeróbio regular – como corrida,
ciclismo e natação – é um dos meios mais efetivos para aqueles que enfrentam algum
risco de problemas com a hipertensão.
A prática regular de exercícios físicos é recomendada para a redução da pressão
arterial, do risco de doenças coronarianas, acidentes vasculares cerebrais (AVC) e
mortalidade geral (V DBHA, 2006).
Diversos estudos tem verificado que o treinamento físico é capaz de diminuir a
pressão arterial de indivíduos hipertensos. No entanto deve-se atentar para a adequação
do treinamento físico para essa finalidade, ou seja, quais as características do
treinamento físico que ampliam seu efeito hipotensor. Têm sido demonstrado que o
treinamento físico diminui significativamente a pressão arterial de repouso, em média
na ordem de 10 mmHg, tanto da pressão sistólica quanto da diastólica, nos casos de
HAS leve (MANO, 1994).
Filho et al. (2005), descobriu várias pesquisas que demonstram os benefícios da
atividade física. Entre elas destaco a de Fagard, que em 44 estudos randomizados e
controlados (n = 2.674), Fagard avaliou a relação exercício e pressão arterial em
repouso, encontrando redução da média da pressão sistólica (3,4 mmHg em geral; 2,6
mmHg em normotensos; 7,4 mmHg em hipertensos) e da pressão diastólica (2,4 mmHg
em geral; 1,8 mmHg em normotensos; 5,8 mmHg em hipertensos). Não houve relação
entre magnitude da redução e freqüência, duração e intensidade do exercício. E a
pesquisa de Kokkinos e Papademetriou que relatam reduções de 10 mmHg na pressão
sistólica e de 7,5 mmHg na pressão diastólica com treinamento.
A Organização Mundial da Saúde promoveu uma pesquisa de grande alcance
que coletou dados de 36 países e mostrou que, em adultos com idades variando entre 35
e 64 anos, a prevalência de hipertensão em indivíduos do sexo masculino e feminino,
respectivamente, variou de 6,3% e 3,6% na Espanha a 42,4% e 34,5% na Finlândia.
Doze dessas comunidades apresentavam taxas de prevalência de hipertensão arterial
maiores que 30% para o sexo masculino, enquanto para o sexo feminino apenas quatro
comunidades demonstraram esses mesmos porcentuais, reforçando os achados de que,
em relação ao sexo, as pressões são mais elevadas nos homens até os 45 anos e que,
após essa idade, o número de mulheres hipertensas é maior (BRANDÃO et al., 2003).
O exercício tem importante papel na promoção do bem-estar físico e psíquico,
sendo sua prática atualmente divulgada e encorajada em todas as faixas etárias. A
pressão arterial é alterada favoravelmente, devido a redução das cifras tensionais em
repouso (DAHER et al., 2005).
Conforme Filho et al. (2005), a atividade física traz benefícios à saúde, reduz a
morbidade e a mortalidade coronárias e restringe a atuação dos fatores de risco. Em
hipertensos, registraram-se reduções de 7,4 mmHg-10 mmHg na pressão sistólica e de
5,8 mmHg-7,5 mmHg na pressão diastólica.
O exercício físico regular aeróbico promove modificações importantes no
sistema nervoso autônomo, induzindo principalmente a redução do tônus simpático, o
que determina a redução da pressão arterial. Indivíduos fisicamente treinados têm menor
incidência de hipertensão arterial e quando esta ocorre em geral é de forma branda. A
atividade física regular pode tanto prevenir como tratar a hipertensão arterial
(DIOGUARDI et al., 2005).
2.4.2. Atividade Física e Diabetes
Para Correia (1996), o paciente diabético, de uma maneira geral, beneficia-se
com o controle de peso e com a atividade física regular e moderada. Conforme os tipos
de diabetes.
DMID – segundo Correia (1996), estes pacientes possuem menor reservatório de
glicogênio no fígado e músculos esqueléticos, o que resulta em menor resistência aos
exercícios aeróbios em comparação com os demais indivíduos. O fato de não
aumentarem a secreção de insulina após a atividade física e a baixa reserva de
glicogênio propiciam o desenvolvimento de hipoglicemia durante e até 6 a 14 horas
após o exercício. Diante do exposto, recomenda-se à prática de esportes individuais tais
como o ciclismo, a corrida e a natação, onde as distancias, o tempo e o gasto energético
podem ser previstos, permitindo ajuste da dose de insulina e oferta calórica.
DMNID – Para Correia (1996), nesses pacientes, a atividade física contribui
para o controle da glicemia, pois diminui a resistência periférica à insulina, além de
aumentar a sua fixação e produção endógena. Nestes casos, a ocorrência de
hipoglicemia é rara, porém os ajustes da dose dos hipoglicemiantes orais, se usados,
podem ser necessários. Não devemos esquecer que boa parte destes pacientes são
obesos, sedentários e avessos aos exercícios.
A atividade física proporciona a diminuição da taxa glicêmica, redução da ansiedade e
da depressão melhora da ação da insulina, melhora da sensibilidade celular à insulina e
diminuição dos fatores de risco de doenças coronarianas, entre outros (CANCELLIÉRI, 2007).
A atividade física melhora o controle da glicose sanguínea; melhora a
sensibilidade periférica à insulina; melhora o perfil lipídico; ajuda no controle da
hipertensão, se associada; auxilia na perda de peso e/ou manutenção do mesmo;
melhora a aptidão física, a sociabilização e melhoria da qualidade de vida (CORREIA,
1996).
Filho et al. (2005), salienta que o exercício aumenta a sensibilidade à insulina,
diminui a produção hepática de glicose e reduz a hiperglicemia pós-prandial e a
obesidade; e afirma que o efeito é independente, porém potencializado pela perda de
peso.
Em nove estudos incluindo indivíduos com diabetes do tipo II submetidos a
treinamento (n = 337), Filho et al. (2005), observou a redução da Hgb A1c de 0,5% a
1%. No “Diabetes Prevention Program”, o exercício (caminhada de 6 milhas/semana –
593 kcal/semana, para indivíduo de 70 kg) e a redução do peso (4 kg) preveniram o
diabetes do tipo II em indivíduos de alto risco durante 2,8 anos (58%, mudança de estilo
de vida vs. 31%, uso de metformina).
O tratamento do DM pode ser realizado por meio de modificações dietéticas,
perda de peso ou uso de drogas antidiabéticas orais. Outro fator de prevenção e auxilio
no tratamento da Diabete e da diminuição das complicações associadas, é o exercício
físico que contribui com uma melhor qualidade de vida ao diabético. Atuando
preventivamente quando da implantação de um programa de exercício físico, dieta sã e
equilibrada, assistência médica, educação do paciente e da equipe sanitária (CREPALDI
et al., 2005).
Os indivíduos diabéticos, em geral apresentam doenças associadas tais como:
hipertensão, dislipidemia, obesidade (tipo II), doença isquêmica do coração, pode-se
dizer que o exercício físico regular além de contribuir para melhora do estado
glicêmico, diminui sobremaneira os fatores de risco relacionados as doenças
cardiovasculares (CREPALDI et al., 2005).
Para Costa & Netto apud Crepaldi et al. (2005), os benefícios dos exercícios
físicos podem ser demonstrados através do aumento da concentração das enzimas
glicolíticas e oxidativas, aumentando a capacidade do músculo esquelético em produzir
energia com menor cetose, aumenta também a ação da insulina e hipoglicemiantes orais.
Após o término da atividade, a musculatura continua captando glicose mais
eficientemente, com o objetivo de recompor o glicogênio muscular e hepático, bem
como recuperar o organismo, podendo ocorrer hipoglicemias até 48h após o término do
exercício (Cancelliéri,
2007).
Os efeitos de treinamento na musculatura esquelética,
podem ser visto com aumento da força e da resistência física, representando assim uma
contribuição significativa no controle da diabetes, bem como uma melhora na
capacidade de trabalho. Os benefícios do exercício regular em diabéticos incluem a
redução da perda da massa óssea (osteoporose), aumenta o fluxo sangüíneo muscular e a
circulação de membros inferiores; contribui na redução de peso, bem como na
manutenção do peso normal e da massa muscular, se o exercício for associado a uma
dieta hipocalórica (CREPALDI et al., 2005).
2.5. O PROFISSIONAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA
Bocha & Beresford apud Araujo et alli (2007) consideram que a Educação
Física vem estudando o ser homem em um contexto de cultura corporal de múltiplas
possibilidades, na prática de atividades físicas sistematizadas e direcionadas, para a
educação, desporto, estética e saúde, entre outras.
A Educação Física no Brasil é compreendida como um caminho de
desenvolvimento de estilos de vida ativos nos brasileiros, para que possa contribuir para
a Qualidade de Vida da população, sem distinção de qualquer condição humana e sem
perder de vista a formação integral de crianças, jovens, adultos ou idosos (CREF, 2007).
O profissional de Educação Física é responsável por desenvolver os mais
diversos aspectos do ser humano; psicológico, biológico e sociocultural. Segundo Leite
(2000), o Professor de Educação Física é o único educador que age sobre os fatores
biológicos, destacando-se dos demais educadores.
O Profissional de Educação Física é especialista nas diversas manifestações do
movimento humano, favorecendo o desenvolvimento da saúde através da educação.
Leite (2000) destaca entre os objetivos do Profissional de Educação Física, os
de proporcionar ao aluno condições para: O desenvolvimento psicomotor; a melhoria
da aptidão física; a aquisição e o aprimoramento de padrões motores; a consolidação de
hábitos higiênicos; o despertar da criatividade, do espírito comunitário, e do senso
moral e cívico.
Promover a saúde e a boa forma, preocupando-se com a correção da postura e
buscando melhorar o desempenho cardiorrespiratório e muscular através de
planejamento adequado de exercícios de acordo com o perfil de cada indivíduo é,
conforme Silva (2004), o principal objetivo do profissional de Educação Física.
Compete ao Profissional de Educação física dominar todas as técnicas e
habilidades necessárias à elaboração, execução e avaliação dos programas de atividades
físicas para os vários segmentos de atuação profissional. Buscando com visão crítica e
social, identificar as deficiências do meio em que está inserido, podendo alterar a
atmosfera de sua comunidade e seus habitantes.
De acordo com o Conselho Federal de Educação Física – CONFEF, a prescrição
de atividades físicas necessita da orientação de um Especialista do Exercício, e o
Educador Físico é o profissional mais capacitado para exercer atividades por meio de
intervenções, de avaliação, de prescrição e orientação de sessões de atividades físicas
com fins educacionais, de treinamento, de prevenção de doenças e promoção da saúde
(MONTEIRO, 2006).
O CONFEF (2002) coloca que o Profissional de Educação Física é especialista
em atividades físicas, nas suas diversas manifestações - ginásticas, exercícios físicos,
desportos, jogos, lutas, capoeira, artes marciais, danças, atividades rítmicas, expressivas
e acrobáticas, musculação, lazer, recreação, reabilitação, ergonomia, relaxamento
corporal, ioga, exercícios compensatórios à atividade laboral e do cotidiano e outras
práticas corporais -, tendo como propósito prestar serviços que favoreçam o
desenvolvimento da educação e da saúde, contribuindo para a capacitação e/ou
restabelecimento de níveis adequados de desempenho e condicionamento fisiocorporal
dos seus beneficiários, visando à consecução do bem-estar e da qualidade de vida, da
consciência, da expressão e estética do movimento, da prevenção de doenças, de
acidentes, de problemas posturais, da compensação de distúrbios funcionais,
contribuindo ainda, para consecução da autonomia, da auto-estima, da cooperação, da
solidariedade, da integração, da cidadania, das relações sociais e a preservação do meio
ambiente, observados os preceitos de responsabilidade, segurança, qualidade técnica e
ética no atendimento individual e coletivo.
O CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO em seu Art. 3º, afirma:
“A Educação Física é uma área de conhecimento e de
intervenção acadêmico-profissional que tem como objeto de
estudo e de aplicação o movimento humano, com foco nas
diferentes formas e modalidades do exercício físico, da
ginástica, do jogo, do esporte, da luta/arte marcial, da dança,
nas perspectivas da prevenção de problemas de agravo da
saúde, promoção, proteção e reabilitação da saúde, da
formação cultural, da educação e da reeducação motora, do
rendimento
físico-esportivo,
empreendimentos
do
relacionados
lazer,
às
da
gestão
atividades
de
físicas,
recreativas e esportivas, além de outros campos que
oportunizem ou venham a oportunizar a prática de atividades
físicas, recreativas e esportivas”.
É papel do Educador Físico avaliar as condições dos pacientes, fazer uma
anamnese, elaborar um programa de atividades acessíveis ao grupo e assim realizar o
seu trabalho de forma permanente e eficaz, visando sempre à melhoria da qualidade de
vida (ALVES, 2007).
Os profissionais de educação física que atuam em locais que desenvolvem
programas de aptidão física relacionados à promoção da saúde e bem-estar devem
conhecer os princípios científicos que norteiam a avaliação física e a prescrição de
exercícios. Os resultados dos testes de aptidão física são utilizados para planejar
cientificamente programas de exercícios de acordo com necessidades, interesses e
capacidades individuais dos clientes (BRASIL, 2005).
Nas universidades os acadêmicos são preparados para atuarem na área da saúde
preventiva e terapêutica. Sejam em academias, clubes, escolas, hotéis ou empresas.
Como podemos verificar abaixo, o currículo acadêmico agrega disciplinas como
fisiologia do exercício, atividade física e saúde, e ginástica de academia.
GRADE CURRICULAR DO CURSO DE EDUCAÇÃO FÍSICA
RESOLUÇÃO 323 - CONSEPE - 25/10/1999
1º
2º
3º
Língua
Portuguesa
Filosofia
Anatomia
Fisiologia
Técnica de
Recreação
Geral
Pesquisa
Escolar
Fisiologia do
Exercício
História e
Evolução da
E.F.
Metodologia
do Atletismo
Biologia
Bioquímica
Formação
Caracterização
Rítmica do
Profissional da
Movimento
E.F.
Bioestatística
Psicologia da
Aplicada
Educação
Socorros de
Sociologia
Urgências e
Higiene
Psicomotricidade
Legislação,
4º
Biomecânica
Futebol de
do Exercício
Campo
G.R.D.
Educação e
Gestão
Didática
Educação Física
Infantil
Escolar
5º
Cineantropometria
6º
Voleibol
Natação
Org.
Marketing
Elab. de Proj.
Didática
Educação Física
e Pesquisa
Aplicada
do Adolescente
Handebol
Recreação
Basquetebol
Adminis. da
Esportivo
comunitária
E.F.
7º
8º
Ginástica de
Academia
Educação
Prática de Ensino I
Atividade Física e Saúde
Física
Especial
Prática de Ensino II
Futebol de
Ginástica
Salão
Olímpica
Trabalho de Conclusão de Curso
O curso também oferece 3 atividades complementares. A primeira no 2º período,
a segunda no 7º período e a terceira no 8º período. Estas buscam como o próprio nome
já diz, complementar a formação destes profissionais, são disciplinas como avaliação
postural e ginástica corretiva, psicologia do esporte, hidroginástica, nutrição, entre
outras.
Todas estas disciplinas servem de base para o bom desenvolvimento da
profissão, seja do âmbito da Educação Física Escolar, ou do âmbito da Educação Física
para a Saúde.
O profissional de educação física sempre foi um ser atuante ao longo da história
do país, apesar de sua aprovação como profissão regulamentada só ter ocorrido ao final
do século XX. Porém, sua atuação começou a ser reconhecida e até de certa forma
valorizada já no final do século XIX quando Rui Barbosa, no ano de 1882, solicitava a
inclusão da ginástica nos programas escolares assim como também a equiparação dos
seus professores aos de outras disciplinas. Partindo deste momento histórico ocorreu
toda a evolução do educador físico no Brasil até chegar ao ano de 1998 quando,
finalmente, foi regulamentada a profissão de educação física no país (SILVA, 2004).
O professor de Educação Física deve estar preparado para orientar a
aprendizagem de seus alunos, formando cidadãos reflexivos, de criativos e de
pensamento crítico. O professor é um formador de opiniões e deve ser um exemplo para
seus alunos.
Durante esse processo de ensino-aprendizagem, o relacionamento professoraluno é um ponto indiscutivelmente importante. O professor de Educação Física, tem a
função de fazer com que o aluno possa vivenciar o maior número e variedade de
atividades motoras, aumentando seu desenvolvimento.
Nos últimos anos, o Brasil vem implantando políticas de inclusão social que têm
expressões concretas nas áreas sociais do Governo, especialmente nas de Saúde e de
Educação. Vários programas vêm sendo implantados no intuito de melhorar a formação
profissional e atender as necessidades do mercado de trabalho.
Em novembro de 2005 o Ministério da Saúde em parceria com o Ministério da
Educação e a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde,
elaborou o Programa Nacional de Reorientação da Formação Profissional em Saúde
(Pró-Saúde).
O Pró-Saúde tem a perspectiva de que os processos de reorientação da formação,
responda as necessidades concretas da população brasileira que dependem do
atendimento do SUS. Esta iniciativa visa à aproximação entre a formação de graduação
no país e as necessidades da atenção básica.
Para que o Sistema Único de Saúde (SUS), ofereça atendimento adequado à
população, é necessário que os profissionais que atuam nesse âmbito sejam capazes de
oferecer a assistência necessária. Para tanto, o Pró-Saúde em parceria com as
Instituições de Educação Superior (IES), buscam implantar ações voltadas à melhoria da
formação profissional. Dessa forma, inicialmente três cursos foram contemplados:
medicina, enfermagem e odontologia.
As IES vem cada vez mais buscando qualificar profissionais para o trabalho nos
serviços de saúde através da oferta de vagas em cursos de pós-graduação em áreas
estratégicas e/ou carentes de profissionais qualificados para o SUS.
Recentemente, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, através da Portaria
nº 154, de 24 de janeiro de 2008, criou os Núcleos de Apoio à Saúde da Família –
NASFs, com os objetivos de ampliar a abrangência e o escopo das ações no setor da
saúde e de incrementar os serviços oferecidos pelo governo.
As atribuições dos NASFs estão baseadas em ações de promoção da saúde
destinadas a garantir condições de bem-estar físico, mental e social. Os Núcleos deverão
ser constituídos por equipes multidisciplinares compostas por profissionais de diferentes
áreas. Dentre os profissionais responsáveis pela condução e coordenação dos NASFs
está o Profissional de Educação Física; Médico Acupunturista; Assistente Social;
Farmacêutico;
Fisioterapeuta;
Fonoaudiólogo;
Médico
Ginecologista;
Medico
Homeopata; Nutricionista; Medico Pediatra; Psicólogo; Medico Psiquiatra; E Terapeuta
Ocupacional.
E voltando a falar da qualificação profissional para atuar nos serviços de Saúde,
o Centro de Estudo e Pesquisa em Saúde Coletiva (CEPESCO) criou o projeto de
Residência Multiprofissional em Saúde da Família (RMSF), com o objetivo de capacitar
os profissionais que atuam na saúde (enfermeiros, odontólogos, psicólogos,
nutricionistas, educadores físicos e assistentes Sociais) para atuar de forma
interdisciplinar e resolutiva, além de fornecer subsídios para a realização de pesquisas
no âmbito do SUS, desenvolvendo capacidades de analisar e propor ações visando
alcançar a integralidade, a universalidade e a equidade na atenção à saúde com
participação social.
Este projeto refere-se ao curso de pós-graduação Lato Sensu - Residência
Multiprofissional em Saúde da Família (RMSF), implantado pelo Centro de Estudo e
Pesquisa em Saúde Coletiva (CEPESCO) do Departamento de Enfermagem (DENF) da
Universidade Federal de Rondônia (UNIR), visa promover a construção e
aprofundamento de conhecimentos e técnicas de trabalho na estratégia de Saúde da
Família, formando especialistas multiprofissionais. E tem com vista à qualificação dos
profissionais de saúde que trabalham na atenção básica. Através de iniciativas que
propiciem melhorias em relação à gestão, à formação e ao desenvolvimento do trabalho no
SUS.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante dos resultados obtidos, podemos observar o grande número de indivíduos
portadores de Hipertensão Arterial e/ou Diabetes Mellitus, em Porto Velho, em
Rondônia e no Brasil. Levando-se em consideração que alguns municípios não
abastecem o sistema de cadastros HIPERDIA, e que muitos portadores das patologias
em questão são atendidos na rede privada de saúde ou ainda nem sabem que são
portadores de tais doenças, é possível que estes números de casos das doenças possam
chegar ao dobro ou mais de hipertensos, diabéticos e diabéticos com hipertensão.
É possível afirmar que entre os cadastrados, o maior número de hipertensos e/ou
diabéticos são mulheres. Provavelmente pelo fato de os homens existirem em menor
número populacional e ainda pela repudia em procurar atendimento médico.
A hipertensão apresenta quantitativos mais preocupantes em relação ao diabetes,
o índice de hipertensos é exorbitantemente maior que o de diabéticos. O exercício físico
tem apresentado significativos benefícios aos indivíduos portadores de HAS e/ou DM.
Estudos revelaram que indivíduos sistematicamente ativos apresentam diminuição da
pressão arterial, redução da sensibilidade insulínica e do risco cardiovascular, bem
como redução da morbimortalidade.
Estes resultados destacam o importante papel do profissional de educação física
no programa de atenção básica a hipertensão e ao diabetes para a prevenção e
terapêutica de inúmeras enfermidades, como a HAS e o DM entre outras doenças
crônicas degenerativas.
Visto que o governo federal através do ministério da saúde instituiu o
profissional de educação física como parte integrante da equipe multiprofissional de
saúde atuante junto à equipe de Saúde da Família, observa-se a importância do mesmo
na Atenção Básica à Hipertensão e ao Diabetes, como responsável pela promoção à
saúde pública por meio de ações de prevenção e terapêutica das mesmas.
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