CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – UNICEUB FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – FACS CURSO: ENFERMAGEM Daniel Guimarães SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA IDADE Brasília, DF Outubro/2007 É concedida ao Centro Universitário de Brasília (UNICEUB) permissão para reproduzir cópias somente para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva outros direitos de publicação e nenhuma parte desta monografia pode ser reproduzida sem autorização por escrito do mesmo. _________________________________ Daniel Guimarães [email protected] Daniel Guimarães Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentada como requisito parcial para a conclusão do 9º semestre do Curso de Enfermagem do Centro Universitário de Brasília UniCEUB.Orientadora: Prof. Nílvia Jaqueline Reis Linhares Brasília, DF Outubro/2007 Daniel Guimarães Brasília, 1 de novembro de 2007 Nome: Professora MSc. Nílvia Jaqueline Reis Linhares Coordenadora do Curso Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB) ------------------------------------------------------Assinatura Professora de Monografia Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB) ------------------------------------------------------Assinatura Professora do Curso de Enfermagem Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB) ------------------------------------------------------Assinatura Dedicatória Dedico a realização deste trabalho a minha Mãe Matildes Guimarães dos Santos, que com o seu exemplo profissional me fez ver a grandeza da Enfermagem; ao Dr. João Herculino, Reitor e amigo (In memoriam), ao meu filho Luan Ariel, que na sua inocência da primeira infância entendeu minha ausência; a todos me assistiram eu crescer com essa graduação em ENFERMAGEM. Agradecimentos Agradeço a realização desta pesquisa em primeiro lugar a “DEUS”. A minha orientadora Nílvia Jaqueline Reis Linhares pela paciência e intensa colaboração que me dispensou no decorrer do trabalho. Aos demais Professores que na minha companhia estiveram nessa caminhada do saber. A todos meus amigos do Posto Médico do Uniceub. Aos meus irmãos, e aos muitos amigos que conquistei e aos já existentes pela força na idealização deste importante passo. Resumo Este trabalho tem como objetivo principal conhecer os fatores que influenciam na saúde e na qualidade de vida dos idosos, discutindo as políticas públicas para o idoso, analisando a expectativa de vida do idoso no Brasil, além de avaliar as condições sociais e as relações entre terceira idade e qualidade de vida. Este estudo propõe conhecer e discutir aspectos da qualidade de vida na terceira idade, entretanto não se pretende esgotar o assunto, e sim concebê-lo como um ponto de partida para novos estudos e atitudes para os idosos. Esse estudo foi realizado no período de agosto a outubro de 2007. Inicialmente procedeu-se o levantamento de dados bibliográficos, em revistas especializadas, em artigos científicos e consultas à internet, no período compreendido entre 1990 e 2006. Assim, foi possível constatar, hoje em dia, que os idosos são a parcela da população que mais cresce e que esse é um fenômeno que vem ocorrendo nos últimos anos na maioria das sociedades do mundo, especialmente em países desenvolvidos. Palavras-chave: enfermagem – saúde do idoso – qualidade de vida Abstract This work had as main objective to know some aspects that influence in healthy and quality of life of age people, discussing public healthy for aged people, analyzing expectative of life in Brazil, besides to valuate social conditions and its relation to age people and quality of life. This study proposes to know and discuss quality of life in third age however it is not intention to exhaust the subject but concept it like a point of starting to new studies. That study was accomplished in the period from August to October. First, it was made a review in some magazines, papers and articles on internet, in the period comprehended between 1990 and 2006. This way, it was possible to conclude that nowadays that aged people are the part of population in increasing and that aspect is world phenomenon specially in developed countries. Key-words: nursery – age people healthy – quality of life Sumário INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 10 2 JUSTIFICATIVA........................................................................................................ 15 3 OBJETIVOS .............................................................................................................. 17 3.1 Geral.................................................................................................................... 17 3.2 Específicos ......................................................................................................... 17 4 METODOLOGIA ....................................................................................................... 18 5 REFERENCIAL TEÓRICO ..................................................................................... 19 5.1 Alguns Conceitos e Terminologias................................................................. 19 5.2 Alguns Aspectos do Envelhecimento da População Brasileira ................. 20 5.3 A Assistência ao Idoso e as Políticas de Saúde.......................................... 24 5.4 A Qualidade de Vida na Terceira Idade ........................................................ 29 5.5 O Profissional de Enfermagem e o cuidado ao Idoso................................. 34 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................... 38 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 40 10 INTRODUÇÃO Saúde na velhice e o idoso saudável, entre outros assuntos, têm suscitado diversas pesquisas nas Ciências da Saúde. Nesta perspectiva, discute-se que o envelhecimento proporciona limites maiores ao indivíduo, mas isso não significa que o idoso tenha que se abster de tudo, trabalho, sexo, vida social, lazer. Diante disso, a adaptação frente a uma fase nova da vida é a maior dificuldade encontrada pelos idosos. Em todo o mundo, à medida que os anos vão passando, é cada vez maior o número de idosos. O fenômeno está relacionado a vários fatores, como a queda no número de nascimentos e o aumento da expectativa de vida, além do desenvolvimento tecnológico (ZIMERMAN, 2000). No Brasil a situação não é diferente e pouco a pouco o mito de que somos um país de jovens vai sendo derrubado. O envelhecimento da população é um dos maiores triunfos da humanidade e também um dos nossos grandes desafios. De acordo com Shoueri Jr. et al (1994), a população idosa brasileira vem aumentando desde a década de 1950, quando apenas 4% dos brasileiros tinham mais de 60 anos. Prevê-se que em 2025 teremos 7,5 por cento da população brasileira com mais de 60 anos de idade e ainda, que esta será a sexta maior população idosa do mundo, com cerca de 32 milhões. Diante desses dados, parece haver uma necessidade de novos olhares para os idosos, de uma forma a que se comece a pensar em como melhorar essa fase da vida. 11 Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (2005), os países podem custear o envelhecimento se os governos, as organizações e a sociedade civil implementarem políticas e programas de envelhecimento ativo que melhorem a saúde, a participação e a segurança dos cidadãos mais velhos. De acordo com Pires et al (2002, p. 2), “com o declínio gradual das aptidões físicas, o impacto do envelhecimento e das doenças, o idoso tende a ir alterando seus hábitos de vida e rotinas diárias por formas de ocupação pouco ativas”. Para Matsudo (1997), com o envelhecimento, acontece um fenômeno que se torna um círculo vicioso, pois, à medida que a idade aumenta, o indivíduo torna-se menos ativo, suas capacidades físicas diminuem, começa a aparecer o sentimento da velhice, o qual, por sua vez, pode causar estresse, depressão e levar a uma diminuição da atividade física e, conseqüentemente, à aparição de doenças crônicas, por si só contribuindo para o envelhecimento. De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS, apud Weineck, 1991) o indivíduo idoso classifica-se na faixa etária do homem mais velho, estando entre 61 a 75 anos. Meinel & Schnabel (2001) fazem uma classificação dos indivíduos quanto à idade, segundo o rendimento motor, enquadrando o indivíduo idoso, como estando na quarta idade adulta; acima de 60/70 anos em diante, quanto ao envelhecimento biológico a faixa etária relativa ao idoso é a de 60 a 74 anos. De outro modo, a literatura traz a classificação de envelhecimento em várias ordens, criando várias divergências, mas existe um consenso de que, acima dos 45 anos, o indivíduo está sujeito ao início de várias limitações negativas, tanto biológicas quanto psicológicas e sociais. 12 De outro modo, estas alterações podem acarretar numa redução no desempenho físico, na habilidade motora, na capacidade de concentração, de reação e de coordenação. Além disso, estes aspectos podem gerar processos de autodesvalorização, apatia, insegurança, perda da motivação, isolamento social e solidão, devido à inatividade e a má adaptação com relação ao envelhecimento (OLIVEIRA, 1996, p.14). Contudo, é bom lembrar que a condição física do envelhecimento depende da interação de vários fatores: condição psicológica, estilo de vida, constituição genética e os elementos do meio em que se vive. Para Pikunas (1990), no envelhecimento biológico, praticamente, todos os sistemas do corpo se deterioram, tanto na eficiência estrutural quanto na funcional, marcados por uma faixa metabólica mais baixa, que torna mais lento o intercâmbio de energia dentro do organismo, assim, seus recursos para autoexpressão comportamental vão sendo gradualmente reduzidos. Considerando os aspectos biológicos, Weineck (1991) aponta inúmeros sinais do envelhecimento, dentre outros, tais como: a diminuição da altura causada pela diminuição dos discos vertebrais; o aumento da curvatura vertebral; o aumento do tecido conjuntivo e adiposo; alterações da pele; esbranquiçamento e queda dos cabelos. Além das mudanças biológicas e das transformações psicológicas que ocorrem no íntimo de cada um, o envelhecimento transforma, também, as relações do indivíduo com o meio social. Para Rosa (1993), com o envelhecer, as funções sociais do homem se tornam mais reduzidas, quer por escolha pessoal ditada por suas próprias limitações físicas, quer sobre tudo por pressões da própria sociedade. A pessoa idosa, talvez na maioria dos casos, começa a formar de si mesma uma 13 imagem negativa, resultante de um conjunto de idéias e atividades vindas da sociedade. Desse modo, a certa altura da vida, o indivíduo começa a sentir-se velho, significando que ele já não é mais o que costumava ser, passando a ter várias limitações impostas pelo envelhecimento, vem paralelamente à aposentadoria, que atrapalha financeira, psicológica e socialmente a estrutura do idoso. Para muitos a velhice é sinônimo de doença e fraqueza, e que tanto o vigor físico como a saúde jamais estará à sua disposição. Motta (1990) afirma que os possíveis indicadores do envelhecimento social são: a progressiva diminuição dos contatos sociais; o distanciamento social; a progressiva perda de poder de discussão; o progressivo esvaziamento dos papéis sociais; a gradativa perda de autonomia e independência, alterações nos processos de comunicação, entre outros. O equilíbrio psicológico também se torna mais difícil na velhice, pois a longa história da vida acentua as diferenças individuais. Devido ao isolamento social, idosos desenvolvem ansiedade, depressão e insônia, que podem levar ao enfarte, além de alterações de valores e atitudes, aumento do entusiasmo e diminuição da motivação (RAWCHBACK, 1990). Para Silva (1994), a diminuição do prestígio social, a angústia e o temor da morte, além do sentimento de inutilidade, de medo de converter-se numa carga para a família e para a sociedade, as modificações fisiológicas, são fatores que aceleram o processo de envelhecimento, levando as pessoas a entregarem ao abandono de si próprias. Assim, a idéia de que, a partir de determinada idade, certas atividades não devem ser desfrutadas, é uma concepção que tende a ser superada em 14 relação às constantes modificações sociais, uma vez que, a expectativa de vida das pessoas, atualmente, tem aumentado muito, aumentando, com isso, a necessidade de se repensar as questões que envolvem a qualidade de vida. Portanto, o envelhecimento em nível mundial causará um aumento das demandas sociais e econômicas em todo o mundo. Porém, as pessoas da terceira idade ainda são, geralmente, ignoradas como recurso, quando, na verdade, são fundamentais para a estrutura das nossas sociedades. 15 2 JUSTIFICATIVA Esta pesquisa se justifica pela necessidade ainda de se preparar uma cultura para a qualidade de vida, vista a grande quantidade de enfermidades que acometem a população brasileira em virtude do estresse cotidiano e de políticas públicas voltadas para a qualidade de vida na terceira idade. Este tema, em particular me desperta interesse, devido minha participação em várias atividades em asilos no DF, possuo convicção da importância e da necessidade de se atender com atenção esta parte da população, pois ela é responsável por grande parte do crescimento do nosso conhecimento. O aumento das pesquisas direcionadas ao tema envelhecimento está associado a um aumento gradativo das pessoas com mais de 60 anos de idade. De acordo com Lorda (1990), em 1950, havia 200 milhões de pessoas com mais de 60 anos no mundo. Em 1975, o número aumentou para 350 milhões. Atualmente, os brasileiros com mais de 60 anos chegam a ocupar 7,3% da população, e as previsões apontam que, em 25 anos, chegarão a 15% e que o quantitativo mundial para o ano de 2025 será em torno de 16 milhões de pessoas com mais de 65 anos, correspondendo a 7,64% da população estimada em 212 milhões de pessoas. (IBGE CENSO 2000) O crescimento da população idosa gera importantes repercussões sociais, econômicas e culturais, chamando a atenção da população para este fenômeno. Todas as pesquisas mostram um acréscimo na expectativa média de vida da população em geral, tendo em vista esse crescimento, faz-se 16 necessário um conhecimento mais apurado com relação a essa parte da população pelo profissional de enfermagem: “Uma velhice tranqüila é o somatório de tudo quanto beneficie o organismo, como esporte, alimentação, família, saúde e qualidade de vida” (PIRES et al. 2002, p.2). Por outro lado, para os idosos a presença de uma limitação física, seja ela causada por uma doença ou resultante de uma cirurgia mutiladora representa um risco para a sua autonomia, principalmente quando esta limitação gera a dependência na realização das atividades da vida diária. Com o desenvolvimento da geriatria e da gerontologia e das pesquisas em diferentes áreas, estas têm demonstrado que os idosos têm potencial para enfrentar diferentes situações na vida, como a doença, a reabilitação, a limitação física, entre outras. De acordo com Silva (2003), o envelhecimento humano é um fenômeno complexo, com dimensões objetivas e subjetivas, construídas cultural e historicamente. O bem estar da pessoa na velhice depende mais de fatores sociais e ambientais do que determinações genéticas. A partir desta compreensão das especificidades e vulnerabilidades do idoso será possível valorizá-lo e melhor assisti-lo, tanto no contexto social quanto no contexto institucionalizado, preparando as pessoas para um envelhecer de modo equilibrado ou com melhor qualidade de vida (FRAGA & DAMASCENO, 1990). Portanto, compreender o envelhecimento torna possível desvendar um universo de possibilidades à assistência à pessoa idosa, contribuindo também com educadores e profissionais da área de saúde, permitindo um re-pensar sobre o idoso e o seu envelhecimento. 17 3 OBJETIVOS 3.1 Geral • Conhecer os fatores que influenciam na saúde e na qualidade de vida dos idosos. 3.2 Específicos • Discutir aspectos da qualidade de vida na terceira idade bem como as políticas públicas para o idoso e o papel do profissional de enfermagem neste contexto; • Analisar a expectativa de vida do idoso no Brasil, avaliando as condições sociais e as relações entre terceira idade e qualidade de vida. 18 4 METODOLOGIA Utilizar-se-á a revisão bibliográfica para o alcance dos objetivos propostos. Sobre esse método de pesquisa Gil (2002, p. 61) alerta que este é um processo bastante complexo e, por isso, logo após a escolha do tema, sugere um levantamento bibliográfico preliminar. Recorreu-se, desse modo, à pesquisa bibliográfica: A pesquisa bibliográfica é passo decisivo em qualquer pesquisa científica, uma vez que elimina a possibilidade de se trabalhar em vão, de se despender tempo com o que já foi solucionado. O êxito nos estudos depende em grande parte da leitura que o estudioso realiza. A leitura feita segundo regras elementares favorece a tomada de notas, de apontamentos, a realização de resumos e o estudo propriamente dito (MEDEIROS, 2004, p. 51). Desse ponto de vista, a pesquisa deve se constituir num procedimento formal para a aquisição do conhecimento sobre a realidade que nos cerca (MEDEIROS, 2004). Esse estudo foi realizado no período de agosto a outubro de 2007. Inicialmente procedeu-se o levantamento de dados bibliográficos, em livros e revistas especializadas, em artigos científicos, consultas à internet, e Relatórios Estatísticos do IBGE; cabe salientar que a tabulação de dados estatísticos é demorada, o CENSO de 2000 ainda não está finalizado; no período compreendido entre 1990 e 2006, para em seguida construir o texto monográfico. Assim, buscou-se um levantamento de informações e esclarecimentos, sobre o tema por meio das palavras-chave: gerontologia, saúde do idoso, humanização e cuidado. 19 5 REFERENCIAL TEÓRICO 5.1 Alguns Conceitos e Terminologias Para este estudo, alguns conceitos e terminologias devem ser esclarecidos, com base em Néri (2001) e Veras (1997): CUIDADOR: é a pessoa, membro ou não da família, que, com ou sem remuneração, cuida do idoso doente ou dependente no exercício das suas atividades diárias, tais como alimentação, higiene pessoal, medicação de rotina, acompanhamento aos serviços de saúde e demais serviços requeridos no cotidiano – como a ida a bancos ou farmácias –, excluídas as técnicas ou procedimentos identificados com profissões legalmente estabelecidas, particularmente na área da enfermagem. ENVELHECIMENTO: a maioria dos autores o conceitua como uma etapa da vida em que há um comprometimento da homeostase, isto é, do equilíbrio do meio interno, o que fragilizaria o indivíduo, causando uma progressiva vulnerabilidade do indivíduo perante uma eventual sobrecarga fisiológica. ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL: é o processo de envelhecimento com preservação da capacidade funcional, autonomia e qualidade de vida. GERIATRIA: é o ramo da ciência médica voltado à promoção da saúde e tratamento de doenças e incapacidade na velhice. GERONTOLOGIA: termo criado por Matchnicoff em 1903. É o campo multi e interdisciplinar que trata da descrição e 20 explicação das mudanças típicas do processo do envelhecimento e de seus determinantes genéticos, psicológicos e sócio-culturais. Interessa-se, também, pelo estudo das características dos idosos, bem como das várias experiências de velhice e envelhecimento que ocorrem em diferentes contextos sócio-culturais e históricos. Abrange aspectos do envelhecimento normal e patológico, compreende a consideração dos níveis atuais de desenvolvimento e do potencial para o desenvolvimento. IDOSO: a Organização das Nações Unidas, desde 1982, considera idoso o indivíduo com idade igual ou superior a 60 anos. No Brasil, a Lei nº. 8.842/94, já acompanhava a ONU e mais tarde o Estatuto do Idoso, manteve essa mesma faixa etária. QUALIDADE DE VIDA: é um evento que tem múltiplas dimensões, é multideterminado, diz respeito à adaptação de indivíduos e grupos humanos, em diferentes épocas e sociedades, e, assim, sua avaliação tem como referência diversos critérios. Avaliar a Qualidade de Vida consiste em comparar as condições disponíveis com as desejáveis. (Néri, 2001). Todas as dimensões de avaliação da Qualidade de Vida são afetadas, em maior ou menor grau, por valores e expectativas individuais e coletivas, o que originou investigações em torno de indicadores subjetivos. 5.2 Alguns Aspectos do Envelhecimento da População Brasileira Desenha-se em nosso país um novo perfil demográfico, caracterizado pelo aumento da participação dos idosos, e ainda não conhecido da população e de parte dos dirigentes e planejadores de saúde, em cujo imaginário está 21 presente apenas o velho estereótipo do Brasil como o país do futuro (VERAS, 1994). Por outro lado, a atenção à saúde do idoso requer intervenções caras e tecnologia complexa, que possibilitem o acompanhamento e a prevenção das seqüelas associadas às doenças crônico-degenerativas (CAMARGO & YAZAKI, 1996). Diante de demandas sociais quase sempre superiores à capacidade de investimento do setor público, há que se recorrer a soluções criativas que maximizem os efeitos dos investimentos públicos. Devido às diferenças acentuadas existentes entre regiões, Estados e municípios precisam ser incorporadas ao processo de planejamento e avaliação de serviços e programas de saúde, sob pena de não se atingir os melhores resultados possíveis com os recursos disponíveis (CAMARGO & SAAD, 1990). Entretanto, o envelhecimento da população brasileira, ao contrário do que ocorre nos países centrais, não se dá de forma homogênea em todas as regiões do país. Todos estes fatos refletem na longevidade da população das diferentes regiões do país. Segundo Veras (1994, p 33): Antes de descrever algumas características da população idosa, é necessário que não se perca de vista as complexidades desta faixa etária em um país como o Brasil. Todas as coortes de sobreviventes foram de alguma forma selecionadas econômica, social e etnicamente, entre outros aspectos da população de um modo geral. Os atuais sobreviventes são um grupo particular, e isto deve ser lembrado quando da consideração dos dados. De outro modo, o aumento da população e o seu envelhecimento colocam para toda a sociedade inúmeros problemas para o próximo milênio, como atesta Moreira (1997, p. 8): (...) esta questão apresenta-se como um problema de enorme seriedade, configurada, entre outras coisas, pela falta de hospitais geriátricos, pela subtração dos leitos hospitalares e pela falta de profissionais de saúde especializados em Geriatria e Gerontologia. Por outro lado, a incidência dos quadros crônico-degenerativos, que 22 atingem principalmente este segmento populacional, demandam internações mais freqüentes e maior uso de medicamentos (muitas das vezes impossíveis de serem obtidos, tendo em vista as aposentadorias aviltantes que impedem a aquisição de produtos farmacêuticos). Podemos acrescentar ainda, a falta de uma política de saúde voltada para a prevenção, com explicações claras para a população das conseqüências que determinados hábitos, como o fumo, o álcool, a ingestão de gorduras e o sedentarismo poderão acarretar em idade posterior, ou seja, das possíveis doenças que poderão se manifestar oriundas deste modo de vida.(...) Conforme Camargo & Saad (1990), a pessoa é considerada idosa perante a sociedade a partir do momento em que encerra as suas atividades econômicas e o indivíduo passa a ser visto como idoso, quando começa a depender de terceiros para o cumprimento de suas necessidades básicas ou tarefas rotineiras, entretanto essa discussão ainda terá outros desdobramentos e toda a sociedade deve se responsabilizar por mudança de cultura e postura diante da pessoa idosa. Apesar disso, a questão da longevidade vinha sendo desconsiderada pela legislação (até a criação da Lei 8842/94) e pelas pessoas em geral. Pois a maioria da população ainda os julga incapazes de participar ativamente da sociedade, associando sempre velhice à falta de lucidez e capacidade física. Hoje, depois da aposentadoria, as pessoas ainda são capazes, o que os faz cada vez mais procurar outras formas de ocupação, segundo a OMS (1999 apud MATSUDO, 2001, p. 17). Nessa perspectiva, FRANCISCO (2006) discute fatores relevantes do envelhecimento, em diversos aspectos, trazendo dados recentes: (...) O envelhecimento é um fenômeno mundial, resultado da diminuição progressiva das taxas de fecundidade e mortalidade e do aumento da expectativa de vida. O grupo de idosos, no Brasil e em países em desenvolvimento, segundo a OMS, é constituído por pessoas a partir dos 60 anos. Dentre desse grupo, a população que mais rapidamente cresce são os denominados idosos em velhice avançada (80 anos e mais) cujas demandas específicas ainda são desconhecidas em nosso meio. O envelhecimento pode ser acompanhado por um declínio funcional progressivo que pode estar associado a quadros de dependência responsáveis por demandas assistenciais específicas. A dependência em si constitui o maior temor dos idosos. Assim, conhecer os fatores preditores do alcance das idades mais longevas com independência funcional torna-se primordial e constitui o objetivo desse estudo que é parte do Estudo 23 SABE - Saúde Bem-estar e Envelhecimento na América Latina e Caribe. Esse estudo, realizado no ano 2000, foi coordenado pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e desenvolvido simultaneamente em sete países da dessa região com o objetivo de traçar as condições de vida e saúde dos idosos aí residentes. No Brasil, foi desenvolvido na zona urbana do Município de São Paulo com uma amostra de 2.143 idosos representativa da população residente na região no período. Para o desenvolvimento desse estudo, foi utilizada a parcela dos idosos com 80 anos e mais que foi subdividida segundo seu estado funcional. Trata-se de uma pesquisa descritiva e exploratória. Do total dos idosos em velhice avançada, 9,9% eram funcionalmente independentes nas atividades de vida diária, básicas e instrumentais. Desses 66,4% eram mulheres, 33,6% eram homens, 75% eram nascidos no Brasil, 25,6% eram analfabetos e 63,1% estudaram entre 1e 6 anos, 10,1% ainda trabalhavam. Quanto ao estado marital, 71,1% eram viúvos e 26,5 % eram casados; 53,6% viviam sozinhos e a maioria (68,6%) tiveram pais que faleceram com 80 anos ou mais. Com relação a renda 38% se enquadravam no primeiro quintil, no entanto, 44,1% referiram que a renda era suficiente. Quanto aos hábitos de vida, 43,2% praticavam atividade física, 41,6% praticavam atividades de lazer, 70,4% nunca beberam e 68,9% nunca fumaram. Em relação às condições de vida e saúde na infância, 47,7% referiram que saúde e 35,2% boas condições econômicas. Quanto ao estado de saúde atual, 63,5% referiram ter saúde excelente, 43,5% referiram a presença de HAS, 34,7% de DPOC e de 7,3% DM e 95,1% apresentavam capacidade cognitiva preservada. Quanto a assistência à saúde, 81,2% referiam ter procurado por assistência médica nos doze meses anteriores à entrevista sendo que 83,8% referiram uma ou duas consultas. Quanto a história laboral 50,2% trabalharam como empregados e 37,3% como autônomos. Entre as mulheres 50% referiram ter trabalhado porque gostavam e 85% dos homens porque necessitavam. 97,5% deles sentiram-se capacitados para realizar os testes de flexibilidade e mobilidade. Essa variáveis foram submetidas à analise multivariada através da Regressão Logística, utilizando-se um nível de interesse, sendo submetidas à analise univariada, mostrando-se significantes diabetes referida, companhia e atividade física. Essas variáveis foram agrupadas e submetidas à análise múltipla de forma a constituir o modelo do estudo. Os testes estatísticos mostraram que a presença da diabetes diminui por um fator de 0.14 vezes o odds para não ter dificuldades nas ABVDs e/ou AIVDS. Viver acompanhado diminui esse risco por um fator de 0.15. Não praticar atividade física diminui os odds para não ter dificuldade de 0.13 vezes. Apesar dos idosos conseguirem chegar na velhice avançada sem incapacidades, o estudo mostrou que poucos são fatores que possam influenciar neste processo. Pode ser porque estes fatores já tenham feito diferença entre os idosos mais “jovens”, mas com a idade avançada, os “muito velhos” tendem a igualar estas diferenças. (FRANCISCO 2006, p 2125) De outro modo, a velhice pode ser vista por dois lados como apogeu de uma vida ou como a decadência do indivíduo. Na antiguidade, os seres humanos já reclamavam das conseqüências que o tempo faz em nós. 24 O filósofo egípcio Ptah Hotep, no ano 2.500 a.C. lamentava-se “Quão penosa é a vida de ancião! Vai dia a dia enfraquecendo, a visão baixa, seus ouvidos se tornam surdos, a força declina, o corpo não encontra repouso, a boca se torna silenciosa e não fala”. E conclui o velho egípcio: “a velhice é a pior desgraça que pode acontecer a um homem!” (MEIRELES, 1997, p.13). Na idade moderna, com a ascensão da burguesia, o velho passou a ganhar um maior espaço para existir. Adquiriu uma importância particular porque se encarnou a unidade e a permanência da família, através dos bens materiais acumulados: é o tempo do individualismo burguês, que é à base do capitalismo (MEIRELES, 1997, p. 14). Para Beauvoir (1970, p. 54): “a condição das pessoas idosas é hoje escandalosa”. A sociedade fecha os olhos, não apenas para o velho, mas para deficientes, jovens delinqüentes e a criança abandonada. A visão hegemônica em nossa sociedade coloca os “velhos e as crianças” fora do mundo do poder. Ainda de acordo Beauvoir (1970, p. 55), “Não existe reciprocidade no olhar extraordinário que a sociedade lança sobre o velho, o que o asila como um morto em liberdade condicional”. MEIRELES (1997, p. 23) afirma que: “A sociedade só se preocupa com indivíduo na medida em que este rende...”. 5.3 A Assistência ao Idoso e as Políticas de Saúde Silvestre (2003) observa que a característica da assistência à saúde dos idosos, na prática, permanece até hoje concentrada na lógica biomédica, no atendimento médico individual. O modelo assistencial ainda está fortemente marcado pela abordagem intrahospitalar, associada a uma utilização irracional dos recursos tecnológicos 25 existentes, apresentando cobertura e resolutividade baixas e com elevado custo. O quadro de desigualdades sociais, as disparidades regionais, as diferenças quanto ao acesso ao saneamento básico, a infra-estrutura dos serviços e equipamentos sociais de suporte são fatores preponderantes nas análises das políticas sociais voltadas à população e impõe desafios. Do ponto de vista de saúde pública, a capacidade funcional surge como um novo conceito para instrumentalizar e operacionalizar uma política de atenção à saúde dos idosos (Gordilho et al.; 2000). No Brasil, em 1900, a expectativa de vida ao nascer era de 33,7 anos; nos anos 40 era de 39 anos; nos anos 50, aumentou para 43,2 anos e, na década de 60, era de 55,9 anos. De 1960 a 1980, essa expectativa ampliou-se para 63,4 anos, isto é, foram acrescidos vinte anos em três décadas, segundo revela o Anuário Estatístico do Brasil de 1982 (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística/Fundação IBGE). De 1980 ao ano 2000, ao aumento estimado se situa em torno de cinco anos, ocasião em que cada brasileiro, ao nascer, tem a esperança de vida de 68 anos e meio. As projeções para o período de 2000 a 2025 permitem supor que a expectativa média de vida do brasileiro estará próxima de 80 anos, para ambos os sexos (KALACHE et al, 1990). Paralelamente a esse aumento na expectativa de vida, tem sido observado, a partir da década de 60, um declínio acentuado da fecundidade, levando a um aumento importante da proporção de idosos na população brasileira. Envelhecer sem nenhuma doença crônica é antes exceção do que regra. No entanto, a presença de uma doença crônica não significa que o idoso não possa gerir sua própria vida e viver o seu dia-a-dia de forma independente. A maior parte dos idosos é, na verdade, absolutamente capaz de decidir sobre 26 seus interesses e de se organizar, sem necessidade de ajuda de quem quer que seja. De acordo com os mais modernos conceitos gerontológicos, esse idoso que mantém sua autodeterminação e prescinde de qualquer ajuda ou supervisão para agir no seu cotidiano deve ser considerado um idoso saudável, ainda quando portador de uma ou mais de uma doença crônica: Decorre daí o conceito de capacidade funcional, ou seja, a capacidade de manter as habilidades físicas e mentais necessárias a uma vida independente e autônoma. Do ponto de vista da saúde pública, a capacidade funcional surge como um novo conceito de saúde, mais adequado para instrumentalizar e operacionalizar a atenção à saúde do idoso. Ações preventivas, assistenciais e de reabilitação devem objetivar a melhoria da capacidade funcional ou, no mínimo, a sua manutenção e, sempre que possível, a recuperação desta capacidade, uma vez perdida pelo idoso. Trata-se, portanto, de um enfoque que transcende o simples diagnóstico e tratamento de doenças específicas. A promoção do envelhecimento saudável e a manutenção da máxima capacidade funcional do indivíduo que envelhece pelo maior tempo possível – foco central da Política – significa a valorização da autonomia e da autodeterminação e a preservação da independência física e mental do idoso. Tanto as doenças físicas quanto as mentais podem levar à dependência e, consequentemente, à perda da capacidade funcional. Na análise da questão relativa à reabilitação da capacidade funcional, é importante reiterar que a grande maioria dos idosos desenvolve, ao longo da vida, alguma doença crônica, decorrente da perda contínua da função de órgãos e sistemas biológicos. Essa perda de função pode ou não levar a limitações funcionais que, por sua vez, pode gerar incapacidades, conduzindo, em última instância, à dependência da ajuda de outrem ou de equipamentos específicos para a realização de tarefas essenciais à sobrevivência no dia-a-dia. Os custos gerados por essa dependência são tão grandes quanto o investimento de dedicar um membro da família ou um “cuidador” para ajudar continuamente a uma pessoa que, muitas vezes, irá viver mais 10 ou 20 anos, requerendo uma atenção que, não raro, envolve leitos hospitalares e institucionais, procedimentos diagnósticos caros e sofisticados, bem como o consenso freqüente de uma equipe multiprofissional e interdisciplinar, capaz de fazer frente à problemática multifacetada do idoso (GORDILHO ET AL, 2001). Dentro desse contexto é que são estabelecidas novas prioridades dirigidas a esse grupo populacional, que deverão nortear as ações em saúde para este século e milênio. Ainda de acordo com Gordilho et al (2001), o crescimento demográfico da população idosa brasileira exige a preparação adequada do país para 27 atender às demandas das pessoas na faixa etária de mais de 60 anos de idade. Essa preparação envolve diferentes aspectos, desde a adequação ambiental e o provimento de recursos materiais e humanos capacitados, até a definição e a implementação de ações de saúde específicas. Acrescente-se, por outro lado, a necessidade da sociedade entender que o envelhecimento de sua população é uma questão que extrapola a esfera familiar e, portanto, a responsabilidade individual, alcançando o âmbito público, compreendido neste âmbito o Estado, as organizações não-governamentais e os diferentes segmentos sociais. Nesse sentido, a Política Nacional de Saúde do Idoso tem como propósito basilar a promoção do envelhecimento saudável, a preservação e/ou a melhoria, ao máximo possível da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde daqueles que adoecem e a reabilitação daqueles que venham a ter a sua capacidade funcional restringida de modo a garantir-lhes permanência no meio em que vivem exercendo de forma independente suas funções na sociedade (GORDILHO ET AL, 2001). O esforço conjunto de toda a sociedade implica o estabelecimento de uma articulação permanente que, no âmbito do SUS, envolvendo a construção de uma contínua cooperação entre o Ministério da Saúde e as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. Entre os hábitos saudáveis apontados por Gordilho et al (2001), deverão ser destacados, por exemplo, a alimentação adequada e balanceada; a prática regular de exercícios físicos; a convivência regular estimulante; e a busca, em qualquer fase da vida, de uma atividade ocupacional prazerosa e de mecanismos de atenuação do estresse. Em relação aos hábitos nocivos, merecerão destaque o tabagismo, o alcoolismo e a automedicação. Tais temas serão objeto de processos educativos e informativos continuados, em todos os níveis de atuação do SUS, com a utilização dos 28 diversos recursos e meios disponíveis, tais como: distribuição de cartilhas e folhetos, bem como o desenvolvimento de campanhas em programas populares de rádio; veiculação de propagandas na televisão; treinamento de agentes comunitários de saúde e profissionais integrantes da estratégia de saúde da família para, no trabalho domiciliar, estimular os cidadãos na adoção de comportamentos saudáveis. Ênfase especial será dada à orientação dos idosos e seus familiares quanto aos riscos ambientais,que favorecem quedas, e que podem comprometera capacidade funcional destas pessoas (GORDILHO ET AL, 2001). Deverão ser garantidas aos idosos, assim como aos portadores de deficiência, condições adequadas de acesso aos espaços públicos, tais como rampas, corrimões e outros equipamentos que facilitem seu deslocamento. Por outro lado, as medidas adequadas com vistas a uma qualidade de vida para o idoso, quando tomadas nas unidades de saúde, com suas equipes mínimas tradicionais, deverão ser incorporadas pelos agentes de saúde ou visitantes, além do estabelecimento de parcerias nas ações integrantes da estratégia de saúde da família e congêneres. Além disso, com a implementação de tais diretrizes, busca-se o engajamento efetivo dos grupos de convivência, com possibilidades terapêuticas e preventivas. Portanto, caberá aos gestores do SUS, de forma articulada, prover os meios e atuar de modo a viabilizar o alcance do propósito da Política Nacional de Saúde do Idoso, que é a promoção do envelhecimento saudável, a manutenção e a melhoria, ao máximo possível, da capacidade funcional dos idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde daqueles que adoecem e a reabilitação daqueles que venham a ter a sua capacidade funcional restringida. (GORDILHO ET AL, 2001). 29 5.4 A Qualidade de Vida na Terceira Idade A terceira idade é como atualmente se denomina a etapa do ciclo de vida humana denominado envelhecimento e que é assim definido por Stedman (1996, p. 95): O processo de se tornar velho, especialmente pela não substituição de células em número suficiente para manter uma capacidade funcional completa; afeta particularmente as células (por exemplo, neurônios) incapazes de divisão mitótica; deterioração gradativa de um organismo maduro, resultantes de alterações irreversíveis nas estruturas dependentes do tempo, intrínseca às espécies particulares e que acabam pôr levar à capacidade diminuída de enfrentar os estresses ambientais, aumentando assim a probabilidade de óbito. Embora o pensamento ainda corrente mostre os idosos como inativos, já se percebe uma mudança de postura da sociedade, já que eles são parte integrante e essencial das sociedades contemporâneas. Nessa perspectiva, esse aumento de tempo de vida para os seres humanos, decorre do aumento de conhecimentos que os seres humanos obtiveram na área da Ciência, especificamente na área da saúde, onde os avanços tecnológicos e os estudos e descobertas sobre as doenças auxiliam o ser humano a viver mais e melhor (STEDMAN, 1996). Porém ainda há um pré-conceito coletivo ao se tratar de tudo o que possa fazer referência ao conceito de velho. Neste sentido, tal idéia se reforça com relação ao pensamento social sobre os idosos: A expressão “velho” tem diferentes abordagens e pode significar perda, deterioração, fracasso, inutilidade, fragilidade, decadência, antigo, que tem muito tempo de existência, gasto pelo uso, que há muito tempo possui certa qualidade ou exerce certa profissão, obsoleto e não-adequado á vida, dando a impressão de que o velho vive improdutivamente e está ultrapassado pela nossa sociedade. Convém ainda ressaltar que a palavra velho é utilizada normalmente como antônimo de jovem (SIMÕES, 1998, p. 18). Há uma dificuldade em padronizar “quem é o idoso”, já que as pessoas e as culturas têm ritmos diferentes: “As várias capacidades do indivíduo também 30 em diferentes proporções, razão porque a idade pode ser biológica, psicológica ou sociológica” (SIMÕES, 1998, p. 25). Este estudo propõe conhecer e discutir aspectos da qualidade de vida na terceira Idade, entretanto não se pretende esgotar o assunto, e sim como um ponto de partida para novos estudos e atitudes para os idosos, com vistas a localizá-los como merecem na sociedade. Pode-se constatar, hoje em dia, que os idosos são a parcela da população que mais cresce. Esse é um fenômeno que vem ocorrendo nos últimos anos na maioria das sociedades do mundo, especialmente nas mais desenvolvidas. Segundo Andrade (1996), estima-se que no ano 2020 haverá 1,2 bilhões de pessoas idosas em todo o mundo. A população brasileira vem passando por um intenso processo de transformação na sua estrutura etária nos últimos vinte anos A velhice compreende um processo que é biopsicossocial. É o último estágio do ciclo vital e depende de como o indivíduo vivenciou toda a sua vida, para alguns pode ser tedioso, para outros uma fase alegre, natural como as outras que já passaram cada uma com suas próprias características (PEREIRA, 1994). Matsudo (1997) define o envelhecimento como uma série de processos que ocorrem nos organismos vivos e que com o passar do tempo leva à perda da adaptabilidade, à altura funcional e, eventualmente, à morte. A qualidade de vida é um fator diretamente ligado a este contexto, sendo um dos responsáveis pelo aumento ou pelo decréscimo na longevidade da população (Matsudo, 2001). Em recente artigo da Revista Latino Americana de Enfermagem a pesquisadora Isabelle Santos assim conceituou qualidade de vida para a pessoa idosa: 31 Conceito de qualidade de vida está relacionado à auto-estima e ao bem-estar pessoal e abrange uma série de aspectos como a capacidade funcional, o nível socioeconômico, o estado emocional, a interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte familiar, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos e a religiosidade, o estilo de vida, a satisfação com o emprego e/ou com atividades diárias e o ambiente em que se vive. O conceito de qualidade de vida, portanto, varia de autor para autor e, além disso, é um conceito subjetivo dependente do nível sociocultural, da faixa etária e das aspirações pessoais do indivíduo. (SANTOS, 2002) A preocupação em manter hábitos que garantam uma velhice saudável marca uma nova etapa de conscientização. Para Acosta (2004, p. 140) "muito das 'perdas' e 'efeitos do envelhecimento' apresentados, são decorrentes do estilo de vida que leva o idoso". As atividades físicas são importantes para que se atinja o padrão desejado em certos aspectos da qualidade de vida, conforme (MATSUDO, 2001, p. 166): é claro que um estilo de vida ativo tem papel fundamental na promoção da saúde e da qualidade de vida durante o processo de envelhecimento, não importando quando, quanto e como o indivíduo seja fisicamente ativo. Dentro destas atividades encontra-se a hidroginástica, uma prática preventiva e de amenização de problemas ligados geralmente à Terceira Idade (Bonachela,1999). Néri (1993 apud ACOSTA, 2004, p. 35) usa como sinônimos os seguintes termos "qualidade de vida na velhice, bem estar psicológico, bem estar percebido, bem estar subjetivo e envelhecimento satisfatório ou bem sucedido" e defende três aspectos para se avaliar o grau de percepção da qualidade de vida na velhice, são eles: nível biológico, nível psicológico e nível social. 32 A qualidade de vida, contudo, é uma questão que envolve valores, e como tal está cheia de subjetividade e reflexões pessoais e de juízos familiares. A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2005) fundamenta o conceito de qualidade de vida considerando três aspectos fundamentais, obtidos através de um grupo de especialistas de diferentes culturas: (1) subjetividade; (2) multidimensionalidade (3) presença de dimensões positivas (exemplo: mobilidade) e negativas (exemplo: dor). Os aspectos descritos anteriormente devem ser capazes de medir a qualidade de vida em qualquer lugar do planeta (ACOSTA, 2004). A definição de qualidade de vida, seguindo estes aspectos, pode ser enunciada como "a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações" (OMS. 2005). Todas essas mudanças morfológicas e funcionais que ocorrem com o decorrer da idade são atribuídas a fatores como presença de doenças, o envelhecimento e o estilo de vida sedentária. Nesse ponto, o psicólogo H. Bee (TRAVASSOS, 1996) em seu livro “Crescimento e Desenvolvimento” discute a velhice e analisa as mudanças físicas, fisiológicas e intelectuais dessa fase de vida. Alterações como redução de acuidade visual, sensibilidade à luz, velocidade de respostas entre outras, refletem-se no desempenho intelectual e psíquico do idoso, pois passam a sentir dificuldades de memorização de coisas recentes bem como relembrar algo que foi dito tudo isso contribui para um declínio acentuado de muitas tarefas intelectuais. Vários autores encaram a velhice como sabedoria, sentimento de paz e libertação; experiência de aprendizagem; rejuvenescimento. As mudanças psíquicas estão muito relacionadas com a cultura em que vive o idoso, ele pode ser considerado um sábio ou um inválido. Nas culturas orientais o velho é 33 tido como alguém que acumulou muita experiência, e possuidor de um saber digno de respeito e admiração (PEREIRA, 1994). Na nossa cultura, apesar da educação e formação que cada um recebe, o idoso é ainda, tratado com muito preconceito e pouco aceito pela nossa sociedade, ou seja, como um trambolho, um improdutivo, um aposentado sofredor, um incapacitado, um doente. Esses preconceitos tornam o idoso uma pessoa carente de afeto, de atenção, solitária, sensível, inibida e desestimulada a lutar por seu espaço junto à sociedade (PEREIRA, 1994) Fundamentalmente, envelhecimento é uma conquista: envelhecer é bom, o ruim é morrer cedo. E o que era antes o privilégio de poucos, chegar a velhice, hoje passa a ser a norma, mesmo nos países mais pobres. Esta conquista maior do século XX se transforma, no entanto em um grande desafio para o século que se inicia (VERAS, 2002). No Brasil, o envelhecimento populacional caminhou em paralelo à progressiva urbanização e respondeu a um processo de complexificação científica e tecnológica nas mais variadas áreas do conhecimento - sobretudo no âmbito da biologia e medicina. Portanto, não apenas a estrutura da população se transformou profundamente, como também suas expectativas e valores. Cabe observar que a transição demográfica constitui um fenômeno global, embora as diferenças entre as sociedades sejam, sob este aspecto, muito pronunciadas. Assim, nos países em desenvolvimento, a urbanização e a modernização têm sido, via de regra, bastante assimétricas e, com freqüência, desordenadas: Ainda que em países extremamente pobres, como os da África subsahariana, o aumento da expectativa de vida seja modesto, se comparado ao observado nas sociedades desenvolvidas, diversos desses países se vêem às voltas com uma população que reclama atenção e recursos em ambas as suas "pontas", ou seja, existe uma população muito jovem de importância central, mas também um contingente crescente de pessoas mais velhas que vêm experimentando incrementos substanciais nas últimas décadas. Estes idosos cumprem por vezes um papel fundamental - como na África, assolada pela pandemia do AIDS, onde são eles que cuidam dos 34 filhos aidéticos e, após a morte dos mesmos, dos netos órfãos (VERAS, 2002). Nesta perspectiva, é importante ressaltar a busca por qualidade de vida e prevenção antes de se chegar à terceira idade como forma de reduzir ao máximo as possibilidades/ probabilidades de doenças, já que as alterações biológicas são inevitáveis. 5.5 O Profissional de Enfermagem e o cuidado ao Idoso Conhecer o idoso, seus problemas de saúde e sócio-econômicos, bem como as condutas indicadas por especialistas exige competências intelectuais e integrativas. Esse conhecimento é fundamental para apreciar possibilidades e dificuldades na tomada de decisões em conjunto aos idosos, familiares e profissionais estabelecendo assim uma relação de confiança. Dentre as atribuições de um profissional de enfermagem está a promoção da saúde do idoso e capacidade de identificar os fatores determinantes da qualidade de vida da pessoa idosa, em seu contexto familiar e social, bem como compreender o sentido da responsabilização compartilhada como base para o desenvolvimento das ações que contribuem para o alcance de uma vida saudável (SILVESTRE & COSTA NETO, 2003). Nesta ótica, segundo Silvestre (2003), a Enfermagem tem como objeto de estudo e prática o cuidado humano e fundamenta-se nos conhecimentos sobre o processo de viver e envelhecer, das ciências biológicas e humanas. E, ainda, os conhecimentos que dão base ao cuidado de idosos incluem o entendimento das necessidades humanas, adaptações e mudanças que ocorrem ao longo da vida, de dimensão biológica, psicológica, social, cultural e espiritual. 35 Por outro lado, as estruturas curriculares que orientam a formação dos trabalhadores de saúde e da enfermagem estão solidamente centradas nos determinantes biológicos, que baseiam os modelos de atenção à saúde. Preocupam-se com as doenças do corpo e mente, com enfoque individual, desenvolvido por especialidades afins à medicina interna, havendo poucas interseções com a Geriatria (LEME, 1994). Segundo Waldow (1998), é necessário diferenciar os termos cuidar, cuidado e assistir, para melhor visualização destes conceitos. O termo cuidar denota uma ação dinâmica, pensada, refletida; já o termo cuidado dá a conotação de responsabilidade e de zelo. Desse ponto de vista, o termo assistir parece ser uma ação mais passiva de observar, acompanhar, favorecer, auxiliar, proteger; na verdade, o assistir e/ou a assistência não necessariamente inclui o cuidar/cuidado. Nessa conceituação, Waldow (1998, p. 127) aponta: o cuidar como comportamentos e ações, que envolvem conhecimento, valores, habilidades e atitudes, empreendidas no sentido de favorecer as potencialidades das pessoas para manter ou melhorar a condição humana no processo de viver e morrer. O cuidado seria então o fenômeno resultante do processo de cuidar. Essa autora refere ainda o cuidado humano enquanto uma forma de vivência, de poder ser e de expressão, sendo uma postura ética e estética frente ao mundo e, ainda, um compromisso com o estar no mundo, contribuindo com: o bem-estar geral, o desenvolvimento sustentável, a dignidade humana, a espiritualidade; a construção da história, a construção do conhecimento e a construção da vida (WALDOW, 1998). É nesse contexto que se percebe viável o cuidado gerontológico de enfermagem, centrado nas necessidades básicas dos idosos incluídos pelas famílias e comunidades, que os referenciam como sujeitos e cidadãos. Conhecer, pois, as mudanças que se processam durante o período de vida prolongado incluindo a velhice, diferenciando-as das doenças que afetam pessoas e em particular os idosos, reconhecendo particularidades pessoais, 36 familiares, comunitárias e culturais, são conhecimentos centrais nos cuidados de pessoas idosas (LEME, 1994). Ainda, de acordo com Waldow (1998), o cuidado é uma resposta, que envolve doação e autotranscendência, que não deve ser confundido com autoanulação ou subserviência, mas contenha os seguintes atributos: compaixão, competência, confiança, consciência e comprometimento. Por outro lado, Leme (1994) afirma que o acesso à subjetividade dos idosos constrói relações de proximidade e vínculo que permitem o cuidado colaborativo, a exposição de dúvidas e inquietações ligadas a preservação da autonomia em confronto com a dependência física ou psicológica reconhecida e mesmo expor pensamentos e intimidades ocultos por receios e medos. Nessa perspectiva, para que os enfermeiros desenvolvam, de forma adequada, cuidados ao ser humano idoso, alguns caminhos necessitam ser considerados, tais quais: manutenção do bem-estar e vida autônoma, sempre que possível, no ambiente domiciliar e onde tais cuidados centrem-se no idoso, nas suas necessidades, de sua família e de sua comunidade e não em sua doença (BITTES JÚNIOR, 1996). Considerando o caráter generalista do perfil de enfermeiro exigido pelo mercado no setor saúde, observa-se a tendência da exigência de especialistas, seguindo as áreas pioneiras na medicina, voltadas à Cardiogeriatria, Neurogeriatria, Psicogeriatria, além dos programas tradicionais para Diabéticos e Hipertensos, em que predominam idosos, sem, no entanto, vislumbrar-se especialistas de enfermagem nessas áreas, ainda (BITTES JÚNIOR, 1996). Portanto, é importante, ainda, considerar que é necessário modificar atitudes e práticas pessoais, pois, para adotar a ética de se viver sustentavelmente, os seres humanos necessitam reexaminar os seus valores e alterar o seu comportamento (SANTOS, 1997). 37 Para o desempenho dos cuidados a um idoso dependente, as pessoas envolvidas deverão receber dos profissionais de saúde os esclarecimentos e as orientações necessárias, inclusive em relação às doenças crônico- degenerativas com as quais está eventualmente lidando, bem como informações sobre como acompanhar o tratamento prescrito. Essas pessoas deverão, também, receber atenção médica pessoal, considerando que a tarefa de cuidar de um adulto dependente é desgastante e implica riscos à saúde do cuidador. Por conseguinte, a função de prevenir perdas e agravos à saúde abrangerá, igualmente, a pessoa do cuidador (LEME, 1994). Assim, a parceria entre os profissionais de saúde e as pessoas que cuidam dos idosos deverá possibilitar a sistematização das tarefas a serem realizadas no próprio domicílio, privilegiando seqüelas relacionadas à promoção da saúde, à prevenção de incapacidades e à manutenção da capacidade funcional do idoso dependente e do seu cuidador, evitando-se, assim, na medida do possível, hospitalizações, asilamentos e outras formas de segregação e isolamento (SANTOS, 1997). Assim, os integrantes de uma profissão devem promover atitudes que apóiem a nova ética com vistas a construir um modo de vida sustentável. 38 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esse estudo demonstrou a que a promoção de programas que incluam atividades físicas e terapêuticas pode interferir no processo de envelhecimento, melhorando não só a saúde funcional, mas efetivamente a qualidade de vida de indivíduos idosos. Assim, a participação de idosos neste tipo de proposta precisa ser regular e contínua para que sejam mantidos todos os benefícios proporcionados, com vistas a uma qualidade de vida. Nesse processo, insere-se o Profissional de Enfermagem, que tem participação fundamental, no sentido de promover, junto com o idoso, a construção de um pensar mais aberto, mais consciente de suas capacidades e potencialidades, na busca de uma melhor qualidade de vida, de sua própria realização. É fundamental que se acredite no potencial dos envolvidos, para que haja uma maior proximidade, maior contato, e que se ofereça oportunidades de atividades, de reinserção social da população idosa, com a possibilidade de vencer os seus preconceitos e caminhar em busca de uma melhor qualidade de vida, viabilizando sua própria satisfação, realização, bem-estar subjetivo. Não existe lei impedindo que qualquer pessoa cuide do idoso. No entanto, o mais indicado é que o cuidado do idoso fosse realizado por um profissional de enfermagem, seja um auxiliar, técnico de enfermagem ou enfermeiro. Principalmente, se o idoso necessita de atenção específica com a alimentação, higiene, medicações e curativos. Segundo Gordilho et al (2001), a atividade do cuidador (pessoa responsável pelos cuidados com o idoso) é vista como uma ocupação e não profissão. A função foi oficializada pela Portaria Interministerial n. 5.153, de 7 de abril de 1999, que considera a necessidade de habilitar recursos humanos 39 para cuidar do idoso e de criar alternativas que proporcionem aos idosos melhor qualidade de vida. O cuidador oficializado por esta portaria é capacitado a realizar cuidados básicos, que de acordo com os documentos sobre o assunto, diz respeito à higiene, alimentação e ajuda na locomoção. Por outro lado, há um consenso de que a capacidade de lidar com o aumento na proporção de idosos depende tanto da capacidade do estado de gerar e aplicar políticas públicas de cobertura extensiva, particularmente nas áreas de seguridade social e saúde, quanto dos padrões de organização familiar. Assim, é possível promover um envelhecimento com maior independência, maior autonomia e, conseqüentemente, com uma melhor qualidade de vida. Portanto, a questão é se as mudanças sociais e demográficas reforçarão ou enfraquecerão os laços entre gerações. Esses são importantes aspectos que devem ser respondidos e resolvidos para a integração dos idosos na sociedade em que vivem. 40 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACOSTA, Marco A. F. Contribuição para o trabalho com a terceira idade. Santa Maria: Marco Aurélio Acosta, 2002. ACOSTA, Marco A. F. Educação física, Biogerontologia e a interface da qualidade de vida. Tese de Doutorado. Santa Maria: UFSM, 2004. ANDRADE, J.H. de. 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