CENTRO UNIVERSITÁRIO DE BRASÍLIA – UNICEUB
FACULDADE DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – FACS
CURSO: ENFERMAGEM
Daniel Guimarães
SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA NA TERCEIRA
IDADE
Brasília, DF
Outubro/2007
É concedida ao Centro Universitário de Brasília
(UNICEUB) permissão para reproduzir cópias somente
para propósitos acadêmicos e científicos. O autor reserva
outros direitos de publicação e nenhuma parte desta
monografia pode ser reproduzida sem autorização por
escrito do mesmo.
_________________________________
Daniel Guimarães
[email protected]
Daniel Guimarães
Trabalho de Conclusão de Curso
(TCC) apresentada como requisito parcial
para a conclusão do 9º semestre do Curso
de Enfermagem do Centro Universitário de
Brasília UniCEUB.Orientadora: Prof. Nílvia
Jaqueline Reis Linhares
Brasília, DF
Outubro/2007
Daniel Guimarães
Brasília, 1 de novembro de 2007
Nome: Professora MSc. Nílvia Jaqueline Reis Linhares
Coordenadora do Curso
Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB)
------------------------------------------------------Assinatura
Professora de Monografia
Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB)
------------------------------------------------------Assinatura
Professora do Curso de Enfermagem
Instituição: Centro Universitário de Brasília (UNICEUB)
------------------------------------------------------Assinatura
Dedicatória
Dedico a realização deste trabalho
a minha Mãe Matildes Guimarães dos
Santos, que com o seu exemplo profissional
me fez ver a grandeza da Enfermagem;
ao Dr. João Herculino, Reitor e amigo (In
memoriam),
ao meu filho Luan Ariel, que na sua
inocência da primeira infância entendeu minha
ausência;
a todos me assistiram eu crescer com
essa graduação em ENFERMAGEM.
Agradecimentos
Agradeço a realização desta pesquisa
em primeiro lugar a “DEUS”.
A minha orientadora Nílvia Jaqueline
Reis Linhares pela paciência e intensa
colaboração que me dispensou no decorrer do
trabalho.
Aos demais Professores que na minha
companhia estiveram nessa caminhada do
saber.
A todos meus amigos do Posto Médico
do Uniceub.
Aos meus irmãos, e aos muitos amigos
que conquistei e aos já existentes pela força na
idealização deste importante passo.
Resumo
Este trabalho tem como objetivo principal conhecer os fatores que
influenciam na saúde e na qualidade de vida dos idosos, discutindo as políticas
públicas para o idoso, analisando a expectativa de vida do idoso no Brasil,
além de avaliar as condições sociais e as relações entre terceira idade e
qualidade de vida. Este estudo propõe conhecer e discutir aspectos da
qualidade de vida na terceira idade, entretanto não se pretende esgotar o
assunto, e sim concebê-lo como um ponto de partida para novos estudos e
atitudes para os idosos. Esse estudo foi realizado no período de agosto a
outubro de 2007. Inicialmente procedeu-se o levantamento de dados
bibliográficos, em revistas especializadas, em artigos científicos e consultas à
internet, no período compreendido entre 1990 e 2006. Assim, foi possível
constatar, hoje em dia, que os idosos são a parcela da população que mais
cresce e que esse é um fenômeno que vem ocorrendo nos últimos anos na
maioria das sociedades do mundo, especialmente em países desenvolvidos.
Palavras-chave: enfermagem – saúde do idoso – qualidade de vida
Abstract
This work had as main objective to know some aspects that influence in
healthy and quality of life of age people, discussing public healthy for aged
people, analyzing expectative of life in Brazil, besides to valuate social
conditions and its relation to age people and quality of life. This study proposes
to know and discuss quality of life in third age however it is not intention to
exhaust the subject but concept it like a point of starting to new studies. That
study was accomplished in the period from August to October. First, it was
made a review in some magazines, papers and articles on internet, in the
period comprehended between 1990 and 2006. This way, it was possible to
conclude that nowadays that aged people are the part of population in
increasing and that aspect is world phenomenon specially in developed
countries.
Key-words: nursery – age people healthy – quality of life
Sumário
INTRODUÇÃO ............................................................................................................. 10
2 JUSTIFICATIVA........................................................................................................ 15
3 OBJETIVOS .............................................................................................................. 17
3.1 Geral.................................................................................................................... 17
3.2 Específicos ......................................................................................................... 17
4 METODOLOGIA ....................................................................................................... 18
5 REFERENCIAL TEÓRICO ..................................................................................... 19
5.1 Alguns Conceitos e Terminologias................................................................. 19
5.2 Alguns Aspectos do Envelhecimento da População Brasileira ................. 20
5.3 A Assistência ao Idoso e as Políticas de Saúde.......................................... 24
5.4 A Qualidade de Vida na Terceira Idade ........................................................ 29
5.5 O Profissional de Enfermagem e o cuidado ao Idoso................................. 34
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................... 38
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................... 40
10
INTRODUÇÃO
Saúde na velhice e o idoso saudável, entre outros assuntos, têm
suscitado diversas pesquisas nas Ciências da Saúde.
Nesta perspectiva, discute-se que o envelhecimento proporciona limites
maiores ao indivíduo, mas isso não significa que o idoso tenha que se abster
de tudo, trabalho, sexo, vida social, lazer.
Diante disso, a adaptação frente a uma fase nova da vida é a maior
dificuldade encontrada pelos idosos.
Em todo o mundo, à medida que os anos vão passando, é cada vez
maior o número de idosos. O fenômeno está relacionado a vários fatores, como
a queda no número de nascimentos e o aumento da expectativa de vida, além
do desenvolvimento tecnológico (ZIMERMAN, 2000).
No Brasil a situação não é diferente e pouco a pouco o mito de que
somos um país de jovens vai sendo derrubado. O envelhecimento da
população é um dos maiores triunfos da humanidade e também um dos nossos
grandes desafios.
De acordo com Shoueri Jr. et al (1994), a população idosa brasileira vem
aumentando desde a década de 1950, quando apenas 4% dos brasileiros
tinham mais de 60 anos.
Prevê-se que em 2025 teremos 7,5 por cento da população brasileira
com mais de 60 anos de idade e ainda, que esta será a sexta maior população
idosa do mundo, com cerca de 32 milhões.
Diante desses dados, parece haver uma necessidade de novos olhares
para os idosos, de uma forma a que se comece a pensar em como melhorar
essa fase da vida.
11
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (2005), os países
podem custear o envelhecimento se os governos, as organizações e a
sociedade civil implementarem políticas e programas de envelhecimento ativo
que melhorem a saúde, a participação e a segurança dos cidadãos mais
velhos.
De acordo com Pires et al (2002, p. 2), “com o declínio gradual das
aptidões físicas, o impacto do envelhecimento e das doenças, o idoso tende a
ir alterando seus hábitos de vida e rotinas diárias por formas de ocupação
pouco ativas”.
Para Matsudo (1997), com o envelhecimento, acontece um fenômeno
que se torna um círculo vicioso, pois, à medida que a idade aumenta, o
indivíduo torna-se menos ativo, suas capacidades físicas diminuem, começa a
aparecer o sentimento da velhice, o qual, por sua vez, pode causar estresse,
depressão e levar a uma diminuição da atividade física e, conseqüentemente, à
aparição de doenças crônicas, por si só contribuindo para o envelhecimento.
De acordo com Organização Mundial de Saúde (OMS, apud Weineck,
1991) o indivíduo idoso classifica-se na faixa etária do homem mais velho,
estando entre 61 a 75 anos.
Meinel & Schnabel (2001) fazem uma classificação dos indivíduos
quanto à idade, segundo o rendimento motor, enquadrando o indivíduo idoso,
como estando na quarta idade adulta; acima de 60/70 anos em diante, quanto
ao envelhecimento biológico a faixa etária relativa ao idoso é a de 60 a 74
anos.
De outro modo, a literatura traz a classificação de envelhecimento em
várias ordens, criando várias divergências, mas existe um consenso de que,
acima dos 45 anos, o indivíduo está sujeito ao início de várias limitações
negativas, tanto biológicas quanto psicológicas e sociais.
12
De outro modo, estas alterações podem acarretar numa redução no
desempenho físico, na habilidade motora, na capacidade de concentração, de
reação e de coordenação.
Além disso, estes aspectos podem gerar processos de autodesvalorização, apatia, insegurança, perda da motivação, isolamento social e
solidão, devido à inatividade e a má adaptação com relação ao envelhecimento
(OLIVEIRA, 1996, p.14).
Contudo, é bom lembrar que a condição física do envelhecimento
depende da interação de vários fatores: condição psicológica, estilo de vida,
constituição genética e os elementos do meio em que se vive.
Para Pikunas (1990), no envelhecimento biológico, praticamente, todos
os sistemas do corpo se deterioram, tanto na eficiência estrutural quanto na
funcional, marcados por uma faixa metabólica mais baixa, que torna mais lento
o intercâmbio de energia dentro do organismo, assim, seus recursos para autoexpressão comportamental vão sendo gradualmente reduzidos.
Considerando os aspectos biológicos, Weineck (1991) aponta inúmeros
sinais do envelhecimento, dentre outros, tais como: a diminuição da altura
causada pela diminuição dos discos vertebrais; o aumento da curvatura
vertebral; o aumento do tecido conjuntivo e adiposo; alterações da pele;
esbranquiçamento e queda dos cabelos.
Além das mudanças biológicas e das transformações psicológicas que
ocorrem no íntimo de cada um, o envelhecimento transforma, também, as
relações do indivíduo com o meio social.
Para Rosa (1993), com o envelhecer, as funções sociais do homem se
tornam mais reduzidas, quer por escolha pessoal ditada por suas próprias
limitações físicas, quer sobre tudo por pressões da própria sociedade. A
pessoa idosa, talvez na maioria dos casos, começa a formar de si mesma uma
13
imagem negativa, resultante de um conjunto de idéias e atividades vindas da
sociedade.
Desse modo, a certa altura da vida, o indivíduo começa a sentir-se
velho, significando que ele já não é mais o que costumava ser, passando a ter
várias limitações impostas pelo envelhecimento, vem paralelamente à
aposentadoria, que atrapalha financeira, psicológica e socialmente a estrutura
do idoso.
Para muitos a velhice é sinônimo de doença e fraqueza, e que tanto o
vigor físico como a saúde jamais estará à sua disposição.
Motta (1990) afirma que os possíveis indicadores do envelhecimento
social são: a progressiva diminuição dos contatos sociais; o distanciamento
social; a progressiva perda de poder de discussão; o progressivo esvaziamento
dos papéis sociais; a gradativa perda de autonomia e independência,
alterações nos processos de comunicação, entre outros.
O equilíbrio psicológico também se torna mais difícil na velhice, pois a
longa história da vida acentua as diferenças individuais.
Devido ao isolamento social, idosos desenvolvem ansiedade, depressão
e insônia, que podem levar ao enfarte, além de alterações de valores e
atitudes, aumento do entusiasmo e diminuição da motivação (RAWCHBACK,
1990).
Para Silva (1994), a diminuição do prestígio social, a angústia e o temor
da morte, além do sentimento de inutilidade, de medo de converter-se numa
carga para a família e para a sociedade, as modificações fisiológicas, são
fatores que aceleram o processo de envelhecimento, levando as pessoas a
entregarem ao abandono de si próprias.
Assim, a idéia de que, a partir de determinada idade, certas atividades
não devem ser desfrutadas, é uma concepção que tende a ser superada em
14
relação às constantes modificações sociais, uma vez que, a expectativa de vida
das pessoas, atualmente, tem aumentado muito, aumentando, com isso, a
necessidade de se repensar as questões que envolvem a qualidade de vida.
Portanto, o envelhecimento em nível mundial causará um aumento das
demandas sociais e econômicas em todo o mundo. Porém, as pessoas da
terceira idade ainda são, geralmente, ignoradas como recurso, quando, na
verdade, são fundamentais para a estrutura das nossas sociedades.
15
2 JUSTIFICATIVA
Esta pesquisa se justifica pela necessidade ainda de se preparar uma
cultura para a qualidade de vida, vista a grande quantidade de enfermidades
que acometem a população brasileira em virtude do estresse cotidiano e de
políticas públicas voltadas para a qualidade de vida na terceira idade.
Este tema, em particular me desperta interesse, devido minha
participação em várias atividades em asilos no DF, possuo convicção da
importância e da necessidade de se atender com atenção esta parte da
população, pois ela é responsável por grande parte do crescimento do nosso
conhecimento.
O aumento das pesquisas direcionadas ao tema envelhecimento está
associado a um aumento gradativo das pessoas com mais de 60 anos de
idade.
De acordo com Lorda (1990), em 1950, havia 200 milhões de pessoas
com mais de 60 anos no mundo. Em 1975, o número aumentou para 350
milhões.
Atualmente, os brasileiros com mais de 60 anos chegam a ocupar 7,3%
da população, e as previsões apontam que, em 25 anos, chegarão a 15% e
que o quantitativo mundial para o ano de 2025 será em torno de 16 milhões de
pessoas com mais de 65 anos, correspondendo a 7,64% da população
estimada em 212 milhões de pessoas. (IBGE CENSO 2000)
O crescimento da população idosa gera importantes repercussões
sociais, econômicas e culturais, chamando a atenção da população para este
fenômeno.
Todas as pesquisas mostram um acréscimo na expectativa média de
vida da população em geral, tendo em vista esse crescimento, faz-se
16
necessário um conhecimento mais apurado com relação a essa parte da
população pelo profissional de enfermagem: “Uma velhice tranqüila é o
somatório de tudo quanto beneficie o organismo, como esporte, alimentação,
família, saúde e qualidade de vida” (PIRES et al. 2002, p.2).
Por outro lado, para os idosos a presença de uma limitação física, seja
ela causada por uma doença ou resultante de uma cirurgia mutiladora
representa um risco para a sua autonomia, principalmente quando esta
limitação gera a dependência na realização das atividades da vida diária.
Com o desenvolvimento da geriatria e da gerontologia e das pesquisas
em diferentes áreas, estas têm demonstrado que os idosos têm potencial para
enfrentar diferentes situações na vida, como a doença, a reabilitação, a
limitação física, entre outras.
De acordo com Silva (2003), o envelhecimento humano é um fenômeno
complexo, com dimensões objetivas e subjetivas, construídas cultural e
historicamente. O bem estar da pessoa na velhice depende mais de fatores
sociais e ambientais do que determinações genéticas.
A partir desta compreensão das especificidades e vulnerabilidades do
idoso será possível valorizá-lo e melhor assisti-lo, tanto no contexto social
quanto no contexto institucionalizado, preparando as pessoas para um
envelhecer de modo equilibrado ou com melhor qualidade de vida (FRAGA &
DAMASCENO, 1990).
Portanto, compreender o envelhecimento torna possível desvendar um
universo de possibilidades à assistência à pessoa idosa, contribuindo também
com educadores e profissionais da área de saúde, permitindo um re-pensar
sobre o idoso e o seu envelhecimento.
17
3 OBJETIVOS
3.1 Geral
•
Conhecer os fatores que influenciam na saúde e na
qualidade de vida dos idosos.
3.2 Específicos
•
Discutir aspectos da qualidade de vida na terceira idade
bem como as políticas públicas para o idoso e o papel do profissional de
enfermagem neste contexto;
•
Analisar a expectativa de vida do idoso no Brasil, avaliando
as condições sociais e as relações entre terceira idade e qualidade de
vida.
18
4 METODOLOGIA
Utilizar-se-á a revisão bibliográfica para o alcance dos objetivos
propostos. Sobre esse método de pesquisa Gil (2002, p. 61) alerta que este é
um processo bastante complexo e, por isso, logo após a escolha do tema,
sugere um levantamento bibliográfico preliminar.
Recorreu-se, desse modo, à pesquisa bibliográfica:
A pesquisa bibliográfica é passo decisivo em qualquer
pesquisa científica, uma vez que elimina a possibilidade de se
trabalhar em vão, de se despender tempo com o que já foi
solucionado.
O êxito nos estudos depende em grande parte da leitura que
o estudioso realiza. A leitura feita segundo regras elementares
favorece a tomada de notas, de apontamentos, a realização de
resumos e o estudo propriamente dito (MEDEIROS, 2004, p. 51).
Desse ponto de vista, a pesquisa deve se constituir num procedimento
formal para a aquisição do conhecimento sobre a realidade que nos cerca
(MEDEIROS, 2004).
Esse estudo foi realizado no período de agosto a outubro de 2007.
Inicialmente procedeu-se o levantamento de dados bibliográficos, em livros e
revistas especializadas, em artigos científicos, consultas à internet, e Relatórios
Estatísticos do IBGE; cabe salientar que a tabulação de dados estatísticos é
demorada, o CENSO de 2000 ainda não está finalizado; no período
compreendido entre 1990 e 2006, para em seguida construir o texto
monográfico.
Assim, buscou-se um levantamento de informações e esclarecimentos,
sobre o tema por meio das palavras-chave: gerontologia, saúde do idoso,
humanização e cuidado.
19
5 REFERENCIAL TEÓRICO
5.1 Alguns Conceitos e Terminologias
Para este estudo, alguns conceitos e terminologias devem ser
esclarecidos, com base em Néri (2001) e Veras (1997):
CUIDADOR: é a pessoa, membro ou não da família, que,
com ou sem remuneração, cuida do idoso doente ou dependente
no exercício das suas atividades diárias, tais como alimentação,
higiene pessoal, medicação de rotina, acompanhamento aos
serviços de saúde e demais serviços requeridos no cotidiano –
como a ida a bancos ou farmácias –, excluídas as técnicas ou
procedimentos
identificados
com
profissões
legalmente
estabelecidas, particularmente na área da enfermagem.
ENVELHECIMENTO: a maioria dos autores o conceitua
como uma etapa da vida em que há um comprometimento da
homeostase, isto é, do equilíbrio do meio interno, o que
fragilizaria
o
indivíduo,
causando
uma
progressiva
vulnerabilidade do indivíduo perante uma eventual sobrecarga
fisiológica.
ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL: é o processo de
envelhecimento com preservação da capacidade funcional,
autonomia e qualidade de vida.
GERIATRIA: é o ramo da ciência médica voltado à
promoção da saúde e tratamento de doenças e incapacidade na
velhice.
GERONTOLOGIA: termo criado por Matchnicoff em 1903.
É o campo multi e interdisciplinar que trata da descrição e
20
explicação
das
mudanças
típicas
do
processo
do
envelhecimento e de seus determinantes genéticos, psicológicos
e sócio-culturais. Interessa-se, também, pelo estudo das
características dos idosos, bem como das várias experiências de
velhice e envelhecimento que ocorrem em diferentes contextos
sócio-culturais e históricos. Abrange aspectos do envelhecimento
normal e patológico, compreende a consideração dos níveis
atuais
de
desenvolvimento
e
do
potencial
para
o
desenvolvimento.
IDOSO: a Organização das Nações Unidas, desde 1982,
considera idoso o indivíduo com idade igual ou superior a 60
anos. No Brasil, a Lei nº. 8.842/94, já acompanhava a ONU e
mais tarde o Estatuto do Idoso, manteve essa mesma faixa
etária.
QUALIDADE DE VIDA: é um evento que tem múltiplas
dimensões, é multideterminado, diz respeito à adaptação de
indivíduos
e grupos humanos,
em diferentes épocas e
sociedades, e, assim, sua avaliação tem como referência
diversos critérios. Avaliar a Qualidade de Vida consiste em
comparar as condições disponíveis com as desejáveis. (Néri,
2001). Todas as dimensões de avaliação da Qualidade de Vida
são afetadas, em maior ou menor grau, por valores e
expectativas individuais e coletivas, o que originou investigações
em torno de indicadores subjetivos.
5.2 Alguns Aspectos do Envelhecimento da População Brasileira
Desenha-se em nosso país um novo perfil demográfico, caracterizado
pelo aumento da participação dos idosos, e ainda não conhecido da população
e de parte dos dirigentes e planejadores de saúde, em cujo imaginário está
21
presente apenas o velho estereótipo do Brasil como o país do futuro (VERAS,
1994).
Por outro lado, a atenção à saúde do idoso requer intervenções caras e
tecnologia complexa, que possibilitem o acompanhamento e a prevenção das
seqüelas associadas às doenças crônico-degenerativas (CAMARGO &
YAZAKI, 1996).
Diante de demandas sociais quase sempre superiores à capacidade de
investimento do setor público, há que se recorrer a soluções criativas que
maximizem os efeitos dos investimentos públicos. Devido às diferenças
acentuadas existentes entre regiões, Estados e municípios precisam ser
incorporadas ao processo de planejamento e avaliação de serviços e
programas de saúde, sob pena de não se atingir os melhores resultados
possíveis com os recursos disponíveis (CAMARGO & SAAD, 1990).
Entretanto, o envelhecimento da população brasileira, ao contrário do
que ocorre nos países centrais, não se dá de forma homogênea em todas as
regiões do país. Todos estes fatos refletem na longevidade da população das
diferentes regiões do país.
Segundo Veras (1994, p 33):
Antes de descrever algumas características da população
idosa, é necessário que não se perca de vista as complexidades
desta faixa etária em um país como o Brasil. Todas as coortes de
sobreviventes foram de alguma forma selecionadas econômica, social
e etnicamente, entre outros aspectos da população de um modo
geral. Os atuais sobreviventes são um grupo particular, e isto deve
ser lembrado quando da consideração dos dados.
De outro modo, o aumento da população e o seu envelhecimento
colocam para toda a sociedade inúmeros problemas para o próximo milênio,
como atesta Moreira (1997, p. 8):
(...) esta questão apresenta-se como um problema de enorme
seriedade, configurada, entre outras coisas, pela falta de hospitais
geriátricos, pela subtração dos leitos hospitalares e pela falta de
profissionais de saúde especializados em Geriatria e Gerontologia.
Por outro lado, a incidência dos quadros crônico-degenerativos, que
22
atingem principalmente este segmento populacional, demandam
internações mais freqüentes e maior uso de medicamentos (muitas
das vezes impossíveis de serem obtidos, tendo em vista as
aposentadorias aviltantes que impedem a aquisição de produtos
farmacêuticos). Podemos acrescentar ainda, a falta de uma política
de saúde voltada para a prevenção, com explicações claras para a
população das conseqüências que determinados hábitos, como o
fumo, o álcool, a ingestão de gorduras e o sedentarismo poderão
acarretar em idade posterior, ou seja, das possíveis doenças que
poderão se manifestar oriundas deste modo de vida.(...)
Conforme Camargo & Saad (1990), a pessoa é considerada idosa
perante a sociedade a partir do momento em que encerra as suas atividades
econômicas e o indivíduo passa a ser visto como idoso, quando começa a
depender de terceiros para o cumprimento de suas necessidades básicas ou
tarefas rotineiras, entretanto essa discussão ainda terá outros desdobramentos
e toda a sociedade deve se responsabilizar por mudança de cultura e postura
diante da pessoa idosa.
Apesar disso, a questão da longevidade vinha sendo desconsiderada
pela legislação (até a criação da Lei 8842/94) e pelas pessoas em geral. Pois a
maioria da população ainda os julga incapazes de participar ativamente da
sociedade, associando sempre velhice à falta de lucidez e capacidade física.
Hoje, depois da aposentadoria, as pessoas ainda são capazes, o que os faz
cada vez mais procurar outras formas de ocupação, segundo a OMS (1999
apud MATSUDO, 2001, p. 17).
Nessa perspectiva, FRANCISCO (2006) discute fatores relevantes do
envelhecimento, em diversos aspectos, trazendo dados recentes:
(...) O envelhecimento é um fenômeno mundial, resultado da
diminuição progressiva das taxas de fecundidade e mortalidade e do
aumento da expectativa de vida. O grupo de idosos, no Brasil e em
países em desenvolvimento, segundo a OMS, é constituído por
pessoas a partir dos 60 anos. Dentre desse grupo, a população que
mais rapidamente cresce são os denominados idosos em velhice
avançada (80 anos e mais) cujas demandas específicas ainda são
desconhecidas em nosso meio. O envelhecimento pode ser
acompanhado por um declínio funcional progressivo que pode estar
associado a quadros de dependência responsáveis por demandas
assistenciais específicas. A dependência em si constitui o maior
temor dos idosos. Assim, conhecer os fatores preditores do alcance
das idades mais longevas com independência funcional torna-se
primordial e constitui o objetivo desse estudo que é parte do Estudo
23
SABE - Saúde Bem-estar e Envelhecimento na América Latina e
Caribe. Esse estudo, realizado no ano 2000, foi coordenado pela
Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e desenvolvido
simultaneamente em sete países da dessa região com o objetivo de
traçar as condições de vida e saúde dos idosos aí residentes. No
Brasil, foi desenvolvido na zona urbana do Município de São Paulo
com uma amostra de 2.143 idosos representativa da população
residente na região no período. Para o desenvolvimento desse
estudo, foi utilizada a parcela dos idosos com 80 anos e mais que foi
subdividida segundo seu estado funcional. Trata-se de uma pesquisa
descritiva e exploratória. Do total dos idosos em velhice avançada,
9,9% eram funcionalmente independentes nas atividades de vida
diária, básicas e instrumentais. Desses 66,4% eram mulheres, 33,6%
eram homens, 75% eram nascidos no Brasil, 25,6% eram analfabetos
e 63,1% estudaram entre 1e 6 anos, 10,1% ainda trabalhavam.
Quanto ao estado marital, 71,1% eram viúvos e 26,5 % eram
casados; 53,6% viviam sozinhos e a maioria (68,6%) tiveram pais que
faleceram com 80 anos ou mais. Com relação a renda 38% se
enquadravam no primeiro quintil, no entanto, 44,1% referiram que a
renda era suficiente. Quanto aos hábitos de vida, 43,2% praticavam
atividade física, 41,6% praticavam atividades de lazer, 70,4% nunca
beberam e 68,9% nunca fumaram. Em relação às condições de vida
e saúde na infância, 47,7% referiram que saúde e 35,2% boas
condições econômicas. Quanto ao estado de saúde atual, 63,5%
referiram ter saúde excelente, 43,5% referiram a presença de HAS,
34,7% de DPOC e de 7,3% DM e 95,1% apresentavam capacidade
cognitiva preservada. Quanto a assistência à saúde, 81,2% referiam
ter procurado por assistência médica nos doze meses anteriores à
entrevista sendo que 83,8% referiram uma ou duas consultas. Quanto
a história laboral 50,2% trabalharam como empregados e 37,3%
como autônomos. Entre as mulheres 50% referiram ter trabalhado
porque gostavam e 85% dos homens porque necessitavam. 97,5%
deles sentiram-se capacitados para realizar os testes de flexibilidade
e mobilidade. Essa variáveis foram submetidas à analise multivariada
através da Regressão Logística, utilizando-se um nível de interesse,
sendo submetidas à analise univariada, mostrando-se significantes
diabetes referida, companhia e atividade física. Essas variáveis foram
agrupadas e submetidas à análise múltipla de forma a constituir o
modelo do estudo. Os testes estatísticos mostraram que a presença
da diabetes diminui por um fator de 0.14 vezes o odds para não ter
dificuldades nas ABVDs e/ou AIVDS. Viver acompanhado diminui
esse risco por um fator de 0.15. Não praticar atividade física diminui
os odds para não ter dificuldade de 0.13 vezes. Apesar dos idosos
conseguirem chegar na velhice avançada sem incapacidades, o
estudo mostrou que poucos são fatores que possam influenciar neste
processo. Pode ser porque estes fatores já tenham feito diferença
entre os idosos mais “jovens”, mas com a idade avançada, os “muito
velhos” tendem a igualar estas diferenças. (FRANCISCO 2006, p 2125)
De outro modo, a velhice pode ser vista por dois lados como apogeu de
uma vida ou como a decadência do indivíduo. Na antiguidade, os seres
humanos já reclamavam das conseqüências que o tempo faz em nós.
24
O filósofo egípcio Ptah Hotep, no ano 2.500 a.C. lamentava-se “Quão
penosa é a vida de ancião! Vai dia a dia enfraquecendo, a visão baixa, seus
ouvidos se tornam surdos, a força declina, o corpo não encontra repouso, a
boca se torna silenciosa e não fala”. E conclui o velho egípcio: “a velhice é a
pior desgraça que pode acontecer a um homem!” (MEIRELES, 1997, p.13).
Na idade moderna, com a ascensão da burguesia, o velho passou a
ganhar um maior espaço para existir. Adquiriu uma importância particular
porque se encarnou a unidade e a permanência da família, através dos bens
materiais acumulados: é o tempo do individualismo burguês, que é à base do
capitalismo (MEIRELES, 1997, p. 14).
Para Beauvoir (1970, p. 54): “a condição das pessoas idosas é hoje
escandalosa”. A sociedade fecha os olhos, não apenas para o velho, mas para
deficientes, jovens delinqüentes e a criança abandonada. A visão hegemônica
em nossa sociedade coloca os “velhos e as crianças” fora do mundo do poder.
Ainda de acordo Beauvoir (1970, p. 55), “Não existe reciprocidade no
olhar extraordinário que a sociedade lança sobre o velho, o que o asila como
um morto em liberdade condicional”.
MEIRELES (1997, p. 23) afirma que: “A sociedade só se preocupa com
indivíduo na medida em que este rende...”.
5.3 A Assistência ao Idoso e as Políticas de Saúde
Silvestre (2003) observa que a característica da assistência à saúde dos
idosos, na prática, permanece até hoje concentrada na lógica biomédica, no
atendimento médico individual.
O modelo assistencial ainda está fortemente marcado pela abordagem
intrahospitalar, associada a uma utilização irracional dos recursos tecnológicos
25
existentes, apresentando cobertura e resolutividade baixas e com elevado
custo.
O quadro de desigualdades sociais, as disparidades regionais, as
diferenças quanto ao acesso ao saneamento básico, a infra-estrutura dos
serviços e equipamentos sociais de suporte são fatores preponderantes nas
análises das políticas sociais voltadas à população e impõe desafios.
Do ponto de vista de saúde pública, a capacidade funcional surge como
um novo conceito para instrumentalizar e operacionalizar uma política de
atenção à saúde dos idosos (Gordilho et al.; 2000).
No Brasil, em 1900, a expectativa de vida ao nascer era de 33,7 anos;
nos anos 40 era de 39 anos; nos anos 50, aumentou para 43,2 anos e, na
década de 60, era de 55,9 anos. De 1960 a 1980, essa expectativa ampliou-se
para 63,4 anos, isto é, foram acrescidos vinte anos em três décadas, segundo
revela o Anuário Estatístico do Brasil de 1982 (Fundação Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística/Fundação IBGE).
De 1980 ao ano 2000, ao aumento estimado se situa em torno de cinco
anos, ocasião em que cada brasileiro, ao nascer, tem a esperança de vida de
68 anos e meio. As projeções para o período de 2000 a 2025 permitem supor
que a expectativa média de vida do brasileiro estará próxima de 80 anos, para
ambos os sexos (KALACHE et al, 1990).
Paralelamente a esse aumento na expectativa de vida, tem sido
observado, a partir da década de 60, um declínio acentuado da fecundidade,
levando a um aumento importante da proporção de idosos na população
brasileira.
Envelhecer sem nenhuma doença crônica é antes exceção do que regra.
No entanto, a presença de uma doença crônica não significa que o idoso não
possa gerir sua própria vida e viver o seu dia-a-dia de forma independente. A
maior parte dos idosos é, na verdade, absolutamente capaz de decidir sobre
26
seus interesses e de se organizar, sem necessidade de ajuda de quem quer
que seja.
De acordo com os mais modernos conceitos gerontológicos, esse idoso
que mantém sua autodeterminação e prescinde de qualquer ajuda ou
supervisão para agir no seu cotidiano deve ser considerado um idoso saudável,
ainda quando portador de uma ou mais de uma doença crônica:
Decorre daí o conceito de capacidade funcional, ou seja, a
capacidade de manter as habilidades físicas e mentais necessárias a
uma vida independente e autônoma. Do ponto de vista da saúde
pública, a capacidade funcional surge como um novo conceito de
saúde, mais adequado para instrumentalizar e operacionalizar a
atenção à saúde do idoso. Ações preventivas, assistenciais e de
reabilitação devem objetivar a melhoria da capacidade funcional ou,
no mínimo, a sua manutenção e, sempre que possível, a recuperação
desta capacidade, uma vez perdida pelo idoso. Trata-se, portanto, de
um enfoque que transcende o simples diagnóstico e tratamento de
doenças específicas. A promoção do envelhecimento saudável e a
manutenção da máxima capacidade funcional do indivíduo que
envelhece pelo maior tempo possível – foco central da Política –
significa a valorização da autonomia e da autodeterminação e a
preservação da independência física e mental do idoso. Tanto as
doenças físicas quanto as mentais podem levar à dependência e,
consequentemente, à perda da capacidade funcional.
Na análise da questão relativa à reabilitação da capacidade
funcional, é importante reiterar que a grande maioria dos idosos
desenvolve, ao longo da vida, alguma doença crônica, decorrente da
perda contínua da função de órgãos e sistemas biológicos. Essa
perda de função pode ou não levar a limitações funcionais que, por
sua vez, pode gerar incapacidades, conduzindo, em última instância,
à dependência da ajuda de outrem ou de equipamentos específicos
para a realização de tarefas essenciais à sobrevivência no dia-a-dia.
Os custos gerados por essa dependência são tão grandes quanto o
investimento de dedicar um membro da família ou um “cuidador” para
ajudar continuamente a uma pessoa que, muitas vezes, irá viver mais
10 ou 20 anos, requerendo uma atenção que, não raro, envolve leitos
hospitalares e institucionais, procedimentos diagnósticos caros e
sofisticados, bem como o consenso freqüente de uma equipe
multiprofissional e interdisciplinar, capaz de fazer frente à
problemática multifacetada do idoso (GORDILHO ET AL, 2001).
Dentro desse contexto é que são estabelecidas novas prioridades
dirigidas a esse grupo populacional, que deverão nortear as ações em saúde
para este século e milênio.
Ainda de acordo com Gordilho et al (2001), o crescimento demográfico
da população idosa brasileira exige a preparação adequada do país para
27
atender às demandas das pessoas na faixa etária de mais de 60 anos de
idade.
Essa preparação envolve diferentes aspectos, desde a adequação
ambiental e o provimento de recursos materiais e humanos capacitados, até a
definição e a implementação de ações de saúde específicas.
Acrescente-se, por outro lado, a necessidade da sociedade entender
que o envelhecimento de sua população é uma questão que extrapola a esfera
familiar e, portanto, a responsabilidade individual, alcançando o âmbito público,
compreendido neste âmbito o Estado, as organizações não-governamentais e
os diferentes segmentos sociais.
Nesse sentido, a Política Nacional de Saúde do Idoso tem como
propósito basilar a promoção do envelhecimento saudável, a preservação e/ou
a melhoria, ao máximo possível da capacidade funcional dos idosos, a
prevenção de doenças, a recuperação da saúde daqueles que adoecem e a
reabilitação daqueles que venham a ter a sua capacidade funcional restringida
de modo a garantir-lhes permanência no meio em que vivem exercendo de
forma independente suas funções na sociedade (GORDILHO ET AL, 2001).
O esforço conjunto de toda a sociedade implica o estabelecimento de
uma articulação permanente que, no âmbito do SUS, envolvendo a construção
de uma contínua cooperação entre o Ministério da Saúde e as Secretarias
Estaduais e Municipais de Saúde.
Entre os hábitos saudáveis apontados por Gordilho et al (2001), deverão
ser destacados, por exemplo, a alimentação adequada e balanceada; a prática
regular de exercícios físicos; a convivência regular estimulante; e a busca, em
qualquer fase da vida, de uma atividade ocupacional prazerosa e de
mecanismos de atenuação do estresse. Em relação aos hábitos nocivos,
merecerão destaque o tabagismo, o alcoolismo e a automedicação.
Tais temas serão objeto de processos educativos e informativos
continuados, em todos os níveis de atuação do SUS, com a utilização dos
28
diversos recursos e meios disponíveis, tais como: distribuição de cartilhas e
folhetos, bem como o desenvolvimento de campanhas em programas
populares de rádio; veiculação de propagandas na televisão; treinamento de
agentes comunitários de saúde e profissionais integrantes da estratégia de
saúde da família para, no trabalho domiciliar, estimular os cidadãos na adoção
de comportamentos saudáveis. Ênfase especial será dada à orientação dos
idosos e seus familiares quanto aos riscos ambientais,que favorecem quedas,
e que podem comprometera capacidade funcional destas pessoas (GORDILHO
ET AL, 2001).
Deverão ser garantidas aos idosos, assim como aos portadores de
deficiência, condições adequadas de acesso aos espaços públicos, tais como
rampas, corrimões e outros equipamentos que facilitem seu deslocamento.
Por outro lado, as medidas adequadas com vistas a uma qualidade de
vida para o idoso, quando tomadas nas unidades de saúde, com suas equipes
mínimas tradicionais, deverão ser incorporadas pelos agentes de saúde ou
visitantes, além do estabelecimento de parcerias nas ações integrantes da
estratégia de saúde da família e congêneres.
Além disso, com a implementação de tais diretrizes, busca-se o
engajamento
efetivo
dos
grupos
de
convivência,
com
possibilidades
terapêuticas e preventivas.
Portanto, caberá aos gestores do SUS, de forma articulada, prover os
meios e atuar de modo a viabilizar o alcance do propósito da Política Nacional
de Saúde do Idoso, que é a promoção do envelhecimento saudável, a
manutenção e a melhoria, ao máximo possível, da capacidade funcional dos
idosos, a prevenção de doenças, a recuperação da saúde daqueles que
adoecem e a reabilitação daqueles que venham a ter a sua capacidade
funcional restringida. (GORDILHO ET AL, 2001).
29
5.4 A Qualidade de Vida na Terceira Idade
A terceira idade é como atualmente se denomina a etapa do ciclo de
vida humana denominado envelhecimento e que é assim definido por Stedman
(1996, p. 95):
O processo de se tornar velho, especialmente pela não
substituição de células em número suficiente para manter uma
capacidade funcional completa; afeta particularmente as células (por
exemplo, neurônios) incapazes de divisão mitótica; deterioração
gradativa de um organismo maduro, resultantes de alterações
irreversíveis nas estruturas dependentes do tempo, intrínseca às
espécies particulares e que acabam pôr levar à capacidade diminuída
de enfrentar os estresses ambientais, aumentando assim a
probabilidade de óbito.
Embora o pensamento ainda corrente mostre os idosos como inativos, já
se percebe uma mudança de postura da sociedade, já que eles são parte
integrante e essencial das sociedades contemporâneas.
Nessa perspectiva, esse aumento de tempo de vida para os seres
humanos, decorre do aumento de conhecimentos que os seres humanos
obtiveram na área da Ciência, especificamente na área da saúde, onde os
avanços tecnológicos e os estudos e descobertas sobre as doenças auxiliam o
ser humano a viver mais e melhor (STEDMAN, 1996).
Porém ainda há um pré-conceito coletivo ao se tratar de tudo o que
possa fazer referência ao conceito de velho. Neste sentido, tal idéia se reforça
com relação ao pensamento social sobre os idosos:
A expressão “velho” tem diferentes abordagens e pode
significar perda, deterioração, fracasso, inutilidade, fragilidade,
decadência, antigo, que tem muito tempo de existência, gasto pelo
uso, que há muito tempo possui certa qualidade ou exerce certa
profissão, obsoleto e não-adequado á vida, dando a impressão de
que o velho vive improdutivamente e está ultrapassado pela nossa
sociedade. Convém ainda ressaltar que a palavra velho é utilizada
normalmente como antônimo de jovem (SIMÕES, 1998, p. 18).
Há uma dificuldade em padronizar “quem é o idoso”, já que as pessoas e
as culturas têm ritmos diferentes: “As várias capacidades do indivíduo também
30
em diferentes proporções, razão porque a idade pode ser biológica, psicológica
ou sociológica” (SIMÕES, 1998, p. 25).
Este estudo propõe conhecer e discutir aspectos da qualidade de vida
na terceira Idade, entretanto não se pretende esgotar o assunto, e sim como
um ponto de partida para novos estudos e atitudes para os idosos, com vistas a
localizá-los como merecem na sociedade.
Pode-se constatar, hoje em dia, que os idosos são a parcela da
população que mais cresce. Esse é um fenômeno que vem ocorrendo nos
últimos anos na maioria das sociedades do mundo, especialmente nas mais
desenvolvidas.
Segundo Andrade (1996), estima-se que no ano 2020 haverá 1,2 bilhões
de pessoas idosas em todo o mundo. A população brasileira vem passando por
um intenso processo de transformação na sua estrutura etária nos últimos vinte
anos
A velhice compreende um processo que é biopsicossocial. É o último
estágio do ciclo vital e depende de como o indivíduo vivenciou toda a sua vida,
para alguns pode ser tedioso, para outros uma fase alegre, natural como as
outras que já passaram cada uma com suas próprias características
(PEREIRA, 1994).
Matsudo (1997) define o envelhecimento como uma série de processos
que ocorrem nos organismos vivos e que com o passar do tempo leva à perda
da adaptabilidade, à altura funcional e, eventualmente, à morte.
A qualidade de vida é um fator diretamente ligado a este contexto, sendo
um dos responsáveis pelo aumento ou pelo decréscimo na longevidade da
população (Matsudo, 2001).
Em recente artigo da Revista Latino Americana de Enfermagem a
pesquisadora Isabelle Santos assim conceituou qualidade de vida para a
pessoa idosa:
31
Conceito de qualidade de vida está relacionado à auto-estima
e ao bem-estar pessoal e abrange uma série de aspectos como a
capacidade funcional, o nível socioeconômico, o estado emocional, a
interação social, a atividade intelectual, o autocuidado, o suporte
familiar, o próprio estado de saúde, os valores culturais, éticos e a
religiosidade, o estilo de vida, a satisfação com o emprego e/ou com
atividades diárias e o ambiente em que se vive. O conceito de
qualidade de vida, portanto, varia de autor para autor e, além disso, é
um conceito subjetivo dependente do nível sociocultural, da faixa
etária e das aspirações pessoais do indivíduo. (SANTOS, 2002)
A preocupação em manter hábitos que garantam uma velhice saudável
marca uma nova etapa de conscientização.
Para Acosta (2004, p. 140) "muito das 'perdas' e 'efeitos do
envelhecimento' apresentados, são decorrentes do estilo de vida que leva o
idoso".
As atividades físicas são importantes para que se atinja o padrão
desejado em certos aspectos da qualidade de vida, conforme (MATSUDO,
2001, p. 166):
é claro que um estilo de vida ativo tem papel fundamental na
promoção da saúde e da qualidade de vida durante o processo de
envelhecimento, não importando quando, quanto e como o indivíduo
seja fisicamente ativo.
Dentro destas atividades encontra-se a hidroginástica, uma prática
preventiva e de amenização de problemas ligados geralmente à Terceira Idade
(Bonachela,1999).
Néri (1993 apud ACOSTA, 2004, p. 35) usa como sinônimos os
seguintes termos "qualidade de vida na velhice, bem estar psicológico, bem
estar percebido, bem estar subjetivo e envelhecimento satisfatório ou bem
sucedido" e defende três aspectos para se avaliar o grau de percepção da
qualidade de vida na velhice, são eles: nível biológico, nível psicológico e nível
social.
32
A qualidade de vida, contudo, é uma questão que envolve valores, e
como tal está cheia de subjetividade e reflexões pessoais e de juízos
familiares.
A Organização Mundial de Saúde (OMS, 2005) fundamenta o conceito
de qualidade de vida considerando três aspectos fundamentais, obtidos através
de um grupo de especialistas de diferentes culturas: (1) subjetividade; (2)
multidimensionalidade (3) presença de
dimensões positivas (exemplo:
mobilidade) e negativas (exemplo: dor).
Os aspectos descritos anteriormente devem ser capazes de medir a
qualidade de vida em qualquer lugar do planeta (ACOSTA, 2004).
A definição de qualidade de vida, seguindo estes aspectos, pode ser
enunciada como "a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto
da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus
objetivos, expectativas, padrões e preocupações" (OMS. 2005).
Todas essas mudanças morfológicas e funcionais que ocorrem com o
decorrer da idade são atribuídas a fatores como presença de doenças, o
envelhecimento e o estilo de vida sedentária.
Nesse ponto, o psicólogo H. Bee (TRAVASSOS, 1996) em seu livro
“Crescimento e Desenvolvimento” discute a velhice e analisa as mudanças
físicas, fisiológicas e intelectuais dessa fase de vida. Alterações como redução
de acuidade visual, sensibilidade à luz, velocidade de respostas entre outras,
refletem-se no desempenho intelectual e psíquico do idoso, pois passam a
sentir dificuldades de memorização de coisas recentes bem como relembrar
algo que foi dito tudo isso contribui para um declínio acentuado de muitas
tarefas intelectuais.
Vários autores encaram a velhice como sabedoria, sentimento de paz e
libertação; experiência de aprendizagem; rejuvenescimento. As mudanças
psíquicas estão muito relacionadas com a cultura em que vive o idoso, ele
pode ser considerado um sábio ou um inválido. Nas culturas orientais o velho é
33
tido como alguém que acumulou muita experiência, e possuidor de um saber
digno de respeito e admiração (PEREIRA, 1994).
Na nossa cultura, apesar da educação e formação que cada um recebe,
o idoso é ainda, tratado com muito preconceito e pouco aceito pela nossa
sociedade, ou seja, como um trambolho, um improdutivo, um aposentado
sofredor, um incapacitado, um doente. Esses preconceitos tornam o idoso uma
pessoa
carente
de
afeto,
de
atenção,
solitária,
sensível,
inibida
e
desestimulada a lutar por seu espaço junto à sociedade (PEREIRA, 1994)
Fundamentalmente, envelhecimento é uma conquista: envelhecer é
bom, o ruim é morrer cedo. E o que era antes o privilégio de poucos, chegar a
velhice, hoje passa a ser a norma, mesmo nos países mais pobres. Esta
conquista maior do século XX se transforma, no entanto em um grande desafio
para o século que se inicia (VERAS, 2002).
No Brasil, o envelhecimento populacional caminhou em paralelo à
progressiva urbanização e respondeu a um processo de complexificação
científica e tecnológica nas mais variadas áreas do conhecimento - sobretudo
no âmbito da biologia e medicina. Portanto, não apenas a estrutura da
população se transformou profundamente, como também suas expectativas e
valores.
Cabe observar que a transição demográfica constitui um fenômeno
global, embora as diferenças entre as sociedades sejam, sob este aspecto,
muito pronunciadas. Assim, nos países em desenvolvimento, a urbanização e a
modernização têm sido, via de regra, bastante assimétricas e, com freqüência,
desordenadas:
Ainda que em países extremamente pobres, como os da
África subsahariana, o aumento da expectativa de vida seja modesto,
se comparado ao observado nas sociedades desenvolvidas, diversos
desses países se vêem às voltas com uma população que reclama
atenção e recursos em ambas as suas "pontas", ou seja, existe uma
população muito jovem de importância central, mas também um
contingente crescente de pessoas mais velhas que vêm
experimentando incrementos substanciais nas últimas décadas. Estes
idosos cumprem por vezes um papel fundamental - como na África,
assolada pela pandemia do AIDS, onde são eles que cuidam dos
34
filhos aidéticos e, após a morte dos mesmos, dos netos órfãos
(VERAS, 2002).
Nesta perspectiva, é importante ressaltar a busca por qualidade de vida
e prevenção antes de se chegar à terceira idade como forma de reduzir ao
máximo as possibilidades/ probabilidades de doenças, já que as alterações
biológicas são inevitáveis.
5.5 O Profissional de Enfermagem e o cuidado ao Idoso
Conhecer o idoso, seus problemas de saúde e sócio-econômicos, bem
como as condutas indicadas por especialistas exige competências intelectuais
e integrativas.
Esse conhecimento é fundamental para apreciar possibilidades e
dificuldades na tomada de decisões em conjunto aos idosos, familiares e
profissionais estabelecendo assim uma relação de confiança.
Dentre as atribuições de um profissional de enfermagem está a
promoção da saúde do idoso e capacidade de identificar os fatores
determinantes da qualidade de vida da pessoa idosa, em seu contexto familiar
e social, bem como compreender o sentido da responsabilização compartilhada
como base para o desenvolvimento das ações que contribuem para o alcance
de uma vida saudável (SILVESTRE & COSTA NETO, 2003).
Nesta ótica, segundo Silvestre (2003), a Enfermagem tem como objeto
de estudo e prática o cuidado humano e fundamenta-se nos conhecimentos
sobre o processo de viver e envelhecer, das ciências biológicas e humanas.
E, ainda, os conhecimentos que dão base ao cuidado de idosos incluem
o entendimento das necessidades humanas, adaptações e mudanças que
ocorrem ao longo da vida, de dimensão biológica, psicológica, social, cultural e
espiritual.
35
Por outro lado, as estruturas curriculares que orientam a formação dos
trabalhadores de saúde e da enfermagem estão solidamente centradas nos
determinantes biológicos, que baseiam os modelos de atenção à saúde.
Preocupam-se com as doenças do corpo e mente, com enfoque
individual, desenvolvido por especialidades afins à medicina interna, havendo
poucas interseções com a Geriatria (LEME, 1994).
Segundo Waldow (1998), é necessário diferenciar os termos cuidar,
cuidado e assistir, para melhor visualização destes conceitos. O termo cuidar
denota uma ação dinâmica, pensada, refletida; já o termo cuidado dá a
conotação de responsabilidade e de zelo. Desse ponto de vista, o termo assistir
parece ser uma ação mais passiva de observar, acompanhar, favorecer,
auxiliar,
proteger;
na
verdade,
o
assistir
e/ou
a
assistência
não
necessariamente inclui o cuidar/cuidado.
Nessa conceituação, Waldow (1998, p. 127) aponta:
o cuidar como comportamentos e ações, que envolvem
conhecimento, valores, habilidades e atitudes, empreendidas no
sentido de favorecer as potencialidades das pessoas para manter ou
melhorar a condição humana no processo de viver e morrer. O
cuidado seria então o fenômeno resultante do processo de cuidar.
Essa autora refere ainda o cuidado humano enquanto uma forma de
vivência, de poder ser e de expressão, sendo uma postura ética e estética
frente ao mundo e, ainda, um compromisso com o estar no mundo,
contribuindo com: o bem-estar geral, o desenvolvimento sustentável, a
dignidade humana, a espiritualidade; a construção da história, a construção do
conhecimento e a construção da vida (WALDOW, 1998).
É nesse contexto que se percebe viável o cuidado gerontológico de
enfermagem, centrado nas necessidades básicas dos idosos incluídos pelas
famílias e comunidades, que os referenciam como sujeitos e cidadãos.
Conhecer, pois, as mudanças que se processam durante o período de vida
prolongado incluindo a velhice, diferenciando-as das doenças que afetam
pessoas e em particular os idosos, reconhecendo particularidades pessoais,
36
familiares, comunitárias e culturais, são conhecimentos centrais nos cuidados
de pessoas idosas (LEME, 1994).
Ainda, de acordo com Waldow (1998), o cuidado é uma resposta, que
envolve doação e autotranscendência, que não deve ser confundido com autoanulação ou subserviência, mas contenha os seguintes atributos: compaixão,
competência, confiança, consciência e comprometimento.
Por outro lado, Leme (1994) afirma que o acesso à subjetividade dos
idosos constrói relações de proximidade e vínculo que permitem o cuidado
colaborativo, a exposição de dúvidas e inquietações ligadas a preservação da
autonomia em confronto com a dependência física ou psicológica reconhecida
e mesmo expor pensamentos e intimidades ocultos por receios e medos.
Nessa perspectiva, para que os enfermeiros desenvolvam, de forma
adequada, cuidados ao ser humano idoso, alguns caminhos necessitam ser
considerados, tais quais: manutenção do bem-estar e vida autônoma, sempre
que possível, no ambiente domiciliar e onde tais cuidados centrem-se no idoso,
nas suas necessidades, de sua família e de sua comunidade e não em sua
doença (BITTES JÚNIOR, 1996).
Considerando o caráter generalista do perfil de enfermeiro exigido pelo
mercado no setor saúde, observa-se a tendência da exigência de especialistas,
seguindo as áreas pioneiras na medicina, voltadas à Cardiogeriatria,
Neurogeriatria, Psicogeriatria, além dos programas tradicionais para Diabéticos
e Hipertensos, em que predominam idosos, sem, no entanto, vislumbrar-se
especialistas de enfermagem nessas áreas, ainda (BITTES JÚNIOR, 1996).
Portanto, é importante, ainda, considerar que é necessário modificar
atitudes e práticas pessoais, pois, para adotar a ética de se viver
sustentavelmente, os seres humanos necessitam reexaminar os seus valores e
alterar o seu comportamento (SANTOS, 1997).
37
Para o desempenho dos cuidados a um idoso dependente, as pessoas
envolvidas deverão receber dos profissionais de saúde os esclarecimentos e as
orientações
necessárias,
inclusive
em
relação
às
doenças
crônico-
degenerativas com as quais está eventualmente lidando, bem como
informações sobre como acompanhar o tratamento prescrito.
Essas pessoas deverão, também, receber atenção médica pessoal,
considerando que a tarefa de cuidar de um adulto dependente é desgastante e
implica riscos à saúde do cuidador. Por conseguinte, a função de prevenir
perdas e agravos à saúde abrangerá, igualmente, a pessoa do cuidador
(LEME, 1994).
Assim, a parceria entre os profissionais de saúde e as pessoas que
cuidam dos idosos deverá possibilitar a sistematização das tarefas a serem
realizadas no próprio domicílio, privilegiando seqüelas relacionadas à
promoção da saúde, à prevenção de incapacidades e à manutenção da
capacidade funcional do idoso dependente e do seu cuidador, evitando-se,
assim, na medida do possível, hospitalizações, asilamentos e outras formas de
segregação e isolamento (SANTOS, 1997).
Assim, os integrantes de uma profissão devem promover atitudes que
apóiem a nova ética com vistas a construir um modo de vida sustentável.
38
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esse estudo demonstrou a que a promoção de programas que incluam
atividades físicas e terapêuticas pode interferir no processo de envelhecimento,
melhorando não só a saúde funcional, mas efetivamente a qualidade de vida
de indivíduos idosos.
Assim, a participação de idosos neste tipo de proposta precisa ser
regular
e
contínua
para
que
sejam
mantidos
todos
os
benefícios
proporcionados, com vistas a uma qualidade de vida.
Nesse processo, insere-se o Profissional de Enfermagem, que tem
participação fundamental, no sentido de promover, junto com o idoso, a
construção de um pensar mais aberto, mais consciente de suas capacidades e
potencialidades, na busca de uma melhor qualidade de vida, de sua própria
realização.
É fundamental que se acredite no potencial dos envolvidos, para que
haja uma maior proximidade, maior contato, e que se ofereça oportunidades de
atividades, de reinserção social da população idosa, com a possibilidade de
vencer os seus preconceitos e caminhar em busca de uma melhor qualidade
de vida, viabilizando sua própria satisfação, realização, bem-estar subjetivo.
Não existe lei impedindo que qualquer pessoa cuide do idoso. No
entanto, o mais indicado é que o cuidado do idoso fosse realizado por um
profissional de enfermagem, seja um auxiliar, técnico de enfermagem ou
enfermeiro. Principalmente, se o idoso necessita de atenção específica com a
alimentação, higiene, medicações e curativos.
Segundo Gordilho et al (2001), a atividade do cuidador (pessoa
responsável pelos cuidados com o idoso) é vista como uma ocupação e não
profissão. A função foi oficializada pela Portaria Interministerial n. 5.153, de 7
de abril de 1999, que considera a necessidade de habilitar recursos humanos
39
para cuidar do idoso e de criar alternativas que proporcionem aos idosos
melhor qualidade de vida. O cuidador oficializado por esta portaria é capacitado
a realizar cuidados básicos, que de acordo com os documentos sobre o
assunto, diz respeito à higiene, alimentação e ajuda na locomoção.
Por outro lado, há um consenso de que a capacidade de lidar com o
aumento na proporção de idosos depende tanto da capacidade do estado de
gerar e aplicar políticas públicas de cobertura extensiva, particularmente nas
áreas de seguridade social e saúde, quanto dos padrões de organização
familiar.
Assim,
é
possível
promover
um
envelhecimento
com
maior
independência, maior autonomia e, conseqüentemente, com uma melhor
qualidade de vida.
Portanto, a questão é se as mudanças sociais e demográficas reforçarão
ou enfraquecerão os laços entre gerações. Esses são importantes aspectos
que devem ser respondidos e resolvidos para a integração dos idosos na
sociedade em que vivem.
40
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