UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL DHE – DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO CURSO DE LICENCIATURA EM EDUCAÇÃO FÍSICA ASSOCIAÇÃO DO NÍVEL DE PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA COM OS INDICADORES DE APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR JEAN FORTES DE LIMA Ijuí/RS 2012 JEAN FORTES DE LIMA ASSOCIAÇÃO DO NÍVEL DE PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA COM OS INDICADORES DE APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ, como requisito parcial para a obtenção do título de Licenciado em Educação Física. Orientador: Prof. Ms. Barbosa do Nascimento Ijuí/RS 2012 Paulo Rogério À minha esposa, amiga e companheira Denise, que sempre acreditou em mim, meu deu força, carinho e apoio incondicional em todos os momentos. Aos meus familiares, que sempre estiveram comigo, me apoiaram, to rceram pelo meu crescimento e pela realização desse sonho t ão almejado. AGRADECIMENTOS Em primeiro lugar agradeço a Deus, criador do céu, do mar, da terra , e tudo que neles há, por estar junto comigo todos os dias guiando o meu caminho , e por tudo que fez e faz em minha vida; Aos meus pais, pela educação recebida, valores aprendidos, por todo o cuidado, carinho e amor incondicional; À minha esposa, pela compreensão da minha ausência nos períodos de aula s presenciais, por me dar forças nos momentos mais difíceis, pelo apoio, carinho e amor; Ao meu orientador, Prof. Ms. Paulo Rogério Barbosa do Nascimento , por toda a sua dedicação, paciência e empenho na condução desse trabalho, e, principalmente pela confiança em mim depositada durante todo o processo de desenvolviment o do mesmo; Ao professor da disciplina de Trabalho de Conclusão de Curso , Prof. Ms. Paulo Carlan, pela sua participação na banca de avaliação, e por contribuir na qualificação do trabalho com sugestões para a versão final do mesmo; Aos professores que tanto me ensinaram no decorrer do curso, pela contribuição de cada um na minha formação acadêmica e profissional; À tutora do EaD do curso de Educação Física, Deise Iara Mensch, por estar sempre pronta a ajudar, pela simpatia, agilidade e eficiência no seu tra balho; Aos funcionários que trabalham no Departamento de Educação Física , por toda dedicação em prol do curso, pelo bom atendimento e eficiência ; À diretora da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava, Profª Sônia Mariza da Silva de Lima, pela rec eptividade e apoio no decorrer de toda a pesquisa de campo realizada na referida instituição escolar ; Aos alunos das séries finais da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava, pela participação na pesquisa de campo e por todo carinho que demonstra ram comigo durante a realização da mesma. SUMÁRIO LISTA DE QUADROS........................................................................................... 07 LISTA DE FIGURAS....................................................................... ...................... 08 LISTA DE TABELAS............................................................................................ 09 LISTA DE ANEXOS.............................................................................................. 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS............................................................ 12 RESUMO................................................................................................................. 13 1 INTRODUÇÃO................................................................................................. 14 1.1 Problema................................................................................................. 17 1.2 Objetivo........................................................... ........................................17 1.2.1 Objetivo Geral................................................................................17 1.2.2 Objetivos Específicos..................................................................... 18 1.3 Justificativa............................................................................................. 18 2 REVISÃO DA LITERATURA........................................................................ 22 2.1 A EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA .................................... 22 2.1.1 Compreensões básicas sobre o processo de desenvolvimento histórico da disciplina curricular de Educação Física no Brasil...................................22 2.1.2 O processo de estruturação legal da disciplina curricular de Educação Física na Educação Básica............................................................................ 27 2.1.3 Organização curricular da disciplina de Educação Física na Educação Básica............................................................. ............................................... 30 2.2 ATIVIDADE FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE .................................. 34 2.2.1 Atividade Física................................................................................... 34 2.2.1.1 Exercício Físico.......................................................................... 36 2.2.2 Aptidão Física...................................................................................... 37 2.2.3 Aptidão Física relacionada à Saúde..................................................... 39 2.2.4 Componentes da Aptidão Física relacionada à Saúde..........................40 2.2.4.1 Resistência Cardiorrespiratória................................................... 42 2.2.4.2 Força/Resistência Muscular........................................................ 44 2.2.4.3 Flexibilidade............................................................................... 46 2.2.4.4 Composição Corporal................................................................. 47 2.2.5 Saúde.................................................................................................... 50 2.2.6 Promoção da Saúde.............................................................................. 53 2.3 A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NA PROMOÇÃO DE ESTILOS DE VIDA ATIVA E PARA O DESENVOLVIMENTO DOS INDICADORES DE APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE ................................................ 55 2.3.1 As contribuições da Educação Física escolar na promoção de estilos de vida ativa e para o desenvolvimento dos indicadores de Aptidão Física relacionada à Saúde....................................................................................... 55 2.3.2 Objetivos e conteúdos da Educação Física escolar na promoção de estilos de vida ativa e para o desenvolvimento dos indicadores de Aptidão Física relacionada à Saúde............................................................................ 58 2.3.3 Como motivar os alunos menos aptos a desenvolverem a Aptidão Física relacionada à Saúde?..................................................................................... 64 3 METODOLOGIA............................................................................................. 67 3.1 Caracterização do Estudo........................................................................ 67 3.2 Seleção dos Sujeitos................................................................................ 67 3.2.1 População....................................................................................... 67 3.2.2 Amostra.......................................................................................... 67 3.2.3 Critérios de Inclusão...................................................................... 68 3.2.4 Critérios de Exclusão..................................................................... 68 3.3 Procedimentos......................................................................................... 68 3.4 Instrumentos e Materiais................................................................... ......70 3.5. Seleção dos Instrumentos....................................................................... 72 3.5.1 Classificação do Nível de Atividade Física Habitual.................... 72 3.5.2 Resistência Cardiorrespiratória ...................................................... 73 3.5.3 Flexibilidade................................................................................... 75 3.5.4 Força/Resistência Muscular ........................................................... 76 3.5.5 Composição Corporal.................................................................... 77 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS .......................................... 80 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................. . 100 REFERÊNCIAS.................................................................................................... 105 ANEXOS................................................................................................................ 109 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Componentes da Aptidão Física .................................................................... 41 Quadro 2: Sugestões de objetivos e conteúdos para um Programa de Educação Física para um Estilo de Vida Ativo .......................................................................................... 60 Quadro 3: Fórmula para calcular a distância total percorrida pelos alunos no teste “corrida/caminhada de 9 minutos” ..................................................................... .............74 Quadro 4: Fórmula para avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC) ....................... 78 Quadro 5: Quadro geral das medidas antropométricas de idade, estatura, massa corporal e índice de massa corporal (IMC), testes físicos de aptidão cardiorrespiratória (corrida/caminhada de 9 minutos), força/resistência abdominal (abdominais em 1 minuto) e flexibilidade (sentar-e-alcançar); e, classificação do nível de atividade física habitual (inativo, pouco ativo, moderadamente ativo e muito ativo) dos alunos que participaram do estudo em 14/11, 18/11 e 21/11/2 011................................................... 80 7 LISTA DE FIGURAS Figura 1: Continuum da Saúde.................................................................................. ..... 52 Figura 2: Distribuição da idade dos alunos por sexo...................................................... 82 Figura 3: Distribuição da classificação do nível de atividade física dos alunos por sexo.................................................. ............................................................................... 84 Figura 4: Relação entre níveis de prática de atividade física e benefícios à saúde .........85 Figura 5: Distribuição dos níveis de adiposidade corporal dos alunos por sexo............ 87 Figura 6: Distribuição da correlação existente entre os alunos poucos ativos, moderadamente ativos e muito ativos e os resultados do IMC por sexo........................ 88 Figura 7: Distribuição dos resultados dos alunos no teste de “corrid a/caminha de 9 minutos” de acordo com a faixa recomendável em aptidão cardiorrespiratória ............. 91 Figura 8: Distribuição dos resultados dos alunos no teste de “abdominais em 1 minuto” de acordo com a faixa recomendável em força/resistência muscular ............................. 94 Figura 9: Distribuição dos resultados dos alunos no teste de “sentar -e-alcançar” de acordo com a faixa recomendável em flexibilidade ....................................................... 96 Figura 10: Distribuição dos alunos que estão na ZSApFRS........................................... 97 Figura 11: Distribuição dos alunos que estã o abaixo da ZSApFRS............................... 98 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1: Classificação dos alunos de acordo com o nível de práti ca de atividades físicas habituais (ocupacionais diárias e de lazer) estimadas pelo Questionário de Atividades Físicas Habituais (Anexo 2 ).......................................................................... 73 Tabela 2: Faixa recomendável para zona d e boa saúde em aptidão cardiorrespiratória, a qual considera os resultados dos alunos no teste “corrida/caminhada de 9 minutos” (distância em metros)...................................................................................................... 74 Tabela 3: Faixa recomendável para zona de boa saúde em força/resistência muscular, a qual considera os resultados dos alunos no teste “abdominais em 1 minuto” (número de repetições)............................................................................ ........................................... 75 Tabela 4: Faixa recomendável para zona de boa saúde em flexibilidade, a qual considera os resultados dos alunos no teste de “sentar-e-alcançar” (distância em centímetros)..................................................................................................................... 77 Tabela 5: Faixa recomendável para zona de boa saúde em composição corporal, a qual considera os resultados dos alunos na avaliação do IMC (Kg/m²)............................. .... 78 Tabela 6: Pontos de corte para o IMC em crianças e adolescentes................................. 79 Tabela 7: Distribuição dos alunos avaliados de acordo com o sexo e a idade................ 81 Tabela 8: Resultados referentes à classificação dos al unos avaliados quanto ao nível de atividade física habitual de acordo com o sexo e a idade ................................................ 83 Tabela 9: Resultados da avaliação dos níveis de adiposidade corporal, tomando como referência o IMC, classificando os alunos de acordo com as tabelas 5 e 6, e dividindo os por sexo e idade.......................................................................................................... 86 Tabela 10: Classificação dos alunos no teste “corrida/caminhada de 9 min utos”, de acordo com o sexo e a idade dos avaliados..................................................................... 89 Tabela 11: Classificação dos alunos no teste “abdominais em 1 minuto”, de acordo com o sexo e a idade dos avaliados................. ........................................................................ 92 9 Tabela 12: Classificação dos alunos no teste de “sentar -e-alcançar”, de acordo com o sexo e a idade dos avaliados................................................................... .........................95 10 LISTA DE ANEXOS ANEXO 1 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecid o......................................... 110 ANEXO 2 – Questionário de Atividades Físicas Habituais .......................................... 111 ANEXO 3 – Ficha de Avaliação Individual.................................................................. 112 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AAHPERD – Lifetime Health-Related Physical Fitness ABD – Teste de Força/Resistência Muscular ACSM – American College of Sports Medicine ApFRS – Aptidão Física relacionada à Saúde ApFRDM – Aptidão Física relacionada ao Desempenho Motor AVD – Atividades da Vida Diária EAPTV – Escada da Aptidão para Toda a Vida IMC – Índice de Massa Corporal MCM – Massa Corporal Magra OMS – Organização Mundial da Saúde NAFH – Nível de Atividade Física Habitual PROESP-BR – Projeto Esporte Brasil SA – Teste de Flexibilidade WHO – World Health Organization ZSApFRS – Zona saudável de Aptidão Física relacionada à Saúde 9min – Teste de Aptidão Cardiorrespiratória 12 ASSOCIAÇÃO DO NÍVEL DE PRÁTICA DE ATIVIDADE FÍSICA COM OS INDICADORES DE APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR JEAN FORTES DE LIMA 1 Orientador: Prof. MS. PAULO ROGÉRIO BARBOSA DO NASCIMENTO 2 RESUMO O objetivo do presente estudo foi avaliar a associação entre os níveis de atividade física habitual (inativos, pouco ativos, moderadamente ativos e muito ativos) e os indicadores de aptidão física relacionada à saúde dos alunos matriculados nas séries finais da Esc ola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava, do município de Dois Irmãos das Missões/RS, entre 11 e 16 anos de idade, de ambos os sexos, participantes das aulas de Educação Física da escola. A amostra desse estudo foi composta por 32 alunos, send o 56,25% (n=18) do sexo masculino e 43,75% (n=14) do sexo feminino. Foi utilizada a metodologia descritiva e de campo, sendo analisadas as seguintes variáveis: nível de atividade física habitual (inativo, pouco ativo, moderadamente ativo e muito ativo); composição corporal (IMC); resistência cardiorrespiratória (corrida/caminhada de 9 minutos); força/resistência muscular (abdominais em 1 minuto); e flexibilidade (teste de sentar-e-alcançar). Considerando os níveis de prática de atividades físicas dos alunos, bem como, os resultados dos mesmos nos testes de aptidão física relacionada à saúde, evidenciou-se que os alunos, sobretudo do sexo feminino da população estudada, estão bem mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças crônico não -transmissíveis, visto que boa parte dos mesmos possui estilos de vida sedentário (pouco ativo), bem como, não se classificaram dentro da ZSApFRS nos testes ApFRS. De fato, bons níveis de atividade física são extremamente importantes para o desenvolvimento dos indicadores de ApFRS, mas, não podem ser os únicos responsáveis pelas mudanças favoráveis dos mesmos. Portanto, acredita -se que o papel da Educação Física escolar deve ser o de habilitar os alunos à prática de atividades físicas, fornecendo subsídios e encorajando -os à adoção de estilos de vida ativa e levando -os a compreender os múltiplos fatores que levam à inatividade física ou a baixos níveis de atividade física, a fim contribuir para o entendimento da relação entre atividade física, aptidão física e saúde, bem como, para o desenvolvimento de estilos de vida ativa para todos. Palavras-chave: Atividade Física; Aptidão Física; Saúde . 1 Acadêmico do Curso de Educação Física da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. Ijuí/RS. 2 Professor do Curso de Educação Física da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – Departamento de Humanidades e Educação. Ijuí/RS. 13 1 INTRODUÇÃO Nos dias de hoje, a prática de atividades físicas faz parte do dia -a-dia de muitas pessoas, e felizmente, pesquisas apontam que sua aderência tem crescido cada vez mais. Tendo em vista melhorar a saúde e a qualidade de vida, indivíduos de todas as faixas etárias e condições, influenciados na maioria das vezes por mudanças no estilo de vida, têm incluído a prática habitual de atividades físicas no seu cotidiano. Nessa perspectiva, muitos autores defendem a opinião de que o exercício físico faz bem para a saúde, contudo, enquanto muitos buscam ter uma vida fisicamente ativa, outros sofrem os deteriorantes efeitos da inatividade física. Pa rtindo dessa perspectiva, Nahas (2010, p. 38) aponta que “a inatividade física representa uma causa importante de debilidade, de reduzida qualidade de vida e de morte prematura nas sociedades atuais, particularmente nos países industrializados”. Em nossos dias, a utilização dos produtos tecnológicos e d e informática, tornamse cada vez mais importantes em nossas vidas. Todos esses facilitadores propiciam -nos mais conforto e segurança, facilitando a realização de nossas atividades, e ajudando -nos a cumpri-las de forma mais rápida e cômoda. Entretanto, somos desafiados diariamente a tirar proveito desses avanços tecnol ógicos sem perdermos a qualidade de vida, haja vista que em curto prazo esses equipamentos e facilidades colaboram para que tenha um aumento constante de pessoas ociosas e cada vez menos ativas (NAHAS, 2010). Mas, o que mais preocupa-nos nisso tudo tem sido o fato dos avanços tecnológicos propiciarem condições que colaboram para a adoção de comportamentos de risco à saúde, sobretudo de níveis de prática de atividade física habitual insuficiente e sedentarismo. Muito tem sido dito e escrito presentemente acerca da importância de um estilo de vida ativo para pessoas de todas as faixas etárias e condições. Mas, mesmo diante de todas as evidências acumuladas e sistematizadas cientificamente, há muitas pessoas que permanecem alheias às informações e desinteressadas nos efeitos inerentes à prática de atividades físicas habituais (NAHAS, 2010). Para Guiselini (2004, p. 68) “nenhum remédio, vacina ou injeçã o pode eliminar totalmente as doenças causadas por um estilo de vida prejudicial. Para conseguirmos bons resultados precisamos mudar nosso estilo de vida”. Dessa forma, o autor evidencia 14 a importância de possuirmos um estilo de vida saudável, capaz de nos proporcionar os benefícios inerentes à prática habitual de atividades físicas . De fato, a prática habitual e bem orientada de exercícios físicos tem apresentado influência significativa na saúde e qualidade de vida de indivíduos de diferentes idades, sexo, condição funcional ou socioeconômica. D iante disso, houve uma popularização da prática de exercícios físicos no contexto escolar, a fim de que o componente curricular de Educação Física contribuísse para a promoção desses benefícios (FERREIRA, 2001). Entretanto, esse importante avanço deve superar suas abordagens limitantes e ser entendido a partir de uma visão multifatorial, a fim de popularizar e consolidar de fato a prática de exercícios físicos. Desta forma, Ferreira (2001, p. 50) aponta que a Educação Física escolar deve “promover um exame crítico dos determinantes sociais, econômicos, políticos e ambientais diretamente relacionados a seus conteúdos, de tal forma que a s pessoas tenham autonomia na prática de exercícios físicos”. Partindo dessa linha, entende-se que os alunos precisa m adquirir conhecimentos que os permitam ultrapassar a relação causal estabelecida entre a prática de exercícios físicos e a saúde. Para tanto, Devide et al. (2005, p. 2) afirmam que: [...] os professores de Educação Física têm responsabilidade na modificação deste cenário, o qual pode ser concretizado por meio da socialização de conhecimentos acerca do exercício físico, do desenvolvimento da consciência crítica e do desvelamento dos condicionantes sociais do status de saúde. Nessa perspectiva, levando em conta o papel da Educação Física escolar, Devide et al. (2005, p. 2) pontuam que: A Educação Física pode redirecionar sua prática na escola, contribuindo para a criação de estilos de vida ativos para toda a vida (ANDREWS, 1 990), mediada pelas idéias da Promoção da Saúde (FARIA JÚNIOR, 1991) e da Cultura Corporal do Movimento (COLETIVO DE AUTORES, 1992). Já Corbin e Fox (1986 apud FERREIRA, 2001, p . 44) afirmam que compete sobretudo à Educação Física escolar, cumprir o impor tante papel de “criar nos alunos o 15 prazer e o gosto pelo exercício físico e pelo desporto de forma a levá -los a adotar um estilo de vida saudável e ativo”. Para tanto, os autores citados por Ferreira (2001), afirmam que os indivíduos devem ter a capacidade de selecionar as atividades que satisfazem suas necessidades e seus interesses, sabendo avaliar os seus próprios níveis de aptidão e, por fim, dotados da capacidade de resolver seus próprios problemas de aptidão (CORBIN; FOX, 1986). No entanto, a Educação Física escolar ainda nos dias de hoje, tem sido atrelada exclusivamente ao desporto, sendo que para Ferreira (2001, p. 44) “talvez seja uma das poucas disciplinas escolares, senão a única, a trabalhar os mesmos conteúdos da 5ª série do Ensino Fundamental até o último ano do Ensino Médio”. Mas, mesmo que hoje em dia haja mudanças positivas na Educação Física escolar, analisando a realidade que vivenciei durante a minha formação escolar e a exposta nos depoimentos de diferentes acadêmicos durante o curso de Educação Física da UNIJUÍ, se faz possível afirmar que ainda existem muitos professores que privilegiam somente a prática das modalidades esportivas de futsal e ou futebol, voleibol, handebol e basquete, com ênfase exclusiva no desenvolvimento das suas técnicas, regras e da compreensão histórica das mesmas , em detrimento dos demais conteúdos da cultura corporal do movimento. E para que os alunos possam adquirir autonomia na prática de exercícios físicos, partimos da proposta idealizada por Charles Corbin, conhecida como EATV (Escada da Aptidão para Toda a Vida), criada na tentativa de descrever os objetivos considerados relevantes em um programa de Educação Física, e na busca por definir de forma clara os objetivos relativos à aptidão física e à saúde (NAHA S; CORBIN, 1992). Portanto, fica evidenciado que a Educação Física cumpre um papel fundamental frente aos desafios do processo educativo para a promoção de um estilo de vida ativo. E, diante desse importante papel social, cabe a disciplina de Educação Físi ca buscar meios que permitam promover esses benefícios para nossos alunos, sem perder de vista o caráter multifatorial da saúde. Todavia, devemos lembrar que o papel da Educação Física tende a se limitar se ela foi incapaz de provocar o exame crítico dos determinantes sociais, econômicos, políticos e ambientais que se relacionam diretamente aos seus conteúdos, a fim de que os indivíduos possam ter autonomia na prática de exercícios físicos, e que, independente da idade, sexo, condição funcional ou socioecon ômica dos 16 mesmos, sejam capazes de adquirir um estilo de vida ativo, com mais qualidade de vida, aptidão física e saúde (FERREIRA, 2001). Devido aos diversos fatores que influenciam os comportamentos saudáveis e as interações entre estes e os indicadores relativos à aptidão física relacionada à saúde , se faz necessário aprofundarmos o conhecimento com relação a algumas problemáticas: i) os adolescentes que praticam atividades físicas habituais apresentam melhores níveis de aptidão física? ii) o estilo de vida inativo ou pouco ativo, com relação à prática habitual de atividades físicas, pode ser preocupante? iii) quais comportamentos se associam aos níveis desejados de aptidão física relacionada à saúde? Portanto, a partir dessas questões, bem como, por meio do levantamento dos níveis de atividade física habitual e dos indicadores de aptidão física relacionada à saúde dos alunos, originou-se o seguinte problema de pesquisa: 1.1 Problema Qual a associação existente entre os níveis de atividade física habitua l (inativo, pouco ativo, moderadamente ativo e muito ativ o) e os indicadores de aptidão física relacionada à saúde dos alunos das séries finais da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava , de Dois Irmãos das Missões/RS, e o papel da Educação Física escolar? 1.2 Objetivos 1.2.1 Objetivo Geral Examinar a associação existente entre os níveis de atividades físicas habituais e os indicadores de aptidão física relacionada à saúde dos alunos das séries finais da Escola Municipal de Ensino Fundamental N enê Boava, do Município de Dois Irmãos 17 das Missões/RS, bem como, refletir sobre a/s função/ões da Educação Física escolar nesse contexto. 1.2.2 Objetivos Específicos a) Classificar os alunos de acordo com o nível de prática de atividades físicas habituais dos mesmos no cotidiano de vida (inativo, pouco ativo, moderadamente ativo ou muito ativo); b) Avaliar os indicadores de aptidão física relacionada à saúde (resistência cardiorrespiratória, força/resistência muscular, flexibilidade e composição corporal) dos alunos; c) Analisar os indicadores de saúde dos alunos em relação aos critérios de saúde estabelecidos pelo PROESP-BR; e d) Refletir sobre o papel da Educação Física escolar no processo de construção das relações entre atividade física, aptidão física e saúde. 1.3 Justificativa Nos dias de hoje, o tema saúde tem sido muito discutido no meio acadêmico, haja vista sua característica dinâmica, que envolve além da ausência de doenças muitos outros fatores, que associados e equilibrados, tendem a levar os indivíduos a um estado positivo de saúde (GONÇALVES, 2006). Neste contexto, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (WHO apud GUEDES, 2002, p. 19) o termo saúde nos denota “uma multiplicidade de aspectos do comportamento humano voltados ao completo b em-estar físico, mental, social e espiritual”. Dessa forma, devemos levar em conta as palavras de Guedes (2002, p. 20) o qual afirma-nos que “[...] não basta apenas não estar doente para se ter saúde, é preciso apresentar evidências ou atitudes que venham afastar ao máximo os fatores de risco que possam precipitar o surgimento das doenças”. 18 Um dos fatores que completam o estado de bem-estar dos indivíduos é a aptidão física, a qual é definida por Nieman (1999, p. 4) como sendo uma “condição na qual o indivíduo possui energia e vitalidade suficientes para realizar as tarefas do dia -a-dia e participar de atividades recreativas sem fadiga”. De acordo com Nahas (2010), a aptidão física relacionada à saúde é formada por componentes básicos que estão mais associad os à saúde e que podem ser influenciados pela prática habitual de atividades físicas e, quando desenvolvidos de forma adequada e mantidos em níveis saudáveis, possibilitam aos indivíduos uma melhora na saúde. Esses componentes básicos são: a aptidão cardio rrespiratória, a força/resistência muscular, a flexibilidade e a composição corporal (NAHAS, 2010). O conceito aptidão física relacionada à saúde (ApFRS) passou a existir a partir de estudos clínicos que comprovaram uma maior incidência de problemas de saú de em populações de idosos, adultos e jovens que apresentavam um estilo de vida tipicam ente sedentário (RONQUE, 2003). Dessa forma, entende-se que a aptidão física relacionada à saúde, associa-se a um menor risco de desenvolvimento de doenças adjuntas a ba ixos níveis de atividade física habitua l. Portanto, propiciar um estilo de vida ativo, bem como o desenvolvimento da aptidão física relacionada à saúde se faz de extrema importância nos dias atuais, haja vista que nos últimos anos estudos tem confirmado qu e o baixo nível de atividade física habitual representa importante fator de risco no desenvolvimento de doenças crônico degenerativas não transmissíveis , tais como a diabete mélitus não -insulino-dependente, doenças cardiovasculares, hipertensão arterial, o steoporose e também alguns tipos de câncer (BACCIOTTI, 2007). Diante disso, pode-se afirmar que níveis saudáveis de aptidão física relacionada à saúde se associam a menores riscos para o desenvolvimento de doenças e morte por todas as causas, de modo que, verifica-se que seus componentes contribuem de forma efetiva para a prevenção e promoção da saúde dos indivíduos. De fato, a prática de atividades físicas habituais promove diversos benefícios para nossa saúde, mas, mesmo frente a todas as evidências acumu ladas e sistematizadas cientificamente, ainda existem muitas pessoas que permanecem alheias às informações e desinteressadas nos efeitos da prática habitual de atividades físicas (NAHAS, 2010). 19 Nessa perspectiva, Colditz e Mariane (2003, apud GONÇALV ES, 2006, p. 2) afirmam que “as pessoas com um estilo de vida inadequado, os índices de inatividades físicas são elevados e as doenças crônicas degenerativas são ainda as principais causas de morte”. Dentre os fatores que contribuem para um estilo de vida prejudicial à saúde Gonçalves (2006, p. 2) afirma que: [...] a modernização dos meios de transporte e a substituição das atividades físicas de lazer por atividades passivas como vídeo -game e internet destacamse por promoverem níveis reduzidos de movimentos cor porais que levam a médio, longo prazo a inatividade física. Dessa forma, evidencia-se a associação existente entre atividade física, aptidão física e saúde, haja vista que a adoção de um estilo de vida fisicamente ativo colabora na melhora dos indicadores de aptidão física relacionada à saúde e, dessa forma, contribui na promoção da saúde dos indivíduos. Por meio do Questionário de Atividades Físicas Habituais (Anexo 2), pode -se identificar o nível de prática de atividades físicas habituais dos alunos, classificando-os como: inativo, pouco ativo, moderadamente ativo ou muito ativo. O processo de avaliação dos indicadores de aptidão física relacionada à saúde possibilita a coleta de importantes informações com relação ao estado físico dos alunos, bem como, colabora efetivamente no diagnóstico das potencialidades e deficiências dos mesmos. Para atingirmos nossos objetivos, estruturamos esse estudo levando em conta os tópicos: A Educação Física na Educação Básica; Atividade Física, Aptidão Físic a e Saúde; e por fim, A Educação Física escolar na promoção de estilos de vida ativa e para o desenvolvimento dos indicadores de Aptidão Física relacionada à Saúde. Na primeira etapa da revisão da literatura abordamos os seguintes sub-tópicos: Compreensões básicas sobre o processo de desenvolvimento histórico da disciplina curricular de Educação Física no Brasil; O processo de estruturação legal da disciplina curricular de Educação Física na Educação Básica; e a Organização curricular da disciplina de Educação Física na Educação Básica. 20 Na segunda etapa da revisão da literatura, contemplamos os sub -tópicos a seguir: Atividade Física; Exercício Físico; Aptidão Física; Aptidão Física relacionada à Saúde; Componentes da Aptidão Física relacionada à Saúde; Resis tência Cardiorrespiratória; Força/Resistência Muscular; Fle xibilidade; Composição Corporal ; Saúde; e Promoção da Saúde. E por fim, na última etapa da revisão da literatura foram desenvolvidos os subtópicos: Contribuições da Educação Física escolar na promoção de estilos de vida ativa e para o desenvolvimento dos indicadores de Aptidão Física relacionada à Saúde ; Objetivos e conteúdos da Educação Física na promoção de estilos de vida ativa e para o desenvolvimento dos indicadores de Aptidão Física relaciona da à Saúde; e Como motivar os alunos menos aptos a desenvolverem a Aptidão Física relacionada à Saúde? Na próxima etapa, aborda-se os procedimentos metodológicos empregados na realização desse estudo, onde há a descrição da caracterização do estudo, a seleção dos sujeitos, procedimentos para coleta dos dados, instrumentos e materiais utilizados e a seleção dos instrumentos utilizados no estudo. Na sequência apresenta-se a análise e discussão dos resultados, onde os dados foram tabulados por sexo e faixa etá ria, a fim de possibilitar melhores condições para a análise e interpretação dos mesmos com a literatura e para uma melhor visualização. Por fim são feitas as considerações finais do estudo, de modo que seja possível demonstrar e refletir acerca de alguns resultados julgados importantes. 21 2 REVISÃO DA LITERATURA No decorrer da revisão da literatura, aspiramos estabelecer a associação existente entre os níveis de prática de atividades físicas (inativo, pouco ativo, moderadamente ativo e muito ativo) e os in dicadores de aptidão física relacionada à saúde, a fim de perceber aproximações e ou distanciamentos entre as variantes, e dessa forma, adquirir a capacidade de perceber e refletir sobre o papel da Educação Física na promoção um estilo de vida ativa, na promoção da saúde e na formação de alunos aptos a gerenciarem a prática habitual do exercício físico no cotidiano de vida. 2.1 EDUCAÇÃO FÍSICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA 2.1.1 Compreensões básicas sobre o processo de desenvolvimento histórico da disciplina curricular de Educação Física no Brasil Para compreendermos melhor a Educação Física contemporânea, bem como, os novos rumos que se delineiam, faz -se necessário considerar as suas origens no Brasil. E a partir desse objetivo, buscou -se fazer um apanhado sobre os principais acontecimentos que marcaram a história da Educação Física em nosso país. A história da Educação Física é bem curta, pois, sua profissionalização é um fato bem recente, apoiado pela classe militar e médica, as quais colaboraram na gênese dessa história com a estruturação e a organização dos conhecimentos no início do século XIX, em um momento bastante significativo da mesma (MAGALHÃES, 2005). A contribuição da classe médica e das instituições militares para a estruturação e organização dos conhecimentos da Educação Física, foi dada levando -se em conta as especificidades do conhecimento de cada uma, e apresentadas de forma individualizada por Magalhães (2005, p. 91), o qual afirma que: Os médicos construíram os estudos científicos, ou seja, a teor ia, enquanto os militares organizaram a prática segundo alguns manuais de ginástica. Os 22 médicos produziram estudos teóricos na faculdade de medicina a respeito das atividades físicas, enquanto os militares, a partir de tratados que elucidavam alguns métodos ginásticos, construíram seu conhecimento a partir da prática de atividades físicas. A ginástica teve sua origem na Alemanha, para cumprir, sobretudo, seu intuito de defender a pátria, portanto, era preciso criar um forte espírito nacionalista, que fosse seguido por homens e mulheres fortes, robustos e saudáveis (SOARES, 1994). Nesse período, um dos obstáculos que dificultava a obrigatoriedade da prática de atividades físicas nas escolas, era o fato de que, embora a elite imperial estivesse de acordo com as concepções da Educação Física da época, havia uma forte resistência na realização de atividades físicas, por conta da associação existente entre o trabalho físico e o trabalho escravo. Dessa forma, as instituições militares, influenciadas pela filosofi a positivista, pregavam a educação do físico, a fim de formar sujeitos fortes e saudáveis, aptos a defender a pátria e que promovessem a ordem e o progresso (PCN ’s, 1997). Nessa linha, Soares (1994, p. 66) pontua que: [...] este “espírito nacionalista”, e este “corpo saudável”, poderiam ser desenvolvidos pela ginástica, construída a partir de “bases científicas”, ou seja, das ciências que dominavam a sociedade da época: a biologia, a fisiologia e a anatomia. Com a vinda da família real para o Brasil em 1808, foram fundadas as primeiras instituições públicas da época: Biblioteca Nacional, Escola de Engenharia, Escola de Direito, Escola de Medicina e a Academia Militar Real (MAGALHÃES, 2005). De acordo com Magalhães (2005, p. 92) “foi por meio dos militares da Academia Militar Real que houve a sistematização dos conhecimentos práticos das atividades em ginástica, caracterizadas, inicialmente, pelos métodos ginásticos alemães”. No Brasil, a inclusão da ginástica na grade curricular de uma instituição pública de ensino civil, aconteceu somente por volta de 1840, no antigo Ginásio Nacional (atual Pedro II), no Rio de Janeiro, em uma época em que a maioria dos instrutores de ginástica 23 eram militares, e instruíam através do método alemão, aprendido na Academia Mi litar Real (MAGALHÃES, 2005). Conforme os PCN’s (1997, p. 19): No ano de 1851 foi feita a Reforma Couto Ferraz, a qual tornou obrigatória a Educação Física nas escolas do município da Corte. De modo geral houve grande contrariedade por parte dos pais em v er seus filhos envolvidos em atividades que não tinham caráter intelectual. Em relação aos meninos, a tolerância era um pouco maior, já que a idéia de ginástica associava -se às instituições militares; mas, em relação às meninas, houve pais que proibiram a participação de suas filhas. A Educação Física dessa época despreocupava -se com o distanciamento entre a teoria e a prática, tornando-se obrigatória sem atentar a essa cor relação. A determinação dos pais em proibir a participação das filhas nas aulas de Educação Física aconteceu, primeiramente, pelo fato de que não conseguiam “enxergar” um saber sistematizado na disciplina, ou seja, rotulavam-na como sendo desprovida de conhecimentos intelectuais, e posteriormente, pela concepção de Educação Física da épo ca, a qual era intimamente associada ao desenvolvimento de indivíduos fortes e sadios, aptos a defender a pátria. Todo esse contexto motivou a intolerância dos pais, levando -os a vetarem a participação das meninas nas aulas de Educação Física, e a reconhec er a disciplina como importante exclusivamente para os meninos. No Brasil, em diversos momentos da história, a Educação Física permaneceu sempre fortemente ligada às instituições médicas e militares, as quais contribuíram para definir o seu caminho, deline ar o seu espaço e delimitar o seu campo de conhecimento, de modo, que se tornou um instrumento de grande valia nas ações e nas intervenções da realidade educacional e social (SOARES, 1994). Para Góis (2001, p. 14): A década de trinta representa para a Ed ucação Física Brasileira uma época de legitimação e de apoio institucional. Nesta década passam a existir periódicos especializados; fundação de clubes esportivos; sua presença nas instituições escolares se consolida, em um quadro rico em divergências e pr opostas de intervenção para a Educação Física. 24 Nesta perspectiva, Góis (2001, p. 15) afirma que: Podemos, também, observar que a Educação Física passa a ter um papel social em um projeto maior, que teria como objetivo reeducar a sociedade brasileira em novos preceitos higiênicos e morais, como a valorização do trabalho, a fuga dos vícios, fato que já ocorrer a na Europa desde o século XIX. Mas, para os PCN’s (1997, p. 20) “a inclusão da Educação Física nos currículos não havia garantido a sua implementaçã o prática, principalmente nas escolas primárias” haja vista a falta de professores capacitados para trabalhar com Educação Física escolar. No ano de 1937, a Educação Física dá um passo importantíssimo para sua futura legitimação como disciplina curricular, pois, na elaboração da Constituição, foram feitas as primeiras referências explicitas à Educação Física em textos constitucionais a nível federal, integrando-a no currículo escolar como uma prática educativa obrigatória, que tinha como objetivo o adestramento físico como maneira para preparar a juventude na defesa da nação e para o cumprimento dos deveres com a economia (PCN ’s, 1997). Os PCN’s (1997, p. 20) destacam que do final do Estado Novo até a publicação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacio nal de 1961: [...] ocorreu um amplo debate acerca do sistema de ensino brasileiro. Nessa lei ficou determinada a obrigatoriedade da Educação Física para o ensino primário e médio. A partir daí, o esporte passou a ocupar cada vez mais espaço nas aulas de Educação Física. De acordo com Magalhães (2005, p. 93) “no final dos anos 60 a cultura do movimento sofrera influência de um emergente fenômeno mundial: o esporte”, que, de acordo com Bracht (1992, p. 22) “depois da segunda guerra mundial sofre um amplo desenvolvimento quantitativo, afirma -se paulatinamente, em todos os países sob a forte influência da cultura européia, como o elemento hegemônico da cultura de movimento”. Nesta perspectiva, Magalhães (2005, p. 94) pontua que “já a partir do ano de 1969, em pleno regime militar, o esporte torna -se hegemônico e referência fundamental 25 na Educação Física”. Nesse período, a prática esportiva preencheu um amplo espaço nas aulas de Educação Física, sendo privilegiada em detrimento de outras práticas corporais. No entanto, a Educação Física atingiu a condição de “atividade” e foi legitimada como tal, durante o período em que esteve vigente o Decreto nº 69.450 de 1971, que a caracteriza no art. 1º como uma “atividade que por seus meios, processos e técnicas, desperta, desenvolve e aprimora forças físicas, morais, cívicas, p síquicas e sociais do educando”. Nesse decreto, no art. 3º, parágrafo 1º, a aptidão física aparece como sendo uma “referência fundamental para orientar o planejamento, o controle e a avaliação da educação física, desportiva e recreativa, no s níveis dos estabelecimentos de ensino”. Na continuidade do art. 3º, parágrafo 1º, foi imposto também que “a partir da 5ª série de escolarização, deverá ser incluída na programa ção de atividades a iniciação desport iva”. Dessa forma, almejava-se que Brasil se tornasse uma nação olímpica e assim tivesse um aumento significativo na aderência das atividades físicas no país. Porém, segundo os PCN’s (1998, p. 21): Na década de 80 os efeitos desse modelo começaram a ser s entidos e contestados: o Brasil não se tornou uma nação olímpica e a competição esportiva da elite não aumentou o número de praticantes de atividades físicas. Iniciou-se então uma profunda crise de identidade nos pressupostos e no próprio discurso da Educação Física [...] Para os PCN’s (1998, p. 21) a crise de identidade originada pelo novo modelo de ensino, produziu mudanças significativas nas políticas educacionais, onde “a Educação Física escolar, que estava voltada principalmente para a escolaridade de 5ª a 8ª séries, passou a priorizar o segmento de 1ª a 4ª série e também a pré -escola”. Portanto, foi a partir daí que a Educação Física escolar deixou de ter apenas a função de promover os esportes de alto rendimento e de formar atletas, mas também, o importante papel de desenvolver aspectos relacionados ao psicomotor dos alunos. Nos dias de hoje, o desenvolvimento da aptidão física tem ficado de lado na Educação Física escolar, no entanto, a prática esportiva ainda vem sendo muito atrelada a esse componente curricular, sendo que, para Ferreira (2001, p. 44) “talvez seja uma das poucas disciplinas escolares, senão a única, a desenvolver os mesmos conteúdos desde a 5ª série do Ensino Fundamental até o último ano do Ensino Médio”. 26 Darido (2005 apud FERREIRA; SILVA, 2010, p. 05) afirma que “a partir daí surgiram diversas abordagens pedagógicas para a Educação Física no Brasil”. Os PCN ’s (1998) abordam algumas dessas tendências pedagógicas para a Educação Física escolar, na qual fazem parte as abordagens: psico motoras, construtivistas, desenvolvimentistas, e críticas, as quais são resumidamente detalhadas no referido documento. Nos dias atuais, os PCN’s convencem-nos que, desenvolver a aptidão física dos alunos não deve mais ser a finalidade principal [grifo nosso] do componente curricular de Educação Física na escola, mas sim, preocupar -se que os alunos experimentem as diferentes práticas corporais sistematizadas, as quais se caracterizam como produções da cultura corporal do movimento, estruturadas em diversos contextos históricos, e que de algum modo vinculam-se ao campo do lazer e da saúde (PCN’s, 1998). Na continuidade desse estudo, trataremos acerca do processo de estruturação legal da disciplina curricular de Educação Física na Educação Básica , ou seja, iremos conhecer como que a Educação Física foi se consolidando legalmente por meio das Leis, até se tornar um componente curricular obrigatório na Educação Básica em nosso país , bem como os aspectos relacionados ao desenvolvimento histórico atrelados ao pro cesso de consolidação legal dessa disciplina curricular na escola. 2.1.2 O processo de estruturação legal da disciplina curricular de Educação Física na Educação Básica No decorrer dos anos a Educação Física percorreu e ainda percorre uma intensa caminhada a fim de se firmar como componente curricular, e, sobretudo, para confirmar sua importância frente à sociedade contemporânea. De acordo com os PCN’s (1997, p. 20): No ano de 1937, na elaboração da Constituição, foi feita a primeira referência explícita à Educação Física em textos constitucionais federais, incluindo -a no currículo como uma prática educativa obrigatória (não mais como disciplina curricular), junto com o ensino cívico e com os trabalhos manuais, em todas as escolas brasileiras. 27 Alguns anos depois, ampliaram-se veementemente os debates sobre o si stema de ensino brasileiro, e, por meio do artigo 22 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 4.024 de 1961, estabeleceu-se que, “será obrigatória a prática da educação física nos cursos primário e médio, até a idade de 18 anos” em um dado momento da história da Educação Física que se ampliou a prática desportiva no Brasil. Foi a partir do Decreto nº 69.450, de 1971, o qual regulamentou o artigo 22 da Lei nº 4.024, promulgada em 20 de deze mbro de 1961, que a Educação Física passou ser considerada como “atividade”, que por seus meios, processos e técnicas, desenvolve e aprimora forças físicas, morais, cívicas, psíquicas e sociais do educando”. De acordo com o Decreto nº 69.450, de 1971, neste período, a aptidão física foi considerada a principal referência na orientação, planejamento, controle e avaliação da Educação Física desportiva e recreativa nos níveis de ensino, bem como, a iniciaç ão esportiva, a partir das séries finais do Ensino Fundamental, tornou-se um dos principais eixos de ensino, em um país que se preocupava incessantemente com a busca de atletas aptos a participarem de competições internacionais e que pudessem representar bem o país fora de seus domínios. No entanto, Souza e Vago (1997, apud MAGALHÃES, 2005, p. 94) afirmam que “a partir da 5ª série até o ensino superior, o único conteúdo a ser citado de forma explicita pelo decreto para ser incluído nos programas de Educação Física foram as atividades de natureza esportiva ou pr áticas desportivas”. Dessa maneira, Souza e Vago (1997, apud MAGALHÃES, 2005, p. 94) afirmam que “a submissão do ensino da Educação Física ao s esportes, iniciada após a Segunda Guerra Mundial, foi ainda mais radicalizad a, o que contribuiu assim para que o esporte se consolidasse praticamente como conteúdo exclusivo das aulas de Educação Física ”. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 5.692, promulgada em 11 de agosto de 1971, aponta no art. VII, que “será obrigatória a inclusão de Educação Moral e Cívica, Educação Física, Educação Artística e os Programas de Saúde nos currículos plenos dos estabelecimentos de 1º e 2º graus [...]”. No plano legal, a esportivização na Educação Física, passou a ser desconstruída com a Lei de Diretrizes e Bases da E ducação Nacional nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, que, no art. 26, parágrafo 3°, deixa explícito que “a Educação Física, integrada à 28 proposta pedagógica da escola, é componente curricular da Educação Básica ajustando se às faixas etárias e às condições da população escolar [...]”. Mas, tendo em vista garantir a Educação Física em toda a Educação Básica, foi alterada pela Lei nº 10.793, de 1º de dezembro de 2003 , a redação do art. 26, parágrafo 3º da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, sendo incluída a palavra “obrigatório” depois da expressão “curricular”, assegurando assim a obrigatoriedade da disciplina de Educação Física na Educação Básica (BRASIL, 2003). No entanto, apesar da prática da Educação Física tornar -se obrigatória, a lei dá opções de facultatividade, apoiada na redação imposta pela Lei nº 10.793, promulgada em 1 de Dezembro de 2003, que ampara a prática facultativa ao aluno: I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; (Incluído pela Lei n° 10.793, de 01.12.2003); II – maior de trinta anos de idade; (Incluído pela Lei n° 10.793, de 01.12.2003); III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física; (Incluído pela Lei n° 10.793, de 01.12.2003); IV – amparado pelo Decreto-Lei n° 1.044, de 21 de outubro de 1969; (Incluído pela Lei n° 10.793, de 01.12.2003); V – (VETADO) (Incluído pela Lei n° 10.793, de 01.12.2003); VI – que tenha prole. (Incluído pela Lei nº 10.793, de 01.12.2003). A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, legaliza a disciplina de Educação Física como facultativa nos cursos noturnos, diferentemente da Lei nº 10.793, promulgada em 1º de Dezembro de 2003, a qual altera a facultatividade às aulas de Educação Física, não restringindo a participação a todas as pessoas que estudam nesse turno, mas sim, excepcionalmente àquelas que, independente do período de estudo, se enquadram nas condições anteriormente citadas. De fato, a disciplina de Educ ação Física, passou e vem passando por diversos momentos, teve sua importância política, conquistou o reconhecimento legal, mas , cabe a nós indagar por que ela ainda não foi capaz de consolidar -se totalmente, se legitimando como disciplina na escola, junto aos pais e aos demais professores? 29 A Educação Física integra o currículo escolar como componente obrigatório da Educação Básica, no entanto, a determinação de sua carga horária é responsabilidade da escola, sendo determinada de acordo com o projeto político pedagógico da mesma. Nos dias de hoje, a Educação Física possui o almejado reconhecimento legal, porém, ainda busca sua legitimidade como disciplina no âmbi to escolar, de modo que, cabe aos professores e futuros professores de Educação Física, justificar a permanência da mesma no currículo escolar , buscar a sua legitimação, e convencer na prática diária a sua importância para o futuro da sociedade atual . Portanto, entendemos que a Educação Física escolar avançou muito nos últimos anos, mas, ainda necessita do esforço de todos os profissionais envolvidos para se consolidar definitivamente no currículo escolar. Para finalizar o tópico: Educação Física na Educação Básica, conheceremos um pouco acerca da Organização curricular da disciplina de Educação Físi ca na Educação Básica, onde reunimos esforços a fim de elucidar a organização curricular de Educação Física proposta pelos Parâmetros Curriculares Nacionais e pelo Referencial Curricular de Educação Física do Estado do Rio Grande do Sul. 2.1.3 Organização Curricular da disciplina de Educação Física na Educação Básica Os PCN’s (Parâmetros Curriculares Nacionais ), bem como a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional ), tem uma parcela de contribuição muito importante no processo de consolidação da Educação Física como um componente curricular da Educação Básica. Todos esses documentos servem de aporte para que a Educação Física atinja o mesmo patamar das outras disciplinas da Educação Básica. Mas, apesar da imensa contribuição resultada pela criação da Lei nº 9.394, de 20 de Dezembro de 1996, a qual estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, bem como, dos Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física, para que de fato, a disciplina curricular de Educação Física possa ser consolidad a, existe a necessidade de que seja colocado em prática os referenciais curriculares de Educação Física , e que as escolas criem e executem seus próprios projetos curriculares, tendo em vista que sejam 30 garantidos os objetivos propostos para a disciplina, de modo que os professores saibam o quê, quando e como ensinar na disciplina de Educação Física. A legitimação do componente curricular de Educação Física tem fundamental importância na formação dos alunos, e de acordo com Farinatti (1994 apud FERREIRA, 2001, p. 49) “passa obrigatoriamente pela definição e pela valorização de seus objetos concretos de ensino, que apenas a ela cabe desenvolver com o aluno”. De acordo com os PCN’s (1998, p. 67) “os conteúdos estão organizados em três blocos, que deverão ser des envolvidos ao longo de todo o ensino fundamental”. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física apresentam em suas propostas de conteúdos, além dos esportes, os conhecimentos sobre o corpo, os jogos, as lutas, a ginástica, e as atividades rítmic as e expressivas (PCN’s, 1998). Nos últimos anos, houve um importante avanço na Educação Física escolar do Estado do Rio Grande do Sul , o qual se deu por conta da elaboração do Referencial Curricular de Educação Física – Lições do Rio Grande. Esse documen to colaborou na sistematização de um conjunto de competências e conteúdos que cabe ao componente curricular de Educação Física abordar durante as séries finais do Ensino Fundamental e no decorrer do Ensino Médio. Nesta perspectiva, o Referencial Curricular de Educação Física do Rio Grande do Sul (2009, p. 144) foi definido como sendo: Um esforço de explicitação dos saberes considerados fundamentais neste campo, organizados com a intenção de auxiliar no planejamento e na implantação de propostas de ensino q ue favoreçam o processo de apropriação, problematização e uso criativo por parte dos alunos do que ali está sugerido. O Referencial Curricular do Rio Grande do Sul (2009, p. 114) foi elaborado a fim de ser “um ponto de apoio, e não um texto substituto, ao processo de elaboração dos planos de estudo de cada instituição, pois, estes últimos, precisam ter a “cara” da escola, logo, devem ser feitos por quem vive o dia -a-dia, pois é lá que se tece um currículo ”. Mas, o Referencial Curricular de Educação Física do Rio Grande do Sul (2009, p. 115) afirma-nos que “cada componente curricular da Educação B ásica necessita estar 31 pautado por uma noção mais ampla, e assim discutir de forma contextualizada as suas competências específicas”. E no caso da Educação Física, o Referencial Curricular do Rio Grande do Sul (2009, p. 115-116) aponta as seguintes competências: Compreender a origem e a dinâmica de transformação das representações e práticas sociais que constituem a cultura corporal de movimento, seus vínculos com a organização da vida coletiva e individual, e com os agentes sociais envolvidos em sua produção (estado, mercado, mídia, instituições esportivas, organizações sociais, etc.); Conhecer, apreciar e desfrutar da pluralidade das práticas corporais sistematizadas, compreendendo suas características e a diversidade de significados vinculados à origem e à inserção em diferentes épocas e contextos socioculturais; Analisar as experiências propiciadas pelo envolvimento com práticas corporais sistematizadas, privilegia ndo aspectos relativos ao uso, à natureza, às funções, à organização e à estrutura destas manifestações, além de se envolver no processo de experimentação, criação e ampliação do acervo cultural neste campo; Conhecer e usar algumas práticas corporais siste matizadas, de forma proficiente e autônoma, para potencializar o envolvimento em atividades recreativas no contexto do lazer e a ampliação das redes de sociabilidade; Conhecer e usar práticas corporais sistematizadas para fruir a natureza (levando em conta o sentido de preservação), percebendo -se integrante, dependente e agente de transformação ambiental; Utilizar a linguagem corporal para produzir e expressar ideias, atribuindo significados às diferentes intenções e situações de comunicação, e para interpretar e usufruir as produções culturais com base no movimento expressivo; Compreender e utilizar as práticas corporais sistematizadas para acesso a outras culturas, como uma forma de refletir sobre a própria cultura, fortalecer as relações de pertencimento e valorizar a pluralidade sociocultural; Preservar manifestações da cultura corporal de movimento de outras épocas como forma de constituir a memória cultural e torná -la acessível às novas gerações; Interferir na dinâmica de produção da cultura corporal de movimento local em favor da fruição coletiva, bem como reivindicar condições adequadas para a promoção das práticas de lazer, reconhecendo -as como uma necessidade básica do ser humano e um direito do cidadão; Compreender a relação entre a prática de atividades físicas e a complexidade de fatores coletivos e individuais que afetam o processo saúde/doença, reconhecendo os vínculos entre as condições de vida socialmente produzidas e as possibilidades/impossibilidades do cuidado de si e dos outros; Compreender o universo de produção de padrões de desempenho, saúde, beleza e estética corporal e o modo como afetam a educação dos corpos, 32 analisando criticamente os modelos disseminados na mídia e evitando posturas bitoladas, consumistas e preconceituosas. Convém ser destacado que as competências gerais e específicas previstas neste documento não tratam os saberes atitudinais (saber ser) de forma explícita , no entanto, vale lembrar, que trabalhar essa dimensão nas aulas de Educação Física se faz necessário e de extrema importância no decorrer dos anos escolares. O Referencial Curricular de Educação Física do Rio Grande do Sul (2009, p. 118) está baseado em temas estruturadores, os quais “se caracterizam por apresentar de forma organizada conhecimentos que constituem o objeto de estudo de uma área” e que são organizados em dois conjuntos: O primeiro está organizado com base nas práticas tradicionalmente consideradas como objeto de estudo da Educação Física: esporte, ginástica, jogo motor, lutas, práticas corporais exp ressivas, práticas corporais junto à natureza e atividades aquáticas. O segundo conjunto está organizado com base no estudo das representações sociais que constituem a cultura de movimento e afetam a educação dos corpos de um modo geral; portanto, sem esta r necessariamente vinculada a uma prática corporal específica Conforme o Referencial Curricular de Educação Física do Rio Grande do Sul (2009, p. 118-119) “os temas estruturadores ginástica, práticas corporais expressivas, práticas corporais junto à natur eza, práticas corporais e sociedade e práticas corporais e saúde, em função das suas características, desdobram -se em alguns subtemas”. Esses temas estruturadores apresentam alguns desdobramentos, os quais possuem objetos de estudo específicos e que permit em realizar a organização das competências e conteúdos a eles vinculados com determinado grau de autonomia. Sendo assim, no que diz respeito aos desdobramentos dos temas estruturadores, podemos citar como exemplo as práticas corporais junto à natureza, a q ual se desdobra em dois subtemas (atividades de aventura e atividades de contemplação), a fim de tratá -los com uma abordagem diferenciada, haja vista o grau de especificidade entre os mesmos, o que dificulta tratá-los didaticamente como um único objeto de estudo. Contudo, de acordo com o Referencial Curricular de Educação Física do Rio Grande do Sul (2009, p. 119) “no caso dos temas de esporte, jogo motor, lutas, atividades aquáticas, não houve necessidade de desdobrar subtemas”. 33 Todavia, para que esse conj unto de conhecimentos sistematizados não venha esgotar-se em si mesmo, e nem limitar -se apenas a uma esfera do conhecimento, e assim, fazer com que o componente curricular de Educação Física caia na repetição, desenvolvendo os mesmos conteúd os desde as séries iniciais do Ensino Fundamental até a última série do Ensino Médio, os mesmos devem ser desenvolvidos considerando o caráter multifatorial que apresentam, ou seja, os conteúdos não devem, por exemplo, limitarem-se apenas à esfera biológica, em detriment o do conhecimento das diferentes dimensões do conteúdo (FERREIRA, 2001). Para tanto, compreendemos que a organização curricular de Educação Física, dá aos professores um importante aporte na hora de organizar o planejamento da disciplina, no entanto, vale lembrar que os planejamentos devem ter a “cara” da escola, e por isso devem ser utilizados como suporte para melhorar a organização curricular da disciplina, sempre considerando a realidade da escola, dos alunos e da comunidade na qual a escola está inserida, a fim de que a mesma possa contribuir de forma efetiva para a apropriação de conhecimentos por parte dos alunos . 2.2 ATIVIDADE FÍSICA, APTIDÃO FÍSICA E SAÚDE 2.2.1 Atividade Física Na opinião de Souza (2010, p. 20) o termo “atividade física” é um t anto quanto complexo, por esta ser “uma prática com características inerentes ao ser humano , e que representa um tema de caráter interdisciplinar, atua ndo no campo de análises biológicas, sociais e culturais”. Muitas pessoas fazem uso e tratam os termos “atividade física” e “exercício físico” como sinônimo (CASPERSEN et al., 1985). Mas, de acordo com os autores (1985 apud NAHAS, 2010, p. 46) a atividade física pode ser definida como “qualquer movimento corporal produzido pela musculatura esquelética – portanto voluntário, que resulte num gasto energético acima dos níveis de repouso” . Partindo do entendimento de CASPERSEN et al. (1985) sobre atividade física, Souza (2010, p. 21) afirma que: 34 Diante dessa definição clara, mas de forma abrangente, faz -se necessária uma breve reflexão para desmembrar a complexidade do termo “atividade física”. Primeiro: os movimentos produzidos pela musculatura esquelética são realizados de forma voluntária, ou seja, o indivíduo tem que querer manifestar o movimento, que irá depen der exclusivamente de sua própria vontade em realizá-lo. Segundo: faz-se necessário uma única intensidade para realização dos movimentos corporais, sendo apenas necessário que a intensidade promova um gasto energético acima dos valores de repouso, ou seja, a atividade física praticada pode se tanto numa intensidade leve como numa intensidade moderada ou vigorosa. E, por fim: a atividade física foi rotulada como qualquer movimento corporal, sendo assim, pode ser qualquer tipo de movimento ainda que rotineiro (caminhar, dançar, subir e descer escadas, limpar a casa, entre outros). Conforme Guedes (2002, p. 15) “o gasto energético associado à atividade física é diretamente proporcional à intensidade, à duração e à frequência com que se realizam as contrações musculares”. Dessa forma, para o autor, o gasto energético das atividades físicas do cotidiano se classifica basicamente em cinco categorias: I. Demanda energética proveniente do tempo dedicado ao descanso e às necessidades vitais, como horas de sono, refe ições, higiene e outras; II. Demanda energética induzida pelas atividades no desempenho de uma ocupação profissional; III. Demanda energética necessária à realização das tarefas domésticas; IV. Demanda energética voltada a atender às atividades de lazer e de tempo livre; e V. Demanda energética induzida pelo envolvimento em atividades esportivas e em programas de condicionamento físico. Cada uma dessas categorias apresenta significativa participação na constituição do gasto energético diário, no entanto, a demanda energética proveniente das atividades de lazer e de tempo livre e as atividades esportivas e de programas de condicionamento físico, são as atividades físicas que permitem induzir às maiores variações energéticas no cotidiano, de modo que, constit ui-se no principal modulador dos níveis de prática de atividades físicas (GUEDES, 2002). De fato, a prática de atividades físicas possibilita -nos diversos benefícios, e de acordo com Strong et al. (2005 apud SOUZA, 2010, p. 21): 35 [...] a recomendação ideal seria a participação dos adolescentes por pelo menos entre 45 a 60 minutos por dia, entre 3 e 5 vezes na semana em atividades físicas de intensidade vigorosa e moderada que poderiam ser realizadas durante as aulas de Educação Física, atividades esportivas e atividades físicas praticadas fora da escola. Levando em conta a definição de atividade física, podemos dividi-la em duas categorias distintas: atividades ocupacionais diárias, que inclui o trabalho, as atividades da vida diária – AVD (vestir-se, banhar-se, comer e etc.) e o deslocamento (transporte) bem como, as atividades de lazer, que inclui exercícios físicos, esportes, danças, artes marciais, e etc. (NAHAS, 2010). Dessa forma, de acordo com Guedes (2002, p. 16) “apesar de apresentar alguns elementos em comum, a expressão exercício físico não deve ser usada com conotação idêntica à atividade física”. Portanto, exercício físico não pode ser considerado como sinônimo de atividade física , mas sim, uma subcategoria da atividade física . Para tanto, no próximo tópico abordaremos os entendimentos acerca da subcategoria da atividade física: o exercício físico. 2.2.1.1 Exercício Físico Souza (2010, p. 21) afirma que diferente da atividade física, o exercício físico pode ser definido como “uma forma de ativi dade física um pouco mais direcionada para a construção e execução de um planejamento, que necessita uma estrutura física, e que se caracteriza como uma atividade repetitiva que visa o alcance de objetivos definidos”. Para Carspersen et al. (1985 apud NAHA S, 2010, p. 46) o exercício físico pode ser definido como “uma das formas de atividade física planejada, estruturada, repetitiva, que objetiva o desenvolvimento (ou manutenção) da aptidão física , das habilidades motoras, ou a reabilitação orgânico funciona l”. Dessa forma, podemos perceber que o exercício físico apresenta um conceito mais restritivo do que a atividade física. De acordo com Nahas (2010, p. 46) “os exercícios físicos incluem, geralmente, atividades de níveis moderados ou intensos, tanto de nat ureza dinâmica ou estática”. 36 Considerando todas as cinco categorias da atividade física que contribuem para o estabelecimento do gasto energético diário, Guedes (2002, p. 16) afirma que “apenas a demanda energética induzida pela participação em atividades esportivas e em programas de condicionamento físico pode ser tida como exercício físico”. Isso, pelo fato de que o aprimoramento do desempenho esportivo, bem como os programas de condicionamento físico, exige um planejamento prévio, estruturado e em determinados casos, seja para mais ou para menos, repetitivo, a fim de que, se fosse possível, possa promover modificações positivas nos componentes da aptidão física (GUEDES, 2002). Porém, as demais atividades físicas categorizadas podem, eventualmente, induzi r adaptações positivas nos índices de aptidão física, contudo, as dificuldades quanto a seu planejamento, à sua estruturação e repetição, impedem -nas de serem consideradas como exercícios físicos (GUEDES, 2002). O autor afirma ainda (2002, p. 16) que tanto as atividades físicas quanto os exercícios físicos “evidenciam igualmente relações positivas com os índices de aptidão física” . Na continuação, Guedes (2002, p. 1 7) afirma que se faz necessária a elaboração do conceito que “exercício físico não é o únic o mecanismo de promoção da atividade física, os hábitos de vida associados à prática da atividade física também desempenham um importante papel nesse campo”. Mas, para compreenderemos a associação existe entre a prática habitual de atividades físicas e os indicadores de aptidão física relacionada à saúde, se faz necessário entendermos o que é aptidão física, e, para tanto, estabeleceremos na continuidade desse estudo alguns conceitos e entendimentos sobre aptidão física. 2.2.2 Aptidão Física Loch et al. (2006 apud BACCIOTTI, 2007, p. 2 7) pontuam que “a aptidão física vem sendo valorizada no decorrer de diversos períodos da história da humanidade por ser imprescindível na realização de atividades fundamentais para a sobrevivência [...]”. Na sociedade contemporânea, ainda há muitas pessoas que associam a aptidão física à capacidade de desempenho nos jogos e esportes, e evidentemente, é necessário 37 que haja um nível mínimo de condicionamento físico para se ter um bom desempenho nessas atividades, porém, apen as ser capaz de desempenhar bem algumas habilidades esportivas pode não ser um bom indicador de um condicionamento físico completo, haja vista que há esportes que demandam de particularidades específicas para a sua prática (GUISELINI, 2004). Conforme a Organização Mundial de Saúde (WHO, 1978, apud GUISELINI, 2004, p. 35), a aptidão física deve ser entendida como “a capacidade de realizar trabalho muscular de maneira satisfatória”. Partindo deste entendimento, Guiselini (2004, p. 35) pontua que estar apto fisicamente denota “apresentar condições que permita um bom desempenho motor quando submetido a situações que envolvam esforços físicos”. Na opinião de Barbanti (1999 apud GONÇALVES, 2006, p. 9) a aptidão física pode ser definida como “ o oposto de estar fatigado com esforços ordinários, de falta de energia para realizar as atividades cotidianas com entusiasmo, tornando-se exausto em esforços físicos exigentes e inesperados ”. De acordo com Nahas (2006, p. 42) em termos gerais, a aptidão física pode ser definida como sendo: […] a capacidade que um indivíduo possui para realizar atividades físicas. Esta característica humana pode proceder de fatores herdados, do estado de saúde, da alimentação e, sobretudo, da prática regular de exercícios físicos. De forma ampla, a aptidão física é conceituada como a capacidade de realizar atividades físicas em diferentes contextos, sendo subdividida em uma esfera voltada ao desempenho motor, que se preocupa com a capacidade máxima de realizar movimentos no trabalho ou nos esportes, e outra que está relacionada à saúde, a qual busca propiciar mais energia para o trabalho e lazer, minimizando os riscos de surgimento de doenças crônico-degenerativas associadas a baixos níveis de atividade física habitual (NAHAS, 2006). Para Gonçalves (2006, p. 10) “como estas variáveis diferem em importância para o desempenho motor e para a saúde, tem sido feita uma distinção ent re aptidão física relacionada ao desempenho motor e aptidão física relacionada à saúde ”. 38 Na sequência desse estudo, estabeleceremos alguns conceitos e entendimentos sobre aptidão física relacionada à saúde, a qual é um dos focos principais desse estudo. 2.2.3 Aptidão Física relacionada à Saúde No Brasil, no início dos anos 80, ainda não era comum nos depararmos com estudos normativos preocupados em relacionar a aptidão física à saúde, predominando até então apenas estudos e literatura voltados ao desempenho motor, não incluindo na maioria das vezes, todos os componentes da aptidão física relacionada à saúde, proposta pela AAHPERD (Aliança América para a Saúde, Educação Física, Recreação e Dança) no final da década de 70 nos Estados Unidos da América (MADUREIRA, 1997). De acordo com Madureira (19 97, p. 115-116) “alguns estudos nesse campo foram realizados por Barbanti (1982) , Nahas (1985) e Madureira (1987). O primeiro e o terceiro abrangiam população de escolares, enquanto o segundo, universitários”. Depois disso, outros estudos foram realizados contribuindo para a bibliografia na área. O conceito de aptidão física relaciona da à saúde (ApFRS) passou a existir a partir de estudos clínicos que comprovaram uma maior incidência de problemas de saúde em populações de idosos, adultos e jovens que apresentavam um estilo de vida tipicamente sedentário (RONQUE, 2003). Dessa forma, o conceito da aptidão física relacionada à saúde, associa-se a um menor risco de desenvolvimento de doenças adjuntas a baixos níveis de atividade física habitual. Para Nieman (1999, p. 4) a aptidão física relacionada à saúde pode ser definida como “a capacidade de realizar atividades diárias com vigor e está relacionada com um menor risco de doença crônica”. Todavia, Nahas, (2006, p. 44) define a aptidão física relacionada à saúde como sendo “[...] a própria aptidão para a vida, pois inclui elementos considera dos vitais para uma vida ativa, com menos riscos de doenças hipocinéticas e perspectiva de uma vida mais longa e autônoma”. 39 Winnick e Short (2001, apud BACCIOTTI, 2007, p. 29) afirmam que “o termo “relacionado à saúde” procura identificar o objetivo das b aterias, ou seja, diferenciá -los de outros testes que possam estar mais relacionados à habilidade ou ao desempenho”. Propiciar o desenvolvimento da aptidão física relacionada à saúde se faz de extrema importância, pelo fato de que nas últimas décadas vem se confirmando por meio de estudos, que o baixo nível de atividade física habitual representa importante fator de risco no desenvolvimento de doenças crônico -degenerativas não transmissíveis como a diabete mélitus não-insulino-dependente, doenças cardiovas culares, hipertensão arterial, osteoporose e também alguns tipos de câncer (BACCIOTTI, 2007). Hoje em dia diversos autores afirmam que a aptidão física relacionada à saúde inclui componentes que colaboram para prevenção de doenças e promoção da saúde. Dessa forma, no próximo sub-tópico, estudaremos acerca dos componentes que fazem parte da aptidão física relaciona da à saúde. 2.2.4 Componentes da Aptidão Física relacionada à Saúde Levando em conta todos os benefícios da aptidão física para a saúde e para o nosso bem-estar, Guiselini (2004), afirma que ela deve ser desenvolvid a com base em seus componentes, os quais irão ser expostos na sequência desse estudo. Ainda que outrora houvesse certo desentendimento em relação aos componentes da aptidão física, contemporaneamente já há consenso. Os componentes mais comuns foram colocados em dois grupos: relacionado à saúde e outro relacionado às habilidades esportivas (BARBANTI, 1999) ou desempenho motor como outros autores definem. No final dos anos 70, uma equipe de especialistas inseriu o conceito de aptidão física relacionada à saúde (ApFRS) no Estados Unidos, oportunidade em que firmaram e propuseram uma nova bateria de testes destinada a AAHPERD (Aliança América para a Saúde, Educação Física, Recreação e Dança). Nessa oportunidade, decidiram sobre os componentes que fariam parte da aptidão física (NAHAS, 2010). 40 Os componentes da aptidão física os quais são capazes de serem medidos estão divididos em dois grupos, um relacionado à saúde e outro relacionado ao desem penho motor ou habilidades esportivas (NIEMAN, 1999), os quais são apresentados no quadro 1: componentes da aptidão física . Quadro 1: Componentes da Aptidão Física 1. Aptidão Física 1.1 Aptidão relacionada à saúde 1.1.1 Resistência Cardiorrespiratória 1.1.2 Aptidão músculo esquelética 1.1.2.1 Força/Resistência muscular 1.1.2.2 Flexibilidade 1.1.3 Composição corporal 1.2 Aptidão relacionada à habilidade 1.2.1 Agilidade 1.2.2 Velocidade 1.2.3 Potência 1.2.4 Equilíbrio 1.2.5 Coordenação 1.2.6 Tempo de reação Fonte: NIEMAN, 1999. Dessa forma, consideramos que a Aptidão Física relacionada à Saúde, exerce um importante papel na promoção de um estilo de vida mais saudável , ativa, com mais anos de vida, e para a prevenção de doenças hipocinéticas e crônico -degenerativas. Na continuação desse estudo abordaremos cada um dos componentes da aptidão física relacionada à saúde: resistência cardiorrespiratória, força/resistência muscular, flexibilidade e composição corporal. 41 2.2.4.1 Resistência Cardiorrespiratória De acordo com Nahas (2006, p. 47) “para manter o organismo vivo e realizar as tarefas físicas e mentais, nossas células necessitam de um fornecimento constante de oxigênio e de nutrientes, principalmente na forma de glicose”. Nosso sistema cardiorrespiratório, com posto por pulmões, coração e circulação sanguínea, responsabiliza -se diretamente pelo fornecimento de oxigênio e de nutrientes para nosso organismo, elementos considerados vitais para que haja a vida, cumprindo também, além disso, o papel de eliminar os su bprodutos das reações químicas celulares (NAHAS, 2006). Na realização de qualquer atividade que envolva o esforço muscular, para que a fadiga não apareça de forma antecipada, faz -se necessário que o sistema cardiovascular (pulmões, coração, artérias e capi lares) funcione eficientemente, transportando oxigênio e nutrientes na quantidade suficiente até os músculos envolvidos na atividade. Dessa forma, a resistência cardiorrespiratória pode ser considerada importantíssima, desde um esportista em uma rotina de treinos e competições esportivas, até uma pessoa comum em suas atividades do dia-a-dia, no trabalho ou lazer, pois, em ambos os extremos, evitar a fadiga prematura depende das qualidades especificas do sistema de transporte de oxigênio (coração, pulmões, s angue e vasos sanguíneos) e da capacidade das fibras musculares utilizarem o oxigênio transportado para produzir energia (NAHAS, 2006). Sendo assim, Gonçalves (2006, p. 32) afirma que: O consumo de oxigênio (Vo 2) é o fenômeno que mede o gasto de energia e m qualquer atividade física. Esse fenômeno pode também ser explicado pela quantidade de oxigênio que o indivíduo consegue captar ou absorver do ar alveolar num determinado período de tempo. Nesta perspectiva, o autor completa que a necessidade de consumo de oxigênio está sujeita à intensidade do trabalho, pois, quanto maior for essa intensidade, maior também será o consumo de oxigênio (GONÇALVES, 2006). 42 Todavia, vale lembrar que o consumo de oxigênio comporta -se de modo diverso, tendo que se levar em conta : idade, sexo e composição corporal, e pode diminuir por falta de atividade aeróbica, como pode aumentar depois de um período de treinamento específico, conforme apontam diversos autores da área. Hoje em dia, para muitas pessoas, estar “em forma” denota te r boa resistência cardiorrespiratória, ou seja, muitos acreditam que ter fôlego em atividades de média e de longa duração significa estar apto fisicamente. Mas, possivelmente, esses indivíduos desconhecem boa parte dos componentes que devemos estar aptos a fim de possuirmos um condicionamento físico total . Dessa forma, Nahas (2006, p. 44) define a aptidão cardiorrespiratória como “a capacidade do organismo como um todo resistir à fadiga em esforços de média e longa duração”. No entanto, na continuação o autor afirma que aptidão cardiorrespiratória: Depende principalmente da captação e distribuição de oxigênio para os músculos em exercício, envolvendo os sistemas cardi ovascular (coração e vasos sanguíneos) e respiratório (pulmões). A eficiência dos músculos na utilização do oxigênio transportado e a disponibilidade de combustível (glicose ou gordura) para produzir energia também determinam a aptidão cardiorrespiratória de uma pessoa. Nessa linha, Nahas (2006, p. 48) afirma que “para melhorar e manter a aptid ão física e a saúde é necessário desenvolver o músculo cardíaco, e os demais componentes do sistema cardiorrespiratório” e, para que haja o desenvolvimento do músculo cardíaco e dos demais componentes que integram o sistema cardiorrespiratório, diversos au tores recomendam praticar regularmente exercícios físicos, principalmente os aeróbicos. Nahas (2006, p. 52) caracteriza as atividades aeróbicas como sendo “atividades que envolvem grandes grupos musculares, executadas de forma rítmica e que podem ser mantidas por um período igual ou superior a 10 minutos”. O autor apresenta exemplos de atividades que podem ser praticadas aerobicamente, como: a caminhada, a corrida moderada, o ciclismo de passeio, o remo, as danças e vários esportes coletivos. Para Nahas (2006, p. 53) “as pessoas as quais se conservam fisicamente ativas, praticando exercícios aeróbicos com regularidade, são menos predispostas a problemas 43 cardiovasculares, principalmente infartos do miocárdio, do que pessoas inativas”. Por isso faz-se muito importante desenvolver nas crianças hábitos ativos, bem como, níveis de resistência cardiorrespiratória desde a infância. Fletcher et al. (1992, apud GONÇALVES, 2006, p. 23) afirma que “o exercício físico aumenta a capacidade aeróbica funcional e diminui a demanda do oxigênio para o miocárdio, a qualquer nível de esforço físico [...]”. Para Kokinos et al. (1995, apud GONÇALVES, 2006, p. 24) “o aumento na capacidade aeróbica proporciona uma proteção cardiovascular, mediante modificações positivas em muitos fatores de risco coronariano”. Dentre essas modificações positivas proporcionadas pela prática habitual de exercícios aeróbicos, o autor destaca a melhora do metabolismo das gorduras e carboidratos, bem como, a redução da pressão arterial e da adiposidade corporal (GONÇALVES, 2006). Na sequência desse estudo, a partir das contribuições de alguns autores, iremos conhecer um pouco mais sobre o componente de força/resistência muscular. 2.2.4.2 Força/Resistência Muscular Para diversos autores a força/ resistência muscular refere-se à capacidade de trabalho de um músculo ou de um grupo muscular. A simples tarefa de nos movermos no ambiente ou de exercermos força para sustentar e mover objetos em nossas atividades diárias, somente se faz possível através de nossos músculos, que também permitem uma postura ereta e equilibra m nosso corpo contra a ação da gravidade (NAHAS, 2006). Estudos indicam que quando determinados músculos enfraquecem, existe uma contribuição natural para que haja um desequilíbrio postural, aumento do risco de lesões e possíveis quedas, levando -nos a atentar a imensa importância da melhora e ou manutenção da força/resistência muscular no cotidiano de vida dos indivíduos. 44 Conforme Nahas (2006, p. 70) “os músculos caracterizam -se como “máquinas” biológicas que convertem energia química (proveniente da reação entre o alimento que ingerimos e o oxigênio) em força e trabalho mecânico”. Para Wilmore e Costill (1988, apud GONÇALVES, 2006, p. 33) “a força se define quanto à capacidade máxima possível d e trabalho”. Nessa linha, Fleck e Kraemer (1997, apud GONÇALVES, 2006, p. 33) pontuam que “a força muscular refere -se à força máxima que pode ser produzida por um ou grupo de músculos”. Segundo Nahas (2006, p. 71) a força/ resistência muscular pode ser defi nida como “a capacidade derivada da contração muscular, que nos permite mover o corpo, levantar objetos, empurrar, puxar, resistir ou sustentar cargas”. Nessa perspectiva, Nahas (2006, p. 71 -72) aponta que: Quando um grupo muscular (braços, pernas ou abd ômen) executa um trabalho físico que exige repetidas contrações musculares, diz que este trabalho requer resistência muscular ou resistência de força. Nós precisamos de resistência muscular quando carregamos um objeto ou um bebê por um tempo prolongado, quando movemos o corpo repetidas vezes de uma mesma forma , quando executamos tarefas domé sticas ou quando praticamos esportes. De acordo com o Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM, 2000, apud GONÇALVES, 2006, p. 36) “a força muscular é um componen te de fundamental importância para a aptidão física e demonstra consideração especial no desempenho esportivo e na prescrição de exercícios físicos”. Assim, Nahas (2006, p. 72) afirma que “músculos fortes também protegem as articulações, resultando em meno r risco de lesões ligamentares e problemas com dores nas costas (lombalgias)”. O autor também considera que desenvolver a musculatura, por meio de programas de exercício s, coopera na preservação da massa muscular durante os programas de emagrecimento, bem como, também reduz as perdas de tecido muscular no entorno do processo de envelhecimento natural dos indivíduos (NAHAS, 2006). Portanto, desenvolver uma boa condição muscular nos trás inúmeros benefícios, os quais contribuem significativamente na realizaç ão de nossas atividades diárias. Ter uma boa condição muscular nos possibilita realizar nossas tarefas diárias com maior 45 capacidade, com mais eficiência e menos fadiga. Mas, ter uma boa condição muscular ultrapassa os benefícios alcançados nas atividades d iárias, exercendo ampla importância também nas atividades esportivas, ao passo que, a partir do momento em que obtemos tal capacidade, nos é permitido um melhor desempenho e um menor risco de incidência de lesões, bem como, há uma colaboração na manutenção postural (NAHAS, 2006). De fato, desenvolvermos a força/resistência muscular se faz muito importante e essencial para indivíduos de diferentes faixas etárias e condições. Na sequência desse estudo, passaremos a abordar o seguinte sub-tópico: flexibilidade. 2.2.4.3 Flexibilidade Nosso corpo movimenta-se através de peças ósseas e cartilaginosas articuladas, que formam um sistema de alavancas movimentadas pelos músculos. Nesta perspectiva, Nahas (2006, p. 78) aponta que “em vários locais de nosso corpo, o s ossos se interligam formando articulações (ou juntas), como os joelhos, tornozelos, cotovelos, ombros e os punhos”. Nahas (2006, p. 78) afirma que “a amplitude dos movimentos articulares é uma característica física chamada de flexibilidade ou mobilidade corporal”, a qual, de acordo com Corbin (1994, apud GUISELINI, 2004, p. 45) pode ser definida como a: […] amplitude de movimento possível em uma articulação ou em um conjunto de articulações. É específica de cada articulação e influenciada por fatores estruturais como músculos, tecido conectivo, pele, tendões, ossos, cápsulas e ligamentos. Para Gettman (1994, apud GONÇALVES, 2006, p. 36), esta valência física pode ser entendida como “a capacidade de movimentar as partes do corpo, por meio de uma ampla variação de movimentos sem distensão excessiva das articulações e ligamentos musculares”. 46 Diversos autores afirmam que desenvolver a flexibilidade, bem como, mantê -la, se faz muito importante, pois, as pessoas que apresentam melhor flexibilidade tendem a se mover com maior facilidade e são menos propensos a lesões quando submetidas a esforços físicos mais intensos. A flexibilidade é uma valência física específica para cada articulação, a qual depende da elasticidade dos músculos, dos tendões e dos ligamentos, sendo que, quando se realiza um treinamento para desenvolver a flexibilidade, por meio de exercícios de flexionamento muscular, modifica -se a elasticidade muscular e dos tendões, permitindo assim uma maior amplitude de movimentos da articulação envolvida (NAHAS, 2006). Na opinião de Weineck (2000, apud GONÇALVES, 2006, p. 39) “os programas de exercícios preventivos e de reabilitação devem abranger atividades que promovam a manutenção de uma boa flexibilidade” com o intuito de manter ou elevar a capacidade de extensibilidade muscular dos indivíduos que farão parte desses programas . Conforme Nahas (2006, p. 79) “para manter ou desenvolver a flexibilidade, se utilizam exercícios de alongamento e flexionamento, a fim de aumentar a amplitude dos movimentos e, provavelmente, prevenir câimbras, contraturas e lesões musculares ou ligamentares”. Há autores que afirmam que os exercícios de flexibilidade podem ser realizados antes e depois das sessões dos programas de exercícios, porém, Donnelly et al. (1992, apud GONÇALVES, 2006, p. 39) afirma m que “encontrou-se evidências nos estudos, que justificam cuidados na aplicabilidade dos exercícios de flexibilidade no término de sessões muito intensas, pelo aumento da possibilidade de lesões no tecido muscular”. Na sequência do estudo, estudaremos acerca da composição corporal, a qual completa os componentes da aptidão física relacionada à saúde. 2.2.4.4 Composição Corporal Diversos autores consideram a composição corporal como um dos componentes da aptidão física relacionada à saúde, haja vista que nos anos 80 passou a ser vista como 47 um fator determinante da mesma, junto à aptidão cardiorrespiratória, força/resistência muscular e a flexibilidade. Um dos fatores que contribuiu para a inclusão da composição corporal nos componentes da aptidão física relacionada à saúde foi a suas relação entre a quantidade e distribuição da gordura corp oral com as alterações na condição de aptidão física e também no estado de saúde dos indivíduos. Na sociedade atual, homens e mulheres, prin cipalmente aqueles que têm como hábito a prática habitual de exercícios físicos, ou, que apenas se preocupam em manter uma aparência física esbelta, traçam objetivos semelhantes, que é diminuir a quantidade de gordura corporal e ou aumentar a massa muscula r. Porém, devemos considerar esse anseio além do ponto de vista estético, levando em conta que os benefícios ultrapassam os objetivos traçados, e influenciam diretamente na qualidade de vida das pessoas, haja vista que diversos autores afirmam -nos que a obesidade associa-se a inúmeras doenças crônico-degenerativas. Para Nieman (1999, apud GONÇALVES, 2006, p. 14) “a composição corporal é a proporção de gordura em relação ao peso corporal magro e freq uentemente é expressa em porcentagem de gordura corporal”. De acordo com Nahas (2006, p. 94) existem dois modelos básicos para o estudo da composição corporal: “o modelo que faz referência a dois componentes (gordura e massa corporal magra) e o modelo que considera quatro componentes (ossos, músculos, água e gordura)”. Na continuidade, Nahas (2006, p. 94) caracteriza de forma individualizada os dois modelos básicos para o estudo da composição corporal, afirmando que: O mais popular é o que considera dois componentes, enfatizando a gordura corporal relativa (percentual de gordura) como parâmetro de referência para a performance de atletas, para os padrões de beleza e para a saúde. O segundo componente neste modelo é referido como tecido magro ou massa corporal magra (MCM), incluindo os fluidos corporais, músculos e ossos. É importante estudar a gordura corporal (GC) e a massa corporal magra (MCM) porque são fatores importantes na prevenção de doenças, por questões estéticas e de bem estar, como também no caso de atletas, que buscam atingir a melhor composição corporal para performances máximas. 48 Desse modo, analisar a composição corporal possibilita -nos melhor compreender as modificações resultantes de alterações metabólicas e poder identificar os riscos à nossa saúde. Nos dias atuais a obesidade pode ser considerada um dos preocupantes males dos países industrializados, haja vista que está associada a diversos problemas de saúde. Outrora a fome e a desnutrição no Brasil foram motivos de muita preocupação, mas hoje vem sendo controladas, no entanto, a obesidade vem tom ando proporções de epidemia no nosso país, e por isso merece uma atenção especial por parte das famílias, escolas, e, sobretudo dos governantes de nosso país, através de medidas e programas de prevenção à obesidade, a fim de que seja pelo menos controlada, parando de se alastrar pelos países em desenvolvimento. Mas, felizmente as pesquisas confirmam que os tratamentos que unem o exercício físico à dieta alimentar causam um í ndice maior de perda de gordura, o que aumenta a responsabilidade da Educação Física escolar e possibilita um maior controle da obesidade nos indivíduos em idade escolar. A obesidade pode ser definida como uma enfermidade a qual se caracteriza pelo acúmulo demasiado de gordura corporal e que se associa a diversos problemas de saúde , os quais ocasionam diversos prejuízos as pessoas. Entretanto, devemos saber distinguir entre o excesso de peso e o excesso de gordura, pois, um atleta pode possuir uma massa corporal elevada, sem ter excesso de gordura corporal, pelo fato de que músculos muito desenvolvidos passam-nos a impressão errônea de que pesam mais (NAHAS, 2006). A obesidade, antes de ser um problema estético ou social, deve ser tratada como um problema de saúde. Para que o número de pessoas obesas seja diminuído cada vez mais, faz-se necessário a ação conjunta da família e da escola, passando pela influência de múltiplos profissionais, desde o médico até o professor de Educação Física. A criança e o adulto obeso, além de necessitarem estar bem informados acerca dos malefícios da obesidade , devem sobretudo, buscar uma mudança de comportamento a qual interfira nos hábitos alimentares e na prática de atividades físicas. Todavia, faz -se necessário estimular essas mudanças, bem como, proporcionar condições para que esses grupos de pessoas possam conquistar uma mudança no estilo de vida (NAHAS, 2006). Na continuidade, estudaremos acerca dos principais entendimentos sobre saúde, na busca por entendermos um pouco mais sobre esse importante conceito, que tem sido 49 formado comumente a partir de concep ções demasiadamente reducionistas. Para tanto, buscaremos elucidar algumas importantes concepções do termo saúde, a fim de que o leitor possa ter subsídios concretos para ter um melhor conhecimento do tema. 2.2.5 Saúde Nos dias de hoje, as pess oas buscam incansavelmente ter uma vida saudável. E para o poder público, diminuir a taxa de mortalidade infantil, aumentar a expectativa de vida das pessoas, encontrar a cura para doenças, possibilitar o aumento da qualidade de vida, tem feito parte de um extenuan te processo que visa definidamente melhorar a saúde das pessoas. Mas, como podemos entender realmente a abrangência de significado do termo saúde? De fato, ainda não existe um consenso acerca do entendimento sobre o termo saúde, haja vista, que o mesmo po de ser entendido sob diferentes circunstâncias, nos mais variados espaços da sociedade contemporânea. Para Freitas e Cunha (2010, p. 158): Isso acontece devido a uma busca incessante e por vezes perturbadora por alguns chavões que se tornaram comuns em nossa sociedade, como promoção da saúde, qualidade de vida, vida saudável, aumento da expectativa de vida etc. Isso está muito atrelado a prática de exercícios físicos, hábitos alimentares tidos como saudáveis, consumo de medicamentos ou complementos alimentares, entre outros . Conforme o entendimento de Canguilhem (1990, apud CAPONI, 2003, p. 120) a saúde “não é um conceito científico, é um conceito vulgar. Isto não quer dizer trivial, mas simplesmente comum, ao alcance de todos”. E na amplitude desse conc eito, um dos entendimentos mais disseminados sobre saúde, define-a exclusivamente como a ausências de doenças. Porém, essa concepção pode ser considerada demasiadamente simplista e vaga, proveniente de interpretações arbitrárias e equivocadas do termo saúd e (GUEDES, 2002). 50 Nesta perspectiva, podemos admitir que os sintomas de muitas doenças, podem ser consequência de estágios avançados de maus hábitos de saúde, dessa forma, não se pode considerar, por exemplo, que pessoas que desenvolvem comportamentos de r isco (excesso de gordura corporal, estilo de vida sedentário, tabagismo, entre outros), podem apresentar um estado de saúde satisfatório apenas porque, por hora, não apresentam sintomas de nenhum tipo de doença. Mas, e aquelas disfunções crônico -degenerativas que se instalam em longo prazo, as quais podem ser determinadas como silenciosas ou não-comunicáveis, como se enquadrariam dentro desse conceito tradicionalmente usado para saúde, que a vê unicamente como a ausência de doença? (GUEDES, 2002). De acordo com a Organização Mundial da Saúde (WHO apud GUEDES, 2002, p. 19) podemos definir saúde como “uma multiplicidade de aspectos do comportamento humano voltados ao completo bem -estar físico, mental, social e espiritual”. Levando em consideração o documento produzido na Conferência Internacional sobre Exercício, Aptidão e Saúde , com o propósito de estabelecer concordância sobre o atual estado de conhecimento dessa área, Bouchard et al. (1990 apud GUEDES, 2002, p. 20) definem a saúde como: [...] uma condição humana com dimensões, física, social e psicológica, cada uma caracterizada por um “continuum” com pólos positivos e negativos. Saúde positiva estaria associada à capacidade de apreciar a vida e de resistir aos desafios do cotidiano, enquanto saúde negativa estaria associada à morbidade e, no extremo, à mortalidade. A partir dessa posição, a dicotomia saúde e doença passou a ser invariavelmente contestada e a sofrer profundas alterações, de modo que, a concepção tradicional de que basta não estar doente para se ter saúde foi sendo transformada, a partir de uma visão mais abrangente, analisadas como fenômenos provenientes de um processo multifato rial e contínuo (GUEDES, 2002). Portanto, a partir da aceitação do atual estado de conhecimento acerca da saúde, firmado na Conferência Internacional sobre Exercício, Aptidão e Saúde, a Organização Mundial da Saúde (WHO apud NAHAS, 2010, p. 47) passou a considerar a saúde como sendo: 51 [...] uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, caracterizada num “continuum” com pólos positivos e negativos. A saúde positiva seria considerada com a capacidade de ter uma vida satisfatória e proveitosa, confirmada geralmente pela percepção de bem -estar geral; a saúde negativa estaria associada com morbidade e, no ex tremo, com mortalidade prematura. Na opinião de Guedes (2002, p. 21) “cada indivíduo pode estar posicionado em algum lugar dessa passagem entre os extremos da saúde positiva e negativa” , conforme podemos observar na figura 1, a qual ilustra -nos o “continuum” da saúde. Figura 1: Continuum da Saúde. FÍSICO Ausência de doenças e incapacidade. Energia e vitalidade ESPIRITUAL SOCIAL para realizar tarefas Vivenciando o diárias Interagindo amor, a alegria, a efetivamente paz e a plenitude MENTAL Manutenção de uma visão positiva da vida COMPORTAMENTOS DE RISCO Abuso de álcool e droga Sexo não seguro Estresse SAÚDE POSITIVA Derrame Inatividade Hipertensão Tabagismo Doença coronariana Obesidade Cirrose DOENÇA Dieta rica em gordura Diabetes MORTE AIDS Acidentes Câncer Osteoporose SAÚDE NEGATIVA Fonte: NIEMAN, 1999. 52 Podemos observar que acima, no lado esquerdo desse “continuum”, encontra -se o ponto mais alto da saúde positiva , e abaixo, no lado direito a mais elevada manifes tação de saúde negativa, a morte. No entanto, usualmente, na maioria dos casos, a doença vem antes da morte, sendo precedida pela sustentação de comportamentos de risco para a saúde durante determinado tempo de vida (GUEDES, 2002). Nessa perspectiva, se faz possível evidenciar que estar com saúde não pode ser considerado algo estático, mas, um processo individual de construção e de reconstrução desse estado no decorrer de toda a vida, haja vista que a saúde deve ser entendida como um domínio comportamental, que por sua vez, tem que ser tratado não apenas com base em referências de natureza biológica, mas, principalmente, em um contexto psico -sóciocultural (GUEDES, 2002). Dessa forma, Guedes (2002, p. 20) afirma que “[...] não basta somente não estar doente para se ter saúde, é preciso apresentar evidências ou atitudes que venham afastar ao máximo os fatores de risco que possam precipitar o surgimento das doenças”. Partindo dos entendimentos acerca do termo saúde, na continuidade desse estudo, abordaremos o sub-tópico: promoção da saúde. 2.2.6 Promoção da Saúde Durante muitos anos foi consenso que determinadas características físicas como resistência cardiorrespiratória, força/resistência muscular, entre outras, estavam sempre associadas à boa saúde e a l ongevidade dos indivíduos, sendo que, àqueles que tinham uma vida ativa ao longo dos anos eram mais independentes e viviam por mais tempo. No entanto, isso não era uma questão fundamental da saúde pública, haja vista que as principais causas de morte eram ligadas ao meio ambiente ou provenientes de “causas externas” (NAHAS, 2010). Nos dias de hoje, muitos estudos evidenciam que a prática habitual de atividades físicas moderadas ou intensas, possibilitam um a melhora no desempenho motor e na saúde de indivíduos de todas as idades. Entretanto, isso não pode ser considerado uma 53 novidade, haja vista que por volta de dois mil anos atrás, o grego Hipócrates (apud NAHAS, 2010, p. 36) afirmara que: Todas as partes corporais, se usadas com moderação e exercitadas em tarefas a que estão acostumadas, tornam -se saudáveis e envelhecem mais lentamente; se pouco utilizadas, tornam -se mais sujeitas às doenças e envelhecem rapidamente. Nos últimos anos, a sociedade humana vem sofrendo uma série de modificações, de amplitude e ritmo sem procedentes, fazendo com que a atividade física passasse a ser estudada como um importante fator de prevenção e de tratamento de diferentes doenças (NAHAS, 2010). No entanto, mesmo com todos os benefícios – comprovados cientificamente – da prática habitual de atividades físicas, não se pode admitir convictamente que qualquer tipo de ação que desprenda movimento possa ser totalmente saudável. Todavia, sabe -se que qualquer tipo de ação de um movimentar -se pode ser muito saudável, haja vista que seja desenvolvido sob determinada forma (BRODTMANN, 2006). Com base nas considerações a cerca do tema saúde, percebe -se a necessidade de se resgatar o conceito de promoção da saúde em dissociação a noção de prevenção de doenças (GUEDES, 2002). Na opinião de Stachtchenco e Jenicek (1990 apud GUEDES, 2002, p. 21) : No caso da promoção de saúde deverá haver maior preocupação com os múltiplos aspectos relacionados com comportamentos e estilo de vida, em vista disso, seus programas procuram privilegiar atitudes p edagógicas que visam adequações quanto aos hábitos individuais . Dessa forma, podemos evidenciar que a promoção da saúde possui uma maior expressividade fora da prática médica, haja vista sua qualidade potencial em possibilitar impactos educacionais no cot idiano de vida dos indivíduos. Portanto, conforme Guedes (2002, p. 21) “a efetividade dos programas de promoção da saúde é firmada em aspectos 54 subjetivos e de difícil verificação em curto prazo, ao passo que programas de prevenção de doenças podem ser moni torados por uma gama de indicadores clínicos”. 2.3 A EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR NA PROMOÇÃO DE ESTILOS DE VIDA ATIVA E PARA O DESENVOLVIMENTO DOS INDICADORES DE APTIDÃO FÍSICA RELACIONADA À SAÚDE 2.3.1 Contribuições da Educação Física escolar na promoção de estilos de vida ativa e para o desenvolvimento dos indicadores de Aptidão Física relacionada à Saúde De fato, há consenso de que a prática de atividades físicas na idade escolar se faz necessária para estimular a adoção de hábitos saudávei s e para um estilo de vida ativa que perdure durante a vida adulta, diminuindo a incidência de doenças e demais fatores negativos que se associam a um estilo de vida sedentário, tornando -se muito relevante na medida em que há a necessidade de compensar os efeitos nocivos produzidos pelo estilo de vida da sociedade contemporânea. Levando em conta as experiências, observações e discussões acessadas durante a formação universitária, fica claro que a prática esportiva ocupa um espaço praticamente intocável nas aulas de Educaç ão Física, tendo início já na 5ª série, ou ainda mais cedo, e permanecendo no decorrer de quase todo o período de formação escolar do aluno. Porém, existe algum problema em privilegiar a prática esportiva? Não, se ela por si só atendesse os objetivos cent rais da Educação Física, pontuados por Nahas (2010, p 158) como sendo “[...] o desenvolvimento de habilidades motoras e a promoção de atividades física relacionadas à saúde ”. No entanto, existem ressalvas, já que existe um problema com esse procedimento, h aja vista que em muitos casos, o esporte (meio ), passa a ser considerado o fim em si próprio – em uma relação de causalidade – tendo como implicação o desinteresse ou mesmo a exclusão dos alunos que por algum motivo não usufruem dos benefícios da prática d esportiva, seja pela falta de aptidão, habilidade ou mesmo por serem menos dotados geneticamente com relação aos outros – os quais, 55 na maioria das vezes, fazem parte daqueles que mais poderiam beneficiar -se da prática habitual de atividades físicas. Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física apresentam em suas propostas de conteúdos, além dos esportes, os conhecimentos sobre o corpo, os jogos, as lutas, a ginástica, e as atividades rítmicas e expressivas (PCN’s, 1998). No entanto, quando se propõem a prática esportiva nas aulas de Educação Física, privilegia-se comumente o desenvolvimento das modalidades de futebol ou futsal, vôlei, basquete e handebol, limita ndo assim a atuação dos alunos, seja por inexistir opções ou pela falta de prazer dos mesmos na prática das referidas modalidades, de modo que são praticamente “forçados” a deixar de participar das aulas, e, consequentemente, acaba m com suas chances de ocupar o pequeno espaço que a escola lhes oferece para a prática da atividade física habitual (ALVES, 2007). De acordo com Nahas (2006, p. 152) “a educa ção para um estilo de vida ativa representa uma das principais tarefas educacionais que a Educação Física tem a fazer” na qual cabe aos professores conscientizar os alunos a cerca da importância da adoção de um estilo de vida ativa e de hábitos de vida saudáveis. Para tanto, Nahas (2006, p. 152) afirma que: Neste sentido, faz-se necessário construir currículos que atendam às necessidades dos indivíduos, tanto as atuais como as futuras. Se um do s objetivos é fazer com que os alunos venham a incluir hábitos de atividades físicas em suas vidas, é fundamental que compreendam os conceitos básicos relacionados com a saúde e a aptidão física, que sintam prazer na prática de atividades físicas e que desenvolvam certo grau de habilidade motora, o que lhes dará a percepção de competência e motivação para essa prática. Esta parece ser uma função educacional de muita relevância e de responsabilidade preponderante da Educação Física escolar . Fica evidenciado que a Educação Física escolar deve levar em conta a nova tendência de educação para a saúde, no entanto, sem abdicar da prática espo rtiva, mas buscando, sobretudo preparar os alunos para um estilo de vida ativ a. Dessa forma, os autores Corbin e Fox (1986 apud FERREIRA, 2010, p. 44) afirmam -nos “que cumpre à Educação Física escolar criar nos alunos prazer e gosto pelo exercício e pelo desporto de forma a levá-los a adotar um estilo de vida saudável e ativa”. Portanto, partindo dessa 56 premissa, entende-se que existe a imensa necessidade de que a Educação Física escolar fomente a adoção de estilos de vida ativ a, bem como, incentive a prática de atividades físicas estruturadas, a fim de que os alunos sintam -se interessados, motivados e tenham prazer no movimentar-se, buscando incessantemente a popularização de estilos de vida saudáveis e com melhores níveis de atividade física habitual . Segundo Ferreira (2001, p. 44) “as pessoas devem ter a capacidade de selecionar as atividades que satisfazem suas necessidades e interesses, de avaliar seus próprios níveis de aptidão e, finalmente, de resolver seus próprios problemas de aptidão”. Para tanto, de acordo com Nahas e Corbin (1992, p. 52) tendo em vista a preparação dos alunos, cabe especialmente aos professores de Edu cação Física utilizar o “modelo “Escada da aptidão para toda a vida” para descrever os objetivos considerados relevantes em um programa de Educação Física” os quais se referem à aptidão física e à saúde. Os autores organizam a EATV (escada da aptidão para toda a vida) em diversas fases, as quais são representadas por degraus, que os alunos devem transpor no decorrer dos anos escolares, a fim de que ao final dos anos escolares, tenham “autonomia” para elaborar e avaliar os seus programas de exercícios físico s (DEVIDE et al., 2005). Nos últimos anos, nas discussões promovidas acerca das relações estabelecidas entre a saúde e a prática de atividades físicas, realizaram -se reflexões que ultrapassaram o caráter biológico da saúde – vista somente como a ausência de doenças ou como um completo bem-estar físico, mental e social – problematizando a dimensão multifatorial da saúde, a qual enfraqueceu a relação de causalidade que no decorrer dos anos foi sendo formada (DEVIDE, 2003). Portanto, devemos compreender que a relação entre atividade física e saúde deve ultrapassar os benefícios para a aptidão física, caso contrário tende a se limitar, ocasionando um reducionismo da saúde e da própria Educação Física. Nesta perspectiva, Devide (2003, p. 140) afirma que: Além da aptidão física, existem outras questões que influenciam a saúde individual e coletiva, que vêm sendo ignoradas por parte dos professores na EF, que têm raízes sociais e devem ser consideradas para que se amplie o entendimento do papel desta disciplina com o veículo de promoção da saúde, pois impedem que o indivíduo desenvolva hábitos de vida saudáveis e estilos de vida ativos. 57 Para que os indivíduos possam usufruir dos benefícios do movimentar -se para a saúde, faz-se necessário considerar os múltiplos fator es que a influenciam, sejam eles de ordem econômica, social, política ou ambiental. Dessa forma, a partir do momento em que considerarmos os determinantes em questão, estaríamos deslocando parte da imensa responsabilidade dos indivíduos para os problemas sociais, habilitando os mesmos a lutar por mudanças positivas nesse âmbito (FERREIRA, 2001). Portanto, não basta que os alunos saibam elaborar e avaliar os seus programas de exercícios físicos, se não conseguirem compreender os múltiplos fatores que influe nciam a saúde de si próprios, uma vez que, adquirir “autonomia” para praticar e compreender os exercícios físicos e a prática esportiva , passa sobretudo, pela compreensão dessas duas abordagens, bem como das peculiaridades de cada uma delas. Para Ferreira (2001, p. 51) “a grande tarefa da educação física escolar é habilitar os alunos a praticar o exercício físico e o desporto e a compreender os determinantes fisiológicos, biomecânicos, sociopolítico -econômicos e culturais dessa prática ”. Partindo desse contexto, entende-se que compete, sobretudo a Educação Física escolar , propiciar aos alunos a prática de atividades físicas estruturadas (exercícios físicos, esportes, lutas, ginástica, entre outros eixos da cultura corporal do movimento humano), bem como, o entendimento acerca dos múltiplos fatores que influenciam essas práticas, pois, somente a partir desse esforço a Educação Física escolar estará contribuindo de fato para que haja a ampliação da relação entre atividade física e saúde, para que sejam difundid os estilos de vida ativa e saudáveis e para que os indivíduos possam lutar por mudanças positivas nesse âmbito, buscando tornar a sociedade mais justa e igualitária para todas as pessoas . 2.3.2 Objetivos e conteúdos da Educação Física na promoção de estilos de vida ativa e para o desenvolvimento dos indicadores de Aptidão Física relacionada à Saúde Nos dias atuais ainda tem sido bastante comum nos depararmos com programas de Educação Física que são voltados quase que exclusiva mente às atividades esportiva s. Muitos professores ainda organizam seus programas de Educação Física em torno dos esportes de base: futebol ou futsal, voleibol, basquetebol e handebol, isso quando não 58 privilegiam apenas os dois primeiros, abdicando de outros elementos da cultura corpo ral do movimento humano. Mas, há algum problema em privilegiar a prática esportiva nas aulas de Educação Física? Não, se ela por si só conseguisse cumprir todos os objetivos do componente curricular, bem como, produzisse todos os benefícios educacionais qu e são esperados do mesmo. Nesta perspectiva, Nahas (2010, p. 157) afirma que a Educação Física escolar deve preocupar-se em proporcionar o “desenvolvimento de habilidades motoras, aptidão física, desenvolvimento social e pessoal, e um estilo de vida ativo” . Dessa forma, devemos compreender que os esportes são componentes de suma importância para o currículo da Educação Física escolar , mas, não podem se tornar a “razão de ser” dos programas de Educação Física, haja vista que a prática esportiva (meio) com o fim em si mesma pode ser realizada fora do âmbito escolar, e dessa forma, não pode ser considerada uma “atividade educacional” relevante e de suma importância a ponto de justificar a sua permanência no currículo das instituições de ensino (NAHAS, 2010). Entende-se que a Educação Física escolar precisa preocupar-se, sobretudo, em promover hábitos saudáveis a os alunos, buscando continuamente torná -los indivíduos ativos e que prezem pela prática habitual de atividades físicas, tendo consciência da relação da mesma com a manutenção da saúde. No entanto, vale lembrar que a atividade física só será benéfica à saúde dos indivíduos se estiver apropriada à capacidade física, á idade, ao sexo e à condição de saúde do s mesmos, os quais, mesmo com restrições de saúde, podem usufruir dos benefícios da sua prática habitual desde que sejam adequadas às suas condições. De acordo com Nahas (2006, p. 152): A Educação Física escolar é responsável por uma variedade de objetivos, mas dispõe de condições estruturais e tempo muito abaixo do ideal para atingi -los. Portanto, é preciso estabelecer prioridades para cada faixa etária ou série, de acordo com as características e necessidades de cada grupo. Considerando todos os objetivos da Educação Física escolar , e sem diminuir a relevância dos mesmos, Nahas (2006, p. 152) afirma que: 59 [...] os currículos devem enfatizar os objetivos centrais da Educação Física: o desenvolvimento de habilidades motoras e a promoção de atividades físicas relacionadas à saúde. Para atingir esses e outros objetivos da Educação Física, os alunos precisam ser fisicamente ativos, na escola e fora dela. Na busca por contribuir com a Educação Física escolar, Nahas (2010, p. 163) elabora um conjunto de sugestões de objetivos e conteúdos que visam adoção e ou manutenção de estilos de vida ativa , conforme podemos ver no Quadro 2: Sugestões de objetivos e conteúdos para um programa de Educação Física para um estilo de vida ativa. Quadro 2: Sugestões de objetivos e conteúdos para um programa de Educação Física para um estilo de vida ativa. Objetivos Conhecimentos básicos Conteúdos Atividade física – para quê? Quanto precisamos? Aptidão física relacionada à saúde Doenças da civilização e o estilo de vida Postura corporal Fundamentos de nutrição e composição corporal Controle do estresse, relaxamento Orientações para escolhas e prática de atividades físicas Esportes para aptidão física e bem estar X aptidão física para os esportes Atividades (vivências práticas) Solução de problemas relacionados às escolhas e decisões sobre o estilo de vida Atividades para toda a vida: o conceito de lazer ativo Atividades aeróbias, alongamento muscular, treinamento de força muscular, exercícios e composição corporal Autoavaliação Independência Autocontrole e motivação Escolha e prescrição de atividades Planejamento pessoal 60 Modismos e consumismos na área da atividade física e aptidão física (consumo consciente) Fonte: Nahas, 2010. Levando em conta esse conjunto de sugestões de objetivos e de conteúdos para um programa de Educação Física que promova um estilo de vida ativa, Nahas (2010, p. 163) afirma-nos que: “a maioria dos professores de Educação Física não foi preparada para ensinar conceitos, discutir textos, e integrar estes temas com atividades práticas. A idéia geral tem sido de que a aula de Educação Física deve ser sempre prática [...]”. Contudo, o autor ressalta um ponto importantíssimo nesse contexto, afirmando que: Se a Educação Física existisse apenas para fazer as crianças se exercitarem (a prática pela prática), então a preparação de profissionais para tal tarefa seria diferente, e não se justificaria a existência de uma disciplina escolar para tal fim. Se o ensino dos conceitos básicos sobre atividade física, aptidão física e saúde for considerado importante nos program as de Educação Física, então serão necessárias mudanças nos cursos de graduação. Portanto, entendendo a importância de serem contextualizados os conceitos sobre atividade física, aptidão física e saúde nos programas de Educação Física, observa -se que além de mudanças nos cursos de graduação, no que diz respeito a conteúdos e métodos de ensino, se faz necessário a realização de cursos de formação continuada para os professores em atividade, ou seja, compete às instituições de ensino superior além da formação de novos profissionais de ensino a formação continuada daqueles que já estão inseridos no mercado de trabalho, sobretudo nas escolas (NAHAS, 2010). Com o passar dos anos, intensificou -se as preocupações acerca dos estilos de vida da sociedade contemporân ea, haja vista o aumento constante de pessoas sedentárias e com hábitos de vida cada vez menos saudáve is até mesmo por parte de crianças e adolescentes. Os constantes avanços tecnológicos e da informática, de fato, são de suma importância na vida do homem moderno, no entanto, as mudanças realizadas por esses avanços tem afetado diretamente o estilo de vida dos indivíduos, a ponto de torná-los sedentários, e como consequência desses comportamentos, estarem mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças crônico-degenerativas. Nessa perspectiva, fica evidenciado 61 que a prática de atividades físicas passa a ter maior relevância, ao passo que se torna necessária para uma compensação dos efeitos prejudiciais de um estilo de vida sedentário, bem como, cabe a Educação Física escolar torna-se um meio potencial para a promoção de atividades físicas e saúde, uma vez que os estilos de vida sedentários não abrangem somente os adultos, mas também, muitas crianças e adolescentes, os quais realizam cada vez menos atividades f ísicas no seu cotidiano de vida. Para Orfei e Tavares (2009, p. 81) “as crianças não estão reali zando atividades físicas em quantidade e intensidade suficiente para promover efeitos benéficos sobre a saúde, permanecendo a maior parte de seu tempo em ativid ades de baixa intensidade”. Nessa linha, Strong et al. (2005 apud SOUZA, 2010, p. 21) afirmam -nos que: [...] a recomendação ideal seria a participação dos adolescentes por pelo menos entre 45 a 60 minutos por dia, entre 3 e 5 vezes na semana em atividades físicas de intensidade vigorosa e moderada que poderiam ser realizadas durante as aulas de Educação Física, atividades esportivas e atividades físicas praticadas fora da escola. Entende-se que o desenvolvimento da aptidão física relacionada à saúde se fa z muito importante, mas, para que tal prática venha a se afirmar no âmbito da Educação Física escolar, há a necessidade de considerá -la como conteúdo de interesse para o bem estar individual e principalmente para a saúde dos indivíduos. Nahas (2006, p.156) ao expor suas idéias acerca dos conteúdos que a Educação Física escolar deveria incluir para permitir que haja o desenvolvimento da aptidão física relacionada à saúde, afirma que: Os primeiros anos escolares são próprios para atividades diversificadas qu e promovam o desenvolvimento motor e o gosto pela recreação ativa. Nesta fase, a aptidão física é considerada objetivo secundário, resumindo -se no envolvimento de todas as crianças em atividades variadas e agradáveis, que promovam a auto-estima e atitudes positivas em relação à atividade física. Neste nível ensinar sobre a aptidão física relacionada à saúde é mais uma questão de mudança de métodos do que de conteúdos . 62 Compete a Educação Física escolar procurar sempre que possível desenvolver experiências práticas para a promoção da saúde, informando aos alunos a importância e a necessidade da prática habitual de atividades físicas como meio de pro moção da saúde, informando-os para que tenham competência de escolher as que mais se adaptam a seus objetivos, sendo capazes de escolhê -las e dosá-las, ou seja, dotar os alunos de autonomia para a prática de atividades físicas no seu cotidiano de vida. De acordo com Orfei e Tavares (2009, p. 85 -86) o professor de Educação Física deve desenvolver nas aulas e na escol a: A realização da avaliação antropométrica, da coordenação motora e a aplicação do questionário IPAQ (Internacional Physical Activity Questionnaire), com o intuito de avaliar o nível de aptidão física relacionada à saúde e de atividade física, e a coorde nação motora que as crianças se encontram, para, a partir desses resultados, planejar as aulas de Educação Física; A promoção de experiências motoras, que proporcionem repercussão satisfatória em direção a um melhor estado de saúde, afastando ao máximo a possibilidade de aparecimento dos fatores de risco que contribuem para o surgimento de eventuais distúrbios orgânicos; O aprimoramento dos componentes da aptidão física relacionados à saúde, através da intensidade e da duração adequadas, para capacitar os alunos a identificarem esses componentes e quais são os benefícios ao organismo humano, de modo a estimulá -los a terem uma vida fisicamente ativa mesmo depois dos anos escolares; Palestras e debates sobre a promoção da saúde, atividade física, alimentação saudável, uso de álcool e fumo, sexualidade, entre outros, a fim de conscientizá-los sobre boas práticas; Conscientizar os alunos a tomarem iniciativa em relação à prática de atividades físicas e hábitos saudáveis para que se tornem ativos fisicamente, não apenas na infância e na adolescência, mas também na idade adulta; Projetos sobre atividade física, alimentação saudável, postura, entre outros, nos quais todos os alunos, funcionários e comunidade escolar participem. Nos dias atuais, a disciplina curricular de Educação Física caracteriza-se por ser o principal meio de promoção de conteúdos relacionados à saúde. Os programas de Educação Física tem importante função na escola, sendo dos professores da disciplina a incumbência de dirigir a prática docente no sentido de proporcionar uma conscientização dos alunos com relação à importância da adoção de estilos de vida ativ a e da criação de 63 hábitos de vida saudáveis, haja vista que a aptidão física relacionada à saúde possui um importante papel na promoção de est ilos de vida ativa, de uma vida longa e saudável e, também, na prevenção das doenças associadas a estilos de vida tipicamente sedentários (ORFEI; TAVARES, 2009). Na opinião de Guedes (1999 apud ORFEI; TAVARES, 2009, p. 86): Os professores de educação físi ca devem incorporar uma nova postura frente à estrutura educacional, procurando proporcionar em suas aulas, não mais uma visão exclusiva à prática de atividades esportivas e recreativas, mas também, alcançarem metas voltadas à educação para a saúde, median te seleção, organização e desenvolvimento de experiências que possam propiciar aos alunos não apenas situações que os tornem crianças e adolescentes ativos fisicamente, mas, sobretudo, que os conduzam a optarem por um estilo de vida saudável ao longo de toda a vida . Em suma, se faz muito importante entendermos que a Educação Física escolar não tem a função educacional única de promoção da saúde, mas, tem a responsabilidade social e educacional de apresentar informações e desenvolver experiências que permit am a “autonomia” dos alunos no que diz respeito à prática de atividades físicas habituais no cotidiano de vida, proporcionando estilos de vida ativ a e com mais saúde. 2.3.3 Como motivar os alunos menos aptos a desenvolverem a Aptidão Física relacionada à Saúde? Nos dias atuais enquanto muitas pessoas iniciam a prátic a de atividades físicas, outras deixam de usufruir os seus inerentes benefícios por inúmeros pretextos. Dentre os muitos motivos que levam a rej eição da prática de atividades físicas, a indis ponibilidade de tempo, desinteresse e preguiça, figuram entre a s principais causas de desmotivação. Na maioria das vezes, praticar atividades físicas de forma regular somente se faz possível quando há prazer, pois, experiências negativas têm a capacidade d e fazer com que as pessoas abandonem essa prática. 64 Pode-se dizer que a Educação Física escolar quando dada real importância, tem a capacidade de fazer com que os alunos tornem -se sujeitos fisicamente ativos por toda a vida, no entanto, quando se faz pouco caso da mesma, os alunos podem sentir os efeitos negativos durante muito tempo ou por toda a vida. Nessa perspectiva, de acordo com Guiselini (2004, p. 40): Muitos adultos, que não tiveram sucesso nas aulas de Educação Física durante a sua infância por estarem “gordinhos” ou lentos, ou com dificuldades motoras, ou por não gostarem de futebol de salão ou de determinada modalidade esportiva, ou mesmo porque o exercício físico foi usado como castigo – isso acontecia nas forças armadas e em algumas instituiçõe s de reeducação infantil – ficaram com uma imagem muito negativa do exercício; imagem esta muito difícil de ser apagada por serem experiências muito dolorosas. No entanto, diversas pessoas cometem diariamente um erro comum: deixam de dar início a prática de atividades físicas por estarem acima do peso, mal condicionadas, ou com pouca massa muscular, e ainda, usam isso como pretexto para ter um estilo de vida sedentário. No entanto, esse conceito na maior parte das vezes se caracteriza por acreditarem que iniciar um programa de condicionamento físico faz parte do dia -a-dia de pessoas fortes, bonitas, detentoras de um corpo musculoso e sem gorduras, acreditando assim que jamais seriam capazes de conseguir tal proeza, o que leva essas pessoas a se excluírem e darem como desculpas a indisponibilidade de tempo, preguiça, entre outras (GUISELINI, 2004). Guiselini (2004, p. 41) afirma que “para haver o envolvimento das pessoas se faz necessário organizar um programa simples, que favoreça facilmente a participação e a permanência das mesmas”, mas, para isso aconteça, devemos considerar os passos: Elaborar um programa de exercícios que se adapte aos objetivos e às necessidades das pessoas. Envolver as pessoas no programa de tal forma que recebam uma boa orientação sobre avaliação física, prescrição de exercícios, acompanhamento e reavaliação. Criar nas pessoas uma atitude saudável em relação à prática do exercício; isto inclui a frequência, intensidade e duração do mesmo. 65 Contar com professores que tenham uma atitude adequada (acolhedor, motivado, carismático, por exemplo), pois um dos principais fatores de permanência é o relacionamento professor -aluno, principalmente em relação à confiança que o aluno deve ter pelo professor. Informar frequentemente os alunos sobre os benefícios da prática regular do exercício físico que ocorrem ao longo da vida, principalmente no processo de envelhecimento, no qual ocorre a diminuição do condicionamento físico, decorrente da idade, que é muito menor entre os indivíduos ativos. Para Guiselini (2004, p. 42) “disposição, vontade, perseverança, alegria, auto imagem positiva e vitalidade são uns atributos daqueles que se exercitam regularmente”. Medidas relativamente simples podem contribuir ilimitadamente para motivar e principalmente para criar hábito saudáveis, tornando a prática de atividades fí sicas parte do dia-a-dia dos indivíduos. 66 3 MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Caracterização da Pesquisa Trata-se de uma pesquisa quantitativa, de caráter descritivo, pois se objetivou primordialmente em descrever características de uma determinada população, na busca por estabelecer relações entre as variáveis estudadas e descrever de forma detalhada os fenômenos observados, classificando -se conforme os delineamentos técnicos utilizados como um estudo de campo (GIL, 2002). 3.2 Seleção dos Sujeitos 3.2.1 População A população desse estudo incluiu crianças e adolescentes de ambos os sexos, devidamente matriculados e frequentando as séries finais da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava do Município de Dois Irmãos das Missões/RS, com idades entre 11 e 16 anos de idade. O número da população (n=35) foi o btido por meio da lista de alunos matriculados e com frequência regular fornecida pela escola. 3.2.2 Amostra A amostra foi limitada a 32 ind ivíduos, sendo 56,25% (n=18) do sexo masculino e 43,75% (n=14) do sexo feminino, todos devidamente matriculados e frequentando as séries finais da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nen ê Boava, com idades entre 11 e 16 anos de idade, os quais trouxeram no dia marcado para a coleta dos dados o 67 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido devidamente assinado pelos pais ou pelos seus responsáveis legais. 3.2.3 Critérios de Inclusão Foi considerado critério de inclusão todos os alunos que estivessem devida mente matriculados nas séries finais da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava, com frequência regular e, que de livre e espontânea vontade se disponibilizasse m a participar da pesquisa, comprometendo -se em: responder o questionário de atividade s físicas habituais, participar da coleta das medidas antropométricas (massa corporal e estatura) e da bateria de testes físicos propostos para a avaliação dos indicadores de aptidão física relacionada à saúde . 3.2.4 Critérios de Exclusão Foram considerados critérios de exclusão todos os indivíduos que não atenderam aos itens relacionados a seguir: a) Não concordância dos pais mediante a autorização expedida pelo supervisor da pesquisa; b) Não apresentar interesse em participar do estudo como voluntário; e c) Não apresentar condição de saúde que viabilize a coleta de dados. 3.3 Procedimentos O presente estudo obedeceu criteriosamente as seguintes etapas da pesquisa: 68 a) Contato pessoal com a direção da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava; b) Encontro com a direção da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava para a apresentação dos objetivos do estudo e definição das datas para a coleta dos dados; c) Preparação dos instrumentos; d) Entrega do “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido” (Anex o 1) para a assinatura dos pais ou dos responsáveis legais dos alunos; e) Aplicação do “Questionário de Atividades Físicas Habituais ” (Anexo 2) com os alunos do 6º ano, 6ª, 7ª e 8ª séries; f) Preenchimento da “Ficha de Avaliação Individual” (Anexo 3) dos alunos; g) Medidas antropométricas; h) Testes de campo. A coleta dos dados foi realizada em quatro etapas: Na primeira etapa, realizada no dia 04/11/2011, nas dependências da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava, a qual fica localizada na Linha Progresso, interior do Município de Dois Irmãos das Missões/RS, os alunos receberam o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (Anexo 1) para levar para os pais ou responsáveis legais assinar, a fim de que, mediante a concordância dos mesmos, os alunos fossem autorizados a participar e fazer parte da amostra desse estudo. Na segunda etapa da coleta de dados, dia 14/11/2011, também nas dependências da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava, foram recolhidos os Termos de Consentimento Livre e Es clarecido, assinados de livre e espontânea vontade pelos pais ou responsáveis legais dos alunos. Em seguida, foram reunidos todos os alunos do 6º ano e 6ª série no refeitório da escola para a aplicação do Questionário de Atividades Físicas Habituais (Anexo 2), e por fim, no mesmo local, foram reunidos todos os alunos da 7ª e 8ª série para a aplicação do referido instrumento. Tanto os alunos do 6º ano e 6ª série, quanto os alunos da 7ª e 8ª série, responderam ao questionário em um tempo 69 mínimo de 4 minutos e máximo de 10 minutos, mais os minutos iniciais destinados a explicação do instrumento de coleta de dados. Na terceira etapa, dia 18/11/2011, nas dependências da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava, os alunos preencheram os dados pessoais da Ficha de Avaliação Individual (Anexo 3) cada um em sua respectiva sala de aula, e e m seguida, com uma turma de cada vez, foram realizadas as medidas antropométricas de massa corporal e estatura, e os testes de “sentar-e-alcançar” e “abdominais em 1 minuto”, os quais iriam avaliar a flexibilidade e a força/resistência muscular respectivamente. Na quarta e última etapa, dia 21/11/2011, também realizada nas dependências da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava, as turmas foram encaminhadas uma de cada vez até a quadra da escola para a aplicação do teste de “corrida/caminhada de 9 minutos”. Para a realização dessa avaliação foi despedido entre 25 e 45 minutos de tempo para cada turma, mais um acréscimo de tempo destinado à explicação do teste. 3.4 Instrumentos e Materiais Os dados e medidas antropométricas coletados no presente estudo foram obtidos por meio dos seguintes instrumentos e materiais: Questionário de Atividades Físicas Habituais (Anexo 2) – Para o levantamento do nível de prática de at ividades físicas habituais dos alunos foi utilizado um questionário com um total de 11 questões fechadas, sendo 8 (oito) de “sim” ou “não” com uma única alternativa, e 3 (três) de “ sim” ou “não” com três opções e uma única resposta, onde cada opção teria uma determinada pontuação, que somadas no final do questionário indicariam a classificação do aluno quanto ao nível de atividade física habitual (inativo, pouco ativo, moderadamente ativo e muito ativo). Ficha de Avaliação Individual (Anexo 3) – Para a anotação dos dados utilizou-se uma ficha individual que solicitava as seguintes informações: nome completo do aluno, sexo, data de nascimento, ano/série escolar, turno de aula, data e hora da avaliação, modalidade esportiva praticada com frequência, frequência semanal, 70 duração média de cada sessão, tempo de prática e, se o aluno apresenta algum tipo de deficiência; Medidas antropométricas e testes: massa corporal e estatura, resistência cardiorrespiratória: corrida/caminhada de 9 minutos (distância total em metros), força/resistência muscular : abdominais em 1 minuto (número de repetições), flexibilidade: sentar-e-alcançar (distância alcançada em cen tímetros) e composição corporal (IMC – Índice de Massa Corporal): divisão da massa corporal (peso corporal em Kg) pela estatura (altura em metros) elevada ao quadrado. Balança – Para determinar a massa corporal (peso corporal em Kg) foi utilizada uma balança mecânica, devidamente calibrada e aferida, com precisão de 1 kg e com uma escala de 0 a 130 Kg. Fita métrica – Para a medida da estatura dos alunos foi fixada uma fita métrica graduada em centímetros em uma parede de alvenaria revestida e sem rodapés. Banco de sentar-e-alcançar (Banco de Wells) – Para a medida da flexibilidade foi usado um cubo construído com peças de madeira de 30 x 30 cm, tendo uma peça (tipo régua) na parte superior plana de 53 cm de compr imento, na qual foi fixada uma fita métrica de 0 a 53 cm, com a marca de 23 cm exatamente em linha com a face do cubo, onde os alunos apoiaram os pés para a realização do referido teste. Colchonete – Foi utilizado um colchonete de espuma na execução do teste de “abdominais em 1 minuto”, a fim de que os alunos não viessem a sofrer qualquer tipo de desconforto no momento da avaliação. Cronômetro – Para determinar o tempo dos testes de “corrida/caminhada de 9 minutos” e “abdominais em 1 minuto” foi usado um cronômetro digital da marca Guepardo, com precisão de décimo de segundo. Trena métrica – Para a medida da volta incompleta dos alunos no teste de “corrida/caminhada de 9 minutos” foi utilizada uma trena métrica com escala de 0 a 20 metros. Apito – Para informar o término do tempo do teste de “corrida/caminhada de 9 minutos foi utilizado um apito da marca FOX 40 PEARL. 71 Numeração – Para a identificação dos alunos no t este “corrida/caminhada de 9 minutos” foi utilizada numeração impressa em folha de ofício A4. 3.5 Seleção dos Instrumentos Foi escolhida uma bateria de testes físicos e um questionário, todos de simples execução e que fornecem informações fidedignas e m uito importantes com relação aos indicadores de aptidão física relacionada à saúde e ao nível de prática habitual de atividades físicas no cotidiano de vida dos alunos. 3.5.1 Nível de Atividade Física Habitual Para avaliar o nível de atividade física ha bitual dos alunos no cotidiano de vida, utilizou-se o Questionário de Atividades Físicas Habituais (Anexo 2), desenvolvido por Pate (1995) e traduzido e modificado por Nahas (2001) o qual serve para estimativa do nível de atividade física habitual de adolescentes e adultos jovens, caracterizando-se por sua praticidade e fidedignidade na coleta de dados (NAHAS, 2010). O questionário aplicado considera as atividades físicas ocupacionais diárias e as atividades de lazer, a fim de classificar os alunos em um dos quatro níveis de atividade física habitual: inativo, pouco ativo, moderadamente ativo e muito ativo, por meio da pontuação obtida pelo avaliado em cada questão respondida “sim”. Esse questionário possui 11 (onze) questões fechadas, sendo 8 (oito) com ap enas uma resposta, e 3 (três) com três opções para uma resposta, cada uma com uma pontuação especifica, tornando a soma dos pontos uma unidade arbitrária para a classificação dos alunos em um dos quatro níveis de atividade física habitual anteriormente apr esentados. Para fazer uma estimativa do nível de prática habitual de atividades físicas dos alunos no cotidiano de vida, foram levantadas as atividades ocupacionais diárias e as de lazer realizadas pelos mesmos, através do Questionário de Atividades Físic as Habituais (Anexo 2), o qual considera como saudável para a maioria das pessoas a faixa entre 12 e 72 20 pontos, a qual classifica o aluno avaliado como moderadamente ativo . Para efeito de verificação do nível de atividade física habitual e interpretação do s resultados, segue na sequência a classificação dos alunos de acordo com a pontuação obtida pelos mesmos no referido instrumento, o qual foi desenvolvido por Pate (1995) e traduzido e adaptado por Nahas (2001). Tabela 1: Classificação dos alunos de acord o com o nível de prática de atividades físicas habituais (ocupacionais diárias e de lazer) estimadas pelo Questionário de Atividades Físicas Habituais (Anexo 2). Classificação segundo a pontuação do Questionário de AFH Inativo 0 – 5 pontos Pouco ativo 6 – 11 pontos Moderadamente ativo 12 – 20 pontos Muito ativo 21 ou mais pontos Fonte: NAHAS, 2010. 3.5.2 Aptidão Cardiorrespiratória Para avaliar a aptidão cardiorrespiratória, f oi utilizado o teste “corrida/caminhada de 9 minutos” proposto na bateria de testes do PROESP-BR, o qual consiste em correr/andar durante 9 minutos , percorrendo a maior distância possível, a fim de avaliar a capacidade aeróbica dos alunos (PROESP -BR, 2011). Para a realização dessa avaliação, os alunos foram divididos em grupos de até 4 (quatro) avaliados, de modo que o número de alunos fosse apropriado às dimensões da quadra (20m x 15m). Os alunos foram informados enfaticamente que no decorrer do teste deveriam correr/caminhar o maior tempo possível, evitando piques de velocidad es com longas caminhadas intercaladas, bem como, não deveriam parar durante o trajeto. Para a identificação dos alunos, os mesmos foram numerados, de modo que os números fossem bem visualizados pelo avaliador. Foi informada a passagem do tempo do teste a cada três minutos, sendo que no final da avaliação, ao soar um sinal (apito), os alunos 73 deveriam interromper a corrida, permanecendo no lugar que pararam (no momento do apito) até que a distância da volta incompleta dos alunos fosse anotada ou sinalizada. O s dados dos alunos foram anotados em uma ficha de avaliação individual (Anexo 3), de modo que cada aluno fosse identificado de forma inequívoca. Todos os resultados desse teste foram anotados em metros com aproximação às dezenas (PROESP -BR, 2011). Para a estimativa da distância total percorrida pelos alunos no término do teste “corrida/caminhada de 9 minutos”, foi utilizada a fórmula apresentada no quadro 3 . Quadro 3: Fórmula para calcular a distância total percorrida pelos alunos no teste “corrida/caminhada de 9 minutos”. NÚMERO DE VOLTAS X PERÍMETRO + DISTÂNCIA DA ÚLTIMA VOLTA = DISTÂNCIA TOTAL Fonte: PROESP-BR, 2011. Os dados obtidos foram comparados com a faixa recomendável para boa saúde em aptidão cardiorrespiratória , apresentada na tabela 2, a qual mostra a distância total (em metros) considerada saudável no teste “corrida/caminhada de 9 minutos”, proposto pela AAHPERD (1980), e que considera o sexo e a idade dos alunos avaliados. Tabela 2: Faixa recomendável para zona de boa saúde em aptidão c ardiorrespiratória, a qual considera os resultados do s alunos no teste de “corrida/caminhada de 9 minutos ” (distância em metros). Idade (Anos) Feminino Masculino 11 1200 – 1600 1300 – 1750 74 12 1200 – 1600 1400 – 1800 13 1300 – 1600 1450 – 2000 14 1300 – 1750 1550 – 2000 15 1400 – 1800 1600 – 2000 16 1450 – 1800 1750 – 2000 Fonte: AAHPERD – Lifetime Health-Related Physical Fitness (1980, apud PROESPBR, 2011). 3.5.3 Força/Resistência Muscular O teste de “abdominais em 1 minuto” foi utilizado com a finalidade de avaliar a força/resistência muscular dos alunos por meio do número total de repetições de flexões abdominais possíveis realizados em até 1 minuto. Para a execução desse teste, os alunos partiram da posição de decúbito dorsal, com os braços cruzados sobre o tórax, joelhos flexionados a 90 graus, e pés apoiados no solo e fixados pelo avaliador . No sinal dado pelo avaliador os alunos deveriam realizar uma flexão do tronco, até conseguir tocar os cotovelos nas coxas, retornando após a posição inicial, a fim de realizar o máximo de repetições completas e em um ritmo constante no tempo m áximo de 1 minuto, cabendo ao avaliador realizar a contagem do número de repetições em voz alta, onde o resultado é expresso em número de movimentos por minuto (PROESP -BR, 2011). Por meio do número de repetições de flexões abdominais efetuadas em 1 minuto, foi avaliada a condição dos alunos de acordo com a faixa recomendável para zona de boa saúde em força/resistência muscular , proposta pela AAHPERD (1980), e organizada de acordo com o sexo e a idade dos avaliados. Tabela 3: Faixa recomendável para zona de boa saúde em força/resistência muscular , a qual considera os resultados do s alunos no teste de “abdominais em 1 minuto” (número de repetições). Idade (Anos) Feminino Masculino 11 30 – 35 30 – 35 75 12 30 – 35 30 – 40 13 30 – 35 35 – 40 14 30 – 35 35 – 40 15 30 – 35 40 – 45 16 30 – 35 40 – 45 Fonte: AAHPERD – Lifetime Health-Related Physical Fitness (1980, apud PROESPBR, 2011). 3.5.4 Flexibilidade De acordo com Nieman (1999, p. 16) “um dos testes -padrão para a flexibilidade lombar e dos posteriores das coxas é o teste do sentar -e-alcançar”. Conforme Schardong (2005, apud FARRINATI; MONTEIRO, 2000) “para avaliação da flexibilidade utiliza se técnicas as quais consistem na quantificação do ângulo de movimento ou da distância que uma extremidade do corpo percorre em relação a determinado ponto”. Para a realização do teste “sentar -e-alcançar”, amplamente difundido por Wells, utilizamos o “Banco de Wells”, conhecido também como “Banco de Sentar-e-Alcançar”, construído com as seguintes características: cubo feito de peças de madeira de 30 x 30 cm, tendo uma peça (tipo régua) na parte superior plana de 53 cm, onde foi fixada uma fita métrica com uma escala de 0 a 53 cm, com a marca de 23 cm exatamente em linha com a face do cubo onde os avaliados firmam os pés (PROESP-BR, 2011). Na realização do teste de “sentar -e-alcançar” foram consideradas as instruções fornecidas a seguir: Primeiramente os alunos deveriam tirar os cal çados, para que em seguida realizassem um breve aquecimento que consistia em praticar de 6 a 8 vezes o exercício de tentar alcançar a ponta dos pés na posição sentada com as pernas unidas e estendidas. De modo similar ao exercício antes realizado, mas agor a posicionado frente a base do banco de “sentar-e-alcançar”, os alunos deveriam colocar as mãos uma sobre as outra e à sua frente, inclinando o tronco para frente, tão longe quanto possível, sem flexionar os joelhos e sem utilizar movimentos de balanço . Cada um dos alunos deveria fazer duas tentativas, sendo que a segunda deveria ser realizada após um breve período 76 de tempo, cabendo ao avaliador permanecer no lado do aluno, mantendo-lhe os joelhos em extensão, a fim de medir o resultado a partir da posição mais distante que o mesmo alcançasse na escala com as pontas dos dedos (PROESP-BR, 2011). Para a análise dos resultados utilizou-se a faixa recomendável para a zona de boa saúde em flexibilidade proposta pela AAHPERD (1980), visualizada na tabela 4, a qual apresenta-nos as distâncias recomendáveis (em centímetros) a serem alcançadas no teste de “sentar-e-alcançar”, segundo o sexo e a idade dos alunos avaliados. Tabela 4: Faixa recomendável para zona de boa saúde em flexibilidade, a qual considera os resultados dos alunos no teste de “sentar-e-alcançar” (distância em centímetros). Idade (Anos) Feminino Masculino 11 23 – 28 20 – 25 12 23 – 28 20 – 25 13 23 – 28 20 – 25 14 23 – 28 20 – 25 15 23 – 28 20 – 25 16 23 – 28 20 – 25 Fonte: AAHPERD – Lifetime Health-Related Physical Fitness (1980, apud PROESPBR, 2011). 3.5.5 Composição Corporal De acordo com Nahas (2010 , p. 96) “nos anos 80, a composição corporal passou também a ser considerada um fator determinante da aptidão relacionada à saúde, ao lado da aptidão cardiorrespiratória , da força/resistência muscular e da flexibilidade”. Uma maneira simples e prática para definir se a massa corporal (peso em Kg) de uma pessoa está dentro do normal para uma boa saúde, é por meio do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), o qual pode ser obtido através da divisão da massa corporal (peso corporal em Kg) pela estatura (altura em metros) elevada ao quadrado. No quadro 4 : 77 Fórmula para avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC) podemos observar a fórmula mais comum utilizada para avaliar a composição corporal dos indivíduos: Quadro 4: Fórmula para avaliação do Índice de Massa Corporal (IMC). IMC = MASSA CORPORAL (Kg) _____________________ ESTATURA (metros)2 Fonte: NAHAS, 2010. De acordo com Schardong (2005, ap ud MARANHÃO NETO, 2000) “embora guardando as limitações inerentes aos métodos que usam como base as medidas de peso corporal e estatura, o IMC mostra grande relação com as medidas de gordura corporal”. Na tabela 5, apresenta-se a faixa recomendável para z ona de boa saúde no que se refere à composição corporal dos alunos, tomando como base o s resultados do IMC que são considerados normais, e levando em conta o sexo e a idade dos avaliados. Tabela 5: Faixa recomendável para zona de boa saúde em composição c orporal, a qual considera os resultados dos alunos na avaliação do IMC (Kg/m²). Idade (Anos) Feminino Masculino 11 14 – 21 15 – 21 12 15 – 22 15 – 22 13 15 – 23 16 – 23 14 17 – 24 16 – 24 15 17 – 24 17 – 24 16 17 – 24 18 – 24 Fonte: AAHPERD – Lifetime Health-Related Physical Fitness (1980, apud PROESPBR, 2011). 78 De acordo com Cole et al. (2000, apud NAHAS, 2010, p. 100) “para crianças e adolescentes, os pontos de corte para identificação de baixo peso, sobrepeso e obesidade tiveram que ser adaptados a partir de um estudo internacional” . Na tabela 6, os pontos de corte para sobrepeso e obesidade, consideram os valores percentuais da distribuição do IMC por sexo e idade no grupo de crianças e jovens (NAHAS, 2010). Tabela 6: Pontos de corte para o IMC em crianças e adolescentes. Sobrepeso Obesidade Idade (Anos) Masculino Feminino Masculino Feminino 11 20,6 20,7 25,1 25,4 12 21,2 21,7 26,0 26,7 13 21,9 22,6 26,8 27,8 14 22,6 23,3 27,6 28,6 15 23,3 23,9 28,3 29,1 16 23,9 24,4 28,9 29,4 Fonte: NAHAS, 2010. 79 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS IDADE (Anos) ESTATURA (Metros) MASSA CORPORAL (Kg) IMC (Kg/m²) CORRIDA/CAMIHADA DE 9 MINUTOS (Distância total em m) ABDOMINAIS EM 1 MINUTO (Número de repetições) SENTAR-E-ALCANÇAR (Distância alcançada em cm) CLASSIFICAÇÃO DO NÍVEL DE ATIVIDADE FÍSICA HABITUAL Quadro 5: Quadro geral das medidas antropométricas de idade, estatura, massa corporal e índice de massa corporal (IMC), testes físicos de aptidão cardiorrespiratória (corrida/caminhada de 9 minutos), força/r esistência abdominal (abdominais em 1 minuto) e flexibilidade (sentar-e-alcançar); e, classificação do nível de atividad e física habitual (inativo, pouco ativo, moderadamente ativo e muito ativo) dos alunos que participaram do estudo em 14/11, 18/11 e 21/11/2011. 11 1.57 57 23,17 1.002 24 23 PA 11 1.43 35 17,15 1.427 32 24,5 MOA 11 1.47 39 18,05 1.370 35 20 MOA 12 1.59 53 21,03 1.420 34 25,5 MA 12 1.40 34 17,34 1.764 48 30 MA 12 1.40 31 15,81 1.078 26 31 PA 12 1.41 34 17,17 1.772 40 30,5 MA 12 1.55 53 22,08 1.104 25 25,5 PA 12 1.50 56 24,88 1.112 20 21 PA 12 1.56 67 27,57 1.144 17 19,5 PA 12 1.49 52 23,42 1.148 21 22,5 PA 12 1.53 49 20,94 1.011 30 24 PA 12 1.55 45 18,75 1.882 48 29,5 MOA 12 1.47 37 17,12 1.826 36 21,5 MA 80 13 1.65 55 20,22 1.886 32 29,5 PA 13 1.48 43 19,63 1.843 38 21,5 MA 14 1.47 55 25,46 1.066 18 19,5 PA 14 1.55 49 20,41 1.568 37 27,5 MOA 14 1.58 56 22,48 1.702 45 37 MOA 14 1.55 55 22,91 1.332 32 24,5 MOA 14 1.39 40 20,72 1.314 32 26,5 MOA 14 1.65 55 20,22 1.893 37 31 MOA 14 1.59 45 17,85 1.527 42 26 MOA 14 1.69 61 21,40 1.816 35 31 MOA 14 1.53 49 20,41 1.100 22 23,5 PA 14 1.56 54 22,22 1.002 23 33 PA 15 1.45 40 19,04 1.503 36 21,5 MOA 15 1.57 62 25,20 1.242 27 29 MOA 15 1.69 69 24,21 1.412 44 24,5 MOA 15 1.58 56 22,48 1.614 35 21,5 MOA 15 1.68 57 20,21 1.765 38 31 MOA 16 1.72 60 20,33 1.740 41 29,5 MOA Dos alunos avaliados, 56,25% (n=18) são do sexo masculino e 43,75% (n=14) são do sexo feminino. Destes alunos, 9,38% (n=3) estão com 11 anos, 34,38% (n=11) com 12 anos, 9,38% (n=3) com 13 anos, 28,12% (n=9) com 14 anos, 15,62% (n=5) com 15 anos e 3,12% (n=1) com 16 anos de idade. Tabela 7: Distribuição dos alunos avaliados de acordo com o sexo e a idade. Idade (Anos) Feminino Masculino Total 11 1 2 3 81 12 7 4 11 13 2 1 3 14 4 5 9 15 0 5 5 16 0 1 1 11-16 14 18 32 % 43,75 56,25 100% 8 7 6 5 Meninos 4 Meninas 3 2 1 0 11 anos 12 anos 13 anos 14 anos 15 anos 16 anos Figura 2: Distribuição da idade dos alunos (n=32) por sexo. Ao analisarmos o nível de atividade física habitual dos alunos , constata-se que 34,37% (n=11) dos alunos são classificados como pouco ativos, 46,87% (n=15) como moderadamente ativos e 18,75% (n=6) como muito ativos. Dentre todos os alunos que participaram da pesquisa, de ambos os gêneros, se faz importante ressaltar que nenhum dos mesmos foi classificado como sendo inativo. Considerando todos os alunos do sexo feminino, os quais corresponderam a um total de 43,75% (n=14) dos participantes do estudo, observou-se que 31,25% (n=10) são classificados como pouco ativos, 6,25% (n=2) como moderadamente ativos e 6,25% (n=2) como muito ativos. Com relação aos alunos do sexo masculino, notou-se que dos 82 56,25% (n=18), apenas 3,12% (n=1) classificou-se como pouco ativo, enquanto 40,62% (n=13) classificaram-se como moderadamente ativos e 12,50% (n=4) como muito ativos. Diversos estudos apontam a inatividade física como u m dos principais fatores de risco à saúde entre adolescentes (CESCHINI & FIGUEIRA JUNIOR, 2006; FARIAS JÚNIOR, 2006; HALLAL et al., 2006). Entretanto, além dos altos índices de inatividade física entre adolescentes, ampliam-se entre os mesmos outros fatores de risco à saúde que merecem igual atenção, como os níveis de prática de atividade física insuficiente – comportamentos sedentários – e consumo alimentar inadequado . Deste modo, tendo em vista que uma parcela bastante significativa de adolescentes estão expostos a um ou mais desses comportamentos de risco à saúde, compete à disciplina curricular de Educação Física estimular o movimentar -se dentro e fora do âmbito escolar, a fim de que e sses comportamentos de risco à saúde sejam minimizados e seus deteriorantes efeitos sejam reduzidos, contudo, considerando sempre os múltiplos fatores que exercem influência na prática habitual de atividade física dos indivíduos no cotidiano de vida. Com base nos dados levantados nesse estudo, os quais foram obtidos por meio do Questionário de Atividades Físi cas Habituais (Anexo 2), pode -se observar que os alunos do sexo masculino foram considerados bem mais ativos que os alunos do sexo feminino. Mas, essa realidade deve ser desconstruída no âmbito escolar, ao passo que a disciplina de Educação Física seja capaz de contribuir efetivamente para o aumento dos níveis de atividade física de todos os alunos, através de atividades físicas de intensidade moderada a vigorosa, as quais permitam um melhora nos indicadores de aptidão física relacionada à saúde dos alunos, seja através de atividades físicas estruturadas ou por intermédio dos esportes, jogos, ginástica, entre outros eixos da cultura corporal do movimento humano. Tabela 8: Resultados referentes à classificação dos alunos avaliados quanto ao nível de atividade física habitual de acordo com o sexo e a idade. Masculino Idade (Anos) Feminino I PA MOA MA I PA MOA MA 11 0 1 0 0 0 0 2 0 3 12 0 5 0 2 0 1 1 2 11 Total 83 13 0 2 0 0 0 0 0 1 14 0 2 2 0 0 0 5 0 15 0 0 0 0 0 0 4 1 5 16 0 0 0 0 0 0 1 0 1 11-16 0 10 2 2 0 1 13 4 32 % 0,00 31,25 6,25 6,25 0,00 3,12 40,62 12,50 100% 3 9 14 12 10 8 Meninos 6 Meninas 4 2 0 Inativos Pouco ativos Moderadamente ativos Muito ativos Figura 3: Classificação do nível de atividade física dos alunos (n=32) por sexo. Ao observarmos a figura 3, a qual mostra-nos a classificação do nível de atividade física dos alunos, deve ser destacado positivamente o fato de não haver alunos inativos, no entanto, contrastando com essa realidade, des taca-se negativamente um índice elevado de alunos classificados como sendo pouco ativos. Considerando todos os 32 alunos que participaram desse estudo, vale ressaltar que 34,38% (n=11) foram classificados como pouco ativos, enquanto 65,62% (n=21) foram classificados como moderadamente ativos ou muito ativos. Logo, a partir dos resultados apresentados, fica evidenciada uma porcentagem muito expressiva e que inspira cuidados, haja vista o considerável número de alunos classificados como pouco ativos. Diante dos resultados obtidos nesse estudo, fica manifesta a prevalência de alunos do sexo masculino com melhores níveis de atividade física , haja vista que dos 65,62% 84 (n=21) que foram classificados como moderadamente ativos ou muito ativos, 53,12% (n=17) são do sexo masculino, enquanto apenas 12,50% (n=4) são do sexo feminino . Portanto, evidenciou-se nesse estudo que os alunos do sexo masculino são fisicamente mais ativos que os alunos do sexo feminino. Com relação aos benefícios da prática de atividades físicas , Guedes (2002, p. 42) afirma-nos que: [...] os maiores benefícios à saúde mediante a prática de atividade física são alcançados quando se desloca do estágio de sedentarismo a níveis moderados de prática de atividade física, ou de baixos a moderados nívei s de aptidão física relacionada à saúde. Portanto, a partir da concepção do aut or, se faz possível entender que os esforços físicos proporcionados por meio das aulas de Educação Física necessitam ser direcionados além da preservação de melhores índices d e aptidão física, seja ela relacionada à saúde ou ao desempenho motor, haja vista que muitos alunos não possuem um condicionamento físico satisfatório, o que acabaria impedindo os que mais precisariam em termos de saúde de usufruir dos benefícios proporcionados nas aulas de Educação Física. Levando em conta os benefícios da atividade física para a saúde, Guedes (2002 , p. 42) estabelece a relação entre os níveis de prática de atividade física e os benefícios à saúde na figura 4: Benefícios à Saúde De Baixos a Moderados De Moderados a Altos Níveis de Prática de Atividade Física Figura 4: Relação entre níveis de prática de atividade física e benefícios à saúde. 85 Com relação às medidas antropométricas, constata -se que a estatura dos alunos avaliados encontra-se entre 1.39 cm e 1.72 cm, com uma massa corporal que varia entre 29.00 kg e 69.00 kg entre os alunos avaliados. Tomando como referência a tabela 5, a qual estabelece a faixa recomendável para zona de boa saúde em composição corporal, e partindo dos resultados do teste de IMC (Kg/m²), podemos observar que dos 32 alunos avaliados, 25,00% (n=8) estão acima da faixa recomendável para boa sa úde, dentre os quais, 9,38% (n=3) são do sexo masculino e 15,62% (n=5) são do sexo feminino, resultados esses que evidenciam uma prevalência de alunos do sexo feminino com sobrepeso ou obesidade. Partido do resultado do IMC dos alunos, ao confrontarmos os dados com a tabela 6, que define o ponto de corte para sobrepeso e obesidade, constata -se que dos 25,00% (n=8) que estão acima da faixa recomendável para zona de boa saúde, 21,88% (n=7) estão com sobrepeso e 3,12% (n=1) apresenta obesidade. Dos alunos com sobrepeso, 9,38% (n=3) são do sexo masculino e 12,05% (n=4) são do sexo feminino. No entanto, foi evidenciado apenas um caso de obesidade, o qual foi apresentado por um aluno do sexo feminino, correspondendo a 3,12% (n=1) dos alunos acima da faixa recomendável para zona de boa saúde em composição corporal . Tabela 9: Resultados da avaliação dos níveis de adiposidade corporal, tomando como referência o IMC, classificando os alunos de acordo com as tabelas 5 e 6 , e dividindo-os por sexo e idade. Faixa ideal Sobrepeso Obesidade Idade (Anos) Mas Fem Mas Fem Mas Fem 11 2 0 0 1 0 0 3 12 3 4 1 2 0 1 11 13 1 1 0 1 0 0 3 14 5 4 0 0 0 0 9 15 3 0 2 0 0 0 5 16 1 0 0 0 0 0 1 Total 86 11-16 15 9 3 4 0 1 32 % 46,88% 28,12% 9,38% 12,50% 0,00% 3,12% 100% O índice de massa corporal (IMC) no decorrer dos últimos anos tornou -se um das estimativas mais indicadas para o levantamento de informações sobre a quantidade de gordura corporal de indivíduos e populações em geral (A CSM, 2000). 16 14 12 10 Meninos 8 Meninas 6 4 2 0 Faixa ideal Sobrepeso Obesidade Figura 5: Distribuição dos níveis de adiposidade corporal alunos (n=32) por sexo. Devemos atentar a relação existente entre o nível de prática habitual de atividade física e o índice de massa corporal dos alunos, haja vista que dos 25,00% (n=8) dos alunos avaliados, os quais apresenta ram IMC acima da faixa recomendável para zona de boa saúde, 18,75% (n=6) são classificados como pouco ativos e 6,25% (n=2) como moderadamente ativos. Portanto, observando a relação que há entre os dois indicadores, evidencia-se que baixos níveis de atividade física corroboram para o aparecime nto de sobrepeso e de obesidade, o que nos leva a crer que níveis de atividade física moderada a vigorosa exercem influência significativa no cont role da massa corporal dos indivíduos. Considerando que 25,00% (n=8) dos alunos avaliados apresentam IMC acima da faixa recomendável para boa saúde, entende-se que deveria haver uma preocupação bem maior por parte das secretarias de educação e de saúde do município, pois, acredita-se 87 que cabe especialmente às mesmas a identificação das possíveis causas desse contexto. Dessa forma, fica subjugado que a partir de um melhor acompanhamento por parte das secretarias competentes, há uma maior possibilidade de reunir informações contundentes e de extrema importância, a partir das quais seria possível avaliar a necessidade de serem implantadas políticas e programas de combate ao sedentarismo e promoção de atividades físicas, bem como, podem ser realizadas intervenções que levem em conta o caráter multifatorial da saúde, e não somente a relação causal estabelecida entre a atividade física e a saúde. 12 Meninos pouco ativos 10 Meninas pouco ativas 8 6 Meninos moderadamente ativos 4 Meninas moderadamente ativas 2 Meninos muito ativos 0 Faixa ideal Sobrepeso Obesidade Meninas muito ativas Figura 6: Distribuição da correlação existente entre os alunos (n=32) poucos ativos , moderadamente ativos e muito ativos e os resultados do IMC por sexo . Nesta perspectiva, Nahas (2010, p.106) afirma que, “a ingestão calórica, assim como a proporção de gordura na alimentação tem decrescido nas últimas décadas, mas mesmo assim os índices de so brepeso e de obesidade continuam aumentando”. Isso se dá principalmente, pela adoção de estilos de vida sedentários e com baixos níveis de prática de atividade física habitual, o que leva o autor a afirmar que “isso tem provocado um desequilíbrio no balanço energético que favorece um aumento diário na proporção de pessoas obesas, mesmo quando se observa uma redução da ingestão calórica”. Dessa forma, fica comprovado que compete à Educação Física escolar o importante papel de refletir e promover os benefícios de um estilo de vida saudável e a importância da prática habitual de atividades físicas , sobretudo às de intensidade moderada e vigorosa, realizadas preferencialmente de três a cinco vezes por semana. 88 De acordo com a ACSM (apud NIEMAN, 1999, p. 10) : A resistência cardiorrespiratória foi relacionada com a saúde porque as pessoas que evitam os exercícios aeróbicos apresentam uma correlação com um risco marcadamente crescente de morte prematura devido a qualquer causa, especialmente por doenças cardíacas. Para a avaliação da aptidão cardiorrespiratória dos alunos, foi utilizado o teste de “corrida/caminhada de 9 minutos”, onde os alunos deveriam percorrer, seja correndo ou caminhando, a maior distância possível no período de tempo de 9 minutos. Levando em conta a tabela 2, a qual estabelece a faixa recomendável para zona de boa saúde em aptidão cardiorrespiratória, e que considera os resultados dos alunos no teste de “corrida/caminhada de 9 minutos” , pode-se observar que 62,50% (n=20) dos alunos estão na faixa recomendada para boa saúde, enquanto 37,50% (n=12) estão fora dessa faixa. Dos 37,50% (n=12) dos alunos que não possuem aptidão cardiorrespiratória satisfatória, 9,38% (n=3) são do sexo masculino e 28,12% (n=9) são do sexo feminino. Tabela 10: Classificação dos alunos no teste de “corrida/caminhada de 9 minutos”, de acordo com o sexo e a idade dos avaliados. Idade (Anos) Classificação na faixa recomendável para zona de boa saúde no teste “corrida/caminhada de 9 minutos” Classificação abaixo da faixa recomendável para zona de boa saúde no teste “corrida/caminhada de 9 minutos” Mas Fem Mas Fem 11 2 0 0 1 12 3 3 1 4 13 1 0 0 2 14 5 2 0 2 15 3 0 2 0 16 1 0 0 0 89 11-16 15 5 3 9 100 % 46,88% 15,62% 9,38% 28,12% Fazendo uma correlação entre os resultados abaixo da faixa recomendável para boa saúde no teste de “corrida/caminhada de 9 minutos” e o nível de prática de atividade física habitual dos alunos, constata-se que dos 37,50% (n=12) que não possuem aptidão cardiorrespiratória satisfatória, 31,25% (n =10) classificam-se como sendo pouco ativos e 6,25% (n=2) como sendo moderadamente ativos. No entanto, o que chamou a atenção nessa correlação, foi que 28,12% (n=9) dos alunos classificados como po uco ativos são do sexo feminino e apenas 3,13% (n=1) são do sexo masculino. Já os alunos que tiveram resultados abaixo da faixa recomendável para zona de boa saúde, os quais foram classificados como sendo moderadamente ativos, corresponderam a 6,25% (n=2), sendo todos do sexo masculino. Bergmann et al. (2005, p. 15) ao avaliarem a aptidão física relacionada à saúde de crianças e adolescentes, corroboraram com os resultados obtidos nesse estudo, constatando que: A resistência cardiorrespiratória dos meninos é superior estatisticamente do que das meninas ao longo de todas as idades. Os meninos aumentam seu nível médio de capacidade aeróbica ao longo de todas as idades, sendo que, dos 11 aos 14 anos esses aumentos são significativos. As meninas, entretanto, melhoram sua capacidade aeróbica dos 7 aos 12 anos de idade. Depois tendem a estabilizar, e até regredir aos 16 anos. Para Nahas (2010, p. 57) “desde os anos 60, muitos estudos têm demonstrado a associação inversa da atividade física habitual e da aptidão cardiorrespiratória com uma incidência de doenças cardíacas e mortalidade por todas as causas”. Diversos estudos epidemiológicos realizados no decorrer das últimas décadas apresentam a associação de baixos níveis de aptidão cardiorrespiratória com a incidência de doenças coronarianas e morte por todas as causas, be m como a relação inversa entre atividades físicas habituais e esses males. Esses estudos levaram -nos a considerar que o simples fato dos indivíduos terem um moderado nível de aptidão física (medido através do VO 2max) já era 90 suficientemente capaz de ajudar na redução de muitos riscos intrínsecos ao grupo de mais baixa aptidão (NAHAS, 2010). Levando em consideração a importância da prática habitual de atividade física bem orientada para uma melhora da aptidão cardiorrespiratória dos indivíduos, Nieman (1999, p. 8) afirma-nos que “a aptidão cardiorrespiratória é aumentada quando grandes massas musculares do corpo estão envolvidas numa atividade contínua e rítmica por pelo menos três a cinco sessões de exercícios por semana, 20 -60 minutos por sessão [...]”. 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Meninos Meninas Dentro da faixa Abaixo da faixa recomendável no recomendável no teste de 9min teste de 9min Figura 7: Distribuição dos resultados dos alunos no teste de “corrida/caminha de 9 minutos” de acordo com a faixa recomendável em aptidão cardiorrespiratória. Para Sharkey (1990, apud SOUZA, 2010, p. 38 ) a força pode ser definida como sendo “o nível de tensão máxima que pode ser produzido por um grupo muscular ” e a resistência muscular, como sendo “a capacidade do músculo, ou de um grupo muscular, sustentar contrações repetidas por um determinado período de tempo”. Para a avaliaç ão da força/resistência muscular dos alunos foi usado o teste de “abdominais em 1 minuto”, o qual avalia o número de repetições de flexões abdominais em 1 minuto. De acordo com os resultados dos alunos no teste de “ abdominais em 1 minuto” , considerando a tabela 3, a qual estabelece a faixa recomendável para zona de boa saúde em força/resistência muscular, se faz possível afirmar que 56,26% (n=18) dos alunos se classificaram dentro da faixa recomendável para boa saúde, enquanto 43,74% (n=14) se classificaram abaixo da faixa recomendável para zona de boa saúde. Dentre os 56,26% 91 (n=18) que se classificaram dentro da faixa recomendável para boa saúde, 34,39% (n=11) são do sexo masculino e 21,87% (n=7) são do sexo feminino. No entanto, com relação aos 43,74% (n=14) que se classificaram abaixo da faixa recomendável para zona de boa saúde, 21,87% (n=7) são do sexo masculino, e igualmente, 21,87% (n=7) são do sexo feminino. O estudo feito por Bergmann et al. (2005) corroborou com os resultados obtidos no presente estudo, pois, pode-se observar que com relação à força/resistência muscular dos alunos pesquisados, há um desempenho estatisticamente superior do s meninos no que diz respeito às meninas (BERGMANN et al., 2005). Na opinião de Nahas (2010, p. 76) “uma boa con dição muscular proporciona -nos uma maior capacidade para realizarmos as atividades da vida diária”. Nesta perspectiva, Nieman (1999, p. 14) aponta que “o desenvolvimento da força e da resistência muscular apresenta diversos benefícios relacionados à saúde, incluindo o aumento da densidade óssea, do volume muscular, da força do tecido conjuntivo e da auto -estima”. Nesta perspectiva, a ACMS (2000, apud SOUZA, 2010, p. 38) afirma -nos que “níveis adequados de força/resistência muscular estão relacionados à dim inuição de lesões e problemas posturais e ao aumento da autonomia de movimento. Por outro lado, debilidades nestes componentes indicam riscos de lo mbalgias e fadigas localizadas”. De acordo com Souza (2010, p. 38): Atividades objetivando aumentos dos ín dices de força/resistência muscular para crianças e adolescentes envolvem padrões de movimentos idênticos aos adultos, contudo, devem-se resguardar as devidas especificidades etárias e critérios de segurança. Tabela 11: Classificação dos alunos no teste d e “abdominais em 1 minuto”, de acordo com o sexo e a idade dos avaliados. Idade (Anos) Classificação na faixa recomendável para zona de boa saúde no teste “abdominais em 1 minuto” Mas Fem Classificação abaixo da faixa recomendável para zona de boa saúde no teste “abdominais em 1 minuto” Mas Fem 92 11 2 0 0 1 12 3 3 1 4 13 0 2 1 0 14 4 2 1 2 15 1 0 4 0 16 1 0 0 0 11-16 11 7 7 7 100 % 34,39% 21,87% 21,87% 21,87% Fazendo uma correlação entre o nível de prática de atividade física habitual dos alunos e o resultado dos mesmos no teste de “abdominais em 1 minuto”, observamos que dos 43,74% (n=14) que se classificaram abaixo da faixa recomendável para zona de boa saúde no referido teste, 28,12% (n=9) são alunos pouco ativos, 12,50% (n=4) são moderadamente ativos e apenas 3,12% são (n=1) muito ativos. Dos 28,12% (n=9) dos alunos considerados pouco ativos, classificados abaixo da faixa recomendável no teste de “abdominais em 1 minuto”, constata-se que 3,12% (n=1) são do sexo masculino e 25,00% (n=8) são do sexo feminino. Os resultados do presente estudo corroboraram com os estudos de Bergmann et al. (2005) que afirmam que há um desempenho estatisticamente superior dos meninos no que diz respeito às meninas. Com relação aos demais alunos pesquisados, os quais foram classificados abaixo da faixa recomendável para boa saúde no teste de “abdominais em 1 minuto”, observouse uma amostra que contou apenas com participantes do sexo masculino, dentre os quais 12,50% (n=4) foram classificados como moderadamente ativos e 3,12% (n=1) como muito ativos. Nos dias atuais, existem muitos professores de Educação Física que ainda vêem o desenvolvimento da força/resistência muscular como conteúdo de aula sob uma ótica de desconfiança e pré-conceito, haja vista que muitos desses associam o desenvolvimento de atividades de força/resistência muscular a prejuízos no processo de crescimento dos alunos, bem como, a masculinização dos corpos femininos . Porém, esses pré-conceitos e desconfianças aos poucos estão sendo desconstruídos por diversos estudos científicos, os 93 quais evidenciam os benefícios de um programa de força/resistência muscular que seja bem planejado e supervisionado, proporcionando dessa forma significativas melhoras nos níveis de força dos alunos (SOUZA, 2010). 12 10 8 Meninos 6 Meninas 4 2 0 Dentro da faixa Abaixo da faixa recomendável no recomendável no teste de ABD teste de ADB Figura 8: Distribuição dos resultados dos alunos no teste de “abdominais em 1 minuto” de acordo com a faixa recomendável em força/resistência muscular. Para a avaliação da flexibilidade dos alunos, foi desenvolvido o teste de “senta re-alcançar”, o qual teve como objetivo registrar a maior distância alcançada na flexão do tronco sobre o quadril, realizada na posição sentada no banco de sentar-e-alcançar. De acordo com Nieman (1999, p. 15): A flexibilidade ou amplitude de movimentaç ão articular é específica para cada articulação do corpo. O movimento de cada articulação é influenciado pelos músculos, ligamentos e tendões. Algumas pessoas possuem maior flexibilidade porque esses tecidos são “mais frouxos”, enquanto em outras eles são mais apertados, limitando a amplitude de movimento. O teste de “sentar-e-alcançar” utilizado para avaliar os níveis de flexibilidade dos alunos, evidenciou que a maioria dos avaliados possuem bons níveis de flexibilidade, sobretudo os alunos do sexo femi nino, os quais obtiveram os melhores resultados . Nesse estudo, ao compararmos os resultados do s alunos no teste de “sentar-e-alcançar” com a faixa recomendável para boa saúde em flexibilidade, apresentada na tabela 4, observa -se 94 que 84,37% (n=27) possuem bons níveis flexibilidade, enquanto 15,63% (n=5) possuem níveis de flexibilidade abaixo da faixa recomendável para boa saúde. Dos alunos que se classificaram na faixa recomendável para boa saúde, 50,00% (n=16) são do sexo masculino e 34,37% (n=11) são do sexo feminino. Já com relação aos 15,63% (n=5) dos alunos que se classificaram abaixo da faixa recomendável para boa saúde, 6,25% (n=2) são do sexo masculino e 9,38% (n=3) são do sexo feminino. Pode-se observar no estudo de Bergmann et al. (2005), que no tes te de “sentar-ealcançar”, as meninas apresentaram índices de flexibilidade relativamente superiores do que os meninos durante todas as idades estudadas, não sendo superiores estatisticamente apenas aos 8 e 9 anos de idade (BERGMANN et al., 2005). Tabela 12: Classificação dos alunos no teste de “sentar -e-alcançar”, de acordo com o sexo e a idade dos avaliados. Idade (Anos) Classificação na faixa recomendável para zona de boa saúde no teste de “sentar -ealcançar” Classificação abaixo da faixa recomendável para zona de boa saúde no teste de “sentar -ealcançar” Mas Fem Mas Fem 11 1 1 1 0 12 3 5 1 2 13 1 1 0 1 14 5 4 0 0 15 5 0 0 0 16 1 0 0 0 11-16 16 11 2 3 100 % 50,00% 34,37% 6,25% 9,38% Fazendo uma correlação entre o nível de atividade física habitual dos alunos e a classificação dos mesmos no teste de “sentar-e-alcançar”, evidenciou-se que dos 15,63% (n=5) que se classificaram abaixo da faixa recomendável para boa saúde, 12,50% (n=4) 95 classificaram-se como pouco ativos, enquanto 3,13% (n=1) foram classificados como moderadamente ativos. De acordo com Nahas (2010, p. 81) “todos nós precisamos de certo nível de mobilidade, assim como força, para as atividades diárias e para uma boa saúde”. E com relação aos benefícios da mobilidade para uma boa saúd e, Nieman (1999, p. 15) aponta dentre muitos, “a boa mobilidade articular, aumento da resistência à lesão e às dores musculares, diminuição do risco de lombalgias e de outras dores de coluna [...]”. Dessa forma, fica comprovada a imensa importância de se d esenvolver a flexibilidade nas aulas de Educação Física, seja por meio de exercícios físicos, ou intrinsecamente, durante a prática da ginástica, dança, lutas, entre outros eixos da cultura corporal do movimento, haja vista que bons níveis de flexibilidade contribuem para uma boa saúde dos alunos. 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Meninos Meninas Dentro da faixa Abaixo da faixa recomendável no recomendável no teste de SA teste de SA Figura 9: Distribuição dos resultados dos alunos no teste de “ sentar-e-alcançar” de acordo com a faixa recomendável em flexibilidade. Os resultados desse estudo comprovaram a correl ação existente entre a prática de atividades físicas habituais e a melhoria dos indicadores de aptidão física, corroborando com a hipótese de que o nível de prática habitual de atividades físicas dos alunos das séries finais da Escola Municipal de Ensino F undamental Nenê Boava, do Município de Dois Irmãos das Missões /RS, de fato, contribui para a melhora dos indicadores de aptidão física relacionada à saúde. 96 Levando-se em consideração que os alunos podem atingir a faixa recomendável para zona de boa saúde em um teste e em outro não, procurou -se estabelecer a proporção de alunos que estão dentro da Zona Saudável de Aptidão Física relacionada à Saúde (ZSApFRS) e os que estão abaixo da ZSApFRS em cada um dos indicadores de Aptidão Física relacionada à Saúde (Ap FRS). Na distribuição dos alunos que estão na ZSApFRS (figura 7), considerando uma população de 32 alunos, podemos observar que 75,00% (n=24) estão com IMC na faixa recomendável para boa saúde, 62,50% (n=20) possuem boa aptidão cardiorrespiratória, 56,25% (n=18) apresentam força/resistência muscular satisfatória e 84,38% (n=27) estão com níveis adequados de flexibilidade. Portanto, levando em conta toda a população do estudo, pode-se observar na distribuição dos alunos que estão na ZSApFRS (figura 7), que os alunos do sexo masculino apresentaram um desempenho estatisticamente superior com relação ao gênero feminino em todos os testes realizados. 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 Meninos Meninas IMC Corrida ou caminhada de 9min Abdominais em Sentar-e-alcançar 1min Figura 10: Distribuição dos alunos (n=32) que estão na ZSApFRS. Mas, observou-se na distribuição dos alunos classificados abaixo da ZSApFRS (figura 8), salvo a exceção do teste de “abdominais em 1 minuto” que ambos os sexos tiveram as mesmas proporções, que os alunos do sexo feminino tiveram um desempenho estatisticamente superior com relação à distribuição dos alunos abaixo da ZSApFRS. Na distribuição dos alunos que estão abaixo da ZSApFRS, podemos observar que 25,00% (n=8) estão com IMC abaixo da faixa recomendável para zona de boa saúde, 97 37,50% (n=12) possuem baixa aptidão cardiorres piratória, 43,75% (n=14) não apresentam níveis de força/resistência muscular satisfatórios e 15,62 (n=5) não possuem boa flexibilidade. 10 8 6 Meninos 4 Meninas 2 0 IMC Corrida ou caminhada de 9min Abdominais em 1min Sentar-ealcançar Figura 11: Distribuição dos alunos (n=32) que estão abaixo da ZSApFRS. Nesse estudo os alunos do sexo masculino foram considerados bem mais ativos e demonstraram melhor aptidão física relacionada á saúde do que os alunos do sexo feminino. Dessa forma, fica evidenciado que os alunos do sexo masculino da Escola Municipal de Ensino Fundamental N enê Boava, do Município de Dois Irmãos das Missões, são mais ativos e estão com melhor aptidão física relacionada à saúde do que os alunos do sexo feminino. Todavia, apesar dos resultados indicarem haver uma associação estatisticamente expressiva entre os níveis de prática de atividade física e os indicadores de aptidão física relacionada à saúde, não podemos considerar bons níveis de prática de atividade física como os únicos responsáveis pelas mudanças favoráveis destes indicadores, haja vista o caráter multifatorial da saúde, entendido como um estado resultante de múltiplos fatores e não apenas da relação causal entre atividade física e saúde. Dessa forma, entendemos que por mais significativa que seja a relação entre atividade física e saúde, ela se limi tará se não atentar ao seu caráter multifatorial, envolvido por diversos fatores como trabalho, renda, moradia, saneamento básico, transporte, acesso à educação, acesso aos serviços de saúde, lazer, entre outros aspectos (DEVIDE, 2002). 98 De acordo com Devide (1996, p. 51) a partir do momento em que o professor de Educação Física atentar ao caráter multifatorial da saúde, poderá: [...] desmistificar a relação causal entre exercício físico e saúde, ampliando a relação de compromisso da Educação Física com a saúde. A partir daí, os alunos teriam uma visão mais crítica da realidade e de suas condições de vida, estando mais aptos a se organizar e a trabalhar em prol de melhores condições de habitação, trabalho, lazer, meio ambiente, sistemas de saúde e demais fatores que afetam, direta ou indiretamente, a sua saúde. Desse modo, entende-se que cabe a Educação Física escolar transmitir conteúdos que visem uma promoção da saúde, sendo papel do professor o direcionamento de sua prática, tendo em vista a conscientizaç ão dos alunos no que se refere à adoção de estilos de vida ativos e de hábitos de vida saudáveis (DEVIDE, 2002). 99 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente estudo teve como objetivo principal verificar se há associação entre os níveis de prática de atividade física habitual (inativo, pouco ativo, moderadamente ativo e muito ativo) e os indicadores de apt idão física relacionada à saúde dos alunos das séries finais da Escola Municipal de Ensino Fundamental Nenê Boava, do Município de Dois Irmãos das Missões/RS, bem como, refletir acerca das contribuições da Educação Física escolar na promoção de estilos de vida ativa e para o desenvolvimento dos indicadores de aptidão física relacionada à saúde, o que permitiu-nos concluir que: Dos alunos (n=32) pesquisados, 34,37% (n=11) foram classificados como pouco ativos, 46,87% (n=15) como moderadamente ativos e 18,75% (n=6) como muito ativos. Considerando somente os alunos do sexo feminino, 31,25% (n=10) foram classificados como pouco ativos, 6,25% (n=2) como moderadamente ativos e 6,25% (n=2) como muito ativos. Entretanto, com relação aos alunos do sexo masculino, 3,12% (n=1) foram classificados como pouco ativos, 40,62% (n=13) como moderadamente ativos e 12,50% (n=4) como muito ativos. Dessa forma, conclui-se que há uma prevalência de alunos pouco ativos do gênero feminino e moderadamente ativos do gênero masculino, os quais somam um total de 71,87% (n=23). Os baixos níveis de prática de atividades físicas habituais dos alunos no cotidiano de vida exerceram significativa influência sobre os mesmos, haja vista que dos 31,25% (n=10) que se classificaram como pouco ativos, 25,00% (n=8) apresentaram IMC acima da faixa recomendável para boa saúde . Dentre os 25,00% (n=8) dos alunos pesquisados que apresentaram IMC acima da faixa recomendável para boa saúde, 15,62% (n=5) são do sexo feminino e 9,3 8% (n=3) são do sexo masculino. Considerando os 15,62% (n=5) dos alunos do sexo feminino que apresentaram IMC acima do normal, observa-se que 12,50% (n=4) foram diagnosticados com sobrepeso e 3,12% (n=1) com obesidade, enquanto os 9,38% (n=3) dos alunos do sexo masculino apresentaram somente sobrepeso. Com relação aos testes físicos de aptidão cardiorrespiratória, força/resistência muscular e flexibilidade, dos 31,25% (n=10) dos alunos do sexo feminino classificados como pouco ativos, 28,13% (n=9) não apresentaram uma boa aptidão cardiorrespiratória, 100 25,00% (n=8) não se classificaram dentro da faixa recomendável para zona de boa saúde em força/resistência muscular e 9,38% (n=3) não apresentaram níveis satisfatórios de flexibilidade. No que diz respeito aos alunos do sexo masculino classificados como sendo moderadamente ativos, e que corresponderam a 40,62% (n=13) do número total de alunos, verificou-se que apenas 6,24% (n=2) apresentaram IMC acima d a faixa recomendável para boa saúde em composição corporal. Dentre os 40,62% (n=13) dos alunos do sexo masculino que se classificaram como moderadamente ativos, 6,24% (n=2) não apresentaram boa aptidão cardiorrespiratória, 12,50% (n=4) não apresentaram níveis de força/resistência muscular recomendados para uma boa saúde, e 3,12% (n=1) não apresentaram níveis de flexibilidade satisfatórios. Os resultados deste estudo indicaram que os alunos, sobretudo do sexo feminino, das séries finais da Escola Municipal d e Ensino Fundamental Nenê Boava, estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de doenças crônico não-transmissíveis, visto que uma boa parte dos mesmos tem um estilo de vida sedentário (pouco ativo), bem como, não atingiram as faixas recomendáveis para uma boa saúde nos indicadores de aptidão física relacionada à saúde. Mas, apesar da inatividade física e os baixos níveis de atividade física ainda serem um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônico não-transmissíveis, pode-se destacar outros fatores como a baixa imunidade, a obesidade, o tabagismo, o consumo de bebidas alcoólicas em excesso, as dislipidemias, o consumo insuficiente de frutas e hortaliças, entre outros. Dessa forma, após o término da análise dos resultados, ficou comprovado nesse estudo que bons níveis de prática habitual de atividades físicas contribuem para uma melhora dos indicadores de aptidão física relacionada à saúde. De acordo com Nahas (2010, p. 47) “assim como são claras as evidências de associação entre atividade física, aptidão física e saúde, também não há duvidas que esta inter-relação é altamente complexa e influenciada por múltiplos fatores”. Port anto, se faz necessário entendermos que bons níveis de atividade física são muito importantes para o desenvolvimento dos indicadores de aptidão física relacionada à saúde, mas, não podem ser os únicos responsáveis pelas mudanças favoráveis dos mesmos, caso contrário essa relação de causalidade contribuiria para uma “culpabilização da vítima”, haja vista que existem múltiplos fatores que contribuem para a promoção da saúde (DEVIDE, 2002). 101 Na opinião de Faria Júnior (1991, apud DEVIDE, 2003, p. 139) : O processo de “culpabilização da vítima” consiste em depositar no cidadão, a responsabilidade por sua saúde individual, ignorando os múltiplos fatores que atua sobre sua saúde e dos quais ele não possui controle . Para Sparkes (1991, apud FERREIRA, 2001, p. 46) “ a corrente da Aptidão Física relacionada à Saúde analisa a questão da saúde no nível individual [...], apresentando o indivíduo como o problema e a mudança do estilo de vida como a solução”. Partindo desse pressuposto, fica explicito que o autor difunde a q uestão da saúde a partir de seu caráter individual – para não dizer limitado e reducionista – que torna as mudanças no estilo de vida uma solução de responsabilidade única e exclusiva dos indivíduos , os quais são considerados o problema , enquanto a solução vem das suas atitudes, em um processo que promove a “culpabilização da vítima”, responsabilizando -a pelos seus baixos níveis de prática de atividade física, sem atentar aos diversos fatores limitantes – econômicos, sociais, políticos ou ambientais – que influenciam essas atitudes e tornam os indivíduos impotentes na busca por mudanças positivas no seu status de saúde , a qual deveria ser um direito constitucional de cada cidadão (FERREIRA, 2001). Nesse contexto, Ferreira (2001, p. 46) pontua que: O fato é que vivemos numa sociedade dividida em classes sociais, na qual nem todas as pessoas têm condições econômicas para adotar um estilo de vida ativa e saudável. Há desigualdades estruturai s com raízes políticas, econômicas e sociais que dificultam a adoção d esses estilos de vida. Farinatti (1994 apud DEVIDE, 2002, p. 145 ) amplia esse enfoque afirmando que: O planejamento e execução de programas visando o engajamento em atividades corporais (na escola ou fora dela) é, assim, uma questão não só de saúde publica (...) mas de cidadania. Só assim poderemos construir com o educando a noção de que a oportunização à prática de atividades físicas constitui-se um direito tão fundamental quanto o acesso à educação, saneamento básico ou transporte público – pelo qual, portanto, vale a pena se lutar. 102 De acordo com Etkin (1994, apud FERREIRA, 2001, p. 48 ) “as pessoas de baixo nível socioeconômico são as que possuem mais dificuldade em se engajar em atividades físicas”. Portanto, se faz necessário que a falta de oportunização à prática de atividades físicas deixe de ser considerado um fenômeno à parte dos problemas sociais, haja vista que a modificação dos hábitos cotidianos de indivíduos de baixo nível socioeconômico supera o querer engajar-se. Nesta perspectiva, para entendermos a relação existente entre os fatores limitantes e as mudanças de hábitos dos indivíduos, Ferreira (2001, p. 48) nos ilustra com muita propriedade a jornada de trabalho de um trabalhador da classe baixa: Imaginemos um(a) cidadão(ã), residente na periferia de um grande centro urbano, que diariamente acorda às 5:00 hs para trabalhar, enfrenta em média 2 hs de transporte público, em geral lotado, para chegar às 8:00 hs ao trabalho. Termina o expediente às 17:00 hs e chega em casa às 19:00 hs para, a í sim, cuidar dos afazeres domésticos, dos filhos etc. De fato, qualquer semelhança com essa realidade não deve ser coincidência, haja vista que muitos trabalhadores nos dias de hoje enfrentam essa dura realidade para que possam ter condições de prove r minimamente as necessidades básicas da família. Diante desse contexto, Ferreira (2001, p. 48) questiona-nos: “como podemos dizer a essa pessoa que ela deve praticar exercícios, pois é importante para a saúde? Como ela irá entender a mensagem da importância do exercício físico?”. Provavelmente, diante desse contexto, a probabilidade de um indivíduo de baixo nível socioeconômico praticar atividades físicas de forma regular e significativamente menor que os de médio/alto nível socioeconômico, pois, estes, vivem uma realidade muito diferente da qual foi apresentada. Portanto, como que alguém em tão difíceis circunstâncias pode sentir -se apto a praticar atividades físicas regularmente? Como sentir-se responsável por ser ou estar sedentário em uma realidade como essa? Nesse contexto, considerar a saúde apenas pela sua abordagem individual faz com que os indivíduos sintam -se impotentes e culpados, haja vista que os mesmos não conseguem melhorar sua condição de saúde por si próprios. Concluindo, acredita-se que compete à Educação Física escolar criar nos alunos o prazer e o gosto pelas atividades físicas, de modo que os alunos sejam constantemente influenciados aderirem e ou manterem um estilo de vida saudável, ativa e com menos comportamentos de risco à saúde. Dessa forma, fica evidenciado que se faz de extrema 103 importância o movimentar-se, no entanto, para que os indivíduos possam usufruir de fato desses benefícios, devemos atentar aos determinantes econômicos, sociais, políticos ou ambientais da questão, em um esfo rço conjunto que deslocaria parte da responsabilidade dos indivíduos para os problemas sociais, habilitando os mesmos a lutar por mudanças positivas nesse âmbito (FERREIRA, 2001). Nessa linha, Ferreira (2001, p. 48) afirma -nos que “essa seria uma iniciativa que melhoraria as condições de vida das pessoas, contribuindo para a adoção e a modificação de hábitos e atitudes, dentre os quais estaria a prática regular de atividades físicas”. No decorrer desse estudo, observando os resultados da realidade investiga da, foi possível evidenciar que os alunos com melhores níveis de prática de atividades físicas (moderadamente ativo e muito ativo) obtiveram resultados satisfatórios nos indicadores de aptidão física relacionada à saúde em relação aos alunos com baixos nív eis de prática de atividade física (pouco ativo). Portanto, foi constatada a relação positiva que existe entre atividade física e saúde, haja vista que nesse estudo evidenciou-se que bons níveis de prática de atividade física, de fato, contribuem para uma melhora nos indicadores de aptidão física relacionada à sa úde dos alunos. Para que a disciplina de Educação Física cumpra o seu papel no âmbito escolar, não deve deixar de preocupar -se em promover estilos de vida ativa e hábitos saudáveis, todavia, seu papel se limitará se ela não tiver a capacidade de promover o exame crítico dos múltiplos fatores que influ enciam as atitudes dos indivíduos, sejam de ordem social, econômica, política ou ambiental, portanto, cabe à Educação Física escolar promover a saúde sem perder de vista o seu caráter multifatorial. Dessa forma, acredita-se que o papel da Educação Física escolar deve ser o de habilitar os alunos à prática de atividades físicas, fornecendo subsídios e encorajando -os à adoção de estilos de vida ativa , bem como, levá-los a compreender os múltiplos fatores que levam a inatividade física ou a baixos níveis de atividade física , contribuindo assim para o entendimento da relação que existe entre atividade física, aptidão física e saúde e para o desenvolvimento de estilos de vida ativa para todos. 104 REFERÊNCIAS ACSM – AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE. Teste de esforço e prescrição de exercício. Rio de Janeiro: Revinter, 2000. ALVES, Ubiratan Silva. Não ao sedentarismo, sim à saúde: contribuições da Educação Física escolar e dos esportes. O Mundo da Saúde, São Paulo, v. 31, n. 4, p. 464 -469, out./dez. 2007. BACCIOTTI, Sarita de Mendonça. Avaliação da aptidão física relacionada à saúde em indivíduos de 8 a 17 anos com deficiência mental da APAE de Campo Grande -MS. 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Fui informado(a) que esse estudo tem a orientação do Professor Mestre Paulo Rogério Barbosa do Nascimento, e que a coleta de dados será realizada pelo autor do trabalho, o acadêmico Jean Fortes de Lima, abaixo assinado, que aplicará um questionário, coletará algumas medidas antropométricas (massa corporal e estatura) e realizará alguns testes de campo a fim de medir a resistência cardiorrespiratória (corrida/caminhada de 9 minutos), força/resistência muscular (abdominais em 1 min.) e flexibilida de (sentar-e-alcançar). Tenho a garantia de que os dados resultantes do processo de análise dos dados coletados não irão resultar em qualquer forma de prejuízo para mim e ou para meu filho, e que as informações fornecidas serão usadas para fins de construção de conhecimento científico , sendo garantido o anonimato das informações. Nesses termos, autorizo meu filho a integrar o conjunto da população estudada. Dois Irmãos das Missões/RS, ____ de _________________ de 2011. _________________________ ______ Assinatura do responsável legal _______________________________ Assinatura do pesquisador pelo participante da pesquisa 110 ANEXO 2 – QUESTIONÁRIO DE ATIVIDADES FÍSICAS HABITUAIS * Você é fisicamente ativo(a)? Para cada questão respondida SIM, marque os pontos indicados à direita. A soma dos pontos é um indicativo de quão ativo(a) você é. A faixa ideal para a saúde da maioria das pessoas é a de Moderadamente Ativo(a) – 12 a 20 pontos. Atividades Ocupacionais Diárias Pontos 1 Eu geralmente vou e volto do trabalho (ou escola) caminhando ou de bicicleta (ao menos 800 m cada percurso) ............................................................................................... 3 2 Eu geralmente uso as escadas ao invés do elevador......................................................... 1 3 Minhas atividades diárias podem ser descritas como: a. Passo a maior parte do tempo sentado e , quando muito, caminho distâncias curtas...................................... .................................................................................. 0 b. Na maior parte do dia realizo atividades físicas moderadas, como caminhar rápido ou executar tarefas manuais ............................................................... .......... 4 c. Diariamente realizo atividades físicas intensas (trabalho pesado) .......................... 9 Atividades de Lazer Pontos 4 Meu lazer inclui atividades físicas leves, como passear de bicicleta ou caminhar (duas ou mais vezes por semana)………...................................................................................... 2 5 Ao menos uma vez por semana participo de algum tipo de dança ................................... 2 6 Quando sob tensão, faço exercícios para relaxar .............................................................. 1 7 Ao menos duas vezes por semana faço ginástica localizada ............................................ 3 8 Participo de aulas de ioga ou tai -chi-chuan regularmente................................................ 2 9 Faço musculação duas ou mais vezes por semana ........................................................... 4 10 Jogo tênis, basquete, futebol ou outro esporte recreacional, 30 minutos ou mais por jogo: a. uma vez por semana................................................................................................ 2 b. duas vezes por semana............................................................................................. 4 c. três ou mais vezes por semana ............................................ ..................................... 7 11 Participo de exercícios aeróbicos fortes (correr, pedalar, remar, nadar) 20 minutos ou mais por sessão: a. uma vez por semana........................................................................................... ..... 3 b. duas vezes por semana............................................................................................. 6 c. três ou mais vezes por semana ............................................................................... 10 ________________________________________ _______________________________ TOTAL DE PONTOS:______ Classificação Inativo:............................................................................................................0 – 5 pontos Pouco ativo:...................................................................................................6 – 11 pontos Moderadamente ativo:.................................................................................12 – 20 pontos Muito ativo:....................................... .....................................................21 ou mais pontos *Desenvolvido originalmente por Russel R. Pate – University of South Carolina/EUA. Traduzido e modificado por M. V. Nahas – NuPAF/UFSC para uso educacional, servindo como estimativa do nível de atividade física habitual de adolescentes e adultos jovens. Esta versão do instrumento mostrou -se prática e fidedigna entre adolescentes e universitários. A soma de pontos é uma unidade arbitrária. 111 ANEXO 3 – FICHA DE AVALIAÇÃO INDIVIDUAL Dados de Identificação Nome completo do aluno: Sexo: Ano/série: Data da avaliação: Modalidade Esportiva praticada com frequência: Data de nascimento: Turno: Hora: Frequência Duração média de semanal cada sessão Tempo de prática Apresenta alguma deficiência? Qual? Medidas Antropométricas e Testes Estatura: m Massa corporal: kg Composição corporal: Índice de massa corporal (IMC): ........................... ................................................ kg/m² Resistência Cardiorrespiratória : Teste “corrida/caminhada de 9 minutos” : ...................................... distância em metros Força/resistência muscular: Teste “abdominais em 1 min”:..................................................... número de repetições Flexibilidade: Teste de “sentar-e-alcançar”: 1 .......................2 ......................distância em centímetros Observações: Data da avaliação: ____ de __________ _______ de 2011. 112