OBSERVATÓRIO DO TRABALHO DE CAMPINAS ESTUDO TEMÁTICO: Movimentação Contratual no Mercado de Trabalho Formal e Rotatividade em Campinas Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher/DIEESE JUNHO DE 2012 EXPEDIENTE DA PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS Prefeito: Pedro Serafim Vice-Prefeito: Francisco Soares de Souza EXPEDIENTE DO BANCO POPULAR DA MULHER Presidente: Eliane Rosandiski Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 2 EXPEDIENTE DO DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICA E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS – DIEESE Direção Técnica Clemente Ganz Lúcio – Diretor Técnico Ademir Figueiredo – Coordenador de Estudos e Desenvolvimento José Silvestre Prado de Oliveira – Coordenador de Relações Sindicais Clemente Ganz Lúcio – Coordenador de Pesquisas Nelson de Chueri Karam – Coordenador de Educação Rosana de Freitas – Coordenadora Administrativa e Financeira Coordenação Geral do Projeto Ademir Figueiredo – Coordenador de Estudos e Desenvolvimento Angela Maria Schwengber – Supervisora dos Observatórios do Trabalho Adriana Jungbluth – Técnica Responsável pelo Projeto Equipe Executora DIEESE DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos Rua Aurora, 957 - 1º andar - Centro - São Paulo – SP – CEP 01209-001 Fone: (11) 3821-2199 – Fax: (11) 3821-2179 E-mail: [email protected]; Site: http://www.dieese.org.br Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO ..............................................................................................................................5 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................6 2. FLEXIBILIZAÇÃO E DURAÇÃO DOS VÍNCULOS TRABALHISTAS..................................14 2.1. Tempo de permanência dos ativos e dos desligados no ano ....................................................... 14 2.2. Tipo de vínculo dos desligados no ano ....................................................................................... 16 2.3. Causas do desligamento .............................................................................................................. 17 2.4. Relação entre salários de admitidos e de desligados................................................................... 18 3. ROTATIVIDADE NO MERCADO FORMAL DE CAMPINAS .................................................19 3.1 A rotatividade no Mercado de Trabalho de Campinas .................................................................20 3.2 As taxas de rotatividade por setores e subsetores de atividade econômica ................................. 21 3.3 Famílias ocupacionais .................................................................................................................. 23 CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................................26 ANEXOS ...........................................................................................................................................28 Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 4 APRESENTAÇÃO O presente documento configura-se no segundo relatório de análise estrutural intitulado “Movimentação contratual no mercado de trabalho formal e rotatividade em Campinas e na Região Metropolitana”, produto previsto no plano de atividades do Observatório do Mercado de Trabalho de Campinas, parceria entre a Secretaria Municipal de Trabalho e Renda da Prefeitura Municipal de Campinas, através do Banco Popular da Mulher, e o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – DIEESE. O objetivo do estudo é analisar a rotatividade no mercado de trabalho formal de Campinas, bem como os aspectos relacionados à movimentação contratual, tais como duração do emprego e diferenças entre vínculos de trabalho ativos e inativos, estes últimos entendidos como os trabalhadores desligados ao longo do ano e que concluíram o ano sem vínculo formal ativo. Os dados utilizados no relatório são oriundos da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), ambos registros administrativos do MTE. O relatório apresenta-se dividido em três seções além da apresentação, introdução, nota metodológica e considerações finais. Na primeira seção apresenta-se um breve panorama do mercado de trabalho formal em Campinas e região, traçando a evolução de vínculos ativos e desligados entre 2002 e 2010; a segunda seção detém-se sobre a flexibilização e a duração dos vínculos formais e investiga aspectos relacionados ao tempo de permanência, ao tipo de vínculo, às causas de desligamento e aos salários de admitidos e desligados. A terceira e última seção trata especificamente das taxas de rotatividade, analisando-as segundo setores, subsetores e famílias ocupacionais. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 5 INTRODUÇÃO O desempenho do mercado de trabalho brasileiro, em anos recentes, vem sendo marcado por um expressivo crescimento do emprego formal. Particularmente a partir de 2004, observa-se um ‘círculo virtuoso’ de geração de empregos interrompido apenas em 2009, com a crise econômica internacional. Apesar desse contexto de crescimento, não se pode esquecer que o mercado de trabalho brasileiro é marcado por desigualdades persistentes de inserção, de permanência e de remuneração que não foram – e, em boa medida, não têm sido – superadas com o aumento de postos de trabalho. Ainda que o bom desempenho econômico permita melhorias na remuneração dos trabalhadores e maior facilidade de inserção de diversos segmentos, como mulheres e jovens, por exemplo, a questão do baixo tempo de permanência no posto de trabalho permanece como uma das questões estruturais mais importantes do nosso mercado de trabalho. Em Campinas e na Região Metropolitana de Campinas (RMC), a situação não é diferente do que se observa no Brasil, de forma geral. Esse movimento de substituição de um do ocupante de um posto de trabalho por outro é chamado de rotatividade e traz consequências importantes para o mercado de trabalho. De acordo com DIEESE (2011), “milhões de trabalhadores são submetidos anualmente a um regime de contratação flexível que, associado à oferta crescente de força de trabalho do país, tem impacto sobre a política pública de emprego, trabalho e renda, em termos do volume de recursos necessários à formulação dos programas e investimentos. Os efeitos atingem substantivamente os gastos com os programas do seguro-desemprego, de intermediação de mão de obra, de qualificação profissional, bem como o saldo da conta do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, entre os principais” (DIEESE, 2011, p.41). Adicionalmente, podem ser destacados os efeitos sobre o trabalhador, tais como insegurança em relação ao contrato de trabalho, períodos de desemprego, rebaixamento salarial e mesmo interrupção de sua formação profissional. As causas da rotatividade podem relacionar-se a diversos fatores, dentre os quais merecem destaque os “econômicos; os reguladores do mercado de trabalho; os sociológicos, que determinam relações de trabalho e emprego; os de natureza tecnológica, que orientam as escolhas produtivas e influem sobre o volume de força de trabalho empregada” (DIEESE, 2011, p.11). No caso brasileiro, cabe destacar que as altas taxas de rotatividade podem ser indicativas da liberdade de demitir no país, dado que a ‘institucionalidade’ do mercado nacional não prevê mecanismos que inibam as demissões imotivadas, ao contrário, “estas são facilitadas pela flexibilidade contratual que impera e Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 6 caracteriza o funcionamento do mercado de trabalho no Brasil. A adoção da Convenção 158, da OIT, não tem como objetivo vedar as demissões, entretanto, estabelece critérios a serem observados para que elas se realizem” (DIEESE, 2011, p.13). Diante do cenário exposto acima, o presente relatório tem como objetivo analisar a rotatividade do mercado de trabalho formal de Campinas, bem como os aspectos relacionados à movimentação contratual, tais como duração do emprego e diferenças entre vínculos de trabalho ativos e inativos (desligados ao longo do ano). Entende-se que um maior conhecimento do tema pode ampliar a capacidade de intervenção dos atores sociais, sejam eles trabalhadores, gestores públicos, acadêmicos ou empresários. Pretende-se, portanto, aprimorar os instrumentos de política pública de emprego, trabalho e renda locais e regionais. O relatório apresenta-se dividido em três partes além da apresentação, introdução, nota metodológica e considerações finais. Na primeira parte, um breve panorama do mercado de trabalho formal campineiro é apresentado, traçando a evolução de vínculos ativos e desligados entre 2002 e 2010; a segunda parte detém-se sobre a flexibilização e a duração dos vínculos formais e investiga aspectos relacionados ao tempo de permanência, ao tipo de vínculo, às causas de desligamento e aos salários de admitidos e desligados. A terceira parte trata especificamente das taxas de rotatividade, analisando-as segundo setores, subsetores e famílias ocupacionais. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 7 NOTAS METODOLÓGICAS A partir de convênio com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), o DIEESE tem desenvolvido sistematicamente pesquisas sobre o tema da rotatividade, sendo um de seus desdobramentos a publicação intitulada “Rotatividade e flexibilidade no mercado de trabalho1” lançada em 2011. O conteúdo trabalhado nesse livro serviu como ponto de partida para o presente relatório. Adicionalmente, foram utilizadas apresentações feitas pelo DIEESE para o MTE em relação ao tema. Os dados utilizados no relatório são oriundos da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), ambos registros administrativos do MTE. As informações são trabalhadas em níveis de setores e subsetores econômicos do IBGE – permitindo uma observação do movimento mais agregado do mercado de trabalho, mas também no nível de famílias ocupacionais. Cabe ressaltar que a RAIS é informada anualmente e apura os resultados da movimentação dos vínculos dos empregos celetistas e dos estatutários de acordo com a sua situação em 31/12 de cada ano. O CAGED, por seu turno, traz informações mensais – que podem ser agrupadas anualmente – e acompanha exclusivamente a movimentação dos celetistas, informando as admissões e os desligamentos ocorridos no mês. Análise restringe-se ao período de 2002 a 20102 no que diz respeito à flexibilização e aos vínculos contratuais, e entre 2007 e 2010 no que tange à taxa de rotatividade. O recorte temporal do período inicial foi a disponibilidade das informações, mais especificamente o acesso à base de dados do MTE. Já a rotatividade é analisada em relação aos últimos quatro anos porque se procurou concentrar a análise sobre as tendências mais recentes sobre o tema. Três indicadores principais são utilizados mais intensamente ao longo do trabalho e merecem uma explicação e diferenciação mais detalhadas. Eles dizem respeito ao total de vínculos no ano, aos ativos em 31.12 e aos desligados (ou desligamentos) no ano. Os trechos a seguir foram extraídos integralmente de DIEESE (2011) e trazem os detalhamentos necessários. O indicador total de vínculos no ano revela a quantidade anual de contratos de trabalho que tiveram vigência, seja integral ou parcial, em cada ano da série apresentada. Esta quantidade anual de vínculos de trabalho é composta por uma parcela de contratos originados da movimentação de anos anteriores - vínculos presentes no estoque do ano anterior a cada exercício - combinada com outra parcela de vínculos oriundos da movimentação realizada durante cada exercício, representada pelos novos contratos e pelos desligamentos anuais da RAIS. 1 2 DIEESE. Rotatividade e flexibilidade no mercado de trabalho – São Paulo: DIEESE, 2011. 128p. Até o momento do desenvolvimento do estudo, os dados da RAIS 2011 não haviam sido liberados. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 8 Já os contratos que, por algum período do ano de referência, estiveram ativos, mas que, em 31 de dezembro estavam desligados, formam o indicador dos desligamentos no ano, em cada ano da série. Estes expressam a quantidade de desligamentos ocorridos no mercado formal de trabalho, no decorrer de cada ano. O indicador dos ativos em 31/12 corresponde à quantidade de contratos de trabalho com vigência ativa no fim de cada exercício, já descontados os desligamentos do ano. Estes vínculos de emprego compõem o estoque anual da RAIS. (DIEESE, 2011). No que diz respeito à taxa de rotatividade utilizada no relatório, tanto o MTE quanto o DIEESE e grande parte dos pesquisadores toma por base de cálculo a movimentação de admitidos e desligados. Essa abordagem considera o valor mínimo de cada um desses quantitativos, dentro de um mesmo ano, como proxy da substituição no mercado de trabalho. Nesse sentido, o menor valor o mínimo - entre as admissões e os desligamentos é utilizado como indicador do volume de substituição. A relação entre esse valor mínimo e o estoque médio de trabalhadores em dois anos define a taxa de rotatividade3. Este é o critério do cálculo da rotatividade que será utilizado também neste relatório. A justificativa para o uso do mínimo entre admitidos e desligados funda-se na necessidade de desconsiderar no cálculo da rotatividade “a influência da variação líquida da movimentação anual, tanto a positiva como a negativa, na determinação do saldo, no período de cálculo, (...) tem como fundamento o pressuposto de que se a admissão é maior que o desligamento, o volume dele deve-se à necessidade de substituição. De igual modo, se os desligamentos forem superiores à admissão, supõe-se que o volume destas corresponde à necessidade de repor os postos desligados. Assim, a parcela do volume de admissões que supera o volume de desligamentos é considerada expansão do emprego, enquanto a parcela do volume de desligamentos que supera o volume de admissões é considerada como redução do emprego” (DIEESE, 2011, p.85). Adicionalmente à construção do cálculo da taxa de rotatividade, levou-se em conta que metodologias de cálculos que considerassem somente a totalidade dos desligamentos estariam negligenciando um aspecto importante que remete às motivações destes desligamentos. Neste sentido, o cálculo adotado no presente relatório exclui do total dos desligamentos, aqueles realizados a pedido dos trabalhadores, ou seja, as demissões voluntárias; além dos desligamentos decorrentes de morte e os das aposentadorias dos trabalhadores, e os originados das transferências, que implicam apenas mudança contratual. Entretanto, o relatório apresenta também o cálculo da 3 Taxa de rotatividade = Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 9 taxa de rotatividade total com o objetivo de permitir comparações entre as taxas totais e descontadas e, portanto, evidenciar que grande parte da rotatividade decorre das demissões imotivadas de trabalhadores, e não dos desligamentos por outros motivos. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 10 1. PANORAMA DO MERCADO DE TRABALHO FORMAL EM CAMPINAS ENTRE 2002 E 2010 De acordo com DIEESE (2011), “a movimentação dos vínculos da RAIS, em valores absolutos, tem como pressuposto analítico a visão de que a ordem de grandeza dessa movimentação assume importância na percepção social dos desafios impostos ao mercado formal de trabalho” (DIEESE, 2011, p.43). Nesse sentido, a presente seção busca apresentar os ‘grandes números’ do mercado de trabalho formal de Campinas, comparando com os resultados do país, e suas principais tendências. Em 2010, o total de vínculos de emprego formal (total de vínculos ativos em 31.12 somado ao total de desligamentos ocorridos ao longo do ano4) alcançou 612.403 em Campinas. Entre 2002 e 2010, o crescimento total foi de 65,0% equivalente ao aumento de aproximadamente 241 mil vínculos, passando de pouco mais de 371 mil em 2002 para os atuais 612,4 mil em 2010. Os vínculos ativos em 31.12 registraram elevação de 52,6% no período, equivalente à geração de 133,4 mil empregos. Este resultado foi decorrente do incremento dos vínculos empregatícios de 253,4 mil em 2002 para 386,8 mil em 2010. Os dados mostram que houve um crescimento expressivo no período tanto para o total de vínculo como para os vínculos ativos (Gráfico 1). O aumento dos desligamentos ao longo do ano, em termos percentuais, ficou acima do crescimento dos vínculos ativos em 31.12. Entre 2002 e 2010, o número de desligados no ano cresceu 91,5%, alcançando 225,6 mil vínculos em 2010. Devido a esse aumento, a participação dos desligados no ano sobre o total de vínculos passou de 31,7% em 2002 para 36,8% em 2010. De forma geral, os desligamentos indicam os ajustes da mão de obra realizados anualmente no mercado formal, que decorrem por diversas motivações. Dentre elas, destacam-se as relacionadas ao ciclo produtivo anual (sazonalidade, contratos de obras e serviços de duração específica, ciclo de negócios, etc); aos desligamentos por razões referentes ao ciclo de vida dos trabalhadores (aposentadorias, morte, afastamento para estudo etc.); aos desligamentos por razões administrativas (contratos de experiência, transferências etc.); e aos originados do desempenho macroeconômico, que atingem de forma mais ampla o conjunto do mercado de trabalho (DIEESE, 2011). 4 Conforme a nota metodológica apresentada na seção anterior. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 11 450.000 40,0 400.000 35,0 Nº de trabalhadores 350.000 30,0 300.000 25,0 250.000 20,0 200.000 15,0 150.000 10,0 100.000 % desligados no ano GRÁFICO 1 Número de vínculos ativos em 31.12, desligados no ano e participação dos desligados no ano no total de vínculos Campinas, 2002 a 2010 5,0 50.000 - 2002 2003 2004 2005 2006 Participação de desligados no ano (em %) 2007 2008 Ativos em 31.12 2009 2010 Desligados no ano Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE Esses dados não refletem uma piora na geração de empregos, mas mostram que parte significativa dos vínculos que estiveram ativos ao longo de cada ano não estavam mais ativos em 31/12. É importante ressaltar que esse movimento seguiu a tendência de aumento na geração de vagas em Campinas ao longo dos anos, ou seja, mesmo quando aumentou a geração de vagas formais, aumentou o número de trabalhadores desligados ao longo de cada ano, sugerindo um movimento pró-cíclico dos desligamentos. O ano de 2009, mais fortemente atingido pelos efeitos da crise econômica mundial deflagrada em setembro de 2008, é um bom exemplo desse comportamento pró-cíclico dos desligamentos (Gráfico 1). Em relação aos principais setores de atividade no município, a Administração pública apresentava a menor participação de desligados no ano em toda a série (Tabela 1). Esse comportamento está associado à própria natureza dos vínculos do setor, majoritariamente estatutários, com maior estabilidade. A Construção civil, por sua vez, era o setor com maior participação de desligados em cada ano (56,3% do total de vínculos correspondiam a trabalhadores desligados no ano de 2010), o que também guarda relação com a natureza das atividades do setor, no qual a incidência de obras com prazos de início e término definidos é elevada. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 12 TABELA 1 Número de vínculos ativos em 31.12 e desligados no ano, por setores de atividade selecionados Campinas, 2002 a 2010 Ativos/Desligados Ativos Desligados no ano Participação % desligados no ano Ano 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Indústria de transformação 44.254 46.383 50.066 49.906 52.921 55.376 58.221 55.778 58.917 15.573 13.566 15.370 15.378 17.202 17.187 23.817 21.934 21.585 26,9 22,6 23,5 23,6 24,5 23,7 29,0 28,2 26,8 Serviço Utilidade Pública Construção Civil 4.997 6.189 6.245 6.681 6.469 6.442 6.680 6.763 6.678 959 988 1.118 839 2.244 1.312 1.096 937 1.216 16,0 13,8 15,2 11,2 25,8 16,9 14,1 12,2 15,4 9.475 7.335 8.050 9.227 9.013 10.938 14.312 16.083 18.857 10.176 9.254 7.621 7.667 8.342 9.414 15.223 16.234 24.290 54,3 55,8 48,6 45,4 48,1 46,3 51,5 50,2 56,3 Comércio Serviços 57.728 59.317 64.410 71.126 73.817 80.692 86.216 87.263 91.021 32.175 33.868 33.724 38.687 43.355 49.526 57.414 54.766 59.738 35,1 36,3 34,4 35,2 37,0 38,0 40,0 38,6 39,6 114.245 118.074 125.603 137.011 142.369 150.920 164.810 170.746 187.286 55.917 51.655 56.188 63.268 84.445 90.011 113.079 108.467 115.659 33,7 30,4 30,9 31,6 37,2 37,4 40,7 38,8 38,2 AdminisAgricultutração ra Pública 20.630 18.457 19.274 21.781 18.613 22.185 21.040 21.849 22.003 1.929 1.486 1.491 2.215 1.308 1.197 3.045 1.212 1.510 8,7 7,5 7,2 9,2 6,6 5,1 12,6 5,3 6,4 1.789 1.804 1.755 1.800 1.863 1.888 2.259 1.883 1.819 988 685 1.150 713 900 879 1.097 965 1.542 39,9 27,5 39,6 28,4 32,6 31,8 32,7 33,9 45,9 Total 253.408 257.817 275.659 297.611 305.316 328.634 353.820 360.581 386.822 117.823 111.595 116.719 128.787 157.827 169.556 214.826 204.570 225.581 32,3 30,2 29,7 30,2 34,1 34,0 37,8 36,2 36,8 Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE Nota: Foi excluído o setor Extrativo mineral (241 vínculos formais em 2010). Além dos dois setores citados acima, que possuem características específicas, a Agricultura também possui comportamento bastante sazonal, implicando grande participação de desligados em cada ano (45,9% em 2010). Fora esses setores, o Comércio também aparece com participação elevada de desligados no ano (39,6% em 2010). Em média, a participação dos desligados foi de 36,8% em 2010, percentual superior ao início da série quando era de 32,3%. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 13 2. FLEXIBILIZAÇÃO E DURAÇÃO DOS VÍNCULOS TRABALHISTAS Segundo DIEESE (2011), o curto tempo de permanência no posto de trabalho de um volume significativo dos trabalhadores, aliado à curta duração de grande parcela dos contratos de trabalho com prazo determinado constitui uma das características do mercado de trabalho formal, e é apontada como um problema tanto para o seu bom funcionamento, bem como para um melhor desempenho dos trabalhadores no exercício profissional. Ademais, implica custo empresarial e é, também, um grande desafio para a política pública voltada para a questão. Diante disso, este capítulo procura aprofundar a análise sobre a flexibilização do mercado de trabalho formal de Campinas, observando mais detidamente como a flexibilidade contratual tem impacto no tempo de emprego dos diferentes grupos de vínculos formais. A análise é realizada a partir de elementos como o tipo de vínculo e o tempo de permanência no emprego dos trabalhadores campineiros. Para tanto, contempla o tempo de permanência dos ativos em 31.12 e dos desligados no ano, o tipo de contrato de trabalho dos desligados no ano, as causas dos desligamentos e a relação entre os salários de admitidos e desligados. 2.1. Tempo de permanência dos ativos e dos desligados no ano De forma geral, o mercado de trabalho brasileiro é caracterizado pelo baixo tempo de permanência do trabalhador no vínculo. Já a comparação entre o tempo de permanência no emprego dos ativos em 31.12 em relação ao tempo de permanência dos desligados no ano permite observar que a situação dos desligados é mais precária, dado que estes permanecem um tempo excessivamente curto no último vínculo de emprego, em sua maioria inferior a três meses. Uma das implicações principais do baixo tempo de permanência é que o trabalhador não consegue cumprir os requisitos mínimos de acesso ao seguro-desemprego. Outra implicação importante diz respeito às baixas remunerações associadas a empregos com curta duração, bem como à impossibilidade de adquirir a qualificação necessária ou adequada para exercer determinada função. Em relação a Campinas, observa-se que a flexibilidade do mercado de trabalho analisada a partir do tempo de permanência no emprego também é elevada. Aproximadamente 1/3 dos desligados em 2010 permaneceu até 2,9 meses no emprego e praticamente 2/3 dos desligados sequer atingiu um ano de trabalho em seu último vínculo. Ademais, apenas 19,2% dos desligados possuíam mais de dois anos (24 meses) no vínculo (Gráfico 2). Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 14 GRÁFICO 2 Tempo de emprego dos ativos em 31.12 e dos desligados no ano Campinas, 2002 a 2010 Desligados 40,0 Menos de 2 anos (2010): 80,8% Menos de 1 ano (2010): 66,4% 35,0 2002 30,0 2003 2004 25,0 2005 20,0 2006 2007 15,0 2008 10,0 2009 2010 5,0 Ate 2,9 3,0 a 5,9 6,0 a 11,9 12,0 a 23,9 24,0 a 35,9 36,0 a 59,9 60,0 a 119,9 120,0 ou mais Ativos em 31/12 Menos de 2 anos (2010): 52,9% Menos de 1 ano (2010): 37,4% 20,0 18,0 2002 16,0 2003 2004 14,0 2005 12,0 2006 10,0 2007 8,0 2008 6,0 2009 4,0 2010 2,0 Ate 2,9 3,0 a 5,9 6,0 a 11,9 12,0 a 23,9 24,0 a 35,9 36,0 a 59,9 60,0 a 119,9 120,0 ou mais Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE No início da série analisada (2002), a participação de trabalhadores desligados com tempo de emprego inferior a três meses era bem menor que a participação no final da série: 29,0% em 2002 para 36,0% em 2010. O crescimento nessa faixa de permanência no emprego fez com que, ao longo do período analisado, houvesse um aumento significativo, de 7,4 pontos percentuais, na participação destes trabalhadores com menos de um ano de permanência no total dos desligados, o que significa que houve uma redução do tempo de permanência no emprego dos trabalhadores Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 15 campineiros. No que tange ao tempo de permanência no emprego dos trabalhadores ativos em 31.12, o quadro observado apresenta diferenças importantes em relação ao dos desligados no ano: a faixa predominante em 2010 era a que abrangia os trabalhadores que estavam no mesmo vínculo há pelo menos 12 meses a que ainda não haviam completado 24 meses, com 15,5% de participação. Em seguida apareciam os trabalhadores com tempo de permanência no emprego superior a 120 meses (10 anos) com participação de 13,5% do total de vínculos de emprego em Campinas. Se dentre os desligados 33,0% estava há mais de dois anos no mesmo emprego, entre os ativos esse percentual atingiu 62,5% em 2010. Ainda assim, é importante ressaltar que pouco mais de 1/3 dos ativos em 31.12 estava no emprego há menos de um ano. Assim como observado entre os desligados no ano, também houve redução do tempo de permanência no emprego dos ativos em 31.12 ao longo da década. Em 2002, a faixa de tempo de emprego predominante entre os ativos era a de maior duração (acima de 120 meses), com 15,9% dos vínculos, que apresenta uma clara tendência de queda ao longo do período (Gráfico 2). Ao mesmo tempo, aumentou sensivelmente o percentual de trabalhadores com menos de 24 meses de emprego – passou de 47,0% em 2002 para 52,9% em 2010. Essa queda no tempo e permanência deveu-se, sobretudo, ao forte crescimento do emprego a partir de 2004, que permitiu, dentre outros, a incorporação de trabalhadores que antes estavam fora do mercado. 2.2. Tipo de vínculo dos desligados no ano Em sua grande maioria, os desligados em cada ano considerado eram trabalhadores com contrato de trabalho por prazo indeterminado regido pela CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Em 2010, 86,2% dos desligamentos correspondiam a esse tipo de vínculo. No início da série, esse percentual era um pouco menor, correspondendo a 82,8%, passou por oscilações – chegou a cair para 81,5% em 2007 - e chegou ao seu valor máximo em 2010 (Gráfico 3). Os trabalhadores temporários eram o segundo grupo com maior participação nos vínculos desligados no ano, chegando a 10,2% dos desligados em 2010. No início da série, em 2002, a participação desse grupo era um pouco mais, chegando a 12,0%. Nos anos seguintes, nota-se uma tendência de crescimento, alcançado 16,0% dos desligamentos em 2007, ao passo que os anos finais apresentaram redução gradual de participação. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 16 O terceiro maior tipo de vínculo entre os desligados no período analisado era o dos aprendizes, embora seja importante ressalvar que a sua participação era extremamente reduzida (0,8% em 2010), o que correspondia a 1.836 vínculos de emprego. Vale destacar que os trabalhadores temporários e os aprendizes referem-se a contratos com prazos determinados para seu término, ainda que suas amplitudes sejam diferentes. Nesse sentido, justificase sua presença entre os desligamentos ocorridos ao longo de cada ano. Entretanto, a participação realmente significativa é dos trabalhadores celetistas com contratos de prazo indeterminado, o que evidencia uma das principais características do mercado de trabalho formal brasileiro: a ampla flexibilidade contratual, que facilita tanto os desligamentos quanto as admissões (DIEESE, 2011). GRÁFICO 3 Tipo de vínculo contratual dos desligados no ano Campinas, 2002 a 2010 100,0 90,0 82,8 84,4 86,2 80,0 2002 70,0 2003 60,0 2004 50,0 2005 40,0 2006 30,0 2007 20,0 12,0 10,0 12,5 2008 10,2 0,0 0,2 0,8 5,2 2,8 Trabalhador urbano vinculado Trabalhador temporário, Aprendiz contratado nos a empregador PJ por contrato regido pela Lei nr. 6.019, de 3 termos do art. 428 da CLT, regido pela CLT, por prazo de janeiro de 1974. regulamentado pelo Decreto indeterminado. nº 5.598, de 1º de dezembro de 2005 Outros 2,7 2009 2010 Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE 2.3. Causas do desligamento Pouco menos da metade dos desligamentos (41,6%) ocorridos em Campinas em 2010 deveu-se à iniciativa do empregador e foi “sem justa causa”, 31,2% deveu-se a iniciativa do trabalhador e 19,6% foi devido ao término do contrato de trabalho. Essa situação revela a flexibilidade contratual que facilita a rotatividade no mercado de trabalho. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 17 Algumas tendências podem ser definidas entre 2002 e 2010 para algumas das causas de desligamento. A primeira delas diz respeito ao crescimento expressivo dos desligamentos a pedido do trabalhador, que passam de 17,7% em 2002 para 31,2% em 2010. O aumento dos desligamentos a pedido do trabalhador pode estar associado à melhora de sua percepção acerca da possibilidade de conseguir uma nova colocação, relacionada ao elevado crescimento econômico e do mercado de trabalho formal nos anos recentes. Outra tendência que pode ser verificada é a diminuição da demissão sem justa causa que caiu de 53,8% no início do período analisado para 41,6%. Os desligamentos por término de contrato tiveram leve queda (Gráfico 4). GRÁFICO 4 Causas dos desligamentos Campinas, 2002 a 2010 60,0 53,8 48,1 50,0 2002 41,6 2003 40,0 2004 31,2 2005 30,0 2006 22,9 17,7 20,0 21,4 19,8 2007 19,6 2008 2009 10,0 7,1 9,2 7,6 2010 Demissão sem Justa Causa Desligamento sem Justa Causa Término Contrato Outros Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE 2.4. Relação entre salários de admitidos e de desligados A relação entre o salário de admissão e o salário de desligamento pode indicar a ocorrência de demissões que permitam a contratação de trabalhadores por um salário mais baixo. Quanto maior a diferença (quanto mais distante de 1), maior a possibilidade de que isso ocorra. Em 2010, o salário médio de um admitido em Campinas equivalia a 94,0% do salário de um trabalhador desligado (Gráfico 5). Ao longo do período analisado, essa relação apresentou uma Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 18 tendência de ampliação, saindo de 82,0% em 2002 e mantendo trajetória de crescimento contínuo até 2008. Em 2009, ano da crise internacional, houve uma significativa deterioração desse indicador, fazendo-o cair para 86,0%. Considerando o peso da Indústria de transformação na economia campineira e os impactos da crise sobre esse setor, pode ser que tenha havido um movimento mais intenso de demissão de trabalhadores com salários mais elevados e de contratação de trabalhadores por salários mais baixos naquele ano. Esse movimento de ‘ajuste à crise’ fica ainda mais evidente quando se percebe que em 2010 a relação entre salários de admitidos e desligados volta aos patamares pré-crise em decorrência da retomada do crescimento. GRÁFICO 5 Relação entre salários de admitidos e desligados Campinas, 2002 a 2010 0,96 0,94 0,94 0,92 0,92 0,90 0,90 0,88 0,86 0,86 0,84 0,86 0,85 0,82 0,82 0,82 2002 2003 2004 0,82 0,80 0,78 0,76 2005 2006 2007 2008 2009 2010 Sal. Adm/ Sal.des Fonte: CAGED/MTE Elaboração: DIEESE Nota: Cálculo realizado com valores nominais (R$); até 2005, em salários mínimos. 3. ROTATIVIDADE NO MERCADO FORMAL DE CAMPINAS Como já explicitado na seção de Notas Metodológicas do presente relatório, tanto a admissão quanto o desligamento de trabalhadores podem ser considerados como um “ajustamento do volume da mão de obra” no curto prazo realizado pelos estabelecimentos, e indicam a rotação anual de parte do contingente da força de trabalho. Considerando que os registros administrativos da RAIS permitem a identificação do volume e das principais características dos contratos de trabalho no mercado formal, bem como sua movimentação anual, eles podem funcionar como indicadores da Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 19 rotação de pessoal no mercado de trabalho, permitindo a construção de taxas de rotatividade. Isso posto, o presente capítulo traz o cálculo da taxa de rotatividade – a partir de dados da RAIS – no mercado de trabalho de Campinas, sendo esta apresentada também por setores e subsetores de atividade econômica, bem como por famílias ocupacionais selecionadas – aquelas com participação igual ou superior a 1,0% do estoque de emprego em 2010. O capítulo destaca a taxa de rotatividade descontada, ou seja, já excluídos aposentadorias, falecimentos, transferências e desligamentos a pedido do trabalhador. 3.1 A rotatividade no Mercado de Trabalho de Campinas A taxa de rotatividade total no conjunto do mercado de trabalho de Campinas foi de 53,5% em 2007, de 63,0% em 2008, de 57,3% em 2009, e de 60,4% em 2010. São taxas bastante elevadas, acima, inclusive, das verificas no mercado de trabalho brasileiro, cujos resultados foram de 46,8%, 52,5%, 49,4% e 53,4%, nos respectivos anos mencionados acima. A comparação do resultado de Campinas com o resultado do Brasil, no tocante à taxa de rotatividade do conjunto do mercado de trabalho, indica um comportamento semelhante em termos de tendência, mas mais elevado no caso do município. Esta indicação pode ser constatada ao se observar que em 2007, para cada 100 contratos de trabalho5 existentes no Brasil, 47 contratos foram desligados (“proxy”), enquanto em Campinas este número foi de 53 contratos. Já em 2010, o número de contratos desligados foi 53 no caso do Brasil e 60 no caso de Campinas. No tocante à taxa descontada (rotatividade), a comparação da taxa de Campinas com a do Brasil indica resultados próximos: 37,9% e 34,3%, em 2007; 44,7% e 37,5%, em 2008; 41,4% e 36,0%, em 2009; e, 44,9% e 37,3 % em 2010, para Campinas e Brasil, respectivamente (Tabela 2). A trajetória da taxa de rotatividade de Campinas – em grande medida semelhante à observada no mercado de trabalho formal brasileiro – reflete, por um lado, a dinâmica intensa do mercado de trabalho, que apresentou significativo crescimento do estoque anual de empregos formais no período, mas também mostra que esse crescimento foi acompanhado pelo aumento dos desligamentos anuais de trabalhadores e pela curta duração de grande parte dos contratos de trabalho, como já mostrado no capítulo anterior. 5 Calculado com base no estoque do ano e estoque do ano anterior. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 20 3.2 As taxas de rotatividade por setores e subsetores de atividade econômica Em relação aos setores de atividade econômica, percebe-se que a sua classificação segundo a grandeza da taxa de rotatividade descontada manteve-se praticamente a mesma entre 2007 e 2010, obedecendo à seguinte sequência de 2010: Construção civil, Comércio; Agricultura, Serviços, Serviços industriais de utilidade pública, Indústria de transformação e Administração pública. Já a taxa de rotatividade que inclui os desligamentos a pedido do trabalhador, por morte, aposentadoria, etc., apresentou uma trajetória ligeiramente diferente, obedecendo à seguinte sequência: Construção civil, Agricultura, Comércio, Serviços, Indústria de transformação, Serviços industriais de utilidade pública e Administração pública (Tabela 2). Entretanto, os resultados revelam diferenças significativas entre os setores de atividade econômica. O setor da Construção civil apresentava taxa descontada acima de 100% em 2010 e o setor de Comércio apresentou taxas em torno de 50%, acima da taxa de rotatividade descontada média do mercado formal de trabalho do município. O setor de Serviços apresentou taxa descontada próxima a 40%, ficando perto da taxa de rotatividade descontada para o mercado como um todo. Já a Indústria de transformação apresentou taxas descontadas abaixo das do mercado formal, em todos os anos analisados. O setor dos Serviços industriais de utilidade pública também possuía taxas descontadas que se situavam abaixo da taxa média de rotatividade descontada do mercado formal de trabalho. Somente a Administração pública apresentou taxas descontadas significativamente baixas de rotatividade (2,5% em 2010). Dentro do setor do Comércio, a taxa de rotatividade descontada do Comércio varejista (56,7%) era superior à do Comércio atacadista (44,7%). Essa diferença entre as taxas torna-se mais relevante quando se analisa o contingente de trabalhadores em cada um desses subsetores: enquanto o Comércio atacadista empregava pouco mais de 14,5 mil trabalhadores formais em Campinas, o Comércio varejista era responsável por mais de 76,4 mil vínculos de emprego em 2010. É importante ressalvar, entretanto, que as taxas de rotatividade do Comércio varejista e do Atacadista eram bastante superiores às taxas descontadas e situavam-se nos patamares de 69,3% e de 54,8%, respectivamente, em 2010. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 21 TABELA 2 Taxa de rotatividade e taxa de rotatividade descontada* por setores e subsetores, em percentual (%) Campinas, 2007 a 2010 Subsetor de atividade econôm ica Total Extrativa Mineral Indústria de transform ação Prod. Mineral Não Metálico Indústria Metalúrgica Indústria Mecânica Elétrico e Comunic Material de Transporte Madeira e Mobiliário Papel e Gráf Borracha, Fumo, Couros Indústria Química Indústria Têxtil Indústria Calçados Alimentos e Bebidas Serviço Utilidade Pública Construção Civil Com ércio Comércio Varejista Comércio Atacadista Serviços Instituição Financeira Adm Técnica Profissional Transporte e Comunicações Aloj Comunic Médicos Odontológicos Vet Ensino Adm inistração Pública Agricultura Taxa de Rotatividade 2007 53,5 13,5 31,7 42,6 44,7 32,1 26,3 10,9 49,9 36,0 22,7 30,7 50,7 31,7 51,8 20,3 94,4 64,1 66,9 48,5 61,4 31,1 110,3 50,5 55,6 26,5 16,5 5,9 46,9 Total 2008 2009 63,0 57,3 23,2 20,5 41,9 35,5 45,4 44,2 54,2 37,7 44,0 30,8 29,9 24,9 17,3 13,1 53,0 49,3 34,3 32,5 39,3 46,4 36,7 33,4 53,9 48,4 16,7 62,5 70,1 53,6 16,7 13,9 120,6 106,8 68,8 63,1 71,1 65,0 55,8 53,0 71,6 64,6 32,8 32,8 125,1 110,0 51,9 44,8 63,4 59,3 35,6 33,8 22,7 22,0 10,6 5,7 52,9 46,6 2010 60,4 17,9 37,6 48,0 45,5 36,2 27,6 18,6 57,0 34,7 33,2 40,3 59,5 56,1 18,1 131,7 67,0 69,3 54,8 64,6 42,6 15,4 50,8 62,4 32,5 24,3 6,9 80,3 2007 37,9 12,6 27,1 33,5 39,8 26,3 21,6 9,7 45,0 33,2 21,3 27,2 41,1 31,7 42,3 10,9 74,1 52,5 54,5 41,2 37,8 17,0 49,7 42,4 47,6 22,6 11,5 2,9 38,1 Descontada 2008 2009 44,7 41,4 18,9 19,7 34,7 31,3 39,4 37,6 43,1 37,7 34,9 27,6 26,8 22,6 17,3 13,1 46,2 47,3 30,2 30,6 34,8 34,4 32,4 29,7 45,9 40,9 16,7 62,5 54,4 46,1 11,4 11,0 95,9 83,9 56,7 51,9 58,2 53,0 48,3 45,6 44,8 41,9 18,6 16,0 61,2 59,5 41,5 37,2 52,0 47,3 29,7 27,0 17,6 16,3 5,6 2,6 44,9 37,9 2010 44,9 12,7 30,7 38,3 39,0 30,4 24,2 13,3 46,8 31,4 25,0 33,1 47,9 45,6 14,4 118,4 54,8 56,7 44,7 43,6 19,1 15,4 40,2 50,8 27,4 18,7 2,5 52,5 Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE * Descontados as aposentadorias, falecimentos, transferências e desligamentos a pedido do trabalhador. Já na Indústria de transformação, o subsetor da Indústria têxtil – responsável por 5,5% do emprego do setor em 2010 - possuía a maior taxa de rotatividade descontada (47,9% em 2010). A Indústria de alimentos e bebidas apresentou uma taxa de rotatividade descontada de 45,6%6 e era responsável por aproximadamente 15,9% do total de empregos da Indústria de transformação. Por fim, dentro do setor de Serviços a maior taxa de rotatividade descontada pertencia do subsetor de Alojamento e alimentação, com 50,8%, seguido pelo subsetor de Transportes e telecomunicações com 40,2%. 6 A taxa de rotatividade desse subsetor era de 56,1% em 2010. Já a do subsetor da Indústria têxtil era de 59,5% em 2010. 22 Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 3.3 Famílias ocupacionais A análise da rotatividade por famílias ocupacionais considerou somente aquelas que possuíssem participação igual ou superior a 1% do estoque de empregos em 2010 (4.154 vínculos de emprego ou mais). Assim, foram selecionadas 22 famílias que atendiam a esse critério mínimo7. Nesta seleção, elas foram ordenadas segundo grandeza da taxa de rotatividade descontada em 2010 (Tabela 3). Os Operadores de telemarketing apresentaram a taxa de rotatividade descontada mais alta do município, alcançando 109,9% em 2010 – em 2007 era de 77,4%. Em seguida aparece a família dos Ajudantes de obras civis com taxa descontada de 105,6% - em 2008 havia chegado a 109,5%. Em terceiro lugar aparecem os Garçons, barmen, copeiros e sommeliers com 75,9%. Considerando a taxa de rotatividade sem descontos, tem-se que taxa de rotatividade dos Operadores de telemarketing era de 131,8% em 2010; a dos Ajudantes de obras civis era de 135,2% naquele ano; e a dos Garçons, barmen, copeiros e sommeliers era de 89,4% em 2010. Essas taxas próximas às taxas descontadas evidenciam que a rotatividade dessas atividades está quase inteiramente atrelada à demissão imotivada. Dentre as 22 maiores famílias ocupacionais de Campinas, mais da metade (13 famílias) apresentava taxas de rotatividade descontadas superiores à média do município (44,9%) e apenas três famílias possuíam taxas descontadas inferiores a 20%. Dentre as famílias com as menores taxas, encontramse os Professores na área de formação pedagógica do ensino superior com 10,7%, Preparadores e operadores de maquinas-ferramenta convencionais com 17,3% e Escriturários de serviços bancários com 19,5%. 7 O Anexo 1 traz a ordenação segundo estoque de trabalhadores das 22 maiores famílias ocupacionais. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 23 TABELA 3 Taxa de rotatividade total, descontada* e estoque, por famílias ocupacionais Campinas, 2007 a 2010 Taxa de Rotatividade Fam ília ocupacional Total 2007 2008 Descontada 2009 2010 2007 2008 2009 2010 53,5 63,0 57,3 60,4 37,9 44,7 41,4 44,9 49,3 56,0 49,9 50,8 36,0 37,5 35,8 38,8 81,9 90,8 82,6 90,0 58,1 63,8 58,7 63,1 73,1 87,4 85,4 89,4 62,1 74,7 71,8 75,9 Operadores de telemarketing 90,7 119,9 116,4 131,8 77,4 102,7 95,7 109,9 Porteiros, guardas e vigias Trabalhadores nos serviços de manutenção de edificações Técnicos e auxiliares de enfermagem 49,4 53,1 52,8 56,7 37,7 43,3 42,6 46,2 - 110,5 43,5 50,7 - 83,1 35,2 41,5 18,8 27,7 26,1 29,7 14,2 22,8 20,0 22,2 Caixas e bilheteiros (exceto caixa de banco) 79,4 76,6 71,0 80,9 59,2 56,9 54,2 61,4 Vigilantes e guardas de segurança 31,7 49,1 30,3 31,2 26,2 42,7 26,5 26,7 Cozinheiros 60,0 68,9 57,6 60,0 49,6 54,4 48,2 50,2 102,4 144,8 132,4 135,2 75,2 109,5 101,2 105,6 58,1 62,5 58,5 60,3 48,5 52,4 46,6 50,7 30,1 30,5 21,3 24,2 15,8 25,7 21,3 17,3 44,6 24,1 48,2 49,4 33,8 18,4 37,6 39,0 149,5 177,5 124,7 145,5 50,5 74,9 51,8 62,7 Motoristas de veículos de cargas em geral 52,3 57,5 53,5 60,3 44,0 48,5 48,6 49,8 Almoxarifes e armazenistas Trabalhadores de cargas e descargas de mercadorias Técnicos de vendas especializadas 72,9 94,0 91,2 93,5 44,8 53,6 48,5 56,1 64,2 73,7 69,9 67,4 47,4 59,4 50,5 54,6 67,7 63,1 64,9 62,9 47,5 45,6 47,7 47,9 Motoristas de veículos de pequeno e médio porte 45,6 48,3 44,0 49,1 36,6 40,5 37,6 39,5 Escriturários de serviços bancários 36,2 29,1 35,8 50,0 17,5 19,0 14,3 19,5 Professores na área de formação pedagógica do ensino superior 15,4 28,2 20,2 19,1 6,7 18,5 11,4 10,7 Total Escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares administrativos Vendedores e demonstradores em lojas ou mercados Garçons, barmen, copeiros e sommeliers Ajudantes de obras civis Recepcionistas Preparadores e operadores de maquinasferramenta convencionais Trabalhadores nos serviços de manutenção e conservação de edifícios e logradouros Alimentadores de linhas de produção Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE Nota: * Descontados as aposentadorias, falecimentos, transferências e desligamentos a pedido do trabalhador. Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 24 Buscando avaliar o impacto da rotatividade sobre o mercado de trabalho, é interessante analisar as taxas de rotatividade tendo como recorte as famílias com maior estoque de emprego. Nesse sentido, os Agentes, assistentes e auxiliares administrativos (38.563 vínculos, ou 10,0% do estoque em 2010) apresentavam uma taxa de rotatividade descontada de 38,8%8, ao passo que os Vendedores e demonstradores em lojas ou mercados (30.228 vínculos, ou 7,8% do estoque em 2010) possuíam uma taxa de 63,1%9. A terceira maior família ocupacional de Campinas é também a que aparece em terceiro lugar no ranking de maior taxa descontada, ou seja, os Garçons, barmen, copeiros e sommeliers (10.869 vínculos, ou 2,8% do estoque em 2010). 8 9 A taxa de rotatividade sem desconto era de 50,8% em 2010 (Anexo 2) A taxa de rotatividade sem desconto era de 90,0% em 2010 (Anexo 2) Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS Em resumo, o relatório mostrou que no período analisado houve um aumento dos desligamentos superior ao crescimento dos vínculos ativos em 31.12, já que parte significativa dos vínculos que estiveram ativos ao longo de cada ano não estava mais ativa em 31.12, no mercado de trabalho formal. Esse movimento seguiu a tendência de aumento na geração de vagas em Campinas ao longo dos anos, ou seja, mesmo quando aumentou a geração de vagas formais, aumentou o número de desligados do longo de cada ano, sugerindo um movimento pró-cíclico dos desligamentos. A flexibilidade do mercado, analisada a partir do tempo médio de permanência no emprego do trabalhador formal de Campinas, também se mostrou elevada. Aproximadamente 1/3 dos desligados em 2010 permaneceu até 2,9 meses no vínculo e praticamente 2/3 dos desligados sequer atingiu um ano de trabalho no último emprego. Além disso, ao longo da década houve uma redução significativa do tempo médio de permanência no emprego dos trabalhadores campineiros. Em relação ao tipo de contratação, dentre os desligados, a maior participação era do grupo dos celetistas com contratos de prazo indeterminado, e mais da metade dos desligamentos deveram-se à iniciativa do empregador. A presença destas situações mostra que, de forma geral, a dinâmica do mercado de trabalho campineiro converge para a dinâmica do mercado de trabalho formal brasileiro como um todo, em algumas de suas principais características, quais sejam, a ampla flexibilidade contratual, que facilita tanto desligamentos quanto admissões. No que diz respeito ao cálculo da taxa de rotatividade, nos anos recentes ela taxa apresentou trajetória de aumento, tendo passado de 53,5% em 2007 para 60,4% de 2010. Já a taxa de rotatividade descontada passou de 46,8% em 2007 para 53,4% em 2010. A trajetória da taxa de rotatividade de Campinas reflete, por um lado, a dinâmica intensa do mercado de trabalho, que apresentou significativo crescimento do estoque anual de empregos formais no período, mas também mostra que esse crescimento foi acompanhado pelo aumento dos desligamentos anuais de trabalhadores e pela curta duração de grande parte dos contratos de trabalho. Em relação aos setores de atividade econômica, percebe-se que a sua classificação segundo a grandeza da taxa de rotatividade manteve-se praticamente inalterada entre 2007 e 2010, obedecendo à seguinte sequência: Construção civil, Comércio; Agricultura, Serviços, Serviços industriais de utilidade pública, Indústria de transformação e Administração pública. Em relação à taxa de Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 26 rotatividade descontada, há uma pequena alteração entre a Agricultura e Comércio. Já no que tange às famílias ocupacionais, Operadores de telemarketing apresentaram a taxa de rotatividade descontada mais alta do município, alcançando 109,9% em 2010. Em seguida aparece a família dos Ajudantes de obras civis com taxa descontada de 105,6% - em 2008 havia chegado a 109,5%. Em terceiro lugar aparecem os Garçons, barmen, copeiros e sommeliers com 75,9% Nestas considerações finais, resgata-se um trecho de DIEESE (2011) que resume as principais características do mercado de trabalho brasileiro, que podem ser estendidas ao mercado de trabalho campineiro, que dizem respeito à flexibilidade e rotatividade, bem como algumas consequências desses fenômenos sobre a realidade do mercado de trabalho: “A distribuição relativamente estável ao longo dos anos da série entre vínculos ativos e desligamentos no ano, mesmo diante do crescimento do mercado formal de trabalho, por meio do acréscimo anual do estoque, parece indicar uma característica básica do funcionamento e da estrutura do mercado formal de trabalho brasileiro. Por um lado, esse mercado vale-se de elevada oferta de força de trabalho - a “flexibilidade quantitativa”; e, por outro, da insuficiência de mecanismos institucionais inibidores da demissão imotivada, no mercado de trabalho formal brasileiro - a “flexibilidade contratual”. Assim, ano a ano, o mercado de trabalho formal conta com a oferta crescente e abundante de força de trabalho para a seleção e composição do estoque, além de contar com grande oferta de trabalhadores que atendem a demanda anual de trabalho em empregos de curtíssima duração” (DIEESE, 2011, p.49). Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 27 ANEXOS Contrato de Prestação de Serviços – Banco Popular da Mulher / DIEESE 28 ANEXO 1 Taxa de rotatividade total, descontada* e estoque, por famílias ocupacionais, ordenado pelo estoque de 2010 Campinas, 2007 a 2010 Taxa de Rotatividade Fam ília ocupacional Total 2007 2008 Descontada 2009 2010 2007 2008 2009 2010 Total 53,5 63,0 57,3 60,4 37,9 44,7 41,4 44,9 Operadores de telemarketing 90,7 119,9 116,4 131,8 77,4 102,7 95,7 109,9 102,4 144,8 132,4 135,2 75,2 109,5 101,2 105,6 73,1 87,4 85,4 89,4 62,1 74,7 71,8 75,9 81,9 90,8 82,6 90,0 58,1 63,8 58,7 63,1 149,5 177,5 124,7 145,5 50,5 74,9 51,8 62,7 Caixas e bilheteiros (exceto caixa de banco) 79,4 76,6 71,0 80,9 59,2 56,9 54,2 61,4 Almoxarifes e armazenistas Trabalhadores de cargas e descargas de mercadorias Recepcionistas 72,9 94,0 91,2 93,5 44,8 53,6 48,5 56,1 64,2 73,7 69,9 67,4 47,4 59,4 50,5 54,6 58,1 62,5 58,5 60,3 48,5 52,4 46,6 50,7 Cozinheiros 60,0 68,9 57,6 60,0 49,6 54,4 48,2 50,2 Motoristas de veículos de cargas em geral 52,3 57,5 53,5 60,3 44,0 48,5 48,6 49,8 Técnicos de vendas especializadas 67,7 63,1 64,9 62,9 47,5 45,6 47,7 47,9 Porteiros, guardas e vigias 49,4 53,1 52,8 56,7 37,7 43,3 42,6 46,2 - 110,5 43,5 50,7 83,1 35,2 41,5 45,6 48,3 44,0 49,1 36,6 40,5 37,6 39,5 Trabalhadores nos serviços de manutenção e conservação de edifícios e logradouros 44,6 24,1 48,2 49,4 33,8 18,4 37,6 39,0 Escriturários em geral, agentes, assistentes e auxiliares administrativos 49,3 56,0 49,9 50,8 36,0 37,5 35,8 38,8 Vigilantes e guardas de segurança 31,7 49,1 30,3 31,2 26,2 42,7 26,5 26,7 Técnicos e auxiliares de enfermagem 18,8 27,7 26,1 29,7 14,2 22,8 20,0 22,2 Escriturários de serviços bancários Preparadores e operadores de maquinasferramenta convencionais Professores na área de formação pedagógica do ensino superior 36,2 29,1 35,8 50,0 17,5 19,0 14,3 19,5 30,1 30,5 21,3 24,2 15,8 25,7 21,3 17,3 15,4 28,2 20,2 19,1 6,7 18,5 11,4 10,7 Ajudantes de obras civis Garçons, barmen, copeiros e sommeliers Vendedores e demonstradores em lojas ou mercados Alimentadores de linhas de produção Trabalhadores nos serviços de manutenção de edificações Motoristas de veículos de pequeno e médio porte - Fonte: RAIS/MTE Elaboração: DIEESE Nota: * Descontados as aposentadorias, falecimentos, transferências e desligamentos a pedido do trabalhador. 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