ADRIANA NUNES DE LUCENA MICHELLE DE ARAÚJO MEDEIROS ANÁLISE DE CASOS SUSPEITOS DE HEPATITE C EM UM BANCO DE SANGUE DO DISTRITO FEDERAL - 1º SEMESTRE DE 2007 Brasília 2007 1 ADRIANA NUNES DE LUCENA MICHELLE DE ARAÚJO MEDEIROS ANÁLISE DE CASOS SUSPEITOS DE HEPATITE C EM UM BANCO DE SANGUE DO DISTRITO FEDERAL - 1º SEMESTRE DE 2007 Projeto de conclusão de curso apresentado ao Curso de Enfermagem da Universidade Católica de Brasília, como requisito para obtenção da titulação de Enfermeiro. Orientadora: PROFª DRª MARIA DO SOCORRO NANTUA EVANGELISTA Brasília 2007 2 PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO -PRG Curso de Enfermagem FOLHA DE AVALIAÇÃO Alunas: Adriana Nunes de Lucena e Michelle de Araújo Medeiros Tema da monografia: ANÁLISE DE CASOS SUSPEITOS DE HEPATITE C EM UM BANCO DE SANGUE DO DISTRITO FEDERAL - 1º SEMESTRE DE 2007 Data da defesa: 05/12/2007 Local da defesa: UCB Matrícula: UC03001431 e UC03003509 Orientador: Profª Drª Maria do Socorro Nantua Evangelista Assinatura:______________________________________ Avaliador 1: Drª Sônia Maria Geraldes Assinatura:______________________________________ Avaliador 2: Enfª Fernanda Monteiro de Castro Fernandes Assinatura:______________________________________ Comentários: _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ _____________________________________________________________ 3 DEDICATÓRIA Dedicamos este trabalho a Deus, pois sem ele nada seria possível. Ele nos ajudou na conquista de novos conhecimentos. Aos nossos pais pela dedicação, carinho, paciência dispensados nesse processo de aprendizado. A toda a nossa família por estar ao nosso lado e a todos àqueles que acreditam que a ousadia e o erro são caminhos para as grandes realizações. 4 RESUMO Introdução: A hepatite C configura-se como um sério problema de saúde pública, não somente pelo número de indivíduos infectados pelo vírus, mas, também, em virtude de grande parte dessas pessoas terem conhecimento da sua contaminação durante o ato de doar sangue. No Brasil, não se conhece com precisão, a prevalência do VHC, há relatos feitos em diversas áreas que sugerem em média, uma contaminação de 1% a 2% na população em geral. Objetivos: Caracterizar o perfil dos suspeitos para Hepatite C em um banco de sangue do DF. Estudo do tipo transversal retrospectivo no período de janeiro a julho de 2007. Foram avaliadas 25984 fichas de candidatos à doação de sangue cadastrados no arquivo do local estudado, e selecionadas 51 consideradas inaptas por anti-HCV positivo. Dos 51 casos foram estudados aspectos sociodemográficos como idade, sexo, estado civil, procedência, tipo de doador e tipo de doação. Resultados: A soroprevalência do anti-HCV em pré-doadores de sangue foi de 0,2 % no teste de triagem, cuja faixa etária mais expressiva variou de 40 a 49 anos (33,3%), em sua maioria do sexo masculino (64,7%). Na maior parte os doadores eram procedentes de locais fora do Distrito Federal (25,5%), solteiros (56,9%) e tiveram como motivação da doação de sangue, doar voluntariamente (64,7%). Conclusão: Os dados encontrados não corroboram os observados no Norte do Paraná, e estão abaixo dos verificados anteriormente no hemocentro de Ribeirão Preto. São indicativos da baixa circulação do vírus da hepatite C na população de doadores de sangue da unidade hemoterápica estudada. Palavras chave: Hepatite C, Doadores de sangue iv 5 ABSTRACT Introduction: The hepatitis C configures itself as a serious public health problem, not only by the number of individuals infected by the virus, but also because a large part of these people have knowledge of their contamination during the act of donating blood. In Brazil are not known with precision, the prevalence of HCV, there are reports made in several areas suggest that on average, a contamination of 1% to 2% in the general population. Objetives: Characterize the profile of the suspects for Hepatitis C in a blood bank of the DF. Cross retrospective study of type in the period from January to July 2007. They were evaluated 25984 sheets of candidates for donation of blood registered on the file of the site studied, and selected 51 deemed unfit for anti-HCV positive. Of the 51 cases were studied aspects Socio demographic as age, sex, marital status, origin, type of donor and type of donation. Results: The prevalence Serum of anti-HCV in pre-donor blood was 0.2% in the test screening, more expressive whose age ranged from 40 to 49 years (33.3%), mostly male ( 64.7%). Most of the donors were from places outside the Federal District (25.5%), single (56.9%) and had the motivation of blood donation, donate voluntarily (64.7%). Conclusion: The data found not corroborate those observed in northern Parana, and are below the previously recorded in hemocentro of Ribeirao Preto. They are indicative of low circulation of the virus of hepatitis C in the population of donors of blood from the drive hemoterápica studied. Keywords: Hepatitis C, a blood donor v 6 SUMÁRIO RESUMO......................................................................................................................................IV ABSTRACT....................................................................................................................................V 1.0 INTRODUÇÃO........................................................................................................................9 1.1 A Hepatite..................................................................................................................................9 1.2 Epidemiologia..........................................................................................................................10 1.3 Características do Vírus da Hepatite C....................................................................................11 1.4 Transmissão.............................................................................................................................13 1.5 Imunologia da hepatite c..........................................................................................................15 1.6 Sintomatologia da Hepatite C ................................................................................................17 1.7 Diagnóstico da Hepatite C.......................................................................................................18 1.8 Testes sorológicos....................................................................................................................19 1.8.1 O Teste imunoenzimático para triagem sorológica – ELISA (Enzyme Linked immunosorbent Assay)...................................................................................................................19 1.8.2 Teste imunoenzimático- ensaio de Imunoblot recombinante - Método de RIBA recombinant Imunoblot Assay), para detecção de anticorpos.......................................................20 1.8.3 Detecção do antígeno Core no VHC.....................................................................................21 1.9 Testes Moleculares ..................................................................................................................21 1.9.1 Detecção qualitativa do RNA no HCV..................................................................................21 1.9.2 Quantificação no RNA do VHC............................................................................................22 1.10 Genotipagem ..........................................................................................................................23 1.11 Tratamento da Hepatite C.......................................................................................................23 7 1.12 Desenvolvimento de novas drogas e ensaios clínicos............................................................27 1.13 Novos caminhos na terapia baseada em IFN e Rivabirina.....................................................27 1.14 O papel dos IFN gama e ômega na hepatite C......................................................................28 1.15 Vacinas terapêuticas ..............................................................................................................29 1.16 Prognóstico da Hepatite C.....................................................................................................30 1.17 Prevenção da Hepatite C.......................................................................................................30 17.1 Estratégias de prevenção: vacinas e imunoglobulinas............................................................30 17.2 Considerações sobre a prevenção da Hepatite C...................................................................32 17.3 Profilaxia pós-exposição.........................................................................................................35 1.18 Impacto da Hepatite C............................................................................................................36 2.0 OBJETIVOS..........................................................................................................................37 2.1 Objetivo Geral.........................................................................................................................37 2.2 Objetivos Específicos..............................................................................................................37 3.0 METODOLOGIA..................................................................................................................38 3.1 Área de estudo.........................................................................................................................38 3.2 Tipo de Estudo.........................................................................................................................40 3.3 População de análise................................................................................................................41 3.4 Coleta de dados........................................................................................................................41 3.5 Critérios de Inclusão................................................................................................................41 3.6 Critérios de Exclusão...............................................................................................................41 3.7 Desenvolvimento do estudo.....................................................................................................42 3.8 Instrumento de Pesquisa..........................................................................................................42 8 3.9 Critério para classificação de caso de Hepatite C....................................................................43 3.9.1 Hepatite Viral Aguda C........................................................................................................43 3.9.2 Hepatite Viral Crônica C......................................................................................................43 3.10 Aspectos éticos......................................................................................................................44 3.11 Banco de Dados......................................................................................................................44 4.0 RESULTADOS E DISCUSSÃO...........................................................................................45 5.0 CONCLUSÃO.........................................................................................................................60 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................................................62 7.0 APÊNDICES..........................................................................................................................70 7.1 Apêndice A- Instrumento de Pesquisa.....................................................................................70 7.2 Apêndice B- Cronograma de Estudo.......................................................................................72 8.0 ANEXOS.................................................................................................................................73 8.1 Anexo A - Planilha de Orçamento...........................................................................................73 9 INTRODUÇÃO 1.1 – A HEPATITE A palavra hepatite é originada do grego hepatitis, em que “hepato” significa fígado e itis inflamação 1 . Sendo assim, a hepatite é uma doença inflamatória do fígado que compromete suas funções, podendo ser aguda ou crônica. 2 . Existem vários tipos de hepatites, e o termo hepatite viral refere-se aos cinco vírus (A, B, C, D e E), sendo que a hepatite tratada neste estudo é a hepatite viral do tipo C 3 . As hepatites virais são doenças causadas por diferentes agentes etiológicos, de distribuição universal, com tropismo pelo fígado. Do ponto de vista clínico-laboratorial, as hepatites apresentam importantes diferenças epidemiológicas em relação a sua evolução. Nos últimos 50 anos foram notáveis as conquistas no que se refere à prevenção e ao controle das hepatites virais. Os mais significativos progressos foram à identificação dos agentes virais, o desenvolvimento de testes laboratoriais específicos, o rastreamento dos indivíduos infectados e o surgimento de vacinas protetoras 1 . A hepatite C, então, configura-se como um sério problema de saúde pública, não somente pelo número de indivíduos infectados pelo vírus da hepatite C , mas, também, em virtude de grande parte dessas pessoas terem conhecimento da sua contaminação durante o ato de doar sangue. Sendo assim, a falta de um diagnóstico precoce torna as pessoas infectadas um importante elo na cadeia de transmissão viral desta enfermidade na comunidade 4 . 10 1.2 - EPIDEMIOLOGIA Com o desenvolvimento de técnicas laboratoriais para o diagnóstico da hepatite C, foi possível estimar que cerca de 170 a 200 milhões de indivíduos estão infectados por este vírus no mundo 5 . Porém, mesmo diante do número elevado de casos confirmados, verifica-se um significativo grau de desconhecimento acerca da hepatite C, sendo um tema de discussão comum entre os profissionais de saúde 4 . No Brasil, não se conhece com precisão, a prevalência do VHC, há relatos feitos em diversas áreas que sugerem em média, uma contaminação de 1% a 2% na população em geral. Os indivíduos considerados de risco são aqueles que receberam transfusões de sangue e/ou hemoderivados antes de 1992, usuários de drogas intravenosas, pessoas com tatuagens e piercings, alcoólatras, portadores de HIV, transplantados, hemodialisados, hemofílicos, presidiários e sexualmente promíscuos 1 . Segundo dados do Ministério da Saúde - Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica, o número de casos confirmados de hepatite C, no Brasil em 2005, foi de 13261, com 7388 casos na região Sudeste seguido de 3839, 891, 846 e 296, respectivamente nas regiões Sul, Centro Oeste, Nordeste e Norte. Na região Centro-Oeste o número de casos confirmados era de 260 no ano de 1996 e passou para 891 casos confirmados em 2005, dados preocupantes que mostram a importância do diagnóstico da hepatite C no Brasil, como forma de evitar o agravamento desta doença 6 . Dados da Secretaria de Vigilância em Saúde do Distrito Federal verificaram que a incidência da hepatite C foi de 6,3% no Brasil e 4,1%, 4,2% no Centro Oeste e DF respectivamente ano de 2004 7 . 11 A taxa de mortalidade pelo vírus da hepatite C correspondeu a 7,29% no Brasil e 2,87% e 3,58% no Centro Oeste e Distrito Federal respectivamente mostrando que em 2004, a taxa de mortalidade por hepatite C no Distrito Federal foi maior que a regional, apontando que este agravo requer atenção 7 . Em inquérito realizado pela Sociedade Brasileira de Hepatologia para analisar a Epidemiologia do vírus da hepatite C no Brasil, foi observada uma prevalência de anti-VHC em pacientes com doenças hematológicas, pré-doadores de sangue e hemodialisados, dentre outros. Deve ser salientado que, nesse inquérito, foi observada uma importante diferença na taxa de positividade em politransfundidos, antes e depois de 1991. As cifras foram 18,0% e 1,4%, respectivamente. Com exceção dos hemofílicos, as taxas mais altas verificadas foram entre os presidiários (46,2%) 1 . Para ilustrar o impacto dessa doença sobre as condições sanitárias e organização dos serviços de saúde, basta citar que as complicações da hepatite C crônica representa a primeira causa de transplante hepático, em muitos países do mundo 8 . 1.3 - CARACTERÍSTICAS DO VÍRUS DA HEPATITE C O vírus da hepatite C foi identificado em 1989 a partir da clonagem do genoma viral de uma partícula do DNA complementar (cDNA) do plasma de chimpanzés infectados com o fator VII humano contaminado. Em seguida, o genoma viral foi totalmente seqüenciado e muitas de suas propriedades estruturais e funcionais foram estabelecidas 9 . O VHC é um pequeno vírus de DNA de filamento único, com envoltório, pertencente à família do vírus Flaviviridae, a mesma da dengue e da febre amarela, com 30 a 60 nm de 12 diâmetro. Um único polipeptídeo com cerca de 3.010 aminoácidos é processado em proteína do nucleocapsídeo, proteína do envoltório e cinco proteínas não-estruturais 10 . O VHC apresenta variabilidade genômica, e também é dividido em seis genótipos maiores (de 1 a 6) e em mais de 100 subtipos. Além disso, há variabilidade do genoma viral presente no mesmo indivíduo, resultante das mutações ocorridas durante o período da infecção 3.Essa heterogeneidade genética constitui o principal obstáculo ao desenvolvimento de vacina 10 . Existe uma distribuição geográfica diferenciada em relação aos genótipos do VHC. No Brasil, os mais freqüentes são: 1, 2 e 3 11,12 . Uma característica importante do VHC é a presença de regiões não traduzidas ou não codificantes de proteínas nas extremidades 5’ e 3’ do genoma viral. Estas regiões apresentam a menor diversidade entre os diferentes isolados virais, acredita-se então, que desempenhe um importante papel no processo de replicação viral 2 . Figura 1: Vírus da hepatite C. (Fonte:Medical and Scientific Illustrations) A replicação do vírus ocorre nos hepatócitos, mas existem evidências de um tropismo pelas células dos monócitos circulantes, especialmente em hospedeiros com a infecção crônica 13. 13 Uma das características do vírus da hepatite C é a sua habilidade de invadir o sistema imune do hospedeiro infectado. Sendo assim, a viremia persiste em 85,0% a 90,0% dos indivíduos infectados, o que leva a acreditar que 70,0% dessas pessoas desenvolvem algum grau de lesão hepática crônica e potencial para progredir para cirrose e carcinoma hepatocelular 14. O período de incubação do vírus é de duas a 26 semanas (em média, de seis a 12 semanas). A lesão hepatocelular é mediada imunologicamente 10. 1.4 - TRANSMISSÃO A transmissão da hepatite C é habitualmente parenteral, sendo responsável por 90,0% a 95,0% de todos os casos de hepatites, associadas a transfusões de sangue e hemoderivados, sendo encontrado principalmente no sangue total, ou seja, na papa de hemácias, nas plaquetas, no plasma e, especialmente, nos concentrados de fatores de coagulação 15 . Os casos esporádicos de transmissão do vírus da hepatite C representam 40,0% 10. Durante muito tempo, os serviços de hemoterapia e hemoderivados não receberam a devida atenção quanto ao gerenciamento, fiscalização (principalmente nos aspectos sanitários) e normatização, e os projetos existentes não atendiam às suas necessidades 15 . A maior evolução da hemoterapia ocorreu com a epidemia de AIDS na década de 80 do século passado, com a contaminação de milhares de pessoas que desenvolveram a doença em decorrência, dentre outras causas, de transfusão sangüínea. A partir daí, diversos países estabeleceram normas rigorosas para garantir a segurança das transfusões de sangue 16 . É obrigatória a realização de exames laboratoriais de alta sensibilidade em todas as doações, para identificação das doenças transmissíveis pelo sangue.Visando a segurança da triagem sorológica de rotina nos bancos de sangue, o sangue total e seus componentes não podem 14 ser transfundidos antes da obtenção de resultados finais não reagentes, nos testes de detecção para: Hepatite B, Hepatite C, HIV-1 e HIV-2, Doença de Chagas, Sífilis, HTLV-I e HTLV-II1 17 No início de 1988, a lei 7.649 de 25 de janeiro de 1988, estabeleceu a obrigatoriedade do cadastramento de doadores de sangue e a realização de exames laboratoriais do sangue coletado que estão citados acima. Estabeleceu ainda que o MS, através de portaria, determinaria a inclusão de exames laboratoriais para outras doenças transmissíveis, sempre que testes estivessem disponíveis e fosse necessário realizá-lo para proteger as pessoas 17 . A partir de 2003, a portaria 1.407 tornará obrigatória a incorporação da técnica de amplificação de ácidos nucléicos (NAT), na triagem sorológica dos doadores de sangue, para o vírus da imunodeficiência humana (HIV) e hepatite C (VHC), visando diminuir o risco de transmissão desses vírus 17 . O mecanismo mais eficiente para a transmissão desse vírus é através do contato com sangue contaminado 17 . Assim, os principais grupos de risco incluem os hemofílicos, usuários de drogas intravenosas, pacientes submetidos à hemodiálise. A transmissão sexual é pouco freqüente 10 . Outros meios de transmissão incluem a acupuntura, os “Piercings”, a tatuagem, a droga inalada, as manicures, a barbearia, e os instrumentos cirúrgicos 18 . A transmissão do vírus da hepatite C, durante a gestação, ocorre em menos de 5,0% dos recém-nascidos de gestantes infectadas por esse vírus. O risco de transmissão aumenta quando a mãe é também infectada pelo HIV (vírus da imunodeficiência humana). A transmissão do VHC por meio do aleitamento materno não está comprovada 19 . O vírus HCV pode ser transmitido de uma pessoa portadora para outra receptora do órgão co ntaminado.E em trabalhadores de saúde que se acidentam com agulhas contaminadas, há o risco de transmissão, no entanto, este risco é 4,0% menor do que a 15 hepatite B e maior que o HIV. Esta situação é responsável por pelo menos 1,0% dos casos de infecções por hepatite C 21 . Logo após a contaminação, o melhor marcador e único disponível até o presente é a determinação do RNA-VHC, já que os anticorpos surgem apenas 4 a 20 semanas após o contágio. Como as formas anictéricas da hepatite C correspondem a cerca de 70% dos casos, os indivíduos contaminados evoluem para a cronicidade totalmente assintomáticos, sem terem conhecimento da presença do anti-VHC ou mesmo do aumento de enzimas hepáticas. Nessa fase de janela imunológica, ou seja, de presença do RNA-VHC ainda com anticorpos negativos, pode ocorrer contaminação parenteral, tanto por transfusão sangüínea como pelo uso de drogas ilícitas entre outros 22 . 1.5 - IMUNOLOGIA DA HEPATITE C O evento inicial da resposta imune ao VHC é o reconhecimento do VHC pelas células apresentadoras de antígenos (APCs), tais como, as células dendríticas, os macrófagos e as células B 2. A imunidade humoral marca a produção de anticorpos sendo fundamental para a neutralização de partículas virais livres e para impedir a entrada de vírus nas células do hospedeiro 2,23. Ainda sobre a imunidade humoral, o anticorpo neutralizador, geralmente é específico para a proteína do envelope, que é o componente mais importante da defesa do organismo humano. Na superfície da célula-alvo parece ocorrer a primeira interação entre o vírus e a célula do hospedeiro 2,23 . 16 A imunidade celular é o principal mecanismo de destruição do hepatócito incluindo a ativação de células T helper, seguida da ativação de células T citotóxicas resultando na lise das células-alvo infectadas pelo VHC 2. Na imunidade celular, o evento inicial na resposta imune ao VHC é o reconhecimento do VHC pelas células apresentadoras de antígenos (APCs). As APCs apresentam peptídios antigênicos curtos, derivados da clivagem proteolítica de anticorpos das moléculas HLA-classe II em sua superfície. Esses sítios antigênicos foram identificados no core, NS3 e NS4 do VHC 2,24. As células T helper CD4+ (Th) reconhecem os peptídeos antigênicos nas APCs por meio do receptor de célula T (TCR) e da molécula CD4. A ativação de células Th requer não apenas a interação antígeno específica com a APC, mas também uma interação co-estimulatória entre B7 e CD28. Células Th ativadas secretam citocinas que modulam a atividade de células T citotóxicas CD8+ antígeno-específicas (CTL) ou células B, que conduzem resposta citotóxica e humoral, respectivamente 2,25 . As células Th1 controlam a função citotóxica pela produção de fator de necrose tumoral (TNF) alfa e interferon (INF)-gama, ambos indispensável pelo clareamento viral, uma resposta dominante Th1, especialmente durante a fase inicial da infecção. As citocinas Th1 dão suporte aos CTL. Os CTL são um importante mecanismo de defesa em infecções virais, uma vez que a lise mediada por CTL de células infectadas por vírus pode levar ao clareamento viral. A atividade citotóxica é efetuada, principalmente, através da apoptose, propiciando a morte celular programada 2 . 17 1.6 - SINTOMATOLOGIA DA HEPATITE C Na hepatite C, a evolução clínica costuma ser assintomática até a fase mais avançada da doença hepática, tornando premente a definição de maior ou menor gravidade, quando do seu diagnóstico, ou seja, do conhecimento da sua história natural 2 . O diagnóstico clínico raramente é realizado, sendo a detecção, geralmente, baseada em sorologia. Os sintomas, quando aparecem, (de 20,0% a 30,0%), são geralmente leves e não interferem com a rotina diária do indivíduo. Quando é clinicamente aparente, a doença aguda dura de duas a doze semanas, com mal-estar, náuseas, dor em quadrante superior direito do abdome ou icterícia 3,26. Menos de 25,0% dos casos apresentam icterícia 3,27 . As infecções agudas se manifestam primariamente por um aumento modesto nos níveis séricos de aminotransferases, com valores de pico variando de 200 a 600 UI/ml, bem menores que os observados nas infecções agudas pelas hepatite A e B 3 . Verifica-se uma elevada taxa de progressão para a doença crônica da hepatite C e cirrose eventual, que ultrapassam 50,0% dos casos, associado a um risco significativo de desenvolvimento de carcinoma hepatocelular. A infecção persistente e a hepatite crônica constituem as características fundamentais da infecção por HCV 10. Os níveis de transaminases podem flutuar durante a infecção aguda e sua normalização pode ocorrer em até 40,0% dos indivíduos. Raramente excedem 2000 UI/ml; em 74,0% dos casos, situam-se na faixa maior que 15 vezes o normal; em 22,0% dos casos, de 6 a 15 vezes o normal; e em 4,0% dos casos, de 2,6 a 5 vezes o normal 3 . Várias manifestações extra Hepáticas têm sido relatadas em associação com hepatite C crônica 26,28 . Estas incluem criobulinemia mista essencial, glomerulonefrite membrano proliferativa, artrite, porfiria cutânea, linfoma não-Hodggkin de células B e diabetes mellitus 3 . 18 A longa evolução da doença, a concomitância de elevada carga viral, a ausência de alterações enzimáticas e as alterações histológicas mínimas ou ausentes, são dados clínicos contrários ao efeito citopático direto do VHC 29 . 1.7 - DIAGNÓSTICO DA HEPATITE C Para compreensão dos métodos diagnósticos disponíveis, torna-se necessário conhecer as principais características genéticas do VHC. O VHC é o vírus RNA simples, cujo genoma contém regiões não estruturais (NS2-NS5), que codificam as proteínas responsáveis pela replicação viral e de regiões estruturais, do capsídeo e envelope. Várias destas proteínas são utilizadas para o diagnóstico da infecção pelo VHC 2 . Os principais marcadores de infecção para hepatite C são 2 : Sorológico:Anti-VHC (anticorpos contra o vírus da hepatite C): detectado na infecção aguda e no portador crônico, portanto, não diferenciando infecção recente e passada. Virológico: é obtido através de técnicas de biologia molecular. Detecção qualitativa do VHC RNA (RNA do vírus da hepatite C): detecta a presença do vírus C 2; Detecção quantitativa do VHC RNA (carga viral): teste utilizado para monitoramento do tratamento 2 ; Genotipagem do VHC: o conhecimento do genótipo viral indicará o tratamento e possível prognóstico da infecção 2 ; 19 Biópsia hepática: segundo a portaria nº 863, SAS/Ministério da Saúde, de 4/11/2002, a biópsia hepática é obrigatória para inclusão no Protocolo de Tratamento 2. 1.8 - TESTES SOROLÓGICOS A detecção do anticorpo contra o vírus da hepatite C pode ser realizada por dois métodos distintos: o teste Elisa e o imunoenzimático, têm a função bem definida na investigação da infecção pelo vírus C e devem ser utilizados, permitindo objetividade e economia 2. 1.8.1 - O TESTE IMUNOENZIMÁTICO PARA TRIAGEM SOROLÓGICA – ELISA (ENZYME LINKED IMMUNOSORBENT ASSAY) Consiste na detecção de anticorpos anti-VHC, através de reação imunoenzimática (EIA). Este método não discrimina contra quais antígenos está direcionada a resposta imunológica, uma vez que vários antígenos do vírus estão imobilizados na fase sólida da reação. A resposta está mensurada por reação de coloração por meio da atividade ótica. Por ser reação simples e rápida, é utilizada para triagem sorológica da infecção por VHC 2. A primeira geração deste teste foi responsável por enormes mudanças no diagnóstico das hepatites pós-transfusionais, mas, é baixa a sensibilidade e está associado com um grande número de resultados falsos-positivos 3. Os testes atualmente utilizados, de segunda e terceira geração, fazem uso de vários antígenos (três ou quatro) das regiões estruturais e não estruturais do HCV, como por exemplo, c22-3, c33-3, c-100-3 e o NS5. Estes anticorpos contra o VHC começam a aparecer cerca de dez semanas após o contágio, portanto, a realização de EIA neste período de janela imunológica pode 20 ocasionar resultados falsos - negativos, estando reservada para estes casos a detecção do RNA viral qualitativo 30 . Um resultado positivo por EIA para o VHC significa, portanto, que o indivíduo testado apresenta anticorpos contra o VHC. Por outro lado, um resultado negativo significa que o indivíduo não tem anticorpos contra o VHC, por não ter tido contato com o vírus ou por não ter desenvolvido anticorpos (período de janela imunológica ou imunossupressão) 2. 1.8.2 - TESTE IMUNOENZIMÁTICO - ENSAIO DE IMUNOBLOT RECOMBINANTE MÉTODO DE RIBA (RECOMBINANT IMUNOBLOT ASSAY), PARA DETECÇÃO DE ANTICORPOS Os testes de immuno-blotting baseiam-se na imobilizacão de antígenos específicos do VHC, recombinantes e/ou sintéticos, em fita de nitrocelulose, identificando-se a reatividade do soro testado. A interpretação do resultado do ensaio varia segundo o fabricante. No entanto, o mais comum é considerar como positiva a amostra que apresente reatividade contra dois ou mais antígenos. As amostras com reatividade contra apenas um antígeno são geralmente interpretadas como resultado indeterminado. Os testes de immunoblotting mais recentemente desenvolvidos, utilizam os antígenos da região do capsídeo, NS3, NS4, NS5 e/ou E2/NS1 (testes de 3ª geração), e têm como vantagem a redução do número de resultados falsos como o dos indeterminados 2,31. Este teste vem sendo utilizado e adicionado para a verificação dos resultados positivos e/ou indeterminados pelo método ELISA, não devendo ser utilizado para avaliação de caso no início da infecção 3,34,35 . 21 1.8.3 - DETECÇÃO DO ANTÍGENO CORE NO VHC Atualmente, as EIAs estão sendo desenvolvidos para detecção do antígeno core do VHC. Tais ensaios parecem correlacionar à replicação viral e a positividade na fase aguda da doença 35. Este teste oferece resultados positivos alguns dias após o contágio. Outra vantagem associada a este teste imunoenzimático é a possibilidade de avaliar a quantidade de antígeno viral, havendo boa correlação com o PCR quantitativo, fato que o torna útil para predizer a resposta ao tratamento 2. 1.9 - TESTES MOLECULARES Estes testes, por utilizarem uma tecnologia mais elaborada, são mais caros e exigem maiores cuidados no manuseio das amostras a serem testadas, tendo, por isso, indicações precisas. O uso indiscriminado deve ser evitado, minimizando gastos e tornando o diagnóstico e acompanhamento da infecção viral mais corretos 2,33,34,37 . 1.9.1 - DETECÇÃO QUALITATIVA DO RNA NO HCV É feita por técnica de reação em cadeia da polimerase (PCR). Brevemente, esta técnica vai isolar o RNA do soro testado, por meio de técnicas de transcrição reversa para gerar DNA complementar, amplificar exponencialmente as seqüências específicas de nucleotídeos e detectálas por diferentes métodos. Trata-se de uma técnica muito sensível, pelo fato de amplificar seqüências do código genético do vírus, com capacidade de detectar entre 100 a 500 cópias/ml 2. 22 O teste qualitativo tem função importante nos casos de infecção aguda e na detecção de viremia em pacientes imunossuprimidos 2,34,37 . 1.9.2 - QUANTIFICAÇÃO NO RNA DO VHC Por ser menos sensível do que a detecção qualitativa do RNA do VHC, a determinação da carga viral na infecção pelo VHC não está indicada para confirmar ou excluir o diagnóstico de hepatite C. No entanto, é um teste importante na avaliação de resposta ao tratamento, uma vez que se espera durante a terapêutica, a diminuição progressiva do quantitativo de VHC-RNA no soro, até a sua negativação com o tratamento. Também, a quantificação do VHC-RNA pode ter papel prognóstico, onde pacientes com baixos níveis de replicação viral têm maior chance de resposta favorável ao tratamento 2 . Existem várias técnicas para determinação da carga viral do VHC, sendo as mais utilizadas aquelas que pregam a amplificação por PCR ou a quantificação por b-DNA 2. Uma nova técnica, denominada real-time PCR, deverá ser incorporada na rotina de detecção do VHC-RNA, devido à sua alta sensibilidade, precisão e reprodutividade 2 . 1.10 - GENOTIPAGEM A determinação do genótipo do VHC tem sido útil, na definição da estratégia de tratamento, uma vez que indivíduos com genótipos mais “favoráveis” podem ser tratados com terapia combinada (interferon e ribavirina) por seis meses, enquanto, portadores do genótipo 1 devem receber tratamento por 12 meses 2 . 23 Várias técnicas existem para determinação de genótipos. A mais amplamente utilizada tem sido o “line probe assay (LIPA), que se baseia na imobilização, em membranas, de probes capazes de detectar sequências variáveis em produtos de PCR diotinilados. Cada padrão de linhas de reatividade define um determinado genótipo. O LIPA é capaz de detectar os principais subtipos de interesse clínico e tem boa concordância com métodos de referência. Outras técnicas incluem a amplificação com primers específicos, sequenciamento direto de produtos do PCR e RFLP (restriction fragment lenght polymorphism). Neste último método, primers universais e RT-PCR são utilizados para amplificar seqüências genômicas específicas. A seguir, fragmentos de DNA de diferentes tamanhos são gerados a partir de digestão com enzimas de restrição que reconhecem sítios de clivagem específicos para cada genótipo 2 . 1.11 - TRATAMENTO DA HEPATITE C O HCV tem um curso diferente em cada paciente, fazendo com que a necessidade de tratamento seja avaliada individualmente. Após a infecção aguda, quase sempre despercebida, ocorre um longo período de doença assintomática, sendo a infecção descoberta em exames rotineiros ou durante a doação de sangue 3. O tratamento da hepatite C visa interromper a evolução das lesões no fígado e eventualmente sua carga viral. Apesar de o vírus permanecer em estado latente em algumas células do organismo, é possível erradicá-lo do sangue e do tecido hepático com as medicações disponíveis 2. O esquema terapêutico preconizado atualmente inclui a administração de interferon alfa em associação com a ribavirina. O interferon em formulação peguilada, e em associação com a ribavirina, apresenta maior eficácia em várias situações clínicas 2. 24 O tratamento ideal ainda não foi estabelecido, sendo o interferon (INF) o único aprovado, apesar de seus baixos índices de resposta e acentuados efeitos colaterais, podendo no entanto, mudar o curso evolutivo da doença para melhor 38 . Existem três classes de INFs: alfa, beta e gama, imunológica, estrutural e antigenicamente diferentes entre si. O alfa é produzido por monócitos e células B frente a infecções virais e estímulos antigênicos. O beta é produzido por fibroblastos e é semelhante ao anterior, formando o tipo 1. O gama tem estrutura e loco genético diferente dos dois anteriores e se constitui no tipo 2. É formado pelas células T e NK (natural killer), sendo seu efeito mais imunemodulador do que anti-viral 39 . Os INFs pertencem à superfamília das citoquinas e modulam a atividade de vários componentes do sistema imune, aumentando a habilidade dos organismos na luta contra as infecções bacterianas, parasitárias e virais. Constituem-se, portanto, em famílias de proteínas responsáveis por efeitos antivirais, antiproliferativos e imunemoduladores por excelência. Sem nenhuma dúvida, eles são as primeiras linhas de defesa contra essas infecções, mesmo antes de uma completa mobilização do sistema imune reativo. No entanto, os altos índices de nãorespondedores e de reativação da doença entre os portadores de HVC, antes mesmo do término do tratamento programado, levanta o problema da formação de anticorpos anti-INF, nestes pacientes 40 . Uma das causas de recaída durante o tratamento é a exacerbação dos processos autoimunes 41 . Esses efeitos imunes produzidos pelos INFs são complexos. Os interferons gama são os mais imunemoduladores e menos antivirais, quando comparados aos alfa e beta. Induzem as reações de histocompatibilidade (HLA classe I e II) envolvendo vários tipos celulares. São importantes na cascata da linfocina (interleucina 1 e 2, fator de necrose tumoral). Os alfa e os 25 beta modulam a síntese de imuneglobulinas de maneira positiva e negativa. Podem induzir à reorganização das células T receptoras e, portanto, à maturação das células T citotóxicas 38 . Os INFs, na dose de 3 a 6 milhões de unidades por dia, via subcutânea ou intramuscular, três vezes por semana, produzem efeitos precoces e tardios. Dentre os primeiros destacam-se, em 60%-70% dos casos, a síndrome gripal (febre de 38 a 40 °C que aparece 4-6 horas após a injeção, calafrios, mialgias, cefaléia e, menos freqüentemente, artralgias). O paracetamol 500 mg, ingerido algumas horas antes, pode bloquear esses efeitos colaterais. Outros efeitos colaterais podem ser observados, em cerca de 20% dos casos, como anorexia e náuseas. É de bom alvitre hospitalizar os pacientes durante as primeiras 24 horas para melhor avaliar e combater esses efeitos colaterais da primeira dose. Nas doses subseqüentes eles são decrescentes, desde que os intervalos entre as injeções não ultrapassem 3 dias 38 . Dentre os efeitos tardios, temos os sistêmicos, os hematológicos, os infecciosos, os autoimunes e os psiquiátricos 38 . 1. Sistêmicos: fadiga (muito freqüente), mialgia, febrícula, cefaléia, anorexia, perda de peso. Perda de cabelos e da libido são mais raros e reversíveis. 2. Hematológicos: leucopenia, plaquetopenia em 69% e 42% dos casos, respectivamente (Dorr RT., 1993), mais freqüentes nos casos de cirrose e de hiperesplenismo. 3. Infecciosos: de natureza bacteriana, principalmente urinária, sinusite e bronquite são os mais importantes. Essas infecções quando acometem pacientes com cirrose descompensada, devem ser prontamente avaliadas e corrigidas com antibióticos adequados. 4. Auto-imunes: os INFs podem ocasionar produção de vários anticorpos e, assim, determinar doenças clínicas auto-imunes, como tiroidites com destruição da glândula, e hipotiroidismo Os casos de hipertiroidismo são mais raros 43 . 42 . 26 5. Psiquiátricos: irritabilidade, ansiedade, depressão, delírio. Não se conhecem os mecanismos fisiopatológicos envolvidos. Certos medicamentos podem ser benéficos nestas situações particulares, como por exemplo, a clorpropamida. A maioria dos estudos sobre tratamento das hepatites virais foi feita com INF-alfa. Devido aos altos índices de não-respondedores e ao grande número de recaídas e recidivas, várias tentativas terapêuticas têm sido propostas no sentido de contornar esses (obstáculos,impedimento) óbices. Assim, 30% a 65% dos pacientes com HVC têm normalização da alanina aminotransferase (ALT) 24 semanas após uso de INF, inclusive com melhora histológica e funcional do fígado 44 . O tratamento da hepatite C está indicado nas seguintes situações20: Ser portador do vírus da hepatite C identificado por detecção do RNA por técnicas moleculares de amplificação; Ter realizado, nos últimos 24 meses, biópsia hepática onde tenha sido evidenciada atividade necro-inflamatória de moderada a intensa; Ter mais de 12 anos de idade; Ter contagem de plaquetas acima de 50.000/mm3 e de neutrófilos acima de 1.500/mm³. Os pacientes poderão ser candidatos ao tratamento com interferon perguilado desde que dentro dos critérios gerais acima mencionados e se o diagnóstico for dado por técnicas de amplificação do RNA do HCV e com posterior, caracterização do vírus da hepatite C do genótipo1: Ter realizado, nos últimos 24 meses, biópsia hepática onde tenha sido evidenciada atividade necro-inflamatória de moderada a intensa; 27 Ter mais de 12 anos de idade; Ter contagem de plaquetas acima de 75.000/mm³ e de neutrófilos acima de 1.500/mm³ (BRASIL,2005). 1.12 - DESENVOLVIMENTO DE NOVAS DROGAS E ENSAIOS CLÍNICOS Embora as terapias atualmente disponíveis sejam eficientes em mais ou menos metade dos pacientes, elas são muito caras, prolongadas, associadas com muitos efeitos colaterais e não adequadas para alguns grupos de pacientes. Desta forma, melhores esquemas de tratamento são necessários. Novos caminhos estão atualmente sendo explorados no desenvolvimento de drogas para a hepatite C. Diferentes drogas anti-HCV específicas e não específicas atingiram a fase de desenvolvimento clínico 45 . 1.13 - NOVOS CAMINHOS NA TERAPIA BASEADA EM IFN E RIVABIRINA O IFN humanos são classificados de acordo com a molécula à qual eles se ligam. Os IFN tipo 1 incluem alfa, beta, Omega e tau. O tipo 2 é representado pelo IFN gama, com atividade antiviral, antifibrótica e imunomoduladoras para as células Th1. Recentemente, três novas citocinas semelhantes aos IFNs foram identificadas e denominadas IL-28A,IL-28B e IL-29. Elas são induzidas por infecções e tem marcada atividade antiviral 46. 28 Novos IFNs e modificações nos IFNs naturais incluem alterações na seqüência primária de aminoácidos, adição de polietilenoglicol, alteração nos padrões de glicosilação e produção de proteínas de fusão. Consensus IFN alfa é uma citocina de 2ª geração que contém os subtipos não alélicos. É mais ativo in vitro e igualmente eficiente em ensaios clínicos 47. Outro novo IFN tem sido produzido pela mistura de 20 seqüências codificadas de DNA originando uma molécula 258.000 vezes mais ativa. Um novo Peg-IFN foi produzido pela mistura com 20KDa, assim como um Consensus Peg-IFN, ambos sendo testados 47 Uma proteína de fusão do IFN-alfa 2 com albumina humana está também em ensaios préclínico. Tem atividade similar aos IFNs, porém com grande melhora na farmacocinética 46. 1.14 - O PAPEL DOS IFN GAMA E ÔMEGA NA HEPATITE C O papel dos IFN gama e ômega na hepatite c está sendo avaliado. O nome da medicação: Indutores orais do IFN. O problema com estas drogas é garantir a liberação de doses adequadas de IFN no tecido hepático. Estes agentes incluem substâncias de peso molecular relativamente alto como poli I:C e derivados do oligonucleotídeo CpG. Em contraste, outras moléculas de baixo peso molecular apresentam as mesmas propriedades imunoestimuladoras, com uma razoável possibilidade de absorção oral, como as amidazoquinolonas: o imiquimod e o resquimod e os análogos nucleosídeos ANA245 e ANA971. Todas essas drogas vem sendo avaliadas em ensaios clínicos de fase I 48 . 29 1.15 - VACINAS TERAPÊUTICAS Dados atuais sobre a resposta imune na infecção crônica sugerem que uma vacina terapêutica capaz de estimular as respostas funcionais celulares TCD4+ e TCD8+ pode ser benéfica. Com esse objetivo, várias vacinas de polipeptídeos recombinantes e de DNA plasmidial têm sido testadas em primatas subumanos e mostram ser capazes de estimular uma resposta funcional dos linfócitos CD4 e CD8 49 . Uma vacina recombinante E1/E2 mostrou-se capaz de estimular a indução de anticorpos neutralizantes para o VHC e a resposta Celular TCD4+, prevenindo a infecção ou a evolução para a cronicidade em chimpanzés. Outra formulação, baseada em proteínas de fusão obtida de leveduras, utilizando seqüência de NS3-NS4-NS5-core de VHC genótipo 1 combinadas com adjuvante imunoestimulante (ISCOM) foi capaz de estimular respostas celulares TCD4+ e TCD8+ em chimpanzés. Tem sido experimentada,, em pacientes com hepatite crônica para melhorar a resposta aos esquemas de IFN-alfa+ RBV. Outros experimentos mostraram que anticorpos anti E1 estão ausentes na hepatite crônica, mas aparecem em títulos elevados em pacientes respondedores ao tratamento. Está sendo testada em fase I e II, uma vacina produzida e purificada com proteína E1, usando o lúmen como adjuvante, com objetivo terapêutico e tem mostrado respostas imunes humoral e celular 50. 30 1.16 - PROGNÓSTICO DA HEPATITE C A qualidade da resposta imunológica célula-mediada parece ser crucial para a eliminação ou persistência do VHC 20 . A associação entre a infecção pelo VHC e o posterior desenvolvimento de cirrose e ou hepatocarcinoma é inquestionável. Por outro lado, os índices de recuperação espontânea, com negativação do RNA-VHC, no primeiro ano após a contaminação, são de pelo menos 15,0%, havendo evidências de porcentagens maiores, com 26,0% a 45,0% de clareamento viral, conforme a população estudada e o tempo de observação 51 . 1.17 - PREVENÇÃO DA HEPATITE C 17.1 - ESTRATÉGIAS DE PREVENÇÃO: VACINAS E IMUNOGLOBULINAS A prevenção da hepatite C é uma parte importante para os profissionais de saúde que lidam diretamente com o paciente infectado. Elaborar uma vacina eficaz contra hepatite C é um desafio que nasceu quando o HCV foi descoberto. Existem alguns obstáculos para o desenvolvimento da vacina conta a hepatite C, dentre eles podemos citar 45,52 O HCV apresenta grande heterogeneidade, com seis genótipos e mais de 50 subtipos. Isso torna o desenvolvimento de uma vacina universal muito mais complexo, acrescido do fato de que um mesmo indivíduo infectado pode apresentar diferentes seqüências genômicas, em determinada região, com freqüentes mutações durante o curso da infecção. 31 O único modelo animal confiável para a infecção pelo HCV são os chimpanzés, o que torna os estudos experimentais de difícil realização e alto custo. Por fim, o conhecimento atual é restrito em relação ao tipo de resposta imune do hospedeiro capaz de eliminar o vírus. As glicoproteínas do envelope do vírus (E1 e E2) são os principais componentes antigênicos na superfície do HCV, principalmente a E2, alvo promissor para indução de anticorpos neutralizantes. Até o momento, não existe uma vacina eficaz para uso em humanos. Uma atenuação do HCV para produção de vacina de vírus vivo atenuado ainda não foi conseguida com sucesso, entretanto, vários avanços promissores têm ocorrido. Nos últimos anos desenvolveram-se estudos de vacinas contra o HCV baseados em biologia molecular, como proteínas recombinantes, peptídeos, DNA plasmidial e vírus defectivos recombinantes 53,54 . O princípio destes novos tipos de vacinas envolve o conceito de que um ou vários genes de um antígeno de interesse podem ser incorporados ao genoma de um organismo não patogênico para a transmissão e amplificação de imunógenos. O desenvolvimento de uma vacina eficaz contra HCV parece necessitar de um produto capaz de gerar tanto a produção de anticorpos antienvelope de forma intensa e duradoura, como uma resposta imune celular multiespecífica, dependente de linfócitos T helper e citotóxicos 45. A imunização passiva tem sido bem-sucedida na prevenção da hepatite A e B, mas a eficácia de imunoglobulinas anti-HCV ainda não foi claramente reconhecida.A produção de imunoglobulinas específicas contra o HCV poderia ter relevância em situações como a profilaxia pós-exposição ao HCV, prevenção de reinfecção pós-transplante de fígado e na transmissão vertical do vírus 45 . 32 Estudos com imunoglobulinas específicas contra HCV, em chimpanzés, sugerem que estes anticorpos podem prevenir a infecção aguda do HCV e talvez tenham benefício quando administrados na fase crônica da doença 55,56 . Embora ainda com dados preliminares, já existe estudo FASEI/II em humanos avaliando segurança e farmacocinética de imunoglobulinas contra o HCV na prevenção de reinfecção do HCV em transplantes de fígado em pacientes com hepatite C crônica 57 . 17.2 - CONSIDERAÇÕES SOBRE A PREVENÇÃO DA HEPATITE C Como ainda não há vacina contra a hepatite C, e tampouco uma profilaxia eficaz pósexposição, a redução da infecção (e das doenças a ela relacionadas) requer a implantação de atividades de prevenção primárias e secundárias. As primeiras, para reduzir a incidência da infecção; as secundárias, para diminuir o risco de hepatopatia e de outras doenças entre os portadores do VHC 58 . Foi criado em 2002 o Programa Nacional de Hepatites Virais, estabelecendo estratégias junto às diversas áreas do setor saúde visando o controle efetivo dessas infecções. Dentro dos preceitos do SUS, os serviços de atenção básica como as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e os Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA) figuram como de fundamental importância, propiciando uma detecção precoce dos portadores de hepatite C 1 . A prevenção primária tem como alvo a diminuição da incidência da infecção pelo VHC. Para que se iniciem atividades de prevenção secundária e terciária é necessária a identificação dos indivíduos anti-VHC infectados, pois essas se destinam a reduzir o risco de transmissão e a evolução para hepatopatia crônica. A prevenção deve focalizar o aconselhamento de pessoas que usam drogas ou que estão em risco de uso, e aquelas com práticas sexuais também consideradas 33 de risco. Aconselhamento e testes laboratoriais devem ser conduzidos em locais ou situações onde indivíduos de risco são localizados, como, por exemplo, prisões, clínicas de DST, HIV e AIDS, instituições de usuários de drogas, de doentes neurológicos e mentais 1,59. Para serem eficazes, as atividades de prevenção nesses locais, freqüentemente exigem um atendimento multidisciplinar dirigido a aspectos do uso de drogas, médicos, psicológicos, sociais e legais 1. Os programas de prevenção para o vírus C deveriam incluir: • prevenção de transmissão por atividades de alto risco (uso de drogas e sexo não protegido com múltiplos parceiros); • triagem de doadores e procedimentos de inativação de produtos potencialmente contaminados com o vírus C (transmissão através de sangue, produtos derivados de sangue, transplantes de órgãos e tecidos); e • melhorar as práticas de controle de infecção (transmissão através de procedimentos médicos). Os pacientes infectados pelo VHC necessitam de um acompanhamento mais aprofundado, no sentido de avaliar a existência de doença hepática crônica e a necessidade de tratamento antiviral ou de outras terapêuticas especializadas, como o transplante hepático. Pessoas cronicamente infectadas pelo VHC apresentam um risco aumentado de morbidade por insultos hepáticos adicionais. Hepatite fulminante, causada pelo vírus da hepatite A, pode ser evitada nesses pacientes, através da vacina contra VHA 60. Os portadores do VHC também apresentam riscos adicionais quando contraem o vírus da hepatite B, tendo maior probabilidade de contrair a infecção pelo VHB, já que alguns meios de transmissão são comuns aos dois vírus. Assim a vacina da hepatite B é altamente recomendada nesses pacientes. Outra recomendação adequada é evitar o uso de álcool nesses pacientes, já que 34 o seu uso (> 10 g/dia para mulheres e > 20 g/dia para homens) tem sido associado à progressão mais rápida de cirrose, que expõe o paciente ao aparecimento de carcinoma hepatocelular 60,61,62. Os indivíduos que apresentam riscos para contrair infecção pelo vírus C, ou mesmo aqueles cronicamente infectados, se beneficiam de programas de educação de saúde e material educacional que incluem informações sobre como diminuir a progressão da doença hepática e as opções de tratamento. Os tópicos que devem ser incluídos nos programas educacionais são: tratamento de viciados, uso de agulhas e seringas, riscos de compartilhar drogas e uso de preservativos 12,58,62. A vigilância sanitária para hepatite C é fundamental, já que não há disponibilidade de medidas de prevenção eficazes. Para que se consiga alcançar metas de vigilância em relação ao vírus da hepatite C é necessário identificar pessoas com hepatite C aguda e crônica 1. A infecção aguda pelo vírus da hepatite C é usualmente (80%) assintomática. De qualquer maneira, a hepatite C faz parte do diagnóstico diferencial das hepatites agudas virais. A confirmação de hepatite C aguda inclui exames negativos para IgM anti-VHA, IgM anti-HBc e teste positivo para anti-VHC, com confirmação. Alguns pacientes podem apresentar anti-VHC negativo no início dos sintomas e somente exames seriados vão evidenciar o diagnóstico. A identificação de alguém com hepatite aguda C deveria desencadear um processo de busca epidemiológica para evidenciar a fonte de infecção. Dependendo dos resultados, pode ser indicado testar os contatos 1 . A vigilância desses casos pode esclarecer, além das fontes de infecção, as características da doença e os fatores de risco que fornecem informações sobre os padrões da transmissão. Dessa forma, caracterizam-se as populações-alvo, também para prevenção 1 . Por outro lado, essas medidas podem avaliar os sistemas utilizados para prevenção. Nos indivíduos com anti-VHC positivo, a infecção crônica pode ser diagnosticada pela persistência de 35 RNA VHC positivo por mais de seis meses. A determinação e a notificação dessas pessoas com hepatite C crônica auxiliam no diagnóstico de quem são essas pessoas, qual a sua fonte de transmissão e onde elas estão. Essas informações podem melhorar a qualidade das ações para prevenção e facilitar o seguimento desses pacientes 1 . 17.3 - PROFILAXIA PÓS-EXPOSIÇÃO Após um acidente com exposição percutânea ou de mucosa, o indivíduo-fonte deve ser testado para o anti-VHC. Se for positivo, a pessoa exposta deve ser testada para anti-VHC e ser submetida à determinação da ALT, no momento da exposição e quatro e seis meses depois. Para um diagnóstico mais precoce, a determinação do RNA do VHC pode ser realizada quatro a seis semanas após a exposição. Em resumo, para que se possa desenvolver normas adequadas de vigilância sanitária e viabilizar a diminuição da incidência, ou mesmo a erradicação das infecções, devem ser considerados os aspectos epidemiológicos e de prevenção, específicos para cada tipo de hepatite viral 62,64. No estudo, Avaliação da Assistência as Hepatites Virais, publicado em 2002 pelo Ministério da Saúde, ficou evidente a pequena oferta, no Brasil, de exames de biologia molecular para identificar os agentes etiológicos das hepatites virais. Aproximadamente a metade dos ambulatórios públicos das diferentes regiões não tem acesso ao DNA-VHB, e cerca de 40% não possuem exames de biologia molecular para hepatite C 17. É indispensável que haja a colaboração dos gestores de saúde, estaduais e municipais, profissionais de saúde, representantes da sociedade civil e aqueles que detêm o poder de comunicação. 36 1.18 - IMPACTO DA HEPATITE C A prevenção da hepatite B, e o tratamento da Aids, e o conhecimento da infecção pelo vírus da hepatite C (VHC) vem emergindo como principal causa de comorbidade entre os indivíduos transfundidos, em especial os expostos a múltiplas transfusões de sangue e hemoderivados 65 . Em virtude de a cronificação elevar sobremaneira o risco de desenvolvimento de cirrose e de câncer de fígado, com todas as suas conseqüências devastadoras em termos de mortalidade e de custos ao sistema de saúde, a hepatite C, vem sendo considerada uma grande pandemia, capaz de ofuscar as doenças de massa hoje presentes no mundo 66 . A inexistência de uma vacina eficaz e o reduzido impacto do tratamento apontam para a prevenção como a única arma na tentativa de deter o avanço da doença. A ocorrência de mecanismos de transmissão comuns à síndrome de imunodeficência adquirida e às hepatites virais de transmissão parenteral, aí incluída a do tipo B, além da C, justifica que essas doenças sejam integradas às campanhas preventivas desenvolvidas contra a Aids. Isto implica no aumento do conhecimento sobre a hepatite C e de suas conseqüências como sendo um importante passo para se atingir o seu controle na comunidade 66. 37 OBJETIVOS 2.1 - OBJETIVO GERAL Caracterizar o perfil de casos suspeitos para Hepatite C em um banco de sangue do DF, de janeiro a junho de 2007. 2.2 -OBJETIVOS ESPECÍFICOS Determinar a soroprevalência de anticorpos de anti-VHC em pré-doadores de sangue em um banco de sangue do DF Correlacionar os resultados obtidos nos testes sorológicos de triagem (ELISA) e no teste confirmatório (RIBA). 38 METODOLOGIA 3.1 - ÁREA DE ESTUDO O Banco de sangue do DF estudado é uma entidade pública, de caráter tecnológico, científico e educacional com suprimento de serviços à população do Distrito Federal.. Em 2006, a média de atendimento foi de 6000 doadores de sangue por mês. Atualmente este Banco de Sangue é o Centro de Referência Nacional em Hemoterapia, assegurando o atendimento à demanda de sangue, componentes e derivados à população do Distrito Federal. Este Banco de Sangue, é certificado pela Norma Brasileira de Organização Internacional de Padronização (NDR ISSO 9001:2000), e, a cada dia, vem implementando ações objetivando a segurança do sangue, utilizado nas transfusões, além disso, segue rígidos parâmetros de qualidade concomitante aos avanços biotecnológicos dos testes de rotina e de rastreamento. Diariamente, diferentes testes de triagem são realizados nesta unidade, dentre eles o ELISA e RIBA, mostrando elevada sensibilidade e especificidade, visando a uma oferta de sangue com qualidade à população. A coleta de sangue é feita através do roteiro de doação. Primeiro as condições para doar sangue são as seguintes, gozar de boa saúde (avaliação médica); não estar em uso de medicamentos; ter entre 18 e 65 anos de idade; pesar acima de 52 quilos (descontar vestuário); apresentar Carteira de Identidade; ter dormido pelo menos 6 horas no dia anterior a doação. É importante a qualidade do sono, não realizar exercícios físicos antes da doação, 39 não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 24 horas, não ter realizado endoscopia nos últimos seis meses e evitar fumar 2 horas antes da doação. A alimentação necessária para o candidato a doar sangue tem que ser cuidadosa. No dia anterior a doação o candidato deve se alimentar e hidratar-se bem, não doar em jejum, alimentar-se com leite de soja ou desnatado, suco, frutas (menos abacate e jaca), café, chá, pão com geléia, deve-se ingerir água antes da doação, não ingerir leite integral e seus derivados (manteiga, queijo, iogurte) ou alimentos gordurosos até três horas antes da doação, pois a gordura dificulta a leitura do resultado de exames podendo aparecer um falso positivo e também prejudica o fracionamento do sangue. A doação começa com a identificação que acontece com apresentação de um documento com foto e dados complementares para cadastro no setor de registro (SROD). Depois vem a triagem hematológica, nesta etapa, serão aferidos pressão arterial, temperatura, pulso, altura e peso do candidato à doação do sangue. Assim como a realização do hematócrito (se tiver em um valor abaixo de 38 é considerado inapto para doar) detectando anemia. Em seguida a triagem médica, onde ele elabora e verifica a história e o exame clínico do candidato à doação de sangue. Depois inicia-se a coleta do sangue, é a doação propriamente dita. É realizada por profissional habilitado sob supervisão de enfermeiro/ médico. Durante o ato de doação todo o material utilizado é individual, estéril e sempre descartado após o uso. Com isto garante se total segurança para o doador de sangue. A duração da doação de sangue é de em média oito minutos. Após a doação, o doador recebe um lanche suficiente para ajudar a repor suas energias e restabelecer o volume de sangue no organismo. A parte líquida do sangue doado é reposta com o lanche. 40 O sangue é encaminhado da sala de coleta para o setor de fracionamento. O sangue é separado em seus componentes para a transfusão. As bolsas são colocadas numa centrífuga que gira em determinada rotação separa (fraciona) em duas partes: concentrado de hemácias e plasma. Após ser fracionado é armazenado em câmara refrigeradora onde a temperatura varia de 2 a 6° C, quando são as hemácias e -18 a -30 quando são as plaquetas. Simultaneamente ao fracionamento, amostras de sangue são encaminhadas aos laboratórios para serem submetidas a exames sorológicos e imunohematológicos. Além de testar a qualidade do sangue, os exames classificam os tipos sanguíneos (ABO e Rh). Após a comprovação da qualidade, através do resultado de exames sorológicos e imunohematológicos negativos, os componentes do sangue são liberados para o estoque e utilização. A distribuição do sangue é feita para os hospitais de acordo com as necessidades e requisições formais das suas Unidades de Hemoterapia e Hematologia (UHH). 3.2 - TIPO DE ESTUDO Trata-se de um estudo do tipo transversal. Nesta modalidade de investigação, a causa efeito são detectados simultaneamente, e somente a análise dos dados permite identificar os grupos de interesse, os expostos e os não expostos 67 . 41 3.3 - POPULAÇÃO DE ANÁLISE Foram analisados os indivíduos que doaram sangue em um banco de sangue do DF, no período entre janeiro a junho de 2007, e que apresentaram resultado positivo para os marcadores de hepatite C nos testes de triagem sorológica. 3.4 - COLETA DE DADOS Os dados foram coletados em outubro de 2007, e aguarda aprovação do Comitê de Ética com previsão para dezembro de 2007. 3.5 - CRITÉRIO DE INCLUSÃO Foram incluídos no estudo todos os indivíduos que doaram sangue entre janeiro e junho de 2007. 3.6 - CRITÉRIO DE EXCLUSÃO Foram excluídos os casos que passaram na triagem e que não foram submetidos a exames laboratoriais em função da condição de saúde e ou apresentar risco de ser portador de alguma doença contagiosa. 42 3.7 - DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO Inicialmente foi solicitada autorização da chefia imediata para a realização da pesquisa, e iniciada a coleta de dados. Posteriormente, foram analisadas as fichas dos doadores. Foram Identificados os suspeitos para Hepatite C e os dados transcritos para um instrumento de pesquisa. 3.8 - INSTRUMENTO DE PESQUISA Todas as informações foram registradas em formulário próprio (Anexo 1), e utilizou-se códigos para todas as variáveis coletadas a seguir: Idade sexo Escolaridade Estado Civil Local de Residência Tipo de doação Tipo de doador Transfusão de sangue Resultado do teste sorológico ELISA Resultado do teste sorológico RIBA Fatores de risco para Hepatite C 43 3. 9 - CRITÉRIO PARA CLASSIFICAÇÃO DE CASO DE HEPATITE C 3.9.1 - HEPATITE VIRAL AGUDA C 76 Critérios diagnósticos para Hepatite aguda pelo HCV: Soroconversão anti-HCV documentada, em paciente com quadro clínico de Hepatite Aguda (paciente que no inicio dos sintomas apresenta anti-HCV negativo e que converte para anti-HCV positivo na segunda dosagem - realizada com intervalo de 90 dias); (Brasil, 2007) protocolo do ministério da saúde ! tem na referência Quadro laboratorial de anti-HCV negativo com detecção do HCV-RNA por biologia molecular (qualitativo), realizado por volta de 90 dias após o início dos sintomas ou da data de exposição, quando esta for conhecida em paciente com histórico de exposição potencial ao vírus da hepatite (HCV). (Brasil, 2007) A biópsia hepática só é justificada, nesta situação, em caso de dúvidas diagnósticas. (Brasil, 2007) 3.9.2 - HEPATITE VIRAL CRÔNICA C 76 Ser portador do HCV - Detecção do HCV-RNA por biologia molecular (qualitativo); 44 Ter realizado, nos últimos 24 meses, biópsia hepática onde tenham sido evidenciadas as seguintes características: Atividade necro-inflamatória de moderada a intensa (maior ou igual a A2 pela classificação Metavir ou atividade portal ou peri-septal grau 2 ou maior pela classificação da Sociedade Brasileira de Patologia) e; Presença de fibrose de moderada a intensa (maior ou igual a F2 pelas classificações Metavir ou Sociedade Brasileira de Patologia); ter entre 12 e 70 anos; e ter contagem de plaquetas acima de 50.000/mm3 e de neutrófilos acima de 1.500/mm3. 3.10 - ASPECTOS ÉTICOS Este estudo aguarda aprovação do Comitê de Ética da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal para análise e aprovação. 3.11 - BANCO DE DADOS Para análise dos dados foram utilizados os softwares Access e SPSS versão 15.0. 45 RESULTADOS E DISCUSSÃO No período de janeiro a junho de 2007, cerca de 25984 pessoas doaram sangue na Unidade Hemoterápica estudada. A soroprevalência da infecção pelo VHC encontrada no teste de triagem no período, foi de 0,2% e 0,06% no teste confirmatório, entre os doadores de sangue, lembrando que 21(41,2%) dos suspeitos não retornaram para confirmarem ou discutirem seus resultados. Foram analisados 51 indivíduos que apresentaram positividade sorológica para hepatite C na primeira amostra dos testes de triagem. Trinta e três por cento 33,3% dos indivíduos tinham idade entre 40 e 49 anos, 27,5% de 20 a 29 anos, 23,5% de 30 a 39 anos, 11,8% de 10 a 19 anos. Observaram-se percentuais consideravelmente menores nas faixas etárias de 50 a 59 anos de vida, 2,0% e 60 a 69 anos, 2,0% dos casos. Verificou-se que 84,3% dos doadores de sangue positivos para Hepatite C eram adultos jovens e adultos pertencentes à faixa etária de 20 a 49 anos. A média de idade dos doadores suspeitos para hepatite C foi de 33,37 anos, o que correspondeu a 23,5% da população analisada. A mediana encontrada foi de 33 anos e a moda 19, 20 e 40 anos apontando uma amostra heterogênea com distribuição trimodal. (Tabela 1) Segundo o estudo de Paltanin, at al (2002) 68, mostraram que dos doadores de sangue que apresentaram anticorpos anti-HCV no teste de triagem, 57,9% estavam na faixa etária superior a 31 anos. Os resultados obtidos nesta pesquisa estão em concordância com os dados relatados por Lima & Magalhães (1991) 69, que mostraram uma soroprevalência de anti-HCV em doadores de sangue na faixa etária de 30 a 39 anos. (Tabela 1) A caracterização quanto ao sexo dos doadores de sangue, revelou que 64,7% dos suspeitos de hepatite C eram do sexo masculino e 35,3%, feminino. Patinõ-Sarcineli et al (1994) 70 , ao estudarem a prevalência e os fatores de risco para os anticorpos anti-VHC em doadores de 46 sangue voluntários no Brasil, observaram que a soropositividade estava fortemente associada ao sexo masculino, à etnia não-branca e a idade mais avançada, o que provavelmente reflete um longo tempo de exposição à infecção pelo vírus da hepatite C. Com referência à escolaridade foi observado que a 45,1% dos doadores possuíam o ensino médio, 19,6 % tinham educação superior e 35,3%, fundamental. Esses dados corroboram os dados encontrados em 2002 pela Anvisa, quando analizaram o perfil dos doadores de sangue do Brasil e verificaram que a maioria 39,70% dos doadores de sangue possuíam o ensino médio.(Tabela 1) 47 Tabela 1 – Características socio demográficas dos doadores de sangue com positividade sorológica para hepatite C no teste de triagem em um Banco de Sangue do DF, de janeiro a junho de 2007. Variáveis n % 10-19 6 11,8 20-29 14 27,5 30-39 40-49 50-59 60-69 12 17 1 1 23,5 33,3 2,0 2,0 33 18 64,7 35,3 18 23 10 35,3 45,1 19,6 29 17 1 1 3 56,9 33,3 2,0 2,0 5,9 4 5 7 1 1 3 1 3 5 1 3 2 1 1 13 7,8 9,8 13,7 2,0 2,0 5,9 2,0 5,9 9,8 2,0 5,9 3,9 2,0 2,0 25,5 Faixa Etária (anos) Sexo Masculino Feminino Escolaridade Fundamental Médio Superior Estado Civil Solteiro Casado Divorciado Desquitado Outros Local de residência Samambaia Ceilândia Taguatinga Águas Claras Gama Sobradinho Planaltina Guará Brasília Cruzeiro Riacho Fundo Recanto das Emas São Sebastião Candangolândia Outros 48 Os pré-doadores foram caracterizados ainda quanto ao estado civil, a maioria dos suspeitos cerca de 56,9% eram solteiros e 33,3% referiram serem casados, esses dados são similares aos encontrados em 2002, pela Anvisa, quando analisaram o perfil dos doadores de sangue no Brasil. Quanto ao local de residência observou-se que dos portadores de sorologia positiva para hepatite C no teste de triagem, 25,5% residiam em localidades fora do Distrito Federal, e dos que moram no DF, 13,7%, 9,8% e 7,8%, residiam em Taguatinga, Ceilândia e Samambaia, respectivamente. (Tabela 1) A tabela 2, mostrou o resultado da comparação dos doadores com positividade para HCV no teste de triagem e em relação ao tipo de doação e ao tipo de doador na Unidade hemoterápica do DF estudada no primeiro semestre de 2007. Tabela 2 – Distribuição dos doadores de sangue com positividade para o HCV no teste de triagem em relação ao tipo de doação e ao tipo de doador em um Banco de Sangue do DF no período de janeiro a junho de 2007. Variáveis n % Voluntária 33 64,7 Reposição 17 33,3 Campanha 1 2,0 Primeira doação 7 13,7 Retorno 44 86,3 Tipo de Doação Tipo de Doador A Anvisa, por meio da resolução RDC 149, de 14 de agosto de 2001 71, assim definiu os tipos de doação: 49 Espontânea: é aquela que ocorre de forma espontânea, altruísta e voluntariamente. Sua doação é anônima, não vinculada. Reposição: significa aquela doação para repor os estoques de sangue de um hospital e sua doação pode ser vinculada a um paciente ou não. Campanha: é aquela feita através de manifestação de algum órgão ou quando o banco de sangue faz campanha interna em determinado grupo de pessoas. Autóloga: aquela doação advinda do indivíduo que doa para si próprio. Verificou-se nesta pesquisa que a doação voluntária teve maior representação sendo 33 dos doadores com uma porcentagem de 64,7%, seguida de 17 pessoas (13,7%) e um caso de (2,0%), reposição e campanha respectivamente. Segundo dados do Ministério da Saúde (2002) 17, os indicadores de coleta de sangue no Brasil, revelaram que, quanto ao tipo de doação 50,9% dos indivíduos fizeram doação voluntária, 49,0% fizeram doação de reposição e apenas 0,1% autóloga. Este estudo apontou uma porcentagem maior de indivíduos que doam voluntariamente em relação ao perfil do Brasil. Na presente pesquisa não houve nenhum caso de doação autóloga, sendo observado uma pequena porcentagem de doação de campanha. Dois tipos de doadores de sangue foram analisados neste estudo: primeira doação quando a pessoa nunca doou sangue, e o doador de retorno – quando o doador de sangue já doou e retornou para doar sangue (Anvisa, 2007) 72. O doador de retorno teve uma maior porcentagem (86,3%), os de primeira doação tiveram porcentagem menor (13,7%), um resultado relevante, partindo do princípio que os doadores de retorno já poderiam ter sido identificados como positivos no teste de triagem em doações anteriores. Todas as 51 pessoas analisadas foram submetidas ao teste ELISA para a detecção do HCV no teste de triagem e apenas 30 fizeram o teste confirmatório (RIBA). 50 A prevalência de 0,2% do HCV nos testes de triagem deste estudo foram inferiores às encontradas entre os doadores de sangue do Serviço de Hemoterapia do Rio de Janeiro (Hemolad), no ano de 2000, que atingiu um valor de 1,2% de prevalência para o HCV nos testes de triagem. Conforme mostra o gráfico 1, das 51 amostras de soro dos pré-doadores de sangue que tiveram o resultado de triagem positivo para o HCV, ao realizarem o teste confirmatório obtiveram os seguintes resultados: positivos em 15 amostras (29,4%), sorologia negativa em 13 amostras (25,5%), os exames não realizados representaram 21 pessoas (41,2%) e indeterminado 2 amostras (2,0%) do total de doadores. Gráfico1 – Resultado da 2ª amostra (teste confirmatório) pelo método RIBA dos doadores de sangue de um Banco de Sangue do DF no primeiro semestre de 2007 41,2 45 40 35 29,4 25,5 30 25 20 15 3,9 10 5 0 % Positivo Negativo Inconclusivo Não Realizado Nesta pesquisa observou-se uma porcentagem de 0,06% de casos confirmados de hepatite C em relação ao estudo de Souto FJT et al (2002) 73, quando estudaram o resultado do Imunoblot como teste suplementar para a detecção de anticorpos contra o vírus da hepatite C em doadores 51 de sangue no Mato Grosso, e detectaram que nos pré-doadores de sangue que fizeram o teste confirmatório, 62,9% confirmaram positividade do anti-HCV pelo método RIBA, 5,7% tiveram testes indeterminados e 31,4% foram negativos, não sendo considerados os exames não realizados. A prevalência mais elevada do anti-HCV nos testes de triagem poderia ser devido à maior sensibilidade e menor especificidade desse teste15. (Valente 2005). Os pacientes com RIBA positivo ou indeterminado deverão ser encaminhados para avaliação médica e pesquisa do RNA do VHC. Como a resolução espontânea da infecção pelo VHC acontece na minoria dos indivíduos, a confirmação da presença de anticorpos é um forte indicador da presença do VHC 73. Verificou-se nesta pesquisa um elevado percentual de não retorno para a confirmação por parte dos indivíduos que mostraram positividade ao teste de triagem para hepatite C. Dados similares foram observados por Valente at al (2005) 15, ao analisar os marcadores sorológicos da hepatites B e C em doadores de sangue do Hemocentro de Ribeirão Preto em 2005, onde 58,7% dos positivos para o anti-HCV, não tiveram resultado confirmado. Neste sentido, cabe ressaltar que a confirmação dos resultados obtidos na triagem sorológica é importante para o acompanhamento dos doadores de sangue com positividade para o HCV. Paltanin at al (2002), apud Sales et al (1998) 68 , avaliando o perfil epidemiológico, laboratorial e histológico de doadores de sangue portadores de hepatite B e C, chegaram à conclusão de que a maioria dos doadores apresentavam-se assintomáticos, mas poderiam ter alterações orgânicas importantes que levariam a morte. Torna-se necessário avaliar todos os doadores soropositivos para hepatite B e C, uma vez que essas doenças, mesmo assintomáticas, podem causar lesões e morte do doador. 52 O que se verifica na prática é que um resultado positivo para Hepatite C nos testes de triagem não motiva o indivíduo a retornar ao hemocentro para realização do teste confirmatório, uma vez que a maioria da população associa essa doença com quadros irrelevantes, sem potencial de causar danos à saúde que poderia justificar uma preocupação maior por parte desses indivíduos. O não comparecimento desses indivíduos para realização do teste confirmatório pode ter sido também pelo fato de não saberem do resultado do exame, devido a informações incompletas em relação ao local de residência ou até mesmo mudança de endereço. Esses dados reforçam a necessidade de que as unidades hemoterápicas intensifiquem os mecanismos de informação e conscientização sobre a importância do retorno do doador de sangue com sorologia reagente nos testes de triagem para posterior acompanhamento clínico e laboratorial, tendo em vista a evolução e o prognóstico da infecção crônica pelo HCV. As campanhas educativas também são necessárias, uma vez que a população precisa conhecer os meios de transmissão da doença para evitar a sua propagação segundo Paltanin at al (2002) 68. Procedendo-se a análise dos dados acerca da prevalência para os marcadores do vírus da hepatite C nos testes de triagem e confirmatório, verifica-se que os dados encontrados são muito inferiores dos referidas no ano de 2005 entre os doadores de Ribeirão Preto (1,2% no teste de triagem e 0,3% no teste confirmatório) 15. Estudos realizados entre doadores Gregos74, mostram uma prevalência do vírus da hepatite C de 0,4% no teste confirmatório, ocorrendo o mesmo no Reino Unido75 com 0,4%, podendo se inferir dessa análise que existe uma baixa endemicidade desta enfermidade na unidade hemoterápica estudada. Na tabela 3, a distribuição dos doadores inaptos em seis faixas etárias evidenciou uma correlação positiva entre o aumento da idade e a porcentagem de indivíduos sorologicamente 53 positivos para o HCV a partir da faixa etária de 40 a 49 anos. Assim, o índice de positividade na faixa etária de 10 a 19 anos foi de 13,3% do total de indivíduos positivos, representando 26,6%, 6,7%, 40,0% 6,7% e 6,7%, respectivamente, nas faixas etárias de 20 a 29 anos, 30 a 39, 40 a 49, 50 a 59 e 60 a 69 anos. Para a sorologia negativa, os indivíduos tiveram distribuição aleatória quanto à faixa etária, com um pico de incidência entre os doadores de 20 a 29 anos 38,4%, seguindo de redução gradativa nas faixas etárias mais elevadas. A sorologia indeterminada esteve presente nas faixas etárias de 20 a 29 anos e 30 a 39 anos, representando 50,0% e 50,0% respectivamente do total representado para a faixa etária. O número de testes não realizados obteve um percentual maior na faixa etária de 40 a 49 anos, cerca de 38,1%, seguido de 33,4%, 19,0% e 9,5% respectivamente nas faixas etárias de 30 a 39 anos, 20 a 29, e 10 a 19 anos. Tabela 3-Freqüência de positividade para o HCV no teste confirmatório, segundo a faixa etária dos doadores de sangue de um Banco de Sangue do DF , de janeiro a junho de 2007 Faixa Etária Teste confirmatório* Positivo n*** Indeterminado % n % Negativo n Não Realizado % n % Total n** % 10-19 02 13,3 - - 02 15,4 02 9,5 06 11,8 20-29 04 26,6 1 50 05 38,4 04 19,0 14 27,4 30-39 01 6,7 1 50 03 23,1 07 33,4 12 23,5 40-49 06 40,0 - - 03 23,1 08 38,1 17 33,3 50-59 01 6,7 - - - - - - 01 2,0 60-69 01 6,7 - - - - - 01 2,0 Total 15 100 2 100 100 21 100 51 100 13 *Teste confirmatório: immunoblot (RIBA); **Número de pré-doadores de sangue positivos no teste de triagem. *** Número de pré-doadores de sangue positivos no teste confirmatório. 54 Segundo o Ministério da Saúde (2007) 76 , resultados preliminares têm mostrado uma prevalência de anti-HCV variando entre 0,9% a 1,9% na faixa etária compreendida entre 10 à 69 anos de idade. Só no DF, a pesquisa identificou 24.459 pessoas contaminadas, sendo 4.700 com idades entre 10 e 19 anos, o que significa 1,1% da população nessa faixa etária. É um percentual maior do que os 0,9% registrados entre crianças e adolescentes nordestinos, e os 1,0% contabilizados em Goiânia, Palmas, Campo Grande e Cuiabá 76. A incidência do vírus entre os adultos é muito maior do que entre as crianças e adolescentes. Só no DF, são 20 mil pessoas entre 20 e 69 anos, o que corresponde a 1,6% dos moradores nessa faixa etária. Nas capitais nordestinas, o percentual observado é de 1,9%, o que significa 264.272 infectados. Enquanto, nas quatro capitais do Centro-Oeste, 130.750 pessoas, ou 1,9% da população, enfrentam a hepatite C76. Valente at al (2005) 15, assinalaram que a faixa etária que apresentou prevalência mais elevada no teste confirmatório para hepatite C foi a de 46 a 60 anos. Valent at al (2005), apud Guerrero at al (1996) 15, estudando o grupo etário de 46 a 60 anos ressaltou que a transmissão do VHC pode ter ocorrido antes que o controle sorológico para o VHC fosse estabelecido como rotina nos hemocentros após 1983, confirmando os achados desta pesquisa. Na tabela 4, a distribuição da positividade para anti-HCV no teste confirmatório segundo o sexo, entre os doadores de sangue na Unidade Hemoterápica do DF, de janeiro a junho de 2007, revelou que 15 indivíduos foram positivos no teste confirmatório, sendo 9 (60,0%) do sexo masculino e 6 (40,0%) feminino. O resultado negativo apareceu em 13 amostras, onde 7 (58,3%) masculinas e 6 (41,7%) femininas. Resultados indeterminados apareceram em 2 amostras uma do sexo masculino e uma do sexo feminino. Verificou-se a não realização do teste confirmatório em 21 amostras sendo 16 casos (76,2%) de doadores do sexo masculino e 5 pessoas (23,3%) do sexo feminino. 55 Tabela 4 – Distribuição da positividade para anti-HCV (Teste confirmatório), segundo o sexo entre os doadores de sangue em um Banco de Sangue do DF, de janeiro a junho de 2007. Resultado de sorologia 2ªamostra Positivo Variáveis Negativo Total Não realizado Indeterminado n n % n % % n % n % Masculino 9 60,0 7 58,3 1 50,0 16 76,2 33 64,7 Feminino 6 40,0 6 41,7 1 50,0 5 23,8 18 35,3 15 100 13 100 2 100 21 100 51 100 Sexo Total Ocorreu maior positividade para hepatite C entre doadores do sexo masculino, discordando com o estudo de valent at al (2005) 15 que analisando os marcadores para hepatite B e C no hemocentro de Ribeirão Preto (SP), verificou ausência de associação com o sexo em relação à hepatite C no teste confirmatório. Na tabela 5, o resultado da distribuição quanto ao tipo de doação segundo o sexo, dos doadores de sangue na Unidade Hemoterápica do DF, de janeiro a junho de 2007, foi de 19 (57,6%) doações voluntárias do sexo masculino e 14 (42,4%) doações voluntárias do sexo feminino. Foram 13 (76,5%) doações de reposição do sexo masculino e 4 (23,5%) do sexo feminino. Teve uma doação de campanha do sexo masculino. 56 Tabela 5 – Distribuição quanto ao tipo de doação segundo o sexo, dos doadores de sangue positivos para HCV (teste confirmatório) em um Banco de Sangue do DF , de janeiro a junho de 2007. Tipo de Doação Total Variáveis Voluntária Campanha Reposição masculino 19 57,6 13 76,5 1 100 33 64,7 feminino 14 42,4 4 23,5 - - 18 35,3 33 100 17 100 1 100 51 100 sexo Total No total a doação de sangue do sexo masculino foi de 33(64,7%) e a feminina foi de 18(35,3%). Existem mais homens fazendo doação de sangue que mulheres. A maioria das doações de sangue voluntárias foram feitas por homens mostrando que os homens doam mais e de forma altruísta. (Tabela 5) Tabela 6-Distribuição da positividade para anti-HCV (Teste confirmatório), segundo o tipo de doador entre os doadores de sangue em um Banco de Sangue do DF , de janeiro a junho de 2007. Teste Confirmatório (2ªamostra) Positivo Negativo Indeterminad Total Não realizado Variáveis o n % n % n n % n % % Tipo de Primeira Doador doação 1 6,6 0 - 0 - 6 28,6 7 13,7 Retorno 14 93,4 13 100 2 100 15 71,4 44 86,3 15 100 13 100 2 100 21 100 51 100 Total 57 A distribuição da positividade para anti – HCV (teste confirmatório), segundo o tipo de doador entre os doadores de sangue do na Unidade Hemoterápica do DF, de janeiro a junho de 2007 mostrou que as pessoas que doam pela primeira vez, ou seja, primeira doação de sangue teve uma quantidade menor de resultado sorológico positivo do que os doadores de retorno. Apenas um doador sangue de primeira doação obteve resultado positivo no teste confirmatório, sendo 14 doadores de sangue de retorno com resultado positivo. Tiveram 13 (100%) doadores de sangue de retorno com resultado sorológico negativo e nenhum doador de sangue de primeira doação com resultado negativo. Tiveram 2 (100%) doadores de sangue de retorno com resultado sorológico indeterminado e nenhum doador de sangue de primeira doação com resultado indeterminado. O resultado dos doadores de sangue de primeira doação que não realizaram o exame para anti – HCV (teste confirmatório) foi de: 6 indivíduos (28,6%), o resultado foi maior nos doadores de retorno com o número 15 pessoas (71,4%). O total de doadores de sangue que são de retorno (86,3%) foi maior que os doadores de sangue de primeira doação (13,7%). Sendo assim o HCV está presente em maior porcentagem nos doadores de sangue de retorno que nos de primeira doação. (tabela 6) O resultado da distribuição da positividade para anti-HCV (resultado confirmatório), segundo a escolaridade entre os doadores de sangue na Unidade Hemoterápica do DF , de janeiro a junho de 2007, foi que muitos dos doadores de sangue analisados que tinham a escolaridade de ensino fundamental 7(39,0%) tinham resultado positivo, ensino médio 7(30,0%), e com curso superior 1(1,0%) teve resultado positivo. Segundo a escolaridade, os dados dos pré-doadores suspeitos com positividade para anti-HCV (resultado confirmatório) testados na Unidade Hemoterápica do DF, de janeiro a 58 junho de 2007 foi de um caso (6,6%) com curso superior positivo para hepatite C e 7 casos (46,7%) de ensino fundamental e superior respectivamente. O resultado negativo da sorologia para anti-HCV(teste confirmatório), foi maior em doadores com escolaridade de ensino médio representando 54% dos casos. Esta pesquisa mostrou que o HCV esteve presente com maior freqüência em doadores de sangue cuja escolaridade era de ensino médio e superior, ou seja, doador de sangue que tem alta escolaridade. Tabela 7-Distribuição da positividade para anti-HCV (Teste confirmatório), segundo a escolaridade entre os doadores de sangue em um Banco de Sangue do DF, de janeiro a junho de 2007. Teste confirmatório (2ªamostra) Positivo Negativo Total Não realizado Indeterminado n n n % n % % % n % Fundamental Escolaridade Total 7 46,7 3 23,1 1 50,0 7 33,4 18 35,3 Médio 7 46,7 7 54,0 0 - 9 42,8 23 45,1 Superior 1 6,6 3 23,1 1 50,0 5 23,8 10 19,6 15 100 13 100 2 100 21 100 51 100 Houve um (50,0%) doador de sangue do ensino fundamental e um doador (50,0%) doador de sangue com nível superior com resultado indeterminado para anti-HCV (resultado confirmatório), nenhum doador de sangue de ensino médio obteve resultado indeterminado. Um total de 21 doadores de sangue não realizaram anti-HCV (resultado confirmatório) sendo 9 pessoas (42,8%) com ensino médio, 7 (33,4%) com ensino fundamental e 5 pacientes (23,8%) com curso superior. Enfim a maior porcentagem de doadores de sangue que não realizaram o exame estava entre os doadores com escolaridade ensino fundamental e médio. 59 Embora não referido em tabela, merece menção a análise dos dados sobre os fatores de risco para Hepatite C (anexo 1), onde o resultado foi negativo em todas as questões respondidas pelos pré-doadores de sangue, uma vez que se houver pelo menos uma resposta positiva para essas questões o possível doador é considerado inapto na triagem clínica para a doação de sangue. Isso mostra que a ficha que o doador responde nem sempre condiz com a realidade, e foi extinta neste Banco de Sangue em outubro de 2007, sendo substituída pela entrevista com o Médico ou Enfermeiro. 60 CONCLUSÃO Diante os resultados encontrados conclui-se que a soroprevalência da infecção pelo VHC encontrada na unidade hemoterápica estudada, no período de janeiro a junho de 2007 foi de 0,2% no teste de triagem e de 0,06% no teste confirmatório entre os pré-doadores de sangue. Analisando os resultados sobre o perfil dos doadores de sangue suspeitos para hepatite C verificou-se que são adultos jovens, homens, solteiros, com ensino fundamental, com a média de idade de 33,37 anos, e que residiam em sua maioria fora do DF e dos que residiam no DF a maioria morava em Taguatinga. Foram doadores voluntários e que retornaram ao banco de sangue par fazer uma nova doação de sangue. Houve uma correlação positiva entre o aumento da idade e a porcentagem de indivíduos sorologicamente positivos para o HCV no teste confirmatório na faixa etária de 40 a 49 anos. Observou-se nesta pesquisa um elevado percentual de não retorno para confirmação por parte dos indivíduos que mostraram positividade no teste de triagem para hepatite C. Todas as 51 pessoas analisadas foram submetidas ao teste ELISA para a detecção do HCV no teste de triagem e apenas 30 fizeram o teste confirmatório (RIBA). Os resultados reforçam a necessidade de confirmação de todos os resultados reagentes nos testes de triagem sorológica para pesquisa de anticorpo anti-VHC, uma vez que a confirmação da infecção pelo VHC é de extrema importância para o acompanhamento clínico, laboratorial e histológico dos doadores de sangue. A triagem sorológica no hemocentro não confirma diagnóstico de hepatite C, servindo apenas para excluir bolsas potencialmente infectadas, assim doadores positivos deverão ser 61 encaminhados a vigilância epidemiológica para confirmação do diagnóstico e início do tratamento. Porém consideramos que bancos de sangue sejam locais que auxiliam no diagnóstico precoce da hepatite C. Ressalta-se que os valores reduzidos observados no teste de triagem e no teste confirmatório neste estudo, são indicativos da baixa circulação do vírus da hepatite C na população de doadores sangue da unidade hemoterápica estudada. Mais estudos deverão ser feitos para uma melhor análise da hepatite C em bancos de sangue. A enfermagem, por sua abrangência de atendimento e presença indispensável nas instituições de saúde como banco de sangue, permeia todos os momentos vivenciados e trabalhados do processo, desde a coleta e produção do sangue até a assistência direta ao doador de sangue positivo para o HCV. 62 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Ferreira C T. Themis reverbel da viral hepatitis: epidemiological and preventive aspects. São Paulo, Rev bras epidemiol v. 7 n. 4, 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br. Acesso em: 28 July 2007. Pré-publicação. 2. Focaccia Roberto. Tratado de Hepatites Virais. São Paulo: Editora Atheneu, 2007, p.221-229. 3.Alves J G, Coelho S M, editors. Sociedade de Gastroenterologia do Rio de Janeiro. Gastroenterologia Hepatites. Rio de Janeiro, 2001. 4. Ciorlia L A S, Zanetta D M T. Hepatitis c in health care professionals: prevalence and association with risk factors. Rev. Saúde pública. São Paulo, v. 41, n. 2, 2007. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo. 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Ministério da Saúde – Sistema Nacional de Vigilância em Saúde - Relatório de Situação DF, 2006. Disponível em: www.portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/caderno_df_2007.pdf 70 APÊNDICE A – Instrumento de Pesquisa ANEXO - A UCB – Universidade Católica de Brasília Curso de Enfermagem Título: Análise de Casos Suspeitos de Hepatite C em um Banco de Sangue do DF Autores: Adriana Nunes de Lucena e Michelle de Araújo Medeiros Orientadora: Maria do Socorro Nantua Evangelista. Instrumento de Pesquisa Dados Sociodemográficos 1.Idade: 1( )10-19 5( ) 50-59 2.Sexo1 M( ) 2( ) 20-29 6( ) 60-69 3( ) 30-39 4( )40-49 2 F( ) 3. Escolaridade: 1.( ) Fundamental 2.( ) Médio 3.( ) Superior 4.( ) Especialização 5.( ) Mestrado 6. ( ) Doutorado 4.Estado Civil: 1.Solteiro ( ) 2.Casado ( ) 3.Divorciado ( ) 4.Desquitado ( ) 5.viúvo( ) 6( ) divorciado 7( )separado judicialmente 8( )outros 5.Cidade de Residência: 1.( ) Samambaia, 2.( ) Ceilândia, 3.( )Taguatinga, 4( )Águas Claras, 5.( )Gama, 6.( )Sobradinho, 7.( ) Planaltina, 8.( ) Guará, 9.( ) Brazlândia, 10.( ) Brasília, 11.( ) Cruzeiro, 12.( ) Riacho Fundo 13.() Recanto das Emas 14. Santa Maria 15.() São sebastião 16( ) Candangolândia 17.( ) Nucleo Bandeirante 18.( ) Paranoá 19. ( )Outras localidades 6.Tipo de Doação: 1. ( )Voluntária 2.( )reposição 5.( )Convocado 6.( ) dirigida 7.Tipo de doador 1. ( )Primeira doação 3.( ) campanha 2.( ) retorno 4.( )Autóloga 71 8. Recebeu transfusão de sangue? 1. Sim ( ) 2. não( ) 9. Resultado sorológico 1ª amostra 1.ELISA Reagente ( ) 2. Não reagente ( ) 3.Indeterminado ( ) 4. Exame não realizado RIBA Reagente ( ) 5. Não reagente ( ) 6. Indeterminado ( ) 10. Resultado da Segunda amostra 1.ELISA Reagente ( ) 2. Não reagente ( ) 3.Indeterminado ( ) 4. Exame não realizado ( ) Situações de risco para o VHC. 11. Já fez algum teste para AIDS? 1.Sim ( ) 2. Não ( ) 12. Teve ou tem mais de um (a) parceiro (a) sexual nos últimos 12 meses? 1. Sim ( ) 2.Não ( ) 13. Teve ou tem relações sexuais com parceiro do mesmo sexo? 1.Sim ( ) 2.Não ( ) 14. Você ou seu parceiro(a) sexual usa ou já usou drogas ilícitas? 1.Sim ( ) 2. Não ( ) 15. Fez tatuagem, acupuntura ou colocou piercing nos últimos 12 meses? 1.Sim ( ) 2.Não ( ) 16. Seu parceiro (a) sexual já teve hepatite nos últimos 12 meses? 1.Sim ( ) 2.Não ( ) 17. Recebeu transfusão de sangue nos últimos 12 meses? 1.Sim ( ) 2.Não ( ) 18. Teve ou tem relações sexuais com pessoas suspeitas ou portadoras de AIDS? 1.Sim ( ) 2.Não ( ) 19. Esteve internado em Instituição Penal ou Policial, Recuperação de Drogados ou Hospital Psiquiátrico? 1.Sim ( ) 2. Não ( ) 20. Doenças Venéreas (Sífilis, Gonorréia, Cancro, Condiloma, Herpes Genital)? 1.Sim ( ) 2.Não ( ) 21. Teve Hepatite? 1.Sim ( ) 2.Não ( ) 72 APÊNDICE B - CRONOGRAMA AÇÕES Encaminhamento para o comitê de ética em Pesquisa da SES/DF Coleta de dados Banco de dados Análise dos dados Apresentação dos resultados Apresentação final out/07 nov/07 dez/07 Jan/08 73 ANEXO A- Planilha de Orçamento Pesquisa: Análise de Casos Suspeitos de Hepatite C em um Banco de Sangue do Distrito Federal” (1ºsemestre de 2007) Item 1. Custos (R$) Unitário Total Descrição Quantidade Fonte de Recursos Observações Orientador 1 32 1024 UCB A universidade remunera professores orientadores Aluna 1 0 0 0 Computador e impressora 1 2000,00 2000,00 UCB Caneta Resma de papel A4 5 2 0,50 12,00 2,50 24,00 Pesquisadora Pesquisadora Revisão de português 50 7,00 350,00 Pesquisadora Deslocamento, telefone 40 4,00 160,00 Pesquisadora 100 2055,50 3560,50 Pessoal da Pesquisa Pesquisador Principal Assistente Secretária Entrevistador(es) A própria pesquisa pesquisadora fará a 2. 3. Outros (especificar) Sujeitos Dispensação de drogas Visitas Clínicas Exames Laboratoriais (especificar) Exames Radiológicos (especificar) Outros (especificar) Material Permanente Informática (especificar) 4. 5. 6. 7. Laboratórios (especificar) Material de Consumo Escritório (especificar) Papelaria (especificar) Outros (especificar) Serviços de Terceiros (especificar) Consultoria Confecção de Material Outros Outras Despesas (viagem, eventos científicos, correios, fone/fax, etc... Total A universidade disponibiliza computadores e impressoras para os alunos. 74