23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
III-161 – AVALIAÇÃO QUANTITATIVA DOS RESÍDUOS SÓLIDOS DE
SERVIÇOS DE SAÚDE DE HOSPITAIS DE SÃO LUÍS/MA
Maria do Carmo Rodrigues Duarte(1)
Engª Civil – UEMA; Msc em Saúde e Ambiente – UFMA; Profª de 3º Grau – CEFET/MA.
Maria de Lourdes Pinheiro Coimbra
Engª Civil – UEMA; Licencianda em Construção Civil – CEFET/MA.
Santiago Sinézio Andrade Filho
Engº Eletricista – UFMA; Msc em Ciências da Computação – UFMA; Profº de Estatística Aplicada – CEST;
Profº de Computação – CEFET/MA.
Maria dos Remédios Freitas Carvalho Branco
Médica Infectologista; Msc em Saúde e Ambiente – UFMA; Profª de Doenças Infecciosas e Parasitárias UFMA.
Lúcio Antônio Alves de Macedo
Engº Civil e Sanitarista; Doutor em Saúde Pública – USP; Profº de Qualidade Ambiental no Mestrado em
Saúde e Ambiente – UFMA.
Endereço(1): Av. Newton Belo, 347 – Monte Castelo – São Luís - MA - CEP: 65035-430 - Brasil - Tel: (98)
3232-0214 - e-mail: [email protected] [email protected]
RESUMO
Os hospitais em São Luís ignoravam a quantidade total de resíduos sólidos gerados por seus setores,
presumiam a média de um dia, que para a Environmental Protection Agency (EPA) não expressa valores reais,
devido à sazonalidade e à variação do número de atendimentos de consultas e internações durante períodos
maiores. Todos estavam em fase de implantação do PGRSS (Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços
de Saúde) e nenhum tinha PRR (Programa de Reciclagem de Resíduos).
PALAVRAS-CHAVE: Resíduos Sólidos de Serviços de Saúde, Quantitativos de RSSS, Comparativos entre
Estabelecimentos de Saúde.
INTRODUÇÃO
Há milhares de anos que o homem vem gerando resíduos sólidos. Assim que apareceu no planeta Terra o
homem também sentiu a necessidade de consumir, inicialmente se agrupava de maneira informal e só se
alimentava do que a natureza oferecia. Mas à proporção que evoluiu também aumentou a geração dos resíduos
sólidos e estes não sendo mais dizimados pela natureza, foram provocando impactos ambientais, atingindo
profundamente a natureza e o homem moderno. As populações cresceram desordenadamente em torno de
interesses comuns. Embora esteticamente não estivessem visíveis para a sociedade, os resíduos sólidos vem
sendo descartados em diversas áreas, sem controle ambiental, gerando impactos para o meio ambiente. O
homem mudou seus hábitos e adotou para sua comodidade os fast-foods, o leite envasado em tetrapak, as
embalagens plásticas e outros produtos da era dos descartáveis que muito contribuem para o aumento do
volume dos resíduos sólidos.
Surgiram três classes de resíduos sólidos: o urbano, o industrial e o hospitalar. Os resíduos sólidos
hospitalares ou resíduos sólidos de serviços de saúde (RSS) são merecedores de maiores cuidados pelo risco
biológico que representam quando mal gerenciados. As pessoas que trabalham diretamente com os resíduos
infectantes (perfurocortantes e não perfurocortantes) têm mais probabilidade de se contaminarem na
manipulação dos mesmos. Os profissionais de saúde, especialmente, pessoal de enfermagem e de limpeza
(higienizadores) estão expostos a acidentes de trabalho (injúria provocada por objetos perfurocortantes).
No Brasil o êxodo rural provocou o inchamento urbano nas cidades industrializadas e/ou turísticas, onde as
pessoas advindas de cidades rurais buscavam uma vida melhor. A concentração populacional não
acompanhada de políticas públicas e de medidas sanitárias propiciou o surgimento dos lixões (disposição final
de resíduos sólidos a céu aberto) em muitos municípios brasileiros. Assim como não há disposição final
adequada dos resíduos sólidos em geral, não há também tratamento para os resíduos de serviços de saúde na
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maioria dos municípios do País. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2004, a
população do município de São Luís constituía-se de 959.124 habitantes, residindo em uma área territorial de
857 km2. Em agosto de 2003, a Prefeitura Municipal de São Luís assinou um termo de ajustamento de
conduta, não sendo mais responsável pela coleta, tratamento e disposição final dos resíduos infectantes.
Naquela ocasião havia uma empresa privada recentemente instalada na ilha de São Luís que fazia a
incineração dos resíduos infectantes. A partir de então, gradativamente a Prefeitura deixou de coletar os
resíduos infectantes.
As características dos resíduos sólidos são classificadas em: físicas, químicas e biológicas. As características
físicas são demonstradas através dos ensaios de composição gravimétrica; peso específico; teor de umidade;
compressividade ou grau de compactação e a produção per capita. As características químicas são
demonstradas através dos ensaios de poder calorífico; o potencial de hidrogênio (ph); relação
carbono/nitrogênio (C/N); teor de matéria orgânica e ainda outras características químicas em que são
estudados os teores de cinzas, nitrogênio, potássio, cálcio, fósforo, resíduo mineral total, resíduo mineral
solúvel e gorduras. As características biológicas são determinadas pela população microbiana presente nos
resíduos sólidos e estão relacionadas diretamente com os resíduos infectantes gerados pelos serviços de saúde,
os quais apresentam maior concentração de microrganismos.
Nos serviços de saúde, além dos resíduos infectantes, são gerados resíduos químicos, resíduos radiativos e
também resíduos comuns. O poder de contaminação dos microrganismos presentes nos resíduos infectantes é
maior, principalmente, quando misturados aos resíduos comuns, porque aumentam de volume e
conseqüentemente também aumentam o risco biológico. Os resíduos infectantes representam risco potencial
especialmente aos profissionais que manipulam os resíduos perfurocortantes, nas diversas etapas do
gerenciamento dos resíduos sólidos (segregação, acondicionamento, armazenamento e transporte).
O estado da arte do manejo dos RSS é importante pela manutenção da higiene dos estabelecimentos de saúde
e se caracteriza pelas seguintes etapas: segregação; acondicionamento; transporte interno; armazenamento
interno; armazenamento externo; transporte externo; tratamento e disposição final dos RSS. O momento da
segregação e acondicionamento dos resíduos infectantes perfurocortantes é muito importante, pois a
preservação da integridade física das pessoas que manipulam estes resíduos depende de como eles são
descartados e envasados. Os objetos perfurocortantes devem ser acondicionados em recipientes rígidos de
papelão e recobertos com o saco branco e leitoso com gravura do "símbolo universal de substância
infectante". Os resíduos químicos compostos por medicamentos e quimioterápicos já vencidos devem ser
devolvidos às indústrias, na própria embalagem de origem com o "símbolo universal de substância tóxica". Os
resíduos radioativos devem ser acondicionados em tanques revestidos de chumbo e barita, instalados nos
centros já citados e devem estampar em suas paredes externas o “símbolo universal de substância radioativa”.
Dentre as tecnologias utilizadas para o tratamento dos RSS temos: autoclave, microondas, incineração,
queimador elétrico e o plasma térmico. Os equipamentos de autoclave e microondas descontaminam os
resíduos infectantes, mas não alteram o volume destes. incineração, queimador elétrico e o plasma térmico
reduzem o volume dos RSS entre 70% a 100%, devido ao processo pelo qual os mesmos são queimados a
elevadas temperaturas, até serem reduzidos a cinzas e escórias. Existem outros equipamentos de tratamento de
resíduos infectantes menos utilizados, devido aos custos de instalação e manutenção: esterilização, tratamento
químico, ionização e lixiviação. A incineração é o método mais utilizado para tratamento dos resíduos
infectantes, devido ao menor custo e ao fato de redução do volume dos resíduos a cinzas e escórias.
O aterro sanitário é uma obra de engenharia sanitária cuja finalidade é encerrar os resíduos comuns e os
infectantes, oriundos das atividades humanas, eliminando as características de periculosidade dos mesmos. Na
sua área deve ter um espaço reservado com valas sépticas para os resíduos infectantes com risco biológico.
Encontram-se entre os geradores dos RSS os mais diferentes tipos, variando conforme a atividade e a
clientela, dentre eles: bancos de sangue; centros de imagem e diagnóstico; centros de pesquisas; clínicas
odontológicas; clínicas veterinárias; consultórios médicos; farmácias; hospitais; ambulatórios; atendimento de
urgência e internação; laboratórios; postos de saúde, entre outros. Conforme Resolução nº. 05/93 do
CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente), são classificados como RSS aqueles produzidos em
portos, aeroportos, terminais rodoviários e ferroviários, que são originados de materiais de higiene pessoal e
restos de alimentos, que podem albergar microrganismos provenientes de outras cidades, estados e países.
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A Resolução nº. 05/93 do CONAMA define o PGRSS como um documento necessário ao processo de
licenciamento ambiental baseado nos princípios da não geração de resíduos e na minimização da geração de
resíduos. O PGRSS deverá contemplar as quantidades e características dos resíduos gerados, classificação,
condições de segregação, acondicionamento, armazenamento temporário, transporte, tecnologias de
tratamento e formas de disposição final.
A reciclabilidade, por definição, é a capacidade de um determinado elemento retornar ao ciclo de origem; os
materiais biodegradáveis são também recicláveis por via natural, através da ação dos microrganismos que os
decompõem. Os resíduos recicláveis são todos os materiais que voltam ao ciclo produtivo através das
indústrias, que os transformam em insumos industriais para fabricação de novos materiais, poupando energia e
recursos naturais.
Os estabelecimentos de saúde devem, além do PGRSS, elaborar o PRR (Plano de Reciclagem de Resíduos),
visando com isso minimizar o desperdício e a utilização desnecessária dos recursos naturais. Porém, os
resíduos infectantes especiais decididamente não podem ser reciclados devido às suas características
patogênicas, devendo os mesmos ser eliminados em incineradores ou, no mínimo, permanecerem encerrados
em valas sépticas. Os resíduos radioativos têm um tempo extenso para perderem o efeito nocivo por
descaimento dos radioisótopos e não podem ser reciclados. Os resíduos comuns devem obedecer ao
princípio dos "3R" (reduzir, reutilizar e reciclar) e dentre os reutilizáveis e recicláveis encontram-se os
mesmos materiais dos resíduos domésticos: papelão, plástico, vidro, metal e matéria orgânica, entre outros.
Os plásticos são classificados em dois grupos: termoplásticos e termorrígidos, porém apenas os
termorrígidos são recicláveis. Para fabricar papel e papelão, são necessários três ingredientes: água, energia
e fibra de celulose. A fibra de celulose é obtida da madeira, do papel velho e até de trapos de roupas. No
Brasil é desmatada, por ano, uma área do tamanho do estado do Rio de Janeiro, devido a expansão agrícola.
Na reciclagem do papel e papelão, são minimizados os custos da água e da energia e não é adicionado à
pasta resultante da mistura do papel ou papelão com água o aditivo químico branqueador, evitando, assim,
os impactos ambientais e a retirada de recursos naturais.
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) possui onze as normas sobre resíduos sólidos, mas, por
se tratar de uma entidade particular, suas normas só dispõem de valor legal se forem contempladas por alguma
legislação. Também as diversas classificações de resíduos sólidos adotadas por entidades como a Organização
Mundial da Saúde (OMS), Environmental Protection Agency (EPA) e Centers for Disease Control and
Prevention (CDC) não são válidas para o Brasil.
As principais legislações que dispõem sobre o gerenciamento dos RSS são: Portaria nº. 53 do Ministério do
Interior, de 1º de março de 1979; Resolução CONAMA nº. 06, de 19 de setembro de 1991; Resolução
CONAMA nº. 05, de 05 de agosto de 1993; Resolução CONAMA nº. 283, de 12 de julho de 2001;
Resolução da Comissão Nacional de Energia Nuclear - CNEN – NE 6.05, 17 de dezembro de 1985 e
Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 306 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), de
07 de dezembro de 2004. No município de São Luís – MA, foi instituída a Lei nº 3.172, de 6 de novembro
de 1991.
A Norma Brasileira NBR 12.808 da ABNT classifica os resíduos sólidos em: classe A – resíduos infectantes;
classe B – resíduo especial e classe C – resíduo comum.
A Resolução nº 05/93 do CONAMA classifica os RSS em: grupo A – resíduos com risco biológico; grupo B –
resíduos com risco químico; grupo C – rejeitos radioativos e grupo D – resíduos comuns.
A RDC nº. 306/04 classifica os RSS em: grupo A – resíduos com risco biológico; grupo B – resíduos com
risco químico; grupo C – rejeitos radioativos; grupo D – resíduos comuns e grupo E – resíduos
perfurocortantes.
MATERIAIS E MÉTODOS
Os locais da pesquisa foram quatro hospitais do município de São Luís, da rede pública, privada ou
filantrópica, que preencheram os critérios de inclusão, conforme discriminados a seguir.
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Os critérios de inclusão foram: aceitação da pesquisa pela diretoria do hospital, serem conveniados ao SUS,
possuir mais de 70 leitos de internação, oferecer consultas ambulatoriais e /ou de urgência / emergência,
dispor de leitos em unidade de terapia intensiva, de centro cirúrgico e de laboratório de análises clínicas e
oferecer como recicláveis papelão e polímeros.
Os hospitais foram designados pelas letras A, B, C e D, possuíam um total de 172, 78, 73 e 149 leitos
respectivamente e a pesquisa aconteceu durante os períodos correspondentes: 5 a 19/12/2003, 6 a 20/01/2004,
24/01 a 7/02/2004 e 27/05 a 10/06/2004.
Este trabalho foi executado em duas etapas. Na 1ª etapa foram consultadas as mais diversas fontes
bibliográficas, visando à identificação de referências e parâmetros que pudessem situar o trabalho dentro da
realidade dos resíduos sólidos do município de São Luís – MA.
Na 2ª etapa da pesquisa, realizou-se pesagem dos resíduos nos hospitais pesquisados, utilizando-se para isso
uma balança de gancho com capacidade para 50 kg e divisões centesimais de 200 g. Preencheu-se uma
planilha de campo no local da pesagem dos recipientes com os seguintes itens: setores de origem do resíduo,
quantidade de recipientes, tipo de recipientes, peso do recipiente, horário da pesagem e classificação do RSS.
Solicitou-se da direção de cada hospital o peso dos resíduos reutilizáveis e recicláveis durante o período da
pesquisa (duas semanas).
O estudo piloto deste trabalho foi realizado no Hospital Dr. Carlos Macieira, onde os instrumentos foram
testados.
Variáveis levantadas:
Média Aritmética → x =Σn
n
onde Σn é o somatório do total de eventos e n é o número de eventos.
Taxa de geração de resíduos infectantes:
% = total de resíduos infectantes
total de resíduos hospitalares
Taxa de geração de resíduos químicos:
% = total de resíduos químicos
total de resíduos hospitalares
x 100
x 100
Para representar os quantitativos encontrados foram construídos gráficos de colunas (proporção entre as
classes de resíduos hospitalares).
RESULTADOS
Nos períodos da pesquisa, os hospitais estavam implantado o PGRSS (Plano de Gerenciamento de Resíduos
de Serviços de Saúde). O hospital C estava implantando o PGRSS, sob a coordenação de um setor de apoio da
diretoria. Os demais estavam implantando o PGRSS sob a coordenação da Comissão de Controle de Infecção
Hospitalar (CCIH). Nenhum hospital tinha PRR (Programa de Reciclagem de Resíduos).
Os quatro hospitais adotavam a classificação dos resíduos sólidos do CONAMA.
Foram excluídos os resíduos sólidos de construção e as lâmpadas fluorescentes e incandescentes por serem
oriundos de geração atípica, que poderiam distorcer os resultados.
As tabelas 1, 2, 3 e 4 sintetizam os dados coletados nas pesagens nos hospitais pesquisados.
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Tabela 1 – Peso dos resíduos sólidos do Hospital A, segundo a classificação
N/perfurocort. Perfurocort.
Resíduo
Resíduo comum
Dias*
(kg)
(kg)
infectante (kg)
(kg)
05
98,10
12,20
110,30
469,80
06
241,20
16,00
257,20
389,10
07
270,20
21,80
292,00
281,30
08
320,30
7,20
327,50
300,60
09
267,80
10,80
278,60
306,20
10
151,10
14,10
165,20
343,90
11
200,20
23,00
223,20
485,40
12
145,30
12,00
157,30
484,00
13
164,00
22,70
186,70
362,30
14
126,80
15,00
141,80
491,40
15
431,90
18,20
450,10
221,30
16
359,20
10,40
369,60
308,00
17
341,30
14,60
355,90
237,30
18
251,50
11,20
262,70
413,00
19
36,40
17,80
54,20
603,30
Total
3405,30
227,00
3632,30
5696,90
Média
227,02
15,13
242,15
379,79
Resíduo
químico (kg)
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
29,50
0,00
27,00
56,50
3,77
Total
(kg)
580,10
646,30
573,30
628,10
584,80
509,10
708,60
641,30
549,00
633,20
671,40
677,60
622,70
675,70
684,50
9385,70
625,71
N/perfurocort. : Resíduos infectantes não perfurocortantes
Perfurocort. : Resíduos infectantes perfurocortantes
Resíduos infectantes: não perfurocortantes + perfurocortantes
Resíduos comuns: não recicláveis + recicláveis
*Total de 15 dias: 5 a 19/12/2003
Tabela 2 – Peso dos resíduos sólidos do Hospital B, segundo a classificação
N/perfurocort. Perfurocort.
Resíduo
Resíduo comum
Dias*
(kg)
(kg)
infectante (kg)
(kg)
6
55,10
2,50
57,60
102,20
7
97,30
0,00
97,30
51,40
8
50,30
0,60
50,90
91,30
9
77,10
0,00
77,10
83,10
10
41,80
2,10
43,90
104,90
11
59,00
0,00
59,00
80,80
12
33,10
6,80
39,90
137,10
13
118,00
3,70
121,70
101,10
14
101,10
4,70
105,80
48,20
15
40,60
7,00
47,60
125,20
16
69,70
0,00
69,70
100,50
17
41,80
1,90
43,70
112,40
18
48,60
3,00
51,60
82,70
19
30,40
19,60
50,00
120,40
20
102,20
10,70
112,90
487,20
Tot
966,10
35,20
1028,70
1828,50
Média
64,41
4,17
68,58
121,90
Resíduo
químico (kg)
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
9,80
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
0,00
4,80
14,60
0,97
Total
(kg)
159,80
148,70
142,20
160,20
148,80
139,80
177,00
232,60
154,00
172,80
170,20
156,10
134,30
170,40
604,90
2871,80
191,45
N/perfurocort. : Resíduos infectantes não perfurocortantes
Perfurocort. : Resíduos infectantes perfurocortantes
Resíduos infectantes: não perfurocortantes + perfurocortantes
Resíduos comuns: não recicláveis + recicláveis
*Total de 15 dias: 6 a 20/1/2004
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Tabela 3 – Peso dos resíduos sólidos do Hospital C, segundo a classificação
N/perfurocort. Perfurocort.
Resíduo
Resíduo comum
Resíduo
Dias*
(kg)
(kg)
(kg)
infectante (kg)
químico (kg)
24
38,80
4,10
42,90
122,90
0,00
25
15,90
4,90
20,80
155,20
0,00
26
26,60
6,30
32,90
123,80
0,00
27
29,00
4,10
33,10
158,80
0,00
28
26,10
2,50
28,60
168,60
0,00
29
40,30
8,20
48,50
181,60
0,00
30
34,30
3,20
37,50
159,00
0,00
31
11,70
1,00
12,70
138,60
0,00
01
31,70
2,70
34,40
99,60
0,00
02
33,00
7,50
40,50
175,40
0,00
03
22,70
1,60
24,30
162,20
0,00
04
45,40
8,10
53,50
203,10
0,00
05
30,90
6,90
37,80
179,40
0,00
06
32,90
4,80
37,70
196,40
1,60
07
38,10
9,40
47,50
871,00
7,00
Total
457,40
75,30
532,70
3095,60
8,60
Média
30,49
5,02
35,51
206,37
0,57
Total
(kg)
165,80
176,00
156,70
191,90
197,20
230,10
196,50
151,30
134,00
215,90
186,50
256,60
217,20
235,70
925,50
3636,90
242,46
N/perfurocort. : Resíduos infectantes não perfurocortantes
Perfurocort. : Resíduos infectantes perfurocortantes
Resíduos infectantes = não perfurocortantes + perfurocortantes
Resíduos comuns: não recicláveis + recicláveis
*Total de 15 dias: 24/1 a 7/2/2004
Tabela 4 – Peso dos resíduos sólidos do Hospital D, segundo a classificação
N/perfurocort. Perfurocort.
Resíduo
Resíduo comum Resíduo químico
Dias*
(kg)
(kg)
(kg)
infectante (kg)
(kg)
27
198,30
21,90
220,20
364,50
0,00
28
153,20
15,30
168,50
372,20
0,00
29
124,10
14,40
138,50
370,70
0,00
30
117,00
13,80
130,80
378,90
0,00
31
134,40
14,90
149,30
375,90
0,00
1
140,70
10,50
151,20
411,70
0,00
2
61,20
11,80
73,00
462,90
0,00
3
142,80
20,60
163,40
392,80
0,00
4
56,50
17,70
74,20
509,40
0,00
5
72,90
12,00
84,90
423,00
0,00
6
114,20
15,30
129,50
374,30
0,00
7
67,70
13,60
81,30
468,10
0,00
8
45,20
23,20
68,40
553,90
0,00
9
33,00
12,10
45,10
492,30
0,00
10
45,20
13,90
59,10
670,90
56,50
Total
1506,40
231,00
1737,40
6621,50
56,50
Média
100,43
15,40
115,83
441,43
3,77
Total
(kg)
584,70
540,70
509,20
509,70
525,20
562,90
535,90
556,20
583,60
507,90
503,80
549,40
622,30
537,40
786,50
8415,40
561,03
N/perfurocort. : Resíduos infectantes não perfurocortantes
Perfurocort. : Resíduos infectantes perfurocortantes
Resíduos infectantes: não perfurocortantes + perfurocortantes
Resíduos comuns: não recicláveis + recicláveis
*Total de 15 dias: 27/5 a 10/6/2004
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A tabela 5 e o gráfico da figura 1 sintetizam todo o levantamento quantitativo dos RSS realizado nos hospitais
A, B, C e D.
Tabela 5 – Peso total e média diária do peso dos resíduos sólidos, taxa de resíduos infectantes, segundo
a classificação e o hospital
Hospital
A(1)
B(2)
C(3)
D(4)
Resíduo infectante (kg)
3632,30
1028,70
532,70
1737,40
%
39
36
15
21
Média do resíduo infectante (kg)
242,15
68,58
35,51
115,83
Resíduo comum (kg)
5696,90
1828,50
3095,60
6621,50
%
60
65
85
79
Média do resíduo comum (kg)
378,78
121,90
206,37
441,43
Resíduo químico (kg)
56,50
14,60
8,60
56,50
%
1
1
0
1
Média do resíduo químico (kg)
3,77
0,97
0,57
3,77
Total (kg)
9385,70
2871,80
3636,90
8415,40
(1) período: 5 a 19/12/2003
(2) período: 6 a 20/1/2004
(3) período: 24/1 a 7/2/2004
(4) período: 27/5 a 10/6/2004
Figura 1 – Gráfico da média diária do peso de resíduos sólidos, segundo a classificação e o hospital
450
400
350
300
250
Resíduo Infectante
Resíduo Comum
200
Resíduo Químico
150
100
50
0
Hospital A
Hospital B
Hospital C
Hospital D
O gráfico da figura 2 demonstra a proporção de resíduos perfurocortantes e não perfurocortantes por hospital.
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Figura 2 – Gráfico da média diária do peso de resíduos infectantes perfurocortantes e não
perfurocortantes, segundo o hospital
250,00
200,00
150,00
Não perfurocortante
Perfurocortante
100,00
50,00
0,00
Hosp.A Hosp.B Hosp.C Hosp.D
Hosp.: hospital
Resíduos segregados e encaminhados para reciclagem: todos os hospitais – papelão; hospitais A, C e D - os
frascos de desinfetante (PEAD) e as películas da radiologia (PVC); hospital B - frascos de refrigerante (PET),
frascos de soro, frascos de degermante, frascos de desinfetante, frascos de álcool (PEAD), sacolas e
embalagens de plástico (PEBD.
Figura 3 – Armazenamento temporário de papelão no Hospital D
A tabela 6 e os gráficos das figuras 4 e 5 demonstram os totais e médias dos quantitativos de resíduos
reutilizáveis e recicláveis gerados nos hospitais A, B, C e D.
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Tabela 6 – Peso de resíduos recicláveis e reutilizáveis, segundo o hospital
Papelão (kg)
PET (frascos de
refrigerante) (kg)
PEAD (frascos de
soro e degermante)
(kg)
PEAD (frascos de
desinfetante) (kg)
PEAD (frascos
de álcool) (kg)
PVC (películas da
radiologia) (kg)
PEBD (sacolas e
embalagens) (kg)
Total (kg)
Hospital A
Hospital B
Hospital C
Hospital D
Total
*311,00
*263,00
*373,50
*160,00
1107,50
-
*28,00
-
-
28,00
-
*18,10
-
*60,00
78,10
***15,00
*2,40
***3,00
***15,00
35,40
-
30,50
-
-
30,50
**12,00
***2,40
**4,00
**12,00
30,40
-
*35,60
-
-
35,60
338,00
380,00
380,50
247,00
Fonte: Dados cedidos pela *empresa coletora de recicláveis e pelos **hospitais A, C e D
*** Quantitativos pesados separadamente
PET – Polietileno Tereftalato
PEAD – Polietileno de Alta Densidade
PEBD – Polietileno de Baixa Densidade
PVC – Policloreto de Vinila
Figura 4 - Gráfico sobre a média do peso de resíduos recicláveis e reutilizáveis, segundo o hospital
400,00
350,00
300,00
250,00
200,00
150,00
100,00
50,00
0,00
Hos pital A
Hos pital B
Hos pital C
Hos pital D
Fonte: dados cedidos pelos hospitais pesquisados e empresas de reciclagem
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Figura 5 – Gráfico do peso total de resíduos recicláveis e reutilizáveis, segundo a categoria e o hospital
400,00
350,00
300,00
250,00
200,00
150,00
100,00
50,00
B
B
C
C
C
D
D
PEAD
(desinfetante)
PVC
(radiologia)
B
PEAD (soro)
B
Papelão
B
PEAD
(desinfetante)
PVC
(radiologia)
PEAD (álcool)
B
Papelão
PEAD
(desinfetante)
B
PVC
(radiologia)
PEAB
(embalagens)
PEAD (soro)
A
PET
(refrigerante)
A
Papelão
A
PEAD
(desinfetante)
PVC
(radiologia)
Papelão
0,00
D
D
Fonte: dados cedidos pelos hospitais pesquisados
A: hospital A
B: hospital B
C: hospital C
D: hospital D
CONCLUSÕES
Mesmo implantando o PGRSS no período de pesquisa, os hospitais pesquisados não classificavam os resíduos
no momento de sua geração.
Verificou-se que os hospitais A e D, apesar de possuírem características semelhantes (conveniados ao SUS,
hospitais de alta complexidade, com mais de 150 leitos), apresentaram diferenças bem significativas nas
quantidades de resíduos infectantes (tabela 5, figura 1), concluindo-se que no hospital D provavelmente houve
acondicionamento inadequado dos resíduos infectantes que foram acondicionados como resíduos comuns.
As tabelas 1, 2, 3, 4 e 5 apresentaram resultados contundentes devido aos fatos transcorridos enumerados
abaixo:
Todos os hospitais apresentaram falhas no acondicionamento dos resíduos. No hospital A e B existiam os
recipientes apropriados para o acondicionamento, mas, ocasionalmente, se via os higienizadores
acondicionando os resíduos comuns em sacos brancos leitosos, em desrespeito à NBR 9190. Em determinadas
ocasiões houve rompimento dos sacos pretos nos hospitais A e B, constatando-se que no seu interior havia
resíduos infectantes. Em outras ocasiões presenciamos o descarte de resíduos perfurocortantes em recipientes
impróprios, tipo saco plástico, em desrespeito à NBR 12809.
Em relação ao hospital C, devido ao excesso de material de expediente, um saco branco rompeu-se, o que nos
fez suspeitar que isto vinha acontecendo outras vezes, contribuindo para um volume maior de resíduos
infectantes, contrariando a NBR 9190 e a NBR 13055. No hospital D os resíduos da cozinha foram
encontrados diversas vezes acondicionados em sacos brancos leitosos.
As normas de preenchimento dos sacos até 2/3 de sua capacidade; amarradura da boca do saco com, pelo
menos, dois nós e uso de sacos duplos ou triplos para resíduos densos, não eram obedecidos nos hospitais A,
B e D, contrariando a NBR 12809.
Em nenhum dos quatro hospitais pesquisados existiam sala de resíduos. A coleta e o transporte interno até o
abrigo de resíduos no hospital C, não obedeciam a fluxo exclusivo, pré-estabelecido, em desrespeito às
especificações da NBR 12809.
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Todos os quatro hospitais faziam a separação de resíduos reutilizáveis e recicláveis, mas encontrou-se em
algumas ocasiões estes resíduos misturados aos resíduos comuns. Em outras palavras, havia falhas nesta
tentativa de minimização dos resíduos preconizada pela Resolução do CONAMA 283/01. Quando
comparamos os dados da tabela 6 e dos gráficos 4 e 5 com os dados das tabelas 1, 2, 3 e 4, verificamos que o
volume de reutilizáveis e recicláveis deveria ser bem maior. Os hospitais ainda não tinham um PRR
(Programa de Reciclagem de Resíduos) e muitos dos materiais plásticos e papeis eram acondicionados como
resíduo comum.
Concluiu-se que os quatro hospitais pesquisados não gerenciavam corretamente seus resíduos sólidos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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