AVALIAÇÃO EXTERNA DAS ESCOLAS
Relatório
Agrupamento de Escolas
de António Alves Amorim,
Lourosa
SANTA MARIA DA FEIRA
2013
2014
Área Territorial de Inspeção
do Norte
1 – I NTRODUÇÃO
A Lei n.º 31/2002, de 20 de dezembro, aprovou o sistema de avaliação dos estabelecimentos de educação
pré-escolar e dos ensinos básico e secundário, definindo orientações gerais para a autoavaliação e para a
avaliação externa. Neste âmbito, foi desenvolvido, desde 2006, um programa nacional de avaliação dos
jardins de infância e das escolas básicas e secundárias públicas, tendo-se cumprido o primeiro ciclo de
avaliação em junho de 2011.
A então Inspeção-Geral da Educação foi
incumbida de dar continuidade ao programa de
avaliação externa das escolas, na sequência da
proposta de modelo para um novo ciclo de
avaliação externa, apresentada pelo Grupo de
Trabalho (Despacho n.º 4150/2011, de 4 de
março). Assim, apoiando-se no modelo construído
e na experimentação realizada em doze escolas e
agrupamentos de escolas, a Inspeção-Geral da
Educação e Ciência (IGEC) está a desenvolver
esta atividade consignada como sua competência
no Decreto Regulamentar n.º 15/2012, de 27 de
janeiro.
ES C A LA D E AV AL I AÇ Ã O
Ní v e i s d e c l a s s i f i c a ç ã o d o s t r ê s d o m í n i o s
EXCELENTE – A ação da escola tem produzido um impacto
consistente e muito acima dos valores esperados na melhoria
das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos
respetivos percursos escolares. Os pontos fortes predominam
na totalidade dos campos em análise, em resultado de
práticas organizacionais consolidadas, generalizadas e
eficazes. A escola distingue-se pelas práticas exemplares em
campos relevantes.
MUITO BOM – A ação da escola tem produzido um impacto
consistente e acima dos valores esperados na melhoria das
aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos
percursos escolares. Os pontos fortes predominam na
totalidade dos campos em análise, em resultado de práticas
organizacionais generalizadas e eficazes.
O presente relatório expressa os resultados da
avaliação externa do Agrupamento de Escolas de
António Alves Amorim, Lourosa – Santa Maria
da Feira, realizada pela equipa de avaliação, na
sequência da visita efetuada entre 9 e 14 de
janeiro de 2014. As conclusões decorrem da
análise dos documentos fundamentais do
Agrupamento, em especial da sua autoavaliação,
dos indicadores de sucesso académico dos alunos,
das respostas aos questionários de satisfação da
comunidade e da realização de entrevistas.
BOM – A ação da escola tem produzido um impacto em linha
com os valores esperados na melhoria das aprendizagens e
dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos
escolares. A escola apresenta uma maioria de pontos fortes
nos campos em análise, em resultado de práticas
organizacionais eficazes.
SUFICIENTE – A ação da escola tem produzido um impacto
aquém dos valores esperados na melhoria das aprendizagens
e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos
escolares. As ações de aperfeiçoamento são pouco
consistentes ao longo do tempo e envolvem áreas limitadas
da escola.
Espera-se que o processo de avaliação externa
fomente e consolide a autoavaliação e resulte
numa oportunidade de melhoria para o
Agrupamento, constituindo este documento um
instrumento de reflexão e de debate. De facto, ao
identificar pontos fortes e áreas de melhoria,
este relatório oferece elementos para a
construção ou o aperfeiçoamento de planos de
ação para a melhoria e de desenvolvimento de
cada escola, em articulação com a administração
educativa e com a comunidade em que se insere.
INSUFICIENTE – A ação da escola tem produzido um impacto
muito aquém dos valores esperados na melhoria das
aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos
percursos escolares. Os pontos fracos sobrepõem-se aos
pontos fortes na generalidade dos campos em análise. A
escola não revela uma prática coerente, positiva e coesa.
A equipa de avaliação externa visitou a escola-sede do Agrupamento e as escolas básicas de Aldeia Nova e Sobral.
A equipa regista a atitude de empenhamento e de mobilização do Agrupamento, bem como a colaboração
demonstrada pelas pessoas com quem interagiu na preparação e no decurso da avaliação.
O relatório do Agrupamento apresentado no âmbito da
Avaliação Externa das Escolas 2013-2014 está disponível na página da IGEC.
Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, Lourosa – SANTA MARIA DA FEIRA
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2 – CARACTERIZAÇÃO DO A GRUPAMENTO
O Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, situado no concelho de Santa Maria da Feira, foi
constituído em 1999 e, atualmente, integra oito estabelecimentos de ensino: as escolas básicas de
Vergada (apenas com 1.º ciclo), de Casalmeão, de Igreja, de Aldeia Nova, de Fonte Seca, de Prime, de
Sobral (com educação pré-escolar e 1.º ciclo) e a de António Alves Amorim (com 2.º e 3.º ciclos), a escolasede. O Agrupamento, em novembro de 2013, celebrou um contrato de autonomia com o Ministério da
Educação e Ciência (2013-2014 a 2015-2016).
No presente ano letivo, a população escolar é constituída por 1529 alunos e crianças. Destes, 285 (12
grupos) frequentam a educação pré-escolar, 699 (31 turmas) o 1.º ciclo, 208 (oito turmas) o 2.º ciclo, 319
(14 turmas) o 3.º ciclo e 18 (uma turma) o curso vocacional do ensino básico. Do total dos alunos, 2% não
têm naturalidade portuguesa, 67% dispõem de computador e ligação à Internet em casa e 63% não
beneficiam de auxílios económicos no âmbito da ação social escolar.
A análise das habilitações literárias dos pais e encarregados de educação revela que a percentagem dos
pais dos alunos com formação superior é de 11% e com formação secundária e superior é de 26%. Quanto
à atividade laboral dos pais e encarregados de educação dos alunos, 21% são profissionais de nível
superior e intermédio.
O pessoal docente é constituído por 140 elementos, dos quais 76% são dos quadros. O pessoal não
docente é composto por 43 profissionais: uma psicóloga, uma chefe de serviços de administração escolar,
uma encarregada operacional, sete assistentes técnicos e 33 assistentes operacionais.
No ano letivo 2011-2012, de acordo com os dados disponibilizados pela Direção-Geral de Estatísticas da
Educação e Ciência, o Agrupamento, ao contrário do que se verificou no ano letivo 2010-2011,
apresentou variáveis de contexto desfavoráveis, quando comparados com os das escolas do mesmo grupo
de referência (cluster), em particular no que respeita à percentagem de alunos dos 4.º, 6.º e 9.º anos de
escolaridade que não beneficiaram dos auxílios económicos da ação social escolar e à média de
habilitações dos pais e das mães.
3 – A VALIAÇÃO POR DOMÍNIO
Considerando os campos de análise dos três domínios do quadro de referência da avaliação externa e
tendo por base as entrevistas e a análise documental e estatística realizada, a equipa de avaliação
formula as seguintes apreciações:
3.1 – R ESULTADOS
R ESULTADOS ACADÉMICOS
Na educação pré-escolar, desenvolve-se um processo de observação e de registo de evidências sobre as
aprendizagens realizadas pelas crianças e pelos grupos, tendo por referência as áreas de conteúdo das
orientações curriculares e os domínios previstos nas metas de aprendizagem. Esta informação,
materializada e sintetizada em fichas de registo de observação/avaliação trimestral, onde predominam
as menções de revela e de em aquisição, permite monitorizar as aprendizagens realizadas pelas crianças
e pelos grupos e os seus progressos.
No ano letivo 2011-2012, tomando como referência as escolas/agrupamentos com valores análogos nas
variáveis de contexto, a taxa de conclusão do 4.º ano e as percentagens de positivas nas provas de
aferição do 1.º ciclo, à semelhança do ano letivo anterior, ficaram acima dos valores esperados. Por sua
vez, no 2.º ciclo, a taxa de conclusão do 6.º ano situou-se em linha com o valor esperado e as
Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, Lourosa – SANTA MARIA DA FEIRA
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percentagens de positivas nas provas de avaliação externa ficaram acima dos referidos valores,
verificando-se uma melhoria dos resultados em relação a 2010-2011. Ao contrário, no 3.º ciclo, os
resultados em 2011-2012, globalmente, não melhoram em relação ao ano letivo anterior, tendo a
percentagem de positivas na prova final de Língua Portuguesa ficado em linha com o valor esperado e a
taxa de conclusão do 9.º ano e a percentagem de positivas na prova final de Matemática aquém desses
valores.
Os referidos resultados do Agrupamento, em 2010-2011 e 2011-2012, quando comparados com aqueles
das escolas do mesmo cluster, situaram-se, maioritariamente, próximos da mediana, podendo afirmar-se
que revelaram melhoria em 2011-2012. Neste ano letivo, apenas a taxa de conclusão do 6.º ano e a
percentagem de positivas na prova final de Matemática, do 3.º ciclo, ficaram aquém da mediana.
Não obstante as variáveis do contexto do Agrupamento, em 2011-2012, serem desfavoráveis, os
resultados observados estão, globalmente, em linha com os valores esperados e próximos da mediana.
Contudo, é evidente a possibilidade de melhoria dos resultados, designadamente no 3.º ciclo.
Apesar de não haver monitorização das taxas de transição e conclusão com sucesso a todas as
disciplinas, os resultados dos alunos são acompanhados pelos órgãos de direção, administração e gestão
e pelas estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, verificando-se, nos últimos três
anos letivos, uma taxa residual de abandono e desistência escolares.
O Agrupamento identifica, essencialmente, os fatores externos que determinam o insucesso que
apresenta, mas não foi evidente que seja levada a cabo uma reflexão aprofundada de forma a reconhecer
os fatores explicativos internos, designadamente ao nível das práticas de ensino, que possibilite o
delinear de estratégias eficazes de melhoria dos resultados em alguns anos de escolaridade.
R ESULTADOS SOCIAIS
A educação para a saúde, o desenvolvimento de uma consciência ecológica e a prevenção de
comportamentos de risco são áreas de intervenção educativa transversal a todas as escolas do
Agrupamento. Os projetos desenvolvidos e as atividades realizadas nestes domínios, muitas vezes em
articulação com entidades externas, estão largamente documentadas nos diversos planos de atividades
das turmas/grupos e do Agrupamento, são muito valorizadas pela comunidade educativa e concorrem
para a formação pessoal e social de crianças e alunos. A implementação da oferta complementar de
educação para a cidadania, com uma abordagem planeada desde a educação pré-escolar ao 3.º ciclo, é
uma opção coerente com os objetivos definidos pelo Agrupamento.
A participação das crianças e dos alunos na vida escolar, bem como a sua corresponsabilização nas
tomadas de decisão, concretiza-se, essencialmente, no âmbito do trabalho desenvolvido nos grupos e nas
turmas. Embora as assembleias de delegados de turma reúnam com regularidade e esteja prevista a
colaboração pontual dos alunos na equipa de autoavaliação, não foi superado totalmente o ponto fraco
identificado na anterior avaliação externa do Agrupamento, realizada em janeiro de 2009, continuando
a ser evidente a falta de envolvimento dos alunos na construção dos documentos de planeamento da
ação educativa e na procura de estratégias de superação de problemas identificados.
Na visita efetuada ao Agrupamento, a equipa de avaliação externa encontrou, no interior e no exterior
das salas de aula, um ambiente calmo e de boa convivência. No entanto, é assumido pela comunidade
educativa que, apesar da diminuição significativa da aplicação aos alunos da medida de sancionatória
de suspensão (de 44 no ano letivo 2010-2011 para 17 em 2012-2013), existem alunos com atitudes
inadequadas, em especial no 3.º ciclo.
As crianças e os alunos são envolvidos em alguns projetos de solidariedade social e os responsáveis
educativos estão atentos a dificuldades de integração na escola, no grupo ou na turma, sendo adotadas
estratégias eficazes para as minimizar.
Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, Lourosa – SANTA MARIA DA FEIRA
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Apesar de a perceção interna de que as aprendizagens proporcionadas têm um impacto positivo no
futuro dos alunos, não existe recolha de informação concreta sobre o seu percurso escolar ou
profissional, após terminarem a sua escolaridade no Agrupamento.
R ECONHECIMENTO DA COMUNIDADE
As respostas aos questionários aplicados no âmbito desta avaliação externa a elementos da comunidade
educativa evidenciam bons níveis de satisfação com o desempenho do Agrupamento. Os inquiridos, na
generalidade, afirmam gostar da sua escola, assumindo maior expressão a satisfação relativamente a
aspetos como a comunicação escola/família, a disponibilidade da direção e dos diretores de turma e a
capacidade dos professores em explicarem bem. Pelo contrário, os indicadores que revelam menor
satisfação são o funcionamento e a qualidade do refeitório, o conforto e a adequabilidade das instalações
da escola-sede e as questões relacionadas com o comportamento dos alunos.
O Agrupamento divulga o trabalho realizado nas mais variadas vertentes, designadamente através da
sua página na Internet e da publicação do jornal escolar O Rolhinhas, procurando incentivar alunos e
profissionais para a melhoria contínua. Por sua vez, a constituição dos quadros de excelência, de mérito e
de louvor, a realização de uma cerimónia para a entrega dos respetivos diplomas, bem como a
publicação periódica das tabelas TOP +, são também formas de valorizar e reconhecer publicamente o
sucesso dos resultados académicos e sociais dos alunos.
A abertura ao meio, a adesão a diversos projetos promovidos pelos parceiros locais e as atividades
desenvolvidas pelo Agrupamento, muitas com a participação ativa dos encarregados de educação e de
outros elementos da população local, contribuem para o desenvolvimento da comunidade envolvente.
Em conclusão, a ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na
melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O
Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas
organizacionais eficazes. Tais fundamentos justificam a atribuição da classificação de BOM no domínio
Resultados.
3.2 – P RESTAÇÃO DO SERVIÇO EDUCATIVO
P LANEAMENTO E ARTICULAÇÃO
A gestão articulada do currículo é assegurada pelas diversas estruturas de coordenação educativa e
supervisão pedagógica, através do planeamento de longo e médio prazo expresso nos planos de
atividades e de estudos, respetivamente, para a educação pré-escolar e para os diferentes ciclos do
ensino básico. No 1.º ciclo, este trabalho de planificação realiza-se, fundamentalmente, nas reuniões de
articulação pedagógica por ano de escolaridade e, nos 2.º e 3.º ciclos, é feito em sede de reunião dos
professores das mesmas disciplinas. Os projetos curriculares das disciplinas e os planos de trabalho das
turmas identificam temas e atividades passíveis de um trabalho interdisciplinar.
Verifica-se a existência de práticas consistentes de articulação entre a educação pré-escolar e o 1.º ciclo,
nomeadamente planeadas nas reuniões de docentes por escola, que asseguram que as crianças entram
no 1.º ciclo com as aprendizagens fundamentais para a continuidade do seu percurso educativo. Já a
articulação entre o 1.º e o 2.º ciclo é débil, muito centrada na passagem de informações sobre o percurso
escolar dos alunos, aquando da sua transição de ciclo e de escola. Regista-se, no entanto, a realização de
alguns projetos e atividades comuns ao Agrupamento, como o projeto de ensino experimental das
ciências, que pretendem reforçar esta articulação. Nos 2.º e 3.º ciclos, a partilha do mesmo espaço escolar
e o acompanhamento, sempre que possível, das turmas pelos mesmos professores facilitam a
Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, Lourosa – SANTA MARIA DA FEIRA
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sequencialidade das aprendizagens. Assim, pelo menos ao nível dos dois primeiros ciclos do ensino
básico, não foi ultrapassado o ponto fraco identificado na anterior avaliação externa, continuando a não
existir um trabalho cooperativo sistemático entre estes professores que facilite a transição entre ciclos e
contrarie a descida das taxas de sucesso que se verifica.
O plano anual de atividades, através de projetos que contam com a participação de parceiros educativos
locais, como os projetos Eco-Escolas e o Trilhos, promove uma crescente contextualização do currículo à
região e às características das diferentes turmas.
O percurso educativo e escolar das crianças e dos alunos, bem como os progressos e os resultados por
eles conseguidos, são analisados pelos docentes nas respetivas estruturas de coordenação educativa e
supervisão pedagógica, bem como no conselho pedagógico, e, a partir dessas análises, são
implementadas estratégias que procuram elevar a qualidade das aprendizagens. Para além destes
procedimentos, o trabalho colaborativo entre docentes é também percetível na planificação dos
conteúdos programáticos, nas atividades inscritas no plano anual e na produção e partilha de materiais
de apoio à atividade letiva e nos instrumentos de avaliação.
P RÁTICAS DE ENSINO
Não existem grandes evidências sobre práticas explícitas de diferenciação pedagógica em sala de aula,
capazes de adequar o ensino às capacidades e aos ritmos de aprendizagem dos alunos. As formas de
diferenciação pedagógica assentam, essencialmente, no maior ou menor apoio que é fornecido pelo
professor aos alunos ao longo da realização das atividades letivas. No que se refere à diferenciação no
domínio das práticas de avaliação, em algumas situações os instrumentos de avaliação são elaborados
com uma linguagem simplificada.
A adequação das respostas educativas às crianças e aos alunos com necessidades educativas especiais é
eficazmente concretizada em resultado da articulação dos docentes titulares de grupo ou das turmas
com os diretores de turma, o departamento de educação especial, a psicóloga escolar e os parceiros
educativos locais, designadamente da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira que providencia
apoio na terapia da fala, terapia ocupacional, serviços de psicologia e fisioterapia. Por sua vez, as
medidas mais genéricas de promoção do sucesso escolar situam-se, essencialmente, nos apoios
educativos a nível disciplinar, na sala de estudo, nas tutorias e na canalização dos alunos para os clubes
e projetos existentes. No 2.º ciclo, o apoio ao estudo encontra-se organizado por níveis de dificuldade, o
que permite rentabilizar os recursos educativos e o tempo dedicado às aprendizagens.
Para além da procura de respostas educativas para os alunos com necessidades educativas especiais ou
que revelem dificuldades de aprendizagem, o Agrupamento aposta na elevação das aprendizagens de
todos os alunos. Neste sentido, foi constituída, a título experimental, uma turma de diferenciação
positiva, no 7.º ano, da qual fazem parte os alunos pertencentes aos quadros de mérito e excelência, com
o objetivo de estimular e incentivar as aprendizagens destes alunos e, através de uma maior
homogeneização das restantes turmas de 7.º ano, contribuir também para a melhoria dos resultados de
todos os alunos.
Embora se promovam projetos no âmbito do ensino experimental das ciências, abrangendo todas as
escolas do Agrupamento, e os alunos refiram a realização de algumas experiências e trabalhos de
pesquisa individual e em grupo, a atual utilização de metodologias ativas e experimentais no ensino e
nas aprendizagens não se afigura capaz de alterar significativamente as dinâmicas de sala de aula,
tornando-as mais criativas e adequadas aos interesses dos alunos. Por sua vez, a valorização da
dimensão artística é feita através de projetos e concursos que apelam à criatividade dos alunos.
O Agrupamento criou equipas de supervisão pedagógica que fazem um acompanhamento indireto da
prática letiva e os docentes refletem, conjuntamente, sobre boas práticas e formas de tornar a ação
Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, Lourosa – SANTA MARIA DA FEIRA
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educativa mais eficaz. Contudo, continuam a não existir mecanismos de supervisão da prática letiva em
sala de aula, como forma de desenvolvimento profissional dos docentes, não tendo sido, portanto,
superado o ponto fraco identificado na anterior avaliação externa.
M ONITORIZAÇÃO E AVALIAÇÃO DO ENSINO E DAS APRENDIZAGENS
A avaliação dos progressos e das aprendizagens de crianças e alunos, nas suas diferentes modalidades,
guia-se por critérios discutidos no conselho pedagógico e nas estruturas de coordenação educativa e
supervisão pedagógica. Estes critérios são do conhecimento dos alunos e dos encarregados de educação.
A avaliação diagnóstica e a formativa são valorizadas, como fontes de informação reguladora do
processo de ensino e de aprendizagem, sendo realizadas de forma contínua. Os docentes utilizam
instrumentos de avaliação diversificados e a sua elaboração conjunta promove a aferição de graus de
exigência ao nível do Agrupamento.
A monitorização interna do desenvolvimento do currículo é concretizada nas estruturas intermédias e
nelas se pondera sobre os resultados escolares e sobre o trabalho pedagógico desenvolvido. Contudo,
apesar dos alunos que frequentam os clubes serem avaliados nesse âmbito e de essa apreciação ser tida
em conta na avaliação interna das aprendizagens, a avaliação da eficácia das medidas de promoção do
sucesso escolar implementadas nem sempre é feita.
A prevenção da desistência e do abandono escolar é uma opção que tem merecido a melhor atenção dos
docentes e para a qual têm conseguido congregar vontades de outros elementos da comunidade
educativa. A integração de alunos com percursos escolares problemáticos, mesmo vindo de outros
agrupamentos, levou à diversificação da oferta formativa, através da implementação de cursos de
educação e formação e, agora, da criação de um curso vocacional. A dinamização de clubes e de projetos
diferenciados tem conseguido, também, cativar os alunos para a vida escolar. A atuação do
Agrupamento, quanto à prevenção do abandono e da desistência escolares, tem construído respostas
eficazes para suster as situações de risco.
Em conclusão, a ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na
melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O
Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas
organizacionais eficazes o que justifica a atribuição da classificação de BOM no domínio Prestação do
Serviço Educativo.
3.3 – L IDERANÇA E GESTÃO
L IDERANÇA
A visão estratégica do Agrupamento encontra-se vertida no projeto educativo que terminou a sua
vigência no ano letivo 2012-2013. Neste documento, embora sem estarem hierarquizados, são definidos
objetivos e estratégias focados na promoção do sucesso académico, no desenvolvimento integral das
crianças e dos alunos, na participação ativa dos vários membros da comunidade educativa no processo
educativo e na formação dos profissionais. As metas estabelecidas para cada um dos objetivos
enunciados, pela falta de clareza da formulação de algumas delas, nem sempre permitem a sua
monitorização. No âmbito do contrato de autonomia assinado com o Ministério da Educação e Ciência, o
Agrupamento comprometeu-se a desenvolver um plano de ação estratégico calendarizado.
Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, Lourosa – SANTA MARIA DA FEIRA
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O plano anual de atividades é um documento que apresenta um conjunto de ações e projetos que,
efetivamente, operacionalizam a estratégia definida no projeto educativo, mostrando coerência entre si e
criando oportunidades de formação para os vários elementos da comunidade escolar.
A atuação da diretora pauta-se pela disponibilidade para ouvir a comunidade educativa, encontrando
soluções para os problemas que surgem, o que contribui para a motivação da generalidade dos atores
educativos. Os diversos responsáveis escolares revelam conhecer as suas competências, embora as
assumam com um empenhamento diferenciado, impulsionam o trabalho cooperativo entre pares e
fomentam o bom relacionamento interpessoal entre os diversos profissionais.
A relação com as autarquias é muito proveitosa no que diz respeito à análise de problemas e à sua
resolução, designadamente na disponibilização de equipamentos e no desenvolvimento de projetos que
beneficiam a dinâmica pedagógica do Agrupamento. São, também, estabelecidas ligações profícuas com
diversas entidades locais, públicas e privadas, que favorecem o incremento de iniciativas e facilitam a
formação profissional e vocacional dos alunos. Por sua vez, é crescente a participação dos pais e
encarregados de educação na vida escolar. Todos estes fatores têm um impacto positivo nas
aprendizagens dos alunos e na sua mobilização para a melhoria contínua.
G ESTÃO
A gestão dos recursos materiais e humanos é feita, criteriosamente, tendo em atenção as necessidades
educativas e de funcionamento do Agrupamento, o perfil pessoal dos profissionais e as suas
competências específicas, com vista a um desempenho eficiente e à satisfação dos envolvidos. No que se
refere ao pessoal docente, o princípio da continuidade pedagógica é respeitado, dando prioridade à
atribuição do cargo de direção de turma e à lecionação de turmas com características particulares (p.
ex., a turma de diferenciação positiva do 7.º ano e a turma do curso vocacional).
Verifica-se a existência de princípios orientadores e de critérios explícitos relativamente à constituição
de turmas, designadamente dos 2.º e 3.º ciclos, e à elaboração dos horários das crianças e dos alunos.
Estes critérios encontram-se formalizados em documentos próprios e são aplicados com a necessária
flexibilidade.
Decorrente da avaliação de desempenho dos profissionais e da sua auscultação, são identificadas
necessidades de formação contínua, tendo o plano anual de atividades contemplado um conjunto de
iniciativas formativas para o pessoal docente. O plano de formação 2013-2014 do Agrupamento inclui os
não docentes.
A informação e a comunicação interna e externa circulam com eficácia relativa, não existindo uma
estratégia de divulgação dos documentos estruturantes na comunidade educativa, com exceção do
regulamento interno. Os pais e encarregados de educação são informados sobre o percurso escolar dos
seus filhos e educandos e são incentivados a apoiar as aprendizagens dos mesmos.
A UTOAVALIAÇÃO E MELHORIA
A anterior avaliação externa do Agrupamento considerou não existir uma autoavaliação que suportasse
a implementação e a avaliação de planos de melhoria.
Neste momento, o Agrupamento dispõe de uma equipa de autoavaliação constituída por um docente de
cada nível ou ciclo de ensino e um professor da educação especial. Colaboram com esta equipa uma
representante da diretora, dos alunos, dos assistentes operacionais e dos pais e encarregados de
educação.
Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, Lourosa – SANTA MARIA DA FEIRA
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Apesar de ter elaborado um relatório muito genérico sobre a concretização do projeto educativo, o
trabalho da referida equipa está orientado, essencialmente, para a análise dos resultados escolares nos
últimos quatro anos e suporta-se em informação pertinente e bem trabalhada. No relatório apresentado em
2012-2013, é realizado um estudo sobre o impacto, na diminuição do sucesso na transição do 1.º para o 2.º
ciclo, da não continuação dos alunos das escolas básicas de Prime e Sobral no Agrupamento. A informação
trabalhada, embora seja divulgada nos órgãos de direção, administração e gestão e nas estruturas de
coordenação educativa e supervisão pedagógica, só debilmente parece ter influência na definição de
estratégias mobilizadoras e na reorganização escolar.
O Agrupamento produz informação de cariz autoavaliativo, designadamente elaborada pelos responsáveis
das estruturas de coordenação educativa e supervisão pedagógica, bem como das atividades e projetos
implementados. Contudo, não é evidente que esta informação seja intencionalmente aproveitada para a
melhoria das práticas profissionais e da prestação do serviço educativo, bem como para o aumento do sucesso
escolar.
As práticas de avaliação interna implementadas ainda apresentam limitações em termos de abrangência,
consistência e sistematicidade que dificultam a estruturação e implementação de planos de melhoria
sustentados. Assim, o ponto fraco identificado na anterior avaliação externa do Agrupamento não foi
superado.
Em conclusão, a ação do Agrupamento tem produzido um impacto em linha com os valores esperados na
melhoria das aprendizagens e dos resultados dos alunos e nos respetivos percursos escolares. O
Agrupamento apresenta uma maioria de pontos fortes nos campos em análise, em resultado de práticas
organizacionais eficazes. Tais fundamentos justificam a atribuição da classificação de BOM no domínio
Liderança e Gestão.
4 – P ONTOS FORTES E ÁREAS DE MELHORIA
A equipa de avaliação realça os seguintes pontos fortes no desempenho do Agrupamento:

O trabalho desenvolvido no âmbito da educação para a saúde, do desenvolvimento da
consciência ecológica e da prevenção de comportamentos de risco que concorre para a formação
pessoal e social de crianças e alunos;

A articulação entre os diversos profissionais do Agrupamento e destes com parceiros educativos
locais para responder às especificidades das crianças e dos alunos com necessidades educativas
especiais;

A diversificação da oferta educativa e formativa, bem como a dinamização de clubes e projetos
diferenciados, com resultados positivos na integração escolar dos alunos e na prevenção da
desistência e do abandono escolares;

A relação com as entidades públicas e privadas locais, bem como a crescente intervenção dos
encarregados de educação na vida escolar, com impacto positivo nas aprendizagens dos alunos e
na sua mobilização para a melhoria contínua;

A gestão criteriosa dos recursos materiais e humanos com vista a um desempenho eficiente e à
satisfação dos envolvidos.
Agrupamento de Escolas de António Alves Amorim, Lourosa – SANTA MARIA DA FEIRA
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A equipa de avaliação entende que as áreas onde o Agrupamento deve incidir prioritariamente os seus
esforços para a melhoria são as seguintes:

A identificação dos fatores explicativos internos, designadamente ao nível das práticas de
ensino, que possibilite o delinear de estratégias eficazes de melhoria dos resultados em alguns
anos de escolaridade;

A gestão articulada do currículo, designadamente entre o 1.º e o 2.º ciclo, de modo a facilitar a
transição entre estas etapas educativas e contrariar a descida das taxas sucesso que se verifica;

A implementação de mecanismos de supervisão da prática letiva em sala de aula, como forma
de desenvolvimento profissional dos docentes;

A abrangência, a consistência e a sistematicidade das práticas de autoavaliação implementadas,
com vista à estruturação e implementação de planos de melhoria mais sustentados.
01-04-2014
A Equipa de Avaliação Externa: Jorge Silva Teixeira Mota, Maria Ilídia de Meireles Cabral da Rocha
Vieira e Vítor Manuel Ventura Cardoso Rosa
Concordo. À consideração do Senhor
Secretário de Estado do Ensino e da
Administração Escolar, para homologação.
Homologo.
O Secretário de Estado do Ensino e da
Administração Escolar
A Subinspetora-Geral da Educação e Ciência
João
Casanova de
Almeida
signed by Maria Leonor
Maria Leonor Digitally
Venâncio Estevens Duarte
DN: c=PT, o=Ministério da Educação e
Ciência, ou=Inspeção-Geral da
Venâncio
Educação e Ciência, cn=Maria Leonor
Estevens Duarte
Estevens Duarte Venâncio
Date: 2014.05.02 15:24:48 +01'00'
Assinado de forma digital por João
Casanova de Almeida
DN: c=PT, o=Ministério da Educação
e Ciência, ou=Gabinete do
Secretário de Estado do Ensino e da
Administração Escolar, cn=João
Casanova de Almeida
Dados: 2014.05.06 11:13:55 +01'00'
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