Keystone Marcos Souza Aranha COACHING SÓ QUEM NÃO É BOBO ACHA QUE VAI PRECISAR DISTO 36 R EE VV I I SS TT AA R DD AA EE SS PP MM –– JJ UU LL H H O O / AA GG OO SS TT OO DD EE 22 00 0 3 SÓ QUEM NÃO É BOBO ACHA QUE VAI PRECISAR DISTO D esde que o Homem é Homem ele aprendeu que o Livre Arbítrio é um ato divino e que as decisões fazem parte de sua vida diária. Ele aprendeu também que até a indecisão já é um ato de decisão em si. Mas à medida que ele foi vivendo cada vez mais em grupos, e suas decisões passaram a envolver e impactar não apenas sua própria vida, mas também a de outros, o simples ato foi se tornando um pouquinho mais complexo, um ato de responsabilidade social. “Tomar decisões que envolvem outros é, antes de nada, um ato de responsabilidade social.” Há milênios nascia a necessidade do coaching. Ou seja, a necessidade de ter uma visão ampliada do presente, para tomar decisões de ações que impactarão o futuro. Digo isso, pois o Coach é a pessoa que deve ajudar as pessoas a atingirem seus objetivos através daquilo que elas têm de melhor. Para isso, ele deve ter mais que uma boa intenção, uma boa formação e uma rica experiência de vida. Na antigüidade, muitos líderes procuravam pessoas internas e externas a seus interesses, visando conhecer pontos de vista e questionamentos diferentes dos seus. A figura mais facilmente reconhecida na História é o “bobo da corte”. Muitos acreditam que ele era um palhaço que fazia o rei rir. Na verdade, o bobo da corte era o único personagem, de toda a corte, autorizado pelo rei a falar todas as coisas que ele quisesse, ou seja, a sua própria verdade, não a do rei, nem de seus cortesãos.O bobo da corte conseguia reunir talentos que poucas pessoas conseguem reunir. “O bobo da corte era um excelente Coach, e o rei sabia que precisava de coaching.” Faça você mesmo uma avaliação dos talentos exigidos para ser o Bobo e tire suas próprias conclusões. 1) 2) Ele tinha uma grande facilidade de relacionar-se para poder transitar em todas as “tribos”, dentro e fora da corte, verticalmente e horizontalmente. Era um “insider” e tinha informações e pontos de vista numa visão de praticamente 360 graus. As pessoas confiavam nele, pois sabiam que ele saberia fazer da informação algo que traria resultados. 3) 4) Ele era um ótimo ouvinte e um excelente “questionador”, fazendo perguntas e mais perguntas. Tinha uma boa capacidade de análise e síntese para reunir todas as informações e preparar um “relatório” com análise das informações e síntese das ações futuras. 5) O bobo era muito criat i vo . E ra u m b o m r e d a t o r, u m b o m diretor de arte, pois tinha que criar imagens e textos que descrevessem o que o rei não podia ver nem ouvir. Tudo de uma maneira divertida, relevante e persuasiva. 6) Era um ótimo apresentador e vendedor. Ele conhecia seu público, sabia o que queria vender antes de atuar, ensaiava incansavelmente seu texto, preparava a roupa, conhecia o local, e tinha jogo de cintura para fazer adaptações de última hora. Poderíamos continuar aqui falando de muitos outros talentos para ser um Bobo, tais como conhecer aspectos de administração, finanças etc., mas prefiro dizer que, se por um lado ele era um generalista, por outro era um especialista. Um grande especialista da arte de conhecer o Ser Humano, suas necessidades, desejos e medos. Esse paralelo entre o Coach dos dias de hoje e o bobo da corte se faz necessário, pois muitos dos talentos de antes são muito necessários hoje. Como a palavra coaching se tornou um genérico, principalmente no Brasil, e diferentes tipos de profissionais estão fazendo uso dela, é importante separar uma profissão da outra, assim como se faz no mercado de comunicação. No mercado de comunicação, por exemplo, todos têm claro áreas de competência. O profissional de comunicação de massa que se atreve a fazer marketing direto termina muitas vezes fazendo algo até legal, mas na maioria das vezes termina vendo sua boa intenção virar um gasto e não um investimento de comunicação. No mercado de coaching ocorre o mesmo; existem profissionais que confundem terapia, aconselhamento profissional, counseling e mentoring com coaching. y w 37 J J UU LL HH OO // AA GG OO SS TT OO DD EE 22 00 00 33 –– R RE EV VI IS ST TA A D DA A E E S S P P MM Marcos Souza Aranha No processo de coaching podemos até recomendar ao cliente um terapeuta, um conselheiro profissional ou um mentor, se for o caso. Mas o Coach que é Coach não é nada disso; ele tem claro seus limites e sabe conter sua boa intenção quando sua formação não permite que seu cliente avance para atingir os objetivos desejados. “O inferno está cheio de gente bem intencionada que tentou ajudar onde não tinha competência.” COMO RECONHECER UM BOM COACH? você. Durante o encontro, note se ele sabe te ouvir, se faz perguntas que você jamais se fez, se ele está no presente ou se vive de conhecimentos passados dele mesmo, não seus. Tenha claro o que você necessita para si – suas expectativas, objetivos etc. Assim, evitará cair na armadilha daqueles coaches que dizem que sabem o que você está precisando. QUINTA E ÚLTIMA: o coach tem que transmitir segurança, confiança, abertura e empatia. Tendo suas necessidades mais claras… PRIMEIRA DICA: Se você se lembrar de pelo menos três dessas dicas, terá tido boa chance de ter feito uma boa escolha. se ela for da área profissional, separe o técnico do estratégico. SEGUNDA DICA: separe o que é relacionado com treinamento do que é com desenvolvimento (assim entendemos: SERÁ QUE VOCÊ PRECISA DE COACHING? Treinamento = obter novas informações/conhecimentos + aprender novas habilidades para aplicá-las + estabelecer regras/políticas para usá-las Você pode estar se perguntando se precisa ou não de coaching. Se você consegue ver sua própria nuca sem espelhos, você não precisa de coaching, caso contrário, repense sua decisão. Desenvolvimento = usar a experiência de vida individual e única para transformar as informações/conhecimentos + definir seus próprios valores que serão levados em consideração na aplicação das habilidades + os princípios pessoais que traçarão as regras/políticas). Na verdade, todos nós precisamos de coaching em certos momentos, principalmente naqueles em que desejamos ver o mundo com outras lentes, além de nossas próprias e os circuitos internos já conhecidos. Keystone TERCEIRA DICA: converse com os candidatos a fazer seu coaching. Conheça a formação deles, seus talentos, seu know-how, suas experiências de vida. Note se ele trata os assuntos profissionais como quem já os vivenciou ou como alguém que apenas os estudou. Se fizermos um paralelo com uma marca, ela deve saber quem é – conhecer seus atributos, benefícios, valores, personalidade, proposta única de venda e sua essência. Uma vez definida quem é a marca, faz-se um plano de negócios para ela: onde está – onde quer estar –, como chegará lá. Nós também temos as mesmas n e c e s s i d a d e s . To d o s s o m o s nossa própria marca, todos necessitamos do nosso próprio “business plan”. QUARTA DICA: uma das coisas principais na escolha de um bom coach: note se ele está genuinamente interessado em 38 R EE VV I I SS TT AA R DD AA EE SS PP MM –– JJ UU LL H H O O / AA GG OO SS TT OO DD EE 22 00 0 3 SÓ QUEM NÃO É BOBO ACHA QUE VAI PRECISAR DISTO Como podemos conhecer melhor nossa marca pessoal sem o auto-conhecimento, sem planejá-la cuidadosamente? Impossível, já notou isso? Durante o processo de coaching você poderá ver novas coisas sobre si, que trarão à luz quem você é, onde está, onde quer chegar, e os caminhos para se chegar lá. Obviamente, estamos falando de um caminho de coaching onde o foco é o Desenvolvimento. Se o enfoque do coaching for o de treinamento, você terá algo mais pontual para solucionar, algo relacionado a este know-how que busca. Também, há um outro tipo de coaching, que a cada dia se torna mais e mais importante para executivos de nível alto, e talentos potenciais. É o coaching de prioridades de curto prazo, com foco em decisões estratégicas semanais. O mercado americano, canadense e europeu usa e abusa do Coaching, profissional e pessoal, tanto de treinamento como de desenvolvimento. Os orientais também usam, mas, como faz parte da cultura milenar a transmissão oral dos conhecimentos e sabedoria, o coaching fica mais restrito a questões de treinamento, com tendência à parte técnica. No Brasil, há uma miscelânea de usos, pois, embora existam muitos profissionais, o coaching muitas vezes é confundido com a imagem de Coach de baseball – treinador/ técnico, ou com a imagem de aconselhamento profissional – a psicóloga vocacional. Assim, muitas vezes ele acaba sendo usado como algo para aprender técni- ca e competências, ou para “encontrar” caminhos profissionais. Apesar de o coaching ser tão antigo na história da humanidade, notamos que agora no Brasil ele está crescendo dentro e fora das empresas. Questões como a responsabilidade social das empresas, a crescente e incessante demanda por resultados cada vez maiores, a grande insatisfação pessoal e profissional com as decisões do dia-adia, ele está mais em evidência. É comum profissionais, em cargos importantes, saberem que necessitam de ajuda, mas muitos têm vergonha de pedi-la dentro da própria empresa, ou não querem confiar apenas em seus colaboradores. Aí, um coach é um grande aliado, não uma terapia, nem um aconselhamento. “ONDE ENCONTRAR BONS PROFISSIONAIS E METODOLOGIAS APROPRIADAS” Volte às suas necessidades e verifique se deseja algo mais na área de desenvolvimento – marca pessoal e plano pessoal e profissional; ou na de treinamento específico ou competência técnica; ou ainda algo para suporte estratégico de curto prazo. Ao contactar os profissionais que poderão fazer seu coaching, pergunte qual é a metodologia que ele irá utilizar. Certifique-se de que ele tem um roteiro claro a seguir em termos de conteúdo e prazo. A partir disso, você pode procurar saber qual é o melhor lugar para fazer seu coaching – via Internet, por telefone, no escritório do coach, no seu próprio escritório, num local público. Tomadas essas decisões, procure não conversar com profissionais de sua área, amigos, RH, que já tenham feito ou conheçam coaches para indicá-lo. Se você tem um headhunter de confiança, pergunte a ele. Muitas empresas de hunting têm coaches dentro do seu próprio negócio ou terceirizado. Se você vive longe de São Paulo e Rio de Janeiro, a Internet tem muitas opções interessantíssimas (veja nos buscadores: www.yahoo.com.br e www.cade.com.br. Escolha pelo menos duas empresas para entrevistar. Lembre-se de que a excelência começa por você. Decida-se sobre para que, quando, como, onde, com quem fazer coaching. Escolha um Bobo e divirta-se até atingir seus objetivos. Com bom humor, alegria, compromisso, responsabilidades e equilíbrio, se chega ao destino aproveitando-se z a jornada.x AUTO R • MARCOS SOUZA ARANHA Economista, publicitário, empresário e Coach. Trabalhou na Leo Burnett no Brasil e no exterior, na Ogilvy & Mather, BBDO USA. Fundou e presidiu o portal da Internet O Site, que foi um dos raros a abrir seu capital na Nasdaq, e atualmente é sócio da OW4Y Consulting, empresa de consultoria na área de desenvolvimento humano www.ow4y.com 39 J J UU LL HH OO // AA GG OO SS TT OO DD EE 22 00 00 33 –– R RE EV VI IS ST TA A D DA A E E S S P P MM