Keystone
Marcos Souza Aranha
COACHING
SÓ QUEM NÃO É BOBO ACHA
QUE VAI PRECISAR DISTO
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SÓ QUEM NÃO É BOBO ACHA QUE VAI PRECISAR DISTO
D
esde que o Homem é Homem ele
aprendeu que o Livre Arbítrio é um
ato divino e que as decisões fazem
parte de sua vida diária. Ele aprendeu também que até a indecisão já
é um ato de decisão em si. Mas à
medida que ele foi vivendo cada
vez mais em grupos, e suas decisões passaram a envolver e
impactar não apenas sua própria
vida, mas também a de outros, o
simples ato foi se tornando um
pouquinho mais complexo, um ato
de responsabilidade social.
“Tomar decisões que envolvem
outros é, antes de nada, um ato de
responsabilidade social.”
Há milênios nascia a necessidade
do coaching. Ou seja, a necessidade de ter uma visão ampliada do
presente, para tomar decisões de
ações que impactarão o futuro.
Digo isso, pois o Coach é a pessoa
que deve ajudar as pessoas a atingirem seus objetivos através daquilo
que elas têm de melhor. Para isso,
ele deve ter mais que uma boa intenção, uma boa formação e uma
rica experiência de vida.
Na antigüidade, muitos líderes procuravam pessoas internas e externas
a seus interesses, visando conhecer
pontos de vista e questionamentos
diferentes dos seus. A figura mais
facilmente reconhecida na História
é o “bobo da corte”.
Muitos acreditam que ele era um
palhaço que fazia o rei rir. Na
verdade, o bobo da corte era o
único personagem, de toda a corte, autorizado pelo rei a falar todas as coisas que ele quisesse, ou
seja, a sua própria verdade, não a
do rei, nem de seus cortesãos.O
bobo da corte conseguia reunir
talentos que poucas pessoas conseguem reunir.
“O bobo da corte era um excelente Coach, e o rei sabia que precisava de coaching.”
Faça você mesmo uma avaliação
dos talentos exigidos para ser o
Bobo e tire suas próprias conclusões.
1)
2)
Ele tinha uma grande
facilidade de relacionar-se para poder
transitar em todas as
“tribos”, dentro e fora da corte,
verticalmente e horizontalmente.
Era um “insider” e tinha informações e
pontos de vista numa
visão de praticamente 360 graus. As pessoas confiavam nele, pois sabiam que ele
saberia fazer da informação algo
que traria resultados.
3)
4)
Ele era um ótimo ouvinte e um excelente
“questionador”, fazendo perguntas e
mais perguntas.
Tinha uma boa capacidade de análise e
síntese para reunir
todas as informações
e preparar um “relatório” com
análise das informações e síntese
das ações futuras.
5)
O bobo era muito criat i vo . E ra u m b o m
r e d a t o r, u m b o m
diretor de arte, pois
tinha que criar imagens e textos que
descrevessem o que o rei não podia
ver nem ouvir. Tudo de uma maneira divertida, relevante e persuasiva.
6)
Era um ótimo apresentador e vendedor. Ele
conhecia seu público,
sabia o que queria vender antes de atuar, ensaiava incansavelmente seu texto, preparava a
roupa, conhecia o local, e tinha
jogo de cintura para fazer
adaptações de última hora.
Poderíamos continuar aqui falando
de muitos outros talentos para ser
um Bobo, tais como conhecer aspectos de administração, finanças
etc., mas prefiro dizer que, se por
um lado ele era um generalista, por
outro era um especialista. Um
grande especialista da arte de conhecer o Ser Humano, suas necessidades, desejos e medos.
Esse paralelo entre o Coach dos
dias de hoje e o bobo da corte se
faz necessário, pois muitos dos talentos de antes são muito necessários hoje.
Como a palavra coaching se tornou um genérico, principalmente no Brasil, e diferentes tipos de
profissionais estão fazendo uso
dela, é importante separar uma
profissão da outra, assim como se
faz no mercado de comunicação.
No mercado de comunicação, por
exemplo, todos têm claro áreas de
competência. O profissional de
comunicação de massa que se
atreve a fazer marketing direto termina muitas vezes fazendo algo
até legal, mas na maioria das vezes termina vendo sua boa intenção virar um gasto e não um investimento de comunicação.
No mercado de coaching ocorre
o mesmo; existem profissionais
que confundem terapia, aconselhamento profissional, counseling
e mentoring com coaching. y
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Marcos Souza Aranha
No processo de coaching podemos
até recomendar ao cliente um
terapeuta, um conselheiro profissional ou um mentor, se for o caso.
Mas o Coach que é Coach não é
nada disso; ele tem claro seus limites e sabe conter sua boa intenção
quando sua formação não permite
que seu cliente avance para atingir
os objetivos desejados.
“O inferno está cheio de gente
bem intencionada que tentou ajudar onde não tinha competência.”
COMO RECONHECER UM
BOM COACH?
você. Durante o encontro, note se ele
sabe te ouvir, se faz perguntas que
você jamais se fez, se ele está no presente ou se vive de conhecimentos
passados dele mesmo, não seus.
Tenha claro o que você necessita para
si – suas expectativas, objetivos etc.
Assim, evitará cair na armadilha daqueles coaches que dizem que sabem o que você está precisando.
QUINTA E ÚLTIMA:
o coach tem que transmitir segurança, confiança, abertura e empatia.
Tendo suas necessidades mais claras…
PRIMEIRA DICA:
Se você se lembrar de pelo menos
três dessas dicas, terá tido boa chance
de ter feito uma boa escolha.
se ela for da área profissional, separe
o técnico do estratégico.
SEGUNDA
DICA:
separe o que é relacionado com treinamento do que é com desenvolvimento (assim entendemos:
SERÁ QUE VOCÊ
PRECISA DE
COACHING?
Treinamento = obter novas informações/conhecimentos + aprender novas habilidades para aplicá-las + estabelecer regras/políticas para usá-las
Você pode estar se perguntando se
precisa ou não de coaching.
Se você consegue ver sua própria
nuca sem espelhos, você não precisa de coaching, caso contrário, repense sua decisão.
Desenvolvimento = usar a experiência de vida individual e única para
transformar as informações/conhecimentos + definir seus próprios valores que serão levados em consideração na aplicação das habilidades +
os princípios pessoais que traçarão
as regras/políticas).
Na verdade, todos nós precisamos de
coaching em certos momentos, principalmente naqueles em que desejamos ver o mundo com outras lentes, além de nossas próprias e os
circuitos internos já conhecidos.
Keystone
TERCEIRA DICA:
converse com os candidatos a fazer
seu coaching. Conheça a formação
deles, seus talentos, seu know-how,
suas experiências de vida. Note se
ele trata os assuntos profissionais
como quem já os vivenciou ou como
alguém que apenas os estudou.
Se fizermos um paralelo com uma
marca, ela deve saber quem é – conhecer seus atributos, benefícios, valores, personalidade, proposta única
de venda e sua essência. Uma vez
definida quem é a marca, faz-se um
plano de negócios para ela: onde está
– onde quer estar –, como chegará lá.
Nós também temos as mesmas
n e c e s s i d a d e s . To d o s s o m o s
nossa própria marca, todos necessitamos do nosso próprio
“business plan”.
QUARTA
DICA:
uma das coisas principais na escolha de um bom coach: note se ele
está genuinamente interessado em
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SÓ QUEM NÃO É BOBO ACHA QUE VAI PRECISAR DISTO
Como podemos conhecer melhor
nossa marca pessoal sem o auto-conhecimento, sem planejá-la cuidadosamente? Impossível, já notou isso?
Durante o processo de coaching você
poderá ver novas coisas sobre si, que
trarão à luz quem você é, onde está,
onde quer chegar, e os caminhos
para se chegar lá.
Obviamente, estamos falando de um
caminho de coaching onde o foco é
o Desenvolvimento.
Se o enfoque do coaching for o de
treinamento, você terá algo mais pontual para solucionar, algo relacionado a este know-how que busca.
Também, há um outro tipo de
coaching, que a cada dia se torna
mais e mais importante para executivos de nível alto, e talentos potenciais. É o coaching de prioridades de
curto prazo, com foco em decisões
estratégicas semanais.
O mercado americano, canadense e
europeu usa e abusa do Coaching,
profissional e pessoal, tanto de treinamento como de desenvolvimento.
Os orientais também usam, mas,
como faz parte da cultura milenar a
transmissão oral dos conhecimentos
e sabedoria, o coaching fica mais
restrito a questões de treinamento,
com tendência à parte técnica.
No Brasil, há uma miscelânea de
usos, pois, embora existam muitos
profissionais, o coaching muitas
vezes é confundido com a imagem
de Coach de baseball – treinador/
técnico, ou com a imagem de
aconselhamento profissional – a
psicóloga vocacional.
Assim, muitas vezes ele acaba sendo
usado como algo para aprender técni-
ca e competências, ou para “encontrar” caminhos profissionais.
Apesar de o coaching ser tão antigo
na história da humanidade, notamos
que agora no Brasil ele está crescendo
dentro e fora das empresas. Questões
como a responsabilidade social das
empresas, a crescente e incessante
demanda por resultados cada vez maiores, a grande insatisfação pessoal e
profissional com as decisões do dia-adia, ele está mais em evidência.
É comum profissionais, em cargos
importantes, saberem que necessitam
de ajuda, mas muitos têm vergonha
de pedi-la dentro da própria empresa, ou não querem confiar apenas em
seus colaboradores. Aí, um coach é
um grande aliado, não uma terapia,
nem um aconselhamento.
“ONDE ENCONTRAR BONS
PROFISSIONAIS E
METODOLOGIAS APROPRIADAS”
Volte às suas necessidades e verifique se deseja algo mais na área de
desenvolvimento – marca pessoal e
plano pessoal e profissional; ou na
de treinamento específico ou competência técnica; ou ainda algo para
suporte estratégico de curto prazo.
Ao contactar os profissionais que
poderão fazer seu coaching, pergunte
qual é a metodologia que ele irá
utilizar. Certifique-se de que ele tem
um roteiro claro a seguir em termos
de conteúdo e prazo. A partir disso,
você pode procurar saber qual é o
melhor lugar para fazer seu coaching
– via Internet, por telefone, no escritório do coach, no seu próprio escritório, num local público.
Tomadas essas decisões, procure não
conversar com profissionais de sua área,
amigos, RH, que já tenham feito ou
conheçam coaches para indicá-lo.
Se você tem um headhunter de confiança, pergunte a ele. Muitas empresas de hunting têm coaches dentro do
seu próprio negócio ou terceirizado.
Se você vive longe de São Paulo e
Rio de Janeiro, a Internet tem muitas
opções interessantíssimas (veja nos
buscadores:
www.yahoo.com.br e
www.cade.com.br.
Escolha pelo menos duas empresas
para entrevistar.
Lembre-se de que a excelência começa por você.
Decida-se sobre para que, quando,
como, onde, com quem fazer
coaching. Escolha um Bobo e divirta-se até atingir seus objetivos.
Com bom humor, alegria, compromisso, responsabilidades e equilíbrio,
se chega ao destino aproveitando-se
z
a jornada.x
AUTO R
• MARCOS
SOUZA ARANHA
Economista, publicitário, empresário e Coach.
Trabalhou na Leo Burnett no
Brasil e no exterior, na Ogilvy &
Mather, BBDO USA. Fundou e
presidiu o portal da Internet O
Site, que foi um dos raros a abrir
seu capital na Nasdaq, e
atualmente é sócio da OW4Y
Consulting, empresa de consultoria na área de desenvolvimento humano www.ow4y.com
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Coaching: só quem não é bobo acha que vai precisar disto