SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE ESTADUAL DE MARINGÁ CALCULAR MEDIDAS INACESSÍVEIS TENDO O TEODOLITO MANUAL COMO INSTRUMENTO MEDIADOR EDUARDO BORGES Artigo Final / PDE 2012 Trabalho referente ao Artigo Final produzido como resultado do estudo apresentado a SEED – Secretaria de Estado da Educação / PDE – Programa de Desenvolvimento Educacional no ano de 2013, Núcleo Regional de Cianorte. Orientação: Dra. Marcia Maioli MARINGÁ 2013 2 “CALCULAR MEDIDAS INACESSÍVEIS TENDO O TEODOLITO MANUAL COMO INSTRUMENTO MEDIADOR” Eduardo Borges RESUMO: O presente artigo objetiva relatar uma intervenção pedagógica realizada com alunos no 9º ano do ensino fundamental, onde se utilizou medidas inacessíveis para aprofundar a compreensão de relações trigonométricas, como o teorema de Pitágoras e a tangente, tendo um teodolito manual como instrumento mediador construído pelos próprios estudantes sob a orientação do professor. Dentre as metodologias utilizadas na intervenção destacam-se: discussões sobre a história do teorema de Pitágoras, uma demonstração do teorema, verificação experimental da relação tangente no triângulo retângulo, construção do aparelho de medir ângulos na vertical (teodolito manual), aferição do ângulo de visão, em relação à horizontal, do topo de uma antena de celular, realização de esboços, bem como os cálculos concernentes. As ações que permearam todo o trabalho intencionaram avanços no processo ensino e aprendizagem, por meio do cálculo de medidas inacessíveis, utilizando-se de instrumentos, como a elaboração de materiais manipuláveis. Pôdese verificar que houve avanços no processo ensino e aprendizagem, refletidos no número de acertos nas atividades propostas, como avaliação escrita e respostas aos questionamentos mediados pelo professor em sala de aula. PALAVRAS CHAVE: Teorema de Pitágoras, Ensino e Aprendizagem de Matemática, Teodolito Manual. 1. INTRODUÇÃO A utilização de materiais e situações concretas é um recurso que oferece aos estudantes a possibilidade de ampliar e desenvolver novos conhecimentos. A construção do teodolito manual (aparelho utilizado para medir ângulos na vertical) e a utilização do mesmo oportuniza ao estudante estimar medidas de alturas em diversas situações. 3 As atividades aqui relatadas foram elaboradas por um professor participante do programa de formação do estado do Paraná, denominado Programa de Desenvolvimento Educacional (PDE) e desenvolvidas em sala de aula com alunos de uma turma do 9º ano do Ensino Fundamental de uma escola pública. Tais atividades propuseram-se a apresentar instrumentos atrelados a procedimentos no processo ensino e aprendizagem, buscando a participação dos estudantes. Entendendo a relevância da história da matemática para a compreensão do objeto matemático em um contexto que busca constantemente avanços na educação e na cultura como um todo, é viável que esta compreensão histórica se configure como um dos instrumentos motivadores da aprendizagem do aluno. Nesse sentido, o que “[...] pode ajudar o professor no processo de construção do conhecimento é a historicidade do objeto em estudo”. (VASCONCELLOS, 2002, p.110). Deste ponto de vista, é profícuo que o estudante perceba que os conteúdos não estão sendo apresentados de forma pronta e acabada, mas se apresentam em constante movimento. Com a apresentação da provável história do conteúdo e após realizada a demonstração do Teorema de Pitágoras, foi apresentado aos estudantes a questão: Qual é a altura da torre de celular próximo da escola? A esse respeito, Andrade e Nogueira, 2005, alegam que: “Ao escolher a Resolução de Problemas como estratégias de trabalho em sala de aula, é preciso ficar claro que os conceitos, as ideias e os métodos não são dados pelo professor, mas abordados mediante a exploração de problemas” (ANDRADE E NOGUEIRA, 2005, p. 43). Para responder a questão acima citada, o estudante construiu e utilizou um instrumento que lhe favoreceu o cálculo, sendo instigado a responder inicialmente por tentativas, ou seja, pela simples visualização da torre, já que neste momento, esteve em frente à mesma. Após a visualização e realização de tentativas de estimar a medida da altura da torre, cada estudante aferiu o ângulo do topo da mesma (ponto mais alto da torre). Paralelo às ações realizadas com os estudantes, foram desenvolvidas atividades com um grupo de 14 professores em rede, denominado de Grupo de Trabalho em 4 Rede (GTR-2012). Tal processo se iniciou pelas inscrições dos professores da rede estadual de ensino do Paraná, para o curso, optando por um dos vários temas propostos pelo PDE 2012. As atividades se desenvolveram intencionando, entre outros aspectos, a participação, a interação, a discussão e análises de outros professores, no sentido de disseminar os trabalhos dos professores PDEs que estavam realizando a intervenção pedagógica com os estudantes nas escolas. Entre os principais pontos discutidos pelos cursistas e professor tutor, destaca-se a construção do projeto, o embasamento teórico, a própria intervenção pedagógica, as dificuldades e possíveis avanços no processo ensino e aprendizagem. 2. DESENVOLVIMENTO Como participante PDE em 2012, os estudos, análises, debates, produção do material didático, intencionaram a apropriação de novos conhecimentos no processo ensino e aprendizagem e em especial, na intervenção pedagógica junto aos estudantes do 9º ano do Colégio Estadual Primo Manfrinato. Pais (1996), afirma que, para a construção do conhecimento teórico geométrico, torna-se necessário tanto o recurso às bases intuitivas, quanto aquele dirigido à atividade experimental, ou seja, ao estudante deve ser proporcionado instrumentos, que considere a correlação entre o particular e o geral, entre o concreto e o abstrato, envolvida na representação conceitual, para que facilite a aprendizagem. As atividades desenvolvidas referentes à intervenção pedagógica se iniciaram na primeira semana do ano letivo 2013, com a apresentação do projeto e do material didático para a comunidade escolar. No primeiro dia letivo, foi apresentado aos alunos, o projeto e o material didático, sendo que num primeiro momento os estudantes demonstraram-se apreensivos quanto à realização de todas as atividades que lhes foram propostas, porém, o professor, na medida em que realizaram os questionamentos, esclareceu as dúvidas, tranquilizando a turma. Deu-se início ao desenvolvimento das atividades, com a disponibilização do material para cada estudante, de maneira que cada um recebeu somente a atividade a ser trabalhada na respectiva aula, no sentido de que o mesmo recebesse os conteúdos 5 propostos pausadamente, a fim de possibilitar uma análise minuciosa e criteriosa referente a cada ação e em cada atividade. As ações foram propostas no intuito de que o estudante fizesse parte do cenário em que estaria composto cada atividade, como exemplo, o cálculo da altura da cobertura da quadra, do poste de iluminação, das dimensões da quadra descoberta, da altura da antena de celular próximo da escola, ou seja, utilizou-se objetos que fazem parte do contexto no qual está inserido. Neste sentido, Pais (1996), enfatiza que, nesse processo, o aluno recorreria ao que lhes estivesse mais próximo e disponível, entrando em cena as representações por objetos, desenhos e imagens mentais. Destaca-se que concomitante às ações realizadas com os estudantes, no mesmo período do ano letivo, as atividades foram direcionadas e discutidas com outros professores da rede pública por meio da plataforma moodle, como uma das atividades do próprio PDE. Tais discussões objetivaram a participação, a interação, a discussão e análises de outros professores, no sentido de disseminar os trabalhos dos professores PDEs que realizavam a intervenção pedagógica com os estudantes, nas escolas. Portanto, se faz necessário a constante retomada de conteúdos, de maneira a integrar o estudante no processo ensino e aprendizagem, para que este realmente faça parte do cenário ao qual está inserido e realize as observações e inferências a respeito das ações mais estruturadas. Na implementação do projeto em sala de aula, observou-se que os estudantes apresentaram várias dificuldades, entre elas com a matemática básica, visualização geométrica, tabuada, falta de material e etc. Assim, coube ao professor realizar o processo descrito por Vasconcelos, 2002, que é a apropriação por "aproximações sucessivas", sendo esta realizada pela ação de rever, subsequente a cada momento, as ações mais relevantes já realizadas. Para melhor compreensão das ações, segue os relatos das aulas em que foram desenvolvidos o material didático na intervenção pedagógica. 6 2.1 OBSERVAÇÕES SOBRE AS ATIVIDADES REFERENTES AO TEOREMA DE PITÁGORAS No transcorrer da intervenção pedagógica, verificou-se abordagens interessantes quanto à apropriação dos conteúdos em pauta. As atividades propostas tornaram possível a realização de alguns apontamentos pelos estudantes. Essas foram subdivididas em atividades organizadas a partir de situações práticas e experiências, as quais possibilitaram inferências quanto à relação ensino e aprendizagem. O desenvolvimento das atividades é descrito a seguir. As atividades 01 à 07 abordam conteúdos de teorema de Pitágoras. Os estudantes compreenderam que o teorema de Pitágoras não se aplica a todos os triângulos, porque não é todo triângulo que têm ângulo reto e um lado maior. Vários alunos conseguiram chegar à relação a² = b² + c², a partir das construções e exposições dos triângulos retângulos. Concluíram que o terceiro lado calcula-se a partir do teorema e construíram o triângulo retângulo com o compasso e régua. Na oportunidade, foram exploradas as quatro operações e a radiciação. A partir da análise da planta baixa da quadra da escola, alguns alunos concluíram que com o teorema de Pitágoras é possível calcular e comprovar as medidas que nela constam. Os cálculos realizados a partir do desenho, foram aferidos na prática com a utilização de trena e de materiais para anotações. Em uma atividade referente ao cálculo da distância em uma malha quadriculada, alguns alunos não compreenderam os espaçamentos utilizados, pois demonstraram dificuldades de interpretação entre o desenho e o real. Outros ainda apresentaram dificuldades, devido à falta de pré-requisitos básicos no que diz respeito a cálculos matemáticos. A maior dificuldade apresentada pelos estudantes foi a compreensão de que 1 metro corresponde a 100 centímetros e a conversão destas unidades de medida. Tal atividade exigiu a retomada de conteúdos e a constante mediação por parte do professor para que os alunos pudessem apropriar deste conhecimento. Diante das discussões entre os envolvidos, verificou-se que os alunos apropriaramse do conhecimento quanto ao teorema de Pitágoras. Ressalta-se que durante o 7 desenvolvimento da intervenção, o professor comunicou a coordenação pedagógica e a direção da escola sobre as dificuldades dos estudantes em conteúdos básicos na área da matemática. De posse destas informações, juntamente com algumas atividades desenvolvidas até o momento, alguns estudantes (os que mais apresentaram dificuldades) foram encaminhados para aulas de apoio em contraturno, a fim de complementar as ações do professor titular da turma e superar as dificuldades apresentadas. Outro aspecto a se considerar foi a ação de inserir as medidas no cenário envolvido. Nesse momento detectou-se o problema da compreensão/interpretação quanto à relação do enunciado do exercício e da respectiva distribuição das medidas no desenho. Contudo, com o desenvolvimento dos trabalhos, os estudantes visualizaram o triângulo retângulo ao final dos estudos propostos. Com o intuito de superar as lacunas ainda existentes, foi realizada a recuperação de estudos quanto à extração de raízes exatas, visto que estas não demandam operações complexas e agilizam os cálculos necessários ao desenvolvimento das atividades. Para ilustrar todo trabalho realizado, os estudantes assistiram ao filme “O BARATO DE PITÁGORAS”, onde puderam visualizar melhor as aplicações e possíveis aproximações do processo ensino e aprendizagem em sala de aula. 2.2 OBSERVAÇÕES SOBRE AS ATIVIDADES REFERENTES À RELAÇÃO TANGENTE Quando da definição da relação tangente, por meio de uma atividade que previa a representação de triângulos retângulos com barbantes afixados na lousa, percebeuse que os estudantes demonstraram dificuldades para compreenderem tal relação. As dificuldades decorrem de outras relações, concentrando-se nas operações básicas, na desmotivação por calcular e até mesmo copiar as atividades propostas. Alguns estudantes interpretaram a relação tangente e perceberam que as razões se repetem quando da divisão do triângulo maior (inicial), em triângulos menores, obtidos por retas paralelas ao cateto oposto. 8 Alguns estudantes perceberam que, após fixado um ângulo interno, o quociente entre a medida do cateto oposto e a medida do cateto adjacente, se mantém constante nos diversos triângulos retângulos representados com barbantes na lousa. A construção da representação dos triângulos utilizando materiais diferenciados como barbante, fita adesiva, régua de 100 cm e transferidor contribuíram com a compreensão dos conteúdos da relação tangente, pois o barbante permitiu dinamizar a atividade, variando as medidas dos triângulos. A foto abaixo mostra os triângulos construídos com barbante afixados na lousa. Fonte: Arquivo pessoal: Eduardo Borges (18/10/2012) Neste processo, destaca-se uma importante observação realizada pelos estudantes: é possível calcular a medida de um lado ou um ângulo, conhecendo um lado e dois ângulos (um deles é o ângulo reto). Foi apresentada uma atividade referente ao triângulo retângulo conhecendo-se as medidas dos catetos, os estudantes foram motivados a pensar que neste caso é possível aplicar a relação tangente, a fim de calcular a medida do ângulo interno desconhecido, oposto ao menor lado. Ao final, percebeu-se novamente dificuldades com a extração da raiz quadrada não exata. Para real compreensão dos conteúdos e a relação destes com situações práticas, tornou-se relevante a construção do teodolito manual (aparelho de medir ângulos). Este instrumento possibilitou a mediação e a compreensão do que é um ângulo. Assim foi possível aferi-lo e realizar representações que proporcionassem maiores habilidades quanto ao cálculo de medidas inacessíveis. 9 2.3 OBSERVAÇÕES SOBRE A CONSTRUÇÃO DO APARELHO MANUAL DE MEDIR ÂNGULOS - TEODOLITO MANUAL Intencionando a construção do aparelho de medir ângulos, foi solicitado antecipadamente que os estudantes providenciassem os materiais: cano de PVC com 20cm, 02 metros de linha 10, cola, transferidor (meia volta), chumbada pequena e serrinha de cortar cano. Na aula programada, já de posse dos materiais, foi solicitado aos estudantes que alinhassem as pontas dos canos, raspando-as no piso. Na sequência, foi realizado quatro cortes, em forma de cruz, nas duas pontas dos canos. Nas cavidades, foram esticadas as linhas em forma de cruz, afixando-as, com cola, ao tubo. Desta forma o estudante pode mirar o ângulo desejado. O próximo passo foi a raspagem do cano com a serrinha, em sua extensão e em forma de uma linha reta, de maneira a proporcionar aderência, onde seria colado o transferidor. No centro deste, foi realizado um pequeno orifício por onde foi colocada a linha 10 e afixada a partir de um nó. Do orifício, mediu-se aproximadamente 12 centímetros e amarrou-se uma chumbada pequena, formando assim um pêndulo, com o qual tornou-se possível aferir o ângulo com maior precisão. O último passo foi a fixação do transferidor de forma perpendicular, na base do cano. A foto abaixo mostra um dos teodolitos construídos. Fonte: Arquivo pessoal: Eduardo Borges (18/10/2012) Durante o processo de construção do aparelho, os estudantes demonstraram satisfação quanto à realização das atividades, interagindo com os colegas. Esta atividade possibilitou também o desenvolvimento do espírito de cooperação, troca de informações e ajuda mútua. 10 Com o aparelho construído, os estudantes demonstraram-se motivados para as próximas aulas, uma vez que este seria utilizado na realização de experiências subsequentes. 2.4 OBSERVAÇÕES SOBRE AS EXPERIÊNCIAS COM O TEODOLITO MANUAL O processo de construção e o seu uso possibilitou não só conhecer o aparelho, mas a sua funcionalidade. Com o teodolito manual, as experiências realizadas tornaram possível calcular a altura: do poste de iluminação da quadra descoberta da escola, da cobertura de outra quadra da escola e da torre de celular. Em sala de aula, foram realizados os treinamentos, manuseios e esboços das situações a serem analisadas. Posteriormente, em atividades realizadas externamente à sala de aula, cada estudante aferiu o ângulo de visão, no ponto mais alto do poste de iluminação, da cobertura e da torre de celular, utilizando o teodolito manual. Na realização destas atividades, apresentaram os esboços dos cenários aferidos, como por exemplo: medidas da base (chão), medidas do ângulo de visão (ângulo de visão do ponto mais alto) e medidas de sua própria altura (aferidas anteriormente em sala de aula). A partir das três experiências, em uma das propostas, os estudantes deveriam apresentar as atividades na forma de trabalho extraclasse. No retorno desta proposição, os alunos demonstraram muito interesse na realização das atividades, por meio de alguns questionamentos, entre eles, se seria possível, nestas condições, utilizar a relação tangente, desenhar, colorir os desenhos (esboços) e realizar os cálculos manuais ou com calculadora. Na apresentação dos trabalhos, poucos estudantes não o fizeram, afirmando que não conseguiram realizar os cálculos. Os demais alunos apresentaram as atividades de maneira interessante, interagindo, comparando e formulando novas hipóteses. 2.5 OBSERVAÇÕES SOBRE AS ATIVIDADES AVALIATIVAS 11 As avaliações foram realizadas, utilizando as situações problemas reais propostas pelo professor PDE, sendo estas na igreja e em uma árvore, localizadas próximas da escola. Nesse processo de avaliação, alguns apontamentos ou afirmações foram apresentados pelos estudantes. Quanto à avaliação realizada na igreja, com base em forma de círculo, a atividade proposta foi calcular a distância do centro da mesma, até o meio fio, localizado na rua adjacente. Salienta-se que, as informações dadas pelo professor foram a altura da igreja, conforme projeto arquitetônico consultado previamente e o ângulo reto, que se localiza no centro da igreja. Com estas informações, alguns estudantes questionaram o professor sobre a necessidade de medir e acrescentar a altura de quem estava aferindo as medidas. Assim, o professor os orientou para que analisassem as medidas que tinham e a medida procurada, para que então, pudessem realizar a atividade com êxito. No que se refere à atividade de avaliação realizada em uma determinada árvore, localizada na calçada do colégio, a atividade proposta foi calcular a altura da mesma. Neste cálculo da medida da altura da árvore é viável utilizar a tangente quando o ângulo de visão medir 45º. Sabendo-se disso, a maioria dos alunos se movimentaram para realizar tal aferição a partir dessa afirmação. Do pé da árvore, um dos alunos se afastou, andando na calçada e observando a árvore, até que formasse no teodolito um ângulo de 45º. De posse deste ângulo, concluiu que seriam iguais as medidas da altura da árvore e a medida, no chão, do aluno até a base da mesma. Momentos após, os outros alunos compreenderam a relação e chegaram a mesma conclusão. Diante de diversas problematizações, uma das observações mais relevantes destacadas pelos estudantes em todo o processo é a de que, se temos o cateto oposto e o cateto adjacente nas questões que envolvem cálculos de medidas desconhecidas, então é possível utilizar a tangente. 3. CONSIDERAÇÕES FINAIS 12 Nesta intervenção pedagógica, pôde-se verificar que houve avanços no processo ensino e aprendizagem, refletidos no número de acertos nas atividades propostas, como avaliação escrita e respostas aos questionamentos mediados pelo professor em sala de aula. Com os cálculos realizados, os alunos foram direcionados a discutir entre si os resultados obtidos. A realização de comparações dos resultados pelos estudantes proporcionou abstrações e correlações entre o estimado pela visualização e os cálculos realizados, levando-os a conclusões próprias. Durante a intervenção pedagógica, as análises, discussões, bem como os registros concernentes, é possível considerar que os resultados foram surpreendentes, pois os estudantes solicitaram que os outros conteúdos a serem ministrados, também fossem apresentados por meio de atividades práticas. A construção, o manuseio e aplicabilidade do material produzido, possibilitou aos estudantes não só a compreensão dos conteúdos científicos, mas as possíveis relações e correlações destes na vida prática. Outro aspecto interessante a ser considerado, foi os estudantes perceberem ao término da intervenção, a possibilidade da construção de materiais práticos para os demais conteúdos curriculares, visto que estes facilitariam a apropriação dos conteúdos e proporcionariam a realização de atividades fora da sala de aula. Também é relevante destacar que o presente projeto de intervenção pedagógica possibilitou detectar dificuldades com conteúdos básicos apresentadas por alguns alunos na resolução de cálculos. Neste caso os estudantes foram encaminhados à equipe de coordenação pedagógica e, consequentemente, inseridos nas aulas de apoio pedagógico, a fim de que pudessem superar as defasagens básicas. Por fim, este trabalho cumpre o objetivo de utilizar medidas inacessíveis para aprofundar a compreensão de relações trigonométricas como o teorema de Pitágoras e a tangente, tendo um teodolito manual como instrumento mediador. Evidencia, por sua vez, que a utilização de diversas metodologias de ensino, assim como a prática do ir e vir dos conteúdos em todo momento, proporciona a efetivação do processo ensino e aprendizagem. Vale salientar ainda, que o movimento de pesquisa, produção, desenvolvimento, verificação, análise de resultados, possibilita 13 ao professor perceber o processo cognitivo de cada estudante na compreensão do conteúdo proposto, ou seja, se está ou não respondendo às expectativas de aprendizagem. 4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRADE, Doherly; NOGUEIRA, Cléia Maria Ignatius. Educação matemática e as operações fundamentais: FORMAÇÃO DE PROFESSORES EAD. Maringá: Eduem, 2005. (21). BASTIAN, Irma Verri. O teorema de Pitágoras. 2000. 184 p. Dissertação (Mestrado em MESTRADO EM EDUCAÇÃO MATEMÁTICA) - PUC - SP. São Paulo. BRITO, Arlete De Jesus. et al. História da matemática: EM ATIVIDADES DIDÁTICAS. Natal: Edufrn, 2005. D'AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação matemática: DA TEORIA À PRÁTICA. 2. ed. Campinas: Papirus, 1997. (Perspectivas em educação matemática). D'AMBRÓSIO, Beatriz S.. Como ensinar matemática DEBATES. SBEM. Brasília, ano 2, v. 2, p.15-19. 1989. hoje? 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