UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO BIOMÉDICO FACULDADE DE CIÊNCIAS MÉDICAS PÓS-GRADUAÇÃO EM FISIOPATOLOGIA CLÍNICA E EXPERIMENTAL FISCLINEX Marcela Paranhos Knibel A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial e da função endotelial em hipertensos primários estágio I Rio de Janeiro 2009 CATALOGAÇÃO NA FONTE UERJ/REDE SIRIUS/BIBLIOTECA CB-A K69 Knibel, Marcela Paranhos. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial e da função endotelial em hipertensos primários estágio I / Marcela Paranhos Knibel.- 2009. xvii, 120f. : il. Orientado : Antonio Felipe Sanjuliani. Dissertação (Mestrado) – Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Faculdade de Ciências Médicas. Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental. Bibliografia: f. 92-119. 1. Hipertensão - Tratamento alternativo - Teses. 2. Cacau - Uso terapêutico - Teses. 3. Chocolate - Uso Terapêutico - Teses. 4. Endotélio Teses. 5. Pressão arterial - Teses. 6. Flavonóides - Teses. I. Sanjuliani, Antonio Felipe. II. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Faculdade de Ciências Médicas. IV. Título. CDU 616.12-008.331-08 Autorizo apenas para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta tese. _____________________________________________ Assinatura _____________________ Data Marcela Paranhos Knibel A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial e da função endotelial em hipertensos primários estágio I Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental (FISCLINEX) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro para obtenção do grau de Mestre em Ciências Orientador: Prof. Dr. Antonio Felipe Sanjuliani Rio de Janeiro 2009 Marcela Paranhos Knibel A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial e da função endotelial em hipertensos primários estágio I Dissertação apresentada ao Curso de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental (FISCLINEX) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro para obtenção do grau de Mestre em Ciências Aprovada em ________________________________________________________ Banca Examinadora: __________________________________________________ Prof. Dr. Antonio Felipe Sanjuliani (Orientador) Faculdade de Ciências Médicas da UERJ __________________________________________________ Prof. Dr. Mario Fritsch Toros Neves Faculdade de Ciências Médicas da UERJ __________________________________________________ Virgínia Genelhu de Abreu Faculdade de Ciências Médicas da UERJ __________________________________________________ Profa. Dra. Glorimar Rosa Instituto de Nutrição Josué de Castro - UFRJ Suplentes: Prof. Dr. Emílio Antonio Francischetti (UERJ) Prof. Dr. Eduardo Tibiriça (FIOCRUZ) Rio de Janeiro 2009 DEDICATÓRIA Aos meus pais Marcos e Márcia, por serem quem são. Aos meus irmãos Frederico e Felipe, meus melhores amigos. AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Professor Antonio Felipe Sanjuliani, pela confiança em mim depositada, e por toda a sua ajuda para que eu pudesse realizar este trabalho. Às secretárias do Clinex – Maria de Fátima Costa de Araújo e Eliane Soares da Silva - que com paciência e carinho muito me auxiliaram durante todo o mestrado. Às biólogas Débora Cristina Torres Valença e Maria de Lourdes Guimarães Rodrigues, pelo auxílio com a seleção e manipulação das amostras laboratoriais dos pacientes. A nutricionista Lívia de Paula Nogueira, que foi minha companheira desde o início. A nutricionista Márcia Simas, que com muita paciência sempre me forneceu orientações valiosas ao longo do mestrado. Às nutricionistas Ana Rosa da Cunha Machado, Fernanda Medeiros, Marcela de Abreu e Tatiane Ornellas que com paciência e gentileza me ajudaram a realizar uma etapa importante e essencial desta pesquisa. Ao Professor Mario Fritsch, que sempre de maneira muito gentil me ajudou e ensinou a realizar procedimentos importantes para realização deste trabalho. A secretária Amélia Gomes, pela infinita paciência, e eficiente auxílio em minhas dificuldades operacionais durante todo o curso de Mestrado. Ao Laboratório LabLip pelo auxílio em todas as análises laboratoriais realizadas ao longo desta pesquisa. A FAPERJ, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, pelo auxílio e apoio incondicional às nossas pesquisas. A todos do CLINEX que de alguma forma me ajudaram na realização desta pesquisa. RESUMO KNIBEL, Marcela Paranhos. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial e da função endotelial em hipertensos primários estágio I. 2009. 136f. Dissertação (Mestrado em Fisiopatologia Clínica e Experimental) – Faculdade de Ciências Médicas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. 1. Contexto: estima-se que aproximadamente 30 milhões de brasileiros sejam portadores de hipertensão arterial e a despeito da grande quantidade de hipotensores disponíveis, acredita-se que apenas 2,7 milhões estejam sendo tratados adequadamente. Recentemente vários estudos clínicos, epidemiológicos e experimentais têm mostrado uma associação entre o consumo de alimentos ricos em cacau e a redução da pressão arterial assim como relacionando este efeito a uma possível ação dos flavonóides do cacau sobre a função endotelial. 2. Objetivo: avaliar em pacientes hipertensos primários, estágio I, o efeito da administração dos flavonóides do cacau presentes no chocolate amargo 70% sobre: a pressão arterial; a função endotelial; a velocidade da onda de pulso; e as possíveis correlações entre as variações da pressão arterial e da função endotelial. 3. Tipo de estudo: experimental, clínico e aberto. 4. Casuística: 20 pacientes, sem distinção de raça ou sexo, com hipertensão arterial primária no estágio I, sem tratamento anti-hipertensivo prévio, eutróficos, com sobrepeso ou obesos grau I, com idades entre 18 e 60 anos. 5. Local do estudo: Disciplina de Fisiopatologia Clínica e Experimental – Clinex. Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 6. Variáveis estudadas: pressão arterial (método oscilométrico e MAPA), index de hiperemia reativa (através de tonometria arterial periférica por Endo-PAT 2000-Itamar), augmentation index (através de tonometria arterial periférica por Endo-PAT 2000-Itamar), velocidade da onda de pulso (através de COMPLIOR SP), colesterol total, LDL-colesterol, HDL-colesterol, triglicérides, glicemia, índice de massa corporal, circunferência de cintura, circunferência de quadril, relação cintura quadril e percentual de gordura corporal. 7. Resultados: o chocolate-cacau 70% reduziu de forma significativa a pressão arterial avaliada pelo método oscilométrico. Através deste método observamos que a pressão arterial sistólica reduziu de forma significativa após 4 semanas de tratamento, (V0: 146,50 ± 1,28; V1: 140,40 ± 3,02; V2: 138,50 ± 2,44; V3: 140,60 ± 2,50; V4: 136,90 ± 2,60; V4 vs. V0, p<0,001) enquanto a pressão arterial diastólica apresentou redução significativa a partir de 2 semanas de tratamento e assim permanecendo até o final do estudo (V0: 93,2 ± 0,74; V1: 87,50 ± 1,8; V2: 86,05 ± 1,67; V3: 88,35 ± 1,48; V4: 87,45 ± 1,78; V2 vs. V0, p< 0,05 e V4 vs. V0, p<0,03). A pressão arterial avaliada pelo método de monitorização ambulatorial da pressão arterial durante 24h (MAPA) não modificou de maneira significativa após a intervenção. A avaliação da função endotelial através do index de hiperemia reativa mostrou que o RHI se alterou de forma significativa após o chocolate-cacau 70% (V0: 1,94 ± 0,11; V4: 2,22 ± 0,08; p=0,01). As demais variáveis avaliadas não se modificaram de forma significativa após 4 semanas de consumo de chocolatecacau 70%. 8. Conclusões: os resultados do presente estudo mostram que o chocolatecacau 70% tem efeito benéfico sobre a função endotelial e controverso em relação ao comportamento da pressão arterial. ABSTRACT KNIBEL, Marcela Paranhos. The influence of ingestion of cocoa flavonoids on the behavior of blood pressure and endothelial function in essential hypertension stage I. 2009. 136f. Dissertação (Mestrado em Fisiopatologia Clínica e Experimental) – Faculdade de Ciências Médicas, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2009. 1. Background: it is estimated that approximately 30 million Brazilians are suffering from hypertension and despite the large amount of hypotensive available, it is believed that only 2.7 million are being treated properly. Recently several clinical studies, epidemiological and experimental studies have shown an association between the consumption of foods rich in cocoa and lowering blood pressure as well as relating this effect to a possible action of the cocoa flavonoids on endothelial function. 2. Objective: to evaluate in hypertensive patients, stage I, the effect of administration of the cocoa flavonoids present in chocolate, 70% of: blood pressure, endothelial function, the speed of the pulse wave, and the relationship between variations in blood pressure and endothelial function. 3. Type of the study: experimental, clinical and open. 4. Casuistic: 20 patients, without distinction of race or sex, with essential hypertension stage I, without antihypertensive treatment prior normal weight, overweight or obese grade I, aged between 18 and 60. 5. Local of study: Department of Clinical and Experimental Pathophysiology were enrolled. State University of Rio de Janeiro. 6. Variables studied: we studied blood pressure (oscillometric method and by ambulatory blood pressure), index of reactive hyperemia (by peripheral arterial tonometry by Endo-PAT 2000), augmentation index (by peripheral arterial tonometry by Endo-PAT 2000), speed pulse wave (through COMPLIOR SP), total cholesterol, LDL-cholesterol, HDLcholesterol, triglycerides, blood glucose, body mass index, waist circumference, hip circumference, waist-hip ratio and body fat. 7. Results: the chocolate-cocoa 70% significantly reduced the blood pressure measured by oscillometric method. Through this method we observed that systolic blood pressure decreased significantly after 4 weeks of treatment, (V0: 146.50 ± 1.28, V1: 140.40 ± 3.02, V2: 138.50 ± 2.44; V3: 140.60 ± 2.50; V4: 136.90 ± 2.60; vs V4. V0, p <0.001) while diastolic blood pressure decreased significantly from 2 weeks of treatment and remained so until the end the study (V0: 93.2 ± 0.74, V1: 87.50 ± 1.8, V2: 86.05 ± 1.67, V3: 88.35 ± 1.48; V4: 87.45 ± 1 , 78; vs V2. V0, p <0.05 and vs V4. V0, p <0.03). Blood pressure measured by the method of ambulatory blood pressure during 24 hours by ambulatory blood pressure did not change significantly after the intervention. The assessment of endothelial function through the index of reactive hyperemia showed that RHI has changed significantly after the chocolate-cocoa 70% (V0: 1.94 ± 0.11, V4: 2.22 ± 0.08, p = 0.01). The other variables assessed did not change significantly after 4 weeks of consumption of chocolate-cocoa 70%. 8. Conclusions: the results of this study show that the chocolate-cocoa 70% has a beneficial effect on endothelial function and controversial in relation to the behavior of blood pressure. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1- Estrutura e classificação hierárquica dos flavonóides................................24 Figura 2 - Monômeros e procianidina isolados de chocolate....................................24 Figura 3 - Desenho do Estudo...................................................................................56 Figura 4 - Utilização individual do EndoPat...............................................................62 Figura 5 - Representação esquemática do fluxo de pacientes da avaliação preliminar ao final (V4)do estudo...............................................................................67 Gráfico 1 - Modificações da PAS avaliadas pelo método oscilométrico....................69 Gráfico 2 - Modificações da PAD avaliadas pelo método oscilométrico...................69 Gráfico 3 - Comportamento dos valores individuais (a) e médios (b) do índex de hiperemia reativa (RHI) no início (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes avaliados através do ENDOPAT2000.................................................................................................71 Gráfico 4 - Correlação entre a variação da PA (médodo oscilométrico) e a variação do index de hiperemia reativa RHI..........................................................72 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Características dos pacientes no inicio do estudo....................................66 Tabela 2 - Valores médios da massa corporal, índice de massa corporal, circunferência de cintura, circunferência de quadril e relação cintura quadril, dos pacientes, no início do estudo (V0) e após 4 semanas de tratamento (V4)...............68 Tabela 3 - Valores médios dos níveis de pressão arterial e freqüência cardíaca no nício (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes observados através do método oscilométrico...............................................................................................................69 Tabela 4 - Valores médios dos níveis de pressão arterial no início (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes observados através da MAPA................................70 Tabela 5 - Valores médios da velocidade da onda de pulso carótida-radial, carótidafemoral e tolerâncias correspondentes no início (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes observados através do COMPLIORSP.................................................71 Tabela 6. Valores médios do colesterol total, HDL-colesterol, LDL-colesterol, VLDLcolesterol e triglicerídeos no início (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes...72 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CAD Doença da artéria coronária CC Circunferência de cintura CE Consultants Europe CQ Circunferência do quadril DCV Doença cardiovascular DNA Ácido desoxirribonucléico ECA Enzima conversora de angiotensina eNOS Óxido nítrico sintase FC Freqüência cardíaca FDA Food and Drug Administration FMD Dilatação fluxo-mediada cGMP Monofosfato guanosina cíclica HDL High Density Lipoprotein I-CAM Molécula de adesão celular I IL-6 Interleucina-6 IMC Índice de massa corporal Kcal Kilocaloria LDL Low Density Lipoprotein L-NAME N-nitro-L-arginina metil ester MAPA Monitorização ambulatorial da pressão arterial NCEP National Cholesterol Education Program NO óxido nítrico OMS Organização Mundial da Saúde ORAC Capacidade da absorvância de radicais de oxigênio PAD Pressão arterial diastólica PAM Pressão arterial média PAS Pressão arterial sistólica PAT Tonometria arterial periférica PCR Proteína C reativa PVA Volume de pulso digital RCQ Relação cintura/quadril RHI Index de hiperemia reativa ROS Espécies reativas de oxigênio TCLE Termo de consentimento livre e esclarecido TGO Transaminase oxaloacética TGP Transaminase pirúvica TNF-α Fator de necrose tumoral TOTG Teste oral de tolerância à glicose USDA United Satates Department of Agriculture V-CAM Molécula de adesão celular V VET Valor energético total VLDL Very Low Density Lipoprotein VOP Velocidade da onda de pulso WHO World Health Organization SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO..............................................................................................18 1.1 O cacau e o chocolate.................................................................................19 1.2 Evidências epidemiológicas.......................................................................22 1.3 Os flavonóides do cacau............................................................................23 1.4 Biodisponibilidade dos flavonóides do chocolate...................................26 1.5 O ácido esteárico do chocolate amargo....................................................28 1.6 Propriedades antioxidantes dos flavonóides...........................................29 1.7 Saúde vascular e flavanols do cacau........................................................32 1.8 Efeitos anti-hipertensivos do cacau..........................................................34 1.9 O endotélio vascular...................................................................................36 1.10 Ativação ou disfunção endotelial...............................................................41 1.11 Avaliação da função endotelial..................................................................43 1.12 Tonometria arterial periférica: Endo-Pat2000...........................................46 1.13 Avaliação da velocidade da onda de pulso (VOP): Complior SP...........47 2 JUSTIFICATIVA............................................................................................51 3 OBJETIVOS..................................................................................................51 3.1 Objetivo geral...............................................................................................51 3.2 Objetivo específico......................................................................................52 4 CASUÍSTICA.................................................................................................53 4.1 Pacientes......................................................................................................54 4.2 Critérios de Inclusão...................................................................................54 4.3 Critérios de Exclusão..................................................................................54 5 PLANO DE TRABALHO E DESENHO DE ESTUDO...................................55 5.1 Plano de Trabalho........................................................................................56 5.2 Desenho do Estudo.....................................................................................57 6 MÉTODOS.....................................................................................................58 6.1 Avaliação do consumo alimentar...............................................................59 6.2 Avaliação antropométrica...........................................................................60 6.3 Avaliação da pressão arterial.....................................................................60 6.4 Avaliação da função endotelial..................................................................61 6.5 Avaliação de velocidade da onda de onda de pulso (VOP).....................63 6.6 Avaliação laboratorial.................................................................................64 6.6.1 Avaliação do metabolismo lipídico............................................................64 6.6.2 Outras variáveis avaliadas.........................................................................64 6.7 Análise estatísticas dos dados..................................................................64 6.8 Questões éticas...........................................................................................65 7 RESULTADOS 7.1 Caracterização da população do estudo...................................................67 7.2 Avaliação da massa corporal, índice de massa corporal, circunferência .......................................................................................66 de cintura, circunferência de quadril e relação cintura quadril..............68 7.3 Avaliação do comportamento da pressão arterial e da freqüência cardíaca através do método oscilométrico...............................................69 7.4 Avaliação da pressão arterial através da monitorização ambulatorial da pressão arterial - 24 horas – (MAPA).........................................................71 7.5 Avaliação da função endotelial: index de hiperemia reativa e augmentation index através da Endo-Pat2000.........................................71 7.6 Avaliação da velocidade da onda de pulso através Complior SP..........72 7.7 Avaliação do metabolismo lipídico e da glicose......................................73 7.8 Correlações entre o RHI e as variações da pressão arterial...................73 8 DISCUSSÃO.................................................................................................74 8.1 Avaliação antrométrica...............................................................................75 8.2 Pressão arterial e freqüência cardíaca......................................................77 8.3 Função endotelial: index de hiperemia reativa e augmentation index...81 8.4 Velocidade da onda de pulso.....................................................................86 8.5 Metabolismo lipídico e glicose...................................................................87 9 CONCLUSÕES.............................................................................................90 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.............................................................92 ANEXOS......................................................................................................120 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 18 1. INTRODUÇÃO A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 19 1. INTRODUÇÃO 1.1. O Cacau e o Chocolate O chocolate era utilizado pelas civilizações da antiguidade como remédio, e também para promover a saúde e o bem estar (Dillinger e cols, 2000). Atualmente tem sido considerado como sendo um alimento potencialmente capaz de manter a saúde, ajudar a prevenir doenças e / ou tratar problemas de saúde já existentes (Weisburger, 2001; Franco e cols., 2004). Estudos clínicos têm demonstrado que o chocolate rico em cacau traz benefícios à saúde como um todo, principalmente à saúde cardiovascular (Henderson e cols., 2007). Os Incas consideravam as bebidas preparadas com o cacau como a “bebida dos deuses”, e esta associação deu origem ao nome científico da árvore de cacau, Theobroma cacao, das palavras gregas theo (Deus) e broma (bebida) (Henderson e cols., 2007). A palavra “cacao” é espanhola adaptada da palavra olmec “kakaw-ti” (Henderson e cols., 2007). O chocolate é produzido pela mistura de extrato de sementes de cacau (Theobroma cacao L., Família Sterculiaceae), originário da América do Sul, com outros ingredientes, como o açúcar e o leite (Mathur, 2002). O primeiro registro sobre o consumo dietético do cacau parece ter sido datado do período antes de 1600 a.c (Henderson e cols., 2007). Em Honduras foram encontrados por arqueólogos potes que parecem ter sido utilizados pelos astecas para o consumo de bebidas que tinham como base o cacau há milhões de anos (Henderson e cols., 2007). No século XVI, o imperador asteca Montezuma, chamava a bebida rica em cacau de “bebida divina”, a qual era dada a responsabilidade de evitar a fadiga e melhorar a resistência dos homens nas guerras (Dillinger e cols., 2000). Um copo desta preciosa bebida permitiria aos homens deste tempo caminhar um dia inteiro, sem precisar ingerir outro tipo de alimento (Dillinger e cols., 2000). . Na língua asteca a bebida chamava-se chocolate (Dillinger e cols., 2000). Com a descoberta do novo mundo o cacau chegou à Europa neste mesmo século XVI (Dillinger e cols., 2000). Desde modo então, a moderna indústria do chocolate se desenvolveu e o cacau passou a ser processado através de diferentes formas (Corti e cols., 2009). A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... Até recentemente o consumo do chocolate estava 20 associado ao desenvolvimento das cáries dentárias, da obesidade, da hipertensão arterial e do diabetes mellitus (Corti e cols., 2009). Em função das recentes descobertas respaldadas por estudos científicos, sobre os benefícios dos compostos fenólicos do cacau, esta concepção anterior e depreciativa em relação ao chocolate vem sendo modificada aos poucos (Corti e cols., 2009). Mais pesquisas que relacionam o consumo do chocolate ao processo de envelhecimento, à regulação da pressão arterial e à aterosclerose têm sido realizadas (Corti e cols., 2009). O consumo anual de chocolate na Europa central não foi modificado de maneira significativa nos últimos anos, entretanto é observado um contínuo e crescente aumento no consumo do chocolate amargo e de alimentos que contém altos teores de cacau (Thamke e cols, 2009). Os benefícios nutricionais do cacau vêm sendo estudados, e a importância do seu consumo enfatizada, uma vez que as descobertas científicas têm sido positivas (Thamke e cols, 2009). A produção industrial do chocolate amargo cresceu algo em torno de 23% entre os anos de 2005 e 2006 (Thamke e cols, 2009). Diversas suposições sobre como o cacau pode interferir positivamente na promoção da saúde têm sido levantadas (Dillinger e cols., 2000). Os efeitos positivos sobre a saúde conseguidos à partir do seu consumo dietético podem ser: melhora da função cardíaca, melhora dos sintomas de angina pectoris, estímulo do sistema nervoso, melhora da digestão e melhora da função renal (Dillinger e cols., 2000). O cacau também vem sendo utilizado no tratamento da anemia, fadiga mental, tuberculose, febre, gota e litíase renal (Dillinger e cols., 2000). O consumo de chocolate amargo rico em cacau tem sido sugerido como um importante método dietético preventivo, que visa a melhora dos fatores de risco que propiciam a ocorrência de doença cardiovascular (DCV), em função do seu alto conteúdo de flavonóides antioxidantes (Ding e cols., 2006). Apesar do debate ainda continuar, alguns mecanismo potenciais através do qual o cacau pode exercer benefícios sobre a saúde cardiovascular têm sido propostos, como: ativação e liberação do óxido nítrico (NO) endotelial, ação antioxidante, efeito antiinflamatório, efeito antiplaquetário, melhora do perfil lipídico, redução da pressão arterial, diminuição da resistência insulínica e A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 21 redução de eventuais desfechos clínicos (Ding e cols., 2006). A cafeína que é uma metilxantina está presente em pequena quantidade no chocolate, e sua ingestão contribui com 1,5% do total de cafeína ingerida diariamente por crianças americanas (USDA, 2004). A teobromina é a metilxantina predominante no chocolate (USDA, 2004). Esta metilxantina diferentemente da cafeína estimula pouco o sistema nervoso central humano (Weisburger, 2002), além de suprimir a atividade do nervo sensorial e a tosse (Kelly, 2005). A teobromina tem sido proposta para ajudar no tratamento dietético da aterosclerose (Kelly, 2005), e pode contribuir positivamente para o controle da pressão arterial a partir do aumento no consumo do cacau e do chocolate amargo (Kelly, 2005). O cacau e o chocolate possuem naturalmente uma série de minerais, incluindo o cobre, o magnésio, o potássio e o cálcio, os quais podem afetar positivamente o controle da pressão arterial e dos marcadores de risco cardiovascular (Aremu e Abara, 1992). A biodisponibilidade destes minerais é boa, apesar do alto conteúdo de fitatos do cacau e do chocolate (Harland e Oberleas, 1985; Aremu e Abara, 1992). A fermentação dos grãos de cacau e o seu processamento posterior ocasionam a sua hidrólise, fato que propicia a separação dos minerais e dos fitatos facilitando a biodisponibilidade destes minerais (Harland e Oberleas, 1985; Aremu e Abara, 1992). O chocolate e o cacau foram os responsáveis por 9,4% da ingestão diária de cobre no ano de 1990 (Joo e cols., 1995). O cobre possui numerosas funções no organismo humano como: aumento na absorção do ferro, participação na composição de enzimas que formam o colágeno, conversão da dopamina em epinefrina, e é um componente da superóxido desmutase, um potente antioxidante endógeno (Harland e Oberleas, 1985; Aremu e Abara, 1992). Durante os primeiros estágios de desenvolvimento de uma pessoa, a deficiência de cobre pode resultar em anomalias cardiovasculares futuras (Klevay e Milne, 2002; Geleijnse e cols., 2005). Adicionalmente, a baixa ingestão de cobre pode contribuir para o desenvolvimento de doença vascular em uma fase mais avançada da vida (Klevay e Milne, 2002; Geleijnse e cols., 2005). Estudos mostram que o magnésio pode prevenir o aparecimento e melhorar o controle de uma série de desordens metabólicas como: a resistência à insulina, o diabetes mellitus tipo 2, a DCV e a hipertensão arterial (Simon e cols., 2005). Outras evidências clínicas e epidemiológicas A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 22 demonstram uma relação inversa entre a ingestão de potássio, pressão arterial e acidente vascular cerebral (Khaw e Barrett, 1987; Ascherio e cols., 1996; Whelton e cols., 1997), assim como uma relação inversa entre pressão arterial e ingestão de cálcio (McCarron e Reusser, 2001; Griffith e cols., 1999). Estas evidências científicas mostram que todos estes minerais presentes no cacau e no chocolate, em conjunto com outros nutrientes presentes em uma dieta balanceada e saudável podem trazer inúmeros benefícios à saúde cardiovascular (Ascherio e cols., 1996; McCarron e cols., 1984; Appel e cols., 1997). Estudos observacionais comprovam que uma dieta rica em potássio, magnésio, cálcio e outras substâncias antioxidantes, presentes principalmente em frutas e vegetais está associada a menor incidência, e menor índice de mortalidade causada pela DCV (Tribble 1999; Berglind e cols. 2005). Em cem gramas (g) de cacau em pó observa-se a seguinte composição nutricional: 365,1 kcal, 18g de glicídios, 21g de proteínas, 23,24g de lipídios, 92g de cálcio, 455mg de fósforo e 2,7 mg de ferro e 1,0 mg de vitamina C (Franco, 2003). 1.2. Evidências Epidemiológicas A primeira evidência epidemiológica mostrando o efeito protetor cardiovascular do cacau, efeito este, já observado com o uso de outras plantas foi obtido a partir dos estudos realizados com os índios Kuna, nativos de ilhas da costa do Panamá (Hollenberg e cols., 1997). Os Kuna pertencem a uma das poucas culturas protegidas contra o aumento da pressão arterial que ocorre normalmente com o processo de envelhecimento, e que conseqüentemente desencadeia a hipertensão arterial (Hollenberg e cols., 1997). Os Kuna consomem grandes quantidades de cacau por dia, e muitas vezes, também preparações ricas em cloreto de sódio (Hollenberg e cols., 1997). Estudos clínicos mostram que os índios Kuna apresentam menores valores de pressão arterial (Hollenberg e cols., 1997) e não apresentam declínio da função renal que normalmente ocorre com o envelhecimento (Hollenberg e cols., 1999). A mortalidade decorrente de doença cardiovascular nesta população é menor do que em outras civilizações panamericanas (Bayard e cols., 2007). Os fatores envolvidos são claramente os ambientais e não os genéticos, já que esta proteção cardiovascular foi A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 23 perdida pelos índios Kuna que migraram para a parte urbana da cidade do Panamá, onde o consumo de cacau é substituído por outros alimentos pobres em flavonóides (Hollenberg e cols., 1997). Um estudo prospectivo que analisou 34.489 mulheres no período pósmenopausa, livres de doença cardiovascular, em um seguimento de 16 anos e chamado Estudo da Saúde das Mulheres de Iowa, mostrou que uma dieta rica em alimentos com altos teores de flavonóides está associada à redução da mortalidade causada por doença cardiovascular (Mink e cols., 2007). Foi também observada neste estudo uma associação inversa entre o consumo aumentado de chocolate e mortalidade cardiovascular após o ajuste das multivariadas (Mink e cols., 2007). O estudo holandês Zutphen através de uma análise transversal mostrou que o consumo de cacau tinha uma correlação inversa com a pressão arterial, e em uma análise prospectiva mostrou que a ingestão do cacau estava relacionada com a redução do risco de desenvolvimento de doença cardiovascular e de mortes por todas as causas (Buijsse e cols., 2006). O estudo Zutphen realizado com participantes idosos que contou com a participação de 470 homens idosos livres de doenças crônicas, mostrou os efeitos protetores conseguidos a partir da ingestão de cacau (Buijsse e cols., 2006). Depois dos ajustes feitos para idade, índice de massa corporal (IMC), fatores de estilo de vida, utilização de medicamentos, alimentos normalmente ingeridos e ingestão calórica habitual, o risco de mortalidade cardiovascular para os homens no tercil mais elevado de consumo de cacau foi reduzido em 50% quando comparado com o tercil mais baixo de consumo de cacau (Buijsse e cols., 2006). 1.3. Os Flavonóides do Cacau As observações epidemiológicas sugerem a hipótese de que os benefícios para a saúde encontrados à partir do consumo de plantas devem-se em parte aos flavonóides antioxidantes, que são um grande subgrupo do grupo heterogêneo dos polifenóis (Manach e cols., 2004). Todos os flavonóides possuem uma mesma estrutura química: C6-C3-C6 (Manach e cols., 2004). Eles podem ser distinguidos em: flavonols, A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 24 flavonas, isoflavonas, flavanonas, antocianidinas e flavanols (Manach e cols., 2004). Os flavanols, também chamados flavan-3-ols têm atraído particular interesse porque eles podem ser encontrados em altas concentrações em algumas frutas e em alguns vegetais (Miller e cols., 2006). No contexto da nutrição humana, certos alimentos possuem grandes quantidades de flavanols como os chás, suco de uva, vinho tinto, mirtilo, cereja, maçã, leguminosas, especiarias, frutas oleaginosas e especialmente o cacau (Miller e cols., 2006). O chocolate ao leite contém um menor teor de flavanols, quando comparado ao fruto do cacau e ao chocolate amargo (Miller e cols., 2006). Diversos fatores podem influenciar o tipo e a quantidade de flavonóides presentes nos alimentos industrializados contendo cacau e chocolate, como: origem geográfica da produção do cacau, tipo de cultivo, as práticas de colheita, pós-colheita e de processamento (Haslam, 1998). Hoje em dia, o principal interesse durante o processamento do chocolate é o de preservar os nutrientes que ocorrem naturalmente nos grãos de cacau (Haslam, 1998). Os métodos de processamento dos alimentos como a fermentação e o processo de assar podem diminuir o conteúdo final de flavonóides. Além disto, a concentração de flavanol depende da região onde o cacau foi cultivado (Counet e cols., 2004). Diferentemente de outras bebidas e alimentos, o cacau e o chocolate podem conter compostos de flavanols de vários tamanhos (Hammerstone e cols., 1999; Prior e cols., 2004). O grau de polimerização dos flavanols pode afetar sua biodisponibilidade e atividade biológica (Mao e cols., 1999; Schewe e cols., 2001; Weisburger, 2001). Os monômeros de flavanols são as catequinas e epicatequinas encontradas principalmente nas frutas e no cacau (Arts e cols., 2000). Estes monômeros formam ligações entre o carbono 4 (C4) e o carbono 8 (C8), permitindo que eles formem dímeros, oligômeros e polímeros de catequinas, as chamadas procianidinas (Adamson e cols., 1999). As procianidinas são conhecidas como taninos condensados, que através da formação de complexos com as proteínas da saliva são responsáveis pelo sabor amargo do cacau (Manach e cols., 2004). As concentrações de flavanols (catequinas e epicatequinas) encontradas em alguns alimentos em mg / Kg ou mg / L são as seguintes: chocolate (460-610), feijão (350-550), damasco (100-250), cereja (50-220), pêssego (50-140), A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 25 amora (130), maçã (20-120), chá verde (100-1800), chá preto (60-500) e vinho tinto (80300) (Manach e cols., 2004). O percentual de flavonóides por 100g de chocolate amargo é maior do que 100g de qualquer outro alimento com propriedades antioxidantes já conhecidas (Ding e cols., 2006). Uma barra de 100g de chocolate ao leite contém 170 mg de flavonóides antioxidantes, procianidinas e flavanols (Steinberg, 2003). O chocolate é a fonte alimentar com o maior percentual de procianidinas ingeridas em países ocidentais (18-20%) (Gu e cols., 2004; Arts e cols., 2001). O conteúdo de procianidinas do chocolate amargo é maior do que o encontrado em outra fonte, muita rica neste tipo específico de flavonóide, que é a maçã (Hammerstone e cols., 2000). Figura 1: Estrutura e classificação hierárquica dos flavonóides (Ding e cols., 2006) Figura 2: Monômeros e procianidina isolados de chocolate (Zhu e cols., 2002). A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 26 1.4. Biodisponibilidade dos Flavonóides do Chocolate As concentrações de catequinas e epicatequinas plasmáticas parecem aumentar de maneira dose-dependente, após o consumo de uma quantidade, que varia entre 27g a 80g de chocolate amargo rico em flavanol (Richell e cols., 1999; Wang e cols., 2000). A absorção das procianidinas, os flavanols oligômeros do cacau ainda é menos entendida do que a dos monômeros de flavanols (catequinas e epicatequinas), mas também tem sido observada (Holt e cols., 2002). A epicatequina é o principal monômero de flavanol observado no plasma após o consumo do chocolate rico no cacau (Serafini e cols., 2003; Rein e cols., 2000). A meia-vida das concentrações de epicatequina plasmática é relativamente curta (Serafini e cols., 2003; Rein e cols., 2000). A maior concentração de epicatequina obtida no plasma ocorre 2 à 3 horas após a ingestão de cacau dose-dependente (Serafini e cols., 2003; Rein e cols., 2000), continuando alta após 8 horas (Richell e cols., 1999). Quanto menor a molécula de polifenol, maior é a sua concentração plasmática após a ingestão da bebida à base de cacau, ou após o consumo do chocolate amargo rico em cacau (Cooper e cols., 2008). Holt e colaboradores (2002) detectaram a presença de dímeros de procianidina no plasma humano, 30 minutos após o consumo de 26,4g de bebida à base de cacau (Holt, 2002). Acredita-se que os grandes oligômeros são degradados no intestino em monômeros de epicatequina, que são então absorvidos (Holt, 2002). Os estudos têm demonstrado que após o consumo de cacau ou de chocolate rico em flavanol há um aumento plasmático nas concentrações dos flavanols (Richell e cols., 1999; Wang e cols., 2000; Holt e cols., 2002). Estudos também demonstram que pequenos oligômeros, dímeros e trímeros, podem ser transportados através das camadas de células intactos, além da presença de epicatequina em células endoteliais aórticas de modelos murinos (roedores), provando que os flavanols podem promover benefícios intracelulares e extracelulares (Schroeder e cols., 2003). Além do tamanho molecular, há outros importantes fatores que modulam a eficácia in vivo dos polifenóis e que devem ser considerados, tais como: sua conversão em metabólitos nas células intestinais, fígado e outros tecidos; sua interação com as A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 27 proteínas da dieta; seu acúmulo nas células; e a sua taxa de eliminação urinária (Schewe e cols., 2008). Estudos precisam ser realizados já que os metabólitos dos flavanols e suas formas bioativas continuam ainda não tão bem entendidas e conhecidas (Schramm e cols., 2003). Também é importante entender além da biodisponibilidade e da bioatividade dos flavanols, a sua interação no organismo com outros nutrientes (Schramm e cols., 2003). Os carboidratos, por exemplo, poderiam aumentar a absorção do flavanol (Schramm e cols., 2003). A interação do flavanol com as proteínas continua incerta (Serafini, 2003). A proteína do leite, a caseína, pode diminuir a absorção do flavanol (Serafini, 2003). Um estudo clínico observou uma diferença na concentração de epicatequina plasmática quando os participantes consumiram bebida de cacau à base de leite versus bebida de cacau à base de água (Schroeder e cols., 2003). Após a ingestão do cacau, tanto o conteúdo de flavanol, como a capacidade antioxidante total no plasma, se elevam (Serafini e cols., 2003). Estes efeitos são reduzidos quando o cacau é consumido com leite ou quando o cacau é ingerido na forma de chocolate ao leite (Serafini e cols., 2003). O chocolate amargo contém mais flavonóides (principalmente as catequinas) do que o chocolate ao leite (Vinson e cols., 1999). Em adição ao fato do chocolate amargo possuir maior quantidade de flavonóides do que o chocolate ao leite, o efeito biológico destes flavonóides presentes no chocolate amargo pode ser melhor do que o analisado com o consumo do chocolate ao leite (Serafini e cols., 2003). Exatamente porque o leite pode inibir a absorção intestinal dos flavonóides (Serafini e cols., 2003). De qualquer forma, estes achados são controversos (Roura e cols., 2007; Schroeter e cols., 2003). Há variação de um indivíduo para outro no que diz respeito à absorção intestinal dos flavonóides (Cooper e cols., 2008). Esta medida não pode desta forma demonstrar realmente a biodisponibilidade do polifenol, servindo somente como uma medida de verificação, o que limita sua eficácia como marcador biológico (Cooper e cols., 2008). A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 28 1.5. O Ácido Esteárico do Chocolate Amargo Apesar de ser criticado por conter gorduras saturadas, mas principalmente na forma de longas cadeias de ácido esteárico, o chocolate amargo parece exercer uma função antioxidante (Ding e cols., 2006). Não há até o momento estudos clínicos de longo prazo que comprovem os reais efeitos do chocolate amargo na prevenção da ocorrência de eventos cardiovasculares (Ding e cols., 2006). Há estudos de curto prazo sobre cacau e chocolate examinando os efeitos do seu consumo sobre os fatores de risco cardiovascular, e alguns estudos epidemiológicos que relacionam o consumo do ácido esteárico e dos flavonóides aos desfechos cardiovasculares (Ding e cols., 2006). O tipo de gordura saturada encontrada no chocolate amargo é conhecido pelo nome de ácido esteárico (USDA, 2004). De maneira geral, é sabido que a gordura saturada contribui para a ocorrência da aterosclerose, e consequentemente, eleva o risco de ocorrência da DCV (USDA, 2004). O ácido esteárico é um tipo de gordura saturada não aterogênica (USDA, 2004). Ele é um ácido graxo saturado de cadeia longa (18:0) encontrado em carnes e laticínios (USDA, 2004). A manteiga de cacau, uma gordura derivada das plantas de cacau é predominantemente encontrada no chocolate amargo (USDA, 2004), e contém ácidos graxos saturados e insaturados: ácido esteárico (30-35%), palmítico (24-30%), mirístico (2-3%), oléico (30-40%) e linoléico (2-4%) (USDA, 2004). O total de gordura saturada de um alimento é considerado o responsável em parte pelo aumento dos níveis de colesterol total e do LDL-c (Keys e cols., 1957), mas alguns estudos demonstram que o ácido esteárico pode não prejudicar o perfil lipídico do indivíduo (Keys e cols., 1957; Hegsted e cols., 1965). Esta ação neutra do chocolate sobre o colesterol pode ser explicada pela presença deste atípico ácido graxo saturado e pela presença dos ácidos graxos insaturados (Judd e cols., 2002). Os estudos observacionais são inconclusivos a respeito dos malefícios e benefícios do ácido graxo saturado esteárico (Ding e cols., 2006). A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 29 1.6. Propriedades Antioxidantes dos Flavonóides Os flavonóides dietéticos suprimem a produção dos mediadores próinflamatórios e estimulam a produção do mediador antiinflamatório, o óxido nítrico (Sies e cols., 2005). Inicialmente, acreditou-se que os flavanols do cacau diminuiriam os compostos inflamatórios através da sua habilidade primordial de “varrer” os radicais livres do organismo (Sies e cols., 2005). Agora diversos efeitos não antioxidantes têm sido propostos (Sies e cols., 2005). O cacau, por exemplo, altera a razão dos eicosanóides através da redução dos leucotrienos pró-inflamatórios (Rein e cols., 2000; Holt e cols., 2002; Pearson e cols., 2002; Schramm e cols., 2001; Sies e cols., 2005). Adicionalmente, os flavanols do cacau aumentam as espécies de óxido nítrico antiinflamatórias no plasma (Sies e cols., 2005). Em adição às ações diretas sobre o endotélio, os flavanols potencialmente reduzem o desenvolvimento de aterosclerose através das suas ações indiretas como substâncias antioxidantes (Steinberg e cols., 1989). Quando as partículas de LDL são oxidadas, elas podem causar injúrias às paredes das artérias, atraindo células espumosas e desencadeando outras respostas imunológicas, que conduzem à formação de placas de ateroma, fato que desencadeia o processo aterosclerótico (Steinberg e cols., 1989). Os flavanols do cacau protegem a LDL-colesterol da oxidação (Wan e cols., 2001; Osakabe e cols., 2001). Alguns indivíduos saudáveis ingerindo 37g de chocolate amargo rico em cacau, ou 31g de cacau como bebida diariamente durante 5 semanas, tendo a sexta semana de intervenção como um período de wash-out. Após este período, os grupos foram invertidos. Ambos os grupos experimentaram um efeito protetor contra a oxidação da LDL, evidenciada através do aumento no tempo de oxidação da LDL na presença do radical livre iniciador (Mathur e cols., 2002). Um estudo anterior a este também demonstrou uma diminuição dose-dependente na susceptibilidade de oxidação da LDL, assim como uma melhora na capacidade antioxidante após a ingestão respectiva de 27g, 53g e 80g de chocolate rico em procianidina (Wang e cols., 2000). Um estudo experimental utilizando coelhos Kurosawa e Kusanagi-hipercolesterolêmicos (KHC) demonstrou o poder do cacau em não somente reduzir a susceptibilidade de oxidação, A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 30 como também o de suprimir o desenvolvimento de lesões ateroscleróticas (Kurosawa e cols., 2005). Estas pesquisas preliminares utilizando modelos animais são muito promissoras, indicando um potencial papel preventivo antioxidante do cacau (Gu e cols., 2004). De qualquer maneira, estudos clínicos são necessários para melhor entender o impacto do cacau sobre o processo aterosclerótico (Gu e cols., 2004). Analisando-se a capacidade da absorvância de radicais de oxigênio (ORAC), observa-se que o cacau e o chocolate possuem uma capacidade antioxidante potente, especialmente em comparação aos outros alimentos contendo flavanol (Zhu e cols., 2002). A ingestão de cacau aumenta a capacidade antioxidante total do plasma, e com isto, diminui a susceptibilidade de oxidação das membranas celulares (Zhu e cols., 2002). O exercício físico extenuante gera no organismo o estresse oxidativo, evidenciado pelo aumento do F(2)-isoprostanos (Zhu e cols., 2002). Pesquisas mostram que quando há o consumo de bebida de cacau rica em flavanols após o exercício físico extenuante, os F(2)-isoprostanos plasmáticos são reduzidos (Zhu e cols., 2002). Este resultado indica que os flavanols são capazes de reduzir o estresse oxidativo induzido pelo exercício físico (Zhu e cols., 2002). Um estudo conduzido com homens jogadores de futebol mostrou que o consumo diário de 105g de chocolate amargo por dia, melhorou a pressão arterial e os marcadores associados ao estresse oxidativo (Fraga e cols., 2005). Pesquisas têm demonstrado que o estresse oxidativo e a inflamação são os maiores contribuintes para o declínio da função cognitiva observado com o processo de envelhecimento (Joseph, Shukitt-Hale e Casadesus, 2005). O sistema nervoso central é vulnerável aos efeitos do estresse oxidativo, especialmente em idades mais avançadas (Joseph, Shukitt-Hale e Casadesus, 2005). Em adição a isto, as reações inflamatórias envolvendo citocinas, parecem exercer um papel central no dano causado à memória (Joseph, Shukitt-Hale e Casadesus, 2005). Os flavanols atuando como agentes antioxidantes e antiinflamatórios poderiam manter a função cognitiva adequada (Joseph, Shukitt-Hale e Casadesus, 2005). Apesar de existirem poucos estudos, alguns dos quais realizados em modelos animais, esta possibilidade é apresentada (Joseph, A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 31 Shukitt-Hale e Casadesus, 2005). Os compostos polifenólicos encontrados em frutas e vegetais podem ser eficazes em reduzir os efeitos deletérios ao cérebro que ocorrem com a idade (Joseph, Shukitt-Hale e Casadesus, 2005). Quando ratos recebem suplemento de extrato de flavonóide, observa-se uma melhora nos testes de labirinto realizados na água (Joseph, Shukitt-Hale e Casadesus, 2005). Também há menor concentração das espécies reativas de oxigênio no cérebro dos animais tratados, do que no grupo controle (Joseph, Shukitt-Hale e Casadesus, 2005). Um estudo similar em camundongos utilizando o suplemento de catequina do chá verde mostrou melhora na função da memória dos animais tratados e apresentando atrofia cerebral prévia (Unno, Takabayashi e kishido, 2004). As pesquisas recentes focam na correlação entre dieta e função imune (Kubena e Mcmurray, 1996). Doenças, como a doença celíaca, são causadas ou agravadas com a ingestão de certos alimentos que desencadeiam uma resposta imunológica (Kubena e Mcmurray, 1996). Adicionalmente, condições caracterizadas por uma hiperatividade do sistema imune, como as doenças auto-imunes e as inflamatórias crônicas podem se beneficiar com a introdução da dietoterapia (Kubena e Mcmurray, 1996). As procianidinas do cacau podem influenciar a função imune indiretamente através da sua habilidade em atuarem como antioxidantes, inibindo a produção e a ação das espécies reativas de oxigênio, e diretamente por afetar a secreção de citocinas inflamatórias, que são mediadores de reações imunes (Ramiro e cols., 2005). Estudos in vitro têm demonstrado que extratos de cacau, monômeros de flavanol e procianidinas modulam o perfil das citocinas celulares (Ramiro e cols., 2005). As citocinas são centrais na iniciação da inflamação em humanos (Ramiro e cols., 2005). Além dos efeitos diretos sobre a expressão e a atividade da NO sintase, os flavanols do cacau e as procianidinas exercem forte efeito antioxidante in vitro. A primeira evidência veio de um experimento no qual foram extraídos polifenóis de cacau comercial, que atrasaram a oxidação da LDL partícula pequena e densa (Waterhouse e cols., 1996). Alguns estudos demonstraram a redução na produção das espécies reativas de oxigênio em leucócitos ativados (Sanbongi e cols., 1997), e uma inibição da oxidação do DNA induzida pelos raios ultravioleta (Ottaviani e cols., 2002). Em humanos o cacau rico em flavonóides contrabalança a peroxidação lipídica A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 32 e, portanto diminui os níveis plasmáticos de F2-isoprostanos, que são marcadores de peroxidação lipídica in vivo (Wiswedel e cols., 2004), e os níveis plasmáticos de LDL oxidada em pacientes hipercolesterolêmicos (Baba e cols., 2007), além de aumentar a capacidade antioxidante total (Adamson e cols., 1999; Rein e cols., 2000). Em fumantes jovens, o chocolate amargo comercilamente vendido, com 74% de cacau, mas não o chocolate branco, melhora a vasodilatação fluxo-mediada e melhora o status antioxidante plasmático, sugerindo a indução da atividade da No sintase, e desta forma, elevando os níveis de NO, e reduzindo a produção de espécies reativas de oxigênio. Todos estes fatores melhoram a função endotelial (Hermann e cols., 2006). Os antioxidantes do cacau também protegem contra a transformação do NO em peroxinitrito, da vasoconstricção e do dano vascular (Wever e cols., 1998). O estresse oxidativo e a redução da defesa antioxidante exercem um papel crucial na patogênese da aterosclerose. Recentemente em um estudo randomizado duplo-cego, foi comparado o efeito do uso so chocolate amargo rico em cacau na vasomotricidade coronariana no trasplante cardíaco, com pacientes que não efetuaram o uso do chocolate rico em cacau. O consumo de 40g de chocolate amargo induziu a vasodilatação coronariana, e reduziu a agregação plaquetária. Estes benefícios foram devidos à redução do estresse oxidativo sérico visto através da redução dos isoprostanos plasmáticos e aumento das concentrações plasmáticas de epicatequinas (Flammer e cols., 2007). Sies (2007) mostrou que uma dieta rica em frutas e vegetais contém vários macronutrientes e micronutrientes, e que em adição aos flavanols do cacau podem diretamente afetar a capacidade antioxidante total do plasma. Após o consumo de alimentos ricos em flavanols há aumento da capacidade antioxidante total do plasma (Lotito e Frei, 2006). 1.7. Saúde Vascular e Flavanols do Cacau Os benefícios do cacau e do chocolate para a saúde vascular têm sido investigados nos últimos 15 anos (Pearson e cols., 2005). Estudos têm demonstrado a habilidade dos flavanols em reduzir a ativação de plaquetas, melhorar a função endotelial e aumentar o status antioxidante do plasma (Pearson e cols., 2005). Os A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 33 resultados de alguns estudos sugerem que o cacau e o chocolate podem influenciar positivamente vários mecanismos que afetam a saúde vascular, o que beneficia o sistema cardiovascular, o controle da pressão arterial, a saúde renal, a cognição, a função imunológica, o controle ou a prevenção do diabetes mellitus, e mais recentemente, a saúde geral e o bem estar (Hertog e cols., 1993; Arts e cols., 2001). As pesquisas com o chocolate têm focado no impacto dos flavanols sobre a saúde cardiovascular (Hertog e cols., 1993; Arts e cols., 2001). Estudos epidemiológicos mostram que as dietas ricas em flavonóides estão associadas a um decréscimo no risco de desenvolvimento de doença cardíaca e acidente vascular encefálico (Hertog e cols., 1993; Arts e cols., 2001). A doença cardiovascular como um grupo de doenças é responsável pela maior causa de mortes nos Estados Unidos (Ding e cols, 2006), e no mundo de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), ela foi a responsável por mais de 16,7 milhões de mortes registradas em 2002 (Ding e cols, 2006). Estudos sugerem que a doença cardiovascular pode ser prevenida através de modificações no estilo de vida, com a adoção da prática regular de exercícios físicos e nutrição adequada (Hu and Willet, 2002; Stampfer e cols., 2000). A American Heart Association, a American Diabetes Association, e o U.S Preventive Services Task Force têm indicado a grande importância exercida pela dieta na prevenção da doença cardiovascular (Eyre e cols., 2004). Dados epidemiológicos demonstram que consumir alimentos e bebidas derivadas de plantas reduz o risco de desenvolvimento da doença da artéria coronária (Hertog e cols., 1995; Joshipura e cols., 2001) e de acidente vascular cerebral (Keli e cols., 1996), além de estar inversamente associado ao risco de desenvolvimento de doença cardiovascular (Joshipura e cols., 2001). Os flavanols poderiam reduzir a tendência da agregação de plaquetas (Pearson e cols., 2005; Rein e cols., 2000; Murphy e cols., 2003; Holt e cols., 2002). A reatividade e a agregação de plaquetas podem conduzir à trombose, contribuindo para o desenvolvimento de doença cardiovascular, incluindo infarto do miocárdio, acidente vascular encefálico e doença vascular periférica (Pearson e cols., 2002). A habilidade dos flavanols do cacau em modular a reatividade das plaquetas pode ser similar ao observado aos benefícios de tomar diariamente a aspirina infantil (Pearson e cols., A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 34 2002). De fato, um estudo comparando a função das plaquetas, 2 horas e seis horas após a ingestão de um comprimido de aspirina infantil, bebida à base de cacau rica em flavanol, ou a combinação dos dois mostrou que o cacau possui os mesmos efeitos sobre as plaquetas do que os observados com a aspirina infantil (Pearson e cols., 2002). A combinação dos dois resultou no melhor resultado de redução da reatividade das plaquetas (Pearson e cols., 2002). Diversos estudos sugerem que, uma dieta rica em flavanol afeta a função das plaquetas através de diversos caminhos (Pearson e cols., 2005; Rein e cols., 2000; Murphy e cols., 2003). Um mecanismo potencial em reduzir a agregação plaquetária seria a habilidade do chocolate em alterar favoravelmente a síntese de eicosanóides (Schramm e cols., 2001). Um estudo clínico demonstrou que após a ingestão de 37g de uma barra de chocolate rica em flavanol comercializada, houve uma alteração favorável da razão dos leucotrienos (agentes vasoconstrictores, pró-inflamatórios e estimulantes da agregação plaquetária) e das prostaciclinas (agentes vasodilatadores e anti-agregante plaquetários) (Schramm e cols., 2001). Holt e cols. (2002) demonstrou efeito similar sobre a razão dos eicosanóides com uma redução no estímulo de reatividade plaquetária quando os participantes ingeriram pedaços de chocolate meio-amargo (Holt e cols., 2002). O consumo de uma pequena quantidade de chocolate rico em flavanol pode exercer efeitos positivos de curto prazo sobre a função plaquetária e consequentemente para a saúde vascular, contribuindo para a prevenção da doença cardiovascular (Pearson e cols., 2002; Murphy e cols., 2003; Holt e cols., 2002). 1.8. Efeitos Anti-Hipertensivos do Cacau A hipertensão arterial é um grave problema de saúde pública em diversas regiões do mundo, em função da sua alta prevalência (Whelton e cols., 2004). Este fato eleva o risco de desenvolvimento de doença cardíaca, cerebral e renal (Whelton e cols., 2004). Uma recente análise mundial realizada em diferentes regiões mostrou que o número total de adultos hipertensos no ano 2000 era de 972 milhões, dos quais 333 milhões pertencentes a países de economia estável, e 639 milhões pertencentes a A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 35 países de economicamente em desenvolvimento (Kearney e cols., 2005). O número de adultos hipertensos irá crescer 24% nos países em desenvolvimento e 80% nos países desenvolvidos (Kearney e cols., 2005). No ano de 2025 haverá 1,56 bilhões de hipertensos no mundo aproximadamente (Kearney e cols., 2005). A magnitude do crescimento da hipertensão arterial prediz a epidemia mundial da doença cardiovascular (Murray e Lopez, 1994). A hipertensão arterial frequentemente cursa com a presença de outros fatores de risco cardiometabólicos incluindo sobrepeso, obesidade, resistência à insulina, diabetes melllitus e dislipidemia (Murray e Lopez, 1994). A Sociedade Brasileira de Hipertensão estima que 30 milhões de brasileiros sejam hipertensos, cerca de 30% da população adulta, e que somente 2,7 milhões estejam sendo adequadadamente tratados (V Diretrizes Brasileiras de e Hipertensão, 2006). Cerca de 300 mil pessoas por ano são mortas direta ou indiretamente pela hipertensão arterial mal controlada (V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, 2006). Os estudos referentes à população de Framingham mostraram que doenças como acidente vascular cerebral, doença da artéria coronária e doença arterial periférica, ocorreram com freqüência duas a três vezes maiores em hipertensos quando comparados com normotensos da mesma idade (Kannel, Wolf e cols., 1981). Muitos tratamentos têm sido propostos para o controle e prevenção da hipertensão arterial (V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, 2006). Entre os diversos estudos referentes aos tratamentos não farmacológicos, destaca-se a necessidade da mudança de estilo de vida com a inclusão da prática de exercícios físicos regulares e hábitos alimentares saudáveis (V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão, 2006). O controle da pressão arterial exerce um papel crucial na manutenção da função renal normal (Grassi e cols., 2005). De fato, a hipertensão arterial pode ser um sinal de possível dano à função renal. O rim normal deve regular o volume sanguíneo, eliminar "lixo" orgâncio e manter em equilíbrio os eletrólitos (Grassi e cols., 2005). De qualquer maneira, quando os vasos sanguíneos do rim sofrem dano endotelial, similarmente ao dano que ocorre aos vasos que irrigam o coração, mas neste caso, a disfunção renal e o desbalanço eletrolítico podem desencadear ou exacerbar a hipertensão arterial (Grassi e cols., 2005). Os inibidores da enzima conversora de A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 36 angiotensina (ECA) prescritos no tratamento da hipertensão arterial protegem os rins através do controle pressórico (Grassi e cols., 2005). Neste mesmo caminho, seguir uma dieta rica em alimentos que ajudam a controlar a pressão arterial, indiretamente pode ajudar na manutenção da função renal adequada (Grassi e cols., 2005). Os flavanols do cacau reduzem a pressão arterial em hipertensos leves e em normotensos, tendo como mecanismo de ação principal a vasodilatação dependente da liberação do óxido nítrico endotelial (Grassi e cols., 2005). Um estudo in vitro avaliou a atividade da ECA na presença de alimentos ricos em flavanol, como os extratos de chocolate (ActisGoretta, Ottaviani e Fraga, 2006). Os pesquisadores acharam uma inibição na atividade da ECA através do uso de alimentos ricos em flavanols, como o extrato de chocolate rico nas procianidinas (Actis-Goretta, Ottaviani e Fraga, 2006). A ocorrência deste fato precisa ser mais estudada, mas mostra a possível capacidade do chocolate rico em flavanol em controlar a pressão arterial, e consequentemente manter a função renal adequada (Actis-Goretta, Ottaviani e Fraga, 2006). 1.9. O Endotélio Vascular Apesar de o endotélio vascular saudável ser somente uma monocamada relativamente simples de células que durante anos foi considerada não mais do que uma barreira semi-permeável que revestia a vasculatura, atualmente está bem claro o seu papel essencial para as funções de manutenção da homeostase vascular (Celemajer, 2008). O endotélio é exposto a uma variedade de sinais transmitidos pelo sangue e por agentes intravasculares que promovem o estresse, respondendo a estes estímulos através da secreção ou modificação de uma série de fatores que regulam o tônus vascular, a trombo- resistência, e a adesão celular (Celemajer, 2008). Ele traduz, por exemplo, o estímulo do aumento do “shear stress” em uma resposta de vasorelaxamento, facilitando um dos mais básicos mecanismos homeostáticos cardiovasculares de dilatação fluxo-mediada (Celemajer, 2008). A primeira abordagem na descoberta e na avaliação da função endotelial estava focada na análise da resposta endotélio-dependente aos agentes A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 37 farmacológicos como a acetilcolina (Furchgot, 1993). O endotélio saudável está otimamente localizado, sendo capaz em responder a sinais físicos e químicos através da produção de uma ampla gama de fatores que regulam o tônus vascular, a adesão celular, a trombo-resistência, a proliferação de células da musculatura lisa, e a inflamação da parede do vaso (Schechter e Gladwin, 2003). A importância do endotélio veio primeiramente à partir do reconhecimento dos seus efeitos sobre o tônus vascular (Schechter e Gladwin, 2003). Diversas moléculas vasoativas que relaxam e constrigem os vasos são produzidas e liberadas pelo endotélio, em resposta à uma modificação nos mediadores vasoativos como a trombina e a bradicinina (Schechter e Gladwin, 2003). Esta vasomotricidade exerce um papel direto no suprimento de oxigênio e demandas metabólicas aos tecidos, através da regulação do tônus e do diâmetro do vaso (Schechter e Gladwin, 2003). Ela também está envolvida na remodelação da estrutura vascular e na perfusão do órgão em longo-prazo (Schechter e Gladwin, 2003). Os experimentos pioneiros de Furchgott e Zawadzki demonstraram um fator de relaxamento derivado do endotélio, o óxido nítrico (NO) (Furchgott e Zawadzki, 1980). O NO é gerado à partir da L-arginina através da ação da NO sintase endotelial (eNOS), na presença de co-fatores como a tetrahidrobioterina (Forstermann e Munzel, 2006). Este gás é difundido para as células musculares lisas e ativam a guanilato ciclase, que conduz à vasodilatação mediada pelo cGMP (Forstermann e Munzel, 2006). O “shear stress” exerce um papel chave na ativação da eNOS na fisiologia normal, e esta adaptação de perfusão do órgão se deve às mudanças no débito cardíaco (Forstermann e Munzel, 2006). A enzima pode ser ativada através da sinalização de moléculas como a bradicinina, adenosina, fator de crescimento vascular endotelial (em resposta à hipoxia) e serotonina (liberada durante a agregação plaquetária) (Govers e Rabelink, 2001). O endotélio também media a hiperpolarização das células da musculatura lisa vascular através de um caminho NO-independente, o qual aumenta a conduntância do potássio e propagação da despolarização das células musculares lisas, para manutenção do tônus vascular (Busse, 2002). O fator hiperpolarizante derivado do endotélio pode compensar a diminuição da vasodilatação mediada pelo NO, particularmente na microcirculação, o que é muito importante quando há diminuição na biodisponibilidade do NO (Halcox, 2001). A prostaciclina derivada do A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 38 sistema da cicloxigenase é um outro vasodilatador derivado do endotélio, que funciona de maneira independente do NO (Moncada, 1977). O endotélio regula a vasomotricidade, não somente através de substâncias vasodilatadoras, mas também através do aumento do tônus constrictor via geração de prostanóides vasoconstrictores e endoteliais, como a via de conversão da angiotensina I em angiotensina II na superfície endotelial (Kinlay, 2001). Estes agentes vasoconstrictores agem localmente, mas possuem efeitos sitêmicos e influenciam a estrutura e remodelação vascular (Kinlay, 2001). Algumas moléculas secretadas pelo endotélio saudável exercem uma função principal na defesa contra a aterosclerose, incluindo importantes moléculas antiproliferativas e anti-trombóticas, como o óxido nítrico (NO) e a prostaciclina (Celemajer, 2008). O NO não atua somente na promoção da vasodilatação, mas também inibe a agregação plaquetária, a adesão de monócitos nas células endoteliais, e a anormal proliferação das células musculares lisas, o que o torna um importante agente “antiaterogênico” (Cooke e Tsao, 1994). O processo de dilatação dependente do endotélio é altamente complexo, e inclui uma série de mediadores como: NO, prostanóides vasodilatadores e vasoconstrictores, além de fatores hiperpolarizantes derivados do endotélio (Cohen, 2005). Um diferente balanço entre as substâncias dilatadoras e constrictoras derivadas do endotélio podem significar a perda da homeostase vascular (Celemajer, 2008). O endotélio é o principal regulador da homeostase da parede vascular (Vane, Anggard e Botting, 1990). Fisiologicamente, as células endoteliais mantêm o relaxamento do tônus vascular e baixos níveis de estresse oxidativo, em parte através da liberação de mediadores que incluem o NO, as prostaciclinas (PGI2), e a endotelina (ET-1), além do controle da atividade da angiotensina II (Vane, Anggard e Botting, 1990). O endotélio regula a permeabilidade vascular para os constituintes do plasma, a agregação e a adesão de plaquetas, e a liberação de agentes trombolíticos (Vane, Anggard e Botting, 1990). Este estado de regulação equilibrada do endotélio sobre a função dos vasos sanguíneos pode ser alterada por uma série de condições (Drexler, 1997). Em resposta a uma variedade de estímulos nocivos, o endotélio sofre uma modulação fenotípica para um estado não adaptativo, a chamada “disfunção endotelial”, A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 39 caracterizada pela perda ou desregulação do mecanismo de homeostase funcionante em células endoteliais saudáveis (Drexler, 1997). Esta condição fisiopatológica está associada com o aumento da expressão de moléculas de adesão, aumento na síntese de fatores pró-inflamatórios e pró-trombóticos, aumento do estresse oxidativo, e anormal modulação do tônus vascular, o qual pode conduzir a diferentes manifestações funcionais, que incluem o comprometimento da vasodilatação endotélio-dependente (Drexler, 1997). Evidências científicas sugerem que a disfunção endotelial ocorre no início do processo de aterogênese e contribui para a formação, progressão e complicações decorrentes da placa aterosclerótica (Ross, 1999). Diversos estudos mostram que pacientes apresentando diversos fatores de risco cardiovascular, mas não evidências clínicas de aterosclerose têm disfunção endotelial, indicada por uma resposta diminuída a agentes vasodilatadores endoteliais, como a acetilcolina e a bradicinina (Panza, 1997). A disfunção endotelial é o mecanismo comum entre os fatores de risco cardiovascular e o desenvolvimento da aterosclerose (Halcox e cols., 2002). Ela é um preditor independente de possível futuro evento cardiovascular, em pacientes com fatores de risco aterosclerótico (Halcox e Quyyumi, 2001; Perticone e cols., 2001), em pacientes com doença cardíaca isquêmica estável (Halcox e cols., 2002), e em pacientes com síndrome aguda da artéria coronária (Fichtlscherer, Breuer e Zeiher, 2004). A disfunção endotelial parece ser um processo sistêmico vascular que não apenas media o desenvolvimento da placa aterosclerótica, mas também modula seu curso clínico (Modena e cols., 2002). Em pacientes hipertensos a melhora da função vasodilatadora endotelial com terapia anti-hipertensiva, se correlaciona com um prognóstico mais favorável, sugerindo que a função endotelial pode ser utilizada para avaliar a eficácia dos tratamentos que visam reduzir o risco aterosclerótico (Modena e cols., 2002). A ingestão habitual de bebidas à base de cacau esteve inversamente associada com a hipertensão arterial, a mortalidade por doença cardiovascular e por todas as causas (Buijsse e cols., 2006). Estudos clínicos mostram os potenciais mecanismos de ação dos flavanols sobre a saúde cardiovascular (Buijsse e cols., 2006). Os efeitos multifatoriais dos flavanols contra vários fatores de risco associados à doença A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 40 cardiovascular inclui a melhora da função endotelial (Buijsse e cols., 2006). Estudos observacionais sugerem que o consumo dietético de flavonóides diminui o risco de morte por doença arterial coronariana, câncer (Hertog e cols., 1995) e infarto do miocárdio (Sirving e cols., 1996). Estudos recentes em humanos, nos quais se avaliou os efeitos dos flavonóides do cacau sobre a pressão arterial, demonstraram um aumento na expressão da óxido nítrico sintase (Karim e cols., 2000) sugerindo uma ação vasodilatadora endotélio-dependente. Adultos saudáveis ao ingerirem bebidas ricas em flavonóides do cacau tiveram aumento da vasodilatação dependente do óxidonítrico em artérias dos membros superiores (Fisher e cols., 2003) e a ingestão de chocolate preto rico em flavonóides melhorou a dilatação fluxo-mediada em artérias braquiais assim como induziu o aumento de epicatequina plasmática, porém não se observou melhora do perfil lipídico, pressão arterial e índice de massa corporal (Engler e cols., 2004). O comprometimento da vasodilatação dependente do óxido nítrico também contribui para a elevação da pressão arterial (Panza e cols., 1993) e diminuição da secreção de insulina mediada pelo aumento da glicose (Clark e cols., 2003). Por outro lado, o aumento na expressão da óxido nítrico sintase melhora a disfunção endotelial podendo contribuir para a diminuição da pressão arterial, além de melhorar a sensibilidade à insulina e retardar o processo aterogênico (Panza e cols., 1993). Grassi e colaboradores em 2005 constataram que em hipertensos primários, há melhora da função endotelial, da sensibilidade à insulina, redução da pressão arterial e do LDL colesterol após ingestão de chocolate preto. O efeito dos flavanols sobre a função endotelial, circulação e aterosclerose pode potencialmente beneficiar aqueles com danos vasculares e circulatórios causados pelo diabetes mellitus (Grassi e cols., 2005; Grassi e cols., 2004). Os flavanols do cacau podem exercer efeitos benéficos sobre a sensibilidade insulínica e controle do diabetes (Grassi e cols., 2005; Grassi e cols., 2004). A sensibilidade insulínica é em parte dependente da liberação do óxido nítrico, e desta forma, os flavanols podem diminuir a resistência insulínica através do aumento da liberação e biodisponibilidade de óxido nítrico. Estudos pilotos mediram a sensibilidade insulínica via teste oral de tolerância à glicose (TOTG) após a ingestão de 15g de chocolate rico no flavanol (Grassi e cols., A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 41 2005; Grassi e cols., 2004). Ao comparar os dados finais com os basais, os níveis de glicemia de jejum e de insulina estavam significativamente menores após o período de tratamento (Grassi e cols., 2005; Grassi e cols., 2004). 1.10. Ativação ou Disfunção Endotelial A disfunção endotelial exerce papel chave no desenvolvimento da aterosclerose e contribui para o desenvolvimento da doença cardiovascular (Widlansky e cols., 2003). Na presença de fatores de risco vasculares, as células endoteliais sofrem mudanças fenotípicas que resultam na diminuição da biodisponibilidade NO, e posteriormente agem promovendo vasoconstricção, inflamação e trombose (Hamburg e Vita, 2006). Em estudos realizados em humanos, os fatores de risco para doença vascular têm sido associados com alteração na função vasomotora e com o aumento da taxa de eventos cardiovasculares (Gokce e cols., 2002). A aterosclerose se inicia na infância, progride silenciosamente durante estágios pré-clínicos, e eventualmente se manifesta clinicamente na meia idade (Ross, 1999). Nos últimos 30 anos, ficou claro que a iniciação, a progressão da doença, e a sua tardia ativação aumentam o risco de morbidade, além de dependerem de mudanças dinâmicas profundas na biologia vascular (Ross, 1999). O endotélio é tido como o regulador principal da homeostase vascular, que pode influenciar o fenótipo das paredes dos vasos (Ross, 1999). Alterações na função endotelial precedem o desenvolvimento das mudanças morfológicas vistas na aterosclerose, podendo também contribuir para o desenvolvimento da lesão e para as complicações clínicas tardias (Ross, 1993). A disfunção endotelial representa um estágio precoce da doença da artéria coronária (CAD) (Ross, 1999). A presença da disfunção endotelial da artéria coronária ou de vasos periféricos representa um preditor independente para ocorrência de eventos cardiovasculares (Ross, 1999). O que geralmente é descrito como disfunção endotelial poderia ser mais apropriadamente, chamado de ativação endotelial, que pode vir a contribuir para o desenvolvimento da doença arterial (Gokce e cols., 2002). A maior parte dos fatores de risco cardiovascular ativa a maquinaria molecular do endotélio, o que resulta na A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 42 expressão de citocinas e moléculas de adesão (Gokce e cols., 2002). Estas duas interagem com leucócitos e plaquetas desencadeando a inflamação de tecidos específicos (Gokce e cols., 2002). Paralelamente à ativação endotelial, ocorre as sinalizações redoxes, que pode ser descrita da seguinte maneira: as espécies reativas de oxigênio (ROS) na presença da superóxido dismutase, geram o peróxido de hidrogênio, que assim como o NO, rapidamente é difundido através das células, reagindo com o grupo cisteína da proteína e desta maneira, alterando as funções normais das células (Gokce e cols., 2002). Isto resulta na fosforilação dos fatores de transcrição, indução da remodelação da cromatina nuclear e da transcrição de genes, além de ativação da protease (Forstermann e Munzel, 2006). A ativação endotelial faz parte do sistema de defesa fisiológica e normal do organismo (Celemajer e cols., 1994). Para diferenciar o que é defesa normal do processo pró-aterogênico é preciso saber a natureza, a extensão, a duração e a combinação dos estímulos inflamatórios (Celemajer e cols., 1994). Pode haver, por exemplo, uma diminuição da dilatação endotélio-dependente durante uma infecção pontual e comum na infância (Celemajer e cols., 1994). Este processo exemplifica algo que pode ser considerado adaptativo e não pró-aterogênico (Celemajer e cols., 1994). Se por outro lado, outros fatores de riscos ambientais estiverem presentes concomitantemente, como a hipertensão arterial, o diabetes mellitus e a hipercolesterolemia, o processo adaptativo pode transformar-se em pró-aterogênico, induzindo a desregulação crônica da liberação do NO e da produção de ROS (Celemajer e cols., 1994). Em certas circunstâncias a produção crônica de ROS pode exceder a capacidade antioxidante enzimática e não-enzimática do organismo, o que contribui para o desenvolvimento da doença vascular através da indução contínua e mantida de ativação endotelial (Forstermann e Munzel, 2006). Uma importante fonte de ROS é a mitocôndria (Forstermann e Munzel, 2006). A produção de ROS mitocondrial e a capacidade antioxidante da superoxido dismutase estão em equilíbrio durante a fosforilação oxidativa, para produção de enrgia (Forstermann e Munzel, 2006). Esta etapa será alterada na hipóxia e em condições de desordens metabólicas associadas à obesidade, na hiperglicemia do diabetes mellitus tipo 2 e no aumento dos ácidos graxos A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 43 livres circulantes (Forstermann e Munzel, 2006). Outra importante fonte originária do estresse oxidativo localizado no endotélio são as nicotinamida adenina dinucleotídeo fosfato oxidases, como a xantina oxidase, que parecem ter atividade aumentada nas artérias de pacientes com doença da artéria coronária (Forstermann e Munzel, 2006). A interação entre ROS e NO configura um ciclo vicioso que resulta na ativação endotelial e no desenvolvimento do processo inflamatório orgânico (Celemajer e cols., 1994). Prolongada e / ou repetida, a exposição aos fatores de risco cardiovascular pode exaurir o sistema de proteção antiinflamatória endógena dentro das células endoteliais (Celemajer e cols., 1994). Há a ocorrência da disfunção ou ativação endotelial neste caso, mas também há perda da integridade das células endoteliais. Isto pode ser observado na doença aterosclerótica periférica e da artéria coronária, assim como em outras condições inflamatórias associadas com o aumento do risco vascular, como a artrite reumatóide (Celemajer e cols., 1994). 1.11. Avaliação da Função Endotelial Como o endotélio exerce um papel principal para saúde e para a função vascular normal, mas também como a disfunção endotelial é considerada o evento precoce da aterogênese, a importância da análise da função endotelial para a estratificação do risco cardiovascular é facilmente compreendida (Celermajer, 2008). O primeiro teste de função endotelial invasivo realizado utilizou o estímulo da acetilcolina (Celemajer e cols., 1992), e o primeiro teste não invasivo da função endotelial utilizou o estímulo do “shear-stress” (Celemajer e cols., 1992). Em ambos os resultados houve a predominância da liberação do NO (Celemajer e cols., 1992). A utilização de testes que permitam acessar o grau de dilatação arterial induzida pelo NO pode fornecer um excelente resultado sobre a saúde arterial do indivíduo (Celemajer, 2008). Os testes que acessam a função endotelial, para avaliar a habilidade do endotélio em liberar o NO, e também a sua implicação contra o processo aterogênico, têm sido realizados em alguns estudos transversais que investigam o impacto dos fatores de risco sobre os vasos sanguíneos (Celemajer e cols., 1994), e a habilidade de uma série de potenciais intervenções que beneficiem a reversão do dano arterial A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 44 precoce (Woo e cols., 2004). Os estudos sobre as propriedades vasomotoras endotélio-dependentes (e também dependentes do músculo liso), da vasculatura tanto na saúde, quanto na patologia também serve para destacar um outro importante conceito na fisiopatologia cardiovascular: a de que a função vascular pode exercer um papel muito importante em determinar o risco cardiovascular, melhor do que o risco veiculado pelo impedimento estrutural do fluxo sanguíneo, como o que ocorre com a presença da grande placa aterosclerótica (Lerman, 2005). De fato, o tamanho da placa (e o mínimo diâmetro do lúmen) é relativamente pobres preditores do risco cardiovascular, enquanto que a função dos vasos, particularmente a propensão dos vasos em se constrair ao invés de se dilatar durante condições de estresse físico e / ou mental, parecem ser um mais importante risco fisiopatológico para a ocorrência de evento vascular agudo (Lerman, 2005). Por estas razões os testes que acessem a função endotelial, que meçam a dilatação dependente do endotélio, podem detectar anormalidades arteriais precoces e reversíveis, além de poderem determinar o risco cardiovascular do indivíduo (Celemajer e cols., 1992; Celemajer e cols., 1994). Com o melhor entendimento dos inúmeros papéis exercidos pelo endotélio, diversas novas técnicas têm sido propostas para avaliar a função endotelial (Anderson e cols., 1995). Estes novos métodos possibilitam uma análise mais detalhada da função endotelial de pacientes que apresentam risco cardiovascular aumentado (Anderson e cols., 1995). Um conhecimento mais aprofundado da função endotelial e da metodologia utilizada para efetuar sua avaliação é de suma importância, para o entendimento da fisiopatologia vascular e de suas implicações clínicas (Anderson e cols., 1995). A avaliação da função endotelial da artéria coronária é considerada o teste “padrão-ouro” para este tipo de análise, e constitui um método invasivo (Anderson e cols., 1995). O acesso da vasoreatividade da artéria coronária é realizado através da angiografia da artéria (ou cateterização), que detecta a presença de doença da artéria coronária, um estágio patológico mais avançado, como também avalia as medidas do fluxo de reserva da artéria coronária endotélio-dependentes (em resposta à infusão de acetilcolina) e endotélio-independentes (em resposta à infusão de nitroglicerina) A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 45 (Anderson e cols., 1995; Al Suwaidi e cols., 2000). De acordo com estudos prévios a função endotelial considerada normal da artéria coronária foi definida como um aumento de fluxo sanguíneo da artéria coronária maior do que 50% em resposta à dose máxima de acetilcolina infundida (Al Suwaidi e cols., 2000). Este teste não possui aplicabilidade em larga escala por ser um teste invasivo, e ser somente realizado em indivíduos sintomáticos (ex: com dor no peito), excluindo aqueles assintomáticos, como nos adultos jovens sem dor no peito, mas que podem apresentar fatores de risco para aterosclerose (Celemajer, 2008). As investigações sobre técnicas que permitissem acessar a função endotelial de maneira não invasiva foram primeiramente descritas em 1992 (Celemajer e cols., 1992). Estes testes obtiveram a medida do diâmetro de uma artéria através do uso de ultra-som não invasivo antes e após o “shear stress” (fornecido através da hiperemia reativa) (Joannides e cols., 1995). A liberação do NO pelo endotélio vascular seria em grande parte a responsável pelo grau de dilatação arterial observada (Joannides e cols., 1995). Os resultados obtidos com a medida não invasiva da dilatação fluxo-mediada (FMD) da artéria braquial realizada com ultra-som, se correlacionam positivamente com os resultados encontrados com a utilização do teste invasivo de análise da função endotelial através da angiografia da artéria coronária (Anderson e cols., 1995). A utilização da técnica não invasiva de análise da função endotelial através da dilatação fluxo-mediada da artéria braquial requer treinamento específico, além de ser sensível a uma série de fatores que podem influenciar a função vascular, mas que não possuem importância em longo prazo para o aumento do risco de desenvolvimento da aterosclerose (Celemajer, 2008). Por exemplo, a FMD pode estar reduzida na presença de patologia viral ou debilitada transitoriamente após uma grande refeição (Celemajer, 2008). Já há padronização de utilização desta técnica não invasiva de acesso da função endotelial periférica (Corretti e cols., 2002). Uma série de outras novas técnicas têm sido recentemente propostas como ferramentas de rastreamento de presença de disfunção endotelial em humanos (Celemajer, 2008). O teste deve obedecer algumas regras para que seu uso seja viável em larga escala: ser simples, não invasivo, aplicável na pratica clínica, reprodutível, A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 46 apresentar baixo índice de erros entre observadores, ter padronização entre laboratórios, ser de fácil interpretação, ser capaz de predizer risco cardiovascular e mostrar um diagnóstico preciso que seja capaz de reduzir o risco cardiovascular do indíviduo (Celemajer, 2008). Candidatos para a análise vascular não invasiva têm sido propostos recentemente como: a análise da onda de pulso, a medida da velocidade da onda de pulso e a tonometria arterial periférica (PAT) (Celemajer, 2008). O teste da função vasomotora endotelial após a hiperemia reativa através do PAT (RHI-PAT), medida nos dedos foi primeiramente analisada em um estudo realizado por Hamburg e colaboradores (Hamburg e cols., 2008). 1.12. Tonometria Arterial Periférica: Endo-PAT2000 Como a disfunção endotelial não é restrita às artérias coronárias, técnicas menos invasivas de acesso da função endotelial vascular periférica têm sido desenvolvidas e propostas (Anderson e cols., 1995; Andreson, 1999). Técnicas que possibilitem um fácil e rápido acesso da função endotelial são necessárias, e já vem sendo utilizadas em estudos científicos e poderiam ser utilizadas na prática clínica (Bonetti e cols., 2003; Anderson, 1999). O teste de função endotelial não invasivo pode ser utilizado para selecionar indivíduos com risco cardiovascular aumentado, como o Endo-PAT2000 ou Tonometria Arterial Periférica durante a hiperemia reativa (Bonetti e cols., 2003). Esta é uma técnica não invasiva para acessar a função endotelial microvascular periférica através da medida das mudanças no volume de pulso digital durante a hiperemia reativa (Bonetti e cols., 2003; Gerhard-Herman e cols., 2002). A medida digital da hiperemia reativa é em parte mediada pelo NO derivado do endotélio vascular (Meredith e cols., 1996). A excelente correlação entre a resposta do fluxo sanguineo no braço à hiperemia reativa e do fluxo sanguineo do braço à infusão intraarterial de acetilcolina foi demonstrado (Meredith e cols., 1996). O Endo-PAT2000 é um dispositivo médico para análise da função endotelial não-invasiva. O aparelho é autorizado para uso pelo Food and Drugs Administration (FDA), certificado pelo Consultants Europe (CE), e utilizado por instituições clínicas, A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 47 centros de pesquisas e em estudos clínicos farmacêuticos em mais de 40 países. Ele já foi utilizado em diversos estudos populacionais e multicêntricos (Bonetti e cols., 2004; Kuvin e cols., 2003; Rubinshtein e cols., 2009). O Endo-PAT já foi validado para uso em 100 artigos científicos, e está começando a ser utilizado como metodologia padrão de análise da função endotelial (Bonetti e cols., 2004; Kuvin e cols., 2003; Rubinshtein e cols., 2009). 1.13. Avaliação da Velocidade da Onda de Pulso (VOP): COMPLIOR SP As artérias têm a função de transportar o sangue e todos os seus componentes sob alta pressão a partir do coração até os tecidos, onde haverá as trocas de nutrientes, de hormônios e de outras substâncias, além de facilitar a remoção do dióxido de carbono e de outros produtos do metabolismo produzidos nas células e nos tecidos (Fardy e cols., 1998). Muito embora a propriedade mecânica dos grandes vasos arteriais seja importante para determinação da fisiologia circulatória na saúde e na doença, o estudo da dinâmica das grandes artérias é dificultado devido à natureza pulsátil do fluxo sanguíneo, à complexa estrutura da parede vascular, e à alteração contínua do tônus da musculatura lisa (Asmar e cols., 1995). A medida da velocidade de onda de pulso (VOP), que é relacionada inversamente à distensibilidade da parede arterial, oferece uma abordagem simples e útil (O’Rourke, 1995). Informações quantitativas sobre grandes artérias podem ser facilmente obtidas pela determinação da VOP, que permite avaliar indiretamente a distensibilidade e a rigidez arterial (Asmar, 1999). O pulso de pressão gerado pela ejeção ventricular é propagado através da árvore arterial a uma velocidade que é determinada pelas propriedades elásticas e geométricas da parede arterial, e também da densidade sanguínea (Izzo e Shykoff, 2001). Quanto maior a VOP menor será a distensibilidade arterial (Izzo e Shykoff, 2001). Várias causas têm sido relacionadas ao aumento da VOP, como a calcificação da camada média causando assim perda gradativa da elasticidade (Asmar e cols., 1995). O aumento da VOP dentro do sistema arterial é uma alteração bem documentada em humanos, e se relaciona ao processo de envelhecimento (Braunwald, A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 48 1999). Um estudo realizado em uma população sem indícios ou poucos indícios de aterosclerose, foi identificado um aumento da VOP, o que indica que a diminuição da complacência arterial não está associada à aterosclerose (Lakatta e Levy, 2003). O aumento da VOP geralmente se correlaciona a três fatores de risco: aumento da pressão arterial, aumento da pressão de pulso, além de alteração das paredes vasculares e suas propriedades, sendo que, destes três fatores, a hipertensão arterial sistêmica é a que mais contribui para o enrijecimento arterial quando associado à idade principalmente (Lakatta e Levy, 2003). Existem alguns métodos que avaliam a onda de pulso, e que permitem a gravação do volume da onda de pulso (Millasseau e cols., 2000). A onda de pressão de pulso é formada à partir da combinação da onda incidente (ou onda de pressão gerada pelo ventrículo esquerdo em sístole), e as ondas refletidas à partir da periferia (Vlachopoulo e cols., 2000). A onda de pressão de pulso é detectada com a colocação de probes nas artérias (Vlachopoulo e cols., 2000). A artéria é comprimida entre o sensor e as estruturas subjacentes, e desta forma, a pressão de pulso intra-arterial é transmitida da parede arterial para o sensor (Vlachopoulo e cols., 2000). Esta onda de pressão é então digitalizada, e pode ser observada na tela do computador (Vlachopoulo e cols., 2000). A forma da onda de pressão de pulso apresenta variação nos diferentes vasos de um mesmo indivíduo, e é dependente: das propriedades visco-elásticas das artérias (que causa amplificação da onda que parte da mais elástica artéria central para as mais endurecidas artérias periféricas); da viscosidade do sangue; da reflexão da onda; e da dispersão da onda (Karamanoglu e cols.,1993; Chen e cols., 1997; Fetics e cols., 1999). O software do aparelho permite o cálculo da pressão aórtica central e da forma da onda da pressão de pulso carotídeo-radial e carotídeo-femoral (Karamanoglu e cols.,1993; Chen e cols., 1997; Fetics e cols., 1999). Quando a onda incidente que parte do ventrículo esquerdo em direção à periferia chega aos vasos de maior impedância, eles agem como um espelho, refletindo-a de volta à artéria aorta (Karamanoglu e cols.,1993; Chen e cols., 1997; Fetics e cols., 1999). A pressão resultante da aorta é a soma da onda incidente e da onda refletida (Karamanoglu e cols.,1993; Chen e cols., 1997; Fetics e cols., 1999). O A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 49 tempo de chegada da onda refletida depende da velocidade da onda de pulso, que é determinada pela rigidez da vasculatura (Karamanoglu e cols.,1993; Chen e cols., 1997; Fetics e cols., 1999). A VOP aumenta com o aumento da rigidez dos vasos (Karamanoglu e cols.,1993; Chen e cols., 1997; Fetics e cols., 1999). Quanto mais elevada a VOP, maior a rigidez vascular é observada e provavelmente maior propensão à aterosclerose (Karamanoglu e cols.,1993; Chen e cols., 1997; Fetics e cols., 1999). Como a VOP se relaciona à rigidez arterial, o índice de aumento (AI) tem sido correlacionado à VOP (Yasmin, 1999), e tem sido proposto como um marcador de rigidez arterial (O'Rourke e Mancia,1999; Wilkinson e cols., 1998). O índice de aumento é uma medida do efeito da reflexão das ondas no segundo pico sistólico (O'Rourke e Mancia,1999; Wilkinson e cols., 1998). Ele é calculado como o incremento do primeiro ombro da onda de pressão da aorta ascendente para o pico desta onda, e expresso em percentagem (O'Rourke e Mancia,1999; Wilkinson e cols., 1998). A relação entre AI e VOP é mais forte quando há um aumento da rigidez vascular, principalmente da artéria aorta (Kelly e cols., 2001). A técnica é simples, havendo boa reprodutibilidade, intra-operadores (Wilkinson e cols., 1998). Medições similares em duas ocasiões distintas têm sido relatadas (Liang e cols., 1998). Entretanto não existem orientações publicadas para ajudar a padronizar as condições de medição e reduzir a variação longitudinal na medição da VOP (Van Bortel e cols., 2002). A análise da VOP pode ser realizada em diferentes locais, como: VOP carotídeo-radial e VOP carotídeo-femoral (Wilkinson e cols., 1998). A técnica não invasiva de avaliação da VOP são a da tonometria de aplanação e a da pletismografia transcutânea (Wilkinson e cols., 1998). Entretanto não há estudos que comparem o método de avaliação não invasiva de tonometria de aplanação ao método de avaliação invasiva da VOP (Loukogeorgakis e cols., 2002). Os resultados de VOP obtidos através da técnica de pletismografia transcutânea não se correlacionam bem com aqueles obtidos com a técnica invasiva de análise da VOP (Loukogeorgakis e cols., 2002). A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 50 2. JUSTIFICATIVA 3. OBJETIVOS A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 51 2. JUSTIFICATIVA Na dieta americana, por exemplo, as frutas, as hortaliças A e B, os chás, o vinho e o chocolate amargo são as maiores fontes dietéticas de substâncias antioxidantes que têm sido mostradas por seus potenciais efeitos protetores contra o desenvolvimento de doença cardiovascular (Kris-Etherton e cols., 2002; Steinberg e cols., 2002). Os flavonóides comumente achados nestes alimentos estão atraindo o interesse por serem potencialmente capazes de melhorar os fatores de risco que predispõem ao desenvolvimento da doença cardiovascular (Steinberg e cols., 2002; Lee e cols, 2003). Os produtos contendo cacau possuem uma melhor capacidade antioxidante e maiores quantidades de flavonóides por porção, do que todos os chás e o vinho tinto (Steinberg e cols., 2002; Lee e cols, 2003), e este fato mostra a importância de se pesquisar os efeitos benéficos potenciais do chocolate amargo (Ding e cols, 2006). Estudos adicionais são então necessários para avaliar a possível associação entre a ingestão de cacau com: pressão arterial, modificação do tônus vascular e função endotelial em hipertensos primários estágio I. 3. OBJETIVOS 3.1. Objetivo Geral: Avaliar em pacientes hipertensos primários, estágio I (V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2006), o efeito da administração dos flavonóides do chocolate amargo 70% de cacau sobre a: • Pressão arterial. • Função endotelial. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 52 3.2. Objetivo Específico: Avaliar em pacientes hipertensos primários estágio I, o efeito da administração dos flavonóides do chocolate amargo 70% de cacau sobre a: • Velocidade da onda de pulso. • As possíveis correlações entre as variações da pressão arterial e da função endotelial. • As possíveis correlações entre as variações da pressão arterial e da velocidade da onda de pulso. • As possíveis correlações entre a função endotelial e a velocidade da onda de pulso. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 53 4. CASUÍSTICA A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 54 4. CASUÍSTICA 4.1. Pacientes Após a avaliação inicial de 550 pacientes, foram incluídos no presente estudo 20 pacientes, sem distinção de raça ou sexo, com hipertensão arterial primária no estágio I e sem tratamento anti-hipertensivo prévio. 4.2. Critérios de Inclusão Os pacientes incluídos no estudo preenchiam os seguintes critérios de inclusão: 1. Homens ou mulheres entre 18 e 60 anos; 2. Pressão arterial sistólica entre 140 a 159 mmHg e / ou pressão arterial diastólica entre 90 a 99 mmHg; 3. Índice de Massa Corporal (IMC) entre 18,5 e 35,0 Kg / m2 para ambos os sexos; 4. Terem assinado o termo de consentimento livre e esclarecido (TCLE) antes de serem submetidos a qualquer procedimento. 4.3. Critérios de Exclusão Foram excluídos do estudo os pacientes: 1. Em uso de qualquer suplemento dietético; 2. Gestantes e lactantes; 3. Fumantes e ex-fumantes (com menos de 2 anos de cessação do tabagismo); 4. Portadores de diabetes mellitus; hipertensão arterial primária no estágio I em tratamento anti-hipertensivo prévio; hipertensão arterial sistêmica estágio II e III; com histórico de infarto agudo do miocárdio ou acidente vascular encefálico; angina instável; insuficiência cardíaca; níveis de creatinina sérica superiores a 1,3 mg/dl ou clearance de creatinina ≤ 60 ml/min.; hipotireoidismo; dislipidemia em uso de drogas, ou dislipidemia detectada mas ainda não tratada e disfunção hepática. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 55 5. PLANO DE TRABALHO E DESENHO DE ESTUDO A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 56 5. Plano de Trabalho e Desenho do Estudo 5.1. Plano de Trabalho Na visita V-2 os pacientes foram pré-selecionados de acordo com os critérios clínicos de inclusão e exclusão. Os pacientes que estavam dentro de tais critérios foram encaminhados à visita V-1. Na visita V-1 eles foram informados sobre os objetivos e metodologia do estudo, e aqueles que desejaram participar, assinaram o TCLE após o lerem. Em seguida foi realizada avaliação clínica e laboratorial para confirmação dos critérios de inclusão e exclusão que incluiram: hemograma completo, glicose, triglicérides, colesterol total, LDL-colesterol, HDL-colesterol, uréia, creatinina, ácido úrico, sódio, potássio, TGO, TGP, fosfatase alcalina e Gama Glutamil Transpeptidase. Após a coleta de sangue os pacientes foram orientados a permanecer durante uma semana (sete dias) sem consumir alimentos ricos em cacau e manter sua dieta e atividade física habitual. Na visita V0, após avaliação dos exames colhidos na visita V1, os pacientes que prenchiam os critérios de inclusão e exclusão foram submetidos à avaliação clínica, nutricional, da função endotelial, da pressão arterial e da velocidade da onda de pulso. Ao final dessa visita foi instalado a MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial). Na visita V0A, 24h após a visita V0 foi retirado a MAPA e os pacientes receberam então 350g de chocolate amargo 70% de cacau, sendo orientados a consumir 50g por dia, 25g na colação e 25g no lanche, até o dia da próxima visita. A quantidade de polifenóis totais do chocolate 70% de cacau utilizado no presente estudo foi de 42,7 mg por grama de chocolate, segundo análise realizada através de espectofotometria no laboratório de farmacologia da UERJ. O intervalo entre as visitas foi de 7dias e a duração total do estudo de 4 semanas. Nas visitas V1, V2 e V3 os pacientes receberam mais 350g de chocolate amargo em cada visita, sendo orientados a consumir 50g por dia do chocolate. Nessas visitas os pacientes fizeram a avaliação clínica e a avaliação nutricional. Na visita V4, que correspondeu ao final do estudo, os pacientes foram submetidos à nova avaliação clínica, nutricional, da função endotelial, da pressão arterial (método oscilométrico: A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 57 casual e MAPA) e da velocidade da onda de pulso. Na visita V4A foi retirado a MAPA instalado na visita V4. A figura 3 apresenta esquematicamente o desenho do estudo Durante todo o tratamento ativo com cacau, os pacientes foram orientados a subtrair da sua dieta habitual 300kcal / dia, que correspondia a quantidade de calorias contidas no chocolate ingerido. A subtração dessas calorias se fez preferencialmente através da retirada dos ácidos graxos monoinsaturados e ácidos graxos poliinsaturados. Durante o estudo, todos os pacientes foram orientados a retirar da sua dieta alguns alimentos ricos em flavonóides: chás (principalmente o verde, o branco, o vermelho e o preto), vinho tinto, frutas vermelhas (como por exemplo: uva vermelha, cereja, morango e amora), soja e derivados. A ingestão diária habitual de sal foi mantida. 5.2 – Desenho do Estudo Figura 3. Desenho do Estudo Seleção 7 dias V-2 Tratamento ativo 7 dias V-1 1 dia V0 V0A 7 dias 7 dias V1 7 dias V2 7 dias V3 • V: Visita • Pré-seleção => V-2 • Seleção => V-1 • Avaliação clínica e nutricional => V-1 / V0 / V1 / V2 / V3 / V4 • Avaliação laboratorial => V-1 / V0 / V4 • MAPA; marcadores de função endotelial e bioimpedância => V0 / V4 1 dia V4 V4A A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 58 6. MÉTODOS A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 59 6. MÉTODOS 6.1. Avaliação do consumo alimentar O registro alimentar de três dias A avaliação do consumo alimentar foi realizada através do registro alimentar de três dias. Todos os pacientes receberam o registro alimentar de três dias em branco para ser preenchido entre as visitas V-1 e V0. O registro alimentar de três dias é um método de avaliação dietética que documenta a ingestão alimentar a medida que ela ocorre. Os pacientes informaram por escrito o tipo e a quantidade de todos os alimentos ingeridos em cada refeição realizada diariamente, durante o período de três dias. Foram incluídos dois dias durante a semana (segunda-feira à sexta-feira) considerados dias típicos da rotina alimentar dos pacientes, e um dia de final de semana ou feriado, considerado um dia atípico da rotina alimentar dos pacientes. O registro alimentar foi avaliado utilizandose o software Nutwin. O consumo alimentar habitual de ácidos graxos monoinsaturados e ácidos graxos poliinsaturados O consumo habitual de ácidos graxos monoinsaturados e ácidos graxos poliinsaturados foi estimado com o objetivo de substituir 300 Kcal da dieta habitual pelos 50g diários de chocolate amargo 70% de cacau, sem que houvesse acréscimo no valor energético total (VET) da dieta habitual. O consumo alimentar habitual de sódio O consumo habitual de sódio foi mantido. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 60 6.2. Avaliação Antropométrica A avaliação antropométrica foi realizada nas visitas V-2, V-1, V0, V1, V2, V3 e V4, através das seguintes medidas: massa corporal (quilogramas); estatura (centímetros); circunferência da cintura e circunferência do quadril (centímetros). Massa corporal, estatura e índice de massa corporal As mensurações de massa corporal (precisão de 0,1 kg) e estatura (precisão de 0,5 cm) foram realizadas em balança antropométrica da marca Filizola, estando os pacientes em jejum, sem sapatos e vestindo roupas leves. O IMC foi calculado dividindo-se a massa corporal (kg) pela estatura ao quadrado (m2) (WHO, 2000). Circunferência da cintura, circunferência do quadril e relação cintura quadril As circunferências da cintura e do quadril foram mensuradas estando os pacientes em pé e com o auxílio de uma fita métrica inextensível. A circunferência da cintura foi determinada no ponto médio entre a última costela e a crista ilíaca, mantendo a fita paralela ao chão, sem comprimir a pele, ao final de uma expiração normal e com o abdômen relaxado (WHO, 2000). A circunferência do quadril foi medida na maior circunferência na extensão posterior das nádegas. A relação cintura quadril (RCQ) foi obtida pela divisão da circunferência da cintura pela circunferência do quadril. Adiposidade corporal A avaliação da adiposidade corporal e da massa magra foi realizada através da bioimpedância elétrica, utilizando-se o aparelho Biodynamics modelo 450®. 6.3. Avaliação da Pressão Arterial A pressão arterial foi avaliada nas visitas V-2, V-1, V0, V1, V2, V3 e V4, através A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 61 do método automatizado oscilométrico através do aparelho OMRON, modelo HEM 705cp, através da média de 3 medidas consecutivas, e pela MAPA nas visitas V0 e V4, por método, oscilométrico, também automático de medida indireta e intermitente da pressão arterial durante 24 horas, enquanto o paciente realiza suas atividades rotineiras, inclusive durante o sono. A MAPA foi utilizada para a mensuração da pressão arterial sistólica (PAS), da pressão arterial diastólica (PAD) e da pressão arterial média (PAM). A duração do exame foi de 24 horas, aceitando-se como válidos os exames cujo percentual de sucesso das medidas tivesse sido igual ou superior a 85%, e / ou com 3 medidas válidas por hora de exame. Foram utilizados equipamentos SpaceLabs 90207. A análise dos dados coletados foi feita usando-se a interface SpaceLabs ABP90204. Foram avaliadas as seguintes variáveis: 1. médias da PAS, PAD e PAM de 24 horas; 2. médias das PAS, PAD e PAM durante os períodos de vigília e sono; 3. variabilidade pressórica; 4. descenso noturno; 5. médias da freqüência cardíaca de 24 horas, dos períodos de vigília e de sono. 6.4. Avaliação da Função Endotelial A função endotelial foi avaliada nas visitas V0 e V4 através da técnica de tonometria arterial periférica utilizando-se o equipamento Endo-PAT2000® (ItamarMedical). Este método foi aprovado pelo Food and Drug Administration para uso como um auxílio diagnóstico em pacientes com sinais e sintomas de doença isquêmica da artéria coronária (Barac e cols, 2007). A tonometria arterial periférica é uma técnica não invasiva utilizada para avaliar a função endotelial microvascular periférica, mensurando as modificações no volume de pulso arterial digital durante a hiperemia reativa (Bonetti e cols, 2003). O aparelho é de fácil manejo, uso independente e imediato, e seus resultados são calculados automaticamente. O aparelho fornece uma análise da função endotelial em 15 minutos. Ele mede as mudanças mediadas pelo endotélio no tônus vascular da A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 62 ponta dos dedos através de bio-sensores. Estas mudanças no tônus são desencadeadas após uma oclusão padrão da artéria braquial por 5 minutos, criando uma resposta de hiperemia reativa. As medidas do outro braço são utilizadas como controle para as mudanças não-dependentes de endotélio no tônus vascular. A relação é calculada automaticamente e há o fornecimento de um índice de função endotelial (RHI). A tonometria arterial periférica é uma nova ferramenta de tecnologia não-invasiva para medir mudanças no tônus vascular em artéria periférica. O sinal PAT é medido na ponta do dedo por gravação das mudanças no volume pulsátil arterial do dedo. Baseado na tecnologia PAT, o sistema Endo-PAT2000 não-invasivo compreende um aparato de medidas que oferece suporte a um par de bio-sensores baseados na pletismografia. O sinal PAT é simultaneamente gravado em ambos os braços, e o próprio indivíduo funciona como o seu controle. Enquanto a função endotelial é testada em um braço, o braço contra-lateral é utilizado para monitorar mudanças como as modificações no tônus autonômico. Isto habilita o aparelho a corrigir mudanças espontâneas que ocorrem durante o curso da medição e que inerentemente também afetam o braço testado. O caminho mais comum que estimula a resposta do endotélio vascular de maneira não-invasiva é através da indução da isquemia do braço por 5 minutos. A isquemia é realizada ao inflar um manguito de pressão arterial acima da pressão arterial sistólica, causando a oclusão do fluxo sanguíneo no braço. Em alguns casos a completa oclusão não ocorre permitindo uma passagem de sangue residual que perfunde os tecidos das extremidades, não permitindo a falta de oxigênio necessária para a obtenção a plena resposta endotelial. Em síntese, o método registra as modificações no tônus vascular em 3 fases distintas: período basal (durante 5 minutos); período de oclusão arterial (durante 5 minutos); e período pós oclusão. Os dados obtidos com a utilização deste equipamento foram analisados em um computador de forma independente de operador, e os resultados foram fornecidos automaticamente (Bonetti e cols, 2003). A figura 3 mostra de forma sintesizada os componentes do aparelho e sua utilização. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 63 Figura 4. Utilização individual do EndoPat 6.5. Avaliação da Velocidade da Onda de Pulso (VOP) Velocidade da Onda de Pulso Um aumento da Velocidade de Onda de Pulso (VOP) reflete o enrijecimento arterial resultante de mudanças estruturais e funcionais do sistema vascular (O'Rourke e Mancia, 1999). As ondas de pulso de todos os pacientes foram obtidas transcutaneamente pelo aparelho COMPLIOR SP (Artech Medical) nas visitas 1 e 4, por meio de transdutores colocados sobre a carótida comum e ao mesmo tempo sobre a artéria radial direita (VOP periférica) e sobre a artéria femoral direita (VOP central). A relação entre a distância (d) entre os transdutores e o intervalo de tempo (t) entre cada curva determina a VOP. Para validação do exame, o mesmo deverá ser repetido pelo menos mais uma vez e não deve haver uma diferença maior do que 20% entre os valores de VOP A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 64 encontrados. Além disto, o exame pode ser considerado validado quando a tolerância obtida no momento da determinação da VOP for de 5%. 6.6. Avaliação Laboratorial 6.6.1 Avaliação do metabolismo lipídico O colesterol total, o HDL-colesterol e os triglicérides foram dosados por técnica automatizada. O LDL-colesterol e o VLDL-colesterol foram estimados utilizando-se a fórmula de Friedwald, quando os valores dos triglicerídeos eram inferiores a 400mg/dl: colesterol total - (HDL-colesterol + triglicerídeos/5) (Friedwald e cols., 1972). O índice de Castelli I foi determinado através da razão entre o colesterol total e o HDL-colesterol, e o Índice de Castelli II foi determinado através da razão entre o LDL-colesterol e o HDLcolesterol. 6.6.2. Outras variáveis avaliadas A glicemia, a uréia, o ácido úrico, a creatinina, as proteínas totais e a albumina foram determinados por técnica automatizada. A determinação da globulina foi realizada através da subtração das proteínas totais pela albumina. A TGO, a TGP, a fosfatase alcalina total e a gama glutamil transpeptidase foram determinados por técnica automatizada. O sódio, o potássio e o cloro foram dosados utilizando-se o aparelho AVL 9180 Electrolyte Analyzer e kit Fluid Pack 9180 da Roche. O hemograma completo foi determinado por técnica automatizada. O EAS foi analisado por método manual com a utilização de fita reagente da marca Choice Line 10 (Roche). 6.7. Análise Estatística dos Dados Foram utilizados para a descrição das variáveis contínuas, as médias aritméticas e seus respectivos erros padrões. A diferença entre as variáveis estudadas no início e no final do estudo foi analisada pelo teste t de student pareado, quando essas variáveis aleatórias possuiam distribuição normal. Quando não foi possível fazer A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 65 essa associação, foi utilizado o teste não paramétrico de Wilcoxon. As múltiplas comparações da pressão arterial foram analisadas por ANOVA de medidas repetidas. Comparações post hoc foram feitas pelo teste de Tukey. As medidas de correlação que foram usadas para avaliar as relações entre as variáveis contínuas foram os coeficientes de Pearson ou de Spearman quando apropriados. A análise estatística foi realizada com o software PRISM. Embora a análise de vários estudos a respeito do efeito do cacau sobre a pressão arterial não sejam plenamente conclusivos (Actis-Goretta, Ottaviani e Fraga, 2006; Grassi e cols., 2005), para fins de planejamento desta investigação, o tamanho da amostra foi calculado para detectar-se uma diferença mínima da PAS e da PAD de 5% pós efeito da intervenção, com um erro tipo I de 0,05 e tipo II de 0,20. Nessas condições o tamanho mínimo da amostra poderia assumir valores entre 20 e 25 pacientes. 6.8. Questões éticas O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE) (1931-CEP / HUPE), antes do início da sua realização (26/07/2007). Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (anexo 8), após esclarecimento sobre objetivos e métodos do estudo, e antes de qualquer procedimento do mesmo. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 66 7. RESULTADOS A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 67 7. RESULTADOS 7.1. Caracterização da população do estudo As principais características dos pacientes no início do estudo (V0) estão apresentadas na Tabela 1. Tabela 1. Características dos pacientes no inicio do estudo Variáveis V0 (início) Raça 5 (B) / 15 (NB) Sexo 10 (F) / 10 (M) Idade (anos) 44,00 ± 2,87 Peso corporal (kg) 84,80 ± 3,88 % Gordura corporal 36,14 ±2,16 2 Índice de massa corporal (kg / m ) 31,29 ± 1,16 Circunferência da cintura (cm) 94,30 ± 2,73 Circunferência do quadril (cm) 110,70 ± 2,50 Relação cintura quadril 0,85 ± 0,14 PAS (mmHg) 146,50 ± 1,28 PAD (mmHg) 93,20 ± 0,74 PAM (mmHg) 110,9 FC (bpm) 76,80 ± 2,72 Colesterol total (mg/dl) 199,00 ± 7,41 HDL-colesterol (mg/dl) 50,85 ± 2,31 LDL-colesterol (mg/dl) 122,15 ± 6,71 VLDL-colesterol (mg/dl) Triglicerídeos (mg/dl) 26,50 ± 2,26 132,80 ± 11,18 Glicose (mg/dl) 90,60 ± 2,60 Uréia (mg/dl) 26,85 ± 1,66 Creatinina (mg/dl) 0,86 ± 0,03 Proteínas totais (mg/dl) 7,23 ± 0,08 Albumina (mg/dl) 3,96 ± 0,07 Globulina (mg/dl) 3,26 ± 0,08 Fosfatase alcalina (mg/dl) 89,85 ± 5,76 Gama Glutamil Transpeptidase (mg/dl) 37,75 ± 4,41 Cálcio (mg/dl) 9,36 ± 0,13 Potássio (mg/dl) 4,55 ± 0,08 Sódio (mg/dl) 137,85 ± 0,33 Transaminase Oxaloacética (mg/dl) 22,10 ± 1,33 Transaminase Pirúvica (mg/dl) 25,15 ± 2,40 Os valores são expressos como média ± erro padrão da média. PAS = pressão arterial sistólica, PAD = pressão arterial diastólica, PAM = pressão arterial média. FC = frequência cardíaca. HDL = lipoproteína de alta densidade, LDL = lipoproteína de baixa densidade, VLDL = lipoproteína de muito baixa densidade. B = branco, NB = não branco, F = feminino, M = masculino. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 68 Foram avaliados para o screening 550 pacientes, 22 preenchiam plenamente os critérios de inclusão e exclusão, destes apenas 20 completaram as 4 semanas de tratamento (Figura 5). O motivo para a exclusão dos 2 pacientes foi o aumento excessivo da pressão arterial observada através do método oscilométrico, e a necessidade então de início de tratamento com fármacos anti-hipertensivos, para controle adequado da pressão arterial Figura 5. Representação esquemática do fluxo de pacientes da avaliação preliminar ao final (V4) do estudo. Avaliação preliminar n = 550 Não preencheram os critérios para inclusão e exclusão n = 520 Visita V -1 n = 30 Não preencheram os critérios para inclusão e exclusão n=8 Visita V0 (inicio) n = 22 Não preencheram os critérios para inclusão e exclusão n=2 Visita V4 (final) n = 20 7.2. Avaliação da massa corporal, índice de massa corporal, circunferência de cintura e relação cintura quadril Não foram observadas reduções significativas na massa corporal, no índice de massa corporal, na circunferência de cintura, circunferência de quadril e na relação cintura quadril. A tabela 2 mostra os valores médios destas variáveis. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 69 Tabela 2. Valores médios da massa corporal, índice de massa corporal, circunferência de cintura, circunferência de quadril e relação cintura quadril, dos pacientes, no início do estudo (V0) e após 4 semanas de tratamento (V4). Valor Variáveis V0 (início) V4 (final) p Massa corporal (kg) 84,80 ± 3,88 84,63 ± 3,91 0,55 Índice de massa corporal (kg/m2) 31,29 ± 1,16 31,26 ± 1,19 0,83 Circunferência de cintura (cm) 94,30 ± 2,73 94,07 ± 2,83 0,59 Circunferência de quadril (cm) 110,70 ± 2,50 110,65 ± 2,49 0,85 Relação cintura quadril 0,85 ± 0,14 0,85 ± 0,15 0,79 Os valores são expressos como média ± erro padrão da média. 7.3. Avaliação do comportamento da pressão arterial e da freqüência cardíaca através do método oscilométrico casual Após 4 semanas de utilização de chocolate-cacau 70% observamos reduções significativas das pressões arterial sistólica, diastólica e média (Tabela 3, e gráfico 1 e 2). Não constatamos modificações significativas na freqüência cardíaca (Tabela 3). Foram registradas queda de -9,6 ± 1,94 mmHg (p<0,001), -5,75 ± 1,26 mmHg (p<0,002), -7,02 ± 1,2 mmHg (p<000,5) nas PAS, PAD e PAM respectivamente. Em relação ao comportamento da PA durante o estudo, pudemos observar que a PAS somente reduziu de forma significativa após 4 semanas de tratamento, (V0: 146,50 ± 1,28; V1: 140,40 ± 3,02; V2: 138,50 ± 2,44; V3: 140,60 ± 2,50; V4: 136,90 ± 2,60; p<0,001) enquanto a PAD já apresentou redução significativa a partir de 2 semanas de utilização do chocolate-cacau 70% e assim permanecendo até o final do estudo (V0: 93,2 ± 0,74; V1: 87,50 ± 1,8; V2: 86,05 ± 1,67; V3: 88,35 ± 1,48; V4: 87,45 ± 1,78; p<0,028), a figura 2 mostra o comportamento da PAS e da PAD durante o estudo. A análise individual dos pacientes mostrou que 10 pacientes (50%) tiveram sua PA controlada (PA inferior a 140/90 mmHg) ao final da intervenção. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 70 Tabela 3. Valores médios dos níveis de pressão arterial e freqüência cardíaca no início (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes observados através do método oscilométrico casual. Valor Variáveis V0 (início) V4 (final) p PAS (mmHg) 146,50 ± 1,28 136,90 ± 2,60 0,001 PAD (mmHg) 93,20 ± 0,74 87,45 ± 1,79 0,028 PAM (mmHg) 110,97 ± 0,70 103,95 ± 1,79 0,005 FC (bpm) 76,80 ± 2,72 74,55 ± 2,00 0,22 Os valores são expressos como média ± erro padrão da média. PAS = pressão arterial sistólica, PAD = pressão arterial diastólica, PAM = pressão arterial média. FC = frequência cardíaca, bpm = batimentos por minuto. Gráfico 1: Modificações da PAS e da PAD avaliadas pelo método oscilométrico casual PAS 160 PAD * p=0,001 vs PAS V0 150 # p=0,028 vs PAD V0 * 140 mmHg 130 120 110 100 # 90 80 70 60 V0-inicio V4-final Fase do estudo Gráfico 2: Comportamento da PAS e da PAD durante o estudo PAS 160 PAD 150 * mmHg 140 130 120 110 * p<0,009 vs V0 100 # 90 * 80 70 V0 V1 V2 Fase do estudo V3 V4 # p<0,05 vs V0 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 71 7.4. Avaliação da pressão arterial através da monitorização ambulatorial da pressão arterial - 24 horas - (MAPA) Não foram observadas reduções significativas (V0 vs V4) nas médias de pressão arterial sistólica de 24 horas, pressão arterial sistólica diurna, pressão arterial sistólica noturna, pressão arterial diastólica de 24 horas, pressão arterial diastólica diurna, pressão arterial diastólica noturna, pressão arterial média de 24 horas, pressão arterial média diurna e pressão arterial média noturna. Tabela 4. Tabela 4. Valores médios dos níveis de pressão arterial no início (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes observados através da MAPA. Valor Variáveis V0 (início) V4 (final) p PAS 24horas (mmHg) 132,20 ± 2,45 132,70 ± 2,60 0,42 PAS diurna (mmHg) 139,40 ± 2,42 137,30 ± 2,59 0,71 PAS noturna (mmHg) 125,00 ± 2,95 124,10 ± 3,27 0,92 PAD 24horas (mmHg) 84,00 ± 1,87 82,81 ± 2,54 0,90 PAD diurna (mmHg) 88,94 ± 1,82 87,69 ± 2,52 0,84 PAD noturna (mmHg) 75,63 ± 2,02 74,00 ± 3,00 0,78 PAM 24horas (mmHg) 101,20 ± 1,69 99,31 ± 2,28 0,58 PAM diurna (mmHg) 106,20 ± 1,59 103,90 ± 2,16 0,40 PAM noturna (mmHg) 92,19 ± 2,13 90,31 ± 3,00 0,68 Os valores são expressos como média ± erro padrão da média. PAS = pressão arterial sistólica, PAD = pressão arterial diastólica, PAM = pressão arterial média. 7.5. Avaliação da função endotelial: index de hiperemia reativa e augmentation index através do ENDO-PAT2000 A avaliação da função endotelial através do index de hiperemia reativa revelou que o RHI se alterou de forma significativa após o chocolate-cacau 70% (V0: 1,94 ± 0,11; V4: 2,22 ± 0,08; p=0,01). O augmentation index avaliado através do EndoPAT2000 embora tenha reduzido de forma expressiva, não houve significância estatística ao final do estudo (V0: 19,32 ± 4,11; V4: 14,26 ± 4,10; p=0,06) (Gráfico 3a e 3b). A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 72 Gráfico 3. Comportamento dos valores individuais (a) e médios (b) do índex de hiperemia reativa (RHI) no início (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes avaliados através do ENDO-PAT2000. a. Comportamento individual do RHI RHI 3 b. Valores médios do RHI RHI 3 2,5 2,5 2 2 1,5 1,5 1 1 0,5 0,5 0 0 V0-inicio V4-final V0-inicio Fase do estudo V4-final Fase do estudo 7.6. Avaliação da velocidade da onda de pulso através do COMPLIOR SP As velocidades da onda de pulso carótida-radial (VOP CR) e carótida-femoral (VOP CF), e suas tolerâncias correspondentes não se alteraram de forma significativa após o chocolate-cacau 70% (VOP CR - V0: 10,44 ± 0,32; V4: 9,98 ± 0,50; p=0,32; e VOP CF - V0: 9,98 ± 0,26; V4: 10,31 ± 0,59; p=0,53) (Tabela 5). Tabela 5. Valores médios da velocidade da onda de pulso carótida-radial, carótida-femoral e tolerâncias correspondentes no início (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes observados através do COMPLIORSP. Valor Variáveis V0 (início) V4 (final) p Velocidade da Onda de Pulso Carótida-Radial 10,44 ± 0,32 9,98 ± 0,50 0,32 Tolerância Carótida-Radial 3,25 ± 0,45 3,21 ± 0,17 0,94 Velocidade da Onda de Pulso Carótida-Femoral 9,98 ± 0,26 10,31 ± 0,59 0,53 Tolerância Carótida-Femoral 3,83 ± 0,38 3,46 ± 0,18 0,44 Os valores são expressos como média ± erro padrão da média. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 73 7.7. Avaliação do metabolismo lipídico e da glicose Não foram observadas reduções significativas no colesterol total, no LDL-colesterol, no HDL-colesterol, no VLDL-colesterol, nos triglicerídeos e na glicose. A tabela 6 mostra os valores médios destas variáveis. Tabela 6. Valores médios do colesterol total, HDL-colesterol, LDL-colesterol, VLDL-colesterol e triglicerídeos no início (V0) e após 4 semanas (V4) dos participantes. Variáveis V0 (inicial) V4 (final) Colesterol total (mg/dl) 199,00 ± 7,41 195,15 ± 9,25 HDL-colesterol (mg/dl) 50,85 ± 2,31 48,75 ± 2,64 LDL-colesterol (mg/dl) 122,15 ± 6,71 122,00 ± 9,24 VLDL-colesterol (mg/dl) 26,50 ± 2,26 24,42 ± 2,34 Triglicerídeos (mg/dl) 132,80 ± 11,18 122,55 ± 11,77 Glicose (mg/dl) 90,60 ± 2,60 88,65 ± 2,75 Os valores são expressos como média ± erro padrão da média. HDL = lipoproteína de alta densidade, LDL = lipoproteína de baixa densidade, VLDL = lipoproteína de muito baixa densidade. 7.8. Correlações entre o RHI e as variações da pressão arterial A despeito da queda da pressão arterial registrada pelo método oscilométrico aos a utilização do chocolate cacau-70% não registramos correlações entre as reduções da pressão arterial sistólica e/ou diastólica e o aumento do RHI (Gráfico 4). Também não registramos correlçãoe entre as variações da PA avaliadas pela MAPA e as modificações no RHI. Gráfico 4. Correlação entre a variação da PA (médodo oscilométrico) e a variação do RHI r = -0,18 p = 0,09 10 -1.5 -1.0 -0.5 -5 0.5 -20 -35 -50 Variação do RHI 1.0 r = -0,14 0 = 0,09 10 1.5 Variação PAD (mmHg) Variação PAS (mmHg) 25 5 -1.5 -1.0 -0.5 -5 0.5 -10 -15 -20 Variação RHI 1.0 1.5 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 74 8. DISCUSSÃO A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 75 8. DISCUSSÃO Admitindo-se que os flavonóides encontrados no chocolate-cacau 70% estejam atraindo o interesse por serem potencialmente capazes de melhorar os fatores de risco que predispõem desenvolvimento da doença cardiovascular (Steinberg e cols., 2002; Lee e cols, 2003), este fato mostra a importância de se pesquisar os efeitos benéficos potenciais do cacau sobre a saúde cardiovascular (Ding e cols, 2006). Deste modo, avaliamos as possíveis associações entre a ingestão de chocolate-cacau 70% com: pressão arterial, função endotelial e velocidade da onda de pulso em hipertensos primários estágio I. Os principais achados deste estudo foram: 1) após 4 semanas de consumo de chocolate-cacau 70% houve melhora da função endotelial observada através do aumento significativo do index de hiperemia reativa; 2) em relação ao comportamento da pressão arterial durante o estudo, pudemos observar que a pressão arterial sistólica reduziu de forma significativa após 4 semanas de tratamento, e a pressão arterial diastólica apresentou redução significativa a partir da segunda semana de utilização do chocolate-cacau 70% e assim permanecendo até o final do estudo. No presente estudo, 91% dos participantes completaram a intervenção de 4 semanas. 8.1. Avaliação antropométrica No presente estudo, após o tratamento de 4 semanas com chocolate cacau70% não foram observadas reduções significativas na massa corporal (V0: 31,29 ± 1,16; V4: 31,26 ± 1,19), no índice de massa corporal (V0: 84,80 ± 3,88; V4: 84,63 ± 3,91), na circunferência de cintura (V0: 94,30 ± 2,730 ; V4: 94,07 ± 2,83), circunferência de quadril (V0: 110,70 ± 2,50; V4: 110,65 ± 2,49) e na relação cintura quadril (V0: 0,85 ± 0,14; V4: 0,85 ± 0,15). A incidência crescente do sobrepeso, da obesidade e de suas complicações de saúde associadas é claramente um grave problema de saúde pública mundial, e algumas pesquisas têm demonstrado que a ingestão energética tem aumentado nos últimos 25 anos (Seligson, 2005). Recentes diretrizes dietéticas enfatizam a importância A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 76 da ingestão de uma alimentação balanceada acoplada à prática regular de exercícios físicos para a manutenção de uma massa corporal dentro dos parâmetros de normalidade (Seligson, 2005). O chocolate e outros alimentos palatáveis são geralmente eliminados das dietas que visam o controle da massa corporal (Seligson, 2005). Quando o prazer em se alimentar é eliminado com a adoção de dietas hipocalóricas ou normocalóricas de controle de massa corporal, a falta de adesão ao tratamento dietético normalmente é grande (Foster-Powell, Holt e Brand-Miller, 2002). As taxas de abandono em estudos nos quais são utilizadas intervenções dietéticas para induzir perda ponderal são elevadas, podendo atingir 50% dos participantes, em estudos com duração de 12 meses (Foster e cols., 2003). Um elemento crucial, em qualquer dieta é a inclusão dos alimentos favoritos, e a eliminação do sentimento de privação (Foster-Powell, Holt e Brand-Miller, 2002). O manejo do tratamento clínico que visa a manutenção ou a obtenção de uma massa corporal considerada mais próxima à normalidade deve incluir uma porção de exercícios físicos regulares juntamente à uma dieta saudável que inclua todos os alimentos com moderação (Foster-Powell, Holt e Brand-Miller, 2002). O chocolate amargo rico em cacau é um alimento que pode ser incluído na dieta nutricionalmente balanceada, talvez ajudando a propiciar um índice de adesão maior ao tratamento dietético, de acordo com pesquisas científicas (Foster-Powell, Holt e Brand-Miller, 2002). Uma nova área de interesse na nutrição é a resposta glicêmica à ingestão de certos alimentos, ou seja, de que forma estes alimentos propiciam saciedade e o seu papel na manutenção da massa corporal adequada (Foster-Powell, Holt e Brand-Miller, 2002). O chocolate amargo possui baixo à médio índice glicêmico (Foster-Powell, Holt e Brand-Miller, 2002). Na teoria, alimentos com médios e / ou baixos índices glicêmicos causam uma equilibrada alteração glicêmica, fato que ajuda na promoção da saciedade precoce e prolongada (Foster-Powell, Holt e Brand-Miller, 2002). Intervenções preliminares em animais mostraram a possibilidade de que o cacau pode afetar diretamente a massa gorda (Kamel, Yoshikawa e Hashizime, 2003). Estudos realizados com ratos mostraram que adicionando cacau à dieta, pode haver uma redução do tecido adiposo visceral (Kamel, Yoshikawa e Hashizime, 2003). A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 77 Em um estudo experimental, os pesquisadores ofereceram aos animais uma dieta hiperlipídica rica em cacau e outra, hiperlipídica sem o cacau (Kamel, Yoshikawa e Hashizime, 2003). Os resultados mostraram que a ingestão de cacau suprime o ganho de massa corporal, que por sua vez foi observada nos ratos controles, que consumiram uma dieta hiperlipídica sem cacau (Kamel, Yoshikawa e Hashizime, 2003). Observandose os ensaios de DNA, mostrou-se que o cacau diminui a expressão de genes responsáveis pela produção de compostos envolvidos no transporte e na síntese de ácidos graxos (Kamel, Yoshikawa e Hashizime, 2003). Os nossos achados vêm de encontro com estes estudos apresentados, apontando para uma ausência da interferência do chocolate-cacau 70%, sobre o peso corpóreo, administrado nas condições do presente estudo. 8.2. Pressão arterial e frequência cardíaca No presente estudo, o chocolate-cacau 70% reduziu de forma significativa e com a mesma magnitude as pressões arteriais sistólica, diastólica e média observadas através do método oscilométrico casual. Não constatamos modificações significativas na freqüência cardíaca observada por este mesmo método. Observamos redução média significativa da pressão arterial sistólica e diastólica de -9,6 ± 1,94 e -5,75 ± 1,26 mmHg, respectivamente, e da pressão arterial média de -7,02 ± 1,2 mmHg, após a utilização de chocolate-cacau 70% durante 4 semanas. A eficácia do chocolate-cacau 70% em reduzir a pressão arterial, também foi constatada através do percentual de pacientes que tiveram sua PA controlada (PAS inferior a 140 mmHg e PAD inferior a 90 mmHg) onde registramos que após 4 semanas de tratamento, 50% dos pacientes tiveram sua PA controlada. Apesar das observações iniciais dos índios Kuna, o suporte epidemiológico que demonstrou a capacidade do chocolate em reduzir a pressão arterial vem do Zutphen Elderly Study, um estudo de coorte com 470 participantes do sexo masculino, onde a ingestão de cacau foi inversamente correlacionada com a pressão arterial (Buijsse e cols., 2006). Após os ajustes das multivariadas a pressão arterial sistólica média foi de 3,8 mmHg mais baixa no tercil mais elevado de ingestão de cacau, quando comparada A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 78 com o tercil mais baixo de ingestão de cacau (Buijsse e cols., 2006). Em um estudo de Alonso e colaboradores, avaliou-se a associação entre o consumo de chocolate e hipertensão arterial recém diagnosticada em uma coorte com estudantes de graduação universitária, mas nenhuma proteção do cacau foi observada (Alonso e cols., 2005). Evidências do potencial anti-hipertensivo do cacau vêm de um recente estudo publicado que comparou os efeitos de longo prazo do chocolate amargo rico em cacau, com o consumo de chocolate branco em pacientes pré-hipertensos ou com hipertensão arterial estágio I (Taubert e cols., 2007). Uma pequena porção de chocolate amargo (6g) fornecida diariamente foi consumida ao início da noite, e reduziu a pressão arterial sistólica em 2,9 ± 1,6 mmHg e a pressão arterial diastólica em 1,9 ± 1,0 mmHg, sem promover mudanças na massa corporal, níveis de lipídios plasmáticos e glicose de jejum (Taubert e cols., 2007). Já foram bem relatadas as evidências epidemiológicas com os índios Kuna do Panamá sugerindo potenciais benefícios anti-hipertensivos dos flavanols do cacau (Taubert e cols., 2003; Grassi e cols., 2005; Fraga e cols., 2005). Medidas diretas da pressão arterial mostram que o chocolate amargo rico em flavanol pode reduzir a pressão arterial sistólica e diastólica em indivíduos saudáveis e em hipertensos (Taubert e cols., 2003; Grassi e cols., 2005; Fraga e cols., 2005). Em dois estudos clínicos que testaram o consumo de cacau em indivíduos hipertensos houve diminuição da pressão arterial sistólica e diastólica após a ingestão de cacau rico em flavanol durante 10 dias (Taubert e cols., 2003). Um outro estudo clínico encontrou resultados similares após 15 dias de ingestão de chocolate amargo (Grassi e cols., 2005). Em outra pesquisa observou-se que a ingestão de cacau e de chocolate amargo melhora a pressão arterial em indivíduos normotensos (Grassi e cols., 2004). Foi analisada a pressão arterial após a ingestão de chocolate amargo e de chocolate branco, somente aqueles que ingeriram o chocolate amargo apresentaram redução da pressão arterial (Grassi e cols., 2004). . Os participantes que ingeriram ambos os tipos de chocolate mantiveram os mesmos valores de normalidade iniciais (Grassi e cols., 2004). Em uma amostra de homens saudáveis jogadores de futebol observou-se a redução da pressão arterial diastólica e da média da pressão arterial em todos os que A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 79 consumiram 105g por dia de chocolate amargo rico em flavanol, em um seguimento de 14 dias. A redução na pressão arterial é atribuída à habilidade dos flavanols em aumentar a vasodilatação endotélio-dependente, via aumento da produção do NO (Fraga e cols., 2005). Apesar do aumento da atividade da NO sintase, outro mecanismo pode contribuir para os efeitos anti-hipertensivos do cacau. Os flavanols isolados ou provenientes de alimentos inibem a atividade da enzima conversora de angiotensina in vitro. In vivo estas análises precisam ser avaliadas (Actis-Goretta e cols., 2006). O ácido esteárico ou a teobromina do cacau podem contribuir para estes efeitos hipotensores (Kelly, 2005). Um estudo transversal com análise de regresão linear encontrou que os níveis de ácido esteárico estão inversamente associados à pressão arterial diastólica (Taubert e cols., 2003). Independentemente do mecanismo responsável, vários estudos de pequeno porte indicam que o chocolate rico em cacau possui efeitos anti-hipertensivos (Kelly, 2005). No estudo de Taubert e colaboradores mostrou-se a redução na pressão arterial sistólica e pressão arterial diastólica em idosos hipertensos (Taubert e cols., 2003). O efeito do chocolate-cacau 70% sobre a PA avaliada através da monitorização ambulatorial da pressão arterial não propiciou uma redução significativa ao compararmos os valores iniciais e ao final de 4 semanas de tratamento nas médias de pressão arterial sistólica de 24 horas, pressão arterial sistólica diurna, pressão arterial sistólica noturna, pressão arterial diastólica de 24 horas, pressão arterial diastólica diurna, pressão arterial diastólica noturna, pressão arterial média de 24 horas, pressão arterial média diurna e pressão arterial média noturna. Um estudo de Grassi e colaboradores mostra a redução da pressão arterial diurna e noturna, observadas através da MAPA após a ingestão de 100g de chocolate amargo rico em flavonóides por 2 semanas (Grassi e cols., 2005). Neste estudo, a média da pressão arterial sistólica diminuiu 12 mmHg após o consumo de chocolate amargo, efeito não observado com o consumo de chocolate branco (Grassi e cols., 2005). Alguns estudos não mostram, entretanto, efeitos do consumo do chocolate amargo sobre a pressão arterial (Fisher e cols., 2003; Engler e cols., 2004). Estes dois estudos, porém, foram realizados com um número pequeno de participantes A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 80 normotensos, ingerindo baixa dose de chocolate amargo e foram de curta duração (Fisher e cols., 2003; Engler e cols., 2004). Em função do desenho de estudo, os achados anti-hipertensivos destes estudos não foram importantes (Fisher e cols., 2003). Em uma recente metanálise de estudos controlados randomizados que administraram o cacau confirmaram uma significativa redução na pressão arterial sistólica e pressão arterial diástólica de 4,7 mmHg (p = 0,002) e 2,8 mmHg (p = 0,006) respectivamente (Taubert e cols., 2007). Estes achados mostram os mesmos efeitos anti-hipertensivos do chocolate como os observados em estudos que utilizaram drogas anti-hipertensivas (Conti e cols., 2009). A análise do comportamento da PA dos pacientes do nosso estudo mostrou que o chocolate-cacau 70% é capaz de reduzir de forma significativa a PAS e a PAD quando avaliados pelo método oscilométrico casual a semelhança de outros estudos que mostram a redução da PA (Taubert e cols., 2003; Actis-Goretta e cols., 2006; Taubert e cols., 2007). Quando analisamos o comportamento da PA avaliada através da MAPA, não constatamos redução significativa da PA a semelhança do estudo de Grassi e colaboradores (2005). Uma possibilidade para justificar este achado pode ser decorrente do fato das pressões sistólicas e sobretudo a diastólicas quando avaliadas por este método e individualmente, na visita V0 inicial, têm um status que sugerem a “pré-hipertensão” ou a “hipertensão arterial normal-alta”. Outra possibilidade seria que a ausência da redução pela MAPA efetivamente pode representar a realidade biológica , ou seja, a ausência de redução significativa da PA o que poderia ser justificado em parte, pelo pouco tempo de utilização do chocolate-cacau 70%, mas que parece não invalidar o efeito benéfico do cacau, uma vez que houve melhora expressiva e significativa da função endotelial avaliada através do RHI. Ou seja, é possível que alterações benéficas e precoces sobre o endotélio se desenvolvam antes da redução da PA em pacientes com estas características. Oque também pode ser ratificado pela ausência de correlação entre a melhora da função endotelial e a redução da PA observada pelo método oscilométrico. A discrepância entre os resultados da PA avaliada pelos diferentes métodos no presente estudo, pode também ser justificada pela possibilidade dos pacientes A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 81 avaliados pelo método oscilométrico terem apresentado um efeito do “jaleco branco” , e as reduções da PA podem ser decorrentes deste efeito, e não em resposta ao cacau, uma vez que não foi observado alterações significativas no comportamento da PA pela MAPA. 8 .3. Função endotelial: index de hiperemia reativa e augmentation index No presente estudo, a avaliação da função endotelial através do index de hiperemia reativa revelou que o RHI se alterou de forma benéfica e significativa após o consumo de chocolate-cacau 70% durante 4 semanas (V0: 1,94 ± 2,18; V4: 2,22 ± 0,08; p=0,01). O augmentation index avaliado através do Endo-PAT2000 embora tenha reduzido de forma expressiva, não houve significância estatística ao final do estudo (V0: 19,32 ± 4,11; V4: 14,26 ± 4,10). O endotélio vascular é uma superfície contínua, lisa e não-trombogênica de todos os vasos, que sintetiza e libera uma série de substâncias vasoativas (Palmer e cols., 1988). Danos funcionais ocorrem no endotélio vascular tempos antes do desenvolvimento das mudanças estruturais ateroscleróticas (Palmer e cols., 1988). O NO é sintetizado pela NO sintase à partir da L-arginina (Palmer e cols., 1988), na presença do cofator tetrahidrobioterina, sendo liberado das células do endotélio principalmente em resposta ao “ sheer stress” suscitado pela circulação sanguinea ou pelo receptor operado por substâncias como a acetilcolina, serotonina, ou bradicinina (Joannides e cols, 1995). A meia-vida do NO in vivo é curta, dura alguns segundos e ele rapidamente atravessa as membranas biológicas (Joannides e cols, 1995). Depois da difusão do endotélio para as células do músculo liso vascular, o NO aumenta as concentrações de cGMP intracelular, induzindo o relaxamento das células do músculo liso vascular (Joannides e cols, 1995). Além de propiciar a vasodilatação o NO também previne a adesão e migração de leucócitos, proliferação de células musculares lisas, adesão e agregação plaquetária (Oemar e cols., 1998). Reduzida expressão da NO sintase e / ou da biodisponibilidade do NO se associa à disfunção endotelial e eventual presença de doença aterosclerótica (Oemar e A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 82 cols., 1998). Ela está associada à doença cardiovascular (Anderson e cols., 1995), e se correlaciona com disfunção vascular da artéria coronária e é preditiva de futuros eventos cardiovasculares (Anderson e cols., 1995; Suwaidi e cols., 2000). Em pacientes com doença da artéria coronária, consumir alimentos ricos em flavanols, particularmente o consumo de curto e longo prazo de chá preto (Duffy e cols., 2001), e vinho tinto (Karatzi e cols., 2004; Whelan e cols., 2004), melhoram a função endotelial. Em fumantes saudáveis o chá verde desempenha efeito similar (Nagaya e cols., 2004). Na mesma linha destes achados, o cacau induz vasodilatação NO-dependente na artéria aorta de camundongos (Karim e cols., 2000), mas também em pessoas saudáveis (Karim e cols, 2000; Fisher e cols., 2003; Schroeter e cols., 2006), ou pacientes com fatores de risco cardiovascular, incluindo o diabetes mellitus (Heiss e cols., 2003; Hermann e cols., 2006; Grassi e cols., 2005; Heiss e cols., 2005; Balzer e cols., 2008). Um estudo experimental utilizando procianidinas derivadas do cacau, e analisando imediatamente a artéria aorta de camundongos observou um relaxamento derivado de endotélio à partir da ativação da NO sintase (Karim e cols., 2000). Fischer e colaboradores (2003) em uma intervenção de 5 dias, utilizaram 821 mg de cacau rico em flavanol por dia prescrito para 27 indivíduos. Neste mesmo estudo os resultados mostraram vasodilatação de artérias periféricas e melhora na resposta vasodilatadora à partir da isquemia observada pela amplitude da onda de pulso do dedo (Fisher e cols., 2003). Observou-se melhora e uma correlação da vasodilatação fluxo-mediada da artéria braquial, com os níveis plasmáticos de epicatequinas após uso de chocolate rico em flavonóides (213 mg de procianidinas e 46 mg de epicatequinas) versus chocolate pobre em flavonóides, em um estudo que durou 2 semanas, com 21 participantes saudáveis (Fisher e cols., 2003). Schroeder e colaboradores (2006) observaram após um estudo realizado com 16 indivíduos saudáveis, que ingeriram bebida rica em flavonóides, melhora na vasodilatação mediada pelo fluxo com o aumento dos flavonóides no plasma e também que uma dieta rica em flavonóides aumenta a excreção urinária de metabólitos do NO. Heiss e colaboradores (2003) estudando 26 pessoas que apresentavam ao menos 1 fator de risco cardiovascular encontraram os seguintes resultados 2 horas A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 83 após a ingestão de 100 ml de bebida achocolatada rica em flavanol: melhora na vasodilatação fluxo-mediada e aumento nos níveis de espécies derivadas de NO. Um aumento na vasodilatação fluxo-mediada da artéria braquial, melhora na função antioxidante e na função plaquetária, foram os achados observados em 20 indivíduos fumantes saudáveis, 2 horas após o consumo de 40g de chocolate amargo versus consumo de chocolate branco (Hermann e cols., 2006). Grassi e colaboradores (2005), em um estudo crossover que contou com a participação de 20 indivíduos com hipertensão essencial não tratada, após 15 dias de intervenção (100g de chocolate amargo rico em catequinas e epicatequinas, ou chocolate branco livre de flavanols), observaram aumento na vasodilatação fluxo-mediada da artéria braquial, diminuição da pressão arterial e do LDL-colesterol, além da melhora da sensibilidade insulínica. Em um estudo crossover com 11 fumantes, observou-se a melhora na vasodilatação fluxomediada, no pool de NO circulante e aumento dos metabólitos dos flavanols, após ingestão de 100 ml de bebida rica em cacau com alta concentração ou baixa concentração de flavanol (176 mg ou < 11 mg) (Heiss e cols., 2005). Após 4 semanas consumindo bebida rica em flavanol, 41 pacientes diabéticos apresentaram melhora aguda e crônica na vasodilatação fluxo-mediada, mas os reais mecanismos, entretanto continuam não elucidados (Balzer e cols., 2008). In vivo, em pacientes com fatores de risco cardiovascular, incluindo fumo, a bebida de cacau rica em flavanol (176 a 185 mg) rapidamente melhora o pool de NO bioativo circulante em mais de um terço, o que por sua vez, aumenta a vasodilatação fluxo-mediada (Heiss e cols., 2003; Heiss e cols., 2005). A infusão de NG-monomethylL-arginine, um inibidor da síntese de NO, reverte o aumento do NO, e a melhora da função endotelial associada à ingestão do cacau, enquanto que a infusão de ácido ascórbico não produz estes efeitos (Heiss e cols., 2005). Similarmente, em anéis aórticos isolados, concentrações de flavonóides comparáveis às que ocorrem no plasma após a ingestão de cacau induzem relaxamento endotélio-dependente, e o consumo crônico de uma dieta rica em flavanol está associada com alta excreção urinária de metabólitos de NO, o que se traduz em um aumento da produção de NO ou degradação diminuída (Schroeter e cols., 2006). Em humanos, a epicatequina imita os efeitos vasculares do cacau rico em flavanol, o que sugere que ela representa o A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 84 principal mediador dos efeitos benéficos do flavanol do cacau sobre a função vascular (Schroeter e cols., 2006). Em nível molecular, parece que em células endoteliais os efeitos de curto-prazo da epicatequina se devem principalmente à diminuição da inativação do NO pelos radicais livres, através da inibição da NADPH oxidase por metabólitos de epicatequina, ao passo que, um aumento na geração do NO como conseqüência do aumento da expressão da proteína NO sintase está relacionado aos efeitos de longo-prazo (Schewe e cols., 2008; Steffen e cols., 2007). A ingestão de epicatequina pura aumenta não só a biodisponibilidade do NO como também agudamente reduz os níveis plasmáticos da endotelina-1, um potente vasoconstrictor derivado de endotélio em homens saudáveis (Duffy e cols., 2001). Um estudo transversal de Hamburg e colaboradores (Hamburg e cols., 2008) mostrou que o Endo-PAT pode ser utilizado como um teste não invasivo que possibilita a análise da função endotelial em indivíduos assintomáticos. A amplitude do pulso digital foi acessada em 2000 indíviduos no estudo de coorte da Terceira Geração Framingham, que apresentou uma correlação positiva significante entre o índex de hiperemia reativa fornecido pelo PAT e múltiplos fatores metabólicos de risco cardiovascular bem conhecidos (Celemajer, 2008). O estudo mostrou uma correlação significativa entre hipertensão arterial e resposta vasomotora digital, além de apresentar uma relação pequena mas paradoxalmente positiva entre idade avançada e índex de hiperemia reativa (Celemajer, 2008). O papel do NO derivado do endotélio na resposta RHI – PAT foi investigado em estudo preliminar no qual o teste do RHI – PAT foi realizado antes e durante a infusão do L-NAME (N-nitro-L-arginina metil ester) na artéria braquial, e um inibidor da síntese de NO em voluntários saudáveis (Gerhard-Herman e cols., 2002). Neste estudo o LNAME reduziu o RHI – PAT de maneira significativa em 61 % (Gerhard-Herman e cols., 2002). Bonetti e colaboradores. (2004) mostraram que pacientes com disfunção endotelial microvascular da artéria coronária têm menor resposta hiperêmica periférica, medida através do índex de hiperemia reativa fornecido pela tonometria arterial periférica (RHI – PAT) do que aqueles com função endotelial da artéria coronária A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 85 normal o que sugere o RHI – PAT como um teste não invasivo potencialmente capaz de identificar indivíduos com disfunção endotelial da artéria coronária. Anderson e cols. (1995) acharam correlação significativa entre o RHI – PAT e a resposta do fluxo sanguineo da artéria coronária à acetilcolina. A medida da amplitude do volume de pulso digital (PVA) durante a hiperemia reativa (RH) está sendo utilizado como um teste simples de função endotelial e análise da biodisponibilidade do óxido nítrico (Bonetti e cols., 2003; Kuvin e cols., 2003; Rozanski e cols., 2001). . O fluxo venoso da mão é interrompido pela inflação do manguito de pressão arterial colocado na região superior do braço (Bonetti e cols., 2003; Kuvin e cols., 2003; Rozanski e cols., 2001). . A hiperemia reativa pode então ser estimulada e seus efeitos vasculares observados (Bonetti e cols., 2003; Kuvin e cols., 2003; Rozanski e cols., 2001). Assim como em outras regiões circulatórias, o aumento do fluxo sanguineo que ocorre durante a hiperemia reativa pós-oclusão pode estimular a produção e a liberação de óxido nítrico derivado do endotélio, o que causa a vasodilatação (Joannides e cols., 1995; Lieberman e cols., 1996). De qualquer maneira, até o momento a relação entre a PVA–RH e o óxido nítrico ainda é presumida. Esta correlação é baseada em observações de que doenças que reduzem a biodisponibilidade do óxido nítrico também tendem a diminuir a PVA-RH (Bonetti e cols., 2004; Kuvin e cols., 2003). Reduções da PVA-RH se relacionam com disfunção endotelial na artéria coronária (Bonetti e cols., 2004) e artérias braquiais (Kuvin e cols., 2003) de indivíduos com aterosclerose ou fatores de risco cardiovascular. A vasculatura digital é anatomicamente complexa, consistindo em dupla circulação composta por: anastomoses arteriovenosas e vasos nutritivos (Bonetti e cols., 2004). Anastomoses arteriovenosas são abundantes nas pontas dos dedos e podem alterar positivamente a quantidade de fluxo sanguíneo digital. O tônus vascular das anastomoses arteriovenosas é primariamente regulado pelo Sistema Nervoso Simpático, e o óxido nítrico desempenha um papel mínimo na regulação do fluxo sanguineo digital no repouso. Estudos ainda investigam se o óxido nítrico é responsável por mudanças na amplitude do volume de pulso digital visto com a hiperemia reativa (Coffman, 1994; Noon e cols., 1996). Gerhard e colaboradores mostraram que 60% da resposta de hiperemia reativa A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 86 observada aravés da tonometria arterial periférica é mediada pela liberação do NO (Nohria e cols., 2006). Estudos que utilizaram o Endo-PAT demonstraram alteração na funçaõ endotelial em crianças com risco cardiovascular em função da presença do diabetes mellitus tipo 1 (Haller e cols., 2007 ), e também mostraram resposta de hiperemia reativa alterada em pacientes com disfunção endotelial microvascular da artéria coronária medida in vivo (Bonetti e cols., 2004), e no caso de Fisher e colaboradores foi proposta a reversão da disfunção endotelial periférica com a utilização dos flavonóides do cacau (Fisher e cols., 2003). De acordo com os inúmeros estudos clínicos (Bonetti e cols., 2003; Kuvin e cols., 2003; Rozanski e cols., 2001; Gerhard-Herman e cols., 2002), epidemiológicos (Framingham) e experimentais citados anteriormente, a técnica de avaliação da função endotelial através da análise da amplitude do volume de pulso digital durante a hiperemia reativa valida o método de análise o que faz com que os nossos achados referentes a função endotelial podem ser interpretados de forma muito confiáveis. Os nossos achados mostram claramente, que após o consumo do chocolatecacau 70% uma melhora da função endotelial avaliada através da tonometria arterial digital o que provavelmente acorre em função de uma maior disponibilidade e produção de NO, redução de citocinas inflamatórias (TNF-α, PCR e IL-6), redução da LDL oxidada, bem como redução das espécies reativas de oxigênio e redução das moléculas de adesão celular (I-CAM, V-CAM e E-selectin). Estes dados vêm de encontro aos já citados que mostram melhora da função endotelial através do consumo do cacau, muito embora através de uma diferente avaliação da função endotelial. Nos parece que a grande vantagem do presente estudo, é a de apresentar os efeitos do cacau sobre a função endotelial através de um método simples e não invasivo. 8.4. Velocidade da onda de pulso As velocidades da onda de pulso carótida-radial (VOP CR) e carótida-femoral (VOP CF), e suas tolerâncias correspondentes não se alteraram de forma significativa após a intervenção de 4 semanas do presente estudo com o chocolate-cacau 70% (VOP CR - V0: 10,44 ± 0,32; V4: 9,98 ± 0,50; e VOP CF - V0: 9,98 ± 0,26; V4: 10,31 ± A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 87 0,59). Não encontramos na literatura estudos que tenham feito uma intervenção com o cacau, e avaliado a velocidade a onda de pulso antes e após o período de acompanhamento. Provavelmente as alterações da VOP são decorrentes de alterações estruturais dos vasos e uma intervenção em tão pouco tempo (1 mês) pouca interferência poderia produzir a nível anatômico nestes vasos. 8.5 Metabolismo lipídico e glicose A utilização no presente estudo, do chocolate-cacau 70%, durante 4 semanas, não reduziu de forma significativa o colesterol total (V0: 199,00±7,41; V4: 195,15±9,25), os triglicerídeos (V0:132,8±11,18; V4: 122,55±11,77), o LDL-c (V0: 122,15±6,71; V4: 122,00±9,24), a glicose de jejum e não aumentou de forma significativa (V0:90,6±2,60; V4: 88,65±2,75), e o HDL-c não se alterou de maneira estatisticamente significativa (50,85±2,31; V4: 48,75±2,64). A hipertensão arterial é freqüentemente acompanhada de alterações no metabolismo dos carboidratos e dos lipídios, o que acentua o risco cardiovascular (Reaven e cols., 1996). A manteiga de cacau, uma gordura derivada das plantas de cacau é encontrada predominantemente no chocolate amargo, e contém o ácido graxo oléico monoinsaturado e o ácido graxo esteárico (Bonanome e cols., 1988; Mensink e cols., 2003). Em geral, plantas ricas em ácido esteárico nãodiminuem o HDL-c, não aumentam o LDL-c e colesterol total (Bonanome e cols., 1988; Mensink e cols., 2003). Um estudo realizado com indivíduos jovens e saudáveis, que consumiram uma barra de 46g de chocolate amargo encontrou-se um aumento no HDL-c e redução dos triglicérides, sem afetar o LDL-c apesar do aumento de gorduras totais da dieta (Mensink e cols., 2003). Em pacientes hipertensos, o consumo diário de 100g de chocolate rico em flavonóides por 2 semanas reduziu em 12% os níveis séricos de colesterol total e LDL-c (Kondo e cols., 1996). Em indivíduos saudáveis o consumo diário de 75g de chocolate amargo rico em polifenóis por 3 semanas aumentou o HDL-c A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 88 em 14% e inibiu a peroxidação lípidica (Mursu e cols., 2004). Um estudo japonês demonstrou que em pacientes hipercolesterolêmicos, o cacau rico em flavanol reduz os níveis plasmáticos de LDL-c e da LDL oxidada, além de aumentar as concentrações séricas de HDL-c (Baba e cols., 2007). Em uma metanálise que analisou 60 estudos controlados mostrou-se que o ácido esteárico não diminui o HDL-c, e não aumenta o LDL-c e / ou o colesterol total (Bonanome e Grundy, 1988; Storm e cols., 1997). A metanálise também estimou que uma reposição isocalórica de alimentos ricos em carboidratos por alimentos ricos em ácido esteárico, pode ocasionar diminuição dos triglicérides (Mensink e cols., 2003). Um recente ensaio clínico também mostrou que os efeitos positivos do ácido esteárico sobre os lipídios séricos podem ser semelhantes aos conseguidos com o uso regular dos ácidos insaturados oléico e linoléico (Thijssen e Mensink, 2005). O ácido esteárico pode não afetar negativamente o colesterol total, o LDL-c e / ou o HDL-c, e ainda se mostra capaz em reduzir os triglicérides (Ding e cols., 2006). Estudos atuais têm tentado explicar o fato de o ácido esteárico exercer uma ação neutra sobre o colesterol sérico (Dougherty e cols., 1995; Denke e Grundy, 1991). Um mecanismo proposto seria a menor absorção intestinal do ácido esteárico quando comparada com a de outros ácidos graxos saturados, observada em alguns modelos animais e humanos (Dougherty e cols., 1995; Denke e Grundy, 1991), embora minimamente em outros estudos (Bonanome e Grundy, 1989; Emken e cols., 1993). A absorção do ácido esteárico vindo do cacau pode ser diferente daquele derivado de fontes animais (Dougherty e cols., 1995). Alguns ensaios com alimentos acharam uma menor absorção da manteiga de cacau quando comparada com a do óleo de milho (Mitchell e cols., 1989), embora não em outros ensaios (Shahkhalili e cols., 2000). Finalmente outro mecanismo de proteção fortemente apoiado referem-se à percentagem relativamente elevada de dessaturação do ácido esteárico para o ácido graxo monoinsaturado oléico (Emken e cols., 1993; Grundy, 1994; Bonanome, 1992), uma gordura considerada hipocolesterolêmica (Yu, 1997) e protetora contra o desenvolvimento de doença cardiovascular (Hu e Willett, 2002). O ácido esteárico é um ácido graxo saturado com 18 carbonos similar ao ácido graxo oléico e linoléico no que diz respeito ao tamanho da cadeia (Steinberg e cols., 2003). Ele parece ser realmente A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 89 dessaturado no fígado em ácido graxo oléico. Estes fatores podem explicar o porquê do ácido esteárico exercer uma ação distinta dos ácidos graxos saturados de maneira geral, sobre vários marcadores que elevam o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular (Steinberg e cols., 2003). Estudos comparando a ação do ácido graxo saturado esteárico, do ácido monoinsaturado oléico e do ácido graxo poliinsaturado linoléico, não mostraram diferenças entre as ações dos 3 ácidos graxos sobre o perfil lipídico dos participantes (Rivellese e cols., 2003; Thijssen e cols., 2005; Bonanome e Grundy, 1988). Adicionalmente, estudos recentes mostram que o ácido esteárico possui efeito similar ao observado com o oléico e o linoléico sobre os marcadores de trombose, e isto pode ser considerado um benefício (Kelly e cols., 2001; Thijssen e Mensink, 2005; Tholstrup e cols., 1994). Em um estudo de Kris-Etherton e colaboradores (1993), os participantes consumiram uma dieta caloricamente e nutricionalmente controlada, com suplementação de 10 ounces de chocolate / dia, durante 1 mês. A gordura saturada representou 20% do valor energético total da dieta (Judd e cols., 2002). Quando comparado com o grupo não suplementado com chocolate, no qual a gordura saturada representava 14% do valor energético total da dieta, não foram observadas diferenças significativas entre os dois grupos na concentração do colesterol sérico (Judd e cols., 2002). Um estudo subseqüente que incluiu uma substituição diária de “snacks” ricos em carboidratos, por 1,6 ounces de bebida achocolatada, como parte do Programa Nacional da Associação Americana de Cardiologia de educação passo 1, para o controle do colesterol através da dieta (NCEP/AHA Step 1 Diet), mostrou que a introdução do chocolate na dieta em substituição ao carboidrato, não alterou adversamente a concentração sérica de LDL-c (Judd e cols., 2002) Os efeitos do chocolate e de seus componentes sobre os lipídios séricos não são conclusivos, o que sugere a necessidade de realização de um grande estudo controlado (Conti e cols., 2009). Vale lembrar que muitos tipos de chocolates comercializados podem conter leite e gorduras processadas como o óleo de palma. Este efeito do chocolate processado sobre os lipídios séricos não é conhecido e podem ser menos favoráveis (Conti e cols., 2009). A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 90 9. CONCLUSÕES A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 91 9. CONCLUSÕES O consumo do chocolate-cacau 70%, durante 4 semanas, realizado em indivíduos hipertensos primários estágio I que não utilizavam fármacos anti-hipertensivos sugere: 1. Há controvérsia em relação ao efeito hipotensor, uma vez que houve redução significativa da PA avaliada através do método oscilométrico casual e ausência do efeito hipotensor através do MAPA. 2. Houve melhora significativa da função endotelial avaliada através do RHI. 3. A despeito da avaliação da função endoltelial dos pacientes apresentarem valores dentro da normalidade, ainda assim registramos melhora significativa da função endotelial 4. É provável que os dados conflitantes em relação ao efeito hipotensor sejam decorrentes do efeito do “jaleco branco” ou do tempo de utilização do chocolate, uma vez já ser observado melhora na função endotelial neste período. 5. Não foram observadas alterações significativas na massa corporal, no índice de massa corporal, na circunferência de cintura, circunferência de quadril e na relação cintura quadril ao final do estudo. 6. Não foram observadas reduções significativas no colesterol total, no LDLcolesterol, no HDL-colesterol, no VLDL-colesterol, nos triglicerídeos e na glicose ao final do estudo. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 92 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: Actis-Goretta L, Ottaviani JI, Fraga CG. Inhibition of angiotensin convertingenzyme activity by flavanol-rich foods. J Agric Food Chem. 2006;54: 229–234. Adamson GE, Lazarus SA, Mitchell AE, Prior RL, Cao G, Jacobs PH, Kremers BG, Hammerstone JF, Rucker RB, Ritter KA, Schmitz HH. HPLC method for the quantification of procyanidins in cocoa and chocolate samples and correlation to total antioxidant capacity. J Agric Food Chem. 1999;47:4184–4188. Alonso A, de la Fuente C, Beunza JJ, Sanchez-Villegas A, Martinez-Gonzalez MA. Chocolate consumption and incidence of hypertension.Hypertension. 2005;46:21–22. American Heart Association: Heart Disease and Stroke Statistics: 2004 Update. Dallas, TX , American Heart Association; 2003. Anderson TJ, Uehata A, Gerhard MD, Meredith IT, Knab S, DelagrangeD, Lieberman EH, Ganz P, Creager MA, Yeung AC, Selwyn AP. Close relation of endothelial function in the human coronary and peripheral circulations. J Am Coll Cardiol. 1995;26:1235–1241. Appel L, Moore F, Obarzanek E, Vollmer WN, Svetkey LP, Sacks FM, Bray GA, Vogt TM, Cutler JA, Windhauser MM, Lin PH, Karanja N. A clinical trial of the effects of dietary patterns on blood pressure. N Eng J Med 1997;1117-24. Aremu CY, Abara AE. Hydrocyanate, oxalate, phytate, calcium and zinc in selected brands of Nigerian cocoa beverage. Plant Foods Human Nutr 1992;42:231-7. Arts IC, Hollman PC, Feskens EJ, Bueno de Mesquita HB, Kromhout D: Catechin intake and associated dietary and lifestyle factors in a representative sample of Dutch men and women. Eur J Clin Nutr 2001, 55(2):76-81. Arts IC, Hollman PC, Kromhout D: Chocolate as a source of tea flavonoids. Lancet 1999, 354(9177):488. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 93 Arts IC, Jacobs DRJ, Harnack LJ, Gross M, Folsom AR: Dietary catechins in relation to coronary heart disease death among postmenopausal women. Epidemiology 2001, 12(6):668-675. Arts IC, van de Putte B, Hollman PC. Catechin contents of foods commonly consumed in The Netherlands, 1: fruits, vegetables, staple foods, and processed foods. J Agric Food Chem. 2000;48:1746 –1751. Ascherio A, Hennekens C, Willett WC, Sacks M, Rosner B, Manson J, Witteman J, Stampfer MJ. Prospective study of nutritional factors, blood pressure and hypertension among US women. Hypertension 1996;27:1065-72. Asmar R, Benetos A, Topouchian 1. J, Laurent P, Pannier B, Brisac A, e cols. Assessment of arterial distensibility by automatic pulse wave velocity measurement. Hypertension. 1995;26(3):485-90. Baba S, Natsume M, Yasuda A, Nakamura Y, Tamura T, Osakabe N, Kanegae M, Kondo K. Plasma LDL and HDL cholesterol and oxidized LDL concentrations are altered in normo- and hypercholesterolemic humans after intake of different levels of cocoa powder. J Nutr. 2007; 137:1436 –1441. Baba S, Osakabe N, Kato Y, Natsume M, Yasuda A, Kido T, Fukuda K, Muto Y, Kondo K. Continuous intake of polyphenolic compounds containing cocoa powder reduces LDL oxidative susceptibility and has beneficial effects on plasma HDL-cholesterol concentrations in humans. Am J Clin Nutr. 2007;85:709 –717. Balzer J, Rassaf T, Heiss C, Kleinbongard P, Lauer T, Merx M, Heussen N, Gross HB, Keen CL, Schroeter H, Kelm M. Sustained benefits in vascular function through flavanol-containing cocoa in medicated diabetic patients a double-masked, randomized, controlled trial. J Am Coll Cardiol. 2008;51:2141–2149. Barac A, Campia U, Panza JA. Methods for evaluating endothelial function in humans. Hypertension. 2007; 49:748-760. Bayard V, Chamorro F, Motta J, Hollenberg NK. Does flavanol intake influence mortality from A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 94 nitric oxide-dependent processes? Ischemic heart disease, stroke, diabetes mellitus, and cancer in Panama. Int J Med Sci. 2007;4:53–58. Bonanome A, Bennett M, Grundy SM: Metabolic effects of dietary stearic acid in mice: changes in the fatty acid composition of triglycerides and phospholipids in various tissues. Atherosclerosis 1992, 94(2-3):119-127. Bonanome A, Grundy SM: Effect of dietary stearic acid on plasma cholesterol and lipoprotein levels. N Engl J Med 1988, 318(19):1244-1248. Bonanome A, Grundy SM: Intestinal absorption of stearic acid after consumption of high fat meals in humans. J Nutr 1989, 119(11):1556-1560. Bonetti PO, Barsness GW, Keelan PC, Schnell TI, Pumper GM, Kuvin JT, Schnall RP, Holmes DR, Higano ST, Lerman A. Enhanced external counterpulsation improves endothelial function in patients with symptomatic coronary artery disease. J Am Coll Cardiol. 2003; 41:1761-1768. Bonetti PO, Pumper GM, Higano ST, Holmes DR Jr, Kuvin JT, Lerman A. Noninvasive identification of patients with early coronary atherosclerosis by assessment of digital reactive hyperemia. J Am Coll Cardiol. 2004; 44: 2137–2141. Buijsse B, Feskens EJ, Kok FJ, Kromhout D. Cocoa intake, blood pressure, and cardiovascular mortality: the Zutphen Elderly Study. Arch Intern Med. 2006;166:411– 417. Busse R, Edwards G, Feletou M, Fleming I, Vanhoutte PM, Weston AH. EDHF: bringing the concepts together. Trends Pharmacol Sci. 2002;3:374–380. Celermajer DS, Sorensen KE, Bull C, Robinson J, Deanfield JE. Endothelium- dependent dilation in the systemic arteries of asymptomatic subjects relates to coronary risk factors and their interaction. J Am Coll Cardiol. 1994;24:1468 –1474. Celermajer DS, Sorensen KE, Gooch VM, Spiegelhalter DJ, Miller OI, Sullivan ID, Lloyd JK, Deanfield JE. Non-invasive detection of endothelial dysfunction in children and adults at risk of atherosclerosis. Lancet. 1992;340:1111–1115. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 95 Chen CH, Nevo E, Fetics B, Pak PH, Yin FC, Maughan WL, e cols. Estimation of central aortic pressure waveform by mathematical transformation of radial tonometry pressure. Validation of generalized transfer function. Circulation 1997; 95:1827–1836. Clark MG, Wallis MG, Barrett EJ, Vincent MA, Richards SM, Clerk LH, Rattigan S. Blood flow and muscle metabolism: a focus on insulin action. Am J Physiol Endocrinol Metab. 2003; 284:E241–E258. Cohen RA. The endothelium-derived hyperpolarizing factor puzzle: a mechanism without a mediator? Circulation. 2005;111:724 –727. Cooke JP, Tsao PS. Is NO an endogenous anti-atherogenic molecule? Arterioscler Thromb. 1994:653– 655. Cooper KA, Donovan JL, Waterhouse AL, Williamson G. Cocoa and health: a decade of research. Br J Nutr. 2008;99:1–11. Corretti MC, Anderson TJ, Benjamin EJ, Celermajer DS, Charbonneau F, Creager MA, Deanfield J, Drexler H, Gerhard-Herman M, Herrington D, Vallance P, Vita J, Vogel R; International Brachial Artery Reactivity Task Force. Guidelines for the ultrasound assessment ofendothelial dependent flow-mediated vasodilation of the brachial artery: a report of the International brachial Artery Reactivity Task Force. J Am Coll Cardiol. 2002;39:257–265. Corti R, Lammer A, Hollenberg NK, Luscher TF. Cocoa and Cardiovascular Helth. Circulation. 2009;119:1433-1441. Counet C, Ouwerx C, Rosoux D, Collin S. Relationship between procyanidin and flavor contents of cocoa liquors from different origins. J Agric Food Chem. 2004;52:6243– 6249. Denke MA, Grundy SM: Effects of fats high in stearic acid on lipid and lipoprotein concentrations in men. Am J Clin Nutr 1991, 54(6):1036-1040. Dillinger, TL, Barriga, P, Escárcega, S, Jimenez, M, Lowe, DS, Grivetti, LE. Food of the gods: A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 96 cure for humanity? A cultural history of the medicinal and ritual use of chocolate. The Journal of Nutrition, v. 130, supl. 8, p. 2057S-2072S, 2000. Ding, EL, Hutfless, SM, Ding, X, Girotra, S. Chocolate and prevention of cardiovascular disease: a systematic review. Nutrition and Metabolism, (Lond), p. 3-2, 2006. Dougherty RM, Allman MA, Iacono JM: Effects of diets containing high or low amounts of stearic acid on plasma lipoprotein fractions and fecal fatty acid excretion of men. Am J Clin Nutr 1995, 61(5):1120-1128. Drexler H. Endothelial dysfunction: clinical implications. Prog Cardiovasc Dis. 1997;39:287–324. Duffy SJ, Keaney JF Jr, Holbrook M, Gokce N, Swerdloff PL, Frei B, Vita JA. Short- and longterm black tea consumption reverses endothelial dysfunction in patients with coronary artery disease. Circulation. 2001;104:151–156. Emken EA, Adlof RO, Rohwedder WK, Gulley RM: Influence of linoleic acid on desaturation and uptake of deuteriumlabeled palmitic and stearic acids in humans. Biochim Biophys Acta 1993, 1170(2):173-181. Engler MB, Engler MM, Chen CY, Malloy MJ, Browne A, Chiu EY, Kwak HK, Milbury P, Paul SM, Blumberg J, Mietus-Snyder ML. Flavonoid-rich dark chocolate improves endothelial function and increases plasma epicatechin concentrations in healthy adults. J Am Coll Nutr. 2004; 3:197– 204. Eric L Ding, Susan M Hutfless, Xin Ding and Saket Girotra. Chocolate and prevention o cardiovascular disease: a systematic review. Nutrition & Metabolism 2006, 3:2 doi:10.1186/1743-7075-3-2 Eyre H, Kahn R, Robertson RM, Clark NG, Doyle C, Hong Y, Gansler T, Glynn T, Smith RA, Taubert K, Thun MJ: Preventing cancer, cardiovascular disease, and diabetes: a common agenda for the American Cancer Society, the American Diabetes Association, and the American Heart Association. Stroke 2004, 35(8):1999-2010. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 97 Fetics B, Nevo E, Chen CH, Kass DA. Parametric model derivation of transfer function for noninvasive estimation of aortic pressure by radial tonometry. IEEE Trans Biomed Eng 1999; 46:698–706. Fichtlscherer S, Breuer S, Zeiher AM. Prognostic value of systemic nendothelial dysfunction in patients with acute coronary syndromes: further evidence for the existence of the “vulnerable” patient. Circulation. 2004;110:1926 –1932. Fisher ND, Hughes M, Gerhard-Herman M, Hollenberg NK. Flavanol-rich cocoa induces nitricoxide-dependent vasodilation in healthy humans. J Hypertens. 2003; 21:2281–2286. Flammer AJ, Hermann F, Sudano I, Spieker L, Hermann M, Cooper KA, Serafini M, Luscher TF, Ruschitzka F, Noll G, Corti R. Dark chocolate improves coronary vasomotion and reduces platelet reactivity. Circulation. 2007;116:2376 –2382. Food and Nutrition Board, Institute of Medicine. Dietary Reference Intakes for Calcium, Phosphorus, Magnesium, Vitamin D and Fluoride. Washington, DC: National Academy Press 1999. Forstermann U, Munzel T. Endothelial nitric oxide synthase in vascular disease: from marvel to menace. Circulation. 2006;113:1708 –1714. Foster-Powell K, Holt SHA, Brand-Miller JC. International table of glycemic index and glycemic load values: 2002. Am J Nutr 2002;76(1):5-56. Fraga CG, Actis-Goretta L, Ottaviani JI, Carrasquedo F, Lotito SB, Lazarus S, Schmitz HH, Keen CL: Regular consumption of a flavanol- rich chocolate can improve oxidant stress in young soccer players. Clin Dev Immunol 2005, 12(1):11-17. Franco, G. Tabela de Composição de Alimentos. 9ª ed. São Paulo: Atheneu, 2003. Friedewald WT, Levy RI, Frederickson DS. Estimation of low-density lipoprotein cholesterol in plasma, without use of the preparative ultracentrifuge. Clin Chem 1972; 18:499-502. Furchgott RF, Zawadzki JV. The obligatory role of endothelial cells in the relaxation of arterial A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 98 smooth muscle by acetylcholine. Nature. 1980;288:373–376. Furchgott RF. The discovery of endothelium-dependent relaxation. Circulation. 1993;87(suppl 5):V3–V8. Geleijnse JM, Grobbee DE, Kok FJ. Impact of dietary and lifestyle factors on the prevalence of hypertension in Western populations. J Hum Hypertens 2005 Dec;19 Suppl 3:S1-4. Geleijnse JM, Grobbee DE, Kok FJ. Impact of dietary and lifestyle factors on the prevalence of hypertension in Western populations. J Hum Hypertens 2005 Dec;19 Suppl 3:S1-4. Gokce N, Keaney JF Jr, Menzoian JO, Watkins M, Hunter L, Duffy SJ, Vita JA. Risk stratification for postoperative cardiovascular events via noninvasive assessment of endothelial function. Circulation. 2002;105: 1567–1572. Govers R, Rabelink TJ. Cellular regulation of endothelial nitric oxide synthase. Am J Physiol Renal Physiol. 2001;280:F193–F206. Grassi D, Desideri G, Necozione S, Lippi C, Casale R, Properzi G, Blumberg JB, Ferri C. Blood pressure is reduced and insulin sensitivity increased in glucose-intolerant, hypertensive subjects after 15 days of consuming high-polyphenol dark chocolate. J Nutr. 2008;138: 1671–1676. Grassi D, Lippi C, Necozione S, Desideri G, Ferri C: Short-term administration of dark chocolate is followed by a significant increase in insulin sensitivity and a decrease in blood pressure in healthy persons. Am J Clin Nutr 2004; 81(3):611-614. Grassi D, Necozione S, Lippi C, Croce G, Valeri L, Pasqualetti P, Desideri G, Blumberg JB, Ferri C. Cocoa reduces blood pressure and insulin resistance and improves endothelium-dependent vasodilation in hypertensives. Hypertension. 2005; 46(2):398-405. Griffith L, Guyatt GH, Cook RJ, Bucher HC, Cook DJ. The influence of dietary and nondietary calcium supplementation on blood pressure: an updated metaanalysis of randomized clinical trials. Am J Hypertens 1999;12:84-92. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 99 Grundy SM: Influence of stearic acid on cholesterol metabolism relative to other long-chain fatty acids. Am J Clin Nutr 1994, 60(6 Suppl):986S-990S. Gu L, Kelm MA, Hammerstone JF, Beecher G, Holden J, Haytowitz D, Gebhardt S, Prior RL: Concentrations of proanthocyanidins in common foods and estimations of normal consumption. J Nutr 2004, 134(3):613-617. Halcox JP, Narayanan S, Cramer-Joyce L, Mincemoyer R, Quyyumi AA. Characterization of endothelium-derived hyperpolarizing factor in the human forearm microcirculation. Am J Physiol Heart Circ Physiol 2001;280:H2470–H2477. Halcox JP, Quyyumi AA. Coronary vascular endothelial function and myocardial ischemia: why should we worry about endothelial dysfunction? Coron Artery Dis. 2001;12:475– 484. Halcox JP, Schenke WH, Zalos G, Mincemoyer R, Prasad A, Waclawiw MA, Nour KR, Quyyumi AA. Prognostic value of coronary vascular endothelial dysfunction. Circulation. 2002;106:653– 658. Haller MJ, Stein J, Shuster J, Theriaque D, Silverstein J, Schatz DA, Earing MG, Lerman A, Mahmud FH. Peripheral artery tonometry demonstrates altered endothelial function in children with type 1 diabetes. Pediatr Diabetes. 2007;8:193-198. Halliwell B. Dietary polyphenols: good, bad, or indifferent for your health? Cardiovasc Res. 2007;73:341–347. Hamburg NM, Keyes MJ, Larson MG, Vasan RS, Schnabel R, Pryde MM, Mitchell GF, Sheffy J, Vita JA, Benjamin EJ. Cross-sectional relations of digital vascular function to cardiovascular risk factors in the Framingham Heart Study. Circulation. 2008;117:2467–2474. Hammerstone JF, Lazarus S, Mitchell A, Rucker R, Schmitz HH. Identification of procyanidins in cocoa (Theobroma cacao) and chocolate using high-performance liquid chromatography/mass spectometry. J Agric Food Chem 1999;47:490-6. Hammerstone JF, Lazarus SA, Schmitz HH. Procyanidin content and variation in some A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 100 commonly consumedfoods. J Nutr. 2000; 130:2086S–2092S Harland BF, Oberleas D. Phytate and zinc contents of coffees, cocoas, and teas. J Food Sci 1985;50:832-3, 42. Haslam E. Quinone tanning and oxidative polymerization. In: Haslam E. Practical Polyphenolics: From strutucture to molecular recognition and physiological action. Cambridge, MA: Cambridge University Press, 1998:335-73. He, K., K. Liu, e cols. (2006). "Magnesium intake and incidence of metabolic syndrome among young adults." Circulation 113(13): 1675-82. Hegsted DM, McGandy RB, Myers ML, Stare FJ: Quantitative effects of dietary fat on serum cholesterol in man. Am J Clin Nutr 1965, 17(5):281-295. Heiss C, Dejam A, Kleinbongard P, Schewe T, Sies H, Kelm M: Vascular effects of cocoa rich in flavan-3-ols. JAMA 2003, 290(8):1030-1031. Heiss C, Kleinbongard P, Dejam A, Perre S, Schroeter H, Sies H, Kelm M. Acute consumption of flavanol-rich cocoa and the reversal of endothelial dysfunction in smokers. J Am Coll Cardiol. 2005;46:1276 –1283. Henderson JS, Joyce RA, Hall GR, Hurst WJ, McGovern PE. Chemical and archaeological evidence for the earliest cacao beverages. Proc Natl Acad Sci U S A. 2007;104:18937–18940. Hermann F, Spieker LE, Ruschitzka F, Sudano I, Hermann M, Binggeli C, Luscher TF, Riesen W, Noll G, Corti R. Dark chocolate improves endothelial and platelet function. Heart. 2006;92:119 –120. Hertog MG, Feskens EJ, Hollman PC, Katan MB, Kromhout D: Dietary antioxidant flavonoids and risk of coronary heart disease: the Zutphen Elderly Study. Lancet 1993, 342(8878):10071011. Hertog MG, Kromhout D, Aravanis C, Blackburn H, Buzina R, Fidanza F, Giampaoli S, Jansen A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 101 A, Menotti A, Nedeljkovic S, Pekkarinen M, Simic BS, Toshima H, Feskens EJ, Hollman PC, Katan MB. Flavonoid intake and long-term risk of coronary heart disease and cancer in the Seven Countries Study. Arch Intern Med. 1995; 155:381–386 Hertog MG, Sweetnam PM, Fehily AM, Elwood PC, Kromhout D: Antioxidant flavonols and ischemic heart disease in a Welsh population of men: the Caerphilly Study. Am J Clin Nutr 1997, 65(5):1489-1494. Hirai N, Kawano H, Hirashima O, Motoyama T, Moriyama Y, Sakamoto T, Kugiyama K, Ogawa H, Nakao K, Yasue H. Insulin resistance and endothelial dysfunction in smokers: effects of vitamin C. Am J Physiol Heart Circ Physiol. 2000;279:H1172–H1178. Hirvonen T, Pietinen P, Virtanen M, Ovaskainen ML, Hakkinen S, Albanes D, Virtamo J: Intake of flavonols and flavones and risk of coronary heart disease in male smokers. Epidemiology 2001, 12(1):62-67 Hollenberg NK, Martinez G, McCullough M, Meinking T, Passan D, Preston M, Rivera A, Taplin D, Vicaria-Clement M. Aging, acculturation, salt intake, and hypertension in the Kuna of Panama. Hypertension. 1997; 29:171–176. Hollenberg NK, Rivera A, Meinking T, Martinez G, McCullough M, Passan D, Preston M, Taplin D, Vicaria-Clement M. Age, renal perfusion and function in island-dwelling indigenous Kuna Amerinds of Panama. Nephron. 1999;82:131–138. Holt RR, Lazarus SA,, Sullards MC, Zhu QY, Schramm DD, Hammerstone JF, Fraga CG, Schmitz HH, Keen CL. Procyanidin dimmer B2 (epicatechin-4beta-8-epicatechin) in human plasma after the consumption of a flavanol-rich cocoa. Am J Clin Nutr 2002:76:798-804. Holt RR, Schramm DD, Keen CL, Lazarus SA, Schmitz HH: Chocolate consumption and platelet function. Jama 2002, 287(17):2212-2213. Hu FB, Manson JE, Willett WC: Types of dietary fat and risk of coronary heart disease: a critical review. J Am Coll Nutr 2001, 20(1):5-19. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 102 Hu FB, Willett WC: Optimal diets for prevention of coronary heart disease. JAMA 2002, 288(20):2569-2578. Huxley RR, Neil HA: The relation between dietary flavonol intake and coronary heart disease mortality: a meta-analysi of prospective cohort studies. Eur J Clin Nutr 2003, 57(8):904-908. Innes AJ, Kennedy G, McLaren M, Bancroft AJ, Belch JJ: Dark chocolate inhibits platelet aggregation in healthy volunteers.Platelets 2003, 14(5):325-327. Izzo Jr JL, Shykoff BE. Arterial stiffness: clinical relevance, measurement, and treatment. Rev Cardiovasc Med. 2001;2(1):29-40. Joannides R, Haefeli WE, Linder L, Richard V, Bakkali EH, Thuillez C, Lüscher TF. Nitric oxide is responsible for flow-dependent dilatation of human peripheral conduit arteries in vivo. Circulation. 1995;91:1314–1319. Joannides R, Richard V, Haefeli WE, Linder L, Luscher TF, Thuillez C. Role of basal and stimulated release of nitric oxide in the regulation of radial artery caliber in humans. Hypertension. 1995;26:327–331. Joo S, Kies C, Schnepf M. Chocolate and chocolate-like products: impact on copper status of humans. J Appl Nutr 1995;47:67-77. 14. Joo S, Kies C, Schnepf M. Chocolate and chocolate-like products: impact on copper status of humans. J Appl Nutr 1995;47:67-77. Joseph JA, Shukitt-Hale B, Casadesus G. Reversing the deleterious effects of aging on neuronal comunication and behavior: beneficial properties of fruit polyphenolic compounds. Am J Clin Nutr 2005 Jan;81(1 Suppl):313S-6S. Joshipura KJ, Hu FB, Manson JE, Stampfer MJ, Rimm EB, Speizer FE, Colditz G, Ascherio A, Rosner B, Spiegelman D, Willett WC. The effect of fruit and vegetable intake on risk for coronary heart disease. Ann Intern Med. 2001;134:1106 –1114. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 103 Judd JT, Baer DJ, Clevidence BA, Kris- Etherton P, Muesing RA, Iwane M. Dietary cis and trans monounsaturated and saturated FA and plasma lipids and lipoproteins in men. Lipids 2002 Feb;37(2):123-31. Julius S, Nesbitt SD, Egan BM, Weber MA, Michelson EL, Kaciroti N, Black HR, Grimm RH Jr, Messerli FH, Oparil S, Schork MA. Feasibility of treating prehypertension with an angiotensinreceptor blocker. N Engl J Med. 2006;354:1685–1697. kamei M, Yoshikawa M, Hashizime S. New application of cocoa to mitigation of peripheral intolerance to cold. Food Ind Food Sci J 2003;300:4-13. Kannel, W. B., P. A. Wolf, e cols. (1981). "Systolic blood pressure, arterial rigidity, and risk of stroke. The Framingham study." Jama 245(12): 1225-9. Karamanoglu M, O’Rourke MF, Avolio AP, Kelly RP. An analysis of the relationship between central aortic and peripheral upper limb pressure waves in man. Eur Heart J 1993; 14:160–167. Karatzi K, Papamichael C, Aznaouridis K, Karatzis E, Lekakis J, Matsouka C, Boskou G, Chiou A, Sitara M, Feliou G, Kontoyiannis D, Zampelas A, Mavrikakis M. Constituents of red wine other than alcohol improve endothelial function in patients with coronary artery disease. Coron Artery Dis. 2004;15:485– 490. Karim M, McCormick K, Kappagoda CT. Effects of cocoa extracts on endothelium-dependent relaxation. J Nutr. 2000; 130:2105S–2108S Kearney PM, Whelton M, Reynolds K e cols. Global burden of hypertension: analysis of worldwide data. Lancet 2005; 365, 217-223. Keen CL, Holt RR, Oteiza PI, Fraga CG, Schmitz HH. Cocoa antioxidants cardiovascular health. Am J Clin Nutr. 2005;81: 298S–303S. Keen CL. Chocolate: food as medicine / mmedicine as food. Am J Clin Nutr 2001; 20(5 suppl): 436S-439S, 440S-442S A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 104 Keli SO, Hertog MG, Feskens EJ, Kromhout D: Dietary flavonoids, antioxidant vitamins, and incidence of stroke: the Zutphen study. Arch Intern Med 1996, 156(6):637-642. Kelly CJ. Effects of theobromine should be considered in future studies. Am J Clin Nutr 2005 Aug:82(2):486-7. Kelly FD, Sinclair AJ, Mann NJ, Turner AH, Abedin L, Li D. A stearic acid-rich diet improves thrombogenic and atherogenic risk factor profiles in healthy males. Eur J Clin Nutr 2001;55:8896. Kelly FD, Sinclair AJ, Mann NJ, Turner AH, Raffin FL, Blandford MV, Pike MJ: Short-term diets enriched in stearic or palmitic acids do not alter plasma lipids, platelet aggregation or platelet activation status. Eur J Clin Nutr 2002, 56(6):490-499. Kelly RP, Millasseau SC, Ritter JM, Chowienczyk PJ. Vasoactive drugs influence aortic augmentation index independently of pulse-wave velocity in healthy men. Hypertension 2001; 37:1429–1433. Keys A, Anderson JT, Grande F: Prediction of serum-cholesterol responses of man to changes in fats in the diet. Lancet 1957, 273(7003):959-966. Khaw K-T, Barrett-Connor E. Dietary potassium and stroke-associated mortality. N Engl J Med 1987;316:235-40. Kinlay S, Behrendt D, Wainstein M, Beltrame J, Fang JC, Creager MA, Selwyn AP, Ganz P. Role of endothelin-1 in the active constriction of human atherosclerotic coronary arteries. Circulation. 2001;104:1114–1118. Klevay LM, Milne DB. Low dietary magnesium increases supraventricular ectopy. Am J Clin Nutr 2002;75:550-4. Knekt P, Kumpulainen J, Jarvinen R, Rissanen H, Heliovaara M, Reunanen A, Hakulinen T, Aromaa A: Flavonoid intake and risk of chronic diseases. Am J Clin Nutr 2002, 76(3):560-568. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 105 Kondo K, Hirano R, Matsumoto A, Igarashi O, Itakura H. Inhibition of LDL oxidation by cocoa. Lancet. 1996;348:1514. Kris-Etherton PM, Derr JA, Mitchell DC. The role of fatty acid saturation on plasma lipids, lipoproteins and apoliproteins. Effects of whole food diets high in cocoa butter, olive oil, soybean oil, dairy butter and milk chocolate on the plasma lipids of young men. Metabolism 1993;42:1304. Kris-Etherton PM, Derr JA, Mustad VA, Seligson FH, Pearson TA. Effects of a milk chocolate bar per day substituted for a highcarbohydrate snack in young men on an NCEP/AHA Step 1 Diet. Am J Clin Nutr. 1994;60:1037S–1042S. Kris-Etherton PM, Keen CL: Evidence that the antioxidant flavonoids in tea and cocoa are beneficial for cardiovascular health. Curr Opin Lipidol 2002, 13(1):41-49. Kris-Etherton PM, Yu S: Individual fatty acid effects on plasma lipids and lipoproteins: human studies. Am J Clin Nutr 1997, 65(5 Suppl):1628S-1644S Kubena KS and McMurray DN. Nutrition and the immune system: A review of nutrient-nutrient interactions, J Am Diet Assoc 1996;96:1156-64. Kurlandsky SB, Stote KS. Cardioprotective effects of chocolate and almond consumption in healthy women. Nutr Res. 2006;26:509 –516. Kurosawa T, Itoh F, Nosaki A, Nakano Y, Katsuda S, Osakabe N, Tsubone H, Kondo K, Itakura H. Supressive effect of cocoa powder on atherosclerose in Kurosawa and Kusanagihypercholesterolemic rabbits. J Atherosclr Thromb 2005;12(1):20-8. Kuvin JT, Patel AR, Sliney KA, Pandian NG, Sheffy J, Schnall RP, Karas RH, Udelson JE. Assessment of peripheral vascular endothelial function with finger arterial pulse wave amplitude. Am Heart J 2003;146:168-174. Kuvin JT. Assessment of peripheral vascular endothelial function in the ambulatory setting. Vascular Medicine 2007; 12:13-16 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 106 Kwak HK, Milbury P, Paul SM, Blumberg J, Mietus-Snyder ML: Flavonoid- rich dark chocolate improves endothelial function and increases plasma epicatechin concentrations in healthy adults. J Am Coll Nutr 2004, 23(3):197-204. Lakatta LG, Levy D. Arterial cardiac aging: major shareholders in cardiovascular disease enterprises, part I: aging arteries: a “set up” for vascular disease. Circulation. 2003;107:139-46. Lazarus SA, Hammerstone JF, Schmitz HH: Chocolate contains additional flavonoids not found in tea. Lancet 1999, 354(9192):1825. Lean ME, Noroozi M, Kelly I, Burns J, Talwar D, Sattar N, Crozier A: Dietary flavonols protect diabetic human lymphocytes against oxidative damage to DNA. Diabetes 1999, 48(1):176-181. Lee KW, Kim YJ, Lee HJ, Lee CY: Cocoa has more phenolic phytochemicals and a higher antioxidant capacity than teas and red wine. J Agric Food Chem 2003, 51(25):7292-7295. Lerman A, Zeiher AM. Endothelial function: cardiac events. Circulation. 2005;111:363–368. Li D: Relationship between the concentrations of plasma phospholipid stearic acid and plasma lipoprotein lipids in healthy men. Clin Sci (Lond) 2001, 100(1):25-32. Liang YL, Teede H, Kotsopoulos D, Shiel L, Cameron JD, Dart AM, e cols. Non-invasive measurements of arterial structure and function: repeatability, interrelationships and trial sample size. Clin Sci (Lond) 1998; 95:669–679. Lotito SB, Frei B. Consumption of flavonoid-rich foods and increased plasma antioxidant capacity in humans: cause, consequence, or epiphenomenon? Free Radic Biol Med. 2006;41:1727–1746. Loukogeorgakis S, Dawson R, Phillips N, Martyn CN, Greenwald SE. Validation of a device to measure arterial pulse wave velocity by photoplethysmographic method. Physiol Meas 2002; 23:581–596. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 107 Luscher TF. Nitric oxide is responsible for flow-dependent dilatation of human peripheral conduit arteries in vivo. Circulation. 1995;91:1314–1319. Manach C, Scalbert A, Morand C, Remesy C, Jimenez L. Polyphenols: food sources and bioavailability. Am J Clin Nutr. 2004;79:727–747. Mao TK, Powell J, Van de Water J, Keen CL, Schmitz HH, Hammerstone JF, Gershwin ME. The influence of cocoa procyanidins on the transcription of interleukin-2 in peripheral blood mononuclear cells. Int J Immunol 1999;15(1):23-9. Mao TK, Van De Water J, Keen CL, Schmitz HH, Gershwin ME: Cocoa flavonols and procyanidins promote transforming growth factor-beta1 homeostasis in peripheral blood mononuclear cells. Exp Biol Med (Maywood) 2003, 228(1):93-99. Mathur S, Devaraj S, Grundy SM, Jialal I: Cocoa products decrease low density lipoprotein oxidative susceptibility but do not affect biomarkers of inflammation in humans. J Nutr 2002, 132(12):3663-3667. Mathur, S, Devaraj, S, Grundy, SM, Jialal, I. Cocoa products decrease low density lipoprotein oxidative susceptibility but do not affect biomarkers of inflammation in humans. The Journal of Nutrition, v. 132, n.12, p. 3663-3667, 2002. Matsui N, Ito R, Nishimura E, Yoshikawa M, Kato M, kamel M, Shibata H, Matsomoto I, Abe K, Hashizume S. Ingested cocoa can prevent high-fat diet-induced obesity by regulating the expression of genes for fatty acid metabolism. Nutrition 2005 May;21(5):594-601. McCarron DA, Morris CD, Henry HJ, Stanton J. Blood pressure and nutrient intake in the United States. Science 1984;224:1392-98. McCarron DA, Reusser ME. Are low intakes of calcium and potassium important causes of cardiovascular disease? Am J Hypertens 2001;14:206S-12S. Mensink RP, Zock PL, Kester AD, Katan MB: Effects of dietary fatty acids and carbohydrates on the ratio of serum total to HDL cholesterol and on serum lipids and apolipoproteins: a meta- A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 108 analysis of 60 controlled trials. Am J Clin Nutr 2003, 77(5):1146-1155 Millasseau SC, Guigui FG, Kelly RP, Prasad K, Cockcroft JR, Ritter JM, e cols. Noninvasive assessment of the digital volume pulse. Comparison with the peripheral pressure pulse. Hypertension 2000; 36:952–956. Miller KB, Stuart DA, Smith NL, Lee CY, McHale NL, Flanagan JA, Ou B, Hurst WJ. Antioxidant activity and polyphenol and procyanidin contents of selected commercially available cocoacontaining and chocolate products in the United States. J Agric Food Chem. 2006;54: 4062– 4068 Mink PJ, Scrafford CG, Barraj LM, Harnack L, Hong CP, Nettleton JA, Jacobs DR Jr. Flavonoid intake and cardiovascular disease mortality: a prospective study in postmenopausal women. Am J Clin Nutr. 2007;85: 895–909. Mitchell DC, McMahon KE, Shively CA, Apgar JL, Kris-Etherton PM: Digestibility of cocoa butter and corn oil in human subjects: a preliminary study. Am J Clin Nutr 1989, 50(5):983-986. Modena MG, Bonetti L, Coppi F, Bursi F, Rossi R. Prognostic role of reversible endothelial dysfunction in hypertensive postmenopausal women. J Am Coll Cardiol. 2002;40:505–510. Moncada S, Higgs EA, Vane JR. Human arterial and venous tissues generate prostacyclin (prostaglandin x), a potent inhibitor of platelet aggregation. Lancet. 1977;1:18 –20. Murphy KJ, Chronopoulos AK, Singh I, Francis MA, Moriarty H, Pike MJ, Turner AH, Mann NJ, Sinclair AJ: Dietary flavanols and procyanidin oligomers from cocoa (Theobroma cacao) inhibit platelet function. Am J Clin Nutr 2003, 77(6):1466-1473. Mursu J, Voutilainen S, Nurmi T, Rissanen TH, Virtanen JK, Kaikkonen J, Nyyssonen K, Salonen JT: Dark Chocolate Consumption Increases HDL Cholesterol Concentration and Chocolate Fatty Acids May Inhibit Lipid Peroxidation in Healthy Humans. Free Radic Biol Med 2004, 37(9):1351-1359. Nagaya N, Yamamoto H, Uematsu M, Itoh T, Nakagawa K, Miyazawa T, Kangawa K, Miyatake A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 109 K. Green tea reverses endothelial dysfunction in healthy smokers. Heart. 2004;90:1485–1486. Natsume M, Osakabe N, Yamagishi M, Takizawa T, Nakamura T, Miyatake H, Hatano T, Yoshida T: Analyses of polyphenols in cacao liquor, cocoa, and chocolate by normal-phase and reversedphase HPLC. Biosci Biotechnol Biochem 2000, 64(12):2581-2587. Nohria A, Gerhard-Herman M, Creager MA, Hurley S, Mitra D, Ganz P. Role of nitric oxide in the regulation of digital pulse volume amplitude in humans. J Appl Physiol.2006; 101:545-548. O’Rourke M. Mechanical principles in arterial disease. Hypertesion. 1995;26(1):2-9. O’Rourke MF, Mancia G. Arterial stiffness. J Hypertens 1999; 17:1–4. Oemar BS, Tschudi MR, Godoy N, Brovkovich V, Malinski T, Luscher TF. Reduced endothelial nitric oxide synthase expression and production in human atherosclerosis. Circulation. 1998;97:2494 –2498. Osakabe N, Baba S, Yasuda A, Iwamoto T, Kamiyama M, Takizawa T, Itakura H, Kondo K. Dily cocoa intake reduces the susceptibility of low-density lipoprotein to oxidation as demonstrated in healthy human volunteers. Free Radic Res 2001;34:93-99. Osakabe N, Yasuda A, Natsume M, Takizawa T, Terao J, Kondo K: Catechins and their oligomers linked by C4 --> C8 bonds are major cacao polyphenols and protect low-density lipoprotein from oxidation in vitro. Exp Biol Med (Maywood) 2002, 227(1):51-56. Ottaviani JI, Carrasquedo F, Keen CL, Lazarus SA, Schmitz HH, Fraga CG. Influence of flavan3-ols and procyanidins on UVC-mediated formation of 8-oxo-7,8-dihydro-2_-deoxyguanosine in isolated DNA. Arch Biochem Biophys. 2002;406:203–208. Palmer RM, Ashton DS, Moncada S. Vascular endothelial cells synthesize nitric oxide from Larginine. Nature. 1988;333:664–666. Panza JA, Casino PR, Kilcoyne CM, Quyyumi AA. Role of endothelium-derived nitric oxide in the abnormal endothelium-dependent vascular relaxation of patients with essential hypertension. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 110 Circulation. 1993; 87:1468–1474. Panza JA. Endothelial dysfunction in essential hypertension. Clin Cardiol. 1997;20(suppl 2):II26 –II33. Pearson DA, Holt RR, Rein D, Paglieroni T, Schmitz HH, Keen CL. Flavanols and platelet reactivity. Clin Dev Immunol 2005 Mar;12(1):1-9. Pearson DA, Paglieroni TG, Rein D, Wun T, Schramm DD, Wang JF, Holt RR, Gosselin R, Schmitz HH, Keen CL: The effects of flavanol- rich cocoa and aspirin on ex vivo platelet function. Thromb Res 2002, 106(4-5):191-197 Perticone F, Ceravolo R, Pujia A, Ventura G, Iacopino S, Scozzafava A, Ferraro A, Chello M, Mastroroberto P, Verdecchia P, Schillaci G. Prognostic significance of endothelial dysfunction in hypertensive patients. Circulation. 2001;104:191–196. Prior R, Liwei G, Johnson C, kelm M, Hammerstone J, Schmitz H, Bhagwat, Holden J. Flavanol and procyanidin composition of cocoa, chocolate and other plant foods. Presented at XXII International Conference on Polyphenols, 25-28 Aug 2004; Helsinki, Finland. Q J Med 1999; 92:595–600. Ramiro E, Franch A, Catellote C, Andres-Lacueva C, Izquierdo-Pulido , Castell M. Effect of theobroma cacao flavonoids on immune activation of a lymphoid cell line. Br J Nutr 2005;93:866. Rein D, Lotito S, Holt RR, Keen CL, Schmitz HH, Fraga CG. Epicatechin in human plasma: in vivo determination and effect of chocolate consumption on plasma oxidation status. J Nutr. 2000;130: 2109S–2114S Rein D, Paglieroni TG, Pearson DA, Wun T, Schmitz HH, Gosselin R, Keen CL: Cocoa and wine polyphenols modulate platelet activation and function. J Nutr 2000, 130(8S Suppl):2120S-6S. Rein D, Paglieroni TG, Wun T, Pearson DA, Schmitz HH, Gosselin R, Keen CL: Cocoa inhibits platelet activation and function. Am J Clin Nutr 2000, 72(1):30-35. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 111 Richell M, Tavazzi I, Enslen M, Offord EA. Plasma kinetics in man of epicatechin from black chocolate. Eur J Clin Nutr. 1999;53:22–26. Ridker PM, Hennekens CH, Buring JE, Rifai N: C-reactive protein and other markers of inflammation in the prediction of cardiovascular disease in women. N Engl J Med 2000, 342(12):836-843. Ridker PM, Rifai N, Rose L, Buring JE, Cook NR: Comparison of Creactive protein and lowdensity lipoprotein cholesterol levels in the prediction of first cardiovascular events. N Engl J Med 2002, 347(20):1557-1565. Rimm EB, Katan MB, Ascherio A, Stampfer MJ, Willett WC: Relation between Intake of Flavonoids and Risk for Coronary Heart Disease in Male Health Professionals. Ann Intern Med 1996, 125(5):384-389. Rivellese AA, Maffettone A, Vessby B, Uusitupe M, Hermansen K, Berglund L, Loureranta A, Meyer BJ, Riccardi G. Effects of dietary saturated, monounsaturated and n-3 fatty acids on fasting lipoproteins, LDL size and post-prandial lipid metabolism in healthy subjects. Atherosclerosis 2003;167:149-58. Rosenlund, M., N. Berglind, e cols. (2005). "Daily intake of magnesium and calcium from drinking water in relation to myocardial infarction. Epidemiology 16(4) 570-6. Ross JA, Kasum CM: Dietary flavonoids: bioavailability, metabolic effects, and safety. Annu Rev Nutr 2002, 22:19-34. Ross R. Atherosclerosis: an inflammatory disease. N Engl J Med. 1999;340:1928 –1929 Ross R. Atherosclerosis–an inflammatory disease. N Engl J Med. 1999. Ross R. The pathogenesis of atherosclerosis: a perspective for the 1990s. Nature. 1993;362:801– 809. O'Rourke, M.F. and G. Mancia, Arterial stiffness. J Hypertens, 1999. 17(1): p. 1-4. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 112 Roura E, Andres-Lacueva C, Estruch R, Mata-Bilbao ML, Izquierdo- Pulido M, Waterhouse AL, Lamuela-Raventos RM. Milk does not affect the bioavailability of cocoa powder flavonoid in healthy human. Ann Nutr Metab. 2007;51:493– 498. Rubinshtein R, Kuvin JT, Soffler M, Lennon RJ, Nelson RE, Pumper GM, Lerman LO, Lerman A. Assessment of Endothelial Function by Peripheral Arterial Tonometry Predicts Cardiovascular Events Beyond the Framingham Risk Score. JACC 2009; Suppl. RW, Ganz P. Paradoxical vasoconstriction induced by acetylcholine in atherosclerotic coronary arteries. N Engl J Med. 1986;315:1046 –1051. Sabongi C, Suzuki N, Sakane T: Polyphenols in chocolate, which have antioxidant activity, modulate immune functions in humans in vitro. Cell Immunol 1997, 177(2):129-136. Saye JA, Singer HA, Peach MJ. Role of endothelium in conversion of angiotensin I to angiotensin II in rabbit aorta. Hypertension. 1984;6:216–221. Schechter AN, Gladwin MT. Hemoglobin and the paracrine and endocrine functions of nitric oxide. N Engl J Med. 2003;348:1483–1485. Schewe T, Kuhn H, Sies H: Flavonoids of cocoa inhibit recombinant human 5-lipoxygenase. J Nutr 2002, 132(7):1825-1829. Schewe T, Sadik C, Klotz LO, Yoshimoto T, Kuhn H, Sies H: Polyphenols of cocoa: inhibition of mammalian 15-lipoxygenase. Biol Chem 2001, 382(12):1687-1696. Schewe T, Steffen Y, Sies H. How do dietary flavanols improve vascular function? A position paper. Arch Biochem Biophys. 2008;476:102–106. Schnorr O, Brossette T, Momma TY, Kleinbongard P, Keen CL, Schroeter H, Sies H. Cocoa flavanols lower vascular arginase activity in human endothelial cells in vitro and in erythrocytes in vivo. Arch Biochem Biophys. 2008;476:211–215. Schramm DD, Karim M, Schrader HR, Holt RR, Kirkpatrick NJ, Polagruto JA, Ensunsa JL, A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 113 Schmitz HH, Keen CL. Food effects on the asortion and pharmacokinetics of cocoa flavanols. Life Sciences 2003:73:857-69. Schramm DD, Wang JF, Holt RR, Ensunsa JL, Gonsalves JL, Lazarus SA, Schmitz HH, German JB, Keen CL: Chocolate procyanidins decrease the leukotriene-prostacyclin ratio in humans and human aortic endothelial cells. Am J Clin Nutr 2001, 73(1):36-40 Schroeder P, Klotz LO, Sies H. Amphilphilic properties of epicatechin and their significance for protection of cells against peroxynitrite. Biochem Biophys Rec Commun 2003; 307:69-73. Schroeter H, Heiss C, Balzer J, Kleinbongard P, Keen CL, Hollenberg NK, Sies H, Kwik-Uribe C, Schmitz HH, Kelm M. (-)-Epicatechin mediates beneficial effects of flavanol-rich cocoa on vascular function in humans. Proc Natl Acad Sci U S A. 2006;103:1024 –1029. Schroeter H, Holt RR, Orozco TJ, Schmitz HH, Keen CL. Nutrition: milk and absorption of dietary flavanols. Nature. 2003;426:787–788. Seligson PH. U.S. candy consumption and contribution to calorie intake. Manufacturing Confectioner 2005;85 (S.Suplement):1-11. Serafini M, Bugianesi R, Maiani G, Valtuena S, De Santis S, Crozier A: Plasma antioxidants from chocolate. Nature 2003, 424(6952):1013. Sesso HD, Gaziano JM, Liu S, Buring JE: Flavonoid intake and the risk of cardiovascular disease in women. Am J Clin Nutr 2003, 77(6):1400-1408. Shahkhalili Y, Duruz E, Acheson K: Digestibility of cocoa butter from chocolate in humans: a comparison with corn-oil. Eur J Clin Nutr 2000, 54(2):120-125. Shahkhalili Y, Murset C, Meirim I, Duruz E, Guinchard S, Cavadini C, Acheson K: Calcium supplementation of chocolate: effect on cocoa butter digestibility and blood lipids in humans. Am J Clin Nutr 2001, 73(2):246-252. Sies H. Total antioxidant capacity: appraisal of a concept. J Nutr. 2007;137:1493–1495. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 114 Simon JA, Fong J, Bernert JTJ: Serum fatty acids and blood pressure. Hypertension 1996, 27(2):303-307. Sirving OK, Hertog MG, Feskens EJM, Kromhout D. Dietary flavonoids, antioxidants vitamins and incidence of stroke. Arch Intern Med. 1996; 154:637–642. Smit HJ, Faffan EA, Rogers PJ. Methylxanthines are the psycho-pharmaccologically active constituents of chocolate. Psychopharmacology (Berl) 2004; 176:412-9. Song Y, Ridker PM, Manson JE, Cook NR, Buring JE, Liu S. Magnesium intake, C-reactive protein, and the prevalence of metabolic syndrome in middle-aged and older U.S. women. Diabetes Care 2005 Jun;28(6):1438-44. Song Y, Ridker PM, Manson JE, Cook NR, Buring JE, Liu S. Magnesium intake, C-reactive protein, and the prevalence of metabolic syndrome in middle-aged and older U.S. women. Diabetes Care 2005 Jun;28(6):1438-44. Sorond FA, Lipsitz LA, Hollenberg NK, Fisher ND. Cerebral blood flow response to flavanol-rich cocoa in healthy elderly humans. Neuropsychiatr Dis Treat. 2008;4:433– 440. Stamler JS. S-nitrosothiols in the blood: roles, amounts, and methods ofanalysis. Circ Res. 2004;94:414–417. Stampfer MJ, Hu FB, Manson JE, Rimm EB, Willett WC: Primary prevention of coronary heart disease in women through diet and lifestyle. N Engl J Med 2000, 343(1):16-22. Steffen Y, Schewe T, Sies H. (-)-Epicatechin elevates nitric oxide in endothelial cells via inhibition of NADPH oxidase. Biochem Biophys Res Commun. 2007;359:828–833. Steinberg D, Parthasarathy S, Carew TE, Khoo JC, Witztum JL. Beyond cholesterol. Modifictios of low-density lipoprotein that increase its atherogenicity. N Engl J Med 1989;320-915-24. Steinberg FM, Bearden MM, Keen CL: Cocoa and chocolate flavonoids: implications for A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 115 cardiovascular health. J Am Diet Assoc 2003, 103(2):215-223. Storm H, Thomsen C, Pedersen E, Rasmussen O, Christiansen C, Hermansen K: Comparison of a carbohydrate-rich diet and diets rich in stearic or palmitic acid in NIDDM patients. Effects on lipids, glycemic control, and diurnal blood pressure. Diabetes Care 1997, 20(12):1807-1813. Suwaidi JA, Hamasaki S, Higano ST, Nishimura RA, Holmes DR Jr, Lerman A. Long-term follow-up of patients with mild coronary artery disease and endothelial dysfunction. Circulation. 2000;101:948 –954. Tapiero H, Tew KD, Ba GN, Mathe G: Polyphenols: do they play a role in the prevention of human pathologies? Biomed Pharmacother 2002, 56(4):200-207. Taubert D, Berkels R, Roesen R, Klaus W. Chocolate and Blood Pressure in Elderly Individuals with isolated Systolic Hypretension. JAM 2003; 290 (8):1030-1031. Taubert D, Roesen Roesen R, Schömig E. Effect of Cocoa and Tea Intake on Blood Pressure: A Meta-analysis. Arch Intern Med. 2007; 167:626-634. Thamke, I.; Durrschmid, K.; Rohm, H. Sensory description of dark chocolates by consumers. Food Science Technology, v. 42, n.2 p. 534-539, 2009. Thijssen MA, Hornstra G, Mensink RP. Stearic, oleic and linoleic acids have comparable effects on markers of thrombotic tendency in healthy human subjects. J Nutr 2005;135:1805-11. Thijssen MA, Mensink RP: Small differences in the effects of stearic acid, oleic acid, and linoleic acid on the serum lipoprotein profile of humans. Am J Clin Nutr 2005, 82(3):510-516. Tholstrup T, Marckmann P, Jespersen J, Sandstrom B. Fat high in stearic acid favourably affects blood lipids and factor VII coagulant activity in comparison with fats high in palmitic acid or high in myristic and lauric acids. Am J Clin Nut. 1994;59:371-7. Tomaru M, Takano H, Osakabe N, Yasuda A, Inoue K, Yanagisawa R, Ohwatari T, Uematsu H. Dietary supplementation with cacao liquor proanthocyanidins prevents elevation of blood A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 116 glucose levels in diabetic obese mice. Nutrition. 2007;23:351–355. Tribble, D. L. (1999). "AHA Science Advisory. Antioxidant consumption and risk of coronary heart disease: emphasison vitamin C, vitamin E, and beta-carotene: A statement for healthcare professionals from the American Heart Association. Circulation 99(4): 591-5. Unno K, Takabayashi F, Kishido T, Oku N. Supressive effect of green tea catechins on morphologic and functional regression on the brain in aged mice with accelerated senescence (SAMP10). Ex Gerontol 2004 Jul:39(7):1027-34. V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial, 2006. Disponível http://www.sbn.org.br/Diretrizes/V_Diretrizes_Brasileiras_de_Hipertensao_Arterial. em: Acessado em setembro de 2009. Van Bortel LM, Duprez D, Starmans-Kool MJ, Safar ME, Giannattasio C, Cockcroft J, e cols. Clinical applications of arterial stiffness, Task Force III: recommendations for user procedures. Am J Hypertens 2002; 15:445–452. Vane JR, Anggard EE, Botting RM. Regulatory functions of the vascular endothelium. N Engl J Med. 1990;323:27–36. Verstraeten SV, Hammerstone JF, Keen CL, Fraga CG, Oteiza PI. Antioxidant and membrane effects of procyanidin dimers and trimers isolated from peanut cocoa. J Agric Food Chem 2005 Jun 15;53(12):5041-8. Vinson JA, Proch J, Zubik L: Phenol antioxidant quantity and quality in foods: cocoa, dark chocolate, and milk chocolate. J Agric Food Chem 1999, 47(12):4821-4824. Vita JA, Keaney JF. Endothelial function: a barometer for cardiovascularrisk? Circulation. 2002;106:640–642. Vlachopoulos C, Aznaouridis K, Alexopoulos N, Economou E, Andreadou I, Stefanadis C. Effect of dark chocolate on arterial function in healthy individuals. Am J Hypertens 2005 Jun:18(6):78591. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 117 Vlachopoulos C, O’Rourke M. Genesis of the normal and abnormal pulse. Curr Probl Cardiol 2000; 25:297–368. Wallerath T, Poleo D, Li H, Forstermann U. Red wine increases the expression of human endothelial nitric oxide synthase: a mechanism that may contribute to its beneficial cardiovascular effects. J Am Coll Cardiol. 2003;41:471– 478. Wan Y, Vinson JA, Etherton TD, Proch J, Lazarus S, Kris-Etherton P. Effects of cocoa powder and dark chocolate on LDL oxidative susceptibility and prostaglendin concentrations in humans. Am J Clin Nutr 2001;74:596-602. Wang JF, Schramm DD, Holt RR, Ensunsa JL, Fraga CG, Schmitz HH, Keen CL: A doseresponse effect from chocolate consumption on plasma epicatechin and oxidative damage. J Nutr 2000, 130(8S Suppl):2115S-9S. Wang Y, Vinson JA, Etherton TD, Proch J, Lazarus SA, Kris-Etherton PM: Effects of cocoa powder and dark chocolate on LDL oxidative susceptibility and prostaglandin concentrations in humans. Am J Clin Nutr 2001, 74(5):596-602. Waterhouse AL, Shirley JR, Donovan JL. Antioxidants in chocolate. Lancet. 1996;348:834. Weisburger JH, Chung FL. Mechanisms of chronic disease causation by nutritional factors and tabacco products and their prevention by tea polyphenols. Food Chem Toxicol 2002 Aug; 40(8):1145-54. Weisburger JH: Chemopreventive effects of cocoa polyphenols on chronic diseases. Exp Biol Med (Maywood) 2001, 226(10):891-897. Wever RM, Luscher TF, Cosentino F, Rabelink TJ. Atherosclerosis and the two faces of endothelial nitric oxide synthase. Circulation. 1998;97: 108–112. Whelan AP, Sutherland WH, McCormick MP, Yeoman DJ, de Jong SA, Williams MJ. Effects of white and red wine on endothelial function in subjects with coronary artery disease. Intern Med A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 118 J. 2004;34:224 –228. Whelton PK, He J, Cutler JA, Bancati FL, Appel LJ, Follman D, Klag MJ. Effects of oral potassium on blood pressure: meta-analysis of randomized controlled clinical trials. JAMA 1997;277:1624-32. WHO - World health organization. Obesity: Preventing and managing the global epidemic. Report of a WHO Consultation. WHO Techinical Report Series (894). Geneva, 2000. Widlansky ME, Gokce N, Keaney JF Jr, Vita JA. The clinical implications of endothelial dysfunction. J Am Coll Cardiol. 2003;42:1149–1160. Wilkinson IB, Cockcroft JR, Webb DJ. Pulse wave analysis and arterial stiffness. J Cardiovasc Pharmacol 1998; 32 (suppl 3):S33–S37. Wilkinson IB, Fuchs SA, Jansen IM, Spratt JC, Murray GD, Cockcroft JR, e cols. Reproducibility of pulse wave velocity and augmentation index measured by pulse wave analysis. J Hypertens 1998; 16:2079–2084. Wiswedel I, Hirsch D, Kropf S, Gruending M, Pfister E, Schewe T, Sies H. Flavanol-rich cocoa drink lowers plasma F(2)-isoprostane concentration in humans. Free Radic Biol Med 2004 Aug 1;37(3):411-21. Woo KS, Chook P, Yu CW, Sung RY, Qiao M, Leung SS, Lam CW, Metreweli C, Celermajer DS. Effects of diet and exercise on obesityrelated vascular dysfunction in children. Circulation. 2004;109: 1981–1986. Xu JW, Ikeda K, Yamori Y. Upregulation of endothelial nitric oxide synthase by cyanidin-3glucoside, a typical anthocyanin pigment. Hypertension. 2004; 44:217–222. Yasmin, Brown MJ. Similarities and differences between augmentation index and pulse wave velocity in the assessment of arterial stiffness. Yochum L, Kushi LH, Meyer K, Folsom AR: Dietary flavonoid intake and risk of cardiovascular disease in postmenopausal women. Am J Epidemiol 1999, 149(10):943-949. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 119 Zhu, QY.; Holt RR., Lazarus SA., Orozco TJ., Keen CL. Inhibitory effects of cocoa flavanols and procyanidin oligomers on free radical-induced erythrocyte hemolysis. Experimental Biology and Medicine, v. 227, n. 5, p. 321-329, 2002. Zock PL, Blijlevens RA, de Vries JH, Katan MB: Effects of stearic acid and trans fatty acids versus linoleic acid on blood pressure in normotensive women and men. Eur J Clin Nutr 1993, 47(6):437-444. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 120 Anexo 1 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental – CLINEX Avaliação do efeito da ingestão de cacau sobre a pressão arterial, função endotelial, marcadores inflamatórios, metabolismo glicídico e lipídico em pacientes com hipertensão arterial primária estágio I. PRÉ-SELEÇÃO (V-2) Nome:____________________________________________________________ Data: ___/___/___ Endereço: ___________________________________________________Mat. HUPE____________ CEP: _______________ Tel próprio / Tel contato:________________/_______________ Data de Nascimento: __/__/__ Idade:____ Sexo:____Raça: _____Peso (Kg): _____ Altura (m): ___ IMC: _____ (Kg / m2) PA1:_____ PA2: _____ PA3: _____ Sim Não Desconhece N/A Idade < 18 ou > 60 anos IMC < 18,5 ou > 29,9 kg/m2 Hipertensão arterial estágio III e IV Hipertensão arterial estágio I e II com uso de medicamento Utiliza algum suplemento dietético Gestante ou lactante Fumante Diabetes mellitus Histórico de IAM ou AVC Angina instável Insuficiência Cardíaca IRC com Cr > 1,3 mg/dl ou ClCr ≤ 60 ml/min. Hipotireoidismo e/ou Hipertireoidismo Dislipidemia em uso de drogas Doença hepática Já fez cirurgias no estômago ou intestino Apresenta diarréia freqüentemente Apresentou modificações recentes (3 meses) no peso corporal Apresentou modificações recentes (3 meses) na atividade física Apresentou modificações recentes (3 meses) na dieta Tem alguma intolerância a chocolate amargo Apresentou modificações recentes (3 meses) na atividade física Apresentou modificações recentes (3 meses) na dieta Tem alguma intolerância a chocolate amargo A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... Responder SIM a qualquer pergunta acima = exclusão Sim Não Tem interesse em participar do estudo e seguir as orientações fornecidas Disponibilidade para comparecer 1x / semana ao hospital durante 1 mês Responder NÃO a qualquer pergunta acima = exclusão Excluído: SIM ( ) NÃO ( ) Data da V-1: ___/___/___ Orientado para retornar em V-1 em jejum de 12hs. Orientado a não consumir alimentos ricos em flavonóides. 121 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 122 Anexo 2 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental – CLINEX Avaliação do efeito da ingestão de cacau sobre a pressão arterial, função endotelial, marcadores inflamatórios, metabolismo glicídico e lipídico em pacientes com hipertensão arterial primária estágio I. SELEÇÃO (V-1) Nome:_____________________________________________________ Mat. HUPE____________ Assinou o TCLE: SIM ( ) NÃO ( ) Houve alguma modificação relevante desde a última visita: SIM ( ) NÃO ( ) Caso SIM (especifique): ____________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________________ Visita -1 Data Peso Corporal (kg) IMC (kg/m2) Pressão Arterial 1 (mmHg) Pressão Arterial 2 (mmHg) Pressão Arterial 3 (mmHg) Média da Pressão Arterial (mmHg) Pressão Arterial Média 1 (mmHg) Pressão Arterial Média 2 (mmHg) Pressão Arterial Média 3 (mmHg) Freqüência Cardíaca 1 (bpm) Freqüência Cardíaca 2 (bpm) Freqüência Cardíaca 3 (bpm) Média da Freqüência Cardíaca (bpm) Colheu sangue em jejum para dosagem de: hemograma completo, glicose, triglicérides, colesterol total, LDL-colesterol, HDL-colesterol, uréia, creatinina, ácido úrico, sódio, potássio, TGO, TGP, fosfatase alcalina e Gama Glutamil Transpeptidase às ___ horas. Colheu urina para EAS. Data da V0: ___/___/___ Orientado para retornar em V0 em jejum de 12hs. Orientado a continuar sem consumir alimentos ricos em flavonóides. Orientado a manter a dieta habitual e os exercícios físicos habituais. Orientado a fazer um recordatório alimentar de 3 dias. Orientado a não consumir café 24hs antes da V0. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 123 Anexo 3 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental – CLINEX Avaliação do efeito da ingestão de cacau sobre a pressão arterial, função endotelial, marcadores inflamatórios, metabolismo glicídico e lipídico em pacientes com hipertensão arterial primária estágio I. FICHA DE ACOMPANHAMENTO Nome:______________________________________________ Mat. HUPE____________ Endereço: ___________________________________________CEP: _________________ Tel próprio / Tel contato:_____________/_____________Data de Nascimento: ___/___/___ Idade:_____ Sexo:________ Raça: _____ Altura (m): _____ Visita 0 Data Peso Corporal (kg) IMC (kg/m2) Circ. Cintura (cm) Circ. Quadril (cm) RCQ Pressão Arterial 1 (mmHg) Pressão Arterial 2 (mmHg) Pressão Arterial 3 (mmHg) Média da Pressão Arterial (mmHg) Pressão Arterial Média (mmHg) 1 Pressão Arterial Média (mmHg) 2 Pressão Arterial Média (mmHg) 3 Freqüência Cardíaca 1 (bpm) Freqüência Cardíaca 2 (bpm) Freqüência Cardíaca 3 (bpm) Média da Freqüência Cardíaca (bpm) Visita 1 Visita 2 Visita 3 Visita 4 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... EXAMES: Data Glicose (mg/dl) Insulina (μg/ml) HOMA Colesterol total (mg/dl) LDL-colesterol (mg/dl) HDL-colesterol (mg/dl) Triglicérides (mg/dl) Uréia (mg/dl) Creatinina (mg/dl) Ácido Úrico (mg/dl) Sódio (mmol/L) Potássio (mmol/L) Transaminase Glutâmico Oxalacética (U/L) Transaminase Glutâmico Pirúvica (U/L) Fosfatase Alcalina (U/L) Gama Glutamil Transpeptidade (U/L) Hemograma: Série Vermelha Hemácias (milhões/mcl) Hemoglobina (g/dl) Hematócrito (%) VGM (fl) HGM (pg) CHGM (g/dl) RDW SD (fl) RDW CV (%) Série Branca Leucócitos (mil/mcl) Contagem Relativa Linfócitos (%) MXD-eosinófilos, basófilos e monócitos (%) Neutrófilos (%) Contagem Absoluta Linfócitos (mil/mcl) MXD-eosinófilos, basófilos e monócitos (mil/mcl) Neutrófilos (mil/mcl) Plaquetas (mil/mcl) MPV - Volume Plaquetário Médio (fl) Marcadores Inflamatórios: Fator de Necrose Tumoral alfa (pg/ml) Visita 0 Visita 4 ----- ----- --- --- --- --- --- --- --- --- 124 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... Proteína C reativa (mg/dl) Adiponectina (ng/ml) Atividade do Óxido Nítrico (μmol/L) Data Ensaio Cometa (lesão celular) Sódio Intracelular (mEq/L) Bioimpedância: Ângulo de Fase (graus) Capacitância do corpo (pF) Resistência (ohms) Reactância (ohms) Distribuição de Massa Massa Celular Corporal (kg) Massa Celular Corporal (%) Massa Extracelular (kg) Massa Extracelular (%) Massa Magra (kg) Massa Magra (%) Massa Gorda (kg) Massa Gorda (%) Relação Massa Extracelular / Massa Celular Corporal Taxa Metabólica Basal (Kcal) Compartimentos de Água Água Intracelular (L) Água Intracelular (%) Água Extracelular (L) Água Extracelular (%) Água Corporal Total (L) Água Corporal Total / Massa Magra Água Corporal Total / Peso Total MAPA: Média da Pressão Arterial Sistólica 24h (mmHg) Média da Pressão Arterial Sistólica diurna (mmHg) Média da Pressão Arterial Sistólica noturna (mmHg) Média da Pressão Arterial Diastólica 24h (mmHg) Média da Pressão Arterial Diastólica diurna (mmHg) Média da Pressão Arterial Diastólica noturna (mmHg) Média da Freqüência Cardíaca 24h (bpm) Média da Freqüência Cardíaca diurna (bpm) Média da Freqüência Cardíaca noturna (bpm) Média da Pressão Arterial Média 24h (mmHg) Média da Pressão Arterial Média diurna (mmHg) Média da Pressão Arterial Média noturna (mmHg) Visita 0 Visita 4 --- --- --- --- --- --- 125 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 126 EAS CARACTERÍSTICAS E ELEMENTOS ANORMAIS COR = Amarelo Claro Amarelo Claro Âmbar pH _____________ ASPECTO = Límpida Lig. Turva Turva Densidade _______ 3+ 3+ 3+ 3+ 3+ 3+ 3+ 3+ 2+ 2+ 2+ 2+ 2+ 2+ 2+ 2+ 1+ 1+ 1+ 1+ 1+ 1+ 1+ 1+ Traços Traços Traços Traços Traços Traços Traços Traços Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Negativo Glicose Bilirrubina Cetona Sangue Proteína Urobilina Nitrito Negativo Leucócitos SEDIMENTOSCOPIA (A 400 X) Leucócitos m/cm ____________________ Piócitos m/cm ______________________ Hemácias m/cm _____________________ Cilindros Cristais Células do epitélio Hialino___________________ Ox. de cálcio______________ Fosf. de cálcio_____________ Inferior___________________ Ácido úrico_______________ Fosf. triplo________________ Médio____________________ Granuloso________________ Fosf. amorfos______________ Superior__________________ Outros___________________ Uratos amorfos____________ Obs.: Preenche critérios de inclusão e exclusão: SIM ( ) NÃO ( ) Caso SIM, colocar o MAPA Data da V0A: ___/___/___ Retirar MAPA. Data da V1: ___/___/___ Data da V2: ___/___/___ Data da V3: ___/___/___ Solicitar recordatório alimentar de 3 dias. Orientar jejum de 12hs para V4. Orientar a não consumir café 24hs antes da V4. Data da V4: ___/___/___ Colocar o MAPA e receber recordatório. Data da V4A: ___/___/___ Retirar MAPA. Recordatório de 3 dias (anexar): resultado):Visita 0 / Visita 4 Função Endotelial – FMD (anexar Visita 0 / Visita 4 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 127 Anexo 4 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO BIOMÉDICO - FCM Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental – CLINEX Nome: ____________________________________________________________ REGISTRO ALIMENTAR DE 3 DIAS Por favor, mantenha este registro diário com você durante todo o tempo e utilize-o para registrar todos os alimentos que você consumir durante todo o dia e à noite na terçafeira (___/___/2008), na quinta-feira (___/___/2008) e no sábado (___/___/2008). Pedimos que você forneça o máximo possível de informações, pois isso possibilitará maior precisão na avaliação de sua dieta. Sempre que possível utilize pesos, medidas e marcas que constam nas embalagens dos alimentos ou bebidas para indicar a quantidade de alimento/bebida que você consumiu. Utilize uma colher de sopa para medir o arroz, feijão, macarrão, batata, aipim, farinha, purê, pirão, legumes, verduras; também podem ser usadas medidas como xícara e copo (porém anote o volume ou tamanho dos mesmos). Por favor, não altere seu consumo usual de alimentos ou bebidas a fim de que o registro represente a sua dieta habitual. A parte “Comentários”, no final, serve para que você possa registrar qualquer fato relativo a seu consume que considere importante ou útil. Exemplo: Dia: Segunda-feira Hora Refeição 7:00 Café manhã Data: 16/09/2008 Lugar Alimento ou Bebida da Casa Pão francês Quantidade consumida 2 unidades Margarina Qualy Leite integral Parmalat Café Açúcar 10:00 Lanche Casa Biscoito Piraquê Cream 13:00 Almoço Casa Arroz branco Feijão Purê de batata 2 pontas de faca ou 10g Meio copo de requeijão Meio copo de requeijão 1 colher de sopa cheia Cracker 5 unidades 5 colheres de sopa ou 75g 6 colheres de sopa 5 colheres de sopa A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... Dia: Terça-feira Hora Refeição 128 Data: ____/____/2008 Lugar Alimento ou Bebida Quantidade consumida Comentários : _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ ____________________________ A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... Dia: Quinta-feira Hora Refeição 129 Data: ____/____/2008 Lugar Alimento ou Bebida Quantidade consumida Comentários : _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ ____________________________ A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... Dia: Sábado Hora Refeição 130 Data: ____/____/2008 Lugar Alimento ou Bebida Quantidade consumida Comentários : _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ _________________________________________________________________________ ____________________________ A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 131 Anexo 5 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Programa de Pós-Graduação em Fisiopatologia Clínica e Experimental – CLINEX Avaliação do efeito da ingestão de cacau sobre a pressão arterial, função endotelial, marcadores inflamatórios, metabolismo glicídico e lipídico em pacientes com hipertensão arterial primária estágio I. LISTA DE ALIMENTOS RICOS EM FLAVONÓIDES: • Evite o consumo destes alimentos listados abaixo, durante o período em que você estiver participando da pesquisa: 1. 2. 3. 4. 5. Vinho tinto Uva vermelha Suco de uva Chás Soja e derivados • Evite o consumo de chocolate, até que a pesquisa tenha sido iniciada. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... Anexo 6 UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO CENTRO BIOMÉDICO - FCM Laboratório de Fisiopatologia Clínica e Experimental – CLINEX LISTA DE TROCA DE ALIMENTOS ¾ GRUPO 1 – LEITE E DERIVADOS (1 PORÇÃO = 70 Kcal) LEITE DESNATADO Leite em pó desnatado Iogurte light Queijo minas Queijo prato Ricota Requeijão Requeijão light 200 ml 20g 120 ml 30g 20 g 50 g 25 g 40 g 1 copo 2 colheres sopa cheias * 1 unidade pequena 1 fatia média 1 fatia média 1 fatia grossa 1 colher sopa rasa 1 colher sopa cheia * ¾ GRUPO 2.1 – CEREAIS E VEGETAL C (1 PORÇÃO = 40 Kcal) ARROZ Aipim cozido Angu Batata baroa cozida Batata doce Batata inglesa Farinha mandioca Inhame cozido Macarrão Milho conserva Pirão 30 g 35 g 30 g 30 g 40 g 50 g 12 g 35 g 30 g 50 g 30 g 2 colheres de sopa * 1 colher sopa cheia * 1 colher sopa cheia * 1 colher sopa cheia * 2 colheres sopa rasa * 2 colheres sopa * 1 colher sopa rasa * 1 colher sopa cheia * 1 garfada pequena 2 colheres sopa cheias * 1 colher sopa cheia * ¾ GRUPO 2.2 – PÃES E FARINHAS (1 PORÇÃO = 70 Kcal) PÃO FRANCÊS Pão de forma Pão integral Pão árabe Torrada Bolacha d´água Cream Cracker Aveia Pão tipo bisnaguinha 25 g 25 g 25 g 25 g 20g 15 g 15 g 20 g 20g ½ unidade 1 fatia 1 fatia ½ unidade 2 e ½ unidades 2 unidades 2 unidades 1 colher de sopa cheia 1 unidade 132 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... ¾ GRUPO 3 – LEGUMINOSAS (1 PORÇÃO = 40 Kcal) FEIJÃO Ervilha, conserva Lentilha Grão de bico 60 g 60 g 35 g 25 g 4 colheres de sopa * 3 colheres de sopa * 2 colheres de sopa * 1 colheres de sopa cheia * ¾ GRUPO 4 – CARNES MAGRAS Almondegas Bife magro Carne moída magra Carne assada Coxa de frango sem pele Peito de frango sem pele Peito de peru sem pele Posta de peixe Filé de peixe Hamburguer de ave Presunto de ave Ovo cozido Salsicha de ave ¾ GRUPO 5 – VEGETAL A – À VONTADE Abóbora Abobrinha Acelga Agrião Aipo Alface Aspargos Bertalha Brotos Chicórea Couve-flor Espinafre Palmito Pepino Rabanete Repolho Rúcula Tomate ¾ GRUPO 6 – VEGETAL B Berinjela Beterraba Brócolis Cebola Cenoura Chuchu Couve Pimentão Ervilha (v) Nabo Jiló Quiabo Vagem ¾ GRUPO 7 – FRUTAS (1 PORÇÃO = 50 Kcal) ABACAXI Acerola Ameixa vermelha fresca Ameixa preta seca Banana prata Caqui Carambola Cereja fresca Damasco seco Figo fresco Goiaba fresca 100 g 150 g 90 g 21 g 55 g 70 g 150 g 70 g 20 g 70 g 100 g 1 fatia média 30 unidades médias 3 unidades pequenas 3 unidades pequenas 1 unidade grande 1 unidade pequena 1 unidade grande 10 unidades médias 3 unidades médias 1 unidade média 1 unidade média 133 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... Jaca Jabuticaba Kiwi Laranja Maçã Manga Mamão Mamão papaia Melancia Melão Morango Pera Pêssego Suco de laranja Uva Itália Uva passa escura s/sem. 50 g 100 g 80 g 100 g 85 g 75 g 80 g 130 g 160 g 140 g 170 g 85 g 120 g 100 ml 70 g 15g 8 bagos 8 unidades médias 1 unidade média 1 unidade pequena 1 unidade pequena 1 unidade média 1 fatia fina ½ unidade 1 fatia média 1 fatia média 17 unidades médias 1 unidade pequena 1 unidade grande ½ copo 9 unidades médias 30 unidades médias ¾ GRUPO 8 – GORDURAS (1 PORÇÃO = 50 Kcal) ÓLEO VEGETAL AZEITE (extra virgem) Margarina Maionese 6 ml 6 ml 5g 7g 1 colher de sopa 1 colher de sopa 1 colher de sopa nivelada 1 colher de sopa nivelada 134 A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 135 Anexo 7 TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Título do Estudo: Avaliação do efeito da ingestão de cacau sobre a pressão arterial, função endotelial, marcadores inflamatórios, metabolismo glicídico e lipídico em pacientes com hipertensão arterial primária estágio I Instituição: Universidade do Estado do Rio de Janeiro Local: Laboratório de Fisiopatologia Clínica e Experimental – CLINEX Pesquisadores: Marcela Paranhos Knibel Antonio Felipe Sanjuliani Nome do paciente: _________________________________________________________ RG: ___________________ Data de nascimento: _____/_____/_______ Sexo: _______ Endereço: ________________________________________________________________ Bairro: ___________________ Cidade: _____________ Cep: ___________ Tel: ______________ Eu, ____________________________________________________, estou ciente e autorizo minha participação na pesquisa sobre os efeitos do cacau na pressão arterial e função endotelial, do Laboratório de Fisiopatologia Clínica e Experimental (CLINEX) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, visando investigar se a ingestão de chocolate rico em cacau é capaz de reduzir a pressão arterial e melhorar a função endotelial. Declaro também ter entendido que serei submetido à avaliação clínica, nutricional e da função endotelial semanalmente além de exames de sangue e urina. Os exames que serão realizados não apresentam risco ao paciente, sendo que o exame de sangue será realizado com material descartável e acompanhado pelo pesquisador responsável. Eu entendi que minha participação é voluntária, sendo livre para interrompê-la a qualquer momento, sem que isso afete meu tratamento. Receberei todos os esclarecimentos necessários sobre este estudo antes e durante a pesquisa. O sigilo e a confidencialidade das informações coletadas serão preservadas, assim como minha identidade não será revelada. Cada amostra de material biológico fará parte de um banco de dados identificados por códigos específicos. Receberei informações sobre os resultados de todos os exames realizados e os mesmos serão utilizados com fins científicos, podendo ser publicados em revistas científicas, estando os registros disponíveis para uso da pesquisa. A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... 136 Declaro que li e entendi o que me foi explicado. _______________________________________ ______________________________ Nome do paciente Assinatura Data ___/___/_____ _______________________________________ ______________________________ Nome do pesquisador Assinatura Data___/___/_____ _______________________________________ ______________________________ Nome da testemunha Assinatura Data ___/___/_____ A influência da ingestão de flavonóides do cacau sobre o comportamento da pressão arterial... Anexo 8 137