Concepções dos alunos do 9° Ano do Ensino Fundamental sobre a Indisciplina Escolar Andrea Cristina Brosco de Freitas Prefeitura Municipal de Bauru [email protected] Caroline Petit Aragão Prefeitura Municipal de Bauru [email protected] Comunicação Oral Pesquisa Concluída Introdução Esse projeto foi desenvolvido durante o curso de especialização em “Ética, Valores e Cidadania na Escola”, oferecido pela Universidade de São Paulo/Universidade Virtual do Estado de São Paulo (USP/UNIVESP). Por meio de discussões e diálogos coletivos, estabeleceu-se como objeto de estudo a indisciplina, por se tratar de um tema que tem mobilizado muito os profissionais da educação, já que tanto o aluno quanto o educador culpabilizam-se pela falta de relacionamento adequado, reconhecendo-o com um empecilho para aprendizagem na sala de aula. Mediante essa observação, a temática foi tratada na perspectiva do aluno, enquanto sujeito histórico que está diretamente relacionado com o processo de ensino e aprendizagem, objetivando compreender como os discentes concebem essa questão da indisciplina, oportunizando suas contribuições à otimização das relações em sala de aula e aprimoramento da prática pedagógica por parte dos docentes. Conforme Rego (1996, p. 83), embora a indisciplina seja um tema gradativamente preocupante no âmbito educacional, é abordado de forma superficial “já que o consenso a seu respeito imbui-se de análises de discursos impregnados de dogmas e mitos do senso comum”. Por tal motivo, realizamos uma investigação detalhada sobre o tema e verificamos a escassez de produções que o discutam na perspectiva dos educandos, visto que grande parte das produções científicas investigam apenas estudos sobre aspectos docentes ou institucionais. 1 Para alcançar os objetivos propostos, a organização estrutural da pesquisa privilegiou através dos referenciais teóricos a compreensão sobre a indisciplina, os aspectos que desencadeiam a problemática no processo de ensino e aprendizagem e os aspectos relevantes para minimizar a indisciplina no âmbito escolar. Para fundamentar o conceito de indisciplina na perspectiva de sala de aula ou conforme as regras educacionais e a maneira que o conceito de indisciplina se relaciona ao conjunto de valores e expectativas que variam ao longo da história, nos baseamos em Garcia (2002), Curwin e Mendler (1983), França (1996), Estrela (1995), Oliveira (2009), Vasconcellos (2000), Yves de La Taille (1996) e Jesus (2001). Tais estudos nos ofereceram subsídios para compreender a temática; apontando a questão indisciplinar enquanto um reflexo da própria estrutura educacional, através das relações estabelecidas entre os sujeitos presentes no processo de ensino e aprendizagem e os fatores externos que incidem nessa relação, como a percepção de mundo entre os indivíduos, o seu contexto social e a vivências presentes em seu desenvolvimento. No artigo A indisciplina e a escola atual, de Júlio Groppa Aquino, (1998, p.185) encontramos a fundamentação para resolução do questionamento inicialmente proposto, que trata das três hipóteses explicativas que podem caracterizar a indisciplina em sala de aula: “o aluno desrespeitador”, “o aluno sem limites” e “o aluno „desinteressado‟”. Conforme o autor supracitado, essas hipóteses sobre a imagem do aluno estão imbuídas de conceitos pré-estabelecidos, evidenciando a necessidade efetiva de analisar quais as variáveis implícitas sobre o tema proposto. Diante destas discussões iniciais, elaboramos a seguinte questão de pesquisa: Qual a percepção dos alunos do 9º ano do Ensino Fundamental acerca dos fatores que geram a indisciplina no processo de ensino e aprendizagem? A partir deste pressuposto, chegamos a seguinte hipótese inicial: o educando deve participar democraticamente dos acontecimentos em sala de aula, procurando identificar as causas dos comportamentos inadequados que emergem em situações diversas de aprendizagem nesta, dando sugestões de como lidar com esses conflitos, superar as adversidades e propor soluções. Metodologia Para elucidar o questionamento deste estudo, adotamos como referencial metodológico a pesquisa qualitativa. Neste sentido, foi adotada a pesquisa de 2 campo em duas Escolas públicas do interior do Estado de São Paulo e contemplaram duas turmas do 9° ano do Ensino Fundamental. Inicialmente, aplicamos no segundo semestre letivo de 2012 um questionário, com o intuito de analisar as acepções dos alunos sobre a indisciplina no processo de ensino e aprendizagem. Em um segundo momento, acompanhamos as turmas selecionadas para dar continuidade ao trabalho. Desta forma, realizamos discussões sobre possíveis ações para amenizar a indisciplina no processo de ensino e aprendizagem, apoiadas na metodologia do Design Thinking (NEIVA, 2012), proposta oferecida pelo curso durante o período da pesquisa e que visa, além dos estudos teóricos e a compreensão do problema, a proposição de ações práticas e que proporcionam o constante processo de ação e reflexão. Deste modo, formulamos um protótipo inicial de um projeto de ação, que foi apresentando e posteriormente, colocado em prática. Resultados e Discussões Notamos através da investigação e aplicabilidade de ações que minimizassem a indisciplina, que a maioria dos alunos concorda que é necessário estabelecimento de vínculos afetivos por parte de quem ensina e aquele que aprende. Para muitos, a rotatividade de professores e a presença de substitutos colaboram prioritariamente para essa falta de vínculo entre os agentes educacionais. A grande maioria concordou com a necessidade de inclusão das novas tecnologias às aulas, assumindo que eles próprios têm bastante a aprender em relação ao domínio das ferramentas educacionais tecnológicas. Foi significativo os resultados de nossa intervenção por meio do desenvolvimento de um Projeto baseado na proposta Design Thinking (NEIVA, 2012), que objetivou fomentar a construção coletiva de medidas para um convívio saudável entre professores e alunos das turmas envolvidas, e que contemplou alcançar os objetivos propostos. Professores e alunos participaram coletivamente na construção de práticas que enfrentassem o problema, pautados em ações democráticas e colaborativas e que incidissem de forma eficaz no cotidiano escolar. Conclusão O intuito desse trabalho foi tratar o tema indisciplina para além da abordagem de senso comum, considerando as concepções dos alunos sobre a indisciplina no processo de ensino e aprendizagem. Também elencar aspectos relevantes que permeiam essa situação no ambiente escolar, na tentativa de ressaltar a importância 3 da construção coletiva das normas regimentais da escola e das normas e regras (combinados) das turmas em sala de aula, na perspectiva do respeito mútuo e na co participação de todos nas relações estabelecidas entre professor e aluno no processo de ensino e aprendizagem. Constatou-se, a hipótese inicialmente elencada, uma vez que os educandos se posicionaram criticamente nas respostas do instrumento de pesquisa, apontando a necessidade de serem ouvidos e de participarem democraticamente dos acontecimentos no cotidiano escolar, identificando suas falhas comportamentais, sugerindo ações para otimização da relação professor-aluno, a fim de superar as adversidades que emergem em sala de aula. Palavras-chave: Indisciplina; Ensino Fundamental; Práticas Educativas. Referências AQUINO, J. G. A indisciplina e a escola atual. Revista da Faculdade de Educação, v. 24, n. 2, pp. 181-204, 1998. LA TAILLE, Y. A indisciplina e o sentimento de vergonha. In: AQUINO, J. G. (Org.), Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. SãoPaulo:Summus, 1996, p. 9-23. ESTRELA, M. T. Valores e normatividade do professor na sala de aula. Revista de Educação, v.5, n.1, p. 65-77, 1995. FRANÇA, S. A. M. A indisciplina como trabalho ético e político. IN: AQUINO, J. G. (Org.). Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. SãoPaulo:Summus, 1996, p.139-148. GARCIA, J. Indisciplina na escola: uma reflexão sobre a dimensão preventiva. Revista Paranaense de Desenvolvimento, n. 95, p. 102–104, 1999. JESUS, S. N. Como prevenir e resolver o stress dos professores e a indisciplina dos Alunos. 3. ed. Porto: Asa, 2001. OLIVEIRA, R. L. G. Reflexões sobre a indisciplina escolar a partir de sua diversidade conceitual. In: IX Congresso Nacional de Educação-EDUCERE- III Encontro Sul Brasileiro de Psicopedagogia, PUCPR, p.4503-4514, 2009. REGO, T. C. R. A indisciplina e o processo educativo: uma análise na perspectiva vygotskiana. In: AQUINO, J. G. (Org.). Indisciplina na escola: alternativas teóricas e práticas. São Paulo: Summus, 1996. p. 101-127. 4 VASCONCELLOS, C. S. Disciplina: construção da disciplina consciente e interativa em sala de aula e na escola. São Paulo: Libertad, 2000. 5