1 Angela Maria Moraes da Silva DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DA ESCRITA E DA LEITURA. RIO DE JANEIRO 2003 2 UNIVERSIDADE CÂNCIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOMORICIDADE DISCIPLINA: PSICOMOTRICIDADE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DA ESCRITA E DA LEITURA. OBJETIVOS: Objetivamos com esta pesquisa contribuir para reflexão dos profissionais de educação e famílias buscando através de enfoqueis de diferentes autores, os distúrbios apresentados por educandos com relação à aprendizagem da Leitura e da Escrita, as possíveis causas de tais problemas e formas de reeducação a partir de exercícios psicomotores e da postura de respeito, de consideração e a abertura do educador frente às dificuldades apresentadas pelo discente. Propomos caminhos que possam, se não eliminar, pelo menos diminuir alguns desses problemas tão dolorosos para o individuo: como ver suas chances diminuídas por problemas muitas vezes alheios a ele. 3 Agradecimentos Aos professores e professoras do curso de psicomotricidade do projeto “A Vez do Mestre”. A amiga Rosa Cristina Pereira que tanto me incentivou, aos colegas de turma e pessoas que direta e indiretamente, contribuíram para a realização desse trabalho e desse curso. 4 DEDICATÓRIA Dedico esse trabalho a Odete Moraes da Silva, minha mãe, primeira educadora e catequista. Também aos meus familiares e amigos pela presença alegre e constante em minha vida. Angela Maria Moraes da Silva 5 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 6 CAPITULO I 8 PSICOMOTRICIDADE 8 CAPITULO II 14 APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA 14 CAPITULO III 22 A FALA A LEITURA E A ESCRITA 22 CAPITULO IV 35 CAUSAS DOS DITURBIOS DE APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA 35 CORREÇÃO DOS DISTURBIOS DA LINGUAGEM (FALADA E ESCRITA) 47 CONCLUSÃO 52 BIBLIOGRAFIA 57 INDICE 59 6 INTRODUÇÃO As diferenças nos seres humanos são reais e precisam se respeitadas. Quando a causa é a dificuldade de Aprendizagem da Escrita e da Leitura a exclusão da sociedade é praticamente certa, por isso o conhecimento dos distúrbios neurológicos, psicomotores e outras causas responsáveis por tais problemas precisam ser conhecidos e estudados pelos educadores. Hoje, a maior parte dos educadores, sente uma enorme expectativa sobre os resultados de seu trabalho.Atuam movidos por uma intenção social, educa-se desenvolvendo a dinâmica das inter-relações e a sociabilidade entre os educandos. Deve-se realizar o trabalho educativo sonhando como mudar a sociedade, valorizar o mundo da interioridade, das paixões, da esperança e dos horizontes utópicos. É na escola que se precisa fundamentar a ética, a disciplina, a auto-estima e a cidadania. Mas nos últimos cinco anos têm-se recebido alunos com os quais não se consegue desenvolver nenhum desses objetivos, por serem jovens e adolescentes de 5ª a 8ª séries de Ensino Fundamental (das escolas Públicas) que apresentam sérias dificuldades na leitura e na escrita (sendo alguns analfabetos). Como educadores de seres humanos em fase de transformação, preocupei-me em buscar através da Psicomotricidade soluções para tais problemas. Ao olharmos nossos alunos, enquanto eles estão na sala de aula, vemos cada um deles movendo-se, agitando-se ou parados. Identificamos cada um deles pela sua altura, pela cor de cabelos, seus olhos. O que se torna visível para nós são seus corpos. Verificamos que há alunos que correm, brincam e que participam de todos os jogos. Nas salas de aula não apresentam qualquer problema de postura, de atenção, lêem e escrevem sem dificuldades, conhecem a noção de tempo e espaço. 7 Verificamos também a existência de alguns que são diferentes, embora tenham inteligência normal. São “desastrados”, isto é, derrubam coisas quando passam, possuem movimentos muito lentos e pesados e têm dificuldades em participar dos jogos. Nas salas de aula não conseguem pegar corretamente no lápis, apresentando uma letra ilegível; às vezes escrevem com tanta força que chegam a rasgar o papel, ou então escrevem tão clarinho que não se enxerga; muitos possuem uma postura relaxada, têm dificuldade em se concentrar e entender ordens, sentem-se perdidos, por exemplo, quando se exige o conhecimento direita-esquerda; não conseguem manusear uma tesoura; pulam letras quando lêem ou escrevem, não conseguem controlar o tempo de suas tarefas; outros escrevem tão atrapalhado que parece outro idioma. Enfim, são diversos os problemas que os alunos podem apresentar. O que exatamente está se passando? O que se pode fazer para ajudar as crianças com problemas? Estas questões são constantemente formuladas por alguns educadores que se preocupam com o desenvolvimento integral do aluno no processo ensino-aprendizagem. Através desta pesquisa procuro possibilitar aos educadores a aquisição de informações a respeito da dificuldades apresentadas pelas crianças e adolescentes durante o período de aprendizagem da leitura e da escrita, verificando os distúrbios neurológicos, psicomotores e outros problemas que interferem neste processo de aprendizagem. Portanto, no Capítulo I trata- se da origem e definição da Psicomotricidade segundo a visão de alguns autores; no Capítulo II da aprendizagem da Leitura e da Escrita na visão biológica; no Capítulo III fala-se sobre a Fala, a Leitura e a Escrita numa visão psicomotora; no Capítulo IV discorre sobre as Causas dos Distúrbios de Aprendizagem da Leitura e da Escrita da correção dos mesmos e sobre a posição do professor em relação ao aluno que apresenta tais dificuldades. 8 CAPÍTULO I A PSICOMOTRICIDADE “A educação psicomotora deve ser considerada como uma educação de base na escola primária. Ela condiciona todos os aprendizados pré-escolares; leva a criança a tomar consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar-se no espaço, a dominar seu tempo, a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos. A educação psicomotora deve ser praticada desde a mais tenra idade; conduzida com perseverança, permite prevenir inadaptações difíceis de corrigir quando já estruturadas...” Comissão de Renovação Pedagógica para o lº Grau na França 9 PSICOMOTRICIDADE DEFINIÇÃO DE PSICOMOTRICIDADE Atribui-se à educação psicomotora uma formação de base, indispensável a toda criança (normal ou com problemas), que responde a uma dupla finalidade: assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta as possibilidades da criança, e ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrarse, através do intercâmbio com o ambiente humano. É possível, através de uma ação educativa a partir dos movimentos espontâneos da criança e das atitudes corporais, favorecer o início da formação de sua imagem corporal, o núcleo da personalidade. Podemos definir psicomotricidade como a educação do movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação , englobando funções neurofisiológicas e psíquicas. Como o comportamento físico da criança expressa, uma a uma, suas dificuldades intelectuais e emocionais, pode-se dizer que a psicomotricidade é a ciência do corpo e da mente. Ao vermos o corpo em movimento, percebemos a ação dos braços, pernas e músculos gerada pela ação da mente. É necessário, portanto, educar o movimento pela mente. A psicomotricidade integra várias técnicas com as quais se pode trabalhar o corpo (todas as suas partes), relacionando-o com a afetividade, o pensamento e o nível de inteligência. Ela enfoca a unidade da educação dos movimentos, ao mesmo tempo que põe em jogo as funções intelectuais. As primeiras evidências de um desenvolvimento mental normal são manifestações puramente motoras. 1- Origem e definição de alguns autores Muito se tem escrito sobre o significado e a importância da psicomotricidade. Citaremos alguns autores que têm estudado este assunto, de maneira esclarecedora diferentes. embora pertençam a linhas de pensamentos 10 O termo psicomotricidade apareceu pela primeira vez com Dupré em 1920, significando um entrelaçamento entre o movimento e o pensamento. Desde l909, ele já chamava a atenção de seus alunos sobre o desequilíbrio motor, denominando o quadro de “debilidade motora”. Verificou que existia uma estreita relação entre as anomalias psicológicas e as anomalias motrizes, o que o levou a formular o termo psicomotricidade. Aristóteles já enunciava um primórdio de pensamento psicomotor quando analisou a função da ginástica para um melhor desenvolvimento do espírito. Afirmava que o homem era constituído de corpo e alma, e que esta deveria comandar. Na procriação, o corpo se coloca primeiro e deve “obediência ao espírito da parte afetiva à inteligência e à razão”. O pensador grego valorizava bastante a ginástica, pois ela servia para “dar graça, vigor e educar o corpo”. Ele dá uma conotação da ginástica, de movimento, como algo mais do que simplesmente o exercício pelo exercício; acredita que se deve procurar o melhor exercício de acordo com o temperamento e exercícios não muito cansativos para não prejudicar o desenvolvimento do espírito. Merleau-Ponty (1971) numa visão muito própria, ultrapassa a divisão dualista entre corpo e mente. Para ele, o homem é uma realidade corporal, ele é seu corpo, é uma “subjetividade encarnada” . É na ação que a espacialidade do corpo se completa e a análise do movimento próprio deve permitir-nos compreendê-la melhor. Harrow (1972) – faz uma análise sobre o homem primitivo ressaltando como o desafio de sua sobrevivência estava ligado ao desenvolvimento psicomotor. As atividades básicas consistiam em caça, pesca e colheita de alimentos e, para isto , os objetivos psicomotores eram essenciais para a continuação da existência em grupo. Necessitavam de agilidade, força, velocidade, coordenação. A recreação, os ritos cerimoniais e as danças em exaltação aos deuses, a criação de objetos de arte também eram outras atividades desenvolvidas por eles. Tiveram que estruturar suas experiências de movimentos em formas utilitárias mais precisas. 11 Hoje, o homem também necessita destas habilidades, embora tenha se aperfeiçoado mais para uma melhor adaptação ao meio em que vive. Necessita ter um bom domínio corporal, boa percepção auditiva e visual, uma lateralização bem definida, faculdade de simbolização, orientação espaçotemporal, poder de concentração, percepção de forma, tamanho número, domínio dos diferentes comandos psicomotores como coordenação fina e global, equilíbrio. As crianças possuem movimentos naturais porque são inerentes ao organismo humano, não necessitam ser ensinadas e representam a necessidade de se tornarem ativas. A função do educador, então, seria modelar e tornar eficiente a execução destes movimentos. Piaget (1987) – estudando as estruturas cognitivas, descreve a importância do período sensório-motor e motricidade, principalmente antes da aquisição da linguagem, no desenvolvimento da inteligência. O desenvolvimento mental se constrói, paulatinamente; é uma equilibração progressiva, uma passagem contínua, de um estado de menor equilíbrio para um estado de equilíbrio maior. O equilíbrio, para ele, significa uma compensação, uma atividade, uma resposta do sujeito frente às perturbações exteriores ou interiores. Quando dizemos que houve o máximo de equilíbrio,devemos entender que compensatórias. Exemplo: o desafio houve o máximo deatividades do meio pode levar a perturbações e provocar um desequilíbrio. Em resposta, a pessoa vai procurar novas formas de equilíbrio no sentido de uma maior adaptação ao meio e com isto atinge um maior desenvolvimento mental. A inteligência, portanto, é uma adaptação ao meio ambiente, e para que isso possa ocorrer, necessita inicialmente da manipulação pelo indivíduo dos objetos do meio com a modificação dos reflexos primários. A adaptação se dá na interação com o meio e se faz por intermédio de dois processos complementares: assimilação,que é o processo da incorporação dos objetos e informações às estruturas mentais já existentes; e a acomodação, significando a transformação dessas estruturas mentais a partir das informações sobre os objetos. 12 Quando uma criança percebe os estímulos do meio através de seus sentidos, suas sensações e seus sentimentos e quando age sobre o mundo e sobre os objetos que o compõem através do movimento de seu corpo , está experimentando, ampliando e desenvolvendo seu intelecto. Por outro lado , para que a psicomotricidade se desenvolva, também é necessário que a criança tenha um nível de inteligência suficiente para fazê-la desejar experimentar, comparar, classificar, distinguir os objetos. Wallon (1979) - salienta o aspecto afetivo como anterior a qualquer tipo de comportamento. Existe, para ele, uma evolução tônica e corporal chamada diálogo corporal e que constitui o prelúdio da comunicação verbal. Este diálogo corporal é fundamental na formação psicomotora. O movimento assume uma grande significação. Inicialmente a criança apresenta uma “agitação orgânica e uma hipertonicidade global”, ocasionando uma relação com o meio ambiente de forma geral e desorganizada. Aos poucos, começa a se expressar através dos gestos que estão ligados à esfera afetiva e que são, portanto, o escape das emoções vividas. Este mundo das emoções mais tarde dará origem ao mundo da representação. O movimento, como um elemento básico de reflexão humana, aparece depois, como um fundamento sócio-cultural e dependente de um “contexto histórico e dialético”. Wallon diz que é “sempre a ação motriz que regula o aparecimento e o desenvolvimento das formações mentais” (p. 17). Na evolução da criança estão relacionadas a motricidade, a afetividade e a inteligência. Terminaremos a definição de Wallon com duas frases que encerram o seu pensamento sobre o movimento (in Fonseca, op cit., p. 30): Movimento, pensamento e linguagem são uma unidade inseparável .O movimento é o pensamento em ato, e o pensamento é o movimento sem ato. Defontaine (1980) – diz que só se pode entender a psicomotricidade através de uma triangulação: corpo, espaço e tempo. Ele traduz os dois componentes da palavra: psico significando os elementos do espírito sensitivo 13 e motricidade traduzindo-se pelo movimento, pela mudança no espaço em função do tempo e em relação a um sistema de referência. Le Boulch (1984) – acredita que a atitude em psicomotricidade deve ter sua própria identidade, e não relacionar necessariamente sua metodologia a uma outra corrente. Ele afirma que a psicomotricidade recebe contribuições da psicanálise, no tocante à importância do afeto no desenvolvimento e da concepção comportamental, no sentido de valorizar o instrumento para um maior desempenho do indivíduo.Ele e Lapierre (l986) têm a mesma opinião quando dizem que a educação psicomotora deve ser uma formação de base indispensável a toda criança. A educação psicomotora pode ser vista com preventiva na medida em que dá condições à criança de se desenvolver melhor em seu ambiente. É vista como reeducativa quando trata de indivíduos que apresentam desde o mais leve retardo motor até problemas mais sérios. A psicomotricidade tem o objetivo de levar o ser humano a sentir-se bem em sua pele, possibilitando a livre expressão de seu ser. Não se quer pretender que ela seja “milagrosa” que vá resolver todos os problemas; é apenas uma meio de auxiliar a pessoa a superar suas dificuldades e prevenir possíveis problemas de adaptações. 14 CAPÍTULO II APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA “Quando lhes dirigimos a pergunta “Seu filho fala bem?”não nos referimos, apenas, à articulação da palavra, mas quisemos indagar muito mais fundo, muito mais amplamente, muito mais densamente: “Seu filho é o garoto que o senhor sonhou?”, “Seu filho é um menino feliz?”, “Seu filho sabe rir?” Quando uma criança tem qualquer problema de voz e de fala, precisa ser sentida em suas razões, em seus motivos. É sua fala que a vai colocar dentro do mundo.” Pedro Bloch 15 APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA O aprender a ler e a escrever tornou-se indispensável para que a pessoa se integre ao meio social. O ser humano sempre teve necessidade de se comunicar graficamente desde os tempos mais remotos. No período da pré-história, por exemplo, as mensagens eram escritas nas paredes das cavernas.Os escritos deixados pelos egípcios são verdadeiros atestados da grandiosidade do povo, de seus costumes, seus valores, suas crenças.E nós continuamos a registrar nossa história continuamente. A escola é uma entidade na qual, basicamente, se transferem conhecimentos e experiências de pessoas para pessoas. A escola depende da comunicação. Comunicação é a transmissão de idéias, conhecimentos, experiências e sentimentos. É no ser humano que a comunicação atinge sua forma mais elaborada, e seus principais instrumentos são a linguagem falada e a linguagem escrita. Não se pode falar delas isoladamente, pois ambas constituem manifestações da linguagem. 1-Bases biológicas da linguagem 1.1- Os sistemas orgânicos envolvidos na linguagem A transmissão de informação compreende, em essência, três componentes: o emissor, a informação e o receptor. A informação é transformada em linguagem pelo emissor, ou em outras palavras, é codificada pelo emissor. O indivíduo age como emissor e receptor e dispõe de órgãos adequados a essas funções. A comunicação pela linguagem falada e escrita depende de vários conjuntos de órgãos: 16 Da parte do emissor Aparelho respiratório e boca. Fundamentais para a linguagem falada. Sistema muscular e ósseo. Fundamentais para a linguagem escrita e para a linguagem falada. Sistema nervoso. Fundamental para a codificação da mensagem e coordenação dos órgãos de emissão. Da parte do receptor Ouvidos. Fundamentais para a recepção da linguagem falada. Olhos. Fundamentais para a recepção da linguagem escrita. Sistema muscular.Particularmente os músculos que fazem os movimentos da cabeça e os músculos oculares, pois eles facilitam a leitura. Sistema nervoso. Fundamental para a decodificação da mensagem. 1.2- A emissão da linguagem falada Toda informação é transformada em linguagem a nível cerebral e emitida pelo trabalho conjunto dos órgãos respiratórios, boca e vários músculos, trabalho coordenado pelo sistema nervoso. Para falar, o ser humano depende basicamente de cinco componentes: • um centro codificador; • uma fonte sonora; • um fluxo aéreo; • estruturas de articulação; • cavidades de ressonância Os fenômenos fisiológicos relacionados ao processo de emissão da fala são a expiração, a fonação, a articulação e a ressonância. 17 EXPIRAÇÃO - Ao respirarmos, realizamos um movimento que promove a entrada do ar nos pulmões – a inspiração – e um outro que faz o ar sair dos pulmões – a expiração. É a expiração que proporciona o fluxo de ar indispensável à produção da voz. FONAÇÃO – Fonação é o processo pelo qual a voz é produzida. Esse processo depende do fluxo aéreo gerado pela expiração, o qual faz vibrar as cordas vocais e, sendo assim faz a voz surgir. A laringe, que contém as cordas vocais, representa o órgão essencial da fonação. ARTICULAÇÃO - Articulação é o processo pelo qual os fonemas (ou grupos de fonemas) são gerados. Participam decisivamente desse processo os lábios, a língua, o palato mole (véu palatino) e a mandíbula. RESSONÂNCIA – Ressonância é a modificação das vibrações do ar (reforço ou atenuação) imposta por várias estruturas e espaços do aparelho fonador. Os principais responsáveis pela ressonância são a cavidade oral e as fossas nasais. 1.3- A emissão da linguagem escrita Para ser emitida sob a forma escrita, a linguagem requer o trabalho conjunto de músculos e ossos. Na escrita trabalham os músculos da mão, do antebraço, do braço, do ombro e até mesmo do tórax. No processo de escrita há músculos fazendo preensão da caneta, pressão da caneta contra o papel e movimentação da caneta. A grafia das diferentes letras compreende uma grande variedade resultantes da atividade combinada de muitos músculos. de movimentos 18 1.4- A recepção das linguagens falada e escrita Falar e escrever são dois fenômenos que exigem comportamentos de recepção correspondentes para que haja comunicação. Esses comportamentos são, respectivamente, ouvir e ler. É preciso ouvir para entender a linguagem falada. É preciso ler para entender a linguagem escrita. Os comportamentos de emissão (falar e escrever) são diferentes entre si, e o mesmo acontece entre os comportamentos de recepção (ouvir e ler). Os comportamentos de emissão diferem dos comportamentos de recepção quanto aos órgãos e aos aspectos neurais envolvidos. Na emissão trabalham os órgãos do aparelho fonador e os músculos da escrita. Na recepção trabalham principalmente os ouvidos e os olhos. No que se refere aos aspectos neurais, a emissão envolve basicamente a área motora do cérebro, a área de Broca e nervos motores. A recepção envolve, sobretudo a área auditiva e visual, de Wernicke e nervos sensitivos. 1.5- Considerações neurológicas sobre a linguagem A elaboração da linguagem pelo cérebro continua sendo um processo pouco conhecido, assim como outros fenômenos que ocorrem a nível cerebral, provavelmente dependem de várias estruturas neurais. Algumas dessas estruturas são conhecidas por sua evidente ligação com a linguagem, como é o caso da circunvolução de Broca, da área de Wernicke e do giro angular, além da dominância hemisférica. O sistema nervoso tem um papel essencial para a emissão e recepção da linguagem. Área de Broca – A área de Broca localiza-se na porção posterior do lobo frontal. Mais especificamente é o giro frontal inferior do hemisfério esquerdo, e sua função parece ser a elaboração final da linguagem. 19 Pessoas com lesão nessa área apresentam grande dificuldade na emissão da fala e da escrita, mas o grau de dificuldade não é obrigatoriamente o mesmo para esses dois tipos de linguagem. Área de Wernicke – A área de Wernicke localiza-se no giro superior (parte posterior) do lobo temporal esquerdo. Lesões nessa área impedem a pessoa de compreender as palavras que ouve, porém não impedem o reconhecimento de vozes e sons. Embora a pessoa consiga articular normalmente as palavras, suas frases não têm significado claro ou são totalmente sem significado. Giro angular – O giro angular localiza-se na parte anterior do lobo parietal, e sua função está ligada a descodificação da linguagem escrita. A pessoa que tem lesão no giro angular do hemisfério esquerdo não compreende o que lê, mas fala e compreende a linguagem falada. Dinâmica hemisférica - De modo geral, o hemisfério cerebral dominante é o esquerdo, inclusive na maioria dos canhotos. Essa afirmação é válida, sobretudo com relação à linguagem.É bom lembrar que se houver lesão do hemisfério esquerdo, haverá uma tendência compensatória do hemisfério direito para se desenvolver. Todavia, se a pessoa é adulta, esse desenvolvimento será mínimo. Já em criança com menos de 6 anos, geralmente o desenvolvimento compensatório do hemisfério direito é pleno e elas se tornam normais. Apesar da dominância esquerda, o hemisfério direito não está ausente da elaboração da linguagem; pelo contrário, ele participa da organização dos parágrafos e da integração de conceitos. 2-Considerações sobre o papel e o desenvolvimento da linguagem 20 2.1- O papel da linguagem A aquisição da linguagem desempenha um papel decisivo na compreensão do mundo e na transmissão de valores pessoais, sociais e culturais. A criança utiliza o código da linguagem para formular seus sentimentos, suas sensações e valores, para transmitir e receber as informações. Depende muito do meio em que está inserida, de seus contatos sociais e de sua exercitação e treino. Podemos nos comunicar através de gestos, de movimentos, de olhares, de sons, através da expressão de uma emoção, do silêncio, da fala. Estudaremos especificamente a fala como um meio de expressão da linguagem interior e, através dela a aquisição da leitura e da escrita. A criança deve ser capaz de comunicar-se com os outros verbalmente, de forma compreensível. Existem, porém, muitos fatores que podem dificultar o desenvolvimento de uma boa linguagem. Os mais graves, considerados patológicos, dizem respeito à incapacidade ou dificuldade de articulação de palavras e que podem ser conseqüência de lesões cerebrais (descritas nas páginas anteriores). Algumas crianças apresentam distúrbios de ordem fonética, dificuldades em pronunciar corretamente as palavras. Outras apresentam problemas de audição, provocando problemas de linguagem. Normalmente, uma criança que não domina muito bem a linguagem poderá apresentar alguma dificuldade na aprendizagem da leitura e escrita. Existem muitas mães que se limitam a uma comunicação não-verbal e pobre com seus filhos. Estes não irão expressar uma linguagem comunicativa. É por isto que se fala que antes da aprendizagem da leitura e escrita deveria vir uma fase em que se ajudasse a criança a utilizar mais a linguagem. 2.2- O desenvolvimento da linguagem 21 O aparecimento e a evolução da linguagem articulada estão ligados à idade da criança. O início do processo depende do grau de maturação do sistema nervoso, que por sua vez está ligado ao crescimento do cérebro. Quando o cérebro alcança 2/3 do seu tamanho, a linguagem começa a aparecer. Aos 5 ou 6 meses de idade, há sons consonantais. Logo a seguir aparecem combinações com vogais (gu-gu-gu ou ba-bá-bá), sobretudo após os 8 meses. Em torno de 1 ano, a criança diz suas primeiras palavras. Rapidamente, aumenta o número de palavras que ela utiliza, bem como o tamanho das frases. Entretanto, o ritmo pode ser diferenciado quando se comparam várias crianças. Algumas, por exemplo, só emitem as primeiras frases aos 2 anos (ou mais), enquanto a maioria já o faz com 1 ano e meio. O desenvolvimento da linguagem também está relacionado ao desenvolvimento motor, já que ambos os processos refletem a maturação do sistema nervoso. Como se sabe, a linguagem falada e a escrita não aparecem na mesma época. A capacidade para escrever e ler aparece, geralmente, por volta dos 6 ou 7 anos. Com 10 anos, a maioria dos escolares já possui boa desenvoltura. Tal fato sugere mecanismos neurais diversos que entram em funcionamento em etapas diferentes do desenvolvimento infantil. Para um adequado desenvolvimento da linguagem também contribuem outros fenômenos de base biológica, que assumem papel relevante na idade pré-escolar, quando a escrita e a leitura, começam a se desenvolver. É o caso da percepção auditiva e visual, que permitem, respectivamente, a audição dos fonemas e suas combinações, e a visão das letras ou palavras; memória auditiva e visual, que tornam possível o reconhecimento dos sons e da forma das letras; memória seqüencial tanto para a audição como para a visão, que permite o reconhecimento das seqüências de sons, que constituem as palavras ou frases, e das letras ou palavras e frases escritas; integração auditivo-motora e visual-motora, que permitem a ação de escrever palavras ouvidas, como nos ditados (auditivo-motora), ou escrever palavras vistas nas cópias (visual-motora), e integração auditivo-vocal e visual-vocal, que 22 capacitam a pessoa a pronunciar as palavras ouvidas ou vistas, como na leitura em voz alta. 23 CAPÍTULO III A FALA A LEITURA E A ESCRITA “A fala, a leitura e a escrita não podem ser consideradas como funções autônomas e isoladas, mas sim como manifestações de um mesmo sistema, que é o sistema funcional de linguagem. A fala, a leitura e a escrita resultam do harmônico desenvolvimento e da integração das várias funções que servem de base ao sistema funcional da linguagem desde o início de sua organização.” Ana Maria Poppovic 24 A FALA, A LEITURA E A ESCRITA A FALA, A LEITURA E A ESCRITA Através de experiências científicas constatou-se que o sucesso do indivíduo na aprendizagem da leitura e da escrita depende do seu amadurecimento fisiológico, emocional, neurológico, intelectual e social. A criança aprende naturalmente a falar a linguagem do grupo em que vive (linguagem regional). À escola cabe desenvolver a linguagem oral que o discente traz, através da atividade pedagógica, que deve garantir a aprendizagem da leitura e da escrita. A aquisição da leitura tem a seguinte seqüência: 1º) aquisição do significado; 2º) compreensão da palavra falada; 3º) expressão da palavra falada; 4º) compreensão da palavra impressa (leitura); 5º) expressão da palavra impressa (escrita). As dificuldades de leitura e escrita podem resultar de dificuldades nos processos cognitivos básicos. São dificuldades de desenvolvimento do indivíduo. Quando a criança tem um retardamento mental e por isso é atrasada na leitura, considera-se um caso de atraso geral da leitura. Quando ela é inteligente, boa aluna em outras disciplinas, porém atrasada na leitura, seu caso é considerado um atraso específico de leitura, que muitos preferem chamar de dislexia e outros de distúrbios específicos de aprendizagem. Por esse motivo é que podemos dizer que as aprendizagens da leitura e da escrita não são atividades isoladas, fazem parte de um processo de desenvolvimento da linguagem, e suas dificuldades se devem a uma deficiência qualquer na estruturação e na organização da linguagem como um todo. 25 1-Pré-requisitos para a aquisição da leitura e da escrita, numa visão psicomotora Quando se fala das dificuldades de leitura e escrita, e especificamente do processo da alfabetização, é muito importante que sejam questionadas as condições da criança que o inicia, verificando se ela já adquiriu suficiente desenvolvimento físico, intelectual e emocional, bem como todas as habilidades e funções necessárias para aprender. Ao alfabetizador cabe a responsabilidade de, através de situações concretas envolvendo objetos e o próprio corpo do discente, com atividades motoras, preparar a criança antes de expô-la a atividades gráficas. 1.1- Prontidão para aprender A prontidão para aprender é definida por vários autores. Todos tentam considerá-la como um nível suficiente de preparação para iniciar uma aprendizagem, ou uma capacidade específica para realizar determinada tarefa; as diferenças individuais seriam, na realidade, diferenças na prontidão para aprender. O preparo para iniciar a leitura e a escrita depende de uma complexa integração dos processos neurológicos e de uma harmoniosa evolução de habilidades básicas, como percepção, esquema corporal, lateralidade, orientação espacial e temporal, coordenação visomotora, ritmo, análise e síntese visual e auditiva, habilidades visuais, habilidades auditivas, memória sinestésica e linguagem oral. A pré-escola tem a função de fornecer à criança os pré-requisitos necessários para a aprendizagem da leitura e da escrita. Infelizmente, alguns educadores da pré-escola, angustiados por uma alfabetização precoce, deixam de dar a devida estimulação para essas habilidades específicas, que descrevemos a seguir. 26 1.1.1- Percepção É através dos órgãos dos sentidos que a criança estabelece o contato com o mundo exterior, organizando e compreendendo os fenômenos que ocorrem. Quanto mais desenvolvido estiver o seu sistema nervoso, maior número de detalhes integrados será capaz de perceber. Na pré-escola, todos os aspectos da percepção devem ser trabalhados: o visual, o auditivo, o tátil, o olfativo e o gustativo. 1.1.2- Esquema corporal É uma habilidade que implica o conhecimento do próprio corpo, de suas partes, dos movimentos, das posturas e das atitudes. A imagem corporal, que é a impressão que a criança tem de seu corpo da figura humana que ela realiza. O esquema corporal é considerado um elemento indispensável para a formação do eu. A criança percebe os outros e os objetos que a cercam a partir da percepção que ela passa a ter de si mesma. A criança que não consegue desenvolver bem o seu esquema corporal pode ter sérios problemas em orientação espacial e temporal, no equilíbrio e na postura; dificuldades de se locomover num espaço ou escrever obedecendo aos limites de uma linha ou de uma folha. 1.1.3- Lateralidade É definida a partir da preferência neurológica que se tem por um lado do corpo, no que diz respeito à mão, pé, olho e ouvido. Essa preferência é importante para desenvolver diferentes atividades, inclusive a leitura. As dificuldades de aprendizagem que surgem em crianças que ainda não têm sua lateralidade definida, e naquelas que são canhotas, mas foram 27 obrigadas a escrever com a mão direita, referem-se mais ao tipo de grafia que elas apresentam (disgrafia, letra ilegível), à orientação espacial na folha de papel e as posturas inadequadas no ato de escrever. 1.1.4- Orientação espacial e temporal Orientar-se no espaço é ver-se e ver as coisas no espaço em relação a si próprio, é dirigir-se, é avaliar os movimentos e adaptá-los no espaço. É estabilizar o espaço vivido e dessa forma poder situar-se e agir correspondentemente. Enfim, é a consciência da relação do corpo com o meio. A criança que não tem noções de posição e orientação espacial pode apresentar os seguintes problemas em sua aprendizagem: • confundir letras; • ter dificuldade em respeitar a ordem das letras na palavra e das palavras na frase; • ser incapaz de locomover os olhos no sentido esquerdodireito; • na escrita, não respeitar a direção horizontal do traçado; • não respeitar os limites da folha; • apresentar sérias dificuldades para se organizar com seu material escolar; • esbarrar em objetos e pessoas. Para compreender o tempo é necessário levar em consideração dois aspectos: o tempo próprio de cada indivíduo e o tempo externo ao qual ele deve se adaptar. A criança se organiza temporalmente a partir de seu próprio tempo. Através da percepção do tempo vivido, ela adquire condições de dominar determinados conceitos, como ontem, hoje, amanhã, dias da semana, meses, anos, horas, estações do ano, etc.; que todos os fatos que ocorrem no tempo apresentam uma certa duração e uma determinada sucessão; que alguns fatos acontecem antes e outros depois. A ausência de orientação temporal causará: • dificuldades na pronúncia e na escrita das palavras; 28 • má concordância verbal; • dificuldade no ditado devido à não-correspondência dos sons com as letras que o representam; • dificuldade na retenção de uma série de palavras na frase e de uma série de idéias dentro de uma história. 1.1.5- Coordenação visomotora É a integração entre os movimentos do corpo (globais e específicos) e a visão. A coordenação motora global coloca em ação vários grupos musculares amplos, enquanto a coordenação motora fina envolve habilidades manuais, como a preensão, que são essenciais para o desenvolvimento do grafismo e da escrita. As crianças que não conseguem coordenar o movimento ocular com os movimentos das mãos terão dificuldade nas atividades que envolvem a coordenação visomotora olho-mão. Nesse caso, a dificuldade na escrita fica caracterizada, uma vez que os olhos não guiam os movimentos motores da mão, impossibilitando a criança de perceber por onde deve iniciar o traçado das letras. 1.1.6- Ritmo É uma habilidade importante, pois dá à criança a noção de duração e sucessão, no que diz respeito à percepção dos sons no tempo. A falta de habilidade rítmica pode causar uma leitura lente, silabada, com pontuação e entonação inadequadas. Na parte gráfica, as dificuldades de ritmo contribuem para que as crianças escrevam duas ou mais palavras unidas, adicionem letras nas palavras ou omitam letras e sílabas. 29 1.1.7- Habilidades visuais Para a criança ler e escrever, é necessário que seus olhos funcionem perfeitamente. É através deles que, na fase pré-escolar, ela faz a discriminação de semelhanças e diferenças, de formas e tamanhos, desenvolve a percepção de figura-fundo e a memória visual. Um aspecto importante a ser ressaltado é que, no início da aprendizagem, a criança move os olhos de forma desordenada e em qualquer direção. Cabe à pré-escola estimular os movimentos oculares da criança em todas as direções possíveis, para que, ao iniciar a leitura e a escrita, ela possa deslocar os olhos para a esquerda e a direita, fazendo as paradas e os saltos que a leitura exige. O desenvolvimento inadequado da habilidade visual pode provocar leitura silabada, lenta, com inversões, omissões e adições de letras, sílabas ou palavras, devido à movimentação ocular errônea. 1.1.8- Habilidades auditivas É através da visão e da audição que os símbolos gráficos são recebidos e conduzidos ao cérebro para serem retidos. Se a criança apresentar deficiências na sua capacidade visual ou auditiva, o sistema nervoso receberá informações distorcidas do ambiente, através desses receptores, dificultando assim ao cérebro a sua resposta. Além do bom funcionamento da audição, a aprendizagem da leitura e da escrita exige estimulação, pela pré-escola, da discriminação de sons, principalmente em letras cujos sons são parecidos (f / v, t /d, p /b, etc.). É preciso, também, estimular a memória auditiva, que permitirá a retenção e a recordação do que a criança aprendeu, permitindo que ela faça a correspondência entre o símbolo gráfico visualizado e o som correspondente. 30 1.1.9- Memória sinestésica É a possibilidade que o discente tem de reter os movimentos motores que são importantíssimos à realização gráfica. No início da aprendizagem da escrita, a criança precisa que o professor lhe indique sempre por onde começar o traçado das letras e os movimentos que deve fazer. Aos poucos ela retém os atos motores e não necessita mais de tanta orientação. A criança que apresentar dificuldades de memória sinestésica não se lembrará do traçado das letras no ditado e na escrita espontânea; ela copiará com lentidão e fará as letras isoladamente. 1.1.10- Linguagem oral Por ser uma etapa anterior à linguagem escrita, a linguagem oral se constitui num pré-requisito básico para a alfabetização e, conseqüentemente, para a aprendizagem da leitura e da escrita. A aprendizagem da leitura e da escrita só deve ser iniciada depois que a criança é capaz de pronunciar corretamente todos os sons da língua. Do ponto de vista fonoarticulatório, isso deve acontecer por volta dos 6 anos de idade. A ampliação do vocabulário é outro pré-requisito importante. Nesse estágio de desenvolvimento, a criança já deve ser capaz de usar palavras conhecendo seu significado. As que não têm um bom repertório verbal podem apresentar problemas na compreensão de textos. A integração neurológica e a experiência vivida pela criança promovem o desenvolvimento de seu vocabulário passivo (palavras entendidas) e ativo (palavras faladas). O ser humano tem necessidade de expressar-se e para que o faça bem, a estimulação deve ser sistemática, tanto na família como na escola. 31 2- O processo da Leitura A leitura é um processo de compreensão abrangente que envolve aspectos sensoriais, emocionais, intelectuais, fisiológicos, neurológicos, bem como culturais, econômicos e políticos. É a correspondência entre os sons e os sinais gráficos, através da decifração do código e a compreensão do conceito ou idéia. Tanto quanto a fala, a leitura não é um comportamento natural, mas um processo adquirido em longo prazo e em certas circunstâncias de vida que determinam o sucesso ou o fracasso na aprendizagem. O processo da leitura envolve: • A identificação dos símbolos impressos (letras e palavras) através dos órgãos da visão. Estes recebem os estímulos gráficos e os transmitem, através do nervo ótico, aos centros visuais dos cérebros. • O relacionamento dos símbolos gráficos com os sons que eles representam – a criança tem de diferenciar visualmente cada letra impressa e perceber que cada símbolo gráfico tem um correspondente sonoro. • A compreensão e a análise crítica do que foi lido: o indivíduo percebe os símbolos gráficos, compreende seu significado, julga e assimila os fatos de acordo com sua vivência. No processo inicial da leitura ocorre o que chamamos de decodificação, ou seja, o envolvimento da discriminação visual dos símbolos impressos e a associação entre a palavra impressa e o som. A visão, o tato, a audição, o olfato e o gosto são referenciais elementares na aquisição dos símbolos gráficos, pois essa leitura sensorial começa muito cedo em nossa vida. Iniciamos a leitura do universo adulto que nos cerca quando ainda somos bebês, e continuamos essa leitura por toda vida. Destacamos também a leitura emocional, em que contam os sentimentos, as emoções com as quais o leitor se vê envolvido, até 32 inconscientemente. Trata-se de um processo de identificação, no qual o leitor às vezes tende a justificar ou negar seu envolvimento com o que leu. Nesse sentido, a criança é capaz de se envolver muito mais emocionalmente com um livro do que o adulto. Na escola, o tipo de leitura mais comum é a leitura intelectual, caracterizada pela teoria dos fatos, pela rigidez da forma de apresentação e pela tendência a isolar o leitor do contexto pessoal. Como vimos, para que a criança adquira os símbolos gráficos, ela precisa ter uma perfeita integridade sensorial e também a capacidade de integrar experiências não-verbais, isto é, de diferenciar um símbolo do outro, atribuir-lhe significado e retê-lo. Ao adquirir a linguagem auditiva, a criança vai diferenciar, por exemplo, o símbolo BOLA de outros símbolos que ouve e vai associar essa unidade auditiva ao objeto. A seguir, ela retém esse símbolo para uso futuro e, dessa forma, torna-se capaz de recordá-lo ao falar com outras pessoas. Quando uma criança tem dificuldade em aprender através dessa linguagem auditiva e visual, não conseguindo reter e integrar na sua experiência o que ouve e vê, pode-se esperar que ela venha a manifestar um distúrbio de leitura. Precisamos, com urgência, resgatar em nossas escolas, principalmente nas de Ensino Fundamental, a prática da leitura prazer, sem cobranças de entendimento dos textos através de provas cansativas e acadêmicas. Toda a escola deveria, uma vez por semana, propiciar aos discentes o manuseio de livros em sala de aula para desenvolver os aspectos sensoriais, emocionais e intelectuais da leitura, de uma forma racional e dinâmica. A criança aprende a ler lendo, e não passivamente, copiando inúmeras vezes uma palavra ou frase, e muito menos através de cópias longas e exaustivas. 3- O processo de escrita 33 A escrita é uma das formas superiores de linguagem; requer que a pessoa seja capaz de conservar a idéia que tem em mente, ordenando-a numa determinada seqüência e relação. Escrever significa relacionar o signo verbal, que já é um significado, a um signo gráfico. É planejar e esquematizar a colocação correta de palavras ou idéias no papel. O ato de escrever envolve, portanto, um duplo aspecto o mecanismo e a expressão do conteúdo ideativo. Na escrita se estabelece uma relação entre a audição (palavra falada), o significado (vivência da criança) e a palavra escrita. Quando a criança já tem o significado do objeto interiorizado, seu processo de escrita fica mais fácil. Ao copiar uma palavra a criança deverá: • fazer uma discriminação visual de cada detalhe da • relacionar os símbolos impressos aos sons e aos palavra; movimentos fonoarticulatório; • observar o traçado gráfico de cada letra da palavra; • ter em sua vivência o significado da palavra copiada; • reproduzir graficamente a palavra no papel. Como existe sempre relação entre a palavra impressa e o som, a criança precisa primeiro aprender a ler para depois escrever. 3.1-Desenvolvimento gráfico A escrita como representação da linguagem oral passa por diferentes estágios de desenvolvimento, que acabam sendo caracterizados pela atividade gráfica. Sendo assim, a evolução gráfica da criança é resultado de uma tendência natural, expressiva, representativa, que revela o seu mundo particular. A evolução do grafismo se faz em ritmo pessoal, com um sentido que lhe é próprio. Entretanto, características comuns aparecem nas representações 34 gráficas de todas as crianças, dando origem a diversas classificações, por diferentes autores, dos estágios de desenvolvimento gráfico. Há alguns aspectos importantes que devem ser considerados no desenvolvimento gráfico: • Desenvolvimento da linguagem oral: para escrever, a criança precisa falar corretamente os sons das palavras. • Desenvolvimento das habilidades de orientação espacial e temporal: ao escrever, a criança deve respeitar a seqüência dos sons e sua estruturação no espaço. • Desenvolvimento da coordenação visomotora: a criança deve ter movimentos coordenados dos olhos, braços, mão e também uma preensão perfeita do lápis. • Memória visual e auditiva: problemas de discriminação auditiva podem ter reflexos tanto na escrita quanto na leitura e na fala; as crianças que têm dificuldade na aprendizagem visual enfrentam um problema ainda maior para adquirir a palavra escrita. • Motivação para aprender: a criança precisa ter um bom relacionamento com os pais,professores e colegas, para que se sinta estimulada a escrever. Apresentamos a seguir a classificação do desenvolvimento do grafismo feita por Ajuriaguerra*. DESENVOLVIMENTO DO GRAFISMO Estagio Faixa etária Précaligráfico De 5-6 a 8-9 anos Características • • • • Caligráfico De 10 a12 anos • • • • • A criança não possui perfeito domínio motor para os traçados gráficos; Não tem controle na inclinação e dimensão das letras; Não faz margens ou apresenta-as de forma desordenada; Tem postura errada do tronco, cabeça e braços ao escrever; Copia as palavras letra por letra. A criança já domina as dificuldades em pregar e manejar os instrumentos gráficos; Apresenta escrita mais rápida e regular; Distribui corretamente as margens; Tem melhor postura da cabeça e do tronco(mais longe do papel); 35 Póscaligráfico Dos 11 anos em diante • • • Sua escrita imita o modelo: é ainda pouco pessoal. Modifica a escrita, dada a necessidade de maior rapidez para acompanhar o pensamento e as atividades escolares; Tem postura correta. 36 CAPÍTULO IV CAUSAS DOS APRENDIZAGEM DISTÚRBIOS DA LEITURA DE E DA ESCRITA “A educação não é apenas o ato mediante o qual um homem informa a outro alguma coisa. Ela é, sobretudo, um sistema de trocas , mediante o qual, através da compreensão, se atinge o consenso.” Ìris Barbosa Goulart 37 CAUSAS DOS DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA Os distúrbios de aprendizagem na área da leitura e da escrita podem ser atribuídos às mais variadas causas. 1- Orgânicas: cardiopatias, encefalopatias, deficiências sensoriais (visuais e auditivas), deficiências motoras (paralisia infantil, paralisia cerebral, etc.), deficiências intelectuais (retardamento mental ou diminuição intelectual), disfunção cerebral e outras enfermidades de longa duração. 1.2- Distúrbios essencialmente neurológicos de aprendizagem Deficiência Mental Uma criança que tenha uma inteligência inferior já se encontra limitada em sua aprendizagem. Algumas alcançam um maior desenvolvimento e outras se encontram tão comprometidas, que mesmo recebendo uma estimulação rica e condições favoráveis de ensino , não conseguem ultrapassar seu limite. O educador esbarra em dificuldades que ele não está preparado para enfrentar. Retardamento Mental É um problema de maturação cerebral , de desenvolvimento cerebral retardado, o que prejudica ou mesmo impede a aprendizagem da linguagem, pelo menos em classe escolar regular. Nesse caso há necessidade de classes de educação especial. Lesão Cerebral Dependendo da lesão ou do dano sofrido pelo cérebro, será maior ou menor a gravidade do problema. Essa lesão poderá ser por acidente e atingir 38 um dos centros nervosos vitais da aprendizagem: centros nervosos da fala, dos movimentos, da memória e da própria aprendizagem, além dos centros sensoriais (audição, visão, olfato, gustação, tato e equilíbrio). Ausência ou disritmias São distúrbios neurológicos de várias origens, tanto hereditários como adquiridas. Trata-se geralmente de uma modalidade de epilepsia, que se apresenta sob múltiplas formas e vários graus de intensidade: desde os mais leves até as crises de convulsão e ataques. As ausências são comuns na primeira infância. Consistem em alterações da consciência em grau variado e de duração muito breve. Além da perda da consciência, cessam todas as atividades motoras e cognitivas. A irritabilidade é uma das principais características dos indivíduos epiléticos. Apresentam variabilidade de humor que oscila entre a cólera e a amabilidade. Muitas vezes são hiperativos. Costumam ter distúrbios de atenção, instabilidade psicomotora e certa impulsividade. Às vezes falta de iniciativa, lentidão intelectual e motora. Disfunção cerebral mínima, genética ou congênita Isto significa dizer um mau funcionamento do cérebro, devido a fatores hereditários ou a malformações do embrião durante a vida intra-uterina, a traumas sofridos pelo feto na hora do parto ou ainda a problemas adquiridos pelo indivíduo logo ao nascer. “A disfunção cerebral mínima é um conjunto de sintomas que aparece em crianças com inteligência média ou superior à média, com problemas de aprendizagem ou certos distúrbios de comportamento de grau leve a severo, associados a discreto desvio do funcionamento do funcionamento do sistema nervoso central. 39 Os sintomas são combinações variáveis de deficiências de percepção, conceituação, linguagem memória, controle da atenção, dos impulsos ou da função motora. A DCM pode ou não ser acompanhada de outros problemas neurológicos como: cegueira ou surdez, paralisia cerebral, epilepsia ou retardo mental. Suas causas são: variações genéticas, irregularidades bioquímicas, sofrimento do feto na hora do parto, moléstias sofridas durante os anos de maturação e desenvolvimento, ou causas desconhecidas.” (Definição elaborada por membros de um grupo de estudos sobre dislexia, nos Estados Unidos, e é citada por Lefèvre.) Dificuldades associadas à DCM DISTÚBIO DE INTELIGÊNCIA Essas crianças fogem um pouco da faixa normal de inteligência, têm dificuldade de fixar sua atenção. PROBLEMAS DE COMPORTAMENTO O convívio com essas crianças é difícil. Seus familiares, os professores e, sobretudo as mães acabam por apresentar comportamento emocionalmente alterado. Alguns pais são tolerantes, outros rigorosos outros displicentes. PROBLEMAS ESCOLARES A criança com DCM tem dificuldade de concentração. Não consegue prestar atenção às aulas e, embora seja inteligente, não aprende. DISGRAFIA É a dificuldade na utilização dos símbolos gráficos para exprimir idéias. Caracteriza-se pelo traçado irregular das letras e pela má distribuição das palavras no papel. DISORTOGRAFIA 40 É a incapacidade de apresentar uma escrita correta, com o uso adequado dos símbolos gráficos. DISCALCULIA É o termo usado para indicar dificuldade em Matemática. DISLEXIA Muitas crianças, no início das aprendizagens de leitura e escrita, apresentam os mais variados “erros”. Trocam letras, às vezes escrevem em espelho, não conseguem aglutinar palavras. Isto é esperado e tende a desaparecer à medida que forem assimilando os conceitos necessários a essas habilidades. Há casos, porém, em que os “erros” persistem e a criança, mesmo apresentando uma inteligência normal, tem grande dificuldade de ler e escrever. Ela pode estar apresentando o que chamamos de dislexia. A criança disléxica tem dificuldade de compreender o que está escrito e de escrever o que está pensando, conseqüentemente pode deturpar a mensagem que escreve ou que recebe. Por causa disto, muitos professores confundem dislexia com debilidade mental. Essas duas questões não têm relações entre si. A debilidade mental apresenta-se como um retardo global, enquanto o disléxico, muitas vezes, tem um nível intelectual normal e até superior. Normalmente produz bem em todas as disciplinas e só se defronta com dificuldades quando precisa ler e escrever. Normalmente, usa-se a terminologia dislexia específica de evolução; específica significando que se quer delimitar bem o problema que se refere apenas à dificuldade de aprendizado de leitura e escrita e de evolução, porque tais problemas tendem a desaparecer espontaneamente por volta de 15-17 anos. 41 Erros mais freqüentes em dislexia a) confusão no reconhecimento e sinais orientados diferentemente (letras simétricas): d e b; n e u; p e q;. b) discriminação auditiva pobre que s traduz pela confusão entre letras foneticamente semelhantes: t e d; f e v; p e b; ch e f; c) leitura e escrita em espelho (linguagem especular); d) repetição de palavras ou sílabas: a menina a menina estuda... a menina estuda... e) na escrita, união das palavras: umdialindo; f) inversão na ordem das palavras por falta de orientação temporal: baço por braço; g) omissão de letras, palavras, sílabas: o mesmo gostou bolo (o menino gostou do bolo); h) confusão das letras de formas parecidas: l – l ; t – f; i-j; a – o; v – u; i) pular uma linha ou perder a linha quando lê, sem perceber; j) substituição de palavras por outras ou criação de palavras com significado diferente: soltou por salvou: bebeu pó deu; k) adições ou omissões de sons, sílabas ou palavras: canecão - cação; l) elegibilidade na escrita; m) leitura silábica, hesitante, com voz monótona. Distúrbios da fala A aquisição da leitura e escrita são manifestações de uma linguagem expressiva. Uma criança deve ser capaz de comunicar-se com os outros verbalmente de forma clara, sem problemas de articulação. Normalmente se a criança falou tarde ou apresenta algum distúrbio da fala, terá a aprendizagem muito prejudicada, principalmente a leitura. Segundo os fonoaudiólogos os distúrbios da fala e da audição devem ser 42 descobertos o mais cedo possível para que não interfiram na aprendizagem da criança. Citamos abaixo alguns transtornos da fala: a) a gagueira; b) transtornos da articulação; c) transtorno da linguagem por deficiência de audição; d) transtornos da fala por lesões cerebrais evidentes; e) atraso da fala; f) disfasia; (a criança possui inteligência e audição normal porém sua fala não evolui ) g) mutismo nas crianças. Distúrbio da motricidade Como já dissemos no primeiro capítulo podemos definir Psicomotricidade como a educação do movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação, englobando funções neurofisiológicas e psíquicas. Temos então na Psicomotricidade a ligação do movimento com o pensamento. Aliás, o primeiro estágio do desenvolvimento humano é o sensoriomotor, no qual as crianças se orientam pelos sentidos e pelo movimento. Portanto , as primeiras evidências do desenvolvimento mental são manifestações motoras. Depois que a criança completa 3 anos, a inteligência que era função imediata do sistema neuromuscular, passa a se separar da motricidade. Os transtornos psicomotores compreendem as funções psíquicas e neurológicas, além de atraso na maturação do sistema nervoso central. Sua principal característica é a falta de coordenação entre o que o indivíduo pretende fazer e a ação propriamente dita, o que dificulta a capacidade de expressar-se através do corpo. Isso provoca distúrbios afetivos e também problemas de aprendizagem. Vamos considerar na Psicomotricidade os seguintes transtornos: 43 a) atrasos de maturação; b) hiperatividade; c) esquema corporal; d) percepção visual; e) orientação e estruturação do espaço e do tempo; f) organização temporal. Dificuldades sensoriais Uma criança que não ouve ou enxerga bem, fatalmente terá mais dificuldade em acompanhar o ritmo de seus colegas em sala de aula. Ela necessitaria, também, de uma metodologia diferenciada que a ajudasse a superar suas deficiências sensoriais. Uma criança com algum tipo de lesão cerebral ou alguma perturbação neurológica mais grave pode apresentar limitações em sua aprendizagem. Ela precisa, de um acompanhamento médico e métodos adequados de ensino. 2- Psicológicas: Desajustes emocionais provocados pela dificuldade que a criança tem de aprender, o que gera ansiedade, insegurança e baixa estima. A boa evolução da afetividade é expressa através da postura, das atividades e do comportamento. Muitas crianças que têm dificuldades de aprendizagem acabam apresentando algumas perturbações afetivas. Como possuem uma inteligência relativamente boa, sofrem com seus fracassos escolares e com isto se isolam mais e se afastam de qualquer atividade que envolva competição. Às vezes se sentem inferiorizadas, pois não raro são taxadas de preguiçosas pelos professores devido ao seu desinteresse em ler e escrever. Muitas acabam apresentando falta de segurança, inibição, falta de interesse pela escola. A auto-imagem e conseqüente auto-estima diminuem e isto acarreta ou um isolamento 44 muito grande da criança ou comportamento agressivo com os colegas ou com os professores. Não estamos aqui nos referindo às crianças que possuem perturbações emocionais muito sérias em termos patológicos. Finalmente, é difícil saber se as perturbações afetivas são a causa ou a conseqüência da incapacidade de integrar a leitura e a escrita. A angústia e a depressão podem aparecer desde a infância . É principalmente a sensação de insegurança que mais perturba as crianças. Estes sentimentos podem se causados pela própria família ou pela escola. Os pais muito severos, exigentes ou ansiosos podem originar na criança medo do professor, fobia da escola ou insegurança. A escola por sua vez, por seu ambiente de disciplina, de estudo obrigatória, de regras e ordens, pode ter influência negativa na criança, como por exemplo: falta de atenção, alheamento, distração. 3- Pedagógicas: Métodos inadequados de ensino; falta de estimulação pela pré-escola dos pré-requisitos necessários à leitura e à escrita; falta de percepção, por parte da escola, do nível de maturidade da criança, iniciando uma alfabetização precoce; relacionamento professor-aluno deficiente; não domínio do conteúdo e do método por parte do professor; atendimento precário das crianças devido a superlotação das classes. 3.1- Escola Vemos muitos professores com programas, procedimentos de ensino, materiais de instrução totalmente inadequados e desestimulantes e, principalmente, carentes da flexibilidade necessária para adaptar os objetivos do ensino às diferenças individuais dos alunos. Muitas das atividades em sala de aula são sem sentido para a criança e com isto as aprendizagens tornam-se difíceis e desestimulantes. 45 Freqüentemente, os professores se queixam de que seus alunos não possuem estimulação necessária à alfabetização e que isto interfere no ensino. Em vez de culpar seus alunos, os docentes devem procurar desenvolver as capacidades dos mesmos levando-os a sentirem a necessidade de valorizarem os instrumentos da cultura e valorizar as atividades que se relacionam com ela. O relacionamento professor-aluno também é outro fator que pode influenciar o processo ensino-aprendizagem. O professor tem que ser aberto às perguntas e indagações dos alunos e tratá-los com respeito, não importa a idade em que estejam. As classes superlotadas também podem dificultar o conhecimento mais individualizado que o educador poderia ter em relação à sua classe. 3.2- Falta de maturidade para o processo de alfabetização A importância da maturidade para o processo de alfabetização tem sido apontada por diversos autores.Condemarín, Chadwick e Militic (1984) afirmam que a criança precisa apresentar um nível de maturidade, de desenvolvimento físico, psicológico e social no momento de sua entrada no sistema escolar, pois isto lhe facilitaria enfrentar adequadamente as situações de aprendizagem. Muitas vezes a criança apresenta-se imatura para iniciar a aprendizagem da linguagem. Por esse motivo não se aconselha a alfabetização em idade pré-escolar (até seis anos completos). Além disso, é muito importante matricular as crianças na 1ª série do Ensino Fundamental, baseando-se na sua idade mental (seis anos e meio) e não em sua idade cronológica. Há crianças que com seis anos e meio ainda pensam como uma criança de 5 anos, sendo, portanto imatura para a alfabetização. IMPORTANTE: Uma ressalva temos que fazer quanto a responsabilidade da escola diante das dificuldades acadêmicas do aluno. Como falamos acima, a escola tem sua parcela de culpa, mas ela não pode arcar sozinha com as desadaptações encontradas em suas classes. Alguns alunos vêm para a 46 escola com diversas deficiências, com níveis de maturidade desiguais ou inferiores ao que se espera em sua idade cronológica. Comumente os professores recebem salas de aula superlotadas. Muitos trazem uma bagagem cultural, social, intelectual, neurológica muito defasada em ralação aos seus companheiros e isto se constitui em desvantagens às vezes cruciais para a aprendizagem da leitura, escrita e cálculo. 4-Sócio-culturais Falta de estimulação (criança que não a pré-escola e também não é estimulada no lar); desnutrição; privação cultural do meio; marginalização das crianças com dificuldades de aprendizagem pelo sistema de ensino comum. 4.1- Desnutrição Uma nutrição inadequada pode afetar as habilidades de aprendizagem. A este respeito temos que ressaltar duas questões importantes: a primeira diz respeito à gestação e aos primeiros anos devida da criança. Na época da formação dos neurônios, uma alimentação inadequada pode acarretar prejuízos muito grandes para a criança, tanto no número de células nervosas, quanto no processo de mielinização. A mielina provoca uma maior facilidade e velocidade da comunicação entre os centros nervosos e os centros de execução e também acarreta uma maior facilidade de coordenação e controle muscular. Uma carência ou privação alimentar tanto quantitativa quanto qualitativa pode ocasionar uma deficiência alimentar crônica o que acarreta uma “distrofia generalizada” que vai afetar em muito a capacidade de aprender. 4.2- A escola A escola tem como objetivo a integração da criança na sociedade facilitando seu acesso ao mundo dos adultos. Verificamos que este objetivo está cada vez mais esquecido. Ela tem selecionado duramente as crianças 47 que têm menos facilidade de aprender. Muitas vezes são as que mais precisam dela, pois são de um meio sócio-cultural menos privilegiado. A escola também segrega as crianças que já estão bastante segregadas devido ao meio sócio-econômico-cultural. Acaba reproduzindo os mesmos controles da sociedade e com isto expulsa dos meios de comunicação e cultura crianças que têm maior dificuldade em se comunicar. Carência cultural Carência cultural é o que se convencionou chamar de falta de uma bagagem de conhecimentos que são considerados pré-requisitos para a alfabetização. Se a família do aluno tiver um vocabulário pobre, essa criança terá como modelo esse tipo de fala e seu vocabulário ficará também muito pobre. Se ela não conseguir reunir uma boa soma de estímulos visuais e sonoros (livros, revistas, CD, TV) que lhe proporcionem experiências estimuladoras para a audição e para a visão, não terá a necessária bagagem pra formar conceitos, emiti-los e fazer-se entender pelos outros. Estas carências irão influenciar na época de sua alfabetização. Falta de motivação ambiental A estimulação do ambiente é um fator preponderante no processo geral de ensino-aprendizagem. Para motivar a aprendizagem, são necessários estímulos visuais e auditivos, de material concreto e de atividades variadas com esse material. Além disso, é importante um ambiente agradável, bem arejado e bem iluminado, com mobiliário adequado e confortável, que ofereça momentos de prazer à criança que inicia sua aprendizagem. Fatores sociais e econômicos Os fatores sócio-econômicos muito baixos tendem a se relacionar com os níveis mais baixos de aquisição da linguagem. Isto se observa principalmente nas escolas Públicas de Ensino Fundamental. 48 CONCLUINDO Geralmente as crianças com distúrbios de aprendizagem têm mais dificuldade para escrever do que para ler, principalmente devido à incoordenação dos movimentos que quase sempre acompanha os distúrbios neurológicos da aprendizagem. Mesmo as crianças disléxicas, depois de aprenderem a ler bem, em geral continuam com graves problemas de escrita. Os problemas de aprendizagem podem trazer consigo problemas emocionais secundários que se traduzem em frustração profissional, complexo de inferioridade pelo status social e desencanto com a educação formal. Por isso cabe ao professor e à família atuar no sentido de tentar corrigir ou minimizar essas dificuldades. 5-Correção dos distúrbios da linguagem: 5.1- o papel do professor O tratamento adequado de um distúrbio da linguagem pressupõe um diagnóstico correto. Para tanto é necessário o serviço de especialistas, geralmente um fonoaudiólogo, um psicólogo, um psicomotricista. Dependendo do tipo de distúrbio, o tratamento envolverá um ou mais dos seguintes profissionais: psicólogo, fonoaudiólogos, dentistas, médicos, psicomotricistas, professores, além da participação dos pais. O tratamento é realizado em clínicas, consultórios ou na própria escola. O ideal seria que toda escola de Ensino Fundamental mantivesse um serviço de diagnóstico e tratamento para os distúrbios da linguagem, ou convênios com especialistas. Quando possível um especialista faria o tratamento dos casos difíceis e orientaria os professores na condução dos casos mais fáceis. No Brasil, poucas escolas possuem uma estrutura desse tipo e, conseqüentemente, o professor tem atuação reduzida no processo terapêutico. 49 Além disso, em muitas regiões o professor é o único que pode prestar alguma ajuda à criança portadora de distúrbio da fala ou da escrita. Levando em conta essas dificuldades, a função do professor pode ser de encaminhar a criança a um especialista ou auxilia-la a superar o distúrbio. Em qualquer dos casos, algumas atitudes devem ser adotadas pelo professor ao se relacionar com o aluno que apresenta um distúrbio da linguagem: • respeitar a individualidade da criança; • reconhecer as limitações do aluno; • não criar situações constrangedoras para o portador de distúrbio; • promover o entrosamento da criança com a turma; • estimular o aluno a vencer a deficiência, incutindo-lhe autoconfiança. O encaminhamento da criança ao especialista deve ser feito precocemente, de preferência antes da fase escolar. Por isso, os professores que atuam em Ensino- Infantil têm um papel relevante na detecção dos distúrbios da linguagem. As crianças que entram na escola com o sistema de linguagem oral desorganizado tendem a apresentar dificuldades para escrever e ler. Se não há para quem encaminhar a criança, o professor precisa, antes de tudo, de paciência e dedicação. Essas duas qualidades, reunidas, costumam dar bons resultados. Muitos casos se resolvem à medida que a criança amadurece. Além disso, os pais devem ser orientados quanto ao modo de se relacionar com a criança: ela precisa, tanto em casa como na escola, de um ambiente de carinho que estimule sua autoconfiança. 6-A educação e reeducação psicomotora 50 Como já dissemos no primeiro capitulo a educação psicomotora pode ser vista como preventiva ou como reeducativa. Tanto na ação educativa e reeducativa o aspecto funcional deve estar unido ao afetivo. Por aspecto afetivo ou relacionado podemos entender a relação da criança com o adulto, com o ambiente físico e com as outras crianças. A maneira com o educador penetra no universo da criança assume aqui um aspecto primordial. É muito importante que o professor demonstre carinho e aceitação integral do aluno para que este passe a confiar mais em si mesmo e consiga expandir-se e equilibrar-se. A boa evolução da afetividade é expressa através da postura, das atividades e do comportamento. Uma criança muito fechada em si mesma possui falta de espontaneidade e tem tendência de “fechar” também seu corpo, isto é tende a encolher-se e a trabalhar com o tônus muito mais tenso, muito esticado. Por aspecto funcional, estamos entendendo a forma como um indivíduo reage e se modifica diante dos estímulos do meio. Um bom educador psicomotor, com sua disponibilidade e competência técnica, pode ajudar muito o aluno. Ele pode induzir situações que obriguem este aluno a agir corretamente no ambiente, visando a um maior desenvolvimento funcional. Ele pode auxiliar seu aluno a tomar consciência de seus próprios bloqueios e procurar suas origens e, principalmente, realizar exercícios adequados para um bom desempenho de seu esquema corporal. Um educador, a partir de um bom conhecimento do desenvolvimento do aluno, poderá estimula-lo de maneira que todas as áreas psicomotricidade, cognição, afetividade e linguagem estejam interligadas. como 51 O aluno sentir-se-á bem na medida em que se desenvolver integralmente através de suas próprias experiências, da manipulação adequada e constante dos materiais que o cercam e também das oportunidades de descobrir-se. E isto será mais fácil de se conseguir se estiverem satisfeitas suas necessidades afetivas, sem bloqueios e sem desequilíbrios Tônico-emocionais. Neste sentido pode-se afirmar o cuidado especial que se deve tomar com as crianças em seus primeiros anos de escolaridade. Observando muitos educadores, principalmente os de pré-escola e 1ª série, podemos notar como esta preocupação citada anteriormente sobre o desenvolvimento da criança é deixada de lado em prol de um treinamento funcional intensificado. Com efeito, para muitos professores, a repetição constante de exercícios é essencial para que a criança se desenvolva. Neste sentido, uma critica faz-se necessária: numa tentativa de desenvolver a motricidade de seus alunos, os mandam preencher folhas e mais folhas mimeografadas de riscos à direita, à esquerda, verticais, horizontais, bolinhas, ondas. Esses mesmos professores, quando querem ensinar conceitos dentrofora, por exemplo, pedem a seus alunos para colarem papéis coloridos, fazerem cruzes ou desenharem dentro ou fora de um quadrado ou de qualquer desenho. Ao final acham que as crianças assimilaram corretamente esses termos e passam para outros itens que serão “treinados” da mesma maneira. Acreditam, com isso, que estão usando de todos os recursos da psicomotricidade para preparar os alunos para a escrita. São, entretanto, exercícios totalmente desprovidos de significado para as crianças e não são nem precedidos de um trabalho mais amplo de conscientização dos movimentos, de posturas, visando a um desenvolvimento mental maior. 52 Na realidade, estão desenvolvendo a aquisição de gestos automáticos e técnicas sem se preocupar com as percepções que lhe dão o conhecimento de seu corpo e, através deste, o conhecimento do mundo que o rodeia. Os exercícios psicomotores, através do movimento e dos gestos, não devem ser realizados de forma mecânica, devem ser associados com as estruturas cognitivas e afetivas. 53 CONCLUSÃO Fizemos este trabalho pensando em todos aqueles que educam: pais, mestres, pessoas engajadas no processo ensino-aprendizagem e principalmente nas pessoas que apresentam dificuldades na aprendizagem da leitura e da escrita. É um trabalho que não tem a pretensão de dar receitas prontas, mas de levar a refletir e conhecer os aspectos essenciais da observação da criança no seu dia-a-dia. Pais e professores que convivem com a criança são os principais responsáveis pelo encaminhamento a especialistas nas áreas que abordamos neste trabalho: problemas de fala, problemas psicomotores, de leitura e de escrita. Observamos que as crianças precisam de mais atenção, mais afetividade, e, com isso aumentamos seu potencial motor, provocando maior amadurecimento neurológico, na medida em que as estimulamos a realizar exercícios e a interiorizar suas ações. Podemos concluir que, antes de um professor diagnosticar que um aluno tem “dificuldades de aprendizagem” e encaminhá-lo para as diversas clínicas de reeducação, deve procurar ele mesmo descobrir o que está acontecendo. Em vez de transferir para outros o encargo de cuidar de suas crianças, ele próprio deve tomar sob sua responsabilidade não só os bons alunos, quanto os que têm mais dificuldades. Dentro de sua área pedagógica é o professor quem tem mais condições de desenvolver um maior aproveitamento acadêmico e ele não pode se alienar neste sentido. Como podem a escola, os professores e os pais colaborar na prevenção dos distúrbios de aprendizagem? É necessário primeiramente que todos se conscientizem de que esses distúrbios existem e que alguns deles podem aparecer em qualquer criança, independente do estrato social a que pertença. Por isso devemos fazer um 54 esforço conjunto no sentido de tentar minimizar esses problemas, se não conseguirmos resolvê-los completamente. À escola cabe o papel de orientar, tanto os professores como os pais, a respeito desses distúrbios, através de palestras, filmes e discussões com especialistas. A ela compete ainda cuidar de seu corpo docente, no que se refere à sua atualização e aperfeiçoamento, além de fornecer assistência pedagógica, biblioteca, laboratórios, recursos audiovisuais e todo material didático necessário, procurando não superlotar as classes, de modo a permitir o atendimento às diferenças individuais. O ideal seria que cada escola tivesse uma equipe psicopedagógica para o atendimento de seus alunos. Aos professores cabe uma série de atribuições importantes: a) observar e fazer o fichamento de todos os alunos; b) comunicar-se constantemente com o orientador educacional, com o psicólogo ou com o diretor para discutir os casos de distúrbios de aprendizagem; c) preparar suas aulas, organizando o material e os recursos didáticos para motivá-las; d) atualizar-se sempre que possível; e) procurar manter um bom relacionamento com os alunos; f) estudar todos os tipos de distúrbios de aprendizagem que poderá encontrar na sua prática docente, para poder encaminhá-los corretamente; g) evitar as punições e os castigos exagerados ou injustos que só aumentam os problemas disciplinares; h) procurar conhecer as diferentes formas de avaliação do rendimento escolar de seus alunos, evitando assim muitas das dificuldades que surgem no processo de ensino-aprendizagem, quando não se levam em conta as possíveis perturbações físicas, emocionais, sociais, etc., que sofrem os alunos durante as épocas de prova. 55 Verificamos, no final da pesquisa, que muitos alunos os quais apresentam defasagem em suas habilidades psicomotoras e que apresentam dificuldades consideráveis em leitura e escrita, podem alcançar êxito nestas duas instâncias. Não acreditamos que só o nosso estudo tenha sido suficiente para sanar essas dificuldades. Com certeza não esgotamos o assunto. O nosso objetivo não foi estudar novos métodos de alfabetização.Acreditamos, porém, que o educador não deve se preocupar só com a aprendizagem específica de determinada tarefa. Existem dificuldades que resistem a uma pedagogia normal. É por isto que acreditamos que é melhor prevenir, isto é, ele deve antes de mais nada promover condições para que esta aprendizagem se torne satisfatória. O professor deve ser aberto às indagações e dúvidas, tratá-los com respeito, respeitar o ritmo de cada um. O educador deve também respeitar as dificuldades apresentadas evitando comentários que possam torná-las alvos de risadas, que as exponham ao ridículo. Uma criança que apresente limitações em leitura e escrita, normalmente, sente-se ansiosa quando precisa ler em voz alta ou ainda escrever na lousa o que o professor dita. Esta situação causa-lhe ansiedade e pode provocar diversas situações de fuga. Aos pais, cabe uma importante tarefa: conhecer e compreender os distúrbios que seus filhos possam apresentar, aceitando e seguindo a orientação dos especialistas.Também podem participar do processo educativo, colaborando com a escola, seja ajudando-a financeiramente ou auxiliando nas campanhas, seja comparecendo a festas, excursões e jogos por ela programados. E principalmente comparecendo às reuniões de pais e mestres, onde são discutidos os problemas de seus filhos e de outras crianças. No lar, sua colaboração será no sentido de supervisionar as lições, desenvolver os hábitos de higiene e a disciplina no estudo garantindo a afetividade e a estabilidade emocional da família, tão necessárias ao bom desenvolvimento infantil. Os pais deverão ter a preocupação de evitar a falta de continuidade nos estudos, causada por viagens constantes, pó mudanças de escola, de cidades ou simplesmente por faltar. 56 Se cada um cumprir o papel que lhe cabe e sobretudo se a escola desempenhar o seu verdadeiro papel, certamente a Educação recobrará seu antigo valor e passará a ocupar novamente o seu merecido papel de destaque, como um fator muito importante no desenvolvimento individual e social. 57 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AJURIAGUERRA, J. de e outros. A dislexia em questão- dificuldades e fracassos na Aprendizagem da língua escrita. Trad. De Iria M.R. de Castro Silva, Porto Alegre, Artes Médicas. ANTUNES, Celso. A Inteligência na Construção do Novo Eu. Petrópolis: Vozes, l999. AUCOUTURIER, B. O Praticante na Ajuda Psicomotora em Educação e Terapia. Barcelona: mímeo, 1986. COSTE, Jean Claude. A Psicomotricidade. 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Seabra Dinis, Lisboa, Moraes Editores, 1979. 59 INTRODUÇÃO 6 CAPITULO I 8 PSICOMOTRICIDADE 8 DEFINIÇÃO DE PSICOMOTRICIDADE 9 1-ORIGEM E DEFINIÇÃO DE ALGUNS AUTORES 9 CAPITULO II 14 APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA 15 1-Bases biológicas da linguagem 15 1.1-Os sistemas orgânicos envolvidos na linguagem 15 1.2-A emissão da linguagem falada 16 1.3-A emissão da linguagem escrita 17 1.4- A recepção das linguagens falada e escrita 18 1.5- Considerações neurológicas sobre a linguagem 18 2-Considerações sobre o papel e o desenvolvimento da linguagem 2.1- O papel da linguagem 2.2CAPÍTULO O desenvolvimento da linguagem III 19 20 20 23 A FALA, A LEITURA E A ESCRITA 24 1-Pré-requisitos para a aquisição da leitura e da escrita, numa visão psicomotora 1.1- 25 Prontidão para aprender 25 1.1.1- Percepção 26 1.1.2- Esquema corporal 26 1.1.3- Lateralidade 26 1.1.4- Orientação espacial e temporal 27 1.1.5- Coordenação visomotora 28 1.1.6- Ritmo 28 1.1.7- Habilidades visuais 29 1.1.8- Habilidades auditivas 29 1.1.9 - Memória sinestésica 30 1.1.10- Linguagem oral 30 2-O processo da Leitura 31 60 3- O processo de escrita 3.1-Desenvolvimento gráfico CAPÍTULO IV 32 33 36 CAUSAS DOS DISTÚRBIOS DE APRENDIZAGEM DA LEITURA E DA ESCRITA 36 Os distúrbios de aprendizagem na área da leitura e da escrita podem ser atribuídos às mais variadas causas. 1-Orgânicas 1.2- Distúrbios essencialmente neurológicos de aprendizagem 37 37 37 2-Psicológicas 43 3- Pedagógicas 44 3.1- Escola 44 3.2- Falta de maturidade para o processo de alfabetização 45 4-Sócio-culturais 46 4.1- Desnutrição 46 4.2- A escola 46 5-Correção dos distúrbios da linguagem 5.1- o papel do professor 48 48 6-A educação e reeducação psicomotora 49 CONCLUSÃO 53 BIBLIOGRAFIA 57 INDICE 59