República de Angola Ministério da Energia e Águas PLANO DE ACÇÃO DO SECTOR DE ENERGIA E ÁGUAS 2013-2017 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 RESUMO EXECUTIVO O Sector de Energia e Águas joga um papel preponderante na prossecução dos objectivos globais definidos na Estratégia Angola 2025, na medida em que contém dois subsectores de infra-estrutura básica, cuja dimensão e desempenho condicionamo desenvolvimento harmonioso do País. Alinhado com essa estratégia, foi elaborado um Plano de Desenvolvimento do Subsector Eléctrico de Angola, por sua vez alicerçado na Estratégia de Segurança Energética, que estabelece as acções e projectos cuja execução concorre para a universalização do acesso a energia eléctrica, ao uso eficiente da energia eléctrica, a sustentabilidade da actividade económica do sector, dentre outros objectivos. Por sua vez, o Subsector de águas possui, em fase de aprovação (já referência para o presente Plano de Acção), um conjunto de investimentos e acções direccionadas para os diferentes usos da água, visando satisfazer as metas traçadas na estratégia acima referida e o Programa do Governo que emana do Programa do MPLA. É tendo em conta essa estratégia e programa, traduzidos em objectivos de governação para a apresente Legislatura, que foi elaborado o presente Plano de Acção, que não sua essência contem e descreve o seguinte: a) É feita uma caracterização dos dois subsectores, compreendendo as infraestruturas e componente institucional, da qual resultam traços comuns, como por ex. o Subdimensionamento e ineficiência operacional dos sistemas, o desequilíbrio económico-financeiro das empresas públicas e a insuficiência de valências; b) Apontando para o desenvolvimento dos dois subsectores, foram identificados os projectos prioritários e estruturantes, tendo sido sendo feita a respectiva avaliação orçamental e programação. c) É, com base nos pressupostos referidos anteriormente, feita uma avaliação da carteira de investimentos a desenvolver no quinquénio, que totaliza um valor de USD 29,17 mil milhões sendo que: - USD 14,57 mil milhões são destinados aos projectos Estruturantes do Subsector Eléctrico; - USD 3,92 mil milhões são destinados aos projectos Estruturantes do Subsector Águas; -USD 5,02 mil milhões destinados aos projectos prioritários e outros em curso, do Subsector Eléctrico; - USD 3,33 mil milhões destinados aos projectos de electrificação RURAL (Sedes Municipais e Comunais - Anexo7); Versão revista – Abril 2013 2/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 - USD 2,03 mil milhões destinados aos projectos prioritários e outros em curso, do Subsector Águas; d) A utilização dos recursos renováveis e particularmente os pequenos aproveitamentos hidroeléctricos, os sistemas fotovoltaicos e eólicos, a biomassa florestal e residual são recursos energéticos a ter em conta naelectrificação rural do País, é dada particular importância às parcerias publico-privadas, em projectos em pequena escala global mas de grande impacto local. e) As parcerias público-privadas aportam capital privado que deve complementar o investimento público, sendo necessário actualizar os marcos legais e regulatórios que promovam esse acesso, bem como fortalecido o papel da Entidade Reguladora do Sector Eléctrico (IRSE). f) As empresas públicas dos dois Subsectores necessitam de uma profunda reestruturação, a fim de verem viabilizadas a sua actividade e ver reduzida a dependência do OGE no que toca à subsidiação. g) A estratégia apontada será a de efectuar profundas alterações no figurino institucional do Subsector Eléctrico, assegurando ganhos de escala com as valências existentes e reduzindo as margens de ineficiência comercial, que permitirão, no final do próximo ano, estabelecer os novos entes empresariais e dar inicio a um programa de actualização progressiva das tarifas e redução dos subsídios. h) A EPAL, cujo diagnóstico é semelhante às restantes, está fora do escopo de intervenção do Plano de Segurança Energética, em curso, pelo que urge se inicie igualmente um programa de reestruturação dessa empresa, com base na proposta apresentada pelo Ministério da Economia. i) O sucesso do programa de reforma do Sector e em particular a preservação e valorização dos activos que o Estado tem estado a financiar, dependem também da capacitação dos recursos humanos existentes, pelo que os dois Subsectores, com a assistência técnica de entidade competente, deverão proceder à uma ampla inventariação dos recursos existentes, projectando o seu fortalecimento com base no desenvolvimento das infra-estruturas de águas e electricidade. j) O investimento na capacidade térmica é essencial como medida intercalar, tendo como handicap a garantia de contínua operação do equipamento instalado, uma vez que os custos operacionais são elevados e a ENE não dispõe da capacidade necessária para o efeito. Assim, será de se garantir, com recursos públicos a alocar à ENE, o funcionamento ininterrupto dessa instalações, com base na celebração de contractos de operação e manutenção, incluindo as revisões-capital. Para o efeito, é feita uma avaliação das necessidades presentes e futuras, com base na projecção do crescimento do parque térmico nacional (570 MW de aumento, entre 2013 e 2014). Versão revista – Abril 2013 3/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 k) Com base na projecção da execução dos projectos estruturantes do Subsector Eléctrico, é apontado um balanço de crescimento da geração de energia em 6.446 MW. Com o objectivo de maximizar a capacidade a transportar do Soyo para Luanda e garantir reserva girante, é projectada a construção da 2ªcentral do Soyo, com 500 MW de capacidade, com entrada em operação no decurso de 2015 (embora pendente da disponibilidade de gás nesse ano). Como nota final, será de destacar que o factor crítico de sucesso do presente Plano de Acção, reside não só na angariação de recursos, como na sua disponibilização atempada, pois a aplicação dos procedimentos correntes de gestão do PIP revela-se pouco eficiente na garantia do tratamento célere dos projectos inscritos. Versão revista – Abril 2013 4/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 ÍNDICE RESUMO EXECUTIVO ............................................................................................. 2 ÍNDICE ........................................................................................................................ 5 1. SITUAÇÃO ACTUAL E PERSPECTIVAS ........................................................ 6 2. SECTOR ELÉCTRICO ........................................................................................ 8 2.1. CARACTERIZAÇÃO ACTUAL ..................................................................... 8 2.1.1. Sistema Norte ................................................................................................ 8 2.1.1.1. Sistema Centro ........................................................................................... 9 2.1.1.2. Sistema Sul ................................................................................................ 9 2.1.1.3. Cabinda .................................................................................................... 10 2.1.1.4. Leste (Lundas e Moxico) ......................................................................... 10 2.2. DESENVOLVIMENTO DO SECTOR ELÉCTRICO ................................... 11 2.2.1. Projectos Prioritários ................................................................................... 11 2.2.2. Projectos Estruturantes ................................................................................ 14 2.2.3. Electrificação Rural e Mini-Hídricas .......................................................... 16 2.2.4. Novas Energias Renováveis ........................................................................ 17 2.2.5. Outros Projectos em Parceria Público-Privada a Desenvolver no Quinquénio ................................................................................................................. 17 2.3. 3. OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO .................................................................. 19 SECTOR DAS ÁGUAS ..................................................................................... 21 3.1. CARACTERIZAÇÃO ACTUAL ................................................................... 21 3.1.1. Subsector do Abastecimento de Água ......................................................... 21 3.1.2. Subsector da Gestão dos Recursos Hídricos ............................................... 23 3.2. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURAS DO SECTOR DE ÁGUAS ...................................................................................................................... 24 3.2.1. Infra-estruturas para o Abastecimento de Água .......................................... 24 3.2.2. Infra-estruturas para a Gestão dos Recursos Hídricos ................................ 29 4. PROGRAMA DE INVESTIMENTO PÚBLICO .............................................. 31 5. DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL E RECURSOS HUMANOS ....... 33 5.1. SECTOR ELÉCTRICO .................................................................................. 33 5.2. SECTOR DAS ÁGUAS ................................................................................. 38 5.3. MEDIDAS A ADOPTAR PARA O RESTO DO PAÍS ................................. 40 5.4. RECURSOS HUMANOS............................................................................... 41 6. PROMOÇÃO DA PARTICIPAÇÂO DO SECTOR PRIVADO ....................... 41 6.1. ELECTRICIDADE ......................................................................................... 41 6.2. ÁGUAS ........................................................................................................... 43 ANEXOS ................................................................................................................... 45 Versão revista – Abril 2013 5/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 1. SITUAÇÃO ACTUAL E PERSPECTIVAS Os elementos caracterizadores da situação actual do Sector daEnergia e Águas, são os seguintes: Subdimensionamento dos sistemas, traduzido numa reduzida capacidade de produção e transporte de energia eléctrica, bem como de abastecimento de água; e reduzidas taxas de acesso à energia eléctrica, que no caso da electricidade é de 30% enquanto, para a água potável, é de 50%. A ineficiência operacional dos sistemas, ou das infra-estruturas existentes, sendo que no caso do sector eléctrico essa inoperacionalidade é de 40%, bem como uma reduzida qualidade de serviço, com cortes frequentes e prolongados no fornecimento de energia e no abastecimento de água a resultar numa percepção negativa da população; O desequilíbrio económico-financeiro das empresas públicas, consubstanciado em elevados custos de produção e subsidiação da tarifa, bem como o elevado défice orçamental das empresas públicas; A insuficiência de valências, com carências importantes das empresas em capacidades-chave (técnicas de gestão) e o desafio que representa no processo de reestruturação e modernização das empresas dos dois sectores referidos. No sentido de responder de forma efectiva aos desafios importantes que o sector enfrenta, o Governo dispõe dedois importantes instrumentos de planeamento estratégico e de política, que são: a) O Plano de Segurança Energética, que contém quatro princípios de orientação estratégica: Estabelecer a energia como alavanca para o desenvolvimento económico, garantindo uma oferta de qualidade e com custos controlados como fonte de competitividade do tecido empresarial; Promover o abastecimento universal de energia, desenvolvendo as infra-estruturas necessárias e fornecendo energia a preços acessíveis para a generalidade da população; Incentivar a eficiência do funcionamento do sector energético, regulamentando para promover a qualidade do serviço e garantindo o equilíbrio financeiro dos agentes no sistema; Versão revista – Abril 2013 6/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 b) Promover o desenvolvimento equilibrado da sociedade e economia angolanas, desenvolvendo opções que visem diminuir as assimetrias sociais e geográficas e constituindo um mix energético diversificado que privilegie as energias endógenas, a segurança energética e a sustentabilidade ambiental. O Plano Nacional Estratégico para a Água (“PNEA”),primeiro produto no quadro da elaboração do Plano Nacional da Água (“PNA”) que, para além de incluir a caracterização biofísica, económica e social, ambiental, legal e institucional do sector da água em Angola, está especialmente focalizado para: Identificação e quantificação das utilizações da Água (Abastecimento urbano e rural, industrial, irrigação, energia hidroeléctrica, usos ambientais e outros); Caracterização dos recursos hídricos (superficiais e subterrâneos), em quantidade e qualidade a nível nacional e por região/bacia hidrográfica e implementação de uma rede Hidrométrica nacional; Realização do balanço hídrico das disponibilidades e utilizações da água; Identificação e caracterização, espacial e temporalmente, dos principais problemas, como são as cheias, secas, erosão, etc., bem como dos conflitos actuais e potenciais de utilização da água. Assentes nas linhas de orientação estratégica e de política referidas atrás, foram estabelecidos, para o quinquénio 2013-2017, objectivos específicos, constantes do Programa do Governo e que sintetizamos: a) Para o Subsector Eléctrico: Operacionalização, até ao final do ano de 2014, de uma capacidade de geração de até 1.500 MW, de um total de até 5.000 MW, a instalar até ao ano de 2016; Estabelecimento de sistemas públicos de abastecimento em 82 sedes municipais (de um total de 166) e de 271 sedes comunais (de um total de 531), até ao final de 2014; Reabilitação e modernização de todas as redes de distribuição das cidades capitais de província; Interligação dos sistemas Norte e Centro e operacionalização do Sistema Leste (Lundas). Versão revista – Abril 2013 7/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Para o Subsector de Águas: A ampliação dos níveis de cobertura ou acesso, para até 100% nas zonas urbanas e 80% nas áreas rurais; Monitorização da qualidade da água, assegurando a sua adequação para o consumo humano; Garantir a construção de pequenos sistemas de abastecimento de água e saneamento comunitário nas áreas suburbanas e rurais; Assegurar a gestão integrada de recursos hídricos, visando a protecção dos ecossistemas e da biodiversidade; A prossecução de tais objectivos está intrinsecamente dependente da execução de planos de acção para os dois subsectores, que integram os programas de investimento a realizar, medidas de política e acções de reforma e transformação e que se apresentam de seguida. 2. SECTOR ELÉCTRICO 2.1. CARACTERIZAÇÃO ACTUAL O sector eléctrico angolano está constituído por 5 sistemas principais independentes, alicerçados em aproveitamentos hidroeléctricos, nomeadamente, os Sistemas Norte, Centro e Sul e os Sistemas Isolados. A repartição geográfica das Províncias por Sistema, tal como as principais características e dimensão de cada um é a que se apresenta no anexo nº 1. Faremos, abaixo, uma breve caracterização de cada um dos sistemas, ressaltando as obras e projectos em curso. 2.1.1. Sistema Norte O A. H. de Cambambe está em fase de reabilitação (até Dezembro de 2012), Alteamento do corpo da barragem(a concluir em 2014) e está no mesmo local, em construção, a 2ª central, que aportará uma capacidade de 700 MW (até 2015), com o que é expectável que a totalidade do aproveitamento hidroeléctrico possua instalada, até ao final de 2015, uma capacidade de 960 MW. Está em curso de execução a obra do desvio do rio para construção do empreendimento hidroeléctrico de Laúca. Após conclusão da obra principal, em fase de negociação, possuirá uma capacidade de 2060 MW. Está em curso igualmente a construção da interligação entre o sistema Norte e Centro, através da interligação Gabela (Kuanza sul) – Kileva(Benguela), que deverá ser concluída em finais de 2013. Versão revista – Abril 2013 8/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Os principais constrangimentos do sistema em causa, residem na condição de exploração do sistema de transporte, vulnerável a curtocircuitos devidos as más condições das linhas nas zonas de acesso à Luanda, bem como à inoperacionalidade da capacidade térmica instalada no Cazenga(141 MW), por avaria prolongada dos equipamentos de produção. 2.1.1.1. Sistema Centro O Aproveitamento Hidroeléctrico de LOMAUMfoi reabilitado e possui uma capacidade de 50 MW instalada, não estando, no entanto, conectado a Benguela devido ao desfasamento temporal verificado na reabilitação do sistema de escoamento, que apenas ficará concluído em Dezembro de 2013. As centrais térmicas da KILEVA (60 MW) e do CAVACO( 20 MW), bem como a reabilitação da Central Térmica do BIÓPIO (18 MW), permitirão adicionar ao sistema produtor da região de Benguela um adicional de 78 MW, que ainda assim se revela insuficiente para cobrir as necessidade da região de Benguela, pela dinâmica do seu crescimento urbano e infraestrutural. O aproveitamento hidroeléctrico do BIÓPIO funciona abaixo da sua capacidade instalada (3 grupos de3,6 MW), devido ao estado de degradação da barragem, a necessitar de reabilitação urgente, bem como da falta de regulação da bacia do rio Catumbela, que requer a construção do A.H de CACOMBO. Foi concluída a construção da central do GOVE e a reabilitação da respectiva barragem, estando a ser atendidas, a partir daqui, as regiões do Huambo e Bié. O sistema em causa necessita de interligação entre o Huambo e Benguela, através da linha entre o LOMAUM e o DANGO (Huambo), bem como de interligar com o Sistema Sul, através da linha a construir entre o GOVE e a MATALA-LUBANGO-NAMIBE-TOMBWA, com o que se estabelecerá um aceitável inter-apoio entre as produções térmica, hídrica e eólica a instalar em cada uma das regiões citadas, optimizando assim a capacidade de todo o Sistema Centro. 2.1.1.2. Sistema Sul Este Sistema está sobretudo assente no AH MATALA, em fase de reabilitação (até 2015), estando associada igualmente alguma capacidade térmica concentrada no CHITOTO-NAMIBE. Actualmente está em execução o reforço da capacidade de produção, com a construção de 4 centrais térmicas, sendo duas no NAMIBE (20 MW) e duas no LUBANGO (80 MW). Versão revista – Abril 2013 9/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Constitui constrangimento o estado de operacionalidade da central da MATALA, cuja reabilitação não está incluída no escopo do projecto de reabilitação da barragem, tal como a subestação e a linha de transporte para o Lubango e Namibe, que necessitam de modernização. 2.1.1.3. Cabinda Foi recentemente concluída a construção da Central Térmica do MALEMBO (70 MW), complementada com a reabilitação e expansão das redes de alta e média tensão da Cidade de Cabinda e Lândana, com o que melhorou significativamente a qualidade e regularidade do abastecimento de energia a Cabinda. Com a aprovação do plano Director para Cabinda, estão projectadas acções até ao ano 2017, que culminarão com a electrificação total do território, numa percentagem de 100% para as zonas urbanizadas e 80% para as zonas rurais. 2.1.1.4. Leste (Lundas e Moxico) Não existe ainda um Sistema interligado e as capacidades de produção assentam no A.H. LUACHIMO, que atende o Dundo e arredores e o AH CHICAPA, que atende parcialmente Saurimo. Estas cidades, bem como o Luena, são também abastecidas por centrais térmicas. O aumento da produção, com reforço da capacidade térmica, a reabilitação do AH LUACHIMO e a construção do AH CHIUMBE-DALA, bem como a interligação entre as três Cidades Capitais, constituem as principais prioridades. Com a participação de capital privado, será vantajoso ampliar a produção do AH CHICAPA, por via da construção da 2ª Central. 2.1.1.5. Outros Sistemas Isolados (Cunene, Kuando-Kubango, Zaire) As províncias em causa são atendidas por centrais térmicas, estando a ser concluídas ampliações dessas capacidades em Ondjiva (10 MW) e Menongue (10 MW), que se revelam como as soluções mais viáveis de abastecimento, até agora. Os elevados potenciais hídrico e solar do Kuando-Kubango, em combinação com os sistemas térmicos existentes, deverão ser fontes energéticas para o abastecimento das diferentes sedes municipais, separadas entre elas por distâncias geográficas significativas e difíceis acessos. As acções em curso tendem para uma ampliação da capacidade de fornecimento em Ondjiva e zonas fronteiriças, por via da importação da Namíbia. Porém, a combinação das soluções solar e térmica deverão constituir também opções válidas para o Cunene. Versão revista – Abril 2013 10/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 2.2. DESENVOLVIMENTO DO SECTOR ELÉCTRICO Assentes na Estratégia de Desenvolvimento do Sector Eléctrico e nos objectivos gerais e específicos estabelecidos no Programa de Governação para o quinquénio, foi identificado um conjunto de projectos e acções que se descrevem a seguir. 2.2.1. Projectos Prioritários Consideram-se como prioritários todos os projectos e acções que, no curto prazo, possam concorrer para a elevação da capacidade e qualidade do fornecimento de energia eléctrica as populações, ou seja, é nesta categoria, valorizado o factor “Urgência”. 2.2.1.1. Projectos prioritários no Segmento Produção 2.2.1.1.1. Plano de Emergência e de Substituição da Capacidade Alugada A necessidade de substituição da capacidade térmica alugada há mais de uma década e a ampliação do volume de produção, levaram à aprovação do Programa de Emergência, em 2011 e que se apresta a ser concluído no final do presente ano, com a instalação de 493 MW nas províncias indicadas no Anexo 2. A paragem para revisão capital, de forma sequencial, dos grupos do AH CAPANDA e a redução drástica da produção desta central devido à severidade do período de estiagem, determinaram a aprovação, em Março de 2012, do plano de Contingência, que consiste no aluguer e aquisição de 120 MW de capacidade de geração térmica, por um período de um ano, para atendimento da Cidade de Luanda, nas zonas indicadas no Anexo 2. O Plano em causa conhece algum atraso na implementação, prevendo-se que apenas seja concluído em Dezembro do presente ano. Em resumo, é apresentado abaixo o balanço do reforço da capacidade térmica integrado nestes dois projectos, que se encontram em execução e deverão ser concluídos até ao final do mês de Dezembro de 2012: Nº CENTRAIS POTÊNCIA INSTALADA (MW) % TOTAL POT. INSTALADA Luanda Benguela Lunda Norte Huambo Huíla Cunene Namibe Cuando - Cubango Cabinda 7 2 1 1 2 1 2 1 2 360 (*) 48 30 15 80 10 20 10 40 59% 8% 5% 2% 13% 2% 3% 2% 6% TOTAL (MW) 19 613 100% PROVÍNCIAS (*) – Dos quais 80 MW alugados Versão revista – Abril 2013 11/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 2.2.1.1.2. Reabilitação da Central Térmica do CAZENGA, 141 MW Incluído no pacote de emergência, já referenciado no ponto anterior, está a ser executada a reabilitação de três dos cinco grupos geradores que compõem a Central Térmica do CAZENGA. Assim, prevê-se, até Fevereiro de 2013, recuperar três grupos geradores, com um total de 96 MW. A reabilitação das restantes duas unidades (30 MW), está pendente de uma avaliação da viabilidade económica de tal solução, podendo ocorrer que seja mais vantajoso adquirir duas novas unidades e desistir da reabilitação. De qualquer forma, face aos elevados níveis de crescimento da energia e da ponta na região de Luanda, prevê-se substituir essas duas máquinas por um conjunto de motores geradores com uma capacidade de até 150 MW, a operacionalizar no mais curto espaço de tempo (2014 - 2015). As máquinas a reabilitar (caso seja viável) deverão ser transferidas para a central da KILEVA, reforçando a capacidade instalada em Benguela. 2.2.1.1.3. Novas Capacidades de Produção Térmica a Operacionalizar em 2013 a 2015 Prevendo-se a necessidade de reduzir a diferença entre a demanda e a oferta, bem como compensar capacidades a indisponibilizar para manutenção, como não foi possível a inclusão no PIP 2013, a aquisição de novas Centrais Térmicas, é imperioso para 2014 e 2015 a aquisição de um conjunto de centrais, com uma capacidade global de 570 MW, a distribuir como se apresenta de seguida: LOCALIDADE Luanda Viana Cacuaco Catete Benguela Sumbe Dalatando Malange Uíge Saurimo Cabinda Mbanza Congo Namibe -Xitoto Lucapa TOTAL Versão revista – Abril 2013 POTÊNCIA A INSTALAR (MW) 300 20 40 40 30 10 10 20 10 20 35 15 10 10 570 EQUIPAMENTO Motores Geradores Motores Geradores Motores Geradores Motores Geradores Turbinas Motores Geradores Motores Geradores Motores Geradores Motores Geradores Motores Geradores Turbina Motores Geradores Motores Geradores Motores Geradores 12/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Com a execução dos projectos prioritários atrás referidos, pretende-se atingir o objectivo de operacionalizar, até ao final de 2014, uma capacidade de geração de 1.500 MW (Programa do Governo para a actual Legislatura): 2.2.1.2. Capacidade de Geração actual (em 2012) 1.196 MW Capacidade de Geração a introduzir (Projectos prioritários) 1.279 MW Total de Capacidade a atingir em 2014 2.475MW Programas e Projectos prioritários nos Segmentos Transporte e Distribuição 2.2.1.2.1. Ligação LOMAUM-BIÓPIO SUL: Projecto em fase de execução, com previsão de conclusão em Dezembro de 2013 e que interligará o AH LOMAUM com Benguela. 2.2.1.2.2. Sistema de transporte Associado ao GOVE: Projecto em fase de conclusão, com a ligação Huambo-Kuito. A operacionalização da linha em causa e abastecimento da Cidade do Kuito, está pendente da montagem de um sistema de compensação reactiva, pelo que foi elaborada adenda que aguarda aprovação, para execução. 2.2.1.2.3. Programa de Expansão das redes de distribuição de Luanda Contém um conjunto de projectos destinados a ampliar a infra-estrutura de distribuição para novas áreas residenciais, incluindo as novas Centralidades e bairros periféricos. Resumindo a informação contida no Ponto 4, são: A ampliação e modernização das subestações do CAZENGA, CAMAMA e VIANA, afectas ao sistema de transporte ( 220/60 kV); A construção das Subestações FILDA, BOAVISTA e MORRO BENTO e linhas de alta tensão, afectas ao sistema de transporte ( 220/60 kV); A construção das subestações do MUCEQUE KAPARI, CACUACO, ENCIB CAMAMA, ZANGO EDIFICIOS, CACUACO SEQUELE, ANGOLACUBA, GOLFE 28 AGOSTO, CAZENGA 6ª AVENIDA, LAR DO PATRIOTA, SAPU CHICALA, KINAXIXI VITÓRIA É CERTA, CTE GIKA, afectas ao sistema de distribuição (60/15 kV), A construção das redes de distribuição em média e baixa tensão (15/0,4 kV), incluindo cerca de 600.000 ligações domiciliárias nas áreas de implantação das subestações atrás referidas terão início na sequência da entrada em serviço das novas SE e terão início em 2013 e maioritariamente a partir de 2014. Versão revista – Abril 2013 13/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 No entanto, como os projectos para implementação das ligações domiciliares não foram contempladas no PIP 2013 é imperioso a sua inclusão no PIP 2014. 2.2.1.2.4. Programa de Reabilitação e Expansão das Redes de Distribuição de Outras Províncias Nos projectos prioritários vinculados ao Segmento Distribuição, para as restantes províncias, sobressaem a reabilitação e expansão das Redes de Distribuição de Cabinda, do Huambo, de Benguela, Kuíto, Malange, M´Banza Kongo, Lubango e Namibe (Anexo 3). 2.2.2. Projectos Estruturantes A lógica de agrupamento de projectos neste conjunto, é a de contribuir para a inserção, no Sistema Eléctrico, com significativas capacidades de geração e estruturas de transmissão e distribuição, capazes de responder aos desafios e procura de energia no médio prazo, aqui entendido como final da Legislatura actual. Entendemos, pois, que o critério aqui predominante é a “dimensão do projecto”. O Anexo 4faz referência aos principais projectos estruturantes e fixa a sua programação no quinquénio. Abaixo resumimos os principais. 2.2.2.1. Segmento Produção: CCC SOYO 1: Compreende a construção da central de ciclo combinado do SOYO, com uma capacidade a instalar de 750 MW (500 MW em ciclo aberto, no prazo de 18 meses e a restante com o ciclo combinado, em até 32 meses). O objectivo será o de reforçar a capacidade de atendimento a Luanda e M´Banza Kongo. CCC SOYO 2: Compreende a construção de uma 2ª central no SOYO, com uma capacidade de 500 MW, em ciclo aberto, para reforço da capacidade de atendimento a Luanda, a partir do ano 2015, dependendo da disponibilidade de gás. A.H. CAMBAMBE:Compreende a construção de uma nova central em CAMBAMBE, com o alteamento da barragem. Conclusão prevista para o final de 2015 e aporte de 780 MW de capacidade adicional, a juntar aos 180 MWresultantes da reabilitação e modernização da 1ª Central. A.H. LAÙCA:Consiste na construção do A.H. no sítio de LAÚCA, com uma capacidade final de 2.060 MW, a concluir no 3º trimestre de2017. Prosseguem as obras de desvio do rio, prevendo-se que até ao final do presente ano possa ser encerrada a negociação do contrato para a construção da obra principal e estruturado todo o financiamento para o projecto, numa base E.P.C. A.H. CACULO CABAÇA: Aproveitamento hidroeléctrico a construir no médio Kuanza, a jusante de LAÚCA e com uma capacidade instalada de Versão revista – Abril 2013 14/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 2.050 MW. Estando concluída a certificação do estudo de viabilidade, estão criadas as condições para que, possam ser iniciadas as negociações com os potenciais empreiteiros, visando celebrar, tão logo estejam assegurados os recursos financeiros, o contrato para a construção. A.H. JAMBA YA OMA:Aproveitamento hidroeléctrico a construir no rio Cunene, a 50 km a jusante do GOVE, com a dupla função de regulação de caudal e produção de energia eléctrica. Terá uma capacidade de produção de 78 MW e tem concluído o estudo de viabilidade e projecto básico, com o que poderá ser lançado concurso tão logo estejam assegurados os recursos financeiros. A.H. JAMBA YA MINA: Aproveitamento a localizar 110 km a jusante do GOVE, com a dupla função de re-regulação da bacia e produção de energia, com uma capacidade a instalar de 227 MW. O processo de preparação do lançamento da obra está no mesmo estágio que o caso anterior. A.H. LUACHIMO: Empreendimento localizado na Lunda-Norte e que deverá ser reabilitado e ter a sua capacidade ampliada para 36 MW. O projecto está em fase de licitação e as obras deverão estender-se até ao final de 2016. Eis o resumo da capacidade a instalar com base nos centros de produção atrás referidos, ao longo do quinquénio: PROJECTOS 2013 CCC SOYO 1 CAMBAMBE II CCC SOYO 2 LAUCA C. CABAÇA* QUEVE JAMBA YA OMA* JAMBA YA MINA* LUACHIMO TOTAL MW 2014 2015 500 250 380 2016 400 500 360 2017 TOTAL 1.700 330 36 0 500 630 1.296 2.030 750 780 500 2.060 0 330 0 0 36 4.456 * Projectos adiados 2.2.2.2. Segmento Transporte: Sistema Associado a CCC SOYO 1: Sistema de Alta Tensão (400/220 kV) em fase de lançamento, constituído por duas linhas de ligação a Luanda, a partir do Soyo, ligação N’Zeto - M’Banza Kongo e a ampliação do sistema de alta tensão entre o Cacuaco e Catete. O projecto tem igualmente um prazo de execução de 18 meses. Sistema Associado a CAMBAMBE: Sistema de Alta Tensão (400/220 kV) em fase de concurso, devendo a sua execução ter início durante o ano 2013. A sua execução permitirá assegurar o escoamento da produção do AH CAMBAMBE, em direcção a Luanda (Catete) e Kuanza-Sul (Gabela). Versão revista – Abril 2013 15/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Sistemas Associados aos AH´s de LAUCA e CACULO CABAÇA: Projectos a serem elaborados durante o ano 2013, para que a sua execução tenha lugar a partir de 2014. Interligação Centro-Sul: Projecto em fase de elaboração, pretendendo-se que tenha execução ainda durante o ano2013, com a construção da nova linha de 220 kV entre o Lubango e o Namibe. As restantes obras - as linhas Lomaum-GoveMatala-Lubango e Namibe-Tombwa - deverão ser objecto de estudos e elaboração de projectos, perspectivando-se a sua execução a partir de 2014. Sistema regional Leste:Compreende o conjunto de linhas e subestações que interligarão as Lundas ao Moxico. A sua execução decorrerá de forma faseada, sincronizada com os novos aproveitamentos hidroeléctricos e durante o ano 2013 deverão ser assegurados os estudos respectivos e cadernos de encargos para lançamento dos concursos. 2.2.2.3. Segmento Distribuição Reabilitação e Expansão das redes de Distribuição das Cidades Capitais de Província: Durante o ano 2013, deverão ser elaborados e actualizados os planos directores de Luanda e das 16 cidades Capitais de província, sendo que para o caso de Cabinda está já em curso de implementação o Plano Director respectivo. Tudo isso, com o objectivo de se concluir, até 2017, a reabilitação e redimensionamento de todas as redes de distribuição dessas cidades. 2.2.3. Electrificação Rural e Mini-Hídricas No domínio da electrificação rural, integram-se os projectos que visam estabelecer pequenos sistemas de distribuição de energia eléctrica, que podem incluir pequenos sistemas de produção e que atendem sedes municipais e comunais, que ainda não dispõem de serviço público. Está planeada a construção ou reabilitação de um conjunto de minihídricas que suportará a electrificação de sedes municipais e localidades próximas. Electrificação dos municípios do Ebo, WakoKungo e Kibala: Com a construção do sistema de alta tensão (220 kV) entre a Gabela-Wako Kungo e Gabela-Sumbe, bem como alimentação da fábrica de algodão do Conji, serão estabelecidos sistemas públicos nestes 3 municípios. O projecto em causa está aprovado e a sua entrada em execução, que tem um prazo de 36 meses, aguarda a operacionalização do crédito (LuminarFinance). Electrificação das localidades do Buco-Zau, Belize, Lândana; Dinge e M´Buco: Projectos inseridos na Electrificação de Cabinda em fase de avaliação de Concurso. Versão revista – Abril 2013 16/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Electrificação de 82 sedes municipais e 124 sedes comunais:Programa a ser executado durante o quinquénio, devendo em 2013 ser dedicado esforço à elaboração dos respectivos projectos, com base nos pressupostos do Programa Nacional de Electrificação Rural (PNER). Construção da Mini-Hídrica de Chiumbe-Dala (12 MW) e electrificação dos municípios do Dala e Luena: projecto cuja execução deverá ter início durante o ano 2013, com um prazo de execução de 2 anos. Reabilitação da Mini-Hídrica do Cunje (4 MW) e electrificação dos municípios de Camacupa e Catabola: projecto cuja execução deverá ter início durante o ano 2013, com um prazo de execução de 2 anos. Construção da mini-Hídrica do Cutato (4 MW) e electrificação do Município do Andulo: Projecto básico elaborado com o concurso da assistência técnica do JICA (Japão), entidade que apresenta disponibilidade de financiar construção. Por dificuldades orçamentais a construção foi adiada, prevendo-se o início para além do horizonte de 2014. Até 2014, deverá igualmente ser concluído o projecto de reabilitação da mini-hídrica do Luquixe (Uige) e, a partir de 2014, o projecto de reabilitação do Biopio (Benguela), complementados com o reforço da electrificação das sedes municipais já atendidas por esses empreendimentos. De igual modo, se apresenta no Anexo 6 um texto com as especificidades do Plano de Desenvolvimento dos Pequenos Aproveitamentos Hidroeléctricos, das suas metas e acções previstas para o período. 2.2.4. Novas Energias Renováveis Em complemento à electrificação rural têm sido desenvolvidas iniciativas no âmbito da energia fotovoltaica em que se enquadra o “Programa Aldeia Solar” que visa a implementação de sistemas em aldeias isoladas, para electrificação de infra-estruturas sociais, nomeadamente: Escolas; Postos médicos; Postos policiais; Edifícios administrativos; e, Jangos sociais. Está igualmente prevista a instalação de postes de iluminação pública solar.Foi concluída a 1ª Fase e está em curso a 2ª. 2.2.5. Outros Projectos em Parceria Público-Privada a Desenvolver no Quinquénio Com base na legislação vigente, estão em curso iniciativas de parcerias publico-privadas, no domínio da Produção de energia eléctrica, sendo de destacar os seguintes: Construção do parque Eólico do Tômbwa: Trata-se da construção de uma capacidade de produção eólica de 100 MW, a implantar na costa sul de Angola e Versão revista – Abril 2013 17/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 que atenderá todo o Sistema Sul (Lubango) e Centro (Huambo e Benguela), quando a respectiva interligação estiver assegurada. O modelo de financiamento proposto é o B.O.T (Built-Operation-Transfer), tendo sido submetida ao Titular do Executivo a proposta com solicitação de aprovação de garantia soberana para o crédito, uma vez que o Off-Taker (ENE) não dispõe de liquidez para o efeito. A execução do projecto em referência deverá ser articulada com a construção da interligação Centro-Sul e com o reforço da capacidade térmica no Namibe (Chitoto). Construção do A H Cacombo: Está em curso a negociação de um contrato para a concessão do aproveitamento em causa, cuja importância é relevante na regularização do Rio Catumbela. Uma vez que se trata de uma instalação com duplo aproveitamento (armazenamento e produção de energia) e no interesse de garantir um preço de energia produzida a níveis aceitáveis, deverá ser estruturado um financiamento conjunto para a construção do mesmo, cujas condições serão fixadas durante o ano 2013. Construção de 7 Mini-Hidricas: decorre o concurso para a selecção dos construtores e financiadores de sete empreendimentos, devendo no inicio de 2013 serem anunciados os adjudicatários. Uma vez que o factor crítico de sucesso neste programa é a concessão de garantias e estando a Lei das Parcerias Público-privadas ainda por regulamentar, será de encarar soluções particulares que viabilizem, caso a caso, a construção destes empreendimentos hidroeléctricos, de relevante importância para o Programa Nacional de Electrificação Rural. Estudos dos Aproveitamentos Hidroeléctricos do Keve: Foi celebrado um protocolo de entendimento com uma entidade privada, visando desenvolver projectos de produção hidroeléctrica no Rio Keve e financiar a sua construção, incorporando capitais privados e públicos. Após o estudo em referência, serão estabelecidas as condições de financiamento da sua construção, previsivelmente a partir de 2015. Programa de Geração Hidrotérmica: Foi igualmente celebrado, com uma entidade privada, um memorando de entendimento, visando desenvolver um projecto para a implantação de cinco centrais de biomassa e seis mini-hídricas no eixo Benguela-Huambo, com o objectivo de assegurar uma capacidade de produção permanente de 500 MW, a injectar no Sistema Eléctrico. O referido projecto será executado com recurso a capitais privados e estão em avaliação as condições apresentadas pelo investidor. Projecto de indústria electrointensiva (alumínio): Foi celebrado um protocolo de entendimento, com o objectivo de desenvolver e assegurar capacidade de produção hídrica (1200 MW) e um sistema de alimentação para atender as necessidades de uma indústria de fundição de alumínio, na costa sul de Angola. A referida indústria será um investimento privado e o promotor fornecerá igualmente as necessárias garantias para que seja assegurada a viabilidade económica de construção do empreendimento hidroeléctrico para o efeito, na bacia do KEVE. Versão revista – Abril 2013 18/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Construção da 2ª Central de Hidrochicapa: Dado o interesse do Governo Angolano em aumentar os níveis de abastecimento de energia eléctrica à Saurimo e Leste do País, bem como o manifesto interesse do Projecto CATOCA em ver assegurada maior quantidade de energia para atender a sua expansão mineira,deverá ser desenvolvido, durante o quinquénio, um projecto de construção da 2ª central em Hidrochicapa, com uma capacidade adicional de 18 MW. 2.3. OPERAÇÃO E MANUTENÇÃO Com o aumento do parque de produção de energia eléctrica, em particular da termoeléctrica, os recursos financeiros a afectar à operação e manutenção são cada vez mais significativos e importa que, antecipadamente, se preveja a origem de fundos para os suportar. Não sendo estes custos enquadráveis no Programa de Investimento Público, os mesmos terão de ser suportados pela empresa que tem a concessão da Produção, através do seu orçamento de exploração, actualmente já exíguo para fazer face ao conjunto das despesas correntes que, por regra, são superiores ao volume das suas receitas. Deste modo, corre-se o risco de comprometer o bom funcionamento e, no limite, a paragem de unidades de geração de energia, por falta de recursos para o aprovisionamento atempado de consumíveis e peças de reserva, a contratação de prestação de serviços e a realização das manutenções programadas (capitais e intercalares), já não contando com os custos de combustíveis. Assim, considera-se a importância do estabelecimento de uma política de Operação e Manutenção das centrais de produção de energia, em particular das termoeléctricas, de que um dos pilares é a planificação e orçamentação dos custos e verbas a afectar para: Os custos fixos de O&M (contratos O&M, pessoal próprio); Os custos variáveis de O&M com consumíveis, peças de reserva e manutenções correctivas; Os custos variáveis de O&M com manutenções programadas intercalares e capitais. Será de ponderar considerar as manutenções capitais como investimento e, como tal, os seus custos serem cobertos pelo PIP. Os custos variáveis de O&M com combustíveis e lubrificantes. No Quadro seguinte apresenta-se uma estimativa dos custos fixos e variáveis de O&M, estimados para o conjunto das centrais em serviço no quinquénio, em que se assume que: As máquinas funcionam à sua capacidade nominal 6000 horas por ano; Versão revista – Abril 2013 19/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Os custos fixos mensais de O&M (contratos de prestação de serviço) são de 3.500 USD/MW/mês; Os custos variáveis de O&M com manutenções programadas são de 0,0030 USD/kWh; O custo do kWh é de 0,11 USD – combustível e lubrificantes (consumo de combustível - 300g/kwh, preço do combustível - 0,3 USD/litro, custo dos lubrificantes - 2% do custo de combustível). Centrais Diesel (MW) 2013 2014 20015 2016 2017 902 902 1187 1187 1187 250 500 625 750 538 538 538 538 CCC Soyo (MW) Centrais Turbinas a Gás (MW) 538 Total (MW) 2225 2350 2475 Custos Fixos O&M / ano (USD) (1) 60.480.000,00 74.529.000,00 100.926.000,00 108.570.000,00 124.740.000,00 Custos Variáveis O&M Manutenções Programadas (USD) (2) 25.920.000,00 30.420.000,00 40.050.000,00 42.300.000,00 44.550.000,00 (1)+(2) 86.400.000,00 104.949.000,00 140.976.000,00 150.870.000,00 169.290.000,00 950.400.000,00 1.115.400.000,00 1.468.500.000,00 1.551.000.000,00 1.633.500.000,00 Total (USD) 1440 Custos Váriáveis O&M Combustível e lubrificantes (USD) 1690 Assim, os custos aumentam a partir do ano 2014 com o início da entrada em serviço da CCC do Soyo, representado os custos fixos com contratos de O&M e com as manutenções programadas (revisões intercalares e capitais) cerca de 9% dos custos totais (incluindo consumo de combustíveis e lubrificantes). Versão revista – Abril 2013 20/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 3. SECTOR DASÁGUAS 3.1. CARACTERIZAÇÃO ACTUAL 3.1.1. Subsector do Abastecimento de Água Luanda A região de Luanda tem vindo a registar um crescimento demográfico significativo, facto que exerce uma enorme pressão sobre a infra-estrutura urbana de Luanda, incluindo o sistema de abastecimento de água. Nas condições actuais, o deficit de abastecimento de água estima-se em 60%. O sistema publico de abastecimento de água a Luanda, gerido pela EPAL, E.P., é composto por 3 Estações de Captação, 5 Estações de Tratamento de Água (ETA´s), 12 Centros de Distribuição (CD´s) e 3.180 Km de rede de abastecimento. Duas das captações acima referidas estão associadas às respectivas estações de tratamento de água (ETA´s), nomeadamente às do Candelabro e do Kifangondo. O estado das principais instalações é resumido de seguida: Estação de Captação e Bombagem do Cassaque: Tem uma capacidade de bombagem de 5.28.m3/seg. Porém, devido ao estado de operacionalidade das bombas, apenas 6 das 8 unidades instaladas funciona regularmente (3.96 m3/s), o que condiciona a capacidade de produção e adução de água de todo o sistema sudeste de Luanda. Estação de Tratamento de Água de Kifangondo: Tem uma capacidade de bombagem de 1.62m3/s (140.000 m3/dia). A sua capacidade está limitada devido a avaria das bombas de água tratada; Estação de Tratamento de Água de Candelabro: Tem uma capacidade de bombagem de 0.7 m3/s (60.000 m3/dia). Instalação recente em condições operacionais; ETA Luanda Sudeste: Tem uma capacidade de bombagem de 2.5 m3/s (216.000 m3/dia). Instalação em condições operacionais, embora limitada por influência do funcionamento da estação de bombagem de Cassaque e as inúmeras ligações não autorizadas no canal superior. Existe projecto para aumento da capacidade de tratamento de água; Versão revista – Abril 2013 21/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 ETA Luanda Sul: Tem uma capacidade de bombagem de 0.67 m3/s (57.600 m3/dia). Instalação reabilitada em condições operacionais, embora limitada por influência do funcionamento da estação de bombagem de Cassaque e as inúmeras ligações não autorizadas no canal superior; ETA Kikuxi: Tem uma capacidade de bombagem de 0.2 m3/s (17.200 m3/dia). Esta instalação carece de reabilitação profunda. O quadro a seguir ilustra a capacidade dos Centros de Distribuição (CD) de água existentes e as condições de operacionalidade: VOLUME (m³) CD Mulemba 20.000 Cazenga 10.000 Marçal 35.000 Maianga 25.000 Palanca( Golf) 35.000 Benfica I 3.000 Talatona Viana Cidade Alta Morar Nova Vida Mulenvos (*) 3.000 1.400 10.000 1.200 7.500 20.000 TOTAL Condição Operacional Limitada capacidade de armazenamento por problemas estruturais Limitada capacidade de armazenamento por problemas estruturais e grandes fissuras Limitada capacidade de armazenamento por problemas estruturais e grandes fissuras Limitada capacidade de armazenamento por problemas estruturais e grandes fissuras Limitada capacidade de armazenamento por problemas estruturais e grandes fissuras Operacional mas condicionada por ETA Sudeste Operacional Carece de reabilitação e ampliação Operacional Carece de ampliação. Projecto em curso Condicionada por ETA Sudeste Operacional 171.100 (*) Concluído e inaugurado em Junho de 2012 A seguir é apresentado um quadro com os Centros de Distribuição (CD)concluídos em 2012, incluindo o CD Mulenvos inaugurado em Junho: CD VOLUME (m³) Benfica II Camama PIV Mulenvos Cacuaco 20.000 30.000 30.000 20.000 10.000 Total Versão revista – Abril 2013 110.000 22/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Restantes Capitais de Províncias Os Sistemas instalados nas restantes Capitais de Província (17), estão, em grande parte dos casos, subdimensionados para atender as necessidades actuais, tal como sucede em Luanda e está em curso um programa que visa reabilitar, renovar ou ampliar essas capacidades (AnexoI). Resume-se o estado destes sistemas como se descreve: Sistemas reabilitados e em estado operacional: Caxito, Malange, N’Dalatando, Uíge, Dundo, Saurimo, Huambo, Kuito, Menongue e Benguela (inclui Lobito, Catumbela e Baía Farta) e Cabinda; Sistemas por reabilitar e com estado operacional limitado: M’Banza Congo, Sumbe, Luena, Namibe, Lubango. Sistemas por ampliar: N’Dalatando, Saurimo e Benguela (inclui Lobito, Catumbela e Baía Farta); Sistemas a renovar ou substituir por novas captações:Caxito, Malanje, Uíge, Dundo, Huambo, Kuito, Menongue, Cabinda, M’Banza Congo, Sumbe e Luena. Grande parte das sedes municipais têm os sistemas de tratamento e adução de água em estado de operacionalidade limitada, tendo o Governo decidido levar a cabo um inventário das infra-estruturas e elaborado planos directores para a implantação de novos sistemas em diversas sedes municipais, como se mostra em detalhe no Anexo II. Nas Sedes Comunais, têm sido instalados, no âmbito do Programa Água para Todos, pequenos sistemas de captação e bombagem de águas subterrâneas, com fontanários incorporados(Anexo III). O abastecimento de água potável e o saneamento das águas residuais, constituem serviços imprescindíveis ao bem-estar das populações e que se reflectem, profundamente, na saúde pública, devendo merecer, por isso, um elevado nível de prioridade no Programa do Executivo, para o período 2013-2017. 3.1.2. Subsector da Gestão dos Recursos Hídricos A República de Angola possui 47 bacias hidrográficas principais. Dentre estas bacias hidrográficas destacam-se as bacias dos seguintes rios: Cuanza, Cunene, Cubango, Catumbela, Bengo, Dande, Cuvelai e Zambeze. Em termos de factores hidro climáticos o país possui: Versão revista – Abril 2013 23/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Precipitação Média Anual: 1.060 milímetros Evaporação Potencial: 1.320 – 2.600 milímetros Volume de Água em Ano Médio: 1.320 Km³ (1.320.000.000.000 M³) Escoamento Superficial Anual (Volume Renovável): 140 Km³ (140.000.000.000 M³) 182 Km³ (182.000.000.000 M³) Volume Anual Renovável de Água Subterrânea: 72 Km³ (72.000.000.000 M³) 3.2. DESENVOLVIMENTO DE INFRA-ESTRUTURAS DO SECTOR DE ÁGUAS 3.2.1. Infra-estruturas para o Abastecimento de Água Luanda Para atender a demanda actual e futura, a Empresa Pública de Águas, tem, em diferentes estágios de desenvolvimento, projectos de reabilitação, ampliação e construção de sistemas de abastecimento de água, assim como infra-estruturas que visem a exploração dos referidos sistemas. Assim, foram definidas acções que visam: Estabilização e aumento dos níveis de água produzida; Aumento da taxa de cobertura de distribuição de água às populações; Melhoria e extensão da rede de distribuição; Sectorização da rede, instalação dos medidores de vazão e contadores industriais e domésticos; Aumento do número de agências comerciais; Instalação de controlo do volume de água produzida, distribuída e comercializada; Conclusão dos projectos de impacto imediato; Reabilitação dos sistemas II (Kifangondo) e da ETA Kikuxi; Construção de novas ETA´s (Bita e Quilonga); Restantes Províncias No período compreendido entre 2013 e 2017, a actividade fundamental no domínio do abastecimento de água, deverá desenvolver-se tendo como prioridade as seguintes acções ou medidas: Continuação dos trabalhos de Reforço dos Sistemas Urbanos de Abastecimento de Água, nomeadamente, em todas as capitais provinciais e sedes municipais, com ênfase especial na extensão das redes de distribuição de água, por forma a universalizar a cobertura das populações dos centros urbanos, em 100% ; Versão revista – Abril 2013 24/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Início da reabilitação e ampliação de Sistemas de Saneamento de Águas Residuais,nos principais centros urbanos; Intensificação da construção e reabilitação de sistemas de abastecimento de água nos meios rurais, incluindo a construção e reabilitação de captações de água subterrânea, de forma a atender adequadamente as populações destas áreas com um nível de cobertura de 80%. Elaboração, discussão pública e aprovação formal de normas e regulamentos referentes à qualidade da água para consumo humano, prevendo que o regulamento estabeleça a obrigatoriedade da adopção gradual de parâmetros de controle, concedendo assim cinco anos para que as Entidades Gestoras possam apetrechar progressivamente e adequadamente os respectivos laboratórios; Aprovação formal do Plano de Monitorização da Qualidade da Água, pela Tutela; Construção e apetrechamento de laboratórios para o controlo de qualidade da água, prevendo-se o início de actividade de cinco laboratórios até finais de 2012 e a construção de, no mínimo, dois (2) novos laboratórios provinciais por cada ano, de modo a que no final de 2017, dezasseis (16) Províncias estejam dotadas dos respectivos laboratórios provinciais para monitoria da qualidade da água para consumo humano; Incremento progressivo na Monitorização Sistemática da Qualidade da Água para Consumo Humano, pretendendo-se agilizar a implementação do Plano de Monitorização da Qualidade da Água com a contratação de assistência técnica específica, de modo a que o nível de controlo seja de 70% nas zonas urbanas e 45% nas zonas rurais, no final de 2017; Conclusão da elaboração da Base de Dados da Qualidade da Água, de forma a permitir a rápida e concisa recolha e tratamento de dados relativos à qualidade da água para consumo humano, tanto a nível provincial como a nível nacional. A concretização das acções ou medidas acima descritas, requererá investimentos destinados à implementação de Projectos Prioritários e de Projectos Estruturantes, designadamente: (a) Projectos Prioritários para a melhoria do abastecimento de água em Luanda; Os Projectos Prioritários e Estruturantes destinados à melhoria doAbastecimento de Água em Luanda visam a melhoria, a curto prazo, Versão revista – Abril 2013 25/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 do fornecimento de água à cidade de Luanda através do aumento da produção de água em mais de 150,000 m3 /dia e a consequente melhoria dos níveis de cobertura. São sos seguintes: - Reabilitação dos sistemas II (Kifangondo) e da ETA Kikuxi; - Plano de Estabilização do Abastecimento de Água à Luanda que tem como objectivo principal a melhoria, a curto prazo, do fornecimento de água à cidade de Luanda através do aumento da produção de água em mais de 150,000 m3 /dia e a consequente melhoria dos níveis de cobertura. O Plano teve o seu início em 2012 e compreende a estabilidade no fornecimento de energia eléctrica aos centros produtores, a aquisição dos grupos de bombagem e respectivos quadros de comando, o aumento da capacidade de produção da ETA S3, a reabilitação das ETA’s de Kifangondo e Kikuxi, a tubagem de interligação entre os CD’s Camama e Benfica II, a aquisição de 300.000 contadores para a rede existente, entre as prioridades. (b) Projectos Estruturantes para a ampliação do abastecimento de água em: Luanda; Os referidos projectos deverão permitir, a médio prazo aumentar a oferta em 12 m3/s, reforçando assim o à cidade de Luanda e viabilizar o abastecimento de água às novas centralidades, com realce para as urbanizações do Zango, Sequele e Km 44, bem como do Novo Aeroporto de Luanda (Bom Jesus). São os seguintes: - Construção do Sistema 4 (S4) - (BITA):Terá a sua captação no rio Kwanza, através de uma conduta DN 1600 mm e com 6,0 Km de extensão até à ETA-BITA. A produção diária inicial da ETA Bita será de 3,0 m3/s e incluirá todos os processos de tratamento convencional de água. A construção desta Estação de Tratamento de Água decorrerá em duas fases para atingir uma capacidade de 6 m3/s. A ETA-BITA, deverá alimentar de água a parte Sul de Luanda, através de 5 CD'S; CD CAMAMA, CD-BENFICAII, CD-CABOLOMBO, CDBENFICAI e o CD-ROCHA PINTO (Primeira fase até 2015), com duas condutas adutoras DN 1200 mm, com 18 km até ao CD-CAMAMA e outra de 21 km até a região da CAMAMA. - Construção do Sistema 5 (S5) – Quilonga Grande, terá a sua captação no rio Kwanza, com uma produção diária inicial da ETA, estimada de 3 m3/s e incluirá todos os processos de tratamento convencional de água. Esta Estação será ampliada numa 2ª fase para atingir a capacidade de 6 m3/s. Versão revista – Abril 2013 26/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 A ETA do Quilonga Grande deverá abastecer de água a parte leste de Luanda, através dos Centros de Distribuição: CD-Km 44, CDNOVA CIDADE 1 (Zango), CD-NOVA CIDADE 2 (Zango), CDPIV, CD Cacuaco 2 (Sequele), CD Viana (novo), CD Morar, CD Novo Aeroporto e CD Bom Jesus. As urbanizações, Nova Cidade do Zango1, Nova Cidade do Zango2, Nova Cidade de Cacuaco (Sequele), e Cidade do Km 44 serão alimentadas pelo sistema V, quando concluído. (c) Projectos Estruturantes param a melhoria do abastecimento de água noutras Províncias do Território Nacional: Os Projectos Estruturantes para a melhoria do abastecimento de água noutras Províncias do Território Nacional, visam sobretudo o aumento da oferta percapita de água para consumo humano, a ampliação das redes de distribuição de água com a associada densificação das ligações domiciliárias e dos pontos de abastecimento de água em meios peri-urbanos, de acordo com o preconizado nos respectivos Planos Directores de Abastecimento de Água e Saneamento e visam também dotar os grandes centros urbanos de Entidades Gestoras do Sistema de Abastecimento de Água com a adequada sustentabilidade económica e operacional. São eles: Reforço dos Sistemas de Abastecimento de Água de 17 Cidades Capitais de Província de acordo com a descrição do Anexo III. Reabilitação e Ampliação dos Sistemas de Saneamento de Águas Residuais de 17 Cidades Capitais de Província, de acordo com a descrição do Anexo III. - Construção de Novos Sistemas de Abastecimento de Água em 130 Sedes Municipais do Território Nacional: Prevê-se que em 2017 todas as Sedes Municipais do Território Nacional disponham de novos sistemas de abastecimento de água e saneamento. Para o efeito, deverá ser disponibilizado um montante equivalente a 1.412.545.000 USD, destinado na maioria dos casos à construção de raiz de novos sistemas de abastecimento de água, comportando os tradicionais segmentos dos sistemas, designadamente captação, tratamento e distribuição de água por via de ligações domiciliárias e chafarizes, em consonância com a calendarização física e financeira apresentada no Anexo IV. Estes projectos contribuirão decisivamente para o incremento dos níveis de cobertura dos sistemas de abastecimento de água a nível nacional. - Projecto para a Melhoria do Abastecimento de Água nos Meios Rurais – Programa Água para Todos: Para que se atinja a meta preconizada, designadamente um grau de cobertura da ordem dos 80%, deverão ser construídos no mínimo quatrocentos (400) Pontos de Água e duzentos e cinquenta (250) Pequenos Sistemas de Água. Para o efeito, deverá ser disponibilizado um montante equivalente a 560.000.000 USD. Versão revista – Abril 2013 27/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 - Plano de Monitorização de Qualidade da Água para Consumo Humano: Entre 2013 e 2017, deverá ocorrer um incremento progressivo e significativo da Monitorização Sistemática da Qualidade da Água para Consumo Humano, pretendendo-se agilizar a implementação do Plano de Monitorização da Qualidade da Água com a contratação de assistência técnica específica, de modo a que o nível de controlo seja de 70% nas zonas urbanas e 45% nas zonas rurais, no final de 2017. Para o efeito, deverá ocorrer a construção e apetrechamento de laboratórios para o controlo de qualidade da água, prevendo-se o início de actividade de cinco laboratórios até finais de 2012 e a construção de, no mínimo, dois (2) novos laboratórios provinciais por cada ano, de modo a que no final de 2017, dezasseis (16) Províncias estejam dotadas dos respectivos laboratórios provinciais para monitoria da qualidade da água para consumo humano. Assim, estima-se a necessidade de mobilizar um montante equivalente a 28.094.040 USD, com desembolsos calendarizados e com finalidade especificada no Anexo V. No período compreendido entre 2013 e 2017, para a globalidade dos meios urbanos do Território Nacional com excepção de Luanda, e dos meios rurais ao nível de todo o Território Nacional, os investimentos no domínio do abastecimento de água e saneamento de águas residuais, associa-se um montante global equivalente a 4.700.639.640 USD, cuja distribuição pelos diferentes domínios de intervenção e a respectiva calendarização de desembolsos se apresentam no quadro que se segue. Distribuição do Investimento pelos Diferentes Domínios de Intervenção – Abastecimento de Água e Saneamento para a globalidade dos meios urbanos do Território Nacional, e dos meios rurais ao nível de todo o Território Nacional Versão revista – Abril 2013 28/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Domínios de Intervenção Montante (USD) % Projectos Estruturantes para Luanda 1.211.079.000 20,36 % 1.660.000.000 27,90% 1.050.000.000 17,65% 1.412.545.000 23,74 % Projectos para o Reforço dos Sistemas de Abastecimento de Água das Cidades Capitais de Província Projectos para a Reabilitação e Ampliação dos Sistemas de Saneamento de Águas Residuais das Cidades Capitais de Província Projectos para a Construção de Novos Sistemas de Abastecimento de Água das Diferentes Sedes Municipais do Território Nacional Projecto para a Melhoria do Abastecimento de Água nos Meios Rurais – Programa Água para Todos 562.000.000 9,45% Plano de Monitorização de Qualidade da Água para Consumo Humano 28.094.640 0,47% Planos gerais de Bacias – Recursos Hídricos 25.305.360 0,43 % TOTAL 3.2.2. 5.949.024.000 100,00% Infra-estruturas para a Gestão dos Recursos Hídricos Acções em Curso: No quadro da elaboração do Plano Nacional da Água (PNA), encontra-se em fase de aprovação o Plano Nacional de Emergência para Água (“PNEA”). Estão em fase de arranque a elaboração do Plano Geral para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Zambeze, assim como a Primeira Fase de Reabilitação da Rede Hidrométrica Nacional. A Reabilitação Parcial da Rede Hidrométrica Nacional irá beneficiar trinta e oito (38) estações hidrométricas. Ainda em curso encontra-se a elaboração do Plano Geral para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Cubango. Encontra-se também em curso a reabilitação da Barragem do Calueque, localizada na Bacia Hidrográfica do Rio Cunene. Acções em Carteira Apesar já ter sido apurado o vencedor do Concurso Público realizado, encontra-se ainda em carteira a elaboração do Plano Geral para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos da Bacia Hidrográfica do Rio Cuvelai. Versão revista – Abril 2013 29/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 No quadro da implementação do Projecto de Desenvolvimento Institucional do Sector das Águas (PDISA), projecto co-financiado pelo Governo de Angola e pelo Banco Mundial, está prevista a reabilitação de cento e oitenta e nove (189) estações hidrométricas até ao ano de 2015. O Programa de Investimentos do Sector das Águas 2011 – 2016 previa a elaboração de vinte e dois (22) Planos Gerais para a Gestão Integrada dos Recursos Hídricos de Bacias Hidrográficas até ao horizonte temporal de 2016. Três destes Planos Gerais encontram-se acima mencionados. Constrangimentos Os grandes constrangimentos do subsector prendem-se fundamentalmente com a falta de quadros para a consecução atempada das actividades. Neste sentido é urgente que dê uma certa atenção à componente «Formação de Quadros» Outro grande constrangimento tem a ver com falta de recursos financeiros para a manutenção periódica das estações hidrométricas. Versão revista – Abril 2013 30/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 4. PROGRAMA DE INVESTIMENTO PÚBLICO De modo a atingir os objectivos gizados no Programa do Governo para o próximo quinquénio, o Sector elaborou o seu programa de investimentos públicos no qual estão inseridos os projectos de grande dimensão – estruturantes, que irão impulsionar outros projectos afins, bem como os projectos prioritários nas diversas vertentes dos dois subsectores de energia e águas. O quadro abaixo reflecte as necessidades de recursos financeiros para cumprimento do programa do Sector de Energia e Águas, e para dar resposta efectiva aos importantes desafios que o Sector enfrenta definidos do Plano de Segurança Energética (PSE) e no Plano Nacional Emergências de Águas (PNEA). O valor global estimado para o período 2013-2017, é de cerca USD 29,16 mil milhões, sendo USD 23,21 mil milhões para o sector da Energia e USD 5,94 mil milhões para o sector das águas, correspondendo a 79% e 21% do valor global, respectivamente. Comparativamente à estimativa inicialmente prevista, para a implementação das infra-estruturas básicas do sector, cujo valor era de USD 17 mil milhões, o indicador presente representa um aumento significativo, pela inclusão das componentes relativas ao fornecimento de energia às novas centralidades que estão a emergir no país, aos novos projectos agro-industriais, bem como, à electrificação das sedes Municipais e Comunais. Assim, para o sector da energia eléctrica o investimento estimado para a construção das grandes barragens e reforço da capacidade de produção térmica ao longo do período é de USD 12,4 mil milhões, enquanto para os sistemas de transporte e de distribuição prevê-se um investimento de USD 5,9 mil milhões. Com este investimento estão previstas realizar 1,3 milhões de novas ligações domiciliares, das quais cerca de 600 mil serão efectuadas em Luanda. Relativamente ao sector das águas o investimento global previsto é de cerca de USD 5,94 mil milhões, dos quais cerca de USD 53,4 milhões destinados à componente de recursos hídricos, e USD 4,68 mil milhões, destinados a acções de Ampliação dos Sistemas de Abastecimento de Água e Saneamento das capitais Provinciais, ao abastecimento às sedes Municipais, bem como às áreas Rurais, através do Programa Água para Todos (PAT). Para a cidade de Luanda está prevista a construção de dois grandes sistemas de abastecimento de água, designadamente, o sistema 4ETA do Bita e o de Quilonga Grande, num montante a investir de USD 1, 22 mil milhões. Versão revista – Abril 2013 31/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 De referir, por último, que alguns dos projectos ora identificados não constam ainda da carteira de projectos do sector, estando alguns em fase de elaboração de estudos, e outros em fase preparação, estando-se a desenvolver acções para a sua inclusão no PIP de 2013. RECURSOS FINANCEIROS NECESSARIOS PARA CUMPRIMENTO DO PROGRAMA 2013-2017 ESTIMATIVA DE INVESTIMENTO UM: USD Custo total Total Quinquénio Anos seguintes 27.923.139.330 23.219.036.128 4.704.103.203 20.322.985.000 14.367.361.000 5.955.624.000 18.350.985.000 12.417.362.000 5.933.623.000 1.972.000.000 1.949.999.000 22.001.000 OUTROS Novas centralidades Reforço Capacidade Produção Térmica( nacional) Fornecimento energia proj agro-industriais Electrificação sedes Municipais e Comunais 7.600.154.330 102.821.380 1.140.000.000 285.992.500 6.071.340.450 4.868.051.128 102.821.380 1.140.000.000 285.992.500 3.339.237.248 2.732.103.203 0 0 0 2.732.103.203 SECTOR AGUAS 6.451.536.000 5.949.024.180 152.511.820 1.225.591.000 1.211.079.180 14.511.820 500.000.000 500.000.000 0 725.591.000 711.079.180 14.511.820 5.172.545.000 2.710.000.000 1.412.545.000 4.684.545.000 2.710.000.000 1.412.545.000 138.000.000 0 0 1.050.000.000 562.000.000 138.000.000 53.400.000 53.400.000 0 SECTOR ENERGIA ELÉCTRICA PROJECTOS ELECTRICIDADE Produção Transporte / Distribuição ABASTECIMENTO DE AGUA LUANDA Construção Sistema 4 ETA Bita/ Sist . Distrib Construção Sist Adução /Distrib ETA Quilonga Grande AMPLIAÇÃO SISTEMAS ABASTEC. AGUA e SANEAM. PROVINCIAS Capitais provinciais Sedes Municipais Sistemas Rurais -PAT RECURSOS HIDRICOS TOTAL 34.374.675.330 29.168.060.308 4.856.615.023 Os detalhes encontram-se no Anexo A. Versão revista – Abril 2013 32/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 5. DESENVOLVIMENTO INSTITUCIONAL E RECURSOS HUMANOS 5.1. SECTOR ELÉCTRICO 5.1.1. Situação financeira, patrimonial e de organização das Empresas do Sector Eléctrico a) ENE, E.P. Reduzida qualidade e fiabilidade de serviço: indisponibilidade de 28,3% da capacidade de Produção e de 10 % no Transporte; Limitada interacção, captação, atendimento e proximidade da gestão de clientes: Crescimento de 12% ano, longe do potencial existente; Aumento muito significativo dos custos de exploração devido a entrada de novas instalações térmicas; Estabilidade económica e financeira da empresa: Em 2011 as receitas próprias cobriram somente 25% dos custos operacionais, sendo o restante coberto com recurso a subsídio a preços. Resumo do Diagnóstico Vertente de Organização, Estratégia e Processos Necessidades de melhorias na interacção e disseminação de informação de gestão. Em curso a elaboração do Plano Estratégico para os Sistemas de Informação e Comunicação. Necessidade de reformulação ao nível da área de exploração dos procedimentos, normas, organização funcional, sistemas de planeamento, e controlo, dimensionamento de pessoal e reforço do pessoal com competência chave. Necessidade de melhorias na implementação e monitorização dos planos e manuais de manutenção e operação. Sistema de aprovisionamento com pouca capacidade de resposta. Ao abrigo do processo de redução de custos está em fase de Versão revista – Abril 2013 33/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 implementação o programa de centralização e agregação de compras e melhoria nos canais de fornecimento. Reduzida normalização tecnológica de equipamento e material. Vertente da situação contabilística, fiscal e patrimonial Processo contabilístico da empresa com atraso de um ano; Vertente da situação económica e financeira Cada vez menor capacidade de se auto financiar, com base nas receitas próprias; Custos operacionais têm vindo a aumentar (de 9.3 mil MAKZ em 2004 para 47 mil MAKZ em 2008, ou seja, 4xmais em 4 anos); Diferença persistente entre energia produzida e facturada (apenas é facturada 64% da energia produzida); Índice de cobrança cifrado em 79%; Subsídios operacionais têm vindo a aumentar consideravelmente e são já 58% das receitas. Resultados operacionais em 2010 foram negativos (-19.8 mil MAKZ) tendo-se agravado devido ao aumento dos custos operacionais; Princípios para o desenvolvimento da ENE: Da melhoria de serviço prestado aos seus clientes; Da expansão da Rede Eléctrica; Do aumento da eficiência da empresa; Do equilíbrio de contas da empresa; 6 Medidas prioritárias de intervenção na ENE, para melhorar de forma rápida o desempenho da Empresa: 1. 2. 3. 4. 5. Aprovação do novo Plano Estratégico; Conclusão do Processo de Separação de Contas: Assinatura do contrato-programa como Estado; Sensibilização para o ajuste tarifário; Implementação da reestruturação empresarial; Versão revista – Abril 2013 34/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 6. Elaboração do plano estratégico para os sistemas de informação. b) EDEL, E.P. Resumo do Diagnóstico Vertente de Organização, Estratégia e Processos Não estão estabelecidos objectivos estratégicos quantificados e calendarizados no tempo que guiem e permitam avaliar a performance da empresa. O desenvolvimento da infra-estrutura de rede continua a ser reduzido. A estrutura organizativa está desfasada da realidade e encontra-se em fase de redefinição. O modelo organizacional não reflecte o modelo funcional da empresa. Actualmente a utilização do SAP – Sistema Integrado de Gestão que agrega as áreas comercial, contabilística-financeira, aprovisionamentos e de recursos humanos – permite a monotorização dos processos de gestão. Vertente de Situação Contabilística, Fiscal e Patrimonial O Imobilizado Corpóreo foi inventariado e reavaliado em 2006 por entidade independente, pelo que à data actual poderá estar subavaliado face ao valor de mercado. Vertente de Situação Económica e Financeira As vendas e prestações de serviços continuam a registar um crescimento real. As receitas provenientes de subsídios à exploração são uma parte crítica da empresa, correspondendo sempre a mais de 45% das receitas totais. Apesar da evolução das vendas, a capacidade de cobrança da EDEL é muito reduzida e a sua dependência dos subsídios estatais muito significativa. Os Resultados Líquidos são consequência da forte degradação da margem operacional decorrente do crescimento das amortizações e da incapacidade de cobrança. Versão revista – Abril 2013 35/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 O investimento em activos fixos só é possível manter-se devido aos subsídios ao investimento. Vertente de Situação Jurídica e Regulamentar Não foi ainda estabelecido o Contrato-Programa estipulado nos seus Estatutos e também não foi ainda criado o Regulamento Interno da empresa. c) IRSE, E. P. Organização 3 Administradores nomeados, um dos quais o PCA; Quadro de pessoal com 27 funcionários , dos quais apenas 11 são licenciados. Infra-estruturas Limitação de espaço físico para acomodação dos funcionários e pessoal a contratar (proposta de construção da nova sede, que aguarda aprovação); Situação Patrimonial Feito levantamento patrimonial após tomada de posse do CA , estando assim actualizado. Situação Financeira Recursos provenientes das doações: Contabilidade Normas contabilísticas seguem disposições adoptadas para as unidades orçamentais. Não obstante possui um sistema informático instalado (Primavera), para aplicação tão logo o IRSE deixe de ser uma unidade orçamentada Versão revista – Abril 2013 36/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Perspectivas 5.1.2. Introdução do mecanismo de recolha, analise e tratamento da informação estatística a nível do IRSE; Implementação pratica e gradual dos regulamentos do IRSEaprovados recentemente; Criar condições para o enquadramento gradual de novos funcionários; Superação profissional permanente para o pessoal do IRSE Criar condições para regularização da divida do IRSE; Novo Figurino Institucional Para responder de forma efectiva aos desafios de desenvolvimento de capacidades e infra-estruturas, mas também para acomodar a participação do Sector Privado ao longo da cadeia de valor, é importante rever o enquadramento institucional do Sector, robustecendo as funções de regulação, através da clarificação de funções e responsabilidades e do desenvolvimento das competências necessárias. Igualmente deverá, a partir de 2013 e no âmbito da implementação do Plano de Segurança Energética, ser assegurada uma actuação significativa a nível das tarifas, com vista a assegurar a sustentabilidade económicofinanceira do subsector e dos seus operadores (as tarifas cobrem actualmente apenas 20% dos custos do sistema); Ao nível institucional, será assegurado, no âmbito da implementação do referido Plano, o reforço das valências dos Operadores do Subsector, garantindo-lhes escala mínima e foco de actividade, o que deverá requerer um rearranjo do actual modelo organizativo-empresarial, através da criação de entidades públicas especializadas em cada uma das etapas da cadeia de valor (Produção, Transporte e Distribuição/Comercialização), tal como preconizado, por exemplo, na Estratégia de Modernização das empresas Públicas de Electricidade, resultando na seguinte configuração institucional suportada em 5 entidades distintas: MINEA, na definição de políticas e estratégias para o Sector eléctrico; IRSE (Instituto Regulador do Sector Eléctrico), para regulação do Sector Eléctrico, que inclui a definição de tarifas e modelos de transferência de receitas entre os diferentes actores do sistema; Empresa Publica exclusivamente dedicada à gestão dos activos de Produção, a resultar da fusão de activos de produção da ENE e GAMEK; Versão revista – Abril 2013 37/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Empresa Publica dedicada ao Transporte, linhas de alta tensão e gestão do sistema; Empresa Publica dedicada à Distribuição, a resultar da fusão dos activos de distribuição da ENE, EDEL e Municípios, concessionária responsável por todas as redes de distribuição com possibilidade de desenvolvimento de estruturas locais quando tal se mostrar vantajoso. A execução do Plano de Segurança Energética, decorre de forma faseada, com o escalonamento que se apresenta a seguir: Fase do Conteúdo Projecto 1ª Diagnóstico ao Sector 2ª 3ª Prazo Conclusão Dezembro 2012 Reestruturação e criação das Setembro 2013 novas empresas Assistência técnica às novas Setembro de 2015 Empresas Resultados Esperados Definição de situação de partida Novo figurino institucional Melhoria dos indicadores e novos métodos de gestão. A implementação do Plano de Segurança Energética está em curso, com a excepção da 3ª fase, que apenas terá início em Setembro de 2013. 5.2. SECTOR DAS ÁGUAS O estado de estruturação do Sector das Águas é ainda incipiente, quando comparada com o Sector anterior, e pode ser caracterizado basicamente no seguinte: Apenas existe uma empresa legalmente constituída (EPAL, E.P.), que assegura o abastecimento de água a Luanda. Existem duas empresas, de facto, que gerem o abastecimento de água às cidades de Benguela e Lobito, embora não tenham sido constituídas de jure. O resto do País não possui qualquer estrutura empresarial, sendo a gestão das infra-estruturas de abastecimento de água assegurada pela Direcção nacional de abastecimento de Águas e saneamento ou pelos governos locais. Não existe qualquer forma de regulação dos preços de água, sendo estes fixados administrativamente pelos Governos Provinciais. Versão revista – Abril 2013 38/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 5.2.1 Situação financeira, patrimonial e de organização das Empresas do Sector das Águas a) EPAL, E.P. Resumo do Diagnóstico Vertente de Organização, Estratégia e Processos Não estão estabelecidos objectivos estratégicos quantificados e calendarizados no tempo que guiem e permitam avaliar a performance da empresa. O desenvolvimento da infra-estrutura de rede continua a ser reduzido. A estrutura organizativa está desfasada da realidade e encontra-se em fase de redefinição. O modelo organizacional não reflecte o modelo funcional da empresa. Actualmente a utilização do SAP – Sistema integrado de gestão que agrega as áreascomerciais, contabilística-financeira, aprovisionamentos e de recursos humanos - permite a monotorização dos processos de gestão. Vertente da situação contabilística, fiscal e patrimonial O Imobilizado Corpóreo foi inventariado e reavaliado em 2006 por entidade independente, pelo que à data actual poderá estar subavaliado face ao valor de mercado. Vertente da situação económico e financeira As vendas e prestações de serviços continuam a registar um crescimento real. As receitas provenientes de subsídios à exploração são uma parte crítica da empresa, correspondendo sempre a mais de 45% das receitas totais. Apesar da evolução das vendas, a capacidade de cobrança da EPAL é muito reduzida e a sua dependência dos subsídios estatais muito significativa. Os Resultados Líquidos são consequência da forte degradação da margem operacional decorrente do crescimento das amortizações e da incapacidade de cobrança. Versão revista – Abril 2013 39/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 O investimento em activos fixos só é possível manter-se devido aos subsídios ao investimento. Princípios para o desenvolvimento da EPAL: Não foi ainda estabelecido o Contrato-Programa estipulado nos seus Estatutos e também não foi ainda criado o Regulamento Interno da empresa. Em linhas gerais, a EPAL cumpre o disposto na Lei das Águas relativamente às atribuições, direitos e deveres de prestador de serviço de abastecimento de água. 6 Medidas prioritárias de intervenção na EPAL, para melhorar de forma rápida o desempenho da Empresa: 1. (Re)Definição da Estratégia da Empresa (trabalho a ser desenvolvido em parceria com a Roland Berger); 2. Estabelecimento de Contrato-Programa; 3. Redefinição e implementação de Plano de Investimentos na infraestrutura; 4. Massificação da instalação de contadores; 5. Avaliação da terciarização de actividades de manutenção e operações; 6. Redefinição do processo logístico 5.3. MEDIDAS A ADOPTAR PARA O RESTO DO PAÍS Conclusão do processo de regularização jurídica das empresas de Benguela e Lobito; Criação de novas entidades empresariais gestoras de sistemas de abastecimento de água, tendo como finalidade a sustentabilidade operacional da generalidade dos sistemas de abastecimento de água; Aprovação, pelo Executivo, da regulamentação da Lei das Águas e da nova arquitectura organizacional do Sector, incluindo a criação da Entidade Gestora do Património e Reguladora doAbastecimento de Água e Saneamento. Versão revista – Abril 2013 40/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 5.4. RECURSOS HUMANOS Os recursos humanos constituem o factor crítico de sucesso no processo de reforma do sector eléctrico e de águas, pretendendo-se que estejam a altura de poderem gerir os importantes activos que o Governo está a construir. O Sector está envolvido no levantamento de todos os recursos existentes, avaliação do seu perfil e aptidões, de forma a que possa ser estabelecido um plano de formação e capacitação, integrado no Programa Nacional de Desenvolvimento de Recursos Humanos. O plano para o Sector deverá compreender a formação e especialização em áreas de reconhecida importância, como são os casos seguintes: Para o Sector Eléctrico: Planeamento e condução de Sistemas Eléctricos: Operação de centrais e subestações; Projecção e regulação de sistemas de protecção; Novas fontes renováveis de energia e electrificação Rural. Para o Sector das Águas: Planeamento e condução de sistemas de captação, tratamento e distribuição de água; Técnicos de hidráulica; Técnicos de metrologia( sistemas de medição de fluxos e perdas); Técnicos Hidrometristas. Deverão ser potenciados os Centros de Formação do Sector, especialmente com a construção, apetrechamento e operacionalização do Centro de Onga Zanga. Tão logo seja concluído o Plano referido, será feita uma análise quantitativa e qualitativa dos resultados a obter com a sua implementação, bem como feita a respectiva programação. 6. PROMOÇÃO DA PARTICIPAÇÂO DO SECTOR PRIVADO 6.1. ELECTRICIDADE O Programa de Investimentos para operacionalizar até 5.000 MWaté 2017, exige da parte do Estado um comprometimento de capitais muito elevado, face a dimensão dos Projectos. Versão revista – Abril 2013 41/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 Torna-se necessário promover a entrada de Capitais Privados e de Conhecimento para a construção, operação e manutenção das infraestruturas eléctricas. A Lei Geral de Electricidade prevê a possibilidade da participação privada nos domínios de Geração e Distribuição, mas até ao momento, a sua participação ainda é insignificante para o tamanho de investimentos necessários para o Sector Eléctrico. Esta situação deve-se, entre outros, a ausênciade: Regulamentação apropriada Ausência de políticas de incentivos Tarifas atractivas que permitam o retorno de capital investido, e Agente de regulação do mercado de electricidade pouco actuante. Para garantir uma remuneração atractiva para o Sector Privado, deve ser privilegiado o regime de Parcerias Público Privadas, como instrumento de investimento para novas centrais de produção acima de 10 MW, ao mesmo tempo que deve ser reforçada a capacidade de actuação do instituto Regulador do Sistema Eléctrico (IRSE). Para Centros de Produção de energia eléctrica com potências inferiores a 10 MW, deverá ser estabelecido em regulação própria um incentivo a geração pelo Governo. Nas Redes de Distribuição deve ser equacionada a possibilidade de atribuição de Concessões. Como forma de implementação das políticas de participação do sector privado na Energia eléctrica, somos a propor um Plano de Acção, com as seguintes acções orientadoras: a. Promoção do reforço da capacidade de actuação do Instituto Regulador do Sistema Eléctrico (IRSE). b. Regulamentação das leis das Parcerias Público Privadas. c. Definição clara do modelo de atracção de investimento privado e respectivo enquadramento regulatório. d. Evolução progressiva das tarifas que assegurem redução da subsidiação de tarifas ao cliente final e uniformização de preços em todo o País. Versão revista – Abril 2013 42/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 e. Incentivo a geração complementar por produtores independentes e concessionários, através da obrigatoriedade de compra de energia eléctrica pela concessionária da distribuição. f. Redução temporária de impostos na aquisição de equipamentos e na produção de energia. g. Criação de um mercado local sustentável para fornecimento de equipamentos e materiais eléctricos para electrificação rural e priorizar a sua aquisição. h. Incentivo ao desenvolvimento de Empresas privadas de montagem de equipamentos e componentes de energias renováveis e para a electrificação rural. i. Assegurar condições de participação exclusiva de Empresas Nacionais na electrificação Rural e na Expansão das Redes de distribuição. j. Promoção de Contratação de Prestação de Serviços para Gestão de Centrais (Operação e Manutenção) e obrigatoriedade de transferência de conhecimentos como forma de assegurar a fiabilidade e continuidade do fornecimento ao mesmo tempo que se garante o prolongamento da vida útil dos equipamentos. 6.2. ÁGUAS A participação do sector privado no domínio do Abastecimento de Água e Saneamento é praticamente inexistente (salvo a distribuição de água por camiões-cisterna) e algumas experiências com contratos de operação e manutenção entre operadores privados e alguns Governos Provinciais. Contribui para essa situação a não definição clara das modalidades de participação, o volume de investimentos necessários, nesta fase de reabilitação e expansão dos sistemas, e a garantia da sua recuperação em termos económicos, e a inexistência de um sistema tarifário e de um quadro regulador que garantam a remuneração adequada dos investidores e operadores. A regulamentação da Lei de Águas, a criação de uma Agência Reguladora, bem como a regulamentação da Lei das Parcerias Público Privadaspermitiriam criar um quadro legal e institucional mais claro e atractivo. A par da contratação de serviços a Entidades Privadas pelas entidades Públicas Gestoras de Sistemas de Abastecimento de Água, ou a Versão revista – Abril 2013 43/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 terceirização desses serviços, uma via de introdução do Sector Privado, a médio prazo, na Gestão de Sistemas de Abastecimento de Água para consumo humano, poderá ocorrer na modalidade de gestão delegada, no caso dos meios urbanos, e também por via da concessão de licenças de construção e exploração de pequenos sistemas de abastecimento de água no meio rural, de acordo com os preceitos da Lei e Regulamentação específica a aprovar. MINISTÉRIO DA ENERGIA E ÁGUAS, EM LUANDA, AOS 26 de Abril de 2013 Versão revista – Abril 2013 44/45 Ministério da Energia e Águas Plano de Acção do Sector de Energia e Águas 2013-2017 ANEXOS ELECTRICIDADE ANEXO 1 - CARACTERIZAÇÃO DOS SISTEMAS DE PRODUÇÃO E TRANSPORTE ANEXO 2 - CENTRAIS TÉRMICAS DE ANGOLA - Plano de Emergência e de Substituição da CapacidadeAlugada ANEXO 3 - NOVAS CENTRALIDADES - Kuito, Lossambo, Caala, Bailundo e Sumbe ANEXO 4 - SISTEMA ELÉCTRICO ANGOLANO - Estimativa de Investimento ANEXO 5 - ELECTRIFICAÇÃO DAS SEDES PROVINCIAIS, MUNICIPAIS E COMUNAIS ANEXO 6 – SISTEMA ELECTRICO DE ANGOLA – Evolução (2013 - 2017) ANEXO 7 – QUADRO DE PRIORIDADES DE IMPLEMENTAÇÃO DO PROGRAMA DE ELECTRIFICAÇÃO RURAL ÁGUAS ANEXO I – BREVE CARACTERIZAÇÃO DA EVOLUÇÃO DAS INFRAESTRUTURAS DEABASTECIMENTO DE ÁGUA NAS CIDADES CAPITAIS DE PROVÍNCIA ANEXO II - DADOS RELATIVOS AO ABASTECIMENTO DE ÁGUA NO MEIO RURAL – (ProgramaÁgua para Todos) ANEXO III - PROGRAMA DE EMPREITADAS EM REABILITAÇÃO/AMPLIAÇÃO DE SISTEMAS DEABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO DE ÁGUAS RESIDUAIS DAS CIDADESCAPITAIS DE PROVÍNCIA ANEXO IV - PROGRAMA DE EMPREITADAS EM REABILITAÇÃO/AMPLICAÇÃO DE SISTEMAS DEABASTECIMENTO DE ÁGUA DAS SEDES MUNICIPAIS ANEXO V - ESPECIFICAÇÕES REFERENTES AO INVESTIMENTO DEDICADO À IMPLEMENTAÇÃODO PLANO DE MONITORIZAÇÃO DA QUALIDADE DA ÁGUA ESTIMATIVA DE INVESTIMENTO - ENERGIA E ÁGUAS ANEXO A - RECURSOS FINANCEIROS NECESSARIOS PARA CUMPRIMENTO DO PROGRAMA2013_2017 Versão revista – Abril 2013 45/45