Centro de Convenções Ulysses Guimarães Brasília/DF – 16, 17 e 18 de abril de 2013 ACORDO DE NÍVEL DE SERVIÇO E EFICIÊNCIA NA GESTÃO CONTRATUAL: O CASO DA CIDADE ADMINISTRATIVA Gabriel Lara Rodrigues Kênnya Kreppel Dias Duarte Maria Virgínia Sena Tomich Renata Resende Coelho 2 Painel 03/012 Inovação e avanços na gestão de compras públicas – Modelos implementados pelo Governo de MG e os impactos para a eficiência ACORDO DE NÍVEL DE SERVIÇO E EFICIÊNCIA NA GESTÃO CONTRATUAL: O CASO DA CIDADE ADMINISTRATIVA Gabriel Lara Rodrigues Kênnya Kreppel Dias Duarte Maria Virgínia Sena Tomich Renata Resende Coelho RESUMO A busca pela eficiência é uma obsessão comum aos setores privado e público. Nas últimas décadas tem sido crescente a importação de práticas de administração de empresas para a esfera pública. Uma dessas práticas é a gestão de fornecedores por meio de indicadores de Acordo de Nível de Serviços – ANS. A Intendência da Cidade Administrativa, órgão recentemente criado para gerir o complexo em que se encontra o núcleo central do governo mineiro, nasceu com a proposta de utilizar-se de métodos modernos de gestão, entre eles os ANS. Esta medida visa uma melhor dinâmica operacional na execução dos serviços pelos fornecedores a partir da quantificação do grau de qualidade desejado, vinculando o pagamento da parcela contratual ao índice de desempenho alcançado. Este artigo tem como objetivo apresentar a utilização de ANS nos contratos da Intendência da Cidade Administrativa, mostrando um panorama geral destes contratos, vantagens, desvantagens e dificuldades da utilização dessa técnica, e exemplificação através de casos específicos, cuja prestação de serviço teve uma significativa melhora a partir do monitoramento de seus indicadores e desconto no pagamento por resultados abaixo das metas definidas. 3 1 INTRODUÇÃO A Cidade Administrativa Presidente Tancredo de Almeida Neves (CA) é um empreendimento do Governo do Estado de Minas Gerais que iniciou suas atividades em fevereiro de 2010, alinhado com o plano de eficiência do governo estadual. Atualmente, 58 órgãos e entidades do Poder Executivo do Estado de Minas Gerais, representados por cerca de 17 mil pessoas, estão reunidos em um mesmo local. A instalação e integração de grande parte da máquina pública foi pensada com o objetivo de proporcionar condições ideais para a execução do trabalho dos servidores, com a criação de ambientes que permitem a colaboração, a sinergia e o compartilhamento de serviços, possibilitando que os órgãos e entidades confiram à administração pública mais qualidade, agilidade e eficiência na prestação dos serviços. Por meio da Lei Delegada nº 179/2011, criou-se o órgão denominado Intendência da Cidade Administrativa, cuja finalidade é “gerir bens e serviços e planejar, coordenar, normatizar e executar atividades necessárias à operação da Cidade Administrativa Presidente Tancredo de Almeida Neves” (LEI DELEGADA Nº 180/2011). Cabe a este órgão, criado para administrar o complexo, coordenar e executar processos de aquisição de bens e serviços inerentes à operação do empreendimento. Neste contexto de suprir as necessidades de aproximadamente 17 mil usuários, foi necessário à Intendência da Cidade Administrativa repensar o modelo de contratação frequentemente utilizado pelas instituições públicas. Em geral, o modelo comumente utilizado caracteriza-se pela definição de quantitativos sobre os quais se busca o menor preço em um processo licitatório, sendo a remuneração do fornecedor atrelada basicamente à entrega ou à prestação do serviço contratado. Outra característica típica diz respeito às penalidades por descumprimento contratual por parte da contratada. Qualquer inadimplência parcial ou total de obrigação assumida pelo fornecedor após a oficialização do contrato só pode acarretar um desconto financeiro após as formalidades exigidas de um processo administrativo punitivo, descritas no âmbito do governo do Estado de Minas Gerais pelo Decreto Estadual nº 45.902/2012. A burocracia exigida para o processo administrativo punitivo definida pelo citado decreto torna a penalização de empresas de tal forma morosa, que o processo em si é desmotivador e pode levar à não penalização das faltas dos fornecedores. 4 O presente trabalho pretende descrever os esforços envidados pela Intendência da Cidade Administrativa para levar à gestão de contratos a cultura da gestão por resultados. Em um Estado que prima por reformas administrativas com focos na eficiência (Choque de Gestão), na eficácia (Estado para Resultados) e na efetividade (Estado em Rede) de suas políticas públicas, não se pode admitir que a forma de contratação de produtos e serviços tenha o mesmo retrógrado formato das contratações da Administração pré-modernização. Ainda que os gestores públicos estejam submetidos às limitações impostas pela Lei Federal nº 8.666/1993 e à influência dos órgãos de controle, cuja cultura é de auditoria dos procedimentos registrados pelos papeis impressos e constantes no processo, em detrimento a um controle por resultados, conseguiu-se modernizar a forma de contratação. Essa modernização deu-se na alteração da maneira como se avalia os objetos contratados e não nos procedimentos, que continuam respeitando as limitações acima expostas. Na prática, a evolução alcançada foi passar a contratar resultados (a eficácia em si) em detrimento à forma de contratação de serviços usualmente utilizada pela Administração Pública, atrelando o pagamento financeiro do fornecedor à qualidade do serviço prestado. No governo federal, esta inovação foi introduzida pela Instrução Normativa 02/2008 que institui que: Art. 11. A contratação de serviços continuados deverá adotar unidade de medida que permita a mensuração dos resultados para o pagamento da contratada, e que elimine a possibilidade de remunerar as empresas com base na quantidade de horas de serviço ou por postos de trabalho.” (...) § 3º Os critérios de aferição de resultados deverão ser preferencialmente dispostos na forma de Acordos de Nível de Serviços, conforme dispõe esta Instrução Normativa e que deverá ser adaptado às metodologias de construção de ANS disponíveis em modelos técnicos especializados de contratação de serviços, quando houver. § 4º Para a adoção do Acordo de Nível de Serviço é preciso que exista critério objetivo de mensuração de resultados, preferencialmente pela utilização de ferramenta informatizada, que possibilite à Administração verificar se os resultados contratados foram realizados nas quantidades e qualidades exigidas, e adequar o pagamento aos resultados efetivamente obtidos. 5 O presente trabalho objetiva apresentar a experiência da Cidade Administrativa na gestão de seus contratos ao vincular a remuneração dos fornecedores ao atendimento de indicadores de qualidade, denominados Acordo de Nível de Serviço (ANS). A metodologia utilizada baseia-se em um estudo de caso único, apoiado em investigação documental e bibliográfica. Como afirma Yin (2005, p.63), um dos fundamentos lógicos para um estudo de caso único “é aquele em que o caso representa um caso raro ou extremo”. Poucos são os órgãos públicos que se utilizam da metodologia de ANS para gerenciar os resultados apresentados por seus fornecedores. À parte os processos de tecnologia da informação, desconhece-se outro órgão que não a Intendência da Cidade Administrativa que venha utilizando tal metodologia há mais de três anos, para todos os tipos de serviços. O objetivo da pesquisa vai ao encontro do que Martins (2006) define como a estratégia de estudo de caso, a saber, a investigação empírica de fenômenos dentro de seu contexto, em que o pesquisador busca apreender a totalidade da situação, buscando descrever a complexidade de um caso concreto. “No campo das Ciências Sociais Aplicadas há fenômenos de elevada complexidade e de difícil quantificação, como, por exemplo, a supervisão de funções administrativas dentro de uma organização (...) [em que] abordagens qualitativas são adequadas” (MARTINS, 2006, p. xi). O fato de inexistirem ações semelhantes no setor público brasileiro demonstra a relevância e ineditismo do tema. Corrobora ainda o fato de que as compras governamentais representam significativo volume de recursos. Em 2005, as compras públicas de bens e serviços nos níveis federal, estadual e municipal foram de R$ 114,2 bilhões, correspondendo a 6% do Produto Interno Bruno – PIB (VIEIRA apud TRIDAPALLI; FERNANDES e MACHADO, 2011). 6 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 A reforma gerencial e as importações de modelos privados Nos anos 70, o choque do petróleo fez eclodir uma grave crise econômica mundial que pôs fim à prosperidade do pós-guerra e induziu o esfacelamento do Estado. No âmbito econômico, passou-se a questionar qual o papel do Estado na economia e qual deveria ser o seu tamanho. Sob o ponto de vista social, devido ao fim da abundância de recursos, a ideia do Welfare State também necessitava ser revista. Por fim, no que toca a dimensão administrativa, o modelo burocrático weberiano, no qual o Estado baseava seu funcionamento, já não atendia às suas necessidades, esse começava a mostrar-se lento, caro, auto-referido e pouco ou nada orientado (ABRUCIO, 1997). Tendo em vista a incapacidade do Estado em resolver tamanha crise tratando somente soluções propostas no âmbito social e econômico, a dimensão administrativa ganhou destaque. Tornou-se premente a busca por um novo modelo, em substituição ao modelo burocrático, que pudesse fornecer “[...] respostas mais rápidas, focado no cliente-beneficiário, orientado para resultado, flexível e transparente (em vez de auto-orientado, procedimental, rígido e insulado, características-padrão do modelo burocrático ortodoxo)” (VILHENA et al., 2006, p. 30). A reforma gerencial da administração pública apresentou-se como alternativa à superação da crise do modelo burocrático por meio da introdução de mecanismos de gestão característicos da administração de empresas privadas (TESCAROLO, 2005). Durante a ascensão do modelo gerencial, coube ao poder público desenvolver técnicas ou adaptá-las da iniciativa privada e incorporá-las à gestão pública para aumento da eficiência e modernização da gestão da máquina pública e melhoria da qualidade dos serviços prestados (TRIDAPALLI et al. 2011). 2.2 A importação do conceito de Gerenciamento de Cadeia de Suprimentos para o setor público e o modelo de gestão de fornecedores Em sua obra, Rosso (2011) indica que, nas últimas décadas, tem sido crescente a importação de práticas de administração de empresas privadas para a esfera pública. Os grandes programas de modernização da gestão pública no âmbito das três esferas de governo geralmente utilizam-se dessas práticas focando 7 principalmente: a modernização da arrecadação, a criação de estratégia de longo prazo, a vinculação do planejamento ao orçamento, a modernização de recursos humanos e a governança eletrônica. Observa-se que as questões logísticas são tratadas apenas indiretamente, apesar de se ter conhecimento de que várias das práticas existentes no âmbito do gerenciamento de cadeias de suprimentos (GCS) poderiam ser adotadas pelas organizações públicas gerando resultados tão benéficos quanto os que ocorreram na iniciativa privada (KOROSEC, 2003). De acordo com Vaz e Lotta (2011, p. 112) a adequação do conceito de GCS para o setor público pode ser feita “desde que se compreendam adequadamente as especificidades do setor público no que toca à produção dos serviços e políticas públicas”. Baseando-se em práticas exitosas do setor privado e num contexto de notada carência de ações e políticas voltadas para uma melhor gestão logística dos processos existentes no setor público, o governo mineiro estruturou um novo sistema administrativo para o gerenciamento de seus processos. Com vistas à redução de custos e ao aumento da eficiência administrativa, foi criada a Cidade Administrativa Presidente Tancredo de Almeida Neves, onde se reúnem num mesmo complexo arquitetônico 58 órgãos e entidades estaduais, com aproximadamente 17 mil usuários. Como regra geral, foi centralizada na Intendência da Cidade Administrativa, órgão responsável pela gestão do complexo, a aquisição de todos os produtos e serviços comuns aos órgãos e entidades instalados no empreendimento. Em linhas gerais, os produtos e serviços elencados para serem centralizados foram os de: energia; água e esgoto; gestão de estacionamento; fornecimento de bebidas quentes; serviço de copeiros e garçons; serviço de recepcionista; serviço de vigilância desarmada; serviço de manutenção elétrica, predial, hidráulica e de ar condicionado; manutenção dos sistemas de combate a incêndio; manutenção de elevadores; jardinagem; limpeza e controle de pragas; gestão e armazenagem de documentos; hospedagem de dados dos sistemas de Tecnologia da Informação e Comunicação - TIC; aquisição de licenças de software; telefonia fixa; fornecimento de infraestrutura de TIC; acesso à internet; TV por assinatura; mensageria interna e externa; reprografia e impressão; fornecimento de mobiliário; serviço de transporte de bens para a mudança para a CA; serviço de atendimento médico de urgência e emergência; fornecimento de refeições; e gestão de frota de veículos. 8 O agrupamento de demandas por bens e serviços das instituições públicas permitiu ao Estado um ganho de escala. Mas para obter êxito em seus objetivos de tornar a Cidade Administrativa um modelo de eficiência em serviços de área meio, foi necessário rever a metodologia de gestão de fornecedores na forma preconizada pela literatura de gestão da cadeia de suprimentos. Seguindo a cultura de se pesquisar melhores práticas utilizadas pelo setor privado, verificou-se que, apesar de terem gerado grande ganho de eficiência no setor privado e de gozarem de relativa facilidade para serem implementadas no setor público, a prática de gestão de fornecedores por meio de indicadores de níveis de serviço ainda não era utilizada pelos órgãos públicos, com exceção para os processos de tecnologia da informação. De modo simples, os Acordos de Níveis de Serviço – ANS - podem ser entendidos como a definição de indicadores e metas de qualidade a serem atingidas pelos prestadores de serviço que vinculam a sua remuneração. Na década de 1980, devido às críticas de uma visão exclusivamente financeira, diversos pesquisadores passaram a concordar com a premissa de se utilizar medidas não financeiras para avaliação do desempenho, pois apenas as métricas financeiras não são suficientes para apoiar os gestores das empresas nas avaliações dos serviços (CARETA; MUSSETTI, 2007; NEELY et al., 2000). Ampliar o foco não significa o abandono das medidas financeiras e, sim, o reconhecimento de que o resultado das empresas depende não somente do baixo custo, mas também do atendimento às expectativas dos clientes. De acordo com Paiva et al. (2009), um processo produtivo em manufatura e serviços pode abarcar, além de avaliações relacionadas ao custo, também as seguintes dimensões: desempenho, qualidade, tempo (velocidade), flexibilidade e produtividade. Os autores Ellram et al. (2004) expõem que o relacionamento com fornecedores deve iniciar-se com a identificação e especificação de uma necessidade, seguidas da identificação de potenciais provedores. E, a partir de uma proposta de trabalho que estabeleça todo o escopo a ser executado, o contrato deve ser firmado incluindo-se de forma clara os indicadores que farão parte do acordo de nível de serviço. O desempenho do serviço deve ser monitorado e comparado com o contrato para verificar o cumprimento e evitar quebra de escopo. Realizado de forma apropriada, este processo deveria reduzir incertezas no desempenho do prestador e reduzir a probabilidade de extrapolação de contratos (ELLRAM et. al; 2004, p. 26). 9 3 A GESTÃO DE FORNECEDORES NA CIDADE ADMINISTRATIVA 3.1 Caracterização da gestão de fornecedores na CA A implantação de uma metodologia de gestão de fornecedores baseada em ANS na administração pública tem suas peculiaridades. A definição dos indicadores é uma etapa que deve vir anteriormente à elaboração do edital, muito antes de se conhecer o licitante vencedor de cada certame, vez que o edital vincula toda a futura contratação. Logo após a definição dos serviços que seriam contratados e geridos pela Intendência da Cidade Administrativa, passou-se à construção de indicadores. Estes deveriam ser capazes de medir, da forma mais próxima ao real, o resultado almejado. A seleção dos indicadores deve considerar as peculiaridades dos objetos contratados e quais são as variáveis que se deseja controlar para que não se tenha um número excessivo de indicadores desvirtuando o foco do gestor. No caso da Cidade Administrativa, foi preciso adaptar o que indica a literatura. Atualmente, os indicadores medidos estão relacionados às dimensões desempenho, qualidade e tempo. É preciso que os indicadores sejam ao mesmo tempo de fácil aferição e correspondam aos principais anseios dos usuários em relação a cada tipo de serviço. Torna-se mister ressaltar que os indicadores dos primeiros serviços demandados para possibilitar a operação da Cidade Administrativa foram concebidos com ajuda de uma consultoria contratada para auxiliar na implantação desse projeto. Compostos os indicadores, iniciou-se a etapa de construção das metas a serem alcançadas pelos prestadores de serviços. Tais metas deveriam ser desafiadoras o suficiente para que se tivesse um contrato com o nível de qualidade desejado, mas não exigentes demais, a ponto de encarecer excessivamente o contrato, dada a necessidade de mobilização de recursos pelo fornecedor para atender à meta. Outra preocupação no estabelecimento de metas foi o escalonamento de resultados, a fim de evitar ajustes financeiros maniqueístas. O não atingimento das metas pactuadas deve gerar um desconto no pagamento do prestador, mas tal desconto deve ser justo e proporcional ao desempenho alcançado pela contratada. A discussão dos indicadores e metas foi feita, na medida do possível, com 10 representantes do mercado, os futuros licitantes, em momento de consulta pública de edital, quando houve, ou em momento de pesquisa de inteligência externa do negócio, em entrevistas com parcela representativa do mercado. Assim, definido o escopo do serviço e a respectiva forma de pagamento (indicadores de ANS, método de aferição e metas), procedeu-se aos processos administrativos de compras. O pregão foi adotado como regra geral, como prevê a legislação. A dispensa de licitação também foi adotada nos casos de contratação de serviços de empresas públicas estaduais e também para essas contratações foram criados indicadores de desempenho, pactuando-se a remuneração pela qualidade efetiva do serviço prestado. Para acompanhar os mais de trinta contratos de prestação de serviço que têm seus pagamentos vinculados a indicadores de nível de desempenho (atualmente são medidos 96 indicadores / mês) mostrou-se essencial a contratação de empresa com expertise em gestão de fornecedores para apoiar a fiscalização dos contratos e a mensuração dos indicadores. A empresa de fiscalização é responsável por aferir o desempenho dos fornecedores por meio da análise da base de dados dos sistemas informacionais, nos quais os usuários do complexo registram as ocorrências relativas aos serviços, através da fiscalização em campo e da análise de relatórios de fornecedor. A empresa de fiscalização atua ainda como terceiro imparcial em eventuais conflitos entre o fornecedor e o usuário do serviço na reclassificação das ocorrências registradas e na verificação in loco das soluções propostas para as ocorrências que foram rejeitadas pelo usuário do serviço. O principal produto da empresa de fiscalização são os relatórios de fiscalização e pagamento nos quais estão demonstrados, segundo os indicadores estabelecidos para o contrato, a qualidade do serviço prestado e o valor do pagamento devido em razão do resultado alcançado. Para viabilizar esse novo método de remuneração do fornecedor, que se pauta pela qualidade do serviço prestado, a Intendência da Cidade Administrativa adota um fluxo de pagamento diferenciado do usualmente adotado pela Administração Pública nos casos de prestação de serviço que, na grande maioria dos contratos, ocorre mediante a simples entrega da remuneração estipulada para o objeto. No fluxo de pagamento de um contrato com indicadores de desempenho o 11 serviço prestado necessariamente terá sua qualidade avaliada na periodicidade estabelecida em contrato. Extraídos os resultados alcançados pelo fornecedor os gestores dos contratos se reúnem com a equipe de fiscalização para análise conjunta dos mesmos. Nessa oportunidade são discutidas não apenas as notas obtidas pelo fornecedor, mas todo o contexto da prestação do serviço, o que permite fazer a gestão da qualidade dos serviços contratados periodicamente. Em outras palavras o ganho não está apenas na garantia de que a remuneração do fornecedor será proporcional à qualidade auferida pela Administração, mas também na possibilidade de, mensalmente, o gestor público avaliar de forma crítica o serviço prestado buscando sua melhoria contínua a exemplo de um ciclo PDCA, o que potencializa a qualidade do gasto público. Por fim, outro elemento que distingue o modelo antigo do que veio a ser implantado pela Intendência da Cidade Administrativa foi a metodologia de formalização de ocorrências contratuais. Enquanto no tradicional modelo de gestão de contratos o desempenho dos fornecedores e as obrigações não cumpridas pelas empresas poderiam facilmente não serem registrados no processo administrativo do contrato, dificultando a existência de uma memória processual do desempenho do fornecedor, na nova metodologia, os registros dessas ocorrências torna-se etapa sem a qual o pagamento não é realizado. Em outras palavras, no sistema adotado pela Intendência o registro de faltas puníveis do fornecedor deixou de ser uma faculdade do gestor de contrato e passou a ser uma etapa do fluxo a que o pagamento mensal está vinculado. 3.2 Resultados quantitativos e qualitativos concretamente mensurados (vantagens e exemplificação de contratos). O universo da presente pesquisa abrange os contratos de prestação de serviço da Intendência da Cidade Administrativa. Dentre os contratos que têm verificação mensal de indicadores de ANS foram selecionados os de manutenção de elevadores, o de vigilância patrimonial, os de reprografia e impressão e, por fim, o de help desk de Tecnologia da Informação. A amostra a utilizada foi não-probabilística selecionada por acessibilidade. Os cinco contratos acima foram selecionados pelo critério de acessibilidade, e por atenderem aos seguintes critérios: 12 a) vulto considerável; b) tivessem produto percebível pelos clientes finais, os servidores da CA; c) tivessem ao menos 12 meses de medição de ANS ininterruptos. Selecionados os contratos, extraíram-se os resultados dos indicadores disponíveis. Os resultados foram analisados de forma a se ter uma planilha que indicasse a variação do resultado ao longo do tempo. Essas planilhas foram traduzidas em gráficos de dispersão, que, auxiliados por uma reta de regressão, facilitam a visualização dos resultados alcançados que passamos a analisar a seguir. Os resultados dos indicadores do contrato de manutenção de elevadores estão representados no Gráfico 1 abaixo. Nele podemos observar uma constância do indicador de OS (ordem de serviços) preventivas realizadas. O indicador de OS corretivas fechadas no prazo apresenta tendência de melhora. Por fim, o indicador que mede a relação entre OS corretivas e OS preventivas também apresenta evolução, visto que sua lógica é do tipo menor melhor. Gráfico 1 – Indicadores do contrato de manutenção predial, de set/2011 a jan/2013 Nota 150,00% 100,00% OS´s corretivas fechadas no prazo 50,00% OS´s preventivas realizadas 0,00% set-11 dez-11 abr-12 jul-12 Meses out-12 jan-13 OS´s corretivas X OS´s preventivas Fonte: elaboração própria Por sua vez, o serviço de vigilância, cujos resultados dos indicadores são apresentados no Gráfico 2, também foi analisado segundo a mesma metodologia. Os resultados apontam para uma melhoria de todos os três indicadores apurados. 13 Gráfico 2 - Indicadores do contrato de vigilância, de set/2011 a jan/2013 1,2 1 Ocupação dos Postos de Trabalho Exigidos. Nota 0,8 0,6 Tempo de Execução das Rondas Noturnas 0,4 0,2 0 set-11 Qualidade dos Serviços de Segurança, Vigilância. dez-11 abr-12 jul-12 out-12 jan-13 Meses Fonte: Elaboração própria Este mesmo contrato, quando analisado sob o formato de gráfico de linhas, permite-nos outra análise interessante. Os indicadores que tiveram tendência de alta até setembro de 2012 passam a ter pequena tendência de queda. Essa queda, contudo, não foi suficiente para colocar o resultado abaixo da meta estabelecida em contrato. Parece se tratar de um ajuste do fornecedor, que por meio de um cálculo de custo e benefício, controla seu desempenho a fim de ficar acima da meta, que é de 0,95 para os indicadores “Ocupação dos Postos de Trabalho Exigidos”, “Tempo de Execução das Rondas Noturnas” e de 0,9 para o indicador “Qualidade dos Serviços de Segurança, Vigilância”. Todavia, o prestador de serviço não fica excessivamente acima das metas, provavelmente como forma de reduzir custos. 14 Gráfico 3 - Indicadores do contrato de vigilância, de set/2011 a jan/2013 1,2 1 0,8 Ocupação dos Postos de Trabalho Exigidos. 0,6 Tempo de Execução das Rondas Noturnas 0,4 Qualidade dos Serviços de Segurança, Vigilância. 0,2 jan-13 dez-12 nov-12 out-12 set-12 ago-12 jul-12 jun-12 mai-12 abr-12 mar-12 fev-12 jan-12 0 Fonte: Elaboração própria O contrato de help desk de tecnologia de informação, por sua vez, apresenta o maior número de indicadores dentre os analisados. Alguns indicadores apresentam lógica maior-melhor, enquanto outros atuam sob a regra do menormelhor, o que torna difícil sua visualização. Outra dificuldade de análise é quanto à base dos indicadores. Enquanto alguns indicadores foram configurados como um percentual de desempenho, outros o foram como médias de minutos, o que também dificulta a análise em um único gráfico do conjunto de indicadores. Para superar esta barreira, os dados foram tratados subtraindo-se do resultado de um mês o resultado do mês imediatamente anterior. Essa técnica nos forneceu uma nova planilha contendo a variação nominal dos indicadores a cada mês. O resultado gráfico desta análise pode ser vista no Gráfico 4. 15 Gráfico 4 – Variação dos indicadores do contrato de help desk, de set/2011 a nov/2012 40,000% 30,000% Índice de solicitações atendidas no prazo especificado 20,000% 10,000% 0,000% jun-11 set-11 dez-11 abr-12 jul-12 out-12 jan-13 -10,000% Índice de solicitações resolvidas no prazo especificado Índice de Disponibilidade do Portal Web de Atendimento Índice de Disponibilidade da URA -20,000% -30,000% -40,000% Fonte: Elaboração própria O que se percebe do gráfico de linhas acima é uma tendência de alternação entre resultados positivos e negativos a cada mês. Isso indica uma tentativa do fornecedor de compensar em um mês o resultado do mês anterior, seja ele positivo ou negativo. A partir de agosto de 2012 é possível perceber que as curvas tornam-se menos acentuadas, o que nos sugere um aprendizado por parte do prestador em manter seu indicador próximo do valor desejado. Os contratos de reprografia e impressão apresentaram resultados homogêneos, que não justificariam a análise gráfica. Como se pode observar nos gráficos 1 e 2 abaixo, com algumas poucas exceções, os indicadores tiveram nota máxima em quase todos os meses. Os eventos em que o indicador não obteve nota máxima foram corrigidos ou melhorados já no mês imediatamente posterior, o que nos sugere a efetividade das ações de monitoramento advindas da fiscalização de indicadores de ANS. 16 Quadro 1 – Indicador do contrato 1 de reprografia e impressão, de dez/11 a jan/13 Indicador dez/11 jan/12 fev/12 mar/12 abr/12 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out/12 nov/12 dez/12 jan/13 Tempo desobstrução de papel 86% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Tempo de troca de itens de consumo 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Consertos e/ou substituição de equipamentos _ 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Indisponibilidade dos sistemas _ 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 99% 100% 100% 100% 100% Atendimento às ordens de serviço pelas centrais de reprografia 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Fonte: elaboração própria Quadro 2 – Indicador do contrato 2 de reprografia e impressão, de dez/11 a jan/13 Indicador set/11 out/11 nov/11 dez/11 jan/12 fev/12 mar/12 abr/12 mai/12 jun/12 jul/12 ago/12 set/12 out/12 nov/12 dez/12 jan/13 Tempo desobstrução de papel 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 93% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Tempo de troca de itens de consumo 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 98.98% 100% 97% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Consertos e/ou substituição de equipamentos _ _ _ _ 100% 100% 100% 100% 97,5% 97,6% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% Indisponibilidade dos sistemas _ _ _ _ 100% 100% 100% 100% 86% 96% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 96% 100% 100% 100% Atendimento às ordens de serviço pelas centrais de reprografia 94% Fonte: elaboração própria 3.3 Principais obstáculos encontrados e soluções adotadas para a sua superação Somente a partir do início da medição dos indicadores de nível de serviço estabelecidos para os serviços contratados foi possível avaliar as falhas, dificuldades e inconsistências nos métodos de mensuração dos níveis de serviço. Em alguns casos, problemas no início da ocupação e operação do complexo desnaturaram as condições idealizadas para a prestação do serviço e houve necessidade de se conceder ao fornecedor um período de carência para atingimento da meta proposta até que as condições de prestação do serviço se normalizassem. O ineditismo do empreendimento arquitetônico e da metodologia adotada fizeram com que para alguns casos fosse necessário alterar a forma de mensuração ou a fórmula de cálculo através de termos aditivos, pois os indicadores inicialmente concebidos não foram capazes de traduzir a qualidade ajustada entre as partes contratantes para o serviço. 17 Uma das principais dificuldades enfrentadas foi a relativa à construção dos indicadores. A definição do que deverá ser medido e avaliado é uma etapa complexa, que deve ser executada tomando-se alguns cuidados, visto que muitas são as variáveis possíveis. De acordo com Neely et al. (2000), a escolha dos indicadores é um processo muito valioso, pois o processo decisório sobre quais serão as medidas adotadas faz com que os responsáveis pela gestão dos serviços sejam explícitos sobre suas prioridades de desempenho. No âmbito da Administração Pública este cuidado na construção e definição da metodologia de cálculo dos indicadores deve ser redobrado. Identificada alguma necessidade de alteração dos indicadores estabelecidos torna-se necessário formalizar por meio de termos aditivos alterações das condições contratuais iniciais ou até mesmo realizar novo procedimento licitatório. Outro ponto refere-se ao número de indicadores estabelecidos. Muitas medidas exigem um grande esforço e pode desviar a atenção dos gestores daquilo que realmente é importante e crítico de ser monitorado e avaliado (MARCHESINI; ALCÂNTARA, 2006; NATAL, 2005). O excesso de indicadores certamente irá gerar processos mais custosos, tanto por parte do fornecedor que irá embutir os riscos no preço, quanto por parte da Administração que terá que mobilizar recursos para aferição dos mesmos. 4 CONCLUSÃO Como pudemos ver pela literatura revisada, a gestão de fornecedores é uma etapa da gestão da cadeia de suprimentos e sua execução busca a manutenção de níveis de qualidade de entrega. Esta gestão, quando se dá por meio de acompanhamento de indicadores de ANS que impactam na sua remuneração, é apontada pela literatura voltada para a administração de empresas privadas como técnica eficiente de estabilização de resultados dos fornecedores acima da meta estabelecida. A ausência de literatura sobre a aplicação desta prática no setor público conduziu-nos a pesquisadores que afirmam que a importação de modelos do setor privado é prática que demanda adaptações, mas que pode trazer resultados 18 benéficos. O presente estudo de caso abordou exatamente esta prática, e vem contribuir para a literatura específica do setor público com indícios de que a utilização de ANS em contratos públicos é possível e permite resultados positivos para a instituição. Entendemos que as ações promovidas trouxeram contribuições para a modernização da gestão pública e causaram impacto positivo e significativo na área de Gestão de Materiais e Serviços e também na área de Planejamento e Gestão Orçamentária e Financeira. Na primeira área, por redefinir a forma de contratação pública buscando a gestão eficiente dos recursos materiais e serviços e otimizando o atendimento prestado. E na segunda área, por promover a utilização eficiente e responsável dos recursos públicos, priorizando a redução de custos e o aumento da produtividade. 5 REFERÊNCIAS ABRÚCIO, F L. O impacto do modelo gerencial na administração pública: Um breve estudo sobre a experiência internacional recente. 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Tradução: Daniel Grassi. 21 ___________________________________________________________________ AUTORIA Gabriel Lara Rodrigues – Intendência da Cidade Administrativa. Endereço eletrônico: [email protected] Kênnya Kreppel Dias Duarte – Intendência da Cidade Administrativa. Endereço eletrônico: [email protected] Maria Virgínia Sena Tomich – Intendência da Cidade Administrativa. Endereço eletrônico: [email protected] Renata Resende Coelho – Intendência da Cidade Administrativa. Endereço eletrônico: [email protected]