Universidade Estadual de Londrina CENTRO DE ESTUDOS SOCIAIS APLICADOS ESCOLA DE GOVERNO CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM FORMULAÇÃO E GESTÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS MARIZA GARBE O ACESSO À EDUCAÇÃO: A SITUAÇÃO DOS SURDOS Londrina 2008 MARIZA GARBE O ACESSO À EDUCAÇÃO: A SITUAÇÃO DOS SURDOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Especialização em Formulação e Gestão de Políticas Públicas da Universidade Estadual de Londrina, para obtenção do título de Especialista. Orientador: Prof. Gerson Antonio Melatti Londrina 2008 MARIZA GARBE O ACESSO À EDUCAÇÃO: A SITUAÇÃO DOS SURDOS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Estadual de Londrina, aprovado pela Banca Examinadora, constituída pelos seguintes professores: ____________________________________ Prof. Gerson Antonio Melatti Orientador Universidade Estadual de Londrina ____________________________________ Profa. Rossana Lott Rodrigues Membro Universidade Estadual de Londrina ___________________________________ Profa. Lucia Helena Machado do Carmo Membro Universidade Estadual de Londrina DEDICATÓRIA À minha irmã gêmea, Marinei Garbe, portadora de Síndrome de Down e companheira de todos os momentos. AGRADECIMENTOS À Deus, pelo dom da vida. À Santo Antonio Maria Claret, meu intercessor, que ilumina e guia meus caminhos por onde quer que eu vá. Ao professor Gerson Antonio Melatti, que tendo ética docente me amparou num momentos difícil de minha vida acadêmica, me orientou e ajudou para a realização deste trabalho. GARBRE, Mariza. O Acesso à Educação: a situação do surdos. 2008. Trabalho de Conclusão de Curso de Especialização em Formulação e Gestão de Políticas Públicas. Universidade Estadual de Londrina, Londrina. 2008. RESUMO O presente trabalho tem como objetivo oportunizar um maior conhecimento sobre a história da educação especial, principalmente a dos surdos, contribuindo para o aprendizado e relatando que essa comunidade teve seus direitos negados durante muito tempo e foi excluída até mesmo do acesso à educação. Foi realizada uma pesquisa bibliográfica e coletados dados em duas Instituições de Ensino Superior da cidade de Londrina-PR. Verificou-se na literatura que mesmo após sessenta anos da Lei dos Direitos Humanos ainda é grande a necessidade e a angústia das pessoas que não conseguem chegar ao vestibular, pois sua língua materna é ignorada, sendo negado o direito ao cidadão de concluir um curso superior. Lentamente uma conquista significativa vem sendo concretizada, pois está começando a ocorrer a conscientização da sociedade com relação ao indivíduo surdo e preconceitos começam a ser rompidos. Conclui-se que o reconhecimento da Libras - Língua Brasileira de Sinais como a língua natural da comunidade surda é uma das principais soluções para a inclusão educacional das pessoas surdas e sugere-se alternativas para a realização do vestibular para surdos e a implantação da Libras nos cursos superiores. Palavras-chave: Inclusão. Deficiência auditiva. Surdos na Universidade. SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO........................................................................................ 8 2. OBJETIVOS............................................................................................ 9 3. METODOLOGIA..................................................................................... 10 4. REFERENCIAL TEÓRICO..................................................................... 11 4.1 A PESSOA COM DEFICIÊNCIA NA SOCIEDADE BRASILEIRA...... 11 4.2 INCLUSÃO........................................................................................... 15 4.3 A EDUCAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA......................... 20 4.4 O PAPEL DA FAMÍLIA NO PROCESSO DE INCLUSÃO................... 24 4.5 EDUCAÇÃO DOS SURDOS................................................................ 27 4.6 BILINGÜISMO...................................................................................... 33 4.7 A IMPORTÃNCIA DA ESCRITA PARA OS SURDOS......................... 35 4.8 EDUCAÇÃO DE SURDOS EM LONDRINA........................................ 39 4.9 A EDUCAÇÃO SUPERIOR PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA... 41 4.10 PROPOSTAS PARA O VESTIBULAR DE SURDOS........................ 43 CONCLUSÃO............................................................................................. 49 REFERÊNCIAS........................................................................................... 52 8 1. INTRODUÇÃO Tomando como referência a construção histórica do conceito de cidadania, pode-se inferir que para o indivíduo ser realmente considerado como cidadão ou cidadã, é necessário participar das decisões dos grupos sociais dos quais ele faz parte, como, as decisões familiares, escolares, de grupos específicos, e da sociedade como um todo; é ter condições de busca de realização plena da vida, implicando para isso o direito ao acesso aos bens fundamentais. Com a promulgação da nova LDB no 9.394 de 1996, o portador de deficiência tem garantido pelo menos no papel o seu acesso ao ensino regular, onde no artigo 58 do capítulo V, da Educação Especial, está registrado que: “Entende-se por Educação Especial, para os efeitos desta lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais”. De acordo com o Censo realizado em 2000 pelo IBGE no Brasil existem 24,5 milhões de pessoas portadoras de algum tipo de deficiência, o que representa 14,5% da população brasileira. Hoje se entende como deficiência a alteração total ou parcial de uma ou mais partes do corpo humano, ocasionando o comprometimento das funções físicas ou sensoriais. Em função de contingências históricas e sociais, essa alteração poderá resultar em perda da autonomia para o indivíduo, trazer problemas de discriminação social e dificultar a inclusão social das pessoas com deficiência. A institucionalização do atendimento a “portadores de necessidades especiais” tem-se limitado a criar espaços específicos de apoio a esta parcela da população. Isto cria um distanciamento das possibilidades de, na e pela interação social com outros sujeitos acessarem ao conhecimento historicamente produzido conforme expressa o compromisso de escolarização para todos. Desta maneira, é relevante observar as condições que garantam interações sociais, o que atribui ao professor um papel fundamental, pois sendo um dos interlocutores mais experientes, pode desempenhar a tarefa de tornar as interações sociais um processo formativo e constitutivo de um novo saber. 9 Neste trabalho pretende-se abordar aspectos envolvendo a inclusão, a educação de portadores de necessidades especiais e, principalmente, a educação de surdos, ressaltando a importância da linguagem de sinais para que o aprendizado se desenvolva. 2. OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL Verificar as possibilidades da introdução da linguagem de sinais no ensino regular, de forma a propiciar o acesso à educação aos indivíduos portadores de necessidades especiais, como, especificamente, os surdos. 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Compreender a importância da inclusão do aluno portador de necessidades especiais no ensino regular; - Verificar como se processa a linguagem de sinais; - Analisar a importância da linguagem de sinais no ensino regular para a aprendizagem e comunicação dos surdos; - Destacar aspectos que possam contribuir para a inclusão dos surdos no ensino regular; - Apresentar sugestões para a realização das provas de vestibular para o aluno surdo. 10 3. METODOLOGIA O caminho metodológico a ser seguido para execução deste estudo foi a pesquisa bibliográfica, onde foram analisadas fontes teóricas inseridas em livros, jornais, revistas, monografias e internet, buscando adquirir uma maior compreensão sobre o tema proposto no projeto. Segundo Lakatos e Marconi (1991, p. 183), a pesquisa bibliográfica abrange a literatura existente com relação ao tema em estudo, tendo por finalidade a colocação do pesquisador em contato direto com o que foi escrito sobre determinado assunto, ampliando o aspecto teórico e o conhecimento por parte do pesquisador. Com base nos autores citados, a pesquisa desenvolvida teve um caráter descritivo e qualitativo, pois, de acordo com Trivinõs (1997), é descritiva porque pretende descrever os fatos e fenômenos de determinada realidade; já Richardson et al (1989), descreve que a pesquisa qualitativa difere da pesquisa quantitativa à medida que não emprega dados estatísticos como base de análise de um problema, ou seja, a preocupação do pesquisador ao optar pela pesquisa qualitativa, não é com a representatividade numérica do grupo pesquisado, mas com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, de uma instituição, entre outras. 11 4. REFERENCIAL TEÓRICO 4.1 A PESSOA COM DEFICIÊNCIA NA SOCIEDADE BRASILEIRA Há vários anos vem sendo discutida a denominação das pessoas com deficiência e frequentemente surgem dúvidas sobre como as mesmas devem ser chamadas, sem que se tenha o receio de rotulá-las, discriminá-las e reforçar o estigma que há dezenas de anos existe na sociedade. Sassaki (2005) registra que dificilmente existirá um único termo amplamente aceito e válido para designar tais pessoas. Indivíduos que ao longo da história já foram chamados de aleijados, incapazes, deficientes, defeituosos, excepcionais, dentre tantos outros rótulos largamente utilizados ao longo dos tempos. Em dezembro de 2006, através da Resolução nº A/61/611 da Organização das Nações Unidas – ONU ficou estabelecido internacionalmente a adoção da expressão “pessoas com deficiência”, pondo fim, pelo menos momentaneamente, a confusão e dificuldades com relação ao tratamento a ser dado. Assim, resolveu-se a pendência conceitual e doravante a sociedade está sendo obrigada a solucionar a questão da inclusão social dessas pessoas. As mudanças trazidas pelo advento da globalização trouxeram abertura política e desenvolvimento econômico para várias nações, inclusive para o Brasil. O desafio que ora se apresenta, o da inclusão da pessoa com deficiência, é tão ou mais importante que a distribuição de renda e investimento em educação. Porém, a imprecisão dos dados históricos e a ausência de estatísticas atualizadas acerca da situação das pessoas com deficiência na sociedade brasileira dificulta uma definição mais precisa e adequada dos problemas sociais e educacionais que envolvem essa significativa parte da população. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) indicam que cerca de 10% da população mundial em tempos de paz é portadora de algum tipo de deficiência, das quais: 5% é portadora de deficiência mental; 2% de deficiência física; 1,5% de deficiência auditiva; 0,5% de deficiência visual; e 1% de deficiência múltipla. Com 12 base nesses indicadores, estima-se que no Brasil existam 16 milhões de pessoas portadoras de deficiência. Ainda de acordo com a Organização Mundial de Saúde, dentre as causas das deficiências ressalta-se os transtornos congênitos e perinatais (16,6%), que provavelmente decorrer da falta de assistência às mulheres na gravidez; as enfermidades transmissíveis (16,8%); as enfermidades crônico-degenerativas (21%); as alterações psicológicas (6,6%); o alcoolismo e abuso de drogas (10%); as causas externas (18%); e desnutrição e outras (11%). (Maior, 1995 apud Relatório RDB, ano, p.22) Conforme a Pesquisa Nacional por Amostragem Domiciliar (PNAD), realizada em 1981, constatou-se várias questões relativas à deficiência: número e tipos de deficientes e assistência recebida. Os resultados indicaram que 2% da população são portadores de deficiência, sendo que quase a metade se refere a deficiência motora. A pesquisa levantou ainda que há uma maior prevalência de incapacidades sensoriais e motoras na população acima dos 50 anos. (Política Nacional de Saúde da Pessoa Portadora de Deficiência, 2002) Os resultados do Censo Demográfico de 1991, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostraram um percentual de 1,14% de pessoas portadoras de deficiências. Naquele Censo foram considerados apenas os que responderam de forma positiva aos quesitos de maior grau de deficiência. Apesar dessa limitação metodológica, vieram à tona alguns indicadores importantes. Constatou-se que em relação à deficiência mental ocorre um significativo aumento a partir dos cinco anos de idade, mostrando não apenas a importância da escola na identificação da deficiência, mas indicando a necessidade de um diagnóstico mais precoce, bem como para avaliações educacionais mais precisas, evitando-se correr o risco de enquadrar como portadores de deficiência mental e outras pessoas com problemas psicológicos, neurológicos ou mesmo socioeconômicos, que interferem no processo de aprendizagem. (Portaria 1060 do Ministério da Saúde, 2002) De um modo geral, a análise que a Portaria 1060 do Ministério da Saúde, faz sobre o problema em relação às deficiências motora, visual, auditiva, mental e 13 múltipla, é de que a deficiência motora assume maior relevo a partir dos 25 anos de idade, refletindo a importância dos acidentes, das violências e de certas doenças na gênese desta deficiência. Assinala também, que quanto maior o número de idosos, maior é a prevalência de incapacidades da visão e da audição. Por outro lado, é elevado o número de casos de deficiência múltipla nos municípios mais pobres. Segundo o Censo Demográfico de 2000 (IBGE), com relação às pessoas com deficiência, constatou-se uma diferença ascendente, nos percentuais apresentados pelas OMS, tanto nos valores totais, quanto nos quantitativos parciais. Além disso, o Censo de 2000 incorporou novas variantes dos tipos de deficiências físicas e sensoriais, ao incluir pessoas com alguma ou grande dificuldade de ouvir, enxergar e andar, fazendo com que a taxa de Pessoas Portadoras de Deficiência (PPDs) aumentasse até 12 vezes, com relação aos levantamentos anteriormente realizados. De acordo com este Censo, a população brasileira está composta por aproximadamente 169 milhões de habitantes, dentre os quais 24,5 milhões (14,5%) declararam ter algum tipo de deficiência. Na realização desse levantamento verificou-se que as deficiências estão assim distribuídos: deficiência mental (11,5%); tetraplegia, paraplegia ou hemiplegia (0,44%); falta de um membro ou parte dele (5,32%); alguma dificuldade de enxergar (57,16%); alguma dificuldade de ouvir (19%); alguma dificuldade de caminhar (22,7%); grande dificuldade de enxergar (10,50%); grande dificuldade de ouvir (4,27%); grande dificuldade de caminhar (9,54%); incapaz de ouvir (0,68%); incapaz de caminhar (2,3%) e incapaz de enxergar (0,6%). A distribuição de pessoas portadoras de deficiências segundo os estados, ficaram assim apresentadas: Paraíba (18,76%), Rio Grande do Norte (17,64%), Piauí (17,63%), Pernambuco (17,4%) e Ceará (17,34%); enquanto os Estados que registram as menores taxas de PPDs, são: São Paulo (11,35%), Roraima (12,5%), Amapá (13,28%), Distrito Federal (13,44%) e Paraná (13,57%). (Relatório RDB) Constatou-se após o Censo que a partir dos 40 anos aumenta progressivamente o número de pessoas com deficiência, atingindo uma proporção 14 de 4,3% entre crianças até 14 anos, e 54% nos indivíduos com mais de 65 anos (IBGE, 2003). Com relação a variável sexo, levantou-se que as mulheres continuam a representar a maioria da população com deficiência (54%), se devendo ao fato, destas terem maior estimativa de vida, enquanto os homens ficam mais suscetíveis à violência e a acidentes, principalmente quando jovens. No que se refere às probabilidades de se adquirir deficiência e incapacidade segundo a raça, notou-se que os afro-descendentes mais de chances de serem portadores de deficiência e perceptores de incapacidade, respectivamente, se comparados aos não afros, com a mesma idade, gênero, residência, dentre outras variáveis. (Relatório RDB) Quanto à condição sócio-econômica da população brasileira, segundo o Centro de Políticas Sociais (CPS) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é de 32% de miseráveis, sendo cerca de 41,62% das pessoas com percepções de incapacidade e 29% das pessoas com deficiência em seu sentido amplo. (Relatório RDB) Na categoria trabalho, boa parte da população é considerada inativa. Dentre estes, 52% são PPDs. Já no universo de trabalhadores formais ativos, dos 26 milhões, 537 mil são pessoas com deficiência, correspondendo a 2,05% do total de empregados. (Relatório RDB) 15 4.2 INCLUSÃO Desde a antiguidade e em todos os períodos da evolução da humanidade a sociedade vem estabelecendo mecanismos de categorização das pessoas a partir de atributos considerados “naturais”, como por exemplo: deficiente, excepcional, louco, aleijado, etc. Estas categorizações, entretanto, são construções históricas e culturais que se elaboram a partir de padrões previamente estabelecidos por um determinado grupo social. A transgressão a estes padrões produz significações de desvantagem e de descrédito, transformando-se em estigmas (marcas/impressão) associados a um determinado tipo de indivíduo. Os gregos criaram o termo estigma para se referirem a sinais corporais com os quais se procurava evidenciar alguma coisa de bom ou mau sobre o status moral de quem os apresentava. Os sinais que eram feitos com cortes ou fogo, no corpo, significavam que o portador era um escravo, um criminoso ou traidor, uma pessoa marcada que deveria ser evitada em lugares públicos. Na era Cristã, dois níveis de metáfora foram acrescentados ao termo “estigma”. O primeiro deles referia-se a sinais corporais de graça divina que tornaram a forma de flores em erupção sobre a pele; o segundo, uma alusão médica a essa alusão religiosa, referia-se a sinais corporais de distúrbios físicos. Atualmente, o termo é amplamente usado de maneira um tanto semelhante ao sentido literal original, aparecendo como um constructo social que permeia todas as relações que se refletem nos indivíduos e são por eles internalizados. Por definição é claro, acreditamos que alguém, com um estigma não seja completamente humano. Com base nisso, fazemos vários tipos de discriminação, através das quais efetivamente e, muitas vezes sem pensar, reduzimos suas chances de vida. Construímos uma teoria do estigma, uma ideologia para explicar a sua inferioridade e dar conta do perigo que ela representa, racionalizando algumas vezes uma animosidade baseada em outras diferenças tais como as de classe social. Utilizando termos específicos de estigmas como: aleijado, bastardo, retardado, em nosso discurso diário como fonte de metáfora e representação sem pensar no seu significado original (GOFFMANN, 1978, p. 15). Neste entendimento, o “normal e o estigmatizado” não são pessoas concretas e sim perspectivas que são geradas em situações sociais. Assim, nenhuma diferença é em si mesma vantajosa ou desvantajosa, pois a mesma característica 16 pode mudar sua significação dependendo dos diversos olhares que se lançam sobre elas. Isto significa que o olhar dos pais sobre os filhos, dos professores sobre os alunos, das instituições sobe os indivíduos, contribuem para a criação dos estigmas. Partindo da concepção de que as instituições sociais estabelecem categorias de pessoas que têm probabilidade de serem por elas aceitas, situamos a instituição escolar enquanto agência de cristalização dos estigmas com uma enorme dificuldade de acolher a diversidade. Mesmo aqueles que não apresentam sinais físicos de “anormalidade” são estigmatizados por não apresentarem um perfil acadêmico considerado normal. A escola ao longo da história, vem pontuando seus critérios de seleção na busca da homogeneidade, traduzindo em suas propostas teórico-metodológicas e em suas relações inter-subjetivas, suas incapacidade de trabalhar com a diferença. A acomodação profissional dos docentes e a resposta adaptativa destes à certas condições de trabalho não satisfatórias, têm reforçado a crença de que é mais fácil trabalhar com uma base homogênea. Os mecanismos seletivos do sistema escolar e de controle interno e externo sobre os conteúdos que são transmitidos, impõem uma cultura de certo modo homogeneizada dos professores, assim como tipos e níveis de rendimento padronizados dos estudantes, inclusive a obrigatoriedade escolar que não é ou não deveria ser, seletiva. Os estigmas conferidos às crianças “diferentes”, sejam elas portadores de deficiências físicas, lingüísticas, cognitivas, culturais, dentre outras, vêm acompanhados de uma concepção de aprendizagem centrada na carência de aptidão para aprender. Na verdade, quando se começa a colocar as causas das dificuldades de aprendizagem nestas deficiências, o que se pretende é fazer desaparecer uma estrutura social injusta que vem legitimando a visão de uma criança “normal”, limpa, saudável, assídua, obediente, proveniente de famílias legalmente constituídas, etc. Isto se contrapõe a visão histórico-cultural que preconiza que o indivíduo se humaniza num ambiente social, em interação com outras pessoas, tornando impossível considerar o desenvolvimento do sujeito como um processo previsível, linear e gradual. 17 A imagem que a sociedade tem dos deficientes influencia decisivamente a sua atuação. Quer aceitando uma identidade social e institucionalmente construída, quer rejeitando-a totalmente, os deficiente têm como parâmetro de atuação, aquilo que a população pensa a respeito da deficiência e dos deficientes. E muitas vezes eles saem brigando por aquilo que entendem ser “os direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais na sociedade”. E de que forma estes deficientes trabalham, elaboram a sua própria identidade? Para alguns deles, o estima do desvio social pesa significantemente, não só na construção, como também na elaboração que fazem de sua identidade. A Educação Especial assume no momento, papel de fundamental importância. Viu-se até aqui, a criança portadora de necessidade especial em geral, bem como a criança deficiente física em específico, identificando a etiologia da deficiência física e suas diferentes classificações. A educação de portadores de necessidades especiais é especial porque se diferencia metodologicamente da comum, bem como se destina a indivíduos especiais. Por Educação Especial entende-se o atendimento educacional de excepcionais, isto é, daqueles que apresentam deficiências mentais, físicas, sensoriais, múltiplas deficiências, distúrbios de conduta e superdotados (PEREIRA, 1980, p. 16). Atendendo ao objetivo primordial da Educação Especial, o professor deve ter, como norma de trabalho, a preparação para a vida, que poderá ser atingida através dos seguintes princípios: Propiciar a educação precoce: o que é muito importante, pois quanto mais cedo for iniciado o atendimento, melhores serão as probabilidades de recuperação; Estimular a atividade própria do aluno, deixando-o agir sozinho. Sempre que possível, permitindo que crie livremente, que escolha seus brinquedos e companheiros, que planeje e decida sobre suas ações: este procedimento lhe proporcionará liberdade, essencial para que se sinta útil, e se auto-realize; Promover o ensino individualizado, pois é preciso organizar o trabalho de tal forma que dirigindo-se a todos os alunos ou a um pequeno grupo, o professor deve sempre levar em conta as necessidades de cada um; 18 Desenvolver um ensino preponderante utilitário, em que são ministradas noções aplicáveis à vida prática, a fim de ajudá-lo a encontrar a profissão; Empregar métodos ecléticos, funcionais e concretos, evitando-se o ensino verbal; todo ensino deve partir do concreto para o abstrato, do simples para o complexo, do imediato para o mediato, do próximo para o remoto; Dar atenções a complexidade e a dosagem das atividades, para que a criança não desanime frente a situações acima de suas possibilidades, que executar; Utilizar a escolaridade como meio de ajustamento, não a focalizando como finalidade em si mesma; Formas, hábitos e atitudes necessárias a um bom ajustamento social” (MACHADO, 1971, p. 18). Os recursos a serem usados em Educação Especial variarão em função de cada caso. Conforme a gravidade da deficiência apresentada pelo aluno, haverá necessidade de soluções a serem buscadas dentro de uma ampla variedade de recursos que tem sido empregado no atendimento dos excepcionais. As atividades escolares devem ser variadas e criativas, de modo a prender a atenção do aluno o maior tempo possível, devem ser intercaladas por períodos de repouso e por jogos ou qualquer outra atividade que diminua a tensão do aluno. A maior parte dos portadores de necessidades especiais têm inteligência normal e alguns até superior à média. Entretanto é compreensível que seus movimentos lentos, descoordenados, imprecisos ou involuntários, bem como outras dificuldades (cansaço, dispêndio anormal de energia e problemas psicossocial) venham influir negativamente na aprendizagem. A integração destes faz-se necessária à conscientização não só do deficiente, mas de todos que com eles convivem, para que não o vejam como um ser diferente. Essa participação, além de ser fator de troca de experiências, faz com que o aluno procure adaptar-se ao ambiente, à convivência com pessoas diferentes, ao ritmo dos colegas e ao maior ou menor grau de aceitação? Isso o ajudará a forjar sua personalidade, a aceitar-se como é, a entender o verdadeiro grau de suas habilidades e limitações e assim, aprender a viver e a competir com os colegas, não obstante sua deficiência. O aluno portador de necessidades especiais não interfere no progresso do grupo. 19 Não se pode falar em integração social do portador de necessidades especiais sem falar no papel que a família exerce nesse aspecto. A atitude familiar em relação a ele é de suma importância, pois quanto mais integrado ele estiver no grupo familiar, mais fácil será sua integração social. A aceitação da criança portadora de necessidades especiais por parte dos pais e demais familiares, é fundamental para seu desenvolvimento. É preciso evitar a superproteção, a rejeição e todas as atitudes que possam levar a criança a ficar à margem das atividades comuns da família. A criança necessita de constante estímulo, para que consiga tornar-se o mais independente possível e atuante no meio em que vive. Devem ser facilitadas a troca de experiências e brincadeiras com outras crianças, bem como sua participação em festas, reuniões e passeios, visando ampliar seus horizontes e suas inter-relações com o meio. A imagem que a sociedade tem dos portadores de necessidades especiais influencia decisivamente a sua atuação. Quer aceitando uma identidade social e institucionalmente construída quer rejeitando-a totalmente, os portadores de necessidades especiais têm como parâmetro de atuação aquilo que a população pensa a respeito da deficiência e dos deficientes. E muitas vezes, eles saem brigando por aquilo que entendem ser “os direitos das pessoas portadoras de necessidades especiais na sociedade“. 20 4.3 A EDUCAÇÃO DAS PESSOAS COM DEFICIÊNCIA Ao longo da história da Educação, uma das idéias mais recentes é a educação especial para excepcionais, que amparada por leis a partir da década de 50 até hoje cresceu consideradamente no ensino especial e em classes do ensino regular. Conforme nos afirma Mazzota (1982, p. 10), “A educação especial está baseada na necessidade de proporcionar igualdade de oportunidades, mediante a diversificação de serviços educacionais, de modo a tender diferenças individuais dos alunos, por mais acentuadas que sejam”. A educação especial no Brasil é garantida pela Constituição Federal, que determina em seu Artigo 227, Parágrafo 1o, Inciso II a: “ criação de programas de prevenção e atendimento, especializado para portadores de deficiência física, sensorial ou mental, bem como de integração social do adolescente portador de deficiência, mediante o treinamento para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos bens e serviços coletivos, com a eliminação de preconceitos e obstáculos arquitetônicos.” Nas últimas quatro décadas, se constata, uma ampliação do horizonte sobre qual as características da deficiência mental, especialmente comportamentais, podem ser interpretadas. Muitos estudos foram feitos visando descrever características do sujeito. Na atualidade, críticas em relação ao planejamento curricular, caracterizado por objetivos de ensino limitante e pessimistas em relação ao deficiente mental. Tais críticas evidenciam a existência de baixas expectativas, em relação à educabilidade e aponta para a necessidade de uma evolução científica futura em bases mais otimistas, que possam levar o educando ao sucesso e como nos afirma Fonseca (1987, p.59), “[...] o problema pode ser superado com um currículo mais lento, mais simples e mais estruturado”. 21 Esse currículo seria desenvolvido de acordo com o desenvolvimento do educando, evitando colocá-lo em tarefas difíceis que podem frustar, ou tarefas muito fáceis as quais gerariam desinteresse. Segundo Fonseca (1987, p. 60), De uma forma pragmática, podemos reduzir os objetivos de intervenção pedagógica na deficiência mental aos seguintes parâmetros: 1. Facilitar as aquisições cooperativas e interativas, daí a importância da dinâmica sócio-pedagógica (relação entre a instrução grupal e a programação individual); 2. Facilitar a habilitação com mais tempo investido nas atividades e com menos transições entre elas; 3. Introduzir mais tarefas funcionais do que artificiais (currículo natural, isto é, do concreto); 4. Variar as atividades de uma forma sistemática; 5. Proporcionar aprendizagem extracurricular e extraescolar (garantir amplos contatos com o meio); 6. Selecionar atividades favorecidas, não esquecendo o grande e significativo papel do jogo; 7. Classificar os objetivos imediatos e mediatos; 8. Proporcionar o acesso constante ao sucesso; 9. Adotar a intervenção precoce, dando saber-se que as crianças aprendem mais fácil e rapidamente nos primeiros momentos de desenvolvimento (importância da identificação precoce e da educação préprimária); 10. Criar formas de programação educacional individualizada com registros e revisões diárias das atividades desenvolvidas; 11. Implementar programas de coordenação entre família e escola, entre os pais e os professores; 12. Minimizar o comportamento de dependência e aumentar o poder de iniciativa e sentimento de integridade. E para conseguirmos resultados, não podemos esquecer que a figura mais significativa nesse processo é o professor, que manterá contato direto com o deficiente mental, e assumirá diversas funções nas intervenções pedagógicas. A integração na escola de ensino regular, não é benéfica apenas para as crianças portadoras de deficiência, mas também para as crianças consideradas normais, ao conviver em condições de igualdade com aquelas que apresentam déficits em alguma área, também serão beneficiadas. Aprendem que o mundo não é 22 um lugar onde todos são iguais; que os portadores de deficiência, mesmo sendo “diferentes”, merecem respeito, amizade e afeto. Aprendem também que existem muitas formas de ajudá-las, em suas necessidades, inclusive educacionais. Crescem, enfim, com uma visão menos preconceituosa dos indivíduos portadores de deficiência, deixando de lado barreiras psicológicas que só conduzem à sua estigmatização e segregação. Cabe aos educadores também deixar de lado suas barreiras psicológicas, tornando-se cada vez mais conscientes da responsabilidade com relação a criança mentalmente retardada, que estão saindo do anonimato e freqüentando o ensino regular. Cabe aos educadores estarem cientes de que a adoção de um novo enfoque da deficiência, num âmbito mais geral, é um trabalho a longo prazo e que exigirá uma prática educativa em busca de ações, as quais irão influenciar no meio, buscando novas concepções sobre as deficiências. Considerando que o papel da escola é o de promover apropriação, elaboração e reelaboração de conhecimento, torna-se necessário, para tanto que se favoreçam determinados tipos de interações sociais, o que nos remete a discussão acerca do papel do professor na sala de aula e a concepção que fundamenta sua prática pedagógica. Na produção do ensino em massa, as práticas pedagógicas não apenas discriminam e excluem mas emudecem e calam. Criam-se mitos em relação ao fracasso escolar onde as relações interpessoais são camufladas, interrompidas, não questionando as condições e os métodos, entendendo que as crianças que não aprendem possuem características pessoais impeditivas. A escola passa a apontar uma série de patologias nas crianças, começando a surgir as dislexias, os problemas neurológicos, psicomotores, foniátricos, psicológicos, desinteresse total e falta de motivação. A institucionalização do atendimento a “portadores de deficiências” tem-se limitado a criar espaços específicos de apoio a esta parcela da população. Isto cria um distanciamento das possibilidades de, na e pela interação social com outros sujeitos acessarem ao conhecimento historicamente produzido conforme expressa o compromisso de escolarização para todos. 23 Desta maneira, é relevante observar as condições que garantam interações sociais, o que atribui ao professor um papel fundamental, pois sendo um dos interlocutores mais experientes, pode desempenhar a tarefa de tornar as interações sociais um processo formativo e constitutivo de um novo saber. Desta forma, está lançado um grande desafio aos educadores para encontrar formas, ações, criar condições e facilidades para a provisão de recursos educacionais apropriados. 24 4.4 O PAPEL DA FAMÍLIA NO PROCESSO DE INCLUSÃO A família do portador de necessidades especiais desempenha papel significativo na formação e aceitação da criança na sociedade, o que exige dos pais, em primeiro lugar, a aceitação do fato, conhecimento, responsabilidade para com a criança e consigo mesmo, pois como diz Bueno (1993, p. 100), Os pais terão de enfrentar suas próprias necessidades especiais e conscientizar-se de seus sentimentos verdadeiros, perdendo os temores... Também terão de aceitar o que são agora, o desafio de seu crescimento emocional e intelectual e os riscos envolvidos nesse processo, assim como terão de estar, dispostos a experimentar as transformações. Havendo a aceitação do deficiente por parte da família, se tornará mais fácil lidar com as pressões internas, como também aquelas exercidas por forças sociais externas. Com essa aceitação os pais passaram a desempenhar o papel de informador e formador, onde irão impondo a seu filho suas normas, costumes, valores e ideários através da aquisição de hábitos de higiene, alimentação, ou formalismos sociais através do vocabulário, gestos ou dos meios de comunicação, onde a criança irá compondo uma imagem do mundo. Esse mundo irá se ampliando no dia-a-dia, com as convivências sociais, que aconteceram na família, na escola e na sociedade. Mas a nossa sociedade não está preparada e nunca esteve, para receber o deficiente como um ser normal, apesar de suas limitações físicas e intelectuais, pois nossa cultura, não nos prepara para tal aceitação sem preconceitos. Como afirma Bueno (1993, p. 89): A sociedade tem dificuldade em conviver com diferenças, e deixará isso claro de muitas formas sutis, dissimuladas e mesmo inconscientes através do modo como isola o deficiente físico e mental, olha-o abertamente em público e evita o contato com eles sempre que possível. A família tem de enfrentar diversas dificuldades e dentre elas a decisão de colocar ou não o filho em uma instituição. 25 Estudos nos afirmam que quanto mais precoce o diagnóstico, mais possibilidades de intervenção eficientes e precisas, para que haja um bom desenvolvimento cognitivo, motor e sócio-emocional da criança. Quanto mais precisa e eficaz for a identificação, tanto mais perfeita pode ser a intervenção precoce. Fonseca (1987, p. 54) afirma que: A educação de uma criança deficiente mental começa após o nascimento. Não se pode aguardar 5 a 6 anos para se encaminhar e orientar uma criança deficiente. Não podemos perder tempo. É preciso ver, identificar e intervir. Neste aspecto sou dos que acreditam que é melhor fazer alguma coisa do que não fazer nada. Ao primeiro contato dos pais com a escola, o educador precisa saber como eles vivenciam a criança deficiente, que grau de ansiedade lhes despertam, seus fracassos, que mecanismos usam para defender-se dessa ansiedade. Deixar os pais à vontade ao fazer uma entrevista, onde o educador conduzirá as perguntas que maior número de informações proporcionar ao educador. A identificação dos anseios, ansiedades, angústias e expectativas dos pais irá ajudar o educador durante suas ações com a criança, pois sem a ajuda dos pais, pouco se pode fazer em benefício da criança deficiente. Pois o papel dos pais é fundamental na integração do deficiente no ambiente escolar. Fonseca (1987, p. 55) afirma que: “Há que envolver os pais no processo de integração, visto que são os primeiros agentes da intervenção educacional. É recomendável que os pais sejam vistos como co-terapeutas, como primeiros educadores por excelência”. A ação conjunta entre pais e educadores facilitará a integração da criança no ambiente escolar. Muitas vezes corre-se o risco de muitos pais frustrados com o lento desenvolvimento, podem desistir e então a criança nem mesmo tem oportunidade de desenvolver ao máximo suas capacidades limitadas. A integração escolar pode ser percebida como o ponto chave de todo o processo de integração social do portador de deficiência. Essa integração inicia-se 26 pela família passando em seguida, à instituição escolar regular. Pois essa escola é onde todos estudam E para assegurar a plena aceitação e respeito ao portador de deficiência, o mais coerente é dar-lhe a liberdade e a oportunidade de ganhá-los através de seus próprios esforços. Isso requer preparação adequada e uma conseqüente mudança de postura pedagógica do professor, onde ele passe a perceber cada educando como pessoa, com características individuais e únicas, que precisam ser respeitadas e trabalhadas, a fim de possibilitar o seu desenvolvimento, além do incentivo à cooperação mútua entre alunos normais e os portadores de alguma deficiência. 27 4.5 EDUCAÇÃO DOS SURDOS A educação dos surdos-mudos teve início no Brasil com a criação do Instituto de Surdos-Mudos em 26 de setembro de 1857, quando o professor surdo francês Ernest Hwet, atendendo a convite do Imperador D. Pedro II iniciou o trabalho com a educação dos surdos. Inicialmente, a linguagem utilizada para trabalhar com surdos-mudos voltavase essencialmente para a leitura de lábios. A este respeito, a FENEIS – Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos destaca: No início, eram educados por linguagem escrita, articulada e falada, datilogia e sinais. A disciplina "Leitura sobre os Lábios" estaria voltada apenas para os que apresentassem aptidões a desenvolver a linguagem oral. Assim se deu o primeiro contato com a Língua de Sinais Francesa trazida por Hwet e a língua dos sinais utilizada pelos alunos. É importante ressaltar que naquele tempo, o trabalho de oralização era feito pelos professores comuns, não havia os especialistas. A linguagem de sinais, denominada de LIBRAS- Língua Brasileira de Sinais, contou com a contribuição do Instituto l’Eppe, podendo ser descrita como um método que utiliza sinais formados com movimentos das mãos que representam a linguagem (Figura 1). As formas das mãos podem ser datilologia (alfabeto manual) feita pela mão predominante, ou pelas duas mãos, no caso da não existência de um sinal significativo para determinada palavra. Nome de Alfabeto Manual: é a soletração de letras com as mãos, é aconselhável soletrar devagar, formando as palavras com nitidez. Entre as palavras soletradas, é melhor fazer uma pausa curta ou mover a mão direita para o lado esquerdo, como se estivesse empurrando a palavra já soletrada para o lado. Normalmente o alfabeto é utilizado para soletrar os nomes de pessoas, de lugares, de rótulos etc. No Brasil, a língua de sinais utilizada pelas comunidades surdas dos centros 28 urbanas é denominada LIBRAS. De acordo com a Coordenadoria Nacional Para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE) essa linguagem é reconhecida, cientificamente, como um sistema lingüístico de comunicação gestualvisual, com estrutura gramatical própria, oriunda das Comunidades Surdas Brasileiras. É uma língua natural, formada por regras morfológicas, sintáticas, semânticas e pragmáticas próprias. É uma língua completa, com estrutura independente da língua portuguesa. Além disso, possibilita o desenvolvimento cognitivo dos surdos, favorecendo o acesso destes aos conceitos e conhecimentos existentes. Os usuários da Libras são os surdos, seus familiares, profissionais da área e todas as pessoas que convivem ou trabalham com surdos ou que tenham interesse em utilizar, pesquisar e aprender esta língua. A LIBRAS é a sigla para Língua Brasileira de Sinais, que, segundo a legislação vigente constitui um sistema de idéias e fatos que os portadores de deficiências querem transmitir, ou seja, uma forma de comunicação, expressão de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria. Expressão facial e/ou corporal: são de grande importância, que é a partir da expressão facial o auto-atendimento real do sinal. 29 . Figura 1- Alfabeto manual dos surdos 30 Figura 2- Expressão em Libras Para conversar em LIBRAS não basta apenas conhecer os sinais de forma solta, é necessário conhecer a sua estrutura gramatical, combinando-os em frases. As línguas de sinais são, pois, tão naturais quanto às orais para todas as pessoas ouvintes. E para os as pessoas surdas são mais acessíveis devido ao bloqueio oral auditivo que apresentam, porém não são menos complexas por isso. Os surdos precisam de uma modalidade de língua que possa contribuir facilmente para ativar seu potencial lingüístico e relacionar-se com os outros como cidadãos comuns. No esforço de levar o aluno a refletir e compreender, o professor deverá propiciar condições para que o aluno reflita com gestos sinais, marcas, desenhos e escrita. Desse modo, o texto oral e escrito será o centro do trabalho no processo de aquisição da língua escrita, pois somente dessa forma a palavra alcança possibilidades amplas de significado. A linguagem de Sinais permite os surdos adquirirem uma diferença lingüística e cultural em relação aos ouvintes. 31 Sabe-se a importância que a escrita impactou com o seu aparecimento e o seu valor, não só para a memorização, mas também para a operacionalização do pensamento. Sem a escrita qualquer outra disciplina será praticamente impossível de ser entendida. Por isso a questão dos surdos preocupa tanto, principalmente no processo educacional, Os surdos têm a experiência escrita, porém, normalmente transcrevem a LIBRAS como Língua Portuguesa. Não há sistema de escrita de línguas de sinais que seja amplamente aceito e universalmente utilizado, os surdos ainda não desenvolveram um sistema de escrita que registre as idéias e emoções que expressam pelos gestos das línguas de sinais. A LIBRAS, sendo uma linguagem, possui organização interna que define seu conjunto de regras próprias, em todos os níveis lingüísticos, e está sendo estudada em várias partes do mundo, podendo expressar os mais complexos pensamentos e as mais abstratas idéias, possibilitando transmitir comunicação, aprendizado e formação de identidade Outro aspecto a ser destacado é que muitos consideram esta forma de comunicação como uma linguagem mundial de surdos. Entretanto, a língua de sinais não é universal, cada país tem a sua, resultante da cultura e do grupo social que a utiliza. A linguagem de Libras em sistemas educacionais está prevista na Lei nº 10.436/02 em seu artigo 4º, que dispõe o seguinte: Sistema Educacional Federal e sistemas educacionais federais, municipais e do Distrito Federal, devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudióloga, e de Magistério, em seus níveis médios e superiores, do ensino da língua brasileira de sinais – Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais – PCNs, conforme legislação vigente. (BRASIL, 2002) A Secretaria do Ministério da Educação (MEC), em 2002, produziu aproximadamente 15 mil dicionários Digitais da língua brasileira de sinais – LIBRAS, 32 no formato de CD-ROM que foram distribuídos para as escolas públicas de todo o país, com o intuito de auxiliar os professores do Ensino Fundamental a trabalharem com os alunos surdos. 33 4.6 BILINGÜISMO A abordagem educacional com Bilingüismo para surdos é aquela que acima de tudo estabelece que o trabalho escolar deve ser feito em duas línguas, com privilégios diferentes: a Língua de Sinais como primeira língua (L1) e a língua da comunidade ouvinte local como segunda língua (L2). Hoje, há escolas no Brasil que, mesmo ainda sem uma proposta bilíngüe, têm se tornado fator de integração da cultura surda brasileira porque as crianças, jovens e adultos se comunicam em Libras, e muitos professores destas escolas já sabem ou estão aprendendo esta língua com instrutores surdos. Por outro lado, várias escolas, em cidades ou estados que não possuem associação de surdos, trabalham ainda somente com uma metodologia oralista e as crianças surdas destas escolas desenvolvem um dialeto entre elas para uma comunicação mínima, mas estas ficam totalmente desintegradas da Cultura Surda brasileira e a maioria não tem um bom rendimento escolar. Como em outros países, os surdos vêm lutando para terem escolas para surdos porque acreditam que através de um ensino que atenda eficazmente suas necessidades lingüísticas e culturais, eles poderão se integrar e estar em condições de igualdade com os ouvintes quando disputarem, em concurso, uma vaga para universidades ou empregos. Uma política educacional que leve em conta a realidade e tradição dos surdos no Brasil poderá reverter o atual quadro de insatisfação, em relação à qualidade da educação para surdos, que prevalece nas comunidades surdas. Assim a comunidade surda veio conquistando seu espaço na sociedade. Hoje pode-se observar que os governos têm se preocupado com a inclusão. A Declaração de Salamanca (1994, p. 15) aprovada em junho de 1994 foi assinada por dirigentes de mais de oitenta países na Espanha e é um dos mais importantes documentos de compromisso de garantia de direitos educacionais. Ela proclama as escolas regulares inclusivas como o meio mais eficaz de combate à discriminação. 34 E determina que as escolas devam acolher todas as crianças, independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais. Percebe-se que há uma busca pela compreensão integral do portador de deficiência, e a tentativa de estruturar uma lei que seja, ao mesmo tempo, abrangente o suficiente para comportar os vários modelos e tipos de deficiência, no que se refere à busca pela capacitação e integração do ser humano. 35 4.7 A IMPORTÃNCIA DA ESCRITA PARA OS SURDOS Segundo Stumpf (2002) a escrita de sinais está para os surdos, como uma habilidade que pode dar muito poder de construção e desenvolvimento da própria cultura. Uma escrita própria sempre fez falta para os surdos, vivendo com isso uma grande limitação, uma vez que a LIBRAS, sua língua materna, foi reconhecida oficialmente há pouco tempo. Uma das contribuições que os educadores de surdos podem fazer hoje é acabar com essa ilusão de deficiência verbal e oferecer uma relação mais adequada entre a língua de sinais e a língua portuguesa. Segundo Jover (1999, p.11) os termos integração e inclusão têm vários sentidos como: Integração, significando “inserção da pessoa deficiente preparada para conviver na sociedade”. Inclusão, significando modificação da sociedade, como pré-requisito para pessoas com deficiências especiais para exercer a cidadania. Existe a integração total ou plena, que corresponde à atual terminologia dada à inclusão. No ano de 1994, surgiu o primeiro documento que aborda o conceito de inclusão, a Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994, edição em inglês). De acordo com Scwartzman (1997, p.62) a integração é a ação ou política que visa integrar em um grupo as minorias raciais, e a inclusão é o ato ou efeito de incluir, pelo qual um conjunto contém ou inclui o outro, esse é um começo de inclusão de deficientes no ensino regular, sendo um esforço para chegar ao objetivo que é a inclusão total, o acesso à universidade, à graduação. Segundo Werneck (1997, p.51) a integração e a inclusão são dois sistemas organizacionais de ensino que tem origem no principio de normalização. Normalizar 36 uma pessoa não significa torná-la normal. Significa dar a ela o direito de ser diferente e ter suas necessidades reconhecidas e atendidas pela sociedade. Na área da educação, normalizar é oferecer ao aluno com necessidades especiais recursos profissionais e institucionais adequados, para ele desenvolver seu potencial como estudante, pessoa e cidadão. Foi a partir dos anos 60 que o movimento pela integração social começou a inserir as pessoas portadoras de deficiências nos sistemas sóciais gerais como: Educação, trabalho, família e lazer (SASSAKI, 1997). Nos anos 70 (maistreaming) onde o aluno deve ficar em um ambiente mais normal possível, surge com objetivos integracionais para os alunos deficientes ou com dificuldades, onde cada deficiente auditivo, termo utilizado em leis, deve ser educado em um ambiente mais normal e menos restrito. Já nos anos 80 o conceito expandiu-se criando o REI (Regular Education Initiative 1985), que tinha como objetivo colocar o maior número de pessoas deficientes em sala de aula. A inclusão é a extensão destas idéias que se tornam visíveis a partir dos anos 90. O ser humano pensa que as dificuldades existentes não têm mais jeito de mudar, é “impossível mudar”. Na sociedade inclusiva, todos os cidadãos são responsáveis pela qualidade de vida de semelhantes, tendo a participação, comprometimento e envolvimento, para garantir o bem-estar individual e coletivo, não esperando alguma coisa em troca, desenvolvendo a participação comunitária. A inclusão parece simples e cheia de bom senso; contudo é complexa, por lidar com a diversidade, a diferença e os preconceitos. Seu modelo repousa em bases teóricas e seus serviços são destinados aos alunos com necessidades 37 especiais. Incluir significa mais do que resolver problemas e colocar crianças deficientes em uma sala de aula da escola do seu bairro. Os professores têm por comprometimento transformar o surdo em um ser capaz de refletir e ser crítico para o mercado de trabalho. É dever da educação e de todos os componentes da sociedade formar o futuro cidadão. Ensinar aos deficientes é a obrigação do grupo de profissionais que acredita em uma democracia justa e plena, participativa e sem benevolências (SKALIAR, 1997). A escola neste aspecto deve refletir sobre a ética e a moral. Segundo Borja (1994, p.80). “Acredita-se que o desafio que nos está sendo proposto é o de conciliar a liberdade indispensável para que a ordem normativa seja legitima com a autoridade necessária para que ela seja útil e igualmente proveitosa para todos”. Inclusão social é Inclusão do Movimento da sociedade (sociedade inclusiva). É igualdade de oportunidades para todos. A literatura especializada chama de autodeterminação, as escolhas que cada um possa fazer e contribuir com a sociedade. Educação Inclusiva é um conjunto de processos educacionais sem qualquer forma de isolamento, sendo assim busca o acesso a escola regular, ampliar a participação e assegurar a permanência de todos os alunos. A educação inclusiva garante a todos os cidadãos brasileiros o acesso ao ensino fundamental, nível de escolaridade obrigatório. O Conselho Nacional de Educação baixou a Portaria 1793/94 que recomenda a inclusão de conteúdo e disciplinas de portadores de necessidades especiais nos cursos de 3º Grau. ACAPES/PROESP viabilizaram concessões de bolsa de estudos ao portador de necessidades educativas especiais na especialização, mestrado e doutorado, no Brasil e no Exterior (GOTTI, 1998, p. 366). 38 Passos para a Inclusão: Ter como filosofia as diferenças na aprendizagem; Conscientizar a comunidade, alunos e pais de que o deficiente não vai atrapalhar a aprendizagem dos outros alunos; Ter uma equipe de professores e funcionários preparados para lidar com a situação. A convivência com colegas da mesma faixa etária; Não priorizar a aprendizagem dos conteúdos educacionais em detrimento da aprendizagem da vida; Não esperar respostas imediatas; Não deixar de apresentar conteúdos, supondo que ele não vá aprender; Avaliar o aluno considerando o seu potencial; Em casos de agressividade ou passividade aconselhar os pais em busca ajuda médica; Fazer da observação o seu mais importante instrumento de tomada de decisão. 39 4.8 EDUCAÇÃO DE SURDOS EM LONDRINA O Instituto Londrinense de Educação de Surdos – ILES, foi fundado no dia 15 de agosto de 1959, pelo casal Rosalina Lopes Franciscão e Odésio Franciscon, aclamados Diretora e Presidente da Entidade, respectivamente por sugestão de D. Geraldo Fernandes, então Bispo da Diocese de Londrina, também fundador e colaborador da Instituição. É considerada obra pioneira, em Ensino Especial, no Norte do Paraná. Inicialmente funcionou na sala da Diretora no Grupo Escolar Benjamin Constant, nesta cidade de Londrina, cuja Escola tinha como Diretora a Professora Rosalina Lopes Franciscão e, na qual estudava um surdo, o que motivou a criação do ILES. O professor Benedito João Cordeiro então delegado Regional de Ensino orientou a Diretora e, com cinco alunos surdos, iniciou-se o ILES. No começo, o ILES recebeu assistência pedagógica do Prof. Jorge Gadig, na ocasião, Superintendente do Ensino de Surdos de São Paulo. Deslocava-se, de trem para Londrina, duas vezes por semana, num período de um ano, a fim de orientar as professoras Olivete Andreatti e Fusako Maikuma, pioneiras da escola. Em 1º de agosto de 1969, o ILES transferiu-se para prédio próprio, em alvenaria, na Rua Asas, 35, Bairro Boa Vista, onde permanece em atividades. Atualmente essa rua denomina-se Rua Madre Tonina Ugolini, em homenagem póstuma à religiosa que dedicou sua vida aos surdos e, que por muitos anos, trabalhou no ILES. A partir de dezembro de 1973, o ILES começou a contar com a assistência religiosa e técnico-pedagógica da Congregação “Pequena Missão para Surdos”. Foi reconhecido pelo Estado pelo Decreto 20.592/70, de 15 de julho de 1970. O ato de autorização de funcionamento consta na Resolução 1.901/82 de 19/07/1982. O ato de reconhecimento do Estabelecimento consta na Resolução 530/87 de 10 de fevereiro de 1987. Em 1990, a Resolução 3646/90 fixou normas para a reestruturação da Escola, que passou a denominar-se Escola Estadual do Instituto Londrinense de Educação 40 de Surdos – Ensino Especial Pré-Escolar e de 1º grau, ofertando, na época, a reabilitação e escolaridade a deficientes auditivos nos seguintes níveis: educação precoce; pré – escolar; 1ª à 8ª séries; profissionalização. A Escola Estadual do ILES avança em sua caminhada no firme propósito de atender as reais necessidades do educando surdo. Assim sendo, foi implantado o Projeto de Alfabetização CBA – 04 anos, aprovado pelo parecer nº 196/98 de 30 de junho de 1998, bem como, a partir deste mesmo ano iniciou-se a oferta de Ensino Médio, depois de atender todas as exigências para esse fim. A partir de então, a Instituição passa a denominar-se Colégio Estadual do Instituto Londrinense de Educação de Surdos – Educação Infantil, Ensino Fundamental e Médio através da Resolução 980/98, de 13 de abril de 1998, que autoriza o funcionamento do ensino de 2º grau. A história da inclusão no Brasil, a cada dia se fortalece mais. Especialistas vêm mostrando que a inclusão é necessária e que a partilha de experiências, informações e conhecimento, só tem valor se for repassado. Na maioria dos casos a integração do aluno portador de deficiência requer a presença de um professor que colabore dentro da sala de aula de modo que favoreça o progresso e a aprendizagem. 41 4.9 A EDUCAÇÃO SUPERIOR PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA De acordo com os dados levantados no Censo do IBGE em 1991 aproximadamente 60% das pessoas com deficiência eram analfabetas. As deficiências mais comuns eram as deficiências mentais, auditivas e visuais. “Nos dados do Censo Escolar MEC, no ano de 2001, observa-se que o número de alunos com deficiência sofreu uma variação positiva de 8%, quando comparado a 1999, passando a 274.699 alunos matriculados para 404.743.” (Relatório RDB). Os levantamentos de dados sobre a participação de alunos com deficiência no ensino superior brasileiro, ainda são muito precários, tanto do ponto de vista da regularidade quanto da qualidade das informações, conforme já ressaltado.De acordo com o Censo Educacional realizado pelo MEC/INEP em 2003, os números relativos às matrículas de alunos com deficiência no ensino superior, são os seguintes: Quadro 1 – Alunos com deficiência no Ensino Supeior Matrículas no Ensino Superior Total de Alunos: 3.887.022 Escolas Públicas: 136.370 = 29,2% Alunos c/ Deficiência 1.373 = 27% 5.078 Fonte: MEC/INEP – Censo 2003 Escolas Privadas: 2.750.652 = 70,8% 3.705 = 73% Analisando os dados acima, constata-se a predominância das escolas privadas sobre as instituições públicas, ao contar com a maior parte dos alunos do ensino superior, confirmando essa tendência também, na situação dos universitários com deficiência. Estes últimos representam lamentavelmente, 0,13% do total dos alunos que conseguem ter acesso à educação superior. Conforme dados da SESU/MEC várias Universidades Federais estão desenvolvendo iniciativas visando a inclusão de pessoas com deficiência na educação superior. Em levantamentos realizados em 2004 e 2005 comprovou-se 42 que várias Universidades estão propiciando oportunidades de acessibilidade às pessoas com deficiência, conforme segue: Escola de Farmácia e Odontologia de Alfenas – Centro Universitário Federal Fundação Universidade Federal de Tocantins Fundação Universidade Federal do Rio Grande Hospital de Ensino do Hospital de Clínicas de Porto Alegre Universidade de Brasília Universidade Federal da Paraíba Universidade Federal de Goiás. Universidade Federal de Juiz de Fora Universidade Federal de Lavras Universidade Federal de Mato Grosso Universidade Federal de Minas Gerais Universidade Federal de Ouro Preto Universidade Federal de Pelotas Universidade Federal de Pernambuco Universidade Federal de Santa Catarina Universidade Federal de Sergipe Universidade Federal de Uberlândia. Universidade Federal do Acre Universidade Federal do Ceará Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Universidade Federal do Pará Universidade Federal do Paraná Universidade Federal do Rio de Janeiro Universidade Federal Fluminense Universidade Federal Rural da Amazônia 43 4.10 PROPOSTAS PARA O VESTIBULAR DE SURDOS Nas pesquisas realizadas pela SESU/MEC junto às Universidades Federais foram levantadas situações a respeito das garantias de condições das pessoas com deficiência para competir com os outros candidatos e dos recursos necessários à efetivação das provas. A maioria das Universidades (87,5 %) declararam que estão promovendo adaptações nos concursos vestibulares. As adaptações variam de acordo com a deficiência e o nível de dificuldade gerado no candidato. São alternativas empregadas: provas em Braille, exames ampliados, tempo extra, presença de leitores e intérpretes de LIBRAS, modos diferenciados de correção das provas, dentre outros. Foram destacados exemplos, como o da Universidade de Brasília (UnB), que oferece Salas Especiais para candidatos, conforme o tipo de deficiência: Motora, Auditiva, Visual e com problemas diversos, incluindo nesta categoria a agenesia de membros superiores. Também são oferecidos atendimentos especiais no momento da realização das provas, os quais são antecipadamente requisitados pelos candidatos no momento da inscrição no vestibular. Outra iniciativa louvável é desenvolvida pela Universidade Federal de Ceará. Trata-se de um Curso pré-vestibular “Ludwig Van Beethoven”, feito em parceria entre a Faculdade de Educação e Pró-Reitoria de Extensão e o Centro de Atenção ao Surdo (CAS) da Secretaria de Educação do Estado do Ceará. O Curso funciona desde junho de 2005, atendendo 40 alunos surdos, que estão concluindo o Ensino Médio. Os professores são 19 alunos de graduação da UFC, a partir do quinto semestre, voluntários , que receberão como estimulo um certificado de Monitor; a comunicação se garante através de intérprete de LIBRAS. O vestibular deve ser considerado apenas a primeira etapa na inclusão de alunos com necessidades especiais oriundas de deficiências. Há uma série de exigências e modificações que deverão colocadas em práticas durante a permanência do aluno na universidade. A principal delas é a quebra dos preconceitos, a redução do estigma que envolve a pessoa com deficiência e sua inclusão social. 44 A consciência do direito de constituir uma identidade própria e do reconhecimento da identidade do outro traduz-se no direito à igualdade e no respeito às diferenças. O principio da equidade reconhece a diferença e a necessidade de haver condições para o processo educacional, respaldado pelo Censo Demográfico de 2000, do IBGE. Segundo o Censo Escolar do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC), de 2003, 5.750.809 possuem dificuldades auditivas ou surdez, no Brasil, sendo 519.460 pessoas com até 17 anos de idade e 276.884, entre 18 e 24 anos. Entretanto apenas 300 alunos surdos são universitários . No entanto, o ingresso dessas pessoas na universidade ainda é considerado um tanto quanto restrito e limitado, pois requer aprimoramento nas técnicas de ensino dos docentes. Algumas instituições estão preparando-se para que haja essa interação, aprimorando os conhecimentos e incluindo a LIBRAS no contexto curricular, tendo em vista que essa língua, assim como outras línguas, possui sua estrutura gramatical diferenciada e um caráter particular. O modo de escrever e de interpretar, baseando-se na modalidade gestualvisual é bem diversificado, proporcionando uma distinção extremamente nítida diante dos parâmetros gramaticais tradicionais da nossa língua portuguesa, o que se torna o fator provocador para que ainda haja a exclusão. Faz-se necessário que o docente tenha uma preparação específica para entender o indivíduo surdo, tornando-se, desse modo, uma espécie de professor facilitador, adaptando-se ao processo de aprendizagem desses alunos, ajudando-os dessa maneira a desenvolver o raciocínio lógico para que haja assimilação do conteúdo acadêmico. Essa condição, porém, só surtirá o efeito desejado se o sistema educacional possibilitar que o surdo se prepare para a competição no vestibular e para o acompanhamento das atividades acadêmicas durante o curso de Graduação e, eventualmente, de Pós-Graduação. 45 Como, no presente, este não é o caso, uma vez que a grande maioria dos surdos não ingressa nas universidades e o único meio de apresentar alguma possibilidade para que aqueles que têm aspiração a uma carreira que requeira o desenvolvimento de habilidades intelectuais e técnicas no sistema educacional superior, seria uma adaptação na aplicação de provas e no processo de avaliação do vestibular das universidades brasileiras. Numa prova de vestibular para surdos, as questões poderiam conter informações que contribuiriam para uma interpretação correta do conteúdo semântico da questão, permitindo que os surdos passassem o mais rapidamente possível da questão, sem perder tempo em decifrar o significado veiculado pelas formas lingüísticas. Estas informações gráficas teriam, entretanto, que ser redundantes ou suplementares e não complementares para não acarretarem falta de informações às pessoas surdas. Mesmo assim, para assegurar uma compreensão plena de questões, se fará necessário a presença de intérpretes das línguas Portuguesa e Libras, principalmente, para elucidar dúvidas na leitura das provas e durante a elaboração das mesmas. Não se pode esquecer que o surdo não lê e nem escreve fluentemente o Português, assim como qualquer um encontraria dificuldade na leitura de uma prova escrita em língua estrangeira sobre a qual não se tem pleno domínio. A intermediação do intérprete na participação dos surdos no vestibular pode ser provisória nesta fase de transição que vai de um sistema educacional especial tradicionalmente oralista a um sistema que presuma uma abordagem educacional para os surdos. Futuramente, depois de implantada e solidificada uma política pública e uma filosofia educacional que vise a tornar os surdos competentes em LIBRAS e em Língua Portuguesa, esta última, principalmente, em sua modalidade escrita, a presença do intérprete nas provas de vestibular pode tornar-se desnecessária, podendo, então, os intérpretes se dedicar apenas a atividades de interpretação nas salas de aula e durante outras atividades do curso de Graduação ou de Pós Graduação. 46 A questão da tradução das provas em LIBRAS por intérpretes não é trivial, pois demandaria uma interpretação adequada, correta e isenta de interferências idiossincráticas dos intérpretes que poderiam prejudicar o conteúdo semântico das questões e mesmo adiantar significados próprios das respostas. Para auxiliar os intérpretes em caso de não compreensão de palavras técnicas das áreas específicas, sugere-se que um bom dicionário de Português esteja ao seu alcance, na sala de realização das provas do vestibular. Quanto à interpretação de texto, recomenda-se que, após a sua leitura pelos surdos, com breves comentários do intérprete quanto ao significado de algumas palavras que porventura venham a ser totalmente desconhecidas, os candidatos que desejarem terão resguardados seus direitos de interpretarem o texto em LIBRAS, com tradução simultânea em Português por um intérprete, o que seria gravado em vídeo para documentação. As questões das provas de Matemática, Física, Química e Biologia também seriam respondidas em Língua Portuguesa escrita, porém, o surdo teria que contar com a presença do intérprete para elucidação do significado das questões. Para as provas de História e de Geografia (conhecimentos gerais), no caso de respostas dissertativas, poderia haver também opção pelo surdo em respondê-las em LIBRAS, com interpretação simultânea em Português e gravação em vídeo, o que possibilitará a avaliação e a documentação da prova. Pesquisas realizadas mostram que as universidades estão voltando-se cada vez mais para essa questão e incluindo-se no processo de interação cultural e aderindo aos intérpretes de LIBRAS e Língua Portuguesa para auxiliar na seleção de candidatos nos concursos de vestibulares, possibilitando um aproveitamento maior tanto nas provas, quanto nas redações dos alunos. Em sala de aula, os intérpretes auxiliam na tradução das explicações dos professores, facilitando desse modo à comunicação, possibilitando consequentemente o desenvolvimento das práticas pedagógicas igualitárias. Preparação específica para entender indivíduo, tornando-se, desse modo, uma espécie de professor facilitador adaptando-se ao 47 processo de aprendizagem desses alunos, ajudando-o dessa maneira a desenvolver o raciocínio lógico para que haja assimilação do conteúdo acadêmico. Assim sendo, é possível concluir que o ingresso dos surdos nas universidades é uma conquista, contudo, marcada por lutas constantes contra o preconceito e a falta de informação e formação profissional. O que essas pessoas mais necessitam é de oportunidades igualitárias que promovam o seu desenvolvimento, respeitando as diferenças de cada indivíduo, permitindo para esses cidadãos uma participação íntegra na sociedade, tornando-os capazes de exercer um ofício. No entanto, faz-se necessário que os educadores tenham convicção de que educar essas pessoas requer dedicação e amor ao ofício profissional. O professor não pode analisar esse aluno como simplesmente uma pessoa surda que precisa de ajuda. Esses indivíduos são capazes, assim como todos os outros de desenvolverse fluentemente. Para isso, basta que o professor tenha a qualificação profissional necessária, ajudando a quebrar esses paradigmas. Neste sentido, Souza e Silva (2005) afirmam que é preciso que haja um compromisso ético do professor ao tentar responder adequadamente às diferentes situações que surgirão, na maioria das vezes, de forma imprevisível. É necessário entendimento diante de situações que estão fora do seu próprio contexto de vida, de forma a enfrentar adequadamente o ocorrido, fazendo deste uma oportunidade de aprendizagem. É imprescindível que o Sistema Escolar do Ensino Superior Brasileiro inclua no currículo dos docentes propostas de especialização educacional voltadas exclusivamente e às necessidades das pessoas que querem enquadrar-se no Sistema. Fernandes (2003) descreve com toda a sua experiência na Secretaria de Educação Especial do Estado do Paraná que: ”Acreditamos na educação bilíngüe como uma possibilidade de vivenciar a pluralidade e intertextualidade cultural, como um projeto de aproximação entre as diferenças. Não vemos como um 48 dispositivo pedagógico utilizado para fazer calar a alteridade surda na língua majoritária daqueles que podem se constitui como sujeitos na experiência oralauditiva da língua portuguesa. A língua como lugar de encontro multicultural é o que nos permitimos sonhar nesse desafio que nos propusemos a enfrentar” 49 5. CONCLUSÃO Ao analisarmos o processo histórico da educação no Brasil, sua constituição e desdobramento, nos deparamos com o entendimento da educação especial enquanto um apêndice do sistema geral de ensino. O sentido a ela atribuído tem sido o de assistência à crianças e jovens deficientes e não o de educação de alunos que tem necessidades educativas especiais. A educação especial hoje, em busca da superação de sua condição de apêndice, participa no processo de discussão e redimensionamento da presente proposta curricular. Isto demarca um momento histórico importante na caminhada para efetivamente possibilitar um sistema educacional mais abrangente, menos excludente. É de fundamental importância e convém ressaltar os anseios e as dificuldades que os educadores enfrentam quando recebem em sua classe, criança portadora de algum tipo de deficiência, sentem-se inseguros, sem saber como lidar com este tipo de problema. As escolas, de um modo geral, não estão preparadas para receber este tipo de clientela. Pode-se até afirmar que existe um certo descaso em relação a esses indivíduos que antes de mais nada, são seres humanos e cidadãos que devem ser respeitados em suas limitações e ao mesmo tempo, trabalhados para alcançarem um real desenvolvimento Baseada nesta compreensão, as atitudes para com os portadores de deficiência se modificam nesta sociedade, em decorrência das relações sociais estabelecidas, se concretizando em novas oportunidades educacionais e de integração social destes indivíduos. 50 As crianças precisam sentir-se amadas e bem cuidadas. Precisam sentir que são aceitas como são, incondicionalmente. Precisam sentir segurança de que há alguém por quem ela não seja criticada nem humilhada por causa de suas limitações, aparência ou comportamento. O que é na verdade um portador de necessidades especiais? Um ser limitado, diminuído? Um estranho entre nós? Assim nos habituamos a pensar e a sentir. Os termos deficiente, excepcional e semelhantes, fazem com que, sem que, nos apercebamos, marcamos estas pessoas, com o estigma da discriminação. A criança portadora de necessidades especiais, é diferente, em virtude da sua facilidade em sofrer dores, fadiga, causada por esforços exagerados e medo de acidentes ou rejeição social. Esses fatores dificultam percepções realistas sobre suas próprias adequações e limitações. Em conseqüência de excessivas atenções parentais, de rejeição emocional pelos pais ou de atitudes de condescendência, por parte da sociedade em geral, a criança fisicamente diminuída pode sentir-se inferior, incapaz. O comportamento resultante pode ser o de um “indivíduo desajustado“. A escola precisa investir na educação especial tanto financeiramente quanto na proposta de ensino, bem como deva existir o interesse do sistema em preparar e especializar o professor nesta área, pois poucas são as escolas que habilitam o profissional em educação para trabalhar com crianças portadoras de necessidades especiais. Faze-se necessário também realizar um trabalho com a comunidade visando torná-la ciente da real função da escola e do direito da educação para todos, objetivando anular qualquer forma de estigmatização, preconceito e desrespeito à individualidade. Grande parte da sociedade já tem consciência desses aspectos, e é relevante ressaltar que um grande passo das pessoas portadoras de deficiências foi a conquista de um espaço, ainda que limitado, nos concursos asseguram em seu quadro de vagas para que possam ingressar no mercado de trabalho. É mérito a 51 todos aqueles que lutam pela integração e inclusão do deficiente na sociedade, oportunidade esta que mostra a capacidade em realizar determinados trabalhos e com isto eliminar o estereótipo da incapacidade que a eles são referidos. A proposta do sistema educacional brasileira é dar, para cada criança, a oportunidade de aprender tanto quanto sua capacidade permitir, no entanto os alunos que apresentam distúrbios de aprendizagem ou algum tipo de deficiência, não têm essa oportunidade. Não conseguem acompanhar o currículo estabelecido pelas escolas, fracassam e são tratados de retardados, perturbados ou simplesmente rotulados como fracos e multirepetentes e o sistema educacional brasileiro ainda não tem lugar para elas. Portanto, a escola inclusiva é uma tendência internacional que surgiu no início deste século. É considerada Escola Inclusiva aquela que abre espaço para todas as crianças, abrangendo aquelas com necessidades especiais. O principal desafio da Escola Inclusiva é desenvolver uma pedagogia centrada na criança, capaz de educar a todas, sem discriminação, respeitando suas diferenças; uma escola que dê conta da diversidade das crianças e ofereça respostas adequadas às suas características e necessidades, solicitando apoio de instituições e especialistas quando isso se fizer necessário. É uma meta a ser perseguida por todos aqueles comprometidos com o fortalecimento de uma sociedade democrática, justa e solidária. 52 REFERÊNCIAS BUENO, José Geraldo Silveira. Educação Especial integração/segregação do aluno diferente. São Paulo: EDUC, 1993. Brasileira: BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria N.º1060/02 - Política Nacional de Saúde da Pessoa Portadora de Deficiência, 2002. FENEIS - Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos Histórico da educação dos surdos. Disponível em: http://www.feneis.com.br. Acesso em 14.set.2008. FONSECA, Vitor da. Educação especial. Porto Alegre:Artes Médicas, 1987. 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