UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO DOUTORADO EM ENSINO DE CIÊNCIAS E MATEMÁTICA Objetivos CTS no ensino da educação profissional de nível médio do CEFET-MG ANA LÚCIA LOPES CORRÊA Orientador: Prof. Dr. Mauro Sérgio Teixeira de Araujo Tese apresentada ao Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática, da Universidade Cruzeiro do Sul, como parte dos requisitos para a obtenção do título de Doutora em Ensino de Ciências e Matemática. SÃO PAULO 2014 AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE. FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL DA UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL C84o Corrêa, Ana Lúcia Lopes. Objetivos CTS no ensino da educação profissional de nível médio do CEFET – MG / Ana Lúcia Lopes Corrêa. -- São Paulo; SP: [s.n], 2014. 264 p. : il. ; 30 cm. Orientador: Mauro Sérgio Teixeira de Araújo. Tese (doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática, Universidade Cruzeiro do Sul. 1. Ciêcia – Educação 2. Ciência – Tecnologia – Sociedade (CTS) 3. Educação profissional técninca de nível médio (EPTNM) 4. Formação de professores 5. Cidadania I. Araújo, Mauro Sérgio Teixeira de. II. Universidade Cruzeiro do Sul. Programa de PósGraduação em Ensino de Ciências e Matemática. III. Título. CDU: 502:37(043.2) UNIVERSIDADE CRUZEIRO DO SUL PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO Objetivos CTS no ensino da educação profissional de nível médio do CEFET-MG Ana Lúcia Lopes Corrêa Tese de doutorado defendida e aprovada pela Banca Examinadora em 20/02/2014. BANCA EXAMINADORA: Prof. Dr. Mauro Sergio Teixeira de Araújo Universidade Cruzeiro do Sul Presidente Prof.ª Dra. Maria Delourdes Maciel Universidade Cruzeiro do Sul Prof.ª Dra. Rosemary Aparecida Santiago Universidade Cruzeiro do Sul Prof. Dr. Álvaro Chrispino Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca-CEFET/RJ Prof.ª Dra. Mirian Pacheco Silva Universidade Federal do ABC Dedico este trabalho ao meu companheiro de vida, Vinícius, e aos meus filhos queridos, Jean e Maíra, com amor e gratidão pela compreensão, carinho e apoio ao longo desta jornada. Aos meus pais, por compreenderem minha ausência nos últimos passos desta trajetória. Saibam que vocês sempre habitam meu coração. A uma florzinha branquinha que virou estrela no início desta minha jornada. Um dia voltaremos a nos encontrar. E a outra florzinha cor de mel que veio para alegrar minha vida. AGRADECIMENTOS Inicio por agradecer a todos os alunos e professores, que tanto contribuíram para o desenvolvimento desta pesquisa. Sem vocês, ela não se concretizaria. Ao meu orientador, Prof. Dr. Mauro Sérgio Teixeira de Araújo, sempre presente e atencioso. Obrigada pelo carinho e atenção dedicados com responsabilidade e sabedoria nas orientações fornecidas. Aos membros convidados da banca, Prof.ª Dra. Carmem Lúcia Costa do Amaral, Prof.ª Dra. Maria Delourdes Maciel, Prof.ª Dra. Mirian Pacheco e Prof. Dr. Álvaro Chrispino, obrigada por aceitarem o convite. Agradeço também a Profª Dra. Rosemary Aparecida Santiago por ter aceitado o convite para substituir a Profª Carmem. Aos meus colegas, professores da Coordenação de Ciências, Adelson, Almir, Ronaldo, Rogério, José Luís Novais, José Luís Saldanha, Marcos Paulo e Rosiane. Suas parcerias e compreensões foram muito importantes para este trabalho. Ao Prof. Alfredo Melk, que trabalhou no CEFET-MG e disponibilizou suas turmas para a aplicação do questionário desta pesquisa. À Prof.ª Érika, colega, amiga e quase irmã, por sempre ter me apoiado e estimulado a seguir em frente. Aos professores Ivo e José Antonio Pinto, colegas do doutorado e de viagens. Vivemos momentos incríveis juntos em São Paulo. Com carinho especial, agradeço às minhas amigas Sandra, Miriam e Bia, por todos os momentos bons, engraçados e pitorescos que passamos juntas em nossas estadias em São Paulo, dividindo quarto de hotel, aflições, alegrias e tristezas. Esses momentos vão ficar guardados na memória com carinho e gratidão. Aos professores Dácio de Moura e Eliane Gangussu, pelas entrevistas concedidas sobre o CEFET-MG. Foram muito valiosas e esclarecedoras. Ao ex-Diretor do CEFET-MG, Flávio Santos, pela atenção que sempre me dispensou e por ter indicado caminhos e pessoas que me auxiliassem na pesquisa. Aos professores Francisco Magalhães, Wanderlei Ferreira de Freitas e Humberto Barros de Oliveira, por suas contribuições a respeito da META. À Prof.ª Maria Rita Neto Sales Oliveira, pela gentileza e carinho. Aos funcionários do DIEE, Thiago e Graça, pela colaboração, disponibilidade e gentileza por me deixar ter acesso aos arquivos dos questionários do Seminário de Conclusão de Curso do CEFET-MG. À Prof.ª Nilza Helena de Oliveira, que me auxiliou na pesquisa sobre o CEFET-MG, fornecendo-me sua tese. À Andréa, do RPM, à Claudinha, da Comunicação Social, ao Clever, do DRI, e à Maria Eunice, da Biblioteca do Campus I, por terem me ajudado sempre que eu precisei. À Kênia, um agradecimento especial, por ter me apoiado nas dificuldades de informática. Ao povo brasileiro, que, com seu trabalho e impostos, financiou minha educação superior, principalmente durante este doutorado, através da bolsa da CAPES – PIQDTec. Espero que o conhecimento construído possa retornar a esse povo! Enfim, a todos que contribuíram e torceram para que este sonho se tornasse realidade. Muito obrigada, de coração! “Num grão de areia ver um mundo. Na flor silvestre a celeste amplidão. Segura o infinito em sua mão e a eternidade num segundo”. WILLIAM BLAKE (1757-1827) CORRÊA, Ana Lúcia Lopes. Objetivos CTS no ensino da educação profissional de nível médio do CEFET-MG. 2014. 264 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática)-Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2014. RESUMO Propostas de ensino e desenhos curriculares que contemplem discussões sobre as interações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) têm estado presentes em legislações e propostas para a educação brasileira e ganhado espaço em publicações, trabalhos acadêmicos e encontros que discutem os rumos da educação científica no Brasil. Nesse contexto, a alfabetização científica e tecnológica passou a adquirir um papel central no ensino de Ciências, com o objetivo de desenvolver nos cidadãos uma educação voltada para uma tomada de consciência sobre os problemas socioambientais e para o desenvolvimento de competências que lhes permita uma cidadania mais ativa e questionadora. Nessa perspectiva, o problema de investigação de nossa pesquisa é: Como o ensino ofertado na Educação Profissional Técnica de Nível Médio (EPTNM), do CEFET-MG, contempla, segundo alunos e professores, os objetivos do enfoque CTS? O objetivo geral desta pesquisa é identificar, no ensino ofertado na EPTNM, do CEFET-MG, características presentes em cursos com enfoques CTS. Os objetivos específicos que se articulam ao objetivo geral são: a) identificar e analisar eventuais divergências e convergências nas respostas de alunos e professores da EPTNM do CEFET-MG, no que diz respeito ao ensino ofertado na instituição; b) identificar e analisar possíveis fragilidades formativas no ensino ofertado na EPTNM do CEFET-MG. Nesse percurso, delineamos nossa hipótese de pesquisa: considerando a relevância dos objetivos formativos que caracterizam os diferentes enfoques CTS, alguns desses objetivos podem não estar devidamente contemplados na EPTNM do CEFET-MG, segundo alunos e professores da instituição, apontando para possíveis fragilidades na formação oferecida. Esta tese apresenta os resultados de uma pesquisa qualitativa e quantitativa, utilizando o método estudo de caso. O referencial adotado se baseia em autores que discutem o ensino de ciências sob a ótica CTS. Os sujeitos pesquisados são alunos da educação profissional técnica de nível médio e professores que lecionam nesse nível de ensino, pertencentes a vários campi da instituição. O instrumento utilizado na investigação foi um questionário do tipo misto, aplicado a 200 alunos e 64 professores. Metodologicamente, o trabalho envolve dois encaminhamentos: na parte quantitativa do instrumento de investigação, foi utilizada a estatística básica e, na parte qualitativa, foi utilizada a análise de conteúdo temático, referenciada em Laurence Bardin. A discussão dos resultados seguiu duas linhas: uma linha de análise horizontal, em que se apresenta uma visão geral dos dados qualitativos e quantitativos, e uma linha de análise vertical, na qual se apresenta a análise dos dados qualitativos dos sujeitos da pesquisa sob a ótica CTS para o ensino de Ciências. A conjunção dos procedimentos adotados na análise possibilitou identificar algumas fragilidades na formação voltada para uma cidadania ativa e uma maior consistência em relação à alfabetização científica na perspectiva ampliada e na formação para uma cidadania voltada para a solidariedade, para a sustentabilidade e para a responsabilidade social. Palavras-chave: Ensino de ciências, Educação profissional, CTS. CORRÊA, Ana Lúcia Lopes. STS objectives in the teaching of professional education in High School at CEFET-MG. 2014. 264 f. Tese (Doutorado em Ensino de Ciências e Matemática)-Universidade Cruzeiro do Sul, São Paulo, 2014. ABSTRACT Teaching proposals and curricular designs which contemplate discussions about the interactions between Science, Technology and Society (STS) have been present in legislation and proposals for the Brazilian education and gained space in publications, academic papers and meetings which discuss the routes of scientific education in Brazil. In this context, the scientific and technological literacy has started to acquire a central role in Science teaching, with the objective of developing in the citizens an education focused on a taking of consciousness about the socialenvironmental problems and on the development of competences which proportionate them a more active and inquisitive citizenship. In this perspective, the problem of investigation of our research is: How the teaching offered in Technical Professional Education in High School (TPEHS) of CEFET – MG, contemplates, according to students and teachers, the objectives of the STS focus? The main objective of this research is to identify, in the education offered in TPEHS of CEFETMG, characteristics present in courses with STS focuses. The specific objectives which are articulated to the main objective are: a) to identify and analyze eventual divergences and convergences in the answers of students and teachers of TPEHS of CEFET-MG concerning to the teaching offered in the institution; b) to identify and analyze possible formative fragilities in the teaching offered in TPEHS of CEFETMG. In this trajectory, we delineate our hypothesis of research: considering the relevance of the formative objectives which characterize the different STS focuses, some of these objectives may not be properly catered in in TPEHS of CEFET- MG, according to students and teachers of the institution, pointing at possible fragilities in the formation offered. This thesis presents the results of a qualitative and quantitative research utilizing the case study method. The frame of references adopted is based on authors who discuss the Science teaching under the STS optics. The subjects researched are students from technical professional education in high school and teachers who teach in this level of education, belonging to several institution’s campi. The instrument utilized in the investigation was a mixed-mode questionnaire, applied to 200 students and 64 teachers. Methodologically, the paper involves two directions: in the quantitative part of the instrument it was utilized the basic statistics and in the qualitative part it was utilized the thematic content analysis, referenced in Laurence Bardin. The discussion of the results followed two lines: one line of horizontal analysis, in which is presented a general vision of the qualitative and quantitative data, and a line of vertical analysis, in which is presented the analysis of the qualitative data of the subjects of the research under the STS optics for the Science teaching. The conjunction of the procedures adopted in the analysis enabled to identify some fragilities in the formation focused on an active citizenship and a greater consistence in relation to scientific alphabetization in amplified perspective and in the formation of a citizenship focused on solidarity, sustainability and social responsibility. Keywords: Science teaching, Professional education, STS. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 – A essência da educação CTS .............................................................. 38 Figura 2 – Uma sequência do ensino de ciências no enfoque CTS................... 53 Figura 3 – Modelo normativo do processo de tomada de decisão .................... 67 Quadro 1 – Contrastes quanto ao ensino de conceitos que emergem das classes tradicionais e classes CTS .................................................. 34 Quadro 2 – Contrastes das habilidades dos alunos quanto aos processos que emergem das classes tradicionais e classes CTS ................... 34 Quadro 3 – Contrastes das atitudes dos alunos que emergem das classes tradicionais e classes CTS .................................................. 35 Quadro 4 – Contrastes das habilidades de criatividade dos alunos que emergem das classes tradicionais e classes CTS .......................... 35 Quadro 5 – Contrastes dos conceitos da aplicação da Ciência que emergem de classes tradicionais e classes CTS ............................ 36 Quadro 6 – Categorias de ensino de CTS ............................................................ 40 Quadro 7 – Aspectos da abordagem CTS ........................................................... 58 Quadro 8 – Construção do questionário/alunos ............................................... 104 Quadro 9 – Construção do questionário/professores ...................................... 104 Mapa 1 – O CEFET em Minas Gerais .................................................................... 83 Gráfico 1 – Respostas da Questão 1.................................................................. 105 Gráfico 2 – Respostas da Questão 2.................................................................. 108 Gráfico 3 – Respostas da Questão 3.................................................................. 110 Gráfico 4 – Respostas da Questão 4.................................................................. 114 Gráfico 6 – Respostas da Questão 6.................................................................. 121 Gráfico 8 – Respostas da Questão 8.................................................................. 127 Gráfico 9 – Respostas da Questão 9.................................................................. 129 Gráfico 10 – Respostas da Questão 10............................................................... 127 Gráfico 11 – Respostas da Questão 11................................................................ 134 Gráfico 12 – Respostas da Questão 12................................................................ 136 Gráfico 13 – Respostas da Questão 13................................................................ 138 Gráfico 14 – Respostas da Questão 14................................................................ 140 Gráfico 15 – Respostas da Questão 15................................................................ 142 Gráfico 16 – Respostas da Questão 16................................................................ 145 Gráfico 17 – Respostas da Questão 17................................................................ 147 Gráfico 18 – Respostas da Questão 18................................................................ 151 Gráfico 19 – Respostas da Questão 19................................................................ 153 Gráfico 20 – Respostas da Questão 20................................................................ 155 Gráfico 21 – Respostas da Questão 21................................................................ 157 Gráfico 22 – Respostas da Questão 22................................................................ 158 Gráfico 23 – Respostas da Questão 23................................................................ 160 Gráfico 24 – Respostas da Questão 24................................................................ 162 Gráfico 25 – Respostas da Questão 25................................................................ 165 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Cursos de educação profissional técnica de nível médio/2010 ..... 84 Tabela 2 – Número de matrículas e de professores em 2011 por segmento de ensino no CEFET-MG.................................................. 85 Tabela 3 – Sujeitos pesquisados e distribuição dos questionários recebidos por segmento da amostra................................................ 93 Tabela 4 – Distribuição de matrículas por campi na EPTNM do CEFETMG em 2011 ........................................................................................ 94 Tabela 5 – Distribuição dos professores por campi (dedicação exclusiva e substituto) na EPTNM do CEFET-MG em 2011 ............................. 95 Tabela 6 – Número de alunos da amostra por campi do CEFET-MG ............... 96 Tabela 7 – Número de alunos da amostra por curso ........................................ 97 Tabela 8 – Distribuição dos alunos por série cursada ...................................... 97 Tabela 9 – Número de professores da amostra por campi do CEFET-MG ...... 98 Tabela 10 – Número de professores da amostra por área de atuação e/ou disciplinas lecionadas ....................................................................... 99 Tabela 11 – Número de professores da amostra por série(s) lecionada(s)....... 99 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACT Alfabetização Científica e Tecnológica C&T Ciência e Tecnologia CEB Câmara de Educação Básica CEFET-MG Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais CNE Conselho Nacional de Educação COCTS Questionários de Opiniões sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade CTS Ciência, Tecnologia e Sociedade DCN Diretrizes Curriculares Nacionais DCNEM Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio DCNEPNT Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico DEPT Diretoria de Educação Profissional e Tecnológica ECT Evaluación Constructiva de Tecnologías ECTSAL Estudos de Ciência, Tecnologia e Sociedade na América Latina EPTNM Educação Profissional Técnica de Nível Médio ICA International Council on Archives IES Instituição de Ensino Superior LDB Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional META Mostra Específica de Trabalhos e Aplicação NCTM National Council of Teachers of Mathematics NdC Natureza da Ciência NSTA National Science Teachers Association OECD Organization for Economic Co-operation and Development PCN+ Orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais PCNEM Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio PCT Política Científico-Tecnológica PDI Plano de Desenvolvimento Institucional PEPT Projeto Político-Pedagógico da Educação Profissional e Tecnológica PIEARCTS Projeto Ibero-americano de Avaliação de Atitudes Relacionadas com a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade PISA Programa de Avaliação Internacional de Alunos PLACTS Pensamento Latino Americano em Ciência, Tecnologia e Sociedade PPI Projeto Pedagógico Institucional PROEJA Programa de Educação Profissional Técnica Integrada à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos RECSAM Regional Centre for Education in Science and Mathematics Resolução CD Resolução do Conselho Diretor SEAMEO Southeast Asian Ministers of Education Organization SETEC Secretaria de Educação Tecnológica STPP Science, Technology and Public Politics (Ciência, Tecnologia e Políticas Públicas) TBA-STS Teacher’s Belief about Science-Technology-Society UFSJ Universidade Federal de São João Del-Rei UNESCO United Nations Educational, Scientific and Cultural Organizations (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) UNESCO-ICSU United Nations Educational, Scientific and Cultural and Cultural Organizations – International Council for Science UNESCO-PROAP United Nations Educational, Scientific Organizations – Principal Regional Office for Asia and the Pacific VOSTS Views on Science, Technology and Society SUMÁRIO 1 1.1 1.2 2 2.1 2.1.1 2.1.2 2.2 2.2.1 2.2.1.1 2.2.1.2 2.2.1.3 2.2.1.4 2.2.1.5 2.2.1.6 2.2.1.7 3 3.1 3.2 3.3 3.4 3.5 3.6 3.7 3.8 4 4.1 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................... 19 Hipótese de Pesquisa .............................................................................. 21 Organização da Tese ................................................................................ 21 CAPÍTULO 2 CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE (CTS) ....................................... 23 Origem e Desenvolvimento Histórico ..................................................... 23 Origem do Movimento CTS nos Estados Unidos e na Europa ............. 25 CTS na América Latina e no Brasil ......................................................... 30 O Enfoque CTS no Ensino de Ciências .................................................. 32 O Ensino e a Aprendizagem de Ciências Segundo o Enfoque CTS .... 38 Alfabetização Científica e Tecnológica (ACT) ........................................ 42 Educação Tecnológica com Abordagem CTS ....................................... 49 A Necessidade de um Currículo Integrador para o Enfoque CTS ........ 52 Pensamento Crítico, uma Finalidade Educativa Relevante para a Educação CTS .......................................................................................... 61 Tomada de Decisão e Responsabilidade Social e Ambiental............... 65 Cidadania, Finalidade Necessária para Consolidar a Educação CTS .. 69 Mudança de Hábitos, Atitudes e Valores................................................ 74 CAPÍTULO 3 PERCURSO METODOLÓGICO: APROXIMAÇÕES AOS SUJEITOS DA PESQUISA ................................................................................................. 81 O Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais: Campo da Pesquisa............................................................................................... 81 Direcionamento Quanto aos Sujeitos da Pesquisa ............................... 85 A Escolha do Instrumento para Obtenção de Dados ............................ 86 A Construção do Instrumento de Pesquisa ........................................... 87 A Aplicação e o Recolhimento do Instrumento de Pesquisa Respondido por Alunos e Professores .................................................. 91 O Tratamento dos Dados Quantitativos do Instrumento de Pesquisa 95 A Caracterização da Amostra .................................................................. 96 O Tratamento dos Dados Qualitativos do Instrumento de Pesquisa . 100 CAPÍTULO 4 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ......................................................................................... 103 Análise e Discussão das Respostas dos Alunos e Professores........ 104 4.1.1 4.2 Análise ‘Horizontal’ e Discussão das Respostas dos Alunos e Professores ............................................................................................. 105 Análise ‘Vertical’ e Discussão das Respostas dos Alunos e Professores ............................................................................................. 165 Síntese Comparativa das Respostas dos Alunos e Professores ....... 197 5 CONCLUSÕES ........................................................................................ 207 4.1.2 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 215 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ............................................................................ 241 APÊNDICE A .......................................................................................................... 245 APÊNDICE B .......................................................................................................... 252 APÊNDICE C .......................................................................................................... 259 APÊNDICE D .......................................................................................................... 260 APÊNDICE E .......................................................................................................... 261 APÊNDICE F........................................................................................................... 263 19 CAPÍTULO 1 1 INTRODUÇÃO Minha admissão no Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG) há 17 anos constituiu um divisor de águas em minha prática docente. Ser professora de Física em uma instituição de educação tecnológica de reconhecido prestígio pela qualidade de ensino ofertado reacendeu antigas aspirações e intenções em relação ao fazer pedagógico. Uma dessas aspirações foi concretizada logo em seguida quando ingressei no mestrado e pude colocar em prática outra aspiração: trabalhar o conteúdo de Física Moderna e Contemporânea em uma sequência didática que tinha como norte a leitura de textos de diversos formatos, literários, científicos, acadêmicos, dentre outros. Complementarmente, discussões de filmes e documentários que abarcavam diversos pontos de vista e dimensões sociais da Física foram também realizadas. Nesse percurso, muitas vezes recursivo, para poder lapidar e corrigir ações, arriscar em novas formas de ensinar e de apresentar um conteúdo tão interessante, mas ao mesmo tempo tão duro do ponto de vista da matemática envolvida e também do estranhamento causado por vários conceitos, fui agraciada pelo envolvimento e satisfação que os alunos demonstravam a cada encontro, onde ideias efervesciam e registros ímpares ficaram na memória. Da parceria com o professor da turma investigada novas aspirações e anseios frutificaram. A ideia de fazer algo semelhante em outras searas de nossa disciplina fez com que buscássemos novas alternativas e possibilidades para tornar o ensino de Física mais atraente e significativo para nossos alunos. Percebíamos que um abismo separava o que era ensinado nas disciplinas de formação geral e as disciplinas técnicas. Nesse sentido buscamos aproximações com as coordenações dos cursos técnicos. Ao mesmo tempo, fazíamos muitos questionamentos sobre o que almejávamos realizar. Nessa jornada fomos guarnecidos com ideias de autores que defendiam um ensino de Ciências permeado pelo social e que dialogavam com nossas ideias. Acreditávamos na época e, ainda acreditamos, ser esta uma via que permite ao 20 aluno estabelecer relações entre a Ciência e a Tecnologia com a sua vida. Entretanto, ainda pairavam algumas inquietações: Os professores de nossa coordenação acolheriam nossas ideias? Aceitariam privilegiar alguns conteúdos em detrimento de outros? Encontraríamos um terreno fértil para nossas ideias na instituição? Como elas seriam acolhidas pelos alunos? Nesse contexto é que se situa o problema de investigação de nossa pesquisa: Como o ensino ofertado na Educação Profissional Técnica de Nível Médio (EPTNM), do CEFET-MG, contempla, segundo alunos e professores, os objetivos do enfoque CTS? Desse modo, o objetivo geral de nossa pesquisa pode ser expresso da seguinte maneira: Identificar, no ensino ofertado na EPTNM, do CEFET-MG, características presentes em cursos com enfoque CTS. Os objetivos específicos se articulam ao objetivo acima: a) identificar e analisar eventuais divergências e convergências nas respostas de alunos e professores da EPTNM do CEFET-MG, no que diz respeito ao ensino ofertado na instituição; b) identificar e analisar possíveis fragilidades formativas no ensino ofertado na EPTNM do CEFET-MG; Os objetivos específicos foram desenvolvidos a partir da aplicação de um questionário do tipo misto a 200 alunos e 64 professores da Educação Profissional Técnica de Nível Médio do CEFET-MG. O questionário aplicado é composto por 25 questões, que abordam temas relacionados aos objetivos CTS e aos procedimentos didático-pedagógicos dos professores. A abordagem metodológica desta pesquisa é de natureza quantitativa e qualitativa, do tipo estudo de caso, pois o contexto da pesquisa é delimitado a uma instituição da rede federal de ensino, no caso, o CEFET-MG. Para responder ao problema de investigação articulou-se a análise qualitativa e a análise quantitativa. A análise dos dados qualitativos foi realizada por meio de análise de conteúdo temático e, dos dados quantitativos, utilizou-se a estatística básica. 21 1.1 Hipótese de Pesquisa Nesse percurso, delineamos nossa hipótese de pesquisa: Considerando a relevância dos objetivos formativos que caracterizam os diferentes enfoques CTS, alguns desses objetivos podem não estar devidamente contemplados na EPTNM do CEFET-MG, segundo alunos e professores da instituição, apontando para possíveis fragilidades na formação oferecida. A conjunção dos procedimentos adotados na análise visa identificar elementos importantes no ensino ofertado na instituição a partir da percepção dos sujeitos pesquisados e, além disso, apontar eventuais fragilidades e consistências em relação aos objetivos dos enfoques CTS, que entendemos serem relevantes para o ensino de Ciências. 1.2 Organização da Tese Esta tese está organizada em cinco capítulos. No primeiro capítulo, Introdução, apresentamos o tema de nossa pesquisa e sua relevância para o ensino de Ciências, o problema de pesquisa, o objetivo geral, os objetivos específicos e nossa hipótese. No segundo capítulo, é apresentada uma revisão bibliográfica sobre o movimento CTS, sua origem e desenvolvimento histórico nos Estados Unidos, Europa, América Latina e Brasil, bem como sua repercussão no campo educacional. Como é de interesse desta tese identificar objetivos dos enfoques CTS no ensino ofertado na instituição investigada em nossa pesquisa, esses são apresentados separadamente. Os referenciais adotados na revisão CTS, de modo geral, são Aikenhead (1985, 2001a, 2001b), Yager (2013a), Solomon (1988; 2001), Membiela (1997; 2001; 2007), Acevedo-Díaz (2001a; 2001b; 2002; 2005), Vásquez-Alonso (2005). Para referenciar a alfabetização científica e tecnológica, consultamos Carvalho (2011), Auler (2002), Fourez (1997a), Sasseron (2011). Na educação tecnológica com abordagem CTS, nossa leitura contempla os autores Linsingen (2003; 2006) e Bazzo (2011). O currículo com enfoque CTS é referenciado em Aikenhead (2001a), Santos; Mortimer (2000b; 2001), Santos (2007a). O pensamento crítico tem como referência Vieira (2003), Magalhães; Tenreiro-Vieira (2006), 22 Tenreiro-Vieira (1999; 2000; 2004), e o da tomada de decisão, em Santos; Mortimer (2001). A formação para a cidadania tem seu aporte em Santos (2005a,b; 2007), Stiefel (2003) e Santos; Schnetzler (2010). Por fim, Vázquez-Alonso; ManasseroMas (2009), Vázquez-Alonso; Manassero-Mas; Acevedo-Díaz (2005; 2006a) e Talim (2004) referenciam a mudança de hábitos, atitudes e valores. O terceiro capítulo apresenta o percurso metodológico da pesquisa e as considerações sobre as ações desenvolvidas: o direcionamento quanto aos sujeitos da pesquisa, a elaboração do instrumento de coleta de dados, a aplicação do instrumento de pesquisa e o tratamento dos dados qualitativos e quantitativos. A análise de conteúdo empregada na pesquisa tem como referência Laurence Bardin (2010). No quarto capítulo, apresentamos e discutimos a análise das respostas dos alunos e professores obtidas pela aplicação do instrumento utilizado na investigação. Adotamos duas linhas de análise para as respostas dos alunos e professores: uma horizontal e uma vertical. A análise horizontal apresenta, em uma visão geral, as divergências e convergências que aparecem nas respostas quantitativas e qualitativas dos questionários. A análise vertical debruça-se sobre os dados qualitativos obtidos a partir das respostas dos alunos e professores, e salienta nelas a) a alfabetização científica e tecnológica; b) a cidadania; c) o pensamento crítico; d) a tomada de decisão; e) a mudança de hábitos, atitudes e valores. No final do capítulo, apresentamos uma síntese comparativa de nossas interpretações em relação aos resultados das duas linhas de análise. No quinto e último capítulo, apresentamos nossas conclusões, a partir da análise conjunta dos resultados, e tecemos algumas considerações e implicações para possíveis ações direcionadas ao ensino ofertado pela instituição. Nossa expectativa com esta pesquisa se traduz na possibilidade de trazer à tona, no interior da escola pesquisada, a discussão das atividades formativas ali praticadas, convidar os professores a refletirem sobre as ementas das disciplinas que lecionam e como lecionam e, desse modo, contribuir para a qualidade do ensino ofertado na instituição. 23 CAPÍTULO 2 2 CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE (CTS) No presente capítulo são discutidos pontos relevantes do movimento CTS e suas relações com o campo educacional, a fim de compreender as inquietações, os anseios e, consequentemente, as mudanças por ele propostas. No primeiro tópico é apresentado, a partir de uma revisão bibliográfica, o surgimento histórico desse movimento, descrevendo suas origens, vertentes e repercussões. Em seguida, destacamos os aspectos do enfoque CTS relacionados ao ensino de Ciências. Nesse tópico, a discussão se inicia pela apresentação dos objetivos desse enfoque e, tendo em vista a necessidade de abordarmos alguns pontos considerados relevantes para o contexto da nossa pesquisa, discutimos sobre a alfabetização científica e tecnológica; a educação tecnológica na perspectiva CTS; a necessidade de um currículo integrador; o pensamento crítico como uma finalidade educativa relevante para a educação CTS; a tomada de decisão com vistas à responsabilidade social e ambiental; a cidadania como uma prática necessária e, por fim, a mudança de hábitos, atitudes e valores que isso implica. Essas discussões constituem o ponto de partida para que seja possível definir nossa particular compreensão do enfoque CTS e as propostas para sua inserção na educação tecnológica. 2.1 Origem e Desenvolvimento Histórico Na sociedade contemporânea, aplicações científicas e tecnológicas podem criar possibilidades de desenvolvimento e também gerar problemas socioambientais para o ser humano. Isto porque vivemos em uma época de grandes mudanças científicas, tecnológicas e sociais. Em praticamente todas as áreas do conhecimento científico e tecnológico, observamos avanços que, de algum modo, afetam a vida das pessoas. Da biotecnologia, com a manipulação genética dos alimentos, até a astrofísica, com a exploração espacial, esses avanços ressoam de modos diferentes ao revelarem efeitos positivos e negativos. Se, por um lado, os efeitos dos avanços 24 e das atividades científicas e tecnológicas proporcionam melhoria na qualidade de vida das pessoas, como o controle de pragas e doenças, por outro, geram ecos ameaçadores à nossa vida e à de nosso planeta. A constatação dessa realidade leva-nos a acreditar que a sociedade está passando por transformações que a obriga a olhar para a Ciência e a Tecnologia com mais cuidado. Vista dessa maneira, acreditamos que um processo educativo em Ciências não pode prescindir de discussões de questões relacionadas ao papel desempenhado pela Ciência e pela Tecnologia na Sociedade. A Ciência constitui uma construção social, um resultado do desempenho de diferentes indivíduos e grupos sociais em contextos cotidianos formadores de comunidades científicas na prática, cujo funcionamento não é reduzido à soma das ações de seus membros individuais (MEMBIELA, 2007). No início do século XX, o foco estava em saber se a sociedade como um todo teria algum papel de relevância na Ciência, ou se a Ciência, como um sistema de pensamento, era suficiente por si só para fornecer ao cidadão comum algo de valor a ser incluído em sua educação, visto que ele não tinha qualquer interesse em se tornar um cientista. Nos anos que se seguiram à II Grande Guerra, duas necessidades emergiram na sociedade como um todo e acabaram por refletir na educação: as informações divulgadas não eram claras o suficiente para que a sociedade tomasse conhecimento sobre os desenvolvimentos científicos e tecnológicos e se posicionasse em relação a eles, e quase não havia legislação para fornecer ao cidadão comum o acesso à informação sobre os riscos baseados na Tecnologia e na Ciência (SOLOMON, 2001). Nesse sentido, emergiram as primeiras noções sobre CTS na educação, termo cunhado por John Ziman (1980), em seu livro Teaching and Learning about Science and Society, no qual o autor cita diversos cursos, títulos e projetos especiais com muitas características comuns. Todas estas características eram associadas, na época, à visão da Ciência em um contexto social, uma espécie de abordagem curricular que visualizava transformar conceitos e processos tradicionais em programas de estudos sociais e típicos da Ciência mais adequados e relevantes para as vidas dos estudantes (YAGER, 2013a). 25 Uma década mais tarde, a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organizations (UNESCO, 1996) afirmaria que uma das funções sociais mais importantes da educação é dotar as jovens gerações de um repertório de capacidades que lhes permita atuar com propriedade na sociedade produtiva. Além disso, devido às profundas transformações sociais, a função social da educação deveria se estender a todos os indivíduos, de qualquer faixa etária. Essa educação para toda a vida deveria ser o foco do século XXI, incluindo características de flexibilidade, diversidade e acessibilidade no espaço e no tempo, indo além da distinção entre educação básica e permanente, com o intuito de proporcionar aos indivíduos competências de natureza genérica e adaptáveis às mudanças nos ambientes cotidianos e produtivos. Um dos problemas mais graves enfrentados pelos jovens e pela geração mais velha tem a ver com a organização mental necessária para compreender a complexidade e a profundidade do mundo de hoje. Quando se reflete sobre o fato de que a maioria do conhecimento humano foi alcançado especialmente nos últimos trinta anos, há que se considerar que a educação, em seu lento processo de adaptação, deve ser aprimorada (ACEVEDO- DÍAZ, 2001). 2.1.1 Origem do Movimento CTS nos Estados Unidos e na Europa Um dos mais influentes precursores intelectuais do movimento CTS pode ter sido o inglês Charles P. Snow, que, em 1959, apresentou suas ideias em uma conferência em Notre Dame, que de tão relevantes, foram transformadas em livro logo a seguir, inaugurando o debate sobre o distanciamento progressivo entre duas culturas (incomunicáveis), uma, formada por cientistas e, outra, por humanistas (CUTCLIFFE, 1990). Snow (1995) discutiu o abismo existente entre a Ciência e a literatura, defendendo que elas supostamente são opostas. A partir de então, a metáfora das duas culturas se tornou marcante para o movimento CTS, dada a notável atualidade do tema e a sua capacidade de provocar debates relevantes sobre as questões que envolvem as interações entre a Ciência e a Tecnologia com a Sociedade (LINSINGEN, 2007). Outras duas publicações contribuíram para reforçar esses debates e promover reflexões sobre as interações CTS. Publicadas inicialmente em 1962, as 26 obras da bióloga Rachel Carson (2010) e do historiador e filósofo da Ciência Thomas Kuhn (1990) podem ser consideradas um marco para a ação e a reflexão do movimento CTS, pois contribuíram para que se desenvolvesse a orientação para uma reconsideração da perspectiva moderna sobre o papel da Ciência e da Tecnologia na Sociedade, especialmente quanto aos seus efeitos no ambiente (SANTOS, 2011). Dentro dos estudos sobre CTS, é possível distinguir duas vertentes ou tradições, dependendo de como se entende a construção social da CiênciaTecnologia: uma norte-americana e outra europeia (GONZÁLEZ-GARCÍA LÓPEZCEREZO; LUJÁN-LÓPEZ, 1996; BAZZO, 2011; LINSINGEN, 2003; 2007; SILVA, 2007). Conforme González-García et al. (1996), o movimento CTS norte-americano é pioneiro e exemplar, tendo surgido como uma movimentação social nos anos de 1960 e início de 1970. Nesse país, o movimento CTS se caracteriza por centrar-se na Tecnologia e, em segundo plano, na Ciência, com um caráter prático e valorativo, assentando um marco de avaliação ética e reflexão educativa, especialmente em relação à democratização dos processos de tomada de decisões nas políticas tecnológicas e ambientais. Em outras palavras, a ênfase do movimento CTS nos Estados Unidos encontra-se na busca do entendimento das consequências sociais e ambientais das inovações tecnológicas, bem como das implicações sobre a vida dos cidadãos e instituições sociais, culturais e políticas. Houve muitas tentativas de iniciar programas em CTS nas escolas secundárias, especialmente nos Estados Unidos (YAGER, 2013a). Os programas de Ciência, Tecnologia e Políticas Públicas (Science, Technology and Public Politics – STPP) surgiram como uma resposta às necessidades sentidas no interior das comunidades científicas e tecnológicas, e geralmente estavam associados às escolas de engenharia (LINSINGEN, 2007). Essa participação da Ciência e da engenharia se intensificou no período da Guerra Fria, indicando que a tecnociência também estava profundamente relacionada à indústria bélica (MAYOR; FORTI, 1998). 27 O conceito de tecnociência admite vários entendimentos e é amplamente discutido por Yanarico (2011). A tecnociência pode ser considerada como algo híbrido que desafia qualquer classificação porque não se insere nas dicotomias clássicas de natureza e cultura, Ciência e Tecnologia. Se o objetivo da Ciência é a representação teórica de fenômenos da natureza, e se o foco da Tecnologia é controlar o mundo para intervir e mudar o curso natural dos acontecimentos, deparamo-nos com a tecnociência (conceito híbrido), na qual a representação teórica torna-se envolvida com a intervenção técnica (NORDMANN, 2006). Aqui, utilizamos essa palavra “como um recurso de linguagem para denotar a íntima ligação entre Ciência e Tecnologia e a desconfiguração de seus limites” (YANARICO, 2011, p. 100). Em outras palavras, foi crescendo um sentimento de que o desenvolvimento científico, tecnológico e econômico não estava conduzindo linear e automaticamente ao desenvolvimento do bem-estar social. Nesses contextos, Ciência e Tecnologia (C&T) passaram a ser objetos de debate político. Houve um movimento reivindicando um redirecionamento tecnológico, contrapondo-se à ideia de que mais Ciência e Tecnologia iriam, necessariamente, resolver problemas ambientais, sociais e econômicos. Por consequência, passou-se a postular algum controle da Sociedade sobre a atividade científico-tecnológica (GONZÁLEZ-GARCIA; LÓPEZCEREZO; LUJÁN-LÓPEZ, 1996). Assim, um dos objetivos centrais desse movimento consistiu na reivindicação de decisões mais democráticas e menos tecnocráticas, o que gerou repercussões no campo educacional (AULER; DELIZOICOV, 2006). Na Europa, o movimento CTS surgiu nos anos de 1970, enfatizando as origens epistemológicas e sociais do conhecimento (em reação à filosofia tradicional da Ciência centrada nos aspectos epistêmicos das teorias sem maior articulação com o campo social). De acordo com Bazzo, Linsingen e Pereira (2003), o movimento espalhou-se e atingiu diferentes campos. No campo da pesquisa, promoveu uma forma de reflexão acadêmica a respeito da visão tradicional da Ciência e da Tecnologia, na tentativa de superar a visão essencialista destas. No campo da política pública, defendeu a regulação social da Ciência e da Tecnologia, possibilitando a criação de processos democráticos em assuntos relacionados a políticas científico-tecnológicas. No campo da educação, esse novo olhar em relação 28 à Ciência e à Tecnologia fez com que surgissem materiais didáticos e recursos instrucionais na educação básica e superior de diferentes países, além de propiciar modificações em programas curriculares, centrando-se na formação de sujeitos críticos, e não se limitando a debates relacionados à utilização e aplicações de aparatos tecnológicos na Sociedade. Em vários países de capitalismo avançado, o enfoque CTS penetrou no meio universitário, buscando desenvolver uma visão crítica acerca da Ciência e da Tecnologia na formação de profissionais orientados para atividades de pesquisa e desenvolvimento, desenho de políticas públicas de C&T e reflexão sociológica sobre as relações CTS. Posteriormente, seu raio de influência ampliou-se para o ensino de Ciências nos ensinos médio e fundamental, e para atividades de educação não formal, tendo como objetivo a formação de cidadãos capazes de exercer um controle social do desenvolvimento científico e tecnológico (INVERNIZZI; FRAGA, 2007). Esse ajustamento da Ciência e da Tecnologia gerou, em 2007, um projeto de investigação cooperativa internacional desenvolvida por uma equipe de pesquisadores em diferentes lugares de sete países ibero-americanos (Argentina, Brasil, Colômbia, Espanha, México, Panamá e Portugal) e mais de trinta grupos de investigação de organizações ibero-americanas envolvendo pesquisadores do Chile, Peru, Porto Rico e Cuba, denominado Projeto Ibero-americano de Avaliação de Atitudes Relacionadas com a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade (PIEARCTS), O objetivo principal do Projeto PIEARCTS é avaliar as crenças e atitudes de estudantes e professores de diversos países sobre os temas CTS para informar e identificar seus pontos fortes e fracos, melhorar o ensino e a aprendizagem da Ciência e da Tecnologia (planejamento, elaboração e inovação do currículo), melhorar a formação inicial e continuada dos professores, comparar resultados e consolidar equipes de investigação nos países participantes (VÁZQUEZ-ALONSO 2008; VÁZQUEZ-ALONSO et al., 2011; SILVA, 2012; ANTONIOLI, 2012). Em sintonia com os objetivos desse projeto, a formação inicial e continuada dos professores e o fortalecimento de redes de investigação de pesquisadores acerca da percepção social da Ciência constituem eixos prioritários de atuação da OEI, relatados no projeto ‘Metas Educativas 2021’ (OEI, 2010). Conforme coloca o 29 documento final da OEI (2010, p. 74), “ao pensarmos na qualidade da educação de um país é inevitável fazê-la em relação à qualidade de seus professores”. O instrumento utilizado no PIEARCTS teve origem nos questionários Views on Science, Technology and Society (VOSTS) e Teacher’s Belief about ScienceTechnology-Society (TBA-STS). Esses questionários foram adequados ao contexto cultural espanhol, resultando no Cuestionario de Opiniones sobre Ciencia, Tecnología y Sociedad (COCTS), que é um banco de 100 questões CTS que foi construído e tem sido melhorado sucessivamente em várias etapas. Na Espanha, existe um exemplo específico da implementação de um curso CTS promovido por um grupo de docentes da região de Astúrias, denominado Projeto Argo. Sua base epistemológica é a Evaluación Constructiva de Tecnologías (ECT) e pode ser entendida como um conjunto de métodos para analisar os diversos efeitos ou impactos da aplicação de tecnologias, identificando os grupos sociais afetados e estudando as consequências de alternativas tecnológicas possíveis (SANMARTÍN; ORTÍ, 1992; JACOBS, 1997; OSORIO, 2002). Na perspectiva de ação em sala de aula, a ECT e a avaliação de impactos ambientais com caráter participativo podem ser oportunidades de aprendizagem social no exercício da democracia, o que pressupõe a construção de hábitos centrados na análise de tecnologias (LÓPEZ-CEREZO; MARTÍN; OSORIO, 2001). Osorio (2002) assinala que essa realidade está cada vez mais viável para a educação dos países latino-americanos, na medida em que a transversalidade no currículo tem se convertido em uma tendência educativa, que permite fazer a confluência de temáticas da educação ambiental, da educação em Tecnologia, da educação cívica e da cultura democrática. Contudo, pairam alguns questionamentos quanto ao movimento CTS, mesmo depois de 40 anos: Como fazer com que a educação em tecnologia contribua para que os sistemas tecnológicos sirvam realmente para a construção de formas satisfatórias de vida pessoal e comunitária; que a educação em tecnologia nos possibilite a participar na definição de tais sistemas tecnológicos, compatíveis com uma ordem social que reduza as desigualdades sociais? (OSORIO, 2002, p. 63). Conforme Osorio (2002), essas são algumas perguntas que uma educação científico-tecnológica deveria abordar, resumidas em uma única inquietação: quais 30 são as novas chaves educativas necessárias para os alunos compreender, avaliar, tomar atitudes e se posicionar diante do fenômeno científico-tecnológico contemporâneo em cenários globalizados, considerando-se especialmente a condição de países em vias de desenvolvimento? Acreditamos que a resposta a essa indagação reside em oferecermos uma educação capaz de promover uma transformação no modo como os alunos lidam e agem com a Ciência e a Tecnologia em suas vidas e, sobretudo, preparando-os para o exercício da cidadania. Em síntese, o movimento CTS surgiu com diferentes características e sinalizando diferentes enfoques educacionais, mas compartilhando a necessidade de questionar concepções tradicionais de Ciência e Tecnologia como fontes incondicionais de bem-estar social (FERNANDES; MARQUES, 2009). 2.1.2 CTS na América Latina e no Brasil O campo de estudos CTS nos países latino-americanos nos anos de 1960 e 1970, segundo Kreimer e Thomas (2004), compreendia três grandes abordagens temáticas: histórica, política e socioantropológica. O Pensamento Latino Americano em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PLACTS) se encaixaria na segunda abordagem, a de caráter político. Os trabalhos desenvolvidos pelo PLACTS, visualizados especialmente por cientistas e engenheiros, buscavam caminhos e instrumentos para o desenvolvimento local do conhecimento científico e tecnológico, tendo em vista as necessidades da região. Por consequência, tornaram a Ciência e a Tecnologia objetos de estudo público, ou seja, tópicos ligados a estratégias de desenvolvimento social e econômico (LINSINGEN, 2007). O PLACTS tratava a Ciência e a Tecnologia como processos sociais, com características específicas e dependentes do contexto onde eram introduzidos, compartilhando, portanto, a perspectiva CTS de não neutralidade e não universalidade. Dessa compreensão, emergiu um paradoxo: “ao mesmo tempo em que os países menos desenvolvidos tentam produzir conhecimento científico local, estão submetidos a uma relação de dependência do conhecimento – particularmente tecnológico – produzido em países industrializados” (KREIMER, 2007, p. 7). 31 O PLACTS chamava a atenção para outro fato grave: o de que a suposta e festejada transferência (importação) da Tecnologia, que se fazia à época, de forma acrítica, trazia nos artefatos uma série de características culturais muitas vezes estranhas às culturas locais. Em outras palavras, as inovações tecnológicas não são socialmente neutras. Conforme Herrera (1995), o intuito latino-americano não era seguir o modelo de desenvolvimento dos países desenvolvidos, mas criar uma nova direção, um novo modelo de desenvolvimento que atendesse às necessidades locais e que não implicasse em profundos danos ambientais, aspecto profundamente marcado pela C&T até os dias de hoje. Desse modo, em nível ideológico, o CTS latino-americano é um processo de ruptura com a visão tradicional de Ciência e de Tecnologia adaptado à sua realidade. Assim, a posição do PLACTS é de que a Sociedade tem mecanismos para influenciar o desenvolvimento de C&T e indicar o tipo de C&T que a Sociedade latino-americana deseja (ROSO, 2012). No Brasil, a preocupação com a educação científica foi mais tardia que em outros países (SANTOS, 2007). No século XIX, o currículo escolar era marcado predominantemente pela tradição literária e clássica herdada dos jesuítas. Apesar do incentivo de Dom Pedro II (1825-1891), um cultor das Ciências, e de discursos positivistas de intelectuais brasileiros em favor da Ciência, como Rui Barbosa (18491923), o ensino de Ciências teve pouca prioridade no currículo escolar (ALMEIDA JÚNIOR, 1979). Esse ensino passou efetivamente a ser incorporado ao currículo escolar nos anos de 1930, quando começou um processo de busca de sua inovação (KRASILCHIK, 1980). Conforme Santos (2007), a inovação teve início com um processo de atualização curricular, e depois continuou com a produção de kits de experimentos, na década de 1950, com a adequação de projetos americanos e a criação de centros de ensino de Ciências, na década de 1960, culminando com o início da produção de materiais por educadores brasileiros, na década de 1970. Foi também a partir dos anos de 1970 que a pesquisa na área de educação em Ciências no Brasil teve início efetivo, consolidando-se nos últimos 35 anos, de forma que, hoje, conta com uma comunidade científica atuante em mais de 30 programas de pósgraduação em ensino de Ciências, com a realização regular de congressos 32 científicos específicos nessa área, e com a publicação de periódicos acadêmicos sobre a temática, tendo sido produzidas cerca de 1.100 dissertações de mestrado e teses de doutorado entre 1972 e 2003 (MEGID NETO; FRACALANZA; FERNANDES, 2005). No entanto, como em outros países da América Latina, no Brasil, o desenvolvimento acadêmico de programas em CTS só se iniciou a partir dos anos de 1980. As universidades brasileiras possuem um número bastante reduzido de programas de educação superior inteiramente dedicados ao estudo das interrelações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade, e esses programas se localizam quase que exclusivamente no nível da pós-graduação. Em pesquisa realizada por Araujo (2009) e revisada por Santos (2011b), 30 grupos de pesquisas em CTS foram localizados na base de dados (censo) de 2006 do CNPQ, registrados no período de 1981 a 2006. Ou seja, obtém-se uma média de 2 grupos por ano e a maioria se concentra nas regiões Sudeste e Sul. Segundo Moraes e Araújo (2012, p. 100): [...] essa pequena quantidade de grupos de pesquisas envolvidos com a área CTS e sua má distribuição pelo país são fatores que limitam a possibilidade de que sejam formados quadros de profissionais capazes de prosseguir na expansão deste movimento em nível nacional, seja constituindo novos grupos de pesquisa e de formação de outros professores ou mesmo influenciando seus colegas de prática docente. Apesar disso, pode ser constatada uma expansão na utilização do enfoque CTS, por meio da integração de disciplinas e da criação de linhas de pesquisa em diversos cursos de graduação e pós-graduação. Complementarmente, o enfoque CTS começou a ser introduzido na formação de professores, particularmente para aqueles dedicados ao ensino de Ciências, e nos programas escolares dos ensinos fundamental e médio (INVERNIZZI; FRAGA, 2007). 2.2 O Enfoque CTS no Ensino de Ciências Vivemos em um mundo que se encontra cada vez mais dependente do conhecimento científico e tecnológico, produzindo, como temos sublinhado, intensas alterações sociais, políticas, econômicas e culturais, influenciando, inevitavelmente, a escola (OSORIO, 2002; MARTINS, 2002a; 2002b). 33 Nesse sentido, é necessário que haja preocupação com uma educação que aborde as questões da Ciência e da Tecnologia. Compartilhamos com Osorio (2002) que o ensino de ciências com enfoque CTS contribui para uma melhor compreensão da sociedade em que vivemos, permitindo enfrentar os avanços científicos e tecnológicos. Para Acevedo-Díaz (2001a; 2001b) o ensino com enfoque CTS é uma proposta inovadora, que se destina a compreender melhor a relação existente entre Ciência, Tecnologia e Sociedade. O enfoque CTS propõe diretrizes para o ensino de Ciências baseadas no tratamento comum dos três termos do acrônimo CTS (ACEVEDO, VÁZQUEZ; MANASSERO-MAS, 2002), envolvendo uma estrutura necessária para o desenvolvimento do currículo de uma Ciência para todas as pessoas, ao mesmo tempo em que partilha de objetivos como a utilidade da Ciência e da Tecnologia; a compreensão pública da Ciência e da Tecnologia; a educação científica e tecnológica para o exercício da cidadania; a alfabetização científica e tecnológica (ACT); a natureza da Ciência (NdC); a história da Ciência e da Tecnologia; a educação baseada em valores da Ciência, da Tecnologia e do meio ambiente; o tratamento de crenças éticas em igualdade com os pressupostos científicos, entre outros (VÁSQUEZ-ALONSO; ACEVEDO-DÍAZ; MANASSERO-MAS, 2005). De acordo com Acevedo-Díaz (2001b), um ponto importante a considerar na implementação do enfoque CTS no ensino de Ciências é que ela requer modificação no perfil tradicional da ação pedagógica e depende da disponibilidade de mudança por parte dos professores. No mesmo sentido, Teixeira (2003) diz que o enfoque CTS no ensino aponta para a necessidade de superação das metodologias arcaicas, baseadas apenas no processo de transmissão/recepção de informações veiculadas nas aulas predominantemente expositivas. Para Yager (2013a), o ensino de Ciências no enfoque CTS requer novas formas de ensinar, mas um dos problemas mais graves é que a maior parte dos professores, mesmo os recém-formados, nunca estudou e aprendeu Ciências no enfoque CTS, ou seja, nunca aprendeu no contexto da experiência humana. Conforme afirma o autor há um conjunto de contrastes que podem ser percebidos quando se compara classes tradicionais de ensino de Ciências e classes com enfoque CTS. Estes contrastes são percebidos quando se analisam os conceitos (Quadro 1), os processos (Quadro 2), as atitudes (Quadro 3), as habilidades em termos de criatividade (Quadro 4) e as aplicabilidades (Quadro 5). 34 Quanto aos contrastes relacionados aos conceitos, pode-se dizer que, em classes CTS os conceitos são realmente úteis para os alunos resolverem problemas em suas vidas (Quadro 1). Classes Tradicionais Classes CTS (1) Conceitos são realmente bits de informação dominados por um professor. (2) Conceitos são vistos propriamente ditos como resultados. (1) Alunos veem os conceitos como pessoalmente úteis. (2) Conceitos são vistos como uma comodidade necessária para lidar com o problema. (3) A aprendizagem ocorre principalmente pela atividade, que é um evento importante, mas não como um foco nela ou dela. (4) Os alunos que aprendem pela experiência retêm os conceitos e podem relatá-los em novas situações. (3) A aprendizagem é principalmente pelos testes. avaliada (4) A retenção dos conceitos tem vida breve. Quadro 1 – Contrastes quanto ao ensino de conceitos que emergem das classes tradicionais e classes CTS Fonte: YAGER, 2013a. O enfoque CTS pode ser visualizado como uma resposta a muitos problemas percebidos no ensino tradicional (Quadro 2). Classes Tradicionais Classes CTS (1) Alunos veem os processos da ciência como habilidades possuídas pelos cientistas. (1) Alunos veem os processos da ciência como habilidades que podem ser usadas. (2) Alunos veem os processos como habilidades que eles necessitam refinar e desenvolver mais completamente em seu benefício. (2) Alunos veem os processos como algo a praticar como um requisito curricular. (3) As preocupações do professor quanto aos processos não são compreendidas pelos alunos, especialmente devido ao fato de que raramente eles afetam a grade curricular. (4) Alunos veem os processos da ciência como abstratos, glorificados e como habilidades inatingíveis e não relacionadas às suas vidas. (3) Alunos veem prontamente a relação dos processos da ciência para suas próprias ações. (4) Alunos veem os processos como partes vitais do que eles fazem nas classes de ciências. Quadro 2 – Contrastes das habilidades dos alunos quanto aos processos que emergem das classes tradicionais e classes CTS Fonte: YAGER, 2013a. 35 O ideal é fazer com que os alunos compreendam que o estudo de Ciências pode se tornar uma maneira nova de lidar com os problemas vivenciados em seus contextos de vida (Quadro 3). Classes Tradicionais (1) (2) (3) (4) Classes CTS O interesse dos alunos diminui em um nível determinado de grau e níveis de classe. A ciência parece diminuir a curiosidade sobre o mundo natural. Alunos veem o professor como fornecedor de informações. Alunos veem a ciência como informação a assimilar. (1) O interesse dos alunos aumenta em determinados cursos e de grau em grau. (2) Alunos tornam-se mais curiosos sobre o mundo natural. (3) Alunos veem o professor como um facilitador/guia. (4) Alunos veem a ciência como uma maneira de lidar com os problemas. Quadro 3 – Contrastes das atitudes dos alunos que emergem das classes tradicionais e classes CTS Fonte: YAGER, 2013a. E o foco no desenvolvimento de habilidades voltadas às necessidades individuais é especialmente importante (Quadro 4). Classes Tradicionais (1) Classes CTS Alunos reduzem sua habilidade em questionar. As perguntas muitas vezes são ignoradas porque elas não se encaixam com a estrutura de tópicos do curso. (2) Alunos raramente originais. fazem perguntas (3) Alunos são ineficazes na identificação de possíveis causas e efeitos de determinadas situações. (4) Alunos têm poucas ideias originais. (1) Alunos são mais questionadores e suas perguntas são usadas para o planejamento de atividades e o uso de materiais. (2) Alunos frequentemente colocam questões que atendem seus interesses pessoais, mas que também excitam o interesse de seus colegas e do professor. (3) Alunos têm necessidade e habilidades para sugerir possíveis causas e efeitos de observações e ações específicas. (4) Alunos parecem sempre estar efervescendo de ideias. Quadro 4 – Contrastes das habilidades de criatividade dos alunos que emergem das classes tradicionais e classes CTS Fonte: YAGER, 2013a. Yager (2013a) comenta que, muitas vezes, alunos de sucesso em universidades dominam conceitos aprendidos no nível médio, mas sua interpretação é equivocada. Pesquisas, entre as quais as realizadas por Champagne e Klopfer 36 (1984), já indicaram que 80% de alunos universitários de cursos de Física detêm conceitos equivocados sobre a natureza da Ciência, mesmo quando relatam corretamente informações e realizam experimentos em laboratório que contradizem seus próprios pontos de vista sobre o mundo. Com relação à dimensão científica, muitos trabalhos (AIKENHEAD, 1985; RAMSEY, 1993) têm destacado a importância de se discutir aspectos relativos à natureza da Ciência, sobretudo na educação secundária, para que os alunos possam entender as relações entre a atividade científica, o desenvolvimento tecnológico e suas implicações sociais e ambientais. A alfabetização científica e tecnológica na perspectiva CTS inclui a compreensão de todos esses aspectos (ACEVEDO-DÍAZ, 2001b), além de buscar a formação de um cidadão consciente das influências do desenvolvimento científico e tecnológico sobre o comportamento humano e promover ações, individuais e coletivas, em prol de um desenvolvimento sustentável. O Quadro 5 apresenta os contrastes dos conceitos da aplicação do estudo de Ciências: Classes Tradicionais Classes CTS (1) Alunos não visualizam relevância e/ou uso do estudo da ciência em suas vidas. (2) Alunos não enxergam valor no estudo de ciência para a solução de problemas comuns da sociedade. (3) Alunos podem citar informações estudados (4) Alunos não podem relacionar a ciência que estudam com qualquer outra tecnologia atual. conceitos e (1) Alunos podem relacionar seu estudo de ciências para sua vida cotidiana. (2) Alunos se tornam envolvidos na solução de questões sociais. Visualizam a inter-relação do estudo de ciências e o cumprimento de responsabilidades cidadãs. (3) Alunos buscam informações para usar quando lidam com os problemas. (4) Alunos ficam absortos nos atuais desenvolvimentos da tecnologia e os usam para visualizar a importância e relevância dos conceitos da ciência. Quadro 5 – Contrastes dos conceitos da aplicação da Ciência que emergem de classes tradicionais e classes CTS Fonte: YAGER, 2013. Para Yager (2013a) o enfoque CTS pode ser visto como resposta a muitos questionamentos do ensino tradicional, pois tem seu foco nas questões que afetam a sociedade, ou seja, questões e problemas em residências, escolas e comunidades, além de também visualizar os maiores problemas globais que se 37 relacionam à humanidade. Complementarmente, no Ensino Médio ele pode vir a facilitar o norteamento de carreiras e ocupações dos alunos, e empregar os recursos humanos na identificação e solução de questões locais. Analisando aspectos relativos às repercussões do enfoque CTS no campo educacional, Caamaño (1995) considera que o ensino de Ciências, ao ser organizado em uma perspectiva CTS, cumpre três objetivos básicos: a) promover o interesse dos estudantes por conectar a Ciência com suas aplicações tecnológicas aos fenômenos da vida cotidiana, e abordar o estudo daqueles fatos e aplicações científicas que tenham uma maior relevância social; b) abordar as implicações sociais e éticas do uso da Tecnologia; e c) promover uma compreensão da natureza da Ciência e do trabalho científico. Ziman (1985, p. 150) alerta que, para trabalhar na perspectiva da educação CTS, o professor deve ter uma visão global sobre o tema, pois, sem ela “todo tema CTS se fragmenta em um conjunto desconexo de temas acadêmicos especializados, exercícios pedagógicos e doutrinas ideológicas”. Entretanto, essa perspectiva educacional possui, em sua essência, um caráter interdisciplinar, de modo que não devemos nos limitar em aproximar disciplinas que tratam temas de campos específicos (biofísica e bioquímica, por exemplo), pois estes continuam sendo tão especializados quanto seus progenitores. Por sua vez, Solomon (1988) propõe que os cursos com enfoque CTS deveriam apontar para o caráter provisório e incerto das teorias científicas, contribuindo para que os alunos possam avaliar as aplicações da Ciência levando em conta as opiniões controvertidas dos especialistas. Com relação à Tecnologia, Santos e Mortimer (2000a) destacam que, em geral, ela é reduzida apenas a seu aspecto técnico. A identificação dos aspectos organizacionais e culturais da Tecnologia permite compreender como ela é dependente dos sistemas sociopolíticos e dos valores e ideologias da cultura em que se insere e, a partir desse entendimento, o cidadão consegue perceber as interferências que a Tecnologia tem em sua vida e como ele pode interferir nessa atividade. 38 Ressaltamos que o ensino e a aprendizagem de ciências segundo o enfoque CTS, não só em território nacional, deve possuir três objetivos principais: a) aquisição de conhecimento (conceitos em e conceitos sobre a Ciência e Tecnologia) para assuntos pessoais, abordagens cívicas e perspectivas culturais; b) desenvolvimento de habilidades de aprendizagem (processos de pesquisas científicas e tecnológicas) para a coleta de informações, solução de problemas e tomada de decisão; c) desenvolvimento de valores e ideias (lidando com a interação entre Ciência, Tecnologia e Sociedade) para questões locais, políticas públicas e problemas globais (BYBEE, 1985). 2.2.1 O Ensino e a Aprendizagem de Ciências Segundo o Enfoque CTS Ao contrário do que ocorre com a orientação no ensino tradicional, acreditamos que o ensino de Ciências segundo o enfoque CTS deve ser fundamentalmente orientado ao aluno, como demonstrado na Figura 1: CIÊNCIA Ambiente natural ALUNO Ambiente artificialmente Ambiente social construído TECNOLOGIA Figura 1 – A essência da educação CTS Fonte: AIKENHEAD, 2001a, p. 48. SOCIEDADE 39 No enfoque CTS, os estudantes se esforçam para compreender suas experiências diárias e, para fazer isso, não abstraem do ambiente natural, social e do artificialmente construído, mas os integram, por meio de sua compreensão pessoal. De acordo com Aikenhead (2001a, p. 48), “o estudo do mundo natural nós chamamos Ciência. O estudo do mundo artificialmente construído é Tecnologia. E Sociedade é o meio social”. Assim, ensinar Ciência por meio de CTS se refere a ensinar sobre fenômenos naturais de uma maneira que envolve a Ciência nos ambientes tecnológico e social dos alunos. Essa função é demonstrada pelas linhas pontilhadas da Figura 1. David Layton (2001) descreve o enfoque CTS como uma instigante mistura de motivações, pois, em qualquer lugar do mundo, o ensino e a aprendizagem CTS deverão ter formas específicas a partir, por exemplo, das diferenças nacionais nos modos como a moral e os valores são abordados, e esses são, inevitavelmente, os componentes centrais de qualquer ensino sobre as interações CTS. Cachapuz et al. (2005) também chamam atenção para atividades que caem em reducionismos e deformações. Os autores relatam que existem alguns aspectos essenciais que merecem ser refletidos para se evitar visões deformadas que o ensino de Ciências costuma transmitir por ação ou omissão: a) o método científico como um conjunto de regras perfeitamente definidas, aplicadas mecanicamente e independentemente do domínio investigado; b) empirismo e indutivismo; c) hipóteses como pontos de partida e de chegada; d) aplicação como validação; e) a compreensão do caráter social do desenvolvimento científico. Guiado por Fensham (1988), que mostrou graus de integração entre a Ciência e a Tecnologia no contexto das questões sociais, Aikenhead (2001a) criou oito categorias representando um espectro de significados encontrados em cursos e programas CTS (Quadro 6). 40 Categorias Descrição 1. Conteúdo de CTS como elemento de motivação. Ensino tradicional de ciências acrescido da menção ao conteúdo de CTS com a função de tornar as aulas mais interessantes. Ensino tradicional de ciências acrescido de pequenos estudos de conteúdo de CTS incorporados como apêndices aos tópicos de ciências. O conteúdo de CTS não é resultado do uso de temas unificadores. Ensino tradicional de ciências acrescido de uma série de pequenos estudos de conteúdo de CTS integrados aos tópicos de ciências, com a função de explorar sistematicamente o conteúdo de CTS. Esses conteúdos formam temas unificadores. Os temas de CTS são utilizados para organizar o conteúdo de ciências e a sua sequência, mas a seleção do conteúdo científico ainda é feita a partir de uma disciplina. A lista dos tópicos científicos puros é muito semelhante àquela da categoria 3, embora a sequência possa ser bem diferente. CTS organiza o conteúdo e sua sequência. O conteúdo de ciências é multidisciplinar, sendo ditado pelo conteúdo de CTS. A lista de tópicos científicos puros assemelha-se à listagem de tópicos importantes a partir de uma variedade de cursos de ensino tradicional de ciências. O conteúdo de CTS é o foco do ensino. O conteúdo relevante de ciências enriquece a aprendizagem. O conteúdo de CTS é o foco do currículo. O conteúdo relevante de ciências é mencionado, mas não é ensinado sistematicamente. Pode ser dada ênfase aos princípios gerais da ciência. Estudo de uma questão tecnológica ou social importante. O conteúdo de ciências é mencionado somente para indicar uma vinculação com as ciências. 2. Incorporação eventual do conteúdo de CTS ao conteúdo programático. 3. Incorporação sistemática do conteúdo de CTS ao conteúdo programático. 4. Disciplina científica (Química, Física e Biologia) por meio de conteúdo de CTS. 5. Ciências por meio do conteúdo de CTS. 6. Ciências com conteúdo de CTS. 7. Incorporação das Ciências ao conteúdo de CTS. 8. Conteúdo de CTS. Quadro 6 – Categorias de ensino de CTS Fonte: AIKENHEAD, 2001a, p. 55-56, citado por SANTOS; MORTIMER, 2002, p. 15-16. Essas categorias exprimem a importância relativa proporcionada pelo conteúdo de CTS de acordo com dois fatores: a) a estrutura do conteúdo (a proporção do conteúdo de CTS versus o conteúdo da ciência canônica, e a forma como os dois são integrados); b) a avaliação do aluno (a ênfase relativa do conteúdo CTS versus o conteúdo da ciência tradicional). A categoria 1 representa a prioridade mais baixa para os conteúdos CTS, enquanto a categoria 8 representa a mais alta. Uma mudança sensível na estrutura de conteúdo ocorre entre a terceira e a quarta categorias. Na categoria 3, a estrutura de conteúdo é definida pela disciplina. Na categoria 4, é definida pelo problema tecnológico ou social propriamente dito (aprendizagem da ciência canônica na base ‘necessidade de conhecer’). A ciência interdisciplinar começa na categoria 5. 41 Aikenhead (2001a) sugere que, ao invés de se discutir programas de CTS com base em estereótipos, devem ser identificados vários programas pelas oito categorias, ou por algum outro regime sistemático descritivo. Aikenhead (2001a) considera que, embora nenhuma das categorias possa representar o modelo ‘real’ de CTS, as categorias de 3 a 6 são as que representam a visão mais comumente citada na literatura. Um curso classificado na categoria 1 talvez nem pudesse ser considerado como CTS, dado o baixo status atribuído ao conteúdo de CTS. Já a categoria 8 refere-se a cursos radicais de CTS, em que os conteúdos de Ciências propriamente ditos praticamente não são abordados. Percebe-se, assim, que até a categoria 4 há uma maior ênfase no ensino conceitual de Ciências e, a partir da categoria 5, a ênfase muda para a compreensão dos aspectos das inter-relações CTS. Currículos nas categorias 6 e 7 poderiam ser propostos dentro da atual reforma do Ensino Médio, na tentativa de se buscar a interdisciplinaridade na área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. Obviamente que tal proposição demandaria projetos audaciosos a serem desenvolvidos com a participação de professores, o que não poderia ser feito de maneira aleatória. Entre os conhecimentos e as habilidades a serem desenvolvidos em cursos com enfoque CTS, Hofstein, Aikenhead e Riquarts (1988) incluem a autoestima; a comunicação escrita e oral; o pensamento lógico e racional para solucionar problemas; a tomada de decisão; o aprendizado colaborativo/cooperativo; a responsabilidade social; o exercício da cidadania; a flexibilidade cognitiva; e o interesse em atuar em questões sociais. Destaca-se, entre os objetivos do ensino com enfoque CTS, o desenvolvimento de valores que estão vinculados aos interesses coletivos, como os de solidariedade, fraternidade, consciência do compromisso social, reciprocidade, respeito ao próximo e generosidade. Esses valores são, então, relacionados às necessidades humanas, o que significa um questionamento à ordem capitalista, na qual os valores econômicos se impõem aos demais. Dessa forma, por meio da discussão desses valores ocorrerá a formação de cidadãos críticos comprometidos com a sociedade. 42 Na perspectiva de desvelar melhor esses entendimentos, a seguir, abordaremos a alfabetização científica e tecnológica; a educação tecnológica com enfoque CTS; a necessidade de um currículo integrador; o pensamento crítico; a tomada de decisão; a cidadania; a mudança de hábitos, atitudes e valores. 2.2.1.1 Alfabetização Científica e Tecnológica (ACT) Ao estudarem a literatura estrangeira relacionada à Didática das Ciências, Sasseron e Carvalho (2011) perceberam uma variação no uso do termo ‘alfabetização científica’ no ensino de Ciências. Os autores de língua espanhola, por exemplo, costumam utilizar a expressão alfabetización científica para designar o ensino cujo objetivo seria a promoção de capacidades e competências entre os estudantes necessárias para permitir-lhes a participação nos processos de decisões do dia a dia (CAJAS, 2001; GIL-PÉREZ; VILCHES-PEÑA, 2001; ACEVEDO-DÍAZ; VÁZQUEZ-ALONSO; MANASSERO-MAS, 2003; MEMBIELA, 2007). Nas publicações em língua inglesa, o mesmo objetivo aparece sob o termo scientific literacy (BINGLE; GASKELL, 1994; BYBEE; DEBOER, 1994; BYBEE, 1995; HURD, 1998; LAUGKSCH, 2000; NORRIS; PHILLIPS, 2003), e nas publicações francesas encontramos o uso da expressão alphabétisation scientifique (ASTOLFI, 1995; FOUREZ, 1997a; 1997b; 2000). Na edição original de seu livro Alphabétisation Scientifique et Technique, o belga Gerard Fourez (1997a, p. 12) destaca ser interessante perceber que nos documentos da UNESCO o termo inglês literacy (scientific and technological literacy) é traduzido pela palavra cultura e não alfabetização. O mesmo problema é enfrentado pelo sul-africano Rüdiger Laugksch (2000), que, em uma revisão sobre o tema, comenta que a expressão scientific literacy é utilizada nos trabalhos em inglês, enquanto que a literatura francofônica utiliza a expressão la culture scientifique. Devido à pluralidade semântica, na literatura sobre ensino de Ciências, há autores que utilizam a expressão letramento científico (SANTOS; MORTIMER, 2001; MAMEDE; ZIMMERMANN, 2007), pesquisadores que adotam a expressão alfabetização científica (AULER; DELIZOICOV, 2001; LORENZETTI; DELIZOICOV, 2001; BRANDI; GURGEL, 2002; CHASSOT, 2011), e também aqueles que usam a expressão enculturação científica (MORTIMER; MACHADO, 1996; CARVALHO; 43 TINOCO, 2006) para designarem o objetivo desse ensino de Ciências que almeja a formação cidadã dos estudantes para o domínio e uso dos conhecimentos científicos e seus desdobramentos nas mais diferentes esferas de sua vida. Sasseron e Carvalho (2011, p. 334) percebem que: [...] no cerne das discussões levantadas pelos pesquisadores que usam um termo ou outro estão as mesmas preocupações com o ensino de Ciências, ou seja, motivos que guiam o planejamento desse ensino para a construção de benefícios práticos para as pessoas, a sociedade e o meio ambiente. Como a amplitude da noção da ACT é imensa, sua definição conceitual é difícil (BYBEE, 1997; SJØBERG, 1997; DeBOER, 2000; LAUGKSCH, 2000; GILPEREZ; VILCHES-PEÑA, 2001; KEMP, 2002; ACEVEDO-DÍAZ; VÁZQUEZALONSO; MANASSERO-MAS, 2003; AIKENHEAD, 2003b). Alguns autores (SHAMOS, 1995; FENSHAM, 2002a; 2002b) acreditam que essa conceituação seja inalcançável. No entanto, a ACT é apoiada em programas de extensão da cultura científica da UNESCO (UNESCO-ICSU 1, 1999a; 1999b; UNESCO-PROAP 2; ICA 3; SEAMEO 4-RECSAM 5, 2001) e da OECD (1999), que se tornaram operacionais depois de seu programa de avaliação internacional PISA, por meio de um conjunto de indicadores (HARLEN, 2001; 2002). Segundo Bispo et al. (2013, p. 314) "informações que circulam nos meios acadêmicos e sociais, demonstram que essa abordagem deve fazer parte do processo educativo, sendo apoiada por órgãos internacionais de fomento à Educação (UNESCO e OEI), à Ciência e à Cultura”. Da UNESCO-ICSU, podem ser citados os seguintes indicadores: a) Ciência para o conhecimento; conhecimento para o progresso: a função inerente ao trabalho científico é desenvolver uma investigação sistemática e aprofundada da natureza e da sociedade, que conduza a novos conhecimentos; 1 International Council for Science. Principal Regional Office for Asia and the Pacific. 3 International Council on Archives. 4 Southeast Asian Ministers of Education Organization, international organization established in 1965 among governments of Southeast Asian countries to promote regional cooperation in education, science and culture in Southeast Asia. 5 Regional Centre for Education in Science and Mathematics. 2 44 b) Ciência para a paz: a essência do pensamento científico é a capacidade de examinar problemas de diferentes perspectivas e procurar explicações dos fenômenos naturais e sociais, submetendo-as constantemente à análise crítica. A ciência, desse modo, depende do pensamento livre e crítico, que é essencial em um mundo democrático. Os governos e as sociedades, em geral, devem estar cientes da necessidade de usar as ciências naturais e sociais e a tecnologia como ferramentas na sua relação com as causas e impactos fundamentais de conflitos. O investimento em investigação científica deve aumentar; c) Ciência para o desenvolvimento: hoje, mais do que nunca, a ciência e as suas aplicações são indispensáveis para o desenvolvimento. Os governos em todos os níveis e o setor privado devem garantir apoio suplementar à construção de uma capacidade tecnológica e científica adequada e bem partilhada por meio de programas de educação e de investigação apropriados, como um fundamento indispensável do desenvolvimento econômico, social, cultural e ambiental saudável. Isso é particularmente urgente no caso dos países em vias de desenvolvimento. O desenvolvimento tecnológico requer uma sólida base científica e precisa ser resolutamente orientado na direção de uma produtividade limpa e segura, de uma maior eficiência no uso dos recursos e em produtos mais amigos do ambiente. A educação científica, no sentido lato, sem discriminação e abrangendo todos os níveis e modalidades, é pré-requisito fundamental para a democracia e para assegurar um desenvolvimento sustentável. A criação da capacidade científica deve ser sustentada pela cooperação regional e internacional, para assegurar um desenvolvimento equitativo, bem como a expansão e a utilização da criatividade humana sem discriminação de qualquer tipo de países, grupos ou indivíduos; d) Ciência em sociedade e ciência para a sociedade: a prática de investigação científica e a utilização do conhecimento criado por essa investigação devem sempre visar o bem-estar da humanidade, incluindo a redução da pobreza e o respeito pela dignidade, pelos direitos dos seres humanos e pelo ambiente global, tendo em vista sempre a nossa responsabilidade perante as gerações presentes e futuras. A igualdade no 45 acesso à ciência não é apenas uma exigência ética para o desenvolvimento humano, mas também uma necessidade para a realização do pleno potencial das comunidades científicas de todo o mundo, e para a orientação do progresso científico, no sentido de ir ao encontro das necessidades da humanidade; e) Ciência ao serviço da saúde: os governos e os cientistas do mundo devem abordar os complexos problemas da má qualidade da saúde e das crescentes desigualdades nessa área em diferentes países e entre diferentes comunidades dentro do mesmo país, com o objetivo de alcançar um padrão equitativo e melhorado e uma maior prestação de serviços de saúde de qualidade a todos (UNESCO-ICSU, 1999a; 1999b). Ao se referirem aos objetivos da ACT, Auler e Delizoicov (2001, p. 2) dizem: (...) eles são diversos e difusos, e vão desde a busca de uma autêntica participação da sociedade em problemáticas vinculadas à C&T até aqueles que colocam a ACT na perspectiva de referendar e buscar o apoio da Sociedade para a atual dinâmica do desenvolvimento científico-tecnológico. Em outros termos, há, por um lado, encaminhamentos mais próximos de uma perspectiva democrática, e, por outro, encaminhamentos que direta ou indiretamente respaldam postulações tecnocráticas. Os encaminhamentos majoritários para a ACT, segundo Auler (2003, p. 2), são denominados de perspectiva reducionista e ampliada: A reducionista, concebida como um simples incremento do atual ensino de Ciências, desconsiderando a existência de construções subjacentes à produção do conhecimento Científico-Tecnológico, tal como aquela que leva a uma concepção da neutralidade da CT. Por outro lado, na perspectiva ampliada busca-se a compreensão das interações CTS, associando o ensino de conceitos à problematização destas construções históricas vinculadas à suposta neutralidade da CT, como a superioridade do modelo de decisões tecnocráticas, a perspectiva salvacionista, redentora atribuída à CT e o determinismo tecnológico. Na perspectiva reducionista, a ACT fica reduzida ao ensino de conceitos, ignorando a existência de mitos, aspecto muito diverso da ‘leitura da realidade’. Assim, reduzir a ACT ao ensino de conceitos e trabalhar na perspectiva de entender artefatos tecnológicos e científicos em uma dimensão apenas técnica faz com que os ‘conteúdos operem por si mesmos’, ou como um fim em si. Na ampliada, os 46 conteúdos são considerados como meios para a compreensão de temas socialmente relevantes (AULER; DELIZOICOV, 2001; AULER, 2002; AULER, 2003). Apoiada em análises de Irwin e Wynne (1996), Rosa (2000) destaca que, segundo o modelo reducionista, a alfabetização em C&T estabelece como meta a transmissão unidirecional do conhecimento científico, estando implícita uma tentativa de preservar e, se possível, ampliar o apoio recebido pela Ciência. Fundamenta-se em uma postura pouco crítica em relação às implicações da ACT na sociedade. Irwin e Wynne (1996) alertam que, na visão reducionista, evita-se a necessária problematização da Ciência, dos cientistas e das instituições científicas. Segundo esses autores, nesse modelo, estão implícitos três princípios básicos: a) o público é ignorante sobre questões científicas e tecnológicas. As controvérsias públicas sobre questões científicas e técnicas são atribuídas a um entendimento inadequado, por parte do público, e não devido ao funcionamento da ciência em si; b) a visão de mundo oferecida pela Ciência é considerada única e privilegiada, constituindo um fator essencial para a melhoria das condições humanas e ambientais; c) a Ciência é retratada como uma atividade neutra, desprovida de valores. As condições sob as quais o conhecimento científico é construído e validado não são questionadas e à Ciência é atribuído um caráter de atividade desprovida de ambiguidades e contradições. Em contraposição ao modelo reducionista da ACT, Rosa (2000) apresenta e discute o modelo interacionista, que abarca concepções que problematizam a C&T e suas instituições, e colocam em discussão o entendimento público sobre elas. Para Auler e Delizoicov (2001), o modelo interacionista se aproxima da perspectiva ampliada da ACT, bem como das propostas de Paulo Freire (1987; 1996). No entendimento de Vásquez-Alonso; Acevedo-Díaz e Manassero-Mas (2005), a ACT deveria se apoiar na compreensão pública de uma C&T mais humanística e centrada nas necessidades pessoais e sociais, com o intuito de poder 47 desenvolver-se melhor no mundo científico da atualidade. Nessa perspectiva, a ACT incorpora como objetivos: a) contribuir para formar uma atitude adequada a respeito das implicações sociais e culturais da C&T, e permitir que se forme um juízo mais apropriado dos assuntos tecnocientíficos de interesse público; b) fomentar o sentido de responsabilidade crítica e o estímulo necessário para a participação nos assuntos sociais tecnocientíficos; c) favorecer o desenvolvimento e a consolidação de atitudes democráticas relacionadas às minorias e ao meio ambiente; d) ajudar a perceber a C&T de uma maneira mais próxima e familiar; e) estimular a vocação pelos estudos de C&T. Para Santos e Mortimer (2002), alfabetizar os cidadãos em Ciência e Tecnologia é hoje uma necessidade do mundo contemporâneo. Não se trata de mostrar as maravilhas da Ciência, como a mídia já o faz, mas de disponibilizar as representações que permitam ao cidadão agir, tomar decisões e compreender o que está em jogo no discurso dos especialistas. Essa tem sido a principal proposição dos currículos com ênfase CTS. Com essas perspectivas diferentes, surgem também diversos argumentos para justificar a alfabetização/literacia científica (AC/LC) (SANTOS, 2007). Conforme Norris e Phillips (2003), cada autor enfatiza determinados domínios, apresentando argumentos filosóficos diferentes para sustentar seu posicionamento e, embora não coincidam com enunciados que caracterizam AC ou LC, em tese, incluem sempre dois grandes grupos de categorias: um que incorpora as relativas à especificidade do conhecimento científico (conhecimento e desenvolvimento de habilidades em relação à atividade científica), e outro que abrange as categorias relativas à função social (conhecimentos, habilidades e valores relacionados à função social da atividade científica, incluindo categorias de natureza cultural, prática e democrática). 48 Laugksch (2000) menciona um trabalho realizado por Miller (1983) em que são apresentadas três dimensões para a AC: o entendimento da natureza da ciência; a compreensão de termos e conceitos-chave das Ciências; e o entendimento dos impactos das Ciências e suas Tecnologias. O autor também cita o trabalho de Shamos (1995), que, assim como Miller (1983), confere três extensões para a AC: cultural, funcional e verdadeira. A primeira forma estaria relacionada à cultura científica, suas especificidades e como suas construções relacionam-se com a sociedade; a forma funcional da AC aconteceria quando a pessoa soubesse sobre conceitos e ideias científicas e os utilizasse de maneira adequada para se comunicar, ler e construir novos significados; e, por fim, a AC verdadeira ocorreria quando a pessoa entendesse como uma investigação científica se passa e esboçasse interesse pela natureza da Ciência. Uma ideia semelhante à de Shamos (1995) é defendida por Bybee (1995) no artigo Achieving Scientific Literacy, no qual denomina as dimensões da Alfabetização Científica como AC funcional, AC conceitual/procedimental e AC multidimensional. Essas categorias centram-se nos processos de incorporação de conhecimento científico em situações de sala de aula. Similarmente, Sasseron e Carvalho (2011) denominaram de Eixos Estruturantes da AC aqueles capazes de fornecer as bases suficientes e necessárias para serem consideradas no momento da elaboração e planejamento de aulas que visam a AC: a) compreensão de conceitos-chave como forma de poder entender até mesmo pequenas informações e situações do dia a dia; b) compreensão da natureza das Ciências e dos fatores éticos e políticos que circundam sua prática; c) entendimento das relações existentes entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Meio Ambiente. Esse eixo denota a necessidade de se compreender as aplicações dos saberes construídos pelas Ciências, considerando as ações que podem ser desencadeadas pela utilização deles. O trabalho com esse eixo deve ser garantido na escola quando se 49 tem em mente o desejo de um futuro sustentável para a sociedade e o planeta (SASSERON; CARVALHO, 2011). Resumindo os entendimentos deste item, entendemos, com Chassot (2011, p. 62), que “seria desejável que os alfabetizados cientificamente não apenas tivessem facilitada a leitura do mundo em que vivem, mas entendessem as necessidades de transformá-lo, e transformá-lo para melhor”. 2.2.1.2 Educação Tecnológica com Abordagem CTS As percepções que estudantes de cursos técnicos terão sobre os desenvolvimentos científicos e tecnológicos e suas implicações sociais passam pelo entendimento de que os desenvolvimentos da C&T se baseiam em escolhas humanas e, portanto, são conformados no contexto social. Isso torna indispensável a abordagem de temas diretamente imbricados com a formação dessas percepções, que, mais tarde, irão interferir no processo de formação de opinião e de decisões profissionais relacionadas aos impactos e influências da C&T na sociedade (AULER; DELIZOICOV, 2001; AULER, 2002; 2003; LINSINGEN, 2003; 2006). Nesse sentido, devemos repensar os objetivos e finalidades para a educação tecnológica, no contexto de novas orientações para o processo educativo (ACEVEDO-DÍAZ, 1996; SOLBES; VILCHES, 2004,2005). Segundo Hodson (1994), citado por Solbes e Vilches (2004), as novas orientações apontam na direção em que os estudantes possam: a) discutir o impacto da Ciência e da Tecnologia na sociedade, assim como as influências do desenvolvimento científico e tecnológico; b) conhecer os interesses particulares que, normalmente, determinam as decisões sobre Ciência e Tecnologia; c) desenvolver capacidades para emitir opiniões e valores próprios; d) se sentir preparados para a ação na vida pessoal e profissional, conhecendo como se tomam decisões; 50 e) ter oportunidades para atuar com autonomia em cada momento a favor de uma nova ordem. No contexto dessas novas orientações para a educação tecnológica, o enfoque das relações CTS opõe-se ao da imagem tradicional da C&T na medida em que transfere o centro de responsabilidade da mudança científico-tecnológica para os fatores sociais. Esse deslocamento da C&T para o social deve estar bem claro para os estudantes da educação tecnológica, como afirma Linsingen (2006, p.4): As novas compreensões admitem o fenômeno científico-tecnológico como processo ou produto inerentemente social, onde os elementos não epistêmicos ou técnicos (como valores morais, convicções religiosas, interesses profissionais, pressões econômicas e ambientalistas etc.) assumem um papel decisivo na gênese e consolidação das ideias científicas e dos artefatos tecnológicos. Esse entendimento justifica a necessidade de renovação educativa, o que implica em criar também as condições metodológicas que favoreçam essa renovação pedagógica nas áreas técnicas. Para Acevedo-Díaz (1996, p.38), uma proposta de educação tecnológica centrada no ensino obrigatório em perspectiva CTS tão ampla quanto possível deve incluir pelo menos os seguintes aspectos: a) uma abordagem construtivista para a tecnologia que leve em conta as concepções, interesses e atitudes de alunas e alunos; b) abordar problemas sociotécnicos verdadeiramente relevantes para os alunos, tanto aqueles que podem contribuir para resolver a tecnologia como aqueles dela provenientes; c) aproveitar o tratamento de problemas sociotécnicos para localizar e contextualizar especificamente os conceitos da Ciência que usam a Tecnologia, diminuindo seu nível de abstração; d) utilizar os problemas sociotécnicos trabalhados para introduzir alguns aspectos sociais ligados à Tecnologia: filosóficos, sociológicos, éticos, políticos, econômicos, valores próprios da técnica, dentre outros; 51 e) ajudar a desenvolver as capacidades necessárias para discutir opiniões a respeito de tomada de decisões sobre questões CTS em uma sociedade democrática; f) incentivar a abertura do âmbito escolar ao ambiente social em que está localizado, promovendo a participação em sala de aula de especialistas, que podem ser mesmo pais ou mães de alunos, por visitas a museus de artes e ofícios e a complexos tecnológicos, estendendo a formação a empresas e locais de trabalho. Conforme ressaltam Auler e Delizoicov (2006) e Auler (2002; 2007a), a busca de participação e de democratização das decisões em temas sociais envolvendo Ciência-Tecnologia, objetivos do enfoque CTS, contém elementos comuns à matriz teórico-filosófica adotada por Freire porque seu fazer educacional parte do pressuposto da vocação ontológica do ser humano em “ser mais” (ser sujeito histórico e não objeto), com a superação da ‘cultura do silêncio’. Esse entendimento já havia sido veiculado anteriormente por Aikenhead (1985) no sentido de que a Ciência não é uma atividade neutra e o seu desenvolvimento está diretamente relacionado aos aspectos sociais, políticos, econômicos, culturais e ambientais. Para se tomar uma decisão é fundamental que se entenda o contexto político e econômico em que se produz a CT. Silva e Cruz (2004) consideram que se deve levar em conta os objetivos educacionais específicos do grupo com o qual se está trabalhando, ou seja, os conteúdos devem ser relacionados aos que serão trabalhados a partir de um tema vinculado com o futuro provável dos estudantes, sobretudo no contexto da educação tecnológica. Além disso, para trabalhar na perspectiva da educação CTS, o professor deve ter uma visão global sobre o tema selecionado, dominando minimamente aspectos relativos às diversas áreas do conhecimento que apresentem algum tipo de ligação com ele. Santos e Mortimer (2000b) e Silva e Cruz (2004) consideram que a educação tecnológica no Ensino Médio deve contemplar não apenas a explicação técnica do funcionamento de determinados artefatos e a preparação do indivíduo para lidar com os diversos equipamentos tecnológicos, visto que essa perspectiva de educação 52 tecnológica é alienante, pois favorece a manutenção do processo de dominação do homem pelos ideais de lucro a qualquer preço e não contribui para a busca de um desenvolvimento sustentável. No mesmo foco, Lacerda (2013, p. 10) observa que na formação profissional a alfabetização científica só pode ser viabilizada à medida que o conceito científico implícito ao procedimento técnico seja revestido: [...] de uma funcionalidade claramente delimitada, que permita ao alunotécnico reconhecer na sua apreensão um objetivo concreto, relacionado com sua intervenção profissional e com sua epistemologia. Tal objetivo concreto seria relacionado com as próprias características associadas ao saber funcional, permitindo ao técnico tornar-se detentor de saberes transferíveis, significativos, úteis, multidisciplinares, favorecendo o desenvolvimento da criatividade, a compreensão e a apreensão da sociedade na qual ele está inserido. Nessa perspectiva, a escola de educação tecnológica deve, então, colocar em prática uma didática voltada não apenas para a apreensão de informações, mas também para o desenvolvimento de habilidades e para a aquisição de conhecimentos técnico-científicos necessários para se lidar com realidades complexas, para se enfrentar desafios, buscar soluções, questionar e refazer seus próprios conhecimentos, ampliando os horizontes de informação e reivindicando uma participação ativa na sociedade (LACERDA, 2013). 2.2.1.3 A Necessidade de um Currículo Integrador para o Enfoque CTS As amplas implicações da Ciência e da Tecnologia na sociedade contemporânea e no meio ambiente merecem atenção especial no ensino de ciências, demandando a configuração de um currículo de ciências pautado em novas perspectivas formativas. Segundo Hofstein, Aikenhead e Riquarts (1988), quando os conteúdos de ciências forem ensinados no contexto autêntico de seu meio tecnológico e social, os estudantes terão a possibilidade de integrar o conhecimento científico, a Tecnologia e o mundo social em suas experiências do dia a dia. A proposta curricular de CTS corresponderia, portanto, a uma integração entre educação científica, tecnológica e social, em que os conteúdos científicos e tecnológicos poderão ser estudados 53 juntamente com a discussão de seus aspectos históricos, éticos, políticos, ambientais e socioeconômicos (LÓPEZ; LÓPEZ-CEREZO, 1996). Para dar conta de responder às necessidades socioculturais, Hurd (1989) sugere uma abordagem de ‘habilidades de vida’ para a educação de Ensino Médio e, para que isso aconteça, faz-se necessário um currículo que interligue as ciências naturais com os campos social, comportamental, cognitivo e os da comunicação, tais como as artes de linguagem, de matemática e de ciências humanas. Essa necessidade aponta para um currículo que relacione a Ciência com as questões humanas, a qualidade de vida e o progresso social. Aikenhead (2001a, p. 47), apresenta quatro aspectos de um currículo CTS, com o intuito de apontar as prioridades para o ensino de ciências: a) função – quais são os objetivos de um ensino na abordagem CTS; b) conteúdo – o que deverá ser ensinado; c) estrutura – como a Ciência e o conteúdo CTS podem ser integrados; d) sequência – como se pode desenvolver uma instrução em CTS. A Figura 2 mostra um exemplo de uma sequência do ensino curricular de Ciências no enfoque CTS sugerida pela seta e pelos dois círculos, sendo o espaço externo a sociedade: Figura 2 – Uma sequência do ensino de ciências no enfoque CTS Fonte: AIKENHEAD, 2001a, p. 57. 54 O início da seta significa uma questão social ou um problema que cria a necessidade de identificar o conhecimento tecnológico. Contudo, ambos buscam saber sobre algum conteúdo da Ciência (o círculo central). Esse conteúdo ajudará os estudantes a compreender a tecnologia e a questão social. O domínio da Tecnologia é representado pelo círculo negro. A Tecnologia é primariamente relacionada ao desenvolvimento do conhecimento e ao padrão dos processos, em resposta às necessidades humanas e aos problemas da Sociedade e, por isso, as questões sociais estão quase sempre relacionadas à Tecnologia. Aikenhead (2001a) observa que os estudantes, em seu meio social, são mais afetados por seu mundo tecnológico do que por seu mundo científico. Por isso, a seta começa no domínio da sociedade, passa pelos domínios da tecnologia e da ciência tradicional e novamente passa pela tecnologia, quando podem ser inseridos aprofundamentos do que foi apreendido anteriormente pelos estudantes. Em seguida, a seta retorna aos domínios da sociedade. Nesse momento, os estudantes oferecem direcionamento para a questão ou problema colocado e tomam decisões. O esquema não precisa ser interpretado de maneira inflexível, permitindo, assim, adaptações e adequações conforme a circunstância que o tema a ser abordado na sequencia de ensino exigir. Para Cachapuz et al. (2005), o currículo no ensino de ciências deve contemplar vários aspectos, sendo eles: a) apresentação de situações problemáticas abertas, com nível de dificuldade adequado ao aluno, para que possa tomar decisões; b) reflexão sobre o interesse das situações propostas que dê sentido ao estudo; c) análise qualitativa e significativa que auxilie a compreensão das situações propostas; d) emissão de hipóteses fundamentadas nos conhecimentos disponíveis, susceptíveis de orientar o tratamento das situações; e) apresentação de estratégias, incluindo desenhos experimentais; 55 f) análise de resultados à luz do corpo de conhecimentos, das hipóteses tidas em conta e/ou resultados de outras equipes; g) consideração de possíveis perspectivas; h) esforço de integração que considere a contribuição do estudo realizado para a construção de corpo coerente de conhecimentos, bem como as possíveis implicações em outros campos de conhecimentos. Salienta-se a importância de algum trabalho de construção de sínteses, mapas de conceitos, entre outros, colocando, desse modo, conhecimentos diversos; i) atenção à comunicação como um fator determinante da atividade científica. Apresenta-se a sugestão de elaboração de relatórios científicos ou de cadernos de campo do trabalho realizado. Sugere-se a leitura e o comentário de textos científicos; j) aumento da dimensão coletiva do trabalho científico, organizando-se equipes de trabalho e auxiliando a interação entre elas. Esses aspectos, no entender dos mesmos autores, são importantes porque ajudam a desfazer o aspecto reducionista da própria ciência. Todavia, os fatores apontados anteriormente não fazem sentido quando isolados, de modo que é preciso uma reorientação do trabalho com os estudantes, para aproximá-los daquilo que é a atividade científica, exigindo, assim, que o processo de ensino e aprendizagem das ciências abandone o tipo de ensino por transmissão levado a cabo pelo professor e pelos livros-texto, que implica a recepção e absorção passiva dos conhecimentos. Nesse sentido, sem um currículo integrado, a ausência da prática investigativa-ativa reforça a visão dicotômica entre teoria e prática, e distancia o sujeito da possibilidade de problematizar a prática escolar. Com isso, a falta de familiaridade com os procedimentos científicos e com o processo histórico de produção e disseminação de conhecimentos limita a processualidade de produção e apropriação de conhecimento, e o entendimento acerca da provisoriedade das certezas científicas (SOUZA; BASTOS; ANGOTTI, 2007). 56 Dito de outro modo, aprender Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (CNMT) envolve a iniciação dos alunos em uma nova maneira de pensar e explicar os mundos natural e tecnológico, situação fundamentalmente diferente daquelas disponíveis no senso comum. Isso envolve um processo de socialização das práticas da comunidade científica e de suas formas particulares de pensar e ver o mundo, e implica estruturar o currículo, para que seja possível aos alunos adquirir capacidades para a formação de opinião e de senso crítico, com vistas a posicionamentos socialmente responsáveis (SOUZA; BASTOS; ANGOTTI, 2007). Nessa perspectiva, Zoller (1993), citado por Santos e Mortimer (2001), considera que os currículos CTS devem ser estruturados de forma a propiciar condições para que os alunos desenvolvam os passos da tomada de decisão, que consistem em: a) reconhecimento da existência de um problema; b) compreensão da essência factual do conhecimento e de conceitos envolvidos; c) apreciação do significado e do sentido das soluções alternativas; d) processamento para a solução do problema, o que envolve a seleção de dados e informações relevantes; a análise dos dados pela sua racionalidade, confiabilidade e validade; a avaliação da dependência das fontes de informações usadas e seus graus de preconceito; e o planejamento de estratégias apropriadas, para mais adiante negociar com os problemas; e) esclarecimento dos valores de cada um e estabelecimento de um julgamento de valor; f) processamento para a tomada de decisão, o que envolve escolhas racionais entre alternativas disponíveis ou geração de novas opções; e tomada de decisão; g) ação de acordo com a decisão tomada; 57 h) tomada de responsabilidade. Em relação aos aspectos relativos à Ciência, Rosenthal (1989), citado por Santos e Mortimer (2002), considera importante os currículos CTS abordarem questões de natureza filosófica, sociológica, histórica, política, econômica e humanística. Aos temas relacionados à Tecnologia, Pacey (1990) diz que a prática tecnológica poderia ser abordada nos currículos segundo três aspectos: o técnico, que inclui conhecimentos específicos; instrumentos e máquinas; recursos humanos e materiais; matérias-primas; produtos obtidos; dejetos e resíduos; o organizacional, que inclui conhecimentos sobre a institucionalização da tecnologia e a regulamentação da prática tecnológica enquanto atividade econômica e industrial, e dos profissionais (engenheiros, técnicos e outros), usuários, consumidores, sindicatos etc.; e o cultural, relacionado aos objetivos, crenças sobre o progresso, e valores e códigos éticos que permeiam essa atividade. O conteúdo dos currículos CTS tem um caráter multidisciplinar (SOLOMON, 1993a) e os conceitos são sempre abordados em uma perspectiva relacional, de maneira a evidenciar as diferentes dimensões do conhecimento estudado, sobretudo as interações CTS. Nesses currículos, procura-se evidenciar como os contextos social, cultural e ambiental, nos quais se situam a Ciência e a Tecnologia, influenciam sua condução e conteúdo (AIKENHEAD, 2001a). Da mesma forma, a Ciência e a Tecnologia influenciam aqueles contextos, com efeitos recíprocos, e suas inter-relações variam de época para época e de lugar para lugar (RAMSEY, 1993). Exemplos dessas interações são ilustradas por McKavanagh e Maher (1982) e apresentadas no Quadro 7: 58 Aspectos de CTS Esclarecimentos 1. Efeito da Ciência sobre a Tecnologia 2. Efeito da Tecnologia sobre a Sociedade 3. Efeito da Sociedade sobre a Ciência 4. Efeito da Ciência sobre a Sociedade A produção de novos conhecimentos tem estimulado mudanças tecnológicas. A tecnologia disponível a um grupo humano influencia sobremaneira o estilo de vida desse grupo. Por meio de investimentos e outras pressões, a sociedade influencia a direção da pesquisa científica. O desenvolvimento de teorias científicas pode influenciar a maneira como as pessoas pensam sobre si próprias e sobre problemas e soluções. Pressões públicas e privadas podem influenciar a direção em que os problemas são resolvidos e, em consequência, promover mudanças tecnológicas. A disponibilidade dos recursos tecnológicos limitará ou ampliará os progressos científicos. 5. Efeito da Sociedade sobre a Tecnologia 6. Efeito da Tecnologia sobre a Ciência Quadro 7 – Aspectos da abordagem CTS Fonte: McKAVANAGH; MAHER, 1982, p. 72, citados por SANTOS; MORTIMER 2002, p. 12. Considerando que a “educação é a formação do ser humano para desenvolver suas potencialidades de conhecimento, de julgamento e de escolha para viver conscientemente em sociedade” (BENEVIDES, 1996, p. 225), cabe ao professor perguntar-se sobre o que é necessário ser aprendido na escola, sobre quais instrumentos pode fazer uso junto aos alunos para lhes dar acesso às suas escolhas, pois “a falta ou a insuficiência de informações reforça as desigualdades, fomenta injustiças e pode levar a uma verdadeira segregação” (BENEVIDES, 1996, p. 226). Isso retoma entendimentos de Paulo Freire (1987; 2005) e pode colocar em risco a própria existência da democracia (PINHEIRO; WESTPHAL; PINHEIRO, 2005). Um encaminhamento curricular possível é sugerido por Delizoicov (1991), para quem é preciso que se realizem investigações temáticas, especificando cinco passos: a) levantamento preliminar: faz-se um levantamento das condições da localidade onde, através de fontes secundárias e conversas informais com os indivíduos, realiza-se uma primeira aproximação e uma coleta de dados; 59 b) análise das situações e escolha das codificações: faz-se a escolha de situações que encerram as contradições vividas e a preparação de suas codificações a serem apresentadas na etapa seguinte; c) diálogos decodificadores: o local é revisitado para os diálogos decodificadores, sendo que, nesse processo, os temas geradores são obtidos; d) redução temática: consiste na elaboração do programa a ser desenvolvido na 5ª etapa. Os conteúdos disciplinares são, então, identificados e selecionados, constituindo-se necessários para a compreensão dos temas identificados na etapa anterior; e) trabalho em sala de aula: somente após as quatro etapas anteriores, com o programa estabelecido e o material didático preparado, o trabalho em sala de aula é desenvolvido. Na mesma perspectiva didático-pedagógica, Ramsey (1993) cita três critérios para identificar se um tema social relacionado à Ciência e à Tecnologia é potencialmente relevante: a) se é, de fato, um problema de natureza controvertida, ou seja, se existem opiniões diferentes a seu respeito; b) se o tema tem significado social; c) se o tema, em alguma dimensão, é relativo à Ciência e à Tecnologia. Para Auler e Bazzo (2001), a abordagem CTS no contexto educacional traz em si a necessidade de uma modificação na estrutura curricular dos conteúdos, de forma a enfocá-los de modo mais amplo (histórico, político, econômico e social), situando a Ciência e a Tecnologia em novas concepções, vinculadas ao contexto social. Dessa forma, Santos e Mortimer (2000b, p. 17) sugerem alguns aspectos que precisam ser considerados em um currículo CTS: Que cidadãos se pretende formar por meio das propostas CTS? Será o cidadão no modelo capitalista atual, pronto a consumir cada vez mais, independente do reflexo que esse consumo tenha sobre o ambiente e sobre a qualidade de vida da maioria da população? Que modelo de tecnologia 60 desejamos: clássica, ecodesequilibradora ou de desenvolvimento sustentável? O que seria um modelo de desenvolvimento sustentável? Que modelo decisionista desenvolveremos no nosso aluno, o tecnocrático ou o pragmático-político? No entendimento de Fensham (2004), em um currículo escolar nos parâmetros de uma educação CTS humanística, a ciência social, curiosa, doméstica, sedutora ou cultural deveria registrar maior presença. Contudo, as grades curriculares verticais, com uma ampla lista de objetivos comuns e recomendações metodológicas para vários cursos, apenas conduzem ao predomínio do ensino tradicional e propedêutico de ciências. Ensinar na noção propedêutica, segundo Auler (2007a, p. 71), é “transmitir algo pronto, uma verdade absoluta que está fora do aprendiz”, sendo a teoria desvinculada da prática, sendo o “tempo de aprender” desvinculado do “tempo de viver”. Assim, a “anulação do presente, enquanto espaço-tempo de significação, a não vivência do presente, sendo a satisfação jogada para o futuro”, implica um quadro de frustração e desmotivação que culmina no abandono, na evasão escolar (AULER, 2007a, p. 71). Com essa abordagem, os professores tendem a concentrarse mais no conteúdo e esquecer os princípios e diretrizes que expressam outros efeitos relevantes, de modo que a ciência propedêutica acaba sendo dominante (VÁSQUEZ-ALONSO; ACEVEDO-DÍAZ; MANASSERO-MAS, 2005). Contudo, o tempo presente na escola, com o enfoque CTS, pode ser “tempo de satisfação, de alegria, de prazerosidade com rigorosidade” (AULER, 2007a, p. 71). À medida que se avolumaram os problemas sociais no mundo, outros valores e outras temáticas foram incorporados aos currículos de ciências no Brasil. Segundo Krasilchick (2000), entre 1960 e 1980, as crises ambientais, o aumento da poluição, a crise energética e a efervescência social manifestada em movimentos estudantis determinaram profundas transformações nas propostas das disciplinas científicas em todos os níveis do ensino. Às implicações sociais da Ciência incorporaram-se as propostas curriculares nos cursos ginasiais da época e, em seguida, nos cursos primários. Em 1996, com a aprovação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação, nº 9.394/96, estabeleceu-se que o Ensino Médio tem a função de consolidação dos conhecimentos e preparação para o trabalho e a cidadania, facilitando a 61 continuidade do processo de aprendizagem. Esse aprendizado inclui a formação ética, a autonomia intelectual e a compreensão dos fundamentos científicos e tecnológicos dos processos produtivos. Santos (2007a) observa que aspectos relativos a cursos com ênfase em CTS estiveram implicitamente presentes em recomendações curriculares de ensino de ciências, mas as orientações mais específicas sobre as relações CTS só foram incorporadas aos documentos legais nas proposições das diversas versões dos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Fundamental e Médio elaboradas a partir de 1997. A partir desses entendimentos, sustentamos que um currículo de Ciências não pode prescindir de estudar as aplicações da Ciência e da Tecnologia sem explorar as suas dimensões sociais. Se assim o fizer, pode propiciar uma falsa ilusão de que o aluno compreende o que é Ciência e Tecnologia. Esse tipo de abordagem pode gerar uma visão deturpada sobre a natureza desses conhecimentos, como se estivessem inteiramente a serviço do bem da humanidade, escondendo e defendendo, mesmo que sem intenção, os interesses econômicos daqueles que desejam manter o status quo (SANTOS; MORTIMER 2002). 2.2.1.4 Pensamento Crítico, uma Finalidade Educativa Relevante para a Educação CTS Na atualidade, como temos sublinhado anteriormente, tem sido amplamente defendido um ensino de Ciências com uma orientação CTS com o propósito de ensinar os fenômenos de uma maneira que ligue a Ciência ao mundo tecnológico e social do aluno (MAGALHÃES; TENREIRO-VIEIRA, 2006). Com esse propósito, o ensino em Ciências deve permitir a todos os indivíduos um melhor conhecimento da Ciência e das suas inter-relações com a Tecnologia e a Sociedade, conhecimento que deve estar imbuído de pensamento crítico (VIEIRA; MARTINS, 2004). Essa orientação para o ensino de Ciências fomenta uma educação de perfil mais humanista, mais global e menos fragmentada (MARTINS, 2002a; 2002b) e ao defender uma ênfase nas relações entre a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade, ela revela uma imagem mais completa e real da Ciência e uma atitude mais positiva 62 face à Ciência e à sua aprendizagem (VILCHES, 2002), desenvolvendo o espírito crítico dos alunos. Enquanto finalidades educativas, a educação CTS e o pensamento crítico não têm sido explicitamente conjugados no processo de ensino-aprendizagem das Ciências, apesar de “a educação CTS focada nas capacidades de pensamento crítico fornecer aos alunos, entre outras, a oportunidade de analisar dados criticamente e de estabelecerem conexões entre bits de informação” (YAGER, 1993, p. 273). Em outras palavras, Vieira (2003) afirma que, embora o pensamento crítico seja importante em contextos da educação CTS em Ciências, não tem sido comum, por um lado, articulá-lo no currículo de Ciências e, por outro, ser inserido em práticas educativas. Contudo, o pensamento crítico e a educação CTS, segundo Vieira (2003), configuram tendências atuais na educação em Ciências. Segundo Ainkenhead (1987), citado por Membiela (2001, p. 93), ao ensino de Ciências com enfoque CTS deve-se acrescentar outro objetivo, “que é o de alcançar o pensamento crítico e a independência intelectual”. Muitos educadores, considerados especialistas em desenvolvimento curricular em Ciências na perspectiva CTS, como Aikenhead, Bybee, Hurd e Yager, identificaram, a partir de 1980, “o desenvolvimento do pensamento crítico como a preparação necessária para os estudantes participarem efetivamente na tomada de decisão democrática” (VIEIRA, 2003, p. 2). Na literatura encontra-se uma diversidade de conceitos de pensamento crítico e são várias as razões que justificam o interesse pelo desenvolvimento do pensamento crítico em nossos alunos. Um dos conceitos citados por Vieira (2003) é atribuído a Ennis (1985; 1987; 1996): o pensamento crítico é entendido como uma atividade prática reflexiva, cuja meta é uma crença ou uma ação sensata. Assim como Ennis (1987) entendemos que pelo fato de ser uma forma de pensamento reflexivo, racional, focado no decidir aquilo em que acreditar ou no que fazer, o pensamento crítico viabiliza posições mais racionais e inteligentes sobre questões científicas. Além disso, prepara os alunos para a vida ativa, em que é preciso, cada vez mais, resolver problemas, lidar com novas situações, tomar decisões e posições sobre questões científicas, nomeadamente questões públicas 63 relacionadas com implicações sociais da Ciência e da Tecnologia (TENREIROVIEIRA, 1999, 2000, 2004). Nesse sentido, Fourez (1997a, p. 33) associa o pensamento crítico à alfabetização científica e tecnológica, afirmando que [...] a Alfabetização Científica e Tecnológica é mais do que a aprendizagem de receitas ou mesmo de comportamentos intelectuais face à ciência e à tecnologia: ela implica uma visão crítica e humanista da forma como as tecnologias (e mesmo as tecnologias intelectuais, que são as ciências) moldam nossa maneira de pensar, de nos organizar e de agir. Com efeito, para dar uma resposta racional e informada às exigências e necessidades do mundo contemporâneo (em parte, proporcionada pela evolução da Ciência e da Tecnologia), refletidas profundamente na forma de viver da sociedade, exige-se o uso de capacidades de pensamento, nomeadamente de pensamento crítico. Assim sendo, o pensamento crítico adquire importância na formação de indivíduos para que sejam capazes de se realizarem enquanto pessoas, socialmente intervenientes e com capacidade de resposta às dinâmicas e exigências da sociedade atual (TENREIRO-VIEIRA, 2001). Para pensar criticamente, é necessário estimular o ato reflexivo, o que significa desenvolver a capacidade de observação, reflexão, análise, crítica, autonomia no pensar e nas ideias, bem como ampliar os horizontes, tornar-se agente ativo nas transformações da sociedade e buscar interagir com a realidade (SORDI; BAGNATO, 1998). Um dos caminhos possíveis para desenvolver o pensamento crítico em nossos alunos seria, segundo Freire (1986), através de uma educação dialógica e ativa, passando da transitividade ingênua para a transitividade crítica. A transitividade ingênua corresponde à simplicidade na interpretação de problemas, à aceitação de explicações fabulosas e à fragilidade da argumentação, características oriundas da massificação. A transitividade crítica caracteriza a consciência, o pensamento crítico, ou seja, saber analisar as explicações, saber dialogar e argumentar, dispor-se a investigar e não aceitar explicações prontas como verdadeiras e absolutas. Nessa perspectiva, saber olhar um mesmo fato ou fenômeno sob vários pontos de vista conduzirá ao exercício do senso crítico e de juízos de valor. 64 A partir de treinamento sistemático reflexivo, pode-se também ajudar os alunos a compreender e responder criticamente as notícias sobre questões científico-tecnológicas, a avaliar as repercussões sociais da Ciência e da Tecnologia, a compreender a contribuição destas para a criação e/ou resolução de problemas sociais, e a resolver problemas e tomar decisões, de forma racional e informada, sobre aspectos relacionados com a Ciência, a Tecnologia, a Sociedade e as suas inter-relações (MAGALHÃES; TENREIRO-VIEIRA, 2006). Lipman (1995) afirma que não se deve supor que os alunos desenvolvem e fortalecem o pensar apenas a partir de conteúdos de várias disciplinas. Para ele, pensar é fazer associações, e pensar criativamente e criticamente é fazer associações novas e diferentes. Essas associações são traduzidas pelas habilidades de pensamento que possuímos e, segundo o autor, elas podem ser agrupadas em quatro grupos: a) habilidades de investigação: habilidade de observar bem, formular questões ou perguntas substantivas, formular hipóteses, buscar comprovações, e disposição à autocorreção; b) habilidades de raciocínio: ser capaz de produzir afirmações sustentadas por boas razões, estabelecer relações adequadas entre ideias e juízos, tirar conclusões, e identificar ou perceber pressuposições subjacentes, ou seja, aquilo que está nas entrelinhas; c) habilidades de formação de conceitos: explicar ou desdobrar o significado de qualquer palavra; analisar, esmiuçar elementos que compõem um conceito qualquer e, em seguida, unir de novo tais elementos, reconstituindo o conceito; buscar significados de palavras em fontes como dicionários, enciclopédias, pessoas e de adequar o significado das palavras ao contexto em que estão sendo utilizadas; observar características essenciais para que alguma coisa possa ser identificada como tal; habilidade de fazer definições para as coisas; d) habilidades de tradução: envolve as habilidades de interpretar, parafrasear, analisar e todas as habilidades relacionadas à formação de conceitos. 65 Com o objetivo de mobilizar essas habilidades da forma mais integrada possível, novos e diferentes desafios são exigidos dos professores. Nesse sentido, Lorieri (2002, p. 104) tece algumas recomendações aos professores quando forem planejar suas atividades: O educador deve saber identificar as habilidades que estão sendo exigidas em cada situação, identificar seu emprego integrado e ser capaz de oferecer mediação educacional no sentido de estimular o desenvolvimento delas e seu emprego cada vez mais competente. Ao confrontar os alunos com problemas atuais de âmbito social, ético e político, a partir de uma perspectiva da Ciência e da Tecnologia, o pensamento crítico em CTS cria oportunidades para os alunos refletirem, formularem opiniões/juízos de valor, apresentarem soluções e tomarem decisões sobre acontecimentos e/ou problemas do mundo real (MAGALHÃES; TENREIRO-VIEIRA, 2006). Conforme afirma Bazzo (2011, p. 28): [...] o cidadão merece aprender a ler e entender – muito mais do que conceitos estanques – a ciência e a tecnologia, com suas implicações e consequências, para poder ser elemento participante nas decisões de ordem política e social que influenciarão o seu futuro e o dos seus filhos. Já deixamos clara nossa defesa ao enfoque CTS na educação por acreditarmos que essa perspectiva visa promover a tomada de consciência com vistas a uma ação transformadora sobre questões sociais que envolvem Ciência e Tecnologia. Isso implica, de um lado, o uso de capacidades de pensamento, notadamente de pensamento crítico, de outro, a necessidade de desenvolver uma capacidade de análise fundamentada em conhecimentos científicos. Juntos, conhecimentos e capacidades de pensamento crítico poderão concretizar ações transformadoras no meio social, possibilitando a tomada de decisão, a intervenção e a participação social. Abordaremos esses objetivos a seguir. 2.2.1.5 Tomada de Decisão e Responsabilidade Social e Ambiental As mais recentes reformas curriculares incorporam como diretrizes gerais e orientadoras para o currículo do Ensino Médio quatro premissas apontadas pela UNESCO como eixos estruturais da educação na sociedade contemporânea. São elas: aprender a conhecer; aprender a fazer; aprender a viver e aprender a ser. 66 Sobre aprender a viver, o PCNEM (BRASIL, 1999, v. 1, p. 34) explica que se trata “de aprender a viver juntos, desenvolvendo o conhecimento do outro e a percepção das interdependências, de modo a permitir a realização de projetos comuns ou a gestão inteligente dos conflitos inevitáveis” (grifos nossos). Sobre aprender a ser, o documento destaca que [...] a educação deve estar comprometida com o desenvolvimento total da pessoa. Aprender a ser supõe a preparação do indivíduo para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor, de modo a poder decidir por si mesmo, frente às diferentes circunstâncias da vida. Supõe ainda exercitar a liberdade de pensamento, discernimento, sentimento e imaginação, para desenvolver os seus talentos e permanecer, tanto quanto possível, dono do seu próprio destino (BRASIL, 1999, v. 1, p. 34, grifos nossos). Complementando, o ‘aprender a viver’ e o ‘aprender a ser’ decorrem, assim, das duas aprendizagens anteriores – o ‘aprender a conhecer’ e o ‘aprender a fazer’ –, e devem constituir ações permanentes que visem à formação do educando como pessoa e como cidadão. Esses encaminhamentos presentes no PCNEM (BRASIL, 1999) apresentam uma relação com um dos objetivos principais dos cursos CTS, que é, segundo Santos e Mortimer (2001), capacitar os alunos para a tomada de decisão e para uma ação social responsável. Conforme Fourez (1997), uma pessoa só pode tomar decisões responsáveis se for alfabetizada cientificamente, e essa habilidade implica a educação dos cidadãos visando à tomada de decisões políticas e/ou éticas sobre assuntos que envolvem as Ciências e suas tecnologias. Para o autor, é inaceitável ensinar as Ciências de maneira exclusivamente teórica e que as mostre sem vínculo com a possibilidade de realizações na vida cotidiana. Por isso, devem ser visualizados três objetivos: o primeiro refere-se ao conhecimento de fontes de informação; o segundo implica o saber fazer para selecionar as informações necessárias a cada situação; e o terceiro destaca o papel de se criar o hábito de realizar verdadeiras investigações como forma de colocar em prática os dois objetivos anteriores. Nesse sentido, em relação à educação científica, o enfoque CTS assumiu como objetivo o desenvolvimento da capacidade de tomada de decisão na sociedade científica e tecnológica e o desenvolvimento de valores (BAZZO, 2011; SANTOS; MORTIMER, 2000a; AULER, 2003; 2007b; SANTOS; SCHNETZLER, 2010). Assim, no ensino de Ciências esse enfoque tem contribuído para a inscrição 67 de temas sociocientíficos como engajamento em ações sociais responsáveis, questões controversas de natureza ética e problemas ambientais contemporâneos (SANTOS; MORTIMER, 2000; AIKENHEAD, 2000; 2001b; AULER, 2007b; SANTOS, 2011a). Segundo McConnell (1982), citado por Santos e Mortimer (2001), a tomada de decisão pelos cidadãos em uma democracia requer uma atitude cuidadosa; habilidades de obtenção e uso de conhecimentos relevantes; consciência e compromisso com valores; e capacidade de transformar atitudes, habilidades e valores em ação. Todos esses passos podem ser encorajados se uma perspectiva de tomada de decisão for incorporada ao processo educacional. O desenvolvimento das capacidades para tomada de decisão é um processo complexo e vários modelos normativos foram desenvolvidos com esse objetivo. Como exemplo, o modelo de Kortland (1996), citado por Santos e Mortimer (2001), sugere as etapas que deveriam ser seguidas numa atividade de tomada de decisão: Identificação do problema Produção de critérios Geração de alternativas Avaliação de alternativas Ação e monitoração Escolha da solução Figura 3 – Modelo normativo do processo de tomada de decisão Fonte: KORTLAND, 1996, p. 675, citado por SANTOS; MORTIMER, 2001, p. 97. Santos e Mortimer (2001, p. 100) completam o entendimento acima afirmando que “da mesma forma que não existe um único método científico, também não existe um único método de tomada de decisão. Além disso, há de se considerar a natureza complexa desse processo”. Segundo os autores, alguns modelos apresentados na literatura “parecem reproduzir os modelos tecnocráticos e decisionistas” (SANTOS; MORTIMER, 2001, p. 101). A decisão é tomada de forma racional, tendo em vista que os passos a serem dados seguem aspectos técnicos e apontam para a opção a seguir. Em um modelo de tomada de decisão pragmático-político que envolve 68 aspectos valorativos, culturais e éticos, os passos a serem tomados não podem ser determinados a priori. No contexto social e democrático, a tomada de decisão envolve o debate público para se chegar a uma decisão que atenda aos interesses da maioria. Nesse caso, são os juízos crítico e político que estarão envolvidos no julgamento da melhor decisão a ser tomada. Segundo Canivez (1991), citado por Santos e Mortimer (2001), o primeiro tipo de juízo, o crítico, refere-se ao julgamento daquilo que é universal (leis, princípios universais dos direitos humanos). O segundo tipo, o político, refere-se ao encaminhamento dado via discussão da pluralidade de ideias, para uma possível solução de um problema. Explorando a tomada de decisão e a formação de julgamentos morais baseadas em questões sobre Ciência e Tecnologia, alguns pesquisadores da década de 1990 relataram uma variedade de fatores que influenciam esse processo. Zeidler e Schafer (1984) relatam, em pesquisa realizada, que a compreensão da Ciência, as atitudes positivas e um forte compromisso em direção a uma questão específica foram todos positivamente relacionados ao nível de raciocínio moral de estudantes universitários que costumavam fazer julgamentos sociais. Já Fleming (1986a) constatou que adolescentes visualizavam principalmente Ciência e Tecnologia em seus aspectos sociais e, nas raras ocasiões em que não tinham essa cognição social, seu raciocínio enfocava os cientistas como inventores e detentores da ‘verdade’ dos fatos (FLEMING, 1986b). Nessa época, o único estudo que direcionou o papel da natureza das concepções de Ciência na tomada de decisão constatou que alunos do Ensino Médio não pareciam basear as decisões sobre sua conduta diária em sua compreensão da natureza provisória do conhecimento científico (LEDERMAN; O’MALLEY, 1990). Vê-se que não basta aos nossos alunos conhecer os conteúdos envolvidos em determinada situação-problema para que possa ser atuante e consciente nas decisões a serem tomadas. É necessário que busquem conhecer e compreender os diferentes enfoques que podem ser utilizados para solucioná-la e, principalmente, tornar-se político, ou seja, ser capaz de mediar as divergências entre os diversos atores sociais (cientistas, políticos, técnicos etc.) envolvidos e negociar soluções que dificilmente serão de consenso (FOUREZ, 1995). 69 Em outras palavras, se desejamos para nossos alunos uma educação fundamentada em valores éticos compromissados com a sociedade, chamada por Santos e Mortimer (2001, p. 102) de “educação para a ação social responsável”, devemos desenvolver atividades com ênfase na tomada de decisões, relacionadas, sobretudo, com o controle social da C&T. Isso demanda a humanização da educação profissional e o combate ao tecnicismo ainda vigente com vistas a conduzir à formação para o exercício da cidadania, tema que será tratado a seguir. 2.2.1.6 Cidadania, Finalidade Necessária para Consolidar a Educação CTS Toda e qualquer cidadania é um conceito em construção historicamente situado. Para Santos (2005b, p. 142): [...] a cidadania clássica legou uma dimensão política que atravessa todos os aspectos de vida na polis. A cidadania moderna, cuja forma mais universal é a cidadania liberal, consolidou-se em termos de linguagem de direitos. Por sua vez, os discursos da pós-modernidade alegam a necessidade de desconstrução da cidadania liberal e de construção de uma cidadania diferenciada atenta a “identidades de resistência”, que, por ser favorecida pela sociedade em rede da era da informação, aposta em reposicionar o ser através do saber. A cidadania clássica da qual Santos (2005b) nos fala vincula-se ao conceito de cidadão grego. Na Grécia antiga, o cidadão era definido por sua participação nas funções judiciárias e nas funções públicas em geral. Ou seja, nessa definição, entendemos que o cidadão é o homem participante, é aquele que participa. A cidadania moderna consolidou-se em termos dos direitos e não podemos ignorar que ela envolve os deveres também (SANTOS, 2005a). Os direitos são garantidos pelo Estado na forma de direitos humanos e, a despeito das diferenças culturais que esse conceito possa apresentar, é possível reconhecer a universalidade de certos princípios éticos que não se limitam ao domínio de determinada cultura. Vale lembrar que os direitos humanos são fundamentados em princípios éticos. Os deveres, por sua vez, estão relacionados com os compromissos que os cidadãos assumem no contexto social (CANIVEZ, 1991). Com o passar do tempo, além de um ser individual, o cidadão tornou-se um ser social, com uma identidade cultural construída dialogicamente nas relações 70 sociais da comunidade. Por consequência, a “sua identidade e a sua mente resultam de uma racionalização progressiva e ativa em contextos socioculturais concretos” (SANTOS, 2007, p. 3). As relações entre os conceitos de cidadão, participação comunitária, direitos e deveres, cidadania e democracia resultam em implicações para a educação, pois alguns princípios básicos podem ser correlacionados devido ao caráter universal do conceito de cidadania e de democracia. Tal consideração permite afirmar que “educar para a cidadania é preparar o indivíduo para participar em uma sociedade democrática, por meio da garantia de seus direitos e do compromisso de seus deveres. Isso quer dizer que educar para a cidadania é educar para a democracia” (SANTOS; SCHNETZLER, 2010, p. 30). Na opinião de Pinto (1995, p. 175), a participação constitui-se na “viga-mestra na construção da cidadania”. Santos (2005a, p. 103) ao clarificar o conceito de cidadania democrática em termos educacionais nos fala “de uma cidadania que tem como pré-requisito a valorização subjetiva do cidadão através da aplicação de direitos cognitivos (direito à educação, à informação, ao conhecimento, à comunicação, à aprendizagem ao longo da vida...) e que tem um valioso papel em uma democracia participativa”. Ainda segundo a autora, a cidadania não se reduz a uma prática sem reflexão e deve ser sensível a múltiplos contextos: educacionais, políticos, sociais, culturais locais, planetários, dentre outros. E nesse sentido a cidadania se apresenta como uma “forma qualitativamente superior de inserção na sociedade” a partir de “vínculos sociais fortes e de formas como nos sentimos, afetiva e reflexivamente, como parte de algo no qual nos propomos a participar” (SANTOS, 2005a, p.103). A cidadania não deve se confinar à nacionalidade, nem tão pouco ao tempo presente. Para isso, deve assumir novos significados culturais e de identidade em contextos das relações sociais que “nos vincula à complexa teia da vida, entrelaçando presente, passado e futuro. [...] uma cidadania da vida contra a vida dominada pela tecnociência [...]” (SANTOS, 2005a, p. 104). Esses entendimentos sobre cidadania, segundo Santos (2005a,b; 2007), conduzem à educação cidadã e capacita-nos para participar como seres sociais, como seres políticos, como pessoas e como agentes produtivos em diferentes 71 facetas públicas. Mas como nos alerta Santos (2005a, p. 105), “nem toda a educação é uma educação cidadã.” A educação cidadã pressupõe atos educativos em contextos diversos e ao longo da vida; está atenta a determinados conteúdos, competências, atitudes e valores. Nesse sentido a autora diz que as expectativas de promoção da cidadania não se esgotam na escola, mas incluem-na e privilegiam-na. [...] a escola pode e deve constituir um espaço privilegiado de promoção da cidadania não só através de espaços transdisciplinares dedicados a tal promoção, mas também através do ensino disciplinar. [...] Se a maior parte do tempo vivido pelos alunos na escola é dedicado às disciplinas curriculares é principalmente nestas (através dos saberes, valores e competências que veiculam) que a construção da cidadania deve investir.” (SANTOS, 2005a, p. 107). A questão primordial a ser considerada, segundo Santos (2005a, b; 2007), é: o que devemos fazer para tornar potenciais cidadãos em cidadãos responsáveis, críticos, ativos, nos diferentes contextos em que decorre a sua vida social e cívica? A resposta é dada a partir de uma matriz tripartida para aprender cidadania. Essa matriz se apresenta em termos da educação em cidadania, pela cidadania e para cidadania. A educação em cidadania tem como meta a aquisição de uma literacia política, ou seja, “o conhecimento e compreensão sobre como tornar-se cidadão interessado e informado” (SANTOS, 2005a, p. 111). A educação pela cidadania corresponde desenvolver competências de cidadania praticando a autonomia, a participação (cidadania participativa) e a cooperação social (cidadania solidária, dimensão intersubjetiva da cidadania). Por fim, a educação para a cidadania abarca as duas anteriores e, envolve “equipar os alunos com um conjunto de ferramentas (conhecimentos e compreensão, competências e atitudes, valores e disposições) que os habilitem a participar, ativa e sensivelmente, nos papéis e responsabilidades que irão encontrar na sua vida adulta” (SANTOS, 2005a, p. 115). Quando falamos de formar nossos alunos para o exercício da cidadania é a essa educação para a cidadania que acreditamos e por isso a defendemos. A cidadania participativa mencionada acima remete ao conceito de cidadania ativa utilizado por Santos e Schnetlzer (2010) como sendo a participação dos indivíduos nas decisões da cidade, ou seja, uma participação em contextos mais abrangentes. O desenvolvimento da cidadania ativa evoca o desenvolvimento de uma cultura de participação dos indivíduos que vai além da educação pelo 72 conhecimento e do exercício dos seus direitos, porque exige uma conscientização em relação aos seus deveres com a comunidade. Segundo Stiefel (2003, p. 22), para promover a cidadania ativa e solidária, “a escola precisa estar em consonância com os valores que os alunos vivem em outros contextos sociais”. A própria escola precisa se organizar para possibilitar a aprendizagem da vida democrática e desenvolver valores como a autonomia, a responsabilidade, a participação, o diálogo, a busca do bem comum etc. Assim, a escola tem muito a contribuir em se tratando de cidadania. Entretanto, como mencionamos anteriormente, esse processo não se inicia e nem se conclui na escola. A escola é apenas um dos contextos sociais que faz parte da vida dos alunos e pode auxiliá-los em sua formação para a cidadania com vistas à participação. Outros contextos de socialização, como a família, espaços de relacionamentos, de cultura e lazer também podem influenciar nesse processo. Nesse sentido, acreditamos que uma maneira da escola contribuir para o desenvolvimento de uma cultura de participação em seus alunos passa pelo reconhecimento do contexto cultural no qual eles estão inseridos. Isso implica oferecer um ensino contextualizado e significativo para que eles se sintam envolvidos e comprometidos com o processo educativo. Um ensino que guarda relação direta com a vida do aluno e leva em conta suas ideias e potencialidades poderá fazer com que ele se sinta mais participativo em relação ao processo educativo e mais integrado à escola e à comunidade. Entendemos que uma maneira para contribuirmos para isso vem através da educação CTS, vista “como uma via privilegiada de educação cidadã” (SANTOS, 2005a, p. 107) pelo fato da educação CTS se opor ao cientificismo e à tecnocracia; apreciar a Ciência como elemento da cultura; afastar-se da racionalidade científica ao refundamentar o saber sobre o mundo; ser particularmente sensível ao estabelecimento de novas relações entre o ser e o saber; abrir-se à incerteza, ao risco; apostar no diálogo de saberes e aproximar-se das realidades cotidianas. Santos (2005b, p. 145) afirma que a construção de uma cidadania cultural, crítica e ativa requer “ancorar os conhecimentos sobre Ciência em perspectivas CTS eticamente orientadas, pois faz parte do sentido cívico analisar, compreender e 73 reavaliar uma mudança que reclama ruptura [...] com o paradigma positivista”. Assim, “importa refletir sobre o estatuto e propósitos da tecnociência, o qual implica relações cidadania/tecnociência, poder democrático/poder tecnocrático, economia/ambiente” (LÓPEZ-CEREZO, 2004, p. 6). Nessa perspectiva, Stiefel (2003) apresenta distintas maneiras de inserir nos currículos práticas relacionadas com a educação para a cidadania: (1) Por meio dos conteúdos, entendidos no sentido amplo. Alguns aspectos como o desenvolvimento do espírito crítico, a argumentação e o debate, a resolução de conflitos etc., podem ser abordados de diferentes maneiras: a) integrando-os em uma ou várias disciplinas, organizando os conteúdos de forma disciplinar, interdisciplinar ou globalizada; e b) como competências que atravessam o currículo. (2) Por meio de todas as atividades que exigem o envolvimento e a participação dos alunos, e suscitam o compromisso, seja com a própria escola, seja com a comunidade ou outras realidades. É preciso convidá-los a resolver problemas, a enfrentar conflitos, a tomar decisões em grupo, através do diálogo, da discussão e da negociação, além de propiciar o encontro com a diversidade, o exercício de senso crítico etc. (3) Por meio da construção da identidade pessoal e social, o que implica: a) conhecer-se e reconhecer-se na relação consigo mesmo, com o outro e com os outros; b) ajudar os alunos a construir sua identidade, sabendo que não é estática, e a encontrar seu lugar na sociedade; e c) favorecer o reconhecimento dos outros e aprender a viver em uma sociedade plural e dinâmica, na qual as relações entre indivíduos, grupos sociais, gerações etc. podem gerar aproximações ou distanciamentos. Sabe-se que um dos caminhos mais sugeridos para a aprendizagem da participação com o foco em formação cidadã é a discussão de temas científicos controversos e atuais, atividade que pode ter os seguintes propósitos: a) o compartilhamento de diferentes perspectivas sobre um mesmo assunto; b) o alcance de uma melhor compreensão da variedade de respostas possíveis a uma questão; c) a seleção de uma escolha entre diferentes valores; e d) a motivação do interesse pela atualidade científica. 74 Para Figueiredo (2006), a inserção de atividades baseadas na abordagem de assuntos controversos permite fazer da sala de aula um palco em que ideias atuais e pertinentes podem ser discutidas, refletidas e criticadas. López-Cerezo (1998) cita os custos ambientais da inovação tecnológica, o uso inapropriado de descobrimentos científicos, as implicações éticas de algumas tecnologias e a aceitação dos riscos de outras tecnologias (energia nuclear, fertilizantes químicos). Defendemos que tudo isso pode e deve estar presente em abordagens em sala de aula de qualquer disciplina. Em síntese, concordamos com Aikenhead (2009) quando diz que o futuro da educação em ciências residirá no desenvolvimento de uma literacia científica crítica, característica indispensável de um público verdadeiramente informado, e implicará, sobretudo, uma educação para a cidadania fundamentada em valores éticos e morais que norteiem o comportamento dos alunos e desenvolva a aptidão para discutir decisões necessárias, sempre voltadas para a coletividade. 2.2.1.7 Mudança de Hábitos, Atitudes e Valores A palavra hábito, de acordo com o Dicionário Michaelis online (2012), significa inclinação por alguma ação, ou disposição de agir constantemente de certo modo, adquirida pela frequente repetição de um ato, comportamento particular, costume. Na Psicologia, hábito é uma forma de reação adquirida, relativamente invariável, um dos resultados terminais da aprendizagem. Por sua vez, a Sociologia o coloca como um modo padronizado de pensar, sentir ou agir, adquirido e tornado em grande parte inconsciente e automático. O Dicionário Escolar da Língua Portuguesa (2008) apresenta o significado de hábito como sendo o comportamento que determinada pessoa aprende e repete frequentemente, sem pensar como deve executá-lo. É, também, uso, costume, maneira de viver, modo constante de comportar-se, de agir. O hábito difere do instinto, que é um comportamento inato, não aprendido. Esses entendimentos sobre o hábito nos leva a inferir que, para mudar os hábitos de uma pessoa, precisamos compreender seu comportamento manifesto, ou seja, suas reações frente às situações por ela vivenciadas (dimensão psicológica) ou 75 seu modo de pensar, sentir ou agir (dimensão sociológica). E isso nos remete a outro termo, que abarca e amplia a intenção para a ação explícita em mudança de hábito: atitude. Segundo Talim (2004), no ensino de Ciências, as pesquisas sobre a atitude sempre esbarraram em três obstáculos: a definição dos termos relevantes (atitude e Ciência); a falta de um instrumento de medida válido; e a ausência de uma teoria psicológica que possa dar suporte às relações possíveis entre a atitude e o comportamento, e às estratégias de mudança de atitude (RAMSDEN, 1998). O primeiro problema é o mais espinhoso, pois vários autores definem atitude e Ciência de maneiras diferentes (AJZEN; FISHBEIN,1980; SIMPSON et al., 1993). Atitude pode ser conceituada como “uma disposição aprendida (assimilada) para reagir consistentemente a um dado objeto” (AJZEN; FISHBEIN,1980, p. 59). Mas essa ideia suscita vários questionamentos: Atitudes são aprendidas? Elas se dispõem a uma ação ou resposta? (SOLOMON, 2001). O termo atitude é definido por Talim (2004) como uma disposição ou tendência para responder positivamente ou negativamente em relação a alguma coisa (ideia, objeto, pessoa, situação etc.). Essa disposição ou tendência para se manifestar em relação a algo ou alguma coisa implica a mobilização de três componentes: a cognitiva, a emocional e a comportamental. Talim (2004) cita a definição de atitude apresentada por Shaw e Wrigth (1968) na qual estas componentes são mencionadas: A atitude é melhor vista como um conjunto de reações afetivas (emocional) em relação a um objeto atitudinal, derivada a partir de conceitos e crenças que a pessoa possui sobre o dado objeto (cognitivo), e predispondo o indivíduo a se comportar de uma certa maneira em relação ao referido objeto (comportamental) (SHAW; WRIGTH, 1968 apud TALIM, 2004, p. 315). Nesse mesmo sentido, autores como Vázquez-Alonso, Manassero-Mas e Acevedo-Díaz (2006a) consideram que atitudes e crenças estão inter-relacionadas, mas a atitude é uma disposição psicológica de uma pessoa sobre um objeto mais geral, enquanto a crença é mais concreta e específica sobre o atributo desse objeto. Essas atitudes podem ser divididas em cognitiva (pensamentos sobre o objeto), 76 afetiva (sentimentos sobre o objeto) e comportamental (ações relacionadas ao objeto) (VÁZQUEZ-ALONSO, MANASSERO-MAS; ACEVEDO-DÍAZ, 2006a). Atitudes e comportamentos podem ser modulados pela base de valores que o indivíduo possui, isto é, ele atua de acordo com o que acredita ser correto. Nesse sentido, pensando nas finalidades e objetivos educativos relacionados aos assuntos CTS, vamos utilizar o termo atitude trazido por Manassero et al. (2004), citado por Santos (2011b): O conceito de atitude que mais se aproxima da natureza dos temas CTS é aquele que contém elementos cognitivos, afetivos e de conduta porque engloba simultaneamente estas características. Os aspectos cognitivos (compreensão e conhecimentos) são importantes, especialmente nos casos polêmicos, mas o essencial é a escolha pessoal, a qual supõe uma valoração afetiva (maior ou menor grau de acordo ou desacordo) sobre um tema CTS e tem uma implicação global através dos objetivos e finalidades educativas. A relação entre atitude e comportamento é importante pelo uso potencial que as pesquisas podem ter na criação de melhores estratégias de ensino. Queremos conhecer e mudar as atitudes dos alunos porque esperamos que isso modifique o seu comportamento e melhore a sua aprendizagem. Yager (1990a) já observava que os problemas da vida real raramente são designados como sendo de Química ou de Matemática, mas geralmente relacionados à vida em sociedade. Frequentemente, surgem questões polêmicas de grande impacto social quanto às decisões tecnocientíficas sobre meio ambiente, energia, transporte e comunicações, entre outras, que despertam na sociedade sentimentos legítimos de responsabilidade, interesse e desejos de participação nos processos de tomada de decisão (VÁZQUEZ-ALONSO; MANASSERO-MAS, 2009). O surgimento desses interesses implica novos valores e posicionamentos que direcionam os indivíduos para mudanças de hábitos e atitudes. Segundo Talim (2004, p. 314) no artigo escrito por Ramsden (1998) “com o sugestivo título Mission impossible? Can anything be done about attitudes to science?” a autora destaca a necessidade de se realizar pesquisas sobre a atitude no ensino de Ciências. Em relação a isso, Chrispino; Antonioli; Vázquez-Alonso, (2012) perguntam: o que são tais atitudes e como avaliá-las; b) do que tratam essas atitudes e como elas poderiam ser obtidas? 77 Pode-se dizer que a investigação sobre as atitudes dos estudantes em relação à Ciência tem sido realizada desde a década de 1960, a partir da constatação do declínio do interesse dos jovens pelas carreiras científicas (OSBORNE; SIMON; COLLINS, 2003). Vale ressaltar que na mesma época, houve o advento tanto do movimento CTS quanto das ideias iniciais sobre o que viria a ser chamado de Alfabetização Científica e Tecnológica (ACT) (LAUGKSCH, 2000). Pesquisas realizadas em vários países e no Brasil e as dificuldades encontradas em identificar e avaliar as atitudes dos indivíduos em relação à Ciência são apresentadas por Antonioli (2012). Ele apresenta um leque de pesquisas voltadas para a identificação de atitudes relacionadas à percepção de professores sobre as interações CTS, ao interesse de alunos e alunas por umas disciplinas e outras não, às crenças em relação à Ciência e ao cientista, dentre outras. Antonioli (2012) dá destaque à construção do questionário COCTS (Questionário de Atitudes sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade) que, em certa medida, minimizou as dificuldades anteriormente encontradas em pesquisas preocupadas em avaliar as crenças e atitudes de um grande número de indivíduos em relação à Ciência, à Tecnologia e aos cientistas. Nesse questionário as dificuldades são minimizadas porque ele substitui o “modelo de resposta única pelo modelo de resposta múltipla [...] e o potencial do modelo de reposta múltipla permite criar uma base melhor de análise de dados, podendo-se utilizar uma estatística mais interessante, assim obtendo dados mais ricos e confiáveis sobre as atitudes dos sujeitos em relação à Ciência e à Tecnologia” (ANTONIOLI, 2012, p. 35). Para Klopfer (1971), a manifestação de atitudes em relação à Ciência e aos cientistas implica na aceitação da investigação científica como estilo de pensamento, na adoção de ‘atitudes científicas’, no prazer em aprender experimentos científicos, no desenvolvimento de interesses em Ciência e atividades relacionadas à Ciência, e no desenvolvimento do interesse em seguir na carreira científica ou em atividades relacionadas ao trabalho científico. Sabemos que abordar as inter-relações CTS não é tarefa simples, pois as visões e concepções das relações entre a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade ainda denunciam ingênuos entendimentos e provocam, de maneira superficial, a reflexão das intencionalidades presentes em um aparato tecnológico, permitindo que 78 percepções equivocadas se perpetuem na escola e reforcem o senso comum ou a visão cientificista (ALMEIDA; SILVA, 2010). Nessa perspectiva, Vázquez-Alonso, Acevedo-Díaz e Manassero-Mas (2005) entendem que, para uma verdadeira conscientização de novos hábitos e atitudes em relação à Ciência, os alunos em sala de aula devem se concentrar em: a) manter altas expectativas sobre suas realizações; b) levantar questões, debates, diálogos e perguntas de interesse pessoal e coletivo; c) encontrar respostas para suas próprias perguntas mesmo fora da sala de aula; d) ter iniciativa e confiança para propor temas para pesquisa e investigar novas ideias; e) visualizar o impacto da Ciência e da Tecnologia em suas comunidades, bem como sua utilidade e limitações. Como afirmam Farias e Carvalho (2006) o ensino e o aprendizado não podem mais se basear em concepções superficiais e idealizadas de Ciência e de Tecnologia, mas devem incluir a complexidade das relações conflituosas estabelecidas sobre questões socioambientais. Nesse sentido, o ensino em uma perspectiva CTS deverá preocupar-se com os problemas sociais simultaneamente às abordagens dos aspectos científicos e tecnológicos que a envolve, conduzindo, dessa forma, à construção de atitudes, valores e regras de conduta que possibilitem ao aluno a tomada de decisões responsáveis e bem fundamentadas (ACEVEDODÍAZ, 2001a). As boas práticas e atitudes de professores e de futuros professores em relação à Ciência e à Tecnologia podem facilitar aos seus alunos a concretização de novos hábitos e atitudes que, de uma forma ou de outra, repercutem em suas vidas, seja na esfera pessoal, profissional ou em sociedade. Uma formação inadequada pode configurar duas possibilidades: os alunos sofrerão uma consequência negativa, absorvendo posições ingênuas, ou seguirão o caminho científico e tecnológico com uma formação deficitária, que não engloba aspectos da natureza da Ciência e da Tecnologia, e de suas implicações sociais (MIRANDA; FREITAS, 2008). Em síntese, entendemos que o ensino de Ciências segundo a perspectiva CTS supõe a promoção das capacidades relativas ao desenvolvimento de valores e à aprendizagem de atitudes e normas relacionadas à Ciência e Tecnologia que vão além dos conceitos aprendidos. Dessa forma, é preciso que nós professores 79 apresentemos uma abertura a diferentes posições sobre diversos assuntos dentro dos campos afetivo, cognitivo e emotivo, ou seja, torna-se necessário motivar os alunos a estar a favor ou contra essas posições, como também incentivá-los quanto a seus comportamentos, sua intenção mental em agir de acordo com o escolhido (VÁZQUEZ-ALONSO, MANASSERO-MAS; ACEVEDO-DÍAZ, 2006a). No próximo capítulo apresentamos o percurso metodológico utilizado em nossa pesquisa e a aproximação aos sujeitos pesquisados. 80 81 CAPÍTULO 3 3 PERCURSO METODOLÓGICO: APROXIMAÇÕES AOS SUJEITOS DA PESQUISA Este capítulo está dividido em oito itens e se inicia com a caracterização da instituição pesquisada. O perfil da escola é apresentado a partir de uma breve revisão de sua trajetória histórica. A seguir, passamos a descrever as opções metodológicas quanto ao direcionamento aos sujeitos da pesquisa; a escolha do instrumento para obtenção dos dados; as fontes que fundamentaram a construção do instrumento de pesquisa; as etapas da aplicação e do recebimento do instrumento de pesquisa respondido por professores e alunos; o tratamento dos dados da parte quantitativa; a caracterização da amostra; e, finalmente, a construção dos quadros da parte qualitativa. 3.1 O Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais: Campo da Pesquisa Segundo informações retiradas do Catálogo do CEFET-MG (CEFET-MG, 2012, p.10), [...] o Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFETMG) é uma Instituição Federal de Ensino Superior por força da Lei nº 6.545, de 30 de junho de 1978. É uma instituição centenária porque tem suas raízes fincadas na promulgação do Decreto nº 7.566, de 23 de setembro de 1909, editado pelo Presidente Nilo Peçanha. A instituição começou a funcionar no ano de 1910 como Escola de Aprendizes Artífices de Minas Gerais. Desde então, busca a excelência de suas práticas educacionais e processos formativos. A política praticada veio se pautando pelo reforço do caráter público da instituição, além da crescente busca pela integração entre o ensino profissional e o ensino acadêmico, entre a cultura e a produção científica, entre a Ciência, a técnica e a Tecnologia. Em 1941, a instituição foi transformada em um liceu profissional e passou a se chamar Liceu Industrial de Minas Gerais. Um ano mais tarde, em 1942, 82 transformou-se em Escola Industrial e, no mesmo ano, “subiu de categoria”, passando a se denominar Escola Técnica de Belo Horizonte. Posteriormente, em 1969, a escola é transformada em Escola Técnica Federal de Minas Gerais. Assim, com funções inicialmente relacionadas à oferta educacional para o ensino primário e, posteriormente, para a formação do auxiliar técnico e do técnico de nível médio, a instituição foi assumindo em sua trajetória o papel de instituição de ensino superior, com a oferta de cursos nesse nível de ensino. Em 1978, ela é transformada em Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais (CEFET-MG). O CEFET-MG é uma autarquia de regime especial, vinculada ao MEC, detentora de autonomia administrativa, patrimonial, financeira, didática e disciplinar. É uma instituição pública de ensino superior no âmbito da educação tecnológica, abrangendo os níveis médio e superior de ensino e contemplando, de forma indissociada, o ensino, a pesquisa e a extensão, prioritariamente na área tecnológica e no âmbito da pesquisa aplicada. Caracteriza-se pela oferta de ensino verticalizado, formando profissionais qualificados nos níveis de Ensino Técnico de Nível Médio e Superior (graduação e pós-graduação). O papel que a instituição exerce vai além da formação profissional e envolve o diálogo crítico e construtivo com a formação social brasileira, no sentido da assimilação crítica e da construção da cultura, de conhecimentos e de novas tecnologias, além da relação entre a escola e o setor produtivo e de serviços. Nesse contexto, o êxito que vem alcançando demonstra que a instituição responde, de forma apropriada, à formação do cidadão voltado para a participação social, bem como a pesquisa, a produção científico-tecnológica e o exercício profissional relacionados com o desenvolvimento social inclusivo e sustentável, nas esferas cultural e socioeconômica. O CEFET-MG está presente em 6 regiões do Estado de Minas Gerais, em uma estrutura multicampi, ofertando um ensino público, gratuito e de qualidade. 83 Mapa 1 – O CEFET em Minas Gerais Fonte: CEFET-MG, 2012a, p. 68. A instituição possui três campi em Belo Horizonte e sete nas seguintes regiões: Zona da Mata (Leopoldina), Alto Paranaíba (Araxá), Centro-oeste de Minas (Divinópolis), Sul de Minas (Varginha e Nepomuceno), Rio Doce (Timóteo) e Região Central do Estado (Curvelo). Além desses dez campi, o CEFET-MG inaugurou no segundo semestre de 2012 a sua mais nova unidade, localizada na cidade de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com o Relatório de Gestão do Exercício de 2011 do CEFET-MG (2012), em 2011, a instituição ofertava 39 cursos de educação profissional técnica de nível médio (16 na forma integrada; 16 de concomitância externa; 05 na modalidade subsequente e 02 na modalidade do Programa de Educação Profissional Técnica Integrada à Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos – PROEJA). Os cursos na forma integrada são destinados aos alunos que concluíram o Ensino Fundamental e pretendem fazer o curso técnico integrado ao Ensino Médio. A modalidade concomitância externa destina-se a alunos que concluíram a primeira série do Ensino Médio e pretendem fazer apenas o ensino técnico na instituição. A modalidade subsequente é destinada a alunos que concluíram o Ensino Médio e pretendem fazer o curso técnico no CEFET-MG. Na modalidade PROEJA, os cursos são destinados a jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de cursar o Ensino Médio na idade regular e que buscam também a profissionalização. 84 Em nível superior, são ofertados 15 cursos de graduação (14 de bacharelado e 01 de licenciatura – Programa Especial de Formação Pedagógica de Docentes) e 12 cursos de pós-graduação (07 de stricto sensu e 05 de lato sensu). Segundo informação da Diretoria de Educação Profissional e Tecnológica (DEPT), a instituição ofertava, em 2010, na educação profissional técnica de nível médio (EPTNM), 18 cursos distribuídos conforme a Tabela 1: Tabela 1 – Cursos de educação profissional técnica de nível médio/2010 Curso Edificações Eletromecânica Eletrônica Eletrotécnica Equipamentos Biomédicos Estradas Informática Informática para Internet Mecânica Mecatrônica Meio Ambiente Metalurgia Mineração Produção de Moda Química Rede de Computadores Transportes e Trânsito Turismo e Lazer Fonte: CEFET-MG, 2012a, p. 69. Início da oferta Campus 1979 1981 1981 1960 2005 1965 1989 2007 1944 2006 1999 2007 1992 1996 1999 2010 2001 1998 I, IV, VIII e X I, III, V e VII I e IV I, III, IX e X I I I, III, VII e VIII V I, III, IV e VII I, VII e IX IeX VII IV V I e VII I e IX I I O número de matrículas e de professores em cada segmento de ensino ofertado no CEFET-MG, em 2011, pode ser visualizado na Tabela 2, em que destacamos a representatividade do Ensino Médio na forma integrada no contexto da instituição: 85 Tabela 2 – Número de matrículas e de professores em 2011 por segmento de ensino no CEFET-MG Segmento de ensino Número de matrículas em 2011 Integrado 4.245 Concomitância Externa 2.383 Ensino Médio Subsequente 709 Proeja 194 Total Número de professores em 2011 878 7.531 878 6.643 401 Stricto sensu 653 98 Lato sensu 112 25 765 123 Graduação Pós- graduação Total Fonte: CEFET-MG, 2012b, p. 58-83. 3.2 Direcionamento Quanto aos Sujeitos da Pesquisa O primeiro motivo para focalizar nosso olhar em direção aos alunos e professores da EPTNM do CEFET-MG, instituição onde a pesquisadora trabalha, diz respeito às iniciativas de alguns professores da coordenação, na qual a pesquisadora se inclui, em discutir novas maneiras de abordar os conteúdos das disciplinas, no caso Física e Biologia. Durante a fase inicial do desenvolvimento dessa pesquisa aconteceram alguns encontros desses professores, nos quais a pesquisadora esteve presente, para discutir e aprofundar nossos conhecimentos sobre o enfoque CTS no ensino de Ciências com vistas a subsidiar futuras ações em nossas práticas didático-pedagógicas. Desses encontros surgiu a ideia de investigar se objetivos do enfoque CTS estavam presentes ou não no ensino ofertado na EPTNM na instituição; se nenhum ou alguns desses objetivos fossem identificados, em quais situações didático-pedagógicas eles se revelariam, em quais disciplinas e cursos eles teriam mais expressividade; se encontraríamos ou não um terreno fértil para sua implementação. Outro motivo diz respeito ao fato dos sujeitos da EPTNM, alunos e professores, representar, no contexto da instituição, um número bem representativo, conforme mostrado no item anterior deste capítulo e, nesse sentido, poderíamos esboçar um retrato do ensino ofertado no CEFET-MG através do olhar dos alunos e professores desse nível de ensino. 86 3.3 A Escolha do Instrumento para Obtenção de Dados Em nossa pesquisa, escolhemos o questionário como instrumento para coleta de dados. A opção por essa e não outra técnica justifica-se porque o questionário nos possibilitou atingir um número representativo de pessoas, no universo de alunos e professores da instituição, em um intervalo de tempo relativamente curto. Segundo Gil (1999), outras vantagens do questionário sobre as demais técnicas de coleta de dados são a de garantir o anonimato das pessoas, permitir que elas o respondam no momento que julgarem mais conveniente e não expor o pesquisador à influência das opiniões da pessoa que o responde. Por outro lado, estávamos cientes de suas desvantagens. Ainda segundo o autor, o questionário impede o auxílio ao informante, quando este não entende corretamente as instruções ou perguntas, pois elas podem ter significados diferentes para cada sujeito pesquisado; impede o conhecimento das circunstâncias em que foi respondido, o que pode ser importante na avaliação da qualidade das respostas; e, por fim, não oferece a garantia de que a maioria das pessoas devolva-o devidamente preenchido, o que pode implicar a significativa diminuição da representatividade da amostra. Marconi e Lakatos (1999, p.100) mencionam que, em média, 25% dos questionários entregues são devolvidos respondidos. Desse modo, as autoras orientam que a amostragem deve ser mais volumosa, para que os retornos não sejam insignificantes. Após refletirmos sobre essas considerações, começamos a pensar na elaboração de nosso questionário. Deveríamos elaborar um instrumento estruturado de tal forma que nos permitisse identificar nas respostas dos alunos e professores possíveis objetivos dos enfoques CTS no ensino ofertado na instituição, e também conhecer melhor suas opiniões e percepções sobre situações por eles vivenciadas, elucidar lacunas, apontar aspectos do ensino que mais se aproximam ou se distanciam dos objetivos CTS e propor alternativas. O número de questões é um ponto a ser observado. Nesse sentido, Gil (1999) explica que o pesquisador deve formular questões em número suficiente para ter acesso às respostas para as perguntas formuladas, mas também em número que não seja grande a ponto de desestimular a participação do investigado. A linguagem utilizada nas questões, bem como o tom e o nível delas, devem ser levados em conta, tendo em vista a interação indireta com os sujeitos da pesquisa. Assim, 87 procuramos ser cuidadosos na apresentação do questionário e no modo como formulamos as questões. Na perspectiva de construir um instrumento de coleta de dados com as intenções acima citadas, realizamos ampla pesquisa por autores que discutissem sobre o enfoque CTS no ensino, sempre com o olhar crítico e atento aos nossos objetivos. Uma consulta aos documentos oficiais da legislação governamental e da própria instituição que apontam diretrizes para a educação também foi realizada, no intuito de acrescentar ideias para a elaboração das afirmativas desse instrumento. 3.4 A Construção do Instrumento de Pesquisa O instrumento para a coleta de dados foi construído a partir das referências utilizadas na problematização e fundamentação teórica desta tese. Na busca de uma aproximação com o denominado movimento CTS, consultou-se uma parte significativa de livros e artigos publicados em revistas da área. A leitura do artigo “O enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade e a aprendizagem centrada em eventos”, dos autores Cruz e Zylbersztajn (2005), forneceu várias ideias para a elaboração das afirmativas do questionário. Ao longo desse texto, são mencionados diversos aspectos dos cursos CTS e nele encontramos citadas as características ou estratégias dos programas CTS listadas na edição 1990-1991 do “Handbook da NSTA” (National Science Teachers Association). A maioria dessas características foi utilizada nas afirmativas do questionário. Outras ideias foram incorporadas ao instrumento de coleta de dados a partir da leitura dos Questionários de Opiniões sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade (COCTS) – em suas versões brasileiras (VÁZQUEZ et al., 2008) – utilizados no Projeto Iberoamericano de Avaliação de Atitudes Relacionadas a CTS (PIEARCTS) (VÁZQUEZ; MANASSERO, 2006). Também nos referenciaram os textos de Vilches e Furió (1999), “Ciencia, tecnología, sociedad: implicaciones en la educación científica para el siglo XXI”; de Ramos (1997), “Los enfoques ‘C-T-S’: una forma de globalizar en el area de ciencias de la naturaleza”; e de Membiela (1997), “Una revisión del movimiento CTS en la enseñanza de las ciencias”. 88 Em termos das legislações governamentais, consultamos a Lei nº 9.394, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (BRASIL, 1996), as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM) (BRASIL, 1998), as Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Profissional de Nível Técnico (DCNEPNT) (BRASIL, 1999), os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio (PCNEM) (BRASIL, 2000), e os Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio: orientações educacionais complementares aos parâmetros curriculares nacionais. Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (PCN+) (BRASIL, 2002). Dos documentos institucionais consultados, citamos o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2005-2010 e Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2011-2015. Vale ressaltar que o Projeto Pedagógico Institucional (PPI) encontra-se incluído no PDI. A partir dessas leituras, inicialmente, elaboramos um questionário com 26 afirmativas, todas de resposta fechada. Se, por um lado, a aplicação desse tipo de questão tem como aspecto negativo a limitação das possibilidades de respostas, restringindo as possibilidades de manifestação do interrogado, por outro lado, pode facilitar a resposta para um sujeito que não saberia ou que poderia ter dificuldade para responder uma determinada questão. Segundo Laville (1999), geralmente, nessa forma de questão, são propostos enunciados aos indivíduos acompanhados de uma escala, frequentemente denominada escala de Likert, composta por uma série de campos que lhes permitem escolher uma das proposições, podendo estas ser: nunca, raramente, às vezes, com frequência ou sempre, de acordo com o enunciado considerado. Antes de aplicarmos o questionário aos sujeitos de nossa pesquisa, realizamos um pré-teste, com o objetivo de verificarmos se as perguntas foram formuladas com sucesso e se haveria necessidade de modificá-las ou alterar a sequencia delas. Tivemos o cuidado de escolher, para o pequeno universo da amostra, pessoas com características semelhantes àquelas que fariam parte da pesquisa. O teste foi aplicado a professores do Ensino Médio da rede estadual de ensino da cidade de São João Del-Rei, MG. O acesso a esses docentes foi possível através da mediação de um professor da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), que, na época, lecionava em um curso de capacitação para docentes da rede estadual de ensino local. Esse professor, ciente da pesquisa, falou aos 89 docentes que frequentavam o curso de capacitação sobre a natureza da pesquisa e sobre o questionário. Três professores demonstraram interesse e entraram em contato conosco por correio eletrônico. No corpo da mensagem enviada a esses professores, tivemos o cuidado de nos apresentar, de explicitar a natureza e os objetivos da pesquisa, de ressaltar a importância da contribuição para o aprimoramento do instrumento, ao tecerem críticas e sugestões, sendo, por fim, delimitado um prazo para a devolução. As críticas e sugestões recebidas nos ajudaram a refletir sobre nossos objetivos, refinar as perguntas e esclarecer dúvidas. Um dos professores sugeriu a inserção de espaços em branco em algumas perguntas. Percebemos que um questionário estruturado apenas com respostas fechadas mostrou-se limitado para nossos objetivos. Segundo Gil (1999), as questões de resposta aberta permitem ao inquirido construir a resposta com as suas próprias palavras, o que lhe possibilita a liberdade de expressão. Desse modo, além de acrescentarmos espaços em branco às perguntas, resolvemos desmembrar algumas, excluir outras, de modo que, finalmente, chegamos ao total de 25 afirmativas. Aos espaços em branco, foram acrescidos questionamentos sobre situações, contextos ou disciplinas nas quais o tema da questão se referia. Nessa versão, o questionário passou a ser do tipo misto, com afirmativas de resposta fechada, em escala de Likert, e de resposta mista, ou seja, em escala de Likert com um espaço em branco para os informantes manifestarem suas opiniões, percepções, citarem exemplos etc. No primeiro teste que realizamos, apenas professores participaram, e na sequência, pretendíamos também contar com a participação de alunos. Assim, tivemos que modificar a maneira como as perguntas eram dirigidas e estruturamos um questionário para os alunos sobre a mesma base daquele formulado para os professores. Ou seja, em ambos os formatos, a ideia central foi mantida em todas as afirmativas, porém, no questionário para os alunos, algumas passaram a ter mais questionamentos. Tais modificações tiveram como objetivo recolher o máximo de informação sobre em que contextos dos procedimentos didáticos e metodológicos os objetivos CTS seriam abordados, em quais situações eles aconteceriam no desenvolvimento das disciplinas cursadas e em quais disciplinas. De maneira semelhante, em algumas afirmativas do questionário dirigido aos professores, 90 acrescentamos espaços em branco, com o objetivo de obter respostas mais específicas sobre as práticas didático-pedagógicas desses docentes. Assim, com as duas formas do questionário prontas, fizemos um novo teste com 05 professores e 10 alunos da instituição onde a coleta de dados da pesquisa seria realizada. O convite para a participação no segundo teste aconteceu através de conversa direta entre a pesquisadora, os professores e os alunos. Nessa oportunidade, os objetivos da pesquisa, sua natureza e sua importância novamente foram explicitados. Os questionários devolvidos totalizaram 13, sendo 08 questionários respondidos por alunos e 05 por professores. Constatamos sugestões para modificar uma ou outra palavra e expressão para tornar mais clara a pergunta e aumentar os espaços em branco para responderem com folga. A maioria respondeu ao questionário sem fazer críticas ou sugestões ao instrumento. Concluídas essas etapas, por fim, chegamos aos dois instrumentos de coleta de dados utilizados em nossa pesquisa, ambos constituídos por 25 afirmativas, todas semelhantes no que diz respeito aos temas abordados. Os objetivos CTS (as relações C-T-S, a formação de opinião e senso crítico, a tomada de decisão, as atitudes e valores que implicam mudanças de hábitos e cidadania) são abordados nas questões de 1 a 16 e na questão 20. Nas demais questões, são focalizados procedimentos didático-pedagógicos, subdivididos em materiais/recursos didáticopedagógicos (questões 17, 18, 19 e 21) e ação pedagógica (questões 22 a 25). Os materiais didáticos aos quais nos referimos nas afirmativas do questionário são, em geral, empregados por professores como recursos pedagógicos em suas atividades em sala de aula como, por exemplo, o livro didático, as mídias impressas (revistas e jornais) e eletrônicas (computador, datashow, tablets) e outros materiais de apoio. Nossa intenção em investigar sobre os usos desses materiais diz respeito ao que eles podem vir a proporcionar em termos de diversidade, tendo em vista que um mesmo assunto estudado pode ser apresentado sobre diferentes linguagens e manifestações específicas. Implica também colocar o aluno em contato com opiniões e pontos de vista convergentes e divergentes dos seus, possibilitando o desenvolvimento de capacidades de reflexão e questionamento, entre outras. A ação pedagógica está correlacionada aos modos como os professores articulam e apresentam os conteúdos. 91 Desse modo, as afirmativas do questionário encontram-se agrupadas ou categorizadas em ‘objetivos CTS’ e ‘procedimentos didático-pedagógicos’. Entretanto, após a releitura do questionário, inferimos que algumas afirmativas apresentavam correspondência mais próxima com alguns objetivos que outros, diziam mais sobre materiais didáticos do que sobre ação pedagógica. Assim, pelo critério de correspondência, buscamos organizá-las em subgrupos ou subcategorias. Tal classificação é apresentada no APÊNDICE C, que tem como objetivo expressar nossa interpretação em relação às afirmativas do instrumento de coleta de dados. As diferenças entre os questionários aplicados aos alunos e aos professores estão no número de afirmativas mistas e fechadas em cada um. O questionário direcionado aos alunos possui 15 questões mistas e 10 fechadas. Aos professores, o questionário possui 17 questões mistas e 8 fechadas (APÊNDICES A e B). Na interpretação dos dados da parte qualitativa da pesquisa, utilizamos a Análise de Conteúdo (BARDIN, 2010) e, para auxiliar na construção de tabelas, gráficos e distribuição de frequência da parte quantitativa do questionário, recorreremos à Estatística Básica. A apresentação, análise dos dados e discussão dos resultados serão discutidos no Capítulo 4, momento no qual esses procedimentos serão apresentados em detalhes. 3.5 A Aplicação e o Recolhimento do Instrumento de Pesquisa Respondido por Alunos e Professores A coleta de dados ocorreu em momentos distintos. A aplicação do questionário foi iniciada durante a XXII Mostra Específica de Trabalhos e Aplicações (META) do CEFET-MG, que aconteceu de 19 a 21 de outubro de 2011, no Campus I, em Belo Horizonte. O evento é de ampla abrangência na instituição e selecionou estudantes da EPTNM, de todos os campi, para apresentarem seus trabalhos de pesquisa. O evento é visitado pela comunidade escolar, alunos, professores e funcionários, e também por alunos de escolas públicas de Belo Horizonte, as quais o CEFET-MG mantém vínculos através de bolsas de iniciação científica (BIC-JR). Como nossa pesquisa pretendeu identificar objetivos CTS segundo a percepção de alunos e professores do ensino profissional técnico de nível médio da instituição, vislumbramos a META como uma oportunidade para acessar professores e alunos 92 de outras localidades fora de Belo Horizonte. De outra maneira, esse contato seria dificultado pelas distâncias entre os campi do interior e da capital, cidade onde a pesquisadora reside. No primeiro dia do evento, a estratégia utilizada para a aplicação do questionário foi localizar e visitar os stands onde os trabalhos de alunos e professores dos campi do interior estariam sendo apresentados. Nas visitas aos stands, os objetivos da pesquisa foram explicitados e o questionário foi entregue aos alunos e professores orientadores dos trabalhos. Nem todos os stands destinados aos trabalhos de alunos e professores de campi do interior estavam ocupados no primeiro dia do evento. Em virtude disso, foram visitados os stands com trabalhos do campus sede do evento e entregue o questionário. No segundo dia, foi iniciada a distribuição pelos stands dos campi do interior que ainda não haviam recebido o questionário e concluída a distribuição nos demais stands com trabalhos do campus de Belo Horizonte. Durante o evento, foi possível entregar o questionário a poucos professores orientadores, porque nos momentos em que os stands foram visitados, a maioria não estava presente. No último dia do evento, como combinado, os questionários foram recolhidos. Muitos alunos não devolveram o questionário respondido por vários motivos: por esquecimento, por falta de tempo e porque alguns retornaram à cidade natal antes do encerramento da META. Em relação aos professores que receberam o questionário, todos devolveram ao final do evento. Como o número de questionários devolvidos respondidos durante o evento foi insuficiente, foi programado um segundo momento da aplicação do questionário. Essa etapa já estava prevista e, portanto, uma versão online do questionário foi desenvolvida para ser colocada no servidor do CEFET-MG. Logo após o encerramento do evento, ainda do decorrer do ano de 2011, o questionário ficou hospedado no servidor durante 45 dias. Foram enviadas mensagens eletrônicas a todos os participantes da XXII META, alunos e professores que não haviam recebido ou respondido ao questionário. Marconi e Lakatos (1999) destacam que junto com o questionário deve-se enviar uma nota ou carta explicando a natureza da pesquisa, sua importância e a 93 necessidade de obter respostas, tentando despertar o interesse do recebedor para que ele preencha e devolva o questionário dentro de um prazo razoável. Um link para acessar o questionário encontrava-se no corpo da mensagem com instruções para acessá-lo, respondê-lo e devolvê-lo. Enquanto era aguardado o recebimento dos questionários, buscamos aumentar a amostra aplicando o instrumento de pesquisa em turmas do Ensino Técnico de Nível Médio, sendo agora para alunos que não haviam apresentado trabalhos na XXII META. O acesso às turmas foi realizado diretamente em conversa com professores da coordenação, sendo solicitado um espaço em suas aulas para a aplicação do questionário em suas turmas. Em relação aos professores, para ampliar a amostra, os questionários foram entregues em mãos, e um prazo para o recolhimento foi combinado. Contabilizados os questionários recebidos nos três momentos percebemos que o número de questionários respondidos por professores ainda não atingia uma amostra significativa. Com o ano letivo terminado, resolvemos fazer uma última tentativa junto aos professores no ano seguinte. No início do ano letivo de 2012, enviamos uma mensagem eletrônica dirigida aos coordenadores de área e de cursos dos campi do interior e da capital solicitando que encaminhassem o questionário aos professores de suas coordenações. Ao final de março de 2012, foi dada por encerrada a quarta e última etapa da coleta de dados da pesquisa e iniciamos o tratamento da amostra. O número total de questionários da amostra pode ser visualizado na Tabela 3: Tabela 3 – Sujeitos pesquisados e distribuição dos questionários recebidos por segmento da amostra Sujeitos pesquisados Professores Alunos Lecionam disciplinas técnicas Lecionam disciplinas de formação geral Participantes da XXII META Não participantes da XXII META Questionários recebidos Impressos 04 15 82 91 Total de questionários da amostra Fonte: Elaborada pela autora. Online 14 04 19 - Por e-mail 22 01 08 - Total parcial 64 200 264 94 Em consulta ao Relatório de Gestão do Exercício de 2011 do CEFET-MG (2012b), o número de alunos matriculados nos 8 campi da instituição, na EPTNM, totalizava 4.245 alunos, distribuídos da seguinte maneira: Tabela 4 – Distribuição de matrículas por campi na EPTNM do CEFET-MG em 2011 Campus Número de matrículas por campi (EPTNM/2011) Belo Horizonte (I) Leopoldina (III) Araxá (IV) Divinópolis (V) Timóteo (VII) Varginha (VIII) Nepomuceno (IX) Curvelo (X) 1947 425 436 338 297 330 254 218 TOTAL 4.245 Fonte: CEFET-MG, 2012b. Considerando esses números, os 200 estudantes participantes da pesquisa correspondem a aproximadamente 5% do total de alunos matriculados na EPTNM do CEFET-MG em 2011, ano que foi feita a coleta dos dados. Os 109 estudantes que participaram da XXII META correspondem a 54,5% da amostra de alunos e os 91 alunos que não apresentaram trabalho na XXII META correspondem a 45,5%. Isso significa que a amostra está equilibrada entre alunos que desenvolvem e participam de projetos de pesquisa na escola e aqueles que não participam. Quanto aos professores, segundo o Relatório de Gestão do Exercício de 2011 (2012b), 878 lecionavam na EPTNM em 2011. A distribuição desses docentes por campi e o tipo de vínculo com a instituição podem ser visualizados na Tabela 5: 95 Tabela 5 – Distribuição dos professores por campi (dedicação exclusiva e substituto) na EPTNM do CEFET-MG em 2011 Campus Belo Horizonte (I) Leopoldina (III) Araxá (IV) Divinópolis (V) Timóteo (VII) Varginha (VIII) Nepomuceno (IX) Curvelo (X) TOTAL Professor efetivo Professor substituto Total por campi 319 42 47 44 38 32 19 18 141 40 30 28 35 13 19 13 460 82 77 72 73 45 38 31 559 319 878 Fonte: CEFET-MG, 2012b. Desse modo, a amostra de 64 questionários respondidos por professores, dos quais 52 são professores efetivos (aproximadamente 80%) e 12 são substitutos (aproximadamente 20%), corresponde a aproximadamente 7% do total de docentes da EPTNM do CEFET-MG em 2011. 3.6 O Tratamento dos Dados Quantitativos do Instrumento de Pesquisa Quando o questionário na versão online foi construído, todos os campos para preenchimento com informações pessoais (folha de rosto) e os espaços para as respostas das perguntas foram codificados para facilitar sua transferência para planilhas do Excel. Dessa forma, sua análise posterior seria facilitada, assim como a localização de respostas ou dados necessários em algum momento da pesquisa. Os questionários recebidos impressos e por e-mail foram compilados e seus dados transferidos para as planilhas do Excel. Os dados quantitativos do instrumento foram utilizados na construção de gráficos e tabelas para a caracterização da amostra e para posterior realização de análise, baseada em estatística básica. Os dados qualitativos, lidos na íntegra, deram origem aos quadros (CD ROM anexo à tese) com as respostas organizadas a partir da análise de conteúdo temático. Sobre esse procedimento, falaremos mais adiante e no próximo item apresentamos as características da amostra. 96 3.7 A Caracterização da Amostra Nossa amostra é composta por 200 alunos e 64 professores. Primeiramente, vamos caracterizar os alunos e, depois, os professores. A amostra envolveu 200 estudantes, na faixa etária entre 16 e 18 anos, cursando as três séries do Ensino Técnico de Nível Médio, distribuídos em sete campi do CEFET-MG (Tabela 6). Tabela 6 – Número de alunos da amostra por campi do CEFET-MG Campus Belo Horizonte (I) Leopoldina (III) Divinópolis (V) Timóteo (VII) Varginha (VIII) Nepomuceno (IX) Curvelo (X) TOTAL Número de alunos da amostra por campi 125 14 16 13 27 03 02 64 Fonte: Elaborado pela autora. O número de alunos do Campus I participante da pesquisa é em maior proporção, porque esse campus possui o maior número de alunos matriculados na instituição, como mostra a Tabela 4. Desse modo, consideramos pertinente concentrar nossa amostra nesse campus. Dos 8 campi do CEFET-MG, apenas o de Araxá (Campus IV) não está representado na amostra. O campus de Varginha (Campus VIII) está muito bem representado, tendo em vista o número expressivo de trabalhos apresentados na XXII META. Em 2011, o campus de Curvelo (Campus X) havia sido inaugurado há apenas dois anos e a participação de seus alunos na XXII META foi pequena, resultando em apenas dois questionários respondidos. Em relação à distribuição por cursos que os alunos frequentavam na época da coleta de dados, nossa amostra é bem diversificada. Segundo consta no Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI): Política Institucional do CEFET 2011-2015 (2012), em 2011, a instituição oferecia 18 cursos distribuídos em seus 8 campi. A amostra de nossa pesquisa contempla 13 cursos. Apenas os cursos de Estradas (Campus I), Mineração (Campus IV), Informática para Internet (Campus V), 97 Metalurgia (Campus VII) e Redes de Computadores (IX) não estão representados em nossa amostra (Tabela 7). Tabela 7 – Número de alunos da amostra por curso Curso Número de alunos da amostra por curso Informática Equipamentos Biomédicos Meio Ambiente Eletrônica Mecânica Mecatrônica Eletrotécnica Química Transporte e trânsito Produção de Moda Edificações Eletromecânica Turismo 26 22 22 20 20 19 19 14 14 10 8 5 1 TOTAL 200 Fonte: Elaborado pela autora. A distribuição de alunos por série está representada na Tabela 8. Durante a aplicação dos questionários, procuramos priorizar alunos das duas últimas séries, com o objetivo de obtermos informações de estudantes que possuíam um tempo maior de vivência na escola. Desse modo, esperamos que suas percepções possam de alguma maneira refletir a formação acadêmica adquirida na instituição no que diz respeito aos objetivos CTS. Tabela 8 – Distribuição dos alunos por série cursada Série 1ª Série 2ª Série 3ª Série Número de alunos da amostra por série 31 70 99 TOTAL 200 Fonte: Elaborado pela autora. Em relação aos professores, nossa amostra possui representantes dos 8 campi do CEFET-MG. Pretendíamos conseguir um número maior de questionários respondidos pelos docentes, mas, infelizmente, isso não foi possível. Em detrimento das várias tentativas empreendidas e de restrição quanto ao tempo para a 98 realização da pesquisa, nosso objetivo era alcançar em torno de 10% do total de docentes (de dedicação exclusiva e substitutos) que lecionavam na instituição em 2011. Esperávamos obter aproximadamente 88 questionários respondidos (Tabela 3) e nossa amostra atingiu 64. A Tabela 9 mostra a distribuição dos professores que responderam ao questionário por campi do CEFET-MG: Tabela 9 – Número de professores da amostra por campi do CEFET-MG Campus Belo Horizonte (I) Leopoldina (III) Araxá (IV) Divinópolis (V) Timóteo (VII) Varginha (VIII) Nepomuceno (IX) Curvelo (X) TOTAL Número de professores da amostra por campi 35 04 04 05 04 06 04 02 64 Fonte: Elaborado pela autora. O número de professores que lecionam no Campus I é mais representativo porque esse campus possui o maior número de professores da instituição e concentra também o maior número de alunos e de cursos. Na página de rosto do questionário, solicitamos aos professores informações sobre as disciplinas que eles lecionavam ou sua(s) área(s) de atuação. Além desse objetivo explícito, pretendíamos também identificar em nossa amostra a distribuição de professores que lecionavam disciplinas de formação geral e disciplinas técnicas. A Tabela 10 mostra a distribuição por disciplina e/ou área de atuação. Vale ressaltar que o número excede em uma unidade, pois um professor atua em duas áreas: 99 Tabela 10 – Número de professores da amostra por área de atuação e/ou disciplinas lecionadas Área de atuação e/ou disciplinas lecionadas Número de professores da amostra por área de atuação e/ou disciplinas lecionadas Física Eletrônica Biologia Informática Mecânica Química Edificações Eletromecânica Geografia Rede de Computadores Eletrotécnica Engenharia Biomédica Mecatrônica Meio Ambiente Turismo Administração Estradas História Letras Matemática 10 08 07 05 05 04 03 03 03 02 02 02 02 02 02 01 01 01 01 01 TOTAL 65 Fonte: Elaborado pela autora. Quanto à distribuição de professores por modalidade de disciplina lecionada, identificamos que 40 professores (aprox. 63%) lecionam disciplinas técnicas e 24 (aprox. 37%) lecionam disciplinas de formação geral. Geralmente, professores lecionam em várias séries em um mesmo ano letivo, portanto, a distribuição por série(s) lecionada(s) extrapola o número total de professores da amostra. A Tabela 11 mostra que as duas últimas séries são aquelas que concentram a maior parte dos professores de nossa amostra: Tabela 11 – Número de professores da amostra por série(s) lecionada(s) Série lecionada 1ª Série 2ª Série 3ª Série Número de professores da amostra por série(s) lecionada(s) 18 25 25 TOTAL Fonte: Elaborado pela autora. 68 100 Consideramos importante essa distribuição porque, da mesma forma que alimentamos expectativas melhores sobre as percepções dos alunos das últimas séries sobre os objetivos CTS no ensino oferecido na instituição, o mesmo fazemos em relação aos professores, no sentido de que eles lecionam para alunos mais maduros, com conhecimentos mais amplos, o que permite abordar temas mais complexos relacionados às interações entre CTS. 3.8 O Tratamento dos Dados Qualitativos do Instrumento de Pesquisa A organização da análise iniciou-se com o processo de transferir as respostas dos alunos e professores para planilhas, compilando os questionários impressos, cortando e colando as respostas dos questionários recebidos online e por e-mail. Essa etapa inicial foi importante porque ajudou na familiarização com os conteúdos das respostas. Bardin (2010) considera que a Análise de Conteúdo organiza-se em três fases: a) a pré-análise; b) a exploração do material; c) o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação. Ao final da primeira leitura, começamos a explorar o material mais detalhadamente e constatamos ser possível agrupar respostas pelo critério de semelhança da ideia central que elas expressavam. Em outras palavras, algumas características da resposta como informação, argumentos e ideias nela expressos, permitiram sua organização em torno de temas, como energia, meio ambiente e degradação ambiental, resíduos sólidos, etc. A noção de tema é largamente utilizada em análise temática e é característica da Análise de Conteúdo. Como nos fala Bardin (2010), o tema é a unidade de significação que se liberta naturalmente de um texto analisado segundo certos critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura. Em nosso caso, guiados pelas ideias dos enfoques CTS no ensino, os temas foram aos poucos sobressaindo das frases ou expressões utilizadas nos depoimentos dos alunos e professores. De acordo com d’Unrug (1974) apud Bardin (2010, p. 131), o tema é [...] uma unidade de significação complexa, de comprimento variável; a sua validade não é de ordem linguística, mas antes de ordem psicológica: podem constituir um tema tanto uma afirmação como uma alusão; inversamente, um tema pode ser desenvolvido em várias afirmações (ou 101 proposições). Enfim, qualquer fragmento geralmente) para diversos temas [...]. pode remeter (e remete que as O tema é geralmente utilizado como unidade de registro para estudar motivações de opiniões, atitudes, crenças, valores, tendências, percepções etc. As respostas a questões abertas, as entrevistas, os protocolos de testes, ente outros, são frequentemente analisados tendo o tema por base. Nessa fase, com as respostas agrupadas em temas, foi possível identificar palavras ou expressões que enfatizavam relações entre as ideias nelas expressas e a tríade CTS e suas combinações CT, CS, TS, C, T ou S. Por exemplo, se em uma resposta estavam presentes palavras e expressões como ‘automatização’ ou ‘tecnologia propicia conforto às pessoas’, nós a classificamos na ênfase TS. Até então, as respostas haviam sido agrupadas por temas e ênfases. Entretanto, em um terceiro momento, após uma leitura mais criteriosa, percebemos respostas organizadas sob um mesmo tema e ênfase indicavam contextos diferentes de onde e como aquele tema era abordado. Esses contextos, em sua maioria, apontavam para procedimentos didáticos e metodológicos. Alguns aconteciam no âmbito da escola, como aulas, debates, seminários, palestras, trabalhos escolares etc., enquanto outros aconteciam fora da escola, mas estavam relacionados a ela, como visitas técnicas, estágio etc. Denominamos de unidade de contexto as atividades vivenciadas por alunos e professores no âmbito da escola e fora dela. Essas atividades estavam claramente vinculadas aos procedimentos didáticos e metodológicos escolhidos por seus professores para discutir as questões focalizadas nas perguntas do questionário. Contudo, nem todas respostas puderam ser categorizadas em procedimentos didáticos e metodológicos, tendo em vista que algumas perguntas solicitaram informações voltadas para a esfera pessoal do inquirido, como escolhas pessoais e decisões cotidianas e profissionais. Assim, as respostas conduziram a algumas características do ensino ofertado na instituição, muitas delas relacionadas com os objetivos dos enfoques CTS, por exemplo, formação de opinião e senso crítico, ampliação do conhecimento, a aplicação do conhecimento em situações do cotidiano ou no contexto profissional etc. Essa categorização foi feita principalmente para as respostas dos alunos. 102 Vale ressaltar que respostas abertas possibilitam ao inquirido responder de forma espontânea, pois ele é livre para responder o que e como quiser. Desse modo constatamos que algumas respostas de alunos e professores eram constituídas por várias frases e orações que expressavam mais de uma unidade de significação, ou seja, expressavam mais de um tema, contexto ou ênfase. Nesse caso optou-se por fragmentá-las em tantas quantas fossem necessárias as unidades de significação e isso implicou alocarmos esses depoimentos em vários temas ou contextos ou ênfases. Em outras palavras, esse tipo de resposta possui mais de uma entrada ou registro em nossos quadros. Embora os quadros construídos referem-se às respostas abertas, por questão metodológica foi contabilizado o número de ocorrências. Assim, os quadros apresentam as respostas dos professores e alunos agrupadas segundo o tema, a ênfase, a unidade de contexto, as categorias relacionadas ao aspecto procedimental do processo de ensino e aprendizagem, as características do ensino, e o número de ocorrências para cada um desses itens de categorização. Algumas respostas foram classificadas como ‘evasivas’, ‘outros’ e ‘respostas de negação’. Respostas ‘evasivas’ são aquelas que têm um sentido em si, já que se entende o que ela expressa, porém não respondem ao que foi perguntado. Respostas classificadas como ‘outros’ não têm sentido em si, são vagas, incompletas, incompreensíveis. ‘Respostas de negação’ são aquelas que claramente negam o que foi perguntado. No capítulo seguinte apresentamos e analisamos os dados obtidos a partir do instrumento de investigação utilizado para esta tese. Ao mesmo tempo, faz-se uma discussão dos resultados. 103 CAPÍTULO 4 4 APRESENTAÇÃO, ANÁLISE DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Este capítulo tem como objetivos apresentar e analisar os dados obtidos a partir do instrumento de investigação utilizado para esta tese: um questionário do tipo misto aplicado aos alunos e professores da EPTNM do CEFET-MG. Ao mesmo tempo, faz-se uma discussão dos resultados. No capítulo anterior, foram apresentados os procedimentos empregados no tratamento do corpus desta pesquisa: os dados quantitativos, expressos em gráficos, e os dados qualitativos, organizados em quadros. Nesses quadros, as respostas de alunos e professores foram agrupadas em temas, após ajustamentos sucessivos em que padrões e regularidades foram identificados e categorizados à luz da análise de conteúdo. Para analisar os dados, duas linhas de análise são apresentadas: uma análise ‘horizontal’ e uma análise ‘vertical’. A primeira linha, análise ‘horizontal’, salienta as divergências e convergências que aparecem nas respostas dadas à parte quantitativa e qualitativa das afirmativas do questionário, focalizadas individualmente. Desse modo, a análise horizontal permite a comparação entre o que os sujeitos pesquisados respondem ao escolher uma opção de resposta à pergunta, e as tendências predominantes nas respostas da parte aberta do instrumento de pesquisa. Com isso, apresentamos uma visão geral dos dados obtidos e discutimos os pontos relevantes, incluídas as afirmativas do questionário que admitem apenas resposta do tipo fechado. A segunda linha de análise, análise ‘vertical’, se debruça sobre os quadros, e salienta nas respostas de alunos e professores os objetivos do enfoque CTS: a) Alfabetização Científica e Tecnológica; b) Cidadania; c) Pensamento crítico; d) Tomada de decisão; e) Mudança de hábitos, atitudes e valores. O capítulo está organizado em dois itens. O primeiro item refere-se à análise das respostas dos alunos e professores e apresenta-se subdividido em duas seções. 104 A primeira seção apresenta a análise ‘horizontal’ dos dados, e a segunda, a análise ‘vertical’. No segundo item, apresentamos uma síntese comparativa de nossas interpretações. Vale mencionar que, ao longo da seção que trata da análise ‘vertical’, algumas respostas mais significativas de alunos e professores são apresentadas ao longo do texto, como forma de contextualizar a discussão. 4.1 Análise e Discussão das Respostas dos Alunos e Professores O questionário aplicado aos alunos (APÊNDICE A) possui 25 afirmativas, sendo 15 do tipo misto e 10 em escala de Likert. O questionário aplicado aos professores (APÊNDICE B), também com 25 afirmativas, possui 17 afirmativas do tipo misto e 8 em escala de Likert. Essas afirmativas foram divididas em 2 categorias: objetivos CTS e procedimentos didático-pedagógicos empregados no processo de ensino e aprendizagem, distribuídos conforme os Quadros 8 e 9. Categorias Afirmativas Objetivos CTS 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13*, 14, 15, 16*, 20* Procedimentos didático-pedagógicos 17*, 18*, 19, 21*, 22*, 23*, 24*, 25* Quadro 8 – Construção do questionário/alunos Fonte: Elaborado pela autora. Observação: *Afirmativas do tipo fechado apenas (escala de Likert). Categorias Afirmativas Objetivos CTS 01, 02, 03, 04, 05, 06, 07, 08, 09, 10, 11, 12, 13*, 14, 15, 16*, 20* Procedimentos didático-pedagógicos 17*, 18, 19*, 21, 22, 23*, 24*, 25* Quadro 9 – Construção do questionário/professores Fonte: Elaborado pela autora. Observação: *Afirmativas do tipo fechado apenas (escala de Likert). A seguir, iniciamos a análise ‘horizontal’ dos dados referentes às afirmativas do questionário respondido pelos alunos e professores. A proposição em cada afirmativa vincula-se a um dos objetivos desta pesquisa: o de identificar objetivos CTS no ensino ofertado na instituição. 105 4.1.1 Análise ‘Horizontal’ e Discussão das Respostas dos Alunos e Professores (Aluno) Afirmativa 1: É discutida a visão de que o conteúdo científico vai além do conjunto de conceitos ensinados para resolver provas ou exames escolares. Escreva uma situação. (Professor) Afirmativa 1: Você discute com seus alunos a visão de que o conteúdo científico vai além do conjunto de conceitos ensinados para resolver provas ou exames escolares.Escreva uma situação. Na elaboração dessa afirmativa está a ideia central de que o conhecimento científico adquirido na escola deve possibilitar ao aluno, segundo Yager (2013a), a percepção de que os conceitos aprendidos são pessoalmente úteis e necessários para lidar com problemas reais. Esses conceitos tornam-se significativos quando ocorrem através de atividades vivenciadas em sala de aula ou por meio de outros recursos formativos, além das provas e testes, podendo ser aplicados em novas situações. Nesse sentido, capacidades do pensamento crítico podem se revelar em relação ao estudo de ciências e seu uso para a vida cotidiana. O Gráfico 1 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 1. Gráfico 1 – Respostas da Questão 1 Fonte: Elaborado pela autora. 106 A percepção de alunos e professores converge com o proposto na afirmativa. Para 63% dos alunos e 78% professores com ‘frequência’ e ‘sempre’ é discutida a visão de que os conceitos científicos não são apenas úteis para resolver exames escolares. ‘Às vezes’ é a opção escolhida por 25% dos alunos e 14% dos professores. Apenas 10% dos alunos e 8% dos professores afirmam ‘nunca’ e ‘raramente’. Todos os professores responderam à afirmativa e somente 2% dos alunos não responderam (Gráfico 1). O item da afirmativa foi respondido por 85% dos estudantes da amostra. Dentre esses, 51% são alunos que apresentaram trabalho na META, de agora em diante nomeados ‘aluno META’, e 49% não apresentaram trabalho na META, nomeados ‘aluno não META’. Assim, as respostas apresentam as percepções dos dois grupos em proporção equilibrada. Entretanto, entre os que não responderam 71% são ‘alunos META’ e 29% são ‘alunos não META’. Nesse caso, constata-se um comprometimento maior dos alunos ‘não META’ em registrar uma situação. Deparamo-nos com um cenário semelhante para os professores. Na resposta ao item da afirmativa, 69% dos professores expressaram uma situação, sendo 52% das respostas fornecidas por professores que lecionam disciplinas técnicas (de agora em diante, nomeados ‘professores DT’). Os professores que lecionam disciplinas de formação geral (nomeados ‘professores DG’) contribuíram com 48% das respostas. Embora nossa amostra seja constituída por maioria de ‘professores DT’ (63%), constata-se haver um equilíbrio no número de respostas dos dois segmentos de professores. Não responderam ao item 31% dos professores, sendo 85% ‘professores DT’ e 15% são ‘professores DG’. As respostas indicam que as ‘aulas’ constituem o momento didático por excelência para as discussões sobre esse assunto acontecerem. Em outros procedimentos didáticos e metodológicos essa visão também é discutida, como no envolvimento em projetos de pesquisa, visitação em feiras de ciências, visitas técnicas, em seminários e debates e na elaboração de trabalhos, e até a utilização de recursos didático-pedagógicos, como a projeção de filme, constituem instâncias citadas pelos alunos. As situações vivenciadas nesses momentos do processo de ensino e aprendizagem possibilitam estabelecer relações entre o conhecimento (teoria) e as situações do cotidiano, entre o conhecimento e o contexto do exercício 107 profissional, a aplicação do conhecimento para o bem-estar social, para a resolução de problemas no cotidiano e no contexto do exercício profissional. Em menor proporção, são citadas situações em que os aspectos relacionados à natureza da Ciência são abordados, assim como a relação entre a teoria e os artefatos tecnológicos e suas aplicações no estudo de conteúdo específico. Nos depoimentos de alunos e professores é possível constatar que nas ‘aulas’ os professores procuram mostrar as aplicações práticas do conhecimento adquirido em casos reais do cotidiano e do contexto profissional e discutem temas comuns em cursos CTS que levam os alunos a compreenderem o mundo em sua globalidade e complexidade. Alguns professores relacionam conteúdos de diversas disciplinas, abordam a História da Ciência a partir da contribuição dos cientistas nos desenvolvimentos científicos e incentivam a continuidade dos estudos e a ampliação do conhecimento. De modo geral, percebe-se a intenção em proporcionar uma ACT significativa para os alunos. A preocupação em relacionar teoria e prática e incentivar a ampliação do conhecimento e a continuidade dos estudos convergem com os objetivos propostos para o currículo expressos no PDI 2005-2010 (CEFET-MG, 2005) e na legislação e propostas para a educação apresentadas pelo governo federal. (Aluno) Afirmativa 2: Acontecem oportunidades para sua participação em trabalhos em grupo, apresentação de hipóteses e argumentação com base em conceitos científicos. Registre uma situação que tenha ocorrido. (Professor) Afirmativa 2: Você cria oportunidades para a realização de trabalhos em grupo e para a apresentação de hipóteses e argumentação com base em conceitos científicos. Registre uma situação. A afirmativa 2 implica ações relacionadas à prática científica e, implicitamente, está ancorada no fato de os alunos vivenciarem ou não situações que possibilitam o desenvolvimento de habilidades de investigação, de raciocínio, de formação de conceitos e de argumentação. Tais habilidades, segundo Lipman (1995), fortalecem o pensamento criativo dos alunos, permitindo que eles efetuem associações novas e diferentes entre os conceitos. A participação em trabalhos em grupo proporciona ao 108 aluno o contato com vários pontos de vista e, nessa perspectiva, conduz à transitividade crítica, característica do pensamento crítico, ou seja, corresponde, segundo Freire (1986), a saber dialogar, argumentar, dispor-se a investigar e não aceitar explicações prontas como verdadeiras e absolutas. A ideia central dessa afirmativa reside no desenvolvimento e na aquisição das capacidades de mobilizar e articular conhecimentos para pensar criticamente. O Gráfico 2 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 2. Gráfico 2 – Respostas da Questão 2 Fonte: Elaborado pela autora. Na percepção de 77% dos alunos a realização de trabalhos em grupo é uma estratégia de ensino e aprendizagem vivenciada ‘com frequência’ e ‘sempre’. Afirmam utilizar essa estratégia 53% dos professores, ou seja, apenas um pouco mais da metade. Enquanto 19% dos professores responderam ‘nunca’ e ‘raramente’, apenas 7% dos alunos assim o fizeram. ‘Às vezes’ é a opção escolhida por 28% dos professores e por 13% dos alunos (Gráfico 2). Em princípio, as escolhas na escala por parte de alunos e professores apontam para o fato dos primeiros não possuírem clareza sobre trabalhos que envolvem a apresentação de hipóteses e argumentação com base em conceitos científicos e, no caso do alto índice apresentado para os alunos (77%), inferimos que eles podem estar considerando as atividades e/ou exercícios elementares como trabalhos dessa natureza. No entanto concluímos que 109 há convergência sobre o assunto abordado na afirmativa. O número de alunos que não respondeu corresponde a 3% da amostra. As situações registradas pelos alunos são muito superficiais e parecem confirmar a falta de clareza que eles têm sobre esse tipo de atividade. Os temas identificados nas respostas vinculam-se à aprendizagem de conceitos-chave fundamentais, ao desenvolvimento de protótipos/montagens/artefatos tecnológicos relacionados com questões científicas e tecnológicas e voltados para ações sustentáveis e conscientização social. Para eles esses temas, abordados em ‘aulas’, em ‘debates/seminários’ e no desenvolvimento de ‘projetos de pesquisa’ possibilitam a apresentação de hipótese e de argumentação. Outras situações didáticopedagógicas, como visitas em feiras de ciências, simulação de júri, trabalhos de conclusão de curso e relatórios técnicos também são citadas pelos alunos. Os professores empregam a estratégia didático-pedagógica de trabalhos em grupo com o objetivo de acessar o conhecimento prévio dos alunos sobre determinado conteúdo, levando-os a questionar e refletir sobre o conhecimento adquirido, a se familiarizar com o método científico, a relacionar o conhecimento com a profissão e com situações do cotidiano, através de leituras, discussão sobre textos e informações veiculadas nas mídias. Percebe-se também que os professores promovem ‘debates/seminários’ para os alunos discutirem sobre os fatos sociais e defenderem modelos científicos, para que desenvolvam capacidades relativas à formação de opinião e senso crítico sobre o assunto discutido. Em ‘projetos de pesquisa’, os professores estimulam os alunos a trocarem informações e experiências e a utilizarem argumentos convincentes na execução de um projeto hipotético. Esses exemplos de práticas docentes vão ao encontro das orientações propostas nos documentos institucionais e do governo. Em relação aos objetivos CTS, identificamos respostas de alunos e professores alinhadas com a ACT e, apenas nas respostas dos professores há correlação com a formação para a cidadania e com o pensamento crítico. Do total de alunos da amostra 85% respondeu ao item da afirmativa e constata-se equilíbrio entre o número de respostas dos alunos ‘META’ (49%) e 110 alunos ‘não META’ (51%). Não responderam 15% dos alunos sendo que 84% correspondem aos alunos ‘META’ e 16% aos alunos ‘não META’. O item da afirmativa foi respondido por 70% dos professores, 56% dos que responderam e 79% dos que não responderam são ‘professores DT’. (Aluno) Afirmativa 3: São dadas oportunidades para você apresentar ideias acerca de temas de relevância social e ambiental. Quando? Em quais disciplinas? Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 3: Você abre espaço para seus alunos apresentarem ideias acerca de temas de relevância social e ambiental. Cite uma situação. Posicionamentos críticos e juízo de valor estão implícitos na ideia central dessa afirmativa e a perspectiva de abordagem de temas sociais e ambientais relevantes vai ao encontro dos objetivos do ensino com enfoque CTS. Segundo Cruz (2001), essa é uma das onze características ou estratégias de programas CTS listadas na edição 1990-1991 do “Handbook da NSTA”. O Gráfico 3 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 3. Gráfico 3 – Respostas da Questão 3 Fonte: Elaborado pela autora. 111 Para 26% dos alunos ‘nunca’ e ‘raramente’ são as opções escolhidas, ‘às vezes’ é assinalada por 34% e, ‘com frequência’ e ‘sempre’ correspondem às opções para 38% dos alunos. Desse modo, os índices indicam existir uma tendência para a concretização de oportunidades para essas discussões acontecerem. Chama a atenção o número relativamente expressivo de alunos da amostra (68) que perceberam que as oportunidades para apresentarem temas de relevância social e ambiental são, de certo modo, pontuais. Apenas 2% da amostra não respondeu. Um pouco mais da metade, 52% dos professores, assinalou ‘com frequência’ e ‘sempre’. Para 28% dos professores, “às vezes”, e 20% afirmam “nunca” e “raramente” (Gráfico 3). Esses percentuais apontam para um ambiente de ensino e aprendizagem que possibilita, em certa medida, o protagonismo do aluno e iniciativa para verbalizar suas ideias, colocar suas questões e opiniões. Desse modo, podemos nos perguntar: os alunos dessa faixa etária de fato possuem discernimento suficiente para apresentar ideias acerca de temas de relevância social e ambiental por iniciativa própria? Ou cabe ao professor estimular e apresentar situações aos seus alunos para que a abordagem desse tema aconteça em suas aulas? Embora, ao responderem aos itens da pergunta (‘quando?’) e (‘cite uma situação’), as respostas dos alunos revelam um cenário rico em temas geralmente abordados em cursos com enfoque CTS, isso não garante que os temas tenham sido inicialmente sugeridos por eles. Nesses dois itens, diversos temas relevantes do ponto de vista social e ambiental são citados pelos alunos, como a conscientização sobre problemas urbanos, recursos naturais e sustentabilidade, matriz energética, coleta seletiva de lixo, desmatamento, descarte e destinação correta de resíduos, conjuntura sociopolítica, entre outros. As oportunidades para tal abordagem estão distribuídas em vários procedimentos didáticos e metodológicos, como em ‘aulas’, ‘trabalhos/pesquisas escolares’, ‘debates/seminários’, ‘projetos de pesquisa’ e em outras situações didático-pedagógicas, como palestras, exposições, visitas técnicas e em feiras de ciências etc. A utilização de documentários e a convivência em espaços coletivos também propiciam oportunidades para a abordagem desses assuntos. Nas respostas dos professores os temas abordados e os procedimentos didáticos e metodológicos se assemelham aos citados pelos alunos. A abordagem 112 nas ‘aulas’ de temas socioambientais como lixo, poluição, queimadas, aquecimento global, reciclagem, energia, descarte adequado de resíduos, entre outros, possibilitam desenvolver nos alunos responsabilidade e consciência socioambiental, no que diz respeito à formatação de novos produtos, ao consumo consciente de energia, à utilização de recursos renováveis, preservação ambiental etc. Em ‘projetos de pesquisa’, os professores incentivam a abordagem de temas voltados para ações sustentáveis e bem-estar social. Em ‘debates/seminários, as discussões envolvem modelos de transporte e mobilidade urbana, e os temas de ‘trabalhos escolares’ estão relacionados aos recursos naturais e à destinação correta de resíduos, bem como às preocupações associadas ao tratamento de esgoto e, consequentemente, à saúde pública. Em atividades de campo, estudos de casos e discussão de textos, os professores parecem abrir espaço para seus alunos propor ideias sobre temas ambientais e sociais relevantes. A abrangência dos temas e a diversidade de situações didático-pedagógicas empregadas pelos professores podem conduzir os estudantes a estabelecer relação entre o conhecimento adquirido na escola com os problemas que atingem o mundo e suas vidas. Isso parece indicar um comprometimento dos professores com a formação do aluno, para que ele possa refletir em torno dos valores que permeiam as questões ambientais e sociais, e também com a formação de um cidadão com visão crítica e social. Nesse sentido, constata-se uma postura pedagógica alinhada com os propósitos da instituição, com as orientações dos documentos normativos para a educação brasileira e com os objetivos CTS. Em ‘quando?’, 76% dos alunos responderam, e alunos ‘META’ e ‘não META’ representam, cada um, aproximadamente 50% das respostas. Entre os 24% de alunos que não responderam, 67% são alunos ‘META’ e 33% são alunos ‘não META’. No item que solicita ‘situação’, 75% dos alunos responderam, e entre eles, verifica-se o mesmo percentual (50%) para alunos ‘META’ e ‘não META’. Os percentuais do item anterior se repetem para aqueles alunos que não responderam a esse item da afirmativa. Constata-se interesse dos alunos em expressar suas percepções sobre as oportunidades que lhes são dadas para discutir e apresentar suas ideias. 113 Quanto aos professores, o item ‘situação’ foi respondido por 67% sendo que 51% são ‘professores DT’ e 49%, ‘professores DG’. Dentre os 33% que não responderam ao item, 86% são ‘professores DT’ e apenas 14% são ‘professores DG’. Chama a atenção o índice de ‘professores DT’ que não respondeu ao item. Apesar dos elevados índices apresentados por alunos ‘META’ (envolvidos com projetos de pesquisa) e de ‘professores DT’ (envolvidos com a formação para o exercício profissional de seus alunos) que não responderam aos itens da afirmativa, do ponto de vista dos objetivos CTS evidencia-se, nas respostas de alunos e professores, preocupações com a ACT e com a formação para a cidadania. No item “disciplinas”, as da base nacional comum são as mais citadas pelos alunos. Na área de Ciências Humanas, a Geografia, a História e a Sociologia correspondem a aproximadamente 60% do total de ocorrências. Seguem-se as da área de Ciências da Natureza (32%), sendo a Física e a Biologia as mais citadas. A Matemática é citada por um aluno apenas. Na área de Linguagem (8%), Redação e Português se destacam, embora a disciplina Artes compareça com um número superior ao da Matemática. Quanto às disciplinas específicas dos cursos, as do curso de Meio Ambiente, como Gestão Integrada, Educação Ambiental e Gestão de Resíduos Sólidos, são as mais lembradas pelos alunos. Seguem-se os cursos de Química com as disciplinas Química Orgânica e Fundamentos de Processos Industriais, e de Mecânica, com as disciplinas Ciência e Tecnologia dos Materiais e Gerenciamento Humano. Outros cursos e disciplinas são lembrados em menor proporção. No geral, os dados apontam para a concentração na área de humanas e em cursos com preocupações sociais e ambientais. As disciplinas da área de Ciências Humanas, pelas suas especificidades e características próprias, geralmente empregam estratégias didáticas (debates e seminários) que contribuem para que esse tipo de abordagem aconteça. No entanto, na percepção dos alunos, as disciplinas da área de Ciências da Natureza também proporcionam essa discussão mesclada aos conteúdos científicos. Tal iniciativa parece indicar novas formas de apresentar os conteúdos científicos, permeados por experiências e assuntos que estão diretamente relacionados com a vida dos estudantes. 114 (ALUNO) Afirmativa 4: São discutidas a importância e a defesa de maior controle social sobre as inovações científicas e tecnológicas. Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 4: Você discute a importância e a defesa de maior controle social sobre as inovações científicas e tecnológicas. Cite uma situação. Essa afirmativa tem como ideia central uma das finalidades primordiais da educação CTS, que é a de proporcionar a aprendizagem social da participação pública em decisões científicas e tecnológicas. Segundo Gordillo (2005), o contexto educativo é extremamente relevante para promover esse tipo de aprendizagem e, para alcançar esse objetivo, é preciso proporcionar oportunidades aos alunos opinarem, contrastarem e emitirem juízos de valor sobre diferentes alternativas existentes em relação ao desenvolvimento das ciências e das tecnologias. Isso conduz a fomentar hábitos de discussão racional, de negociação e de tomada de decisões em relação a problemas concretos, nos quais a Ciência e a Tecnologia têm consequências sociais. O Gráfico 4 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 4. Gráfico 4 – Respostas da Questão 4 Fonte: Elaborado pela autora. 115 Na percepção dos alunos, tais objetivos não são discutidos, como mostra o Gráfico 4. As opções ‘nunca’ e ‘raramente’ foram escolhidas por 46% dos alunos, 31% assinalaram a opção ‘às vezes’, e apenas 21% ‘com frequência’ e ‘sempre’. Não responderam a afirmativa apenas 5 alunos (3%). No caso dos professores verifica-se que 46% dos professores também ‘nunca’ e ‘raramente’ discutem a importância do controle social sobre as inovações científicas e tecnológicas. O tema é abordado ‘às vezes’ por 31% dos professores e, 22% dos professores da amostra afirmam discuti-lo ‘com frequência’ e ‘sempre’. Esses índices apontam para uma fragilidade no ensino no que diz respeito ao objetivo mais importante do ensino CTS: a alfabetização científica cívica ou, no nosso entendimento, a formação para a cidadania. Em se tratando de uma instituição que oferece educação tecnológica julgamos ser importante ancorar a formação do aluno em discussões sobre os aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais que influenciam e são influenciados pelos desenvolvimentos científicos e tecnológicos. E nessa perspectiva, ela deve comprometer-se em desenvolver uma cultura de participação social, que possibilite ao aluno tornar-se “um cidadão mais atento para a ciência e seus impactos e para a tomada de decisões mais bem informadas” (KRASILCHICK; MARANDINO, 2004, p. 14). Nas respostas dos alunos ao item, 60% deles responderam. Entre os que responderam, 55% das respostas são de alunos ‘não META’ e 45% a alunos ‘META’. Em que pese esse resultado, algumas respostas dos alunos indicam temas que podem ser correlacionados à cidadania, como discussões sobre o acesso à tecnologia e inovações tecnológicas, desenvolvimento de projetos associados às demandas sociais, armas nucleares e poder bélico, influência da pesquisa nas políticas públicas/privadas, problemas e necessidades sociais, consumismo, inovação tecnológica e ética, projetos voltados para ações sustentáveis e conscientização social. Entretanto, elas expressam atitudes passivas diante dessas situações, ou seja, não demonstram a intenção em agir para participar e exercer uma cidadania ativa. Por outro lado, constata-se em ‘aulas’, principalmente, e em ‘trabalhos escolares’ e ‘projetos de pesquisa’, a abordagem de temas focalizados para uma 116 cidadania solidária e para a sustentabilidade. De modo geral, os temas identificados nas respostas reportam à alfabetização científica e tecnológica dos alunos. Tendo isso em conta, existe uma fragilidade na formação para a cidadania, principalmente no que diz respeito à cidadania voltada para a ação, ou seja, aquela que “forma o cidadão capaz e disposto a ser agente de mudança na sociedade” (SANTOS; SCHNETZLER, 2010, p. 77). Quanto aos professores merece destacar o percentual deles que não registrou uma situação na qual esse tipo de discussão pudesse acontecer. Dos 64 professores da amostra, 53% não responderam, e a maioria deles (76%) corresponde aos ‘professores DT’ e 24% são ‘professores DG’. Entre os que responderam, 53% são ‘professores DG’ (16 professores) e 47% são ‘professores DT’. Em princípio, os dados indicam um comprometimento maior dos professores que lecionam disciplinas de formação geral em abordar esse tema com seus alunos. Em detrimento do número reduzido de respostas ao item, elas demonstram uma preocupação dos professores em desenvolver nos alunos responsabilidade e conscientização social sobre questões que envolvem Ciência e Tecnologia. Nas ‘aulas’, os professores expressam iniciativas em discutir as implicações sociais de produtos e artefatos tecnológicos, questões relacionadas ao patrimônio e propriedade intelectual de inovações tecnológicas, e questões relacionadas ao uso ético/político da informação e do conhecimento. Nos ‘debates/seminários’, os professores abordam os impactos ambientais causados pela C&T e sua dimensão ética. Os ‘trabalhos escolares’ abrangem temas sobre energia nuclear, radioatividade e as implicações sociais relacionadas à bomba atômica, e os professores orientam os alunos a desenvolverem ‘projetos de pesquisa’ que tenham como propósito o bem-estar social. De certo modo percebe-se convergência quanto aos temas presentes nas respostas de alunos e professores. (Aluno) Afirmativa 5: São discutidas as interações entre a Ciência, a Tecnologia e Sociedade. Quando? Em quais disciplinas? Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 5: Você discute as interações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade com seus alunos. Cite uma situação. A ideia central explícita nessa afirmativa constitui a base em que se edifica o ensino de Ciências com enfoque CTS. Discussões sobre interações CTS têm como 117 objetivo a compreensão da dimensão social da C&T, desde o ponto de vista dos seus antecedentes sociais às suas consequências sociais e ambientais, ou seja, tanto no que diz respeito aos fatores de natureza social, política ou econômica que modulam a mudança científico-tecnológica, quanto pelo que concerne às repercussões éticas, ambientais ou culturais dessa mudança (BAZZO et al., 2003a). Os dados mostram que 49% dos alunos reconhecem que as interações CTS são discutidas ‘com frequência’ e ‘sempre’ no ensino ofertado na instituição enquanto 25% consideram ‘às vezes’ e 23% afirmam que ‘nunca’ e ‘raramente’ essas discussões ocorrem. Não respondeu apenas 3% dos alunos. No caso dos professores, os índices indicam que eles discutem com seus alunos as interações CTS. Para 53% dos professores essas discussões acontecem ‘com frequência’ e ‘sempre’, 27% responderam ‘às vezes’, 19% afirmaram ‘nunca’ ou ‘raramente’ discutir sobre esse tema e apenas 1 professor (1%) não respondeu (Gráfico 5). Nas respostas dos alunos chama a atenção o expressivo percentual de alunos que marcou a opção ‘com frequência’, correspondendo a 38% da amostra. Embora os posicionamentos dos professores sejam mais dispersos, os dados mostram que, em certa medida, alunos e professores convergem em suas escolhas. Porém, o resultado, em princípio, parece contradizer o resultado da afirmativa anterior. Como é possível discutir as interações CTS e não salientar a importância do controle social sobre as atividades científicas e tecnológicas? Será que eles, professores e alunos, sabem o que é interação CTS? As escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 5 estão representadas no Gráfico 5. 118 Gráfico 5 – Respostas da Questão 5 Fonte: Elaborado pela autora. As respostas dos alunos ao primeiro item da afirmativa (‘quando?’) refletem seus posicionamentos assumidos na escolha de uma opção da escala de Likert. Embora 72% dos alunos, entre os quais 56% são alunos ‘não META’ e 44% são ‘alunos META’, tenham respondido a esse item, as respostas são muito gerais. Entre os procedimentos didáticos e metodológicos identificados nas respostas, as ‘aulas’ constituem a instância predominante para a abordagem das interações CTS, seguida pelos ‘debates/seminários’, ‘trabalhos/pesquisas escolares’ e ‘projetos de pesquisa’. Quando perguntados em ‘quais disciplinas’ as discussões sobre as interações CTS ocorrem, as da área de Ciências Humanas correspondem a aproximadamente 59% das respostas referentes às disciplinas da base nacional comum. Nessa área, a Sociologia, seguida pela Geografia e pela História, são as mais citadas. Na área de Ciências da Natureza (39% das respostas), a Física é a mais citada, segue-se a Química e, por fim , a Biologia. A Matemática não é citada. Na área de Linguagens, Redação e Português são lembradas pelos alunos. Esse resultado se assemelha ao obtido na afirmativa 3. Quanto às disciplinas específicas dos cursos, a Ecologia Aplicada, a Educação Ambiental e a Política Ambiental, todas do curso de Meio Ambiente, são 119 as mais citadas, igualmente ao que se verificou na afirmativa 3. A ele se seguem as disciplinas dos cursos de Informática, de Mecatrônica e de Química. Entre os 75% dos alunos que responderam a esse item, os alunos ‘não META’ correspondem a 55% e os ‘alunos META’ a 45%. Dentre os 25% de alunos da amostra que não responderam a esse item, a maioria (81%) é de ‘alunos META’ e 19% de ‘alunos não META’. O terceiro item da afirmativa foi respondido por 71% dos alunos da amostra, sendo 56% das respostas correspondendo a ‘alunos não META’ e 44% a ‘alunos META’. O percentual de ‘alunos META’ que não respondeu (79%) supera em muito o de ‘alunos não META’. Esses percentuais causam estranhamento porque é de se esperar que os alunos envolvidos com projetos de pesquisa apresentados na META possuem maior entendimento e se sintam mais à vontade para opinar e exemplificar sobre as interações CTS. O terceiro item solicita uma ‘situação’ em que podem acontecer discussões sobre as interações CTS e, entre os procedimentos didáticos e metodológicos identificados nas respostas dos alunos, as unidades de contexto ‘aulas’, ‘debates/seminários’, ‘trabalhos escolares’, ‘projetos de pesquisa’ são citadas. As respostas, evidenciam, de maneira geral, temas que abordam os aspectos cultural, técnico e organizacional da prática tecnológica. Outros temas como relação entre o conhecimento e situações do cotidiano e do contexto profissional; modelos de transporte; legislação ambiental; implicações mútuas entre ciência e tecnologia; ciência e sociedade; tecnologia e sociedade também são identificados nas respostas dos alunos. Respostas que expressam as interações CTS são inexpressivas. Na unidade de contexto ‘outros procedimentos didáticopedagógicos’, os alunos citam as visitas às feiras de ciências, palestras, trabalhos de campo, entre outros, como estratégias de ensino e aprendizagem que possibilitam discussões sobre as interações CTS. Na percepção dos alunos, a utilização de filmes como recursos didático-pedagógicos também proporcionam esse tipo de discussão. Identificamos que os professores tendem a discutir com seus alunos principalmente questões relacionadas à interação entre Tecnologia e Sociedade, como processos e produtos provenientes da prática tecnológica (equipamentos, corrosão de materiais, automação industrial etc.), meio ambiente e degradação ambiental provocada por inovações tecnológicas, e assuntos relacionados aos 120 transgênicos e às vacinas. As interações CTS são discutidas por alguns professores em suas ‘aulas’ quando ensinam um conteúdo específico da disciplina que lecionam. Nesses casos os assuntos discutidos estão relacionados aos impactos na produção e no consumo de energia, ao desenvolvimento científico e ao uso social de vacinas e exames de DNA, à concepção de C&T e suas implicações sociais e, por fim, a globalização. A concepção do conhecimento científico como fruto da produção humana e social também é apresentada aos alunos, e a utilização de analogias é empregada no estudo de conteúdo específico. A orientação em ‘projetos de pesquisa’ inclina-se às preocupações ambientais, econômicas, sociais, culturais e éticas; nos ‘debates/seminários’, são discutidos modelos de transportes; e nos ‘trabalhos escolares’, os professores criam oportunidades para os alunos relacionarem linguagem, educação e tecnologia. Nas visitas técnicas são intensificados os conteúdos tecnológicos, e através da utilização de mídias as interações CTS são abordadas por alguns professores. O item da afirmativa foi respondido por 58% dos professores, sendo 57% das respostas atribuídas a ‘professores DT’. Dos professores que não responderam ao item, 70% são ‘professores DT’. Esse resultado parece confirmar a maior expressividade das respostas com ênfase TS. De modo geral, constata-se que o objetivo CTS que mais se destaca nas respostas dos alunos e professores é o da ACT. No entanto, percebe-se em algumas respostas dos professores a preocupação com a formação de seus alunos para a cidadania. As intenções docentes, em termos das estratégias utilizadas e da relevância dos temas abordados, são importantes para a formação dos alunos nesse nível de ensino e compartilham interesses visualizados nos documentos da instituição e das propostas educacionais do governo. (Aluno) Afirmativa 6: As abordagens nas disciplinas de seu curso lhe permitem identificar e investigar problemas sociais relevantes para você e de impacto local ou mundial. Em quais disciplinas? Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 6: Você permite a seus alunos a identificação e a investigação de problemas sociais relevantes para eles e de impacto local ou mundial. Cite uma situação. 121 Essa afirmativa tem como referência uma das características ou estratégias dos programas CTS listadas na edição 1990-1991 do “Handbook da NSTA” (CRUZ, 2001). A identificação e a investigação de problemas sociais relevantes pressupõem o desenvolvimento de capacidades de pensar criticamente sobre questões relacionadas à C&T. Isso implica em “formar uma pessoa que tome decisão, que avalie o papel das decisões humanas na determinação da sobrevivência e da vida” (SANTOS; SCHNETZLER, 2010, p. 77). Os alunos tendem a reconhecer que as disciplinas de seus cursos possibilitam a identificação e a investigação de problemas sociais relevantes. Do total de alunos, 42% responderam ‘com frequência’ e ‘sempre’, 28% consideram ‘às vezes’, 27% afirmam ‘nunca’ e ‘raramente’ e apenas 3% não escolheram nenhuma opção (Gráfico 6). Em princípio, pode-se inferir que o ensino ofertado na instituição tende a proporcionar o desenvolvimento de capacidades para identificar e investigar problemas sociais relevantes. Nesse sentido, como afirmam Santos e Schnetzler (2010), pela subjetivação presente na solução de problemas da vida real, é necessário o julgamento de valor. O Gráfico 6 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 6. Gráfico 6 – Respostas da Questão 6 Fonte: Elaborado pela autora. 122 Quanto aos professores, os índices mostram uma dispersão em relação aos seus posicionamentos sobre o tema proposto na afirmativa. Para 33% dos professores, ‘nunca’ e ‘raramente’ é permitido aos alunos identificar e investigar problemas sociais relevantes, locais ou mundiais. E 39% afirmam ‘às vezes’, enquanto ‘sempre’ e ‘com frequência’ são opções consideradas 28% dos professores (Gráfico 6). Considerando os dados sob a perspectiva dos professores que responderam ‘nunca’ e ‘raramente’ e daqueles que optaram por ‘às vezes’, constata-se uma tendência para que tal abordagem não seja por eles realizada. Nesse sentido, o resultado contradiz o apresentado na afirmativa 3 (temas socioambientais relevantes) e converge com o resultado da afirmativa 4 (controle social). Pode-se inferir que o tema proposto na afirmativa em questão abarca os temas propostos nas afirmativas 3 e 4, principalmente se considerarmos que a maioria dos problemas sociais relevantes guarda relação com os problemas ambientais e com os impactos dos desenvolvimentos científicos e tecnológicos. De modo geral, os resultados apontam para posicionamentos divergentes sobre o assunto entre alunos e professores. As respostas ao item da afirmativa que solicita exemplos de ‘disciplinas’ apresenta resultados similares aos de outras afirmativas já mencionadas. As disciplinas do curso de Meio Ambiente: Educação Ambiental, Gestão de Efluentes, Gestão de Recursos Hídricos, entre outras, são as mais citadas pelos alunos. Na sequência, disciplinas do curso de Química, como Microbiologia, Química Inorgânica e Processos Industriais, e do curso de Edificações: Materiais de Construção, Tecnologia das Construções e Mecânica dos Solos são as mais mencionadas. Disciplinas de vários outros cursos também são lembradas. Quanto as disciplinas da base nacional comum, 68% referem-se às da área de Ciências Humanas: Geografia, Sociologia, História e Filosofia. Em Ciências da Natureza (23%), são citadas a Física, a Biologia e a Química. Por fim, em Linguagens (9%) são citadas Redação e Português. Constata-se novamente que as disciplinas das Ciências Humanas são as mais propícias para desenvolverem discussões sobre o tema, e a Matemática se exime desse tipo de abordagem. 123 Esse item foi respondido por 72% dos alunos, sendo que 58% das respostas são de ‘alunos não META’ e 42% de ‘alunos META’. Os ‘alunos META’ (86%) foram os que mais deixaram o item em branco contra 27% de ‘alunos não META’. As respostas de alunos e professores ao item da afirmativa que solicita uma ‘situação’ onde a discussão de problemas sociais é abordada guardam relação com temas comumente abordados em cursos CTS e citados na literatura. São eles: temas relacionados ao meio ambiente e à sustentabilidade (energia, reciclagem, poluição, aquecimento global, lixo, enchentes, descarte e destinação de resíduos), aos aspectos sociais e econômicos relacionados à vida urbana (cidades, população, transporte e mobilidade urbana, acesso à tecnologia), conjuntura sociopolítica – em nível local e global; saúde pública e bem-estar social; comportamento social; automação industrial entre outros. Temas relacionados à prática tecnológica também são discutidos nas aulas, como automação industrial, fármacos, transgênicos etc. Ao contrário do que o gráfico nos revela, os procedimentos didáticos e metodológicos utilizados pelos professores para discutir temas sociais relevantes com seus alunos são diversos. As ‘aulas’ configuram um espaço privilegiado no processo de ensino e aprendizagem para alunos e professores abordarem esses temas. Os professores incentivam a participação dos alunos em ‘projetos de pesquisas’ e alguns desses projetos são voltados para problemas sociais da atualidade: acessibilidade para deficientes, mobilidade urbana e segurança para ciclistas, reaproveitamento de água da chuva. Em ‘debates/seminários’ e ‘trabalhos escolares’ os alunos têm a oportunidade de discutirem e refletirem sobre saúde humana, energia, reciclagem de lixo e compostagem orgânica. Outras atividades didático-pedagógicas possibilitam aos alunos o contato com problemas sociais relevantes, como visitas técnicas a hospitais, palestras e feiras de ciências. A maioria das respostas ao item corresponde aos ‘alunos não META’ (60%) e 40% das respostas são de ‘alunos META’. Apenas 14% dos ‘alunos não META’ não responderam a afirmativa, e 86% dos ‘alunos META’ deixaram-na em branco. Quanto aos professores, 56% responderam, sendo que 61% das respostas são de ‘professores DT’. Entre aqueles que não responderam, 64% também são ‘professores DT’. Desse modo, no conjunto das respostas, identificamos uma preocupação dos professores em proporcionar discussões de temas comuns em 124 cursos CTS, alguns em nível local, e outros em nível global. Além disso, também há aqueles que se referem mais de perto ao contexto brasileiro. Os alunos vivenciam atividades que possibilitam o desenvolvimento de capacidades para pensar e refletir criticamente sobre problemas sociais, o que, consequentemente, reflete na formação para a cidadania. Identificamos nas respostas dois objetivos CTS: a formação para a cidadania e a ACT. (Aluno) Afirmativa 7: Durante seu curso são abordadas as implicações sociais da Ciência (consequências e impactos). Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 7: Você aborda as implicações sociais da Ciência (consequências e impactos) em sua disciplina. Cite uma situação. A afirmativa chama a atenção para as implicações e consequências do desenvolvimento científico e, desse modo, pretende despertar a consciência e a responsabilidade social dos alunos como cidadãos. O Gráfico 7 mostra que o grupo de alunos de nossa amostra encontra-se dividido em relação à abordagem das implicações sociais da Ciência no ensino ofertado na instituição. Para 30%, ‘raramente’ e ‘nunca’ essa abordagem acontece; ela ‘às vezes’ acontece para 33% dos alunos, 34% deles consideram que ela está presente ‘com frequência’ e ‘sempre’ e apenas 3% não responderam. Quanto aos professores, o gráfico mostra haver, de modo geral, uma tendência em discutir com seus alunos sobre o tema proposto na afirmativa. Segundo 44% dos professores as implicações sociais da Ciência são por eles abordadas ‘com frequência’ e ‘sempre’. Para 30% ‘às vezes’ essas discussões acontecem, e 17% consideram “nunca” e “raramente”. Por se tratar de uma escola de educação tecnológica, pode-se inferir dos resultados que o ensino ofertado na instituição tende a discutir de maneira mais perceptível a Tecnologia, suas práticas e aplicações. Contudo, percebe-se que a abordagem das implicações sociais da Ciência tem seu lugar na formação do aluno, mesmo que de maneira mais tímida. 125 O Gráfico 7 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 7. Gráfico 7 – Respostas da Questão Fonte: Elaborado pela autora. As implicações sociais da Ciência são abordadas pelo viés da natureza da Ciência (discussões sobre mudança de paradigma e visão de mundo) e de temas de natureza sociocientíficos (a ética na pesquisa, o uso racional de energia, o problema do lixo e a reciclagem, a saúde, a mobilidade urbana, a poluição e a degradação ambiental). Os professores procuram mostrar para os alunos a relação entre o conhecimento e o exercício da profissão, a influência da Química na sociedade, os problemas socioambientais decorrentes do desenvolvimento da C&T e a influência da gestão pública na criação de equipamentos coletivos. Eles ainda incentivam seus alunos à continuidade dos estudos para desenvolver o senso crítico e formar opinião com vistas à participação social. As unidades de contexto ‘aulas’, ‘debates/seminários’, ‘projetos de pesquisa’, ‘trabalhos escolares’ identificadas nas respostas de alunos e professores referem-se aos procedimentos didáticos e metodológicos empregados para a discussão desses temas. Outras atividades empregadas pelos professores dizem respeito à utilização de literatura para discutir as interações entre Ciência e Sociedade seguidas de propostas de reflexões em grupo. 126 A afirmativa foi respondida por 63% dos alunos, sendo que 54% são ‘alunos não META’ e 46% ‘alunos META’. Das respostas em branco (37%), a maioria, 69%, corresponde aos ‘alunos META’ e 31% aos ‘alunos não META’. Entretanto, o percentual de professores que não respondeu ao item da afirmativa é igual a 51%. Das afirmativas já apresentadas, esse percentual só fica abaixo do valor registrado para a afirmativa 4 (controle social), que foi igual a 53%. Os ‘professores DT’ correspondem a 52% das respostas ao item, e 71% das respostas em branco são dos professores desse segmento. De modo geral, o objetivo CTS mais expressivo nas respostas aponta para a ACT, embora algumas estejam relacionadas à formação para a cidadania. (Aluno) Afirmativa 8: Durante seu curso, são abordadas as implicações sociais da Tecnologia (consequências e impactos). (Professor) Afirmativa 8: Você aborda as implicações sociais da Tecnologia (consequências e impactos) em sua disciplina. Cite uma situação. A compreensão da dimensão social da Tecnologia, desde o ponto de vista dos seus antecedentes sociais às suas consequências sociais e ambientais, constitui a ideia central dessa afirmativa. Nesse sentido, pretende-se questionar os modelos e valores do desenvolvimento tecnológico na sociedade com vistas a formar cidadãos aptos a opinar e avaliar as tecnologias. O Gráfico 8 mostra um resultado diferente ao verificado para a afirmativa anterior. Segundo a percepção de 42% dos alunos o tema da afirmativa é abordado ‘com frequência’ e ‘sempre’ durante o curso; para 28% deles ‘às vezes’ o assunto é tratado e outros 26% afirmam ‘nunca’ e ‘raramente’. Não responderam 4% da amostra. Resultados semelhantes são observados para os professores. A maioria deles (57%) confirma abordar ‘com frequência’ e ‘sempre’ as implicações sociais da tecnologia com seus alunos, 16 professores (25%) assumem que ‘às vezes’ isso é possível, e apenas 11 (17%) afirmam ‘nunca’ e ‘raramente’. Somente 1% não respondeu. Os percentuais apresentados permitem confirmar a tendência do ensino praticado na instituição, isto é, abordagens da Tecnologia, suas práticas e aplicações sobressaem nos cursos ofertados na escola. 127 O Gráfico 8 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 8. Gráfico 8 – Respostas da Questão 8 Fonte: Elaborado pela autora. As respostas qualitativas de alunos e professores ao item da afirmativa convergem e expressam a abordagem de temas predominantemente relacionados com as interações entre a Tecnologia e a Sociedade. Nessa ênfase, os professores discutem com seus alunos os usos da tecnologia e seus reflexos no comportamento humano e social, nas necessidades de consumo da população em relação aos aparelhos celulares e produtos eletrônicos, na inacessibilidade à internet por alguns setores da sociedade, na utilização de transgênicos na alimentação, entre outros. Alguns professores discutem sobre o desenvolvimento social associado aos problemas ambientais e à exploração de recursos naturais, e sobre as contribuições dos cientistas e os referenciais históricos, relacionando o conhecimento a situações do cotidiano. Ao estudarem um conteúdo específico, eles discutem sobre o uso de energias renováveis na sociedade. O item da afirmativa foi respondido por 64% dos alunos. Entre eles, 59% são ‘alunos não META’ e 41% ‘alunos META’. Não responderam 78% dos ‘alunos META’ e 22% dos ‘alunos não META’. O envolvimento e o interesse dos ‘alunos não META’ em responderem ao questionário é uma tendência que vem se confirmando. Um 128 pouco mais da metade dos professores (52%) respondeu ao item, entre estes, 60% são ‘professores DT’, e 65% daqueles que não responderam corresponde aos ‘professores DT’. Essa também é uma tendência até então é observada. Os procedimentos didático-pedagógicos mais expressivos nas respostas são as ‘aulas’, ‘debates/seminários’ e ‘trabalhos escolares’. Nos ‘projetos de pesquisa’ os professores orientam seus alunos a privilegiar o aumento da qualidade de vida do usuário e a redução do desperdício. Por fim, identificamos nas respostas uma correlação com os objetivos CTS da ACT e com a formação para a cidadania. (Aluno) Afirmativa 9: São discutidas questões ambientais relacionadas com a Ciência e a Tecnologia, tais como o consumismo, o esgotamento de recursos naturais e os problemas decorrentes da geração, tratamento e destinação de resíduos. Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 9: Você discute questões ambientais relacionadas com a Ciência e a Tecnologia, como o consumismo, o esgotamento de recursos naturais e os problemas decorrentes da geração, tratamento e destinação de resíduos, etc. Cite uma situação. A afirmativa vincula-se a um tema global e de natureza ambiental. Segundo Merryfield (1991), citado por Santos e Mortimer (2002), os temas globais são caracterizados por afetar a vida das pessoas em várias partes do mundo e por não serem passíveis de compreensão ou tratamento adequado somente em contextos local ou nacional. No mesmo artigo de Santos e Mortimer (2002, p. 10), os autores citam vários temas que poderiam ser discutidos no contexto brasileiro, entre eles, “o destino do lixo e o impacto sobre o ambiente, o que envolveria reflexões sobre hábitos de consumo na sociedade tecnológica”. Nesse sentido, o tema proposto na afirmativa pode também contribuir para a formação da cidadania. Segundo a percepção de 48% dos alunos em seus cursos as questões ambientais relacionadas com a Ciência e Tecnologia são discutidas ‘com frequência’ e ‘sempre’. Para 25%, ‘nunca’ e ‘raramente’, e às vezes’ é também a opção escolhida para igual percentual de alunos. Apenas 2% dos alunos não responderam. Para 60% dos professores discussões sobre esses assuntos acontecem ‘com frequência’ e ‘sempre’, 25% deles afirmam ‘às vezes’ e 15% assumem “nunca” e 129 “raramente” realizarem discussões sobre questões ambientais relacionadas com a Ciência e a Tecnologia (Gráfico 9). Esses índices se assemelham aos apresentados para a afirmativa 3 (temas socioambientais relevantes). O Gráfico 9 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 9. Gráfico 9 – Respostas da Questão 9 Fonte: Elaborado pela autora. É interessante notar os posicionamentos assumidos pelos professores. Os posicionamentos oscilam entre uma opção e outra da escala e apresenta um pico na opção ‘sempre’, assinalada por 36% dos professores, ou seja, 23 professores da amostra. Esse dado chamou-nos a atenção e para nossa surpresa constatamos que essa opção foi assinalada principalmente por ‘professores DT’. Esses professores correspondem a 61% (14 professores) dentre os que assinalaram essa opção e os cursos técnicos onde atuam são diversos (9 cursos). Dentre os 14 professores, 4 lecionam no curso de Eletrônica, nos cursos de Química e Edificações, 2 professores em cada e nos demais 1 professor por curso. Em consulta ao PPI 20052010 (CEFET-MG, 2005), constatamos que na descrição e no perfil dos egressos dos 3 cursos que mais se destacam existe a preocupação com a destinação correta de resíduos provenientes da área em que atuam. Nas afirmativas do questionário 130 que solicitam exemplos de disciplinas, as dos cursos de Química e de Edificações são citadas pelos alunos, o que vem a corroborar esses resultados. A tendência apresentada pelo gráfico se confirma nos temas das respostas ao item da afirmativa. Além das questões ambientais expressas na pergunta, os professores discutem em suas ‘aulas’ outras questões a elas relacionadas, como reciclagem, compostagem orgânica, chuva ácida, tratamento e recursos naturais, energias renováveis, combustíveis fósseis, substâncias tóxicas etc. Eles estabelecem relações entre as questões ambientais inseridas no contexto do exercício profissional e nos processos e produtos próprios da prática tecnológica, como equipamentos, sistemas microprocessados e produtos químicos. Os ‘projetos de pesquisa’ são ancorados em preocupações com a sustentabilidade. Desse modo, há uma preocupação dos professores em desenvolver nos alunos a consciência e a sensibilidade socioambiental no exercício da profissão. A leitura e a produção de textos, projeção de filmes sobre o tema e as informações obtidas na mídia servem de pretexto para os professores abordarem as questões ambientais relacionadas com a Ciência e a Tecnologia. Nesse sentido, os professores possibilitam o desenvolvimento de capacidades para os alunos questionarem e refletirem sobre os modelos e valores do desenvolvimento científico e tecnológico da sociedade atual. Os alunos também percebem que em palestras e feiras/mostras científicas essas discussões se fazem presentes. A preocupação com a formação para a cidadania é um traço marcante na maioria das respostas, seguida pela preocupação em oferecer uma alfabetização científica e tecnológica sólida. O percentual de respostas ao item corresponde a 75 % dos alunos e a maioria (53%) foi respondida por ‘alunos não META’. Entre os 25% que não responderam, os ‘alunos Meta’ correspondem a 77%. Constata-se nos ‘alunos não META’ um maior envolvimento com o tema proposto na afirmativa. Quanto aos professores, o item foi respondido por 59% dos professores, a maioria (59%) das respostas é de ‘professores DT’, assim como a maioria que não respondeu (70%) corresponde aos professores que lecionam disciplinas técnicas. 131 (Aluno) Afirmativa 10: São debatidas as relações entre as condições sociais e ambientais futuras com os desenvolvimentos presentes da Ciência e Tecnologia. Em quais disciplinas? Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 10: Você debate as relações entre as condições sociais e ambientais futuras com os desenvolvimentos presentes da Ciência e da Tecnologia. Cite uma situação. Essa é uma afirmativa que acolhe em seu cerne os interesses fundamentais que se situaram na origem do movimento CTS nos Estados Unidos, ou seja, preocupações com as consequências sociais e ambientais do desenvolvimento científico e tecnológico. Segundo Cruz e Zylbersztajn (2001), tais preocupações se referiam à tecnologia a serviço da indústria armamentista, à proliferação da energia nuclear e ao risco causado pelo uso de pesticidas, como o DDT. Debater sobre esses assuntos implica em desenvolver nos alunos posicionamentos críticos e formação de opinião sobre os rumos que a Ciência e a Tecnologia assumem em nossa sociedade. Nessa perspectiva pode-se fortalecer o exercício para a cidadania. O Gráfico 10 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 10. Gráfico 10 – Respostas da Questão 10 Fonte: Elaborado pela autora. O Gráfico 10 mostra haver uma dispersão nos posicionamentos assumidos por alunos e professores: 34% dos alunos consideram ‘com frequência’ e ‘sempre’, e 132 33% assinalaram a opção ‘às vezes’. Segundo 30% dos alunos ‘nunca’ e ‘raramente’ assuntos relacionados ao tema da afirmativa são debatidos em seus cursos. Não responderam 3% da amostra. Quanto aos posicionamentos dos professores, embora menos da metade (40%) admitem que ‘sempre’ e ‘com frequência’ realizam esses debates com seus alunos, para 32% ‘nunca’ e ‘raramente’ eles o fazem. E, 28% assinalaram que “às vezes” isso acontece. Constata-se que as percepções de alunos e professores convergem e parecem sinalizar que o tema proposto na afirmativa não é discutido com a intensidade adequada. As disciplinas que em algum momento realizam debates sobre o assunto são praticamente as mesmas já citadas anteriormente em outras afirmativas. Há predominância das disciplinas da área de Ciências Humanas (Geografia, História e Sociologia), seguida pelas da área de Ciências da Natureza (Biologia é a mais lembrada pelos alunos, Física, Química). Em Linguagens, são citadas as disciplinas Português e Redação. Quanto às disciplinas específicas dos cursos, as mais citadas são Ecologia Aplicada, Educação Ambiental, Gestão da Qualidade do Ar, Gestão de Resíduos Sólidos (curso de Meio Ambiente), Controle e Automação, Banco de Dados, Empreendedorismo (curso de Informática) e Química Orgânica, Processos Industriais, Química Inorgânica (curso de Química). Entre os 67% que responderam a esse item, 56% são de ‘alunos não META’. A maioria dos alunos que não respondeu (75%) refere-se aos ‘alunos META’. No outro item, as situações em que acontece a abordagem do tema proposto na afirmativa são nas ‘aulas’, em ‘debates/seminários’, na realização e apresentação de ‘trabalhos/pesquisas escolares’ e no desenvolvimento de ‘projetos de pesquisa’. Segundo a percepção dos alunos, em visitas técnicas, pesquisas de campo, palestras, feiras de ciências e na projeção de filme, o tema em questão está presente. Os temas das respostas são frequentes em cursos CTS e referem-se ao meio ambiente e poluição, desenvolvimento humano, legislação ambiental, trabalho e automação industrial, conjuntura sociopolítica, recursos naturais, energia e resíduos. Há preocupação em discutir o aspecto cultural da prática tecnológica, porém, alguns professores se limitam a discutir apenas o aspecto técnico. Este item foi respondido por 61% dos alunos, sendo que 56% são ‘alunos não META’, e entre aqueles que não responderam 72% correspondem aos ‘alunos 133 META’. Quanto aos professores, menos da metade (44%) respondeu ao item e, 61% das respostas são de ‘professores DT’. Surpreende o fato de 56% dos professores não responderem ao item, sendo que 64% são ‘professores DT’. Ao mesmo tempo em que professores de disciplinas técnicas demonstram estar mais envolvidos em debater com seus alunos as condições socioambientais presente/futuro, a maioria deles não explicita uma situação em que isso pode vir a acontecer em suas práticas docentes. O índice de professores que não respondeu confirma, em certa medida, o cenário mostrado nos dados quantitativos. Identifica-se nas respostas uma preocupação com a formação para uma cidadania reflexiva e passiva, ou seja, uma cidadania que ainda permanece no nível da intenção e desenvolvimento de consciência socioambiental dos alunos. A ACT é identificada em algumas respostas. (Aluno) Afirmativa 11: Sua aprendizagem se estende para além da aula e da escola. Como você percebe isso? Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 11: Você procura mostrar para seus alunos que a aprendizagem se estende para além da aula e da escola. Cite uma situação. Essa afirmativa se baseia em uma das onze características ou estratégias dos programas de CTS listadas na edição 1990-1991 do “Handbook da NSTA”, citado por Cruz e Zylbersztajn (2001). Assim como essa característica, as demais também se vinculam à essência da definição de CTS dada por Yager (2013b, p. X): “CTS é o ensino e a aprendizagem de Ciência-Tecnologia no contexto da experiência humana”. O Gráfico 11 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 11. 134 Gráfico 11 – Respostas da Questão 11 Fonte: Elaborado pela autora. É clara a concordância da maioria dos alunos e professores com o que está expresso na afirmativa. Apenas 5% dos alunos responderam ‘nunca’ e ‘raramente’, 19% consideram que o aprendizado ‘às vezes’ extrapola os muros da escola, e 75% dos alunos percebem que isso acontece ‘com frequência’ e ‘sempre’ em suas vidas. Apenas 1% não respondeu. O compromisso assumido por 92% dos professores em mostrar ‘com frequência’ e ‘sempre’ que a aprendizagem ultrapassa os muros da escola é evidente. Para 6%, a opção escolhida é ‘às vezes’, e apenas 2% admitem ‘nunca’ e ‘raramente’ (Gráfico 11). Em função da estrutura da afirmativa, as respostas dos alunos de modo geral expressam opiniões, motivações e posicionamentos em relação ao envolvimento deles em experiências e assuntos que estão diretamente associados com suas vidas. Desse modo, na maioria das respostas identifica-se a aplicação do conhecimento em situações do cotidiano e da profissão. Os professores preocupamse em desenvolver nos alunos a formação de opinião e o senso crítico, para eles pensarem criticamente e analiticamente sobre problemas sociais, incentivam a ampliação do conhecimento adquirido na escola e a continuar estudando para mudarem a forma de ver o mundo. Eles procuram, ainda, desenvolver nos alunos atitudes e valores direcionados às ações cidadãs ao discutir situações relacionadas ao consumo consciente de produtos, de energia e de preservação ambiental. 135 Nas ‘aulas’ acontecem discussões que se referem às relações entre teoria e prática, exemplos de como aplicar o conhecimento no dia a dia e na profissão. Nos ‘trabalhos escolares’ e ‘projetos de pesquisa’, os professores incentivam e valorizam a produção autoral. Os trabalhos de campo, palestras e eventos da área dos cursos são empregados e incentivados pelos professores como estratégias para mostrar aos alunos que a aprendizagem acontece em outros contextos. No primeiro item da afirmativa (‘como você percebe isso?’), 82% dos alunos responderam, 51% correspondem aos ‘alunos META’ e, dentre aqueles que não responderam, 71% também são ‘alunos META’. O segundo item (‘cite uma situação’) foi respondido por 73% dos alunos da amostra e, dentre os que responderam, 53 % são ‘alunos não META’. Do percentual que não respondeu 74% corresponde aos ‘alunos META’. A maioria dos professores (66%) respondeu ao item da afirmativa e 60% das respostas foi dada por ‘professores DT’. Dentre aqueles que não responderam 68% corresponde aos professores desse segmento. A formação para a cidadania associada à ACT é identificada nas respostas aos itens e expressa a preocupação dos professores em mostrar para seus alunos que o conhecimento possibilita novos horizontes, entendimentos e posicionamentos diante do mundo. (Aluno) Afirmativa 12: O processo de aprendizagem que você vivencia proporciona o desenvolvimento de sua autonomia para resolver seus próprios problemas. Como você percebe isso? Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 12: Você procura estimular em seus alunos, a partir do processo de ensino e aprendizagem, o desenvolvimento de autonomia, para que eles consigam resolver seus próprios problemas. Cite uma situação. A afirmativa está relacionada a duas características ou estratégias dos programas de CTS citadas no artigo de Cruz e Zylbersztajn (2001). Uma delas refere-se à aquisição de habilidades necessárias para os estudantes resolverem seus próprios problemas, e a outra vincula-se à primeira e diz respeito ao desenvolvimento da autonomia. Ambas apontam para uma aprendizagem que seja substantiva e significativa, capaz de possibilitar aos alunos aplicar o conhecimento adquirido na escola e em experiências de vida. 136 O Gráfico 12 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 12. Gráfico 12 – Respostas da Questão 12 Fonte: Elaborado pela autora. O resultado é muito semelhante ao da afirmativa anterior, ou seja, as percepções dos sujeitos pesquisados convergem. A maioria dos alunos, 74%, percebe que o ensino ‘com frequência’ e ‘sempre’ lhes proporciona o desenvolvimento de autonomia para resolver seus problemas e 82% dos professores acreditam ajudá-los nesse sentido. Segundo 16% dos alunos ‘às vezes’ isso é proporcionado pela aprendizagem adquirida na escola e 9% dos professores assumem que ‘às vezes’ eles estimulam em seus alunos o desenvolvimento de autonomia. Apenas 9% dos alunos e 8% dos professores assinalaram as opções ‘nunca’ e ‘raramente’. Não responderam 1% dos alunos e professores (Gráfico 12). Esses índices parecem sinalizar para um processo de ensino e aprendizagem que busca equipar os alunos com um conjunto de competências e habilidades para eles serem capazes de fazer uma leitura atenta da realidade social e, desse modo, agirem com responsabilidade frente aos seus próprios problemas. As respostas aos itens da afirmativa, em geral, apresentam um espectro amplo em termos da autossuficiência e autonomia desenvolvidas e adquiridas. A preocupação em ajudar no desenvolvimento da autonomia do aluno é uma atitude 137 cidadã que ultrapassa a própria prática docente voltada para o desenvolvimento do domínio cognitivo de seus alunos e se estende ao desenvolvimento de competências de natureza afetiva e de intervenção social. Nesse sentido, o estímulo à autonomia vincula-se ao interesse demonstrado pelos professores em desenvolver nos alunos capacidades para a formação de opinião e senso crítico. Eles são incentivados a fazerem perguntas em sala, são dadas oportunidades para eles manifestarem suas opiniões e liberdade para apresentarem ideias. Os professores orientam seus alunos a tomar decisões e encontrar soluções para problemas propostos no contexto escolar e no cotidiano, incentivando-os a ampliar seus conhecimentos, a valorizar a produção autoral, a interatividade e a cooperação com seus colegas. Os professores privilegiam as ‘aulas’ como o espaço para essas orientações acontecerem. Contudo, os ‘trabalhos escolares’ e os ‘projetos de pesquisa’ realizados em equipe também configuram situações didático-pedagógicas propícias ao desenvolvimento da autonomia dos estudantes. Assim como os trabalhos de campo, o estágio, o incentivo à participação em eventos científicos e culturais, a criação de vídeos e, até mesmo, o modo como o professor utiliza o livro didático para discutir questões são consideradas estratégias didático-pedagógicas importantes para auxiliar no desenvolvimento da autonomia. Em síntese, essas intenções acentuam formas de construir a cidadania, priorizando comportamentos e atitudes, sem subestimar o conhecimento. Do total de estudantes da amostra, 79% responderam ao primeiro item (‘como você percebe isso?’), sendo 52% de respostas atribuídas aos ‘alunos não META’, e dentre os que não responderam 79% são ‘alunos META’. O segundo item (‘cite uma situação’) apresenta resultado similar: 68% dos alunos responderam, dentre eles, 54% são ‘alunos não META’, e 72% das respostas em branco corresponde aos ‘alunos META’. Responderam ao item 55% dos professores da amostra. As respostas dos ‘professores DT’ correspondem a 54% e dentre aqueles que não responderam 72% também são ‘professores DT’. Nas respostas identificamos vários objetivos CTS, sendo a ACT e a formação para a cidadania os mais expressivos. 138 (Aluno) Afirmativa 13: A formação acadêmica adquirida permite a você lidar com temas relacionados com Ciência e Tecnologia em sua vida cotidiana. (Professor) Afirmativa 13: Você cria oportunidades para seus alunos lidarem com temas relacionados com a Ciência e Tecnologia em sua vida cotidiana. O Gráfico 13 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 13. Gráfico 13 – Respostas da Questão 13 Fonte: Elaborado pela autora. A afirmativa relaciona-se ao desafio que se coloca ao ensino de Ciências: “preparar os estudantes a lidarem com sucesso com Ciência e Tecnologia nas suas próprias vidas cotidianas” (CRUZ; ZYLBERSZTAJN, 2001, p. 174). Tal desafio implica em incluir nos currículos da Educação Básica conteúdos que permitem contextualizar mais socialmente o ensino de Ciências. Isso significa formar estudantes que estejam preparados para desenvolver-se em um mundo impregnado por desenvolvimentos científicos e tecnológicos, para que sejam capazes de adotar atitudes responsáveis e tomar decisões fundamentadas. Na percepção de 72% dos alunos a formação adquirida ‘com frequência’ e ‘sempre’ os prepara para se desenvolver e lidar com Ciência e Tecnologia em suas vidas; enquanto 21% consideram ‘às vezes’, outros alunos (6%) afirmam ‘nunca e 139 ‘raramente’ e 1% não respondeu (Gráfico 13). Entretanto, esse cenário é conflitante com os apresentados nas afirmativas 4 (controle social), 5 (interações CTS) e 7 (implicações sociais da Ciência). Essas três afirmativas têm como ideia central o desenvolvimento de posicionamentos e atitudes para o exercício responsável da cidadania. Consideradas as respostas dos estudantes a essas três afirmativas, as quais mostram fragilidades relacionadas ao exercício da cidadania, a percepção apresentada nessa afirmativa é contraditória. Quanto aos professores, 54% afirmam que ‘com frequência’ e ‘sempre’ são criadas oportunidades para os alunos lidarem em suas vidas com temas relacionados à Ciência e Tecnologia. Segundo 33% dos professores, ‘às vezes’ isso acontece e, para 13% dos professores, ‘nunca’ e ‘raramente’ isso é possível (Gráfico 13). Esses índices, em princípio, parecem contradizer os apresentados para a afirmativa 4 (controle social). Sob a ótica da importância de se discutir com os alunos o controle social sobre as inovações científicas e tecnológicas, é de se esperar que, nas oportunidades criadas pelos professores para os alunos lidarem com a Ciência e Tecnologia em suas vidas cotidianas, tal discussão esteja presente. Essa discussão nos parece necessária, principalmente para um aluno que estuda em uma escola de formação técnica e que, no futuro, poderá atuar em setores da sociedade que demandam posicionamentos em decisões importantes relacionadas à Ciência e Tecnologia. Entretanto, se desconsiderarmos os vínculos entre as duas afirmativas (4 e 13), os posicionamentos dos professores apontam para um ensino orientado para a contextualização e a formação mais ampla, no sentido de capacitar os alunos para aplicar o conhecimento na compreensão e resolução de problemas cotidianos. Nesse caso, suas intenções estão em sintonia com as orientações da instituição e relacionam-se aos desafios que se colocam ao ensino de Ciências com enfoque CTS. (Aluno) Afirmativa 14: A formação acadêmica adquirida permite a você atuar com embasamento nos processos que envolvem tomadas de decisões cotidianas e profissionais. Cite uma situação. 140 (Professor) Afirmativa 14: Você procura mostrar aos seus alunos como a formação acadêmica adquirida possibilita atuar com embasamento nos processos que envolvem tomadas de decisões cotidianas e profissionais. Cite uma situação. Essa afirmativa está de certo modo em consonância com a afirmativa 12. O ensino deve possibilitar o desenvolvimento da autonomia e autossuficiência para os alunos tomarem decisões no âmbito profissional e cotidiano. Nesse sentido, está implícita a necessidade de se compreender as aplicações dos conhecimentos adquiridos e considerá-los nas ações que podem ser desencadeadas pela utilização dos mesmos. O Gráfico 14 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 14. Gráfico 14 – Respostas da Questão 14 Fonte: Elaborado pela autora. Os posicionamentos de alunos e professores são bastante convergentes. Para 58% dos alunos a formação acadêmica adquirida ajuda-os ‘com frequência’ e ‘sempre’ a tomar decisões cotidianas e profissionais e 66% dos professores afirmam se empenharem nesse sentido. Na percepção de 24% dos alunos e 21% dos professores a opção assinalada é ‘às vezes’. E ‘nunca’ e ‘raramente’ são as opções escolhidas por 11% dos alunos e 13% dos professores. Não responderam 7% dos alunos (Gráfico 14). Esses índices indicam comprometimento dos professores em 141 ancorar o conhecimento adquirido pelos alunos ao desenvolvimento de capacidades para que eles busquem informação sobre os problemas cotidianos ou profissionais, selecionem as informações relevantes e necessárias a cada situação e, por fim, resolva-os criticamente. Ou seja, a tomada de decisão requer transformar atitudes, habilidades e valores em ação, conforme assinalam Santos e Mortimer (2001). Nas respostas ao item da afirmativa, identificamos que os professores procuram desenvolver nos alunos atitudes para resolver problemas do dia a dia, tomar decisões no contexto escolar e profissional através de exemplos que ilustram situações que envolvem custo/benefício, viabilidade técnica, econômica e segurança em projetos. Alguns professores incentivam o desenvolvimento de atitudes voltadas para a participação social e política, bem como para a formação de opinião e senso crítico. Alguns temas sobre meio ambiente, biossegurança, transgênicos, entre outros, são discutidos em ‘aulas’ e sugerem a intenção em desenvolver nos alunos consciência ambiental para a sustentabilidade. A autonomia para decidir etapas durante a realização de projetos é estimulada. Os professores também utilizam exemplos pessoais relacionados à profissão para orientar os alunos na tomada de decisões. Enquanto o item da afirmativa (‘cite uma situação’) foi respondido por mais da metade dos alunos (64%), menos da metade dos professores (45%) respondeu. O fato da maioria dos professores não responder ao item de certo modo confirma os posicionamentos por eles assumidos na afirmativa 4 (controle social). Discutir com os alunos a importância do controle social sobre as inovações da C&T implica em incentivar o exercício da cidadania e, por consequência, tomar decisões acertadas no âmbito da vida pessoal e profissional. Desse modo se confirma a fragilidade do ensino no que diz respeito à formação para uma cidadania ativa. O percentual de ‘alunos não META’ que respondeu corresponde a 56% das respostas. O índice de ‘alunos META’ que não respondeu é de 73%. Dentre as respostas ao item, 45% correspondem às dos ‘professores DT’ e 69% daqueles que não responderam são ‘professores DT’. Identificamos nas respostas correlações com os objetivos CTS da tomada de decisão; mudança de hábitos, atitudes e valores e, o da ACT. 142 (Aluno) Afirmativa 15: Sua formação permite colaborar na solução dos problemas da sua comunidade. Cite uma situação. (Professor) Afirmativa 15: Você procura mostrar aos seus alunos como a formação acadêmica possibilita colaborar na solução dos problemas da comunidade onde eles vivem. Cite uma situação. O Gráfico 15 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 15. Gráfico 15 – Respostas da Questão 15 Fonte: Elaborado pela autora. Segundo destacam Acevedo et al. (2005, p. 7), devemos ter consciência sobre os objetivos da educação científica que desejamos imprimir aos nossos alunos com vistas a capacitá-los a tomar decisões em suas vidas e na sociedade. Por exemplo, se o que se pretende é educar para tomar melhores decisões cívicas no mundo atual – educação para a participação na sociedade civil –, possivelmente é mais importante conhecer os aspectos da natureza da tecnociência que os da ciência acadêmica, pois, sem dúvida, a primeira é a que mais afeta a sociedade; para pequenas decisões da vida cotidiana, certamente é essencial uma melhor compreensão da natureza correspondente à tecnologia do tipo menos sofisticado; para satisfazer necessidades estéticas pessoais, poderia ser mais interessante o conhecimento da natureza da ciência acadêmica. Santos e Schnetzler (2010), ao comentarem sobre a participação ativa do individuo na sociedade, argumentam que a formação para a ação social deve 143 procurar desenvolver nos alunos o interesse pelos assuntos e problemas comunitários com o objetivo de fazê-los assumir uma postura de comprometimento, para pensar e buscar de forma conjunta a solução para os problemas e necessidades existentes. Isso, segundo Santos e Mortimer (2001), inclui preparar o aluno para que ele se sinta capaz de provocar mudanças sociais na busca de melhor qualidade de vida para toda a população. Diante dessas ideias, o que nos revela os posicionamentos assumidos pelos alunos e professores? Na percepção de 34% dos alunos, a formação adquirida permite colaborar ‘com frequência’ e ‘sempre’ na solução de problemas da comunidade. Entretanto, 31% assinalaram ‘às vezes’, e 33% consideraram ‘nunca’ e ‘raramente’. Apenas 2% dos alunos não responderam (Gráfico 15). Esses índices apontam para a necessidade de mudar a forma como os conteúdos científicos e tecnológicos são abordados para que seja possível desenvolver nos alunos uma cultura de participação na sociedade. Ao contrário dos alunos, os posicionamentos dos professores tendem para o compromisso de mostrar como a formação acadêmica adquirida pode ajudá-los a colaborar na solução dos problemas da comunidade onde eles vivem. Para 55% dos professores, ‘com frequência’ e ‘sempre’ são as opções assinaladas. Segundo 22%, ‘às vezes’ isso pode ser mostrado, e 23% admitem que “nunca” e “raramente” essa possibilidade acontece (Gráfico 15). Alunos e professores caminham em uma via de mão dupla, cada um ocupando uma faixa. Se de um lado professores parecem se empenhar para a formação cidadã de seus alunos, por outro lado os alunos não conseguem aplicar o conhecimento adquirido em ações na comunidade em que vivem. No entanto, quando se analisa as respostas dos alunos ao item da afirmativa, eles demonstram atitudes voltadas para o exercício de uma cidadania solidária, ativa, para a sustentabilidade e responsabilidade social, ao aplicarem o conhecimento em situações do cotidiano e no contexto profissional. Há uma preocupação em propor ações para a comunidade que visam mudanças de hábitos; em desenvolver e construir equipamentos de utilidade pública; em ter atitudes solidárias e de cooperação; opinar, expor ideias e participar de manifestações coletivas. 144 Contudo, vale ressaltar que apenas 52% dos alunos responderam ao item, sendo que a maioria das respostas é atribuída aos ‘alunos não META’ e 65% dos alunos que não responderam são ‘alunos META’. O item foi respondido por 53% dos professores e os ‘professores DT e DG’ colaboraram em igual proporção. Porém, entre aqueles que não responderam, 77% são ‘professores DT’. Os professores discutem em suas ‘aulas’ questões relacionadas a problemas em níveis local e global, como lixo, enchentes, energia, saúde, educação, renda. Em ‘projetos de pesquisa’ os alunos são orientados a trabalhar a partir de problemas reais que envolvem a comunidade onde vivem. Cabe destacar que os ‘trabalhos de campo’ são realizados na comunidade dos alunos. Para que a formação adquirida pelo aluno auxilie-o de fato na solução dos problemas da comunidade onde ele vive, é preciso desenvolver práticas pedagógicas pautadas na relação dialógica entre os alunos e entre os alunos e o professor. É pela mediação do conhecimento e da comunicação dialógica entre esses sujeitos que o saber se clarifica e passa a ter significado para o aluno. Nesse processo é possível, através de uma articulação de duplo sentido, fazer com que as necessidades e experiências vivenciadas pelo aluno na escola e na comunidade onde ele vive, possam transitar do individual para o coletivo. Ou seja, devemos abrir caminhos e espaços para o aluno ter liberdade de trazer para dentro da escola as necessidades de sua comunidade. E cabe à escola guarnecer o aluno, através de conhecimento significativo, para ele saber transformar esse conhecimento em ações efetivas e práticas na sua comunidade. Em que pese o fato de os índices apontados no gráfico e no número de respostas ao item indicarem uma fragilidade na formação para a cidadania, alunos e professores expressaram claramente suas intenções. Diante disso, o objetivo CTS evidenciado na maioria das respostas é o a da formação para a cidadania. (Aluno) Afirmativa 16: A formação adquirida na instituição contribui para torná-lo um sujeito crítico, consciente de seus direitos e deveres individuais e sociais. 145 (Professor) Afirmativa 16: Você procura contribuir para a formação de seu aluno de modo a torná-lo um sujeito crítico, consciente dos seus direitos e deveres individuais e sociais. A ideia central dessa afirmativa reside na formação para a cidadania e na responsabilidade social associada a atitudes e normas de conduta na sociedade. Conscientizar os alunos de seus direitos e deveres individuais e sociais pressupõe, dentro da concepção de cidadania, a educação para o conhecimento e para o exercício dos direitos e deveres. Isso acontece “mediante o desenvolvimento da capacidade de julgar, de discernir, de tomar decisão, sobretudo em uma sociedade democrática” (SANTOS; SCHNETZLER, 2010, p. 36). Nesse sentido, a alfabetização científica e tecnológica no contexto CTS pode auxiliar o aluno a se tornar mais crítico para tomar decisões mais refletidas sobre questões científicas e tecnológicas de interesse pessoal e social, bem como a se conscientizar de seu papel na sociedade. O Gráfico 16 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 16. Gráfico 16 – Respostas da Questão 16 Fonte: Elaborado pela autora. 146 Os posicionamentos de alunos e professores são convergentes. A maioria dos alunos (79%) e dos professores (81%) assinalou ‘com frequência’ e ‘sempre’. De um lado os alunos percebem que a formação adquirida na instituição contribui para torná-los sujeitos críticos, conscientes de seus direitos e deveres individuais e sociais e de outro, os professores manifestam contribuir nesse sentido. Apenas 4% dos alunos e 3% dos professores consideraram ‘nunca’ e ‘raramente’; ‘às vezes’ foi manifestado por 14% dos alunos e 16% dos professores, e 3% dos alunos não responderam (Gráfico 16). No entanto, da comparação entre as respostas às afirmativas 4 (controle social), 5 (interações CTS), 7 (implicações sociais da Ciência), 13 (C&T no cotidiano), 14 (tomada de decisão) e 15 (problemas da comunidade) com essa afirmativa pode-se inferir que há uma contradição nas percepções apresentadas pelos estudantes e professores. As ideias suscitadas nessas afirmativas são fundamentadas na formação para o exercício da cidadania. Como tornar-se um sujeito crítico, consciente de seus direitos e deveres individuais e sociais e não ter clareza sobre seu papel no controle social sobre as inovações científicas e tecnológicas, sobre as interações CTS e as implicações sociais da Ciência, a lidar com a C&T no cotidiano, a tomar decisões e ajudar a resolver problemas na comunidade? Esse sujeito crítico se atém apenas à esfera dos interesses pessoais? (Aluno) Afirmativa 17: Nas disciplinas cursadas, seus professores seguem o livro didático. (Professor) Afirmativa 17: Você trabalha o conteúdo de sua disciplina utilizando o livro didático. As escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 17 estão representadas no Gráfico 17. Alunos e professores divergem em seus posicionamentos quanto ao uso do livro didático (LD). Segundo os alunos o LD é muito utilizado nas disciplinas cursadas. Enquanto 79% dos alunos escolheram as opções ‘com frequência’ e ‘sempre’; ‘às vezes’ foi a opção assinalada por 14% deles e apenas 4% afirmaram que o LD ‘nunca’ e ‘raramente’ é utilizado por seus professores. Não responderam 3% (Gráfico 17). 147 Gráfico 17 – Respostas da Questão 17 Fonte: Elaborado pela autora. Quanto aos professores constata-se que um pouco menos da metade (49%) faz uso do LD ‘com frequência’ e ‘sempre’. Os professores que escolheram a opção ‘às vezes’ correspondem a 26% da amostra. Por fim, a opção ‘nunca’ e ‘raramente’ foi assinalada por 25% dos professores (Gráfico 17). Ao analisarmos os posicionamentos assumidos pelos professores de maneira geral podemos afirmar que há uma tendência quanto ao uso do LD nas aulas. Os alunos parecem confirmá-la. Em princípio esse resultado parece contradizer resultados de afirmativas anteriores tendo em vista elas se referirem ao fato de acontecerem ou não discussões sobre assuntos que envolvem a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade. Se as discussões acontecem, como a maioria dos resultados apontam, qual é de fato o tempo destinado ao uso do LD nas aulas? Como ele é utilizado? Com qual objetivo? Na literatura encontramos alguns encaminhamentos que podem nos auxiliar a refletir sobre essas questões. Os posicionamentos dos professores de nossa amostra divergem com os resultados de uma pesquisa realizada com professores de Ciências de escolas públicas de diversas cidades da região de Campinas-SP, e relatados por Megid Neto e Fracalanza (2003). Segundo esses autores, é cada vez menor o uso do livro didático como manual pelo professor. Entretanto, seus 148 posicionamentos convergem com o que dizem outros autores ao constatarem que apesar dos avanços tecnológicos e da enorme variedade de materiais curriculares atualmente disponíveis no mercado, o LD continua sendo o recurso mais utilizado no ensino de ciências (ORLANDI, 2003; CARNEIRO et al., 2005). Luchesi (2004) refere-se ao LD como um meio no qual os conteúdos estão ordenados, cabendo ao professor assumir uma posição crítica frente ao que ali está exposto. É através dele que o professor organiza, desenvolve e avalia seu trabalho pedagógico de sala de aula. Para o aluno, o LD é um dos elementos determinantes da sua relação com a disciplina. Nesse sentido, para Silva e Carvalho (2004), o LD pode ser considerado um importante instrumento no processo educacional, tendo em vista que é um espaço em que as ideias são veiculadas, em que se transmite e se transfere conhecimentos dos mais diversos tipos, do senso comum ao conhecimento científico e tecnológico, conhecimentos ligados à difusão e perpetuação de valores, ideais e costumes, entre muitos outros. Dependendo da maneira com que ele é utilizado, pode constituir um instrumento capaz de contribuir para o desenvolvimento da autonomia, do senso crítico e de contra ideologia. Segundo Peruzzi et al. (2000) afirmam, o professor deve buscar no LD as contribuições que possibilitam a ele mediar a construção do conhecimento científico pelo aluno, para que este se aproprie da linguagem e desenvolva valores éticos, mediante os avanços da Ciência, que deve ser abordada de maneira contextualizada e socialmente relevante. Em relação aos livros de Ciências, Vasconcelos e Souto (2003) assinalam que eles têm uma função que os difere dos demais: a aplicação do método científico, estimulando a análise de fenômenos, o teste de hipóteses e a formulação de conclusões. Adicionalmente, o livro de Ciências deve propiciar ao aluno uma compreensão científica, filosófica e estética de sua realidade, oferecendo suporte no processo de formação dos indivíduos/cidadãos. Em levantamento das principais críticas a esse recurso de ensino, Carneiro, Santos e Mól (2005) destacam o tratamento unidirecional dos conteúdos, o 149 dogmatismo e a apresentação dos conhecimentos como prontos e sem possibilidade de questionamento. Merece destaque também o fato de os LD não potencializarem a investigação nem o contraste entre a educação escolar e a realidade extraescolar, dificultando a formação de atitude crítica do aluno. Embora não possamos afirmar como os professores e alunos de nossa amostra utilizam o LD e apesar das críticas quanto ao seu uso, concordamos com Carneiro, Santos e Mól (2005) quando afirmam que dependendo da forma como os professores o utilizam, seja com a função de informação, de estruturação e de organização da aprendizagem, ou ainda, como uma forma de guiar os alunos em sua apreensão do mundo exterior, em colaboração com outros conhecimentos adquiridos em outros contextos distintos do escolar, é importante utilizá-lo com uma visão crítica. “Por exemplo, um livro considerado ruim pode ser um excelente ponto de partida para as discussões desenvolvidas em sala de aula” (CARNEIRO; SANTOS; MÓL, 2005, p. 5). (Aluno) Afirmativa 18: Mídias impressas (revistas, jornais etc.) são utilizadas para abordar conteúdos das disciplinas. (Professor) Afirmativa 18: Você utiliza mídias impressas (revistas, jornais etc.) para abordar conteúdos de sua disciplina. Exemplifique. A utilização de mídias impressas em sala de aula para abordar os conteúdos das disciplinas pauta-se na ideia de contextualização dos conteúdos. Além disso, seu uso pode possibilitar o desenvolvimento do senso crítico dos alunos, abrindo caminho para que eles possam refletir, comparar e analisar as mais variadas fontes de informações adquiridas pelos meios de comunicação e transformá-las em conhecimentos. Nesse sentido, as mídias impressas, como os jornais, as revistas, entre outros, ao serem levados para a sala de aula, podem contribuir para uma formação voltada para a atuação competente do estudante no exercício da profissão, possibilitando-lhe capacidade crítica e argumentos necessários em decisões no âmbito profissional e pessoal. 150 Como afirma Anhussi (2009, p. 38), o uso do jornal em sala de aula estimula a curiosidade e a vontade de aprofundar os fatos pela leitura das diferentes versões e pontos de vista, aguça o interesse do aluno em buscar conhecimentos e estimula a investigação pela informação. Isso pode ser estendido a outras mídias impressas. No aspecto cognitivo, o jornal acompanha o desenrolar dos acontecimentos do dia, trazendo possibilidades de atualização de conhecimentos, novos posicionamentos, análise crítica, e, no aspecto da cidadania, o jornal representa sempre uma janela para o mundo que se abre diariamente. Ainda que existam veículos mais velozes do que ele, como a televisão e a internet, o tratamento dos fatos pela escrita exige um modo específico, mais reflexivo e seletivo de recepção. A partir desses horizontes, o leitor enxerga melhor as fronteiras da sua comunidade e compreende melhor os limites das suas participações e intervenções sociais. Exemplos de trabalhos desenvolvidos com a utilização de mídias impressas em sala de aula para abordar temas relacionados às interações CTS apresentaram resultados favoráveis ao aprendizado (VON LINSINGEN, 2007; GONÇALVES; CORNEJO, 2009; ANHUSSI, 2009; CARNEIRO; FARIA; SHUVARTZ, 2009; OLIVEIRA, 2010). Enfim, trabalhar em sala de aula com jornais, revistas e outras mídias impressas é sempre um modo de fazer o aluno participar de nosso tempo e de intervir na mudança do rumo dos acontecimentos. O Gráfico 18 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 18. 151 Gráfico 18 – Respostas da Questão 18 Fonte: Elaborado pela autora Analisando-se os dados representados no Gráfico 18 percebe-se que alunos e professores divergem em alguns de seus posicionamentos. Enquanto 45% dos professores assumiu utilizar mídias impressas em suas aulas para abordar conteúdos de suas disciplinas, apenas 25% dos alunos afirmaram ‘com frequência’ e ‘sempre’. A situação se inverte em relação à opção ‘às vezes’ assinalada por 37% dos alunos e 23% dos professores. E 34% dos alunos e 31% dos professores parecem concordar ao marcar as opções ‘nunca’ e ‘raramente’. Não responderam 4% dos alunos (Gráfico 18). Na resposta ao item (‘exemplifique’), entre os recursos visuais mais utilizados pelos professores em suas ‘aulas’, estão as revistas científicas, técnicas e de cultura geral; os jornais, reportagens e textos diversos, catálogos técnicos, de produtos e equipamentos, entre outros. Esses recursos, segundo os professores, cumprem o objetivo de complementar o conteúdo. Para registrar o conteúdo, são citadas as notas de aula. Para fomentar a discussão nos ‘debates/seminários’, são utilizados jornais, revistas de cultura geral sobre temas da atualidade, reportagens, textos diversos e projetos industriais. No desenvolvimento de ‘projetos de pesquisa’ os professores orientam seus alunos a buscar referências teóricas em revistas científicas e técnicas e também em jornais. Esse resultado contradiz o da afirmativa anterior (‘uso do LD’). Se os professores utilizam mídias impressas em níveis satisfatórios para abordar 152 conteúdos de suas disciplinas como então utilizar o LD com tanta frequência em suas aulas? Podemos inferir que os professores (25%) que responderam ‘nunca’ e ‘raramente’ quanto ao uso do LD em suas aulas, em certa medida influenciaram o resultado satisfatório da afirmativa 18. Por esse ângulo, os professores não se restringem apenas ao uso do LD e utilizam outros recursos didático-pedagógicos. O item foi respondido por 69% dos professores, sendo que 57% são ‘professores DT’. Entre os que não responderam 75% são ‘professores DT’. A utilização desses recursos é sugerida no PCNEM (BRASIL, 1999c) e no PCN+ (BRASIL, 2002) como forma de enriquecer o conteúdo estudado, estimular o debate e fazer com que os alunos desenvolvam capacidades de leitura e interpretação oriundas de diferentes formas textuais, bem como aprendam a argumentar e se posicionar frente a pontos de vista diferentes dos seus. Nesse mesmo sentido o PPI 2005-2010 (CEFET-MG, 2005) orienta para a utilização de práticas pedagógicas diversificadas que possibilitem a formação de um profissional com visão crítica e capacidade de avaliar e refletir sobre o conhecimento adquirido. (Aluno) Afirmativa 19: Durante as aulas de seu curso são utilizados materiais didáticos de apoio para abordar temas relacionados às interações Ciência, Tecnologia e Sociedade. Cite três desses materiais. Afirmativa 19: Você sente dificuldades em abordar temas relacionados às interações Ciência, Tecnologia e Sociedade devido à falta de materiais didáticos de apoio. Na percepção de 44% dos alunos seus professores utilizam ‘com frequência’ e ‘sempre’ materiais de apoio para abordar temas relacionados às interações CTS. Para 24%, ‘às vezes’ os professores os utilizam e, ‘nunca’ e ‘raramente’ eles são utilizados conforme afirmaram 27% dos alunos. Não responderam 5% dos alunos da amostra (Gráfico 19). Segundo os alunos, os professores tendem a utilizar materiais de apoio para auxiliá-los na abordagem de temas relacionados às interações CTS. O Gráfico 19 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 19. 153 Gráfico 19 – Respostas da Questão 19 Fonte: Elaborado pela autora. Do ponto de vista dos professores, 39% afirmaram que ‘nunca’ e ‘raramente’ a falta de material de apoio os impede de abordar temas relacionados às interações CTS e, para 36%, a ausência desses materiais ‘às vezes’ dificulta a abordagem desse tema. Ao assinalarem ‘com frequência’ e ‘sempre’, 25% dos professores admitiram sentir muita dificuldade em abordar as interações CTS sem o auxílio de materiais que os apoiem. Sob essa ótica, constata-se que há uma tendência em considerar que a abordagem de temas relacionados às interações CTS ocorre independentemente de o professor ter acesso ou não a materiais de apoio. No entanto, se analisarmos os índices apresentados no gráfico a partir dos posicionamentos assumidos pelos professores que escolheram as opções ‘às vezes’, ‘com frequência’ e ‘sempre’, constata-se um percentual de 61%. Ou seja, eles sentem dificuldade em abordar as interações CTS porque falta material que os apoie nessa tarefa. Esse resultado confirma uma das dificuldades encontradas para a implementação de cursos CTS citadas na literatura (LÓPEZ-CEREZO, 1999; ACEVEDO-DÍAZ, 2001b; MEMBIELA, 2001; VÁZQUEZ-ALONSO, ACEVEDO-DÍAZ, MANASSERO-MAS, 2002; 2005). Segundo Santos e Schnetzler (2010), a elaboração de materiais de ensino que apoiem os professores é importante, assim como vincular essa questão à formação dos professores. Nesse sentido, 154 [...] independentemente dos materiais que serão planejados, os professores é que terão de interpretá-los e aplicá-los. Todavia, os professores de ciências de hoje não foram treinados para assumir essa tarefa. O desenvolvimento de materiais deve passar de mão em mão, através de debates entre professores acerca das questões e assuntos envolvidos, modos de tratá-los, para se ter um compartilhamento de experiências concretas, bem como cursos e treinamentos formais desses professores (GASKELL, 1982, p. 44, citado por SANTOS; SCHNETZLER, 2010, p. 97). No item da afirmativa que solicita três materiais utilizados, os alunos, em sua maioria, citam recursos visuais como livros, jornais/revistas, modelos didáticos, apostilas, catálogos e mapas. Os recursos audiovisuais mais utilizados são o computador, o projetor multimídia e os filmes/vídeos (documentários). Músicas e arquivos de áudio também são lembrados pelos alunos. Constata-se um número expressivo de respostas evasivas, porque ao invés de exemplificarem materiais didáticos de apoio eles citam matérias (disciplinas) que as utilizam. As disciplinas correspondem às citadas em outras afirmativas. Os alunos também se confundem e registram estratégias didático-pedagógicas (debates/seminários; trabalhos escolares, palestras e visitas técnicas). Em relação ao total da amostra, 69% dos alunos responderam a afirmativa, sendo que 53% são ‘alunos não META’, e os que não responderam ao item da afirmativa 70% são ‘alunos META’. (Aluno) Afirmativa 20: O cumprimento do extenso programa curricular dificulta abordagens voltadas à sua formação como cidadão crítico frente às implicações da Ciência e Tecnologia. (Professor) Afirmativa 20: Para você, o cumprimento do extenso programa curricular de sua disciplina dificulta abordagens que visam a formação de seus alunos como cidadãos críticos frente às implicações da Ciência e da Tecnologia. A formação para um cidadão crítico é orientação expressa em documentos governamentais com diretrizes para a educação – DCN (BRASIL, 1998) e PCNEM (BRASIL, 1999) –, e em documentos institucionais – PDI 2011-2015 e PPI 20052010. Constitui também um objetivo para o ensino com enfoque CTS (MEMBIELA, 2001). A formação adquirida na escola, em qualquer área do conhecimento, deve possibilitar uma melhor compreensão da Ciência e das suas inter-relações com a Tecnologia e a Sociedade. Nesse sentido, deve estar imbuída em desenvolver no 155 aluno capacidades para formação de opinião e senso crítico. Como já mencionado, a formação de um cidadão crítico possibilita o exercício de uma cidadania ativa em relação às implicações sociais da Ciência e Tecnologia. O Gráfico 20 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 20. Gráfico 20 – Respostas da Questão 20 Fonte: Elaborado pela autora. Segundo 43% dos alunos e 31% dos professores, ‘nunca’ e ‘raramente’ o extenso programa curricular é visto como um impedimento para a formação dos alunos como cidadãos críticos. Para 34% dos alunos e 25% dos professores ‘às vezes’ o extenso programa curricular prejudica atingir esse objetivo, enquanto 18% dos alunos e 43% dos professores consideram que o extenso programa curricular da escola interfere ‘com frequência’ e ‘sempre’. Não responderam 5% dos alunos e 1% dos professores (Gráfico 20). Diante desses índices interpretamos que para os alunos o extenso programa curricular não impede sua formação como cidadão crítico em relação às implicações sociais da Ciência e Tecnologia. Os professores tendem a expressar o contrário, e esse resultado vem corroborar os posicionamentos por eles apresentados em outras afirmativas. Os documentos da instituição orientam para que o currículo no âmbito didático-pedagógico promova um ensino de boa qualidade, mediante a formação crítica do aluno. Entretanto, deve-se atentar aos posicionamentos apresentados 156 pelos professores, tendo em vista o papel que eles representam no processo de ensino e aprendizagem da escola. A concordância deles em relação à extensão do currículo nos faz pensar se as matrizes curriculares dos cursos oferecidos na instituição demandam novas formas de organização. Nesse sentido, o PDI 2005-2010 (CEFET-MG, 2005) defende como um dos princípios relacionados à organização acadêmica da instituição sua autonomia didático-pedagógica para imprimir suas opções metodológicas à especificidade do trabalho pedagógico e aos fins da educação a que se propõe. Em função dessa autonomia, os currículos dos cursos e as práticas disseminadas na escola precisam ser avaliados constantemente para que não se cristalizem. (Aluno) Afirmativa 21: Mídias eletrônicas (computador, datashow, tablets etc.) são utilizadas em seu curso para apresentar exemplos do conteúdo relacionados ao seu cotidiano. (Professor) Afirmativa 21: Você utiliza mídias eletrônicas (computador, datashow, tablets etc.) para apresentar exemplos do conteúdo relacionados ao cotidiano do aluno. Exemplifique. A importância de se utilizar tais recursos no processo de ensino e aprendizagem já foi mencionada anteriormente. Deve-se ter em conta a metodologia empregada pelo professor ao utilizá-los e um compromisso constante na forma como esses recursos podem contribuir para o ensino e ajudar no aprendizado. Utilizá-los para apresentar exemplos do conteúdo relacionados ao cotidiano do aluno implica a perspectiva de contextualização presente nas legislações e orientações do governo para a educação e nos cursos com enfoque CTS. O Gráfico 21 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 21. 157 Gráfico 21 – Respostas da Questão 21 Fonte: Elaborado pela autora. Os posicionamentos de alunos e professores são convergentes. A maioria dos alunos (79%) e dos professores (61%) consideram que ‘com frequência’ e ‘sempre’ assuntos relacionados ao cotidiano são abordados com a utilização de mídias eletrônicas; 15% dos alunos e 27% dos professores percebem que ‘às vezes’ esses recursos didáticos são utilizados, e 5% dos alunos e 12% dos professores assinalaram ‘nunca’ e ‘raramente’. Não responderam apenas 1% dos alunos (Gráfico 21). Nas respostas ao item da afirmativa (‘exemplifique’), os recursos audiovisuais mais citados pelos professores são o computador, o projetor multimídia, os vídeos e os filmes. Eles são utilizados com o objetivo de complementar o conteúdo, através de simulações e pesquisas na internet, principalmente. O item foi respondido por 58% dos professores, sendo que 60% das respostas são de ‘professores DT’. Dentre os que não responderam ao item, 67%, são ‘professores DT’. (Aluno) Afirmativa 22: Durante as aulas de determinada disciplina, seu professor relaciona conteúdos de outras disciplinas de seu curso. (Professor) Afirmativa 22: Durante suas aulas, você procura relacionar conteúdos de outras disciplinas aos conteúdos da disciplina que você leciona. Cite uma situação. 158 A ideia central da afirmativa está no conceito de interdisciplinaridade. A interdisciplinaridade está envolvida quando os sujeitos que ensinam e aprendem sentem a necessidade de confirmar, questionar, complementar, ampliar e esclarecer procedimentos ou ideias que uma única visão disciplinar não é capaz de comportar. Cursos com enfoque CTS e documentos que apontam as diretrizes para a educação nacional consideram a interdisciplinaridade como o diálogo que todo conhecimento deve manter com outros conhecimentos, o que significa dizer que a interdisciplinaridade deve ir além da mera justaposição de disciplinas. O PPI 20052010 (CEFET-MG, 2005, p. 14) reforça essa ideia quando trata das práticas pedagógicas inovadoras, assumindo que a educação deve “incorporar, na sua organização curricular e em sua prática pedagógica a interdisciplinaridade sem incorrer na comodidade de entender a interdisciplinaridade como mera justaposição de disciplinas, mas abrindo-se à possibilidade de realização de projetos e atividades integradas e coerentes com a realidade da vida”. O Gráfico 22 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 22. Gráfico 22 – Respostas da Questão 22 Fonte: Elaborado pela autora. O Gráfico 22 mostra que os alunos percebem que seus professores estabelecem diálogo com outras disciplinas do curso e estes admitem relacionar os conteúdos de suas disciplinas com o de outras. Para 65% dos alunos e 71% dos 159 professores isso acontece ‘com frequência’ e ‘sempre’. ‘Às vezes’ foi a opção escolhida por 27% dos alunos e 21% dos professores, e apenas 7% dos alunos e 8% dos professores indicaram ‘nunca’ e ‘raramente’. Apenas 1% dos alunos não respondeu. Nas respostas ao item (‘exemplifique’), percebe-se que a interdisciplinaridade é mais expressiva entre as disciplinas de formação geral. Os professores que lecionam Física e Geografia relacionam seus conteúdos principalmente com outras disciplinas de formação geral, enquanto professores que lecionam Biologia e Química além de relacionarem seus conteúdos com disciplinas de formação geral também os relacionam com disciplinas específicas dos cursos. No caso dos ‘professores DT’, de modo geral, o que se percebe é que a interdisciplinaridade acontece entre os conteúdos de outras disciplinas específicas dos cursos, com exceção dos professores da área de Turismo e Eletrônica, que relacionam os conteúdos de suas disciplinas/cursos com os conteúdos das disciplinas de formação geral e específicas dos cursos. Vale ressaltar que dentre as 38 respostas ao item, em 11 (29%) não foi possível identificar com qual ou quais disciplinas esses professores relacionam os conteúdos de suas disciplinas. O item foi respondido 59% professores da amostra, sendo que 53% das respostas são de ‘professores DT’. Não reponderam ao item 31% dos professores e 77% são ‘professores DT’. Os resultados parecem indicar que a interdisciplinaridade se manifesta na prática desses docentes. Mesmo que ela aconteça de forma singela, isto é, “pela constatação de como são diversas as várias formas de conhecer”, é importante que ela aconteça para que os alunos “aprendam a olhar o mesmo objeto de estudo sob perspectivas diferentes” (BRASIL, 1999, p. 133). (Aluno) Afirmativa 23: Durante seu curso, seus professores se preocupam com sua preparação para o vestibular. (Professor) Afirmativa 23: Você se preocupa com o conteúdo que deverá ser ensinado ao aluno para ele chegar preparado para o vestibular. 160 O Gráfico 23 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 23. Gráfico 23 – Respostas da Questão 23 Fonte: Elaborado pela autora. Segundo os índices representados no Gráfico 23, enquanto 55% dos alunos percebem que seus professores se preocupam ‘com frequência’ e ‘sempre’ em prepará-los para o vestibular; 28% assinalaram ‘às vezes’ e 16% consideraram ‘nunca’ ou ‘raramente’, podemos considerar que os posicionamentos dos professores estão dispersos de maneira uniforme. Ou seja, segundo os professores, preparar o aluno para o vestibular não se configura como um objetivo relevante no processo de ensino e aprendizagem. A continuidade nos estudos é incentivada pelos professores e já evidenciamos isso em respostas de outras afirmativas. Desse modo, a aposta em uma educação de qualidade, visando ao preparo para o exercício profissional e à continuidade dos estudos, nos termos expressos no PDI 2001-2015 (CEFET-MG, 2012a), viabiliza a edificação de um alicerce sólido para o aluno chegar preparado para o vestibular. 161 (Aluno) Afirmativa 24: Temas de interesse seu e de seus colegas dão início ao conteúdo das disciplinas e, a seguir, a sequência apresentada no livro didático é obedecida. (Professor) Afirmativa 24: Ao iniciar um conteúdo de sua disciplina, você o apresenta a partir de temas de interesse dos alunos para motivá-los e, a seguir, passa a obedecer a sequência apresentada no livro didático. Iniciar o conteúdo a partir de temas de interesse do aluno pressupõe o favorecimento de condições para que os alunos assumam o centro da atividade educativa, tornando-se agentes da sua aprendizagem. O professor, que conhece os conteúdos de sua disciplina e está convicto da importância e da possibilidade de seu aprendizado por seus alunos, é quem tem a liberdade para organizar os conteúdos a serem ensinados de forma flexível e a metodologia a ser empregada no processo de ensino e aprendizagem. Segundo o PPI 2005-2010 (CEFET-MG, 2005, p. 14), o ensino na instituição deve “incorporar, na sua organização curricular e em sua prática pedagógica [...] a flexibilidade [...]” e adequar as metodologias de ensino e aprendizagem para possibilitar ao aluno o papel de protagonista. O Gráfico 24 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 24. 162 Gráfico 24 – Respostas da Questão 24 Fonte: Elaborado pela autora. Os posicionamentos de alunos e professores são divergentes. Do ponto de vista de 41% dos alunos, ‘nunca’ e ‘raramente’ o conteúdo das disciplinas inicia com temas de interesse deles. Para 38%, ‘às vezes’ isso acontece, e 20% apenas consideram ‘com frequência’ e ‘sempre’. Apenas 1% dos alunos não respondeu. Em princípio, a maioria dos professores considera os alunos sujeitos do processo de ensino e aprendizagem, tendo em vista que 56% afirmaram ‘com frequência’ e ‘sempre’ iniciar um conteúdo da disciplina a partir de temas de interesse dos alunos. Para 25% dos professores, ‘às vezes’ esse procedimento é adotado como prática docente, e 19% admitem ‘nunca’ e ‘raramente’ isso acontecer. Esses índices parecem indicar a intenção dos professores em estabelecer um ambiente de ensino e aprendizagem em que o aluno se sinta instigado a envolver-se com o conteúdo a ser aprendido. Desse modo, mesmo que a sequência do livro didático seja a seguir obedecida, essa iniciativa pode proporcionar uma atmosfera interativa no ambiente de sala de aula. Segundo Vieira (2003), uma atmosfera aberta e interativa facilita aos alunos o questionamento e a reflexão sobre o que se aprende e, desse modo, ajuda-os a desenvolver capacidades de pensar criticamente sobre os conceitos e fenômenos científicos e tecnológicos ensinados. 163 Do ponto de vista dos alunos, constata-se indicativos semelhantes ao de classes tradicionais, como os apontados por Yager (2013a): as perguntas deles muitas vezes são ignoradas porque elas não se encaixam com a estrutura dos tópicos planejados para serem abordados pelo professor. Em classes de cursos que se apoiam nos enfoques CTS, as perguntas dos alunos são usadas para o planejamento de atividades e o uso de materiais. Esse é ponto de vista dos professores. (Aluno) Afirmativa 25: O professor apresenta o conteúdo, discute-o com a turma, resolve exercícios e, a seguir, avalia-os. (Professor) Afirmativa 25: Você apresenta o conteúdo, discute-o com seus alunos, resolve exercícios e, a seguir, avalia-os. A essa afirmativa pretende-se vincular as ideias de Paulo Freire (1996) colocadas em seu livro Pedagogia da autonomia – saberes necessários à prática educativa. Isso se justifica porque as palavras expressas na afirmativa revelam uma prática pedagógica que, em princípio, está na contra mão das práticas docentes voltadas para um ambiente dialógico, de reflexão e questionamento, sobretudo daquelas que trazem expectativas de discutir a Ciência e a Tecnologia no contexto social. Para Freire (1996), a prática pedagógica do professor deve ser analisada em relação à autonomia de ser e de saber do educando. Cabe ao professor respeitar o conhecimento que o aluno traz para a escola, visto ser ele um sujeito social e histórico, bem como compreender que “formar é muito mais do que puramente treinar o educando no desempenho de destrezas” (FREIRE, 1996, p. 15). O autor define essa postura como ética – que ele chama de “ética universal do ser humano” (p. 16), essencial para o trabalho docente – e defende a ideia de que o educador deve buscá-la. Alguns itens que ele considera fundamentais para a prática docente: “não há docência sem discência” (p. 23), pois “quem forma se forma e re-forma ao formar, e quem é formado forma-se e forma ao ser formado” (p.25). Desse modo, ele deixa claro que o ensino não depende exclusivamente do professor, assim como a aprendizagem não é algo apenas de aluno. “Quem ensina aprende ao ensinar, e 164 quem aprende ensina ao aprender” (p. 25). O professor não é superior, melhor ou mais inteligente, porque domina conhecimentos que o educando ainda não domina, mas é, como o aluno, participante do processo da construção da aprendizagem. O professor deve desenvolver em si próprio um rigor metódico e intelectual como pesquisador e sujeito curioso, que busca o saber e o assimila de uma forma crítica, não ingênua, com questionamentos, orientando seus alunos a seguirem também essa linha metodológica de estudar e entender o mundo, relacionando os conhecimentos adquiridos com a realidade de sua vida, sua cidade, seu meio social. Freire (1996, p. 32) afirma que “não há ensino sem pesquisa nem pesquisa sem ensino”. Esse pesquisar, buscar e compreender criticamente só ocorrerá se o professor souber pensar. Para o autor, saber pensar é duvidar de suas próprias certezas, questionar suas verdades. Se o professor faz isso, terá facilidade de desenvolver em seus alunos o mesmo espírito. Ensinar, para Freire, requer aceitar os riscos do desafio do novo, enquanto inovador e enriquecedor, e rejeitar quaisquer formas de discriminação que separe as pessoas em raça, classes etc. Ensinar é ter certeza de que se faz parte de um processo inconcluso, apesar de saber que o ser humano é um ser condicionado. Portanto, há sempre possibilidades de interferir na realidade a fim de modificá-la. Acima de tudo, ensinar exige respeito à autonomia do educando. É importante que professores e alunos sejam curiosos, instigadores. “É preciso, indispensável mesmo, que o professor se ache repousado no saber de que a pedra fundamental é a curiosidade do ser humano” (FREIRE, 1996, p. 96). O professor precisa estar disposto a ouvir, a dialogar, a fazer de suas aulas momentos de liberdade para falar, debater e ser aberto para compreender o querer de seus alunos. Por fim, Freire orienta e, ao mesmo tempo, incentiva os professores e professoras a refletirem sobre seus fazeres pedagógicos, modificando aquilo que acharem preciso, mas, especialmente, aperfeiçoando o trabalho, além de fazerem a cada dia a opção pelo melhor, não de forma ingênua, mas com a certeza de que, se há tentativas, há esperanças e possibilidades de mudanças daquilo que em sua visão necessita mudar. 165 Nesse sentido, os índices do Gráfico 25 apontam para a necessidade de mudança no modo como os professores conduzem sua forma de ensinar e confirma outros resultados obtidos: afirmativas 17 (uso do LD), 18 (mídias impressas) e 24 (protagonismo do aluno). Na percepção de 71% dos alunos e 84% dos professores, esse ritual é praticado ‘com frequência’ e ‘sempre’. A prática desse ritual ‘às vezes’ acontece para 23% dos alunos e 11% dos professores, e apenas 5% dos alunos e professores consideram ‘nunca’ e ‘raramente’. Não responderam apenas 1% dos alunos. O Gráfico 25 apresenta as escolhas de alunos e professores às opções da afirmativa 25. Gráfico 25 – Respostas da Questão 25 Fonte: Elaborado pela autora. 4.1.2 Análise ‘Vertical’ e Discussão das Respostas dos Alunos e Professores Nesta seção, são apresentadas as respostas dos alunos e professores identificadas mais diretamente com a) Alfabetização científica e tecnológica; b) Cidadania; c) Pensamento crítico; d) Tomada de decisão; e) Mudança de hábitos, atitudes e valores. Para apresentar exemplos dessas respostas, organizou-se uma codificação (APÊNDICE D) para facilitar suas localizações nos quadros construídos. Essa codificação apresenta-se da seguinte maneira: 166 AF = Afirmativa do questionário AF1 = Afirmativa 1 AF2 = Afirmativa 2, e assim sucessivamente. Como algumas afirmativas se desmembram em itens que solicitam ‘situação’, ‘percepção’, ‘quando’ ou ‘disciplinas’, então, segue-se à identificação da afirmativa, caso ela apresente algum item, letras como s, p, q ou d, para ajudar a localização do quadro de onde a resposta de tal afirmativa foi retirada como exemplo. Assim, uma resposta que se apresenta identificada como AF1s significa que ela é uma resposta dada à afirmativa 1, no item ‘situação’ dessa afirmativa. Caso a afirmativa 1 tenha o item ‘quando’, uma resposta desse item será identificada como AF1q. A categoria ‘procedimentos didáticos e metodológicos’ (PDM) é constituída por unidades de contexto ‘aulas’ (EXP/LAB), ‘trabalhos/pesquisas escolares’ (TRB), ‘projetos de pesquisa’ (PRJ), dentre outros que se encontram listados no APÊNDICE D. De modo semelhante, na categoria ‘características do ensino’, unidades de contexto como ‘aplicação do conhecimento no cotidiano’ (CONH/COT), ‘aplicação do conhecimento na profissão’ (CONH/PROF), dentre outras, estão presentes. A codificação da unidade de contexto aparece nos parênteses após a identificação da afirmativa e do item. Desse modo, a leitura que se faz para uma resposta com a codificação AF1s; EXP/LAB é a seguinte: ela está localizada no quadro referente à afirmativa 1, item da afirmativa ‘situação’, na unidade de contexto ‘EXP/LAB’, que corresponde à ‘aulas’. A correspondência de palavras e expressões encontradas nas respostas com as interações do acrônimo CTS possibilitou classificá-las em ênfases, como citado no capítulo anterior. Assim, classificamos as respostas segundo a ênfase em: CTS, CT, CS, TS, C, T ou S. Por exemplo, uma resposta que apresenta a codificação do tipo AF1s; EXP/LAB; CS pode ser localizada no quadro da afirmativa 1, item da afirmativa 167 ‘situação’, na unidade de contexto ‘EXP/LAB’, e, nessa unidade de contexto, na ênfase ‘CS’, caso essa unidade de contexto tenha respostas que contenham palavras ou expressões que possibilitam estabelecer a relação entre as dimensões C e S. Por último, nos quadros de cada afirmativa, a resposta de cada aluno e professor está expressa entre parênteses por números que obedecem a ordem de suas entradas nas planilhas Excel. Portanto, o exemplo de resposta abaixo pode ser assim decodificado para sua localização nos quadros: a resposta foi dada à afirmativa 1, item da afirmativa ‘situação’, unidade de contexto ‘EXP/LAB’, ênfase ‘CS’, aluno ‘AL61’: ____ Em nosso cotidiano podemos entender várias coisas através do conhecimento obtido (AF1s; EXP/LAB; CS; AL61). Outro exemplo: ____ Como o assunto da minha disciplina é principalmente saúde (Instrumentação biomédica), eu sempre peço, após um tema novo, que os mesmos pesquisem mais sobre o assunto, para que possam se inteirar ainda mais. (AF1s; EXP/LAB; C; PROF10) A resposta acima pode ser assim decodificada: resposta dada à afirmativa 1, item da afirmativa ‘situação’ (s), unidade de contexto ‘EXP/LAB’, ênfase ‘C’, professor ‘PROF10’. Feitos os esclarecimentos sobre a codificação utilizada, passamos a apresentar exemplos de respostas dos alunos e professores. Dentre elas identificamos respostas que simplesmente expressam as unidades de contexto em que se dá a discussão do assunto focalizado na afirmativa. a) Aulas: ____ Durante as aulas, que na maioria são interativas. (AF3s, EXP/LAB; PROF01) 168 ____ Procuro sempre lecionar de forma dialógica os conteúdos para facilitar a participação dos alunos. (AF3s, EXP/LAB; PROF15) b) Participação em projetos de pesquisa: ____ Há um incentivo dos professores para os alunos executarem projetos, buscando sempre um maior conhecimento dos assuntos de ciência e tecnologia e sobre o curso. (AF1s; PRJ, AL106) c) Realização de trabalhos/pesquisas escolares: ____ Os trabalhos em grupo melhoram a capacidade de liderança e de trabalhar em grupo. (AF14s; TRB; AL78) d) Debates/seminários: ____ Durante debates, discussões, seminários e argumentações que envolvam temas sociais e ambientais. (AF3q; D/S; AL179) e) Em outras situações didático-pedagógicas: (i) feiras e mostras de ciências: ____ Feiras de exposição, como a META. (AF3q; ODP; AL49) ____ Um evento, o Intercit (Encontro de Tecnologia, Inovação e Competitividade), abordou palestras com temas de defesa de propriedade intelectual, entre outros. (AF4s; ODP; AL94) (ii) visitas técnicas: ____ Em uma visita à empresa Vale tivemos contato com profissionais que acrescentaram à aprendizagem. (AF11; ODP; AL187) (iii) em atividades de extensão: ____ Prática da Corrida de Orientação, onde trabalhamos as múltiplas disciplinas e nos deparamos a todo o tempo com a tomada rápida de decisões. (AF11s; ODP; AL05) 169 f) recursos didático-pedagógicos como filmes e documentários são utilizados para discutir temas abordados nas disciplinas: ____ É sempre feita a reflexão de que muitos têm problemas e são mostrados documentários, filmes e vídeos a respeito desse assunto, que nos permite ter maior consciência da situação mundial. (AF6s; RDP; AL13) Nos exemplos acima é possível constatar que a abordagem das ideias contidas nas perguntas do questionário acontece em várias unidades de contexto e diversas estratégias de ensino são empregadas pelos professores. Tais estratégias, presentes normalmente em cursos CTS (SANTOS; SCHNETZLER, 2010), possibilitam ao aluno mobilizar seus conhecimentos em vários contextos no âmbito da escola e fora dela, a refletir e questionar sobre os conhecimentos adquiridos. O ensino de ciências em uma perspectiva CTS deve cumprir, dentre outros objetivos, com o desenvolvimento da compreensão da natureza da Ciência e do trabalho científico (CAAMAÑO, 1995). Nesse sentido, alguns autores conferem à ACT dimensões associadas ao modo como os conhecimentos científicos e tecnológicos podem ser incorporados em situações de sala de aula (SHAMOS, 1995; BYBEE, 1995; LAUGKSCH, 2000; SASSERON; CARVALHO, 2011). De maneira geral, as dimensões apresentadas para a ACT vinculam-se à ideia: a) do entendimento da natureza da Ciência; b) da compreensão dos termos e conceitos-chave da Ciência, e c) do entendimento dos impactos sociais da Ciência e da Tecnologia. Além disso, a ACT, assumida pela NSTA (1990) como um dos objetivos do enfoque CTS no ensino de Ciências, deve servir como guia para a construção de benefícios práticos para as pessoas, a sociedade e o meio ambiente. No conjunto das respostas o objetivo CTS de maior expressividade é o da ACT e a análise sob o prisma desse objetivo permitiu identificar uma miríade de situações de ensino em que tal objetivo parece se concretizar. Os alunos demonstram conhecer conceitos e ideias científicas, e os utilizam de maneira adequada para resolver, com autonomia, pequenos problemas no cotidiano e no 170 contexto do exercício profissional, além de construir novos significados. Quanto aos professores suas respostas apontam no mesmo sentido para tornar mais significativo a aprendizagem. A seguir apresentamos alguns exemplos pautados nesses entendimentos. A compreensão de conceitos-chave fundamentais no estudo de determinado conteúdo possibilita aos alunos relacioná-los em processos e produtos que envolvem a C&T e aos impactos causados à sociedade: ____ No estudo de isômeros geométricos é discutida a atenção necessária para a identificação desses no estudo de fármacos. (AF1s; EXP/LAB; CT; AL78) ____ Os conceitos do eletromagnetismo podem ser utilizados para a formulação e criação de novas fontes alternativas de energia e isso é passado pelos professores. (AF1s; EXP/LAB; CT; AL188) ____ Em Biologia quando estudamos genética e suas aplicações em procedimentos tecnológicos, por exemplo. (AF7s; EXP/LAB; CT; AL96); ____ Aula de física sobre Radioatividade ou energia nuclear. Pontos da ciência que se não forem utilizados de forma correta podem ser prejudiciais à sociedade. (AF7s; EXP/LAB; CS; AL147) ____ Aula de Física sobre fissão e fusão nuclear (estrutura atômica e energia resultante liberada desses processos): Energia nuclear é REALMENTE uma boa alternativa? (AF10s; EXP/LAB; CS; AL09) A relação entre conhecimento (teoria) e situações do cotidiano é identificada nas respostas a seguir: ____ [...] Em química aprende-se sobre substâncias que estão relacionadas diretamente ao nosso cotidiano e com o conteúdo científico podemos distinguir o que faz bem e o que faz mal ao nosso organismo. (AF1s; EXP/LAB; CS; AL179) ____ Quando tive que trocar o pneu e me lembrei das aulas de Física onde utilizei da alavanca maior para fazer uma força menor, que por sua vez ira soltar os parafusos. (AF11s; CONH/COT; CTS; AL111) ____ A matéria de Microbiologia ajuda no entendimento da produção de alimentos e com isso torna mais fácil utilizar os alimentos. (AF11s; CONH/COT; CS; AL78) 171 ____ Procuro relacionar o conteúdo científico também com o cotidiano do aluno de forma que o mesmo possa utilizá-lo na sua vida pessoal. As situações são como, por exemplo, nas áreas de eletricidade, energia, torque, termodinâmica etc. (AF1s; EXP/LAB; CS; PROF22) ____ O Conhecimento científico deve ser usado e aplicado no dia a dia das pessoas, um dos exemplos citados para os alunos em sala é o teste do teor de álcool na gasolina, pois assim eles conseguem saber se determinado posto de Gasolina está comercializando um produto adulterado. (AF1s; EXP/LAB; CS; PROF54) A relação entre o conhecimento e o contexto do exercício profissional na perspectiva de ação presente/futuro faz parte das discussões entre alunos e professores em sala de aula, e dos trabalhos escolares e debates. O conhecimento é visto como útil para preparar o aluno para o exercício profissional: ____ Após conteúdos de matérias técnicas dados em sala, a dimensão de suas aplicações, principalmente industriais, é frequentemente discutida. (AF1s; EXP/LAB; CS; AL76) ____ O curso técnico, por exemplo, ensina o aluno e o qualifica a ingressar no mercado de trabalho apto a realizar a manutenção de equipamentos médicohospitalares. (AF1s; EXP/LAB; CS; AL 177) ____ As aulas de Gerenciamento de Equipamentos Hospitalares nos permite ter ideia sobre a administração e organização do ambiente de trabalho. (AF14s; EXP/LAB; S; AL02) ____ Em um emprego é necessário utilizar todos os conhecimentos adquiridos. (AF11s; CONH/PROF; CS; AL163) ____ Por Exemplo: Na disciplina Gestão de Resíduos Sólidos os alunos em grupo, utilizaram mapas para discutir a seleção de áreas para instalação de aterros sanitários. Os critérios adotados por cada grupo determinaram, com o auxilio da legislação, pontos diferentes para um mesmo município. Assim eles puderam perceber que em meio ambiente os aspectos avaliados por diferentes grupos podem receber peso diferentes levando a diferentes respostas finais. (AF2s; EXP/LAB, CS, PROF27) 172 A dimensão da ACT associada ao entendimento da natureza da Ciência implica a aquisição de conhecimentos sobre processos e ações que fazem desta um modo peculiar de construir conhecimento sobre o mundo (SASSERON; CARVALHO, 2011), e também a compreensão de como uma investigação científica se passa, estimulando, assim, o interesse dos alunos pela Ciência (BYBEE, 1995). Em aulas e debates/seminários o contexto socio-histórico da Ciência, a História da Ciência, o método científico, a mudança de paradigma e visão de mundo, os referenciais históricos e o “jogo de papéis” na defesa de modelos científicos são abordados. Nesse sentido, algumas respostas parecem vincular-se a esses entendimentos: ____ Com frequência essa questão é discutida de modo a percebermos que o conhecimento empírico é muito importante e auxilia na aprendizagem dos conceitos e do conteúdo científico como um todo. (AF1s; EXP/LAB; C; AL92) ____ Em aulas de Climatologia: [...] Além disso, em outras disciplinas também é discutido que a ciência deve ser prática e não somente teórica e fechada. (AF7s; EXP/LAB; CS; AL01) ____ Nas abordagens que faço sobre a Química, sempre discuto o contexto sóciohistórico do desenvolvimento daquele conceito. Um exemplo: ao lecionar sobre a teoria atômica comento os trabalhos de Cesar Lattes que levaram a descoberta de uma partícula do átomo. (AF1s; EXP/LAB; CS; PROF15) ____ No caso da Indução Eletromagnética faço uma apresentação da Historia da Ciência e das implicações que essa descoberta teve no mundo moderno. (AF1s; EXP/LAB; CS; PROF21) ____ Realização de aulas demonstrativas, discutindo o conceito de evidências com os alunos, propondo questões aos grupos, solicitando previsões, discutindo as evidências produzidas e formas de explicá-las, confrontando previsão e observação, discutindo as hipóteses formuladas nesse processo. (AF2s; EXP/LAB; C; PROF26) ____ Ao citar os vários modelos cosmológicos é interessante observar a mudança de paradigma em relação à “posição” do homem no universo (antes como o centro – geocentrismo - e depois como se situando na “periferia” da galáxia). (AF7s; EXP/LAB; CS; PROF23) 173 ____ No debate de modelos para a luz, os alunos deveriam convencer-se (uns aos outros) sobre qual modelo (corpuscular ou ondulatório) era mais completo. Obviamente ninguém ‘ganhou’. (AF2s; D/S; CS; PROF23) ____ No tópico sobre física moderna em especial a teoria da relatividade, é feita uma abordagem de como essa teoria modificou a forma que percebemos o universo, influencia além da ciência outras áreas de conhecimento como, por exemplo, as artes plásticas. (AF7s; EXP/LAB; CS; PROF21) A Ciência e seus impactos sociais são abordados em questões de natureza diversa, como as apontadas por Rosenthal (1989), citado por Santos e Mortimer (2002): a) questões de natureza sociológica (influência da Ciência e da Tecnologia sobre a sociedade e desta sobre o progresso científico e tecnológico) e filosófica (impactos das descobertas científicas sobre a sociedade): ____ Como o conhecimento da Geografia, a evolução dos mapas ajudou na descoberta de novas sociedades e no estimulo à produção cientifica e desenvolvimento da sociedade. Como a Física e os conhecimentos de eletricidade e energia possibilitaram a revolução industrial e tecnológica. (AF5s; EXP/LAB; CTS; AL01) ____ Discutimos o papel do avanço das ciências e como elas influenciam na nossa vida, além de analisarmos o quanto estes avanços ficam acessíveis para a grande população e a qual \”preço\. (AF5s; EXP/LAB; CS; AL02) ____ São analisados os elementos químicos e seus impactos sociais e ambientais, de forma a transmitir mais segurança para a sociedade e o ambiente. (AF7s; EXP/LAB; CS; AL79) ____ Melhorias na qualidade de vida de muitas pessoas a partir do desenvolvimento dos estudos científicos, como a formulação de vacinas e etc. (AF7s; EXP/LAB; CTS; AL197) b) questões de natureza econômica (contribuições da Ciência e da Tecnologia para o desenvolvimento econômico, e as implicações relacionadas ao consumismo, ao desemprego e aos impactos ambientais): 174 ____ Aula de Ecologia Aplicada: O avanço tecnológico e o aumento do consumo. Como as pessoas trocam seus aparelhos regularmente por causa do avanço da tecnologia e os impactos que isso causa no meio ambiente. (AF7; EXP/LAB; TS; AL192) ____ Nas aulas de Robótica é possível ver como a robótica influencia no Mercado de Trabalho e como as pessoas reagem sabendo que perderam seus empregos para uma máquina. (AF7s; EXP/LAB; CTS; AL100) c) questões de natureza histórica (influência da atividade científica e tecnológica na história da humanidade): ____ Em Física discutimos sobre [...] preservação de teorias etc. (AF7s; EXP/LAB; S; AL142) ____ No estudo de experiências, teorias e descobertas de físicos, sociólogos, políticos, etc. (AF7s; EXP/LAB; S; AL190) (d) questões de natureza sociológica e histórica (papel social das Ciências e seus usos ao longo da história são relacionados às demandas atuais da sociedade): ____ Em aulas de Sociologia e Redação, ao longo do Curso, discutimos a relação que existe entre o papel das Ciências e a Integração com a Sociedade. Em História, da mesma forma, aprendemos e debatemos acerca dos usos da ciência em cada sociedade e período, relacionando com as demandas e situações atuais. AF4s; EXP/LAB; CS; AL37) Os exemplos acima apresentam uma abordagem de Ciência em sua dimensão ampla. Segundo Gibbons (1994), citado por Santos e Mortimer (2002), nos currículos CTS, esse tipo de abordagem contribui para aqueles estudantes que pretendem ingressar na carreira científica, que exige uma visão cada vez mais multidisciplinar e reflexiva das Ciências. A Tecnologia é abordada tanto pelos benefícios quanto pelos malefícios que ela pode causar para a sociedade e nas respostas se expressa em termos dos aspectos técnico, organizacional e cultural da prática tecnológica de Pacey (1990), em situações didáticas como aulas, trabalhos escolares e projetos de pesquisa: 175 a) o aspecto técnico da prática tecnológica está presente na aprendizagem, no desenvolvimento e na utilização de produtos e artefatos tecnológicos: ____ Aprendendo a mexer com ferramentas diversificadas. (AF11p; EXP/LAB; T; AL66) ____ Quando criamos um programa que facilita o trabalho de determinada função. (AF6s; EXP/LAB; TS; AL18) ____ Trabalhos em grupo sim, mas sobre tecnologias, ou seja, conhecimentos científicos que se transformaram em equipamentos, dispositivos eletrônicos e etc. [...] discussão sobre o caráter aplicativo. Exemplo: Trabalhos em que o aluno elabora um software para controlar um sistema microprocessado. (AF2s; TRB; CT; PROF33) b) o aspecto organizacional da prática tecnológica é abordado nas relações estabelecidas, no “chão de fábrica” entre a tecnologia e os impactos causados na vida e nas condições dos trabalhadores nos postos de trabalho: ____ A relação tecnologia e postos de trabalho. Mais trabalho especializado, menos pessoas preparadas. (AF8s; EXP/LAB; TS; PROF43) ____ Como consequências/impactos das tecnologias das automações na produção industrial. (AF8s; EXP/LAB; TS; PROF64) ____ O impacto da mecanização da produção sobre as condições dos trabalhadores. (Af5s; EXP/LAB; TS; AL51) ____ A automação de processos normalmente desloca de função ou desemprega trabalhadores. (AF5s; EXP/LAB; TS; PROF60) c) o aspecto cultural da prática tecnológica envolve considerar a Tecnologia imersa em preocupações voltadas para valores, códigos éticos e crenças sobre o progresso proporcionado por novas tecnologias, bem como a consciência em relação aos impactos, benefícios e conforto causados à sociedade e ao ambiente (PACEY, 1990). ____ Se temos um motor, qual o combustível menos poluente? Se usarmos um processo de fundição em específico, qual o meio mais adequado do mesmo não prejudicar o meio ambiente? E, principalmente, como maximizar um processo industrial com o mínimo impacto? (AF6s; EXP/LAB; TS; AL09) 176 ____ Usos de dispositivos com menor consumo, recicláveis e de maior eficiência para diminuir impactos e custos. (AF6s; EXP/LAB; TS; AL137) ____ Na automatização, como por exemplo, dos sinais de trânsito de uma rua. Onde a tecnologia propicia o conforto às pessoas que a atravessam. (Af5s; EXP/LAB; TS; AL38) ____ O que uma determinada tecnologia desenvolvida pode trazer para a sociedade, se será benéfica, maléfica, um exemplo pode ser robôs que auxiliam na reabilitação de deficientes. (AF8s; EXP/LAB; TS; AL11) ____ Por exemplo, a importância da Biotecnologia e as novas descobertas nesta área e as ótimas consequências no avanço para a cura de doenças, transplantes etc. (AF7s; EXP/LAB; TS; PROF40) ____ As tecnologias que melhoram a qualidade de vida das pessoas e facilitam suas vidas, só são acessíveis aos ricos. Isso aumenta ainda mais as diferenças sociais. (AF8s; EXP/LAB; TS; AL188) Tais abordagens sobre a Tecnologia têm como objetivo fazer o aluno refletir sobre as tecnologias mais apropriadas em certas situações, decidir sobre seu uso, perceber como a Tecnologia interfere em sua vida e como ele pode interferir nos rumos dos desenvolvimentos tecnológicos como profissional e cidadão. Alguns temas globais comuns em cursos CTS (TOWSE, 1986; BYBEE, 1987; MERRYFIELD, 1991; SANTOS, MORTIMER, 2002; SANTOS E SCHNETZLER, 2010), são abordados nas aulas, debates/seminários dentre eles: energia, transporte e mobilidade urbana. A discussão desses temas que envolvem aspectos sociais, econômicos, políticos, ambientais e culturais relativas à Ciência e à Tecnologia permitem ao aluno entender o mundo em sua complexidade. ____ Em aulas de Física do 2º ano, quando analisamos as variedades matriciais de energia sob o ponto de vista social, financeiro e ambiental. (AF3q; EXP/LAB; CTS; AL169) ____ Sentados em círculo os alunos orientados pelo professor (exposição dialogada ou interrogada) discutem conceitos de ciências como, por exemplo, energia e 177 sociedade, questionando o impacto na sociedade em termos de consumo e produção de bens e serviços. (AF1s; EXP/LAB; CS; PROF56) ____ Sempre analisamos os impactos ambientais das ciências, quando e como eles ocorrem, o que podemos fazer para evitar, quais os custos/benefícios da evolução tecnológica, principalmente em geração de energia. (AF3s; EXP/LAB; CTS; PROF20) ____ Com as aulas de Física, mostrando principalmente em áreas de energia, usinas. Usinas sendo feitas em locais de moradia de índios gerando muitas consequências e impactos para ambos. (AF8s; EXP/LAB; TS; AL170) ____ Seminário de Física sobre desenvolvimento urbano, transporte público e soluções ambientais. (AF2s; D/S; CS; AL137) ____ A Química e suas implicações políticas e sociais como bombas, drogas, o uso indeterminado de remédios. (AF7s; EXP/LAB; CTS, PROF55) Identificamos nas respostas uma preocupação com a formação dos alunos voltada para uma ACT que contempla, sobretudo, a compreensão de termos, conhecimentos e conceitos científicos fundamentais, e o entendimento básico das relações existentes entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Meio Ambiente. Ou seja, as respostas tendem para uma ACT ‘funcional’, ou seja, aquela que permite ao indivíduo utilizar o conhecimento para entender e resolver, de forma imediata, problemas básicos relacionados ao seu dia a dia, à sua profissão, no âmbito social e escolar. Por outro lado, poucas são as respostas que expressam uma ACT na perspectiva ampliada, na qual, segundo Auler (2003, p. 2), “os conteúdos são considerados como meios para a compreensão de temas socialmente relevantes”. De modo geral, nossos resultados apontam para uma ACT que apresenta traços das extensões cultural, funcional e verdadeira (MILLER, 1983; SHAMOS, 1995; BYBEE, 1995) com predominância para a extensão funcional. O exercício da cidadania pode se dar a partir de hábitos e atitudes cotidianas, e também através de ações coordenadas com outras pessoas, em que estratégias e planificações são utilizadas para alcançar objetivos mais amplos e audaciosos. Como afirma Stiefel (2003), o exercício da cidadania por parte de cada pessoa se traduz em sentir-se preocupado pelos assuntos coletivos, ter ciência e compreender os problemas sociais que nos atingem. 178 A formação para a cidadania no enfoque CTS almeja proporcionar aos alunos o desenvolvimento de capacidades para que eles possam compreender e interpretar o que ocorre, como ocorre e porque ocorre, em termos das implicações sociais da Ciência e da Tecnologia. Em outras palavras, a formação para a cidadania deve contribuir para os alunos construírem sua própria opinião para participarem em decisões sociais. Nas respostas de alunos e professores a formação para a cidadania se expressa em diversas nuances e permeia várias situações do processo de ensino e aprendizagem. Desse modo, procuramos agrupar as respostas em função do que mais se sobressai em termos da ideia central nelas identificadas, e as classificamos em: a) cidadania solidária; b) cidadania ativa ou crítica; c) cidadania voltada para a responsabilidade social; d) cidadania para a sustentabilidade. Em casos nos quais as fronteiras entre uma classificação e outra se mostraram tênues, inferimos e interpretamos na tentativa de captar a essência dos posicionamentos apresentados. A formação para a cidadania solidária é percebida em respostas que expressam como o conhecimento adquirido na escola pode ser aplicado em situações do cotidiano e se manifesta em ações solidárias para a resolução de problemas da comunidade ou ações assistenciais e cooperação com vistas ao bemestar social: ____ Às vezes é discutido em sala sobre o que podemos fazer [...] para ajudar a população, a exemplo do nosso projeto ‘O infodengue’. (AF1s; EXP/LAB; CS; AL65) ____ Se uma pessoa da minha rua ou do meu bairro precisar usar o computador para trabalhar ou estudar e ele der defeito assim do nada, eu poderia tentar resolver o problema com o estudo que eu tenho do CEFET MG. (AF15s; CONH/COT; AL03) ____ Caso alguém da minha comunidade precise de alguma ajuda em instalações ou projetos eu posso ajudá-la. (AF15s; CONH/COT; AL34) ____ Ensinar outras pessoas a mexer em computador, consertar computadores da comunidade. (AF15s; CONH/COT; AL88) ____ Podemos ajudar uma pessoa a consertar um aparelho médico que seja de extrema importância. (AF15s; CONH/COT; AL175) ____ É possível ministrar cursos de informática para pessoas carentes. (AF15s; CONH/COT; AL40) 179 ____ Posso criar softwares para ajudar a comunidade carente. (AF15s; CONH/PROF; AL13) Os alunos aprendem métodos e técnicas utilizados no exercício da profissão e algumas respostas apontam para o desenvolvimento da consciência social voltada à sustentabilidade. O conceito de cidadania para a sustentabilidade está vinculado aos problemas socioambientais decorrentes da Ciência e da Tecnologia. Se, de um lado, a Ciência e a Tecnologia geram desconfianças, por outro, elas alimentam expectativas de cooperação em relação à preservação da vida no planeta. O desafio da sustentabilidade aponta para a necessidade de uma nova concepção de desenvolvimento, ou seja, “identificar o que não é sustentável é um caminho para a sustentabilidade” (SANTOS, 2005, p. 94). Assim, a cidadania para a sustentabilidade está presente nas discussões que acontecem nas aulas quando são tratados temas sobre destinação correta de resíduos, utilização de recursos naturais, energia. São temas que afetam a vida atual e a de futuras gerações: ____ Sim os conhecimentos e tomada de consciência deve presidir as preocupações dos alunos enquanto cidadãos. A preservação ambiental e a certeza de que as futuras gerações gozarão ou não de qualidade de vida. Com a aprendizagem o aluno deve exercer plenamente a sua cidadania. (AF11s; EXP/LAB; S; PROF57) ____ Como a educação ambiental interfere na sensibilização de uma sociedade para os problemas de resíduos sólidos. Como o gerenciamento de resíduos sólidos pode melhorar a qualidade de vida da população, gerando renda, reduzindo os impactos, etc. (AF6s; EXP/LAB, CS; AL01) ____ Trabalhando com máquinas térmicas no 2º ano, precisamente com o motor a combustão, foi possível realizar um trabalho que visava a conscientização sobre o que poderia ser feito para reduzir o trânsito em BH [...]. (AF15s; EXP/LAB; TS; PROF23) ____ Preocupação de como descartar elementos químicos de forma correta, a fim de não agredir o meio ambiente. (AF3s; EXP/LAB; S; AL79) ____ Quando estudamos como descartar corretamente vários tipos de resíduos sólidos, como pilhas e baterias [...]. (AF15; CONH/COT; AL189) 180 ____ Procuro conscientizá-los e educá-los com relação à reciclagem de lixo, a despoluição dos rios e córregos e as consequências dos atos impensados que podem provocar impactos ambientais irreversíveis. (AF7s; EXP/LAB; S; PROF22) ____ Questão do ‘Lixo’ que produzimos e importância da separação. Os alunos se mostraram indignados com certas atitudes, como colocar lixo no local errado; jogar ‘coisas’ no chão, etc. E também identificaram como temos ruas muito sujas. (AF6s; EXP/LAB; S; PROF40) ____ Discutimos em Biologia, no 1º ano, possíveis ideias para resolver os problemas do desperdício de água [...]. (AF3s; EXP/LAB; CS; AL02) ____ Discutimos em relação à substituição de matérias (primas), como substituir um recurso natural não renovável por um renovável. (AF9s; EXP/LAB; S; AL118) ____ Física: estudo dos impactos ambientais negativos da geração de energia. (AF9s; EXP/LAB; CTS; AL199) ____ O consumo de energia pode ser melhorado se o consumidor entender as implicações do desperdício de energia e da problemática acerca de aumentar a geração de energia. (AF14s; EXP/LAB; PROF21) Alguns trabalhos/pesquisas escolares, projetos desenvolvidos pelos alunos e debates/seminários também focalizam a sustentabilidade e a preocupação socioambiental: ____ Os alunos fazem estudo para avaliar a viabilidade de instalação de uma usina de Reciclagem e também de compostagem do lixo na região. (AF6s; TRB; CTS; PROF54) ____ Confecção de um material/roupa que envolva as questões ambientais, enfocando a sustentabilidade. (AF3s; PRJ; S; AL171) ____ Meu trabalho científico da disciplina Metodologia de Projetos. Estudo sobre os pontos de recolhimento (entrega voluntária) de pilhas e baterias na Regional Centrosul de BH, análise sobre a consciência da população sobre os impactos ambientais oriundos destes materiais e a destinação dada aos materiais recolhidos pelos pontos de recebimento. (AF9s; PRJ; CS; AL198) 181 ____ No caso do projeto META do meu grupo, criamos um detector de metal para melhorar o andamento da obra diante da construção civil, uma ideia para melhorar as condições ambientais futuras. (AF10s; PRJ; TS; AL93) ____ Seminários de Gestão de Resíduos Sólidos sobre reciclagem de pilhas, radiografias etc. (AF10s; D/S; TS; AL192) A formação para a cidadania crítica pressupõe o desenvolvimento de atitudes voltadas para a participação social. Essas atitudes podem ser edificadas nas disciplinas que o aluno cursa através dos saberes, valores e competências. Ao se referir à formação da cidadania pelo reposicionamento do ser pelo saber, Santos (2005) considera que a informação e o conhecimento são variáveis decisivas para a integração social do cidadão. Nesse sentido, concordamos com Santos (2005) ao afirmar que os professores, ao assim procederem, “civilizam” a ciência e “cientifizam” a cidadania. “Civilizar” a ciência implica construir uma ciência para as pessoas, uma ciência cidadã. A “cientifização” da cidadania implica adquirir competências cognitivas para a compreensão pública da ciência e da tecnologia. Nesse sentido, os posicionamentos assumidos por alguns professores refletem essas intenções: ____ A Química e suas implicações políticas e sociais como bombas, drogas, o uso indeterminado de remédios. (AF7s; EXP/LAB; CTS; PROF55) ____ Eu procuro mostrar para os alunos que a ciência não é algo distante. É algo extremamente útil e deve servir para solucionar problemas na comunidade onde vivem. Ciência e vida real devem estar de mãos dadas. (AF15s; EXP/LAB; CS; PROF05) ____ Os meus alunos da primeira série, querem discutir questões ambientais, envolvendo a preservação de lagoas na cidade. Eles fazem sugestões, discutimos, depois eles levam as questões para discussão nas redes sociais, já que o assunto é de conscientização e também de cobranças junto aos órgãos públicos do município. (AF3s; EXP/LAB; S; PROF57) ____ O conhecimento adquirido deve fundamentar uma ação. É ensinado que a informação pode ser convertida em conhecimento que por sua vez é a base para uma ação política por exemplo. Ninguém consegue participar e tomar decisões sem conhecimento. (AF14s; EXP/LAB; PROF19) 182 ____ Quando falo da aprendizagem de ciências como importante para o exercício da cidadania. (AF14s; EXP/LAB; PROF43) As respostas dos alunos expressam posicionamentos críticos em relação ao consumo e usos de tecnologias e participações ativas na comunidade onde residem: ____Quando você aprende uma forma de usar a tecnologia de uma forma sustentável, sem agredir o meio ambiente. (AF11s; AT/V; TS; AL105) ____Consumo mais consciente, ética, etc. (AF11s; AT/V; S; AL190) ____ Propor medidas de disposição adequada do óleo de cozinha usado. Conversei com uma cooperativa e esta agora efetua o recolhimento semanal na rua onde resido (previsão é se estender para o bairro todo). (AF14s; AT/V; S; AL198) ____ Na divulgação de como se recicla e onde se coleta pilhas e baterias. (AF15s; CONH/COT; AL189) As respostas que focalizam a formação da cidadania como responsabilidade social estão associadas à preparação e orientação do aluno para o exercício da profissão e ao desenvolvimento de sua consciência ética e socioambiental. Constata-se, em algumas respostas, uma preocupação em desenvolver nos alunos a compreensão ampliada do conceito de Tecnologia. O aspecto cultural da prática tecnológica é abordado: a) nos processos e na formatação de novos produtos: ____ Uma das preocupações na indústria de usinagem tem sido a preservação do meio ambiente. É passado para eles questões como a utilização de fluidos de corte e suas consequências para a saúde dos operadores de máquinas e poluição de cursos d’água com descartes inadequados. Eles têm liberdade para apontarem soluções. (AF3s; EXP/LAB; TS; PROF53) ____ Durante a aula em que a maioria dos alunos aprende a soldar é discutido sobre as consequências da destinação inadequada das placas de circuito eletrônico soldados com solda que contenha em sua liga o chumbo. Quando este metal atinge os lençóis freáticos torna-se altamente poluidor. (AF3s; EXP/LAB; CTS; PROF49) ____ Tento a todo o momento mostrar que não podemos ter ações mais sem pensar nas consequências socioambientais, inclusive na hora de formatar produtos novos [...]. (AF3s; EXP/LAB; TS; PROF32) 183 ____ Se você for usar um determinado tipo de material para fabricar algo, quais as implicações deste no âmbito socioeconômico? [...]. (AF8s; EXP/LAB; TS; AL09) b) no uso de software livre e descarte de resíduos equipamentos de informática: ____ Quando tratamos do software livre, tem um caráter social. Quando tratamos da evolução destes equipamentos e da eliminação adequada dos mesmos, tem um caráter ambiental. (AF3s; EXP/LAB; TS; PROF33) Na formação do aluno, os impactos sociais da Ciência são abordados, o que demonstra uma preocupação dos professores em mostrar a dimensão sociológica da Ciência. Assim, o professor possibilita ao aluno questionar e refletir sobre a atuação do profissional na esfera produtiva da sociedade: ____ Como a Química pode atuar de forma positiva ou negativa sempre apresento as duas situações. (AF4s; EXP/LAB; CS; PROF03) ____ Eu cito para os alunos que a Ciência deve se preocupar no desenvolvimento e aplicação de produtos e processos químicos que reduzam ou eliminem o uso e a geração de substâncias tóxicas e perigosas. (AF9s; EXP/LAB; TS; PROF54) O conhecimento adquirido na escola se manifesta como cidadania responsável no exercício da profissão para resolver problemas sociais: ____ Pois poderei auxiliar ao prestar serviços como técnica em equipamentos biomédicos, fornecendo a manutenção de modo a ajudar nos tratamentos de saúde. (AF15s; CONH/PROF; AL176) ____ Conserto de equipamentos que estão estragados e diminuem o atendimento em hospitais. (AF15s; CONH/PROF; AL179) ____ Digo sempre a eles que trabalhando com manutenção de equipamentos médicos eles estarão cuidando da saúde de muitas pessoas. (AF15s; EXP/LAB; TS; PROF10) ____ Atualmente a informática está presente na vida da maioria e você saber como usá-la lhe trás grandes benefícios. Ex.: Capacidade de fazer sites para divulgar informação, [...] é uma forma de ajudar a comunidade a conhecer certo assunto. (AF15s; CONH/PROF; AL06) 184 ____ Espero auxiliar no desenvolvimento de equipamentos muito mais úteis e importantes na área da saúde. (AF15s; CONH/PROF; AL35) O desenvolvimento do pensamento crítico é necessário para se viver em uma sociedade plural, com competência cívica, e para a participação nas instituições democráticas, nas quais os cidadãos são confrontados com a necessidade de tomar decisões que deverão ser racionais e responsáveis. A esse respeito, as diretrizes governamentais para a educação e os documentos institucionais do CEFET-MG consideram o desenvolvimento de capacidades para os alunos pensarem criticamente uma condição necessária para a tomada de decisão, o exercício da cidadania e a autonomia intelectual para continuar aprendendo. Ao objetivo do enfoque CTS no ensino de Ciências de formar cidadãos científica e tecnologicamente alfabetizados, capazes de tomar decisões informadas e ações responsáveis, Ainkenhead (1987) citado por Membiela (2001, p.93) “acrescenta outro objetivo, que é o de alcançar o pensamento crítico e independência intelectual”. Ainda nesse sentido, o ensino das Ciências com enfoque CTS tem como vantagem apontada por diversos autores o fato de fomentar o desenvolvimento de capacidades do pensamento criativo, crítico e de resolução dos problemas dos alunos, bem como o uso de conceitos científicos nos processos vivenciados no dia a dia e na tomada de decisões pessoais de forma responsável (VIEIRA, 2003). A reflexão cuidadosa, prudente e responsável demanda o desenvolvimento de competências críticas associadas à formação de opinião, e de questionamento diante dos fatos e questões referentes à Ciência e à Tecnologia, e de como elas interferem na esfera pessoal e coletiva. Significa sair do conformismo, construir novas explicações e entendimentos, juízos de valor necessários para analisar e decidir criticamente os problemas que nos afetam. Nas respostas de alunos o pensamento crítico se expressa através da aplicação do conhecimento em situações que demandam opinião formada e senso crítico sobre assuntos relacionados à política, sociedade, meio ambiente, Ciência e Tecnologia, relações pessoais, entre outros. 185 A aplicação do conhecimento se expressa em situações que envolvem: a) acontecimentos em termos políticos e sociais: ____ Através do contato com o ‘mundo exterior’ por meio de reportagens, artigos, trabalhos científicos consultados, Seminários [...]. Percebo a relação que existe entre o enfoque de determinados conteúdos e as demandas atuais da sociedade.” (AF11p; SC/OP; CS; AL37) ____ Quando eu tenho uma análise crítica sobre determinado assunto de cunho político, científico e meio ambiente. (AF11p; SC/OP; C; AL85) b) situações relacionadas ao meio ambiente: ____ Assistindo uma reportagem e não se deixando levar pela opinião dos repórteres, por exemplo, em relação ao código florestal. (AF11s; SC/OP; S; AL192) ____ Em uma conversa sobre a construção da Usina de Belo Monte, eu tenho argumentos bons para defender minha opinião. (AF11s; SC/OP; TS; AL169) c) ciência e tecnologia: ____ Interpretar uma notícia tecnológica ou social corretamente. (AF11s; SC/OP; S; AL150) ____ Ao assistir algum programa e hoje ter uma visão crítica, em alguns tipos de discussão envolvendo assuntos já estudados sobre tecnologias e crise no mundo. (AF11s; SC/OP; CS; AL184) ____ [...] percebo que certos conteúdos a mim passados direcionaram meu pensamento me permitindo chegar a conclusões sobre muitas coisas que envolvem a ciência e a tecnologia [...]. (AF11p; SC/OP; CS; AL41) d) educação: ____ [...] atentamos melhor para causas sociais como a situação da Educação no país, etc... (AF11s; SC/OP; CS; AL37) e) convívio social: ____ Um colega que fez o mesmo curso que eu em outro colégio, ao debater sobre conceitos básicos de física não soube argumentar. (AF11s; SC/OP; CS; AL147) 186 ____ Avaliando a percepção de alunos fora do meu curso sobre a questão ambiental. (AF11p; SC/OP; S; AL73) ____ Expondo minhas ideias sobre determinado assunto técnico com base em meus conhecimentos. (AF15s; CONH/COT; AL184) f) resolução de problemas no cotidiano: ____ Percebo que tenho maior independência e consigo formular minhas ideias de uma forma mais crítica. (AF12p; RP/COT; AL05) ____ Porque tenho conhecimento sobre os assuntos da minha vida e da sociedade e posso elaborar minha própria opinião. (AF12p; RP/COT; AL85) ____ O conhecimento nos transforma em cidadãos críticos capazes de visualizarmos com mais clareza os problemas. (AF12p; RP/COT; AL149) g) visão de mundo: ____ Quando me vejo mais crítica diante das situações da vida e do mundo. (AF11p; SC/OP; S; AL188) ____ Através da minha compreensão de determinados assuntos da cidade, do mundo e maior análise crítica. (AF11p; SC/OP; C; AL184) Nas respostas dos professores, identificamos atividades didático-pedagógicas em que há intenção em desenvolver nos alunos capacidades para formação de opinião e senso crítico. Percebe-se, em algumas respostas, que os professores instauram em sala de aula uma atmosfera que favorece, estimula e motiva os alunos a manifestar suas opiniões e a questionar sobre o que eles aprendem: ____ Eu provoco meus alunos a pensar, a criticar, a saber o porquê. Instigo-os a pensarem criticamente e analiticamente [...]. (AF11s; EXP/LAB; S, PROF39) ____ Oportunizando-os manifestar suas opiniões diante de situação problema elaborada e deixar dar suas sugestões. (AF12s; EXP/LAB; S; PROF38) ____ Alertando os alunos quanto ao estado assumido pela sociedade brasileira, principalmente a escola na busca e desenvolvimento da ciência e tecnologia e a possível transformação por meio de novas posturas. Não é uma discussão formal. (AF14s; EXP/LAB; PROF33) 187 Alguns professores possibilitam liberdade nas ações e ideias apresentadas nos projetos e outras tarefas como forma de o aluno desenvolver autonomia e autossuficiência para decidir: ____ Dando e cobrando a liberdade nas ações a serem executadas por eles. (AF12s; EXP/LAB; S; PROF42) ____ Motivo os alunos para que eles alcancem etapas e consigam vislumbrar além do que se pede e aprende em sala de aula, permitindo uma liberdade quanto às ideias de projetos expandindo-as além do que se propõe nos trabalhos e tarefas. (AF12s; EXP/LAB; S; PROF61) A forma como o professor utiliza o livro didático também parece indicar sua intenção em desenvolver o pensamento crítico no aluno: ____ Na forma de discussão das questões do livro, procurando evitar de apenas apresentar a solução buscada pelos alunos [...]. (AF12s, RDP; PROF26) De modo geral, constata-se nas respostas que o conhecimento científico adquirido na escola e a atmosfera do ambiente de ensino e aprendizagem possibilitam aos alunos desenvolver capacidades de pensamento crítico para questionar, avaliar e fazer juízos de valor relacionados ao próprio conhecimento, às informações obtidas nas mídias, discernir em que acreditar e usá-las em sua vida. Nesse sentido, parece haver indicativos de que o ensino ofertado na instituição possibilita o desenvolvimento de cidadãos críticos frente às questões que predominam no mundo atual. No contexto CTS, a tomada de decisão relaciona-se à solução de problemas da vida real que envolvem aspectos sociais, tecnológicos, econômicos e políticos, portanto, para o exercício pleno da cidadania. As decisões tomadas no cotidiano e no contexto do exercício profissional diferem das soluções no contexto escolar. Segundo Santos e Schnetzler (2010), as decisões para a resolução de um problema na vida real envolvem alternativas múltiplas para realmente decidir por uma solução, e também a mobilização multidisciplinar de conhecimentos, o juízo de valor para avaliar os custos/benefícios e a capacidade de discernimento em relação ao 188 conhecimento construído ao longo das etapas anteriores, para, finalmente, descobrir a solução mais adequada. A tomada de decisão é identificada nas respostas a partir de orientações fornecidas aos alunos, a fim de que eles desenvolvam capacidades de resolver problemas no contexto escolar, profissional e cotidiano. Nesses contextos, os alunos apresentam autonomia e autossuficiência para decidir sobre os problemas e as escolhas pessoais, as iniciativas no âmbito do estágio e do estudo, e o auxílio às pessoas. Os professores procuram mostrar que as decisões profissionais devem estar ancoradas à formação acadêmica e procuram criar situações didáticas similares às encontradas em empresas para desenvolver nos alunos atitudes para tomar decisões no âmbito da profissão e nos estágios. Nas situações criadas, os professores exigem dos alunos avaliação de riscos, saber como agir para resolver demandas e decidir sobre dimensionamentos de projetos: ____ Nos seminários e em sala de aula provoco os alunos para tomada de decisões, com relação aos projetos que temos que dimensionar: Questões de segurança, viabilidade econômica, viabilidade técnica. O técnico tem que tomar decisões no cotidiano das suas funções, assim o aluno tem que começar a ter e tomar tais decisões já nas suas atividades acadêmicas. (AF14s; EXP/LAB; PROF57) ____ O curso técnico nos dá uma noção de responsabilidade sobre suas decisões. Então, tudo que decido tem base argumentativa, quer dizer, uma “relação custo benefício” que assegura-a. Afinal, um técnico não pode argumentar simplesmente ao léu ou está demitido. (AF14s; CONH/PROF; S; AL09) ____ Propiciando aos estudantes a oportunidade de criar simulações através do “custo/benefício” de situações que eles mesmos possam avaliar. (AF14s; EXP/LAB; PROF42) ____ Quando for fazer estágio/trabalhar, olhar para o social (cultura), para o econômico e a infraestrutura. (AF14s; CONH/PROF; S; AL130) ____ Torno-me mais apto a tomar decisões no estágio com uma visão mais crítica. (AF14s; CONH/PROF; S; AL186) 189 ____ São os conceitos aprendidos na escola que me permitem avaliar qual a melhor solução para o problema ambiental, como por ex: melhor tecnologia para o tratamento de resíduo. (AF14s; CONH/PROF; CTS; AL188) ____ Análise de situações da profissão que requerem decisões baseadas em conhecimento técnico. (AF14s; CONH/PROF; CT; AL161) ____ A formação acadêmica adquirida me permite lidar com alguns temas relacionados com ciência e tecnologia, e pretendo atuar nas áreas relacionadas a esses temas. (AF14s; CONH/PROF; CT; 169) No contexto escolar, o processo de solução de problemas já se inicia com um problema definido e um resultado esperado. Normalmente, é apresentado um algoritmo de foco disciplinar e o conhecimento é dirigido para se obter um resultado, certo ou errado, julgado de imediato. Como sublinham Santos e Schnetzler (2010), os problemas escolares são objetivos, enquanto nos da vida real está presente a subjetivação que, por sua vez, demanda o julgamento de valor. Nas respostas percebe-se que os professores indicam o caminho da solução sem, no entanto, apresentá-la; um problema novo é fornecido, são propostas atividades nas quais os alunos devem formular problemas, tomar decisões em aulas práticas: ____ Quando um aluno apresenta alguma questão interessante sobre um dado tema, procuro indicar o caminho da solução sem, entretanto, apresentar-lhe a solução pronta. (AF12s; EXP/LAB; S; PROF14) ____ Apresentação de um problema novo, diferente dos então resolvidos. (AF12s; EXP/LAB; S; PROF43) ____ Através da utilização de uma postura que permita isto: por exemplo, planejo atividades em que eles têm que formular problemas e apontar soluções. (AF12s; EXP/LAB; S; PROF46) ____ Procuro nunca dar respostas prontas, ainda mais por ministrar uma disciplina em que várias respostas podem estar corretas. Assim, sempre deixo que o aluno resolva o problema e procuro ajudá-lo a encontrar a solução, sem dar a resposta direta. (AF12s; EXP/LAB; S; PROF63) 190 ____ Nas aulas práticas procuro lançar desafios e ao mesmo tempo dou autonomia para que resolvam os problemas. (AF14s; EXP/LAB; PROF29) ____ No laboratório devemos ser autônomos, portanto devemos tomar várias decisões sozinhos. (AF14s; EXP/LAB; C; AL142) ____ Em matérias técnicas, são utilizados exercícios onde o aluno deve escolher o que deve fazer para a solução do problema proposto. (AF12s; A/TD; AL11) ____ (Tomada de decisões) Em assuntos relacionados ao próprio curso. (AF12s; A/TD; AL 21) ____ A necessidade de desenvolver iniciativa para buscar os próprios interesses, com a necessidade de fazer escolhas para organizar seu próprio tempo e escolher, por exemplo, participar de uma iniciação científica de determinada área. (AF12s; A/TD; AL 69) No cotidiano, as decisões refletem o desenvolvimento de autonomia e a autossuficiência para a solução de tarefas simples: ____ Quando tenho que tomar decisões pessoais, já que os professores do CEFET e o próprio CEFET em si lidam o todo tempo com a autonomia dos alunos. (AF12p; RP/COT; AL74) ____ Por fazer, um curso técnico na área de tecnologia, o uso do raciocínio com embasamento em algo científico aparece em tomadas de decisões cotidianas. (AF14s; A/TD; S; AL92) ____ Coisas simples como trocar um chuveiro elétrico (procedimentos e cuidados), trocar um pneu de um carro etc. [...]. (AF14s; EXP/LAB; PROF22) ____ O que fazer quando uma pessoa conhecida está com tal doença. (AF14s; A/TD; S; AL 95) ____ Por exemplo, a procura de um médico especialista capaz de nos ajudar em cada situação específica. (AF14s; EXP/LAB; PROF40) As respostas expressam, de modo geral, que o conhecimento adquirido na escola permite identificar alternativas de ação a partir da análise de riscos e benefícios para se tomar uma decisão em relação a um problema de ordem pessoal, 191 profissional e acadêmica. Nesse processo, estão implícitas capacidades de avaliação e de julgamento associadas ao modo de pensar criticamente. Atitudes e comportamentos são modulados pela base de valores que o indivíduo possui, isto é, ele atua de acordo com o que acredita ser correto. Na escola consideramos que o conhecimento é uma das vias por meio das quais atitudes e comportamentos podem ser mudados; entretanto, a dimensão afetiva é indispensável. A dimensão afetiva mais sugere do que prescreve. Ela está voltada para a responsabilidade, para a solidariedade, para a tolerância, para o julgamento crítico e para a tomada de decisões. Abre caminhos para desenvolver competências do domínio cognitivo (compreensão da ciência e da tecnologia), da capacidade cívica (dimensão comunitária e política do desenvolvimento pessoal) e de intervenção social (dimensão que capacita para lidar com a diversidade cognitiva, social e cultural, na consciência de um justo equilíbrio entre direitos e deveres). As mudanças de hábitos, atitudes e valores expressas nas respostas dos alunos se relacionam à autonomia e desenvoltura conquistada e proporcionada pela formação adquirida, e isso se faz perceber na atuação em projetos de pesquisa: ____ Acredito que, com a formação recebida voltada para as questões de desenvoltura e autonomia pessoal [...]. Já observo reflexos disso no meu comportamento e atitudes no desenvolvimento do projeto de BICJR do qual eu sou bolsista. (AF14s; MHAV; CS; AL37) Todavia, em outras respostas, pode-se vincular a aquisição de novos hábitos e atitudes à motivação pessoal para ampliar o conhecimento e conquistar autonomia intelectual. Para adquirir, ampliar e aprofundar seus conhecimentos os alunos geralmente fazem consultas a sites, revistas, jornais, artigos científicos, literatura, assistem à televisão e acessam outros materiais de estudo. A seguir algumas respostas exemplificam tais atitudes e comportamentos: ____ Ao estudarmos Física me interessei muito sobre campo magnético, pesquisei e descobri diversas curiosidades e muitas coisas interessantes sobre o assunto. [...]. (AF11s; A/CONH; C; AL13) 192 ____ Quando quero saber como funciona certo equipamento eu busco pesquisar sobre ele. (AF11s; A/CONH; T; AL43) ____ Quando assisti a um programa sobre como são fabricados filtros de ar de um automóvel, o que complementava os conhecimentos da aula de manutenção de motores Endotérmicos eu passei a procurar mais sobre o assunto. (AF11s; A/CONH; CT; AL68) ____ Quando busco pesquisar sobre um novo produto ou tecnologia e analisar suas consequências para a sociedade e para o ambiente. (AF11s; A/CONH; TS; AL168) ____ Leituras da revista FAPESP, procuro artigos científicos sobre a minha área técnica e por curiosidade em outras áreas também [...]. (AF11s; A/CONH; C; AL01) ____ Através da minha mudança em dedicar mais a um ou outro assunto, visto na sala de aula ou durante conversação com colegas. (AF11p; A/CONH; CS; AL01) ____ Quando surge interesse pessoal de pesquisar algum assunto que não é tratado aprofundadamente na escola ou que não aprendi. (AF11p; A/CONH; CS; AL 69) Na escolha da carreira profissional e continuidade dos estudos, os alunos levam em conta valores relacionados à satisfação pessoal e posicionamentos críticos na hora de escolher a faculdade e o estágio: ____ Mudança de interesse sobre qual a melhor profissão. (AF14s; AT/V; S; AL25) ____ Analisar o melhor estágio, aliando a obtenção de novos conhecimentos com melhor custo benefício. Antes eu não preocupava com isso. (AF14s; AT/V; S; AL155) ____ Optar por empregos em empresas privadas que respeitam e valorizam o meio ambiente e as leis trabalhistas. (AF14s; AT/V; S; AL199) ____ Escolher um caminho e escolher por base em estudo! (AF14s; AT/V; CS; AL63) Mudanças de atitudes, valores e comportamento são visualizadas nas respostas que apontam para intervenções sociais e ações solidárias: ____ Mudança de hábitos em ajudar as pessoas com o conhecimento que tenho. (AF11p; AT/V; S; AL164) 193 ____ A partir das ideias que temos para o auxílio da população e o próprio. (AF12p; AT/V; AL65) ____ Aprendi a importância da questão social e busco ONG's para ajudar. (sociologia). (AF12s; AT/V; AL199) Por fim, os alunos refletem sobre a aquisição de novos hábitos e comportamentos proporcionada pela formação adquirida na instituição: ____ O CEFETMG nos faz amadurecer rapidamente. O sistema de ensino nos faz buscar aprender de forma contínua (quase sempre temos que ser autodidáticos), nos estimula a crescer e ter mais atitude. Percebo isso observando os novos alunos e analisando-me como entrei e estou saindo. (AF12p; AT/V; AL01) As motivações que levam os estudantes a ampliar seus conhecimentos científicos, tecnológicos e saberes abrem caminhos para questionarem e refletirem sobre o mundo que os cerca. Nesse sentido, eles demonstram sentimentos legítimos de responsabilidade consigo mesmos e com a sociedade. Muitas respostas restringem-se à esfera das relações pessoais e interpessoais, visto que apontam para a conquista de confiança e autonomia, que se reverte em novos hábitos e mudanças de comportamento diante da vida e nos compromissos assumidos com a escola, com as pessoas e mesmo em relação à participação social. Para finalizar análise vertical, apresentamos e discutimos sobre as disciplinas citadas pelos alunos que de modo mais expressivo abordaram temas de relevância social e ambiental (AF3), as interações entre a Ciência, a Tecnologia e a Sociedade (AF5), os problemas sociais relevantes (AF6) e as condições socioambientais futuras relacionadas aos desenvolvimentos presentes da C&T (AF10). A matriz curricular dos cursos técnicos de nível médio do CEFET-MG encontra-se dividida em três segmentos: base nacional comum, parte diversificada e parte específica. Na base nacional comum, as disciplinas estão elencadas e agrupadas segundo as três áreas do conhecimento apresentadas primeiramente nas DCNEM/98. Na parte diversificada, o Inglês, como língua estrangeira, está presente na matriz curricular de todos os cursos técnicos, e uma ou duas disciplinas completam essa parte para atender às especificidades de cada curso. Na parte 194 específica dos cursos, como o nome deixa claro, as disciplinas visam a atender as particularidades dos mesmos. Segundo as respostas dos alunos às afirmativas 3, 5, 6 e 10, as disciplinas que mais dão oportunidades para eles se manifestarem acerca das ideias propostas nessas afirmativas são as da base nacional comum. As disciplinas da área de Ciências Humanas, seguidas pelas da área de Ciências da Natureza e, por fim, da área de Linguagens são as mais citadas. A posição ocupada pela disciplina dentro de sua área de concentração pouco altera entre uma ou outra afirmativa. Esse detalhamento foi realizado quando se fez a análise horizontal das respostas às afirmativas em questão. As disciplinas que mais exploram as ideias centrais das afirmativas 3, 5, 6 e 10 coincidem, em parte, com o que Santos e Mortimer (2002, p. 11) consideram em relação ao contexto brasileiro. Esses autores apontam que: [...] esses temas fazem parte atualmente dos currículos de Geografia. Todavia, dado o forte componente científico e tecnológico deles, é importante que sejam explorados também na área de Ciências e suas tecnologias, de preferência numa abordagem interdisciplinar junto com a Geografia e outras disciplinas. A orientação para a interdisciplinaridade mencionada acima está presente em diretrizes do governo para a educação e em documentos da instituição, e foi constatada na análise do Gráfico 22. Outros autores também reconhecem a orientação para o ensino interdisciplinar, embora concordem que, frente ao enfoque disciplinar dos currículos da maioria das escolas, as discussões desses temas se estendem para os estudos sociais, a Geografia ou a História (MEMBIELA, 2002; PINHEIRO, 2007; PINHEIRO, 2009). Os PCNEM/99 (BRASIL, 1999) parecem indicar um caminho para justificar a Geografia, a História e a Sociologia como disciplinas que mais exploram os temas colocados nas afirmativas do questionário. Nos textos específicos para a Geografia, a interdisciplinaridade é interpretada como uma característica da própria disciplina, como uma marca do conhecimento geográfico. Esse caráter interdisciplinar da Geografia facilita sua aproximação com as Ciências da Natureza e permite operar na 195 discussão e resolução de problemas científicos. Ao considerar seu estudo focalizado nas relações homem-meio, implica dizer que ela mescla todas as ciências. A História, outra disciplina muito citada pelos alunos, trás a marca do tempo. Ao trabalhar a noção de tempo em seus variados matizes (cronológico, cíclico, geológico, astronômico etc.) essa disciplina tem como objetivo situar as diversas produções da cultura, entre elas as ciências, as tecnologias e outras manifestações culturais nos contextos históricos de sua constituição e significação. Nesse sentido, essa disciplina transita entre o presente, o passado e o futuro ou entre o presente, o passado e o presente, para fazer com que o aluno aprenda a se “situar na sociedade contemporânea para melhor compreendê-la” (BRASIL, v. 4, 1999, p. 50). A cidadania, outra marca importante no ensino dessa disciplina, se expressa na configuração da identidade: [...] ao incorporar a reflexão sobre a atuação do indivíduo nas suas relações pessoais com o grupo de convívio, suas afetividades, sua participação no coletivo e suas atitudes de compromisso com classes, grupos sociais, culturais, valores e com gerações do passado e do futuro (BRASIL, v. 4, 1999, p. 46). Dessa forma, as ideias presentes nas afirmativas se inserem nas abordagens próprias da disciplina, pelo fato de ela possibilitar a comparação entre problemas vivenciados pela sociedade contemporânea, a partir da interpretação e da compreensão com situações do passado. A Sociologia contemporânea, outra disciplina muito citada pelos alunos, está atualmente muito empenhada em oferecer ao indivíduo a melhor compreensão possível das estruturas sociais, do seu papel na sociedade e da dinâmica social, isto é, das possibilidades reais de transformação social, na procura de uma sociedade mais justa e solidária. Novamente, o conceito de cidadania se apresenta. As ideias centrais das 4 afirmativas do questionário, e de outras também, demandam posicionamentos que, de uma forma ou de outra, conduzem o aluno a articular as preocupações ambientais com a dinâmica social muitas vezes imposta pelos desenvolvimentos científicos e tecnológicos. Vale ressaltar nesse cenário o fato de a disciplina Matemática não ser lembrada pelos alunos. Ela é citada por apenas um aluno e, considerando o 196 conjunto das respostas dadas às afirmativas do questionário, essa disciplina é praticamente ausente. A proposta do PCNEM/99 para o ensino da Matemática no Ensino Médio indica como objetivos levar o aluno a: (i) aplicar seus conhecimentos matemáticos a situações diversas, utilizandoos na interpretação da ciência, na atividade tecnológica e nas atividades cotidianas; (ii) desenvolver capacidades de raciocínio e resolução de problemas, de comunicação, bem como o espírito crítico e criativo; (iii) estabelecer conexões entre diferentes temas matemáticos e entre esses temas e o conhecimento de outras áreas do currículo (BRASIL, v. 3, 1999, p. 84, grifos nossos). A respeito desses entendimentos, Pinheiro (2005) faz algumas reflexões sobre as dificuldades da Matemática em tratar assuntos que envolvem Ciência, Tecnologia e Sociedade. Uma delas refere-se ao modo como a Matemática se relaciona com a Tecnologia. Segundo Pinheiro (2005), artefatos tecnológicos, como calculadora científica, computador e TV são introduzidos nas aulas de Matemática para tornar mais eficiente e atrativo o ensino da disciplina para os alunos, no entanto, não existe preocupação em retratar como a Matemática influencia na produção e repercussão de tais tecnologias. Outro exemplo citado pela autora faz referência aos: [...] modelos matemáticos utilizados em sociedade, os quais dificilmente são compreendidos pelas pessoas que estão de fora da situação. E o que é pior, muitas vezes essas pessoas não têm interesse em compreender, analisar, questionar e criticar esse modelo, nem em refletir sobre ele (PINHEIRO, 2005, p. 58). Uma maneira de reverter essa situação, como defende a autora, é através da Educação Matemática Crítica. A esse respeito, ela diz: A Educação Matemática Crítica vem configurar a preocupação com o lado crítico-reflexivo do conhecimento matemático em suas relações com a ciência, a tecnologia e o contexto social. Isso vem reforçar o fato de que os educadores da Matemática, mesmo muitas vezes não conhecendo os pressupostos do enfoque CTS, sentem a necessidade de o conhecimento matemático proporcionar um ensino que leve a formação de um cidadão que compreenda o funcionamento e repercussão dos produtos e processos tecnológicos usados pela sociedade contemporânea (PINHEIRO, 2005, p. 58). Constata-se, nessas palavras, a correlação entre a Educação Matemática Crítica e os pressupostos do enfoque CTS. Para que na sala de aula tal relação se 197 estabeleça, faz-se necessária a utilização de algumas tendências da Educação Matemática Crítica citadas pela autora: Resolução de Problemas, Modelagem Matemática e a História da Matemática. Para Pinheiro (2005, p. 59), [...] com esse encaminhamento, a Educação Matemática passará a agir como um guia que ajudará o aluno a buscar elementos para a resolução dos mais variados problemas que possam envolver o contexto científicotecnológico e social, ampliando-lhe esse conhecimento para utilizá-lo nas soluções dos fenômenos coletivos em favor da humanidade. Esses entendimentos podem resultar em revalorização da Matemática nas situações de ensino no sentido de fazer os alunos perceberem sua dimensão crítica, de modo a torná-la mais presente e interessante em suas vidas. Os cursos técnicos em Meio Ambiente e Química correspondem aos cursos da maioria das disciplinas lembradas pelos alunos, ao serem perguntados sobre questões socioambientais. Esse resultado não surpreende, tendo em vista que os estudantes formados nesses cursos são preparados para organizar, elaborar e intervir em ações de gestão e educação ambiental. Em consulta realizada no documento da instituição que apresenta os perfis dos cursos técnicos da EPTNM (CEFET-MG, 2009), os técnicos desses cursos são preparados principalmente para atuarem com responsabilidade ambiental. Surpreende constatar entre as disciplinas mais citadas pelos alunos aquelas oriundas de cursos técnicos, como Informática, Mecânica, Mecatrônica e Edificações. Em princípio, parece estranho esses cursos apresentarem preocupações socioambientais, sobretudo porque eles se relacionam com a elaboração e a execução de projetos de máquinas, equipamentos e edificações, e com a elaboração de programas computacionais. Entretanto, examinando-se as ementas das disciplinas desses cursos mais citadas pelos alunos, pode-se inferir que elas possibilitam discussões voltadas para questões ambientais, principalmente quanto ao atendimento às normas e legislações que qualificam empresas e serviços em relação à preservação do meio ambiente e à segurança para a sociedade. 4.2 Síntese Comparativa das Respostas dos Alunos e Professores 198 Neste item, pretende-se tecer algumas considerações sobre o que mais nos chamou atenção nos posicionamentos assumidos por alunos e professores ao responderem o instrumento de pesquisa utilizado nesta tese. As convergências e divergências de pontos de vista identificadas em algumas questões permite delinear o caminho no qual os sujeitos de nossa pesquisa transitam. O percentual de alunos e professores que assinalou, nas afirmativas do questionário, uma opção da escala foi muito satisfatório. Em duas afirmativas, as de número 19 e 20, o percentual de alunos que não respondeu corresponde a 5% da amostra. Na afirmativa 14 esse percentual corresponde a 7% dos alunos. Nas demais, esse percentual ficou abaixo de 5% indicando o envolvimento dos alunos na pesquisa. O mesmo pode-se dizer sobre os professores que deixaram de responder apenas duas afirmativas, correspondendo a 1% da amostra em cada. Quanto aos posicionamentos assumidos por alunos e professores, estes convergem em 16 das 25 afirmativas do questionário. As afirmativas nas quais os posicionamentos são divergentes são as de número 3 (apresentar temas socioambientais), 6 (identificar e investigar problemas sociais), 7 (implicações sociais da Ciência), 15 (ajudar nos problemas da comunidade), 18 (mídias impressas), 19 (material de apoio para abordar interações CTS), 20 (currículo extenso dificulta formação de cidadão crítico), 23 (preparação para o vestibular) e, por fim, a afirmativa 24 (tema de interesse do aluno inicia a aula). A afirmativa 3 refere-se às oportunidades para o aluno apresentar ideias sobre temas de relevância social e ambiental. Para os alunos, isso não é muito perceptível nas disciplinas cursadas, tendo em vista que 38% deles confirmaram o proposto na afirmativa, ao contrário de 52% dos professores, assumirem que eles possibilitam aos alunos apresentar ideias sobre temas de relevância socioambiental. Esses resultados parecem indicar que o protagonismo do aluno no processo de ensino e aprendizagem é percebido de maneira diferente pelos sujeitos de nossa pesquisa. Conforme afirma Yager (2013a), em classes de ciências com enfoque CTS o protagonismo do aluno é estimulado e incentivado pelos professores para que eles se tornem mais questionadores e interessados sobre as questões que envolvem a Ciência, a Tecnologia e suas implicações socioambientais. 199 A afirmativa 6 diz respeito à identificação e investigação de problemas sociais relevantes para os alunos e de impacto local ou mundial. Os alunos reconhecem que nas disciplinas de seus cursos isso acontece. Quanto aos professores, seus posicionamentos tendem a indicar o contrário. Possibilitar aos alunos identificar e investigar problemas sociais relevantes conduz à formação de alunos críticos para que eles desenvolvam capacidades de avaliar “o papel das decisões humanas na determinação da sobrevivência e da vida” (SANTOS; SCHNETZLER, 2010, p. 77). A afirmativa 6 guarda relação com a afirmativa 3 porque ela envolve também assunto de natureza social. Quando comparamos os posicionamentos assumidos por alunos e professores nas duas afirmativas percebe-se que ocorre uma inversão. Se na afirmativa 3 os alunos dizem reconhecer oportunidades para eles apresentarem ideias sobre temas sociais relevantes, na afirmativa 6 eles não reconhecem oportunidades para identificar e investigar problemas sociais relevantes para eles. Quanto aos professores, se na afirmativa 3 eles assumem possibilitar aos alunos apresentar ideias sobre temas sociais relevantes, na afirmativa 6 eles assumem o contrário. Embora a afirmativa 3 implique mais diretamente no papel que o aluno exerce no processo de ensino e aprendizagem tendo em vista a afirmativa questionar a participação do aluno, de modo algum o assunto abordado na afirmativa exclui a necessidade de desenvolver no aluno capacidades de avaliação e portanto de julgamento de valor. Quando se tem a oportunidade de apresentar ideias, de identificar e investigar sobre temas sociais relevantes, essas ações, em alguma medida, desloca o professor de sua posição como fornecedor de informações e os alunos passam a vê-lo como um guia. Nesse novo cenário o aluno é o centro no processo de ensino e aprendizagem. A afirmativa 7 trata da abordagem das implicações sociais da Ciência e, segundo o ponto de vista dos alunos, isso não é muito explícito nas disciplinas de seus cursos. Entretanto, os professores consideram o contrário tendo em vista seus posicionamentos mostrar uma forte tendência para essas abordagens acontecerem em suas disciplinas. Esta afirmativa também se relaciona às afirmativas 3 e 6 se pensarmos que nas três está implícita a ideia de despertar a consciência e a responsabilidade social dos alunos como cidadãos. Se realmente essa correlação for plausível, percebe-se que os posicionamentos dos alunos e professores oscilam muito e, sob esse ângulo podemos nos perguntar o quanto eles compreendem sobre 200 o que está sendo perguntado. O que eles compreendem quando perguntamos sobre ‘as implicações sociais da Ciência’? A próxima afirmativa, na qual professores e alunos divergem em seus posicionamentos, é a de número 15. A afirmativa refere-se à formação acadêmica auxiliando na solução dos problemas da comunidade dos alunos. Os professores admitem mostrar aos seus alunos como a formação adquirida pode ajudá-los a resolver problemas em suas comunidades. Entretanto, na percepção dos alunos, isso não está muito claro. Como a ideia central dessa afirmativa é a da formação para a cidadania, por um lado (dos professores), há entendimentos favoráveis e, por outro, (alunos) há fragilidades. Ao incidir diretamente sobre a formação para uma cidadania ativa, como mencionado acima, implica dizer que, os professores devem trabalhar no sentido de despertar o interesse de seus alunos por problemas das comunidades onde eles vivem para que eles assumam posturas de comprometimento e de participação social. Esse resultado é corroborado por resultados apresentados nas afirmativas 3 e 6 principalmente. Desse modo, constata-se fragilidade na formação para a cidadania. Os professores utilizam mídias impressas (revistas, jornais, etc) para abordar os conteúdos das disciplinas (afirmativa 18), enquanto os alunos demonstram perceber o contrário. A utilização de mídias impressas possibilita desenvolver nos alunos novos posicionamentos, análise crítica e, no aspecto da cidadania, o jornal, principalmente, representa sempre uma janela para o mundo que se abre diariamente. Outra afirmativa na qual os posicionamentos de alunos e professores são divergentes é a 19, que se refere ao uso de materiais de apoio pelos professores para abordar temas relacionados às interações CTS. Os alunos confirmam e os professores dizem sentir dificuldades em abordar as interações CTS devido à falta de material que os apoie. Comparando os posicionamentos assumidos pelos alunos nas afirmativas 5 (discussão das interações CTS), 18 (uso de mídias impressas) e 21 (uso de mídias eletrônicas) com os da afirmativa em discussão, percebe-se que existem algumas contradições. Na afirmativa 5 os alunos confirmam que seus professores discutem as interações CTS, entretanto, na afirmativa 18 assumem que seus professores não utilizam mídias impressas e na afirmativa 21 dizem que as 201 mídias eletrônicas são muito utilizadas pelos professores. Na afirmativa em questão (19) os materiais de apoio citados pelos alunos compreendem recursos visuais (livros, revistas e jornais, dentre outros) e recursos audiovisuais (computador, projetor multimídia, filmes/vídeos, etc). O que dizer dos professores? Na afirmativa 5 eles afirmam que discutem com seus alunos as interações CTS; na afirmativa 18 dizem utilizar mídias impressas e na 21 confirmam utilizar mídias eletrônicas. Porém, na afirmativa em questão (19) eles sentem dificuldades em abordar interações CTS por falta de material de apoio. Isso leva a um questionamento: que tipo de material de apoio eles precisam? O livro didático, se utilizado de forma crítica, pode ser um excelente e rico material para discutir as interações CTS. O mesmo podemos dizer sobre as mídias impressas, o computador, filmes e vídeos que podem ser utilizados como fonte de pesquisa, iniciar e sustentar discussões, apresentar pontos de vista diversos, entre outros. Na afirmativa 20 (o extenso programa curricular dificulta a formação dos alunos como cidadãos críticos), os posicionamentos dos alunos negam o que é proposto e os professores a confirmam. Resultados de outras afirmativas mostraram que os alunos não percebem nas disciplinas cursadas discussões sobre o controle social da Ciência e da Tecnologia (afirmativa 4), sobre as implicações da C&T na sociedade e no ambiente, relacionadas ao presente/futuro (afirmativa 10), sobre as implicações da C&T em seu cotidiano (afirmativa 13) e sobre utilizar a formação adquirida para resolver problemas da comunidade (afirmativa 15). Já constatamos inclusive uma fragilidade em relação à cidadania e desse modo parece que os alunos não têm muita clareza quanto ao seu papel como um cidadão crítico frente às implicações sociais da C&T. Quanto aos posicionamentos dos professores observamos coerência de seus posicionamentos com os de outras afirmativas: 4 (controle social), 5 (interações CTS), 6 (problemas sociais e impactos local e mundial), 19 (material de apoio para discutir CTS). Isso implica em pensar novos arranjos curriculares. A afirmativa 23 refere-se à preocupação em preparar os alunos para o vestibular. Os alunos confirmam e entre os professores parece existir uma tendência 202 em negá-la. Podemos inferir que a formação oferecida na instituição possibilita aos seus alunos perceberem que são preparados para enfrentar o vestibular. A última afirmativa em que os posicionamentos de alunos e professores divergem é a afirmativa 24 (temas de interesse dos alunos iniciam o conteúdo e, a seguir se a sequência do livro didático é obedecida). Os professores a confirmam e os alunos tendem a negá-la. O que se coloca em discussão é o protagonismo do aluno no centro do processo de ensino e aprendizagem. A afirmativa 3 (apresentar temas socioambientais) também se relaciona ao protagonismo do aluno. Comparando os posicionamentos dos alunos nessas duas afirmativas constata-se que eles são coerentes. Em ambas eles percebem que a eles não é dada a oportunidade para apresentar ideias ou o conteúdo iniciar por um tema de seu interesse. Quanto aos professores, eles são coerentes em termos de seus posicionamentos em ambas afirmativas. Mas ao contrário dos alunos, eles acreditam que o aluno tem voz e espaço no ambiente de sala de aula para expor suas ideias e apresentar temas de seu interesse. A atmosfera da sala de aula favorece a interatividade, a empatia, o questionamento? Ou existe entre alunos e professor uma parede opaca que os divide e, por causa disso, os interesses dos alunos divergem dos professores e as intenções destes não atingem os alunos. Dentre as afirmativas em que alunos e professores convergem em suas opiniões, as de número 4 (controle social) e 10 (condições socioambientais futuras e desenvolvimentos presentes da Ciência e da Tecnologia) chamaram a nossa atenção em alguns aspectos que serão discutidos a seguir. Embora a afirmativa 4 (controle social) apresente convergência nos posicionamentos de professores e alunos, a tendência apontada por ambos é a de admitir que esse tema não é discutido nas disciplinas. As respostas ao item da afirmativa (‘cite uma situação’) são muito gerais e a correlação com a cidadania, identificada em algumas delas, não expressa uma cidadania ativa, voltada para a participação social, conforme a ideia proposta na afirmativa. Esse resultado, já mencionado, reforça a fragilidade no ensino em termos do desenvolvimento da capacidade cívica dos alunos, ou seja, a formação para uma cidadania ativa e crítica parece comprometida. 203 Na afirmativa 10 (condições socioambientais futuras e desenvolvimentos presentes da Ciência e da Tecnologia) a convergência está no fato dos posicionamentos assumidos por alunos e professores se mostrarem dispersos quanto às opções assinaladas na escala. O desenvolvimento de posicionamentos críticos e formação de opinião sobre os rumos da C&T parecem comprometidos, incidindo novamente uma fragilidade na formação para a cidadania. Os itens das afirmativas foram respondidos pela maioria dos alunos e professores. Estes itens correspondem ao espaço aberto para alunos e professores registrarem situações e percepções sobre o que está sendo perguntado. No segmento dos professores, as respostas mostram suas intenções em relação ao ensino e aprendizagem dos alunos. Os professores que lecionam disciplinas técnicas contribuíram de forma mais expressiva que os professores que lecionam disciplinas de formação geral. Esse resultado aponta para a necessidade dos professores de formação geral procurar assumir novas posturas diante dos conteúdos ensinados em suas disciplinas, apresentá-los de forma diferente para estimular o interesse de seus alunos por questões sociais, científicas e tecnológicas, contribuindo para a formação para a cidadania. No segmento dos alunos, a maioria das respostas foi dada por alunos que não desenvolviam projetos de pesquisa na instituição (alunos não META). Esse resultado causou-nos surpresa porque esperávamos que os alunos envolvidos com projetos de pesquisa na instituição (alunos META) pudessem colaborar mais expressivamente com nossa pesquisa tendo em vista esse tipo de atividade proporcionar ao mesmo a aplicação e a relação entre conceitos; a interdisciplinaridade; a identificação, investigação e discussão de problemas de ordem científica, tecnológica e social. Esse tipo de atividade, dentre outras estratégias didático-pedagógicas que os professores podem empregar com seus alunos, conduz a aprendizagens ativas (na perspectiva de ação) e significativas (na perspectiva de consolidação dos conceitos aprendidos). O percentual de professores que não respondeu aos itens das afirmativas 4 (controle social), 7 (implicações sociais da Ciência), 10 (condições socioambientais futuras e desenvolvimentos presentes da Ciência e da Tecnologia) e 14 (tomada de decisões cotidianas e profissionais) chamou nossa atenção pelo fato de serem 204 superiores a 50%. Na afirmativa 4, 53%; na 7, 51%; na 10; 56%; e na 14, 55%. Novamente, as afirmativas 4 e 10 emergem de nossas análises como afirmativas que apresentam indicadores consistentes sobre a questão da cidadania. O envolvimento dos alunos em responder aos itens das afirmativas foi muito satisfatório. Todos os itens foram respondidos por mais de 50% dos alunos. Os temas identificados nas respostas de alunos e professores apresentam convergência para a maioria das afirmativas. Ressaltamos apenas que as respostas dadas por professores e alunos nas afirmativas 4 (controle social) e 5 (abordagem das interações CTS) expressam muito superficialmente a ideia central proposta na afirmativa. As unidades de contexto identificadas nas respostas também encontram correspondência entre onde os alunos percebem acontecer as discussões sobre os temas propostos nas questões e onde os professores demonstram discuti-las com seus alunos. Nesse caso, as “aulas” configuram-se como um espaço privilegiado para tais abordagens se consolidarem. Os apêndices E e F mostram o detalhamento das unidades de contexto identificadas nas respostas de alunos e professores para as questões 1 a 12, 14 e 15 do questionário em virtudes delas solicitarem respostas aos itens. Em suas respostas, os alunos expressam suas percepções sobre o ensino ofertado na instituição, ao passo que os professores mostram suas intenções em relação ao ensino e aprendizagem dos alunos. As respostas dos alunos são diretas e as dos professores se misturam entre prescrições e sugestões direcionadas aos alunos. Em algumas respostas de ambos os segmentos, identificamos um “tom de desabafo pessoal” em detrimento de responder ao que foi solicitado. Em síntese, percebe-se que alunos e professores transitam no mesmo sentido na maioria do percurso e, em alguns trechos, o sentido se inverte. De modo geral, constata-se haver um modo igual de perceber o ensino ofertado na instituição. Quanto aos objetivos do enfoque CTS identificados nas respostas, percebe-se uma preocupação em proporcionar uma alfabetização científica e tecnológica consistente. A cidadania, uma fragilidade no ensino já identificada nos resultados de algumas afirmativas do questionário, é expressiva nas respostas de alunos e professores. Nesse caso, a formação para a cidadania se apresenta em vários matizes, como os apontados ao longo das discussões. 205 Ações e iniciativas voltadas para a mudança de hábitos, atitudes e valores pouco comparece no conjunto das respostas de alunos e professores. Como as linhas fronteiriças que separam os objetivos do enfoque CTS são tênues e as respostas permitem várias interpretações, os sentidos deslocam nossa atenção ora para um ora para outro objetivo e, por conta disso, a fragilidade de um reforça e interfere em outros. No capítulo que se segue, apresentamos as conclusões das ideias acima alinhavadas e encaminhamentos para futuras ações. 207 5 CONCLUSÕES Neste capítulo, delineamos algumas conclusões obtidas a partir da investigação desenvolvida, focando inicialmente a questão que norteou nossas ações. Como ponto de partida para respondê-la, é importante recuperar algumas ações e decisões tomadas ao longo do percurso. Nesse sentido, para alcançarmos o objetivo geral de nossa pesquisa, que é o de identificar, no ensino ofertado na EPTNM, do CEFET-MG, objetivos normalmente presentes em cursos com enfoque CTS, decidimos, primeiramente, aprofundar nossos conhecimentos sobre o enfoque CTS com a intenção de compreender melhor seus objetivos e conteúdos específicos, bem como a diversidade de abordagens e estratégias de ensino necessárias à sua implementação. Também consultamos documentos da legislação governamental que apresentam orientações e sugestões para a educação de nível médio, e documentos da instituição onde a pesquisa foi realizada que trazem recomendações no âmbito da educação tecnológica de nível médio. Após navegarmos sobre essas leituras delineamos um instrumento de coleta de dados para nossa pesquisa tendo como norte os objetivos específicos que se articulam ao objetivo geral e o aporte na revisão de literatura realizada. Esse instrumento aplicado a alunos e professores da EPTNM do CEFET-MG possibilitou construir um amplo e significativo retrato do ensino ofertado na instituição. Ainda que não seja possível apresentar um retrato fiel, consideramos que esta pesquisa traz como contribuição a possibilidade de trazer à tona, no seio da comunidade escolar, discussões e reflexões sobre novos encaminhamentos que podem ser traçados para o ensino na instituição e, principalmente, auxiliar os professores a refletir sobre suas práticas docentes. Os dados quantitativos revelam a existência de convergência entre alunos e professores na maioria das situações que se relacionam aos objetivos CTS. Nessas situações, o ensino ofertado na instituição possibilita aos alunos tomar decisões pessoais e profissionais; tornar-se sujeito crítico; desenvolver autonomia e autossuficiência para ampliar seus conhecimentos e continuar a aprender, e a estabelecer relações entre conteúdos. 208 Entretanto, em algumas situações os dados quantitativos apontam para divergências nas percepções dos sujeitos pesquisados. Uma delas está relacionada ao papel exercido por alunos e professores no processo de ensino e aprendizagem e a outra diz respeito ao ambiente de sala de aula. Nesse caso, os resultados quantitativos parecem indicar que o professor ainda ocupa o centro do processo de ensino e aprendizagem e o ambiente de sala de aula parece não favorecer o questionamento e a interatividade tendo em vista os interesses dos alunos e as intenções dos professores transitarem em sentidos opostos. O terceiro resultado decorrente dos dados quantitativos se conecta aos resultados anteriores e aponta para uma fragilidade no ensino. Esta fragilidade diz respeito à formação para a cidadania. As paredes da sala de aula parecem opacas ao mundo que está lá fora e impedem os alunos de enxergar possibilidades de aplicar seus conhecimentos no cotidiano, na profissão, na comunidade, no mundo social; de compreender as implicações sociais da Ciência e da Tecnologia e, principalmente, de participar e agir no controle das inovações científicas e tecnológicas. Assim, nas divergências entre alunos e professores, os resultados quantitativos parecem indicar que uma alfabetização científica e tecnológica na perspectiva reducionista (AULER, 2003) é ofertada na instituição. Contrariando os resultados dos dados quantitativos, os dados qualitativos apontam resultados que imprimem uma nova feição para o ensino na instituição. Concluímos que, em termos de estratégias e recursos didático-pedagógicos empregados são diversificados e extrapolam os muros da escola, desse modo a formação ofertada na instituição se preocupa em proporcionar experiências e vivências importantes e necessárias para esse nível de ensino e, especificamente, para a educação tecnológica. Quanto às relações professor-alunos e alunos-alunos em sala de aula, nos debates e seminários, e outros contextos da escola concluímos que a atmosfera favorece práticas formativas de questionamento, interatividade e reflexão sobre o conhecimento e sobre questões de seu interesse. No desenvolvimento de projetos eles relacionam conteúdos, analisam e tomam decisões em situações reais. Assim, os resultados qualitativos indicam o protagonismo do aluno no processo de ensino e aprendizagem e, neste aspecto, as paredes da sala de aula parecem perder sua opacidade para o mundo. 209 Os resultados qualitativos também apontam para uma alfabetização científica e tecnológica na perspectiva ampliada (AULER, 2003), ou seja, os conteúdos são considerados como meios para a compreensão das implicações sociais da Ciência e da Tecnologia. Percebem-se, a partir das respostas aos itens das afirmativas, intenções em abordar a dimensão social da Ciência e da Tecnologia, desde o ponto de vista dos seus antecedentes sociais até as suas consequências sociais e ambientais. A formação para a profissão está ancorada na maneira como os conhecimentos são ensinados, visando a responsabilidade social que todo técnico deve ter no exercício profissional. Contudo, em algumas situações alunos e professores apresentaram dificuldades em discutir, com clareza e consistência, questões relacionadas às interações CTS. Nesse sentido os resultados apontam para a necessidade dos professores, principalmente aqueles que lecionam disciplinas de formação geral, em aprofundar e ampliar seus conhecimentos sobre as interações CTS, para compreender melhor as implicações sociais da C&T. Os dados qualitativos permitiram identificar nas respostas a formação para a cidadania. No entanto, a cidadania voltada para o interesse em atuar em questões sociais é uma das fragilidades identificadas no ensino ofertado na instituição. Há uma aparente contradição na formação proporcionada em termos dos conhecimentos científicos, tecnológicos e humanísticos, e na formação para uma cidadania ativa, que, de fato, estimule os alunos a se envolver com os problemas da comunidade na qual estão inseridos e, posteriormente, alargar seus horizontes para uma participação em nível nacional e mundial. Identificamos atividades desenvolvidas com os alunos que os possibilita adquirir a flexibilidade cognitiva, o pensamento lógico e racional para solucionar problemas e condições para tomar decisões de forma responsável no âmbito pessoal e profissional. Entretanto, isso parece não fortalecer o desenvolvimento de uma cultura de participação social nos alunos. Esse resultado aponta para a necessidade dos professores planejarem atividades didáticas orientadas para o fortalecimento de uma cidadania ativa. Do ponto de vista dos professores, identificamos a preocupação em formar alunos para o exercício de uma cidadania com responsabilidade social e para a sustentabilidade e, do ponto de vista dos alunos, além das citadas acima, 210 acrescentamos a cidadania voltada para a solidariedade. Esses matizes da cidadania aparecem vinculados às atividades que levam os alunos a uma aprendizagem colaborativa e cooperativa, como trabalhos em grupo, participação em projetos de pesquisa, debates e seminários. A tomada de decisão foi identificada, principalmente, em situações que exigiam decisões no cotidiano, no contexto escolar e profissional, ancoradas na formação adquirida. Em algumas situações foi possível identificar decisões baseadas em avaliações e juízo de valor sobre os desenvolvimentos científicos e tecnológicos, apontando para mudanças de hábitos e atitudes em relação ao consumo ético e consciente de produtos e serviços. Entretanto, nossos resultados apontam para a necessidade de incentivar nos alunos decisões no âmbito da intervenção social e de atitudes que de fato façam o aluno se sentir agente na comunidade e sociedade em que ele vive. Quanto ao currículo praticado na escola, identificamos algumas iniciativas de professores de formação geral em inserir nas discussões dos conteúdos de suas disciplinas as implicações sociais da C&T. Entretanto, essas iniciativas ainda são pontuais ou nem fazem parte da prática docente da maioria dos professores da amostra. Os resultados apontados na pesquisa permitiram traçar um esboço do ensino no CEFET-MG e, com isso, entendemos que nossa particular compreensão sobre a instituição analisada não se esgota nessa pesquisa. A partir das convergências e divergências de manifestações entre alunos e professores foi possível identificar fragilidades e consistências na formação ofertada na EPTNM do CEFET-MG. As fragilidades e consistências formativas permitiram desvelar intenções e interesses quanto ao currículo praticado na escola e, nesse sentido, alguns objetivos do enfoque CTS foram revelados. Encontramos um terreno fértil para consolidar a alfabetização científica e tecnológica e fortalecer a cidadania. Constatamos a necessidade dos professores refletirem sobre os conteúdos ensinados, rever e lançar um novo olhar sobre as ementas das disciplinas, desenhar outros percursos curriculares através do diálogo 211 entre professores que lecionam disciplinas de formação geral e específicas dos cursos. Finalizamos nossas conclusões com algumas propostas para diminuir as fragilidades apontadas no ensino, com vistas a fortalecer os objetivos do enfoque CTS revelados e trabalhar no sentido de sua ampliação e consolidação no ensino ofertado na instituição. A primeira delas seria a de mobilizar os professores no interior das coordenações de área e dos cursos com o objetivo de sensibilizá-los e conscientizá-los para a importância de constituir um grupo de pesquisa permanente na Instituição para discutir sobre temas CTS, pensar novos arranjos curriculares e estratégias de ensino, desenvolver materiais que apoiem os professores em suas práticas didático-pedagógicas. Nesse sentido, os novos arranjos curriculares poderiam aproximar o ensino ofertado no CEFET-MG das categorias 5, 6 e 7 (AIKENHEAD, 2001). Obviamente que tal proposição demandaria projetos audaciosos a serem desenvolvidos na instituição com a participação de professores, o que não poderia ser feito de maneira aleatória. Outra proposta seria a de programar encontros com a comunidade escolar, incluindo alunos e professores, bem como outros profissionais da instituição que trabalham diretamente com a área pedagógica. Nesses encontros seriam relatadas experiências de implementação do enfoque CTS em cursos ou disciplinas de outras escolas. Nesses momentos é importante também apresentar as experiências implementadas por professores da própria instituição. A Semana de Ciência e Tecnologia, que acontece anualmente na instituição, também pode vir a constituir outro espaço para professores e alunos apresentarem, discutirem e desenvolverem novas propostas de ensino e novas formas de ensinar os conteúdos e avaliação no enfoque CTS. Um exemplo recente de iniciativa com esse objetivo foi realizada em 2010 na instituição pesquisada nesta tese. Professores de Física e Biologia da coordenação na qual a pesquisadora trabalha, e professores convidados de outras coordenações, após vários encontros nos quais foram discutidos e aprofundados os conceitos e objetivos do ensino com enfoque CTS, decidiram elaborar conjuntamente uma sequência didática que contemplava, dentro do tema “Modelos de transportes”, a 212 necessidade de se apontar alternativas para a circulação de veículos e pessoas em grandes centros urbanos. Os conteúdos da termodinâmica foram ensinados por meio de aproximações com temas contemporâneos que incidem na vida dos estudantes e um dos objetivos foi desenvolver neles uma cultura de participação no debate de questões ligadas à melhoria da qualidade de vida e a um futuro sustentável. A sequência didática se concretizou por meio de uma abordagem temática, inspirada em Freire (1996), bem como em referenciais ligados ao movimento CTS. O fechamento da sequência aconteceu através da realização de um debate que contou com a participação de professores de diferentes áreas e disciplinas. Foram convidadas a participar pessoas que atuavam em órgãos governamentais e não governamentais, alunos que participavam na época em grêmios e entidades estudantis e os alunos dos professores que aplicaram a sequência. Os resultados foram positivos para alunos e professores. A atividade repercutiu muito na escola e serviu como estimulo para buscar alternativas ao ensino propedêutico, provocar modificações na cultura escolar da instituição e, sobretudo fazer os professores refletirem sobre suas práticas. Muitos outros exemplos de experiências e pesquisas sobre a possibilidade de implementação do enfoque CTS no ensino de ciências podem ser citados. No âmbito da EPTNM citamos três pesquisas recentes que defendem a implementação do enfoque CTS na EPTNM. A primeira pesquisa é a tese de doutorado de Jaci Lima da Silva (2011), na qual os cenários de cursos de EPTNM de várias cidades brasileiras são descortinados e abrem espaço para a implementação do enfoque CTS na EPTNM. A segunda é a tese de Miriam Stassun dos Santos (2011), que apresenta a adoção de temas sociocientíficos como programa curricular na EPTNM. E a terceira pesquisa é a dissertação de mestrado de Ricardo Formenton (2011), que discute um tema relacionado à C&T no interior de uma disciplina de um curso profissionalizante abordado sob o enfoque CTS. Acreditamos que o mais importante é o professor refletir sobre que tipo de aluno ele pretende formar: um aluno que simplesmente aprende os conceitos científicos e os utilize para resolver problemas do contexto escolar ou um aluno que, além de aprendê-los para resolver problemas do contexto escolar, os utilize para desenvolver atitudes e valores em relação às implicações e consequências que 213 esses conceitos exercerão em sua vida e na sociedade em que vive. Dessa reflexão, segundo Freire (1996), o professor deve fazer a opção pelo melhor caminho a seguir, modificando o que achar necessário em seus fazeres docentes dentro das possibilidades de mudanças daquilo que em sua visão necessita mudar. 214 215 REFERÊNCIAS ACEVEDO, Germán Darío Rodríguez. Ciencia, tecnología y sociedad: una mirada desde la educación en tecnología. Revista Iberoamericana de Educación, n. 18, 2000. Disponível em: <www.rieoei.org/oeivirt/rie18a05.htm>. Acesso em: 20 ago. 2012. ACEVEDO-DÍAZ, J. 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International Journal of Special Education, v. 24, n. 2, p. 130-141, 2009. 245 APÊNDICE A Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL - São Paulo/SP - Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática Prezado(a) aluno(a) Você está colaborando, através de suas respostas ao questionário a seguir, para a pesquisa de doutorado intitulada “Aspectos do enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) na percepção de alunos e professores da educação profissional técnica de nível médio do CEFET MG”.* Informo que esta pesquisa segue as orientações do Comitê de Ética na Pesquisa (COEP) do CEFET MG. Portanto sua identidade e todos os dados serão tratados de forma ética e sigilosa. Procure responder as perguntas, observando as seguintes instruções: 1. Sua preocupação deverá ser a de retratar o que realmente pensa em relação às questões formuladas. 2. Na medida do possível, procure não deixar questão alguma em branco. 3. Fique à vontade para fazer comentários que julgar pertinente em relação às questões ou às suas respostas. Sua contribuição é muito importante para o levantamento dos dados a essa investigação Atenciosamente, Ana Lúcia Lopes Corrêa Professora de Física – Campus I – CEFET MG Eu, _____________________________________________________________________________, concordo que as respostas ao questionário a que respondi sejam utilizadas para a referida pesquisa, sendo que meus dados pessoais serão mantidos em sigilo. Campus onde estuda: ___________________________ Curso: ___________________________ Série em que está matriculado(a): ____________ E-mail: _______________________________________________________ Data: ________________________________________________________ . * Título da tese sujeito a alteração. As afirmativas que se seguem têm por objetivo identificar aspectos do enfoque Ciência, Tecnologia, Sociedade (CTS), com base nas discussões realizadas entre você, seus colegas e professores, durante o desenvolvimento das disciplinas de seu curso. Assinale apenas uma das opções para cada afirmativa e complete sua resposta escrevendo uma situação ou citando exemplos. Com Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Sempre frequência 246 01 É discutida a visão de que o conteúdo científico vai além do conjunto de conceitos ensinados para resolver provas ou exames escolares. Escreva uma situação. Nº AFIRMATIVA 02 Acontecem oportunidades para sua participação em trabalhos em grupo, apresentação de hipóteses e argumentação com base em conceitos científicos. Registre uma situação que tenha ocorrido. Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre São dadas oportunidades para você apresentar ideias acerca de temas de relevância social e ambiental. Quando? 03 Em quais disciplinas? Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA 04 É discutida a importância e a defesa de maior controle social sobre as inovações científicas e tecnológicas. 247 Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre São discutidas as interações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade. Quando? 05 Em quais disciplinas? Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA As abordagens nas disciplinas de seu curso lhe permitem identificar e investigar problemas sociais relevantes para você, de impacto local ou mundial. Em quais disciplinas? 06 Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA Durante seu curso são abordadas as implicações sociais da Ciência (consequências e impactos). 07 Cite uma situação. 248 Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Durante seu curso são abordadas as implicações sociais da Tecnologia (consequências e impactos). 08 Cite uma situação. Nº 09 AFIRMATIVA São discutidas questões ambientais relacionadas com a Ciência e a Tecnologia tais como consumismo, esgotamento de recursos naturais e os problemas decorrentes da geração, tratamento e destinação de resíduos. Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA São debatidas as relações entre as condições sociais e ambientais futuras com os desenvolvimentos presentes da Ciência e Tecnologia. 10 Em quais disciplinas? Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA Sua aprendizagem se estende para além da aula e da escola. Como você percebe isso? 11 Cite uma situação. 249 Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre O processo de aprendizagem que você vivencia proporciona o desenvolvimento de sua autonomia para resolver seus próprios problemas. Como você percebe isto? 12 Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA 13 A formação acadêmica adquirida permite a você lidar com temas relacionados com Ciência e Tecnologia em sua vida cotidiana. Nº AFIRMATIVA 14 A formação acadêmica adquirida permite a você atuar com embasamento nos processos que envolvem tomadas de decisões cotidianas e profissionais. Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA Sua formação permite colaborar na solução dos problemas da sua comunidade. Cite uma situação. 15 Nº AFIRMATIVA 16 A formação adquirida na instituição contribui para torná-lo um sujeito crítico, consciente de seus 250 direitos e deveres individuais e sociais. Nº 17 Nº 18 AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nas disciplinas cursadas, seus professores seguem o livro didático. AFIRMATIVA Mídias impressas (revistas, jornais etc) são utilizadas para abordar conteúdos das disciplinas. Nº AFIRMATIVA 19 Durante as aulas de seu curso são utilizados materiais didáticos de apoio para abordar temas relacionados às interações Ciência, Tecnologia e Sociedade. Cite três desses materiais. Nº AFIRMATIVA 20 O cumprimento do extenso programa curricular dificulta abordagens voltadas à sua formação como cidadão crítico frente às implicações da ciência e tecnologia. Nº AFIRMATIVA 21 Mídias eletrônicas (computador, datashow, tablets etc) são utilizadas em seu curso para apresentar exemplos do conteúdo relacionados ao seu cotidiano. Nº AFIRMATIVA 22 Durante as aulas de determinada disciplina, seu professor relaciona conteúdos de outras disciplinas de seu curso. 251 Nº 23 AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Durante seu curso seus professores se preocupam com sua preparação para o vestibular. Nº AFIRMATIVA 24 Temas de interesse seu e de seus colegas dão início ao conteúdo das disciplinas e, a seguir, a sequência apresentada no livro didático é obedecida. Nº AFIRMATIVA 25 O professor apresenta o conteúdo, discute-o com a turma, resolve exercícios e, a seguir, avaliaos. Obrigada por responder! 252 APÊNDICE B Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática - Universidade Cruzeiro do Sul – UNICSUL - São Paulo/SP Prezado(a) professor(a) Você está colaborando, através de suas respostas ao questionário a seguir, para a pesquisa de doutorado intitulada “Aspectos do enfoque Ciência, Tecnologia e Sociedade (CTS) na percepção de alunos e professores da educação profissional técnica de nível médio do CEFET MG”.* Informo que esta pesquisa segue as orientações do Comitê de Ética na Pesquisa (COEP) do CEFET MG. Portanto sua identidade e todos seus dados serão tratados de forma ética e sigilosa. Procure responder as perguntas, observando as seguintes instruções: 1. Sua preocupação deverá ser a de retratar o que realmente pensa em relação às questões formuladas. 2. Na medida do possível, procure não deixar questão alguma em branco. 3. Fique à vontade para fazer comentários que julgar pertinente em relação às questões ou às suas respostas. Sua contribuição é muito importante para o levantamento dos dados a essa investigação. Atenciosamente, Ana Lúcia Lopes Corrêa Professora de Física – Campus I – CEFET MG Eu, _______________________, concordo que as respostas ao questionário a que respondi sejam utilizadas para a referida pesquisa, sendo que meus dados pessoais serão mantidos em sigilo. Área de atuação/ Disciplina(s) que leciona: _________________________ Série(s) que leciona: ________________ Campus: _____________________ Cidade: _______________________ E-mail: _______________________ Data: ________________________ * Título sujeito a alteração. As afirmativas que se seguem têm por objetivo identificar aspectos do enfoque Ciência, Tecnologia, Sociedade (CTS), com base nas discussões realizadas com seus alunos, durante o desenvolvimento da(s) disciplina(s) que você leciona. Assinale apenas uma das opções para cada afirmativa e complete sua resposta escrevendo uma situação ou citando exemplos. 253 Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Você discute com seus alunos a visão de que o conteúdo científico vai além do conjunto de conceitos ensinados para resolver provas ou exames escolares. 01 Escreva uma situação. Nº AFIRMATIVA 02 Você cria oportunidades para realização de trabalhos em grupo, apresentação de hipóteses e argumentação com base em conceitos científicos. Registre uma situação. Nº AFIRMATIVA Você abre espaço para seus alunos apresentarem ideias acerca de temas de relevância social e ambiental. 03 Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA 04 Você discute a importância e a defesa de maior controle social sobre as inovações científicas e tecnológicas. Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA 05 Você discute as interações entre Ciência, Tecnologia e Sociedade com seus alunos. 254 Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Você permite a seus alunos a identificação e investigação de problemas sociais relevantes para eles, de impacto local ou mundial. 06 Cite uma situação. Nº 07 AFIRMATIVA Você aborda as implicações sociais da Ciência (consequências e impactos) em sua disciplina. Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA Você aborda as implicações sociais da Tecnologia (consequências e impactos) em sua disciplina. 08 Nº Cite uma situação. AFIRMATIVA 255 09 Você discute questões ambientais relacionadas com a Ciência e a Tecnologia tais como consumismo, esgotamento de recursos naturais e os problemas decorrentes da geração, tratamento e destinação de resíduos, etc. Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA 10 Você debate as relações entre as condições sociais e ambientais futuras com os desenvolvimentos presentes da Ciência e Tecnologia. Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Você procura mostrar para seus alunos que a aprendizagem se estende para além da aula e da escola. 11 Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA 12 Você procura estimular em seus alunos, a partir do processo de ensino e aprendizagem, o desenvolvimento de autonomia para que eles consigam resolver seus próprios problemas. Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA 256 13 Você cria oportunidades para seus alunos lidarem com temas relacionados com Ciência e Tecnologia em sua vida cotidiana. Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Você procura mostrar aos seus alunos como a formação acadêmica adquirida possibilita atuar com embasamento nos processos que envolvem tomadas de decisões cotidianas e profissionais. 14 Nº 15 Cite uma situação. AFIRMATIVA Você procura mostrar aos seus alunos como a formação acadêmica possibilita colaborar na solução dos problemas da comunidade onde eles vivem. Cite uma situação. Nº AFIRMATIVA 16 Você procura contribuir para a formação de seu aluno de modo a torná-lo um sujeito crítico, consciente dos seus direitos e deveres individuais e sociais. Nº AFIRMATIVA 17 Nº Você trabalha o conteúdo de sua disciplina utilizando o livro didático. AFIRMATIVA 257 18 Você utiliza mídias impressas (revistas, jornais etc) para abordar conteúdos de sua disciplina. Exemplifique. Nº AFIRMATIVA 19 Você sente dificuldades em abordar temas relacionados às interações Ciência, Tecnologia e Sociedade devido à falta de materiais didáticos de apoio. Nº AFIRMATIVA 20 Para você o cumprimento do extenso programa curricular de sua disciplina dificulta abordagens que visam a formação de seus alunos como cidadãos críticos frente às implicações da ciência e tecnologia. Nº AFIRMATIVA 21 Você utiliza mídias eletrônicas (computador, datashow, tablets etc) para apresentar exemplos do conteúdo relacionados ao cotidiano do aluno. Exemplifique. Nº AFIRMATIVA Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Durante suas aulas você procura relacionar conteúdos de outras disciplinas aos conteúdos da disciplina que você leciona. 22 Nº Cite uma situação. AFIRMATIVA 258 23 Você se preocupa com o conteúdo que deverá ser ensinado ao aluno para ele chegar preparado para o vestibular. Nº AFIRMATIVA 24 Ao iniciar um conteúdo de sua disciplina você o apresenta a partir de temas de interesse dos alunos para motivá-los e, a seguir, passa a obedecer a sequência apresentada no livro didático. Nº AFIRMATIVA 25 Você apresenta o conteúdo, discute-o com seus alunos, resolve exercícios e, a seguir, avalia-os. Obrigada por responder! Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre Nunca Raramente Às vezes Com frequência Sempre 259 APÊNDICE C Construção do questionário Ideia central Afirmativas Relações CTS/ Alfabetização científica e tecnológica Objetivos CTS Pensamento crítico/Tomada de decisão Cidadania/Atitudes e Valores Procedimentos didático-pedagógicos 05, 07, 08, 10 01, 02, 03, 06, 11, 14, 16, 20 04, 09, 12, 13, 15 Materiais/recursos didático-pedagógicos 17, 18, 19, 21 Ação pedagógica 22, 23, 24, 25 260 APÊNDICE D Codificação presente nos quadros com respostas dos alunos e professores: (a) Categorias: CENS: Características do ensino PDM: Procedimentos didáticos e metodológicos (b) Unidades de contexto: A/CONH: Ampliação do conhecimento A/TD: Desenvolvimento de autonomia para tomar decisões AT/V: Desenvolvimento de atitudes e valores CONH/COT: Aplicação do conhecimento no cotidiano CONH/PROF: Aplicação do conhecimento no contexto profissional D/S: Debates/seminários EDP: Estratégias didático-pedagógicas EXP/LAB: Aulas expositivas/práticas (laboratório didático) ODP: Outras estratégias didático-pedagógicas PRJ: Projetos de pesquisa RP/COT: Resolução de problemas no cotidiano RP/ESC: Resolução de problemas no contexto escolar RP/PROF: Resolução de problemas no contexto profissional RDP: Recursos didático-pedagógicos SC/OP: Desenvolvimento de senso crítico e opinião TRB: Trabalhos/pesquisas escolares (c) Aspectos do ensino com enfoque CTS: ACT: Alfabetização científica e tecnológica CID: Cidadania PC: Pensamento crítico MHAV: Mudança de hábitos, atitudes e valores TD: Tomada de decisão 261 APÊNDICE E Afirmativas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 14 15 156 01 12 01 06 - 18 33 32 65 - 127 62 14 71 02 06 - 78 06 02 03 - 196 40 08 24 01 01 - 97 13 05 08 03 - 103 05 02 02 - 101 09 02 - 134 07 03 05 - 81 22 02 12 - 26 09 09 06 02 04 02 07 02 01 01 - 14 01 07 - 02 - Total Parcial (TP) 1133 198 99 211 08 15 06 04 03 09 13 05 13 - - - 02 01 03 - - - 49 2% 01 01 11 01 - 07 03 02 02 07 01 12 01 - 01 01 - 01 - 01 - 03 01 01 - 01 01 01 01 03 02 14 01 - 01 - - 01 39 04 15 01 04 19 1% - 01 - 02 - 03 02 01 01 04 01 01 - - - 16 - 07 09 02 08 04 01 07 10 09 13 - 04 14 01 - 05 04 02 02 05 05 02 06 07 05 03 01 01 01 - 52 238 77 97 12 48 64 38 12 24 102 73 19 2678 2% 9% 3% 4% 2% 2% 1% 1% 4% 3% 100% Detalhamento questionário Aluno CEFET Categorias Unidades de contexto EXP/LAB D/S PRJ TRB ODP Atividades de extensão Avaliação Divulgação de projetos Estágio Feiras/mostras de EDP PDM ciências/exposições Minicursos Palestras Questionários de pesquisa Relatórios/monografia/TCC Simulação de júri Trabalho de campo Visita técnica Filmes/vídeos/ RDP RAV documentários, etc. A/CONH CONH/COT CONH/PROF AT/V CENS A/TD SC/OP RP/COT RP/ESC RP/PROF Conversas informais Respostas evasivas Respostas de negação Outros 39 13 89 60 16 73 09 35 33 15 44 38 12 48 64 38 12 12 01 25 08 15 06 09 06 10 05 13 01 Total de ocorrências (T) TP/T* 42% 7% 4% 8% - 262 Observação: TP/T*: (1) Os valores percentuais registrados na última coluna são em relação ao total de ocorrências. (2) As unidades de contexto que não registram valor percentual na última coluna totalizam 5% em relação ao total de ocorrências Legenda: A/CONH: Ampliação do conhecimento AT/V: Desenvolvimento de atitudes e valores A/TD: Desenvolvimento de autonomia para tomar decisões CENS: Características do ensino CONH/COT: Aplicação do conhecimento no cotidiano CONH/PROF: Aplicação do conhecimento no contexto profissional D/S: Debates/seminários EDP: Estratégias didático-pedagógicas EXP/LAB: Aulas ODP: Outras estratégias didático-pedagógicas PDM: Procedimentos didáticos e metodológicos PRJ: Projetos de pesquisa RAV: Recursos Audiovisuais RDP: Recursos didático-pedagógicos RP/COT: Resolução de problemas no cotidiano RP/ESC: Resolução de problemas no contexto escolar RP/PROF: Resolução de problemas no contexto profissional SC/OP Desenvolvimento de senso crítico e opinião T: Total de ocorrências TCC: Trabalho de conclusão de curso TP: Total parcial de ocorrências TRB: Trabalhos/pesquisas escolares 263 APÊNDICE F Quadro síntese das ocorrências de unidades de contexto nos quadros com respostas dos professores (parte qualitativa) Detalhamento questionário Professor CEFET Afirmativas Categorias Unidades de contexto EXP/LAB PRJ TRB D/S ODP EDP PDM RV RDP RAV Conversas informais Respostas evasivas Respostas de negação Outros Trabalho de campo Estudos de caso Avaliação Produção acadêmica Visita técnica Palestras Plenário Atividade em grupo Atividade extraclasse Estágio Feiras/ mostras de ciências Textos Livro de literatura Livro didático Mídias eletrônicas Filmes/vídeos 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 14 15 Total Parcial (TP) 39 03 22 02 09 08 32 03 01 02 20 01 01 02 30 04 01 01 18 05 02 03 24 - 27 02 01 - 35 04 - 20 01 01 34 02 01 - 22 03 11 - 25 03 02 02 27 02 - 375 32 29 22 69% 6% 5% 4% - - 01 - - - - - - - 01 01 - 01 04 - - 01 01 01 - - - - - - - - - - 03 - 02 04 - - - - 01 - - - - 01 - - - - - 02 - - 01 - - 01 - 01 01 - - 01 - - 01 - - - - 02 02 02 - - - - - - - 01 - - - - - - - 01 - - - - - - - - - - 01 - - - - 01 - - - - - - - - - - - - 01 - - 01 - - - - - - 01 - - - - - 01 - - 02 - 01 02 03 01 01 06 - 04 01 02 01 - 04 02 01 02 01 01 02 01 01 03 02 - 01 01 03 - 01 01 01 03 03 03 09 29 15 544 2% 5% 3% 100% 01 01 01 01 02 01 01 04 04 02 Total de ocorrências (T) TP/T* 264 Observação: TP/T*: (1) Os valores percentuais registrados na última coluna são em relação ao total de ocorrências. (2) As unidades de contexto que não registram valor percentual na última coluna totalizam 6% em relação ao total de ocorrências Legenda: D/S: Debates/seminários EDP: Estratégias didático-pedagógicas EXP/LAB: Aulas ODP: Outras estratégias didático-pedagógicas PDM: Procedimentos didáticos e metodológicos PRJ: Projetos de pesquisa RAV: Recursos Audiovisuais RDP: Recursos didático-pedagógicos RV: Recursos Visuais T: Total de ocorrências TP: Total parcial de ocorrências TRB: Trabalhos/pesquisas escolares