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tíí^ história 2
OOKow %
21/06/82
ANO
II
NUMERO
.(mcM.suo
ABBIAS FAZ BALANÇO DA GREVE DE NITERÓI
CORREIO SINDICAL D^ UNIDADE junho/32
í?.:o âa Janeiro (Da Sucu SíI") — O Ato
mstilucional número 5 passou a ser
prpticado dentro da fábrica em Niterói,
contra os trabalhadores, em represália à
{jreve que realizaram recentemente. A
denúncia foi feita pelo presidente do
Sindicato dos Metalúrgicos de Nuerói e
Itabora', Abdias José dos Santos, om
entrevista ao Correio, onda fa: um balanço
do movimento grevista que. segundo a
firma, terminou vitorioso.
Ê a seQÜints a Intogra da rápida
entrevista do dirigente metalúrgico:
CSV: Como começou a greve?
Alisas: A greve teve seu inicio cem a
recusa e o atraso per parte do patronato em
J
r,envoIvor as negociaçíes ecletivas de
balívo. Em conseqüência, iniciou-se a
11 ^bilizaçáo da categoria, a fim de discutir
,a convançao coletiva no Tribunal rJooional
do Trabalho. A intransigência in^istenie do
patronato mais uma vez só deixou a
alternativa de press3o através do movimento pr,redlsta.
CSU: Ao ser de furada a qreve, rua! era
o estado de ânimo dos tr3ba;aaaores?
Abdias: A mobilização e a organização
era excelente, pois numa asremblóia
realizada pela categoria TíO Sind;"at'j para a
decisSo sobre a prevê, esta foi aclam-ida por
unauim\dãde. O movimunio durou t dies e
só terminou com o juigamamo do TRT,
CSü: Ccmo acabou a greve?
Abdias: O retorno ac trabalho se deu em
função dos trabalhadores terem conseguido conquistas superiores às ofert ,s dos
patrões, ou seja: 6% de predutividace no
TRT (cs patrões queriam dar apenas 4%
escalonado) e piso salarial da 24,17%
concedido pelo TRT (contra 22% dos
pafr?es), além de insalubridade e renovação de outros ítens da convenção coletiva
<le trabalho anterior.
CSU: Que lições a greve deixou?
Abdias: O saldo -foi positivo. Primeiramente, o patronato nSo acreditava na
deflagração do movimento: a constanto
rotatividade e remanejamento de quadros
na produção, segundo a visSo do patronato,
encontraria a categoria totalmente desorganizada e desistimulada para empreender
qualquer tipo de reivindicação. Segundo,
houve a participação efetiva dos tr-.balhadores na greve, quase sem existência de
piquetes na porta das fábricas. Fina.rrente,
demonstrou a coesão e unidade total na
área de produç8o, com a paralizaçâo de
quase 100% dos operários.
CSU: O patronato tomou represálias
con:ra os grevistas?
Abdias: Estas foram várias, entre elas a
demissão sumária de toda a Comissão das
empresas. A Companhia Comércio e
Navegação (CCN) foi a que mais se
notabilizou nessa prática: demitiu todas as
lideranças sindicais, tanto diretores como
ativistas que faziam parte da Comissão. /
CSU: Qual foi a posição do Sindicato
onr relação à este estado de coisas?
Abdias: O Sindicato tomou as inedidas
cabíveis no caso: entrou com recurso na
Justiça. Os patrões começaram entôo a
tentar subornar alguns ativistas e dirigentes sindicais, oferecendo indenização
em dobro de um ano salarial a a desenvolver trabalho psicológico através dt- erentes
infiltrados no Sindicato.
CSU: Qual a situação dentro das fábricas
após a greve?
Abdias: O ambiente é de expectativa e
tensão. Passou se a adotar o AI-5 no
interior das fábricas: *' Proibição de
reunião dos operários n. "depcnoéncias
das empresas; 2) Afastamento dos dirigentes sindicais com mandato em viç;or; 3)
Imposição do terror, proibindo o contacto
dos trabalhadores com os dirigentos do
Sindicato, o ^ue contraria a lei' 4)
Existência de um clirm. de total constrangimento, com a cateporia indionada e
revoltada com tais órbitrariedacies Em
conseqüência, o Sindicato criou Assen.bléia Permanente, em que SP postula
camoanha oela readmissâo dos companheiros arbitrariamente afastados e campanha pela estabilidóde no emprego.
Nota oficial do Sindicato
Por outro lado, o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Niterói e liaboraí,
ao término do movimenl» «revista distribuiu a seguinte nota oficial, assin.ida pelo
seu presidente, Abdias Jr sé dos Santos;
'Terminada a GREVE dia 6/5/82. os
TRABALHADORES em assembléia acataram a decisão do Tribunal e voltaram ao
trabalho imediatamente. A CCN (Comna-,
nhia Comércio e '.'avegação) em flagrante
desrespeito a cec'3âo do Tribunal, demitiu
toda a COMISSÃO que, representava os
TRABALHADORES na empresa, mais
dezenas de ativistas, afim de impedir a
organização sindical. 0 SINDICATO solicitou uma reunião com a empresa para tratar
do possível retorno dos COMPANHEIROS
as suas atividades e esta se manteve
irredutível não admitindo os TRABALHADORES PUNIDOS.
"O SINDICATO, na tentativa de uma
solução para o problema, chegou a admitir
a volta dos COMPANHcIROS com a
condição destes ticarem 15 dias fora da
empresa sem remuneração e seu retorno
logo a seguir sem a recis?o do contrato.
"Isto foi formulado como uma proposta
do SINDICATO à empresa, que recusou
oferecendo uma contra proposta, que o
SINDICATO repeliu como imoral e atentatória ao que existe de mais sublime no ser
humano: a CONSCIÊNCIA.
"A empresa propõe manter as demissões
e pagar além dos direitos trabalhistas do
praxe, o valor em dinheiro corresponde a 12
meses de salário já corrigidos com os novos
níveis salariais.
"Este seria o preço da CONSCIÊNCIA DE
CADA TRABALHADOR e o quanto cada um
daqueles sindicalistas demitido iria receber
para deixar de LUTAR E DEFENDER SEUS
COMPANHEIROS dentro dos estaleiros.
"O SINDICATO DOS METALÚRGICOS
DE NITERÓI se sente orgulhoso dos
sindicalistas de sua base, principalmente
os comoanheiros demifdos da COMISSÃO
DO ESTALEIRO MAUA (CCN) por terem
repudiado na reunião do dia 12 a noite,
essa vergonhosa e humilhante proposta da
empiesa e se comprometem a LUTAR
CINTRA O DESEMPREGO," pela sua
reacimissão na e..,t>resa, não aceitando
suborno à sua consciência.
"NOSSA LUTA CONTINUA, CONTAMOS
COM A SOLIDARIEDADE DE TODA A
CLASSE TRABALHADOR/V.
AS OPINIÕES SOBRE
A CONCLAT
JORNAL DOS TRABALHADORES
SEGUNDA QUINZENA DE JUNHO
Sobre a realização do Conciat
em agosto, e sobre a possibilidade
de construir uma CUT representativa e democrática, manifestaramse alguns sindicalistas:
Antônio Soares Silva, do Sindicato dos Coureiros de São Paulo:
"O Conclat deve ser realizado de
qualquer forma, mesmo com essa
mínima representatividade. É claro
que há necessidade de um trabalho
de base, pois se dissermos a um
peão, hoje. que vai ter Conclat em
agosto, ele vai responder *uai, é
mesmoT Se sair uma CUT esto ano,
:om essa pouca participação, será
uma central única baseada na CLT.
uma CUTceletianar . ni >« nó
João Paulo Pires de Vft&onc^los, do Sindicato dos Metalúrgicos
de João Monlevadc, Minas Gerais:
"Sou favorável à participação do
pessoal nos Enclats e acho que os
companheiros que estão ligados à
luta político-pí-rtidária devem fortalecer essa luta. O Conclat deveria
ser no ano que vem. para que não
desaguem nele divergências políticas.
"Temos duas opções: tirar uma
CUT agora, que não significaria
expressão de coisa alguma, pois
não existe liberdade c nem autonomia sindical, ou construir uma
CUT através da ação sindical, com
a participação de teda a ciasse trabalhadora. Fico com a segunda
opção, pois, caso contrário, será
uma enganação."
j
Nelson de Assis Teles, co Sindicato dos Trabalhadores Rurais de
Bela Vista,Goiá.s:
**A aprovação do Conclat para
este ano foi um desespero de um
momento de sufoco. Foi um erro.
Se tiver de ser criada, a CUT tem
que atender aos interesses dos trabalhadores, o qi.e será muito difícil.
O tempo está se esgotando e faltam
elementos materiais e financeiros
para que se faça a articulação."
Olívio, Dutra, membro da Comissão Pró-CUT:
"O importante é fazer as duas
coisas. Realizar Enclats democráticos e representativos, para que se
realize, em agosto, um Conclat
democrático e representativo. Uma
CUT democrática e construída pela
base não vai ser criada num congresso, • O congresso, no máximo,
., pode homologar uma CUT que já
fT7*' deve existir na realidade. Não
temos articulações municipais c
regionais vivas o representativas
e não vai ser. nesse curto espaço de
tempo, que elas irão surgir. A dire-
Á
SimCALlSMO
continuação da página
anterior:AS OPINIÕES..
Ção da CUT tem que ser eleita num
dia nacional do cleiviu), com chapas
<•' propostas sendo submetidas ao
conjunto do peno trabalhador do
campo e da cidade"
Raimundo Ananias. do Sindicato dos Securitários de Petnamhuco:
"O mais importante são os Enclats. O Conciat ainda é seletivo e
ms temos condiçdes de la/er com
que os Enclats proporcionem
maior participação das categorias
cm cada região.
"Qualquer CUT que seja tirada
agora, no nível em que está o'conjunto da ciasse trabalhadora, será
um simples aparellío que poderá
servir a grupos políticos ou ao
Governo, que irá transformá-la cm
mais um departamento dentro da
estrutura sindicai atual."
Antônio Ângelo Moschen, de
Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Colatina. Espirito Santo;
"De qualquer maneira, o Conciat
vai sair. O mais importante, porém,
c fortalecer o trabalho de base,
organÍ7ando os trabalhadores onde
as direções sindicais sejam pclegas.
Somente no trabalho de base é que
a CUT poderá ser representativa.
"Os trabalhadoresé que decidirão se a CUT vai sair ou não. Criada apenas por grupos sindicais, sem
discussão nas bases, a CUT não
será representativa."
Joaquim dos Santos Andrade,
presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo:
"A realização do Conciat em
agosto, dado o espaço de tempo
exíguo, é uma coisa difícil e proble-'
mática, mesmo porque ele tem que
ser precedido dos encontros esta-
duais. V necessário um trabalho
muito grande para que se reavive
sua expressividade, já que tem
muita gente preocupada com eleições. Copa do Mundo etc. Acho
que a Comissão Nacional PróCUT deve ampliar essa discussão
no mais curto prazo. E não me
parece que as decisões da 1 Conciat
tenham sido suficientemente debatidas pela base.
"Quanto à CUT. acho que ela só
poderia ser aprovada num Congresso suficientemente representativo. Se essa representatividade for
possível, acho que, em agosto,
poderá ser tirada uma nova Comissão Pró-CUT. Mas julgo precipitado formar uma CUT já. Deve-se.
primeiro.divulgar essa idéia por
todos os cantos do País para que a
CUT seja realmente representativa
e democrática."
IV ENCONTRO NACIONAL DO ANAMPOS
0 SINDICALISMO COMBATIVO UNIFICA PROPOSTAS
B IBUOTECA
EM TEMPO 12 a 30/06/82
Realizou-se em Goiânia, nos dias 11,
• 2 e 13 de junho o IV Encontro Nacional da Articulação Nacional dos Movimentos Populares e Sindicais (Anampos). O encontro contou com a participação de cerca de 130 delegados de 18
estados do país e foi um marco importante para a unificação da intervenção
"o sindicalismo autêntico na próxima
CONCLÀT
A luta pela realização da
CONCLAT
- O debate em torno do adiamento ou
manutenção da data da realização da
próxima CONCLAT foi, sem dúvida, um
âos pontos que mais movimentaram o
plenário. Em Goiás mesmo, no dia 10 de
junho, já havia sido realizado um
encontro de 40 sindicalistas rurais no
qual este tema havia polarizado as opiniões.
A proposta definida pela Anampos
— e que pautará a participação de seus
membros da reunião da pró-CUTque se
realizará no dia 5 de julho, é que a 11
CONCLAT deve ser realizada na data prevista. A defesa desta posição se baseia
no argumento de que a marcação da
data foi decidida em um plenário de
mais de cinco mrf trabalhadores e que a
pró-CUT não teria representatividade
para alterar esta deliberação. Além
disso, se argumenta que a realização da
CONCLAT provavelmente fortaleceria o
movimento sindicai combativo e a
capacidade de centralização das intersindicais. A defesa do adiamento por
causa do clímax eleitoral foi rejeitada
porque criaria ilusões sobre a possibilidade de se resolver os problemas da,
classe trabalhadora no parlamento.
Coerente com o posicionamento, foi
deliberada uma ampla campanha de
denúncias das manobras para o adiamento da CONCLAT em todos os Enclats
a serem realizados. Caso a comissão
nacional pró-CUT vier a decidir pelo
adiamento da CONCLAT na reunião do
dia 5 de julho, deveria ser feita a defesa de
que esta decisão fosse apenas indicativa
tendo cm vista que posteriormente se
realizarão os Enclats de São Pauló/do
Rio Grande do Sule Minas Gerais.
E se. aíinaj. a CONCLAT não vier a se
realizar, a Anampos defende que sejam
realizados Enclats em agosto para
eleger uma nova composição da comissão nacional pró-CUT, mantendo-se o
mesmo número da representação atual
de cada estado. Foi reafirmado em todo
o encontro que a Anampos lutará para
garantir a unidade do movimento
sindical, respeitando as suas instâncias
para encaminhar as suas propostas.
A construção da CUT
Uma outra posição importante
aprovada pela Anampos foi a de que
não se crie a CUT neste congresso. O
argumento maior em defesa dessa posição reside na constatação de que não
foram encaminhadas lutas unitárias que
pudessem garantir minimamente umíCUT independente c democrática.
Apesaj de propor que a CUT não seja
criada neste congresso, a Anampos irá
preparada para o caso de ser aprovada a
sua criação. Neste sentido, estão sendo
elaboradas propostas de estatuto, carta
de princípios e inclusive nomes para
compor uma possível direção a serescoIhida no Congresso. Não foi decidida a
forma de eleição da diretoria, sendo esta
decisão encaminhada para momento
posterior.
Os pastos para a
criação da CUT
Um dos avanços maiores do congresso da Anampos foi unificar uma proposta de encaminhamento para a cria-.!
ção de uma CUT pela base.
O primeiro passo seria a eleição de
uma nova pró-CUT no Congresso, realmente capaz de animar e coordenar o
movimento a nível nacional. O segundo
passo viria com a realização de Enclats
regionais onde seriam eleitas as próCUT estaduais. Onde houver uma
comissão inrer-sindical que tenha sido
eleita pelos trabalhadores, deve-se lutar
para que esta comissão tenha o nome de
comissão pró-CUT estadual
A partir da CONCLAT, a comissão nacional pró-CUT deveria convocar
assembléias por categoria para a discussão de um plano de lutas nacional e para
a definição dos estatutos e da carta de
princípios da CUT a ser criada. Além
disto, a Anampos lutará pela constituição de direções da pró-CUT a nível municipal ou micro-regional, onde houver
mobilização de trabalhadores que respalde a sua criação. Também foi definida a proposta de criação de plenárias
permanentes — organismos de unificação, onde estariam presentes representantes de várias categorias, delegacias
sindicais, comissões de fábrica e do
campo, comandos de greve — pelas
Enclats. Tudo isto. daria a base para ver
enada a CtfF-enuima próxima CONCLAT ■
Ao final, uma questão não resolvida c
que se vincula à participação do movimento popular na estrutura da CUT.
Como a questão é nova e não suficientemente discutida, foi encaminhada paradiscussão nos vários estados para un»
posterior deliberação.
SífiVlCALlSUO
n
JORNALISTAS AFIRMAI CUT A PARTIR DE CONCLAT MASSIVO
O TRABALHO 10 a 16/06/82
Nos dias 4,5 e 6 últimos foi
realizado o II Congresso Estadual dos Jornalistas profissionais do Estado de SSo Paulo.
Dos 270 delegados inscritos, representando cerca de 100 redações da Capital e do Interior,
cerca de 180 participaram da
abertura do Congresso, na sexta-feira dia 4, à nohe. Na abertura estavam presentes, além de
vários sindicalistas e parlamentares, dois membros da Comissão Nacional pró-Cut: Raimundo Rosa, dos padeiros de Sao
Paulo e Tildem Santiago, dos
jornalistas de Minas. Este último participou de todo debate
/ ocorrido durante o Congresso,
inclusive nas ComissCes.
Para a categoria que, desde a
greve de 79, vem cnfrcníi-ido
um sério problema com o estreitamento constante do mercado de trabalho esta foi uma
oportunidade para discutir os
seus problemas, manifdstar-se
firmemente pela realização do
Conclat em agosto próximo e
elegor delegados ao Congresso
Nacional de Jornalistas que
ocorrerá em setembro, era Guarapari, no Espirito Santo.
Jornalistas
querem a CUT
pela base
Barrando o golpe preparado
pela Diretoria do Sindicato —
cujos integrantes, em sua maioria, seguem as opiniões expressas pelo jornal "Voz da Unidade", órgão oficioso do PCB —
que pretendia eleger delegados
para o Enclat/SP e Conclat neste Congresso, sem que houvesse
sido feita a menor discussão na
categoria, os jornalistas, votando massivamente contra a proposta de adiamento do Conclat
defendida pela diretoria e decidindo escolher seus represen-
tantes ao Conclat diretamente
em urna nos dias 27, 28 c 29 de
julho próximos, mostraram que
querem uma CUT raassiva, pela!
base. isto ficou claramente definido na resolução final aprovada no Congresso: 'Consideramos que a fundação de uma
Central Única dos Trabalhadores só deva ocorrer num Congresso representativo, democrático, precedido de ampla discussão em todas as categorias e
com uma participação ativa das
bases".
Por 80 a 30, esta formulação
derrubou a que havia saído como proposta de uma das comissões, segundo a qual a eleição
de uma Central única era considerada "prematura nesse
Congresso (...) tendo em vista as
condições concretas de organização do movimento sindical."
Se a categoria saiu ganhando
nesta discussão — na medida
em que agora está aberto todo
um espaço para a realização de
um debate democrático em torno das questões de organização
a nível nacional dos trabalhadores — também obteve alguns
ganhos no que diz respeito à
sua organização interna. Foi
aprovada uma proposta de eleição de Comissões de Jornalistas
por local de trabalho visando
sua futura unificação em Comissões de empresa. Ficou marcada uma assembléia para
agosto, quando será iniciado este processo de eleição de Comissões que deverão ocorrer até o
final de setembro, o que permitirá uma arrancada com vistas à
campanha salarial do segundo
semestre, quando os jornalistas
de todo o estado — em tornode!
5 mil — poderão dar um basta
às demissões e ao constante descumprimento da jornada de
trabalho de 5 horas por parte de
muitos patrões.
NÃO VOTE NO PDS!
JORNALISTAS PUEREFÍ
CONCLAT REPRESENTATIVO
TRIBUNA DA LUTA OPERARIA
14 a 20/06/82
"Que a constituição da Central
Única dos Trabalhadores só seja concretizada neste Congresso Nacional
das Classes Trabalhadores (Conclat)
na medida em que cie expresse um
grau de representam idade tâo grande
ou maior do que.o conseguido na
Conferência da Praia Grande". Esta
foi uma das resoluções do 11 Congresso dos Jornalistas de São Paulo,
realizado nos dias 4.5 c 6 de junho. Os
jornalistas também rechaçaram as
propostas de adiamento do Conclat e
(oram unânimes cm condenar os criterios restritivos de delegação estabelecidos pela Pró-CUT. recomendando que o número de delegados
paia o Conclat seja o mesmo do ano
passado.
O Congresso teve a participação de
240 delegados, eleitos nas redações
dos principais jojnais da capital e do
interior, representando cerca de 2.500
profissionais. Nele foram discutidos
desde as questões especificas da categoria
como mercado de trabalho c
regulamentação da profissão . até
as questões da política nacional. Mais
uma vez a visão economicista dos militantes do PT. contrário a Constituinte, foi derrotada: "os jornalistas
são fav oráveis a convocação de uma
Assembléia Nacional Constituinte.
Mas entendem que para ela ser livre e
sohera ;;! deve ser precedida do fim
dai leis de excessâo e da mais ampla
liberdade de organização partidária.
Entendem que estas medidas, objetivamente, passam pelo fim do regime
militar", concluiu o Congresso.
EA DECISÃO DO ENCU\T DA BAHIA
TRIBUNA DA LUTA OPERARIA 14 a 20/06/82
Com a participação de 374
delegados, a maioria operários, foi realizado nos dias 5 e
6 de junho o II Encontro da
Classe Trabalhadora da Bahia, preparatório do Congresso dos Trabalhadores. Os
baianos aprovaram a realizaçaVda 11 Conclat era agosto e
conclaramaram os trabalhadores a votarem na oposição
em novembro, "desmascarando o PDS".
O II Enclat-Bahia considerou que a
"Central Única dos Trabalhadores,
organização dos trabalhadores a nível
nacional, é um instrumento poderoso para aumentar a intervenção política da classe operária, importante
para construir a aliança operáriocamponesa. base da unidade popular
e elemento de articulação dos movimentos populares e democráticos no
país". Foi reafirmada a rejeição ao
plurisindicalismo e reforçada a Unidade Sindical estadual, com diretoria
de 18 sindicatos.
FIM DO REGIME MILITAR
Os sindicalistas consideraram as
eleições e a II Conclat as tarefas
políticas centrais deste ano. E ò próprio Eiiclat baiano mostrou o interesse dos trabalhadores em sua realização: de 250 delegados no Encontro do
ano passado, este ano o número subiu
para 490. Os debates serviram para
preparar a classe trabalhadora baiana
para a Conclat. bem como aumentar
a sua consciência para a luta. Sobre as
eleições, os trabalhadores consideraram a necessidade de "derrotar o regime nas urnas, combatendo a ditadura, expressão mais reacionária da
burguesia, votando na oposiçãoedesmascarando o PDS". Alguns sindica-
SimjCALÍSUO
continuação da página anterior: NAO VOTE NO PDSL
listas, ligados ao PI. discordaram da
amp!a írentc para dcrrt^ar o PDS
Antônio Carlos Magalhães e Clériv
ton Andrade na Bahia. Foram derrotados no plenário.
O II Enclat se pronunciou pelo fim
«o regime militar e convocação do
"ma Constituinte Livre e Soberana
por um governo que garanta a mais
ampla liberdade política. Foiapnnada a realização de uma campanha
nacional contra o desemprego e outra
pela Rotorma Agrária Radical; e a
rcahxação de um Congresso Nacional pela Reforma Agrária.
UNIDADE POPULAR
lambem foi aprovada uma campanha nacional pela criação da
unidade do movimento sindicai e do
movimento popular. Com vistas a
v
»abilizar isso na prática, afirmou-se a
necessidade de buscar as formas políticas e organizativas para criar a
unidade popular no país.
Sobre a situação internacional, os
sindicalistas baianos denunciaram as
guciras impcnalistas. por serem
contrária^ aos interesses dos trabaIhadorcs e do povo em geral. "Os trabalhadores de\em posicionar-se em
favor da guerra de libertação dos
povos contra o imperialismo", destacando-se o apoio ao povo de EI
Salvador.
Hntre as teses apresentadas c aprovadas no Encontro está uma do Congresso dos Químicos e Petroquímicos que afirma: "Interessa ao proletariado a conquista da mais ampla
liberdade política a lim de colocar em
melhores condições de luta as forças
populares, buscando a saída para o
país se livrar do imperialismo, dos
grandes proprietários nacionais, e estrangeiros e do monopólio capitalista, ponto de partida fundamental à
uma nova sociedade, sem exploração
do homem, pelo homem o socialismo".
(Da sucursal)
mo A CUT: REALIZAR ÜH CCNCLAT PASSIVO EU AGOSTO
D TRA3ALH0 10 a 16/06/82
Mo próximo dia 5 de julho, a
Comissão Nacional Pró-CUT
vai tomar uma decisão de importância para todos os traba•nadores brasileiros: com base
«« consulta aos Encontros Regionais das Classes Trabalhanoras», os.ENCLATs. ela vai determinar se o Congresso Nacional das Classes Trabalhadoras.
0
CONCLAT. marcado no ano
Passado pelos 5 mil e 400 delegados reunidos na Conferência
na Praia Grande, será ou não
realizado em agosto deste ano.
' & maioria da Comissão Pró~^T, dominada por pelegos e
dingentes sindicais do PCB.
desde a sua eleição na Praia
brande tem se ocupado mais
em tentar se amarrar aos pedagos das Federações e ConfederaçÕes,como o Ari Campista, da
Confederação Nacional dos
trabalhadores na Indústria e,
com isto, tem se distanciado cana vez mais do movimento real
nos trabalhadores.
Estes últimos, na luta contra o
desemprego, têm se organizado
n
zs suas Comissões de Fábrica.
^T Procu-rado1 eriar articulações sempre mais amplas —
veja a luta dos bancários pela
unificação de sua campanha saiam! na página ao lado — e
tem inclusive conquistado algui as vitórias salariais mais recentemente, com as greves dos
metalúrgicos de Niterói e depois
do ABC em.São Paulo. Nessa
luta eles exigem uma centralização cada vez maior do seu
movimento. E por isso que eles
elegeram a Comissão Pró-CUT:
para que ela reunisse as condições para a formação de uma
Centra! Sindical que unifique
suas fotças nacionalmente.
Procurando eximir-se da responsabilidade a que ela foi eleita, a maioria da Pró-CUT.nào
reuniu condição nenhuma e faz
agora esta consulta: será que os
trabalhadores querem a realização do CONCUT em agosto
deste ano? E. na base desta pergunta, estí a indagação; será
que os trabalhadores querem a'
CUT? Para isso. ela se baseia
no verdadeiro fosso que cavou
entre sua atuação — fazendo do
Pacote da .Previdência o centro
de suas atividades, para melhor
subordinar-se às Confederações
— e a dos trabalhadores, que fizeram da luta contra o desemprego e por salário o centro de
suas atividades nas quais nunca
>e viu a presença da Pró-CUT.
Com base nesse distanciameno é que surgem dúvidas por
oda a parte, mesmo entre ds
sindicalistas do PI", sobre a possibilidade da fundavão da CUT
no Congresso deste ano. E uma
dúvida legítima, pois uma Central Sindical que seja um amontoado de pelegos em nada servirá aos trabalhadores. A resposta .( esta dúvida, hoje, só
pode estar em lançar-se com todo o empenho no sentido de
realizai um Congresso massivo
em agosto que avance em direção à CUT.
Hsta foi a discussão realizada
ia em dois encontros de Sindicalistas do PT: o primeiro, e
São Paulo" há três semanas e o
segundo na Região Metropolitana de Porto Alegre, Rio Grande do Sui. na semana seguinte.'
Nestes dois encontros, os petista> decidiram jogar toda a sua
Torça na preparação do CONCLAT. Se o PT, fruto das lutas
c das mobilizações realizadas
pelos trabalhadores nos últimos
anos. nào se envolve neste processo, certamente que nào haverá CONCLAT massivo e muito
menos uma CUT firmemente ii•gada às bases, A partir dessa
compreensão, que hoje começa
a se difundir por todo o partido,
é que os sindicalistas e militantes do PT podem impulsionar
os trabalhadores nesse sentido.
Também no ENCLAT da região de Campinas, nas reuniões
da Intersindical de Porto Alegre
e no recém-realizado Congresso
Estadual dos Jornalistas, a resposta dos trabalhadores à "consulta" da Pró-CUT tem sido
uma só: eles mostraram- que
exigem o CONCLAT em anoslo, eles querem que o movimento avance para a CSJT.
Nos quase três meses qe nos
separam da data marcada para
a realização do CONCLAT. é
disso que se trata: ganhar o
tempo que a Pró-CUT perdeu
Consegui-lo ou nào, é um desafio colocado para a energia que
os trabalhadores começam a liberar nos ENCLATs.
SINVÍCAUSUÕ
ENCLAT EW CAMPINAS
CRIAR A CUT E DERROTAR 0 PDS BK 82
GAZETA DEMOCRÁTICA 05 a 18/06/82
CAMPINAS — ip ENCLAT
DO ESTADO APROVA CUT
EM AGOSTO DE 82
A Comissão Sinci:cal Única
da 5? região, que reúne cerca de
50 municípios, organizou o J?
ENCLA T do Estado de São
Paulo, realizado nos dias 22 e 23
de maio, em Campinas:
}<S0 delegados de 26 entidades sindicais debateram em 5
Comissões o temário proposto
pela Comissão Nacional PróCUT e aprovaram, na plenária
reral de domingo à tarde, suas
Resoluções.
ORGANIZAÇÃO DO ENCLAT
A abertura do Enckll, às 10 horas da
manhã de sábado, no salão vermelho
da Prefeitura, contou com a presença
da Trcs. da CONTAC, .losé Francisco da Silva, o Pres. da FETAESP.
Roberto Moriguti. o Pres. do Sindicato dos Padeiros de SP, Raimundo
Rosa Lima, membros da C.S, PróCUT e mais o Pres. da Federação da
Alimentação do RS. Compunham a
mesa. presidida pelo secretário gera!
do Sindicato dos Bancários de Campinas. Havid Zaia. as seguintes pessoas:
.losé Francisco (Conlag), Augusto
Peta (S, Professores Campinas). José
Ramos (S. Alimentação de Rio
Claro). Ogel (representante dos aposentados) e Rafael Martmello (diretoria do Fórum Sindical de IX-batcs).
As5 Comissões discutiram todos os
ilerrs c'o temário:
1 — A Questão Nacional e o Avanço das Lutas da Classe Trabalhadora:
a) Análise da Conjuntura;
b) A atuação do Movimento Sindical Intersindical na condução das
lutas dos Trabalhadores;
c) Plano de Lutas.
2 — Movimento Sindical — Organi^açSo da CUT a nível nacional e
Estadia!:
a) Carta de Princípios;
b) Cstalulos;
c) Relações Internacionais;
3 — A Questão Internacional
4 — A Realidade do Movimento
Si.ioical Regional e sua Organizaçãc.
RESOLUÇÕES: EM 82,
DERROTAR O PDS
NAS ELEIÇÕES E CRIAR
A CUT
0
\ !enária geral de domingo á tarde
debateu os relatórios das Comissões c
aprovou as seguintes Resoluções:
Questão Nacional. Foi reafirmado e
conjunto das Resoluções da I CONCl.AT, considerada por todos como íj
proposta correta que deve ser imprimida ao conjunto do movimente
sindical no sentido de aprolundar a
unidade dos trabalhadores eampliara
in'.'rverção do movimento sindical na
sociedade, integrando este movimento aa luta contra o regime e pela
democracia. Neste sentido foi reafirmada. com destaque, a luta pela convocação de uma Assembléia Naciona
Constituinte, livre, democrática c
soberana c a importância das eleições
de novembro de 82 como um passo na
conquista da democracia, cabendo às
lideranças sindicais o papel de esclarecer os trabalhadores sobre o significado destas eleições c une sei' votoé uma"
arma para derrotar o governo e seu
partido, o PDS.
Questão Internacional. A crise do
capitalismo agrava ainda mais a situação de misé-ia, de fome. cm que vivem
milhões de trabalhadores, particilarrnente nos países subjugados aos interesses do imperialismo, como c o caso
do Brasil, ao aumentar o desemprego,
ia exploração, reduzir os salários. Fste
'desemprego, com a crise, atinge não só
os trabalhadores desses países m,-»s
também os trabalhadores dos paíi.s
industrializados como os da Europa,
os Estados Unidos, o Japão, tornando
as condições de trabalho e de vida
dos trabalhadores de todos os países
capitalistas cada vez mais idênticas:
insegurança no emprego, desemprego,
baixos salários. Tudo isso por uma
mesma causa: os interesses dos monopólios, do imperialismo. Estreitam-se assim os laços de solidariedade
de todos os trabalhadores forjados na -,
lula pela defesa de seus interesses!
comuns. Os trabalhadores brasileiros
para cumprir seu papel nesta luta
necessitam de uma organização sindical unitária e forte, a CUT Travando
aqui sua luta contra o desemprego,
pela defesa dos salários, pela democracia, estarão contribuindo com o
conjunto dos trabalhadores de outros
países na luta contra os interesses dos
monopólios. p«la construção de uma
nova ordem interna e externa, somando-se à luta de todos os povos que
buscam sua independência e autodeterminação que exige uma nova ordem econômica internacional.
A luta pela paz — Uma moção
especial sobre as Malvinas condenou a
guerra e defendeu a paz na região
como a única solução que interessa aos
povos, tanto argentino como inglês.
Uma visão equivocada sobre a importância da defesa da PAZ MUNDIAL, e os interesses dos trabalhadores e da humanidade, levou a plenária a aprovar uma resolução confusa sobre esta questão: contrapondo a
necessidade da guerra civil como con
dição para a conquista de sua liberta
ção. a exemplo de Cuba, Nicarágua. Efl
Salvador, etc. è entendendo a luta pela
paz mundial como um entrave a esta
luta. a plenária compreendeu que aos
m
mm
paz", outras não.
A CUT ÊM 82 — Por unanimidade, sem que nenhuma proposta contrária fosse apresentada, o ENCLAT
da 5* região, alem de aprovar a realização do Congresso da CUT cm
agosto;82. conforme resolução da I
CONCLAT, aprovou também que a
CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES deve ser criada neste
Congresso, devendo o conjunto do
movimento sindical se mobilizar nesta
direção.
Plano de Lutas — Cabe à Executiva
da Comissão Sindical Única da 5?
região conduzir as seguintes lutas:
campanha de sindicalizaçêo;
2
luta pela unificação das datasbase;
3
luta contra o desemprego;
4
luta contra o pacote da Previdência.
5
Organizar comemorações conjuntas das datas significativas para os
trabalhadores.
«■
NAU55TA
HORUfMQüe
QVB
v&ieMoB
SIHVJCAL:SHC
PELA UmDADE E AUTONOMIA DO W3VIf€NTO POPULAR
TRIBUNA Zfi, LUTA O E ^ A R :
^
Urna das grandes vitórias da 1 Conclat foi consagrar o principio da
unidade do Movimento Sindica! e esvaziar as tentativas de criar na prática articulações sindicais paralelas,
Acima das diferenças
está a união combativa
dos trabalhadores
A unidade i um fundamento hásico do
Movimento Sindical. Acima de eventuais
diferenças religiosas, políticas, ideologias, os trabalhadores precisam atuar
como um só corpo na ddesa de seus interesses, É no locai de trabalho, na lula concreu. que esta unidade se torna mais visível E mostra sua força, na prática sindical coesa, em tomo do sindicato único,
contra a exploração do capita].
A unidade pressupõe bandeiras comuns a todas as categorias, que as
levem a somar forças nas batalhas contra:
o patronato e o Estado, As resoluçõesda!
I.' Conclat apontam ura conjunto de bandeiras que foram a base para o Movimeiuo Sindical forjar sua unidade, na
luta comum. Cabe a nós acharmos os,
meios e formas de levar à prática estas
lutas, pelo:
— fim das intervenções nos sindicatos,
das perseguições c enquadramentos de
sindicalistas na LSN, direito de greve;
— semana de 40 horas sem redução salarial, estabilidade, contra o desemprego;
— salário mínimo digno e unificado, contra o arrocho salarial;
— contra a reforma da CLT proposta
pelo governo, por uma nova CLT elaborada com participação direta do movimento sindical;
— por uma Reforma Agrária em profundidade;
— pela mais ampla liberdade política.
A unidade do movimento sindical
pressupõe luta constante contra as tentativas patronais de dívidí-lo pelas mais
variadas' formas c meios, desde a polida,
passando pela legislação arbitrária e fascista, alé os mais sofisticados tipos de
infiltração e corrupção.
Outro ponto básico do sindicalismo i a liberdade e autonomia frente
aos patrões c ao governo. Um sindicato
com direção livremente ekeita, e organizado sem interferência ou coação do Estado, i indispensável
Infelizmente, no Brasil não é assim..
Nossa legislação, de inspiração fascista,
subordina a estrutura sindical ao Estado,
A Justiça do Trabalho impede a livre
negociação entre operários e patrões, impondo-«e como mediadora dos conflitos.
em favor dos patrões,
O fenômeno do pekguismo surge deste
quadro. O esvaziamento e a burocratização da vida sindical permitem que ekmentos corrompidos, ajudados pelo
Ministério do Trabalho, se encastelem
por longos períodos nas entidades,
usando meios antidemocráticos e até
policialcscos,
D/0E/-Ô2
Liberdade e autonomia
sindical integram a luta
de todo nosso povo
Mesmo quando a direvâo sindical etcá
comprometida com a categoria e disposta
a mobilizá-la, seu mandato ê constantemente ameaçado pelo fantasma da cassação e da intervenção minístefíal.
A autonomia e liberdade sindical é
questão de destaque na luta sindical, íntegra a luta maior do nosso povo, por am_plai liberdades políticas e pelo ílm do
'regime militar.
O movimento sindical de hoje
tnosíra razoáveis êxitos e vitórias:
a realização da If Conctat; a generalização da consciência de que é preciso manter o Movimento Sind.ical unido; a luta
pela fundação da CUT, Por outro lado,
tem ainda falhas, dcficiêndas e lacunas,
O seu desenvolvimento é desigual, Há
direções realmente sintonizadas com as
aspirações da categoria. Outras pouco ou
nada participam, seja por atraso ou acomodação, E há os. peJegos e agentes declarados do governo, que atuam como força
reacionária.
Nossa tarefa é unir o movimento sob
bandeiras combativas. Incorporar à luta
os setores ainda acomodados, isolar e
afastar os pelegos e agentes governistas..
isto exige a participaçâode todos os setores da vida sindical. Independente da
represcntiação for mal q w possuam.num
clima de ampla democracia, mobilização
das bases e fim do cnpulismo.
Nas articulações unitárias e gerais, é
preciso evitar a estreileza ea marginaUração de correntes. Impõe-se uma concepção atnplapara garantir a pa rtrapação de
todas as- correntes, sind icais, nos mecanismos de decisão e execução.
é
DfiS
UM CAWPO
MUi-Tf**JAcíONA^ ií
|
COT 82
AI MIM EM
DISCUSSÃO
■■az rv, LPJ-ZO: 17/6/62
AC o m IM K a N feerau I P r 6 ■ ■ C U T
reuniiMediiu .atrás, u wdc da ContRg^c
a des.petia da aproxinmçlo da daia pin &
realuaçãia da Conctol de fundapSo da
CUT, Tuada decidiu .a respetia. A ftndafto
da CLT t a odebnbE&o dl prftdni Conu-íat ainda DO (nuucuno dwte ar» ccuuLmiam Kodo, portanto, uma iactSfalta,
Com efdto, a grande maio ri ti. 'd cs
membTLm di PtóCtT ouvida Itomifa*
tciij-se íKmciimmíí Eivoriwl ao adiamentoda Conclti ed^fundaçioda CUT.,
•com sensatos, e aemcübafitei arsHmoittoi:
"Wá muito em d ma", querdiaeri niki íiá
nem cnnpo. nem inÉra-stnjtura para a
realuaçlo do encontra cate ano e„ aliim
disto, as eleiçfiei de novembra pBàjtímo
constítuero.um empecilho para a JUB eélebraçSo.
Análojc* wfutnouos Roracn ueili»doa duíante a última reanao de Brasília
pela quase totalidade dos patticipant«,
Quase 'odos arsumentanen orn, çiãsa da
inconvenJIacia e da wttepnpotmiietdBde
da Canelai'CUT ainda este apo, Uma
Conclat "vaziflí, ou me nos nqKeseDttüva do que a primeira, é perigoso,
assim corao irmpwtuao :*:■ :;:i tacr^n um
encontro naconal doü traiwjfadores
ijjx^nas para wokhcar a queitta da
| criado da CUT Esla, ou seja, a CUT,
por outro lado,, ió çeria decLvaniK-nie
válida ie nú^su de amplas disctlisdai
das bases, nas ciiíades., r^ifles c éstadoa.
EXJ oontréiao; oorreria o risco 'de ter
apenas uma entidade boroctáiki a mais.
qucis-c um outro wr eu rim mo "ÜMUaima*
sem eficida alguma.
O grande düema está, pbis, odocado.
Ao quetúdo indica, todos q;CbRem adiara
Coadat/CUT, mas. nirigaiíru q«r aissumir «sta decisão. Isto cbiresponderia à
manifiHta íncoaqKilnda para a emeo•vão do rnãodaio que a Conclat iJa Praia
Gnnde-SP OM auibuiu, ou ieja, a convocação de um oongresio ei» agoitó, do ■
^uai deveria stirgira Hoarm^ada Cenlrai
Ünica dos. Tia ímiha d o reis.
No próximo dra 5, M meaoM sedoAi
Contaig, liavemà nova rauraiao da OHgih
são Nacional, exclusivamente psarii discutir a lealizaçfo da Congmüa. Acè %
viários Enciati serão oetebradoa a espe-'
ra-se que deles sala a decisiki: Conclat/CLT em agosto préwjnui ou só ein
fevereiro ou margo de WflJ?
Outros aissuiirUos
A reunião de Brasília ouviu infornics
do dr. Ulisses Eliedeí tolHfe o ijindámealo
dos trabalhos dacotniislo que cLibora as
reformulaciÍEs, da CLT,
Aasim mesmo, a Pró-CUT' voltou a
chamar a atenção para a oeccaaidade do
pagamemo das mensalidades. Podenáser
efetuado junto a coma a? 3.'i:9,l)3S-2,
Banco do Brasil, A^Sncia Centro, Rte,
em nome de E:raldo lírio iJc AKWdo.
flüffl.
■simcAosw
8
HOVIMEHTO SINDICAL UNIDO CONTRA O PACOTE DA PRE
RREi: SINDICAL DE UNI DACE ^j-hc/GZ
fmn o mcwuiírrwsnío sindicai
hmwStiro de colher aígumas viióriajs. Foram reaMdai as coraimaiiaçOef
do àso 1? de Maio — Dia
■htternadimái dos
Trobtáhaàorm ---, com muita
unidade e luta na defesa dos
mf€res.se« doa trabalhadores,, '
contra a deMimpréso,. o fin!lif/açâo
«• a incnÊÕo ímijosifas pelo
modeh teonômlco. De. modo '
espeduij foi e^ótpdo dos .,
sen/w es mniflrmftfiQf cr
rejeição do dé-creto-Jei que ■
aumenía ocMTíríbuiçõeir
previàBnaaárias e procede a
descontos- dnumemaa no valor
dosbenejkias pagos pehINPS.
Respstrwmn.se manifestações
oombathm • múiárias em
muitos pontos do íemtónfo
nocíorjai; mostrando o ânimo de.
!uta das ímbahadores
bramifoêi Sçrá justo
menaonar dum comemorações
vitoriosas, mesmo COTWKJO O
rnCO de omür muitos deias,
como o 1? de Maio celebrado
na praça do Sé em São Pauh e
a rewmão do Ao de 'Janeiro* por
se tratar das duas maiores
cidades da pafi ~- mo bem o
jnedkía da retomada do"
anemm de ovnmfançOo e iuta
da ciasse operária forosüfeíra,
após a hnga noite do mòítrío.
Pinepaiti-sc o motiimenío
sindícoi bnasifetro para
enfrentar o "pacote" da.
preridênaia social tmtanéo de
mobifcsor todos os
(raba/íiadores na defeso 'dos
seus dírefíos à prcvidêraría
social £ de írazer jpara «issa
luta ioda e qualquer., entidade
sindica!, unindo todos os '
sínditcatos, .federações e
con/ederações na òaíoííjo
comum dsondo a derroíar o
*pacoíe* pretiWencícírio,
Se íâíermos cíareaa pana a
ampüíude da luto nesse oampo,
e houver flexibitidade para
somar esforças nesse sentido, '
certamente o Congresso
Nacional, reunido para deGberar
sobre o pacoto prewdencfjárwj.
■íeré ooTidições para rej^ar o
decreto-hi n.0 1.910. Ao/azê-Jo o
Poder tegisiaíwo reíomarà no
piano potííico a ptenitode de
seus próprios direitos, uma vez:
que o decreto-tó íem .sido,
nestes anos de arfeí.<no} o
msín^ento jurídico da
resíriçâo de direitos, seninda
ainda de redução dos poderes
de decisão do Legísíofito. Nao
são apenas os interesses dos
fraba/hodores que serão
/osodos em Brasítia mas, em
boa iríwdiícta,. os nmot ptdMçoa
È. ntcMtdrio tnlflo «íarài
altura aTtiM momaifo hbtíóriço*
Aghithnar todoê aa que, de um.
modo ou cfam oufra^
têm moUuoê
pura tíaer .nãav ao ivgbnu do
arbitrio, hffdefro do tempo doã,
atoa ;i'riiíi:fPíi!iii;;;i'onial!!P,. E quem não
será contra o aunwnlo de contrÜnáçõa» de prmêdindu
coním o desconto iníquo diaa
:pafawi dai banaficíoê e a
vwdadam ofensa aos ppdana .
do Congreno Na dona I? EbcMIrá
o|9uén% e«iiii n.lififjiniiia andUlMj
aoSdârie com o» tamoctutaê do'
Mm is té rio tfa Prauidt nela/
atiado» aos do Pkmejajtmnío,
aj.|ia "genrânfflfade* feuou at
PJI j títu iç Sw p n u kfui c tói ria»
pmtkxitmnte à jolêncm'
íi, jportanto)ptatívg} derrotar o
pcicote da pretHdiheia, A.
unncfada e a bita ȋom
inttrvmanto» pamt tomar moa .
potúbifídade em ooncrato -J,.
nw&bflFe, Pam ama íairis/ci":' ,;
estão lotfM EompocndMj' de
o* (BH§ent9ê sindiam medi
rmtponaàvah aos crtívistas
sindicais, deiegadas sindicais er
como a força mak mporimte*
detm vrocàaao, os
tobàmodonuj nas fdjMcat, nau
fasandtm e em todas os focada
úe trabalho.
BffliTfliwpm!:;?'
SIT
:L "i L a ç e c
- á g i n a e, r. t e r i c r
Pelw «díamento
"■Como raffiuuttc sir>dk^!ista' preocaipado coin a destino dt> movimento
operário Iwasitedro, acíio que a mais
ra2.oavel min a.MwlfeftMáA, se não tios
EncMs. peio menioü, e princlpalmcmeda
ÇOMÍM» ptifíiu* este é, um. ano etcttoraJ e
a movimento sindical, CDITRI parte integrante da Mciedadc, lofre taitibém as dü.versas, tendências que a luta elettonrittaz
no seu hojo, O movimento sindical está
paniidaíiíítdo e este meontra nacional
em vez ífc vtvAt para ampliar suia unidade, pode ampliar ai; divisões das diversas
undàüiCM por paisife ekitorais momentâniías'*, disse à VU o jormSflH|( alagoano Nilson Mirainda, que se desemcompatihiiizou de- suas repiesentaçc«s
sindicais piara oonoontr a uma cadeira na
Assembléia Legislativa de AJagoas pelo
PMDB. E.k é rwntbro do Conselho de
iteprntenuatn dos undicatei daquele
estado janta à Pederaçao Nacioiml dos
Jornalistas e tesicajfdro da Cortfiederação
Macionai do-s Tralmilhadores era Cotnu-
13
rtl^C, ..
nícaçilo e PuWkridBde, além de diretor
suptente da Fcdí-ração Nacional da categoiria.
Pa.ra Frei Chk;o, dirigente metaiúigico
de SIo Caetano, no ABC pauto, a realização da Condai/CUT est-e amo acarretaria confusões. Ele afirma.:
"A Conclat/ÇUT não devia ser realiada neste ano. oara evitar briav TMJtidárias, disputa do* caiufidMca. Só os
grupeiros querem reali/á-ia este ano.
Todo o dirigente de bom SEIUM? é favorável ao seu adiamento para o começo ílo
ano de W.
A questão do adiamento tem sido freqüentemente colocada e um dos argumentos principais é que este é um ano'
eleitoral. Para BeraJdo Boaventura: do
Sindicato dos Bancários do Estado da
Bahia, isso tem que ser coriüiderado. O
baiano opina;
"Para mim. o mais imporumte.é que a
CUT represente efetivamente a organi-
xação tüos tarebaltudorei nas suas hasES.
Paia Í5Sii>„ eii ú&K ser niwjs ennáíada,
mals afirtilLiixlada. I:'al:a-5è- iniuilc em
criar a CUT pela IMíK, qii4*iiKi*!i^ movlnunata Kíije í; maite nfeM t^pdScative do
que o <}<■ existia AMa de M'. «nas. acho
qij.i:; há pouto dfi etrfona triiso.,,. Precí-,
UíJQOI oiwow iGuíio para dar paxsavltiía
seguros. Niasí' MíDlldo.. sem favwá.wl .iii
realira-çâiO da Ci>nc,kii e pdú intiannao
da Cí.! TV paia i|tttela venta maiacomii'
ti;nte, mais iMOun. mais- mtwaéA".
SUmCALISèSC
SIIMCAUSWO
mmi
GAZETA DEMOCRÁTICA 5 a 18/6/62
Üs oradores toram se sucederido
governador fará muito para a transmtaelândp a uttufeçSo aos tnbtlhadoformação da estrutura injusta
fw roraís pela sua organização sindical
arcaica deste Estado e contribuirá para
« o agradecimento ao^senedor Montoum comprometimento do governo
fp pela coragem em lepaJiyar o
federal, pressionando no sentido da
s-irbiiicaJisrao nral cm l.%2. Isto ficou
implantação de reformas neste país.
«videnie, sobretudo nas palavras do
inclusive a reforma agrária. Mas isto se
presidente cia CONTAG José Ftaoàsdará com os trabalhadores participan^ ot'je. bestante emocionado, discordo, se dará com os trabalhadores
feu sobre a importância do dia e a
organizados no; seus sindicatos. Sem o
oponuriidade da homenagem:
apoio dos trabalhadores o governador
pouco poderá fazer (...)
A CONTAG recebeu com aíepria
«te convite formLtlaclQ„peJa Feuesp,
O que está sendo julgado neste ano é
ttnvés do companheiro Rorigunti,
acima de tudo, o regime autoritário
Para paiticipar deste dia em que se
imposto à nação a partir de 64. Foi
fiiomenageiíi com justiça o nosso
então oue foram tirados dos trabalhasenador. Franco Montoro e aqui
dores os mínimos direitos, os direitos
estornos participando. Realmente- è^^^X mais legítimos como o direito à»■;;.. dato unportame. pois üz 20 anosí/
\ liberdade., o dirtàtç à vida,e o.dircitoà
W* m;rt)tuiçSo rJo movimento sindicaíC—.jrfj-, segurança no trabalho. Digo direito à
«■tnibalhiadores rurais neste país. Hoje
vida, porque na realidade slo milhões e
o mmrfmemo sindical dos tmbattadomilhões de trabalhadores que passam
res rurais é uma realidade e ninguém
fome, e que a cada dia morrem um
rwds deixar de reconbxera impoitãnpouquinho. São milhões e milhões de
crianças que morrem antes de nascer e
na da organizaçSo sindical e a
existência deste movimento nos quatro
quando nascem acabam moírendo de
recantos de nossa pátria. Hoje nós
fome. Isto é uma girena fria compatom» 2.500 sindicatos detrabalhadonheiros c faz parte de uma política
«a ruraiü em todo o Brasil, nós somos
econômica que marginaliza os trabafl fedmçfies de tmbaihadoret filLaidas
lhadores e que vai ser julgada em 15 de
a CONTAG. sem contar com a
novembro (...)
rederaçio do Acre que deverá ser;
Precisamos colocar no poder aqueles que se comprometem com os
■crada em julho, nós som::, 7 milMes
n
trabalhadores como o senador Franco
- trab,8i,lhaiíores airais iindicaJiiaidos
r
Montoro. Precisamos conquistar
«,ste pais, Muito IrabaJho já se faz, o
governos democráticos e a partir daí
Tiovimento está estruturado e a
daremos passos no sentido de conquisrespansabüklade deste movimento 6
tarmos a reforma agrária, de conquismoito grande, pois o movimento
tarmos uma política agrícoía voltada
'ncoipona. os diferentes gnipos de
trabalhadores rurais que s3o os
para o mercado interno. O movimento
Peqjueops
proftrietários, os an-endatásindical nâo é partido político, mas
n
<^, os patreeiros. os posseiros e os
cabe a ele avaliar constantemente o
assalariados rurais, permanentes c
comportamento da política assumida
por este ou por aquele governo, a quem
tempoj-ádos. A nossa rraponsabiiidade
beneficia esta política e a quem
se dá. por mais de 4ít milhões de
prejudica. E a avaliação feita pelo
crasüeiros, por mais de 1! milhões e
movimento sindical na nosra área a
ntsio de ramílias de trabalhadores
partir de M^rn relação à política áo
rurais, Realmente, rememorar hoje os
governo nos teva a concluir que esta
20 anos de;sur^imento do movimento
política só tem beneficiado ao grande
sindical rural, é importante, mas é bom
capital nacional e estrang^ro, aos
refletir também sobre a responsabilidade que o mowmento sintücaJ tem nos
banqueiros e aos latifundiários e
esmagado a classe trabalhadora. É por
passos que ainda hío de ser dados para
isso que o mbalhncior nlo deve se
itnplarupr a justiça social neste pais {.'..)
confundir, nüo deve voar errado, não
Senador Franco Montoro, então
deve alimentar uma c-strutrra que o
mmistro do trabalho, que teve a
esmaga, que lhe nega pâoe água todos
coragem de assinar a oficialização do
os dias, E por isso que os trabalhadoDKmmento sindica! dos. trabaJhadores
res devem votar conscientemente
rtuais em f.962: sabemos das pressões
naqueles que s: CG.Ti{.ronietem com os
que o senador sofeu na época, que foi
interesses da classe trabalhadora..."
até ameaçado de perder o cargo de
ministro porcausa desceato — cébam
Após o discurso do presidente da
<H-ie os trabalhadoresnílitam sobre isto
Contag, o senador Franco Mcntoro
- • mas nüo ficou afjenas no discurso e
recebeu várias homenagens de trabaadotou a medida, O movimento
lhadores rurais presentes, das quais
sindical rural foi então lançado e hoje
destacamos a d? um trabalhador, de
esta estruturado, erttSo ^ urrla quitsta0
mãos calejadas e cabelos grisalhos de
ac jvistiçs. esta homímacKrn feita ao
quem
trabalhou muitos e muitos anos
senador Franco Montoro, Mas comde
sol
a sol. Deste trabalhador
panheiros, no momento atual temos
Montoro recebeu a ferramenta de
que rellctu sobre a responsabilidadedo
trabalho — um facão — que o
conjunto da sodeda.le, não apenas do
acompanhou durante toda sua vida.
stnador Franco Montoro, candidato a
Depois disso o senador discursou,
governador ^ maior Esfado deste
condenando o atual sistema de delegaP^B, nuas de teda a sociedade, O
das de Trabalho, que considerou
repressivo c prometeu apoio e ajuda
aos trabalhadores rurais, "pois o
governo tem dc estar a serviço da
população c nlo ao contrário, como
vemos hoje, o povo servindo o
governo . Montoro prometeu também
£atear a reforma agrária em São
rauio, se eleito governador do Estado
começando pela regularização fundia^
na das áreas em litígio. E para encerrar
pediu o engajamento dos trabalhadores do campo nas eleições de
novembro que para ele "serão o
julgamento do governo, de sua política
ÜtiSf0 vo,tada P3ra os f*3Após os discursos, oongratuiacõe&e
análises, os presentes se dirigiram até o
asilo da cidade onde foi realizado um
churrasco de confraternização. E na
íesta ficou uma certeza, segundo
depoimento de um trabalhador ruraü
Unidos venceremos".
€RA o ;g^A>
CWAOOO
tem,
A SGG^Tfi o SERR
€MO SfcTTAlo /JoMie
SINVICALISMC
10
SOBRE 0 CONTROLE DE QUALIDADE
FOLHA DE S.
PAULO
10/6/62
OtviMo Perk<va é jomalUU, foi cormponlenl» da "Folhi" em Tóquio, é autor do ro■nance "O retrato", ex-diretor do "Correio da
«anhS" e, atualmente, edllorlalista deste lor-
■I. ,
OSVALDO PERALVA
Oprof. Maurício Tragtcnberg,
em artigo nesta mesma página, dias atrás, falou sobre
os Círculos de Controle de Qualidade (GCQ) no Japão, condenando a
idéia de sua utilização em empresas brasileiras. Algumas de suas
afirmativas sáo correias e sobre
coisas bem conhecidas, como a de
que o sindicato de trabalhadores
naquele país é organizado em base
empresarial.
• Essa é uma característica do trabalhismò nipônico, e um. folheto
publicado por entidade vinculada
ao governo admite mesmo que o
operário ali tem dupla fidelidade—
ao sindicato e à empresa. A razáo é
a existência de um pacto social pelo qual os principais empregadores asseguram aos empregados
trabalho vitalício, com aumento de
•remuneração proporcional ao tempo de serviço, e deles recebe o
compromisso de mão-de-obra permanente. Isso não exclui a batalha
anualmente travada em abril, ra
chamada "ofensiva de primavera", por majoração salarial em
torno do nlvef de produtividade .
Ò fato é que, a despeito da recessão, o desemprego no Japão é
de apenas 2%, comparados com
quase 10^ nos EUA. Pesquisas de
opinião publica indicam que ouase
todos os trabalhadores japoneses
se consideram economicamente
membros da classe média, num
pais em que a renda per capita se
aproxima dos dez mil dólares
anuais.
Adiante, o articulista diz
textualmente o seguinte sobre o
trabalhador japonês: "Não tem estabilidade, é um bóia-fria na
industria, guando necessário à produção é chamado ganhando menos que os contratados. Trabalha
70 horas semanais e terminada a
empreitada é demitido sem a
mmima indenização."
Essas palavras não se ajustam à
realidade. È inacreditável até que
tenham sido escritas por um professor universitário, com a responsabilidade de informar corretamente seus alunos e seus leitores.
O simples bom senso repele o quadro acima descrito. Como poderia
o Japão, adotando um sistema
semi-escravo de trabalho, de 70 horas semanais, equivalentes a dez
horas diárias sem repouso de uma
só jornada, haver-se tornado a se§unda potência econômica do muno e ultrapassado os EUA. em
1980, ha produção de aço e ae automóveis?
Várias causas têm sido aponfadaspara explicar a prosperidade
nipônica, e entre elas a de que os
operários naquele arquipélago trabalham muito mais e ganham muito menos que seus colegas europeus e norte-americanos. O adjetivo "muito", em ambos os casos, é
exagerado. Em outubro de 1980, o
sr. Thomas J. Nevins, diretorgerente de uma firma de consultoria em Tóquio, a Technics in Management Transfer Inc., apresentou
estudo comparativo dos principais
países capitalistas, do ponto de
vista de remuneração no setor manufatureiro, usando estatísticas
de 1978. Tomando o Japão como base 100, o salário correspondente a
uma nora era de 120 nos Estados
Unidos, 114 na Alemanha Ocidental, 64 na Inglaterra, 62 na França
e 56 na Itália. Quer dizer, os japoneses ganhavam menos que os
americanos e alemães, porém
mais que os ingleses, fianceses e
italianos.
Quanto à extensão da jornada, no
mesmo ano, os japoneses trabalharam 41,1 horas semanais, os americanos 37,2 e os alemães 36,3. O conde Otto Lambsdoríf. ministro da
FVonomia da Alemanha Ocidental, esteve em julho de 1980 no Ja
pão e ficou entusiasmado com i
devoção dos japoneses ao trabalho
Retornando a seu país, observo;
que eles trabalhavam por ano cer
ca de 300 horas mais que os ale
mães, o que significa cerca de urm
hora a mais por dia. Mas daí às 7(
horas semanais do prof. Tragten^
berg vai imensa distancia.
■ Na verdade, o que explica a proa
peridade japonesa é sua crescenti
produtividade. O presidente di
NCR Corporation, William S. An
derson, em conferência na Univer
sidade de Notre Dame, no segunde
semestre de 1980, sob o título "En
frentar o Desafio Econômico Ja
ponês", observou que esse paii
asiático, com a metade da popula
çáo norte-americana, forma duas
vezes mais engenheiros que Oí
EUA, Isso se.traduz numa propor
çâo per capita de 4 para 1. E acrescentou: "Não há exagero em afir
mar que o Japão é hoje a naçãc
mais instruída e mais bem-educa
da do mundo. Em uns poucos anos
a etiqueta "made in Japan"
tomou-se símbolo de qualidade
excelente."
Essa excelência é devida, entrt
outras coisas, ao Controle de Qualidade, introduzido no parque indus
trial nipônico após a Segunda
Guerra Mundial, por ordem das
forças de ocupação, desejosas de
obterem melhoria na qualidade dos
produtos que lhes eram fornecidos.
Os japoneses não só o utilizaram,
como
o
aperfeiçoaram,
convertendo-o em Controle Total
de Qualidade, cuja meta é reduzir
a zero a produção de artigos defeituosos, mediante a inspeção prévia
de todo o processo produtivo, desde
a matéria-prima até o artigo
acabado.
Em 1962 criaram-se espontaneamente círculos de controle de qualidade, constituídos de operários e
técnicos, na fábrica de rádios para
automóveis, da Matsushita. numa
siderúrgica e numa companhia farmacêutica. Ao ser reconhecida sua
eficiência, esses círculos — denunciados pelo prof. Tragtenbcrg como instrumentos de superexploração nas fábricas — espraiaram-se
por todo o Japão.
A Associação dos Cientistas e
Engenheiros Japoneses calcula em
cerca de um milhão os círculos de
controle de qualidade existentes no,
país, englobando de sete a oito mi
Ihões de membros, o que corres
ponde a uns 20% de todos os empregados no Japão. Recentemente, foi
notado que alguns empresários
tentam desvirtuar esse movimento, procurando utilizá-io com o fim
de obter resultados mais rápidos e
imediatos em sua produção. Isso
fez com que surgisse a preocupação, entre os operários, de opor-se
a tais círculos, como sendo uma
tentativa de controle de cima.
*.
.
A despeito de tudo, os CCQ permanecem um dos fatores de aumento da produtividade e de melhoria da qualidade dos produtos
japoneses. Nos EUA foi introduzido
na Lockheed Aircraft Corp, em
1973, ampliando-se a outras fábricas, não só lá como na Inglaterra,
Alemanha Ocidental e outros
países europeus.
Sc o CCQ é aceitável ou não para
os operários brasileiros, é questão
a ser estudada e decidida por eles.
Mas a deformação dos fatos sobre
o trabalhismo nipônico, feita pelo
prof. Tragtenberg, nâo contnbui
para elucidá-la. Talvez ele tenha
agido de boa fé, por ignorar a verdadeira situação, Mas, como já disse
alguém antes de mim, ignorância
náo é argumento.
sikvicALism
u
METALÚRGICOS PREOCUPADOS COT A POBOTIZACÃO
CORREIO SINDICAL DE UNIDADE jur,ho/82
Uma expressiva delegação brasileira participou da S? Conferência
Mundial do automóvel, organizada
recentemente em Tóquio, Japão
(dias 28 a 30 de abril último), pela
federação Internacional de Metalúrgicos. Estiveram ali representados os metalúrgicos das regiões
onde estão sediadas as indústrias
automobilísticas: S. Paulo (Capitai,
S. Bernardo, S. Caetano e S. José
dos Campos), Rio de Janeiro, Minas
Gerais e Paraná, onde instaloü-se
recentemente a Volvo.
O tema central do encontro foi a
adoção de medidas no sentido de
regulamentar, obstar e reduzir as
exportações japonesas, mas o que
n^ais interessou aos brasileiros
presentes em Tóquio foi a questão
da rqbotização crescente da indústria japonesa, que ameaça implantar os robôs no Brasil, agudizando
ainda mais o já dramático problema
de desemprego.
•" — Do Congresso, tiramos conclusões, cujo tema central é a
unidade a nível mundial dos trabalhadores no sentido de minimizar,
se não pudermos eliminar por
completo, os efeitos do. avanço
tecnológico japonês. Por exemplo,
as exportações em massa têm
trazido problemas para outros
Países, principalmente os países do
3o Mundo. Ao invés de pyra e
simplesmente exportar o carfo, por
exemplo, os japoneses deveriam
instalar fábricas de construção de
veículos nestes países, afirma
Joaquim dos Santos Andrade,
presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.
O sensacional avanço tecnológico do Japão fez com que este pais
sobrepujasse outras potências,
como a Alemanha capitalista, os
EUA, Inglaterra e França, nos
setores elétrico, eletrônico e automobilístico. A questão da robotizaÇâo esteve no centro das preocupações dos brasileiros. João Lins,
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Caetano diz:
— A robotização para os japoneses é boa, porque está em evolução
industrial, não dá desemprego. Ao
contrário, através do robô os
japoneses estão criando novos
empregos. Os 2% de desempregados que conta o Japão é apenas
conseqüência de uma rotatividade
de quem cismou, por exemplo, que
não quer mais aquele emprego ou
que-se mudou para outro estado ou
mesmo para outro país. Se estes
robôs forem exportados para nosso
país, teremos ainda maior número
de desepregados. Não que eu seja •
contra a tecnologia, mas ela só é
viável quando cria novas indústrias
e, consequentemente, novos empregos. Más, colocar robôs p ara
substituir operários nas indústrias
já existentes, seria uma catástrofe.
O presidente do Sindicato dos
Metalúrgicos de São Paulo explica
porque se deve lutar contra a
implantação de robôs no Brasil:
— Nós não contamos no Brasil
com uma política de emprego, não
contamos com mecanismos legais
de proteção aos trabalhadores
desempregados e a importação
indiscriminada de robôs só sorveria para aumentar os lucros das
empresas multinacionais que
atuam no Brasil e para acelerar os
lucros das empresas multinacio""■'s que atuam no Brasil e oara
acelerar, agravar mais o problema
do desemprego e da marginalizaçào em nossa terra, uma vez que
ssses robôs têm capacidade para
fazer o trabalho de 3 ou 4 homens.
E robô não come, robô não tem
doenças, robô não vive, não sente,
não pensa, não tem patriotismo,
nem Pátria. O robô trabalha, ocupa
0' lugar do homem e o homem no
Brasil vai ser submetido às contingências da própria vida e, se é difícil
viver no Brasil com os magros
salários do emprego que ainda
temos, pior seria viver sem estes
salários e marginalizados.
Joaquim comparte com João
Lins de que a robotização pode ser
benéfica para os japoneses. Outra
coisa, porém, muito distinta, é sua
indiscriminada implantação aqui.
Santos Andrade destaca:
— É evidente, é evangélico dizerse "Mateus, primeiro os teus" e as
nossa intervenções durante a
realização daquele Congresso foram exatamente no sentido de
alertar o povo japonês, os trabalhadores e os sindicatos de lá, da
oroblemática que as exportações
iestes robôs trariam consigo para
JS países principalmente do 3.°
Vlundo. Porque no Japão, esta
Jutomatiznção, a robotização, não
rouxe desemprego porque o goverIO japonês negociava e discutia o
problema com empresas genuinamente japonesas. No Brasil, nós
iríamos discutir o problema com
empresas genuinamente multinacionais. Então, as características,
bem como os objetivos e resultados
deste diálogo, se diferenciam
muito. Nósentendemosqueseesta
exportação é benéfica para o povo
japonês, para as empresas japonesas, ela traria miséria, desemprego
l
e sobretudo aflições maiores para
nós. Nós afiançamos — e o fizemos
com absoluta seriedade — de que
os trabalhadores japoneses precisam se preocupar não apenas com
as exportações; o povo japonês
fabrica aparelhos altamente sofistiados. mas os trabalhadores iaponeses não têm acesso a esta sofisticação, a estes aparelhos.
Para Joaquim dos Santos Andrade, os trabalhadores brasileiros
devem mobilizar-se e conscientizar-se do problema da automatização e suas conseqüências. Não que
considere a tecnologia e a ciência
inviáveis. Ao contrário. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de
S. Paulo conclui:
— Eu acho que nenhum brasileiro, nenhum dirigente sindical pode
se colocar obstinadamente contra o
avanço tecnológico e científico.
Mesmo porque este avanço científico é como o socialismo: ele
avança, independentemente dos
tropeços, dos obstáculos que o
capitalismo tenha colocado em seu
caminho. A socialização dos costumes, do capital, é uma marcha que
ninguém detém. Da mesma forma,
o avanço científico não creio que
possa ser detido Podemos reduzir a
sua velocidade, cronometrar o seu
avanço para que ele não sirva de
preocupação, de desespero e de
desemprego. O avanço poderá vir,
desde que o povo esteja preparado
para ele e que seja uma necessidade do povo e não uma imposição
dos interesses megalomaníacos
das multinacionais.
POLíTICA PARTIPARIA
0
GRANDE
12
FAVORITO
Há alguns meses, o prefeito de São
Bernardo do Campo, Tito Costa,
especialista em legislação eleitoral, mudou
a rotina de trabalho: teve de abandonar
seu gabinete para despachar em casa,
buscando um pouco de paz. O telefone
do gabinete não parava de tocar, com
políticos de todo o pais pedindo esclarecimentos sobre como votar corretamente.
"Nunca vi tanta confusão; até mesmo os
políticos mais experientes estão desorientados. Jamais houve uma eleição tão complicada no Brasil", comenta Tito Costa.
"Precisamos criar um Mobral eleitoral", sugere o presidente do Senado.
nhecldo••, adverte o diretor-supenntendente do Instituto Gallup, Carlos
Matheus.
No Rio de Janeiro, de acordo também com o IBOPE, a desinformação é
menor: dos 5.824.000 eleitores fluminenses, 69,4% não saberiam votar direito.
O diretor-técnico do IBOPE, Carlos Augusto Montenegro, comenta: "Imagine
em regiões menos desenvolvidas".
Na Bahia, a Brasmar-1
ket, firma especializada
em marketing político, resolveu fazer algumas experiências.
Realizou uma
pesquisa com quinhentos
eleitores; apenas 27% passariam no teste das urnas,
saberiam
votar certo.
Jarbas Passarinho, do PDS. "Sem isso,
as eleições de novembro vão registrar O'
mais alto Índice de votos nulos de toda
a história." Pior: correm risco de anulação. O Código Eleitoral, artigo 224, determina a realização de novas eleições se
o percentual de votos nulos for superior
a 50%. "J^ estou começando a ficar
muito assustado", diz o líder do PDS
na Assembléia Legislativa de São Paulo,
Fauzc Carlos. "Poucos eleitores absorveram a nova sistemática de votos e não
vfto absorver com facilidade. Vivemos
na fase do voto emocional, na pessoa e
não no programa."
É fato. Uma pesquisa da Rádio Globo, no Rio de Janeiro, demonstrou essa
tendência. Seus repórteres, plantados em
pontos-chave da cidade, indagavam:
"Você vota no nome do candidato ou
no partido?". A maioria não vacilou
para responder: 128 votariam no candidato e oito no partido. Isso não provocaria maiores transtornos se não existisse
0 voto vinculado, que obriga o eleitor,
sob pena de anulação do voto, a escolher candidatos de um mesmo partido,
em chapa completa, de vereador a governador. E, por enquanto, o problema
é ainda mais grave — a maioria do eleitorado nem imagina que essa
vinculação foi estabelecida.
VISÃO 14/6/82
"É preciso
montar uma simulação para conferir o que o entrevistado diz." A Brasmarket teve essa preocupação c seus diretores
Ronald e Sídney Kuntz ficaram espantados
com os'resultados: simularam uma eleição,
distribuindo cédulas, e apenas 10% dos
pesquisados souberam montar uma chapa
válida. "Em outras palavras, as eleições
seriam simplesmente invalidadas", analisa
Ronald. "Note-se que essa simulação foi
feita em Salvador, onde o nivcl de informação é presumivelmente maior. E no sertão, como seria?", indaga Sídney.
Pode ou não pode? — Nâo é preciso
ir ao sertão, aliás — mesmo cm círculos
políticos hâ muita confusão. "Tenho recebido candidatos a cargos eletivos que
não sabem o que é voto vinculado", informa Marco Antônio Mástròbuono, as~
sessor do ex-presidente Jânio Quadros e
candidato a deputado federal pelo PTB
paulista. "Muitos parecem baratas ton-
tas." O líder do PDT na Assembléia
Legislativa de São Paulo, Osmar Ribeiro, fez uma simulação de pleito na sede
de seu partido em São Caetano do Sul.
De inicio, era apenas uma brincadeira,
nada sério, um teste com seus eleitores.
Denois de uma semana, abriu as urnas.
"Fiquei meio desesperado", lamenta Ribeiro. "Pelo menos 80%
dos votos estavam errados."
Numa reunião informal entre
jornalistas e assessores do senador
Franco Montoro, candidato favorito ao Governo de São Paulo pelo
PMDB, comentava-se o chamado
"voto camarão" — deixa-se cm
branco o nome do governador c
aproveita-se o resto. Um de seus
assessores de comunicação, um
tanto perplexo, indagou; "Ué, mas
i pode? Não é obrigado a votar em todos
os nomes?". Naquele momento, soube
que podia; o eleitor não é obrigado a
votar em todos os nomes, embora o
partido deva apresentar chapa completa,
exceto nos municípios em que não tiver
diretório.
Calma no tribunal — Apesar de tudo
isso, o Tribunal Superior Eleitoral não
parece muito preocupado com uma possível avalancha de votos nulos. Alega-se
que, historicamente, só há uma exceção
recente numa série de pleitos válidos::
explica Ronald Kuntz. "Assim diminui
mos a chance de votos em candidatos
de partidos distintos." Não é só isso:
vão usar discos, camisetas, balões, enfim, tudo o que for possível para evitar
o voto nulo. E já está em andamento a
elaboração de uma história em quadrinhos dizendo como votar, com a assessoria de uma especialista no assunto.
"É um meio eficaz, porque ressalta a
X
ATENÇÃO'Voe» nío pod»ré vot«r .m candidato da Panidoi ditacamai. Eacolha portanto o «ao Partido
Os números da desinformação — O senador Jarbas
Passarinho mostra aos que o
procuram uma pesquisa recente do IBOPE no Pará,
sua base eleitoral. As eleivôes paraenses, se fossem
realizadas hoje, seriam anuladas, já que 62% dos votantes ignoraram a vinculação. Outro número: 37%
dos pesquisados declararam
taxativamente que vão votar
em candidatos de partidos
diferentes. Outros 25% disseram que jamais ouviram falar nesse tal de vpto vinculado e que, por isso, fariam
sua escolha independentemente do partido.
Em São Paulo e no Rio
de Janeiro as eleições também seriam anuladas. Uma
pesquisa do IBOPE surpreendeu os políticos paulistas: 71% dos entrevistados
nâo sabem o que é vincuiavào e 56% não têm idéia de
.que isso existe. "Estamos
no campo minado do desco-
W LUTADO •rnkowu.
«■ «C r •■f»>oaT*
■u-r •• BBH
OOVfRNADOB
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DiaUTADO FlOiUl.
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DtaUTAOO IITAOVAL
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■■ M '•'-■
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Os políticos gostaram desta cédula. O eleitor nâo vota só pelos nomes, mas também pela cor.
POLíTICA PARTTPAKIA
13
continuação: 0 GRANDE FAVORITO
imaxem, evitando encher o ambiente
com mais palavras, que também podem
levar à confusão", explica Sônia Luyten, professora de Comunicação na Universidade de Sao Paulo. "É eficaz sobretudo agora, quando grande massa de
eleitores é jovem e sensível a esse tipo
de comunicação." Seu marido, Joseph
Luyten, também professor de Comunicação e especialista em literatura de cordel, tem outra proposta: "Nas regiões
do Nordeste, o cordel pode ajudar muito a esclarecer o eleitor". Luyten vem
preparando um modelo de "propaganda
ncJrdestina" para os clientes da Brasmarket na região. "Tudo deve ser usado",
propõe Duailibi. "Acho até que os publicitários deveriam trabalhai gratuitamente para facilitar o voto válido do
eleitor."
Cédula em casa — Aparentemente, foi
essa a preocupação que levou o deputado Luis Vasconcelos, do PDS mineiro,
a lançar um polêmico projeto — o voto
domiciliar. Afinal, alega, são nada menos que oito postos a serem preenchidos
e cinco partidos a disputá-los^ — uma
cédula terá, em média, mais de trinta
nomes. Diante disso, Vasconcelos propõe que o eleitor receba a cédula pelo
correio dias antes do pleito. Calmamente
a
preencheria em casa e, no dia das
eleições, só a colocaria na urna.
O projeto divide as opiniões. O exgovernador Paulo Maluf o aplaude,
preocupado com o tempo que cada eleitor gastaria para votar (em média, cinco
minutos). "Não haverá tempo para todos votarem no prazo estabelecido",
calcula. A candidata ao Governo do Rio
de Janeiro pelo PTB, Sandra Cavalcanti, também o apoia: "Seria eliminada a
tensão na hora do voto, que pode conduzir a erro por distração". Curiosamente, o PT também o defende, "t
melhor votar sem pressa", justifica Aírton Soares. O PMDB è radicalmente
contra. "Querem aumentar a possibilidade de manipulação do voto", acusa
Odacir Klein, líder do partido na Câmara
Federai. O Palácio do Planalto não se manifestou sobre o assunto —- mas Vasconcelos garante que tem o apoio do chefe do Gabinete Civil, Leitão de Abreu.
"NSo arrisque" — Há muitos políticos
que preferem não gastar energias com
essa discussão — afinal, hoje em dia,
voto. O deputado estadual Geraldo Menezes, do PDS paulista, por
exemplo, "inventou" uma fórmula. Depois de perceber que o eleitor não compreende direito suas explicações sobre
voto vinculado, sugere: "Então não arrisque. Vote só em mim e deixe o resto
em branco". Seja como for, na febre
da busca de votos, muitos truques devem surgir. O certo é que se espera, a
partir de agora, uma cruzada de alfabetização eleitoral — sobretudo para que
os eleitos não tenham poucos votos, o
que comprometeria a própria representatividade do pleito. Caso contrário, temem muitos oposicionistas, alguns setores governamentais terão encontrado um
bom motivo para alardear que "o povo
não sabe votar". O presidente do
PMDB, deputado Ulysses Guimarães,
ironiza: "Acontece que, depois dessa
balbúrdia, está mais uma vez provado é
Que o Governo não sabe legislar".
D
Ifí LÍDER PARA
OS OiaRWDOPE^
FOLHA DE S
PAULO 06/6/62
Politicamente, o resultado da Convençáo
pedessista do último domingo transcende em
muito a simples análise dos números que deram
a vitória à chapa oficial, liderada pelo exprefeito de Sáo Paulo, Relnaldo de Barros, por
esmagadora diferença de votos. Seu significado
maior está na constatação da inequívoca liderança do ex-governador Paulo Maluf dentro
dos arraiais governlstas e, por conseqüência,
entre a burguesia paulista, sem dúvida ainda
representada pelo PDS.
Sob a ótica política, Maluf saiu desta Convenção como o grande vencedor e demonstrando
aos setores mais conservadores de Sáo Paulo
que é realmente o líder que esperavam há anos:
Ideologicamente límpido (portanto, confiável
aos seus oilws) je com suficiente agilidade e firmeza de Idéias para enfrentar o surgimento de
outras lideranças de outros segmentos sociais.
Nesse sentido, até o advento Maluf (a partir
da Convenção arenlsta de 1978), a burguesia de
Sáo Paulo sentia-se órfã. Os seguidos governadores nomeados pelo comando revolucionário nos últimos 18 anos náo se preocuparam
em ocupar esse espaço. Maluf, ao contrário, talvez tangido pelas circunstâncias de sua vitória
em 1978] quando não era o candidato do agrado
do sistema, só tinha essa salda; procurar se
posicionar como um político de Ideologia conservadora definida; náo um simples aventureiro, cujas pretensões se esgotavam era
ocupar o cargo de governador do Estado para
largá-lo depois de quatro anos, recoihendo-se
em seguida ao chamado "ócio com dignidade",
mas um político com ambições maiores, com
capacidade dé aglutinação e com amarca de um
vencedor por natureza.
E esse objetivo ele alcançou, varrendo do
mapa político paulista a esboçada dissidência
interna no PDS "liderada" pelo sr. Laudo
Natel. Agora, dentro do partido oficial em Sáo
Paulo, so existe uma voz autorizada a falar; a
do ex-governador Paulo Maluf.e é isso que a burguesia paulista mais conservadora queria. Ela
náo precisa mais procurar na oposição alguém
com que se pudesse compor politicamente, no
âue inevitavelmente teria de pagar o alto preço
a Insegurança política.
Maluf é o "self-mademan" da política brasileira. Aliando populismo e demagogia á
Ademar de Barros e Jânio Quadros, com a
retórica de um empresário Jovem e dinâmico,
foi tecendo o figurino exato para vestir o líder
sonhado pelas classes conservadoras paulistas.
Para o povo acena com obras e dinamismo
administrativo, e para a burguesia com a segurança de que continua como um de seus mais
diletos filhos — apesar de se ter transformado
num político — e com o otimismo indispensável
, a ura vencedor, aquele que poderá encontrar os
caminhos de dias melhores para a economia do
País sem processar nela alterações substanciais nas relações entre o capitai e o trabalho.
O ex-governador de Sáo Paulo deixou de ser
um simples aclctente de percurso, como era considerado até a Convenção do PDS do domingo
passado, um elemento político surgido a partir
de um descuido do esquema oficial pré-aberturísta.
O fato concreto é que no circulo político oficial
e em todos os setores que dependem diretamente dele para sobreviver (a burguesia e a classe
média essencialmente ligada á pequena e
média empresa) Maluf eliminou um a um seus
concorrentes, encerrando essa batalha na Convenção pedessista. derrotando pela segunda vez
o sr. Laudo Natel, o último foco de resistência
política que enfrentava.
A POLICIA
POLÍTICA.
OS LIBERAIS
E 0 PT
EM TEMPO
17 a 3G/6/82
O regime brasileiro está
empreendendo uma reorganização dos 'órgãos de segurança", da sua
policia política. Os DOFS vem
perdendo funções (em alguns
casos, sendo desativados), tentase legalizar mais a repressão c a
Policia Federal passa a desempenhar um papel mais importante (e mais centralizado) na
repressão política.
Trata-se de uma medida da
abertura- que deva ser apoiada
; pelos que lutam pela causa dos
trabalhadores e portanto pela
democracia?
De modo algum. Muito ao
contrário, nesta campanha eleitoral devemos ter como um dos
eixos centrais denunciar esta
reorganização, e exigir o desmantelamento de todos os órgãos de repressão política. Esta
será a melhor maneira de retomar o espírito da luta pela
Anistia Ampla, Gera! c Irrestrita,
da luta contra toda a repressão
política que o regime exerce em
favor das classes dominantes e
contra os trabalhadores e setores
populares.
A plataforma nacional do PT,
com muita razão, defende a
extinção do Conselho de Segurança Nacional, do SN1, do
DEOPS. do DOl-CODl, do
CEN1MAR "e de todo o aparato
montado para reprimir o povo e
proteger os tubarões*'. Defende
também a luta para revogar toda
a legislação represava: a Lá de
Greve, a Lei de Segurança
Nacional, a CLT (que é usada
para reprimir o movimento
sindical), a Lei de Imprensa, a Lei
dos Estrangeiros.
Os partidos da oposição burguesa, que rtão questionam o
Estado dos patrões, defenderão
uma linha mais liberal que a do
governo, legalizando um pouco
mais, controlando um pouco
mais pdo governo a polida
política, evitando um pouco mais 1
os seus excessos.
A linha divisória entre esta
poutica e a comprometida com
os íratelhadores está justamente
em não assumirmos nenhum
compromisso com o Estado dos
patrões, e muito menos aceitar a
sua polícia política. Apom a
necessidade de lutarmos para
desmantelar todo o aparelho de
repressão política é a única
maneira de sermos coerentes
com o nosso objetivo central, que
t o de ter os trabalhadores e o
povo no poder.
POLÍTICA PARJ1VAR1A
lí\
O PROGRAMA DO RESISTÊNCIA E OS ERROS DO HORA DO POVO
JORNAL RESISTÊNCIA mal o/82
VW árias afirmações feitas em disca, as Forças Armadas, por sua prómm curso, no dial', por sindicatispria natureza, não têm este caráter,
w tas ligados ao jornal Hora do
uma vez que estão a serviço dos moPovo levam o Resistência a
nopólios e do latifúndio. As Forças
manifestar-se em contrário, porque
Armadas são uma instituição burferem o programa deste jornal,
guesa, são o braço armado do Estaaprovado em julho de 1981, em Asdo burguês. Veja-se por exemplo o
sembléia Geral da Sociedade de
caso do tenente-coronel Nivaldo
Defesa dos Direitos Humanos.
Dias (Resistência n' 36). Pelo simNo que diz respeito á política naples fato de protestar contra o encacional, consideramos errôneo afirminhamento dado ao Inquérito
mar, como faz a corrente Hora do
Policial-Militar do atentado do RioPovo, coisas do gênero "o inimigo
centro, Nivaldo sofreu seguidas puniprincipal (dos trabalhadores) é o
ções e hoje encontra-se sem função,
Delfim Neto" ou "o inimigo principal
prestes a sofrer uma passagem foré o Jarbas Passarinho". Para nós da
çada á reserva.
SOOH, o inimigo principal é a ditaExiste toda uma hierarquia, nas
dura militar, o regime militar. Jarinstituições militares, que sufoca
bas e Delfim são agentes da ditadura,
qualquer expressão de desagrado
peças importantes dela, figuras que
político, qualquer manifestação mais
ó movimento popular e democrático
ou
menos democrática. E há toda
deve combater a cada momento. No
uma secular manipulação de consentanto, não podemos perder de visciências que faz com que se manteta a perspectiva de que lutamos connha esse estado de coisas. Por mais
tra um regime (expressão da domique
os soldados e parte da oficialidanação de uma classe sobre outras), e
de sejam oriundos das camadas mais
não contra pessoas isoladas. Além
pobres da população, sofrem eles a
disso, um regime militar, forma de
doutrinação e a propaganda da clasdominação política que ó conduzida
se dominante; sua ideologia é pois a
e garantida pelas Forças Armadas,
ideologia da classe dominante. Se
cuja finalidade é, em última instânnão, como se explicaria o fato de solcia, defender os interesses da classe
dados da PM espancarem e reprimidominante (um exemplo cabal do
rem trabalhadores (e nao soldados
que afirmemos é a propaganda realiisolados, mas a corporação Policia
zada na televisão pelo Centro de CoMilitar)?
municação Social do Exército: sob o
No que tange à política sindical,
pretexto inicial de exaltar a atuação
nosso
programa afirma, entre outros
dos pracinhas brasileiros na li Guerpontos, os seguintes: luta pela criara Mundial, o filme defende as "conção da Central Única dos Trabaquistas" dos governos posteriores ao
lhadores; luta contra a conciliaGoipe Militar de 1984).
ção com os pelegos e patrões.
Dai por que o Resistência deE o que diz a corrente HP? Que
fende, om seu programa, pontos
"não existe dirigente sindicai pelecomo a luta contra o regime militar
go". Em outras palavras, HP prega a
e seus aliados, no plano interno e
conciliação. Por isso compõe com
externo; e a luta pelo desmanteSeverino Barbosa na diretoria do
lamento do aparelho repressivo
Sindicato da Construção Civil e cone nunição aos tr)rtiir«rtnrA«5
vive com Carlos Levy, dos Bancários,
A corrente ligada ao HP julga
apesar d: wentuais atritos.
lambem que ou militares "estàohoje
Ocorre que o movimento sindino campo da democracia". Ora, na
cal,
para
avançar, livrar-se dp atraso,
verdade os militares, como |á vimos,
tem de livrar-se também daqueles
são a ponta-de-lança da burguesia
dirigentes que defendem as proposmonopolista e do imperialismo nò
tas patronais e os interesses do capiaparelho de Estado (e disso decorre
talismo. Os pelegos não só existem,
que ebs assumiram lugares na prócomo são muitos ainda - e têm sob
pria burocracia estatal, milítarizando
controle importantíssimos sindicao governo: vários ministros de Estatos. Afimar outra coisa é supor que o
do e funcionários do primeiro escamovimento sindical está fortalecido e
lão, dirigentes de empresas estatais
avança a passos largos, o que é falso
etc, são generais, almirantes, briga(e a fraca manifestação do I9 de Maio
deiros, coronéis). Por mais que alúltimo é prova incontestável deste
guns militares, isoladamente, telato). E preciso desmascarar os pelenham uma certa postura democrátigos e desalojá-los dos Sindicatos.
A7 VOWTAP€r
A corrente Hora do Povc Io
reconhece a existência da Comissão
Pró-CUT, seja no Pará como no
plano nacional. Impede a divulgação
da Pró-CUT e o seu fortalecimento,
e, com isso, combate na prática a
criação da Central Ünica dos Trabalhadores. Isso se deve, em parte, ao
fato de que a atual correlação de forças nas entidades provisórias (PróCUT estadual e Pró-CUT nacional)
desfaverece a corrente HP. Mas,
principalmente,06 sindeafistas ligados
ao HP combatem a criação de uma
Cenlra/ Única dos Trabalhadores
porque concebem, erroneamente,
que as instituições vigentes na sociedade burguesa e o aparelho de Estado devem ser mantidos mesmo com
a chegada dos trabalhadores ao poder. Para eles, o poder está atualmente na mão de pessoas "más" (o
que não deixa de ser uma meiaverdade, mas apenas meia); no momento em que forem colocadas pessoas "boas" na cabaça dessas instituições o problema estará automati
camente resolvido.
Tal raciocínio HP o aplica, igualmente, em relação à estrutura sindical vigente hoje no Brasil. Não importa que seja uma estrutura verticatista, de sindicatos e federações criados exatamente para mascarar os
conflitos de classes, confundir os trabalhadores e dividi-los em favo- -'os
interesses do patronato. Para HP,
os obstáculos desaparecerão
no momento em que "bons" Sindicalistas
empolgarem tais órgãos. Por isso a
corrente HP faz tudo por desmoralizar a Central Única dos Trabalhadores e impedir a difusão de suas bandeiras entre os trabalhadores; por
isso ela combate as oposições sindicais conseqüentes e forma ao lado
dos pelegos.
P ii^nQffaftfiD Que o movimente
popular e todos os democratas conseqüentes denunciem e lutem incansavelmente contra esta posição
de Hora do Povo. A luta por uma
Central Ünica dos Trabalhadores é
tarefa primordial para todos aqueles
que estão sinceramente empenhados no crescimento do movimente
popular. E é na discussão da necessidade da CUT, de suas propostas e
bandeiras de luta que os trabalhadores tendem a educar-se, melhorar
seu nivel de intervenção política, organizar e fortalecer o movimento sindical.
POLÍTICA PARflDARIA
KAIS
500 mim MONTURO
O documento "Porque o PMDB
Hoje", assinado por cerca de 500
pessoas ligadas à cultura do Pais como intelectuais, artistas, professores, etc. - foi entregue no dia 18 na
sede do partido, em São Paulo,
para o candidato Franco Montoro.
O objetivo do documento é claro:
aglutinar grupos ainda nâo engajados numa ação partidária para que
reconheçam, no PMDB, um espaço
legítimo de atuação política. Dentro
da convenção, já estão reservados
80 lugares para a discussão e aprofundamento dos projetos culturais
do parddo. Neles, estarão sentados
alguns dos mais destacados intelectuais atualmente envolvidos numa
polêmica que às vezes assume um
clima de palanque, como já aconteceu, nos últimos meses, nos jornais
e na televisão. É possive! que, juntamente com convidados especiais como Maria da Conceição Tavares,
do PMDB, do Rio - e a quadros
tradicionais do parddo, já estejam a
postos os signatários do documento
'Porque o PMDB Hoje", t o caso
de Jorge Wilheim, Miguel Realejúuior, Fábio Comparato, Carlos Lentos, Aracy Amaral, Cláudio Tozzi,
Marcelo Nitzche, Fábio Magalhães
e Modesto Carvalhosa, entre outros.
Apesar de ser propositadamente
genérico - exatamente para poder
mobilizar um maior número de
pessoas - o documento uai algumas
das contradições que sacodem
atualmente o meio universitário,
principalmente. Por exemplo;
'Não podemos sobreviver nesta
desorganização social sob o risco de
nos convertermos em cúmplices da
retórica oficial e vermos nosso trabalho sendo usado para mascarar
essa legitimidade." Cumplicidade é
uma palavra-chave no deoate que se
trava atualmente sobre o papei dos
partidos no enfrentamento eleitoral
de novembro.
Outro exemplo: "Porque neste
momento de São Paulo e da Nação,
não abandonamos o compromisso
político destes últimos anos e reconhecemos que o PMDB é a expressão atual do espaço aberto, para
prosseguir a luta por um futuro
possível." Compromisso, outra palavra-chave, provocou um comentário irônico de Marilena Chauí,
num arügo publicado na Folha de S.
Pardo: "Que o PMDB, incorporando o PP e com ele setores hpdos às várias políücas do Planalto,
15
SENHOR 23/6/62
venha proclamar-se dono da oposição, exigindo o regresso ao bipartidarismo como tática, impor a unidade a qualquer preço, e venha cobrar dos trabalhadores gratidão
pelo apoio que receberam durante
as greves, atinge as raias do despotismo."
Argumentos como esse, entretanto, não abalam os redutos intelectuais peemedebistas, apesar de
incentivá-los ao debate, ô PMDB
procura enfrentar as criucasi assumindo totalmente a sua condição
de "frente", revidando que dentro
do PMDB há democracia, o que
não acontece - segundo essas versões - com o PT, que seria um
"bloco" ideológico, sem abertura
para o debate. Para alguns, o PT
obedece a uma estrutura tradicional
de partido cujas raízes estão no século 19, enquanto o PMDB reflete a
realidade oa oposição brasileira.
Além disso, as contradições dentro
do PMDB são mais evidentes, conforme admitem vários intelectuais
ligados ao partido, também por um
detalhe: suas possibilidades de tomar o poder em vários Estados.
ias em alguns setores da vida
cultural, a oposição terá que
dobrar-se diante das evidências.
Uma delas é de que o governo está
conseguindo excelentes resultados
graças à contratação dos elementos
certos, que não são alvos fáceis de
denúncias ideológicas. O trabalho
de Aluisio Magalhães, secretário de
Cultura do MEC, falecido no úlümo domingo, dia 1S, é um bom
exemplo: seus projetos na subsecretária do Patrimônio Histórico e no
Pró Memória arrancaram elogios
na oposição. Isso não implica apoio
à política cultural como um todo,
mas exige a parcela de boa vontade
indispensável a qualquer debate democrádeo e ajuda a evitar embates
com enfoques muito limitados. A
estreiteza na polêmica entre os intelectuais ás vezes fica flagrante como
no caso do debate em tomo da
"oportunidade" de existência do
PT, ou na insistência exagerada na
"inexpressividade" do PDT, ou na
afirmação de que a candidatura de
Miro Teixeira pelo PMDB configura "traição" á causa oposicionista.
Mas se há quem reconheça o papel benéfico do governo em algumas secretarias do MEC, o repúdio
é total quando se toca nos problemas educacionais. No último fim de
semana, em Belo Horizonte, na II
Conferência Brasileira de Educação,
os partidos políticos apresentaram e debateram - suas propostas nesse
setor. O representante do PDS, senador Aderbal Jurema, presidente
da Comissão de Educação e Cultura
do Senado, apresentou um programa interessante, apesar de ser
contestado o tempo todo pela platéia. Primeiro, destacou as intenções do governo nas áreas culturais
onde já existe um bom trabalho,
como "proteger a defesa da memória nacional através da preservação do patrimônio histórico e artístico". E, segundo, fez uma autocrítica: "O que está acontecendo entre
o Executivo e o partido do governo
é um descompasso, uma desarticulação entre os órgãos responsáveis
pela educação no plano federal e
estadual." Mas não deixou de tocar
nos assuntos "quentes", reforçando
a orientatão oficial para o ensino.
Enquanto Jurema falou em bolsas de estudo, na vinculação er"^
ensino e mercado de trabalho, em
ensino profissionalizante, o PT - representado por Moacir Gadotti meursionou por áreas opostas: "A
educação é um direito de todos e é
dever do Estado garanti-la." O PT
apontou o fracasso do Mobral, propondo creches principalmente na
periferia e insistiu mais no aspecto
ideológico da educação no Brasil,
enquanto o PMDB - representado
pelo professor de Política Educacional Neidson Rodrigues, da UFMG
- alertou para outro aspecto: a concepção instrumental da educação
escolar. Sem negar o ensino profissionalizante, o PMDB propõe que
ele não seja apenas instrumental,
mas intelectual e ético.
Alguns intelectuais, que apoiam
Franco Montoro no documento
"Porque o PMDB Hoje", se ressentem de uma maior' definição do
partido em relação à sua política
cultural e apontam o PDT como
um bom exemplo. Graças a Darcv
Ribeiro e Abdias Nascimento, ó
PDT tem um programa educacional e cultural que interfere fundamentalmente na plataforma de
todo o partido, não sendo um acessório dele. A prioridade número 1
do PDT, lembram esses intelectuais,
é com a infância e a juventude. E
nesse programa a educação faz
parte da transformação da sociedade e sua busca pela verdadeira
pluralidade democrática.
Nev Duelos
POLÍTICA PART1VARJA
A OPOSIÇÃO NÃO RI
16
SENHOR 02/6/82
Atenas teria de arrumar um lenço. E Esparta? Talvez,
devesse seguir seu exemplo. Resta ver a quem compete,
exatamente, o papel de Atenas, a cidade em que primeiro se falou em dcmocraci;i. Mas qualquer lent^o
serve. O PDS é uma clientela perplexa e confusa. Não
é. porém, que as oposiçòes revelem segutant^ e maturidade na perspectiva eleitoral.
Antes de mais nada, cias tentam comer-se entre si. O
PT lança-se em São Pai !o a uma campanha íeroz contra o PMDB. Este retruca com a teoria do voto útil.
Supunha-se que o adversário das oposiçòes fosse o regime, e o objetivo comum, portanto, a derrota do PDS.
Mas o pessoal parece fortemente inclinado a desmentir
a lógica de um raciocínio político. Atacando o PMDB,
o PT destrói as pontes para qualquer tipo de negociação com aliados viáveis no dia seguinte às eleições de
novembro. Em contrapartida, os peeinedebistas não
percebem que o voto so vai mostrar a sua "utilidade",
ou a sua "inutilidade", no frigir dos ovos.
Que o PMDB seja uma frente não c pecado mortal,
nas circunstâncias. Grave é que a frente mostre fissuras,
assim como inquieta o cidadão que gostaria de ver o
PDS derrotado, a sensação de que as divergências
pcemedebistas tendem a se acentuai". O PMDB não consegue administrar correuunenic a disparidade das correntes que abriga e, sobretudo, não cultiva convenientemente os frutos da incoiporação do Pai tido Popular.
Em quatro Estados, o PMDB tem boas chances de
conquistar a governança graças a candidatos de origem
pepista: Minas (comTacredo Neves); Paraiba (com Antonio^Mariz); Rio Grande do Norte (com Aluísio Alves)
c Amazonas (com Gilberto Mestrinho). Em mais três
Estados o candidato pcemedebista saiu do PP e está no
páreo com possibilidades entre razoáveis e remotas: no
Rio, Miro Teixeira; no Piauí, AlbenoSilva, e na Bahia,
Roberto Santos. Tem mais: no Paraná, a candidatura
de José Riclia foi relorçada cnormemente pela poderosa adesão do pepista Jaime Canet; em Pemamouco,
Marcos Freire faz muita lé no apoio do pepista Cid
Sampaio.
Nestas condições, a corrente pepista deveria merecer
por parte das lideranças peemedebistas um tratamento
especial, inclusive em São Paulo, onde o PMDB tem dificuldade em penetra? na classe média alta. Mas não é
isso que está acontecendo. A representação ptemedebista a cada Estado atua em faixa própria, sem que haja
ordens de escuderia destinadas a dar um tom uniforme
á campanha, no plano nacional, e a favorecer a confiança de que o maior partido de oposição sabe o que
quer. Sobra a impussão de que os peemedebistas se
preparam a uma debandada a partir do dia 16 de novembro, cada qual em busca de rumos novos.
Em São Paulo, por exemplo, causa espécie o empenho de algumas figuras muito próximas do senador
Franco Montoro em constituir um instituto de pesquisa
nennTKo-política com o incentivo dos PDCs da Alemanha, Itália e Venezuela. Estão angariando fundos e
adesões e já capturaram somas gordas e assinaturas
mais ou menos ilustres. Talvez seja legítimo que uns
tantos peemedebistas de antiga fc cristã-democrática
^^«•siejam querendo criar o seu Cebrap, ou o eu Cedec.
••IÉ possível, porém e também, que este não seja o momenio para projetos desse tipo, sob pena de fortalecei
a impressão cie que estão perdendo cfc vista as questões
mais importantes do atual jogo poliüco.
LIDERES POPULARES DEIXAM PT PARA CENTRAR FOGO NO GOVERNO
TRIBUNA DA LUTA OPERARIA 21 a 27/6/82
do PT de Cumari, deixou o PT
juntamente com um vereador c mais
algumas pessoas, ingressando no
PMDB. Era a única Prefeitura que o
PT possuía. Foi-se. No dia 15. foi o
presidente do PT de Anápolis (a
segunda cidade de Goiás) que solicitou
afastamento do cargo, "prometendo em
breve voltar a falar de assuntos
partidários".
NO MARANHÃO TAMBÉM
No Maranhão, quatro meses após o
vereador Hélcio Silva, outra importante militante deixa o PT para ingressar
no PMDB: a artista plástica Maria José
Os sindicalistas são: Joaquim Barbo- Lopes Leite, a Mazé. uma das organisa de Lima. Sebastião Alves Miranda c zadoras do partido em São Luiz e uma
Eliezer Alves Bento. Eliezer, presidente de suas figuras mais conhecidas.
Numa atitude inédita no Maranhão.
do Sindicato dos Trabalhadores Rurais
Mazé
explica sua atitude num docude Uruana. chegou a ser apontado para
mento
público, que espera "possa
ser candidato a governador de Goiás
pelo PT, não aceitando por discordar contribuir de alguma forma nas
de candidaturas que dividam a oposi- discussões e na reflexão política de
ção.
todos os companheiros".
No início deste mês. todo o PT de
Para a artista, seu ingresso no
Córrego do Ouro ingressou no PMDB, PMDB significa "um aprofundamento
com a condição de que o diretório local do meu compromisso político com o
apoiasse a candidatura popular de Aldo povo brasileiro, pois considero o
Arames para deputado federal. No dia PMDB como o instrumento mais
7, o prefeito João Leonardo da Silva. indicado de militância para aqueles que.
"Decidimos que a única
forma de ser fiel à nossa classe
e lutar pela união dos trabalhadores e da oposição é sair
deste partido, que dos trabalhadores só tem o nome". A
frase, de três conhecidos líderes sindicais goianos ao sair
do PT, mostra o sentido da
sangria que atinge o partido
de Lula em vários Estados,
conforme aproximam-se as
eleições.
no plano legal, querem contribuir
decisivamente para o surgimento de um
novo regime, de amplas liberdades no
Brasil".
Por considerar o PM DB uma frente,
Mazé afirma que assume posição
dentro do chamado "bloco popular",
cujos candidatos, segundo ela, "representam o que de mais avançado há nesta
frente, que hoje se propõem a uma
atuação revolucionáriamo Parlamento.
O "bloco popular" maranhense está
lançando as candidaturas de Augusto
Mochel para deputado federal e Luiz
Pedro para deputado estadual, entre
outras.
CONTRA A DIVISÃO
Uma forte causa deste esvaziamento
do PT são as atitudes divisionistas que
este partido vem assumindo, ao
considerar o PM DB e não o governo
como seu ."adversário principal" nas
eleições de 1982. Mas também contribui decisivamente a existência, dentro
do PMDB. de um setor popu.ar
coerente, disposto a atrair para a luta
intransigente contra o regime os setores
mais avançados e honestos do PT. (das
sucursais)
POLÍTICA PARTJVAKIA
17
DERROTAR 0 GOVERNO VOTANDO NO PMDB
VOZ DA UMIDADE 17/6/62
Entendem os comunistas que este voto democrático ütfl — legítimo dada a
legislação arbitrária que impede a livre manifestação de todas as correntes de
pensamento e ação e o único capaz de evitar a dispersão de sufrágios que só interessa ao PDS e ao regime — é o voto no PMDB. Sobretudo depois da lúcida
incorporação do PP ao PMDB, este partido situou-se como a força oposicionista
com maiores possibilidades de bater o PDS em grande escala. Não é gratuito,
aliás, que as manobras do regime procurem, por todos os meios, enfraquecer
exatamente o PMDB.
A orientação dos comunistas para as próximas eleições, defendendo o voto
democrático útil no PMDB, não eqüivale a desconhecer a vocação democrática
do PT, do PDT e do PTB. Considerando a legitimidade e a importância destes
outros integrantes da frente democrática, os comunistas têm apelado sistematicamente para que estes partidos se unam numa atuação conjunta com o PMDB.
Precisamente neste sentido é que os comunistas formularam a sua proposta unitária para governos estaduais e municipais de ampla coaüzSo democrática, que
possam, nas eleições e depois delas, derrotando o PDS, afirmar-se eficazmente.
Esta proposta comunista compreende:
1. a existência de programas mínimos de governo, em cada estado e nos municípios, formulados com a participação de todas as entidades que expressam as reivindicações dos operários, das camadas médias urbanas, dos camponeses e dos
prejudicados çelo modelo econômico-financeiro do regime;
2. o estabelecimento de compromissos entre os candidatos e partidos, e destes
com o povo, no sentido de que, em cada estado e nos municípios, vença quem
vencer, sejam realizados governos de ampla coalizão democrática, que não
excluam nenhuma força do leque democrático e popular.
Com a linha de orientação geral para vencer o regime no pleito de novembro,
derrotando o PDS, os comunistas propõem o voto democrático útil: convocam
todos os democratas para eleger, a 15 de novembro, o maior número possível de
candidatos do PMDB, principalmente aos governos estaduais.
A dimensão maior do voto democrático útil, que não se reveste de traços
revanchistas, é a construção de uma força social e política que sustente a transição
da sociedade brasileira para um regime de amplas liberdades para a massa da
população, que só assim poderá converter-se em sujeito da sua própria história.
Trecho do documento de 7 de junho de 1982 do Coletivo Nacional de Dirigentes Comunistas
EhJTREV&TAR
AGORA UM
POLiTICO
DO
50HHAK
ECONOMIA
tom?1-00-
REATIVAÇÃO SE DA SÓ EK TRÊS
SETORES REVEU FIESP
FOLHA DE S. PAULO 08/6/82
Uma pesquisa do Departamento de Economia Decon
— da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo,
feita junto a 49 sindicatos,
duranta a semana, passada,
revelou que apenas os setores
de produção de alimentos, artigos do vestuário e automobilístico vêm apresenten-'
do sintomas de reativação.
Os demais vêm desenvolvendo esforços para manter cs
mesmos níveis de atividade
apresentados no final do ano
passado, sem que, no entanto, terham acompanhado o
reaquectmento em outras
áreas da economia. As industrias de bens de capital e de
máquinas mantêm a tendência de queda da produção, observada durante 1981, o que é
considerado de certa forma
normal. Já que são setores de
ciclo mais longo, pois trabalham sob encomenda.
bebidas estava na expec-1
tatlva de um aumento de
was vendas em função de
dois importantes eventos
previstos para este ano: a
Copa do Mundo e as eleições.
O ano eleitoral também está
servindo para alimentar esperanças dos empresários da ^— c/
área da construção civil — C^ ^y/
eles esperam que sejam "
berados mais recursos para
moradia popular.
A Informação foi dada ontem por Cláudio Bardela,
diretor do Decon. Para ele, os
resultados da pesquisa
apenas confirmam as estimatlvaá realizadas por
aquele órgão de pesquisa, C-.
que a economia do Pais somente retomará o nível de
atividade observado em 1980
dentro de dois ou três anos. O
IN A, - índice Nacional de
Atividade — apurado paio
Decon indica que o "fundo do
poço" foi atingido em Janeiro
passado. Em março, foi
apurado um crescimento
médio da indústria de 2%.
O Confaz será também arguldo sobre a discriminação
qi'3 vem sendo promovida
pelo Rio de Janeiro contra as
empresas que não instalaram filiais naquele Estado.
Bardela acrescentou, com
base na pesquisa, que o crescimento da atividade industrial segue o da oferta de emprego. Ou sela, os setores de
maior atividade, neste primeiro quadrlmestre do ano,
são os que «tão oferecendo
maior número de vagas em
suas fábricas.
De acordo com a mesma
pesquisa, a indústria de
■V^
REUNIÃO DE DIRETORIA
Durante a reunião plenária
da diretoria executiva, on-,
tem, o diretor do Dejur —
Departamento Jurídico — da
entidade, Carlos Eduardo
Moreira Ferreira, informou
que a Fiesp também irá
pleitear uma definição do
Confaz — Conselho de
Politlca Fazendária — sobre
os critérios a serem adotados
na cobrança de ICM sobre a
comercialização de frangos.
Moreira Ferreira esclareceu que a produção
paulista vem sofrendo os
efeitos das barreiras fiscais
Impostas pelos demais Estados da Federação. "E impossível colocar frangos de
frigoríficos paulistas nas
demais regMJes do Pais. por
causa da diferenciação dos
percentuais de ICM." Para
ele, a providência tomada
pelo governador Chagas
Freitas faz com que as indústrias sejamfnduzidas ase instalar naquele Estado,
Na mesma reunião, os
diretores da Fiesp foram Informados que o Dejur está estudando os aspectos legais da
criação do Flnsodal — Fundo de Investimento Social.
PAINEL ECONÔMICO
0 Í10DELC PPORBiQfR
FOLHA DE S. PAULO 17/6/62
Jozlmlfi Bíltlng
Durante o governo Gelsel, o então ministro
Severo Gomes foi um severo critico da "abertura da economia brasileira para o Exterior",
promovida pelo ministro Delfim Neto no inldo
dos anos 70. Cáustico, Severo Gomes afirmava
que a política adotada para atrair investimentos
multinacionais não correspondia a um "modelo
exportador", como se dizia, e sim a um "modeio importador", com as matrizes Instalando
flítóls no Pais para vender-lhes as peças e componentes mais caros, formando verdadeiros
"corredores de importação".
Os problemas crônicos da balança comerciai
e da divida externa que desabaram sobre a
economia brasileira, assim, seriam conseqüência desse "modelo" que, em contrapartida,
atenderia exatamente aos interesses dos países
desenvolvidos.
' O diagnostico de Severo Gomes foi Integralmente referendado por Wllllam Brock, alto funcionário da administração Reagan para a área
do comércio, em um pronunciamento feito a
18 de maio último, nos EUA.
Reiterando as diretrizes do governo norteamericano — que deseja a abertura total do
mercado mundial a suas empresas —, Broclc
empenhou-se em explicar a importância dessa
estratégia, para a economia norte-americana:
"Não é bem compreendido, disse ele, o fato de
que o investimento norte-americano no Exterior presta uma importante contribuição â
nossa economia e à posição do balanço de pagamentos. Primeiro, por meio dos substanciais
ganhos (lucros) auferidos por nossas companhias com seus Investimentos no Exterior que,
em 1981, totalizaram 31 bühOes de dólares"
(que cobriram, sozinhos, o déficit da balança
comercial norte-americana, de 30 bilhdes de
dólares em 1981). "E, segundo — prossegue
Bnx* — mediante a parcela substancial de exportações norte-americanas —aproximadamente um terço (do total exportado) — que "representam vendas de exportação para companhias subsidiárias (sic) norte-americanas ao
Exterior."
Bbm anotar, no momento em que o problema
da divida externa está colocando o Pais diante
de uma encruzilhada: abrir ainda mais sua
economia, para empresas, bancos etc. dos EUA
ou do Japão, ou repensar seu modelo de crescimento?
Inflação e recessão
A escalada da Inflação não preocupa apenas
ao governo. Lideres empresariais não escondem o temor de que a nova onda altlsta Já tenha
detonado outro ciclo de queda nas vendas e na
produção — encoberto, por enquanto, peto
revigoramento que a Copa do Mundo trouxe aos
negócios de alguns setores.
Seu raciocínio é simples: com a inflação ascendente, o poder aquisitivo dos salários é
devorado num ritmo mais rápido, após cada
reajuste semestral. Vale dizer, a demanda
global entra em queda — come ocorreu Já nr
segando semestre de 1980.
19
EC0HCU1A
A FORCA
DAS IDÉIAS VELHAS
t
SENHOR 23/6/82
JOÃO SAVEV
A intlaçao é apontada na rua,
pdo homem comum, no Congresso Nadona], nos sindicatos,
como problema número 1 deste
país,o mal maior a ser combatido.
Afirmar que inílaçao não é
problema, ou é problema menor,
e tarefa que requer coragem, padênda, talvez um novo Galiieu.
Considero o esforço válido se pelo
menos alguns leitores se dispuserem a refletir de novo sobre o
problema.
Primdro, a definição: chama-se
inflação a elevação permanente de
todos os preços da economia. Sobem os preços dos alimentos na
feira, do que reclamam os operários e as donas-de-casa, e sobem
os salários dos operários e o dinheiro que a dona-de-casa leva
para a fará. A definição correta é
importante: a redamação popular
contra a inflação é, na realidade,
redamação contra o aumento dos
preços que paga, e evidentemente,
não é redamação contra o aumento dos salários que recebe.
Mas a inflação é o aumento permanente dos dois: dos preços que
o operário paga e do salário que
recebe. A taxa de inflação mede a
veloddade com que cada um destes preços corre atrás do outro. A
corrida é permanente c não há
vencedores.
Não vale dizer que quando a inflação sobe os assalariados perdem. No último período de aceleração infladonána, por exemplo,
não há evidênda de que os salários médios do setor industrial
tenham caido. Os salários caem,
quando, junto com a inflação, se
estabelecem limites à ação sindical
e correções salariais fixadas por
decreto em nívds abaixo da inflação. Mas a culpa, então, não é da
inflação. É do arrocho salarial e da
repressão.
Imaginem, por exemplo, o que
aconteceria, se a inflação caísse repentinamente de 100% a.a. para
5096 a.a. Ouais seriam as vantagens? O salário real aumentaria?
■poooTd -
4*
í4<l4<Vr..
/g' /i/o M/M*0
Os juros, descontada a inflação,
diminuiriam? Não liá motivos conheddos para esperar que isto
aconteça. Os inimigos da inflação
afirmam que o sistema de preços
íundonaria mdhor. Mas esta é
uma vantagem abstrata e difidl de
compreender.
Vale a pena fazer uma introspecção, e pensar na situação pessoal de cada um. Será que o leitor
da dasse média está hoje em situação muito pior do que estava em
1976, quando a inflação era de
apenas 40%? Se a dasse média u
problemas hoje, provavelmente
referem à manutenção do emprego, e é problema causado não
pela inflação, mas pela política antíinfladonária.
A atual política econômica
americana que eleva as taxas de
juros para 16% aa. colocando em ^ .^^
risco a estabilidade financeira dos w^v ' wv*:j
países desenvolvidos e o equilíbrio PQng/Vf
social dos países endividados'
como o Brasil é fdta em nome do ^6 ^. j
combate à inflação. Mas quando a Q
inflação americana cair, como já
.
está caindo, os juros não cairão, eC^íW
a produtividade da indústria ame"i||CirT/7
ricana não tem razoes para au-"^!^
mentar mais rapidamente. Parapo
que serve combater a inflação? {«n/fg
O Prêmio Nobel de Economia ^
do ano passado, prof. James To-f Ç^flAíJ^
bin, diz que a inflação atrapalha w»
apenas os membros da Máfia e so- Jrl ^ {r i
negadores do Imposto de Renda ^DKIIONXAU
que predsam reta- dinbdro em
espécie e, portanto, perdem com a
inflação. John Maynard Keynes e
Lenin afirmam que a inflação é a
maior ameaça à economia capitalista, ao gerar tensões sodais. Mas
será que os respdtáveis pensadores nao estão invertendo o problema: não são as tensões e conflitos da economia capitalista que
geram inflação?-Não seriam ?s
políticas antiinfladonárias as
maiores inimigas da estabilidade
do capitalismo? Ou será que pensadores tão ilustres não podem sçr
repensados?
>—T
TWTERWACIOA/AL
20
A GRANDE BARBÁRIE DO SIONISMO
te na ONU não porque acredite em CampDavid, mas porque os oligarcas que o governam
não querem perder os bilhões dos EUA, que
desviam para contas na Suíça), como da
políLca dos feudais, que sempre foi contar
com que os EUA contivessem Israel. Até Carter tirou Beguin do Líbano em 1978. Mas Reagan náo parece sequer entender o que
i
acontecendo e, mais importante, o que poderá
acontecer, uma sucessão de revoluções antiEUA no mundo feudal. George Bush e Caspar
Wemberser (Chefe do Pentágono) ouviram o
que acabei de dizer do rei Fahd em Riad, mas
nâo há indício que a mensagem tenha chegado ã Casa Branca, ou recebida por Reagan
qU
i1^o0IVU se limitou a atacar verbalmente
a UKSí» e o comunismo.
EM TEMPO 17 a 30/6/82
O massacre levado a
WbQporBcguinçSharon Já é reipofvsàvel
pela morte de mais de
dez mi pessoas. Ot Estadas Unidos não vacilam em arriscar uma
guerra mundial no esforço por deter a vaga
tmi-imperialista no ! Á
Médjo Oricmc.
YV
No dia 6 ultimo, o l \Á
Exército de Israel inva- <Ó/',; 1
diu o UbanalniciaNé^^y^
mente, a operação, ■
chamada cinicamente
de Jpaz para a GaüK«a", foi apresentada
como tendò o objetivo
de tirar os guerrilheiros
palestinos de perto da
fronteira norte de Israel, "para que as cidades e aldeias da fron-
fizeram de efetivo contra i> massacre Tampouco as burguesias árabes foram além de
~ declarações de protesto. Afinal, os regimes da
Jordânia, da Sina e do Iraque já tentaram
também aniquilar a resistência palestina, no
passado. Temem o fator de radicalização das
massas árabes que a luta palestina representa.
Os palestinos (e libaneses) que estão sendo
massacrados só podem contar com o apoio
aas torças dcmocráíicas e anti-imperialisias
em particular com as massas árabes explorada». De fundamental importàncí.i são
lambem as forças que em Israel se opõem ao
siorismo ou iutam contra a guerra
(como o
movimento "Paz agora", ver ET n.u 149) ou os
jetores da juventude c das massas trabalhaiioras israehs que prestaram apoio à gerve geral
palestina nos territórios ocupados pelo exercito israelense. (Joio Machado)
S^^ ^ !^«ada a "««sidade de
roponder «o atentado contra o cm baixador de
que ttria $id0 lcvado a cab0
'
FSOTP
m
(J^l * ^^ 'ogo « revelaram
laisas. A mvasão do Líbano não foi uma
simples operação de limpeza", mas uma das
maiores operações de guerra já executadapelas lorças armadas israelenses: cerca de 60
nomens. incluindo infantaria, anilharia
pesada, blindados, tropas aerotransportadas,
c7âS a6rc,ls (os mo«íferos aviões F-15 e
^-16) e nawis. Ao fim de uma semana, o
txércao sionista já cercou Beirute, a
capital libanesa., destmiu.Sidon e Tiro (as
maiores adades do sul do país). Enfrentou as
forças sinas. Já há pelo menos dez mil monos
c NXlmiI refugiados. Israel uiilijou até mesmo
bombas "antipcssoaT. que soltam estühaços
num raio enorme e visam matar a população
civil.
Trata-se de uma,guerra para liquidar de
uma vez por todas a resistência palestina, e
dominar o Líbano. Ao preço de um genocídio.
Por outro lado. as investigações da policia
inglesa chegaram à conclusão de que o responsável pelo atentado ao embaixador
israelita foi um grupo rival c inimigo da OLP
o que invalida mesmo o frágil pretexto utilizado para acobertar a invasão.
A sanguinária operação de gut-ira levada a
cabo pelo ministro da Defesa, o general Ariel
Sharon, deve ser entendida dentro da política
enunciada por este mesmo general, há dois
meses, após a devolução do Sinai ao Euito;
"Israel atingiu o limite das concessões possíveis. Nós devemos agora redobrar os esforços
para aumentar e estender nossa implantação
no Golan, na Judéia e na Samaria, na região
de Gaza".
"O grande Israel" ponta
de lança dos EUA
pu seja: após a anexação formal do território sino do Golan (em dezembro último), a
intenção é de acelerar o processo de anexação
da Cisjordânia e de Gaza. E de avançar para a
realização do "Grande Israel". Isto supõe não
só desfechar um golpe mortal na resistenciapalestina. mas ampliar o domínio de Israel na
região — inclusive co; - «guindo o controle do
Líbano, com a colaboração da minoria maronita.
Tudo isto, Israel leva à frente com o apoio
expresso dos EUA. que já passaram inclusive
3 apoiar a posição de Israel de só retirar as
suas tropas com a retirada das forças sírias e
palestinas (a posição inicial de Reagan. próforma evidentemente, tinha sido de exigir a
retirada das tropas de Israel e o respeito às
resoluções da ONU).
Os outros governos imperiaiistas reunidos
em Versalhes apenas "deploraram as iniciativas do £overno de Menachen Beguin". e nada
P
A MAIORIA DOS
PAÍSES BOICOTA
BEGIN MA ONU
FOLHA DE S. PAULO
19/06/62
Beguin falou à ONU, ontem. 127 delegações
não compareceram em protesto. Das (cerca
ía« ^T 2.^7iram' a maioria - com exceção oa dos EUA - enviou secretários. Os em&aix idores boicotaram, o mínimo que podem
m^Lpara eyiílenciar o horror mumfcal ao
massacre no Líbano.
Beguin falou do "direito sagrado de autodeiesa . se o que faz no Líbano é "autodefesa"
imaginem o que será uma agressão
israelense.
Mas o que Beguin diz, inclusive propondo
pacto não nuclear no Oriente Médio (onde só
^f m o01111*^ nucleares...), nâo tem importância. Há rumores na mídia americana
^ «eagan exigirá saída das tropas israelenses do Líbano, antes de qualquer decisão Beguin nega isso e Sharon está propondo a "extemunaçâo" da OLP, merecendo os dois total
credito, até prova em contrário. Pelo que se
pode ver, essa prova náo aparecerá. Digo ver
porque vimos Haig sendo recebido na suíte de
Heguin, nas torres do Waldorf Astoria. A cara
nF,
?!•HaÍE sugeriria a um marciano
que Israel financia os EUA e nâo os EUA Israel. Atitude semelhante é visível em toda a
mídia amencana. No Congresso, não se conhece reação para conter Israel. Reagan deveria estar dormindo quando Beguin falou pela manha e é duvidoso que ao acordar tome
alguma iniciativa.
ÁRABES DESUNIDOS
A Arábia Saudita ameaça novo embargo de
óleo. Sena um poderoso fator de persuasão
Maus cumprirá? Veremos, é o máximo que se
pode dizer. A desunião no mundo árabe é
visível. O embaixador do Egito foi um dos raros que nâo se retiraram da Assembléia em
tace de Begum, ou se quiserem um dos raros
que compareceram...
E a posição saudita é tornada ainda mais
precária pela ameaça de Khomeini de invadir
olraque, prostradoem face da fúria iraniana.
Os sauditas, compreensivelmente, pensam
primeiro em salvar a própria pele. Se radicaüzam o processo político no Oriente Médio podem ser os primeiros a rodarem do poder
Foi esse fator, somado à instabil dade do
regime Assad, na Síria, que facilitou a agressão israelense no Líbano. Até o momento,
Khomeini revelou prudência, náo invadindo o
Iraque, praticamente aceitando o cessar-fogo
proposto (e oficialmente recusado por Teerã)
pelo derrotado Saddam Hussein do Iraque
Mas ninguém sabe até quando Khomeini se
conterá.
ELE TEM TEMPO
A destruição do Líbano prova náo só a
falência de Camp David (o Egito está presen-
INCOMPETÊNCIA
A .
A irçompetência de Reagan foi criticada
até pelo mais antigo e famoso jornalista da
extrema-<lireita americana, William Buckley
Jr., no Washington Post"; que pela primeira
vez na vida, apesar de admirador fervoroso
ae Israel, condenou o presidente e afirmou
que «palestinos têm direito a uma terra que
D , ■ 'omada pelos israelenses. Reagan lê
Buckley. Quem sabe entendeu alguma coisa?
Se revolucionários como Khomeini e Gadafi
sáo os que lucrarão com o massacre no Líbano, é difícil saber precisamente o que acontece nas Malvinas. Ou melhor, na Argentina O
novo ditador, Cristino Nicolaídes, tem fama
de belicoso guerreiro, entre outras famas, como a de torturador. Os EUA favoreciam Lami Dozo, o chefe da Aeronáutica, o que ficamos sabendo nunVpress release" de luxo do
"New York Times". Lami Dozo tem a credencia] de liderar a única das corporações argentinas que se revelou militar na guerra. Mas o
Exército é maior que Aeronáutica e Marinha
juntas, que é o que decide ditaduras militares, fato aparentemente ignorado em Washington, ou talvez no Departamento de Estado. Logo, Nicolaídes assumiu. O que pretende? Ontem exigiu retirada das forças inglesas
das Malvinas.
POLÍTICA EM PANE
. Ç?1? 5 resPonsabilidade do Departamento
ae Estado, porque não há dúvida que Reagan
míregou a conduta da política externa dos
CUA a Haig, como este sempre quis. O resultado pode derrubar mais facilmente Haig do
que o tempo em que ele "sofreu" quando
vozes fal v
J M JL
a ain por Reagan. A "torcida dele por Israel no início da invasão, à
parte escandalosa em si, certamente animou
Beguin e Sharon, que por si próprios já nâo
precisam de muito estímulo. Na Argentina
Haw se decidiu a apoiar a Inglaterra acreditando que a Europa é mais importante que a
Aménca Latina. E o mesmo raciocínio estreito de Kissinger. Claro que a Europa é mais
importante para os EUA que a América Latina. Mas a Europa é também mais estável e
complexa. Ou seja, nâo há hipótese que países
como a Alemanha ou França sofram transformações radicais ditadas por fatores externos
Já numa instável nação do Terceiro Mundo
uma derrota pode se transformar em revolução. Mas Haig só deve acreditar, como a
maioria dos americanos (e, comicamente, a
maiona dos esquerdistas) em revoluções de
esquerda. Se esquece que a Opep nâo é de v^querda, e muito menos Khomeini. Logo, no
céreoro de Haig não entra a idéia de que um
Nicolaídes pode ser mais perigoso para os
EUA que os pequenos partidos de esquerda
que foram á rua contra Galtieri.
Na^esquecida El Salvador, a contribuição
dos SUA foi a eleição que levou ao poder a
extrema-direita suprema, menos transigente
que a junta de Duarte. A morte ontem de um
líder direitista, abatido em helicópterdiaelas
guerrilhas, mostra um dos resultados de«a
política.
Impotentes na guerra Irá-Iraque, levados
na conversa por Beguin no Líbano, enfrentando o desconhecido em Nicolaídes e agravando
o conhecido em El Salvador, os EUA têm uma
política externa em pane nunca vista nos últimos 20 anos. E Haig está comandando tudo
enquanto
Reagan dorme '
enqjgnt^eagaryionn^
IVmWACIMAL
21
INSÓLITA AJUPA
VISÃO 14/6/82
■ Um dos aspectos mais insólitos da
insólita guerra náo-dedarada entre a Argentina e a Grã-Bretanha é a atitude
dos dirigentes dos grandes conglomerados americanos que mantêm subsidiárias
no primeiro pais. Um levantamento publicado pelo correspondente do Washington Post em Buenos Aires revela, entre outras coisas, que a sucursal argentina da Union Carbide forneceu gratuitamente 30 mil lanternas el''tricas e baterias às Forças Armadas argentinas, a
Esso Petrolera contribuiu com 150 mil
dólares para a Cruz Vermelha argentina,
a Ford Motor doou sessenta caminhões
ao Exército e a subsidiária de uma
grande processadora de alimentos dos
Estados Unidos forneceu gratuitamente
às forças argentinas mobilizadas uma
partida de queijo, concentrado de carne
e doces, no valor de 50 mil dólares —
e isso enquanto os Estados Unidos dão
aos ingleses todo tipo de ajuda, de informações colhidas por seus satélites artificiais a sofisticados misseis SideWinder,
com que sáo equipados os caças Harrier
da Marinha Real.
Como explicar a atitude dessas subsidiárias de empresas americanas, que aparentemente não levam em conta a posição assumida por Washington? As explicações são diversas. Para começar, os investimentos americanos na Argentina representam 40<l7» do total aplicado por outras nações. Já era equivalente a 2,4 bilhões de dólares, há dois anos — e desde lá aumentou. Os diretores das sucursais das empresas americanas na Argentina mantêm um excelente relacionamento
com os líderes militares responsáveis pela
erradicação das organizações terroristas e
de guerrilheiros, vistas sempre como um
grave risco pelas empresas investidoras.
Estas não esqueceram o precedente da
década de 50, sob a ditadura, quando as
empresas que não contribuíam para a
Fundação Eva Perón eram sumariamente
colocadas numa "lista negra", como adversárias do regime. Finalmente, grupos
ultranacionalistas que acusam os americanos de terem "traído" a Argentina, ahando-se aos britânicos, já desenvolvem
intensa atividade, preconizando um boicote geral contra todos os bens importados dos Estados Unidos ou fabricados
por subsidiárias das grandes empresas.
americanas. Naturalmente, as conseqüências serão graves para as empresas mais
visadas — Eveready, Palmolive, CocaCola, Gilletc e outras — se o Governo
de Buenos Aires endossar o boicote. E
tudo isso ajuda a explicar a estranha atitude das subsidiárias americanas na Argentina, dentro desta tào insólita quanto
sangrenta guerra nâo-declarada.
FUTURO POLÍTICO E INCÓGNITA
FOLHA DE S. PAULO 16/6/82
O colapso argentino foi mais sério do que
se espetava. Já que a junta tinha, aparentemente, mais de 10 mii soldados e. no entanto, se rendeu sem condições, que se
conheça. O comandante da guamlçáo,
general Menedez, famoso pela "açào
militar" contra civis nas câmaras de tortura argentinas, revelou-se uma pomba no
campo de batalha, depois de bravatas mil.
inclusive contra o príncipe Andrew.
È possível, portanto, que a Junta dance,
principalmente somado esse fracasso ao
da seleção argentina, que deve preocupar
por igual as massas boçais, que Já víamos
ontem em TV, exigindo isso e aquilo. Mas o
que virá, o "peronismo"? As aspas se Justificam pois esse movimento político é inescrutável, terminando até a tomada de
poder da Junta em 1976, com uma prostituta de cabaré, Isabellta. no poder, teleguiada por-um pai de santo assassino.
A idéia de democracia na Argentina é,
em tese, simpática, mas a realidade é mais
complexa, uma vez que ninguém se entende nas oposiçõcs. no que em ponto menor
■as oposiçôes brasileiras formam um
paraielo. Já se fala numa elelçáo presidencial O brigadeiro Lamí Dozo, da Força
Aérea a única das corporações a Justificar
o adjetivo "militar", seria forte candidato.
É possível, mas ninguém sabe ao certo a
essa altura Quem assumir, isto é certo,
ináo terá unidade nacional, e assumirá um
Paulc Francis
país economicamente arruinado e socialmente instável, para usar ura eufemismo.
Nada disso altera o fato que a aventura
inglesa nas Malvinas foi colonialista. Os
fuleiros liberais brasileiros náo quiseram
aceitar isso, e. capachos como de costume,
"torceram" por Sua Majestade britânica.
Saudades da Senzala...
A vitoriosa Thatcher,passada afesta, terá
de encontrar uma solução para as Malvinas. Os custos á Inglaterra foram pesadíssimos, em vidas. Já se fala de quase
500 baixas, e se estima que o gasto foi além
de 3 bilhões de dólarest A situação econômica inglesa é pior que a argentina, no
sentido de que Londres ainda é considerada potência, em alguns círculos. Para
manter o precário apoio da Comunidade
Econômica Européia. Thatcher teve de engolir um orçamento do "Mercado Comum "
em que a Inglaterra põe quase mais um
büháo de dólares do que recebe. A Inflação,
por aferir, deve ter subido alguns pontos, E
o desemprego está em mais de 12 por cento, o pior da história do pais depois da grande depressão. A guerra certamente nâo
resolveu esses problemas (uma boa notícia, entre o que é um contexto de prejuízos, é que o país aumentou exportações). E o que fazer das Malvinas? Thatcher velo a Nova York falar na conferência
de desarmamento. Beguln também. Só falta a vinda de Khomelni e Saddam Hussein... Thatcher tentará provavelmente envolver os EUA na aventura colonialista
segunda, que será manter as Malvinas.
Não arrisco mais prognósticos sobre o
comportamento do govemo Reagan.
COVA VC MUNVO
22
SINTO MUITO MAS VOU TORCER CONTRA
PASQUIM 10/06/82
fAUTO WOLT
• Sinto muito. Gostaria mesmo de
poder torcer a favor. Sério. Dentro de
mim está bem vivo o menino pobre
que jogou futebol nos juvenis do Renncr em Porto Alegre, no estadiozinho
da Av. Farrapos, por volta de 53, 54.
Enio Andrade, seu irmão Ivo, Breno,
Bonzo. Saladuro, Waldir, entre outros, caso forcem a memória, certamente, lembrarão. Mas não posso,
não dá. Eu vou torcer contra o time do
Brasil na Copa do Mundo que começa
dentro de alguns dias. Porque não vou
compactuar com esta palhaçada, porque acho que o meu país e o meu povo
merecem bem mais do que glguns
efêmeros momentos de alegria. É isto:
vou torcer contra o Brasil porque amo
demais o meu povo; porque sou patriota e porque me nego a ser uma
- coisa, um robot controlado por um
poder cruel, medíocre e de segunda
categoria. Nós agüentamos a derrota
de 1950 dentro de casa. Certamente
agüentaremos esta. Pergunto-me se o
AI-5 teria a vida longa que teve se
houvéssemos perdido a Copa de 1970
no México.
• E muito duro torcer contra um time
tão bom quanto o nosso. Torcer a
favor é muito mais fácil e eu havia
decidido vestir uma camisa com os
dizeres "Abaixo a Repressão—-Viva a
Seleção" e deixar o circo pegar fogo.
Foram dois jornalistas dinamarqueses,
meus amigos. — Jurij Moskvitin e
Jakob HotFmcyer — que, sem o saberem, fizeram com que eu mudasse de
idéia. De volta da Argentina onde
foram cobrir esta guerra idiota, não
prevista pelos donos oficiais e pasteurizados do poder mundial, pararam no
Rio para visilar-me. Telefonei para o
Jorge Soares (Sargentelli estava em
São Paulo) do Oba-Oba para ver se ele
me arranjava uma boca-livre para assistir ao show com os gringos pois o
tipo de jornalismo que faço não me
permite freqüentar casa detal gabariR^CftJKlo O "pode vir que a~casa é
tua" fui ver o esplendido espetáculo.
Jurij e Jakob ficaram simplesmente
extasiados diante do talento, da capacidade de improvisação, da elegância,
do ritmo, da espontaneidade das mulatas, dos passistas, dos músicos, cantores e cantoras. De repente Jurij virouse pra mim c disse, realmente, embasbacado:
— Como eles são gentis, como são
vivos, como são humanos! Nunca vi
em toda a minha vida uma gente tão
bonita no sentido estético de forma e
conteúdo!
Porra, eu fiquei todo arrepiado.
Era a pura verdade! Eu também, viajando por cinco continentes, jamais
encontrei um povo tão bacana como o
meu. Bastaria que lhe dessem um
mínimo de conuições para que ele
pudesse viver com um mínimo de
dignidade e teríamos a totalidade do
nosso povo mestiço ostentando a alegre nobreza das mulatas e mulatos do
Sargentelli. Mas não. Até mesmo o
mínimo c negado ao nosso povo. Lógico, o que seria da classe dominante.
dos políticos, dos industriais,dos barões da informação se o povo brasileiro fosse orgulhoso, independente, saudável, pleno de respeito próprio e
sabedor dos seus direitos e não apenas
dos seus "deveres"? O que seria dos
, loradores canalhas, ladrões, noj.cntos. corruptos, assassinos e mãos
limpas, freqüentadores de igrejas, colunas sociais e chás beneficentes se
este povo entendesse de algo mais que
futebol (os homens) e novelas de televisão (as mulheres)?. Não, um povo
assim seria perigoso demais para este
poder tacanho que nos domina há 18
anos protegido pelas armas militares e
que se prepara para substituir a Argentina no papel de papel higiênico
dos Estados Unidos que, por sua vez;
são o papel higiênico do poder invisí-j
vel das multinacionais manobradas pe-^
Ia Trilateral. Para a ditadura e os
interesses representados pelas multinacionais e pelas para-estatais que a
manobram, é necessário que o povo
brasileiro continue sub-humano, mendicante e ladrão. Forte demais? Faço
um parágrafo para me explicar melhor
antes que um "patriota" mais afoito
decida me dar um tiro.
• A verdade é que a maioria do lumpen-proletartat rouba, mente e afé
mesmo mata se houver a possibilidade
de escapar impune. O garçom, o trocadpr de ônibus, o chofer de táxi, o
consertador de TV, a empregada doméstica, o operário (escolham vocês aí
a profissão) roubarão do cliente que
der sopa e com toda a razão, pois
qualquer pessoa aue ganhe mais de
200 mil cruzeiros (hoje, pois amanhã
200 mil cruzeiros não servirão para
nada, provavelmente) está roubando
deles. Não existem mais ladrões. Apenas o roubo institucionalizado. Ou
será que somos todos idiotas e, realmente, não percebemos que nem um
cachorro pode viver com o salário
mmimo^ E o poder, portanto, uue
quer que o povo brasileiro seja "malandro , subserviente e morto de fo?e,T>.3uc vou torcer «wa o time
do Brasil na Copa do Mundo, eu não'
bu quero que o meu povo seja respeitado, que procure dentro de si o fim
que dá significado à sua existência e
nao num jogo de futebol que é isso
mesmo, apenas um jogo de futebol
um divertimento, 90 minutos de lazer
e nada mais.
í
• Oucm é que lucra, realmente, corri
o futebol.' Eu vou lhes dizer: a Loteria
Esportiva que joga com os sonhos dos
miseráveis e ganha. ■ bilhões e bilhões
de cruzeiros que ninguém sabe para
onde vao. Certamente não para escolas e hospitais uma vez que existem
mais de 60 milhões de pessoas em
estado de miséria física e mental absoluta, ou seja, sub-humanos. As grandes companhias multinacionais, os impérios bancários, as estações de rádio e
televisão, as companhias aéreas e de
navegação, as agências de turismo e
publicidade c. principalmente, a ditadura em caso de vitória, A mentalidade, portanto, é esta: "Para que este
Jmsruf
PIM
wrdm ,
vomm
W0 NOTiOiARlO
m'tOK)ALj
fmírB
COPA VO UUNVO
23
continuação da página anterior: SlfUO
enlouquecidas matarem uma criança
povo que nós tanto odiámos e do qual
como aconteceu recentemente na F.stanto nojo temos continue cin estado
trada Rio — Minas porque cia usava a
de alienação quase animal sem possibicamisa do time adversário. Nunca vi
lidade de rebelar-se e acabar com a
uma coisa dessas acontecer na Suécia,
nossa raça de uma vez pra sempre, é
nos Estados Unidos, na Inglaterra, na
Rússia. Estas coisas acontecem no país
preciso que lhe demos alguma coisa
dos miseráveis como El Salvador
em troca, alguma coisa que cie goste
Honduras. Guatemala... Os mais polimuito: futebol!-' Pode haver algo mais
tizados entenderão, porem, que esses
maquiavelicamente geniocrucl? "Enfenômenos não ocorrem gratuitamenquanto o povo se odeia torcendo pdos
te. Eles são planejados para que o
diversos times e em tempo de campeoesíablishment
continue de pé comendo
nato mundial odiando outros países,
o seu próprio rabo. Estes leitores,
esquece-se de nós que o torturamos!
certamente, verão além das entrelimassacramos, alienamos! E a coisa
nhas do sotiety, a seguinte noticia
mais divertida; nós é que lucramos
publicada na crônica social do Jornal
com o futebol" E por isso que no
do Brasil, sexta-feira passada;
Maranhão, o segundo Estado mais
miserável da União onde a morte por
"Vem ao Brasil cm julho para uma
viagem de trabalho o presidente munfome é rotina, construiu-se um estádio
dial (l) do Chase. Williard Butcher
de futebol que é um verdadeiro templo
(3). Vem em companhia da mulher
faraônico, pois "é disso que este povo
Carolc e de alguns membros do board
de merda gosta", não é mesmo?
do grupo. Mi Butcher começa sua.
• Puxa, leitores, vejam se me entenvisita por Porto Alegre, passa por
dem: o estilo — como vocês devem ter
Curitiba, fica dois dias em São Paulo c
notado — não é exatamente jo^ccano.
outros dois dias no Rio. vai a Brasília
pois a emoção não ajuda. É duro
— onde tem encontro marcado com o
torcer contra o time de que gostamos.
presidente Figueiredo, o ministro DelMas foi por isto — porra, porra, porra
fim Neto e o sr. Carlos Geraldo Lan— que eu quase chorei ao ver o povão
goni (3) — e encerra por Manaus, de
duma ruazinha da Pavuna trabalhando
onde segue de volta para Nova Iorque.
em conjunto para enfeitá-la com poO novo presidente do Chase já desembres bandeirinhas que demonstram o
barca bastante íntimo do que o espera
amor pelo time do Brasil. Nada tenho
aqui (4). Butcher integrou a comitiva
contra isto mas preferiria que isto
do seu antecessor no cargo David
acontecesse depois que eles aprendesRoekefcller (5), quando todo alto cosem a identificar os canalhas que só se
mando
do Chase visitou o Brasil há
apresentam na hora das eleições, depouco mais de um ano. Não apenas
pois que os ratos deixassem de comer
integrou o grupo como, sabendo já de
as crianças na favela, depois que delesua nomeação próxima, inteirou-se
gados parassem de torturar pobres
profundamente dos problemas do gruempregados domésticos, depois que
po no país" (6).
meninos não morressem caindo em
•
Pois é: é por isso que eu vou torcer
bueiros, depois que seres humanos
contra;
para não ter que ver o ditador
deixassem de pedir para serem presos
de
plantão
levantar a taça para o alto e
a fim de não morrerem de fome.
lazer o povo acreditar que quem a
• Mas éu exagerei. As coisas não
conquistou foi o PDS. E vou torcer
estão tão negras assim. Afinal de concontra, principalmente, em nome dos
tas este povo tem ídolos nos quais
mortos, dos torturados e dos desaparepode se mirar e os mais jovens tem ate
cidos de um povo bom, solidário e
mesmo a esperança de chegai a serem
cordial como o nosso.
ídolos também. Seus ídolos são os
jogadores da seleção que ganharão 10 11 i l.eia-se lesl.i de Icrrn
milhões de cruzeiros de bicho caso i2) iradiicúo: ac"ii(;iu-irii. \i»s (orntct-mos
vençam a Copa do Mundo e sustentem carne... magr».,.m»Kr».
a ditadura por mais quatro anos. São í.^i Vai darumut^rulpaia terCOBWUüi-apataM»
ídolos que esqueceram as suas origens rsíão v» arniponxmlo.
e — como as criadas de Gcnet — não 14) Viram,' O hmnem sabv tudo.
só trabalham para seus algozes, como iSl Na verdade « quem somanda as niariuiiHcs.
Imaginem Hue em 52, Sé. 6H e 72 «<, camfidalm a
os adoran] e sonham era ser algozes presidência
dos Ksiados t nidos pelos partidos
também. É por isso que Paulo Freire Democrata e Ripuhlicano iram iodos iwmbrns
foi expulso do país; porque o seu de uma orüani/acao prharia chamada ( onsellm
método educacional tratava o homem de Kelacoes Kxleriores, eiija presidente e nada
como um ser vivo c digno e a cultura menos que Daud Kwkefeller.
como seu bem mais precioso; ele ensi- 16) \pesar de Indo o que la/cim» ainda
nava que o espelho do opresso não iríamos problemas para o grupo', isk! I sk!
deve ser o opressor. Eu pergunto a
■vocês leitores: a que povo, quais crianças pobres Pele está servindo quando
PS-l Os ires pnmtira* rabtnw foenudos
no Bnsi drdaranm que nlo vttm «rinv
garante que se tomarem Vitasay ou
lio,
BíO vio to docint ou uttra, nio
outra água com açúcar (placebo) serão
tém nsmortda. não lêem outros livros noe
fortes, ricos, famosos e felizes? Ainda
ato os do Valho Tatinento nas qut vio
torcer pdo Bnsil porque, afinal de cono outro dia abri a revista Time e lá
Ut, s*o patriotas.
estava o rei Pclé fazendo propaganda
PS-2 Ao modificar o calendéfio escolar
por ousa da Copa do Mundo, o Setietídos produtos japoneses Sanyo. O que
rio de Educaçio do Eutado, Anialdo Naé que os japoneses entendem de futeUer transferiu dcfinitivamoiie a Cultura
paia os pés.
bol? Resposta: picas. Mas a Sanyo
PS-3: Nio há nada a fazer; eu também sou
brasieiro
e conseqüentemente maluco.
entende muito de Brasil e de outros
Depois de eecitrer tudo o que vocês lePaíses onde o povo só pensa em furam me p<t|mjtei "Você vai conseguir
tebol.
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torcer contra?" Confesso que nio sei.
Mas que na hora eu vou tentar, eu vou!
• E isto aí, leitores, eu vou torcer
eontra porque não quero ver turbas
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CARTAS
ANDALUZIAS
PASQUIM 17/6/82
ALBERTO VIMES
. Não sei comoestá a vibração
brasilena. Mas aqui, em Sevilla, a
três dias da inauguração da Copa o
entusiasmo é apenas uma manifestação publicitária. Aliás, El Mundial,
como um todo, está sendo encarado
pelos espanhóis como uma baita
promoção comercial da quai *oram
excluídos. Na terra das paixões, a
paixão futebolística foi enquadrada
e sufocada por interesses materiais
(turísticos, comerciais e mesmo políticos). MundiEspaha, a empresa
montada para explorar o evento esportivo, na realidade, alijou completamente a população local reservando apenas 10% dos bilhetes paraos
nativos e o resto para os turistas.
Resultado: para que um dos felizardos espanhóis possa assistir uma
partida terá que desembolsar de 3 a
5 mil pesetas (multipliquem por
dois para obter a equivalência em
cruzeiros). O mesmo esquema nossas autoridades aplicaram no desfile
das escolas de samba no Rio, hoje
convertido num show para turistas.
O mesmo esquema levou o caudilho do futebol.espanhol, Raimundo Saporta, a aceitar a maquinação
de João Havelange de ampliar de 16
para 24 o número de países finalistas. A jogada era política por parte
do presidente da FIFA e comercial
por parte dos anfitriões. Havelange,
ao invés de tornar mais flexíveis os
critérios para a classificação e eliminatórias trazendo para a última fase
grandes times como a Holanda, Portugal, México, Romênia (que ficaram de fora por força do rigoroso
esquema), tentou a clássica manobra terceiromundista trazendo para
a Espanha equipes totalmente inexpressivas como Camarões e Kuwait
e^ com isto, o voto de um grande
número de países chamados emergentes para apoiar sua candidatura
à reeleição da FIFA. Havelange é o
típico produto do paternalismo brasileiro e, graças ao seu charme, levou para o cenário internacional tricas e futricas do jogo do poder prática do soberbamente abaixo do
Equador.
El Mundial foi para as ruas de
Madri e Sevilla (as cidades onde já
estive) sob a forma de anúncios do
comércio e das empresas que conse
guiram o patrocínio: Coca-Cola,
Ibéria, etc. E um processo de cima
para baixo, sem participação, envolvimento. Promoção publicitária tão
somente. Nos jornais o Mundial é
assunto para as páginas esportivas, a
não ser na imprensa provincial onde
a presença de grandes astros do futebol em cidades médias torna-se faialmente o principal prato noticioso. Caso da Andaluzia, capital: Sevilla, onde a presença dos craques
brasileftos tornou-se evento. O Mundial veio atrás.
Esta embalagem comercial para
um dos maiores eventos esportivos
do mundo colaborou para que o governo centrista do Presidente CalvoSotelo sofresse uma série de reveses
eleitorais nas últimas eleições provinciais, estando o seu partido, a
UCD. em vias de pulverização. Claro que não foi a atitude elitista do
partido do governo no caso do
Mundial o agente de seu desgaste
político. Mas o desprezo pelas massas, num contexto altamente politizado como é o caso espanhol, levaas a afastar-se cada vez mais de partidos que não atentam para os seus
interesses. Neste momento, a grande força que surge no horizonte do
poder é o Partido Socialista de Felipe Gonzales (PSDE). A Espanha,
depois da França e Grécia, talvez
venha a ser o terceiro baluarte social ista-democrático da Europa. O
socialismo europeu ou a EuroEsquerda parece ser o único vetor
político capaz d« oferecer as imprescindíveis mudanças com o máximo de responsabilidade.
Os jornalistas brasileiros que estiveram em 1978 na Argentina e
que aqui estão aos magotes, mesmo
quando não politizados — o que infelizmente é a maioria dos casos —
observam a olho nu as diferenças
entre a manipulação de uma competição esportiva por uma ditadura
militar (caso argentino) ea manipulação comercial praticada por um
governo empresarial, de centro.
Voltaremos ao assunto.
Outro dado importante no cenário onde se desenrola a guerra futebolística é a crise militar-institucional. A recente sentença da Justiça militar condenando apenas os cabeças do golpe 23 F (23 de fevereiro de 1981), absolvendo grande parte dos implicados e a outros consptradores concedendo penas leves que
lhes permitirão voltar breve às fileiras do Exército, provocou na imprensa — mesmo a centrista, convictamente democrática — forte repulsa. Enquanto nós, brasileftos, vibrávamos com a informação de que o
Coronel meganha Tejero Molina e o
general Milan Bosch eram condenados a 30 anos de prisão, a imprensa
espanhola pelo contrário, via as absolvições e o abrandamento de pe-
nas dos outros implicados como
forma de beneficiar os golpistas. A
tal ponto a onda foi forte (levando
inclusive o governo de Calvo Sotelo
a anunciar que apelaria contra a
sentença) que a' JUJEM (Junta dos
Chefes de Estado Maior, espécie de
Ministério Militar da Defesa) a emitir uma nota preparada para circular
apenas no meio militar, o tal público interno, mas que transpirou para
a grande midia, reclamando solenemente contra a onda. É um basta!
camuflado, através de uma linguagem de um país democratizado onde o respeito à Coroa e à Constituição começa a se solidificar. De qualquer forma os milicos locais não
aceitam sentar-se no banco dos réus
instalado pela sociedade espanhola,
preferindo uma corte castrense onde os grandes interesses corporativos da força armada, sobretudo seu
prestígio, não fossem abalados.
Aparentemente esta crise militar (até o momento em que as maltraçadas estão sendo batucadas a
200 metros da Catedral de Sev.ita)
não se desenvolveu porque neste
momento estão na Espanha quase
dois mil jornalistas estrangeiros
(500 brasileiros) que poderiam documentar com enorme facilidade
qualquer bogotazo madrilefio. Muy
amable. A entrada repentina da Espanha na OTAN, segundo apurei
aqui, teria sido um recurso dos vizinhos e parceiros para aplacar os milicos espanhóis dando-lhes a oportunidade de participar dos jogos de
guerra, manobras, etc.
Quando este Pasquim estiver
circulando vocês já estarão com os
resultados do Brasil-Rússia. Até o
momento só assisti alguns rachas
de treinamento. Não adianta, portanto, fazer nenhum prognóstico,
previsão, profecia. Antes assim. Sou
um neófito confesso em matéria de
futebol e foi exatamente nessa condição que fui contratado por Playboy para acompanhar esta Copa.
Felizmente a parafernália tecnológica do Pasquim é muito simples: a
boa vontade da Varig em transportar um pequeno malote. Com isso
os 120 milhões de técnicos de futebol não serão confrontados por cate
foca. Em compensação, fico com a
vantagem de, mais tarde, dizer coisas insólitas a respeito do esporte
bretão, hoje a alavanca da aldeia
global. Aguardem.