FACULDADE DE PARÁ DE MINAS Curso de Administração Regiane Soares ANÁLISE DO PROCESSO DE TREINAMENTO OFERECIDO AO CORPO DOCENTE DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE Pará de Minas 2013 Regiane Soares ANÁLISE DO PROCESSO DE TREINAMENTO OFERECIDO AO CORPO DOCENTE DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação apresentado à Coordenação do Curso de Administração da Faculdade de Pará de Minas como requisito para a obtenção do título de Bacharel Administração. Orientador: Prof. Ms. Ruperto B.C. Vega Pará de Minas 2013 em Regiane Soares ANÁLISE DO PROCESSO DE TREINAMENTO OFERECIDO AO CORPO DOCENTE DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO PROFISSIONALIZANTE Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação apresentado à Coordenação do Curso de Administração da Faculdade de Pará de Minas como requisito para a obtenção do título de Bacharel Administração. Aprovada em: ____/____/2013 __________________________________________________ Prof. Ms. Ruperto Benjamin Cabanellas Vega __________________________________________________ Prof. Ms. Dante Grassi Pinto Ferreira em Dedico esta monografia a minha mãe, uma pessoa muito importante, que dividiu comigo momentos difíceis e felizes em minha vida, confiou na minha capacidade e aguarda comigo ansiosamente conclusão deste trabalho. a AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço a Deus, por iluminar e abençoar minha trajetória, e pela força e coragem durante toda essa longa caminhada. Agradeço aos meus pais Lerci e Marilda, que foram o alicerce para minha formação como pessoa, através de seus exemplos, princípios e valores verdadeiros, e por sempre acreditarem em mim. Aos meus irmãos Wender, Lucimara, Vanessa e Dener, e aos meus sobrinhos Marcelly e Junior, pela presença, amizade e apoio constante. Ao meu namorado Diego, pelo apoio e incentivo, e acima de tudo, pelo amor, compreensão e pela tolerância, quando por tantas vezes estive ausente. Aos meus antigos e verdadeiros amigos, quando por tantas vezes tive que abrir mão de suas companhias e sempre compreenderam minha ausência. E às minhas novas amizades da faculdade, que elas durem o tanto quanto forem intensas. Aos colegas de trabalho pela contribuição e incentivo na execução deste trabalho. Agradeço também a todos os professores que me acompanharam durante a graduação, partilhando conhecimentos e me preparando profissionalmente. Em especial ao meu Professor e Orientador Ruperto, responsável pela realização deste trabalho e principalmente pela paciência, incentivo e confiança. A todos aqueles que de alguma forma estiveram e estão próximos de mim, fazendo esta caminhada valer cada vez mais a pena, meu carinho e eterna gratidão! “No que diz respeito ao desempenho, ao compromisso, ao esforço, à dedicação, não existe meio termo. Ou você faz uma coisa bem feita ou não faz.” Ayrton Senna RESUMO O presente trabalho tratou do estudo da importância do treinamento para os colaboradores de uma instituição de ensino profissionalizante. Foi constatado que os professores da referida instituição não possuem treinamentos e atualizações constantes, o que pode causar obsoletismo no ensino e nos resultados alcançados. Assim, foi realizada uma pesquisa quantitativa dentro da instituição, para identificar a real situação dos treinamentos na instituição, além de identificar fatores fundamentais para a gestão de pessoas, como liderança, motivação e satisfação. Desta forma, através dos resultados alcançados, foi possível propor sugestões para que a instituição consiga oferecer aos colaboradores desenvolvimento aprimoramento constante. Palavras-chave: treinamento; desenvolvimento; motivação; gestão de pessoas. e SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 10 1.1 Considerações Iniciais ..................................................................................... 10 1.2 Situação Problemática ..................................................................................... 10 1.3 Objetivo Geral ................................................................................................ 11 1.4 Objetivos Específicos ...................................................................................... 11 1.5 Justificativa ...................................................................................................... 11 1.6 Caracterização da Empresa ............................................................................ 12 2 REFERENCIAL TEÓRICO ................................................................................. 13 2.1 Administração .................................................................................................. 13 2.1.1 Administração estratégica de Recursos Humanos ....................................... 15 2.2 Gestão de pessoas como parceiros estratégicos ............................................ 16 2.3 Treinamento e desenvolvimento como ferramentas estratégicas para o crescimento da organização................................................................................... 18 2.3.1 Treinamento e desenvolvimento ................................................................... 20 2.3.2 Processo de treinamento .............................................................................. 23 2.3.2.1 Diagnóstico de necessidades de treinamento ............................................ 23 2.3.2.2 Planejamento do treinamento .................................................................... 25 2.3.2.3 Execução do treinamento ........................................................................... 26 2.3.2.4 Avaliação do treinamento ........................................................................... 28 3 METODOLOGIA ................................................................................................ 30 4 ANÁLISE DOS DADOS ..................................................................................... 32 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 41 5.1 Sugestões para a empresa ............................................................................. 42 5.2 Limitações da pesquisa ................................................................................... 42 5.3 Sugestões para trabalhos futuros .................................................................... 43 REFERÊNCIAS ........................................................................................................44 APÊNDICE ............................................................................................................ 46 10 1 INTRODUÇÃO 1.1 Considerações Iniciais O capital mais caro e mais diferenciado que as organizações podem possuir chama-se capital humano. Isto porque os talentos são itens que a concorrência não consegue copiar, uma vez que as pessoas são únicas, cada qual com suas aptidões e qualificações. Desta forma, é importante que a gestão da organização dedique uma parte de seu tempo para a gestão estratégica de pessoas, e considere-as como recurso que merece investimento, atenção e respeito. É importante ressaltar que as pessoas, embora sejam um recurso que exige investimento, são capazes de absorver diversas informações, e são capazes de aperfeiçoar sua forma de trabalho muito melhor do que qualquer equipamento. Assim, a gestão de pessoas precisa ir muito além do setor de recursos humanos, e voltar seus esforços para o desenvolvimento das pessoas, buscando ampliar sua qualificação e torná-las seu diferencial competitivo. O desenvolvimento pode ser atingido através de treinamentos iniciais e constantes atualizações da força de trabalho, para que não se torne obsoleta, mas pelo contrário seja capaz de gerar uma força inovadora que leve a empresa a se destacar no mercado. Este trabalho, dentro deste raciocínio, seguiu o seguinte foco: desenvolver um treinamento que aperfeiçoe e recicle os antigos colaboradores, além de ensinar e colaborar com o início de carreiras dos instrutores novatos dentro da entidade, através de novos métodos de ensino a serem definidos. 1.2 Situação Problemática O presente trabalho procurou mostrar a importância do treinamento para o resultado efetivo e significativo de um colaborador em uma organização. A área de foco foi o ensino profissionalizante. Muitos docentes necessitam de atualizações e reciclagens, e a área de ensino reflete consideravelmente na vida das pessoas. Além de ampliar a capacitação e habilidades dos colaboradores, com o treinamento a empresa será capaz de proporcionar uma maior vantagem competitiva diante seus 11 concorrentes, dando qualidade aos seus colaboradores, sintonizando-os com os avanços tecnológicos, para melhor atender seus parceiros. Tendo em vista que o treinamento é uma maneira de aperfeiçoar os processos e as relações interpessoais em uma organização, quanto maior conhecimento adquirido, maior a chance de sucesso, tanto para a organização, quanto para o colaborador. Assim, o trabalho buscou responder à seguinte pergunta: Como tornar o treinamento uma ferramenta estratégica para o crescimento de uma instituição de ensino profissionalizante? 1.3 Objetivo Geral Analisar o processo de treinamento oferecido ao corpo docente de uma instituição de ensino profissionalizante. 1.4 Objetivos Específicos a) Comparar os pressupostos teóricos sobre a gestão de pessoas com a realidade b) Conhecer as políticas de Recursos Humanos da organização em estudo; c) Analisar o programa de treinamento e desenvolvimento na entidade; d) Propor sugestões ao programa de desenvolvimento da empresa. 1.5 Justificativa Atualmente as empresas estão em constante mudança. Diariamente aparece algo novo e diferente dentro das empresas, e para que estas não fiquem estagnadas, presas ao seu paradigma, elas devem se adaptar. Caso contrário, não terão sucesso em seus negócios. Por isto, as empresas de hoje buscam colaboradores mais bem preparados, porém possuem muita dificuldade em encontrá-los. Por este motivo, há necessidade de implantação de um sistema de treinamento e desenvolvimento para desenvolver os colaboradores. O treinamento é de extrema importância, pois colaboradores bem capacitados trazem recursos além de sucesso para as empresas. O treinamento tem que ser constante, pois a cada dia que passa, aparecem novos métodos, novos 12 equipamentos, novas tecnologias e problemas para serem resolvidos. Com um treinamento detalhado, é muito provável que eles consigam chegar até o seu objetivo, o que fará com que a empresa também chegue aos seus objetivos. “Treinamento desenvolve algumas mudanças de habilidades, conhecimentos, atitudes ou comportamento, para que os colaboradores sejam mais produtivos e contribuam melhor para o alcance dos objetivos da empresa, ou seja, mudar o que os empregados conhecem em relação ao seu trabalho mostrando novos meios” (CHIAVENATO, 2013, p. 69). Para a autora, que encontrava-se como colaboradora da instituição de ensino profissionalizante, a pesquisa possibilitou analisar dentro do método científico o desafio do desenvolvimento dos instrutores. 1.6 Caracterização da empresa Trata-se de uma instituição de ensino profissional que visa qualificar as pessoas, e torná-las habilitadas para trabalhar no ramo industrial. A instituição busca sua constante atualização através de estudos que geram ou agregam novas tecnologias. Possui unidades em diversas cidades brasileiras, e Pará de Minas recebeu um grande presente ao ser escolhida para sediar uma delas. Hoje, a instituição possui cerca de trezentos alunos, e um corpo docente composto por vinte instrutores e técnicos especializados em suas áreas. Porém, pode-se observar que o corpo docente, apesar de extremamente qualificado, não recebe treinamentos ou atualizações, o que compromete a qualidade de ensino, uma vez que não busca aperfeiçoamento, e acaba caindo em estagnação. 13 2 REFERENCIAL TEÓRICO O mundo está mudando com uma rapidez considerável e com intensidade cada vez maior. Na história da humanidade, mudanças sempre existiram, mas não com a rapidez, volume e impacto como ocorre hoje. Dentre os fatores que contribuem para esse fenômeno, destacam-se as mudanças tecnológicas, econômicas, culturais, sociais, políticas, entre outras. As organizações atuais, para serem mais bem sucedidas, devem ter seus modelos de gestão baseados no ser humano. São as pessoas que dão vida à empresa. E estas representam muito mais do que recursos, pois espírito e emoção é que trazem a inovação. Devem ser o foco, dentro e fora da organização, de todos os seus serviços e produtos. Conforme declara CHIAVENATO (2010, p. 04), “as organizações são verdadeiros seres vivos. Quando elas são bem sucedidas, tendem a crescer ou, no mínimo sobreviver.” O mesmo autor ressalta que o crescimento acarreta complexidade dos recursos necessários às suas operações, com o aumento de capital, incremento de tecnologia, atividades de apoio e, consequentemente, ocasiona o aumento do número de pessoas, destacando-se a necessidade de intensificar a aplicação de seus conhecimentos, destrezas e habilidades indispensáveis à competitividade e manutenção do negócio. No mercado atual, as rápidas mudanças provocadas pelo efeito “globalização” e a acirrada concorrência têm exigido das organizações constante processo de renovação de seu capital intelectual, um esforço extra na capacitação de seus colaboradores. Entretanto, a voracidade do mercado obriga os gestores buscarem o desenvolvimento contínuo do grupo e deles próprios, se reposicionando frente às adversidades, prezando pela inovação e pela diferenciação. Neste contexto, o presente trabalho embasará temas relacionados à administração, administração de recursos humanos, treinamento e desenvolvimento. 2.1 Administração “Nos seus primórdios, a administração buscava a melhoria do trabalho individual, de forma a torná-lo mais fácil e mais produtivo. Posteriormente, envolveu a atividade em grupo e, mais adiante, todo o conjunto da organização.” (CAMPOS, 14 2013, p.17). Segundo este mesmo autor, com o desenvolvimento dos conceitos, a administração passou a considerar a questão de interdependência entre organizações, o que é atualmente extremamente importante. A palavra administrar vem do latim ad (direção, tendência) e minister (subordinação, obediência), que tem como significado o desempenho de atividades de direção dos assuntos de um determinado grupo ou de uma organização, isto é, a prestação de um serviço a alguém. A função da Administração é interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ações através do planejamento, organização, direção e controle. “Assim, a Administração é o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar a ação organizacional a fim de alcançar objetivos globais” (CHIAVENATO, 2001, p. 09). “Administração é a aplicação de técnicas com o intuito de estabelecer metas e operacionalizar o seu alcance pelos colaboradores participantes das organizações a fim de que se obtenham resultados que satisfaçam as necessidades de seus clientes, assim como as suas próprias” (CHIAVENATO apud CAMPOS, 2013, p. 18). Após estas definições, é possível afirmar que a administração está intimamente ligada às pessoas dentro da organização, através da organização das atividades destas pessoas visando atingir os objetivos organizacionais. Chiavenato (2001) cita o objetivo da administração como: [...] a tarefa básica da administração é a de conseguir fazer as coisas por meio das pessoas e dos recursos disponíveis de maneira eficiente e eficaz. Seja nas indústrias, comércio, organizações de serviços públicos, hospitais, universidades, instituições militares ou em qualquer outra forma de empreendimento humano, a eficiência e eficácia com que as pessoas trabalham em conjunto para alcançar objetivos comuns depende diretamente da capacidade daqueles que exercem a função administrativa. O avanço tecnológico e o desenvolvimento do conhecimento humano por si apenas, não produzem efeitos se a qualidade da administração efetuada sobre as organizações não permitir uma aplicação efetiva dos esforços humanos e dos recursos materiais, tecnológicos e financeiros. (CHIAVENATO, 2001, p.05). Pode-se afirmar, portanto, que a administração é a responsável direta pelo sucesso da organização, e das pessoas que dela participam. Os recursos com que a administração deve se preocupar são os tecnológicos, financeiros e humanos, lembrando que os recursos humanos são os mais aptos e flexíveis a mudanças. 15 O ato de administrar abrange a preparação de planos, propostas, relatórios, projetos, arbitragens e laudos, em que é determinada a aplicação de conhecimentos essenciais às técnicas de Administração. Basicamente, pode-se dizer que a administração se divide em cinco áreas: finanças, logística, marketing, vendas ou produção e recursos humanos. Alguns administradores modernos já incluem nessa divisão a Tecnologia da Informação (TI) e a Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P&D). Chiavenato (2001) expõe que a administração é a principal chave para a resolução dos problemas que angustiam o mundo moderno. O trabalho do administrador, seja um supervisor ou dirigente máximo, é essencialmente o mesmo. Qualquer que seja o nível que ocupe, sempre haverá a responsabilidade por subordinados, e a empresa somente irá alcançar resultados, se estes cooperarem. O Administrador é a ponte entre os meios (recursos financeiros, tecnológicos e humanos) e os fins (objetivos), e é de responsabilidade do administrador combinar os recursos de forma adequada, fazendo a ligação destes como os objetivos de uma organização. É necessário, assim, tomar decisões constantemente, e nenhuma organização, por melhor que seja, tem disponíveis todos os recursos. Além disto, a capacidade de processamento de informações do ser humano é limitada. A Administração estuda os empreendimentos humanos, tendo como objetivo o alcance de resultados eficazes e retorno financeiro, ou seja, é impossível falar em Administração sem falar em objetivos. 2.1.1 Administração estratégica de Recursos Humanos Marras (2002) explica que a área de recursos humanos (ARH) surgiu através da necessidade de se contabilizar os registros dos trabalhadores, citando principalmente as horas trabalhadas, faltas e atrasos para efeitos de pagamentos e descanso. “E, desta forma, é feita até hoje, ou seja, quanto a isso, nada mudou” (MARRAS, 2001, p. 21). Porém, é possível afirmar que esta função se ampliou, passando a se preocupar não apenas com o controle de horas trabalhadas e horas ociosas, mas também com a motivação, capacitação e manutenção da força de trabalho. Segundo CAMPOS (2013, p.61) “a administração de recursos humanos abrange o conjunto de técnicas, procedimentos e instrumentos que permite às 16 organizações atrair, manter e desenvolver os talentos humanos, que são as principais pilastras para o sucesso de qualquer organização.” E, neste mesmo sentido, outro autor complementa: [...] Administração de Recursos Humanos (ARH) é o conjunto de políticas e práticas necessárias para conduzir os aspectos da posição gerencial relacionados com as pessoas ou recursos humanos, incluindo recrutamento, seleção, treinamento, recompensas e avaliação de desempenho. (CHIAVENATO, 2010, p. 94) Outro conceito pode ser percebido: “a administração estratégica de recursos humanos (AERH), é a gestão que privilegia como objetivo fundamental, através de suas intervenções, a otimização dos resultados finais da empresa e da qualidade dos talentos que a compõem” (MARRAS, 2002, p.253). este conceito toca em um ponto chave da gestão de pessoas moderna: a qualidade dos talentos que compõem a organização. A Administração de Recursos Humanos é um pilar para a criação das políticas sociais da empresa, e deve estar focada no fator principal que garante o trabalho em qualquer organização: as pessoas. Toda organização deve focar-se na motivação de seus colaboradores, pois são eles os responsáveis pela sua manutenção e funcionamento diário. Os responsáveis devem valorizar os colaboradores, principalmente pela contribuição direta destes nos lucros da empresa. Treinamentos, avaliações, bonificações, políticas de cargos e salários são recursos que podem ser utilizados para o melhoramento motivacional. 2.2 Gestão de pessoas como parceiro estratégico A abordagem comportamentalista trouxe uma nova visão de ver o homem como um indivíduo participante de um grupo e não como um indivíduo mecanicista, autônomo; o que o homem pensava e como se comportava passaram a ser interessantes no sentido de que isso poderia influenciar na produtividade das organizações. (CAMPOS, 2013, p.25) Este mesmo autor destaca que a Teoria Comportamentalista não só descarta os conceitos das teorias anteriores, como também dá ênfase ao indivíduo, mas não aborda estas questões de maneira tão simples como estas teorias anteriores. 17 Como afirma Chiavenato nos tempos atuais, as organizações estão ampliando sua visão e atuação estratégica; todo processo produtivo somente se realiza com a participação conjunta de diversos parceiros, cada qual contribuindo com algum recurso. “Como por exemplo, os colaboradores com seus conhecimentos, capacidades e habilidades, proporcionando decisões e ações que dinamizam a organização” (CHIAVENATO, 2010, p. 8). E acontece que este é o parceiro mais íntimo da organização, pois é aquele que está dentro dela, que lhe dá a vida e dinamismo e que faz as coisas acontecerem. Chiavenato (2010) conceitua Gestão de Pessoas da seguinte forma: A Gestão de Pessoas (GP) é uma área muito sensível à mentalidade que predomina nas organizações. Ela é extremamente contingencial e situacional, pois depende de vários aspectos, como a cultura que existe em cada organização, da estrutura organizacional adotada, das características do contexto ambiental, do negócio da organização, da tecnologia utilizada, dos processos internos, do estilo de gestação utilizado e de uma infinidade de outras variáveis importantes (CHIAVENATO, 2010, p.08). O retorno do investimento em ações de Gestão de Pessoas está cada vez mais evidente para os empreendedores. É grande o número de empresas que se beneficiam com os ganhos de um time engajado, refletindo de forma direta no aumento de suas receitas e na redução de custos. Muitos empreendedores, em busca de inovação, tendem a buscar melhorias em seus produtos, tecnologias e processos, mas, entretanto, não percebem que um dos meios mais acessíveis para agregar valores nas organizações é desenvolver o modelo de Liderança e a Gestão de Talentos. Apesar da clareza nos resultados, ainda há líderes de negócios que não perceberam o diferencial competitivo que as pessoas podem representar para seus negócios. Geralmente estão focados nos crescentes custos para corrigir defeitos de sua mão de obra e se esquecem de que gente não é máquina, logo não tem defeito, e sim pontos de melhoria, o que proporciona uma liberdade muito importante para que os colaboradores desenvolvam seus talentos e mudem suas crenças. A partir desse pressuposto, pode-se observar que o termo custos não reflete o potencial de retorno que as pessoas podem dar para a organização, cabendo mais o termo investimentos. Dentro deste contexto, destaca-se que as pessoas devem ser vistas como parceiras da organização, pois elas são fornecedoras de conhecimentos, habilidades 18 e competências, e constituem o principal ativo da organização. E quando uma organização está voltada para as pessoas, a sua filosofia global e sua cultura organizacional passam a refletir essa crença. As pessoas podem aumentar ou reduzir as fraquezas e forças de uma organização, dependendo somente do modo como são tratadas. Sendo assim, elas podem ser tanto a fonte do sucesso como a fonte dos problemas de uma organização. E a organização, por sua vez, busca sugar o máximo do conhecimento e da criatividade das pessoas. De outro lado, é ela a responsável por fornecer recursos para que estas pessoas busquem mais conhecimento e capacitação. Para atingir o patamar da excelência, Chiavenato (2010) explica que os objetivos da Gestão de Pessoas são variados, mas ela deve contribuir para a eficácia organizacional através dos seguintes meios: a) Ajudar a organização a alcançar seus objetivos e realizar sua missão; b) Proporcionar competitividade à organização; c) Proporcionar à organização pessoas bem treinadas e altamente motivadas; d) Aumentar a auto atualização e a satisfação das pessoas no trabalho; e) Desenvolver e manter qualidade de vida no trabalho; f) Administrar e impulsionar a mudança; g) Manter políticas éticas e comportamento socialmente responsável; h) Construir a melhor empresa e a melhor equipe. Segundo este mesmo autor, “a moderna Gestão de Pessoas (GP) consiste em várias atividades integradas entre si no sentido de obter efeitos sinergísticos e multiplicadores, tanto para as organizações como para as pessoas que nelas trabalham”. (CHIAVENATO, 2010, p. 95). No final, tudo isto significa criar todas as condições para aumentar o capital humano, bem como o capital intelectual, seja das pessoas ou da organização. 2.3 Treinamento e desenvolvimento como ferramentas estratégicas para o crescimento da organização Há algumas décadas, as organizações exigiam das pessoas comportamentos repetitivos, burocráticos e reprodutivos. O objetivo estava concentrado na eficiência, ou seja, executar o trabalho exatamente de acordo com as regras, métodos e 19 procedimentos da organização. As pessoas não podiam nem pensar em se expressar, apenas executar e cumprir as ordens definidas. Atualmente, as organizações estão impondo um novo padrão de comportamento das pessoas, sendo foco a criatividade e inovação. Não basta somente a eficiência, nem a repetição continuada na execução das atividades, pois o mundo mudou e, com isto, as organizações também mudaram, para que possam seguir no mesmo rumo, além de ser cada vez mais rapidamente. Com isto, são necessários mudanças em produtos e serviços, processos e métodos, tecnologia e equipamentos, estrutura organizacional e cargos e, acima de tudo, no comportamento das pessoas tendo como base a criatividade. Segundo Chiavenato (2010), criatividade tem como definição a aplicação da engenhosidade e imaginação com a finalidade de proporcionar uma nova ideia, uma nova solução para um problema ou até mesmo uma diferente abordagem. Isso é indispensável em organizações que enfrentam demandas de um ambiente frequentemente instável e mutável. Em situações complexas e de rápidas mudanças, os gerentes precisam usar todas as vantagem de participação e envolvimento das pessoas como forma de estimulação da criatividade. A criatividade é a base para a execução de mudanças e um aspecto importante é a inovação. A inovação requer a criatividade, conforme Chiavenato (2010). O desenvolvimento de novas ideias está interligado à invenção. Os líderes estão sendo pressionados a criarem um ambiente novo de trabalho estimulando a criatividade e o aparecimento de ideias novas através das pessoas, assegurando a criação de boas ideias para os processos atuais como também para novos processos. Isso é para assegurar que a potencialidade comercial de novas ideias para produtos e serviços sejam totalmente alcançadas. As profundas mudanças tecnológicas, econômicas, politicas e sociais constituem as principais características do mundo atual. Essas condições de mudança e de transformação influenciam fortemente as organizações. Nelas, os gerentes devem ser incumbidos de estimular, apoiar e alcançar a inovação através das pessoas (CHIAVENATO, 2010, p. 403). Empresas preocupadas com a qualidade do seu produto final ou serviços, que se preocupam com melhorias constantes mantendo como foco o cliente, necessitam 20 de uma equipe competente, altamente treinada e motivada. Este treinamento deve ser prioridade em qualquer área da empresa, com objetivo de aprimoramento dos conhecimentos e aquisição de novas técnicas, aperfeiçoando um dos seus recursos mais importantes para o sucesso de uma organização que são os recursos humanos. “Em um mundo mutável e competitivo, em uma economia sem fronteiras, as organizações precisam preparar-se continuamente para os desafios da inovação e da concorrência” (CHIAVENATO, 2010 p. 266). Empresas para serem bem sucedidas, precisam de pessoas ágeis, empreendedoras, espertas e dispostas a assumir riscos. É por causa das pessoas que as coisas acontecem, ou seja, elas produzem os produtos, conduzem os negócios e prestam os serviços. Para se obter todos estes requisitos, é imprescindível o treinamento e o desenvolvimento das pessoas. As empresas bem sucessivas reconhecem que treinamentos não é despesa e sim um retorno garantido, ou seja, um precioso investimento. E os benefícios são também determinados junto aos clientes. Há uma diferença entre treinamento e desenvolvimento: O treinamento é focado no cargo atual, procura melhorar e aperfeiçoar as habilidades relacionadas com o desempenho imediato. O desenvolvimento, por sua vez, é focalizado no ambiente futuro, ou seja, nas habilidades, competências e cargos a serem requeridos. 2.3.1 Treinamento e desenvolvimento O treinamento é um processo de assimilação a curto prazo, que tem como finalidade transmitir ou reciclar conhecimentos, habilidades e atitudes ligadas diretamente a execução dos trabalhos ou melhoramento das atividades. “O treinamento influencia nas mudanças no conjunto do conhecimento, habilidades e atitudes (CHA) de cada colaborador, pois ele agrega ou até mesmo modifica a bagagem pessoal de cada um” (MARRAS, 2001, p 146). Treinamento, para outro autor, é conceituado como “meio de desenvolver competências nas pessoas para que se tornem mais produtivas, criativas e inovadoras, a fim de contribuir melhor para os objetivos organizacionais e se tornarem cada vez mais valiosas” (CHIAVENTAO, 2013, p. 367). Campos (2013) já define treinamento como “um curto processo de mudanças no comportamento dos colaboradores, visando adquirir conhecimentos, habilidades 21 e atitudes relacionadas às tarefas do cargo, aumentando a produtividade e qualidade dos produtos e ou serviços, bem como as relações interpessoais” (MARRAS, 2013, p.67). Robbins (2009) enriquece os conceitos citados, afirmando que “funcionários competentes não permanecem competentes para sempre. As habilidades deterioram-se e podem tornar-se obsoletas” (ROBBINS, 2009, p. 245). O conteúdo do treinamento pode envolver quatro tipos de mudança de comportamento, apontados por Chiavenato (2013) como: Transmissão de informações: o elemento essencial em muitos programas de treinamento é o conteúdo: repartir informações entre os treinandos como um conjunto de conhecimentos. Normalmente, as informações são genéricas, de preferência sobre o trabalho como informações sobre a empresa, seus produtos e serviços, sua organização e políticas, regras e regulamentos, entre outras. Desenvolvimento de habilidades: principalmente as habilidades, competências e conhecimentos diretamente relacionados com o desempenho do cargo atual ou de possíveis ocupações futuras. Trata-se de um treinamento orientado diretamente para as tarefas e operações a serem executadas. Desenvolvimento ou modificação de atitudes: geralmente mudança de atitudes negativas em mais favoráveis, aumento da motivação, desenvolvimento da sensibilidade do pessoal de gerência e supervisão quanto ao sentimento e reações das pessoas. Desenvolvimento de conceitos: o treinamento pode ser conduzido no sentido de elevar o nível de ideias, seja para facilitar a aplicação de conceitos na prática administrativa ou para elevar o nível de desenvolvimento de gerentes. O treinamento é um processo cíclico e contínuo comporto de quatro etapas, como mostra a Figura 1: 22 Figura 1: Fluxo do processo de treinamento Diagnóstico Programaçã o Execução Avaliação Fonte: MARRAS, 2002, p.150 “Na realidade, as quatro etapas do treinamento envolvem o diagnóstico da situação, a decisão quanto à estratégia para a solução, a implementação da ação e da avaliação e o controle dos resultados das ações de treinamento” (CHIAVENATO, 2010, p. 369). A responsabilidade pelo desenvolvimento de cada pessoa só depende dela mesma. Quando o colaborador se mostra interessado em desenvolver competências para uma específica função, ele encontrará oportunidades dentro da empresa. As organizações são facilitadoras do desenvolvimento, mas a iniciativa deve vir do colaborador e, assim, estar determinado a desenvolver novas competências. Conforme definição de Campos (2012), desenvolvimento é um processo de crescimento do indivíduo tanto pessoal quanto profissional. “Em outras palavras, é um processo de aprimoramento profissional contínuo do colaborador, buscando ao máximo seu potencial de aprendizagem em seu benefício e da organização” (CAMPOS 2012, p. 67). Complementando, Chiavenato (2013) ressalta que a busca do desenvolvimento mútuo e continuado entre organizações e pessoas é, sem dúvida, um dos aspectos mais importantes da moderna Gestão de Pessoas. As organizações devem ficar atentas ao desenvolvimento, mas não jogar como uma obrigatoriedade, e sim uma necessidade, seguindo assim as transformações e exigências do mercado e mudanças de cenário pela globalização. As pessoas estão se adaptando mais a esta ideia de desenvolvimento, estão buscando aperfeiçoamentos através de cursos, além de faculdades. As pessoas devem estar atentas e entender que o mercado é quem está cobrando desenvolvimento. 23 2.3.2 O Processo de Treinamento Desenvolver e treinar pessoas têm sido primordial em muitas organizações. O primeiro desafio é identificar se o treinamento é realmente a melhor solução. Algumas questões estão aplicadas quando se quer atender esta necessidade. Qual o investimento que deverá ser feito em treinamento e desenvolvimento? Onde e em quem investir? Para se obter respostas a estas perguntas, é indispensável que se realize levantamento eficiente do que se quer buscar através do treinamento, selecionando adequadamente métodos e técnicas mais apropriados, assim como as pessoas a serem treinadas e as prioridades. O processo praticado atualmente pelas organizações nos programas de treinamento segue o fluxo disgnóstico, planejamento, execução e avaliação. 2.3.2.1 Diagnóstico de necessidades de treinamento O diagnóstico de necessidades de treinamento envolve a pesquisa e a respectiva análise pela qual se detecta “o conjunto de carências cognitivas e inexperiências relativas ao trabalho existentes entre o conjunto de conhecimento habilidades e atitudes do indivíduo e as exigências do perfil do cargo.” (MARRAS, 2001,p.152). Este conjunto de carências atrapalha e dificulta o desenvolvimento da organização, e é originado do próprio recrutamento e seleção de pessoas. A área de recrutamento foca a contratação de pessoas com habilidades e competências para o cargo desejado, mas nem sempre isso acontece. E sempre a organização terá que programar um treinamento para que possa adaptar novos colaboradores à cultura e necessidades da empresa. O levantamento das necessidades de treinamento é a primeira etapa do treinamento. São necessidades nem sempre claras e que precisam ser diagnosticadas através dos devidos levantamentos e pesquisas internas capazes de identificá-las. É um programa de pesquisa de coleta de dados. O treinamento deve ser uma constante nas empresas. Mesmo que as pessoas tenham ótimo desempenho, sempre há melhorias em habilidades e competências. As pessoas sempre precisam evoluir, e é através do treinamento que será possível essa evolução constante, pois ele funciona como uma catalizador para mudanças. 24 Necessidades de treinamento são as carências de preparo profissional das pessoas, ou seja, a diferença entre o que uma pessoa deveria saber e fazer e aquilo que ela realmente sabe e faz. Uma necessidade de treinamento é uma habilidade ou área de informação que um indivíduo ou grupo tem que desenvolver com o objetivo de aumentar sua eficiência, eficácia e produtividade no local de trabalho. A partir do ponto em que o treinamento focaliza as carências e necessidades, eliminando-as, ele será sucesso na organização, para os colaboradores e, acima de tudo, para clientes. E se isso não acontecer, acarretará desperdícios ou simples perda de tempo. (CHIAVENTO, 2010, p. 373). Existem vários métodos para determinar quais as habilidades e competências devem ser focadas para se criar as estratégias de treinamento. Deve-se avaliar o processo dentro da organização, buscando fatores críticos, custos elevados, pontos fracos baseados no desempenho das pessoas, entre outros. Outro método é através da retroação direta, onde as pessoas citam os pontos necessários que elas acreditam precisar de treinamento. As pessoas identificam o que elas precisam, definem claramente as necessidades que elas têm para desempenhar melhor os trabalhos. Mais um método é determinado pela visão organizacional do futuro. Novas tecnologias, novos produtos, novos serviços, desenvolvimentos dos já existentes, todos estes demonstram que há sinais de que novas habilidades e destrezas devem ser desenvolvidas e adquiridas com as mudanças. O levantamento de necessidades de treinamento pode ser feito em quatro níveis de análise: Análise organizacional: diagnóstico organizacional, determinação da missão e visão e dos objetivos estratégicos da organização; Análise dos recursos humanos: determinação de quais os comportamentos, atitudes e competências necessárias ao alcance dos objetivos organizacionais; Analise dos cargos: exame dos requisitos exigidos pelos cargos, especificações e mudanças nos cargos; Análise do treinamento: objetivos a serem utilizados na avaliação do programa de treinamento. CHIAVENATO (2010, p. 375): Segundo MARRAS (2002, p. 153), “Além de ser um programa contínuo, pesquisar necessidades de treinamento é também uma responsabilidade compartilhada entre a área de T & D e todas as demais da empresa.” Na verdade, o T&D é somente um instrumento integrador e catalisador das necessidades 25 organizacionais, pois estas encontram-se diretamente ligadas a cada área de trabalho da empresa e são, principalmente, de domínio dos supervisores imediatos. Ao se fazer levantamento de necessidades, sejam eles detectados internamente ou externamente (consultores), todo projeto deve ter embasamento e ser construído em cima de pressupostos. A área de treinamento deve tomar conhecimento das necessidades através de alguns métodos mais utilizados pelas organizações. Podem ser usados um ou mais desses métodos, ou ainda um conjunto deles. A escolha ficará a cargo do responsável da área que irá analisar as características da empresa, cultura, perfil e objetivos. Alguns métodos são: Aplicação de questionários; Entrevistas com trabalhadores e supervisores; Aplicação de testes ou exames; Observação in loco de trabalhos sendo realizados; Folha de avaliação de desempenho; Solicitação direta do trabalhador ou supervisor. O diagnóstico da situação representa o levantamento e análise que dão subsídio ao plano de treinamento. O levantamento das necessidades se baseia em duas questões: quem deve ser treinado? O que deve ser aprendido? 2.3.2.2 Planejamento do treinamento Esta área da administração do T & D é de suma importância pelo papel integrador que lhe cabe. É o elo de ligação entre politicas, diretrizes e ações formais e informais que regem as relações organizacionais enquanto indicadores da cultura empresarial e seus agentes multiplicadores e os indivíduos que compõem essa sociedade. (MARRAS, 2002, p. 155) O planejamento trata-se da segunda etapa do processo, e se refere ao planejamento de ações de Treinamento, devendo ser objetivamente específica. Após o levantamento das necessidades entre as competências disponíveis e as necessárias, faz-se a conexão do atendimento a essas necessidades em um programa interligado e preciso. Este que deve estar associado às necessidades estratégicas da organização, e deve estar programado de forma a atingir os objetivos do treinamento. 26 Nesta etapa, deve-se ordenar as prioridades entre o que é necessário e o que é possível, utilizando os recursos disponíveis e as necessidades em geral. O treinamento deve ser programado de forma a seguir os seguintes princípios básicos, conforme Figura 2. Figura 2: A programação de treinamento Treinandos ou instruendos Quem deve ser treinado Como treinar Métodos de treinamento ou recursos instrucionais Em que treinar Assunto ou conteúdo do treinamento Por quem Instrutor ou treinador Onde treinar Local do treinamento Quando treinar Época ou horário do treinamento Para que treinar Objetivos do treinamento Fonte: CHIAVENATO, 2010, p. 376 Segundo CHIAVENATO (2010, p. 375), “a empresa precisa estar disposta a oferecer oportunidades às pessoas para que elas possam colocar em prática seus novos conhecimentos e capacidades oriundos do treinamento para que dessa forma, as organizações possam ter garantia do retorno esperado”. 2.3.2.3 Execução do treinamento Esta é a terceira etapa do processo de Treinamento de pessoas. Segundo MARRAS (2002, p. 157), “a execução é a aplicação prática daquilo que foi planejado e programado para suprir as necessidades de aprendizagem detectadas na organização. É a linha de produção T&D“. A princípio, a área de T&D deve ter duas 27 preocupações nesta fase: a qualidade da aplicação dos módulos e a eficiência dos resultados. “Há uma sofisticada gama de tecnologia de treinamento. Existem várias técnicas para transmitir as informações necessárias e desenvolver as habilidades requeridas no programa de treinamento” (CHIAVENATO, 2010, p. 376). O treinamento pode ser executado por cargo ou através de técnicas de classe. Nas técnicas por cargo, o trabalho é executado ministrando conhecimento, informações e experiência relacionadas ao cargo, e pode conter, também, condução, rotação de cargos e atribuições de projetos especiais. A condução é explorada através de crítica feita sobre como a pessoa está no cargo atual, ou seja, seu desempenho. A rotação é observada através da troca de cargos dentro da organização, a fim de se perceber o melhor para compreensão da organização como um todo. E a atribuição de projetos especiais é a entrega de uma tarefa específica para que uma pessoa aplique seu conhecimento e experiências em determinada atividade. Nas técnicas de classe, o instrutor e a sala são usados para desenvolverem habilidades, conhecimentos e experiências dos respectivos cargos. São habilidades técnicas e até interpessoais. Estas técnicas também podem desenvolver habilidades sociais como jogos de empresa e dramatização, onde o formato mais comum de jogos administrativos é através da formação de grupos treinados para tomar e avaliar decisões sobre uma determinada situação. Já a dramatização tem a finalidade e necessidade de desenvolver pessoas dentro da organização através da atuação como um personagem ou na solução de problema. O clima desenvolvido nesta situação faz com que as pessoas aprendam novo comportamento, trabalhem em equipe, facilitem a aprendizagem através do conhecimento e experiências relacionadas com o cargo, aplicando na prática. Segundo CHIAVENATO (2010) dentro da execução do treinamento, existem várias técnicas. A primeira técnica citada pelo autor é a leitura. Trata-se de um meio de transmissão de informações onde os instrutores passam um grande número de informações verbalmente e o grupo está somente como ouvinte. O instrutor desenvolve a prática e os treinandos participam somente ouvindo, e não como falantes. Uma vantagem é que o instrutor repassa uma grande quantidade de informações em um determinado período de tempo. Porém, apresenta 28 desvantagens, como por exemplo, o treinando apenas ouve e assim deve tomar uma atitude passiva, possuindo pouca ou nenhuma oportunidade de tirar dúvidas. Nesta técnica, não há praticamente oportunidades de prática, reforço, retroação ou conhecimento dos resultados. Estes fatos fazem com que a leitura tenha pouco valor para mudar atitudes e comportamentos. Outra técnica é a instrução programada, realizada através de programas. Essa técnica é usada sem a presença de um instrutor humano. Pequenas partes do conteúdo a ser trabalhado são repassadas individualmente ao treinando e, assim, estes buscam a resposta mostrando a compreensão. A solicitação dos tipos de respostas é de múltipla escolha, verdadeiro ou falso, entre outras opções. A vantagem deste programa é que o treinando pode acompanhar e desenvolver o conhecimento em casa, participando diretamente e sabendo se estão certos ou errados. Já a desvantagem é que eles não apresentam respostas aos treinando. Mais uma técnica apontada por Chiavenato (2010) é o treinamento em classe. Trata-se de uma situação de laboratório e isolada do local de trabalho, em sala de aula. Os treinandos são reunidos em determinado local e instruídos pelo instrutor ou pessoa responsável. É o tipo de treinamento mais usado. O tempo do aprendiz em classe é avaliado através da quantidade de horas. A técnica Computer – based training (CBT) também pode ser utilizada. A tecnologia da informação é usada nesta técnica de treinamento. É feito através de CDs, DVDs, com ajuda de multimídia (gráficos, animações, filmes, áudio e vídeo). Existe ainda a E-learning, que se refere ao uso da internet para uma ampla variedade de soluções que aumentam o desempenho e o conhecimento das pessoas. 2.3.2.4 Avaliação do treinamento Esta é a etapa final do treinamento, onde se verifica a eficiência das técnicas e práticas, e se o treinamento atingiu seu objetivo. Dessa forma, pode-se avaliar se o treinamento atendeu às necessidades das pessoas, organização e clientes. Segundo Marras (2002), para que esta etapa consiga cumprir a sua finalidade, todo módulo de treinamento deve ser previamente planejado e programado para que, ao seu término, haja a possibilidade mensurar os resultados conseguidos. Sem esta condição, cria-se uma dificuldade muito grande que compromete a possibilidade da efetividade do trabalho realizado. 29 O treinamento, em alguns casos, é um investimento de longo prazo e às vezes sem retorno imediato sobre resultados, principalmente nas áreas de recursos humanos, onde a mudança de comportamento se desenvolve com o tempo. Como os programas de treinamento demandam gastos com investimento em custo, requer-se um retorno, nem que seja razoável. Os custos estão relacionados ao tempo que o treinando está parado e não produz o instrutor contratado, os materiais usados. Assim, deve ser avaliado conforme as necessidades para os quais foi projetado. Segundo Chiavenato (2010), as principais medidas para avaliar o treinamento são Custo, Qualidade, Serviço, Rapidez e Resultados, e se as repostas forem positivas, quer dizer que o programa atingiu seu objetivo. Caso negativas, não atingiu o resultado esperado. Esta avaliação ajuda a ter em mente uma questão fundamental: qual é o objetivo do treinamento? E em qual extensão esse objetivo foi alcançado? 30 3 METODOLOGIA Segundo Roesch (2007), metodologia significa o caminho a ser traçado para se atingir um objetivo. Desta forma, o presente trabalho precisou definir uma metodologia, através da qual fosse possível atingir o objetivo de traçar um treinamento para os colaboradores da empresa em estudo. Assim, inicialmente é importante expor que tratou-se de uma pesquisa quantitativa, que buscou mensurar a quantidade de pessoas que acredita necessitar de capacitação e mostra-se insatisfeita com as atuais condições de trabalho. De acordo com Roesch (2007), a pesquisa quantitativa é usada para medir atitudes e o comportamento em situações em que a natureza da pesquisa já foi definida, e são construídas para reunir informações de amostras estatisticamente representativas da população-alvo. O instrumento utilizado para a coleta de dados foi o questionário, que se trata de um instrumento muito utilizado em pesquisas quantitativas de grande escala, como as que propõem levantar a opinião política da população ou a preferência do consumidor. Questionário não é apenas um formulário, ou um conjunto de questões listadas sem muitas reflexões, conforme Roesch (2007). Ele é um instrumento de coleta de dados que busca mensurar alguma coisa. Foi elaborado, portanto, um questionário composto por 19 (dezenove) questões, para identificar a atual satisfação das pessoas com a empresa em que trabalham e motivação que recebem, sua visão sobre a situação da própria capacitação, e a necessidade de treinamentos constantes na empresa. A amostra foi classificada como não probabilística, utilizando das técnicas de acessibilidade e tipicidade. Acessibilidade consiste na facilidade de acesso aos representantes da amostra e tipicidade pela importância destes indivíduos dentro do universo da pesquisa. Os questionários foram aplicados a quinze instrutores e técnicos da instituição estudada, com diferentes perfis para não tornar a pesquisa tendenciosa. Após a aplicação dos questionários, passou-se à tabulação e análise dos dados. Como técnica de análise, foi utilizada a análise estatística, através da elaboração de gráficos e levantamento de percentuais. 31 Na pesquisa de caráter quantitativo, normalmente os dados coletados são submetidos à análise estatística, com a ajuda de computadores, (se o número de casos pesquisados ou número de itens for pequeno, costuma-se utilizar uma planilha para a codificação manual dos dados), conforme Roesch (2007). Os meios metodológicos utilizados na pesquisa foram a revisão bibliográfica, levantamento e observação participante. 32 4 ANÁLISE DOS DADOS Os questionários foram aplicados no dia 24 de outubro do ano de 2013 no intervalo entre as aulas, momento em que os professores se reúnem para relaxar e discutir os acontecimentos dentro da sala de aula. Foi-lhes explicado que se tratava de um questionário e, embora contivesse 19 questões, era bem objetivo e apenas era necessário marcar um X n alternativa desejada. Foi ressaltado também aos respondentes que as respostas seriam de uso exclusivamente para a pesquisa acadêmica, não sendo necessária a identificação do questionário respondido. A primeira questão era sobre há quanto tempo a pessoa trabalha na empresa. 6,67% dos entrevistados afirmaram estar na empresa há menos de um ano; 66,67% das pessoas estão na instituição entre um e dois anos, e 26,66% está na empresa há mais de três anos. Por estas primeiras respostas, pode-se perceber que a organização possui um baixo índice de rotatividade, pois a grande maioria das pessoas faz parte de seu quadro de colaboradores há mais de um ano. Este fato, analisado isoladamente, é altamente favorável para a empresa, e faz com que o custo de manutenção deste pessoal seja realmente um investimento, uma vez que as pessoas não receberão treinamentos para, em pouco tempo, abandonarem a empresa. Além do que, oferecer cursos de atualização é bem mais barato do que treinamentos para novos colaboradores. A segunda questão era sobre a presença de uma liderança capaz de fornecer direção, metas, informações e confiança de que os colaboradores precisam para a execução dos projetos operacionais e a melhoria das organizações. 60% das pessoas afirmou que sim, existe este líder na organização, enquanto 40% das pessoas foram categóricas em dizer que não, a organização não possui alguém com esta função. Aqui, cabe ressaltar o importante papel da liderança para influenciar os colaboradores a atingir as metas organizacionais. As pessoas precisam ver alguém em quem se espelhar, alguém que lhes passe as informações necessárias e que inspire confiança para sustentar as atitudes dentro da sala de aula. A organização precisa designar alguém para esta função, providenciar treinamento e capacitação para que esta pessoa seja realmente responsável pela equipe, e a torne uma equipe de sucesso. 33 A terceira pergunta era diretamente ligada ao oferecimento de treinamentos por parte da organização: questionava se a instituição oferece treinamento e desenvolvimento às pessoas para atuarem adequadamente em seus processos educacionais e de melhoria. Estas respostas merecem destaque, e são apresentadas no Gráfico 1 para melhor visualização. Gráfico 1: A organização proporciona treinamentos condizentes à função desempenhada 20% SIM 7% NÃO ÀS VEZES 73% Fonte: dados coletados pela autora. Este gráfico mostra que a maioria das pessoas, embora não tenha marcado diretamente a resposta não, está insatisfeita com a situação dos treinamentos ofertados pela instituição. Este fato é extremamente preocupante para a organização, e merece destaque que próprios colaboradores percebem que a instituição vem deixando a desejar neste quesito. Continuando o questionário, a seguinte pergunta era sobre a presença de mecanismos de avaliação de desempenho que possibilitem a orientação das tomadas de decisão, avaliação de desempenho dos processos e dos indivíduos. 40% das pessoas marcaram que sim, enquanto 60% responderam que estes mecanismos não existem. Mais uma vez, um ponto preocupante, agora estando diretamente ligado à motivação dos colaboradores. A avaliação de desempenho é essencial, não apenas para corrigir maus desempenhos, como também para motivar as pessoas. A empresa precisa rever seus conceitos sobre este assunto, porque embora a maioria das pessoas tenha afirmado que não está acontecendo, 40 % responderam que sim, ele existe. Ou seja: existe uma divisão de respostas. É 34 necessário uma padronização nas formas de avaliar, para que a percepção de todos seja a mesma. A próxima questão era sobre a qualidade dos treinamentos, e indagava se os treinamentos e cursos oferecidos pela empresa satisfazem às necessidades do colaborador de formação e aperfeiçoamento. Aqui, 60% das pessoas responderam que sim, enquanto 40 % responderam que não. Pode-se observar que, as pessoas que afirmaram às vezes receberem treinamentos adequados, aqui se dividiram, algumas afirmando serem os treinamentos de qualidade, outras não. Assim, é possível afirmar que, quando os treinamentos ocorrem, eles costumam ser efetivos segundo a maioria dos entrevistados. Isto implica que a empresa deve oferecer os treinamentos que costuma, porém com mais frequência. A seguir, o entrevistado era questionado sobre a clareza da organização a respeito dele, ou seja, se a organização estabelece claramente o que espera dele em relação ao seu desempenho individual. 40% das pessoas responderam que sim, contra 60 % que responderam que não. Estas respostas apontam para a necessidade de padronização da avaliação de desempenho, e ainda reforço da posição da liderança perante os colaboradores. Muitas vezes, os resultados esperados não são atingidos porque os colaboradores não estão cientes do que a empresa espera deles. A sétima questão estava relacionada à motivação pessoal, que perguntava até que ponto o colaborador considera que seu trabalho oferece oportunidades e condições de crescimento pessoal. As respostas encontradas foram positivas para a empresa, e para melhor visualização são demonstradas no Gráfico 2. 35 Gráfico 2: Até que ponto seu trabalho oferece condições de crescimento pessoal? 0% 27% MUITO POUCO ÀS VEZES 73% Fonte: dados coletados pela autora As respostas visualizadas no gráfico 2 permitem a avaliação positiva de que a grande maioria enxerga em seu trabalho uma possibilidade de crescimento e aperfeiçoamento. Ninguém marcou a opção que somente às vezes, e um baixo percentual optou pela opção pouco. Isto mostra que as pessoas possuem uma boa expectativa a respeito da instituição em que trabalham, e esta não pode decepcionálos. A oitava questão perguntava se o colaborador está satisfeito com o trabalho que executa na empresa. A grande maioria, 80%, afirmou que está muito satisfeita, contra apenas 20 % responderam que não estão pouco satisfeitos. A opção “não” não foi marcada por ninguém, outro ponto positivo para a empresa, que deve aproveitar-se desta situação para manter seus colaboradores motivados, não dando motivos para que mudem de opinião. A nona questão perguntava se o colaborador se sente integrado à empresa. Aqui, 74% responderam que sim, enquanto 26% responderam que não, e ninguém marcou a opção nem um pouco. Outro ponto favorável à empresa, que mostra sua capacidade de fazer com que os colaboradores interajam entre si e com a própria organização. A questão seguinte buscava a opinião do colaborador sobre a política da empresa, se é voltada para treinamentos. 80% dos entrevistados respondeu que não, enquanto 20 % responderam que sim. Mais uma vez, a falta de treinamentos 36 oferecidos pela empresa torna-se uma situação alarmante, sentida pelos colaboradores, e que deve ser alterada. A próxima pergunta era sobre a oportunidade de participar das tomadas de decisões que envolvem o setor do entrevistado. O Gráfico 3 ilustra melhor as respostas encontradas. Gráfico 3: Oportunidade de participar do processo de tomada de decisões 13% 14% SEMPRE QUASE SEMPRE NUNCA 73% Fonte: dados coletados pela autora. Através deste gráfico, pode-se perceber que, embora a maioria das pessoas tenha marcado que quase sempre participa do processo decisório, e 14 % das pessoas afirmarem que sempre participam, ainda existe um percentual de pessoas afirmando que nunca participa. Estas respostas podem refletir em questões como favoritismo, em que alguns colaboradores não são convidados a participar das decisões importantes. Mais uma vez, é necessário que a empresa reveja seus conceitos de padronizar os processos, e ofereça oportunidades igualitárias a todas as pessoas, para que participem sempre que possível das decisões que lhes diz respeito. A décima segunda questão era sobre a qualidade dos de recursos materiais disponíveis para a realização das atividades do colaborador. 74% das pessoas afirmaram que são bons; 26 % afirmaram serem excelentes, enquanto ninguém marcou a opção “regulares”. Este quesito não gera preocupação, uma vez que disponibilizar a totalidade dos materiais excelentes pode gerar um custo muito alto 37 para a empresa. O importante é que haja a disponibilidade de tudo que for necessário para o om desempenho das atividades pelos profissionais. A próxima questão era sobre o nível de satisfação no desempenho de suas tarefas. 6,7 % das pessoas afirmaram estarem muito satisfeitas; 86,7% das pessoas disseram estarem satisfeitas, e 6,6 % das pessoas afirmaram estarem insatisfeitas. O Gráfico 4 mostra melhor estes resultados, possibilitando uma análise mais clara. Gráfico 4: Qual seu atual nível de satisfação no desempenho da tarefa? 0% 7% 6% MUITO SATISFEITO SATISFEITO INSATISFEITO 87% MUITO INSATISFEITO Fonte: dados coletados pela autora Estas respostas, apresentadas no gráfico 4, apontam para uma satisfação geral das pessoas com as tarefas desempenhadas, o que é um ponto positivo para a organização, que consegue deixar seus colaboradores satisfeitos com o próprio trabalho. A décima quarta questão era sobre a frequência com que o trabalho exige que as pessoas realizem diversas atividades, permitindo que elas usem suas habilidades e competências pessoais para executá-las, e permitindo também que sejam realizadas atividades criativas e inovadoras. As respostas, que foram bem divididas, são apresentadas no Gráfico 5 para melhor compreensão. 38 Gráfico 5: Grau de inovação das atividades desenvolvidas 20% 33% POUCO MÉDIO MUITO 47% Fonte: dados coletados pela autora Pelas respostas apresentadas, em que a maioria das pessoas disse que é médio ou muito o grau de inovação exigido pelas atividades desenvolvidas, fica explícita a necessidade do reforço dos treinamentos, por dois motivos. O primeiro motivo é que, para quem já percebe o nível elevado de uso de novas tecnologias e inovações, são necessários treinamentos constantes para facilitar seu manuseio e incremento das atividades com elas. O segundo motivo é para afetar os 33% que afirmaram ser pouco o grau de criatividade e inovação exigidos. Treinamentos são capazes de reciclar as pessoas, e apresentar-lhes novas técnicas, novos projetos e novas tecnologias, que poderão ser aplicadas no dia a dia dos colaboradores dentro da instituição. A próxima questão era sobre a disponibilidade de tempo para realização das tarefas. Aqui, 55% das pessoas afirmou que sim, possui tempo disponível, contra 45% das pessoas que responderam que não possui tempo disponível suficiente para a realização de todas as suas tarefas. Assim, pode-se notar que grande parte das pessoas ainda considera seu tempo curto para a realização de suas atividades. Este fato pode ser devido à falta de planejamento e organização destes colaboradores, que precisam sentar com calma e organizar suas atividades por prioridade, adequando-as ao tempo disponível par realizá-las. 39 A questão seguinte era sobre a intensidade da motivação proporcionada pelo trabalho exercido de acordo com a formação profissional do colaborador. 75% das pessoas responderam que é muito motivador o trabalho exercido, contra 25% que responderam ser pouco. Ninguém marcou a opção “negativamente”. Mais um ponto positivo para a empresa, que consegue motivas seus colaboradores, cada qual dentro de sua formação profissional. A décima sétima questão era a respeito da intensidade com que as atividades são finalizadas: se possuem começo, meio e fim, e quais resultados são visíveis e significativos para o colaborador. 13,3% das pessoas responderam que esta intensidade é baixa, que as atividades são finalizadas parcialmente e os resultados não são visíveis. 73,4% das pessoas, por sua vez, afirmou ser média a intensidade, sendo que mesmo parcialmente é possível enxergar as atribuições e resultados de seu trabalho. As outras 13,3% responderam que é alta a intensidade de finalização de trabalhos, enxergando seu trabalho como integral e com resultados facilmente perceptíveis. Estas respostas são visualizadas no Gráfico 6 para melhor análise. Gráfico 6: Intensidade da finalização e percepção de resultados 13% 14% BAIXA MÉDIA ALTA 73% Fonte: dados coletados pela autora Neste aspecto, torna-se necessária atenção especial da instituição estudada, pois a maioria das pessoas não está conseguindo enxergar o resultado do próprio trabalho. A penúltima questão era sobre a intensidade com que o colaborador tem a oportunidade, liberdade e autonomia para decidir o que fazer e como fazer. 6,7 % 40 das pessoas afirmaram que é baixa, pois o trabalho a ser desempenhado já é praticamente todo definido pela instituição. Outros 73,4 % disseram ser média a intensidade, uma vez que o trabalho oferece oportunidade de o colaborador tomar algumas decisões, e outra não. Os demais 19,9% afirmaram que é alta, e que possuem total liberdade para tomar decisões. Mais uma vez, fica evidente a necessidade de padronização dos processos, para que todos os colaboradores possuam as mesmas liberdades e autonomias referentes a seu trabalho. É claro, cada qual dentro de sua capacidade. Porém, deve ser oferecida oportunidade para que todos tenham habilidade e capacidade suficientes para possuir autonomia. Por fim, foi questionado aos entrevistados sobre a maneira geral como se sentem em relação ao conteúdo de sua tarefa. O Gráfico 7 demonstra estas respostas com maior clareza. Gráfico 7: Como o colaborador se sente com relação ao conteúdo de sua tarefa 0% 13% 0% MUITO SATISFEITO SATISFEITO MINSATISFEITO MUITO INSATIFEITO 87% Fonte: dados coletados pela autora Em uma análise desta última questão, é possível observar que existe uma satisfação geral das pessoas com as tarefas que desempenham, e ninguém disse estar insatisfeito nem muito insatisfeito com elas. Porém, é importante mudar a concepção das pessoas que estão apenas satisfeitas para muito satisfeitas, de forma que a motivação atinja seu ponto máximo, pois quanto mais motivados os colaboradores, melhor o desempenho que alcançam, e melhores os resultados obtidos. 41 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho buscou compreender a necessidade de se treinar e reciclar os professores de uma instituição de ensino profissionalizante. Para tal, foi realizada uma pesquisa bibliográfica a respeito do tema. Assim, foram estudados conceitos de treinamento e desenvolvimento, melhores formas de realizá-lo e sua importância para a motivação dos colaboradores e para os resultados da empresa. Foi realizada uma pesquisa quantitativa, através de questionários aplicados a professores da instituição, com questões direcionadas para melhor compreender a atual situação dos professores, no tocante a treinamento, motivação e satisfação com o trabalho desenvolvido. Foi possível concluir que o fornecimento de treinamentos é uma necessidade óbvia e imediata, já percebida pelos colaboradores, e apontada pela pesquisa realizada como principal foco de atenção da empresa no momento. Deve-se oferecer a estes colaboradores cursos de atualização das técnicas de ensino, bem como sobre novas tecnologias e metodologias de ensino disponíveis. Palestras específicas sobre suas áreas de atuação também se fazem necessárias, para que os colaboradores sejam inundados com novas informações, e consigam passar estas inovações para os alunos. Entretanto o resultado da pesquisa representante apenas um indicativo das necessidades encontradas. Assim os resultados não podem ser considerados conclusivos. Foi identificada também a necessidade da formação de uma liderança mais eficiente, que consiga padronizar os processos de tomada de decisão com flexibilidade, para que todos participem de forma igualitária das decisões a respeito de suas próprias tarefas. Outra alteração que a empresa precisa realizar para otimizar sua gestão de pessoas é a formalização e padronização de métodos de avaliação de desempenho, para que os colaboradores passem a ter ciência de o que a empresa espera deles, como eles estão se saindo na função, e o que podem melhorar. Mesmo com alterações a serem feitas, de forma geral a instituição tem conseguido motivar bem seus colaboradores, e eles estão satisfeitos com o trabalho desenvolvido, as atividades que desempenham. A empresa possui um bom índice de retenção de funcionários, uma vez que a grande maioria dos entrevistados possui mais que um ano de tempo de casa, e um 42 percentual considerável trabalha lá há mais de cinco anos. Este fato faz com que valha a pena investir neste capital humano, pois não se corre o risco de gastar tempo e dinheiro com aperfeiçoamento destas pessoas e elas, repentinamente, saírem da empresa. Algumas considerações a serem feitas são também relacionadas a treinamento, porém para aperfeiçoar a forma como os colaboradores agem particularmente. A questão do gerenciamento que cada colaborador consegue fazer de seu próprio tempo é um aspecto a ser trabalhado com os colaboradores. Através de um treinamento sobre planejamento de atividades e do tempo, será possível que os colaboradores dividam melhor suas atividades dentro do tempo que possuem para desempenhá-la. Através dos ajustes sugeridos, é certo que os níveis de motivação dos colaboradores se elevarão, e assim os resultados que a empresa será capaz de obter serão cada vez melhores, além do valor do capital humano crescer exponencialmente. 5.1 Sugestões para a empresa Criação de um programa de avaliação do desempenho, que ofereça as mesmas opções para todas as pessoas. Elaboração e fornecimento de treinamentos e cursos de atualização constantes, e não de forma pontual e pouco frequente. Definição de uma liderança firme, que consiga influenciar e motivar as pessoas. Flexibilizar o processo de tomada de decisão, de forma a torná-lo acessível a todos os colaboradores de forma igualitária. Fornecer maneiras que facilitem o planejamento do tempo dos colaboradores, seja através de treinamentos, softwares, cursos ou palestras. 5.2 Limitações da pesquisa Falta de disponibilidade de material bibliográfico atualizado; Ausência de pesquisas anteriores realizadas na instituição, o que gerou muitas dúvidas nos colaboradores sobre a resposta ao questionário. 43 5.3 Sugestões para trabalhos futuros Realização de uma pesquisa mais profunda, sobre em quais áreas são mais necessários os treinamentos. Pesquisa sobre a atual liderança da instituição. 44 REFERÊNCIAS CAMPOS, Alexandre de. Administração Guia Prático e Didático.1. ed. São Paulo: Érica, 2013. CHIAVENATO, Idalberto. Gestão de Pessoas. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. ______. Recursos Humanos. São Paulo: Atlas, 2002. DARNETTO, André Luiz. Mais concerto e menos conserto. Disponível em: <http://www.visagio.com/blog/2013/09/mais-concerto-e-menos-conserto-comotransformar-as-pessoas-em-diferencial-competitivo-nas-organizacoes/>. Acesso em 21 ago. 2013. GUIMARÃES, Sebastião. Definição das necessidades de treinamento. Disponível em: <http://www.rh.com.br/Portal/Desenvolvimento/Artigo/4687/definicao-dasnecessidades-de-treinamento.html>. Acesso em 21 ago. 2013. LACERDA, Sergio. Marketing. 2010. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/artigos/marketing/capacitacao-profissional-e-onovo-cenario-das-organizacoes/46146>. Acesso em 21 ago.2013 MARRAS, Jean Pierre. Administração de Recursos Humanos. São Paulo: Futura, 2001. OLIVEIRA, Thaís Fátima L. Administração de Recursos Humanos. Disponível em: <http://www.artigos.com/artigos/sociais/administracao/recursoshumanos/administracao-de-recursos-humanos-1283/artigo/#.Umgb6Pmkq3g>. Acesso em 22 ago. 2013. REBOUÇAS, Fernando. Como reter bons funcionários na empresa. Disponível em: <http://www.infoescola.com/administracao_/como-reter-bons-funcionarios-naempresa>. Acesso em 21 ago.2013 SALVADOR, Jocelito André. Diagnóstico de Necessidades de Treinamento e Desenvolvimento: a solução para todos os problemas da área de RH/TeD?. Disponível em: <http://conducereconsultoria.blogspot.com.br/2012/10/diagnosticode-necessidades-de.html>. Acesso em 23 ago. 2013. 45 SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do Trabalho Científico. São Paulo: Cortez, 2011. TREINAMENTO. Disponível em: <http://www.green.com.br/conteudo/treinamento.htm>. Acesso em 22 ago. 2013. VERGARA, Sylvia Constant. Projetos Administração. São Paulo: Atlas, 2010. e Relatórios de Pesquisa em 46 APÊNDICE QUESTIONÁRIO DE LEVANTAMENTO DE NECESSIDADES Este questionário foi desenvolvido para avaliar a necessidade de Treinamento e desenvolvimento dos colaboradores de uma Instituição de Ensino Profissionalizante e é parte integrante do Trabalho de Conclusão do Curso de Administração. 1. Tempo de serviço: A. ( ) menos de 01 ano B. ( ) de 01 a 02 anos que trabalha na empresa C. ( ) mais de 03 anos que trabalha na empresa 2. Existe na entidade pessoa responsável que forneça direção, metas, informações e confiança necessária para a execução dos processos operacionais e a melhoria da organização? A. ( ) sim B. ( ) não 3. A organização proporciona treinamento e desenvolvimento às pessoas para atuarem adequadamente em seus processos operacionais e de melhoria? A. ( ) sim B. ( ) não C. ( ) às vezes 4. Existem mecanismos de avaliação de desempenho que possibilitem a orientação das tomadas de decisão, avaliação de desempenho dos processos e dos indivíduos? A. ( ) sim B. ( ) não 5. Os treinamentos e cursos oferecidos pela empresa satisfazem suas necessidades de formação e aperfeiçoamento? A. ( ) sim B. ( ) não 6. A organização estabelece claramente o que espera de você em relação ao seu desempenho individual? A. ( ) sim B. ( ) não 47 7. Até que ponto você considera que o seu trabalho oferece oportunidades e condições de crescimento pessoal? A. ( ) muito B. ( ) pouco C. ( ) nada 8. Você está satisfeito com o trabalho que executa? A. ( ) muito B. ( ) pouco C. ( ) nada 9. Você se sente integrado na sua empresa? A. ( ) muito B. ( ) pouco C. ( ) nem um pouco 10. No seu ponto vista, existe uma política voltada a treinamento na sua empresa? A. ( ) sim B. ( ) não 11. Você tem oportunidade de participar do processo de tomada de decisões, que envolvem seu setor? A. ( ) sempre B. ( ) quase sempre C. ( ) nunca 12. Os recursos materiais disponíveis para a realização de minhas atividades são disponíveis? A. ( ) Excelentes B. ( ) Bons C. ( ) Regulares 13. Qual o nível de satisfação no desempenho de sua tarefa? A. ( ) muito satisfeito B. ( ) satisfeito C. ( ) muito insatisfeito D. ( ) insatisfeito 14. Com que frequência seu trabalho exige que você faça diversas atividades diferentes permitindo que você use várias de suas habilidades e competências pessoais para executá-las e permitindo também, que você realize atividades criativas e inovadoras? A. ( ) pouca ( são sempre as mesmas rotinas) B. ( ) média C. ( ) muita 48 15. Você tem tempo disponível para planejar suas tarefas? A. ( ) sim B. ( ) não 16. Conforme sua formação profissional, seu trabalho exercido atualmente é motivador em que intensidade? A. ( ) muito B. ( ) pouco C. ( ) negativamente 17. Com qual intensidade suas atividades são finalizadas, tem começo, meio e fim e com resultados visíveis significativos para você? A. ( ) baixa (parcialmente e os resultados não são visíveis) B. ( ) média (mesmo parcialmente é possível perceber minhas atribuições C. ( ) alta: meu trabalho é integral e consigo perceber facilmente os resultados 18. Com qual intensidade você tem oportunidade, liberdade e autonomia para decidir o que fazer e como fazer (programar, escolher local, método e equipamento)? A. ( ) baixa: pois o trabalho já é praticamente definido B. ( ) média: só dá oportunidade de tomar algumas decisões C. ( ) alta: dá quase total liberdade para tomar decisões 19. De uma maneira geral, como você se sente em relação ao conteúdo de sua tarefa? A. ( ) muito satisfeito B. ( ) satisfeito C. ( ) muito insatisfeito D. ( ) insatisfeito